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equivalente a R$ 4.620 mil. 
Nesta situação, o valor da contribuição aos Custos Gerais de Administração propiciada pela 
obra-k, será de R$ 92,73 mil, equivalentes a 25,75% do total que é R$ 360 mil. 
A assunção de qualquer das hipóteses comentadas, como critério de rateio, deve ser precedida 
do reconhecimento da situação de mercado, para que a empresa não se equivoque nos 
procedimentos que adotar, com expressão na perda de competitividade ou sub-avaliação dos 
custos rateados. 
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Em período de economia crescente, sendo política gerencial a manutenção do nível de 
produção, pode ser assumida uma posição de maior risco. Isto é, adotar o critério de ratear os 
custos a menor pois, desse modo, estará sendo aumentada a competitividade da empresa, 
devido a redução do nível de custos. 
Caso contrário, é recomendável a adoção de um rateio mais conservador já que, com a 
economia passando por fase de retração, pode ser necessário a redução da capacidade de 
operação e, em conseqüência, a redução dos custos totais. 
Como já é do conhecimento, no curto prazo os custos indiretos/fixos, são constantes. Porém, 
no médio e no longo prazo, se comportam de forma crescente. 
Considerando ser comum aos contratos de engenharia atingir o médio ou o longo prazos, a 
implementação de uma política gerencial de forte redução de custos pode causar redução no 
faturamento, com impacto direto na diminuição do volume de lucros. 
Um exemplo de rateio para cada hipótese acima pode ser calculado da seguinte forma (para os 
6 meses em questão): 
Rateio 1ª Hipótese 2ª Hipótese 3ª Hipótese 
Obra - ρ2 = 360.000,00/5.600.000,00 ρ 3 = 60.000,00/4.620.000,00 
x 80.000,00 980X ρ2 = 63.000,00 980X ρ2 = 76.363,63 
y 108.000,00 1.320X ρ2 = 84.857,00 1.320X ρ2 = 102.857,14 
z 172.000,00 2.110X ρ2 = 135.643,00 2.110X ρ2 = 164.415,58 
k 80.000,00 1.190X ρ2 = 76.500,00 1.190X ρ2 = 92.727,27 
Total para 
cobrir CGA 
440.000,00 360.000,00 436.363,62 
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II.b) Manutenção do Nível de Produção. 
O caso a seguir analisa a situação em que um novo contrato será assumido, face a conclusão 
de outro, situação a ocorrer em futuro próximo. Além desse fato, a carteira de obras é composta 
por contratos que estarão em vigor durante um prazo suficientemente longo. 
O cronograma mostra que o contrato relativo à obra-x está em vias de conclusão e a empresa 
pretende dar início à nova obra - k. 
Como premissa, é estabelecido que a empresa deseje manter em atividade o mesmo nível de 
produção ora praticado. 
 
Havendo similaridade no montante dos valores dos contratos da Obra-x e da Proposta-k, é 
possível o futuro contrato suportar, integralmente, os custos até então cobertos pela obra em 
conclusão. 
Porém, sendo o volume financeiro do novo contrato expressivamente inferior, a empresa terá 
que obter um outro contrato que justifique a manutenção de sua capacidade de produção nos 
níveis anteriores, em outras palavras, manter o mesmo nível dos custos fixos praticados. 
I.c) Aproveitamento de Capacidade Ociosa. 
No caso em pauta, a empresa dispõe de diversos contratos em andamento, tem seus custos 
totais cobertos por esses contratos e dispõe de alguma capacidade ociosa. 
Surgindo a oportunidade de assumir um novo contrato “k”, cujo tempo de execução seja 
significativamente inferior aos demais, o rateio dos custos indiretos pode ser reduzido no todo 
ou em parte. 
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980,00 22,22%
1.320,00 29,93%
2.110,00 47,85%
1.087,00 22,22%
Montante de 
carteira até
aqui: 4.410,00
 
Essa redução de custos permite alavancar a competitividade, sem alterar a margem de lucro. 
 
