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07/04/2024, 13:57 A história das mulheres na Educação
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07417/index.html# 1/47
A história das mulheres na Educação
Prof.ª Fernanda Moura
Descrição
Avaliar a história do acesso das mulheres à educação em nosso país,
refletindo sobre o longo período em que elas foram impedidas de
frequentar a escola, sobre as lutas pelo direito à educação feminina e
sobre a manutenção dos estereótipos de gênero no processo de
formação escolar que perdura até os dias de hoje.
Propósito
Conhecer a trajetória da exclusão das mulheres na educação brasileira é
essencial para o combate efetivo das suas implicações na atualidade,
compreendendo que, por mais que as mulheres tenham conseguido
importantes conquistas e avançado na conquista de direitos, antigas
demandas continuam em aberto.
Objetivos
Módulo 1
Exclusão feminina do processo de
escolarização do país
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Relacionar o processo de escolarização do país e a forma como este
foi excludente com as mulheres.
Módulo 2
Desa�os na luta pelo acesso à
educação
Analisar as principais conquistas que ocorreram para assegurar a
inserção das mulheres na educação formal do país.
Módulo 3
Mulheres na educação de hoje:
estudantes e professoras
Identificar os desafios atuais que envolvem a presença das mulheres
na educação e as desigualdades ainda enfrentadas.
Introdução
Antes de iniciar o estudo deste material, procure identificar a
trajetória escolar das mulheres do seu entorno. Faça um
levantamento, por meio de perguntas, sobre como foi para elas o
acesso à escola. Sugerimos que questione mulheres de
diferentes gerações.
A trajetória da mulher brasileira nos últimos séculos envolve, em
um primeiro momento, uma educação no âmbito privado e
voltada para os afazeres do lar, que marcou o período colonial.
Em seguida, houve uma pequena presença feminina em escolas
mistas do século XIX, que foi acompanhada depois pelo
predomínio na docência do ensino primário. Nos dias de hoje, há
uma presença de mulheres significativa e, em alguns casos,
majoritária nos diferentes níveis de escolaridade.

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Como foram excluídas do processo de formação escolar
implantado na fase do Brasil Colônia e ingressaram tardiamente
na escola, as mulheres brasileiras tiveram acesso limitado a uma
série de direitos decorrentes do direito à educação. Sabendo
disso, neste estudo, iremos percorrer esse processo de exclusão
que se apresenta como um traço da história de nossa educação e
da formação de nossa sociedade. Essa é uma maneira de
identificarmos e compreendermos algumas desigualdades ainda
presentes em nosso país.
Apesar das conquistas realizadas pelas mulheres e da ampliação
de direitos, a educação feminina ainda enfrenta muitos desafios.
É necessário apontar essas conquistas, mas também reconhecer
as inúmeras desigualdades que ainda se apresentam quando
falamos de mulheres e educação no Brasil. Conhecer essa
trajetória de lutas pelo direito à educação é também uma forma
de contribuir com a construção de igualdade de oportunidades e
com o fim das diferenças entre os gêneros.
1 - Exclusão feminina do processo de
escolarização do país
Ao �m deste módulo, você será capaz de relacionar o processo de
escolarização do país e a forma como este foi excludente com as mulheres.
Brasil Colônia, patriarcado e
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educação feminina para o lar
Ao longo de nossa trajetória escolar, aprendemos que a chegada dos
colonizadores portugueses ao Brasil, que durante muito tempo nos foi
ensinada como “descobrimento”, contou com a participação direta e
efetiva da Igreja Católica. Essa participação se deu também em relação
ao ensino, que à época destinava-se a impor hábitos e costumes da
cultura branca europeia, assim como a doutrinação cristã. Essa
influência na educação se concentrou, sobretudo, nas mãos dos
jesuítas. As ordens religiosas, principalmente por meio de missões,
ocupavam-se da catequese e da formação das elites no Brasil.
Obra Na Cabana de Pindobuçu de Benedito Calixto, 1920.
Dentre os papéis desempenhados pela Igreja, estava a responsabilidade
pelo ensino dos chamados gentios, ou seja, dos povos originários de
nossas terras e não cristãos. É importante lembrarmos que os povos
indígenas possuíam suas próprias formas de ensino/aprendizagem,
baseadas na transmissão oral e na participação cotidiana de crianças e
jovens nas tarefas rotineiras de suas aldeias. Essas formas de
socialização foram perseguidas e substituídas pela catequização.
Além disso, era preciso ocupar-se também com a formação dos jovens
portugueses que aqui aportavam, bem como dos filhos de famílias
europeias que nasciam nestas terras. E foi nesse contexto que se
originaram as primeiras escolas brasileiras, mantidas pelos jesuítas com
a intenção de formar uma elite cultural branca, masculina e cristã.
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Obra de Debret retratando a um funcionário público saindo de casa com a família, c. 1820.
As mulheres foram excluídas de todo esse processo de formação de um
sistema escolar e/ou de uma educação institucionalizada, sendo-lhes
destinado o papel de cuidadoras do lar, da esfera privada. Por esse
motivo, elas eram somente preparadas para o casamento, o cuidado dos
filhos e dos afazeres domésticos, sendo estas duas últimas funções
compartilhadas com as mulheres negras escravizadas, quando
pensamos nos casos das mulheres brancas das elites.
A participação das mulheres no processo educacional do país, naquele
momento, era limitada apenas a atividades vinculadas aos conventos e
restritas a aprendizados como costura e bordado, além de boas
maneiras e ensino religioso. Essa educação determinava a esfera
privada como o único espaço destinado às mulheres.
A educação no lar e para o lar, como parte da
manutenção do sistema patriarcal, constituiu a marca
da educação feminina praticamente durante todo o
período colonial (1530 – 1815).
Acredita-se, com base na documentação existente, que as primeiras
demandas por educação de mulheres tenham se dado por parte dos
povos indígenas submetidos à catequese. Havia um estranhamento de
que somente os homens fossem educados, e as mulheres não, uma vez
que essa diferenciação por gênero não fazia parte de suas formas de
organização da vida social. O argumento era que se as moças eram as
mais assíduas ao catecismo, também deveriam ser ensinadas a ler e a
escrever.
Curiosidade
O padre Manoel da Nobrega, chefe da primeira missão jesuítica, teria
inclusive enviado uma carta à rainha de Portugal fazendo a consulta
sobre a solicitação, mas a monarca teria sido contrária ao acesso das
indígenas à educação. Contudo, acredita-se que, embora não tenha
havido autorização formal para que mulheres indígenas fossem
educadas, ainda assim algumas teriam tido acesso à educação jesuítica
e aprendido a ler e a escrever.
Durante praticamente todo nosso período enquanto colônia, a educação
brasileira formal e institucional foi permitida somente a homens, sendo
proibido o acesso das mulheres aos espaços escolares. Importante
ressaltar que, nesse momento, era uma restrição a todas as mulheres:
brancas, negras escravizadas ou libertas e indígenas. Também era
indiferente a origem social, se eram ricas ou pobres. Todas eram
proibidas de estudar.
As raras exceções ocorriam em casos de contratação dos chamados
preceptores (tutores), que ministravam aulas em casa, ou quando aulas
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eram ofertadas nos conventos para as jovens que ingressavam na vida
religiosa. Esses casos fugiam à regra e ocorriam apenas com famílias
ricas e consideradas liberais à época.
Obra de Debret retratando a solidão da mulher em seus afazeres domésticos, produzida durante
sua estadia no Brasil, 1823.
Diversos autores referem-se a esse período como o do
enclausuramento das mulheres. A escolarização não foi garantida às
mulheres, pois correspondia a uma atividade pública e a função social
delas deveria ser apenas o casamento, a maternidade e a vida
doméstica, atividades que não demandariam educação escolar.
