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ARTRITE REUMATOIDE (AR) CONCEITO → Doença SISTÊMICA autoimune crônica do tecido conjuntivo cujas alterações predominantes ocorrem nas estruturas articulares (membrana sinovial e cartilagem), periarticulares e tendíneas. → Curso intermitente, marcado por períodos de remissão e atividade → sempre seguindo um processo continuo de lesão tecidual. Marco da Artrite reumatoide: sinovite crônica levando a formação de erosões ósseas e a deformidade articular. EPIDEMIOLOGIA → Mais comum na população caucasiana. → Menos comum entre os descendentes asiáticos e negros. → Predomínio no sexo feminino (3:1) → Faixa etária de 30 – 50 anos → pode iniciar-se em qualquer idade. → Prevalência mais alta (2 – 10x) entre os parentes de 1º grau de pacientes com AR (herança poligênica). → Doença cardiovascular é a principal causa de mortalidade nos pacientes com AR. → TABAGISMO → contribui para ocorrência e expressão da doença, maior gravidade e concomitância de manifestações extrarticulares. → Fatores de proteção: ômega 3, frutas cítricas, cogumelos, laticínios, consumo moderado de álcool. ETIOPATOGÊNSE O que é membrana sinovial? É um tecido especializado que reveste a porção interna dos espaços articulares em articulações diartrodiais/sinovial (unindo ossos longos e que apresentam grande mobilidade). → Multifatorial → fatores genéticos, ambientais e hormonais. → Ocorre perda da autotolerância e consequente autoimunidade, traduzidas por ativação linfocitária e produção de anticorpos. → Desequilíbrio entre as citocinas pró e anti-inflamatórias e recrutamento articular de macrófagos, neutrófilos (se concentram principalmente no liquido sinovial), células B (se transformam em plasmócitos – secretam anticorpos, como: fator reumatoide (IgM) e anti – CCP (autoanticorpos contra peptídeos citrulinados)), células TCD4, NK, além de ativação de fibroblastos, osteoclastos e condrócitos → responsável por inflamação sinovial crônica (sinovite/erosões), cujos mediadores principais são: IL -1, IL-17, fator de necrose tumoral (TNF – alfa), prostaglandinas. TNF – alfa: proporciona estímulos aos fibroblastos da sinovial para síntese de colagenase (enzima proteolítica) e estimulo a reabsorção óssea. → O elemento fundamental da AR é a proliferação inflamatória da membrana sinovial (sinovite) → o tecido inflamatório em proliferação é chamado de pannus (lesa por contiguidade tecidos vizinhos, como a cartilagem articular, tendões, ligamentos e o tecido ósseo subjacente). → Principal predisponente genético: alelos do gene HLA – DRB1/ HLA-DR4 (epítopos compartilhados)→ aumenta significativamente o risco de evolução para AR (formas mais graves – erosiva). → Microrganismos: parvovírus, Epstein – Barr, micoplasma, Chikungunya, Mycobacterium → durante a infecção por esses agentes há formação de imunocomplexos que podem determinar o aparecimento do fator reumatoide. → Infecção pela bactéria Porphyromonas gingivalis: expressa enzima PAD4 que faz citrulinização de proteínas, o que explica a presença de anticorpos contra o peptídeo citrulinado e o desenvolvimento posterior de doença clinica nesses pacientes, em um fenômeno de mimica molecular. EVOLUÇÃO DA SINOVITE AO MICROSCÓPIO ▪ Fase de exsudação: congestão e edema na superfície interna da membrana sinovial (próximos a borda da cartilagem articular). ▪ Fase de infiltração celular: infiltração de linfócitos T (CD4). ▪ Fase de tecido de granulação: hiperplasia da membrana sinovial, com a formação de um tecido de granulação que recobre a cartilagem e o osso subcondral (pannus). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS → Costuma se instalar de maneira INSIDIOSA e progressivamente, levando de semanas a meses até o seu estabelecimento completo. → Os sintomas iniciais podem ser articulares e/ou sistêmicas. → Sintomas constitucionais: astenia, fadiga, mal-estar, febre baixa, perda de peso, dores e rigidez musculoesqueléticas vagas → antes mesmo dos sintomas articulares. Febre acima de 38°C é incomum, portanto, deve investigar infecções associadas! → A doença geralmente assume sua forma clássica, caracterizada por ARTRITE SIMÉTRICA DE PEQUENAS ARTICULAÇÕES DAS MÃOS E DOS PUNHOS. → Articulações mais acometidas no início da doença: metacarpofalângicas, interfalângicas proximais, interfalângicas dos polegares, punhos e metatarsofalângicas (pé). → Com a evolução da doença, outras articulações podem ser acometidas, como: tornozelos, cotovelos, coluna cervical, esternoclaviculares, temporomandibulares, coxofemorais e com menos