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02- Doenças exantemáticas-1

Notas de aula sobre doenças exantemáticas pediátricas: definições, mecanismos e tipos de exantema; sinais, incubação, transmissão, diagnóstico e tratamento de eritema infeccioso (Parvovirus B19), exantema súbito (HHV‑6/7), sarampo e rubéola; vacinação e complicações.

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Dra Niély Brazao - Pediatra
Doenças Exantemáticas
Saude Materno Infantil II - 8 Semestre
Doenças exantemáticas
• As doenças exantemáticas são um conjunto de doenças infecciosas febris nas 
quais a erupção cutânea eritematosas é a característica dominante, mas também 
apresentam manifestações sistêmicas. 
• São doenças comuns na infância. 
• Na maioria das vezes o diagnóstico é apenas clínico. 
• A análise do tipo de lesão, dos sinais e sintomas concomitantes e a epidemiologia 
permite inferir o diagnóstico etiológico sem a necessidade de exames laboratoriais. 
• A grande maioria das doenças exantemáticas são viroses. Entretanto, algumas 
podem ser causadas por bactérias, outros agentes infecciosos ou não, como 
doenças reumatológicas. 
• Diagnostico diferencial: Alergias, exposição cutânea até quadros sistêmicos à 
medicamentos, doenças inflamatórias não infecciosas como vasculites .
Introdução 
Doenças exantemáticas
• Mecanismos de agressão a pele: invasão e multiplicação direta na própria 
pele, ação imunoalérgica com expressão na pele, dano vascular, podendo causar 
obstrução e necrose da pele e ação de toxinas. 
• Exantema: é a manifestação cutânea de fundo vascular, que pode ter origem 
infecciosa, alergica, toxica ou física. Podendo ser: Mácula, pápula, vesicula, 
pustula, crosta ou sufusão hemorrágica. 
• Máculo-papulosos: 
• Morbiliforme – avermelhadas, pouco regulares , confluem 
• Escarlatiniforme – extensas, avermelhadas – poupa região perioral. 
• Rubeoliforme – pequenos, coloração rósea – às vezes confluem 
• Urticariforme – pruriginosa, eritematosa, irregulares 
• Enantema: é a manifestação na mucosa.
Diferenciando as manifestações cutâneas
Eritema Infeccioso
• Infecção pelo Parvovírus B19 
• Transmissão por via respiratória 
• Incubação: 6 a 14 dias 
• Pródromos: febre, mal-estar, coriza – 2 dias antes do 
exantema. 
• Bochechas esbofeteadas (placas eritematosas na face). 
• Diagnóstico: Clínico! 
• deteção de IgM antiPVH B19 ou soroconversão para IgG 
• Tratamento: Sintomático 
Quinta doença ou Síndrome do face esbofeteada
1a fase: facies esbofeteada
2a e 3a fase: ascende para tronco e extremidades
Exantema súbito
• Infecção pelo Herpes VH-6 (principal) e HVH-7 
• Acomete + crianças de 6 meses a 3 anos 
• Incubação: 5 a 15 dias 
• Pródromo: febre alta por 3-5 dias 
• Quando cessa a febre surge o exantema! 
• Exantema dura cerca de 2-3dias, não há outros sintomas! 
• Exame físico: exantema maculopapular inicialmente no tronco, 
depois face e membros – dura 2 a 3 dias. 
• Diagnóstico: Clínico! 
• Sorologia – IgM anti-HVH-6, ou soroconversão para IgG
Roseola ou Sexta doença 
Sarampo
• Etiologia: Paramixovirus 
• Período de Incubação: 9 a 12 dias 
• Transmissão: pessoa-pessoa por secreções respiratórias, 
como muco, saliva ou gotículas tossidas durante 
pródromos até 5 dias do exantema 
• Clínica: febre, tosse, coriza, hiperemia dos olhos, 
cansaço, mialgia, manchas de koplic 
• Exantema: máculo-papular morbiliforme, distribuição 
craniopodálica, inicia na face e ascende ao resto do 
corpo, fica confluente e começa a desaparecer em 5 dias – 
pode ocorrer descamação furfurácea.
Notificação compulsória 
Manchas de koplic
Sarampo
• DIAGNÓSTICO: Clínico + Isolamento do vírus + Sorologia 
• COMPLICAÇÕES: 
• Mais comum: Otite média 
• Pneumonia, laringite e laringotraqueite, diarréia 
• Mais graves: Encefalite e Miocardite 
• TRATAMENTO: É sintomatico! 
• Vitamina A: 50.000 UI 2 doses - Redução da mortalidade de pacientes menores de 2 anos 
hospitalizados com sarampo e suas complicações; 
• Pacientes > de 6 meses com imunodepressão ou evidência de deficiência de vitamina A, 
alterações de absorção intestinal ou desnutrição moderada a grave. 
