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SD nº 12: A Independência do Brasil e 1º Reinado 1. Comente sobre o contexto europeu quando da transferência da família real portuguesa para o Brasil. A chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808 ocorreu em meio a uma série de eventos importantes na Europa, em particular, durante as Guerras Napoleônicas. O contexto histórico que levou à vinda da família real para o Brasil inclui a invasão francesa de Portugal em 1807, as forças de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal, forçando a família real portuguesa, liderada pelo Príncipe Regente Dom João (futuro Dom João VI), a tomar medidas para proteger o governo e a coroa portuguesa. 2. Comente sobre os impactos da transferência da corte portuguesa para sua colônia. A transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 teve uma série de impactos significativos, não apenas na história do Brasil, mas também na história de Portugal e nas relações entre as colônias e a metrópole. Alguns dos principais impactos incluem: Abertura dos portos, modernização e desenvolvimento e mais autonomia política na colônia. 3. Qual o significado da “Abertura dos Portos às Nações Amigas” e a elevação do Brasil a condição de reino unido a Portugal e Algarves ? Abertura dos portos às nações amigas representou o fim do antigo sistema de exclusividade comercial que Portugal mantinha com suas colônias. Anteriormente, o comércio colonial estava limitado ao monopólio português, que restringia as transações comerciais apenas aos navios portugueses. Em 1815, Dom João VI, situado no Brasil, elevou o território colonial à categoria de Reino Unido a Portugal, Brasil e Algarves. Isso foi uma mudança significativa no status político do Brasil, pois o país passou a ser reconhecido como igual ao Reino de Portugal e Algarves, em vez de apenas uma colônia. Essa elevação conferiu um status de maior autonomia e importância política ao Brasil dentro do império português. Essas ações ajudaram a fortalecer a posição do Brasil como parte integrante do Império Português, alterando sua relação com a metrópole. 4. Insurreição Pernambucana de 1817 (grupos envolvidos, local, causas e consequências). A Insurreição Pernambucana, também conhecida como Revolução de 1817, foi um importante movimento de cunho separatista e republicano que ocorreu na Capitania de Pernambuco, parte do Brasil colonial. A insurreição foi liderada principalmente por membros da elite local, incluindo comerciantes, advogados, militares e intelectuais. Alguns dos líderes proeminentes foram Domingos José Martins, padre João Ribeiro, Frei Caneca e Luís do Rêgo. Eles foram influenciados pelas ideias iluministas e pelas revoluções que ocorreram em outros lugares do mundo, como a Revolução Francesa. A insurreição teve seu epicentro na Capitania de Pernambuco, com foco na cidade de Recife, que era o centro urbano mais importante da região na época. As ideias iluministas europeias, que pregavam liberdade, igualdade e fraternidade, exerceram influência sobre a elite local, inspirando os revolucionários a buscar uma maior participação política e igualdade de direitos. Outro motivo foi que muitos pernambucanos estavam insatisfeitos com o domínio colonial português, que impunha restrições econômicas, políticas e comerciais à colônia. 5. Sobre o processo de independência do Brasil – grupos envolvidos? atendeu a quais interesses? O processo de independência do Brasil envolve vários grupos e atendeu a diferentes interesses, refletindo uma complexa dinâmica política, social e econômica. Os principais grupos envolvidos e seus interesses incluem a elite colonial, militares alguns grupos de escravizados. A elite tinha o interesse de uma autonomia e controle sobre os assuntos locais. 6, Quais os interesses dos EUA, Portugal e Inglaterra ao reconhecerem a nossa independência? Justifique. Os Estados Unidos, recém-independentes da Grã-Bretanha, tinham interesse em apoiar movimentos de independência em outras partes do mundo, já que isso fortaleceria a legitimidade de sua própria independência. O apoio à independência do Brasil poderia fortalecer as relações com um potencial aliado na América Latina. Além disso, os EUA foram específicos para expandir seus laços comerciais e abrir novos mercados, e o reconhecimento do Brasil como nação independente poderia facilitar acordos comerciais desenvolvidos. Portugal enfrentou dificuldades para manter sua autoridade sobre o Brasil, e o reconhecimento da independência passou a ser uma