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Randy Knight leciona Física básica há 25 anos na Ohio State University, EUA, e na California Polytechnic University, onde atualmente é professor de física. O professor Knight bacharelou- se em Física pela Washington University, em Saint Louis, e doutorou-se em Física pela Univer- sity of California, Berkeley. Fez pós-doutorado no Harvard-Smithsonian Center for Astrophy- sics, antes de trabalhar na Ohio State University. Foi aí que ele começou a pesquisar sobre o ensino da física, o que, muitos anos depois, o levou a escrever este livro. Os interesses de pesquisa do professor Knight situam-se na área de laser e espectroscopia, com cerca de 25 artigos de pesquisa publicados. Ele também dirige o programa de estudos am- bientais da Cal Poly, onde, além de física introdutória, leciona tópicos relacionados a energia, oceanografia e meio ambiente. Quando não está em sala de aula ou na frente de um compu- tador, o professor Knight está fazendo longas caminhadas, remando em um caiaque, tocando piano ou usufruindo seu tempo com a esposa Sally e seus sete gatos. Sobre o AutorSobre o Autor K71f Knight, Radall. Física 1 [recurso eletrônico] : uma abordagem estratégica / Randall Knight ; tradução Trieste Freire Ricci. – 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2009. Editado também como livro impresso em 2009. ISBN 978-85-7780-519-8 1. Física – Mecânica. 2. Mecânica newtoniana. I. Título. CDU 531/534 Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges CRB-10/1922 Uma corrida, seja entre corredores, ciclistas ou carros de corrida, exemplifica a idéia de movimento. Hoje em dia usamos cronômetros eletrônicos, gravadores de vídeo e ou- tros instrumentos sofisticados para analisar os movimentos, mas não foi sempre assim ao longo da história. Galileu, que no início do século XVII foi o primeiro cientista a estudar experimentalmente o movimento, usava sua própria pulsação para medir o tempo! Galileu fez uma distinção nítida entre a causa do movimento e a descrição do mesmo. A cinemática é o nome moderno para a descrição matemática do movimento sem consi- derar sua causa. Ela se origina da palavra grega kinema, que significa “movimento”. Você conhece essa palavra pela variação portuguesa cinema � filmes! Neste capítulo sobre a cinemática, desenvolveremos as ferramentas matemáticas para descrever os movimentos. Depois, no Capítulo 5, voltaremos nossa atenção para a causa do movimento. Iniciaremos nosso estudo da cinemática com o movimento em uma dimensão: isto é, o movimento em linha reta. Corredores, carros de corrida e esquiadores são apenas alguns exemplos de movimento unidimensional. A cinemática do movimento bidimen- sional � movimento de projéteis e movimento circular � será abordada no Capítulo 4. 2.1 Movimento uniforme Se você dirige seu carro a constantes 110 quilômetros por hora (km/h), percorrerá 110 km durante a primeira hora de viagem, outros 110 km durante a segunda hora, mais 110 km na terceira e assim por diante. Este é um exemplo do que se chama de movimento uniforme. Neste caso, 110 km não é sua posição, e sim, a variação de sua posição du- rante cada hora, ou seja, seu deslocamento . Analogamente, uma hora é o intervalo de tempo , e não, um instante de tempo. Isso sugere a seguinte definição: o movimento em linha reta no qual deslocamentos iguais correspondam a intervalos de tempo sucessivos iguais é chamado de movimento uniforme. 2 Olhando adiante � O objetivo do Capítulo 2 é que você aprenda a resolver problemas sobre o movimento em linha reta. Neste capítulo, você aprenderá: Entender a matemática da posição, ■ da velocidade e da aceleração para movimentos em linha reta. Usar uma representação gráfica de ■ um movimento. Usar uma estratégia específica ■ para resolução de problemas de cinemática. Compreender o movimento de ■ queda livre e o movimento em planos inclinados. Em retrospectiva � Cada capítulo deste livro foi elaborado com base em idéias e técnicas desenvolvidas nos capítulos anteriores. Cada Em Retrospectiva despertará sua atenção para seções específicas que são de importância maior para o presente capítulo. Uma breve revisão destas seções o ajudará em seu estudo do capítulo. Revise: Seções 1.4-1.5 Velocidade e ■ aceleração Seção 1.6 Movimento em uma ■ dimensão Seção 1.7 Resolução de problemas ■ em física Uma velocista de nível internacional desenvolve uma tremenda aceleração na arrancada de uma corrida. Cinemática em uma Dimensão Cinemática em uma Dimensão CAPÍTULO 