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Sistema tegumentar de cães e gatos

Capítulo sobre o sistema tegumentar de cães e gatos. Aborda epidemiologia e importância da pele, anatomia e fisiologia, a necessidade de diagnóstico preciso, diferenças entre tratamento empírico, baseado em sinais e por diagnóstico presuntivo, e princípios para sucesso terapêutico.

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Sistema Tegumentar de Cães e Gatos
A dermatologia compreende 25% de toda a atividade clínica de pequenos animais. Além disso, 75% dos animais trazidos à clínica apresentam dermatopatias como queixa principal ou concomitante. A pele reflete a saúde interna e a saúde ambiental. Ela é o espelho do que se passa no organismo do paciente e reflete também a maneira como ele é tratado pelo seu tutor.
A fisiologia das lesões cutâneas está relacionada a mecanismos imunológicos e condições metabólicas sistêmicas. É muito importante conhecermos a anatomia e fisiologia. A pele é o primeiro órgão que nós vemos no animal, então ela pode trazer muitas informações para nós, além de ser a primeira barreira anátomo-fisiológica contra agressões externas.
Ao abordar o animal, temos que ter em mente alguns aspectos importantes no que diz respeito a pele. Os métodos diagnósticos têm que ser usados de maneira apropriada porque sem um diagnóstico adequado vai haver medicação inadequada, e medicação inadequada tem dois aspectos importantes: os efeitos colaterais à essa medicação não indicada e a ineficácia do tratamento. Se usarmos um medicamento bem indicado, ele vai ter um efeito benéfico e vai auxiliar na cura do animal, independentemente de ter efeitos adversos, mas nesse caso a relação custo benefício compensa. Agora, um medicamento que terá efeito colateral ministrado para um animal a partir de um diagnóstico errado, o animal vai continuar com a doença que vai ser somada à doença causada pela medicação inadequada. Então, por isso, é de extrema importância que o diagnóstico seja o melhor possível.
Outro aspecto é que o tratamento tem que ser o mais breve possível, mesmo antes de se fechar um diagnóstico principalmente na dependência dos exames complementares, que levam um tempo para serem finalizados. Neste tempo é importante que haja no mínimo um tratamento clínico. O tratamento empírico é a tentativa e erro, o veterinário supõe que o animal tem algo e esse paciente é tratado de acordo com essa suposição. O tratamento empírico é comum nas lojas de produtos agropecuários onde o balconista sugere algum fármaco de acordo com o que é relatado pelos tutores. Geralmente o tratamento empírico é baseado no “ouvi dizer”. Por exemplo, “eu ouvi dizer que nessa região tem muita sarna, use ivermectina porque é um remédio pra sarna”. Como a ivermectina é um vermífugo que trata várias infecções parasitárias, internas e externas, uma dermatopatia associada a uma deficiência nutricional por conta de vermes gastrointestinais pode vir a melhorar porque os vermes foram eliminados pela ivermectina e indiretamente a pele iria melhorar. Dessa forma, o balconista e o tutor que comprou vão ficar felizes porque o tratamento deu certo, mas sabemos que não é isso.
O tratamento clínico baseado nos sinais se refere ao tratamento da alteração que o clínico veterinário vê. É baseado nos sinais objetivos que ele obteve ao exame físico. Então se ele percebe dor, edema, presença de secreção purulenta, independentemente do agente etiológico, o clinico veterinário que percebeu essas alterações e as informações da anamnese ele pode e deve tratar os sinais que o animal apresenta. Então ele vai tratar a dor, o prurido, o edema, a infecção bacteriana, etc. Essa infecção que pode ser tanto primária quanto secundária, vai fazer com que o veterinário entre com a antibioticoterapia sistêmica, principalmente se o animal também tiver sinais sistêmicos, aí ele vai ter que escolher um antibiótico que vai ter uma distribuição no ponto que ele percebeu a lesão (pele) e que tenha um espectro de ação contra a maior parte das bactérias que acometem pele. Esse é o tratamento clínico baseado em sinais. 
