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Brasília-DF. InIcIação ao atletIsmo Elaboração Rodrigo Rodrigues da Conceição Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7 UNIDADE I INICIAÇÃO ESPORTIVA ........................................................................................................................... 9 CAPÍTULO 1 INICIAÇÃO ESPORTIVA UNIVERSAL ............................................................................................ 9 CAPÍTULO 2 APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO MOTOR ....................................................................... 12 UNIDADE II JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA ......................... 14 CAPÍTULO 1 HISTÓRIA DO ATLETISMO ......................................................................................................... 14 CAPÍTULO 2 ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO DAS MODALIDADES DO ATLETISMO ............................................... 21 UNIDADE III CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO ...................................................... 24 CAPÍTULO 1 CORRIDAS ............................................................................................................................. 24 CAPÍTULO 2 ARREMESSOS E LANÇAMENTOS .............................................................................................. 33 UNIDADE IV OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO ............................................................................ 42 CAPÍTULO 1 SALTOS ................................................................................................................................... 42 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 49 4 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 5 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Praticando Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer o processo de aprendizagem do aluno. 6 Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Exercício de fixação Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/ conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não há registro de menção). Avaliação Final Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber se pode ou não receber a certificação. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 7 Introdução Assim como nas corridas, as maiores batalhas da vida são travadas na solidão. E na vida, assim como nas corridas, o mais importante é o ato de participar, ainda que a ilusão da vitória nos dê forças para continuar lutando. Emil Zatopek O Atletismo sofreu uma revolução ao longo da história e cada vez mais vem ganhando espaço nas mídias de uma forma geral, nos últimos anos as muitas pessoas vêm procurando academias, escolas, clube e centro de treinamento destas modalidades com os diferentes fins. Diferentes eventos vêm sendo promovidos no Brasil (principalmente as corridas de rua) preenchem nosso calendário esportivo, e com isto o atletismo de forma geral se torna um mercado bem amplo e promissor. Assim, o atletismo de uma forma geral é amplamente praticado em programas de exercícios físicos para várias populações com finalidades diversas: performance, prevenção, reabilitação, adaptação, saúde, lazer... Objetivos » Introduzir ao aluno, as diferentes modalidades atléticas. » Compreender princípios da motricidade de uma forma geral, essencial para a iniciação do atletismo escolar. » Analisar e compreender as diferenças técnicas e modelos didáticos existente em diferentes modalidades do atletismo. 8 9 UNIDADE IINICIAÇÃO ESPORTIVA CAPÍTULO 1 Iniciação esportiva universal A iniciação esportiva é um processo cronológico no transcurso do qual uma pessoa entra em contato com novas experiências regradas sobre uma atividade físico-esportiva (RAMOS; NEVES, 2008). Normalmente é o período em que se começa a ter um aprendizado mais específico em relação a um esporte. A iniciação esportiva e seu rendimento estão diretamente relacionados à idade e a frequência de treinamento. Greco e Benda (1998) dividem estas fase em: 1. Fase pré-escolar propicia ao aluno uma vivência diversificada de movimentos, sem que haja exigência de um padrão ideal, caracterizando assim um sistema totalmente aberto, isto é: não existe execução errada de movimento. Neta fase, denominada pelo autor de estimulação motora, o padrão de movimento deve ser tomado apenas como estímulo para que a criança construa seu próprio plano motor. Atividades básicas de deslocamento, equilíbrio, acoplamento, esquema corporal, relaçãoespaço-temporal, entre outras, são próprias e devem, preferencialmente, ser apresentadas em formas jogadas, tipo de jogos de imitação e perseguição. 2. Fase universal: abrange dos 6 aos 12 anos. A frequência das atividades não deve ultrapassar três vezes na semana, para não interferir em outro interesse e necessidade que a criança possa manifestar. Nesta fase a criança encontra com as habilidades básicas de locomoção, manipulação e estabilização em refinamento progressivo, podendo, assim, participar de um número maior e mais complexo de atividades motoras. Colocam que as crianças de 6-8 anos devem trabalhar com jogos de perseguição, estafetas, jogos relevos, entre outros. Já com crianças de 8-10 anos, 10 UNIDADE I │INICIAÇÃO ESPORTIVA pode-se começar a desenvolver jogos coletivos, por meio de pequenos jogos (reduzidos), jogos de iniciação, grandes jogos e, em alguns casos, jogos pré-desportivos. É importante ressaltar que o processo de ensino- aprendizagem-treinamento das capacidades físicas nesta fase, deve impreterivelmente, estar adequado ao nível de desenvolvimento e de experiência da criança, respeitando o que Greco e Benda (apud MARTIN, 1991) denomina de “fases sensíveis”, as quais hoje não têm a confirmação científica da sua real abrangência. 3. Fase de orientação que se inicia por volta dos 11-12 anos e abrange até os 13-14 anos. A frequência recomendada é de três encontros semanais, com duração média de 60 a 90 minutos cada. É neste momento que começa a ocorrer a automatização de grande parte dos movimentos, liberando a atenção do praticante para a percepção de outros estímulos que ocorrem, simultaneamente, à ação que está sendo realizada. Partindo do nível de rendimento alcançado na fase anterior, deve-se procurar o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das capacidades físicas e técnicas. Aqui, é importante destacar que se deve ter como um dos objetivos a iniciação técnica: o gesto do esporte em sua forma global, ações motoras gerais que servem para a solução de tarefas esportivas (porém, sem realizar treinamento pelas técnicas das diferentes disciplinas esportivas), observando quais são as exigências que se apresentam em cada um desses objetivos. Aqui o jogo em qualquer forma de organização (jogos de iniciação, pré-desportivos, grandes jogos, jogo recreativo, entre outros), tem um sentido recreativo, porém possui um alto valor educativo, pois serão estabelecidas as bases para uma “ação inteligente”. 