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GRATUITAESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SERCOMERCIALIZADA Esporte de Rendimento: desafios e oportunidades no âmbito escolar Mário Antônio de Moura Simim 6 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 83 ESPORTE 84 ESPORTE NA ESCOLA E ESPORTE DA ESCOLA 88 MODELO DE DESENVOLVIMENTO ESPORTIVO A LONGO PRAZO 89 CONCLUSÕES 945 83 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R APRESENTAÇÃO 1 Estamos iniciando o módulo 6 do nos-so curso e nele trabalharemos as re-lações entre esporte de rendimento e os desafios e as oportunidades no âm- bito escolar. Nos módulos anteriores foram discu- tidas questões sobre as políticas públicas para o esporte no Brasil (módulo 1), peda- gogia do esporte (módulo 2), projeto político pedagógico e o planejamento da educação física (módulo 3). Além disso, o módulo 4 forneceu informações sobre o esporte de participação, educacional, rendimento e de formação e o módulo 5 questões relativas à gestão multidisciplinar do esporte na escola. No decorrer deste módulo, discuti- remos os desafios e as oportunidades de desenvolvimento do esporte de rendi- mento no âmbito escolar. Inicialmente retomaremos os con- ceitos de esporte e de esporte de ren- dimento. Apresentaremos questões re- lativas ao esporte no contexto escolar, principalmente o que concerne a díade Esporte na escola x Esporte da Escola. Por fim, apresentaremos a proposta do modelo brasileiro de desenvolvimento esportivo do atleta a longo prazo. Ao final deste módulo, você terá de- senvolvido a competência de conhecer a proposta do modelo brasileiro de desen- volvimento esportivo do atleta a longo prazo, refletindo sobre a prática do espor- te de maneira ampla e transformadora. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 84 A fim de orientar nossos estudos, va-mos acompanhar a experiência do professor de Educação Física (João Bernardo) ao longo de suas atividades no Colégio Maria Flor Pimentel Simim (CM- FPS) – sim, o nome do colégio é uma ho- menagem a minha linda filha. O diretor do CMFPS, prof. Marcos An- tônio1, vem observando que outros colé- gios tem escolinhas de esportes e fazem captação de alunos por meio do esporte. O prof. Marcos Antônio convidou o prof. João Bernardo para uma reunião a fim de discutir como o CMFPS poderia implan- tar atividades esportivas de qualidade no colégio. O prof. Marcos Antônio fez alguns questionamentos ao prof. João Bernardo, tais como: “Qual o conceito de esporte? Quais as características que podemos atribuir ao esporte? Após escutar os questionamentos e demandas do diretor, João Bernardo des- tacou que iria buscar informações para implantar as atividades no colégio. Primeiramente vale ressaltar que a definição precisa de esporte é impossível devido à grande variedade de significa- dos. O esporte é o fenômeno sociocultural mais evidente dos últimos séculos, prin- cipalmente pelas relações que tem com estruturas sociais, econômicas, políticas e judiciais. A origem do termo “esporte” reflete a evolução da atividade ao longo dos séculos, desde uma forma de diverti- mento ao ar livre para uma atividade glo- balmente organizada e competitiva. 1 Essa é uma homenagem ao prof. Marcos Antô- nio Álvares (in memoriam) e ao prof. João Ber- nardo pela contribuição em minha formação durante a vida escolar. 2 ESPORTE 85 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R De maneira geral, o esporte refere- -se a tipos específicos de atividades que dependem das condições sob as quais as atividades acontecem e da orientação subjetiva dos participantes envolvidos nessas atividades (BARBANTI, 2006). Al- guns autores destacam que o esporte é uma atividade competitiva, institucionali- zada, que envolve esforço físico vigoroso ou o uso de habilidades motoras comple- xas. Por outro lado, o esporte também pode ser conceituado como manifestação da cultura física, compreendendo tam- bém a dança e a recreação que se funda- menta na educação física (TUBINO, 2017). A partir da explicação acima, o prof. João Bernardo destacou que mais impor- tante do que compreender o conceito de esporte é compreender a importância do esporte na sociedade. A Constituição Federal do Brasil (ar- tigo 217), o Estatuto da Criança e do Ado- lescente (ECA) e as recomendações da Unesco preconizam que