frequência, as articulações entre os ossículos dos ouvidos e as interfalângicas distais de mãos e pés. ATENÇÃO ▪ A doença tende a PRESERVAR as articulações INTERFALANGIANAS DISTAIS e as pequenas articulações dos pés. ▪ Em caso de acometimento das interfalanges distais, deve-se pensar em outros diagnósticos, como: artrite psoriásica, osteoartrite e reticulohistiocitose multicêntrica. MANIFESTAÇÕES ARTICULARES E PERIARTICULARES → O acometimento articular se dá de maneira aditiva, sendo a forma simétrica de acometimento a regra na doença já estabelecida. → Dor articular é o principal sintoma (intensidade depende da forma evolutiva da doença). → A dor é de ritmo inflamatório (piora pela manhã e a noite) → paciente queixa de rigidez articular ao se levantar pela manhã (rigidez matinal > 60 minutos: auxilia no diagnóstico de artropatia inflamatória e na avaliação de atividade de doença) e após períodos de mobilização prolongada. → Alterações locais de inflamação articular: calor, edema com ou sem efusão (derrame articular), rubor (incomum) e limitação dos movimentos articulares → em estágios avançados da doença há instabilidades articulares e as deformidades. → Sequência do comprometimento articular: pequenas articulações das mãos (metacarpofalangianas e interfalangianas proximais, as interfalangianas distais costumam ser poupadas) → metatarsofalangianas → punhos → joelhos → cotovelos (mantém em flexão – posição antálgica) → articulação coxofemoral → ombros → coluna cervical → articulações temporomandibulares → cricoaritenoides. Ao contrário das Espondiloartropatias, a AR não induz sacroileíte nem doença clinicamente significativa na coluna lombar ou torácica → o envolvimento vertebral pela AR se limita a COLUNA CERVICAL SUPERIOR (C1 – C2) MÃOS → Achados iniciais mais comuns: tumefação das interfalangianas proximais, que ocorre caracteristicamente de forma simétrica → com avançar da doença, a frouxidão dos tecidos moles nas articulações metacarpofalangianas dá origem ao clássico desvio ulnar dos dedos, ao mesmo tempo em que se desenvolvem subluxações e proeminências ósseas (tanto nas metacarpofalangianas quanto nas interfalangianas proximais). → DEDOS EM FUSO: secundários à tumefação das articulações interfalangianas proximais. Mão reumatoide mostrando dedos em fuso, tumefação da 2° e 3° articulação metacarpofalângica e hipotrofia de músculos interósseos dorsais. → DEDOS EM PESCOÇO DE CISNE: hiperextensão das articulações interfalangianas proximais e flexão da interfalangianas distais. → DEDOS EM BOTOEIRA: flexão das articulações interfalangianas proximais e hiperextensão das interfalangianas distais. → DEDOS EM MARTELO: formados pela flexão permanente das articulações interfalangianas distal. → POLEGARES EM “Z”: secundário à flexão das articulações metacarpofalangianas e a hiperextensão das articulações interfalângicas. PUNHOS → Há comprometimento simétrico dos punhos, podendo haver prejuízo tanto nos movimentos de flexão quanto de extensão. → PUNHOS EM DORSO DE CAMELO: quando há deformidades nos punhos junto às metacarpofalangianas. SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO ▪ Ocorre devido a hipertrofia sinovial que causa compressão do nervomediano contra o ligamento transverso do carpo. ▪ Quadro clínico: parestesias do polegar, segundo e terceiro dedos, e da metade radial do quarto dedo. ▪ Manobra de Tinel: os punhos devem ser percutidos sobre o trajeto do nervo mediano (bem no meio do punho). ▪ Manobra de Phalen: as mãos devem ser colocadas em flexão forçada por 30 – 60 segundos. ▪ A manobras são positivas quando o paciente queixa dor e parestesia ao longo do trajeto do nervo mediano. JOELHOS → São precocemente acometidos e quase sempre apresentam efusão articulares variáveis (derrame articular). → A posição de repouso e o alívio da dor é a semiflexão → podendo alterar a marcha. → SINAL DA TECLA: ocorre quando o derrame articular é identificado pela compressão da patela, realizado com o paciente em decúbito dorsal e joelho estendido. → CISTO DE BAKER: ocorre quando a membrana sinovial da região poplítea desenvolve uma espécie de “bolsa”, que pode invadir os planos musculares da panturrilha, dissecando suas fácies (pode simular TPV – devido a dor e edema local) → o diagnóstico é feito com USG com doppler do membro acometido. PÉS → O envolvimento das pequenas articulações dos pés (especialmente metatarsofalangianas e tarsos) é comum. → A retificação ou desabamento, do arco anterior (metatarsal) cria um pé plano anterior seguido por calosidades localizadas nas regiões de