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1- epidemiologia e fatores de risco da dermatite atópica A Dermatite Atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, comum na infância e com impacto significativo na qualidade de vida. Prevalência Global: Atinge aproximadamente 10% 30% das crianças e 2% 10% dos adultos, especialmente em países de alta renda. Esses índices aumentaram de duas a três vezes nas últimas décadas (BOLOGNIA, 2015). Distribuição Geográfica: A DA é mais prevalente em áreas urbanas e países desenvolvidos, sendo menos comum em zonas rurais e países de baixa renda. Isso sugere que fatores ambientais e estilo de vida influenciam sua ocorrência. A hipótese da higiene propõe que menor exposição a microrganismos na infância aumenta risco de doenças alérgicas. Prevalência no Brasil: Segundo estudo ISAAC, prevalência entre crianças brasileiras varia entre 10% e 15%, semelhante à observada em outros países (AZULAY, ed.). Faixa Etária de Início: 60% dos casos surgem no primeiro ano de vida. 45% nos primeiros 6 meses. 85% antes dos 5 anos de idade. Em geral, 70% das crianças apresentam melhora até final da infância (ANTUNES et al., 2017). Classificação por idade de início (BOLOGNIA, 2015): Início precoce: até os 2 anos (mais comum). Início tardio: após a puberdade (mais comum em mulheres adultas). Início em idosos: após os 60 anos (raro).Impacto e Tendência Atual: Apesar da baixa mortalidade, a DA tem alta morbidade, afetando bem-estar físico, emocional, social e profissional dos pacientes. Sua prevalência está aumentando, principalmente em países desenvolvidos e entre pessoas de classes sociais mais altas (PEREIRA et al., 2016). Fatores de risco: Genética Histórico familiar de doenças atópicas (asma, rinite alérgica, dermatite atópica). Crianças com pais atópicos têm maior risco de desenvolver DA. Disfunção da Barreira Cutânea Mutações no gene da filagrina, proteína importante para a integridade da pele, facilitam a entrada de alérgenos e irritantes. Disbiose e Imunidade Alterada Desequilíbrio do microbioma cutâneo, com predominância de Staphylococcus aureus. Resposta imune exacerbada (predomínio da via Th2) que favorece inflamação e produção de IgE. Fatores Ambientais Vida em áreas urbanas e industrializadas. Poluição, alérgenos ambientais (ácaros, pólen), clima seco e frio. Contato com irritantes químicos (sabões, perfumes, tecidos sintéticos). Hipótese da Higiene Baixa exposição a microrganismos na infância (ambientes muito limpos) pode favorecer doenças alérgicas.Alimentação e Exposição Precoce Alérgenos Introdução tardia de alimentos potencialmente alergênicos. Aleitamento materno insuficiente ou ausência. Estresse e Fatores Psicológicos estresse pode desencadear ou agravar a DA, especialmente em adultos e adolescentes. Fatores Hormonais e Gênero DA em adultos é mais comum em mulheres, especialmente nos casos de início tardio. 2- fisiopatologia, manifestações clínicas e complicações da dermatite atópica A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica e multifatorial da pele, caracterizada por disfunções na barreira cutânea, predisposição genética, alterações imunológicas e influência de fatores ambientais.Um dos principais fatores é a barreira cutânea enfraquecida, que facilita a perda de água e a penetração de alérgenos, irritantes e microrganismos. Isso torna a pele mais seca, vulnerável e propensa à inflamação. Essa fragilidade da barreira está relacionada a mutações no gene da filagrina, proteína essencial para a formação do estrato córneo e manutenção da integridade da pele. A deficiência dessa proteína compromete a organização da queratina e a hidratação natural da pele. Além disso, há uma diminuição da matriz lipídica (manto lipídico), que agrava ainda mais a permeabilidade da pele. Outro fator agravante é a alteração do microbioma cutâneo, com redução da diversidade bacteriana e aumento do pH da pele, favorecendo infecções e inflamações. No aspecto imunológico, há uma predisposição genética para doenças atópicas como asma e rinite, com histórico familiar frequente. A exposição a fatores ambientais (alérgenos como pólen e poeira, produtos químicos e sabões) ativa uma resposta imune exacerbada. A resposta imunológica na DA envolve principalmente a ativação das células Th2 na fase aguda, com liberação de citocinas (IL-4, IL-13, IL-22) que inibem a diferenciação epidérmica e a produção de proteínas como filagrina, loricrina e corneodesmosina. Isso contribui para a perda da barreira e favorece a inflamação crônica. Além disso, ocorre uma reação de hipersensibilidade tipo I, mediada por IgE. Ao