Prévia do material em texto
Técnicas de Negociação de Conflitos Sumário Apresentação.......................................................................................................................................3 Tópico 01 - Conheça As Seis Técnicas De Mediação De Conflitos Mais Eficazes........................4 Tópico 02 - Gestão De Conflitos Na Equipe: Nove Técnicas Eficazes...........................................8 Tópico 03 - As Principais Ferramentas Para Mediação De Conflitos.........................................13 Referências........................................................................................................................................26 2 Técnicas de Negociação de Conflitos Apresentação Olá pessoal, nesta segunda parte do Curso apresentaremos uma seleção de algumas técnicas de mediação de conflitos mais utilizadas nas organizações atuais. Você perceberá que muitos pontos se repetem no material aqui disponibilizado, e assim entendemos que alguns pontos fazem parte de uma prática que parece que está surtindo efeito. O material é facilmente encontrado em sites específicos da área de Gestão de Pessoas, mostrando assim uma vasta literatura em relação às técnicas de mediação e resolução de conflitos nas Organizações, sejam estas do âmbito da Gestão, do Direito ou da Educação. Antes de prosseguirmos com a leitura do material, assista ao vídeo e entenda o significado de MEDIAÇÃO. FIQUE ATENTO Veja vídeo que esclarecerá de forma didática o que significa os conceitos estudados até o momento. Vídeo 01: O que é MEDIAÇÃO https://www.youtube.com/watch?v=Kr13qBAPA9k Bem, esperamos que você tenha compreendido o que significa mediação e agora então iremos nos apropriar do material abaixo e ao final de cada bloco responda as questões propostas. Bons estudos! 3 Técnicas de Negociação de Conflitos Tópico 01 - Conheça As Seis Técnicas De Mediação De Conflitos Mais Eficazes Escuta ativa Um dos principais trabalhos do mediador é esclarecer os conflitos trazidos a uma sessão, utilizando uma técnica específica para ouvir os fatos expostos por litigante. A chamada escuta ativa é a combinação de uma série de atitudes durante a comunicação, cujos traços característicos são os seguintes: Manter o foco no relato da parte, evitando pensamentos paralelos ou interrupções; Não se deixar influenciar por preconceitos, juízos de valor, posicionamentos pessoais etc.; Demonstrar que está ouvindo atentamente, por meio da linguagem corporal; ∙ Confirmar o conteúdo da fala, expondo o que foi compreendido para o interlocutor. Essa técnica aumenta a disposição para o diálogo, uma vez que a parte percebe o interesse na exposição e se sente mais à vontade para relatar os acontecimentos. Além disso, surge uma espécie de compromisso de reciprocidade. Isto é, quando uma pessoa ouve atentamente, ela tem chances maiores de receber um tratamento similar. Sendo assim, desenvolver uma escuta ativa pode ser vantajoso, até mesmo para profissionais que não pretendem exercer a função de mediador. Rapport A mediação se pauta por um vínculo de confiança entre os mediadores e partes, ao ponto de elas ficarem à vontade para expor pontos de vista, necessidades, interesses e propostas para solucionar o conflito. 4 Técnicas de Negociação de Conflitos Consequentemente, o responsável pelo procedimento age com o objetivo de dar segurança e suporte aos envolvidos, principalmente por meio de demonstrações de empatia. É a técnica conhecida como rapport. Vale ressaltar que essa receptividade jamais deve ser confundida com um tratamento parcial, porque o mediador deve buscar a confiança de ambos os litigantes, sem jamais favorecer um lado da disputa ou tomar partido nas questões. Sessões individuais (caucus) Imagine uma situação em que as partes estão muito agressivas e se interrompem constantemente. Como o mediador poderia restabelecer as condições mínimas para que exista um diálogo? Uma possibilidade é aplicar as técnicas de mediação de conflitos e ouvir as partes individualmente. O profissional, nesse caso, solicitaria que um dos litigantes aguardasse por cerca de 15 minutos, em uma sala de espera, enquanto ouviria o outro. Logo após, a situação se inverteria. Igualmente, as sessões individuais ou caucus podem ocorrer nos momentos de formular propostas de acordo. Isso porque, embora convencidas da necessidade de uma solução consensual, nem sempre as pessoas desejam partilhar informações financeiras e negociais. Por fim, é importante destacar que essa técnica é utilizada com um compromisso de confidencialidade, uma vez que apenas as informações autorizadas por uma parte serão compartilhadas com a outra. Brainstorming A mediação é, por vezes, definida como uma negociação facilitada por um terceiro imparcial. Significado que enfatiza seu aspecto de oferecer