Prévia do material em texto
116Cargo: Agente e Escrivão QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019 diretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Errado. Trata-se do crime de concussão, previsto no artigo 316 do CPB. 465 Tício, funcionário público, estava sem canetas em casa e se apropriou, em razão das funções desempenhadas, de 10 canetas de propriedade pública, que totalizam o valor de R$ 30,00. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não é possível aplicar o princípio da insignificância à conduta de Tício. Certo. Esse é o teor da Súmula 599-STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública.” Texto para as questões 466 e 467. Marcos Carvalho vive em união estável com Carolina Santos há 5 anos. Desconfiado que Carolina mantém um caso amoroso com outra pessoa, Marcos passa a agredi-la severamente com socos na face. A inten- ção de Marcos, ao agredir Carolina, é causar somente lesões corporais. Todavia, em decorrência das agres- sões, Carolina vem a falecer. Diante da situação hipotética, analise as assertivas a seguir. 466 Apesar de Marcos não ter almejado o resultado morte nem ter assumido o risco de produzi-lo, ele deve responder pelo delito de feminicídio, uma vez que Carol veio a falecer em razão das agres- sões praticadas. Errado. Marcos deverá responder pelo delito de lesão corporal seguido de morte, previsto no artigo 129, § 3º, do CP, combinado com a causa de aumento de pena prevista no artigo 129, § 10, do CP. 467 É possível a prática de feminicídio fora dos casos de violência doméstica e familiar. Certo. O feminicídio pode ser praticado quando há menosprezo ou discriminação à condição de mulher (art. 121, § 2º-A, inciso I, do CP), independentemente de haver relação doméstica ou familiar com a vítima. 468 João Silveira, imputável, induziu Antônio Nonato, mentalmente enfermo e absolutamente incapaz de oferecer qualquer resistência, a cometer sui- cídio. Em decorrência, Antônio cometeu suicídio. Neste caso, João deverá ser responsabilizado pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio, devendo a pena ser duplicada em ra- zão da debilidade mental da vítima. Errado. João Silveira responderá por homicídio consumado, uma vez que Antônio, em razão da vulnerabilidade, não poderia oferecer resistência ao induzimento de João. 469 O furto de semovente domesticável de produção, ain- da que abatido ou dividido em partes no local da sub- tração, configura uma hipótese de furto qualificado. Certo. Trata-se de uma qualificadora prevista no art. 155, § 6º, do CP. 470 Marília Gomes teve expedido mandado de pri- são contra sua pessoa. A fim de se furtar da ação policial, Marília adquiriu, no dia 30/04/2019, uma carteira de identidade falsificada, na qual cons- ta sua foto com o nome de outra pessoa. No dia 02/05/2019, durante abordagem policial, foi soli- citado a Marília que se identificasse, ocasião em que ela entregou o referido documento falsificado. Neste caso, Marília praticou o delito de falsa iden- tidade, previsto no artigo 307 do Código Penal. Errado. Marília praticou o delito de uso de documento falso, previsto no artigo 304 do CP. 471 A jurisprudência é pacífica no sentido de que a falsificação documental deve ser absorvida, em razão do princípio da consunção, pelo crime de estelionato, quando for utilizada com essa finali- dade e sem mais potencialidade lesiva. Certo. Súmula n. 17 do STJ. 472 Opor-se à execução de ato legal, mediante ame- aça a funcionário público competente para execu- tá-lo, configura concurso dos crimes de desobedi- ência (art. 330 do CP) e ameaça (art. 147 do CP). Errado. Tal conduta se subsome ao tipo penal do art. 329 do CP – resistência. 