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Infecções 
Parasitárias 
Caros alunos, as videoaulas desta disciplina encontram-se no AVA 
(Ambiente Virtual de Aprendizagem). 
 
 
 
Unidade 2 
Principais helmintíases humanas. 
 
 
Introdução da Unidade 
 
Olá, amigo(a) discente! Seja bem-vindo(a)! 
Nesta Unidade você aprenderá um pouco mais sobre os helmintos que parasitam o homem. As 
ocorrências desses parasitos no homem são muito comuns, e a Organização Mundial da Saúde 
estima que aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas, ou 24% da população mundial, estejam 
infectadas com alguma espécie de helminto. Estas parasitoses são mais frequentes em regiões 
de climas tropical e subtropical, o que inclui o Brasil. Neste grupo de parasitos estudaremos 
algumas espécies de dois filos importantes: Platyhelminthes e Nematoda, na primeira e 
segunda aula, respectivamente. Assim como você estudou os protoparasitas na primeira 
unidade, nesta você também terá um enfoque na morfologia, biologia, ciclo biológico, vias de 
transmissão e medidas profiláticas. Esteja atento às diferentes formas evolutivas, pois elas irão 
te auxiliar, futuramente, na identificação do parasita que é fundamental para realizar o 
diagnóstico da doença, e ao ciclo biológico, pois assim você compreenderá melhor a patogenia 
da doença e estará apto a realizar ações de planejamento para controle ou erradicação de 
endemias parasitárias! 
 
Objetivos 
 O estudante de biomedicina deverá compreender a morfologia e biologia das 
principais espécies de helmintos parasitas humanos. 
 Descrever a relação parasito-hospedeiro e o ciclo biológico dos principais helmintos 
parasitas do homem. 
 Delinear medidas profiláticas para controle ou erradicação de endemias helmínticas. 
 
Conteúdo Programático 
Aula 1: Principais parasitas do Filo Platyhelminthes. 
 
Aula 2: Principais parasitas do Filo Nematoda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 1 Principais parasitas do Filo 
Platyhelminthes 
 
Os Platyhelminthes são caracterizados por serem achatados dorsoventralmente (Platy = 
chato), apresentam simetria bilateral, uma extremidade anterior com órgãos sensitivos e de 
fixação. Não apresentam endo ou exoesqueleto, não apresentam ânus e nem aparelho 
respiratório. Dentro deste filo estudamos duas classes principais. A classe Trematoda inclui 
parasitas não segmentados, cujo corpo é recoberto por uma cutícula, com uma ou mais 
ventosas. Os Cestoda possuem corpo alongado, construído por segmentos. À semelhança dos 
trematódeos, os cestódeos são recobertos por uma cutícula. 
 
Schistosoma mansoni 
O primeiro representante da Classe Trematoda que iremos estudar é o Schistosoma 
mansoni. Este parasita é o agente etiológico da esquistossomose mansônica, também 
conhecida como moléstia de Pirajá da Silva, barriga d’água, mal do caramujo e xistose. Esta 
doença é mais prevalente em locais de clima tropical e subtropical com baixa padrão 
socioeconômico e carência de saneamento básico. 
O Schistosoma mansoni é classificado como um parasita heteroxeno, onde o homem é 
classificado como hospedeiro definitivo e caramujos do gênero Biomphalaria como hospedeiro 
intermediário. 
Com relação ao hospedeiro intermediário, destacam-se três espécies transmissoras: B. 
glabrata, B. tenagophila e B. straminea. Estes caramujos se reproduzem rapidamente em 
locais com certa poluição orgânica, que favorece a multiplicação de fitoplanctons, alimentos 
dos moluscos. Este gênero é caracterizado por apresentar concha plana e discoidal, de 
tamanho que varia de 10 a 40 mm, sendo a B. straminea a menor e a B. glabrata a maior delas. 
Embora estes animais sejam hermafroditas e possam realizar autofecundação, eles têm 
preferência pela reprodução cruzada. Possuem grande capacidade de colonização de habitats. 
Em menos de 30 dias atingem a maturidade sexual e em 90 dias é capaz de produzir 10 
milhões de descendentes. Seu habitat geralmente é água doce rica em matéria orgânica, com 
leito raso, lodoso ou rochoso. 
O Schistosoma mansoni é um parasita com diferentes formas evolutivas que incluem: vermes 
adultos, machos e fêmeas, miracídio, cercaria, esporocisto, esquistossômulo e ovo. 
Os machos são menores que as fêmeas, apresentam 1cm de comprimento, com coloração 
esbranquiçada e tegumento recoberto com tubérculos. O corpo apresenta dobras laterais que 
albergam a fêmea, formando um espaço denominado canal ginecóforo. O aparelho sexual é 
composto por 7 a 9 massas testiculares, um canal deferente, uma vesícula seminal e um poro 
genital, não apresenta um órgão copulador. 
As fêmeas são mais delgadas e compridas, possuem aproximadamente 1,5cm de 
comprimento, coloração escura, tegumento liso e o aparelho sexual inclui uma vulva, um útero 
e um ovário. Ambos, machos e fêmeas, apresentam duas ventosas: uma ventosa oral, pela 
qual o alimento é adquirido, e uma ventosa ventral, também denominada acetábulo, utilizada 
 
 
para adesão. Nos dois sexos, o tubo digestivo inicia-se na extremidade anterior, no fundo da 
ventosa oral, e compreende um esôfago, na altura do acetábulo o tubo digestivo divide-se em 
dois ramos simples que voltam a reunir-se em um ceco único. Não há abertura anal. O sistema 
excretor, tendo início nos solenócitos, converge para dois canais longitudinais que 
desembocam em uma pequena vesícula excretora provida de abertura para o exterior, na 
extremidade posterior do helminto. 
 
 
Figura 1. Segmento anterior do corpo do macho (à esquerda) e da fêmea (à direita) de Schistosoma 
mansoni, mostrando esquematicamente os principais órgãos internos: a, ventosa oral e boca; b, porção 
anterior do intestino (desenho incompleto, na fêmea); c, acetábulo ou ventosa ventral; d, vesícula 
seminal; e, canal deferente; f, testículos; g, porção média, bifurcada, do intestino; h, ceco; i, orifício 
genital feminino; j, útero contendo dois ovos; k, um ovo em processo de formação da casca no oótipo; l, 
oviduto; m, ovário; n, viteloduto; o, glândulas vitelinas. 
Fonte: Rey (2008). 
 
 
Como o macho não apresenta um órgão copulador, os espermatozoides saem pelo poro 
genital e ficam dentro do canal ginecóforo alcançando a fêmea e a fecundando. A fêmea 
raramente abandona o canal ginecóforo, sendo carregada pelo macho, mas consegue alongar-
se e insinuar-se nos capilares mais finos com sua extremidade anterior, perto do qual está o 
orifício genital. Desse modo a oviposição pode efetuar-se nas alças capilares mais próximas à 
superfície da mucosa. Ovos isolados, ou numerosos deles, podem ser observados obstruindo a 
luz dos capilares. Após a postura os vermes se retiram para ir invadir outros vasos, onde o 
fenômeno se repete. Os vermes adultos habitam o sistema porta intra-hepático, a veia 
 
 
mesentérica inferior e o plexo hemorroidário superior, são hematófagos e vivem em média 5 
anos. 
As fêmeas põem aproximadamente 300 ovos por dia. O ovo é bem característico, apresenta 
formato oval, casca rígida e porosa, espícula lateral e quando está maduro apresenta o 
miracídio em seu interior, já com sexo determinado. Podem permanecer viáveis por 2 a 5 dias 
e massa fecal sólida, não suportam dessecação e a eclosão do miracídio ocorre em meio 
hipotônico, ou seja, em água doce. 
 
