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01 AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO DO PACIENTE PEDIÁTRICO E NEONATAL

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1 
 
 
 
 
2 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA ....... 4 
2. MÉTODOS DE MONITORIZAÇÃO DO CRESCIMENTO E DO 
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA ......................................................................... 5 
2.1 Sinais vitais ............................................................................................... 7 
2.2 Avaliação e monitorização dos sinais vitais .............................................. 7 
2.2.1 Respiração ................................................................................................... 8 
2.2.2 Pulso .......................................................................................................... 11 
2.2.3 Temperatura .............................................................................................. 13 
2.2.4 Pressão arterial .......................................................................................... 17 
3. PROBLEMAS DE SAÚDE DOS RECÉM-NASCIDOS: AVALIAÇÃO E 
TRATAMENTO .......................................................................................................... 18 
3.1 Hiperbilirrubinemia .................................................................................. 18 
3.2 Doença hemolítica do recém-nascido ..................................................... 20 
3.3 Complicações metabólicas ..................................................................... 21 
3.4 Síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido e outras complicações 
respiratórias .................................................................................................. 22 
3.5 Complicações cardiovasculares .............................................................. 23 
3.6 Complicações neurológicas .................................................................... 25 
3.7 Plano de cuidados ao recém-nascido com problemas de saúde ............ 26 
4. REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA
 .................................................................................................................................. 27 
4.1 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do recém-nascido33 
4.2 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do paciente pediátrico
 ...................................................................................................................... 34 
4.3 Cuidados imediatos pós-parada cardiorrespiratória nos pacientes recém-
nascido e pediátrico ...................................................................................... 37 
5. PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES EM NEONATOLOGIA E 
PEDIATRIA ............................................................................................................... 38 
6. AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO À CRIANÇA COM INFECÇÃO 
RESPIRATÓRIA ....................................................................................................... 44 
7. AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DA DOR EM PEDIATRIA .................................... 50 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 56 
 
3 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Prezado aluno, 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para ser esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse 
aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No 
espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser 
direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os 
cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina 
é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações 
propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe 
convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
1. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA 
 
A saúde infantil no Brasil é fundamentada e direcionada por meio das políticas 
públicas estabelecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), englobando todas as 
áreas de cuidado infantil em todo o país. O Ministério da Saúde, alinhado com esse 
propósito, promulgou a Portaria n.º 1.130 em 05 de agosto de 2015, instituindo a 
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC). Essa iniciativa 
reflete o compromisso do governo em garantir o bem-estar e a saúde das crianças 
amplamente, incluindo planejamento estratégico, visão de longo prazo e 
implementação de ações específicas voltadas para essa faixa etária. O 
desenvolvimento e a execução de programas de saúde infantil no país são guiados 
por essa política, que busca um atendimento de qualidade e acessível a todas as 
crianças, promovendo seu desenvolvimento saudável e prevenindo doenças 
(BRASIL, 2015). 
O propósito delineado pela PNAISC, conforme delineado no seu artigo 2º, é 
fomentar e preservar o bem-estar da criança e a prática do aleitamento materno. Esse 
objetivo é alcançado por meio da oferta de cuidados amplos e integrados, desde a 
gestação até os 9 anos de idade, com uma ênfase especial na primeira infância e nas 
comunidades mais vulneráveis. A intenção é reduzir as taxas de morbimortalidade 
infantil e proporcionar um ambiente que facilite uma vida digna e o pleno 
desenvolvimento das crianças (BRASIL, 2018). 
A PNAISC se baseia em sete eixos direcionadores para a implementação eficaz 
de programas e políticas. Ao seguir esses eixos, os programas e ações de saúde 
destinados às crianças brasileiras podem e devem ser desenvolvidos e organizados, 
enquanto os indicadores são estabelecidos e avaliados para quantificar a saúde 
infantil no país. Essa estratégia permite uma atuação precisa e direcionada, 
garantindo que as necessidades específicas das crianças sejam atendidas de forma 
adequada e eficaz (BRASIL, 2018). 
É incumbência do governo estabelecer as políticas de saúde que cada esfera 
federativa – federal, estadual e municipal – deve adotar em suas iniciativas e 
programas para efetivar tais políticas. Dado que esses serviços devem se 
complementar mutuamente, o cumprimento dos sete eixos voltados para a criança 
 
5 
 
deve ser amplo e integrado em toda a rede de saúde. Essa abordagem holística e 
colaborativa é importante para garantir que todas as crianças tenham acesso aos 
cuidados de saúde necessários e para promover um desenvolvimento saudável e 
equitativo em todo o país (BRASIL, 2015). 
2. MÉTODOS DE MONITORIZAÇÃO DO CRESCIMENTO E DO 
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 
 
Existem métodos para verificar o crescimento e o desenvolvimento da criança, 
sendo necessário monitorar dados e informações para que os profissionais de saúde 
possam avaliar o crescimento e realizar intervenções adequadas segundo os 
parâmetros estabelecidos (MORAES et al., 2010). 
É importante mencionar o Teste de Triagem de Desenvolvimento de Denver 
(TTDD), utilizado para acompanhar o desenvolvimento da criança e identificar 
possíveis atrasos. Desenvolvido por Frankenburg e Dodds (1967), na Universidade 
do Colorado, em Denver, este teste é destinado a crianças de até seis anos de idade. 
Ele funciona como um instrumento para detectar precocemente possíveis problemas 
no desenvolvimento infantil e avalia quatro áreas principais: habilidades motoras 
grossas, habilidades motoras finas-adaptativas, linguagem e aspectos pessoais e 
sociais (MORAES et al., 2010). 
O objetivo do teste é realizar uma triagemem crianças que não apresentam 
sintomas, mas que podem ter possíveis problemas de desenvolvimento. Além disso, 
ele é utilizado para monitorar crianças em situações específicas, como as prematuras, 
que estão em maior risco de desenvolvimento anormal (MORAES et al., 2010). 
Nessas quatro categorias, a conduta motora está associada à maturidade do 
sistema nervoso, envolvendo o controle das habilidades motoras adquiridas. A 
conduta da linguagem abrange a percepção de sons, imagens e suas respostas, 
enquanto a conduta adaptativa diz respeito à reação da criança diante de objetos e 
situações vivenciadas. Por último, a conduta pessoal-social refere-se ao 
comportamento da criança diante de estímulos sociais (BRÊTAS; SILVA, M.; SILVA, 
C., 1995). 
A versão atual do Teste de Triagem do Desenvolvimento de Denver Revisado 
(TTDD-R), ou Denver II, correlaciona cada um dos itens com a idade e a porcentagem 
da população padronizada que realizou ou foi avaliada quanto ao item ou 
 
6 
 
comportamento. Como parâmetro de respostas, cada item é avaliado da seguinte 
forma (BRÊTAS; SILVA, M.; SILVA, C., 1995). 
 
• Normal — a criança realiza a atividade prevista para a idade ou não realiza 
uma atividade feita por menos de 75% das crianças da mesma idade. 
• Cuidado — a criança não realiza ou se recusa a realizar uma atividade que já 
é feita por 75 a 90% das crianças que têm a sua idade. 
• Atraso — a criança não realiza ou se recusa a realizar uma atividade que já é 
feita por mais de 90% das crianças que têm a sua idade. 
Outro importante parâmetro para avaliar o crescimento infantil é a relação entre 
peso e altura. Segundo o Ministério da Saúde (MS), o método ideal de 
acompanhamento do crescimento infantil é o registro periódico do peso, da estatura e 
do índice de massa corporal (IMC) da criança na Caderneta de Saúde da Criança. 
Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o MS recomendam a utilização 
de valores de referência das curvas de crescimento da OMS de 2006, para crianças 
menores de cinco anos, e de 2007, para a faixa etária de 5 a 19 anos. Os gráficos 
adotados são os recomendados pela OMS para avaliar o crescimento infantil de 
meninos e meninas (BRASIL, 2012). 
Segundo o Ministério da Saúde (MS), conforme descrito na Caderneta de 
Vacinação, o crescimento individual das crianças pode apresentar uma grande 
variação. Diversas medidas de crescimento, representadas como pontos em um 
gráfico ao longo do tempo e conectadas entre si, formam uma linha. Essa linha 
representa o padrão de crescimento da criança, ou seja, sua curva de crescimento, 
que indica se a criança está crescendo conforme o esperado segundo os parâmetros 
para a idade ou não (BRASIL, 2012). 
O acompanhamento da criança deve ser constante para que os parâmetros 
sejam avaliados e monitorados por meio de registros regulares. Uma única medição 
de peso ou altura não oferece informações suficientes para avaliar o crescimento da 
criança. Apenas com consultas contínuas e o registro regular das medidas e pesagens 
será possível obter dados relevantes sobre o crescimento infantil. Essas informações 
ajudarão os profissionais de saúde a tomar decisões sobre a necessidade de 
intervenção, se for o caso (MORAES et al., 2010). 
 
7 
 
A Caderneta de Vacinação é um documento importante para registrar diversas 
informações sobre a saúde da criança desde o seu nascimento, refletindo seu 
desenvolvimento ao longo do tempo. Além de servir como um registro de saúde, a 
caderneta também oferece aos pais informações importantes sobre os cuidados a 
serem prestados à criança, incluindo orientações sobre alimentação, prevenção de 
acidentes, calendário de vacinação, entre outros aspectos relevantes (MORAES et al., 
2010). 
A Caderneta de Vacinação é um documento de acompanhamento da criança 
em sua jornada de assistência à saúde. Ao registrar todos os eventos relacionados à 
criança, fornece aos profissionais de saúde uma fonte ampla de dados e informações. 
Isso é especialmente importante porque não se limita aos relatos dos pais, que podem 
ser incompletos ou sujeitos a esquecimentos. Assim, a caderneta se torna uma 
ferramenta essencial para garantir um acompanhamento preciso e completo do 
desenvolvimento e da saúde da criança (MORAES et al., 2010). 
 
2.1 Sinais vitais 
 
Os sinais vitais representam medidas do funcionamento dos sistemas 
orgânicos que sustentam a vida humana e podem ser avaliados por diversos 
indicadores, entre os quais se destacam a temperatura corporal, a pressão arterial, a 
frequência respiratória e o pulso. Esses parâmetros oferecem percepções valiosas 
sobre o estado físico e funcional de um paciente, possibilitando uma avaliação rápida 
e eficiente de sua condição de saúde. A análise desses sinais é necessária para a 
detecção precoce de possíveis problemas ou complicações, contribuindo 
significativamente para um acompanhamento adequado e intervenções terapêuticas 
assertivas (SANTOS et al., 2010). 
De forma geral, deve-se monitorar os sinais vitais sempre que um paciente é 
admitido no ambiente hospitalar, antes e após procedimentos cirúrgicos ou invasivos, 
na administração de medicamentos e hemoderivados, bem como durante 
intervenções de enfermagem, ou diante de situações como perda de consciência e 
agravamento do quadro clínico (SANTOS et al., 2010). 
 
2.2 Avaliação e monitorização dos sinais vitais 
 
 
8 
 
Em pacientes pediátricos, a sequência recomendada para verificação dos 
sinais vitais é a seguinte: respiração, pulso, temperatura e pressão arterial. Essa 
ordem é preferível, pois reduz as alterações que podem ser provocadas durante o 
procedimento, como choro e irritabilidade, proporcionando uma avaliação mais 
precisa e tranquila do estado de saúde da criança (SANTOS et al., 2010). 
 
2.2.1 Respiração 
 
A respiração é um indicador vital que representa a troca de gases entre o 
organismo, especificamente os pulmões, e o ambiente externo, sendo responsável 
pela absorção do oxigênio (O₂) e eliminação do dióxido de carbono (CO₂). Esta função 
vital permite a avaliação da função metabólica e das condições dos músculos 
torácicos, do diafragma, e da permeabilidade das vias aéreas, fornecendo 
informações sobre o estado respiratório e a oxigenação do corpo (SANTOS et al., 
2010). 
A frequência respiratória engloba dois tipos distintos de respiração: a externa e 
a interna. Na respiração externa, ocorre a troca de ar entre o ambiente e os pulmões, 
mediada por quatro processos complexos: ventilação, condução, difusão e perfusão. 
Estes processos trabalham em conjunto para garantir a entrada de oxigênio nos 
pulmões e a remoção do dióxido de carbono. Já na respiração interna, acontece a 
troca de oxigênio e dióxido de carbono entre os pulmões e os tecidos do corpo, 
proporcionando a oxigenação dos órgãos e sistemas (SANTOS et al., 2010). 
Durante a fase de inspiração, o diafragma contrai-se, resultando no aumento 
da capacidade torácica. Esse movimento provoca uma diminuição da pressão dentro 
do tórax, o que leva os órgãos abdominais a se deslocarem para baixo e para frente, 
criando espaço para a entrada de ar pela traqueia e seu direcionamento até os 
pulmões. Essa ação é considerada ativa, pois requer o consumo de energia para ser 
realizada (SANTOS et al., 2010). 
Na fase de expiração, o diafragma relaxa, resultando em uma redução da 
capacidade torácica e um aumento da pressão dentro do tórax. Esse aumento de 
pressão faz com que o ar seja expelido para o exterior através da traqueia. Tanto o 
pulmão quanto a parede torácica retornam à sua posição de repouso durante esse 
processo, o que o torna de natureza passiva, não requerendo gasto de energia 
adicional (SANTOS et al., 2010). 
 
9 
 
A respiração caracteriza-se por: frequência, ritmo e amplitude. A frequência 
respiratória varia segundo a idade do paciente, como demonstrado no Quadro 1. Além 
da idade,outros elementos, como choro, irritabilidade, administração de 
medicamentos e posição corporal, podem influenciar na avaliação da respiração 
(SANTOS et al., 2010). 
 