Essa era uma maneira de garantir a dominação masculina sobre as
mulheres, ou seja, de assegurar a perpetuação do patriarcado.
Comentário
É importante notar que práticas e diretrizes educacionais como clausura
ou afastamento dos espaços educacionais eram destinadas às
mulheres portuguesas, no geral. Aspecto que demonstra não somente a
violência de gênero, como também étnica e de classe. Entretanto, os
aspectos educacionais formais em casos específicos, como das
indígenas, esbarram em temáticas específicas e relacionadas ao grupo
étnico, como a aculturação forçada pela catequese ou apreensão. São
raros os casos de personagens mulheres indígenas e africanas que nos
chegam dos primeiros séculos da colônia. Por isso, optamos por
apontar os aspectos formais da história das mulheres na educação
colonial.
Enclausuramento e educação
das mulheres no Brasil
colonial

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Neste vídeo, apresentamos exemplos de mulheres que conseguiram
romper os padrões e ter alguma educação no Brasil colonial.
Analisamos, ainda, em quais condições isso foi possível.
As primeiras mudanças
Esse cenário foi modificando-se lentamente. Reformas importantes
ocorreram a partir do século XVIII e trouxeram o início da educação
feminina do Brasil. A partir desse período, assistimos às primeiras
permissões para a frequência feminina em salas de aula e a abertura de
escolas régias para mulheres.
Como havia uma enorme preocupação com a honra e a castidade,
diversos conventos e casas de recolhimento femininas abrigaram
mulheres solteiras ou consideradas desamparadas. Essas casas se
tornaram espaços importantes de educação feminina, pois lá as
abrigadas aprendiam a ler, escrever e noções de matemática. Essas
mulheres, não necessariamente, seguiam a carreira religiosa, podendo
inclusive se tornarem tutoras e preceptoras posteriormente.
Exemplo
Recolhimento das Macaúbas (Minas Gerais, 1720); Recolhimento de
Santa Tereza (São Paulo, 1730); Convento de Santa Tereza (Rio de
Janeiro, 1742); Convento da Ajuda (Rio de Janeiro, 1750); Recolhimento
da Luz (São Paulo, 1774).
Como já sabemos, a partir de 1759, Marquês de Pombal, primeiro-
ministro de Portugal (1750-1777), descontente com o enorme poder da
ordem jesuítica em todo o império ultramarino português, decidiu
expulsar os jesuítas de Portugal e de suas colônias. A partir de então,
seguiram-se as reformas pombalinas da instrução pública em 1759 e
1772.
As reformas empreendidas pelo Marquês de Pombal possibilitaram que,
ao menos oficialmente, as meninas ingressassem nas escolas. Em
1755, o governo português determinou que a direção das povoações
jesuíticas passaria ao clero regular. Além disso, deveria haver escolas
separadas para os meninos e para as meninas. Inicialmente, essa lei era
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restrita ao norte do país, mas três anos depois ela já se estendia a todo
território brasileiro.
Primeiro-ministro
O momento histórico da época era de despotismo esclarecido. Essa função
não era exatamente de primeiro-ministro como conhecemos hoje, sendo só
uma aproximação para fins de compreensão.
Um dos resultados mais diretos desse processo foi a abertura de um
mercado de trabalho para as mulheres: o magistério público, já que as
escolas para as meninas deveriam contar somente como professoras.
Vale ressaltar que havia um código de comportamento moral e estético
em sala de aula bastante rígido, tanto para as alunas como para as
professoras.
Normalistas do Colégio Caetano de Campos, final do século XIX.
Outra importante mudança foi a chamada Reforma dos Estudos
Menores, que criou a Diretoria Geral de Estudos, subordinada ao rei e
que vedava a oferta de ensino particular sem permissão dessa diretoria.
Além disso, por meio da Real Mesa Censória, havia o controle dos
conteúdos do ensino e dos livros didáticos. Nesse mesmo período, com
a criação de um imposto, o subsídio literário, surgiram as famosas aulas
régias. Esse imposto era especialmente destinado ao pagamento do
magistério, por isso é associado ao surgimento da figura do
professor(a) público(a).
Essas reformas proibiram o ensino particular sem permissão e
estabeleceram o sistema de aulas régias, no qual os professores eram
servidores públicos concursados. Tanto as disciplinas ofertadas quanto
o conteúdo das aulas e os materiais didáticos passaram a ser
controlados pelo governo português. Essas reformas permitiram em
teoria a educação das meninas, desde que realizada por professoras
mulheres e separadamente dos estudantes do sexo masculino. Na
prática, no entanto, pouca coisa mudou e as mulheres continuaram
excluídas do sistema educacional, fossem como alunas fossem como
professoras.
Saiba mais
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Havia uma distinção na educação de mulheres e homens. Enquanto os
homens estudavam medicina, direito, matemática e etc., conforme
Ferreira(2005): “às mulheres cabia apenas ensinar-lhes a ler, a escrever e
a contar, além de ter, no seu currículo, disciplinas obrigatórias como o
bordado, a costura e bons modos.” (FERREIRA, 2005, p. 75, apud VIEIRA;
CRUZ, 2017, p. 45).
Com a vinda da corte portuguesa em 1808 e, principalmente, após 1815,
quando o Brasil é elevado ao papel de Reino Unido a Portugal e
Algarves, muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades começaram
a chegar e a buscar educação também para suas filhas. Assim, cresceu
a demanda por parte das famílias mais abastadas por professoras
particulares que pudessem ensinar simultaneamente a todas as
crianças independentemente do sexo. Também começam a aparecer
anúncios de estabelecimentos dirigidos por professoras estrangeiras
destinados à educação feminina. Ao menos no Rio de Janeiro, existiam
algumas dezenas de escolas tanto para o sexo masculino, em sua
maioria, quanto para o sexo feminino.
Mulheres que liam
Neste vídeo, apresentamos interlocutoras mulheres, como a das Cartas
Chilenas da Inconfidência, e o início de uma presença feminina de
mulheres intelectuais no Brasil.
A educação como direito do
cidadão (e da cidadã?)
Sabemos que as mulheres foram proibidas de estudar durante grande
parte do período colonial do país. Somente no século XVIII, houve
mudanças graduais, permitindo, ainda que lentamente, o início da
inserção feminina no sistema de ensino. Nesse primeiro momento, a
presença de meninas e jovens nas escolas foi limitada a instituições
exclusivamente femininas e voltadas somente ao ensino das primeiras

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letras. O direito à educação ainda estava cerceado aos primeiros anos
escolares, período em que se ensinava apenas a ler, escrever e contar. O
ensino secundário, que preparava para o ensino superior, continuava
sendo exclusivo dos homens.
Em 7 de Setembro de 1822, foi proclamada a independência do país. O
Brasil criou a sua própria legislação e, em 1824, nossa primeira
constituição foi outorgada pelo imperador D. Pedro I. O artigo 179,
parágrafo XXXII, dessaConstituição garantia que a instrução primária
deveria ser gratuita para todos os cidadãos.
A lei não fazia distinção entre homens e mulheres no
acesso à cidadania. Formalmente, na letra da lei,
estariam excluídos apenas os escravizados, sendo os
ex-escravizados também considerados cidadãos. As
exclusões se davam muito mais por força dos
costumes ou devido às condições materiais do que por
força de lei.
A educação do império, contudo, só veio a ser de fato normatizada com
a Lei Geral, de 15 de outubro de 1827, sendo essa a primeira legislação
sobre educação do Estado brasileiro. Devido à importância dessa lei
para a história do magistério nacional, comemora-se o Dia dos
Professores na mesma data de sua promulgação.
