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ASPECTOS HISTÓRICOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 2 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA..................................................................................................... 3 Introdução ............................................................................................................... 4 O que é a Educação Física .................................................................................... 5 Concepções da Educação Física ........................................................................... 7 Aspectos socias da Educação Física ..................................................................... 8 Pedagogia e educação física ................................................................................ 13 Abordagens pedagógicas na Educação Física ..................................................... 13 Evolução da Educação Física .................................................................................. 17 A história da Educação Física no Brasil ............................................................... 20 Educação Física como cultura corporal ................................................................ 26 Considerações Finais............................................................................................... 28 Referências .......................................................................................................... 30 3 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 4 Introdução A Educação Física é vista hoje como agente de saúde, estética, melhoria da condição atlética, recuperação física, dentre outras funções, mas nem sempre se pensou assim. Os relatos mais primórdios de atividades físicas vêm desde a época pré- histórica, quando já se percebia uma preocupação pelo físico mais forte, porém, não com o intuito da beleza ou exercício e sim de proteção. Desde então a Educação Física se adaptava às épocas e sociedades na medida em que passava por mudanças e estágios, evoluindo a cada século para chegar à Educação Física que conhecemos atualmente. A evolução da Educação Física acontece gradativamente à evolução cultural dos povos, estando interligada aos sistemas políticos, sociais, econômicos e científicos das sociedades. Porém, é necessário ressaltar que nem todos os povos atravessavam os mesmos estágios simultaneamente. Enquanto o Egito dos Faraós já estava numa época Histórica, muito próximo dele, muitas civilizações viviam no maior primitivismo. Ainda hoje, em pleno século XXI podemos encontrar aglomerados humanos que vivem em estado selvagem, como algumas tribos isoladas na floresta da Amazônia, interior da África ou nos desertos da Austrália. Estas tribos vivem na verdadeira idade da Pedra. 5 5 O que é a Educação Física De acordo com Bracht (1992), o que pode dificultar essa compreensão é a falta de lucidez sobre o que queremos saber a respeito dessa indagação “o que é Educação Física?”. Educação Física não é algo concreto, capaz de ser descoberto ou encontrado a qualquer momento. Se estivermos perguntando pelo sentido concreto, há de fato um equívoco, pois a “verdadeira” Educação Física é construída diariamente em nossas atividades. Segundo Coletivo de Autores (1992), afirma que a Educação Física só é importante se você quiser primeiro entende-la e de fato transformá-la. Caso o contrário, será um entendimento superficial, sem senso crítico e principalmente, sem relevância social. Entretanto, imaginamos ser interessante provocar esse tipo de reflexão para gerar estímulo a essa possível transformação. Quando se define Educação Física como “ciência do movimento” apesar de aparentemente correta, é uma interpretação ainda superficial, a qual desconsidera a totalidade do indivíduo (MEDINA, 1987). É comum definirem Educação Física como “educar o físico”, essa concepção é superficial e se torna errônea. Para Bracht, (1992), a Educação Física tem sido tratada em dois sentidos, um “restrito” e outro “amplo”. No seu sentido “restrito”, contempla as atividades pedagógicas, relacionadas ao movimento corporal realizado na instituição educacional. No seu sentido “amplo” indica manifestações de cultura corporal, também chamada cultura de movimento, atrelada à ludomotricidade humana. Apesar de sua subjetividade, para Medina (1987) a Educação Física pode ser definida como: Educação Física é entendida como disciplina que se utiliza do corpo, através de seus movimentos, para desenvolver um processo educativo que contribua para o crescimento de todas as dimensões humanas. [...] deve ocupar-se do corpo e de seus movimentos, voltando-se para a ampliação constante das possibilidades 6 6 concretas dos seres humanos, ajudando-os, assim, na sua realização mais plena e autêntica (MEDINA, 1987, p. 62). Para Medina (1987, p. 63), o profissional de Educação Física tem a função de “promover conscientemente o homem a níveis mais altos de vida, contribuindo assim com sua parcela para a realização da sociedade e das pessoas em busca de sua própria felicidade”. Deve ainda auxiliar as pessoas no seu desenvolvimento pessoal, sendo um agente transformador da sociedade, importante por produzir e estimular cultura no contexto em que está inserido. A atuação do profissional de Educação Física será discutida mais amplamente ao longo do texto. Antes é necessária uma maior contextualização acerca do que é pedagogia na Educação Física. 