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DOS ESPORTES I
Metodologia do Ensino
DOS ESPORTES I
Metodologia do Ensino
Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS
CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | eadproducao@unilasalle.edu.br
UNIVERSIDADE LA SALLE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO
Reitor
Prof. Dr. Paulo Fossatti - Fsc
Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad.,
Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação
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Vitor Benites 
© 2021 por Universidade La Salle
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer meio, 
eletrônico ou mecânico (foptocópia, gravação), ou qualquer tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia 
autorização por escrito da Universidade La Salle.
Coordenador de Produção
Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva
Equipe de Produção de Conteúdo
Alexandre Briczinski de Almeida
Anderson Cordova Nunes
Arthur Menezes de Jesus
Bruno Giordani Faccio
Daniele Balbinot
Érika Konrath Toldo
Fabio Adriano Teixeira dos Santos 
Gabriel Esteves de Castro
Guilherme P. Rovadoschi
Ingrid Rais da Silva
João Henrique Mattos dos Santos
Jorge Fabiano Mendez
Nathália N. dos Santos
Patrícia Menna Barreto
Sidnei Menezes Martins
Tiago Konrath Araujo
Projeto Gráfico, Editoração, Revisão e Produção 
Equipe de Produção de Conteúdo Universidade La Salle - Canoas, RS
1ª Edição 
Atualizada em: 
Agosto de 2021
Prezado estudante,
A equipe da EaD La Salle sente-se honrada em entregar a você este material didático. Ele 
foi produzido com muito cuidado para que cada Unidade de estudos possa contribuir com seu 
aprendizado da maneira mais adequada possível à modalidade que você escolheu para estudar: a 
modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo apresentado será uma excelente base 
para o seu conhecimento e para sua formação. Por isso, indicamos que, conforme as orientações de 
seus professores e tutores, você reserve tempo semanalmente para realizar a leitura detalhada dos 
textos deste livro, buscando sempre realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor 
resultado possível em seus estudos. Destacamos também a importância de questionar, de participar 
de todas as atividades propostas no ambiente virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui 
disponibilizado, o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por meio de outras 
bibliografias e por meio da navegação online.
Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo. Bons estudos!
APRESENTAÇÃO
Sumário
UNIDADE 1
Conhecendo o Esporte ................................................................................................................................................7
Objetivo Geral ............................................................................................................................................................7
Parte 1
Esporte....................... ........................................................................................................................................................9
Parte 2
Estudo da Cultura Esportiva ..............................................................................................................................................23
Parte 3
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas .......................................................................................................41
Parte 4
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos ..........................................................................................................57
UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos .....................................................................................................77
Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................77
Parte 1
Metodologia dos Esportes .................................................................................................................................................79
Parte 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos ................................................................................................................97
Parte 3
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte ..........................................................................113
Parte 4
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte ..................................................................................................................129
UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol .............................................................................................................................................147
Objetivo Geral ........................................................................................................................................................147
Parte 1
Pedagogia do Futebol e do Futsal ...................................................................................................................................149
Parte 2
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva ..................................................................................................................165
Parte 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação .................................................................................185
Parte 4
Jogos pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal .................................................................................................207
UNIDADE 4
Pedagogia do Handebol ..........................................................................................................................................227
Objetivo Geral ........................................................................................................................................................227
Parte 1
Relações e Funções dos Fundamentos do Handebol .......................................................................................................229
Parte 2
Fundamentos: Recepção de Bola, Drible, Passes, Arremessos, Fintas .............................................................................243
Parte 3
Sistemas Defensivos e Ofensivos e sua Aplicação no Jogo .............................................................................................259
Parte 4
Regulamentação e Arbitragem ........................................................................................................................................273
Conhecendo o Esporte
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
Objetivo Geral 
Reconhecer o papel do esporte na construção da cultura corporal do movimento.
unidade 
1
V.1 | 2021
8 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 1
Esporte
 
O conteúdo deste livro 
é disponibilizado
por SAGAH.
unidade 
1
V.1 | 2021
10 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Esporte
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Classificar o esporte de acordo com aspectos motivacionais.
  Identificar as perspectivas do esporte educacional, bem como suas 
dificuldades.
  Planejar atividades de esportes em ambiente escolar.
Introdução
O esporte é uma atividade abrangente, visto que engloba diversas áreas 
importantes para a humanidade, como saúde, educação, turismo, entre 
outros. 
Para ampliar a eficácia da transmissão de conhecimento, socialização 
e formação integrais na infância, adolescência e juventude,elaborará propostas de inclusão por meio do esporte.
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas | PARTE 3 43
Práticas pedagógicas inclusivas aplicadas 
ao esporte
As práticas pedagógicas inclusivas são consideradas essenciais nos processos 
de ensino do esporte, e propostas de jogos e/ou brincadeiras de qualquer 
modalidade utilizando exercícios mecanizados excludentes têm se tornado 
ultrapassadas. Embora haja momentos de ações individuais nas aulas ou nos 
treinos, o professor tem como recurso diferentes competências no campo 
profissional que favorecem a promoção das alterações pretendidas (ROSE 
JUNIOR; TRICOLI, 2005).
Na inclusão, é importante destacar o biotipo como um fator que não deve 
definir o direcionamento das práticas esportivas, deixando no passado estigmas, 
por exemplo, de que o basquete precisa ser praticado por pessoas de estatura 
alta e garantindo a iniciação esportiva para todos, independentemente do tipo 
físico (ROSE JUNIOR; TRICOLI, 2005).
Em geral, a discriminação (de gênero, étnico-racial, etária, social, em 
relação a pessoas com deficiência), apesar de direcionada a “pequenos grupos”, 
abrange um grande número de pessoas, o que requer a realização de atividades 
inclusivas, que atraiam e integrem esses grupos de maneira acolhedora e 
segura (GOELLNER, 2009).
Apesar de a legislação brasileira garantir há mais de 10 anos o ingresso de jovens com 
deficiência no ensino regular, muitos ainda recebem dispensa das aulas de educação 
física ou permanecem nas aulas sem nenhuma proposta ativa. Para lutar contra esses 
estigmas, é preciso buscar recursos para superá-los, começando pela superação da 
visão ultrapassada dos modelos de aulas, a fim de que a deficiência não represente um 
impedimento à prática de exercícios, visando à promoção da saúde, ao rendimento 
ou ao lazer (ROSE JUNIOR, 2009).
A seguir, apresentaremos estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas ao 
gênero e à etnia, bem como às crianças e aos adolescentes com deficiência 
auditiva, visual, intelectual e motora.
Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas2
44 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas 
ao gênero e à etnia
Um projeto social bem-sucedido depende de uma boa elaboração, além das 
influências dos seus financiadores, estando subordinado às diversas pessoas 
que o idealizam e o executam, como os coordenadores, os executores, os 
monitores, os estagiários, os professores, os alunos, os agentes, os líderes 
das comunidades, etc. Uma intervenção adequada democrática quanto ao 
acesso às práticas esportivas e de lazer, considerando o processo educativo 
nesse contexto, deve levantar questionamentos e problematizações sobre com-
portamentos discriminativos e preconceituosos, a fim de conseguir elaborar 
propostas pedagógicas inclusivas (GOELLNER, 2009).
Essas problematizações se referem a “verdades” criadas e impostas pela 
sociedade que devem ser analisadas, como a vinculação do fato de meninas 
que gostam de futebol ou lutas à homossexualidade ou de negros terem me-
nos inteligência em relação aos brancos, o que os torna inaptos a atividades 
“intelectuais” (GOELLNER, 2009).
O “senso comum”, ainda que possa não impor preconceitos e discrimina-
ções de modo consciente ou totalmente transparente, costuma se manifestar 
de maneira pouco ingênua ou inofensiva (GOELLNER, 2009).
Estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas 
às crianças e aos adolescentes com deficiência auditiva
A deficiência auditiva pode ser entendida como uma perda total ou parcial 
da acuidade de condução e percepção de sinais sonoros.
A seguir, estão descritas algumas estratégias pedagógicas aplicadas às 
crianças e aos adolescentes com essa condição em programas de atividades 
físicas e/ou esportes (ROSE JUNIOR, 2009), nas quais o professor deve: 
a) Conhecer a fisiopatologia da deficiência auditiva e quando se mani-
festou para evitar intercorrências relacionadas ao equilíbrio e/ou à 
verbalização. 
b) Dar instruções utilizando dicas visuais e cenestésicas.
c) Se comunicar sempre de frente com os seus alunos a fim de facilitar 
a leitura dos lábios, além de usar expressões faciais e, se possível, ter 
noções de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais).
d) Propor, preferencialmente, atividades em grupos, para promover a 
socialização. 
3Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas | PARTE 3 45
Estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas às 
crianças e aos adolescentes com deficiência visual
A deficiência visual pode ser definida como uma perda total ou parcial da 
visão com ou se percepção de luz, com ou sem reconhecimento de formas. 
A seguir, são apresentadas algumas estratégias pedagógicas aplicadas às 
crianças e aos adolescentes com essa condição em programas de atividades 
físicas e/ou esportes (ROSE JUNIOR, 2009), nas quais o professor deve: 
a) Preparar um espaço para as aulas sem obstáculos e com sinalizações 
em relevo no piso, barras e/ou placas em braile para evitar acidentes.
b) “Apresentar” o espaço da aula ao aluno com deficiência visual de ma-
neira que consiga explorar o ambiente e se sentir seguro e autônomo 
quanto às suas orientações.
c) Priorizar a motivação quanto à participação de todos nas aulas de edu-
cação física, evitando qualquer tipo de superproteção.
d) Priorizar estímulos auditivos, táteis e cinestésicos, para favorecer a 
comunicação com os alunos ou atletas e melhorar a compreensão deles. 
Estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas às 
crianças e aos adolescentes com deficiência intelectual
A deficiência intelectual pode ser entendida como uma dificuldade ou de-
créscimo na capacidade de compreensão do conhecimento. 
São descritas, a seguir, algumas estratégias pedagógicas aplicadas às 
crianças e aos adolescentes com essa condição em programas de atividades 
físicas e/ou esportes (ROSE JUNIOR, 2009), nas quais o professor deve: 
a) Passar o mínimo de informações por vez, de maneira clara e objetiva.
b) Usar diversas formas de comunicação e dar preferência a exemplos 
“reais”.
c) Além de verbalizar o movimento para o aluno, fazer demonstrações, 
tornando a ação “mais real”, bem como dar instruções cinestésicas, 
para que o aluno entenda sentindo a ação.
d) Saber lidar com a instabilidade emocional, típica da deficiência inte-
lectual, e ter o cuidado de se certificar se o aluno compreendeu as suas 
instruções, a fim de poder intervir mediante os níveis de dificuldade. 
Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas4
46 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas às 
crianças e aos adolescentes com deficiência motora
A deficiência motora requer atenção especial quanto à prática de atividades 
físicas, sobretudo porque o maior prejuízo está relacionado ao controle motor, 
e não à perda ou deficiência de força. 
A seguir, é possível observar algumas estratégias pedagógicas aplicadas 
às crianças e aos adolescentes com essa condição em programas de atividades 
físicas e/ou esportes, nas quais o professor deve:
a) Estar atento aos alunos com problemas de tônus muscular (p. ex., nos 
casos de paralisia cerebral, com hipertônus). Nesses casos, são indi-
cados exercícios como alongamentos musculares, de propriocepção e 
atividades na água aquecida.
b) Atentar-se aos casos de mielomeningocele, que exijam que o aluno faça 
o uso de válvula, como na hidrocefalia, para evitar impactos.
c) Estar atento ao posicionamento dos alunos que utilizam cadeira de rodas 
a fim de evitar problemas posturais.
d) Estar atento aos alunos com malformações congênitas, especialmente 
os que usam próteses, tendo em vista o tamanho e o peso adequados 
para a idade. Em casos desproporcionais, o professor deve alertar os 
pais sobre as irregularidades.
Após conhecermos estratégias pedagógicas inclusivas aplicadas emdiver-
sas situações, reconheceremos o papel pedagógico do esporte, considerando 
práticas pedagógicas inclusivas.
Papel pedagógico do esporte na inclusão
A pedagogia do desporto (PD) tem a responsabilidade de manter viva a dig-
nidade consciente do homem, considerando todas as áreas desportivas e 
contribuindo com uma educação de boa qualidade, perspectiva na qual recorre 
a formas diferentes entre “formar” e “ser formado”. A dignidade do homem 
apresenta inúmeros valores internos, que, por si sós, já preconizam a qualidade, 
ou seja, o homem já é considerado um polo de qualidade desde o nascimento. 
A consciência antropológica da humanidade direciona um alto nível de quali-
dade para a educação, que deve assumi-la como um centro importante social. 
A escola e o desporto, ou outros ambientes desportivos envolvidos com a 
5Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas | PARTE 3 47
educação, devem categorizar e concretizar de forma exemplar a imperiosa 
qualidade do “homem” como um “ser” (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
Funcionalmente, a PD é capaz de revigorar a consciência da dignidade de 
uma pessoa, a ponto de abrir precedentes para analisar as abordagens educativas 
efetivas e situacionais, concebendo e fundando, de modo constante, o desporto. 
Nesse cenário, o desporto é considerado um laboratório da humanidade e dos 
processos de humanização dos seres humanos, enraizando a liberdade e aper-
feiçoando e aprofundando os direitos dos cidadãos e de seus livres-arbítrios. 
Em relação às comunidades, a PD nutre os níveis altos de qualidade e elevação 
do conceito de suas práticas (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
A PD enfatiza o desporto na condição de uma organização, apresentando 
uma forma de educação e cultura com perfil dinâmico, independentemente 
do local de sua inserção, além de primar pela qualidade do desporto por meio 
de padrões éticos e humanos — trata-se de uma renovação profunda e elevada 
de valores sobre a educação do homem pelo desporto, a despeito da forma 
ou do sentido. O fato é que não existe educação sem motivos e alternativas, 
motivo pelo qual a PD procura cumprir com a revalorização e formar-se como 
base teórica e metodológica da gênese humana, mostrando a contribuição do 
desporto nos registros do “homem em cada homem”, ou seja, não está ligada 
apenas à formação infantil, mas ao homem de maneira geral e à sua relação 
com o universo (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
Com a prática do desporto, o homem deve assumir uma interface do tempo 
que vive, levando em consideração seus problemas, necessidades, desafios 
e exigências, já que viver significa estabelecer inter-relações entre a própria 
ignorância e a dos outros, além do mundo e de seu próprio espaço. Assim, 
o desporto tende a promover um reencontro do indivíduo com o seu próprio 
“eu”, de maneira que ele se torne “mais visível”, dialógico, adquira conheci-
mentos e amplie seus relacionamentos gerais. Na verdade, a formação pelo 
desporto deve ser solidária e feliz, pressuposto a partir do qual o esporte se 
encontra vinculado à concretização de algum ideal, oportunizando realizações 
ao homem e tornando-o pleno a fim de que consiga ser “mais” ou “melhor” 
(TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
O objetivo do desporto consiste em promover mudanças ou modificações, 
buscando diferentes formas de ser e crescer e melhorando a realidade vivida, 
um caminho que não se destina simplesmente ao processo de crescimento 
biológico, como em crianças que se tornam adultas, em um processo de des-
truição da infância por imposições de desempenho — em outras palavras, o 
esporte como um meio de desdobrar, e não de tolher, visando a auxiliar no 
crescimento total das pessoas (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas6
48 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Nas crianças, é essencial conservar a alegria natural, a pureza, o perfil 
criativo, a ente otimista e a admiração pela vida, além de evitar fugas, com o 
intuito de diminuir a probabilidade de as crianças se tornarem adultos frios 
e calculistas.
De acordo com Tani, Bento e Pertersen (2006, p. 37):
O mesmo é dizer que no desporto se configura um movimento de aproximação 
infatigável ao mais alto, mais belo, mais pleno e mais perfeito. Um movimento 
de aperfeiçoamento da individualidade, de evolução do homem da razão da 
necessidade para a razão da liberdade, para a razão do excesso, do infinito, do 
“irracional”, para um estado de graça. Como que correspondendo ao destino 
de superação e transcendência do homem traçado por Nietzsche: ...sou o que 
é obrigado a ultrapassar-se a si próprio, até ao infinito.
O homo sportivus tem um perfil de seguir adiante, alcançando mais do que 
sonha, trajetória na qual o desporto representa um apoio pedagógico criativo 
do movimento humano, de uma condição inferior para um nível mais alto. 
O otimismo no desporto e o conhecimento de realidades “superiores” perma-
necem, assim como a aversão pelo que é vulgar e degradado no ser humano. 
Portanto, praticar esportes com uma proposta pedagógica adequada torna-se 
uma ótima chance para assumir as imperfeições e tomar consciência de si 
próprio, como um indivíduo livre e moral (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
Então, a PD se ocupa de favorecer o “polimento” das pessoas pela prática 
esportiva com delicadeza e muito cuidado, quando o desporto assume um perfil 
de demopedia (educação para a cidadania), ou seja, ocupa-se de aperfeiçoar 
cada pessoa, além de torná-la livre e criativa (TANI; BENTO; PETERSEN, 
2006, p. 38).
A Pedagogia do Desporto toca na questão do aperfeiçoamento dos povos, dos 
cidadãos, da sociedade, da democracia. Salta a cerca da escola e espraia-se 
pela praça da cidade, convidando a aperfeiçoar e aprofundar a cidadania, e a 
entender a democracia, não como um estado, mas como uma atividade, e um 
meio ao serviço daquele desígnio. Deste modo ainda o assunto da PD não se 
confina à crianças e ao jovem, à escola e à universidade; abrange a educação 
e formação desportiva do cidadão de todas as idades, a cidade e todas as 
instâncias, que influenciam a realização da ideia do Homem.
7Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas | PARTE 3 49
O desporto visa à aprendizagem de gestos simples ou pequenos, que reflete 
em grandes coisas, no qual se destaca o que falta nas pessoas, em relação ao 
que lhes é abundante, ressaltando, ao mesmo tempo, as deficiências natu-
rais e convidando a preservar e ampliar o que há de melhor — uma postura 
educativa e pedagógica desejada e respeitada “por excelência”. A pedagogia 
maioritária humana se sustenta pela modéstia e humildade, pois reconhece 
as limitações gerais, as imperfeições, as falhas e as fragilidades humanas, de 
qualquer natureza — raça, gênero, deficiência física, classe social, idade, etc. 
Com tolerância, é possível aceitar as diferenças e, portanto, a igualdade entre 
todos, com uma proposta pedagógica solidária, cordata e harmônica de fora 
para dentro (TANI; BENTO; PETERSEN, 2006).
No desporto, o grande mérito é fazer da força de vontade e da “voz” um 
trabalho pedagógico próprio e moral, em busca dos ideais, interface a partir 
da qual surgiu o lema: “Citius, Altius, Fortius! Porque a grandeza do homem 
está em caminhar para a ascensão da consciência, em avançar para o infinito” 
(TANI; BENTO; PETERSEN, 2006, p. 39). 
Na Figura 1, podemos observar algumas situações de inclusão no esporte.
Figura 1. Situações de inclusão no esporte.
Fonte: Roman Voloshyn/Shutterstock.com; Daisy Daisy/Shutterstock.com.
Propostas de inclusão pelo esporte
O aumento crescente de projetos sociais com financiamento particular e do 
governo destaca o esporte como um eficiente meio de socialização e/ou inclusão. 
As bases científicas têm diversos registros na área de educação física, esportesPedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas8
50 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
e lazer, sociologia, etc., com ênfase nos benefícios das práticas esportivas 
regulares, tendo em vista a formação tanto moral quanto da personalidade 
dos indivíduos vinculados (ELIAS; DUNNING, 1992; DANISH; NELLEN, 
1997; TUBINO, 2011; VIANNA; LOVISOLO, 2009).
O perfil do esporte no século XIX pode ser comparado com o perfil atual, 
tendo em vista, por exemplo, ao fato de Dom Bosco ter referenciado os jovens 
de rua como “periclitantes”, que tinham como alternativa fazer a opção pelo 
bem ou pelo mal, contexto pelo qual a educação e as práticas esportivas eram 
propostas sob uma “vigilância afetuosa” (SILVA, 2002; BORGES, 2005). 
Com o tempo, a classificação de crianças e jovens passou a ser de “condição 
de risco”, referente ao fracasso na escola e/ou à evasão, bem como a aderência 
às drogas, ao sexo inseguro, à delinquência, entre etc., com o objetivo de colocá-
-los sob proteção e controle, motivados e com acesso à educação — apesar 
de periclitância ser diferente de risco, o planejamento contínuo permanece 
atuante (VIANNA; LOVISOLO, 2009).
A seguir, apresentamos as competências de programas de esporte, educação, 
lazer e inclusão social no país (BRASIL, 2019):
 � Planejar, desenvolver e acompanhar o processo de seleção de propos-
tas e de formalização de convênios, contratos de repasse e termos de 
cooperação objetivando a execução dos programas, projetos e ações 
governamentais.
 � Articular ações necessárias para estruturar a implementação dos pro-
gramas, projetos e ações governamentais.
 � Coordenar e monitorar, em sua área de atuação, a execução dos convê-
nios com o objetivo de subsidiar a análise técnica da prestação de contas.
 � Programar a aquisição e a distribuição de materiais e uniformes neces-
sários para os programas, as políticas, os projetos e as ações esportivas, 
em articulação com o Departamento de Gestão Interna.
 � Acompanhar a execução orçamentária e financeira dos programas, dos 
projetos e das ações, para subsidiar a tomada de decisão no âmbito da 
Secretaria.
 � Articular os sistemas de monitoramento e avaliação dos programas de 
que trata esse departamento, com os sistemas estruturados de plane-
jamento, monitoramento, orçamento e finanças existentes no governo 
federal.
9Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas | PARTE 3 51
Já as competências do departamento e desenvolvimento e acompanha-
mento de políticas e programas de esporte, educação, lazer e inclusão social 
(BRASIL, 2019) incluem:
 � Subsidiar a formulação e a implementação dos programas, projetos e 
ações destinados ao desenvolvimento do esporte educacional, de lazer 
e inclusão social.
 � Promover estudos e análises sobre os programas, os projetos e as ações 
governamentais, visando à integração das políticas intersetoriais de 
esporte às de educação, de saúde, de segurança pública e de ação social.
 � Propor instrumentos de articulação das políticas, programas, e projetos 
esportivos e de lazer com as políticas e programas educacionais.
 � Promover eventos e estruturar processo de formação e capacitação 
de recursos humanos destinados aos programas esportivos-sociais e 
de lazer.
 � Efetuar o acompanhamento pedagógico, o controle e a fiscalização 
dos programas, projetos e ações referentes à sua área de atuação, para 
orientação dos processos educacionais implantados.
 � Monitorar e avaliar os programas, os projetos e as ações, construindo 
indicadores e instrumentos de registro para o aperfeiçoamento admi-
nistrativo, pedagógico e de fiscalização.
 � Realizar estudos e pesquisas para orientar as práticas esportivas e pa-
raesportivas que favoreçam o desenvolvimento dos programas sociais 
de esporte e lazer e a promoção da qualidade de vida da população, 
fomentando a produção do conhecimento na área.
 � Estabelecer parcerias com instituições de ensino e de pesquisa para criar 
e implementar novas tecnologias voltadas ao desenvolvimento do esporte 
e do lazer como instrumento de educação, saúde e inclusão social.
Ações inclusivas nas aulas de educação física
A partir de um estudo em aulas práticas, foram propostas algumas ações 
que visaram a estabelecer a inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de 
educação física (FIORINI; MANZINI, 2015):
 � Deficiência auditiva: 
 ■ Foram feitos movimentos para que o aluno pudesse observar.
 ■ Solicitou-se a ajuda de um dos colegas de classe para acompanhar 
o aluno com deficiência.
Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas10
52 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
 ■ As instruções das atividades foram passadas de maneira que aluno 
com deficiência conseguisse ler os lábios.
 � Deficiência visual: 
 ■ Solicitou-se a ajuda de um dos colegas de classe para que acompa-
nhasse o aluno com deficiência.
 ■ Os alunos com deficiência foram encorajados a tentar encontrar os 
caminhos sozinhos, antes de qualquer adaptação (o que deve ser 
feito desde que o ambiente não ofereça riscos).
 ■ As atividades foram planejadas para que todos os alunos praticassem 
juntos.
 ■ Utilizou-se um apito para chamar a atenção e interromper a atividade 
quando necessário.
 ■ Explicou-se ao aluno com deficiência tudo que ia ocorrendo, com 
uma narração.
 ■ Todos os alunos foram conscientizados para assegurar o respeito e 
a tolerância em relação aos alunos com deficiência.
 � Deficiência física: 
 ■ Solicitou-se a ajuda de um dos colegas de classe para que acompa-
nhasse o aluno com deficiência.
 ■ Todos os alunos foram conscientizados para assegurar o respeito e 
a tolerância em relação aos alunos com deficiência.
 ■ Foram disponibilizados jogos de tabuleiro para que os alunos com 
deficiência pudessem jogar, enquanto os demais alunos faziam as 
atividades na quadra.
Já em aulas teóricas, o estudo mostrou: 
 � Deficiência auditiva: 
 ■ O conteúdo foi passado no quadro, além de falar de frente com o 
aluno, sobretudo falar devagar.
 ■ O conteúdo foi trabalhado com uma intérprete de Libras na sala de 
aula.
 � Deficiência visual:
 ■ O conteúdo foi ditado em vez de escrito no quadro.
Neste capítulo, você pôde aprender um pouco mais sobre a inclusão pelo 
esporte, que demanda a aceitação da diversidade humana, além de sua im-
portância como ferramenta de igualdade de direitos e de deveres a todos os 
cidadãos. 
11Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Pedagogia do Esporte Aplicada às Práticas Inclusivas | PARTE 3 53
Enfim, a inclusão por meio do esporte é bem-sucedida quando os pro-
fissionais que atuam na área têm conhecimento suficiente sobre as práticas 
pedagógicas, capazes de atender às diversidades, ou diferenças, com sus-
tentação no reconhecimento da importância da pedagogia do esporte nessas 
intervenções. Assim, propostas adequadas conforme a demanda serão mais 
bem elaboradas e aplicadas com sucesso.
BORGES, C. N. F. Um só coração e uma só alma: as influências da ética romântica na 
intervenção educativa salesiana e o papel das atividades corporais. Orientador: Hugo 
Rodolfo Lovisolo. 2005. 226 f. Tese (Doutorado em Educação Física) – Universidade 
Gama Filho, Rio de Janeiro, 2005.
BRASIL. Ministério da Cidadania. Secretaria Especial do Esporte. Departamento de 
Gestão de Programas de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social. Secretaria Especial 
do Esporte, Brasília, 26 nov. 2019. Disponível em: http://www.esporte.gov.br/index.
php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/departamentos. Acesso 
em: 7 jan. 2019.
DANISH, S. J.; NELLEN, V. C. New roles for sport psychologists: teaching li skills through 
sport to at-risk youth. Quest, Champaign, v. 49, n. 1, p. 100–113, 1997.
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação física na escola: implicações para prática 
pedagógica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 316 p.
ELIAS,N.; DUNNING, E. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992. 421 p.
FIORINI, M. L. S.; MANZINI, E. J. Prática Pedagógica e Inclusão Escolar: Concepção dos 
Professores de Educação Física. Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora 
Adaptada, Marília, v. 16, n. 2, p. 15–22, jul./dez. 2015. Disponível em: http://revistas.marilia.
unesp.br/index.php/sobama/article/view/5558. Acesso em: 7 jan. 2020.
GOELLNER, S. V. et al. Gênero e raça: inclusão no esporte e lazer. Brasília: Ministério do 
Esporte, 2009. 33 p. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/81280. 
Acesso em: 7 jan. 2020.
ROSE JUNIOR, D. et al. Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abor-
dagem multidisciplinar. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. 256 p.
ROSE JUNIOR, D.; TRICOLI, V. Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. 
Barueri: Manole, 2005. 240 p.
Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas12
54 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
SILVA, L. H. O. Igreja Católica, atividades corporais e esportes: superando preconceitos. 
Orientador: Hugo Rodolfo Lovisolo. 2002. 138 f. Tese (Doutorado em Educação Física) 
– Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: http://www.nuteses.
temp.ufu.br/tde_busca/processaPesquisa.php?pesqExecutada=2&id=592&listaDetal
hes%5B%5D=592&processar=Processar. Acesso em: 7 jan. 2020.
TANI, G.; BENTO, J. O.; PETERSEN, R. D. S. Pedagogia do desporto. Rio de Janeiro: Guana-
bara Koogan, 2006. 411 p.
TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do esporte. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2011. 96 p. (Ques-
tões da nossa época, 25).
VIANNA, J. A.; LOVISOLO, H. R. Projetos de inclusão social através do esporte: notas 
sobre a avaliação. Movimento – Revista de Educação Física da UFRGS, Porto Alegre, v. 15, 
n. 3, p. 145–162, jul./set. 2009. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/
view/5190. Acesso em: 7 jan. 2020.
Leituras recomendadas
BENTO, J. O. Desporto e humanismo: o campo do possível. Rio de Janeiro: Editora da 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1999. 174 p.
FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física. 4. ed. São 
Paulo: Scipione, 1997. 224 p. (Pensamento e Ação no Magistério).
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 8. ed. São Paulo: Cortez, 
2005. 183 p.
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
13Pedagogia do esporte aplicada às práticas inclusivas
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PREZADO ESTUDANTE
56 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 4
Características da Iniciação 
nos Esportes Coletivos
O conteúdo deste livro 
é disponibilizado 
por SAGAH.
unidade 
1
V.1 | 2021
58 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Características da iniciação 
nos esportes coletivos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar as possibilidades de iniciação esportiva através das mo-
dalidades coletivas.
  Discutir as possibilidades de iniciação esportiva a partir da aprendi-
zagem motora de diferentes tarefas.
  Identificar os riscos e benefícios da especialização precoce no atletismo.
Introdução
Os esportes coletivos têm uma lógica de ensinamento comum, isto é, 
o jogo coletivo tem uma estruturação formal que é apresentada nas 
diferentes modalidades esportivas. Quando o aluno incorpora essa ló-
gica, passa a usar essa aprendizagem em outras situações que exigem 
especificidades, como jogar voleibol e ou futebol.
Partindo dessa premissa, neste capítulo, você vai estudar os parâme-
tros comuns dos esportes coletivos, identificando essas semelhanças no 
detalhamento de cada esporte. Assim, as habilidades motoras e as percep-
ções coordenativas e táticas serão definidas no coletivo das modalidades, 
para depois ganharem refinamento técnico. Essa discussão tem por meta 
promover o entendimento de que é muito mais produtivo aprender a 
jogar de tudo um pouco, antes de jogar algo muito específico. Nesse 
contexto, a aprendizagem se dá de forma mais eficiente e qualificada. 
Iniciação esportiva a partir dos esportes coletivos
Os esportes são manifestações culturais que se originam em diferentes habi-
lidades motoras e de combinações dessas habilidades. Por exemplo, o futebol 
se baseia nas habilidades de correr e conduzir a bola. Nas ações motoras 
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 59
básicas dos esportes estão movimentos que são básicos para o desenvolvimento 
motor dos alunos, mas que, ao serem culturalmente aperfeiçoados, tornam-se 
habilidades técnicas de modalidades esportivas.
Nessa mesma perspectiva também estão as habilidades perceptivas e coorde-
nativas, que se manifestam a partir da leitura da estruturação e da organização 
dos jogos, isto é, do entendimento do espaço e do lugar do jogo, do número 
de componentes de sua equipe, do jogar com o outro, das regras, do objetivo 
deste ou daquele jogo, das funções e posições de cada jogador, das estratégias 
de ataque e defesa. Enfim, a partir da lógica comum aos esportes coletivos, o 
aluno se foca na compreensão da ação de jogar —, independentemente do que 
se joga —, e não na especificidade de jogar uma única modalidade.
Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018, documento 
on-line):
As práticas derivadas dos esportes mantêm, essencialmente, suas caracte-
rísticas formais de regulação das ações, mas adaptam as demais normas 
institucionais aos interesses dos participantes, às características do espaço, 
ao número de jogadores, ao material disponível etc. Isso permite afirmar, por 
exemplo, que, em um jogo de dois contra dois em uma cesta de basquetebol, 
os participantes estão jogando basquetebol [...].
O documento explica que, a partir da coerência do jogo dois contra dois 
incorporada pelo aluno, ele poderá fazer uma transferência dessa experiência 
para uma situação de jogo com mais participantes envolvidos.
Assim, o que dá início ao processo de aprendizagem dos jogos coletivos é 
a lógica interna dessas modalidades, o que se manifesta como comum a elas; 
por exemplo, a interação com o adversário, os objetivos táticos, os implementos 
e materiais que organizam as tarefas motoras, entre outros. Os esportes em 
que as ações motrizes são semelhantes, de certo modo, terão ensinamentos 
compartilhados, inclusive podendo ser realizados exercícios únicos com pro-
cessos reflexivos específicos. O aluno executa uma movimentação técnica, 
e o professor questiona como aquele movimento pode ser representado no 
basquetebol ou no handebol.
Na maioria, os esportes coletivos são considerados esportes de invasão ou 
territoriais (Figura 1), porque, conforme a BNCC (BRASIL, 2018, documento 
on-line), eles se caracterizam da seguinte forma: 
[...] conjunto de modalidades que se caracterizam por comparar a capacidade 
de uma equipe introduzir ou levar uma bola (ou outro objeto) a uma meta ou 
setor da quadra/campo defendida pelos adversários (gol, cesta, touchdown 
Características da iniciação nos esportes coletivos2
60 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
etc.), protegendo, simultaneamente, o próprio alvo, meta ou setor do campo 
(basquetebol, frisbee, futebol, futsal, futebol americano, handebol, hóquei 
sobre grama, polo aquático, rúgbi etc.). 
Figura 1. Esporte de invasão ou territorial: hóquei sobre grama.
Fonte: Hoquei-grama-jogo ([2016], documento on-line).
Contudo, há esportes coletivos que são denominados como esportes de 
rede e quadra, como o voleibol, conforme mostra a Figura 2.
Figura 2. Esporte derede e quadra: voleibol.
Fonte: 1200px-Europei_di_pallavolo_2005_-_Italia-Russia ([2005], documento on-line).
3Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 61
Assim, a característica básica dos esportes coletivos é o confronto entre 
duas equipes que estão dispostas em um espaço comum, que participam si-
multaneamente com alternância de situações de ataque e defesa. Essa premissa 
indica quatro importantes tarefas a serem cumpridas por esses jogadores, 
conforme aponta Greco (1998):
  atacar a meta adversária;
  defender o seu espaço;
  opor-se ao adversário;
  jogar coletivamente entre sua equipe.
Jogos situacionais como um método de ensino
Os jogos situacionais são ações orientadas para a situação real de jogo; ou seja, 
nesse contexto, as estratégias de ensino serão pautadas em possibilidades de 
elementos técnicos para construir o jogo. Nesse tipo de ensinamento, aprende-se 
jogando. É preciso que o aluno execute, vivencie e explore as movimentações 
e ações motoras de forma concreta e com uma perspectiva real, para que, a 
partir dali, ele encontre ou reconheça a técnica formal do esporte, conforme 
apontam Kroger, Roth e Memmert (2002).
Em uma visão mais ampliada dessa forma de ensinar, entre os parâmetros 
comuns dos esportes coletivos, são extraídas peças táticas que perfazem a 
lógica estrutural dos esportes e que conduzem para a percepção geral do ato 
de jogar. É sempre importante ter o entendimento de que, nessa iniciação 
aos esportes, o movimento ainda é liberado das condições específicas das 
modalidades. Assim, é muito mais importante compreender a coerência das 
ações motoras em prol da realização do jogo.
Segundo Kroger, Roth e Memmert (2002), são observados sete elementos 
táticos nas peças táticas:
  acertar o alvo;
  transportar a bola ao objetivo;
  tirar vantagem tática no jogo;
  jogo coletivo;
  reconhecer espaços;
  superar o adversário;
  oferecer-se e orientar-se.
Vamos estudar cada um deles.
Características da iniciação nos esportes coletivos4
62 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
A tarefa tática de acertar o alvo abrange as ações de lançar, chutar, disparar, 
entre outras, a bola ou o implemento para um alvo. Ela está mais relacionada 
com o objetivo do jogo. O aluno passa a entender por que a precisão, a velo-
cidade e a agilidade durante a execução tornam-se fundamentais para que ele 
conquiste esse resultado, dificultando a ação de defesa da equipe adversária. 
Os exercícios como lançar a bola em alvos de diferentes tamanhos e alturas, 
parados ou em movimento, com tamanhos e pesos de bolas diferentes, são 
ideais para a percepção de como a força, o ângulo de lançamento, a direção, 
entre outros, devem ser executados em diferentes ações.
Já a tarefa de transportar a bola ao objetivo é definida pelas ações motoras de 
transportar, levar e lançar a bola entre os colegas de equipe, com a meta de atingir 
o objetivo do jogo. Diferentemente da ação de acertar o alvo, que tem como base 
a ideia de finalização, o transportar será executado ao longo da movimentação; 
por exemplo, quicar a bola em movimento e entregar para um companheiro, 
lançar a bola entre os colegas, ou, até mesmo, carregar a bola em deslocamento.
Uma atividade para exercitar o transportar a bola pode ser realizada da seguinte forma.
Alunos divididos em duas equipes de 10 alunos cada uma. A equipe que estiver com 
a posse de bola vai realizar ações de ataque, e a outra tem por meta dificultar essa movi-
mentação, estando em uma posição de defesa. O objetivo do jogo é que a equipe que 
está com a bola troque passes com a seguinte regra: a partir do primeiro lançamento, o 
aluno que receber a bola pode dar, no máximo, três passos para entregar a bola para um 
colega, ou lançar a bola para este. Como a equipe que está na defesa tentará impedir o 
passe, é importante que os alunos se desloquem e se posicionem para receber a bola. A 
equipe que conseguir trocar oito passes faz um ponto. Se a equipe que está na defesa 
conseguir recuperar a bola, haverá uma troca de função de ataque e defesa entre as equipes.
No elemento tático de tirar vantagem tática no jogo, os jogadores vão 
depender de uma ação conjunta para realizar a movimentação, isto é, as dife-
rentes ações executadas entre os jogadores da equipe devem estar combinadas 
(relação entre colegas), para que se tornem mais eficazes. É possível vislumbrar 
esse elemento tático em uma situação real de jogo de futebol, quando há um 
posicionamento avançado de dois jogadores em relação ao último jogador de 
defesa durante a cobrança de uma falta. A combinação está no deslocamento 
rápido desses dois jogadores, saindo da posição de impedimento no mesmo 
instante em que seu colega faz a cobrança da falta.
5Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 63
O jogo coletivo também está vinculado à relação estreita entre os jogadores 
da equipe. Aqui se utilizam as ações motoras para o trabalho da percepção de 
como jogar, a partir da variação de número de jogadores, de posicionamento 
da defesa e de organização coletiva da equipe. A brincadeira “bobinho”, que 
é muito executada entre aqueles que jogam futebol, desde as crianças até 
os adultos, da iniciação ao alto rendimento, é um bom exemplo para esse 
elemento. Nesse tipo de brincadeira, os alunos que estão no círculo deverão 
estar completamente articulados, para que não percam a bola para os colegas 
que estão dentro do círculo.
Acesse o link a seguir e assista a um vídeo que mostra a brincadeira do bobinho, 
relacionada ao elemento tático de jogo coletivo. Embora essa seja uma brincadeira 
infantil e utilizada para iniciantes em questões mais básicas do jogo, ela também pode 
ser utilizada com atletas de altíssimo nível.
https://qrgo.page.link/64Jcq
O quinto elemento tático, reconhecer espaços, tem relação com o adversário. 
A tarefa consiste em desenvolver ou identificar possibilidades variadas para se 
conquistar a meta final do jogo. Para tanto, deve-se desenvolver a habilidade 
de analisar e observar os espaços de maior êxito para as jogadas. Podemos 
citar como exemplos um ataque no voleibol atingindo uma área da quadra 
sem cobertura, ou, ainda, um passe no contra-ataque do futsal, em que o 
jogador percebe o lado da quadra que não está sendo ocupado pelo defensor 
adversário, o que permite o deslocamento de um companheiro para aquele 
setor para receber o passe e concluir um gol.
Na iniciação, as atividades com delimitação de espaços que se utilizem 
de marcações desenhadas no chão, arcos, cordas, entre outros, facilitam a 
visualização desses espaços. Dessa forma, a mesma lógica do bobinho pode 
ser executada, só que agora com marcação dos espaços que limitam o deslo-
camento dos jogadores. Pense em um lado da quadra de voleibol dividido por 
três linhas iguais desenhadas no chão, formando três retângulos de 9 m × 3 
m. Em cada um deles se posicionam dois jogadores. A bola deve ser lançada 
entre os jogadores das linhas extremas, sendo que os do meio têm a tarefa de 
Características da iniciação nos esportes coletivos6
64 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
impedir esse lançamento. Contudo, nenhum dos jogadores pode pisar ou sair 
de sua área limitada. Esse tipo de atividade pode facilitar a aprendizagem do 
reconhecimento dos espaços.
Ainda na lógica relacionada à equipe contrária, o elemento tático de 
superar o adversário explora a habilidade de assegurar a posse de bola, 
mesmo quando em confronto com o adversário. O aluno vai definir a melhor 
forma de realizar a ação, para que ele não “entregue” ou perca a posse de 
bola para o adversário. De certa forma, a escolha correta é a que concretiza 
a superação do adversário. Assim, o aluno deve ter a capacidade de analisar, 
a partir da situação em que se apresenta ojogo, o que é melhor: chutar, ou 
rolar, ou quicar, entre outras ações. Essa pode ser uma decisão que se utili-
zará de capacidades individuais ou do processo coletivo do jogo, conforme 
lecionam Greco e Benda (1998). 
O último elemento, oferecer-se e orientar-se, está relacionado com o am-
biente (quadra, território, campo). O aluno será orientado a se perceber nos 
espaços do jogo; ele deve fazer a leitura de qual é a sua posição em relação ao 
adversário, ao seu colega, à marcação que está recebendo ou à meta do jogo 
(goleira). Com essa análise, ele deve se deslocar de forma dinâmica e rápida, 
para que sempre esteja em um espaço que possa ser aproveitado, tanto para 
receber ou passar a bola como para chamar a atenção da equipe adversária, 
dando condições mais favoráveis para que seu colega passe ou receba a bola. 
As atividades para esse elemento sempre envolverão movimentação. Assim, 
cones, caixas e barreiras podem servir de obstáculos para deixar a área do 
jogo mais desafiadora, onde as decisões serão tomadas a partir da variedade 
de elementos (colegas, obstáculos, metas, etc.).
É importante destacar que todos esses elementos que se apresentam aqui de forma 
isolada, estão estritamente imbricados em uma situação real de jogo. O foco de cada 
atividade será distinto, a partir do objetivo definido pelo professor. Assim, é possível 
que um exercício contenha ações que ajudem a desenvolver o transportar a bola ao 
objetivo, porém a meta de aprendizagem estará focada no jogo coletivo. Entenda 
que as habilidades sempre estarão ligadas ao fundamento dos níveis de habilidades 
solicitadas, ora no fazer, ora no perceber, ora no analisar. Por isso, é tão importante a 
oferta de inúmeras experiências; o acervo motor e as possibilidades de escolhas são 
potencializadas em ações mais qualificadas e promissoras.
7Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 65
Iniciação esportiva e capacidades coordenativas 
nos esportes coletivos
No processo de transformação de uma habilidade básica motora para um gesto 
técnico de alguma modalidade esportiva, há fases que delimitam as apren-
dizagens. Nessas fases, a habilidade motora se inicia como um movimento 
naturalizado e, depois, é potencializada pela liberdade de execução e vivência 
do movimento, sem restrição. Os processos de ensino que se pautam no de-
senvolvimento das tarefas motoras, de certa forma, infl uenciam essa liberdade 
de execução, pois, aos poucos, vão solicitando ao movimento o acréscimo de 
combinações, de variações e de objetivos e, até mesmo, delimitam espaços, 
regras, adversários, entre outros aspectos.
Na lógica dos jogos situacionais, é importante garantir possíveis espaços 
livres de realização do gesto, já que, nessa fase, ainda há uma valorização 
do ganho de experiências e da incorporação do ato de jogar. Contudo, o 
avanço para uma nova fase vai solicitar ao aluno que as suas ações mo-
toras sejam aperfeiçoadas. Nesse processo, encontram-se as capacidades 
coordenativas, que servem como uma ponte para o refinamento técnico da 
ação específica do jogar uma determinada modalidade esportiva. Ou seja, 
essas capacidades se pautam em um estágio de preparação e qualificação 
dos movimentos. 
