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6.1 Lições de Salvamento em altura Nível Básico -
Conscientização.
Introdução ao resgate com cordas
Conceito
A atividade de resgate com cordas é realizada pelo Corpo de Bombeiros Militar de
Santa Catarina desde sua criação. O salvamento de vítimas ou patrimônio é realizado
através do uso de equipamentos e técnicas específicas, com vistas ao acesso,
estabilização e remoção do local ou condição de risco. Também pode ser definida como
atividades de salvamento realizadas em altura, podendo ser no plano vertical, inclinado ou
horizontal, seja ascendente ou descendente.
Este manual estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o
resgate com cordas, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, de forma a
garantir a segurança dos envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade.
Considera-se “atividade em altura” aquela executada acima de 2,00 m (dois metros)
do nível inferior, onde haja risco de queda.
Equipe de salvamento
A equipe de salvamento deverá ser composta preferencialmente por 4 integrantes,
assim distribuídos:
a. Resgatista 1: é o bombeiro mais experiente, responsável pela tática de resgate.
É a pessoa que estará à frente da operação dos equipamentos e da abordagem da vítima.
Deve ser preferencialmente um especialista, ou, no mínimo, operações;
b. Resgatista 2: é o bombeiro que auxilia o resgatista 1. Deve ter preferencialmente
o nível operações, ou, no mínimo, nível básico - Conscientização;
c. Operador e condutor do veículo: responsável pela condução da viatura com
segurança até o local do atendimento. Deverá montar o palco de ferramentas e operar os
equipamentos eventualmente instalados na viatura (guincho, munck, etc). Também é
responsável pela sinalização e isolamento do local. Deve ter preferencialmente o nível
operações, ou, no mínimo, nível básico - Conscientização;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 3
d. Comandante: é o responsável pela ocorrência, podendo esta função ser exercida
pelo chefe de socorro, comandante de área, ou pelo mais antigo da guarnição. Deve ser
preferencialmente um especialista, ou, no mínimo, operações;
Segurança nas operações
As operações de resgate em ambientes verticais, por si só, já representam um
elevado grau de periculosidade em razão do ambiente onde se processam. Por este
motivo, qualquer deslize por parte da equipe que irá realizar este tipo de operação poderá
representar sérias lesões, ou até mesmo a morte das vítimas envolvidas, ou ainda, dos
próprios resgatistas.
A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho em altura,
considerar:
a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno, como a presença de
redes energizadas nas proximidades, trânsito de veículos e pedestres ou serviços paralelos
sendo executados;
b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;
c) o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem;
d) as condições meteorológicas adversas, como ventos, chuvas, insolação,
descargas atmosféricas;
e) a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de
proteção coletiva e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às orientações dos
fabricantes e aos princípios da redução do impacto e dos fatores de queda;
f) o risco de queda de materiais e ferramentas;
g) os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos;
h) os riscos adicionais:
Riscos mecânicos são os perigos inerentes às condições estruturais
do local, como falta de espaço, iluminação deficiente, queda de materiais e
presença de equipamentos que podem produzir lesão e dano;
Elétricos são todos os perigos relacionados com as instalações
energizadas existentes no local ou com a introdução de máquinas e
equipamentos que podem causar choque elétrico;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 4
Líquido, gases, vapores, fumos metálicos e fumaça, cuja presença
destes agentes químicos contaminantes gera condições inseguras e
facilitadoras para ocorrências de acidente e doenças ocupacionais;
Soterramento por pressão externa quando o trabalho ocorre em
diferença de nível maior que 2 metros com o nível do solo ou em terrenos
instáveis;
Temperaturas extremas associado a incêndios ou quando o resgate é
realizado sobre fornos ou estufas.
i) o planejamento do resgate e primeiros atendimento, de forma a reduzir o tempo
da suspensão inerte da vítima;
j) a necessidade de sistema de comunicação em sentido amplo, não só entre os
trabalhadores que estão executando as tarefas em altura, como entre eles e os demais
envolvidos direta e indiretamente na execução dos serviços.
Para minimizar os riscos nas operações, foram estabelecidos alguns princípios e
procedimentos de segurança, estes devem ser seguidos por todas as equipes de
salvamento, tanto durante o atendimento à ocorrência, como também durante os
treinamentos.
Os princípios e procedimentos de segurança em serviços de salvamento em altura
focam na proteção contra quedas. Para melhor compreensão, faz-se necessária a
apresentação de dois conceitos básicos: a força de choque e o fator de queda.
Fonte: Felipe Lucena Bitencourt
PARE, PENSE E DECIDA! É SEGURO, ENTÃO FAÇA!
Qualquer pessoa pode parar as operações se perceber alguma situação de perigo!
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 5
Jefferson Rank - Resgate com Cordas
Força de choque
É a força transmitida ao bombeiro durante a retenção de sua queda. Ao cair, o
bombeiro acumula energia cinética que aumentará quanto maior for a altura de sua queda.
A corda, as ancoragens, o sistema de freio e o segurança absorverão parte dessa força,
porém, a força absorvida pelo bombeiro que sofreu a queda não pode chegar a 12KN,
limite máximo que o corpo humano suporta. Para reduzir a força de choque, em uma
queda assegurada, devemos adotar medidas visando diminuir o fator de queda.
Fonte: Felipe Lucena Bitencourt
Fator de queda
É o valor numérico resultante da relação entre a distância de queda pelo
comprimento do cabo utilizado.
FATOR QUEDA = DISTÂNCIA DA QUEDA (metros) / COMPRIMENTO DO CABO
(metros)
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 6
Fonte: Felipe Lucena Bitencourt
Como visto anteriormente, todos os componentes do sistema, principalmente a
corda, absorverão parte da força de choque. Exceto em progressões do tipo “via ferrata”, o
fator de queda máximo possível será o fator 2, pois a altura da queda não pode ser
superior a duas vezes o comprimento do cabo.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 7
Fonte: Petzl
Provas efetuadas em laboratórios confirmam a teoria de que em uma queda fator 2,
seja ela de quatro ou de vinte metros, a força de choque registrada é a mesma,
aproximadamente de 9KN, em caso de corda dinâmica e, em caso de corda estática, de 13
a 18KN. Considerando que o corpo humano resiste a uma força de choque de no máximo
12KN, verifica-se o perigo de escalar utilizando cordas estáticas.
