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1 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Catalogação na Publicação Biblioteca Setorial do CPT-ETS/UFPB Autor: Mariana Cavalcante Martins Organizador: Kalina Coeli Costa de Oliveira Dias Nathalia Costa Gonzaga Saraiva M386p Martins, Mariana Cavalcante. Principais doenças que acometem determinados sistemas do paciente crítico neonatal: curso de especialização técnica de nível médio em enfermagem - cuidados ao paciente crítico neonatal / Mariana Cavalcante Martins ; organizadores Kalina Coeli Costa de Oliveira Dias, Nathalia Costa Gonzaga Saraiva. – João Pessoa: Programa Pós-Tec Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), [2023]. ISBN 978-65-5621-365-1 Recurso digital: 3,5 MB Formato: ePDF. Requisito do Sistema: Adobe Acrobat Reader. 1. Enfermagem – Cuidados intensivos. 2. Paciente crítico – Recém- nascido. 3. Patologias – Neonatologia. 4. Unidade de Terapia Intensiva Neonatal – UTIN. I. Dias, Kalina Coeli Costa de Oliveira. II. Saraiva, Nathalia Costa Gonzaga. III. Título. UFPB/BS-CPT-ETS CDU 616-083.98-053.31 3 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: APRESENTAÇÃO ......................................................................................... 5 PRINCIPAIS PATOLOGIAS QUE ACOMETEM SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO EM NEONATOLOGIA .................................................................. 6 1 Principais alterações neurológicas em neonatologia .......................... 7 1.1 Hemorragia Peri-intraventricular (HPIV) ............................................ 8 1.2 Microcefalia e Hidrocefalia .................................................................. 11 1.3 Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) ......................................... 14 1.4 Crise epiléptica neonatal – Convulsões ............................................ 17 1.5 Assistência do técnico de enfermagem na monitorização intracraniana ............................................................................................. 20 1.6 Assistência do técnico de enfermagem na coleta de líquor para exames ....................................................................................................... 24 2. Principais alterações respiratórias em neonatologia ....................... 27 2.1 Síndrome do desconforto respiratório (SDR) ................................. 27 2.2 Síndrome da aspiração de mecônio (SAM) .................................... 30 2.3 Pneumotórax ....................................................................................... 31 2.4 Taquipneia transitória ....................................................................... 34 2.5 Hipertensão pulmonar persistente ................................................... 35 3. Principais alterações cardiológicas em neonatologia ..................... 36 3.1 Cardiopatias congênitas ..................................................................... 36 3.2 Pressão Arterial Média e Pressão Venosa Central: monitorização ..................................................................................................................... 37 3.3 Eletrocardiograma – ECG .................................................................. 39 REFERÊNCIAS............................................................................................ 41 5 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Este é o seu e-book da disciplina: Principais patologias que acometem sistemas do paciente crítico neonatal. Mediante a leitura do e-book você será capaz de compreender as principais doenças inerentes aos sistemas neurológico, sistema respiratório e sistema cardiológico. Nesse e-book, abordaremos conceito, manifestações clínicas, diagnósticos, tratamento com ênfase nos cuidados do técnico de enfermagem e prognóstico. Iremos abordar esses aspectos teóricos por meio de uma linguagem simples, guiados por glossário de termos e imagens para melhor compreensão dos conteúdos. Essas patologias/alterações que iremos abordar aqui são de fundamental importância para a sua atuação de excelência quanto técnico de enfermagem da UTI Neonatal. Vamos lá?! Bons estudos! 6 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Um paciente crítico (alto risco) em neonatologia é aquele que apresenta risco de Morbidade: e Mortalidade: devido a condições ou circunstâncias associadas ao nascimento e à adaptação à vida extrauterina, independentemente de sua idade gestacional ou peso ao nascimento. Esses pacientes/recém-nascidos apresentam alterações que devem ser conhecidas pelo técnico de enfermagem, envolvendo aspectos referentes ao conceito, manifestações clínicas, diagnósticos, tratamento e prognóstico, para que ocorra uma atuação multiprofissional de qualidade. Antes de começar vamos relembrar a diferença entre Diagnóstico e Prognóstico? Morbidade: Qualquer desequilíbrio no estado de bem- estar biopsicossocial do