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116Cargo: Agente e Escrivão
QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019
diretamente, ainda que fora da função ou antes 
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem 
indevida.
Errado. 
Trata-se do crime de concussão, previsto no artigo 
316 do CPB.
465 Tício, funcionário público, estava sem canetas 
em casa e se apropriou, em razão das funções 
desempenhadas, de 10 canetas de propriedade 
pública, que totalizam o valor de R$ 30,00. De 
acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal 
de Justiça, não é possível aplicar o princípio da 
insignificância à conduta de Tício.
Certo.
Esse é o teor da Súmula 599-STJ: “O princípio da 
insignificância é inaplicável aos crimes contra a 
Administração Pública.”
Texto para as questões 466 e 467.
Marcos Carvalho vive em união estável com Carolina 
Santos há 5 anos. Desconfiado que Carolina mantém 
um caso amoroso com outra pessoa, Marcos passa 
a agredi-la severamente com socos na face. A inten-
ção de Marcos, ao agredir Carolina, é causar somente 
lesões corporais. Todavia, em decorrência das agres-
sões, Carolina vem a falecer. 
Diante da situação hipotética, analise as assertivas a 
seguir.
466 Apesar de Marcos não ter almejado o resultado 
morte nem ter assumido o risco de produzi-lo, ele 
deve responder pelo delito de feminicídio, uma 
vez que Carol veio a falecer em razão das agres-
sões praticadas.
Errado.
Marcos deverá responder pelo delito de lesão 
corporal seguido de morte, previsto no artigo 129, § 
3º, do CP, combinado com a causa de aumento de 
pena prevista no artigo 129, § 10, do CP.
467 É possível a prática de feminicídio fora dos casos 
de violência doméstica e familiar.
Certo. 
O feminicídio pode ser praticado quando há 
menosprezo ou discriminação à condição de mulher 
(art. 121, § 2º-A, inciso I, do CP), independentemente 
de haver relação doméstica ou familiar com a vítima.
468 João Silveira, imputável, induziu Antônio Nonato, 
mentalmente enfermo e absolutamente incapaz 
de oferecer qualquer resistência, a cometer sui-
cídio. Em decorrência, Antônio cometeu suicídio. 
Neste caso, João deverá ser responsabilizado 
pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio 
a suicídio, devendo a pena ser duplicada em ra-
zão da debilidade mental da vítima.
Errado. 
João Silveira responderá por homicídio consumado, 
uma vez que Antônio, em razão da vulnerabilidade, 
não poderia oferecer resistência ao induzimento de 
João.
469 O furto de semovente domesticável de produção, ain-
da que abatido ou dividido em partes no local da sub-
tração, configura uma hipótese de furto qualificado.
Certo. 
Trata-se de uma qualificadora prevista no art. 155, 
§ 6º, do CP. 
470 Marília Gomes teve expedido mandado de pri-
são contra sua pessoa. A fim de se furtar da ação 
policial, Marília adquiriu, no dia 30/04/2019, uma 
carteira de identidade falsificada, na qual cons-
ta sua foto com o nome de outra pessoa. No dia 
02/05/2019, durante abordagem policial, foi soli-
citado a Marília que se identificasse, ocasião em 
que ela entregou o referido documento falsificado. 
Neste caso, Marília praticou o delito de falsa iden-
tidade, previsto no artigo 307 do Código Penal.
Errado. 
Marília praticou o delito de uso de documento falso, 
previsto no artigo 304 do CP.
471 A jurisprudência é pacífica no sentido de que a 
falsificação documental deve ser absorvida, em 
razão do princípio da consunção, pelo crime de 
estelionato, quando for utilizada com essa finali-
dade e sem mais potencialidade lesiva.
Certo. 
Súmula n. 17 do STJ.
472 Opor-se à execução de ato legal, mediante ame-
aça a funcionário público competente para execu-
tá-lo, configura concurso dos crimes de desobedi-
ência (art. 330 do CP) e ameaça (art. 147 do CP).