Fonte: Petzl
O bombeiro que for participar de um resgate vertical deve levar em conta alguns
princípios de segurança:
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 8
Quando estiver extenuado, não realize trabalhos envolvendo altura, outro integrante
da guarnição poderá executar o serviço;
Nervosismo e intranquilidade atrapalham. Pare e se tranquilize para a execução do
serviço ou solicite a outro integrante da guarnição para realizá-lo;
Solicite ajuda sempre que necessitar, não espere que a situação se agrave;
Todos nós cometemos erros, portanto, devemos ser acompanhados e ter nossos
procedimentos checados, isto vale até para os bombeiros mais experientes;
A prática e o treinamento constante aumentam a segurança e reduzem
drasticamente a possibilidade de erros em situações de emergência.
Instale linhas de segurança ou linhas da vida.
Todos os resgatistas próximos ao local da emergência devem estar ancorados;
Cheque constantemente todo o equipamento;
Utilize sistemas redundantes, comopor exemplo, mais de uma ancoragem.
Utilize sempre o EPI completo: Sistema de proteção contra queda de altura,
capacete, luvas, e roupas adequadas.
Um sistema de proteção individual contra queda de altura garante a retenção
segura de uma queda, de forma que:
A altura de queda seja mínima;
A força de retenção (força de impacto) não provoque lesões corporais;
Uma vez retida a queda, a posição do usuário deve ser adequada à
espera de auxílio.
Um sistema contra queda de altura é composto por:
Figura x. Sistema contra queda de altura
Fonte: Altiseg (2011).
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 9
Esse elo entre o cinturão e a ancoragem se dará por meio de um trava queda ou de
um talabarte de segurança, preferencialmente com absorvedor de energia. Vale lembrar
que um cinto não protege contra os efeitos da retenção de queda.
Entende-se por sistema de ancoragem os componentes definitivos ou temporários,
dimensionados para suportar impactos de queda, aos quais o resgatista possa conectar
seu EPI, diretamente ou através de outro dispositivo, de modo que permaneça conectado
em caso de perda de equilíbrio, desfalecimento, ou queda.
Os procedimentos de segurança devem ser executados antes, durante e após as
operações de resgate e acesso por cordas.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 10
Passo a passo da montagem do EPI
Fonte: CBMSC
https://www.youtube.com/watch?v=4prf8-XbbSw
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 11
Inspeção do material
A inspeção diária (manutenção preventiva) nos materiais deve ser minuciosa, bem
como este tipo de inspeção deve ser realizado também ao final de cada operação, e os
materiais danificados, ou mesmo, com dúvidas quanto a sua resistência, devem ser
substituídos por outros em condições ideais de funcionamento.
Curso de Inspetor de EPI’s de Salvamento em altura
Fonte:CBMSC
Inspeção prévia dos equipamentos
Todos os equipamentos devem ser verificados antes do início e durante o resgate.
O bombeiro deve saber fazer essa inspeção primária.
Fonte: CBMSC
https://devirtual.cbm.sc.gov.br/moodle/course/view.php?id=366
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 12
Após a montagem dos seus equipamentos básicos, o bombeiro deve pedir para
outro bombeiro realizar a conferência de seus equipamentos.
Fonte: Imagens Petzl
Cuidados com as cordas de salvamento
Evitar o contato com derivados de petróleo (hidrocarbonetos) e ácidos em geral;
Evitar o contato com areia, pois os pedriscos podem se alojar entre as fibras,
danificando o material;
Evitar o contato com arestas e cantos vivos.
Um excelente material utilizado para a proteção de cabos e que é facilmente
encontrado nos quartéis de bombeiro são as mangueiras velhas de combate a incêndio.
Pedaços de mangueira poderão ser cortados e abertos ao meio para serem utilizados
como proteção, ou até mesmo, pode-se deixar a mangueira fechada e passar a corda por
dentro dela;
https://www.youtube.com/shorts/AOqImNLvlik
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 13
Figura x. Formas de proteção da corda de salvamento
Fonte: Adaptado de CBPMESP (2006).
Inspecionar o material quando da rendição do serviço, visualmente e com o tato.
Uma boa inspeção nas cordas é a checagem de metro por metro com os olhos e, em
conjunto, passando a ponta dos dedos para descobrir se há protuberâncias ou depressões
nos mesmos, que possivelmente indicam danos na alma da corda de salvamento;
Figura x. Inspeção manual do cabo de salvamento
Fonte: CBMSC
Cheque a corda em todo seu comprimento e observe qualquer irregularidade,
caroço, encurtamento ou inconsistência, assim como sinais de corte e abrasão,
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 14
queimadura, traços de produtos químicos ou em que os fios da capa estejam desfiados
(felpudos). E se há falcaça, se a capa encontra-se acumulada em algum dos chicotes ou
se a alma saiu da capa;
Figura x. Tipos de danos mais comuns
Fonte: CBPMESP (2006)
Quando da aquisição das cordas, deve-se procurar estabelecer seu histórico,
anotando-se dados como tempo de uso, data, quem utilizou, para que tipo de serviço,
etc., com isso, tentar estabelecer um tempo de vida útil para ela. Via de regra, não se
deve utilizar uma corda de salvamento por mais de 5 anos;
Figura x. Modelo de histórico
Aquisição: 15/10/2008
- 20/10/2008: Utilizada para instrução na torre. Responsável: Cap BM José.
- 12/11/2008: Utilizada para rapel na Cachoeira do Pardal. Responsável: 1º Sgt
BM Pedro.
- 02/02/2009: Utilizada para instrução no Ed. Mário Quintana (em construção).
Responsável: 1º Ten BM João...
Fonte: CBMSC
Jamais utilizar corda de salvamento para cortes de árvores, para rebocar carros, ou
qualquer outro uso senão aquele para o qual foi destinado. Também não se deve deixar a
corda sob tensão por um período prolongado;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 15
Não pisar nas cordas de salvamento, pois pequenas partículas presentes no solo
poderão adentrar na “capa” da corda e iniciar um processo de cisalhamento da alma;
As cordas podem ser lavadas com sabão neutro (sem soda) e água, devendo ser
secadas sempre à sombra e em local arejado, nunca deixar exposta ao sol ou ao mau
tempo quando desnecessário;
Não colocar as cordas para secarem sobre o cimento (contra-piso);
Nunca acondicionar e muito menos guardar a corda molhada. Esta deverá ser
guardada em local seco e arejado;
Acondicionar as cordas em mochilas projetadas para esta finalidade (mochila
corda), prolongando assim a sua vida útil, uma vez que estas protegem as cordas de
contaminantes e possibilitam a sua ventilação;
Figura x. Ancoragem interna
Fonte: CBMSC
Figura x. Mochila de acondicionamento de cordas
Fonte: Adaptado de SUBMARINO
Identificar sempre o comprimento da corda nos chicotes;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 16
Ao realizar o entrelaçamento dos nós, os chicotes devem ter no mínimo quatro
dedos nas cordas utilizadas para salvamento e dois dedos nas cordas utilizadas em
cordeletes, evitando assim que o nó desamarre;
Seguir sempre as orientações do fabricante quanto à manutenção e utilização.