se ligar ao alérgeno, a IgE sensibiliza mastócitos e basófilos, provocando liberação de histamina e outras substâncias inflamatórias, levando a sintomas como prurido, eritema e edema. Com a cronicidade da doença, ocorre ativação de células Th1 e Th17, promovendo a produção de interferon-gama e outras citocinas pró-inflamatórias. Esse processo leva ao espessamento da pele e liquenificação devido ao constante ciclo de coceira einflamação. Por fim, se a inflamação persiste, padrão imunológico evolui, envolvendo mais tipos celulares e mantendo ciclo vicioso da doença: barreira defeituosa - inflamação - prurido - coceira - mais dano à pele. Principais manifestações clínicas: Prurido intenso (coceira): Sintoma principal. Pode causar distúrbios do sono e impactar a qualidade de vida. Lesões cutâneas: Agudas: eritema (vermelhidão), pápulas, vesículas, exsudação e crostas. Subagudas: placas eritematosas com descamação. Crônicas: liquenificação (espessamento da pele), fissuras e hiperpigmentação. Distribuição típica (varia com a idade): Lactentes: face, couro cabeludo, superfícies extensoras dos braços e pernas. Crianças maiores: dobras (antecubital, poplítea, pescoço), punhos, tornozelos. Adultos: flexuras, pescoço, mãos, pés, pálpebras, regiões perioculares. Pele seca (xerose):Comum em quase todos os pacientes; Favorece a irritação e coceira. Sinais associados: Hiperlinearidade palmar; Dermatografia branca; Pitiríase alba (manchas esbranquiçadas); Eczema de mãos (em adultos); Infecções secundárias (por Staphylococcus aureus ou vírus, como herpes simples). Excelente trecho, com informações clínicas bem fundamentadas sobre as complicações da dermatite atópica (DA). Abaixo está um resumo esquemático com base nas fontes citadas (Bolognia, 2015 e Azulay, ed.), que você pode usar em estudo ou em um trabalho acadêmico: Complicações da Dermatite Atópica (DA) 1. Infecções de pele Predisposição aumentada por: Barreira cutânea comprometida; Disfunção imunológica. Colonização por Staphylococcus Presente na maioria dos pacientes com DA; Causa frequente de impetigo, também causado por Streptococcus pyogenes. Efeito inflamatório das toxinas: Exotoxinas de S. aureus atuam como superantígenos; Agravam a inflamação e exacerbam quadro de DA. 2. Complicações oculares (Azulay) Atingem entre 25% e 40% dos pacientes com DA.Dermatite palpebral: mais comum. Ceratoconjuntivite alérgica: Prurido ocular bilateral; Sensação de corpo estranho; Em casos graves, ulceração ou perfuração da córnea. Ceratocone: Causado pelo prurido ocular crônico; Presente em até 1% dos casos. Catarata subcapsular: Ocorre em até 8% dos pacientes; Surge geralmente na década de vida; Associada à corticoterapia sistêmica. Se quiser, posso transformar esse conteúdo em um parágrafo científico para um trabalho, ou formatá-lo em forma de slide, resumo ou ficha. Deseja isso?3- características das lesões e medidas gerais de controle da dermatite atópica. As lesões variam conforme a fase clínica (aguda, subaguda ou crônica) e a idade do paciente. 1. Lesões agudas: Eritema (vermelhidão); Pápulas (lesões elevadas); Vesículas com exsudação (aspecto úmido); Crostas. 2. Lesões subagudas: Placas eritematosas; Descamação Menor exsudação. 3. Lesões crônicas: Liquenificação (espessamento da pele); Fissuras; Hiperpigmentação ou hipopigmentação residual. 4. Distribuição típica (por faixa etária): Lactentes: face, couro cabeludo, superfícies extensoras. Crianças: dobras (antecubital, poplítea), pescoço. Adultos: mãos, pés, face, pálpebras, região cervical.Medidas Gerais de Controle da Dermatite Atópica Essas medidas são fundamentais para reduzir crises e evitar agravamento: 1. Hidratação da pele: Uso diário de emolientes sem perfume; Aplicar logo após banho, com a pele ainda úmida. 2. Banhos adequados: Curtos (5 a 10 min), com água morna; Usar sabões neutros ou syndets (sabões sem sabão); Evitar buchas e esfregações. 3. Evitar fatores agravantes: Tecidos sintéticos ou de lã; Suor excessivo e calor; Produtos com fragrâncias ou álcool; Ácaros, poeira e alérgenos ambientais. 4. Controle do prurido: Evitar coçar (manter unhas curtas); Uso de anti-histamínicos em alguns casos; Compressas frias podem aliviar a coceira. 5. Tratamento das lesões: Corticoides tópicos (uso controlado e orientado); Inibidores de calcineurina (ex: tacrolimo, pimecrolimo) em áreas sensíveis como face; Antibióticos tópicos/orais em caso de infecção secundária. 6. Educação do paciente e familiares: Explicar a natureza crônica e os cuidados contínuos; Incentivar seguimento com dermatologista.

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