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Dra Niély Brazao - Pediatra Doenças Exantemáticas Saude Materno Infantil II - 8 Semestre Doenças exantemáticas • As doenças exantemáticas são um conjunto de doenças infecciosas febris nas quais a erupção cutânea eritematosas é a característica dominante, mas também apresentam manifestações sistêmicas. • São doenças comuns na infância. • Na maioria das vezes o diagnóstico é apenas clínico. • A análise do tipo de lesão, dos sinais e sintomas concomitantes e a epidemiologia permite inferir o diagnóstico etiológico sem a necessidade de exames laboratoriais. • A grande maioria das doenças exantemáticas são viroses. Entretanto, algumas podem ser causadas por bactérias, outros agentes infecciosos ou não, como doenças reumatológicas. • Diagnostico diferencial: Alergias, exposição cutânea até quadros sistêmicos à medicamentos, doenças inflamatórias não infecciosas como vasculites . Introdução Doenças exantemáticas • Mecanismos de agressão a pele: invasão e multiplicação direta na própria pele, ação imunoalérgica com expressão na pele, dano vascular, podendo causar obstrução e necrose da pele e ação de toxinas. • Exantema: é a manifestação cutânea de fundo vascular, que pode ter origem infecciosa, alergica, toxica ou física. Podendo ser: Mácula, pápula, vesicula, pustula, crosta ou sufusão hemorrágica. • Máculo-papulosos: • Morbiliforme – avermelhadas, pouco regulares , confluem • Escarlatiniforme – extensas, avermelhadas – poupa região perioral. • Rubeoliforme – pequenos, coloração rósea – às vezes confluem • Urticariforme – pruriginosa, eritematosa, irregulares • Enantema: é a manifestação na mucosa. Diferenciando as manifestações cutâneas Eritema Infeccioso • Infecção pelo Parvovírus B19 • Transmissão por via respiratória • Incubação: 6 a 14 dias • Pródromos: febre, mal-estar, coriza – 2 dias antes do exantema. • Bochechas esbofeteadas (placas eritematosas na face). • Diagnóstico: Clínico! • deteção de IgM antiPVH B19 ou soroconversão para IgG • Tratamento: Sintomático Quinta doença ou Síndrome do face esbofeteada 1a fase: facies esbofeteada 2a e 3a fase: ascende para tronco e extremidades Exantema súbito • Infecção pelo Herpes VH-6 (principal) e HVH-7 • Acomete + crianças de 6 meses a 3 anos • Incubação: 5 a 15 dias • Pródromo: febre alta por 3-5 dias • Quando cessa a febre surge o exantema! • Exantema dura cerca de 2-3dias, não há outros sintomas! • Exame físico: exantema maculopapular inicialmente no tronco, depois face e membros – dura 2 a 3 dias. • Diagnóstico: Clínico! • Sorologia – IgM anti-HVH-6, ou soroconversão para IgG Roseola ou Sexta doença Sarampo • Etiologia: Paramixovirus • Período de Incubação: 9 a 12 dias • Transmissão: pessoa-pessoa por secreções respiratórias, como muco, saliva ou gotículas tossidas durante pródromos até 5 dias do exantema • Clínica: febre, tosse, coriza, hiperemia dos olhos, cansaço, mialgia, manchas de koplic • Exantema: máculo-papular morbiliforme, distribuição craniopodálica, inicia na face e ascende ao resto do corpo, fica confluente e começa a desaparecer em 5 dias – pode ocorrer descamação furfurácea. Notificação compulsória Manchas de koplic Sarampo • DIAGNÓSTICO: Clínico + Isolamento do vírus + Sorologia • COMPLICAÇÕES: • Mais comum: Otite média • Pneumonia, laringite e laringotraqueite, diarréia • Mais graves: Encefalite e Miocardite • TRATAMENTO: É sintomatico! • Vitamina A: 50.000 UI 2 doses - Redução da mortalidade de pacientes menores de 2 anos hospitalizados com sarampo e suas complicações; • Pacientes > de 6 meses com imunodepressão ou evidência de deficiência de vitamina A, alterações de absorção intestinal ou desnutrição moderada a grave. Sarampo • Vacina Tríplice viral combinada com vacina contra rubéola e caxumba • Vacina: 2 doses - aos 12 e 15 meses • Até 72 h após a exposição – vacinação de bloqueio • Vacina tetraviral: sarampo caxumba rubeola + varicela (opção de segunda dose aos 15 meses) • Gamaglobulina até 6 dias do contágio: p a c i e n t e s m e n o r e s d e 9 m e s e s , imunodeficientes e gestantes Prevenção Rubéola • Etiologia: Togavirus • Período de incubação: 2 a 3 semanas • Transmissão: contato com secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas 5 a 7 dias antes do exantema até 4 dias após. • Clínica: febre baixa, anorexia, dor de garganta, linfonodomegalia (retroauricular) • Exantema: máculo-papular, rubeoliforme, início na face, não confluente, não descama, não dura mais de 3 dias • Diagnóstico: detecção de IgM ou IgG; isolamento do vírus (sangue, urina, LCR e orofaringe) particularmente em lactentes infectados por via congênita. • Tratamento: de suporte. • Prevenção: vacinação SCR: 12 e 15 meses. Rubéola • Tríade clássica: • Catarata • Surdez neurossensorial • Anormalidades cardíacas. • O risco de transmissão vertical é maior entre as de 2 a 10 semanas de idade gestacional (primeiro trimestre). Sindrome da rubéola congenita Escarlatina • Etiologia: Streptococcus pyogenes do Grupo A • Período de incubação: 1 a 3 dias após infecção. • Transmissibilidade: até desaparecer a febre • Exantema em lixa: Regressão em 4 a 5 dias, seguido de esfoliação das palmas e plantas e corpo • Mucosas: enantema – faringe vermelho vivo • Língua em framboesa + eritema e petéquias no pálato. • Sinais de pastia e Filatov • Tratamento: Penicilina ou amoxicilina, alérgicos: eritromicina. Pastia Filatov Varicela • É uma infecção viral causada pelo vírus varicela-zoster (VZV). • Altamente contagiosa • Mais comum em crianças, mas também pode afetar adultos que nunca tiveram a doença ou não foram vacinados contra ela. • Erupção multiforme pruriginosa se espalha por todo o corpo, inicialmente em face e couro cabeludo + febre, dor de cabeça e mal- estar geral. • As lesões evoluem para tronco, membro, mucosa oral, conjuntiva, conduto auditivo, genitália. Em uma mesma região você pode encontrar várias lesões em situações diferentes: crosta, vesícula, bolha. • A erupção geralmente aparece em fases: • mácula > pápula > vesícula > crosta Popularmente conhecida como catapora Varicela • Sintomáticos: antitérmicos e antihistamínicos • Sempre avaliar: • Fatores específicos do hospedeiro • Extensão da infecção • Resposta inicial à terapia • Pacientes com neoplasia, transplantados, grávidas, imunossuprimidos, pacientes portadores de colagenoses, RN de 5- 10 dias, prematuros <32s, desnutrição severa, fibrose cística, adultos são suscetíveis a um quadro mais grave • Antivirais: Aciclovir • Complicações: Infecções bacterianas secundárias, marcha atáxica (cerebelite), ataxia cerebelar, encefalite, fasceite necrosante, pneumonia, síndrome de Reye, manifestações hemorrágicas, síndrome da pele escaldada. Tratamento Varicela • Isolamento: precauções padrão, respiratórias e de contato, no mínimo 5 dias do início do rash, até que não hajam mais vesículas • Pessoas susceptíveis expostas: • Imuno Globulina: até 4 dias pós exposição, para grupos especiais; • Vacina: 1 dose de reforço preferencialmente até 72 horas após a exposição, podendo ser aplicada até 120 horas. • A vacinação pode ajudar a prevenir a propagação da doença e reduzir o risco de complicações graves. • 2 doses: Crianças aos 12 e 15 meses e adultos não vacinados que nunca tiveram a doença Prevenção Doença de Kawasaki • É uma vasculite aguda exantemática, característica da infância, autolimitada, de etiologia desconhecida, endêmica sazonal, com discreta predominância em meninos (1,5:1) e em menores de 5 anos. • Manifestações clínicas: febre alta > 5 dias, hiperemia conjuntival não-exsudativa, lábios vermelhos, secos e rachados, língua em framboesa, adenopatia cervical • Leucocitose ao hemograma e aumento de VHS e PCR; • na metade da 1ª semana: aparecimento de exantema polimorfo, edema e eritemapalmoplantar; • 2 semanas: remissão do sintomas, surgindo descamação de dedos de mãos e pés, trombocitose e arterite coronariana; • 6 a 8 semanas: melhora dos sintomas clínicos e persistência da coronarite; • De meses a anos: podendo permanecer assintomático ou com sequelas cardíacas. Doença de Kawasaki • Diagnóstico: o diagnóstico é clínico! • A American Heart Association (AHA) estabelece 4 de 5 critérios clínicos ou 3, na presença de coronarite, associado a febre por mais de 5 dias: • conjuntivite não-exsudativa • alteração de lábios e mucosa oral • edema e eritema palmoplantar, com