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<p>Aula 18</p><p>Lei sobre a Proteção da Vegetação Nativa</p><p>(conhecida como Novo Código Florestal - Lei nº</p><p>12.651/2012 e suas alterações)</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do</p><p>BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Sumário</p><p>.......................................................................................................................................................................................</p><p>CÓDIGO FLORESTAL - LEI 12.651/2012............................................................................................................</p><p>INTRODUÇÃO........................................................................................................................................................................................................</p><p>ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP.............................................................................................</p><p>RESERVA LEGAL...........................................................................................................................................</p><p>PROTEÇÃO DAS ÁREAS VERDES URBANAS.........................................................................................................................................................</p><p>CADASTRO AMBIENTAL RURAL - CAR..................................................................................................................................................................</p><p>PROIBIÇÃO DO USO DE FOGO E CONTROLE DOS INCÊNDIOS............................................................................................................................</p><p>COTA DE RESERVA AMBIENTAL - CRA..................................................................................................................................................................</p><p>LISTA DE QUESTÕES.....................................................................................................................................</p><p>GABARITO....................................................................................................................................................</p><p>QUESTÕES COMENTADAS............................................................................................................................</p><p>RESUMO DIRECIONADO................................................................................................................................</p><p>DISPOSIÇÕES GERAIS...........................................................................................................................................................................................</p><p>ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE............................................................................................................................................................</p><p>RESERVA LEGAL....................................................................................................................................................................................................</p><p>PROTEÇÃO DAS ÁREAS VERDES..........................................................................................................................................................................</p><p>CADASTRO AMBIENTAL RURAL - CAR..................................................................................................................................................................</p><p>PROIBIÇÃO DO USO DE FOGO E CONTROLE DE INCÊNDIOS...............................................................................................................................</p><p>COTA DE RESERVA AMBIENTAL - CRA..................................................................................................................................................................</p><p>3</p><p>3</p><p>6</p><p>22</p><p>27</p><p>27</p><p>28</p><p>29</p><p>36</p><p>41</p><p>43</p><p>54</p><p>54</p><p>54</p><p>54</p><p>55</p><p>55</p><p>55</p><p>55</p><p>2 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Código Florestal - Lei 12.651/2012</p><p>Introdução</p><p>A Lei 12.651/12 foi responsável por instituir o novo Código Florestal brasileiro revogando a antiga Lei 4.771/65 (antigo</p><p>Código Florestal). Embora a nova lei tenha trazido necessárias atualizações à matéria, ela tem sido alvo de severas</p><p>críticas desde a sua edição porque é considerada, para muitos, como um retrocesso em termos de proteção ambiental.</p><p>O extinto Código Florestal foi publicado em 15 de setembro de 1965 e representava um importante instrumento de</p><p>proteção da vegetação nativa daqueles ecossistemas previstos pelo artigo 225, § 4º, da Constituição Federal (Floresta</p><p>Amazônica brasileira, Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal Mato-Grossense e Zona Costeira) e considerados como</p><p>patrimônio nacional. Mencionado dispositivo constitucional ainda dispõe que a utilização destes ecossistemas deve ser</p><p>feita na forma da lei e dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso</p><p>dos recursos naturais.</p><p>Como dito, o chamado "Novo Código Florestal" continua sendo alvo de polêmicas. Nas palavras de Marcelo Abelha</p><p>Rodrigues: entre o Projeto de Lei nº 1.876/99, que deu origem ao processo legislativo, e o texto da Lei nº 12.651/2012,</p><p>como foi aprovada, e posteriormente alterada, há uma diferença abissal de conteúdo e de propósitos. Isso vem</p><p>demonstrar que não foi por acaso que o Congresso se tornou palco de disputas políticas em torno das questões</p><p>envolvendo as supostas limitações ao direito de propriedade em prol do meio ambiente.</p><p>Já nas palavras de Gabriel Lino: promovida pela chamada bancada ruralista, a reforma legislativa realizada acabou por</p><p>ter o nítido perfil de reduzir ou flexibilizar as normas de proteção florestal, concedendo amplas anistias em relação a</p><p>obrigações de recomposição que a legislação e a jurisprudência até então existentes vinham reconhecendo de maneira</p><p>crescente. Atente-se para a circunstância de que o assim chamado Novo Código Florestal trouxe contribuições</p><p>importantes para modernizar mecanismos de nossa legislação, tais como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a Cota de</p><p>Reserva Ambiental (CRA) e o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Não obstante, o perfil que se observa na</p><p>grande maioria dos dispositivos da lei é de redução do patamar de proteção anteriormente existente, sem que se</p><p>observasse o arcabouço científico existente nas diversas áreas da ecologia.</p><p>Iniciando a análise do Código Florestal, temos que seu artigo 1º-A assim dispõe:</p><p>Art. 1º-A. Esta Lei estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as</p><p>áreas de Reserva Legal; a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos</p><p>produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais, e prevê instrumentos econômicos e financeiros</p><p>para o alcance de seus objetivos.</p><p>O caput do dispositivo legal enuncia os assuntos disciplinados pela lei (áreas de preservação permanente, reserva legal,</p><p>controle e prevenção de incêndios florestais, etc.), estabelecendo normas gerais sobre os referidos temas.</p><p>Por sua vez, o parágrafo único começa dizendo que o objetivo da lei é o desenvolvimento sustentável e na sequência</p><p>elenca os princípios norteadores do Código. Importante comentar que o fato do desenvolvimento sustentável aparecer</p><p>em primeiro lugar, antes da enunciação dos demais princípios, revela que todos os demais devem obediência a ele.</p><p>Deste modo, a leitura do parágrafo poderia levar à conclusão, num primeiro momento, de que a lei tem especial caráter</p><p>protetivo em atendimento aos anseios do movimento ambientalista. O problema é que ao longo do texto o próprio</p><p>Código parece contrariar esses princípios na medida em que alguns de seus artigos parecem desconsiderar totalmente</p><p>a proteção ao meio ambiente em detrimento de objetivos eminentemente capitalistas, como a busca por lucro.</p><p>De qualquer forma, vale a transcrição do artigo 1º-A, parágrafo único, para fins de provas e concursos:</p><p>Parágrafo único. Tendo</p><p>oriundos da compensação ambiental.</p><p>Cadastro Ambiental Rural - CAR</p><p>O CAR foi criado pelo Código Florestal de 2012, estando previsto em seus artigos 29 e 30:</p><p>Art. 29. É criado o Cadastro Ambiental Rural - CAR, no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio</p><p>Ambiente - SINIMA, registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com</p><p>a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para</p><p>controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.</p><p>Nas palavras de Gabriel Lino, trata-se de um registro público eletrônico de caráter nacional, obrigatório para todos os</p><p>imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo</p><p>base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.</p><p>§ 1º A inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita, preferencialmente, no órgão ambiental municipal ou</p><p>estadual, que, nos termos do regulamento, exigirá do proprietário ou possuidor rural:</p><p>I - identificação do proprietário ou possuidor rural;</p><p>II - comprovação da propriedade ou posse;</p><p>III - identificação do imóvel por meio de planta e memorial descritivo, contendo a indicação das coordenadas</p><p>geográficas com pelo menos um ponto de amarração do perímetro do imóvel, informando a localização dos</p><p>29 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente, das Áreas de Uso Restrito, das</p><p>áreas consolidadas e, caso existente, também da localização da Reserva Legal.</p><p>§ 2º O cadastramento não será considerado título para fins de reconhecimento do direito de propriedade ou</p><p>posse, tampouco elimina a necessidade de cumprimento do disposto no art. 2º da Lei nº 10.267, de 28 de agosto de</p><p>2001.</p><p>§ 3º A inscrição no CAR é obrigatória e por prazo indeterminado para todas as propriedades e posses rurais.</p><p>§ 4º Terão direito à adesão ao PRA, de que trata o art. 59 desta Lei, os proprietários e possuidores dos imóveis rurais</p><p>com área acima de 4 (quatro) módulos fiscais que os inscreverem no CAR até o dia 31 de dezembro de 2023, bem</p><p>como os proprietários e possuidores dos imóveis rurais com área de até 4 (quatro) módulos fiscais ou que atendam ao</p><p>disposto no art. 3º da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006, que os inscreverem no CAR até o dia 31 de dezembro de</p><p>2025.</p><p>OBS: a redação do parágrafo 4º foi dada pela Lei 14.595/2023.</p><p>Art. 30. Nos casos em que a Reserva Legal já tenha sido averbada na matrícula do imóvel e em que essa averbação</p><p>identifique o perímetro e a localização da reserva, o proprietário não será obrigado a fornecer ao órgão ambiental</p><p>as informações relativas à Reserva Legal previstas no inciso III do § 1º do art. 29.</p><p>Parágrafo único. Para que o proprietário se desobrigue nos termos do caput , deverá apresentar ao órgão</p><p>ambiental competente a certidão de registro de imóveis onde conste a averbação da Reserva Legal ou termo de</p><p>compromisso já firmado nos casos de posse.</p><p>(IBFC - SEAD-GO - 2023) Sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), assinale a alternativa incorreta.</p><p>A) O Cadastro Ambiental Rural é obrigatório para todos os imóveis rurais</p><p>B) A comprovação de propriedade ou posse é um pré-requisito para o Cadastro Ambiental Rural</p><p>C) O Cadastro Ambiental Rural deve ser feito junto ao Órgão Federal competente, conforme exige a legislação</p><p>D) O Cadastro Ambiental Rural não pode ser considerado título para fins de reconhecimento de posse da</p><p>propriedade</p><p>E) Após a implantação da propriedade rural o produtor tem o prazo de um ano para realizar a inscrição no</p><p>Cadastro Ambiental Rural</p><p>Comentário:</p><p>A alternativa "a" está correta porque o artigo 29, caput, do Código Florestal prevê que o CAR é obrigatório para todos</p><p>os imóveis rurais. Já o parágrafo 1º, inciso I, do mesmo artigo dispõe que a identificação do proprietário ou possuidor</p><p>rural é um dos requisitos para o CAR. Por sua vez, a letra "c" está errada, e é o gabarito, porque o parágrafo 1º também</p><p>determina que o cadastro deve ser feito preferencialmente no órgão ambiental municipal ou estadual. A alternativa "d"</p><p>está certa, pois o parágrafo 2º do artigo 29 diz que o cadastramento não será considerado título para fins de</p><p>reconhecimento do direito de propriedade ou posse. Por fim, a alternativa "e" levou em conta a antiga redação do</p><p>parágrafo 3º, considerando-a como correta, mas atualmente a redação do parágrafo 3º é: a inscrição no CAR é</p><p>obrigatória e por prazo indeterminado para todas as propriedades e posses rurais.</p><p>OBS: embora a questão seja passível de anulação por conta da previsão da alternativa "e", a banca a manteve válida.</p><p>Gabarito: alternativa "C"</p><p>30 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Proibição do uso de fogo e controle dos incêndios</p><p>O Capítulo IX do Código Florestal é dedicado ao tema, iniciando o artigo 38 com a proibição do uso do fogo na</p><p>vegetação. Cuida-se da arcaica prática conhecida como "queimadas". Embora os danos ambientais gerados por esse</p><p>tipo de atuação sejam de extrema gravidade, ela ainda continua sendo utilizada nos dias atuais. A esse respeito, já disse</p><p>o STJ:</p><p>"AMBIENTAL. DESMATAMENTO DE MATA NATIVA SEM</p><p>AUTORIZAÇÃO. QUEIMADAS. DANO RECONHECIDO PELA</p><p>INSTÂNCIA ORDINÁRIA. CUMULAÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER</p><p>(REPARAÇÃO DA ÁREA DEGRADADA) E DE PAGAR QUANTIA CERTA</p><p>(INDENIZAÇÃO). POSSIBILIDADE. NATUREZA PROPTER REM.</p><p>INTERPRETAÇÃO DA NORMA AMBIENTAL. PRECEDENTES DO STJ.</p><p>1. As queimadas representam a negação da modernidade da agricultura e</p><p>pecuária brasileiras, confrontando-se com os fundamentos mais</p><p>elementares do Direito Ambiental. O primitivismo no meio de exploração</p><p>da terra – o fogo – aproxima-nos dos nossos ancestrais mais remotos e</p><p>incivilizados. Maior paradoxo tecnológico, mas também ético, impossível:</p><p>abandonamos a matriz da força humana na movimentação do machado e do</p><p>arado, nos cercamos de um arsenal de equipamentos sofisticados, de</p><p>apetrechos químicos, de biotecnologia e de avançado conhecimento</p><p>científico multidisciplinar, tudo para sucumbir, mesmo nas atividades</p><p>empresariais e de larga escala, ao fácil apelo da força natural extrema, que</p><p>nada respeita no seu caminho, indistintamente estorricando flora, fauna e</p><p>solo.</p><p>2. Quem queima, e ao fazê-lo afeta, degrada ou destrói o meio ambiente,</p><p>tem o dever legal de recuperá-lo, sem prejuízo de eventual indenização,</p><p>com base em responsabilidade civil objetiva, além de submeter-se a sanções</p><p>administrativas e penais.</p><p>3. A jurisprudência do STJ está firmada no sentido de que a necessidade de</p><p>reparação integral da lesão causada ao meio ambiente permite a cumulação</p><p>de obrigações de fazer, de não fazer e de indenizar, que têm natureza</p><p>propter rem. Precedentes: REsp 1.178.294/MG, Rel. Ministro Mauro</p><p>Campbell Marques, j. 10/8/2010; REsp 1.115.555/MG, Rel. Ministro</p><p>Arnaldo Esteves Lima, j. 15/2/2011; AgRg no REsp 1170532/MG, Rel.</p><p>Ministro Hamilton Carvalhido, j. 24/8/2010; REsp 605.323/MG, Rel. p/</p><p>Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, j. 18/8/2005, entre outros.</p><p>4. Recurso Especial parcialmente provido para reconhecer a possibilidade,</p><p>em tese, de cumulação da indenização pecuniária com as obrigações de</p><p>fazer voltadas à recomposição in natura do bem lesado, com a devolução</p><p>dos autos ao Tribunal de origem para que verifique se, na hipótese, há</p><p>dano indenizável e fixe eventual quantum debeatur." (REsp</p><p>31 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>1.248.214/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda</p><p>Turma, julgado em 18.8.2011, DJe de 13.4.2012.)</p><p>Não obstante os efeitos nefastos causados pelas queimadas</p><p>ao meio ambiente, infelizmente o legislador admitiu</p><p>algumas hipóteses nas quais ela será admitida, prevendo exceções no próprio artigo 38 do Código:</p><p>Art. 38. É proibido o uso de fogo na vegetação, exceto nas seguintes situações:</p><p>I - em locais ou regiões cujas peculiaridades justifiquem o emprego do fogo em práticas agropastoris ou florestais,</p><p>mediante prévia aprovação do órgão estadual ambiental competente do Sisnama, para cada imóvel rural ou de</p><p>forma regionalizada, que estabelecerá os critérios de monitoramento e controle;</p><p>II - emprego da queima controlada em Unidades de Conservação, em conformidade com o respectivo plano de</p><p>manejo e mediante prévia aprovação do órgão gestor da Unidade de Conservação, visando ao manejo</p><p>conservacionista da vegetação nativa, cujas características ecológicas estejam associadas evolutivamente à</p><p>ocorrência do fogo;</p><p>III - atividades de pesquisa científica vinculada a projeto de pesquisa devidamente aprovado pelos órgãos</p><p>competentes e realizada por instituição de pesquisa reconhecida, mediante prévia aprovação do órgão ambiental</p><p>competente do Sisnama.