4. Fase de direção por volta dos 13-14 anos e abrange os 15-16 anos. Pode-se começar com o aperfeiçoamento e a especialização técnica em uma modalidade desportiva. É importante destacar a necessidade de que o jovem realize e participe de duas ou três modalidades esportivas, preferentemente complementares, ou seja, daquelas nas quais não existam fatores que possam interferir no processo de transferência de técnica. Destacamos a importância do processo de ensino-aprendizagem-treinamento, em que várias modalidades esportivas sejam oferecidas à criança, e não a “escolinha” de um único esporte ou atividade repetitiva nas “temporadas” ou na aula de educação física formal que levam à especialização precoce e não permitem concretizar o princípio da “variabilidade da prática”, conceito que é de fundamental importância para o desenvolvimento de habilidades motoras e do treinamento técnico-tático. Nas atividades 11 INICIAÇÃO ESPORTIVA│ UNIDADE I educacionais na escola, o esporte deve ser orientadopara a participação, a integração e a sociabilização. Cabe ao clube a incorporação dos jovens com talento para a formação das categorias de base que são inerentes aos esportes por ele incentivados. (GRECO; BENDA 1998) Os indivíduos apresentam capacidade de interagir com o ambiente através do movimento. Essa capacidade sofre alterações ao longo do ciclo de vida do indivíduo devido às características: » pessoais (crescimento, maturação e capacidade física); » ambientais (espaço, sociocultural); » dependente das tarefas (regras, objetivos e equipamentos). Então, a partir daí, alguns autores definem habilidade motora como: “Movimento voluntário realizado de forma a atingir uma meta com máxima certeza e o mínimo de esforço e tempo.” (SCHMIDT; WRISBERG, 2001) “Ações complexas e intencionais que, através da prática, tornam-se organizadas e coordenadas de forma a alcançarem objetivos predeterminados com máxima certeza e mínimo esforço.” (WHITING, 1975) 12 CAPÍTULO 2 Aprendizagem e desenvolvimento motor Aprendizagem motora Na aprendizagem motora dá-se ênfase ao estudo das habilidades motoras. Estas apresentam uma classificação que nos permitirá compreender melhor todo o processo ensino- aprendizagem, e para iniciarmos o estudo da habilidade motora, devemos ter bem definidos alguns conceitos de extrema importância para o entendimento geral do assunto, os termos são os seguintes. » Habilidade: ato ou tarefa que requer movimento, que é intencional e aprendido a fim de se executado corretamente. A habilidade é individual e tem zero na sua escala. » Técnica: é o padrão predeterminado econômico e eficaz para atingir determinado objetivo. A técnica é coletiva. Definimos técnica como interpretação (do atleta) no tempo, no espaço e na situação do meio instrumental apurativo necessário à solução da tarefa a problema que se apresenta. » Capacidade: é um potencial desenvolvido, como forte componente genético. Fortalece a ideia de diferenças individuais e não tem zero na sua escala. Definimos capacidade como o conjunto de condições necessárias para a realização de uma atividade. São sistemas consolidados de processos psicológicos gerais, os quais, para serem operacionalizados, exigem a elaboração de testes que as medem. Basicamente as habilidades motoras são classificadas como aberta e fechadas. » Abertas: quando o ambiente é imprevisível e pode influenciar o resultado. Ex.: Basquetebol, Futebol. » Fechadas: quando o ambiente é previsível e não influencia o resultado. Ex.: Arco e flecha, bicicleta ergométrica. 13 INICIAÇÃO ESPORTIVA│ UNIDADE I Além disso, a habilidade motora pode ser classificada conforme precisão do movimentos que são: » globais: quando envolvem grandes grupos musculares; » finas: quando pequenos grupos musculares estão envolvidos na execução motora. Em adição ainda possuem uma terceira classificaçãoque são divididas em: » discretas: quando apresentam princípios e fins bens definidos, como, por exemplo, o chute no futebol, o arremesso no handebol. » contínuas: quando não apresentam princípios e fins claros (não existe um momento mais correto para iniciar ou terminar) Ex.: remar ou correr. Desenvolvimento motor O desenvolvimento motor é um processo sequencial e continuado, relativo à idade, em que o indivíduo progride de um movimento simples sem habilidade, até o ponto de conseguir habilidades motoras complexas e organizadas e, finalmente, o ajustamento destas habilidades. Para o sucesso do desenvolvimento, alguns princípios são fundamentais. Princípio da Continuidade – O desenvolvimento inicia-se antes do nascimento e prossegue até a morte. » Princípio da Totalidade – O desenvolvimento ocorre em todos seus aspectos simultaneamente (intelectual, social, emocional, entre outros) » Princípio da Especificidade – Apesar de ser global, o desenvolvimento enfatizará um aspecto em cada situação. » Princípio da Progressividade – O desenvolvimento não ocorre de forma rápida. É um processo longo e lento, porém está sempre em evolução. » Princípio da Individualidade – O desenvolvimento é diferente para cada pessoa, respeitando suas características e experiência vivenciadas. 14 UNIDADE II JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA CAPÍTULO 1 História do atletismo A origem do Atletismo é incerta, mas de certa forma está ligada aos primórdios da humanidade visto que o homem de Neandertal já praticava algumas das modalidadesdo referido esporte como caminhar, correr, saltar e arremessar. Tais movimentos eram utilizados para se locomover, escapar dos predadores, caçar, entre outras coisas como forma de sobrevivência. Desta forma, os homens e as mulheres foram adquirindo habilidades que, mais tarde, foram aprimoradas e adaptadas passando a ser utilizadas nas provas das competições do esporte Atletismo. Etimologicamente a palavra atletismo deriva da raiz grega “Athlos” que quer dizer, combate, competição. Corresponde ao princípio do heroísmo sagrado grego, o espírito de disputa e o ideal do belo. Com o surgimento das competições, perdeu-se o caráter de religiosidade e passou a ter um caráter exclusivamente esportivo. Contudo os primeiros registros de atletismo, eventos organizados em um festival de esportes, são os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Nos primeiros Jogos, em 776 a.C, em Olímpia, na Grécia, possui apenas registros de uma modalidade: a corrida chamada stádion, em que o primeiro campeão olímpico foi Koroibos. Nos anos posteriores, foram adicionadas novas provas de corrida e também o pentatlo Olímpicos da Antiguidade, e quatro dos eventos faz parte da pista e de campo que temos até hoje: o salto em distância, o lançamento do dardo, o lançamento do disco. Porém, já nos jogos olímpicos da era moderna (1896), o atletismo marcou a sua presença, evoluindo consideravelmente a todos os níveis, tornando-se, deste modo, um dos desportos fundamentais para a realização dos jogos. 15 JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA│UNIDADE II Entre 1880 e 1920, formaram-se associações de atletismo por todo o mundo, sendo que a Federação Internacional de Atletismo Amador foi fundada, em 1912, e é ainda hoje a entidade responsável pelas competições internacionais. Figura 1. Koroibos o primeiro campeão olímpico na modalidade stádion. Fonte: <http://arte-coroebus.blogspot.com.br/>. História do atletismo no Brasil A história atlética do Brasil começa no Século XIX. Na década de 1880, o Jornal do Comércio já anunciava resultados de competições atléticas no Rio de Janeiro. Nas três primeiras décadas do Século XX, a prática atlética foi consolidada. Em 1914, a antiga Confederação Brasileira de Desporto (CBD) filiou-se à IAAF (International Association of Athletics Federations). Em 1924, o País participou pela primeira vez do torneio olímpico, ao mandar uma equipe aos Jogos de Paris. No ano seguinte, foi disputado pela primeira vez o Campeonato Brasileiro. Em 1931, brasileiros disputavam pela primeira vez o Campeonato Sul-Americano. Em 1932, Clovis Rapozo (salto em distância) e Lúcio de Castro (salto com vara) chegaram às finais nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Quatro anos depois, Sylvio de Magalhães Padilha foi o 5o nos 400 m com barreiras nos Jogos de Berlim. Em 1952, nos Jogos de Helsinque, Adhemar Ferreira da Silva conquistou a medalha de ouro no salto triplo. Era a primeira das 13 medalhas que o Atletismo daria ao Brasil, até os Jogos de Atenas, em 2004. Adhemar foi o primeiro dos três triplistas brasileiros a estabelecer o recorde mundial na prova. Os outros foram Nelson Prudêncio e João Carlos de Oliveira. 