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SD nº 12: A Independência do Brasil e 1º Reinado 
1. Comente sobre o contexto europeu quando da transferência da família real 
portuguesa para o Brasil. 
A chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808 ocorreu em meio a uma série 
de eventos importantes na Europa, em particular, durante as Guerras Napoleônicas. O 
contexto histórico que levou à vinda da família real para o Brasil inclui a invasão 
francesa de Portugal em 1807, as forças de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal, 
forçando a família real portuguesa, liderada pelo Príncipe Regente Dom João (futuro 
Dom João VI), a tomar medidas para proteger o governo e a coroa portuguesa. 
2. Comente sobre os impactos da transferência da corte portuguesa para sua colônia. 
A transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 teve uma série de impactos 
significativos, não apenas na história do Brasil, mas também na história de Portugal e 
nas relações entre as colônias e a metrópole. Alguns dos principais impactos incluem: 
Abertura dos portos, modernização e desenvolvimento e mais autonomia política na 
colônia. 
3. Qual o significado da “Abertura dos Portos às Nações Amigas” e a elevação do 
Brasil a condição de reino unido a Portugal e Algarves ? 
Abertura dos portos às nações amigas representou o fim do antigo sistema de exclusividade 
comercial que Portugal mantinha com suas colônias. Anteriormente, o comércio colonial 
estava limitado ao monopólio português, que restringia as transações comerciais apenas aos 
navios portugueses. 
Em 1815, Dom João VI, situado no Brasil, elevou o território colonial à categoria de Reino 
Unido a Portugal, Brasil e Algarves. Isso foi uma mudança significativa no status político do 
Brasil, pois o país passou a ser reconhecido como igual ao Reino de Portugal e Algarves, em vez 
de apenas uma colônia. Essa elevação conferiu um status de maior autonomia e importância 
política ao Brasil dentro do império português. 
Essas ações ajudaram a fortalecer a posição do Brasil como parte integrante do Império 
Português, alterando sua relação com a metrópole. 
4. Insurreição Pernambucana de 1817 (grupos envolvidos, local, causas e 
consequências). 
A Insurreição Pernambucana, também conhecida como Revolução de 1817, foi um 
importante movimento de cunho separatista e republicano que ocorreu na Capitania 
de Pernambuco, parte do Brasil colonial. A insurreição foi liderada principalmente por 
membros da elite local, incluindo comerciantes, advogados, militares e intelectuais. 
Alguns dos líderes proeminentes foram Domingos José Martins, padre João Ribeiro, 
Frei Caneca e Luís do Rêgo. Eles foram influenciados pelas ideias iluministas e pelas 
revoluções que ocorreram em outros lugares do mundo, como a Revolução Francesa. A 
insurreição teve seu epicentro na Capitania de Pernambuco, com foco na cidade de 
Recife, que era o centro urbano mais importante da região na época. As ideias 
iluministas europeias, que pregavam liberdade, igualdade e fraternidade, exerceram 
influência sobre a elite local, inspirando os revolucionários a buscar uma maior 
participação política e igualdade de direitos. Outro motivo foi que muitos 
pernambucanos estavam insatisfeitos com o domínio colonial português, que impunha 
restrições econômicas, políticas e comerciais à colônia. 
5. Sobre o processo de independência do Brasil – grupos envolvidos? atendeu a 
quais interesses? 
O processo de independência do Brasil envolve vários grupos e atendeu a diferentes 
interesses, refletindo uma complexa dinâmica política, social e econômica. Os principais 
grupos envolvidos e seus interesses incluem a elite colonial, militares alguns grupos de 
escravizados. A elite tinha o interesse de uma autonomia e controle sobre os assuntos 
locais. 
6, Quais os interesses dos EUA, Portugal e Inglaterra ao reconhecerem a nossa 
independência? Justifique. 