</p><p>Não satisfeito, previu ainda mais uma exceção no parágrafo 2º do mesmo artigo, dizendo que se excetuam da</p><p>proibição constante no caput as práticas de prevenção e combate aos incêndios e as de agricultura de subsistência</p><p>exercidas pelas populações tradicionais e indígenas.</p><p>Como se não bastasse a expressa admissão do uso do fogo em algumas situações, parece que o legislador ainda</p><p>resolveu dificultar a configuração da responsabilidade pelo uso indevido do fogo. Isso porque os parágrafos 3º e 4º do</p><p>artigo 38 aduzem que na apuração da responsabilidade pelo uso irregular do fogo em terras públicas ou particulares, a</p><p>autoridade competente para fiscalização e autuação deverá comprovar o nexo de causalidade entre a ação do</p><p>proprietário ou qualquer preposto e o dano efetivamente causado, também estipulando que é necessário o</p><p>estabelecimento de nexo causal na verificação das responsabilidades por infração pelo uso irregular do fogo em terras</p><p>públicas ou particulares.</p><p>Marcelo Abelha explica que não bastam, portanto, imputações genéricas dos fatos e da autoria no auto de infração,</p><p>como se existisse uma presunção de que o fato de "ser proprietário" torna o sujeito responsável pelo ato de queimada.</p><p>Encerrando o Capítulo IX, os artigos 39 e 40 trazem comandos específicos para o Poder Público no sentido de que ele</p><p>deverá estabelecer planos de contingência para o combate aos incêndios e elaborar uma política pública com o mesmo</p><p>objetivo. Observe:</p><p>Art. 39. Os órgãos ambientais do Sisnama, bem como todo e qualquer órgão público ou privado responsável pela</p><p>gestão de áreas com vegetação nativa ou plantios florestais, deverão elaborar, atualizar e implantar planos de</p><p>contingência para o combate aos incêndios florestais.</p><p>§ 1º Os planos de contingência para o combate aos incêndios florestais dos órgãos do Sisnama conterão diretrizes para</p><p>o uso da aviação agrícola no combate a incêndios em todos os tipos de vegetação.</p><p>§ 2º As aeronaves utilizadas para combate a incêndios deverão atender às normas técnicas definidas pelas autoridades</p><p>competentes do poder público e ser pilotadas por profissionais devidamente qualificados para o desempenho dessa</p><p>atividade, na forma do regulamento.</p><p>OBS: os parágrafos 1º e 2º foram incluídos pela Lei 14.406/22, de modo que merecem certo cuidado para as</p><p>provas.</p><p>Art. 40. O Governo Federal deverá estabelecer uma Política Nacional de Manejo e Controle de Queimadas, Prevenção e</p><p>Combate aos Incêndios Florestais, que promova a articulação institucional com vistas na substituição do uso do fogo</p><p>no meio rural, no controle de queimadas, na prevenção e no combate aos incêndios florestais e no manejo do fogo em</p><p>áreas naturais protegidas.</p><p>32 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>§ 1º A Política mencionada neste artigo deverá prever instrumentos para a análise dos impactos das queimadas sobre</p><p>mudanças climáticas e mudanças no uso da terra, conservação dos ecossistemas, saúde pública e fauna, para subsidiar</p><p>planos estratégicos de prevenção de incêndios florestais.</p><p>§ 2º A Política mencionada neste artigo deverá observar cenários de mudanças climáticas e potenciais aumentos de</p><p>risco de ocorrência de incêndios florestais.</p><p>§ 3º A Política de que trata o caput deste artigo contemplará programa de uso da aviação agrícola no combate a</p><p>incêndios em todos os tipos de vegetação.</p><p>OBS: o parágrafo 3º também foi incluído pela Lei 14.406/22.</p><p>Cota de Reserva Ambiental - CRA</p><p>O atual Código Florestal instituiu a chamada Cota de Reserva Ambiental, tendo este instituto ligação próxima com a</p><p>compensação de Reserva Legal criada pelo Código anterior. Trata-se da possibilidade de uma propriedade rural</p><p>preencher parte da exigência de Reserva Legal com cotas de reservas florestais excedentes, isto é, acima do mínimo</p><p>legal, desde que cumpridos alguns requisitos.</p><p>Para melhor compreender o que vem a ser a CRA, imagine duas propriedades rurais que estejam situadas no mesmo</p><p>bioma. Uma delas encontra-se abaixo do percentual mínimo de Reserva Legal exigido pela lei. Através desse instituto,</p><p>ela poderá completar o percentual faltante adquirindo cotas de Reserva Legal excedente da outra propriedade.</p><p>Desse modo, aqueles imóveis rurais que excederem o percentual legal poderão criar Cotas de Reserva Ambiental (ou</p><p>Servidão Florestal) da área excedente. Após serem devidamente registradas, poderão ser negociadas para compensar</p><p>aquelas propriedades rurais com percentuais abaixo do exigido em lei.</p><p>Em suma, a compensação da Reserva Legal poderá ocorrer por meio da aquisição da CRA. Segundo o artigo 44 do</p><p>Código, a Cota de Reserva Ambiental - CRA, é um título nominativo representativo de área com vegetação nativa,</p><p>existente ou em processo de recuperação.</p><p>É possível apontar as seguintes características da Cota de Reserva Ambiental:</p><p>A) É um título de crédito nominativo, devendo ser emitido em nome de pessoa determinada:</p><p>Art. 45. A CRA será emitida pelo órgão competente do Sisnama em favor de proprietário de imóvel incluído no CAR</p><p>que mantenha área nas condições previstas no art. 44.</p><p>B) A emissão da CRA depende do preenchimento de diversos requisitos:</p><p>Art. 45, § 1º O proprietário interessado na emissão da CRA deve apresentar ao órgão referido no caput proposta</p><p>acompanhada de:</p><p>I - certidão atualizada da matrícula do imóvel expedida pelo registro de imóveis competente;</p><p>II - cédula de identidade do proprietário, quando se tratar de pessoa física;</p><p>III - ato de designação de responsável, quando se tratar de pessoa jurídica;</p><p>IV - certidão negativa de débitos do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR;</p><p>V - memorial descritivo do imóvel, com a indicação da área a ser vinculada ao título, contendo pelo menos um ponto de</p><p>amarração georreferenciado relativo ao perímetro do imóvel e um ponto de amarração georreferenciado relativo à</p><p>Reserva Legal.</p><p>C) A CRA deve ser registrada em até 30 dias contados da sua emissão:</p><p>Art. 47. É obrigatório o registro da CRA pelo órgão emitente, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da sua</p><p>emissão, em bolsas de mercadorias de âmbito nacional ou em sistemas de registro e de liquidação financeira de ativos</p><p>33 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>autorizados pelo Banco Central do Brasil.</p><p>D) A transmissão da CRA somente se aperfeiçoará quando registrado nos livros e registros próprios:</p><p>Art. 48. A CRA pode ser transferida, onerosa ou gratuitamente, a pessoa física ou a pessoa jurídica de direito público</p><p>ou privado, mediante termo assinado pelo titular da CRA e pelo adquirente.</p><p>§ 1º A transferência da CRA só produz efeito uma vez registrado o termo previsto no caput no sistema único de</p><p>controle.</p><p>E) Se for utilizada para compensação de Reserva Legal,</p><p>deve ser averbada tanto no imóvel onde se situa a área</p><p>excedente quanto na propriedade beneficiária:</p><p>Art. 48, § 4º A utilização de CRA para compensação da Reserva Legal será averbada na matrícula do imóvel no qual se</p><p>situa a área vinculada ao título e na do imóvel beneficiário da compensação.</p><p>As hipóteses nas quais poderá haver a emissão da CRA estão taxativamente previstas pelo artigo 44 do Código</p><p>Florestal:</p><p>Art. 44. É instituída a Cota de Reserva Ambiental - CRA, título nominativo representativo de área com vegetação</p><p>nativa, existente ou em processo de recuperação:</p><p>I - sob regime de servidão ambiental, instituída na forma do art. 9º-A da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981;</p><p>II - correspondente à área de Reserva Legal instituída voluntariamente sobre a vegetação que exceder os</p><p>percentuais exigidos no art. 12 desta Lei;</p><p>III - protegida na forma de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.985,</p><p>de 18 de julho de 2000;</p><p>IV - existente em propriedade rural localizada no interior de Unidade de Conservação de domínio público que</p><p>ainda não tenha sido desapropriada.</p><p>Importante mencionar que o legislador também definiu a dimensão da área representada por cada título:</p><p>Art. 46. Cada CRA corresponderá a 1 (um) hectare:</p><p>I - de área com vegetação nativa primária ou com vegetação secundária em qualquer estágio de regeneração ou</p><p>recomposição;</p><p>II - de áreas de recomposição mediante reflorestamento com espécies nativas.</p><p>§ 1º O estágio sucessional ou o tempo de recomposição ou regeneração da vegetação nativa será avaliado pelo órgão</p><p>ambiental estadual competente com base em declaração do proprietário e vistoria de campo.</p><p>§ 2º A CRA não poderá ser emitida pelo órgão ambiental competente quando a regeneração ou recomposição da</p><p>área forem improváveis ou inviáveis.</p><p>Não se pode perder de vista que a Cota representa uma área de vegetação nativa, como uma espécie de "fotografia" do</p><p>local. Assim, ela não pode representar algo distinto da realidade, devendo haver a preservação das condições</p><p>retratadas pelo título. Por isso, o artigo 49 do Código determina que cabe ao proprietário do imóvel rural em que se</p><p>situa a área vinculada à CRA a responsabilidade plena pela manutenção das condições de conservação da</p><p>vegetação nativa da área que deu origem ao título. Ademais, a transmissão inter vivos ou causa mortis do imóvel não</p><p>elimina nem altera o vínculo de área contida no imóvel à CRA.</p><p>Finalizando o presente tema, o artigo 50 elenca de maneira taxativa as hipóteses de cancelamento da CRA:</p><p>Art. 50. A CRA somente poderá ser cancelada nos seguintes casos:</p><p>I - por solicitação do proprietário rural, em caso de desistência de manter áreas nas condições previstas nos incisos</p><p>I e II do art. 44;</p><p>34 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>II - automaticamente, em razão de término do prazo da servidão ambiental;</p><p>III - por decisão do órgão competente do Sisnama, no caso de degradação da vegetação nativa da área vinculada à</p><p>CRA cujos custos e prazo de recuperação ambiental inviabilizem a continuidade do vínculo entre a área e o título.</p><p>§ 1º O cancelamento da CRA utilizada para fins de compensação de Reserva Legal só pode ser efetivado se</p><p>assegurada Reserva Legal para o imóvel no qual a compensação foi aplicada.</p><p>§ 2º O cancelamento da CRA nos termos do inciso III do caput independe da aplicação das devidas sanções</p><p>administrativas e penais decorrentes de infração à legislação ambiental, nos termos da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro</p><p>de 1998.</p><p>§ 3º O cancelamento da CRA deve ser averbado na matrícula do imóvel no qual se situa a área vinculada ao título</p><p>e do imóvel no qual a compensação foi aplicada.</p><p>(Avança SP - Prefeitura de Araçariguama - SP - 2023) Sobre a Cota de Reserva Ambiental (CRA), instituída no</p><p>Art. 44 da Lei n° 12.651/2012, assinale a alternativa INCORRETA.</p><p>A) A CRA só pode ser utilizada para compensar Reserva Legal de imóvel rural situado no mesmo bioma da área à</p><p>qual o título está vinculado.</p><p>B) A CRA deverá ser emitida ou transferida para pessoas jurídicas, sendo vedada a concessão a pessoas físicas.</p><p>C) O proprietário do imóvel rural onde está localizada a área vinculada à CRA é responsável pela conservação da</p><p>vegetação nativa da área que originou o título.</p><p>D) A CRA não poderá ser emitida pelo órgão ambiental competente quando a regeneração ou recomposição da</p><p>área forem improváveis ou inviáveis.</p><p>E) O cancelamento da CRA deve ser averbado na matrícula do imóvel no qual se situa a área vinculada ao título</p><p>e do imóvel no qual a compensação foi aplicada.</p><p>Comentário:</p><p>A alternativa "a" está correta porque o artigo 48, § 2º, do Código Florestal aduz que a CRA só pode ser utilizada para</p><p>compensar Reserva Legal de imóvel rural situado no mesmo bioma da área à qual o título está vinculado. Já a</p><p>alternativa "b" está incorreta (e é o gabarito) porque o caput do artigo 48 dispõe que a CRA pode ser transferida,</p><p>onerosa ou gratuitamente, a pessoa física ou a pessoa jurídica de direito público ou privado, mediante termo assinado</p><p>pelo titular da CRA e pelo adquirente. A letra "c" está certa conforme previsto no artigo 49 do Código. A CRA não</p><p>poderá ser emitida pelo órgão ambiental competente quando a regeneração ou recomposição da área forem</p><p>improváveis ou inviáveis, nos termos do artigo 46, § 2º, razão pela qual a alternativa "d" está certa. Finalmente, a letra</p><p>"e" também está correta em virtude da previsão do artigo 50, § 3º.</p><p>Gabarito: alternativa "B"</p><p>35 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>LISTA DE QUESTÕES</p><p>1. OBJETIVA - Prefeitura de Jaguariaíva - PR - 2023</p><p>Em conformidade com a Lei nº 12.651/2012 — Código Florestal, NÃO é considerada uma Área de Preservação</p><p>Permanente, em zonas rurais ou urbanas:</p><p>A) As áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua situação topográfica, no raio</p><p>mínimo de 500m.</p><p>B) As restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues.</p><p>C) Os manguezais, em toda a sua extensão.</p><p>D) As bordas dos tabuleiros ou das chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100m em</p><p>projeções horizontais.</p><p>2. CESPE/CEBRASPE - FUB - 2023</p><p>Maria é técnica de laboratório no Laboratório de Anatomia Comparada de Vertebrados, do Instituto de Ciências</p><p>Biológicas da Universidade de Brasília. João, um aluno de doutorado do laboratório, a fim de realizar sua pesquisa,</p><p>precisava trazer alguns espécimes de um sapo da região Amazônica, mas, desconhecendo o procedimento que deveria</p><p>adotar, pediu orientações a Maria. O estudante tem contato com um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da</p><p>Amazônia (INPA), que coletou para ele 10 indivíduos da espécie do anfíbio. A coleta foi realizada dentro da Estação</p><p>Ecológica Alto Maués, no Amazonas. Parte da pesquisa de João é comparar as substâncias químicas da pele do sapo</p><p>amazônico com as de outra espécie de sapo do mesmo gênero do cerrado brasileiro. O doutorando foi o responsável</p><p>pela coleta do sapo do cerrado, no Parque Nacional de Brasília.</p><p>Considerando essa situação hipotética bem como as legislações ambientais pertinentes em vigor no Brasil, julgue o</p><p>próximo item.</p><p>De acordo com o Código Florestal, uma propriedade rural localizada na Amazônia Legal, dentro da área de cerrado,</p><p>precisa destinar 80% do seu imóvel rural para a preservação florestal, conhecida como reserva legal.</p><p>3. FURB - Prefeitura de Tijucas - SC - 2023</p><p>Nos termos do Código Florestal, assinale a alternativa correta para o tamanho da largura mínima da faixa marginal para</p><p>curso d'água natural perene e intermitente em zonas urbanas:</p><p>A) 50 (cinquenta) metros.</p><p>B) 30 (trinta) metros.</p><p>C) 150 (cento e cinquenta) metros.</p><p>D) 100 (cem) metros.</p><p>E) 10 (dez) metros.</p><p>36 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais</p><p>para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>4. CESPE/CEBRASPE - TBG - 2023</p><p>No que se refere às leis de conservação ambiental no Brasil, julgue o item a seguir.</p><p>Uma das inovações do Código Florestal foi a criação do Cadastro Ambiental Rural.</p><p>5. CESPE/CEBRASPE - PO-AL - 2023</p><p>Ao realizar a inscrição do seu imóvel rural no Cadastro Ambiental Rural (CAR) junto ao órgão estadual competente, um</p><p>agricultor incluiu as seguintes informações sobre a localização das áreas de vegetação nativa e de atividades dentro da</p><p>sua propriedade.</p><p>• área marginal a um curso de água não coberta por vegetação nativa</p><p>• área com cobertura de vegetação nativa (floresta) não utilizada</p><p>• área de ocupação antrópica, ao lado de uma nascente, com áreas desmatadas há mais de 15 anos, contendo uma</p><p>pequena edificação, além de atividades agrossilvipastoris</p><p>Em face dessa situação hipotética, julgue o item que se segue.</p><p>A área nativa de floresta preservada pode ser computada como reserva legal, contudo o percentual desta irá variar</p><p>conforme a localização do imóvel, sendo diferente se situado na Amazônia Legal ou nas demais regiões do Brasil.</p><p>6. CESPE/CEBRASPE - PO-AL - 2023</p><p>Julgue o item que se segue, com base na Lei n.º 12.651/2012.</p><p>A vegetação situada em área de preservação permanente deve ser mantida pelo proprietário da área, possuidor ou</p><p>ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado.</p><p>7. CESPE/CEBRASPE - PG-DF - 2022</p><p>O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ajuizou ação civil pública ambiental contra empreendedor</p><p>imobiliário, com o objetivo de compelir o réu a não fazer obras em continuidade às já existentes, na faixa de 30 m, em</p><p>imóvel situado no entorno do Lago Paranoá, onde não teriam sido devidamente observadas as regras ambientais</p><p>pertinentes, bem como a demolir as edificações feitas na referida área, com a obrigação de reparar os danos já</p><p>causados, além de indenização por danos ambientais, com condenação ao pagamento de indenização ao Fundo de</p><p>Defesa dos Direitos Difusos. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), em grau recursal, manteve a</p><p>sentença de procedência parcial do pedido, no sentido da demolição somente de algumas das edificações,</p><p>oportunizando ao réu, no entanto, a recuperação do meio ambiente, além de ter mantido a inversão do ônus da prova</p><p>determinada pelo juízo a quo quanto à mensuração da extensão do dano causado, com fulcro no princípio da</p><p>precaução</p><p>Acerca dessa situação hipotética e de aspectos a ela relacionados, julgue o próximo item.</p><p>37 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>São consideradas áreas de preservação permanente, entre outras, as áreas no entorno de lagos e lagoas naturais em</p><p>faixa com largura mínima de 30 m, em zona urbana.</p><p>8. CESPE/CEBRASPE - PRF - 2021</p><p>Acerca da Lei n.º 12.651/2012 (Código Florestal) e dos dispositivos importantes que regulam a relação de particulares e</p><p>da coletividade com a cobertura vegetal nativa, julgue o item a seguir.</p><p>Um dos problemas encontrados na delimitação de área de preservação permanente e de reserva legal é que a aplicação</p><p>das normas da primeira pode impedir a delimitação da segunda.</p><p>9. FGV - TJ-MS - 2023</p><p>Maria, visando ao manejo conservacionista da vegetação nativa, cujas características ecológicas estão associadas</p><p>evolutivamente à ocorrência do fogo, pretende valer-se do emprego da queima controlada em determinada Unidade de</p><p>Conservação (UC). De acordo com a Lei nº 12.651/2012, o intento de Maria é:</p><p>A) proibido, na medida em que o Código Florestal veda o uso de fogo na vegetação, em qualquer hipótese;</p><p>B) possível, desde que em conformidade com o respectivo plano de manejo e mediante prévia aprovação do órgão</p><p>gestor da Unidade de Conservação;</p><p>C) proibido, pois, apesar de o Código Florestal excepcionalmente autorizar o uso de fogo na vegetação em certas</p><p>hipóteses, a vedação é absoluta no que tange a Unidades de Conservação;</p><p>D) possível, desde que mediante prévia aprovação do chefe do Poder Executivo, no âmbito do ente federativo que</p><p>criou a Unidade de Conservação;</p><p>E) possível, desde que mediante prévia extinção ou transformação da Unidade de Conservação, por lei ou decreto.</p><p>10. FUNDATEC - Prefeitura de Balneário Pinhal - RS - 2023</p><p>Nos termos fixados pelo Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012), o imóvel rural que não estiver em áreas de</p><p>florestas, cerrado ou campos gerais deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal,</p><p>sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, no percentual mínimo de:</p><p>A) 30%.</p><p>B) 25%.</p><p>C) 20%.</p><p>D) 10%.</p><p>E) 5%.</p><p>38 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>11. FEPESE - Prefeitura de Balneário Camboriú - SC - 2023</p><p>São princípios considerados pela Lei nº 12.651/2012:</p><p>1. Afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de vegetação</p><p>nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático, para o bem-</p><p>estar das gerações presentes e futuras. 2. Importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das</p><p>florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da</p><p>qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e</p><p>bioenergia. 3. Fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da</p><p>água, a recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa.</p><p>Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.</p><p>A) É correta apenas a afirmativa 1.</p><p>B) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.</p><p>C) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.</p><p>D) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.</p><p>E) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.</p><p>12. CESPE/CEBRASPE - PO-AL - 2023</p><p>Julgue o item que se segue, com base na Lei n.º 12.651/2012.</p><p>Amazônia Legal é definida como uma área demarcada no interior de uma propriedade ou posse rural, com a função de</p><p>assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a</p><p>reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade.</p><p>13. FGV - AGE-MG - 2022</p><p>O Código Florestal prevê que fica criado o Cadastro Ambiental Rural - CAR, no âmbito do Sistema Nacional de</p><p>Informação sobre Meio Ambiente - SINIMA, registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os</p><p>imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo</p><p>base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.</p><p>Nesse contexto, consoante dispõe a Lei nº 12.651/2012,</p><p>A) a inscrição no CAR é obrigatória e por prazo indeterminado para todas as propriedades e posses rurais.</p><p>B) o cadastramento será considerado título para fins de reconhecimento do direito de posse do imóvel rural.</p><p>C) a inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita no órgão ambiental federal.</p><p>D) o proprietário ou possuidor de imóvel rural deverá anualmente atualizar sua inscrição no CAR com nova planta e</p><p>memorial descritivo.</p><p>E) o poder público estadual deverá incluir na inscrição de cada imóvel no CAR informações sobre a localização dos</p><p>remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente e das Áreas de Uso Restrito.</p><p>39 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>14. CESPE/CEBRASPE - Prefeitura de Maringá-PR - 2022</p><p>De acordo com disposição do Código Florestal brasileiro (Lei</p><p>n.º 12.651/2012), os espaços públicos ou privados, com</p><p>predomínio de vegetação, preferencialmente nativa, natural ou recuperada, previstos no plano diretor, nas leis de</p><p>zoneamento urbano e uso do solo do município, indisponíveis para moradia e destinados a fins de recreação, lazer,</p><p>melhoria ambiental, proteção de recursos hídricos, manutenção ou melhoria paisagística, proteção de bens e</p><p>manifestações culturais, são definidos como área</p><p>A) verde urbana.</p><p>B) de reserva legal.</p><p>C) de proteção ambiental.</p><p>D) de preservação permanente.</p><p>E) de uso sustentável.</p><p>15. Questão Inédita</p><p>A Cota de Reserva Ambiental (CRA) está diretamente relacionada com o instituto da compensação da Reserva Legal.</p><p>Acerca de sua previsão pelo Código Florestal, assinale a alternativa correta:</p><p>A) Não é requisito para a emissão da CRA a certidão negativa de débitos do Imposto sobre a Propriedade Territorial</p><p>Rural - ITR.</p><p>B) A Cota deve ser registrada no prazo de 15 dias contados da sua emissão.</p><p>C) Cada CRA corresponderá a 2 hectares.</p><p>D) O cancelamento da CRA deve ser averbado na matrícula do imóvel no qual se situa a área vinculada ao título e do</p><p>imóvel no qual a compensação foi aplicada.</p><p>E) A CRA não pode ser transferida gratuitamente a pessoa física.</p><p>16. Questão Inédita</p><p>No tocante à chamada Cota de Reserva Ambiental (CRA), julgue o item a seguir:</p><p>É obrigatório o registro da CRA pelo órgão emitente, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da sua emissão, em</p><p>bolsas de mercadorias de âmbito nacional ou em sistemas de registro e de liquidação financeira de ativos autorizados</p><p>pelo Banco Central do Brasil.</p><p>17. Questão Inédita</p><p>40 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Acerca das Áreas de Preservação Permanente disciplinadas pelo Código Florestal de 2012, julgue os itens abaixo:</p><p>I- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as faixas marginais de qualquer curso</p><p>d’água natural perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima</p><p>de 100 metros, para os cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura;</p><p>II- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as encostas ou partes destas com</p><p>declividade superior a 45º , equivalente a 100% na linha de maior declive;</p><p>III- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as bordas dos tabuleiros ou chapadas,</p><p>até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 50 metros em projeções horizontais;</p><p>IV- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as áreas em altitude superior a 1.600</p><p>metros, qualquer que seja a vegetação.</p><p>Estão corretos apenas os itens:</p><p>A) II e III.</p><p>B) I e II.</p><p>C) I e IV.</p><p>D) I e III.</p><p>E) II e IV.</p><p>18. Questão Inédita</p><p>Acerca das regras constantes do Código Florestal sobre a Reserva Legal, julgue o item a seguir:</p><p>Para fins de manejo de Reserva Legal na pequena propriedade ou posse rural familiar, os órgãos integrantes do</p><p>Sisnama deverão estabelecer procedimentos simplificados de elaboração, análise e aprovação de tais planos de</p><p>manejo.</p><p>GABARITO</p><p>�. A</p><p>�. Errado</p><p>�. B</p><p>�. Certo</p><p>�. Certo</p><p>�. Certo</p><p>�. Certo</p><p>41 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>�. Errado</p><p>�. B</p><p>��. C</p><p>��. E</p><p>��. Errado</p><p>��. A</p><p>��. A</p><p>��. D</p><p>��. Certo</p><p>��. B</p><p>��. Certo</p><p>42 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>QUESTÕES COMENTADAS</p><p>1. OBJETIVA - Prefeitura de Jaguariaíva - PR - 2023</p><p>Em conformidade com a Lei nº 12.651/2012 — Código Florestal, NÃO é considerada uma Área de Preservação</p><p>Permanente, em zonas rurais ou urbanas:</p><p>A) As áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua situação topográfica, no raio</p><p>mínimo de 500m.</p><p>B) As restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues.</p><p>C) Os manguezais, em toda a sua extensão.</p><p>D) As bordas dos tabuleiros ou das chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100m em</p><p>projeções horizontais.</p><p>Comentário:</p><p>A alternativa "a" está correta porque nos termos do artigo 4º, IV, do Código Florestal, são consideradas como APP as</p><p>áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua situação topográfica, no raio mínimo</p><p>de 50 (cinquenta) metros. Todas as demais alternativas apresentam áreas consideradas como APP's, segundo o artigo</p><p>4º, VI, VII e VIII, respectivamente.</p><p>Gabarito: alternativa "a"</p><p>2. CESPE/CEBRASPE - FUB - 2023</p><p>Maria é técnica de laboratório no Laboratório de Anatomia Comparada de Vertebrados, do Instituto de Ciências</p><p>Biológicas da Universidade de Brasília. João, um aluno de doutorado do laboratório, a fim de realizar sua pesquisa,</p><p>precisava trazer alguns espécimes de um sapo da região Amazônica, mas, desconhecendo o procedimento que deveria</p><p>adotar, pediu orientações a Maria. O estudante tem contato com um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da</p><p>Amazônia (INPA), que coletou para ele 10 indivíduos da espécie do anfíbio. A coleta foi realizada dentro da Estação</p><p>Ecológica Alto Maués, no Amazonas. Parte da pesquisa de João é comparar as substâncias químicas da pele do sapo</p><p>amazônico com as de outra espécie de sapo do mesmo gênero do cerrado brasileiro. O doutorando foi o responsável</p><p>pela coleta do sapo do cerrado, no Parque Nacional de Brasília.</p><p>Considerando essa situação hipotética bem como as legislações ambientais pertinentes em vigor no Brasil, julgue o</p><p>próximo item.</p><p>De acordo com o Código Florestal, uma propriedade rural localizada na Amazônia Legal, dentro da área de cerrado,</p><p>precisa destinar 80% do seu imóvel rural para a preservação florestal, conhecida como reserva legal.</p><p>Comentário:</p><p>Nos termos do artigo 12 do Código Florestal, todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a</p><p>título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados</p><p>os seguintes percentuais mínimos em relação à área do imóvel:</p><p>I - localizado na Amazônia Legal:</p><p>a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;</p><p>43 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;</p><p>c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;</p><p>II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).</p><p>Gabarito: errado</p><p>3. FURB - Prefeitura de Tijucas - SC - 2023</p><p>Nos termos do Código Florestal, assinale a alternativa correta para o tamanho da largura mínima da faixa marginal para</p><p>curso d'água natural perene e intermitente em zonas urbanas:</p><p>A) 50 (cinquenta) metros.</p><p>B) 30 (trinta) metros.</p><p>C) 150 (cento e cinquenta) metros.</p><p>D) 100 (cem) metros.</p><p>E) 10 (dez) metros.</p><p>Comentário:</p><p>De acordo com o artigo 4º, II, do Código Florestal, considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou</p><p>urbanas, as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de:</p><p>a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20 (vinte) hectares de superfície, cuja faixa</p><p>marginal será de 50 (cinquenta) metros;</p><p>b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;</p><p>Assim, a única alternativa que apresentou corretamente a largura mínima da faixa de APP foi a letra "b", de modo que</p><p>todas as demais estão erradas.</p><p>Gabarito: alternativa "b"</p><p>4. CESPE/CEBRASPE - TBG - 2023</p><p>No que se refere às leis de conservação ambiental no Brasil, julgue o item a seguir.</p><p>Uma das inovações do Código Florestal foi a criação do Cadastro Ambiental Rural.</p><p>Comentário:</p><p>Realmente uma das inovações trazidas pelo Código Florestal</p><p>de 2012 foi a criação do Cadastro Ambiental Rural,</p><p>previsto em seu artigo 29:</p><p>Art. 29. É criado o Cadastro Ambiental Rural - CAR, no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio</p><p>Ambiente - SINIMA, registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a</p><p>44 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para</p><p>controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.</p><p>Gabarito: certo</p><p>5. CESPE/CEBRASPE - PO-AL - 2023</p><p>Ao realizar a inscrição do seu imóvel rural no Cadastro Ambiental Rural (CAR) junto ao órgão estadual competente, um</p><p>agricultor incluiu as seguintes informações sobre a localização das áreas de vegetação nativa e de atividades dentro da</p><p>sua propriedade.</p><p>• área marginal a um curso de água não coberta por vegetação nativa</p><p>• área com cobertura de vegetação nativa (floresta) não utilizada</p><p>• área de ocupação antrópica, ao lado de uma nascente, com áreas desmatadas há mais de 15 anos, contendo uma</p><p>pequena edificação, além de atividades agrossilvipastoris</p><p>Em face dessa situação hipotética, julgue o item que se segue.</p><p>A área nativa de floresta preservada pode ser computada como reserva legal, contudo o percentual desta irá variar</p><p>conforme a localização do imóvel, sendo diferente se situado na Amazônia Legal ou nas demais regiões do Brasil.</p><p>Comentário:</p><p>O artigo 12 do Código Florestal prevê os percentuais que o imóvel rural deve conter a título de Reserva Legal. De fato, o</p><p>percentual da área varia conforme a localização e o bioma:</p><p>Art. 12. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo</p><p>da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos em</p><p>relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei:</p><p>I - localizado na Amazônia Legal:</p><p>a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;</p><p>b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;</p><p>c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;</p><p>II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).</p><p>Gabarito: certo</p><p>6. CESPE/CEBRASPE - PO-AL - 2023</p><p>Julgue o item que se segue, com base na Lei n.º 12.651/2012.</p><p>A vegetação situada em área de preservação permanente deve ser mantida pelo proprietário da área, possuidor ou</p><p>ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado.</p><p>Comentário:</p><p>45 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>O regime jurídico das APP's é eminentemente protetivo, cabendo ao proprietário, possuir ou ocupante da área</p><p>preservar a vegetação nativa, conforme disposto no artigo 7º do Código Florestal:</p><p>Art. 7º A vegetação situada em Área de Preservação Permanente deverá ser mantida pelo proprietário da área,</p><p>possuidor ou ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado.</p><p>Gabarito: certo</p><p>7. CESPE/CEBRASPE - PG-DF - 2022</p><p>O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ajuizou ação civil pública ambiental contra empreendedor</p><p>imobiliário, com o objetivo de compelir o réu a não fazer obras em continuidade às já existentes, na faixa de 30 m, em</p><p>imóvel situado no entorno do Lago Paranoá, onde não teriam sido devidamente observadas as regras ambientais</p><p>pertinentes, bem como a demolir as edificações feitas na referida área, com a obrigação de reparar os danos já</p><p>causados, além de indenização por danos ambientais, com condenação ao pagamento de indenização ao Fundo de</p><p>Defesa dos Direitos Difusos. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), em grau recursal, manteve a</p><p>sentença de procedência parcial do pedido, no sentido da demolição somente de algumas das edificações,</p><p>oportunizando ao réu, no entanto, a recuperação do meio ambiente, além de ter mantido a inversão do ônus da prova</p><p>determinada pelo juízo a quo quanto à mensuração da extensão do dano causado, com fulcro no princípio da</p><p>precaução</p><p>Acerca dessa situação hipotética e de aspectos a ela relacionados, julgue o próximo item.</p><p>São consideradas áreas de preservação permanente, entre outras, as áreas no entorno de lagos e lagoas naturais em</p><p>faixa com largura mínima de 30 m, em zona urbana.