16 UNIDADE II │JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA Figura 2. Anúncio dos jogos olímpicos em Paris, de 1924. Fonte: O início das mulheres no atletismo 1896 a 1996 A primeira participação das mulheres na modalidade de atletismo feminino ocorreu durante os esportes de exibição dos Jogos Olímpicos, no ano de 1900. Contudo, somente nos Jogos de Amsterdã, realizados entre 17 de maio e 12 de agosto de 1928, o atletismo feminino foi inserido, dando destaque para a atleta americana Betty Robinson, a primeira mulher a vencer os 100 m. A seguir veremos a participação das brasileiras no atletismo, nos Jogos olímpicos moderno. 17 JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA│UNIDADE II Figura 3. Betty Robinson, a primeira mulher a vencer o 100 m. Fonte: <http://stuyfssportverhalen.files.wordpress.com/>. 1948 – Este ano marca a primeira vez em que o Brasil enviou mulheres para competir nos Jogos Olímpicos de Londres, na modalidade de atletismo feminino. O evento ocorreu entre 29 de julho e 14 de agosto. O Brasil competiu com 79 atletas, incluindo 11 mulheres, seis no atletismo e cinco na natação. As pioneiras do atletismo foram Benedicta Sousa de Oliveira, nos 100 m e nos 4x100 m; Elisabeth Clara Muller, nos 100 m, no arremesso de peso, no salto em altura e nos 4x100 m; Gertrud Ida Morg, no salto em distância, modalidade que estreava nesta olimpíada com o salto de 5,12 m; Lucila Pini, nos 200 m e nos 4x100 m; Melânia Luz, nos 200 m e nos 4x100 m, e Helena Cardoso de Menezes, nos 100 m e 200 m. A equipe brasileira do revezamento 4x100 m bateu o recorde sul-americano de 49”3 para 49”. 1952 – Nos Jogos Olímpicos de Helsinque, entre 19 de julho e 3 de agosto, o Brasil levou uma equipe de 108 atletas, entre eles cinco mulheres, três no atletismo e duas na natação. As representantes do atletismo foram Deise Jurdelina de Castro, nos 200 m e no salto em altura, Helena Cardoso de Menezes, nos 100 m e no salto em distância e Wanda dos Santos, nos 80 m com barreiras e no salto em distância. 1956 – Os Jogos Olímpicos em Melbourne foram realizados entre 22 de novembro e 8 de dezembro deste ano. O Brasil não enviou representante no atletismo feminino; apenas uma mulher representou o País nos saltos ornamentais. 1960 – Os Jogos Olímpicos foram realizados em Roma, entre 25 de agosto e 11 de setembro deste período. O Brasil participou com 82 atletas e nossa única representante do sexo feminino foi Wanda dos Santos, competindo na prova de 80 m com barreiras. 18 UNIDADE II │JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA 1964 – Os Jogos foram realizados em Tóquio, entre 10 de outubro e 24 de outubro. O Brasil enviou 70 atletas para a competição, as quais disputaram 11 modalidades. Dessa vez o atletismo brasileiro acabou representado por apenas uma única mulher da delegação, Aída dos Santos. Sem medalha nem troféu, Aída dos Santos entrou para a história do esporte brasileiro ao conseguir o quarto lugar no salto em altura. Essa é a melhor marca olímpica já conquistada, individualmente, por uma brasileira. Figura 4. Aída dos Santos, nas olimpíadas de Tókio. Fonte: <www.netvasco.com.br>. 1968 – Nos Jogos realizados no México entre 12 de outubro e 27 de outubro, o Brasil levou 84 atletas, dos quais três eram mulheres. A atleta Aída dos Santos disputou o pentatlo e terminou em 20o lugar (recorde sul-americano) mesmo com o pé torcido em acidente. As outras duas atletas foram Irenice Maria da Conceição Cypriano, nos 400 m e 800 m, e Maria da Conceição Cypriano que chegou a alcançar 1,74 m no salto em altura nas provas de classificação, terminando com a marca de 1,71 e em 11o lugar. 1972 – Em Munique, entre 26 de agosto e 11 de setembro, o Brasil não contou com nenhuma representante no atletismo feminino, apesar de sua delegação ser formada por 89 atletas, dos quais cinco atletas eram mulheres. 1976 – Os Jogos Olímpicos em Montreal foram realizados entre 17 de julho e 1 de agosto. O Brasil levou uma equipe de 93 atletas dos quais sete deles eram mulheres, sendo três participantes no atletismo: Esmeralda de Jesus Freitas que, com seus 17 anos disputou os 100 m e os 200 m, Maria Luisa Domingues Betiolli, no salto em altura e Silvina da Graça Pereira, nos 200 m e no salto em distância. 19 JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA│UNIDADE II 1980 – Os Jogos Olímpicos em Moscou foram realizados entre 19 de julho e 3 de agosto. O Brasil levou sua maior delegação, 109 atletas, dos quais 15 eram mulheres. A única representante do atletismo feminino foi Conceição Aparecida Geremias no pentatlo, ficando em 14o lugar. 1984 – Os Jogos Olímpicos foram realizados em Los Angeles entre 28 de julho e 12 de agosto. OBrasil participou com 151 atletas, dos quais 22 mulheres. No atletismo, houve três representantes: Conceição Aparecida Geremias, considerada, à época, a atleta mais completada América, recordista sul-americana e ouro no Pan de 1983. Conceição competiu nos 100 m com barreiras, no salto em distância e no heptatlo, modalidade que, pela primeira vez, entrou nas Olimpíadas. As outras atletas foram Eleonora Mendonça, representante na maratona e Esmeralda de Jesus Garcia nos 100 m e no salto em distância, provas em que era recordista sul-americana e medalha de ouro no Pan de Caracas em 1983. 1988 – Nos Jogos Olímpicos em Seul, entre 17 de setembro e 2 de outubro, competiram 2.186 mulheres. O Brasil levou 174 atletas, entre eles 35 mulheres, 6 atletas no atletismo: Angélica de Almeida na maratona; Conceição Aparecida Geremias no heptatlo e nos 4x400 m, Maria Magnólia Souza Figueiredo, nos 400 m e nos 4x400 m; Soraya Vieira Telles nos 800 m e nos 4x400 m; Suzete Garcia Montalvão nos 4x400 m e Tânia Maria Miranda nos 4x400 m. 1992 – Os Jogos Olímpicos foram realizados em Barcelona entre 25 de julho e 9 de agosto. O Brasil levou 178 atletas, entre eles 51 mulheres, 3 no atletismo. Carmen de Oliveira Furtado nos 10.000 m, ficando em 41o lugar; Janet Mayal na maratona e Marcia Narloch, medalha de prata na maratona de Los Angeles, disputou a maratona, classificando-se em 17o lugar. 1996 – Os Jogos Olímpicos foram realizados em Atlanta, entre 19 de julho e 4 de agosto. Tais jogos marcaram as primeiras medalhas olímpicas femininas da história do esporte brasileiro. O Brasil inscreveu 225 atletas, entre eles 66 mulheres. A delegação feminina de atletismo foi composta por nove mulheres. Entre elas, Carmen de Oliveira Furtado na maratona, vencedora da meia-maratona de Pakersburg, em 1995, e medalha de ouro no Pan-Americano de Mar Del Plata no mesmo ano, foi também a primeira mulher brasileira a vencer a Corrida de São Silvestre em 1996. Cleide Amaral, nos 100 e 200 m rasos, medalha de prata nos 200m e medalha de ouro nos 100m, no campeonato sul-americano de 1995 e medalha de ouro nos 100 e 200m no Torneio Internacional Orlando Guaita, em 1995. Elisângela Maria Adriano, no arremesso de peso, foi medalha de ouro no arremesso de peso no 2o torneio FPA de atletismo de 1996. Luciana de Paula 20 UNIDADE II │JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA Menezes, nos 800 metros, foi medalha de prata no Pan-Americano de Mar Del Plata em 1995, medalha de ouro no Meeting de Lisboa em 1994 e ouro no Meeting de San Denis, na França em 1995. Marcia Narloch, maratona, foi medalha de bronze na maratona de Nova Iorque, em 1993, e vencedora da maratona do Rio de janeiro, em 1996. Maria Aparecida Barbosa de Souza, medalha de ouro no salto triplo no 3o FPA, em 1995, e no Troféu Ivo Sallowicz, também em 1995, disputou no salto triplo. Maria Magnólia Souza Figueiredo, 400 metros rasos, ouro nos 400 m rasos no Campeonato Ibero-Americano de 1990, ouro nos 400 m rasos no Campeonato sul-americano de 1991. Roseli Aparecida Machado, nos 5.000 m e Solange Cordeiro de Souza, maratona, bronze nos XIV troféu Brasil de Atletismo de 1995 e prata nos 300m na AztecInvitational, nos EUA, em 1996. 