instrumentos para que as partes construam um acordo. Nesse sentido, frequentemente o procedimento incorpora técnicas oriundas de outras áreas do conhecimento com o objetivo de auxiliar a 5 Técnicas de Negociação de Conflitos composição do litígio, principalmente quando utilizadas no Direito Comparado. Um exemplo vindo do marketing e da gestão é o brainstorming. Essa prática consiste em conceder liberdade para que as pessoas forneçam ideias para solucionar um problema, sem firmar compromissos ou julgar previamente as sugestões. Posteriormente, as propostas são checadas quanto a sua viabilidade, restringindo-se a exposição aos itens que podem ser um ponto de partida para solução da disputa. Por fim, é possível desdobrar as ideias válidas em propostas de acordo, de modo que elas sejam melhor desenvolvidas e representem a vontade de ambos os negociantes. Parafraseamento É comum que as partes façam relatos longos, carregados de juízos de valor, agressividade e outros elementos que prejudicam o entendimento do cerne da questão. Por exemplo, um trabalhador não dirá, pura e simplesmente, que gostaria de um pedido de desculpas da empregadora, mas que a empresa é incompetente, incorreta, descuidada e coisas do mesmo gênero. Sendo assim, o mediador precisa compreender a essência do que é dito e modificar a maneira como a ideia é exposta. Isso pode ocorrer por paráfrases que sintetizem o conteúdo da fala ou exponham a questão livre de emoções. Essa técnica também pode ser chamada de recontextualização, uma vez que o conteúdo é retirado de circunstâncias negativas e recolocado em uma linguagem positiva e prospectiva. Por exemplo, a demanda acima poderia ser traduzida como uma solicitação de reconhecimento da conduta praticada pela organização. 6 Técnicas de Negociação de Conflitos Resumo Imagine que a demandante reclame de atrasos na pensão do filho, e o demandado do desempenho escolar durante a guarda materna. Como encontrar uma ponte para o diálogo nesse contexto? Ora, na situação exposta, há um ponto em comum, o qual sintetiza o interesse dos litigantes. A mãe exige o pagamento por se preocupar com as necessidades do filho, assim como o pai o faz em relação às boas notas. Então, o mediador poderia resumir os dois relatos em uma perspectiva que favoreça o diálogo. Uma possibilidade seria afirmar o seguinte: “vejo que ambos se preocupam com os cuidados do menor”. Perceba que essa técnica modifica a forma de exposição dos relatos, embora seja ligeiramente diferente da re-contextualização por abordar os pontos em comum de duas ou mais falas. Vale ressaltar também que o resumo é utilizado para construir uma agenda de mediação, em que constarão os temas a serem discutidos durante o procedimento. Logo, no exemplo mencionado, os cuidados do menor seriam um dos assuntos trabalhados nas sessões. 7 Técnicas de Negociação deConflitos Tópico 02 - Gestão De Conflitos Na Equipe: Nove Técnicas Eficazes Eventualmente, um conflito é uma situação em que duas pessoas ou partes não concordam sobre algo. Em outras palavras, o conflito surge principalmente por causa das diferenças de opiniões ou perspectivas. “A única forma de vencer uma discussão é evitá-la”, essa famosa máxima de Dale Carnegie é um conselho infalível quando a pauta é evitar conflitos. Mas, algumas vezes, conflitos são inevitáveis. Quando se trabalha com outras pessoas e, principalmente, quando se ocupa um cargo de liderança, dominar técnicas de gestão de conflitos é algo fundamental para um líder que deseja construir equipes mais fortes. AS PRINCIPAIS RAZÕES OU FONTES DE CONFLITOS EM EQUIPES. QUAIS SÃO: Mas, antes de abordarmos as técnicas aprenda a identificar quais são as principais razões para a geração de conflitos em equipes: Conflitos de recursos – as pessoas da equipe podem precisar do mesmo recurso; ∙ Conflitos prioritários – prioridades conflitantes entre pessoas ou partes da equipe; ∙ Horários – semelhantes às prioridades. Mas isso surge quando algumas perguntas sobre cronogramas e por que uma entrega não é concluída a tempo, etc; Outras causas – personalidades e opiniões técnicas muito contrastantes, por exemplo, também causam conflitos em equipes. 