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1 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 1. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA ....... 4 2. MÉTODOS DE MONITORIZAÇÃO DO CRESCIMENTO E DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA ......................................................................... 5 2.1 Sinais vitais ............................................................................................... 7 2.2 Avaliação e monitorização dos sinais vitais .............................................. 7 2.2.1 Respiração ................................................................................................... 8 2.2.2 Pulso .......................................................................................................... 11 2.2.3 Temperatura .............................................................................................. 13 2.2.4 Pressão arterial .......................................................................................... 17 3. PROBLEMAS DE SAÚDE DOS RECÉM-NASCIDOS: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO .......................................................................................................... 18 3.1 Hiperbilirrubinemia .................................................................................. 18 3.2 Doença hemolítica do recém-nascido ..................................................... 20 3.3 Complicações metabólicas ..................................................................... 21 3.4 Síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido e outras complicações respiratórias .................................................................................................. 22 3.5 Complicações cardiovasculares .............................................................. 23 3.6 Complicações neurológicas .................................................................... 25 3.7 Plano de cuidados ao recém-nascido com problemas de saúde ............ 26 4. REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA .................................................................................................................................. 27 4.1 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do recém-nascido33 4.2 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do paciente pediátrico ...................................................................................................................... 34 4.3 Cuidados imediatos pós-parada cardiorrespiratória nos pacientes recém- nascido e pediátrico ...................................................................................... 37 5. PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA ............................................................................................................... 38 6. AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO À CRIANÇA COM INFECÇÃO RESPIRATÓRIA ....................................................................................................... 44 7. AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DA DOR EM PEDIATRIA .................................... 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 56 3 INTRODUÇÃO Prezado aluno, O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para ser esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 1. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA A saúde infantil no Brasil é fundamentada e direcionada por meio das políticas públicas estabelecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), englobando todas as áreas de cuidado infantil em todo o país. O Ministério da Saúde, alinhado com esse propósito, promulgou a Portaria n.º 1.130 em 05 de agosto de 2015, instituindo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC). Essa iniciativa reflete o compromisso do governo em garantir o bem-estar e a saúde das crianças amplamente, incluindo planejamento estratégico, visão de longo prazo e implementação de ações específicas voltadas para essa faixa etária. O desenvolvimento e a execução de programas de saúde infantil no país são guiados por essa política, que busca um atendimento de qualidade e acessível a todas as crianças, promovendo seu desenvolvimento saudável e prevenindo doenças (BRASIL, 2015). O propósito delineado pela PNAISC, conforme delineado no seu artigo 2º, é fomentar e preservar o bem-estar da criança e a prática do aleitamento materno. Esse objetivo é alcançado por meio da oferta de cuidados amplos e integrados, desde a gestação até os 9 anos de idade, com uma ênfase especial na primeira infância e nas comunidades mais vulneráveis. A intenção é reduzir as taxas de morbimortalidade infantil e proporcionar um ambiente que facilite uma vida digna e o pleno desenvolvimento das crianças (BRASIL, 2018). A PNAISC se baseia em sete eixos direcionadores para a implementação eficaz de programas e políticas. Ao seguir esses eixos, os programas e ações de saúde destinados às crianças brasileiras podem e devem ser desenvolvidos e organizados, enquanto os indicadores são estabelecidos e avaliados para quantificar a saúde infantil no país. Essa estratégia permite uma atuação precisa e direcionada, garantindo que as necessidades específicas das crianças sejam atendidas de forma adequada e eficaz (BRASIL, 2018). É incumbência do governo estabelecer as políticas de saúde que cada esfera federativa – federal, estadual e municipal – deve adotar em suas iniciativas e programas para efetivar tais políticas. Dado que esses serviços devem se complementar mutuamente, o cumprimento dos sete eixos voltados para a criança 5 deve ser amplo e integrado em toda a rede de saúde. Essa abordagem holística e colaborativa é importante para garantir que todas as crianças tenham acesso aos cuidados de saúde necessários e para promover um desenvolvimento saudável e equitativo em todo o país (BRASIL, 2015). 2. MÉTODOS DE MONITORIZAÇÃO DO CRESCIMENTO E DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA Existem métodos para verificar o crescimento e o desenvolvimento da criança, sendo necessário monitorar dados e informações para que os profissionais de saúde possam avaliar o crescimento e realizar intervenções adequadas segundo os parâmetros estabelecidos (MORAES et al., 2010). É importante mencionar o Teste de Triagem de Desenvolvimento de Denver (TTDD), utilizado para acompanhar o desenvolvimento da criança e identificar possíveis atrasos. Desenvolvido por Frankenburg e Dodds (1967), na Universidade do Colorado, em Denver, este teste é destinado a crianças de até seis anos de idade. Ele funciona como um instrumento para detectar precocemente possíveis problemas no desenvolvimento infantil e avalia quatro áreas principais: habilidades motoras grossas, habilidades motoras finas-adaptativas, linguagem e aspectos pessoais e sociais (MORAES et al., 2010). O objetivo do teste é realizar uma triagemem crianças que não apresentam sintomas, mas que podem ter possíveis problemas de desenvolvimento. Além disso, ele é utilizado para monitorar crianças em situações específicas, como as prematuras, que estão em maior risco de desenvolvimento anormal (MORAES et al., 2010). Nessas quatro categorias, a conduta motora está associada à maturidade do sistema nervoso, envolvendo o controle das habilidades motoras adquiridas. A conduta da linguagem abrange a percepção de sons, imagens e suas respostas, enquanto a conduta adaptativa diz respeito à reação da criança diante de objetos e situações vivenciadas. Por último, a conduta pessoal-social refere-se ao comportamento da criança diante de estímulos sociais (BRÊTAS; SILVA, M.; SILVA, C., 1995). A versão atual do Teste de Triagem do Desenvolvimento de Denver Revisado (TTDD-R), ou Denver II, correlaciona cada um dos itens com a idade e a porcentagem da população padronizada que realizou ou foi avaliada quanto ao item ou 6 comportamento. Como parâmetro de respostas, cada item é avaliado da seguinte forma (BRÊTAS; SILVA, M.; SILVA, C., 1995). • Normal — a criança realiza a atividade prevista para a idade ou não realiza uma atividade feita por menos de 75% das crianças da mesma idade. • Cuidado — a criança não realiza ou se recusa a realizar uma atividade que já é feita por 75 a 90% das crianças que têm a sua idade. • Atraso — a criança não realiza ou se recusa a realizar uma atividade que já é feita por mais de 90% das crianças que têm a sua idade. Outro importante parâmetro para avaliar o crescimento infantil é a relação entre peso e altura. Segundo o Ministério da Saúde (MS), o método ideal de acompanhamento do crescimento infantil é o registro periódico do peso, da estatura e do índice de massa corporal (IMC) da criança na Caderneta de Saúde da Criança. Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o MS recomendam a utilização de valores de referência das curvas de crescimento da OMS de 2006, para crianças menores de cinco anos, e de 2007, para a faixa etária de 5 a 19 anos. Os gráficos adotados são os recomendados pela OMS para avaliar o crescimento infantil de meninos e meninas (BRASIL, 2012). Segundo o Ministério da Saúde (MS), conforme descrito na Caderneta de Vacinação, o crescimento individual das crianças pode apresentar uma grande variação. Diversas medidas de crescimento, representadas como pontos em um gráfico ao longo do tempo e conectadas entre si, formam uma linha. Essa linha representa o padrão de crescimento da criança, ou seja, sua curva de crescimento, que indica se a criança está crescendo conforme o esperado segundo os parâmetros para a idade ou não (BRASIL, 2012). O acompanhamento da criança deve ser constante para que os parâmetros sejam avaliados e monitorados por meio de registros regulares. Uma única medição de peso ou altura não oferece informações suficientes para avaliar o crescimento da criança. Apenas com consultas contínuas e o registro regular das medidas e pesagens será possível obter dados relevantes sobre o crescimento infantil. Essas informações ajudarão os profissionais de saúde a tomar decisões sobre a necessidade de intervenção, se for o caso (MORAES et al., 2010). 7 A Caderneta de Vacinação é um documento importante para registrar diversas informações sobre a saúde da criança desde o seu nascimento, refletindo seu desenvolvimento ao longo do tempo. Além de servir como um registro de saúde, a caderneta também oferece aos pais informações importantes sobre os cuidados a serem prestados à criança, incluindo orientações sobre alimentação, prevenção de acidentes, calendário de vacinação, entre outros aspectos relevantes (MORAES et al., 2010). A Caderneta de Vacinação é um documento de acompanhamento da criança em sua jornada de assistência à saúde. Ao registrar todos os eventos relacionados à criança, fornece aos profissionais de saúde uma fonte ampla de dados e informações. Isso é especialmente importante porque não se limita aos relatos dos pais, que podem ser incompletos ou sujeitos a esquecimentos. Assim, a caderneta se torna uma ferramenta essencial para garantir um acompanhamento preciso e completo do desenvolvimento e da saúde da criança (MORAES et al., 2010). 2.1 Sinais vitais Os sinais vitais representam medidas do funcionamento dos sistemas orgânicos que sustentam a vida humana e podem ser avaliados por diversos indicadores, entre os quais se destacam a temperatura corporal, a pressão arterial, a frequência respiratória e o pulso. Esses parâmetros oferecem percepções valiosas sobre o estado físico e funcional de um paciente, possibilitando uma avaliação rápida e eficiente de sua condição de saúde. A análise desses sinais é necessária para a detecção precoce de possíveis problemas ou complicações, contribuindo significativamente para um acompanhamento adequado e intervenções terapêuticas assertivas (SANTOS et al., 2010). De forma geral, deve-se monitorar os sinais vitais sempre que um paciente é admitido no ambiente hospitalar, antes e após procedimentos cirúrgicos ou invasivos, na administração de medicamentos e hemoderivados, bem como durante intervenções de enfermagem, ou diante de situações como perda de consciência e agravamento do quadro clínico (SANTOS et al., 2010). 2.2 Avaliação e monitorização dos sinais vitais 8 Em pacientes pediátricos, a sequência recomendada para verificação dos sinais vitais é a seguinte: respiração, pulso, temperatura e pressão arterial. Essa ordem é preferível, pois reduz as alterações que podem ser provocadas durante o procedimento, como choro e irritabilidade, proporcionando uma avaliação mais precisa e tranquila do estado de saúde da criança (SANTOS et al., 2010). 2.2.1 Respiração A respiração é um indicador vital que representa a troca de gases entre o organismo, especificamente os pulmões, e o ambiente externo, sendo responsável pela absorção do oxigênio (O₂) e eliminação do dióxido de carbono (CO₂). Esta função vital permite a avaliação da função metabólica e das condições dos músculos torácicos, do diafragma, e da permeabilidade das vias aéreas, fornecendo informações sobre o estado respiratório e a oxigenação do corpo (SANTOS et al., 2010). A frequência respiratória engloba dois tipos distintos de respiração: a externa e a interna. Na respiração externa, ocorre a troca de ar entre o ambiente e os pulmões, mediada por quatro processos complexos: ventilação, condução, difusão e perfusão. Estes processos trabalham em conjunto para garantir a entrada de oxigênio nos pulmões e a remoção do dióxido de carbono. Já na respiração interna, acontece a troca de oxigênio e dióxido de carbono entre os pulmões e os tecidos do corpo, proporcionando a oxigenação dos órgãos e sistemas (SANTOS et al., 2010). Durante a fase de inspiração, o diafragma contrai-se, resultando no aumento da capacidade torácica. Esse movimento provoca uma diminuição da pressão dentro do tórax, o que leva os órgãos abdominais a se deslocarem para baixo e para frente, criando espaço para a entrada de ar pela traqueia e seu direcionamento até os pulmões. Essa ação é considerada ativa, pois requer o consumo de energia para ser realizada (SANTOS et al., 2010). Na fase de expiração, o diafragma relaxa, resultando em uma redução da capacidade torácica e um aumento da pressão dentro do tórax. Esse aumento de pressão faz com que o ar seja expelido para o exterior através da traqueia. Tanto o pulmão quanto a parede torácica retornam à sua posição de repouso durante esse processo, o que o torna de natureza passiva, não requerendo gasto de energia adicional (SANTOS et al., 2010). 