Os Estados Unidos, recém-independentes da Grã-Bretanha, tinham interesse em 
apoiar movimentos de independência em outras partes do mundo, já que isso 
fortaleceria a legitimidade de sua própria independência. O apoio à independência do 
Brasil poderia fortalecer as relações com um potencial aliado na América Latina. Além 
disso, os EUA foram específicos para expandir seus laços comerciais e abrir novos 
mercados, e o reconhecimento do Brasil como nação independente poderia facilitar 
acordos comerciais desenvolvidos. Portugal enfrentou dificuldades para manter sua 
autoridade sobre o Brasil, e o reconhecimento da independência passou a ser uma 
opção mais viável para evitar conflitos prolongados e consolidar laços econômicos mais 
vantajosos. Já a Inglaterra tinha interesses econômicos consideráveis na região. 
Durante o processo de independência do Brasil, os interesses ingleses estiveram 
centrados no comércio e na expansão de seus negócios na América do Sul. 
7. Comente sobre o processo de elaboração e outorga da 1ª Constituição do Brasil: 
convocação da assembleia nacional constituinte – Constituição da Mandioca – grupos 
políticos – Constituição de 1824 – principais características. 
O processo de criação da primeira constituição do Brasil, conhecido como a 
"Constituição de 1824", foi um evento significativo na história do país que envolveu 
deputados eleitos de diversas províncias do Brasil. A Constituição de 1824 foi 
influenciada por várias fontes, incluindo a Constituição espanhola de 1812, a 
Constituição francesa de 1814 e as ideias políticas do Iluminismo. No entanto, ela 
também refletiu a visão centralizadora e autoritária de Dom Pedro I. (Poder 
Moderador). 
8. Discorra sobre a Confereção do Equador (onde, quando, causas, principais líderes, 
consequências). 
A Confederação do Equador foi um movimento separatista ocorrido no nordeste do 
Brasil em 1824. Liderada por figuras como Frei Caneca e Cipriano Barata, uma revolta 
buscava maior autonomia e república, desafiando o governo imperial de Dom Pedro I. 
O movimento foi reprimido pelas forças imperiais , e seus líderes enfrentam prisão e 
execução. Isso contribuiu para a centralização do poder no Império brasileiro. 
9. Discorra sobre a Guerra da Cisplatina (onde, quando, envolvidos, causas, principais 
líderes, consequências). 
A Guerra da Cisplatina (1825-1828) foi um conflito entre o Brasil e as Províncias Unidas 
do Rio da Prata (atual Argentina e Uruguai) pela posse da província da Cisplatina. A 
guerra resultou na independência da Cisplatina, que se tornou o Uruguai, e teve 
impactos nas relações diplomáticas da região. 
10. Razões/motivos que levaram à abdicação de dom Pedro I. 
A abdicação de Dom Pedro I ao trono do Brasil em 1831 foi motivada por vários 
fatores, incluindo fatores políticos e as províncias que buscavam autonomia, conflitos 
com o militares que lutaram na Guerra da Cisplatina e os problemas econômicos 
causados pela Guerra. 
SD nº 13: Período Regencial 
11. Comente de forma sucinta sobre as fases do período regencial. 
Regência Trina Provisória (1831): tem esse nome porque era formada por 3 regentes 
temporários: Francisco de Lima e Silva, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e José 
Joaquim Carneiro de Campos. Ela durou de abril até julho do mesmo ano, 1831, pois a 
política brasileira estava tumultuada e havia uma série de problemas espalhados pelo 
país. Ainda assim, conseguiu fazer algumas coisas no país. Entre as medidas tomadas 
por estes regentes, estavam: Restituição dos ministros demitidos por D Pedro I. Eleição 
da Trina Permanente. Construção de assembleia para criação das Leis Regenciais. 
Tentativa de barrar as rebeliões. Anistia (perdão) aos presos políticos da oposição. 
Regência Trina Permanente (1831-1834): No mês de junho de 1831, foi eleita a 
Regência Trina Permanente. Isso significa que ela possuía três regentes definitivos: 
Francisco de Lima e Silva (permaneceu), José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. 
Houve a nomeação do Pe. Antônio Feijó como ministro, que criou a GuardaNacional. 