Quadro 1- Frequência respiratória em repouso de acordo com a idade 
Idade Frequência respiratória (BPM) 
Prematuro 40 a 50 
Lactente 30 a 40 
Um ano 25 a 30 
Pré-escolar 20 a 25 
Escolar 18 a 24 
Adolescente 18 a 20 
Fonte: adaptado de Santos et al., 2010. 
O ritmo respiratório refere-se à classificação que descreve os intervalos entre 
os movimentos respiratórios de um paciente, podendo ser classificado como regular, 
quando os intervalos são uniformes, ou irregular, quando os intervalos são variados. 
Este padrão de ritmo é comumente observado em prematuros e lactentes jovens 
(SANTOS et al., 2010). 
A amplitude respiratória é determinada pela observação do movimento 
expansivo da parede torácica do paciente. Esse movimento pode ser profundo, como 
visto em pacientes com febre, anemia grave e certas condições pulmonares, ou 
superficial, o que é observado em pacientes com alcalose metabólica e em casos de 
depressão do sistema nervoso. Abaixo listaremos os tipos de respiração (SANTOS et 
al., 2010): 
• Respiração de Cheyne-Stokes: é caracterizada por períodos regulares 
alternados de apneia (ausência de respiração) e respiração profunda. Este 
padrão respiratório pode estar associado ao aumento da pressão intracraniana, 
doença renal e meningite. 
• Respiração de Kussmaul: caracterizam-se movimentos respiratórios lentos e 
profundos, com fases de apneia expiratória e inspiratória, mas de forma regular, 
 
10 
 
assemelhando-se à hiperventilação. Esse padrão respiratório é comumente 
observado em pacientes com diabetes e desidratação severa. 
• Respiração de Biot: é caracterizada por uma variação na profundidade e 
frequência dos movimentos respiratórios, ocorrendo em períodos irregulares 
alternados com períodos de apneia de duração variável. 
• Respiração paradoxal: é definida pelo movimento oposto normal da parede 
torácica e do abdômen durante a inspiração. Este fenômeno pode ser 
observado em recém-nascidos prematuros mesmo na ausência de patologia 
pulmonar. 
Revisando alguns conceitos, a terminologia básica da respiração inclui 
(SANTOS et al., 2010): 
• Eupneia: respiração com frequência normal. 
• Bradipneia: diminuição da frequência respiratória. 
• Taquipneia: aumento da frequência respiratória. 
• Dispneia: dificuldade em respirar. 
• Apneia: interrupção da respiração. Durante a apneia, não há presença de 
frequência respiratória. 
Durante os primeiros estágios de vida, os recém-nascidos e lactentes 
geralmente apresentam uma respiração superficial predominantemente 
diafragmática, o que significa que seus movimentos respiratórios são observados 
principalmente através dos movimentos abdominais. Isso é essencial para uma 
avaliação adequada da respiração nessa faixa etária (SANTOS et al., 2010). 
Os recém-nascidos prematuros e lactentes com até seis meses podem 
experimentar episódios de apneia central durante o sono. Essa ocorrência é atribuída 
à imaturidade do centro respiratório desses bebês. Conforme a criança cresce, seu 
padrão respiratório também muda. No início do terceiro ano de vida, ela desenvolve 
uma respiração predominantemente torácica. Entre o terceiro e o sétimo ano, a 
criança apresenta tanto respiração torácica quanto abdominal, e após os sete anos 
de idade, sua respiração se assemelha à de um adulto, predominantemente torácica 
(SANTOS et al., 2010). 
Ao verificar a frequência respiratória de uma criança, é aconselhável fazê-lo 
discretamente para que ela não perceba. Uma técnica comum é manter a mão sobre 
 
11 
 
o pulso e simular a contagem sem chamar atenção. É importante que lactentes e 
crianças menores estejam no colo da mãe ou de um acompanhante durante o exame, 
pois isso os faz sentir relaxados e seguros, facilitando a avaliação. Evitar verificar a 
respiração imediatamente após a criança ter feito esforços, como chorar ou correr, é 
uma prática recomendada para garantir uma medida mais precisa (SANTOS et al., 
2010). 
Em relação à contagem da respiração, em recém-nascidos, lactentes e 
crianças em idade pré-escolar, é recomendado contar a respiração durante um 
minuto, devido à sua respiração irregular. Já em crianças mais velhas, com respiração 
mais regular, a contagem pode ser feita durante 30 segundos e o resultado 
multiplicado por dois para obter a frequência respiratória por minuto. Essas práticas 
são importantes para garantir uma avaliação precisa e segura da respiração em 
crianças de diferentes faixas etárias (SANTOS et al., 2010). 
 
2.2.2 Pulso 
 
A pulsação arterial resulta da expansão e contração das artérias devido à 
propagação de uma onda de sangue gerada pelos batimentos cardíacos. Esse 
mecanismo percebe a pulsão da artéria. Para avaliar essa pulsação, é possível 
recorrer a ausculta, realizada acima do ápice cardíaco, ou à palpação das artérias, 
como a apical, braquial, radial, carotídea, femoral, poplítea, pediosa e tibial. Diversos 
fatores, como idade, medicamentos, febre, dor e exercícios, podem influenciar a 
amplitude e a frequência da pulsação arterial (SANTOS et al., 2010). 
Quando o ventrículo esquerdo se contrai e bombeia uma quantidade específica 
de sangue para a artéria aorta, esta última se expande ao receber o sangue, enquanto 
os ventrículos se relaxam. Esse processo é acompanhado pela contração 
subsequente da aorta, impulsionando o sangue ao longo da artéria. À medida que o 
sangue passa pelas artérias elásticas, provoca a distensão e a subsequente retração 
dessas estruturas. Esse mecanismo possibilita a palpação ou ausculta do pulso em 
locais apropriados do corpo humano. O pulso é caracterizado por: frequência, o ritmo 
e a amplitude (SANTOS et al., 2010): 
• A frequência é uma característica essencial a se observar durante a avaliação 
do pulso, pois diversos fatores podem influenciar sua verificação, tais como o 
 
12 
 
uso de medicamentos, febre, dor e mudanças na postura corporal. O Quadro 2 
apresenta a frequência normal do pulso de acordo com diferentes faixas etárias 
(SANTOS et al., 2010): 
Quadro 2 - Frequência cardíaca normal de acordo com a idade 
Idade Frequência cardíaca Média normal 
Recém-nascido 70 a 170 120 
11 meses 80 a 160 120 
2 anos 80 a 130 110 
4 anos 80 a 120 100 
6 anos 75 a 115 100 
8 anos 70 a 110 90 
10 anos 70 a 110 90 
Adolescente 60 a 110 ± 70 a 65 
Fonte: adaptado de Santos et al., 2010. 
• O ritmo do pulso refere-se ao intervalo entre as pulsações. Esses intervalos 
podem ser rítmicos, quando as pulsações ocorrem de forma regular e contínua, 
ou arrítmicos, quando apresentam intervalos irregulares. 
• A amplitude ou intensidade do pulso está diretamente relacionada com o 
volume de sangue ejetado para a artéria durante a contração cardíaca. A 
variação na amplitude do pulso pode indicar diferentes condições de saúde: 
— Normal: é um pulso cheio, de fácil palpação. 
— Fraco: é um pulso fino, filiforme e débil, por apresentar dificuldade na sua 
palpação, haja vista a pequena quantidade de sangue impulsionada. Por isso, 
é fácil identificar durante a avaliação. 
— Intenso: é um pulso facilmente palpável, difícil de ser perdido durante a 
verificação em razão da quantidade aumentada de sangue. 
— Ausente: nenhuma pulsação é sentida. 
Recordando alguns termos principais, a terminologia básica do pulso inclui: 
normocardia, referente a uma frequência cardíaca normal; bradicardia, caracterizada 
por uma frequência cardíaca abaixo do normal; taquicardia, indicativa de uma 
frequência cardíaca acelerada; taquisfigmia, associada a um pulso acelerado; 
 
13 
 
bradisfigmia, que descreve um pulso reduzido; e, por fim, dicrótico, que se refere à 
sensação de dois batimentos cardíacos (SANTOS et al., 2010). 
A avaliação do pulso é importante para monitorar a saúde cardiovascularde um 
indivíduo. Esta verificação pode ser realizada através da palpação da artéria periférica 
ou pela ausculta do pulso apical, utilizando um estetoscópio. Em bebês, o pulso apical 
é frequentemente verificado com o auxílio das pontas dos dedos. É importante 
ressaltar que a contagem do pulso em crianças é realizada durante um período de 60 
segundos devido à possível irregularidade do ritmo cardíaco nessa faixa etária 
(SANTOS et al., 2010). 
Para uma verificação precisa, é recomendável evitar o uso do polegar, pois sua 
própria pulsação pode interferir na identificação do pulso do paciente. O ideal é utilizar 
os dedos indicador e médio para essa finalidade. Em crianças com menos de 2 anos, 
é indicada a verificação do pulso apical devido à facilidade de ausculta e à obtenção 
de valores precisos. Já em crianças com mais de 2 anos, a ausculta apical ou a 
palpação dos pulsos periféricos são opções viáveis (SANTOS et al., 2010). 
Em recém-nascidos com suspeita de cardiopatia congênita, é recomendado 
verificar o pulso nos membros superiores e inferiores simultaneamente, uma vez que 
algumas cardiopatias podem causar ausência de pulso nos membros inferiores. Todos 
os pacientes devem apresentar pulsos pediosos palpáveis; caso contrário, pode ser 
indicativo de uma possível cardiopatia (SANTOS et al., 2010). 
 
2.2.3 Temperatura 
 
A temperatura corporal reflete o equilíbrio entre a produção de calor pelo 
organismo e sua eliminação. Este equilíbrio mantém a saúde. A temperatura corporal 
pode ser vista como o sinal vital mais sensível quando se trata de indicar a presença 
de uma infecção (SANTOS et al., 2010). 
A regulação da temperatura corporal é alcançada por meio de mecanismos 
neurais de feedback, com o centro regulador localizado no hipotálamo anterior, 
também conhecido como centro termorregulador. Esse processo envolve receptores 
térmicos na pele, os quais detectam variações de temperatura e rapidamente 
transmitem essas informações ao hipotálamo (SANTOS et al., 2010). 
A temperatura corporal central, que representa a temperatura no interior do 
organismo, é geralmente mantida em uma faixa de variação entre 36 e 37,5 °C. As 
 
14 
 
temperaturas podem variar em diferentes regiões do corpo, sendo as temperaturas 
centrais, como a medida no ouvido (timpânica) e no reto, mais elevadas do que as 
periféricas, como as medidas na boca (oral) e sob as axilas (axilar). Quando os níveis 
de temperatura se afastam desses limites estreitos de normalidade, o corpo aciona 
mecanismos de adaptação para buscar a homeostase, ou seja, o equilíbrio interno do 
organismo (SANTOS et al., 2010). 
É reconhecido que a temperatura das crianças é mais instável do que a dos 
adultos, pois o controle da regulação térmica ainda não está completamente 
desenvolvido. Isso significa que as crianças podem apresentar variações térmicas de 
forma mais rápida e significativa (SANTOS et al., 2010). 
O calor gerado no corpo é considerado um subproduto do metabolismo, com a 
principal fonte sendo o alimento. A taxa metabólica é influenciada pelo consumo de 
oxigênio, exercício e fatores hormonais. Quando a temperatura corporal diminui 
abaixo de 35 °C, diversos mecanismos de adaptação são acionados para restabelecer 
o equilíbrio térmico (SANTOS et al., 2010). 
O tremor da musculatura esquelética e a vasoconstrição são utilizados para 
aumentar a produção de calor no corpo, resultando em um aumento do consumo de 
oxigênio. Além disso, os hormônios tireoidianos, como a tiroxina e a tri-iodotironina, 
juntamente com a ativação do sistema nervoso simpático por meio de mediadores 
químicos, como a noradrenalina e a adrenalina, também contribuem para o aumento 
do metabolismo, reduzindo a produção de energia e aumentando a produção de calor 
(SANTOS et al., 2010). 
Conforme o organismo produz calor, também o perde. Existem quatro 
processos básicos pelos quais o calor pode ser perdido para o ambiente externo: 
radiação, condução, convecção e evaporação (SANTOS et al., 2010): 
• Radiação: quando ocorre a transferência de calor pelo corpo e pelo ar por meio 
de raios infravermelhos, como no caso em que o corpo libera calor por 
superfícies não cobertas. 
• Condução: esse fenômeno ocorre quando há transferência de calor de um 
objeto para outro com o qual esteja em contato. Um exemplo disso é quando 
um corpo quente transfere calor para uma bolsa de gelo, resultando no 
derretimento do gelo. 
 
15 
 
• Convecção: esse processo ocorre quando o resfriamento do corpo mais quente 
é causado pelas correntes de ar. Por exemplo, um ventilador sopra correntes 
de ar frio em um corpo com a superfície aquecida, resultando em um 
resfriamento do corpo. 
• Evaporação: esse processo refere-se à perda de água através da superfície 
corpórea. Um exemplo disso é a transpiração da pele, onde a água é liberada 
para o ambiente externo, ajudando no resfriamento do corpo. 
A pele tem a função na regulação térmica, sendo o principal local de perda de 
calor do corpo. A sudorese (transpiração) e a ruborização (aumento do fluxo 
sanguíneo para a pele) são mecanismos adicionais usados para dissipar calor. No 
primeiro ano de vida, a criança depende significativamente da temperatura ambiente 
para manter sua temperatura corporal interna, devido à imaturidade do sistema 
termorregulador. O mecanismo de calafrio, que ajuda a aumentar a produção de calor, 
geralmente só começa a funcionar após o primeiro ano de vida, enquanto a sudorese 
axilar, que ajuda na dissipação de calor, surge apenas na adolescência (SANTOS et 
al., 2010). 
Diante disso, é evidente a importância de proteger as crianças de exposições 
a temperaturas extremas, pois elas ainda não possuem os mecanismos de regulação 
térmica completamente desenvolvidos, tornando-as mais vulneráveis às variações de 
temperatura ambiental (SANTOS et al., 2010). 
Existem três locais comumente utilizados para medir a temperatura corporal: a 
boca, o reto e a axila, cada um apresentando vantagens e desvantagens específicas. 
A cavidade oral é o local mais acessível para medição da temperatura, porém é 
contraindicada em certas situações. Por exemplo, não é recomendada em pacientes 
com problemas orais, que estão recebendo oxigênio por máscara, após a ingestão de 
líquidos quentes ou frios, ou em pacientes que não conseguem segurar o termômetro, 
especialmente crianças com menos de 5 anos de idade ou pacientes com histórico de 
convulsões ou inconsciência (SANTOS et al., 2010). 
A temperatura retal é considerada a mais precisa, mas seu uso é contraindicado 
em certas situações. Por exemplo, não é recomendada em recém-nascidos ou 
crianças pequenas, em casos de comprometimento anal, retal ou perineal, infecções, 
obstrução ou cirurgia retal, pacientes cardíacos (devido à estimulação do nervo vago), 
ou em pacientes com diarreia (SANTOS et al., 2010). 
 