 
Figura 2. Ovo de Schistosoma mansoni, com formato oval e presença de espícula lateral. 
 
O miracídio é a larva do parasita e apresenta forma cilíndrica com diversos cílios que permitem 
o movimento no meio aquático. A extremidade anterior apresenta uma papila apical ou 
terebratorium, que pode se amoldar em forma de ventosa, nesta estrutura encontram-se 
terminações das glândulas adesivas. As glândulas adesivas contêm enzimas que auxiliam na 
penetração. Apresentam ainda dois pares de solenócitos, unidos em cada lado por um duto 
excretor independente, um esboço de sistema nervoso e numerosas células germinativas 
agrupadas na metade posterior do miracídio. Durante a fase de vida livre na água a atividade 
desseorganismo é sustentada pelas reservas de glicogênio que traz acumuladas e pelo 
consumo do oxigênio do meio. Os miracídios apresentam fototropismo, buscando sempre 
áreas mais claras, e quimiotropismo pelo molusco. A penetração do miracídio no caramujo 
dura de 3 a 15 minutos, sendo acelerado pela elevação da temperatura. 
Após o miracídio penetrar no tegumento do molusco ele perde o seu revestimento epitelial e 
adquire um aspecto sacular alongado denominado esporocisto tipo I. No oitavo dia apresenta-
se como um tubo imóvel cheio de células germinativas em multiplicação. Nesta fase, o 
esporocisto primário é simples dentro do qual são gerados esporocistos filhos tipo II, por um 
tipo de reprodução denominado poliembrionia. Por volta da segunda semana de existência 
rompem-se para liberar 20 1 40 esporocistos filhos. Os esporocistos secundários migram no 
interior do molusco e em seu interior aglomerados celulares vão se diferenciando para formar 
cercarias, dentro de 3 a 4 semanas. Moluscos fortemente infectados podem sofrer uma 
 
 
castração parasitária ou morrer em consequência das destruições causadas no hepatopâncreas 
ou em outros órgãos. 
A cercaria é a forma infectante para o homem, apresenta cerca de 0,52mm de comprimento. 
O tegumento é eriçado de microespinhos dirigidos para trás. Apresenta uma ventosa oral na 
qual terminam as glândulas de penetração e uma abertura para o intestino primitivo. A 
ventosa ventral ou acetábulo é maior e bem desenvolvido e é através dele que ocorre a fixação 
na pele do homem. Durante o processo de penetração a cauda bifurcada é perdida e, 
portanto, não apresenta órgãos definidos. Esta forma evolutiva vive em torno de 36 a 48 horas 
e sua maior atividade e capacidade infectiva ocorre nas primeiras oito horas de vida. Estímulos 
luminosos ou de contato, bem como a agitação da água excitam a sua atividade natatória, que 
tende a reduzir-se com o envelhecimento e consumo de suas reservas energéticas. As 
glândulas de penetração são ricas em enzimas proteolíticas. Quando ingeridas com água, as 
que chegam ao estômago são destruídas pelo suco gástrico, mas as que penetram na mucosa 
bucal desenvolvem-se normalmente. 
 
 
Figura 3. Miracídio (esquerda) e cercária (direita) de Schistosoma mansoni. Gp. Glândulas de 
penetração; Ga. Glândulas adesivas; Cf. células flama; Te. Túbulos excretores; Pe. Poro excretor; Tb. 
Terebratorium; Vo. Ventosa oral; Po. Poro oral; Dgp: ductos das glândulas de penetração; C. ceco; Vv. 
Ventosa ventral; Pg. Primórdio genital. 
Fonte: Neves (2016). 
 
Assim que penetram a pele do hospedeiro e perdem a cauda bifurcada se transforma em uma 
esquistossômulo, caracterizado por possuir forma alongada com numerosas pregas 
tegumentares. Caso não seja destruído pelos mecanismos de defesa do hospedeiro migra pelo 
tecido subcutâneo e penetra em um vaso cutâneo e é passivamente arrastado pela circulação 
em direção ao coração e aos pulmões. 
 
Videoaula 1 
Agora que você conhece todas as formas evolutivas desse parasito, assista ao vídeo para 
conhecer o seu ciclo biológico! 
 
 
 
A esquistossomose pode ser assintomática, quando sintomática o paciente pode apresentar 
dermatite cercariana, ocasionada pela penetração ativa das cercarias na pele, linfadenopatia, 
hepatoesplenomegalia, mal-estar, febre, dores musculares, dor na região do fígado ou do 
intestino, diarreia, cefaleia e prostração. Na fase crônica a esquistossomose pode 
compreender manifestações clínicas intestinais (diarreia, fibrose, pseudoneoplasia), no baço 
(esplenomegalia), hepáticas (hipertensão portal), varizes, ascite (barriga d’água). Atualmente 
existe tratamento medicamentoso para esquistossomose, que incluem principalmente a 
oxamniquina e o praziquantel. 
Dentre as medidas profiláticas podemos citar: o tratamento da população, o saneamento 
básico, controle do caramujo, evitar contato com águas onde existam caramujos infectados, e 
a educação em saúde. 
 
Taenia solium e Taenia saginata 
Taenia solium e Taenia saginata, popularmente conhecidas como solitárias, são parasitas que, 
na fase adulta, têm o homem por único hospedeiro. A doença que produzem chama-se teníase 
e apresenta o mesmo quadro, qualquer que seja a espécie de tênia que o causa. 
Na fase larvária, T. solium parasita obrigatoriamente o porco e T. saginata os bovinos, sendo, 
portanto, parasitas heteroxenos e estenoxenos (quando parasitam especificamente uma 
espécie de animal). 
Ainda que o homem não seja um hospedeiro normal das larvas (por não assegurar o futuro de 
sua evolução) pode ser infectado por ovos de T. solium, apresentando em consequência os 
quadros clínicos da cisticercose, que constituem as formas mais graves do parasitismo humano 
por esses helmintos devido às localizações preferenciais dos cisticercos no sistema nervoso e 
no globo ocular. 
Pertencem à Classe Cestoda e, portanto, caracterizam-se por não apresentar aparelho 
digestivo, possuem corpo segmentado em proglotes e são dotados de sistema reprodutor 
hermafrodita e escólex com quatro ventosas. São vermes grandes, achatados, em forma de 
fita, medindo a T. solium até 8 metros e T. saginata até 12 metros. 
Possui coloração branca, de aspecto leitoso, com superfície lisa, brilhante, eventualmente 
enrugada ou marcada por sulcos longitudinais. Sulcos transversais marcam os limites entre as 
proglotes. 
A região anterior contém o escólex, um órgão que consiste numa dilatação ovóide, piriforme 
(T. solium) ou quadrangular (T. saginata), por meio da qual o animal fica aderido em um ponto 
da mucosa intestinal. Comparado com o tamanho do corpo, o escólex apresenta dimensões 
reduzidíssimas: 1 a 2 mm de diâmetro. Nele encontram-se as estruturas especialmente 
diferenciadas para a fixação do parasito, isto é, quatro ventosas e numerosos ganchos. O 
conjunto de ganchos, em número de 25 a 50 dispostos como dupla coroa, é denominado 
rostro ou rostelo, e está presente apenas em T. solium. 
O corpo do helminto é denominado estróbilo, composto por diferentes tipos de proglotes: 
jovens, maduras e grávidas. Entre o estróbilo e o escólex encontra-se o colo. As jovens são 
mais curtas do que largas e já apresentam o início do desenvolvimento dos órgãos genitais 
masculinos que se formam mais rapidamente que os femininos (fenômeno denominado 
 