Ela era uma força composta por homens eleitores (elite) que possuíam entre 21 e 60 
anos. O objetivo era controlar as manifestações ao longo do Brasil. Nessa época, houve 
a criação do Código de Processo Criminal (1832) que aumentou os poderes dos juízes, 
determinou o uso de júri no julgamento de crimes mais graves e criou o habeas corpus 
(o réu responde por seu crime em liberdade). Para atender as demandas das províncias 
e tentar controlar a situação política, foi aprovado o Ato Adicional de 1834. Essa lei 
tinha caráter liberal e fez alterações na Constituição de 1824: Reforma do Poder 
Moderador: esse era o quarto poder, ocupado pelo imperador e regulava os demais. A 
reforma diminuiu essa influência, descentralizando e dando maiores possibilidades aos 
deputados e senadores. Formação das Assembleias Legislativas nas províncias: 
mandato de 2 anos, província podia criar imposto, contratar e demitir funcionário. 
Substituição da regência trina por uma regência una: o primeiro regente uno foi o 
Padre Feijó. Aumento do poder do presidente da província. Alguns historiadores dizem 
que o Período Regencial foi uma experiência republicana entre dois reinados. 
Regência Una de Feijó (1835-1837): O Pe. Antônio Diogo Feijó foi eleito por 33% dos 
votos e assumiu a primeira regência una (de uma só pessoa). Ele iniciou seu governo 
em 1835, durando até 1837. Ele era apoiado pelos liberais moderados. Ainda assim, foi 
nessa época que surgiram os maiores movimentos separatistas do Brasil, como a 
Cabanagem, Farroupilha e Balaiada. Essas revoltas fizeram com que o poder de Feijó 
enfraquecesse. Em 1836, houve um grande conflito político entre liberais e 
conservadores. Então o Pe. Feijó dissolveu a Câmara dos Deputados. Logo depois, 
renunciou ao cargo em 1837, forçando novas eleições. 
Regência Una de Araújo Lima (1837-1840): A nova eleição foi realizada e Pedro de 
Araújo Lima foi eleito o regente do Brasil (e o último) sendo que Holanda Cavalcanti 
perdeu pela segunda vez. Na regência de Araújo Lima, a principal marca foi o 
crescimento dos políticos conservadores, a mistura dos Liberais Moderados com os 
Restauradores. Assim, parte da autonomia dadas às províncias, pelo Ato Adicional de 
1834, foi retirada. Por isso, esse período ficou conhecido como “regresso conservador”. 
Nesse período, houve uma importante consolidação no quadro político brasileiro. É 
aqui que os três grupos começam a se misturar e formar os dois partidos. Durante esta 
regência, as revoltas provinciais foram reprimidas, principalmente a Balaiada e a 
Cabanagem. O retorno de algumas medidas centralizadoras aconteceram com a Lei 
Interpretativa do Ato Adicional, decretada em 1840. 
12. Diferencia as revoltas do período regencial (onde, quando, grupo de liderou, 
motivação). 
Malês (1835): Aconteceu em Salvador, capital da então província da Bahia. O levante 
foi organizado por negros escravizados e libertos de origem muçulmana que lutavam 
contra a escravidão e a imposição da religião católica. Era comum que, na região, 
fossem usados os escravizados como “negros de ganho”, que vendiam produtos pela 
região e entregavam metade do que recebiam a seus donos. Com essa possibilidade de 
andar livremente pela região, o movimento foi iniciado e durou menos de um dia, 
sendo duramente combatido, causando várias mortes e enviando mais de 500 negros 
libertos para a África. 
Sabinada (de 1837 a 1838): Também ocorrida em Salvador, a Sabinada se 
caracterizou por se originar nas classes médias, altas e militares. O nome surgiu pela 
liderança do médico Francisco Sabino. Entre as reivindicações estavam maiores salários 
para militares e o descontentamento com o envio de soldados para os confrontos no 
Sul do país. As classes mais altas protestavam contra o Governo Regencial e queriam 
mais participação política. Os revoltosos conquistaram algumas vitórias e chegaram a 
proclamar uma república que durou poucos meses. Então, foram duramente 
reprimidos, e o movimento acabou em muitas mortes, inclusive a do líder, Francisco 
Sabino. 