Professoras da Escola Marechal Hermes no Rio de Janeiro.
A Lei Geral foi responsável pela ampliação da quantidade de escolas de
primeiras letras e tratava de temas como remuneração e forma de
admissão de professores e professoras, bem como o currículo que
deveria ser adotado para a educação de meninos e meninas.
Leia a seguir trechos da Lei Geral referentes à educação feminina, tendo
em mente que a escrita está de acordo com a grafia da língua
portuguesa à época:
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Manda crear escolas de primeiras
letras em todas as cidades, villas e
logares mais populosos do Imperio.
(...)
Art 6º Os Professores ensinarão a
ler, escrever as quatro operações de
arithmetica, pratica de quebrados,
decimaes e proporções, as nações
mais geraes de geometria pratica, a
grammatica da lingua nacional, e os
principios de moral chritã e da
doutrina da religião catholica e
apostolica romana, proporcionandos
á comprehensão dos meninos;
preferindo para as leituras a
Cosntituição do Imperio e a Historia
do Brazil.
(...)
Art 11º Haverão escolas de meninas
nas cidades e villas mais populosas,
em que os Presidentes em
Conselho, julgarem necessario este
estabelecimento.
Art 12º As mestras, além do
declarado no art 6º, com exclusão
das noções de geometria e
limitando a instrucção da
arithmetica só as suas quatro
operações, ensinarão tambem as
prendas que servem á economia
domestica; e serão nomeadas pelos
Presidentes em Conselho, aquellas
mulheres, que sendo brazileiras e de
reconhecida honestidade, se
mostrarem com mais
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conhecimentos nos exames feitos
na fórma do art. 7º.
Art 13º As mestras vencerão os
mesmos ordenados e gratificações
concedidas aos Mestres.
(Lei de 15 de Outubro de 1827)
Como é possível notar, embora tenha havido avanços para a conquista
da educação feminina brasileira, uma vez que expandiu enormemente a
quantidade de vagas para a instrução primária das meninas, as
desigualdades ainda persistiam. A Lei Geral manteve uma série de
discriminações em relação à educação para meninos e meninas, como,
por exemplo, currículos diferentes para os gêneros. As estudantes eram
obrigadas a aprender as “artes do lar” e privadas de aulas de geometria
e de aritmética mais avançada que as permitiriam prosseguir com seus
estudos.
Meninas participam da aula de costura na Escola Caetano de Campos, em São Paulo.
Além disso, apesar da previsão de igualdade de pagamento para
professores e professoras, a própria legislação posterior abriu brechas
para que, na prática, as mulheres ganhassem menos que os homens. O
artigo 6 do decreto de 27 de agosto de 1831 determinava que os
salários previstos em lei somente fossem pagos aos professores
concursados, e os governos provinciais tinham a autorização de
contratar candidatos não aprovados em concurso caso não houvesse
nenhum aprovado, porém com salários menores. Como até então as
meninas não recebiam a mesma educação que os meninos, quando
crescessem, elas não poderiam disputar cargos em pé de igualdade nos
concursos. Consequentemente, as mulheres precisavam aceitar
trabalhos de contrato com um salário menor.

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Somos brasileiras?
Neste vídeo, discutimos o que seria a formulação de uma cidadã, ou de
uma brasileira nos parâmetros do século XIX.
Nísia Floresta - a luta das
mulheres pelo direito à
educação
O período oitocentista brasileiro permaneceu sob a égide do patriarcado
e a ideia de educar as mulheres para o lar. Ainda assim, sempre houve
resistência por parte das mulheres, bem como a defesa do direito à
educação feminina.
Representando a luta feminina pelo direito à educação, trazemos um
breve resgate da trajetória de Nísia Floresta. Mulher, nordestina e ativista
por direitos femininos, ela ousou contrariar a lógica dominante daquela
época. Seu trabalho e sua militância em defesa dos direitos das
mulheres foram pioneiros no Brasil e abriu portas e caminhos para as
mulheres das próximas gerações.
Nísia Floresta.
Sua atuação se destaca a partir do cenário de forte instabilidade política
no período regencial. Foi nessa conjuntura que Nísia chegou à corte no
Rio de Janeiro e fundou o Colégio Augusto. A escola era voltada à
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educação feminina e propunha uma pedagogia diferente da aplicada até
aquele momento, adotando o ensino de disciplinas. Vale lembrar que,
até então, esse modelo era exclusivo da educação ofertada aos
meninos.
Colégio Pedro II.
Nesse período, o Colégio Pedro II, recém-fundado, era considerado o
modelo de educação exemplar, oferecendo aulas de latim, grego,
francês, inglês, retórica, geografia, história, filosofia, zoologia,
mineralogia, botânica, química, física, aritmética, álgebra, geometria e
astronomia. Entretanto, o colégio não admitia meninas, o que só veio a
ser alterado em 1926.
Comentário
O Colégio Augusto representava o que havia de mais avançado e mais
próximo do ensino considerado exemplar para as meninas. Essa
instituição ofereceu às mulheres a possibilidade de um ensino de
qualidade e igualitário ao dos meninos, isso aconteceu 88 anos antes de
o Colégio Pedro II começar a admitir meninas.
As mudanças propostas por Nísia não foram bem aceitas pela
sociedade imperial, que ainda considerava desnecessário que as
mulheres aprendessem qualquer coisa alheia ao universo doméstico.
Por causa de suas propostas, Nísia foi perseguida e atacada de diversas
maneiras, mas ainda assim sua trajetória de vida se manteve firme na
defesa dos direitos femininos, principalmente ao direito do acesso à
educação.
Nísia Floresta viajou o mundo, conheceu os principais intelectuais da
época e produziu uma vasta obra sobre diversos temas. Foi ela quem
trouxe para o Brasil, em 1832, a primeira tradução livre de Vindication of
the rights of woman, de Mary Wolstonecraft, que, segundo especialistas
nos estudos feministas, seria a obra fundadora do feminismo no país.
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Mary Wollstonecraft, 1797.
Ao contrário do que muitos imaginam, a mulher oitocentista não estava
conformada com sua condição de desvantagem em relação ao universo
masculino. O que ocorria era a sua impossibilidade de se manifestar.
Elas não podiam expor o que pensavam e, aquelas que ousava se
expressar, eram tratadas como loucas. Por isso mesmo, o papel
questionador de Nísia Floresta nesse cenário foi fundamental para
abalar e romper com algumas estruturas sociais da época e para o
avanço do direito à educação feminina no Brasil.
Apresentando Nísia Floresta
Neste vídeo, apresentamos a biografia de Nísia Floresta e debatemos a
sua importância para educação, especialmente das mulheres.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Asrelações entre o homem e a mulher no Brasil, no período
colonial, foram marcadas pelo enclausuramento e pelo

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silenciamento das mulheres. A partir do que foi estudado, é possível
concluir que na sociedade brasileira colonial
Parabéns! A alternativa B está correta.
A população feminina no Brasil colonial estava submetida à
estrutura de relações do modelo patriarcal, ou seja, era subordinada
à autoridade masculina.
Questão 2
Às mulheres, destinavam-se os trabalhos dentro de casa. Por suas
mãos, a família se vestia, comia e obtinha o que necessitava. O
casamento representava sua principal função social feminina. Para
isso, elas não precisavam de educação escolar e foram proibidas
de frequentarem essas instituições. Que reformas foram
importantes para as primeiras mudanças desse cenário?
A
as mulheres ocupavam o centro decisório das
famílias.
B o modelo de família patriarcal era o dominante.