16 
 
A região axilar é frequentemente escolhida para medir a temperatura em 
crianças, mas é propensa a fornecer valores imprecisos devido a vários fatores. O 
tempo de medição, a colocação incorreta do termômetro e a susceptibilidade à 
influência de correntes de ar podem afetar a precisão da medição. Essa técnica é 
desaconselhada em pacientes caquéticos, com fraturas nos membros superiores, 
hipertônicos ou queimaduras (SANTOS et al., 2010). 
A temperatura axilar normalmente está 0,3 a 0,5 °C abaixo dos valores bucais 
e 0,5 a 1,0 °C abaixo da retal. São esperados valores normais (SANTOS et al., 2010): 
• Axilar: 35,9 a 36,7 °C. 
• Oral: 35,8 a 37,2 °C. 
• Retal: 36,2 a 38 °C. 
A hipertermia é caracterizada por uma temperatura corporal acima de 38 °C, 
indicando um aumento na produção de calor pelo organismo e uma deficiência no 
mecanismo de perda de calor. Quando a temperatura corporal aumenta em 0,4 °C, 
observa-se um aumento de 10 batimentos por minuto na frequência cardíaca. Além 
disso, a frequência respiratória aumenta em duasa três respirações por minuto para 
cada aumento de 1 °C na temperatura corporal. Essas mudanças indicam um 
aumento no trabalho cardíaco e uma aceleração na circulação sanguínea, devido ao 
aumento das necessidades de oxigênio do corpo (SANTOS et al., 2010). 
A febre pode causar uma série de sintomas, incluindo cefaleia, prostração, pele 
quente, rubor facial, pele com aspecto mosqueado, calafrios, mal-estar e sede. A 
seguir, são apresentados alguns valores comumente usados como parâmetros para 
avaliar a temperatura corporal (SANTOS et al., 2010): 
• Subfebril: 36,9 °C a 37,4 °C. 
• Febril: 37,7 °C a 38 °C. 
• Febre: 38,1 °C a 39 °C. 
• Pirexia: 39,1 °C a 40 °C. 
• Hiperpirexia: Acima de 40 °C. 
O aumento excessivo da temperatura corporal, acima de 42,3 °C, pode resultar 
em disfunção neurológica, degradação das proteínas do organismo, aceleração da 
atividade celular e, em última instância, levar à morte. Por outro lado, a hipotermia, 
 
17 
 
caracterizada pela diminuição progressiva da temperatura corporal, causa redução da 
atividade celular e da condução nervosa, além de perturbar a regulação térmica do 
corpo, o que também pode resultar em morte (SANTOS et al., 2010). 
Nos recém-nascidos e em crianças desnutridas, a hipotermia é mais 
preocupante do que a febre, pois pode levar a uma diminuição da sensibilidade, 
fraqueza muscular, letargia e inibição do funcionamento cardiorrespiratório (SANTOS 
et al., 2010). 
A temperatura baixa pode ser classificada da seguinte maneira: 
• Colapso álgico: 34 °C. 
• Colapso: 34 °C a 34,9 °C. 
• Subnormal: 35 °C a 35,5 °C. 
 
2.2.4 Pressão arterial 
 
A pressão arterial é a força exercida pelo sangue contra as paredes das 
artérias. Durante a sístole, o momento em que o ventrículo esquerdo do coração 
bombeia sangue para a aorta, ocorre o pico da pressão máxima. Em contrapartida, 
durante a diástole, quando os ventrículos relaxam, ocorre a queda da pressão, 
também conhecida como pressão mínima. Em crianças, a pressão arterial é altamente 
variável e sua medição é desafiadora, não sendo rotineiramente realizada. Deve-se 
incluir a verificação da pressão arterial no exame físico de qualquer criança com mais 
de 4 anos de idade, especialmente se apresentarem sintomas de hipertensão, 
hipotensão, doença renal ou cardíaca. É importante medir a pressão arterial em 
crianças que estejam utilizando medicações hormonais, antes e após procedimentos 
cirúrgicos, e antes da prática de atividades esportivas (SANTOS et al., 2010). 
A pressão arterial é determinada pelo débito cardíaco, a quantidade de sangue 
que o coração bombeia, e pela resistência vascular periférica, é a resistência que o 
fluxo sanguíneo encontra nas artérias. Assim, a pressão sanguínea arterial varia 
conforme a quantidade de sangue bombeada pelo coração e pela resistência que esse 
fluxo enfrenta nas artérias (SANTOS et al., 2010). 
Para regular a pressão arterial, o organismo utiliza mecanismos neurais e 
humorais. O sistema nervoso autônomo tem a função desse controle por meio dos 
barorreceptores e quimiorreceptores localizados no sistema circulatório. E os 
 
18 
 
mecanismos humorais são mediados pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona, 
que regula a vasoconstrição, aumentando a retenção de sódio e água pelos rins, além 
do hormônio antidiurético (SANTOS et al., 2010). 
Sabe-se que a pressão medida nos membros inferiores é maior do que nos 
membros superiores a partir dos 9 meses. A partir desse ponto, a pressão arterial nas 
pernas é tipicamente de 5 a 10 mmHg mais elevada do que nos braços. Após a 
aferição dos valores da pressão arterial, é importante compará-los com a curva de 
peso em relação à idade, a qual varia entre os sexos. O ponto em que a criança se 
situa na curva é conhecido como percentil. Considera-se a pressão arterial normal 
aquela em que os valores sistólicos e diastólicos estão abaixo do percentil 90 para a 
idade e sexo da criança (SANTOS et al., 2010). 
3. PROBLEMAS DE SAÚDE DOS RECÉM-NASCIDOS: AVALIAÇÃO E 
TRATAMENTO 
 
Os problemas de saúde que podem afetar os recém-nascidos são variados e 
podem se apresentar de diversas formas, acarretando consequências distintas que 
demandam cuidados de enfermagem específicos. Por essa razão, é necessário 
estudar os principais problemas de saúde enfrentados por recém-nascidos, a fim de 
compreender suas causas, os riscos envolvidos e os cuidados necessários para tratá-
los. 
 
3.1 Hiperbilirrubinemia 
 
A hiperbilirrubinemia refere-se à elevada concentração de bilirrubina no sangue 
do recém-nascido, resultando na icterícia neonatal, comumente conhecida como 
“amarelão”, devido à coloração amarelada da pele, esclera e unhas. A bilirrubina é um 
pigmento produzido pela quebra das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue). Após 
sua produção, a bilirrubina é processada no fígado e excretada na bile, sendo então 
eliminada no intestino, conferindo a coloração característica das fezes 
(HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
Normalmente, o organismo do recém-nascido consegue regular a relação entre 
a destruição das hemácias e a excreção da bilirrubina. Em algumas condições podem 
desequilibrar esse processo e resultar no acúmulo de bilirrubina nos tecidos, 
 
19 
 
causando icterícia. Os principais fatores que contribuem para esse desequilíbrio 
incluem a prematuridade, atraso no início da amamentação, produção excessiva de 
bilirrubina, disfunção hepática e outras condições como hipotireoidismo, galactosemia 
e diabetes materna (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
A icterícia fisiológica é a forma mais comum de icterícia em recém-nascidos e 
geralmente é uma condição de menor gravidade. Ela tipicamente começa na face do 
bebê e progride em direção às extremidades inferiores. Com o conhecimento dessa 
progressão, é possível estimar a concentração de bilirrubina por meio de um exame 
físico detalhado. A detecção da icterícia pode variar dependendo da experiência do 
profissional de saúde, da pigmentação da pele do recém-nascido e das condições de 
iluminação. Ao realizar o exame físico e avaliar a bilirrubina transcutânea (um método 
não invasivo preferencialmente aplicado no esterno do recém-nascido), é possível 
reduzir a necessidade de exames laboratoriais adicionais para o bebê 
(HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
Além da icterícia fisiológica, os recém-nascidos podem desenvolver icterícia 
patológica. As principais causas da hiperbilirrubinemia patológica estão relacionadas 
a uma variedade de condições médicas, incluindo (BRASIL, 2014): 
• O aumento na produção de bilirrubina pode ser ocasionado por diversas 
condições, tais como doença hemolítica, anemias hemolíticas, cefalo-
hematoma, sepse, aumento da circulação entero-hepática e recém-nascidos 
nascidos de mães diabéticas. 
• A deficiência ou redução na depuração da bilirrubina pode estar associada a 
condições como galactosemia, tirosinemia, hipotireoidismo, icterícia do leite 
materno e prematuridade. 
A principal complicação da icterícia grave é a encefalopatia bilirrubínica, 
também conhecida como kernicterus. Esta complicação surge devido à acumulação 
de bilirrubina nos tecidos cerebrais, resultando em danos graves e irreversíveis. Dada 
a gravidade desta complicação relacionada à icterícia, deve-se realizar uma avaliação 
minuciosa durante o exame físico do recém-nascido, além de coletar exames 
laboratoriais e implementar condutas adequadas. Por essa razão, nenhum bebê 
recém-nascido deve ser liberado do hospital antes de completar 24 horas de vida 
(HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
 
20 
 
O tratamento da icterícia neonatal é conduzido através da fototerapia, 
comumente conhecida como "banho de luz". Durante esse procedimento, a pele do 
recém-nascido é exposta a uma luz especial, o que leva à quebra das moléculas de 
bilirrubina e à sua posterior degradação por meio de fotoisomerização, facilitando 
assim a sua eliminação do organismo. A fototerapiaé geralmente indicada para casos 
moderados de icterícia. Nos casos mais graves, quando a condição não responde 
adequadamente à fototerapia, pode ser necessária a realização de uma 
exsanguineotransfusão. Esse procedimento visa remover o excesso de bilirrubina do 
sangue do recém-nascido, envolvendo a retirada de uma certa quantidade de sangue 
do bebê e a sua substituição por sangue doado, compatível com o tipo sanguíneo do 
recém-nascido (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
 
3.2 Doença hemolítica do recém-nascido 
 
Normalmente, a hiperbilirrubinemia que ocorre em recém-nascidos antes de 
completarem 24 horas de vida está associada à Doença Hemolítica do Recém-
Nascido (DHRN). Essa condição é causada pela destruição intensa e anormal das 
hemácias. As principais causas da DHRN incluem a isoimunização e a 
incompatibilidade sanguínea (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
Conforme explicado por Hockenberry e Wilson (2014), a isoimunização 
acontece quando uma mãe com fator Rh negativo (ausência de determinado antígeno) 
dá à luz um filho com fator Rh positivo (presença desse antígeno). Embora a 
circulação sanguínea do feto e da mãe sejam independentes, pode ocorrer a 
transferência de hemácias do feto para a corrente sanguínea da mãe durante o parto. 
Esse contato desencadeia uma resposta imunológica na mãe, levando à produção de 
anticorpos anti-Rh (isoimunização). 
Segundo Hockenberry e Wilson (2014), é raro ocorrerem complicações com o 
feto durante a primeira gestação, pois a isoimunização geralmente ocorre no momento 
do parto. Em gestações subsequentes, os anticorpos maternos podem atravessar a 
placenta e entrar na circulação fetal. Se o feto for Rh positivo, suas hemácias podem 
ser destruídas pelos anticorpos maternos. A gravidade da hemólise das hemácias 
fetais dependerá da quantidade de anticorpos produzidos pela mãe. À medida que as 
hemácias do feto são destruídas, ele pode desenvolver anemia, o que estimula a 
produção de mais hemácias em uma tentativa de compensação. Essas novas 
 
21 
 
hemácias também podem ser destruídas. Esse quadro é conhecido como 
eritroblastose fetal. 
A doença hemolítica também pode ocorrer quando os antígenos do tipo 
sanguíneo do feto são diferentes dos da mãe. A incompatibilidade mais comum ocorre 
quando a mãe pertence ao grupo sanguíneo "O" e o recém-nascido é do grupo "A" ou 
"B". Os anticorpos anti-A ou anti-B presentes na circulação materna podem atravessar 
a placenta e causar hemólise nas hemácias do feto. É possível também que o bebê 
nasça sem apresentar manifestações clínicas imediatas, com a icterícia se 
desenvolvendo nas primeiras 24 horas de vida (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
A estratégia primária para lidar com a isoimunização é a prevenção, realizada 
por meio da administração intramuscular da imunoglobulina anti-Rh em todas as 
mulheres Rh negativas não sensibilizadas (com teste de Coombs indireto negativo) 
que tenham dado à luz a bebês Rh positivos. Quanto ao tratamento do bebê afetado, 
serão implementadas medidas clínicas para estabilização dos sinais vitais e 
tratamento da icterícia, como fototerapia ou exsanguineotransfusão, bem como 
tratamento da anemia, se necessário (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
 
3.3 Complicações metabólicas 
 
Segundo Hockenberry e Wilson (2014), as complicações metabólicas mais 
comuns em recém-nascidos são a hipoglicemia e a hipocalemia. A hipoglicemia ocorre 
quando a concentração de glicose no sangue fica abaixo do limite mínimo, ou seja, 
glicemia inferior a 40 mg/dL. Isso pode ser resultado de diversos fatores, como 
aumento na utilização de glicose ou diminuição no armazenamento de glicose. Os 
recém-nascidos em maior risco de hipoglicemia incluem aqueles grandes para a idade 
gestacional (GIG), filhos de mães diabéticas, recém-nascidos com necessidade 
metabólica aumentada (como em casos de sepse, hipotermia ou pós-reanimação), 
recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (PIG) e recém-nascidos 
prematuros. 
As manifestações clínicas em recém-nascidos com hipoglicemia estão 
relacionadas à baixa disponibilidade de glicose no sistema nervoso, resultando em 
sintomas como tremores, letargia, choro fraco, convulsões e coma. Outros sinais que 
podem estar presentes incluem cianose, respiração irregular, sudorese e dificuldade 
para sugar durante a amamentação. É importante monitorar regularmente a glicemia 
 
22 
 
capilar dos recém-nascidos considerados de risco, mantendo-se atento aos sintomas. 
Eles devem ser alimentados adequadamente com leite materno e/ou suplementados 
com fórmula láctea apropriada. Se necessário, pode ser administrada uma solução de 
glicose por via intravenosa (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
A hipocalemia ocorre quando os níveis de cálcio no sangue estão abaixo do 
normal, ou seja, com concentração sérica de cálcio inferior a 7,8 mg/dL ou cálcio 
ionizado inferior a 4,4 mg/dL. Essa condição pode se manifestar precocemente, nas 
primeiras 48 horas de vida, ou tardiamente, após 72 ou 96 horas de vida. Geralmente, 
afeta recém-nascidos filhos de mães diabéticas, que sofreram hipóxia durante o 
nascimento, recém-nascidos com baixa absorção de cálcio intestinal, filhos de mães 
com hipoparatireoidismo, com hipomagnesemia e aqueles alimentados com leite de 
vaca (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
As manifestações clínicas em recém-nascidos com hipocalemia incluem 
agitação, cianose, apneia, edema, choro intenso, distensão abdominal, espasmos, 
tremores, convulsões e coma. O tratamento para a hipocalemia envolve alimentação 
adequada (aleitamento materno ou complementação com fórmula apropriada) e 
administração de suplementos de cálcio, gluconato de cálcio e vitamina D. Em relação 
à prevenção, é recomendado monitorar o grupo de risco (como recém-nascidos pré-
termo e asfixiados) por meio de medições de calcemia nos primeiros dias de vida. 
Além disso, é aconselhável oferecer suplementos de cálcio desde o primeiro dia de 
vida a todos os recém-nascidos pertencentes ao grupo de risco (HOCKENBERRY; 
WILSON, 2014). 
 