Na iniciação aos esportes coletivos, as capacidades coordenativas são 
caracterizadas por um conjunto de operações que estão sendo determinadas 
pela função parcial que elas desempenham e que, posteriormente, servem de 
base para as ações específicas das modalidades esportivas, conforme lecionam 
Greco e Benda (1998). Uma capacidade coordenativa se revela na competência 
em realizar duas ou mais habilidades ao mesmo tempo, de forma eficaz e 
coordenada, como quicar a bola correndo.
Assim, cabe o ensinamento de várias combinações de movimento. En-
tretanto, como o foco é a iniciação aos esportes coletivos, os critérios para 
definir o que deve ser aprendido estarão atrelados àquelas movimentações 
que definem os esportes, isto é, ao arremessar do handebol e basquetebol, ao 
chute do futebol e futsal, ao rebater no hóquei e basebol, etc.
Segundo Grecco e Benda (1998, p. 45), as capacidades coordenativas têm 
pontos em comum com as capacidades técnicas e táticas:
[...] para todo o movimento é necessária a percepção do próprio corpo, dos 
objetos e das situação como um todo; é importante inter-relacionar estas 
percepções com as experiências retidas na memória (operações mnemôni-
cas), o que implica em processos de cognição na ação e na necessidade de 
Características da iniciação nos esportes coletivos8
66 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
implementar ou, como mencionado anteriormente, de “operacionalizar” 
essa ideia da ação, uma imagem mental, na prática, através de operações 
efetoras.
Como a ideia é sempre buscar o aperfeiçoamento das capacidades coordena-
tivas, tendo como meta a qualificação do movimento do esporte, é necessário 
ir ampliando a dificuldade e os desafios na realização dos exercícios para 
essas capacidades. Kroger, Roth e Memmert (2002) afirmam que o trabalho 
deve ser potencializado pelo uso dos condicionantes de pressão — tempo, 
precisão, complexidade, organização, variabilidade e carga — e pelo uso dos 
analisadores perceptivos — visual, acústico, tátil, vestibular e sinestésico.
No texto intitulado “Processos de ensino da técnica na iniciação dos esportes coleti-
vos: uma revisão da literatura”, disponível no link a seguir, você poderá identificar os 
conceitos trabalhados por estudiosos da área sobre as capacidades coordenativas 
nos esportes coletivos.
https://qrgo.page.link/MfycR
Aprimorando as capacidades coordenativas
Os condicionantes de pressão são desafi os propostos na execução das capaci-
dades coordenativas que vão dar a elas um grau maior de difi culdade, exigindo 
maior atenção, agilidade, percepção e velocidade dos alunos. Os movimentos 
ganham novas exigências que, ao longo das diferentes experimentações ou 
formas de executar, são incorporadas e passam a ser usadas pelos alunos em 
situações reais de jogo. Tal fato também justifi ca o uso dos jogos situacionais 
como proposta de ensino para os esportes coletivos, conforme lecionam Kroger, 
Roth e Memmert (2002).
Vamos analisar as características de cada condicionante de pressão, veri-
ficando um exemplo de exercício para cada condicionante.
  Pressão de tempo: é quando, na ação a ser executada, há a solicitação de 
que ela seja realizada no menor tempo possível. Sugestão de exercício: 
alunos em duplas, um de frente para o outro, com uma bola. O professor 
9Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 67
marca um tempo de 30 segundos. Um aluno lança a bola para o outro; 
este deve recuperar a bola, dar um giro com o corpo e lançar novamente 
para o colega. O tempo deve ser continuamente reduzido, e as repetições 
devem ir aumentando.
  Pressão de precisão: acertar alvos com o máximo de exatidão. Os alvos 
devem estar posicionados em vários lugares e ter diferentes formas e 
tamanhos. Sugestão de exercício: acertar a bola em um alvo na posição 
de pé, em cima de um banco. Pode ser executado de diferentes formas: 
sentado; em dois bancos, com um pé em cada banco; em cima de uma 
cadeira; entre outros modos.
  Pressão de complexidade: uma ação individual acontece na sequência 
imediata da outra. Sugestão de exercício: um aluno rola a bola para outro; 
este deve receber a bola e imediatamente acertar essa bola dentro de um 
arco que estará no chão a 1 m de distância dele. Todos os movimentos 
devem ser executados com os pés.
  Pressão de organização: esse condicionante exige que o aluno execute 
diferentes ações ao mesmo tempo. Sugestão de exercício: alunos or-
ganizados dois a dois, um de frente para o outro, com uma distância 
de 1 m entre eles. Os dois terão um balão na mão; eles devemrealizar 
passes rasteiros entre eles com os pés e, ao mesmo tempo, rebater os 
balões sem que caiam no chão.
  Pressão de variabilidade: as variações estão relacionadas às condi-
ções ambientais e de execução. Sugestão de exercício: quicar a bola 
cinco vezes com a mão direita dentro de um arco e, depois, quicar 
a bola cinco vezes com a mão esquerda de um lado e de outro de 
um cone pequeno.
  Pressão de carga: esse condicionante vai exigir um esforço físico para 
a execução da tarefa. Sugestão de exercício: executar três saltos por 
cima de barreiras pequenas, receber a bola e goleá-la imediatamente 
com o pé ou a mão.
Ainda no processo de refinamento e qualificação das capacidades co-
ordenativas, os condicionantes de pressão ganham maior exigência quando 
são adicionados os analisadores perceptivos. Estes se manifestam no 
recebimento de uma nova informação durante a execução do movimento, 
que pode ser captada pelos sentidos do corpo. Assim, para além da pres-
Características da iniciação nos esportes coletivos10
68 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
são, o aluno terá que resolver como vai executar de forma ágil e eficaz a 
ação a partir de uma nova exigência, conforme lecionam Kroger, Roth e 
Memmert (2002).
Nesse sentido, é possível conceituar o analisador perceptivo visual como 
a capacidade de detectar a informação por meio da visão. As informações 
que são dadas pelo professor se manifestam por cores, por dada intensidade 
luminosa ou na forma, na profundidade e na largura de um alvo, por exem-
plo. É na percepção auditiva, realizada por um sinal sonoro, que o aluno 
detecta o som, a sensação sonora, a localização, a compreensão de atenção 
e a memória, que estimulam a mudança de direção, de ação motora ou de 
intensidade do movimento, por exemplo. Aqui, o sinal sonoro é transformado 
em informação.
Os diferentes tamanhos, pesos e formas das bolas podem auxiliar a desen-
volver as atividades que objetivam trabalhar o analisador tátil. É com essa 
percepção que os reconhecimentos de posicionamento de braço, de ângulo 
de lançamento ou, ainda, de uso da força são incorporados pelos alunos. As 
estruturas originadas nessa exploração serão acessadas a cada especialização, 
pois é muito diferente lançar uma bola de handebol e lançar uma bola de 
basquetebol. 
O equilíbrio corporal está relacionado ao analisador vestibular. Os 
exercícios apropriados para esse trabalho devem promover ações de de-
sequilíbrio e retomada de equilíbrio; o corpo será colocado em situações 
instáveis, e o movimento deve ser executado independentemente da posição 
estável do corpo. Exemplifica-se essa situação quando o atleta de hande-
bol realiza um arremesso a gol durante o salto. Na fase da iniciação, um 
exercício a ser praticado pode ser uma corrida em ziguezague em alta velo-
cidade por entre cones e, ao final, a subida em um step, para então saltar e 
arremessar a gol.
Por fim, o analisador cinestésico se apresenta quando o aluno é exposto a 
estímulos externos, e ele precisa compreender o seu posicionamento corporal 
no espaço em situações estáticas e dinâmicas. Por exemplo: receber uma bola 
que teve a interferência do contato do adversário durante o deslocamento. 
Esse contato se refere ao estímulo externo, que faz, de forma involuntária, 
a bola mudar sua trajetória, sua força e sua direção, obrigando o aluno a 
reavaliar a forma de executar a sua ação.
11Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 69
Além de uma perspectiva mais complexa, é possível que, para cada modalidade esportiva, 
as capacidades coordenativas possam ser exploradas, de modo que o foco do trabalho 
se paute no que é específico daquela modalidade. Da mesma forma, os condicionantes 
de pressão e os analisadores perceptivos serão utilizados para potencializar o trabalho 
específico das modalidades. Contudo, eles precisam estar incorporados de forma efetiva 
pelo aluno, para que, no momento dessas especializações, a compreensão do ato motor 
esteja articulada com os entendimentos reflexivos do jogo. Quanto maior for a compreensão 
sobre os diferentes atos de jogar, por parte do aluno, mais capaz ele será de perceber 
jogadas, identificar táticas e estratégias e executar com mais eficácia os gestos motores.
Após a fase da iniciação, isto é, do ato de jogar, podemos aproximar o 
entendimento do jogo formal de uma modalidade esportiva coletiva específica, 
utilizando-se das estruturas funcionais. As estruturas funcionais consistem 
em recortes de um jogo, em que há participação de um ou mais jogadores em 
situação de defesa ou ataque, fato que é definido pela posse da bola. Elas são 
uma fase preparatória para se chegar ao jogo propriamente dito de um esporte.
Assim, as estruturas funcionais têm por objetivo desenvolver as funções 
táticas, que estarão vinculadas às decisões que são apresentadas durante a 
execução técnica do jogo formalizado. Nesse processo, há, em cada recorte 
do jogo, um nível de dificuldade diferente, definido pelas várias informações 
recebidas: pelos cenários que se apresentam por meio do número de jogadores 
da mesma equipe que estão envolvidos na situação, ou pelo número de ad-
versários, ou na demarcação do espaço, ou, ainda, no possível contato físico.
A complexidade de cada estrutura vai estar atrelada ao confronto com o 
adversário e, da mesma forma, com a colaboração entre os colegas. Na prática, as 
estruturas funcionais são concretizadas nos fundamentos estruturais, que indicam 
o número de envolvidos na ação. Por exemplo, verificam-se as seguintes situações:
  1 × 0 — há somente um jogador nessa situação do jogo;
  1 × 1 — quando há um jogador de cada equipe (atacando e defendendo);
  3 × 2 — uma situação de superioridade numérica da equipe que está 
atacando em relação à que está defendendo.
Será nessa lógica que as atividades e ou estratégias de ensino serão elabo-
radas. O Quadro 1 apresenta exemplos de estruturas funcionais relacionadas 
aos elementos técnicos e táticos.
Características da iniciação nos esportes coletivos12
70 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Fundamento 
Estrutural
Elementos 
Técnicos
Elementos táticos
Individual Grupo
1 × 0  Condução
  Chute
  Atualização e apli-
cação do chute
  Chutar em vários seto-
res da meta e de diver-
sas regiões da quadra 
1 × 1 Enfatizar os exer-
cícios do drible 
  Executar o drible 
em diferentes se-
tores da quadra
  Realizar as diferentes 
formas de execu-
ção do drible 
2 × 2 Ênfase na ação 
do drible para 
criar a superiori-
dade numérica 
Ênfase na utilização da 
desmarcação e do passe
Cruzamento e blo-
queio com ou sem 
troca de marcação
3 × 2 Ênfase na ação 
do passe e 
deslocamento 
sem bola 
Abrir espaços para pene-
tração dos colegas e op-
ção para receber o passe
  Distribuição no 
espaço do jogo
  Coordenação 
das ações entre 
os atacantes
Quando 1. Exemplos de estruturas funcionais relacionadas aos elementos técnicos e táticos
As premissas evidenciadas sugerem uma iniciação aos esportes coletivos 
de forma mais complexa e ampliada, que solicitam do aluno o entendimento 
da lógica do jogo e que buscam qualificar as suas ações motoras. É nessa 
qualificação que o refinamento se estrutura; isto é, se o aluno consegue rea-
lizar uma tarefa motora de forma mais eficaz, sem a preocupação com uma 
técnica específica, ele estará mais bem preparado para receber e incorporar 
outras estruturas de movimento quando estas tiverem por meta a habilidade 
do esporte apreendido.
Pode-se compreender que é possível desenvolver aspectos técnicos, táticos 
e coordenativos sem haver nenhuma especialização no esporte; no entanto, 
diversas vezes se observa uma especialização precoce, que pode trazer inú-
meros prejuízos, como veremos a seguir. 
13Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos EsportesColetivos | PARTE 4 71
A especialização precoce no atletismo
O atletismo, por ser considerado o esporte-base, tem como fundamento, nas suas 
diferentes provas, as habilidades básicas, como a corrida, o salto, o arremesso 
e o lançamento. Tais habilidades motoras são naturais ao desenvolvimento de 
crianças; se não tiverem algum problema motor, as crianças vão atingir as dife-
rentes etapas do desenvolvimento a cada faixa etária de sua vida. Esse processo 
se dará sob infl uências externas, como a cultura, a motivação e o incentivo, 
que, de certa forma, defi nem o tempo de aquisição da habilidade; porém, são 
os fatores biológicos e fi siológicos que defi nem como elas serão desenvolvidas.
A lógica é sempre que a criança aprenda a correr de frente para que depois 
ela consiga correr de costas. Exigir um processo contrário é expor a criança 
a um desafio motor que, possivelmente, sem um esforço extraordinário, ela 
não conseguiria realizar, conforme leciona Nascimento (2000).
O desenvolvimento motor das crianças está atrelado ao seu desenvol-
vimento biológico e fisiológico. Naturalmente, as crianças passam pelo 
mesmo processo de desenvolvimento na aquisição das habilidades motoras 
básicas; contudo, não se pode negar a influência da cultura de movimento 
em que cada criança está inserida, dos estímulos motores que ela recebe ao 
longo da infância, das limitações impostas por modos de convivência. Por 
exemplo: crianças que pouco brincam na rua ou que fazem uso exagerado 
das tecnologias em prol de brincadeiras motoras, ou, ainda, quando há 
uma preocupação demasiada dos pais com a segurança dos filhos, bastante 
percebida em falas como “cuidado para não cair” e “se subir aí, você pode se 
machucar”. Essas situações podem limitar a exploração e a vivência motora 
das crianças, ocasionando possíveis atrasos no desenvolvimento. 
É importante destacar que as habilidades motoras são treináveis; isto é, se colocarmos 
a criança em uma situação de repetição constante de um determinado movimento, 
ela, de forma automática, conseguirá executá-lo. Nesse processo, não está sendo 
considerada a qualidade da aprendizagem, mas, sim, a forma como a criança será capaz 
de realizar a ação. Entretanto, essa aprendizagem estará atrelada à sua capacidade 
motora e cognitiva. Assim, a especialização precoce surge com um aluno que já é 
capaz de realizar de forma naturalizada uma ação motora, mas ainda necessita de um 
tempo de apropriação desse movimento para que ele se torne proficiente, conforme 
lecionam Ramos e Neves (2008).
Características da iniciação nos esportes coletivos14
72 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
O atletismo é uma modalidade esportiva que apresenta um cenário promis-
sor para a especialização precoce, já que, prioritariamente, utiliza habilidades 
básicas e, de certa forma, tem facilidade de ser executado em ambientes 
alternativos e com materiais adaptados. Ainda, é um esporte que faz parte 
dos conteúdos mais utilizados por professores e treinadores esportivos. Pode 
até ser que o professor não tenha a intenção de incentivar essa especialização; 
contudo, quando ele oferta aos alunos experiências de exercícios pautadas nos 
gestos condicionados, gestos culturalmente construídos por regras impostas 
pelos processos competitivos, ele já estará ultrapassando a fase de exploração 
dos movimentos, tão importante para o aluno.
Ainda, há situações em que essa especialização acontece quando há uma 
carga de treinamentos muito elevada, ou quando a metodologia exige repeti-
ções constantes e exaustivas do movimento. Pode ocorrer também quando o 
movimento se fundamenta em técnicas precisas e específicas, que o aluno não 
consegue realizar pelas limitações da consciência corporal sobre o movimento, 
conforme elencam Ramos e Neves (2008). O Quadro 2 traz uma comparação 
entre ações motoras exploratórias e especializadas.
Ação motora exploratória Ação motora especializada
Correr e saltar por cima de obs-
táculos de diferentes alturas
Correr e saltar por cima de barreiras
Lançar implementos por dentro 
de alvos 
Utilizar varas de bambu e arremessá-las, sempre 
iniciando o movimento de impulso por cima do 
ombro, como no lançamento dos dardos
Arremessar implementos cons-
truídos com diferentes pesos
Executar o movimento do arremesso do peso 
dentro de uma área específica de arremesso
Quadro 2. Comparativo de ações motoras exploratórias e especializadas
Para a criança ou o jovem exposto à especialização precoce, os impactos 
na sua formação afetam para além do desenvolvimento motor, abrangendo 
aspectos psicológicos e socioafetivos. É na constante dificuldade de realizar 
o movimento que o aluno acaba não reconhecendo suas capacidades ou, até 
mesmo, achando-se incapaz de executar o que é solicitado. Nas relações 
socioafetivas, essa condição pode levar à inibição, à exclusão de grupos de 
amigos e à pouca valorização de familiares.
15Características da iniciação nos esportes coletivos
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Características da Iniciação nos Esportes Coletivos | PARTE 4 73
Conforme Nascimento (2000), são os grupos sociais que incentivam ou colocam as 
crianças em situações de especialização, por entenderem que estas devem praticar 
esportes e, de certa forma, destacar-se nesse processo.
As lesões osteomusculares também podem surgir com mais frequência 
quando o aluno é exposto a treinamentos com sobrecarga e com grau de 
dificuldade elevado. É preciso respeitar a maturação óssea esquelética, para 
que esta possa suportar as exigências do próprio corpo potencializadas pelo 
uso de implementos e materiais.
O prazer deve ser o condutor de qualquer prática esportiva. No atletismo, 
ele se manifesta em forma de desafio e de superação dos próprios resul-
tados; é possível que a criança queira brincar de executar os movimentos 
simplesmente por estar motivada em conseguir ir mais longe ou saltar mais 
alto. Mesmo assim, a exigência do resultado pode exaltar aqueles que são 
mais habilidosos, e essa observação pode conduzir a treinamentos mais 
rígidos. Nessa projeção daquele que tem mais facilidade ou mais aptidão 
para as tarefas motoras das provas do atletismo, também se deve vislumbrar 
que, se esse aluno tiver um acervo amplo de situações e variações motoras, 
no momento certo da especialização, seu movimento, seu corpo e sua 
capacidade cognitiva estarão mais aptos e preparados para um avanço na 
qualidade da execução.
Enfim, a especialização não assume uma conotação negativa quando é 
realizada no momento correto do desenvolvimento global do aluno. Ela é 
favorecida pela cultura corporal vivida pelos jovens atletas e pelas experiências 
motoras por eles adquiridas. O fato que se destaca é usar das habilidades básicas 
que fundamentam o atletismo como estratégia para um refinamento daquilo 
que ainda nem foi incorporado como ação básica do ato de se movimentar, 
conforme apontam Ramos e Neves (2008).
Neste capítulo, as temáticas debatidas foram estabelecidas, de certa 
forma, na lógica de uma aprendizagem saudável sobre as modalidades es-
portivas. Ao tratar dos esportes coletivos, foram apresentadas possibilidades 
que, para além de especializar uma determinada ação motora, buscaram 
fazer com que o professor perceba a necessidade de ensinar a lógica do 
jogo, o jogar. Essa mesma coerência pode ser evidenciada nas reflexões 
Características da iniciação nos esportes coletivos16
74 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
sobre a especialização precoce no atletismo, em que se define como ponto 
a ser observado a facilidade de se utilizar de habilidades básicas de forma 
incorreta, em uma fase em que o aluno não está apto para a execução do 
movimento refinado.
1200PX-EUROPEI_DI_PALLAVOLO_2005_-_ITALIA-RUSSIA. Wikimedia, [s. l.], [2005]. 
Largura: 403 pixels. Altura: 302 pixels. Formato: JPG. Disponível em: https://upload.
wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8c/Europei_di_pallavolo_2005_-_
Italia-Russia.jpg/1200px-Europei_di_pallavolo_2005_-_Italia-Russia.jpg.Acesso em: 
10 jun. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.
mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 10 jun. 2019.
GRECO, J. P. Iniciação esportiva universal: metodologia da iniciação esportiva na escola 
e no clube. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998. v. 2.
GRECO, J. P.; BENDA, R. N. Iniciação esportiva universal: da aprendizagem motora ao 
treinamento técnico. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998. 
HOQUEI-GRAMA-JOGO. Sportregras.com, [s. l.], [2016]. Largura: 403 pixels. Altura: 249 
pixels. Formato: JPG. Disponível em: https://sportsregras.com/wp-content/uplo-
ads/2016/05/hoquei-grama-jogo.jpg. Acesso em: 10 jun. 2019.
KRÖGER, C.; ROTH, K.; MEMMERT, D. Escola da bola: um ABC para iniciantes nos jogos 
esportivos. São Paulo: Phorte, 2002.
NASCIMENTO, A. C. S. L. Pedagogia do esporte e o atletismo: considerações acerca da 
iniciação e da especialização esportiva precoce. 2000. Dissertação (Mestrado em 
Educação Física) — Faculdade de Educação Física, UNICAMP, Campinas, 2000.
RAMOS, A. M.; NEVES, R. L. R. A iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da 
teoria da complexidade–notas introdutórias. Pensar a prática, [s. l.], v. 11, n. 1, p. 1-8, 2008.
Leituras recomendadas
GALATTI, L. R. et al. Pedagogia do esporte: procedimentos pedagógicos aplicados aos 
jogos esportivos coletivos. Conexões, [s. l.], v. 6, p. 397-408, 2008.
PAES, R. R.; BALBINO, H. F. A pedagogia do esporte e os jogos coletivos. In: ROSE, D. et 
al. Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem multidisciplinar. 
Porto Alegre: Artmed, 2009.
17Características da iniciação nos esportes coletivos
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO PELA 
SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
76 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Processos Pedagógicos 
nos Esportes Coletivos
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
Objetivo Geral 
Compreender a metodologia do ensino aprendizagem nos esportes coletivos.
unidade 
2
V.1 | 2021
78 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 1
Metodologia dos Esportes
 
O conteúdo deste livro 
é disponibilizado
por SAGAH.
unidade 
2
V.1 | 2021
80 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Metodologia dos esportes
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Descrever a história e as diferentes classificações dos esportes.
  Analisar estratégias para o ensino dos esportes na educação física 
escolar.
  Planejar aulas para o ensino dos esportes em diferentes faixas etárias.
Introdução
O esporte acompanha a humanidade há séculos. No decorrer dos tempos, 
ele assumiu diferentes significados, até se constituir nos esportes con-
temporâneos. O esporte é atualmente um dos seis grupos de atividades 
(unidades temáticas) que devem ser ensinados na educação física na 
escola, que incluem também brincadeiras e jogos, danças, ginásticas, 
lutas e práticas de aventura. 
Neste capítulo, você vai aprender mais sobre a metodologia do en-
sino dos esportes. Você vai verificar um breve retrospecto da história do 
esporte e, então, vai compreender as classificações utilizadas nos esportes 
contemporâneos. Você também vai conferir uma análise das metodolo-
gias que podem ser utilizadas para o ensino do esporte (analítico-sintética, 
global-funcional e mista) e compreender como utilizá-las para planejar 
aulas para diferentes faixas etárias.
1 História dos esportes 
As práticas corporais acompanham a humanidade desde os primórdios de sua 
história. Tubino (2010) divide a história do esporte nos três períodos a seguir.
  Esporte antigo: da Pré-História até metade do século XIX.
  Esporte moderno: de 1820 até 1980.
  Esporte contemporâneo: de 1980 até hoje.
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Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 81
Tubino (2010) aponta que as práticas realizadas na Antiguidade eram muito 
diferentes das práticas esportivas atuais. Muitas delas eram de caráter utilitário 
e ligadas à sobrevivência, como nadar, correr e caçar, ou de preparação para 
a guerra, como marchas, lutas, esgrima etc. Por vezes, essas manifestações 
da cultura são chamadas não de esportes, mas de práticas autóctones. A 
constituição do esporte como o conhecemos hoje é fruto das transformações 
da cultura europeia e do processo de colonização. Se observarmos as práticas 
autóctones realizadas por outros povos, podemos trazer os seguintes exemplos 
para as culturas listadas a seguir (BRASIL, 2003; TURBINO, 2010):
  Brasileira: Xikunahaty (jogo com bola em que se utiliza apenas a cabeça), 
Ronkrã (jogo com taco e bola do povo Kayapó), Huka-huka (luta dos 
povos do alto Xingú), arco e flecha e corrida com tora.
  Chinesa: lutas chinesas, tiro ao arco chinês, esgrima de sabre, Tsu-chu 
e artes marciais chinesas. 
  Egípcia: arco e flecha, corrida, saltos, arremessos, equitação, esgrima, 
luta, boxe, natação, remo, corridas de carros e jogos de pelota.
  Etrusca: duelos armados.
  Hitita: equitação, natação, remo, esgrima, tiro e luta.
  Japonesa: artes marciais.
Os significados da realização dessas práticas eram muito diferentes do que 
os que atribuímos hoje. Muitas vezes, elas estavam envolvidas com festivais 
e rituais de celebração da colheita ou de adoração a alguma divindade, por 
exemplo. 
Durante os períodos medieval e renascentista na Europa, houve um processo 
de decadência das práticas esportivas; nessa época, elas eram escassas e, por 
vezes, muito violentas. Tubino (2010, p. 23) traz alguns exemplos dos jogos 
que eram realizados:
a) O Torneio Medieval consistia numa verdadeira batalha corporal, com duas 
equipes contrárias usando cavalos, espadas e até lanças. Os vencedores rece-
biam prêmios e os perdedores, muitas vezes, morriam nas disputas. 
b) A Soule era um esporte medieval popular, de grande violência, praticado 
na Europa Ocidental, variando em cada local, com número ilimitado de 
jogadores, que tentavam conduzir uma pelota (bexiga animal com ar) até um 
ponto pré-estabelecido de cada lado. Os jogos provocavam muitos feridos. 
Essa modalidade foi iniciada no século XI e chegou até o XIX. 
Metodologia dos esportes2
82 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
c) O jeu de palme era um jogo de bola, de origem francesa, que consistia em 
bater numa pelota com a palma das mãos. Era disputado em salas fechadas e 
teve o seu auge no século XVI. Ainda é praticado.
Algumas dessas práticas foram proibidas no século XVIII, pois passaram a 
ser compreendidas como práticas perigosas para a “ordem pública” da Europa, 
que se industrializava e vivia um período de transição de uma cultura rural 
para a urbana. A partir de 1820, o inglês Thomas Arnold, diretor do Rugby 
School, na Inglaterra, começou a codificar os esportes existentes com regras 
e competições; essa ideia rapidamente se estendeu pela Europa, dando origem 
a associações desportivas diversas. Esse fenômeno deu origem ao esporte 
moderno. 
Esse movimento ganhou muita força em 1896, com a restauração dos jogos 
olímpicos por Pierre de Coubertin. O esporte moderno passou a se pautar no 
que foi denominado ideário olímpico, ou seja, princípios da ética esportiva 
baseados no conceito de fair play. Outro conceito importante foi o de ama-
dorismo, ou seja, a defesa da aristocracia contra a prática popular do esporte.
O ideário olímpico — com base na ética e no associacionismo — começou a 
se romper em 1936 (Berlim), com a tentativa de Hitlerem provar a suposta 
supremacia ariana, prosseguindo em 1952 (Helsinque), quando os Jogos foram 
transformados em palco da chamada Guerra Fria, quadro que se estendeu por 
várias edições posteriores. O uso político-ideológico do esporte prosseguiu 
com manifestações como a do Movimento Black Power por atletas negros 
norte-americanos (México, 1968), além de sequestros e assassinatos de atletas 
israelenses (Munique, 1972) e boicotes (Montreal, 1976, Moscou, 1980 e Los 
Angeles, 1984) (KRAVCHYCHYN et al., 2012, documento on-line).
Na década de 1980, tiveram início movimentos internacionais que de-
fendiam “o esporte para todos”, por meio de manifestos de organizações 
internacionais ligadas ao esporte. Esse foi um marco da virada do esporte 
moderno para o contemporâneo (TUBINO, 2010). 
Na classificação dos esportes contemporâneos, há sete categorias que 
subdividem essas práticas corporais em virtude de suas características. Essas 
categorias são estabelecidas a partir de sua lógica interna, que é definida “[…] 
tendo como referência os critérios de cooperação, interação com o adversário, 
desempenho motor e objetivos táticos da ação” (BRASIL, 2017, documento 
on-line). Assim, as práticas são divididas nas categorias descritas a seguir 
(GONZÁLEZ; BRACHT, 2012; BRASIL, 2017):
3Metodologia dos esportes
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 83
  Esportes de marca: envolvem comparar os resultados registrados em 
segundos, metros ou quilos. Exemplos: patinação de velocidade, todas 
as provas do atletismo, remo, ciclismo e levantamento de peso. 
  Esportes de precisão: envolvem arremessar ou lançar um objeto, procu-
rando acertar um alvo, comparando-se o número de tentativas empre-
endidas, a pontuação estabelecida em cada tentativa ou a proximidade 
do objeto arremessado ao alvo. Exemplos: bocha, curling, golfe, tiro 
com arco e tiro esportivo. 
  Esportes técnico-combinatórios: leva-se em conta o resultado da ação 
motora em virtude da qualidade do movimento, segundo padrões téc-
nico-combinatórios. Exemplos: ginástica artística, ginástica rítmica, 
nado sincronizado, patinação artística e saltos ornamentais.
  Esportes de rede/quadra dividida ou parede de rebote: envolvem arremes-
sar, lançar ou rebater a bola em direção a setores da quadra adversária 
nos quais o rival seja incapaz de devolvê-la ou que levem o adversário a 
cometer um erro, rebatendo-a para fora do seu campo. Alguns exemplos 
de esportes de rede são voleibol, vôlei de praia, tênis de campo, tênis 
de mesa, badminton e peteca. Já os esportes de parede incluem pelota 
basca, raquetebol, squash etc. 
  Esportes de campo e taco: reúnem as modalidades que se caracterizam 
por rebater a bola lançada pelo adversário o mais longe possível, para 
tentar percorrer o maior número de vezes as bases, ou a maior distância 
possível entre as bases, enquanto os defensores não recuperam o con-
trole da bola, para, assim, somar pontos. Exemplos: beisebol, críquete 
e softbol.
  Esportes de invasão ou territorial: envolvem comparar a capacidade 
de uma equipe de introduzir ou levar uma bola (ou outro objeto) a uma 
meta ou setor da quadra/campo defendida pelos adversários (gol, cesta, 
touchdown etc.), protegendo, simultaneamente, o próprio alvo, meta ou 
setor do campo. Exemplos: basquetebol, frisbee, futebol, futsal, futebol 
americano, handebol, hóquei sobre grama, polo aquático, rúgbi.
  Esportes de combate: modalidades caracterizadas como disputas nas 
quais o oponente deve ser subjugado, com técnicas, táticas e estratégias 
de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado 
espaço, por meio de combinações de ações de ataque e defesa. Exemplos: 
judô, boxe, esgrima e taekwondo.
É importante compreendermos as diferentes manifestações que o esporte 
pode adotar e a definição de cada uma delas. A Lei nº. 9.615, de 24 de março 
Metodologia dos esportes4
84 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
de 1998, que institui normas gerais sobre o esporte, em seu Capítulo III, art. 
3º, apresenta as seguintes classificações:
I — esporte educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas assis-
temáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de 
seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do 
indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer; 
II — esporte de participação, de modo voluntário, compreendendo as modali-
dades esportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração 
dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação 
e na preservação do meio ambiente; 
III — esporte de rendimento, praticado segundo normas gerais desta Lei e 
regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade de 
obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com as de 
outras nações (BRASIL, 1998, documento on-line).
Neste capítulo, vamos focar no esporte educacional. Porém, essa prática, 
enquanto elemento da cultura, está integrada de diferentes formas na vida 
dos sujeitos às outras duas manifestações. Agora que conhecemos um pouco 
mais sobre a lógica interna dos esportes e as características que os compõem, 
vamos analisar as metodologias e estratégias para o ensino dos esportes nas 
aulas de educação física na escola.
2 Estratégias de ensino do esporte na escola
De acordo com Ciquelero (2011), as primeiras sistematizações de metodolo-
gias para ensino de esportes coletivos se deram por volta da década de 1960 
e foram inspiradas nos métodos já estruturados de modalidades esportivas 
individuais, especialmente do atletismo. Essas propostas traziam uma visão 
fragmentada do processo de ensino do esporte. No atletismo, cada parte do 
movimento da corrida de um atleta, por exemplo, era ensinada separadamente. 
Assim, nos esportes coletivos, passou-se a ensinar e treinar cada fundamento 
do jogo de forma isolada, considerando que, a partir das partes, o aluno ou 
atleta aprenderia ou refi naria o todo.
Contudo, no caso dos esportes coletivos, o fato de um jogador saber exe-
cutar os movimentos e fundamentos do jogo de forma isolada não garantia 
condições de responder aos problemas apresentados em situações de jogo, 
sobretudo desafios de ordem tática. Com isso, no final da década de 1970 e 
início da década de 1980, surgem autores como Bayer, na França, e Bento, 
Garganta e Graça, em Portugal, e também, em 1990, Bunker e Thorpe, na 
5Metodologia dos esportes
gilia
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Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 85
Inglaterra, que propõem novos olhares sobre o processo de ensino e apren-
dizagem dos jogos esportivos coletivos, que acarretaram novos métodos de 
ensino (CIQUELERO, 2011).
Na entrevista disponível no link a seguir, Lino Castellani, diretor do Observatório do 
Esporte e ex-secretário nacional de esporte e lazer, fala sobre as transformações que 
a educação física e, em especial, o esporte vêm sofrendo na escola e na sociedade 
brasileira em geral.
https://qrgo.page.link/YbMbu
As abordagens citadas anteriormente, sendo a primeira denominada 
analítico-sintética e a segunda, global-funcional, são os fundamentos da 
metodologia do ensino dos esportes. Uma terceira metodologia também é 
descrita na literatura e é denominada método misto, pois integra a perspectiva 
de ambas as abordagens. Posteriormente, outras abordagens foram criadas, 
a partir de variações desses três métodos iniciais, como global em série de 
jogos, confrontação, conceito recreativo do jogo esportivo e série funcional 
de jogos, entre outros (PINHO et al., 2010).
É preciso que tenhamos claro que a escolha do método de ensino a ser uti-
lizado na iniciação esportiva é de grande importância para o sucesso do aluno. 
O método selecionado deverá facilitar o processo de ensino e aprendizagem, 
sem torná-lo maçante ou desmotivadora. Devea prática 
esportiva vem ganhando espaço, pois por meio dela podemos 
desenvolver de maneira eficaz um conteúdo rico de possibilidades na 
formação de indivíduos.
Neste capítulo, você vai estudar a classificação do esporte de 
acordo com as suas manifestações, bem como identificar quais são 
as perspectivas dentro do esporte educacional e suas dificuldades, 
aprendendo a planejar atividades e jogos esportivos no ambiente escolar. 
Classificação do esporte
O esporte é a ação de praticar atividades físicas de maneira coletiva ou 
individual, gerando bem-estar físico e emocional a todas as pessoas que 
o envolvem, sendo considerado um dos fenômenos socioculturais mais 
importantes no fi nal do último século. Barbanti (2008) classifi ca o esporte 
como uma atividade competitiva institucionalizada que envolve esforço 
físico vigoroso ou o uso de habilidades motoras relativamente complexas, 
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Esporte | PARTE 1 11
por indivíduos, cuja participação é motivada por uma combinação de fatores 
intrínsecos e extrínsecos. 
Barbanti (2004) ainda nos sugere que para fazermos uma definição precisa 
do que é o esporte, é necessário considerar a especificidade da atividade 
em questão, suas condições para que ela ocorra e a orientação subjetiva dos 
participantes envolvidos.
As três manifestações do esporte
Além das várias classifi cações existentes do esporte em nossa literatura, Tubino 
(1999) classifi cou o esporte de acordo com três aspectos de sua manifestação: 
o esporte educação, o esporte participação e o esporte performance.
Esporte educação
O principal objetivo do esporte é gerar cultura, manifestações sociais e 
democratização por meio do movimento. A partir do esporte educação, 
socializamos com pessoas de nosso convívio, desenvolvendo senso crítico, 
cidadania, fazendo com que os alunos tenham consciência da importância 
da inclusão e para desenvolver a competitividade de maneira saudável. Por 
isso, justifi ca-se a importância do esporte na escola. Paes (2005) afi rma que, 
se o esporte está inserido na vivência do ser humano, ele também deve estar 
inserido em contexto escolar. 
Dessa maneira, também podemos democratizar o acesso à manifestação 
da cultura de movimento de uma sociedade por meio do seu desenvolvimento 
nas escolas, pois é pela escola que todos terão a oportunidade de socialização 
do movimento, tendo em vista que o esporte é oferecido em outros ambientes 
de socialização, mas que nem todas as pessoas têm um efetivo acesso, por 
exemplo: em praças ao ar livre, academias, escolas de esporte, etc. 
Portanto, o esporte como meio de educação acontece nas escolas por meio do 
desenvolvimento de atividades de maneira coletiva e individual com o intuito de 
formar cidadãos preparados para as adversidades cotidianas. Podemos pensar 
em esporte aliado à educação quando imaginamos uma aula de educação 
física, em que os alunos trabalham em dupla em uma determinada atividade, 
sendo que um tem uma habilidade maior nessa atividade e o outro não. O 
aluno que tem maior habilidade deve ajudar ao colega com menor habilidade 
a desenvolver a tarefa proposta. Por exemplo, o objetivo da aula é aprender 
fazer chute a gol. A atividade será em dupla e cada aluno deve fazer o chute 
a gol. O aluno mais habilidoso pode dar dicas ao colega de como ele pode 
Esporte2
12 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
chutar de maneira eficaz. Dessa maneira, os alunos desenvolvem senso de 
compreensão e respeito ao nível de aprendizagem do colega, podendo entender 
que as habilidades podem ser trabalhadas e aprendidas com calma.
Esporte participação
Neste tipo de esporte, o seu principal foco é a ludicidade da atividade proposta. 
O esporte participação ocorre em espaços formais e não formais e é praticado 
por pessoas de todas as faixas etárias e condições. Geralmente, esse tipo de 
esporte acontece no tempo de lazer, desenvolvendo a interação social, o bem-
-estar físico e mental, a diversão e o desenvolvimento pessoal. Colaborando, 
Godtsfriedt (2010) diz que o esporte participação:
[...] tem como propósitos a descontração, a diversão, o desenvolvimento 
pessoal e o relacionamento com as pessoas. Pode-se afirmar que o esporte-
-participação, por ser a dimensão social do esporte mais inter-relacionada 
com os caminhos democráticos, equilibra o quadro de desigualdades de 
oportunidades esportivas encontrado na dimensão esporte-performance. 
Enquanto o esporte-performance só permite sucesso aos talentos ou àqueles 
que tiveram condições, o esporte-participação favorece o prazer a todos que 
dele desejarem tomar parte (GODTSFRIEDT, 2010, documento on-line).
Sempre podemos presenciar o momento em que os indivíduos formam 
coletivos para alguma prática coletiva, mesmo que o esporte seja individual, 
como a corrida, o ciclismo e a natação. O importante é a participação do 
indivíduo, bem como a sua socialização. Os locais ocupados por eles são 
espaços públicos de lazer, clubes particulares, condomínios, ruas, parques, 
praças, praias e montanhas. 
A existência de vários grupos voltados para uma mesma modalidade pro-
move tanto interesse em seus participantes que seus membros promovem 
eventos extraesportivos, criam logotipo e camisas, fazem ações sociais e pro-
movem jogos amistosos com outros grupos sociais de uma mesma modalidade. 
Assim, podemos perceber que o esporte por meio do lazer transforma 
os indivíduos apela sua capacidade de interação, causando bem-estar físico, 
psíquico e social, melhorando o ambiente e promovendo ações que modifiquem 
o cotidiano. 
3Esporte
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Esporte | PARTE 1 13
Esporte performance 
Também conhecido como esporte de rendimento, o esporte performance 
visa ao êxito de vitória sobre o adversário. As modalidades são regidas por 
federações, ligas e comitês a níveis regionais, nacionais e internacionais.
O esporte performance tem regras universais, a fim de integrar todos 
os participantes que o praticam, podendo ser mais justos e possibilitar uma 
interação, tendo em vista que existem competições a níveis internacionais. 
Assim, eles podem falar uma mesma língua.
Os seus praticantes se diferem completamente dos praticantes do esporte 
educação e do esporte participação, mas é possível que, por meio desses 
esportes, eles cheguem ao esporte performance. No alto rendimento, a prática 
fica restrita aos talentos esportivos descobertos na maioria das vezes em 
escolas de base esportiva específica de alguma modalidade, que geralmente é 
promovida pelos clubes com o foco de encontrar o próximo campeão. Por isso, 
o foco do esporte performance é a vitória. Como afirmam Darido e Rangel,
[...] o esporte performance ou de rendimento, traz consigo os propósitos de 
novos êxitos e vitórias sobre os adversários e as diferentes modalidades es-
portivas estão ligadas a instituições (ligas, federações, confederações, comitês 
olímpicos) que organizam as competições locais, nacionais ou internacionais 
e tem a função de zelar pelo cumprimento das regras e dos códigos éticos 
(DARIDO; RANGEL, 2011, p. 183).
Vale lembrar que esses talentos esportivos podem ter algum tipo de aptidão 
que seja de relevância para o esporte, assim como também ter características 
físicas herdadas pela genética e que contribuem de alguma maneira para a sua 
equipe. É com o trabalho de base sólido e eficaz e uma boa equipe profissional 
que se consegue um bom talento esportivo.
Outra característica do esporte performance é a profissionalidade com que 
são tratadas as modalidades: é necessário um corpo de profissionais altamente 
qualificados para se alcançar resultados expressivos. Então, os profissionais da 
área geralmente são especializados de acordo com os objetivos de cada área de 
atuação e também trabalham em grupo. Por exemplo, um clube de ginástica 
rítmica: teremos em seu corpo profissional a técnica esportiva, que ensinará as 
técnicas de base para os alunos, bem como as suas coreografias e estratégiastambém oferecer experiências-
-problemas ou tarefas a executar que estejam adequadas à capacidade do 
aluno e lhe proporcionem momentos de prazer e alegria (GRECO; BENDA, 
1998). Veremos um pouco mais sobre cada um desses três métodos citados 
que formam o alicerce da metodologia do ensino dos esportes.
No princípio analítico-sintético, os exercícios partem da prática de frag-
mentos técnicos, táticos ou condicionais que configuram determinado esporte. 
O aluno aprende e exercita repetidamente fundamentos, que simulam deter-
minada situação ou gesto que poderá encontrar ou deverá executar ao realizar 
o esporte. À medida que ele passa a dominar melhor cada exercício, passa a 
praticar sequências mais complexas (CIQUELERO, 2011).
Metodologia dos esportes6
86 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Para exemplificar a metodologia analítico-sintética, imagine uma aula de futebol, em 
que o professor propõe aos alunos aprenderem o fundamento do passe. Ele pede 
inicialmente que formem duplas e fiquem frente a frente passando a bola. A comple-
xidade da atividade pode ser aumentada, pedindo-se para que realizem o passe com 
a parte interna do pé, o passe com a parte externa, o passe rasteiro, o passe à meia 
altura, o passe alto etc. A seguir, para os alunos praticarem o fundamento do chute, o 
professor pede que realizem um passe para o colega que vai chutar a bola em direção 
ao gol. Assim, situações cada vez mais complexas vão sendo criadas e praticadas 
repetidamente pelos alunos, na intenção de que estes aprendam os fundamentos 
técnicos e táticos do esporte.
Esse método recebeu críticas especialmente quando aplicado aos esportes 
coletivos, uma vez que a complexidade das situações de jogo é muito maior do 
que a possibilidade de vivenciá-las em processos de práticas fragmentadas e 
ensaiadas. Isso limita a criatividade dos alunos na busca de soluções rápidas, 
que surgem nas situações reais vivenciadas no esporte coletivo. Além disso, 
no contexto escolar, a repetição constante e mecânica de determinados gestos 
pode ser maçante e pouco atrativa para os alunos. Os pontos fortes que essa 
metodologia apresenta são (GRECO, 2001; PERFEITO, 2009):
  fácil aplicação;
  possibilita desenvolver de forma rápida a técnica correta das habilidades 
motoras esportivas;
  por ser realizada em etapas, o iniciante poderá ter êxito com mais 
facilidade nas atividades;
  o aluno tem facilidade em se avaliar;
  as atividades podem ser facilmente corrigidas pelo professor;
  há facilidade no controle da progressão de aprendizagem.
