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Infecções Parasitárias Caros alunos, as videoaulas desta disciplina encontram-se no AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem). Unidade 2 Principais helmintíases humanas. Introdução da Unidade Olá, amigo(a) discente! Seja bem-vindo(a)! Nesta Unidade você aprenderá um pouco mais sobre os helmintos que parasitam o homem. As ocorrências desses parasitos no homem são muito comuns, e a Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas, ou 24% da população mundial, estejam infectadas com alguma espécie de helminto. Estas parasitoses são mais frequentes em regiões de climas tropical e subtropical, o que inclui o Brasil. Neste grupo de parasitos estudaremos algumas espécies de dois filos importantes: Platyhelminthes e Nematoda, na primeira e segunda aula, respectivamente. Assim como você estudou os protoparasitas na primeira unidade, nesta você também terá um enfoque na morfologia, biologia, ciclo biológico, vias de transmissão e medidas profiláticas. Esteja atento às diferentes formas evolutivas, pois elas irão te auxiliar, futuramente, na identificação do parasita que é fundamental para realizar o diagnóstico da doença, e ao ciclo biológico, pois assim você compreenderá melhor a patogenia da doença e estará apto a realizar ações de planejamento para controle ou erradicação de endemias parasitárias! Objetivos O estudante de biomedicina deverá compreender a morfologia e biologia das principais espécies de helmintos parasitas humanos. Descrever a relação parasito-hospedeiro e o ciclo biológico dos principais helmintos parasitas do homem. Delinear medidas profiláticas para controle ou erradicação de endemias helmínticas. Conteúdo Programático Aula 1: Principais parasitas do Filo Platyhelminthes. Aula 2: Principais parasitas do Filo Nematoda. Aula 1 Principais parasitas do Filo Platyhelminthes Os Platyhelminthes são caracterizados por serem achatados dorsoventralmente (Platy = chato), apresentam simetria bilateral, uma extremidade anterior com órgãos sensitivos e de fixação. Não apresentam endo ou exoesqueleto, não apresentam ânus e nem aparelho respiratório. Dentro deste filo estudamos duas classes principais. A classe Trematoda inclui parasitas não segmentados, cujo corpo é recoberto por uma cutícula, com uma ou mais ventosas. Os Cestoda possuem corpo alongado, construído por segmentos. À semelhança dos trematódeos, os cestódeos são recobertos por uma cutícula. Schistosoma mansoni O primeiro representante da Classe Trematoda que iremos estudar é o Schistosoma mansoni. Este parasita é o agente etiológico da esquistossomose mansônica, também conhecida como moléstia de Pirajá da Silva, barriga d’água, mal do caramujo e xistose. Esta doença é mais prevalente em locais de clima tropical e subtropical com baixa padrão socioeconômico e carência de saneamento básico. O Schistosoma mansoni é classificado como um parasita heteroxeno, onde o homem é classificado como hospedeiro definitivo e caramujos do gênero Biomphalaria como hospedeiro intermediário. Com relação ao hospedeiro intermediário, destacam-se três espécies transmissoras: B. glabrata, B. tenagophila e B. straminea. Estes caramujos se reproduzem rapidamente em locais com certa poluição orgânica, que favorece a multiplicação de fitoplanctons, alimentos dos moluscos. Este gênero é caracterizado por apresentar concha plana e discoidal, de tamanho que varia de 10 a 40 mm, sendo a B. straminea a menor e a B. glabrata a maior delas. Embora estes animais sejam hermafroditas e possam realizar autofecundação, eles têm preferência pela reprodução cruzada. Possuem grande capacidade de colonização de habitats. Em menos de 30 dias atingem a maturidade sexual e em 90 dias é capaz de produzir 10 milhões de descendentes. Seu habitat geralmente é água doce rica em matéria orgânica, com leito raso, lodoso ou rochoso. O Schistosoma mansoni é um parasita com diferentes formas evolutivas que incluem: vermes adultos, machos e fêmeas, miracídio, cercaria, esporocisto, esquistossômulo e ovo. Os machos são menores que as fêmeas, apresentam 1cm de comprimento, com coloração esbranquiçada e tegumento recoberto com tubérculos. O corpo apresenta dobras laterais que albergam a fêmea, formando um espaço denominado canal ginecóforo. O aparelho sexual é composto por 7 a 9 massas testiculares, um canal deferente, uma vesícula seminal e um poro genital, não apresenta um órgão copulador. As fêmeas são mais delgadas e compridas, possuem aproximadamente 1,5cm de comprimento, coloração escura, tegumento liso e o aparelho sexual inclui uma vulva, um útero e um ovário. Ambos, machos e fêmeas, apresentam duas ventosas: uma ventosa oral, pela qual o alimento é adquirido, e uma ventosa ventral, também denominada acetábulo, utilizada para adesão. Nos dois sexos, o tubo digestivo inicia-se na extremidade anterior, no fundo da ventosa oral, e compreende um esôfago, na altura do acetábulo o tubo digestivo divide-se em dois ramos simples que voltam a reunir-se em um ceco único. Não há abertura anal. O sistema excretor, tendo início nos solenócitos, converge para dois canais longitudinais que desembocam em uma pequena vesícula excretora provida de abertura para o exterior, na extremidade posterior do helminto. Figura 1. Segmento anterior do corpo do macho (à esquerda) e da fêmea (à direita) de Schistosoma mansoni, mostrando esquematicamente os principais órgãos internos: a, ventosa oral e boca; b, porção anterior do intestino (desenho incompleto, na fêmea); c, acetábulo ou ventosa ventral; d, vesícula seminal; e, canal deferente; f, testículos; g, porção média, bifurcada, do intestino; h, ceco; i, orifício genital feminino; j, útero contendo dois ovos; k, um ovo em processo de formação da casca no oótipo; l, oviduto; m, ovário; n, viteloduto; o, glândulas vitelinas. Fonte: Rey (2008). Como o macho não apresenta um órgão copulador, os espermatozoides saem pelo poro genital e ficam dentro do canal ginecóforo alcançando a fêmea e a fecundando. A fêmea raramente abandona o canal ginecóforo, sendo carregada pelo macho, mas consegue alongar- se e insinuar-se nos capilares mais finos com sua extremidade anterior, perto do qual está o orifício genital. Desse modo a oviposição pode efetuar-se nas alças capilares mais próximas à superfície da mucosa. Ovos isolados, ou numerosos deles, podem ser observados obstruindo a luz dos capilares. Após a postura os vermes se retiram para ir invadir outros vasos, onde o fenômeno se repete. Os vermes adultos habitam o sistema porta intra-hepático, a veia mesentérica inferior e o plexo hemorroidário superior, são hematófagos e vivem em média 5 anos. As fêmeas põem aproximadamente 300 ovos por dia. O ovo é bem característico, apresenta formato oval, casca rígida e porosa, espícula lateral e quando está maduro apresenta o miracídio em seu interior, já com sexo determinado. Podem permanecer viáveis por 2 a 5 dias e massa fecal sólida, não suportam dessecação e a eclosão do miracídio ocorre em meio hipotônico, ou seja, em água doce. Figura 2. Ovo de Schistosoma mansoni, com formato oval e presença de espícula lateral. O miracídio