Errado. 
Tal conduta se subsome ao tipo penal do art. 329 do 
CP – resistência.
473 Nico Torres, conhecido assaltante do Morro da 
Cruz, São Sebastião-DF, subtraiu um colar de pé-
117Cargo: Agente e Escrivão
QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019
rolas, avaliado em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), 
mediante grave ameaça. Sabendo que a polícia 
estava em busca do objeto e que já o tinha como 
principal suspeito, Nico entrega o colar para seu 
pai, Almeida, e pede que ele o esconda em seu 
favor. Por amor ao filho e buscando ajudá-lo, Al-
meida oculta o objeto. Nesta situação, Almeida 
praticou o delito de receptação e deverá ser cri-
minalmente responsabilizado.
Errado. 
Almeida praticou o delito de favorecimento real (art. 
349 do CP), pelo qual deverá ser responsabilizado.
Texto referente às questões 474 a 476.
Junior Pereira, maior imputável, com arma em punho 
e mediante grave ameaça, restringiu a liberdade de 
Camila Cardoso e determinou que ela lhe entregasse 
seu cartão de crédito com a senha, o que foi pronta-
mente obedecido. Todavia, após restringir a liberdade 
da vítima, Junior Pereira efetuou um disparo contra 
a cabeça dela, vindo a matar Camila Cardoso. A in-
vestigação realizada pela Polícia Civil logrou êxito em 
prender o criminoso.
Com base nessa situação, julgue cada item:
474 Junior Pereira praticou o crime de roubo com re-
sultado morte, também conhecido como latrocínio.
Errado.
O crime praticado é o de restrição de liberdade com 
resultado morte (art. 158, § 3º, CP).
475 O crime praticado por Junior Pereira é considera-
do hediondo, de acordo com a Lei n. 8.072/1990.
Errado. 
O crime praticado é o de extorsão com restrição 
de liberdade com resultado morte (art. 158, § 3º, 
CP). Não há previsão de sua hediondez na Lei n. 
8.072/1990.
476 Suponha que Junior Pereira também tivesse sub-
traído o veículo automotor da vítima e o tivesse 
vendido a Lucas Silva, dono de uma mecânica, 
que sabe se tratar de produto de crime. Em re-
lação a Junior, essa situação caracteriza mero 
exaurimento do crime anteriormente praticado. 
Por outro lado, Lucas Silva praticou o delito de 
receptação qualificada.
Certo.
Art. 180, § 1º, CP.
477 Fernando comete o crime de roubo com uma 
arma de fogo desmuniciada. Assim, em face da 
ausência de potencialidade lesiva da arma de 
fogo utilizada na empreitada criminosa, Fernando 
deve ser responsabilizado pelo roubo simples, e 
não por roubo circunstanciado (majorado).
Certo.
Vide o seguinte julgado do STJ: “IX – A jurisprudência 
desta Corte é assente no sentido de que a utilização 
de arma desmuniciada, como forma de intimidar a 
vítima do delito de roubo, caracteriza o emprego 
de violência, porém não permite o reconhecimento 
da majorante de pena, uma vez que está vinculada 
ao potencial lesivo do instrumento, dada a sua 
ineficácia para a realização de disparos. Todavia, 
"se o acusado sustentar a ausência de potencial 
lesivo da arma empregada para intimidar a vítima, 
será dele o ônus de produzir tal prova, nos termos 
do art. 156 do Código de Processo Penal." HC 
467877/SP, julgado em 21/06/2018.
478 Mário, indignado com seu irmão gêmeo, Mauro, 
desfere socos na face deste com a finalidade de 
gerar lesões corporais. Nesta situação, apesar 
de não mais residirem na mesma casa, deve Má-
rio ser responsabilizado por lesão corporal em 
contexto de violência doméstica.
Certo.
Vide art. 129, §9º, CP.