indivíduo Mortalidade: Óbitos que ocorrem em tempo e espaço determinados 7 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Antes de começar vamos relembrar a diferença entre Diagnóstico e Prognóstico? As alterações neurológicas são comuns nos recém-nascidos críticos, pois são mais susceptíveis à Lesão celular isquêmica que pode ser causada por variação do fluxo sanguíneo cerebral (tanto aumentado como reduzido) decorrente da Asfixia. As alterações neurológicas são várias, porém iremos destacar algumas principais: Hemorragia Peri-intraventricular, Microcefalia e Hidrocefalia, Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI) e Crise epiléptica neonatal (Convulsão). Além disso, iremos abordar a assistência do técnico de enfermagem na monitorização intracraniana (PIC) e na coleta de líquor para exames. Asfixia: dificuldade ou impossibilidade de respirar. Lesão celular isquêmica: é a lesão de uma célula que resulta da redução do fluxo sanguíneo. 8 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Conceito: é a Hemorragia ocasionada pela ruptura dos vasos, aumentando o fluxo sanguíneo periventricular (restrita a matriz germinativa) e intraventricular (rompeu a parede e está no ventrículo). Essa condição pode levar ao desenvolvimento de hidrocefalia pós- hemorrágica (veremos a seguir) e outras sequelas neurológicas graves. ATENÇÃO: a HPIV tem maior frequência quanto menor for a Idade Gestacional e menor peso ao nascer, devido à imaturidade do sistema nervoso central. Manifestações clínicas: muitas vezes os recém-nascidos (RN) são assintomáticos ou apresentam quadro clínico inespecífico, comum a outras doenças relacionadas à prematuridade; quando se percebe-se já tem-se ocorrido uma deterioração súbita dependendo da extensão do sangramento. Apresentam algumas vezes, fontanelaanterior abaulada e tensa. Sinais neurológicos: Espasmos, Estupor, Apneia e Convulsões. Diagnóstico: pode ser evidente em ultrassonografia de crânio / transfontanelar (mais recomendada) ou ressonância magnética. 9 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Vamos observar as imagens para entendermos melhor? Tratamento: na maioria dos casos ocorre um aumento ventricular grave, com sinais evidentes de aumento da pressão intracraniana, sendo recomendado nesses casos o tratamento com punção lombar ou transfontanelar. Uma outra opção de tratamento realizada é derivação ventrículo-peritoneal, no qual iremos abordar no item de hidrocefalia. Fonte: Tamez, Raquel Nascimento Enfermagem na UTI neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco / Raquel Nascimento Tamez. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 10 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Prognóstico: é diretamente proporcional ao comprometimento parenquimatoso cerebral e ao desenvolvimento da hidrocefalia pós- hemorrágica, levando ao comprometimento motor, sendo este o mais comum. As Hemiparesias ou Craniotomias assimétricas também podem aparecer; bem como os distúrbios intelectuais ou cognitivos, que estão intimamente ligados à extensão da doença. Hemiparesias: é a paralisia cerebral comprometendo um lado do corpo. Quadriparesias: é uma condição caracterizada por fraqueza nos quatro membros (ambos os braços e ambas as pernas). Também é conhecida como tetraparesia. A fraqueza pode ser temporária ou permanente. 11 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Como vimos anteriormente, a hidrocefalia pode ser consequência de algumas alterações. Mas o que é Hidrocefalia? E Microcefalia? Vamos estudar juntos? No Smart-Gráfico a seguir apresentamos aspectos de conceito/diagnóstico e manifestações clínicas, ok? 12 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: 13 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: * Essas medidas foram modificadas para seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde e após aumento inesperado e inusitado dos casos de microcefalia em recém-nascidos, atribuído ao vírus Zika. É importante destacar que esse critério só vale para as crianças recém-nascidas e com nascimento a termo, ou seja, com mais de 37 semanas de gestação. Tratamento: Microcefalia: não há tratamento específico; existem tratamentos que ajudam a reduzir as consequências provocadas pela microcefalia. Hidrocefalia: o tratamento padrão para a hidrocefalia é o implante de uma válvula, conhecido por Derivação Ventrículo-Peritoneal. Você sabia que a Derivação Ventrículo-peritoneal consiste na colocação do shunt (válvulas) ventriculoperitoneal, na qual é feita a derivação do trânsito liquórico para o peritônio e, em alguns casos, para o espaço subaracnóideo. As válvulas utilizadas no processo são unidirecionais. Observe a ilustração e entenda melhor. Fonte: Tamez, Raquel Nascimento Enfermagem na UTI neonatal: assistência ao recém- nascido de alto risco / Raquel Nascimento Tamez. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 14 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Conceito: na Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI), ocorre um desvio do fluxo sanguíneo para o cérebro, coração e glândulas que secretam hormônios na corrente sanguínea (adrenais) com o objetivo de preservar esses órgãos. Logo esse ciclo leva a uma diminuição do oxigênio transportado para os rins, pulmões, intestinos e músculos, como um movimento de compensação. A asfixia perinatal é a principal causadora da EHI. Manifestações clínicas: dependem da duração, gravidade e momento do episódio da EHI. Aparece dentro das primeiras 6-12 h após o episódio; Tônus muscular anormal (geralmente hipotonia); Distúrbios de sucção e deglutição; Fraqueza dos membros inferiores (recém-nascido pré-termo). 15 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: 16 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Quadro - Estágios da encefalopatia hipóxico-isquêmica. Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 17 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Tratamento: o tratamento da EHI deve ser imediato, logo após o episódio hipóxico-isquêmico, a fim de interromper a cascata de eventos fisiopatológicos que causam a morte do neurônio. Logo, esse momento exato é difícil de ser assertivo. Prognóstico: o exame neurológico e a evolução dependem do tempo, da gravidade e da duração do incidente hipóxico-isquêmico no cérebro do RN. Ou seja, se a oxigenação e o fluxo sanguíneo são rapidamente restabelecidos, a lesão é reversível em alguns casos, podendo ter a recuperação total do RN; do contrário, podem desenvolver lesões neurológicas permanentes. Conceito: são sinais e/ou sintomas secundários da atividade neural cerebral anormal excessiva, sendo geralmente uma manifestação clínica de alguma doença subjacente grave. A causa mais comum de convulsão entre os recém-nascidos a termo e pré-termo é a encefalopatia hipóxico-isquêmica secundária à asfixia perinatal, como já vimos no item anterior. Manifestações clínicas: 18 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Vale ressaltar que em 2018 a Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE) atualizou alguns termos e foram incluídos novos tipos de crises generalizadas, específicas, que não abordaremos aqui. As convulsões possuem várias classificações elencadas de acordo com as características/sinais e sintomas que o RN apresenta, tais como: Clique para maiores detalhes: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos- e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/portal-portaria-no-17-pcdt-epilepsia.pdf Diagnóstico: avaliação da história familiar e exame físico acompanhado por Eletroencefalografia (EEG) Tratamento: o tratamento envolve ações que devem garantir a manutenção do equilíbrio térmico, hidroeletrolítico e glicêmico; as drogas antiepilépticas não devem ser o tratamento de primeira escolha, depende de cada caso. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/portal-portaria-no-17-pcdt-epilepsia.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/portal-portaria-no-17-pcdt-epilepsia.pdf 19 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM:Prognóstico: são variáveis e depende de cada situação. A agitação ou os tremores no recém-nascido consistem em movimentos repetitivos de uma ou mais extremidades que pode ser observado durante o choro, mudança da fase do sono ou mesmo desencadeado por estímulo. A agitação é relativamente comum entre os recém- nascidos, e uma forma branda pode ser considerada normal nos primeiros 4 dias de vida. Logo, não podemos confundir com as convulsões. 20 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: A PIC (Pressão Intracraniana) é a pressão encontrada dentro da caixa craniana e está diretamente relacionada ao parênquima cerebral, sangue arterial e venoso e líquido cefalorraquidiano (LCR). Logo, uma das maneiras de avaliar a gravidade de uma lesão, por exemplo, é a monitorização da PIC, pois fornece dados relevantes primários que antecedem um quadro de descompensação neurológica, isto é, a relação entre o conteúdo da caixa craniana e o volume do crânio. Para avaliar essa pressão, o “padrão ouro” dentre os métodos é a avaliação intraventricular, em que é utilizado um cateter DVE (Derivação Ventricular Externa) que é inserido em um dos ventrículos laterais, por meio de uma trepanação craniana (Craniotomia). É o método mais utilizado, pois é de baixo custo e, além de monitorar, permite o controle da PIC através da drenagem do LCR. A colocação de um monitor de pressão intracraniana (PIC) é um procedimento cirúrgico realizado por um médico e a sua remoção também; porém a preparação para inserção e monitorização pode ser realizada pela equipe de enfermagem. 21 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Passo 1. Selecione o equipamento, pessoal e material para a colocação do dispositivo. Os materiais são: - Foco de luz; - Lâminas descartáveis; - Swabs preparados com solução estéril de povidona-iodo; - Aventais, luvas, máscaras e gorros estéreis, gazes e compressas estéreis - Lidocaína como anestésico local (0,5% ou 1%); - Seringas estéreis (de diversos tamanhos: 3 e 5 ml e tuberculina) e Agulhas (22 e 25 G). 