C
as mulheres tinham livre acesso aos espaços
públicos.
D
as mulheres tinham poder de decisão, traço
característico da sociedade patriarcal.
E
as mulheres tinham acesso aos espaços de
educação formal e espaços de poder.
A Reforma Manoel de Nobrega.
B Reformas jesuíticas.
C Reforma Sucupira.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
As reformas pombalinas significaram o primeiro momento oficial de
ingresso das mulheres na educação do país.
2 - Desa�os na luta pelo acesso à educação
Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar as principais conquistas
que ocorreram para assegurar a inserção das mulheres na educação formal
do país.
O ensino secundário e a
escola normal no Brasil
Já aprendemos sobre a exclusão das mulheres da educação formal do
país durante nosso período colonial e também a forma como, ainda no
período oitocentista, persistiram as restrições de acesso a meninas e
jovens as instituições de ensino, apesar de alguns avanços. Os
primeiros passos para assegurar a educação feminina vieram com as
reformas pombalinas, que ainda assim limitavam esse acesso às séries
D Reformas educacionais de Marquês de Pombal.
E Reformas de época.
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iniciais. Essa restrição deixava as meninas de fora, na maioria das
vezes, das escolas secundárias e das universidades.
Vamos agora conhecer os principais marcos que permitiram o avanço
da escolarização feminina para outros segmentos, especialmente a
criação das escolas normais. Nesse sentido, destaca-se a criação, em
1835, a Escola Normal de Niterói, a primeira do tipo no país.
Curiosidade
Você deve estar pensando que, com a criação dessas escolas, houve de
imediato o que conhecemos hoje como feminização do magistério e das
escolas normais. Mas saiba que, a princípio, essas instituições eram
exclusivas para formação de professores homens! Somente na segunda
metade do século XIX as escolas normais passaram a admitir mulheres,
criando “cursos especiais”. A primeira escola se localizava na Bahia e,
de 1842 a 1847, teve 83 alunos, sendo 68 homens e 15 mulheres.
A educação das mulheres, até aquele momento, ocorria em sua maioria
em conventos, alguns colégios particulares e escolas normais. Também
houve no período imperial a criação dos chamados asilos, que eram
espaços destinados à formação profissional das mulheres. Essas
instituições eram voltadas, principalmente, para jovens órfãs ou pobres.
O asilo de Santa Leopoldina, um dos exemplos mais famosos dessas
instituições, ficava no Rio Grande do Sul e acolheu as chamadas
“meninas desvalidas” de 1857 a 1880. Segundo constam nos
documentos da instituição, eram ministradas aulas de educação geral e
também classes voltadas para os afazeres domésticos.
Em meados do século XIX, ainda persistiam as ideias de educação para
o lar, e as legislações que começavam a ampliar o acesso à educação
eram permeadas de discriminação e de restrições referentes à conduta
feminina. Para atuar no magistério, por exemplo, era preciso ter “boa
conduta”. Essa, em geral, era atestada por um padre ou pároco. Além
disso, a mulher deveria ter autorização de um homem para exercer a
profissão (pai ou marido).
Os registros históricos apontam que, até 1870, quando chegaram as
primeiras escolas protestantes no país, ainda havia uma segregação de
meninos e meninas. Quase sempre, as aulas funcionavam em horários
diferentes ou em dias alternados. Quando possível, eram ministradas
em prédios distintos ou em alas masculinas e femininas.
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Meninas e meninos em filas separadas se encaminham para salas de aula distintas na Escola
Caetano de Campos, em São Paulo.
A partir de 1870, apareceram as primeiras escolas públicas mistas, nas
quais as professoras podiam lecionar aos meninos até determinada
idade. Já os homens seguiram sem autorização para dar aulas a
meninas. Esse ensino masculino/misto favoreceu o avanço feminino no
campo do magistério. Soma-se a isso o acesso das mulheres ao ensino
profissionalizante a partir de 1881, ano da inauguração do Liceu de
Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro, que ofereceu as primeiras aulas para
essas jovens. Quase duas décadas depois era aberto, também no Rio de
Janeiro, o Instituto Profissional Feminino.
Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.
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A segunda metade do século XIX trouxe avanços significativos para a
realidade das mulheres no Brasil. Esses avanços são relacionados à
conjuntura internacional desse período, considerando todas as
mudanças que ocorriam na Europa referentes à organização das
mulheres e do feminismo, entre outros fatores. Outro fato importante foi
a vinda da família real portuguesa para o Brasil e os impactos que essa
transferência da corte proporcionou em termos de “modernização” do
país.
No campo educacional, as escolas privadas foram as primeiras a
assegurar o acesso das meninas e jovens à educação. Destacam-se as
escolas pertencentes às ordens religiosas, que foram muito importantes
para a educação feminina nesse período.
Professoras e alunos de escola do Rio de Janeiro.
Outro ponto relevante foi a conquista das professoras para lecionar a
meninos também. Essa alteração abriu caminhos para que as
estudantes ingressassem nos cursos normais e para o processo
subsequente de feminização do magistério.
Magistério e a mulher
Neste vídeo, pontuamos a relação da mulher com o magistérios,
retomando pontos importantes de como essa história foi construída.

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Feminização do magistério:
entendendo o conceito
No final do século XIX e início do século XX, nosso país passou por uma
série de mudanças sociais. A escravidão foi abolida em 1888 e, no ano
seguinte, proclamou-se a república.
Nesse momento, o Brasil começou a se urbanizar e a se industrializar,
com o setor fabril atraindo mão de obra masculina. Enquanto isso, um
imenso contingente de trabalhadores livres vindos de países europeus,
como Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e de outras partes do mundo,
chegou ao país.
A partir de então, passou a existir uma demanda crescente de mão de
obra, inclusive feminina. As principais áreas de atuação para as
mulheres no período eram:
A indústria têxtil
Onde trabalhavam as mulheres das camadas mais populares da
sociedade.
O magistério
Onde trabalhavam as mulheres das camadas médias e até
mesmo das camadas mais abastadas.
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Por esse motivo, a docência era considerada uma oportunidade de
ascensão social para as mulheres das camadas populares.
No século XIX, havia ainda aulas separadas para meninos e para
meninas. Como vimos, as professoras mulheres lecionavam para as
meninas e para turmas mistas, enquanto os professores homens
ensinavam somente para os meninos. À medida que aumentavam as
demandas por escolarização, crescia também a necessidade de turmas
mistas e, consequentemente, um aumento da demanda por professoras.
Paulatinamente, o número de docentes mulheres começou a superar o
de homens.
O magistério brasileiro não estava passando somente
por uma enorme transformação objetiva, mas também
subjetiva. Não apenas o magistério passou a ser
composto por mulheres em sua maioria, como passou
a ser visto como uma área naturalmente feminina.
Dizemos, por isso, que o magistério passou por um
processo de feminização.
O fenômeno da feminilização não diz respeito apenas à superioridade
numérica de mulheres em relação aos homens em determinada
profissão, mas se refere também à visão da sociedade sobre quem atua
nessa profissão, ou seja, quais são as qualidades necessárias para
esses profissionais, no caso as mulheres.
Professoras, alunas e autoridades em solenidade cívica em escola do Distrito Federal, Rio de Janeiro.
Essa visão da sociedade está intimamente ligada aos estereótipos de
gênero presentes nas discussões sobre o magistério. Os papéis sociais
atribuídos a homens e mulheres, e também a pais e mães, em
determinada época, impactam também na visão que a sociedade
constrói a respeito de professores e professoras. Esses estereótipos de
gênero aparecem em documentos oficiais, discursos políticos, em
matérias de jornais, revistas e livros em diferentes épocas.
