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Modulo Fundamento de Estudo Ambiental ISCED

Manual do Módulo Fundamentos de Estudos Ambientais da Licenciatura em Gestão Ambiental (2º ano, UnISCED). Inclui visão geral, objetivos, estrutura, avaliação e unidades sobre ciências ambientais, evolução, relações humano-ambiente, problemas e princípios ambientais.

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<p>MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA</p><p>EM</p><p>GESTÃO AMBIENTAL</p><p>MODULO DE FUNDAMENTOS DE ESTUDOS</p><p>AMBIENTAIS</p><p>2022</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais i</p><p>i</p><p>Direitos de autor (copyright)</p><p>Este manual é propriedade da Universidade Aberta ISCED(UnISCED), e contém reservados</p><p>todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob</p><p>quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou</p><p>outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade Aberta ISCED(UnISCED).</p><p>A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais</p><p>em vigor na República de Moçambique.</p><p>Universidade Aberta ISCED (UnISCED)</p><p>Vice-reitoria Académica</p><p>Rua Paiva Couceiro,Macuti</p><p>Beira-Mcc</p><p>Telefone:±25823323501</p><p>Cel:±258823055839</p><p>E-mail: isced@.edu.mz</p><p>Website: www.isced.ac.mz</p><p>mailto:isced@.edu.mz</p><p>http://www.isced.ac.mz/</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais ii</p><p>ii</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais iii</p><p>iii</p><p>Visão geral 5</p><p>Benvindo ao Módulo de Fundamentos de estudos ambientais ......................................... 5</p><p>Objectivos do Módulo ...................................................................................................... 5</p><p>Quem deveria estudar este Módulo .................................................................................. 5</p><p>Como está estruturado este módulo .................................................................................. 6</p><p>Ícones de actividade .......................................................................................................... 7</p><p>Habilidades de estudo ....................................................................................................... 7</p><p>Precisa de apoio? ............................................................................................................ 10</p><p>Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ............................................................................... 10</p><p>Avaliação ........................................................................................................................ 11</p><p>TEMA – I: TIPOLOGIA E EVOLUÇÃO DE ESTUDOS E PROBLEMAS AMBIENTAIS 12</p><p>UNIDADE Temática 1.1. Conceito de ciencias ambientais e do ambiente .................... 12</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 12</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 19</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 20</p><p>UNIDADE Temática 1.2 -Evolução de estudos ambientais ........................................... 21</p><p>Introudução ..................................................................................................................... 21</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 27</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 27</p><p>UNIDADE Temática 1.3- Evolução das relações ser humano e o ambiente .................. 28</p><p>Introudução ..................................................................................................................... 28</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 43</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 44</p><p>UNIDADE Temática 1.4- Conceito e características de problemas ambientais............. 45</p><p>Introudução ..................................................................................................................... 46</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 48</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 48</p><p>UNIDADE Temática 1.5- Alguns princípios ambientais ............................................... 50</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 50</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 52</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 53</p><p>UNIDADE Temática 1.6- Relação das ciências ambientais com outras áreas</p><p>científicas ........................................................................................................................ 54</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 54</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 55</p><p>TEMA II- TEORIAS SOBRE MUDANÇAS AMBIENTAIS 56</p><p>UNIDADE Temática 2.1- Mudanças naturais: Mudanças de configurações de</p><p>continentes, Teoria de evolução estelar, Teoria de Milankovich , Actividades vulcânicas</p><p>Fenómenos El Niño e La Niña ........................................................................................ 56</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 56</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 61</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 62</p><p>UNIDADE Temática 2.2- Mudanças antropogénicas :Teoria Ecomalthusiana, Hipótese</p><p>de Enzensberger e Marxismo ecológico ......................................................................... 62</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais iv</p><p>iv</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 62</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 67</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 68</p><p>Tema 3- Principais tipos de problemas ambientais e desenvolvimento sustentável 68</p><p>UNIDADE Temática 3.1- Efeito de estufa ..................................................................... 68</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 68</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 79</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 80</p><p>UNIDADE Temática 3.2- Camada de ozono: formação, destruição, Impactos e</p><p>possíveis soluções ........................................................................................................... 81</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 81</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 86</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 86</p><p>UNIDADE Temática 3.3- Chuvas ácidas (causas,</p><p>RELAÇÕES HISTÓRICAS ENTRE SOCIEDADE, AMBIENTE E EDUCAÇÃO</p><p>ESTAGIO-SOCIEDADE</p><p>RELAÇÃO HOMEM-</p><p>AMBIENTE</p><p>EDUCAÇÃO</p><p>1. Primeiro estágio:</p><p>Colecta.</p><p>1. Caracteriza-se</p><p>pela submissão à</p><p>Natureza.</p><p>Relações obedecem</p><p>aos ritmos naturais.</p><p>O homem participa</p><p>do fluxo energético.</p><p>Sociedade e Educação</p><p>Características:</p><p>• Sociedade sem</p><p>classes.</p><p>• Educação</p><p>Funcional.</p><p>É espontânea;</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 38</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>38</p><p>2. Segundo estágio:</p><p>Actividades de caça e</p><p>pesca.</p><p>2. O homem age</p><p>como predador.</p><p>Suas actividades</p><p>não perturbam o</p><p>equilíbrio</p><p>ecológico. Profundo</p><p>respeito pela</p><p>Natureza.</p><p>• reflexiva;</p><p>• por presença;</p><p>• união entre</p><p>teoria e</p><p>prática.</p><p>Sujeitos da Educação -</p><p>são todos os</p><p>membros da</p><p>sociedade.</p><p>• Educação</p><p>privilégio do</p><p>homem livre.</p><p>• Separação</p><p>entre teoria e</p><p>prática.</p><p>Nem todos os</p><p>membros da</p><p>sociedade são</p><p>sujeitos de igual</p><p>Educação.</p><p>3. Terceiro estágio:</p><p>Pastoreio.</p><p>3. Marca um</p><p>grande progresso</p><p>do domínio do</p><p>homem sobre a</p><p>Natureza.</p><p>Imprime sensíveis</p><p>modificações à</p><p>paisagem natural.</p><p>4. Quarto estágio:</p><p>Agricultura.</p><p>4.1. Desde as civilizações</p><p>Mesopotâmicas até a</p><p>Idade Média.</p><p>• Economia</p><p>predominantement</p><p>e agrária</p><p>• Pré - capitalismo.</p><p>4. Controle do</p><p>homem sobre a</p><p>natureza.</p><p>• Criação de</p><p>ecossistema</p><p>s artificiais.</p><p>Degradação</p><p>dos</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 39</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>39</p><p>• Sistema filosófico e</p><p>teológico serve de</p><p>base ao sistema</p><p>social.</p><p>• Sociedade dividida</p><p>em classes.</p><p>• Separação do</p><p>trabalho manual e</p><p>intelectual.</p><p>ecossistema</p><p>s naturais.</p><p>• O homem</p><p>esquece seu</p><p>lugar na</p><p>natureza.</p><p>• Crescente</p><p>deterioraçã</p><p>o dos</p><p>recursos</p><p>naturais</p><p>apesar disso</p><p>a velocidade</p><p>de</p><p>regeneração</p><p>equipara-se</p><p>à velocidade</p><p>do</p><p>consumo.</p><p>5. Quinto estágio:</p><p>• Avanço da</p><p>indústria.</p><p>• Revolução</p><p>Industrial.</p><p>• Época Moderna.</p><p>• Surgimento do</p><p>capitalismo.</p><p>• Sociedade</p><p>contratual.</p><p>5. Converte-se em</p><p>relações de</p><p>dominação e</p><p>extração.</p><p>Rupturas no ritmo</p><p>dos processos</p><p>naturais.</p><p>Velocidade de</p><p>regeneração é</p><p>menor que a</p><p>Surgimento da</p><p>Educação Pública.</p><p>Pedagogia da</p><p>Essência. Postula-se a</p><p>igualdade formal</p><p>entre os homens.</p><p>Teoricamente todos</p><p>os membros da</p><p>sociedade seriam</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 40</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>40</p><p>velocidade do</p><p>consumo.</p><p>sujeitos de igual</p><p>Educação.</p><p>6. Sexto estágio:</p><p>Urbanização.</p><p>a) Consolidação do</p><p>capitalismo.</p><p>• Há a divisão de</p><p>custos mas não de</p><p>benefícios.</p><p>• Obtenção de maior</p><p>lucro no menor</p><p>tempo possível.</p><p>b) Imperialismo /</p><p>Multinacionais.</p><p>• Divisão</p><p>Internacional do</p><p>Trabalho entre o</p><p>pensar e o fazer.</p><p>c) Divisão entre países</p><p>centrais e periféricos.</p><p>6.</p><p>Aprofundamento</p><p>das relações de</p><p>dominação e</p><p>exploração.</p><p>• Aumenta a</p><p>velocidade</p><p>de</p><p>exploração.</p><p>Os recursos</p><p>naturais são</p><p>considerado</p><p>s</p><p>propriedade</p><p>privada.</p><p>• A Natureza</p><p>começa a</p><p>manifestar</p><p>seus limites.</p><p>• Aceleração</p><p>da</p><p>deterioraçã</p><p>o. Primeiras</p><p>tentativas</p><p>de reversão.</p><p>• Contradição</p><p>entre</p><p>a) Reformula a Escola,</p><p>não a Sociedade.</p><p>• Pedagogia da</p><p>existência</p><p>legitima as</p><p>desigualdades.</p><p>• Deterioração</p><p>da Escola</p><p>Pública.</p><p>Educação diferencial</p><p>dos membros da</p><p>sociedade por</p><p>factores</p><p>socioeconómicos.</p><p>b) Educação:</p><p>Processos de</p><p>homogeneização</p><p>cultural, como</p><p>necessidade de</p><p>criação de novos</p><p>mercados.</p><p>• Pedagogia</p><p>Tecnicista</p><p>centrada na</p><p>organização.</p><p>• Sujeitos da</p><p>Educação são</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 41</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>41</p><p>factores</p><p>ecológicos e</p><p>económicos</p><p>.</p><p>Deterioração</p><p>ambiental dos</p><p>países periféricos</p><p>com vista a</p><p>recuperação do</p><p>Meio Ambiente nos</p><p>países centrais.</p><p>os que se</p><p>integram ao</p><p>sistema com</p><p>eficácia.</p><p>c) Países centrais:</p><p>• Educação:</p><p>produção de</p><p>conhecimento</p><p>s.</p><p>• Países</p><p>periféricos:</p><p>Educação:</p><p>reprodução de</p><p>conhecimento</p><p>s.</p><p>Teoria da</p><p>desescolarização</p><p>Sujeitos da Educação</p><p>diferenciados de</p><p>acordo com suas</p><p>possibilidades de</p><p>acesso e adequação</p><p>ao sistema.</p><p>Tendências actuais</p><p>Tomada de consciência de</p><p>grandes grupos sociais,</p><p>tanto nos países centrais</p><p>como nos periféricos em</p><p>Aprofundamento</p><p>dos conflitos.</p><p>Busca de soluções</p><p>que conduzam ao</p><p>restabelecimento</p><p>Educação Ambiental</p><p>como enfoque crítico</p><p>da Educação, tanto no</p><p>nível formal como no</p><p>não formal.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 42</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>42</p><p>relação aos problemas</p><p>ambientais.</p><p>Busca dos novos estilos</p><p>regionais, locais e globais</p><p>de desenvolvimento.</p><p>Distribuição dos</p><p>benefícios, não só dos</p><p>custos.</p><p>das relações</p><p>harmónicas entre</p><p>Homem e Natureza.</p><p>Tomada de</p><p>consciência quanto à</p><p>necessidade de</p><p>informação,</p><p>organização e de</p><p>pressão dos grupos</p><p>sociais na exigência de</p><p>seu direito a uma boa</p><p>qualidade de vida em</p><p>função da justiça</p><p>social.</p><p>Sujeitos da Educação</p><p>são todos os membros</p><p>da sociedade de</p><p>acordo com seus</p><p>interesses e</p><p>necessidades</p><p>livremente</p><p>estabelecidas em</p><p>igualdade de</p><p>condições.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 43</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>43</p><p>Sumário</p><p>A última década do século XX ficou marcada pelo reordenamento</p><p>geopolítico do processo civilizacao da humanidade, pela queda do bloco</p><p>socialista, pelo surgimento de uma ordem mundial unipolarizada, fundada</p><p>nos princípios do neoliberalismo economico.</p><p>As posições do pós-modernismo, destacando a importância do</p><p>reconhecimento do valor das diferenças e da pluralidade cultural, são</p><p>factores novos que, aliados à emergência de novos actores sociais, têm</p><p>levado a questão ambiental para o âmbito dos Direitos Humanos, de modo a</p><p>quebrarem-se as sociedades fechadas e a concentração de poder, em defesa</p><p>de sociedades abertas, com um projecto social fundado nos princípios da</p><p>democracia participativa, da distribuição do poder, e da busca de novos</p><p>estilos de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis, autogestionáveis e</p><p>mais humanos (Leff, 1994).</p><p>A sustentabilidade ambiental do sistema global é condição necessária, mas</p><p>não suficiente para a obtenção de um desenvolvimento sustentável do</p><p>sistema humano em toda sua complexidade. A incorporação da dimensão</p><p>social e cultural permite passar da sustentabilidade ecológica à</p><p>sustentabilidade ambiental, o que implica a incorporação de novos conceitos</p><p>temporais, técnicos e economicos-financeiros, ligados à intervenção humana</p><p>na Natureza.