9 A respiração caracteriza-se por: frequência, ritmo e amplitude. A frequência respiratória varia segundo a idade do paciente, como demonstrado no Quadro 1. Além da idade,outros elementos, como choro, irritabilidade, administração de medicamentos e posição corporal, podem influenciar na avaliação da respiração (SANTOS et al., 2010). Quadro 1- Frequência respiratória em repouso de acordo com a idade Idade Frequência respiratória (BPM) Prematuro 40 a 50 Lactente 30 a 40 Um ano 25 a 30 Pré-escolar 20 a 25 Escolar 18 a 24 Adolescente 18 a 20 Fonte: adaptado de Santos et al., 2010. O ritmo respiratório refere-se à classificação que descreve os intervalos entre os movimentos respiratórios de um paciente, podendo ser classificado como regular, quando os intervalos são uniformes, ou irregular, quando os intervalos são variados. Este padrão de ritmo é comumente observado em prematuros e lactentes jovens (SANTOS et al., 2010). A amplitude respiratória é determinada pela observação do movimento expansivo da parede torácica do paciente. Esse movimento pode ser profundo, como visto em pacientes com febre, anemia grave e certas condições pulmonares, ou superficial, o que é observado em pacientes com alcalose metabólica e em casos de depressão do sistema nervoso. Abaixo listaremos os tipos de respiração (SANTOS et al., 2010): • Respiração de Cheyne-Stokes: é caracterizada por períodos regulares alternados de apneia (ausência de respiração) e respiração profunda. Este padrão respiratório pode estar associado ao aumento da pressão intracraniana, doença renal e meningite. • Respiração de Kussmaul: caracterizam-se movimentos respiratórios lentos e profundos, com fases de apneia expiratória e inspiratória, mas de forma regular, 10 assemelhando-se à hiperventilação. Esse padrão respiratório é comumente observado em pacientes com diabetes e desidratação severa. • Respiração de Biot: é caracterizada por uma variação na profundidade e frequência dos movimentos respiratórios, ocorrendo em períodos irregulares alternados com períodos de apneia de duração variável. • Respiração paradoxal: é definida pelo movimento oposto normal da parede torácica e do abdômen durante a inspiração. Este fenômeno pode ser observado em recém-nascidos prematuros mesmo na ausência de patologia pulmonar. Revisando alguns conceitos, a terminologia básica da respiração inclui (SANTOS et al., 2010): • Eupneia: respiração com frequência normal. • Bradipneia: diminuição da frequência respiratória. • Taquipneia: aumento da frequência respiratória. • Dispneia: dificuldade em respirar. • Apneia: interrupção da respiração. Durante a apneia, não há presença de frequência respiratória. Durante os primeiros estágios de vida, os recém-nascidos e lactentes geralmente apresentam uma respiração superficial predominantemente diafragmática, o que significa que seus movimentos respiratórios são observados principalmente através dos movimentos abdominais. Isso é essencial para uma avaliação adequada da respiração nessa faixa etária (SANTOS et al., 2010). Os recém-nascidos prematuros e lactentes com até seis meses podem experimentar episódios de apneia central durante o sono. Essa ocorrência é atribuída à imaturidade do centro respiratório desses bebês. Conforme a criança cresce, seu padrão respiratório também muda. No início do terceiro ano de vida, ela desenvolve uma respiração predominantemente torácica. Entre o terceiro e o sétimo ano, a criança apresenta tanto respiração torácica quanto abdominal, e após os sete anos de idade, sua respiração se assemelha à de um adulto, predominantemente torácica (SANTOS et al., 2010). Ao verificar a frequência respiratória de uma criança, é aconselhável fazê-lo discretamente para que ela não perceba. Uma técnica comum é manter a mão sobre 11 o pulso e simular a contagem sem chamar atenção. É importante que lactentes e crianças menores estejam no colo da mãe ou de um acompanhante durante o exame, pois isso os faz sentir relaxados e seguros, facilitando a avaliação. Evitar verificar a respiração imediatamente após a criança ter feito esforços, como chorar ou correr, é uma prática recomendada para garantir uma medida mais precisa (SANTOS et al., 2010). Em relação à contagem da respiração, em recém-nascidos, lactentes e crianças em idade pré-escolar, é recomendado contar a respiração durante um minuto, devido à sua respiração irregular. Já em crianças mais velhas, com respiração mais regular, a contagem pode ser feita durante 30 segundos e o resultado multiplicado por dois para obter a frequência respiratória por minuto. Essas práticas são importantes para garantir uma avaliação precisa e segura da respiração em crianças de diferentes faixas etárias (SANTOS et al., 2010). 2.2.2 Pulso A pulsação arterial resulta da expansão e contração das artérias devido à propagação de uma onda de sangue gerada pelos batimentos cardíacos. Esse mecanismo percebe a pulsão da artéria. Para avaliar essa pulsação, é possível recorrer a ausculta, realizada acima do ápice cardíaco, ou à palpação das artérias, como a apical, braquial, radial, carotídea, femoral, poplítea, pediosa e tibial. Diversos fatores, como idade, medicamentos, febre, dor e exercícios, podem influenciar a amplitude e a frequência da pulsação arterial (SANTOS et al., 2010). Quando o ventrículo esquerdo se contrai e bombeia uma quantidade específica de sangue para a artéria aorta, esta última se expande ao receber o sangue, enquanto os ventrículos se relaxam. Esse processo é acompanhado pela contração subsequente da aorta, impulsionando o sangue ao longo da artéria. À medida que o sangue passa pelas artérias elásticas, provoca a distensão e a subsequente retração dessas estruturas. Esse mecanismo possibilita a palpação ou ausculta do pulso em locais apropriados do corpo humano. O pulso é caracterizado por: frequência, o ritmo e a amplitude (SANTOS et al., 2010): • A frequência é uma característica essencial a se observar durante a avaliação do pulso, pois diversos fatores podem influenciar sua verificação, tais como o 12 uso de medicamentos, febre, dor e mudanças na postura corporal. O Quadro 2 apresenta a frequência normal do pulso de acordo com diferentes faixas etárias (SANTOS et al., 2010): Quadro 2 - Frequência cardíaca normal de acordo com a idade Idade Frequência cardíaca Média normal Recém-nascido 70 a 170 120 11 meses 80 a 160 120 2 anos 80 a 130 110 4 anos 80 a 120 100 6 anos 75 a 115 100 8 anos 70 a 110 90 10 anos 70 a 110 90 Adolescente 60 a 110 ± 70 a 65 Fonte: adaptado de Santos et al., 2010. • O ritmo do pulso refere-se ao intervalo entre as pulsações. Esses intervalos podem ser rítmicos, quando as pulsações ocorrem de forma regular e contínua, ou arrítmicos, quando apresentam intervalos irregulares. • A amplitude ou intensidade do pulso está diretamente relacionada com o volume de sangue ejetado para a artéria durante a contração cardíaca. A variação na amplitude do pulso pode indicar diferentes condições de saúde: — Normal: é um pulso cheio, de fácil palpação. — Fraco: é um pulso fino, filiforme e débil, por apresentar dificuldade na sua palpação, haja vista a pequena quantidade de sangue impulsionada. Por isso, é fácil identificar durante a avaliação. — Intenso: é um pulso facilmente palpável, difícil de ser perdido durante a verificação em razão da quantidade aumentada de sangue. — Ausente: nenhuma pulsação é sentida. Recordando alguns termos principais, a terminologia básica do pulso inclui: normocardia, referente a uma frequência cardíaca normal; bradicardia, caracterizada por uma frequência cardíaca abaixo do normal; taquicardia, indicativa de uma frequência cardíaca acelerada; taquisfigmia, associada a um pulso acelerado; 13 bradisfigmia, que descreve um pulso reduzido; e, por fim, dicrótico, que se refere à sensação de dois batimentos cardíacos (SANTOS et al., 2010). A avaliação do pulso é importante para monitorar a saúde cardiovascularde um indivíduo. Esta verificação pode ser realizada através da palpação da artéria periférica ou pela ausculta do pulso apical, utilizando um estetoscópio. Em bebês, o pulso apical é frequentemente verificado com o auxílio das pontas dos dedos. É importante ressaltar que a contagem do pulso em crianças é realizada durante um período de 60 segundos devido à possível irregularidade do ritmo cardíaco nessa faixa etária (SANTOS et al., 2010). Para uma verificação precisa, é recomendável evitar o uso do polegar, pois sua própria pulsação pode interferir na identificação do pulso do paciente. O ideal é utilizar os dedos indicador e médio para essa finalidade. Em crianças com menos de 2 anos, é indicada a verificação do pulso apical devido à facilidade de ausculta e à obtenção de valores precisos. Já em crianças com mais de 2 anos, a ausculta apical ou a palpação dos pulsos periféricos são opções viáveis (SANTOS et al., 2010). Em recém-nascidos com suspeita de cardiopatia congênita, é recomendado verificar o pulso nos membros superiores e inferiores simultaneamente, uma vez que algumas cardiopatias podem causar ausência de pulso nos membros inferiores. Todos os pacientes devem apresentar pulsos pediosos palpáveis; caso contrário, pode ser indicativo de uma possível cardiopatia (SANTOS et al., 2010). 2.2.3 Temperatura A temperatura corporal reflete o equilíbrio entre a produção de calor pelo organismo e sua eliminação. Este equilíbrio mantém a saúde. A temperatura corporal pode ser vista como o sinal vital mais sensível quando se trata de indicar a presença de uma infecção (SANTOS et al., 2010). A regulação da temperatura corporal é alcançada por meio de mecanismos neurais de feedback, com o centro regulador localizado no hipotálamo anterior, também conhecido como centro termorregulador. Esse processo envolve receptores térmicos na pele, os quais detectam variações de temperatura e rapidamente transmitem essas informações ao hipotálamo (SANTOS et al., 2010). A temperatura corporal central, que representa a temperatura no interior do organismo, é geralmente mantida em uma faixa de variação entre 36 e 37,5 °C. As 14 temperaturas podem variar em diferentes regiões do corpo, sendo as temperaturas centrais, como a medida no ouvido (timpânica) e no reto, mais elevadas do que as periféricas, como as medidas na boca (oral) e sob as axilas (axilar). Quando os níveis de temperatura se afastam desses limites estreitos de normalidade, o corpo aciona mecanismos de adaptação para buscar a homeostase, ou seja, o equilíbrio interno do organismo (SANTOS et al., 2010). É reconhecido que a temperatura das crianças é mais instável do que a dos adultos, pois o controle da regulação térmica ainda não está completamente desenvolvido. Isso significa que as crianças podem apresentar variações térmicas de forma mais rápida e significativa (SANTOS et al., 2010). O calor gerado no corpo é considerado um subproduto do metabolismo, com a principal fonte sendo o alimento. A taxa metabólica é influenciada pelo consumo de oxigênio, exercício e fatores hormonais. Quando a temperatura corporal diminui abaixo de 35 °C, diversos mecanismos de adaptação são acionados para restabelecer o equilíbrio térmico (SANTOS et al., 2010). O tremor da musculatura esquelética e a vasoconstrição são utilizados para aumentar a produção de calor no corpo, resultando em um aumento do consumo de oxigênio. Além disso, os hormônios tireoidianos, como a tiroxina e a tri-iodotironina, juntamente com a ativação do sistema nervoso simpático por meio de mediadores químicos, como a noradrenalina e a adrenalina, também contribuem para o aumento do metabolismo, reduzindo a produção de energia e aumentando a produção de calor (SANTOS et al., 2010). Conforme o organismo produz calor, também o perde. Existem quatro processos básicos pelos quais o calor pode ser perdido para o ambiente externo: radiação, condução, convecção e evaporação (SANTOS et al., 2010): • Radiação: quando ocorre a transferência de calor pelo corpo e pelo ar por meio de raios infravermelhos, como no caso em que o corpo libera calor por superfícies não cobertas. • Condução: esse fenômeno ocorre quando há transferência de calor de um objeto para outro com o qual esteja em contato. Um exemplo disso é quando um corpo quente transfere calor para uma bolsa de gelo, resultando no derretimento do gelo. 15 • Convecção: esse processo ocorre quando o resfriamento do corpo mais quente é causado pelas correntes de ar. Por exemplo, um ventilador sopra correntes de ar frio em um corpo com a superfície aquecida, resultando em um resfriamento do corpo. • Evaporação: esse processo refere-se à perda de água através da superfície corpórea. Um exemplo disso é a transpiração da pele, onde a água é liberada para o ambiente externo, ajudando no resfriamento do corpo. A pele tem a função na regulação térmica, sendo o principal local de perda de calor do corpo. A sudorese (transpiração) e a ruborização (aumento do fluxo sanguíneo para a pele) são mecanismos adicionais usados para dissipar calor. No primeiro ano de vida, a criança depende significativamente da temperatura ambiente para manter sua temperatura corporal interna, devido à imaturidade do sistema termorregulador. O mecanismo de calafrio, que ajuda a aumentar a produção de calor, geralmente só começa a funcionar após o primeiro ano de vida, enquanto a sudorese axilar, que ajuda na dissipação de calor, surge apenas na adolescência (SANTOS et al., 2010). Diante disso, é evidente a importância de proteger as crianças de exposições a temperaturas extremas, pois elas ainda não possuem os mecanismos de regulação térmica completamente desenvolvidos, tornando-as mais vulneráveis às variações de temperatura ambiental (SANTOS et al., 2010). Existem três locais comumente utilizados para medir a temperatura corporal: a boca, o reto e a axila, cada um apresentando vantagens e desvantagens específicas. A cavidade oral é o local mais acessível para medição da temperatura, porém é contraindicada em certas situações. Por exemplo, não é recomendada em pacientes com problemas orais, que estão recebendo oxigênio por máscara, após a ingestão de líquidos quentes ou frios, ou em pacientes que não conseguem segurar o termômetro, especialmente crianças com menos de 5 anos de idade ou pacientes com histórico de convulsões ou inconsciência (SANTOS et al., 2010). A temperatura retal é considerada a mais precisa, mas seu uso é contraindicado em certas situações. Por exemplo, não é recomendada em recém-nascidos ou crianças pequenas, em casos de comprometimento anal, retal ou perineal, infecções, obstrução ou cirurgia retal, pacientes cardíacos (devido à estimulação do nervo vago), ou em pacientes com diarreia (SANTOS et al., 2010). 