</p><p>Comentário:</p><p>O item está correto porque traz a metragem adequada da faixa de APP localizada no entorno de lagos e lagoas naturais</p><p>em zona urbana, segundo o artigo 4º, II, do Código Florestal:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>II - as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de:</p><p>a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20 (vinte) hectares de superfície, cuja faixa</p><p>marginal será de 50 (cinquenta) metros;</p><p>b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;</p><p>Perceba que no caso do imóvel estar localizado em zona urbana será irrelevante a área da superfície do corpo d'água,</p><p>pois a APP sempre terá 30 metros nessa circunstância.</p><p>Gabarito: certo</p><p>8. CESPE/CEBRASPE - PRF - 2021</p><p>Acerca da Lei n.º 12.651/2012 (Código Florestal) e dos dispositivos importantes que regulam a relação de particulares e</p><p>da coletividade com a cobertura vegetal nativa, julgue o item a seguir.</p><p>Um dos problemas encontrados na delimitação de área de preservação permanente e de reserva legal é que a aplicação</p><p>das normas da primeira pode impedir a delimitação da segunda.</p><p>46 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Comentário:</p><p>As APP's não se confundem com as áreas de Reserva Legal, sendo que os institutos possuem regimes jurídicos</p><p>distintos. Ademais, o item apresentado está incorreto, podendo dois artigos do Código Florestal fundamentarem o</p><p>gabarito:</p><p>Art. 12. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem</p><p>prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais</p><p>mínimos em relação à área do imóvel (...)</p><p>Art. 15. Será admitido o cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do</p><p>imóvel (...)</p><p>§ 1º O regime de proteção da Área de Preservação Permanente não se altera na hipótese prevista neste artigo.</p><p>Embora uma mesma área do imóvel rural possa estar inserida tanto em APP como em Reserva Legal, os regimes</p><p>continuam os mesmos.</p><p>Gabarito: errado</p><p>9. FGV - TJ-MS - 2023</p><p>Maria, visando ao manejo conservacionista da vegetação nativa, cujas características ecológicas estão associadas</p><p>evolutivamente à ocorrência do fogo, pretende valer-se do emprego da queima controlada em determinada Unidade de</p><p>Conservação (UC). De acordo com a Lei nº 12.651/2012, o intento de Maria é:</p><p>A) proibido, na medida em que o Código Florestal veda o uso de fogo na vegetação, em qualquer hipótese;</p><p>B) possível, desde que em conformidade com o respectivo plano de manejo e mediante prévia aprovação do órgão</p><p>gestor da Unidade de Conservação;</p><p>C) proibido, pois, apesar de o Código Florestal excepcionalmente autorizar o uso de fogo na vegetação em certas</p><p>hipóteses, a vedação é absoluta no que tange a Unidades de Conservação;</p><p>D) possível, desde que mediante prévia aprovação do chefe do Poder Executivo, no âmbito do ente federativo que</p><p>criou a Unidade de Conservação;</p><p>E) possível, desde que mediante prévia extinção ou transformação da Unidade de Conservação, por lei ou decreto.</p><p>Comentário:</p><p>Como regra geral, o artigo 38 do Código Florestal proíbe o uso do fogo na vegetação, mas também o mesmo artigo</p><p>prevê algumas exceções nas quais a técnica</p><p>da queimada poderá ser utilizada. No caso em tela, o inciso II fundamenta a</p><p>alternativa "b", sendo ela o gabarito correto:</p><p>Art. 38. É proibido o uso de fogo na vegetação, exceto nas seguintes situações:</p><p>II - emprego da queima controlada em Unidades de Conservação, em conformidade com o respectivo plano de</p><p>manejo e mediante prévia aprovação do órgão gestor da Unidade de Conservação, visando ao manejo</p><p>conservacionista da vegetação nativa, cujas características ecológicas estejam associadas evolutivamente à</p><p>ocorrência do fogo;</p><p>A letra "a" está errada porque como dito acima, existem hipóteses nas quais o Código admite o uso do fogo. A</p><p>alternativa "c" também está errada porque o inciso II acima colacionado permite o uso do fogo em Unidades de</p><p>Conservação mediante o preenchimento de alguns requisitos. O erro da letra "d" está em afirmar que é preciso</p><p>aprovação para o uso do fogo pelo chefe do Poder Executivo, pois essa aprovação deve ser do órgão gestor da</p><p>47 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Unidade de Conservação. Por fim, a letra "e" está equivocada porque não há menção na lei quanto à necessidade de</p><p>extinguir ou transformar a Unidade de Conservação para utilização do fogo.</p><p>Gabarito: alternativa "b"</p><p>10. FUNDATEC - Prefeitura de Balneário Pinhal - RS - 2023</p><p>Nos termos fixados pelo Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012), o imóvel rural que não estiver em áreas de</p><p>florestas, cerrado ou campos gerais deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal,</p><p>sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, no percentual mínimo de:</p><p>A) 30%.</p><p>B) 25%.</p><p>C) 20%.</p><p>D) 10%.</p><p>E) 5%.</p><p>Comentário:</p><p>Existem inúmeras questões de prova cobrando as porcentagens das áreas de Reserva Legal nos imóveis rurais.</p><p>Recomenda-se fortemente a leitura do artigo 12 do Código Florestal:</p><p>Art. 12. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo</p><p>da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos em</p><p>relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei:</p><p>I - localizado na Amazônia Legal:</p><p>a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;</p><p>b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;</p><p>c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;</p><p>II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).</p><p>Diante da objetividade da questão, apenas a alternativa "c" contém a porcentagem correta, de modo que todas as</p><p>demais estão erradas.</p><p>Gabarito: alternativa "c"</p><p>11. FEPESE - Prefeitura de Balneário Camboriú - SC - 2023</p><p>São princípios considerados pela Lei nº 12.651/2012:</p><p>1. Afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de vegetação</p><p>nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático, para o bem-</p><p>estar das gerações presentes e futuras. 2. Importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das</p><p>48 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da</p><p>qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e</p><p>bioenergia. 3. Fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da</p><p>água, a recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa.</p><p>Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.</p><p>A) É correta apenas a afirmativa 1.</p><p>B) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.</p><p>C) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.</p><p>D) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.</p><p>E) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.</p><p>Comentário:</p><p>A questão cobra a literalidade do parágrafo único do artigo 1º-A do Código Florestal, responsável por trazer os</p><p>princípios gerais que norteiam a lei:</p><p>Art. 1º-A. Esta Lei estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as</p><p>áreas de Reserva Legal; a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos</p><p>produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais, e prevê instrumentos econômicos e financeiros</p><p>para o alcance de seus objetivos.</p><p>Parágrafo único. Tendo como objetivo o desenvolvimento sustentável, esta Lei atenderá aos seguintes princípios:</p><p>I - afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de</p><p>vegetação nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema</p><p>climático, para o bem estar das gerações presentes e futuras;</p><p>II - reafirmação da importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais</p><p>formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da qualidade de vida da</p><p>população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia;</p><p>III - ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas, consagrando o compromisso do País com a</p><p>compatibilização e harmonização entre o uso produtivo da terra e a preservação da água, do solo e da vegetação;</p><p>IV - responsabilidade comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em colaboração com a sociedade civil,</p><p>na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções ecológicas e sociais nas</p><p>áreas urbanas e rurais;</p><p>V - fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da água, a</p><p>recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa;</p><p>VI - criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar a preservação e a recuperação da vegetação nativa</p><p>e para promover o desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis.</p><p>Foram destacados os incisos que contêm os princípios mencionados pela questão, de modo que a alternativa correta é</p><p>a letra "e".</p><p>Gabarito: alternativa "e"</p><p>12. CESPE/CEBRASPE - PO-AL - 2023</p><p>49 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Julgue o item que se segue, com base na Lei n.º 12.651/2012.</p><p>Amazônia Legal é definida como uma área demarcada no interior de uma propriedade ou posse rural, com a função de</p><p>assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a</p><p>reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade.</p><p>Comentário:</p><p>O item apresentado está errado porque o artigo 3º, I, do Código Florestal, define a Amazônia Legal como: os Estados</p><p>do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e as regiões situadas ao norte do paralelo</p><p>13º S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44º W, do Estado do Maranhão.</p><p>Gabarito: errado</p><p>13. FGV - AGE-MG - 2022</p><p>O Código Florestal prevê que fica criado o Cadastro Ambiental Rural - CAR, no âmbito do Sistema Nacional de</p><p>Informação sobre Meio Ambiente - SINIMA, registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os</p><p>imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo</p><p>base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.</p><p>Nesse contexto, consoante dispõe a Lei nº 12.651/2012,</p><p>A) a inscrição no CAR é obrigatória e por prazo indeterminado para todas as propriedades e posses rurais.</p><p>B) o cadastramento será considerado título para fins de reconhecimento do</p><p>direito de posse do imóvel rural.</p><p>C) a inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita no órgão ambiental federal.</p><p>D) o proprietário ou possuidor de imóvel rural deverá anualmente atualizar sua inscrição no CAR com nova planta e</p><p>memorial descritivo.</p><p>E) o poder público estadual deverá incluir na inscrição de cada imóvel no CAR informações sobre a localização dos</p><p>remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente e das Áreas de Uso Restrito.</p><p>Comentário:</p><p>A letra "a" está correta em razão da alteração promovida pela Lei 13.887/2019, que deu nova redação ao parágrafo 3º</p><p>do artigo 29 do Código Florestal.</p><p>O cadastramento não será considerado título para fins de reconhecimento do direito de propriedade ou posse, de</p><p>modo que a alternativa "b" está errada, consoante o parágrafo 2º do artigo 29 do Código.</p><p>A inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita, preferencialmente, no órgão ambiental municipal ou estadual,</p><p>tornando errada a alternativa "c", conforme artigo 29, § 1º, do Código Florestal.</p><p>Já a letra "d" está errada porque essa exigência não consta da lei.</p><p>Por fim, a alternativa "e" também está errada porque essa incumbência cabe ao proprietário/possuidor do imóvel,</p><p>segundo o artigo 29, § 1º, III, do Código.</p><p>Gabarito: alternativa "a"</p><p>50 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>14. CESPE/CEBRASPE - Prefeitura de Maringá-PR - 2022</p><p>De acordo com disposição do Código Florestal brasileiro (Lei n.º 12.651/2012), os espaços públicos ou privados, com</p><p>predomínio de vegetação, preferencialmente nativa, natural ou recuperada, previstos no plano diretor, nas leis de</p><p>zoneamento urbano e uso do solo do município, indisponíveis para moradia e destinados a fins de recreação, lazer,</p><p>melhoria ambiental, proteção de recursos hídricos, manutenção ou melhoria paisagística, proteção de bens e</p><p>manifestações culturais, são definidos como área</p><p>A) verde urbana.</p><p>B) de reserva legal.</p><p>C) de proteção ambiental.</p><p>D) de preservação permanente.</p><p>E) de uso sustentável.</p><p>Comentário:</p><p>A questão exige o conhecimento acerca de alguns conceitos fornecidos pelo artigo 3º do Código Florestal. No</p><p>enunciado, ela descreve as chamadas áreas verdes urbanas, previstas pelo inciso XX do artigo em tela:</p><p>XX - área verde urbana: espaços, públicos ou privados, com predomínio de vegetação, preferencialmente nativa,</p><p>natural ou recuperada, previstos no Plano Diretor, nas Leis de Zoneamento Urbano e Uso do Solo do Município,</p><p>indisponíveis para construção de moradias, destinados aos propósitos de recreação, lazer, melhoria da qualidade</p><p>ambiental urbana, proteção dos recursos hídricos, manutenção ou melhoria paisagística, proteção de bens e</p><p>manifestações culturais;</p><p>Logo, a alternativa "a" é o gabarito correto. Veja:</p><p>III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12,</p><p>com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a</p><p>conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o</p><p>abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa;</p><p>II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função</p><p>ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo</p><p>gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;</p><p>Os institutos previstos pelas alternativas "c" e "e" são encontrados na Lei 9.985/00 (Lei do SNUC):</p><p>Art. 2º, XI - uso sustentável: exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais</p><p>renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma</p><p>socialmente justa e economicamente viável;</p><p>Art. 15. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana,</p><p>dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o</p><p>bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o</p><p>processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.</p><p>Gabarito: alternativa "a"</p><p>15. Questão Inédita</p><p>51 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>A Cota de Reserva Ambiental (CRA) está diretamente relacionada com o instituto da compensação da Reserva Legal.</p><p>Acerca de sua previsão pelo Código Florestal, assinale a alternativa correta:</p><p>A) Não é requisito para a emissão da CRA a certidão negativa de débitos do Imposto sobre a Propriedade Territorial</p><p>Rural - ITR.</p><p>B) A Cota deve ser registrada no prazo de 15 dias contados da sua emissão.</p><p>C) Cada CRA corresponderá a 2 hectares.</p><p>D) O cancelamento da CRA deve ser averbado na matrícula do imóvel no qual se situa a área vinculada ao título e do</p><p>imóvel no qual a compensação foi aplicada.</p><p>E) A CRA não pode ser transferida gratuitamente a pessoa física.</p><p>Comentário:</p><p>A letra "a" está errada porque a certidão negativa de débitos do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR é um</p><p>dos requisitos para emissão da CRA, conforme artigo 45, § 1º, IV, do Código Florestal.</p><p>A letra "b" está errada porque o prazo correto é 30 dias, de acordo com o artigo 47 do Código.</p><p>O erro da alternativa "c" está em dizer que cada CRA corresponderá a 2 hectares, quando na verdade cada CRA</p><p>corresponde a 1 hectare (art. 46).</p><p>A letra "d" é o gabarito correto, de acordo com o artigo 50, § 3º, do Código.</p><p>Já o artigo 48 diz que a CRA pode ser transferida, onerosa ou gratuitamente, a pessoa física ou a pessoa jurídica de</p><p>direito público ou privado, mediante termo assinado pelo titular da CRA e pelo adquirente, tornando a letra "e" errada.</p><p>Gabarito: alternativa "d"</p><p>16. Questão Inédita</p><p>No tocante à chamada Cota de Reserva Ambiental (CRA), julgue o item a seguir:</p><p>É obrigatório o registro da CRA pelo órgão emitente, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da sua emissão, em</p><p>bolsas de mercadorias de âmbito nacional ou em sistemas de registro e de liquidação financeira de ativos autorizados</p><p>pelo Banco Central do Brasil.</p><p>Comentário:</p><p>O item está correto, pois é uma transcrição do artigo 47 do Código Florestal.</p><p>Gabarito: certo</p><p>17. Questão Inédita</p><p>Acerca das Áreas de Preservação Permanente disciplinadas pelo Código Florestal de 2012, julgue os itens abaixo:</p><p>I- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as faixas marginais de qualquer curso</p><p>d’água natural perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima</p><p>52 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>de 100 metros, para os cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura;</p><p>II- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as encostas ou partes destas com</p><p>declividade superior a 45º , equivalente a 100% na linha de maior declive;</p><p>III- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as bordas dos tabuleiros ou chapadas,</p><p>até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 50 metros em projeções horizontais;</p><p>IV- Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas as áreas em altitude superior a 1.600</p><p>metros, qualquer que seja a vegetação.