</p><p>A insustentabilidade do modelo econômico dominante fica explícita com a</p><p>problemática ambiental: a Resolução da ONU, em 1989, (quando decidiu-se</p><p>realizar a Conferência da Terra na cidade do Rio de Janeiro em 1992),</p><p>sustentava que "a maior causa da deterioração contínua do Meio Ambiente</p><p>Global é o insustentável modelo de produção e consumo, particularmente</p><p>nos países industrializados", enquanto "nos países em desenvolvimento, a</p><p>pobreza e a degradação ambiental estão estreitamente relacionados".</p><p>O conceito de segurança está sendo revisado e não pode ficar separado do</p><p>conceito de meio ambiente. As políticas deverão combinar a preservação dos</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 44</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>44</p><p>recursos naturais e a prevenção da guerra. Os problemas ambientais</p><p>constituem um potencial factor a longo prazo das tensões sociais, e não</p><p>somente um indicador de deficiências políticas e sociais, pois a crise</p><p>ambiental produz sobre os movimentos</p><p>da população a recessão econômica</p><p>e o enfraquecimento dos Estados.</p><p>Os movimentos sociais ambientalistas em defesa do meio ambiente, das</p><p>identidades culturais, da qualidade de vida, da importância da recuperação e</p><p>do aperfeiçoamento das práticas produtivas tradicionais sustentáveis,</p><p>erguem-se como alternativas ante uma ordem econômica internacional</p><p>homogeneizadora de padrões tecnológicos e culturais e centralizadora de</p><p>poder, propondo novas modalidades para o desenvolvimento:</p><p>descentralizadas, variadas, adequadas às condições ecológicas, culturais e</p><p>históricas das diferentes regiões. Familiarizar-se e compreender este</p><p>conjunto de tendências é tarefa imprescindíveis aos docentes para que</p><p>possam efetivamente planificar suas actividades e preparar seus alunos para</p><p>que venham a actuar como agentes sociais transformadores.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>- As comunidades de caçadores possuíam cultos religiosos, nos quais se percebia, com</p><p>facilidade, os fundamentos naturais.</p><p>a) Atraves de exemplos, fundamenta a afirmacao acima</p><p>2- A partir dos conteudos sobre as relacoes historicas entre sociedade, ambiente e</p><p>educação, preencha a tabela abaixo:</p><p>Etapas Caracteristicas das</p><p>relações homem natureza</p><p>Educação</p><p>1ª etapa (coleta) Submissao do Homem aos</p><p>processos, fenomenos,</p><p>Sociedade sem classes.</p><p>Educação Funcional,</p><p>espontânea, reflexa, por</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 45</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>45</p><p>condicoes e recursos</p><p>naturais.</p><p>Relações obedecem aos</p><p>ritmos naturais.</p><p>O homem participa do</p><p>fluxo energético.</p><p>presença e união entre</p><p>teoria e a pratica.</p><p>2ª etapa (pesca e caça)</p><p>3ª etapa (pastporeiro)</p><p>4ª etapa (agricultura)</p><p>5ª etapa (industrializacao)</p><p>6ª etapa (urbanização)</p><p>UNIDADE Temática 1.4- Conceito e características de</p><p>problemas ambientais</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 46</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>46</p><p>Introudução</p><p>A presente unidade temática apresenta a definição de problemas</p><p>ambientais para além dos diferentes elementos que caracterizam os</p><p>problemas ambientais, destacando os aspectos ecológicos, económicos,</p><p>estéticos, culturais, históricos, sociais e políticos. A origem e evolução de</p><p>problemas ambientais deriva da influência de uma diversidade de factores.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>• Definir problemas ambientais</p><p>• Caracterizar os problemas ambientais</p><p>Conceito e características de problemas ambientais</p><p>Problemas ambientais globais constituem uma situação não desejada</p><p>caracterizada por alterações, perda ou redução significativa das</p><p>características originais do meio ambiente, como resultado da influência</p><p>humana pela acção que exerce sobre ele. As alterações ou modificações do</p><p>meio ambiente, constituem problema porque resultam desequilíbrios na</p><p>natureza (desequilíbrio dos ecossistemas pela perda significativa de</p><p>espécies animais e vegetais, desequilíbrio nos solos, desequilíbrio na</p><p>atmosfera caracterizado pelas grandes perturbações atmosféricas, etc.),</p><p>ameaçando a vida no futuro</p><p>Características de problemas ambientais</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 47</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>47</p><p>Os problemas ambientais podem ser diferenciados em dois tipos,</p><p>interligados porém distintos: os problemas ambientais globais (exemplo:</p><p>efeito de estufa antropogénico que resulta no aquecimento global) e os</p><p>problemas ambientais regionais ou locais (esgotamento de recursos locais</p><p>como solos)</p><p>Os problemas ambientais de escala regional ou local podem resultar os de</p><p>escala global. Por exemplo, a devastação de florestas tropicais por</p><p>queimadas para a introdução de pastagens pode provocar desequilíbrios</p><p>nesse ecossistema natural: extinção de espécies animais e vegetais,</p><p>empobrecimento do solo, assoreamento dos rios, menor índice</p><p>pluviométrico, etc., mas a emissão de gás carbónico como resultado da</p><p>combustão das árvores vai colaborar para o aumento da concentração</p><p>desse gás na atmosfera, agravando o "efeito estufa". Assim, os impactos</p><p>localizados, ao se somarem, acabam tendo um efeito também em escala</p><p>global.</p><p>Os problemas ambientais são complexos e dinâmicos. Em princípio os</p><p>problemas ambientais não possuem soluções definitivas.</p><p>Na origem e procura de soluções dos problemas ambientais intervêm os</p><p>aspectos ecológicos, sociológicos, económicos, culturais, estéticos,</p><p>políticos, histórico-geográficos e científicos.</p><p>Aspectos ecológicos: envolvem influências da dinâmica de processos</p><p>naturais.</p><p>Aspectos económicos: financiamento, actividades económicas, população,</p><p>serviços, etc., que originam problemas ambientais mas simultaneamente</p><p>criam condições para soluções.</p><p>Aspectos sociológicos: sociodiversidade (grupos étnicos, classes sociais,</p><p>etc), complexidade, conflitualidade, dinamismo, etc. Derivam de</p><p>comportamentos de indivíduos e de grupos.</p><p>Aspectos estéticos: envolve modificações não desejadas da paisagem,</p><p>organização da paisagem.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 48</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>48</p><p>Aspectos científicos: desafio da interpretação do problema quanto as suas</p><p>origens e consequências. Produção e divulgação científica. A consciência</p><p>sobre o meio ambiente e sua degradação, está ligada a produção científica.</p><p>Aspectos histórico-geográficos: vulnerabilidade de alguns espaços</p><p>geográficos, localização de problemas ambientais em espaços concretos e</p><p>com características específicas.</p><p>Aspectos culturais: estilos de vida que derivam da protecção à culturas</p><p>externas, complexidade do mosaico cultural, processos de uniformização</p><p>cultural, valores, atitudes etc.</p><p>Aspectos políticos: estratégias de implementação das soluções,</p><p>interpretações políticas quer sobre a origem, quer sobre soluções dos</p><p>problemas ambientais.</p><p>Sumário</p><p>A origem e evolução dos problemas ambientais e resultado da interacção</p><p>duma multiplicidade de factores (ecológicos, económicos, sociais, políticos,</p><p>etc) que pode favorecer ou não a sua ocorrência. Por exemplo, a falta de</p><p>recursos financeiros para financiar acções de prevenção e de correcção dos</p><p>impactos ambientais pode provocar a agudização dos problemas. As</p><p>características físico geográficas podem propiciar a ocorrência o não de</p><p>certos problemas ambientais.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 49</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>49</p><p>1- A partir de exemplos, explica como e que uma acção local pode</p><p>provocar problemas ao nível local, regional e global simultaneamente</p><p>2- A partir de exemplos, Explica como e as características físico geográficas</p><p>podem influenciar na ocorrência de problemas ambientais</p><p>Exemplos de respostas</p><p>1- Por exemplo, a devastação de florestas tropicais por queimadas para a</p><p>introdução de pastagens pode provocar desequilíbrios nesse ecossistema</p><p>natural: extinção de espécies animais e vegetais, empobrecimento do solo,</p><p>assoreamento dos rios, menor índice pluviométrico, etc., mas a emissão de gás</p><p>carbónico como resultado da combustão das árvores vai colaborar para o</p><p>aumento da concentração desse gás na atmosfera, agravando o "efeito</p><p>estufa". Assim, os impactos localizados, ao se somarem, acabam tendo um</p><p>efeito também em escala global.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 50</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>50</p><p>UNIDADE Temática 1.5- Alguns princípios ambientais</p><p>Introdução</p><p>O advento de um progresso tecnológico intenso nos tempos hodiernos,</p><p>iniciado na Revolução</p><p>Industrial e intensificado durante o Século XX, fez-se</p><p>acompanhar de um gradual acréscimo da intervenção humana na natureza,</p><p>de forma a afetar cada vez mais o meio ambiente que nos rodeia. O</p><p>transporte eqüino foi substituído por veículos com motores à combustão,</p><p>emitentes de óxidos de carbono; a caça e pesca rudimentares passaram a</p><p>ser feitas desenfreadamente, buscando maior satisfação lucrativa coadune</p><p>com o mercado capitalista, levando espécies a extinção; florestas foram</p><p>arrasadas e rios poluídos, tudo decorrente da mesquinha busca humana por</p><p>auto-satisfação plena, fechando os olhos para o mal que paralelamente fez</p><p>a si mesmo.</p><p>Neste contexto preocupante, governantes e visionários passaram a</p><p>questionar a extensão dos malefícios decorrentes destas atividades,</p><p>criando os alicerces da proteção ambiental. Entretanto, orientações e</p><p>avisos, visando à disseminação informativa preconizadora comportamento</p><p>mais adequado dos cidadãos, não foram suficientes para frear a sede</p><p>lucrativa e ambiciosa do ser humano, necessitando de uma ação estatal</p><p>normativa e executiva para que se confira ao meio ambiente a proteção a</p><p>que ele faz jus, seja o natural, o artificial ou o cultural.</p><p>Desta forma, surgiu o Direito Ambiental, recurso competente para tutelar</p><p>o meio ambiente, em todas suas espécies, da agressão humana, tentando</p><p>fazer nossos descendentes disporem de condições análogas às que nos são</p><p>oferecidas, buscando um desenvolvimento sustentável. Como disciplina</p><p>autônoma que é, o Direito Ambiental rege-se por princípios próprios,</p><p>eficazes no combate à interferência lesiva humana na natureza,</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 51</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>51</p><p>constituindo eles a base das demais normas reguladoras deste ramos</p><p>jurídico, sendo estas seus sucedâneos.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>• Descrever os principios ambientais</p><p>Alguns princípios ambientais</p><p>Prevenção ou Precaução</p><p>Significa desenvolvimento sem destruição. Prevenção e controlo da</p><p>poluição, erosão, Calamidades naturais, uso de matérias e energias</p><p>eficientes</p><p>Equivalência ou equilíbrio</p><p>Conhecido também como princípio do custo/benefício, é aquele pelo qual</p><p>devem ser pesadas todas as implicações de uma intervenção no meio</p><p>ambiente, buscando-se adoptar a solução que melhor concilie um</p><p>resultado globalmente positivo.</p><p>Participação</p><p>Importante afirmar que não se pode admitir segredos em questões</p><p>ambientais, pois afectam a vida de todos. Tudo deve ser feito,</p><p>principalmente, pelo Poder Público, com a maior transparência possível,</p><p>de modo a permitir a participação na discussão dos projectos e problemas</p><p>dos cidadãos de um modo geral.</p><p>Cooperação</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 52</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>52</p><p>Significa dizer que todos, tanto o Estado quanto a sociedade, devem</p><p>colaborar para a implementação da legislação ambiental, pois este não é</p><p>só papel do governo ou das autoridades, mas de cada um de todos nós. É</p><p>onde o Estado tem a obrigação de fiscalizar e punir, mas em contra partida</p><p>a sociedade tem a obrigação de auxiliar a fiscalização enfatizando a</p><p>obrigação de não poluir o meio ambiente</p><p>Poluidor-pagador</p><p>Num sentido impositivo o princípio significa o dever estatal de cobrar do</p><p>poluidor contribuições públicas em função de sua actividade</p><p>objectivamente poluidora de forma a fazê-lo arcar com o custo dos serviços</p><p>públicos gerais ou específicos necessários à preservação e recuperação</p><p>ambiental.</p><p>O princípio determina prioritariamente ao Poder público que gradue a</p><p>tributação de forma a incentivar actividades, processos produtivos ou</p><p>consumos ecologicamente correctos, e desencorajando o emprego de</p><p>tecnologias não sustentáveis.</p><p>Sumário</p><p>As normas constitucionais são dotadas de diferentes graus de eficácia e a</p><p>sua existência e aplicação obedecem a uma hierarquia no sistema</p><p>constitucional. Essa estrutura da Constituição se apóia justamente nos seus</p><p>princípios fundamentais, e nenhuma norma está autorizada a violar os</p><p>alicerces desse edifício jurídico, sob pena deste desmoronar. E mesmo os</p><p>diversos princípios guardam relação de subordinação entre si, onde os</p><p>princípios maiores ditam as diretrizes para os menores, harmonizando todo</p><p>o sistema jurídico-constitucional.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 53</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>53</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Através de exemplos, explica como pode ser aplicado o princípio de</p><p>participação e de poluidor pagador.</p><p>2- A partir de exemplos explica as limitações da aplicação do princípio</p><p>poluidor pagador</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 54</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>54</p><p>UNIDADE Temática 1.6- Relação das ciências ambientais</p><p>com outras áreas científicas</p><p>Introdução</p><p>Qualquer área científica, para esclarecimento de fenómenos e processos</p><p>relativos a sua área de análise precisa de subsídios de outras áreas de saber</p><p>como indispensáveis para a compreensão dos processos. Nesta unidade</p><p>temática, são apresentados alguns exemplos de relações de</p><p>interdependência entre os estudos ambientais e outras áreas afins.