3.4 Síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido e outras 
complicações respiratórias 
 
A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) é um problema respiratório que 
afeta os recém-nascidos, sendo causado pelo atraso no desenvolvimento da 
maturação pulmonar. Também conhecida como Doença da Membrana Hialina, a SDR 
é mais comumente observada em recém-nascidos prematuros, uma vez que seus 
pulmões ainda não estão completamente desenvolvidos para realizar as trocas 
gasosas necessárias durante a respiração (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
As principais manifestações clínicas da SDR são (HOCKENBERRY; WILSON, 
2014): 
 
23 
 
• taquipneia; 
• dispneia; 
• tiragens intercostais ou subesternais; 
• ruídos adventícios inspiratórios (creptantes) e expiratórios (gemido); 
• batimento de asa de nariz; 
• cianose ou palidez. 
Para prevenir a SDR em recém-nascidos prematuros, é comum administrar um 
surfactante exógeno por via endotraqueal, além de iniciar prontamente suporte 
ventilatório, seja por meio de ventilação mecânica ou ventilação não invasiva, 
conforme a necessidade do bebê (levando em consideração sua imaturidade 
pulmonar e idade gestacional ao nascer). Adicionalmente, a administração de 
corticoides durante a gestação e no período pré-parto pode reduzir a gravidade e a 
progressão clínica da SDR (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
 
3.5 Complicações cardiovasculares 
As complicações cardiovasculares em recém-nascidos podem surgir devido a 
problemas congênitos no coração ou serem desencadeadas por outras condições 
associadas à prematuridade (COSTA, 2019). 
Quadro 3 - Principais complicações cardiovasculares 
Complicação Descrição Manifestações 
clínicas 
Tratamento 
Síndrome da 
hiperviscosidade 
Hematócrito 
maior que 65%, 
causando 
lentidão na 
circulação 
venosa em 
órgãos vitais. 
Hipertensão 
pulmonar, 
cianose, apneia, 
convulsões,hiperbilirrubinemia 
e complicações 
gastrintestinais. 
Cuidados com a 
expansão de volume, 
observação rigorosa 
de sobrecarga 
hídrica. 
Sangramento por 
deficiência de 
vitamina K 
Distúrbio 
hemorrágico 
causado por 
Sangramentos 
pelo coto 
umbilical, 
Administrar vitamina 
K, por via 
intramuscular, logo 
 
24 
 
deficiência de 
vitamina K. 
petéquias, fezes 
sanguinolentas ou 
escuras e 
hematúria. 
após o nascimento, 
em todos os RNs 
como medida 
preventiva. 
Persistência do 
canal arterial 
Falha no 
fechamento do 
canal arterial no 
nascimento, 
causando retorno 
do sangue 
oxigenado da 
aorta para a 
artéria pulmonar, 
aumentando a 
carga de trabalho 
do lado esquerdo 
do coração, 
gerando 
congestão. 
Diminuição da 
pressão de 
oxigênio e 
aumento da 
pressão de gás 
carbônico, apneia 
e sopro cardíaco. 
Realizar rigoroso 
controle hídrico. 
Manter suporte 
ventilatório 
adequado. 
Administrar 
medicamentos 
conforme prescrição 
médica. Cuidados 
pré e pós-operatórios 
para ligadura ductal. 
Anemia Nível de 
hemoglobina 
abaixo de 14 
mg/dL. 
Palidez, apneia, 
taquicardia, 
letargia, baixo 
ganho de peso e 
desconforto 
respiratório. 
Transfusão de 
concentrado de 
hemácias ou 
administração de 
medicamentos 
(eritropoetina) 
conforme prescrição 
médica. Cuidados 
com a fluidoterapia. 
Fonte: adaptado de Hockenberry e Wilson (2014). 
 
 
 
 
25 
 
3.6 Complicações neurológicas 
 
Os recém-nascidos estão sujeitos a várias complicações neurológicas devido à 
prematuridade, à fragilidade da rede venosa cerebral e às consequências da isquemia 
por hipóxia. Algumas das complicações neurológicas mais comuns incluem (COSTA, 
2019): 
• Lesão cerebral hipóxica-isquêmica: isquemia cerebral devido à falta de 
oxigênio, que pode resultar em danos ao tecido cerebral e causar uma série de 
complicações neurológicas, como paralisia cerebral, déficits cognitivos e 
convulsões. 
• Hemorragia intracraniana: sangramento dentro do crânio, muitas vezes 
associado à fragilidade dos vasos sanguíneos cerebrais, especialmente em 
recém-nascidos prematuros. Isso pode levar a complicações como hidrocefalia, 
danos cerebrais e déficits neurológicos. 
• Encefalopatia hipóxica-isquêmica: danos cerebrais causados pela falta de 
oxigênio e fluxo sanguíneo adequados para o cérebro. Pode resultar em 
deficiências neurológicas significativas e afetar o desenvolvimento neurológico 
futuro da criança. 
• Convulsões neonatais: atividade elétrica anormal no cérebro que pode ser 
causada por várias condições, incluindo lesão cerebral hipóxica-isquêmica, 
hemorragia intracraniana e distúrbios metabólicos. 
• Lesões do plexo braquial: danos aos nervos que controlam os músculos do 
braço, muitas vezes resultantes de traumas durante o parto. 
É necessário diagnosticar e tratar precocemente essas complicações 
neurológicas para minimizar os danos e garantir o melhor prognóstico possível para o 
recém-nascido. O tratamento pode incluir monitoramento cuidadoso, intervenções 
médicas especializadas, terapia de suporte e, em alguns casos, reabilitação 
neurológica (COSTA, 2019). 
De acordo com Hockenberry e Wilson (2014), as convulsões em recém-
nascidos geralmente têm múltiplas causas, incluindo causas metabólicas, infecções, 
traumas durante o parto, malformações congênitas, entre outras. As características 
das convulsões em recém-nascidos são específicas para essa fase de 
desenvolvimento, pois os sinais de convulsão tendem a ser sutis. Alguns desses sinais 
 
26 
 
podem incluir estalos labiais, movimentos da língua, desvios do olhar e arqueamento 
do corpo. É importante reconhecer esses sinais precocemente para diagnosticar e 
tratar adequadamente as convulsões nos recém-nascidos. 
3.7 Plano de cuidados ao recém-nascido com problemas de saúde 
 
Para elaborar um plano de cuidados para o recém-nascido com problemas de 
saúde, o enfermeiro(a) ou profissional de saúde deve começar classificando o risco 
do bebê, levando em consideração seu peso ao nascer, idade gestacional e presença 
de diagnósticos de patologias que possam trazer complicações. Com base na 
identificação do risco do recém-nascido, o plano de cuidados deve ser elaborado 
seguindo uma estrutura básica e considerando as especificidades do problema 
apresentado (COSTA, 2019): 
• Avaliação sistemática: é essencial e envolve uma avaliação física completa e 
detalhada de todos os sistemas orgânicos do recém-nascido. Pequenas 
mudanças na alimentação, coloração da pele, atividade, saturação de oxigênio 
ou nos sinais vitais podem indicar a ocorrência de complicações. Qualquer 
alteração deve ser identificada e tratada precocemente para garantir o bem-
estar do bebê. 
• Monitorização: o recém-nascido de alto risco requer monitoramento constante, 
que inclui atividade elétrica cardíaca, frequência cardíaca, frequência 
respiratória, pressão arterial não invasiva, temperatura e saturação de oxigênio. 
Os alarmes dos monitores devem permanecer ativados e nunca silenciados ou 
desligados sem uma avaliação cuidadosa das condições do recém-nascido. 
Isso garante que quaisquer alterações importantes sejam prontamente 
identificadas e tratadas, proporcionando o melhor cuidado possível ao bebê de 
alto risco. 
• Suporte ventilatório: deve-se manter a oferta adequada de oxigênio para o 
recém-nascido, seguindo as orientações do suporte prescrito. 
• Termorregulação: manter o recém-nascido em um ambiente com temperatura 
controlada e evitar procedimentos e cuidados que possam levar à perda de 
calor. 
 
27 
 
• Proteção contra infecções: a principal medida para prevenir infecções em 
recém-nascidos de alto risco é a rigorosa higienização das mãos pelos 
profissionais da equipe assistencial. A prevenção de infecções é importante, 
pois a ocorrência delas pode agravar outras complicações. 
• Hidratação: é importante administrar fluidos por via parenteral de acordo com 
a prescrição médica. Deve-se ter cuidado para evitar a sobrecarga hídrica, pois 
isso pode representar um risco para o recém-nascido. 
• Nutrição: é uma prioridade para garantir o crescimento adequado do recém-
nascido. O ideal é que o bebê seja alimentado com leite materno. Quando isso 
não for possível, devem ser utilizadas fórmulas lácteas adequadas ou suporte 
de nutrição parenteral. 
• Cuidados com a pele: a pele do recém-nascido é delicada e imatura, o que 
torna essencial implementar cuidados para garantir sua integridade, devido ao 
elevado risco de infecções, perda de calor e líquidos pela pele. É recomendado 
utilizar apenas produtos neutros para a higiene corporal do bebê e evitar o uso 
de antissépticos e outros produtos químicos que possam causar queimaduras 
e lesões. Também é importante ter cautela ao usar adesivos para fixar 
dispositivos na pele do recém-nascido. 
O profissional de saúde deve valorizar e incentivar a interação precoce do 
recém-nascido com a família, pois essa relação é importante no desenvolvimento do 
bebê e está associada à melhoria de diversas complicações. A partir dessa estrutura, 
poderá ser avaliado e monitorizado, gerando um plano de cuidados segundo as 
necessidades de cada recém-nascido (COSTA, 2019). 
4. REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA 
 
Durante uma parada cardiorrespiratória (PCR), o paciente entra em estado 
inconsciente, não responde a estímulos, não respira e não apresenta pulso. O objetivo 
do atendimento de emergência é fornecer tratamento eficaz o mais rápido possível 
para reativar corações que pararam de bombear sangue. Esse atendimento é 
conduzido seguindo os protocolos de Suporte Básico de Vida (SBV ou BLS, do inglês 
Basic Life Support) e Suporte Avançado de Vida Pediátrico (SAVP ou PALS, do inglês 
Advanced Life Support). Geralmente, o SAVP é uma continuação do SBV, se o 
 
28 
 
paciente já estiver intubado e monitorado quando aPCR ocorrer, algumas etapas 
podem ser omitidas, permitindo a implementação imediata de medidas avançadas, 
como administração de medicamentos e desfibrilação (COSTA, 2019). 
O SBV visa garantir uma via respiratória desobstruída, proporcionar ventilação 
adequada e manter a circulação sanguínea para os órgãos por meio de compressões 
torácicas. Por outro lado, o SAVP concentra-se em restaurar a circulação sanguínea 
espontânea e tem como principal objetivo a reanimação cerebral (COSTA, 2019). 
Conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA, 2018), na 
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em adultos, é prioritário realizar compressões 
cardíacas de alta qualidade e desfibrilação imediata, em detrimento da respiração de 
resgate e do manejo da via aérea, seguindo o processo CAB (circulação, via aérea, 
respiração). No caso de crianças, a parada cardíaca apresenta diferenças intrínsecas 
em relação à dos adultos. Em bebês e crianças, a parada cardíaca por asfixia é mais 
comum do que por eventos cardíacos primários, o que torna a ventilação mais 
importante durante a ressuscitação, seguindo o método ABC (via aérea, respiração, 
circulação) e compressões torácicas (COSTA, 2019). 
Mesmo em ambientes hospitalares de alto risco, as paradas cardíacas e as 
ressuscitações cardiopulmonares (RCPs) são eventos relativamente raros. As 
equipes de reanimação podem variar em cada situação de parada cardíaca, o que 
ressalta a importância do planejamento e da prática colaborativa interdisciplinar e 
preventiva rigorosa para um desempenho ideal. Resultados positivos podem ser 
alcançados por meio de uma RCP bem coordenada, com ênfase em compressões 
torácicas eficazes, ventilação adequada e desfibrilação precoce (COSTA, 2019). 
A maioria das crises pediátricas que exigem RCP são consideradas evitáveis. 
Geralmente, essas situações decorrem de acidentes envolvendo veículos 
motorizados, afogamentos, queimaduras, inalação de fumaça, quedas, 
envenenamentos, sufocações e engasgos. Outras causas de parada 
cardiorrespiratória em crianças incluem laringoespasmo e edemas resultantes de 
infecções do trato respiratório superior, bem como a síndrome de morte súbita do 
recém-nascido (COSTA, 2019). 
Bradicardia, bradipneia, respirações irregulares, pulsos fracos, tempo de 
enchimento capilar lento, hipotensão, cianose e moteamento são sinais indicativos 
que requerem tratamento imediato para evitar a progressão para uma PCR. Durante 
 
29 
 
a RCP, o objetivo é restaurar a respiração e a circulação do paciente após a 
interrupção dos batimentos cardíacos e da respiração. A RCP é um procedimento 
fundamental de suporte à vida realizado em vítimas de PCR (COSTA, 2019). 
O instante da RCP é de extrema importância, sendo importante que o paciente 
receba atendimento de emergência imediato. Durante esse atendimento, as manobras 
de RCP são realizadas prontamente e, quando necessário, a desfibrilação é 
administrada imediatamente, o que substancialmente aumenta as chances de 
sobrevivência do paciente. Os cinco componentes essenciais da RCP de alta 
qualidade são: 
• Garantir compressões torácicas com taxa adequada; 
• Garantir compressões torácicas de profundidade adequada; 
• Permitir recuo total do peito entre as compressões; 
• Minimizar as interrupções nas compressões torácicas; 
• Evitar ventilação excessiva (AHA, 2018). 
A parada cardíaca ou respiratória pediátrica intra-hospitalar pode ser 
potencialmente evitada através do reconhecimento precoce e intervenção rápida em 
pacientes em deterioração. As compressões torácicas devem ser iniciadas 
imediatamente por um membro da equipe multidisciplinar, enquanto outro colaborador 
se prepara para administrar ventilações utilizando uma bolsa-válvula-máscara (BVM). 
A ventilação é de extrema importância em casos pediátricos devido à alta incidência 
de paradas por asfixia, e os melhores resultados são alcançados quando 
compressões e ventilações torácicas são combinadas. No entanto, em algumas 
situações, as ventilações podem ser atrasadas devido à necessidade de mobilização 
de equipamentos, como bolsa, máscara, oxigênio e via aérea. Vale ressaltar que as 
compressões torácicas podem ser realizadas por apenas um membro da equipe 
(COSTA, 2019). 
A eficácia do SAVP está diretamente relacionada à realização de RCP de alta 
qualidade. Isso implica em manter uma taxa de compressão adequada, com pelo 
menos 100 compressões por minuto e garantir a profundidade correta das 
compressões, que deve ser de pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax, 
aproximadamente 4 cm em lactentes e 5 cm em crianças. Essa profundidade 
 