7 7 Concepções da Educação Física Para Medina (1987), existem três concepções de Educação Física, são elas: a Educação Física Convencional; a Educação Física Modernizadora e Educação Física Revolucionária. A Educação Física Convencional está apoiada no pensamento do senso comum, visão mais simplista da relação do homem e mundo. Recebe grande influência da pedagogia tradicional, e vê o ser humano de forma dualista, corpo e mente dissociados. Tende a desvalorizar o corpo de forma fragmentada, e a mente considerada em um plano secundário. Essa visão enxerga o corpo apenas em seus limites biológicos. Para essa linha de pensamento, a Educação Física constitui-se em “educar o físico”, o que na realidade consiste mais em um adestramento, um conjunto de conhecimentos e atividades específicas que visam ao aprimoramento físico das pessoas. Assim, de acordo com Freire (1981), esses adeptos possuem a chamada “consciência intransitiva”, a qual enxerga o mundo apenas no seu ponto de vista de necessidades vitais, sendo ingênua, incapaz de questionar ou sequer identificar injustiças sociais. São dominados pelo mundo e desprovidos de consciência crítica. Educação Física Modernizadora é mais ampla no seusentido. Essa concepção da Educação Física considera a “educação através do físico”. Entretanto, ainda que seja mais evoluída que a linha de pensamento anterior, possui uma visão “dualista” do homem. Apesar de dar mais enfoque as necessidades biológicas, essa concepção preocupa-se também com o psicológico. Nos aspectos sociais, acredita-se que os indivíduos devem seguir tudo aquilo que a sociedade os impõe, não considerando interferir em transformações sociais. Esses indivíduos também são envolvidos por seus contextos não preocupa-se em transformar a sociedade sendo objetos e não sujeitos de sua história, o que os 8 8 caracteriza segundo o conceito de Freire (1981), como portadores da “consciência transitiva ingênua”, pois apesar de verem além do biológico, são limitados a interpretações simplistas do mundo, e creem em tudo que veem e ouvem sem reflexões críticas. Educação Física Revolucionária é a concepção mais ampliada de todas, a qual procura interpretar a realidade em sua totalidade, compreendendo os fatos. Entende o ser humano em todas as suas dimensões e em suas relações sociais. “O próprio corpo, por sua vez, é considerado em todas as suas manifestações e significações, não sendo apenas parte do homem, mas o próprio homem”. (MEDINA, 1987 p.81). Age sobre a totalidade do ser humano. Entende-se assim a Educação Física como “educação de movimentos” como também “educação pelo movimento”. Os que aderem essa concepção são naturais agentes transformadores da sociedade, sendo capazes de refletirem criticamente sobre a realidade a qual estão inseridos. São politizados e lutam em favor do combate de injustiças sociais. Assim, seguindo o raciocínio de Freire (1981), são portadores da “consciência transitiva crítica”, a qual é caracterizada por “perceber que o homem não é um ser que se constrói solitariamente para numa fase posterior, juntar-se aos outros homens e ao mundo” (MEDINA, 1987 p. 26). Nesse sentido, “Os homens como um todo têm que se fazer sujeitos da história, e não objetos. Devem fazer-se livres, e não alienados” (MEDINA, 1987 p. 32). Analisando as três concepções, podemos perceber, que entre todas, a mais consciente de sua função social é a Educação Física Revolucionária. Portanto, essa é a postura ideal dos profissionais de Educação Física. A Educação Física não se limita a repetição e ensino de movimentos e gestos técnicos, sua prática não pode ser apenas nesse limite. Está claro que para ter uma atuação diferenciada deve agregar nas necessidades das comunidades, em especial as desprovidas. Aspectos socias da Educação Física 9 9 A Educação Física, apesar de comumente ser entendida como sinônimo de movimento e voltada principalmente a fatores biológicos, constitui-se em um campo de conhecimento e atuação relacionada diretamente ao meio social. Acontece que até hoje pode ocorrer que não seja compreendido de maneira adequada. A Educação Física, de acordo com Medina (1987), ainda não é capaz de enxergar com clareza sua verdadeira função social, onde o profissional é uma referência para sociedade. O que acontece em muitos casos é a falta de sentido nas ações do profissional de Educação Física, onde ele apenas repete códigos e gestos e os faz seu principal meio de intervenção, visando única e exclusivamente no corpo, na “educação do corpo”. Esse fato é muito mais um adestramento do que Educação Física em sua essência. Segundo o autor conforme os aspectos já citados, também advêm da falta de compreensão sobre o que é Educação Física e qual sua verdadeira função social. Falando dos aspectos sociais no esporte Bracht (1987), também cita o esporte como um fator contraditório se analisando a forma como o mesmo tem sido trabalhado. Para ele, há um predomínio das abordagens tecnicistas, na busca por “performances”, através da ênfase excessiva a gestos técnicos. Essa abordagem além de não contribuir para o desenvolvimento psicomotor do estudante tem como consequência reproduzir as características da sociedade atual. O esporte sendo levado para essa vertente, só reforça os níveis atuais de opressão das classes populares através do capitalismo, pois aliena, não promove visão crítica e ainda prega a ideia de conformismo e submissão às injustiças sociais através da imposição de suas regras e técnicas. Não estamos dizendo que a Educação Física em si é um fato negativo. Ela deve estar do lado da comunidade, ajudando a formar uma sociedade mais justa e igualitária. Na atualidade, em que a sociedade capitalista visa somente seus próprios interesses, uma sociedade justa e igualitária é quase uma utopia, mas se cada um fizer sua parte, não se omitindo nem se corrompendo a interesses não sociais, estaremos dando um grande passo. Surge a necessidade de realizar uma pedagogia desportiva que permita aos sujeitos oprimidos, o acesso a uma cultura esportiva desmistificada. Possibilitar, por 10 10 meio desta pedagogia, que os mesmos sujeitos possam avaliar criticamente o esporte, situá-lo e relacioná-lo com todo o contexto sócio-econômico-político e cultural (BRACHT, 1997 p. 65). De acordo com Bracht (1997 págs. 66-68), traz alguns métodos de como os professores devem agir frente a algumas questões e procurar sanar essa situação: • precisam ultrapassar a ideia positivista de que o movimento é predominantemente um procedimento