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WBA0321_v1.0 AVALIAÇÃO DE BENS DE PATRIMÔNIOS HISTÓRICOS, ARTÍSTICOS E EMPREENDIMENTOS APRENDIZAGEM EM FOCO 2 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Autoria: Julia Farah Ribeiro Leitura crítica: Rosangela Bomtempo de Siqueira Esta disciplina tem como principal objetivo introduzir o aluno ao campo das avaliações de bens de patrimônios e empreendimentos. Assim, ao longo de todo o conteúdo são colocadas, primeiro, discussões introdutórias, que visam explicar o que são bens de patrimônios históricos e artísticos, bem como o que são empreendimentos. Ainda, apresenta-se o conceito de avaliação - o que é, para que serve, para quem é feita e como fazê-la. Posteriormente, apresenta-se de forma mais detalhada os métodos de avaliação existentes e as possibilidades de utilização em cada contexto. No caso dos bens de patrimônios, após a compreensão de como surgiu o conceito de patrimônio e como se dá a sua preservação no Brasil, são apontados e explicados os três principais métodos de avaliação de bens. São eles: a Metodologia Condephaat; Metodologia Kaskantzis; e a metodologia indicada pela norma técnica NBR 14.653-7. Quanto aos empreendimentos, o conteúdo também se inicia com importantes conceitos a ele relacionados e, em seguida, são apontadas metodologias de avaliação. De início, apresenta- se a NBR 14.653-4, e em seguida, métodos mais específicos, a saber: Métodos espontâneos; Metodologia Checklist; Métodos de Matrizes de Interação; Redes de Interação; Superposição de cartas; Modelos de Simulação; e Metodologias Quantitativas. Para cada método, procura-se explicar suas características 3 estruturantes, o enfoque de cada tipo de estudo, as vantagens e as deficiências. Aprofundando nas possibilidades de avaliação, têm- se os exemplos de Avaliação de Impacto Ambiental e Avaliação Pós-Ocupação. Pretende-se que, com as explicações e exemplos, todos os alunos adquiram o embasamento teórico necessário para quando lhes for solicitado a execução de procedimentos avaliatórios. Por fim, discute-se a produção de laudos de avaliação. Para tanto, são exploradas as atividades preliminares à escrita do laudo. Tais atividades são: vistoria; levantamento de dados do mercado; escolha de metodologia de avaliação; tratamento dos dados coletados e especificação da avaliação. Objetivamente quanto à realização de laudo de avaliação é apresentada a sua estrutura, os dados necessários, os objetivos, principais finalidades e os requisitos para correto preenchimento. Todo o percurso traçado nas discussões – seja nos temas acerca do patrimônio, de empreendimentos, as metodologias de avaliação e a estrutura dos laudos – é embasado em referencial teórico-científico, dentro do qual deve-se destacar a norma técnica NBR 14.653 e suas partes 4 e 7, que tratam da avaliação de empreendimentos e bens de patrimônios, respectivamente. INTRODUÇÃO Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática profissional. Vem conosco! TEMA 1 Introdução aos conceitos da avaliação de bens de patrimônios históricos e artísticos e suas metodologias de avaliação ______________________________________________________________ Autoria: Julia Farah Ribeiro Leitura crítica: Rosangela Bomtempo de Siqueira 5 DIRETO AO PONTO O reconhecimento dos valores das paisagens urbanas, sua caracterização como bem cultural e a preocupação com a sua preservação no tempo histórico derivam do amadurecimento das discussões oitocentistas sobre a própria compreensão do significado de patrimônio cultural (RIBEIRO, 2017). Esse alargamento conceitual foi gradativo, tanto na sua aceitação teórica quanto nas aplicações práticas, sendo necessárias várias décadas para que o conceito de patrimônio fosse, de fato, assimilado para além da escala restritiva de monumentos individuais. O entendimento mais claro do valor cultural dos conjuntos arquitetônicos e urbanos, bem como os princípios teóricos que atuam sobre eles, são aquisições conceituais que vieram a ser devidamente contempladas em documentos internacionais do século XX, principalmente pelas Cartas Patrimoniais. Em um panorama geral, pode-se dizer que as Cartas Patrimoniais constituem um arcabouço teórico fundamental para o amadurecimento da concepção de patrimônio na contemporaneidade, mesmo que ainda hoje persistam desafios quanto às demandas econômicas e lacunas técnicas e políticas. Essas discussões positivas tiveram entre suas mais importantes contribuições “o alargamento do conceito de bem cultural e a abertura de novos caminhos interpretativos para a seleção de tombamentos e a ação prática de tutela” (RUFINONI, 2013, p. 178), o que proporciona a expansão do conceito de patrimônio cultural para um conjunto de artefatos cada vez maior e mais variado. Na figura a seguir observe exemplos de subdivisões do que hoje reconhecemos como patrimônio histórico e cultural. 6 Figura 1 – Diagrama dos conjuntos que compõem o patrimônio histórico e cultural Fonte: elaborada pela autora. Em decorrência dessa ampliação conceitual, ainda hoje, definir o valor de um bem de interesse ao patrimônio histórico e cultural é uma tarefa complexa. Para realizá-la, existem alguns métodos que podem auxiliar e eles podem ser escolhidos conforme as informações disponíveis dos fatores considerados como centrais. Por exemplo: a metodologia do Condephaat privilegia os fatores culturais, a metodologia Kaskantzis baseia-se em uma perspectiva ambiental e a NRB NBR 14.653 nas questões econômicas. Estes métodos serão aprofundados ao longo dos estudos. 