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tanto, 
identificar, com base em dados pré-existentes, as áreas empregadas para obtenção de material de 
empréstimo para outras obras na região e verificar, ainda, a conveniência da localização de cada 
uma em relação ao projeto em foco, sob o duplo aspecto de distância e interferência com o tráfego 
urbano. 
Considerar, também, os solos moles, identificados e quantificados nos estudos geotécnicos, 
conforme a Instrução de Serviço IS-206: Estudos geotécnicos. Tais estudos, adicionalmente, devem 
definir as soluções alternativas para construção de aterros sobre solos moles. Em sequência, com 
base em análise técnico-econômica, deve ser selecionada a solução mais adequada para cada caso. 
4.7.2.2. Fase de Projeto Executivo 
O Projeto de Terraplenagem, nesta fase, deve se constituir dos tópicos abordados na forma das 
alíneas ―a‖ a ―h‖, a seguir expostas. 
a) Considerações gerais 
Neste título devem ser enfocados, em seus tópicos interferentes com este título, os Estudos 
Topográficos, os Estudos Geotécnicos e o Projeto Geométrico. 
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b) Seleção qualitativa de materiais da terraplenagem 
Seleção qualitativa de materiais é o processo que visa destinar às camadas finais de terraplenagem 
(camada final dos aterros e subleito dos cortes) aqueles materiais locais que se apresentam, técnica e 
economicamente, como os mais favoráveis. 
Quando se trata de estabelecer um critério de seleção qualitativa, basicamente devem ser 
consideradas no projeto as características mecânicas e físicas dos materiais, descritas a seguir. 
c) Características de trabalhabilidade dos materiais 
Geralmente, estabelece-se que as camadas finais de terraplenagem sejam executadas com materiais 
de 1ª categoria e os materiais de 2ª e 3ª categorias sejam empregados apenas no corpo dos aterros. 
A rejeição de materiais de 2ª categoria nas camadas finais dos aterros e no subleito dos cortes, deve-
se ao fato de estes materiais poderem apresentar comportamento duvidoso quanto à granulometria, e 
quando rochas alteradas tendem a se degradar com certa facilidade. 
Os materiais de 3ª categoria têm suas restrições devido às irregularidades que sua eventual 
escavação, sem o devido controle, produz nas plataformas dos cortes, criando bolsões, ou devido ao 
tamanho dos blocos, quando empregados nas camadas superiores dos aterros. 
Os problemas de drenagem estão associados ao fato de as rochas apresentarem, normalmente, 
diáclases, pelas quais as águas freáticas ascendem à plataforma. Nestes casos, a execução de drenos 
profundos longitudinais não resolve o problema, pois não se pode definir efetivamente um lençol 
freático. A solução para o problema consiste na adoção da prática executiva, descrita a seguir: 
 Rebaixar de 10 cm a 40 cm o greide de terraplenagem dos cortes em rocha; 
 Executar drenos profundos lateralmente à plataforma rebaixada; 
 Executar drenos tipo espinha de peixe; 
 Executar uma camada drenante na superfície rebaixada; 
 Implantar a superestrutura sobre este sistema. 
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Em razão de sua granulometria, a utilização dos materiais de 3ª categoria na execução de aterros 
deve ser precedida de cuidados especiais, para evitar os problemas de fuga de finos nas camadas 
finais dos aterros. 
Em termos de subleito dos cortes, a utilização de materiais de 2ª categoria pode ser permitida, desde 
que o dimensionamento do pavimento leve em consideração as eventuais particularidades e 
dificuldades de trabalhabilidade do material. Para os materiais de 3ª categoria, a solução de 
rebaixamento do greide e execução da camada drenante é praticamente imprescindível. 
d) Características físicas dos materiais 
A seleção qualitativa, em função das características físicas dos materiais terrosos da terraplenagem, 
é regida pelas propriedades dos solos relacionados à sua capacidade de suporte e à sua expansão. 
Os dois parâmetros em causa podem ser determinados através do ensaio do Índice de Suporte 
Califórnia - ISC (Califórnia Bearing Ratio). 
O ensaio de ISC consiste na determinação da relação entre a pressão necessária para produzir uma 
penetração do pistão, num corpo-de-prova, de solo compactado sob certas condições de 
compactação, e a pressão necessária para produzir a mesma penetração numa brita padronizada. ―O 
Método DNER-049/94 define toda a sequência do ensaio do ISC e recomenda que seja adotado, 
para cada corpo-de-prova compactado e rompido, o maior dos valores determinados para as 
penetrações de 0,1‖ ou 0,2‖. 
Para efeito de projeto, é necessário correlacionar o ensaio de ISC ao de compactação, empregando-
se, como valor de projeto de ISC, o ponto correspondente à umidade ótima do ensaio de 
compactação. 
Expansão é a relação porcentual entre o acréscimo na altura do corpo-de-prova, após quatro dias de 
imersão em água e a altura do corpo-de-prova compactado, antes da imersão. 
De maneira geral, são admitidos os seguintes valores extremos de expansão: 
 Para camadas finais de terraplenagem, em cortes ou aterros: expansão < 2%. 
 Para corpo de aterros: expansão < 4%. 
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Quanto à capacidade de suporte (ISC), recomenda-se o uso dos melhores materiais, dentre os 
disponíveis, nas camadas finais e mesmo no corpo dos aterros. Apresenta-se, a seguir, a 
correspondência usualmente adotada entre o valor do ISC e a qualidade do material. 
Quadro 9 – Correspondência entre ISC e a qualidade do material 
 