22 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: - Furadeira e broca craniana, bisturi, tesouras esterilizadas e pinças hemostáticas. - Parafuso subaracnóideo ou cateter intraventricular de Silastic, material de sutura (em geral 2-0 a 3-0 de náilon/seda); - Compressas de gaze (4 x 4), curativo transparente estéril (se necessário), soro fisiológico estéril sem conservantes para injeção, sistema e equipamento individual de monitoramento; - Nivelador para verificar a altura do transdutor e medicamentos para sedação e controle da dor. Passo 2. Verificar os sinais vitais antes de iniciar procedimento Passo 3. Se necessário o médico vai prescrever sedação e medicação para controle da dor. Administre conforme prescrição médica. Passo 4. Ligar o sistema de monitoramento de pressão PIC à interface do monitor. Você conhece o equipamento? Fonte: Bowden, Vicky R. Procedimentos de enfermagem pediátrica. [3. ed.]. – [Reimpr.] – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019. Passo 5. Fonte: Bowden, Vicky R. Procedimentos de enfermagem pediátrica. [3. ed.]. – [Reimpr.] – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2019. 23 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Separe o cateter. O médico realiza o preparo de acordo com as recomendações do fabricante. Passo 6. Prepare o campo estéril e coloque os instrumentos dentro do campo. Atenção para que todos os envolvidos diretamente estejam com vestimentas estéreis. Passo 7. Posicione a criança para que o cirurgião possa ter um acesso adequado ao local (pode ser necessário virar a criança para que a cabeça fique de lado, horizontalmente no leito) e segure sua cabeça na posição medial durante todo o procedimento, mantendo o acesso estéril ao médico. Passo 8. Auxilie o cirurgião na tricotomia da área e na preparação do escalpo friccionando solução estéril de povidona-iodo. Raspe uma área grande o suficiente para acomodar o curativo transparente que será colocado sobre o local ao final do procedimento. Passo 9. Depois da aplicação subcutânea de lidocaína, o cirurgião deve fazer a incisão sobre o escalpo e o crânio com a utilização de uma furadeira manual e bisturi. Passo 10. Depois que o cateter tiver sido colocado, conecte o cabo do micro sensor da unidade de controle ao cateter PIC. Passo 11. Quando o dispositivo PIC estiver posicionado, auxilie na colocação do curativo transparente semipermeável sobre o ponto de inserção do cateter no escalpo da criança. Passo 12. Atentar para o posicionamento da dânula (dispositivo conhecido como “torneirinha”) do sistema de drenagem para a posição aberta para o equipo e fechada para DVE (somente monitorização). Passo 13. Reposicione a criança em decúbito dorsal com a cabeça no alto do leito em posição média em relação ao resto do corpo. Passo 14. Organizar a unidade do paciente, higienizar as mãos e realizar o registro no prontuário. 24 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: O que é líquor? É um fluido corporal estéril e de aparência clara que ocupa o espaço subaracnóideo no cérebro (espaço entre o crânio e o córtex cerebral) e o espaço subaracnóideo na medula espinhal. Na maioria dos distúrbios neurológicos do neonato, realiza-se punção lombar. As indicações para este procedimento são auxiliar no diagnóstico de alterações no Sistema Nervoso Central. Para realizar o procedimento a equipe precisa trabalhar junta. Vamos aprender como você pode ajudar nesse procedimento? Passo 1. Separar material adequado: - Toucas, máscaras e luvas estéreis; - Solução antisséptica; - Bandeja com campo fenestrado e gaze estéril; - Agulhas de punção lombar com estilete (Seringa de 3 ml com agulha 25 G); - Analgésico local injetável ou tópico Sacarose oral a 4%; 25 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: - Tubos com tampa para coleta de amostra e etiquetas de identificação do paciente (anotar data e hora da coleta); - Adesivo compressivo para ser colocado, após o procedimento, no local da punção. Passo 2. Posicionar o bebê: - Posição joelho-tórax: você deve posicioná-lo em decúbito lateral esquerdo, segurando a cabeça e as pernas (colocando uma mão sobre o pescoço dele e a outra mão sobre as nádegas) deixando-o mais curvado possível (como se fosse abraçar o joelho); Evitar flexionar muito o pescoço, para não comprometer as vias respiratórias. O bebê deve ficar imóvel durante todo o procedimento, muita atenção! 