8 Técnicas de Negociação de Conflitos TÉCNICAS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS DE EQUIPES: Conflitos no local de trabalho surgem devido a muitas razões. Confira algumas estratégias de resolução de conflitos e saiba como resolver com eficácia quando eles surgirem: Entendendo o conflito em profundidade: Este é o primeiro passo para resolver o conflito em uma equipe: o líder deve procurar esclarecer e compreender a causa do conflito com profundidade, de modo que entenda a razão por trás do assunto. A liderança deve discutir o assunto com outros membros da equipe e, depois de uma discussão aprofundada, iniciar o processo de resolução. Gerenciar um conflito no trabalho significa ter uma visão geral do que exatamente aconteceu. Isso deve ser feito o mais rápido possível, porque se a questão não for vista ou levada em consideração dentro de um período razoável, o conflito aumenta gerando prejuízos para o time. Afinal, conflitos inibem a produtividade e geram distrações — isso afeta o trabalho, o ritmo e a organização como um todo. Entendendo o impacto e a cooperação necessária: Depois de compreender o conflito em si, veja seu impacto no trabalho. Em seguida, discuta-o com os membros da equipe. Depois que eles compreenderem, devem iniciar o processo de resolvê-lo após chegar ao consenso. Neste ponto, a necessidade de cooperação é vital, porque se todos os membros da equipe cooperarem, o trabalho na resolução do conflito começará. Analisar o impacto ajudará os membros a saberem de que maneira o problema deve ser resolvido e qual a melhor estratégia. Às vezes, a questão é pequena e seu impacto também, mas a estratégia usada para resolver o problema é demorada, e então gasta-se tempo (que é dinheiro!) dos colaboradores. Assim, para evitar esse desperdício de tempo e dinheiro, deve-se avaliar o impacto adequadamente. 9 Técnicas de Negociação de Conflitos Comunicando com clareza: Garantir a boa comunicação ao longo da resolução de um conflito é fundamental. A comunicação deve ser mantida aberta e clara — isso significa evitar ironias, ambiguidades e explicações insuficientes, tudo o que produz desentendimentos e atrapalha a resolução de um conflito. Os membros da equipe devem falar sobre o assunto abertamente também com participação ativa. E, para se comunicar bem, é preciso ser um bom ouvinte, como recomendava Dale Carnegie: “Seja um bom ouvinte, incentive as pessoas a falar sobre elas mesmas.” Ouça o que os outros dizem e depois responda de acordo, mas de acordo com o que foi discutido. O modo em que ouvimos reflete na forma em que pensamos. Esteja focado, engaje-se e seja sincero! Uma boa cultura de comunicação ajudará todos os membros a evitar e resolver conflitos com mais rapidez. Ampliando a situação: O próximo passo é ampliar e entender a situação. Cada membro da equipe deve discutir seu ponto de vista, para que a visão e o ponto de todos sejam ouvidos. Lembre se, enquanto o conflito está sendo discutido, as emoções devem ser mantidas de lado e a questão real deve ser levada em consideração. Se as emoções não forem mantidas de lado, o conflito pode não ser resolvido. Então, melhor entender bem a situação no âmbito profissional, a fim de obter bons resultados. Esclarecendo as posições: Cada membro terá um ponto de vista diferente, por isso pode levar a conflitos. Para evitar discordância, cada membro deve explicar com suas posições reais, a fim de identificar e articular o assunto corretamente. Portanto, conte com a cooperação de cada membro da equipe, isso ajudará a esclarecer o problema de uma maneira muito melhor. 10 Técnicas de Negociação de Conflitos Fazendo suposições: Suposições são as estimativas feitas ao analisar o assunto. É a melhor maneira de saber o que teria acontecido. Elas são a pré-análise feita para resolver bem a situação. As suposições estabelecem um tipo de base para o líder iniciar o processo sem qualquer dificuldade. Fazer suposições pode ser um movimento negativo também, então deve-se expor um ponto de vista de acordo com a situação, caso contrário o problema pode aumentar devido a suposições erradas. Criando grupos menores: Criar grupos menores facilitará o trabalho do líder na solução do conflito. Isso não só economizará o tempo como também acalmará o processo de solução do problema. Separe as pessoas com uma aliança similar. Em grupos menores, pode-se analisar cada uma das posições. Considerando todos os cargos, o grupo terá uma melhor compreensão do assunto e ajudará no processo posterior de solução do problema dentro da organização. Acomodando: Quando ocorre um conflito, há sempre um lado oposto e um lado concorrente. A estratégia acomodadora, diz que dá o que o lado oposto quer. É um tipo de estratégia em que uma das partes procura perceber a paz e quer resolver a questão sem criar um tumulto. Esta estratégia é uma espécie de compromisso de uma parte, uma vez que concorda em dar tudo o que a parte contrária exige, mas esta estratégia funciona em situações em que são necessários resultados imediatos. 