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de sua devida contribuição aos contratos futuros. 
No item IV o assunto será analisado em maior detalhe, explorando a situação do curto prazo. 
Isto é, partindo da premissa que a empresa deseja manter intacta a sua capacidade de 
produção e, em decorrência, o nível dos custos gerais de administração que vem incorrendo. 
c) CFI = Custos financeiros 
Os custos financeiros são caracterizados como aqueles a serem pagos pela utilização de 
capital de giro necessário à realização do empreendimento. 
Esse capital de giro pode abranger o total dos custos diretos e dos custos indiretos vinculado ao 
empreendimento, segundo o interesse da empresa. 
Uma abordagem quanto à definição dos custos financeiros é considerá-los como o montante do 
valor monetário a ser efetivamente pago a instituições financeiras pelo capital delas tomado. 
Outra abordagem é considerá-lo como a remuneração do capital dos acionistas, expresso no 
Patrimônio Líquido do Balanço Patrimonial. 
As duas abordagens comentadas são situações limite, sendo muito provável que o capital de 
giro disponível para a execução de um empreendimento seja oriundo das duas fontes citadas. 
Nessa situação, a recomendação é efetuar o cálculo dos custos financeiros utilizando a média 
ponderada dos custos inerentes a cada fonte de capital utilizada pela empresa. 
Além desses, é importante levar em consideração o tempo que a empresa deverá financiar o 
capital de giro, a ocorrer entre a incidência dos custos necessários a sua realização e a 
quitação dos mesmos pelo contratante. 
Neste estudo, os custos financeiros são aqueles inerentes a cada contrato. 
Havendo necessidade da empresa em incorrer em custos financeiros para cobrir as despesas 
gerais de administração, há que se analisar a viabilidade da existência da mesma como 
entidade produtiva. 
 
 
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d) CMR = Custos de manutenção, depreciação, operação e reposição 
Este grupo de custos refere-se a manutenção, operação e reposição de estruturas físicas de 
apoio, de equipamentos não considerados na composição de custos unitários e de 
equipamentos de uso transitório. Estes custos podem representar um valor expressivo e 
recomendável sua consideração na composição do BDI. 
No caso de equipamentos utilizados na realização de serviços, o mais interessante é que as 
despesas constantes deste grupo integrem a composição dos custos unitários. 
e) CMV = Custos de comercialização, propaganda e promoção de vendas 
Este grupo de custos abrange as despesas com o processo de comercialização, de propaganda 
e de promoção de vendas inerentes ao empreendimento. 
Dois aspectos devem ser observados de forma específica nas despesas com propaganda. 
Àquelas referentes à promoção institucional da empresa e as referentes a um determinado 
empreendimento. 
Quando se tratar de despesas com propaganda institucional, o procedimento recomendado é 
distribuir esses custos, proporcionalmente, entre os contratos em carteira. Além disso, esse 
valor é, usualmente, provisionado como um percentual do faturamento ou do lucro da empresa. 
A despesa necessária à comercialização, propaganda ou de promoção de vendas inerentes a 
empreendimento específico, deve ser lançada no custo deste empreendimento, integralmente. 
No caso da construção residencial, quando é comum serem as vendas efetuadas através de 
corretores de imóveis, os custos em questão são calculados como porcentagem do valor global 
do bem. O tratamento a ser dado para que não ocorra redução de lucro é semelhante ao caso 
dos tributos incidentes sobre o faturamento, podendo mesmo ser considerado como tal. 
Este último caso reflete a situação de qualquer comissão ou pagamentos incidentes sobre 
serviços contratados. 
II.c) Valor de Risco – VR 
Na construção, o risco deve ser quantificado em termos monetários, visando dispor a empresa 
de capital para a cobertura de eventual sinistro. E, evitar sua descapitalização caso lhe seja 
atribuída culpa em alguma eventualidade. 
O valor de risco pode, então, ser considerado como uma importância a ser paga pelo prêmio de 
um seguro efetuado com o objetivo de garantir a cobertura de perdas devido a possíveis 
acidentes, inadimplemento ou atraso contratual. 
Pode, também, ser apropriado como o custo direto previsto para cobrir prejuízos causados por 
eventuais danos a propriedades vizinhas ao empreendimento, a exigências da legislação 
ambiental ou a suspensão de faturamento por motivo de chuva ou imprevistos do gênero, 
quando não cobertos por seguro. 
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A escolha entre um ou outro procedimento é de política gerencial. No primeiro caso, a empresa 
contrata um seguro visando ressarcir custos eventuais com acontecimentos que a induzam a 
incorrer em despesas extraordinárias não previstas nos custos diretos. No segundo, assume 
como possível a ocorrência dessas mesmas despesas e as rateia dentro dos preços de um 
contrato. 
II.d) Montante de Lucro – ML 
O montante de lucro consiste no valor do benefício a ser auferido pela empresa proveniente da 
realização de um contrato ou empreendimento. 
O valor em causa normalmente é calculado sobre o somatório dos custos diretos, dos custos 
indiretos e da margem de risco, pois são estes os valores movimentados e trabalhados pela 
empresa para o cumprimento de seus fins. 
Após definida uma margem de lucro, isto é, a porcentagem de ganho que a empresa deseja 
obter pelo capital ou custos a serem movimentados, esta é multiplicada pelo somatório dos 
recursos já mencionados, o que permite obter o montante do lucro, o benefício a ser auferido. 
Pelo exposto, matematicamente, o cálculo do lucro “ML” é efetuada pela seguinte expressão: 
ML = µ ( ΣCI + ΣCD + VR ) Eq. 9 
A margem de lucro “µ“ é definida, então, como um percentual incidente sobre o somatório dos 
custos diretos, dos indiretos e do valor de risco. 
A empresa, antes de definir o montante do benefício a ser alcançado e expresso em valor 
monetário, usualmente define um percentual ou margem de ganho desejado sobre os seus 
serviços ou empreendimentos. E, essa margem, é a utilizada como medida e meta de 
desempenho dos contratos e da empresa. 
Considerando que µ caracteriza a margem de lucro desejada, após a dedução dos custos de 
produção, administrativos e tributos do faturamento esperado, ela compatível com a taxa de 
mínima atratividade da empresa. 
II.e) Tributos 
Sob o conceito de tributo, estão considerados os impostos, taxas e contribuições devidas aos 
fiscos da União, estados e municípios. 
Havendo inabilidade gerencial na avaliação da incidência dos tributos sobre o faturamento e 
sobre o lucro, poderá ocorrer o pagamento de tributos em valor superior ao efetivamente devido 
ou previsto, bem como o recebimento de importâncias inferiores às esperadas, dado a 
incidência de recolhimento na fonte. 
Estas situações deverão ser previstas durante a fase de elaboração das propostas, visando 
inibir a frustração dos lucros esperados. 
Os tributos incidentes sobre os serviços de engenharia podem ser agrupados em três principais 
categorias: 
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• Tributos Incidentes sobre o Lucro; 
• Tributos incidentes sobre o faturamento; 
• Encargos Sociais. 
Nesta seção são analisados os dois primeiros, sendo os Encargos Sociais analisados em seção 
anterior. 
O recolhimento dos tributos varia segundo a legislação federal, estadual e municipal. 
A legislação federal estabelece o maior número de tributos incidentes sobre a indústria da 
construção civil, tendo por base de calculo dos impostos o lucro e o faturamento e, de formas 
diversas. Todos estão discriminados nos item nesta seção. 
Quanto ao fisco estadual, os impostos considerados são o IPI - Impostos