O tratamento baseado em diagnóstico clínico presuntivo é quando o médico veterinário com base no conhecimento dele faz um diagnóstico sobre a doença provável e, por um conjunto de evidências, ele vê que aquela doença muito provavelmente é a doença com a qual ele está muito habituado a lidar. Por exemplo, a sarna escamosa tem uma distribuição específica, é muito contagiosa e é caracterizada por intenso prurido. Então com base nos dados de anamnese e exame físico, ele vai colher as amostras para os exames complementares confirmatórios, mas ele vai começar a tratar uma sarna escamosa. Isso é o tratamento baseado no diagnostico clínico presuntivo e que certamente será confirmado com os exames laboratoriais ou quaisquer exames que ele peça para confirmar o diagnóstico. Então existe uma distância entre o tratamento empírico e o tratamento clinico baseado nos sinais e baseado no diagnóstico presuntivo.
Aspectos fundamentais para o sucesso da terapia:
1. Diagnóstico da doença cutânea
2. Diagnostico das condições sistêmicas
3. Terapia tópica
4. Terapia sistêmica
5. Prevenção de outras doenças
6. Manejo higiênico
7. Adequação da alimentação e água
Plano diagnóstico do Sistema Tegumentar
É a execução de uma sequência de testes diagnósticos, que pode incluir procedimentos terapêuticos, voltado à eliminação de diagnósticos diferenciais e chegar a um diagnóstico final.
Se o animal não responde a um determinado procedimento terapêutico ou não responde 100% é porque aquela condição estava somada com aquilo que o procedimento resolve ou não era realmente aquilo, então a resposta ao tratamento também é utilizada no diagnóstico. Isso é muito diferente do tratamento empírico.
Então no plano diagnóstico do sistema tegumentar, o clínico vai ter três objetivos:
1. Obter o histórico do animal (identificar os componentes importantes na anamnese, relacionar os dados aos achados clínicos e laboratoriais, lidar adequadamente com possíveis erros de manejo).
2. Obter dados objetivos via exame físico do animal (entender como examinar a pele, conhecer o aspecto normal da pele e do pelo, identificar e descrever as lesões causadas pelas doenças, realizar o exame físico geral) - compreender sua importância no diagnóstico dermatológico.
3. Obter evidências complementares via exames auxiliares (suspeitar do possível agente causal pelo tipo da lesão, obter corretamente a amostra de acordo com o tipo de lesão, conhecer as características principais das doenças cutâneas).
Anamnese
Ao fazer a anamnese, o clínico tem que saber direcionar as perguntas para obter respostas informativas e objetivas. Por exemplo, perguntar se há prurido ou não, já é um divisor de águas. A sarna escamosa, mesmo quando não tem infecção secundária, ela já começa pruriginosa. Então nesse caso, antes da lesão ser visível, o animal já está se coçando. Outra pergunta importante é se há lesões visíveis, se o tutor viu essas lesões e quando elas começaram. A sarna demodécica não começa com prurido, ela começa com as lesões (alopecia em certas partes mais ou menos específicas do animal, geralmente em torno dos olhos, focinhos e membro anteriores. Quando há infecção secundaria, o prurido começa. Mas a lesão primária de sarna demodécica não tem prurido.
A maioria dos fungos dermatófitos não têm prurido, mas alguns fungos específicos podem causar prurido principalmente quando há infecção bacteriana associada, por exemplo por Trichophyton. Então a gente tem que saber como as doenças e os agentes são capazes de provocar lesões nos animais, e assim poderemos suspeitar adequadamente.
O contágio é outro aspecto importante. Esse animal convive com outros animais e crianças? Elas estão tendo sinais semelhantes? Além da gente verificar o contágio, por exemplo, analisando se é uma doença infecciosa contagiosa, veremos também se é uma zoonose (doenças transmitidas entre animais e seres humanos). Logo, essas são informações cruciais que devem ser obtidas na anamnese.
Como é a dieta e higiene desse animal? Se a dieta é precária, ele terá deficiência nutricional de vários elementos que são diretamente ligados à saúde da pele. Então devemos perguntar o que esse animal ingere, qual é a rotina de alimentos. A depender do tipo de dieta, já pode se suspeitar que a doença cutânea pode estar relacionada à má dieta. E como é a higiene do animal? Quem cuida da higienee do ambiente que ele vive? Sabemos que doenças podem estar vinculadas à higiene do ambiente, como as infestações por ectoparasitos. O excesso de banho também pode causar doenças cutâneas. O animal vive em casa ou apartamento? Ele fica na área externa ou interna da casa? É uma área endêmica para alguma doença específica?