11 Técnicas de Negociação de Conflitos Colaborando: Significa integrar as ideias de ambas as partes. O principal objetivo é formar uma solução criativa que seja aceitável por todos. Assim, o líder da organização deve colaborar com as ideias, crenças e opiniões de ambas as partes para que cheguem a uma solução comum, então a resolução do conflito será feita. Este processo de colaboração não só ajudará a resolver a questão de forma pacífica, como também não criará nenhum problema interno ao resolver o conflito. E lembre-se de algo essencial: se o conflito pode ser resolvido antes que tenha a oportunidade aumentar, a produtividade vai florescer e o ânimo vai permanecer alto. Com um entendimento claro dos problemas e das personalidades envolvidas, um bom gerente consegue resolver um conflito rapidamente. A administração de conflito pronta e eficiente tem um efeito positivo no resultado final. Pois evita desperdiçar a energia do time em discussões, confrontos e “guerras” desnecessárias, já que em uma equipe saudável estamos todos lutando do mesmo lado e não uns contra os outros. 12 Técnicas de Negociação de Conflitos Tópico 03 - As Principais Ferramentas Para Mediação De Conflitos A mediação de conflitos tem se apresentado como uma forma de permitir que as próprias pessoas envolvidas no conflito consigam gerenciar as emoções e alcançar uma resoluçãoadequada para os mesmos. No entanto, para buscar o restabelecimento do diálogo, é importante que o mediador tenha conhecimento das ferramentas para mediação de conflitos que podem ser utilizadas. Dessa forma, serão apresentadas algumas técnicas utilizadas na mediação, como rapport, escuta ativa, empoderamento, resumo e caucus, com foco em fornecer melhores subsídios para as práticas profissionais e identificar possíveis ações e procedimentos no processo de transformação dos conflitos em busca de uma cultura de paz. Tenha uma ótima leitura! MEDIAÇÃO DE CONFLITOS Os conflitos ou divergências devem ser entendidos como inerentes ao ser humano, da mesma forma como a paz e os afetos positivos também coexistem nos indivíduos e permeiam a esfera das relações humanas. As diferenças de entendimento estão essencialmente presentes na convivência em sociedade e nas relações interpessoais, decorrem de exigências, expectativas e idealizações desencontradas que ocasionam frustrações, mas também representam a oportunidade de criar solução das controvérsias. Desta feita, é possível identificar que todo conflito pode ser visto sob a ótica da possibilidade de desenvolvimento pessoal e inter-relacional, como uma oportunidade de alcançar algo diferente. Vale destacar que nos conflitos, geralmente, existem uma disputa entre o binômio necessidade e possibilidade de satisfação dos anseios, 13 Técnicas de Negociação de Conflitos que se acumulam com as mudanças das exigências da vida e acabam por acarretar grande parte dos desconfortos e diferenças entre os indivíduos. Ante um conflito é importante que se observe e identifique não só os conteúdos daquilo que está sendo dito e reclamado, mas também o que perfaz a raiz da problemática, ou seja, a real necessidade existente no conflito que nem sempre vem à tona ou é percebida pelas próprias partes. Por isso, a necessidade das ferramentas para mediação de conflitos. Muitas vezes, se faz necessário que um terceiro interceda na relação conflituosa, podendo, então, surgir a figura do mediador, do negociador e até mesmo do juiz ou árbitro. O papel do terceiro imparcial, nesse momento de solução de conflitos, pode ser essencial, uma vez que ele pode ajudar a organizar as ideias que se contrapõem, auxiliar as partes a se entenderem e a se expressarem. Pode estabelecer a equanimidade, possibilitar o reconhecimento da identidade, a fim de restabelecer a boa comunicação e auxiliar na condução pacífica em relação aos ânimos aflorados, facilitando assim, a autocomposição. No tocante a arbitragem, ressalta-se a citação de Calmon, ‘nada obsta que as partes promovam a autocomposição enquanto participam do procedimento arbitral’. Especifica ainda a existência dos métodos med/arb e arb/med, citados a seguir: Mediação/arbitragem (med/arb) ocorre quando as partes concordam em realizar a mediação, mas, caso essa não reste frutífera, seja desde logo praticada a arbitragem, normalmente por outra pessoa da mesma entidade ou escritório que realiza a mediação (…). Já na arb/med sucede o contrário, ou seja, realiza-se o procedimento da arbitragem, chegando-se a prolatação da sentença. O árbitro anuncia às partes que a sentença está pronta, mas não a revela, depositando-a em local seguro e inviolável. Com isso proporciona que sejam iniciadas as tratativas com vistas à obtenção da autocomposição (mediação). Caso não se logre o acordo, revela-se a 14 Técnicas de Negociação de Conflitos sentença antes prolatada. (CALMON, 2008, p. 100). FERRAMENTAS PARA MEDIAÇÃO DE CONFLITOS Ressalta-se que são diversas as ferramentas para mediação de conflitos que podem ser utilizadas numa mediação. Aqui opta-se por tratar de algumas delas apenas, quais sejam: processo de abertura, rapport, escuta ativa, empoderamento, resumo e caucus. PROCESSO DE ABERTURA Insta citar, a necessidade de se fazer um momento de abertura no processo