Portanto, deve-se sempre ler os manuais quando da aquisição das cordas.
Cuidado com os equipamentos metálicos
Não abandonar equipamentos soltos sem segurança. Eles podem ser chutados ou
batidos sobre as arestas, ocorrendo dano, perda ou podendo causar ferimentos em
alguém;
Não bater, nem deixar cair o equipamento, pois a queda ou a batida de um
equipamento desta natureza poderá acarretar sérios danos à estrutura do material, ou até
mesmo causar um ferimento em alguém que estiver num nível mais abaixo. Poderão
ocorrer trincas internas que não são visíveis externamente, sendo necessário submeter o
equipamento a um Raio-X para identificá-las;
Deve-se montar um palco de ferramentas para que os equipamentos não fiquem
jogados e permaneçam organizados;
Figura. Palco de ferramentas
Fonte: CBMSC
Os mosquetões destinados a salvamento deverão ser usados somente para isto.
Jamais se utilizará o mosquetão de salvamento para, por exemplo, tracionar árvores.
Deve-se manter os mosquetões limpos e levemente lubrificados;
Seguir sempre as orientações do fabricante;
Não utilize-os caso a confiabilidade esteja comprometida.
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Regra do umbigo
Sempre que o resgatista estiver realizando qualquer tipo de atividade em ambiente
elevado (operações, treinamentos, etc.), o risco de uma queda existe, principalmente
quando a atividade é realizada junto às extremidades do local. O corpo humano, por
natureza, tem no umbigo, seu ponto de equilíbrio, onde as massas (inferior e superior)
praticamente se equivalem. Dessa forma, nas situações em que o resgatista estiver com
seu umbigo acima do ponto mais elevado de qualquer extremidade, ele sempre deverá
estar devidamente ancorado.Figura x. Regra do umbigo
Fonte: CBMSC
Ancoragem - linha de segurança
Qualquer que seja a operação que o resgatista irá realizar em ambiente elevado,
este deverá estar preso a um ponto fixo no local. Quando da escolha do ponto em que
será realizada a fixação da linha de segurança, o resgatista deve limitar o tamanho desta
linha (cabo da vida, fita tubular, etc.), até a distância em que ele consiga realizar a
atividade pretendida, mas sem comprometer sua segurança.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 18
Fonte: Felipe Lucena Bitencourt
A própria linha de segurança servirá como um limitador do espaço onde o resgatista
irá trabalhar, garantindo sua integridade durante a Operação de Salvamento, e em caso de
queda, o resgatista ficará pendurado e não atingirá o solo. As linhas de segurança são
semelhantes a corrimãos. Asseguramo-nos a elas por meio do elo entre o cinturão e a
ancoragem (parte integrante do EPI para trabalhos em altura) sempre que estivermos
próximos a um desnível, vão ou beiral. São montadas com uma corda na horizontal,
ancorada, em alguns casos, em pontos intermediários, em função de sua extensão.
Figura. Montagem de linha de segurança
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Fonte: Imagens Petzl
Regra dos quatro olhos
Nenhuma operação (sejam elas simuladas ou reais) realizada em ambiente vertical
deve ser individual. Desta maneira, deve ser realizada por um membro da equipe de
salvamento e observada por outro membro que estará conferindo se todos os passos (nós,
ancoragens, colocação de EPI, etc.) foram metodicamente seguidos. Os itens que serão
verificados devem ser pronunciados em alto tom, de maneira que seu companheiro possa
verificar em conjunto se todos os itens descritos estão realmente em condições para a
descida, por exemplo: - Mola pronta! Trava pronta!
Operação de segurança na descida:
Sempre que for realizada uma operação de descida (rapel, tirolesa, etc.) sem freio
autoblocante ou outros meios de garantir a auto segurança, existe a necessidade que um
membro da equipe de salvamento esteja no nível inferior para proporcionar segurança ao
bombeiro que realizará a descida, pois rapidamente poderá agir, controlando a descida, se
ocorrer algum problema. Esta garantia dá maior tranquilidade ao resgatista, que num
eventual problema terá sua descida controlada pelo companheiro que está abaixo.
Isto posto, após a verificação dos equipamentos, e estando liberado para descida, o
resgatista completará o ciclo mantendo contato (visual e verbal) com o membro da equipe
que está na parte inferior da edificação, para que realmente inicie sua descida,
pronunciando:
– SEGURANÇA! ( Resgatista )
– SEGURANÇA PRONTO! ( Membro da equipe)
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 20
Equipamentos e tecnologias (como utilizar)
Normas e Certificações
De modo geral, “normas” são mecanismos que padronizam uma conduta, definem e
estabelecem regras gerais. No âmbito das atividades em altura, existem normas nacionais e
normas internacionais; normas de aplicação esportiva e normas de aplicação em
atividades profissionais; normas para as ações em geral e normas para as operações de
resgate, entre muitas outras classificações possíveis. Desta forma, há diversos
mecanismos legais, administrativos ou teóricos que podem ser adotados. É importante ter
isso em mente e saber qual é a área de atuação, para que todos saibam qual é a “regra do
jogo”.
O CBMSC adota como referência uma norma de padrão internacional e voltada para
a atividade específica de salvamento em altura no âmbito dos corpos de bombeiros – a
NFPA 1983/2017ed. (National Fire Protection Association - Standard on Life Safety Rope
and Equipment for Emergency Services). Contudo, há liberdade para que a Coordenadoria
de Salvamento em Altura adote outros mecanismos, sempre que houver interesse e de
acordo com a realidade observada no dia a dia.