2 ■ Cinemática em uma Dimensão 35 O qualificativo “qualquer” é importante. Se durante cada hora você dirige a 110 km/h por meia hora e pára por 30 minutos, você percorrerá 55 km em cada hora sucessi- va. Mas você não realiza deslocamentos iguais durante intervalos sucessivos de 30 mi- nutos, de modo que seu movimento não é uniforme. Quando você dirige o tempo todo a 110 km/h está em movimento uniforme porque realiza deslocamentos iguais sem que importe como escolha os sucessivos intervalos de tempo. A FIGURA 2.1 mostra como o movimento uniforme aparece em diagramas de movi- mento e em gráficos da posição versus tempo. Observe que o gráfico posição versus tempo para o movimento uniforme é uma reta. Isso vem da exigência de que todos os correspondentes ao mesmo sejam iguais. De fato, uma definição alternativa de movimento uniforme é: um objeto está em movimento uniforme se e somente se seu gráfico de posição versus tempo é uma linha reta. A declividade de um gráfico em linha reta é definida com base em “quanto ele se eleva quando nos movemos na horizontal”. Uma vez que a posição é indicada no eixo vertical, a “elevação” de um gráfico posição-versus-tempo é o deslocamento do obje- to, . O quanto “nos movemos na horizontal” corresponde ao intervalo de tempo . Conseqüentemente, a declividade é . A declividade de um gráfico em linha reta é constante, portanto todo objeto em movimento uniforme corresponde a um mesmo valor de durante qualquer intervalo de tempo . No Capítulo 1 definiu-se a velocidade média como . Para o movimento unidi- mensional isso equivale a, simplesmente, (2.1) Ou seja, a velocidade média é a declividade do gráfico da posição versus tempo. A velocidade tem unidades do tipo “comprimento por tempo”, como “quilômetros por hora” ou “milhas por segundo”. A unidade de velocidade do SI é metros por segundo, abreviada por m/s. NOTA � O símbolo da Equação 2.1 significa “é definido como” ou “é equivalente a”. Isso é uma afirmação mais forte do que dizer que os dois lados são iguais. � A Equação 2.1 nos permite associar a declividade de um gráfico de posição versus tempo, que é uma grandeza geométrica, a uma grandeza física que chamamos de velo- cidade média vmed. Esta é uma idéia extremamente importante. No caso do movimento uniforme, onde a declividade é a mesma em todos os instantes, ela representa o fato de que a velocidade média é constante e não está variando. Conseqüentemente, uma definição final de velocidade média é: um movimento de um objeto é uniforme se e somente se sua velocidades vx e vy são constantes. Neste caso, não há necessidade al- guma de usar o subscrito “média” para uma velocidade que, de fato, não varia, de modo que deixaremos de lado o subscrito e nos referiremos à velocidade média como vx ou vy. Pedalar constantemente em um piso horizontal constitui um bom exemplo de movimento uniforme. t Deslocamentos iguais O gráfico da posição é uma linha reta. A declividade da linha é v med . Os deslocamentos entre quadros sucessivos são os mesmos. Os pontos estão igualmente espaçados e v x é uma constante. x FIGURA 2.1 Diagrama de movimento e gráfico da posição versus tempo para o movimento uniforme. EXEMPLO 2.1 Patinando com velocidade constante O gráfico de posição versus tempo da FIGURA 2.2 representa os movi- mentos de dois estudantes sobre patins de gelo. Determine suas velo- cidades e descreva seus movimentos. MODELO Representes os dois estudantescomo partículas. VISUALIZAÇÃO A Figura 2.2 é uma representação gráfica dos movi- mentos dos estudantes. Os dois gráficos são linhas retas, o que signi- fica que os dois patinadores movem-se com velocidades constantes. RESOLUÇÃO Podemos determinar as velocidades dos estudantes me- dindo a declividade dos gráficos. O patinador A realiza um deslo- camento � 2,0 m durante o intervalo de tempo � 0,40 s. Assim, sua velocidade é , , , , , , , , , , , declividade declividade FIGURA 2.2 Representações gráficas de dois estudantes sobre patins de gelo. Continua 36 Física: Uma Abordagem Estratégica O Exemplo 2.1 apresenta vários pontos importantes que devem ser enfatizados. Eles estão resumidos no Box Tático 2.1. BOX TÁTICO 2.1 Interpretando gráficos de posição versus tempo Declividades maiores correspondem a velocidades com módulo maior. Declividades negativas correspondem a velocidades negativas e, daí, a movi- mentos para a esquerda (ou para baixo). Declividade é uma razão entre intervalos, , e não, uma razão entre coorde- nadas. Ou seja, a declividade não é, simplesmente, x/t. Faremos