de mediação, que deverá ocorrer no primeiro encontro, em que os mediandos passam a ter contato com o mediador. Após tomar conhecimento dos fatos e da situação, caberá ao mediador combinar as regras da mediação, ressaltar a confidencialidade e a boa fé das partes, além de explicar como serão formatados os encontros, como, por exemplo, o tempo de duração de cada sessão, a previsão da quantidade de encontros que serão estabelecidos, os valores que serão cobrados e a forma de cobrança e pagamento. RAPPORT Num primeiro momento, cabe ao mediador conseguir estabelecer um bom rapport, ou seja, uma boa acolhida, ou empatia, criar vínculo de confiança e bem-estar com as partes. Esse momento começa com a recepção adequada dos mediandos ao ambiente em que será realizada a mediação, bem como com o rito de abertura dos trabalhos. Segundo Danon, (2003, p. 66), “a empatia é a capacidade de colher e compreender a experiência subjetiva do cliente, colocando-se em seus planos, olhando as coisas do seu mesmo ponto de vista”. No que concerne a empatia, prossegue Danon, no seguinte sentido: 15 Técnicas de Negociação de Conflitos A empatia é catalisadora do processo de crescimento; sentindo-se acolhido, aceito, compreendido, o cliente recomeça a ter confiança em si mesmo, livra-se do peso que o oprime e consegue desta forma colher também vozes interiores mais sutis, que podem já indicar um possível caminho de solução. Descobre em si a capacidade de relativizar a questão que o atormenta e vê as coisas de um outro ponto de vista, pode encontrar a força de ir em frente, não obstante o seu problema e, reabrir-se à esperança e a uma visão dinâmica da existência, e em particular, da sua situação. (DANON, 2003, p 66) Rosemberg (2006, p.136 e 137) cita que ‘a compreensão intelectual bloqueia a empatia’ e prossegue na defesa de que ‘o ingrediente-chave da empatia é a presença’. Um rapport adequado possibilita que os mediandos se sintam devidamente compreendidos e confiantes, além de criar o sentimento de empoderamento de si, bem como de autonomia frente as dificuldades, a fim de que o respeito seja restabelecido através da fala e da escuta entre as partes. EMPOWERMENT No tocante ao empowerment ou o empoderamento, pode ser entendido como o ‘resgate do potencial e da competência do indivíduo, inserido no contexto da mediação, para gerenciar seus próprios conflitos’, segundo Mirian Blanco Muniz, (GROSMAN et al., 2011, p. 138). Mirian cita, ainda, que ‘é o empowerment que move as partes a terem atitudes extremamente positivas e construtivas no processo de mediação’. (GROSMAN et al., 2011, p. 139). Estabelecida a empatia entre as partes, o facilitador passa a ouvir de forma atenta, sem julgamento e possibilita que os mediandos sintam-se à 16 Técnicas de Negociação de Conflitos vontade e confiantes para se expressarem com autenticidade. Inicia-se, então, a fase de entendimento de toda a demanda a ser exposta em detalhes. O mediador que facilita a aproximação poderá fazer inúmeros questionamentos, desde que não perca o foco de identificar e organizar as ideias e questões que estão sendo discutidas, bem como não sobrecarregue as partes envolvidas. Essa é a fase em que os litigantes têm a oportunidade de serem ouvidos de maneira objetiva. À medida que os mediandos conseguem estabelecer um mínimo de comunicação, sentem-se mais empoderados para resolverem seus conflitos e passam a se entender melhor, a se respeitar mais, se reconhecem como seres humanos possuidores de necessidades e merecedores de respeito e confiança. Ainda sobre as ferramentas para mediação de conflitos, Lia Regina Castaldi Sampaio e Adolfo Braga Neto defendem que ao dar voz aos mediandos, para que expliquem o motivo que os levou a buscar seus serviços, já se inicia a escuta ativa. Trata-seda observação permanente desse terceiro com relação à comunicação entre as partes, sem nenhuma associação de ideias a situações ou a momentos por ele vivenciados, sem julgar as partes e, sobretudo, sem despojar-se de sua realidade rotineira, a fim de escutá-las da forma e com a intenção em que desejam ser ouvidas. O mediador verificará a existência de pouca ou de muita assertividade em relação à comunicação verbal e não verbal. Essa atitude de escuta, deve ser empregada ao longo de todo o processo, sob pena de o mediador não conquistar a confiança das partes, nem auxiliá-las na resolução ou na transformação do conflito. (SAMPAIO E NETO, 2014, p. 56) 17 Técnicas de Negociação de Conflitos ESCUTA ATIVA Uma escuta ativa adequada é feita a partir da espontaneidade das partes, que depende da confiança que o mediador conseguiu estabelecer com os mediandos. É interessante que o mediador seja receptivo e consiga se despir de eventuais atitudes rígidas, da mesma forma como será de grande valia se conseguir, a partir da