Associações de sistemas: Quando existe a associação de sistemas além da doença de pele, o animal pode ter alergias. Associação de doença cutânea com espirros, com diarreia... Podemos estar diante de um animal que é hipersensível. Ele tem hipersensibilidade. Quando o animal apresenta-se mais propenso a desenvolver a doença (sem estar doente) caracteriza-se a atopia. Quando ele já tem a doença, significa que ele está no quadro de alergia.
Quando o animal está apresentando alopecia sem prurido, ou quando o seu dorso está com formato penduloso, arredondado, pensamos em doenças endócrinas. Outra perguntar importante é questionar se o animal já foi em outro veterinário, se sim, o que já foi prescrito para ele, quais exames já foram feitos, como foi a resposta ao tratamento prescrito pelo colega. São perguntas que vão trazer informações muito úteis ao se levantar a suspeita clínica. O animal tem alguma doença crônica? Ele recebe alguma medicação de uso crônico? Todas essas informações são muito importantes.
Ao final da anamnese, devemos perguntar se há algum comentário adicional que o tutor tenha esquecido. Normalmente, nesse momento, o tutor expõe informações importantes sobre o quadro do animal, que podem ser muito úteis para fazer o diagnóstico.
Exame físico geral
A segunda fase do plano diagnóstico é fazer o exame físico no paciente. Devemos olhar e tocar o animal. Temos que saber fazer a avaliação da saúde geral e da saúde cutânea.
Com base no histórico da anamnese que já foi feita, você pode centrar em um sistema em particular. Por exemplo, exame endócrino mais criterioso caso haja obesidade; sistema nervoso no caso de problemas comportamentais; áreas endêmicas para doenças infecciosas; estado nutricional. Tudo o que foi falado no histórico, vai auxiliar o veterinário a observar o animal com mais criteriosidade no exame físico geral.
Deve ser feito em ambiente com luz e espaço, se necessário podemos sedar o animal ou colocar focinheira, proceder ao exame completo sistemático antes do exame da pele específico (sempre observando o comportamento do animal, independentemente da doença). Na anamnese a gente começa perguntando pelos sinais que o tutor observa na mesma ordem do funcionamento do sistema. Ao exame físico você também pode seguir uma ordem específica, cabeça, dorso primeiro e depois a região e antero-posterior. Você pode estabelecer outra ordem, mas o importante é fazer sempre da mesma forma, criar um padrão a ser seguido.
A base para o exame físico dermatológico (que deve ser feito depois do exame físico geral) é conhecer a pele saudável. Isso implica conhecer como deve ser a pele naquela espécie, naquela raça, sexo (machos geralmente têm uma pele mais seborreica), idade, estação do ano (no calor/no frio). É importante inspecionar o pelo e a pele para poder caracterizar as lesões, não existe exame físico de pele à distância.
É importante conhecer os folículos capilares, o tamanho e densidade dos pelos normais, palpar e tocar o pelo e a pele, pois assim podemos avaliar discretos aumentos de volume, temperatura e textura.
Configurações das lesões
1. Lesão única
2. Lesões múltiplas
3. Lesões simétricas
Devemos informar e descrever na ficha clínica para lembrarmos quando formos acompanhar o animal novamente ou para fazer um comparativo no andamento da terapêutica. 
Lesões primárias
Diretamente consequentes do agente etiológico.
Alopecia
Caracterizada pela perda de pelo. Pode ser lesão primária principalmente quando há doença folicular ou dermatite psicogênica por lambedura, picada de ectoparasitos, inflamação e cicatrizações.
Mácula
É uma mancha, outra lesão primária que se coloca na superfície da pele. Pode acontecer por hiperpigmentação, eritema, hemorragia. Pode ter qualquer coloração, pode ser uma mancha clara ou escura.
Pápula
É uma coleção de células inflamatórias na derme, pode acontecer como resposta a situações de alergias, infecções e autoimunidade.
Placa
A placa é uma coalescência de pápulas, ou seja, as elevações avermelhadas se juntam e formam uma placa. Geralmente associada a doenças alérgicas (placa eosinofílica, angioedema).
Nódulo
Crescimento celular envolvendo áreas mais profundas da pele. O nódulo pode ser por neoplasia ou inflamação granulomatosa (coleção de células alteradas em regiões mais profundas, alcançando o subcutâneo), podem ser ulcerados ou com superfície fechada.