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Professoras da Escola Feminina de Pedra de Guaratiba, RJ.
As características socialmente entendidas como femininas, ou seja,
atribuídas à mulher e à mãe, passaram a ser qualidades esperadas de
um professor de crianças, já essa expectativa não existia quando se
tratava de um professor para adolescentes. Assim, o chamado “instinto
materno” faria da mulher a pessoa indicada para o magistério infantil
por excelência.
Esse estereótipo seria uma via de mão dupla, já que se acreditava que a
preparação para o magistério transformaria a mulher na esposa e mãe
ideal. Essa mulher-esposa-mãe-professora também deveria ter em si as
características de uma freira. A maternidade e o magistério, assim como
a vida religiosa, seriam uma questão de vocação e implicariam
abnegação e doação de si.
O gênero na tradição ocidental se constituiu como toda
a lógica ocidental – a partir do binarismo –, de modo
que um polo é sempre o exato oposto do outro. Logo,
quanto mais se reforçava a suposta aptidão da mulher
para o cuidado, também se reforçava a inaptidão do
homem para esse trabalho. A valorização (discursiva,
não salarial) da mulher como professora veio
acompanhada da desvalorização do homem como
professor.
Por outro lado, as qualidades esperadas da pessoa que lecionava não
eram aquelas esperadas de quem fosse dirigir a escola. Apesar de,
desde a década de 1910, as mulheres terem se tornado a maior parte do
magistério elementar, elas continuavam a não ocupar os cargos de
comando nas escolas públicas, que continuavam a ser comandadas por
homens.

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O estereótipo de gênero no
magistério
Neste vídeo, apresentamos uma provocação sobre o que é feminização
e por que o magistério é associado a mulheres.
O desigual processo de
feminização do magistério no
Brasil
Para compreendermos a feminização do magistério e suas implicações,
precisamos considerar a relação entre:

Feminização

Pro�ssionalização

Remuneração
É necessário entender a associação existente entre o que significava ser
mulher e ser homem em cada lugar e em cada época, as atribuições do
magistério, a substituição dos professores por professoras e o
vencimento desses profissionais.
Sabemos que as profissões feminizadas e feminilizadas possuem
remuneração menor do que aquelas com maior concentração
masculina.
Exemplo
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Basta pensar na diferença salarial entre a educação básica e o
magistério no ensino superior, ou entre a enfermagem e a medicina.
Com relação à educação básica no Brasil, mesmo quando a docência
era uma profissão majoritariamente masculina, também remunerava
muito mal seus profissionais. Provavelmente, essa foi uma das razões
que levaram os homens a se interessarem menos pelo magistério,
tornando-o uma área de atuação feminina.
Alunas da Escola Profissional Rivadávia, Rio de Janeiro.
O fato de o magistério pagar pouco também seria um bônus para os
pais e maridos das professoras, que poderiam manter seu controle
sobre essas mulheres, uma vez que o salário delas não lhes garantia
autonomia financeira. Até então, a remuneração da professora era
apenas uma complementação ao orçamento familiar.
Os estereótipos de gênero também levavam à conclusão de que as
mulheres seriam as profissionais ideais para o magistério, pois
acreditava-se que sua docilidade as impediria de reivindicar melhores
salários para a categoria.
Quem se sujeitaria a
ganhar tão pouco para
realizar uma atividade
que exige tanta
quali�cação e
compromisso?
Resposta

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Havia ainda diferenças nesse processo em todo o Brasil, vejamos agora
dois casos que apresentam essas distinções:
Rio Grande do Sul
Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, as normalistas eram na
maioria mulheres de classe média. Para ingressar na carreira do
magistério, era preciso apresentar um atestado de idoneidade
fornecido por alguém com cargo ou destaque social.
Pernambuco
Em Pernambuco, o magistério era uma possibilidade real de
ascensão social para mulheres pobres, uma vez que o processo
de feminização da docência ocorreu em um momento de crise
financeira, resultante das secas e epidemias que assolavam o
estado.
Ao contrário das normalistas de Santa Maria, que não tinham
necessidade de trabalhar, as de Pernambuco eram mulheres de baixa
renda que viam no curso normal noturno uma alternativa de
profissionalização e ascensão social.
Outra questão importante diz respeito ao momento histórico da
feminização do magistério. Como o país nunca teve um sistema
nacional de educação e a responsabilidade pela educação básica recaía
sobre as províncias durante o período colonial e monárquico, e depois
sobre os entes federativos, durante o período republicano, o processo
ocorreu com características distintas e em momentos distintos em
diferentes locais, ao longo do período que vai do final do século XIX até
a metade do século XX.
O acesso ao ensino superior
As questões de gênero, raça e classe estão
imbricadas no magistério de modo geral e no
seu processo de feminização.
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O acesso das mulheres ao ensino superior foi tardio não apenas no
Brasil. Nos Estados Unidos em 1837, foi fundada a Women’s College,
uma universidade unicamente feminina no estado de Ohio. Somente na
segunda metade do século XIX, as universidades femininas se
espalharam por boa parte dos estados norte-americanos.
Essas instituições de ensino superior femininas ofereciam, em sua
maioria, apenas cursos de graduação, enquanto as universidades
masculinas tambémdispunham de cursos de mestrado e doutorado.
Por muito tempo, o ensino superior feminino ocorreu praticamente
apenas nos Estados Unidos.
Representatividade nas universidades. Mulher carrega o Woman´s Journal (1870-1831),
periódico sobre os direitos das mulheres.
Em países europeus, assim como no Brasil, o acesso de mulheres ao
ensino superior foi mais tardio, ocorrendo apenas no final do século XIX.
Na Europa, no entanto, elas continuaram sendo excluídas das
universidades de maior prestígio. Oxford e Cambridge, por exemplo, só
passaram a aceitar mulheres no século XX. A presença feminina na
universidade só de fato passou a ser comum após a Primeira Guerra
Mundial, por volta de década de 1920.
No Brasil, as mulheres só foram autorizadas a frequentar o ensino
superior no ano de 1879, quando o governo imperial lhes assegurou a
possibilidade de ingressar nas universidades. No entanto, havia
condições para esse ingresso: as candidatas solteiras ou casadas
precisavam apresentar consentimento por escrito do pai ou marido,
respectivamente.
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Mulheres universitárias na década de 50.
Importante destacar que essa autorização de ingresso em
universidades foi dada somente após anos de reivindicações. Desde o
início do século, cada vez mais as mulheres se identificavam com as
ideias europeias e norte-americanas, reivindicando um outro papel na
sociedade e maior igualdade com relação aos homens.
Já nesse momento, uma parte considerável da imprensa brasileira
começou a se empenhar na causa da educação feminina.
Exemplo
O jornal mineiro O Mentor das Brasileiras (1829-1832), embora fosse
escrito por homens, como a maioria dos periódicos da época,
reproduzia o discurso da elite liberal daquele tempo, que valorizava a
educação da mulher como fundamental para a construção da nação.
Entendia-se que mulheres educadas desempenhariam melhor as suas
funções de esposas e, principalmente, de mãe. No entanto, essa
posição de parte da imprensa em defesa da educação feminina não era
unívoca. Também era possível encontrar publicações, como textos e
charges, que caçoavam da aspiração das mulheres por igualdade.
Na segunda metade do século XIX, começam a surgir jornais escritos
para mulheres e por mulheres. Essas publicações tinham caráter
militante e não apenas discutiam a importância da educação e da
instrução profissional feminina no Brasil, mas também reivindicavam
melhores condições sociais e políticas para as mulheres de forma mais
ampla. Veja a seguir alguns exemplos desses jornais que discutiam a
questão feminina no Brasil:
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O Sexo Feminino (1873-1889), que apresentava a educação feminina como necessária
para o aperfeiçoamento da sociedade.