</p><p>Estão corretos apenas os itens:</p><p>A) II e III.</p><p>B) I e II.</p><p>C) I e IV.</p><p>D) I e III.</p><p>E) II e IV.</p><p>Comentário:</p><p>O item I está correto, conforme previsão do artigo 4º, I, "c", do Código.</p><p>O item II está correto, conforme previsão do artigo 4º, V, do Código.</p><p>O item III está errado porque o artigo 4º, VIII, considera como APP as bordas</p><p>dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de</p><p>ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 metros em projeções horizontais.</p><p>O item IV está errado porque o artigo 4º, X, considera como APP as áreas em altitude superior a 1.800 metros,</p><p>qualquer que seja a vegetação.</p><p>Portanto, a alternativa que indica quais itens estão corretos é a letra "b".</p><p>Gabarito: alternativa "b"</p><p>18. Questão Inédita</p><p>Acerca das regras constantes do Código Florestal sobre a Reserva Legal, julgue o item a seguir:</p><p>Para fins de manejo de Reserva Legal na pequena propriedade ou posse rural familiar, os órgãos integrantes do</p><p>Sisnama deverão estabelecer procedimentos simplificados de elaboração, análise e aprovação de tais planos de</p><p>manejo.</p><p>Comentário:</p><p>O item apresentado está correto, pois reproduz fielmente o conteúdo do artigo 17, § 2º, do Código Florestal.</p><p>Gabarito: certo</p><p>53 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>RESUMO DIRECIONADO</p><p>Neste material foram abordados alguns dos principais temas dentro do Código Florestal (Lei 12.651/12).</p><p>Disposições Gerais</p><p>O Capítulo I do Código é estruturado da seguinte forma:</p><p>�. Artigo 1º-A, caput = prevê os assuntos tratados pela lei (normas gerais).</p><p>�. Artigo 1º-A, parágrafo único = elenca os princípios norteadores do Código, tendo como objetivo o</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>�. Artigo 2º = enuncia as limitações ao direito de propriedade, dando a entender que a lei tem viés</p><p>protetivo.</p><p>�. Artigo 2º, §2º = prevê a natureza propter rem das obrigações constantes do Código.</p><p>�. Artigo 3º = é norma com caráter explicativo, trazendo vários conceitos técnicos empregados ao longo</p><p>da lei.</p><p>Áreas de Preservação Permanente</p><p>Os artigos 4º a 9º dispõem sobre as hipóteses configuradoras de APP e seu regime jurídico. Importante lembrar:</p><p>As APP's são espécie de ETEP em sentido lato;</p><p>São definidas por normas gerais e abstratas;</p><p>Seu regime jurídico é essencialmente protetivo, devendo haver a preservação da vegetação nativa;</p><p>As exceções ao regime protetivo (intervenção na APP) estão fundadas em motivos de utilidade pública,</p><p>interesse social ou atividades de baixo impacto ambiental;</p><p>As APP's podem ser agrupadas em 3 categorias a depender do elemento ou característica natural que</p><p>ensejou sua criação: APP's para proteção de águas, APP's protetoras do relevo e APP's protetoras de</p><p>ecossistemas específicos;</p><p>As APP's podem estar localizadas em zonas urbanas ou rurais.</p><p>Reserva Legal</p><p>Prevista entre os artigos 12 a 24, a Reserva Legal também é considerada um ETEP em sentido lato, mas não se</p><p>confunde com a APP. Lembre-se:</p><p>Consiste numa parte do imóvel rural em que a vegetação nativa deverá ser preservada (percentuais</p><p>definidos pelo artigo 12);</p><p>Sua natureza é de limitação administrativa;</p><p>É geral, gratuita e tem finalidade pública (função socioambiental da propriedade privada);</p><p>Há hipóteses de dispensa de sua criação previstas no próprio Código (exceções à RL);</p><p>54 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Também admite flexibilizações, isto é, circunstâncias que podem levar ao aumento ou diminuição dos</p><p>percentuais;</p><p>A localização da RL deve ser fixada pelo órgão estadual integrante do SISNAMA (vide critérios do artigo</p><p>14);</p><p>Deve ser feita a inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR);</p><p>O artigo 15 do Código admite o cômputo da APP no percentual da Reserva Legal (não haverá alteração</p><p>do regime da APP);</p><p>A obrigação de conservação da vegetação tem natureza propter rem;</p><p>Admite-se em caráter excepcional a exploração de atividade econômica na área de RL, mediante manejo</p><p>sustentável;</p><p>Exige-se o registro da RL no órgão ambiental competente por meio do CAR;</p><p>Para fins de isenção tributária do ITR ainda se exige o registro perante o Cartório de Registro de Imóveis</p><p>(STJ).</p><p>Proteção das Áreas Verdes</p><p>O artigo 25 do Código traz diversos instrumentos a serem utilizados pelo Poder Público municipal. Cabe lembrar que:</p><p>Ainda que o imóvel rural seja inserido no perímetro urbano definido em lei municipal, isso por si só não</p><p>desobriga o proprietário ou posseiro de manter a área de Reserva Legal;</p><p>A RL só será extinta concomitantemente ao registro do parcelamento do solo para fins urbanos,</p><p>aprovado segundo legislação específica e de acordo com as diretrizes do Plano Diretor.</p><p>Cadastro Ambiental Rural - CAR</p><p>É um registro público eletrônico de caráter nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de</p><p>integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle,</p><p>monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.</p><p>Pontos importantes:</p><p>A inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita, preferencialmente, no órgão ambiental municipal ou</p><p>estadual;</p><p>O cadastramento não será considerado título para fins de reconhecimento do direito de propriedade ou</p><p>posse;</p><p>A inscrição no CAR é obrigatória e por prazo indeterminado para todas as propriedades e posses rurais;</p><p>Cuidado com as alterações promovidas pela Lei 14.595/2023.</p><p>Proibição do uso de fogo e controle de incêndios</p><p>É proibido o uso de fogo na vegetação, exceto naquelas situações previstas pelo Código (art. 38). Os artigos 39 e 40</p><p>determinam que o Poder Público crie planos de contingência para o combate aos incêndios e elabore uma política</p><p>pública com o mesmo objetivo:</p><p>Os órgãos ambientais do Sisnama, bem como todo e qualquer órgão público ou privado responsável pela</p><p>gestão de áreas com vegetação nativa ou plantios florestais, deverão elaborar, atualizar e implantar</p><p>planos de contingência para o combate aos incêndios florestais;</p><p>55 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Os planos de contingência para o combate aos incêndios florestais dos órgãos do Sisnama conterão</p><p>diretrizes para o uso da aviação agrícola no combate a incêndios em todos os tipos de vegetação;</p><p>As aeronaves utilizadas para combate a incêndios deverão atender às normas técnicas definidas pelas</p><p>autoridades competentes do poder público e ser pilotadas por profissionais devidamente qualificados para</p><p>o desempenho dessa atividade, na forma do regulamento;</p><p>A política deverá prever instrumentos para a análise dos impactos das queimadas sobre mudanças</p><p>climáticas e mudanças no uso da terra, conservação dos ecossistemas, saúde pública e fauna, para subsidiar</p><p>planos estratégicos de prevenção de incêndios florestais.</p><p>Cota de Reserva Ambiental - CRA</p><p>A Cota de Reserva Ambiental - CRA, é um título nominativo representativo de área com vegetação nativa, existente ou</p><p>em processo de recuperação.</p><p>Lembre-se das seguintes características da Cota de Reserva Ambiental:</p><p>É um título de crédito nominativo, devendo ser emitido em nome de pessoa determinada;</p><p>A emissão da CRA depende do preenchimento de diversos requisitos;</p><p>A CRA deve ser registrada em até 30 dias contados da sua emissão;</p><p>A transmissão da CRA somente se aperfeiçoará quando registrado nos livros e registros próprios;</p><p>Se for utilizada para compensação de Reserva Legal, deve ser averbada tanto no imóvel onde se situa</p><p>a área excedente quanto na propriedade beneficiária.</p><p>56 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>como objetivo o desenvolvimento sustentável, esta Lei atenderá aos seguintes princípios:</p><p>I - afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de</p><p>vegetação nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema</p><p>3 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>climático, para o bem estar das gerações presentes e futuras;</p><p>II - reafirmação da importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais</p><p>formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da qualidade de vida da</p><p>população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia;</p><p>III - ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas, consagrando o compromisso do País com a</p><p>compatibilização e harmonização entre o uso produtivo da terra e a preservação da água, do solo e da vegetação;</p><p>IV - responsabilidade comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em colaboração com a sociedade</p><p>civil, na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções ecológicas e</p><p>sociais nas áreas urbanas e rurais;</p><p>V - fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da água, a</p><p>recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa;</p><p>VI - criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar a preservação e a recuperação da vegetação</p><p>nativa e para promover o desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis.</p><p>Já o artigo 2º mantém a impressão de a lei teria viés protetivo ao mencionar que as florestas existentes no território</p><p>nacional e as demais formas de vegetação nativa, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de</p><p>interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que a</p><p>legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem.</p><p>Resta claro que o texto parece indicar que o direito de propriedade, em tese, seria limitado pelas normas protetivas ao</p><p>meio ambiente, pois afinal estar-se-ia diante de uma das leis mais importantes em termos de proteção ambiental.</p><p>Todavia, a doutrina especializada afirma que o Códex tem perfil mais voltado aos interesses econômicos e menos</p><p>atento à efetiva e pronta proteção/recuperação do meio ambiente.</p><p>Em que pese a constitucionalidade do Código Florestal de 2012 já tenha sido reconhecida, importante debate surgiu</p><p>acerca de sua aplicação no tempo e a possibilidade de suas normas retroagirem para atingirem situações anteriores a</p><p>sua entrada em vigor.</p><p>A esse respeito, o Superior Tribunal de Justiça precisou se pronunciar porque diversos proprietários e possuidores de</p><p>áreas rurais começaram a buscar no Poder Judiciário a revisão de instrumentos jurídicos firmados sob a égide do velho</p><p>Código (ex.: compromisso de ajustamento de conduta), numa tentativa de adequá-los à nova lei. Essas revisões</p><p>comprovaram o caráter menos protetivo da atual legislação em comparação com a anterior.</p><p>Atento ao retrocesso gerado pela edição da Lei 12.651/12, o STJ tem decidido pela irretroatividade da nova lei,</p><p>impedindo que ela seja aplicada àquelas situações consolidadas sob a vigência do antigo Código. Dentro os</p><p>argumentos lançados pela Corte Superior para embasar a decisão de irretroatividade estão as garantias constitucionais</p><p>do ato jurídico perfeito, coisa julgada, direito adquirido, bem como o princípio da vedação ao retrocesso (AgInt no</p><p>Resp 1.759.746/SP).</p><p>Contudo, Gabriel Lino apresenta posicionamento no sentido de que se o novo Código Florestal trouxer nova exigência</p><p>ambiental que não existia durante a vigência da lei anterior, a nova legislação deve ser aplicada imediatamente.</p><p>Segundo o doutrinador, não se trataria de retroatividade, e sim de aplicação imediata como uma decorrência da</p><p>eficácia geral e irrestrita das leis. Ademais, o autor ainda lança mão de argumentos utilizados pelo próprio STJ no</p><p>sentido de que não existe direito adquirido a poluir e nem eficácia jurídica do fato consumado em matéria ambiental.</p><p>Ainda dentro do estudo das disposições gerais do Código Florestal, o artigo 2º, §2º, aduz que:</p><p>§ 2º As obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são transmitidas ao sucessor, de qualquer natureza, no</p><p>caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural.</p><p>Trata-se neste ponto de confirmar a natureza propter rem das obrigações ambientais, algo inerente à responsabilidade</p><p>civil ambiental. Aliás, a jurisprudência do STJ há tempos já havia se firmado nesse sentido, tendo inclusive havido a</p><p>edição da Súmula 623: as obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível cobrá-las do</p><p>proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor.</p><p>4 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>A título de exemplo, imagine que Joaquim era proprietário de uma fazenda na qual parte de sua área estava inserida em</p><p>uma APP (área de preservação permanente). Porém, ele realizou a derrubada ilegal de algumas árvores localizadas</p><p>nessa área, causando dano ambiental. Posteriormente, ele vende sua fazendo para Manoel que a adquire já com o dano</p><p>causado, mas desconhecendo a situação. Ao sofrer uma fiscalização do órgão ambiental competente e, constatado o</p><p>dano, o Poder Público resolve cobrar de Manoel a reparação pela degradação causada. Neste caso, em razão da</p><p>natureza propter rem da obrigação ambiental, ele não poderá alegar em sua defesa que o dano foi causado por</p><p>Joaquim, pois a Administração poderá cobrar a indenização do proprietário atual (Manoel) ou do anterior (Joaquim),</p><p>ficando a seu cargo a escolha.</p><p>OBS: cabe destacar que essa natureza propter rem só existe no âmbito da responsabilidade civil ambiental, pois</p><p>as responsabilidades administrativa e criminal não gozam dessa característica.</p><p>Encerrando o tópico introdutório, o artigo 3º da lei é norma de natureza explicativa responsável por trazer diversos</p><p>conceitos técnicos utilizados ao longo de seu texto. Como exemplos, citamos:</p><p>Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por:</p><p>I - Amazônia Legal: os Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e as regiões</p><p>situadas ao norte do paralelo 13º S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44º W, do</p><p>Estado do Maranhão;</p><p>IV - área rural consolidada: área de imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008, com</p><p>edificações, benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris, admitida, neste último caso, a adoção do regime de</p><p>pousio;</p><p>V - pequena propriedade ou posse rural familiar: aquela explorada mediante o trabalho pessoal do agricultor</p><p>familiar e empreendedor familiar rural, incluindo os assentamentos e projetos de reforma agrária, e que atenda ao</p><p>disposto no art. 3º da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006;</p><p>5 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Áreas de Preservação Permanente - APP</p><p>O conceito do instituto pode ser retirado do artigo 3º, II, do Código:</p><p>Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por:</p><p>II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função</p><p>ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo</p><p>gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;</p><p>Preliminarmente, recordemos que o artigo 225, § 1º, III, da Constituição Federal, estabelece como uma das</p><p>incumbências do Poder Público definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a</p><p>serem especialmente protegidos,</p><p>sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada</p><p>qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção.</p><p>Assim, os espaços ambientalmente protegidos, também chamados de espaços territoriais especialmente protegidos</p><p>(ETEP's), constituem importante ferramenta a serviço da proteção ambiental, além de serem um dos instrumentos da</p><p>Política Nacional do Meio Ambiente (art. 9º, VI, LPNMA).</p><p>Resumidamente, os espaços ambientalmente protegidos são partes de uma área nas quais o Poder Público institui um</p><p>regime jurídico mais protetivo com vistas à preservação dos atributos naturais existentes no local. Conforme a doutrina</p><p>de Édis Milaré, esses ETEP's podem ser agrupados em duas categorias:</p><p>A) ETEP's em sentido estrito = equivalem às Unidades de Conservação.</p><p>B) ETEP's em sentido lato = são as Áreas de Preservação Permanente e a Reserva Legal.</p><p>Gabriel Lino ensina que as áreas de preservação permanente são espaços especialmente protegidos definidos por</p><p>normas gerais e abstratas em função da presença de determinadas características naturais da área, de seu entorno ou</p><p>de elementos da natureza ali presentes.</p><p>Diante do exposto acima, podemos afirmar que uma área será considerada como APP em razão dos elementos ou</p><p>configurações naturais que possua, já estando essas definições pré-estabelecidas na própria lei. Como exemplo, uma</p><p>certa área poderá ser considerada como APP em virtude de rios ou nascentes existentes no local.</p><p>Como as APP's já estão previamente definidas na lei, bastando que a região apresente as características pré-fixadas</p><p>pelo legislador, o responsável pela proteção ambiental, isto é, o destinatário da norma é irrelevante, daí porque se</p><p>afirma que as APP's são definidas por normas gerais. Da mesma forma, a localização da área também é irrelevante para</p><p>fins de configuração da APP, desde que os atributos exigidos estejam presentes, e por tal motivo, afirma-se que as</p><p>APP's são definidas por normas abstratas.