26 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Passo 3. Auxiliar durante o procedimento de coleta. O procedimento é feito pelo médico com assistência constante do enfermeiro ou técnico de enfermagem, na seguinte ordem: 1º Aplicar o creme tópico de lidocaína a 4% ou lidocaína a 0,5% sem epinefrina, 60 a 90 minutos antes da punção lombar, e cobrir com a gaze estéril; 2º Administrar 0,05 a 0,5 ml de sacarose oral a 4%, 2 minutos antesdo procedimento; 3º Monitorar os sinais vitais; 4º Se o bebê estiver recebendo oxigênio, aumentar a concentração do oxigênio durante o procedimento, para prevenir hipoxemia; 5º Bebê posicionado, deve desinfetar com antisséptico, pelo menos 3 vezes, a área em que será inserida a agulha, fazendo movimentos circulares; 6º Iniciar procedimento inserindo a agulha no espaço subaracnóideo lombar, geralmente entre os processos espinhosos de LIII e LIV; 7º O líquor sairá rapidamente e o frasco deve estar posicionado. (Vamos assistir que incrível?) Copie e cole numa nova aba para assistir ao vídeo: https://www.youtube.com/shorts/E7DDBarNEZU 8º Realizar curativo oclusivo; 9º Posicionar o recém-nascido confortavelmente, mantendo-o horizontalizado por cerca de 1 hora após o procedimento a fim de evitar cefaléia, tontura e vômitos causados pela hipotensão liquórica. Fonte: Tamez, Raquel Nascimento Enfermagem na UTI neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco / Raquel Nascimento Tamez. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017; https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios- neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos- neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o- espinhal https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exames-e-procedimentos-neurol%C3%B3gicos/pun%C3%A7%C3%A3o-lombar-pun%C3%A7%C3%A3o-espinhal 27 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Conceito: é o nome adotado para a disfunção respiratória de recém- nascidos, sendo primariamente uma doença relacionada ao atraso no desenvolvimento da maturação pulmonar, devido principalmente à redução do surfactante. Além da deficiência de surfactante, o aumento da quantidade de líquido pulmonar devido à maior permeabilidade da membrana alvéolo-capilar observada no RN pré-termo contribui significativamente para a gravidade da SDR 28 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Manifestações clínicas: pode apresentar Taquipneia mais acentuada (80 a 120 respirações/min) inicialmente; Dispneia; Retrações intercostais ou subesternais acentuadas; Crepitações inspiratórias finas; Gemido expiratório audível; Batimento de abas nasais; Cianose ou palidez. O surfactante é um fosfolipídio ativo secretado pelo epitélio alveolar, assemelha-se a ação de um “detergente”. Desse modo, reduz a tensão da superfície dos fluidos que mantém contato com os alvéolos, ocasiona portanto em uma expansão de modo uniforme e contínuo por meio de uma pressão intra-alveolar mínima. 29 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Gostaria que você também conhecesse os critérios para avaliação do desconforto respiratório. Fonte: Marilyn J. Hockenberry, David Wilson. Wong, fundamentos de enfermagem pediátrica. [tradução Maria Inês Corrêa Nascimento]. - 9. ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2014 As crepitações são ruídos descontínuos e os sibilos são ruídos adventícios contínuos e musicais. 30 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Diagnóstico: o diagnóstico da SDR baseia-se nas manifestações clínicas e na avaliação radiológica. Tratamento: o tratamento da SDR baseia-se no estabelecimento imediato de oxigenação, ventilação e cuidados de suporte; administração de surfactante exógeno. Vale ressaltar que a alimentação ao seio ou por gavagem está contraindicada em situações de aumento de frequência respiratória devido ao aumento do risco de aspiração. Prognóstico: a síndrome do desconforto respiratório é uma doença autolimitada. Após o uso do surfactante, os prognósticos melhoraram. Logo os RN com SDR que sobrevivem nas 96 horas iniciais da vida tem muita chance de recuperação. Conceito: aspiração de líquido amniótico contendo mecônio para a traqueia fetal intraútero ou do recém-nascido durante o primeiro movimento respiratório, levando a fenômenos obstrutivos e inflamatórios. Ressalta-se que o mecônio, raramente é encontrado no líquido amniótico antes de 34 semanas de gestação, por isso a SAM é mais comum em RN a termo e pós-termo. Vocês sabiam que SAM é uma importante causa da mortalidade e morbidade neonatal. Cerca de 5% dos neonatos nascidos com mecônio no líquido amniótico desenvolvem SAM e quase 26% desses RN vem a óbito nos primeiros dias de vida Manifestações clínicas: ● Mecônio líquido, também conhecido como tinto de mecônio ao nascimento; ● Sintomas respiratórios, apresenta-se com início precoce e progressivo, com quadro de cianose grave; . 