7 Referências bibliográficas RIBEIRO, J. F. Para além do centro histórico: valores e sentidos do patrimônio edificado de Espírito Santo do Pinhal. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas – AU/FEC- UNICAMP. Campinas, SP: 2017. Disponível em: http://repositorio. unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/331023. Acesso em: 27 set. 2020. RUFINONI, M. R. Preservação e restauro urbano: intervenções em sítios históricos industriais. São Paulo: Fap- Unifesp: Edusp, 2013. Disponível em: https://www.academia. edu/30226923/Preserva%C3%A7%C3%A3o_e_Restauro_Urbano_ interven%C3%A7%C3%B5es_em_s%C3%ADtios_hist%C3%B3ricos_ industriais. Acesso em: 27 set. 2020. PARA SABER MAIS Ao longo do texto foram mencionados alguns conceitos importantes para o entendimento das questões que envolvem o patrimônio histórico e cultural. Assim, será apresentado um quadro explicativo desses conceitos (Quadro 1): 8 Quadro 1 – Quadro explicativo de conceitos estruturantes Conceitos estruturantes: Conservação: conjunto de ações destinadas a prolongar o tempo de vida de determinado bem cultural. Engloba um ou mais tipos de intervenções. Restauração ou Restauro: conjunto de operações destinadas a restabelecer a unidade da edificação, relativa à concepção original ou de intervenções significativas na sua história. O restauro deve ser baseado em análises e levantamentos inquestionáveis e a execução permitir a distinção entre o original e a intervenção. A restauração constitui o tipo de conservação que requer o maior número de ações especializadas. Tombamento: tombamento é um instrumento jurídico criado por lei federal – Decreto-lei nº 25 de 1937 (DL 25/37) – que tem como objetivo impor a preservação de bens materiais, públicos ou privados, aos quais se atribui valor cultural para a comunidade onde estão inseridos. Ainda, foi por força da Constituição de 1988 que o Decreto-lei nº 25 tornou-se norma geral nacional sobre tombamento, a ser aplicada pelos três entes federativos. Inventário: o termo inventário, de acordo com a sua etimologia, se origina do termo latino inventarium, com o sentido de “achar”, ou, em outras palavras, pôr à mostra, dar a conhecer(HOUAISS, 2016). O termo inventário associa-se ao termo patrimônio – entendido como o conjunto de bens que pertencem a alguém, herdados ou adquiridos. No caso do patrimônio cultural, inventariar os bens significa produzir um conhecimento que necessariamente parte do estabelecimento de critérios, pontos de vista e recortes sobre determinados universos sociais e territoriais. Pode-se dividir os inventários em três tipos: inventários de identificação, inventários de proteção e inventários científicos. Fonte: elaborado pela autora. 9 Referências bibliográficas MOTTA, L.; REZENDE, M. B. Inventário. Dicionário do Patrimônio Cultural – IPHAN. RABELO, S. Tombamento. Dicionário do Patrimônio Cultural – IPHAN. BRASIL. Ministério da Cultura. Instituto do Programa Monumenta. Manual de elaboração de projetos de preservação do patrimônio cultural. Brasília: Ministério da Cultura, Instituto do Programa Monumenta, 2005. 76 p. (Programa Monumenta, Cadernos Técnicos 1). Disponível em: http://portal.iphan.gov. br/uploads/publicacao/CadTec1_Manual_de_Elaboracao_de_ Projetos_m.pdf. Acesso em: 27 set. 2020. TEORIA EM PRÁTICA De acordo com a norma NBR 14.653 (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2001), a avaliação de um imóvel deve ser realizada por um engenheiro e/ou arquiteto, uma vez que no processo de avaliar existem situações que, cada vez mais, têm exigido a presença de técnicos especializados (principalmente quando estamos tratando de imóveis que são considerados como patrimônio – a exemplo dos bens tombados). Desta forma, é necessário um planejamento inicial. É nessa etapa que será analisada e escolhida a metodologia de avaliação adequada para cada situação. Nesse ponto também serão verificados quesitos para a execução desta tarefa. Quais fatores/ quesitos você considera essenciais para conseguir fazer a avaliação de um bem arquitetônico? Você conseguiria traçar um 10 Lorem ipsum dolor sit amet Autoria: Nome do autor da disciplina Leitura crítica: Nome do autor da disciplina passo a passo para a execução dessa avaliação? As etapas de vistoria do imóvel e coleta de dados e variáveis relevantes para pesquisa de mercado devem, ou não, estar inseridas nesse seu passo a passo? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 O artigo científico Patrimônio Arquitetônico: conceitos contemporâneos, políticas públicas e TICs tem como objetivo tratar de conceitos estruturantes e documentos base para o campo do Patrimônio (tais como as Cartas Patrimoniais), por meio de uma ótica contemporânea. Discute, ainda, a necessidade de, cada vez mais, incluirmos ferramentas tecnológicas dentro das políticas públicas de promoção, valorização e preservação do patrimônio histórico e cultural. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra.FRONER, Y. Patrimônio Arquitetônico: conceitos contemporâneos, políticas públicas e TICs. DISEGNARECON, v. 5, n. 10, p. 87-94, 2012. Indicações de leitura 11 Indicação 2 O artigo Conhecer para proteger: culturas e salvaguarda do patrimônio arquitetônico em duas capitais lusófonas apresenta uma pesquisa cujo objetivo é identificar e analisar questões envolvidas na salvaguarda do patrimônio arquitetônico nas cidades de Salvador (Bahia – Brasil) e Lisboa (Portugal), por meio de influências das dimensões arquitetônica e legislativa. A pesquisa realizada aponta para similaridades entre arquiteturas e legislações de proteção, mas discrepância entre os instrumentos de proteção, recursos humanos e materiais empreendidos na salvaguarda dos respectivos bens protegidos. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra.LOPES, Rodrigo Cit Ramos.; FANTINEL, Letícia Dias. Conhecer para proteger: culturas e salvaguarda do patrimônio arquitetônico em duas capitais lusófonas. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas, v. 14, n. 105, p. 139-164, 2013. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 12 1. Assinale a alternativa que corresponde ao termo correto para completar a lacuna presente na descrição a seguir: O ___________ é um instrumento jurídico criado pelo Decreto- lei nº 25 de 1937 e que tem por objetivo impor a preservação de bens materiais, públicos ou privados, aos quais se atribui valor cultural para a comunidade na qual estão inseridos. Ainda, foi por força da Constituição de 1988 que o Decreto-lei nº 25 tornou-se norma geral nacional sobre esse instrumento de preservação patrimonial, a ser aplicada pelos três entes federativos. a. Inventário. b. Tombamento. c. Avaliação. d. Restauração. e. Conservação. 2. Para realizar a avaliação de um imóvel de interesse ao patrimônio histórico e cultural existem várias metodologias. Cada uma delas tem suas particularidades, a depender dos fatores considerados como centrais em cada uma delas. Os métodos do Condephaat, Kaskantzis e NRB NBR 14.653 têm como centrais quais fatores, respectivamente? (Assinale a alternativa que apresenta esses fatores na ordem correta). a. Fatores culturais; ambientais; econômicos. b. Fatores sociais; econômicos; ambientais. c. Fatores econômicos; históricos; culturais. d. Fatores culturais; sociais; econômicos. e. Fatores tecnológicos; econômicos; sociais. 13 GABARITO Questão 1 - Resposta B Resolução: O termo que corresponde à descrição apresentada é Tombamento. Ver Para saber mais. Questão 2 - Resposta A Resolução: A metodologia Condephaat privilegia os fatores culturais, a Kaskantzis baseia-se em uma perspectiva ambiental e a NRB NBR 14.653 nas questões econômicas. Ver Direto ao ponto. TEMA 2 Introdução aos conceitos da avaliação de empreendimentos e suas metodologias de avaliação ______________________________________________________________ Autoria: Julia Farah Ribeiro Leitura crítica: Rosangela Bomtempo de Siqueira 15 DIRETO AO PONTO A avaliação econômica de empreendimentos – especialmente no mercado da construção civil –, é, em muitos casos, realizada de maneira intuitiva pelos donos das empresas ou pelos profissionais responsáveis pelas tomadas de decisões. Assim, essa tarefa tende a não levar em consideração as técnicas adequadas à análise de investimentos e dos dados existentes sobre ele; por consequência, essas decisões podem acarretar resultados antagônicos à realidade dos mercados. Ainda, a realização de incorporações imobiliárias é conhecida por sua complexidade, uma vez que é composta por muitos elementos e grandes riscos, consequência dos investimentos que são exigidos antecipadamente ao lançamento do produto final para venda. Acrescido isso, há outro fator de risco: o tempo. Esse tipo de empreendimento tem um longo tempo de maturação (desde a localização do terreno até a entrega final das unidades – exemplo geral). Nesse período de maturação, as expectativas e demandas costumam sofrer modificações, que, por sua vez, incidem diretamente sobre a velocidade e capacidade de venda do produto. Nesse contexto, é preciso que se entenda de forma clara que a realização de processos intuitivos de avaliação de rentabilidade de empreendimentos imobiliários é uma prática de alto risco para um investidor. Quanto mais atrelada a uma metodologia científica a avaliação for, maiores são as chances do resultado dela corresponder, de fato, à realidade. 16 O processo de análise de empreendimentostem como foco principal a avaliação econômica de decisões sobre ele e tem grandes possibilidades de aplicação, visto que os investimentos podem vir de empresas privadas, instituições governamentais e particulares. Qualquer que seja a situação, deve ser feita uma análise criteriosa de todos os ingressos e desembolsos de recursos envolvidos (considerar para a análise um recorte temporal preestabelecido para cada caso) (ABREU, 2008). Observe a imagem a seguir, que ilustra o cenário descrito: Figura 1 – Exemplo de áreas de conhecimento necessárias em um empreendimento Fonte: elaborada pela autora (baseado em ROSENFELD et. al., 2006). Em linhas gerais, podemos dividir o processo de elaboração e execução de um empreendimento – a exemplo de incorporações imobiliárias – em cinco fases (TAVARES JR et. al, 2007; ABREU et. al., 2008). A saber: 1. Identificação da ideia: momento da concepção da ideia e, em seguida, criação de base de dados para avaliar se essa ideia merece ser estudada ou não. 2. Estudo de pré-viabilidade: caso a ideia seja considerada viável (na etapa anterior), esta deve ser aprofundada. Neste momento executa-se um projeto preliminar. 17 3. Estudo de viabilidade: realizado caso o estudo de pré- viabilidade justifique investir em um estudo definitivo (o estudo de viabilidade). 4. Detalhamento da engenharia: é realizado caso o projeto seja considerado viável. Permite a sua execução. Assim, nele é necessário detalhar aspectos definidos nas etapas anteriores. 