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Echo das Damas (1879-1888), que trazia a defesa da educação feminina como sua
principal temática e no jornal.
A Família (1888-1894), que tratava de temas como o direito feminino à educação, ao
trabalho e ao voto.
Vale ressaltar que, após a Proclamação da República, o jornal O Sexo
Feminino passou a se chamar O Quinze de Novembro do Sexo Feminino
(1889-1890).
Curiosidade
Maria Augusta Generoso Estrela é apontada como a primeira brasileira a
possuir um diploma superior. No entanto, sua graduação em medicina
fora feita nos Estados Unidos, onde se formou em 1882. Já Rita Lobato
Velho Lopes (1867-1954) teria sido a primeira mulher a se graduar no
Brasil, na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1887.
Conforme vimos, as últimas décadas do século XIX foram marcadas por
mudanças significativas no país, como tornar-se uma república. Tantas
transformações impactaram também a relação das mulheres brasileiras
com a educação. Nossa primeira Constituição republicana assegurou a
ampliação de direitos e trouxe novos ares para o campo educacional do
país. Assim, entramos no século XX influenciados por ideais europeus
de modernização e desenvolvimento, o que incluía uma maior
participação das mulheres em diferentes espaços, incluindo escolas e
universidades.
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No entanto, essa dita “modernização” não ocorreu de forma a garantir a
equidade no acesso ao ensino superior nem em relação à gênero nem à
raça. Ao longo do século XX, houve uma democratização do acesso à
educação básica sem que, no entanto, isso tenha se refletido no ensino
superior.
O acesso como chave de
mudança!
Neste vídeo, debatemos sobre o acesso enquanto chave vital de
reflexão, para ontem e hoje, e o que isso significa.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Um conceito fundamental para pensar a história das mulheres na
educação brasileira é o de feminização. Sobre esse conceito,
analise as seguintes afirmativas.
(   ) Diz respeito à mudança de gênero dos profissionais que
desempenham em sua maioria determinada profissão de homens
para mulheres.
(   ) Diz respeito à visão que a sociedade tem de quais são os
atributos que o profissional deve ter e que seriam relacionados,
nessa sociedade, a características entendidas como femininas.
(   ) No caso do magistério, veio acompanhado da desqualificação
dos professores homens para o desempenho da função.
(   ) Geralmente, está relacionado aos baixos salários atribuídos a
determinada profissão.
Considerando V para as afirmativas verdadeiras e F para as
afirmativas falsas, a correspondência correta é:

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Parabéns! A alternativa E está correta.
O conceito de feminização diz respeito não apenas ao fato de as
mulheres serem a maioria dos profissionais da profissão, mas
também aos estereótipos de gênero atribuídos à profissão vistos
como femininos. Isso, consequentemente, levou à desvalorização
dos profissionais homens, fato que está relacionado, como causa
ou consequência, à remuneração dessas profissionais.
Questão 2
Sobre a educação brasileira no período anterior à república, marque
a opção correta.
A V, V, F, F.
B F, V, V. F.
C V, F, V, F.
D F, F, V, V.
E V, V, V, V.
A
As mulheres puderam ingressar em cursos
superiores desde o início das primeiras
universidades.
B
Apenas no final do século XIX as mulheres tiveram
autorização do governo imperial para acessarem às
universidades.
C
Desde a autorização pelo governo, as mulheres
passaram a poder acessar o ensino superior se
assim desejassem.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
No Brasil, as mulheres no Brasil só foram autorizadas a frequentar o
ensino superior no ano de 1879, quando o governo imperial lhes
assegurou a possibilidade de ingressar nas universidades.
3 - Mulheres na educação de hoje: estudantes e
professoras
Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car os desa�os atuais que
envolvem a presença das mulheres na educação e as desigualdades ainda
enfrentadas.
As mulheres na primeira
metade do século XX
Antes de iniciarmos as discussões sobre a educação e a presença das
mulheres no século XX, precisamos assinalar que esse foi um século
que contou com inúmeras transformações históricas. Um dos marcos
D
As mulheres não precisam lutar pelo direito ao
ensino superior, pois era consenso que mulheres e
homens deveriam ter iguais direitos.
E Nenhuma das anteriores está correta.
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que representam essas mudanças foi a chegada de Getúlio Vargas ao
poder.
Embora não seja nosso objetivo conhecer todos os episódios ocorridos
no complexo período varguista, mencionaremos os principais fatos e
seus impactos na questão da educação das mulheres.
Uma das primeiras grandes transformações foi a criação do primeiro
Ministério da Educação, que tinha o objetivo inicial de unificar as
políticas de ensino e integrar o sistema educacional de todo o país. É
também da década de 1930 uma série de leis que regulamentaram e
padronizaram o ensino em todo o Brasil.
Criação do Ministro da Educação em 14 de Dezembro de 1930.
A ideia principal defendida pelo governo era considerar a educação
como ferramenta fundamental para o desenvolvimento do país. Assim, a
preocupação era de que a escola pudesse desenvolver a personalidade
e cultura do indivíduo, além de prepará-lo para a vida familiar e para a
iniciação ao trabalho. Nesse período, ocorreu o lançamento do
Manifesto dos Pioneiros da Educação (1932), um documento assinado
pelos principais intelectuais da época em defesa, dentre outras
demandas, de uma educação pública para todos. Quanto à questão das
mulheres, o manifesto enfatizava a importância da educação mista.
Lembre-se de que, em sua maioria, meninas e meninos ainda estudavam
em turmas separadas.
Manifesto dos Pioneiros da Educação, 1932.
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Segundo os “pioneiros”, a educação deveria servir como instrumento
para democratização, integração e combate às diferenças. Para isso, a
ela deveria ser pública, obrigatória, gratuita, laica e sem qualquer
segregação de cor, gênero ou classe social. Esse grupo de intelectuais
exerceu forte influência sobre os primeiros anos do período Vargas e
atuou diretamente na elaboração da Constituição aprovada em 1934.
Na recém-promulgada Constituição, o ensino fundamental, junto com o
ginasial, passou a ser chamado de primário. Foi a primeira legislação
que assegurou o acesso à educação, ainda que somente aos primeiros
anos. Esse acesso, inclusive de mulheres, era uma obrigação a ser
garantida pelo Estado. Isso significou também uma ampliação da rede
escolar do país e, consequentemente, do número de professores e
professoras.
Essa mesma Constituição garantiu às mulheres o direito ao voto. É
importante lembramos que, para votar, era preciso ser alfabetizado.
Naquela sociedade, a imensa maioria das mulheres, especialmente ex-
escravizadas, ainda era analfabeta, assim, elas permaneceram
excluídas, sem direito ao voto e a uma representação feminina efetiva.
Essa alta taxa de analfabetismo feminino no século XX se relaciona
diretamente com as restrições ao acesso das mulheres à educação
formal nos séculos anteriores.
Almerinda Gama, advogada negra eleita como representante do Sindicato das Datilógrafas, para a
Assembléia Constituinte de 1934.
Se a chegada do século XX veio acompanhada de um discurso sobre a
educação da mulher, vinculando-a à modernização da sociedade, é
preciso enfatizar que isso não significou na prática uma universalização
do ensino. Permanecia ainda um certo temor e uma rejeição da
escolarização feminina. Esse temor foi ampliado com a conquista de
direitos civis e do direito ao voto. Assim, ainda perdurou a compreensão
de que a profissionalização da mulher deveria ser evitada e de que
meninos e meninas deveriam ter formações escolares distintas.