21 CAPÍTULO 2 Organização e divisão das modalidades do atletismo O atletismo é basicamente dividido em quatro grandes modalidades, que se subdividem em outras modalidades conforme destacam-se agora. 1o Corridas: a corrida se subdivide em oito diferentes modalidades: » Corrida Rasa – no qual alguns itens básicos são necessários para a realização de provas oficiais, como, por exemplo: 1. a partida do bloco é obrigatória; 2. a falsa partida (quando um atleta sai do lugar antes do sinal) o atleta e desclassificado. 3. são disputadas em corredores individuais, delimitado por linhas » Corrida de Estafetas (Bastão) – nesta modalidade podemos destacar que: 1. apenas o primeiro corredor realiza a partida dos blocos; 2. o bastão deve ser entregue em mão dentro da zona de transmissão. 3. se o bastão cair, o atleta poderá voltar para apanhá-lo. » Corrida com Barreira – é considerada também uma corrida de velocidade no qual o atleta deve ultrapassar um conjunto de barreiras em sucessão, que podem ser derrubadas desde que não seja intencional. » Corrida com Obstáculo – tem como provas-padrão 2.000 metros com obstáculos e 3.000 metros com obstáculos, sendo essa última uma prova olímpica masculina e feminina, os obstáculos possuem 91,4 cm (Masculino) e 76,2 (Feminino). Em nenhuma hipótese o atleta poderá passar por baixo do obstáculo. Cada volta na pista terá 4 obstáculos e 1 fosso de água. No total o atleta terá que saltar 28 vezes sobre os obstáculos e 7 vezes sobre o fosso de água na prova de 3.000 metros. Na prova de 2.000 metros, os atletas terão que saltar 18 vezes sobre os obstáculos e 5 sobre o fosso. 22 UNIDADE II │JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA » Corrida de Fundo e Meio Fundo – consideram-se corridas de meio-fundo as compreendidas entre os 800 e os 3.000 metros, e as corridas de fundo são as de maior distância, como as de 5.000, 10 metros. » Maratona – é uma corrida realizada na distância oficial de 42.195 km, normalmente em ruas e estradas. » Marcha Atlética – a marcha atlética é uma progressão de passos, executados de tal modo que o atleta mantenha um contato contínuo com o solo, não podendo ocorrer a perda de contato com este. 2o Saltos: o salto se subdivide em quatro modalidades. » Salto em Altura – nesta modalidade o atleta deve transportar o sarrafo sem derrubá-lo, porém o competidor possui 3 tentativas. » Salto em Distância – o atleta nesta modalidade inicia uma corrida em direção a caixa de areia que começa devagar e vai aumentando a velocidade até bater o pé de apoio na tábua de impulsão e se impulsionar para saltar. Feita a impulsão, o saltador lança a perna, que está livre para a frente ganhando elevação e desenvolvimento horizontal. » Salto Triplo – é caracterizado por um salto com impulsão em um só pé, uma passada e um salto, nesta ordem, sendo que o salto com impulsão em um só pé deverá ser feito de modo que o atleta caia primeiro sobre o mesmo pé que deu a impulsão, na passada ele cairá com o outro pé do qual, consequentemente, o salto é realizado. » Salto com Vara – consiste na realização de um salto com a utilização de uma vara, visando à transposição de um sarrafo colocado em determinada altura. 3o Lançamentos: o lançamento subdivide-se em quatro modalidades. » Lançamento de Disco – esta prova consiste em lançar um disco de 1 kg (Feminino) e 2 Kg (Masculino) à maior distância possível. » Lançamento de Peso – nesta modalidade o peso tem que se manter encostado no pescoço até o ato de lançar. » Lançamento e Martelo – o objetivo principal desta modalidade é executar o lançamento do martelo o mais longe possível. 23 JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA│UNIDADE II » Lançamento de Dardo – consiste na realização do lançamento de um dardo a maior distância possível. 4o Provas Combinadas: as provas combinadas são representadas pelas seguintes modalidades. » Pentatlo » Heptatlo » Decatlo 24 UNIDADE III CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO CAPÍTULO 1 Corridas Como vimos as corridas são subdivididas em outras modalidades, em nível competitivo. Estas modalidades possuem diferentes provas com diferentes categorias. A seguir podemos ver a divisão das diferentes modalidades e categoria das corridas oficiais. Masculino Feminino Fonte: Matthiesen, 2014 25 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III A corrida é considerada uma tarefa motora de caráter cíclico e de estrutura rítmica variável ou invariável, em que a fase de apoio é alternada com a fase de suspensão. Em um ciclo de movimento, podemos distinguir dois momentos, na fase de apoio e na fase desuspensão. Após o contato do pé com o solo devem observar-se duas ações distintas. 1a Anterior, dirigida da frente para trás, com o objetivo de provocar uma passagem, tão rápida quanto possível, do corpo pelo apoio. 2a Posterior, dirigida de trás para frente por extensão da perna, que provoca a projeção do corpo para frente. Estas duas ações seguem-se a fase de suspensão até se iniciar idêntico movimento da outra perna. Figura 5. Cada passada de corrida compreende quatros fases: Apoio à frente, impulsão, recuperação e balanço. Fonte: Atletismo, 2011. Após a perda de contato com o solo, a perna realiza uma ação circular, que é habitualmente decomposta em balanço atrás e balanço à frente. Figura 6. A perna está fletida durante a fase de recuperação. O joelho eleva-se para a frente e para cima durante a fase de balanço a frente. Fonte: Atletismo, 2011. O contato do pé com o solo deve realizar-se no eixo da corrida, variando a superfície de apoio de acordo com a intensidade da corrida. Assim, para uma intensidade máxima e 26 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO pé toma contato pelo terço da borda externa, enquanto para intensidade média e fraca, o apoio tende a ser realizado sobre a região externa do metatarso e tarso. Figura 7. Fase de apoio o terço anterior do pé na fase de apoio à frente. Extensão das articulações do tornozelo, joelho e coxa durante a fase de impulsão. Fonte: Atletismo, 2011. Veremos alguns educativos para melhora da técnica da corrida. Skipping alto – Educativo no qual se deve correr devagar elevando os joelhos até a altura do quadril. Figura 8. Fonte: <runnerworld.com>. Skipping baixo – Movimento do skipping alto, mas com a elevação do joelho mais baixo. 27 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III Figura 9. Fonte: <runnerworld.com>. Hopserlaug – Movimento de salto com uma das pernas, elevando o joelho até a altura do quadril. Depois repita o movimento com a outra perna de forma contínua. Figura 10. Fonte: <runnerworld.com>. Anfersen: Corrida devagar, batendo os calcanhares nos glúteos. 28 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO Figura 11. Fonte <Gofaster.com>. Kick-out ou Soldadinho: Educativo em que se deve correr devagar jogando o pé para frente. Figura 12. Fonte: <runnerworld.com>. Afundo: Neste educativo, deve-se executar uma passada longa à frente, como quadril relaxado. Mantenha por dois segundo embaixo, suba e repita o movimento com a outra perna. 