o esporte é direi- to de cada cidadão e atua como instru- mento de formação integral dos indiví- duos. Isso possibilita a convivência social, a construção de valores, a promoção da saúde e o aprimoramento da consciência crítica e da cidadania. Além de ser divertido e saudável, o esporte também pode ser uma fonte de orgulho e espírito escolar. Ele pode ajudar a melhorar a relação entre os estudantes e a escola, e pode oferecer oportunidades para os estudantes se envolverem em ati- vidades extracurriculares. O prof. João Bernardo também ex- plicou as principais características do esporte. Ele disse ao diretor que existem muitos tipos diferentes de esportes, cada um com suas próprias regras e habili- dades específicas. Alguns esportes são jogados ao ar livre, enquanto outros são jogados em ambientes fechados. Alguns esportes são jogados com bola, enquanto outros não são. Alguns esportes são joga- dos individualmente, enquanto outros são jogados em equipe. Os participantes podem ser crianças em escolas, jovens em equipes univer- sitárias ou adultos em ligas amadoras e profissionais. O esporte também pode ser jogado por pessoas com deficiências, por meio de modalidades esportivas adapta- das. Nesse caso, as principais adaptações para pessoas com deficiência são as re- gras, o espaço de jogo, a estrutura da ativi- dade ou jogo e a divisão por grupos afins. Além disso, o prof. João Bernardo destacou que entende o esporte a par- tir de três dimensões (Quadro 1) e que o ingresso dos alunos no Programa de Esportes do CMFPS deve ocorrer por meio do esporte educacional (esporte- -formação), estruturado como educação permanente em iniciação aos esportes. Essa perspectiva cria oportunidades para o aprendizado da cultura de práticas es- portivas, o que torna possível o processo de seleção e estímulo dos alunos para o esporte de rendimento. SAIBA MAIS O Desenvolvimento Esportivo é um processo longitudinal multifa- torial de melhoria do ambiente es- portivo, caracterizado pelo aumen- to na quantidade de praticantes em todos os níveis e na qualidade da prática oferecida, incluindo a formação continuada dos agentes desse processo, o que resulta na melhora do desempenho esportivo de atletas. Durante as discussões entre o di- retor do CMFPS e o prof. João Bernardo surgiu um questionamento: Qual a dife- rença entre esporte NA escola e esporte DA Escola? Essa questão será abordada na próxima seção. FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 86 Quadro 1 DIMENSÕES DO ESPORTE E SUAS CARACTERÍSTICAS Dimensões Manifestações Princípios Objetivos Características Público-alvo Esporte Educação Esporte Educacional Participação, cooperação, coeducação, corresponsabilidade e inclusão Formação da cidadania e estilo de vida ativo Regras e premiação adaptadas as premissas educativas. Crianças, adolescentes e jovens Esporte Escolar Desenvolvimento esportivo e do espirito esportivo Desenvolvimento dos jovens mais aptos ao esporte, sem perder a formação para cidadania Regras convencionais das entidades, valorização da formação integral e de competições esportivas em dosagem adequada Jovens com habilidades esportivas Esporte Lazer Esporte lazer, de participação ou de tempo livre Participação, lazer e inclusão Entretenimento e vida ativa (saúde) Regras convencionaisdas entidades, criadas ou adaptadas as circunstâncias, pode ser praticado sem adversário Destinado a todas as pessoas, independente da faixa etária Esporte de desempenho ou rendimento Esporte de rendimento ou de alto rendimento Rendimento e desenvolvimento esportivo Vitórias, sucessos, conquistas esportivas, recordes, prêmios e valorização pessoal Regras oficiais e institucionalizadas, muitas vezes praticado profissionalmente, dirigido por entidades como confederações e federações. Destinado a talentos esportivos para cada modalidade Fonte: Tubino (2010) 87 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R #FICAADICA Esporte de elite: Forma de espor- te que objetiva performance eleva- da em nível regional, nacional ou internacional. As principais carac- terísticas do esporte de elite são os recordes e o sucesso interna- cional. Convido para a leitura dos artigos indicados abaixo: • McKay, A. K., Stellingwerff, T., Smith, E. S., Martin, D. T., Mu- jika, I., Goosey-Tolfrey, V. L., Sheppard, J., & Burke, L. M. (2022). Defining