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É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais Dermatit� Atópic� � � � � � � � � � � � � � � � � … Beatriz Ignacio Carvalho - @beasroutine DEFINIÇÃO É a principal manifestação cutânea da atopia, uma tendência hereditária a desenvolver alergia a antígenos alimentares ou inalantes, manifestando-se por eczemas, asma ou rinite alérgica. É uma doença genética de herança poligênica com alterações imunológicas influenciada por fatores ambientais e emocionais. Alterações epigenéticas também parecem ter influência. É importante ressaltar que a exposição materna a fatores agressores e estresse também aparentam ter influência no feto, aumentando o risco de DA. Dois conjuntos de genes estão sendo implicados na DA, genes que codificam proteínas na epiderme e genes que codificam proteínas de funções imunológicas para a pele. É uma doença crônica com evolução em surtos que predomina na infância com prurido, xerose cutânea (pele seca) e lesões eczematosas. A marcha atópica é o padrão de apresentação dos sintomas de acordo com a idade: <5 anos possuem mais alergia alimentar e eczemas, 5-10 anos predomina a asma e eczemas e >10 anos a rinite. A prevalência é maior em áreas urbanas e de alta renda, cerca de 30% das crianças. Isto indica a forte relação com o estilo de vida. CLASSIFICAÇÃO De acordo com o início dos sintomas: ➔ Início precoce: <2 anos, sendo o tipo mais comum com IgE específicos elevados e em sua maioria, as crianças entram em remissão aos 12 anos. ➔ Início tardio: na puberdade, afetando especialmente mulheres e nem todos possuem IgE específicas elevadas. ➔ Início em idosos: >60 anos, incomum. FATORES DESENCADEANTES ❖ Infecções ❖ Aeroalérgenos (especialmente ácaro, pêlos de animais, baratas e fungos) ❖ Autoantígenos ❖ Fatores neuro-psico-imunológicos (estresse). FISIOPATOLOGIA ➔ Extrínseca: corresponde a 80% dos casos, se relaciona com IgE específica e sensibilização contra alérgenos ambientais. ➔ Intrínseca: chamada de não alérgica, caracterizada pela ausência de detecção de sensibilização alergênica e níveis de IgE baixos. Duas vertentes são propostas atualmente, a outside-inside defende que a DA é causada por uma alteração na barreira e a É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais inside-outside defende que uma alteração imune desencadeia resposta inflamatória a irritantes e alérgenos ambientais. É provável que ambas estejam corretas. 1 - ALTERAÇÕES NA BARREIRA CUTÂNEA Diversos mecanismos fisiológicos integram a barreira cutânea e o desequilíbrio em qualquer um deles pode desencadear o processo inflamatório. Exemplos: ❖ Barreira mecânica celular com corneócitos, constituído por proteínas reticuladas como a filagrina e lipídios intercelulares como a ceramida: Na DA há redução das ceramidas e redução da filagrina, cujos metabólitos auxiliam na hidratação. ❖ Barreira lipídica: produzida pelos grânulos lamelares ❖ pH ácido na superfície cutânea: reduz a proliferação bacteriana. EX: diminuem a expressão de proteínas estafilocócicas e os metabólitos da filagrina inibem S. aureus. ❖ Flora residente: inibe a proliferação de patógenos ❖ Hidratação natural A disfunção de barreira pode ser adquirida após exposição a irritantes como sabão alcalino, cloro, água quente e fricção. Estes fatores podem desencadear a inflamação pela liberação de citocinas. 2 - ALTERAÇÕES IMUNOLÓGICAS A partir da entrada do alérgeno na barreira física, se inicia uma resposta imune inata rápida e um distúrbio na interação entre a imunidade humoral e celular parece ser o ponto-chave do eczema atópico. A ativação de LT e produção de citocinas, especialmente TH2 liberando IL-4 e ativando LB que produzem IgE é o mecanismo principal. O IL-4 também parece estimular a síntese de IgG. Logo, há reações de hipersensibilidade I e IV (a reação tipo IV é responsável pela lesão do eczema). A exposição prolongada estimula CD4 e ativa CD que apresentam os antígenos ativando TH1, TH2, TH17 e TH22. O aumento abrupto das citocinas induz prurido, com a IL-4 estimulando a degranulação de mastócitos e inibindo IFN-gama, reduzindo a quimiotaxia de macrófagos e podendo explicar a maior suscetibilidade à infecções. As lesões eczematosas são mais acentuadas em locais mais expostos como mãos e face e áreas mais vascularizadas como dobras. Na fase crônica predomina a resposta TH1, com produção de IFN-gama que confere proteção aos patógenos e ativa fagócitos. Achados relevantes na DA: redução na função de CD, redução na quimiotaxia de macrófagos e neutrófilos, aumento da liberação de histamina por mastócitos e basófilos e redução da citotoxicidade monocítica mediada por anticorpos. Os aumentos na IgE aumentam os riscos de reações anafiláticas. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Dermatite crônica de evolução flutuante com prurido intenso (que também parece estar relacionado à modulação neurológica). É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais A distribuição e morfologia das lesões é variável, sendo o eczema o mais clássico com eritema, pápulas, vesículas, escamas, crostas e liquenificação. As lesões tendem a ser mais exsudativas na primeira infância e mais liquenificadas em crianças maiores. Fases: 1. Fase infantil: em <2 anos. Geralmente se inicia no 2 mês, com pápulas edematosas e pápulo vesículas nas bochechas que podem evoluir para grandes placas edematosas e com crosta. Pode envolver couro cabeludo, pescoço, troncos e membros. Os surtos de eczema podem ser desencadeados por infecções respiratórias, alterações climáticas, alimentos e fatores emocionais. 