Tumor
Crescimento maior e envolve diferentes camadas de tecido. Pode estar associado a inflamação, origem neoplásica ou inflamação do tipo granulomatosa.
Pústula
Acúmulo circunscrito superficial de secreção purulenta. É restrita à epiderme. Frequentemente associada a bactérias do tipo Staphylococcus, pênfigo ou a depender da alteração, como o herpesvírus, pode haver pus sem a presença de bactérias. O que caracteriza a pústula é o acúmulo de secreção purulenta.
Vesículas e bolhas
Acúmulo de líquido seroso. Você vê a coleção líquida transparente, não é purulento pois o que há ali é soro. Estão associadas a alergias, queimaduras, infecções virais, reações a drogas, substâncias químicas.
> 1cm = bolha
< 1cm = vesícula
Urticária
A urticária é o edema subcutâneo não circunscrito. Tem origens variadas como alergias, venenos, compressão e reação a drogas.
Caspa ou descamação
Acúmulo de fragmentos (queratina) da camada córnea. Vão ser primárias quando são decorrentes da disfunção de queratinização. Pode ser resposta a irritação e ectoparasitismo. Deficiência alimentar também pode ser a origem.
Comedão
Folículo piloso dilatado sem o fio e obstruído com debris. A glândula sebácea se inflama e fica com a aparência de pontinhos pretos, comum em demodicose. Muito semelhante ao cravo da pele humana.
Seborreia folicular
Acúmulo de debris ao longo da base do pelo, também associado à demodicose e alterações da queratinização. Pode acontecer como resposta à agressão, por substâncias químicas, micoses, ou excesso de banho (fator que agride a pele e o pele, a produção de substância sebácea fica excessiva).
Crosta
Presença de exsudato ressecado sobre a lesão. Pode ser por acúmulo da descamação (queratinócitos) associado a secreções, algumas deficiências de vitaminas como A e Zinco faz com que indivíduos desenvolvam crostas como doença primária, então é importante investigar. Medicamentos tópicos inadequados também podem produzir crostas.
Lesões secundárias
Decorrentes da lesão primária que o agente ou o fator nocivo causou sobre a pele. É a consequência da lesão anterior.
Erosão
Consequência de vesículas/pústulas que se romperam, então quando elas se rompem surge então a erosão. A pele em vez de se curar, acaba evoluindo para uma erosão, é uma progressão negativa.
Colarete epidérmico
Lesão seca e circular. Também tem origem nas vesículas e pústulas que se rompem (progressão mais positiva), mas a secreção serosa ou purulenta saiu e o que ficou foi apenas um eritema (coloração avermelhada) sem a secreção, com formato da circunferência da vesícula ou pústula.
Escoriação
Erosão causada por atrito, prurido. Lesão extensa já com infecção bacteriana ou fúngica secundária. Acontece em doenças pruriginosas, como sarna escamosa.
Fissura
Rachadura de uma pele que tinha anteriormente desidratação, perda de elasticidade. Toda pele que perde elasticidade fica enrijecida, e qualquer pressão que ocorrer ali vai gerar fissura. É uma lesão dolorosa, pode ocorrer em doenças como cinomose e leishmaniose. É um indicativo de condições sistêmicas muito ruins, a incapacidade da pele de manter sua fisiologia normal.
Liquenificação
Espessamento da pele, também chamada de paquidermia. Aparência de pele de elefante, significa inflamação crônica que pode ter diversas origens. Pode ocorrer em doenças como malasseziose e leishmaniose.
DespigmentaçãoA alteração no pigmento, coloração da pele é chamada de despigmentação. Pode ser hiperpigmentação ou leucotriquia. Alguns animais podem apresentar um tufo de pelo da cor diferente do pelo dele no local onde foi injetada uma vacina, foi uma inflamação causada pela vacina que gerou essa despigmentação naquela região cicatricial.
Exames auxiliares – saúde geral
Hemograma
 • Eritrócitos e marcadores associados
 • Leucócitos e marcadores associados
 • Trombócitos
É importante verificar a linhagem vermelha, a linhagem branca e trombócitos porque muitas vezes no exame de pele verificamos que o animal, a partir dos sinais cutâneos, pode estar não apenas com uma doença de pele, mas com alguma outra doença de base com comprometimento sistêmico.
Bioquímica do sangue
Nele verificamos a integridade da função hepática e a integridade da função renal. Devemos analisar o proteinograma também para ver se o animal está produzindo muita imunoglobulina ou não.