motor. “O movimento é humano, e o Homem é fundamentalmente um ser social”; • precisam ultrapassar a visão de infância que destaca o método de desenvolvimento do infanto como natural, e não social. Fala-se da criança em si, e não de uma criança situada social e historicamente. Fala-se da natureza da criança, e isto é ideológico na medida em que encobre as diferenças produzidas pela condição social destas crianças; • os professores de Educação Física devem procurar entender que o que determinará o uso na qual o indivíduo fará do movimento (na forma de esporte, de jogo, de trabalho manual, de lazer, de agressão a outros e à sociedade, etc.), não será em última análise, a condição física, habilidade esportiva, flexibilidade, etc., e sim, os valores e normas de comportamento introjetados pela condição econômica e pela posição na estrutura de classes de nossa sociedade; • superar a falsa polarização entre diretividade e não-diretividade. Embora as pedagogias não-diretivas tenham contribuído para a denúncia do excessivo autoritarismo com que a Educação bancária, conduzia o processo educativo, o oposto, o não-diretivismo, pode nos levar a um espontaneísmo estéril que acaba tornando-se ideológico; • um outro equívoco que precisa ser superado é o de que devemos simplesmente ignorar a cultura dominante, que, nesse entendimento, não serve à classe dominada; 11 11 • para que este novo esporte que leve a uma nova sociabilização, emerja, os professores de Educação Física devem superar também a ideia muito difundida, de que, nas aulas de Educação Física, não se deve falar, ou seja, não se deve sentar e discutir com os estudantes o que está se fazendo, sob o argumento de que a aula de Educação Física deve ser prática e adestrante. Para que tudo isso seja realizado de maneira adequada, a atuação do professor de Educação Física deve extrapolar os muros da escola e ganhar contornos e proporções comunitárias, ingressando movimentos populares na busca por garantir direitos sociais juntos àqueles que realmente necessitam. Deve engajar-se com a classe trabalhadora e lutar em seu favor. Deve também ter uma consciência politizada, a qual busque sempre lutar pelos direitos daqueles que estarão sobre seus cuidados. 12 O esporte na escola educa porque ensina a criança a conviver com a vitória e a derrota, ensina a respeitar as pessoas e encarar todos como iguais. E com isso,o estudante é ensinado a adquirir disciplina e vencer no jogo e na vida, pois encontrará muita competição. Muitas vezes têm que aliar-se a outros para atingir seus objetivos, e essa ação é denominado por pedagogos do esporte como companheirismo. Só haverá mudança se o professor de Educação Física de fato agir como educador, tendo uma liderança e em favor dos que mais necessitam, caso o contrário, sua atuação não agregará valores relevantes. O professor não deve apenas se limitar ao conteúdo da disciplina que leciona, deve preparar os estudantes para a vida em sociedade, dando possibilidades para compreensão adequada da realidade e a consequente busca por melhorias em níveis individuais e coletivos. 13 Pedagogia e educação física Uma perspectiva de pensamento crítico se busca a democratização do conhecimento para todos os estudantes da escola, dando o devido valor as suas formas de expressão, procurando trazer desenvolvimento estudantil e social. Os professores que educam nessa perspectiva procuram proporcionar aos estudantes o saber e o saber-fazer críticos para sua melhor participação na vida social e na luta por melhorias em suas realidades (LIBÂNEO, 1990). Nesse sentido, “a Educação Física é uma disciplina que trata, pedagogicamente na escola, o conhecimento de uma área denominada de cultura corporal. Ela será configurada com temas ou formas de atividades, particularmente corporais, como as nomeadas anteriormente: jogo, esporte, ginástica, dança ou outras, que constituirão seu conteúdo” (BRACHT, p. 45, 1992). A perspectiva da Educação Física Escolar, a qual objetiva estudar o aumento da capacidade física do ser humano, tem cooperado historicamente com a manutenção do sistema capitalista, e mantendo uma classe dominante cada vez mais sobre a classe oprimida (BRACHT, 1992; COLETIVO DE AUTORES, 1992). A Educação Física Escolar tem como grande ferramenta o corpo para realização de sua prática pedagógica. Assim, ela deve usar os movimentos e atividades corporais como forma de ensino, ou seja, atividades que façam sentido para os estudantes, que promovam algum tipo de desenvolvimento como consciência crítica na medida do possível de acordo com a faixa-etária do grupo e não a “prática pela prática”. Ações pedagógicas devem agregar valores, se não forem assim, precisam ser repensadas e reelaboradas. Abordagens pedagógicas na Educação Física 14 Vamos agora entrar em um aspecto mais específico sobre essas tendências, relacionadas às abordagens pedagógicas da Educação Física. De acordo com Darido (2003), esses são os principais tipos de abordagens: A seguir, iremos mostrar algumas das principais abordagens pedagógicas da Educação Física, de maneira demonstrativa sobre seus conceitos. Esperamos que você analise como cada uma, levando em consideração as diferenças entre a educação tradicional e a educação libertadora. Abordagem crítico-emancipatória: centrada no ensino do esporte em sua melhor maneira didático-pedagógica. Tem enfoque na competência crítica e emancipatória no ensino dos esportes, buscando tornar esse ensino de maneira diferente das históricas abordagens autoritárias e domestificadoras. Essa ideia de emancipação tenta libertar o estudante de suas condições limitantes, capacitando-o para atuação no contexto sociocultural através do despertar do senso crítico no seu fazer esportivo. Para Bratch (1992), o esporte é retrato na sociedade. Se a sociedade é opressora as classes sociais menos favorecidas o esporte consequentemente agirá da mesma maneira. Ele até pode dar uma falsa ideia de igualdade, de oportunidades e de promover valores (disciplinador), mas o que ocorre na realidade é imposição de regras e regulamentos em sua prática, o que faz com que haja conformismo frente às opressões geradas pelas desigualdades sociais através de uma sociedade capitalista. É necessário refletir a respeito do que se busca na prática esportiva, pois esta tem suas contradições. Diante disso, a abordagem crítico emancipatória vem com o intuito de trabalhar pedagogicamente o esporte como forma de educação e não de adestramento. Abordagem Critico-Superadora: baseada no Marxismo e no Neo-marxismo, tendo como influência os educadores Saviani, Libâneo tem um discurso amplamente voltado para justiça social. Valoriza a compreensão de fatos históricos e utiliza a realidade como parte integrante do processo de aprendizagem. O objetivo não apenas aprender o jogo, a dança e a ginástica apenas por aprender, mas devem ser aprendidos na sua totalidade enquanto conhecimentos construídos. A proposta e ter 15 uma visão transformadora auxiliando na formação do indivíduo e os conteúdos devem estar de acordo com a realidade dos estudantes assimilando e entendendo o significado para sua vida. O professor deve desempenhar um papel de mediador criando situações de aprendizagem diante das dificuldades dos estudantes, incentivando-o a respeitar e a manter a boa convivência social estimulando a criticidade para que torne-se cidadãos mais conscientes da realidade em que vivem. Abordagem Humanista: baseia-se nos princípios de identidade e valor do ser humano. Apropria-se da cultura corporal como meio de conseguir fins educacionais e não como próprio objetivo. O educador integra-se efetivamente com o ambiente escolar no qual atua, sendo um agente transformador promovendo aprendizagem e crescimento pessoal dos estudantes, promovendo-lhes consciência social ativa. Para Bracht (1987), os movimentos renovadores da Educação Física, o «humanista» na pedagogia, se diferenciam por apresentar bases filosóficas acerca do homem, sua identidade, valor, tendo como alicerce os limites e os anseios do homem e nasce como crítica a psicologia comportamentalista, as quais definem a ação do ser humano no plano estímulo-resposta. Para o autor essa abordagem “desloca a propriedade dada ao produto para o processo de ensino, introduzindo o princípio do ensino, não diretivo. Situa os objetivos no plano geral da educação integral, onde o conteúdo passa a ser muito mais instrumento para promover relações interpessoais e facilitar o desenvolvimento da natureza boa da criança”.(BRACHT, 1997 p. 26) Abordagem Tecnicista: é voltada para o aprimoramento de técnicas e gestos desportivos. É trabalhada até de forma exaustiva por conta da imensa repetição de gestos técnicos na busca da “perfeição”. Costuma estar atrelada a busca por resultados em competições. Abordagem Desenvolvimentista: baseada nos trabalhos de Tani e colaboradores é dirigida desde a infância até a adolescência. Tem enfoque no desenvolvimento de habilidades motoras. Isso é promovido através do estímulo e 16 diversificação dos movimentos como forma de desenvolver habilidades físicas e cognitivas. Nesse princípio as crianças se adaptam a problemas do cotidiano na busca por sua resolução através do movimento. Procura então oferecer experiências adequadas a seu nível de crescimento para que haja um desenvolvimento adequado da criança. Abordagem Psicomotricista: é a abordagem onde o lúdico, apesar de parecer brincadeira, é algo sério e extremamente importante ao desenvolvimento psicomotor. Trata-se de aprendizagem significativa e abordagens espontâneas e exploratórias das relações interpessoais por parte da criança. Focaliza na criança na fase pré-escolar, em movimentos naturais básicos como forma de ensino. Essa abordagem “pretende assim, através do exercício, desencadear mudanças de hábitos. Ideias e sentimentos. Percebe-se nessa concepção a instrumentalização do “movimento humano” como meio de formação e a secundarização da transmissão de conhecimentos, que é uma das tarefas primordiais do processo educativo em geral e da escola em particular” (SAVIANI, 1984 p. 68). Abordagem daatividade física para promoção da saúde: essa abordagem busca trazer o estímulo a hábitos cada vez mais saudáveis aos educandos. Isso ocorre tanto por educar para que eles vivam dentro de suas possibilidades, estilos de vida saudável, quanto realizando atividades físicas lúdicas, mas que ajudam do desenvolvimento motor infantil e no crescimento saudável. Abordagem construtivista interacionalista: esse método procura construir junto à criança atividades que os atraiam, através dos seus próprios conhecimentos e relações socioculturais através da interação dela com sua cultura. Nela são resgatadas músicas, histórias infantis, brincadeiras, sendo oriundos do universo infantil. Abordagem educação física plural: é a abordagem que compreende o movimento humano como cultural, ou seja, ele está relacionado à realidade do ser humano. Nessa concepção, conceitua “o gesto como uma técnica corporal e cultural”. 17 Evolução da Educação Física Desde a pré-história a Educação Física vem sendo influenciada pela sociedade. Nessa época as atividades físicas ficaram restritas a defender-se e atacar. A luta pela sobrevivência levou a movimentos naturais. Para desenvolver estudos sobre a época, os pesquisadores se baseavam em todos os tipos de objetos, como pedras trabalhadas ou rudimentares, fósseis de animais e de humanos, pinturas rupestres, monumentos e, um pouco mais tarde, objetos e monumentos de bronze e ferro, câmaras mortuárias, estradas, dentre outros. Todos os exercícios físicos, qualquer que seja sua forma de realização, possuem suas raízes, de forma hipotética ou verdadeira nas mais primitivas civilizações. Pode-se afirmar que todos os tipos de exercícios físicos são provenientes de quatro grandes causas humanas: luta pela existência, ritos e cultos, preparação guerreira e jogos e práticas atléticas. O homem primitivo deslocava-se de um lugar para outro a procura de alimentos, marchando, subindo em árvores, escalando penhascos, nadando, saltando e lançando as suas diferentes armas de arremesso. Assim o homem executa os seus movimentos corporais mais básicos e naturais desde que se colocou de pé. Pela repetição contínua desses exercícios, na luta pela sobrevivência, aperfeiçoava as funções, educando-as gradativa e inconscientemente. Porém, todo esse contexto é algo natural e cotidiano. E, como Educação Física propriamente dita, os primeiros registros tardaram a aparecer. Em cada sociedade, povo ou país a Educação Física apresentava focos diferentes de interesse e utilização. Na China a Educação Física era praticada em caráter de guerra, além da finalidade terapêutica e higiênica. 