receptividade, permitir que as partes se despojem de suas próprias defesas. Uma boa escuta decorre de uma investigação minuciosa dos fatos, com questionamentos detalhados e uma visão que vai além do que é necessariamente exposto. Cabe ao mediador ouvir e traduzir as palavras que não foram ditas, mas expressadas. A escuta ativa possibilita a humanização do outro. Ury (2000, p. 153) defende que “um dos métodos mais poderosos para a cura de relações é também o mais simples. É ouvir, dar atenção à pessoa ofendida enquanto ela tiver algo a dizer” Cláudia Frankel Grosman et al. (2011, p. 30) chamam atenção para os perigos da comunicação que bloqueiam a escuta, no sentido de uma ‘comunicação alienante da vida, como: julgamentos moralizadores, culpa, insulto, depreciação, rotulação, crítica, comparação, diagnóstico, negação de responsabilidade, ressentimento’. Na mesma senda, defende Danon (2003, p. 120) que ‘saber escutar é uma arte. Uma arte que exige a capacidade de fazer o outro sentir a sua total presença e atenção, e a disponibilidade para acolhê-lo sem julgá-lo e sem dar-lhe interpretações’. Por fim, Fiorelli (2008), afirma, na obra mediação e solução de conflitos, que: A escuta das narrativas possibilita ao mediador: – Alinhar as percepções; conseguir que todos enxerguem a história dos problemas de uma mesma maneira, concentrada nos fatos e não mais nas pessoas; – 18 Técnicas de Negociação de Conflitos Treinar os mediandos para ouvir o outro, algo que deixou de acontecer após o conflito instalar-se; – Conhecer detalhes da história do conflito, úteis para identificar os interesses e construir opções para o acordo. (Fiorelli et al, 2008, p 244 e 245) Destaca-se a importância do mediador estabelecer uma ordem para os mediandos se pronunciarem, não permitir que haja interrupção da fala e orientar que as partes reflitam antes de falar. Após o entendimento completo dos fatos e a qualquer outro momento durante os trabalhos, baseando-se numa escuta apurada, o facilitador poderá fazer uso do resumo, ou seja, recontextualizar, ou expressar em poucas palavras o seu entendimento acerca dos fatos das histórias expostas, desde que haja a retirada da carga emocional. Dentre as ferramentas para mediação de conflitos, essa ferramenta é muito válida para pontuar o entendimento daquilo que o mediador escutou, bem como esclarecer aos mediandos o que, de fato, está sendo exposto pelas partes adversas. Nesse momento, o mediador pode lançar mão da ressignificação do que foi dito, expondo o que escutou em outras palavras. Ressalta-se a importância do mediador estar atento a buscar valorizar os aspectos positivos daquilo que está sendo dito, ou seja, deverá apresentar conotações positivas, sempre que possível, retirando o peso das fortes emoções que se apresentam no contexto do conflito. Uma das funções do resumo é fazer com que as partes se sintam escutadas e compreendidas, além do mediador poder se certificar de que entendeu a demanda corretamente, e apontar que foi estabelecida a possibilidade de comunicação. Danon (2003, p. 119) defende que “a reformulação pode ser efetuada utilizando se exatamente as mesmas palavras do interlocutor, ou então 19 Técnicas de Negociação de Conflitos através de uma paráfrase, uma síntese, ou simplesmente um eco, de algumas palavras significativas”. Cabe ao mediador organizar quando há mais de um conteúdo na mesma fala, “por exemplo, utilizar três diferentes sentenças para tratar de quem leva a criança para a escola”, “horário de visita” e “valor da pensão”. A estratégia é: ‘uma coisa de cada vez”. (FIORELLI et al, 2008, 169) CAUCUS Vale destacar que, durante a mediação, pode haver a necessidade de se fazer reuniões individuais, também denominadas caucus, as quais devem ser realizadas com cautela e fins específicos, como por exemplo, a fim de possibilitar que fortes emoções sejam expostas, para esclarecer percepções inadequadas ou até modificar comportamento negativo e repetitivo, eventualmente podem reduzir algumas comunicações inúteis. É ideal que sejam feitas reuniões privadas para definir interesses, esclarecer posições, identificar propostas das partes, eventualmente poderá ser útil para obter informações confidenciais de uma das partes e até para análise de propostas, teste e aceitação. Conforme Sampaio (2014, p. 74) defende que não há momento certo para convocar uma reunião privada, na verdade, depende muito das necessidades dos mediandos e das habilidades do mediador. O caucus pode ocorrer numa mesma reunião ou em dias diferentes para cada um dos mediandos, no entanto, é muito importante que se observe tempo igual para ambas as partes. Ressalta-se a importância de manutenção do sigilo em relação ao que for dito pelas partes nas reuniões particulares, só podendo ser dito aquilo que for expressamente autorizado pelos