opção mais viável para evitar conflitos prolongados e consolidar laços econômicos mais vantajosos. Já a Inglaterra tinha interesses econômicos consideráveis na região. Durante o processo de independência do Brasil, os interesses ingleses estiveram centrados no comércio e na expansão de seus negócios na América do Sul. 7. Comente sobre o processo de elaboração e outorga da 1ª Constituição do Brasil: convocação da assembleia nacional constituinte – Constituição da Mandioca – grupos políticos – Constituição de 1824 – principais características. O processo de criação da primeira constituição do Brasil, conhecido como a "Constituição de 1824", foi um evento significativo na história do país que envolveu deputados eleitos de diversas províncias do Brasil. A Constituição de 1824 foi influenciada por várias fontes, incluindo a Constituição espanhola de 1812, a Constituição francesa de 1814 e as ideias políticas do Iluminismo. No entanto, ela também refletiu a visão centralizadora e autoritária de Dom Pedro I. (Poder Moderador). 8. Discorra sobre a Confereção do Equador (onde, quando, causas, principais líderes, consequências). A Confederação do Equador foi um movimento separatista ocorrido no nordeste do Brasil em 1824. Liderada por figuras como Frei Caneca e Cipriano Barata, uma revolta buscava maior autonomia e república, desafiando o governo imperial de Dom Pedro I. O movimento foi reprimido pelas forças imperiais , e seus líderes enfrentam prisão e execução. Isso contribuiu para a centralização do poder no Império brasileiro. 9. Discorra sobre a Guerra da Cisplatina (onde, quando, envolvidos, causas, principais líderes, consequências). A Guerra da Cisplatina (1825-1828) foi um conflito entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina e Uruguai) pela posse da província da Cisplatina. A guerra resultou na independência da Cisplatina, que se tornou o Uruguai, e teve impactos nas relações diplomáticas da região. 10. Razões/motivos que levaram à abdicação de dom Pedro I. A abdicação de Dom Pedro I ao trono do Brasil em 1831 foi motivada por vários fatores, incluindo fatores políticos e as províncias que buscavam autonomia, conflitos com o militares que lutaram na Guerra da Cisplatina e os problemas econômicos causados pela Guerra. SD nº 13: Período Regencial 11. Comente de forma sucinta sobre as fases do período regencial. Regência Trina Provisória (1831): tem esse nome porque era formada por 3 regentes temporários: Francisco de Lima e Silva, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e José Joaquim Carneiro de Campos. Ela durou de abril até julho do mesmo ano, 1831, pois a política brasileira estava tumultuada e havia uma série de problemas espalhados pelo país. Ainda assim, conseguiu fazer algumas coisas no país. Entre as medidas tomadas por estes regentes, estavam: Restituição dos ministros demitidos por D Pedro I. Eleição da Trina Permanente. Construção de assembleia para criação das Leis Regenciais. Tentativa de barrar as rebeliões. Anistia (perdão) aos presos políticos da oposição. Regência Trina Permanente (1831-1834): No mês de junho de 1831, foi eleita a Regência Trina Permanente. Isso significa que ela possuía três regentes definitivos: Francisco de Lima e Silva (permaneceu), José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. Houve a nomeação do Pe. Antônio Feijó como ministro, que criou a GuardaNacional. Ela era uma força composta por homens eleitores (elite) que possuíam entre 21 e 60 anos. O objetivo era controlar as manifestações ao longo do Brasil. Nessa época, houve a criação do Código de Processo Criminal (1832) que aumentou os poderes dos juízes, determinou o uso de júri no julgamento de crimes mais graves e criou o habeas corpus (o réu responde por seu crime em liberdade). Para atender as demandas das províncias e tentar controlar a situação política, foi aprovado o Ato Adicional de 1834. Essa lei tinha caráter liberal e fez alterações na Constituição de 1824: Reforma do Poder Moderador: esse era o quarto poder, ocupado pelo imperador e regulava os demais. A reforma diminuiu essa influência, descentralizando e dando maiores possibilidades aos deputados e senadores. Formação das Assembleias Legislativas nas províncias: mandato de 2 anos, província podia criar imposto, contratar e demitir funcionário. Substituição da regência trina por uma regência una: o primeiro regente uno foi o Padre Feijó. Aumento do poder do presidente da província. Alguns historiadores dizem que o Período Regencial foi uma experiência republicana