7Metodologia dos esportes
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 87
Novas tendências da pedagogia do esporte têm concentrado seus estudos na com-
preensão dos aspetos lógicos e organizacionais que caracterizam os esportes coletivos. 
Essa nova abordagem transcende o ensino tecnicista e valoriza a compreensão dos 
esportes coletivos como um sistema complexo, cujo ensino deve ser pautado em 
perspectivas não lineares, tendo no jogo a principal ferramenta pedagógica para 
o ensino dos esportes coletivos. Há características e lógicas comuns nos esportes 
coletivos que tornam possível considerá-los uma mesma categoria de jogos. Essas 
semelhanças funcionais formam uma grande família de jogos esportivos coletivos, 
cuja aprendizagem pode ser transferida ao nível da lógica do jogo com a prática de 
outras modalidades esportivas coletivas, de jogos em geral e da prática da própria 
modalidade esportiva (LEONARDO, SCAGLIA; REVERDITO, 2009).
O segundo método, global-funcional, se desenvolve por meio da realização 
de jogos que possibilitam ao aluno vivenciar experiências próximas da reali-
dade do esporte que está sendo ensinado. É valorizado o desenvolvimento da 
compreensão tática e dos processos que fazem parte da tomada de decisões. 
Busca-se evitar que os praticantes sejam condicionados a um desgastante 
processo de ensino da técnica e a uma especialização precoce na modalidade, 
excluindo a oportunidade de desenvolver e promover uma cultura esportiva 
apoiada na diversidade (PINHO et al., 2010). 
Metodologia dos esportes8
88 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
A aplicação do método global-funcional se dá especialmente por meio do uso de 
jogos situacionais, que podem focar mais ou menos determinados aspectos do jogo. 
Um jogo muito simples que auxilia os alunos na compreensão do posicionamento 
(defesa-ataque) é o pega-bandeira. Nele, são divididos dois times, um lado da quadra 
é o campo de defesa e o outro o campo de ataque; o objetivo é que o time seja capaz 
de adentrar no campo adversário e pegar um objeto que está no fundo desse campo, 
retornando com ele até o seu campo de defesa, sem que os jogadores do outro time 
toquem no jogador. Outra possibilidade é o jogo usualmente denominado “bobinho”, 
que estimula a realização de passes. Outro jogo um pouco mais complexo e que se 
aproxima mais da condição de jogo real no ensino do handebol, por exemplo, é dividir 
a turma em dois times de seis alunos; dois alunos de cada time são posicionados na 
linha de fundo da quadra, segurando um bambolê, que será o alvo do jogo. Os demais 
alunos se encontram dispostos na quadra e devem trocar passes e tentar arremessar a 
bola, acertando o bambolê. Infinitos jogos podem ser criados pensando na necessidade 
dos alunos em desenvolver os fundamentos e aspectos táticos dos jogos coletivos.
O uso de métodos globais de ensino do esporte tem sido mais defendido 
atualmente pelos pesquisadores dessa área, em virtude de proporcionar uma 
dinâmica prazerosa, que desenvolve ao mesmo tempo os fundamentos técnicos 
e a criatividade na resolução de problemas do jogo. Os princípios do método 
global podem também ser aplicados aos esportes individuais, pensando em 
proporcionar práticas motoras semelhantes às situações reais de aplicação 
do esporte. Mas, como eles, em geral, não exigem ações cooperativas e têm 
situações mais previsíveis, o uso de práticas mais direcionadas e fragmen-
tadas em etapas pode ser também bastante útil. Esse é o caso, por exemplo, 
da ginástica artística e dos padrões básicos de movimentos, que dividem os 
conteúdos a serem aprendidos pelos alunos em aterrissagens, posições está-
ticas, deslocamentos, rotações, saltos e balanços que devem ser praticados 
(VANCINI et al., 2015).
Veremos a seguir como podemos desenvolver a metodologia do ensino 
do esporte em aulas da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino 
médio.
9Metodologia dos esportes
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 89
Pinho et al. (2010) analisaram a influência da aplicação de jogos situacionais sobre os 
níveis de conhecimento tático processual (CTP) de escolares na faixa etária entre 10 e 
12 anos. Na realização da pesquisa, os autores dividiram os 35 sujeitos em dois grupos. 
No Grupo 1, aplicaram o método global-funcional, por meio de jogos situacionais; 
no Grupo 2, utilizaram um método misto. As 18 aulas realizadas foram filmadas, e os 
alunos foram testados utilizando o teste KORA. Verificou-se que, no Grupo 1, houve 
uma melhoria no CTP dos alunos em todos os parâmetros. Já o Grupo 2 não apresentou 
melhora significativa em nenhum dos parâmetros analisados. Os autores concluíram 
que o método de ensino centrado nas capacidades táticas (situacional) é eficaz para 
estimular o desenvolvimento do conhecimento tático processual.
3 Planos de aula
Vamos apresentar a seguir alguns planos de aula que exemplifi cam como 
podemos ensinar os esportes na educação física escolar. Para tanto, deve-se 
levar em conta as três esferas fundamentais no que diz respeito ao desenvolvi-
mento de aprendizagens e competências, que são as dimensões procedimental, 
conceitual e atitudinal. A dimensão procedimental diz respeito a saber fazer, 
o que envolve a tomada de decisões e a habilidade de executar determinado 
gesto — participar de um jogo ou esporte,por exemplo. A esfera conceitual 
se refere a conhecer conceitos, signifi cados, símbolos, processos históricos 
— enfi m, os aprendizados intelectuais que giram em torno de determinado 
conteúdo. E, por fi m, a dimensão atitudinal diz respeito a ações, valores 
e normas ligadas às relações humanas. Cada uma dessas esferas deve ser 
desenvolvida no decorrer das práticas propostas.
Plano 1 — educação infantil
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a educação 
infantil deve ser pautada por campos de experiência, que são (BRASIL, 2017): 
a) o eu, o outro e o nós; 
b) corpo, gestos e movimentos; 
c) traços, sons, cores e formas; 
Metodologia dos esportes10
90 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
d) escuta, fala, pensamento e imaginação; 
e) espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. 
Assim, ao desenvolvermos nossas aulas, não vamos ensinar diretamente 
handebol, atletismo ou qualquer outro esporte, mas trabalhar elementos desses 
esportes que estejam relacionados aos campos de experiência que os alunos 
da educação infantil devem vivenciar. No plano de aula que vamos apresentar, 
destinado a uma turma de jardim B, com crianças de 5 anos de idade, vamos 
apresentar aos alunos elementos de dois esportes coletivos com bola: o han-
debol e o basquete. Você verá que todos esses campos estarão presentes em 
uma aula de educação física.
Aquecimento
Dança de roda: roda cotia (“de noite e de dia, na casa da titia, o vento soprou, 
e a casa caiu”. Nesse momento, todos se sentam no chão). Em roda, o profes-
sor mostra duas bolas para os alunos, uma de basquete e uma de handebol, e 
pergunta em que esporte são usadas. Pergunta se eles conhecem o basquete 
e o handebol. 
Parte principal
Atividade 1: o professor coloca quatro caixas de papelão, uma em cada canto 
da quadra, e distribui uma bola de basquete e/ou handebol para cada aluno. 
Pede para brincarem livremente, tentando quicar a bola. Quando apitar, todos 
devem correr para uma das caixas, colocar a bola dentro e se sentar o mais 
rápido possível no centro da quadra.
Atividade 2 — queimada: os alunos são divididos em dois grupos; cada um 
fi ca de um lado da quadra, com bolas de borracha (preferencialmente bolas 
leves). O objetivo do jogo é lançar a bola e acertar no colega do outro time. 
Aqueles que forem pegos, passam a fazer parte do outro time; assim, todos 
os alunos participam do jogo.
Atividade 3 — pega-pega na linha: o professor mostra para os alunos quais 
são as linhas que formam a quadra de basquete e quais formam a quadra de 
handebol. Pede que caminhem nessas linhas. Cada vez que o professor disser 
basquete, os alunos devem apenas usar as linhas que defi nem essa quadra; o 
11Metodologia dos esportes
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 91
mesmo deve ocorrer quando o professor disser handebol. Depois de os alunos 
passarem a conhecer essas demarcações, inicia-se o pega-pega.
Volta à calma
Com os alunos sentados em círculo, com as pernas estendidas para a frente e 
os pés se tocando, coloca-se uma bola no colo de um dos alunos. O objetivo 
do jogo é passar a bola para o colega do lado sem usar as mãos e sem derrubar 
a bola, que deve fazer toda a volta no círculo.
Se analisarmos essa aula, veremos que estão aqui presentes questões re-
lacionadas aos campos de experiência e às três dimensões das competências. 
Estão presentes as relações, ou seja, o eu, o outro e o nós, pois muitas das 
atividades envolvem brincar com o outro, o que contempla as competências 
atitudinais. Também estão presentes a escuta, a fala e o pensamento, a neces-
sidade de reconhecer as diferentes cores e formas das quadras, os tamanhos, 
as cores e os pesos das bolas utilizadas, e os espaços onde são realizados 
cada um dos esportes, que atendem às competências conceituais. Por fim, 
há práticas que envolvem o movimento do corpo, em brincadeiras em que 
os alunos devem correr ou quicar e lançar a bola, elementos vinculados às 
competências atitudinais. 
Plano 2 — ensino fundamental
A realização das práticas corporais nas aulas de educação física no ensino 
fundamental deve levar em conta as seis unidades temáticas que compõem 
os conteúdos dessa disciplina. Além disso, deve privilegiar as oito dimensões 
do conhecimento (BRASIL, 2017), que são:
  experimentação das práticas corporais;
  uso e apropriação das práticas, o que proporciona autonomia;
  fruição, apreciação estética e prazer;
  reflexão sobre a ação;
  construção de valores;
  análise dos aspectos intrínsecos às práticas corporais;
  compreensão da relação entre as práticas corporais e os contextos 
socioculturais;
  protagonismo comunitário. 
Metodologia dos esportes12
92 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Vamos imaginar uma turma de 2º ano, com crianças de aproximadamente 7 
anos. O professor de educação física identificou que há uma pista de atletismo 
próxima a escola e utilizou esse fato para abordar a temática com seus alunos. 
Primeiramente, é necessário contextualizar a atividade com os alunos: pode-se 
perguntar se alguém já praticou alguma atividade de atletismo e quais são as 
modalidades que conhecem; além disso, pode-se contar a história dessa prática.
Aquecimento
Deve-se propor alongamentos e exercícios de mobilização articular. É fun-
damental aquecer os músculos e as articulações que serão utilizados nas 
atividades, que, nesse caso, envolverão todo o corpo. Propõe-se uma corrida 
lenta para reconhecimento da pista. Pode-se também propor um pega-pega, 
para tornar a aula mais lúdica.
Parte principal
Atividade 1 — corrida de revezamento: dividem-se os alunos em grupos 
de quatro pessoas. Cada um fi cará disposto ao longo da pista, com intervalos 
regulares. O primeiro deve levar um bastão, que passará para o segundo, e 
assim por diante.
Atividade 2 — salto em distância e salto triplo: inicia-se com o salto em 
distância, que é uma atividade mais simples. Pode-se inicialmente deixar os 
alunos saltarem livremente e analisar a técnica utilizada pelos colegas que 
saltaram mais longe. Posteriormente, ensina-se a técnica de saltar com os dois 
pés à frente. Para o salto triplo, em que os dois primeiros passos são dados com 
a mesma perna, pode-se utilizar inicialmente bambolês ou marcas no chão. 
Atividade 3 — arremesso de pelota: caso a escola não possua pelotas, podem 
ser utilizados sacos de areia ou tijolos maciços. Mais uma vez, pode-se inicial-
mente deixar os alunos lançarem livremente e analisar a técnica utilizada pelos 
colegas que arremessaram mais longe. Posteriormente, ensina-se a técnica. 
Volta à calma
Realizam-se exercícios de alongamento de membros superiores e inferiores. 
Desenvolve-se uma conversa sobre a história do atletismo. Pode-se contextuali-
zar seu surgimento na Grécia Antiga, nos Jogos Olímpicos de 776 a.C. Deve-se 
13Metodologia dos esportes
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 93
deixar claro que é um esporte composto por um conjunto de modalidades de 
corrida, marcha, saltos e lançamentos. 
A utilização de um espaço público para a realização da aula é um elemento 
que incentiva os alunos a desenvolverem sua autonomia na prática de lazer e 
facilita a compreensão dos contextos socioculturais ligados ao esporte, uma 
vez que permite conexões entre a realidade local, vivenciada pelos alunos, 
e o contexto cultural. Além disso, o trabalho com atletismo e modalidades 
menos comuns de esportes enriquece o leque de conhecimentos referentes à 
diversidade de práticas.
A BNCC (BRASIL 2017) indica uma ordem que deve ser levada em conta no 
ensino dos esportes ao longo do ensino fundamental. Não é proibido trabalhar 
outros conteúdos, mas os que estão descritos devem ser abordados. Isso auxilia 
na organização dos conteúdos da educação física escolar ao longo dessa etapa 
de ensino. Veja no Quadro 1 a seguir a indicação da BNCC. 
 Fonte: Adaptadode Brasil (2017). 
1º e 2º anos 3º ao 5º anos 6º e 7º anos 8º e 9º anos
Esportes de 
marca e de 
precisão
Esportes de 
campo e taco, 
de rede/parede, 
de invasão
Esportes de 
marca, de 
precisão, 
de invasão 
e técnico-
combinatórios
Esportes de 
rede/parede, de 
campo e taco, 
de invasão e 
de combate
 Quadro 1. Ordem do ensino dos esportes no ensino fundamental 
Plano 3 — ensino médio
No ensino médio, a educação física compõe a área de linguagens e suas 
tecnologias, em conjunto com língua portuguesa, arte e língua inglesa.
Esta área tem a responsabilidade de propiciar oportunidades para a consoli-
dação e a ampliação das habilidades de uso e de reflexão sobre as linguagens 
— artísticas, corporais e verbais (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita) 
—, que são objeto de seus diferentes componentes (Arte, Educação Física, 
Língua Inglesa e Língua Portuguesa) (BRASIL, 2017, documento on-line).
Metodologia dos esportes14
94 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Deve-se, no ensino médio, aprofundar os conhecimentos referentes às 
unidades temáticas que compõem os conhecimentos pertinentes à educação 
física e que foram abordados no ensino fundamental. Vamos trazer como 
exemplo um plano de aula para uma turma do 3º ano do ensino médio, com 
jovens em torno de 16 anos, em que teremos como objetivo desenvolver a 
prática do futebol.
Aquecimento
Um toque: neste jogo, três alunos jogam na linha e um como goleiro. Os 
jogadores devem trocar passes dando apenas um toque na bola. O objetivo 
dos jogadores da linha é marcar gols. Se o goleiro tocar na bola, ou se os 
jogadores da linha chutarem a bola para fora três vezes, o jogador que fez o 
último toque na bola vai assumir a posição de goleiro. 
Parte principal
Jogo de pega-bandeira e, depois, jogo de futebol com quatro boleiras: a turma 
é dividida em dois grupos; no fundo de cada campo são colocados quatro 
cones, que delimitam duas goleiras. Joga-se com as mesmas regras do futebol. 
O objetivo desse jogo é estimular os alunos a utilizarem os fl ancos da quadra 
e exigir confi gurações defensivas diversas.
Volta à calma
Bola imaginária: em círculo, um aluno fi nge que tem uma bola nas mãos. Por 
meio de gestos, ele vai indicar para os colegas o tamanho e o peso dessa bola. 
Ao passar para o colega do lado, este deve transformar o tamanho e o peso da 
bola. Segue-se essa dinâmica até a bolinha “voltar” para o aluno que iniciou 
a atividade. Então, são realizados exercícios de alongamento
A aula proposta apostou na utilização de jogos situacionais, desenvolvendo 
elementos técnicos, como passe e chute, e táticos, como o posicionamento 
— isso no primeiro jogo. O segundo jogo desenvolveu especialmente o posi-
cionamento e a movimentação dos jogadores de defesa e ataque; por fim, foi 
apresentado um jogo muito semelhante ao esporte em si. O desenvolvimento 
da aula foi se desenrolando de jogos menos para mais complexos. 
15Metodologia dos esportes
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Metodologia dos Esportes | PARTE 1 95
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Metodologia dos esportes16
96 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
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Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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17Metodologia dos esportes
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Parte 2
Processos Pedagógicos nos 
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unidade 
2
V.1 | 2021
98 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Processos pedagógicos 
nos esportes coletivos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Discutir a natureza dos esportes coletivos.
 � Descrever a metodologia do ensino-aprendizagem nos esportes 
coletivos.
 � Reconhecer o papel dos esportes coletivos na investigação da cultura 
corporal do movimento.
Introdução
Fenômeno que faz parte do cotidiano de várias civilizações, o esporte é 
um dos conteúdos básicos das aulas de educação física. Nesta disciplina, 
ele é um dos temas favoritos, com destaque para as modalidades coletivas, 
que envolvem grandes grupos, trazendo o benefício do exercício físico 
e promovendo ensinamentos que vão além dos campos e das quadras.
Assim, os esportes coletivos exercem um papel importante como 
expressão cultural para os praticantes. Entretanto, para que isso ocorra, 
são necessárias metodologias adequadas que valorizem todo o potencial 
que essas modalidades esportivas desenvolvem nas pessoas que estão 
envolvidas em sua prática.
Neste capítulo, você conhecerá a natureza dos esportes coletivos, bem 
como a metodologia de ensino-aprendizagem utilizada nesses esportes. 
Além disso, conhecerá o papel dos esportes coletivos na investigação da 
cultura corporal do movimento.
ProcessosPedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | PARTE 2 99
Natureza dos esportes coletivos 
Ao falar em esporte, naturalmente, pensa-se em diversão, bem-estar, intera-
ção, alegria ou disputa entre atletas ou praticantes. Os esportes que possuem 
equipes disputando entre si são chamados de esportes coletivos. Teodorescu 
conceitua esporte coletivo da seguinte forma:
O jogo desportivo coletivo representa uma forma de atividade social or-
ganizada, uma forma específica de manifestação e de prática, com caráter 
lúdico e processual, do exercício físico, na qual os participantes (jogadores) 
estão agrupados em duas equipes numa relação de adversidade típica não 
hostil (rivalidade desportiva), relação determinada pela disputa através da 
luta com vista à obtenção da vitória desportiva, com a ajuda da bola (ou de 
outro objeto de jogo), manobrada de acordo com regras pré-estabelecidas 
(TEODORESCU, 1984, p. 23).
Em consonância com essas palavras, Garganta (1998) aponta que, além 
do duelo entre duas equipes que realizam a disputam, estas se movimentam 
de forma muito particular, alternando-se em situações ora de ataque, ora de 
defesa, sendo essas movimentações vitais na busca para atingir o objetivo 
da vitória.
Bayer (1986 apud OLIVEIRA, 2015) sublinha que as modalidades es-
portivas coletivas apresentam características bastante próprias, tais como: 
um objeto esférico (geralmente a bola), que é lançado pelos jogadores do 
mesmo time em busca do objetivo, que é marcar o gol ou o ponto; um terreno 
delimitado (onde ocorre o jogo); uma meta, em que se ataca ou se defende 
(p. ex., uma baliza ou uma cesta); companheiros de equipe, que impulsio-
nam o jogo de ataque; adversários que há de se vencer; e regras que devem 
ser respeitadas. A Figura 1 apresenta um exemplo de esporte coletivo que 
abrange essas características. 
Processos pedagógicos nos esportes coletivos2
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100 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Figura 1. Polo aquático é uma das modalidades coletivas. 
Fonte: luca85/Shutterstock.com.
Além das características citadas, Greco (1995 apud CASAGRANDE, 2012) 
destaca que os esportes coletivos também apresentam como elementos de sua 
natureza a imprevisibilidade das ações, a presença do público, as situações — 
pois as ações dos atletas se modificam conforme a situação/ambiente em que 
está ocorrendo a disputa — e a cooperação, que deve ocorrer entre membros 
de uma equipe para que se obtenha sucesso.
Como exemplos de esportes coletivos, destacam-se: futebol, futsal, voleibol, basque-
tebol, handebol, corridas de revezamento, provas por equipes das ginásticas artística 
e rítmica e da natação, futebol americano e polo aquático.
3Processos pedagógicos nos esportes coletivos
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | PARTE 2 101
Existem três elementos importantes para o sucesso de uma equipe de 
esporte coletivo: estratégia, técnica e tática. Por estratégia, entende-se o plano 
teórico de uma equipe, que pode ser a curto, médio ou longo prazo, definido 
conforme os campeonatos disputados, os adversários e os recursos disponíveis. 
Em suma, a estratégia seria o planejamento do todo de uma equipe. Além 
disso, pode ser pensada para uma partida, conforme o adversário (SILVA; 
ROSE JUNIOR, 2005).
A tática, por sua vez, é um elemento essencial, pois é ela que definirá como 
uma equipe irá se portar durante o jogo ou parte dele. Assim, envolve os siste-
mas e o que os jogadores terão de fazer para suplantar os pontos fortes e tirar 
proveito dos pontos fracos do adversário. Em suma, sua função é colocar em 
prática a estratégia para aquela partida. A tática é um instrumento importante, 
e, durante um jogo, a equipe pode ter várias posturas táticas, conforme as 
situações ocorridas. Pode ser dividida em: tática individual, grupal ou coletiva 
(SILVA; ROSE JUNIOR, 2005).
A tática individual envolve apenas um jogador e as tarefas que ele deve realizar. 
Embora seja individual, em um esporte coletivo, toda e qualquer ação de um colega 
ou adversário traz consequências para os demais. A tática grupal, por sua vez, envolve 
mais de um jogador, não sendo feita pelo todo. Como exemplo, pense em um jogo de 
basquete em que, dos cinco jogadores, três ficam incumbidos de marcar sob pressão, 
e dois, mais recuados. São táticas grupais diferentes. Por fim, tática coletiva é aquela 
que envolve todos os atletas, ou seja, todos têm de cumprir a mesma função, como, 
por exemplo, marcar por zona.
Outro elemento importante no esporte coletivo é a técnica, que envolve a 
execução de movimentos que visam a dar sequência aos jogos. É considerada 
como os fundamentos de um jogo, como, por exemplo, o saque e o bloqueio no 
voleibol, ou o chute e o drible no futebol. Sem a técnica correta, uma equipe 
não consegue evoluir no seu objetivo: atingir a meta adversária (SILVA; ROSE 
JUNIOR, 2005).
Processos pedagógicos nos esportes coletivos4
102 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Konzag (1991 apud SILVA; ROSE JUNIOR, 2005) sublinha que, nas 
modalidades coletivas, a técnica possui algumas particularidades, como: 
diversidade de elementos técnicos existentes, técnica individual, rápida atu-
ação dos programas de ação, de acordo com as necessidades do jogo, grande 
diferença entre velocidade de execução, execuções motoras sob a pressão 
direta e indireta do adversário, entre outras.
Cabe ressaltar, ainda, que apenas ter uma boa técnica não implica sucesso, 
pois ela não garante, necessariamente, o acesso a um jogar inteligente, uma 
vez que jogar bem implica compreender a lógica estrutural do esporte coletivo, 
que envolve outros elementos, como a tática e a estratégia, todos envoltos nas 
ações grupais (DAOLIO, 2002).
Metodologia de ensino-aprendizagem 
dos esportes coletivos
Como visto, os esportes coletivos possuem características únicas, e, com isso, 
pode-se afirmar que toda metodologia empregada para o seu ensino deve ser 
baseada nas etapas já descritas. Desse modo, Oliveira (2015, p. 11) afirma 
que “as atividades a serem realizadas devem ser adaptadas aos alunos e as 
situações que podem ocorrer, assim fortalecendo a aprendizagem construtiva 
na percepção esportiva dos alunos, mas adequando a metodologia de ensino 
e aprendizagem”.
Casagrande (2012) aponta que um dos primeiros passos para o ensino desses 
esportes é o reconhecimento das bagagens sociais e culturais, ou seja, das 
experiências que os alunos já detêm sobre determinado esporte, o que facilita 
a troca de informações, além de aumentar a motivação para a prática. Além 
disso, o conhecimento prévio do aluno permite que o professor não precise 
começar do “zero”, podendo utilizar situações que o aluno já compreende.
Contudo, esse conhecimento não necessita, obrigatoriamente, ser sobre o 
esporte que o professor irá ensinar em questão, pois muitos alunos realizam 
a chamada “transferência de aprendizagem”. Por exemplo, um praticante de 
handebol, ao entrar em contato com o basquete, utilizará elementos do pri-
meiro esporte no segundo, pois há estruturas semelhantes em ambos, como 
cooperação entre a equipe e fundamentos técnicos e táticos.
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Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | PARTE 2 103
Sobre a iniciação esportiva, Bompa cita que o professor deve começar 
pelas chamadas atividades de base:
O professor ou treinador deve elaborar atividades que desenvolvam habilidades 
multilaterais, como corrida, saltos, movimentos de arremessar, chutar, rebater 
e rolar, pois, essas habilidades motoras fundamentais servirão de alicerce para 
que as crianças tenham sucesso na aprendizagem de habilidades específicas 
ou esportivas. Assim executando o jogo com uma melhor performance. É 
importante ressaltar que um bom desenvolvimento das habilidadesmotoras 
fundamentais se torna importante para que a criança adquira um repertório 
motor satisfatório e adequado para facilitar o aprendizado futuro de apren-
dizagens mais complexas (BOMPA, 2002 apud OLIVEIRA, 2015, p. 11).
Após o desenvolvimento dessas ações, Garganta (2000, p. 55) enfatiza que é 
preciso que as competências ensinadas transcendam “a execução propriamente 
dita e se centrem na assimilação de ações e princípios do jogo”. Logo, o profes-
sor deve dar ênfase à ação de jogar, criando atividades que sejam fidedignas 
ao jogo, as quais criarão e automatizarão uma série de situações e vivências 
motoras, facilitando e agilizando a tomada de decisões e as ações motoras.
Com isso, observa-se que a abordagem tradicional de ensino envolve as 
simples ações mecânicas de repetir os fundamentos técnicos de determinando 
esporte (geralmente divididas em fragmentos por meio do método analítico-
-parcial). No entanto, essas ações estão distantes da realidade do jogo, pois 
não permitem uma leitura da dinâmica do esporte, tampouco uma reflexão 
crítica sobre suas ações, dificultando que o aluno crie situações e as resolva 
durante uma jogada na partida.
Os métodos tradicionais de ensino para esportes coletivos possuem três grandes 
vertentes: o método analítico-parcial (que ensina por meio da repetição do exercício; 
ou seja, o esporte é ensinado em partes), o método global-funcional (que ensina por 
meio do jogo com pouca fundamentação técnica) e o método misto (uma unificação 
dos dois métodos anteriores).
Processos pedagógicos nos esportes coletivos6
104 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Casagrande (2012) aponta que não há um método melhor, mas sim aquele 
mais apropriado para a faixa etária e as características do grupo. Os métodos 
atuais têm buscado elucidar o papel do aluno no processo de ensino-aprendi-
zagem e como ele ocorre dentro de um contexto de jogo. Esses métodos são 
chamados de ativos, pois levam em consideração o interesse do aluno. Saad 
esclarece a diferença entre esses métodos:
De uma parte, os métodos tradicionais ou métodos didáticos baseiam-se nos 
princípios da simplicidade, da análise e da progressividade (decompõe-se 
em elementos a matéria a ensinar). Há dois processos fundamentais que 
participam a toda aquisição: a memorização e a repetição que permitem 
aplicar sobre a criança o rigor do adulto. De outra parte, há os métodos ati-
vos, que levam em conta os interesses presentes da criança e que solicitam 
a partir de situações vividas, a iniciativa, a imaginação e a reflexão pessoal 
para favorecer a aquisição de um saber adaptado (SAAD, 2002, p. 29 apud 
CASAGRANDE, 2012, p. 42).
Greco (1998) aponta como exemplo de metodologia ativa os métodos 
situacionais, nos quais se utiliza jogos que representam situações reais, com 
problemas táticos próximos ou iguais aos que podem ocorrer durante uma 
partida. Como exemplo de metodologia ativa, pode-se citar três exemplos: os 
jogos táticos, o método pendular e os jogos condicionados.
Os jogos táticos envolvem o uso de habilidades motoras e de aprendizagem 
tática no contexto de um jogo, junto a um problema tático associado (CASA-
GRANDE, 2012). Nesse modelo, os exercícios são realizados junto ao jogo, 
para que o aluno contextualize a aplicação prática às habilidades motoras 
treinadas. Já nos jogos táticos, o professor dá um problema tático ao aluno 
(p. ex., como um atleta ajudaria o colega sem a posse da bola), seguido da 
vivência (jogo), dos questionamentos (reflexões acerca do problema tático, 
se foi solucionado e feedback para a resolução) e, por fim, da volta ao jogo 
para correções e continuidade. Por fim, os jogos condicionados (Figura 2) 
buscam enfatizar o aprendizado da tática e da técnica concomitantemente ao 
princípio de jogar para aprender, focando no processo de tomada de decisões 
(CASAGRANDE, 2012). Esse método também é chamado de jogos reduzidos, 
pois diminui o número de atletas praticantes e o espaço da prática, além de 
ter maior flexibilidade das regras para que o jogo ocorra. 
7Processos pedagógicos nos esportes coletivos
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Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | PARTE 2 105
No entanto, os professores devem preocupar-se em manter os objetivos 
do jogo e os elementos estruturais essenciais do esporte formal. Além disso, 
esses jogos devem ser diversificados, propiciando situações diferentes, com 
tomada de decisões constantes.
Os Jogos Condicionados utilizados como forma de treinamento, através de 
conceitos, princípios teórico-práticos e processos pedagógicos da estratégia, 
visam desenvolver uma consciência nos atletas de todos os aspectos de en-
tendimento do jogo. Na busca desta conscientização, as ações táticas devem 
ser realizadas de formas variadas, dentro de uma situação real de jogo, para 
que os atletas entendam e conheçam o jogo, obtendo uma melhor leitura do 
mesmo (OLIVEIRA; NOGUEIRA; GONZALEZ, 2010, p. 7 apud CASA-
GRANDE, 2012, p. 58).
Figura 2. Jogos condicionados durante treino da seleção brasileira masculina de futebol. 
Fonte: Seleção... (2016, documento on-line).
O modelo pendular, proposto por Daolio (2002), possui três elementos 
fundamentais: os princípios operacionais (de ataque e defesa), as regras de ação 
(necessárias para alcançar os princípios operacionais, como ações individuais 
e coletivas) e, na base do pêndulo, os gestos técnicos, que são o “modo de 
fazer” o jogo. 
Processos pedagógicos nos esportes coletivos8
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106 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Para conhecer um pouco mais sobre o modelo pendular e a sua importância para o 
ensino dos esportes coletivos, leia o artigo “Jogos esportivos coletivos: dos princípios 
operacionais aos gestos técnicos — modelo pendular a partir das idéias de Claude 
Bayer”, disponível no link a seguir.
https://qrgo.page.link/azoWq
Freire e Scaglia (2003) apontam que essa metodologia ajuda o professor a 
criar condições favoráveis e facilitadoras para aprendizagens significativas. 
Para isso, no entanto, é preciso ter objetivos previamente definidos, aliados 
ao ambiente do jogo, satisfazendo às necessidades do jogador com situações 
que o absorvam inteiramente. 
Sendo assim, o jogo aplicado, no ensino das modalidades coletivas, deve 
estar associado ao planejamento de ensino e a um objetivo pedagógico, caracte-
rizando, assim, o que se denomina um ambiente de aprendizagem significativo 
(SCAGLIA; REVERDITO; GALATTI, 2013). Todavia, a metodologia, para 
ser eficaz, precisa manter as características do jogo, como imprevisibilidade 
e desafios para as soluções de problemas.
Esportes coletivos e a cultura corporal de 
movimento
Antes de abordar a cultura corporal de movimento, faz-se necessário atentar 
para o fato de que o conceito de cultura é vasto e, na visão abordada neste 
capítulo, se refere à forma de hábitos e práticas, o que Geertz (1989) define 
como algo significativo transmitido historicamente que atua como símbolo 
para as mais variadas gerações. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) 
definem cultura da seguinte forma:
A cultura é o conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo: neles 
o indivíduo é formado desde o momento da sua concepção; nesses mesmos 
códigos, durante a sua infância, aprende os valores do grupo; por eles é mais 
tarde introduzido nas obrigações da vida adulta, da maneira como cada grupo 
social as concebe (BRASIL, 1998, p. 23).
9Processos pedagógicos nos esportes coletivos
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | PARTE 2 107
Nesse contexto, tem-se o conceito de cultura corporal do movimento, que, 
segundo os PCNs, fez o ser humano buscar movimentos mais eficazes tanto para 
a sua sobrevivência quanto para questões lúdicas. Dentre esses movimentos, 
alguns foram incorporadas pela educação física para as práticasda cultura 
corporal, tais como: ginástica, lutas, dança, jogo e esporte. Alexandre, Kofahl 
e Santana (2009, documento on-line) sublinham que:
A cultura corporal enquanto fenômeno educativo vai relacionar os valores 
e finalidades que se visualizam na Educação Física, onde os objetivos dela 
se orientarão não diretamente para o corpo, mas indiretamente, por meio 
da ação sobre a personalidade (os motivos, as atitudes, o comportamento, 
intelecto, vontade e emoção). Assim formaremos cidadãos mais críticos que 
vão usufruir, partilhar, produzir, reproduzir e transformar as formas culturais 
da atividade física.
Portanto, percebe-se que o esporte é um fenômeno sociocultural que está 
presente na vida do homem, manifestando-se nas mais variadas formas, sendo 
uma delas a partir dos esportes coletivos, como prática, lazer, entretenimento 
e diversão. 
Entre os conteúdos trabalhados nas aulas de educação física, os esportes 
(principalmente os coletivos) são os mais desenvolvidos. No entanto, faz-se 
necessário que esse conteúdo não fique distante da realidade, mas sim que 
ajude o aluno a compreendê-la, de modo que essa abordagem deve ser crítica, 
contextualizada e com significado. 
Partindo-se desse princípio, o aluno não deve só aprender os movimentos 
do esporte enquanto um sujeito histórico, mas sim compreendê-lo em múltiplas 
formas, como a mídia e a cultura. Como exemplos, destaca-se o futebol ameri-
cano, que está em alta como conteúdo midiático devido à espetacularização do 
jogo, principalmente no “Super Bowl”. Ao utilizar esse esporte coletivo como 
elemento da cultura corporal, o professor trabalhará suas regras, o fundamento, 
o jogo pré-desportivo, mas também proporá uma discussão sobre o esporte 
como forma de espetáculo, podendo indagar se os alunos o conhecem e, se 
sim, por qual meio midiático. Para associá-lo à realidade, basta buscar alguma 
prática vivenciada pelos alunos que seja parecida com essa modalidade (por 
ser um esporte considerado de invasão, pode-se associá-lo com o handebol ou 
o basquete, que também se jogam com as mãos e têm a mesma característica 
progressiva de tentar ocupar o lado de defesa adversária) e apontar quais seriam 
as diferenças entre ambas. Além disso, o professor pode permitir que o aluno 
desenvolva sobre o jogo, criando novas regras adequadas à sua realidade.
Processos pedagógicos nos esportes coletivos10
108 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Assim como o exemplo dado, outras modalidades esportivas coletivas 
também podem ser utilizadas como ponto de partida para a análise cultural, 
como o futebol, o vôlei e o basquete, bem como suas transformações ao longo 
do tempo, desde regras, equipamentos até a forma de jogar, o espaçamento na 
mídia e as influências nas comunidades.
Outro importante papel que os esportes coletivos trazem são benfeitorias 
sociais, motoras, afetivas, psicológicas e possibilidades de expressão a partir 
de sua prática. Daolio (2002) aponta que o ensino dos esportes coletivos 
só traz benefícios aos que os praticam. Além de bem-estar, socialização, 
companheirismo e respeito aos adversários, o esporte coletivo colabora com 
a formação de alunos inteligentes, cooperativos e autônomos, capazes de 
escolher a modalidade esportiva que irão praticar em seus momentos de lazer 
durante a vida e aptos a participar de diferentes modalidades esportivas, uma 
vez que possuem os princípios básicos do esporte coletivo (PAES, 2001 apud 
OLIVEIRA, 2015). Desse modo,
Os esportes coletivos são um excelente meio para formação de cidadãos, um 
grande elemento da cultura de nosso país, visto os excelentes benefícios que 
essa prática desenvolve, gerando uma vida mais sadia e provida de objetivos 
claros. Na maioria dos locais onde a prática esportiva se faz constantes, 
principalmente nas escolas, o ensino está baseado em uma prática desprovida 
de diferenças, ou seja, uma atividade com um fim voltada para coletividade 
(PAES, 2001 apud OLIVEIRA, 2015, p. 13).
Corroborando essa afirmação, Coutinho e Silva (2009) afirmam que os 
esportes coletivos exercitam o corpo e a mente, auxiliando o aluno de forma 
integral, inclusive nos meios acadêmicos e nas questões disciplinares, por 
meio de uma maior interação com os colegas.
Valendo-se das ideias de Galatti e Paes (2006), Oliveira (2015) aponta que 
os esportes coletivos desenvolvem a parte afetiva do praticante, proporcionando 
ao aluno noções de coletividade, companheirismo, relacionamento com joga-
dores da equipe e com adversários e, principalmente, habilidade individual 
mais útil, quando aplicada em benefício do coletivo. Uma prática constante 
dessas modalidades também trará melhorias nos aspectos motores, tornando 
os movimentos mais eficientes e padronizados. Além disso, as questões táticas 
desenvolvem o lado cognitivo do praticante, devido à tomada de decisões 
inerente ao jogo, uma vez que os esportes coletivos trabalham a partir da ideia 
de resoluções de problemas ao longo da partida.
11Processos pedagógicos nos esportes coletivos
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | PARTE 2 109
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110 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
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noticias/selecao-masculina/selecao-brasileira-faz-o-nono-treino-nos-eua. Acesso 
em: 5 jan. 2020.
SILVA, T. A. F.; ROSE JUNIOR, D.; Iniciação nas modalidades esportivas coletivas: a im-
portância da dimensão tática. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, 
v. 4, n. 4, 2005. Disponível em: http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/remef/
article/view/1310. Acesso em: 5 jan. 2020.
TEODORESCU, L. Problemas de teoria e metodologia nos jogos desportivos. Lisboa: Livros 
Horizonte, 1984. 224 p. (Colecção horizontes da cultura física, 9).
Leitura recomendada
TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do esporte. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2011. 96 p. (Ques-
tões da nossa época, 25).
13Processos pedagógicos nos esportes coletivos
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PREZADO ESTUDANTE
112 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 3
Concepções Analítico-Parcial, Global, 
Mista e Construtivista do Esporte
 
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unidade 
2
V.1 | 2021
114 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Concepções analítico- 
-parcial, global, mista e 
construtivista do esporte
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as diferentes concepções do esporte.
 � Analisar as concepções do esporte por meio de suas formas de ex-
pressões e intencionalidades.
 � Reconhecer o papel das concepções do esporte no processo de 
ensino-aprendizagem dos aspectos técnicos e táticos de uma 
modalidade.
Introdução
Pelo fato de exercer uma importante influência na sociedade, o esporte é 
um poderoso meio de expressão cultural e corporal, fazendo-se presente 
em todas as esferas da vida e apresentando concepções distintas — 
educacional, participativo, de rendimento ou formativo.
Para cada uma dessas concepções, o esporte se molda e apresenta 
intenções diferentes buscando atingir os objetivos em prol dos alunos. 
Para atingir esses objetivos, os métodos de ensino que aprimorarão os 
aspectos técnicos e táticos do praticante são essenciais, o que exige o 
conhecimento do professor para sua escolha adequada. 
Neste capítulo, você identificará as diferentes concepções do es-
porte, analisará as concepções do esporte por meio de suas formas de 
expressões e intencionalidades e reconhecerá o papel das concepções 
do esporte no processo de ensino-aprendizagem dos aspectos técnicos 
e táticos de uma modalidade.
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3115
Concepções de esporte
Quando falamos de esporte, geralmente associamos algumas características 
inerentes, como as regras e a competição, no entanto, apesar de muitas vezes 
termos uma ideia fixa e padronizada dessa prática, ela apresenta algumas 
concepções bem distintas, as quais começaremos a ver a partir de agora.
O Conselho Federal de Educação Física, por meio da Resolução nº 046/2002, 
propõe a seguinte definição sobre esse conceito:
Esporte é uma atividade competitiva, institucionalizada, realizado conforme 
técnicas, habilidades e objetivos definidos pelas modalidades desportivas, 
determinado por regras preestabelecidas que lhe dá forma, significado e 
identidade, podendo, também, ser praticado com liberdade e finalidade lúdica 
estabelecida por seus praticantes, realizado em ambiente diferenciado, inclu-
sive na natureza (jogos: da natureza, radicais, orientação, aventura e outros).
Como podemos ver por essa resolução, apesar de apresentar características 
inerentes à prática, como a competição, as técnicas e as regras, o esporte será 
uma atividade também marcada pela liberdade e pela ludicidade que envolvem 
aqueles que a praticam, não sendo necessariamente realizado nos locais oficiais 
das práticas esportivas. 
Na seção III do Capítulo III da Constituição Federal do Brasil, promulgada 
em 1988, no tema “desporto” dispõe-se que o Estado tem o dever de fomentar 
práticas desportivas formais e não formais, concebendo duas formas diferentes 
de enxergar o esporte: a prática formal pode ser considerada aquela regula-
mentada por normas nacionais e internacionais com as regras estabelecidas por 
suas federações e confederações; e a não formal teria por parte dos praticantes 
uma maior liberdade, com características de brincadeira e diversão. 
Para aprofundar mais essas concepções, a Lei nº 9.615/1998, também 
conhecida como Lei Pelé, foi mais específica quanto às concepções sobre o 
esporte, instituindo normas gerais e outras providências, tendo-se reconhe-
cido a natureza e as finalidades do desporto a partir de qualquer uma das 
manifestações listadas a seguir.
Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte2
116 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
As manifestações do esporte, segundo a Lei Pelé, são divididas em quatro grandes 
áreas: esporte-educacional, de participação, de rendimento e de formação
 � Esporte educacional: praticado nos sistemas de ensino e em formas 
assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade e a hipercom-
petitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desen-
volvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da 
cidadania e a prática do lazer. Essa área está vinculada a outras três 
importantes, como a interação social, o desenvolvimento psicomotor 
e as atividades educativas.
 � Esporte de participação: dá-se de modo voluntário, compreendendo as 
modalidades desportivas praticadas com o objetivo de contribuir para a 
integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde 
e educação e na preservação do meio ambiente. Essa forma de esporte é 
referenciada nos conceitos de ludicidade buscando o bem-estar dos partici-
pantes e a diversão, ocorrendo nos tempos livres e em momentos de lazer.
 � Esporte de rendimento: praticado segundo normas gerais da Lei Pelé 
e as regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a 
finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do 
país e destas com as de outras nações. É mais seletivo, pois é praticado 
por reconhecidos talentos esportivos buscando o desempenho eficaz 
e a vitória. Segundo a Lei nº. 13.155/2015, o esporte de rendimento 
pode ser organizado e praticado de modo profissional (com contratos 
formais entre o atleta e a instituição esportiva) e não profissional (caso 
em que não existe contrato, mas permite-se o incentivo em forma de 
materiaise patrocínios).
 � Esporte de formação: caracteriza-se pelo fomento e pela aquisição 
inicial dos conhecimentos desportivos que garantam competência 
técnica na intervenção desportiva, com o objetivo de promover o 
aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da prática desportiva em 
termos recreativos, competitivos ou de alta competição. Trata-se de 
uma manifestação recente, tendo sido incluída no ano de 2015 pela 
Lei nº. 13.155, com o objetivo de formar novos praticantes para as mais 
variadas modalidades tanto em forma de lazer quanto a busca de atletas 
capazes de representar o país em futuras competições.
3Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3117
Apesar de considerarmos manifestações distintas de esporte, cabe ressaltar que elas se 
intermeiam em muitos momentos, pois a prática pode ser de formação e de rendimento 
ao mesmo tempo. Do mesmo modo, o esporte educacional pode ter características 
de todas as demais manifestações, afinal promove a participação e a interação social, 
além de ser formativo na busca de novos participantes e poder promover a competição 
como uma “simulação” ao rendimento. Assim, podemos compreender que o esporte 
é classificado pela característica que mais prevalece.