16 A região axilar é frequentemente escolhida para medir a temperatura em crianças, mas é propensa a fornecer valores imprecisos devido a vários fatores. O tempo de medição, a colocação incorreta do termômetro e a susceptibilidade à influência de correntes de ar podem afetar a precisão da medição. Essa técnica é desaconselhada em pacientes caquéticos, com fraturas nos membros superiores, hipertônicos ou queimaduras (SANTOS et al., 2010). A temperatura axilar normalmente está 0,3 a 0,5 °C abaixo dos valores bucais e 0,5 a 1,0 °C abaixo da retal. São esperados valores normais (SANTOS et al., 2010): • Axilar: 35,9 a 36,7 °C. • Oral: 35,8 a 37,2 °C. • Retal: 36,2 a 38 °C. A hipertermia é caracterizada por uma temperatura corporal acima de 38 °C, indicando um aumento na produção de calor pelo organismo e uma deficiência no mecanismo de perda de calor. Quando a temperatura corporal aumenta em 0,4 °C, observa-se um aumento de 10 batimentos por minuto na frequência cardíaca. Além disso, a frequência respiratória aumenta em duasa três respirações por minuto para cada aumento de 1 °C na temperatura corporal. Essas mudanças indicam um aumento no trabalho cardíaco e uma aceleração na circulação sanguínea, devido ao aumento das necessidades de oxigênio do corpo (SANTOS et al., 2010). A febre pode causar uma série de sintomas, incluindo cefaleia, prostração, pele quente, rubor facial, pele com aspecto mosqueado, calafrios, mal-estar e sede. A seguir, são apresentados alguns valores comumente usados como parâmetros para avaliar a temperatura corporal (SANTOS et al., 2010): • Subfebril: 36,9 °C a 37,4 °C. • Febril: 37,7 °C a 38 °C. • Febre: 38,1 °C a 39 °C. • Pirexia: 39,1 °C a 40 °C. • Hiperpirexia: Acima de 40 °C. O aumento excessivo da temperatura corporal, acima de 42,3 °C, pode resultar em disfunção neurológica, degradação das proteínas do organismo, aceleração da atividade celular e, em última instância, levar à morte. Por outro lado, a hipotermia, 17 caracterizada pela diminuição progressiva da temperatura corporal, causa redução da atividade celular e da condução nervosa, além de perturbar a regulação térmica do corpo, o que também pode resultar em morte (SANTOS et al., 2010). Nos recém-nascidos e em crianças desnutridas, a hipotermia é mais preocupante do que a febre, pois pode levar a uma diminuição da sensibilidade, fraqueza muscular, letargia e inibição do funcionamento cardiorrespiratório (SANTOS et al., 2010). A temperatura baixa pode ser classificada da seguinte maneira: • Colapso álgico: 34 °C. • Colapso: 34 °C a 34,9 °C. • Subnormal: 35 °C a 35,5 °C. 2.2.4 Pressão arterial A pressão arterial é a força exercida pelo sangue contra as paredes das artérias. Durante a sístole, o momento em que o ventrículo esquerdo do coração bombeia sangue para a aorta, ocorre o pico da pressão máxima. Em contrapartida, durante a diástole, quando os ventrículos relaxam, ocorre a queda da pressão, também conhecida como pressão mínima. Em crianças, a pressão arterial é altamente variável e sua medição é desafiadora, não sendo rotineiramente realizada. Deve-se incluir a verificação da pressão arterial no exame físico de qualquer criança com mais de 4 anos de idade, especialmente se apresentarem sintomas de hipertensão, hipotensão, doença renal ou cardíaca. É importante medir a pressão arterial em crianças que estejam utilizando medicações hormonais, antes e após procedimentos cirúrgicos, e antes da prática de atividades esportivas (SANTOS et al., 2010). A pressão arterial é determinada pelo débito cardíaco, a quantidade de sangue que o coração bombeia, e pela resistência vascular periférica, é a resistência que o fluxo sanguíneo encontra nas artérias. Assim, a pressão sanguínea arterial varia conforme a quantidade de sangue bombeada pelo coração e pela resistência que esse fluxo enfrenta nas artérias (SANTOS et al., 2010). Para regular a pressão arterial, o organismo utiliza mecanismos neurais e humorais. O sistema nervoso autônomo tem a função desse controle por meio dos barorreceptores e quimiorreceptores localizados no sistema circulatório. E os 18 mecanismos humorais são mediados pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona, que regula a vasoconstrição, aumentando a retenção de sódio e água pelos rins, além do hormônio antidiurético (SANTOS et al., 2010). Sabe-se que a pressão medida nos membros inferiores é maior do que nos membros superiores a partir dos 9 meses. A partir desse ponto, a pressão arterial nas pernas é tipicamente de 5 a 10 mmHg mais elevada do que nos braços. Após a aferição dos valores da pressão arterial, é importante compará-los com a curva de peso em relação à idade, a qual varia entre os sexos. O ponto em que a criança se situa na curva é conhecido como percentil. Considera-se a pressão arterial normal aquela em que os valores sistólicos e diastólicos estão abaixo do percentil 90 para a idade e sexo da criança (SANTOS et al., 2010). 3. PROBLEMAS DE SAÚDE DOS RECÉM-NASCIDOS: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO Os problemas de saúde que podem afetar os recém-nascidos são variados e podem se apresentar de diversas formas, acarretando consequências distintas que demandam cuidados de enfermagem específicos. Por essa razão, é necessário estudar os principais problemas de saúde enfrentados por recém-nascidos, a fim de compreender suas causas, os riscos envolvidos e os cuidados necessários para tratá- los. 3.1 Hiperbilirrubinemia A hiperbilirrubinemia refere-se à elevada concentração de bilirrubina no sangue do recém-nascido, resultando na icterícia neonatal, comumente conhecida como “amarelão”, devido à coloração amarelada da pele, esclera e unhas. A bilirrubina é um pigmento produzido pela quebra das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue). Após sua produção, a bilirrubina é processada no fígado e excretada na bile, sendo então eliminada no intestino, conferindo a coloração característica das fezes (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). Normalmente, o organismo do recém-nascido consegue regular a relação entre a destruição das hemácias e a excreção da bilirrubina. Em algumas condições podem desequilibrar esse processo e resultar no acúmulo de bilirrubina nos tecidos, 19 causando icterícia. Os principais fatores que contribuem para esse desequilíbrio incluem a prematuridade, atraso no início da amamentação, produção excessiva de bilirrubina, disfunção hepática e outras condições como hipotireoidismo, galactosemia e diabetes materna (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). A icterícia fisiológica é a forma mais comum de icterícia em recém-nascidos e geralmente é uma condição de menor gravidade. Ela tipicamente começa na face do bebê e progride em direção às extremidades inferiores. Com o conhecimento dessa progressão, é possível estimar a concentração de bilirrubina por meio de um exame físico detalhado. A detecção da icterícia pode variar dependendo da experiência do profissional de saúde, da pigmentação da pele do recém-nascido e das condições de iluminação. Ao realizar o exame físico e avaliar a bilirrubina transcutânea (um método não invasivo preferencialmente aplicado no esterno do recém-nascido), é possível reduzir a necessidade de exames laboratoriais adicionais para o bebê (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). Além da icterícia fisiológica, os recém-nascidos podem desenvolver icterícia patológica. As principais causas da hiperbilirrubinemia patológica estão relacionadas a uma variedade de condições médicas, incluindo (BRASIL, 2014): • O aumento na produção de bilirrubina pode ser ocasionado por diversas condições, tais como doença hemolítica, anemias hemolíticas, cefalo- hematoma, sepse, aumento da circulação entero-hepática e recém-nascidos nascidos de mães diabéticas. • A deficiência ou redução na depuração da bilirrubina pode estar associada a condições como galactosemia, tirosinemia, hipotireoidismo, icterícia do leite materno e prematuridade. A principal complicação da icterícia grave é a encefalopatia bilirrubínica, também conhecida como kernicterus. Esta complicação surge devido à acumulação de bilirrubina nos tecidos cerebrais, resultando em danos graves e irreversíveis. Dada a gravidade desta complicação relacionada à icterícia, deve-se realizar uma avaliação minuciosa durante o exame físico do recém-nascido, além de coletar exames laboratoriais e implementar condutas adequadas. Por essa razão, nenhum bebê recém-nascido deve ser liberado do hospital antes de completar 24 horas de vida (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 20 O tratamento da icterícia neonatal é conduzido através da fototerapia, comumente conhecida como "banho de luz". Durante esse procedimento, a pele do recém-nascido é exposta a uma luz especial, o que leva à quebra das moléculas de bilirrubina e à sua posterior degradação por meio de fotoisomerização, facilitando assim a sua eliminação do organismo. A fototerapiaé geralmente indicada para casos moderados de icterícia. Nos casos mais graves, quando a condição não responde adequadamente à fototerapia, pode ser necessária a realização de uma exsanguineotransfusão. Esse procedimento visa remover o excesso de bilirrubina do sangue do recém-nascido, envolvendo a retirada de uma certa quantidade de sangue do bebê e a sua substituição por sangue doado, compatível com o tipo sanguíneo do recém-nascido (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 3.2 Doença hemolítica do recém-nascido Normalmente, a hiperbilirrubinemia que ocorre em recém-nascidos antes de completarem 24 horas de vida está associada à Doença Hemolítica do Recém- Nascido (DHRN). Essa condição é causada pela destruição intensa e anormal das hemácias. As principais causas da DHRN incluem a isoimunização e a incompatibilidade sanguínea (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). Conforme explicado por Hockenberry e Wilson (2014), a isoimunização acontece quando uma mãe com fator Rh negativo (ausência de determinado antígeno) dá à luz um filho com fator Rh positivo (presença desse antígeno). Embora a circulação sanguínea do feto e da mãe sejam independentes, pode ocorrer a transferência de hemácias do feto para a corrente sanguínea da mãe durante o parto. Esse contato desencadeia uma resposta imunológica na mãe, levando à produção de anticorpos anti-Rh (isoimunização). Segundo Hockenberry e Wilson (2014), é raro ocorrerem complicações com o feto durante a primeira gestação, pois a isoimunização geralmente ocorre no momento do parto. Em gestações subsequentes, os anticorpos maternos podem atravessar a placenta e entrar na circulação fetal. Se o feto for Rh positivo, suas hemácias podem ser destruídas pelos anticorpos maternos. A gravidade da hemólise das hemácias fetais dependerá da quantidade de anticorpos produzidos pela mãe. À medida que as hemácias do feto são destruídas, ele pode desenvolver anemia, o que estimula a produção de mais hemácias em uma tentativa de compensação. Essas novas 21 hemácias também podem ser destruídas. Esse quadro é conhecido como eritroblastose fetal. A doença hemolítica também pode ocorrer quando os antígenos do tipo sanguíneo do feto são diferentes dos da mãe. A incompatibilidade mais comum ocorre quando a mãe pertence ao grupo sanguíneo "O" e o recém-nascido é do grupo "A" ou "B". Os anticorpos anti-A ou anti-B presentes na circulação materna podem atravessar a placenta e causar hemólise nas hemácias do feto. É possível também que o bebê nasça sem apresentar manifestações clínicas imediatas, com a icterícia se desenvolvendo nas primeiras 24 horas de vida (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). A estratégia primária para lidar com a isoimunização é a prevenção, realizada por meio da administração intramuscular da imunoglobulina anti-Rh em todas as mulheres Rh negativas não sensibilizadas (com teste de Coombs indireto negativo) que tenham dado à luz a bebês Rh positivos. Quanto ao tratamento do bebê afetado, serão implementadas medidas clínicas para estabilização dos sinais vitais e tratamento da icterícia, como fototerapia ou exsanguineotransfusão, bem como tratamento da anemia, se necessário (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 3.3 Complicações metabólicas Segundo Hockenberry e Wilson (2014), as complicações metabólicas mais comuns em recém-nascidos são a hipoglicemia e a hipocalemia. A hipoglicemia ocorre quando a concentração de glicose no sangue fica abaixo do limite mínimo, ou seja, glicemia inferior a 40 mg/dL. Isso pode ser resultado de diversos fatores, como aumento na utilização de glicose ou diminuição no armazenamento de glicose. Os recém-nascidos em maior risco de hipoglicemia incluem aqueles grandes para a idade gestacional (GIG), filhos de mães diabéticas, recém-nascidos com necessidade metabólica aumentada (como em casos de sepse, hipotermia ou pós-reanimação), recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (PIG) e recém-nascidos prematuros. As manifestações clínicas em recém-nascidos com hipoglicemia estão relacionadas à baixa disponibilidade de glicose no sistema nervoso, resultando em sintomas como tremores, letargia, choro fraco, convulsões e coma. Outros sinais que podem estar presentes incluem cianose, respiração irregular, sudorese e dificuldade para sugar durante a amamentação. É importante monitorar regularmente a glicemia 22 capilar dos recém-nascidos considerados de risco, mantendo-se atento aos sintomas. Eles devem ser alimentados adequadamente com leite materno e/ou suplementados com fórmula láctea apropriada. Se necessário, pode ser administrada uma solução de glicose por via intravenosa (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). A hipocalemia ocorre quando os níveis de cálcio no sangue estão abaixo do normal, ou seja, com concentração sérica de cálcio inferior a 7,8 mg/dL ou cálcio ionizado inferior a 4,4 mg/dL. Essa condição pode se manifestar precocemente, nas primeiras 48 horas de vida, ou tardiamente, após 72 ou 96 horas de vida. Geralmente, afeta recém-nascidos filhos de mães diabéticas, que sofreram hipóxia durante o nascimento, recém-nascidos com baixa absorção de cálcio intestinal, filhos de mães com hipoparatireoidismo, com hipomagnesemia e aqueles alimentados com leite de vaca (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). As manifestações clínicas em recém-nascidos com hipocalemia incluem agitação, cianose, apneia, edema, choro intenso, distensão abdominal, espasmos, tremores, convulsões e coma. O tratamento para a hipocalemia envolve alimentação adequada (aleitamento materno ou complementação com fórmula apropriada) e administração de suplementos de cálcio, gluconato de cálcio e vitamina D. Em relação à prevenção, é recomendado monitorar o grupo de risco (como recém-nascidos pré- termo e asfixiados) por meio de medições de calcemia nos primeiros dias de vida. Além disso, é aconselhável oferecer suplementos de cálcio desde o primeiro dia de vida a todos os recém-nascidos pertencentes ao grupo de risco (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 3.4 Síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido e outras complicações respiratórias A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) é um problema respiratório que afeta os recém-nascidos, sendo causado pelo atraso no desenvolvimento da maturação pulmonar. Também conhecida como Doença da Membrana Hialina, a SDR é mais comumente observada em recém-nascidos prematuros, uma vez que seus pulmões ainda não estão completamente desenvolvidos para realizar as trocas gasosas necessárias durante a respiração (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). As principais manifestações clínicas da SDR são (HOCKENBERRY; WILSON, 2014): 23 • taquipneia; • dispneia; • tiragens intercostais ou subesternais; • ruídos adventícios inspiratórios (creptantes) e expiratórios (gemido); • batimento de asa de nariz; • cianose ou palidez. Para prevenir a SDR em recém-nascidos prematuros, é comum administrar um surfactante exógeno por via endotraqueal, além de iniciar prontamente suporte ventilatório, seja por meio de ventilação mecânica ou ventilação não invasiva, conforme a necessidade do bebê (levando em consideração sua imaturidade pulmonar e idade gestacional ao nascer). Adicionalmente, a administração de corticoides durante a gestação e no período pré-parto pode reduzir a gravidade e a progressão clínica da SDR (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). 