é a larva do parasita e apresenta forma cilíndrica com diversos cílios que permitem o movimento no meio aquático. A extremidade anterior apresenta uma papila apical ou terebratorium, que pode se amoldar em forma de ventosa, nesta estrutura encontram-se terminações das glândulas adesivas. As glândulas adesivas contêm enzimas que auxiliam na penetração. Apresentam ainda dois pares de solenócitos, unidos em cada lado por um duto excretor independente, um esboço de sistema nervoso e numerosas células germinativas agrupadas na metade posterior do miracídio. Durante a fase de vida livre na água a atividade desseorganismo é sustentada pelas reservas de glicogênio que traz acumuladas e pelo consumo do oxigênio do meio. Os miracídios apresentam fototropismo, buscando sempre áreas mais claras, e quimiotropismo pelo molusco. A penetração do miracídio no caramujo dura de 3 a 15 minutos, sendo acelerado pela elevação da temperatura. Após o miracídio penetrar no tegumento do molusco ele perde o seu revestimento epitelial e adquire um aspecto sacular alongado denominado esporocisto tipo I. No oitavo dia apresenta- se como um tubo imóvel cheio de células germinativas em multiplicação. Nesta fase, o esporocisto primário é simples dentro do qual são gerados esporocistos filhos tipo II, por um tipo de reprodução denominado poliembrionia. Por volta da segunda semana de existência rompem-se para liberar 20 1 40 esporocistos filhos. Os esporocistos secundários migram no interior do molusco e em seu interior aglomerados celulares vão se diferenciando para formar cercarias, dentro de 3 a 4 semanas. Moluscos fortemente infectados podem sofrer uma castração parasitária ou morrer em consequência das destruições causadas no hepatopâncreas ou em outros órgãos. A cercaria é a forma infectante para o homem, apresenta cerca de 0,52mm de comprimento. O tegumento é eriçado de microespinhos dirigidos para trás. Apresenta uma ventosa oral na qual terminam as glândulas de penetração e uma abertura para o intestino primitivo. A ventosa ventral ou acetábulo é maior e bem desenvolvido e é através dele que ocorre a fixação na pele do homem. Durante o processo de penetração a cauda bifurcada é perdida e, portanto, não apresenta órgãos definidos. Esta forma evolutiva vive em torno de 36 a 48 horas e sua maior atividade e capacidade infectiva ocorre nas primeiras oito horas de vida. Estímulos luminosos ou de contato, bem como a agitação da água excitam a sua atividade natatória, que tende a reduzir-se com o envelhecimento e consumo de suas reservas energéticas. As glândulas de penetração são ricas em enzimas proteolíticas. Quando ingeridas com água, as que chegam ao estômago são destruídas pelo suco gástrico, mas as que penetram na mucosa bucal desenvolvem-se normalmente. Figura 3. Miracídio (esquerda) e cercária (direita) de Schistosoma mansoni. Gp. Glândulas de penetração; Ga. Glândulas adesivas; Cf. células flama; Te. Túbulos excretores; Pe. Poro excretor; Tb. Terebratorium; Vo. Ventosa oral; Po. Poro oral; Dgp: ductos das glândulas de penetração; C. ceco; Vv. Ventosa ventral; Pg. Primórdio genital. Fonte: Neves (2016). Assim que penetram a pele do hospedeiro e perdem a cauda bifurcada se transforma em uma esquistossômulo, caracterizado por possuir forma alongada com numerosas pregas tegumentares. Caso não seja destruído pelos mecanismos de defesa do hospedeiro migra pelo tecido subcutâneo e penetra em um vaso cutâneo e é passivamente arrastado pela circulação em direção ao coração e aos pulmões. Videoaula 1 Agora que você conhece todas as formas evolutivas desse parasito, assista ao vídeo para conhecer o seu ciclo biológico! A esquistossomose pode ser assintomática, quando sintomática o paciente pode apresentar dermatite cercariana, ocasionada pela penetração ativa das cercarias na pele, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, mal-estar, febre, dores musculares, dor na região do fígado ou do intestino, diarreia, cefaleia e prostração. Na fase crônica a esquistossomose pode compreender manifestações clínicas intestinais (diarreia, fibrose, pseudoneoplasia), no baço (esplenomegalia), hepáticas (hipertensão portal), varizes, ascite (barriga d’água). Atualmente existe tratamento medicamentoso para esquistossomose, que incluem principalmente a oxamniquina e o praziquantel. Dentre as medidas profiláticas podemos citar: o tratamento da população, o saneamento básico, controle do caramujo, evitar contato com águas onde existam caramujos infectados, e a educação em saúde. Taenia solium e Taenia saginata Taenia solium e Taenia saginata, popularmente conhecidas como solitárias, são parasitas que, na fase adulta, têm o homem por único hospedeiro. A doença que produzem chama-se teníase e apresenta o mesmo quadro, qualquer que seja a espécie de tênia que o causa. Na fase larvária, T. solium parasita obrigatoriamente o porco e T. saginata os bovinos, sendo, portanto, parasitas heteroxenos e estenoxenos (quando parasitam especificamente uma espécie de animal). Ainda que o homem não seja um hospedeiro normal das larvas (por não assegurar o futuro de sua evolução) pode ser infectado por ovos de T. solium, apresentando em consequência os quadros clínicos da cisticercose, que constituem as formas mais graves do parasitismo humano por esses helmintos devido às localizações preferenciais dos cisticercos no sistema nervoso e no globo ocular. Pertencem à Classe Cestoda e, portanto, caracterizam-se por não apresentar aparelho digestivo, possuem corpo segmentado em proglotes e são dotados de sistema reprodutor hermafrodita e escólex com quatro ventosas. São vermes grandes, achatados, em forma de fita, medindo a T. solium até 8 metros e T. saginata até 12 metros. Possui coloração branca, de aspecto leitoso, com superfície lisa, brilhante, eventualmente enrugada ou marcada por sulcos longitudinais. Sulcos transversais marcam os limites entre as proglotes. A região anterior contém o escólex, um órgão que consiste numa dilatação ovóide, piriforme (T. solium) ou quadrangular (T. saginata), por meio da qual o animal fica aderido em um ponto da mucosa intestinal. Comparado com o tamanho do corpo, o escólex apresenta dimensões reduzidíssimas: 1 a 2 mm de diâmetro. Nele encontram-se as estruturas especialmente diferenciadas para a fixação do parasito, isto é, quatro ventosas e numerosos ganchos. O conjunto de ganchos, em número de 25 a 50 dispostos como dupla coroa, é denominado rostro ou rostelo, e está presente apenas em T. solium. O corpo do helminto é denominado estróbilo, composto por diferentes tipos de proglotes: jovens, maduras e grávidas. Entre o estróbilo e o escólex encontra-se o colo. As jovens são mais curtas do que largas e já apresentam o início do desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos que se formam mais rapidamente que os femininos (fenômeno denominado protandria). A madura possui os órgãos reprodutores completos e aptos para a fecundação. A grávida, mais distante do escólex, é mais comprida do que larga e internamente os órgãos reprodutores vão sofrendo involução enquanto o útero se ramifica cada vez mais, ficando repleto de ovos. A proglote