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Projeto estrutural de edificios - José Samuel Giongo

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total da 
edificação, um consumo de concreto da ordem de 50% do volume total. Assim, é de 
suma importância a sua análise como elemento estrutural por, além do consumo que 
representa, estar sempre presente na composição estrutural. 
 As lajes podem ser maciças ou nervuradas (Figura 1.6), moldadas no local ou 
pré-fabricadas ou ainda podem ser parcialmente pré-fabricadas. 
 As lajes maciças são aquelas que ao longo de toda a superfície a espessura é 
mantida constante. Nas lajes nervuradas essa espessura é descontínua; a laje 
nervurada é, portanto, constituída por nervuras distribuídas nas duas direções e por 
uma mesa ligada as nervuras. 
 As lajes maciças ou as nervuradas moldadas no local exigem, portanto, a 
construção de uma estrutura auxiliar normalmente construída em madeira que sirva de 
fôrma. Há necessidade também de cimbramentos que pode ser em estruturas de 
madeira ou metálica. Com o alto custo da madeira e analisando a questão ambiental, 
mais recentemente têm sido utilizadas para a moldagem de lajes nervuradas fôrmas 
constituídas por materiais metálicos e fibra de vidro. 
 Quando, por exigência arquitetônica, for previsto forro plano há necessidade de 
fôrma na face inferior das lajes, dispõem-se blocos que podem ser cerâmicos, de 
concreto leve, de isopor, de plástico, ou cilindros de papelão envolvidos em filme 
plástico. 
 Com a finalidade de se economizar fôrma, inclusive a posicionada junto à face 
inferior da laje, pode ser adotada como solução estrutural para os pavimentos as lajes 
pré-fabricadas, que podem ser maciças ou nervuradas. 
 
José Samuel Giongo – USP – EESC – SET – Concreto armado: projeto estrutural de edifícios – Setembro de 2006 9
 
 
Figura 1.6 - Perspectiva de parte de um edifício [Mac Gregor, 1988] 
 
 As lajes maciças pré-fabricadas (figura 1.7) são constituídas por painéis de 
pequena espessura, da ordem de 30mm, com largura de 330mm e comprimento em 
função do menor vão da laje determinado de acordo com a da forma estrutural. A 
armadura na direção do vão é posicionada por ocasião da construção do elemento pré-
fabricado e as barras têm comprimento maior do que o elemento, com a finalidade de 
ancorá-las corretamente nas vigas de apoio. A armadura na outra direção é 
posicionada, na obra, junto à face superior do elemento pré-fabricado. 
 Os elementos pré-fabricados são providos de uma treliça, posicionada ao longo 
do plano médio que os tornam mais rígidos, possibilitando manuseio e transporte com 
segurança e, além disso, permite melhor ligação do concreto lançado na obra com o 
concreto do elemento, funcionando como conectores. 
 
 
Figura 1.7 - Laje maciça pré – fabricada [Catálogo Lajotec] 
Capítulo 1 - Concepção Estrutural 10
 
 As lajes nervuradas pré-fabricadas, conforme mostrada na figura 1.8, têm a parte 
inferior da nervura pré-fabricada e é fornecida em forma de T - invertido ou em forma 
de seção retangular com treliça espacial. A seção T - invertido e a treliça têm a 
finalidade de enrijecer o elemento com vistas ao transporte e posicionamento na obra. 
Entre os elementos pré-fabricados são posicionados blocos cerâmicos ou de isopor de 
altura compatível com a altura indicada para a laje nervurada. Depois de posicionadas 
e cimbradas corretamente, faz-se a concretagem das nervuras e da mesa da laje 
nervurada. 
 Como pode ser notado nas figuras 1.7 e 1.8 este processo construtivo elimina a 
fôrma e diminui consideravelmente a quantidade de cimbramentos propiciando 
economia global da obra. 
 A decisão de se adotar lajes pré-fabricadas nas estruturas dos edifícios deve levar 
em conta análises estruturais e de custos. Nos edifícios de muitos andares, por 
exemplo, mais do que cinco, deve ser analisada a conveniência de adotá-las, pois há 
que se pensar no transporte dos elementos pré-fabricados, que é feito por elevadores 
de obra. Este fato pode trazer acréscimo de custo e principalmente de segurança na 
obra. 
 Todas estas variáveis devem ser analisadas de comum acordo entre o 
engenheiro projetista da estrutura, o proprietário e o engenheiro da firma construtora; 
só depois desta análise é que se deve optar pela utilização de laje pré-fabricada 
levando-se em conta a disponibilidade de fornecimento na região onde a obra será 
construída. 
 