5. Execução: compreende desde a realização de concorrências e contratações de serviços, até a construção de obras (a depender de cada caso). Cumpre enfatizar que em todas essas fases do projeto deve ser submetido a um processo de avaliação, aprofundado à medida que o detalhamento e as complexidades crescem Referências bibliográficas ABREU, C. A. C. de; BARROS NETO, J. de P.; HEINECK, L. F. M. Avaliação econômica de empreendimentos imobiliários residenciais: uma análise comparativa. Anais do XXVIII Encontro nacional de engenharia de produção. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/6066. Acesso em: 27 set. 2020. ROZENFELD, H. et al. Gestão de desenvolvimento de produtos: uma referência para a melhoria do processo. São Paulo: Editora Saraiva, 2006. 544 p. TAVARES JUNIOR, C.; CASTRO, M. A. F. de; BRAGA, F. O. Análise expedita de viabilidade econômico-financeira de investimento imobiliário aplicada a empreendimento residencial unifamiliar – um estudo de caso. Revista Tecnologia. Fortaleza, v. 28, n. 2, p. 18 210-221, 2007. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/tec/ article/view/58. Acesso em: 27 set. 2020. PARA SABER MAIS Para concretizar um empreendimento, o empreendedor deve ter em mente seus objetivos e também os riscos inerentes a essa iniciativa. Portanto, é importante que sempre se faça primeiro um estudo de viabilidade. Nesse sentido, para que o estudo de viabilidade atinja resultados próximos da realidade, é preciso que este disponha de um modelo científico adequado para aplicação, conhecimento dos cenários e habilidade para interpretar os indicadores a serem aplicados nessa pesquisa. Existe uma grande variedade de técnicas para a análise econômica e financeira de um empreendimento. Todas elas têm em comum o fato serem baseadas em fluxos de caixa descontados, analisando índices como: Valor Presente Líquido, Índice de Lucratividade, Taxa Interna de Retorno e Payback. Vejamos o que os esses termos supramencionandos significam na prática (Quadro 1): 19 Quadro 1 - Termos considerados na análise econômica e financeira de um empreendimento Conceitos importantes: Valor Presente Líquido (VPL): em linhas gerais, o VPL é o somatório dos fluxos de caixa descontados do projeto em análise. Ou seja, é igual à diferença entre o valor presente das entradas líquidas de caixa associadas ao projeto e ao investimento inicial necessário, com o desconto dos fluxos de caixa feito a uma taxa x definida pela empresa (ou empreendedor). Um projeto é viável quando seu VPL é positivo. Índice de Lucratividade (IL): este índice serve para estabelecer a razão entre o saldo dos valores presentes das entradas e saídas líquidas de caixa do projeto e o investimento inicial. Entre os especialistas há um consenso preestabelecido de que são aceitos investimentos cujo índice de lucratividade seja maior ou igual a um. IL = Valor presente dos ingressos ÷ Valor presente dos desembolsos Taxa Interna de Retorno (TIR): é a taxa média de desconto de fluxo de caixa. Em outras palavras, é a taxa que torna o valor presente dos fluxos de caixa igual ao investimento inicial. É a mínima taxa de retorno que garante a recuperação da quantidade investida. Payback: é um critério de análise que determina o número de períodos que um determinado investimento demora para se pagar ao investidor. Ou seja, é o tempo de recuperação do investimento. Em geral, são aceitos investimentos cujo período de payback seja menor ou igual ao período máximo aceito pelos investidores. Fonte: elaborado pela autora. Referências bibliográficas ABREU, C. A. C. de; BARROS NETO, J. de P.; HEINECK, L. F. M. Avaliação econômica de empreendimentos imobiliários 20 residenciais: uma análise comparativa. Anais do XXVIII Encontro nacional de engenharia de produção. Rio de Janeiro. 2008. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/6066. Acesso em: 27 set. 2020. TAVARES JUNIOR, C.; CASTRO, M. A. F. de; BRAGA, F. O. Análise expedita de viabilidade econômico-financeira de investimento imobiliário aplicada a empreendimento residencial unifamiliar–um estudo de caso. Revista Tecnologia. Fortaleza, v. 28, n. 2, p. 210- 221, 2007. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/tec/article/ view/58. Acesso em: 27 set. 2020. TEORIA EM PRÁTICA Conforme as discussões apresentadas nesta disciplina, percebemos que o estudo que precede o lançamento de um empreendimento é fundamental para que o investimento não seja realizado somente sob critérios meramente subjetivos. Tomemos como exemplo um empreendimento residencial unifamiliar, realizado por uma empresa atuante na área de investimentos no mercado imobiliário da cidade de Belo Horizonte/MG. É correto afirmar que, se fôssemos chamados para realizar uma avalição prévia de viabilidade do empreendimento, além dos índices a serem analisados na avaliação econômico-financeira, deveríamos também considerar o perfil da empresa em questão? Como ela pode influenciar no resultado final do empreendimento? Um mesmo empreendimento pode ser positivo ou negativo a depender do perfil do empreendedor (ou da empresa empreendedora)? 21 Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Esta dissertação de mestrado traz à luz a discussão de que na cidade de Lisboa o crescimento imobiliário tem mostrado o surgimento de um grande número de empreendimentos focados no conceito de sustentabilidade. Contudo, segundo o estudo, não há uma metodologia clara quanto à avaliação desta sustentabilidade. Discute-se, então, como é possível medir a sustentabilidade desses empreendimentos. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra.COELHO, A. M. Proposta para um indicador global de avaliação da sustentabilidade ambiental de empreendimentos (IGSA). Dissertação de Mestrado. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Departamento Arquitetura, Urbanismo, Geografia e Artes Plásticas. Lisboa, 2008. Indicação 2 É sabido que a avaliação de empreendimentos tem grande importância no esforço de melhoria da habitação de interesse social, podendo auxiliar na avaliação de resultados e na Indicações de leitura 22 identificação de erros e acertos frente aos objetivos e ações do projeto. Entretanto, a diversidade dasdinâmicas de programas habitacionais e a falta de clareza nos objetivos dos empreendimentos dificultam o processo de avaliação desse tipo de produto. Este artigo propõe e apresenta um modelo para estruturar as avaliações de empreendimentos habitacionais de interesse social, adotando uma hierarquia de valor que vincula os atributos às suas consequências de uso e aos objetivos esperados. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. BONATTO, F. S.; MIRON, L. I. G.; FORMOSO, C. T. Avaliação de empreendimentos habitacionais de interesse social com base na hierarquia de valor percebido pelo usuário. Ambiente construído (periódico online). ISSN 1678-8621. 2011, vol. 11, n. 1, p. 67-83. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. O Valor Presente Líquido (VPL) é algebricamente descrito como a somatória dos fluxos de caixa descontados do projeto em análise. No campo prático são aceitos os investimentos com 23 valor presente líquido maior ou igual a zero. Sobre as vantagens de se adotar o VPL nas análises de viabilidade de empreendimentos, assinale a alternativa que julga corretamente como verdadeiro (V) ou falso (F) as afirmações a seguir: (__) É uma medida variável de valor. (__) Evidencia uma noção do risco envolvido. (__) Considera o valor do dinheiro no tempo. (__) É consistente com o objetivo das organizações. (__) Não considera todos os fluxos de caixa envolvidos. a. V - F - V - V - V. b. F - V - V - V - F. c. V - F - F - V - V. d. V - V - V - F - V. e. V - F - V - F - V. 2. Sabemos que existem muitos métodos para se realizar uma análise econômica e financeira de um empreendimento, sendo que todas têm como base os fluxos de caixa descontados. Para tanto, pode-se usar índices tais como: Valor Presente Líquido, Índice de Lucratividade, Taxa Interna de Retorno e Payback. Com base nesse princípio, complete a explanação a seguir com os conceitos adequados e assinale a alternativa correspondente: “Não é um bom critério de classificação, dado que em comparações de projetos há a possibilidade de ocorrência de situações onde o projeto de maior _________ tenha menor _________. Neste caso, a melhor alternativa é o 24 _________, que representa uma medida absoluta de valor em moeda (R$). A _________ é melhor utilizada como um critério para auxiliar o _________ na tomada de decisão.” (ABREU et Al., 2008, p. 5). a. TIR; VPL; VPL; TIR; VPL. b. IL; VPL; TIR; VPL; VPL. c. VPL; TIR; VPL; Payback; IL. d. TIR; IL; TIR; IL, TIR. e. VPL; TIR; VPL; TIR; Payback. GABARITO Questão 1 - Resposta B Resolução: A primeira afirmação está incorreta, pois o VPL é uma medida absoluta de valor, e não variável. A última afirmação, por sua vez, está incorreta, pois o VPL considera, sim, todos os fluxos de caixa envolvidos. Questão 2 - Resposta A Resolução: Os únicos conceitos adequados nesta explanação são: Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno. A ordem correta para completar com lógica o parágrafo apresentado é: TIR; VPL; VPL; TIR; VPL. TEMA 3 Procedimentos específicos quanto à avaliação de empreendimentos ______________________________________________________________ Autoria: Julia Farah Ribeiro Leitura crítica: Rosangela Bomtempo de Siqueira 26 DIRETO AO PONTO As diversas metodologias de avaliação de empreendimentos são importantes, pois indicam a possibilidade de adoção de modelos específicos e adequados para cada caso a ser analisado. Vimos que existem as Avaliações de Impacto Ambiental (AIA), com sua ampla gama de modelos avaliativos, e as Avaliações de Pós- Ocupação, por exemplo. Assim, vamos refletir um pouco mais sobre as Avaliações de Pós-Ocupação (APOs). Essas avaliações (as APOs), como o próprio nome indica, são realizadas no período de uso dos empreendimentos. Nesse sentido, uma das principais motivações para realizá-las é a possibilidade de verificar a adequação real do edifício construído, por exemplo, em relação ao seu projeto. Ainda, alguns autores enfatizam que as APOs possibilitam refinar o controle de qualidade dos empreendimentos, além de facilitar o diagnóstico de reclamações por parte dos usuários e possibilitar o planejamento de inovações futuras (ZIMRING, 2002 apud BONATTO, 2010). Portanto, essa avaliação beneficia não só o objeto de estudo, como também permite a identificação de melhorias para projetos futuros. Ainda, suas vantagens (ou benefícios) podem ser divididas em três grupos, apontados no Quadro1. 27 Quadro 1 – Tabela com as vantagens a curto, médio e longo prazo nas APOs Fonte: elaborado pela autora (baseando-se em BONATTO, 2010). Ao evidenciar os pontos a serem melhorados, a APO expõe pontos que podem ser lidos como fracassos do profissional que projetou o espaço em questão. Referências bibliográficas BONATTO, S. F. Proposta de um modelo para avaliação de empreendimentos habitacionais de interesse social a partir da percepção de clientes finais. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Porto Alegre, 2010. 178 p. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/32018. Acesso em: 27 set. 2020. 