473 Nico Torres, conhecido assaltante do Morro da Cruz, São Sebastião-DF, subtraiu um colar de pé- 117Cargo: Agente e Escrivão QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019 rolas, avaliado em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), mediante grave ameaça. Sabendo que a polícia estava em busca do objeto e que já o tinha como principal suspeito, Nico entrega o colar para seu pai, Almeida, e pede que ele o esconda em seu favor. Por amor ao filho e buscando ajudá-lo, Al- meida oculta o objeto. Nesta situação, Almeida praticou o delito de receptação e deverá ser cri- minalmente responsabilizado. Errado. Almeida praticou o delito de favorecimento real (art. 349 do CP), pelo qual deverá ser responsabilizado. Texto referente às questões 474 a 476. Junior Pereira, maior imputável, com arma em punho e mediante grave ameaça, restringiu a liberdade de Camila Cardoso e determinou que ela lhe entregasse seu cartão de crédito com a senha, o que foi pronta- mente obedecido. Todavia, após restringir a liberdade da vítima, Junior Pereira efetuou um disparo contra a cabeça dela, vindo a matar Camila Cardoso. A in- vestigação realizada pela Polícia Civil logrou êxito em prender o criminoso. Com base nessa situação, julgue cada item: 474 Junior Pereira praticou o crime de roubo com re- sultado morte, também conhecido como latrocínio. Errado. O crime praticado é o de restrição de liberdade com resultado morte (art. 158, § 3º, CP). 475 O crime praticado por Junior Pereira é considera- do hediondo, de acordo com a Lei n. 8.072/1990. Errado. O crime praticado é o de extorsão com restrição de liberdade com resultado morte (art. 158, § 3º, CP). Não há previsão de sua hediondez na Lei n. 8.072/1990. 476 Suponha que Junior Pereira também tivesse sub- traído o veículo automotor da vítima e o tivesse vendido a Lucas Silva, dono de uma mecânica, que sabe se tratar de produto de crime. Em re- lação a Junior, essa situação caracteriza mero exaurimento do crime anteriormente praticado. Por outro lado, Lucas Silva praticou o delito de receptação qualificada. Certo. Art. 180, § 1º, CP. 477 Fernando comete o crime de roubo com uma arma de fogo desmuniciada. Assim, em face da ausência de potencialidade lesiva da arma de fogo utilizada na empreitada criminosa, Fernando deve ser responsabilizado pelo roubo simples, e não por roubo circunstanciado (majorado). Certo. Vide o seguinte julgado do STJ: “IX – A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que a utilização de arma desmuniciada, como forma de intimidar a vítima do delito de roubo, caracteriza o emprego de violência, porém não permite o reconhecimento da majorante de pena, uma vez que está vinculada ao potencial lesivo do instrumento, dada a sua ineficácia para a realização de disparos. Todavia, "se o acusado sustentar a ausência de potencial lesivo da arma empregada para intimidar a vítima, será dele o ônus de produzir tal prova, nos termos do art. 156 do Código de Processo Penal." HC 467877/SP, julgado em 21/06/2018. 478 Mário, indignado com seu irmão gêmeo, Mauro, desfere socos na face deste com a finalidade de gerar lesões corporais. Nesta situação, apesar de não mais residirem na mesma casa, deve Má- rio ser responsabilizado por lesão corporal em contexto de violência doméstica. Certo. Vide art. 129, §9º, CP. 479 Pratica falsidade ideológica (art. 299, CP) o agente que insere informação falsa em currículo Lattes com a intenção de obter respeito e vanta- gem em emprego ou função. Errado. Currículo Lattes não possui a qualidade de documento e está sujeito a verificação posterior. Assim, segundo o STJ (RHC 81.451/RJ, julgado em 22/08/2017), a conduta de inserir informação falsa em currículo Lattes é atípica. 480 Configura o crime de adulteração de sinal identifi- cador de veículo automotor a conduta de colocar fita adesiva na placa do carro. Certo. Vide o seguinte julgado do STJ: “A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a norma contida no art. 311 do Código Penal busca resguardar a autenticidade dos sinais identificadores dos veículos automotores, sendo, pois, típica, a simples conduta de alterar, com fita adesiva, a placa do automóvel,ainda que não caracterizada a finalidade específica de fraudar a fé pública”. (STJ, AgRg no REsp 1327888/SP, julgado em 03/03/2015) 118Cargo: Agente e Escrivão QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019 481 Depositário judicial que se apropria indevida- mente de bem móvel, do qual tem a posse em razão do múnus público exercido, pratica o crime de peculato. Errado. Responderá por apropriação indébita, uma vez que depositário judicial não é considerado funcionário público para fins penais. STJ, HC 402949-SP, julgado em 13/03/2018 (Info n. 623). 