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<p>RESOLUÇÃO DE CONFLITOS</p><p>AULA 4</p><p>Profª Maria Betânia Medeiros Sartori</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>O mediador deve observar algumas fases ou etapas no processo de</p><p>mediação, a fim de alcançar a solução do conflito ou, pelo menos, tentar</p><p>reestabelecer o diálogo entre as partes. Neste sentido, existe uma</p><p>recomendação sobre a sequência do procedimento e o estabelecimento de</p><p>algumas regras para as partes, que devem facilitar o andamento dos trabalhos,</p><p>conforme estudaremos em seguida.</p><p>TEMA 1 – COMO ORGANIZAR A REUNIÃO</p><p>Embora não se trate de regra taxativa, o recomendado é que participem</p><p>da mediação dois mediadores (mediador e comediador).</p><p>É importante trazer imagens que ilustram a posição das partes na</p><p>medição, levando em conta a presença de dois mediadores.</p><p>Figura 1 – Ilustração das partes</p><p>Fonte: www5.tjba.jus.br1.</p><p>Conforme a orientação do Manual de Mediação Judicial do Conselho</p><p>Nacional de Justiça – CNJ, o ideal é que a mesa utilizada para reunião seja</p><p>redonda:</p><p>A mesa redonda apresenta a importante vantagem de permitir dispor</p><p>as partes de modo equidistante tanto entre si, como em relação ao</p><p>mediador, o que, por um lado, retira o cunho de rivalidade que pode</p><p>ser transmitido pelo posicionamento das partes e, por outro, facilita a</p><p>comunicação, já que as partes podem olhar uma para a outra sem ter</p><p>de movimentar a cadeira. Ademais, a mesa redonda permite acomodar</p><p>melhor os participantes – e afasta a ideia de qualquer hierarquia entre</p><p>os participantes. (CNJ, 2016, p. 163)</p><p>1 Disponível em: <http://www5.tjba.jus.br/conciliacao/images/MdCcAp.pdf>. Acesso em: 07 out.</p><p>2019.</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>3</p><p>Se a mesa for retangular, a orientação é:</p><p>Os mediadores se sentam em um dos lados da mesa, ficando de frente</p><p>para as partes. Essa disposição cria a sensação de autoridade do</p><p>conciliador. Tem a vantagem de colocar as partes lado a lado, o que</p><p>retira o sentimento de rivalidade que é transmitido pelas tradicionais</p><p>mesas de julgamento nos tribunais. Embora as mesas retangulares</p><p>não sejam tão adequadas quanto às redondas, essa disposição é a</p><p>mais indicada para mesas retangulares, pois permite que se mantenha</p><p>uma equidistância entre todos os participantes. (CNJ, 2016, p. 163)</p><p>Existe, ainda, a possibilidade de se retirar a mesa e colocar as cadeiras</p><p>próximas entre si, visando criar um ambiente mais informal e estimular a</p><p>proximidade das partes.</p><p>TEMA 2 – DECLARAÇÃO DE ABERTURA</p><p>O mediador deve se apresentar e apresentar as partes. É importante</p><p>anotar o nome das partes e perguntar como elas gostariam de ser chamadas.</p><p>Ele deve informar que fará algumas anotações para facilitar a organização das</p><p>ideias.</p><p>Uma sugestão de abertura seria começar parabenizando as partes por</p><p>terem dado o primeiro passo na tentativa de buscar uma solução consensual</p><p>para o conflito.</p><p>Em seguida, deve-se falar sobre o papel do mediador, esclarecer que ele</p><p>é um terceiro que visa facilitar a comunicação das partes, como se fosse uma</p><p>ponte entre elas, mas que não decide, sendo seu papel secundário porque o</p><p>papel principal é das partes.</p><p>O mediador deve descrever suas expectativas em relação às partes. Isto</p><p>é, mencionar que espera que elas trabalhem conjuntamente para encontrar uma</p><p>resposta satisfatória para suas questões e que saiam dali melhores do que</p><p>quando entraram. Elas devem respeitar o momento de fala do outro, escutando</p><p>sem interrupções e levando em conta a perspectiva da outra parte.</p><p>Vale destacar que a mediação existe enquanto houver confiança no</p><p>mediador, por isso é importante fazer um combinado com as partes de que todas</p><p>as regras devem ser respeitadas. Faz-se necessário passar confiança e</p><p>estabelecer o controle sobre o processo de escuta. É o que chamamos de</p><p>Rapport, trata-se de uma palavra de origem francesa que significa “relação”.