18 Na Índia, a Educação Física era vista como uma doutrina a ser seguida, de foco fisiológico e com indispensáveis necessidades militares. Foi onde teve origem a Yoga e exercícios ginásticos aprofundados da medicina com técnicas de respiração e massoterapia. Buda atribuía aos exercícios o caminho da energia física, pureza dos sentimentos, bondade e conhecimento das ciências para a suprema felicidade do Nirvana, (no budismo, estado de ausência total de sofrimento). No Japão, a Educação Física possuía fundamentos médicos, higiênicos, filosóficos, morais, religiosos e guerreiros. Os samurais são um exemplo de guerreiros feudais originados da pratica da Educação Física no Japão. Já no Egito, os exercícios Gímnicos formaram a ginástica egípcia dotada de equilíbrio, força, flexibilidade e resistência. A existência da ginástica egípcia foi revelada em pinturas nas paredes de tumbas. Mas foi na Grécia que encontramos a civilização antiga que mais contribuiu para a Educação Física. Novamente é visível a ligação que a sociedade e sua cultura têm com a história da Educação Física. Foi na Grécia que surgiram os grandes pensadores, que contribuíram com vários conceitos, até hoje aceitos pela Educação Física e pela pedagogia. Grandes artistas, pensadores e filósofos como Mirón, Sócrates, Hipócrates, Platão e Aristóteles criaram conceitos como o de equilíbrio entre corpo e espírito ou mente, citados por Platão. Também nasceram na Grécia os termos halteres, atleta, ginástica, pentatlo, entre outros. Após a tomada militar da Grécia, Roma absorveu a cultura desta civilização, porém a Educação Física se caracterizou pelo espírito prático e utilitário, tendo assim uma visão voltada para a preparação dos soldados e da população para a guerra. Foi no período romano que surgiu a famosa frase “Mens sana in Corpore Sano”. A Idade Média foi marcada pelo impacto do Cristianismo, repleta de ascentismo. Mesmo com isso, estudantes continuavam a seguir as teorias de Aristóteles, enriquecendo o patrimônio dos conhecimentos. Nesta época floresceu a arte gótica, surgiram as primeiras universidades, e com elas personalidades geniais como Santo Tomás de Aquino. Considerada como “a Idade das Trevas”, o culto ao 19 corpo era considerado pecado e com isso, houve uma grande decadência da Educação Física. Os exercícios Físicos ficaram retidos em torneios muito sangrentos. No Renascimento, a Educação Física deu um salto em busca do seu próprio conhecimento. O período da renascença fez explodir novamente a cultura física. A admiração e dedicação pela beleza do corpo, antes proibida, agora renasce com grandes artistas como Leonardo da Vinci (1432-1519). A escultura de estátuas e a dissecação de cadáveres fizeram surgir a anatomia, grande passo para a Educação Física e a Medicina. A introdução da Educação Física na escola, no mesmo nível das disciplinas tidas como intelectuais, se deve nesse período a Vittorino da Feltre (1378- 1466) que, em 1423, fundou a escola “La Casa Giocosa” onde o conteúdo programático incluía os exercícios físicos”. (PEREIRA; MOULIN, 2006, p. 19-20). O Iluminismo na Inglaterra era contra o abuso do poder no campo social. Esse período trouxe novas ideias e, como destaque nessa época, temos dois grandes nomes: Rousseau e Pestalozzi. Rousseau propôs a Educação Física como necessária à educação física infantil, introduzida nas escolas. Pestalozzi foi o primeiro educador a chamar a atenção para 2 (dois) elementos fundamentais na prática dos exercícios, a posição e a execução perfeita, sem os quais os praticantes não conseguiriam os objetivos visados. O marco da idade contemporânea teve como principal tema o surgimento da ginástica localizada, onde tiveram como responsáveis quatro grandes escolas: a alemã, a nórdica (escandinava), a francesa e a inglesa. Deste período podemos citar grandes personalidades de destaque. Na escola alemã como pai da ginástica pedagógica moderna Johann Cristoph Friederick Guts Muths, notável pedagogo. O fundador e fomentador da ginástica sócio-patriótica foi Friedercik Ludwing Jahn, cujo fundamento era a força. Seu lema era “vive quem é forte”. “Foi ele quem inventou a Barra fixa, as barras paralelas e o cavalo, dando origem à Ginástica Olímpica”. (PEREIRA; MOULIN, 2006, p. 20). Já na Escola Escandinava ou Nórdica, o grande destaque foi o sueco Per Henrik Ling, que teve de lutar com energia e tenacidade ao procurar estabelecer ramos científicos aos exercícios físicos, levando para a Suécia as ideias de Guts 20 Muths. A ginástica sueca foi o grande trampolim para tudo o que se conhece como ginástica atualmente. Como nos descreve em sua obra PEREIRA e MOULIN (2006, P. 21) “Per Henrick Ling (1766-1839) foi o responsável por isso, levando para a Suécia as ideias de Guts Muths após contato com o instituto de Nachtegall. Ling dividiu sua ginástica em quatro partes: a pedagogia voltada para a saúde evitando vícios posturais e doenças, a militar incluindo o tiro e a esgrima, a médica baseada na pedagogia, evitando também as doenças e visando ainda a estética preocupada com a graça do corpo”. Na Escola Francesa temos como elementoprincipal o espanhol naturalizado Francisco Amorós y Ondeano. Ele dividiu a ginástica em civil e industrial, militar, médica e cênica. O método conhecido