Training and Performance Caliber: A Par- ticipant Classification Fra- mework, International Jour- nal of Sports Physiology and Performance, 17(2), 317-331. https://journals.humankine- tics.com/view/journals/ijs- pp/17/2/article-p317.xml • McAuley, A.B.T., Baker, J. & Kelly, A.L. Defining “elite” sta- tus in sport: from chaos to clarity. Ger J Exerc Sport Res 52, 193–197 (2022). https:// doi.org/10.1007/s12662-021- 00737-3 https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3 https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3 https://doi.org/10.1007/s12662-021-00737-3 FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 88 Os questionamentos acerca do es-porte no ambiente escolar foram iniciados na década de 1980, prin- cipalmente com a criação da “Comissão de Reformulação do Desporto Nacional” e com a elaboração do documento “Uma nova política para o desporto brasileiro”. Assim, a dicotomia entre esporte educa- cional x esporte de rendimento ganhou destaque. Por exemplo, Vago (1996, p. 8) destaca que... O esporte é legitimado pela socieda- de e é exatamente isso que garantiria legitimidade para o ensino de Educa- ção Física na escola: ensinar esporte. Mas, paradoxalmente, parece que a Educação Física somente seria legi- timada na escola na medida em que transmitisse (ensinasse) esse ele- mento da cultura tal como ele se re- aliza nas sociedades modernas, com os códigos citados. O paradoxo apontado acima trouxe reflexões e discussões a respeito das di- ferenças entre o que é conceituado como “Esporte na escola” e “Esporte da escola”. O “Esporte na Escola” está relaciona- do à atividade necessária para o desen- volvimento físico, social dos estudantes e pode ser uma alternativa para ensinar valores como trabalho em equipe, resili- ência e fair play. 3 ESPORTE NA ESCOLA E ESPORTE DA ESCOLA Especificamente, o “Esporte na esco- la” é a reprodução do esporte como ele é, ou seja, um prolongamento da instituição esportiva sendo desenvolvido na escola (BRACHT, 1992). Nesse contexto, as aulas de educação física escolar são desenvol- vidas baseadas nos princípios de rendi- mento esportivo. Por outro lado, o “Esporte da escola” caracteriza-se pela atuação pedagógi- ca do professor de educação física, que busca participação de todos e a formação da cidadania e estilo de vida ativo (BRA- CHT, 1992). Nessa perspectiva, o profes- sor de educação física utilizará o esporte como ferramenta de ensino, modifican- do regras, locais de prática e materiais (VAGO, 1996). O prof. Marcos Antônio ouviu aten- tamente a explicação do prof. João Ber- nardo. Após refletir a respeito das infor- mações, o diretor do CMFPS disse que o colégio não busca negação radical do “Esporte da Escola” x “Esporte na Es- cola”. A esse respeito, o prof. João Ber- nardo destacou que considera essencial para a Educação Física avançar no sen- tido de construir uma ponte entre as duas perspectivas. Para tanto, o prof. João Bernardo ficou de buscar uma al- ternativa adequada para que ambas as perspectivas possam ser desenvolvidas no colégio. 89 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R 4 Enquanto dirigia para o colégio, João Bernardo refletiu sobre o curso de atletismo que participou na noite an- terior. O palestrante apresentou o modelo de desenvolvimento esportivo do Comitê Olímpico do Brasil (COB), com ênfase na abordagem “Caminho de Desenvolvimento de Atletas (CDA)”. O palestrante também falou sobre a necessidade de focar nas necessidades e estágios de desenvolvi- mento esportivo dos alunos. Isso tem re- lação direta com o caminho utilizado para se alcançar o rendimento esportivo e com modelo de desenvolvimento a longo prazo. Com base no CDA, João Bernardo percebeu que a implantação desse mo- delo seria adequada para o colégio e que seria a possível solução para a dicotomia “Esporte da Escola” x “Esporte na Escola”. Este capítulo apresenta as características do Caminho de Desenvolvimento de Atle- tas (CDA), que é um modelo de desenvol- vimento esportivo proposto recentemen- te pelo COB. Em linhas gerais, o começo de todo desenvolvimento esportivo ocorre nos anos iniciais, com processo carregado de brincadeiras espontâneas e experimen- tação de diferentes atividades. Os primei- ros contatos com práticas relacionadas ao esporte ocorrem no contexto escolar, em especial nas aulas de