distinção entre a declividade real e a declividade com significado físico. Se você decidisse usar uma régua para medir a elevação vertical e o comprimento horizontal de um gráfico, poderia calcular a declividade real da linha desenhada na página. Mas esta não é a declividade da qual estamos falando quando igualamos a velocidade à declividade da linha. Em vez disso, tratamos de obter a declividade dotada de significado físico, medindo a elevação vertical e o comprimento hori- zontal usando as escalas assinaladas nos eixos correspondentes. A “elevação” é apenas um número de metros; o “comprimento” horizontal é um determinado número de segundos. O significado físico desses dois valores inclui suas unidades, e a razão dessas unidades fornece as unidades de declividade. Exercícios 1–3 O que chamamos de rapidez (ou velocidade escalar) v de um objeto significa quão rapidamente ele se move, independentemente da orientação do movimento. Isto é igual a, simplesmente, v � |vx| ou v � |vy|, o valor absoluto ou módulo da velocidade do objeto. No Exemplo 2.1, por exemplo, o patinador B tem �2,0 m/s de velocidade, porém sua rapidez é de 2,0 m/s. A rapidez é uma grandeza escalar, e não, um vetor. NOTA � Nossa análise matemática de movimento é baseada na velocidade, e não na rapidez. Os subscritos em vx e vy são parte essencial da notação, lembrando-nos de que, mesmo em uma dimensão, a velocidade é um vetor. � A matemática do movimento uniforme Necessitamos de uma análise matemática do movimento que seja válida sem considerar se o objeto se move ao longo do eixo x, do eixo y ou de qualquer outra linha reta. Conse- qüentemente, será conveniente escrever as equações para um “eixo genérico” que cha- maremos de eixo s. A posição de um objeto será representada pelo símbolo s, e sua velo- cidade, por vs. NOTA � As equações escritas em termos de s são válidas para qualquer movimento unidimensional. Em um problema específico, entretanto, você deve usar x ou y, que são mais apropriados do que s. � Considere um objeto em movimento uniforme ao longo do eixo s com o gráfico de posi- ção linear versus tempo mostrado na FIGURA 2.3. A posição inicial do objeto é si no instante ti. A expressão posição inicial refere-se ao ponto de partida de nossa análise ou ao ponto sf ti tf s si Posição inicial Posição final t A declividade da linha é . FIGURA 2.3 A velocidade é encontrada a partir da declividade do gráfico da posição versus tempo. Precisamos ser mais cuidadosos com o patinador B. Embora ele percorra uma distância de 1 m em 0,50 s, seu deslocamento tem uma definição muito precisa: É muito importante que se dê atenção redobrada aos sinais! Isso leva a AVALIAÇÃO O sinal negativo indica que o patinador B está se movendo para a esquerda. Nossa interpretação do gráfico é que os dois estudan- tes estão patinando em sentidos opostos. O patinador A parte de x � 2,0 m e se move para a direita com 5,0 m/s de velocidade. O patinador B parte de x � 1 m e se move para a esquerda com �2,0 m/s de ve- locidade. Os módulos de suas velocidades, de � 18 km/h e 7,2 km/h, são razoáveis para praticantes de skate e patinadores. CAPÍTULO 2 ■ Cinemática em uma Dimensão 37 de partida em um problema; o objeto pode ou não ter estado em movimento anteriormente a ti. Em um instante posterior tf, o ponto final de nossa análise ou o ponto final de um problema, a posição final do objeto será sf. A velocidade do objeto vs ao longo do eixo s pode ser determinada encontrando-se a declividade do gráfico: (2.2) A Equação 2.2 é facilmente rearranjada para (2.3) A Equação 2.3 aplica-se a qualquer intervalo de tempo durante o qual a velocidade seja constante. A velocidade de um objeto em movimento uniforme nos dá o valor da variação de sua posição durante cada segundo. A posição de uma partícula com velocidade de 20 m/s varia em 20 m durante cada segundo de movimento: 20 m durante o primeiro segundo de seu movimento, outros 20 m durante o próximo segundo e assim por diante. Se o objeto parte de si � 10 m, ele estará em s � 30 m depois de 1 segundo de movimento, e em s � 50 m depois de 2 segundos. Pensar na velocidade desta manei- ra o ajudará a desenvolver uma compreensão da conexão existente entre velocidade e posição. EXEMPLO 2.2 Almoço em Cleveland? Bob sai de casa, em Chicago, EUA, às 9h e viaja para leste a constantes 60 mph. Susan, 400 milhas a leste de Pittsburg, sai no mesmo horário e viaja para oeste a constantes 40 mph. Onde eles se encontrarão para um almoço? MODELO Eis um problema onde, pela