entre dois reinados. Regência Una de Feijó (1835-1837): O Pe. Antônio Diogo Feijó foi eleito por 33% dos votos e assumiu a primeira regência una (de uma só pessoa). Ele iniciou seu governo em 1835, durando até 1837. Ele era apoiado pelos liberais moderados. Ainda assim, foi nessa época que surgiram os maiores movimentos separatistas do Brasil, como a Cabanagem, Farroupilha e Balaiada. Essas revoltas fizeram com que o poder de Feijó enfraquecesse. Em 1836, houve um grande conflito político entre liberais e conservadores. Então o Pe. Feijó dissolveu a Câmara dos Deputados. Logo depois, renunciou ao cargo em 1837, forçando novas eleições. Regência Una de Araújo Lima (1837-1840): A nova eleição foi realizada e Pedro de Araújo Lima foi eleito o regente do Brasil (e o último) sendo que Holanda Cavalcanti perdeu pela segunda vez. Na regência de Araújo Lima, a principal marca foi o crescimento dos políticos conservadores, a mistura dos Liberais Moderados com os Restauradores. Assim, parte da autonomia dadas às províncias, pelo Ato Adicional de 1834, foi retirada. Por isso, esse período ficou conhecido como “regresso conservador”. Nesse período, houve uma importante consolidação no quadro político brasileiro. É aqui que os três grupos começam a se misturar e formar os dois partidos. Durante esta regência, as revoltas provinciais foram reprimidas, principalmente a Balaiada e a Cabanagem. O retorno de algumas medidas centralizadoras aconteceram com a Lei Interpretativa do Ato Adicional, decretada em 1840. 12. Diferencia as revoltas do período regencial (onde, quando, grupo de liderou, motivação). Malês (1835): Aconteceu em Salvador, capital da então província da Bahia. O levante foi organizado por negros escravizados e libertos de origem muçulmana que lutavam contra a escravidão e a imposição da religião católica. Era comum que, na região, fossem usados os escravizados como “negros de ganho”, que vendiam produtos pela região e entregavam metade do que recebiam a seus donos. Com essa possibilidade de andar livremente pela região, o movimento foi iniciado e durou menos de um dia, sendo duramente combatido, causando várias mortes e enviando mais de 500 negros libertos para a África. Sabinada (de 1837 a 1838): Também ocorrida em Salvador, a Sabinada se caracterizou por se originar nas classes médias, altas e militares. O nome surgiu pela liderança do médico Francisco Sabino. Entre as reivindicações estavam maiores salários para militares e o descontentamento com o envio de soldados para os confrontos no Sul do país. As classes mais altas protestavam contra o Governo Regencial e queriam mais participação política. Os revoltosos conquistaram algumas vitórias e chegaram a proclamar uma república que durou poucos meses. Então, foram duramente reprimidos, e o movimento acabou em muitas mortes, inclusive a do líder, Francisco Sabino. Cabanagem (de 1835 a 1840): Aconteceu na então Província do Grão-Pará, quando indígenas, negros e cabanos (população pobre que morava em cabanas) se revoltaram contra o domínio político e o econômico dos grandes fazendeiros e as péssimas condições de vida. Os revoltosos chegaram a conquistar a capital Belém e a declarar a independência do Pará. Em 1840, foram derrotados pelo governo. Estima-se que, durante o confronto, foram mortas 30 mil pessoas, cerca de 40% da população da província. Balaiada (de 1838 a 1841): A revolta foi iniciada por um confronto das elites locais. Entre elas, os grandes fazendeiros e o comerciante de balaios Manuel Francisco dos Anjos Ferreira. Porém, logo se tornou um movimento de pessoas pobres da região, artesãos, escravos e quilombolas contra a exploração das elites e as arbitrariedades cometidas pelas oligarquias locais. O confronto terminou em 1841 com a dominação dos rebeldes. Farroupilha (de 1835 a 1845): A Revolta Farroupilha, também conhecida como Guerra do Farrapos, foi a mais demorada das Revoltas Regenciais e só foi derrotada no Segundo Reinado. Aconteceu na então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e foi liderado pelas elites que lutavam contra os altos impostos cobrados de produtos do Sul e contra a falta de autonomia política e econômica. A revolta tomou rumos separatistas e chegou a proclamar a República Rio-Grandense, no Rio Grande do Sul, e a República Juliana, em Santa Catarina. Após diversos confrontos, o conflito foi encerrado com um acordo de paz. Os termos de rendição ficaram conhecidos como Poncho Verde. SD nº 14: Segundo Reinado e a Crise da Monarquia 13. Caracterize o sistema de parceria e colonato no contexto da vinda de imigrantes para o Brasil durante o 2º Reinado. 