 
protandria). A madura possui os órgãos reprodutores completos e aptos para a fecundação. A 
grávida, mais distante do escólex, é mais comprida do que larga e internamente os órgãos 
reprodutores vão sofrendo involução enquanto o útero se ramifica cada vez mais, ficando 
repleto de ovos. 
A proglote madura apresenta massas testiculares pequenas e numerosas, encontram-se 
disseminadas no seio do parênquima medular. Na T. solium seu número varia de 150 a 200, 
enquanto na T. saginata varia de 300 a 400. De cada testículo parte um canal eferente que 
converge com os demais para formar um canal deferente único e bastante entortilhado. Este 
vai em direção ao poro genital e ao atingir a porção cortical do parênquima, transforma-se 
numa bolsa muscular, a bolsa do cirro. Os órgãos femininos compreendem um ovário 
bilobado, formado por túbulos muito ramificados, e situado próximo à margem distal da 
proglote, uma glândula vitelínica, também ramificada, em forma de triângulo achatado, e 
posterior ao ovário, o útero mediano, em forma de tubo. Do ovário parte o oviduto, 
conformado em U que se dirige primeiro para trás, encurva-se dorsalmente e se continua para 
diante com o útero. Em seu trajeto o oviduto recebe o canal da glândula vitelínica e do canal 
seminal. A vagina inicia-se no poro genital, ao lado da bolsa do cirro, descreve um trajeto 
ligeiramente encurvado e antes de se abrir no oviduto, dilata-se para constituir um 
receptáculo seminal, a partir daí o canal estreitado recebe o nome de espermiduto ou de canal 
seminal. A porção do oviduto recurvada em U é envolvida por glândulasunicelulares 
denominadas glândulas de Mehlis, essa região é conhecida como oótipo. 
 
 
Figura 4. Proglote madura de Taenia saginata. 
Fonte: Rey (2008). 
 
A proglote grávida de T. solium é quadrangular, e o útero formado por 12 pares de 
ramificações do tipo dendrítico, contendo até 80 mil ovos, enquanto a T. saginata é retangular 
apresentando no máximo 26 ramificações uterinas do tipo dicotômico, contendo até 160 mil 
ovos. 
 
 
 
 
 
 
Figura 5. Verme adulto de Taenia saginata (esquerda) e Taenia solium (direita). A região anterior do 
verme compreende o escólex, o qual é dotado de um rostelo em T. solium. O estróbilo compreende a 
extensão do corpo e é constituído por proglotes jovens, maduras e grávidas. A progroglote grávida de T. 
saginata possui ramificações uterinas dicotômicas e a de T. solium ramificações dendríticas. 
 
 
 
Estas proglotes sofrem apólise, ou seja, desprendem-se espontaneamente do estróbilo. Em T. 
solium são eliminadas passivamente com as fezes de três a seis anéis unidos, enquanto em T. 
saginata as proglotes destacam-se e são eliminadas separadamente entre as evacuações. A 
nutrição dos vermes adultos faz-se através da membrana celular que recobre todo o 
tegumento e que oferece enorme extensão superficial, graças às microvilosidades ou 
microtríquias aí existentes. Os nutrientes penetram por simples difusão, transporte facilitado 
ou ativo e por pinocitose. Os vermes adultos apresentam motilidade que confere resistência 
aos movimentos peristálticos do intestino e à corrente líquida da luz intestinal, que tenderiam 
a expulsá-lo. A proglote grávida de T. solium tem menor atividade locomotora que a de T. 
saginata, a qual pode sair ativamente pelo ânus e raramente pela boca. 
Os ovos de T. solium e T. saginata são indistinguíveis, são esféricos, possuem entre 31 a 43 μm 
de diâmetro, uma casca protetora formada por blocos piramidais de quitina unidos entre si por 
uma substância cementante que lhe confere resistência no ambiente, denominada 
embrióforo. Internamente encontra-se o embrião hexacanto ou oncosfera, provido de três 
pares de ganchos e dupla membrana. 
O cisticerco da T. solium é constituído de uma vesícula translúcida com líquido claro, contendo 
invaginado no seu interior um escólex com quatro ventosas, rostelo e colo. Já o cisticerco da T. 
saginata apresenta a mesma morfologia, diferindo apenas pela ausência de rostelo. Os 
cisticercos podem ser encontrados nos tecidos subcutâneos, muscular, cardíaco, cerebral e no 
olho, podendo atingir até 20 mm de diâmetro, são conhecidos popularmente como 
canjiquinhas. 
 
 
 
Figura 6. Cisticerco de Taenia solium. A) cisticerco invaginado, encontrado normalmente nos tecidos. B) 
desenvaginado (notar ventosas e rostro armado). C) ovo de Taenia spp. (igual para T. solium e T. 
saginata); I – rostro; 2 – ventosa; 3 – pescoço ou colo; 4 – vesícula. 
Fonte: Neves (2016). 
 
Videoaula 2 
Assista à videoaula para entender todo o ciclo biológico da Taenia solium e Taenia saginata! 
 
 
A teníase é ocasionada tanto por T. solium quanto T. saginata e é caracterizada pela presença 
dos vermes adultos no intestino. Adquire-se esta doença através da ingestão de carne crua ou 
malcozida contendo cisticercos de ambas as espécies de parasitas. Frequentemente essa 
doença é assintomática, porém, algumas pacientes podem apresentar dores abdominais, 
perda de peso, fraqueza, vertigem, apetite aumentado, constipação intestinal, diarreia, 
prurido anal, apendicite e obstrução brônquica. 
A cisticercose ocorre pela ingestão de ovos viáveis de Taenia solium presentes em água ou 
alimentos contaminados (heteroinfecção), ou quando o paciente apresenta o verme adulto 
de T. solium no intestino e ingere ovos eliminados por estes vermes (autoinfecção). As 
manifestações clínicas da cisticercose são bastante variáveis e depende do tipo morfológico do 
cisticerco, da localização do parasita, do número deste, circunstância de estar vivo ou morto, e 
da resposta imunológica do paciente. 
As medidas que evitam a contaminação por estes parasitas incluem: não ingerir carne suína ou 
bovina crua ou malcozida; tratamento de pessoas infectadas; melhoramento dos serviços de 
água e esgoto (saneamento básico); criação de suínos e bovinos sem acesso às fezes humanas; 
inspeção rigorosa da carne e fiscalização dos matadouros; e educação em saúde. 
 
Hymenolepis nana 
Acredita-se que a infecção por cestoides mais comuns em seres humanos seja 
por Hymenolepis nana, com ampla distribuição mundial. Isto se deve ao fato de esse parasito 
possuir ciclo direto, fazendo com que a infecção entre humanos seja facilmente espalhada. 
Outro fator importante é o curto ciclo de vida desse parasito, fazendo com que os ovos 
estejam rapidamente disponíveis para contaminar outros pacientes. Áreas com alta densidade 
populacional, tais como creches, escolas e prisões, em áreas endêmicas frequentemente 
apresentam altos níveis de pacientes infectados por este parasita. 
Conhecida popularmente como tênia anã devido ao seu pequeno comprimento que chega a 
medir de 6 a 10 cm, e em infecções mais intensas não alcançam um centímetro. Apresenta um 
escólex com quatro ventosas e acúleos, semelhante à Taenia solium, porém com dimensões 
bem menores e retrátil. Apresenta um colo relativamente comprido e estróbilo com proglotes 
que variam em número de 100 a 200, apresentando morfologia mais largas do que longas. 
Suas proglotes maduras apresentam três testículos que se dispõem em linha, 
transversalmente, vendo-se entre eles o ovário e a glândula vitelina. A proglote grávida 
apresenta útero de forma sacular abarrotada de ovos. Ao desprenderem-se do estróbilo, por 
apólise, essas proglotes rompem-se, desintegram-se ainda no intestino do paciente e libertam 
no meio grande número de ovos. 
Os ovos são quase esféricos, medindo cerca de 40μm de diâmetro. São transparentes e 
incolores. Apresentam uma membrana externa delgada envolvendo um espaço claro. Mais 
internamente apresentam outra membrana envolvendo a oncosfera. Essa membrana interna 
apresenta dois mamelões claros em posições opostas, dos quais partem alguns filamentos 
longos. Este ovo é popularmente conhecido como “chapéu de mexicano, visto por cima”. 
 