primeira vez, podemos pronta- mente pôr em ação todos os aspectos de nossa estratégia para resolução de problemas. Para começar, represente Bob e Susan como partículas. VISUALIZAÇÃO A FIGURA 2.4 mostra a representação física (o diagrama de movimento) e a representação pictórica. Os espaçamentos iguais en- tre os pontos do diagrama de movimento indicam que se trata de movi- mento uniforme. Ao avaliar a informação fornecida, percebemos que o instante de partida, 9h, não é relevante para a resolução do problema. Conseqüentemente, o tempo inicial é escolhido como, simplesmente, t0 � 0 h. Bob e Susan estão viajando em sentidos opostos, portanto a ve- locidade de um dos veículos deve ser negativa. Escolhemos um sistema de coordenadas em que Bob parte da origem e se move para a direita (leste), enquanto Susan move-se para a esquerda (oeste). Assim, Susan terá uma velocidade negativa. Note como indicamos os símbolos usados para a posição, a velocidade e o tempo em cada ponto do movimento. Preste especial atenção à maneira como os subscritos são usados para diferenciar os diferentes pontos do problema e para distinguir os sím- bolos de Bob dos de Susan. Uma dos objetivos com a representação pictórica é estabele- cer o que precisamos descobrir. Bob e Susan encontram-se quando possuem a mesma posição no mesmo instante t1. Assim, queremos encontrar (x1)B no instante em que (x1)B � (x1)S. Note que (x1)B e (x1) S são as posições de Bob e Susan, respectivamente, que são iguais quando eles se encontram, e não, as distâncias que eles percorre- ram. RESOLUÇÃO O objetivo da representação matemática é partir da repre- sentação pictórica para uma solução matemática do problema. Podemos começar usando a Equação 2.3 para determinar as posições de Bob e de Susan no instante t1 em que se encontram: Note duas coisas. Primeiro, iniciamos escrevendo o conteúdo todo da Equação 2.3. Somente depois é que simplificaremos, abando- nando os termos que sabemos serem nulos. Você terá menos chance de cometer erros acidentais se seguir este procedimento. Segundo, substituímos o símbolo genérico s pelo símbolo x específico para a posição horizontal e substituímos os subscritos genéticos i e f pelos símbolos específicos 0 e 1, respectivamente, que definimos em nossa representaçãopictórica. Esta também é uma boa técnica para resolu- ção de problemas. Encontram-se aqui Conhecido Determinar (x1)B (x0)B = 0 mi (vx)B = 60 mph (x0)S = 400 mi (vx)S = –40 mph t0 = 0 h t, é quando (x1)B = (x1)S (x0)S, (vx)S, t0(x1)B, (vx)B, t1 (x1)S, (vx)S, t1 0 (x0)B, (vx)B, t0 Chicago Susan X Pittsburgh Bob vB a = 0 a = 0 vS FIGURA 2.4 Representação pictórica do Exemplo 2.2. Continua 38 Física: Uma Abordagem Estratégica É instrutivo olhar para este exemplo de um ponto de vista gráfico. A FIGURA 2.5 mos- tra os gráficos da posição versus tempo para Bob e Susan. Note a declividade negativa do gráfico de Susan, indicando sua velocidade negativa. O ponto de interesse é a inter- secção das duas linhas; é este o ponto onde Bob e Susan têm a mesma posição no mesmo instante. Nosso método de solução, em que igualamos (x1)B e (x1)S, é realmente a solução matemática exata do problema de determinar a intersecção de duas linhas. PARE E PENSE 2.1 Qual gráfico da posição versus tempo representa o movimento mostrado no diagrama de movimento abaixo? t t t t x x x x x Diagrama de movimento (b) (c) (d) (e) 0 0t x (a) 0 0 0 0 t (h) x (mi) 0 2 4 6 400 300 200 100 0 Susan Bob Bob e Susan encontram-se aqui. FIGURA 2.5 Os gráficos da posição versus tempo para Bob e Susan. A condição para que Bob e Susan se encontrem é Igualando os dois lados direitos das equações anteriores, obtemos Isolando t1, obtemos o instante do encontro Finalmente, inserindo este tempo de volta na equação para (x1)B, obtemos Embora isto seja um número, ele não é a resposta para a questão. A frase “240 milhas” por si só não fornece nenhum significado. Uma vez que este é o valor da posição de Bob, e que ele estava dirigindo para leste, a resposta à questão é “eles se encontram 240 milhas a leste de Chicago”. AVALIAÇÃO Antes de parar, devemos testar se esta resposta parece razoável ou não. Certamente esperávamos uma resposta entre 0 mi- lha e 400 milhas. Também sabíamos que Bob estava dirigindo mais rapidamente do que Susan, de maneira que esperávamos que o lo- cal de seu encontro estivesse mais próximo de Chicago do que de Pittsburg. Nossa avaliação significa que 240 milhas é uma resposta aceitável. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.