14. Sobre o eixo economico durante o 2º Reinado – de onde veio os capitais para investimento? Evolução histórica produto gerador de riqueza? Café (manejo, locais de produção, mão de obra) – Surto Industrial (Era Mauá) A economia brasileira no Segundo Reinado teve o café como seu principal produto econômico, voltado a abastecer o mercado externo. Originário da África, o café foi introduzido no Brasil em 1727, pela Guiana Francesa. A princípio, o cultivo era para atender o consumo interno no país. No final do século XVIII, com o aumento do consumo e do preço do produto em outros países, a produção do café começou a crescer para também atender o mercado externo. No começo do Segundo Reinado, em 1840, o café já era o principal produto da economia brasileira, representando cerca de 40% da exportação do país e mais da metade da produção mundial. O café chegou a superar o açúcar, que ocupava o espaço de principal produto de exportação brasileira. A rápida expansão do cultivo de café se deu por motivos como: solo apropriado e clima favorável na região onde passou a ser cultivado; aumento do consumo nos Estados Unidos e Europa; o produto não precisa de grande investimento, dentro de quatro anos ele produz os primeiros frutos e passa a produzir por mais 30 anos. - O cultivo de café no Brasil Por ter sido introduzido no Brasil pela Guiana Francesa, o café passou a ser cultivado no Pará, que faz divisa com esse país, como uma planta ornamental. Por volta de 1830, o café passou a ser cultivado no Vale do Paraíba, marcando a primeira fase de produção para um amplo mercado. Localizada na região entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, o Vale do Paraíba apresentava condições que permitiam a produção do café na área. A proximidade do porto do Rio de Janeiro, que garantia o escoamento do produto para a Europa e Estados Unidos, também foi muito favorável para a produção cafeeira nessa região. Porém, por volta de 1860, a cultura cafeeira do Vale do Paraíba começou a apresentar sinais de enfraquecimento. As limitações geográficasda área, que estava localizada entre duas serras, dificultavam a expansão do cultivo; o desmatamento e o esgotamento do solo, pelo uso intensivo; a ausência de técnicas, foram causas que resultaram a queda progressiva da produção de café nessa região. A solução encontrada foi voltar-se para uma nova área para garantir o cultivo a produção do café. O centro da produção cafeeira passou a ser o Oeste Paulista. A nova região ocupou, no final da década de 1880, o posto de principal produtora de café do país. As condições naturais da região, como o solo de terra roxa, muito fértil e que permitia uma grande produção do café e por mais tempo; terras que eram pouco exploradas na região, além de um clima favorável e um relevo pouco acidentado tornaram possível para o Oeste Paulista ocupar o espaço de centro produtor de café. A produção do café também chegou a outras áreas como o Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo. A marcha do café possibilitou a expansão territorial do Brasil e o povoamento de seu interior. A expansão cafeeira em São Paulo, principalmente por conta do Oeste Paulista como centro produtor, permitiu que a São Paulo se transformasse na área mais rica e dinâmica do país. A riqueza produzida pelo café permitiu o desenvolvimento interno do país, principalmente de São Paulo. Investimentos foram voltados na construção de ferrovias, portos e bancos que favoreceram os investidores externos, fazendeiros e comerciantes nacionais. A economia cafeeira transformou as relações políticas, econômicas e sociais nas regiões onde foram organizadas sua produção. Uma nova elite se formava: os barões de café. Instituídos com títulos de nobres, os barões do café exerciam força política e prestígio social a partir dessa época. Geralmente aliada ao governo imperial, a maior parte dos barões do café defendia a ordem escravocrata. Os barões de café não limitaram os investimentos na produção do café, como também aplicaram os lucros obtidos com a venda do produto em outras áreas. A economia brasileira se fortaleceu muito ao serem desenvolvidas atividades de suporte que garantiam a exportação do café, como a construção das ferrovias. A distância entre as fazendas produtoras de café e as cidades portuárias que escoavam a produção para o mercado externo foi uma dificuldade imposta aos grandes fazendeiros de café, que utilizavam de tropas de animais para