como ginástica natural teve um francês como seu defensor. Georges Herbert (1875-1957) defendia que a Educação Física deveria preconizar os movimentos naturais do ser humano, ou seja: correr, trepar, nadar, saltar, empurrar, puxar, dentre outros. Já a Escola Inglesa baseava-se nos jogos e nos esportes. Seu defensor era Thomas Arnold, quem recriou os jogos olímpicos. A escola inglesa também teve uma enorme influência no treinamento militar. Com a propagação das ideias pelo mundo destas quatro grandes escolas, a Educação Física passou a ser mais estudada, organizada e reconhecida. Ela conquistou seu espaço, ganhou cunho científico e tornou-se indispensável na vida das pessoas, desde as crianças menores até as pessoas mais idosas. A história da Educação Física no Brasil Brasil colônia, de 1500 a 1822 A mais antiga notícia sobre a Educação Física em terras brasileiras data o ano de sua descoberta, 1500. Tal fato se deve ao relato de Pero Vaz de Caminha, que em 21 uma de suas cartas, que relatam indígenas dançando, saltando, girando e se alegrando ao som de uma gaita tocada por um português (Ramos, 1982). Segundo Ramos (1982), esta foi certamente a primeira aula de ginástica e recreação relatada no Brasil. De modo geral, sabe-se que as atividades físicas realizadas pelos indígenas no período do Brasil colônia, estavam relacionadas a aspectos da cultura primitiva. Tendo como características elementos de cunho natural (como brincadeiras, caça, pesca, nado e locomoção), utilitário (como o aprimoramento das atividades de caça, agrícolas, etc.), guerreiras (proteção de suas terras); recreativo e religioso (como as danças, agradecimentos aos deuses, festas, encenações, etc.) (Gutierrez, 1972). Posteriormente, ainda no período colonial, criada na senzala, sobretudo no Rio de Janeiro e na Bahia, surge a capoeira, atividade ríspida, criativa e rítmica que era praticada pelos escravos (Ramos, 1982). Desta forma, podemos destacar que no Brasil colônia, as atividades físicas realizadas pelos indígenas e escravos, representaram os primeiros elementos da Educação Física no Brasil. Brasil império, de 1822 a 1889 O início do desenvolvimento cultural da Educação Física no Brasil, apesar de não ter ocorrido de forma contundente, ocorreu no período do Brasil império. Pois foi nessa época que surgiram os primeiros tratados sobre a Educação Física. Em 1823, Joaquim Antônio Serpa, elaborou o “Tratado de Educação Física e Moral dos Meninos”. Esse tratado postulava que a educação englobava a saúde do corpo e a cultura do espírito, e considerava que os exercícios físicos deveriam ser divididos em duas categorias: 1) os que exercitavam o corpo; e 2) os que exercitavam a memória (Gutierrez, 1972). Além disso, esse tratado entendia a educação moral como coadjuvante da Educação Física e vice-versa (Gutierrez, 1972). O Início da Educação Física escolar no Brasil, inicialmente denominada Ginástica, ocorreu oficialmente com a reforma Couto Ferraz, em 1851(Ramos, 1982). No entanto, foi somente em 1882, que Rui Barbosa ao lançar o parecer sobre a 22 “Reforma do Ensino Primário, Secundário e Superior”, denota importância à Ginástica na formação do brasileiro (Ramos, 1982). Nesse parecer, Rui Barbosa relata a situação da Educação Física em países mais adiantados politicamente e defende a Ginástica como elemento indispensável para formação integral da juventude (Ramos, 1982). Em resumo, o projeto relatado por Rui Barbosa, buscava instituir uma sessão essencial de Ginástica em todas as escolas de ensino normal; estender a obrigatoriedade da Ginástica para ambos os gêneros (masculino e feminino), uma vez que as meninas não tinham obrigatoriedade em fazê-la; inserir a Ginástica nos programas escolares como matéria de estudo e em horas distintas ao recreio e depois da aula; além de buscar a equiparação em categoria e autoridade dos professores de Ginástica em relação aos professores de outras disciplinas (Darido e Rangel, 2005). No entanto, a implementação da Ginástica nas escolas, inicialmente ocorreu apenas em parte do Rio de Janeiro, capital da República, e nas escolas militares (Darido e Rangel, 2005). Brasil república, de 1890 a 1946 A Educação Física no Brasil república pode ser subdividida em duas fases: a primeira remete o período de 1890 até a Revolução de 1930 (que empossou o presidente Getúlio Vargas); e a segunda fase, configura o período após a Revolução de 1930 até 1946. Na primeira fase do Brasil república, a partir de 1920, outros estados da Federação, além do Rio de Janeiro, começaram a realizar suas reformas educacionais e, começaram a incluir a Ginástica na escola (Betti, 1991). Além disso, ocorre a criação de diversas escolas de Educação Física, que tinham como objetivo principal a formação militar (Ramos, 1982). No entanto, é a partir da segunda fase do Brasil república, após a criação do Ministério da Educação e Saúde, que a Educação Física começa a ganhar destaque perante aos objetivos do governo. Nessa época, a 23 Educação Física é inserida na constituição brasileira e surgem leis que a tornam obrigatória no ensino secundário (Ramos, 1982). Na intenção de sistematizar a ginástica dentro da escola brasileira, surgem os métodos ginásticos (gímnicos). Oriundos das escolas sueca, alemã e francesa, esses métodos conferiam à Educação Física uma perspectiva eugênica, higienista e militarista, na qual o exercício físico deveria ser utilizado para aquisição e manutenção da higiene física e moral (Higienismo), preparando os indivíduos fisicamente para o combate militar (Militarismo) (Darido e Rangel, 2005). O higienismo e o militarismo estavam orientados em princípios anátomo- fisiológicos, buscando a criação de um homem obediente, submisso e acrítico à realidade brasileira. Brasil contemporâneo, de 1846 a 1980 No Período que compreende o pós 2ª Guerra Mundial, até meados da década de 1960 (mais precisamente em 1964, início do período da Ditadura brasileira), a Educação Física nas escolas mantinha o caráter gímnico e calistênico do Brasil república (Ramos, 1982). Com a tomada do Poder Executivo brasileiro pelos militares, ocorreu um crescimento abrupto do sistema educacional, onde o governo planejou usar as escolas públicas e privadas como fonte de programa do regime militar (Darido e Rangel, 2005). Naquela época o governo investia muito no esporte, buscando fazer da Educação Física um sustentáculo ideológico, a partir do êxito em competições esportivas de alto nível, eliminando assim críticas internas e deixando transparecer um clima de prosperidade e desenvolvimento (Darido e Rangel, 2005). Fortalece-se então a ideia do esportivismo, no qual o rendimento, a vitória e a busca pelo mais hábil e forte estavam cada vez mais presentes na Educação Física. 