29 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III Figura 13. Fonte: <runnerworld.com>. Nas corridas existem dois tipos de largada (saída), que é dependente da modalidade. 1. Saída em Pé: este tipo de saída e dividida em duas fases: A primeira corresponde à voz “aos seus lugares”; A segunda corresponde ao sinal de partida. Conforme o posicionamento inicial, os pés devem estar no eixo da corrida, as pernas fletidas, o tronco inclinado à frente, o peso corporal na perna da frente e a cabeça formando um prolongamento do tronco, calcanhares elevados e o braço em oposição às pernas. Durante a movimentação, o corpo deve desequilibrar-se para frente, a perna mais atrasada deve avançar de uma forma dinâmica, os braços devem movimentar-se de forma contínua, o tronco deve levantar- se progressivamente e, por fim, o apoio inicialmente não é colocado debaixo do Centro de Gravidade, mas sim atrás dele, deslocando-se progressivamente para o alinhamento vertical. 30 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO Figura 14. Fonte: <atletismo.f1cf.com.br>. 2. Partida dos Blocos: a partida do bloco pode ser dividida em três fases: A primeira corresponde a voz “aos seus lugares” que tem com o critério uma posição equilibrada estando o peso equitativamente distribuído pelos membros inferiores, numa atitude descontraída, com um pé ligeiramente à frente do outro e o tronco numa posição vertical; na segunda fase corresponde a voz, “pronto”, há um tensionamento de todo o corpo, onde o seu peso assenta fundamentalmente no membro inferior. A terceira corresponde ao sinal de partida. Nesta pretende-se um sincronismo entre os membros superiores e inferiores. Posicionamento inicial: » Mãos no solo mais afastadas que os ombros. » Polegar e indicador afastados e paralelos a linha de partida. » O peso do corpo distribui-se pelos 5 apoios (dois pés, um joelho e duas mãos). » O joelho da perna de trás apoia no solo. Posição de “prontos” » Peso do corpo distribui-se pelos 4 apoios, com predominância dos braços. » Ombros avançam ligeiramente para além da vertical. » O quadril se eleva até que o joelho da frente atinja sensivelmente os 90 graus. » O quadril sobe um pouco mais alto que o nível dos ombros. 31 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III » Não se deve olhar em frente, mas sim para baixo, eventualmente para a linha da partida. » O pé que fica mais atrás deve estar totalmente encostado ao bloco em pré-tensão. Saída » Avance do corpo através da extensão enérgica da perna da frente. » Os braços saem simultaneamente do solo e movimentam-se alternada e vigorosamente. » A amplitude da passada aumenta progressivamente. » O tronco atinge a vertical progressivamente. » Os apoios passam para baixo do centro de gravidade progressivamente. Figura 15. Fonte: <atletismo.f1cf.com.br>. Corrida com barreira Esse tipo de corrida é constituído de provas cujas distâncias sejam de 100 a 400 m, nas quais o corredor deve ultrapassar um total de 10 barreiras em qualquer dessas provas, independentemente da distância. Portanto, o número de barreiras é o mesmo para todas as provas variando apenas a distância a ser percorrida e o intervalo existente 32 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO entre as barreiras, bem como a distância entre a linha de partida até a primeira barreira e da última barreira à linha de chegada. É de grande importância que todos os procedimentos usados para a passagem da barreira tenham uma ação contínua, em que o corpo do atleta proporcione uma trajetória parabólica, cujo ponto mais alto se dá antes da barreira, isto porque o ponto de impulso, que varia de acordo com a estatura, soltura, mobilidade e velocidade do corredor está mais distanciado da barreira do que o ponto de abordagem no solo após a passagem. Figura 16. Fonte: <treino-de-corrida.f1cf.com.br>. Passagem da barreira. » Perna de ataque (a que vai à frente): inicia a passagem da barreira no momento em que e lançada contra a barreira, ligeiramente flexionada, para em seguida se estender quando estiver sobre a barreira; quando o centro de gravidade do corredor ultrapassar a barreira e já estiver na fase descendente da parábola descrita pela passagem, esta perna procura descer rapidamente em direção ao solo, buscando a recuperação. » Perna de passagem (a de trás): ao deixar o solo, flexiona-se, elevando-se horizontalmente para a lateral e deslizando no ar, acompanhando a trajetória aérea do corpo; após a passada do centro de gravidade pela barreira e a colocação bastante rápida da perna de ataque em contato com o solo, a perna de passagem começa a se dirigir para frente através da um movimento do joelho para cima e para frente, a fim de ampliar a primeira passada a ser dada após o franqueamento do obstáculo para que ela seja da mesma amplitude das seguintes. Figura 17. Fonte: <treino-de-corrida.f1cf.com.br>. 33 CAPÍTULO 2 Arremessos e lançamentos Arremessos de peso O arremesso de peso é uma modalidade olímpica de atletismo, em que os atletas competem para arremessar uma bola de metal o mais longe possível. A bola oficial masculina tem massa de 7,26 kg e é geralmente feita de bronze ou ferro fundido e chumbo, possui cerca de 12 cm de diâmetro. Na categoria feminina tem massa de 4 kg exatos, sendo esta um pouco menor.A técnica do arremesso de peso As duas principais técnicas de arremessos de peso utilizadas em competições são as técnicas O’Brien e Baryschinokov. Técnica O–Brien O atleta posiciona-se de pé, virado para trás, em relação ao sentido do lançamento. Esta posição facilita a aceleração continuada do engenho ao longo de uma linha reta. Para que se possa compreender melhor, a técnica é dividida em fases de acordo com os diversos movimentos realizados na execução do arremesso. Desta forma, temos: a. Empunhadura: a atleta pega o peso de modo que este fique repousado sobre a base (calo) dos dedos. O mínimo e o polegar servem de apoio lateral, enquanto que os outros três dedos da mão ficam ligeiramente afastados. O peso não deve ser seguro com contração da mão, também não pode rolar na sua palma. Desta forma, o peso é levado na cavidade do pescoço, abaixo do maxilar inferior. A palma da mão, está sob o implemento, flexionada no punho, com o cotovelo ligeiramente levantado e puxado para adiante. O braço aponta para frente e para baixo, enquanto que a cabeça é conservada na sua posição normal. Com o cotovelo e o antebraço exatamente abaixo do peso, esta posição se manterá desde a inclinação do atleta para adiante, até o final do deslizamento. b. Posição Inicial: o arremessador posiciona-se de pé, em afastamento ântero-posterior das pernas na parte posterior do círculo e de costas 34 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO para o setor de arremesso. O peso do corpo recai sobre a perna direita, enquanto que a esquerda fica ligeiramente afastada atrás, apoiada na ponta dos dedos. c. Deslocamento: o corpo do atleta na posição acima descrita tem certo grau de inércia que para ser quebrado, requer movimentos preliminares, antes de iniciar o deslocamento propriamente dito. Assim o atleta flete o tronco para adiante e compensando esta flexão, leva a perna esquerda para trás e para cima. Quando o tronco e a perna esquerda estiverem quase paralelos ao solo, a perna direita flexionada é trazida para junto dela. A inclinação do tronco aumenta e o quadril é levado para trás provocando um desequilíbrio. Após essa sequência, inicia-se o deslocamento, quando a perna