Urinálise
Verificar a função renal, o que está saindo na urina, se há infecção no trato urinário, etc.
Exames de imagem
Radiografia, ultrassonografia, tomografia.
Exames parasitológicos
Cultura, citologia, de pele, de fezes.
Exames sorológicos e imunológicos
Pesquisa de imunoglobulinas
Exames microbiológicos
Histopatológicos ou citológicos
Dosagens hormonais
Detecção de agentes tóxicos
São muitos os exames auxiliares que podemos utilizar para ter uma visão nítida da saúde geral do paciente e para auxiliar no diagnóstico adequado.
Técnicas de amostragem da lesão
Raspado cutâneo
Se a pele tiver uma lesão superficial compatível com um raspado, sem dor. Lesões pruriginosas ou não, superficiais. Se for uma lesão dolorosa, não devemos fazer um raspado pois provocará mais dor ao animal. As lesões superficiais geralmente são causadas por ectoparasitos e dermatófitos. A observação é feita na lâmina corada com o raspado que foi colocado sobre ela. A posição do bisturi deve ser sempre perpendicular à lesão.
Raspado cutâneo profundo com compressão
Geralmente solicitado em casos de demodicose, já que o parasito costuma se alojar no folículo piloso. Nesse caso fazemos o raspado profundo com sangramento capilar. O arrancamento de pelos naquela região acaba por ser mais eficaz do que o próprio raspado profundo. Se a lesão for caracterizada por alopecia, o mais indicado é o raspado cutâneo profundo com compressão.
Lâmpada de Wood
Emite fluorescência nos pelos acometidos por fungos dermatófitos. O metabolismo dos fungos faz com que haja produção de aminoácidos cujos catabólitos são fluorescentes. Usando a luz podemos visualizar os pelos brilhantes, ficando fácil colher aqueles acometidos para enviar ao laboratório, sendo realizada posteriormente a cultura ou citologia do fungo.
Arrancamento de pelos
Se destina a avaliar o folículo piloso. Exame muito útil para demodicose e alguns tipos de seborreias
Fita adesiva
Uma técnica para colheita de secreções superficiais mais úmidas. Se o animal tiver uma sarna demodécica já com prurido, aqueles demodex vão estar muito na superfície e a lesão será mais úmida porque já tem prurido e infecção secundária, em uma situação como essa não precisa raspado, apenas a fita adesiva é suficiente porque os agentes saem colados na fita.
Impressão na lâmina – decalque- swab
Se destina principalmente a lesões ulcerosas, dolorosas. São lesões repletas de agentes e ao tocar a lesão úmida naturalmente aquelas secreções vão se aderir à lâmina, assim pode ser feita a cultura ou citologia.
Escovação
Também é útil e importante principalmente para ectoaparasitos. Com a escovação eles vão cair na superfície sobre a qual o animal está e as secreções cutâneas secas podem ser colhidas e enviadas ao laboratório.
Biópsia aspirativa
Técnica que se destina para exames citológicos e cultivo de nódulos. Sabemos que nódulos são circunscritos fechados e não tem como ver o que tem dentro, com a biópsia nós colhemos as células e podemos identificar se é uma inflamação, infecção ou célula neoplásica.
Teste cutâneo para alergia
Estimulação da pele por alérgenos em cálculo específico de concentração. Onde houver a reação, pode se concluir que o animal é alérgico àquele agente.
Fundamentos do tratamento para as dermatoses
A partir do diagnóstico, o veterinário vai estabelecer o tratamento com os critérios já colocados. Ao se fazer o tratamento, é importante que o clínico tenha em mente alguns aspectos como a microflora cutânea. Essa microflora é formada por microrganismos que estão de maneira fisiológica presentes nos folículos pilosos e na superfície da pele. A presença desses organismos e até mesmo o demodex nas peles sadias sem provocar lesão, tem um papel importante na proteção da pele contra infecções externas e tem a função também de promover um estímulo constante da resposta imune na pele. Se essa microflora cutânea é removida, a pele vai perder essa proteção e as portas ficarão abertas para todo tipo de doença. Logo, a microflora cutânea produz substâncias antibióticas e enzimas.