mediandos, com exceção a eventual cometimento de crime, os quais deverão ser denunciados. Defende Lia Regina Castaldi e Adolfo Sampaio Braga Neto, de maneira muito oportuna, o que segue: 20 Técnicas de Negociação de Conflitos É importante salientar que há um limite para o mediador, tanto segundo a ética própria quanto segundo a ética da sociedade em que ele vive. Situações em que o rompimento da confidencialidade se torna legítima são aquelas em que, por exemplo, as revelações dizem respeito a abuso infantil ou mesmo a risco físico iminente. Por esse motivo, alguns autores são contra o cáucus, por acreditarem que existe o risco de o mediador tornar-se intermediário e sair de seu papel de mediador. No entanto, mesmo sendo um campo suscetível aos problemas de confidencialidade e à manipulação, a reunião privada continua sendo um dos importantes recursos da mediação, que deve ser utilizado com responsabilidade e comedimento. (SAMPAIO e NETO, 2014, p 74 e 75). Todas essas ferramentas para mediação de conflitos citadas são válidas, desde que o mediador as aplique com a finalidade de estabelecer o diálogo entre as partes e conseguir gerar opções inovadoras para solucionar os conflitos. Para tanto, oportuno citar Fiorelli, conforme segue: O mediador estimula os mediandos ao pensamento criativo, por meio do qual se constrói a lista de opções. Inicia-se com a busca de quantidade e variedade sem julgamento e sem a preocupação de aplicabilidade de cada alternativa. Há evidência prática de que alternativas em quantidade contribuem para o surgimento de alternativas de qualidade. (FIORELLI et al, 2008, p 257) Por fim, destaca-se a necessidade da escuta atenta dos sentimentos das partes. A cultura da sociedade hodierna não permite que sejam expressos, e, 21 Técnicas de Negociação de Conflitos portanto,as pessoas têm muita dificuldade em manifestá-los ou expressá- los. Assim sendo, caberá ao mediador buscar traduzir em palavras específicas o que as partes exprimem, é o que preleciona Rosenberg: Ao expressar nossos sentimentos, seria muito útil se utilizássemos palavras que se referem a emoções específicas em vez de palavras vagas ou genéricas. Por exemplo, se dissermos “sinto-me bem a esse respeito”, a palavra bem pode significar alegre, excitado, aliviado ou várias outras emoções. Palavras como bem ou mal impedem que o ouvinte se conecte facilmente ao que podemos de fato estar sentindo. (ROSEMBERG, 2006, p72). Ante o exposto, identifica-se a necessidade do mediador desenvolver um vasto vocabulário de nomenclatura dos sentimentos. Ao ouvir um sentimento negativo trazido pelo mediando, é importante trazer o foco para os sentimentos traduzidos em palavras, bem como para a necessidade que está por trás do que foi expresso. A mediação encerra quando as partes assim dispuserem ou evidenciarem acerca da solução ou não do conflito em questão. Caso cheguem a um acordo, poderá ser escrito e, para tanto, a redação deverá ser clara e objetiva. O acordo pode ser total ou parcial, caso algum item não se resolva, o mediador poderá orientar os mediandos a optarem por outros métodos de resolução de conflito, como o judiciário ou a arbitragem, por exemplo. SER MEDIADOR Cumpre destacar o papel do mediador, cuja função principal é o gerenciamento de conflito, a partir da facilitação do diálogo e da possibilidade de se criar um olhar diante das divergências. Defende Ury (2000, p. 127), que “nada intensifica os conflitos mais 22 Técnicas de Negociação de Conflitos rapidamente do que a ausência de comunicação, confiança e relacionamento. A ignorância gera e agrava os temores. Os mal-entendidos e os estereótipos se acumulam. As pessoas atribuem as piores intenções ao comportamento dos outros”. Como se pode observar, o trabalho do mediador começa a partir de uma acolhida adequada, do uso correto das ferramentas para mediação de conflitos e uma escuta atenta que naturalmente incidirá em questionamentos pertinentes e resumos específicos, acentuando a possibilidade do diálogo, a fim de que as partes possam se escutar e consigam reconhecer as similaridades e aceitarem as diferenças existentes. Cláudia Frankel Grosman et al, 2011, defendem que: Os processos transformativos criam a possibilidade para que os grupos e os indivíduos aceitem os valores da diversidade, reconheçam a legitimidade de outros posicionamentos, respeitem as pessoas que sustentam ideias muito diferentes e continuem uma conversação construtiva, que permita a multiplicidade e mesmo a colheita dos benefícios da diversidade. (GROSMAN et al, 2011, p 29). É imprescindível que o mediador se mantenha imparcial, mesmo que a situação envolva fortes emoções, deverá evitar ser tendencioso. Vale apontar que caberá ao mediador manter o foco das tratativas, ainda que, por vezes, quando as emoções estiverem