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Preparatório para Residência Médica Dra. Verônica Braga Garcia Doenças exantemáticas Doenças Exantemáticas São moléstias infecciosas nas quais a erupção cutânea é a característica dominante. •A análise do tipo de lesão, dos sinais e sintomas concomitantes e a epidemiologia permite inferir o diagnóstico etiológico sem a necessidade de exames laboratoriais. Sarampo Sarampo Doença de alta morbimortalidade Maior prevalência em menores de 10 anos e maior gravidade em menores de 1 ano e desnutridos Em 2021, houveram ao menos 668 casos confirmados no Brasil. Agente etiológico Vírus RNA Família: Paramyxoviridae Gênero: Morbillivirus Etiopatogenia O homem é o único hospedeiro conhecido. Transmissão: através de pequenas gotículas de saliva ou aerossóis. Período de transmissibilidade: 3 dias antes até 4-6 dias após o aparecimento do exantema. A entrada do vírus acontece pela mucosa do trato respiratório e conjuntiva. Etiopatogenia Evolução para necrose celular, vasculite de pequenos vasos, formação de células gigantes de Warthin- Finkeldey. O vírus infecta os LT CD4, podendo levar a imunodepressão TH1. Período de incubação: 8-12 dias Fases de desenvolvimento da infecção Período de infecção Período de remissão Período toxêmico Período de infecção Fase prodrômica Febre Tosse Coriza Conjuntivite Fotofobia Manchas de Koplik Período de infecção Fase exantemática Lesões maculopapulares eritematosas Exantema morbiliforme Progressão craniocaudal, com início retroauricular Pode acometer palmas e plantas Fáscies sarampenta Duração média de 7 dias Período de remissão Remissão do exantema em 7 dias. Evolução do exantema para coloração acastanhada com fina descamação furfurácea. Tosse persistente. Linfadenomegalia cervical e occipital pode ser proeminente, persistindo por várias semanas. Período toxêmico Queda da resistência imunológica Surgimento de complicações (infecções virais e bacterianas) Náuseas Vômitos Elevação de aminotransferases Complicações Pneumonia: Principal causa de morte no sarampo. Pode ser viral ou bacteriana ( S.pneumoniae, H.influenzae, S.aureus) Otite média aguda: Complicação bacteriana mais frequente. Reativação de foco pulmonar de tuberculose. Crise convulsiva febril Encefalite Panencefalite esclerosante subaguda Diagnóstico Clínico Laboratorial - Leucopenia com linfocitose Sorologia RT PCR Notificação compulsória Tratamento Sintomáticos Antibioticoterapia tópica se conjuntivite purulenta Repouso Antibióticos se infecções secundárias Precaução de transmissão aérea por até 4 dias após o início do exantema para crianças hospitalizadas Tratamento Vitamina A Fator de risco para complicações A infecção pode predispor a hipovitaminose Menores de 6 meses: 50.000 ui no dia do diagnóstico e outra dose no dia seguinte. Terceira dose entre 4 e 6 semanas se necessário. 6- 12 meses: 100.000 ui no dia do diagnóstico e outra dose no dia seguinte. Terceira dose entre 4 e 6 semanas se necessário. Maiores de 12 meses: 200.000 ui no dia do diagnóstico e outra dose no dia seguinte. Terceira dose entre 4 e 6 semanas se necessário. Profilaxia pós exposição Indicada em todos os contactantes íntimos susceptíveis Vacina pode ser empregada até 72 h após o contato, em maiores de 6 meses. Imunoglobulina humana normal pode ser utilizada até 6 dias da exposição, quando houver contraindicação à vacina (menores de 6 meses, grávidas e imunossuprimidos) Rubeola Rubeola Doença benigna e autolimitada quando adquirida no período pós natal. Preocupação em relação à Rubeola Congênita. Brasil possui certificado de eliminação, conferido em 2015 pela OMS. Etiopatogenia Agente etiológico Vírus RNA Família Togaviridae Gênero Rubivírus Etiopatogenia Transmissão: gotículas de secreção nasofaríngea, ou via transplacentária Período de transmissibilidade: 5 dias antes até 6 dias após o rash Período de incubação: 14 a 21 dias Manifestações clínicas Pródromos: -Febre baixa, -mal estar, -anorexia, -mialgia, -dor de garganta, -hiperemia conjuntival -adenomegalias (suboccipital, retroauricular e cervical posterior). Manifestações clínicas Exantema: maculopapular puntiforme, róseo, craniocaudal, com tendência a coalescência. dura em média três dias. Não descama. Manchas de Forchheimer e petéquias em palato mole e amígdalas podem surgir. Formas subclínicas são frequentes. Complicações Trombocitopenia pós infecciosa - autolimitada Artrite Encefalite pós infecciosa- a mais grave das complicações Diagnóstico Clínico: Difícil Laboratorial: Hemograma – leucopenia, neutropenia, trombocitopenia Sorologia Isolamento viral Notificação compulsória Tratamento Sintomáticos Isolamento – respiratório e de contato para os casos adquiridos pós-parto, até sete dias após o exantema. As crianças com infecção congênita são consideradas infectantes até um ano de idade ou até que a pesquisa de vírus na nasofaringe e na urina se negative. Profilaxia Pós exposição - Vacinação de bloqueio pode ser feita com a vacina administrada em até 72 horas após o contato Caso Clínico (AMRS 2020) Criança de 18 meses de idade subitamente apresenta febre alta e contínua. Não se observa toxemia. Após 3 dias, a febre cessou bruscamente, surgindo lesões maculopapulares rosadas que se iniciaram no tronco e se disseminaram para a cabeça e as extremidades. Após 2 dias, a erupção desapareceu sem deixar descamação ou hiperpigmentação. O quadro acima descrito é compatível com qual doença? Sarampo Eritema infeccioso Exantema súbito Exantema por coxsackie Caso Clínico (AMRS 2020) Criança de 18 meses de idade subitamente apresenta febre alta e contínua. Não se observa toxemia. Após 3 dias, a febre cessou bruscamente, surgindo lesões maculopapulares rosadas que se iniciaram no tronco e se disseminaram para a cabeça e as extremidades. Após 2 dias, a erupção desapareceu sem deixar descamação ou hiperpigmentação. O quadro acima descrito é compatível com qual doença? Sarampo Eritema infeccioso Exantema súbito Exantema por coxsackie Exantema súbito Epidemiologia Infecção comum em lactentes e escolares Pico de incidência dos 6 aos 15 meses Etiopatogenia Agente etiológico Herpes vírus tipo 6 e 7 Família herpesviridae DNA duplo filamento Etiopatogenia Transmitidos às crianças através de pequenas gotículas excretadas pela saliva de adultos saudáveis portadores O vírus penetra através da mucosa nasal, oral ou conjuntival Período de incubação: 5- 15 dias Manifestações clínicas Pode se manifestar de formas não clássicas. Podem surgir pródromos inespecíficos, como rinorreia, hiperemia conjuntival, dor de garganta, linfadenomegalia cervical e occipital discreta e leve edema palpebral. Instalação de febre alta (39-40 graus), que dura de 3 -5 dias. Após o desaparecimento da febre, surge o rash: Róseo Macular Não pruriginoso Distribuição: primeiramente em tronco, com disseminação para pescoço, face e extremidades (centrífugo). Duração do exantema: 1 a 3 dias Manifestações clínicas Diagnóstico Clínico Laboratorial: Hemograma evidencia leucopenia com linfocitose. - Pesquisa de Anticorpos (IGM e IGG) - Cultura do Vírus Tratamento Sintomáticos O Ganciclovir é empregado em pacientes imunodeprimidos, com história grave pelo Herpes Vírus 6 Complicação: Convulsão febril – mais comum Caso clínico (UNICAMP 2020) Criança, 4 anos, é trazida a Unidade de Emergência com queixa de tosse, coriza nasal e manchas avermelhadas pelo corpo. As manchas começaram há 3 dias no rosto, na região das bochechas, confluentes, progredindo para o tronco e membros. Pioram com o calor. Relata vacinação em dia. Exame físico: Exantema maculopapular em tronco e membros superiores, mais intenso em áreas descobertas e face extensora dos braços. Rosto com eritema intenso nas bochechas, poupando região perioral, nariz e testa. O agente etiológico é: A) Streptococcus pyogenes B) Paramyxoviridae C) ParvovírusB19 D) Herpesvírus grupo 6 Caso clínico (UNICAMP 2020) Criança, 4 anos, é trazida a Unidade de Emergência com queixa de tosse, coriza nasal e manchas avermelhadas pelo corpo. As manchas começaram