30 
 
adequada permite o completo recuo do tórax após cada compressão, reduzindo as 
interrupções durante o processo e evitando a ventilação excessiva (AHA, 2018). 
Existem diversas razões que podem levar a não realização da RCP de alta 
qualidade, tais como a falta de atenção aos detalhes por parte do socorrista, a fadiga 
do resgatador e interrupções prolongadas ou frequentes para proteger a via aérea, 
verificar o ritmo cardíaco e movimentar o paciente. É importante ressaltar que as 
compressões torácicas ideais são eficazes quando realizadas em uma superfície firme 
(COSTA, 2019). 
Enquanto um socorrista realiza as compressões torácicas e outro procede com 
as ventilações, outros membros da equipe devem adquirir um monitor/desfibrilador, 
estabelecer acesso vascular e calcular e preparar os medicamentos necessários. Em 
casos de ritmos não chocáveis, como atividade elétrica sem pulso (AESP) e assistolia, 
é essencial continuar a RCP com o mínimo de interrupções possível nas compressões 
torácicas. Um membro adicional da equipe de enfermagem deve garantir o acesso 
vascular e administrar as medicações conforme solicitado pelo médico, enquanto a 
RCP é mantida (COSTA, 2019). 
O uso de medicamentos é raramente necessário na ressuscitação do recém-
nascido. A bradicardia nesse grupo geralmente resulta de uma inadequada inflação 
pulmonar ou de uma profunda hipoxemia, sendo o estabelecimento de uma ventilação 
adequada o passo mais importante para corrigi-la. Se a frequência cardíaca 
permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto, mesmo após uma ventilação 
adequada com oxigênio a 100%, preferencialmente administrado via tubo 
endotraqueal e compressões torácicas, então a administração de epinefrina ou 
volume, ou ambos, pode ser indicada (COSTA, 2019). 
A dose recomendada de epinefrina por via intravenosa (IV) varia de 0,01 a 0,03 
mg/kg. Doses IV mais elevadas não são aconselhadas devido ao risco de hipertensão 
exagerada, diminuição da função cardíaca e piora da função neurológica após 
administração de doses na faixa de 0,1 mg/kg. Enquanto se aguarda o 
estabelecimento do acesso intravenoso, considera-se a administração de uma dose 
mais elevada (0,05 a 0,1 mg/kg) através do tubo endotraqueal. A administração IV de 
0,01 a 0,03 mg/kg por dose é preferível (COSTA, 2019). 
A expansão do volume deve ser considerada quando há conhecimento ou 
suspeita de perda de sangue, indicada por sinais como pele pálida, má perfusão e 
 
31 
 
pulso fraco, bem como quando a frequência cardíaca do bebê não responde 
adequadamente a outras medidas de ressuscitação. Na sala de parto, tanto uma 
solução cristaloide isotônica quanto sangue podem ser úteis para expandir o volume 
sanguíneo. A dose recomendada é de 10 mL/kg, podendo ser repetida conforme 
necessário (COSTA, 2019). 
Uma vez que o paciente mantém a via aérea desobstruída através da intubação 
endotraqueal, um socorrista deve realizar compressões torácicas de forma contínua, 
a uma taxa mínima de 100 por minuto, sem interrupção para ventilação. Enquanto 
isso, o segundo socorrista fornece ventilações a uma taxa de uma respiração a cada 
seis segundos, totalizando 10 respirações por minuto. É importante que o socorrista 
que realiza as compressões troque de função com o que realiza asventilações a cada 
aproximadamente 2 minutos, para evitar fadiga e, consequentemente, a deterioração 
na qualidade e na taxa das compressões torácicas (COSTA, 2019). 
O ritmo cardíaco deve ser verificado a cada 2 minutos, com interrupções 
mínimas nas compressões torácicas. Se o ritmo cardíaco não for choque, os ciclos de 
RCP e a administração de medicamentos devem ser continuados até que haja 
evidências de ressuscitação ou até que seja decidido encerrar o esforço. No caso de 
o ritmo tornar-se choqueável em qualquer momento, um choque deve ser 
administrado e as compressões torácicas devem ser retomadas imediatamente por 2 
minutos antes de verificar novamente o ritmo cardíaco (COSTA, 2019). 
Os ritmos chocáveis incluem a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia 
ventricular sem pulso (TVSP). A desfibrilação é o tratamento definitivo para a FV. A 
eficácia do choque é maximizada quando os socorristas minimizam o tempo entre a 
última compressão torácica e a administração do choque. Os socorristas devem estar 
preparados para coordenar breves interrupções nas compressões torácicas para 
permitir a aplicação do choque, retomando imediatamente as compressões após ele 
(COSTA, 2019). 
Durante a ressuscitação, o acesso venoso periférico é considerado aceitável 
se puder ser estabelecido rapidamente. Em uma criança gravemente doente, a 
colocação desse acesso pode ser desafiadora. Embora um cateter venoso central 
possa oferecer acesso mais seguro a longo prazo, sua inserção requer treinamento e 
experiência, e o procedimento pode ser demorado. Por essa razão, o acesso venoso 
central não é recomendado como a primeira opção durante uma emergência. Se 
 
32 
 
ambos os tipos de acesso - central e periférico - estiverem disponíveis, os 
medicamentos devem ser administrados na circulação central, já que alguns deles, 
como a adenosina, são mais eficazes quando administrados próximos ao coração 
(COSTA, 2019). 
Por outro lado, outros medicamentos, como cálcio e amiodarona, podem causar 
irritação se infundidos em uma veia periférica. O comprimento do cateter central pode 
contribuir para o aumento da resistência na administração dos medicamentos 
(COSTA, 2019). 
Durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), o acesso vascular (intravenoso 
ou intraósseo) é o método preferido para a administração de medicamentos. Se não 
for possível estabelecer esse acesso, drogas lipossolúveis, como lidocaína, 
epinefrina, atropina e naloxona, podem ser administradas através do tubo 
endotraqueal. É importante observar que os efeitos dessas drogas podem não ser 
uniformes quando administradas através da traqueia em comparação com a 
administração intravenosa. Se a RCP estiver em andamento, as compressões 
torácicas devem ser interrompidas brevemente para a administração das medicações, 
seguida pela infusão de pelo menos 5 mL de solução salina normal e cinco ventilações 
consecutivas com pressão positiva (COSTA, 2019). 
Os desfibriladores estão disponíveis em modelos manuais ou automáticos 
(DEA) e podem apresentar formas de onda monofásicas ou bifásicas. Esses 
equipamentos têm a capacidade de identificar a presença de ritmos cardíacos 
chocáveis e não chocáveis. Em crianças com mais de 25 kg ou com mais de oito anos 
de idade, as pás para adultos são utilizadas. Para crianças entre 1 e 8 anos de idade, 
com peso inferior a 25 kg, são empregadas as pás pediátricas. Em casos de crianças 
ainda menores, uma alternativa é posicionar uma das pás na região dorsal da criança 
(COSTA, 2019). 
Se a desfibrilação for bem-sucedida em restabelecer um ritmo cardíaco 
organizado, ou se houver outras evidências de ressuscitação ou pulsos visíveis em 
uma forma de onda arterial, especialmente nos casos de pacientes com cateter de 
pressão arterial média, o pulso da criança é verificado para determinar a presença de 
um ritmo de perfusão. Se o pulso estiver presente, os cuidados pós-ressuscitação 
devem ser iniciados (COSTA, 2019). 
 
 
33 
 
4.1 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do recém-nascido 
 
Os primeiros passos da reanimação do recém-nascido envolvem a manutenção 
da temperatura corporal normal da criança, posicionamento para abrir a via aérea, 
aspiração das secreções se a via aérea estiver obstruída ou se for necessária a 
ventilação por pressão, secagem do bebê (a menos que seja prematuro e se utilize 
um cobertor envoltório de plástico) e estímulo à respiração (COSTA, 2019). 
A temperatura de admissão dos recém-nascidos não asfixiados é um indicador 
significativo de mortalidade em todas as idades gestacionais, com os bebês 
prematuros sendo particularmente vulneráveis. A hipotermia também está associada 
a complicações graves, incluindo problemas respiratórios, hipoglicemia e sepse tardia. 
É recomendado manter a temperatura dos recém-nascidos não asfixiados entre 36,5 
e 37,5 °C desde o nascimento até a admissão e a estabilização, a fim de reduzir os 
riscos associados à hipotermia (COSTA, 2019). 
É importante evitar a sucção desnecessária, pois isso ajuda a reduzir o risco 
de bradicardia causada pela aspiração da nasofaringe. Além disso, a deterioração da 
complacência pulmonar, da oxigenação e do fluxo sanguíneo cerebral que podem 
ocorrer com a sucção traqueal em neonatos intubados na unidade de terapia intensiva 
neonatal (UTIN) também sugere a necessidade de cautela no uso da aspiração 
imediatamente após o nascimento (COSTA, 2019). 
Se o recém-nascido apresentar tônus muscular fraco e esforços respiratórios 
inadequados no líquido amniótico meconial, os primeiros passos da ressuscitação 
devem ser realizados sob o aquecedor radiante. Se o lactente não estiver respirando 
ou se a frequência cardíaca estiver abaixo de 100 batimentos por minuto após a 
conclusão das etapas iniciais, o início da ventilação deve ser imediato (COSTA, 2019). 
A implementação imediata da ventilação durante o primeiro minuto após o 
nascimento em crianças que demonstram apneia ou respiração ineficaz é fundamental 
para o manejo neonatal de emergência. A intervenção adequada para apoiar a 
ventilação e a oxigenação deve ser iniciada conforme indicado para cada criança 
individualmente, o que pode incluir a intubação e a sucção se a via aérea estiver 
obstruída. Se a frequência cardíaca estiver abaixo de 60 bpm, apesar da ventilação 
adequada (preferencialmente via tubo endotraqueal, se possível), é recomendada a 
realização de compressões torácicas (COSTA, 2019). 
 
34 
 
Como a ventilação é considerada a intervenção mais eficaz na ressuscitação 
neonatal e as compressões torácicas podem interferir com a ventilação adequada, os 
socorristas devem assegurar que a ventilação assistida seja administrada de forma 
ideal antes de iniciar as compressões torácicas. Existem duas técnicas comumente 
utilizadas: a compressão com os dois polegares ao redor do tórax e apoio nas costas 
(técnica de dois polegares) e a compressão com dois dedos, com uma segunda mão 
apoiando as costas (técnica de dois dedos) (COSTA, 2019). 
Recomenda-se coordenar as compressões e as ventilações para evitar a 
entrega simultânea. Durante o relaxamento, o peito deve ser capaz de se expandir 
novamente, mas os polegares do socorrista não devem ser retirados do peito. 
Segundo as diretrizes da American Heart Association (AHA), é sugerida uma 
proporção de 3:1 de compressões para ventilação, realizando 90 compressões 
seguidas por 30 respirações para alcançar aproximadamente 120 eventos por minuto 
e maximizar a ventilação a uma taxa alcançável. 
Cada evento deve ser distribuído em aproximadamente meio segundo, com a 
expiração ocorrendo durante a primeira compressão após cada ventilação. Para a 
reanimação neonatal, é utilizada uma razão de compressão para ventilação de 3:1, 
visto que o comprometimento das trocas gasosas é frequentemente a principal causa 
de colapso cardiovascular nessa faixa etária. Quando a origem do colapso podeser 
considerada cardíaca, razões mais altas, como 15:2, podem ser empregadas (AHA, 
2018). 
As respirações, a frequência cardíaca e a oxigenação devem ser reavaliadas 
periodicamente durante o processo de ressuscitação. As compressões torácicas 
coordenadas e as ventilações devem ser mantidas até que a frequência cardíaca 
espontânea atinja ou ultrapasse 60 batimentos por minuto. É importante evitar 
interrupções frequentes nas compressões, pois isso pode comprometer a manutenção 
artificial da perfusão sistêmica e a circulação sanguínea coronariana (COSTA, 2019). 
 
4.2 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do paciente 
pediátrico 
 
Quando uma criança não está respondendo e não está respirando, deve-se 
solicitar ajuda imediatamente. Simultaneamente, deve-se preparar um desfibrilador e 
iniciar imediatamente a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), preferencialmente com 
 
35 
 
oxigênio suplementar, se disponível. Os eletrodos do monitor de ECG 
(eletrocardiograma) ou do desfibrilador automático externo (DEA) são anexados assim 
que estiverem disponíveis. Durante todo o processo de ressuscitação, deve garantir a 
prestação de RCP de alta qualidade, o que inclui realizar compressões torácicas com 
taxa e profundidade adequadas, permitindo a completa retração do tórax após cada 
compressão, minimizando as interrupções nas compressões e evitando ventilação 
excessiva (COSTA, 2019). 
A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) pode ser realizada por enfermeiros ou 
técnicos de enfermagem, enquanto o médico é responsável por determinar o ritmo 
cardíaco da criança por meio do ECG ou, se estiver utilizando um DEA, o dispositivo 
indicará se o ritmo é chocável ou não chocável. Em alguns casos, pode ser necessário 
interromper temporariamente as compressões torácicas para determinar o ritmo 
cardíaco da criança. Enquanto isso, outro membro da equipe de enfermagem ficará 
encarregado de preparar e administrar as medicações solicitadas pelo médico 
(COSTA, 2019). 
A qualidade da liderança na equipe de ressuscitação à beira do leito tem um 
impacto significativo global da equipe. Os princípios de gestão de recursos em crises 
destacam que as equipes de ressuscitação funcionam de forma mais eficaz quando 
há clareza sobre quem está liderando os esforços de ressuscitação, quais são os 
papéis individuais de cada membro e como devem se comunicar e colaborar de 
maneira eficiente. Geralmente, é o médico quem lidera a equipe durante uma parada 
cardíaca, enquanto o enfermeiro assume a liderança de sua equipe, garantindo que 
cada membro desempenhe sua função designada de forma adequada (COSTA, 
2019). 
A técnica das mãos em torno do polegar é amplamente recomendada durante 
a realização de compressões torácicas em uma criança. Nessa técnica, as mãos do 
socorrista circundam o peito da criança, com os dedos espalhados ao redor do tórax 
e os polegares posicionados juntos no terço inferior do esterno. Uma vez nessa 
posição, os polegares são usados para comprimir vigorosamente o esterno. Após 
cada compressão, é essencial permitir que o tórax se retraia completamente, pois isso 
facilita a reexpansão total do tórax, melhorando assim o fluxo sanguíneo que retorna 
ao coração e, consequentemente, o fluxo sanguíneo para o corpo durante a 
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) (COSTA, 2019). 
 