 
 
 
Figura 7. Morfologia de Hymenolepis nana. A) verme adulto; B) detalhe do escólex com o rostro retrátil; 
C) ovo típico com o embrião hexacanto e os filamentos polares. 
Fonte: Neves (2011). 
 
A larva cisticercóide é uma pequena larva, formada por um escólex invaginado e envolvido por 
uma membrana. Contém pequena quantidade de líquido e mede cerca de 500μm de diâmetro. 
Como nos demais cestoda, pode-se denominar de protoescólex ao escólex da larva. 
O verme adulto é encontrado no intestino delgado, principalmente íleo e jejuno do homem. Os 
ovos são encontrados nas fezes e a larva cisticercóide pode ser encontrado nas vilosidades 
intestinais do próprio homem ou na cavidade geral do inseto hospedeiro intermediário (pulgas 
e carunchos de cereais). 
 
Videoaula 3 
A Hymenolepis nana pode apresentar dois tipos de ciclo: um monoxênico e outro 
heteroxênico, que usa hospedeiros intermediários, representados por insetos. Para 
compreender estes dois tipos de ciclo assista à videoaula. 
 
O mecanismo mais frequente de transmissão é a ingestão de ovos presentes nas mãos ou em 
alimentos contaminados. Nestes casos ocorrem normalmente poucas reinfecções no 
hospedeiro, pois a larva cisticercóide, tendo se desenvolvido nas vilosidades da mucosa 
intestinal, confere forte imunidade ao mesmo. É por esse motivo que esse parasito é o mais 
frequente entre crianças do que nos adultos. Quando o hospedeiro ingere um inseto com 
larvas cisticercóides e estas dão vermes adultos, podendo ocorrer hiperinfecção, uma vez que 
não há imunidade e milhares de ovos podem ser liberados no intestino, dando uma auto-
infecção interna (a oncosferade cada ovo penetraria na mucosa do íleo, dando uma larva 
cisticercóide, e esta depois transforma-se em verme adulto). Mas para ocorrer essa auto-
infecção interna há necessidade de ter havido antes um retroperistaltismo, para que, através 
desse mecanismo, os ovos (embrióforos) sejam semidigeridos pelo suco gástrico e, após 
voltarem para o íleo, ocorra a eclosão das larvas. 
 
 
A maioria dos pacientes apresentam-se assintomáticos. Quando sintomáticos podem 
apresentar as seguintes manifestações clínicas: diarreia, dor abdominal, perda de peso e 
erupções cutâneas. 
Entre as medidas de profilaxia podemos citar: higiene individual, uso de privadas ou fossas, 
uso de aspirador de pó e tratamento precoce dos doentes. O combate aos insetos de cereais 
(carunchos) e pulgas existentes em ambiente doméstico. Fazer exame de fezes nos demais 
membros da comunidade (família, creche, etc.) e tratá-los corretamente para se evitar a 
manutenção de fontes de infecção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 2 Principais parasitas do Filo 
Nematoda 
 
Dentro deste grupo são encontrados representantes com os mais diversos tipos de vida e 
hábitat. São vermes com simetria bilateral, sem segmentação verdadeira ou probóscide, 
cilíndricos, alongados, com tubo digestivo completo, com abertura anal ou cloacal. 
 
Ascaris lumbricoides 
Conhecida popularmente como lombriga, a Ascaris lumbricoides continua sendo o helminto 
mais frequente em regiões pobres. Condições climáticas têm um importante papel nas taxas 
de infecção. Em geral, a prevalência é baixa em regiões áridas. Contudo, é relativamente alta 
em locais de clima úmido e quente, condição ideal para a sobrevivência e embrionamento dos 
ovos. Além disso, áreas desprovidas de saneamento com alta densidade populacional 
contribuem significativamente para o aumento da ascaridiose. 
As formas adultas são longas, robustas, cilíndricas e apresentam as extremidades afiladas. O 
tamanho dos vermes depende do número de parasitos encontrados no intestino delgado e do 
estado nutricional do hospedeiro. Geralmente apresentam entre 20 a 40 cm de comprimento 
por 2 a 6 mm de largura, sendo a fêmea mais robusta que o macho. A fêmea apresenta 
extremidade posterior retilínea e o macho uma extremidade posterior fortemente encurvada 
para a face ventral. 
A cor, a boca e o aparelho digestivo são semelhantes entre fêmeas e machos. Apresentam um 
vestíbulo bucal com três fortes lábios com serrilha de dentículos, cuja função é de adesão à 
mucosa intestinal. 
Após a boca segue-se o esôfago musculoso e logo após o intestino retilíneo. O reto é 
encontrado próximo à extremidade posterior. O macho apresenta um testículo filiforme e 
enovelado, que se diferencial em canal deferente, continua pelo canal ejaculador, abrindo-se 
na cloaca, localizada próximo à extremidade posterior. Apresenta ainda dois espículos iguais 
que funcionam como órgãos acessórios da cópula, estes podem ser projetados para fora da 
cloaca ou ficar retraídos, pela ação de músculos implantados em sua base. A fêmea apresenta 
dois ovários filiformes e enovelados que continuam como oviduto, diferenciando em úteros 
que vão se unir em uma única vagina, que se exterioriza pela vulva, localizada no terço 
anterior do parasita. 
Os ovos medem aproximadamente 50 a 60μm, são ovais e com cápsula espessa, em razão de 
uma membrana externa mamilonada, secretada pela parede uterina e formada por 
mucopolissacarídeos. Essa membrana facilita a aderência dos ovos a superfícies, propiciando 
sua disseminação. A esse envoltório seguem-se uma membrana média de constituição 
proteica e outra mais interna, delgada e impermeável à água, constituída de proteínas e 
principalmente lipídeos. Essa última camada confere ao ovo grande resistência às condições 
adversas do ambiente. Internamente os ovos apresentam uma massa de células germinativas. 
Frequentemente podem ser encontrados nas fezes ovos inférteis, que são mais alongados, 
 
 
possuem membrana mamilonada mais delgada e citoplasma granuloso. Estes ovos inférteis 
são gerados por fêmeas não fecundadas, e não originam larvas em seu interior. 
Os ovos férteis em presença de temperatura entre 25 e 30ºC, umidade mínima de 70% e 
oxigênio em abundância tornam-se embrionados em 15 dias. No interior deste ovo encontra-
se uma larva de primeiro estádio (L1) do tipo rabditoide, ou seja, possui um esôfago com duas 
dilatações, uma em cada extremidade e uma constrição no meio. Após uma semana, ainda 
dentro do ovo, essa larva sofre muda transformando-se em L2 e, em seguida, nova muda 
transformando-se em L3, do tipo filarióide (com esôfago retilíneo). Esta larva é infectante e 
pode permanecer dentro do ovo, no solo, por vários meses, podendo ser ingeridas pelo 
hospedeiro. 
 
 
Figura 8. Ovos e larvas de Ascaris lumbricoides. 
A. Ovo recém-eliminado. B. Ovo embrionado no meio exterior. C. Ovo infértil. D. Eclosão da larva 
infectante no tubo digestivo do hospedeiro. E. Larva isolada do pulmão. 
Fonte: Rey (2008). 
 
Videoaula 1 
O Ascaris lumbricoides trata-se de um parasita monoxeno e é um clássico geo-helminto, cujo 
ciclo biológico caracteriza-se por apresentar um estágio de desenvolvimento no solo. Assista à 
videoaula para compreender melhor o ciclo biológico deste parasita. 
 