Cabanagem (de 1835 a 1840): Aconteceu na então Província do Grão-Pará, quando 
indígenas, negros e cabanos (população pobre que morava em cabanas) se revoltaram 
contra o domínio político e o econômico dos grandes fazendeiros e as péssimas 
condições de vida. Os revoltosos chegaram a conquistar a capital Belém e a declarar a 
independência do Pará. Em 1840, foram derrotados pelo governo. Estima-se que, 
durante o confronto, foram mortas 30 mil pessoas, cerca de 40% da população da 
província. 
Balaiada (de 1838 a 1841): A revolta foi iniciada por um confronto das elites locais. 
Entre elas, os grandes fazendeiros e o comerciante de balaios Manuel Francisco dos 
Anjos Ferreira. Porém, logo se tornou um movimento de pessoas pobres da região, 
artesãos, escravos e quilombolas contra a exploração das elites e as arbitrariedades 
cometidas pelas oligarquias locais. O confronto terminou em 1841 com a dominação 
dos rebeldes. 
Farroupilha (de 1835 a 1845): A Revolta Farroupilha, também conhecida como Guerra do 
Farrapos, foi a mais demorada das Revoltas Regenciais e só foi derrotada no Segundo Reinado. 
Aconteceu na então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e foi liderado pelas elites que 
lutavam contra os altos impostos cobrados de produtos do Sul e contra a falta de autonomia 
política e econômica. A revolta tomou rumos separatistas e chegou a proclamar a República 
Rio-Grandense, no Rio Grande do Sul, e a República Juliana, em Santa Catarina. Após diversos 
confrontos, o conflito foi encerrado com um acordo de paz. Os termos de rendição ficaram 
conhecidos como Poncho Verde. 
SD nº 14: Segundo Reinado e a Crise da Monarquia 
13. Caracterize o sistema de parceria e colonato no contexto da vinda de imigrantes 
para o Brasil durante o 2º Reinado. 
 
 
 
14. Sobre o eixo economico durante o 2º Reinado – de onde veio os capitais para 
investimento? Evolução histórica produto gerador de riqueza? Café (manejo, locais de 
produção, mão de obra) – Surto Industrial (Era Mauá) 
A economia brasileira no Segundo Reinado teve o café como seu principal produto 
econômico, voltado a abastecer o mercado externo. Originário da África, o café foi 
introduzido no Brasil em 1727, pela Guiana Francesa. A princípio, o cultivo era para 
atender o consumo interno no país. No final do século XVIII, com o aumento do 
consumo e do preço do produto em outros países, a produção do café começou a 
crescer para também atender o mercado externo. No começo do Segundo Reinado, em 
1840, o café já era o principal produto da economia brasileira, representando cerca de 
40% da exportação do país e mais da metade da produção mundial. O café chegou a 
superar o açúcar, que ocupava o espaço de principal produto de exportação brasileira. 