apoio sob as cabeças metatarsais luxadas. → O paciente queixa de dor ao pisar ou a deambular (“senti – se andando em pedregulhos”). COLUNA VERTEBRAL → O acometimento é limitado a coluna CERVICAL superior (C1 – C2). → SUBLUXAÇÃO ATLANTOAXIAL (C1 sobre C2): é uma complicação muito grave/rara (emergência) em que o paciente apresenta com dor cervical alta, rigidez de pescoço e as vezes sinais neurológicos de compressão medular (tetraparesia, tetraplegia, paralisia diafragmática). A subluxação atlantoaxial é definida quando o espaço entre o processo odontoide e o arco do atlas é > 3 mm na radiografia de coluna cervical em perfil. COTOVELOS → Contraturas em flexão dos cotovelos (posição antálgica) → Pode haver encarceramento dos nervos ulnar (“mão em garra”) e radial (“mão caída”) determinado mononeuropatias periféricas do tipo compressivo. OMBROS → O acometimento dos ombros ocorre nas fases mais tardias da doença. → Além de dor e limitação funcional, podem surgir grandes cistos sinoviais. CRICOARITENÓIDEAS → O envolvimento dessas articulações é incomum. → Seu envolvimento gera rouquidão, disfagia e dor na região anterior do pescoço. TEMPOROMANDIBULARES → Raramente é acometido. → Causa sintomas como dor local e dificuldades na mastigação. ARTRITE REUMATOIDE PADRÃO PALINDRÔMICO ▪ Artrite mono ou oligoarticular, e o início dos sintomas é súbito, habitualmente de forte intensidade e acompanhamento por calor, edema e rubor. ▪ O quadro articular perdura em média de 12h a alguns dias e evolui por crises, com períodos de remissão variando de dias a vários meses. ▪ Pacientes em remissão não apresentam sintomas e os níveis de reagente de fase aguda são normais. MANIFESTAÇÕES EXTRA-ARTICULARES E ACOMETIMENTO SISTÊMICO → A frequência e a gravidade das manifestações extra – articulares variam muito com a duração da doença e sua intensidade de acometimento. → Manifestações extra articulares está associado a um aumento de mortalidade. NÓDULOS REUMATOIDES SUBCUTÂNEOS → Manifestação extra – articular mais frequente. → 90% dos pacientes com nódulos possuem fator reumatoide positivo. → São preditores de artrite mais grave e erosiva. → Características dos nódulos: são firmes, indolores, móveis no tecido subcutâneo, mas podem ser aderidos a estruturas adjacentes, podem aumentar ou regredir. → Localização: proeminências ósseas, superfícies extensoras, áreas submetidas a pressão ou adjacentes as articulações → cotovelo, mãos, pés e calcâneo. → Histopatologia: reação granulomatosa não caseosa em paliçada, com foco de necrose fibrinoide central circundado por fibroblastos (vasculite de pequenos vasos). VASCULITE REUMATOIDE (VR) → É uma manifestação menos comum e sua presença está associada a artrite reumatoide grave (pior prognóstico). → Trata-se de um processo inflamatório que afeta os vasos sanguíneos de pequeno e médio calibre. → Fatores de risco: tabagismo, sexo masculino, doença erosiva soropositiva de longa data. → Vasculite de arteríolas ou artérias de pequeno e médio calibre causa: ulceração cutânea, pioderma gangrenoso, formações hemorrágicas nos cantos das unhas, gangrena, púrpura palpável, neuropatia periférica e acometimento de órgãos internos (coração, pulmão, rim, fígado, linfonodos). → Histopatológico: varia de vasculite leucocitoclástica a uma pan-arterite de artérias de pequenos e médio calibre. PULMONARES → Apresentações: derrame pleural; nódulos reumatoides no parênquima; cavitação e pneumotórax; fibrose intersticial difusa com pneumonite; bronquite constritiva; Síndrome de Caplan. → Manifestações mais comum: pleurite e derrame pleural (assintomático em 70% dos casos) → mais comum em pacientes do sexo masculino, com fator reumatoide em altos títulos e nódulos subcutâneos. ACHADOS DO DERRAME PLEURAL DA ARTRITE REUMATOIDE ▪ Exsudato com pH baixo (<7,3) ▪ O complemento está baixo (embora normal no soro) ▪ A contagem dos leucócitos costuma ser < 5.000 ▪ Redução acentuada nos níveis de glicose ▪ Fator reumatoide costuma ser elevado ▪ Desidrogenase láctica elevada (> 700) ▪ “Ragócitos” ou células RA (representa neutrófilos com pequenas inclusões citoplasmáticas). ▪ Diagnóstico diferencial: empiema, derrame parapneumônico. → DOENÇA PULMONAR INTERSTICIAL (PIU): a fibrose intersticial difusa com áreas de pneumonite e faveolamento é mais comum no sexo masculino e que possuem altos títulos de fator reumatoide e uma doença de longa data → a fibrose pulmonar pode levar a uma redução da capacidade pulmonar (padrão restritivo). → NÓDULOS REUMATOIDES PULMONARES: são encontrados em pacientes soropositivos, com