As certificações devem ser obtidas por uma terceira parte. Ou seja, o equipamento
é testado de acordo com os parâmetros da norma de referência por uma terceira parte,
geralmente um laboratório credenciado para realizar os ensaios.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 21
EQUIPAMENTOS
CAPACETES
Fonte: Imagens Petzl
Os capacetes para uso em resgate vertical devem possuir ajustes de modo que se
moldem à cabeça do usuário. Não devem possuir abas. Recomenda-se que os capacetes
sejam compatíveis com outros equipamentos, como lanternas de cabeça, viseira ou
protetores auriculares, por exemplo.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 22
CORDAS
Fonte: Imagens Petzl
As cordas utilizadas pelo CBMSC na atividade de salvamento em altura devem
atender aos seguintes parâmetros básicos. A bitola (diâmetro) deve ser de 12,5mm. A
certificação básica é a NFPA 1983. Subsidiariamente pode ser utilizada a norma EN 1891
(corda do tipo A). A carga mínima de ruptura deve ser de 40 KN (aproximadamente 4000
Kgf). A corda deve ser constituída por capa e alma, entre outros requisitos. O tipo de corda
é o semi-estática, ou seja, com baixo índice de alongamento quando submetida à tração.
O principal componente é a poliamida e o poliéster.
As cordas, ou cabos, constituem o principal elemento de todo sistema. É por meio
dela que ocorre a integração entre os equipamentos. Por tal motivo, ela deve ser sempre
inspecionada, utilizada e acondicionada de modo a preservá-la ao máximo.
Protetores de corda devem ser utilizados sempre que houver a possibilidade de
atrito ou contato com superfícies potencialmente danosas, como cantos vivos e arestas.
Seu acondicionamento operacional deve permitir o pronto emprego, por tal motivo,
recomenda-se que sejam guardadas em mochilas ou bolsas próprias.
A inspeção visual e tátil deve ser rotineira. O histórico de uso também deve ser
utilizado, de modo a saber qual a data de aquisição, entre outros pontos. A quantidade de
quedas retidas também é um fator importante a ser levado em conta.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 23
CINTO DE RESGATE
Fonte: Petzl
Cinto ou assento de segurança, boudrier, arnês, ou cadeirinha são os diversos
nomes para o mesmo equipamento. Recomenda-se que seja utilizados modelos para o
resgate, pois são fabricados para suportarem cargas mais elevadas que as cadeirinhas
fabricadas para o trabalho ordinário em altura.
É um conjunto de fitas costuradas eletronicamente, com diversos ajustes,
principalmente na cintura e pernas. São fabricadas de modo a distribuir o peso entre toda
a estrutura. O modelo adotado pelo CBMSC, além de ser específico para o resgate, é o de
cinco pontos, também conhecido como cinturão de paraquedista.
A cadeirinha de cinco pontos possui pontos de ancoragem no ventre, no dorso, na
região esternal, além de dois pontos laterais utilizados para o posicionamento. É
fundamental saber distinguir os pontos de ancoragens e os pontos para uso de
dispositivos de retenção de queda, além de diferenciá-los dos pontos de carregamento de
acessórios.
É importante ler o manual do fabricante, pois os detalhes variam entre os diversos
modelos existentes.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 24
CONECTORES
Fonte: Petzl
São os elementos que conectam os diversos equipamentos. Conecta a cadeirinha
do resgatista à corda, por exemplo. Podemos dividir os conectores em três tipos: ganchos,
malhas rápidas e mosquetões.
GANCHOS MGO
Fonte: Petzl
Utilizados principalmente em estruturas metálicas, atividades industriais. Existem
diversos tamanhos. Em algumas operações é necessário utilizar os que possuem
aberturas de 110mm. Geralmente estão integrados com algum sistema de absorção de
energia. A abertura é realizada em dois movimentos, um sobre a trava do gatilho de
abertura e outro sobre a própria abertura. Devido ao tamanho, possuem uso restrito. São
essências em ocorrências em estruturas do tipo torres de telefonia, torres de transmissão deenergia, pontes metálicas, etc.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 25
MALHAS RÁPIDAS
Fonte: Petzl
Sua principal característica é a capacidade de receber forças em diversas direções.
Podem ser usados em ancoragens fixas, em fitas de ancoragens de resgate, ou mesmo
para uso de conexões individuais. Outra característica é que podem ser fechados com
chave sextavada, em locais em que se deseja mantê-los de forma contínua.
Variam em tamanho e formato. Os formatos mais conhecidos são o delta, meia-lua,
oval.
MOSQUETÕES
Fonte: Petzl
São os principais conectores. Existem diversas classificações dos mosquetões.
Material
Mosquetões de aço – existem mosquetões de aço inox e de aço escovado. Os
mosquetões de aço inox são recomendados para regiões litorâneas de modo a evitar o
enferrujamento precoce. São mais pesados do que os conectores de alumínio, contudo
possuem maior resistência de modo geral.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 26
Mosquetões de alumínio – existem diversas ligas metálicas. Possuem a vantagem
de maior leveza. Em geral, são menos resistentes também, se comparados com os de aço,
mas existem ligas metálicas cada vez mais resistentes e acessíveis ao mercado.
FREIOS
Fonte: Petzl
Descensores ou freios são os dispositivos que controlam uma descida em corda.
Trabalham, em geral, no controle do atrito com a corda. Existem diversos tipos e voltados
para diversas funções. A Coordenadoria de Salvamento em Altura adota preferencialmente
dispositivos destinados à equipes de resgate profissional, cujos equipamentos atendam,
entre outros requisitos, a capacidade de auto-bloqueio (ou captura de progresso, a corda
só corre para um lado) e uma função anti-pânico (em caso da ação não controlada ocorre o
bloqueio da corda).
Freios de resgate devem também possuir a capacidade comprovada de trabalho
com segurança de gerenciar o atrito com a corda em peso com duas pessoas, um
resgatista e uma vítima, além do peso dos equipamentos. O freio descensor deve ser
usado de acordo com a bitola de corda em 12,5mm.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 27
TALABARTES
Fonte: Petzl
Existem basicamente dois tipos de talabartes. O talabarte de retenção de queda e o
talabarte de posicionamento. Em geral, um sistema de absorção de queda é integrado ao
talabarte. Existem diversos modelos, sendo os mais comuns em “i” (simples) e em “y”
(duplo). Há os de tamanho ajustável. A principal diferença entre talabarte e trava-quedas é
que o talabarte é dimensionado para uma movimentação mais dinâmica, ancorando o
usuário em alguma estrutura por meio de ganchos.
TRAVA QUEDAS
Fonte: Petzl
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 28
Entende-se por trava-quedas o dispositivo constituído por três itens, um absoverdor
de energia, uma peça autoblocante e um conector. É importante entender que o sistema
de trava quedas não impede a queda (a queda ocorreu, mas a energia dissipada e os
danos potenciais para o usuário foram minimizados).
