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07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 1/47 A história das mulheres na Educação Prof.ª Fernanda Moura Descrição Avaliar a história do acesso das mulheres à educação em nosso país, refletindo sobre o longo período em que elas foram impedidas de frequentar a escola, sobre as lutas pelo direito à educação feminina e sobre a manutenção dos estereótipos de gênero no processo de formação escolar que perdura até os dias de hoje. Propósito Conhecer a trajetória da exclusão das mulheres na educação brasileira é essencial para o combate efetivo das suas implicações na atualidade, compreendendo que, por mais que as mulheres tenham conseguido importantes conquistas e avançado na conquista de direitos, antigas demandas continuam em aberto. Objetivos Módulo 1 Exclusão feminina do processo de escolarização do país 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 2/47 Relacionar o processo de escolarização do país e a forma como este foi excludente com as mulheres. Módulo 2 Desa�os na luta pelo acesso à educação Analisar as principais conquistas que ocorreram para assegurar a inserção das mulheres na educação formal do país. Módulo 3 Mulheres na educação de hoje: estudantes e professoras Identificar os desafios atuais que envolvem a presença das mulheres na educação e as desigualdades ainda enfrentadas. Introdução Antes de iniciar o estudo deste material, procure identificar a trajetória escolar das mulheres do seu entorno. Faça um levantamento, por meio de perguntas, sobre como foi para elas o acesso à escola. Sugerimos que questione mulheres de diferentes gerações. A trajetória da mulher brasileira nos últimos séculos envolve, em um primeiro momento, uma educação no âmbito privado e voltada para os afazeres do lar, que marcou o período colonial. Em seguida, houve uma pequena presença feminina em escolas mistas do século XIX, que foi acompanhada depois pelo predomínio na docência do ensino primário. Nos dias de hoje, há uma presença de mulheres significativa e, em alguns casos, majoritária nos diferentes níveis de escolaridade. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 3/47 Como foram excluídas do processo de formação escolar implantado na fase do Brasil Colônia e ingressaram tardiamente na escola, as mulheres brasileiras tiveram acesso limitado a uma série de direitos decorrentes do direito à educação. Sabendo disso, neste estudo, iremos percorrer esse processo de exclusão que se apresenta como um traço da história de nossa educação e da formação de nossa sociedade. Essa é uma maneira de identificarmos e compreendermos algumas desigualdades ainda presentes em nosso país. Apesar das conquistas realizadas pelas mulheres e da ampliação de direitos, a educação feminina ainda enfrenta muitos desafios. É necessário apontar essas conquistas, mas também reconhecer as inúmeras desigualdades que ainda se apresentam quando falamos de mulheres e educação no Brasil. Conhecer essa trajetória de lutas pelo direito à educação é também uma forma de contribuir com a construção de igualdade de oportunidades e com o fim das diferenças entre os gêneros. 1 - Exclusão feminina do processo de escolarização do país Ao �m deste módulo, você será capaz de relacionar o processo de escolarização do país e a forma como este foi excludente com as mulheres. Brasil Colônia, patriarcado e 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 4/47 educação feminina para o lar Ao longo de nossa trajetória escolar, aprendemos que a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, que durante muito tempo nos foi ensinada como “descobrimento”, contou com a participação direta e efetiva da Igreja Católica. Essa participação se deu também em relação ao ensino, que à época destinava-se a impor hábitos e costumes da cultura branca europeia, assim como a doutrinação cristã. Essa influência na educação se concentrou, sobretudo, nas mãos dos jesuítas. As ordens religiosas, principalmente por meio de missões, ocupavam-se da catequese e da formação das elites no Brasil. Obra Na Cabana de Pindobuçu de Benedito Calixto, 1920. Dentre os papéis desempenhados pela Igreja, estava a responsabilidade pelo ensino dos chamados gentios, ou seja, dos povos originários de nossas terras e não cristãos. É importante lembrarmos que os povos indígenas possuíam suas próprias formas de ensino/aprendizagem, baseadas na transmissão oral e na participação cotidiana de crianças e jovens nas tarefas rotineiras de suas aldeias. Essas formas de socialização foram perseguidas e substituídas pela catequização. Além disso, era preciso ocupar-se também com a formação dos jovens portugueses que aqui aportavam, bem como dos filhos de famílias europeias que nasciam nestas terras. E foi nesse contexto que se originaram as primeiras escolas brasileiras, mantidas pelos jesuítas com a intenção de formar uma elite cultural branca, masculina e cristã. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 5/47 Obra de Debret retratando a um funcionário público saindo de casa com a família, c. 1820. As mulheres foram excluídas de todo esse processo de formação de um sistema escolar e/ou de uma educação institucionalizada, sendo-lhes destinado o papel de cuidadoras do lar, da esfera privada. Por esse motivo, elas eram somente preparadas para o casamento, o cuidado dos filhos e dos afazeres domésticos, sendo estas duas últimas funções compartilhadas com as mulheres negras escravizadas, quando pensamos nos casos das mulheres brancas das elites. A participação das mulheres no processo educacional do país, naquele momento, era limitada apenas a atividades vinculadas aos conventos e restritas a aprendizados como costura e bordado, além de boas maneiras e ensino religioso. Essa educação determinava a esfera privada como o único espaço destinado às mulheres. A educação no lar e para o lar, como parte da manutenção do sistema patriarcal, constituiu a marca da educação feminina praticamente durante todo o período colonial (1530 – 1815). Acredita-se, com base na documentação existente, que as primeiras demandas por educação de mulheres tenham se dado por parte dos povos indígenas submetidos à catequese. Havia um estranhamento de que somente os homens fossem educados, e as mulheres não, uma vez que essa diferenciação por gênero não fazia parte de suas formas de organização da vida social. O argumento era que se as moças eram as mais assíduas ao catecismo, também deveriam ser ensinadas a ler e a escrever. Curiosidade O padre Manoel da Nobrega, chefe da primeira missão jesuítica, teria inclusive enviado uma carta à rainha de Portugal fazendo a consulta sobre a solicitação, mas a monarca teria sido contrária ao acesso das indígenas à educação. Contudo, acredita-se que, embora não tenha havido autorização formal para que mulheres indígenas fossem educadas, ainda assim algumas teriam tido acesso à educação jesuítica e aprendido a ler e a escrever. Durante praticamente todo nosso período enquanto colônia, a educação brasileira formal e institucional foi permitida somente a homens, sendo proibido o acesso das mulheres aos espaços escolares. Importante ressaltar que, nesse momento, era uma restrição a todas as mulheres: brancas, negras escravizadas ou libertas e indígenas. Também era indiferente a origem social, se eram ricas ou pobres. Todas eram proibidas de estudar. As raras exceções ocorriam em casos de contratação dos chamados preceptores (tutores), que ministravam aulas em casa, ou quando aulas 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html#6/47 eram ofertadas nos conventos para as jovens que ingressavam na vida religiosa. Esses casos fugiam à regra e ocorriam apenas com famílias ricas e consideradas liberais à época. Obra de Debret retratando a solidão da mulher em seus afazeres domésticos, produzida durante sua estadia no Brasil, 1823. Diversos autores referem-se a esse período como o do enclausuramento das mulheres. A escolarização não foi garantida às mulheres, pois correspondia a uma atividade pública e a função social delas deveria ser apenas o casamento, a maternidade e a vida doméstica, atividades que não demandariam educação escolar. Essa era