</p><p>A partir do momento em que a APP resta configurada, o regime jurídico geral é trazido pelo artigo 7º do Código</p><p>Florestal:</p><p>Art. 7º A vegetação situada em Área de Preservação Permanente deverá ser mantida pelo proprietário da área,</p><p>possuidor ou ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado.</p><p>§ 1º Tendo ocorrido supressão de vegetação situada em Área de Preservação Permanente, o proprietário da área,</p><p>possuidor ou ocupante a qualquer título é obrigado a promover a recomposição da vegetação, ressalvados os usos</p><p>autorizados previstos nesta Lei.</p><p>§ 2º A obrigação prevista no § 1º tem natureza real e é transmitida ao sucessor no caso de transferência de domínio</p><p>ou posse do imóvel rural.</p><p>§ 3º No caso de supressão não autorizada de vegetação realizada após 22 de julho de 2008, é vedada a concessão</p><p>de novas autorizações de supressão de vegetação enquanto não cumpridas as obrigações previstas no § 1º.</p><p>6 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Em suma, o regime jurídico dessas áreas é eminentemente protetivo, devendo haver a preservação da respectiva</p><p>vegetação nativa. Na hipótese de já ter ocorrido a supressão da vegetação, o dano ambiental deverá ser reparado</p><p>através da recomposição da área, sendo que essa obrigação apresenta caráter propter rem (obrigação real - § 2º),</p><p>acompanhando a coisa com quem quer que ela esteja. Portanto, não pode o atual proprietário da área alegar em sua</p><p>defesa que a supressão da vegetação foi realizada pelo antigo dono, pois como já visto, o Poder Público poderá</p><p>escolher de quem irá exigir a reparação do dano.</p><p>Apesar desse regime jurídico protetivo, o próprio Código Florestal admite excepcionalmente a intervenção ou</p><p>supressão de vegetação nativa em área de preservação permanente em alguns casos:</p><p>Art. 8º A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas</p><p>hipóteses de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei.</p><p>§ 1º A supressão de vegetação nativa protetora de nascentes, dunas e restingas somente poderá ser autorizada em</p><p>caso de utilidade pública.</p><p>§ 2º A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente de que tratam os incisos VI</p><p>e VII do caput do art. 4º poderá ser autorizada, excepcionalmente, em locais onde a função ecológica do manguezal</p><p>esteja comprometida, para execução de obras habitacionais e de urbanização, inseridas em projetos de regularização</p><p>fundiária de interesse social, em áreas urbanas consolidadas ocupadas por população de baixa renda.</p><p>§ 3º É dispensada a autorização do órgão ambiental competente para a execução, em caráter de urgência, de</p><p>atividades de segurança nacional e obras de interesse da defesa civil destinadas à prevenção e mitigação de acidentes</p><p>em áreas urbanas.</p><p>§ 4º Não haverá, em qualquer hipótese, direito à regularização de futuras intervenções ou supressões de vegetação</p><p>nativa, além das previstas nesta Lei.</p><p>Art. 9º É permitido o acesso de pessoas e animais às Áreas de Preservação Permanente para obtenção de água e para</p><p>realização de atividades de baixo impacto ambiental.</p><p>Diante da sistemática apresentada pela lei, podemos resumir as hipóteses de intervenção nas áreas de APP em 3</p><p>situações:</p><p>Utilidade Pública;</p><p>Interesse Social;</p><p>Baixo Impacto Ambiental.</p><p>Cada uma das circunstâncias acima está definida no artigo 3º do Código, havendo um extenso rol de hipóteses que</p><p>podem configurar cada uma delas - ex.: atividades de segurança nacional e proteção sanitária são situações de utilidade</p><p>pública (art. 3º, VIII, "a"), combate e controle do fogo configuram hipótese de interesse social (art. 3º, IX, "a"),</p><p>implantação de trilhas para o desenvolvimento do ecoturismo caracteriza atividade de baixo impacto ambiental (art. 3º,</p><p>X, "c") e assim por diante.</p><p>Segundo a doutrina, em regra essas atividades descritas pelo artigo 3º devem ser autorizadas pelo órgão ambiental</p><p>competente, o que significa que a configuração da exceção legal deve ser submetida à análise do Poder Público. Essa</p><p>conclusão é retirada de uma interpretação a contrario sensu do artigo 8º, §3º, pois se a norma determina que é</p><p>dispensada a autorização do órgão ambiental competente para a execução, em caráter de urgência, de atividades de</p><p>segurança nacional e obras de interesse da defesa civil destinadas à prevenção e mitigação de acidentes em áreas</p><p>urbanas, então é possível entender que em todas as demais situações se faz necessária a autorização do respectivo</p><p>órgão.</p><p>É certo que o Código Florestal é a norma geral que trata a respeito da definição das APP's, mas existem outras leis que</p><p>também se debruçam sobre o mesmo assunto, podendo ocorrer algumas antinomias conforme o caso concreto. No</p><p>julgamento do Recurso Especial 1.546.415/SC o Superior Tribunal de Justiça analisou um aparente conflito entre</p><p>norma constante do Código Florestal e norma existente na Lei de Parcelamento do Solo Urbano. No caso em tela, o</p><p>STJ decidiu pela prevalência da regra constante do Código em razão do princípio da especialidade.</p><p>7 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Contudo, a doutrina adverte que a decisão do STJ deve ser interpretada com algumas ressalvas, isso porque é possível</p><p>que outra norma apresente conteúdo mais protetivo que o Código Florestal, devendo então prevalecer por ser mais</p><p>benéfica ao meio ambiente.</p><p>Passando para o estudo das hipóteses de configuração das APP's, é possível classificá-las em 3 categorias de acordo</p><p>com o elemento da natureza responsável por sua caracterização:</p><p>APP's para proteção das águas - ar�go 4º, I, II, III e IV</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>I - as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e</p><p>intermitente, excluídos os efêmeros, desde a</p><p>borda da calha do leito regular, em largura mínima de:</p><p>a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;</p><p>b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;</p><p>c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;</p><p>d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de</p><p>largura;</p><p>e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;</p><p>Um curso d'água é um corpo de água corrente que se revela na superfície - ex.: rios são cursos d'água. No caso do</p><p>inciso I, a APP corresponderá à margem do corpo de água, cujo tamanho varia conforme a largura deste.</p><p>Por exemplo, se um rio tiver largura menor que 10 metros, a faixa marginal que corresponde à APP terá 30 metros.</p><p>Observe a imagem abaixo:</p><p>8 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Para fins de medição, a APP começa da borda da calha do leito regular. Esta previsão é criticada pela doutrina porque</p><p>a área do leito do rio varia de acordo com períodos de cheia e seca. No antigo Código Florestal a regra era diferente,</p><p>pois a APP era demarcada desde o maior leito sazonal, o que conduzia a uma maior proteção ambiental. Conclui-se,</p><p>portanto, que a nova norma trazida pelo atual Código é menos protetiva, razão pela qual foi questionada perante o STF</p><p>através da ADI 4903, mas acabou a Suprema Corte decidindo pela constitucionalidade do novel dispositivo.</p><p>Outro ponto extremamente criticado é o fato do artigo 4º, I, expressamente excluir da proteção os cursos d'água</p><p>efêmeros, deixando apenas os perenes e intermitentes sob o manto protetivo em análise. A título de esclarecimento, o</p><p>Decreto nº 7.830/12, em seu artigo 2º, explica que:</p><p>A) Rio efêmero = é o corpo de água lótico (água em movimento) que possui escoamento superficial apenas durante</p><p>ou imediatamente após períodos de precipitação.</p><p>B) Rio perene = é o corpo de água lótico que possui naturalmente escoamento superficial durante todo o período do</p><p>ano.</p><p>C) Rio intermitente = é o corpo de água lótico que naturalmente não apresenta escoamento superficial por períodos</p><p>do ano.</p><p>Avançando no estudo das APP's protetoras de águas, temos:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>II - as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de:</p><p>a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20 (vinte) hectares de superfície, cuja</p><p>faixa marginal será de 50 (cinquenta) metros;</p><p>b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;</p><p>9 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Neste inciso o tamanho da faixa da APP varia conforme a localização da área. Observe:</p><p>Lago ou lagoa localizados em zona rural:</p><p>Corpo d'água com área de superfície de até 20 hectares = faixa de APP de 50 metros.</p><p>Corpo d'água com área de superfície maior que 20 hectares = faixa de APP de 100 metros.</p><p>Lago ou lagoa localizados em zona urbana:</p><p>Faixa de APP sempre de 30 metros.</p><p>A imagem abaixo ajudará a ilustrar:</p><p>Cabe destacar que a regra contida no inciso II do artigo 4º apenas se aplica para acumulações de água que sejam</p><p>naturais.</p><p>Passando para a terceira hipótese de APP protetora de águas:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>III - as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de barramento ou represamento de cursos</p><p>d’água naturais, na faixa definida na licença ambiental do empreendimento;</p><p>Por sua vez, o inciso III se aplica para as acumulações de água artificiais, com a peculiaridade de que neste caso o</p><p>tamanho da APP será definido na respectiva licença ambiental. Entretanto, o artigo 5º do Código trouxe alguns</p><p>parâmetros que devem ser observados pelo órgão licenciador:</p><p>10 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Art. 5º Na implantação de reservatório d’água artificial destinado a geração de energia ou abastecimento público, é</p><p>obrigatória a aquisição, desapropriação ou instituição de servidão administrativa pelo empreendedor das Áreas de</p><p>Preservação Permanente criadas em seu entorno, conforme estabelecido no licenciamento ambiental, observando-se</p><p>a faixa mínima de 30 (trinta) metros e máxima de 100 (cem) metros em área rural, e a faixa mínima de 15 (quinze)</p><p>metros e máxima de 30 (trinta) metros em área urbana.</p><p>§ 1º Na implantação de reservatórios d’água artificiais de que trata o caput , o empreendedor, no âmbito do</p><p>licenciamento ambiental, elaborará Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório, em</p><p>conformidade com termo de referência expedido pelo órgão competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente -</p><p>Sisnama, não podendo o uso exceder a 10% (dez por cento) do total da Área de Preservação Permanente.</p><p>§ 2º O Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial, para os empreendimentos licitados</p><p>a partir da vigência desta Lei, deverá ser apresentado ao órgão ambiental concomitantemente com o Plano Básico</p><p>Ambiental e aprovado até o início da operação do empreendimento, não constituindo a sua ausência impedimento</p><p>para a expedição da licença de instalação.</p><p>Os parágrafos 1º e 4º do artigo 4º também trazem normas a serem observadas:</p><p>§ 1º Não será exigida Área de Preservação Permanente no entorno de reservatórios artificiais de água que não</p><p>decorram de barramento ou represamento de cursos d’água naturais.</p><p>§ 4º Nas acumulações naturais ou artificiais de água com superfície inferior a 1 (um) hectare, fica dispensada a reserva</p><p>da faixa de proteção prevista nos incisos II e III do caput , vedada nova supressão de áreas de vegetação nativa, salvo</p><p>autorização do órgão ambiental competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama.</p><p>Finalmente, a última hipótese caracterizadora de APP protetora das águas vem prevista pelo inciso IV do artigo 4º:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>IV - as áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua situação topográfica, no</p><p>raio mínimo de 50 (cinquenta) metros;</p><p>Novamente devemos nos socorrer das explicações constantes do artigo 3º do Código, pois ele define o que se entende</p><p>por nascente e olho d'água:</p><p>A) Nascente = é o afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade e dá início a um curso d’água.</p><p>B) Olho d'água = é o afloramento natural do lençol freático, mesmo que intermitente.</p><p>Embora semelhantes, pois ambos são afloramentos naturais do lençol freático, os conceitos não se confundem. Veja:</p><p>Nascente é sempre perene e dá início a um curso d'água.</p><p>Olho d'água pode ser intermitente e não necessariamente dá início a curso d'água.</p><p>Assim, as APP's são as faixas localizadas no entorno das nascentes e dos olhos d'água perenes. Observe a imagem</p><p>abaixo para melhor compreensão:</p><p>11 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>O problema é que neste dispositivo o Código deixou de fora da proteção aquelas áreas localizadas no entorno de</p><p>afloramentos que não se enquadrem nos conceitos de nascente e olho d'água mencionados (ex.: nascentes</p><p>intermitentes) que eram protegidas pelo revogado Códex. Novamente estamos diante de norma menos protetiva,</p><p>tendo sua constitucionalidade sido questionada perante o Supremo Tribunal Federal em diversas ADI's.</p><p>Ao analisar o tema, o STF deu</p><p>interpretação conforme a Constituição ao artigo 3º, XVII, e ao artigo 4º, IV, do atual</p><p>Código Florestal e fixou o entendimento de que os entornos das nascentes e dos olhos d'água intermitentes também</p><p>caracterizam APP (ADI's 4901, 4902, 4903 e 4937).</p><p>APP's protetoras do relevo - ar�go 4º, V, VIII, IX e X</p><p>Nesta segunda categoria estão aquelas APP's definidas em razão do relevo acidentado do local ou região.</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>V - as encostas ou partes destas com declividade superior a 45º , equivalente a 100% (cem por cento) na linha de</p><p>maior declive;</p><p>Esta hipótese é de difícil explicação, mas para evitar a mera transcrição do dispositivo legal, vejamos a imagem</p><p>ilustrativa abaixo:</p><p>12 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>13 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Na imagem também consta ilustração de algumas áreas consideradas como reserva legal, assunto este que será</p><p>abordado na sequência. Infelizmente é preciso lembrar para as provas o conteúdo do inciso, mas acredita-se que com a</p><p>imagem a memorização ficará mais fácil, sobretudo em relação à angulação do declive mencionada pela lei.</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>VIII - as bordas dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem)</p><p>metros em projeções horizontais;</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>IX - no topo de morros, montes, montanhas e serras, com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média</p><p>maior que 25º , as áreas delimitadas a partir da curva de nível correspondente a 2/3 (dois terços) da altura mínima</p><p>14 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>da elevação sempre em relação à base, sendo esta definida pelo plano horizontal determinado por planície ou</p><p>espelho d’água adjacente ou, nos relevos ondulados, pela cota do ponto de sela mais próximo da elevação;</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>X - as áreas em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação;</p><p>15 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>O professor Gabriel Lino explica que esta segunda categoria de APP (em função do relevo) estabelece importante</p><p>proteção que se dá em função do relevo acidentado dessas áreas. A existência de vegetação nativa nessas áreas</p><p>cumpre uma série de funções, dentre as quais se destaca a de propiciar lenta, perene e proporcional infiltração de</p><p>águas, com a consequente preservação do solo e da estabilidade geológica, a fim de se evitarem deslocamentos e</p><p>deslizamentos de grandes quantidades de terra.</p><p>APP's protetoras de ecossistemas específicos - ar�go 4º, VI, VII e XI</p><p>Finalmente, a última categoria de APP foi criada para tutelar alguns ecossistemas escolhidos pelo legislador como</p><p>merecedores dessa proteção.</p><p>O primeiro ecossistema é a conhecida restinga. Vejamos:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>VI - as restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;</p><p>Nos termos do artigo 3º, XVI, do Código Florestal, a restinga é o depósito arenoso paralelo à linha da costa, de forma</p><p>geralmente alongada, produzido por processos de sedimentação, onde se encontram diferentes comunidades que</p><p>recebem influência marinha, com cobertura vegetal em mosaico, encontrada em praias, cordões arenosos, dunas e</p><p>depressões, apresentando, de acordo com o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, este último mais</p><p>interiorizado.