fazer o transporte do café das fazendas ao porto. Assim, a alternativa encontrada foi o investimento nas ferrovias. A primeira ferrovia construída no país foi a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em 1854, ligava o porto de Mauá, na Baia de Guanabara a Fragoso, cidade próxima a Petrópolis, por 14 km de extensão. Em 1867, foi inaugurada a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, construída pela companhia britânica São Paulo Railway Company Limited, que ligava a cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, até o porto de Santos. Depois dela, outras estradas de ferro foram construídas por outras empresas como a Mogiana, Ituana e a Sorocabana. Além do investimento na construção de ferrovias, o café ajudou a financiar a instalação de indústrias e melhorias nas cidades, como no serviço de transporte, energia, o que acabou beneficiando o crescimento urbano no período. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá (1813-1889), foi a primeira figura proeminente entre a burguesia industrial na história do Brasil. Seus investimentos produtivos incidiram sobre vários ramos, desde os meios de transporte até a constituição de um banco, evidenciando a diversidade de ramos em que ele atuou. Os investimentos na produção industrial naquele período da história imperial brasileira foram auxiliados pela Tarifa Alves Branco, que aumentou o imposto sobre produtos importados, estimulando a produção em território nacional e iniciando um surto de industrialização, que, embora pequeno, mostrou as potencialidades de investimento do país. O Barão de Mauá criou ainda a Companhia de Rebocadores da Barra de Rio Grande, conseguiu os direitos de tráfico no Rio Amazonas por 30 anos, e investiu em companhias de bondes no Rio de Janeiro. Barão de Mauá foi ainda um dos grandes incentivadores da implantação de ferrovias no Brasil, com o objetivo de transportar a produção agrícola do país com maior velocidade. A primeira delas foi a ferrovia Mauá, que ligava o Rio de Janeiro ao Vale do Paraíba fluminense, cuja licença para sua construção foi concedida em 1852. Barão de Mauá, em conjunto com o governo imperial de Dom Pedro II, construiu ainda uma rede de telégrafos submarinos ligando o Brasil à Europa, investiu na Companhia de Gás do Rio de Janeiro, destinada à iluminação pública da cidade, e também na https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/a-tarifa-alves-branco.htm criação de bancos, como o Mauá, MacGregor & Cia e a Casa Mauá & Cia, com atuação significativa no Brasil, Inglaterra, Estados Unidos e países platinos. Entretanto, seus projetos de industrialização contrastavam com a base da economia brasileira à época, cuja mão de obra escrava não possibilitava um desenvolvimento industrial. Suas propostas contrárias à escravidão não eram bem vistas pelos latifundiários brasileiros, o que resultou em sabotagens e atentados. Outro fator que contribuiu para a falência do Barão de Mauá foi a diminuição da taxa de importação com a Tarifa Silva Ferraz, o que desestimulou o investimento no Brasil, e colocando as empresas aqui instaladas em concorrência com as empresas estrangeiras. Com seu banco falido em 1878, o Barão de Mauá terminou seus anos de vida como corretor dos negócios do café. 15. Guerra do Paraguai (período, países envolvidos, causas, principais fatos e líderes, consequências etc). A Guerra do Paraguai foi um conflito armado ocorrido entre os anos de 1864 e 1870. Os países envolvidos foram Brasil, Argentina e Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança para combater o Paraguai. O combate ocorreu porque o Paraguai tinha interesses econômicos e políticos em conflito como os interesses brasileiros, para isso pretendia anexar territórios do Brasil e da Argentina. Igualmente, estava em jogo o controle pela Bacia do Prata. A Guerra do Paraguai terminaria com a vitória da Tríplice Aliança. Causas da Guerra do Paraguai Expansão paraguaia A Guerra do Paraguai aconteceu devido ao desejo do ditador Solano López criar o "Grande Paraguai". Para isso, ele pretendia anexar áreas do Brasil e da Argentina que o permitissem possuir uma saída para o mar. Navegação na Bacia do Prata Por sua parte, o Brasil pedia a livre navegação nos rios que cortavam o Paraguai, pois era a única maneira de se chegar a Cuiabá (MT). Situação no Uruguai Igualmente, a situação interna do Uruguai sempre foi do interesse dos três países, pois estava situado em um ponto estratégico, a beira do Rio da Prata. Brasil e Argentina apoiavam os colorados, enquanto