A infecção ocorre por ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos contendo a larva 
L3 (heteroinfecção). Poeira, aves e insetos, como moscas e baratas, são capazes de veicular 
mecanicamente ovos de A. lumbricoides. 
O quadro clínico depende do número de parasitas e se o hospedeiro apresenta 
hipersensibilidade aos produtos parasitários. Na maioria dos casos, os pacientes são 
assintomáticos. Quando sintomáticos, os pacientes podem apresentar Síndrome de Loeffler 
(tosse, febre, eosinofilia e dispneia), irritação intestinal, constipação, dor abdominal e perda de 
peso. Raramente os vermes adultos podem ocupar localizações ectópicas, como canal 
pancreático, vias biliares, fígado, trompa de Eustáquio, ouvido médio, pulmão, boca ou nariz. 
 
 
Entre as medidas profiláticas para esta parasitose o saneamento básico está entre as 
principais. Além disso é importante realizar o tratamento dos pacientes com ascaridíase e de 
habitantes de área endêmicas. Recomenda-se também a higienização dos alimentos, proteção 
contra insetos, e educação em saúde. 
 
Ancilostomídeos 
As duas principais espécies de ancilostomídeos que exercem parasitismo gastrintestinal em 
seres humanos são o Ancylostoma duodenale e Necator americanus. Embora o Ancylostoma 
ceylanicum possa ser encontrado parasitando o homem, são os canídeos e felinos domésticos 
e silvestres os verdadeiros hospedeiros definitivos. Estes parasitas ocasionam a ancilostomose, 
conhecida popularmente como amarelão. Embora considerada uma doença de alto impacto 
mundial é negligenciada, sendo altamente prevalente em áreas de pobreza e desigualdade 
social. Além do parasitismo causado por vermes adultos, larvas de algumas espécies de 
ancilostomídeos podem causar a larva migrans cutânea, conhecida popularmente como bicho 
geográfico. 
A principal característica morfológica destes parasitas é a presença de uma cápsula bucal, uma 
projeção da cutícula na região anterior do verme adulto. A. duodenale e A. 
ceylanicum apresentam cápsula bucal com dentes, enquanto o N. americanus apresenta uma 
cápsula bucal com lâminas cortantes. Esta cápsula funciona como uma bomba aspirante, 
graças às contrações vigorosas da musculatura esofagiana. O sangue é ingerido de modo quase 
contínuo, atravessa o tubo digestivo, terminando no ânus. Apresentam uma glândula cefálica 
que segrega enzimas e substâncias anticoagulantes. Estas enzimas participam da digestão 
intestinal. 
 
 
Figura 9. Cápsula bucal de ancilostomatídeos. A. Cápsula bucal de Ancylostoma duodenale com dois 
pares de dentes na margeminterna da boca. B. Cápsula bucal de A. ceylanicum com dois pares de 
dentes. C. Cápsula bucal de Necator americanus margeada por duas lâminas cortantes subventrais e 
duas subdorsais. 
Fonte: Neves (2016). 
 
A fêmea apresenta dois ovários e correspondentes ovidutos e úteros, formam um emaranhado 
de tubos de diâmetro crescente ao redor do tubo digestivo. Os úteros repletos de ovos unem-
se para formar uma vagina curta. A vulva está situada para diante da metade do corpo em N. 
americanus e no terço posterior em Ancylostoma spp. 
 
 
O aparelho genital masculino é formado de um só testículo tubular e de um canal deferente, 
ambos muito sinuosos. Antes de terminar, o deferente dilata-se para constituir um 
reservatório de espermatozoides, a vesícula seminal. Segue-se a esta o canal ejaculador, longo 
e retilíneo, que é ladeado por um par e glândulas do cimento e termina na cloaca. Como 
órgãos auxiliares da cópula os machos possuem dois longos espículos filiformes, cada qual 
alojada em uma bainha tubular, quando retraído e movidos por músculos que os fazem sair ou 
entrar, escorregando sobre um gubernáculo (esclerotização da parede posterior da bolsa do 
espículo). Os machos apresentam extremidade posterior expandida para formar a bolsa 
copuladora, uma expansão membranosa da cutícula, sustentada por raios carnosos, à maneira 
das varetas de um guarda-chuva. Esta bolsa contribui para a fixação da extremidade do macho 
sobre o orifício genital feminino. 
Os ovos das várias espécies de ancilostomídeos são muito parecidos, ovoides ou elípticos, de 
casca final e transparente. Diferente, entretanto, principalmente pelo tamanho médio. O de A. 
duodenale mede ao redor de 60μm e o de N. americanus 70μm. Entre a casca e a célula-ovo há 
sempre um espaço claro que diminui à medida que avança a segmentação. 
 
 
Figura 10. Organização geral dos ancilostomídeos. A. fêmea. B. macho. C. ovos. Localização dos órgãos: 
a. esôfago; b. glândula cefálica; c. útero; d. ovário; e. intestino; f. reto e ânus; g. cápsula bucal; h. 
testículo; i. vesícula seminal; j. canal ejaculador; k. bolsa copuladora; l. espículos. 
Fonte: modificado de Rey (2008). 
 
A larva que eclode do ovo é a de primeiro estádio (L1) do tipo rabditoide, cujo aparelho genital 
está representado por um pequeno grupo de células. Estas larvas alimentam-se ativamente no 
solo, ingerindo bactérias, e crescem de modo que no terceiro dia sofre a primeira muda. A 
larva rabditoide de segundo estádio (L2) cresce até sofrer a segunda muda se transformando 
em uma larva filarióide, com esôfago retilíneo, nutre-se exclusivamente de suas próprias 
reservas de glicogênio. Na maioria dos casos, a cutícula do estádio anterior permanece 
envolvendo a larva L3, isolando-a ainda mais do meio exterior. Estas larvas são muito ativas e 
podem penetrar a pele do homem, um processo que dura cerca de 30 minutos. 
 
 
Videoaula 2 
Agora que você já conhece as principais formas evolutivas do parasita assista à videoaula para 
aprender o ciclo biológico dos ancilostomídeos! 
 
Parasitos da subfamília Ancylostomatinae podem infectar o homem por via oral, através da 
ingestão de L3 presentes em água ou alimentos contaminados, ou pela penetração ativa das 
larvas na pele. Já a forma de transmissão do Necator americanus ocorre somente pela 
penetração da larva na pele ou mucosa oral, não sofrendo ecdise na mucosa intestinal. 
O quadro clínico do paciente parasitado depende da carga parasitária e do estado nutricional 
do hospedeiro. Quando o hospedeiro apresenta baixa carga parasitária e uma boa nutrição, 
geralmente é assintomático. Por outro lado, quando o indivíduo apresenta elevada carga 
parasitária e subnutrição, pode apresentar dores epigástricas, anemia ancilostomótica, com 
palidez, vertigens, fadiga, desânimo, déficit de atenção, dispneia, cefaleia e alotriofagia 
(apetite compulsivo por substâncias não nutritivas, como solo, argila, tijolo ou areia). 
As medidas profiláticas para a ancilostomose incluem: saneamento básico; ter bons hábitos de 
higiene; consumir alimentos crus lavados e água filtrada ou fervida; evitar contato direto com 
areia ou terra e educação em saúde. 
Conforme mencionado anteriormente, algumas espécies de ancilostomídeos podem ocasionar 
a síndrome larva migrans cutânea, uma dermatite serpiginosa e pruriginosa. As principais 
espécies de ancilostomídeos que causam esta síndrome são o Ancylostoma caninum e A. 
braziliense, cujos hospedeiros verdadeiros são os cães e gatos. 
Esta síndrome é decorrente da migração de larvas através do tecido subcutâneo durante 
semanas ou meses. À medida que as larvas progridem deixam atrás de si um rastro sinuoso 
conhecido popularmente como bicho geográfico ou bicho das praias. As medidas profiláticas 
para esta síndrome incluem: evitar contato direto com areia ou terra; vermifugar cães e gatos; 
evitar contato com cães e gatos desconhecidos; impedir a circulação de cães e gatos em praias 
e demais locais de lazer com terrenos arenosos; realizar a troca periódica da areia de tanques 
utilizados para o lazer de crianças. 
 