</p><p>As restingas foram eleitas para serem protegidas através do regime das APP's por conta de sua função de fixação e</p><p>estabilização de dunas e de manguezais. Contudo, perceba que o Código Florestal em si não trouxe regras sobre a</p><p>delimitação das APP's neste caso, devendo ainda ser aplicada a Resolução nº 303/02 do CONAMA:</p><p>Art. 3º Constitui Área de Preservação Permanente a área situada:</p><p>IX - nas restingas:</p><p>a) em faixa mínima de trezentos metros, medidos a partir da linha de preamar máxima;</p><p>b) em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por vegetação com função fixadora de dunas ou</p><p>estabilizadora de mangues;</p><p>Em que pese ainda haja divergência quanto à aplicação da mencionada resolução, por ser esta anterior ao Código atual,</p><p>parece prevalecer o entendimento de que ela ainda deve ser aplicada porque a nova legislação não trouxe alterações</p><p>significativas quanto à previsão das restingas como APP's.</p><p>Embora já tenha sido colacionada a imagem, pedimos licença ao aluno para novamente trazer a ilustração a seguir, pois</p><p>é importante para visualização das restingas:</p><p>16 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>17 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Continuando o presente estudo, o próximo ecossistema são os manguezais:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>VII - os manguezais, em toda a sua extensão;</p><p>Dispõe o artigo 3º, XIII, do Código Florestal que o manguezal é o ecossistema litorâneo que ocorre em terrenos baixos,</p><p>sujeitos à ação das marés, formado por vasas lodosas recentes ou arenosas, às quais se associa, predominantemente, a</p><p>vegetação natural conhecida como mangue, com influência fluviomarinha, típica de solos limosos de regiões estuarinas e</p><p>com dispersão descontínua ao longo da costa brasileira, entre os Estados do Amapá e de Santa Catarina.</p><p>Diversas espécies vegetais compõem os manguezais, assim como bancos de lama/sal, salinas e pântanos salinos.</p><p>Tecnicamente, os apicuns também integram os manguezais, sendo definidos pelo mesmo artigo 3º como áreas de</p><p>solos hipersalinos situadas nas regiões entremarés superiores, inundadas apenas pelas marés de sizígias, que</p><p>apresentam salinidade superior a 150 (cento e cinquenta) partes por 1.000 (mil), desprovidas de vegetação vascular.</p><p>Todavia, parece que o Código Florestal optou por deixá-los de fora do regime jurídico das APP's, pois não estão</p><p>expressamente previstos pelo artigo 4º, VII. Isso não significa que eles não gozam de qualquer proteção, uma vez que o</p><p>artigo 11-A da lei prevê um regime de exploração sustentável, ainda que não integrante das áreas de preservação</p><p>permanente.</p><p>Apenas para complementar o estudo, eis uma ilustração de manguezal:</p><p>18 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Encerrando o estudo das áreas de preservação permanente, temos por fim as APP's de veredas:</p><p>Art. 4º Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:</p><p>XI - em veredas, a faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de 50 (cinquenta) metros, a partir</p><p>do espaço permanentemente brejoso e encharcado.</p><p>O Código conceitua as veredas como sendo fitofisionomia de savana, encontrada em solos hidromórficos, usualmente</p><p>com a palmeira arbórea Mauritia flexuosa - buriti emergente, sem formar dossel, em meio a agrupamentos de espécies</p><p>arbustivo-herbáceas.</p><p>A título de observação, solos hidromórficos</p><p>são aqueles localizados no entorno de rios e lagos, cuja fertilidade varia</p><p>segundo a umidade da região.</p><p>As APP's de veredas podem ser ilustradas da seguinte forma:</p><p>19 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Muito comuns no Cerrado, as veredas se localizam próximas às nascentes e têm importante função de contribuir para a</p><p>regularidade dos cursos d'água.</p><p>(FEPESE - Companhia Águas de Joinville - 2023) O novo Código Florestal, instituído pela Lei Federal nº 12.651,</p><p>de 25 de maio de 2012, em seu art. 3º define Área de Preservação Permanente-APP como sendo uma área</p><p>protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a</p><p>paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e</p><p>assegurar o bem-estar das populações humanas.</p><p>Com relação à delimitação das áreas de preservação permanente em áreas rurais ou urbanas, no art. 4º, Item I,</p><p>de sua versão oficial atualizada, define que as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e</p><p>intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de:</p><p>A) 50 metros, para os cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura.</p><p>B) 30 metros, para os cursos d’água que tenham de 10 a 50 metros de largura.</p><p>C) 100 metros, para os cursos d’água que tenham de 200 a 600 metros de largura.</p><p>D) 30 metros, para os cursos d’água de menos de 10 metros de largura.</p><p>20 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>E) 200 metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 metros.</p><p>Comentário:</p><p>A questão exige a memorização das larguras mínimas das faixas de APP constantes do inciso I do artigo 4º do Código</p><p>Florestal. Trata-se de espécie de APP protetora de águas nas quais são consideradas áreas de preservação permanente</p><p>as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da</p><p>calha do leito regular, em largura mínima de:</p><p>a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;</p><p>b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;</p><p>c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;</p><p>d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de</p><p>largura;</p><p>e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;</p><p>Portanto, a única alternativa que contém a largura correta é a letra "d", estando todas as demais equivocadas conforme</p><p>demonstrado acima.</p><p>Gabarito: alternativa "D"</p><p>21 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Reserva Legal</p><p>A Reserva Legal também constitui uma espécie de espaço ambientalmente protegido (ETEP em sentido lato), mas que</p><p>não se confunde com a área de preservação permanente. Nos termos do artigo 3º, III, do Código Florestal, a reserva</p><p>legal é definida como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12,</p><p>com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a</p><p>conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e</p><p>a proteção de fauna silvestre e da flora nativa.</p><p>De forma bastante objetiva, Gabriel Lino ensina que a Reserva Legal constitui o percentual de todo imóvel rural que</p><p>deve abrigar vegetação nativa, não se confundindo com as áreas de preservação permanente.</p><p>Segundo o artigo 12 do Código, todo imóvel rural deve possuir uma porcentagem de sua área destinada à Reserva</p><p>Legal. Esse percentual varia de acordo com a região do país e do bioma de que se trata. Vejamos:</p><p>Art. 12. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo</p><p>da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos em</p><p>relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei:</p><p>I - localizado na Amazônia Legal:</p><p>a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;</p><p>b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;</p><p>c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;</p><p>II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).</p><p>A Reserva Legal tem natureza de limitação administrativa. Ela é geral, gratuita e possui finalidade pública porque é</p><p>fixada pela lei com o objetivo de condicionar o uso da propriedade em benefício do interesse público. Nas lições de</p><p>Marcelo Abelha, o instituto da Reserva Legal tem relação direta com o princípio constitucional da função</p><p>socioambiental da propriedade privada.</p><p>Em que pese a regra geral seja a obrigatoriedade da Reserva Legal, o próprio Código contém dispositivos que a</p><p>excepcionam, vale dizer, dispensam a sua criação. O próprio artigo 12 em seu caput já traz uma primeira exceção, qual</p><p>seja, as áreas consolidadas (art. 68).</p><p>Também podemos encontrar exceções nos parágrafos 6º a 8º do artigo 12:</p><p>§ 6º Os empreendimentos de abastecimento público de água e tratamento de esgoto não estão sujeitos à</p><p>constituição de Reserva Legal.</p><p>§ 7º Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas por detentor de concessão,</p><p>permissão ou autorização para exploração de potencial de energia hidráulica, nas quais funcionem empreendimentos</p><p>de geração de energia elétrica, subestações ou sejam instaladas linhas de transmissão e de distribuição de energia</p><p>elétrica.</p><p>§ 8º Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas com o objetivo de implantação e</p><p>ampliação de capacidade de rodovias e ferrovias.</p><p>Essas 3 exceções estão relacionadas ao interesse público na prestação de alguns serviços básicos, tendo a lei</p><p>considerado que o interesse no fornecimento desses serviços deve sobressair em relação à manutenção do equilíbrio</p><p>ecológico, premissa esta criticada por alguns doutrinadores porque a qualidade de vida depende do referido equilíbrio.</p><p>De outro lado, enquanto as exceções configuram hipóteses de dispensa da Reserva Legal, há ainda casos de</p><p>flexibilização nos quais será possível ampliar ou reduzir os percentuais contidos no artigo 12 acima transcrito.</p><p>22 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Provavelmente o Código previu essas flexibilizações porque alguns percentuais são extremamente elevados, como no</p><p>caso de imóveis rurais localizados na Amazônia Legal e situados em áreas de florestas, em que 80% do bem deve ser</p><p>destinado à Reserva Legal, apesar de tal percentual se justificar diante da necessidade de evitar o desmatamento e</p><p>proteger a formação florestal.</p><p>Conforme o artigo 12, § 2º:</p><p>§ 2º O percentual de Reserva Legal em imóvel situado em área de formações florestais, de cerrado ou de campos gerais</p><p>na Amazônia Legal será definido considerando separadamente os índices contidos nas alíneas a, b e c do inciso I</p><p>do caput.</p><p>É preciso ter em mente que alguns imóveis são bastante extensos, podendo suas terras ocupar simultaneamente áreas</p><p>de formação florestal, cerrado e campos gerais na Amazônia Legal. Como o parágrafo 2º determina que os índices</p><p>deverão ser considerados separadamente, isso significa que um mesmo imóvel pode ter percentuais diferentes de</p><p>Reserva Legal, dependendo do respectivo bioma.</p><p>Outra hipótese de flexibilização é aquela contida no parágrafo 1º do artigo 12:</p><p>§ 1º Em caso de fracionamento do</p><p>imóvel rural, a qualquer título, inclusive para assentamentos pelo Programa de</p><p>Reforma Agrária, será considerada, para fins do disposto do caput , a área do imóvel antes do fracionamento.</p><p>Nessa situação o Código procurou impedir o fracionamento da própria Reserva Legal em tendo por base aquilo que é</p><p>mais benéfico para o meio ambiente. Por mais que, do ponto de vista matemático, uma Reserva Legal de 35% de uma</p><p>única área não seja muito diferente de uma de 35% de 10 partes diferentes da mesma área, certamente o primeiro caso</p><p>será melhor do ponto de vista qualitativo.</p><p>Nos casos da alínea a do inciso I, o poder público poderá reduzir a Reserva Legal para até 50% (cinquenta por cento),</p><p>para fins de recomposição, quando o Município tiver mais de 50% (cinquenta por cento) da área ocupada por unidades</p><p>de conservação da natureza de domínio público e por terras indígenas homologadas (art. 12, § 4º).</p><p>Perceba que a redução da Reserva Legal dependerá da presença de dois requisitos cumulativos:</p><p>Recomposição da área (o que pressupõe que o imóvel esteja sem a integralidade da Reserva Legal);</p><p>Mais de 50% da área do município no qual o imóvel está localizado deve ser ocupada por unidades de</p><p>conservação de domínio público e por terras indígenas homologadas.</p><p>O artigo 12, § 5º, contém hipótese semelhante à anterior:</p><p>§ 5º Nos casos da alínea a do inciso I, o poder público estadual, ouvido o Conselho Estadual de Meio Ambiente, poderá</p><p>reduzir a Reserva Legal para até 50% (cinquenta por cento), quando o Estado tiver Zoneamento Ecológico-</p><p>Econômico aprovado e mais de 65% (sessenta e cinco por cento) do seu território ocupado por unidades de</p><p>conservação da natureza de domínio público, devidamente regularizadas, e por terras indígenas homologadas.</p><p>Embora parecidas, algumas diferenças entre as normas dos parágrafos 4º e 5º são dignas de nota:</p><p>No caso do § 5º, a redução da RL não está condicionada à recomposição da área (no § 4º está);</p><p>A norma do § 5º é voltada aos Estados que tenham ZEE aprovado e mais de 65% do território ocupado por</p><p>unidades de conservação de domínio público, devidamente regularizadas, e por terras indígenas</p><p>homologadas (no § 4º a porcentagem é 50%);</p><p>O § 5º exige a oitiva do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA).</p><p>Suponha que um município cumpra os requisitos do parágrafo 4º, mas esteja inserido num Estado que atenda também</p><p>as exigências do parágrafo 5º. Poderá haver a aplicação conjunta das duas normas para uma maior redução da Reserva</p><p>23 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Legal? A resposta é negativa porque em tais situações só poderá ser aplicada a norma do parágrafo 5º em razão de sua</p><p>especificidade.</p><p>Avançando no presente estudo, o artigo 13 do Código Florestal ainda apresenta mais duas hipóteses de flexibilização:</p><p>Art. 13. Quando indicado pelo Zoneamento Ecológico-Econômico - ZEE estadual, realizado segundo metodologia</p><p>unificada, o poder público federal poderá:</p><p>I - reduzir, exclusivamente para fins de regularização, mediante recomposição, regeneração ou compensação da</p><p>Reserva Legal de imóveis com área rural consolidada, situados em área de floresta localizada na Amazônia Legal, para</p><p>até 50% (cinquenta por cento) da propriedade, excluídas as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e dos</p><p>recursos hídricos e os corredores ecológicos;</p><p>II - ampliar as áreas de Reserva Legal em até 50% (cinquenta por cento) dos percentuais previstos nesta Lei, para</p><p>cumprimento de metas nacionais de proteção à biodiversidade ou de redução de emissão de gases de efeito estufa.</p><p>§ 1º No caso previsto no inciso I do caput , o proprietário ou possuidor de imóvel rural que mantiver Reserva Legal</p><p>conservada e averbada em área superior aos percentuais exigidos no referido inciso poderá instituir servidão ambiental</p><p>sobre a área excedente, nos termos da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, e Cota de Reserva Ambiental.</p><p>§ 2º Os Estados que não possuem seus Zoneamentos Ecológico-Econômicos - ZEEs segundo a metodologia unificada,</p><p>estabelecida em norma federal, terão o prazo de 5 (cinco) anos, a partir da data da publicação desta Lei, para a sua</p><p>elaboração e aprovação.</p><p>Destaque-se que as hipóteses de redução e ampliação do artigo 13 dependem da realização do chamado Zoneamento</p><p>Ecológico-Econômico (ZEE) pelos Estados. Este instrumento consiste no planejamento do território visando a</p><p>compatibilização das atividades econômicas com o meio ambiente. Em última análise, o Código deseja compelir os</p><p>Estados a implementarem esse mecanismo porque ele contribui para a identificação e localização da vegetação nativa</p><p>do país. Nesse sentido, o parágrafo 2º ainda estabelece um prazo de 5 anos para elaboração e aprovação do ZEE pelos</p><p>Estados.</p><p>Passando para a análise da localização da Reserva Legal, é preciso identificar exatamente em que parte do imóvel</p><p>rural ela será fixada, ou seja, em que área do imóvel incidirá o percentual correspondente à Reserva Legal?</p><p>Sobre o tema, o artigo 14, §1º, do Código Florestal prevê que ficará a cargo do órgão estadual integrante do</p><p>SISNAMA (ou instituição por ele habilitada) definir a localização da RL. Essa definição será feita com base em critérios</p><p>fornecidos pelo próprio artigo 14:</p><p>Art. 14. A localização da área de Reserva Legal no imóvel rural deverá levar em consideração os seguintes estudos e</p><p>critérios:</p><p>I - o plano de bacia hidrográfica;</p><p>II - o Zoneamento Ecológico-Econômico</p><p>III - a formação de corredores ecológicos com outra Reserva Legal, com Área de Preservação Permanente, com</p><p>Unidade de Conservação ou com outra área legalmente protegida;</p><p>IV - as áreas de maior importância para a conservação da biodiversidade; e</p><p>V - as áreas de maior fragilidade ambiental.</p><p>§ 1º O órgão estadual integrante do Sisnama ou instituição por ele habilitada deverá aprovar a localização da</p><p>Reserva Legal após a inclusão do imóvel no CAR, conforme o art. 29 desta Lei.</p><p>§ 2º Protocolada a documentação exigida para a análise da localização da área de Reserva Legal, ao proprietário</p><p>ou possuidor rural não poderá ser imputada sanção administrativa, inclusive restrição a direitos, por qualquer</p><p>órgão ambiental competente integrante do Sisnama, em razão da não formalização da área de Reserva Legal.</p><p>Veja que o imóvel rural também deverá ser incluído no Cadastro Ambiental Rural (CAR).</p><p>24 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Já o parágrafo 2º dispõe sobre a frequente demora dos órgãos ambientais em aprovar a localização da RL, e determina</p><p>que o proprietário do imóvel não pode ser apenado por algo que é imputável exclusivamente ao Poder Público, desde</p><p>que não haja má-fé por parte desse proprietário (ex.: simulação de um protocolo).