</p><p>Representa gerar empatia, ou seja, uma relação de confiança e harmonia em um</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>4</p><p>processo de comunicação no qual a pessoa fica mais aberta e receptiva para</p><p>interagir, trocar e receber informações.</p><p>Deve-se encorajar as partes a falar sobre todas as questões, interesses,</p><p>necessidades, ou seja, conversar sobre tudo o que é importante para elas. Para</p><p>isso, vale destacar a regra da confidencialidade, lembrando que o mediador não</p><p>pode ser testemunha, não analisa documentos e que o procedimento da</p><p>mediação é informal.</p><p>Caso o mediador entenda pertinente, existe a possibilidade de serem</p><p>feitas sessões privadas ou individuais com cada uma das partes, que consiste</p><p>na reunião do mediador com uma das partes e depois com a outra,</p><p>separadamente, pelo mesmo tempo, assegurada a confidencialidade. Isso</p><p>também deve ser mencionado na declaração de abertura.</p><p>Sugere-se que na mesa da reunião haja papel e caneta para as partes,</p><p>caso queiram fazer anotações. Ao terminar a declaração de abertura, o mediador</p><p>deve confirmar a disposição das partes em participar da mediação. Deve ficar</p><p>muito claro que só participa quem quer. Trata-se do princípio da voluntariedade</p><p>das partes. Por fim, deve-se indagar se as partes têm alguma dúvida ou questão</p><p>a respeito do que foi explanado pelo mediador.</p><p>TEMA 3 – REUNIÃO DE INFORMAÇÕES</p><p>De regra, deve-se fazer a colhida das informações em reunião conjunta</p><p>inicial. Nesta etapa, a colhida das informações será feita com base no relato das</p><p>partes.</p><p>O mediador fará perguntas a fim de identificar quais são as verdadeiras</p><p>questões e os reais interesses das partes. Lembrando que não se trata de uma</p><p>investigação, por isso não devem ser feitas perguntas minuciosas, e sim deixar</p><p>a pessoa falar sem interrupção.</p><p>A espinha dorsal da mediação é a identificação das reais questões,</p><p>interesses e sentimentos (QIS) das partes. Assim, o momento da reunião das</p><p>informações é o mais importante para essa identificação. Deve-se perguntar</p><p>para as partes se há outro ponto que elas gostariam de trazer.</p><p>Questões são pontos controvertidos ou problemas tópicos em que as</p><p>partes se concentram. Devem ser passíveis de resolução na mediação. A</p><p>questão vai ser colocada, normalmente, por meio de uma perspectiva individual.</p><p>Tem sempre caráter objetivo. A título exemplificativo, nos conflitos familiares, é</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>5</p><p>comum questões envolvendo pensão alimentícia, guarda de filhos, convivência;</p><p>nos conflitos escolares, pode haver questões envolvendo bullying, desrespeito</p><p>entre alunos, conflitos oriundos de infrações de natureza disciplinar na escola,</p><p>dentre muitos outros.</p><p>Interesses são os motivos pelos quais se quer algo. É a motivação por</p><p>trás do pedido. Podemos diferenciar o interesse em aparente/manifesto, que é</p><p>aquele retirado da análise literal do discurso da parte e o interesse real, que é o</p><p>verdadeiro interesse da parte.</p><p>Exemplificativamente, se uma parte em uma separação se dirige ao</p><p>mediador e lhe diz “Chega, já aguentei o que poderia aguentar. Quero</p><p>que ele pague por todo aborrecimento que eu tive que suportar nesses</p><p>anos todos. Quero que você faça com que ele pague o máximo de</p><p>pensão possível para que aprenda a tratar bem as outras pessoas”, da</p><p>análise literal do discurso percebe-se que os interesses aparentes da</p><p>parte seriam se vingar e receber o maior valor possível de pensão</p><p>alimentícia. Todavia, ao contextualizarmos e analisarmos os interesses</p><p>subjacentes da parte – que efetivamente trariam a realização</p><p>pretendida – constatamos que há maior probabilidade de a parte</p><p>encontrar-se efetivamente pacificada se se sentir respeitada,</p><p>moralmente restaurada e pessoalmente valorizada e se receber um</p><p>valor justo de pensão alimentícia. (CNJ, 2016, p. 184)</p><p>Sentimentos e emoções, tais como: ódio, raiva, rancor, mágoa, amor,</p><p>ressentimento, muitas vezes são manifestados</p><p>pelas partes em conflito. Eles</p><p>podem ser a porta para a descoberta dos reais interesses das partes. No entanto,</p><p>em algumas situações, eles não estarão presentes, como nos conflitos</p><p>envolvendo questões unicamente patrimoniais.