LUVA DE SEGURANÇA PARA RESGATE:
Fonte: Petzl
As luvas devem ser material resistente à abrasão, além de permitir o manuseio dos
equipamentos de altura, com mínima perda de tato. Os modelos específicos para
atividades com corda são os ideais. Luvas de raspa ou luvas de vaqueta oferecem boa
resistência, mas com perda considerável de tato. Luvas são equipamentos de proteção
individual e devem ser usadas sempre que há sistemas ativos.
Deverá possuir as seguintes características e atender às seguintes exigências:
Luva de segurança modelo 5 dedos confeccionada em couro para salvamento em
altura;
Reforço externo e interno na região interna do polegar e na palma a fim de proteger
contra o calor gerado por atrito na região especificada durante a passagem da corda de
resgate durante operações;
Permitir grande acuidade tátil de modo a facilitar o manuseio de cabos e
equipamentos, não devendo apresentar folgas na região entre as articulações
metacarpo-falangicas quando calçada, devendo o revestimento interno manter contato com
a pele do usuário nessa região mesmo quando os dedos estiverem esticados;
Sistema fechamento ou ajuste no punho, de modo a garantir melhor fixação da luva
nas mãos;
Deverá possuir certificação EN 388, com índice de abrasão de, no mínimo, 2 (dois),
e/ou possuir certificação NFPA 1983;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 29
Posicionamento em local elevado
Nós básicos
Fonte: Livro Resgate Vertical
A maioria dos nós que utilizamos foram criados pela Marinha do Brasil. Dos quase
2.500 nós, voltas e laçadas existentes, vamos repassar os mais eficientes e simples e que
podem ser perfeitamente empregados nas operações de resgate com cordas realizadas
pelos bombeiros militares.
É preferível conhecer poucos nós e ter completo domínio dos mesmos, do que
conhecer muitos, porém sem dominá-los por completo.
Os nós devem apresentar as seguintes características:
ser fácil de fazer;
ser fácil de desfazer;
proporcionar o máximo de segurança.
Segundo Richard M. Chisholm, o funcionamento e o desempenho de um nó
dependem de três qualidades: alto nível de segurança, estabilidade e força. Para o autor, a
força de um nó é determinada pela proporção relativa da carga que recai sobre a primeira
curvatura e pela severidade da primeira curva, ou seja, o quanto a curva desvia do eixo da
corda.
Naturalmente, uma corda ou fita são mais fortes quando tensionadas axialmente,
sem curvas ou dobras. As voltas e dobras de um nó reduzem a resistência de carga da
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 30
corda ou fita e quanto mais abruptas forem as curvas, maior será a perda de resistência.
Por este motivo, alguns nós são mais fortes que outros.
Nó Simples
Nó utilizado para finalizar amarrações
Nó simples para unir fita
Fonte: Livro Resgate Vertical
É o único nó aconselhável para unir fitas. É muito seguro, porém se o cabo
emendado com este nó sofrer grande esforço fica difícil desfazê-lo (figura 6).
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 31
Azelhas simples
Fonte: Livro Resgate Vertical
Nó utilizado para fazer uma alça rápida e pequena, utilizado para objetos leves.
Nó Oito
Oito simples
Fonte: Livro Resgate Vertical
Pode ser usado nas extremidades das cordas, tendo a desvantagem de se desfazer
com facilidade.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 32
Oito duplo com alça ou azelhas em oito
Fonte: Livro Resgate Vertical
Preferido como nó de laçada e muito difundido nos grupos de resgate. Apresente
perda de resistência de 20%, sendo mais seguro e danificando menos o cabo se
comparado ao azelha.
Nó Prussik
Fonte: Livro Resgate Vertical
É o nó blocante mais conhecido e utilizado. Possui a característica de bloquear ou
travar quando submetido à tensão e afrouxar (ficar livre) quando aliviada essa tensão. Para
fazer um nó de Prussik, basta dar três voltas com um cordelete ao redor da corda, passando
uma das pontas por dentro da outra.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 33
Escota Dupla:
Fonte: Livro Resgate Vertical
Utilizado para emendar cabos de diferente diâmetro. O de menor diâmetro “costura” o
de maior. Utilizado para emendas sem carga, por exemplo, na transposição ou içamento
de uma cabo.
Nó direito:
Fonte: Livro Resgate Vertical
usado para emendar cabos de mesmo diâmetro. Quando realizado com cabos de
diâmetros diferentes, ele se desfaz. O nó direito é constituído por duas laçadas montadas
em sentidos opostos de modo a que os chicotes do cabo fiquem do mesmo lado, paralelos
ao seio do cabo e opostamente um ao outro. Para o desfazer basta empurrar as duas
extremidades uma contra a outra ou puxando uma extremidade e virando o nó.
Frade:
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 34
Variação do Nó Simples, acrescendo a ele uma volta a mais. É usado para criar um
tensor nacorda.
Pescador duplo:
Fonte: Livro Resgate Vertical
Utilizado para emendar cabos de mesmo diâmetro. Composto por dois nós Frade em
cada chicote, que devem ser tensionados para ficarem juntos. Para desfazer o nó,
puxam-se os chicotes de modo a correr os nós em sentido opostos, afastando-os e
desfazendo os nós de seguida. São difíceis de serem desfeitos após suportar grandes
cargas.
Lais de guia:
Fonte: Livro Resgate Vertical
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 35
Tem como função a confecção de uma alça que ao mesmo tempo não aperte e
seja fácil de soltar. Sua principal vantagem é possuir fácil soltura mesmo depois de
submetido a grandes tensões.
Volta do fiel:
Fonte: Livro Resgate Vertical
Ajusta-se à medida em que seja submetido a tração. Pode ser feito pelo seio ou
pelo chicote. É amplamente utilizado para iniciar ou finalizar amarras. Suporta bem a
tensão e permite amarrar a corda a um ponto fixo.
Corrente pelo seio:
O cabo será acondicionado em torno de um nó de alça (lais de guia) que será
confeccionado no início do acondicionamento. O arremate da corrente pelo seio é
realizado com um nó do tipo volta do fiel
Carioca/Paulista:
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 36
Nó de tração de cargas, utilizado na ausência de polias para multiplicação de
forças. Nó de fácil execução, pode ser blocado com o Nó de Mula após realizada a
tração.
Voltas sem tensão:
Fonte: Livro Resgate Vertical
Nó utilizado para fazer ancoragem, permite que a tensão fique distribuída nas
voltas e não diretamente sobre o nó. Faz-se voltas redondas (mínimo quatro) pelo chicote
do cabo de rapel no ponto de ancoragem, ressalta-se que o ponto de ancoragem deverá
ser de pelo menos 8 vezes o diâmetro da corda utilizada. Depois faz-se uma azelha em oito
no chicote e clipa-se o mosquetão nele. Posteriormente clipa-se o mosquetão no cabo de
descida.