 
 
Figura 1.8 - Laje nervurada com parte da nervura pré-fabricada 
[Catálogo Lajes Paoli] 
 
 As lajes pré-fabricadas podem ser também em elementos protendidos (figura 1.9) 
de largura de 1.000mm nas espessuras de 100mm, 150mm e 200mm para vãos entre 
vigas de 6.000mm, 8.500mm e 11.000mm respectivamente. Estes valores são 
indicados para lajes de pisos e obtidos em catálogo da Associação Brasileira de 
Construção Industrializada (1986). As ligações entre os elementos são feitos por 
conectores metálicos soldados na obra. Nesse caso os elementos podem ser auto-
portantes, não sendo necessários cimbramentos. 
 
José Samuel Giongo – USP – EESC – SET – Concreto armado: projeto estrutural de edifícios – Setembro de 2006 11
 
Figura 1.9 - Laje pré - fabricada protendida [ABCI, 1986] 
 
 Pode ser adotado em projetos de edifícios como solução para os pavimentos as 
lajes sem vigas, que são aquelas que se apóiam diretamente nos pilares, estando a 
eles diretamente ligadas. Na ligação entre a laje e os pilares pode haver os capitéis, 
que são troncos de prismas ou de cones (se colunas) em concreto armado, projetados 
para se diminuir as tensões de cisalhamento e evitar a punção da laje na região do 
pilar. Figueiredo Filho [1989] chama de laje sem viga aquelas sem capitel, conforme 
mostrado na figura 10, e, laje cogumelo as lajes sem vigas porém com capitéis, figura 
1.11. 
 
 
 
Figura 1.10 - Laje sem vigas 
[Figueiredo Filho, 1989] 
 
 
 
Figura 1.11 - Laje cogumelo 
[Figueiredo Filho, 1989] 
 
 A solução estrutural em laje sem vigas apresenta como vantagem significativa o 
fato de haver economia de fôrma com relação às vigas, exigindo fôrmas para os pilares 
e lajes. Na verificação da segurança do edifício atenção especial deve ser dada à ação 
do vento e estabilidade global, pelo fato de não haver vigas que participem dos pórticos 
que enrijecem a estrutura. 
 
 
Capítulo 1 - Concepção Estrutural 12
 b. paredes 
 
 Em princípio todo elemento estrutural, bidimensional, isto é, que tenha duas das 
dimensões maiores que a terceira (espessura), posicionado paralelamente ao plano 
vertical é chamado de parede, sendo identificado nos desenhos e memórias de cálculo 
pela sigla PAR seguida de um número de ordem e das suas dimensões - espessura e 
altura. 
 As paredes são chapas e, conforme já visto, são elementos estruturais 
bidimensionais com ação agindo paralelamente ao plano médio. As paredes são, 
portanto, chapas de concreto armado e com apoio contínuo, isto é, o apoio da parede 
se dá ao longo de toda a base. 
 Definem-se como paredes estruturais as estruturas laminares planas verticais 
apoiadas de modo contínuo em toda a sua base, sendo que o comprimento da seção 
transversal é maior do que cinco vezes a largura. 
 Exemplos de paredes são as paredes de reservatórios paralelepipédicos para 
água enterrados e apoiados diretamente sobre o solo, com a laje de fundo também 
trabalhando como fundação. As reações de apoio das lajes de tampa e de fundo 
transmitidas às paredes são ações uniformemente distribuídas e atuam paralelamente 
ao plano médio. 
 Na figura 1.6 pode-se notar que entre o nível superior da fundação direta e a face 
superior do nível do térreo há uma parede que tem dupla finalidade: deve conter o 
empuxo de terra, em função do desnível - efeito de placa e receber a ação das lajes do 
térreo - efeito de chapa, neste caso uma parede. 
 
 c. vigas-parede 
 
 As vigas-parede são estruturas laminares planas verticais apoiadas isoladamente, 
isto é têm apoios