A rápida expansão do cultivo de café se deu por motivos como: solo apropriado e 
clima favorável na região onde passou a ser cultivado; aumento do consumo nos 
Estados Unidos e Europa; o produto não precisa de grande investimento, dentro de 
quatro anos ele produz os primeiros frutos e passa a produzir por mais 30 anos. - O 
cultivo de café no Brasil Por ter sido introduzido no Brasil pela Guiana Francesa, o café 
passou a ser cultivado no Pará, que faz divisa com esse país, como uma planta 
ornamental. Por volta de 1830, o café passou a ser cultivado no Vale do Paraíba, 
marcando a primeira fase de produção para um amplo mercado. Localizada na região 
entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, o Vale do Paraíba apresentava 
condições que permitiam a produção do café na área. A proximidade do porto do Rio 
de Janeiro, que garantia o escoamento do produto para a Europa e Estados Unidos, 
também foi muito favorável para a produção cafeeira nessa região. Porém, por volta de 
1860, a cultura cafeeira do Vale do Paraíba começou a apresentar sinais de 
enfraquecimento. As limitações geográficasda área, que estava localizada entre duas 
serras, dificultavam a expansão do cultivo; o desmatamento e o esgotamento do solo, 
pelo uso intensivo; a ausência de técnicas, foram causas que resultaram a queda 
progressiva da produção de café nessa região. A solução encontrada foi voltar-se para 
uma nova área para garantir o cultivo a produção do café. O centro da produção 
cafeeira passou a ser o Oeste Paulista. A nova região ocupou, no final da década de 
1880, o posto de principal produtora de café do país. As condições naturais da região, 
como o solo de terra roxa, muito fértil e que permitia uma grande produção do café e 
por mais tempo; terras que eram pouco exploradas na região, além de um clima 
favorável e um relevo pouco acidentado tornaram possível para o Oeste Paulista 
ocupar o espaço de centro produtor de café. A produção do café também chegou a 
outras áreas como o Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo. A marcha do café 
possibilitou a expansão territorial do Brasil e o povoamento de seu interior. A expansão 
cafeeira em São Paulo, principalmente por conta do Oeste Paulista como centro 
produtor, permitiu que a São Paulo se transformasse na área mais rica e dinâmica do 
país. 
A riqueza produzida pelo café permitiu o desenvolvimento interno do país, 
principalmente de São Paulo. Investimentos foram voltados na construção de ferrovias, 
portos e bancos que favoreceram os investidores externos, fazendeiros e comerciantes 
nacionais. A economia cafeeira transformou as relações políticas, econômicas e sociais 
nas regiões onde foram organizadas sua produção. Uma nova elite se formava: os 
barões de café. Instituídos com títulos de nobres, os barões do café exerciam força 
política e prestígio social a partir dessa época. Geralmente aliada ao governo imperial, a 
maior parte dos barões do café defendia a ordem escravocrata. Os barões de café não 
limitaram os investimentos na produção do café, como também aplicaram os lucros 
obtidos com a venda do produto em outras áreas. A economia brasileira se fortaleceu 
muito ao serem desenvolvidas atividades de suporte que garantiam a exportação do 
café, como a construção das ferrovias. A distância entre as fazendas produtoras de café 
e as cidades portuárias que escoavam a produção para o mercado externo foi uma 
dificuldade imposta aos grandes fazendeiros de café, que utilizavam de tropas de 
animais para fazer o transporte do café das fazendas ao porto. Assim, a alternativa 
encontrada foi o investimento nas ferrovias. A primeira ferrovia construída no país foi a 
Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em 1854, ligava o porto de Mauá, na Baia de 
Guanabara a Fragoso, cidade próxima a Petrópolis, por 14 km de extensão. Em 1867, foi 
inaugurada a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, construída pela companhia britânica São 
Paulo Railway Company Limited, que ligava a cidade de Jundiaí, no interior de São 
Paulo, até o porto de Santos. Depois dela, outras estradas de ferro foram construídas 
por outras empresas como a Mogiana, Ituana e a Sorocabana. Além do investimento na 
construção de ferrovias, o café ajudou a financiar a instalação de indústrias e melhorias 
nas cidades, como no serviço de transporte, energia, o que acabou beneficiando o 
crescimento urbano no período. 
Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá (1813-1889), foi a primeira figura 
proeminente entre a burguesia industrial na história do Brasil. Seus investimentos 
produtivos incidiram sobre vários ramos, desde os meios de transporte até a 
constituição de um banco, evidenciando a diversidade de ramos em que ele atuou. Os 
investimentos na produção industrial naquele período da história imperial brasileira 
foram auxiliados pela Tarifa Alves Branco, que aumentou o imposto sobre produtos 
importados, estimulando a produção em território nacional e iniciando um surto de 
industrialização, que, embora pequeno, mostrou as potencialidades de investimento do 
país. 