479 Pratica falsidade ideológica (art. 299, CP) o 
agente que insere informação falsa em currículo 
Lattes com a intenção de obter respeito e vanta-
gem em emprego ou função.
Errado.
Currículo Lattes não possui a qualidade de 
documento e está sujeito a verificação posterior. 
Assim, segundo o STJ (RHC 81.451/RJ, julgado em 
22/08/2017), a conduta de inserir informação falsa 
em currículo Lattes é atípica.
480 Configura o crime de adulteração de sinal identifi-
cador de veículo automotor a conduta de colocar 
fita adesiva na placa do carro.
Certo. 
Vide o seguinte julgado do STJ: “A jurisprudência 
deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no 
sentido de que a norma contida no art. 311 do 
Código Penal busca resguardar a autenticidade dos 
sinais identificadores dos veículos automotores, 
sendo, pois, típica, a simples conduta de alterar, 
com fita adesiva, a placa do automóvel,ainda que 
não caracterizada a finalidade específica de fraudar 
a fé pública”. (STJ, AgRg no REsp 1327888/SP, 
julgado em 03/03/2015)
118Cargo: Agente e Escrivão
QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019
481 Depositário judicial que se apropria indevida-
mente de bem móvel, do qual tem a posse em 
razão do múnus público exercido, pratica o crime 
de peculato.
Errado.
Responderá por apropriação indébita, uma vez que 
depositário judicial não é considerado funcionário 
público para fins penais. STJ, HC 402949-SP, 
julgado em 13/03/2018 (Info n. 623).
482 Carmelúcio, imputável, adulterou o medidor de 
energia elétrica de sua residência de tal forma 
que o aparelho computa apenas 30% da energia 
efetivamente consumida. Nesse caso, é possível 
afirmar que Carmelúcio será responsabilizado 
pelo furto de energia elétrica.
Errado.
De acordo com o STJ, em decisão de 07/05/2019 
(AResp 1.418.119-DF), se o agente efetua ligação 
clandestina de forma a impedir que a energia 
elétrica seja computada pelo medidor, há furto 
de energia elétrica. Entretanto, se o sistema de 
medição é fraudado com a finalidade descrita na 
questão, teremos uma hipótese de estelionato.
Texto referente às questões 483 a 485:
Pedro, perito policial, tem sob custódia uma pistola ca-
libre 40 que deve ser submetida a exame de eficiência. 
Entretanto, ao constatar que a referida arma de fogo 
pertencia a um indivíduo já falecido, supõe que nin-
guém terá interesse em obter sua restituição. Assim, 
decide se apropriar da arma de fogo e solicita auxílio 
a seu amigo Marcos, motorista de uma empresa par-
ticular, para que este busque a referida arma de fogo 
no Instituto de Criminalística, uma vez que Pedro tinha 
receio de ser flagrado saindo do local com o objeto 
que não lhe pertencia. Marcos, tendo conhecimento 
da ação criminosa praticada por Pedro, decide lhe au-
xiliar, sob a promessa de receber R$ 200,00 (duzentos 
reais). A ação criminosa transcorre como planejado, 
mas é descoberta pela polícia alguns dias depois. A 
arma de fogo foi recuperada. Diante dessa situação, 
julgue as assertivas a seguir.
483 Pedro deve ser responsabilizado por apropriação 
indébita, uma vez que já tinha a posse da pistola 
quando decidiu se apropriar deste objeto.
Errado.
Em que pese Pedro ter se apropriado da pistola, 
essa apropriação se deu em razão do cargo público 
que ocupa, o que caracteriza o crime de peculato.
484 Pedro deve ser responsabilizado pelo delito de 
peculato, na modalidade peculato-apropriação, 
que é uma das espécies de peculato-próprio.
Certo.
Peculato-apropriação é uma das modalidades de 
peculato-próprio, previsto no caput do artigo 312 do 
CP. De fato, a conduta de Pedro se amolda ao crime 
de peculato.