28 PARA SABER MAIS A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) foi um dos conceitos abordados na Leitura Digital. Tendo entendido previamente as principais características dessas metodologias de avaliação, vejamos no quadro a seguir uma comparação entre as principais vantagens e desvantagens de cada uma: Quadro 2 – Quadro comparativo entre métodos de AIA Métodos Vantagens Desvantagens AD HOC • Forma simples e compreensiva. • Adequado para casos de escassez de dados. • Fornece orientações para outras avaliações. • Não aprofunda a avaliação nem os impactos secundários. • Não identifica nem examina o impacto de todas as variáveis ambientais. Checklists • Adequada para análises preliminares, indicando a priori os impactos mais relevantes. • Instiga a avaliação das consequências. • Não mostra interrelações entre os fatores ambientais. • Impossibilidade de identificar impactos secundários e fazer predições. 29 Matrizes de Interação • Acomoda dados quantitativos e qualitativos. • Fornece boa orientação para prosseguimento dos estudos. • Não identifica inter- relações. • Não considera valores e conflitos. Networks • Fornece boa orientação para prosseguimento dos estudos. • Grandes ações resultam em redes extensas e sem valor prático. Superposição de Cartas • Permite identificação da extensão dos impactos. • Facilita a comparação com e sem o projeto. • Útil em grandes projetos e seleção de alternativas. • Dificuldade na escolha dos parâmetros a serem mapeados e valorização dos impactos. • Uso limitado pela superposição de muitos mapas. Modelos de Simulação • Rapidez pelo uso de computadores. • Útil para projeto de usos múltiplos. • Possibilidade de utilização após o início da operação. Depende da disponibilidade e qualidade dos dados. Requer especialistas para o desenvolvimento de modelos matemáticos. Metodologias Quantitativas • Permite envolvimento de diferentes equipes de especialistas. Índice global resultado de soma de impactos de natureza distintas. Fonte: elaborado pela autora (baseando-se em PIMENTEL et al., 1992). Referências bibliográficas PIMENTEL, G.; PIRES, S. H. Metodologias de avaliação de impacto ambiental: aplicações e seus limites. Revista de Administração30 Pública, v. 26, n. 1, p. 56-68, 1992. Disponível em: http:// bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/view/8812. Acesso em: 27 set. 2020. TEORIA EM PRÁTICA Quanto às Avaliações de Impacto Ambiental (AIA), por não existir um método ideal, quando da sua aplicação prática faz-se necessária uma composição de métodos e técnicas para cada estudo. No caso do empreendimento de uma Usina Hidrelétrica você estudou (ver Leitura Digital) que Carlos Eduardo F. Young et al. (2011) propõe uma nova metodologia. Nesse sentido, reflita: Uma das etapas de trabalho propostas por Young et al. (2001) é a aplicação de questionários para coleta de dados primários. Quais informações podem e devem ser coletadas nesta tarefa? A população afetada deve ser abordada para essa coleta de informações? Os gestores públicos também? Deve-se questionar sobre mudanças tanto no quadro econômico quanto no socioambiental? Quais os temas principais a serem abordados? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 31 LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Este artigo apresenta o resultado de uma pesquisa cujo objetivo foi verificar o uso de metodologias de avaliação de impacto ambiental (AIA) em estudos de caso realizados no estado do Ceará. O trabalho em questão envolveu o levantamento exploratório das metodologias de avaliação de AIA mais utilizadas pelos empreendedores cearenses, verificando o grau de relacionamento entre as principais variáveis de caráter ambiental. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra.DE OLIVEIRA, F. C.; DE MOURA, H. J. T. Uso das metodologias de avaliação de impacto ambiental em estudos realizados no Ceará. Revista Pretexto, v. 10, n. 4. 2009. Indicação 2 Este segundo artigo busca trazer uma contribuição aos procedimentos para aplicação da APO em edifícios de escritórios no Brasil. Para tanto, apresenta uma simulação de implantação de metodologias de Avaliação Pós-Ocupação em dois escritórios, localizados em áreas comerciais de referência na cidade de São Paulo (SP), cujas instalações e serviços de apoio apresentam características parcialmente automatizadas. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra. ORNSTEIN, S. W. Avaliação Pós-Ocupação aplicada em edifícios de Indicações de leitura 32 escritórios: alguns aspectos metodológicos e resultados. Revista Pós (Revista do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAUUSP), n. 7, p. 94-108, 1998. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. A realização de Avaliações Pós-Ocupação (APO) em empreendimentos na construção pode trazer uma série de benefícios para os projetos e empresas desse setor, uma vez que esse estudo evidencia os pontos a serem melhorados (seja por meio da identificação de insatisfações dos usuários ou possibilitando o planejamento de inovações para empreendimentos futuros). Qual é considerado um dos motivos pelo qual as APOs ainda hoje não serem produzidas sistematicamente em projetos da construção civil? Assinale a alternativa que apresenta a justificativa correta. a. A APO permite apenas a identificação de melhorias para projetos futuros. 33 b. Possibilita o desenvolvimento de critérios e diretrizes de projeto, o que é uma desvantagem. c. A Avaliação Pós-Ocupação facilita a identificação de reclamações por parte dos usuários, e isso é ruim para os projetos. d. Ao evidenciar os pontos a serem melhorados, a APO expõe pontos que podem ser lidos como fracassos do profissional que projetou o espaço em questão. e. Gera uma difícil compreensão das consequências do projeto analisado. 