36 
 
Durante a RCP pediátrica, é comum ocorrer um recuo incompleto da parede 
torácica, especialmente quando os socorristas estão fatigados. Esse recuo 
inadequado está associado a pressões intratorácicas mais altas e uma diminuição 
significativa no retorno venoso, perfusão coronariana, fluxo sanguíneo e perfusão 
cerebral. Caso haja suspeita de trauma que sugira lesão na coluna vertebral, é 
realizada uma manobra de impulso da mandíbula sem inclinação da cabeça para abrir 
a via aérea. Como a manutenção de uma via aérea desobstruída e a ventilação 
adequada são essenciais na RCP pediátrica, pode-se recorrer à manobra de 
inclinação da cabeça, ou seja, elevação do queixo, se o impulso da mandíbula não 
conseguir abrir a via aérea (COSTA, 2019). 
Quando há apenas um socorrista, é adotada uma relação de 30 compressões 
para 2 ventilações durante a RCP. Por outro lado, em uma situação com dois ou mais 
socorristas, um membro da equipe deve se encarregar das compressões torácicas, 
enquanto outro mantém as vias aéreas abertas e realiza ventilações na proporção de 
15 compressões para 2 ventilações. Durante esse processo, é importante que as 
ventilações sejam realizadas com interrupções mínimas nas compressões torácicas, 
conforme as diretrizes da AHA (2018). Para facilitar a ventilação, pode-se optar pelo 
uso de um dispositivo de barreira, caso o profissional tenha alguma hesitação em 
realizar a respiração boca a boca (COSTA, 2019). 
É importante observar que os dispositivos de barreira não reduzem 
significativamente o risco de transmissão de infecções, e alguns podem aumentar a 
resistência ao fluxo de ar. Alternativamente, pode-se utilizar uma bolsa-válvula-
máscara (BVM) para realizar as ventilações durante a RCP (COSTA, 2019). 
A ventilação com BVM requer habilidades específicas, que devem ser 
adquiridas por meio de treinamento adequado. Essas habilidades incluem: selecionar 
o tamanho correto da máscara para garantir uma boa vedação, abrir as vias aéreas 
do paciente, estabelecer uma vedação eficaz entre a máscara e o rosto do paciente, 
fornecer ventilação adequada e avaliar a eficácia dessa ventilação. No caso de 
lactentes e crianças pequenas, é recomendado o uso de uma bolsa autoinflável com 
um volume de pelo menos 450 a 500 ml. Em crianças mais velhas ou adolescentes, 
pode ser necessário utilizar uma bolsa autoinflável para adultos, com um volume de 
aproximadamente 1000 ml, para garantir uma ventilação eficaz e segura, capaz de 
expandir adequadamente o tórax durante a ventilação (COSTA, 2019). 
 
37 
 
A ventilação eficaz com bolsa-máscara depende de uma vedação firme entre a 
máscara e o rosto do paciente. Para garantir essa vedação, a via aérea é aberta 
levantando a mandíbula em direção à máscara, o que ajuda a obter uma boa vedação. 
Em seguida, a bolsa é apertada até que o peito do paciente se eleve, indicando uma 
ventilação adequada. 
Devido à complexidade das etapas envolvidas na ventilação efetiva com bolsa-
máscara, não é recomendado que um único profissional a realize durante a RCP. 
Nesse caso, o profissional solitário deve recorrer ao uso de dispositivos de barreira 
para a ventilação. Por outro lado, a ventilação com bolsa-máscara pode ser 
administrada de forma eficaz durante a RCP por duas pessoas, onde uma pessoa 
realiza a vedação da máscara e a outra aperta a bolsa para fornecer a ventilação 
necessária (COSTA, 2019). 
Quando uma via aérea avançada está estabelecida, os ciclos de compressões 
torácicas ocorrem continuamente a uma taxa de 100 por minuto, sem interrupções 
para ventilações. As ventilações são administradas a uma frequência de 8 a 10 
respirações por minuto, o que equivale a uma respiração a cada 6 a 8 segundos, 
sendo importante evitar a ventilação excessiva, especialmente em uma situação 
estressante como uma parada cardiorrespiratória pediátrica (COSTA, 2019). 
A equipe deve sincronizar as compressões torácicas com a administração do 
choque para minimizar o intervalo entre as compressões e a aplicação do choque, 
reiniciando imediatamente as compressões após o choque. O DEA instruirá o 
socorrista a reavaliar o ritmo a cada 2 minutos. A entrega do choque deve ser realizada 
o mais rápido possível após as compressões (COSTA, 2019). 
 
4.3 Cuidados imediatos pós-parada cardiorrespiratória nos pacientes recém-
nascido e pediátrico 
 
Após a ressuscitação, os objetivos do atendimento incluem preservar a função 
neurológica, prevenir danos nos órgãos secundários, identificar e tratar a causa 
subjacente da doença, e garantir que o paciente seja transferidopara um centro de 
atendimento pediátrico de nível terciário em condições fisiológicas ideais. É importante 
realizar uma reavaliação frequente do paciente, pois o estado cardiorrespiratório pode 
deteriorar-se rapidamente (COSTA, 2019). 
 
38 
 
Bebês que necessitam de ressuscitação estão em risco de deterioração mesmo 
após a restauração de seus sinais vitais normais. Após restabelecer a ventilação 
eficaz e/ou circulação, é importante manter a criança em um ambiente onde possa 
receber monitoramento contínuo e cuidados preventivos (COSTA, 2019). 
Uma saturação arterial de oxi-hemoglobina de 100% pode refletir uma ampla 
faixa de PaO₂, desde cerca de 80 até aproximadamente 500 mmHg. Em situações 
onde o equipamento necessário está disponível, pode ser considerado razoável 
reduzir gradualmente a administração de oxigênio para atingir uma saturação de oxi-
hemoglobina menor que 100%, mas igual ou superior a 94%. O objetivo dessa 
abordagem é alcançar níveis normais de oxigenação (normoxemia) enquanto se evita 
rigorosamente a hipoxemia. Idealmente, a administração de oxigênio é ajustada para 
um nível apropriado para a condição específica do paciente (COSTA, 2019). 
A temperatura do paciente deve ser monitorada de forma contínua até que ele 
esteja estabilizado. Além disso, é importante considerar a monitorização da diurese 
utilizando um cateter de demora. Uma diminuição na produção de urina (menos de 1 
mL/kg por hora em lactentes e crianças, ou menos de 30 mL/hora em adolescentes) 
pode ser indicativa de várias condições, incluindo problemas pré-renais (como 
desidratação ou perfusão sistêmica inadequada), lesão renal isquêmica ou uma 
combinação de fatores (COSTA, 2019). 
5. PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES EM NEONATOLOGIA E 
PEDIATRIA 
 
Desde os anos 1990, as infecções têm sido uma das principais causas de 
mortalidade neonatal. Tornou-se necessário identificar os fatores de risco associados 
à infecção em neonatologia e pediatria. Essa identificação é importante para a 
detecção precoce, prevenção e implementação de medidas específicas que possam 
reduzir as taxas de morbidade e mortalidade nessa faixa etária (FRANÇA; LANSKY, 
2009). 
Conforme estabelecido pela Portaria n.º 2.616, de 12 de maio de 1998, do 
Ministério da Saúde, as infecções neonatais são sempre classificadas como 
hospitalares, com exceção daquelas relacionadas à ruptura prematura de membrana 
por mais de 24 horas e das transmitidas por via transplacentária (BRASIL, 1998). Essa 
distinção é feita devido às características únicas das infecções durante o período 
 
39 
 
neonatal, uma vez que o recém-nascido pode ser considerado bacteriologicamente 
estéril, adquirindo sua flora bacteriana normal nas primeiras horas e dias após o 
nascimento (LOPES et al., 2008). 
É importante ressaltar que o aumento da susceptibilidade às infecções está 
ligado a certas deficiências do sistema imunológico e à fragilidade das barreiras 
cutâneas e mucosas dos neonatos. Essa fragilidade é ainda mais pronunciada em 
casos de neonatos pré-termo e de baixo peso, o que os torna suscetíveis a 
desenvolver infecções neonatais. É relevante destacar que a falta de critérios bem 
definidos para caracterizar infecções exclusivamente em neonatos, juntamente com 
os desafios no diagnóstico das infecções e a rápida evolução dessas condições nessa 
faixa etária, dificultam a identificação de certas infecções neonatais (LOPES et al., 
2008). 
Entre as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) em neonatologia 
e seus principais fatores de risco, destacam-se: 
• As infecções transplacentárias (congênitas) são aquelas que afetam o feto 
dentro do útero. Os principais fatores de risco para infecções transplacentárias 
incluem a exposição a agentes como o herpes simples, citomegalovírus, sífilis, 
hepatite B, toxoplasmose, rubéola, infecção por HIV (vírus da imunodeficiência 
humana), Zika, Chikungunya e dengue durante a gestação (BRASIL, 2017). 
• As IRAS precoces de provável origem materna, caracterizadas pela evidência 
diagnóstica (clínica/laboratorial/microbiológica) ocorrida nas primeiras 48 horas 
de vida, apresentam os seguintes fatores de risco: corioamnionite, cerclagem 
ou pessário, ruptura prolongada da bolsa amniótica por 18 horas ou mais, 
trabalho de parto em gestações com menos de 37 semanas, procedimentos 
fetais realizados nas últimas 72 horas, infecção do trato urinário materno não 
tratada ou tratada há menos de 72 horas, febre materna nas últimas 48 horas 
e colonização pelo estreptococo B em gestantes sem quimioprofilaxia intraparto 
(BRASIL, 2017). 
• As IRAS tardias de origem hospitalar são aquelas em que a evidência 
diagnóstica (clínica/laboratorial/microbiológica) ocorre após 48 horas de vida. 
Os fatores de risco associados à sua ocorrência incluem a realização de 
procedimentos invasivos, que vão desde uma simples coleta de sangue para 
dosagem da glicemia até procedimentos mais complexos como entubação 
 
40 
 
orotraqueal e cateterismo venoso central e umbilical. O período de 
hospitalização prolongado, com internações de neonatos por mais de 30 dias, 
e a condição de menor peso e defesa imunológica diminuída também são 
fatores de risco. É importante notar que quanto mais prematuro o neonato, 
menor é a sua imunidade humoral e celular (BRASIL, 2017). 
Em relação aos fatores de risco, é válido afirmar que a estadia dos recém-
nascidos em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) neonatais aumenta 
significativamente a suscetibilidade às infecções. Isso ocorre devido à extensa 
manipulação e exposição a procedimentos invasivos que os recém-nascidos 
enfrentam nesses ambientes. 
Considerando os fatores de risco mencionados anteriormente, há ações 
específicas para prevenir essas infecções, muitas das quais não requerem práticas 
complexas e têm resultados positivos. É importante ressaltar que cerca de 30% dos 
óbitos podem ser evitados por meio de ações que visam prevenir infecções e 
prematuridade durante o pré-natal, além de evitar a asfixia durante o parto e a 
prematuridade iatrogênica. Dentre essas ações, destacam-se as seguintes. 
As infecções transplacentárias 
Afetam o feto dentro do útero, portanto devem ser prevenidas e monitoradas 
durante o pré-natal na atenção básica, visto que existem medidas preventivas, de 
controle e tratamento para esses problemas. É responsabilidade da equipe de atenção 
básica planejar e implementar as medidas apropriadas para evitar novos casos de 
infecção (BRASIL, 2005). 
Deve-se destacar que as ações relacionadas às doenças sexualmente 
transmissíveis, como HIV e Aids, direcionadas a gestantes e crianças, têm contribuído 
significativamente para a redução drástica do risco de transmissão vertical do HIV. 
Isso se deve à oferta de testes diagnósticos e quimioprofilaxia adequada durante a 
gestação, parto e puerpério. 
É importante reconhecer que a transmissão vertical da sífilis ainda é um desafio 
significativo em termos de diagnóstico oportuno, tratamento adequado da gestante e 
seu parceiro. Isso se deve ao fato de que o Brasil ainda enfrenta altas taxas de bebês 
nascidos com sífilis congênita (BRASIL, 2005). 
 
41 
 
Uma das medidas preventivas importantes para infecções é a realização de 
testes rápidos para detectar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Esses 
testes devem ser conduzidos pela equipe de enfermagem na unidade de saúde de 
referência da gestante logo no início do pré-natal. O objetivo é identificar 
precocemente qualquer infecção e realizar o manejo adequado nos casos em que o 
diagnóstico seja confirmado (FRANÇA; LANSKY, 2009). 
Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) precoce de provável origem 
materna 
São necessárias ações que ajudem a evitar o parto prematuro. Por exemplo, 
reduzir o tabagismo durante a gestação pode dificultar a ocorrência de parto 
prematuro. Além disso, a redução das cesarianas desnecessárias, especialmenteas 
cesarianas eletivas realizadas antes de 39 semanas, pode diminuir a incidência de 
prematuridade iatrogênica. 
Ampliar o acesso e melhorar a qualificação da assistência e do manejo de 
recém-nascidos prematuros e de alto risco também são estratégias importantes para 
lidar com a prematuridade e suas consequências, como as infecções neonatais e 
infantis. Destaca-se ainda a importância de realizar a pesquisa de estreptococos anal 
e vaginal durante o pré-natal e iniciar o tratamento antes ou durante o parto como 
medida preventiva contra infecções de origem materna. 
Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) tardias de origem 
hospitalar 
Deve-se incentivar, supervisionar e controlar medidas básicas para prevenir 
infecções neonatais e infantis. Algumas das medidas que merecem destaque incluem: 
A entrada de profissionais deve ser restrita, permitindo apenas o acesso 
daqueles responsáveis pelo cuidado (BRASIL, 2018). A entrada de pais e familiares 
no Centro de Terapia Intensiva (CTI) neonatal deve ser triada devido à presença ou 
ao risco de doenças infectocontagiosas. Indivíduos que estejam com infecções 
respiratórias, cutâneas ou diarreia não devem ter contato direto com o recém-nascido 
(BRASIL, 2018). 
A adesão à higienização das mãos como a lavagem das mãos visa remover a 
flora transitória e deve ser realizada sempre que alguém entrar ou sair da unidade de 
 