</p><p>TEMA 4 – RESUMO</p><p>Após a reunião das informações trazidas pelas partes, é importante que o</p><p>mediador faça um resumo do que foi dito, isso permitirá organizar os pontos a</p><p>serem debatidos, além de demonstrar que ele ouviu atentamente o que lhe foi</p><p>trazido.</p><p>No resumo, o mediador deve utilizar um tom normalizador, uma linguagem</p><p>neutra, tirando os exageros, adjetivos, ou seja, tudo o que não contribuir para a</p><p>solução. Deve-se tentar encontrar pontos que unam os interesses. Por exemplo,</p><p>no caso de um casal em conflito, o ponto de convergência pode ser os filhos.</p><p>O resumo pode ser iniciado da seguinte forma:</p><p>“Permitam-me sintetizar o que eu entendi de tudo o que foi dito até</p><p>agora...”</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>6</p><p>“Deixem-me ver se compreendi o que vocês me disseram...”</p><p>Ao final, deve-se perguntar:</p><p>“Vocês estão de acordo com essa síntese dos fatos? ”</p><p>“Há algo que queiram acrescentar? ”</p><p>TEMA 5 – ORGANIZAÇÃO DOS DEBATES</p><p>Após o resumo, deve-se passar para a resolução das questões. Se não</p><p>estiver claro e as partes não conseguirem demonstrar os interesses e</p><p>sentimentos, é possível fazer uma sessão privada.</p><p>O mediador deve fazer uma agenda com as questões a serem debatidas.</p><p>Ele faz um reenquadramento, redefinindo as questões, abrangendo os</p><p>interesses, as preocupações e as necessidades de ambos os lados.</p><p>Em primeiro lugar, deve-se começar pelas questões mais simples, de fácil</p><p>solução. Eis um exemplo: um casal que quer discutir divórcio, guarda e</p><p>alimentos, deve-se começar pelo divórcio que, na maioria das vezes, já está</p><p>definido pelos dois, para depois passar para a guarda e os alimentos.</p><p>Em seguida, deve-se passar para a questão que impacta as outras</p><p>questões, por exemplo, no caso de pessoas que não se comunicam, a</p><p>comunicação precisa ser trabalhada, pois ela ajudará a solucionar outras</p><p>questões. Ao final dos debates, as partes podem ou não chegar a um acordo.</p><p>Não havendo acordo, isso não significa que a mediação tenha fracassado, já que</p><p>esse não é o único escopo da mediação. Concluem-se os trabalhos com um</p><p>termo ou ata, em que devem constar a qualificação das partes, os termos do</p><p>acordo, se efetivado, e a assinatura das partes.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Como você organizaria uma reunião de mediação? Caso não exista mesa</p><p>no local, o que você faria?</p><p>FINALIZANDO</p><p>Apesar de a mediação ser um procedimento informal, ela deve observar</p><p>fases ou etapas conforme verificamos no início desta aula. As partes devem</p><p>concordar em participar da mediação e ter ciência das regras que, certamente,</p><p>facilitam o andamento dos trabalhos.</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>machado</p><p>Highlight</p><p>7</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AZEVEDO, A. G. de (Org.). Manual de Mediação Judicial, 6. ed. Brasília, DF:</p><p>CNJ, 2016.</p><p>LAROUSSE Cultural. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo:</p><p>Nova Cultural, 1999.</p><p>SERPA, M. de N. Mediação uma solução judiciosa para conflitos. Belo</p><p>Horizonte: Del Rey, 2017.</p><p>TARTUCE, F. Mediação nos Conflitos Civis. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense;</p><p>São Paulo: Método, 2019.</p><p>VASCONCELOS, C. E. de. Mediação de Conflitos e Práticas Restaurativas.</p><p>6. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>Conversa inicial</p><p>Na prática</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p>