há 3 dias no rosto, na região das bochechas, confluentes, progredindo para o tronco e membros. Pioram com o calor. Relata vacinação em dia. Exame físico: Exantema maculopapular em tronco e membros superiores, mais intenso em áreas descobertas e face extensora dos braços. Rosto com eritema intenso nas bochechas, poupando região perioral, nariz e testa. O agente etiológico é: A) Streptococcus pyogenes B) Paramyxoviridae C) Parvovírus B19 D) Herpesvírus grupo 6 Eritema infeccioso Agente etiológico: Parvovírus B 19 - DNA vírus - Gênero Erythrovírus - Família Parvoviridae Epidemiologia: Mais comum em escolares (5-15 anos) Eritema infeccioso Etiopatogenia Transmissão: Gotículas de secreção respiratória, via transplacentária ou sanguínea. A célula alvo primária são os precursores eritroides Período de incubação: Média de 16 dias Período de contágio: a viremia ocorre cinco a dez dias após a exposição, dura cerca de cinco dias, sendo que no período exantemático a pessoa já não costuma ser transmissor. Manifestações clínicas Pródromos: - Febre - Mal estar Rinorreia Exantema: imunologicamente mediado Exantema Primeiro Estágio: Exantema em face (face esbofeteada) Palidez perioral Exantema Segundo estágio: O exantema simetricamente distribuído em tronco e face proximal dos membros, de aspecto rendilhado. Mais evidentes em áreas extensoras Palmas e plantas poupadas. Não descamam Duração de dias a semanas Exantema Terceiro estágio: Ressurgimento das alterações cutâneas depois da melhora clínica, após uma a três semanas. Pode reaparecer mediante alterações climáticas, estresse e exercício físico. Manifestações clínicas Artropatia Crise aplástica transitória Imunocomprometidos Infecção fetal (aborto prematuro/ hidropsia) Síndrome de luvas e meias Diagnóstico Clínico Laboratorial Hemograma - Na crise aplásica, há anemia com reticulocitopenia evidentes. Sorologia Detecção do DNA viral por técnica de PCR Tratamento Sintomáticos excepcionalmente. Transfusão de hemoderivados pode ser necessária em casos de anemia aplásica. Varicela Epidemiologia Comum em pré escolares e escolares Etiopatogenia Agente etiológico: Vírus Varicela Zoster DNA vírus Família Herpesviridae Transmissão: através do contato com secreções das lesões ou gotículas de secreção respiratória. Contágio: dois dias antes até sete dias após o aparecimento das lesões. Cessa após todas as lesões em forma de crostas Período de incubação: 10-21 dias Pródromos Febre Cefaleia Anorexia Mal estar Dor abdominal Exantema Início em couro cabeludo Dissemina-se para tronco e extremidades Distribuição centrípeta Evolução: Máculas eritematosas pruriginosas pápulas vesículas pústulas com umbilicação central crostas. Tempo de evolução: 24-48h. Polimorfismo Podem haver lesões orais e genitais Complicações Infecção bacteriana secundária da pele - mais frequente Trombocitopenia Ataxia cerebelar Mielite transversa Guillain Barré Pneumonia viral/ bacteriana Diagnóstico Clínico Laboratório Hemograma: leucopenia seguida de linfocitose Enzimas hepáticas discretamente elevadas frequentemente Sorologia Teste de Tzanck - Isolamento viral Tratamento Sintomáticos Indicações de antiviral Aciclovir Oral (20 mg/kg/dose) de 6/6 horas por 05 dias: > 12 anos > 12 meses associado a: - Doença cutânea ou pulmonar crônica - Usuários de corticoide em dose não imunossupressora - Usuários crônicos de ácido acetilsalicílico 2º caso em um mesmo domicílio Indicações de antiviral Aciclovir parenteral (500 mg/ m2/dose 8/8h por 7 dias): Doença grave ou progressiva Imunossupressão Recém- nascido com varicela neonatal por exposição perinatal Prevenção: Pré- exposição: Vacina Pós-exposição: Bloqueio vacinal: Até 5 dias (susceptíveis maiores de 9 meses e semcontraindicações) Situações de controle de surto (hospitais, creches) Pós-exposição: 2. Imunoglobulina anti Varicela Zoster Até 96 horas após contato Contactantes de alto risco (imunodeprimidos, grávidas, RN 28 semanas apenas se a mãe não teve varicela) RN cuja mãe tenha apresentado o quadro entre 5 dias