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Estabeler alguns exemplos das relacoes entre ciencias ambientais</p><p>com outras areas afins</p><p>Relação das ciências ambientais com outras áreas científicas</p><p>Relação biologia – estudos ambientais</p><p>O biólogo procura o ambientalista para saber as mudanças ambientais que</p><p>ocorrem no meio que poderão influenciar na evolução dos organismos</p><p>vivos, e por sua vez o ambientalista pode procurar o biólogo para saber dos</p><p>processos desencadeados pelos seres vivos e que de certa maneira pode</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 55</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>55</p><p>influência em mudanças do meio ambiente.</p><p>Relação Antropologia – estudos ambientais</p><p>Certos hábitos, costumes, crenças influência de certa maneira nas</p><p>mudanças significativas do meio ambiente. Importa salientar que existem</p><p>aspectos culturais positivos a incentivar e negativos a desencorajar.</p><p>Relação História – estudos ambientais</p><p>Um ambientalista procura um historiador para saber a história de um</p><p>determinado lugar, sua evolução com o tempo, etc. Considerando que a</p><p>história baseia-se no estudo do Homem no tempo, é importante esclarecer</p><p>que a evolução do Homem contribui de uma forma decisiva na modificação</p><p>do estado do meio ambiente, como é o caso da evolução tecnológica,</p><p>revolução industrial e agrícola que o ambiente tem sofrido problemas</p><p>devido a poluição provocada pelos mesmos através da emissão dos gases,</p><p>poeiras e produtos nocivos, prejudiciais ao meio ambiente natural.</p><p>Sumário</p><p>O esclarecimento de fenómenos ou processos de qualquer área científica</p><p>precisa de empréstimo de conhecimentos de outras áreas. Por exemplo,</p><p>para explicar melhor os impactos ambientais sobre os solos a partir duma</p><p>determinada actividade, primeiro precisa conhecer as propriedades físicas,</p><p>químicas e biológicas do solo e estas informações só pode recorrer a</p><p>pedologia.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 56</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>56</p><p>1- Através de exemplos explica a relação de interdependência entre</p><p>estudos ambientais e a Geografia</p><p>TEMA II- TEORIAS SOBRE MUDANÇAS AMBIENTAIS</p><p>UNIDADE Temática 2.1- Mudanças naturais: Mudanças de</p><p>configurações de continentes, Teoria de evolução estelar,</p><p>Teoria de Milankovich , Actividades vulcânicas</p><p>Fenómenos</p><p>El Niño e La Niña.</p><p>Introdução</p><p>A terra, desde a sua origem conheceu sucessivas alterações sob influência</p><p>duma diversidade de factores. Nesta unidade faz-se abordagem das teorias</p><p>explicativas das mudanças ambientais que ocorrem naturalmente, sem a</p><p>influência das acções antropogénicas. Destacam as mudanças</p><p>protagonizadas pela Mudanças de configurações de continentes, Teoria de</p><p>evolução estelar, Teoria de Milankovich, Actividades vulcânicas e</p><p>Fenómenos El Niño e La Niña.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 57</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>57</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Conhecer as bases teóricas sobre as mudanças ambientais</p><p>▪ Descrever teorias ou modelos científicos sobre as mudanças</p><p>ambientais naturais</p><p>Teorias sobre mudanças ambientais</p><p>Existe um grande embate quanto às causas das mudanças climáticas no</p><p>planeta, não se sabe se são por causas naturais decorrentes das mudanças</p><p>cíclicas do clima, que resfria e esquenta em diversas localidades, ou se são</p><p>provocadas pelos homens, as chamadas causas antropogênicas. Muitos</p><p>cientistas e meteorologistas, portanto, têm afirmado com veemência que a</p><p>maior influência do aumento das temperaturas no planeta é decorrente das</p><p>ações dos homens.</p><p>O fenômeno de mudança climática de origem natural é devido à variação</p><p>solar combinado a outros fatores naturais, como os vulcões. O último</p><p>aquecimento no planeta, cuja conclusão foi tirada após análise de</p><p>aproximadamente 30 pesquisas da época, ocorreu no período pré-</p><p>industrial, antes de 1950, e após este ano ocorreu um período de</p><p>resfriamento da terra. Por isso, alguns cientistas acham que este</p><p>aquecimento de hoje não passa de algo cíclico nas temperaturas do planeta</p><p>e que logo vai passar. Mas são muitas as consequências sentidas, em</p><p>diversas partes do planeta: o aumento dos eventos extremos climáticos,</p><p>como as tempestades tropicais, os furacões, as secas ou as ondas de calor,</p><p>são alguns indícios. Outros factores, observados pelos cientistas que</p><p>acreditam em causas antropogênicas, são o aumento do nível do mar e o</p><p>derretimento das calotas polares. E desde que começou a intensa emissão</p><p>de gases de efeito estufa na atmosfera, no período da Revolução Industrial,</p><p>foi observado que a temperatura do planeta aumentou 0,8°C.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 58</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>58</p><p>Mudanças de configurações de continentes</p><p>O clima é um sistema complexo, regulado por múltiplas interacções entre a</p><p>atmosfera, o oceano, a hidrosfera, a criosfera e a biosfera. Tal sistema tem</p><p>sofrido, desde a constituição da atmosfera terrestre, alterações em</p><p>diferentes eras geológicas, visto que está em constante e permanente</p><p>transformação (dinamicidade), assim como os demais sistemas da natureza.</p><p>Em 1912 Alfred Lothar Wegener (1880-1930),publicou um trabalho</p><p>sugerindo que à cerca de 200 milhões de anos, todos os continentes</p><p>estariam reunidos em um só bloco chamado de Pangeia e cercado por um</p><p>imenso oceano chamado Panthalassa. Segundo essa teoria, com o passar</p><p>do tempo, foi ocorrendo uma transformação nesse padrão dos continentes,</p><p>até chegar ao que existe hoje ,e que continua se movimentando</p><p>lentamente. Nesse processo, como os continentes ocuparam posições</p><p>diferentes na superfície da terra, a distribuição das zonas climáticas e da</p><p>circulação oceânica eram diferentes das que conhecemos hoje.</p><p>Segundo a Teoria da Tectónica Global, a configuração dos continentes</p><p>alterou-se pelos constantes deslocamentos das placas litosféricas, desde a</p><p>época da Pangeia (200 milhões de anos atrás). Com base nisto, tais</p><p>movimentos implicam, necessariamente, uma mudança na circulação das</p><p>correntes atmosféricas - oceânicas e continentais -, interferindo,</p><p>directamente, nas características climáticas globais, pois são seus principais</p><p>sistemas reguladores.</p><p>Teoria de evolução estelar</p><p>As primeiras teorias da evolução estelar, sugerem que o sol teria sido mais</p><p>fraco nos primeiros bilhões de anos da história da Terra. Todavia, sabe-se</p><p>que o planeta não estava frio pois, possivelmente havia um forte Efeito</p><p>Estufa, que compensava reduzir a radiação solar.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 59</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>59</p><p>Teoria de Milankovich</p><p>Os Ciclos de Milankovitch também estão em frequentes variações cíclicas</p><p>macro escala (fenómenos astronómicos) -, seja pela excentricidade da</p><p>órbita elíptica do movimento de translação do Planeta Terra; pela</p><p>obliquidade do eixo do mesmo; e pela precessão de sua rotação (STRAHLER;</p><p>2000), observadas na Figura 1. Essas influenciaram, ao longo das eras, e</p><p>influenciam na quantidade de energia recebida pelo Planeta, proveniente</p><p>do Sol, além de a primeira alterar as datas do afélio e periélio (ciclos de</p><p>21.00 anos).</p><p>A Teoria de Milankovitch está baseada nas variações cíclicas de 3 elementos</p><p>o que ocasiona variações na quantidade de energia solar que chega a Terra:</p><p>1) Precessão: mudanças na orientação do eixo rotacional da Terra. Estas</p><p>mudanças alteram as datas do periélio e do afélio e, portanto</p><p>aumentam o contraste sazonal em um Hemisfério e diminui em</p><p>outro. O período médio é de 23.000 anos;</p><p>2) Mudanças na obliquidade: mudança na inclinação do eixo da Terra.</p><p>Estas influenciam na magnitude da mudança sazonal, ou seja,</p><p>quando a inclinação é maior as estações são mais extremas (os</p><p>invernos são mais frios e os Verões mais quentes) e quando a</p><p>inclinação é menor as estações são mais suaves em ambos os</p><p>Hemisférios. Actualmente a inclinação é de 23,5o. O período médio</p><p>é de 41.000 anos, variando entre as inclinações de 21,5o e 24,5o.</p><p>Quando os Verões são mais frios, significa que há maior</p><p>permanência de neve e gelo nas altas latitudes o que contribui para</p><p>um feedback positivo, ou seja, mais neve, significa albedo maior e</p><p>portanto maior resfriamento;</p><p>3) Variações na excentricidade: a excentricidade está relacionada com</p><p>a órbita da Terra em relação ao Sol ser mais elíptica (alta</p><p>excentricidade) ou mais circular (baixa excentricidade).</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 60</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>60</p><p>Actualmente existe uma diferença de 3% entre a maior aproximação</p><p>(periélio) e o afélio. Esta diferença na distância significa 6% da</p><p>insolação entre Janeiro e Julho. Quando a órbita está mais elíptica a</p><p>diferença da insolação é da ordem de 20 a 30% entre Janeiro e Julho.</p><p>O período é de 90.000 a 100.000 anos.</p><p>Figura 1- Variações orbitais – precessão, obliquidade e excentricidade</p><p>Actividades vulcânicas</p><p>As actividades vulcânicas emitem, por meio das erupções, uma grande</p><p>quantidade de gases e cinzas à atmosfera, que afectam o equilíbrio</p><p>climático de todo um hemisfério, principalmente os processos de absorção,</p><p>transmissão e reflexão de energia solar. Desta forma, os vulcões são uns</p><p>dos elementos essenciais para os estudos das mudanças climáticas.</p><p>Fenômenos El Niño e La Niña</p><p>El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.</p><p>El Niño pode ser chamado também de episódio quente (em inglês: warm</p><p>episode) no Pacífico. Não é somente aquela corrente observada junto à</p><p>costa peruana, mas sim, é a</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 61</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>61</p><p>combinação entre o aquecimento anormal do Oceano Pacífico, conjugado</p><p>com o enfraquecimento dos ventos alísios (que sopram de leste para oeste)</p><p>na região equatorial. Com esse aquecimento do Oceano e com o</p><p>enfraquecimento dos ventos, começam a ser observadas mudanças na</p><p>circulação da atmosfera, e portanto fenômenos como secas e enchentes</p><p>são observados em várias partes do globo.</p><p>La Niña, como é o oposto, ou seja, é o resfriamento das águas do Oceano</p><p>Pacífico Equatorial, então os efeitos são exatamente opostos</p><p>O termo La Niña (“a menina”, em espanhol) surgiu pois o fenômeno se</p><p>caracteriza por ser oposto ao El Niño. Pode ser chamado também de</p><p>episódio frio, ou ainda El Viejo (“o velho”, em espanhol). Algumas pessoas</p><p>chamam o La Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao menino</p><p>Jesus, anti-El Niño seria então o Diabo e portanto, esse termo é pouco</p><p>utilizado. O termo mais utilizado hoje é: La Niña.</p><p>Sumário</p><p>As mudanças naturais que a terra vem vivendo ao longo da sua existência</p><p>são resultado da dinâmica dos elementos que o compõem. Os movimentos</p><p>que a terra realiza, em particular o de translação, as actividades vulcânicas,</p><p>os fenómenos marítimos são os principais factores da dinâmica das</p><p>mudanças ambientais de ordem natural</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 62</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>62</p><p>1- Explica como a que a deriva dos continentes constitui um factor de mudanças</p><p>ambientais no planeta terra</p><p>2- Qual e a influencia dos aerossóis no processo das mudanças climáticas</p><p>UNIDADE Temática 2.2- Mudanças antropogénicas :Teoria</p><p>Ecomalthusiana, Hipótese de Enzensberger e Marxismo</p><p>ecológico</p><p>Introdução</p><p>As mudanças ambientais que mais preocupam o Homem são as de ordem</p><p>antropogénica na medida em que tem provocado alterações ou mudanças</p><p>irreversíveis. Nesta unidade temática, apresentam-se algumas teorias</p><p>explicativas sobre as mudanças ambientais sob influência humana</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 63</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>63</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Descrever as teorias sobre as mudanças ambientais de ordem</p><p>antropogénica</p><p>▪ Explicar as causas das mudanças ambientais antropogenicas</p><p>Teoria Ecomalthusiana</p><p>Na visão ecomalthusiana, a crise ambiental é concebida como um problema</p><p>de desajuste entre uma crescente população humana e os recursos</p><p>limitados da natureza. A abordagem da teoria populacional</p><p>neomalthusiana, estabelece uma relação directa entre crescimento</p><p>demográfico e pressão sobre recursos naturais, apontando para a urgência</p><p>de um controlo populacional através da formulação de políticas públicas.</p><p>Por exemplo, o Malthus concluiu que o ritmo de crescimento populacional</p><p>seria mais acelerado que o ritmo de crescimento da produção alimentar.</p><p>Previa ainda que um dia estariam esgotadas as possibilidades de aumento</p><p>de áreas cultivadas, pois todos os continentes estariam plenamente</p><p>ocupados pela agropecuária e a população do planeta continuaria</p><p>crescendo. A consequência seria a fome, a falta de alimentos para</p><p>abastecer as necessidades de consumo do planeta.</p><p>Hoje, sabe-se que suas previsões não se concretizaram, a população do</p><p>planeta não duplicou a cada 25 anos e a produção de alimentos cresceu no</p><p>mesmo ritmo do desenvolvimento tecnológico. Os erros dessa previsão</p><p>estão ligados principalmente as limitações da época para a colecta de</p><p>dados, já que Malthus tirou suas conclusões a partir da observação do</p><p>comportamento demográfico em uma região limitada. Não previu os</p><p>efeitos decorrentes da urbanização na evolução demográfica e do</p><p>progresso da evolução tecnológico.