Neste tópico, você conheceu diversas manifestações do esporte: na Consti-
tuição Federal, é dividido em esporte formal e não formal, e a Lei Pelé trouxe 
novas formas de concepção, dividindo-o em educacional, de rendimento, de 
participação e de formação.
Concepções de esporte: expressão e 
intencionalidade
Neste tópico, apresentaremos as concepções de esporte a partir de suas formas 
de expressão de intenção, classificadas, como vimos no tópico anterior, em 
educacional, participação, rendimento e formação.
Começaremos abordando o esporte educacional, que, segundo a Política 
Nacional do Esporte, se refere às práticas esportivas praticadas nos sistemas de 
ensino e em formas assistemáticas de educação buscando o desenvolvimento 
integral do indivíduo (BRASIL, 2005).
Maia (2010, documento on-line) aponta que o principal objetivo do esporte 
educacional é “[...] a democratização do movimento, dando oportunidade a 
todos sem discriminação nenhuma, promovendo assim a inclusão através 
da participação e envolvimento do sujeito nessa ação que se faz através do 
esporte enquanto prática pedagógica com características educacionais que visa 
à cidadania e formação do indivíduo [...]”. Em consonância com essas ideias, 
Tubino (2001) sublinha que o esporte educacional deve evitar questões como 
seletividade, segregação e competição exacerbada, visando à cooperação e 
à solidariedade. 
Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte4
118 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
A partir dessa premissa, ao trabalhar o esporte educacional, o professor 
de educação física precisa “[...] proporcionar aos alunos uma vivência em 
diferentes modalidades, deve levá-los a refletir de forma crítica não só sobre 
os problemas que envolve o esporte na sociedade, tais como drogas ilícitas, 
corrupção, violência, mas também sobre seus aspectos positivos, como a 
geração de empregos, o desenvolvimento de pesquisas cientificas, tanto no 
tocante a novas tecnologias, como na área médica [...]” (DARIDO; RANGEL, 
2008, p. 180).
No entanto, são necessários certos cuidados na apresentação do esporte 
na escola — Stelmastchuk e Rodrigues (2011) afirmam que há um grande 
equívoco no esporte educacional, pois muitos profissionais o veem como um 
ramo do esporte de rendimento com reprodução de competições em alto nível 
e de todas suas características.
Nogueira (2014) afirma que essas duas vertentes têm propostas antagônicas 
e que, para que o esporte se tornar, de fato, educacional, deve apresentar aspec-
tos próprios e princípios específicos distantes de processos de aprendizagem 
que valorizam mais o adestramento e menos a educação, mais a competição 
e menos a cooperação. O esporte educacional enfatizaria as:
[...] possibilidades educativas do esporte voltadas sempre para uma perspec-
tiva de formação que privilegie o homem e não o atleta, o cidadão, crítico 
participativo, emancipado, solidário, e não o homem máquina que corre sem 
saber para onde, que arremessa sem saber o que, que joga sem prazer, ou 
por uma noção de prazer que lhe é imposta (OLIVEIRA, 1996, p. 113 apud 
NOGUEIRA, 2014, p. 13).
Ainda, aponta que uma das tarefas do esporte educacional consiste em se 
apresentar como uma referência crítica do esporte de rendimento, fazendo 
deste um instrumento de discussão para reconfigurá-lo. 
No entanto, isso não quer dizer que o esporte educacional descarte a for-
mação de equipes, as questões técnicas e táticas ou valores como regras, 
disciplina e companheirismo; a diferença reside no fato de que no esporte 
educacional há o reconhecimento das modalidades esportivas como ma-
nifestações culturais, fruto de inúmeras determinações e construídas nas 
complexidades e contradições presentes na vida em sociedade. Nesse sentido, 
o conceito educacional pontua como o esporte carrega consigo aspectos da 
totalidade, sendo a compreensão do esporte em sua totalidade o objetivo e o 
norte das ações do esporte educacional (NOGUEIRA, 2014). Essa totalidade 
seria utilizar o esporte com vistas à cidadania e como um dos elementos que 
promovem a cultura corporal do movimento.
5Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3119
O esporte de participação é aquele que ocorre no tempo livre, nas horas 
consideradas de lazer, “[...] em espaços não comprometidos com o tempo 
e fora de obrigações da vida diária, de modo geral, tem como propósitos a 
descontração, a diversão, o desenvolvimento pessoal e as relações entre as 
pessoas [...]” (STELMASTCHUK; RODRIGUES, 2011, p. 5).
Essa concepção permite que haja uma maior liberdade ao praticante, sem 
qualquer forma de discriminação, visto que a própria participação se dá de 
maneira voluntária, constituindo um aspecto considerado importante para 
a democratização. Os autores referidos citam que o esporte de participação 
visa a equilibrar o quadro de desigualdade de oportunidades esportivas, que 
ocorre, por exemplo, no esporte de rendimento. 
Realizar atividades físicas sem pretensão de superar índices individuais 
para apenas sentir-se integrado ao meio ambiente; ser atraído para a prática 
de um esporte despojado de comparações atléticas; sentir-se satisfeito pela 
convivência com as pessoas; perceber a facilidade de acesso à prática das 
atividades físicas e esportivas oferecidas por uma estrutura de funciona-
mento organizada com segurança para a integridade pessoal de todos; tornar 
possível a realização do convívio social e seu aproveitamento, decorrente do 
esporte; favorecer uma prática esportiva que elimine diferenças no sentido 
de democratizar o bem-estar [...] (ALMEIDA; GUTIERREZ, 2008, p. 1 apud 
MAIA, 2010, documento on-line).
Tal ideia vai de acordo com a de Tubino (2001), que refere que essa con-
cepção tem como objetivos o lúdico, o divertimento, o bem-estar social e as 
relações entre as pessoas, sem buscar êxitos maiores ou vitórias. 
Stelmastchuk e Rodrigues (2011) apontam que uma das formas do esporte 
de participação é vista a partir dos projetos públicos que buscam oferecer o 
esporte como forma de entretenimento e lazer para as mais diversas comuni-
dades, principalmente aquelas em maiores situações de risco. 
Nesse caso, a prática esportiva evitaria a ociosidade, podendo evitar que 
a criança e o adolescente se envolvam em situações perigosas e/ou de delin-
quências, por exemplo, a trabalhada em projetos sociais, como os brasileiros 
Programa de Esporte e Lazerda Cidade (PELC) e Projeto Segundo Tempo: 
o primeiro busca democratizar o lazer com o esporte recreativo funcionando 
a partir de núcleos; e o segundo atende crianças em áreas de vulnerabilidade 
social oferecendo oficinas esportivas no contraturno escolar.
Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte6
120 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
O esporte de rendimento, também conhecido como esporte de performance, 
tem por objetivo formar novos atletas, gerando êxitos e vitórias, constituindo 
uma concepção regida por regras preestabelecidas por entidades organizadoras 
em dimensões universais. Uma de suas características refere-se à seletividade, 
pois é apenas praticado por talentos esportivos, ou seja, podemos afirmar 
que o esporte rendimento não é tão democrático como as duas modalidades 
já referidas neste tópico. 
Segundo Maia (2010, documento on-line), “[...] nessa tendência o esporte 
segue uma linha que quem o pratica são considerados os melhores, pois um 
dos objetivos é a vitória deixando de lado um caráter de democracia, onde 
quem quisesse praticar poderia praticar [...]”. E outra de suas características 
é a prática de exercícios programados e voltados com objetivos específicos e 
exclusivos para a competição na busca da vitória.
Como exemplos de esporte de rendimento, temos os clubes das mais varia-
das modalidades de futebol, voleibol, basquete, handebol, atletismo, etc., que 
preparam seus atletas para competir durante um calendário de competições. 
Essa concepção é a grande dominadora da mídia, com forte influência na 
sociedade e nos demais segmentos de esportes, tornando-os mercadorias.
Como referido anteriormente, o esporte de rendimento influi bastante no 
esporte educacional, no entanto não deve ser trabalhado nas escolas, visto que 
pode trazer malefícios ao aluno na idade escolar, como o da especialização 
precoce, caracterizada como treinamentos de mais de 10 h semanais antes da 
puberdade (VOSER; NETO; VARGAS, 2007), além de competições. Entre os 
problemas dessa iniciação desportiva, segundo Kunz (1994), estão:
 � formação escolar deficiente, em virtude de uma grande exigência em 
acompanhar com êxito a carreira esportiva;
 � unilateralização de um desenvolvimento que deveria ser plural;
 � redução das participações em atividades, brincadeiras e jogos do mundo 
infantil, indispensáveis para o desenvolvimento da personalidade na 
infância;
 � alcance tanto da saúde física quanto da psíquica em um treinamento 
especializado precoce.
Por fim, no ano de 2015, uma nova concepção de esporte foi proposta 
pelo governo brasileiro: o esporte de formação, que buscaria uma base para 
conhecimentos técnicos e táticos das mais variadas modalidades. 
7Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3121
Por sua inclusão recente, o esporte de formação ainda apresenta poucos 
estudos na área da educação física, mas, de modo geral, procura promover, a 
partir de propostas do Estado, a prática e o aperfeiçoamento do atleta. 
Um dos projetos governamentais de destaque nesse caso compreende o 
projeto de política pública chamado Bolsa Atleta, cujo principal objetivo é 
formar atletas com potencial de representar o Brasil nas mais diversas mo-
dalidades esportivas com financiamento público, ou seja, com patrocínio do 
governo. Apesar de haver categorias para atletas profissionais, aletas de base 
também recebem esse financiamento para poder financiar seus treinamentos.
Conheça um pouco mais sobre o esporte de formação a partir do projeto Bolsa Atleta 
acessando o link a seguir.
https://qrgo.page.link/DWMwT
Neste tópico, conhecemos a finalidade de cada concepção do esporte e, a 
seguir, compreenderemos como se dá o processo ensino-aprendizagem dos 
aspectos técnicos e táticos a partir de cada uma delas.
Processo ensino-aprendizagem dos aspectos 
técnicos e táticos de uma modalidade
A partir de agora, abordaremos o processo de ensino-aprendizagem dos as-
pectos técnicos e táticos de uma modalidade, discutindo sobre metodologias 
de ensino com enfoque nas metodologias construtivista, analítico-parcial, 
global e mista.
Como vimos até aqui, o esporte apresenta algumas concepções com ca-
racterísticas distintas, no entanto, cabe ressaltar, que todas as metodologias 
analisadas neste tópico se encaixam em qualquer uma dessas classes. 
Antes de começarmos a abordar essas metodologias, cabe explicar o que 
significa a palavra “método”, definida por Libâneo (2002 apud BORGES, 2010) 
como uma forma de o professor conduzir o seu aluno até o objetivo final, ou 
seja, trata-se da ação do professor em função da aprendizagem do aluno para 
Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte8
122 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
que este compreenda o conteúdo proposto. Para que isso ocorra, é necessário 
que, entre outros, se escolha a forma mais adequada.
Klein (2016) aponta que, no âmbito esportivo, são duas as tendências 
principais — reprodutiva e construtivista, sendo a primeira a concepção mais 
tradicional, que prioriza as capacidades intelectuais e a formação do homem, 
ocorrendo, no esporte, a partir da repetição mecânica sem nenhuma ênfase 
na resolução de problemas.
No entanto, Mesquita (2013) afirma que essa concepção vem sendo dura-
mente criticada desde o fim do século 20, por não promover a participação e 
o envolvimento ativo dos participantes, dando origem à segunda tendência, 
a construtivista. Nesta, o praticante passa a ter um papel central ao ser con-
siderado o construtor ativo das suas próprias aprendizagens, com valoriza-
ção dos processos cognitivos, da tomada de decisão e da compreensão das 
situações-problema.
Tal abordagem vincula o participante às decisões relacionadas ao processo 
de aprendizagem, nomeadamente de interpretação da sua atividade cognitiva e 
motora, comprometendo-o e responsabilizando-o pelas decisões/ações correntes 
nos cenários de aprendizagem e incentivando-o a aprender como um processo 
deliberadamente compreendido e assumido por ele (MESQUITA, 2013).
Ainda, Mesquita (2013) aponta que muitos modelos prevalecentes na atua-
lidade integram as ideias construtivistas, nas quais o praticante é responsável 
por sua aprendizagem e pela construção do seu conhecimento, como o Teaching 
Game for Understanding (TGFU), de origem entre a década de 1960 e 1970 com 
o objetivo de banir a perspectiva tecnicista do ensino do jogo. Sua ideia básica 
consiste no desenvolvimento das habilidades a partir dos problemas colocados 
pelo jogo, ou seja, a partir de sua compreensão tática, constituindo formas de 
jogo simplificadas, em que o aluno será estimulado a partir de seis fatores.
1. Forma de jogo — ideia da proposta de situação-problema.
2. Conceito de jogo — associação entre a forma de jogo adotada e a 
essência do esporte que será jogado.
3. Pensar estrategicamente — a busca de soluções para os problemas do 
jogo.
4. Tomada de decisão — o que fazer e como fazer.
5. Execução do movimento — na qual ocorre o desenvolvimento da 
habilidade.
6. Performance situada — na qual ocorre a aprendizagem com relevância 
ao conteúdo.
9Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3123
Além do TGFU, abordaremos mais três importantes metodologias: a ana-
lítico -parcial, a global-funcional e a misto. 
O método analítico-parcial, basicamente centrado no ensino das habilidades 
técnicas a partir de exercícios e atividades por partes, surgiu, segundo Silva 
(2017, p. 17–18), nos esportes individuais “[...] no modo que o treinamento era 
voltado fora do contexto do jogo, e só após o domínio de cada fundamento o 
aluno passa para situações dejogo [...]”. Essa automatização do movimento 
se dá conforme a repetição dos exercícios. 
A proposta desse método tem por premissa que, para que o aluno consiga 
jogar bem, necessita ter uma base técnica a partir dos fundamentos técni-
cos; desse modo, “[...] esta perspectiva pedagógica baseia-se em atividades 
fragmentadas e descontextualizadas, as quais priorizam o desenvolvimento 
do rigor técnico e estereotipado aplicado ao ato motor, independente das 
situações-problema do jogo [...]” (MENEZES et al., 2014 apud SILVA, 2017, 
p. 18). Como podemos ver, esse método visa a aperfeiçoar os detalhes do 
movimento buscando uma padronização. 
Podemos tomar como exemplo o ensino do esporte futebol. Ao optar por 
esse método, o professor, antes do jogo, ensinaria os fundamentos como passe, 
condução, drible e chute. Ao ensinar o passe, ele o faria por partes: posição do 
tronco, posição da perna do apoio, movimento da perna que realizará o passe, 
tipo de passes e posição da cabeça. A desvantagem desse método reside no fato 
de que, por se tratar de um ensino bastante perfeccionista, pode tornar a aula 
monótona, fazendo com que o aluno se desmotive na hora de realizar a tarefa.
O segundo método que abordaremos é o método global funcional, que, 
segundo Greco (2001 apud BORGES, 2010), se caracteriza pelas diversas 
experiências de jogo, para uma melhor aprendizagem da técnica, ou seja, 
aprende-se a técnica e os demais elementos jogando. Costa (2003 apud SILVA, 
2017) destaca que o método global proporciona ao aluno a aprendizagem por 
meio do próprio jogo, permitindo a vivência nas mais variadas formas desde 
o primeiro contato com o esporte. 
Silva (2017) aponta que, nesse método, o mais importante é a destreza 
motora do aluno, em que primeiro se trabalhará a jogada do esporte, depois 
os alunos desempenharão os fundamentos do jogo e, por fim, haverá uma 
correção dos fundamentos. Podemos dizer que a vantagem desse método reside 
na união dos fundamentos técnicos e táticos aliada à motivação da prática. E 
suas desvantagens seriam uma maior dificuldade para correções individuais, 
o que pode dificultar a evolução do aluno nos fundamentos, dificultando uma 
melhor aprendizagem.
Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte10
gilia
Destacar
124 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Valendo-se dos estudos de Greco (2001 apud BORGES, 2010), Borges (2010) 
afirma que, em comparação ao método analítico-parcial, o global-funcional 
apresenta maiores ganhos, pois o maior desejo do aluno é jogar, com maior 
motivação para a aprendizagem, além de melhores ganhos nas funções táticas. 
Como exemplo, podemos pensar em uma aula de voleibol, em que o pro-
fessor divide os times de seis jogadores e os coloca em quadra para jogar. Ao 
final de um rally, ele sinalizará aos alunos o que houve de errado, tanto na 
técnica quanto na execução, na parte tática do jogo.
Por fim, Borges (2010) aponta se tratar de um método muito utilizado na 
escola, porém, erroneamente, visto que muitos professores apenas largam 
a bola. Para que haja aprendizagem de fato, o professor necessita participar 
dando feedback aos alunos sobre erros e acertos.
O terceiro método é o misto, eventualmente definido como uma síntese 
do global e do parcial, no qual, conforme Borges (2010), primeiro se trabalha 
a técnica de maneira separada e, depois de se atingir um nível adequado, 
parte-se para o jogo:
O método misto é a junção dos métodos analítico-sintético e global-funcional. 
Este método possibilita a prática de exercícios isolados, bem como a iniciação 
ao jogo através das formas jogadas dos esportes coletivos. O método misto 
permite que o professor utilize dentro da mesma aula exercícios e jogos, inde-
pendente da ordem ou da quantidade de atividades estabelecidas, mais jogos ou 
mais exercícios (COSTA, 2003, p. 7 apud BORGES, 2010, documento on-line).
Nesse método, o professor pode promover correções tanto nos exercícios 
mais técnicos quanto ao dar feedback no jogo, sendo visto como o mais com-
pleto entre os métodos de ensino-aprendizagem, já que contempla todos os 
elementos do jogo.
Pensando em uma aula de basquete, na primeira parte o professor ensinaria os funda-
mentos como passe, arremesso, drible, etc., e, na sequência, proporia o jogo no qual 
os alunos colocariam na prática o primeiro momento da aula.
11Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3125
Neste capítulo, você viu que o esporte no Brasil é um direito do cidadão 
segundo a Constituição Federal e que, pela Lei nº 9615/1998, foi apresentado 
a partir de quatro manifestações: educacional, participativa, de rendimento 
e formativa.
O esporte educacional é aquele praticado nos sistemas de ensino e em formas 
assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade e a hipercompetitividade 
de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do 
indivíduo. O esporte de participação se dá de modo voluntário, compreendendo 
as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a 
integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde 
e educação e na preservação do meio ambiente. 
O esporte de rendimento é seletivo, já que é praticado por reconhecidos 
talentos esportivos buscando o desempenho eficaz e a vitória, e o esporte for-
mativo se caracteriza pelo fomento e pela aquisição inicial dos conhecimentos 
desportivos que garantam competência técnica na intervenção desportiva, 
com o objetivo de promover o aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da 
prática desportiva em termos recreativos, competitivos ou de alta competição.
Por fim, vimos que os modelos construtivistas são centrados na metodolo-
gia ativa tendo papel central no processo de ensino-aprendizagem, além dos 
três principais métodos de ensino, o analítico-parcial (ensino de exercícios 
por partes), o global-funcional (a partir do jogo) e o misto (síntese dos dois 
métodos anteriores).
BORGES, S. Metodologias de ensino dos esportes coletivos na iniciação esportiva escolar em 
atividades extracurriculares. 2010. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/0ed
6/281409667e5fdab11c7379756eb3a9f3e3e0.pdf. Acesso em: 19 dez. 2019
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 19 dez. 2019
BRASIL. Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. Institui normas gerais sobre desporto e dá 
outras providências. 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
L9615consol.htm. Acesso em: 19 dez. 2019
BRASIL. Lei nº 13.155, de 4 de agosto de 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13155.htm. Acesso em: 19 dez. 2019
Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte12
126 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
BRASIL. Ministério do Esporte. Política Nacional do Esporte. Brasília: Ministério do Es-
porte, 2005. Disponível em: http://www.esporte.gov.br/arquivos/politicaNacional/
politicaNacionalCompleto.pdf. Acesso em: 19 dez. 2019.
CONFEF. Resolução nº 046/2002. Dispõe sobre a Intervenção do Profissional de Educação 
Física e respectivas competências e define os seus campos de atuação profissional. 
2002. Disponível em: www.confef.org.br. Acesso em: 19 dez. 2019.
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação física na escola: implicações para a prática 
pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
KLEIN. R. Metodologia do ensino na formação esportiva na escola. 2016. Trabalho de 
Conclusão de Curso (Especialização em Educação Física Escola) — Centro de Edu-
cação Física e Desportos, Universidade Federal de Santa Maria, 2016. Disponível 
em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/3134/Klein_Rafael_Rodrigo.
pdf?sequence=1&isAllowed=y.de competição; teremos o preparador físico, que dará condicionamento para 
que o atleta consiga realizar as suas atividades específicas; teremos o professor 
de ballet, que ensinará os princípios e as técnicas-base para os movimentos 
Esporte4
14 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
gímnicos; e, ainda, teremos o fisioterapeuta, que tratará das lesões, assim 
como da prevenção de lesões desses atletas.
Logo mais, veremos como o esporte e a educação aliados podem ser uma 
plataforma para modificar a forma como é enxergada a inclusão nas escolas.
Fica aqui algumas curiosidades sobre o esporte, segundo Tubino (2010):
1. O esporte, aceito atualmente como um dos fenômenos socioculturais 
e políticos mais importantes nesta transição de séculos, não pode ser 
explicado por percepções de seus momentos históricos. Ele só pode 
ser compreendido se o situarmos num processo com interatuações 
culturais e contextuais, variando a cada novo momento histórico. 2. As 
lógicas do esporte têm uma variabilidade marcante praticamente desde 
a sua origem, recebendo diferentes sentidos nas civilizações antigas, nas 
primeiras manifestações esportivas pelos gregos, nos séculos de suas 
decadências (civilização romana, Idade Média e Renascença), depois 
quando se tornou esporte moderno e, finalmente, chegou ao esporte 
contemporâneo. 3. O esporte é uma das maiores manifestações culturais 
desde a Antiguidade. A história cultural do mundo passa pela história do 
esporte. 4. O conceito de esporte no Brasil está atualizado com a evolução 
conceitual do fenômeno sociocultural esportivo, ao aceitá-lo como direito 
de todas as pessoas, e com as formas de exercício desse direito (esporte 
educação, esporte lazer e esporte desempenho). Essa atualização ocorre, 
inclusive, em termos de legislação atual (Lei nº. 9.615/98) e também na 
Política Nacional do Esporte. 5. No Brasil, embora esteja coerente com o 
atual status conceitual internacional do esporte, nas suas gestões públicas, 
o esporte permanece sem ser considerado uma questão de estado. O 
Ministério do Esporte, talvez a própria cultura explique, continua tratando 
o esporte predominantemente como uma missão separada do Ministério 
do Esporte (TUBINO, 2010, p. 100).
Esporte educacional e suas perspectivas
O esporte educacional tem diversas perspectivas, tendo em vista que a sua 
importância tem grande magnitude, já que pode transformar indivíduos em 
cidadão que tenham valores que representem o bem comum da sociedade. 
5Esporte
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Esporte | PARTE 1 15
Assim, a sua diferenciação em relação ao esporte performance e ao esporte 
de participação é bem grande, pois, no esporte educação, é necessário que 
o professor tenha conhecimentos prévios sobre os regulamentos básicos, 
competências de aptidão física e habilidades motoras.
Porém, diferentemente do esporte performance, o objetivo desse conheci-
mento se diferencia pelo de que, enquanto o alto rendimento visa à competição 
e à vitória em cima de um adversário, no esporte educacional, o professor de 
educação física se utiliza desses conhecimentos como ferramenta educacional 
para que ele possa, por meio do esporte, desenvolver valores, tais como a ética, 
a disciplina, a integridade, a humildade, a cooperação e o respeito.
Ou seja, as regras existentes dentro dos regulamentos das modalidades 
esportivas, no âmbito educacional, não servem somente para serem respeitadas, 
e sim para que se possa desenvolver um valor ético nos indivíduos em formação.
Logo, o esporte educacional tende sempre a consagrar e a hipervalorizar 
a solidariedade, a integração e, sobretudo, a liberdade. Então, o esporte é 
aplicado na escola objetivando a educação e o conhecimento moral da criança.
A complexidade do ato de educar nem sempre esteve presente na educa-
ção física brasileira, passamos por períodos de muita dificuldade, em que a 
preocupação com a sistematização do ensino era maior, deixando de lado 
variáveis que poderiam ser acrescentadas para uma educação eficaz. Antes, 
a educação física se pretendeu em fases sombrias, como as fases higienista, 
militarista, biologista e físico-desportiva. 
Agora, Paes (2005) faz o questionamento para este novo século: quais 
são as perspectivas da educação física atual, além de tornar o Brasil em uma 
potência olímpica? Para que consigamos refletir sobre a resposta, é necessário 
lembrar que o esporte escolhe os tipos de indivíduos, infelizmente a partir de 
um paradigma reducionista: a prática esportiva se dá pela saúde (para sermos 
mais saudáveis) ou se dá para desenvolver músculos, ganhar forças, ganhar 
medalhas ou se tornar atleta olímpico. Apesar de sua relevância, essa visão 
reducionista faz com que se deixem de lado as possibilidades da maior parte 
das pessoas.
Paes (2005) ainda afirma que pedagogia do esporte educa as crianças mais 
para a consecução de metas de treinamento preestabelecidas e menos para 
a autonomia, a descoberta e a compreensão de si mesmas, denunciando um 
desequilíbrio pedagógico entre o racional e o sensível. 
Portanto, é necessário discutir uma pedagogia do esporte na infância que 
rejeite o pensamento simplista — separando a parte de um todo, hierarquizando 
o conhecimento — e considerando o paradigma da complexidade.
Esporte6
16 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Para explicar o que é complexidade, Araújo (2000, p. 14) esclarece:
[...] de acordo com Morin, a complexidade é um fenômeno quantitativo, ou 
melhor, um fenômeno que possui uma quantidade extrema de interações e in-
terferências estabelecidas entre um grande número de unidades. Compreende, 
porém, não só grandes quantidades de interações e unidades que desafiam 
nossas possibilidades de cálculo, mas também incertezas, indeterminações 
e fenômenos aleatórios.
É dentro das características da teoria da complexidade que o esporte edu-
cação deve ser implantado no sistema educacional brasileiro, a fim de que os 
processos educativos sejam aproveitados e que a criança possa desenvolver 
por meio do esporte todos os valores já comentados.
Desafios da prática educativa por meio do esporte
A escola assume um papel importante para que as crianças insiram em sua 
cultura o hábito pela prática esportiva. Toda escola que reconhece a impor-
tância da educação física escolar investe em práticas que desenvolvam dentro 
de seu ambiente, valores que visam a democratizar, humanizar e socializar 
(SANTOS; VOSER, 2012).
Os desafios que podem ser encontrados dentro do ambiente escolar como 
professor de educação física são aqueles vistos no cotidiano. E isso variará 
de turma para turma. Por isso, o professor precisa entender, por meio da 
corporeidade, que a criança tem características individuais, mas que, com 
a necessidade da socialização, ela também se defronta com situações que 
precisam ser intermediadas por meio de um responsável, e, no caso da escola, 
por um profissional. 
Então é necessário que estejamos cientes e preparados para todos os acon-
tecimentos dentro do ambiente educacional, como receber alunos que tenham 
alguma doença física ou mental, limitando a sua funcionalidade, precisando 
modificar a tarefa para que ela alcance o mesmo objetivo proposto de maneira 
igualitária ao dos outros colegas. Esses desafios devem ser contornados por 
meio da comunicação entre os alunos, explicando-os que todos devem ter as 
mesmas oportunidades, mesmo que a estratégia seja diferente. Por exemplo, 
uma turma recebe um aluno surdo, que só consegue entender a linguagem 
de sinais ou leitura labial quando a pessoa fala claramente e pausadamente. 
A escola deve desenvolver jogos e brincadeiras que estimulem os alunos a 
aprender a linguagem de sinais, para que o aluno se sinta incluído, e a participar 
da vida de seu colega sem nenhuma distinção.
7Esporte
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Esporte | PARTE 1 17
É necessário saber que o mundo da criança tem riquezas peculiares. É nessa 
fase que a implementação de valores se tornaAcesso em: 19 dez. 2019.
KUNZ, L. As dimensões inumanas do esporte. Movimento, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 
10–19, 1994.
MAIA, M. Dimensões sociais do esporte: perspectivas trabalhadas nas escolas da 
cidade de Pau dos Ferros, RN. EFDeportes.com: Revista Digital, Buenos Aires, n. 144, 
2010. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd144/dimensoes-sociais-do-
-esporte-nas-escolas.htm. Acesso em: 19 dez. 2019
MESQUITA, I. Perspectiva construtivista de aprendizagem no ensino do jogo. In: NAS-
CIMENTO, J.; RAMOS, V.; TAVARES, F. (org.). Jogos desportivos: formação e investigação. 
Florianópolis: UDESC, 2013.
NOGUEIRA, Q. W. C. Esporte educacional: entre rendimento e participação. Revista Ma-
ckenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 13, n. 1, 2014. Disponível em: http://edi-
torarevistas.mackenzie.br/index.php/remef/article/view/3372. Acesso em: 19 dez. 2019.
SILVA, T. R. P. Metodologia do ensino dos esportes: análise comparativa no processo de 
ensino do futsal em duas escolas do munícipio de Ijuí-RS. 2017. Trabalho de Conclusão 
de Curso (Licenciatura em Educação Física) — Universidade Regional do Noroeste do 
Estado do Rio Grande do Sul, Ijuí, 2017. Disponível em: http://bibliodigital.unijui.edu.
br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/4713/Thairo%20Rafael%20Palharini%20
da%20Silva.pdf?sequence=1. Acesso em: 19 dez. 2019
STELMASTCHUK, S.; RODRIGUES, S. C. Esporte escolar x esporte rendimento. 2011. Dispo-
nível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1878-8.pdf. 
Acesso em: 19 dez. 2019.
TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do esporte. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
VOSER, R. C.; NETO, F. X. V.; VARGAS, L. A. M. A criança submetida precocemente no esporte: 
benefícios e malefícios. [S. l.]: Futsal Brasil, 2007.
13Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Concepções Analítico-Parcial, Global, Mista e Construtivista do Esporte | PARTE 3 3127
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Concepções analítico-parcial, global, mista e construtivista do esporte14
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PREZADO ESTUDANTE
128 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 4
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte
 
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é disponibilizado
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unidade 
2
V.1 | 2021
130 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Abordagem didático- 
-pedagógica do esporte
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Aplicar o conhecimento pedagógico no ensino do esporte.
 � Diferenciar os estilos de ensino em educação física e esporte.
 � Descrever as bases teórico-práticas do processo ensino-aprendizagem 
no esporte.
Introdução
A transposição da teoria para a prática na intervenção docente nem 
sempre representa uma tarefa simples e fácil (CLARO JR.; FIGUEIRAS, 
2009): não se trata de, como nas histórias de ficção, após retirar o livro 
da prateira e ler algumas poucas palavras, mudar o cenário em um passe 
de mágica. Na prática, o processo de ensino-aprendizagem nas aulas de 
educação física escolar requer empenho do docente em conhecer as 
bases teórico-prática para realizar sua intervenção — tempo para planejar, 
traçar os objetivos, angariar os conteúdos, formular as estratégias para 
os previstos e imprevistos percalços, e, por fim, avaliar o percurso com a 
intenção de traçar novas rotas para recomeçar. 
Nesse contexto, o conhecimento pedagógico voltado ao ensino do 
esporte constitui o cerne da questão, aliado aos estilos de ensino, ferra-
mentas de que o profissional pode lançar mão para adequar o “como” 
intervir. Não há um estilo de ensino “melhor” do que o outro, mas distintas 
possibilidades de intervenção que podem contribuir para a produção 
ou a mera reprodução de conhecimento, já que, com o conformismo, a 
intervenção docente acaba por moldar sujeitos “mais ou menos”. Espero 
que você, a partir do conhecimento da pedagogia do esporte, possa 
almejar formar sujeitos mais autônomos e menos dependentes. 
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 131
Neste capítulo, você identificará a importância do conhecimento 
pedagógico aplicado no ensino do esporte e conhecerá os diferentes 
estilos de ensino e as bases teórico-prática inerentes ao processo de 
ensino-aprendizagem do esporte escolar.
1 Como e por que ensinar esporte na escola?
O esporte está presente no nosso cotidiano em diferentes facetas: desde a 
mais tenra idade, os pais já ditam a cor da camisa do filho, futuro torcedor 
do seu time de coração, além de, no lazer, ser objeto de diversão na prática 
ou nas telas. Contudo, tornar-se seletivo para aqueles que trabalham no e 
pelo esporte, cenário em que a manifestação esportiva parece permear três 
dimensões: educacional, recreativa e profissional. Com isso em mente, qual 
seria o papel do esporte escolar? 
Repensar a importância do esporte na escola passa por entendê-lo como um 
elemento da cultura corporal de movimento (DARIDO, 2012) e que, como tal, 
sua implementação nas aulas de educação física está vinculada à complemen-
tariedade a outras práticas corporais a fim de enriquecer o arcabouço teórico 
e motor do aluno (TAHARA; DARIDO, 2018). Partindo dessa premissa, há 
etapas que norteiam o processo de ensino-aprendizagem do esporte escolar. 
Na prática, a aprendizagem é um reflexo do ensino moldado por meio da sis-
tematização do planejamento didático, perpassando os objetivos, os conteúdos 
e as estratégias de adequação do ensino até a avaliação da intervenção. 
Interessante notar que não há uma etapa mais importante do que a outra no 
que tange ao processo de ensino-aprendizagem, quesito no qual o profissional 
de educação física precisa ter em mente que a sinergia entre as etapas resultará 
na apropriação do conhecimento e afetará a formação do aluno. Dito isso, o 
objetivo desta leitura é leva você a refletir sobre a importância da aplicação 
do conhecimento pedagógico no ensino do esporte escolar, atentando-nos, 
inicialmente, ao primeiro passo nesse processo — o planejamento didático 
—, além de salientarmos sua relação entre o “como” e o “porquê” ensinar 
esporte na escola. 
A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 17 de 
dezembro de 1996 (LDB nº. 9.394/1996), que promulgou a educação física 
como uma disciplina do currículo escolar, esta se muniu dos conhecimentos da 
pedagogia do esporte para planejar o ensino, a fim de ampliar o aprendizado dos 
alunos. Na teoria, foram formuladas estratégias que facilitariam a intervenção 
docente a fim de tornar o aluno ator do seu processo de ensino-aprendizagem, 
Abordagem didático-pedagógica do esporte2
132 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
no entanto não há como negar a influência das tendências pedagógicas desde 
o início do século XX até os nossos dias, admitindo, por sua vez, sua parcela 
de contribuição (ou de culpa) (DARIDO, 2012).
De fato, a trajetória da educação física escolar teve percalços, e as aborda-
gens pedagógicas constituíram os ângulos em que os docentes sustentaram sua 
intervenção na escola (DARIDO, 2012). Desde uma concepção mecanicista, 
esportivista e tradicional até uma abordagem desenvolvimentista, saúde reno-
vada, crítica, pós-crítica e cultural permearam a formação de muitos docentes 
e delinearam os “porquês” e o “como” ensinar esporte nas aulas (DARIDO, 
2012). No entanto, na tentativa de superar a perspectiva de que a abordagem 
pedagógica seria um enquadramentoda intervenção docente, ressaltaremos 
a importância do planejamento didático no processo de ensino-aprendizagem 
do esporte escolar. 
O planejamento didático compreende o período que antecede a intervenção 
do docente na aula. Para Claro Jr. e Figueiras (2009, p. 10), “[…] os profes-
sores estão no centro do desenvolvimento e distribuição dos conhecimentos 
e competências entre os indivíduos que formam a sociedade [...]”. Requer 
organização a longo, médio e curto prazo no que tange a objetivos, conteúdos, 
estratégias de adequação a ser adotada e avaliação do ensino, tendo em vista 
o ano ou o semestre letivo, em que o professor elabora o plano de curso e, 
ao direcionar a atenção para o bimestre escolar, compõe o plano da unidade 
didática, fragmentada em uma única intervenção (plano de aula). 
Veja agora na prática um exemplo de fragmentação dos elementos do planejamento 
didático aplicado ao ensino do esporte escolar. De uma “visão macro a micro” do 
processo de ensino-aprendizagem, teríamos o seguinte cenário hipotético:
Plano de curso (semestre)
 � Objetivo: aplicar os conhecimentos teórico-práticos das práticas corporais de 
aventura (PCA).
 � Conteúdo: práticas corporais de aventura na natureza e urbanas.
 � Estratégias: construção e adaptação dos materiais didáticos em conjunto com os 
alunos para vivência dos esportes de aventura.
 � Avaliação: participação nas atividades em aula, frequência nas aulas, trabalho em 
grupo e avaliações teóricas/escrita.
3Abordagem didático-pedagógica do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 133
Plano da unidade didática (bimestre) — 1º bimestre
 � Objetivo: apresentar os elementos históricos que moldaram a prática do esporte 
de aventura na natureza, bem como possibilitar vivência por meio da adaptação 
do esporte frente à realidade escolar.
 � Conteúdo: corrida de orientação.
 � Estratégias: ensinar os alunos a utilizarem a bússola e a se localizarem por ângulos 
de orientação, verificação do mapa, dinâmicas de trabalho em equipe, construção 
do material didático a ser utilizado na vivência do esporte, como bandeiras, faixas, 
mapa, etc. 
 � Avaliação: participação na aula e trabalho em equipe.
Plano da unidade didática (bimestre) — 2º bimestre
 � Objetivo: apresentar os elementos históricos que moldaram a prática do esporte 
de aventura urbana, bem como possibilitar vivência por meio da adaptação do 
esporte frente à realidade escolar.
 � Conteúdo: parkour e skate.
 � Estratégias: elencar com os alunos os locais da escola que possibilitariam a vivência 
do parkour. Verificar entre os alunos quais deles teriam um skate para emprestar 
para a turma vivenciar o esporte. Atividade fora da escola em parques e praças 
que contenham pista de skate.
 � Avaliação: participação nas aulas e criação de sequência de movimentos dentro 
da dinâmica do parkour e do skate.
Plano de aula (uma única intervenção)
 � Objetivo: aprender os elementos que facilitam a localização geográfica na corrida 
de orientação.
 � Conteúdo: manusear a bússola e aprender a interpretar diferentes tipos de mapas 
da corrida de orientação.
 � Estratégias: construir mapas com os alunos que serão utilizados pelas outras equipes 
durante as aulas de corrida de orientação.
 � Avaliação: participação nas aulas e trabalho em grupo. Apresentação do mapa 
com as coordenadas. 
É justamente nessa fase do planejamento didático, sobretudo no plano de 
curso (letivo ou semestral), que o professor é convidado a selecionar quais 
conteúdos serão aplicados em qual período dando sequência a determinado 
objetivo específico da aprendizagem. Outro elemento importante nesse pro-
cesso consiste na adequação do tempo destinado ao trabalho de cada conteúdo. 
Dúvidas pertinentes que contornam tal procedimento estão atreladas à es-
pecificidade do conteúdo: quanto aprofundar na temática? Ensinar esporte 
coletivo ou individual? Tradicional ou não convencional?
Abordagem didático-pedagógica do esporte4
134 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Imerso nesses questionamentos, uma saída para o docente é, ao planejar 
sua intervenção, organizar as aulas tendo como base os estilos de ensino, 
uma importante ferramenta capaz de contribuir para a formação de um aluno 
autônomo e independente, conforme veremos a seguir. 
2 Esporte escolar: inter-relação entre 
os estilos de ensino e os canais de 
desenvolvimento da aprendizagem
Repensando o papel da educação física escolar, é interessante observarmos que 
a disciplina ainda em nossos dias é confundida com um dos seus conteúdos 
(ANVERSA et al., 2018). E, sendo o esporte um conteúdo constantemente 
requisitado por uma grande parcela dos alunos, convido-lhe, caro(a) leitor(a), 
a refletir a respeito de “como” os especialistas da área pensam sobre como 
ensinar o esporte e como de fato o fazem. Para Reverdito, Scaglia e Paes 
(2009, p. 602), há uma “[...] distância exorbitante entre o que os professores 
de esportes acreditam estar ensinando e como estão ensinando [...]”, âmbito 
justamente no qual se aloja a possibilidade de reconstruirmos a inter-relação 
entre “como” ensinar (estilos de ensino) e que tipo de sujeito almejamos formar 
(canais de desenvolvimento).
Especificamente voltado para a área da educação física, o Spectrum dos 
Estilos de Ensino proposto pelo professor Muska Mosston na década de 1960 
aspirou preencher a lacuna entre teoria e prática e estreitar os laços da relação 
professor-aluno (GOZZI; RUETE, 2006). Tudo começou com o inconformismo 
de Mosston, israelense naturalizado nos Estados Unidos, quanto à maneira 
de os professores da área se relacionarem com seus alunos, propondo uma 
teoria que consistia justamente em uma resposta a esse cenário: “[...] provocar 
alterações nas atitudes de ensinar e aprender [...]” (GOZZI; RUY, 2008, p. 361).
Nesse sentido, de acordo com Gozzi e Ruete (2006), a Teoria dos Estilos 
de Ensino pressupõe que o processo de ensino-aprendizagem esteja ordenado 
em uma sequência de tomada de decisões, envolvendo os objetivos (alvo), 
os métodos (meios), a sequência de atividades para construir o conhecimento 
(estratégias), o nível de motivação e a identificação da turma com o conteúdo, 
e as diferentes formas de avaliação. Assim, uma vez ciente de que o Spectrum 
analisa a estrutura da tomada de decisões durante o processo de ensino e suas 
conexões com a aprendizagem (GOZZI; RUETE, 2006), entenderemos em 
maiores detalhes o diagrama proposto por Mosston. 
5Abordagem didático-pedagógica do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 135
Para ele, há diferentes estilos de ensino, agrupados em atividades voltadas 
à reprodução ou à produção de conhecimento. Na Figura 1, você pode observar 
a sequência dos estilos de ensino de A-K e sua inter-relação com a reprodução, 
a descoberta e a produção de conhecimento.
Você pode observar, na Figura 1, a sequência dos estilos de ensino de A-K e sua inter-
-relação com a reprodução, a descoberta e a produção de conhecimento.
Figura 1. Sequência de estilos de ensino representados por letras do alfabeto, tendo em 
vista atividades de reprodução (A-D), descoberta (E-F) e produção (G-K) de conhecimento.
Fonte: Gozzi e Ruete (2006, p.118).
Cada letra do alfabeto representa um estilo:
 � A — Comando.
 � B — Tarefa.
 � C — Recíproco.
 � D — Autochecagem.
 � E — Inclusão.
 � F — Descoberta guiada.
 � G — Solução de problemas (convergente).
 � H — Solução de problemas (divergente).
 � I — Individual.
 � J — Iniciado pelo aluno.
 � K — Autoensino.
Uma vez identificados os tipos de etilos de ensino, vamos conhecer as 
características atreladas a cada um deles no que tange ao foco do ensino, à 
relação professor-aluno e aos canais de desenvolvimento mais acentuados com 
base nos achados de Gozzi e Ruete (2006) conforme o Quadro 1.
Abordagem didático-pedagógica do esporte6
136METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Estilo de 
ensino
Ensino Professor Aluno
Canais de 
desenvol-
vimento
A Centrado no 
professor e 
no conteúdo
Determina o 
conteúdo, o 
local, a ordem 
e o tempo das 
tarefas, descreve 
o exercício e 
informa sobre 
a qualidade 
da resposta
Obedece, 
segue o 
que lhe é 
designado
Emocional
B Há a 
mudança 
de algumas 
decisões do 
professor 
para o aluno 
no decorrer 
da atividade
Explica e 
demonstra 
a tarefa, 
mantendo 
a função 
de fazer a 
retroalimentação
Escolhe a 
ordem das 
tarefas, o 
tempo de 
início e fim, a 
velocidade e 
o ritmo para 
a execução, 
a postura, 
o local e a 
vestimenta
Emocional
C Interação 
social em 
parceria
Há o aluno 
executante 
e o aluno 
observador, e o 
professor sendo 
o observador 
de ambos
Aprende a 
executar a 
tarefa e rece-
ber retroali-
mentação de 
seus compa-
nheiros, além 
do professor
Social, 
emocional 
e moral
D Maior poder 
de decisão 
do aluno
Planeja as 
atividades 
e, ao final, 
participa da 
retroalimentação 
coletiva
O próprio 
aluno se 
autoavalia
Emocional, 
cognitivo 
e moral
Quadro 1. Estilo de ensino e sua relação com os canais de desenvolvimento e a relação 
professor-aluno.