O Barão de Mauá criou ainda a Companhia de Rebocadores da Barra de Rio Grande, 
conseguiu os direitos de tráfico no Rio Amazonas por 30 anos, e investiu em 
companhias de bondes no Rio de Janeiro. Barão de Mauá foi ainda um dos grandes 
incentivadores da implantação de ferrovias no Brasil, com o objetivo de transportar a 
produção agrícola do país com maior velocidade. A primeira delas foi a ferrovia Mauá, 
que ligava o Rio de Janeiro ao Vale do Paraíba fluminense, cuja licença para sua 
construção foi concedida em 1852. 
Barão de Mauá, em conjunto com o governo imperial de Dom Pedro II, construiu ainda 
uma rede de telégrafos submarinos ligando o Brasil à Europa, investiu na Companhia 
de Gás do Rio de Janeiro, destinada à iluminação pública da cidade, e também na 
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/a-tarifa-alves-branco.htm
criação de bancos, como o Mauá, MacGregor & Cia e a Casa Mauá & Cia, com atuação 
significativa no Brasil, Inglaterra, Estados Unidos e países platinos. 
Entretanto, seus projetos de industrialização contrastavam com a base da economia 
brasileira à época, cuja mão de obra escrava não possibilitava um desenvolvimento 
industrial. Suas propostas contrárias à escravidão não eram bem vistas pelos 
latifundiários brasileiros, o que resultou em sabotagens e atentados. Outro fator que 
contribuiu para a falência do Barão de Mauá foi a diminuição da taxa de importação 
com a Tarifa Silva Ferraz, o que desestimulou o investimento no Brasil, e colocando as 
empresas aqui instaladas em concorrência com as empresas estrangeiras. 
Com seu banco falido em 1878, o Barão de Mauá terminou seus anos de vida como 
corretor dos negócios do café. 
 
 
15. Guerra do Paraguai (período, países envolvidos, causas, principais fatos e líderes, 
consequências etc). 
A Guerra do Paraguai foi um conflito armado ocorrido entre os anos de 1864 e 1870. 
Os países envolvidos foram Brasil, Argentina e Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança 
para combater o Paraguai. O combate ocorreu porque o Paraguai tinha interesses 
econômicos e políticos em conflito como os interesses brasileiros, para isso pretendia 
anexar territórios do Brasil e da Argentina. Igualmente, estava em jogo o controle pela 
Bacia do Prata. A Guerra do Paraguai terminaria com a vitória da Tríplice Aliança. 
Causas da Guerra do Paraguai 
Expansão paraguaia 
A Guerra do Paraguai aconteceu devido ao desejo do ditador Solano López criar o 
"Grande Paraguai". Para isso, ele pretendia anexar áreas do Brasil e da Argentina que o 
permitissem possuir uma saída para o mar. 
Navegação na Bacia do Prata 
Por sua parte, o Brasil pedia a livre navegação nos rios que cortavam o Paraguai, pois 
era a única maneira de se chegar a Cuiabá (MT). 
Situação no Uruguai 
Igualmente, a situação interna do Uruguai sempre foi do interesse dos três países, pois 
estava situado em um ponto estratégico, a beira do Rio da Prata. Brasil e Argentina 
apoiavam os colorados, enquanto Solano López, era partidário dos seus adversários, os 
blancos. 
O Paraguai antes da Guerra 
Antes da guerra, o Paraguai era um país agrário, mas passou a desenvolver a indústria 
bélica, devido aos planos de expansão de Solano López. Desde sua independência, em 
1811, o Paraguai procurou se isolar dos conflitos regionais como a Guerra da 
Cisplatina, em 1825-1827. Ao assumir a presidência, em 1862, o ditador Solano López 
(1827-1870) continuou a política econômica nacionalista de seus antecessores. No 
entanto, passou a apoiar grupos na Argentina e no Uruguai que coincidissem com seus 
interesses. Um desses grupos eram os blancos, no Uruguai, que poderiam permitir o 
uso do porto de Montevidéu pelos paraguaios. Já na Argentina, Solano López se aliou 
aos federalistas, inimigos do então presidente Bartolomeu Mitre. 