madura apresenta massas testiculares pequenas e numerosas, encontram-se disseminadas no seio do parênquima medular. Na T. solium seu número varia de 150 a 200, enquanto na T. saginata varia de 300 a 400. De cada testículo parte um canal eferente que converge com os demais para formar um canal deferente único e bastante entortilhado. Este vai em direção ao poro genital e ao atingir a porção cortical do parênquima, transforma-se numa bolsa muscular, a bolsa do cirro. Os órgãos femininos compreendem um ovário bilobado, formado por túbulos muito ramificados, e situado próximo à margem distal da proglote, uma glândula vitelínica, também ramificada, em forma de triângulo achatado, e posterior ao ovário, o útero mediano, em forma de tubo. Do ovário parte o oviduto, conformado em U que se dirige primeiro para trás, encurva-se dorsalmente e se continua para diante com o útero. Em seu trajeto o oviduto recebe o canal da glândula vitelínica e do canal seminal. A vagina inicia-se no poro genital, ao lado da bolsa do cirro, descreve um trajeto ligeiramente encurvado e antes de se abrir no oviduto, dilata-se para constituir um receptáculo seminal, a partir daí o canal estreitado recebe o nome de espermiduto ou de canal seminal. A porção do oviduto recurvada em U é envolvida por glândulasunicelulares denominadas glândulas de Mehlis, essa região é conhecida como oótipo. Figura 4. Proglote madura de Taenia saginata. Fonte: Rey (2008). A proglote grávida de T. solium é quadrangular, e o útero formado por 12 pares de ramificações do tipo dendrítico, contendo até 80 mil ovos, enquanto a T. saginata é retangular apresentando no máximo 26 ramificações uterinas do tipo dicotômico, contendo até 160 mil ovos. Figura 5. Verme adulto de Taenia saginata (esquerda) e Taenia solium (direita). A região anterior do verme compreende o escólex, o qual é dotado de um rostelo em T. solium. O estróbilo compreende a extensão do corpo e é constituído por proglotes jovens, maduras e grávidas. A progroglote grávida de T. saginata possui ramificações uterinas dicotômicas e a de T. solium ramificações dendríticas. Estas proglotes sofrem apólise, ou seja, desprendem-se espontaneamente do estróbilo. Em T. solium são eliminadas passivamente com as fezes de três a seis anéis unidos, enquanto em T. saginata as proglotes destacam-se e são eliminadas separadamente entre as evacuações. A nutrição dos vermes adultos faz-se através da membrana celular que recobre todo o tegumento e que oferece enorme extensão superficial, graças às microvilosidades ou microtríquias aí existentes. Os nutrientes penetram por simples difusão, transporte facilitado ou ativo e por pinocitose. Os vermes adultos apresentam motilidade que confere resistência aos movimentos peristálticos do intestino e à corrente líquida da luz intestinal, que tenderiam a expulsá-lo. A proglote grávida de T. solium tem menor atividade locomotora que a de T. saginata, a qual pode sair ativamente pelo ânus e raramente pela boca. Os ovos de T. solium e T. saginata são indistinguíveis, são esféricos, possuem entre 31 a 43 μm de diâmetro, uma casca protetora formada por blocos piramidais de quitina unidos entre si por uma substância cementante que lhe confere resistência no ambiente, denominada embrióforo. Internamente encontra-se o embrião hexacanto ou oncosfera, provido de três pares de ganchos e dupla membrana. O cisticerco da T. solium é constituído de uma vesícula translúcida com líquido claro, contendo invaginado no seu interior um escólex com quatro ventosas, rostelo e colo. Já o cisticerco da T. saginata apresenta a mesma morfologia, diferindo apenas pela ausência de rostelo. Os cisticercos podem ser encontrados nos tecidos subcutâneos, muscular, cardíaco, cerebral e no olho, podendo atingir até 20 mm de diâmetro, são conhecidos popularmente como canjiquinhas. Figura 6. Cisticerco de Taenia solium. A) cisticerco invaginado, encontrado normalmente nos tecidos. B) desenvaginado (notar ventosas e rostro armado). C) ovo de Taenia spp. (igual para T. solium e T. saginata); I – rostro; 2 – ventosa; 3 – pescoço ou colo; 4 – vesícula. Fonte: Neves (2016). Videoaula 2 Assista à videoaula para entender todo o ciclo biológico da Taenia solium e Taenia saginata! A teníase é ocasionada tanto por T. solium quanto T. saginata e é caracterizada pela presença dos vermes adultos no intestino. Adquire-se esta doença através da ingestão de carne crua ou malcozida contendo cisticercos de ambas as espécies de parasitas. Frequentemente essa doença é assintomática, porém, algumas pacientes podem apresentar dores abdominais, perda de peso, fraqueza, vertigem, apetite aumentado, constipação intestinal, diarreia, prurido anal, apendicite e obstrução brônquica. A cisticercose ocorre pela ingestão de ovos viáveis de Taenia solium presentes em água ou alimentos contaminados (heteroinfecção), ou quando o paciente apresenta o verme adulto de T. solium no intestino e ingere ovos eliminados por estes vermes (autoinfecção). As manifestações clínicas da cisticercose são bastante variáveis e depende do tipo morfológico do cisticerco, da localização do parasita, do número deste, circunstância de estar vivo ou morto, e da resposta imunológica do paciente. As medidas que evitam a contaminação por estes parasitas incluem: não ingerir carne suína ou bovina crua ou malcozida; tratamento de pessoas infectadas; melhoramento dos serviços de água e esgoto (saneamento básico); criação de suínos e bovinos sem acesso às fezes humanas; inspeção rigorosa da carne e fiscalização dos matadouros; e educação em saúde. Hymenolepis nana Acredita-se que a infecção por cestoides mais comuns em seres humanos seja por Hymenolepis nana, com ampla distribuição mundial. Isto se deve ao fato de esse parasito possuir ciclo direto, fazendo com que a infecção entre humanos seja facilmente espalhada. Outro fator importante é o curto ciclo de vida desse parasito, fazendo com que os ovos estejam rapidamente disponíveis para contaminar outros pacientes. Áreas com alta densidade populacional, tais como creches, escolas e prisões, em áreas endêmicas frequentemente apresentam altos níveis de pacientes infectados por este parasita. Conhecida popularmente como tênia anã devido ao seu pequeno comprimento que chega a medir de 6 a 10 cm, e em infecções mais intensas não alcançam um centímetro. Apresenta um escólex com quatro ventosas e acúleos, semelhante à Taenia solium, porém com dimensões bem menores e retrátil. Apresenta um colo relativamente comprido e estróbilo com proglotes que variam em número de 100 a 200, apresentando morfologia mais largas do que longas. Suas proglotes maduras apresentam três testículos que se dispõem em linha, transversalmente, vendo-se entre eles o ovário e a glândula vitelina. A proglote grávida apresenta útero de forma sacular abarrotada de ovos. Ao desprenderem-se do estróbilo, por apólise, essas proglotes rompem-se, desintegram-se ainda no intestino do paciente e libertam no meio grande número de ovos. Os ovos são quase esféricos, medindo cerca de 40μm de diâmetro. São transparentes e incolores. Apresentam uma membrana externa delgada envolvendo um