Enterobius vermicularis 
Conhecido popularmente como oxiúros, o Enterobius vermicularis é um parasita cosmopolita, 
presente em diferentes localidades, climas e populações. Crianças em idade escolar são as 
mais acometidas. 
Os vermes adultos caracterizam-se por apresentar cor esbranquiçada, corpo filiforme e 
cutícula finamente estriada em sentido transversal. Na extremidade anterior, lateralmente à 
boca, notam-se expansões vesiculares da cutícula muito típicas, chamadas de asas cefálicas. A 
boca é pequena, com três pequenos lábios retráteis. Segue um esôfago do tipo claviforme e 
relativamente musculoso, o qual termina em um bulbo cardíaco. Vivem no ceco do ser 
humano e alimentam-se do conteúdo intestinal. 
A fêmea mede cerca de 1cm de comprimento, possui extremidade posterior afilada, sendo a 
cauda longa e pontiaguda. A vulva abre-se no terço médio anterior, a qual é seguida por uma 
 
 
vagina que se comunica com dois úteros, cada ramo uterino se continua com oviduto e ovário 
que apresentam aspecto enovelado. A medida que o número de ovos intrauterinos nas fêmeas 
grávidas de E. vermicularis aumenta, seu corpo gradualmente se distende e é tomado quase 
em sua totalidade pelos ovos do parasito, cujo total pode ser de até 16 mil em uma única 
fêmea. 
Os machos medem entre 0,3 e 0,5 cm de comprimento, apresentam cauda fortemente 
recurvada em sentido ventral. Possuem apenas um testículo, um canal deferente e canal 
ejaculador, o qual alcança a cloaca do verme. Por essa mesma abertura o espículo 
relativamente longo é projetado durante a cópula. 
Trata-se de um parasita monoxênico. Após a cópula os machos são eliminados com as fezes do 
hospedeiro e morrem. As fêmeas grávidas desprendem-se do ceco, passam por todo o 
intestino grosso e alcançam a região perianal. A fêmea grávida já extremamente distendida, 
tende a diminuir a sua motilidade, estando sujeita ao dessecamento no meio externo, é 
provável o seu rompimento em algum momento por traumatismo, incluindo o ato de coçar do 
hospedeiro. Com o seu rompimento os ovos são liberados, como massas, unidos pela 
substância pegajosa que os recobre. 
Os ovos medem de 50 a 60μm de comprimento e apresentam o aspecto de letra “D”, pois um 
dos lados do ovo é sensivelmente achatado e o outro é convexo. Possui dupla camada, é liso e 
translúcido. Quando os ovos de E. vermicularis deixam o corpo da fêmea já apresentam no seu 
interior uma larva formada, ainda em desenvolvimento. 
A estreita proximidade desses ovos, já embrionados, com a superfície de mucosas e/ou pele 
do sujeito parasitado faz tornarem-se infectantes em até 6 horas, quando duas ecdises já 
ocorreram. Os ovos podem resistir non ambiente por até 3 semanas. Após a ingestão dos ovos 
do parasito pelo hospedeiro, larvas do tipo rabditoide eclodem no duodeno,passam pelo 
jejuno e pelo íleo, alcançando o ceco. Nesse trajeto realizam duas novas mudas e se 
transformam em vermes adultos. Cerca de 30 a 40 dias após a infecção as fêmeas já estão 
repletas de ovos. 
A principal forma de transmissão desta parasitose é por heteroinfecção, ou seja, a ingestão de 
ovos presentes em alimentos, poeira ou fômites, eliminados por outro hospedeiro. Também é 
comum, especialmente em crianças, a autoinfecção externa, na qual o próprio indivíduo 
parasitado, após coçar a região perianal, leva os ovos infectantes até a boca. 
A maior parte das pessoas infectadas apresentam-se assintomáticas ou manifestações clínicas 
leves. A manifestação clínica mais prevalente na enterobiose é o prurido anal, o qual é 
exacerbado no período noturno. Além da irritação local, podem ocorrer lesões intestinais 
discretas, ulcerações de mucosa ou abcessos de submucosa. Apesar de a evolução da maioria 
dos casos de enterobiase ser benigna, vermes adultos podem atingir cavidade peritoneal, 
fígado, baço pulmões e trato geniturinário. Também pode ocorrer apendicite e infecções 
secundárias. 
As medidas profiláticas para esta parasitose são: manejo adequado de vestes, roupas íntimas e 
de cama usadas pelo indivíduo infectado; limpeza doméstica com aspirador de pó; corte rente 
das unhas e lavagem frequente das mãos; banho diário; desestímulo ao ato de coçar a região 
perianal e a onicofagia (roer unhas); tratar todas as pessoas parasitadas da família ou outra 
coletividade. 
 
 
Strongyloides stercoralis 
Agente etiológico da estrongiloidose, um importante problema médico e social, destacando-se 
como uma doença tropical em condições de negligenciamento. A infecção natural pelo S. 
stercoralis confirmada em cães, gatos e macacos que estão em contato com o homem, indicam 
que estes animais podem ser importantes reservatórios para esta parasitose. 
Esta espécie de parasita possui diferentes formas evolutivas, tais como: fêmea 
partenogenética ou parasita, fêmea estercoral ou de vida livre, macho de vida livre, larvas 
filarióides e rabditoides. 
A fêmea partenogenética, triploide (3N), é a forma encontrada parasitando o intestino 
humano. Possui corpo cilíndrico, cuja extremidade anterior é arredondada e posterior afilada. 
Mede entre 1,7 a 2,5mm de comprimento. Com cutícula fina e transparente, levemente 
estriada no sentido transversal. Pode viver até cinco anos e produz de 30 a 40 ovos por dia, via 
partenogênese, ou seja, não é fecundada pelo macho. Seu aparelho digestivo é simples, com 
boca contendo três lábios, esôfago longo do tipo filarióide, intestino e ânus. O aparelho genital 
é composto de útero, ovários, oviduto e vulva, não apresenta receptáculo seminal. Ficam 
localizadas nas criptas da mucosa duodenal, onde fazem as posturas. Nas formas graves, são 
encontradas na porção pilórica do estômago até o intestino grosso. Estas fêmeas produzem 
três tipos de ovos com larvas rabditoides, que originam: larvas filarioides infectantes, fêmeas 
de vida livre e machos de vida livre. 
A fêmea estercoral, diplóide (2N), mede de 0,8 a 1,2 mm de comprimento. Apresenta uma 
cutícula fina e transparente com finas estriações. Seu aparelho digestivo é simples com boca 
contendo três lábios, esôfago curto e de aspecto rabditoide. O aparelho genital é constituído 
de um útero anfidelfo, contendo até 28 ovos, ovários, ovidutos e vulva. Apresenta receptáculo 
seminal. 
O macho (1N), de vida livre, mede cerca de 0,7 mm de comprimento. Apresenta boca com três 
lábios, esôfago do tipo rabditoide, seguido de intestino terminando em cloaca. O aparelho 
genital contendo testículos, vesícula seminal, canal deferente e canal ejaculador que se abre 
na cloaca. Apresenta dois pequenos espículos, auxiliares na cópula, que se deslocam 
sustentados pelo gubernáculo. 
Os ovos são elípticos, de parede fina e transparente, praticamente idêntico ao dos 
ancilostomídeos. Os originários da fêmea parasita medem 0,05 mm de comprimento e os de 
fêmea de vida livre são maiores, medindo aproximadamente 0,07mm de comprimento. 
As larvas originárias das fêmeas parasitas são praticamente indistinguíveis das fêmeas de vida 
livre. As larvas L1 e L2 são do tipo rabditoide, com vestíbulo bucal curto e primórdio genital 
nítido, diferenciando-se das larvas rabditoides de ancilostomídeos, que apresentam vestíbulo 
bucal alongado e vestígio de primórdio genital. 
A larva L3 é do tipo filarióide, com esôfago longo e retilíneo, ocupando metade do 
comprimento da larva, medindo de 0,3 a 0,5 mm de comprimento. Sua extremidade posterior 
afina-se gradualmente terminando em duas pontas, conhecida como cauda entalhada, que a 
diferencia da larva filarióide de ancilostomídeos, que é pontiaguda. 
Este parasita apresenta dois tipos de ciclos: direto ou partenogenético e indireto, que inclui as 
formas de vida livre. 
 