Educação Físi- ca (COB, 2022). A possibilidade de o aluno se tornar um atleta tem como porta de entrada a iniciação esportiva, que pode ocorrer no contraturno escolar e/ou em escolas de esportes. Posteriormen- te, ocorre o processo de especialização quando as atividades se modificam com o objetivo de desenvolver competências e habilidades específicas ao aprender e treinar determinada modalidade. MODELO DE DESENVOLVIMENTO ESPORTIVO A LONGO PRAZO FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 90 BOAS PRÁTICAS Para saber mais a respeito das expe- riências de outros países com dife- rentes modelos de desenvolvimento de atletas a longo prazo acesse: • Reino Unido: https://www.uks- port.gov.uk/our-work/talent- -id/how-we-find-the-talent • Canadá: https://sportforlife.ca/ wp-content/uploads/2019/06/ Long-Term-Development-in- -Sport-and-Physical-Activity- -3.0.pdf • Austrália: https://www.ais.gov. au/ftem/talent O CDA foi elaborado para orientar os caminhos de participação, treinamento, competição no esporte, desde a infância até as fases da vida adulta (COB, 2022). O CDA se concentra nas necessidades dos participantes e em seus estágios indivi- duais de desenvolvimento e fornece pon- to de referência para treinadores, profes- sores, cientistas do esporte, pais e outros a ofertar o esporte em todos os níveis e para todas as idades (COB, 2022). O CDA é composto por sete etapas que se interligam em períodos de tran- sição. O modelo reconhece tanto a parti- cipação quanto os caminhos orientados para o rendimento no esporte, ambos precedidos pelas etapas escolares (“Ex- perimentar e Brincar”, “Brincar e Apren- der” e “Aprender e Treinar”). O básico das informações sobre cada etapa do CDA é abordado a seguir: 1. Experimentar e brincar (até 8 anos): prática livre com jogos e brincadeiras infantis em ambien- tes divertidos, desafiadores e di- versificados. Ocorre no contexto informal (família, rua) ou formal (escola, clube e etc.). Prazer e motivação para envolvimento com práticas corporais variadas deve ser enfatizado. Desenvolvi- mento de competências corpo- rais básicas e diversificadas. 2. Brincar e Aprender (6 a 12 anos): primeiro contato sistematizado e organizado paraaprendizagem do esporte (iniciação esportiva). Ao final dessa etapa, a criança já tem condição de escolher a mo- dalidades com maior afinidade. Prazer e motivação pela prática e aprendizagem esportiva formal e/ou estruturada. 3. Aprender e Treinar (10 a 16 anos): fase de especialização esportiva em contexto formal de práticas esportivas por meio de treino e participação em com- petições. Desejo de ingressar na jornada do rendimento para aqueles que demonstrem po- tencial de desempenho esporti- vo conforme cada modalidade. Desejo de prosseguir na prática esportiva de participação para aqueles que não demonstrem potencial para o rendimento. 4. Treinar e Competir (14 a 23 anos): últimas etapas do pro- cesso de especialização na mo- dalidade escolhida. Participa de competições de alto nível, ainda em categorias com limitação etária. Em preparação para a categoria adulta e o esporte de elite. Compromisso com evolu- ção do desempenho esportivo. Tolerância a cargas físicas e psi- cológicas progressivas de trei- namento e competição. 5. Competir e Vencer (18 a 25 anos): Alto desempenho esporti- vo, marcado pelo treino intenso e ajustes ao máximo nível de com- petição. Autocontrole emocio- nal frente às exigências típicas da rotina de atleta em treinos e competições, com melhora re- gular de desempenho esportivo ao longo dos anos. Postura de competidor/a com atitudes e comportamentos que sirvam de referência para jovens em de- senvolvimento. 6. Vencer e Inspirar (22 a 40 anos): manutenção do alto ní- vel de desempenho e constante busca por melhores resultados e medalhas, servindo ao mesmo tempo como concorrente e ins- piração para atletas mais jovens. Autogestão da carreira de atleta (saúde/desempenho/educação), conciliando com as demandas sociais. Manutenção de hábitos e rotinas como atleta de referência e com foco em resultados supe- riores e conquista de medalhas. Planejamento do encerramento de carreira. 