Dessa forma, o veterinário vai tratar os animais com dermatoses visando o retorno da microflora fisiológica na pele daquele paciente. A pele tem microorganismos permanentes: Micrococcus, S. epidermidis, Acinetobacter sp (multiplicam-se na pele). Ela também tem microrganismos transitórios: E. coli, Proteus mirabilis, Pseudomonas sp. Ou seja, o animal teve contato com uma bactéria patogênica no ambiente, e ela se alojou de maneira transitória na sua pele. Se não houver a microflora cutânea para proteger a pele dessas bactérias patogênicas, elas irão se multiplicar e uma doença será estabelecida.
A pele de animais com dermatoses tem mais crescimento bacteriano, mais regiões com Staphylococcus coagulase positivo (que são mais patogênicos) e tem mais bactérias gram negativas (como por exemplo Proteus sp.) Quanto mais piora o estado da pele, mais ela será colonizada por bactérias patogênicas. Então pode-se concluir que um animal com muita dermatose é uma fonte de infecção para pessoas susceptíveis que convivem com esses animais, como idosos e pessoas imunocomprometidas, além do próprio animal acabar sendo mais susceptível às doenças.
Higiene
Tem que ser suficiente para manter a pele saudável sem que a microflora fisiológica seja removida. A escovação é o procedimento mais importante e eficaz para manter o pelo e a pele saudáveis, devendo ser realizada com a maior frequência possível, sendo mais importante que o banho
Tosa
Pode ser estética, preventiva e terapêutica. A tosa estética segue padrões sociais, devemos alertar que ela não pode causar doença no animal, o que acaba acontecendo com uma certa frequência.
A tosa preventiva ocorre em algumas situações específicas, como animais que não deveriam estar nos ambientes tropicais na época do verão como o Husky Siberiano. Ou então uma cadela que precisará ser submetida a uma cesariana. O veterinário vai recomendar de acordo com a situação de cada animal.
A tosa terapêutica tem o objetivo de tratar lesões cutâneas frequentemente extensas. É importante orientar o tutor que para resolver o problema de pele é necessário tosar o pelo longo do animal para que o tratamento surta efeito, já que assim a umidade local será reduzida, favorecendo a recuperação e facilitando o tratamento.
Banhos
A frequência dos banhos para manter a pele saudável é a menor possível. A água amolece a queratina e prejudica a barreira córnea. O conceito de banho terapêutico é diferente de banho higiênico. O banho higiênico tem que ser dado na frequência mínima, temos que convencer o tutor a dar menos banhos. Animais pequenos de apartamento podem tomar um banho a cada um mês ou 45 dias, pode ser até dois meses. Fora isso, é a escovação. 
Quando o tutor se queixa muito do odor, podemos recomendar uma solução de água com vinagre e gotinhas de lavanda na água para fazer uma higienização semanal. Geralmente o odor é causado pelo excesso de banho, naturalmente o cão vai produzir sebo para proteger a pele, é uma resposta a agressão que ocorreu. Se adaptarmos esse sistema de higiene para soluçãode água com ácido acético e escovar, isso ajuda muito a recuperar a microflora cutânea fisiológica, vai reduzir a produção de sebo e a pele vai ficar saudável e sem odor.
Antes do banho tem que fazer a escovação, inspeção de orifícios naturais, inspeção das áreas intertriginosas, cortar as unhas e cortas os pelos em regiões específicas. No final, jamais colocar o jato de ar seco para secar o animal em direção à face do animal, isso prejudica muito os olhos.
O pH da pele dos cães varia de 5.1 a 7.2. Já o pH da pele dos felinos varia de 5.6 a 7.4. Eles tendem a ser ácidos e os sabões tendem a ser alcalinos, isso por si só pode gerar um desequilíbrio na microflora. Então busca-se utilizar produtos menos alcalinos. Shampoos geralmente são menos alcalinos, portanto, são menos agressivos. Podemos usar shampoos de humanos sim. É importante tirar todos os resíduos de sabão principalmente nas dobras de pele (áreas intertriginosas). Sabão de coco é extremamente alcalino e contém alvejantes. Evitar banho seco, não faz bem a pele do animal porque resseca e faz com que a pele fique susceptível as infecções. Secagem de preferência com toalhas.
O banho terapêutico deve ser primeiramente feito com substância para tirar os debris, depois deve ser feito o banho com shampoo de substância adequada ao caso de cada paciente, como p. ex. clorexidine, agentes antifúngicos, agente antiparasitários, etc. O ideal é sempre dar um primeiro banho com shampoo detergente para limpar a região e depois usar o shampoo medicamentoso, pois assim o efeito será maior.