espaço claro. Mais internamente apresentam outra membrana envolvendo a oncosfera. Essa membrana interna apresenta dois mamelões claros em posições opostas, dos quais partem alguns filamentos longos. Este ovo é popularmente conhecido como “chapéu de mexicano, visto por cima”. Figura 7. Morfologia de Hymenolepis nana. A) verme adulto; B) detalhe do escólex com o rostro retrátil; C) ovo típico com o embrião hexacanto e os filamentos polares. Fonte: Neves (2011). A larva cisticercóide é uma pequena larva, formada por um escólex invaginado e envolvido por uma membrana. Contém pequena quantidade de líquido e mede cerca de 500μm de diâmetro. Como nos demais cestoda, pode-se denominar de protoescólex ao escólex da larva. O verme adulto é encontrado no intestino delgado, principalmente íleo e jejuno do homem. Os ovos são encontrados nas fezes e a larva cisticercóide pode ser encontrado nas vilosidades intestinais do próprio homem ou na cavidade geral do inseto hospedeiro intermediário (pulgas e carunchos de cereais). Videoaula 3 A Hymenolepis nana pode apresentar dois tipos de ciclo: um monoxênico e outro heteroxênico, que usa hospedeiros intermediários, representados por insetos. Para compreender estes dois tipos de ciclo assista à videoaula. O mecanismo mais frequente de transmissão é a ingestão de ovos presentes nas mãos ou em alimentos contaminados. Nestes casos ocorrem normalmente poucas reinfecções no hospedeiro, pois a larva cisticercóide, tendo se desenvolvido nas vilosidades da mucosa intestinal, confere forte imunidade ao mesmo. É por esse motivo que esse parasito é o mais frequente entre crianças do que nos adultos. Quando o hospedeiro ingere um inseto com larvas cisticercóides e estas dão vermes adultos, podendo ocorrer hiperinfecção, uma vez que não há imunidade e milhares de ovos podem ser liberados no intestino, dando uma auto- infecção interna (a oncosferade cada ovo penetraria na mucosa do íleo, dando uma larva cisticercóide, e esta depois transforma-se em verme adulto). Mas para ocorrer essa auto- infecção interna há necessidade de ter havido antes um retroperistaltismo, para que, através desse mecanismo, os ovos (embrióforos) sejam semidigeridos pelo suco gástrico e, após voltarem para o íleo, ocorra a eclosão das larvas. A maioria dos pacientes apresentam-se assintomáticos. Quando sintomáticos podem apresentar as seguintes manifestações clínicas: diarreia, dor abdominal, perda de peso e erupções cutâneas. Entre as medidas de profilaxia podemos citar: higiene individual, uso de privadas ou fossas, uso de aspirador de pó e tratamento precoce dos doentes. O combate aos insetos de cereais (carunchos) e pulgas existentes em ambiente doméstico. Fazer exame de fezes nos demais membros da comunidade (família, creche, etc.) e tratá-los corretamente para se evitar a manutenção de fontes de infecção. Aula 2 Principais parasitas do Filo Nematoda Dentro deste grupo são encontrados representantes com os mais diversos tipos de vida e hábitat. São vermes com simetria bilateral, sem segmentação verdadeira ou probóscide, cilíndricos, alongados, com tubo digestivo completo, com abertura anal ou cloacal. Ascaris lumbricoides Conhecida popularmente como lombriga, a Ascaris lumbricoides continua sendo o helminto mais frequente em regiões pobres. Condições climáticas têm um importante papel nas taxas de infecção. Em geral, a prevalência é baixa em regiões áridas. Contudo, é relativamente alta em locais de clima úmido e quente, condição ideal para a sobrevivência e embrionamento dos ovos. Além disso, áreas desprovidas de saneamento com alta densidade populacional contribuem significativamente para o aumento da ascaridiose. As formas adultas são longas, robustas, cilíndricas e apresentam as extremidades afiladas. O tamanho dos vermes depende do número de parasitos encontrados no intestino delgado e do estado nutricional do hospedeiro. Geralmente apresentam entre 20 a 40 cm de comprimento por 2 a 6 mm de largura, sendo a fêmea mais robusta que o macho. A fêmea apresenta extremidade posterior retilínea e o macho uma extremidade posterior fortemente encurvada para a face ventral. A cor, a boca e o aparelho digestivo são semelhantes entre fêmeas e machos. Apresentam um vestíbulo bucal com três fortes lábios com serrilha de dentículos, cuja função é de adesão à mucosa intestinal. Após a boca segue-se o esôfago musculoso e logo após o intestino retilíneo. O reto é encontrado próximo à extremidade posterior. O macho apresenta um testículo filiforme e enovelado, que se diferencial em canal deferente, continua pelo canal ejaculador, abrindo-se na cloaca, localizada próximo à extremidade posterior. Apresenta ainda dois espículos iguais que funcionam como órgãos acessórios da cópula, estes podem ser projetados para fora da cloaca ou ficar retraídos, pela ação de músculos implantados em sua base. A fêmea apresenta dois ovários filiformes e enovelados que continuam como oviduto, diferenciando em úteros que vão se unir em uma única vagina, que se exterioriza pela vulva, localizada no terço anterior do parasita. Os ovos medem aproximadamente 50 a 60μm, são ovais e com cápsula espessa, em razão de uma membrana externa mamilonada, secretada pela parede uterina e formada por mucopolissacarídeos. Essa membrana facilita a aderência dos ovos a superfícies, propiciando sua disseminação. A esse envoltório seguem-se uma membrana média de constituição proteica e outra mais interna, delgada e impermeável à água, constituída de proteínas e principalmente lipídeos. Essa última camada confere ao ovo grande resistência às condições adversas do ambiente. Internamente os ovos apresentam uma massa de células germinativas. Frequentemente podem ser encontrados nas fezes ovos inférteis, que são mais alongados, possuem membrana mamilonada mais delgada e citoplasma granuloso. Estes ovos inférteis são gerados por fêmeas não fecundadas, e não originam larvas em seu interior. Os ovos férteis em presença de temperatura entre 25 e 30ºC, umidade mínima de 70% e oxigênio em abundância tornam-se embrionados em 15 dias. No interior deste ovo encontra- se uma larva de primeiro estádio (L1) do tipo rabditoide, ou seja, possui um esôfago com duas dilatações, uma em cada extremidade e uma constrição no meio. Após uma semana, ainda dentro do ovo, essa larva sofre muda transformando-se em L2 e, em seguida, nova muda transformando-se em L3, do tipo filarióide (com esôfago retilíneo). Esta larva é infectante e pode permanecer dentro do ovo, no solo, por vários meses, podendo ser ingeridas pelo hospedeiro. Figura 8. Ovos e larvas de Ascaris lumbricoides. A. Ovo recém-eliminado. B. Ovo embrionado no meio exterior. C. Ovo infértil. D. Eclosão da larva infectante no tubo digestivo do hospedeiro. E. Larva isolada do pulmão. Fonte: Rey (2008). Videoaula 1 O Ascaris lumbricoides trata-se de um parasita monoxeno e é um clássico geo-helminto, cujo ciclo biológico caracteriza-se por apresentar um estágio de desenvolvimento no solo. Assista à videoaula para compreender melhor o ciclo biológico deste parasita. A infecção ocorre por ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos contendo