antes e 2 dias após o parto Isolamento Retorno à escola somente após todas as lesões estarem em fase de crostas. Mononucleose infecciosa Mononucleose Infecciosa Agente Etiológico: -Epstein-Barr (EBV) Transmissão: Gotículas de saliva da pessoa infectada (“doença do beijo”) Mononucleose Infecciosa Quadro Clínico: Faringite Linfadenomegalia Esplenomegalia ( 50%) Hepatomegalia ( 10%) Edema de pálpebras Exantema ( 3-15%) Mononucleose Infecciosa Diagnóstico: Clínico Avaliação Complementar: Leucocitose com Linfócitos atípicos Trombocitopenia Sorologia ( IGM e IGG) Mononucleose Infecciosa Tratamento: Sintomáticos Aciclovir Corticoides (controverso): - Obstrução de vias aéreas - Trombocitopenia - Convulsões - Meningite Enteroviroses Enteroviroses Transmissão: Via fecal-oral Via respiratória Vertical Fômites Etiopatogenia Período de incubação: 3 a 6 dias Trasmissibilidade: 1 a 3 semanas por via respiratória e 7 a 11 semanas por via intestinal Etiologia: Coxsackievírus A16 Enterovírus 71 Doença Mão- Pé- Boca Manifestação clínica Febre baixa Vesículas em lábios, língua, mucosa jugal, gengivas, faringe posterior e amígdalas. Exantema maculopapular ou vesicular em mãos, pés e nádegas. Diagnóstico Clínico Avaliação Complementar: Leucopenia Isolamento viral em swab oral e retal Sorologia específica Tratamento Sintomáticos Imunoglobulina intravenosa: pacientes imunodeprimidos, encefalite, miocardite Etiologia: Coxsakievirus A Herpangina Manifestação clínica: Febre alta com duração de 1 a 4 dias Disfagia Dor de garganta Irritabilidade Úlceras e vesículas com halo eritematoso em tonsilas, pilares, úvula e palato mole Herpangina Diagnóstico: Clínico Tratamento: Sintomáticos Herpangina Caso clínico Criança com 5 anos de idade vem à Unidade de Saúde da Família acompanhada pela mãe, que informa que a criança iniciou com quadro de febre alta há 2 dias e inapetência. Foi ao pronto atendimento, onde informaram que a criança estava com infecção de vias aéreas superiores e foi prescrito apenas antitérmico e soro fisiológico nasal. Hoje, a mãe informa que a criança começou com manchas vermelhas no corpo que irradiaram para os braços e pernas. Ao exame, apresenta bom estado geral, temperatura de 38,5 graus e está eupneico. Otoscopia sem alterações. Na cavidade bucal observa-se hiperemia lingual e orofaringe com presença de exsudato purulento. Ao exame da pele, apresenta um exantema micropapular no tronco e membros com textura de lixa. Não apresenta sinais meníngeos e demais órgãos e sistemas preservados. Qual a principal hipótese diagnóstica? A) Doença de Kawasaki B) Sarampo C) Eritema infeccioso D) Escarlatina Caso clínico Criança com 5 anos de idade vem à Unidade de Saúde da Família acompanhada pela mãe, que informa que a criança iniciou com quadro de febre alta há 2 dias e inapetência. Foi ao pronto atendimento, onde informaram que a criança estava com infecção de vias aéreas superiores e foi prescrito apenas antitérmico e soro fisiológico nasal. Hoje, a mãe informa que a criança começou com manchas vermelhas no corpo que irradiaram para os braços e pernas. Ao exame, apresenta bom estado geral, temperatura de 38,5 graus e está eupneico. Otoscopia sem alterações. Na cavidade bucal observa-se hiperemia lingual e orofaringe com presença de exsudato purulento. Ao exame da pele, apresenta um exantema micropapular no tronco e membros com textura de lixa. Não apresenta sinais meníngeos e demais órgãos e sistemas preservados. Qual a principal hipótese diagnóstica? A) Doença de Kawasaki B) Sarampo C) Eritemainfeccioso D) Escarlatina Doença exantemática bacteriana Agente Etiológico: Streptococcus Pyogenes ( Estreptococo beta-hemolítico grupo A) Escarlatina Transmissão: Gotículas de saliva Epidemiologia: Mais comum entre 5-15 anos Faringite estreptocócica Escarlatina Quadro Clínico: Pródromos: Calafrios Vômitos Cefaleia Amigdalite Dor abdominal Escarlatina Quadro Clínico: Hiperemia, hipertrofia e exsudato amigdaliano Enantema: Língua em morango branco Língua em morango vermelho