Situação do Uruguai e a Guerra do Paraguai 
Quando o Uruguai conquista sua independência em 1825, o país ficou dividido entre 
duas facções políticas: blancos (brancos) e colorados (vermelhos).Brasil e Argentina, a 
fim de manter sua influência, apoiavam os colorados. Em 1864, a coalizão entre os dois 
partidos se desfez e os colorados tramaram para tirar do poder o chefe desta aliança, 
Bernardo Berro. Inicia-se a guerra civil no Uruguai. Os colorados pedem ajuda ao Brasil 
que envia tropas para o Uruguai. Também contam com o auxílio de Bartolomeu Mitre, 
presidente da Argentina. Por sua parte, os blancos receberam o apoio de Solano López 
e dos inimigos de Mitre. Devido a superioridade bélica, os colorados conseguiram 
derrotar os blancos em 1864. No entanto, Solano López atravessa o território argentino 
- sem autorização do presidente Mitre - para atacar os brasileiros. Este fato seria o 
estopim da Guerra do Paraguai. 
Início da Guerra do Paraguai 
Em novembro de 1864, Solano López mandou aprisionar o navio brasileiro Marquês de 
Olinda, no rio Paraguai, que rumava em direção a Cuiabá (MT). Apesar de ser um navio 
mercante, Solano López desconfiava que havia armas escondidas nos porões. Logo em 
seguida atacou a cidade de Dourados (MT). No ano seguinte, tropas paraguaias 
atravessaram o território argentino - sem autorização das autoridades argentinas - e 
conquistaram o Rio Grande do Sul. Meses depois, o território seria retomado na 
Batalha do Riachuelo. 
Tratado da Tríplice Aliança 
Diante disso, o governo brasileiro propõe aos vizinhos, Argentina e Uruguai, um 
tratado de ajuda mútua contra Solano López. Em 1º de maio de 1865 é formalizado o 
Tratado da Tríplice Aliança entre os três países envolvidos na guerra. As tropas aliadas 
ficariam sob comando do presidente argentino Bartolomeu Mitre. 
Final da Guerra do Paraguai 
Depois de conquistar Assunção, em janeiro de 1869, Caxias deixou o comando da 
guerra para o genro de D. Pedro II, o príncipe Luís Gastão, conde d’Eu. O novo 
comandante tinha ordens expressas do imperador para capturar Solano López vivo ou 
morto. Assim, diante da não rendição do exército paraguaio, o conde d'Eu perseguiu 
Solano López e seus soldados. A luta só terminou com o desaparecimento do ditador 
paraguaio em Cerro Corá, em 1º de março de 1870, que foi morto por se recusar a se 
render. Era o fim da guerra entre Brasil e Paraguai. 
Consequências da Guerra do Paraguai 
A guerra deixou grandes prejuízos tanto no Brasil como no Paraguai, que foi arrasado. 
Aproximadamente 80% da população masculina foi dizimada e o que restou eram 
velhos, crianças e mutilados de guerra. O enfrentamento deixou as poucas indústrias 
https://www.todamateria.com.br/dom-pedro-ii/
existentes destruídas, a terra sem cultivo e a população passou a viver basicamente da 
lavoura de subsistência. Além disso, perdeu parte do território para a Argentina e para 
o Brasil, e contraiu uma dívida de guerra com os países da Tríplice Aliança. O Uruguai a 
perdoou em 1885, a Argentina em 1942 e o Brasil, em 1943. Com relação ao Brasil, a 
contenda custou milhares de vidas e afetou bastante a economia, sendo necessário 
tomar vários empréstimos para manter o equilíbrio financeiro. Por outro lado, ao 
terminar a guerra, o Brasil conseguiu a liberdade de navegação na Bacia do Prata e 
tinha um exército vitorioso e modernizado. A Argentina assegurou os territórios que 
antes eram contestados por Solano López como a província de Corrientes e a região do 
Chaco. A Inglaterra não participou diretamente do conflito, porém foi o único país a 
lucrar com ela. O país ampliou seus mercados na América, emprestou dinheiro para a 
reconstrução do Paraguai e para o Brasil, que aumentaram sua dívida.

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