a larva L3 (heteroinfecção). Poeira, aves e insetos, como moscas e baratas, são capazes de veicular mecanicamente ovos de A. lumbricoides. O quadro clínico depende do número de parasitas e se o hospedeiro apresenta hipersensibilidade aos produtos parasitários. Na maioria dos casos, os pacientes são assintomáticos. Quando sintomáticos, os pacientes podem apresentar Síndrome de Loeffler (tosse, febre, eosinofilia e dispneia), irritação intestinal, constipação, dor abdominal e perda de peso. Raramente os vermes adultos podem ocupar localizações ectópicas, como canal pancreático, vias biliares, fígado, trompa de Eustáquio, ouvido médio, pulmão, boca ou nariz. Entre as medidas profiláticas para esta parasitose o saneamento básico está entre as principais. Além disso é importante realizar o tratamento dos pacientes com ascaridíase e de habitantes de área endêmicas. Recomenda-se também a higienização dos alimentos, proteção contra insetos, e educação em saúde. Ancilostomídeos As duas principais espécies de ancilostomídeos que exercem parasitismo gastrintestinal em seres humanos são o Ancylostoma duodenale e Necator americanus. Embora o Ancylostoma ceylanicum possa ser encontrado parasitando o homem, são os canídeos e felinos domésticos e silvestres os verdadeiros hospedeiros definitivos. Estes parasitas ocasionam a ancilostomose, conhecida popularmente como amarelão. Embora considerada uma doença de alto impacto mundial é negligenciada, sendo altamente prevalente em áreas de pobreza e desigualdade social. Além do parasitismo causado por vermes adultos, larvas de algumas espécies de ancilostomídeos podem causar a larva migrans cutânea, conhecida popularmente como bicho geográfico. A principal característica morfológica destes parasitas é a presença de uma cápsula bucal, uma projeção da cutícula na região anterior do verme adulto. A. duodenale e A. ceylanicum apresentam cápsula bucal com dentes, enquanto o N. americanus apresenta uma cápsula bucal com lâminas cortantes. Esta cápsula funciona como uma bomba aspirante, graças às contrações vigorosas da musculatura esofagiana. O sangue é ingerido de modo quase contínuo, atravessa o tubo digestivo, terminando no ânus. Apresentam uma glândula cefálica que segrega enzimas e substâncias anticoagulantes. Estas enzimas participam da digestão intestinal. Figura 9. Cápsula bucal de ancilostomatídeos. A. Cápsula bucal de Ancylostoma duodenale com dois pares de dentes na margeminterna da boca. B. Cápsula bucal de A. ceylanicum com dois pares de dentes. C. Cápsula bucal de Necator americanus margeada por duas lâminas cortantes subventrais e duas subdorsais. Fonte: Neves (2016). A fêmea apresenta dois ovários e correspondentes ovidutos e úteros, formam um emaranhado de tubos de diâmetro crescente ao redor do tubo digestivo. Os úteros repletos de ovos unem- se para formar uma vagina curta. A vulva está situada para diante da metade do corpo em N. americanus e no terço posterior em Ancylostoma spp. O aparelho genital masculino é formado de um só testículo tubular e de um canal deferente, ambos muito sinuosos. Antes de terminar, o deferente dilata-se para constituir um reservatório de espermatozoides, a vesícula seminal. Segue-se a esta o canal ejaculador, longo e retilíneo, que é ladeado por um par e glândulas do cimento e termina na cloaca. Como órgãos auxiliares da cópula os machos possuem dois longos espículos filiformes, cada qual alojada em uma bainha tubular, quando retraído e movidos por músculos que os fazem sair ou entrar, escorregando sobre um gubernáculo (esclerotização da parede posterior da bolsa do espículo). Os machos apresentam extremidade posterior expandida para formar a bolsa copuladora, uma expansão membranosa da cutícula, sustentada por raios carnosos, à maneira das varetas de um guarda-chuva. Esta bolsa contribui para a fixação da extremidade do macho sobre o orifício genital feminino. Os ovos das várias espécies de ancilostomídeos são muito parecidos, ovoides ou elípticos, de casca final e transparente. Diferente, entretanto, principalmente pelo tamanho médio. O de A. duodenale mede ao redor de 60μm e o de N. americanus 70μm. Entre a casca e a célula-ovo há sempre um espaço claro que diminui à medida que avança a segmentação. Figura 10. Organização geral dos ancilostomídeos. A. fêmea. B. macho. C. ovos. Localização dos órgãos: a. esôfago; b. glândula cefálica; c. útero; d. ovário; e. intestino; f. reto e ânus; g. cápsula bucal; h. testículo; i. vesícula seminal; j. canal ejaculador; k. bolsa copuladora; l. espículos. Fonte: modificado de Rey (2008). A larva que eclode do ovo é a de primeiro estádio (L1) do tipo rabditoide, cujo aparelho genital está representado por um pequeno grupo de células. Estas larvas alimentam-se ativamente no solo, ingerindo bactérias, e crescem de modo que no terceiro dia sofre a primeira muda. A larva rabditoide de segundo estádio (L2) cresce até sofrer a segunda muda se transformando em uma larva filarióide, com esôfago retilíneo, nutre-se exclusivamente de suas próprias reservas de glicogênio. Na maioria dos casos, a cutícula do estádio anterior permanece envolvendo a larva L3, isolando-a ainda mais do meio exterior. Estas larvas são muito ativas e podem penetrar a pele do homem, um processo que dura cerca de 30 minutos. Videoaula 2 Agora que você já conhece as principais formas evolutivas do parasita assista à videoaula para aprender o ciclo biológico dos ancilostomídeos! Parasitos da subfamília Ancylostomatinae podem infectar o homem por via oral, através da ingestão de L3 presentes em água ou alimentos contaminados, ou pela penetração ativa das larvas na pele. Já a forma de transmissão do Necator americanus ocorre somente pela penetração da larva na pele ou mucosa oral, não sofrendo ecdise na mucosa intestinal. O quadro clínico do paciente parasitado depende da carga parasitária e do estado nutricional do hospedeiro. Quando o hospedeiro apresenta baixa carga parasitária e uma boa nutrição, geralmente é assintomático. Por outro lado, quando o indivíduo apresenta elevada carga parasitária e subnutrição, pode apresentar dores epigástricas, anemia ancilostomótica, com palidez, vertigens, fadiga, desânimo, déficit de atenção, dispneia, cefaleia e alotriofagia (apetite compulsivo por substâncias não nutritivas, como solo, argila, tijolo ou areia). As medidas profiláticas para a ancilostomose incluem: saneamento básico; ter bons hábitos de higiene; consumir alimentos crus lavados e água filtrada ou fervida; evitar contato direto com areia ou terra e educação em saúde. Conforme mencionado anteriormente, algumas espécies de ancilostomídeos podem ocasionar a síndrome larva migrans cutânea, uma dermatite serpiginosa e pruriginosa. As principais espécies de ancilostomídeos que causam esta síndrome são o Ancylostoma caninum e A. braziliense, cujos hospedeiros verdadeiros são os cães e gatos. Esta síndrome é decorrente da migração de larvas através do tecido subcutâneo durante semanas ou meses. À medida que as larvas progridem deixam atrás de si um rastro sinuoso conhecido popularmente como bicho geográfico ou bicho das praias. As medidas profiláticas