uma maneira de garantir a dominação masculina sobre as mulheres, ou seja, de assegurar a perpetuação do patriarcado. Comentário É importante notar que práticas e diretrizes educacionais como clausura ou afastamento dos espaços educacionais eram destinadas às mulheres portuguesas, no geral. Aspecto que demonstra não somente a violência de gênero, como também étnica e de classe. Entretanto, os aspectos educacionais formais em casos específicos, como das indígenas, esbarram em temáticas específicas e relacionadas ao grupo étnico, como a aculturação forçada pela catequese ou apreensão. São raros os casos de personagens mulheres indígenas e africanas que nos chegam dos primeiros séculos da colônia. Por isso, optamos por apontar os aspectos formais da história das mulheres na educação colonial. Enclausuramento e educação das mulheres no Brasil colonial 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 7/47 Neste vídeo, apresentamos exemplos de mulheres que conseguiram romper os padrões e ter alguma educação no Brasil colonial. Analisamos, ainda, em quais condições isso foi possível. As primeiras mudanças Esse cenário foi modificando-se lentamente. Reformas importantes ocorreram a partir do século XVIII e trouxeram o início da educação feminina do Brasil. A partir desse período, assistimos às primeiras permissões para a frequência feminina em salas de aula e a abertura de escolas régias para mulheres. Como havia uma enorme preocupação com a honra e a castidade, diversos conventos e casas de recolhimento femininas abrigaram mulheres solteiras ou consideradas desamparadas. Essas casas se tornaram espaços importantes de educação feminina, pois lá as abrigadas aprendiam a ler, escrever e noções de matemática. Essas mulheres, não necessariamente, seguiam a carreira religiosa, podendo inclusive se tornarem tutoras e preceptoras posteriormente. Exemplo Recolhimento das Macaúbas (Minas Gerais, 1720); Recolhimento de Santa Tereza (São Paulo, 1730); Convento de Santa Tereza (Rio de Janeiro, 1742); Convento da Ajuda (Rio de Janeiro, 1750); Recolhimento da Luz (São Paulo, 1774). Como já sabemos, a partir de 1759, Marquês de Pombal, primeiro- ministro de Portugal (1750-1777), descontente com o enorme poder da ordem jesuítica em todo o império ultramarino português, decidiu expulsar os jesuítas de Portugal e de suas colônias. A partir de então, seguiram-se as reformas pombalinas da instrução pública em 1759 e 1772. As reformas empreendidas pelo Marquês de Pombal possibilitaram que, ao menos oficialmente, as meninas ingressassem nas escolas. Em 1755, o governo português determinou que a direção das povoações jesuíticas passaria ao clero regular. Além disso, deveria haver escolas separadas para os meninos e para as meninas. Inicialmente, essa lei era 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 8/47 restrita ao norte do país, mas três anos depois ela já se estendia a todo território brasileiro. Primeiro-ministro O momento histórico da época era de despotismo esclarecido. Essa função não era exatamente de primeiro-ministro como conhecemos hoje, sendo só uma aproximação para fins de compreensão. Um dos resultados mais diretos desse processo foi a abertura de um mercado de trabalho para as mulheres: o magistério público, já que as escolas para as meninas deveriam contar somente como professoras. Vale ressaltar que havia um código de comportamento moral e estético em sala de aula bastante rígido, tanto para as alunas como para as professoras. Normalistas do Colégio Caetano de Campos, final do século XIX. Outra importante mudança foi a chamada Reforma dos Estudos Menores, que criou a Diretoria Geral de Estudos, subordinada ao rei e que vedava a oferta de ensino particular sem permissão dessa diretoria. Além disso, por meio da Real Mesa Censória, havia o controle dos conteúdos do ensino e dos livros didáticos. Nesse mesmo período, com a criação de um imposto, o subsídio literário, surgiram as famosas aulas régias. Esse imposto era especialmente destinado ao pagamento do magistério, por isso é associado ao surgimento da figura do professor(a) público(a). Essas reformas proibiram o ensino particular sem permissão e estabeleceram o sistema de aulas régias, no qual os professores eram servidores públicos concursados. Tanto as disciplinas ofertadas quanto o conteúdo das aulas e os materiais didáticos passaram a ser controlados pelo governo português. Essas reformas permitiram em teoria a educação das meninas, desde que realizada por professoras mulheres e separadamente dos estudantes do sexo masculino. Na prática, no entanto, pouca coisa mudou e as mulheres continuaram excluídas do sistema educacional, fossem como alunas fossem como professoras. Saiba mais 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 9/47 Havia uma distinção na educação de mulheres e homens. Enquanto os homens estudavam medicina, direito, matemática e etc., conforme Ferreira(2005): “às mulheres cabia apenas ensinar-lhes a ler, a escrever e a contar, além de ter, no seu currículo, disciplinas obrigatórias como o bordado, a costura e bons modos.” (FERREIRA, 2005, p. 75, apud VIEIRA; CRUZ, 2017, p. 45). Com a vinda da corte portuguesa em 1808 e, principalmente, após 1815, quando o Brasil é elevado ao papel de Reino Unido a Portugal e Algarves, muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades começaram a chegar e a buscar educação também para suas filhas. Assim, cresceu a demanda por parte das famílias mais abastadas por professoras particulares que pudessem ensinar simultaneamente a todas as crianças independentemente do sexo. Também começam a aparecer anúncios de estabelecimentos dirigidos por professoras estrangeiras destinados à educação feminina. Ao menos no Rio de Janeiro, existiam algumas dezenas de escolas tanto para o sexo masculino, em sua maioria, quanto para o sexo feminino. Mulheres que liam Neste vídeo, apresentamos interlocutoras mulheres, como a das Cartas Chilenas da Inconfidência, e o início de uma presença feminina de mulheres intelectuais no Brasil. A educação como direito do cidadão (e da cidadã?) Sabemos que as mulheres foram proibidas de estudar durante grande parte do período colonial do país. Somente no século XVIII, houve mudanças graduais, permitindo, ainda que lentamente, o início da inserção feminina no sistema de ensino. Nesse primeiro momento, a presença de meninas e jovens nas escolas foi limitada a instituições exclusivamente femininas e voltadas somente ao ensino das primeiras 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 10/47 letras. O direito à educação ainda estava cerceado aos primeiros anos escolares, período em que se ensinava apenas a ler, escrever e contar. O ensino secundário, que preparava para o ensino superior, continuava sendo exclusivo dos homens. Em 7 de Setembro de 1822, foi proclamada a independência do país. O Brasil criou a sua própria legislação e, em 1824, nossa primeira constituição foi outorgada pelo imperador D. Pedro I. O artigo 179, parágrafo XXXII, dessaConstituição garantia que a instrução primária deveria ser gratuita para todos os cidadãos. A lei não fazia distinção entre homens e mulheres no acesso à cidadania. Formalmente, na letra da lei, estariam excluídos apenas os escravizados, sendo os ex-escravizados também considerados cidadãos. As exclusões se davam muito mais por força dos costumes ou devido às condições materiais do que por força de lei. A educação do império, contudo, só veio a ser de fato normatizada com a Lei Geral, de 15 de outubro de 1827, sendo essa a primeira legislação sobre educação do Estado brasileiro. Devido à importância dessa lei para a história do magistério nacional, comemora-se o Dia dos Professores na mesma data de sua promulgação. Professoras da Escola Marechal Hermes no Rio de Janeiro. A Lei Geral foi responsável pela ampliação da quantidade de escolas de primeiras letras e tratava de temas como remuneração e forma de admissão de professores e professoras, bem como o currículo que deveria ser adotado para a educação de meninos e meninas. Leia a seguir trechos da Lei Geral referentes à educação feminina, tendo em mente que a escrita está de acordo com a grafia da língua