(Continua)
7Abordagem didático-pedagógica do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 137
Estilo de 
ensino
Ensino Professor Aluno
Canais de 
desenvol-
vimento
E Apresenta 
níveis de 
dificuldade, 
com a 
intenção de 
incluir todos 
os alunos na 
atividade, 
de acordo 
com as 
possibilida-
des de cada 
um deles
Explica a 
atividade e dá 
algumas opções 
de níveis de 
dificuldade 
ao aluno
O aluno 
determina 
o nível de 
execução 
das tarefas
Físico, 
emocional, 
cognitivo 
e moral
F Relacio-
namento 
particular 
professor-
-aluno
Elabora uma 
sequência de 
questões que 
tem por fim 
instigar o aluno 
a descobrir 
novos conceitos
Descoberta 
de novos 
conceitos
Emocional, 
cognitivo 
e moral
G Proposição 
de um 
problema 
que terá 
uma única 
solução
Professor ainda 
toma todas 
as decisões 
com foco 
em formular 
operações 
cognitivas
Busca 
respostas e 
toma suas 
próprias 
decisões 
Físico, 
cognitivo 
e moral
H Relaciona-
mento dos 
aspectos 
motor e 
cognitivo
Professor toma 
decisões sobre 
o(s) problema(s) 
a ser(em) 
solucionado(s)
Aluno busca 
as soluções 
múltiplas e 
divergentes 
do problema 
e avalia as 
soluções 
encontradas
Físico, social, 
cognitivo 
e moral
Quadro 1. Estilo de ensino e sua relação com os canais de desenvolvimento e a relação 
professor-aluno.
(Continua)
(Continuação)
Abordagem didático-pedagógica do esporte8
138 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Fonte: Adaptado de Gozzi e Ruete (2006).
Estilo de 
ensino
Ensino Professor Aluno
Canais de 
desenvol-
vimento
I Individua-
lização do 
programa 
de ensino 
baseado no 
conteúdo 
decidido 
pelo 
professor
Planeja a 
área geral de 
conteúdo e deve 
estar disponível 
quando 
questionado
Escolhe o 
tópico a ser 
aprendido 
do conteúdo, 
propõe 
problemas e 
cria soluções
Físico, 
emocional, 
cognitivo 
e moral
J Autonomia e 
independên-
cia do aluno
Cabe ao 
professor ouvir, 
observar e 
alertar sobre 
essas decisões, 
quando 
solicitado
Aluno que 
conduz seu 
ensino e 
sua apren-
dizagem
***
K Autonomia e 
independên-
cia do aluno
Dispensa 
totalmente a 
presença do 
professor
O aluno 
tomará todas 
as decisões 
em todas 
as fases do 
processo 
de ensino-
-aprendi-
zagem
***
*** Não há avaliação das áreas do desenvolvimento, visto que este estilo 
de ensino é difícil de empregar no âmbito escolar pelo fato de não 
necessariamente pressupor a presença do professor em mediar o processo de 
ensino-aprendizagem.
Quadro 1. Estilo de ensino e sua relação com os canais de desenvolvimento e a relação 
professor-aluno.
(Continuação)
9Abordagem didático-pedagógica do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 139
Para Mosston, não há um estilo de ensino melhor do que o outro, uma vez 
que, em uma mesma intervenção, o profissional de educação física pode se valer 
de distintos estilos para contemplar a aprendizagem (GOZZI; RUETE, 2006). 
Além disso, outro ponto importante reside na inter-relação entre como ensinar 
(estilo de ensino) e as atitudes frente ao processo de ensino-aprendizagem evo-
cadas nos alunos — em outras palavras, qual canal de desenvolvimento é mais 
estimulado ao adotar determinado estilo de ensino ou, mais especificamente, 
o que seriam os canais de desenvolvimento? Na prática, são aspectos acentu-
ados no processo de tomada de decisão do professor e do aluno, em relação 
ao ensino-aprendizagem do esporte, manifestados nas seguintes dimensões:
 � física;
 � social;
 � emocional;
 � cognitivo; 
 � moral;
Na Figura 2, você pode identificar os canais de desenvolvimento mais 
trabalhados quando aplicados determinados estilos de ensino.
Figura 2. Inter-relação entre estilos de ensino e os canais de desenvolvimento.
Fonte: Adaptada de Gozzi e Ruete (2006).
Abordagem didático-pedagógica do esporte10
140 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Há estilos de ensino mais adequados para determinada modalidade esportiva?
Na prática, não. O que acontece é a maior frequência da aplicação de um ou mais 
estilos de ensino em uma modalidade esportiva específica. Por exemplo, no futebol, 
de acordo com Gozzi e Ruete (2006), os estilos de ensino por comando (A) e tarefa 
(B) são mais empregados, pois possibilitam ao professor controlar a turma durante a 
execução das tarefas, além dos resultados da intervenção a curto prazo.
Com isso em mente, a escolha de um ou alguns estilos de ensino leva às 
seguintes indagações: qual o objetivo da aprendizagem? Qual o papel do aluno 
no processo de ensino-aprendizagem? A participação do aluno estará voltada 
para a reprodução, a descoberta ou a produção de novos conhecimentos? Tais 
questões balizarão o processo de ensino-aprendizagem do esporte na escola 
para a formação de um aluno “mais” autônomo e “menos” dependente, mas, 
na prática, tudo dependerá da intencionalidade da intervenção docente.
3 Processo de ensino-aprendizagem 
do esporte escolar
Nosso objeto de estudo com esta leitura consiste no caminho em que os edu-
cadores alicerçam suas intervenções no ambiente escolar, especificamente nas 
etapas que compõem o processo de ensino-aprendizagem voltado ao esporte 
escolar. Se, por um lado, a abordagem pedagógica é a roupagem que o profis-
sional de educação física escolheu para atuar, as etapas do processo de ensino-
-aprendizagem compreendem a bagagem teórico-prática de que o professor se 
valerá para moldar os saberes, a fim de priorizar a aprendizagem dos alunos.
O processo de ensino-aprendizagem engloba as atitudes do mentor e do 
aprendiz. Na prática, o docente precisa estar atento às seguintes etapas: plane-
jamento didático, objetivos, conteúdos, estratégias e avaliação. A partir dessa 
informação, e uma vez ciente de que a Base Curricular Comum (BRASIL, 
2017) dita os conteúdos a serem abordados nas aulas de educação física escolar, 
a fim de contemplar ao menos em parte tal direcionamento curricular, cabe 
ao professor primeiro organizar o tempo que será destinado a cada conteúdo 
e os instrumentos que contribuirão para a vivência da prática corporal ao 
longo do ano letivo.
11Abordagem didático-pedagógica do esporte
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 141
O primeiro passo nessa jornada consiste na elaboração do planejamento 
didático, composto por: 
1. plano de curso;
2. plano da unidade didático; 
3. plano de aula. 
Tendo em vista o ano ou o semestre letivo, o professor: primeiro, elabora o 
plano de curso (intervenção a longo prazo); em um segundo momento, atento 
às atividades do bimestre ou até mesmo de um único mês, reconstrói as ativi-
dades que serãoinseridas no plano da unidade didática (médio prazo); e, por 
último, realiza a fragmentação da unidade didática em uma única intervenção/
dia referente ao plano de aula (curto prazo). 
Interessante observarmos que em cada uma dessas fases o professor de 
educação física precisa ter em mente o objetivo geral e os objetivos específicos 
para cada intervenção. Em uma visão macro, o professor traça o objetivo geral 
para implementação da disciplina tendo como base uma abordagem pedagógica 
específica, ressaltando os estilos de ensino que poderão ser utilizados para 
efetivar o processo, em, uma visão micro, ele deve minuciosamente fragmentar 
o objetivo geral em pequenos passos a fim de elaborar objetivos específicos, 
que, ao longo do semestre, letivo contemplarão o alvo da aprendizagem.
Já no que tange aos conteúdos, mesmo preestabelecidos por uma norma-
tiva de âmbito nacional (BRASIL, 2017), cabe ao professor, defrontando-se 
com a realidade escolar, reconstruir sua intervenção moldando os conteúdos 
frente às suas possibilidades de adequação e atuação. E, sendo o esporte um 
importante elemento da cultura corporal de movimento (DARIDO, 2012), sua 
implementação nas aulas de educação física escolar deve ser repensada. Longe 
de se tratar de uma aula na qual o professor “rola a bola” restringindo-se a uma 
única modalidade esportiva ou às linhas da quadra, a prática esportiva em 
âmbito escolar deve ser reconstruída tendo como base a proposta curricular, 
somado à realidade escolar, aos anseios e às limitações dos alunos e repensando 
a aprendizagem tendo o aluno como ator do processo.
Abordagem didático-pedagógica do esporte12
142 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
O primeiro passo nessa jornada consiste na elaboração do planejamento 
didático, composto por: 
1. plano de curso;
2. plano da unidade didático; 
3. plano de aula. 
Tendo em vista o ano ou o semestre letivo, o professor: primeiro, elabora o 
plano de curso (intervenção a longo prazo); em um segundo momento, atento 
às atividades do bimestre ou até mesmo de um único mês, reconstrói as ativi-
dades que serão inseridas no plano da unidade didática (médio prazo); e, por 
último, realiza a fragmentação da unidade didática em uma única intervenção/
dia referente ao plano de aula (curto prazo). 
Interessante observarmos que em cada uma dessas fases o professor de 
educação física precisa ter em mente o objetivo geral e os objetivos específicos 
para cada intervenção. Em uma visão macro, o professor traça o objetivo geral 
para implementação da disciplina tendo como base uma abordagem pedagógica 
específica, ressaltando os estilos de ensino que poderão ser utilizados para 
efetivar o processo, em, uma visão micro, ele deve minuciosamente fragmentar 
o objetivo geral em pequenos passos a fim de elaborar objetivos específicos, 
que, ao longo do semestre, letivo contemplarão o alvo da aprendizagem.
Já no que tange aos conteúdos, mesmo preestabelecidos por uma norma-
tiva de âmbito nacional (BRASIL, 2017), cabe ao professor, defrontando-se 
com a realidade escolar, reconstruir sua intervenção moldando os conteúdos 
frente às suas possibilidades de adequação e atuação. E, sendo o esporte um 
importante elemento da cultura corporal de movimento (DARIDO, 2012), sua 
implementação nas aulas de educação física escolar deve ser repensada. Longe 
de se tratar de uma aula na qual o professor “rola a bola” restringindo-se a uma 
única modalidade esportiva ou às linhas da quadra, a prática esportiva em 
âmbito escolar deve ser reconstruída tendo como base a proposta curricular, 
somado à realidade escolar, aos anseios e às limitações dos alunos e repensando 
a aprendizagem tendo o aluno como ator do processo.
Abordagem didático-pedagógica do esporte12
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 143
Para Darido (2012, documento on-line), os professores promovem a autono-
mia dos alunos nas aulas quando oferecem a eles a possibilidade de realizar a:
[...] escolha dos times; definição dos agrupamentos, distribuição pelo espaço; 
participação da construção e adequação de materiais; elaboração e modifi-
cação das regras etc. Inclui -se, ainda, o espaço para discussão das melhores 
táticas, técnicas e estratégias. Em outras palavras, a autonomia é facilitada 
quando se estimula o aluno a participar das discussões e reflexões em aula.
Tendo em vista a seleção dos conteúdos, há especificidades que o professor 
precisa se indagar, como ensinar esportes coletivos ou individuais, tradicionais 
ou não convencionais, manifestações esportivas urbanas ou na natureza e 
populares ou pouco conhecidas pelo público escolar. 
Confira no link a seguir uma reflexão sobre os conteúdos e a didática da educação 
física escolar. 
https://qrgo.page.link/8s5d4
Diante desse cenário, as estratégias para implementação do conteúdo 
precisam ser levadas em consideração, com o objetivo de propiciar não somente 
a aprendizagem do “saber fazer”, mas também a do “saber sobre”. Nesse 
quesito, o professor pode se valer de conhecimentos didático-pedagógicos que 
direcionarão sua intervenção a fim de que os alunos reproduzam ou produzam 
conhecimento, termômetro de atuação, que, em uma visão mais tradicional, 
perpassa a flexibilidade do professor-mediador, e, uma mais contemporânea, 
se vale até mesmo do autoensino, o qual dispensa a figura docente, o que 
refletirá na motivação para as aulas e na formação do aluno “mais” ou “menos” 
autônomo e independente (FIN et al., 2019). Nesse quesito, o conhecimento da 
Teoria dos Estilos de Ensino pode se tornar uma ferramenta útil para aparar 
as arestas e implementar o ensino de modo a permitir uma maior participação 
dos alunos no processo de ensino-aprendizagem (GOZZI; RUY, 2008).
13Abordagem didático-pedagógica do esporte
144 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Já a fase de avaliação, embora sem ter a pretensão de ser um ponto final, 
para Darido (2012), constitui a etapa na qual o docente pode analisar o percurso 
e traçar novas rotas. A avaliação do processo de ensino-aprendizagem voltado 
ao esporte escolar não deve se ater à métrica do rendimento, tampouco aos 
acertos e erros do gesto motor, mas, a partir de outras ferramentas, a uma 
possibilidade de enxergar a curvatura da apropriação do conhecimento teórico 
e prático da modalidade esportiva, elementos que englobam a participação 
nas aulas, trabalhos em equipe, frequência na disciplina, atividades escritas 
(avaliação teórica, desenhos, maquetes. etc.), ou físicas (circuitos, jogos, 
dinâmicas e apresentações, etc.). 
Confira no link a seguir mais detalhes sobre diferentes métodos de avaliação que podem 
ser aplicados no processo de ensino-aprendizagem nas aulas de educação física escolar.
https://qrgo.page.link/rcSbx
Nesse sentido, podemos concluir que o conhecimento pedagógico atrelado 
aos estilos de ensino representa um pilar de sustentação para o processo de 
ensino-aprendizagem. Especificamente voltado ao esporte escolar, o profissio-
nal de educação física tem em mãos um grande desafio: ensinar manifestações 
esportivas não somente pela óptica da reprodução, mas da produção de novos 
conhecimentos, um encontro que, na prática, acontece na relação professor-
-aluno, aluno-aluno, na reconstrução dos saberes por meio da vivência e nas 
adaptações da prática esportiva ao ambiente escolar. 
ANVERSA, A. L. B. et al. Formação continuada na implementação do esporte educa-
cional na educação física escolar. Pensar a Prática, Goiânia, v. 21, n. 4, p. 845–853, 2018.
BRASIL. Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.
htm. Acesso em: 13 jan. 2020.
Abordagem didático-pedagógica do esporte14
Processos Pedagógicos nos Esportes Coletivos | UNIDADE 2
Abordagem Didático-Pedagógica do Esporte | PARTE 4 145
BRASIL. Ministério da Educação. Base nacionalcomum curricular. Brasília: MEC, 2017.
CLARO JR., R. S.; FIGUEIRAS, I. P. Dificuldades de gestão de aula de professores de 
Educação Física em início de carreira na escola. Revista Mackenzie de Educação Física e 
Esporte, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 9–24, 2009.
DARIDO, S. C. Diferentes concepções sobre o papel da Educação Física na escola. In: 
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Caderno de formação: formação de professores 
didática geral. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. p. 1–176, v. 16. Disponível em: 
https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/41548/1/01d19t02.pdf. Acesso 
em: 13 jan. 2020.
FIN, G. et al. Estilo interpessoal docente e desmotivação na Educação Física: validação 
das escalas no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Brasília, v. 41, 
n. 4, p. 427–436, 2019.
GOZZI, M.; RUY, M. P. Identificando estilos de ensino em aulas de Educação Física. 
Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, v. 9, n. 13, p. 360–378, 2008.
GOZZI, M. C. T.; RUETE, H. M. Identificando estilos de ensino em aulas de Educação 
Física em segmentos não escolares. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São 
Paulo, v. 5, n. 1, p. 117–134, 2006.
REVERDITO, R. S.; SCAGLIA, A. J.; PAES, R. R. Pedagogia do esporte: panorama e análise 
conceitual das principais abordagens. Motriz, Rio Claro, v. 15, n. 3, p. 600–610, 2009.
TAHARA, A. K.; DARIDO, S. C. Diagnóstico sobre a abordagem das práticas corporais de 
aventura em aulas de Educação Física escolar em Ilhéus/BA. Movimento, Porto Alegre, 
v. 24, n. 3, p. 973–986, 2018.
Todos os links para sites da Web fornecidos neste livro foram testados, o que levou 
à comprovação de seu funcionamento no momento da publicação do material. No 
entanto, pelo fato de a rede ser extremamente dinâmica e suas páginas estarem 
constantemente mudando de local e conteúdo, os editores declaram não ter qualquer 
responsabilidade sobre a qualidade, a precisão ou a integralidade das informações 
referidas em tais links.
15Abordagem didático-pedagógica do esporte
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO PELA 
SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
Pedagogia do Futebol
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
Objetivo Geral 
Identificar os procedimentos metodológicos para o ensino do futebol e do futsal.
unidade 
3
V.1 | 2021
148 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 1
Pedagogia do Futebol e do Futsal
 
O conteúdo deste livro 
é disponibilizado
por SAGAH.
unidade 
3
V.1 | 2021
150 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Pedagogia do futebol 
e do futsal
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as possibilidades pedagógicas do futebol e do futsal em 
diferentes contextos.
 � Discutir a pedagogia do esporte associada à prática dirigida do futebol 
e do futsal.
 � Descrever a metodologia de ensino-aprendizagem do futebol e do 
futsal em diferentes contextos.
Introdução
O futebol e o futsal são modalidades esportivas bastante populares e que 
vão além das quatro linhas. Isso quer dizer que, por meio desses esportes, 
há inúmeras possibilidades pedagógicas que o professor de educação 
física pode explorar, trazendo uma visão sobre essas modalidades em 
diferentes ambientes.
Isso também não significa negar o jogo em si. Práticas dirigidas devem 
ser estimuladas, pois trazem muitos benefícios aos praticantes, desen-
volvendo-os em diferentes campos. Para isso, é importante conhecer 
as metodologias para que se adequem aos alunos, tendo sucesso em 
seu objetivo. 
Neste capítulo, você vai identificar as possibilidades pedagógicas 
do futebol e do futsal em diferentes contextos, discutir a pedagogia do 
esporte associada à prática dirigida a essas modalidades e descrever a 
sua metodologia de ensino-aprendizagem em diferentes contextos.
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 151
1 Possibilidades pedagógicas do futebol e 
do futsal
Praticadas pelos quatro cantos de país, por pessoas de todas as idades e classes 
sociais, as modalidades do futebol e do futsal são conteúdos potenciais para 
a educação física. Esses esportes têm grandes possibilidades pedagógicas 
nos mais variados contextos, como os campos educacional, de rendimento, 
participativo ou de formação.
O futebol no Brasil começou a ser praticado no final do século XIX, ofi-
cialmente. O retorno do jovem paulista Charles Muller ao país trouxe junto 
uma novidade: duas bolas de couro e as regras do esporte que já era popular 
na Grã-Bretanha para o solo nacional. 
Em pouco tempo, esse novo esporte desbancou, em popularidade, espor-
tes como o remo e o turfe, que eram os preferidos na população brasileira. 
As próprias tentativas de delimitar o futebol como um esporte praticado 
apenas pela elite não surtiram efeito, sendo que rapidamente ele passou a ser 
jogado com muito afinco por pobres e negros, que começaram a organizar 
suas próprias ligas (FRANZINI, 2009).
A chegada do futsal em solo nacional, na década de 30 do século seguinte, 
vindo do solo uruguaio, ajudou a propagar ainda mais a ideia de um esporte 
jogado com os pés que busca marcar gols na meta do adversário. O futsal 
deixou mais “simples” a prática, afinal, é um esporte com um menor número 
de jogadores (facilitando a formação de duas equipes) e também de um espaço 
mais acessível (tanto na dimensão da quadra quanto na busca pelo espaço) 
(VOSER, 2003).
Essa popularidade de ambos os esportes começou a ser vista como uma 
grande possibilidade pedagógica a partir dos anos 50 e 60 com a inserção do 
método desportivo generalizado. Esse método foi criado na França e se espalhou 
para vários países, chegando ao Brasil. A ideia principal dessa proposta era 
difundir os esportes nas escolas.
Quem se aproveitou da ideia desse método foram os governantes brasileiros 
do período da Ditadura Militar, que passou a incentivar a prática de esportes 
para dispersar o que ocorria politicamente e para desmobilizar manifestações. 
Aproveitando o título da Seleção Brasileira, no México, em 1970, o governo 
militar passou a investir no esporte na escola para formar futuros atletas. 
A ideia não era só formar jogadores de futebol (embora esse fosse o esporte 
principal das aulas), mas que o país se tornasse uma potência olímpica.
Pedagogia do futebol e do futsal2
152 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
O período da Ditadura Militar no Brasil durou 21 anos (1964 a 1985), tendo cinco 
presidentes diferentes. Além da promoção do esporte, principalmente o futebol, esse 
período ficou marcado pela restrição à liberdade e repressão aos opositores do regime.
Pode-se dizer que, nesse período, houve um grande crescimento da prática 
dessas modalidades a partir do estímulo do governo: técnicas dos jogos, 
formações táticas e competição, excluindo quem não tivesse capacidade 
(ROTTMANN, 2016). 
Silva e Campos (2014, documento on-line) apontam que:
[...] assim, vinculou-se a ideia de que a sua prática pedagógica deveria ser 
realizada por meio de exercícios físicos, nas quadras das escolas, de maneira 
a garantir o desenvolvimento integral da criança no que tange às habilidades 
motoras básicas de cada faixa etária, o domínio cognitivo e o afetivo social. 
Embora não seja o foco da escola, a ideia de formação de atletas para o 
País não deixa de ser uma possibilidade pedagógica para esse jogo.
Debates realizados nos anos 80 sob qual seria o foco das aulas de educação 
física vão propor mudanças significativas na visão sobre os esportes na escola. 
A partir disso, a mudança de foco sobre como o futebol e o futsaldeveriam 
ser utilizados como recursos pedagógicos vai provocar uma ruptura: deixa-se 
a busca de talentos para um instrumento que agregue valores estimulando a 
prática e a interação:
Na aprendizagem do futebol, por exemplo, o ensino não deveria se restringir 
a passar, conduzir e chutar uma bola com proficiência e precisão. Além de 
destrezas e habilidades, para estes estudiosos, o ensino do futebol, e outros 
esportes, poderia estar vinculado ao desenvolvimento de valores como a 
solidariedade, tolerância, humildade, respeito, honestidade e amizade. Outro 
aspecto que ganhou força neste período foi a identificação do esporte, enquanto 
conteúdo curricular, como meio importante de socialização. Surgiam assim 
outras formas de ensinar elaboradas a partir de uma abordagem sociológica 
(ROTTMANN, 2016, p. 12-13).
3Pedagogia do futebol e do futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 153
Essa mudança de visão permite ao futebol e ao futsal atuarem como 
instrumentos que possibilitem o jovem de praticar um esporte não apenas 
desenvolvendo técnica, tática e questões físicas, mas também permitam a 
conquista de sua cidadania e autonomia, além da possibilidade de interação 
e cooperação com os demais colegas. 
Essa visão combate que o futebol e o futsal são apenas o “fazer por fazer”, 
ou simplesmente jogar. Silva e Campos (2014) apontam que esses esportes são 
a possibilidade pedagógica de ir além do ensino de história do jogo, técnicas 
e táticas, mas pode ser um grande propulsor de outros temas sociais ou mais 
específico da educação física, tais como: história dos grandes clubes brasileiros 
e dos clubes de bairro, aspectos fisiológicos que ocorrem durante um jogo, 
elementos culturais que envolvem um jogo, importância dos ídolos, demais 
membros de um time (como a comissão técnica), fair play, etc.
Além disso, o jogo permite entrar mais a fundo em questões sociais bas-
tante importantes, como: racismo, homofobia, prática do futebol e do futsal 
pelas classes sociais, questões de gênero envolvendo o futebol feminino e 
preconceitos existentes, homossexualidade, etc. No campo escolar, há a possi-
bilidade de associar o futebol e o futsal com as demais disciplinas, explorando 
a interdisciplinaridade. 
Na área da matemática, pode-se trabalhar com estatísticas dos jogos, saldo de gols, 
etc.; na física, a velocidade de um chute; na geografia, as cidades dos clubes e onde 
ocorrem os jogos e, na língua portuguesa, as crônicas esportivas, etc.
No campo formativo do futebol, Scaglia (1996) aponta que as escolinhas de 
futebol também têm inúmeras possibilidades pedagógicas além das técnicas e 
da busca por novos talentos. Segundo esse autor, o futebol nesse campo deve 
ser visto como um meio de ensino, primeiramente, e não apenas como um 
descobridor de promessas.
Além disso, as competições e disputas devem ser vistas como algo peda-
gógico, ou seja, ensinar que se deve aceitar a derrota como a vitória, tendo 
a postura adequada para cada momento do jogo. Também deve-se evitar a 
cobrança por resultados e possibilitar que o aluno toque o máximo de vezes 
na bola, evitando que fique deslocado da aula
Pedagogia do futebol e do futsal4
154 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Scaglia (1996) ainda cita que esse esporte deve estimular a tomada de 
decisões não só dentro do campo ou da quadra, mas também fora dela, pois 
possibilita que os próprios alunos se auto-organizem, estimulando a construção 
de regras, por exemplo.
Neste tópico, você conheceu as possibilidades pedagógicas do futebol e 
do futsal. Na sequência, veremos a pedagogia do esporte associada a essas 
modalidades.
2 Pedagogia do esporte associada à prática 
dirigida do futebol e do futsal
Neste tópico, apresentaremos a pedagogia do esporte associada à prática 
dirigida no futebol e no futsal. Conhecer a pedagogia do esporte é essencial 
para o ensino dessas modalidades não só nas questões técnicas e táticas, mas 
também para a discussão de valores como fair play, respeito e saber ganhar 
e perder, como citamos anteriormente.
Discutir a Pedagogia do Esporte é como associar uma busca de solução a 
problemas relacionados às diversas formas do ensino-aprendizagem nas aulas 
de Educação Física, isso significa abordar os conhecimentos partindo de uma 
investigação da sua origem e o que ela pode nos auxiliar, considerando o seu 
percurso. Por isso é importante entender e compreender sua função e dar um 
novo significado para verificar as necessidades e os problemas que acercam o 
processo ensino-aprendizagem na construção do conhecimento dos jogos de 
futsal. A Pedagogia nos permite analisar fundamentos e conhecer, ao mesmo 
tempo, experiência e procedimentos didáticos que são capazes de atingir um 
número maior de alunos na ação pedagógica (FREIRE, 2003 apud SOUZA; 
HONORATO, 2016, documento on-line).
Em consonância com essa ideia, Scaglia (1999) refere que a pedagogia do 
esporte tem por objetivo buscar na sua essência o ensino do jogo e do esporte, 
de forma que todos possam jogar, respeitando as suas qualidades e seus defeitos, 
mas, principalmente, havendo a cooperação. Para se compreender a pedagogia 
do esporte, em relação tanto às teorias que a fundamentam quanto às que a 
adequam à prática, se faz necessário tomar consciência em que consiste o seu 
conceito desde o seu percurso histórico e o seu estado atual.
5Pedagogia do futebol e do futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 155
Dessa forma, se faz necessário que as práticas dirigidas tanto no futsal 
como no futebol tornem-se grande ferramenta de aprendizado para o aluno 
com conteúdos ricos e alternativas diversas, principalmente no período escolar 
e de formação, visto que no esporte de rendimento a seleção dos jogadores 
se torna algo natural.
Sendo assim, Scaglia (1999) aponta que o ensino do futebol e do futsal 
não deve ser um processo repetitivo, no qual o professor demonstra e o aluno 
repete, mas sim fazer com que eles conheçam e: 
[...] tenham a possibilidade de vivenciar seus fundamentos técnicos de uma 
forma pela qual busquem em primeiro lugar a construção de seus próprios 
conhecimentos adquiridos, permitindo interagir com aquilo que o aluno já 
sabe, com o novo, propiciando e ampliando-se assim seus conhecimentos 
culturais e motores (SCAGLIA, 1999, p.61).
Corroborando com essa ideia, Freire (2011) descreve que essas modalidades 
devem ser aprendidas e úteis para o aluno em seu dia a dia, possibilitando que 
todos vivenciem e participem das atividades propostas, tendo, dessa forma, 
a inclusão como um dos princípios básicos das práticas dirigidas. Outro dos 
princípios é que essas modalidades sirvam para o desenvolvimento de habili-
dades físico-mentais, como: consciência corporal, coordenação, flexibilidade, 
ritmo, agilidade, equilíbrio, percepção espaço-temporal em uma atmosfera 
de descontração, dinamismo e ludicidade.
O ensinar no futebol, não é uma simples transmissão de conhecimento ou 
imitações de gestos, onde o aluno seja apenas um receptor passivo, acrítico, 
inocente e indefeso de seus fundamentos técnicos. Ensinar futebol é uma prá-
tica pedagógica, desenvolvida dentro de um processo de ensino-aprendizagem, 
que leve em conta o sujeito aluno, criando possibilidades para construir esse 
conhecimento, inserindo e fazendo interagir o que o aluno já sabe, com o 
novo, ampliando-se assim, sua bagagem cultural e motora (ASSIS; COLPAS, 
2013, documento on-line).
Freire (2011) aponta que como todos os demais esportes, o futebol e o 
futsal são necessários para o desenvolvimento das habilidades motoras e as 
habilidades específicas do jogo como finalização, passe, controle de bola, 
condução, desarme, lançamento, cruzamento, cabeceio e no caso dos goleiros, 
defesa e saltos.
Pedagogia do futebol e do futsal6
156 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Sobre os fundamentos básicos a serem aprendidos e ensinados, Scaglia 
(1999)classifica-os em básicos, derivados e específicos.
 � Fundamentos básicos: passe, domínio de bola, condução, drible, chute, 
desarme e cabeceio.
 � Fundamentos derivados: cruzamento, cobrança de falta e pênalti, 
lançamentos e tabelinhas.
 � Fundamentos específicos: são as posições assumidas pelo jogador 
durante o jogo, como goleiro, zagueiros, laterais, meias e atacantes.
Para que consiga atingir esses fundamentos, Freire (2011) aponta que o 
ensino-aprendizagem deve começar pelo contato com a bola. Esse contato 
se dá a partir de fundamentos simples, como condução e controle de bola, 
em que se possa conhecer o volume e a textura do objeto mais importante 
do jogo. Na sequência vêm as habilidades para interagir com o colega, como 
o passe, o drible e o desarme. Por fim, vêm todas as habilidades que foram 
citadas anteriormente, colocando-as em situação de jogo, ou seja, promovendo 
ações táticas em que o aluno crie memória para executar em outro momento.
Scaglia (1999) defende que o ensino do futebol e do futsal deve ter funda-
mentos, mas também envolvê-los em questões culturais, dessa forma, deve-se 
proporcionar ao atleta a aquisição de hábitos e condutas motoras e o entendi-
mento do futebol como um fator cultural, criando sentimento de solidariedade, 
cooperação, autonomia e criatividade, valores éticos, sociais e morais, para 
que o aluno se torne um agente transformador do seu tempo, preocupado com 
uma cidadania que lhe permita viver bem, qualquer que seja o caminho do 
futebol por ele a seguir: o esporte como profissão ou como lazer (SCAGLIA, 
1999 apud ASSIS; COLPAS, 2013).
Dentro do campo educacional e de formação, ambos os, autores Scaglia 
(1999) e Freire (2011), apontam que os jogos populares, praticados na rua ou 
adaptados do futebol, são excelentes instrumentos de aprendizagem. Além 
disso, é uma idade para que o aluno vivencie e experimente todos os elementos 
do jogo, como jogar em todas as posições, como goleiro, na defesa, na armação 
ou no ataque. Com isso, o professor deve promover um rodízio para que todos 
passem por isso. A adaptação das regras, dando preferência a jogos em pequenos 
grupos, em que todos tenham a oportunidade de tocar na bola, é estimulante.
7Pedagogia do futebol e do futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 157
Para Freire (2011), alguns princípios devem ser seguidos para ensinar a jogar futebol 
e futsal: ensinar a todos; ensinar bem; ensinar mais do que futsal e futebol; e ensinar 
a gostar de futsal e futebol.
No campo voltado ao rendimento, a busca pela excelência das capacidades 
físicas e habilidades motoras dá a tônica para o ensino. Paes e Oliveira (2005) 
classificam que nessa manifestação desportiva, os exercícios para futebol e o 
futsal podem ser definidos como gerais, específicos e competitivos.
Os exercícios gerais estão relacionados com exercícios que se apoiam em 
ações que acontecem fora do ambiente da competição; os exercícios específicos 
se relacionam com características muito próximas da competição; e os exercí-
cios competitivos são idênticos aos da competição, porém, nos treinamentos, 
eles são realizados com base nas regras da modalidade específica.
Paes e Oliveira (2005) citam que, além desses exercícios que envolvem 
as questões técnicas, físicas e táticas, no futebol e no futsal como esporte de 
rendimento, outras questões são importantes, como a preparação psicoló-
gica, a alimentação, o repouso, as questões sociais, etc., e, embora não sejam 
relacionados às práticas pedagógicas do futebol e do futsal, são fatores que 
precisam ser levados em conta na preparação do atleta.
Ainda sobre o futebol e o futsal como esporte de rendimento, Garganta 
(2002) afirma que os treinamentos devem estimular a criatividade do atleta e a 
leitura de jogo buscando competências que transcendam a execução, centrando 
suas capacidades cognitivas nos princípios das ações que regem o jogo, como 
a comunicação entre os jogadores, a obtenção de aproveitamento de espaços 
vazios e a percepção antecipada das ações dos adversários.
Outro fator que se deve dar maior ênfase nessa concepção é a necessidade 
de aperfeiçoamento e aprofundamento dos sistemas tático. Com isso, a parte 
tática precisa ser mais trabalhada, mostrando a variabilidade de sistemas 
existentes dentro de um próprio jogo, estimulando a criatividade junto ao 
pensamento tático do atleta. 
Neste tópico, tratamos sobre a pedagogia do esporte voltada à prática 
dirigida ao futebol e ao futsal. Na sequência, vamos conhecer mais sobre as 
metodologias de ensino-aprendizagem para essas modalidades.
Pedagogia do futebol e do futsal8
158 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
3 Metodologia de ensino-aprendizagem 
do futebol e do futsal
Neste último tópico, abordaremos a metodologia de ensino-aprendizagem do 
futebol e do futsal em diferentes contextos. Escolhemos para este tópico manter 
a linha do anterior, no qual apresentamos o período de primeiros contatos e 
iniciação ao jogo (desporto educacional e formação) e uma metodologia voltada 
mais ao profissional (desporto de rendimento).
A metodologia é a forma como o professor vai conduzir o seu aluno até o 
objetivo final (LIBÂNEO apud BORGES, [2013?]). O método escolhido vai 
de acordo com as propostas do professor para que seja útil tanto para si quanto 
para o aluno. Nos primeiros contatos do discente com a prática esportiva, 
principalmente no campo educacional e nos primeiros anos de formação, como 
escolinhas, os métodos tradicionais são os mais utilizados. Dentre os métodos 
tradicionais mais utilizados, estão: analítico-parcial, global-funcional e misto.
O método analítico-parcial tem como principal objetivo o ensino dos fun-
damentos técnicos, tendo como principal forma de trabalho uma série de 
exercícios. Essa série vai ter uma sequência estruturada buscando que ele 
desenvolva o elemento do jogo do mais simples ao mais complexo. Em uma 
aula sobre drible, por exemplo, o professor iria propor uma sequência de ativi-
dades sobre esse fundamento, corrigindo os erros e aprimorando as virtudes. 
A principal vantagem desse método é o desenvolvimento da técnica correta, 
possibilitando maior êxito na vivência e a correção é fácil de ser realizada. 
Suas desvantagens são: a demora para o exercício chegar no “todo”, visto que o 
movimento é treinado em separado, a aula se torna monótona e pouco atraente 
e não possibilita a satisfação do desejo de jogar (GRECO, 1998).
Segundo Perfeito (2009), esse método ainda prevalece em muitas escolas 
e clubes brasileiros, amparado pela crença da necessidade do domínio total 
da técnica para ter sucesso no jogo. É evidente que uma técnica apurada se 
faz necessária, porém, segundo o autor, há métodos que também propiciam 
isso de uma forma mais dinâmica e motivadora para o aluno.
O método global-funcional terá o princípio de que só se aprende o jogo 
jogando, sendo assim, a técnica e os demais elementos relacionado ao futebol 
e ao futsal serão aprendidos durante o jogo formal. Por esse método, a aula 
consiste em distribuir dois times para que joguem e, quando necessário, o 
professor faz as correções sobre a técnica, a tática e os demais elementos 
(PERFEITO, 2009).
9Pedagogia do futebol e do futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 159
Dentre as principais vantagens desse método está o prazer de jogar, a 
aprendizagem de todos os elementos desde o começo e a simplificação da 
organização da aula. No entanto, por receber inúmeras informações, a criança 
pode não assimilar todas e o tempo para correções pode ser pouco, criando 
vícios equivocados no praticante (GRECO, 1998).
Valendo-se dos estudos de Greco (2001), Borges ([2013?]) afirma, em com-
paração ao método analítico-parcial, que o método global-funcional apresenta 
maiores ganhos, pois o maior desejo do aluno é jogar, tendo maior motivação 
para a aprendizagem, além de melhores ganhos nas funçõestáticas. 
O método misto pode ser definido como uma união entre os dois métodos 
recentemente apresentados. Dessa forma, o professor iria trabalhar primei-
ramente os fundamentos do futebol e do futsal (condução, domínio, chute, 
drible, passe, etc.) para, após atingir um nível adequado, haver o jogo como 
sugere o método global-funcional (COSTA, 2003 apud BORGES, [2013?]).
Esse método permite que o professor utilize na mesma aula os exercícios e o 
jogo, independentemente de ordem ou quantidade estabelecidas, sendo possível 
o professor tanto realizar correções nos exercícios mais técnicos quanto dar 
o feedback no jogo. A metodologia mista é considerada a mais completa das 
tradicionais (COSTA, 2003 apud BORGES, [2013?]).
Além dos métodos tradicionais, Garganta (2002) apresenta dois métodos 
chamados de contemporâneos, mais utilizados nas escolinhas, nas categorias 
de base e nos clubes profissionais de futebol e futsal. Esses modelos são 
considerados sistêmicos e visam às capacidades cognitivas como elementos-
-chave da aprendizagem, buscando, sobretudo, desenvolver a inteligência do 
praticante durante o jogo. Como exemplo, temos os jogos condicionados e o 
método situacional.
O método de jogos condicionados é centrado na ideia da cooperação e 
da inteligência. Ele busca enfatizar o aprendizado da tática e da técnica con-
comitantemente ao princípio de jogar para aprender, focando o processo de 
tomada de decisões (CASAGRANDE, 2012). 
Esse método também é chamado de jogos reduzidos, pois diminui o nú-
mero de atletas praticantes e o espaço da prática e há maior flexibilidade das 
regras para que o jogo ocorra. Segundo Perfeito (2009), ele é dividido em seis 
etapas. Veja a seguir.
Pedagogia do futebol e do futsal10
gilia
Highlight
gilia
Highlight
160 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
 � Eu-bola: desenvolver relação com a bola (domínio e controle).
 � Eu-bola-alvo: desenvolver a finalização.
 � Eu-bola-adversários: desenvolver as habilidades de condução de bola, 
drible/finta e procura pela finalização (1 × 1).
 � Eu-bola-colega-adversário: desenvolver as atividades de passe, tabela, 
contenção e cobertura defensiva (2 × 1 e 2 × 2).
 � Eu-bola-colegas-adversários: desenvolver as habilidades de criação e 
anulação das linhas de passe, penetração e apoio (3 × 1, 3 × 2 e 3 × 3).
 � Eu-bola-equipe-adversários: a partir da assimilação do 3 × 3, desen-
volve-se a assimilação e a aplicação dos princípios do jogo, ofensivo 
e defensivos.
O método situacional é composto basicamente de jogadas retiradas de 
situações típicas de jogo (GRECO, 1998). Nesse caso, se trabalharia, por 
exemplo, uma situação específica de ataque ou defesa, como a marcação 
ou o posicionamento na cobrança de um escanteio, marcar em determinada 
posição da bola, etc.
Esse método aumenta de acordo com as exigências técnicas e táticas, 
podendo aumentar o número de jogadores ou o espaço do campo. Para Greco 
(1998), é um bom método para otimizar a aprendizagem, pois aciona meca-
nismos de memória conforme as situações reais de jogo.
Cabe ressaltar que, no nível profissional, o método de treino é decidido 
segundo o planejamento de uma comissão técnica, que vai trabalhar a escolha 
dos métodos conforme as características dos atletas, as situações que ocorrem 
nas partidas e também as características do adversário conforme cada partida.
Ainda no futebol e no futsal de rendimento, há uma divisão bem clara dos 
períodos de treinamentos que vão envolver a escolha da metodologia. Esses 
períodos são conhecidos como pré-competitivo ou pré-temporada e período 
competitivo.
O período de pré-temporada, antecessor do começo das competições, é o 
período em que se busca desenvolver as capacidades biomotoras dos atletas, 
como força, resistência e velocidade, buscando deixar em boas condições 
para as competições subsequentes. O período competitivo busca manter o 
condicionamento realizado na pré-temporada, dando reforços durante as com-
petições – aqui, envolve-se outra metodologia conforme os objetivos da equipe.
11Pedagogia do futebol e do futsal
gilia
Highlight
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 161
Acesse o link a seguir e conheça um pouco mais sobre a fase de pré-temporada.
https://qrgo.page.link/Rx8x3
Neste capítulo, você viu que no período da Ditadura Militar no Brasil, o 
futebol se massificou buscando novos atletas. Na sequência, deixa-se a busca 
de talentos para um instrumento que agregue valores estimulando a prática 
e a interação e desenvolvendo valores. Sendo assim, a partir do futebol e do 
futsal, há inúmeras possibilidades pedagógicas, como aspectos fisiológicos 
que ocorrem durante um jogo, elementos culturais que envolvem um jogo, 
importância dos ídolos, etc., além de questões sociais bastante importantes, 
como: racismo, homofobia, prática do futebol e do futsal pelas classes sociais, 
questões de gênero envolvendo o futebol feminino e preconceitos existentes, 
homossexualidade, etc. 
Vimos também que a pedagogia do esporte tem por objetivo buscar na 
sua essência o ensino do jogo e do esporte, de forma que todos possam jogar, 
respeitando as suas qualidades e seus defeitos, mas, principalmente, havendo 
a cooperação. Dessa forma, se faz necessário que as práticas dirigidas tanto 
no futsal como no futebol tornem-se uma grande ferramenta de aprendizado 
para o aluno, com conteúdos ricos e alternativas diversas, desenvolvendo 
habilidades motoras e específicas do jogo, sendo que o ensino-aprendizagem 
deve começar pelo contato com a bola.
Por fim, vimos que nos primeiros contatos do aluno com a prática esportiva, 
principalmente no campo educacional e nos primeiros anos de formação, como 
escolinhas, os métodos tradicionais são os mais utilizados. Dentre os métodos 
tradicionais mais utilizados, estão: analítico-parcial, global-funcional e misto. 
Ainda há dois métodos chamados de contemporâneos (jogos condicionados 
e método situacional), mais utilizado nas escolinhas, nas categorias de base 
e nos clubes profissionais de futebol e futsal, por serem sistêmicos e visarem 
às capacidades cognitivas como elementos-chave da aprendizagem, buscando, 
sobretudo, desenvolver a inteligência do praticante durante o jogo.
Pedagogia do futebol e do futsal12
162 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
ASSIS, J. V. de; COLPAS, R. D. A pedagogia esportiva e o ensino do futebol na escola. 
EFdeportes.com, v. 18, n. 185, 2013. Disponível em: https://www.efdeportes.com/
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em atividades extracurriculares. [S. l., 2013?]. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.
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http://bdtd.uftm.edu.br/bitstream/tede/93/1/dissertacao%20descritores%20Cleber.
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Barueri, SP: Manole, 2002. p. 281–306.
PAES, R. R.; OLIVEIRA, V. A pedagogia do esporte repensando o treinamentotécnico-
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13Pedagogia do futebol e do futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Pedagogia do Futebol e do Futsal | PARTE 1 163
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cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
SCAGLIA, A. J. O futebol que se aprende e o futebol que se ensina. 1999. Dissertação 
(Mestrado em Educação Física) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 
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tigo_edfis_uel_laudemirdesouza.pdf. Acesso em: 22 jan. 2020.