esquerda é lançada energicamente para trás e para baixo, ao mesmo tempo em que a perna direita sofre um deslocamento para trás, no sentido do arremesso. O pé direito vai assentar-se no centro do círculo, com a sua polpa planar com a ponta voltada para a esquerda. Desta forma, o pé esquerdo lançado para trás e para baixo, assenta-se a seguir próximo ao anteparo, também com a sua ponta voltada para a esquerda. O peso deve ser mantido sobre a parte posterior do círculo o maior tempo possível. O quadril gira um pouco para a esquerda, acompanhando a estrutura criada pelas pernas, com o tronco e a linha dos ombros ainda voltados para o sentido oposto ao lançamento. Assim é formada a conhecida posição em “T”. d. Posição de Arremesso: esta fase técnica se caracteriza logo após o deslocamento, com o assentamento de ambos os pés no solo. Sua correta execução é de importância fundamental para o êxito do arremesso. O peso do corpo fica sobre a perna direita flexionada, no centro do círculo. O lado direito do quadril se flexiona, em uma torção preparando a impulsão final para cima e para frente, enquanto o pé esquerdo se coloca próximo da borda interna do anteparo. Assim o corpo se coloca em posição para o arremesso. A posição do tronco em relação aos membros inferiores é correta, quando as costas, a nádega esquerda e a perna esquerda, formam uma linha reta. e. Arremesso Propriamente Dito: a ação do arremesso, conduzido pela perna direita, inicia-se com uma extensão clara de ambas as pernas e uma rotação e elevação do tronco. É aí que se verifica a maior velocidade do peso. Nos movimentos que se sucedem é importante o emprego sucessivo da perna direita, do lado direito do quadril e do tronco. O lado esquerdo 35 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III do corpo é fixado nas articulações, constituindo o eixo de rotação do lado direito do corpo. Ao começar a extensão da perna e ao erguer-se o tronco, o peso encontra-se ainda encostado no pescoço do atleta. O movimento de extensão do corpo é ajustado pelo braço esquerdo que gira para a esquerda e para trás, até que os eixos dos ombros e da bacia fiquem paralelos, desfazendo assim a torção. Aí tem início a extensão do braço direito. Durante a elevação e rotação, o ombro esquerdo está mais elevado. O peso do corpo passa a perna esquerda, que tem ainda a função de deter o avanço da pélvis, acentuando a elevação e a rotação do tronco. Desta forma o peso é impelido com uma extensão total e simultânea das pernas, tronco e braço direito. O ombro direito se eleva acima do esquerdo e assim o peso perde contato com o arremessador pelas pontas dos dedos cuja mão acompanha o movimento até o final, na ação vulgarmente denominada de “tapinha”, num ângulo aproximado de 40º. f. Reversão: a ação final coloca o arremessador de frente para a direção do arremesso, animado de uma grande velocidade, em consequência das ações anteriores. Isto ocasiona um desequilíbrio para frente, com o adiantamento do centro de gravidade, para que o arremesso não queime, devido à falta que o atleta pode cometer, torna-se necessário retomar o equilíbrio. Nesta volta ao equilíbrio, há necessidade de uma ação especial que se denomina reversão. Consiste numa troca das posições das pernas, com a esquerda puxada para trás, enquanto o pé direito assenta-se no solo, próximo ao anteparo. A perna direita flexiona-se absorvendo o impacto do peso do corpo e o abaixamento do centro de gravidade. O tronco gira para a esquerda e o braço direito é conduzido contra o corpo. Esta reversão deve ser muito rápida, mas nitidamente separada do movimento de impulsão para o arremesso. Figura 18. Técnica O – Brien Fonte: Maças – Atletismo. 36 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO Técnica BarychinoKov Nesta técnica,o atleta deverá, partindo da posição inicial, executar uma pequena rotação a fim de somar esta energia produzida pelo movimento circular à energia final do implemento, e as fases são divididas em: 1. Posição de Partida 2. Início do Movimento 3. Lançamento propriamente dito 4. Recuperação Figura 19. Fonte: <www.cdpf.com.br>. Lançamento de dardo A prova do lançamento do dardo disputa-se na pista de atletismo, numa zona específica que compreende uma pista de balanço com 4 metros de largura e 30 a 36,5 metros de comprimento, assim como um setor para a queda. O lançamento é feito da pista de balanço, atrás de um arco de círculo traçado com um raio de 8 metros. A técnica do lançamento do dardo O Lançamento do Dardo divide-se em quatro fases: preparação, corrida de balanço, lançamento e recuperação. Por sua vez, a corrida de balanço pode se subdividir em corrida frontal e corrida lateral. 37 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III Características técnicas mais importantes » Preparação: na fase de preparação o atleta deve dirigir-se para o corredor de balanço e pegar no dardo. A pegada deve ser confortável e descontraída, colocando o dardo na mão na diagonal, com a palma da mão virada para cima e pegando no dardo com o polegar e o indicador ou com o polegar e o dedo médio, pois são as pegadas mais usuais. » Corrida de balanço: › Corrida Frontal: na primeira fase da corrida de balanço o atleta coloca-se de frente para o setor de queda e inicia uma corrida com ritmo lento, com o dardo sensivelmente paralelo ao solo ou ligeiramente inclinado à frente. Quando no final da corrida frontal o dardo é colocado atrás, inicia-se a corrida lateral. › Corrida Lateral: no início da corrida lateral o pé esquerdo avança e inicia-se o “ritmo dos 5 apoios”. O braço que transporta o dardo é estendido para trás ficando à altura do ombro ou ligeiramenteacima, com a ponta do dardo ao lado do olho direito. O braço e o ombro esquerdos devem estar à frente do corpo virados no sentido do lançamento para equilibrar o atleta e possibilitar, posteriormente, uma maior torção abdominal. A velocidade da corrida deve ser aumentada até ao passo de impulso (3o apoio), sendo essa a base de um ritmo de lançamento correto. Num “ritmo de cinco apoios” o terceiro passo da corrida lateral (passo de impulso) é mais intenso e agressivo que os outros, devendo ser rasante, com perda mínima de velocidade e procurando que os pés avancem em relação ao dardo. No fim desta fase, o atleta passa pela posição de força dando início ao lançamento. » Lançamento: ao passar pela posição de força o atleta deve avançar a bacia e o peito na direção do lançamento e manter o braço lançador estendido até ao último momento. A colocação do pé esquerdo no solo deve ser ativa e sólida para promover uma boa ação bloqueadora. Ao executar as ações anteriores o atleta atinge uma posição crucial, designada por posição de arco (ou arco-tenso). A partir dessa posição (arco tenso) que provoca uma “pré-tensão”, o braço lança de forma explosiva logo após a entrada da bacia, devendo haver a preocupação passar a mão claramente acima da cabeça. 