</p><p>A teoria neomalthusiana, no entanto, tem sido alvo de muitas críticas na</p><p>medida em que apresenta algumas limitações na explicação dos problemas</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 64</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>64</p><p>ambientais, pois demonstra ter uma visão muito simplista, envolvendo</p><p>poucas variáveis quando toca o problema dos efeitos do crescimento e</p><p>desenvolvimento económico sobre o meio ambiente. Os padrões de</p><p>produção e consumo no qual a teoria neomalthusiana se funda, não são por</p><p>ela discutidos apesar de serem demasiado agressivos ao meio ambiente. O</p><p>binómio população-recursos reduz-se a uma relação genérica,</p><p>unidimensional, desculturalizada, que oculta a complexidade das relações</p><p>mútuas entre processos demográficos e mudanças ambientais.</p><p>Nesta abordagem, por exemplo, a capacidade de carga de um determinado</p><p>ecossistema predeterminaria o número de pessoas que poderiam habitá-</p><p>lo, sem dar em conta que a capacidade de sustentação do território</p><p>depende tipos culturais de assentamentos e de produção, como</p><p>demonstram os estudos históricos e antropológicos sobre as antigas</p><p>civilizações. Desta maneira são desconhecidos os mecanismos internos de</p><p>adaptação e transformação da população sobre seu entorno, que</p><p>dependem das formas de uso de solo e de valorização dos recursos naturais</p><p>e que estabelecem como resultado a capacidade de sustentação de um</p><p>determinado ecossistema de produção.</p><p>Considerando que a origem dos problemas ambientais resulta do</p><p>crescimento descontrolado populacional, então, a proposta para solucionar</p><p>os problemas ambientais se reduziria simplesmente no controlo de</p><p>crescimento populacional ou redução dessas populações humanas.</p><p>Apesar de o crescimento populacional ser um factor importante na análise</p><p>dos problemas ambientais, não se pode descartar a relevância dos padrões</p><p>de produção e de consumo, para além dos aspectos sócio culturais das</p><p>populações.</p><p>Hipótese de Enzensberger</p><p>Sobre a crise ecológica, Enzensberger (1976), sustenta que antes de ter</p><p>uma explicação eminentemente natural, ela é resultado de um processo</p><p>social ligado intimamente ao modo de produção capitalista. O autor</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 65</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>65</p><p>defende a seguinte hipótese central, levantada pela ecologia: "As</p><p>sociedades industriais produzem contradições ecológicas que poderão</p><p>conduzi-las à sua ruína em um tempo previsível".</p><p>Essa hipótese, que pode ser vista também como um prognóstico, baseia-se</p><p>em um conjunto de factores sinérgicos:</p><p>✓ Aumento incontrolável da população mundial;</p><p>✓ Processos industriais que têm como base o uso de energias não</p><p>renováveis, que dependem do uso de matérias-primas também não</p><p>renováveis;</p><p>✓ O aumento da produtividade agrícola que tem levado a novos</p><p>desequilíbrios ecológicos;</p><p>✓ Contaminação do mundo: desequilíbrios e disfunções de todo tipo,</p><p>que resultam do intercâmbio entre a natureza e a sociedade</p><p>humana, como consequência involuntária do processo de</p><p>industrialização.</p><p>As crises que vivemos hoje não é apenas ambiental, mas também é social,</p><p>moral e económica. É uma resultante da irresponsabilidade da humanidade</p><p>perante si mesma, pela sua incapacidade de olhar o passado e de olhar-se</p><p>no presente, ficando cega para o que pode vir depois, como consequência</p><p>de seus actos, ou pela falta deles.</p><p>A crise ambiental é também uma crise de percepção que coloca em dúvida</p><p>todo o processo de civilização. A materialização de necessidades e desejos</p><p>não significou a felicidade pretendida para todos, mas sim um movimento</p><p>cada vez mais forte de exclusão e miséria de escala planetária, que se faz</p><p>sentir em uma parcela cada vez maior da população.</p><p>Marxismo ecológico</p><p>A teoria do Marx está relacionada com os enfoques tradicionais da</p><p>economia e a teoria política. Marx não abandona o “campo teórico”</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 66</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>66</p><p>argumentação tradicional da economia política para abrir um novo campo.</p><p>Permanecem os sinais do iluminismo racional e uma lógica que não leva em</p><p>conta os limites da natureza. O argumento principal é o seguinte: o Homem</p><p>constrói sua história ao transformar a sociedade, a natureza e a si mesmo,</p><p>mas não existem limites impostos pela natureza. Por conseguinte,</p><p>a</p><p>natureza é concebida como um conjunto de recursos inesgotáveis que</p><p>podem ser utilizados. O Marx, apresenta a interpretação fundamental das</p><p>“leis de movimento” da acumulação capitalista como moldadas pelas</p><p>contradições sociais e não pelos limites impostos pela natureza.</p><p>Nas interpretações clássicas e, sobretudo, nas neoclássicas da relação</p><p>homem-natureza, a racionalidade individual na tomada de decisões com</p><p>relação aos recursos escassos é o ponto central, contrariamente ao que</p><p>ocorre com o pensamento malthusiano, no qual o excesso de demanda é a</p><p>categoria decisiva. Na teoria clássica e na neoclássica, a categoria de</p><p>escassez aparece como a peça central do raciocínio económico. O</p><p>“individualismo metodológico” nasceu, e com ele uma racionalidade que</p><p>separa em um primeiro momento recursos naturais de outras partes não</p><p>valiosas da natureza que não servem como fontes de valorização capitalista,</p><p>e que em um passo seguinte separa um recurso natural do outro. De outra</p><p>maneira, uma tomada de decisão racional não seria possível sob as</p><p>condições do individualismo metodológico.</p><p>Por fim, a totalidade holística da natureza ou sua respectiva integridade,</p><p>dissolvem-se em um conjunto de recursos naturais individuais e em um</p><p>resto que não pode ser valorizado ou validado. A natureza é, deste modo,</p><p>transformada de uma entidade ecológica em uma entidade económica;</p><p>mas além disto, a natureza permanece “externa” ao discurso económico</p><p>e à sua racionalidade.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 67</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>67</p><p>A economia dos recursos devia fornecer regras sobre como lidar com</p><p>recursos naturais escassos sem prejudicar a natureza, por exemplo, sem</p><p>produzir excessos de demanda.</p><p>A concepção marxista de relação natureza-Homem, não se distancia das</p><p>outras teorias que contribuem para compreensão das contradições e a</p><p>dinâmica da relação social entre ser humano e natureza, quer dizer, da</p><p>relação entre a economia, a sociedade e o meio-ambiente. A principal razão</p><p>consiste em ver o ser humano trabalhador como alguém que transforma a</p><p>natureza e, portanto, está incluído em um metabolismo de natureza-</p><p>Homem que, por um lado, obedece às leis da natureza quase eternas e, por</p><p>outro, está regulado pela dinâmica da formação social capitalista.</p><p>Sumário</p><p>A problemática ambiental, encontra a sua fundamentação num conjunto de</p><p>actividades humanas e naturais que afectam, alteram ou colocam em</p><p>perigo a existência da vida, abrangendo todas as formas de actividades</p><p>económicas, formas culturais de relações com a natureza, a demografia, a</p><p>investigação e a ciência relacionada comos processos anteriores. A</p><p>expansão demográfica em proporção geométrica, leva por razões de</p><p>sobrevivência, a um crescente uso de recursos naturais e acompanhada</p><p>pelo processo de urbanização generalizada, amplia os consumos de energia</p><p>nas habitações e os derivados dos meios de transporte, tudo criando danos</p><p>e desequilíbrios ambientais. As pressões sobre o ambiente derivados da</p><p>evolução económica resumem-se nos seguintes: pressões ligadas à</p><p>extracção de recursos naturais, modificação do uso e aproveitamento do</p><p>solo em ordem de aumentar a rentabilidade, pressões ligadas à produção</p><p>de resíduos de substâncias e energia e os riscos tecnológicos. Estas pressões</p><p>sobre o ambiente alteram as condições do meio físico e social.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 68</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>68</p><p>Portanto urge a necessidade de gestão sustentável dos recursos da</p><p>natureza. O desenvolvimento sustentável engloba aspectos da dimensão</p><p>económica e social, para além das noções da equidade entre os povos e</p><p>gerações, envolve noção de durabilidade e da política.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Através de exemplos, explica as limitações a teoria ecomalthusiana</p><p>2- Estabeleça semelhanças e particularidades nas três as teorias discutidas</p><p>Tema 3- Principais tipos de problemas ambientais e desenvolvimento</p><p>sustentável</p><p>UNIDADE Temática 3.1- Efeito de estufa</p><p>Introdução</p><p>O aquecimento global que se vive nos últimos tempos, e resultado da</p><p>intensificação do fenómeno efeito de estufa, particularmente sob</p><p>influência das actividades humanas. Nesta unidade temática, abordam-se</p><p>aspectos relativos ao fenómeno efeito de estufa, destacando o conceito, os</p><p>factores, impactos e as possíveis medidas de mitigação</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 69</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>69</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Definir o efeito de estufa</p><p>▪ Descrever os factores, processos, impactos e possíveis soluções em</p><p>prol do efeito de estufa</p><p>Efeito de estufa.</p><p>O efeito estufa é um fenómeno natural indispensável para manter a</p><p>superfície do planeta terra aquecida. Sem ele, a Terra seria muito fria, cerca</p><p>de -19ºC.</p><p>O efeito estufa consiste na retenção de calor irradiado pela superfície</p><p>terrestre (radiação infravermelha), pelas partículas sólidas e gases em</p><p>suspensão na atmosfera, garantindo a manutenção do equilíbrio térmico</p><p>do planeta e, portanto, o garante da sobrevivência de várias espécies</p><p>vegetais e animais. Sem o efeito de estufa, certamente que seria impossível</p><p>a vida na Terra ou, pelo menos, a vida como conhecemos hoje.</p><p>Dos gases se efeito de estufa destacam-se: dióxido de carbono (CO2),</p><p>metano(CH4), oxido nitroso (N2O), hidrofluorcarbonetos (HFCs),</p><p>perfluorcarbonetos (PFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF6), sendo o mais</p><p>importante a ser combatido o CO2.</p><p>Tema Agent</p><p>es</p><p>Factores Processos Resulta</p><p>dos de</p><p>actuaçã</p><p>o de</p><p>process</p><p>os</p><p>Impactos Possíveis</p><p>soluções</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 70</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>70</p><p>Efeito</p><p>Estufa</p><p>Gases:</p><p>dióxid</p><p>o de</p><p>carbon</p><p>o,</p><p>metan</p><p>o, CFC,</p><p>vapor</p><p>de</p><p>água,</p><p>etc.</p><p>Partícu</p><p>las</p><p>sólidas</p><p>em</p><p>suspen</p><p>são na</p><p>atmosf</p><p>era.</p><p>Queima</p><p>de</p><p>combust</p><p>íveis</p><p>fósseis.</p><p>Queima</p><p>de</p><p>vegetaçã</p><p>o</p><p>Pecuária</p><p>Emissão de</p><p>gases para</p><p>atmosfera</p><p>Acumulaçã</p><p>o de gases</p><p>na</p><p>atmosfera</p><p>Irradiação</p><p>de calor</p><p>pela</p><p>superfície</p><p>terrestre</p><p>Expansão/</p><p>dispersão</p><p>dos gases</p><p>Absorção</p><p>do calor</p><p>Libertação</p><p>de calor</p><p>pelos</p><p>gases</p><p>Aumen</p><p>to</p><p>recorde</p><p>da</p><p>temper</p><p>atura</p><p>Derreti</p><p>mento</p><p>de</p><p>geleiras</p><p>ou</p><p>fusão</p><p>de gelo</p><p>das</p><p>montan</p><p>has e</p><p>das</p><p>regiões</p><p>polares</p><p>Saliniza</p><p>ção das</p><p>terras</p><p>agricult</p><p>uráveis</p><p>Elevaçã</p><p>o do</p><p>nível</p><p>Risco de perda</p><p>significativa da</p><p>biodiversidade</p><p>Redução da</p><p>produtividade</p><p>agrícola e pecuária</p><p>com</p><p>consequências na</p><p>segurança</p><p>alimentar</p><p>Inundações de</p><p>áreas mais baixas,</p><p>desalojando</p><p>milhares de</p><p>pessoas</p><p>Insuficiência de</p><p>água para</p><p>consumo,</p><p>agricultura e</p><p>geração de</p><p>energia.</p><p>Malária pode se</p><p>propagar mais</p><p>rápido num clima</p><p>mais quente e</p><p>húmido e doenças</p><p>O problema</p><p>exige</p><p>mudanças</p><p>em muitos</p><p>hábitos de</p><p>consumo. Os</p><p>cidadãos em</p><p>todo o</p><p>mundo,</p><p>enquanto</p><p>eleitores,</p><p>tem o poder</p><p>de</p><p>pressionar</p><p>seus</p><p>governos a</p><p>impor</p><p>limites para</p><p>as emissões</p><p>e a adoptar</p><p>fontes de</p><p>energia</p><p>renováveis</p><p>• Substituiçã</p><p>o do uso de</p><p>energias</p><p>mais sujas</p><p>(petróleo,</p><p>carvão) por</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 71</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>71</p><p>dos</p><p>oceano</p><p>s</p><p>ameaça</p><p>ndo</p><p>cidades</p><p>próxim</p><p>as ao</p><p>nível do</p><p>mar</p><p>Desertif</p><p>icação</p><p>Secas</p><p>O</p><p>aument</p><p>o da</p><p>força e</p><p>da</p><p>frequên</p><p>cia de</p><p>ciclone</p><p>s e</p><p>furacõe</p><p>s.</p><p>Os</p><p>oceano</p><p>respiratórias num</p><p>clima mais quente</p><p>e seco podem se</p><p>tornar mais</p><p>comuns</p><p>As chuvas podem</p><p>se tornar mais</p><p>raras no Inverno</p><p>e</p><p>atrasos das chuvas</p><p>de Verão podem</p><p>prejudicar a oferta</p><p>de alimentos, uma</p><p>vez que</p><p>determinam o</p><p>período de plantar;</p><p>Temperaturas mais</p><p>altas significam</p><p>também impactos</p><p>na produção de</p><p>frangos, suínos etc.</p><p>energias</p><p>mais limpas</p><p>(solar,</p><p>eólica,</p><p>pequenas</p><p>hidroeléctric</p><p>as, biogás)</p><p>• Eficiência</p><p>energética e</p><p>economia de</p><p>energia:</p><p>aparelhos</p><p>mais</p><p>eficientes,</p><p>lâmpadas</p><p>fluorescente</p><p>s ao invés de</p><p>incandescen</p><p>tes,</p><p>reciclagem</p><p>de</p><p>materiais,</p><p>etc.</p><p>• Utilização</p><p>de</p><p>transporte</p><p>colectivo e</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 72</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>72</p><p>s</p><p>absorve</p><p>m um</p><p>terço</p><p>do gás</p><p>carbóni</p><p>co</p><p>emitido</p><p>na</p><p>atmosf</p><p>era e</p><p>estão</p><p>se</p><p>tornan</p><p>do mais</p><p>ácidos,</p><p>ameaça</p><p>ndo os</p><p>corais e</p><p>a</p><p>biodive</p><p>rsidade</p><p>marinh</p><p>a.