Solano López, era partidário dos seus adversários, os blancos. O Paraguai antes da Guerra Antes da guerra, o Paraguai era um país agrário, mas passou a desenvolver a indústria bélica, devido aos planos de expansão de Solano López. Desde sua independência, em 1811, o Paraguai procurou se isolar dos conflitos regionais como a Guerra da Cisplatina, em 1825-1827. Ao assumir a presidência, em 1862, o ditador Solano López (1827-1870) continuou a política econômica nacionalista de seus antecessores. No entanto, passou a apoiar grupos na Argentina e no Uruguai que coincidissem com seus interesses. Um desses grupos eram os blancos, no Uruguai, que poderiam permitir o uso do porto de Montevidéu pelos paraguaios. Já na Argentina, Solano López se aliou aos federalistas, inimigos do então presidente Bartolomeu Mitre. Situação do Uruguai e a Guerra do Paraguai Quando o Uruguai conquista sua independência em 1825, o país ficou dividido entre duas facções políticas: blancos (brancos) e colorados (vermelhos).Brasil e Argentina, a fim de manter sua influência, apoiavam os colorados. Em 1864, a coalizão entre os dois partidos se desfez e os colorados tramaram para tirar do poder o chefe desta aliança, Bernardo Berro. Inicia-se a guerra civil no Uruguai. Os colorados pedem ajuda ao Brasil que envia tropas para o Uruguai. Também contam com o auxílio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina. Por sua parte, os blancos receberam o apoio de Solano López e dos inimigos de Mitre. Devido a superioridade bélica, os colorados conseguiram derrotar os blancos em 1864. No entanto, Solano López atravessa o território argentino - sem autorização do presidente Mitre - para atacar os brasileiros. Este fato seria o estopim da Guerra do Paraguai. Início da Guerra do Paraguai Em novembro de 1864, Solano López mandou aprisionar o navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai, que rumava em direção a Cuiabá (MT). Apesar de ser um navio mercante, Solano López desconfiava que havia armas escondidas nos porões. Logo em seguida atacou a cidade de Dourados (MT). No ano seguinte, tropas paraguaias atravessaram o território argentino - sem autorização das autoridades argentinas - e conquistaram o Rio Grande do Sul. Meses depois, o território seria retomado na Batalha do Riachuelo. Tratado da Tríplice Aliança Diante disso, o governo brasileiro propõe aos vizinhos, Argentina e Uruguai, um tratado de ajuda mútua contra Solano López. Em 1º de maio de 1865 é formalizado o Tratado da Tríplice Aliança entre os três países envolvidos na guerra. As tropas aliadas ficariam sob comando do presidente argentino Bartolomeu Mitre. Final da Guerra do Paraguai Depois de conquistar Assunção, em janeiro de 1869, Caxias deixou o comando da guerra para o genro de D. Pedro II, o príncipe Luís Gastão, conde d’Eu. O novo comandante tinha ordens expressas do imperador para capturar Solano López vivo ou morto. Assim, diante da não rendição do exército paraguaio, o conde d'Eu perseguiu Solano López e seus soldados. A luta só terminou com o desaparecimento do ditador paraguaio em Cerro Corá, em 1º de março de 1870, que foi morto por se recusar a se render. Era o fim da guerra entre Brasil e Paraguai. Consequências da Guerra do Paraguai A guerra deixou grandes prejuízos tanto no Brasil como no Paraguai, que foi arrasado. Aproximadamente 80% da população masculina foi dizimada e o que restou eram velhos, crianças e mutilados de guerra. O enfrentamento deixou as poucas indústrias https://www.todamateria.com.br/dom-pedro-ii/ existentes destruídas, a terra sem cultivo e a população passou a viver basicamente da lavoura de subsistência. Além disso, perdeu parte do território para a Argentina e para o Brasil, e contraiu uma dívida de guerra com os países da Tríplice Aliança. O Uruguai a perdoou em 1885, a Argentina em 1942 e o Brasil, em 1943. Com relação ao Brasil, a contenda custou milhares de vidas e afetou bastante a economia, sendo necessário tomar vários empréstimos para manter o equilíbrio financeiro. Por outro lado, ao terminar a guerra, o Brasil conseguiu a liberdade de navegação na Bacia do Prata e tinha um exército vitorioso e modernizado. A Argentina assegurou os territórios que antes eram contestados por Solano López como a província de Corrientes e a região do Chaco. A Inglaterra não participou diretamente do conflito, porém foi o único país a lucrar com ela. O país ampliou seus mercados na América, emprestou dinheiro para a reconstrução do Paraguai e para o Brasil, que aumentaram sua dívida.