31 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: ● Hipóxia; ● Taquipneia; ● Hiperventilação (precoce) ● Hipoventilação (tardia). Diagnóstico: presença de líquido amniótico meconial, mecônio na traquéia do RN e alteração radiológica compatível. Tratamento: aspiração da hipofaringe quando necessário e recomendado (RN vigoroso com choro forte, estável, com bom tônus muscular e frequência cardíaca > 100 batimentos/min não deve ser submetido a aspiração traqueal, mas devem ser acompanhados). Intubação em alguns casos; administrar oxigênio suplementar; administrar o surfactante exógeno. Prognóstico: apesar de variar com cada situação, o prognóstico da SAM é bom, porém a taxa de mortalidade ainda se encontra alta mesmo com a tendência atual de queda. Conceito: presença de ar no espaço pleural (situado entre o pulmão e a parede torácica), resultado de ruptura alveolar. Vamos ver uma imagem para entendermos melhor? Manifestações clínicas: ● Taquipneia ou apneia; ● Hipotensão arterial sistêmica; Fonte: Tamez, R. N. Enfermagem na UTI neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 32 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: ● Queda de saturação repentina ou persistente; ● Gemidos; ● Batimentos de abas de nariz; ● Retrações; ● Ausência ou diminuição dos sons respiratórios; ● Cianose; ● Bradicardia. De acordo com os sinais e sintomas, o pneumotórax pode ser classificado como hipertensivo (intensificação dos sintomas) e não hipertensivo (maioria das vezes assintomático ou alterações leves). Diagnóstico: avaliação da história clínica, no exame físico e na análise dos exames radiológicos. Tratamento: depende da gravidade do caso. Em neonatologia, o tratamento mais utilizado é a drenagem de ar do espaço pleural através de punção aspirativa com agulha ou dreno de tórax (toracocentese). Prognóstico: o pneumotórax mesmo após resolvido pode gerar sequelas, então exige acompanhamento regular. 33 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOSSISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Conceito: infecção do pulmão do feto ou do neonato, podendo ocorrer ainda no ambiente uterino ou após o nascimento, resultante de infecção bacteriana, viral ou fúngica ou de origem química. Elas podem ser classificadas em: Precoces (até 48 horas de vida), predomínio de bactérias Gram-negativas e Tardias, predomínio de bactérias Gram-positivas. Manifestações clínicas: alterações respiratórias como taquipneia, deterioração respiratória, aumento das exigências de oxigênio, apneia, aumento de retrações, hipoxemia, diminuição dos sons pulmonares uni- ou bilateral, hipoglicemia, instabilidade térmica, radiografias típicas com infiltrações alveolares, pulmões opacos. Diagnóstico: as pneumonias neonatais em geral são de difícil identificação. As manifestações clínicas e radiológicas são inespecíficas, pois os sinais e sintomas respiratórios e os de reação inflamatória sistêmica são comuns a outros quadros pulmonares e extrapulmonares. Porém exames laboratoriais, cultura de líquor, urina e radiografias são auxiliadores nesse diagnóstico. Tratamento: terapia antimicrobiana com antibiótico de largo espectro; caso seja viral, um antiviral deverá ser prescrito pelo médico. Prognóstico: normalmente os bebês respondem bem ao tratamento, sem sequelas respiratórias. 34 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Conceito: A taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN), também conhecida como síndrome do pulmão úmido, é decorrente de retardo na retenção do líquido pulmonar no feto. Ao nascer o RN realiza os movimentos respiratórios primários, em acontece simultaneamente, a entrada de ar e a saída do líquido dos pulmões. Portanto, quando esse processo não acontece como o esperado, surge então a (TTRN). Sua ocorrência é mais comum entre recém-nascidos, a termo ou perto do termo, que nascem de parto cesariano, prematuro, de mães que receberam sedação excessiva e que apresentam sobrecarga de líquidos; ou filhos de mães diabéticas; com cordão umbilical clampeado > 45 segundos após o nascimento, asfixia perinatal, e com macrossomia. Manifestações clínicas: Aumento do trabalho respiratório > 100 rpm (taquipneia), iniciando-se nas primeiras horas após o nascimento; Respiração, gemente e batimento das asas nasais podem estar presentes. Diagnóstico: avaliação clínica, Radiografias do tórax e Gasometria arterial. Tratamento: Administração de oxigênio, se necessário; Manutenção do recém-nascido em jejum se a frequência respiratória for > 60 rpm (para diminuir o risco de aspiração durante a alimentação em decorrência de taquipneia); Manutenção da saturação de oxigênio entre 90 e 95%; Manutenção da temperatura nos parâmetros normais (ambiente térmico neutro); Hidratação intravenosa adequada para manter o equilíbrio hidroeletrolítico. 