ISC (%) QUALIDADE DO MATERIAL 
> 60 Excelente 
20 a 60 Muito Bom 
10 a 20 Bom 
5 a 10 Regular 
2 a 5 Ruim 
< 2 Péssimo 
 
Nota: De uma maneira abrangente, a solução racional para a questão do Projeto de Terraplenagem 
se fundamenta em análise técnico-econômica, a qual envolve a concepção a ser adotada para a 
confecção do pacote do pavimento a ser sobreposto. 
Os componentes ou etapas relevantes do processo envolvem a operação de destocamento (passível 
de eventual eliminação, no caso de aterros superiores a 2,00 m de altura), a seleção do material 
terroso a ser adotado, em termos de exigências a serem atendidas, relativamente ao valor do CBR e 
ao valor da expansão), e o grau de compactação a ser exigido, bem como as condições de 
acabamento e controle dos serviços executados. 
Tal análise deve considerar dois enfoques, a saber: 
1º) A execução de terraplenagem sem a perspectiva/programação de pavimentação respectiva em 
curto prazo. 
2º) A execução de terraplenagem com a programação conjugada de execução da pavimentação 
‖pari passu‖ com o avanço de terraplenagem. 
No caso do 1º enfoque, as soluções a serem tratadas devem recair nas de menor custo. 
 
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e) Avaliação dos fatores de homogeneização 
O fator de homogeneização é a relação entre o volume do material no corte de origem e o volume 
que este mesmo material ocupará no aterro, após ser compactado. Este fator normalmente é 
avaliado pela relação inversa das correspondentes densidades aparentes secas, ou seja: 
corte
comp
D
D
Fh 
 
Onde: 
- Dcorte: densidade aparente seca do material ocorrente no corte de origem (densidade "in situ"); 
- Dcomp: densidade aparente seca do material, extraído do corte, após compactação no aterro. 
 
A determinação da densidade aparente seca de um material "in situ" (Dcorte) pode ser feita através de 
vários métodos, destacando-se os seguintes: 
 O método do frasco de areia (Norma DNER-ME 092/94) - Utilizado com maior frequência; 
 O método do balão de borracha (Norma DNER-ME 036/94); 
 O método do óleo (Norma DNER-ME 037/94).