Posicionamento seguro em local elevado
Como já visto alguns princípios devem ser atendidos para um posicionamento
seguro em local elevado, sendo assim antes de iniciar qualquer atividade em local elevado
deve-se:
a) Verificar se as cordas de trabalho e de segurança estão em ancoragens
separadas. É permitido que as duas ancoragens estejam ligadas, uma à outra, para
segurança adicional;
b) Todos os bombeiros devem permanecer conectado ao sistema de ancoragem
durante todo o período de exposição ao risco de queda;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 37
c) Todo o equipamento deverá ser inspecionado antes do uso e estar em perfeitas
condições de utilização.
d) Convém que seja feita uma verificação mútua entre os profissionais da equipe
resgate por Corda de todos os equipamentos envolvidos na realização do resgate;
e) A conexão de um bombeiro ao sistema de ancoragem deve ser feita em área
onde não haja risco de queda de altura, a menos que haja proteção por outros meios;
f) Quando, em uso, as cordas devem ser prevenidas contra danos, estar protegidas,
a fim de evitar que corram sobre as bordas agudas (cantos vivos e superfícies abrasivas),
ou sobre superfícies quentes e contato com produtos químicos. Onde não for possível que
isto seja feito, a corda deve estar protegida pelo uso de protetor específico, conforme
definido na análise de risco;
g) Deve ser assegurado que exista uma Zona Livre de Queda (ZQL) adequada para
garantir que o absorvedor do talabarte abra adequadamente;
h) Verificar, antes de se conectar às cordas, se outro bombeiro já não está ancorado
na mesma;
I) Sempre conectar primeiramente o sistema de segurança, verificar sua
funcionalidade e somente após isso conectar os demais equipamentos;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 38
Progressão com talabarte
Fonte: Petzl
O talabarte de proteção contra queda deve ser instalado corretamente no ponto ‘A’
Peitoral ou dorsal do cinturão de segurança tipo paraquedista. Normalmente, é utilizado no
ponto de conexão peitoral.
Durante a progressão com talabarte, deve-se garantir um ponto conectado à
estrutura, apenas quando a estrutura for utilizada como meio de acesso. Mantendo, dessa
forma, o princípio de segurança na proteção contra queda, um ponto primário (apoio na
estrutura) e um ponto secundário para proteção contra queda (talabarte de segurança).
O objetivo da utilização do talabarte duplo nestas condições é justamente intercalar
a conexão na estrutura. Ou seja, quando for necessário a subida de um ponto, o outro
deve estar devidamente conectado.
Ao utilizar o talabarte, assim como o travaqueda, é essencial que seja instalado de
modo que o potencial de queda seja o menor possível, evitando a utilização com o Fator
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 39
de Queda maior que 1, e levando em consideração a ZLQ (Zona Livre de Queda)
necessária para a utilização do equipamento naquela condição.
Posicionamento com segurança
A utilização do talabarte duplo serve para progressão (acesso a um determinado
local) a técnica de posicionamento tem, por objetivo, o posicionamento do bombeiro (com
as mãos livres) para a realização de uma determinada tarefa. O sistema de
posicionamento deve incluir um sistema de retenção de queda, de forma que se houver
um erro do operador ou falha do suporte primário, uma queda será prevenida ou retida.
Restrição de queda
Técnica utilizada para se eliminar o risco de queda com diferença de nível durante
de trabalhos em altura, restringindo a movimentação do profissional, impedindo-o de
alcançar zonas onde existe o risco de queda, porém, permitindo o acesso ao local
desejado.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 40
Fonte: Petzl
Consiste em utilizar um elemento de ligação (talabarte, encordoamento, trava
queda) com um comprimento menor do que a distância entre o ponto de ancoragem e o
local onde há o risco de queda e é limitada ao uso em movimentação horizontal.
Um sistema de retenção de queda nunca pode deixar de ser utilizado em situações
em que uma queda poderá acontecer, como, por exemplo, um trabalho realizado sobre
uma superfície frágil que não representa uma condição segura de trabalho. Nestes casos,
métodos de proteção de quedas devem ser utilizados.
Se, durante o resgate, ficar evidenciado que o sistema de restrição não impede uma
queda sobre uma extremidade, por exemplo, porque o talabarte de segurança conectado é
muito comprido, neste caso, o resgate deve ser parado imediatamente e uma ação deve
ser tomada para corrigir a situação, ajustando ou substituindo o talabarte de segurança ou
utilizando um método diferente de proteção de queda.
Um exemplo de trabalho com restrição de queda:
Fonte: Petzl
Considere um bombeiro caminhando sobre uma laje em altura com uma beirada
desprotegida. Pode ser fixada uma linha de vida ou um ponto de ancoragem na parte
interna desta laje. A linha de vida ou ponto de ancoragem deve ser fixada de forma que a
distância entre a beirada e o ponto de ancoragem ou linha de vida seja, ao menos, meio
metro maior que o elemento de ligação utilizado pelo bombeiro.
Dessa forma, o bombeiro terá seu movimento livre paralelamente a linha de vida ou
no raio do ponto de ancoragem. Porém, terá seu movimento restringido ao tentar se
aproximar da beirada, ficando, ao máximo, meio metro do local onde há risco de queda.
Uma forma rápida de se reduzir um encordoamento para garantir uma situação de
restrição de queda é fazendo-se um nó "borboleta alpina" no meio do encordoamento
regulando-se o seio do nó para reduzir o encordoamento apropriadamente.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 41
Fonte: Livro Resgate Vertical
Montagem da linha de vida horizontal
Video (Clique aqui)
• Conectar uma das extremidades da corda em um dos lados selecionados.
Utilizar preferencialmente o nó "azelha em oito" nas extremidades.
Fonte: Petzl
• Levar a outra extremidade da corda até a ancoragem do lado oposto, ponto já
instalado.
• Fixar um descensorna ancoragem oposta.
Fonte: Petzl
• Instalar o descensor na corda.
https://www.youtube.com/watch?v=CiEoR-bomY0
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 42
Fonte: Petzl
• Verificar que o descensor está montado da maneira correta, testando o mesmo,
puxando o lado da corda que servirá de linha de vida. A mesma não pode correr.
Fonte: Petzl
• Utilizando um sistema de redução mecânica de, no máximo, 3:1, sistema em ‘Z’,
tensiona a corda.