Escarlatina Quadro clínico: Exantema: Eritematoso Micropapular Inicia no tórax e se estende para o restante do corpo Poupa região palmoplantar Aspecto de lixa Sinal de Filatov Sinal de Pastia Escarlatina Escarlatina Sinal de Filatov Sinal de Pastia Descamação fina no corpo e lamelar nas extremidades após desaparecimento do exantema. Escarlatina Diagnóstico Clínico Laboratorial: - Cultura de orofaringe por swab - ASO/ Anti DNAse B Escarlatina Tratamento: Penicilina V oral Penicilina G benzatina Amoxicilina Escarlatina Caso clínico (UNICAMP 2020) Menina, 2 anos, é trazida pela mãe à unidade de emergência por febre há 7 dias, aparecimento de feridas na boca e secreção ocular não purulenta há 3 dias. Vacinação em dia. Ao exame físico: T 38,9 graus, descorada +/4+, anictérica; pescoço: linfonodo palpável em cadeia cervical direita 3-4 cm; pele: exantema polimorfo principalmente em tronco; olhos: hiperemia ocular não purulenta bilateralmente; orofaringe: língua em framboesa e queilite; membros: eritema em palmas de mãos e plantas de pé. A conduta é: Penicilina benzatina Hidratação Imunoglobulina humana Vitamina A Caso clínico (UNICAMP 2020) Menina, 2 anos, é trazida pela mãe à unidade de emergência por febre há 7 dias, aparecimento de feridas na boca e secreção ocular não purulenta há 3 dias. Vacinação em dia. Ao exame físico: T 38,9 graus, descorada +/4+, anictérica; pescoço: linfonodo palpável em cadeia cervical direita 3-4 cm; pele: exantema polimorfo principalmente em tronco; olhos: hiperemia ocular não purulenta bilateralmente; orofaringe: língua em framboesa e queilite; membros: eritema em palmas de mãos e plantas de pé. A conduta é: Penicilina benzatina Hidratação Imunoglobulina humana Vitamina A Doença Exantemática Reumatológica Doença de Kawasaki Vasculite febril que acomete especialmente artérias de médio e pequeno calibre Predileção pelas artérias coronárias Etiologia: Desconhecida Mais comum em sexo masculino e menores de 5 anos. Doença de Kawasaki Febre alta por no mínimo 5 dias + 4 dos 5 sinais: Conjuntivite bilateral não exsudativa Alterações em cavidade oral Linfadenopatia cervical > 1,5 cm Exantema polimorfo Alterações em extremidades: Edema e eritema em mãos e pés Descamação periungueal Doença de Kawasaki Doença de Kawasaki Complicação: Aneurismas coronarianos Tratamento: Imunoglobulina Venosa (dose única até o décimo dia de doença) AAS (dose antiinflamatória por 14 dias e antitrombótica por 6 a 8 semanas) Anafilaxia Conceito Reação multissistêmica grave de início agudo e potencialmente fatal Alguns ou todos os seguintes sinais e sintomas podem estar presentes: Urticária Angioedema Comprometimento respiratório e gastrintestinal e/ou hipotensão arterial. Epidemiologia A verdadeira incidência de anafilaxia é desconhecida. Os alimentos estão mais relacionados aos casos de anafilaxia em crianças e jovens. Picadas de insetos, medicamentos e contrastes acometem principalmente pessoas de meia-idade e idosos. Fisiopatologia É preciso haver um contato prévio com o antígeno (geralmente de natureza proteica). O contato subsequente com o agente sensibilizador desencadeia o processo Fisiopatologia É comumente mediada pela imunoglobulina E (IgE), que frente a “proteínas estranhas”, forma complexos antígenos-anticorpos e induz a liberação de mediadores inflamatórios dos mastócitos e basófilos Fisiopatologia A ação dos mediadores químicos origina as manifestações sistêmicas O mais destacado desses mediadores é a histamina Fisiopatologia Histamina: atua em receptores H1 e H2, com capacidade de aumentar a permeabilidade vascular e provocar a vasodilatação, o edema e a hipersecreção Outros mediadores: leucotrienos e prostaglandinas Etiologia Alimentos ( 35%) Fármacos e substâncias biológicas ( 30 e 20 %) Picadas de insetos ( 30 e 20%) Exercícios físicos ( 5%) Alérgenos vacinais ( 3%) ***Cerca de um quinto dos casos de anafilaxia não tem uma etiologia definida Diagnóstico Clínico O espectro das manifestações clínicas compreende desde reações leves até graves