portuguesa à época: 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 11/47 Manda crear escolas de primeiras letras em todas as cidades, villas e logares mais populosos do Imperio. (...) Art 6º Os Professores ensinarão a ler, escrever as quatro operações de arithmetica, pratica de quebrados, decimaes e proporções, as nações mais geraes de geometria pratica, a grammatica da lingua nacional, e os principios de moral chritã e da doutrina da religião catholica e apostolica romana, proporcionandos á comprehensão dos meninos; preferindo para as leituras a Cosntituição do Imperio e a Historia do Brazil. (...) Art 11º Haverão escolas de meninas nas cidades e villas mais populosas, em que os Presidentes em Conselho, julgarem necessario este estabelecimento. Art 12º As mestras, além do declarado no art 6º, com exclusão das noções de geometria e limitando a instrucção da arithmetica só as suas quatro operações, ensinarão tambem as prendas que servem á economia domestica; e serão nomeadas pelos Presidentes em Conselho, aquellas mulheres, que sendo brazileiras e de reconhecida honestidade, se mostrarem com mais 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 12/47 conhecimentos nos exames feitos na fórma do art. 7º. Art 13º As mestras vencerão os mesmos ordenados e gratificações concedidas aos Mestres. (Lei de 15 de Outubro de 1827) Como é possível notar, embora tenha havido avanços para a conquista da educação feminina brasileira, uma vez que expandiu enormemente a quantidade de vagas para a instrução primária das meninas, as desigualdades ainda persistiam. A Lei Geral manteve uma série de discriminações em relação à educação para meninos e meninas, como, por exemplo, currículos diferentes para os gêneros. As estudantes eram obrigadas a aprender as “artes do lar” e privadas de aulas de geometria e de aritmética mais avançada que as permitiriam prosseguir com seus estudos. Meninas participam da aula de costura na Escola Caetano de Campos, em São Paulo. Além disso, apesar da previsão de igualdade de pagamento para professores e professoras, a própria legislação posterior abriu brechas para que, na prática, as mulheres ganhassem menos que os homens. O artigo 6 do decreto de 27 de agosto de 1831 determinava que os salários previstos em lei somente fossem pagos aos professores concursados, e os governos provinciais tinham a autorização de contratar candidatos não aprovados em concurso caso não houvesse nenhum aprovado, porém com salários menores. Como até então as meninas não recebiam a mesma educação que os meninos, quando crescessem, elas não poderiam disputar cargos em pé de igualdade nos concursos. Consequentemente, as mulheres precisavam aceitar trabalhos de contrato com um salário menor. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 13/47 Somos brasileiras? Neste vídeo, discutimos o que seria a formulação de uma cidadã, ou de uma brasileira nos parâmetros do século XIX. Nísia Floresta - a luta das mulheres pelo direito à educação O período oitocentista brasileiro permaneceu sob a égide do patriarcado e a ideia de educar as mulheres para o lar. Ainda assim, sempre houve resistência por parte das mulheres, bem como a defesa do direito à educação feminina. Representando a luta feminina pelo direito à educação, trazemos um breve resgate da trajetória de Nísia Floresta. Mulher, nordestina e ativista por direitos femininos, ela ousou contrariar a lógica dominante daquela época. Seu trabalho e sua militância em defesa dos direitos das mulheres foram pioneiros no Brasil e abriu portas e caminhos para as mulheres das próximas gerações. Nísia Floresta. Sua atuação se destaca a partir do cenário de forte instabilidade política no período regencial. Foi nessa conjuntura que Nísia chegou à corte no Rio de Janeiro e fundou o Colégio Augusto. A escola era voltada à 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 14/47 educação feminina e propunha uma pedagogia diferente da aplicada até aquele momento, adotando o ensino de disciplinas. Vale lembrar que, até então, esse modelo era exclusivo da educação ofertada aos meninos. Colégio Pedro II. Nesse período, o Colégio Pedro II, recém-fundado, era considerado o modelo de educação exemplar, oferecendo aulas de latim, grego, francês, inglês, retórica, geografia, história, filosofia, zoologia, mineralogia, botânica, química, física, aritmética, álgebra, geometria e astronomia. Entretanto, o colégio não admitia meninas, o que só veio a ser alterado em 1926. Comentário O Colégio Augusto representava o que havia de mais avançado e mais próximo do ensino considerado exemplar para as meninas. Essa instituição ofereceu às mulheres a possibilidade de um ensino de qualidade e igualitário ao dos meninos, isso aconteceu 88 anos antes de o Colégio Pedro II começar a admitir meninas. As mudanças propostas por Nísia não foram bem aceitas pela sociedade imperial, que ainda considerava desnecessário que as mulheres aprendessem qualquer coisa alheia ao universo doméstico. Por causa de suas propostas, Nísia foi perseguida e atacada de diversas maneiras, mas ainda assim sua trajetória de vida se manteve firme na defesa dos direitos femininos, principalmente ao direito do acesso à educação. Nísia Floresta viajou o mundo, conheceu os principais intelectuais da época e produziu uma vasta obra sobre diversos temas. Foi ela quem trouxe para o Brasil, em 1832, a primeira tradução livre de Vindication of the rights of woman, de Mary Wolstonecraft, que, segundo especialistas nos estudos feministas, seria a obra fundadora do feminismo no país. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 15/47 Mary Wollstonecraft, 1797. Ao contrário do que muitos imaginam, a mulher oitocentista não estava conformada com sua condição de desvantagem em relação ao universo masculino. O que ocorria era a sua impossibilidade de se manifestar. Elas não podiam expor o que pensavam e, aquelas que ousava se expressar, eram tratadas como loucas. Por isso mesmo, o papel questionador de Nísia Floresta nesse cenário foi fundamental para abalar e romper com algumas estruturas sociais da época e para o avanço do direito à educação feminina no Brasil. Apresentando Nísia Floresta Neste vídeo, apresentamos a biografia de Nísia Floresta e debatemos a sua importância para educação, especialmente das mulheres. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Asrelações entre o homem e a mulher no Brasil, no período colonial, foram marcadas pelo enclausuramento e pelo 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 16/47 silenciamento das mulheres. A partir do que foi estudado, é possível concluir que na sociedade brasileira colonial Parabéns! A alternativa B está correta. A população feminina no Brasil colonial estava submetida à estrutura de relações do modelo patriarcal, ou seja, era subordinada à autoridade masculina. Questão 2 Às mulheres, destinavam-se os trabalhos dentro de casa. Por suas mãos, a família se vestia, comia e obtinha o que necessitava. O casamento representava sua principal função social feminina. Para isso, elas não precisavam de educação escolar e foram proibidas de frequentarem essas instituições. Que reformas foram importantes para as primeiras mudanças desse cenário? A as mulheres ocupavam o centro decisório das famílias. B o modelo de família patriarcal era o dominante. C as mulheres tinham livre acesso aos espaços públicos. D as mulheres tinham poder de decisão, traço característico da sociedade patriarcal. E as mulheres tinham acesso aos espaços de educação formal e espaços de poder. A Reforma Manoel de Nobrega. B Reformas jesuíticas. C Reforma Sucupira. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 17/47 Parabéns! A alternativa D está correta. As reformas pombalinas significaram o primeiro momento oficial de ingresso das mulheres na educação do país. 2 - Desa�os na luta pelo acesso à educação Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar as principais conquistas que ocorreram para assegurar a inserção das mulheres na educação formal do país. O ensino secundário e a escola normal no Brasil Já aprendemos sobre a exclusão das mulheres da educação formal do país durante nosso período colonial e também a forma como, ainda no período oitocentista, persistiram as restrições de acesso a meninas e jovens as instituições de ensino, apesar de alguns avanços. Os primeiros passos para assegurar a educação feminina vieram com as reformas pombalinas, que ainda assim limitavam esse acesso às séries D Reformas educacionais de Marquês de Pombal. E Reformas de época. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 18/47 iniciais. Essa restrição deixava as meninas de fora, na maioria das vezes, das escolas secundárias e das universidades. Vamos agora conhecer os principais marcos que permitiram o avanço da escolarização feminina para outros segmentos, especialmente a criação das escolas normais. Nesse sentido, destaca-se a criação, em 1835, a Escola Normal de Niterói, a primeira do tipo no país. Curiosidade Você deve estar pensando que, com a criação dessas escolas, houve de imediato o que conhecemos hoje como feminização do magistério e das escolas normais. Mas saiba que, a princípio, essas instituições eram exclusivas para formação de professores homens! Somente na segunda metade do século XIX as escolas normais passaram a admitir mulheres, criando “cursos especiais”. A primeira escola se localizava na Bahia e, de 1842 a 1847, teve 83 alunos, sendo 68 homens e 15 mulheres. A educação das mulheres, até aquele momento, ocorria em sua maioria em conventos, alguns colégios particulares e escolas normais. Também houve no período imperial a criação dos chamados asilos, que eram espaços destinados à formação profissional das mulheres. Essas instituições eram voltadas, principalmente, para jovens órfãs ou pobres. O asilo de Santa Leopoldina, um dos exemplos mais famosos dessas instituições, ficava no Rio Grande do Sul e acolheu as chamadas “meninas desvalidas” de 1857 a 1880. Segundo constam nos documentos da instituição, eram ministradas aulas de educação geral e também classes voltadas para os afazeres domésticos. Em meados do século XIX, ainda persistiam as ideias de educação para o lar, e as legislações que começavam a ampliar o acesso à educação eram permeadas de discriminação e de restrições referentes à conduta feminina. Para atuar no magistério, por exemplo, era preciso ter “boa conduta”. Essa, em geral, era atestada por um padre ou pároco. Além disso, a mulher deveria ter autorização de um homem para exercer a profissão (pai ou marido). Os registros históricos apontam que, até 1870, quando chegaram as primeiras escolas protestantes no país, ainda havia uma segregação de meninos e meninas. Quase sempre, as aulas funcionavam em horários diferentes ou em dias alternados. Quando possível, eram ministradas em prédios distintos ou em alas masculinas e femininas. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 19/47 Meninas e meninos em filas separadas se encaminham para salas de aula distintas na Escola Caetano de Campos, em São Paulo. A partir de 1870, apareceram as primeiras escolas públicas mistas, nas quais as professoras podiam lecionar aos meninos até determinada idade. Já os homens seguiram sem autorização para dar aulas a meninas. Esse ensino masculino/misto favoreceu o avanço feminino no campo do magistério. Soma-se a isso o acesso das mulheres ao ensino profissionalizante a partir de 1881, ano da inauguração do Liceu de Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro, que ofereceu as primeiras aulas para essas jovens. Quase duas décadas depois era aberto, também no Rio de Janeiro, o Instituto Profissional Feminino. Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 20/47 A segunda metade do século XIX trouxe avanços significativos para a realidade das mulheres no Brasil. Esses avanços são relacionados à conjuntura internacional desse período, considerando todas as mudanças que ocorriam na Europa referentes à organização das mulheres e do feminismo, entre outros fatores. Outro fato importante foi a vinda da família real portuguesa para o Brasil e os impactos que essa transferência da corte proporcionou em termos de “modernização” do país. No campo educacional, as escolas privadas foram as primeiras a assegurar o acesso das meninas e jovens à educação. Destacam-se as escolas pertencentes às ordens religiosas, que foram muito importantes para a educação feminina nesse período. Professoras e alunos de escola do Rio de Janeiro. Outro ponto relevante foi a conquista das professoras para lecionar a meninos também. Essa alteração abriu caminhos para que as estudantes ingressassem nos cursos normais e para o processo subsequente de feminização do magistério. Magistério e a mulher Neste vídeo, pontuamos a relação da mulher com o magistérios, retomando pontos importantes de como essa história foi construída. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 21/47 Feminização do magistério: entendendo o conceito No final do século XIX e início do século XX, nosso país passou por uma série de mudanças sociais. A escravidão foi abolida em 1888 e, no ano seguinte, proclamou-se a república. Nesse momento, o Brasil começou a se urbanizar e a se industrializar, com o setor fabril atraindo mão de obra masculina. Enquanto isso, um imenso contingente de trabalhadores livres vindos de países europeus, como Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e de outras partes do mundo, chegou ao país. A partir de então, passou a existir uma demanda crescente de mão de obra, inclusive feminina. As principais áreas de atuação para as mulheres no período eram: A indústria têxtil Onde trabalhavam as mulheres das camadas mais populares da sociedade. O magistério Onde trabalhavam as mulheres das camadas médias e até mesmo das camadas mais abastadas. 07/04/2024,13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 22/47 Por esse motivo, a docência era considerada uma oportunidade de ascensão social para as mulheres das camadas populares. No século XIX, havia ainda aulas separadas para meninos e para meninas. Como vimos, as professoras mulheres lecionavam para as meninas e para turmas mistas, enquanto os professores homens ensinavam somente para os meninos. À medida que aumentavam as demandas por escolarização, crescia também a necessidade de turmas mistas e, consequentemente, um aumento da demanda por professoras. Paulatinamente, o número de docentes mulheres começou a superar o de homens. O magistério brasileiro não estava passando somente por uma enorme transformação objetiva, mas também subjetiva. Não apenas o magistério passou a ser composto por mulheres em sua maioria, como passou a ser visto como uma área naturalmente feminina. Dizemos, por isso, que o magistério passou por um processo de feminização. O fenômeno da feminilização não diz respeito apenas à superioridade numérica de mulheres em relação aos homens em determinada profissão, mas se refere também à visão da sociedade sobre quem atua nessa profissão, ou seja, quais são as qualidades necessárias para esses profissionais, no caso as mulheres. Professoras, alunas e autoridades em solenidade cívica em escola do Distrito Federal, Rio de Janeiro. Essa visão da sociedade está intimamente ligada aos estereótipos de gênero presentes nas discussões sobre o magistério. Os papéis sociais atribuídos a homens e mulheres, e também a pais e mães, em determinada época, impactam também na visão que a sociedade constrói a respeito de professores e professoras. Esses estereótipos de gênero aparecem em documentos oficiais, discursos políticos, em matérias de jornais, revistas e livros em diferentes épocas. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 23/47 Professoras da Escola Feminina de Pedra de Guaratiba, RJ. As características socialmente entendidas como femininas, ou seja, atribuídas à mulher e à mãe, passaram a ser qualidades esperadas de um professor de crianças, já essa expectativa não existia quando se tratava de um professor para adolescentes. Assim, o chamado “instinto materno” faria da mulher a pessoa indicada para o magistério infantil por excelência. Esse estereótipo seria uma via de mão dupla, já que se acreditava que a preparação para o magistério transformaria a mulher na esposa e mãe ideal. Essa mulher-esposa-mãe-professora também deveria ter em si as características de uma freira. A maternidade e o magistério, assim como a vida religiosa, seriam uma questão de vocação e implicariam abnegação e doação de si. O gênero na tradição ocidental se constituiu como toda a lógica ocidental – a partir do binarismo –, de modo que um polo é sempre o exato oposto do outro. Logo, quanto mais se reforçava a suposta aptidão da mulher para o cuidado, também se reforçava a inaptidão do homem para esse trabalho. A valorização (discursiva, não salarial) da mulher como professora veio acompanhada da desvalorização do homem como professor. Por outro lado, as qualidades esperadas da pessoa que lecionava não eram aquelas esperadas de quem fosse dirigir a escola. Apesar de, desde a década de 1910, as mulheres terem se tornado a maior parte do magistério elementar, elas continuavam a não ocupar os cargos de comando nas escolas públicas, que continuavam a ser comandadas por homens. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 24/47 O estereótipo de gênero no magistério Neste vídeo, apresentamos uma provocação sobre o que é feminização e por que o magistério é associado a mulheres. O desigual processo de feminização do magistério no Brasil Para compreendermos a feminização do magistério e suas implicações, precisamos considerar a relação entre: Feminização Pro�ssionalização Remuneração É necessário entender a associação existente entre o que significava ser mulher e ser homem em cada lugar e em cada época, as atribuições do magistério, a substituição dos professores por professoras e o vencimento desses profissionais. Sabemos que as profissões feminizadas e feminilizadas possuem remuneração menor do que aquelas com maior concentração masculina. Exemplo 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 25/47 Basta pensar na diferença salarial entre a educação básica e o magistério no ensino superior, ou entre a enfermagem e a medicina. Com relação à educação básica no Brasil, mesmo quando a docência era uma profissão majoritariamente masculina, também remunerava muito mal seus profissionais. Provavelmente, essa foi uma das razões que levaram os homens a se interessarem menos pelo magistério, tornando-o uma área de atuação feminina. Alunas da Escola Profissional Rivadávia, Rio de Janeiro. O fato de o magistério pagar pouco também seria um bônus para os pais e maridos das professoras, que poderiam manter seu controle sobre essas mulheres, uma vez que o salário delas não lhes garantia autonomia financeira. Até então, a remuneração da professora era apenas uma complementação ao orçamento familiar. Os estereótipos de gênero também levavam à conclusão de que as mulheres seriam as profissionais ideais para o magistério, pois acreditava-se que sua docilidade as impediria de reivindicar melhores salários para a categoria. Quem se sujeitaria a ganhar tão pouco para realizar uma atividade que exige tanta quali�cação e compromisso? Resposta 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 26/47 Havia ainda diferenças nesse processo em todo o Brasil, vejamos agora dois casos que apresentam essas distinções: Rio Grande do Sul Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, as normalistas eram na maioria mulheres de classe média. Para ingressar na carreira do magistério, era preciso apresentar um atestado de idoneidade fornecido por alguém com cargo ou destaque social. Pernambuco Em Pernambuco, o magistério era uma possibilidade real de ascensão social para mulheres pobres, uma vez que o processo de feminização da docência ocorreu em um momento de crise financeira, resultante das secas e epidemias que assolavam o estado. Ao contrário das normalistas de Santa Maria, que não tinham necessidade de trabalhar, as de Pernambuco eram mulheres de baixa renda que viam no curso normal noturno uma alternativa de profissionalização e ascensão social. Outra questão importante diz respeito ao momento histórico da feminização do magistério. Como o país nunca teve um sistema nacional de educação e a responsabilidade pela educação básica recaía sobre as províncias durante o período colonial e monárquico, e depois sobre os entes federativos, durante o período republicano, o processo ocorreu com características distintas e em momentos distintos em diferentes locais, ao longo do período que vai do final do século XIX até a metade do século XX. O acesso ao ensino superior As questões de gênero, raça e classe estão imbricadas no magistério de modo geral e no seu processo de feminização. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 27/47 O acesso das mulheres ao ensino superior foi tardio não apenas no Brasil. Nos Estados Unidos em 1837, foi fundada a Women’s College, uma universidade unicamente feminina no estado de Ohio. Somente na segunda metade do século XIX, as universidades femininas se espalharam por boa parte dos estados norte-americanos. Essas instituições de ensino superior femininas ofereciam, em sua maioria, apenas cursos de graduação, enquanto as universidades masculinas tambémdispunham de cursos de mestrado e doutorado. Por muito tempo, o ensino superior feminino ocorreu praticamente apenas nos Estados Unidos. Representatividade nas universidades. Mulher carrega o Woman´s Journal (1870-1831), periódico sobre os direitos das mulheres. Em países europeus, assim como no Brasil, o acesso de mulheres ao ensino superior foi mais tardio, ocorrendo apenas no final do século XIX. Na Europa, no entanto, elas continuaram sendo excluídas das universidades de maior prestígio. Oxford e Cambridge, por exemplo, só passaram a aceitar mulheres no século XX. A presença feminina na universidade só de fato passou a ser comum após a Primeira Guerra Mundial, por volta de década de 1920. No Brasil, as mulheres só foram autorizadas a frequentar o ensino superior no ano de 1879, quando o governo imperial lhes assegurou a possibilidade de ingressar nas universidades. No entanto, havia condições para esse ingresso: as candidatas solteiras ou casadas precisavam apresentar consentimento por escrito do pai ou marido, respectivamente. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 28/47 Mulheres universitárias na década de 50. Importante destacar que essa autorização de ingresso em universidades foi dada somente após anos de reivindicações. Desde o início do século, cada vez mais as mulheres se identificavam com as ideias europeias e norte-americanas, reivindicando um outro papel na sociedade e maior igualdade com relação aos homens. Já nesse momento, uma parte considerável da imprensa brasileira começou a se empenhar na causa da educação feminina. Exemplo O jornal mineiro O Mentor das Brasileiras (1829-1832), embora fosse escrito por homens, como a maioria dos periódicos da época, reproduzia o discurso da elite liberal daquele tempo, que valorizava a educação da mulher como fundamental para a construção da nação. Entendia-se que mulheres educadas desempenhariam melhor as suas funções de esposas e, principalmente, de mãe. No entanto, essa posição de parte da imprensa em defesa da educação feminina não era unívoca. Também era possível encontrar publicações, como textos e charges, que caçoavam da aspiração das mulheres por igualdade. Na segunda metade do século XIX, começam a surgir jornais escritos para mulheres e por mulheres. Essas publicações tinham caráter militante e não apenas discutiam a importância da educação e da instrução profissional feminina no Brasil, mas também reivindicavam melhores condições sociais e políticas para as mulheres de forma mais ampla. Veja a seguir alguns exemplos desses jornais que discutiam a questão feminina no Brasil: 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 29/47 O Sexo Feminino (1873-1889), que apresentava a educação feminina como necessária para o aperfeiçoamento da sociedade. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 30/47 Echo das Damas (1879-1888), que trazia a defesa da educação feminina como sua principal temática e no jornal. A Família (1888-1894), que tratava de temas como o direito feminino à educação, ao trabalho e ao voto. Vale ressaltar que, após a Proclamação da República, o jornal O Sexo Feminino passou a se chamar O Quinze de Novembro do Sexo Feminino (1889-1890). Curiosidade Maria Augusta Generoso Estrela é apontada como a primeira brasileira a possuir um diploma superior. No entanto, sua graduação em medicina fora feita nos Estados Unidos, onde se formou em 1882. Já Rita Lobato Velho Lopes (1867-1954) teria sido a primeira mulher a se graduar no Brasil, na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1887. Conforme vimos, as últimas décadas do século XIX foram marcadas por mudanças significativas no país, como tornar-se uma república. Tantas transformações impactaram também a relação das mulheres brasileiras com a educação. Nossa primeira Constituição republicana assegurou a ampliação de direitos e trouxe novos ares para o campo educacional do país. Assim, entramos no século XX influenciados por ideais europeus de modernização e desenvolvimento, o que incluía uma maior participação das mulheres em diferentes espaços, incluindo escolas e universidades. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 31/47 No entanto, essa dita “modernização” não ocorreu de forma a garantir a equidade no acesso ao ensino superior nem em relação à gênero nem à raça. Ao longo do século XX, houve uma democratização do acesso à educação básica sem que, no entanto, isso tenha se refletido no ensino superior. O acesso como chave de mudança! Neste vídeo, debatemos sobre o acesso enquanto chave vital de reflexão, para ontem e hoje, e o que isso significa. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Um conceito fundamental para pensar a história das mulheres na educação brasileira é o de feminização. Sobre esse conceito, analise as seguintes afirmativas. ( ) Diz respeito à mudança de gênero dos profissionais que desempenham em sua maioria determinada profissão de homens para mulheres. ( ) Diz respeito à visão que a sociedade tem de quais são os atributos que o profissional deve ter e que seriam relacionados, nessa sociedade, a características entendidas como femininas. ( ) No caso do magistério, veio acompanhado da desqualificação dos professores homens para o desempenho da função. ( ) Geralmente, está relacionado aos baixos salários atribuídos a determinada profissão. Considerando V para as afirmativas verdadeiras e F para as afirmativas falsas, a correspondência correta é: 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 32/47 Parabéns! A alternativa E está correta. O conceito de feminização diz respeito não apenas ao fato de as mulheres serem a maioria dos profissionais da profissão, mas também aos estereótipos de gênero atribuídos à profissão vistos como femininos. Isso, consequentemente, levou à desvalorização dos profissionais homens, fato que está relacionado, como causa ou consequência, à remuneração dessas profissionais. Questão 2 Sobre a educação brasileira no período anterior à república, marque a opção correta. A V, V, F, F. B F, V, V. F. C V, F, V, F. D F, F, V, V. E V, V, V, V. A As mulheres puderam ingressar em cursos superiores desde o início das primeiras universidades. B Apenas no final do século XIX as mulheres tiveram autorização do governo imperial para acessarem às universidades. C Desde a autorização pelo governo, as mulheres passaram a poder acessar o ensino superior se assim desejassem. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 33/47 Parabéns! A alternativa B está correta. No Brasil, as mulheres no Brasil só foram autorizadas a frequentar o ensino superior no ano de 1879, quando o governo imperial lhes assegurou a possibilidade de ingressar nas universidades. 3 - Mulheres na educação de hoje: estudantes e professoras Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car os desa�os atuais que envolvem a presença das mulheres na educação e as desigualdades ainda enfrentadas. As mulheres na primeira metade do século XX Antes de iniciarmos as discussões sobre a educação e a presença das mulheres no século XX, precisamos assinalar que esse foi um século que contou com inúmeras transformações históricas. Um dos marcos D As mulheres não precisam lutar pelo direito ao ensino superior, pois era consenso que mulheres e homens deveriam ter iguais direitos. E Nenhuma das anteriores está correta. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html#34/47 que representam essas mudanças foi a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Embora não seja nosso objetivo conhecer todos os episódios ocorridos no complexo período varguista, mencionaremos os principais fatos e seus impactos na questão da educação das mulheres. Uma das primeiras grandes transformações foi a criação do primeiro Ministério da Educação, que tinha o objetivo inicial de unificar as políticas de ensino e integrar o sistema educacional de todo o país. É também da década de 1930 uma série de leis que regulamentaram e padronizaram o ensino em todo o Brasil. Criação do Ministro da Educação em 14 de Dezembro de 1930. A ideia principal defendida pelo governo era considerar a educação como ferramenta fundamental para o desenvolvimento do país. Assim, a preocupação era de que a escola pudesse desenvolver a personalidade e cultura do indivíduo, além de prepará-lo para a vida familiar e para a iniciação ao trabalho. Nesse período, ocorreu o lançamento do Manifesto dos Pioneiros da Educação (1932), um documento assinado pelos principais intelectuais da época em defesa, dentre outras demandas, de uma educação pública para todos. Quanto à questão das mulheres, o manifesto enfatizava a importância da educação mista. Lembre-se de que, em sua maioria, meninas e meninos ainda estudavam em turmas separadas. Manifesto dos Pioneiros da Educação, 1932. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 35/47 Segundo os “pioneiros”, a educação deveria servir como instrumento para democratização, integração e combate às diferenças. Para isso, a ela deveria ser pública, obrigatória, gratuita, laica e sem qualquer segregação de cor, gênero ou classe social. Esse grupo de intelectuais exerceu forte influência sobre os primeiros anos do período Vargas e atuou diretamente na elaboração da Constituição aprovada em 1934. Na recém-promulgada Constituição, o ensino fundamental, junto com o ginasial, passou a ser chamado de primário. Foi a primeira legislação que assegurou o acesso à educação, ainda que somente aos primeiros anos. Esse acesso, inclusive de mulheres, era uma obrigação a ser garantida pelo Estado. Isso significou também uma ampliação da rede escolar do país e, consequentemente, do número de professores e professoras. Essa mesma Constituição garantiu às mulheres o direito ao voto. É importante lembramos que, para votar, era preciso ser alfabetizado. Naquela sociedade, a imensa maioria das mulheres, especialmente ex- escravizadas, ainda era analfabeta, assim, elas permaneceram excluídas, sem direito ao voto e a uma representação feminina efetiva. Essa alta taxa de analfabetismo feminino no século XX se relaciona diretamente com as restrições ao acesso das mulheres à educação formal nos séculos anteriores. Almerinda Gama, advogada negra eleita como representante do Sindicato das Datilógrafas, para a Assembléia Constituinte de 1934. Se a chegada do século XX veio acompanhada de um discurso sobre a educação da mulher, vinculando-a à modernização da sociedade, é preciso enfatizar que isso não significou na prática uma universalização do ensino. Permanecia ainda um certo temor e uma rejeição da escolarização feminina. Esse temor foi ampliado com a conquista de direitos civis e do direito ao voto. Assim, ainda perdurou a compreensão de que a profissionalização da mulher deveria ser evitada e de que meninos e meninas deveriam ter formações escolares distintas. O recrudescimento político e o golpe de Estado que estabeleceu o governo ditatorial de Vargas trouxeram também modificações para as diretrizes educacionais que estavam em curso. A Constituição de 1937 voltou-se para o ensino tecnicista, apontando para a criação do ensino 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 36/47 médio profissionalizante, centrado na educação industrial. Esse período foi marcado por retrocessos no que tange à educação pública protagonizados por uma ofensiva da Igreja Católica, a fim de assegurar o ensino religioso nas escolas públicas e de manter seu monopólio na educação do país. Ainda sobre as importantes transformações ocorridas no campo educacional nesse período, não podemos deixar de mencionar o conjunto de reformas de 1942. Implementadas durante a presença de Capanema no Ministério da Educação, essas reformas representaram um marco na organização educacional do país. Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública. As mulheres e o Ministério da Educação Neste vídeo, apresentamos a relação entre Mulheres – Educação no Brasil e o contexto nacional na primeira metade do século XX. As mulheres na segunda metade do século XX 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 37/47 A Era Vargas termina em 1946, trazendo uma nova Constituição e mais mudanças. Nessa nova Carta Magna, manteve-se a estrutura educacional anterior, logo a gratuidade e obrigatoriedade do ensino foram preservadas como obrigação do Estado no novo texto constitucional. Um elemento que se destacou nesse momento foi a preocupação com o índice de analfabetismo do país. O número de analfabetos continuava alto e mulheres e negros ainda constituíam majoritariamente os grupos sociais mais presentes entre os não alfabetizados. Mesmo assim, o que se assistiu nas décadas seguintes foi a promulgação de uma série de leis que priorizavam o ensino secundário profissionalizante. Somente a partir de 1950 iniciou-se uma série de campanhas para combater o analfabetismo. Essas campanhas ganharam força na década seguinte, com movimentos como: o Movimento de Educação de Base (1961 a 1965), o Programa Nacional de Alfabetização (1963) e toda a campanha e o método desenvolvido por Paulo Freire de alfabetização de adultos. Ações do Movimento de Educação de Base entre 1964 e 1965. A investida de enfrentamento ao analfabetismo do país representou um avanço das mulheres no magistério. Vale mencionar que essa profissionalização feminina lentamente deixou de representar uma suposta ameaça ao universo masculino. Além disso, considerava-se ainda o magistério como uma continuação da função materna (daí a origem da professora como “tia”) e de submissão. No século XX, as desigualdades educacionais e de oportunidades para meninos e meninas foram mantidas. Apesar dos avanços legais na década de 1930, ampliando o acesso das mulheres aos cursos profissionais, por exemplo, houve também uma persistência na ideia de que estudar exigia muito tempo e dedicação e que as jovens deveriam ter como principal meta o casamento. As iniciativas de alfabetização em massa das camadas mais pobres, de adultos e jovens e de mulheres, foram 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 38/47 interrompidas com o golpe civil-empresarial-militar de 1964. As mais de duas décadas de ditadura trouxeram um enorme retrocesso para a educação pública do país. Por outro lado, o setor privado foi fortalecido e ampliado, assim como setores conservadores e religiosos, que eram contrários aos direitos das mulheres. É desse período, por exemplo, a criação da disciplina de educação moral e cívica. Naquelas décadas, era comum haver, especialmente nas universidades, censura e perseguições contra quem questionasse o governo. A década de 60, marcada em grande parte do mundo pela eclosão de movimentos a favor dos direitos da mulher, no Brasil foi freada pela dureza de uma ditadura de mais de duas décadas. Artistas em passeata contra a censura durante a ditadura militar. No que diz respeito à educação das mulheres nesse período, é preciso registrar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB) de 1961 tornou equivalente todos os cursos de grau médio. Isso permitiu que as mulheres que faziammagistério pudessem realizar os vestibulares. Assim, as mulheres brasileiras tiveram maiores chances de ingressar na universidade a partir de então, levando ao que alguns autores chamam de reversão do hiato de gênero no ensino superior, ou seja, as mulheres passaram a se tornar maioria nas universidades do país. Esse processo ganhou novos contornos com a redemocratização do país e com a instalação a chamada Constituição Cidadã de 1988. Essa Carta Magna, que permanece como nossa maior legislação, ampliou o direito à educação em diversos aspectos, tanto no que diz respeito aos direitos trabalhistas para o magistério, passando pela obrigação do Estado em ofertar toda a educação básica, quanto aos investimentos mínimos dos governos nas redes educacionais. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 39/47 Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, segurando a Constituição de 1988. Nos anos seguintes, houve uma série de programas e projetos voltados para a manutenção das crianças na escola e um esforço de universalização da educação básica no país. Esses projetos, em sua maioria alinhados com as diretrizes de organismos internacionais, também traziam um olhar sobre as desigualdades de gênero e raça ainda presentes na nossa educação. Assim, a expansão geral das vagas no ensino brasileiro foi acompanhada de uma maior presença feminina em todos os segmentos educacionais. A presença massiva das mulheres brasileiras nas escolas e universidades é fruto de um esforço histórico do movimento de mulheres pelo direito à educação e parte de uma luta mais ampla por igualdade. E essa luta segue em curso, pois a presença majoritária de mulheres na educação do país vem sendo acompanhada de inúmeros desafios e desigualdades que persistem. Sim, nós podemos! Neste vídeo, mostramos como 50 anos mudaram a história e o papel das mulheres no Brasil, e como isso custou caro e exigiu uma luta constante. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 40/47 Principais desa�os atuais para a educação de mulheres Como vimos, a Constituição de 1988 busca garantir o direito à educação de todos os brasileiros sem distinção de classe, gênero, raça, etnia, sexualidade, religião e origem. Toda a legislação educacional posterior, como a LDB (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), os Planos Nacionais de Educação – tanto o de 2001 a 2010 (Lei n° 10.172, de 9 de janeiro de 2001) quanto o de 2014 a 2024 (Lei n° 13.005 de 2014), e até mesmo os parâmetros curriculares nacionais e a Base Nacional Comum Curricular, visam garantir o direito à educação, uma vez que os currículos também são entendidos como campos de disputa na luta contra as desigualdades educacionais. Entende-se hoje que crianças, adolescentes e jovens devem ter acesso à educação e na escola permanecer até o fim de seus estudos. É fundamental também que esses indivíduos tenham acesso à sua própria história e se vejam representados nas disciplinas que estudam. O direito à educação é compreendido como um direito fundamental, pois garante ao cidadão ou à cidadã todos os demais direitos, permitindo-lhe identificar uma situação de violação de direitos e demandar o cumprimento destes. A escola é vista como a instituição social capaz de minimizar as diferenças oriundas da origem das pessoas e aumentar a igualdade de oportunidade entre elas. É por isso que a existência da escola pública, laica, não sexista, antirracista, gratuita e de qualidade é essencial para a existência de uma sociedade justa e democrática. Para pensar a educação de maneira geral e a educação de meninas e mulheres em específico, tanto no mundo quanto no Brasil em particular, 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 41/47 é fundamental o conceito de desigualdades educacionais. Quando falamos de desigualdades educacionais, nos referimos a uma série de desigualdades, que dizem respeito aos seguintes pontos: Pesquisas sociológicas da educação apontam uma forte correlação entre origem social do aluno e seu sucesso escolar. Durante muito tempo, a maioria dos trabalhos versava sobre a questão da classe social, e muitos mostravam que, de modo geral, quanto maior a renda familiar melhor o desempenho escolar, e vice-versa. Em outras palavras, a pobreza seria o principal fator que explicaria o chamado fracasso escolar. Com o tempo, os trabalhos da sociologia da educação foram se complexificando em uma perspectiva interseccional a fim de mostrar como, além da classe social, fatores como gênero e raça também têm grande impacto nas desigualdades educacionais. Como