VOSER, R. Futsal: princípios técnicos e táticos. 2. ed. Canoas, RS: Ulbra, 2003.
Pedagogia do futebol e do futsal14
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO PELA 
SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
Parte 2
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva
 
O conteúdo deste livro 
é disponibilizado
por SAGAH.
unidade 
3
V.1 | 2021
166 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Crianças e adolescentes: 
iniciação esportiva
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Enumerar os aspectos relacionados à iniciação de crianças e adoles-
centes no futebol e no futsal.
 � Descrever os procedimentos metodológicos para o ensino do futebol 
e do futsal para crianças e adolescentes.
 � Reconhecer a importância da iniciação esportiva no futebol e no futsal 
para o desenvolvimento global de crianças e adolescentes.
Introdução
Movimentar-se é algo intrínseco do universo infantil. As crianças aprendem 
brincando, e é justamente nessa fase da vida que os pequenos tomam 
gosto pelo esporte. De fato, a prática esportiva é considerada a principal 
manifestação de atividade física moderada a vigorosa entre crianças e 
adolescentes. A iniciação ao esporte está imersa nesse contexto.
Dentre as modalidades esportivas coletivas, muitas crianças dão seus 
primeiros passos no futebol e no futsal. Influenciados pelos pais e fa-
miliares, é em casa que, na grande maioria das vezes, ocorre o primeiro 
contato com o mundo da bola. A fim de ampliar tal horizonte, é possível 
percebermos que a iniciação ao esporte acontece de forma estruturada 
e não estruturada. Permeia instituições educacionais (educação básica e 
escolinha esportiva) a até as ruas, praças, parques e praias. Se do esporte 
os pequenos esperam diversão, a longo prazo, por meio da iniciação 
esportiva orientada por um profissional de Educação Física, eles rece-
bem não somente formação física, mas também preparação para a vida. 
Respeito ao próximo e às regras do jogo são alicerces que delinearão sua 
trajetória no esporte.
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 167
Neste capítulo, você vai ver a importância da iniciação esportiva entre 
crianças e adolescentes. Além disso, você vai conhecer os métodos de 
ensino-aprendizagem especificamente voltados ao futebol e ao futsal, 
sua influência na formação moral e ética, bem como a inter-relação com 
a detecção de talentos para o esporte. 
1 Importância da iniciação esportiva 
no futebol e no futsal
Há um consenso na literatura científica de que a formação no esporte perpassa 
as fases de iniciação, desenvolvimento e especialização (PAOLI; SILVA; 
SOARES, 2008). Sob esse prisma, é durante a infância que muitas crianças 
dão seus primeiros passos no mundo da bola. É justamente nessa fase da vida, 
celeiro de talentos para alguns (CAVICHIOLLI et al., 2011), que o profissional 
de Educação Física precisa estar atento à linha tênue entre a iniciação esportiva 
e a especialização precoce. 
Diante desse desafio, como ensinar esportes para as crianças sem desen-
cadear na restrita formação de atletas em miniatura? Quais os aspectos que 
o profissional de Educação Física precisa observar? Nosso ponto de partida 
está em entender os fatores extrínsecos (p. ex., família, mídia, escola, etc.) 
e intrínsecos (fases do crescimento e desenvolvimento humano e maturação 
biológica, etc.) que conduzem a criança ao mundo da bola. 
De fato, a iniciação esportiva entre crianças e adolescentes acontece de 
forma não estruturada e estruturada (COSTA et al., 2018). A característica 
central que irá permitir discernir tal implementação da iniciação ao futebol e 
futsal é a figura do profissional de Educação Física para orientar o aprendizado. 
Na prática, na grande maioria das vezes, são os pais e os familiares os principais 
incentivadores da participação dos pequenos nesses esportes (NOGUEIRA; 
SANTOS, 2018). Ambas as modalidades esportivas são culturalmente po-
pulares em nosso país, e essa projeção do núcleo familiar almejando formar 
pequenos campeões perpassa o rendimento tanto desportivo quanto financeiro. 
Para que esse resultado possa ser alcançado a longo prazo, vejamos em 
maiores detalhes os elementos extrínsecos que balizam a iniciação ao esporte. 
Se por um lado, de forma não estruturada (sem orientação de uma profissional 
da área), a criança tem contato com os elementos fundamentais do futebol 
e futsal desde pequena em distintos ambientes, tais como em casa, na rua, 
nas quadras ou na praia, maciçamente influenciada pela mídia (COSTA et 
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva2
168 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
al., 2018), por outro lado, quando adentra a educação básica por volta dos 
cinco a seis de idade, tanto na escola quanto no contraturno com a escolinha 
esportiva, há os primeiros passos visando à iniciação formal (estruturada) no 
esporte (Figura 1).
Figura 1. A inter-relação entre os espaços formativos durante a iniciação esportiva de 
crianças e adolescentes. 
Fonte: Adaptada de Costa et al. (2018).
Irmãos Primos e tios Amigos
Iniciação esportiva não estruturada Iniciação esportiva estruturada
Escolinha esportiva
Educação básica
Família Rua Escola
Para Costa et al. (2018, p. 699), “[...] a rua parece assumir uma função 
importante na transição do ambiente da casa, do familiar para o público, como 
se fosse uma espécie de amenização do choque da estreia no espaço público”. 
Interessante notarmosque esse cenário é contundente no âmbito esportivo, 
principalmente quando as meninas tomam gosto pelo esporte (COSTA et al., 
2018). 
Aliado a isso, a preocupação se volta para a adequação da atividade motora 
diante da faixa etária da criança e, por conseguinte, tal adequação remete 
aos elementos intrínsecos que delineiam a iniciação esportiva, tais como o 
desenvolvimento biológico e a fase maturacional. Há estudos científicos que 
salientam que a iniciação ao futsal, por exemplo, antes dos sete anos de idade, 
objetivando a competição, pode incorrer em maiores erros de execução do gesto 
motor, além de pressão por resultados por parte do técnico, especialização 
precoce na modalidade esportiva e, ainda, abandono do esporte (REIS; SILVA, 
2012). Ao passo que, quando orientada desde cedo, a iniciação esportiva pode 
contribuir para a formação de talentos.
3Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 169
Nesses moldes, o profissional de Educação Física precisa adequar as ativi-
dades esportivas diante da capacidade da criança de executar o gesto motor. 
Uma vez ciente que há fases da iniciação ao esporte (iniciação, 8 a 9 anos; 
aperfeiçoamento, 10 a 11 anos, e o treinamento, 12 a 13 anos) (RAMOS; 
NEVES, 2008), é pertinente o professor ter em mente que é justamente antes 
da puberdade que as crianças podem ampliar o arcabouço motor, a fim de 
se beneficiar durante a especialização no esporte. Alguns profissionais da 
área (MACHADO; BONFIM; COSTA, 2009) consideram que a matura-
ção biológica seria de fato um sinal verde para a especialização no esporte. 
No entanto, essa fase que antecede o pico de velocidade de crescimento e 
puberdade não é justificativa para a iniciação e/ou especialização precoce, 
muito pelo contrário, os professores, cientes desse período de constantes 
alterações orgânicas no ser humano, podem otimizar ganhos de “matéria-
-prima” que serão lapidadas na especialização (p. ex., ganho de força a partir 
do aumento da massa muscular; ganho de massa óssea a partir de atividades 
com impacto, tais como saltos, etc.).
Falando em futsal, como não lembrar de Falcão, com a interação entre os fundamen-
tos técnicos, a habilidade motora e o conhecimento tático em prática nas quadras? 
Na opinião de muitos, como esse atleta não há igual. Acesse o link a seguir e confira a 
trajetória de Falcão, mundialmente reconhecido como o rei do futsal.
https://qrgo.page.link/VhwTJ
Com isso mente, cabe salientar que as crianças aprendem brincando e para 
alcançar tal meta, ensinar esportes só ganha corpo quando respaldado pela 
ludicidade (SANTANA, 2004). Confira a seguir no Quadro 1 exemplos de 
atividades motoras voltadas ao ensino do futebol e do futsal separados pela 
faixa etária (GONÇALVES, 2019).
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva4
170 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Fonte: Adaptado de Gonçalves (2019).
Faixa etária Atividades motoras
6 a 8 anos Nesta fase, as crianças devem ser estimuladas a 
desenvolver atividades que envolvam habilidades 
motoras que podem ser utilizadas em várias modalidades 
esportivas, haja vista o processo de especialização 
futuro, tais como correr, pular, andar, saltar e arremessar. 
A ludicidade é um aspecto primordial para que 
a criança possa tomar gosto pelo esporte.
9 a 11 anos Nesta fase, as atividades podem estar voltadas à fixação e 
ao desenvolvimento do esporte. Especificamente, podem 
ser implementadas atividades voltadas ao aprendizado 
dos fundamentos técnicos do futebol e do futsal, tais 
como lançamentos, passes, dribles, chutes e condução de 
bola. Cabe ressaltar que, nesta faixa etária, é importante a 
vivência de diferentes posições de jogo, a fim de evitar a 
especialização precoce e ampliar as experiências motoras.
Acima dos 
11 anos
Nesta fase, pode ocorrer uma maior cobrança no que 
tange à eficiência da execução dos gestos técnicos, 
assim como elementos táticos já podem ser ensinados. 
A ideia é aliar maior intensidade das atividades com a 
complexidade, a fim de que gradativamente o jovem 
possa executar o gesto motor de forma automatizada 
e com criatividade, a fim conduzir a jogada.
Quadro 1. Etapas e atividades motoras para a iniciação e desenvolvimento do futebol e 
do futsal entre crianças e adolescentes
Sob essa ótica, e em concordância com Greco e Benda (1998), o profissional 
de Educação Física precisa estar atento durante todo o processo de formação 
esportiva, principalmente na fase universal que abrange desde os 6 até os 
12 anos de idade, de modo que o foco nesse período esteja voltado ao desenvol-
vimento, de maneira geral, das capacidades motoras e coordenativas, para que 
possa ser estimulado na criança e no adolescente uma base ampla e plural de 
habilidades motoras que irão sustentar o desenvolvimento e a especialização 
no esporte nos anos vindouros.
5Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 171
2 Métodos de ensino do futebol e do futsal
No Brasil, considerado a “pátria das chuteiras”, as crianças são imersas desde 
cedo no mundo da bola. E numa trajetória recente, aquela prática esportiva 
das ruas e dos campos de várzea foram, em sua grande parcela, nos centros 
urbanos institucionalizados por meio das escolinhas esportivas (OLIVETE 
et al., 2015). O fato é que, como salienta alguns autores (PAOLI; SILVA, 
SOARES, 2008), não há mais tempo nem recursos financeiros para esperar 
que um talento esportivo seja formado e desponte em campo quase que na-
turalmente. Nos dias de hoje, o trabalho começa desde cedo, mesmo tendo a 
prematuridade de seus riscos não somente físicos, mas também psicossociais.
Na prática, conforme destaca Olivete et al. (2015), a grande maioria das 
escolinhas esportivas não tem uma metodologia organizada quando o assunto 
em pauta é o processo de ensino-aprendizagem do futebol e do futsal. O reper-
tório de atividades durante as aulas de iniciação ao esporte, tanto no ambiente 
escolar quanto nas escolinhas esportivas, parece estar intimamente relacionado 
com a experiência prévia do técnico como ex-atleta (GREGÓRIO; SILVA, 
2014). No entanto, não somente essa bagagem deve ser levada em consideração 
quando o que está em jogo é a formação do esportista. Almejando que dentre 
os bons jogadores possa despontar os talentos, a iniciação ao esporte precisa 
estar respaldada em métodos de ensino-aprendizagem com rigor científico, 
a fim de sustentar a intervenção. E mais do que isso, é necessário que sejam 
implementadas estratégias de ensino que possibilitem ao aprendiz, além de 
automatizar o gesto motor de forma segura e eficiente, desenvolver habilidades 
motoras que possam contribuir para a inteligência e a criatividade durante a 
partida (SILVA; GRECO, 2009). 
Com isso em mente, para Olivete et al. (2015, documento on-line):
Uma escolinha sem princípios pedagógicos bem orientados poderá deixar sua 
metodologia de ensino à deriva, onde os procedimentos de ensino do esporte 
ficam à mercê do professor, gerando uma situação onde o mesmo aplicará a 
atividade que mais o convém.
Na teoria, há três métodos de ensino-aprendizagem especificamente vol-
tados ao ensino do futebol e do futsal, confira a seguir na Figura 2.
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva6
172 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Figura 2. Inter-relação entre os métodos de ensino-aprendizagem voltados ao futebol 
e ao futsal.
Técnica Tática
Modelo misto
Modelo
analítico-sintético
Modelo
situacional
Quando o assunto em pauta é a iniciação esportiva entre crianças e ado-
lescentes, são esses os métodos de ensino-aprendizagem que permeiam a dis-
cussão tanto no campo das ideias quanto na prática formativa (GONÇALVES, 
2019). Confira a seguir maiores detalhes no Quadro 2. Há um consenso de 
que o método analítico-sintético é mais indicado para a iniciação ao esportenecessária. Então, na prática, ao 
ministrarmos uma aula, é sempre importante evidenciar por meio das ativida-
des propostas quais elementos estão sendo trabalhados no momento para que 
eles tenham a consciência e reconheçam a importância do objetivo colocado.
Sempre promover eventos no calendário escolar, como festivais de prática 
esportiva, em que os pais possam estar presentes no processo de desenvolvi-
mento do aluno, tendo uma participação mais ativa dentro dessas finalidades 
e o comprometendo para que ele possa dar continuidade a esses valores em 
casa. Ou seja, não é somente o professor que necessita ter a consciência da 
importância do seu trabalho, a criança precisa saber e os seus responsáveis 
também. Porém, a real situação é que nem mesmos os professores têm cons-
ciência sobre a importância do seu papel como agente transformador na vida 
de uma criança. 
Portanto, o esporte dentro do contexto educacional ainda perpassa por 
conflitos em razão de sua missão. Assim, não esquecer que a visão reducionista 
a qual mecaniza as atividades em sala de aula e encurta as maiores possibili-
dades dos alunos, bem como a não tomada de consciência do professor para 
atentar ao aluno e também os seus responsáveis sobre o papel fundamental 
da implementação de valores por meio do esporte, faz com que tenhamos um 
futuro brilhante no alcance dos nossos objetivos, dando um gás maior para 
que novas possibilidades educacionais por meio do esporte possam surgir e 
também novas perspectivas.
No próximo objetivo, veremos como podemos desenvolver na escola ati-
vidades que envolvam os esportes e o implemento de todos os seus valores.
Diagnóstico nacional do esporte
O Ministério do Esporte realiza uma pesquisa inédita sobre o esporte no Brasil. O 
trabalho envolve quatro pilares: praticantes, infraestrutura, legislação e investimentos.
Na primeira publicação, foi apresentado o perfil do praticante de atividade física e 
esporte. O estudo aponta que 45,9% dos brasileiros não praticaram nenhuma atividade 
física ou esporte em 2013.
Para saber mais e ver o vídeo do Ministério do Esporte, acesse: 
https://goo.gl/iLHa33
Esporte8
18 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Planejando atividades de esportes em ambiente 
escolar
A vasta gama de esportes existentes nos abre um leque enorme de possibi-
lidades e trabalhar com eles dentro do esporte educacional é uma grande 
oportunidade para que o professor consiga alcançar todos os objetivos de 
aprendizagem no que concerne aos valores educacionais, como a inclusão, o 
respeito e a diversidade.
Primeiramente é necessário que, para o ensino de qualquer modalidade, o 
professor saiba todos os seus aspectos técnicos, as regras e quais valores podem 
ser empregados naquela determinada atividade. Depois, é necessário que se 
tenha consciência dos três domínios de aprendizagem: conceitual, procedi-
mental e atitudinal, pois é dentro desses aspecto que serão desenvolvidas todas 
as atividades propostas, incluindo esportes que sejam poucos desenvolvidos 
ou que tenham mais evidência, fazendo com que o aluno amplie o seu leque 
de conhecimento sobre a cultura popular do país por meio da educação física.
Podemos utilizar a corrida de orientação em dupla, por exemplo, para 
podermos desenvolver os nossos objetivos. No plano de aula, o objetivo deve 
ser descrito primeiramente e, logo após, as ações necessárias para o alcance 
da meta. Então, o objetivo da corrida de orientação é explorar o trabalho de 
cooperação entre os alunos. Deve ser explicado a eles, a nível conceitual, o 
que é uma corrida de orientação, logo em seguida, deve-se fazer com que eles 
tenham conhecimento de quais são as regras e o funcionamento adequado 
do esporte e, depois, quais valores devem ser aprendidos na lição e reforçar 
para que o trabalho em equipe e de cooperação seja claramente entendido.
O jogo também se coloca fundamental dentro dessas relações, pois se 
constitui como fenômeno básico de uma célula esportiva do esporte, assim, 
o professor também pode trabalhar sob a mesma ótica, jogos e brincadeiras 
que remetam ao esporte, não somente valorizando a sua cultura local, mas 
também possibilitando conhecer outras culturas por essas atividades.
A vida esportiva de um indivíduo perpassa por vários momentos que podem ser inicia-
dos na escola ou em casa, dependendo se a família tem uma vida ativa ou não. Porém, 
digamos que o primeiro contato com o esporte seja na escola. O esporte educacional 
estará presente, fazendo com que a criança aprenda sobre valores e princípios, além 
9Esporte
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Esporte | PARTE 1 19
Classificação dos esportes de acordo com critérios
A maneira efi caz para que o aluno possa conhecer uma gama de esportes é 
trabalha-los de acordo com a sua classifi cação.
Segundo Gonzales (2004), os esportes têm uma classificação de acordo com 
os seguintes critérios: a) se existe ou não relação com companheiros e b) se 
existe ou não interação direta com o adversário. Com base nesses princípios, 
é possível classificar as modalidades em individuais ou coletivas, quando 
utilizado o critério relação com os companheiros, e com e sem interação direta 
com o adversário, quando o critério utilizado é a relação com o oponente.
Assim, fica mais claro para o professor enxergar, pelas classificações, 
quais objetivos educacionais ele pode alcançar de acordo com a especificidade 
da modalidade e suas regras, podendo, inclusive, fazer uma adaptação à sua 
realidade a depender do tipo de espaço em que ele está inserido, da idade dos 
alunos, do objetivo, do tipo de alunos e da região onde ele se encontra, que 
podem ter regras e princípios peculiares. Por exemplo, o futebol indígena 
tem diferença para o futebol jogado com crianças de área urbana, ou então o 
futebol que costumam praticar na rua.
Observe o Quadro 1 a seguir.
de ser brindado com a cultura corporal presente em todos os elementos. Após, em seu 
círculo de amigos, ele tem contato com o esporte de participação, em que faz parte 
de uma equipe de ciclismo que faz passeios por todas as áreas da cidade e eventos de 
inclusão. O esporte performance entra em contato quando o indivíduo passa a treinar 
alguma modalidade coletiva ou individual, já antes vivenciada na escola, no esporte 
educação, e agora tem a grande chance de se aprimorar tecnicamente. Agora ele passa 
a competição com o intuito de alcançar a vitória. Para a maioria das pessoas, o esporte 
performance é somente presenciado como telespectador de grandes competições. 
Aqui no Brasil, o principal é o futebol.
Esporte10
20 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
 Fonte: Adaptado de GONZALEZ (2004). 
Esporte
Com interação 
com o adversário
Sem interação com 
o adversário
Coletivo Basquetebol
Futebol
Futsal
Softbol
Voleibol
Acrosport
Ginástica rítmica 
desportiva (grupo)
Nado sincronizado
Remo
Individual Badminton
Judô
Paddle
Peteca
Tênis
Atletismo (provas 
de campo)
Ginástica olímpica
Natação
 Quadro 1. Classificação dos esportes em função das características do ambiente físico 
onde se realiza a prática esportiva 
Portanto, podemos entender que o esporte é uma ferramenta fundamental 
para o desenvolvimento da criança, e a sua prática dentro de um ambiente 
esportivo é possível quando trabalhamos dentro da realidade de cada escola, 
cada aluno e cada contexto, mas podemos ter a ajuda por conta das classifica-
ções, fazendo um combinado de ações a serem realizadas para que se alcance 
o objetivo proposto, não utilizando uma perspectiva reducionista, mas sim 
complexa, que é natural do ser, devido ao fato de ele ser social. Logo, o es-
porte sempre apresenta novas formas de expressão, mas sempre com atenções 
voltadas ao aspecto social e é por meio do professor que se criam pontes para 
o desenvolvimento dessas ações. 
Kátia Rúbio, pesquisadora da Universidade de São Paulo, lançou recentemente um 
artigo intitulado A prática esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e 
a resiliência,por estar voltado ao ensino de um fundamento técnico por vez em cada in-
tervenção. Nesse sentido, o processo de ensino-aprendizagem do esporte se 
adequa à capacidade da criança de assimilar o conteúdo e executar o gesto 
motor. Desse modo, ensinar separadamente os fundamentos tanto do futebol 
quanto do futsal possibilita ao professor lapidar o gesto motor estando atento 
a possíveis erros de execução (GONÇALVES, 2019). 
Num segundo momento, para aqueles que de antemão foram instruídos aos 
fundamentos técnicos da modalidade esportiva, a implementação do modelo 
situacional pode tornar o processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico, 
em outras palavras, mais próximo da realidade em campo ou nas quadras 
(GONÇALVES, 2019). Esse modelo é desenvolvido em sua grande maioria 
em minijogos, e possibilita, de fato, ao aprendiz compreender os sistemas 
táticos da modalidade esportiva. Todavia, o professor precisa estar atento para 
que durante a iniciação ao esporte não ocorram procedimentos que possam 
conduzir a especialização do jogador, por exemplo, em uma única posição 
durante o jogo. 
7Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 173
Há casos que, mesmo a contragosto, os jovens são escalados para atuar 
em diferentes posições durante os treinos (OLIVETE et al., 2015). Ao pé da 
letra, durante a infância e a adolescência, haja vista a necessidade de um 
desenvolvimento plural das habilidades motoras e capacidades físicas, não 
há espaço para negociar exceções. A regra durante os treinos é desenvolver a 
coordenação e a lateralidade aliadas ao aprendizado e ao aprimoramento dos 
fundamentos técnicos e dos sistemas táticos.
Há quem diga que o futsal é a escola de formação de grandes nomes do futebol. E 
de fato, a intensa movimentação na quadra, em que todos fazem tudo, possibilita ao 
esportista formar-se por completo nas diferentes posições durante o jogo. 
Interessante observarmos que, em uma aula baseada no modelo situacional no 
futebol, o jogador, dependendo da posição em campo, toca apenas algumas vezes na 
bola. Já no futsal, o contato é constante. Em virtude do rodízio na partida, a dinâmica 
é conduzir a bola e, de preferência, sem nunca se afastar muito dela. 
O iniciante no futsal que migra com o passar da carreira esportiva para o futebol 
traz na bagagem uma visão de jogo diferenciada. A agilidade e a velocidade, aliadas à 
técnica e à criatividade de jogo, são pedras preciosas que podem ser lapidadas desde 
já na iniciação ao esporte. 
Já no modelo misto, que, por sua vez, concilia elementos do modelo ana-
lítico-sintético e situacional (GONÇALVES, 2019), os esportistas podem ser 
apresentados aos fundamentos técnicos e táticos de forma a polir o gesto motor 
já automatizado e otimizar a inteligência e a criatividade de jogo (SILVA; 
GRECO, 2009). No entanto, o único empecilho para esse sistema é o curto 
espaço de tempo da intervenção, fato que inviabiliza a correção dos erros de 
execução dos fundamentos quando o professor tem de gerir, por exemplo, um 
grande número de atletas.
Agora, uma vez ciente de que há uma sequência ordenada de atividades 
motoras a serem desenvolvidas em cada faixa etária a fim de otimizar o desem-
penho esportivo, quando uma dessas fases é simplesmente negligenciada ou até 
mesmo não é oportunizada, é possível identificar as oscilações no rendimento 
em detrimento, por exemplo, da iniciação tardia (COSTA et al., 2018). 
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva8
174 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
As meninas no esporte, muitas vezes, convivem com o preconceito, a falta de estrutura 
e a formação precária. Acesse o link a seguir e confira mais detalhes no artigo intitulado 
A mulher na quadra: evidências contemporâneas do contato inicial com futsal.
https://qrgo.page.link/onFHD
A partir dos pressupostos dos métodos de ensino voltados ao futebol e 
ao futsal, confira a seguir exemplos de atividades que podem ser aplicadas 
a fim de otimizar o aprendizado dos fundamentos desses esportes em cada 
uma dessas vertentes.
 � Método analítico-sintético
 ■ Características: decomposição do gesto motor a fim de facilitar a 
aprendizagem de um fundamento técnico por atividade desenvolvida 
no treinamento físico.
 ■ Fundamento: passe.
 ■ Atividade: jogo da velha.
 ■ Exemplo: durante essa atividade, os jogadores realizarão, em duplas, 
passes curtos, ora com o peito do pé, ora com o bico ou com o dorso. 
Além disso, após executar um número de passes determinado pelo 
professor, a criança irá se deslocar a fim de completar o jogo da 
velha. Nessa atividade especificamente, além de trabalhar o desen-
volvimento do passe curto, há também um estímulo da capacidade 
cognitiva atrelada à tomada de decisão rápida para preencher o jogo 
da velha. 
 � Método situacional
 ■ Características: situações reais de jogo aliadas ao desenvolvimento 
da técnica e da tática. 
 ■ Fundamento: passe.
 ■ Atividade: bobinho.
9Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 175
 ■ Exemplo: o professor irá dividir a turma em duas equipes, cujo obje-
tivo central será realizar passes entre si. A cada 10 passes realizados 
na sequência, sem interceptação pela equipe adversária, a equipe que 
efetua os passes marca um ponto. Nesta atividade, a complexidade 
poderá ser inserida, por exemplo, a partir da diminuição no tempo de 
execução dos passes, ou até mesmo especificando quantos toques na 
bola a criança poderá executar para receber, dominar a bola e executar 
o passe. Além disso, o professor poderá especificar que tipo de passe 
deverá ser executado, se curto ou longo, com ou sem trajetória aérea 
ou até mesmo qual a parte do pé deverá preferencialmente tocar a 
bola (peito, dorso ou bico, etc.).
 � Método misto 
 ■ Características: concilia o desenvolvimento técnico e tático.
 ■ Fundamento: passe
 ■ Atividade: minijogos
 ■ Exemplo: nos minijogos, ou também conhecidos como jogos re-
duzidos, são desenvolvidos simultaneamente vários fundamentos 
técnicos aliados ao aprendizado e à implementação de sistemas 
táticos do futebol e futsal, a fim de, uma vez mantendo a posse de 
bola, transpor a equipe adversária para alcançar a meta.
Somado a isso, vale a pena notar o seguinte:
Por vezes é possível observar uma equipe atingir a vitória no jogo com me-
nos posse de bola e com um único remate, simplesmente porque aproveitou 
o momento de desequilíbrio ou de perturbação na organização da equipe 
adversária (COSTA et al., 2018, documento on-line).
Nesse sentido, podemos concluir que, durante a partida, os resultados estão 
atrelados não somente ao talento inato para o esporte, mas ao trabalho em 
equipe decorrente do modelo de ensino-aprendizagem implementado. Além 
disso, cabe destacar a importância das atividades motoras que possibilitem 
ampliar a inteligência e a criatividade de jogo, que poderá abrir espaço em 
campo e possibilidades.
Veja o Quadro 2.
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva10
176 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Fonte: Adaptado de Gonçalves (2019).
Método Objetivo
Fase de 
desenvol-
vimento 
motor
Aspectos 
positivos
Aspectos 
negativos
Analí-
tico-sin-
tético
Decompor o 
gesto motor 
a fim de 
possibilitar 
a aprendi-
zagem de 
uma técnica 
em cada 
atividade 
desenvolvida 
durante os 
treinos
Iniciação 
ao esporte 
(idade 
entre 9 e 
11 anos)
Possibilita 
correção 
do gesto 
motor, uma 
vez que o 
método é 
centrado 
no apren-
dizado 
de uma 
habilidade 
motora por 
atividade.
Trabalho restrito 
aos fundamentos 
da modalidade, 
fato que posterga 
o aprendizado 
tático, bem como 
o desenvolvimento 
da inteligência 
e da criativi-
dade de jogo.
Situa-
cional
Desenvolver 
competências 
táticas em 
decorrência 
restruturação 
da interven-
ção tendo 
como base 
os minijogos
Desenvol-
vimento 
no esporte 
(idade 
acimados 
11 anos)
Modelo 
baseado em 
situações re-
ais de jogo, 
fato que 
possibilita 
aprendizado 
técnico e 
tático.
Em virtude da 
ênfase em ativida-
des situacionais, 
pode ser prejudi-
cada a correção 
dos fundamentos.
Misto Desenvolver 
competências 
de cunho 
técnico e 
tático durante 
o treina-
mento físico
Especiali-
zação no 
esporte
Possibilita 
aliar o 
aprendi-
zado dos 
fundamen-
tos conjun-
tamente a 
habilidades 
táticas, in-
teligência e 
criatividade 
de jogo.
Pouco tempo para 
implementação 
em uma sessão de 
treinamento físico 
e atividades que 
contemplem con-
juntamente as ha-
bilidades técnicas e 
táticas. Aliada a isso, 
está a imprevisibili-
dade de execução 
de fundamentos es-
pecíficos do esporte.
Quadro 2. Características dos métodos de ensino-aprendizagem voltados ao futebol e 
ao futsal
11Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 177
3 Para além do esporte: dimensões formativas 
do futebol e do futsal durante a infância e 
a adolescência
É com a seguinte perspectiva que iniciamos:
Quem aprende futebol pode desenvolver um acervo de habilidades bastante 
diversificado, podendo aproveitar essas habilidades em muitos outros esportes. 
Além disso, poderá estar aprendendo a conviver em grupos, a construir regras, 
a discutir e até a discordar dessas regras, a mudá-las, com rica contribuição 
para seu desenvolvimento moral e social (FREIRE, 2006, p. 9).
Nosso objeto de estudo com essa leitura se esvai para além da preparação 
física. Neste capítulo, abordaremos as dimensões formativas do futebol e do 
futsal tanto de caráter físico, quanto moral e social. É justamente durante a 
iniciação ao esporte que as crianças e os adolescentes podem ser conduzidos a 
uma formação integral, a fim de que, aprendendo regras, possam externalizar 
respeito, almejar vitórias e saber trabalhar em equipe com os tropeços das 
derrotas (SILVA, 2015).
É interessante observamos que para grandes nomes do mundo da bola, 
tanto o futebol quanto o futsal foram uma escola de formação não somente 
esportiva, mas para a vida. Observe na Figura 3 a inter-relação entre as di-
mensões formativas do esporte.
Durante a infância, a iniciação esportiva deve estar voltada ao desenvol-
vimento global das crianças e dos adolescentes. É a pluralidade das ativida-
des motoras quando criança que será a chave para otimizar aprendizado e 
desempenho esportivo durante as fases de desenvolvimento e especialização 
no esporte (WALTRICK; REIS, 2016). Além disso, cabe destacar que o es-
portista tira muito proveito desse arcabouço motor em situações estratégicas 
de jogo, salientando a importância de se praticar um ou mais esportes durante 
a iniciação. 
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva12
178 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Figura 3. Dimensões formativas do futebol durante a infância e a adolescência.
Fonte: Adaptada de Silva (2015).
Social Físico
Moral
Cooperação
Trabalho em equipe
Respeito
Responsabilidade
Regras
Autonomia
Com isso em mente, a profissionalização em um esporte pode ser bene-
ficiada pela base formativa advinda do futebol ou do futsal praticado desde 
pequeno. No vôlei, buscar com destreza a bola com os pés. No handebol, ter 
visão de jogo e agilidade nos passes. No basquetebol, apresentar mobilidade 
para rodízio de posições em quadra. E os benefícios são cessam por aí, o 
inverso também é verdadeiro. Há vários casos no mundo da bola, desde Zico, 
Romário e Rivelino, passando por Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, 
Robinho, Cristiano Ronaldo, Messi e até Neymar, que despontaram sua 
performance em campo a partir da iniciação no futsal (BARROS JÚNIOR; 
ARAÚJO, 2018). 
13Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 179
Objetivando a formação do esportista, o papel do educador é fundamental tendo 
em vista preparar a criança para a competição sob a ótica de superar a si próprio, 
empenhando-se para aperfeiçoar cada vez mais suas habilidades e destrezas.
Nesse sentido, as situações durante uma partida podem ser esse estímulo que ajuda 
a criança a se aperfeiçoar. Nesse panorama, a participação em jogos contribui para a 
formação social dos pequenos, uma vez que tais relações permeiam a cooperação, o 
respeito ao próximo e as regras de jogo, além do senso de responsabilidade (ASSUNÇÃO, 
2012 apud SILVA, 2015). 
Para os olhares atentos ao mundo da bola, futebol também é formação. Tanto a 
formação estratégica relacionada aos sistemas de jogo quanto a formação de caráter 
para atuar em sociedade perpassam os valores e as atitudes ensinados nos gramados. 
Confira no link a seguir o exemplo de um projeto esportivo que visa à formação dos 
jovens nas dimensões física, social e moral.
https://qrgo.page.link/6RdNL
Além disso, outro aspecto a ser considerado é o fato de que, quando imple-
mentada a fim de respeitar as fases de crescimento e desenvolvimento humano, 
a iniciação segura e planejada ao futebol e ao futsal pode facilitar as etapas de 
detecção e seleção de talentos para o esporte (RAMOS et al., 2018). É claro 
que, quando o assunto em pauta é a iniciação ao esporte de forma estruturada, 
há uma dissociação no objetivo das instituições educacionais no que tange ao 
ensino do futebol e futsal. Na escola, para alguns pesquisadores da área da 
Educação Física, essa disciplina deve ensinar esportes com uma roupagem 
pedagógica, sem estar atrelado à métrica do rendimento e muito menos ob-
jetivando produzir campeões (DARIDO, 2012). Por outro lado, o jovem que 
adentra a escolinha esportiva já está centrado a aprender especificamente 
uma modalidade, tendo em vista a especialização nos anos vindouros. Diante 
desse cenário, entre entraves e riscos de especialização precoce, estaremos 
ora a atuar num ou noutro ambiente formativo.
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva14
180 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
A saída para esse dilema se resvala em dois aspectos. O primeiro deles é 
que, apesar de as aulas de Educação Física escolar não estarem voltadas ao 
ensino apenas dos esportes e muito menos focando em uma única modalidade 
esportiva, esta cumpre seu papel de acesso à pluralidade do movimento em 
distintas práticas corporais. Porém, pense no seguinte: se fossem implemen-
tados projetos que contribuíssem para a detecção e seleção de crianças e 
adolescentes com interesse e habilidades para o desporto, isso facilitaria, 
e muito, a descoberta de novos talentos para o esporte (RAMOS et al., 2018). 
Aliado a isso, cabe salientar que quando bem estruturada pelo docente, 
o contato inicial com o futebol e o futsal em terreno escolar pode vir a ser um 
facilitador para a migração e a continuidade na modalidade em uma escolinha 
esportiva. É justamente nesse novo ambiente, dedicado especificamente ao 
futebol ou ao futsal, que o perigo da especialização precoce se aproxima da 
iniciação ao esporte. Essa prematuridade na modalidade também deve ser 
considerada quanto à posição desenvolvida nas quadras ou nos gramados. 
Ainda, cabe ao profissional de Educação Física planejar sua intervenção, seja 
na escola ou na escolinha esportiva, a fim de possibilitar uma pluralidade de 
atividades motoras que desenvolvam os alunos não apenas na dimensão física, 
mas também nas dimensões social e moral. 
Para Saldanha et al. (2018, documento on-line):
[...] o treinador tem um importante papel, uma vez que possui a responsa-
bilidade na formação do caráter do atleta. É ele quem deve dar o exemplo, 
contribuindo para o desenvolvimento moral, estimulando comportamentos 
positivos e minimizando, na medida do possível, os socialmente indesejáveis.
Dessa forma, podemos concluir que, embora o esporte na infância seja 
benéfico aos pequenos, a iniciação no futebol e no futsal deve ser orientada, 
a fim de não incorrer na iniciação e/ou especialização precoce.E, apesar de o 
núcleo familiar ser o grande incentivador para a entrada das crianças e dos ado-
lescentes nessas modalidades esportivas, é o profissional de Educação Física, 
nas escolas e escolinhas esportivas, o grande formador do jovem esportista. 
Em termos práticos, objetivando resultados a longo prazo, o professor 
precisa respaldar sua intervenção em procedimentos metodológicos com rigor 
científico, a fim de adequar as atividades físicas às fases de desenvolvimento 
motor das crianças e dos adolescentes. Nessa ótica, almejando a progressão no 
esporte, cabe destacar que não somente a preparação física deve ser observada. 
A dimensão formativa do futebol e do futsal atingem também a socialização 
15Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 181
e a moralidade, fato que nos leva a admitir que sua postura enquanto docente 
irá contribuir para formar valores e atitudes nos jovens esportistas, por ora 
manifestados em campo, mas que certamente irão refletir na sociedade.
BARROS JÚNIOR, E. S.; ARAÚJO, W. C. A importância do futsal na formação esportiva 
do jogador de futebol. Revista Diálogos em Saúde, v. 1, n. 2, p. 1–32, 2018. Disponível 
em: http://periodicos.iesp.edu.br/index.php/dialogosemsaude/article/view/205/182. 
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CAVICHIOLLI, F. R. et al. O processo de formação do atleta de futsal e futebol: análise 
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17Crianças e adolescentes: iniciação esportiva
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Crianças e Adolescentes: Iniciação Esportiva | PARTE 2 183
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Leitura recomendada
CAYRES-SANTOS, S. U. Associação entre a manutenção da prática esportiva e os parâmetros 
inflamatório, metabólicos e cardiovasculares entre adolescentes. 2019. Tese (Doutorado em 
Ciências da Motricidade)- Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual 
Paulista, Presidente Prudente, 2019. 
Crianças e adolescentes: iniciação esportiva18
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184 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes 
na Iniciação e na Formação
 
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unidade 
3
V.1 | 2021
186 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Tática e técnica: aspectos 
relevantes na iniciação 
e na formação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as técnicas específicas do futebol e do futsal, bem como 
o desenvolvimento e a aplicabilidade correta de cada uma delasem 
associação à situação de jogo.
 � Reconhecer as diferentes formações ofensivas e defensivas e suas 
particularidades.
 � Descrever os diferentes sistemas táticos do futebol e futsal, suas par-
ticularidades e suas aplicações durante as diferentes etapas de uma 
partida.
Introdução
O futebol e o futsal são modalidades esportivas coletivas que dependem 
não apenas das habilidades técnicas de cada jogador, mas também 
da sua disciplina nas funções táticas. Suas técnicas específicas, como 
passes, chutes, recepção, domínio de bola, dribles e fintas, devem ser 
desenvolvidas por todos os jogadores, de modo a auxiliar as equipes a 
vencer os adversários. Além disso, o conhecimento e as especificidades 
das funções que devem ser desenvolvidas em uma partida dão origem 
às formações dos sistemas ofensivo e defensivo. Neste capítulo, identifi-
caremos e reconheceremos cada um desses elementos. 
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 187
Técnicas específicas do futebol e do futsal
O futebol e o futsal são esportes coletivos nos quais cada um dos jogadores, 
entre titulares e reservas, tem uma importância particular para o êxito da equipe 
dentro de campo ou da quadra. Em outras palavras, ainda que uma equipe 
disponha de um jogador com extrema habilidade técnica e exímia condição 
física, são as características coletivas que determinarão o rendimento da 
equipe ao final da partida. Assim, é fundamental que os jogadores aprendam 
e dominem as técnicas individuais, como o passe, o chute e o drible. A seguir, 
detalharemos cada um desses fundamentos. 
Passe
O passe e o chute representam duas das técnicas essenciais no futebol e no 
futsal. Contudo, em um jogo coletivo, no qual a participação de vários joga-
dores em uma mesma jogada é fundamental para chegar à meta adversária, 
o passe ganha maior importância. Pode-se definir o passe como “[...] o meio 
de comunicação entre jogadores de uma equipe, é o que possibilita o jogo em 
conjunto e a progressão de jogadas [...]” (MUTTI, 2003, p. 33). 
Existem diferentes tipos de passe: os curtos, os longos e aqueles por ele-
vação. Os passes curtos consistem na transferência da posse de bola entre 
dois jogadores da mesma equipe que estão próximos um do outro. Em jogos 
de futsal, são bastante comuns. Os passes longos referem-se à transferência 
da posse de bola entre jogadores que estão distantes, o que é mais comum 
no futebol. Já os passes em suspensão, que podem ser curtos ou longos, são 
realizados com a trajetória aérea da bola.
Os passes devem ser efetuados buscando a firmeza e a precisão da trajetória 
da bola. Embora possam ser realizados com diferentes partes do corpo (peito, 
cabeça, coxas, etc.), são mais frequentemente desenvolvidos com os pés. 
Para os passes curtos, frequentemente se utilizam a parte interna e a parte 
externa dos pés. Em passes mais longos, como os lançamentos e o tiro de 
metas dos goleiros, são realizados com o dorso dos pés, proporcionando 
maior impacto e transferindo maior força à bola. Há, também, o passe cavado, 
bastante utilizado no futsal, que consiste em fazer com que a bola faça uma 
trajetória aérea, passando por cima de um adversário que está próximo, até 
chegar a um companheiro, também próximo. 
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação2
188 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Ainda que as ações do jogador que efetua o passe sejam fundamentais, para um passe 
bem-sucedido também são necessárias as ações do jogador que receberá a bola. O 
ângulo de passe consiste no espaço de que um jogador dispõe para passar a bola, 
sem permitir a intervenção de um jogador adversário. O jogador que receberá a bola 
deve procurar se deslocar até um local onde o ângulo de passe seja maior, facilitando 
a ação do passador. 
Para realizar o passe, as pernas devem estar ligeiramente descontraídas, 
facilitando o toque de bola do jogador com qualquer parte do pé rapidamente. 
O jogador que efetua o passe deverá tentar fazer com que o adversário não 
adivinhe a trajetória que a bola tomará após realizar o passe, tentando efetuá-lo 
de maneira rápida e sem enquadrar o corpo lentamente, o que possibilitaria 
tal previsão. Outro cuidado que o jogado deve ter é buscar a localização e as 
ações do companheiro para o qual pretende passar a bola. Caso este esteja 
em movimento, precisa buscar efetuar o passe calculando a força e a direção 
necessárias para que a bola chegue ao momento e ao local onde o companheiro 
deverá estar (MUTTI, 2003). 
Chute
Tanto no futebol quanto no futsal, o chute representa a principal maneira de realizar 
o gol, objetivo principal do jogo. Os princípios básicos do chute se assemelham aos 
do passe, exceto que, no chute, a força e a precisão devem ser maiores, evitando 
que o goleiro, único jogador que pode usar todas as partes do corpo, chegue à bola 
e esta ingresse a meta adversária. Assim como os passes, existem diferentes tipos 
de chutes (p. ex., de bico, com o dorso do pé, voleio e bate-pronto). 
O chute de bico consiste em acertar a bola com a extremidade frontal do 
pé, sendo mais utilizado quando a bola está se movendo em uma trajetória 
para frente do jogador que efetuará o chute, quando está dominada ou quanto 
está parada. Trata-se de um tipo mais utilizado no futsal, no qual os tempos 
e espaços para enquadrar o corpo é menor. No chute de bico, o jogador busca 
fazer com que, ao diminuir a área de contato com a bola, a força do impacto 
seja maior e a bola adquira maior força em sua trajetória. Embora seja bastante 
forte, para que o jogador tenha precisão e a bola assuma a trajetória desejada, 
o chute deve ser efetuado ao centro da bola (SANTINI; VOSER, 2008).
3Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 189
No chute com o dorso do pé, o jogador acerta a bola em uma área de contato 
maior, aumentando as chances de atingir o gol. Nesses casos, a inclinação do 
jogador é maior, fator essencial para que a bola seja acertada em sua área média. 
O chute de voleio é mais utilizado quando a bola se aproxima do jogador em 
uma trajetória aérea na qual, sem deixar que a bola toque o solo, o jogador a acerta 
com o dorso do pé. Da mesma forma, o chute de bate-pronto consiste no chute 
executado no exato momento em que a bola, após a trajetória aérea, toca o solo. 
Nesses casos, pode ser realizado com o bico ou com o dorso do pé (Figura 1).
Figura 1. Chute/passe com o dorso do pé.
Fonte: TandemBranding/Shutterstock.com.