descamação • exantema polimorfo não-vesicular ou bolhoso • adenopatia cervical não supurativa > 1,5 cm. • Tratamento: imunoglobulina em dose única nos primeiros 10 dias de evolução; • AAS, inicialmente em dose antiinflamatória e posteriormente em dose antiagregante plaquetária. Mononucleose • Agente etiológico: vírus Epstein-Barr • Epidemiologia: contato direto com secreções salivares do indivíduo portador; • Período de incubação: de 10 dias a 50 dias. • Manifestações clínicas: dor de garganta com linfadenopatia, febre e hiperplasia linfática de faringe; observa-se exsudato branco-acinzentado em tonsila palatina em 50% dos casos. • Exantema maculopapular, eritematoso, com textura de lixa fina. • Diagnóstico: sorologia por isolamento viral. • Diagnóstico diferencial: escarlatina. • Tratamento: terapia de suporte, exceto imunodeprimidos em que se recomenda aciclovir em altas doses. “Doença do Beijo” Doença Mão-pé-boca • É comum a ocorrência de surtos, sobretudo durante os períodos do verão e primavera entre crianças e pré-escolares • Etiologia: Coxsackie vírus - principalmente o coxsackie A16 e o enterovírus 71 A5, A7 e A9. • A incubação varia entre 1 e 7 dias. • Sua transmissão ocorre via oral-oral, fecal-oral e pelas vias aéreas. • O coxsackie vírus habita normalmente o sistema digestivo e pode provocar estomatites (aftas orais). • Quadro clínico: sinais gripais e dores na garganta procedem o aparecimento de vesículas de coloração branco-acinzentadas em mucosa oral e erupção de bolhas em região plantar e palmar, e também em nádegas, região genital. • O diagnostico é sobretudo clínico e o tratamento com medidas de suporte, para alívio das dores pelas lesões em cavidade oral, que frequentemente comprometem a deglutição, e pode levar a desidratação. Laserterapia Dengue • Etiologia – vírus da dengue, um Flavivirus, 4 sorotipos, nomeados de 1 a 4. • A transmissão ocorre pela picada de mosquitos Aedes aegypti. • O quadro clínico é muito variável e, nas crianças, as manifestações são menos exuberantes. • O exantema é maculopapular, pode ser pruriginoso • Após um período de incubação de 4-7 dias, com febre alta, cefaleia intensa retro-orbitária, dores musculares e articulares, náuseas, vômitos e diarreia e dor abdominal. • O hemograma tem leucopenia com linfocitose e trombocitemia. • Fenômenos hemorrágicos, como epistaxes e gengivorragia, são ocorrências ocasionais. • Após a defervescência da febre, que dura em torno de 5 a 7 dias, em 30% dos casos surge um outro exantema, maculopapular que se inicia no tronco e se dissemina para as extremidades, acometendo palma da mão e planta do pé. • Nos casos de evolução mais grave, a febre não cede, a plaquetopenia piora, há hemoconcentração, hipovolemia e choque. Arboviroses Dengue, Zika e Chikungunya Meningococcemia • A doença meningococcica é uma infecção causada pela Neisseria meningitidis • Sua apresentação pode variar desde um quadro de febre transitória até doença fulminante, que pode levar a morte em poucas horas. • Meningite (com ou sem meningococcemia) é a principal manifestação, ocorrendo em 70% dos casos; bacteremia isolada em 27%, e doença fulminante em 4%. • O início pode ser insidioso e não específico, mas geralmente é súbito com febre, calafrios, mal estar, mialgia, dor em membros, prostração e um rash maculopapular, petequial ou purpúrico. • Fatores de risco importantes para a meningococcemia são a desnutrição, pobreza, falta de saneamento básico, doenças imunossupressoras, como HIV, • Os principais diagnósticos diferenciais da meningococcemia são principalmente a sepse de outras etiologias, febres hemorrágicas (dengue, febre amarela, hantavirose), febre maculosa e leptospirose • A vacinação é a melhor forma de prevenir! Uma das doenças imunopreveníveis mais temidas https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/vacina-brasil-e-estrategias-de-formacao-e-desenvolvimento-em-imunizacoes https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/vacina-brasil-e-estrategias-de-formacao-e-desenvolvimento-em-imunizacoes Dúvidas? Referencias bibliográficas • Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 5ª edição, Barueri, SP: Manole,2022.