vimos, durante muito tempo a sociedade brasileira excluiu meninas e mulheres dos bancos escolares. Essa exclusão não se deu apenas com as mulheres, mas também com a população negra e pobre. Possibilidade de acesso e permanência na escola Diferenças nos resultados de aprendizagem (incluindo sua parte por meio de avaliações) Disciplinas escolares de maior sucesso ou insucesso Carreiras escolhidas no ensino pro�ssionalizante de nível médio e/ou superior 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 42/47 As grandes mudanças pelas quais a educação brasileira passou durante o século XX, em especial após a Constituição de 1988, e nestas primeiras décadas do século XXI, levam a um quadro de desigualdades bastante específico. Ainda que sejam apontados sempre pela área dos estudos de gênero os enormes custos pessoais que meninas e mulheres enfrentam para permanecer e avançar nos estudos, como a necessidade de conciliar os estudos com o trabalho, tarefas domésticas, cuidado de crianças, pessoas com deficiência e enfermos, é preciso ressaltar que o gênero não é o principal fator de fracasso escolar depois da classe, e sim a raça. Exemplo Pesquisas apontam que 70% das crianças e adolescentes que estão fora da escola no Brasil hoje são pretas, pardas e indígenas. Quando pensamos em distorção idade-série, as estudantes indígenas são as que mais sofrem, seguidas(os) pelas(os) pretas(os) e pardas(os). Quando avaliamos os indicadores escolares, verifica-se que, em geral, meninas negras estão em situação melhor que os meninos negros, provavelmente devido aos estereótipos de gênero que associam a mulher a uma maior dedicação aos estudos. Novas batalhas: dores e vitórias Neste vídeo, exemplificamos dores e batalhas atuais pela educação, mostrando como o processo segue e falando ainda sobre a futura geração que está em curso. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 43/47 Questão 1 Um conceito fundamental para pensar a educação e os seus desafios na atualidade é o de desigualdades educacionais. Sobre esse conceito, podemos afirmar: I- Que se refere a acesso e permanência na escola. II- Que não considera as diferenças nos resultados de aprendizagem. III- Que não considera as disciplinas escolares de maior sucesso ou insucesso entre alunos e alunas. IV- Que acredita no impacto que essas diferenças exercem também nas carreiras escolhidas. Marque a alternativa correta: Parabéns! A alternativa E está correta. Desigualdades educacionais fazem referência a uma série de desigualdades, dentre elas: acesso, permanência na escola, diferenças nos resultados de aprendizagem (incluindo sua parte verificável por meio de avaliações), disciplinas escolares de maior sucesso ou insucesso e até mesmo nas carreiras escolhidas no ensino profissionalizante de nível médio e/ou superior. Questão 2 Um dos grandes desafios para a educação brasileira no século XX foi enfrentar a altataxa de analfabetismo do país. Um dos grupos A Somente I está correta. B Somente II está correta. C I e II estão corretas. D I e III estão corretas. E I e IV estão corretas. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 44/47 mais numerosos de não alfabetizados era o das mulheres, isso porque Parabéns! A alternativa C está correta. A alta taxa de analfabetismo feminino no século XX se relaciona diretamente com as restrições vivenciadas pelas mulheres quanto ao acesso à educação formal nos séculos anteriores. Considerações �nais Ao longo deste conteúdo, acompanhamos a trajetória crescente e os desafios envolvidos na presença da mulher na educação brasileira. Nosso propósito foi resgatar os principais pontos referentes aos limites e impedimentos dessa educação feminina ao longo da nossa história. Relacionamos de que modo essa exclusão, que durou tanto tempo, ainda representa uma forma de desigualdade educacional. Vimos que, em nosso período colonial, a educação das mulheres devia ser no lar e voltada para as atividades domésticas e do casamento. Essa ideia perdurou por séculos e, mesmo com tímida a inserção das A as mulheres não demonstravam interesse na escolarização, mas apenas no casamento. B as mulheres apresentaram historicamente maior dificuldade de aprendizagem. C as mulheres foram impedidas de estudar durante um longo período. D as mulheres preferiam não ingressar nas escolas que o governo oferecia. E o governo brasileiro sempre buscou apoiar a educação feminina. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 45/47 mulheres nas primeiras escolas, havia a diferenciação de currículos e do que deveria ser ensinado. Assim, as tarefas domésticas se mantinham no ensino das jovens. Somente em meados do século XIX iniciou-se uma participação um pouco maior das mulheres em escolas. Essa participação ocorreu primeiro em colégios particulares, aos quais somente as meninas de famílias ricas tinham acesso. Em geral, essas escolas, exclusiva para meninas, não priorizavam o ensino das disciplinas, como ocorria nos colégios masculinos, e sim ensinamentos voltados para o comportamento social, a maternidade e o trabalho do lar. Para as jovens órfãs ou pobres, o único caminho para o letramento era a vida religiosa ou os chamados asilos. No século XIX, ocorreu o ingresso das mulheres no ensino público por meio da fundação das escolas normais. O século XX, especialmente no início da Era Vargas, foi acompanhado de inúmeras transformações no papel do Estado em relação à oferta da educação para todos. Quanto às dificuldades de efetivamente assegurar a presença e a permanência das mulheres nas escolas, em letra de lei, esse direito foi avançando ao longo do século. Assim, as mulheres superaram o chamado hiato de gênero na educação com mudanças legais, organização e luta. E ao final do século XX, elas eram maioria em todos os segmentos educacionais do país. Destacamos que essa presença massiva das mulheres hoje na educação do país permanece acompanhada de desigualdades. Discutimos o conceito de desigualdades educacionais e como este perpassa acesso, permanência, desempenho, carreira, dentre outros pontos. Também sinalizamos para o entrecruzamento das desigualdades de gênero com as questões de raça e classe, assim como a importância de se compreender o cenário educacional brasileiro de hoje considerando esses três marcadores. Por fim, este estudo lhe ofereceu uma visita à nossa história e nossas desigualdades mas, principalmente, é um convite a pensarmos e agirmos para modificarmos esse cenário. Podcast Aqui, você ouve os principais pontos sobre a história das mulheres na educação, desde o Brasil Colônia, até as desigualdades enfrentadas ainda nos dias de hoje. 07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 46/47 Explore + Assista ao filme O Sorriso de Monalisa (Mike Newell, 2003) sobre uma escola apenas para garotas nos Estados Unidos em meados do século XX, e perceba como as classes mais altas entendiam a educação como um diferencial entre mulheres ricas e pobres, o que as tornava mais aptas à disputa por maridos. Assista ao documentário Pro dia nascer feliz (João Jardim, 2005) sobre as desigualdades educacionais do Brasil do século XX e observe como as questões de gênero, raça e classe são fundamentais para pensar as situações relatadas pelos estudantes. Acesse o site Painel das Desigualdades Educacionais no Brasil do Cenpec e navegue pelos dados sobre permanência escolar e formação inicial docente no Brasil. Observe como as questões de gênero, raça e classe aparecem nos indicadores. Referências ALGRANTI, L. M. Honradas e devotas: mulheres da colônia. Condição feminina nos conventos e recolhimentos do Sudoeste do Brasil, 1750- 1822. Brasília: Edunb, 1993. ALMEIDA, J. R. P. de. História da Instrução Pública no Brasil (1500- 1889). Brasília: INEP, 1989. BRASIL. Lei de 15 de outubro de 1827. Rio de Janeiro, 1827. KRAUSE, C; KRAUSE, M. Educação de mulheres do período colonial brasileiro até a o início do século XX: do imbecilitus sexus à feminização do magistério. X Simpósio Linguagens e Identidades da/na Amazônia Sul-Ocidental, 2016. LOURO, G. L. Mulheres na sala de aula. In: DEL PRIORI, M. (org.) História das mulheres no Brasil. 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