482 Carmelúcio, imputável, adulterou o medidor de energia elétrica de sua residência de tal forma que o aparelho computa apenas 30% da energia efetivamente consumida. Nesse caso, é possível afirmar que Carmelúcio será responsabilizado pelo furto de energia elétrica. Errado. De acordo com o STJ, em decisão de 07/05/2019 (AResp 1.418.119-DF), se o agente efetua ligação clandestina de forma a impedir que a energia elétrica seja computada pelo medidor, há furto de energia elétrica. Entretanto, se o sistema de medição é fraudado com a finalidade descrita na questão, teremos uma hipótese de estelionato. Texto referente às questões 483 a 485: Pedro, perito policial, tem sob custódia uma pistola ca- libre 40 que deve ser submetida a exame de eficiência. Entretanto, ao constatar que a referida arma de fogo pertencia a um indivíduo já falecido, supõe que nin- guém terá interesse em obter sua restituição. Assim, decide se apropriar da arma de fogo e solicita auxílio a seu amigo Marcos, motorista de uma empresa par- ticular, para que este busque a referida arma de fogo no Instituto de Criminalística, uma vez que Pedro tinha receio de ser flagrado saindo do local com o objeto que não lhe pertencia. Marcos, tendo conhecimento da ação criminosa praticada por Pedro, decide lhe au- xiliar, sob a promessa de receber R$ 200,00 (duzentos reais). A ação criminosa transcorre como planejado, mas é descoberta pela polícia alguns dias depois. A arma de fogo foi recuperada. Diante dessa situação, julgue as assertivas a seguir. 483 Pedro deve ser responsabilizado por apropriação indébita, uma vez que já tinha a posse da pistola quando decidiu se apropriar deste objeto. Errado. Em que pese Pedro ter se apropriado da pistola, essa apropriação se deu em razão do cargo público que ocupa, o que caracteriza o crime de peculato. 484 Pedro deve ser responsabilizado pelo delito de peculato, na modalidade peculato-apropriação, que é uma das espécies de peculato-próprio. Certo. Peculato-apropriação é uma das modalidades de peculato-próprio, previsto no caput do artigo 312 do CP. De fato, a conduta de Pedro se amolda ao crime de peculato. 485 Marcos, apesar de não ser funcionário público, pode ser responsabilizado por crime funcional. As- sim, na situação descrita, deve ser aplicada a te- oria monista ou unitária do concurso de pessoas, adotada como regra no Código Penal Brasileiro, de forma a imputar a Marcos o crime de peculato. Certo. A condição de funcionário público ostentada por Pedro é comunicável a Marcos, uma vez que se trata de elementar do crime de Pedro. Aplica-se a regra do artigo 30 do CP: “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.” O CPB adota a Teoria Monista ou Unitária do concurso de pessoas. Logo, Marcos deverá ser responsabilizado por peculato, em que pese não ser funcionário público. 486 Trata-se de caso de aumento de pena do femi- nicídio se o crime for praticado na presença de descendente ou de ascendente da vítima. Para efeitos deste aumento, a presença pode ser tanto física quanto virtual. Certo. Literalidade da lei. Art. 121, § 7º, II, do CP. 487 De acordo com o Supremo Tribunal Federal, o abor- to eugênico é admitido no Direito Penal Brasileiro. Errado. O aborto eugênico, decorrente de eventuais anomalias ou deficiências do feto, não é admitido no Direito Penal brasileiro. Não confunda aborto eugênico com aborto de feto anencéfalo, este, sim, admitido pelo STF. 488 O delito de uso de documento falso, previsto no artigo 304 do Código Penal, pode ser de menor, médio ou elevado potencial ofensivo. Certo. A pena do crime de uso de documento falso é correspondente à falsificação. Haverá hipóteses em que se trata de crime de menor, médio ou elevado potencial ofensivo. 