2. As chamadas Redes de Interação figuram uma das possíveis metodologias de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). Por meio de resultados gráficos, produz análise que visa o estabelecimento de uma sequência de impactos provenientes de determinada interação. Sobre as vantagens e desvantagens de se usar Redes de Interação, assinale a alternativa que julga corretamente como verdadeiro (V) ou falso (F) as afirmações a seguir: ( ) A possibilidade de visualização entre ação e impacto é uma de suas vantagens. ( ) A avaliação de impactos indiretos realizada é uma desvantagem. ( ) Mostrar tendências é considerada uma desvantagem. a. V - F - F. b. F - F - F. c. V - F - V. d. F - V - V. e. F - F - F. 34 GABARITO Questão 1 - Resposta D Resolução: Apenas a afirmação “Ao evidenciar os pontos a serem melhorados, a APO expõe pontos que podem ser lidos como fracassos do profissional que projetou o espaço em questão” é uma justificativa correta para a constatação de que as APOs ainda não são produzidas de forma sistêmica. As demais alternativas estão incorretas, pois tratam, na verdade, de vantagens das Avaliações Pós-Ocupação. Questão 2 - Resposta A Resolução: As afirmações 2 e 3 são falsas, pois se trata de vantagens, e não desvantagens. Ou seja, todas as afirmações referem-se a características das Redes de Interação consideradas vantagens desse método. TEMA 4 Elaboração de laudos de avaliação ______________________________________________________________ Autoria: Julia Farah Ribeiro Leitura crítica: Rosangela Bomtempo de Siqueira 36 DIRETO AO PONTO Um laudo de avaliação é, em linhas gerais, uma análise técnica realizada por engenheiro de avaliações, que visa subsidiar as tomadas de decisão que dizem respeito ao valor de um bem, seus custos, frutos e direitos. Ainda, ele determina os indicadores de viabilidade de sua utilização econômica para certa finalidade, situação e data. De acordo com a NBR 14.653-1 (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2001), laudo de avaliação é o “relatório técnico elaborado por engenheiro de avaliações em conformidade com esta parte da NBR 14.653, para avaliar o bem”. De acordo com as normas técnicas pertinentes (nomeadamente a NBR 14.653 e suas partes), todo laudo de avaliação deve ter no mínimo os seguintes tópicos. • Identificação da pessoa física ou jurídica e/ou seu representante legal que tenha solicitado o trabalho. • Objetivo da avaliação. • Identificação e caracterização do bem avaliando. • Indicação do(s) método(s) utilizado(s), com justificativa da escolha. • Especificação da avaliação. • Resultado da avaliação e sua data de referência. • Qualificação legal completa e assinatura do(s) profissional(is) responsável(is) pela avaliação. • Local e data do laudo. 37 • Outras exigências previstas nas demais partes da NBR 14653. Contudo, para além de sua estrutura, é de extrema importância saber como redigir um laudo, ter noção da linguagem adequada para esse documento. Segundo a Norma, ele pode ser apresentado nas formas de: Laudos simplificados, Laudos completos e Laudos de avaliação de uso restrito. Para José Fiker (2009) é primordial que sua redação se baseie nos princípios de: clareza, concisão, precisão, originalidade e harmonia (veja imagem esquemática a seguir). Figura 1 - Aspectos principais para o estilo de linguagem em laudo de avaliação Fonte: : elaborada pela autora (baseando-se em FIKER, 2019). Para concluir, destaca-se que as avaliações e laudos devem seguir metodologias técnicas definidas e com limites regidos por normas técnicas – em especial a ABNT –, com métodos e cálculos cientificamente demonstráveis, consistentes e prováveis. 38 Referências bibliográficas Associação Brasileira de Normas Técnicas(ABNT). NBR 14653-1: Avaliação de Bens, Parte 1: Procedimentos gerais. Abril 2001. FIKER, J. Manual de redação de laudos. Oficina de Textos, 2019. PARA SABER MAIS Os primeiros registros, no Brasil, que tratam da chamada Engenharia de Avaliações, datam das primeiras décadas do século XX. Dentro desse arcabouço teórico inicial são considerados os inaugurais – segundo José Ficker (2019) – alguns artigos publicados nos Boletins dos Institutos de Engenharia, da Revista Politécnica e da Revista de Engenharia Mackenzie, cujos autores eram Victor da Silva Freire, João Florence de Ulhôa Cintra e José de Sá Rocha – importantes figuras do urbanismo modernista. Na década de 1930, destacam-se os estudos publicados pelo engenheiro Lysandro Pereira da Silva, que discorriam sobre a estimativa de valor a partir da renda produzida pelo aproveitamento do terreno. Na década seguinte, Luis Carlos Berrine, então avaliador oficial do Banco do Estado de São Paulo, escreveu os primeiros livros técnicos da área no país, intitulados “Avaliação de terrenos” e “Avaliação de imóveis”. Finalmente, nos anos de 1950 foram publicadas as primeiras normas brasileiras. Elas foram desenvolvidas inicialmente pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), em 1957, mas 39 acabaram sendo alteradas e publicadas, em 1958, pelo Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias (Ibape). Por meio da historiografia, sabe-se que as discussões acerca dos métodos e critérios para cálculo do valor de mercado de imóveis cresceram em contextos de implantação de intervenções urbanísticas, visto que elas demandam, até hoje, desapropriações em larga escala e, consequentemente, para sua concretização necessita-se de grande precisão nos cálculos. Essas entre outras demandas também