O recrudescimento político e o golpe de Estado que estabeleceu o
governo ditatorial de Vargas trouxeram também modificações para as
diretrizes educacionais que estavam em curso. A Constituição de 1937
voltou-se para o ensino tecnicista, apontando para a criação do ensino
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médio profissionalizante, centrado na educação industrial. Esse período
foi marcado por retrocessos no que tange à educação pública
protagonizados por uma ofensiva da Igreja Católica, a fim de assegurar
o ensino religioso nas escolas públicas e de manter seu monopólio na
educação do país.
Ainda sobre as importantes transformações ocorridas no campo
educacional nesse período, não podemos deixar de mencionar o
conjunto de reformas de 1942. Implementadas durante a presença de
Capanema no Ministério da Educação, essas reformas representaram
um marco na organização educacional do país.
Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública.
As mulheres e o Ministério da
Educação
Neste vídeo, apresentamos a relação entre Mulheres – Educação no
Brasil e o contexto nacional na primeira metade do século XX.
As mulheres na segunda
metade do século XX

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A Era Vargas termina em 1946, trazendo uma nova Constituição e mais
mudanças. Nessa nova Carta Magna, manteve-se a estrutura
educacional anterior, logo a gratuidade e obrigatoriedade do ensino
foram preservadas como obrigação do Estado no novo texto
constitucional.
Um elemento que se destacou nesse momento foi a preocupação com o
índice de analfabetismo do país. O número de analfabetos continuava
alto e mulheres e negros ainda constituíam majoritariamente os grupos
sociais mais presentes entre os não alfabetizados. Mesmo assim, o que
se assistiu nas décadas seguintes foi a promulgação de uma série de
leis que priorizavam o ensino secundário profissionalizante.
Somente a partir de 1950 iniciou-se uma série de campanhas para
combater o analfabetismo. Essas campanhas ganharam força na
década seguinte, com movimentos como: o Movimento de Educação de
Base (1961 a 1965), o Programa Nacional de Alfabetização (1963) e
toda a campanha e o método desenvolvido por Paulo Freire de
alfabetização de adultos.
Ações do Movimento de Educação de Base entre 1964 e 1965.
A investida de enfrentamento ao analfabetismo do país representou um
avanço das mulheres no magistério. Vale mencionar que essa
profissionalização feminina lentamente deixou de representar uma
suposta ameaça ao universo masculino. Além disso, considerava-se
ainda o magistério como uma continuação da função materna (daí a
origem da professora como “tia”) e de submissão.
No século XX, as desigualdades educacionais e de oportunidades para
meninos e meninas foram mantidas. Apesar dos avanços legais na
década de 1930, ampliando o acesso das mulheres aos cursos
profissionais, por exemplo, houve também uma persistência na ideia de
que estudar exigia muito tempo e dedicação e que as jovens deveriam
ter como principal meta o casamento.
As iniciativas de alfabetização em massa das camadas
mais pobres, de adultos e jovens e de mulheres, foram
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interrompidas com o golpe civil-empresarial-militar de
1964.
As mais de duas décadas de ditadura trouxeram um enorme retrocesso
para a educação pública do país. Por outro lado, o setor privado foi
fortalecido e ampliado, assim como setores conservadores e religiosos,
que eram contrários aos direitos das mulheres. É desse período, por
exemplo, a criação da disciplina de educação moral e cívica. Naquelas
décadas, era comum haver, especialmente nas universidades, censura e
perseguições contra quem questionasse o governo.
A década de 60, marcada em grande parte do mundo pela eclosão de
movimentos a favor dos direitos da mulher, no Brasil foi freada pela
dureza de uma ditadura de mais de duas décadas.
Artistas em passeata contra a censura durante a ditadura militar.
No que diz respeito à educação das mulheres nesse período, é preciso
registrar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB) de
1961 tornou equivalente todos os cursos de grau médio. Isso permitiu
que as mulheres que faziammagistério pudessem realizar os
vestibulares. Assim, as mulheres brasileiras tiveram maiores chances de
ingressar na universidade a partir de então, levando ao que alguns
autores chamam de reversão do hiato de gênero no ensino superior, ou
seja, as mulheres passaram a se tornar maioria nas universidades do
país.
Esse processo ganhou novos contornos com a redemocratização do
país e com a instalação a chamada Constituição Cidadã de 1988. Essa
Carta Magna, que permanece como nossa maior legislação, ampliou o
direito à educação em diversos aspectos, tanto no que diz respeito aos
direitos trabalhistas para o magistério, passando pela obrigação do
Estado em ofertar toda a educação básica, quanto aos investimentos
mínimos dos governos nas redes educacionais.
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Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, segurando a Constituição
de 1988.
Nos anos seguintes, houve uma série de programas e projetos voltados
para a manutenção das crianças na escola e um esforço de
universalização da educação básica no país. Esses projetos, em sua
maioria alinhados com as diretrizes de organismos internacionais,
também traziam um olhar sobre as desigualdades de gênero e raça
ainda presentes na nossa educação.
Assim, a expansão geral das vagas no ensino brasileiro foi
acompanhada de uma maior presença feminina em todos os segmentos
educacionais.
A presença massiva das mulheres brasileiras nas
escolas e universidades é fruto de um esforço histórico
do movimento de mulheres pelo direito à educação e
parte de uma luta mais ampla por igualdade.
E essa luta segue em curso, pois a presença majoritária de mulheres na
educação do país vem sendo acompanhada de inúmeros desafios e
desigualdades que persistem.
Sim, nós podemos!
Neste vídeo, mostramos como 50 anos mudaram a história e o papel
das mulheres no Brasil, e como isso custou caro e exigiu uma luta
constante.

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Principais desa�os atuais
para a educação de mulheres
Como vimos, a Constituição de 1988 busca garantir o direito à educação
de todos os brasileiros sem distinção de classe, gênero, raça, etnia,
sexualidade, religião e origem. Toda a legislação educacional posterior,
como a LDB (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), os Planos
Nacionais de Educação – tanto o de 2001 a 2010 (Lei n° 10.172, de 9 de
janeiro de 2001) quanto o de 2014 a 2024 (Lei n° 13.005 de 2014), e até
mesmo os parâmetros curriculares nacionais e a Base Nacional Comum
Curricular, visam garantir o direito à educação, uma vez que os
currículos também são entendidos como campos de disputa na luta
contra as desigualdades educacionais.
Entende-se hoje que crianças, adolescentes e jovens devem ter acesso à
educação e na escola permanecer até o fim de seus estudos. É
fundamental também que esses indivíduos tenham acesso à sua própria
história e se vejam representados nas disciplinas que estudam.
O direito à educação é compreendido como um direito fundamental,
pois garante ao cidadão ou à cidadã todos os demais direitos,
permitindo-lhe identificar uma situação de violação de direitos e
demandar o cumprimento destes.
A escola é vista como a instituição social capaz de
minimizar as diferenças oriundas da origem das
pessoas e aumentar a igualdade de oportunidade entre
elas. É por isso que a existência da escola pública,
laica, não sexista, antirracista, gratuita e de qualidade é
essencial para a existência de uma sociedade justa e
democrática.
Para pensar a educação de maneira geral e a educação de meninas e
mulheres em específico, tanto no mundo quanto no Brasil em particular,
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é fundamental o conceito de desigualdades educacionais. Quando
falamos de desigualdades educacionais, nos referimos a uma série de
desigualdades, que dizem respeito aos seguintes pontos:
Pesquisas sociológicas da educação apontam uma forte correlação
entre origem social do aluno e seu sucesso escolar. Durante muito
tempo, a maioria dos trabalhos versava sobre a questão da classe
social, e muitos mostravam que, de modo geral, quanto maior a renda
familiar melhor o desempenho escolar, e vice-versa. Em outras palavras,
a pobreza seria o principal fator que explicaria o chamado fracasso
escolar.