7. Inspirar e Reinventar-se: re- dução do volume e intensida- de de treinamento esportivo e participação em competições, preparando-se para o momento do encerramento da carreira es- portiva. Postura responsável, ali- nhada ao seu legado esportivo, inspirando novos atletas. Prepa- ração para nova carreira, dentro ou fora do contexto esportivo. Adaptação ao novo contexto so- cial, profissional e financeiro. https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent https://www.uksport.gov.uk/our-work/talent-id/how-we-find-the-talent https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://sportforlife.ca/wp-content/uploads/2019/06/Long-Term-Development-in-Sport-and-Physical-Activity-3.0.pdf https://www.ais.gov.au/ftem/talent https://www.ais.gov.au/ftem/talent 91 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R SAIBA MAIS Acesse o site do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e faça o download do Modelo de desenvolvimento esporti- vo do Comitê Olímpico do Brasil. Esse é um documento importante para desenvolvimento do conteú- do e para as atividades propostas ao final do módulo. Disponível em: https://www.cob. org.br/pt/documentos/download/ a63aad29fb2e0 Após apresentar a proposta para o diretor do CMFPS, o prof. João Bernardo destacou que a mudança de estágio é baseada no desenvolvimento do atleta e não apenas idade cronológica. Além disso, o prof. João Bernardo destacou que a idade cronológica seria um guia para identificar as principais mudanças dos alunos(as). Com base no material recebi- do durante o curso, o prof. João Bernar- do apresentou para o diretor do CMFPS as principais características do CDA em uma figura (Figura 1). FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 92 Observe que na figura 1 apresentada pelo prof. João Bernardo, cada etapa tem seus objetivos e características específi- cas que devem servir de orientação para os resultados esperados, evitando a es- pecialização precoce. SAIBA MAIS Especialização precoce é o termo utilizado para expressar o proces- so pelo qual as crianças tornam- -se especializadas em um deter- minado esporte muito antes da idade apropriada para tal. A prá- tica especializada das habilidades de um determinado esporte, sem a prática das atividades motoras características da idade das crian- ças, quase sempre traz como con- sequência o abandono prematuro da prática esportiva Note que a frequência semanal, volu- me da sessão, tipo de competição e orien- tação do treinamento são diferentes para cada etapa do CDA. 93 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R Figura 1 CARACTERÍSTICAS DAS ETAPAS DO CDA Competição Festivais Local Regional Estadual Nacional Internacional Olímpico Intensidade máxima das sessões (%) 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Volume por sessão (min) 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Frequência semanal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Oritentação do treinamento Diversificação Especialização ETAPAS DO CDA EXPERIMENTARE BRINCAR BRINCAR E APRENDER APRENDER E TREINAR TREINAR E COMPETIR COMPETIR E VENCER VENCER E INSPIRAR INSPIRAR E REINVENTAR-SE IDADE 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 35 Fonte: COB (2022, p. 42) FU N D A Ç Ã O D E M Ó C R IT O R O C H A | U N IV E R S ID A D E A B E R TA D O N O R D ES TE 94 5 CONCLUSÕES Em resumo, o desenvolvimento de atletas a longo prazo é uma abor-dagem abrangente e integrada que leva em consideração todos os aspectos da vida de um atleta, incluindo sua for- mação física, mental e emocional. É um processo contínuo e exige dedicação e planejamento para garantir o sucesso a longo prazo. Além disso, esse processo deve ser iniciado no âmbito escolar, res- peitando sempre as características espe- cíficas de cada faixa etária e série. O diretor do CMFPS perguntou ao prof. João Bernardo se esse modelo seria aplicado a todos os esportes e se existia diferença entre cada um deles. O prof. João Bernardo respondeu que as carac- terísticas de cada etapa somam-se às especificidades de cada modalidade e às características pessoais dos alunos(as)/ atletas. Assim, a oferta de prática espor- tiva no colégio é a base para implantação do CDA. João Bernardo também destacou que, após o processo de iniciação espor- tiva, o(a) jovem pode seguir o caminho do desenvolvimento esportivo para o rendi- mento ou o esporte de participação. Uma ressalva é que poucos praticantes chega- rão ao alto nível de desempenho (MCKAY et al., 2022). Após todas as considerações apre- sentadas, o diretor do CMFPS autorizou o prof. João Bernardo a iniciar o planeja- mento e implantação do CDA no colégio. João Bernardo ainda ministrou curso sobre o CDA para os outros professores de educação física do CMFPS e de outras escolas de sua região. 