119Cargo: Agente e Escrivão QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019 489 Marcela, com o intuito de se vingar de Alfredo, o qual lhe havia negado uma noite de amor, com- parece a uma delegacia de polícia e registra ocorrência, imputando falsamente a Alfredo o cri- me de tentativa de estupro, do qual ela suposta- mente teria sido vítima. Após as investigações, a polícia descobre a torpeza de Marcela. O delega- do responsável pelo caso imputa a Marcela o cri- me de comunicação falsa de crime. O delegado responsável pelo caso agiu de maneira correta. Errado. Marcela incorreu no crime de denunciação caluniosa (art. 339 do CP) e, não, de comunicação falsa de crime (art. 340 do CP). Texto referente às questões de 490 a 492. Romildo Ferreira, maior imputável, subtraiu o aparelho de TV de uma residência desabitada. O fato ocorreu por volta das 2h da madrugada, na cidade de Brasília- -DF. Romildo foi preso em flagrante e conduzido à De- legacia de Polícia. Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir. 490 O fato de a residência encontrar-se desabitada afasta a causa de aumento de pena do furto du- rante o repouso noturno. Errado. O fato de a residência encontrar-se desabitada é irrelevante para a incidência do furto noturno. Essa causa de aumento será aplicável sempre que o furto ocorrer durante o repouso noturno, ainda que o crime tenha sido praticado em estabelecimento comercial ou mesmo em via pública. 491 No caso concreto, é possível afirmar que Romil- do praticou o crime de furto qualificado. Errado. O enunciado não apresenta qualquer qualificadora do furto. Veja que a situação hipotética não informa se Romildo empregou chave falsa ou destruiu algum obstáculo para entrar na residência. É possível que a casa estivesse aberta e Romildo, aproveitando-se dessa facilidade, praticou o furto. 492 Não será imputado a Romildo o crime de violação de domicílio, uma vez que, apesar de configurar crime autônomo, na presente situação, este de- lito será absorvido pelo crime de furto, em razão do princípio da consunção. Certo. Apesar de ter havido violação a domicílio alheio, Romildo somente será responsabilizado pelo crime de furto. No caso, aplica-se o princípio da consunção. O crime fim (furto) absorve o crime meio (violação de domicílio). 493 Aliciar e recrutar mulheres, mediante ameaça, violência, coação, fraude ou abuso com a fina- lidade de exploração sexual, configura crime de tráfico de pessoas, configurando o delito, ainda que a vítima não seja transportada para outro país ou outro estado federativo. Certo. O crime de tráfico de pessoas (art. 149-A do CP) não exige, para sua configuração, que a vítima seja transportada para localidade diversa. 494 A injúria real consiste na utilização de elementos re- ferentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a con- dição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Errado. A questão define a injúria racial, prevista no art. 140, § 3º, do CP. A injúria real está prevista no art. 140, § 2º, do CP. 495 João Macedo falsifica reiteradamente ações de sociedade comercial, livros mercantis e testa- mentos particulares. Por essas ações crimino- sas, João Macedo deverá ser responsabilizado pelo crime de falsificação de documento público e não por falsificação de documento particular. Certo. Os documentos apresentados na questão são equiparados a documentos públicos pelo próprio Código Penal, conforme art. 297, § 2º, do CP. Texto referente às questões 496 e 497: Felipe Augusto, maior imputável, praticou um crime de roubo no dia 19/09/2019. Na ocasião, subtraiu, mediante graveameaça, 2 aparelhos celulares. Após alguns dias, Felipe Augusto desconfiou que a Polícia Civil estava investigando o crime praticado e achou melhor pedir a seu pai, Carlos Augusto, que ocultasse os referidos aparelhos em sua residência. Carlos Au- gusto, ciente da origem criminosa dos aparelhos ce- lulares, aceitou ocultá-los, a fim de auxiliar seu filho a não ser preso. Diante da situação apresentada, julgue os itens a seguir. 496 Nesta situação, Carlos Augusto praticou o crime de favorecimento real. Todavia, caso ocultasse os refe- ridos aparelhos celulares em seu próprio favor, po- deria ser responsabilizado pelo crime de receptação. Certo. 