42 
 
internação, quando as mãos estiverem sujas, antes e depois do contato com o 
paciente, após o contato com secreções e fluidos corporais, sempre que materiais ou 
equipamentos conectados aos pacientes forem manipulados, durante o preparo de 
materiais ou equipamentos, no preparo de medicações e antes de procedimentos 
invasivos (BRASIL, 2018). 
A escolha de antissépticos com ampla ação contra os colonizantes da pele e a 
adequada limpeza do ambiente são fundamentais. A limpeza da unidade deve ser 
rigorosa para evitar a presença de fluidos corporais, secreções, poeira e umidade, 
uma vez que essas condições favorecem a disseminação e a proliferação bacteriana 
(BRASIL, 2018). 
Manter rigor na execução das técnicas assépticas durante os procedimentos 
invasivos, que incluem todos os que envolvem o rompimento da barreira epitelial ou 
contato com a mucosa. Esses procedimentos incluem coleta de exames, punção 
venosa, cateterismo de vasos umbilicais e drenagem de tórax. Executar essas 
atividades de maneira segura é essencial para prevenir infecções (BRASIL, 2018). 
Quando se trata da equipe profissional, da estrutura física e do material 
disponível, é essencial garantir uma abordagem profissional adequada. Além de 
manter uma proporção adequada entre equipe e número de crianças atendidas, é de 
extrema importância garantir que a equipe esteja devidamente capacitada 
tecnicamente. 
Uma equipe multiprofissional deve realizar procedimentos invasivos com 
técnicas apropriadas, seguindo todas as normas de segurança necessárias. O 
fornecimento de leite humano ou fórmulas lácteas, provenientes de Bancos de Leite 
Humano e Lactários, deve ser assegurado, seguindo as boas práticas de manipulação 
recomendadas pela legislação vigente. 
Deve-se estar atento às boas práticas de manipulação em hospitais onde a 
farmácia fornece doses unitárias de medicamentos, sendo responsável por seguir as 
normas preconizadas pela legislação em vigor. Além disso, é importante garantir que 
a área física e a disponibilidade de recursos humanos nas unidades de atendimento 
neonatal estejam segundo a legislação vigente (BRASIL, 2018). 
O controle de bactérias multirresistentes é importante na prevenção de 
infecções. A pesquisa de colonização ou infecção por essas bactérias deve ser 
realizada regularmente, especialmente em pacientes de alto risco, como aqueles com 
 
43 
 
longa permanência na unidade, em ventilação mecânica ou submetidos a 
procedimentos invasivos ou uso prolongado de antibióticos. 
Quando detectada a presença de bactérias multirresistentes, é essencial seguir 
as orientações de precaução de contato (isolamento). Na neonatologia, medidas como 
o uso de incubadoras para limitar o espaço físico do recém-nascido e luvas de 
procedimento para manipulação geral podem ser adotadas. O uso de aventais de 
manga longa é recomendado quando profissionais de saúde têm contato direto com 
o bebê, como ao segurá-lo no colo. Além das estratégias para reduzir a transmissão 
cruzada de microrganismos, o uso prudente de antibióticos se faz necessário para 
controlar as bactérias multirresistentes (BRASIL, 2018). 
Embora nem todas as infecções possam ser completamente evitadas, mesmo 
em condições ideais, entender as informações para prevenir seu surgimento, se faz 
necessária. A identificação das medidas de prevenção de infecções neonatais e 
pediátricas é importante para sistematizar, reorganizar e qualificar a assistência à 
saúde nessa faixa etária. As medidas de prevenção e controle das infecções neonatais 
e pediátricas minimizam a transmissão e contaminação, seja por meio das mãos dos 
profissionais de saúde ou por outros meios de disseminação (BRASIL, 2018). 
A Educação Permanente em Saúde (EPS) é uma ferramenta poderosa na 
transformação de hábitos institucionais, pois tem o potencial de aprimorar as práticas 
de cuidado em saúde, tanto ao nível individual quanto coletivo. Ao questionar 
continuamente o processo de trabalho diário, a equipe cria espaços para debates 
técnicos e reflexões sobre as relações interpessoais, que podem ter um impacto 
positivo no enfrentamento dos desafios. 
A EPS emerge como uma aliada na implementação de medidas de controle de 
infecção na equipe de enfermagem, como a prática regular de higienização das mãos 
(CECCIM, 2005). A equipe também deve adotar práticas reflexivas que incentivem 
uma análise crítica sobre a realização de procedimentos invasivos. Isso implica 
questionar a real necessidade desses procedimentos, uma vez que manipular o 
neonato pode aumentar o risco de desenvolver infecções. 
É necessário, antes de pensar em infecções, avaliar outros fatores que possam 
estar potencializando suas ocorrências, além disso, a avaliação do quadro clínico 
dever ser realizada repetidas vezes. A equipe de enfermagem, quando está alinhada 
para realizar um trabalho em equipe, é uma importante aliada nessa avaliação, visto 
 
44 
 
que esses profissionais ficam por um tempo maior com cada criança e, conseguem 
avaliar melhor o seu comportamento, bem como as medidas que mais influenciam 
positivamente o manejo das infecções (FRANÇA; LANSKY, 2009). 
É possível reduzir os índices de diferentes infecções neonatais e pediátricas 
por meio da melhoria da qualidade do cuidado nos três níveis de atenção. Para 
alcançar esse objetivo, a equipe precisa adotar práticas que garantam integralidade e 
segurança na prestação de cuidados de saúde, implementando e utilizando protocolos 
embasados na identificação dos fatores de risco. Ao adotar essas práticas, é possível 
alcançar taxas mais baixas de infecções pediátricas e neonatais (FRANÇA; LANSKY, 
2009). 
6. AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO À CRIANÇA COM INFECÇÃO 
RESPIRATÓRIA 
 
Durante a infância, as crianças apresentam uma vulnerabilidade biológica 
aumentada, o que as torna mais suscetíveis a infecções, especialmente as 
respiratórias. Essa maior vulnerabilidade decorre de diversos fatores, como a maior 
permeabilidade das células epiteliais do sistema respiratório a substâncias 
prejudiciais, como poluição e fumaça de cigarro, o estreitamento das vias aéreas e o 
desenvolvimento ainda incompleto das defesas contra substâncias e microrganismos 
(FRAUCHES et al., 2017). 
As infecções respiratórias abrangem uma variedade de doenças que afetam o 
sistema respiratório das crianças. Essas infecções são classificadas de acordo com a 
localização, ou seja, a parte específica do sistema afetada. Geralmente, as infecções 
respiratórias não se limitam a umaúnica estrutura anatômica, uma vez que o sistema 
respiratório é composto por órgãos contínuos, o que facilita a disseminação da doença 
(HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
O sistema respiratório é conceitualmente dividido em duas partes 
(HOCKENBERRY; WILSON, 2014): 
• Trato respiratório superior ou vias aéreas superiores — composto pelo nariz 
externo, cavidade nasal (ou nasofaringe), faringe e estruturas associadas, 
laringe e porção superior da traqueia; 
• Trato respiratório inferior ou vias aéreas inferiores — composto pela porção 
inferior da traqueia, brônquios, bronquíolos e pulmões. 
 
45 
 
 
As infecções respiratórias agudas em crianças representam um sério problema 
de saúde e exigem atenção especial. Embora a IRA possa apresentar melhoras com 
o tratamento adequado, também pode evoluir rapidamente para condições mais 
graves, como desconforto respiratório, insuficiência respiratória, parada 
cardiorrespiratória e até mesmo óbito. Os profissionais da saúde que trabalham no 
cuidado infantil, em todos os níveis de atenção (primária, secundária e terciária), 
devem permanecer vigilantes para identificar as manifestações clínicas das infecções 
respiratórias agudas e reconhecer os sinais de alerta que indicam uma emergência 
médica (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
Cada uma das Infecções Respiratórias Agudas (IRAs) apresenta 
manifestações clínicas específicas, porém, há sinais e sintomas comuns entre elas. 
Estes incluem febre, dificuldade para se alimentar ou anorexia, vômito, diarreia, dor 
abdominal, obstrução nasal, secreção nasal, tosse, dor de garganta e sintomas de 
meningismo, como rigidez de nuca, fotofobia e dor de cabeça. A identificação desses 
sintomas, combinada com os dados coletados durante a anamnese e o exame físico, 
permite ao enfermeiro diagnosticar a ocorrência de uma IRA (HOCKENBERRY; 
WILSON, 2014). 
Para detalhar as manifestações clínicas específicas de cada uma das Infecções 
Respiratórias Agudas (IRAs), é importante lembrar que a infecção que afeta o ouvido 
médio, conhecida como otite média, é classificada como uma infecção respiratória das 
vias aéreas superiores, mesmo que o ouvido não seja um órgão do sistema 
respiratório. É relevante destacar que, em geral, as IRAs não ocorrem de forma 
isolada; elas podem iniciar em uma determinada estrutura e, devido à continuidade do 
sistema ou à proximidade, como o ouvido, a infecção pode se disseminar 
(HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 
Quadro 4 - Infecções de vias aéreas superiores e suas manifestações clínicas 
Infecção Manifestações clínicas 
Nasofaringite viral 
aguda 
Febre, irritabilidade, inquietação, recusa alimentar e da 
ingestão de líquidos (bem como dificuldade na 
amamentação), espirros, secreção nasal, obstrução 
nasal, respiração bucal, causando ressecamento de 
 
46 
 
boca e faringe, calafrios, dores musculares e tosse em 
alguns casos. 
Faringite estreptocócica 
aguda 
Febre, mal-estar geral, dor de garganta, recusa 
alimentar e da ingesta de líquidos (bem como 
dificuldade na amamentação), dificuldade para deglutir 
(disfagia), cefaleia, dor abdominal e aumento nos 
gânglios cervicais. 
Amigdalite Dor na garganta e dificuldade para respirar e deglutir 
devido ao edema e ao estreitamento da nasofaringe e 
da faringe. 
Influenza Febre, calafrios, ressecamento das mucosas nasal e 
faríngea, tosse seca, rouquidão, fotofobia, rubor facial, 
dor muscular, exaustão e falta de energia. 
Otite média Dor no ouvido (otalgia), febre e drenagem de secreção 
purulenta. Lactentes e crianças pequenas podem 
apresentar choro, irritabilidade e recusa alimentar, 
enquanto as crianças maiores podem relatar dificuldade 
para ouvir, presença de zunido e vertigem. 
Mononucleose 
infecciosa 
Cefaleia, sangramento nasal (epistaxe), mal-estar 
geral, febre, calafrios, fadiga, inapetência, dor na 
garganta e aumento no volume dos linfonodos 
cervicais. 
Epiglotite aguda Geralmente a criança vai dormir bem, sem relatar 
qualquer desconforto, e acorda com queixa de dor na 
garganta e para deglutir. Devido ao edema da epiglote, 
a criança pode evoluir rapidamente para desconforto 
respiratório e cianose. Pela dificuldade de deglutir, a 
criança pode apresentar protrusão da língua e 
gotejamento da saliva. 
Laringotraqueobronquite 
aguda 
Tosse estridente (tosse de cachorro), febre baixa, 
hiperemia do tecido da faringe e da laringe e 
desconforto respiratório (uso da musculatura acessória, 
batimento de asa de nariz, taquipneia e ausculta com 
 
47 
 
estridor). A criança pode evoluir para cianose e acidose 
respiratória devido à ventilação insuficiente. 
Laringite espasmódica 
aguda 
Crises de tosse causadas pela obstrução da laringe, 
principalmente durante a noite; apesar disso, a criança 
se sente bem no dia seguinte. 
Traqueíte bacteriana Tosse, febre alta e desconforto respiratório (uso da 
musculatura acessória, batimento de asa de nariz, 
taquipneia e ausculta com estridor). A criança pode 
evoluir para insuficiência respiratória e parada 
respiratória. 
Coqueluche Coriza, espirros, lacrimejamento, tosse e febre baixa. 
Assim que as secreções secam, inicia a tosse seca, que 
é mais comum à noite. Os episódios de tosse são 
seguidos de inspirações curtas associadas a um som 
estridente. A criança pode ficar cianótica e podem 
ocorrer vômitos após as crises de tosse. 
Fonte: adaptado de Hockenberry e Wilson (2014). 
Quadro 5 - Infecções de vias aéreas inferiores e suas manifestações clínicas 
Infecção Manifestações clínicas 
Bronquite Em geral, ocorre após uma infecção de 
vias aéreas superiores, havendo tosse 
seca e persistente, que se torna 
produtiva. 
Bronquiolite Secreção nasal, tosse seca, febre 
intermitente, taquipneia, desconforto 
respiratório, cianose, letargia e apneia. 
Pneumonia Febre alta, tosse produtiva, ausculta com 
creptantes, estertores e diminuição dos 
murmúrios vesiculares, percussão 
maciça, dor torácica, retrações, 
batimento de asas de nariz, palidez ou 
cianose. Além disso, há recusa 
 
48 
 
alimentar, vômito, diarreia, dor 
abdominal, irritabilidade, letargia e mal-
estar geral. 
Fonte: adaptado de Hockenberry e Wilson (2014). 
A infecção ocorre quando um ser humano suscetível é contaminado por um 
agente patogênico, como vírus, bactérias, entre outros. Em outras palavras, sem a 
presença desse agente causador, a doença não se desenvolve. O processo 
patogênico não depende exclusivamente do agente causador. Existem diversos 
fatores de risco que contribuem para aumentar a vulnerabilidade da criança ao 
adoecimento (PRATO et al., 2014). 
Entre os fatores de risco para as infecções respiratórias em crianças, 
destacam-se os aspectos biológicos, sociais, ambientais e climáticos. Esses fatores 
exercem influência na ocorrência das IRAs, na recorrência dos quadros infecciosos e 
no agravamento clínico. Em termos gerais, os fatores de risco biológicos estão 
relacionados ao sistema respiratório da criança, que possui características específicas 
e continua em desenvolvimento, ao estado nutricional, à falta de aleitamento materno 
e à imaturidade do sistema imunológico (PRATO et al., 2014). 
No que diz respeito aos fatores de risco sociais, é possível mencionar a idade 
e a escolaridade materna, a situação de pobreza e as condições precárias de moradia, 
as aglomerações nos lares e nas escolas, e as dificuldades de acesso aos serviços 
de saúde. Por outro lado, os fatores de risco ambientais e climáticos estão associados 
às temperaturas mais baixas durante o inverno, à alta umidade do ar e às variações 
de temperatura. A exposição da criança à poluição, à fumaça de cigarro e às práticas 
de higiene inadequadas em casa e nos brinquedos utilizados por ela também 
influenciam e contribuem para a ocorrência das Infecções Respiratórias Agudas 
(IRAs) (PRATO et al., 2014). 
As infecções respiratórias em crianças representam um sério desafio para os 
profissionaisde saúde, pois uma atenção adequada pode prevenir as principais 
complicações. Em outras palavras, uma abundância de mortes decorrentes de 
infecções respiratórias em crianças poderia ser evitada por meio de uma educação 
adequada. Os profissionais devem trabalhar em colaboração com as famílias, 
fornecendo educação sobre os sinais gerais de perigo em crianças que indicam a 
necessidade de atendimento médico de urgência. A seguir, estão listados os sinais 
 
49 
 
gerais de perigo na criança, conforme o Ministério da Saúde (BRASIL, 2017), os quais 
são descritos no manual da estratégia Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na 
Infância (AIDPI). 
• A criança não consegue beber ou mamar. 
• A criança vomita tudo o que ingere. 
• A criança teve convulsões ou apresentou movimentos corporais anormais nas 
últimas 72h. 
• A criança está letárgica ou com o nível de consciência alterado. 
• A criança apresenta um tempo de enchimento capilar maior de 2s. 
• A criança apresenta batimento de asa de nariz e/ou gemência. 
Os sinais gerais de perigo são indicativos tanto para os pais quanto para os 
profissionais de saúde de que a criança não está saudável e pode estar em risco de 
vida se a causa da alteração clínica não for identificada e o tratamento adequado não 
for implementado. É importante notar que entre esses sinais está o batimento de asa 
do nariz e/ou gemência. Essas são manifestações que crianças com desconforto 
respiratório podem apresentar e os pais precisam reconhecê-las e procurar 
atendimento médico para a criança. Compreende-se que o primeiro passo nos casos 
de disfunção respiratória é educar os pais para poderem identificar os sinais de perigo. 
Investir tempo em orientações e garantir que os pais compreendam é importante para 
salvar vidas (PRATO et al., 2014). 
Além dos sinais gerais de perigo, o profissional da saúde deve educar os pais 
sobre os principais cuidados prestados às crianças com Infecção Respiratória Aguda 
(IRA), os quais estão listados a seguir (PRATO et al., 2014): 
• Facilitar a respiração por meio do posicionamento adequado para ocorrer a 
abertura das vias aéreas, especialmente nos lactentes. 
• Verificar a temperatura corporal e, em caso de febre, administrar o antitérmico 
conforme orientação médica, além de reduzir a temperatura corporal com o uso 
de roupas leves e banho morno. 
• Ofertar os alimentos preferidos da criança. 
• Estimular a ingestão de líquidos. 
 