</p><p>Merece alguns comentários a previsão do artigo 15 do Código em relação ao cômputo da APP no percentual da</p><p>Reserva Legal. Façamos primeiro a leitura do texto legal:</p><p>Art. 15. Será admitido o cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do</p><p>imóvel, desde que:</p><p>I - o benefício previsto neste artigo não implique a conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo;</p><p>II - a área a ser computada esteja conservada ou em processo de recuperação, conforme comprovação do</p><p>proprietário ao órgão estadual integrante do Sisnama; e</p><p>III - o proprietário ou possuidor tenha requerido inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural - CAR, nos</p><p>termos desta Lei.</p><p>§ 1º O regime de proteção da Área de Preservação Permanente não se altera na hipótese prevista neste artigo.</p><p>Pois bem. Evidente que a Área de Preservação Permanente não se confunde com a Reserva Legal, afinal são institutos</p><p>com funções e regimes distintos. Contudo, é possível que um mesmo imóvel rural também esteja localizado, ao menos</p><p>em parte, em Área de Preservação Permanente, o que significa que além da obrigação de destinar</p><p>parte de sua área</p><p>para Reserva Legal, também sofrerá o regime protetivo típico das APP's. Nestes casos, o direito de propriedade do</p><p>particular correria o risco de ser totalmente esvaziado, então, resolveu o legislador permitir que se compute o</p><p>percentual de APP existente no imóvel rural para a formulação do cálculo da área necessária à instituição da Reserva</p><p>Legal, desde que preenchidos os requisitos elencados pelos incisos do artigo 15.</p><p>Em termos de proteção ambiental, pode-se considerar a norma como um retrocesso, sobretudo em comparação com</p><p>o antigo Código que determinava a soma das áreas de APP e Reserva Legal (salvo algumas exceções). Resumindo,</p><p>atualmente é possível unir as áreas de APP e Reserva Legal num mesmo espaço.</p><p>Diante das diferenças entre a APP e a Reserva Legal, o parágrafo 1º do artigo 15 deixa claro que havendo a junção das</p><p>duas áreas o regime jurídico da área de preservação permanente não será alterado.</p><p>Acontece que aqueles proprietários de imóveis rurais que sob a vigência do antigo Código Florestal cumpriam sua</p><p>determinação no sentido de manter em suas terras tanto áreas de APP como de Reserva Legal passaram a se encontrar</p><p>em situação de desvantagem frente aos proprietários que já começaram a utilizar o novo regramento trazido pela lei de</p><p>2012. Por isso, o parágrafo 2º do artigo 15 dispõe que o proprietário ou possuidor de imóvel com Reserva Legal</p><p>conservada e inscrita no Cadastro Ambiental Rural - CAR de que trata o art. 29, cuja área ultrapasse o mínimo</p><p>exigido pela lei, poderá utilizar a área excedente para fins de constituição de servidão ambiental, Cota de Reserva</p><p>Ambiental e outros instrumentos congêneres previstos no atual Código Florestal.</p><p>A norma busca "melhorar" a situação dos donos de imóveis rurais que seguiam o regime anterior através de alguns</p><p>institutos que permitem a obtenção de vantagens econômicas, como a servidão ambiental, dentre outros.</p><p>Por fim, diz o parágrafo 3º que o cômputo de que trata o artigo 15 aplica-se a todas as modalidades de cumprimento da</p><p>Reserva Legal, abrangendo a regeneração, a recomposição e a compensação. Entretanto, o parágrafo 4º dispensa a</p><p>aplicação do inciso I do caput do artigo, quando as Áreas de Preservação Permanente conservadas ou em processo de</p><p>recuperação, somadas às demais florestas e outras formas de vegetação nativa existentes em imóvel, ultrapassarem</p><p>80% do imóvel rural localizado em áreas de floresta na Amazônia Legal.</p><p>OBS: uso alternativo do solo: substituição de vegetação nativa e formações sucessoras por outras coberturas do</p><p>solo, como atividades agropecuárias, industriais, de geração e transmissão de energia, de mineração e de</p><p>transporte, assentamentos urbanos ou outras formas de ocupação humana (art. 3º, VI, Código Florestal).</p><p>Reforçando a norma prevista pelo artigo 2º, §2º, do Código, o artigo 17 estatui:</p><p>Art. 17. A Reserva Legal deve ser conservada com cobertura de vegetação nativa pelo proprietário do imóvel rural,</p><p>possuidor ou ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado.</p><p>25 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Neste ponto, reafirma-se a natureza propter rem da obrigação ambiental. Em igual sentido aponta a jurisprudência do</p><p>STJ:</p><p>5. Contudo, quanto ao recurso especial, nota-se que esta Corte Superior já pontuou que</p><p>não existe direito adquirido a poluir ou degradar o meio ambiente, a averbação da</p><p>reserva legal, no âmbito do Direito Ambiental, tem caráter meramente declaratório e a</p><p>obrigação de recuperar a degradação ambiental ocorrida na faixa da reserva legal</p><p>abrange aquele que é titular da propriedade do imóvel, mesmo que não seja de sua</p><p>autoria a deflagração do dano, tendo em consideração sua natureza propter rem (EDcl</p><p>nos EDcl no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.323.337 – SP).</p><p>Não obstante o regime jurídico protetivo típico da Reserva Legal, o artigo 17, § 1º, expressamente admite a exploração</p><p>econômica nessas áreas:</p><p>§ 1º Admite-se a exploração econômica da Reserva Legal mediante manejo sustentável, previamente aprovado</p><p>pelo órgão competente do Sisnama, de acordo com as modalidades previstas no art. 20.</p><p>Prevê o artigo 3º, VII, do Código que o manejo sustentável consiste na administração da vegetação natural para a</p><p>obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema</p><p>objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou</p><p>não, de múltiplos produtos e subprodutos da flora, bem como a utilização de outros bens e serviços.</p><p>O manejo sustentável é o instrumento que procura compatibilizar a exploração econômica nas áreas de Reserva Legal</p><p>com a preservação do meio ambiente, ou seja, ele irá disciplinar de que maneira essa exploração econômica poderá</p><p>ocorrer sem causar prejuízos ao meio ambiente.</p><p>Apesar da omissão legislativa, como a atividade a ser desenvolvida é passível de causar danos ambientais, deverá ser</p><p>realizado o licenciamento ambiental, cabendo, inclusive, a realização de EIA/RIMA, a depender do caso concreto.</p><p>Após o licenciamento, o plano de manejo poderá ser aprovado pelo órgão competente, nos termos do parágrafo 1º</p><p>acima transcrito.</p><p>Merece atenção o parágrafo 2º do artigo 17:</p><p>§ 2º Para fins de manejo de Reserva Legal na pequena propriedade ou posse rural familiar, os órgãos integrantes do</p><p>Sisnama deverão estabelecer procedimentos simplificados de elaboração, análise e aprovação de tais planos de</p><p>manejo.</p><p>Mesmo diante da existência de procedimentos simplificados para a pequena propriedade ou posse rural familiar, o</p><p>licenciamento ambiental ainda será exigido.</p><p>O Código Florestal prevê duas espécies de manejo sustentável, sendo elas:</p><p>A) Ausência de propósito comercial = quando a atividade a ser desenvolvida na área de Reserva Legal não tiver</p><p>propósito comercial será submetida a regime jurídico mais brando, pois a tendência é que o impacto ambiental seja</p><p>menor. Esta modalidade de manejo está prevista no artigo 23 da lei:</p><p>Art. 23. O manejo sustentável para exploração florestal eventual sem propósito comercial, para consumo no</p><p>próprio imóvel, independe de autorização dos órgãos competentes, devendo apenas ser declarados previamente</p><p>ao órgão ambiental a motivação da exploração e o volume explorado, limitada a exploração anual a 20 (vinte)</p><p>metros cúbicos.</p><p>Note que há uma limitação quanto à exploração (20 metros cúbicos), isso porque o impacto para o meio ambiente</p><p>tende a ser menor, mas não inexistente. Se ultrapassado este limite, deverá ser aplicado o regime mais severo a seguir.</p><p>B) Existência de fins comerciais = envolve regime jurídico mais severo e sempre depende de autorização do órgão</p><p>ambiental. Esta espécie de manejo vem descrita pelo artigo 22:</p><p>Art. 22. O manejo florestal sustentável da vegetação da Reserva Legal com propósito comercial depende de</p><p>autorização do órgão competente e deverá atender as seguintes diretrizes e orientações:</p><p>26 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>I - não descaracterizar a cobertura vegetal e não prejudicar a conservação da vegetação nativa da área;</p><p>II - assegurar a manutenção da diversidade das espécies;</p><p>III - conduzir o manejo de espécies exóticas com a adoção de medidas que favoreçam a regeneração de espécies</p><p>nativas.</p><p>Concluindo o ponto, o artigo 21 do Código ainda dispõe que:</p><p>Art. 21. É livre a coleta de produtos florestais não madeireiros, tais como frutos, cipós, folhas e sementes, devendo-</p><p>se observar:</p><p>I - os períodos de coleta e volumes fixados em regulamentos específicos, quando houver;</p><p>II - a época de maturação dos frutos e sementes;</p><p>III - técnicas que não coloquem em risco a sobrevivência de indivíduos e da espécie coletada no caso de coleta de</p><p>flores, folhas, cascas, óleos, resinas, cipós, bulbos, bambus e raízes.</p><p>Para</p><p>encerrar a disciplina da Reserva Legal, o último assunto a ser tratado refere-se ao registro da RL. Inicialmente,</p><p>esse registro deveria ser feito perante o Cartório de Registro de Imóveis, mas o alto custo da averbação sempre foi um</p><p>empecilho que muitas vezes tornava inviável a realização do registro. Cabe lembrar que esse registro servia para dar</p><p>publicidade à existência da RL, sobretudo para os novos adquirentes do imóvel rural.</p><p>Com o novo Código Florestal surgiu o Cadastro Ambiental Rural (CAR), cujo objetivo seria criar um cadastro de</p><p>registro de todas as propriedades rurais no país. Logo, o registro perante o Cartório passou a ser dispensado. Vejamos</p><p>o disposto no artigo 18:</p><p>Art. 18. A área de Reserva Legal deverá ser registrada no órgão ambiental competente por meio de inscrição no</p><p>CAR de que trata o art. 29, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou</p><p>de desmembramento, com as exceções previstas nesta Lei.</p><p>Pode-se dizer que o registro no CAR substituiu aquele feito perante o CRI. Neste ponto, não que se falar em diminuição</p><p>da proteção ambiental, uma vez que a simples alteração do órgão responsável pelo registro em nada altera a tutela do</p><p>meio ambiente. Perceba que o parágrafo 1º do artigo 18 traz a documentação necessária para se proceder ao registro</p><p>no CAR:</p><p>§ 1º A inscrição da Reserva Legal no CAR será feita mediante a apresentação de planta e memorial descritivo,</p><p>contendo a indicação das coordenadas geográficas com pelo menos um ponto de amarração, conforme ato do</p><p>Chefe do Poder Executivo.</p><p>Contudo, se o proprietário do imóvel rural já realizou o registro perante o Cartório, bastará apresentar ao órgão</p><p>ambiental competente a certidão de registro de imóveis sem precisar apresentar os documentos acima mencionados.</p><p>Sem prejuízo das explanações acima, o STJ ainda entende que a averbação da Reserva Legal perante o Cartório de</p><p>Registro de Imóveis continua sendo exigida para fins de concessão da isenção tributária do Imposto Territorial Rural</p><p>(ITR). Observe o trecho do julgado abaixo colacionado:</p><p>TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE</p><p>RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL.</p><p>NECESSIDADE. 1. A jurisprudência do STJ tem entendido que, quando se</p><p>trata da "área de reserva legal", é imprescindível a averbação da referida</p><p>área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado</p><p>ao ITR. 2. "É de afastar, ainda, argumento no sentido de que a averbação é</p><p>ato meramente declaratório, e não constitutivo, da reserva legal. Sem</p><p>dúvida, é assim: a existência da reserva legal não depende da</p><p>averbação para os fins do Código Florestal e da legislação</p><p>27 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>ambiental. Mas isto nada tem a ver com o sistema tributário</p><p>nacional. Para fins tributários, a averbação deve ser</p><p>condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva." (REsp</p><p>XXXXX/SC, Rel. p/ Acórdão Min. Mauro Campbell Marques, Segunda</p><p>Turma, julgado em 7/4/2011, DJe 17/5/2011). Agravo regimental</p><p>improvido. (STJ - AgRg no AREsp: 555.893/SC, Relator: Ministro</p><p>HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 02/10/2014, T2 -</p><p>SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 13/10/2014).</p><p>Apenas para complementar este material e enriquecer nosso estudo, deixamos abaixo transcrito os parágrafos 2º a 4º</p><p>do artigo 18 do Código:</p><p>§ 2º Na posse, a área de Reserva Legal é assegurada por termo de compromisso firmado pelo possuidor com o órgão</p><p>competente do Sisnama, com força de título executivo extrajudicial, que explicite, no mínimo, a localização da área de</p><p>Reserva Legal e as obrigações assumidas pelo possuidor por força do previsto nesta Lei.</p><p>§ 3º A transferência da posse implica a sub-rogação das obrigações assumidas no termo de compromisso de que trata</p><p>o § 2º.</p><p>§ 4º O registro da Reserva Legal no CAR desobriga a averbação no Cartório de Registro de Imóveis, sendo que, no</p><p>período entre a data da publicação desta Lei e o registro no CAR, o proprietário ou possuidor rural que desejar fazer a</p><p>averbação terá direito à gratuidade deste ato.</p><p>(AMEOSC - Prefeitura de Princesa - SC - 2023) "Quando indicado pelo Zoneamento Ecológico-Econômico - ZEE</p><p>estadual, realizado segundo metodologia unificada, o poder público federal poderá reduzir, exclusivamente</p><p>para fins de regularização, mediante recomposição, regeneração ou compensação da Reserva Legal de imóveis</p><p>com área rural consolidada, situados em área de floresta localizada na Amazônia Legal, para até _________ da</p><p>propriedade, excluídas as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos e os</p><p>corredores ecológicos".</p><p>Fonte: LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA que preenche a lacuna acima.</p><p>A) 70%</p><p>B) 30%</p><p>C) 25%</p><p>D) 50%</p><p>Comentário:</p><p>A questão cobra o conteúdo do artigo 13, I, do Código Florestal, que permite que o Poder Público reduza a área da</p><p>Reserva Legal para até 50% exclusivamente para fins de regularização, mediante recomposição, regeneração ou</p><p>compensação da Reserva Legal de imóveis com área rural consolidada, situados em área de floresta localizada na</p><p>Amazônia Legal, excluídas as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos e os</p><p>corredores ecológicos. Portanto, a única alternativa que apresenta o percentual de redução correto é a letra "d",</p><p>estando todas as demais incorretas.</p><p>Gabarito: alternativa "D"</p><p>Á</p><p>28 de 56 | www.direcaoconcursos.com.br</p><p>Conhecimentos Transversais para Analista do BNDES</p><p>Prof. Sergio Leite Alfieri Neto</p><p>Aula 18: Lei sobre a Proteção da Vegetação...</p><p>Proteção das Áreas Verdes Urbanas</p><p>O Código Florestal atentou-se ao fenômeno da expansão urbana e seus efeitos. Dentre eles, podemos apontar que o</p><p>aumento do perímetro urbano poderá acabar afetando imóveis rurais, bem como suas áreas de Reserva Legal. Melhor</p><p>explicando, uma propriedade rural acaba sendo extinta quando é inserida no perímetro urbana, o que</p><p>consequentemente leva à extinção da respectiva Reserva Legal também. Por tal motivo, a lei resolveu demonstrar certa</p><p>preocupação com a proteção das áreas verdes urbanas.</p><p>Dito isso, ainda que o imóvel rural seja inserido no perímetro urbano definido em lei municipal, isso por si só não</p><p>desobriga o proprietário ou posseiro de manter a área de Reserva Legal.</p><p>Conforme leciona a doutrina ambientalista, a RL só será extinta concomitantemente ao registro do parcelamento do</p><p>solo para fins urbanos, aprovado segundo legislação específica e de acordo com as diretrizes do Plano Diretor (art. 182,</p><p>§1º, CF). Segundo Abelha, não é a mera edição de lei municipal que decreta a extinção da Reserva Legal, mas o registro</p><p>do parcelamento do solo aprovado para fins urbanos e devidamente aprovado segundo os ditames legais.</p><p>No mais, o artigo 3º, XX, conceitua as áreas verdes urbanas como espaços, públicos ou privados, com predomínio de</p><p>vegetação, preferencialmente nativa, natural ou recuperada, previstos no Plano Diretor, nas Leis de Zoneamento</p><p>Urbano e Uso do Solo do Município, indisponíveis para construção de moradias, destinados aos propósitos de</p><p>recreação, lazer, melhoria da qualidade ambiental urbana, proteção dos recursos hídricos, manutenção ou</p><p>melhoria paisagística, proteção de bens e manifestações culturais.</p><p>Prevendo diversos instrumentos que podem ser usados pelo Poder Público municipal para proteger as áreas verdes,</p><p>temos o artigo 25 do Código:</p><p>Art. 25. O poder público municipal contará, para o estabelecimento de áreas verdes urbanas, com os seguintes</p><p>instrumentos:</p><p>I - o exercício do direito de preempção para aquisição de remanescentes florestais relevantes, conforme dispõe</p><p>a Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001;</p><p>II - a transformação das Reservas Legais em áreas verdes nas expansões urbanas</p><p>III - o estabelecimento de exigência de áreas verdes nos loteamentos, empreendimentos comerciais e na</p><p>implantação de infraestrutura; e</p><p>IV - aplicação em áreas verdes de recursos</p>