35 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Prognóstico: positivo, pois a evolução do quadro é rápida, se identificado precocemente. Conceito: ocorre quando há demora na transição normal da circulação pulmonar e sistêmica causando o desenvolvimento de persistência do padrão fetal de circulação ou hipertensão pulmonar persistente, resultando em diminuição do fluxo sanguíneo para os pulmões, hipoxemia acentuada e acidose. Manifestações clínicas: Ocorre em neonatos a termo ou pós-termo; • História de hipoxemia ou asfixia ao nascer; • Cianose (apesar da administração de oxigênio); • Desconforto respiratório sem lesões pulmonares ou cardíacas aparentes; • Taquipneia; • Sopro cardíaco; • Hipotensão arterial; • Insuficiência cardíaca congestiva decorrente de sobrecarga no ventrículo esquerdo e anormalidades metabólicas, tais como: hipoglicemia, hipocalcemia, acidose metabólica, diminuição do débito urinário. Diagnóstico: avaliação dos sinais clínicos, radiografia de tórax, ecocardiografia doppler e avaliação da gasometria. Tratamento: Inalação de óxido nítrico, vasodilatação pulmonar e suporte hemodinâmico, são fundamentais para diminuir o fluxo sanguíneo para os pulmões e prevenir Shunt cardíaco. Shunt é o termo utilizado para descrever o sangue que entra no leito arterial sistêmico sem passar pelas áreas ventiladas do pulmão, levando à redução da pressão arterial parcial de oxigênio (PaO2). 36 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Prognóstico: mesmo ainda sendo alta a taxa de mortalidade, em torno de 10%, o prognóstico em RN é bom. Conceito: os recém-nascidos que são portadores de cardiopatias congênitas, necessitam de um acompanhamento sistemático e rigoroso por fazer parte de um grupo de alto risco pelas elevadas mortalidade e morbidade. O diagnóstico precoce é fundamental. Existem vários tipos de cardiopatias. Manifestações clínicas: cianose persistente que piora com esforço; Sopro eventual; Dispneia, cansaço ao esforço (quando chora, ao alimentar-se e quando se agita); Taquicardia e arritmias cardíacas; e Diminuição da saturação de oxigênio. 37 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Diagnóstico: é realizado através da observação criteriosa de alguns sinais clínicos, sendo os principais a cianose, a taquipnéia e a presença de sopro cardíaco. A identificação precoce é o diferencial. A radiografia de tórax, o ecocardiograma com mapeamento de fluxo, o eletrocardiograma, a gasometria arterial, auxiliam no diagnóstico. Tratamento: Algumas cardiopatias congênitas requerem intervenções imediatas nas primeiras horas após o nascimento; • A oxigenoterapia ou ventilação mecânica, a utilização da prostaglandina e o cateterismo cardíaco, podem ser indicados. • A cirurgia para implantação de marcapasso também é realizada em alguns casos, assim como o transplante. Prognóstico: depende de cada situação. O monitoramento hemodinâmico deve ser prescrito pelo médico com o objetivo de avaliar uma criança criticamente enferma, e a equipe de enfermagem tem competência para preparar e cuidar do equipamento de monitoramento hemodinâmico e tomar decisões clínicas em relação às alterações na terapia da criança. Vocês sabem o que é PAM e PVC? Vamos diferenciar e conhecer as formas de monitorização! ATENÇÃO: Tem sido recomendado na unidade neonatal a realização da avaliação cardíaca do neonato nas primeiras 48h de vida, por meio da leitura da saturação de oxigênio no pulso ou mão direita, e na extremidade inferior (pé) direita ou esquerda, simultaneamente, se for possível. 38 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: É a média de pressão durante todo o ciclo da pressão (Sistólica e Diastólica), identificando a potência que o sangue flui pelos vasos. Invasivo 39 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: O eletrocardiograma (ECG) é um exame não-invasivo, simples, realizado em minutos, que registra por meio de gráficos o ritmo cardíaco/atividade elétrica. Pode ser um exame pontual ou pode ter essa monitorização contínua. Na Unidade de neonatologia é comum a realização desse procedimento. Vamos aprender a realizar? Passo 1: separaçãoe conferência do material - Água e sabão - Toalha de rosto - Eletrodos com fios inseridos ou eletrodos e cabo com fios ligados ao monitor: Verifique se os cabos e fios estão em boa condição e conectados de modo correto e seguro. - Monitor: Verifique se o monitor está ligado a uma fonte elétrica de emergência - Luvas de procedimento Passo 2: colocação dos eletrodos 1º Ligue o monitor, estabeleça os alarmes para a frequência cardíaca adequadas para a idade da criança, silencie o alarme durante a colocação dos eletrodos; 2º Coloque a criança em decúbito dorsal; 3º Calce as luvas. Limpe a área da região superior do tórax direito e esquerdo e a área abdominal no quadrante superior esquerdo com água e sabão usando uma toalha e depois lave bem para remover os resíduos de sabão. Observação: O álcool não deve ser utilizado nos lactentes porque sua pele é sensível e frágil. 4º Coloque os fios nos eletrodos e, a seguir, aplique-os na pele. Coloque os eletrodos com fios fixos da seguinte maneira: 40 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: ATENÇÃO: verificar se o gel de condução está úmido; deve-se colocar o eletrodo pressionando o perímetro adesivo e não o centro. 