95 ES P O R TE D E R E N D IM E N TO : D ES A FI O S E O P O R TU N ID A D ES N O Â M B IT O E S C O LA R REFERÊNCIAS BARBANTI, V. O que é esporte? Revista Brasi- leira de Atividade Física e Saúde, 11, n. 1, p. 54-58, 2006. BRACHT, V. Aprendizagem social e Educação Física. Porto Alegre: Magister, 1992. COMITÊ OLÍMPICO DO BRASIL (COB). Mode- lo de desenvolvimento esportivo do Comitê Olímpico do Brasil. Disponível em: https:// www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/. Acesso em 25/01/2022. MCKAY, A. K.; STELLINGWERFF, T.; SMITH, E. S.; MARTIN, D. T.; MUJIKA, I.; GOOSEY-TOLFREY, V. L.; SHEPPARD, J.; BURKE, L. M. Defining Train- ing and Performance Caliber: A Participant Classification Framework. International Jour- nal of Sports Physiology and Performance, 17, n. 2, p. 317-331, 2022. TUBINO, M. J. G. Estudos brasileiros sobre o esporte: ênfase no esporte-educação. Marin- gá: EdUEM, 2010. 165 p. TUBINO, M. J. G. O que é esporte. Editora Bra- siliense, 2017. VAGO, T. M. O esporte na escola e o esporte da escola, da negação radical para uma relação de tensão permanente: Um diálogo com Valter Bracht. . Movimento, n. 5, p. 4-17, 1996. https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/ https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/ https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/a63aad29fb2e0/ 96 Apoio: Patrocínio: Realização: CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA 5ª REGIÃO FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente Editorial e de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente de Marketing & Design Andrea Araujo Coordenadora de Projetos Sociais Lia Leite Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms. Jôsy Cavalcante Coordenadora de Cursos Esp. Marisa Ferreira Secretária Escolar Iany Campos Desenvolvedora Fron- End Isabela Marques Estagiárias em Mídias e Tecnologias para Educação Germana Cristina e Rebeca Azevedo Estagiária em Pedagogia Arielly Ribeiro | GESTÃO MULTIDISCIPLINAR DO ESPORTE: PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Concepção e Coordenadora Geral Valéria Xavier Coordenadores de Conteúdo Ricardo Catunda e Valéria Xavier Coordenador Editorial e Revisor Raymundo Netto Projeto Gráfico Andrea Araujo Editores de Design Andrea Araujo e Welton Travassos Designer Gráfico Welton Travassos Ilustrador Carlus Campos Analista de Marketing Henri Dias Analista de Projetos Daniele de Andrade Social Media Letícia Frota ISBN: 978-65-5383-041-7 (Coleção) | ISBN: 978-65-5383-047-9 (Fascículo 6) Fundação Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora CEP 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel/WhatsApp: (85) 99123.1327 Site: fdr.org.br | e-mail: uane@fdr.org.br Plataforma de cursos: cursos.fdr.org.br Todos os direitos desta edição reservados à: AUTOR Mário Antônio de Moura Simim Doutor em Ciências do Esporte pela UFMG, mestre em Educação Física pela UFTM, especialista em Esportes e ati- vidades físicas inclusivas para pessoas com deficiência pela UFJF e graduado em Educação Física pelo Uni-BH. Professor adjunto no Instituto de Educação Física e Esportes (IEFES) da Universidade Federal do Ceará, professor permanente no Pro- grama de Pós-graduação em Fisioterapia e Funcionalidade (UFC), Agente de Aces- sibilidade da Secretaria de Acessibilida- de (UFC). É também auxiliar- técnico da Seleção Brasileira de Futebol para Ampu- tados, membro pesquisador da Academia Paralímpica Brasileira e coordenador do Grupo de estudos em Educação Física e Desporto Adaptado (GEFDA/IEFES/UFC). ILUSTRADOR Carlus Campos Artista visual que há mais de 30 anos é ilustrador do Jornal O POVO. Na produção de suas ilustrações, utiliza várias lingua- gens como: desenho, pintura, aquarela, gravura e fotografia. Ao longo dos anos 90, além de ganhar diversos prêmios com arte gráfica, fez incursões pelas artes plásticas participando de diversos Salões de Arte. Desde 2014,a xilogravura ocupa considerável espaço em sua produção chegando a participar do coletivo IN-GRA- FIKA .Em 2019 funda, com mais 7 artistas cearenses, o Ateliê Coletivo Kraft.