para esta síndrome incluem: evitar contato direto com areia ou terra; vermifugar cães e gatos; evitar contato com cães e gatos desconhecidos; impedir a circulação de cães e gatos em praias e demais locais de lazer com terrenos arenosos; realizar a troca periódica da areia de tanques utilizados para o lazer de crianças. Enterobius vermicularis Conhecido popularmente como oxiúros, o Enterobius vermicularis é um parasita cosmopolita, presente em diferentes localidades, climas e populações. Crianças em idade escolar são as mais acometidas. Os vermes adultos caracterizam-se por apresentar cor esbranquiçada, corpo filiforme e cutícula finamente estriada em sentido transversal. Na extremidade anterior, lateralmente à boca, notam-se expansões vesiculares da cutícula muito típicas, chamadas de asas cefálicas. A boca é pequena, com três pequenos lábios retráteis. Segue um esôfago do tipo claviforme e relativamente musculoso, o qual termina em um bulbo cardíaco. Vivem no ceco do ser humano e alimentam-se do conteúdo intestinal. A fêmea mede cerca de 1cm de comprimento, possui extremidade posterior afilada, sendo a cauda longa e pontiaguda. A vulva abre-se no terço médio anterior, a qual é seguida por uma vagina que se comunica com dois úteros, cada ramo uterino se continua com oviduto e ovário que apresentam aspecto enovelado. A medida que o número de ovos intrauterinos nas fêmeas grávidas de E. vermicularis aumenta, seu corpo gradualmente se distende e é tomado quase em sua totalidade pelos ovos do parasito, cujo total pode ser de até 16 mil em uma única fêmea. Os machos medem entre 0,3 e 0,5 cm de comprimento, apresentam cauda fortemente recurvada em sentido ventral. Possuem apenas um testículo, um canal deferente e canal ejaculador, o qual alcança a cloaca do verme. Por essa mesma abertura o espículo relativamente longo é projetado durante a cópula. Trata-se de um parasita monoxênico. Após a cópula os machos são eliminados com as fezes do hospedeiro e morrem. As fêmeas grávidas desprendem-se do ceco, passam por todo o intestino grosso e alcançam a região perianal. A fêmea grávida já extremamente distendida, tende a diminuir a sua motilidade, estando sujeita ao dessecamento no meio externo, é provável o seu rompimento em algum momento por traumatismo, incluindo o ato de coçar do hospedeiro. Com o seu rompimento os ovos são liberados, como massas, unidos pela substância pegajosa que os recobre. Os ovos medem de 50 a 60μm de comprimento e apresentam o aspecto de letra “D”, pois um dos lados do ovo é sensivelmente achatado e o outro é convexo. Possui dupla camada, é liso e translúcido. Quando os ovos de E. vermicularis deixam o corpo da fêmea já apresentam no seu interior uma larva formada, ainda em desenvolvimento. A estreita proximidade desses ovos, já embrionados, com a superfície de mucosas e/ou pele do sujeito parasitado faz tornarem-se infectantes em até 6 horas, quando duas ecdises já ocorreram. Os ovos podem resistir non ambiente por até 3 semanas. Após a ingestão dos ovos do parasito pelo hospedeiro, larvas do tipo rabditoide eclodem no duodeno,passam pelo jejuno e pelo íleo, alcançando o ceco. Nesse trajeto realizam duas novas mudas e se transformam em vermes adultos. Cerca de 30 a 40 dias após a infecção as fêmeas já estão repletas de ovos. A principal forma de transmissão desta parasitose é por heteroinfecção, ou seja, a ingestão de ovos presentes em alimentos, poeira ou fômites, eliminados por outro hospedeiro. Também é comum, especialmente em crianças, a autoinfecção externa, na qual o próprio indivíduo parasitado, após coçar a região perianal, leva os ovos infectantes até a boca. A maior parte das pessoas infectadas apresentam-se assintomáticas ou manifestações clínicas leves. A manifestação clínica mais prevalente na enterobiose é o prurido anal, o qual é exacerbado no período noturno. Além da irritação local, podem ocorrer lesões intestinais discretas, ulcerações de mucosa ou abcessos de submucosa. Apesar de a evolução da maioria dos casos de enterobiase ser benigna, vermes adultos podem atingir cavidade peritoneal, fígado, baço pulmões e trato geniturinário. Também pode ocorrer apendicite e infecções secundárias. As medidas profiláticas para esta parasitose são: manejo adequado de vestes, roupas íntimas e de cama usadas pelo indivíduo infectado; limpeza doméstica com aspirador de pó; corte rente das unhas e lavagem frequente das mãos; banho diário; desestímulo ao ato de coçar a região perianal e a onicofagia (roer unhas); tratar todas as pessoas parasitadas da família ou outra coletividade. Strongyloides stercoralis Agente etiológico da estrongiloidose, um importante problema médico e social, destacando-se como uma doença tropical em condições de negligenciamento. A infecção natural pelo S. stercoralis confirmada em cães, gatos e macacos que estão em contato com o homem, indicam que estes animais podem ser importantes reservatórios para esta parasitose. Esta espécie de parasita possui diferentes formas evolutivas, tais como: fêmea partenogenética ou parasita, fêmea estercoral ou de vida livre, macho de vida livre, larvas filarióides e rabditoides. A fêmea partenogenética, triploide (3N), é a forma encontrada parasitando o intestino humano. Possui corpo cilíndrico, cuja extremidade anterior é arredondada e posterior afilada. Mede entre 1,7 a 2,5mm de comprimento. Com cutícula fina e transparente, levemente estriada no sentido transversal. Pode viver até cinco anos e produz de 30 a 40 ovos por dia, via partenogênese, ou seja, não é fecundada pelo macho. Seu aparelho digestivo é simples, com boca contendo três lábios, esôfago longo do tipo filarióide, intestino e ânus. O aparelho genital é composto de útero, ovários, oviduto e vulva, não apresenta receptáculo seminal. Ficam localizadas nas criptas da mucosa duodenal, onde fazem as posturas. Nas formas graves, são encontradas na porção pilórica do estômago até o intestino grosso. Estas fêmeas produzem três tipos de ovos com larvas rabditoides, que originam: larvas filarioides infectantes, fêmeas de vida livre e machos de vida livre. A fêmea estercoral, diplóide (2N), mede de 0,8 a 1,2 mm de comprimento. Apresenta uma cutícula fina e transparente com finas estriações. Seu aparelho digestivo é simples com boca contendo três lábios, esôfago curto e de aspecto rabditoide. O aparelho genital é constituído de um útero anfidelfo, contendo até 28 ovos, ovários, ovidutos e vulva. Apresenta receptáculo seminal. O macho (1N), de vida livre, mede cerca de 0,7 mm de comprimento. Apresenta boca com três lábios, esôfago do tipo rabditoide, seguido de intestino terminando em cloaca. O aparelho genital contendo testículos, vesícula seminal, canal deferente e canal ejaculador que se abre na cloaca. Apresenta dois pequenos espículos, auxiliares na cópula, que se deslocam sustentados pelo gubernáculo. Os ovos são elípticos, de parede fina e transparente, praticamente idêntico ao dos ancilostomídeos. Os originários da fêmea parasita medem 0,05 mm de comprimento e os de fêmea de vida livre são maiores, medindo aproximadamente 0,07mm de comprimento. As larvas originárias das fêmeas