sinovite generalizada e nódulos em outras localizações, costumam ser assintomáticos, únicos ou múltiplos, eventualmente infectam formando cavidades ou rompem para cavidade pleural resultando em pneumotórax espontâneo. Os nódulos pulmonares devem fazer diagnóstico diferencial com infecções atípicas (fúngicas, micobacteriana) e neoplasia (principalmente nódulo solitário). → BLOQUIOLITE OBLITERANTE COM ORGANIZAÇÃO PNEUMÔNICA: sinaliza mal prognóstico, é comum em pacientes que fazem uso d – penicilamina ou sais de ouro para tratamento de AR. → SÍNDROME DE CAPLAN: rápido desenvolvimento de múltiplos nódulos pulmonares + pnemoconiose (carvão, silicose) → os nódulos se desenvolvem em geral na região periférica de ambas bases pulmonares, podendo cavitar. CARDÍACAS → Apresentações: pericardite (derrame/tamponamento); IAM por vasculite das coronárias; nódulos reumatoides no miocárdio; distúrbios de condução. → Apresentação mais comum: Pericardite → em geral os pacientes não soropositivos e costumam apresentar nódulos subcutâneos. → Derrame pericárdico → sua análise bioquímica revela aumento de proteínas de LDH, diminuição de glicose e queda de complemento, além da presença do fator reumatoide. → Os pacientes com AR com frequência desenvolvem aterosclerose acerelada (“devido a inflamação crônica/ estresse oxidativo”) e suas complicações (IAM, AVC, ICC). → As doenças cardiovasculares crônicas são a principal causa de óbito na AR. NEUROLÓGICAS → Apresentações: nódulos reumatoides nas meninges; síndrome do túnel do carpo/tarso; neuropatoa cervical (atlantoaxial); vasculite cerebral; vasculite dos vasa nervorum com mononeurite múltipla. → NEUROPATIA PERIFÉRICA COMPRESSIVA: síndrome do túnel do carpo (nervo mediano)e do tarso (nervo tibial anterior). → MONONEURITE MÚLTIPLA: ocorre devido a vasculite dos pequenos vasos que nutrem os feixes neuronais, apresentando – se com perda sensitiva difusa em uma ou mais extremidades. → SUBLUXAÇÃO ATLANTOAXIAL: pode dar origem a uma neuropatia cervical compressiva, com síndrome medular alta e risco de paralisia diafragmática com tetraparesia ou plegia. RENAIS → Apresentações: nefropatia membranosa associada a AR; nefropatia por medicamentos; glomerulonefrite (principalmente mesangial); amiloidose; vasculite renal. → NEFROPATIA MEMBRANOSA: associada ao uso de AINES, sais de ouro, d- penicilamina. → GLOMERULONEFRITE MESANGIAL → AMILOIDOSE: causa síndrome nefrótica (com rins de tamanho aumentado). OLHOS → Apresentações: Síndrome de Sjogren (ceratoconjuntivite seca); episclerite; ceratite ulcerativa periférica; esclerite anterior; vasculite retiniana (raro). → Manifestação mais comum: Ceratoconjuntivite seca → redução da produção e alteração da composição da lágrima → desconforto, dor, coceira, queimação, sensação de corpo estranho ou areia nos olhos, fotofobia, visão borrada. → Quando, ao quadro ocular, associa-se um comprometimento inflamatório das glândulas salivares (xerostomia), tem -se a síndrome de Sjogren secundária. → A AR é a doença mais comumente associada a essa síndrome. → Frequentemente pode haver evidencias sorológica de autorreatividade (positividade do FAN, anti – RO, anti – LA) e infiltração linfocitária tecidual. → EPISCLERITE: é uma condição autolimitada, associada a eritema e dor no olho. É semelhante a uma conjuntivite (“olho vermelho”), mas ao contrário desta, costuma ser uma vermelhidão mais localizada e que não produz secreção. A episclera é localizada entre a esclera e a conjuntiva. → ESCLERITE: é mais dolorosa e pode resultar em redução da acuidade visual. Caso essa condição evolua com adelgaçamento do tecido da esclera, permitindo a visualização da cor azul da coroide subjacente (vascularizada), recebe a designação de escleromalácia perfurante. EXAMES LABORATORIAIS NA AR → HEMOGRAMA: anemia, leucocitose (correlação com atividade de doença, vasculite, infecção, uso de corticoide), eosinofilia, trombocitose (associado a atividade de doença). → CINÉTICA DO FERRO: ↑ ferritina, ↓ ferro sérico. → ↑ PCR/VHS: não são específicos, mas podem ser utilizados para avaliar atividade de doença e a resposta terapêutica. FATOR REUMATOIDE → É um autoanticorpo (IgG, IgM, IgA) que “ataca” a fração das moléculas de IgG. → É um exame pouco específico. → Positivo em 70 – 80% dos pacientes com AR, portanto, resultado negativo JAMAIS descarta diagnóstico. → Condições associadas ao FR positivo: LES, síndrome de Sjogren, sarcoidose, hepatite B e C, endocardite bacteriana, mononucleose, tuberculose, hanseníase, sífilis, calazar, esquistossomose, malária, AIDS, sarcoidose, idosos → O FR reumatoide positivo em indivíduos com quadro clinico sugestivo fortalece o diagnóstico de AR, além de possuir valor prognóstico: existe correlação direta ente os títulos do fator reumatoide e a presença de manifestações extra -articulares (nódulos subcutâneos, vasculite necrosante). ANTI – CCP (Antipeptídeos Citrulinados Cíclicos) → Possui sensibilidade semelhante ao FR, mas é mais especifico (>95%). → Tem a sua positividade antes mesmo da manifestação da doença. → O anti – CCP também se relaciona diretamente ao prognóstico: quanto maior seu nível sérico, mais elevada será a chance de doença agressiva, inclusive com manifestações extra-articulartes. Não se recomenda monitorar a resposta ao tratamento acompanhando os níveis do FR e anti – CCP, pois a variação na atividade de doença não se relaciona de forma consistente com a variação dos títulos de FR e anti – CCP. ARTROCENTESE → Não é essencial para o diagnóstico de AR, mas pode ser útil para descartar artrite séptica e artrite induzida por cristais. → Devem sempre ser solicitados: análise qualitativa e quantitativa do liquido sinovial (inclui pesquisa de cristais), bioquímica, gram e cultura. ANÁLISE DO LÍQUIDO SINOVIAL NA AR ▪ Líquido de aspecto turvo com diminuição da viscosidade ▪ Aumento de proteínas e concentração baixa de glicose ▪ Leucocitose as custas de neutrofilia (PMN) ▪ FR e anti – CCP positivo ▪ Níveis de C3 e C4 reduzidos EXAMES DE IMAGEM → Realizar radiografia de mãos/punhos e antepés como avaliação básica e 12 meses após o diagnóstico. → As modificações estruturais nas pequenas articulações das mãos são as mais precoces e mais frequentes entre as do esqueleto apendicular. → No esqueleto axial, o acometimento cervical (atla-axis) é o mais frequente, e a coluna toracolombar e as articulações sacrilíacas raramente são atingidas. RAIO – X Manifestações radiográficas: → Simetria: acometimento simétrico das articulações sinoviais (importante critério diagnóstico). → Osteopenia (precoce): alteração característica e precoce → no inicio a osteopenia é periarticular e, com a evolução, torna- se mais difusa. → Aumento de partes moles (precoce): traduz acometimento periarticular ou efusões intra – articulares. → Redução do espaço articular: deve-se a destruição progressiva da cartilagem articular. → Erosões ósseas: indicam destruição de cartilagem articular e ocorrem nos CASOS MAIS AVANÇADOS DE DOENÇA. → Cistos ósseos: são representas por áreas translúcidas subcondrais e devem-se a invasão da cartilagem e do osso pelo pannus reumatoide. → Deformidades e instabilidades (anquiloses/subluxação): relaciona a lesões tendíneas, com frouxidão e rupturas, e as vezes tem relação direta com destruição cartilaginosa e óssea. USG → Método não invasivo e de custo acessível (examinador dependente). → Capaz de detectar sinovite, acúmulo de fluido articular e erosões ósseas (mais precoce que o raio X). → Não fornece informações úteis sobre o acometimento intraósseo (edema ósseo). RESSONÂNCIA MAGNÉTICA → Mais sensível que a radiografia simples para identificar lesões cartilaginosas e ósseas. → O uso do contraste endovenoso (gadolínio) é necessário para estimar o grau de inflamação sinovial. DIAGNÓSTICO DE AR → O diagnóstico é CLÍNICO, não existindo exame complementar, seja laboratorial, de imagem ou histopatológico, que isoladamente possa confirma-lo ou descarta-lo. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS ACR DE 1987 → O critério de 1987 identificam com precisão somente os casos bem estabelecidos de AR, isto é, aqueles em que a doença já se expressou plenamente, o que em geral leva meses a anos. → O uso desses critérios retarda o diagnóstico. São necessários pelo menos 4 critérios para fechar o diagnóstico e os critérios de 1 - 4 precisam estar presentes há pelo menos 6 semanas (pois garante a exclusão de síndromes articulares infecciosas, que em geral, são autolimitadas). CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS ACR – EULAR 2010 → Seu objetivo é aumentar a sensibilidade do diagnóstico em fases mais precoce da doença. → Os critérios propostos baseiam-se em um sistema de pontuação por um escore de soma direta. → Somente devem ser avaliados pelos critérios de 2010 os indivíduos que apresentam pelo menos uma articulação com sinovite clínica definida (edema) que não seja bem explicada por outra doença. ▪ Pontuação > 6 é necessária para a classificação definitiva do paciente com AR. ▪ Pequenas articulações: MCF, IFP, MTF (da segunda até a quinta), primeira interfalângicas e punho. ▪ Grandes articulações: ombros, cotovelos, coxofemorais, joelhos e tornozelos. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS → LES: na radiologia do LES não são observadas erosões ósseas como vistos na AR. → REUMATISMO PALINDRÔMICO: caracteriza-se por artrite de uma ou várias articulações acometidas de modo sequencial, em um espaço de algumas horas a váriosdias. Possui um padrão episódico e recorrente de evolução clínica (apesar da ocorrência de ataques frequentes, a doença não é deformante). → ESPONDILOARTRITES: é comum o acometimento das articulações sacroilíacas e da coluna lombar, além disso, há envolvimento articular ASSIMÉTRICO, a preferência por grandes articulações e a presença de entesite. → ARTRITE REATIVA: joelhos, tornozelos e articulações metatarsofalngianas são mais frequentemente acometidas, sendo as articulações das mãos e punhos raramente acometidos. → ARTRITE PSORIÁSICA: possui lesões típicas de pele e unha, além disso há comprometimento de interfalangianas distais e sacroiliacas, presença de entesites. → ARTROPATIA POR CRISTAIS: episódios recorrentes autolimitados de inchaço agudo nas articulações. A condrocalcinose articular difusa é a que mais simula AR, a radiografia apresenta calcificações articulares. → ARTRITE SÉPTICAS: são mono ou oligoarticular e a presença do acometimento sistêmico é mais exuberante (febre), assim como as alterações do liquido sinovial. → INFECÇÕES: geralmente são autolimitadas, podem causar poliartrite por dias a meses – rubéola, parvovirus, hepatite B e C, mononucleose. → OSTEOARTRITE: são mais frequentes acometidas as interfalangianas distais, trapeziometacarpais, coluna lombar, coluna cervical e coxofemorais, além de joelhos. O acometimento dos punhos e MCF raramente acontecem. → POLIMIALGIA REUMATOIDE: ocorre em pacientes mais idosos e caracteriza-se por rigidez em cintura escapular, cintura pélvica e coluna cervical, pode não haver comprometimento de articulações periféricas, mais frequente de grandes articulações. → FIBROMIALGIA: presença de dores difusas articulares e extra – articulares, com numerosos pontos dolorosos sensíveis, pontos de gatilho miofascial e sintomas somáticos (depressão, insônia). → OUTROS DIAGNÓSTICOS: doenças da tireoide, febre reumática, vasculites necrosantes, sarcoidose. PROGNÓSTICO → MELHOR PROGNÓSTICO: doença com pequena atividade nos primeiros meses de evolução; menor incapacidade inicial; baixos níveis de reagentes de fase aguda; ausência de FR e anti – CCP; tratamento precoce; pouco ou nenhum dano articular ao RX. → PIOR PROGNÓSTICO: sexo feminino; tabagismo; baixo nível socioeconômico; início da doença em idade precoce; presença de manifestações extra – articulares; alterações radiográficas ósseas precoce; FR e anti – CCP em altos títulos; fatores genéticos (epítopos compartilhados); demora no diagnóstico e tratamento; níveis de atividade de doença: acometimento de > 20 articulações, VHS e/ou PCR persistentemente elevados. EXAMES PARA SEGUIMENTO DOS PACIENTES COM AR → Hemograma → PCR, VHS → Testes de função hepática e renal → Análise do liquido sinovial → Radiografia de articulações acometidas ESCALAS DE AVALIAÇÃO DE ATIVDADE DE DOENÇA → DAS28: avalia número de articulações acometidas, presença de dor ou edema, provas inflamatórias (PCR), nota do paciente (avaliação de saúde geral pelo paciente por meio de uma EVA). → CDAI: avalia nº de articulações dolorosas; nº de articulações edemaciadas; avaliação global do paciente (EVA); avaliação global do médico (EVA). → SDAI: avalia nº de articulações dolorosas; nº de articulações edemaciadas; avaliação global do paciente (EVA); avaliação global do médico (EVA); PCR. TRATAMENTO → Objetivo: remissão ou baixa atividade de doença. MEDIDAS GERAIS → Tratamento multidisciplinar → psicólogo, fisioterapeuta, médicos. → Repouso articular → durante os surtos agudo da doença. → Vacinação → antipneumocócica (cada 5 anos), anti-influenza (anualmente). Pacientes candidatos a drogas hepatotóxicas devem ser vacinados para hepatite B. TRAMENTO MEDICAMENTO SINTOMÁTICO → AINES (por curto período): diclofenaco (100 – 150 mg/dia), nimesulida (200 mg/dia), naproxeno (1.000 mg/dia) → não alteram o curso natural da doença. CORTICOIDES → Indicações: útil como “ponte” até ação das DARM (o que leva semanas a meses) pois fornece rápido alivio dos sintomas OU para controle de surtos de atividade de doença (flares) → Prednisona 10 mg/dia. → Pulsoterapia com Metilprednisolona (1g EV por 3 dias): é indicado para manifestações graves da doença (vasculites). → Infiltração com