24 Dentre uma das importantes medidas que impactaram a Educação Física no período contemporâneo, está a obrigatoriedade da Educação Física/Esportes no ensino do 3º Grau, por meio do decreto lei no 705/69 (Brasil., 1969). Segundo Castellani Filho (1998), o decreto lei no 705/69 (Brasil., 1969), tinha como propósito político favorecer o regime militar, desmantelando as mobilizações e o movimento estudantil que era contrário ao regime militar, uma vez que as universidades representavam um dos principais polos de resistência a esse regime. Desta forma, o esporte era utilizado como um elemento de distração à realidade política da época. Ademais, a Educação Física/Esportes no 3º Grau era considerada uma atividade destituída de conhecimentos e estava relacionada ao fazer pelo fazer, voltada a formação de mãode obra apta para a produção (Darido e Rangel, 2005). No entanto, o modelo esportivista, também chamado de mecanicista, tradicional e tecnicista, começou a ser criticado, principalmente a partir da década de 1980. Entretanto, essa concepção esportivista ainda está presente na sociedade e na escola atual (Darido e Rangel, 2005). Educação Física na atualidade, a partir de 1980 A Educação Física ao longo de sua história priorizou os conteúdos gímnicos e esportivos, numa dimensão quase exclusivamente procedimental, o saber fazer e não o saber sobre a cultura corporal ou como se deve ser (Darido e Rangel, 2005). Durante a década de 1980, a resistência à concepção biológica da Educação Física, foi criticada em relação ao predomínio dos conteúdos esportivos (Darido e Rangel, 2005). Atualmente, coexistem na Educação física, diversa concepções, modelos, tendências ou abordagens, que tentam romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional que outrora foi embutido aos esportes. Entre essas diferentes concepções pedagógicas pode-se citar: a psicomotricidade; desenvolvimentista; saúde renovada; críticas; e mais recentemente os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (Brasil., 1997). 25 A concepção pedagógica psicomotricidade, foi divulgada inicialmente em programas de escolas “especiais”, voltada para o atendimento de alunos com deficiência motora e intelectual (Darido e Rangel, 2005). É o primeiro movimento mais articulado que surgiu à partir da década de 1970, em oposição aos modelos pedagógicos anteriores. A concepção psicomotricidade tem como objetivo o desenvolvimento psicomotor, extrapolando os limites biológicos e de rendimento corporal, incluindo e valorizando o conhecimento de ordem psicológica. Para isso a criança deve ser constantemente estimulada a desenvolver sua lateralidade, consciência corporal e a coordenação motora (Darido e Rangel, 2005). No entanto, sua abordagem pedagógica tende a valorizar o fazer pelo fazer, não evidenciando o porquê de se fazer e como o fazer. Já o modelo desenvolvimentista por sua vez, busca propiciar ao aluno condições para que seu comportamento motor seja desenvolvido, oferecendo-lhe experiências de movimentos adequados às diferentes faixas etárias (Darido e Rangel, 2005). Neste modelo pedagógico, cabe aos professores observarem sistematicamente o comportamento motor dos alunos, no sentido de verificar em que fase de desenvolvimento motor eles se encontram, localizando os erros e oferecendo informações relevantes para que os erros sejam superados. A perspectiva pedagógica saúde renovada, diferentemente das citadas anteriores, tem por finalidade convicta e às vezes única, de ressaltar os aspectos conceituais acerca da importância de se conhecer, adotar e seguir conceitos relacionados à aquisição de uma boa saúde (Darido e Rangel, 2005). Por outro lado, as abordagens pedagógicas críticas, sugerem que os conteúdos selecionados para as aulas de Educação Física devem propiciar a leitura da realidade do ponto de vista da classe trabalhadora (Darido e Rangel, 2005). Nessa visão a Educação Física é entendida como uma disciplina que trata do conhecimento denominado cultura corporal, que tem como temas, o jogo, a brincadeira, a ginástica, a dança, o esporte, etc., e apresenta relações com os principais problemas sociais e políticos vivenciados pelos alunos (Darido e Rangel, 2005). 26 Em 1996, com a reformulação dos PCNs, é ressaltada a importância da articulação da Educação Física entre o aprender a fazer, o saber por que se está fazendo e como relacionar-se nesse saber (Brasil., 1997). De forma geral, os PCNs trazem as diferentes dimensões dos conteúdos e propõe um relacionamento com grandes problemas da sociedade brasileira, sem no entanto, perder de vista o seu papel de integrar o cidadão na esfera da cultura corporal. Os PCNs buscam a contextualização dos conteúdos da Educação Física com a sociedade que estamos inseridos, devendo a Educação Física ser trabalhada de forma interdisciplinar, transdisciplinar e através de temas transversais, favorecendo o desenvolvimento da ética, cidadania e autonomia. De forma geral, pode-se concluir que a Educação Física vem se desenvolvendo no Brasil à partir de importantes mudanças político-sociais e que atualmente é vista como um elemento essencial para a formação do cidadão Brasileiro. Educação Física como cultura corporal O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é