Modo de aplicação dos shampoos: tempo de ensaboamento de 15 min., iniciar pelas áreas afetadas, aplicar na pele, aplicar dois ensaboamentos e alternativamente usar dois produtos (como mencionado acima)
Os intervalos entre os banhos terapêuticos, segundo a literatura, é de 2 a 7 dias. Alguns autores dizem que o animal alérgico deve tomar banho a cada três dias, isso está errado porque o alérgeno está em todos os ambientes e nosso papel é minimizar a alergia do animal e não tirar o alérgeno da pele do animal com banhos a cada dois dias. Logo, banho a cada dois dias não é recomendado. A frequência do banho terapêutico vai depender de cada caso e vai ser estabelecida pelo médico veterinário responsável.
Dermatites bacterianas
O tratamento vai seguir o critério da gravidade, quanto mais superficial é a dermatose, mais superficial é o tratamento. Por exemplo, o animal pode ter piodermite bacteriana por Staphylococcus que pode ser secundária a várias causas primárias e sendo superficial o tratamento pode ser baseado em shampoo bactericida, soluções antissépticas - ácido acético (ação benéfica contra bactérias), ou até mesmo uma correção nutricional. Se a pele teve porta aberta para infecções sistêmicas, a nutrição entra como agente auxiliar compensatório. Antibioticoterapia sistêmica (cefalexina, enrofloxacina) e anti-inflamatórios também são utilizados, além do próprio manejo higiênico.
O impetigo é uma dermatite superficial com coleção de pus, causada principalmente por Staphylococcus. Em casos mais graves pode vir acompanhado de dor, inapetência, febre. Então aliado ao tratamento superficial, já entra a possibilidade de iniciar a antibioticoterapia sistêmica com base na distribuição da droga na pele e seu espectro de ação.
Dermatites micóticas
Vão ter critérios semelhantes. As superficiais que acometem a epiderme e o epitélio folicular, vão ser tratadas de acordo com a gravidade e a extensão. Se for uma lesão única, pode ser tratada topicamente e cuidar da higiene ambiental (presença de fungos). Em geral, os dermatófitos são os fungos do tipo bolor (Microsporum, Trichophyton, Epidermophyton) que afetam as superfícies mais externas da pele, unha e pelo. Geralmente são lesões secas, circulares e não tem prurido. Quando tem infecção bacteriana secundária, começa a ter prurido. Para diferenciar de dermatofitose, existem as dermatomicoses que são lesões causadas por fungos do tipo levedura (Candida e Malassezia). O que diferencia ambas as doenças são apenas os fungos causadores. Então basicamente as dermatofitoses são lesões secas e as dermatomicoses são lesões úmidas que cursam com seborreia e intertrigo.
Não podemos esquecer que os dermatófitos são zoonóticos. Então devemos sempre alertar os tutores quanto a isso e orientá-los de que se alguém na família está tendo as mesmas lesões que o paciente com o dermatófito, é necessário buscar um dermatologista para fazer o tratamento também.
As leveduras vão causar a dermatomicose que são lesões fúngicas úmidas. O crescimento dessas leveduras é por brotamento. Na pele, observamos lesões com muita seborreia e odor bem evidente, não são circulares como na dermatofitose.
O tratamento das dermatites micóticas também vai seguir o critério da extensão e gravidade da lesão. As superficiais podem ser tratadas com os banhos fungicidas, se as lesões são extensas podemos associar os banhos ao tratamento sistêmico. Se houver evidência com infecção bacteriana secundária, entrar com antibioticoterapia. Limpar o ambiente, pode usar solução de hipoclorito de sódio. Jogar fora toalhas contaminadas ou outros fômites. É importante saber que o banho feito da maneira adequada vai ser um importante aliado na terapêutica para essas doenças, devemos orientar os tutores com relação a isso.
As lesões causadas por Trichophyton são mais graves, costumam ser mais dolorosas e podem ser pruriginosas. Esses fatores são o que diferencia as dermatofitoses causadas por Microsporum das causadas por Trichophyton.