120Cargo: Agente e Escrivão QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019 No crime de favorecimento real, o auxílio é prestado a terceiro, fora dos casos de coautoria ou de receptação. Vide artigo 349 do CP. 497 Apesar de Carlos Augusto ter praticado fato típico, como o auxílio prestado se deu em favor de seu descendente, ele deverá ficar isento de pena. Errado. A previsão de isenção de pena para quem presta auxílio a criminoso somente se dá no crime de favorecimento pessoal (art. 348 do CP) e não no crime de favorecimento real (art. 349 do CP). Texto referente às questões 498 e 499. Marcondes Ferreira foi ameaçado de morte por Amân- cio Silva, maior imputável. Diante dessa ameaça e re- ceoso de ser morto, Marcondes decide se antecipar e matar Amâncio. Para tanto, Marcondes contrata Arlin- do Freitas, assassino profissional, prometendo lhe pa- gar R$ 200,00 (duzentos reais) para matar Amâncio. O crime é executado no dia 26/10/2019, ocasião em que Arlindo desferiu três tiros no peito de Amâncio, cau- sando sua morte. A polícia é acionada para investigar o fato e chega à autoria do crime. Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir. 498 De acordo com a teoria objetivo-formal, adotada pelo Código Penal brasileiro no que concerne ao concurso de pessoas, na situação acima rela- tada, Marcondes será considerado partícipe do crime, enquanto Arlindo será considerado autor. Certo. O Código Penal brasileiro adota a teoria objetivo- formal, segundo a qual o autor do crime será aquele que pratica o verbo núcleo do tipo penal. Logo, como foi Arlindo quem efetuou os disparos, este é considerado autor. Marcondes, por sua vez, é partícipe, pois instigou a prática do crime sem que praticasse o verbo do tipo penal. 499 É possível que Marcondes seja responsabilizado somente por homicídio simples. Enquanto Arlindo deverá ser responsabilizado por homicídio quali- ficado mediante paga, promessa de recompensa ou outro motivo torpe. Certo. De fato, não há qualquer qualificadora legal que se aplique a Marcondes. A qualificadora do homicídio mediante paga ou promessa de recompensa é subjetiva, razão por que não haverá a comunicação dessa circunstância no concurso de pessoas. Assim, somente Arlindo deve ser responsabilizado por homicídio qualificado, uma vez que foi ele quem praticou o homicídio em razão da promessa de pagamento (art. 121, § 2º, I). Essa qualificadora não se aplica ao mandante do crime. Texto referente às questões 500 e 501. Martino Cabral decide explodir um caixa eletrônico e subtrair o numerário que se encontra em seu interior. Para tanto, adquire material explosivo e, na madrugada de 1º/10/2019, por volta das 3h da madrugada, dirige- -se a uma agência bancária totalmente vazia, localiza- da na cidade de Brazlândia-DF. Ato contínuo, detona os explosivos e logra êxito na subtração almejada. Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir. 500 Martino deve ser responsabilizado pelo crime de furto qualificado em razão do emprego de explo- sivos, e deverá haver aumento de pena de um terço em razão de o furto ter sido praticado du- rante o repouso noturno, sendo irrelevante o fato de a ação criminosa ter ocorrido em estabeleci- mento comercial. Certo. O artigo 155, § 1º, do Código Penal dispõe que “a pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.” Essa causa de aumento de pena aplica-se ao furto qualificado pelo emprego de explosivos e às demais hipóteses de furto. 501 Suponha que a ação tivesse ocorrido durante o dia, momento em que havia pessoas no interior da agência bancária. Ao praticar a subtração do nu- merário com o uso de explosivos e mediante gra- ve ameaça ou violência a essas pessoas, Martino deveria ser responsabilizado por roubo qualificado. Errado. Apesar de o fato realmente configurar roubo, e não furto, em virtude da grave ameaça ou violência a pessoas que se encontravam no interior da agência bancária, o roubo com uso de explosivos sofre aumento de pena. Não se trata de qualificadora do crime de roubo. (Vide art. 157 e parágrafos) No que se refere aos crimes contra a fé pública, julgue os itens que se seguem. 