</p><p>O</p><p>aqueci</p><p>mento</p><p>crescen</p><p>te</p><p>bicicleta</p><p>Construção</p><p>de aterros</p><p>sanitários e</p><p>a utilização</p><p>do biogás</p><p>gerado</p><p>nestes</p><p>aterros e nas</p><p>estações de</p><p>tratamento</p><p>de esgotos</p><p>para a</p><p>geração de</p><p>energia</p><p>eléctrica</p><p>• Habitaçõe</p><p>s</p><p>ambientalm</p><p>ente</p><p>correctas,</p><p>que</p><p>aproveitam</p><p>água da</p><p>chuva, usam</p><p>a energia do</p><p>sol para</p><p>iluminação e</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 73</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>73</p><p>poderá</p><p>provoc</p><p>ar entre</p><p>outras</p><p>conseq</p><p>uências</p><p>:</p><p>incêndi</p><p>os</p><p>floresta</p><p>is de</p><p>difícil</p><p>control</p><p>o,</p><p>alteraç</p><p>ão nos</p><p>regime</p><p>s das</p><p>chuvas,</p><p>avanço</p><p>do mar</p><p>sobre</p><p>os rios</p><p>e o</p><p>litoral,</p><p>escasse</p><p>z de</p><p>água</p><p>potável</p><p>,</p><p>aqueciment</p><p>o</p><p>• Recuperaç</p><p>ão das áreas</p><p>verdes</p><p>• Afloresta</p><p>mento</p><p>(plantio</p><p>onde não</p><p>havia),</p><p>reflorestam</p><p>ento</p><p>(recuperar</p><p>áreas</p><p>degradadas)</p><p>e áreas de</p><p>preservação</p><p>.</p><p>Sequestro e</p><p>armazenam</p><p>ento do</p><p>CO2, etc.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 74</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>74</p><p>destrui</p><p>ção de</p><p>habitat</p><p>s e a</p><p>conseq</p><p>uente</p><p>perda</p><p>de</p><p>biodive</p><p>rsidade</p><p>(acentu</p><p>ada</p><p>extinçã</p><p>o</p><p>espécie</p><p>s</p><p>afectan</p><p>do</p><p>ecossist</p><p>emas),</p><p>Há a</p><p>possibil</p><p>idade</p><p>de</p><p>eventos</p><p>climátic</p><p>os</p><p>extrem</p><p>os:</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 75</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>75</p><p>chuvas</p><p>mais</p><p>fortes e</p><p>curtas e</p><p>longas</p><p>secas.</p><p>Em Janeiro de 2005, entrou em vigor na União Européia o primeiro modelo</p><p>prático para a redução dos efeitos dos gases de efeito estufa e contra as</p><p>consequentes alterações climáticas associadas, seguindo as proposições do</p><p>Protocolo de Quioto, o qual sugere a implementação de um comércio de</p><p>cotas de emissão entre países.</p><p>Adoptado em 1997, o Protocolo de Quioto foi criado com intuito de ser uma</p><p>medida prática e eficaz para a redução da emissão de gases de efeito estufa,</p><p>como forma de evitar o aumento das drásticas mudanças climáticas que</p><p>vêm ocorrendo desde a metade do século passado. Ao abrigo do</p><p>documento, os países desenvolvidos que assinaram-no devem reduzir suas</p><p>emissões de gases de efeito estufa em 5,2% no período de 2008 a 2012 em</p><p>relação aos níveis de 1990.</p><p>Ao diferenciar os países desenvolvidos dos países em desenvolvimento, o</p><p>Protocolo reconhece que os países desenvolvidos são responsáveis pela</p><p>maior parte das emissões de gases com efeito estufa e que estes países têm</p><p>maior capacidade financeira e estrutural para arcar com os custos da</p><p>redução das emissões.</p><p>Para atingir os objectivos a que se propõem, foram estabelecidas medidas</p><p>políticas e económicas que tem o intuito de auxiliar os países desenvolvidos</p><p>a atingirem seus objectivos aos custos mais baixos possíveis. Conhecidos</p><p>como “Kyoto Mechanisms”, estes incluem:</p><p>• Comércio Internacional de Emissões: Permite que os países</p><p>desenvolvidos comprem ou vendam Cotas de emissão de outros</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 76</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>76</p><p>países. É importante destacar novamente, no entanto, que o</p><p>comércio neste caso é feito entre países, não entre empresas, como</p><p>propõe o modelo europeu.</p><p>• Mecanismo de desenvolvimento Limpo: permite aos países</p><p>desenvolvidos alcançarem seus objectivos investindo na</p><p>regeneração de áreas poluídas nos países em desenvolvimento,</p><p>bem como no desenvolvimento destes países seguindo o modelo de</p><p>um desenvolvimento sustentado.</p><p>Fundamentos do Sistema de Comércio de Cotas de Emissão</p><p>A base do sistema de negociação de emissão é prover a limitação da</p><p>quantidade máxima de “permissões” de emissões. Cada “permissão” dá a</p><p>empresa que a recebe o direito de emitir 1 tonelada de CO2 por ano. Caso</p><p>a empresa não utilize todas as suas “permissões”, poderá então negociá-las</p><p>no mercado, que será criado, para aquelas empresas que necessitem emitir</p><p>mais do que as “permissões” que lhe foram concedidas. Ao negociar cotas,</p><p>fica garantida a redução no nível global de emissões no continente, visto</p><p>que a Diretiva prevê logo de início a concessão de um número menor de</p><p>“permissões” que o total global do nível de poluição actual.</p><p>Alocação das “Permissões”</p><p>A distribuição dos certificados pode proceder de forma mista, mas, não</p><p>obstante, a parte principal deve ser distribuída gratuitamente para as</p><p>empresas participantes do Comércio. No período de 2005 a 2007, os</p><p>Estados-membros poderiam vender 5% do total das “permissões” e, a partir</p><p>de 2008, este número acresceu para 10% do total.</p><p>Monitoração, Controle e Penalidades</p><p>Os Estados-membros são responsáveis pela monitoração e controle do</p><p>cumprimento da diretiva pelas empresas participantes. As empresas devem</p><p>apresentar relatórios anuais de seus níveis de emissão e, caso sejam</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 77</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>77</p><p>encontradas violações ou caso a empresa não consiga cumprir sua meta,</p><p>serão impostas penalidades, entre as quais destacam-se multas, publicação</p><p>do nome da empresa numa “lista negra” e ainda a diminuição de cotas para</p><p>o periodo subsequente</p><p>Passos necessários para a implementação do Sistema de Comércio de</p><p>Emissões – Resumo</p><p>✓ Definição das empresas obrigadas a reduzir suas emissões.</p><p>✓ Deve ser estabelecido o nível total de emissão no país.</p><p>✓ Definição do nível total de emissão a que se deseja atingir no</p><p>período subsequente.</p><p>✓ Garantir a real existência de um comércio de emissões suficiente</p><p>para toda a economia de cada país.</p><p>✓ Garantir que seja implementado um sistema efectivo de</p><p>monitoramento bem como a aplicação de possíveis sanções.</p><p>Possíveis impactos (do modelo) param as empresas e para o meio-</p><p>ambiente.</p><p>Incentivo permanente para o desenvolvimento de inovações tecnológicas</p><p>As empresas ganham com a redução de suas emissões na medida que</p><p>podem negociar a parte de suas cotas que não utilizaram no período.</p><p>Portanto, é importante investir em novas formas de energia limpa, por</p><p>exemplo, sendo bom tanto para a empresa, quanto para o meio ambiente.</p><p>Número fixo de cotas de emissão por período</p><p>As novas empresas que desejem entram no mercado deverá comprar</p><p>“permissões” no mercado de emissões. Desta maneira, o nível óptimo</p><p>definido pelo governo de cada país no início do período não é afectado, ou</p><p>seja, os níveis de poluição não aumentarão drasticamente.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 78</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>78</p><p>Redução global dos níveis de emissão de CO2</p><p>Mesmo sabendo que nem todas as empresas vão reduzir suas emissões, o</p><p>estabelecimento prévio da quantidade total de emissão de CO2 permitida</p><p>garante que o nível global de emissões seja reduzido.</p><p>O governo precisa definir correctamente a quantidade total de emissão por</p><p>período a fim de garantir uma efectiva redução nos níveis de</p><p>poluição.</p><p>Ainda, é necessário possuir medidas severas e eficientes de controlo,</p><p>evitando “trapaças” de companhias que poluam mais que</p><p>Poderiam.</p><p>Restrições ao crescimento da Economia e geração de distorções</p><p>competitivas</p><p>Se por um lado as empresas entrantes não gerarão aumentos drásticos nos</p><p>níveis de poluição, o facto de não ganharem “permissões” pode ser uma</p><p>barreira de entrada no mercado, afectando o crescimento da economia.</p><p>Incentivo aos países para auto beneficiar suas empresas</p><p>Na medida que os países são responsáveis pela alocação das “permissões”</p><p>em suas empresas, estes podem vir a beneficiá-las entregando-lhes cotas</p><p>maiores que estas precisam por período. Desta forma, as empresas não</p><p>precisariam arcar com os custos de redução das emissões ou de compra de</p><p>“permissões” no mercado.</p><p>Incerteza quanto a alocação de “permissões” nos períodos subsequentes</p><p>A Diretiva não define claramente como será a alocação subsequente de</p><p>“permissões”. Desta maneira, é incerto dizer se a projecto terá</p><p>continuidade e se sua implementação será eficiente e validada.</p><p>Não há dúvidas de que a criação e implementação de um sistema de</p><p>Comércio de Cotas de Emissão é válida como tentativa de minimizar as</p><p>consequências das alterações climáticas no globo terrestre. Além disso, a</p><p>iniciativa é um óptimo termómetro em referência às proposições</p><p>do Protocolo de Quito.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 79</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>79</p><p>No entanto, algumas perguntas seguem sem resposta quanto a eficiência e</p><p>real capacidade de redução dos níveis de emissão deste sistema, além de</p><p>quanto maléfico este sistema será para a economia. Como será a alocação</p><p>inicial de “permissões” (considerando que não há valores históricos</p><p>disponíveis em muitos países)? Quem ganhará e quem sairá perdendo? E</p><p>os países como a</p><p>Alemanha, que já reduziram suas emissões em relação a 1990, receberão</p><p>menos cotas? Será que a redução da poluição compensará os possíveis</p><p>retrocessos na economia? O que acontecerá com as cotas das firmas que</p><p>fecharem durante o primeiro período de aplicação do sistema? Serão</p><p>redistribuídas? Como será o tratamento às empresas multinacionais?</p><p>Poderão estas transferir suas cotas entre</p><p>suas fábricas nos diferentes países gratuitamente? Será que abandonarão</p><p>países gerando desemprego e outros malefícios para as economias pelo</p><p>facto de não poderem mais produzir a quantidade que podiam</p><p>anteriormente? Etc.</p><p>Sumário</p><p>O efeito de estufa é um fenómeno natural e indispensável para a vida na</p><p>terra. No entanto, o seu incremento sob influências das actividades</p><p>humanas torna-se preocupante na medida em os níveis de aquecimento</p><p>aumentam progressivamente, influenciando a alteração de muitos outros</p><p>fenómenos naturais como são os casos das chuvas, ventos, etc.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 80</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>80</p><p>Perguntas</p><p>Figura. 1- Mapa. Possíveis consequências do incremento do efeito de estufa no mundo.</p><p>Fonte: MORRISON, Karen e BOTTARO, Jean; Atllas- Teachers resource book; 2001</p><p>1- Observa com atenção o mapa acima e responda as questões abaixo:</p><p>1.1- Identifica as regiões do mundo susceptíveis ou que estão em risco de sofrer inundações devido</p><p>o aumento do nível das águas do mar.</p><p>1.2- Refira-se ao factor associado a susceptibilidade à inundações devido ao aumento do nível das</p><p>aguas do mar, das regiões mencionas na questão anterior.</p><p>1.3- Aponta algumas implicações de cada uma das consequências apresentadas no mapa acima.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>81</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>81</p><p>UNIDADE Temática 3.2- Camada de ozono: formação,</p><p>destruição, Impactos e possíveis soluções</p><p>Introdução</p><p>A camada de ozono desempenha uma função muito importante para a vida</p><p>na terra na medida em que se ocupa na retenção dos raios ultravioletas,</p><p>que se alcançassem a biosfera seria fatal. No entanto, as acções humanas</p><p>vêm colocando a prova a existência da camada de ozono devido a emissão</p><p>excessiva dos gases inimigos do ozono. Nesta unidade temática</p><p>apresentam-se conteúdos sobre factores da formação e destruição da</p><p>camada de ozono, os impactos da destruição da camada de ozono e</p><p>possíveis soluções.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>• Descrever os factores de formação e destruição da camada de</p><p>ozono</p><p>• Explicar as consequências da destruição da camada de ozono</p><p>Camada de ozono: formação, destruição, Impactos e possíveis soluções</p><p>Formação da camada de ozono</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>82</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>82</p><p>O ozono forma-se por acções de radicações espetro-solares na banda de</p><p>1760-1925 Angston de Ruy Shuman, sobre o oxigénio molecular. Ocorre o</p><p>processo denominado fotólise, onde as moléculas de oxigénio são</p><p>quebradas dando origem a átomos de oxigénio, que por sua vez se</p><p>combinam com outras moléculas de oxigénio para formar ozono. Como o</p><p>processo é contínuo, o ozono acumula-se e forma um estrato ou camada.</p><p>O ozono ocorre na estratosfera e a maior concentração verifica-se entre 20</p><p>a 50 km de altitude.</p><p>O ozono é raro em altitudes acima de 50 km porque o oxigénio torna-se tão</p><p>difuso, muito dele já dissociado em átomos que não permite a colisão entre</p><p>as moléculas de oxigénio, enquanto em altitudes abaixo de 10 km, a</p><p>formação é quase nula porque o ozono e oxigénio situado acima desse nível</p><p>absorvem a maior parte da radiação ultravioleta necessária para activar as</p><p>moléculas de oxigénio no processo.</p><p>Principais responsáveis da destruição da camada de ozono</p><p>• Hidrocarbonetos totalmente clorofluorados (CFC) e, em menor</p><p>escala, hidrocarbonetos parcialmente clorofluorados (HCFC)</p><p>provenientes da refrigeração, produção de espumas expandidas,</p><p>aerossóis e solventes;</p><p>• Brometo de metilo proveniente da fumigação dos solos na</p><p>agricultura e da queima da biomassa</p><p>Realça-se que estes compostos são muito estáveis, pelo que um só átomo</p><p>de cloro ou bromo pode vir a destruir milhares de moléculas de ozono antes</p><p>de ser removido da estratosfera.