Fonte: Petzl
Nunca operar o sistema de redução com mais de duas pessoas.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 43
Fonte: Petzl
• Após tensionada a linha de vida, travar os dois descensores conforme instruções
do fabricante.
Nota: Recomenda-se que na utilização de descensores, no tensionamento da corda,
além do travamento através de uma chave de bloqueio, se faça um nó como um bloqueio
adicional, excesso de corda, com no mínimo 1 metro de folga, conforme mostrado na
ilustração.
Fonte: Petzl
Não sobrecarregar a linha de vida fazendo força excessiva no sistema de redução.
Lembre-se que a linha de vida irá operar criando um ângulo de aproximadamente
150° a 180º entre as duas ancoragens, elevando as cargas de até em 300% em cada lado
das ancoragens.
Fonte: Petzl
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 44
Fonte: Resgate com Cordas
A linha de vida horizontal é utilizada para criar um ponto de ancoragem fixo que
permita o deslocamento horizontal de um profissional conectado a esta linha por meio de
seus talabartes.
Essa técnica deve ser utilizada preferencialmente em conjunto com a técnica de
restrição de queda.
Fonte: Petzl
É importante destacar que deverá sempre ser levado em consideração as enormes
cargas a que são submetidas as ancoragens e as estruturas nas quais uma linha de vida
será instalada.
Na imagem acima são apresentadas as cargas geradas de acordo com o ângulo de
tensionamento de uma linha de vida. Ao conectar uma corda horizontalmente entre dois
pontos de ancoragem, conectando uma extremidade da corda utilizando um nó de
ancoragem, no primeiro ponto de ancoragem e levando, em seguida, a outra extremidade
até o ponto de ancoragem oposto para tensionamento.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 45
O tensionamento da linha de vida horizontal não deve ser excessivo, salvo
circunstâncias onde precisa-se garantir uma situação de restrição de quedas.
O tensionamento indicado para uma linha de vida deve ser feito manualmente por
apenas uma pessoa.
Caso o vão entre os dois pontos de ancoragem seja pequeno, o profissional poderá,
simplesmente, fazer um nó de ancoragem na extremidade oposta da corda, deixando o
comprimento entre os dois nós alguns centímetros menor que o comprimento entre as
duas ancoragens e, manualmente, puxar a corda e conectar o nó de ancoragem no ponto
de ancoragem.
Em vãos um pouco maiores, o bombeiro pode conectar um mosquetão à
ancoragem oposta e, fazendo um nó "meia volta do fiel" diretamente neste mosquetão,
puxar a extremidade solta, tensionando a linha de vida e travar o “meia volta do fiel"
utilizando a blocagem com o nó de mula com a extremidade solta fixada diretamente na
parte tensionada da corda, essa ancoragem debreável também poderá ser feita com um
descensor.
Fonte: Livro Resgate Vertical
Para diminuir a Zona Livre de Queda (ZLQ) em caso de queda na linha de vida,
podem ser utilizadas ancoragens intermediárias, fixas ou passantes, na linha de vida
horizontal.
Montagem da linha de vida vertical
Deve-se utilizar o mesmo conceito de montagem de linha de vida horizontal, porém,
observando-se as seguintes particularidades.
Para a conexão do bombeiro na linha de vida vertical, deve-se utilizar um trava
queda.
O impacto gerado por uma queda será o mesmo, tanto no bombeiro quanto no
ponto de ancoragem.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 46
Recomenda-se fazer uma ancoragem debreável, o tensionamento através do nó
"meia volta do fiel" com blocagem com o nó de mula ou um descensor, no ponto de
ancoragem inferior da linha de vida.
Recomenda-se a utilização de pontos de ancoragem intermediários passantes, na
linha de vida, para minimizar os pêndulos laterais em caso de queda.
A linha de vida vertical é muito utilizada para acessos por escadas.
A vantagem da técnica, utilizada em conjunto com o trava queda, é a substituição
do uso do talabarte. Assim, ao invés de conectar-se ao ponto de ancoragem durante a
movimentação vertical, a instalação do trava queda é feita apenas uma vez.
Montagem da linha de vida vertical - Por baixo
Fonte: Petzl
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 47
Montagem da linha de vida vertical - Por cima
Fonte: Petzl
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 48
 6.2 Recapitulando
Figura 1 - Formato possível para recapitular.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 49
Fonte: CBMSC
 
 6.3 Avaliação da lição
Considera-se “atividade em altura” aquela executada acima de ______ do nível
inferior, onde haja risco de queda.
a) 2,00 m
b) 2,50 m
c) 3,00 m
d) 1,50 m
A equipe de salvamento deverá ser composta preferencialmente por quantos
integrantes?
a) 3
b) 4
c) 5
d) 6
É o bombeiro mais experiente, responsável pela tática de resgate. É a pessoa que
estará à frente da operação dos equipamentos e da abordagem da vítima. Deve ser
preferencialmente um especialista, ou, no mínimo, operações;
a) Resgatista 1
b) Resgatista 2
c) Operador e condutor do veículo
d) Comandante
É o bombeiro que auxilia o resgatista 1. Deve ter preferencialmente o nível
operações, ou, no mínimo, nível básico - Conscientização;
a) Resgatista 1
b) Resgatista 2
c) Operador e condutor do veículo
d) Comandante
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 50
Responsável pela condução da viatura com segurança até o local do atendimento.
Deverá montar o palco de ferramentas e operar os equipamentos eventualmente
instalados na viatura (guincho, munck, etc). Também é responsável pela sinalização e
isolamento do local. Deve ter preferencialmente o nível operações, ou, no mínimo, nível
básico - Conscientização;
a) Resgatista 1
b) Resgatista 2
c) Operador e condutor do veículo
d) Comandante
É o responsável pela ocorrência, podendo esta função ser exercida pelo chefe de
socorro, comandante de área, ou pelo mais antigo da guarnição. Deve ser
preferencialmente um especialista, ou, no mínimo, operações;
a) Resgatista 1
b) Resgatista 2
c) Operador e condutor do veículo
d) Comandante
As operações de resgate em ambientes verticais, por si só, já representam um
elevado grau de periculosidade em razão do ambiente onde se processam. Por este
motivo, qualquer deslize por parte da equipe que irá realizar este tipo de operação poderá
representar sérias lesões, ou até mesmo a morte das vítimas envolvidas, ou ainda, dos
próprios resgatistas.