 
Videoaula 3 
Agora que você já conhece as principais formas evolutivas do parasita assista à videoaula para 
aprender o ciclo de vida direto e indireto do Strongyloides stercoralis. 
 
A principal forma de transmissão da doença ocorre pela penetração das larvas filarióides L3, 
presentes no solo, na pele ou mucosas. A autoinfecção externa ocorre quando larvas 
rabditóides presentes na região perianal se transformam em larvas filaróides e penetram na 
pele. Esse modo de infecção pode ocorrer em crianças, idosos ou pacientes internados que 
defecam na fralda ou em indivíduos que por deficiência de higiene deixam permanecer restos 
de fezes em pelos perianais. A autoinfecção interna ocorre quando larvas rabditoides ainda na 
luz intestinal transformam-se em larvas filarióides que penetram a mucosa intestinal. Esse 
mecanismo pode cronificar a doença por vários meses ou anos. 
O quadro clínico da estrongiloidíase depende de diversos fatores, tais como carga parasitária, 
estado nutricional e imunológico, alcoolismo, outras infecções e intervenções cirúrgicas 
gastroduodenais. Entre as manifestações clínicas principais, podemos citar: manifestações 
cutâneas discretas, síndrome de Loeffler, enterites (catarral, edematosa e ulcerosa) e 
estrongiloidíase disseminada, geralmente fatal. 
Entre as medidas profiláticas podemos citar: saneamento básico, higienização dos alimentos, 
uso de calçados, melhoria da alimentação, vermifugação de cães e gatos, uso profilático de 
tiabendazol em imunossuprimidos e educação em saúde. 
 
Trichuris trichiura 
Agente etiológico da tricuríase, o Trichuris trichiura é mais prevalente em crianças do que em 
adultos. A redução da prevalência e da intensidade da infecção com o aumento da idade do 
hospedeiro pode refletir uma diminuição da exposição à infecção bem como o 
desenvolvimento de uma resposta protetora. 
Os vermes adultos apresentam entre 3 a 5 cm de comprimento e apresentam uma forma 
típica semelhante a um chicote. Esta aparência é consequência do afilamento da região 
esofagiana, que compreende 2/3 do comprimento total do corpo, seguido de alargamento 
abrupto da região posterior, que compreende o intestino e os órgãos genitais. A definição do 
gênero Trichuris, causa em forma de cabelo, representa um engano, pois não é a cauda e sim a 
região anterior do parasita. 
O parasita apresenta órgão bucal desprovido de lábios, onde pode ser observado um pequeno 
estilete, seguido por um esôfago bastante longo e delgado. Na porção alargada do corpo tem-
se o intestino que termina no ânus, localizado próximo à extremidade da cauda. 
Os machos são menores que as fêmeas, apresentam um único testículo seguido por um canal 
deferente, vesícula seminal, canal ejaculador que termina em um único espículo, protegido por 
uma bainha recoberta por pequenos espinhos. Sua extremidade posterior é curvada 
ventralmente. 
 
 
A fêmea apresenta um ovário, seguido do útero contendo muitos ovos não embrionados, que 
se abre na vulva, localizada na proximidade da junção entre o esôfago e intestino. Asfêmeas 
eliminam em média 14.000 ovos ao dia. 
Considerado um parasita tissular, penetram a camada epitelial da mucosa intestinal do 
hospedeiro, ficando com a região esofageana inserida na mucosa, enquanto a porção posterior 
permanece exposta no lúmen intestinal facilitando a reprodução e a eliminação dos ovos. 
Alimentam-se de muco, enterócitos mortos e sangue. 
Os ovos apresentam aproximadamente 50 μm de comprimento, formato elíptico com poros 
salientes e transparentes em ambas as extremidades, preenchidos por material lípídico. A 
casca dos ovos de T. trichiura é formada por três camadas, uma mais externa lipídica, uma 
quitina intermediária e uma vitelínica interna, que favorece a resistência destes ovos a fatores 
ambientais. 
Trata-se de um parasita monoxeno. As fêmeas e os machos habitam o intestino grosso, 
principalmente o ceco, onde reproduzem-se, e os ovos são eliminados para o meio externo, 
juntamente com as fezes. Uma vez no ambiente, estes ovos sofrem embriogênese formando 
uma larva de primeiro estágio. Na temperatura de 25ºC ovo sofre embriogênese em 21 dias, e 
já se encontra infectante para o homem. O homem se infecta ao ingerir alimentos e/ou água 
contaminados com ovos. As larvas de T. trichiura eclodem dos ovos através de um dos poros, 
estimuladas pela exposição sequencial ao suco gástrico e suco pancreático. As larvas L1 
penetram na mucosa intestinal, preferencialmente das criptas cecais, onde sofrem ecdises, 
passando pelos quatro estágios larvais típicos. Ali se desenvolvem em vermes adultos que 
expõem a porção posterior do corpo à luz intestinal. 
Além da ingestão de alimentos ou água contaminados com ovos do parasita, a transmissão 
pode ocorrer através da ingestão de ovos diretamente pela mão contaminada e a prática da 
geofagia. 
O quadro clínico do paciente parasitado depende da idade, da carga parasitária e do estado 
nutricional. Entre os sintomas mais frequentes estão: cefaleia, dor epigástrica, náuseas, 
vômitos, diarreia e disenteria. Casos mais graves da doença estão relacionados com quadros 
de anemia, desnutrição grave e prolapso retal. 
O tratamento medicamento em dose única não produz taxas de cura satisfatórias, e a 
combinação de drogas, principalmente albendazol com ivermectina, apresentam maior 
eficácia no tratamento desta parasitose. 
As principais medidas profiláticas para esta parasitose são: saneamento básico, higiene 
pessoal, higienização dos alimentos, controle de vetores mecânicos, como moscas e baratas, e 
educação em saúde. 
 
Wuchereria bancrofti 
Agente etiológico da filariose, é um verme fino e delicado, cuja fêmea produz embriões ou 
microfilárias, sendo encontrados nos vasos linfáticos, sanguíneos, tecido subcutâneo, cavidade 
peritoneal ou mesentério, e necessita de um hospedeiro invertebrado para completar o seu 
ciclo de vida. 
 