</p><p>Destruição da camada de ozono</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>83</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>83</p><p>A quantidade de ozono presente na estratosfera é mantida num equilíbrio</p><p>dinâmico, por processos naturais, através dos quais é continuamente</p><p>formado e destruído. Mas este equilíbrio natural de produção</p><p>e destruição do ozono estratosférico tem vindo a ser perturbado devido,</p><p>essencialmente, às emissões antropogénicas de compostos halogenados,</p><p>tais como os clorofluorocarbonos (CFCs). Existem também fontes naturais</p><p>que contribuem para a destruição da camada de ozono. Os vulcões são uma</p><p>das principais fontes naturais de poluição da atmosfera. A força das</p><p>erupções vulcânicas é tão intensa que faz com que grandes quantidades de</p><p>gases sejam transportadas até à estratosfera. As partículas finas e os</p><p>aerossóis de ácido sulfúrico contidos nestes gases também podem</p><p>desencadear função catalítica e consequentemente, a decomposição do</p><p>ozono.</p><p>O ozono, é destruído na banda de 2900 Angston de Harthey. As moléculas</p><p>de clorofluorcarbono, ou Freon, passam intactas pela troposfera e atingem</p><p>a estratosfera, onde os raios ultravioletas do sol aparecem em maior</p><p>quantidade e intensidade, quebrando as partículas dos CFCs. Com o</p><p>quebramento das partículas dos CFCs, liberta-se o átomo de cloro. Os</p><p>átomos de cloro tem a capacidade de romper moléculas de ozónio (O3),</p><p>formando monóxido de cloro (ClO) e oxigénio (O2). O processo é contínuo.</p><p>Impactos da destruição</p><p>da camada de ozono</p><p>A camada de ozono é fundamental para assegurar a vida na Terra, uma vez</p><p>que tem a capacidade de absorver grande parte da radiação ultravioleta,</p><p>que pode provocar efeitos nocivos nos seres vivos.</p><p>De entre esses efeitos destaca-se:</p><p>✓ A possibilidade de ocorrerem alterações do ADN (principais</p><p>responsáveis pelo aparecimento de cancro de pele);</p><p>✓ Alterações do sistema imunitário (com aparecimento de doenças</p><p>infecciosas);</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>84</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>84</p><p>✓ Alterações da visão (com o aparecimento de cataratas);</p><p>✓ Atraso nas estações do ano;</p><p>✓ Ruptura nas cadeias alimentares;</p><p>✓ Contribui também para o aumento da temperatura e</p><p>consequentemente ao degelo dos calotes polares;</p><p>✓ Danos nas colheitas;</p><p>✓ Nos ecossistemas aquáticos, a intensificação das radiações</p><p>ultravioleta coloca problemas inquietantes, pois interfere no</p><p>crescimento, na fotossíntese e na reprodução do plâncton.</p><p>✓ Inibe a fotossíntese, produzindo lesões nas folhas;</p><p>✓ Nos animais, provoca irritação e ressecamento das mucosas do</p><p>aparelho respiratório, além de envelhecimento precoce.</p><p>✓ A radiação ultravioleta afecta, igualmente, os ciclos bio</p><p>geoquímicos, como o ciclo do carbono, do azoto e o ciclo dos</p><p>nutrientes minerais, entre outros, lesando globalmente toda a</p><p>biosfera do planeta, etc.</p><p>Buraco de ozono acentuado na Antártida</p><p>O buraco de ozono acentuado na Antártida, associa-se às alterações dos</p><p>padrões de circulação atmosférica e à questão da temperatura.</p><p>Durante o Inverno o intenso arrefecimento radiactivo na noite Antártica</p><p>conduz a temperaturas na estratosfera, da ordem de -85º C ou inferiores;</p><p>nestas condições, o pouco vapor de água presente na estratosfera forma</p><p>nuvem de cristais de gelo, as PSC (Polar Stratospheric Clouds). A formação</p><p>de cristais de gelo é crucial na destruição de ozono, pois na superfície dos</p><p>referidos cristais fixam-se compostos de cloro inertes, convertem-se em</p><p>formas activas, capazes de o destruir sob a acção da radiação UV.</p><p>Por outro lado, a destruição do ozono dá-se enquanto a atmosfera sobre</p><p>a Antártica está isolada da circulação atmosférica global pelo vórtice</p><p>circumpolar, formando um gigantesco reactor de onde os agentes</p><p>reactivos não podem sair. Ou</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>85</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>85</p><p>seja, Durante a noite do grande Inverno polar o Sol não atinge o Pólo Sul.</p><p>Desenvolve-se uma massa de ar rotativa, um conjunto de fortes ventos</p><p>polares chamado «vórtice polar», que aprisiona o ar, provocando a</p><p>mistura do ozono com os CFCs e outras substâncias.</p><p>Em Novembro, o vórtice circumpolar enfraquece e permite que ar mais</p><p>quente, rico em ozono, proveniente de latitudes mais baixas invada a</p><p>estratosfera; as nuvens de cristais de gelo, vaporizam e a concentração de</p><p>ozono regressa aos valores normais.</p><p>Algumas medidas para minimizar a destruição da camada de ozono</p><p>✓ Tentar usar produtos com a etiqueta “amigo do ozono”;</p><p>✓</p><p>e certificar-se que estes não emitem CFC´s para a atmosfera;</p><p>Sumário</p><p>O ozono desempenha uma função muito importante para a biosfera na</p><p>medida em que faz a retenção dos raios ultravioletas. O ozono forma-se e</p><p>destoe-se naturalmente, numa situação de equilíbrio dinâmico. Entretanto,</p><p>a emissão massiva de gases inimigos do ozono faz com que os níveis de</p><p>destruição sejam superiores aos de formação, provocando o chamado</p><p>buraco de ozono, com consequências nefastas para a vida na terra.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Explica como é que o buraco de ozono é mais acentuado na região da</p><p>Antártida</p><p>2- Refira-se as consequências ecológicas da destruição da camada de</p><p>ozono</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>86</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>86</p><p>UNIDADE Temática 3.3- Chuvas ácidas (causas, efeitos e</p><p>possíveis medidas de mitigação)</p><p>Introdução</p><p>As chuvas ácidas constituem um fenómeno de regiões altamente</p><p>industrializadas e podem provocar avultados danos ambientais. Nesta</p><p>unidade temática são descritas as causas e consequências das chuvas ácidas</p><p>para além das possíveis medidas que podem ser desenvolvidas de modo a</p><p>prevenir a ocorrência de chuvas ácidas.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>• Descrever os factores da ocorrência das chuvas ácidas</p><p>• Identificar os impactos das chuvas ácidas</p><p>• Explicar as medidas de mitigação das chuvas ácidas</p><p>Chuvas ácidas (factores, impactos e possíveis soluções).</p><p>A denominação de chuva ácida é utilizada para qualquer chuva que possua</p><p>um valor de pH inferior a 4,5.</p><p>Esta acidez da chuva é causada pela solubilização de alguns gases presentes</p><p>na atmosfera terrestre cuja hidrólise seja ácida. Entre estes destacam-se os</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>87</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>87</p><p>gases contendo enxofre proveniente das impurezas da queima dos</p><p>combustíveis fósseis.</p><p>Pode também dizer-se que as chuvas "normais" são ligeiramente ácidas,</p><p>pois apresentam um valor de pH próximo de 5,6. Essa acidez natural é</p><p>causada pela dissociação do dióxido de carbono em água, formando um</p><p>ácido fraco, conhecido como ácido carbónico, de acordo com a reacção</p><p>química que se apresenta abaixo:</p><p>CO2 (g) + H2O (l) ---› H2CO3 (aq)</p><p>Embora existam processos naturais que contribuem para a acidificação da</p><p>precipitação, com destaque para os gases lançados na atmosfera pelos</p><p>vulcões e os gerados pelos processos biológicos que ocorrem nos solos,</p><p>pântanos e oceanos, as fontes antrópicas, isto é resultantes da acção</p><p>humana, são claramente dominantes.</p><p>A prova dessa predominância foi obtida pela determinação da diferença</p><p>entre a acidez da precipitação nas zonas industrializadas e em partes</p><p>remotas do globo, pela comparação da acidez actual com o registo deixado</p><p>pela captura da precipitação no gelo dos glaciares ao longo de milhões de</p><p>anos e pelo registo deixado nos fundos de lagos e oceanos pela deposição</p><p>de restos orgânicos indiciadores das condições de acidez prevalecentes.</p><p>A análise das camadas de gelo depositadas em glaciares e nas calotas</p><p>polares mostram uma rápida diminuição do pH da precipitação a partir do</p><p>início da Revolução Industrial, passando em média de 5,6 para 4,5 ou</p><p>mesmo 4,0 nalgumas regiões, mostrando um forte acidificação.</p><p>Igual conclusão é retirada da análise da prevalência de espécies de</p><p>diatomáceas em camadas de sedimento recolhidos do fundo de lagos,</p><p>confirmando a correlação entre a industrialização e a diminuição do pH da</p><p>precipitação.</p><p>A acção humana no nosso planeta é assim a grande responsável por este</p><p>fenómeno. As principais fontes humanas desses gases são as indústrias, as</p><p>centrais termoeléctricas e os veículos de transporte. Estes gases podem ser</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>88</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>88</p><p>transportados durante muito tempo, percorrendo milhares de quilómetros</p><p>na atmosfera antes de reagirem com partículas de água, originando ácidos</p><p>que mais tarde se precipitam.</p><p>A precipitação ácida ocorre quando a concentração de dióxido de enxofre</p><p>(SO2) e óxidos de azoto (NO, NO2, N2O5) é suficiente para reagir com as</p><p>gotas de água suspensas no ar (as nuvens).</p><p>Tipicamente, a chuva ácida possui um pH à volta de 4,5, podendo</p><p>transformar a superfície do mármore em gesso.</p><p>A chuva ácida industrial é um problema substancial na China, na Europa</p><p>Ocidental, na Rússia e em áreas sob a influência de correntes de ar</p><p>provenientes desses países. Os poluentes resultam essencialmente da</p><p>queima de carvão com enxofre na sua composição, utilizado para gerar</p><p>calor e electricidade. Mas nem sempre as áreas</p><p>onde são libertados os</p><p>poluentes, como as áreas industriais, sofrem as consequências dessas</p><p>chuvas, justamente porque a constante movimentação das massas de ar</p><p>transporta esses poluentes para zonas distantes. Por esta razão, a chuva</p><p>ácida é, também considerada uma forma de poluição transfronteiriça, já</p><p>que as regiões que não poluem podem ser severamente prejudicadas pela</p><p>sua precipitação.</p><p>Formação de chuvas ácidas</p><p>Os dois principais compostos que estão na origem deste problema</p><p>ambiental dão origem a processos diferentes de formação de ácidos:</p><p>1- O Enxofre</p><p>O enxofre é uma impureza frequente nos combustíveis fósseis,</p><p>principalmente no carvão mineral e no petróleo, que ao serem queimados</p><p>também promovem a combustão desse composto, de acordo com as</p><p>seguintes reacções químicas:</p><p>S (s) + O2 (g) ---› SO2 (g)</p><p>2 SO2 (g) + O2 (g) ---› 2 SO3 (g)</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>89</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>89</p><p>O enxofre e os óxidos de enxofre podem também ser lançados na atmosfera</p><p>pelos vulcões.</p><p>Os óxidos ácidos formados reagem com a água para formar ácido sulfúrico</p><p>(H2SO4), de acordo com a equação:</p><p>SO3 (g) + H2O (l) ---› H2SO4 (aq)</p><p>Ou pode também ocorrer a reação seguinte, formando-se ácido sulfuroso</p><p>(H2SO3):</p><p>SO2 (g) + H2O (l) ---› H2SO3 (aq)</p><p>O Azoto</p><p>O azoto (N2) é um gás abundante na composição da atmosfera e muito</p><p>pouco reactivo. Para reagir com o oxigénio do ar precisa de grande</p><p>quantidade de energia, como a que se liberta numa descarga eléctrica ou</p><p>no funcionamento de um motor de combustão. Estes motores são</p><p>actualmente os maiores responsáveis pela reacção de oxidação do azoto.</p><p>Os óxidos, ao reagir com água, formam ácido nitroso (HNO2) e ácido nítrico</p><p>(HNO3), de acordo com as seguintes reacções químicas:</p><p>Na câmara de combustão dos motores, ocorre a seguinte reacção</p><p>química:</p><p>N2 (g) + O2 (g) ---› 2 NO (g)</p><p>O monóxido de azoto (NO) formado, na presença do oxigénio do ar,</p><p>produz dióxido de azoto:</p><p>2 NO (g) + O2 (g) ---› 2 NO2 (g)</p><p>Por sua vez, o dióxido de azoto formado, na presença da água</p><p>(proveniente da chuva), forma ácidos de acordo com a equação:</p><p>2 NO2 (g) + H2O (l) ---› HNO3 (aq) + HNO2 (aq)</p><p>Impactos ambientais das chuvas acidas</p><p>Há uma forte relação entre baixos níveis de pH e a perda de populações de</p><p>peixes em lagos. Com um pH abaixo de 4,5, praticamente nenhum peixe</p><p>sobrevive, enquanto níveis iguais ou superiores a 6 promovem populações</p><p>saudáveis.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>90</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>90</p><p>O baixo pH também faz circular metais pesados como o alumínio nos lagos.</p><p>O alumínio faz com que alguns peixes produzam muco em excesso, na zona</p><p>das guelras, prejudicando assim a sua respiração. O crescimento do</p><p>fitoplâncton é inibido pelos grandes níveis de acidez e os animais que se</p><p>alimentam dele são dessa forma prejudicados.</p><p>As árvores são prejudicadas pelas chuvas ácidas de vários modos. A</p><p>superfície cerosa das suas folhas é rompida e os nutrientes perdem-se,</p><p>tornando as árvores mais susceptíveis ao gelo, a fungos e a insectos. O</p><p>crescimento das raízes torna-se mais lento e, em consequência disso,</p><p>menos nutrientes são transportados. Os iões tóxicos acumulam-se no solo</p><p>e os minerais valiosos para estas espécies são dispersados ou (no caso dos</p><p>fosfatos) tornam-se próximos à argila.</p><p>Os iões tóxicos libertados devido às chuvas ácidas constituem a maior</p><p>ameaça aos seres humanos. O cobre mobilizado foi implicado nas</p><p>epidemias de diarreia em crianças jovens e acredita-se que existem ligações</p><p>entre o abastecimento de água contaminado com alumínio e a ocorrência</p><p>de casos da doença de Alzheimer.</p><p>A chuva ácida liberta metais tóxicos que estavam no solo. Esses metais</p><p>podem contaminar os rios e serem inadvertidamente utilizados pelo</p><p>homem causando sérios problemas de saúde</p><p>A chuva ácida também ajuda a corroer alguns dos materiais utilizados nas</p><p>construções, danificando algumas estruturas, como as barragens, as</p><p>turbinas de geração de energia, etc.</p><p>Lagos - Os lagos podem ser os mais prejudicados com o efeito das chuvas</p><p>ácidas, pois podem ficar totalmente acidificados perdendo toda a sua vida.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>91</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>91</p><p>Desflorestação - A chuva ácida provoca clareiras, matando algumas árvores</p><p>de cada vez. Podemos imaginar uma floresta, que vai sendo</p><p>progressivamente dizimada, podendo eventualmente ser até destruída.</p><p>Agricultura - A chuva ácida afecta as plantações quase da mesma forma que</p><p>as florestas, no entanto a destruição é mais rápida, uma vez que as plantas</p><p>são todas do mesmo tamanho e assim, igualmente atingidas pelas chuvas</p><p>ácidas.