2. Fase pré-puberal: dos 2-12 anos. As lesões tendem a ser mais liquenificadas e os locais mais afetados são as fossas cubital e poplítea, cabeça, pescoço, punhos, mãos, tornozelos e pés. Cerca de 60% dos pacientes melhoram nesta fase da doença. 3. Fase adulta: >12 anos, se assemelha a fase pré-puberal com lesões liquenificadas especialmente nas regiões flexurais, face e mãos. Pode haver eritrodermia (lesões em >70% da pele) e possui fator emocional atrelado. É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais A DA senil em >60 anos é caracterizada por xerose acentuada e a maioria dos pacientes não cursam com as lesões típicas. COMPLICAÇÕES Os pacientes DA são mais propensos a infecções de pele e as inflamações de pele podem exacerbar a DA por estimular a cascata inflamatória. Imagem: dermatite de mão infectada em paciente com dermatite atópica. Há uma crosta parecida com o Impetigo, assim como pústulas. O acometimento ocular ocorre em até 40% dos pacientes, causando a ceratoconjuntivite (conjuntivite alérgica) com prurido bilateral e irritação que pode complicar, tornando-se ulceração. O prurido crônico pode aumentar o risco de ceratocone e catarata. CARACTERÍSTICAS ASSOCIADAS Prurido Prurido intenso é umamarca característica da DA. A coceira é pior à noite e pode ser agravada por fatores exógenos, como suor ou roupas de lã. Fricção e arranhão em resposta ao prurido podem agravar a dermatite existente, o que explica o fato de que a DA é conhecida como a ”coceira de surgimento súbito“. Escoriações (linear ou pontual) estão frequentemente presentes, revelando evidências de coceira. Com os constantes atos de esfregar e coçar, a pele se torna mais grossa e commuitas marcas. Pitiríase alba A pitiríase alba afeta crianças e adolescentes frequentemente com DA. É caracterizada por várias máculas mal definidas e hipopigmentadas (geralmente com 0,5-2 cm de diâmetro) com fina descamação, as quais são tipicamente localizadas na face (em particular o rosto) mas, ocasionalmente, aparecem nos ombros e braço. Essas lesões são mais óbvias em indivíduos de pele pigmentada e/ou exposição ao sol. Pitiríase alba pode resultar de uma dermatite eczematosa de baixo grau que interrompe a transferência de melanossomas de melanócitos para os queratinócitos. O uso regular de protetores solares e outras formas de fotoproteção pode minimizar o aparecimento de pitiríase alba É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais DIAGNÓSTICO ➔ Exame físico e Anamnese: sinais e sintomasdo paciente ajudam na hipótese diagnóstica Critérios: presença de prurido cutâneo e 3 ou mais achados como envolvimento flexural, história de atopia respiratória, xerodermia e erupção cutânea antes dos 2 anos. Os escores de gravidade não definem o surto agudo, que é definido com piora clínica dos sintomas que necessitem intervenção terapêutica. ➔ SCORAD: avalia a extensão da doença e presença de sintomas subjetivos. - A: extensão das lesões - B: gravidade da lesão - eritrema, pápulas, escoriação, exsudação ou crostas, liquenificação e xerose. - C: prurido durante o dia, despertar noturno. Usa-se uma fórmula para classificar a doença como leve, moderada ou grave. ➔ Índice EASI: avalia objetivamente as lesões de acordo com a região do corpo com notas de 0-3 para eritema, edema e pápulas, escoriação e liquenificação. Classifica de muito leve até muito grave. Biópsia raramente utilizada, mas mostra espongiose, vesículas exocitose de É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais linfócitos, paraceratose e derme com infiltrado linfocitário e eosinofilia variável. AVALIAÇÃO LABORATORIAL ➔ Contagem de eosinófilos e IgE séricos: em 80% dos casos. ➔ Testes cutâneos para os gatilhos como alérgenos alimentares e aeroalérgenos: Aponta apenas sensibilização por IgE específicas, sendo apenas 50% de valor preditivo de participação na doença, devendo-se complementar com outros testes como teste de provocação oral. TRATAMENTO Hidratação da pele: ajuda a preservar a barreira cutânea formando uma espécie de filme hidrofóbico. Evita crises agudas e o prurido, devendo ser aplicado ao menos 2x ao dia na pele ainda úmida. Evitar os alergênicos, banhos quentes, uso excessivo de sabonete, estresse, produtos químicos e exposição solar sem proteção. Anti-inflamatórios: especialmente as pomadas corticosteróides controlam os sintomas e reduzem a ativação de células inflamatórias. Usado ao início do sintoma ou como profilaxia 2x na semana nas áreas onde É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais as lesões costumam ocorrer. Também reduzem a IgE. Imunomoduladores como inibidores de calcineurina: são usados em crises agudas mais graves e atuam inibindo fatores de transcrição de ILs. REFERÊNCIAS: . AZULAY, Rubem D. Dermatologia, 7a edição. Grupo GEN, 2017. BOLOGNIA, Jean. Dermatologia. Grupo GEN, 2015. ADDOR, F. A. S.; AOKI, V. Barreira cutânea na dermatite atópica. Anáis Brasileiros de Dermatologia, v. 85, n. 2, 2010.