50 
 
• Administrar os medicamentos prescritos pelo médico, respeitando a dose, o 
intervalo entre as doses e a duração do tratamento, principalmente em se 
tratando de antibióticos. A descontinuidade do tratamento pode causar 
resistência bacteriana, tornando mais complicada a situação e o tratamento das 
próximas infecções respiratórias. 
Nos serviços hospitalares, os cuidados deverão priorizar, conforme 
Hockenberry e Wilson (2014): 
• O suporte ventilatório da criança por meio de oxigenioterapia com o dispositivo 
indicado; 
• O monitoramento dos sinais vitais e outros parâmetros, como a saturação de 
oxigênio; 
• A instalação de acesso venoso para a administração de medicamentos e 
fluidoterapia; 
• A observação da aceitação da dieta e dos líquidos e as eliminações destes. 
Considerando todos esses aspectos, o plano de cuidados para crianças com 
infecção respiratória deve ser individualizado e adaptado às necessidades específicas 
de cada criança. Além de incluir cuidados assistenciais, é importante que o enfermeiro 
esteja atento aos aspectos educativos, visando fornecer orientações para os pais e 
cuidadores sobre o cuidado domiciliar adequado. Isso contribui para prevenir 
complicações e recorrências da infecção (COSTA, 2019). 
7. AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DA DOR EM PEDIATRIA 
 
É incumbência da equipe de saúde realizar a monitorização do paciente e 
assegurar o controle apropriado de seus sinais vitais durante o período de internação. 
Essa monitorização compreende o controle da pressão arterial, temperatura, 
respiração, frequência cardíaca, controle urinário e glicemia. Apesar da dor ser uma 
sensação familiar para todos e um dos principais receios de pacientes em períodos 
pós-operatórios e durante tratamentos contra o câncer, ainda hoje não recebe 
avaliação e tratamento adequados nos serviços de saúde (SANTOS et al., 2010). 
Em determinados hospitais e clínicas especializadas, foram implementados 
serviços voltados para o tratamento da dor. Nestes locais, uma equipe transdisciplinar 
 
51 
 
é responsável por prevenir, avaliar e tratar a dor, além de conscientizar os demais 
profissionais das equipes de saúde sobre a importância desse tema. Essa prática não 
é obrigatória em todos os hospitais e não é realizada de maneira sistemática e 
organizada (SANTOS et al., 2010). 
Durante muito tempo, houve a crença de que os recém-nascidos não 
experimentavam dor, levando à realização de procedimentos em bebês sem o uso de 
analgesia ou anestesia. A ideia infundada de que o uso de morfina poderia levar à 
dependência contribuiu para uma abordagem farmacológica inadequada da dor. Do 
ponto de vista científico, essas duas afirmações não são corroboradas, não 
constituindo justificativas válidas para a não utilização de analgésicos e/ou 
anestésicos (SANTOS et al., 2010). 
A criação e implementação de protocolos são essenciais para garantir que o 
serviço opere de forma organizada e sistemática, permitindo que toda a equipe 
transdisciplinar atue de forma colaborativa na avaliação e no tratamento dos pacientes 
(SANTOS et al., 2010). 
A dor pode ser categorizada de acordo com seu mecanismo fisiopatológico em 
três tipos principais (SANTOS et al., 2010): 
• Dor nociceptiva: esta categoria abrange a dor somática, que ocorre quando os 
receptores na pele e no tecido musculoesquelético são ativados, e a dor 
visceral, que ocorre quando os receptores localizados em órgãos internos são 
estimulados por agentes químicos ou físicos, como inflamação, trauma, 
invasão ou falta de oxigênio. 
• Dor visceral: esta é a dor nociceptiva originada do estiramento, compressão ou 
distensão de órgãos internos no tórax ou no abdômen. Geralmente, essa dor é 
difusa ou referida para áreas distantes do local da lesão, conhecida como dor 
referida. Quando as fibras nervosas dos órgãos internos são estimuladas, os 
sinais de dor são conduzidos pelos mesmos neurônios que transmitem sinais 
de dor da pele, causando a sensação de que a dor está na superfície da pele. 
• Dor neuropática: esta dor resulta de lesão em um nervo ou de função nervosa 
anormal ao longo das vias neuronais, desde os tecidos periféricos até o sistema 
nervoso central. Geralmente é descrita como uma sensação de queimação, 
choque, formigamento ou latejamento. 
 
 
52 
 
O profissional de saúde deve avaliar o tipo de dor segundo o tempo de 
duração, sendo (SANTOS et al., 2010): 
• Dor aguda é uma experiência sensorial e emocional desagradável que surge 
de uma lesão tecidual real ou potencial. Pode começar de forma abrupta ou 
gradual e tende a terminar assim que a causa subjacente é tratada, como, por 
exemplo, através de cura, imobilização ou medicamentos. Geralmente não é 
recorrente e está associada a respostas neurovegetativas, como aumento da 
pressão arterial, taquicardia, taquipneia, agitação psicomotora e ansiedade. 
Frequentemente é relatada como de intensidade forte ou incapacitante, tendo 
um alto impacto na qualidade de vida. 
• Dor crônica é uma experiência sensorial e emocional desagradável que surge 
de uma lesão tecidual real ou potencial. Ao contrário da dor aguda, sua duração 
não é limitada no tempo e pode persistir por meses ou anos, de forma contínua 
ou recorrente. A origem da dor crônica muitas vezes é incerta, podendo estar 
associada a patologias crônicas. Estímulos nociceptivos repetidos provocam 
alterações no sistema nervoso central, levando a uma adaptação à sensação 
de dor. As respostasfísicas, emocionais e comportamentais à dor crônica 
podem ser influenciadas por uma variedade de fatores biológicos, psicológicos 
e socioculturais do indivíduo e do ambiente. Nem sempre são observadas 
alterações comportamentais ou posturais, expressões faciais ou vocalizações 
típicas de dor. 
A avaliação precisa da dor é importante como ponto de partida para um 
tratamento adequado. Muitos profissionais têm dúvidas sobre a melhor maneira de 
avaliar a dor de um paciente. Atualmente, existem várias formas validadas de 
avaliação da dor. Para isso, deve considerar o diagnóstico, as condições clínicas, as 
condições neurológicas e a idade do paciente, garantindo o uso de uma escala de 
avaliação apropriada (SANTOS et al., 2010). 
A avaliação da dor, juntamente com a da temperatura, respiração, pressão 
arterial e frequência cardíaca, deve ser realizada de forma sistemática. Deve-se usar 
os mesmos parâmetros (instrumentos) para avaliação, garantindo um 
acompanhamento contínuo ao longo do dia. O profissional de saúde deve levar em 
consideração a percepção individual do paciente em relação à dor, em vez de se 
 
53 
 
basear apenas em seu comportamento externo. É importante notar que pessoas com 
o mesmo nível de dor em uma escala podem reagir de maneiras diferentes, podendo 
demonstrar agitação, choro, gritos, gemidos ou permanecer calmas e serenas 
(SANTOS et al., 2010). 
Todos os profissionais em um mesmo serviço de saúde devem utilizar a mesma 
escala de dor. Isso é necessário para facilitar a comunicação entre eles e permitir que 
a equipe acompanhe os resultados da terapia. A escolha da escala deve ser adequada 
para cada criança, considerando sua faixa etária, nível de consciência e escolaridade. 
Uma escala bem selecionada e utilizada resultará em uma avaliação precisa, 
independentemente do profissional que a administre. Toda a equipe deve ser 
devidamente treinada para utilizar o instrumento de avaliação escolhido (SANTOS et 
al., 2010). 
Durante muito tempo, a crença de que os recém-nascidos não sentiam dor foi 
um obstáculo para o uso de analgésicos em bebês. Hoje em dia, reconhece-se que o 
controle da dor reduz a morbimortalidade e promover uma assistência mais 
humanizada. Existem várias escalas que podem ser utilizadas com segurança em 
recém-nascidos, como a escala de mímica facial de Grunau & Craig, a Escala de Dor 
Neonatal Infantil (NIPS) e a escala CRIES (Crying, Requires of oxygen saturation 
above 95%, Ingressed vital signs, Expression, Sleep) (SANTOS et al., 2010). 
Em 1993, foram recomendados os seguintes passos para a avaliação da dor 
em crianças (anagrama QUEECE): 
• Questionar a criança. 
• Usar escalas de escores de dor. 
• Evoluir as alterações de comportamento e fisiológicas. 
• Estar seguro de que há envolvimento dos pais. 
• Considerar a causa da dor. 
• Empreender a ação e avaliar os resultados. 
Deve-se utilizar uma linguagem simples e apropriada ao falar sobre dor com as 
crianças. As crianças muito pequenas podem ter dificuldade em expressar a sensação 
de dor verbalmente e podem precisar de ajuda para descrevê-la. É possível que uma 
criança negue sentir dor por medo, especialmente quando se trata da administração 
de analgésicos intramusculares ou endovenosos, ou na presença de profissionais de 
 
54 
 
saúde como enfermeiros ou médicos. A falta de observação adequada e a prescrição 
de analgésicos de forma rotineira e não individualizada são fatores que contribuem 
para a subutilização de analgésicos na pediatria (SANTOS et al., 2010). 
A colaboração dos pais na avaliação da dor é importante, pois eles estão 
familiarizados com o comportamento e os hábitos de seus filhos. Isso permite um 
maior conforto e aceitação do tratamento por parte da criança (SANTOS et al., 2010). 
Para uma avaliação adequada da dor, deve-se realizar uma classificação 
preliminar investigando a intensidade e a localização da dor, bem como a presença 
de irradiação e a resposta da dor à atividade. Deve-se iniciar o tratamento da dor 
imediatamente, mas também é importante identificar a causa subjacente da dor, que 
é um sinal de alerta e não uma doença em si. Como mencionado anteriormente, a 
resposta à dor é altamente individual e multifatorial, variando de pessoa para pessoa 
e dependendo de diversos fatores, incluindo gênero, cultura, religião e condições 
sociais, entre outros (SANTOS et al., 2010). 
A avaliação da dor por meio de instrumentos específicos proporciona uma 
medida quantitativa do autorrelato da dor. As escalas de avaliação das expressões 
faciais são facilmente compreendidas, inclusive por crianças muito jovens. A criança 
deve ter acesso a essas escalas no pré-operatório, de modo que possa utilizá-las 
quando estiver sentindo dor (SANTOS et al., 2010). 
Em crianças que ainda não desenvolveram habilidades verbais, as mudanças 
comportamentais e fisiológicas são indicadores confiáveis para a avaliação da dor. Em 
situações de estresse, as crianças podem manifestar comportamentos que regridem 
para estágios anteriores de desenvolvimento. Outros fatores que devem ser 
considerados incluem o humor da criança e as atitudes culturais em relação à 
expressão da dor (SANTOS et al., 2010). 
Existem três tipos de avaliação da dor: autoavaliação (quando a própria criança 
fornece informações sobre a dor), medições comportamentais (avaliação do 
comportamento da criança diante da dor) e medições biológicas (observação das 
reações fisiológicas da criança à dor). Diversas escalas de avaliação foram validadas, 
como a Escala de Faces (Wong e Baker, 1988), a Escala Oucher (Beyer et al., 1995), 
a escala numérica, a escala por palavras (Tesler et al., 1991), a escala analógica 
visual, as escalas com cores (Eland, 1981), entre outras. Todas essas escalas são 
 
55 
 
apropriadas, mas é necessário realizar avaliações em intervalos regulares e breves, 
e registrar os escores encontrados no prontuário médico (SANTOS et al., 2010). 
O controle da dor tem importância significativa na redução do tempo de 
internação, dos riscos de complicações pós-operatórias e da mortalidade em 
pacientes graves. Além disso, contribui para o conforto da criança e ajuda a evitar 
traumas associados à hospitalização. Em pacientes com dor crônica, um tratamento 
adequado da dor pode melhorar significativamente sua qualidade de vida. É 
importante destacar que o tratamento eficaz só pode ser alcançado se uma avaliação 
precisa da dor tiver sido realizada (SANTOS et al., 2010). 
Duas abordagens de controle da dor têm sido recomendadas: o controle 
farmacológico e o não farmacológico. É importante ressaltar que o controle não 
farmacológico não substitui a abordagem farmacológica, mas sim deve ser utilizado 
em conjunto com ela. Deve-se alertar que o enfermeiro é responsável pela 
administração, avaliação e controle da dor, além de utilizar medidas complementares 
aos analgésicos para proporcionar alívio da dor e os demais profissionais deverão 
comunicar a enfermagem qualquer sinal de dor, afim de estabilizar o quadro da criança 
(SANTOS et al., 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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