uma história de cultura, na medida em que tudo o que faz está inserido num contexto cultural, produzindo e reproduzindo cultura. O conceito de cultura é aqui entendido como produto da sociedade, da coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os. É preciso considerar que não se trata, aqui, do sentido mais usual do termo cultura, empregado para definir certo saber, ilustração, refinamento de maneiras. No sentido antropológico do termo, afirma-se que todo e qualquer indivíduo nasce no contexto de uma cultura, não existe homem sem cultura, mesmo que não saiba ler, escrever e fazer contas. É como se pudesse dizer que o homem é biologicamente 27 incompleto: não sobreviveria sozinho sem a participação das pessoas e do grupo que o gerou. A cultura é o conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo: neles o indivíduo é formado desde o momento da sua concepção; nesses mesmos códigos, durante a sua infância, aprende os valores do grupo; por eles é mais tarde introduzido nas obrigações da vida adulta, da maneira como cada grupo social as concebe. A fragilidade de recursos biológicos fez com que os seres humanos buscassem suprir as insuficiências com criações que tornassem os movimentos mais eficazes, seja por razões „militares‟, relativas ao domínio e uso de espaço, seja por razões econômicas, que dizem respeito às tecnologias de caça, pesca e agricultura, seja por razões religiosas, que tangem aos rituais e festas ou por razões apenas lúdicas. Derivaram daí inúmeros conhecimentos e representações que se transformaram ao longo do tempo, tendo ressignificadas as suas intencionalidades e formas de expressão, e constituem o que se pode chamar de cultura corporal. Dentre as produções dessa cultura corporal, algumas foram incorporadas pela Educação Física em seus conteúdos: o jogo, o esporte, a dança, a ginástica e a luta. Estes têm em comum a representação corporal, com características lúdicas, de diversas culturas humanas; todos eles ressignificam a cultura corporal humana e o fazem utilizando uma atitude lúdica. A Educação Física tem uma história de, pelo menos, um século e meio no mundo ocidental moderno; possui uma tradição e um saber-fazer e tem buscado a formulação de um recorte epistemológico próprio, lançando as suas bases para além de um tecnicismo cego, com finalidade no corpo e para o corpo, transcendendo esses limites para uma produção totalizadora do ser humano. Assim, a área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. Entre eles, consideram-se fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com possibilidades de promoção, recuperação e manutenção da saúde. 28 Trata-se, então, de localizar em cada uma dessas manifestações (jogo, esporte, dança, ginástica e luta) seus benefícios fisiológicos e psicológicos e suas possibilidades de utilização como instrumentos de comunicação, expressão, lazer e cultura, e formular a partir daí as propostas para a Educação Física escolar. Considerações Finais É possível perceber que a Educação Física passou por profundas modificações, consequências de todo o processo histórico eque, atualmente, ainda está em mutação, sendo que este processo continuará ocorrendo com o passar dos anos. Em tempos atrás, as mudanças ocorriam de forma mais lenta. Hoje em dia, com a velocidade na transmissão de informações e com a facilidade ao acesso aos novos estudos e publicações, acredita-se que as mudanças acontecerão de forma mais rápida e mais abrangente. Todos os processos de evolução estão interligados à história do mundo. É impossível separar história, sociedade e política dos movimentos proporcionados pela classe defensora da Educação Física. Esses aspectos história, sociedade, política e os movimentos proporcionados pelos educadores físicos sustentam e formam a base do contexto atual da Educação Física Mundial. A evolução da história da Educação Física passou por várias fases; algumas positivas e outras negativas. Estas fases construíram o conceito que a educação física possui atualmente, ocupando a posição de destaque que a mesma possui na sociedade. E as fases que virão, tornarão a prática da educação física, seja ela escolar ou não, mais profissional e mais difundida, com objetivos cada vez mais definidos e específicos, pois com a regulamentação da profissão em 1998, o acesso à Educação Física está sendo defendida e proporcionada em escala maior para toda a população, independente de classe social, idade, condição física, cor, religião, opção sexual ou alguma deficiência física, motora ou mental. 29 A princípio uma boa notícia, mas que ainda suscita questionamentos incisivos ao cumprimento do que se entende como saberes da cultura corporal de movimento. E identificando esse tipo de ação Muniz (1996), menciona que não existem evidências de conhecimento e apropriação sistemática de princípios teóricos identificados com o Pensamento Renovador da Educação Física. Mesmo com a presença de fundamentos de abordagem humanistas por parte de discurso de alguns informantes, eles mostraram-se contraditórios quando justificavam e relatavam exemplos do que ensinam, como ensinam e o que acontece durante as aulas (abordagem tradicional). Concluímos que a EF ainda precisa superar paradigmas e que é necessário um acompanhamento das mudanças evolutivas da área de forma efetiva, pois vivenciamos um momento histórico diferente e consequentemente, um processo educacional com outras necessidades. Além disso, todo e qualquer sistema educacional deve ser integrado e isso significa trabalhar coletivamente e apoiar companheiro de profissão. 30 Referências BETTI, M. Educação Física e Sociedade. São Paulo: Movimento. 1991. BRASIL. Decreto-lei 705/ 69, de 25 de julho de 1969. Altera a redação do artigo 22 da Lei nº 4.024 de 20 de dezembro de 1961. D.O.U. de 28.7.1969, 1969. BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais : Educação física Secretaria de Educação Fundamental. 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