3.5 Complicações cardiovasculares As complicações cardiovasculares em recém-nascidos podem surgir devido a problemas congênitos no coração ou serem desencadeadas por outras condições associadas à prematuridade (COSTA, 2019). Quadro 3 - Principais complicações cardiovasculares Complicação Descrição Manifestações clínicas Tratamento Síndrome da hiperviscosidade Hematócrito maior que 65%, causando lentidão na circulação venosa em órgãos vitais. Hipertensão pulmonar, cianose, apneia, convulsões,hiperbilirrubinemia e complicações gastrintestinais. Cuidados com a expansão de volume, observação rigorosa de sobrecarga hídrica. Sangramento por deficiência de vitamina K Distúrbio hemorrágico causado por Sangramentos pelo coto umbilical, Administrar vitamina K, por via intramuscular, logo 24 deficiência de vitamina K. petéquias, fezes sanguinolentas ou escuras e hematúria. após o nascimento, em todos os RNs como medida preventiva. Persistência do canal arterial Falha no fechamento do canal arterial no nascimento, causando retorno do sangue oxigenado da aorta para a artéria pulmonar, aumentando a carga de trabalho do lado esquerdo do coração, gerando congestão. Diminuição da pressão de oxigênio e aumento da pressão de gás carbônico, apneia e sopro cardíaco. Realizar rigoroso controle hídrico. Manter suporte ventilatório adequado. Administrar medicamentos conforme prescrição médica. Cuidados pré e pós-operatórios para ligadura ductal. Anemia Nível de hemoglobina abaixo de 14 mg/dL. Palidez, apneia, taquicardia, letargia, baixo ganho de peso e desconforto respiratório. Transfusão de concentrado de hemácias ou administração de medicamentos (eritropoetina) conforme prescrição médica. Cuidados com a fluidoterapia. Fonte: adaptado de Hockenberry e Wilson (2014). 25 3.6 Complicações neurológicas Os recém-nascidos estão sujeitos a várias complicações neurológicas devido à prematuridade, à fragilidade da rede venosa cerebral e às consequências da isquemia por hipóxia. Algumas das complicações neurológicas mais comuns incluem (COSTA, 2019): • Lesão cerebral hipóxica-isquêmica: isquemia cerebral devido à falta de oxigênio, que pode resultar em danos ao tecido cerebral e causar uma série de complicações neurológicas, como paralisia cerebral, déficits cognitivos e convulsões. • Hemorragia intracraniana: sangramento dentro do crânio, muitas vezes associado à fragilidade dos vasos sanguíneos cerebrais, especialmente em recém-nascidos prematuros. Isso pode levar a complicações como hidrocefalia, danos cerebrais e déficits neurológicos. • Encefalopatia hipóxica-isquêmica: danos cerebrais causados pela falta de oxigênio e fluxo sanguíneo adequados para o cérebro. Pode resultar em deficiências neurológicas significativas e afetar o desenvolvimento neurológico futuro da criança. • Convulsões neonatais: atividade elétrica anormal no cérebro que pode ser causada por várias condições, incluindo lesão cerebral hipóxica-isquêmica, hemorragia intracraniana e distúrbios metabólicos. • Lesões do plexo braquial: danos aos nervos que controlam os músculos do braço, muitas vezes resultantes de traumas durante o parto. É necessário diagnosticar e tratar precocemente essas complicações neurológicas para minimizar os danos e garantir o melhor prognóstico possível para o recém-nascido. O tratamento pode incluir monitoramento cuidadoso, intervenções médicas especializadas, terapia de suporte e, em alguns casos, reabilitação neurológica (COSTA, 2019). De acordo com Hockenberry e Wilson (2014), as convulsões em recém- nascidos geralmente têm múltiplas causas, incluindo causas metabólicas, infecções, traumas durante o parto, malformações congênitas, entre outras. As características das convulsões em recém-nascidos são específicas para essa fase de desenvolvimento, pois os sinais de convulsão tendem a ser sutis. Alguns desses sinais 26 podem incluir estalos labiais, movimentos da língua, desvios do olhar e arqueamento do corpo. É importante reconhecer esses sinais precocemente para diagnosticar e tratar adequadamente as convulsões nos recém-nascidos. 3.7 Plano de cuidados ao recém-nascido com problemas de saúde Para elaborar um plano de cuidados para o recém-nascido com problemas de saúde, o enfermeiro(a) ou profissional de saúde deve começar classificando o risco do bebê, levando em consideração seu peso ao nascer, idade gestacional e presença de diagnósticos de patologias que possam trazer complicações. Com base na identificação do risco do recém-nascido, o plano de cuidados deve ser elaborado seguindo uma estrutura básica e considerando as especificidades do problema apresentado (COSTA, 2019): • Avaliação sistemática: é essencial e envolve uma avaliação física completa e detalhada de todos os sistemas orgânicos do recém-nascido. Pequenas mudanças na alimentação, coloração da pele, atividade, saturação de oxigênio ou nos sinais vitais podem indicar a ocorrência de complicações. Qualquer alteração deve ser identificada e tratada precocemente para garantir o bem- estar do bebê. • Monitorização: o recém-nascido de alto risco requer monitoramento constante, que inclui atividade elétrica cardíaca, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial não invasiva, temperatura e saturação de oxigênio. Os alarmes dos monitores devem permanecer ativados e nunca silenciados ou desligados sem uma avaliação cuidadosa das condições do recém-nascido. Isso garante que quaisquer alterações importantes sejam prontamente identificadas e tratadas, proporcionando o melhor cuidado possível ao bebê de alto risco. • Suporte ventilatório: deve-se manter a oferta adequada de oxigênio para o recém-nascido, seguindo as orientações do suporte prescrito. • Termorregulação: manter o recém-nascido em um ambiente com temperatura controlada e evitar procedimentos e cuidados que possam levar à perda de calor. 27 • Proteção contra infecções: a principal medida para prevenir infecções em recém-nascidos de alto risco é a rigorosa higienização das mãos pelos profissionais da equipe assistencial. A prevenção de infecções é importante, pois a ocorrência delas pode agravar outras complicações. • Hidratação: é importante administrar fluidos por via parenteral de acordo com a prescrição médica. Deve-se ter cuidado para evitar a sobrecarga hídrica, pois isso pode representar um risco para o recém-nascido. • Nutrição: é uma prioridade para garantir o crescimento adequado do recém- nascido. O ideal é que o bebê seja alimentado com leite materno. Quando isso não for possível, devem ser utilizadas fórmulas lácteas adequadas ou suporte de nutrição parenteral. • Cuidados com a pele: a pele do recém-nascido é delicada e imatura, o que torna essencial implementar cuidados para garantir sua integridade, devido ao elevado risco de infecções, perda de calor e líquidos pela pele. É recomendado utilizar apenas produtos neutros para a higiene corporal do bebê e evitar o uso de antissépticos e outros produtos químicos que possam causar queimaduras e lesões. Também é importante ter cautela ao usar adesivos para fixar dispositivos na pele do recém-nascido. O profissional de saúde deve valorizar e incentivar a interação precoce do recém-nascido com a família, pois essa relação é importante no desenvolvimento do bebê e está associada à melhoria de diversas complicações. A partir dessa estrutura, poderá ser avaliado e monitorizado, gerando um plano de cuidados segundo as necessidades de cada recém-nascido (COSTA, 2019). 4. REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA Durante uma parada cardiorrespiratória (PCR), o paciente entra em estado inconsciente, não responde a estímulos, não respira e não apresenta pulso. O objetivo do atendimento de emergência é fornecer tratamento eficaz o mais rápido possível para reativar corações que pararam de bombear sangue. Esse atendimento é conduzido seguindo os protocolos de Suporte Básico de Vida (SBV ou BLS, do inglês Basic Life Support) e Suporte Avançado de Vida Pediátrico (SAVP ou PALS, do inglês Advanced Life Support). Geralmente, o SAVP é uma continuação do SBV, se o 28 paciente já estiver intubado e monitorado quando aPCR ocorrer, algumas etapas podem ser omitidas, permitindo a implementação imediata de medidas avançadas, como administração de medicamentos e desfibrilação (COSTA, 2019). O SBV visa garantir uma via respiratória desobstruída, proporcionar ventilação adequada e manter a circulação sanguínea para os órgãos por meio de compressões torácicas. Por outro lado, o SAVP concentra-se em restaurar a circulação sanguínea espontânea e tem como principal objetivo a reanimação cerebral (COSTA, 2019). Conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA, 2018), na ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em adultos, é prioritário realizar compressões cardíacas de alta qualidade e desfibrilação imediata, em detrimento da respiração de resgate e do manejo da via aérea, seguindo o processo CAB (circulação, via aérea, respiração). No caso de crianças, a parada cardíaca apresenta diferenças intrínsecas em relação à dos adultos. Em bebês e crianças, a parada cardíaca por asfixia é mais comum do que por eventos cardíacos primários, o que torna a ventilação mais importante durante a ressuscitação, seguindo o método ABC (via aérea, respiração, circulação) e compressões torácicas (COSTA, 2019). Mesmo em ambientes hospitalares de alto risco, as paradas cardíacas e as ressuscitações cardiopulmonares (RCPs) são eventos relativamente raros. As equipes de reanimação podem variar em cada situação de parada cardíaca, o que ressalta a importância do planejamento e da prática colaborativa interdisciplinar e preventiva rigorosa para um desempenho ideal. Resultados positivos podem ser alcançados por meio de uma RCP bem coordenada, com ênfase em compressões torácicas eficazes, ventilação adequada e desfibrilação precoce (COSTA, 2019). A maioria das crises pediátricas que exigem RCP são consideradas evitáveis. Geralmente, essas situações decorrem de acidentes envolvendo veículos motorizados, afogamentos, queimaduras, inalação de fumaça, quedas, envenenamentos, sufocações e engasgos. Outras causas de parada cardiorrespiratória em crianças incluem laringoespasmo e edemas resultantes de infecções do trato respiratório superior, bem como a síndrome de morte súbita do recém-nascido (COSTA, 2019). Bradicardia, bradipneia, respirações irregulares, pulsos fracos, tempo de enchimento capilar lento, hipotensão, cianose e moteamento são sinais indicativos que requerem tratamento imediato para evitar a progressão para uma PCR. Durante 29 a RCP, o objetivo é restaurar a respiração e a circulação do paciente após a interrupção dos batimentos cardíacos e da respiração. A RCP é um procedimento fundamental de suporte à vida realizado em vítimas de PCR (COSTA, 2019). O instante da RCP é de extrema importância, sendo importante que o paciente receba atendimento de emergência imediato. Durante esse atendimento, as manobras de RCP são realizadas prontamente e, quando necessário, a desfibrilação é administrada imediatamente, o que substancialmente aumenta as chances de sobrevivência do paciente. Os cinco componentes essenciais da RCP de alta qualidade são: • Garantir compressões torácicas com taxa adequada; • Garantir compressões torácicas de profundidade adequada; • Permitir recuo total do peito entre as compressões; • Minimizar as interrupções nas compressões torácicas; • Evitar ventilação excessiva (AHA, 2018). A parada cardíaca ou respiratória pediátrica intra-hospitalar pode ser potencialmente evitada através do reconhecimento precoce e intervenção rápida em pacientes em deterioração. As compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente por um membro da equipe multidisciplinar, enquanto outro colaborador se prepara para administrar ventilações utilizando uma bolsa-válvula-máscara (BVM). A ventilação é de extrema importância em casos pediátricos devido à alta incidência de paradas por asfixia, e os melhores resultados são alcançados quando compressões e ventilações torácicas são combinadas. No entanto, em algumas situações, as ventilações podem ser atrasadas devido à necessidade de mobilização de equipamentos, como bolsa, máscara, oxigênio e via aérea. Vale ressaltar que as compressões torácicas podem ser realizadas por apenas um membro da equipe (COSTA, 2019). A eficácia do SAVP está diretamente relacionada à realização de RCP de alta qualidade. Isso implica em manter uma taxa de compressão adequada, com pelo menos 100 compressões por minuto e garantir a profundidade correta das compressões, que deve ser de pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax, aproximadamente 4 cm em lactentes e 5 cm em crianças. Essa profundidade 30 adequada permite o completo recuo do tórax após cada compressão, reduzindo as interrupções durante o processo e evitando a ventilação excessiva (AHA, 2018). Existem diversas razões que podem levar a não realização da RCP de alta qualidade, tais como a falta de atenção aos detalhes por parte do socorrista, a fadiga do resgatador e interrupções prolongadas ou frequentes para proteger a via aérea, verificar o ritmo cardíaco e movimentar o paciente. É importante ressaltar que as compressões torácicas ideais são eficazes quando realizadas em uma superfície firme (COSTA, 2019). Enquanto um socorrista realiza as compressões torácicas e outro procede com as ventilações, outros membros da equipe devem adquirir um monitor/desfibrilador, estabelecer acesso vascular e calcular e preparar os medicamentos necessários. Em casos de ritmos não chocáveis, como atividade elétrica sem pulso (AESP) e assistolia, é essencial continuar a RCP com o mínimo de interrupções possível nas compressões torácicas. Um membro adicional da equipe de enfermagem deve garantir o acesso vascular e administrar as medicações conforme solicitado pelo médico, enquanto a RCP é mantida (COSTA, 2019). O uso de medicamentos é raramente necessário na ressuscitação do recém- nascido. A bradicardia nesse grupo geralmente resulta de uma inadequada inflação pulmonar ou de uma profunda hipoxemia, sendo o estabelecimento de uma ventilação adequada o passo mais importante para corrigi-la. Se a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 batimentos por minuto, mesmo após uma ventilação adequada com oxigênio a 100%, preferencialmente administrado via tubo endotraqueal e compressões torácicas, então a administração de epinefrina ou volume, ou ambos, pode ser indicada (COSTA, 2019). A dose recomendada de epinefrina por via intravenosa (IV) varia de 0,01 a 0,03 mg/kg. Doses IV mais elevadas não são aconselhadas devido ao risco de hipertensão exagerada, diminuição da função cardíaca e piora da função neurológica após administração de doses na faixa de 0,1 mg/kg. Enquanto se aguarda o estabelecimento do acesso intravenoso, considera-se a administração de uma dose mais elevada (0,05 a 0,1 mg/kg) através do tubo endotraqueal. A administração IV de 0,01 a 0,03 mg/kg por dose é preferível (COSTA, 2019). A expansão do volume deve ser considerada quando há conhecimento ou suspeita de perda de sangue, indicada por sinais como pele pálida, má perfusão e 31 pulso fraco, bem como quando a frequência cardíaca do bebê não responde adequadamente a outras medidas de ressuscitação. Na sala de parto, tanto uma solução cristaloide isotônica quanto sangue podem ser úteis para expandir o volume sanguíneo. A dose recomendada é de 10 mL/kg, podendo ser repetida conforme necessário (COSTA, 2019). Uma vez que o paciente mantém a via aérea desobstruída através da intubação endotraqueal, um socorrista deve realizar compressões torácicas de forma contínua, a uma taxa mínima de 100 por minuto, sem interrupção para ventilação. Enquanto isso, o segundo socorrista fornece ventilações a uma taxa de uma respiração a cada seis segundos, totalizando 10 respirações por minuto. É importante que o socorrista que realiza as compressões troque de função com o que realiza asventilações a cada aproximadamente 2 minutos, para evitar fadiga e, consequentemente, a deterioração na qualidade e na taxa das compressões torácicas (COSTA, 2019). O ritmo cardíaco deve ser verificado a cada 2 minutos, com interrupções mínimas nas compressões torácicas. Se o ritmo cardíaco não for choque, os ciclos de RCP e a administração de medicamentos devem ser continuados até que haja evidências de ressuscitação ou até que seja decidido encerrar o esforço. No caso de o ritmo tornar-se choqueável em qualquer momento, um choque deve ser administrado e as compressões torácicas devem ser retomadas imediatamente por 2 minutos antes de verificar novamente o ritmo cardíaco (COSTA, 2019). Os ritmos chocáveis incluem a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular sem pulso (TVSP). A desfibrilação é o tratamento definitivo para a FV. A eficácia do choque é maximizada quando os socorristas minimizam o tempo entre a última compressão torácica e a administração do choque. Os socorristas devem estar preparados para coordenar breves interrupções nas compressões torácicas para permitir a aplicação do choque, retomando imediatamente as compressões após ele (COSTA, 2019). Durante a ressuscitação, o acesso venoso periférico é considerado aceitável se puder ser estabelecido rapidamente. Em uma criança gravemente doente, a colocação desse acesso pode ser desafiadora. Embora um cateter venoso central possa oferecer acesso mais seguro a longo prazo, sua inserção requer treinamento e experiência, e o procedimento pode ser demorado. Por essa razão, o acesso venoso central não é recomendado como a primeira opção durante uma emergência. Se 32 ambos os tipos de acesso - central e periférico - estiverem disponíveis, os medicamentos devem ser administrados na circulação central, já que alguns deles, como a adenosina, são mais eficazes quando administrados próximos ao coração (COSTA, 2019). Por outro lado, outros medicamentos, como cálcio e amiodarona, podem causar irritação se infundidos em uma veia periférica. O comprimento do cateter central pode contribuir para o aumento da resistência na administração dos medicamentos (COSTA, 2019). Durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), o acesso vascular (intravenoso ou intraósseo) é o método preferido para a administração de medicamentos. Se não for possível estabelecer esse acesso, drogas lipossolúveis, como lidocaína, epinefrina, atropina e naloxona, podem ser administradas através do tubo endotraqueal. É importante observar que os efeitos dessas drogas podem não ser uniformes quando administradas através da traqueia em comparação com a administração intravenosa. Se a RCP estiver em andamento, as compressões torácicas devem ser interrompidas brevemente para a administração das medicações, seguida pela infusão de pelo menos 5 mL de solução salina normal e cinco ventilações consecutivas com pressão positiva (COSTA, 2019). Os desfibriladores estão disponíveis em modelos manuais ou automáticos (DEA) e podem apresentar formas de onda monofásicas ou bifásicas. Esses equipamentos têm a capacidade de identificar a presença de ritmos cardíacos chocáveis e não chocáveis. Em crianças com mais de 25 kg ou com mais de oito anos de idade, as pás para adultos são utilizadas. Para crianças entre 1 e 8 anos de idade, com peso inferior a 25 kg, são empregadas as pás pediátricas. Em casos de crianças ainda menores, uma alternativa é posicionar uma das pás na região dorsal da criança (COSTA, 2019). Se a desfibrilação for bem-sucedida em restabelecer um ritmo cardíaco organizado, ou se houver outras evidências de ressuscitação ou pulsos visíveis em uma forma de onda arterial, especialmente nos casos de pacientes com cateter de pressão arterial média, o pulso da criança é verificado para determinar a presença de um ritmo de perfusão. Se o pulso estiver presente, os cuidados pós-ressuscitação devem ser iniciados (COSTA, 2019). 33 4.1 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do recém-nascido Os primeiros passos da reanimação do recém-nascido envolvem a manutenção da temperatura corporal normal da criança, posicionamento para abrir a via aérea, aspiração das secreções se a via aérea estiver obstruída ou se for necessária a ventilação por pressão, secagem do bebê (a menos que seja prematuro e se utilize um cobertor envoltório de plástico) e estímulo à respiração (COSTA, 2019). A temperatura de admissão dos recém-nascidos não asfixiados é um indicador significativo de mortalidade em todas as idades gestacionais, com os bebês prematuros sendo particularmente vulneráveis. A hipotermia também está associada a complicações graves, incluindo problemas respiratórios, hipoglicemia e sepse tardia. É recomendado manter a temperatura dos recém-nascidos não asfixiados entre 36,5 e 37,5 °C desde o nascimento até a admissão e a estabilização, a fim de reduzir os riscos associados à hipotermia (COSTA, 2019). É importante evitar a sucção desnecessária, pois isso ajuda a reduzir o risco de bradicardia causada pela aspiração da nasofaringe. Além disso, a deterioração da complacência pulmonar, da oxigenação e do fluxo sanguíneo cerebral que podem ocorrer com a sucção traqueal em neonatos intubados na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) também sugere a necessidade de cautela no uso da aspiração imediatamente após o nascimento (COSTA, 2019). Se o recém-nascido apresentar tônus muscular fraco e esforços respiratórios inadequados no líquido amniótico meconial, os primeiros passos da ressuscitação devem ser realizados sob o aquecedor radiante. Se o lactente não estiver respirando ou se a frequência cardíaca estiver abaixo de 100 batimentos por minuto após a conclusão das etapas iniciais, o início da ventilação deve ser imediato (COSTA, 2019). A implementação imediata da ventilação durante o primeiro minuto após o nascimento em crianças que demonstram apneia ou respiração ineficaz é fundamental para o manejo neonatal de emergência. A intervenção adequada para apoiar a ventilação e a oxigenação deve ser iniciada conforme indicado para cada criança individualmente, o que pode incluir a intubação e a sucção se a via aérea estiver obstruída. Se a frequência cardíaca estiver abaixo de 60 bpm, apesar da ventilação adequada (preferencialmente via tubo endotraqueal, se possível), é recomendada a realização de compressões torácicas (COSTA, 2019). 34 Como a ventilação é considerada a intervenção mais eficaz na ressuscitação neonatal e as compressões torácicas podem interferir com a ventilação adequada, os socorristas devem assegurar que a ventilação assistida seja administrada de forma ideal antes de iniciar as compressões torácicas. Existem duas técnicas comumente utilizadas: a compressão com os dois polegares ao redor do tórax e apoio nas costas (técnica de dois polegares) e a compressão com dois dedos, com uma segunda mão apoiando as costas (técnica de dois dedos) (COSTA, 2019). Recomenda-se coordenar as compressões e as ventilações para evitar a entrega simultânea. Durante o relaxamento, o peito deve ser capaz de se expandir novamente, mas os polegares do socorrista não devem ser retirados do peito. Segundo as diretrizes da American Heart Association (AHA), é sugerida uma proporção de 3:1 de compressões para ventilação, realizando 90 compressões seguidas por 30 respirações para alcançar aproximadamente 120 eventos por minuto e maximizar a ventilação a uma taxa alcançável. Cada evento deve ser distribuído em aproximadamente meio segundo, com a expiração ocorrendo durante a primeira compressão após cada ventilação. Para a reanimação neonatal, é utilizada uma razão de compressão para ventilação de 3:1, visto que o comprometimento das trocas gasosas é frequentemente a principal causa de colapso cardiovascular nessa faixa etária. Quando a origem do colapso podeser considerada cardíaca, razões mais altas, como 15:2, podem ser empregadas (AHA, 2018). As respirações, a frequência cardíaca e a oxigenação devem ser reavaliadas periodicamente durante o processo de ressuscitação. As compressões torácicas coordenadas e as ventilações devem ser mantidas até que a frequência cardíaca espontânea atinja ou ultrapasse 60 batimentos por minuto. É importante evitar interrupções frequentes nas compressões, pois isso pode comprometer a manutenção artificial da perfusão sistêmica e a circulação sanguínea coronariana (COSTA, 2019). 4.2 Atuação do profissional na parada cardiorrespiratória do paciente pediátrico Quando uma criança não está respondendo e não está respirando, deve-se solicitar ajuda imediatamente. Simultaneamente, deve-se preparar um desfibrilador e iniciar imediatamente a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), preferencialmente com 35 oxigênio suplementar, se disponível. Os eletrodos do monitor de ECG (eletrocardiograma) ou do desfibrilador automático externo (DEA) são anexados assim que estiverem disponíveis. Durante todo o processo de ressuscitação, deve garantir a prestação de RCP de alta qualidade, o que inclui realizar compressões torácicas com taxa e profundidade adequadas, permitindo a completa retração do tórax após cada compressão, minimizando as interrupções nas compressões e evitando ventilação excessiva (COSTA, 2019). A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) pode ser realizada por enfermeiros ou técnicos de enfermagem, enquanto o médico é responsável por determinar o ritmo cardíaco da criança por meio do ECG ou, se estiver utilizando um DEA, o dispositivo indicará se o ritmo é chocável ou não chocável. Em alguns casos, pode ser necessário interromper temporariamente as compressões torácicas para determinar o ritmo cardíaco da criança. Enquanto isso, outro membro da equipe de enfermagem ficará encarregado de preparar e administrar as medicações solicitadas pelo médico (COSTA, 2019). A qualidade da liderança na equipe de ressuscitação à beira do leito tem um impacto significativo global da equipe. Os princípios de gestão de recursos em crises destacam que as equipes de ressuscitação funcionam de forma mais eficaz quando há clareza sobre quem está liderando os esforços de ressuscitação, quais são os papéis individuais de cada membro e como devem se comunicar e colaborar de maneira eficiente. Geralmente, é o médico quem lidera a equipe durante uma parada cardíaca, enquanto o enfermeiro assume a liderança de sua equipe, garantindo que cada membro desempenhe sua função designada de forma adequada (COSTA, 2019). A técnica das mãos em torno do polegar é amplamente recomendada durante a realização de compressões torácicas em uma criança. Nessa técnica, as mãos do socorrista circundam o peito da criança, com os dedos espalhados ao redor do tórax e os polegares posicionados juntos no terço inferior do esterno. Uma vez nessa posição, os polegares são usados para comprimir vigorosamente o esterno. Após cada compressão, é essencial permitir que o tórax se retraia completamente, pois isso facilita a reexpansão total do tórax, melhorando assim o fluxo sanguíneo que retorna ao coração e, consequentemente, o fluxo sanguíneo para o corpo durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) (COSTA, 2019). 36 Durante a RCP pediátrica, é comum ocorrer um recuo incompleto da parede torácica, especialmente quando os socorristas estão fatigados. Esse recuo inadequado está associado a pressões intratorácicas mais altas e uma diminuição significativa no retorno venoso, perfusão coronariana, fluxo sanguíneo e perfusão cerebral. Caso haja suspeita de trauma que sugira lesão na coluna vertebral, é realizada uma manobra de impulso da mandíbula sem inclinação da cabeça para abrir a via aérea. Como a manutenção de uma via aérea desobstruída e a ventilação adequada são essenciais na RCP pediátrica, pode-se recorrer à manobra de inclinação da cabeça, ou seja, elevação do queixo, se o impulso da mandíbula não conseguir abrir a via aérea (COSTA, 2019). Quando há apenas um socorrista, é adotada uma relação de 30 compressões para 2 ventilações durante a RCP. Por outro lado, em uma situação com dois ou mais socorristas, um membro da equipe deve se encarregar das compressões torácicas, enquanto outro mantém as vias aéreas abertas e realiza ventilações na proporção de 15 compressões para 2 ventilações. Durante esse processo, é importante que as ventilações sejam realizadas com interrupções mínimas nas compressões torácicas, conforme as diretrizes da AHA (2018). Para facilitar a ventilação, pode-se optar pelo uso de um dispositivo de barreira, caso o profissional tenha alguma hesitação em realizar a respiração boca a boca (COSTA, 2019). É importante observar que os dispositivos de barreira não reduzem significativamente o risco de transmissão de infecções, e alguns podem aumentar a resistência ao fluxo de ar. Alternativamente, pode-se utilizar uma bolsa-válvula- máscara (BVM) para realizar as ventilações durante a RCP (COSTA, 2019). A ventilação com BVM requer habilidades específicas, que devem ser adquiridas por meio de treinamento adequado. Essas habilidades incluem: selecionar o tamanho correto da máscara para garantir uma boa vedação, abrir as vias aéreas do paciente, estabelecer uma vedação eficaz entre a máscara e o rosto do paciente, fornecer ventilação adequada e avaliar a eficácia dessa ventilação. No caso de lactentes e crianças pequenas, é recomendado o uso de uma bolsa autoinflável com um volume de pelo menos 450 a 500 ml. Em crianças mais velhas ou adolescentes, pode ser necessário utilizar uma bolsa autoinflável para adultos, com um volume de aproximadamente 1000 ml, para garantir uma ventilação eficaz e segura, capaz de expandir adequadamente o tórax durante a ventilação (COSTA, 2019). 37 A ventilação eficaz com bolsa-máscara depende de uma vedação firme entre a máscara e o rosto do paciente. Para garantir essa vedação, a via aérea é aberta levantando a mandíbula em direção à máscara, o que ajuda a obter uma boa vedação. Em seguida, a bolsa é apertada até que o peito do paciente se eleve, indicando uma ventilação adequada. Devido à complexidade das etapas envolvidas na ventilação efetiva com bolsa- máscara, não é recomendado que um único profissional a realize durante a RCP. Nesse caso, o profissional solitário deve recorrer ao uso de dispositivos de barreira para a ventilação. Por outro lado, a ventilação com bolsa-máscara pode ser administrada de forma eficaz durante a RCP por duas pessoas, onde uma pessoa realiza a vedação da máscara e a outra aperta a bolsa para fornecer a ventilação necessária (COSTA, 2019). Quando uma via aérea avançada está estabelecida, os ciclos de compressões torácicas ocorrem continuamente a uma taxa de 100 por minuto, sem interrupções para ventilações. As ventilações são administradas a uma frequência de 8 a 10 respirações por minuto, o que equivale a uma respiração a cada 6 a 8 segundos, sendo importante evitar a ventilação excessiva, especialmente em uma situação estressante como uma parada cardiorrespiratória pediátrica (COSTA, 2019). A equipe deve sincronizar as compressões torácicas com a administração do choque para minimizar o intervalo entre as compressões e a aplicação do choque, reiniciando imediatamente as compressões após o choque. O DEA instruirá o socorrista a reavaliar o ritmo a cada 2 minutos. A entrega do choque deve ser realizada o mais rápido possível após as compressões (COSTA, 2019). 4.3 Cuidados imediatos pós-parada cardiorrespiratória nos pacientes recém- nascido e pediátrico Após a ressuscitação, os objetivos do atendimento incluem preservar a função neurológica, prevenir danos nos órgãos secundários, identificar e tratar a causa subjacente da doença, e garantir que o paciente seja transferidopara um centro de atendimento pediátrico de nível terciário em condições fisiológicas ideais. É importante realizar uma reavaliação frequente do paciente, pois o estado cardiorrespiratório pode deteriorar-se rapidamente (COSTA, 2019). 38 Bebês que necessitam de ressuscitação estão em risco de deterioração mesmo após a restauração de seus sinais vitais normais. Após restabelecer a ventilação eficaz e/ou circulação, é importante manter a criança em um ambiente onde possa receber monitoramento contínuo e cuidados preventivos (COSTA, 2019). Uma saturação arterial de oxi-hemoglobina de 100% pode refletir uma ampla faixa de PaO₂, desde cerca de 80 até aproximadamente 500 mmHg. Em situações onde o equipamento necessário está disponível, pode ser considerado razoável reduzir gradualmente a administração de oxigênio para atingir uma saturação de oxi- hemoglobina menor que 100%, mas igual ou superior a 94%. O objetivo dessa abordagem é alcançar níveis normais de oxigenação (normoxemia) enquanto se evita rigorosamente a hipoxemia. Idealmente, a administração de oxigênio é ajustada para um nível apropriado para a condição específica do paciente (COSTA, 2019). A temperatura do paciente deve ser monitorada de forma contínua até que ele esteja estabilizado. Além disso, é importante considerar a monitorização da diurese utilizando um cateter de demora. Uma diminuição na produção de urina (menos de 1 mL/kg por hora em lactentes e crianças, ou menos de 30 mL/hora em adolescentes) pode ser indicativa de várias condições, incluindo problemas pré-renais (como desidratação ou perfusão sistêmica inadequada), lesão renal isquêmica ou uma combinação de fatores (COSTA, 2019). 5. PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA Desde os anos 1990, as infecções têm sido uma das principais causas de mortalidade neonatal. Tornou-se necessário identificar os fatores de risco associados à infecção em neonatologia e pediatria. Essa identificação é importante para a detecção precoce, prevenção e implementação de medidas específicas que possam reduzir as taxas de morbidade e mortalidade nessa faixa etária (FRANÇA; LANSKY, 2009). Conforme estabelecido pela Portaria n.º 2.616, de 12 de maio de 1998, do Ministério da Saúde, as infecções neonatais são sempre classificadas como hospitalares, com exceção daquelas relacionadas à ruptura prematura de membrana por mais de 24 horas e das transmitidas por via transplacentária (BRASIL, 1998). Essa distinção é feita devido às características únicas das infecções durante o período 39 neonatal, uma vez que o recém-nascido pode ser considerado bacteriologicamente estéril, adquirindo sua flora bacteriana normal nas primeiras horas e dias após o nascimento (LOPES et al., 2008). É importante ressaltar que o aumento da susceptibilidade às infecções está ligado a certas deficiências do sistema imunológico e à fragilidade das barreiras cutâneas e mucosas dos neonatos. Essa fragilidade é ainda mais pronunciada em casos de neonatos pré-termo e de baixo peso, o que os torna suscetíveis a desenvolver infecções neonatais. É relevante destacar que a falta de critérios bem definidos para caracterizar infecções exclusivamente em neonatos, juntamente com os desafios no diagnóstico das infecções e a rápida evolução dessas condições nessa faixa etária, dificultam a identificação de certas infecções neonatais (LOPES et al., 2008). Entre as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) em neonatologia e seus principais fatores de risco, destacam-se: • As infecções transplacentárias (congênitas) são aquelas que afetam o feto dentro do útero. Os principais fatores de risco para infecções transplacentárias incluem a exposição a agentes como o herpes simples, citomegalovírus, sífilis, hepatite B, toxoplasmose, rubéola, infecção por HIV (vírus da imunodeficiência humana), Zika, Chikungunya e dengue durante a gestação (BRASIL, 2017). • As IRAS precoces de provável origem materna, caracterizadas pela evidência diagnóstica (clínica/laboratorial/microbiológica) ocorrida nas primeiras 48 horas de vida, apresentam os seguintes fatores de risco: corioamnionite, cerclagem ou pessário, ruptura prolongada da bolsa amniótica por 18 horas ou mais, trabalho de parto em gestações com menos de 37 semanas, procedimentos fetais realizados nas últimas 72 horas, infecção do trato urinário materno não tratada ou tratada há menos de 72 horas, febre materna nas últimas 48 horas e colonização pelo estreptococo B em gestantes sem quimioprofilaxia intraparto (BRASIL, 2017). • As IRAS tardias de origem hospitalar são aquelas em que a evidência diagnóstica (clínica/laboratorial/microbiológica) ocorre após 48 horas de vida. Os fatores de risco associados à sua ocorrência incluem a realização de procedimentos invasivos, que vão desde uma simples coleta de sangue para dosagem da glicemia até procedimentos mais complexos como entubação 40 orotraqueal e cateterismo venoso central e umbilical. O período de hospitalização prolongado, com internações de neonatos por mais de 30 dias, e a condição de menor peso e defesa imunológica diminuída também são fatores de risco. É importante notar que quanto mais prematuro o neonato, menor é a sua imunidade humoral e celular (BRASIL, 2017). Em relação aos fatores de risco, é válido afirmar que a estadia dos recém- nascidos em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) neonatais aumenta significativamente a suscetibilidade às infecções. Isso ocorre devido à extensa manipulação e exposição a procedimentos invasivos que os recém-nascidos enfrentam nesses ambientes. Considerando os fatores de risco mencionados anteriormente, há ações específicas para prevenir essas infecções, muitas das quais não requerem práticas complexas e têm resultados positivos. É importante ressaltar que cerca de 30% dos óbitos podem ser evitados por meio de ações que visam prevenir infecções e prematuridade durante o pré-natal, além de evitar a asfixia durante o parto e a prematuridade iatrogênica. Dentre essas ações, destacam-se as seguintes. As infecções transplacentárias Afetam o feto dentro do útero, portanto devem ser prevenidas e monitoradas durante o pré-natal na atenção básica, visto que existem medidas preventivas, de controle e tratamento para esses problemas. É responsabilidade da equipe de atenção básica planejar e implementar as medidas apropriadas para evitar novos casos de infecção (BRASIL, 2005). Deve-se destacar que as ações relacionadas às doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e Aids, direcionadas a gestantes e crianças, têm contribuído significativamente para a redução drástica do risco de transmissão vertical do HIV. Isso se deve à oferta de testes diagnósticos e quimioprofilaxia adequada durante a gestação, parto e puerpério. É importante reconhecer que a transmissão vertical da sífilis ainda é um desafio significativo em termos de diagnóstico oportuno, tratamento adequado da gestante e seu parceiro. Isso se deve ao fato de que o Brasil ainda enfrenta altas taxas de bebês nascidos com sífilis congênita (BRASIL, 2005). 41 Uma das medidas preventivas importantes para infecções é a realização de testes rápidos para detectar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Esses testes devem ser conduzidos pela equipe de enfermagem na unidade de saúde de referência da gestante logo no início do pré-natal. O objetivo é identificar precocemente qualquer infecção e realizar o manejo adequado nos casos em que o diagnóstico seja confirmado (FRANÇA; LANSKY, 2009). Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) precoce de provável origem materna São necessárias ações que ajudem a evitar o parto prematuro. Por exemplo, reduzir o tabagismo durante a gestação pode dificultar a ocorrência de parto prematuro. Além disso, a redução das cesarianas desnecessárias, especialmenteas cesarianas eletivas realizadas antes de 39 semanas, pode diminuir a incidência de prematuridade iatrogênica. Ampliar o acesso e melhorar a qualificação da assistência e do manejo de recém-nascidos prematuros e de alto risco também são estratégias importantes para lidar com a prematuridade e suas consequências, como as infecções neonatais e infantis. Destaca-se ainda a importância de realizar a pesquisa de estreptococos anal e vaginal durante o pré-natal e iniciar o tratamento antes ou durante o parto como medida preventiva contra infecções de origem materna. Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) tardias de origem hospitalar Deve-se incentivar, supervisionar e controlar medidas básicas para prevenir infecções neonatais e infantis. Algumas das medidas que merecem destaque incluem: A entrada de profissionais deve ser restrita, permitindo apenas o acesso daqueles responsáveis pelo cuidado (BRASIL, 2018). A entrada de pais e familiares no Centro de Terapia Intensiva (CTI) neonatal deve ser triada devido à presença ou ao risco de doenças infectocontagiosas. Indivíduos que estejam com infecções respiratórias, cutâneas ou diarreia não devem ter contato direto com o recém-nascido (BRASIL, 2018). A adesão à higienização das mãos como a lavagem das mãos visa remover a flora transitória e deve ser realizada sempre que alguém entrar ou sair da unidade de 42 internação, quando as mãos estiverem sujas, antes e depois do contato com o paciente, após o contato com secreções e fluidos corporais, sempre que materiais ou equipamentos conectados aos pacientes forem manipulados, durante o preparo de materiais ou equipamentos, no preparo de medicações e antes de procedimentos invasivos (BRASIL, 2018). A escolha de antissépticos com ampla ação contra os colonizantes da pele e a adequada limpeza do ambiente são fundamentais. A limpeza da unidade deve ser rigorosa para evitar a presença de fluidos corporais, secreções, poeira e umidade, uma vez que essas condições favorecem a disseminação e a proliferação bacteriana (BRASIL, 2018). Manter rigor na execução das técnicas assépticas durante os procedimentos invasivos, que incluem todos os que envolvem o rompimento da barreira epitelial ou contato com a mucosa. Esses procedimentos incluem coleta de exames, punção venosa, cateterismo de vasos umbilicais e drenagem de tórax. Executar essas atividades de maneira segura é essencial para prevenir infecções (BRASIL, 2018). Quando se trata da equipe profissional, da estrutura física e do material disponível, é essencial garantir uma abordagem profissional adequada. Além de manter uma proporção adequada entre equipe e número de crianças atendidas, é de extrema importância garantir que a equipe esteja devidamente capacitada tecnicamente. Uma equipe multiprofissional deve realizar procedimentos invasivos com técnicas apropriadas, seguindo todas as normas de segurança necessárias. O fornecimento de leite humano ou fórmulas lácteas, provenientes de Bancos de Leite Humano e Lactários, deve ser assegurado, seguindo as boas práticas de manipulação recomendadas pela legislação vigente. Deve-se estar atento às boas práticas de manipulação em hospitais onde a farmácia fornece doses unitárias de medicamentos, sendo responsável por seguir as normas preconizadas pela legislação em vigor. Além disso, é importante garantir que a área física e a disponibilidade de recursos humanos nas unidades de atendimento neonatal estejam segundo a legislação vigente (BRASIL, 2018). O controle de bactérias multirresistentes é importante na prevenção de infecções. A pesquisa de colonização ou infecção por essas bactérias deve ser realizada regularmente, especialmente em pacientes de alto risco, como aqueles com 43 longa permanência na unidade, em ventilação mecânica ou submetidos a procedimentos invasivos ou uso prolongado de antibióticos. Quando detectada a presença de bactérias multirresistentes, é essencial seguir as orientações de precaução de contato (isolamento). Na neonatologia, medidas como o uso de incubadoras para limitar o espaço físico do recém-nascido e luvas de procedimento para manipulação geral podem ser adotadas. O uso de aventais de manga longa é recomendado quando profissionais de saúde têm contato direto com o bebê, como ao segurá-lo no colo. Além das estratégias para reduzir a transmissão cruzada de microrganismos, o uso prudente de antibióticos se faz necessário para controlar as bactérias multirresistentes (BRASIL, 2018). Embora nem todas as infecções possam ser completamente evitadas, mesmo em condições ideais, entender as informações para prevenir seu surgimento, se faz necessária. A identificação das medidas de prevenção de infecções neonatais e pediátricas é importante para sistematizar, reorganizar e qualificar a assistência à saúde nessa faixa etária. As medidas de prevenção e controle das infecções neonatais e pediátricas minimizam a transmissão e contaminação, seja por meio das mãos dos profissionais de saúde ou por outros meios de disseminação (BRASIL, 2018). A Educação Permanente em Saúde (EPS) é uma ferramenta poderosa na transformação de hábitos institucionais, pois tem o potencial de aprimorar as práticas de cuidado em saúde, tanto ao nível individual quanto coletivo. Ao questionar continuamente o processo de trabalho diário, a equipe cria espaços para debates técnicos e reflexões sobre as relações interpessoais, que podem ter um impacto positivo no enfrentamento dos desafios. A EPS emerge como uma aliada na implementação de medidas de controle de infecção na equipe de enfermagem, como a prática regular de higienização das mãos (CECCIM, 2005). A equipe também deve adotar práticas reflexivas que incentivem uma análise crítica sobre a realização de procedimentos invasivos. Isso implica questionar a real necessidade desses procedimentos, uma vez que manipular o neonato pode aumentar o risco de desenvolver infecções. É necessário, antes de pensar em infecções, avaliar outros fatores que possam estar potencializando suas ocorrências, além disso, a avaliação do quadro clínico dever ser realizada repetidas vezes. A equipe de enfermagem, quando está alinhada para realizar um trabalho em equipe, é uma importante aliada nessa avaliação, visto 44 que esses profissionais ficam por um tempo maior com cada criança e, conseguem avaliar melhor o seu comportamento, bem como as medidas que mais influenciam positivamente o manejo das infecções (FRANÇA; LANSKY, 2009). É possível reduzir os índices de diferentes infecções neonatais e pediátricas por meio da melhoria da qualidade do cuidado nos três níveis de atenção. Para alcançar esse objetivo, a equipe precisa adotar práticas que garantam integralidade e segurança na prestação de cuidados de saúde, implementando e utilizando protocolos embasados na identificação dos fatores de risco. Ao adotar essas práticas, é possível alcançar taxas mais baixas de infecções pediátricas e neonatais (FRANÇA; LANSKY, 2009). 6. AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO À CRIANÇA COM INFECÇÃO RESPIRATÓRIA Durante a infância, as crianças apresentam uma vulnerabilidade biológica aumentada, o que as torna mais suscetíveis a infecções, especialmente as respiratórias. Essa maior vulnerabilidade decorre de diversos fatores, como a maior permeabilidade das células epiteliais do sistema respiratório a substâncias prejudiciais, como poluição e fumaça de cigarro, o estreitamento das vias aéreas e o desenvolvimento ainda incompleto das defesas contra substâncias e microrganismos (FRAUCHES et al., 2017). As infecções respiratórias abrangem uma variedade de doenças que afetam o sistema respiratório das crianças. Essas infecções são classificadas de acordo com a localização, ou seja, a parte específica do sistema afetada. Geralmente, as infecções respiratórias não se limitam a umaúnica estrutura anatômica, uma vez que o sistema respiratório é composto por órgãos contínuos, o que facilita a disseminação da doença (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). O sistema respiratório é conceitualmente dividido em duas partes (HOCKENBERRY; WILSON, 2014): • Trato respiratório superior ou vias aéreas superiores — composto pelo nariz externo, cavidade nasal (ou nasofaringe), faringe e estruturas associadas, laringe e porção superior da traqueia; • Trato respiratório inferior ou vias aéreas inferiores — composto pela porção inferior da traqueia, brônquios, bronquíolos e pulmões. 45 As infecções respiratórias agudas em crianças representam um sério problema de saúde e exigem atenção especial. Embora a IRA possa apresentar melhoras com o tratamento adequado, também pode evoluir rapidamente para condições mais graves, como desconforto respiratório, insuficiência respiratória, parada cardiorrespiratória e até mesmo óbito. Os profissionais da saúde que trabalham no cuidado infantil, em todos os níveis de atenção (primária, secundária e terciária), devem permanecer vigilantes para identificar as manifestações clínicas das infecções respiratórias agudas e reconhecer os sinais de alerta que indicam uma emergência médica (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). Cada uma das Infecções Respiratórias Agudas (IRAs) apresenta manifestações clínicas específicas, porém, há sinais e sintomas comuns entre elas. Estes incluem febre, dificuldade para se alimentar ou anorexia, vômito, diarreia, dor abdominal, obstrução nasal, secreção nasal, tosse, dor de garganta e sintomas de meningismo, como rigidez de nuca, fotofobia e dor de cabeça. A identificação desses sintomas, combinada com os dados coletados durante a anamnese e o exame físico, permite ao enfermeiro diagnosticar a ocorrência de uma IRA (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). Para detalhar as manifestações clínicas específicas de cada uma das Infecções Respiratórias Agudas (IRAs), é importante lembrar que a infecção que afeta o ouvido médio, conhecida como otite média, é classificada como uma infecção respiratória das vias aéreas superiores, mesmo que o ouvido não seja um órgão do sistema respiratório. É relevante destacar que, em geral, as IRAs não ocorrem de forma isolada; elas podem iniciar em uma determinada estrutura e, devido à continuidade do sistema ou à proximidade, como o ouvido, a infecção pode se disseminar (HOCKENBERRY; WILSON, 2014). Quadro 4 - Infecções de vias aéreas superiores e suas manifestações clínicas Infecção Manifestações clínicas Nasofaringite viral aguda Febre, irritabilidade, inquietação, recusa alimentar e da ingestão de líquidos (bem como dificuldade na amamentação), espirros, secreção nasal, obstrução nasal, respiração bucal, causando ressecamento de 46 boca e faringe, calafrios, dores musculares e tosse em alguns casos. Faringite estreptocócica aguda Febre, mal-estar geral, dor de garganta, recusa alimentar e da ingesta de líquidos (bem como dificuldade na amamentação), dificuldade para deglutir (disfagia), cefaleia, dor abdominal e aumento nos gânglios cervicais. Amigdalite Dor na garganta e dificuldade para respirar e deglutir devido ao edema e ao estreitamento da nasofaringe e da faringe. Influenza Febre, calafrios, ressecamento das mucosas nasal e faríngea, tosse seca, rouquidão, fotofobia, rubor facial, dor muscular, exaustão e falta de energia. Otite média Dor no ouvido (otalgia), febre e drenagem de secreção purulenta. Lactentes e crianças pequenas podem apresentar choro, irritabilidade e recusa alimentar, enquanto as crianças maiores podem relatar dificuldade para ouvir, presença de zunido e vertigem. Mononucleose infecciosa Cefaleia, sangramento nasal (epistaxe), mal-estar geral, febre, calafrios, fadiga, inapetência, dor na garganta e aumento no volume dos linfonodos cervicais. Epiglotite aguda Geralmente a criança vai dormir bem, sem relatar qualquer desconforto, e acorda com queixa de dor na garganta e para deglutir. Devido ao edema da epiglote, a criança pode evoluir rapidamente para desconforto respiratório e cianose. Pela dificuldade de deglutir, a criança pode apresentar protrusão da língua e gotejamento da saliva. Laringotraqueobronquite aguda Tosse estridente (tosse de cachorro), febre baixa, hiperemia do tecido da faringe e da laringe e desconforto respiratório (uso da musculatura acessória, batimento de asa de nariz, taquipneia e ausculta com 47 estridor). A criança pode evoluir para cianose e acidose respiratória devido à ventilação insuficiente. Laringite espasmódica aguda Crises de tosse causadas pela obstrução da laringe, principalmente durante a noite; apesar disso, a criança se sente bem no dia seguinte. Traqueíte bacteriana Tosse, febre alta e desconforto respiratório (uso da musculatura acessória, batimento de asa de nariz, taquipneia e ausculta com estridor). A criança pode evoluir para insuficiência respiratória e parada respiratória. Coqueluche Coriza, espirros, lacrimejamento, tosse e febre baixa. Assim que as secreções secam, inicia a tosse seca, que é mais comum à noite. Os episódios de tosse são seguidos de inspirações curtas associadas a um som estridente. A criança pode ficar cianótica e podem ocorrer vômitos após as crises de tosse. Fonte: adaptado de Hockenberry e Wilson (2014). Quadro 5 - Infecções de vias aéreas inferiores e suas manifestações clínicas Infecção Manifestações clínicas Bronquite Em geral, ocorre após uma infecção de vias aéreas superiores, havendo tosse seca e persistente, que se torna produtiva. Bronquiolite Secreção nasal, tosse seca, febre intermitente, taquipneia, desconforto respiratório, cianose, letargia e apneia. Pneumonia Febre alta, tosse produtiva, ausculta com creptantes, estertores e diminuição dos murmúrios vesiculares, percussão maciça, dor torácica, retrações, batimento de asas de nariz, palidez ou cianose. Além disso, há recusa 48 alimentar, vômito, diarreia, dor abdominal, irritabilidade, letargia e mal- estar geral. Fonte: adaptado de Hockenberry e Wilson (2014). A infecção ocorre quando um ser humano suscetível é contaminado por um agente patogênico, como vírus, bactérias, entre outros. Em outras palavras, sem a presença desse agente causador, a doença não se desenvolve. O processo patogênico não depende exclusivamente do agente causador. Existem diversos fatores de risco que contribuem para aumentar a vulnerabilidade da criança ao adoecimento (PRATO et al., 2014). Entre os fatores de risco para as infecções respiratórias em crianças, destacam-se os aspectos biológicos, sociais, ambientais e climáticos. Esses fatores exercem influência na ocorrência das IRAs, na recorrência dos quadros infecciosos e no agravamento clínico. Em termos gerais, os fatores de risco biológicos estão relacionados ao sistema respiratório da criança, que possui características específicas e continua em desenvolvimento, ao estado nutricional, à falta de aleitamento materno e à imaturidade do sistema imunológico (PRATO et al., 2014). No que diz respeito aos fatores de risco sociais, é possível mencionar a idade e a escolaridade materna, a situação de pobreza e as condições precárias de moradia, as aglomerações nos lares e nas escolas, e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Por outro lado, os fatores de risco ambientais e climáticos estão associados às temperaturas mais baixas durante o inverno, à alta umidade do ar e às variações de temperatura. A exposição da criança à poluição, à fumaça de cigarro e às práticas de higiene inadequadas em casa e nos brinquedos utilizados por ela também influenciam e contribuem para a ocorrência das Infecções Respiratórias Agudas (IRAs) (PRATO et al., 2014). As infecções respiratórias em crianças representam um sério desafio para os profissionaisde saúde, pois uma atenção adequada pode prevenir as principais complicações. Em outras palavras, uma abundância de mortes decorrentes de infecções respiratórias em crianças poderia ser evitada por meio de uma educação adequada. Os profissionais devem trabalhar em colaboração com as famílias, fornecendo educação sobre os sinais gerais de perigo em crianças que indicam a necessidade de atendimento médico de urgência. A seguir, estão listados os sinais 49 gerais de perigo na criança, conforme o Ministério da Saúde (BRASIL, 2017), os quais são descritos no manual da estratégia Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI). • A criança não consegue beber ou mamar. • A criança vomita tudo o que ingere. • A criança teve convulsões ou apresentou movimentos corporais anormais nas últimas 72h. • A criança está letárgica ou com o nível de consciência alterado. • A criança apresenta um tempo de enchimento capilar maior de 2s. • A criança apresenta batimento de asa de nariz e/ou gemência. Os sinais gerais de perigo são indicativos tanto para os pais quanto para os profissionais de saúde de que a criança não está saudável e pode estar em risco de vida se a causa da alteração clínica não for identificada e o tratamento adequado não for implementado. É importante notar que entre esses sinais está o batimento de asa do nariz e/ou gemência. Essas são manifestações que crianças com desconforto respiratório podem apresentar e os pais precisam reconhecê-las e procurar atendimento médico para a criança. Compreende-se que o primeiro passo nos casos de disfunção respiratória é educar os pais para poderem identificar os sinais de perigo. Investir tempo em orientações e garantir que os pais compreendam é importante para salvar vidas (PRATO et al., 2014). Além dos sinais gerais de perigo, o profissional da saúde deve educar os pais sobre os principais cuidados prestados às crianças com Infecção Respiratória Aguda (IRA), os quais estão listados a seguir (PRATO et al., 2014): • Facilitar a respiração por meio do posicionamento adequado para ocorrer a abertura das vias aéreas, especialmente nos lactentes. • Verificar a temperatura corporal e, em caso de febre, administrar o antitérmico conforme orientação médica, além de reduzir a temperatura corporal com o uso de roupas leves e banho morno. • Ofertar os alimentos preferidos da criança. • Estimular a ingestão de líquidos. 