( ) Verdadeiro
( ) Falso
A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho em altura,
considerar:
a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno, como a presença de
redes energizadas nas proximidades, trânsito de veículos e pedestres ou serviços paralelos
sendo executados;
b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 51
c) o estabelecimento dos sistemas de descargas atmosféricas e pontos de
ancoragem;
d) as condições meteorológicas adversas, como ventos, chuvas, insolação,
descargas atmosféricas;
Somente o comandante pode parar as operações se perceber alguma situação de perigo.
( ) Verdadeiro
( ) Falso
A corda, as ancoragens, o sistema de freio e o segurança absorverão parte dessa
força, porém, a força absorvida pelo bombeiro que sofreu a queda não pode chegar a?
a) 10KN
b) 12KN
c) 15KN
d) 22KN
Todos os componentes do sistema, principalmente a corda, absorverão parte da
força de choque. Exceto em progressõesdo tipo “via ferrata”, o fator de queda máximo
possível será o fator
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
As cordas podem ser lavadas com sabão (com soda) e água, devendo ser secadas
sempre à sombra e em local arejado, nunca deixar exposta ao sol ou ao mau tempo
quando desnecessário;
( ) Verdadeiro
( ) Falso
Sua principal característica é a capacidade de receber forças em diversas direções.
Podem ser usados em ancoragens fixas, em fitas de ancoragens de resgate, ou mesmo
para uso de conexões individuais.
a) Mosquetão
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 52
b) MGO
c) Malha rápida
d) Talabarte
É o único nó aconselhável para unir fitas.
a) nó de fita
b) nó oito
c) nó carioca
d) lais de guia
Gabarito:
a b a b c d v c f b b f c a
 6.4 Fechamento
Ao final do manual pode haver novamente a palavra do professor, desta vez em
forma de despedida e agradecimento pela participação dos alunos na atividade de ensino
e ainda, incentivando a continuidade e aprofundamento dos estudos.
 6.5 Página de Referências
Ao final do manual, todas as referências utilizadas devem ser citadas obedecendo a
ABNT.
7. Referências
RANK, Jefferson. Resgate com cordas: Nível Operações. Carreira Ed. 2020
AGUIAR, Eduardo J S. Resgate Vertical: Aprender, Praticar, Salvar.
AVM Publicações Técnicas. Curitiba: 2016.
BENEYTO, Delfín D. Rescate Urbano: En Altura. Manuales Desnivel. 3a ed.
Madrid, 2004
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 53
GOIÁS, Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. Manual Operacional
de Bombeiros: Salvamento em Altura. Goiânia/GO: CBMGO, 2017.
GUADALAJARA, Dirección General de Protección Civil y Emergencias. Manual
de Rescate y Salvamento: Parte 1 – Rescate en altura. Grupo Tragsa. España.
SÃO PAULO, Corpo de Bombeiros Militar da Polícia Militar. Coletânea de
Manuais Técnicos de Bombeiros: Manual de Salvamento em Altura. 1a ed.
Vol. 26. São Paulo: PMESP, 2006.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 54
 6.1 Lições de conteúdo
Cada lição deve possuir alguns elementos obrigatórios, como um título geral da
lição, conteúdo organizado por ordem sequencial de informações
Na página inicial de cada lição devem ser apresentados os objetivos de
aprendizagem. Conforme a IG 40-01 os objetivos de aprendizagem devem se articular a
cada unidade didática programada no Programa de Matérias e plano de Unidade Didática
(PROMAPUD). O objetivo de aprendizagem diz respeito à ação do aluno no processo de
ensino-aprendizagem. Para sua definição pode-se seguir o exemplo: Ações (ler e discutir)
+ objeto (os artigos relacionados ao Sistema de Segurança pública da CEF/88) +
finalidade (no intuito de refletir a respeito das mudanças sociais para o século XXI).
A cada lição é importante que haja uma introdução aos assuntos que serão
abordados e até mesmo apresentando brevemente alguns dos principais conceitos a
serem trabalhados na lição.
Além do conteúdo textual e imagens (fotos e ilustrações), pode-se ainda ser
explorado os recursos instrucionais.
Ao término de cada lição é interessante que haja uma breve conclusão, fazendo o
fechamento dos assuntos, retomando os pontos importantes e apresentando uma revisão
crítica do que foi abordado, podendo descrever como o aluno poderá utilizar esses
conhecimentos na prática e fazendo-o refletir como ele pode adaptar o que aprendeu a
sua própria realidade.
 6.2 Recapitulando
Diferente das considerações finais, o recapitulando deve funcionar como um grande
resumo da Lição. Deste modo, pode ser apresentado em formato diferente do texto escrito,
como por exemplo, em uma ilustração, esquema, fluxograma ou infográfico, como na
Figura 1 .
Figura 1 - Formato possível para recapitulando.
Fonte CBMSC
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 56
 
 6.3 Avaliação da lição
Nesta seção deve conter uma pequena avaliação referente ao conteúdo abordado,
com o objetivo de verificar se os objetivos de aprendizagem foram alcançados.
 6.4 Fechamento
Ao final do manual pode haver novamente a palavra do professor, desta vez em
forma de despedida e agradecimento pela participação dos alunos na atividade de ensino
e ainda, incentivando a continuidade e aprofundamento dos estudos.
 6.5 Página de Referências
Ao final do manual, todas as referências utilizadas devem ser citadas obedecendo a
ABNT.
Guia de formatação de material didático para professor conteudista 57
7. Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6.023: informação e
documentação. Referências. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
_____. NBR 10520: informação e documentos. Apresentação de citações em documentos.
Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
BANDEIRA, Denise. Materiais didáticos. Curitiba: IESDE, 2009.
LEITÃO, Cleide; FIGUEIREDO, Gustavo; SANTOS, Henriette dos; LEAL, Maria Leonor;
TEIXEIRA, Marisa; NUNES, Sheila; ROCHA, Suely; FONSECA, Valéria. Elaboração de
Material Didático Impresso para Programas de Formação a Distância: Orientações
aos Autores. Escola Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2005.
NETO, Antônio Simão; HESKETH, Camille Gonçalves. Didática e design instrucional.
Curitiba: IESDE, 2009.
SILVA, Andreza Lopes da; SILVA, Daiana da. Guia do professor conteudista.
Florianópolis: IFSC, 2015.
http://www.ufrgs.br/nucleoead/documentos/ENSPMaterial.pdf
http://www.ufrgs.br/nucleoead/documentos/ENSPMaterial.pdf
http://www.ufrgs.br/nucleoead/documentos/ENSPMaterial.pdf

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