e fatais. O início geralmente é súbito, podendo atingir vários órgãos. Os sintomas iniciais ocorrem em segundos/minutos até horas após a exposição ao agente causal Anamnese Agente suspeito? Via de administração, dose? Sequência de sintomas? Tratamento anteriormente aplicado na mesma situação? outros fatores associados como exercício e/ou uso de medicamentos? Diagnóstico Os exames de imagem são desnecessários, exceto quando há suspeita de outra etiologia EX: Aspiração de corpo estranho, obstrução de vias aéreas superiores Diagnóstico Diferencial Obstrução de vias aéreas superiores por corpo estranho Disfunção de cordas vacais, epligotite Asma aguda Infarto agudo do miocardio Reação vasovagal Crise de pânico Tratamento Metas do tratamento Imediato: Garantir a oxigenação e perfusão de órgãos vitais Bloquear a atividade dos mediadores inflamatórios já circulantes Impedir a liberação de outros mediadores Tratamento Para o sucesso do tratamento, é fundamental o rápido reconhecimento do quadro O fármaco utilizado como primeira linha é a adrenalina Tratamento Atividade da Adrenalina Alfa Provoca a vasoconstrição e reverte a hipotensão arterial Beta-1 Aumenta a contratilidade miocárdica e a pressão arterial Beta-2 Promove a broncodilatação e vasodilatação muscular Outro efeito: Reduz a liberação de mediadores dos mastócitos e basófilos Tratamento A dose recomendada de adrenalina 1: 1.000 ( 1 mg= 1 ml) é de 0,01 ml/ kg ( mínimo de 0,1 ml e máximo de 0,5 ml) Tratamento Atendimento ambiente fora do hospital/ Suporte Básico de Vida Solicitar a transferência do paciente para um serviço de urgência Afastar, se possível, o agente desencadeante da anafilaxia Aplicar a adrenalina por via intramuscular, podendo repeti-la em 10 a 15 minutos Tratamento Ambiente Hospitalar: O uso de Adrenalina deve ser simultâneo ao das medidas de reanimação (proteção de vias aéreas e das condições de circulação cardiovascular e de respiração) A B C D E Tratamento Na avaliação das vias aéreas, é essencial identificar riscos à sua permeabilidade Edema de língua e lábios Tosse persistente, rouca ou estridulosa Aumento da dificuldade respiratória ( mais frequentes em casos graves ou atraso no uso de adrenalina) A Tratamento Nas situações em que houver uso adequado das medicações, mas o edema de vias aéreas continuar progredindo, está indicada intubação orotraqueal ou a cricotireoidotomia Tratamento Avaliar padrão respiratório, a fim de detectar disfunções pulmonares, representadas por sibilos, crepitações ou assimetria de murmúrio Obstrução Baixa: Droga de escolha Adrenalina Nos casos de broncoespasmo, pode-se optar por beta-2-agonistas em nebulização ou aerossol B Tratamento Vasodilatação Sistêmica Perda de Líquido para o interstício Diminuição do retorno venoso Diminuição do débito cardíaco CHOQUE Reposição Volêmica C Tratamento Anti-histamínicos H1 Podem ser úteis nas reações anafiláticas moderadas Contribuem para a redução da urticária, do angioedema e do prurido Opções: Difenidramina IV, IM ou Prometazina Não tem indicação nos casos graves Tratamento Corticoides: Indicados para amenizar as respostas mais tardias e/ou prolongadas Início de ação somente após algumas horas Nuncasão medicações de escolha no início do tratamento Tratamento Glucagom: Indicado em indivíduos com anafilaxia acompanhada de hipotensão arterial refratária ao uso de volume e de fármacos inotrópicos Cuidados Especiais O paciente deve ser continuamente reavaliado Observação clínica: casos leves - mínimo de 6 a 8hs; casos graves, 24 a 48 hs. Reações bifásicas podem ocorrer entre 8 e 12 horas após o episódio agudo, em 10% dos casos Os pacientes e familiares devem ser orientados para o rápido conhecimento dos primeiros sintomas de anafilaxia e a rápida administração de adrenalina Obrigada ! image1.png image2.jpeg image3.png image4.jpeg image5.png image6.jpeg image7.jpeg image8.png image9.jpeg image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.jpeg image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png