triancinolona: pacientes com mono ou oligoartrites persistentes. Deve fazer profilaxia para osteoporose em pacientes que fazem uso de corticoide por > 3 meses: suplementação de cálcio (1.500 mg/dia de cálcio elementar) e vitamina D (400 – 800 UI/dia) TRATAMENTO MODIFICADOR DO CURSO DA DOENÇA → Representantes: Metotrexato (1º escolha), antimaláricos, Sulfassalazina, Leflunomida, Ciclosporina, Sais de Ouro, Azatioprina e Ciclofosfamida. → Demoram de 6 – 12 semanas para alcançar seu benefício terapêutico. → Objetivo: remissão ou baixa atividade de doença < 6 meses. → Para fazer a troca do esquema terapêutico teve ter um período de 3 a 6 meses uso da medicação. FÁRMACOS SINTÉTICOS/CONVENCIONAL METOTREXATO (1° escolha) → Dose: inicial 15 mg/semana podendo chegar até 25 mg/semana VO. → Interação medicamentosa: Salicilatos, Fenilbutazona → aumenta concentração do metotrexato. → Vantagem: baixo custo, pode ser associada com qualquer outra DARMD tanto convencional quanto biológica. → Efeitos colaterais: estomatite, hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, intolerância gastrointestinal, anemia megaloblástica, aumenta risco de infecções, teratogenicidade (mulheres em idade fértil devem fazer ACO). → Contraindicações: gestantes, hepatopatas, nefropatas, alcoólatras. → Deve suplementar ácido fólico (1 mg/dia ou 5 mg/semana) ou ácido folínico (2 mg/semana) para reduzir efeitos adversos. Exames a ser solicitado antes de iniciar o tratamento: sorologias HBV e BCV, hemograma, função renal e hepática, beta – HCG → monitorar a cada 2 – 3 meses. ANTIMALÁRICOS → Dose: Hidroxicloroquina 200 – 400 mg/dia. → Vantagem: pode ser usado na gestação. → Efeitos colaterais: toxicidade retiniana - maculopatia (fazer controle oftalmológico anual), TGI, hiperpigmentação cutânea. → Contraindicação: pacientes com alterações retinianas, maculopatia. → Não reduzem progressão de erosão óssea, portanto, não deve ser utilizado em monoterapia (MTX + hidroxicloroquina + sulfassalazina). LEFLUNOMIDA → Dose: 20 mg/dia VO. → Vantagem: pode ser usado em monoterapia/associação, → Efeitos colaterais: diarreia, alopecia, rash cutâneo, leucopenia, elevação de enzimas hepáticas, HAS. → Contraindicação: gestantes. → Antídoto: Colestiramina. SULFASSALAZINA → Dose: 1 – 3 g/dia VO. → Vantagem: MTX + hidroxicloroquina + sulfassalazina → boa associação para casos refratários. → Efeitos colaterais: gastrointestinais, hipersensibilidade a sulfa, granulocitopenia, anemia hemolítica (em pacientes com deficiência de G6PD). → Contraindicação: gestantes, deficiência de G6PD. CICLOSPORINA → Dose: 2, 5 – 5 mg/kg/dia → Efeitos colaterais: nefrotoxicidade e mielossupressão. → Contraindicação: nefropatas, malignidades, hipertensão não controlada. SAIS DE OURO → Inibe a quimiotaxia de neutrófilos e a proliferação de células sinoviais. → Dose: 3 mg VO 12/12h. → Efeitos colaterais: dermatite, síndrome nefrótica, citopenias, paladar metálico. → Contraindicações: gestantes. AZATIOPRINA E CICLOFOSFAMIDA → Indicação: pacientes que não respondem aos tratamentos anteriores e para os que apresentam vasculite sistêmica ou doença pulmonar intersticial. → Azatioprina: 1,5 – 2,5 mg/kg/dia (efeitos a partir de 2 – 3 meses) → efeitos colaterais: supressão medular, usar com cautela na gravidez. → Ciclofosfamida: cada vez mais utilizada em pulsoterapia mensal (500 – 100 mg/m2 IV) → efeitos colaterais: disfunção gonadal, cistite hemorrágica, alopecia, teratogênico. AGENTESBIOLÓGICOS → Indicação: pacientes que persistem com atividade de doença, apesar do tratamento com pelo menos 2 dos esquemas propostos anteriormente, incluindo MTX, com exceção do Rituximabe que deve ser utilizado após falha de pelo menos um outro biológico. → Os agentes biológicos devem ser utilizados em associação com uma droga modificadora de doença reumática, preferencialmente o MTX. → Exames obrigatórios antes de iniciar biológicos: sorologia de Hepatite B e C, HIV, PPD. Bloqueadores de TNF Adalimumabe, Certulizumabe. Etanercepte, Infliximabe, Golimumabe, Depletor de linfócito B Rituximabe Bloqueador da coestimulação de linfócito T Abatacepte Bloqueador do receptor de IL - 6 Tocilizumabe Bloqueador do receptor de IL - 1 Anakinra Medicamento alvo específico (inibe Janus quinase (JAK1 – JAK2)) Tofacitinibe Baracitinibe AGENTES ANTI – TNF – ALFA → Podem ser usados em monoterapia (ex: em caso de intolerância a DARMD convencional), mas seu emprego preferencial é nos esquemas de associação (MTX + anti – TNF – alfa). → JAMAIS deve-se associar 2 anti – TNF – alfa ao mesmo tempo → aumenta