resultaram, ao longo da história, em reflexões no âmbito dos corpos técnicos institucionais. Nota-se que houve uma crescente reflexão e aprimoramento dos formulários para avaliação – que, desde o princípio, eram os meios formais utilizados para se regular as ações dos engenheiros avaliadores. Esta foi (mesmo que apresentada de forma breve) a trajetória do nascimento da institucionalização da ciência de avaliações e normatização das atividades de avaliação imobiliária no Brasil (LIMA, 2015). Entender essa trajetória nos possibilita compreender melhor os métodos e instrumentos atuais, tendo em vista que eles são o resultado de um processo evolutivo. Referências bibliográficas FIKER, J. Manual de redação de laudos. Oficina de Textos, 2019. LIMA, L. M. M. de. O olhar das instituições de previdência sobre a casa e a cidade: promoção, financiamento e avaliação de imóveis. (dissertação de mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Centro de Tecnologia, Departamento de 40 Arquitetura. Natal-RN, 2015. Disponível em: https://repositorio. ufrn.br/handle/123456789/20911. Acesso em: 27 set. 2020. TEORIA EM PRÁTICA Para se responder aos quesitos técnicos de engenharia que concernem à avaliação de bens imóveis é necessária a elaboração de procedimento de quantificação, levando em consideração diversos fatores intrínsecos e extrínsecos do bem. Estes fatores possuem características particulares em cada situação e, por isso, exigem do profissional avaliador conhecimento para analisar suas características e valorá-las. Nesse sentido, pode-se concluir que a realização de vistoria técnica é uma tarefa essencial dentro do processo de elaboração do laudo de avaliação de determinado bem. Portanto, reflita: como uma vistoria pode influenciar em um laudo de avaliação? Os dados coletados na vistoria podem ser inseridos diretamente em algum item do laudo? Esses dados também podem estar presentes indiretamente? Como? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 41 LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Este artigo apresenta um sistema de gestão e desempenho ambiental (SGDA) desenvolvido para aplicação em empreendimentos ambientais. Esta proposta de metodologia, que incorpora e enfatiza objetivos da gestão ambiental, pode ser aplicada desde a organização da proposta de empreendimento até a avaliação pós-implantação – auxiliando na produção dos documentos respectivos a cada etapa do empreendimento (a exemplo de análises e laudos de avaliação). Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra.CAMPOS, L. M. de S.; SELIG, P. M.; CURY, R. M. SGADA - Sistema de Gestão e Avaliação de Desempenho Ambiental: um modelo de gestão ambiental aplicável a empreendimentos turísticos. Revista Turismo-Visão e Ação, v. 4, n. 8, p. 45. 2001. Indicação 2 Este artigo discorre sobre uma forma mais incomum de se analisar imóveis. O trabalho apresentado no texto enfatiza a importância da questão espacial, objetiva mostrar como se pode diagnosticar e incorporar os efeitos espaciais na especificação de modelos hedônicos, e, ao mesmo tempo, analisa o mercado imobiliário da cidade do Recife. Para realizar a leitura, acesse a plataforma EBSCOhost na Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra.DANTAS, Indicações de leitura 42 R. A.; MAGALHÃES, A. M.; VERGOLINO, J. R. de O. Avaliação de imóveis: a importância dos vizinhos no caso de Recife. Economia Aplicada, v. 11, n. 2, p. 231-251, 2007. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. A norma técnica NBR 14.653 e suas partes indicam os itens mínimos a serem utilizados nos laudos de avaliação. Sabemos que no desenvolvimento de avaliações e laudos é preciso seguir metodologias técnicas adequadas. Por que devemos utilizar metodologias técnicas definidas e com limites regidos por normas técnicas? Assinale a alternativa que responde corretamente essa questão. a. Há uma estrutura de laudo padrão para qualquer tipo de avaliação. b. A NBR 14.653 só exige que no laudo conste a identificação e caracterização do bem avaliando. 43 c. As partes de 1 a 7 da NBR 14.653 apresentam métodos empíricos de avaliação. d. As metodologias técnicas regidas por normas técnicas se estruturam com base em métodos e cálculos cientificamente demonstráveis, consistentes e prováveis. e. Um laudo de avaliação pode ter linguagem rebuscada e prolixa. 2. De acordo com a NBR 14.653-1 os laudos de avaliação podem ser apresentados em duas modalidades. Assinale a alternativa que nomeia as duas modalidades básicas de laudos mencionadas na norma supramencionada. a. Laudo simplificado e laudo completo. b. Laudo mínimo e laudo máximo. c. Laudo simplificado e laudo específico. d. Laudo simples e laudo complexo. e. Laudo básico e laudo detalhado. GABARITO Questão 1 - Resposta D Resolução: A única justificativa correta para a pergunta feita é que “as metodologias técnicas regidas por normas técnicas se estruturam com base em métodos e cálculos cientificamente demonstráveis, consistentes e prováveis”. 44 Questão 2 - Resposta A Resolução: As modalidades de laudo Simplificado e Completo são mencionadas na NBR 14.653, tanto na sua primeira parte (parte 1) quanto nas partes 4 e 7. BONS ESTUDOS! Apresentação da disciplina Introdução TEMA 1 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 2 Direto ao ponto TEMA 3 Direto ao ponto TEMA 4 Direto ao ponto Botão TEMA 5: TEMA 2: Botão 158: Botão TEMA4: Inicio 2: Botão TEMA 6: TEMA 3: Botão 159: Botão TEMA5: Inicio 3: Botão TEMA 7: TEMA 4: Botão 160:Botão TEMA6: Inicio 4: Botão TEMA 8: TEMA 5: Botão 161: Botão TEMA7: Inicio 5: