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INTRODUÇÃO O presente trabalho faz correlação ao tema Globalização, Competitividade e Terceirização, assim, na conjuntura do mundo contemporâneo as organizações têm enfrentado grandes desafios para garantir sua sobrevivência e permanecer competitiva. O actual estado das organizações está cada vez mais acerelado por influência das inovações tecnológicas e do advento da globalização que impuseram às organizações uma maior demanda por profissionais cada vez mais qualificados e aptos para actuar no mercado competitivo. Com a organização do homem em sociedade e, com todas as alterações políticas econômicas e sociais que está sociedade sofreu; o mundo do trabalho também mudou, principalmente com o surgimento do capitalismo, baseado na obtenção de lucro. Desde as revoluções industriais com a busca por novos mercados de consumidores há mudança nas formas de prestação de trabalho. GLOBALIZAÇÃO, COMPETITIVIDADE E TERCEIRIZAÇÃO I – GLOBALIZAÇÃO 1.1 – CONCEITO Segundo Oscar Ermida Uriarte, a globalização pode ser resumida como sendo a expansão e o aprofundamento da economia capitalista e de seus postulados teóricos, que se define como fenômeno complexo, multifacetário e dinâmico. A globalização da economia seria um processo de reorganização da divisão internacional do trabalho, ocasionado em parte pelas diferenças de produtividade e de custos de produção entre países. E, de acordo com Uriarte, esse processo vem acompanhado de uma ideologia legitimadora que tende a privilegiar o capital sobre o trabalho. A competitividade das empresas no mercado global converte-se em um bem supremo, ao qual todos os demais se subordinam. Para Arion Sayão Romita, a globalização é um processo irreversível que permite o deslocamento rápido barato e maciço de mercadorias, serviços capitais e trabalhadores, podendo-se pensar no surgimento de um único mercado planetário de bens e trabalho. O professor Ives Gandra, de forma sucinta, entende que a principal característica da economia globalizada é a competitividade internacional, isso porque a globalização da economia consiste na abertura das economias nacionais ao mercado mundial, pela necessidade da competição das indústrias nacionais com as estrangeiras. 1.2 – A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA GLOBALIZAÇÃO A globalização económica não é um evento imediato e assustador, é um processo que ocorre em ondas, com avanços e retrocessos separados por intervalos que podem durar séculos. Assim, em ciclos hoje, de acordo com Roberto Campos, vivemos a quarta globalização. Para Romita, a primeira globalização surgiu com a ascensão do império Romano, que dominou o mundo do oriente, pelo predomínio do latim, pela forma de tratar os povos dominados, respeitando seus valores e costumes, pela difusão de seus sistemas legal e de sua moeda que findou com a feudalização política e comercial. Globalização é o processo de aproximação entre as diversas sociedades e nações existentes por todo o mundo, seja no âmbito econômico, social, cultural ou político. A globalização permitiu uma maior conexão entre pontos distintos do planeta, fazendo com que compartilhassem de características em comum. Desta forma, nasce a ideia de Aldeia Global, ou seja, um mundo globalizado onde tudo está interligado. A segunda globalização iniciou-se com o mercantilismo, no período das grandes descobertas dos séculos XIV e XV, tendo os novos continentes e os seus caminhos marítimos para as Índias e para a China provocando uma enorme ampliação no comércio internacional entre a Europa, a África e as Américas. A imensa expansão daqueles mercados favoreceu os artesãos e, principalmente, os industriais emergentes. A terceira globalização surge no século XIX, após as guerras napoleônicas e, a partir da Revolução Francesa, o liberalismo se sobrepõe ao mercantilismo, a democracia política começa a prosperar, ocasionando grandes mudanças sociais, entre elas: o inicio da liberalização do comércio, com o tratado de livre comercio entre a França e a Inglaterra em 1860; as novas rotas de comércio que surgem com a colonização da África e da Ásia. A terceira globalização foi interrompida pela primeira grande guerra mundial, de 1914 a 1918. E com ela surge a era do coletivismo de direita – o fascismo, e de esquerda– o comunismo, que pregavam o protecionismo económico em detrimento ao livre comércio. A quarta globalização, a atualmente vivida, surge após a segunda guerra mundial, com o aparecimento das empresas transnacionais e da chamada cosmossociedade, atingiu seu apogeu com o colapso do regime socialista em 1989/1991. O processo de globalização se constitui pelo modo como os mercados de diferentes países e regiões interagem entre si, aproximando mercadorias e pessoas. Costumes, tradições, comidas e produtos típicos de determinada localidade passam a estar presentes em outros lugares totalmente diferentes. Isso acontece graças a troca e liberdade de informações que a globalização pode proporcionar. A quebra de fronteiras gerou uma expansão capitalista onde foi possível realizar transações financeiras e expandir os negócios - até então restritos ao mercado interno - para mercados distantes e emergentes. 1.3-TIPOS DE GLOBALIZAÇÃO A globalização é a junção de vários aspectos que unem civilizações de diferentes cantos do globo. Os principais fatores que caracterizam a formação da globalização são: a economia, a cultura e a informação. 1.3.1-Globalização económica O surgimento dos blocos econômicos - países que se juntam para fomentar relações comerciais, como por exemplo, o Mercosul e a União Europeia - foi resultado desse processo econômico. O impacto exercido pela globalização no mercado de trabalho, no comércio internacional, na liberdade de movimentação e na qualidade de vida da população varia de intensidade conforme o nível de desenvolvimento das nações. O período em que a globalização económica mais se intensificou foi em meados do século XX, com a Terceira Revolução Industrial (conhecida também como Revolução Técnico-Científica). 1.3.2-Globalização cultural A aproximação entre as diferentes nações também proporcionou a troca de costumes, culturas e tradições típicas. Estas, por sua vez, passam pelo processo de aculturação, ou seja, quando vários elementos culturais são misturados, criando uma espécie de "mutação das culturas". Desta forma, valores e símbolos culturais que pertenciam originalmente a uma região ou nação, passam a estar presentes em todos os cantos do mundo e vice-versa. Como consequência, cresce a necessidade de haver um maior debate sobre preservação cultural e a tolerância entre as diferenças culturas. O Halloween, por exemplo, uma festividade típica na América do Norte, passou a ser celebrado em outros lugares, como no Brasil, devido a absorção dos costumes norte-americanos. 1.3.3-Globalização da informação O desenvolvimento das tecnologias de informação, com destaque para o advento da internet, foi o principal responsável pelo surgimento do conceito deste tipo de globalização. Com as redes sociais online, as pessoas que têm acesso à internet podem receber e enviar informações instantaneamente para todas as partes do mundo. Unindo a globalização cultural com a necessidade de transmitir informações que possam ser recebidas e interpretadas em todo o planeta, também surgiu a ideia de determinar um idioma globalizado. Ou seja, uma língua que possa servir como elo entre todas as outras. 1.4- FASES DA GLOBALIZAÇÃO A globalização é o fenômeno que possibilita intercâmbio e aproximação entre diferentes sociedades. É um processo que aproxima nações e todos aspectos: sociais, culturais, políticos económicos. Ela permite a troca de experiências, hábitos e informações entre diferentes culturas, fazendo com que exista mais comunicação, trocas culturais e crescimento de negócios. 1.4.1-Primeira fase da globalização A primeira fase corresponde ao período das Grandes Navegações, entre os séculos XV e XVIII. Nesse período aconteceu a expansão do mercantilismo. Ao encontrarnovas terras, nações europeias passaram a circular entre diferentes regiões, realizando trocas comerciais e também culturais. Entretanto, a fase inicial da globalização é marcada pelo tráfico de pessoas e pela exploração colonial. 1.4.2-Segunda fase da globalização O principal acontecimento da segunda fase é Revolução Industrial. A partir dela acontece a melhoria do transporte, com a introdução de ferrovias, navios a vapor, e também a introdução do maquinário nas fábricas, aumentando significativamente a produção. Esse período vai do século XIX a meados do século XX , e também é marcado pela colonização (especialmente de países africanos e asiáticos), além da América e pela Segunda Guerra Mundial. A expansão colocou as colónias europeias em posição de dependência económica, sendo usadas para fornecimento de matérias-primas e mão de obra.. 1.4.3-Terceira fase da globalização A terceira fase inicia após a Segunda Guerra Mundial. Tem como principais acontecimentos a Guerra Fria, isto é, apartir de 1945, a queda do Muro de Berlim e a consolidação do capitalismo como o regime social e econômico mundial, ocorrida entre União Soviética e Estados Unidos. Nessa fase há um conflito entre a existência do sistema capitalista e os preceitos do socialismo, sendo essas diferenças as responsáveis pelo confronto. É nessa fase que acontece a criação de organizações mundiais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. 1.4.4-Quarta fase da globalização Essa é a atual fase do processo de globalização, seu início ocorre a partir da queda do Muro de Berlim em novembro de 1989 até a atualidade. O período chamado Nova Ordem Mundial, é marcado por mais avanço e consolidação do sistema capitalista. A etapa tem como principal característica o avanço da tecnológia de informação que marca o período, com o surgimento da internet. O fenómeno facilitou o iuntercâmbio entre diferentes nações, permitido ainda mais proximidade entre culturas, pessoas e empresas. Esse avanço tecnológico permite grande partilha de informação e conecta regiões do planeta que antes eram incomunicáveis. Ele se materializou pela privatização de empresas públicas e pela entrega de alguns sectores da economia para empresas privadas. 1.5- CARACTERÍSTICAS DA GLOBALIZAÇÃO · Não é estática, ou seja, está em constante evolução, desenvolvimento e transformação; · Aculturação (adoção, adaptação e mistura de diferentes elementos culturais); · Criação de blocos econômicos, cujo principal objetivo e estreitar as relações comerciais entre os membros; · "Aldeia Global" (mundo como uma grande comunidade única, devido aos avanços tecnológicos nos sistemas de transporte e comunicação); · Expansão do capitalismo; · Fortalecimento das relações comerciais; · Internacionalização dos fluxos de capitais; · Privatização de empresas estatais (neoliberalismo); · "Quebra" de barreiras fronteiriças; · Tempo de deslocamento através do espaço reduzido; · Presença de multinacionais / transnacionais; · Avanço das tecnologias de comunicação e dos meios de transporte; · Informações transmitidas instantaneamente (internet); · Aumento da concorrência e competição econômica. 1.6- GLOBALIZAÇÃO E O MEIO AMBIENTE Com a globalização, os impactos foram extremamente agressivos e negativos para o meio ambiente. Os interesses das corporações capitalistas estão baseados nas explorações de matérias-primas de maneira insustentável, poluindo e contaminando os ambientes naturais. Um dos princípios da globalização contemporânea é o consumo. Para que sejam feitos produtos que correspondam ao número de consumidores existentes atualmente, a quantidade de matéria-prima extraída é enorme. A maioria das empresas não faz o processo de extração com responsabilidade ambiental. As consequências são as alterações climáticas, catástrofes ambientais e demais eventos que prejudicam a vida do ser humano e dos demais seres vivos. 1.7- PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA GLOBALIZAÇÃO A globalização é um processo por meio do qual as diferentes partes do mundo se tornam mais conectadas. Num mundo globalizado, pessoas, bens e informações se deslocam com mais facilidade através das fronteiras nacionais. Conforme os deslocamentos se tornam mais rápidos, com o avanço dos transportes, as próprias distâncias entre os mais diversos pontos do globo parecem ficar cada vez menores, resultando numa espécie de território compartilhado. Do ponto de vista econômico, globalização tem a ver com a integração dos mercados num mundo onde há poucas barreiras dificultando as trocas comerciais e os investimentos. Do ponto de vista cultural, a globalização é um processo que promove a circulação de ideias, costumes, valores, espalhando bens culturais para além das fronteiras entre os países. O avanço das tecnologias da informação e a popularização do acesso à internet favorecem bastante esse processo de integração. Alguns pontos positivos da globalização, são: · Oferece vantagem a empresas na competição internacional; · Favorece o investimento; · Favorece empresários que queiram exportar; · Reduz o preço de alguns produtos, devido a grande quantidade de concorrência; · Amplia a quantidade de mercadorias à disposição do consumidor; · Fornece acesso a produtos que não são produzidos localmente; · Possibilita a cooperação entre países; · Favorece o engajamento em causas sociais; · Favorece o intercâmbio cultural entre os países. Alguns pontos negativos da globalização, são: · Não garante benefícios a países em desenvolvimento; · Mantém ou aprofunda a desigualdade internacional; · Aumento da concentração de riquezas; · Gera desemprego no ramo da manufatura em países desenvolvidos; · Aumenta a exploração dos trabalhadores em países em desenvolvimento; · A globalização permite o livre fluxo de capitais, mas não de pessoas. 2- COMPETITIVIDADE A globalização teve um papel muito relevante no desenvolvimento do mercado que conhecemos nos dias de hoje. Neste sentido, as empresas têm de acompanhar este processo de constante mudança, forte concorrência, competitividade e de internacionalização dos mercados. Assim, pretende-se fazer uma análise conceptual da competitividade no sentido de compreender melhor o conceito, a sua evolução, fundamentos sociais, abordagens, modelos de análise, a influência da globalização, as variáveis determinantes da competitividade e as vantagens de estratégias competitivas. Hughes (1987) defende que a competitividade se define como sendo um processo de mudanças estruturais que são necessárias para que seja possível enfrentar as mudanças e os comportamentos que o mercado pode ter. Quando falamos em competitividade temos de ter em conta que há sempre alguma rivalidade e disputa entre as organizações envolvidas. Segundo Kupfer (1992), a competitividade pode ser definida como sendo a maneira que as empresas adaptam as suas estratégias conforme os padrões de concorrência da indústria. Kupfer & Hagunauer (1996, p. 3) desenvolvem mais o conceito, concluindo que a competitividade é, “a capacidade de a empresa formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado…”. É necessário compreender que as empresas não precisam de competir apenas para sobreviver e para se manterem no mercado em que actuam, mas devem sim, ser mais competitivas de forma a conseguirem ser melhores que os seus concorrentes tal como Guimarães (2003) sugere. Ou seja, Guimarães (2003) defende que a competitividade acaba por ser o impulsionador para que a empresa venda mais do que os concorrentes presentes no mercado. 2.1- VANTAGEM COMPETITIVA Quão mais competitiva a empresa for, maior será o seu sucesso. Essas variáveis, de forma geral, estão relacionadas ao produto tangível, produto ampliado e preço. Quanto ao conceito de vantagem competitiva, existem diferentes definições do termo: · Barney & Hesterly (2011) definem a vantagem competitiva como sendo algo muito associado à inovação no sentidoem que a empresa é competitiva se conseguir criar algo de inovador, diferenciado e difícil de reproduzir. · Segundo Heizer & Render (2001), a vantagem competitiva é conseguida através da diferenciação dos bens vendidos e dos serviços prestados, da proximidade dos centros de distribuição dos potenciais clientes, da formação dos seus recursos humanos para a entrega, instalação e manutenção dos produtos. Assim, a vantagem competitiva pode ser, entendida como a vantagem que determinada empresa tem comparativamente aos seus concorrentes para superá-los como o acesso a determinados recursos naturais, a energia mais barata, recursos humanos qualificados e, a localização geográfica e a utilização de novas tecnologias. Barney & Hesterly (2011), defendem que existem dois tipos de vantagem competitiva: a liderança de custo e a diferenciação. Estes dois tipos de vantagem competitiva são originados pela estrutura industrial e pela capacidade que a empresa tem em lidar com as vantagens dos seus concorrentes. Estes dois tipos de vantagem competitiva aliados à forma como a empresa opta por actuar no mercado, resulta em três estratégias para atingir melhor desempenho na indústria: a liderança de custo, a diferenciação e o enfoque. 2.2- O CONTRIBUTO DA QUALIDADE NA COMPETITIVIDADE Muito do desenvolvimento que várias empresas atingiram na conquista dos mercados externos foi obtido pela vontade de satisfazer o desejo dos consumidores através da qualidade (Lopes & Lopes, 2011). Desta forma, as empresas têm vindo a recorrer ao planeamento, ao controlo de operações, à gestão de materiais e stocks, recolha e análise de resultados, avaliação do desempenho, gestão de informação e de recursos no sentido de obter melhor qualidade e de forma a ir ao encontro das expetativas dos clientes (Moreira, 2012). Assim, surgem os processos de certificação como forma de as empresas exteriorizarem a qualidade. O processo de certificação de uma empresa consiste no reconhecimento formal por parte de um organismo de certificação após a realização de auditorias. Desta forma, as razões pela qual as empresas optam por obterem certificados de qualidade, são (Safrão, 2010): Superar a concorrência; Garantir padrões de qualidade dos produtos; Garantir a promoção da empresa Melhoria da imagem da empresa; Requisitos de clientes; Melhoria interna da organização. Em suma, pode dizer-se que a qualidade do processo de fabrico, do produto ou serviço prestado por uma empresa contribui para uma melhoria da competitividade organizacional. 2.3- O PAPEL DO CAPITAL HUMANO NA COMPETITIVIDADE Segundo Shultz (1961) o capital humano é um conceito económico importante. Para o autor, quando falamos em capital humano referimo-nos à habilidade, aos conhecimentos e às características individuais adquiridas através da educação que afetam a sua capacidade de produzir. O capital humano tem vindo a ser encarado como um recurso colectivo que contribui de forma activa para a vantagem competitiva e para o desempenho das empresas (Ployhart, 2015), e consequentemente para a competitividade de uma organização. Trata-se de um activo intangível que gera valor contribuindo para um crescimento implícito, criando riqueza através de inovação, renovação e apresentação de soluções. As empresas que pretendem sustentar uma vantagem competitiva devem a ter em conta o quão importante é o investimento em capital humano (Marques, 2002). O capital humano contribui para o desempenho da empresa através da capacidade de inovação. A inovação associada ao capital humano, reforça a ideia, que apostar neste capital e nas capacidades individuais, poderá fomentar uma cultura inovadora nas empresas. 3- TERCEIRIZAÇÃO 3.1- ORIGEM Terceirização não é um assunto novo, muito embora o termo "terceirização" seja recente e sua prática difundida largamente somente a partir de 1990. Na verdade, sua origem remonta à década de 40, quando os U.S.A. aliaram-se aos países europeus para combater as forças nazistas, e, posteriormente, o Japão. A terceirização foi muito aplicada ao longo da segunda guerra mundial, pois as indústrias bélicas da época precisavam concentrar-se na produção, cada vez melhor, das armas necessárias para manutenção da supremacia aliada. Descobriu-se então que algumas actividades de suporte à produção dos armamentos poderiam ser passadas a outras empresas prestadoras de serviços. LEIRIA (1992, p.19) afirma que a terceirização "como prática de administração empresarial, consolidou-se nos Estados Unidos a partir da década de 50, com o desenvolvimento acelerado da indústria." A terceirização constitui fenómeno largamente difundido no mundo moderno. Terceirização é o processo pelo qual uma empresa deixa de executar uma ou mais atividades realizadas por trabalhadores diretamente contratados e as transfere para outra empresa. Nesse processo, a empresa que terceiriza é chamada “empresa-mãe ou contratante” e a empresa que executa a atividade terceirizada é chamada de “empresa terceira ou contratada”. Para Robortella, a palavra terceirização indica “a existência de um terceiro que, com competência, especialidade e qualidade, em condições de parceria presta serviços ou produz bens para a empresa contratante”. 3.2 – CONCEITO Embora até aqui, em mais de um momento, já se tenha definido terceirização, apresenta-se a seguir um panorama dos conceitos existentes na literatura, mostrando as várias visões sobre o assunto, abordando aspectos convergentes, do mais simples ao mais complexo: · É a tendência de comprar fora tudo o que não fizer parte do negócio principal da empresa (COSTA et al, 1992). · É uma tendência de transferir, para terceiros, actividades que não fazem parte do negócio principal da empresa (GIOSA, 1995). · É a passagem de actividades e tarefas a terceiros. A empresa concentra-se em actividades-fim, aquelas para as quais foi criada e que justifica sua presença no mercado, passa para terceiros (pessoas físicas ou jurídicas ) actividades-meio (DAVIS, 1992). · Indica a existência de uma outra empresa, "terceiro", que, com competência, especialidade, qualidade e ainda, em condições de parceria venha a prestar serviços a uma empresa contratante (QUEIROZ, 1992). · Uma tecnologia de administração que consiste na compra de bens e/ou serviços especializados, de forma sistêmica e intensiva, para serem integrados na condição deatividade meio, à actividade fim da empresa compradora, permitindo a concentração de energia em sua real vocação, com o intuito de potencializar ganhos em qualidade e produtividade (FONTANELLA et al, 1994). Por estes conceitos, pode-se concluir que a terceirização é um modelo administrativo que tem como objectivo a concentração de esforços na razão de ser da empresa (atividade-fim), podendo transferir para terceiros, especialistas e idôneos, tudo aquilo que não fizer parte do negócio principal da empresa. 3.3- CARATERIZAÇÃO A terceirização é caracterizada pela contratação de outra empresa para realizar determinada atividade no interior da empresa contratante ou através da transferência de parte da produção. Assim, o processo de terceirização se caracteriza quando uma determinada atividade deixa de ser desenvolvida pelos empregados da empresa e é transferida para uma outra empresa. A outra forma é a contratação de uma ou mais empresas para executar, dentro da “empresa-mãe”, tarefas anteriormente realizadas por trabalhadores contratados diretamente. A terceirização pode referir-se tanto a actividades-fim como a atividades-meio. Entre as últimas podem estar, por exemplo, limpeza, vigilância, alimentação. Ao se analisar a produção de bens e a prestação de serviços como um todo, em termos nacionais ou internacionais, vê-se que a terceirização faz parte de um processo de mudança significativa nas relações entre empresas. 3.4- TERMINOLOGIA Hoje, a terceirização é um fenômeno mundial nas sociedades capitalistas e, apesar de conservar características gerais que se reproduzem em todos os países nos quais é adoptada, apresenta particularidadesnas diferentes localidades onde se desenvolve. A terminologia empregada para designar o processo de terceirização auxilia a identificação das diversas formas que esta assume, e é importante para a compreensão das suas especificidades e das influências que exerce sobre as condições de trabalho num determinado país - principal objectivo desse estudo. Além disso, como a terceirização é um campo de conflito, porque envolve objecto de interesses diferentes, é importante conhecer e usar com precisão os termos que a identificam. 3.5- IMPORTÂNCIA DA TERCEIRIZAÇÃO Para compreender-se a importância da terceirização, é crucial refletir-se sobre os tempos em que vivemos. TOFFLER (1995) destaca que a estrutura de poder que mantinha as relações sociais totais coesas estão implodindo, onde uma nova estrutura diametralmente diferente de tudo o que já existe começa a surgir em todos os níveis da vida humana. Sabe-se também que, há muito tempo, o trabalho bruto foi substituído pela informação e pelo conhecimento e o resultado disto tudo é que o dia-a-dia está sendo inundado por mudanças. A terceirização está, portanto, inserida na idéia de mudança organizacional e combina com estas técnicas modernas de administração, no sentido de maior qualidade,flexibilização, desverticalização, globalização da economia, novos paradigmas deadministração, entre outras. 3.5- VANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO Antes de fazer a opção pela terceirização, a empresa deve avaliar se tal situação será vantajosa. Qual é a vantagem de terceirizar, se a empresa vai pagar a outra para ter lucro sobre o serviço que ela mesma pode executar? A vantagem está ligada à estratégia de produção. A empresa passa a se concentrar na sua atividade-fim, dedicando- se tão-somente àquilo que ela faz de melhor. Ao terceirizar, a empresa reduz seus processos, o que permite melhor controle de custo, desempenho e qualidade, facilitando a gestão da produção e da força de trabalho. Há, portanto, a possibilidade de reduzir custos administrativos. Assim, as empresas podem adotar a terceirização na tentativa de solucionar questões conjunturais, como redução de custo com mão-de-obra, extinção de setores e diminuição da estrutura hierárquica. 3.6- DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO A empresa que terceiriza deixa de fazer o serviço e passa a “comprá-lo” de outra empresa. Ela perde o domínio do seu ciclo de produção, o que a torna vulnerável, pois passa a depender de terceiros na continuidade de seus negócios. Ela dependerá da estrutura de seus fornecedores e de seu próprio poder de negociar preços com este. Opreço do contratado será também mais um custo para ser controlado. A empresa terá que estar apta a mudar rapidamente de fornecedor, encontrando outro que tenha preço e mantenha a qualidade do serviço. Como os empregados que executam os serviços não estão subordinados à contratante mas sim à prestadora de serviço, ela não conta com a fidelidade dos mesmos, ou seja, não há o comprometimento dos empregados com a empresa contratante. Isto pode ser decisivo para a qualidade do serviço/produto e sobrevivência da empresa. 3.7-ATIVIDADES QUE PODEM SER TERCEIRIZADAS Da mesma forma que não existe legislação específica para terceirização, não existe legislação regulando quais são as atividades-fim e as de apoio das empresas. A actividade-fim e a de apoio devem ser definidas pela própria empresa,em função da actividade econômica exercida. Na indústria e/ou comércio, as actividades mais comuns que são executadas por empresas terceiras no interior da empresa cliente são limpeza, segurança, restaurante, certos tipos de manutenção, construção civil, serviço médico, processamento de dados, transporte, seleção e treinamento de pessoal, serviços contábeis e jurídicos. CONCLUSÃO Concluindo, a globalização, competitividade e terceirização estão interligadas porque ambas estão inseridas nas organizações ou bem dizer o duncionamento das organizações depende parcialmente deles. Frente à nova realidade dos negócios globais, nossas organizações precisam modernização não apenas nos seus aspectos organizacionais e tecnológicos, mas sobretudo nos aspectos relacionados com cultura e mentalidade, para poder melhorar seu desempenho em nível mundial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS www.google.com · CAMPOS, Roberto. A quarta globalização. In: Jornal O Globo, 1º caderno, Rio de Janeiro, 11.05.1997. · Kupfer & Hagunauer (1996, p. 3) · Zaccarelli, Telles, Siqueira, Boaventura, & Donaire (2008), · DAVIS, Frank S. Terceirkação e multifuncionalidade: idéias práticas para a melhoria daprodutividade e competitividade da empresa. São Paulo: STS, 1992. · ALVAREZ, Manuel S. B.. Terceitiação: parceria e qualidade. Rio de Janeiro: Campus,1996.