485 Marcos, apesar de não ser funcionário público, 
pode ser responsabilizado por crime funcional. As-
sim, na situação descrita, deve ser aplicada a te-
oria monista ou unitária do concurso de pessoas, 
adotada como regra no Código Penal Brasileiro, 
de forma a imputar a Marcos o crime de peculato.
Certo.
A condição de funcionário público ostentada por 
Pedro é comunicável a Marcos, uma vez que se 
trata de elementar do crime de Pedro. Aplica-se a 
regra do artigo 30 do CP: “Não se comunicam as 
circunstâncias e as condições de caráter pessoal, 
salvo quando elementares do crime.” O CPB adota a 
Teoria Monista ou Unitária do concurso de pessoas. 
Logo, Marcos deverá ser responsabilizado por 
peculato, em que pese não ser funcionário público.
486 Trata-se de caso de aumento de pena do femi-
nicídio se o crime for praticado na presença de 
descendente ou de ascendente da vítima. Para 
efeitos deste aumento, a presença pode ser tanto 
física quanto virtual.
Certo.
Literalidade da lei. Art. 121, § 7º, II, do CP.
487 De acordo com o Supremo Tribunal Federal, o abor-
to eugênico é admitido no Direito Penal Brasileiro.
Errado.
O aborto eugênico, decorrente de eventuais 
anomalias ou deficiências do feto, não é admitido 
no Direito Penal brasileiro. Não confunda aborto 
eugênico com aborto de feto anencéfalo, este, sim, 
admitido pelo STF.
488 O delito de uso de documento falso, previsto no 
artigo 304 do Código Penal, pode ser de menor, 
médio ou elevado potencial ofensivo.
Certo.
A pena do crime de uso de documento falso é 
correspondente à falsificação. Haverá hipóteses em 
que se trata de crime de menor, médio ou elevado 
potencial ofensivo.
119Cargo: Agente e Escrivão
QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019
489 Marcela, com o intuito de se vingar de Alfredo, o 
qual lhe havia negado uma noite de amor, com-
parece a uma delegacia de polícia e registra 
ocorrência, imputando falsamente a Alfredo o cri-
me de tentativa de estupro, do qual ela suposta-
mente teria sido vítima. Após as investigações, a 
polícia descobre a torpeza de Marcela. O delega-
do responsável pelo caso imputa a Marcela o cri-
me de comunicação falsa de crime. O delegado 
responsável pelo caso agiu de maneira correta.
Errado.
Marcela incorreu no crime de denunciação caluniosa 
(art. 339 do CP) e, não, de comunicação falsa de 
crime (art. 340 do CP).
Texto referente às questões de 490 a 492.
Romildo Ferreira, maior imputável, subtraiu o aparelho 
de TV de uma residência desabitada. O fato ocorreu 
por volta das 2h da madrugada, na cidade de Brasília-
-DF. Romildo foi preso em flagrante e conduzido à De-
legacia de Polícia. Diante dessa situação hipotética, 
julgue os itens a seguir.
490 O fato de a residência encontrar-se desabitada 
afasta a causa de aumento de pena do furto du-
rante o repouso noturno.
Errado.
O fato de a residência encontrar-se desabitada é 
irrelevante para a incidência do furto noturno. Essa 
causa de aumento será aplicável sempre que o 
furto ocorrer durante o repouso noturno, ainda que 
o crime tenha sido praticado em estabelecimento 
comercial ou mesmo em via pública.
491 No caso concreto, é possível afirmar que Romil-
do praticou o crime de furto qualificado.
Errado.
O enunciado não apresenta qualquer qualificadora 
do furto. Veja que a situação hipotética não informa 
se Romildo empregou chave falsa ou destruiu algum 
obstáculo para entrar na residência. É possível que 
a casa estivesse aberta e Romildo, aproveitando-se 
dessa facilidade, praticou o furto.