afloradas, seja necessário desviar as conversas para pontos neutros ou comuns entre os mediandos, e, então, num segundo momento retomar e recontextualizar o que está sendo exposto ou permitir que as partes resolvam as questões a partir de um olhar colaborativo e menos emocional. Caberá, sobretudo, ao mediador saber manter e sustentar as 23 Técnicas de Negociação de Conflitos potencialidades dos mediandos, para que sentindo-se capazes, consigam resolver seus próprios conflitos. Defende Danon (2003, p.120), que “para estar com o outro não existem atalhos, é preciso saber escutar e saber colocar as perguntas certas no momento certo”. Observa-se a necessidade do mediador se autoconhecer, pois só é possível entender o outro, à medida que o indivíduo conhece a si mesmo e compreende-se. Salienta-se a importância do mediador saber gerenciar suas emoções e sentimentos, evitando, assim, julgamentos. No que concerne aos sentimentos do mediador, destaca-se que precisam ser equilibrados, uma vez que possibilitam um rapport adequado, bem como o bom uso das demais ferramentas como a escuta ativa, o caucus, o resumo e os questionamentos. Cumpre destacar que na mediação o foco não é o passado, mas a forma de solucionar a situação a partir do momento presente; é importante trazer essa condição para os mediandos. Denota-se a importância do mediador estar plenamente presente aos diálogos, e assim possibilitar que os mediandos se sintam tocados e permitam que um terceiro adentre em seus mundos e questões interiores. É necessário que o mediador seja um retrato da presença. Às vezes, o mediador poderá ir além das ferramentas para mediação de conflitos e técnicas e se permitir ser tocado pela intuição, no momento das perguntas, por exemplo. Antes de se preocupar com o passo a seguir, caberá escutar atentamente o que é exposto, não apenas com os ouvidos, mas com o coração aberto e desprendido de qualquer crítica ou julgamento. Vale destacar, ainda, a importância de demonstrar aos mediandos que num conflito não existe um algoz ou uma vítima, mas que todos são responsáveis por suas atitudes e pelo momento ao qual estão passando. 24 Técnicas de Negociação de Conflitos Acentua-se que convém enfrentar os conflitos dos mais simples aos mais complexos, bem como identificar as áreas de insegurança das partes. RESUMO IMPORTANTE Cabe ao mediador ser ponte e saber-se um eterno aprendiz. Destaca- se que os conhecimentos das técnicas da mediação e do uso adequado são aprimorados com o tempo e, para tanto, caberá ao mediador sempre buscar se especializar em diversas áreas que vão muito além das técnicas. Especial atenção deve ser dada à necessidade de uma boa receptividade e à escuta atenta, pois ao se criar um ‘bom clima’ e aceitação dos indivíduos, muito da jornada a ser percorrida já se encontra revestida, para que as partes, por si mesmas, identifiquem seus próprios caminhos e prossigam com o coração em paz. Por fim, a mediação é um encontro de, no mínimo três mundos, em que duas partes em conflito se sentem profundamente acolhidas por um terceiro, que as escutas e procura compreendê-los na integralidade, a fim de que possam buscar recursos para desatarem seus próprios nós. 25 Técnicas de Negociação de Conflitos Referências CALMON, Petrônio. Fundamentos da mediação e da conciliação. Rio de Janeiro: Forense, 2008. DANON, Marcella. Counseling: uma nova profissão de ajuda. Tradução de Adalto Luiz Chitolina. Curitiba: Sociedade Educacional e Editora IATES, 2003. FIORELLI, José Osmir; FIORELLI, Maria Rosa; MALHADAS JUNIOR, Marcos Julio Olivé. Mediação e solução de conflitos: teoria e prática. São Paulo: atlas, 2008. GROSMAN, Cláudia F. e MANDELBAUM, Helena G. Mediação no judiciário: teoria na prática e prática na teoria. 1 ed. São Paulo: Primavera Editorial, 2011. ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta: técnica para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais; tradução Mário Vilela. São Paulo: Ágora, 2006. SAMPAIO, Lia Regina Castaldi. NETO, Adolfo Braga. O que é mediação de conflitos. São Paulo: Brasiliense, 2014. URY, William. Chegando à paz: resolvendo conflitos em casa, no trabalho e no dia-a-dia. Tradução de Jussara Simões. Rio de Janeiro: Campus, 2000. *Saarah Miranda da Silva. Mediadora, Conciliadora, Psicóloga e Advogada, com especialização em Direito Administrativo pelo Instituto IICS e em Public Administration na University of La Verne, pós graduada em Counseling pelo IATES, Membro da Comissão de Mediação e Arbitragem da OAB/SP – Seccional de Santana, Conciliadora e Mediadora no JEC e CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) de Santana e no NUIPA Criminal Norte (Núcleode Incentivo em Práticas Autocompositivas, antigo Projeto Cantareira do Ministério Público de São Paulo), membro integrante do corpo de árbitros do TASP. 26