Micoses profundas e sistêmicas
Envolvem a derme e tecido subcutâneo, podendo atingir outros sistemas, por exemplo o Sporothrix schenckii. Outros exemplos são: blastomicose (Blastomyces dermatitidis), coccidiodomicose (Coccidioides immitis), criptococose (Cryptococcus neoformans), histoplasmose (Histoplasma capsulatum), aspergilose (Aspergillus sp.). As micoses profundas têm aparência mais agressiva. Podem causar úlceras, fístulas, abscessos, o animal pode ter linfadenomegalia e raramente essas micoses cursam com prurido.
Em situações como essa é importante que se estabeleça o tratamento com fungicidas sistêmicos como cetoconazol, itraconazol, fluconazol. Associar ao tratamento tópico, shampoos fungicidas e antissépticos. Sempre lembrar do suporte nutricional e ambiental, isso é fundamental para todos os casos.
Dermatites parasitárias
As dermatites parasitárias podem ser causadas por todos esses agentes que convivem conosco no ambiente: carrapatos, ácaros, pulgas, piolhos, moscas e mosquitos sugadores, miíases. 
Sarna demodécica
Faz parte da microbiota normal da pele, mas pode ser patogênico quando há uma disbiose. O animal só deve passar pelo tratamento da demodicose se ele apresentar sinais clínicos de sarna demodécica, não significa que devemos tratar um animal que no raspado foi constatada a presença de demodex. Geralmente, animais acometidos por sarna demodécica são animais que têm uma deficiência pré-existente na resposta imunológica exercida por células T (resposta imune celular), por isso é comum encontrar a demodicose associada à leishmaniose, a presença da Leishmania faz com que o cão fique imunossuprimido fazendo com que a sarna se estabeleça. 
A demodicose gera áreas de alopecia que começa em torno dos olhos, boca e nos membros anteriores. Essas são as localizações mais típicas quando esse agente produz doença nos cães ou nos gatos.
Sarna sarcóptica
O Sarcoptes scabiei fica migrando na derme até encontrar um lugar bom para depositar ovos. Esse comportamento provoca muito prurido. A diferença entre a sarna demodécica e a sarcóptica é essa presença de prurido. Então a pergunta se tem prurido ou não já ajuda muito na suspeita clínica. A sarna sarcóptica provoca lesões descamativas na borda de orelhas, nos cotovelos, na região da face e com extremo prurido. Nos animais tratados, podemos observar um prurido residual, que é quando o animal já está curado mais ainda apresenta coceira ao tocar nas regiões que estavam acometidas, então devemos nos atentar a issoao avaliarmos a remissão da doença. Depois o prurido desaparece.
Tratamento tópico
O tratamento desses ectoparasitos inclui necessariamente o tratamento tópico. Se for filhote, retirada mecânica. Banhos com shampoos carrapaticidas, acaricidas, microbicidas. Além disso, podemos lançar mão de:
Aspersão de associações parasiticidas em aerossol (fipronil, bactrovet);
Anti-inflamatórios / microbicidas tópicos em infecção secundária;
Anti-pruriginosos para tratamento do prurido residual em sarnas escamosas
Tratamento sistêmicos
Devemos utilizar os antiparasitários sistêmicos:
Ivermectina 0,6 mg/kg/dia VO – SC
Milbemicina oxima 2mg/kg
Nitempiran (Capstar)
Imidacloprida (Advantage)
Associar aos antimicrobianos sistêmicos:
Cefalexina
Enrofloxacina
Antimicóticos sistêmicos:
Imidazólicos
AINES e AIES (seleção adequada ao caso)
Correção dietética – suplementação polivitamínica/mineral – ômegas
Tratamento de doenças infecciosas – endócrinas – metabólicas, o que vai auxiliar na restauração da competência imunológica do paciente.
Tratamento ambiental
Pode ser feito com inseticidas de uso ambiental semanalmente (piretróides), jamais aplicar nos animais. O aspirador de pó é bastante útil na higienização do ambiente.
Prevenção 
Pour on ou coleiras impregnadas.
Tratamento das dermatites imunomediadas
É importante fazer um bom diagnóstico porque essas doenças autoimunes demandam tratamento para a vida toda do animal, então devemos estar seguros do diagnóstico e do tratamento adotado. Lembrando que cada tratamento é individualizado.
AIEs sistêmicos e tópicos: prednisona, metilprednisona, dexametasona.
Importante evitar o contato com o alérgeno, sendo alimentos ou pulga.