Com o tempo, os trabalhos da sociologia da educação
foram se complexificando em uma perspectiva
interseccional a fim de mostrar como, além da classe
social, fatores como gênero e raça também têm grande
impacto nas desigualdades educacionais.
Como vimos, durante muito tempo a sociedade brasileira excluiu
meninas e mulheres dos bancos escolares. Essa exclusão não se deu
apenas com as mulheres, mas também com a população negra e pobre.
 Possibilidade de acesso e permanência na
escola
 Diferenças nos resultados de
aprendizagem (incluindo sua parte por
meio de avaliações)
 Disciplinas escolares de maior sucesso ou
insucesso
 Carreiras escolhidas no ensino
pro�ssionalizante de nível médio e/ou
superior
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As grandes mudanças pelas quais a educação brasileira passou durante
o século XX, em especial após a Constituição de 1988, e nestas
primeiras décadas do século XXI, levam a um quadro de desigualdades
bastante específico.
Ainda que sejam apontados sempre pela área dos estudos de gênero os
enormes custos pessoais que meninas e mulheres enfrentam para
permanecer e avançar nos estudos, como a necessidade de conciliar os
estudos com o trabalho, tarefas domésticas, cuidado de crianças,
pessoas com deficiência e enfermos, é preciso ressaltar que o gênero
não é o principal fator de fracasso escolar depois da classe, e sim a
raça.
Exemplo
Pesquisas apontam que 70% das crianças e adolescentes que estão
fora da escola no Brasil hoje são pretas, pardas e indígenas.
Quando pensamos em distorção idade-série, as estudantes indígenas
são as que mais sofrem, seguidas(os) pelas(os) pretas(os) e
pardas(os). Quando avaliamos os indicadores escolares, verifica-se que,
em geral, meninas negras estão em situação melhor que os meninos
negros, provavelmente devido aos estereótipos de gênero que associam
a mulher a uma maior dedicação aos estudos.
Novas batalhas: dores e
vitórias
Neste vídeo, exemplificamos dores e batalhas atuais pela educação,
mostrando como o processo segue e falando ainda sobre a futura
geração que está em curso.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
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Questão 1
Um conceito fundamental para pensar a educação e os seus
desafios na atualidade é o de desigualdades educacionais. Sobre
esse conceito, podemos afirmar:
I- Que se refere a acesso e permanência na escola.
II- Que não considera as diferenças nos resultados de
aprendizagem.
III- Que não considera as disciplinas escolares de maior sucesso ou
insucesso entre alunos e alunas.
IV- Que acredita no impacto que essas diferenças exercem também
nas carreiras escolhidas.
Marque a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa E está correta.
Desigualdades educacionais fazem referência a uma série de
desigualdades, dentre elas: acesso, permanência na escola,
diferenças nos resultados de aprendizagem (incluindo sua parte
verificável por meio de avaliações), disciplinas escolares de maior
sucesso ou insucesso e até mesmo nas carreiras escolhidas no
ensino profissionalizante de nível médio e/ou superior.
Questão 2
Um dos grandes desafios para a educação brasileira no século XX
foi enfrentar a altataxa de analfabetismo do país. Um dos grupos
A Somente I está correta.
B Somente II está correta.
C I e II estão corretas.
D I e III estão corretas.
E I e IV estão corretas.
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mais numerosos de não alfabetizados era o das mulheres, isso
porque
Parabéns! A alternativa C está correta.
A alta taxa de analfabetismo feminino no século XX se relaciona
diretamente com as restrições vivenciadas pelas mulheres quanto
ao acesso à educação formal nos séculos anteriores.
Considerações �nais
Ao longo deste conteúdo, acompanhamos a trajetória crescente e os
desafios envolvidos na presença da mulher na educação brasileira.
Nosso propósito foi resgatar os principais pontos referentes aos limites
e impedimentos dessa educação feminina ao longo da nossa história.
Relacionamos de que modo essa exclusão, que durou tanto tempo,
ainda representa uma forma de desigualdade educacional.
Vimos que, em nosso período colonial, a educação das mulheres devia
ser no lar e voltada para as atividades domésticas e do casamento. Essa
ideia perdurou por séculos e, mesmo com tímida a inserção das
A
as mulheres não demonstravam interesse na
escolarização, mas apenas no casamento.
B
as mulheres apresentaram historicamente maior
dificuldade de aprendizagem.
C
as mulheres foram impedidas de estudar durante
um longo período.
D
as mulheres preferiam não ingressar nas escolas
que o governo oferecia.
E
o governo brasileiro sempre buscou apoiar a
educação feminina.
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mulheres nas primeiras escolas, havia a diferenciação de currículos e do
que deveria ser ensinado. Assim, as tarefas domésticas se mantinham
no ensino das jovens.
Somente em meados do século XIX iniciou-se uma participação um
pouco maior das mulheres em escolas. Essa participação ocorreu
primeiro em colégios particulares, aos quais somente as meninas de
famílias ricas tinham acesso. Em geral, essas escolas, exclusiva para
meninas, não priorizavam o ensino das disciplinas, como ocorria nos
colégios masculinos, e sim ensinamentos voltados para o
comportamento social, a maternidade e o trabalho do lar. Para as jovens
órfãs ou pobres, o único caminho para o letramento era a vida religiosa
ou os chamados asilos.
No século XIX, ocorreu o ingresso das mulheres no ensino público por
meio da fundação das escolas normais. O século XX, especialmente no
início da Era Vargas, foi acompanhado de inúmeras transformações no
papel do Estado em relação à oferta da educação para todos. Quanto às
dificuldades de efetivamente assegurar a presença e a permanência das
mulheres nas escolas, em letra de lei, esse direito foi avançando ao
longo do século. Assim, as mulheres superaram o chamado hiato de
gênero na educação com mudanças legais, organização e luta. E ao final
do século XX, elas eram maioria em todos os segmentos educacionais
do país.
Destacamos que essa presença massiva das mulheres hoje na
educação do país permanece acompanhada de desigualdades.
Discutimos o conceito de desigualdades educacionais e como este
perpassa acesso, permanência, desempenho, carreira, dentre outros
pontos. Também sinalizamos para o entrecruzamento das
desigualdades de gênero com as questões de raça e classe, assim
como a importância de se compreender o cenário educacional brasileiro
de hoje considerando esses três marcadores. Por fim, este estudo lhe
ofereceu uma visita à nossa história e nossas desigualdades mas,
principalmente, é um convite a pensarmos e agirmos para modificarmos
esse cenário.
Podcast
Aqui, você ouve os principais pontos sobre a história das mulheres na
educação, desde o Brasil Colônia, até as desigualdades enfrentadas
ainda nos dias de hoje.
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Assista ao filme O Sorriso de Monalisa (Mike Newell, 2003) sobre uma
escola apenas para garotas nos Estados Unidos em meados do século
XX, e perceba como as classes mais altas entendiam a educação como
um diferencial entre mulheres ricas e pobres, o que as tornava mais
aptas à disputa por maridos. 
Assista ao documentário Pro dia nascer feliz (João Jardim, 2005) sobre
as desigualdades educacionais do Brasil do século XX e observe como
as questões de gênero, raça e classe são fundamentais para pensar as
situações relatadas pelos estudantes. 
Acesse o site Painel das Desigualdades Educacionais no Brasil do
Cenpec e navegue pelos dados sobre permanência escolar e formação
inicial docente no Brasil. Observe como as questões de gênero, raça e
classe aparecem nos indicadores.
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