5º Verifique a tela do monitor para identificar o bom funcionamento. Passo 3: inspecione o local diariamente e garanta que os eletrodos estejam corretamente colocados. Mude os eletrodos, conforme necessário, nos lactentes (diariamente ou a cada dois dias). Avalie a pele à procura de irritação. Alterne os locais quando aplicar novos eletrodos. Observação 1. Existem vários tipos de aparelhos, com variações diferentes, logo, seguir as normas do fabricante. Observação 2. O passo a passo e colocação dos eletrodos foi embasado no livro: Procedimentos de enfermagem pediátrica (Bowden; Greenberg, 2019). Fonte:https://gaumard.mogiglass.com.br/omni2/s300-110- omni2/attachment/s300-110-thumb2-2/ https://gaumard.mogiglass.com.br/omni2/s300-110-omni2/attachment/s300-110-thumb2-2/ https://gaumard.mogiglass.com.br/omni2/s300-110-omni2/attachment/s300-110-thumb2-2/ 41 PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ACOMETEM DETERMINADOS SISTEMAS DO PACIENTE CRÍTICO NEONATAL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM: Brasil. Ministério da Saúde. Glossário temático: promoção da saúde. 1. ed., 2. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Brasil. Ministério da Saúde. Doenças respiratórias crônicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2010 Brasil. Ministério da Saúde. Microcefalia. (2022). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/microcefalia/ Brasil. Ministério da Saúde. Tratamento de Complicações da Hidrocefalia. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-complicacoes-da- hidrocefalia- 1#:~:text=A%20hidrocefalia%20acontece%20quando%20a,para%20prevenir%20dano s%20mais%20s%C3%A9rios Brasil. Ministério da Saúde. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia. PORTARIA CONJUNTA Nº 17, DE 21 DE JUNHO DE 2018. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes- terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/portal-portaria-no-17-pcdt-epilepsia.pdf BVS. Biblioteca Virtual em Saúde. (2010). Quais as causas e sintomas da hidrocefalia? Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/quais-as-causas-e-sintomas-da- hidrocefalia/ BOWDEN, V. R.; GREEBERG, C. S. Procedimentos de enfermagem pediátrica. [tradução de Mariângela Vidal Sampaio Fernandes ... et al.]. – [3. ed.]. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. BUENO, B. F; DREWNOWSKI, B.; MILÉO, E.CS.; COSMOSKI, L.D.; KOCH, M.S.; NOVAK, RS. et al. Uma revisão breve sobre pressão intracraniana: um parâmetro clínico a ser considerado. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.5, 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/index.php/BRJD/article/download/30124/23727 CARVALHO, A. DE S., FRANCOJ. M., MACIELM. C. B., ALVESS. F. L., STERMERP. R. R., FILHOL. E. C. DE S., CHERMONTA. G., CHERMONTA. G., & CUNHAK. DA C. (2020). Mortalidade por síndrome de aspiração meconial em recém-nascidos no estado do Pará, Região Norte do Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 12(5), e2743. https://doi.org/10.25248/reas.e2743.2020 MARILYN J. HOCKENBERRY, DAVID WILSON. Wong, fundamentos de enfermagem pediátrica. [tradução Maria Inês Corrêa Nascimento]. - 9. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2014 PINHEIRO, P. Microcefalia: causas, sintomas e tratamento. Disponível em: https://www.mdsaude.com/pediatria/microcefalia/ TAMEZ, R. N. Enfermagem na UTI neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017 UNA/SUS. Universidade Aberta para o SUS. Brasil adota recomendação da OMS e reduz medida para microcefalia. Disponível em: https://www.unasus.gov.br/noticia/brasil-adota-recomendacao-da-oms-e-reduz- medida-para-microcefalia https://bvsms.saude.gov.br/microcefalia/ https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-complicacoes-da-hidrocefalia-1#:~:text=A%20hidrocefalia%20acontece%20quando%20a,para%20prevenir%20danos%20mais%20s%C3%A9rios https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-complicacoes-da-hidrocefalia-1#:~:text=A%20hidrocefalia%20acontece%20quando%20a,para%20prevenir%20danos%20mais%20s%C3%A9rios https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-complicacoes-da-hidrocefalia-1#:~:text=A%20hidrocefalia%20acontece%20quando%20a,para%20prevenir%20danos%20mais%20s%C3%A9rios https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-complicacoes-da-hidrocefalia-1#:~:text=A%20hidrocefalia%20acontece%20quando%20a,para%20prevenir%20danos%20mais%20s%C3%A9rios https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/portal-portaria-no-17-pcdt-epilepsia.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/portal-portaria-no-17-pcdt-epilepsia.pdf https://aps-repo.bvs.br/aps/quais-as-causas-e-sintomas-da-hidrocefalia/ https://aps-repo.bvs.br/aps/quais-as-causas-e-sintomas-da-hidrocefalia/ https://ojs.brazilianjournals.com.br/index.php/BRJD/article/download/30124/23727 https://doi.org/10.25248/reas.e2743.2020 https://www.mdsaude.com/pediatria/microcefalia/ https://www.unasus.gov.br/noticia/brasil-adota-recomendacao-da-oms-e-reduz-medida-para-microcefalia https://www.unasus.gov.br/noticia/brasil-adota-recomendacao-da-oms-e-reduz-medida-para-microcefalia