</p><p>Possíveis soluções</p><p>De uma forma resumida, poderemos apontar algumas soluções que, a</p><p>serem adoptadas contribuirão decisivamente para a diminuição das chuvas</p><p>acidas:</p><p>✓ Incentivar a utilização dos transportes colectivos, como forma de</p><p>diminuir o número de veículos que circulam nas estradas.</p><p>✓ Utilizar metros (subterrâneos ou de superfície) em substituição à</p><p>frota de autocarros a diesel, ou então promover a sua substituição</p><p>por frotas não poluentes (com recurso a motores eléctricos, por</p><p>exemplo).</p><p>✓ Incentivar a descentralização industrial.</p><p>✓ Dessulfurar os combustíveis com alto teor de enxofre antes da sua</p><p>distribuição e consumo.</p><p>✓ Dessulfurar os gases de combustão nas indústrias antes do seu</p><p>lançamento na atmosfera.</p><p>✓ Subsidiar a utilização de combustíveis limpos (gás natural, energia</p><p>eléctrica de origem hidráulica, energia solar e energia eólica) em</p><p>fontes de poluição tipicamente urbanas como hospitais, lavandarias</p><p>e restaurantes.</p><p>✓ Utilizar combustíveis limpos em veículos, indústrias e caldeiras.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>92</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>92</p><p>Sumário</p><p>As chuvas ácidas são resultado de actividades antrópicas que resultam na</p><p>emissão de substâncias (enxofre e nitrogénio) e na atmosfera reagem com</p><p>a água, formando ácidos muito perigosos para a vida e outros processos</p><p>que ocorrem na terra. A mitigação dos impactos das chuvas ácidas, passa</p><p>necessariamente pela mudança de materiais que provocam a emissão de</p><p>enxofre e outros elementos associados.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Através de um exemplo, explica como é que as chuvas ácidas podem contribuir no</p><p>rendimento agrícola.</p><p>2- Entre um rio e um lago, onde e que os efeitos das chuvas acidas podem ser mais</p><p>severas. Justifica a sua resposta.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>93</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>93</p><p>UNIDADE Temática 3.4- Ilhas de calor (causas, efeitos e</p><p>possíveis medidas de mitigação)</p><p>Introdução</p><p>As ilhas de calor, constituem efeito de estufa localizado que normalmente</p><p>ocorrem em regiões altamente industrializadas. Nesta unidade temática</p><p>são abordados os factores relacionados com a ocorrência de ilhas de calor,</p><p>os efeitos e as possíveis soluções.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Explicar os factores da ocorrência de ilhas de calor</p><p>▪ Descrever os efeitos das ilhas de calor</p><p>▪ Identificar medidas de mitigação de ilhas de calor</p><p>Ilhas de calor (factores, impactos e possíveis soluções).</p><p>Os grandes centros urbanos vêm se transformando em “ilhas de calor”,</p><p>contribuindo significativamente para o aquecimento global. “Ilhas de calor”</p><p>é a designação dada à distribuição espacial e temporal da temperatura</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>94</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>94</p><p>sobre as cidades que apresentam um efeito,</p><p>efeitos e possíveis medidas de</p><p>mitigação) ....................................................................................................................... 86</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 87</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 92</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .............................................................................. 93</p><p>UNIDADE Temática 3.4- Ilhas de calor (causas, efeitos e possíveis medidas de</p><p>mitigação) ....................................................................................................................... 94</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 94</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 98</p><p>UNIDADE Temática 3.5- Desenvolvimento sustentável (conceito, variáveis da</p><p>sustentabilidades, indicadores do desenvolvimento sustentável ..................................... 99</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 99</p><p>Tabela- Princípios e indicadores de sustentabilidade ................................................... 131</p><p>Sumário ......................................................................................................................... 137</p><p>UNIDADE Temática 3.6- Gestão comunitária dos recursos naturais .......................... 139</p><p>Introdução ..................................................................................................................... 139</p><p>Sumário ......................................................................................................................... 142</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ............................................................................ 143</p><p>BIBLIOGRAFIA 144</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais 5</p><p>5</p><p>Visão geral</p><p>Benvindo ao Módulo de Fundamentos de estudos</p><p>ambientais</p><p>Objectivos do Módulo</p><p>Ao terminar o estudo deste módulo de Fundamentos de Estudos</p><p>Ambientais deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>✓ Contribuir para a formação de uma consciência de amor à</p><p>natureza aprofundando os conhecimentos sobre a</p><p>problemática da transformação e protecção da Natureza</p><p>em função do desenvolvimento;</p><p>✓ Identificar os principais problemas ambientais globais e</p><p>compreender as suas causas e consequências;</p><p>✓ Avaliar as consequências directamente relacionadas com</p><p>cada um dos problemas ambientais globais da actualidade;</p><p>✓ Analisar as possíveis soluções para a resolução, ou</p><p>mitigação, dos problemas que as comunidades enfrentam.</p><p>Quem deveria estudar este Módulo</p><p>Este Módulo, Fundamentos de Estudos Ambientais, foi concebido para</p><p>estudantes do 2º ano do curso de Licenciatura em Gestão Ambiental.</p><p>Contudo, poderá ocorrer, que haja leitores que queiram se actualizar e</p><p>consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem-vindos,</p><p>não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais 6</p><p>6</p><p>Como está estruturado este módulo</p><p>Este módulo, Fundamentos de Estudos, para estudantes do 2º ano do curso</p><p>de Licenciatura em Gestão Ambiental, à semelhança dos restantes da</p><p>UnISCED, está estruturado como se segue:</p><p>Páginas introdutórias</p><p>Um índice completo.</p><p>Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo</p><p>os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor</p><p>estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com</p><p>atenção antes de começar o seu estudo, como componente de</p><p>habilidades de estudos.</p><p>Conteúdo deste módulo</p><p>Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez</p><p>comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente</p><p>unidades, cada unidade temática se caracteriza por conter uma</p><p>introdução, objectivos, conteúdos.</p><p>No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são</p><p>incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só</p><p>depois é que aparecem os exercícios de avaliação.</p><p>Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: puros</p><p>exercícios teóricos/práticos e actividades práticas.</p><p>Outros recursos</p><p>A equipa dos académicos e pedagogos da UnISCED, pensando em</p><p>si, num cantinho, recóndito deste nosso vasto Moçambique e cheio</p><p>de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem,</p><p>apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu</p><p>módulo para você explorar. Para tal a UnISCED disponibiliza na</p><p>biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos</p><p>relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-</p><p>ROOM, DVD. Para além deste material físico ou electrónico</p><p>disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital</p><p>moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais 7</p><p>7</p><p>Auto-avaliação e Tarefas de avaliação</p><p>As Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no</p><p>final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos</p><p>exercícios de auto-avaliação apresentam duas características:</p><p>primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo,</p><p>exercícios que mostram apenas respostas.</p><p>Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação</p><p>mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de</p><p>dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.</p><p>Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo</p><p>a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção</p><p>e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do</p><p>módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de</p><p>avaliação é uma grande vantagem.</p><p>Comentários e sugestões</p><p>Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados</p><p>aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico-</p><p>Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.</p><p>Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de</p><p>confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser</p><p>melhorado.</p><p>Ícones de actividade</p><p>Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das</p><p>folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo</p><p>de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova</p><p>actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.</p><p>Habilidades de estudo</p><p>O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender.</p><p>Aprender aprende-se.</p><p>Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a</p><p>aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho,</p><p>dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se</p><p>conseguem com estratégias</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais 8</p><p>8</p><p>eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando</p><p>estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que</p><p>caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos,</p><p>procedendo como se segue:</p><p>1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura.</p><p>2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).</p><p>3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica</p><p>dos conteúdos (ESTUDAR).</p><p>4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua</p><p>aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão.</p><p>5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades</p><p>como uma espécie de ilha</p><p>quente localizada.</p><p>As ilhas de calor surgem da simples presença de edificações e das alterações</p><p>de paisagens feitas pelo homem nas cidades. A superfície urbana apresenta</p><p>especificidades em relação à capacidade térmica e a densidade dos</p><p>materiais utilizados na sua construção: asfalto, concreto, telhas, vidros.</p><p>Esses materiais, que constituem as superfícies urbanas, tais como: ruas,</p><p>prédios, telhados, estacionamentos, etc. caracterizam-se pela grande</p><p>capacidade de reflexão e emissão de radiação térmica, diferenciadas em</p><p>relação às áreas rurais e paisagens naturais. Dificultam a impermeabilização</p><p>da superfície e provocam alterações do albedo.</p><p>O modelo geométrico definido pelas construções de casas, prédios e ruas</p><p>das cidades, denominado “Cânion Urbano”, corresponde à cavidade de ar</p><p>acima das ruas, limitado lateralmente pelas paredes das edificações. A</p><p>parte superior da cavidade é aberta para o céu permitindo apenas a entrada</p><p>e saída limitada da radiação solar durante o dia e a saída da radiação</p><p>infravermelha ao longo do dia.</p><p>Causas das ilhas de calor</p><p>Causas que explicam a formação das ilhas de calor nas grandes cidades:</p><p>Poluição do ar: o efeito de interacção e a poluição atmosférica, constituída</p><p>de partículas e de diferentes gases, como os gases do efeito estufa,</p><p>provocam alterações locais no balanço de energia e radiação contribuindo</p><p>para a formação das ilhas de calor.</p><p>Fontes antrópicas de calor: emissões antrópicas de calor, a humidade</p><p>associada à queima de combustíveis fósseis, o funcionamento dos</p><p>aparelhos de ar condicionados. As fontes antrópicas , aumentam a</p><p>quantidade de gás carbónico e, em consequência, aumentam também a</p><p>temperatura dos centros urbanos.</p><p>Mudanças no balanço da radiação: a retenção da radiação solar,</p><p>decorrentes do efeito da geometria do “Cânion urbano”, agravada pela</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>95</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>95</p><p>elevação dos prédios e redução na largura das ruas, alterando o albedo</p><p>urbano, aumentando a absorção dos raios infravermelhos, elevando a</p><p>temperatura média nas grandes cidades.</p><p>Redução das áreas verdes: diminuição do efeito da evapotranspiração pela</p><p>impermeabilização das superfícies urbanas e redução das áreas verdes nas</p><p>cidades. A redução das áreas cobertas por vegetação, diminui a extensão</p><p>das superfícies de evaporação dos lagos e rios e a evaporação dos parques,</p><p>bosques, jardins e bulevares. Assim como outras actividades humanas,</p><p>também alteram os microclimas urbanos contribuindo para o aumento do</p><p>desconforto ambiental nas grandes cidades.</p><p>Albedo de uma superfície</p><p>A radiação solar, ao incidir sobre qualquer corpo, vai, em maior ou menor</p><p>quantidade, sofrer uma mudança de direcção, sendo reenviada para o</p><p>espaço por reflexão.</p><p>A fracção de energia reflectida por uma superfície em relação ao total de</p><p>energia nela incidente (expresso em percentagem) designa-se por albedo.</p><p>As superfícies de cor clara, como a neve, têm um albedo elevado,</p><p>reflectindo quase a totalidade da energia solar nelas incidente, logo não</p><p>aquecem muito.</p><p>As superfícies de cor escura têm uma albedo muito fraco, o que se traduz</p><p>numa grande absorção de radiação solar e num consequente aquecimento.</p><p>As florestas têm um albedo fraco, na medida em que são corpos</p><p>relativamente escuros e de superfície desigual.</p><p>Por outro lado, quanto maior a inclinação dos raios solares maior é o albedo.