492 Não será imputado a Romildo o crime de violação 
de domicílio, uma vez que, apesar de configurar 
crime autônomo, na presente situação, este de-
lito será absorvido pelo crime de furto, em razão 
do princípio da consunção.
Certo.
Apesar de ter havido violação a domicílio alheio, 
Romildo somente será responsabilizado pelo 
crime de furto. No caso, aplica-se o princípio da 
consunção. O crime fim (furto) absorve o crime 
meio (violação de domicílio).
493 Aliciar e recrutar mulheres, mediante ameaça, 
violência, coação, fraude ou abuso com a fina-
lidade de exploração sexual, configura crime de 
tráfico de pessoas, configurando o delito, ainda 
que a vítima não seja transportada para outro 
país ou outro estado federativo.
Certo.
O crime de tráfico de pessoas (art. 149-A do CP) 
não exige, para sua configuração, que a vítima seja 
transportada para localidade diversa. 
494 A injúria real consiste na utilização de elementos re-
ferentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a con-
dição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
Errado.
A questão define a injúria racial, prevista no art. 140, 
§ 3º, do CP. A injúria real está prevista no art. 140, 
§ 2º, do CP.
495 João Macedo falsifica reiteradamente ações de 
sociedade comercial, livros mercantis e testa-
mentos particulares. Por essas ações crimino-
sas, João Macedo deverá ser responsabilizado 
pelo crime de falsificação de documento público 
e não por falsificação de documento particular.
Certo.
Os documentos apresentados na questão são 
equiparados a documentos públicos pelo próprio 
Código Penal, conforme art. 297, § 2º, do CP.
Texto referente às questões 496 e 497:
Felipe Augusto, maior imputável, praticou um crime 
de roubo no dia 19/09/2019. Na ocasião, subtraiu, 
mediante graveameaça, 2 aparelhos celulares. Após 
alguns dias, Felipe Augusto desconfiou que a Polícia 
Civil estava investigando o crime praticado e achou 
melhor pedir a seu pai, Carlos Augusto, que ocultasse 
os referidos aparelhos em sua residência. Carlos Au-
gusto, ciente da origem criminosa dos aparelhos ce-
lulares, aceitou ocultá-los, a fim de auxiliar seu filho a 
não ser preso. Diante da situação apresentada, julgue 
os itens a seguir.
496 Nesta situação, Carlos Augusto praticou o crime de 
favorecimento real. Todavia, caso ocultasse os refe-
ridos aparelhos celulares em seu próprio favor, po-
deria ser responsabilizado pelo crime de receptação.
Certo.
120Cargo: Agente e Escrivão
QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019
No crime de favorecimento real, o auxílio é prestado 
a terceiro, fora dos casos de coautoria ou de 
receptação. Vide artigo 349 do CP.
497 Apesar de Carlos Augusto ter praticado fato típico, 
como o auxílio prestado se deu em favor de seu 
descendente, ele deverá ficar isento de pena.
Errado.
A previsão de isenção de pena para quem presta 
auxílio a criminoso somente se dá no crime de 
favorecimento pessoal (art. 348 do CP) e não no 
crime de favorecimento real (art. 349 do CP).
Texto referente às questões 498 e 499.
Marcondes Ferreira foi ameaçado de morte por Amân-
cio Silva, maior imputável. Diante dessa ameaça e re-
ceoso de ser morto, Marcondes decide se antecipar e 
matar Amâncio. Para tanto, Marcondes contrata Arlin-
do Freitas, assassino profissional, prometendo lhe pa-
gar R$ 200,00 (duzentos reais) para matar Amâncio. O 
crime é executado no dia 26/10/2019, ocasião em que 
Arlindo desferiu três tiros no peito de Amâncio, cau-
sando sua morte. A polícia é acionada para investigar 
o fato e chega à autoria do crime.
Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
498 De acordo com a teoria objetivo-formal, adotada 
pelo Código Penal brasileiro no que concerne ao 
concurso de pessoas, na situação acima rela-
tada, Marcondes será considerado partícipe do 
crime, enquanto Arlindo será considerado autor.