502 Alterar a numeração da placa de veículo com fita isolante configura o crime de adulteração de sinal identificador de veículo. Certo. É o entendimento jurisprudencial do STJ: “1. A jurisprudência deste Superior Tribunal entende 121Cargo: Agente e Escrivão QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019 que a simples conduta de adulterar a placa de veículo automotor é típica, enquadrando-se no delito descrito no art. 311 do Código Penal. Não se exige que a conduta do agente seja dirigida a uma finalidade específica, basta que modifique qualquer sinal identificador de veículo automotor. 2. A conduta realizada pelo recorrido, que, com o uso de fita isolante, modificou o número da placa da motocicleta, configura o delito tipificado referido dispositivo.” (AgRg no AREsp 860012/MG) 503 A falsificação de selo destinado a controle tribu- tário configura o delito de falsificação de selo ou sinal público. Errado. Esse é um peguinha que já caiu em provas anteriores. A falsificação de selo destinado a controle tributário gera o crime previsto no artigo 293 do Código Penal – Falsificação de papéis públicos. 504 Apesar de o crime de estupro ter passado a ser de ação penal pública incondicionada, o delito de importunação sexual (art. 215 – A do CP) exige a representação da vítima. Errado. De acordo com o artigo 225 do Código Penal, alterado pela Lei n. 13.718/2018, “nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede- se mediante ação penal pública incondicionada”. Com efeito, atualmente, não só os crimes previstos nos capítulos I e II, mas todos os crimes contra a dignidade sexual procedem-se mediante ação penal pública incondicionada. 505 O crime de fraude processual pode ser pratica- do no âmbito de processo civil, administrativo ou penal. Entretanto, a reprimenda será maior se a inovação artificiosa se destinar a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado. Certo. Art. 347. Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único. Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. DIREITO PROCESSUAL PENAL (Diego Henrique) 506 Uma nova lei processual penal entrou em vigor durante o curso de uma ação penal. Dessa for- ma, os atos processuais já praticados devem ser repetidos, se possíveis, para se adequar às no- vas disposições procedimentais. Errado. O artigo 2º do CPP dispõe que “a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.” Logo, não há que se falar em repetir atos processuais já realizados sob a égide de lei anterior. Eles continuarão válidos, mesmo após a revogação da lei que os disciplinou. 507 O inquérito policial possui a característica do sigi- lo. Por essa razão, o advogado do indiciado não pode ter amplo acesso aos elementos de prova já documentados. Errado. De fato, o inquérito policial possui a característica do sigilo.Todavia, esse sigilo se limita às diligências que, pela sua própria natureza, não podem e não devem ser reveladas antes de cumpridas, a exemplo do mandado de busca e apreensão e da interceptação telefônica. Por outro lado, com relação às diligências já documentadas, a Súmula Vinculante 14 dispõe que “é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.” 508 O inquérito policial é indispensável à persecução penal, sem o qual o Ministério Público não pode oferecer a denúncia. Errado. O inquérito policial é dispensável. Se o Ministério Público possui elementos probatórios suficientes para a denúncia, não se faz necessária a instauração de inquérito policial. Texto relacionado às questões 509 a 512: Carlinhos é investigado por ter, supostamente, pra- ticado o crime de latrocínio contra Marcélia, no dia 15/03/2019. Diante dessa situação hipotética, julgue cada item a seguir: 509 Durante a fase de inquérito policial, se Carlinhos tiver sua prisão temporária decretada, esta terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. Certo. Trata-se de crime hediondo. A prisão temporária encontra-se prevista na lei n. 7.960/1989 e tem o prazo de 5 dias, prorrogável por igual período.