50 • Administrar os medicamentos prescritos pelo médico, respeitando a dose, o intervalo entre as doses e a duração do tratamento, principalmente em se tratando de antibióticos. A descontinuidade do tratamento pode causar resistência bacteriana, tornando mais complicada a situação e o tratamento das próximas infecções respiratórias. Nos serviços hospitalares, os cuidados deverão priorizar, conforme Hockenberry e Wilson (2014): • O suporte ventilatório da criança por meio de oxigenioterapia com o dispositivo indicado; • O monitoramento dos sinais vitais e outros parâmetros, como a saturação de oxigênio; • A instalação de acesso venoso para a administração de medicamentos e fluidoterapia; • A observação da aceitação da dieta e dos líquidos e as eliminações destes. Considerando todos esses aspectos, o plano de cuidados para crianças com infecção respiratória deve ser individualizado e adaptado às necessidades específicas de cada criança. Além de incluir cuidados assistenciais, é importante que o enfermeiro esteja atento aos aspectos educativos, visando fornecer orientações para os pais e cuidadores sobre o cuidado domiciliar adequado. Isso contribui para prevenir complicações e recorrências da infecção (COSTA, 2019). 7. AVALIAÇÃO E TRATAMENTO DA DOR EM PEDIATRIA É incumbência da equipe de saúde realizar a monitorização do paciente e assegurar o controle apropriado de seus sinais vitais durante o período de internação. Essa monitorização compreende o controle da pressão arterial, temperatura, respiração, frequência cardíaca, controle urinário e glicemia. Apesar da dor ser uma sensação familiar para todos e um dos principais receios de pacientes em períodos pós-operatórios e durante tratamentos contra o câncer, ainda hoje não recebe avaliação e tratamento adequados nos serviços de saúde (SANTOS et al., 2010). Em determinados hospitais e clínicas especializadas, foram implementados serviços voltados para o tratamento da dor. Nestes locais, uma equipe transdisciplinar 51 é responsável por prevenir, avaliar e tratar a dor, além de conscientizar os demais profissionais das equipes de saúde sobre a importância desse tema. Essa prática não é obrigatória em todos os hospitais e não é realizada de maneira sistemática e organizada (SANTOS et al., 2010). Durante muito tempo, houve a crença de que os recém-nascidos não experimentavam dor, levando à realização de procedimentos em bebês sem o uso de analgesia ou anestesia. A ideia infundada de que o uso de morfina poderia levar à dependência contribuiu para uma abordagem farmacológica inadequada da dor. Do ponto de vista científico, essas duas afirmações não são corroboradas, não constituindo justificativas válidas para a não utilização de analgésicos e/ou anestésicos (SANTOS et al., 2010). A criação e implementação de protocolos são essenciais para garantir que o serviço opere de forma organizada e sistemática, permitindo que toda a equipe transdisciplinar atue de forma colaborativa na avaliação e no tratamento dos pacientes (SANTOS et al., 2010). A dor pode ser categorizada de acordo com seu mecanismo fisiopatológico em três tipos principais (SANTOS et al., 2010): • Dor nociceptiva: esta categoria abrange a dor somática, que ocorre quando os receptores na pele e no tecido musculoesquelético são ativados, e a dor visceral, que ocorre quando os receptores localizados em órgãos internos são estimulados por agentes químicos ou físicos, como inflamação, trauma, invasão ou falta de oxigênio. • Dor visceral: esta é a dor nociceptiva originada do estiramento, compressão ou distensão de órgãos internos no tórax ou no abdômen. Geralmente, essa dor é difusa ou referida para áreas distantes do local da lesão, conhecida como dor referida. Quando as fibras nervosas dos órgãos internos são estimuladas, os sinais de dor são conduzidos pelos mesmos neurônios que transmitem sinais de dor da pele, causando a sensação de que a dor está na superfície da pele. • Dor neuropática: esta dor resulta de lesão em um nervo ou de função nervosa anormal ao longo das vias neuronais, desde os tecidos periféricos até o sistema nervoso central. Geralmente é descrita como uma sensação de queimação, choque, formigamento ou latejamento. 52 O profissional de saúde deve avaliar o tipo de dor segundo o tempo de duração, sendo (SANTOS et al., 2010): • Dor aguda é uma experiência sensorial e emocional desagradável que surge de uma lesão tecidual real ou potencial. Pode começar de forma abrupta ou gradual e tende a terminar assim que a causa subjacente é tratada, como, por exemplo, através de cura, imobilização ou medicamentos. Geralmente não é recorrente e está associada a respostas neurovegetativas, como aumento da pressão arterial, taquicardia, taquipneia, agitação psicomotora e ansiedade. Frequentemente é relatada como de intensidade forte ou incapacitante, tendo um alto impacto na qualidade de vida. • Dor crônica é uma experiência sensorial e emocional desagradável que surge de uma lesão tecidual real ou potencial. Ao contrário da dor aguda, sua duração não é limitada no tempo e pode persistir por meses ou anos, de forma contínua ou recorrente. A origem da dor crônica muitas vezes é incerta, podendo estar associada a patologias crônicas. Estímulos nociceptivos repetidos provocam alterações no sistema nervoso central, levando a uma adaptação à sensação de dor. As respostasfísicas, emocionais e comportamentais à dor crônica podem ser influenciadas por uma variedade de fatores biológicos, psicológicos e socioculturais do indivíduo e do ambiente. Nem sempre são observadas alterações comportamentais ou posturais, expressões faciais ou vocalizações típicas de dor. A avaliação precisa da dor é importante como ponto de partida para um tratamento adequado. Muitos profissionais têm dúvidas sobre a melhor maneira de avaliar a dor de um paciente. Atualmente, existem várias formas validadas de avaliação da dor. Para isso, deve considerar o diagnóstico, as condições clínicas, as condições neurológicas e a idade do paciente, garantindo o uso de uma escala de avaliação apropriada (SANTOS et al., 2010). A avaliação da dor, juntamente com a da temperatura, respiração, pressão arterial e frequência cardíaca, deve ser realizada de forma sistemática. Deve-se usar os mesmos parâmetros (instrumentos) para avaliação, garantindo um acompanhamento contínuo ao longo do dia. O profissional de saúde deve levar em consideração a percepção individual do paciente em relação à dor, em vez de se 53 basear apenas em seu comportamento externo. É importante notar que pessoas com o mesmo nível de dor em uma escala podem reagir de maneiras diferentes, podendo demonstrar agitação, choro, gritos, gemidos ou permanecer calmas e serenas (SANTOS et al., 2010). Todos os profissionais em um mesmo serviço de saúde devem utilizar a mesma escala de dor. Isso é necessário para facilitar a comunicação entre eles e permitir que a equipe acompanhe os resultados da terapia. A escolha da escala deve ser adequada para cada criança, considerando sua faixa etária, nível de consciência e escolaridade. Uma escala bem selecionada e utilizada resultará em uma avaliação precisa, independentemente do profissional que a administre. Toda a equipe deve ser devidamente treinada para utilizar o instrumento de avaliação escolhido (SANTOS et al., 2010). Durante muito tempo, a crença de que os recém-nascidos não sentiam dor foi um obstáculo para o uso de analgésicos em bebês. Hoje em dia, reconhece-se que o controle da dor reduz a morbimortalidade e promover uma assistência mais humanizada. Existem várias escalas que podem ser utilizadas com segurança em recém-nascidos, como a escala de mímica facial de Grunau & Craig, a Escala de Dor Neonatal Infantil (NIPS) e a escala CRIES (Crying, Requires of oxygen saturation above 95%, Ingressed vital signs, Expression, Sleep) (SANTOS et al., 2010). Em 1993, foram recomendados os seguintes passos para a avaliação da dor em crianças (anagrama QUEECE): • Questionar a criança. • Usar escalas de escores de dor. • Evoluir as alterações de comportamento e fisiológicas. • Estar seguro de que há envolvimento dos pais. • Considerar a causa da dor. • Empreender a ação e avaliar os resultados. Deve-se utilizar uma linguagem simples e apropriada ao falar sobre dor com as crianças. As crianças muito pequenas podem ter dificuldade em expressar a sensação de dor verbalmente e podem precisar de ajuda para descrevê-la. É possível que uma criança negue sentir dor por medo, especialmente quando se trata da administração de analgésicos intramusculares ou endovenosos, ou na presença de profissionais de 54 saúde como enfermeiros ou médicos. A falta de observação adequada e a prescrição de analgésicos de forma rotineira e não individualizada são fatores que contribuem para a subutilização de analgésicos na pediatria (SANTOS et al., 2010). A colaboração dos pais na avaliação da dor é importante, pois eles estão familiarizados com o comportamento e os hábitos de seus filhos. Isso permite um maior conforto e aceitação do tratamento por parte da criança (SANTOS et al., 2010). Para uma avaliação adequada da dor, deve-se realizar uma classificação preliminar investigando a intensidade e a localização da dor, bem como a presença de irradiação e a resposta da dor à atividade. Deve-se iniciar o tratamento da dor imediatamente, mas também é importante identificar a causa subjacente da dor, que é um sinal de alerta e não uma doença em si. Como mencionado anteriormente, a resposta à dor é altamente individual e multifatorial, variando de pessoa para pessoa e dependendo de diversos fatores, incluindo gênero, cultura, religião e condições sociais, entre outros (SANTOS et al., 2010). A avaliação da dor por meio de instrumentos específicos proporciona uma medida quantitativa do autorrelato da dor. As escalas de avaliação das expressões faciais são facilmente compreendidas, inclusive por crianças muito jovens. A criança deve ter acesso a essas escalas no pré-operatório, de modo que possa utilizá-las quando estiver sentindo dor (SANTOS et al., 2010). Em crianças que ainda não desenvolveram habilidades verbais, as mudanças comportamentais e fisiológicas são indicadores confiáveis para a avaliação da dor. Em situações de estresse, as crianças podem manifestar comportamentos que regridem para estágios anteriores de desenvolvimento. Outros fatores que devem ser considerados incluem o humor da criança e as atitudes culturais em relação à expressão da dor (SANTOS et al., 2010). Existem três tipos de avaliação da dor: autoavaliação (quando a própria criança fornece informações sobre a dor), medições comportamentais (avaliação do comportamento da criança diante da dor) e medições biológicas (observação das reações fisiológicas da criança à dor). Diversas escalas de avaliação foram validadas, como a Escala de Faces (Wong e Baker, 1988), a Escala Oucher (Beyer et al., 1995), a escala numérica, a escala por palavras (Tesler et al., 1991), a escala analógica visual, as escalas com cores (Eland, 1981), entre outras. Todas essas escalas são 55 apropriadas, mas é necessário realizar avaliações em intervalos regulares e breves, e registrar os escores encontrados no prontuário médico (SANTOS et al., 2010). O controle da dor tem importância significativa na redução do tempo de internação, dos riscos de complicações pós-operatórias e da mortalidade em pacientes graves. Além disso, contribui para o conforto da criança e ajuda a evitar traumas associados à hospitalização. Em pacientes com dor crônica, um tratamento adequado da dor pode melhorar significativamente sua qualidade de vida. É importante destacar que o tratamento eficaz só pode ser alcançado se uma avaliação precisa da dor tiver sido realizada (SANTOS et al., 2010). Duas abordagens de controle da dor têm sido recomendadas: o controle farmacológico e o não farmacológico. É importante ressaltar que o controle não farmacológico não substitui a abordagem farmacológica, mas sim deve ser utilizado em conjunto com ela. Deve-se alertar que o enfermeiro é responsável pela administração, avaliação e controle da dor, além de utilizar medidas complementares aos analgésicos para proporcionar alívio da dor e os demais profissionais deverão comunicar a enfermagem qualquer sinal de dor, afim de estabilizar o quadro da criança (SANTOS et al., 2010). 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Destaques das atualizações focadas em recomendações de 2018 da American Heart Association para RCP e ACE: Suporte Avançado de Vida Cardiovascular e Suporte Avançado de Vida em Pediatria. Estados Unidos, 2018. BEYER, S. et al. Interaction and Engagement of Workers in Supported Employment: A British Comparison between Workers with and without Learning Disabilities. Mental Handicap Research. 1995. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Critérios diagnósticos de infecção associada à assistência à saúde: neonatologia. Brasília, DF, 2017. 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