Certo.
O Código Penal brasileiro adota a teoria objetivo-
formal, segundo a qual o autor do crime será aquele 
que pratica o verbo núcleo do tipo penal. Logo, 
como foi Arlindo quem efetuou os disparos, este 
é considerado autor. Marcondes, por sua vez, é 
partícipe, pois instigou a prática do crime sem que 
praticasse o verbo do tipo penal.
499 É possível que Marcondes seja responsabilizado 
somente por homicídio simples. Enquanto Arlindo 
deverá ser responsabilizado por homicídio quali-
ficado mediante paga, promessa de recompensa 
ou outro motivo torpe.
Certo.
De fato, não há qualquer qualificadora legal que se 
aplique a Marcondes. A qualificadora do homicídio 
mediante paga ou promessa de recompensa é 
subjetiva, razão por que não haverá a comunicação 
dessa circunstância no concurso de pessoas. 
Assim, somente Arlindo deve ser responsabilizado 
por homicídio qualificado, uma vez que foi ele quem 
praticou o homicídio em razão da promessa de 
pagamento (art. 121, § 2º, I). Essa qualificadora não 
se aplica ao mandante do crime.
Texto referente às questões 500 e 501.
Martino Cabral decide explodir um caixa eletrônico e 
subtrair o numerário que se encontra em seu interior. 
Para tanto, adquire material explosivo e, na madrugada 
de 1º/10/2019, por volta das 3h da madrugada, dirige-
-se a uma agência bancária totalmente vazia, localiza-
da na cidade de Brazlândia-DF. Ato contínuo, detona 
os explosivos e logra êxito na subtração almejada. 
Diante dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
500 Martino deve ser responsabilizado pelo crime de 
furto qualificado em razão do emprego de explo-
sivos, e deverá haver aumento de pena de um 
terço em razão de o furto ter sido praticado du-
rante o repouso noturno, sendo irrelevante o fato 
de a ação criminosa ter ocorrido em estabeleci-
mento comercial.
Certo.
O artigo 155, § 1º, do Código Penal dispõe que “a 
pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado 
durante o repouso noturno.” Essa causa de aumento 
de pena aplica-se ao furto qualificado pelo emprego 
de explosivos e às demais hipóteses de furto.
501 Suponha que a ação tivesse ocorrido durante o 
dia, momento em que havia pessoas no interior da 
agência bancária. Ao praticar a subtração do nu-
merário com o uso de explosivos e mediante gra-
ve ameaça ou violência a essas pessoas, Martino 
deveria ser responsabilizado por roubo qualificado.
Errado.
Apesar de o fato realmente configurar roubo, e não 
furto, em virtude da grave ameaça ou violência a 
pessoas que se encontravam no interior da agência 
bancária, o roubo com uso de explosivos sofre 
aumento de pena. Não se trata de qualificadora do 
crime de roubo. (Vide art. 157 e parágrafos)
No que se refere aos crimes contra a fé pública, julgue 
os itens que se seguem.
502 Alterar a numeração da placa de veículo com fita 
isolante configura o crime de adulteração de sinal 
identificador de veículo.
Certo.
É o entendimento jurisprudencial do STJ: “1. A 
jurisprudência deste Superior Tribunal entende 
121Cargo: Agente e Escrivão
QUESTÕES INÉDITAS PARA A PCDF – 2019
que a simples conduta de adulterar a placa de 
veículo automotor é típica, enquadrando-se no 
delito descrito no art. 311 do Código Penal. Não 
se exige que a conduta do agente seja dirigida a 
uma finalidade específica, basta que modifique 
qualquer sinal identificador de veículo automotor. 
2. A conduta realizada pelo recorrido, que, com o 
uso de fita isolante, modificou o número da placa 
da motocicleta, configura o delito tipificado referido 
dispositivo.” (AgRg no AREsp 860012/MG)
503 A falsificação de selo destinado a controle tribu-
tário configura o delito de falsificação de selo ou 
sinal público.