parasitas são praticamente indistinguíveis das fêmeas de vida livre. As larvas L1 e L2 são do tipo rabditoide, com vestíbulo bucal curto e primórdio genital nítido, diferenciando-se das larvas rabditoides de ancilostomídeos, que apresentam vestíbulo bucal alongado e vestígio de primórdio genital. A larva L3 é do tipo filarióide, com esôfago longo e retilíneo, ocupando metade do comprimento da larva, medindo de 0,3 a 0,5 mm de comprimento. Sua extremidade posterior afina-se gradualmente terminando em duas pontas, conhecida como cauda entalhada, que a diferencia da larva filarióide de ancilostomídeos, que é pontiaguda. Este parasita apresenta dois tipos de ciclos: direto ou partenogenético e indireto, que inclui as formas de vida livre. Videoaula 3 Agora que você já conhece as principais formas evolutivas do parasita assista à videoaula para aprender o ciclo de vida direto e indireto do Strongyloides stercoralis. A principal forma de transmissão da doença ocorre pela penetração das larvas filarióides L3, presentes no solo, na pele ou mucosas. A autoinfecção externa ocorre quando larvas rabditóides presentes na região perianal se transformam em larvas filaróides e penetram na pele. Esse modo de infecção pode ocorrer em crianças, idosos ou pacientes internados que defecam na fralda ou em indivíduos que por deficiência de higiene deixam permanecer restos de fezes em pelos perianais. A autoinfecção interna ocorre quando larvas rabditoides ainda na luz intestinal transformam-se em larvas filarióides que penetram a mucosa intestinal. Esse mecanismo pode cronificar a doença por vários meses ou anos. O quadro clínico da estrongiloidíase depende de diversos fatores, tais como carga parasitária, estado nutricional e imunológico, alcoolismo, outras infecções e intervenções cirúrgicas gastroduodenais. Entre as manifestações clínicas principais, podemos citar: manifestações cutâneas discretas, síndrome de Loeffler, enterites (catarral, edematosa e ulcerosa) e estrongiloidíase disseminada, geralmente fatal. Entre as medidas profiláticas podemos citar: saneamento básico, higienização dos alimentos, uso de calçados, melhoria da alimentação, vermifugação de cães e gatos, uso profilático de tiabendazol em imunossuprimidos e educação em saúde. Trichuris trichiura Agente etiológico da tricuríase, o Trichuris trichiura é mais prevalente em crianças do que em adultos. A redução da prevalência e da intensidade da infecção com o aumento da idade do hospedeiro pode refletir uma diminuição da exposição à infecção bem como o desenvolvimento de uma resposta protetora. Os vermes adultos apresentam entre 3 a 5 cm de comprimento e apresentam uma forma típica semelhante a um chicote. Esta aparência é consequência do afilamento da região esofagiana, que compreende 2/3 do comprimento total do corpo, seguido de alargamento abrupto da região posterior, que compreende o intestino e os órgãos genitais. A definição do gênero Trichuris, causa em forma de cabelo, representa um engano, pois não é a cauda e sim a região anterior do parasita. O parasita apresenta órgão bucal desprovido de lábios, onde pode ser observado um pequeno estilete, seguido por um esôfago bastante longo e delgado. Na porção alargada do corpo tem- se o intestino que termina no ânus, localizado próximo à extremidade da cauda. Os machos são menores que as fêmeas, apresentam um único testículo seguido por um canal deferente, vesícula seminal, canal ejaculador que termina em um único espículo, protegido por uma bainha recoberta por pequenos espinhos. Sua extremidade posterior é curvada ventralmente. A fêmea apresenta um ovário, seguido do útero contendo muitos ovos não embrionados, que se abre na vulva, localizada na proximidade da junção entre o esôfago e intestino. Asfêmeas eliminam em média 14.000 ovos ao dia. Considerado um parasita tissular, penetram a camada epitelial da mucosa intestinal do hospedeiro, ficando com a região esofageana inserida na mucosa, enquanto a porção posterior permanece exposta no lúmen intestinal facilitando a reprodução e a eliminação dos ovos. Alimentam-se de muco, enterócitos mortos e sangue. Os ovos apresentam aproximadamente 50 μm de comprimento, formato elíptico com poros salientes e transparentes em ambas as extremidades, preenchidos por material lípídico. A casca dos ovos de T. trichiura é formada por três camadas, uma mais externa lipídica, uma quitina intermediária e uma vitelínica interna, que favorece a resistência destes ovos a fatores ambientais. Trata-se de um parasita monoxeno. As fêmeas e os machos habitam o intestino grosso, principalmente o ceco, onde reproduzem-se, e os ovos são eliminados para o meio externo, juntamente com as fezes. Uma vez no ambiente, estes ovos sofrem embriogênese formando uma larva de primeiro estágio. Na temperatura de 25ºC ovo sofre embriogênese em 21 dias, e já se encontra infectante para o homem. O homem se infecta ao ingerir alimentos e/ou água contaminados com ovos. As larvas de T. trichiura eclodem dos ovos através de um dos poros, estimuladas pela exposição sequencial ao suco gástrico e suco pancreático. As larvas L1 penetram na mucosa intestinal, preferencialmente das criptas cecais, onde sofrem ecdises, passando pelos quatro estágios larvais típicos. Ali se desenvolvem em vermes adultos que expõem a porção posterior do corpo à luz intestinal. Além da ingestão de alimentos ou água contaminados com ovos do parasita, a transmissão pode ocorrer através da ingestão de ovos diretamente pela mão contaminada e a prática da geofagia. O quadro clínico do paciente parasitado depende da idade, da carga parasitária e do estado nutricional. Entre os sintomas mais frequentes estão: cefaleia, dor epigástrica, náuseas, vômitos, diarreia e disenteria. Casos mais graves da doença estão relacionados com quadros de anemia, desnutrição grave e prolapso retal. O tratamento medicamento em dose única não produz taxas de cura satisfatórias, e a combinação de drogas, principalmente albendazol com ivermectina, apresentam maior eficácia no tratamento desta parasitose. As principais medidas profiláticas para esta parasitose são: saneamento básico, higiene pessoal, higienização dos alimentos, controle de vetores mecânicos, como moscas e baratas, e educação em saúde. Wuchereria bancrofti Agente etiológico da filariose, é um verme fino e delicado, cuja fêmea produz embriões ou microfilárias, sendo encontrados nos vasos linfáticos, sanguíneos, tecido subcutâneo, cavidade peritoneal ou mesentério, e necessita de um hospedeiro invertebrado para completar o seu ciclo de vida. A transmissão dessa parasitose ocorre unicamente pela picada do inseto vetor infectado (Culex quinquefasciatus) e deposição das larvas infectantes na pele lesada do hospedeiro. Somente as fêmeas transmitem o parasita, realizam o repasto sanguíneo principalmente no período noturno e depositam seus ovos em água doce com alta concentração de matéria orgânica. A W. bancrofti possui diferentes formas evolutivas nos hospedeiros vertebrados (humanos) e invertebrados (mosquito vetor). A extremidade anterior do verme adulto apresenta minúsculas papilas sensoriais, dispostas em círculos. A