o risco de infecções fulminantes. → Efeito adverso: surgimento de infecções oportunistas, com destaque para infeções fúngicas invasivas e reativação de tuberculose latente. CONTRAINDICAÇÕES DOS AGENTES BIOLÓGICOS → Anti – TNF - alfa mais seguro na gestação: Certulizumabe. → Contraindicações dos anti – TNF alfa: insuficiência cardíaca congestiva classe III ou IV; pacientes com infecção ativa ou com alto risco de desenvolver infecções (úlcera crônica de membros inferiores, artrite séptica nos últimos 12 meses); infecções pulmonares recorrentes; esclerose múltipla; doença maligna atual ou passada (ocorridas há menos de 5 anos). USO DE ANTI – TNF E TUBERCULOSE LATENTE ▪ Em pacientes com suscetibilidade ou história prévia de tuberculose, os agentes biológicos (principalmente anti – TNF) devem ser utilizados com cautela, recomendando-se radiografia de tórax e teste tuberculínico (PPD) antes do início da terapêutica. ▪ Aqueles que apresentem PPD ≥ 5 mm, alterações radiográficas compatíveis com tuberculose prévia ou que tiveram contato íntimo com indivíduos com tuberculose ativa devem fazer tratamento profilático com isoniazida na dose de 5 a 10 mg/kg/dia, até a dose máxima de 300 mg/dia, durante 6 meses. ▪ Nesses pacientes, o agente biológico (Etanercpte) pode ser introduzido após 1 mês de uso de isoniazida. → Rituximabe: biológico de escolha para pacientes com câncer há menos de 5 anos (melanoma de pele, doença linfoproliferativa, doença maligna sólida). TRATAMENTO CIRÚRGICO DAS DERFOMIDADES ARTICULARES E TENDÍNEAS → No caso de alterações articulares graves e que não respondem a tratamentos conservadores, é indicada a cirurgia ortopédica (sinovectomia, osteotomia, artrodese e artroplastia). SÍNDROME DE FELTY → É classicamente definida pelo surgimento, em portadores de artrite reumatoide, de esplenomegalia + neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos < 2.000). → Outras manifestações: anemia, trombocitopenia, febre, hepatomegalia e adenomegalia. → Essa síndrome costuma ocorrer em fases mais tardias da artrite reumatoide, no contexto de uma doença erosiva associada a altos títulos de fator reumatoide/anti-CCP, além de outras manifestações extra-articulares. → Infecções bacterianas recorrentes representam o principal problema clínico, com predomínio das infecções respiratórias e cutâneas causadas por patógenos habituais → risco de infecção é diretamente proporcional ao grau de neutropenia. MECANISMOS DA NEUTROPENIA → Fagocitose (no baço) de neutrófilos opsonizados por anticorpos antineutrófilo; → Parada de maturação da série granulocítica na medula óssea; → Ação de linfócitos citotóxicos na medula óssea, destruindo os neutrófilos recém-formados; DIAGNÓSTICO → Esfregado do sangue periférico: apresenta a síndrome dos grandes linfócitos granulares → o esfregaço apresenta predomínio de linfócitos granulares e de tamanho aumentado, tendo como "pano de fundo" uma ausência quase total de neutrófilos. TRATAMENTO → 1° opção: tratar doença de base – AR (Ex: Metotrexato, corticoide.) → Casos refratários: esplenectomia. DOENÇA DE STILL DO ADULTO → É uma doença multissistêmica rara, considerada uma síndrome autoinflamatória. → Diagnósticos diferenciais para doenças autoinflamatórias: febre familiar do mediterrâneo, artrite gotosa, espondiloartrites. → Citocinas mais implicadas: IL-1, IL-6. QUADRO CLÍNICO → Febre (> 38,5°C) com padrão cotidiano de 1 – 2 picos diário (as temperaturas são mais altas a noite). → Eritema róseo evanescente → pruriginoso, macular ou maculopapular que piora com a febre, é predominantemente encontrado na região proximal dos membros e tronco. → Dor articular (sintoma mais comum) → artralgia e artrite envolvem sobretudo os punhos, joelhos e tornozelo, coluna cervical. → Dor de garganta pode ser o sintoma inicial da doença. → Outras manifestações: serosite, perda de peso, mialgia, linfadenopatia, esplenomegalia, hepatomegalia. EXAMES LABORATORIAIS → ↑ PCR e VHS → Hemograma: leucocitose neutrofílica, anemia e trombocitose. → ↑↑↑↑↑ Ferritina → ↑ Transaminases → FAN, Fator reumatoide, anti – CCP: costuma ser negativos. A doença de Still do adulto é um diagnóstico de exclusão, após ter afastado doenças infecciosas, neoplásicas e autoimunes. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DE YAMAGUCHI São necessários 5 ou mais critérios, dos quais pelo menos dois devem ser maiores. TRATAMENTO → Metilpredinisolona 1g EV por 3 dias. → Prednisona 1 mg/kg/dia e metotrexato. → Casos refratários: imunobiológicos, bloqueadores de TNF – alfa, tocilizumabe e anakinra.