Nos chutes, a perna de apoio (aquela em que o corpo é sustentado durante 
o chute) tem uma função importante: conforme a sua posição, a bola assumirá 
uma trajetória rasteira ou alta. A perna de apoio deve ser posicionada ao lado 
da bola no momento do chute, com os braços equilibrando o corpo. O braço 
do lado da perna que realizará o chute deve permanecer baixo, ligeiramente 
afastado do corpo, com a mão na altura do quadril. O braço contrário à perna 
que chuta deve estar posicionado a uma altura mais ala, ligeiramente flexio-
nado, à altura do ombro. O tronco, sustentado pela perna de apoio, deve se 
posicionar levemente inclinado (APOLO, 2004). 
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação4
190 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Existem algumas fases que compõem o chute. Primeiro, há a corrida do 
jogador em direção à bola, com o ronco ligeiramente inclinado à frente. Em 
seguida, com uma hiperextensão de quadril e a flexão de joelhos, o pé que 
efetuará o chute deve ser levantado para trás. Na terceira fase, os músculos 
que compõem o pé devem estar contraídos e a perna relaxada. Por último, na 
quarta fase, após o impacto na bola, o pé continua sua trajetória, para frente 
e para cima, completando um meio círculo. Nos chutes, antes de efetuar os 
movimentos, o jogador deve buscaridentificar a posição da meta adversária, 
do goleiro e dos demais jogadores em campo ou em quadra, evitando que a 
bola toque em possíveis obstáculos. 
Recepção da bola
A recepção consiste na habilidade de um jogador receber a bola, amortecendo-a 
e mantendo-a sob o seu controle. De modo geral, a recepção ocorre após um 
passe, com a trajetória da bola lançada rasteira, alta, ou à meia altura. Para 
fazer a recepção, o peito, a coxa, a cabeça ou os pés podem ser utilizados, 
conforme a trajetória da bola. 
Para fazer amortecer a bola, é necessário relaxar a musculatura do local 
com o qual fará contato. O olhar deve se manter fixo na bola, até que o toque 
na bola se concretize (APOLO, 2004). 
Já no modo mais comum de realizar a recepção da bola com os pés, o peso 
do corpo deve ser transferido para a perna de apoio. No futsal, a forma mais 
comum de efetuar esse fundamento consiste em travar a bola no solo utilizando 
a planta do pé. Nesse caso, a bola já deve ser rolada para frente, facilitando a 
ação futura do jogador (como um passe, um chute ou a condução). No futebol, 
por conta das travas da chuteira, é mais comum utilizar a parte interna do pé 
para amortecer a bola. Assim, a perna que efetua a recepção deve fazer um 
leve movimento para trás no momento do contato da bola, buscando fazer 
com que o impacto não projete a bola para frente. 
Quando a recepção é realizada com a coxa, em bolas com trajetória à 
meia altura, o joelho realiza uma leve flexão, retirando o pé do solo, com o 
jogador mantendo toda a musculatura da perna relaxada. Quando no contato 
da bola, a coxa abaixa levemente, acompanhando e amortecendo a trajetória 
da bola. No caso da recepção com o peito, o jogador deve buscar expirar o 
ar do pulmão e levar os ombros à frente, criando uma superfície mais macia 
para o contato com a bola. O tronco deve estar levemente inclinado para trás 
e os braços elevados à altura do ombro, auxiliando no equilíbrio do corpo. 
5Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 191
Condução de bola
Conduzir consiste em carregar a bola, mantendo o controle sobre ela, de um 
local a outro da quadra ou do campo. Nas conduções, o toque na bola deve ser 
sutil, mantendo-a sempre próxima do jogador. Em casos de conduções mais 
longas e sem a proximidade do adversário, a condução pode ser realizada 
com toques que possibilitem uma distância maior entre a bola e o jogador 
(APOLO, 2004). 
Durante a condução, o jogador deve procurar olhar a bola no momento em 
que efetua o contato com ela e, em seguida, levantar a cabeça para observar 
os demais componentes do jogo. Precisa buscar sempre conduzir a bola para 
protegê-la de possíveis marcações ou intervenções adversárias. A condução 
pode ser feita com a parte interna, a parte externa ou com a planta do pé, com 
o jogador rolando a bola para a frente e/ou para os lados (MUTTI, 2003). 
Drible e finta
O drible é uma ação realizada pelo jogador que combina as habilidades de 
equilíbrio, velocidade, agilidade, ritmo, improvisação, entre outros elementos, 
com o objetivo de ultrapassar um adversário, mantendo a posse e o domínio 
da bola. Já a finta consiste em deslocar o adversário e fugir de sua marcação, 
no momento em que está sem a posse de bola. Ambas as técnicas são bastante 
utilizadas nos momentos ofensivos da equipe (APOLO, 2004). 
Para driblar ou fintar, é preciso que os pés estejam levemente afastados, o 
tronco ligeiramente inclinado para a frente, os joelhos levemente flexionados e a 
musculatura consideravelmente relaxada. De modo geral, essas ações consistem 
em enganar o seu adversário, utilizando-se de movimentos que ameaçam tomar 
determinada direção, mas, como modo de ludibriar, tomam outra. 
O jogador que faz o drible deve tomar o cuidado para que o seu marcador 
adversário não se aproxime o suficiente para impedir suas progressões e não 
esteja muito afastado de modo que consiga se deslocar em direção à bola 
antes do driblador. Para um bom drible, a condução de bola e as diferentes 
habilidades motoras devem ser bem desenvolvidas. Cabe destacar que, embora 
representem características dos jogadores ofensivos, o drible e a finta devem 
ser produzidos também por jogadores defensivos, já que, em muitos momentos, 
estes são a opção de infiltração à defesa adversária. 
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação6
192 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Controle de bola
Habilidade a ser desenvolvida por qualquer jogador, consiste em controlar a 
bola, dominando-a, independentemente da trajetória e da direção assumidas, 
usando, para tal, diferentes partes do corpo. Para um bom controle da bola, 
é preciso, sobretudo, que o corpo se mantenha constantemente equilibrado. 
Nesse sentido, os joelhos devem manter-se semiflexionados, o tronco levemente 
inclinado para a frente e os braços à meia altura, ampliando o equilíbrio. A 
musculatura deve estar levemente contraída, para possibilitar o controle cor-
poral e os movimentos rápidos em relação à trajetória da bola (APOLO, 2004). 
Marcação e combate
Tanto no futebol quanto no futsal, quando a equipe não detém a posse de 
bola, é primordial que os jogadores tentem recuperá-la, efetuando marcações 
e combate aos jogadores adversários. A marcação deve ser realizada sobre o 
jogador que está com a bola e sobre aqueles que estão sem a bola, evitando 
que a recebam. Já o combate, de modo geral, se aplica sobre o jogador com 
a posse da bola. 
Em ambos os fundamentos, o jogador não deve apenas fixar o seu olhar 
sobre a bola, mas também procurar identificar os movimentos que o jogador 
adversário fará, antevendo seus deslocamentos. Precisa, ainda, ficar sempre 
próximo ao oponente e acompanhá-lo em sua movimentação, independente-
mente do sistema adotado pela equipe. 
Além das técnicas mencionadas, há aquelas específicas do goleiro, que precisa dominar 
o passe, o chute e a condução da bola, e, ainda, as particularidades dessa função, que 
exigem outros fundamentos. No link a seguir, você conhecerá algumas dessas técnicas 
e orientações para desenvolvê-las.
https://goo.gl/sUk2zp
7Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 193
O domínio das técnicas individuais é fundamental para que uma equipe 
tenha êxito nas diversas situações que compõem os jogos de futsal e futebol. 
Por isso, todos os jogadores devem ter a capacidade de executá-las. Evidente-
mente, por melhores que sejam as capacidades técnicas dos jogadores, a posição 
que assumem em campo ou em quadra também se mostra fundamental nas 
jogadas ofensivas e defensivas. A seguir, discutiremos as diferentes formações 
encontradas no futebol e no futsal. 
Formações ofensivas e defensivas 
no futebol e no futsal
Para que uma equipe de futebol ou de futsal obtenha êxito em uma partida, 
não basta que os jogadores se destaquem individualmente. Mais do que isso, 
é necessária a ação conjunta dos diferentes componentes da equipe para que, 
de maneira integrada, consigam articular as jogadas ofensivas, na busca do 
gol, e defensivas, recuperando a bola e evitando as jogadas adversárias. Essas 
funções coletivas podem ser apresentadas em formações ofensivas e defensivas. 
De modo geral, no futebol, embora todos os jogadores participem de todas as 
jogadas, as equipes utilizam cinco jogadores com características e funções mais 
ofensivas e seis jogadores com características e funções mais defensivas. No 
futsal, pela reduzida quantidade de jogadores e a limitada dimensão da quadra, 
podemos observar que todos participam com maior intensidade de jogadas 
defensivas e ofensivas. A seguir, apresentaremos as diferentes organizações 
que compõem cada uma delas. 
Formações ofensivas
Para que uma equipe consiga realizaro objetivo principal do jogo — fazer gol 
—, os diferentes jogadores precisam articular as jogadas, conduzindo a bola até 
a meta adversária e realizando a finalização. Para tanto, as ações ofensivas se 
desenvolvem em fases distintas, podendo-se elencar três momentos: a manu-
tenção da posse de bola; a progressão até o campo adversário; e a finalização. 
A manutenção da posse de bola consiste na troca de passes e na condução 
da bola que permitem a articulação das jogadas. A posse da bola eleva as 
possibilidades de uma equipe conduzi-la até a área adversária e obriga o 
adversário a jogar em reação, buscando a recuperação. Nesta, que é a primeira 
fase de uma jogada ofensiva, o passe e a recepção da bola são primordiais. 
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação8
194 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
A segunda fase das jogadas ofensivas refere-se à progressão até o campo 
adversário (MUTTI, 2003). Logicamente, somente a posse de bola não é 
suficiente para articular as jogadas de ataque. De modo bastante comum, 
também se emprega a posse de bola como estratégia defensiva. No entanto, 
para atacar, os jogadores devem progredir no campo, fazendo a boa ingressar na 
meta adversária. Para realizar a progressão, os passes e a recepção, a condução 
de bola, as fintas e os dribles tornam-se essenciais, com o intuito de fugir da 
marcação e do combate realizados pelos adversários. 
Por último, a finalização, é a etapa mais curta das jogadas ofensivas, já 
que consiste no ato final, realizado por meio de chutes, cabeceio ou outras 
jogadas, para colocar a bola dentro da meta adversária. Essa etapa apenas 
se concretiza quando as duas etapas anteriores são realizadas com sucesso. 
As três fases descritas ocorrem em qualquer uma das formações ofensi-
vas adotadas pelas equipes. De maneira ampla, podemos identificar quatro 
diferentes tipos de formações ofensivas: os ataques posicionais, os ataques 
rápidos, os ataques de segunda bola e os contra-ataques (LEITÃO, 2004).
Os ataques posicionais consistem na criação de jogadas ofensivas a partir 
da troca de passes constantes, buscando encontrar espaços no campo de atuação 
dos adversários para buscar o gol. A principal característica dessa formação 
refere-se à posse de bola com a progressão de maneira controlada em direção 
ao gol, trocando passes laterais, até conseguir uma posição privilegiada para 
efetuar a finalização. Esse formato se torna a principal opção aos times com 
bons passadores que jogam contra defesas pouco organizadas.
Os ataques rápidos são aqueles realizados de maneira vertical em direção 
ao gol, em que a equipe tenta chegar ao gol adversário o mais rápido possível. 
Nesse modelo, a posse de bola é deixada a um segundo plano, dando espaço 
para dribles rápidos e lançamentos. Esse formato se torna a principal alternativa 
para times com jogadores rápidos e habilidosos nos dribles e nas fintas, jogando 
contra equipes com defensores mais lentos (MUTTI, 2003). 
Os ataques de segunda bola consistem nas ocasiões em que, após lançar 
a bola para o ataque, um jogador que disputa a bola aérea passa a bola para 
os jogadores armadores, para que construam a jogada. Esse formato é carac-
terístico de equipes com jogadores ofensivos de referência em bolas aéreas 
(geralmente os centroavantes), que fazem a função de “parede” contra os 
defensores, ganhando a disputa das bolas lançadas em trajetória aérea. 
Por último, as jogadas do tipo contra-ataque surgem a partir da recuperação 
da bola durante o ataque adversário e a rápida progressão ao gol adversário, 
tais quais os ataques rápidos. Esse formato é ideal para equipes que enfrentam 
9Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 195
equipes mais fortes tecnicamente e devem permanecer em sua zona de defesa, 
buscando interceptar ou desarmar os jogadores adversários. Também é ideal 
para equipes com uma boa defesa e jogadores ofensivos rápidos. 
Formações defensivas
As formações de defesa são ações coletivas que buscam impedir que a equipe 
adversária realize jogadas e, consequentemente, marque gols. Para elaborar 
um bom sistema defensivo, devem-se levar em consideração as especificida-
des técnicas e físicas de cada jogador. Além disso, a disciplina coletiva e o 
entrosamento precisam estar apurados, uma vez que cada jogador desempenha 
um papel fundamental na organização de todo o time, ou seja, a displicência 
de um único jogador pode comprometer o objetivo coletivo da equipe. De 
modo geral, as formações defensivas se classificam em marcação, individual, 
marcação por zona, marcação tipo pressão ou marcação mista, as quais serão 
discutidas a seguir.
Na marcação individual, predomina a atuação de um defensor sobre um 
atacante específico, isto é, os embates técnicos e físicos ocorrem no sistema 
um contra um, havendo uma predeterminação sobre qual jogador adversário 
cada um dos defensores deverá conter. Os princípios para os defensores seguem 
regras básicas — eles deverão ficar entre o atacante e o gol, mantendo-se a 
uma distância próxima, forçando-o a conduzir a bola para o lado do campo 
ou da quadra em que tem menor habilidade de modo a limitar suas ações 
(APOLO, 2004).
Imagine que um jogo futebol está acontecendo. Antes de iniciar a partida, o treinador 
falou para cada um dos seus atletas qual jogador adversário deveriam marcar quando 
a equipe adversária tiver a posse de bola em sua área de ataque. Em cada situação de-
fensiva, os jogadores se movimentam para realizar as marcações individuais solicitadas. 
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação10
196 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Na defesa por zona, os defensores não se preocupam especificamente com 
apenas um jogador adversário, mas sim com determinado local da quadra 
ou do campo que deve proteger, ou seja, o campo de defesa divide-se em 
zonas imaginárias, pelas quais o jogador responsável deve marcar o jogador 
adversário que nelas ingressar.
A principal característica da defesa do tipo pressão consiste na disposição 
mais adiantada de todos os jogadores da equipe, marcando os jogadores ad-
versários em sua zona de defesa, forçando os erros de passes na saída de bola 
e a recuperação rápida da posse de bola. Nesse tipo de formação, é bastante 
comum que dois jogadores marquem o jogador adversário que detém a posse 
da bola. Há também uma variação nesse tipo de defesa, principalmente no 
futebol. A defesa meia-pressão consiste em metade do time (geralmente os 
atacantes) marcando a saída de bola dos defensores adversários e os defensores 
marcando por zona ou individualmente. 
A defesa mista reúne elementos da defesa individual e por zona, isto 
é, enquanto um defensor marca um jogador individualmente, os demais 
defensores tentam guarnecer locais específicos da quadra ou do campo, 
sem necessariamente se preocuparem com algum jogador em específico. 
Esse tipo de marcação é bastante frequente no futebol de campo, quando 
um jogador específico faz marcação constante do jogador adversário mais 
habilidoso. Uma variação da defesa mista é a defesa combinada, que tam-
bém se utiliza de dois ou mais modelos de defesa. Esse tipo de formação 
defensiva necessita de um grande entrosamento da equipe e uma disciplina 
tática excepcional dos jogadores. Nela, as ações defensivas variam durante 
a jogada de ataque adversária. Por exemplo, suponhamos que uma equipe 
está marcando por zona; após um passe ou um movimento de um dos 
atacantes adversários, a equipe rapidamente transforma sua formação 
para a defesa individual. 
Evidentemente, não existe nenhum sistema defensivo infalível ou perfeito, 
devendo ser adaptados conforme as especificidades individuais e coletivas 
de cada equipe. Contudo, podemos estabelecer algumas vantagens e des-
vantagens gerais ao usar determinado tipo de conceito defensivo. O quadroa seguir apresenta as principais características de cada um dos formatos 
apresentados. 
11Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 197
Formação 
defensiva
Vantagens Desvantagens
Individual � Define 
responsabilidades para 
cada jogador
 � Exige de apenas um 
jogador a correta 
execução dos 
fundamentos de defesa
 � Depende da atenção 
em apenas um jogador 
atacante
 � Proporciona equilíbrio 
técnico e físico entre 
jogadores de defesa 
e de ataque (adversários)
 � Adaptável a qualquer 
tipo de ataque
 � Dificulta passes e chutes 
adversários
 � Facilita penetrações à 
defesa
 � Facilita movimentações 
adversárias
 � Pode provocar muitas 
faltas
 � Dificulta o posicionamento 
defensivo, uma vez 
que este depende do 
posicionamento dos 
atacantes adversários
Zona � Facilita o 
posicionamento dos 
jogadores 
 � Dificulta o jogo próximo 
à área
 � Possibilita o rápido 
reposicionamento 
defensivo
 � Facilita a troca de passes 
adversários
 � Facilita passes e chutes 
distantes da área
 � Necessita de muito 
entrosamento entre os 
defensores
 � Apresenta áreas 
vulneráveis em razão 
da distribuição dos 
defensores
 � As áreas de 
responsabilidade próximas 
de dois jogadores podem 
provocar indecisão sobre 
quem deverá marcar o 
adversário
Quadro 1. Vantagens e desvantagens das formações defensivas
(Continuação)
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação12
198 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Fonte: Adaptado de Santini e Voser (2008).
Quadro 1. Vantagens e desvantagens das formações defensivas
Formação 
defensiva
Vantagens Desvantagens
Pressão � A presença de outro 
marcador pode induzir 
os atacantes a cometer 
erros
 � Promove a alteração de 
ritmo de jogo adversário
 � Força os jogadores 
adversários a realizar 
passes e chutes 
precipitados
 � Aumenta as 
possibilidades de 
recuperação da bola
 � Pelo menos um jogador, 
necessariamente, fica sem 
marcação
 � Grande possibilidade de 
cometer faltas pessoais
 � Maior desgaste físico dos 
marcadores
Mista � Dificulta a ação do 
jogador mais habilidoso 
da equipe adversária
 � Altera o ritmo de jogo 
adversário
 � Força o ataque 
adversário a se adaptar 
à defesa
 � Deixa determinadas 
zonas vulneráveis, com a 
ausência de um defensor
 � Exige maior atenção em 
relação à movimentação 
da bola e dos atacantes
Combinada � Provoca a confusão no 
ataque adversário
 � Adaptação às 
movimentações 
específicas do time 
adversário
 � Necessita de muito 
entrosamento entre os 
defensores
 � Maiores possibilidades de 
falhas de defesa
(Continuação)
Dessa forma, percebemos que os sistemas ofensivos e defensivos podem 
ganhar inúmeros formatos, adaptando-se às características de cada um dos 
jogadores e da equipe ou à situação exigida pelo jogo. No futebol e no fut-
sal, as características dos jogadores e as formações ofensivas e defensivas 
determinam o esquema tático a ser adotado pelas equipes. A seguir, vamos 
destacar alguns dos principais esquemas táticos adotados pelas equipes de 
futebol e futsal na atualidade. 
13Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 199
Principais sistemas táticos do futebol e do futsal
No futebol e no futsal, as diferentes características dos jogadores, as pro-
posições ofensivas e defensivas das equipes, e a maneira como as equipes 
adversárias se apresentam delimitam o melhor posicionamento de uma equipe 
em campo. Os sistemas táticos compreendem as disposições adotadas pelas 
equipes que buscam neutralizar as jogadas adversárias e possibilitar as cons-
truções das próprias jogadas. 
Os sistemas táticos surgiram com a necessidade de os treinadores e jogadores deter-
minarem funções e posições em campo. Inicialmente, para realizar gols, as equipes 
adotavam sistemas com poucos defensores e muitos atacantes. Considera-se o primeiro 
esquema tático do futebol o 4–2–4.
Existem inúmeros formatos possíveis para uma equipe se postar em qua-
dra ou em campo. Essas diversas formatações evoluíram durante os anos e 
formaram os sistemas táticos adotados atualmente. A seguir, apresentaremos 
os principais sistemas táticos utilizados pelas equipes profissionais de futebol 
e futsal na atualidade. 
Principais sistemas táticos do futebol
Os sistemas táticos do futebol apresentam a disposição dos jogadores que 
compõem a linha de defesa, outra linha mais adiantada na intermediária e uma 
linha, mais adiantada ainda, na zona de ataque, próxima à meta adversária. 
De modo geral, em cada uma dessas linhas, há uma atuação distinta entre 
os jogadores, separando-os entre defensores (zagueiros, líberos e laterais), 
meio-campistas (volantes, meias e armadores) e atacantes (pontas, segundo-
-atacantes e centroavantes). Dentro dessas três linhas de jogadores, a equipe 
adequa a sua estratégia conforme a proposição do jogo que deseja desenvolver 
e busca neutralizar os ataques adversários.
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação14
gilia
Highlight
200 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Cabe destacar que, no futebol, onze jogadores são titulares, sendo um deles 
o goleiro, que deve atuar preferencialmente abaixo da sua meta e dentro de 
sua área, onde dispõe de maiores possibilidades de realizar defesas. Assim, 
os sistemas táticos consideram apenas os jogadores de linha. Os principais 
sistemas táticos do futebol são descritos a seguir (CASTELO, 1992).
 � 4–2–4 — até a década de 1950, o principal esquema utilizado pelas 
equipes era o 3–4–3, com três zagueiros em linha, dois volantes, dois 
meias ofensivos e quatro atacantes. Em 1958 e em 1962, como alternativa 
para superar o esquema utilizado pela maioria das equipes, a seleção 
brasileira utilizou o 4–2–4, com quatro zagueiros, dois volantes e quatro 
atacantes, dois deles atuando como pontas, jogando nas extremidades do 
campo. Esse formato, embora não seja comumente utilizado, representa 
uma referência, pois originou as outras possibilidades de formar as 
equipes taticamente (XAVIER, 1986).
 � 4–3–3 — como o 4–2–4 reduziu a posse de bola no meio-campo, pela 
diminuição do número de jogadores na intermediária do campo, as 
partidas acabaram se resumindo à ligação entre a defesa e o ataque, por 
meio dos lançamentos. Aos poucos, entretanto, a atenção dos confrontos 
passou do ataque e da defesa para o meio-campo. E, assim, o 4–3–3 
passou a ser o primeiro sistema a buscar aumentar a posse de bola 
no setor de criação. Pode variar de um volante e dois meias para dois 
volantes e um meia, modificando-se ainda mais com as estratégias de 
ataque ou defesa (laterais ofensivos ou defensivos, sistema de marcação 
e movimentação dos atacantes). No ataque, as posições também ganham 
diferentes formatos, com a atuação de dois jogadores em cada uma das 
extremidades do campo e um centroavante; ou com dois centroavantes 
e um jogador mais extremo ou com três jogadores de grande movi-
mentação. Hoje, por exemplo, muitas equipes utilizam um 4–3–3 com 
laterais quase fixos à defesa, em linha, e atacantes de movimentação 
que jogam em diagonal, ao contrário dos antigos pontas, que corriam 
para o fundo e faziam cruzamentos. Trata-se do mesmo sistema, mas 
com uma estratégia diferente (FREIRE, 2006).
 � 4–4–2 — esse esquema é um dos mais utilizados na atualidade por 
apresentar certo equilíbrio em todos os setores do campo. Consiste 
na utilização, na linha defensiva, de dois zagueiros e dois laterais, os 
últimos com a função também de atacar, alterando as suas progressões. 
Mais à frente, são dois meio-campistas com características defensivas 
e dois meio-campistas mais ofensivos. E, completando o ataque, dois 
15Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
gilia
HighlightPedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 201
atacantes, geralmente um centroavante jogando próximo à área e o 
outro atacante um pouco mais afastado, procurando realizar dribles e 
penetrações na defesa adversária. Nesse sistema, também é comum a 
variação na formação do meio-campo, com apenas um ou três volan-
tes (meio-campistas mais defensivos) ou um ou três meias-atacantes, 
tornando a equipe, respectivamente, mais defensiva ou ofensiva. No 
meio-campo, os posicionamentos dos jogadores diferem, atuando em 
formato de quadrado, de losango ou de “Y”, com atribuições de funções 
mais defensivas ou ofensivas a cada um deles nesse setor. Este também 
é o sistema preferido para a iniciação no futebol, já que as posições dos 
jogadores são mais definidas, facilitando a compreensão das funções 
de cada jogador. 
 � 3–5–2 — esse esquema surgiu pela primeira vez na Itália e trouxe o 
conceito do líbero, jogador de defesa que, dentro de uma mesma par-
tida, pode realizar diferentes funções, como atuar atrás dos zagueiros 
(como jogador da “sobra”), à frente dos zagueiros (como volante) ou 
nas laterais. No Brasil, o conceito de líbero é um pouco mais restrito, 
referindo-se apenas ao jogador que atua atrás do zagueiro, buscando 
as bolas que sobram após a disputa dos atacantes adversários com 
os demais defensores. Nesse formato, ainda, o meio-campo ganha a 
posição dos alas, que, pelas extremidades do campo, buscam realizar 
jogadas ofensivas que culminam em lançamentos para o meio da área 
de ataque. Assim, como no 4–4–2, existem variações desse formato 
com meio-campistas mais defensivos ou ofensivos. Do mesmo modo, 
o 3–6–1 representa uma variação desse sistema, com um dos atacantes 
atuando mais recuado, criando jogadas e efetuando dribles mais afastado 
da meta adversária. 
 � 3–4–3 — consiste em um sistema quase misto, que se utiliza dos con-
ceitos de defesa do 3–5–2 (líbero, cobertura e posicionamento) de meio-
-campo do 4–4–2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e 
de ataque do 4–3–3 (retorno do terceiro atacante). 
Cabe destacar que os sistemas táticos do futebol continuam evoluindo. 
Novos formatos de jogo, com novas atribuições a cada um dos jogadores 
que compõem as diferentes zonas do campo, continuam acontecendo (GAR-
GANTA, 1997). O que podemos notar no atual momento do futebol é o fato de 
cada vez mais os jogadores serem exigidos em diferentes funções em campo, 
tendo que defender e atacar em uma mesma partida e se deslocar, fazendo 
inversões e trocando suas posições e funções na partida.
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação16
202 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Principais sistemas táticos do futsal
Assim como o futebol, o futsal também evolui historicamente quanto à for-
mação tática das equipes. Inicialmente, as equipes apresentavam jogadores 
que cumpriam funções específicas em quadra. Mais recentemente, podemos 
observar que não há uma posição definida, sobretudo em equipes de alto nível, 
com todos os atletas se deslocando de modo incessante por todos os setores 
do campo (SANTINI; VOSER, 2008). 
Da mesma forma que o futebol, o goleiro, que se espera que jogue entre 
as traves de sua meta, ampliando a possibilidade de realizar defesas, não é 
considerado nos esquemas, passando a abordá-los com os quatro jogadores 
de linha. Cabe destacar ainda que, embora os esquemas situem a posição em 
que a priori os jogadores devem se encontrar, eles não permanecem estáticos 
durante o jogo, trocando constantemente a suas posições. Assim, são seis os 
esquemas mais utilizados no futsal (MUTTI, 2003), conforme apresentado 
a seguir.
 � 2–2 — esse formato de jogo foi o pioneiro no futsal, surgindo ainda na 
década de 1950. Nesse sistema tático, que pode ter características mais 
ofensivas ou defensivas, dois jogadores são responsáveis pela defesa 
e dois responsáveis pelo ataque. Por apresentar menores funções de 
jogadores, trata-se de um dos principais sistemas utilizados por equipes 
de jogadores iniciantes ou com jogadores com pouca capacidade técnica. 
É um sistema bastante simples de desenvolver e possibilita a distribuição 
de jogadores de maneira mais equilibrada, atuando geralmente em 
forma de quadrado. 
 � 2–1–1 — também compreende um sistema bastante simples e facilmente 
aplicado com crianças que estão iniciando nessa modalidade esportiva. 
Consiste em dois jogadores jogando na defesa (um em cada extremidade 
da quadra), um jogador na linha média da quadra (atuando como meia, 
atacando e defendendo) e um jogador mais adiantando (com a função 
exclusiva de atacar).
 � 3–1 — nesse sistema, apenas um jogador (o fixo) tem a função exclusiva 
de defender. Um pouco à frente dele, nas extremidades da quadra, 
situam-se os alas, que devem realizar jogadas de ataque e de defesa, 
unindo-se ao fixo ou ao pivô. A frente dos alas, mais centralizado, 
atua o pivô, que tem como principal característica ser capaz de supe-
rar fisicamente o defensor adversário. Por necessitar de funções mais 
específicas em quadra, esse esquema exige que os jogadores tenham 
17Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Tática e Técnica: Aspectos Relevantes na Iniciação e na Formação | PARTE 3 203
um pouco mais de experiência. Ainda, nesse sistema, é comum a rea-
lização do rodízio de 3, no qual um dos jogadores conduz a bola para 
atrair a marcação e, em seguida, passa a bola e se desloca para um 
local até onde um dos companheiros estava e que se deslocou para a 
posição daquele que recebeu a bola inicialmente. Assim, três jogadores 
se movimentam constantemente, trocando passes, e o pivô se desloca 
de uma extremidade a outra da quadra, abrindo espaços para os alas e 
o fixo, que estão efetuando o rodízio. 
 � 1–3 — trata-se de um esquema pouco usual por possibilitar maior área 
para o ataque adversário. Da mesma forma que o 3–1, consiste em um 
fixo, dois alas e um pivô. No entanto, nesse sistema, os alas ganham 
uma característica puramente ofensiva. 
 � 4x0 — esse sistema tem sido o principal formato de jogo apresentado 
pelas principais equipes de futsal, em especial as seleções nacionais 
do Brasil e da Espanha, que têm se destacado na modalidade. Consiste 
na incessante troca de posições em quadra, com frequentes trocas de 
passes nas defesas. Seu objetivo central é confundir, com a troca de 
posições, a defesa adversária e obter espaços para o passe em direção 
ao gol e a infiltração de jogadores que efetuarão a finalização, o cha-
mado rodízio de 4. Por necessitar de extremo preparo físico, grande 
entrosamento entre os jogadores e a atenção no jogo o tempo todo, não é 
muito recomendado para equipes iniciantes (SANTINI; VOSER, 2008). 
 � 0–4 — assim como o 4x0, baseia-se na troca de posições e na contínua 
movimentação dos jogadores, buscando encontrar espaços para a fina-
lização. No entanto, esse sistema de jogos se fundamenta na ocupação 
da meia quadra adversária, com todos os jogadores mais adiantados. 
Essa forma de jogar não é muito usual, já que deixa a defesa muito 
desprotegida em contra-ataques (APOLO, 2004). 
Desse modo, podemos perceber que, para obter êxito ao jogar o futebol 
e o futsal, apenas o domínio dos aspectos técnicos não é suficiente. Ainda 
que necessários, aliado ao fato de que a qualidade técnica de cada jogador é 
importante para uma partida, o conhecimento tático, com a integração dos 
jogadores atuando nos diferentes tipos de formações ofensivas e defensivas, 
e o domínio das funções nos diferentes sistemas táticos são essenciais para 
que uma equipe seja bem-sucedida ao final da partida.
Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação18
204 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
APOLO, A. Futsal: metodologia e didática na aprendizagem. São Paulo: Phorte, 2004.
CASTELO, J. Conceptualização de um modelo técnico-táctico do jogode Futebol: identifi-
cação das grandes tendências evolutivas do jogo das equipas de rendimento superior. 
1992. Tese (Doutoramento) — Faculdade de Motricidade Humana-UTL, Lisboa.
FREIRE, J. B. Pedagogia do futebol. Campinas: Autores Associados, 2006.
GARGANTA, J. M. Modelação tática do jogo de Futebol: estudo da organização da fase 
ofensiva em equipes de alto rendimento. 1997. Tese (Doutorado em Ciências do Des-
porto) — Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade do 
Porto, Porto, 1997.
LEITÃO, R. A. A. Futebol: análise qualitativas e quantitativas para verificação e modulação 
de padrões e sistemas complexos de jogo. 2004. Dissertação (Mestrado em Educação 
Física) — Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004.
MUTTI, D. Futsal: da iniciação ao alto nível. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2003. 
SANTINI, J.; VOSER, R. C. Ensino dos esportes coletivos: uma abordagem recreativa. Ca-
noas: Ulbra, 2008.
XAVIER, T. P. Métodos de ensino em educação física. São Paulo: Manole, 1986.
Leituras recomendadas
BEE, H.; BOYD, D. A criança em desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
MARTORELL, G. O desenvolvimento da criança: do nascimento à adolescência. Porto 
Alegre: AMGH, 2014.
SALLES, J. F.; HAASE, V. G.; MALLOY-DINIZ, L. F. (org.). Neuropsicologia do desenvolvimento: 
infância e adolescência. Porto Alegre: Artmed, 2016.
SCHMIDT, R. A.; LEE, T. D. Aprendizagem e performance motora: dos princípios à aplicação. 
5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
19Tática e técnica: aspectos relevantes na iniciação e na formação
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO PELA 
SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
206 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Parte 4
Jogos pré-Desportivos Aplicados 
ao Futebol e ao Futsal
 
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é disponibilizado
por SAGAH.
unidade 
3
V.1 | 2021
208 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Jogos pré-desportivos 
aplicados ao futebol 
e ao futsal
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir jogos pré-desportivos.
 � Relacionar os jogos pré-desportivos e os valores éticos e morais as-
sociados à prática do futebol e do futsal.
 � Discutir o papel dos jogos pré-desportivos nos treinamentos técnico 
e tático do futebol e do futsal.
Introdução
Neste capítulo, você vai ler sobre os jogos pré-desportivos no futebol e 
no futsal a partir da sua complexidade de utilização nos diferentes níveis 
de atuação, desde o escolar até o alto rendimento, para o trabalho em 
instituições de ensino e clubes.
Você vai saber que os jogos pré-desportivos são considerados práticas 
que favorecem a aprendizagem dos elementos técnicos e táticos dos 
esportes coletivos. Com uma perspectiva mais lúdica, eles favorecem 
uma participação mais dinâmica e ativa de todos os jogadores.
Aqui são apresentadas estratégias de ensino que podem ser utilizadas 
em escolas e clubes na iniciação do esporte como um fator motivacional 
ou no alto nível como uma proposta descontraída para o trabalho.
Este capítulo contextualiza os conceitos e as concepções que en-
volvem as ações práticas dos jogos pré-desportivos, com ênfase na 
aprendizagem do futebol e do futsal, duas modalidades esportivas que 
apresentam características próprias, mas com muitos aspectos que se 
assemelham e que, se bem aproveitados, qualificam as aprendizagens.
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Jogos Pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal | PARTE 4 209
Conceitos de jogos pré-desportivos
Os jogos pré-desportivos, de certa forma, antecipam a prática formalizada 
do esporte. Eles podem ser considerados estratégias de ensino que refletem 
diferentes dinâmicas de organização e estruturação lógica das característi-
cas básicas dos esportes, com ênfase nos esportes coletivos. Por assumirem 
características de jogos, ampliam as possibilidades do trato pedagógico dos 
conteúdos procedimentos, atitudinais e conceituais das práticas esportivas. Isto 
é, permitem que os conteúdos específicos de modalidades esportivas sejam 
refletidos em diferentes ações, posturas e manifestações práticas, fazendo 
com que a rigidez de uma técnica, por exemplo, seja exercitada por meio de 
repetições lúdicas do movimento.
Segundo Freire Júnior, Maldonado e Silva (2017, p. 33), ao utilizar os jogos 
pré-desportivos, o professor: “[...] consegue desenvolver uma função educativa 
na prática destes jogos, atrelando valores como a inclusão, a convivência, 
o respeito e a ética”. Nesse sentido, esse tipo de jogo motiva os alunos e os 
desafia na prática, favorecendo a participação mais efetiva de todos. As adapta-
ções de regras e formas de jogar estimulam novas aprendizagens e aproximam 
várias habilidades, em que uma meta que no jogo formal será atingida somente 
pelo chute ou cabeceio, aqui pode ser acessada por outra ação corporal, desde 
que associada a uma nova regra combinada coletivamente.
Às variações de deslocamento, passe, chute e arremesso são acrescidas as 
habilidades das descobertas, dos planejamentos, dos acordos e das tentativas 
de erros e acertos. O aluno é estimulado a jogar livremente e, por meio da 
condução do professor, princípios básicos de execução vão sendo inseridos 
de forma gradual e complexa a essa forma de jogar. Isso permite que o aluno 
incorpore a técnica do ato de jogar de forma autônoma e criativa (KRUG, 
2009). Não há formalidade rígida nos jogos pré-desportivos, fato que possibilita 
a mudança da regra que favoreça e abrace diferentes níveis de habilidades e 
aptidões motoras para o jogo.
São nessas situações problemas que o aluno vai criando e recriando estra-
tégias que ampliam seu acervo motor e cognitivo. As estruturas mentais que 
vão sendo incorporadas servem de base para a escolha de novas formas de 
Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal2
210 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
jogar. O movimento corporal vai adquirindo experiência e as competências 
emergem não da repetição, mas da reflexão crítica sobre cada movimento 
que já foi executado ou experimentado. Ao transpor essas vivências para as 
situações de jogo real (no esporte formalizado), o aluno garante respostas mais 
concretas e verdadeiras para cada situação problema evidenciada, promovendo 
uma antecipação mais consciente sobre as exigências advindas dos esportes.
Sobre a classificação dos jogos pré-desportivos, é pertinente refletir sobre 
as características assumidas a partir de cada objetivo proposto pelo professor. 
De certa forma, é possível identificar entre as várias opções de jogos aqueles 
que mais se adéquam às aprendizagens propostas. Ainda assim, é possível se 
utilizar de outros jogos, como pequenos e grandes jogos, jogos reduzidos, jogos 
situacionais, entre outros que permitam a associação com as características das 
modalidades esportivas, efetivando-os na categoria de jogos pré-desportivos 
nos processos de ensino-aprendizagem.
Autores como Baldi (2014) e Reverdito, Scaglia e Paes (2009) descrevem 
algumas características desses jogos, que estão listadas a seguir.
 � Pequenos jogos esportivos: apresentam formas básicas simples e suas 
principais ações técnicas e táticas, há também uma simplificação nas 
regras.
 � Grandes jogos esportivos: maior complexidade no uso das carac-
terísticas dos esportes coletivos e regras com adaptações para uma 
participação facilitada sem alteração da sua exigência.
 � Jogos reduzidos: são adaptações do jogo formal (11 × 11) com regras 
mais simples, menos jogadores e espaço reduzido; são utilizados para 
o ensino de jogadores de diferentes idades e níveis competitivos e em 
programas de formação de base de atletas (Figura 1).
 � Jogos situacionais: têm ênfase nas capacidades de jogo e nas capacida-
des coordenativas, privilegiando os fatores de pressão (tempo, precisão, 
complexidade, organização, variabilidade, carga), que impactam as 
habilidades com bola e a realização de movimentos específicos aos 
esportes(técnica) (Figura 2).
3Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Jogos Pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal | PARTE 4 211
Figura 1. Jogos reduzidos para a manutenção da posse de bola.
Fonte: Tacticalpedia (2016, documento on-line).
Figura 2. Jogos situacionais para finalização.
Fonte: [Jogos...] ([201-?], documento on-line).
Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal4
212 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
É importante, também, destacar o uso dos jogos pré-desportivos para 
outros fins que não sejam a aprendizagem do esporte, como terceira idade, 
populações obesas e portadores de deficiência. Novamente as características 
dessas práticas favorecem e dão maior significado ao ato de jogar para esses 
indivíduos. Sendo assim, a motivação, o entusiasmo e a valorização são aspec-
tos que ganham expressividade quando a participação se torna mais efetiva.
No que tange à terceira idade, Bittar et al. (2013, p. 715) afirmam que os 
jogos pré-desportivos são uma “[...] estratégia interessante para alcançar uma 
boa qualidade de vida, pois suas adaptações podem ressaltar as características 
envolventes, motivadoras e inclusivas. Dessa forma, o componente lúdico de 
jogos pré-desportivos poderia atender às principais demandas provindas do 
processo do envelhecimento”. As limitações dessa fase passam pela fragilidade 
no controle motor até o sentimento de incapacidade. No uso desse tipo de 
jogo, é possível criar formas e estratégias com ênfase no trabalho coletivo e na 
valorização da equipe, situação que estimula o sentimento de pertencimento 
e valorização de um grupo.
Para a população obesa, sendo crianças, jovens ou adultos, a adaptação 
proposta no jogo pode garantir estímulo para a prática de atividade física 
regular, dinâmica e divertida, além de favorecer as tarefas motoras quando a 
reconstrução ganha complexidade cognitiva e atitudinal em prol de capacidades 
físicas que, por ventura, sejam limitadores da prática. Algumas possibilidades 
como a redução do espaço, a ampliação das metas e dos alvos e o uso de mais 
jogadores podem auxiliar nas proposições que dão acesso ao exercício mais 
contínuo das habilidades técnicas e táticas.
No trabalho com crianças com deficiências físicas, Melo e Munster (2016, 
p. 77) alertam que os jogos pré-desportivos têm por intuito a experimentação 
“[...] do esporte em suas variadas formatações, devendo este (o esporte) ser 
modificado para atingir as necessidades da criança e não o inverso”. Sendo 
assim, não há limitação para a deficiência, o que há é uma nova estruturação 
do jogo para que ele possa ser jogado independentemente. Nessa lógica, qual-
quer esporte coletivo pode ser ensinado por meio dos jogos pré-desportivos. 
Os autores apresentam uma experiência com crianças cadeirantes em que a 
proposta é pautada na metodologia da descoberta e exploração dos movimentos 
corporais (Quadro 1).
5Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Jogos Pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal | PARTE 4 213
Tema Objetivo Estratégias Dinâmicas Exemplos
Inicia-
ção ao 
esporte
Desenvolver 
as habilidades 
motoras 
fundamentais 
de locomoção, 
estabilização e 
manipulação 
na cadeira de 
rodas por meio 
dos aspectos 
pedagógicos e 
educacionais.
Jogos de 
cooperação
Atividades 
em duplas 
e trios
Jogos 
historiados
Construção 
das ativida-
des pelos 
participantes
Execução e 
controle dos 
movimentos
Utilização da 
música como 
elemento 
desenvol-
vedor de 
atenção e 
percepção 
temporal
Desenvolvi-
mento dos 
fundamentos 
comuns às 
modalidades
Jogar as 
modalidades 
esportivas 
coletivas 
sobre cadeira 
de rodas
Atividades 
de coope-
ração, nas 
quais todos 
trabalham 
em equipe
Criação de 
regras do 
jogo pelos 
próprios 
participantes
Pegas
Estafetas
Drible
Desloca-
mento entre 
obstáculos
Jogos com 
alvos e zonas
Brincadeiras
Situações 
de jogo
Jogos 
pré-desportivos
Jogos adapta-
dos a partir das 
modalidades 
convencionais
Atividades 
cognitivas
Jogos 
individuais
Jogos musicais
Modalidades 
esportivas 
em cadeira 
de rodas
Do simples 
para o mais 
complexo
Quadro 1. Modelo de proposta de ensino para os esportes coletivos par crianças em 
cadeiras de rodas
(Continua)
Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal6
214 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Fonte: Adaptado de Melo (2014).
Tema Objetivo Estratégias Dinâmicas Exemplos
Valores 
com-
porta-
mentais
Ser capaz de 
estabelecer re-
lações pessoais 
de valor, como 
cooperação, 
empatia e 
respeito para 
o desenvolvi-
mento de um 
jogo coletivo, 
estabelecendo 
metáforas 
com a vida.
Interferência 
verbal do 
professor, 
remetendo 
à prática dos 
alunos ou ao 
livro didático
Ao longo das 
atividades 
práticas, 
aproveitando 
as situações 
surgidas a 
fim de tra-
balhar a im-
portância do 
respeito e da 
cooperação 
aos demais 
participantes.