Sarampo 
• Vacina Tríplice viral combinada com vacina 
contra rubéola e caxumba 
• Vacina: 2 doses - aos 12 e 15 meses 
• Até 72 h após a exposição – vacinação de 
bloqueio 
• Vacina tetraviral: sarampo caxumba 
rubeola + varicela (opção de segunda 
dose aos 15 meses) 
• Gamaglobulina até 6 dias do contágio: 
p a c i e n t e s m e n o r e s d e 9 m e s e s , 
imunodeficientes e gestantes 
Prevenção 
Rubéola
• Etiologia: Togavirus 
• Período de incubação: 2 a 3 semanas 
• Transmissão: contato com secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas 5 a 
7 dias antes do exantema até 4 dias após. 
• Clínica: febre baixa, anorexia, dor de garganta, linfonodomegalia 
(retroauricular) 
• Exantema: máculo-papular, rubeoliforme, início na face, não confluente, não 
descama, não dura mais de 3 dias 
• Diagnóstico: detecção de IgM ou IgG; isolamento do vírus (sangue, urina, 
LCR e orofaringe) particularmente em lactentes infectados por via congênita. 
• Tratamento: de suporte. 
• Prevenção: vacinação SCR: 12 e 15 meses.
Rubéola
• Tríade clássica: 
• Catarata 
• Surdez neurossensorial 
• Anormalidades cardíacas. 
• O risco de transmissão vertical é maior entre 
as de 2 a 10 semanas de idade gestacional 
(primeiro trimestre).
Sindrome da rubéola congenita 
Escarlatina
• Etiologia: Streptococcus pyogenes do Grupo A 
• Período de incubação: 1 a 3 dias após infecção. 
• Transmissibilidade: até desaparecer a febre 
• Exantema em lixa: Regressão em 4 a 5 dias, 
seguido de esfoliação das palmas e plantas e corpo 
• Mucosas: enantema – faringe vermelho vivo 
• Língua em framboesa + eritema e petéquias no 
pálato. 
• Sinais de pastia e Filatov 
• Tratamento: Penicilina ou amoxicilina, alérgicos: 
eritromicina. 
Pastia
Filatov
Varicela
• É uma infecção viral causada pelo vírus varicela-zoster (VZV). 
• Altamente contagiosa 
• Mais comum em crianças, mas também pode afetar adultos que nunca 
tiveram a doença ou não foram vacinados contra ela. 
• Erupção multiforme pruriginosa se espalha por todo o corpo, 
inicialmente em face e couro cabeludo + febre, dor de cabeça e mal-
estar geral. 
• As lesões evoluem para tronco, membro, mucosa oral, conjuntiva, 
conduto auditivo, genitália. Em uma mesma região você pode 
encontrar várias lesões em situações diferentes: crosta, vesícula, bolha. 
• A erupção geralmente aparece em fases: 
• mácula > pápula > vesícula > crosta
Popularmente conhecida como catapora
Varicela
• Sintomáticos: antitérmicos e antihistamínicos 
• Sempre avaliar: 
• Fatores específicos do hospedeiro 
• Extensão da infecção 
• Resposta inicial à terapia 
• Pacientes com neoplasia, transplantados, grávidas, imunossuprimidos, pacientes portadores de colagenoses, 
RN de 5- 10 dias, prematuros <32s, desnutrição severa, fibrose cística, adultos são suscetíveis a um quadro mais 
grave 
• Antivirais: Aciclovir 
• Complicações: Infecções bacterianas secundárias, marcha atáxica (cerebelite), ataxia cerebelar, encefalite, 
fasceite necrosante, pneumonia, síndrome de Reye, manifestações hemorrágicas, síndrome da pele escaldada.
Tratamento 
Varicela 
• Isolamento: precauções padrão, respiratórias e de contato, no mínimo 
5 dias do início do rash, até que não hajam mais vesículas 
• Pessoas susceptíveis expostas: 
• Imuno Globulina: até 4 dias pós exposição, para grupos especiais; 
• Vacina: 1 dose de reforço preferencialmente até 72 horas após a 
exposição, podendo ser aplicada até 120 horas. 
• A vacinação pode ajudar a prevenir a propagação da doença e reduzir 
o risco de complicações graves. 
• 2 doses: Crianças aos 12 e 15 meses e adultos não vacinados que nunca 
tiveram a doença
Prevenção
Doença de Kawasaki
• É uma vasculite aguda exantemática, característica da infância, autolimitada, de 
etiologia desconhecida, endêmica sazonal, com discreta predominância em 
meninos (1,5:1) e em menores de 5 anos. 
• Manifestações clínicas: febre alta > 5 dias, hiperemia conjuntival não-exsudativa, 
lábios vermelhos, secos e rachados, língua em framboesa, adenopatia cervical 
• Leucocitose ao hemograma e aumento de VHS e PCR; 
• na metade da 1ª semana: aparecimento de exantema polimorfo, edema e eritemapalmoplantar; 
• 2 semanas: remissão do sintomas, surgindo descamação de dedos de mãos e pés, 
trombocitose e arterite coronariana; 
• 6 a 8 semanas: melhora dos sintomas clínicos e persistência da coronarite; 
• De meses a anos: podendo permanecer assintomático ou com sequelas 
cardíacas.