boca é desprovida de lábios, o esôfago é longo e cilíndrico. Os vermes adultos têm por hábitat os vasos e gânglios linfáticos, onde se alimentam do líquido nutritivo que os banha. O macho apresenta corpo delgado e branco leitoso, medindo de 3,5 a 4 cm de comprimento, com extremidade anterior afilada e posterior enrolada ventralmente. Apresenta dois espículos copulatórios de tamanhos e formas desiguais que se deslocam sobre um gubernáculo. A fêmea também apresenta corpo delgado e branco leitoso, porém medem de 7 a 10 cm de comprimento, com extremidade posterior retilínea. Possui órgãos genitais duplos, com exceção da vagina, e uma vulva próxima da extremidade anterior. A fêmea grávida faz postura de microfilárias que possuem uma membrana de revestimento delicada. Medem entre 250 e 300μm de comprimento e se movimenta ativamente na corrente sanguínea. Cada microfilária apresenta além da bainha e da cutícula, uma quantidade de núcleos bem corados, correspondentes às células subcuticulares que irão formar a hipoderme e a musculatura do helminto adulto, as células somáticas que irão constituir o tubo digestivo e outros órgãos. Na extremidade anterior, arredondada, há um estilete bucal. As larvas são encontradas no inseto vetor. A larva de primeiro estádio (L1, salsichóide) mede em torno de 300 μm de comprimento e é originária da transformação da microfilária. Essa larva se diferencia em larva de segundo estádio, duas a três vezes maior e sofre nova muda originando a larva infectante L3, que tem entre 1,5 a 2 mm de comprimento. O ciclo biológico é do tipo heteroxênico. A fêmea do C. quinquefasciatus, ao sugar o sangue de pessoas parasitadas, ingere microfilárias que, no estômago do mosquito, após poucas horas perdem a bainha, atravessam a parede do estômago do inseto, caem na cavidade geral, alojam-se nos músculos torácicos e transformam-se em larva salsichóide (L1). Seis a 10 dias após o repasto infectante, ocorre a primeira muda originando a L2. Esta cresce, sofre segunda muda transformando-se em L3. Esta larva infectante migra pelo inseto até alcançar a probóscida, concentrando-se no lábio do mosquito. O ciclo no hospedeiro invertebrado é de 15 a 20 dias em temperatura de 15 a 20°C. Quando o inseto vetor faz novo repasto sanguíneo, as larvas L2 escapam do lábio, penetram pela solução de continuidade da pele do hospedeiro e migram para os vasos linfáticos. Meses depois as larvas amadurecem e se transformam em vermes adultos com sexos distintos. As fêmeas grávidas, após fecundadas, produzem microfilárias que migram para o sangue do hospedeiro vertebrado. O período pré-patente, que vai desde a infecção humana (penetração de larva infectante) até o encontro de microfilárias no sangue do hospedeiro, é longa e varia em torno de 7 a 9 meses. Figura 11. Ciclo evolutivo da filária no mosquito. Fonte: modificado de Rey (2008). A filariose bancroftiana pode ser subclínica ou assintomática. Quando sintomática, na forma aguda pode se apresentar com linfangite e linfadenite e na forma crônica, linfadenite e elefantíase. As melhores medidas profiláticas para esta parasitose são: combater o inseto vetor, através do uso de inseticidas e larvicidas; reduzir criadouros do vetor, evitando acúmulo de água parada em recipientes; tratamento das pessoas parasitadas, uso de repelentes e telas em portas e janelas e educação em saúde. Encerramento Chegamos ao fim dessa unidade em que você pôde conhecer um pouco mais sobre as principais espécies de helmintos que parasitam o homem. Nesta unidade você conheceu a diversidade morfológica e biológica desses parasitas. Atente-se que alguns são hermafroditas, outros são dioicos, ou seja, apresentam vermes machos e fêmeas. Você também aprendeu que alguns parasitas são monoxenos, como Ancylostoma duodenale e Enterobius vermicularis, enquanto outros são heteroxenos, como Schistosoma mansoni e Taenia spp. Além disso, alguns parasitas foram classificados como geo-helmintos, como o Ascaris lumbricoides, porque passam uma fase do seu ciclo biológico no solo. A maioria dos parasitas apresentam habitat intestinal, mas você também viu que alguns parasitas podem circular por vários órgãos, e inclusive sofrer ecdises nestes diferentes tecidos. Para a maioria dos parasitas estudados nesta unidade vimos que a principal medida profilática é a construção de rede de esgoto e a educação em saúde,e que a maior prevalência ocorre em regiões com baixas condições socioeconômicas, e infelizmente muitas dessas doenças são negligenciadas. Por isso você tem um papel fundamental na sociedade! Pois agora, com seu conhecimento em infecções parasitárias, você conhece melhor a biologia destas espécies e sabe como evitar que estas doenças acometam a população. Sabendo a biologia e a morfologia destes parasitas você fica apto para a disciplina clínica, onde você aprenderá diferentes técnicas de diagnóstico para estas parasitoses! Espero que você tenha tido um ótimo proveito desta disciplina, bons estudos! Encerramento da Disciplina Chegamos ao fim da disciplina, e agora você já conhece um pouco mais sobre o mundo fantástico dos parasitas. Você teve a oportunidade de deslumbrar a bela diversidade biológica e morfológica dos parasitas. Também deve ter se surpreendido com alguns ciclos de vida complexos, porém, outros nem tanto. Pôde ver alguns no microscópio, tão pequenos, outros pôde ver a olho nu, como a Taenia saginata! Agora você sabe que eles podem estar em qualquer lugar, em qualquer animal, ou pessoa! Mas não é motivo de preocupação, não é mesmo? Afinal, você já sabe como são, onde eles habitam, e principalmente, como evitá-los! As parasitoses, embora tão frequentes, em sua maioria são doenças negligenciadas. E é aí que você entra: um (a) futuro (a) profissional da área da saúde, que poderá fazer a diferença nas estatísticas brasileiras, capaz de identificar estes parasitas em amostras biológicas e de traçar medidas profiláticas para estas parasitoses! Espero que você tenha aprendido muito e tido um ótimo proveito desta disciplina! Foi ótimo tê-lo (a) conosco! Bons estudos!!! Referências CIMERMAN, Benjamin; FRANCO, Marco Antonio (Ed.). Atlas de parasitologia humana: com a descrição e imagens de artrópodes, protozoários, helmintos e moluscos. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2011. 166 p. COURA, José Rodrigues. Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 2 v. FIGUEIREDO, Beatriz Brener de (Org). Parasitologia. São Paulo: Pearson, 2015. NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 13. ed. São Paulo: Atheneu, 2016. NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 12. ed. São Paulo: Atheneu, 2011. 546 p. REY, Luís. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 883 p. Esperamos que este guia o tenha ajudado compreender a organização e o funcionamento de seu curso. Outras questões importantes relacionadas ao curso serão disponibilizadas pela coordenação. Grande abraço e sucesso! Esperamos que este guia o tenha ajudado compreender a organização e o funcionamento de seu curso. Outras questões importantes relacionadas ao curso serão disponibilizadas pela coordenação. Grande abraço e sucesso!