 
A transmissão dessa parasitose ocorre unicamente pela picada do inseto vetor infectado (Culex 
quinquefasciatus) e deposição das larvas infectantes na pele lesada do hospedeiro. Somente as 
fêmeas transmitem o parasita, realizam o repasto sanguíneo principalmente no período 
noturno e depositam seus ovos em água doce com alta concentração de matéria orgânica. 
A W. bancrofti possui diferentes formas evolutivas nos hospedeiros vertebrados (humanos) e 
invertebrados (mosquito vetor). A extremidade anterior do verme adulto apresenta 
minúsculas papilas sensoriais, dispostas em círculos. A boca é desprovida de lábios, o esôfago é 
longo e cilíndrico. Os vermes adultos têm por hábitat os vasos e gânglios linfáticos, onde se 
alimentam do líquido nutritivo que os banha. 
O macho apresenta corpo delgado e branco leitoso, medindo de 3,5 a 4 cm de comprimento, 
com extremidade anterior afilada e posterior enrolada ventralmente. Apresenta dois espículos 
copulatórios de tamanhos e formas desiguais que se deslocam sobre um gubernáculo. A fêmea 
também apresenta corpo delgado e branco leitoso, porém medem de 7 a 10 cm de 
comprimento, com extremidade posterior retilínea. Possui órgãos genitais duplos, com 
exceção da vagina, e uma vulva próxima da extremidade anterior. 
A fêmea grávida faz postura de microfilárias que possuem uma membrana de revestimento 
delicada. Medem entre 250 e 300μm de comprimento e se movimenta ativamente na corrente 
sanguínea. Cada microfilária apresenta além da bainha e da cutícula, uma quantidade de 
núcleos bem corados, correspondentes às células subcuticulares que irão formar a hipoderme 
e a musculatura do helminto adulto, as células somáticas que irão constituir o tubo digestivo e 
outros órgãos. Na extremidade anterior, arredondada, há um estilete bucal. 
As larvas são encontradas no inseto vetor. A larva de primeiro estádio (L1, salsichóide) mede 
em torno de 300 μm de comprimento e é originária da transformação da microfilária. Essa 
larva se diferencia em larva de segundo estádio, duas a três vezes maior e sofre nova muda 
originando a larva infectante L3, que tem entre 1,5 a 2 mm de comprimento. 
O ciclo biológico é do tipo heteroxênico. A fêmea do C. quinquefasciatus, ao sugar o sangue de 
pessoas parasitadas, ingere microfilárias que, no estômago do mosquito, após poucas horas 
perdem a bainha, atravessam a parede do estômago do inseto, caem na cavidade geral, 
alojam-se nos músculos torácicos e transformam-se em larva salsichóide (L1). Seis a 10 dias 
após o repasto infectante, ocorre a primeira muda originando a L2. Esta cresce, sofre segunda 
muda transformando-se em L3. Esta larva infectante migra pelo inseto até alcançar a 
probóscida, concentrando-se no lábio do mosquito. O ciclo no hospedeiro invertebrado é de 
15 a 20 dias em temperatura de 15 a 20°C. Quando o inseto vetor faz novo repasto sanguíneo, 
as larvas L2 escapam do lábio, penetram pela solução de continuidade da pele do hospedeiro e 
migram para os vasos linfáticos. Meses depois as larvas amadurecem e se transformam em 
vermes adultos com sexos distintos. As fêmeas grávidas, após fecundadas, produzem 
microfilárias que migram para o sangue do hospedeiro vertebrado. O período pré-patente, que 
vai desde a infecção humana (penetração de larva infectante) até o encontro de microfilárias 
no sangue do hospedeiro, é longa e varia em torno de 7 a 9 meses. 
 
 
 
 
Figura 11. Ciclo evolutivo da filária no mosquito. 
Fonte: modificado de Rey (2008). 
 
A filariose bancroftiana pode ser subclínica ou assintomática. Quando sintomática, na forma 
aguda pode se apresentar com linfangite e linfadenite e na forma crônica, linfadenite e 
elefantíase. 
As melhores medidas profiláticas para esta parasitose são: combater o inseto vetor, através do 
uso de inseticidas e larvicidas; reduzir criadouros do vetor, evitando acúmulo de água parada 
em recipientes; tratamento das pessoas parasitadas, uso de repelentes e telas em portas e 
janelas e educação em saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Encerramento 
Chegamos ao fim dessa unidade em que você pôde conhecer um pouco mais sobre as 
principais espécies de helmintos que parasitam o homem. Nesta unidade você conheceu a 
diversidade morfológica e biológica desses parasitas. Atente-se que alguns são hermafroditas, 
outros são dioicos, ou seja, apresentam vermes machos e fêmeas. Você também aprendeu que 
alguns parasitas são monoxenos, como Ancylostoma duodenale e Enterobius vermicularis, 
enquanto outros são heteroxenos, como Schistosoma mansoni e Taenia spp. Além disso, 
alguns parasitas foram classificados como geo-helmintos, como o Ascaris lumbricoides, porque 
passam uma fase do seu ciclo biológico no solo. A maioria dos parasitas apresentam habitat 
intestinal, mas você também viu que alguns parasitas podem circular por vários órgãos, e 
inclusive sofrer ecdises nestes diferentes tecidos. Para a maioria dos parasitas estudados nesta 
unidade vimos que a principal medida profilática é a construção de rede de esgoto e a 
educação em saúde,e que a maior prevalência ocorre em regiões com baixas condições 
socioeconômicas, e infelizmente muitas dessas doenças são negligenciadas. Por isso você tem 
um papel fundamental na sociedade! Pois agora, com seu conhecimento em infecções 
parasitárias, você conhece melhor a biologia destas espécies e sabe como evitar que estas 
doenças acometam a população. Sabendo a biologia e a morfologia destes parasitas você fica 
apto para a disciplina clínica, onde você aprenderá diferentes técnicas de diagnóstico para 
estas parasitoses! Espero que você tenha tido um ótimo proveito desta disciplina, bons 
estudos! 
 
Encerramento da Disciplina 
Chegamos ao fim da disciplina, e agora você já conhece um pouco mais sobre o mundo 
fantástico dos parasitas. Você teve a oportunidade de deslumbrar a bela diversidade biológica 
e morfológica dos parasitas. Também deve ter se surpreendido com alguns ciclos de vida 
complexos, porém, outros nem tanto. Pôde ver alguns no microscópio, tão pequenos, outros 
pôde ver a olho nu, como a Taenia saginata! Agora você sabe que eles podem estar em 
qualquer lugar, em qualquer animal, ou pessoa! Mas não é motivo de preocupação, não é 
mesmo? Afinal, você já sabe como são, onde eles habitam, e principalmente, como evitá-los! 
As parasitoses, embora tão frequentes, em sua maioria são doenças negligenciadas. E é aí que 
você entra: um (a) futuro (a) profissional da área da saúde, que poderá fazer a diferença nas 
estatísticas brasileiras, capaz de identificar estes parasitas em amostras biológicas e de traçar 
medidas profiláticas para estas parasitoses! Espero que você tenha aprendido muito e tido um 
ótimo proveito desta disciplina! Foi ótimo tê-lo (a) conosco! Bons estudos!!! 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
CIMERMAN, Benjamin; FRANCO, Marco Antonio (Ed.). Atlas de parasitologia humana: com a 
descrição e imagens de artrópodes, protozoários, helmintos e moluscos. 2. ed. São Paulo: 
Atheneu, 2011. 166 p. 
COURA, José Rodrigues. Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. 2.ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2013. 2 v. 
FIGUEIREDO, Beatriz Brener de (Org). Parasitologia. São Paulo: Pearson, 2015. 
NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 13. ed. São Paulo: Atheneu, 2016. 
NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 12. ed. São Paulo: Atheneu, 2011. 546 p. 
REY, Luís. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais. 4. 
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 883 p. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esperamos que este guia o tenha ajudado compreender a organização e o 
funcionamento de seu curso. Outras questões importantes relacionadas ao curso 
serão disponibilizadas pela coordenação. 
Grande abraço e sucesso! 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esperamos que este guia o tenha ajudado compreender a organização e o 
funcionamento de seu curso. Outras questões importantes relacionadas 
ao curso serão disponibilizadas pela coordenação. 
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