38 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO » Recuperação: após o dardo lhe sair das mãos o atleta tenta travar antes da linha final, para evitar a anulação do lançamento. Esta ação, dependendo da velocidade de execução, pode levar entre uma e três passadas, razão pela qual os atletas devem evitar lançar próximo da linha final. Figura 20. Fonte: <portalsaofrancisco.com.br>. Lançamento de martelo O lançamento do martelo é uma modalidade olímpica de atletismo. O desporto é baseado no lançamento de martelos propriamente ditos, que foram, entretanto trocados por bolas de metal presas por um cabo de arame pesado que termina numa pega ou alça. O martelo pesa 7,26 kg na prova dos homens e 4 kg nos eventos femininos. O conjunto bola, arame e alça formam uma unidade de comprimento máximo de 1,2 m. A técnica do lançamento de martelo é dividida em: a. Empunhadura b. Posição de partida c. Balanceios para os molinetes d. Molinetes e. Giros f. Lançamento propriamente dito g. Reversão 39 JOGOS OLÍMPICOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ATLETISMO A INICIAÇÃO ESPORTIVA│UNIDADE II Figura 21. Fonte: portalsaofrancisco.com.br Lançamento de disco O objetivo é que o disco seja lançado o mais distante possível. O disco tem medidas e pesos diferentes para homens e mulheres. Pode ser de metal ou outro material adequado, oco ou não, e deve ter as bordas arredondadas. As medidas dos discos para 40 UNIDADE III │CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO homens são: pesa 2 kg, mede entre 219 e 221 mm de diâmetro e têm de 44 a 46 mm de espessura. Para mulheres, pesa 1 kg, mede entre 180 a 182 mm de diâmetro, e têm de 37 a 39 mm de espessura. Técnica do lançamento de disco As fases do lançamento são: a. Empunhadura: o disco deve ser seguro de uma maneira bem descontraída, ficando apoiado pelas falanges distais e afastamento dos dedos, com exceção do polegar que não participa desta sustentação, mas ajuda no seu equilíbrio. O indicador posiciona-se aproximadamente sobre o seu diâmetro, enquanto existe uma ligeira flexão do pulso, permitindo que a parte superior toque o antebraço. Assim se obtém a conveniente descontração e evita que o disco caia da mão do atleta, durante os movimentos seguintes. b. Posição Inicial: o atleta toma a posição na parte posterior do setor de lançamento, de costas voltadas para o sentido que este vai se realizar, o afastamento dos pés, formando a base, é igual à largura dos ombros. O peso é equitativamente distribuído em ambas as pernas, com o disco ao lado do corpo. c. Giros ou Deslocamento: a finalidade do giro é acelerar o disco de forma continuada, ao longo de um percurso tão extenso quanto possível, anterior aos movimentos do lançamento propriamente dito. d. Posição Final ou de Lançamento: na posição de lançamento ambos os pés assentados no solo, numa distância aproximada (dependendo da estatura do atleta) de 70 a 80 cm, em afastamento ântero-posterior. O peso do corpo está sobre a perna direita no centro do círculo formando um ângulo de 150º em relação à direção do lançamento. O pé esquerdo apoia ao lado do anteparo, a cerca de 10 cm com um ângulo em torno de 90º, relacionado com a direção do lançamento. O braço que segura o disco está ainda bem atrás, para o lado direito, permitindo assim uma impulsão máxima do disco. O tronco, forma uma linha do ombro esquerdo até o pé esquerdo, sendo ainda que o ombro esquerdo fica na mesma linha vertical do joelho e ponta do pé direito. e. Lançamento Propriamente Dito: esta é a mais importante fase de toda técnica do lançamento do disco. Assemelha-se muito com a técnica do arremesso do peso, com exceção da diferença da posição do braço 41 CORRIDAS E ARREMESOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE III arremessador. O mecanismo de impulsão é quase idêntico nos dois casos. Primeiramente, a perna esquerda freia o lado esquerdo do corpo, enquanto que, sob a impulsão da perna direita e do tronco, o corpo se volta, elevando-se bruscamente, arrastando o braço que arremessa, o qual atua em atraso com relação ao peito, que se encontra de frente. A perna esquerda freia o movimento do lado esquerdo do quadril, enquanto que a direita impulsiona o quadril para o alto e para a frente. A pélvis acentua seu avanço sobre o tronco (formando um arqueamento). Este se manifesta através de uma rápida rotação para frente. Os ombros se abrem e o braço arremessador prolonga a sua demora antes de efetuar uma rápida “Chicotada” para frente e para o alto. No instante em que se solta o disco, o peito está voltado para frente. O braço esquerdo flexionado, a cabeça elevada, a perna esquerda completamente estendida e o braço arremessador quase na horizontal, tendo a palma da mão voltada para baixo, no prolongamento do eixo dos ombros. Desta forma, o disco abandona a mão, sofrendo por último a ação do dedo indicador e sai girando no sentido dos ponteiros do relógio num ângulo próximo dos 40º. Devemos observar que durante o giro, o disco não fica muito longe do corpo, mas na sua trajetória final, estará bem afastado. f. Reversão: após soltar o disco, devido à grande velocidade com que este é arremessado, a tendência do corpo (o tronco em especial) é de desequilibrar para frente. Com isto, caso não consiga recuperar o equilíbrio, o atleta pode cometer uma falta que anulará a sua tentativa. Para que isto não ocorra, fará a reversão que consiste numa inversão da posição das pernas. Com isso, ele coloca a perna direita flexionada à frente e puxa a esquerda atrás. Figura 22. Fonte: <atletismo.f1cf.com.br/>. 42 UNIDADE IV OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO CAPÍTULO 1 Saltos Salto em altura O salto em altura tem como objetivo saltar com o sarrafo o mais alto possível. Regulamento da prova de salto A prova de salto em altura necessita de uma zona de balanço, um colchão de queda, dois postes e uma fasquia. A zona de balanço deverá ter um mínimo de 15 metros de comprimento. A fasquia deve ter um comprimento de 4 metros, e ser apoiada em dois postes com altura suficiente. A zona de queda deverá ser um colchão com pelo menos 5 metros de comprimento e 3 de largura, colocado junto aos postes. Figura 23. Fonte: Sportwet. 43 OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE IV Fases do salto O salto é composto por quatro fases. a. Corrida preparatória: corrida em aceleração progressiva, primeiro em linha reta (em diagonal à fasquia) e depois em curva. A aproximação faz‐se pelo lado da perna de balanço. b. Impulsão: apoio ativo e extensão completa da perna de impulsão (perna mais afastada da fasquia) com elevação enérgica e simultânea dos braços e da perna de balanço.c. Transposição: transpor o sarrafo fasquia primeiro com a perna de balanço e depois com a perna de impulsão. d. Queda: recepção em equilíbrio no colchão de queda, em pé. O contato realiza‐se sobre a perna de balanço. Três são as técnicas do salto em altura O salto em tesoura A partir de uma corrida, primeiro em linha reta (em diagonal à fasquia) e depois em curva, fazer o salto com a técnica da tesoura, tendo como preocupações técnicas principais a chamada ativa, a extensão da perna de impulsão e a subida ativa da perna de balanço. A recepção é feita em pé, no colchão. Figura 24. Fonte: Sportwet. 44 UNIDADE IV │ OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO O salto rolo ventral Neste estilo, na fase de concentração, o atleta deve colocar-se distante mais ou menos doze passos, aproximadamente num ângulo de 40 graus do sarrafo, a fase da corrida, a corrida possui uma pequena distância. Na fase da aproximação, ele deve acentuar a velocidade nos três últimos passos. Na fase de impulsão do estilo rolo ventral, o atleta bate o pé de apoio no chão, inclina o tronco para trás e lança a perna livre para o alto. Na elevação, lança a perna livre para o alto e os braços para frente. Ao mesmo tempo, inicia uma rotação do tronco, com o abdome voltado para o sarrafo. Na fase de transposição, o atleta flexiona a perna de impulso, fazendo o joelho subir verticalmente. Ao mesmo tempo, flexiona o tronco e a perna livre e lança os braços para trás, transpondo o sarrafo. Figura 25. Fonte: Sportwet. Salto em distância A técnica é dividida em quatro principais fases: 1. Corrida de impulsão: na fase de corrida de impulso o atleta deve acelerar para maximizar a sua velocidade. 