Utilizar as 
possíveis 
dificuldades 
apresentadas 
pelos partici-
pantes para 
desenvolvi-
mento dos 
problemas 
do jogo, bem 
como das 
suas relações 
com os de-
mais durante 
as atividades 
como meio 
de destacar 
a relevância 
dos valores 
de respeito e 
cooperação
Quadro 1. Modelo de proposta de ensino para os esportes coletivos par crianças em 
cadeiras de rodas
(Continuação)
É normal a utilização dos jogos pré-desportivos como uma base para o 
ensino dos esportes coletivos, mas é preciso que eles também tenham espaço 
próprio, isto é, que seja destinado no planejamento do professor o ensino de 
jogos que contribuam com a formação integral dos alunos, sem que haja a 
necessidade da relação com alguma modalidade esportiva. Os benefícios dos 
jogos na formação perpassam pela assertiva de desenvolver as dimensões 
motora, afetivo-social e conceitual. De fato, na complexidade do jogo há 
estratégias que motivam e proporcionam diferentes aprendizagens.
7Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Jogos Pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal | PARTE 4 215
Jogos pré-desportivos e valores éticos e morais 
associados à prática do futebol e do futsal
O futebol e o futsal assumem características de esportes coletivos, isto é, na 
estrutura lógica do jogo, as ações motoras se estabelecem na interdependência 
das tarefas individuais de cada jogador. Isto é, aquilo que é executado por 
um jogador vai interferir diretamente na jogada realizada por seus colegas, 
por isso que cada ação deve ser realizada de forma qualificada para que no 
coletivo o resultado seja eficaz.
Na dimensão coletiva, Bayer (1994) apresenta três princípios operacio-
nais de ataque: “[...] conservação individual e coletiva da bola, progressão 
da equipe e da bola em direção ao alvo adversário e finalização da jogada, 
visando à obtenção de ponto” (BAYER, 1994, p. 100). E, ainda, referenda 
os três princípios operacionais da defesa, destacando: “[...] recuperação da 
bola, impedir o avanço da equipe contrária e da bola em direção ao próprio 
alvo e proteção do alvo visando impedir a finalização da equipe adversária” 
(BAYER, 1994, p. 110).
Ao relacionar essas características com o futebol e o futsal, são encontradas 
semelhanças com ênfase nas ações coletivas, entre ambas as modalidades. 
De certa forma, é nessa coletividade que emergem aspectos como trabalho 
em equipe e colaboração, que fundamentam atitudes necessárias nesse tipo de 
jogo. Ainda assim, na complexidade da coletividade são revelados o respeito 
ao colega e ao adversário e as regras do jogo, fatores que se agregam para 
configurar os valores éticos e morais que fazem parte de tais modalidades 
esportivas. 
É na conversa entre ações individuais e coletivas do futebol e do futsal que se 
manifestam possibilidades para o trabalho educativo de tendências agressivas, 
egocêntricas, competitivas, entre outras. Com metodologias que busquem a 
compreensão do valorna qual traz a reflexão sobre os valores da educação empregados a partir 
do esporte de alto rendimento. Vale a pena conferir as discussões recentes sobre o 
esporte educacional que ocorre no Brasil: 
https://goo.gl/5ZancY
11Esporte
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Esporte | PARTE 1 21
ARAÚJO, U. F. de. Escola, democracia e a construção de personalidades morais. Educação 
e Pesquisa, v. 26, n. 2, p. 93, 2000.
BARBANTI, V. J. Dicionário de educação física e esporte. 3. ed. Barueri, SP: Manole, 2008.
DARIDO, S. C.; RANGEL. I. C. A. Educação física na escola. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2011. (Coleção Educação Física no Ensino Superior).
GODTSFRIEDT, J. Esporte e sua relação com a sociedade: uma síntese bibliográfica. 
EFDeportes.com: revista digital, ano 14, n. 142, mar. 2010. Disponível em: . Acesso em: 
15 out. 2018.
GONZALEZ, F. J. Sistema de classificação de esportes com base nos critérios: cooperação, 
interação com o adversário, ambiente, desempenho comparado e objetivos táticos da 
ação. EFDeportes.com: revista digital, ano 10, n. 71, abr. 2004. Disponível em: . Acesso em: 15 out. 2018.
PAES, R. R. Pedagogia do esporte: contextos e perspectivas. Rio de Janeiro: Guanabara, 2005.
SANTOS, L.; VOSER, R. da C. Desafios de uma prática educativa através do esporte: um 
estudo de revisão. EFDeportes.com: revista digital, ano 15, n. 166, mar. 2012. Disponível 
em: . 
Acesso em: 15 out. 2018.
TUBINO, M. J. G. Estudos brasileiros sobre o esporte: ênfase no esporte-educação. Maringá, 
PR: Eduem, 2010.
TUBINO, M. J. G. O que é esporte? Uma enciclopédia crítica. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 
1999. (Coleção primeiros passos, v. 276).
Leituras recomendadas
CAPITANIO, A. M. Educação através da prática esportiva: missão impossível?. EFDeportes.
com: revista digital, ano 8, n. 58, mar. 2003. Disponível em: . Acesso em: 15 out. 2018.
EMER, J. Os benefícios pedagógicos que o esporte pode trazer como mais uma alternativa 
na socialização e formação de adolescentes e jovens. 2014. Disponível em: . Acesso 
em: 15 out. 2018.
TUBINO, M. J. G. Uma visão paradigmática das perspectivas do esporte para o início 
do século XXI. In: MOREIRA, W. W. (Org.). Educação física & esportes: perspectivas para 
o século XXI. 9. ed. Campinas: Papirus, 2002.
Esporte12
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO PELA 
SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
Parte 2
Estudo da Cultura Esportiva
 
O conteúdo deste livro 
é disponibilizado
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unidade 
1
V.1 | 2021
24 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Estudo da cultura esportiva
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o esporte como expressão da cultura.
 � Explicar a cultura esportiva alternativa no contexto da educação física.
 � Analisar as manifestações da cultura esportiva por diferentes seg-
mentos sociais.
Introdução
Fenômeno sociocultural, o esporte influencia a vida de inúmeras pes-
soas por todo o mundo, seja por meio da prática, do consumo ou da 
participação de torcedores. Essa popularização do esporte enquanto 
expressão cultural teve início na Inglaterra e foi ganhando, aos poucos, 
alcance mundial. É praticamente impossível encontrar alguma civilização 
no mundo que não tenha o esporte como uma de suas práticas, visto que, 
pelos meios tradicionais ou pela cultura alternativa, que vem ganhando 
força, o esporte traz um novo estilo de vida inerente à sociedade atual.
Neste capítulo, você estudará o esporte como expressão da cultura, 
bem como verá como a cultura esportiva alternativa está inserida no 
contexto da educação física. Além disso, estudará as manifestações da 
cultura esportiva por diferentes segmentos sociais.
Esporte como expressão da cultura 
Dentre as várias formas de expressão da cultura que existem, uma delas é 
a partir das práticas corporais, a chamada cultura corporal do movimento, 
e das infinitas formas de explorar essa cultura, uma das mais populares é o 
esporte. No entanto, para compreender o esporte como forma de expressão 
da cultura, antes faz-se necessário abordar os conceitos de cultura e esporte 
separadamente. 
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 25
Bauman (2012) afirma que o conceito de cultura é bastante ambíguo, devido 
à grande quantidade de linhas de pensamento para defini-lo. Além disso, há 
também várias classificações de cultura, como cultura popular, cultura em-
preendedora, cultura erudita, cultura esportiva, entre outras. Neste capítulo, 
no entanto, será utilizada a ideia de cultura como forma de hábitos e práticas, 
o que os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997) definem como 
tudo o que pode ser transmitido de geração a geração por meio das linguagens. 
Uma dessas formas de linguagem vem a ser o corpo, a chamada linguagem 
corporal, elemento indispensável para o esporte.
Segundo Guedes e Guedes (1995, p. 15), o esporte é uma “[...] atividade de 
competição institucionalmente regulamentada, que se fundamenta a superação 
de competidores ou de marcas/resultados estabelecidos pelo próprio esportista 
[...]”. No mesmo sentido, Barbanti (2003) afirma que o esporte é uma atividade 
competitiva institucionalizada que requer grande esforço físico ou mesmo o 
uso de habilidades motoras relativamente complexas.
Corroborando esse argumento, a Resolução nº 046/2002 do Conselho 
Federal de Educação Física (CONFEF) define esporte da seguinte forma:
Esporte é uma atividade competitiva, institucionalizada, realizado conforme 
técnicas, habilidades e objetivos definidos pelas modalidades desportivas, 
determinado por regras preestabelecidas que lhe dá forma, significado e 
identidade, podendo também, ser praticado com liberdade e finalidade lúdica 
estabelecida por seus praticantes, realizado em ambiente diferenciado, inclu-
sive na natureza (jogos: da natureza, radicais, orientação, aventura e outros) 
(CONFEF, 2002, documento on-line).
Para entender como o esporte se insere como meio de expressão cultural, 
é preciso saber que a ideia de esporte moderno que se tem hoje começou após 
o advento da Revolução Industrial, na Inglaterra, a partir das ideias propostas 
por Thomas Arnold, o que veio a ser chamado de Escola Inglesa.
A Revolução Industrial se caracterizou por um conjunto de modificações relacionadas 
ao trabalho. A principal delas foi a substituição do trabalho artesanal pela utilização 
das máquinas, com a exploração de mão de obra barata dos operários.
Estudo da cultura esportiva2
gilia
Destacar
26 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
A Escola Inglesa é baseada nas ideias liberais, dando ênfase aos esportes 
coletivos modernos, caracterizados por regras. Originários das escolas públi-
cas mais abastadas da Inglaterra, Gois Jr. (2015) afirma que os esportes são 
reinterpretações de jogos populares com regras que controlavam a violência e 
incumbiam uma educação moral de respeito às normas. Apesar de ser díspar da 
ginástica, os objetivos dos esportes eram semelhantes, tais como a disciplina, 
o autocontrole e valores como justiça, obediência, competição e cooperação 
(GOIS JR., 2015).
Com o processo de industrialização, no entanto, surgem conflitos que dão 
origem às leis trabalhistas. Umas das modificações impostas pela lei é a redução 
da jornada de trabalho de 16h para 8h diárias. Com isso, o trabalhador teve mais 
acesso ao lazer, disseminando o esporte nas classes populares. Cabe ressaltar, 
entretanto, que aindado outro, sendo da sua equipe ou da equipe contrária, o 
professor consegue estabelecer momentos reflexivos e debates sobre atitudes 
morais e éticas durante o jogo. A interpretação sobre o jogar com o outro, e 
não contra o outro, vai sendo construída a cada vivência proposta. Às vezes, 
é preciso viver a situação para que novos significados sobre os sentimentos 
revelados nela sejam reconstruídos.
Nesse contexto, os jogos pré-desportivos minimizam o caráter formali-
zado de um jogo oficial, no qual ganhar é o principal objetivo, e constituem 
espaços de exploração de diferentes sentimentos. A comunicação direta entre 
professores e alunos é uma mediação necessária para que sejam incorporados 
Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal8
216 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
conceitos sobre a amoral e a ética no jogo. Ainda assim, o uso desses jogos 
não pode ser desvinculado de temas que perfazem o universo do futebol e do 
futsal, como violência nas torcidas, preconceito, racismo, mulheres jogadoras, 
mídia, valores do futebol, entre outros. Inclusive, é possível inserir a tais 
temáticas as estratégias de jogo, nas quais a elaboração e a reconstrução de 
regras podem ser propostas com o intuito de minimizar essas situações da 
vida real do universo esportivo.
No texto disponível no link a seguir, é possível ler sobre o impacto das mídias digitais, 
tão utilizadas em tempos atuais, nos valores morais no cenário do futebol.
https://qrgo.page.link/gXa9o
Dentre os tipos de jogos pré-desportivos, Sadi, Costa e Sacco (2008) desta-
cam alguns princípios que devem ser implementados na organização do jogo 
e que favorecem o ensino dos valores morais, como o princípio da vitória pelo 
prazer de jogar, a acessibilidade às ações motoras, a valorização das habilidades 
cognitivas e a compreensão sobre o uso de regras. Esses princípios se revelam 
nas diferentes jogadas do futebol e do futsal e devem ser trabalhados juntamente 
com o ensino das habilidades técnicas. É necessário que seja objetivado, entre 
as unidades do planejamento, momento para essas aprendizagens, mas em 
situações reais, fato que justifica o uso dos jogos pré-desportivos.
Veja alguns exemplos a seguir.
Princípio da vitória pelo prazer de jogar
Goleira maluca
A organização deste jogo é igual à de um jogo formal de futebol ou futsal, 
contudo, o professor pode estabelecer variações de metas para o jogo, por 
exemplo, pontuação para cada bola que acerta o travessão, distribuir goleiras 
em outros espaços do campo e, ainda, colocar arcos pendurados nas goleiras 
como se fossem alvos com pontuações variadas.
9Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Jogos Pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal | PARTE 4 217
Jogo de resultado invertido
Este é um jogo formal de futebol e futsal realizado a partir de tempos determi-
nados pelo professor, que podem variar em minutos ou até mesmo segundos. 
A cada tempo concluído, o resultado é invertido entre as equipes, isto é, pode 
ser que a equipe que esteja vencendo o jogo por 2 × 1 passe a ficar com o 
resultado 1 × 2.
Acessibilidade às ações motoras
Gol predefinido
Durante o jogo, o professor estabelece quem poderá fazer gol, ora meninas, 
ora meninos, ora só com a cabeça, ora só com o pé esquerdo, dentre outras 
variações. Nessas situações, o uso de cores ou letras podem ajudar na variedade, 
como meninas com roupa vermelha ou meninos que tenham no nome a letra P.
Minijogos
Nestes jogos, a quadra ou o campo são divididos em quadrantes, sendo que 
as equipes deverão jogar entre si dentro do mesmo quadrante. A redução do 
espaço e do número de jogadores facilita a maior repetição das ações motoras 
mesmo daqueles menos habilidosos e estimula o respeito aos colegas no 
momento em que a participação destes é mais efetiva.
Valorização das habilidades cognitivas
Rouba bola
Cada equipe terá um número de 10 bolas ou mais em seu campo. Ao sinal 
do professor, as equipes deverão, por meio do chute, passar as bolas para o 
campo da equipe adversária, contudo, também deverão evitar que as bolas 
da outra equipe fiquem em seu campo, já que ganhará o jogo a equipe que 
ao final do tempo tiver menos bolas em seu lado do campo. Neste tipo de 
jogo, além de chutar ou passar a bola, os alunos deverão criar estratégias de 
organização de como defender ou atacar e até mesmo quais funções cada 
jogador vai desempenhar.
Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal10
218 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Bolas coloridas
Durante o jogo formal do futebol ou do futsal, o professor introduz mais de 
uma bola com cores diferentes, sendo que para cada uma será possível executar 
uma ação motora específica, por exemplo, a vermelha indica condução e a 
azul indica o passe. Esse tipo de variação faz com que os alunos empreguem 
maior atenção a sua participação e, ainda assim, estabeleçam coletivamente 
funções para os jogadores a partir da cor das bolas.
Compreensão sobre o uso de regras
Tipos de infrações
Antes de iniciar o jogo, os alunos irão elencar infrações disciplinares e téc-
nicas que serão evidenciadas durante o jogo. Estas podem ser alteradas e/ou 
reconstruídas desde que essa decisão seja efetivada coletivamente.
Jogo de juízes
As equipes serão divididas para jogar, contudo, cada equipe também terá um 
juiz e serão esses alunos que tomarão as decisões de utilização das regras 
durante o jogo. Essa função deve ser desempenhada por todos os alunos. 
Destaca-se que as decisões serão tomadas de forma coletiva, já que sempre 
haverá mais de um árbitro organizando o jogo.
É importante que o professor se coloque como mediador do processo de aprendizagem 
quando for utilizar os jogos pré-desportivos no ensino dos valores morais. Caberá ao 
aluno sentir e perceber as ações provadas pelo jogo em suas atitudes e comporta-
mentos. Não cabe ao professor apontar erros, mas sim problematizar as situações que 
emergem de um jogo real. Nessas situações, os alunos são estimulados a contribuir 
com as reflexões e os debates coletivos conduzidos pela mediação do professor no 
sentido de potencializar sua capacidade de análise crítica sobre sua participação e a 
participação dos colegas no jogo.
11Jogos pré-desportivos aplicados ao futebol e ao futsal
Pedagogia do Futebol | UNIDADE 3
Jogos Pré-Desportivos Aplicados ao Futebol e ao Futsal | PARTE 4 219
Papel dos jogos pré-desportivos nos 
treinamentos técnico e tático do futebol e 
do futsal
O trabalho de ensino/treino do futebol e do futsal se fundamenta na proposição 
de exercitar as vivências técnicas e táticas dos jogadores. Em muitos casos, 
esses dois fatores são desenvolvidos pelas suas especificidades de forma não 
relacional, isto é, ainda se busca um desenvolvimento das habilidades técnicas 
para que estas sejam asseguradas em situações táticas de jogo. Para Bettega 
et al. (2018), no desenvolvimento de treinos de futebol, os treinadores devem 
assumir uma perspectiva de trabalho e a construção das atividades não deve 
se pautar em ações com repostas prontas, mas sim em tarefas abertas que 
valorizem a compreensão e a interpretação do sistema complexo e ampliado 
do jogo. 
Para além de saber realizar tecnicamente as tarefas motoras, o jogador 
precisa compreender e analisar como executar uma ou outra ação técnica. 
Esse entendimento ampliado do jogo favorece uma leitura sobre as diferentes 
possibilidades que podem se apresentar para o uso técnico e, por consequência, 
referenda as ações coletivas desses esportes. Sendo assim, a estratégia meto-
dológica deve: “[...] repousar em práticas com elevada variabilidade de cons-
trangimentos, gerando constantes adaptações, possibilidades de descoberta, 
auto aprendizado e contextualizando a técnica com a tática” (BETTEGA et 
al., 2018, p. 112).
A ideia proposta é estabelecida por atividades que possibilitem ao aluno a escolha/
descoberta da melhor ou mais eficaz ação a sernão havia uma organização para a prática esportiva.
Sobre as mudanças causadas pelas leis trabalhistas, Darido e Rangel (2005 
apud SILVA; ZAMBONI, 2010, documento on-line) apontam que: 
[...] esse fato contribuiu para a criação de clubes esportivos, o que influen-
ciou diretamente na cultura, pois nesses espaços eram discutidos assuntos 
políticos e culturais. Festividades eram organizadas e competições de caça, 
corrida, boxe, lutas eram comuns. Surgia o esporte com fins educativos, 
recreativos e sociais.
No início do século XIX, na Inglaterra, o esporte torna-se um estilo de vida 
e passa a ser ensinado em escolas, clubes e associações, sendo considerado 
um meio para promover a educação por meio de jogos esportivos, seguindo 
critérios de organização, regras, técnicas e padrões de conduta (GOIS JR., 
2015). Entre os esportes que ganharam destaque estão o atletismo, o futebol, 
o rúgbi, o tênis, o boxe, a natação e a patinagem desportiva.
Thomas Arnold criou o esporte propriamente dito e o introduziu nas es-
colas, bem como estabeleceu regras e formas precisas de organização para as 
associações desportivas, os clubes universitários, confiando a sua organização 
aos alunos. O esporte tinha, então, características educacionais e socializantes, 
como a cooperação, a perseverança, a tomada de iniciativa, o respeito às regras 
e ao adversário (GOIS JR., 2015).
3Estudo da cultura esportiva
gilia
Destacar
gilia
Destacar
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Destacar
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 27
Os esportes passam a ter relação com o corpo, deixando-o “[...] mais equi-
librado, neoclássico, saudável e higiênico [...]” (GOIS JR., 2015, p. 377). Além 
disso, permitiam que as pessoas se divertissem, esquecendo as pressões do 
estudo e do trabalho de forma educativa, aprendendo uma nova ética, mas 
também aumentando sua eficiência para a competição, um tema em voga para 
o liberalismo (HOLT; VIGARELLO, 2008). Outro uso do esporte foi para a 
socialização por meio da massificação em escolas públicas, dando a ideia de 
pertencimento quando o jovem participava de competição representando sua 
empresa, igreja ou associação.
No fim do século XIX, o esporte inglês é exportado e ganha populari-
dade em outros países, e, no início do século seguinte, é integrado às grades 
curriculares em todo o mundo, sendo considerado como o maior fenômeno 
sociocultural do século XX, devido ao espaço e à importância que tem na 
sociedade (TUBINO, 2001). Além das práticas de lazer, a massificação do 
esporte deve-se ao esporte de rendimento, que, segundo Bracht (2011), é o 
grande influenciador e determinante para as práticas esportivas como forma 
de lazer, tornando o esporte globalizado.
Segundo Pillati (1999 apud ROSSETO JR., 2014), a globalização do esporte 
supera as barreias de gêneros, crenças religiosas, linguagem e etnias e é a única 
atividade humana a mobilizar mais de 2 bilhões de pessoas em um evento. 
Silva e Zamboni (2010) apontam que o esporte tem essa relevância porque 
movimenta a indústria do lazer, do turismo, do vestuário e, evidentemente, dos 
equipamentos esportivos. Além disso, há destaque para a pesquisa científica, 
produtos alimentícios e estudos sobre aptidão física e de desempenho. 
Rosseto Jr. (2014) aponta que o esporte se tornou um grande produto midiático, 
passando a ser comercializado, em grande escala, mundialmente. Por exemplo, 
hoje, há transmissões de grandes eventos esportivos mundiais, como a Copa 
do Mundo de Futebol, os Jogos Olímpicos, a final do Super Bowl ou da NBA e 
as corridas de Fórmula 1. Além disso, as modalidades criam ídolos, despertam 
emoções e geram uma grande receita para a indústria esportiva. Desse modo:
O esporte moderno e a globalização são fenômenos que estão assentados 
no desenvolvimento científico e tecnológico, no surgimento das metrópo-
les, no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos meios de comunicação e de 
transportes que começam a formar um mercado das nações; o aumento do 
tempo livre e do lazer; e a revolução burguesa. Este contexto possibilitou 
maior democracia e confrontos esportivos entre as nações. O esporte passou 
a envolver quantias elevadas de capital, arrastar multidões de espectadores, 
criar ídolos, mitos, intermediários culturais (cronistas, jornalistas, etc.) e 
vincular-se ao consumo de bens, produtos e serviço (SOARES et al., 2007, 
p. 69 apud ROSSETO JR., 2014, p. 51).
Estudo da cultura esportiva4
28 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Esse processo cultural também influenciou, de forma efetiva, no estilo 
de vida do grande público, estabelecendo uma relação entre saúde e prática 
esportiva. Silva e Zamboni (2010) apontam que isso é visível a partir do culto 
ao corpo. Os autores apontam, ainda, que essa “cultuação” pode ser positiva 
quando a pessoa implementa um estilo de vida ativo, longe do consumo de 
drogas lícitas ou ilícitas, afastando-se do sedentarismo, causador de algumas 
doenças, como as doenças cardiovasculares. No entanto, esse culto ao corpo 
pode trazer malefícios, visto que o hedonismo pode fazer a pessoa sofrer de 
bulimia ou anorexia. 
Por fim, valendo-se das palavras de Silva e Zamboni (2010, p. 1050), o 
esporte é um assunto tão relevante que nele está impregnado conteúdos de 
interesse cultural, como: 
[...] padrão de beleza e saúde dominantes na sociedade, a exclusão e discrimi-
nação social daqueles que não se enquadram nos padrões determinados pela 
mídia, ética do esporte profissional, discriminação sexual e racial dentro do 
esporte e na sociedade são colocados em discussão [...].
Cultura esportiva alternativa
O esporte, historicamente, integra o currículo do curso de educação física de 
todas as universidades. Sua sugestão como conteúdo desta disciplina também 
se faz presente nos principais documentos que regem a educação brasileira, 
como as resoluções do CONFEF, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) 
e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Apesar de serem bastante disseminados nas aulas de educação física, os 
esportes apresentados aos alunos, muitas vezes, se limitam aos tradicionais, 
como futebol, futsal, voleibol, basquete, handebol e atletismo. Embora sejam 
importantes, esses esportes acabam tornando a aula rotineira, pois, durante 
anos de estudos, o discente só aprende as mesmas modalidades. Isso também 
se vê nas grades curriculares de universidades brasileiras, visto que poucos 
esportes, além dos citados, são estudados por futuros professores.
A partir desses fatos, a cultura esportiva alternativa é uma possibilidade para 
as aulas de educação física. Mas do que se trata essa cultura esportiva? Além 
de possibilitar o ensino de outras opções de esporte, representa a resistência 
à hegemonia dos esportes tradicionais. Fermino e Fermino (2018) explicam 
que os esportes alternativos são os considerados não clássicos, não explorados 
no campo midiático e profissional.
5Estudo da cultura esportiva
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 29
Segundo Pimentel et al. (2017), o termo esporte alternativo é bastante 
polissêmico, pois abarca uma quantidade de práticas esportivas que podem 
receber essa classificação. Sua grande serventia é trazer novas possibilidades 
aos professores, em contraponto aos esportes institucionalizados, aumentando 
o leque de opções de esportes a serem desenvolvidos em aula.
Como visto, vários esportes pertencem a essa classificação. Costa e Nascimento (2006 
apud FERMINO; FERMINO, 2018) citam como exemplo de esportes alternativos a capo-
eira, as escaladas, o badminton, entre outros. Pimentel et al. (2017) dão outros exemplos, 
como: ginásticas orientais (p. ex., Chi Kung, Tai Chi, Shiatsu), esportes adaptados, práticas 
tradicionais pouco praticadas (p. ex., peteca, corrida de toras) e esportes de aventura.
Uma questão importante citada por Pimentel et al. (2017) é que os concei-
tos de culturas esportivas alternativa e tradicional são variáveis conforme alocalidade. Por exemplo, enquanto no Brasil o futsal é considerado um esporte 
tradicional e a yoga é considerada um esporte alternativo, na Índia, tem-se 
uma situação inversa, visto que a yoga é um esporte convencional.
Sobre o ensino das atividades alternativas, um estudo realizado pela UNIPÊ 
(2008) evidenciou a importância dessas práticas, visto que houve um aumento 
na participação dos alunos nas aulas de educação física devido ao ensino de 
duas modalidades: tênis de mesa e badminton.
Rodoy (2016, p. 6) sublinha que “[...] ensinar esportes alternativos pode 
representar uma ação espontânea, interação, o preparo do aluno para executar 
determinadas habilidades por meio da descoberta do prazer de se exercitar sem 
a obrigatoriedade competitiva [...]”. Em consonância com essa ideia, Pimentel 
et al. (2017) afirmam que esses temas, quando abraçados por um profissional 
que planeja e pensa o seu trabalho, rompem com a lógica do “rola bola”, ainda 
tão recorrente na educação física.
A seguir, serão apresentadas algumas atividades relacionadas à cultura 
esportiva alternativa que podem ser utilizadas nas aulas de educação física.
Estudo da cultura esportiva6
30 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Capoeira
Segundo Silva e Darido (2017), entre os aspectos essenciais a serem ensinados 
sobre a capoeira estão a origem, o histórico, as vertentes, os instrumentos, 
os elementos e a roda. 
A capoeira é provavelmente nativa dos quilombos brasileiros, a qual era 
utilizada como meio de defesa dos escravos (VIDOR; REIS, 2013). A ideia foi 
disfarçar a luta em forma de dança para se defender das agressões sofridas. 
No entanto, antes de virar uma expressão cultural, a capoeira foi duramente 
perseguida pela polícia. No século XIX, no período imperial (1808–1889), a ca-
poeira era presença frequente nas páginas policiais dos jornais da Corte. Silva, 
Oliveira e Morais (2008, p. 51) aponta que, durante muito tempo, a capoeira 
foi “[...] estigmatizada, estereotipada, marginalizada, criminalizada e objeto 
de controle social, pelo Estado brasileiro, escravista e racista [...]”. Segundo o 
autor, os negros capoeiristas eram estereotipados como vagabundos que não 
trabalhavam, mas apenas dançavam nas rodas de capoeira (SILVA, 2016).
No fim do século XIX, a partir da década de 1870, a pressão para que a 
capoeira fosse criminalizada aumentou. Em 1890, o artigo 402, sobre “vadios e 
capoeiras”, do novo Código Penal, tornava criminoso quem praticava capoeira. 
No entanto, Vidor e Reis (2013, p. 18) sublinham que, no início do século XX, 
“[...] alguns intelectuais e militares cariocas passaram a ver a capoeira como 
uma ‘luta nacional’ e uma ‘excelente ginástica’, que deveria ser ensinada ‘nos 
colégios, quarteis e navios’ de todo o país [...]”. 
A afirmação da capoeira ocorreu na Bahia, como um “jeito negro” de 
praticar, por meio de duas escolas: a Capoeira Regional, de Mestre Bimba, e 
a Capoeira Angola, de mestre Pastinha:
O estilo Angola, mais tradicional e de origem africana, seria uma variação 
da dança ritual chamada n'gol, praticada pelo povo Mucope, originário do 
sul da África, em território pertencente hoje a Angola. Nesse estilo, os opo-
nentes se enfrentam com golpes de pés usando o apoio das mãos, cercado 
por observadores que formam uma roda. Esse estilo caracteriza-se pela maior 
valorização do gingado do corpo e por uma sequência de passos de chão. O 
outro estilo é o Regional, criado no Brasil e fortemente difundido por mestre 
Bimba. Esse estilo valoriza os movimentos acrobáticos e os grandes saltos. 
Nos dois casos o ritmo combate/jogo é marcado ao som de palmas e de ins-
trumentos musicais como o pandeiro, atabaque, caxixi, agogô e o principal 
deles, o berimbau (TELLES; MELO, 2013, p. 21). 
7Estudo da cultura esportiva
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Destacar
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Destacar
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Destacar
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 31
Entre os elementos do jogo, destacam-se: a roda, o lugar onde ocorre o jogo 
e onde os jogadores se expressam, sendo que jogam dois por vez. O responsável 
pela roda é o mestre de capoeira, autoridade máxima do jogo (VIDOR; REIS, 
2013). O combate se inicia com os jogadores se benzendo e levando a mão ao 
chão, quando também tocam o berimbau:
Em seguida, dão-se as mãos e fitam-se mutuamente, aguardando que o tocador 
do berimbau berra-boi o incline sobre a cabeça deles. O berimbau, além de sua 
notabilidade como principal instrumento da orquestra musical da capoeira, é 
representado também como a maior autoridade da roda de capoeira, uma vez 
que a ordem para entra nela - e, muitas vezes, para sair - é por ele emitida. 
Esse gesto de inclinação do berimbau é visto pelos capoeiristas como uma 
autorização ou uma benção para seu ingresso na roda. A partir desse momento, 
como todos os capoeiristas sabem, o máximo cuidado é pouco, pois tudo pode 
acontecer (VIDOR; REIS, 2013, p. 77).
Entre os instrumentos da capoeira, destaca-se o berimbau, em número de 
três em cada roda, com funções diferentes. São os berimbaus que definem 
o estilo do jogo (Regional ou Angola) e impõem o seu andamento. Na roda, 
o berimbau é acompanhado por um atabaque, um pandeiro, um agogô e um 
reco-reco (VIDOR; REIS, 2013). Cabe ressaltar que a capoeira é o único 
jogo-luta que se utiliza de instrumentos musicais.
Sobre os movimentos, Silva e Darido (2017) apontam que a capoeira se 
caracteriza por ser uma prática de movimentos contínuos e circulares, fluídos 
um após o outro, visto que há o ataque e a defesa. Entre os principais movi-
mentos da capoeira estão: a ginga, a benção, a meia-lua de frente, o martelo, 
as esquivas, o aú e a cocorinha. Todos esses elementos são utilizados na roda, 
onde o jogo entre dois capoeiristas ocorre e os demais tocam e batem palmas. 
Com a Lei nº 11.639, em 2003, a capoeira passa a ser vista como um recurso 
pedagógico para se trabalhar o ensino da história e da cultura afro-brasileira 
nas escolas. Contudo, a capoeira ainda encontra muitas dificuldades para 
constar como conteúdo curricular nas escolas, devido ao preconceito e à falta 
de conhecimento (SILVA, 2007). 
Badminton
Outro esporte que tem ganhado espaço como cultura alternativa é o badminton. 
Essa modalidade tem origem indiana e era conhecida como poona. De acordo 
com Ginciene e González (2017), devido à colonização inglesa, no século 
XVI, esse esporte difundiu-se pela Europa. Segundo os autores, esse esporte 
Estudo da cultura esportiva8
32 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
tem bastante adeptos no Brasil, devido à facilidade que o aprendiz tem para 
executar os movimentos logo no início dos ensinamentos. Além disso, é uma 
modalidade que se adapta bem aos espaços físicos das escolas, pois necessita 
de dimensões relativamente pequenas.
O objetivo do badminton é rebater a peteca sobre a rede para que ela to-
que o solo da quadra adversária. O jogo é dividido em sets, sendo declarado 
vencedor aquele que alcançar 21 pontos corridos e vencedor da partida aquele 
que somar dois sets. Assim como no vôlei, é necessário abrir dois pontos de 
vantagem para vencer, no entanto, o badminton apresenta um limite máximo 
de 30 pontos.
Ginciene e González (2017, p. 65) destacam que o badminton “[...] pro-
move o desenvolvimento cultural, traz a possibilidade de diferentes práticas 
de movimento ainda pouco conhecidas no Brasil, além do desenvolvimento 
educacional, com ações de fair play e coeducação necessárias ao bom an-
damento do jogo [...]”. Caso não possua o material oficial, é possível que o 
professor confeccione as raquetes e a peteca de formas muito simples, sendo 
este, portanto, um esporte de baixo custo e de fácil aplicação. 
Esportes de aventura
Os esportes de aventura são práticas corporais que vêm ganhando muitos 
adeptos no mundo inteiro, inclusive entre crianças e adolescentes. No Brasil, 
alguns desses esportes são bastante populares, como no caso do skate, que 
está presente em quase 3,2 milhões de domicílios. Outra modalidadebastante 
popular é o surfe, pioneira das práticas corporais de aventura, com números 
similares de praticantes do skate (FRANCO; CAVASINI; DARIDO, 2017).
Essas práticas de aventura sempre existiram, porém não eram denomi-
nadas esporte pois, no início, não tinham essa finalidade. Hoje, os esportes 
de aventura podem ser classificados por local — terra, água ou ar — onde 
ocorrem as atividades.
 � Exemplos de esportes na terra: corrida de aventura, arvorismo, escalada, 
mountain bike, skate e slackline. 
 � Exemplos de esportes na água: canoagem, rafting, mergulho e surfe. 
 � Exemplos de esportes no ar: asa delta, balonismo, bungee jump, para-
quedismo e tirolesa.
9Estudo da cultura esportiva
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 33
Para o ensinamento dessas práticas, o professor necessita ter alguns cuida-
dos, geralmente relacionados com os riscos. De acordo com Franco, Cavasini 
e Darido (2017, p. 144):
As práticas corporais de aventura possuem forte relação com os riscos, gerando 
a demanda por esforços estruturados que superem a simples intencionalidade 
de promover práticas seguras. Portanto, torna-se relevante a compreensão 
destes riscos, que podem ser conceituados como o efeito das incertezas sobre 
os objetivos estabelecidos e variam de acordo com cada atividade, também 
podendo ser subjetivos, quando relacionados às percepções dos praticantes, ou 
reais, quando relacionado aos riscos existentes em determinados momentos. 
A presença de riscos não impede a realização das práticas corporais de aven-
tura, pois os riscos são inerentes a estas atividades e se relacionam a aspectos 
potenciais e motivacionais, entretanto, geram a necessidade de abordagens 
específicas de gerenciamento. Estas abordagens podem ser compreendidas 
como um conjunto coordenado de atividades e métodos, os quais buscam 
controlar os riscos que podem afetar a capacidade de atingir os objetivos 
estabelecidos.
Para suprir os possíveis riscos, são necessárias algumas medidas, como 
conhecer o local e saber quais os incidentes possíveis, para reduzir as pro-
babilidades de que um acidente ocorra. Os esportes de aventura também 
são importantes para a compreensão, a valorização e a preservação do meio 
ambiente.
Para conhecer sobre a cidade de Socorro/SP, bastante conhecida pelos esportes de 
aventura, assista ao vídeo disponível no link a seguir.
https://qrgo.page.link/n9rNW
Manifestações da cultura esportiva por 
diferentes segmentos sociais 
Como visto, o esporte é um fenômeno sociocultural que está presente em todos 
os segmentos sociais. Desse modo, fazer uma análise do alcance da cultura 
esportiva é algo bastante complexo, pois é uma vertente que ainda carece de 
Estudo da cultura esportiva10
34 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
pesquisas. No entanto, a saber, tem-se esportes reconhecidamente populares, 
como o futebol, o voleibol, o basquete e o handebol, e esportes direcionados a 
um público mais específico, como o tênis, o golfe e o hipismo, que são esportes 
que atingem um segmento elitizado. 
Ao analisar o caso do Brasil, percebe-se que o esporte tem bastante se-
guidores, como o caso do futebol, porém, apesar de estar impregnado em 
nossa cultura, o mesmo não se ocorre nas condutas de práticas esportivas. 
A última pesquisa do IBGE, realizada no ano de 2017, aponta que mais de 
60% da população não pratica nenhuma modalidade esportiva (Figura 1).
Essa pesquisa aponta também que o perfil do público que se envolve mais 
com as atividades da cultura esportiva são homens mais jovens e população 
com maior escolaridade e de maior renda. Por meio dos dados do IBGE, pode-se 
analisar que a prática esportiva alcança pessoas com maior escolaridade, logo, 
supõe-se que são pessoas que têm maiores informações sobre a importância 
do esporte para o estilo de vida. Quanto ao gênero, o IBGE aponta que a prá-
tica de esporte entre os homens (31,7%) foi muito superior à observada entre 
as mulheres (16,9%). A região que apresentou taxas mais próximas quanto 
a homens (34,1%) e mulheres (21,9%) foi a Centro-Oeste. A maior taxa de 
praticantes de esporte foi registrada entre os homens da Região Norte (36,0%), 
ao passo que a menor, entre as mulheres da Região Nordeste (14,2%).
Figura 1. Pesquisa do IGBE de 2017 sobre a prática esportiva no Brasil.
Fonte: G1 (2017, documento on-line).
11Estudo da cultura esportiva
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 35
O estado do Amazonas é o que tem mais “esportistas”, com 32,2% da população 
pesquisada, ao passo que o Rio de Janeiro aparece percentualmente em último lugar, 
com 18,9%. 
No que se refere ao nível de instrução, quanto mais escolarizada a popu-
lação, maior o percentual de pessoas que praticavam algum esporte. Para as 
pessoas com menor escolaridade, a média nacional foi de 9%, ao passo que 
para aquelas com nível superior completo foi de 35,1%. Na análise da prática 
de esporte por rendimento mensal domiciliar per capita, observou-se que, na 
classe que recebe 1 ou menos de 2 salários mínimos, 22,9% das pessoas pra-
ticaram algum esporte, ao passo que na classe que recebe 5 salários mínimos 
ou mais, 39,8% o fizeram (IBGE, 2017).
Quanto ao principal esporte praticado no Brasil, o futebol foi o vencedor, 
sendo a preferência de 39,3% da população. Pode-se dizer, então, que esse 
esporte é o mais praticado no país, pois ficou na primeira colocação em todas 
as regiões: Região Norte (55,9%), seguida pelas Regiões Nordeste (48,8%), 
Sul (35,1%) e Sudeste (33,3%), e, por fim, a Região Centro-Oeste (32,9%).
Na sequência dos esportes mais praticados pela população brasileira, 
tem-se: ciclismo e ginásticas rítmica e artística (3,2%); lutas e artes marciais 
(3,1%); e voleibol, handebol e basquetebol com 2,9% cada. Outros esportes, 
como natação, atletismo, esportes de aventura, paradesporto e skate, foram 
lembrados por 14,1% dos brasileiros.
Na divisão por sexo, o futebol segue sendo mais praticado por homens, 
visto que 94,5% dos praticantes entrevistados pertencem ao sexo masculino. 
Na sequência da prática esportiva masculina estão o ciclismo, as lutas e o 
atletismo. Já as mulheres apresentam a dança como modalidade preferida, 
vindo na sequência a ginástica artística, sendo esta, então, o esporte mais 
praticado, uma vez que a dança não é considerada um esporte.
Outro dado importante é quanto à localização: 33,7% dos praticantes 
pagam para realizar o esporte escolhido em locais privados. Já em relação à 
frequência, conforme apresentado no Quadro 1, na amostra total, 26,3% dos 
brasileiros praticam esportes quatro ou mais vezes por semana e 43% praticam 
por mais de uma hora. 
Estudo da cultura esportiva12
36 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Gênero 
associado à 
frequência 
da prática 
de esporte
Distribuição das pessoas com idade a partir 
de 15 anos que praticaram algum esporte, 
no período de referência de 365 dias (%)
Brasil
Grandes regiões
Norte Nordeste Sudeste Sul
Centro-
Oeste
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Menos de 
uma vez por 
semana
7,8 10,4 6,7 7,7 8,6 6,8
Uma vez por 
semana
21,4 19,9 20,9 20,9 26,6 16,9
Duas vezes 
por semana
20,9 21,4 18,9 21,5 21,6 21,5
Três vezes 
por semana
23,6 23,6 23,5 23,8 21,7 27,0
Quatro vezes 
por semana 
ou mais
26,3 24,7 29,9 26,0 21,5 27,8
Homens 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Menos de 
uma vez por 
semana
9,5 11,1 8,3 10,0 10,3 7,7
Uma vez por 
semana
27,7 23,5 26,6 28,1 33,7 23,2
Duas vezes 
por semana
20,5 22,2 20,6 19,6 20,8 22,1
Três vezes 
por semana
19,7 20,5 19,8 19,6 17,7 22,6
Quatro vezes 
por semana 
ou mais
22,6 22,6 24,7 22,7 17,6 24,4
Quadro 1. Frequência e duração da prática esportiva
(Continua)
13Estudo da cultura esportiva
Conhecendo o Esporte | UNIDADE 1
Estudo da Cultura Esportiva | PARTE 2 37
Fonte: Adaptado de IBGE (2017).
Gênero 
associado à 
frequência 
da prática 
de esporte
Distribuição das pessoascom idade a partir 
de 15 anos que praticaram algum esporte, 
no período de referência de 365 dias (%)
Brasil
Grandes regiões
Norte Nordeste Sudeste Sul
Centro-
Oeste
Mulheres 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Menos de 
uma vez por 
semana
4,8 8,8 3,6 4,1 6,1 5,6
Uma vez por 
semana
10,5 12,3 9,7 9,2 15,7 7,9
Duas vezes 
por semana
21,5 19,6 15,7 24,6 22,8 20,6
Três vezes 
por semana
30,4 30,0 30,9 30,6 27,8 33,4
Quatro vezes 
por semana 
ou mais
32,7 29,3 40, 31,5 27,6 32,6
Quadro 1. Frequência e duração da prática esportiva
(Continuação)
Assim, pode-se perceber que, entre os homens, a maior prevalência é de 
uma vez por semana (27,7%), sendo que 50,4% praticam por mais de uma hora. 
Já as mulheres costumam praticar quatro vezes ou mais (32,7%) por semana, 
mas com uma duração menor, visto que 47,9% praticam de 40 minutos a uma 
hora por vez (IBGE, 2017).
Estudo da cultura esportiva14
gilia
Destacar
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Estudo da cultura esportiva16
40 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
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17Estudo da cultura esportiva
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PREZADO ESTUDANTE
Parte 3
Pedagogia do Esporte Aplicada 
às Práticas Inclusivas
 
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unidade 
1
V.1 | 2021
42 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES I 
Pedagogia do esporte 
aplicada às práticas 
inclusivas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir as práticas pedagógicas inclusivas aplicadas ao esporte em 
geral.
 � Reconhecer o papel pedagógico do esporte.
 � Elaborar propostas de inclusão por meio do esporte.
Introdução
O esporte pode ser definido como uma ação social institucionalizada, 
constituída por regras e que se dá a partir do desenvolvimento lúdico. No 
formato de competições, entre dois ou mais adversários ou oponentes, 
e pela comparação dos níveis de desempenho, define-se alguém que 
obtém a vitória ou registra um recorde. E as finalizações dos jogadores 
resultam das habilidades e competências próprias utilizadas (BETTI, 1991; 
DARIDO; RANGEL, 2011).
Na condição de um elemento cultural e estando diretamente rela-
cionado ao movimento, o esporte tem como objetivo incluir o aluno/
jogador, o que exige uma tratativa didática e pedagógica adequada tanto 
na escola quanto em outras instituições da sociedade, que se caracterizam 
como ambientes importantes para discutir e promover ações esportivas 
em geral (DARIDO; RANGEL, 2011).
Neste capítulo, você definirá práticas pedagógicas inclusivas aplicadas 
ao esporte em geral, reconhecerá o papel pedagógico do esporte e, 
ainda,

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