II) Critérios Específicos 
Definido o montante dos custos indiretos a ser suportado por um contrato, cabe a tarefa de 
rateá-lo entre os diversos serviços que o compõem. 
Os critérios específicos de rateio podem ser divididos em duas vertentes, segundo “Pizzolato – 
Introdução À Contabilidade Gerencial”, pgs. 160 e 162: 
o Quanto à capacidade instalada; 
o Quanto à utilização observada. 
II.a) Quanto à Capacidade Instalada 
Nesta vertente, os custos são rateados segundo o metro quadrado disponível; a potência 
nominal instalada; o número de funcionários empregados na atividade; a produção nominal dos 
equipamentos; etc. 
Os exemplos abaixo demonstram o especificado: 
a) Rateio dos Custos Totais de Iluminação. Esses podem ser realizados proporcionalmente à 
área iluminada ou o número de pontos de luz instalados por sessão. Medidores de 
consumo podem ser instalados em cada sessão, procedimento que propicia a precisão do 
rateio, porém com aumento do custo do processo. 
b) Rateio dos Custos de Energia Elétrica. Podem ser efetuados proporcionalmente à potência 
instalada em cada sessão, ou ao número de horas de operação dos equipamentos. 
II.b) Quanto à Utilização Observada 
Nesta situação, o critério de rateio é efetuado segundo a utilização dos recursos disponíveis: 
homens-hora apontados; quilowatts consumidos; custos diretos orçados; horas de utilização ou 
quilometragem apropriada na utilização de veículos. Como exemplos: 
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• Rateio dos custos de manutenção. Pode ser efetuado proporcionalmente ao número de 
ordens de serviços executadas ou ao número de homens – hora apropriados para a 
realização de qualquer serviço; 
• Rateio de escritório técnico – é o caso clássico da distribuição dos custos segundo o 
número de homens-hora utilizados em cada projeto. 
• Rateio de veículos de transporte – Neste caso o fator de rateio de custos pode ser o 
número de horas utilizadas para a realização de um serviço, ou a quilometragem 
despendida para o mesmo. Ou, um misto das duas acima. 
III) A Metodologia Activity Based Costing - ABC 
Activity Based Costing, como o próprio nome diz, é uma metodologia de rateio de custos 
baseados na atividade. Ela permite distribuir o custo indireto segundo a contribuição de cada 
serviço para o faturamento global. 
Utilizando essa metodologia, o montante do custo indireto pode ser rateado segundo o preço 
final ou o custo de cada serviço. 
Tal procedimento propicia evitar que um item qualquer do contrato, principalmente aqueles 
onde conste orçamento com planilha de preços detalhadas, seja excessivamente onerado e se 
mostre como irreal, quando comparado àqueles praticados pelo mercado concorrente. 
Como exemplo de procedimento, da metodologia ABC, é efetuado o rateio dos custos indiretos 
de um contrato que apresenta a seguinte situação: 
• Montante do Contrato ................ R$ 1.190 mil 
• Custos Diretos ................. R$ 895 mil 
• Custos Indiretos ................. R$ 97 mil 
No exemplo, o critério de rateio dos custos indiretos adotado foi o de mesmo percentual dos 
custos diretos orçados. 
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Nº. Item Custo Direto R$ 
% Sobre 
Contrato 
% 
Rateio 
Custos 
Indiretos 
R$ 
1 Preliminares 80.550,00 9,00 9,00 8.730,00 
2 Fundações 49.225,00 5,50 5,50 5.335,00 
3 Alvenaria 35.800,00 4,00 4,00 3.880,00 
4 Estrutura de 
Concreto 
107.400,00 12,00 12,00 11.640,00 
5 Forros 17.900,00 2,00 2,00 1.940,00 
6 Cobertura 89.500,00 10,00 10,00 9.700,00 
7 Revestimento 
Interno 
40.275,00 5,50 5,50 4.365,00 
8 Revestimento 
Externo 
31.325,00 3,50 3,50 3.395,00 
9 Barras 4.475,00 0,50 0,50 485,00 
10 Lastro do Piso 13.425,00 1,50 1,50 1.455,00 
11 Pisos Internos 22.375,00 2,50 2,50 5.820,00 
12 Rede Hidráulica 13.425,00 6,00 6,00 2.425,00 
13 Rede Sanitária 4.475,00 2,50 2,50 1.455,00 
14 Funilaria 24.165,00 1,50 1,50 485,00 
15 Rede Elétrica 51.015,00 0,50 0,50 2619,00 
16 Esquadrias 22.375,00