2. Impulsão: nesta fase, deve-se procurar gerar velocidade vertical e minimizar a perda de velocidade horizontal. 3. Vôo: nesta fase do salto podem ser utilizadas três técnicas diferentes: A técnicas do salto na passada (Grupado), a técnica de extensão dorsal ou a técnica da passada no ar (tesoura). 4. Queda: nesta fase, procura-se maximizar a distância do percurso de voo e minimizar a perda de distância no contato com o solo. 45 OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE IV Figura 26. Fonte: Sportwet Salto triplo No salto triplo, os dois primeiros saltos devem ser feitos com a mesma perna e o terceiro com a perna contrária. O saltador deve buscar minimizar a perda de velocidade entre os saltos e a manutenção do equilíbrio. Para melhor orientação da corrida de aproximação são colocadas marcas de início e de entrada na última fase da corrida de aproximação. Fases do salto 1. Corrida de aproximação: nos dois terços iniciais da corrida de aproximação, deve-se começar sempre com a mesma velocidade até o alcance rápido da aceleração desejada. Nos último terço da corrida de aproximação, deve ser feita a transição para um ritmo de passada mais intenso e com menor amplitude. 1o Salto: nesta fase deve-se manter a velocidade com perda mínima. Obter uma extensão ótima do primeiro salto de forma a não perder o domínio sobre o corpo. Preparar o contato para o segundo salto. Conservar o equilíbrio. Ângulo de saída de 14º a 16º cerca de um pé ou pé e meio à frente do centro de gravidade. 2o Salto: É o mais curto dos três saltos. Realizado em condições mais difíceis em termos de equilíbrio e força, e possui maior tempo de absorção do impacto com o solo do que o primeiro salto. 3o Salto: neste salto a perda de velocidade horizontal é máxima e deve-se então minimizar a perda de velocidade. 46 UNIDADE IV │ OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO 2. Queda: antes da queda, as pernas devem estender-se para frente, o tronco inclina-se para frente e os braços são puxados para trás. Os pés são a primeira zona do corpo a tocar na areia e o atleta deve procurar colocar o quadril nesse ponto, minimizando assim a perda de distância durante a queda. Figura 27. Fonte: Sportwet Salto com vara O salto com vara é dividido nas seguintes fases. 1. Empunhadura: a vara, no local do início da corrida, deve-se estar na lateral do atleta na altura dos quadris, com a ponta mais ou menos elevada em relação ao solo. A mão direita, a de cima, se encontra atrás. Os dedos apontam para fora e para baixo, e a vara é fixada entre os dedos polegar e indicador. O braço direito tem uma flexão aproximada de um ângulo reto. O braço esquerdo à frente do corpo tem também esta angulação, sendo que a palma da mão está voltada para dentro, e a exemplo da mão direita, a vara fica entre os dedos polegar e o indicador. 2. A corrida: nesta fase é necessário chegar ao ponto de impulsão com bastante velocidade, mas com uma corrida controlável, a fim de possibilitar a perfeição na execução dos movimentos. A forma mais confortável de transportar a vara é com a ponta na altura da cabeça (podendo ser mais 47 OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO│ UNIDADE IV alta) e ligeiramente voltada para dentro (lateral oposta ao lado em que é transportada a vara). A ponta da vara, que no início da corrida está mais elevada, abaixa-se gradativamente, preparando a ação para o encaixe. 3. Encaixe: nos últimos cinco passos, a ponta começa a baixar gradativamente, de encontro à caixa de encaixe. Três passadas antes da impulsão, a mão direita é levada para junto do quadril e depois para trás e para o alto. Então, a esquerda acompanha estes movimentos e é importante que o eixo dos ombros permaneça na perpendicular com a direção da corrida. Os braços não se estendem por completo, ficando flexionados a um ângulo de aproximadamente 90º, pouco antes de sustentar o peso do corpo. 4. Impulsão e pêndulo: no momento da impulsão, a elevação faz-se mais na procura de uma progressão horizontal do que vertical. Este é um dos detalhes que diferem a técnica da vara flexível da rígida. O joelho da perna direita projeta-se para frente, o que soma à ação da perna esquerda, leva o quadril para frente e ligeiramente para cima. A referência para o ponto de impulsão é uma linha vertical resultante da projeção da pegada da mão direita e o pé de impulsão, embora determinados saltadores de nível se impulsionem até 15/25 cm a frente desta linha. Após a impulsão, o braço esquerdo é pressionado contra a vara enquanto o direito executa o movimento para frente e para baixo. A vara começa a curvar-se em consequência da energia que lhe foi transmitida pela corrida e pela impulsão, e as pernas e o quadril tem sua progressão para cima em forma pendular. O braço direito estende-se com o esquerdo firmemente fletido a fim de assegurar o nivelamento da linha dos ombros. Assim, suspenso por debaixo da vara, o atleta levanta as duas pernas, fletidas pelos joelhos, com vigor, aumentando assim rapidamente a flexão da vara. O corpo do atleta ainda está por baixo da vara e o seu quadril ainda não passou por ela e é nesse momento que se verifica a maior flexão da vara. 5. Elevação/giro: assim que a vara começa a recuperar a forma retilínea, todos os movimentos por ele realizados se devem realizar na vertical. São movimentos não passivos, que devem constituir uma continuação da elevação dos quadris. Na elevação, primeiro as pernas, depois os quadris passam além da vara e é quando notamos, visto de lado, uma posição em “L” tomada pelo corpo do atleta. Esta posição em “L” é típica e necessária na fase anterior ao endireitamento da vara. O atleta procura elevar- se para a vertical com um trabalho do braço esquerdo que continua a 48 UNIDADE IV │ OS SALTOS: DA INICIAÇÃO AO TRABALHO TÉCNICO tração, agora junto ao corpo, em direção da axila. O braço direito também traciona, auxiliando a elevação nesta fase e, consequentemente, provocando o giro do corpo. Assim o atleta passa por cima dos apoios das mãos, já se encontrando de frente para o sarrafo. Ainda nesta fase ascendente, o saltador empurra a vara com a mão esquerda, largando-a, e imediatamente empurrando-a com a mão direita, ações estas que, se executadas corretamente,fazem com que o corpo do saltador suba um pouco mais antes de contornar o sarrafo. 6. Transposição: as fases anteriores determinam a condição de transposição do sarrafo. Passando primeiramente ambas as pernas, o corpo adquire uma posição curvada ou angular, com a mão direita ainda apoiada na vara. Após fazer a repulsão da vara, o atleta puxa os braços para trás, juntamente com o tórax, para livrar-se do sarrafo. 7. Queda: é feita na continuidade normal dos movimentos anteriores com o atleta caindo de costas, num colchão de espuma especial. Figura 28. Fonte: fisicamoderna. 49 Referências BARROS, Nelson; DEZEM, Ricieri. O atletismo. 2.ed. São Paulo: Apoio, 1990. BOLONHINI, SabineZink; PAES, Roberto Rodrigues. A proposta pedagógica do teaching game for understanding: reflexões sobre a iniciação esportiva. Pensar a prática, v. 12, n. 2, 2009. FERNANDES, J. L. Atletismo: corridas. São Paulo: EPU, 1979. ______. Atletismo: arremessos e lançamentos. São Paulo: EPU, 1980. ______. Atletismo: os saltos. 2. ed. São Paulo: EPU, 1984. GRECO, J. PABLO; BENDA, N. RODOLFO. Aprendizagem e Desenvolvimento Motor I (ADEM). In: Carla Ivonete Silva; Ana Claúdia Porfírio Couto. (Org.). Manual do Treinador de Natação. Belo Horizonte: Edições FAM, 1999, v., p. 15-40. GRECO, P. J. (Org.). 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