Doença de Kawasaki
• Diagnóstico: o diagnóstico é clínico! 
• A American Heart Association (AHA) estabelece 4 de 5 critérios clínicos 
ou 3, na presença de coronarite, associado a febre por mais de 5 dias: 
• conjuntivite não-exsudativa 
• alteração de lábios e mucosa oral 
• edema e eritema palmoplantar, com descamação 
• exantema polimorfo não-vesicular ou bolhoso 
• adenopatia cervical não supurativa > 1,5 cm. 
• Tratamento: imunoglobulina em dose única nos primeiros 10 dias de 
evolução; 
• AAS, inicialmente em dose antiinflamatória e posteriormente em dose 
antiagregante plaquetária.
Mononucleose
• Agente etiológico: vírus Epstein-Barr 
• Epidemiologia: contato direto com secreções salivares do indivíduo portador; 
• Período de incubação: de 10 dias a 50 dias. 
• Manifestações clínicas: dor de garganta com linfadenopatia, febre e 
hiperplasia linfática de faringe; observa-se exsudato branco-acinzentado em 
tonsila palatina em 50% dos casos. 
• Exantema maculopapular, eritematoso, com textura de lixa fina. 
• Diagnóstico: sorologia por isolamento viral. 
• Diagnóstico diferencial: escarlatina. 
• Tratamento: terapia de suporte, exceto imunodeprimidos em que se 
recomenda aciclovir em altas doses.
“Doença do Beijo”
Doença Mão-pé-boca
• É comum a ocorrência de surtos, sobretudo durante os períodos do verão e 
primavera entre crianças e pré-escolares 
• Etiologia: Coxsackie vírus - principalmente o coxsackie A16 e o enterovírus 71 
A5, A7 e A9. 
• A incubação varia entre 1 e 7 dias. 
• Sua transmissão ocorre via oral-oral, fecal-oral e pelas vias aéreas. 
• O coxsackie vírus habita normalmente o sistema digestivo e pode provocar 
estomatites (aftas orais). 
• Quadro clínico: sinais gripais e dores na garganta procedem o aparecimento 
de vesículas de coloração branco-acinzentadas em mucosa oral e erupção de 
bolhas em região plantar e palmar, e também em nádegas, região genital. 
• O diagnostico é sobretudo clínico e o tratamento com medidas de suporte, 
para alívio das dores pelas lesões em cavidade oral, que frequentemente 
comprometem a deglutição, e pode levar a desidratação.
Laserterapia
Dengue
• Etiologia – vírus da dengue, um Flavivirus, 4 sorotipos, nomeados de 1 a 4. 
• A transmissão ocorre pela picada de mosquitos Aedes aegypti. 
• O quadro clínico é muito variável e, nas crianças, as manifestações são menos exuberantes. 
• O exantema é maculopapular, pode ser pruriginoso 
• Após um período de incubação de 4-7 dias, com febre alta, cefaleia intensa retro-orbitária, 
dores musculares e articulares, náuseas, vômitos e diarreia e dor abdominal. 
• O hemograma tem leucopenia com linfocitose e trombocitemia. 
• Fenômenos hemorrágicos, como epistaxes e gengivorragia, são ocorrências ocasionais. 
• Após a defervescência da febre, que dura em torno de 5 a 7 dias, em 30% dos casos surge um 
outro exantema, maculopapular que se inicia no tronco e se dissemina para as extremidades, 
acometendo palma da mão e planta do pé. 
• Nos casos de evolução mais grave, a febre não cede, a plaquetopenia piora, há 
hemoconcentração, hipovolemia e choque.
Arboviroses
Dengue, Zika e Chikungunya
Meningococcemia
• A doença meningococcica é uma infecção causada pela Neisseria meningitidis 
• Sua apresentação pode variar desde um quadro de febre transitória até doença fulminante, 
que pode levar a morte em poucas horas. 
• Meningite (com ou sem meningococcemia) é a principal manifestação, ocorrendo em 70% 
dos casos; bacteremia isolada em 27%, e doença fulminante em 4%. 
• O início pode ser insidioso e não específico, mas geralmente é súbito com febre, calafrios, 
mal estar, mialgia, dor em membros, prostração e um rash maculopapular, petequial ou 
purpúrico. 
• Fatores de risco importantes para a meningococcemia são a desnutrição, pobreza, falta de 
saneamento básico, doenças imunossupressoras, como HIV, 
• Os principais diagnósticos diferenciais da meningococcemia são principalmente a sepse de 
outras etiologias, febres hemorrágicas (dengue, febre amarela, hantavirose), febre 
maculosa e leptospirose 
• A vacinação é a melhor forma de prevenir! 
Uma das doenças imunopreveníveis mais temidas
https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/vacina-brasil-e-estrategias-de-formacao-e-desenvolvimento-em-imunizacoes
https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/vacina-brasil-e-estrategias-de-formacao-e-desenvolvimento-em-imunizacoes
Dúvidas?
Referencias bibliográficas
• Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 5ª edição, Barueri, SP: 
Manole,2022.

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