Errado.
Esse é um peguinha que já caiu em provas anteriores. 
A falsificação de selo destinado a controle tributário 
gera o crime previsto no artigo 293 do Código Penal 
– Falsificação de papéis públicos.
504 Apesar de o crime de estupro ter passado a ser 
de ação penal pública incondicionada, o delito de 
importunação sexual (art. 215 – A do CP) exige a 
representação da vítima.
Errado.
De acordo com o artigo 225 do Código Penal, 
alterado pela Lei n. 13.718/2018, “nos crimes 
definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-
se mediante ação penal pública incondicionada”. 
Com efeito, atualmente, não só os crimes previstos 
nos capítulos I e II, mas todos os crimes contra a 
dignidade sexual procedem-se mediante ação 
penal pública incondicionada.
505 O crime de fraude processual pode ser pratica-
do no âmbito de processo civil, administrativo ou 
penal. Entretanto, a reprimenda será maior se a 
inovação artificiosa se destinar a produzir efeito 
em processo penal, ainda que não iniciado.
Certo.
Art. 347. Inovar artificiosamente, na pendência de 
processo civil ou administrativo, o estado de lugar, 
de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro 
o juiz ou o perito: Pena - detenção, de três meses a 
dois anos, e multa.
Parágrafo único. Se a inovação se destina a produzir 
efeito em processo penal, ainda que não iniciado, 
as penas aplicam-se em dobro.
DIREITO PROCESSUAL PENAL
(Diego Henrique)
506 Uma nova lei processual penal entrou em vigor 
durante o curso de uma ação penal. Dessa for-
ma, os atos processuais já praticados devem ser 
repetidos, se possíveis, para se adequar às no-
vas disposições procedimentais.
Errado.
O artigo 2º do CPP dispõe que “a lei processual 
penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da 
validade dos atos realizados sob a vigência da lei 
anterior.” Logo, não há que se falar em repetir atos 
processuais já realizados sob a égide de lei anterior. 
Eles continuarão válidos, mesmo após a revogação 
da lei que os disciplinou.
507 O inquérito policial possui a característica do sigi-
lo. Por essa razão, o advogado do indiciado não 
pode ter amplo acesso aos elementos de prova 
já documentados.
Errado.
De fato, o inquérito policial possui a característica do 
sigilo.Todavia, esse sigilo se limita às diligências que, 
pela sua própria natureza, não podem e não devem ser 
reveladas antes de cumpridas, a exemplo do mandado 
de busca e apreensão e da interceptação telefônica. Por 
outro lado, com relação às diligências já documentadas, 
a Súmula Vinculante 14 dispõe que “é direito do 
defensor, no interesse do representado, ter acesso 
amplo aos elementos de prova que, já documentados 
em procedimento investigatório realizado por órgão 
com competência de polícia judiciária, digam respeito 
ao exercício do direito de defesa.”
508 O inquérito policial é indispensável à persecução 
penal, sem o qual o Ministério Público não pode 
oferecer a denúncia.
Errado. 
O inquérito policial é dispensável. Se o Ministério 
Público possui elementos probatórios suficientes 
para a denúncia, não se faz necessária a instauração 
de inquérito policial.
Texto relacionado às questões 509 a 512:
Carlinhos é investigado por ter, supostamente, pra-
ticado o crime de latrocínio contra Marcélia, no dia 
15/03/2019. Diante dessa situação hipotética, julgue 
cada item a seguir:
509 Durante a fase de inquérito policial, se Carlinhos tiver 
sua prisão temporária decretada, esta terá o prazo 
de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em 
caso de extrema e comprovada necessidade.
Certo.
Trata-se de crime hediondo. A prisão temporária 
encontra-se prevista na lei n. 7.960/1989 e tem 
o prazo de 5 dias, prorrogável por igual período.

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