</p><p>O albedo é definido como o índice de reflexão dos raios solares. Quanto</p><p>maior a reflexão, menor será o calor acumulado. Ao atingirem a superfície,</p><p>os raios solares encontram diferentes materiais como o gelo ou o asfalto, o</p><p>gelo é muito claro e por isso reflecte a maior parte da energia solar (albedo</p><p>de 50 a 70% e absorve 50 a 30%), a cidade é muito mais escura e reflecte</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>96</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>96</p><p>apenas de 14 a 18% (absorve 86 a 82% da energia solar).</p><p>Consequentemente a cidade é muito mais quente que as superfícies</p><p>brancas. Por sua vez, as florestas reflectem de 3 a 10% e a água reflecte de</p><p>2 a 4%.</p><p>Efeitos das ilhas de calor</p><p>São fenómenos microclimáticos favoráveis ao aumento da temperatura em</p><p>uma área que pode chegar até 10 graus de diferença em relação as áreas</p><p>no entorno</p><p>Contribui para o aumento da precipitação convectiva, das tempestades</p><p>associadas a nuvens do tipo cúmulos-nimbos , sobre a área urbana e ao</p><p>arrastamento desse sistema.</p><p>Agravam as ondas de calor, provocando o aumento da mortalidade de</p><p>idosos e doentes, com redução da capacidade termorreguladora corpórea.</p><p>Medidas de mitigação das ilhas de calor</p><p>Evitar a impermeabilização solo urbano: reduzir as áreas pavimentadas,</p><p>para permitir o aumento do processo de evaporação e</p><p>evapotranspiração urbana, que contribui também para diminuir a</p><p>incidência de enchentes e deslizamentos de terra.</p><p>Aumento das áreas verdes na cidade: a vegetação diminui os índices de</p><p>calor e ajuda na manutenção da humidade do ar, bem como a absorção dos</p><p>gases, como o dióxido de carbono, emitidos pela queima dos combustíveis</p><p>fósseis nos veículos e chaminés das indústrias.</p><p>Evitar a construção de prédios muito altos e muito próximos uns dos outros,</p><p>os quais aumentam o grau do “Cânion urbano”, contribuindo para o</p><p>deslocamento do ar quente para outras áreas da região.</p><p>Proibir o uso de aparelhos de ar condicionados, a fim de diminuir a elevação</p><p>média da temperatura.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>97</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>97</p><p>Diminuir a circulação de veículos automotores movidos a combustíveis</p><p>fósseis, cuja queima contribui para o aumento da poluição e do efeito</p><p>estufa, cada vez maior na camada atmosférica, que impede a dissipação do</p><p>calor no período nocturno.</p><p>Substituir o uso de concreto nas grandes edificações por outros materiais</p><p>que absorvam o calor durante o dia, reduzindo a temperatura no interior</p><p>da cidade.</p><p>Filtrar a emissão dos gases poluentes, gerados pela poluição das fábricas,</p><p>que atacam a camada de ozónio nas partes mais baixa da atmosfera. Estes,</p><p>oxidam-se e, com a humidade da chuva, transformam-se em ácidos que, ao</p><p>se precipitarem, atacam o solo, a água e as plantas.</p><p>Substituir as calçadas concretizadas por calçadas sextavadas ou de</p><p>montagem, pois proporcionam uma melhor absorção da água das chuvas,</p><p>irrigando o solo logo abaixo das calçadas.</p><p>Uso obrigatório de catalisadores nos veículos automotores e motocicletas,</p><p>para diminuir a emissão de gases que aumentam o efeito estufa.</p><p>Cuidar dos rios e lagos existentes na cidade, pois estes contribuem para a</p><p>diminuição da poluição, com a evapotranspiração.</p><p>Sumário</p><p>As ilhas de calor são típicos dos centros urbanos pelas suas características</p><p>que favorecem a ocorrência do fenómeno. Caracterizam-se pelo</p><p>aquecimento relativamente elevado em relação as regiões adjacentes,</p><p>como resultado da interacção duma diversidade de factores com destaque</p><p>a concentração das fontes de emissão de gases com maior poder de</p><p>retenção de calor, reduzidos espaços verdes, asfaltos e a influencia dos</p><p>edifícios na circulação do ar.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>98</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>98</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Explica a função dos espaços verdes na mitigação dos efeitos de ilhas de</p><p>calor</p><p>2- Explica as causas da ocorrência de ilhas de calor nos centros urbanos</p><p>UNIDADE Temática 3.5- Desenvolvimento sustentável</p><p>(conceito, variáveis da sustentabilidades, indicadores do</p><p>desenvolvimento sustentável</p><p>Introdução</p><p>O desenvolvimento sustentável é uma utopia orientadora dos processos de</p><p>desenvolvimento. Nesta unidade temática são apresentadas as linhas</p><p>orientadoras do desenvolvimento, destacando as diferentes variáveis de</p><p>desenvolvimento, indicadores de desenvolvimento, as características de</p><p>desenvolvimento sustentável para além das estratégias de implementação.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Descrever as variáveis de sustentabilidade</p><p>▪ Identificar os indicadores sociais, económicos e ambientais do</p><p>desenvolvimento sustentável</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>99</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>99</p><p>Desenvolvimento sustentável (conceito, variáveis da sustentabilidades,</p><p>indicadores do desenvolvimento sustentável e eventos em prol do</p><p>desenvolvimento sustentável</p><p>O desenvolvimento sustentável trata de revitalizar o crescimento</p><p>económico, reorientando-o de maneira que as questões ambientais sejam</p><p>incluídas nos cálculos económicos.</p><p>O desenvolvimento sustentável é um tipo de desenvolvimento orientado a</p><p>garantir a satisfação das necessidades fundamentais da população e a</p><p>elevar a sua qualidade de vida, por meio do maneio racional dos recursos</p><p>naturais, propiciando sua conservação, sua recuperação, sua melhoria e</p><p>usos adequados, por intermédio de processos participativos e de esforços</p><p>locais e regionais, de tal maneira que tanto esta geração quanto as futuras</p><p>tenham a possibilidade de usufrui-los com equilíbrio físico e psicológico,</p><p>sobre bases éticas e de equidade, garantindo-se a vida em todas as suas</p><p>manifestações e a sobrevivência da espécie humana.</p><p>O desenvolvimento sustentável pode ser analisado como um conceito</p><p>(metaconceito) inacabado e aberto, um modo de linguagem nova na</p><p>relação humana com a biosfera e seus processos.</p><p>De acordo Herrero (1992), o conceito (metaconceito) de desenvolvimento</p><p>sustentável apresenta quatro vantagens:</p><p>Baseia-se em um acordo geral quanto à definição de toda uma série de</p><p>problemas inter-relacionados e em torno do contexto no qual é preciso</p><p>buscar soluções.</p><p>Trata-se de um conceito de aplicabilidade universal.</p><p>Significa uma unificação de interesses tradicionalmente contrários.</p><p>▪ Descrever as características e estratégias de desenvolvimento</p><p>sustentável</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>100</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>100</p><p>Abre um espaço de reconciliação entre economia e ecologia, reforçando a</p><p>estratégia de crescimento económico sobre a base de transformações em</p><p>sua estrutura.</p><p>Variáveis da sustentabilidade</p><p>Sustentabilidade ecológica</p><p>Base física do processo de crescimento e tem como objectivo a conservação</p><p>e o uso racional do estoque de recursos naturais incorporados às</p><p>actividades produtivas</p><p>Sustentabilidade ambiental</p><p>Capacidade de suporte dos ecossistemas associados de absorver ou se</p><p>recuperar das agressões derivadas da acção humana (acção antrópica),</p><p>implicando um equilíbrio entre as taxas de emissão e/ou produção de</p><p>resíduos e as taxas de absorção e/ou regeneração da base natural de</p><p>recursos</p><p>Sustentabilidade demográfica</p><p>Os limites da capacidade de suporte de determinado território e de sua</p><p>base de recursos e implica cotejar os cenários ou as tendências de</p><p>crescimento económico com as taxas demográficas, sua composição etária</p><p>e os contingentes de população economicamente activa esperados</p><p>Sustentabilidade cultural</p><p>Necessidade de manter a diversidade de culturas, valores e práticas</p><p>existentes no planeta, no país e/ou numa região e que integram ao longo</p><p>do tempo as identidades dos povos</p><p>Sustentabilidade social</p><p>Objectiva promover a melhoria da qualidade de vida e a reduzir os níveis de</p><p>exclusão social por meio de políticas de justiça redistributiva</p><p>Sustentabilidade política</p><p>Relacionada à construção da cidadania plena dos indivíduos por meio do</p><p>fortalecimento dos mecanismos democráticos de formulação e de</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>101</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>101</p><p>implementação das políticas públicas em escala global, diz respeito ainda</p><p>ao governo e à governabilidade nas escalas local, nacional e global</p><p>Sustentabilidade institucional</p><p>Necessidade de criar e fortalecer engenharias institucionais e/ou</p><p>instituições cujo desenho e aparato já levem em conta critérios de</p><p>sustentabilidade</p><p>Indicadores de desenvolvimento sustentável</p><p>Económicos</p><p>✓ Crescimento</p><p>✓ Equidade</p><p>✓ Eficiência</p><p>Sociais</p><p>✓ Participação</p><p>✓ Equidade</p><p>✓ Organização</p><p>✓ Identidade cultural</p><p>✓ Desenvolvimento institucional</p><p>✓ Educação</p><p>Ambientais</p><p>✓ Protecção</p><p>✓ Restauração</p><p>✓ Conservação</p><p>✓ Auto-regulação</p><p>✓ Biodiversidade</p><p>✓ Emissões globais</p><p>Características do desenvolvimento sustentável</p><p>O desenvolvimento sustentável pode ser analisado como um conceito</p><p>(metaconceito) inacabado e aberto, um modo de linguagem nova na</p><p>relação humana com a biosfera</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>102</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>102</p><p>e seus processos, assinalando um horizonte no qual se situa uma cidadania</p><p>mais preocupada e conscientizada, governos comprometidos e</p><p>pesquisadores que tratam de recuperar o sentido da ciência.</p><p>De acordo Herrero (1992), o conceito (metaconceito) de desenvolvimento</p><p>sustentável apresenta as seguintes vantagens : Baseia-se em um acordo</p><p>geral quanto à definição de toda uma série de problemas inter-relacionados</p><p>e em torno do contexto no qual há que buscar soluções; Trata-se de um</p><p>conceito de aplicabilidade universal; Significa uma unificação de interesses</p><p>tradicionalmente contrários; Abre uma fenda de reconciliação entre</p><p>economia e ecologia, reforçando a estratégia de crescimento econômico</p><p>sobre a base de transformações em sua estrutura.</p><p>Com efeito, ao se considerar que os fatores de produção são os recursos</p><p>naturais, a mão-de-obra e o capital, o uso de menos recursos naturais</p><p>torna-se possível empregando-se uma maior quantidade dos outros dois</p><p>factores.</p><p>Por sua vez, Daly, citado por Rivas (1997), afirma que para que uma</p><p>sociedade seja fisicamente sustentável, seus insumos globais, materiais e</p><p>energéticos devem cumprir três condições: que suas taxas de utilização de</p><p>recursos não renováveis não excedam as suas taxas de regeneração; que</p><p>tampouco excedam a taxa com a qual os substitutivos renováveis se</p><p>recuperam, e que suas taxas de emissão de agentes contaminantes estejam</p><p>de acordo com a capacidade de assimilação do meio ambiente.</p><p>A teoria de sistemas, segundo Meadows e Randers (1992), explica que uma</p><p>sociedade sustentável é aquela que põe em funcionamento os mecanismos</p><p>de informação, sociais e institucionais, para manter sob controle os</p><p>aspectos positivos de retroalimentação ou acção corretiva de seus</p><p>processos, que geram o crescimento exponencial da população e o capital.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>103</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>103</p><p>Caso o sistema economico funcionasse como um sistema fechado e isolado,</p><p>não promoveria o intercâmbio de matéria e energia com o exterior, e</p><p>tampouco seria afectado pelos processos sociais de mudança, isto é,</p><p>precisaria de "meio ambiente". Porém a realidade mostra que isto não é</p><p>assim e que o sistema econômico funciona com uma dinâmica de sistema</p><p>aberto. Logo, a análise econômica vem introduzindo considerações de tipo</p><p>histórico, social e institucional, porém não tem se aprofundado nos</p><p>princípios energéticos, ecológicos e ambientais, de vital importância para a</p><p>economia.</p><p>Trata-se pois de um conceito dinâmico, no qual o sistema econômico e o</p><p>ecossistema complementam-se. Trata-se de uma estratégia planetária, na</p><p>qual todos os grupos sociais e todas as nações se acham comprometidas.</p><p>Do ponto de vista político, é que o conceito de desenvolvimento deve</p><p>incluir valores como a liberdade ideológica e política, para o qual o sistema</p><p>político</p><p>e social devem prover os mecanismos e canais adequados. Isto leva</p><p>à necessidade de instituições democráticas que sejam coerentes com o</p><p>passado histórico de cada nação e com o sistema de valores de sua</p><p>população. Esses valores requerem mecanismos e instituições que</p><p>permitam a livre expressão de cada membro da comunidade e sua</p><p>participação nos processos de tomada de decisões. Mediante a participação</p><p>efetiva é que o processo de desenvolvimento pode ser orientado para os</p><p>objetivos dos valores da sociedade. Esse objectivo é um componente</p><p>indispensável do desenvolvimento, conceito que não se pode restringir à</p><p>satisfação das necessidades biológicas de sobrevivência ou materiais,</p><p>criadas pelo sistema socioeconômico.</p><p>Na perspectiva ética, o conceito de desenvolvimento deve respeitar valores</p><p>de justiça social e de eqiidade economica, impedir a discriminação social,</p><p>política, religiosa ou economica, de todo tipo, e garantir a segurança</p><p>individual e coletiva, assim como o respeito aos direitos humanos.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>104</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>104</p><p>É indiscutível que a pobreza, as situações de sub-consumo, a falta de</p><p>emprego ou as desigualdades de acesso ao mesmo e aos meios produtivos,</p><p>incluindo, de forma particular, a falta de acesso ao conhecimento científico</p><p>e tecnológico, não são somente incompatíveis com o conceito de</p><p>desenvolvimento, mas os maiores obstáculos para a sua consecução. Suas</p><p>existências são causas de desajustes sociais, de conflitos políticos e</p><p>econômicos, e convidam à violência dos direitos humanos básicos: o direito</p><p>a sobreviver decentemente. Conduzem a situações de domínio e opressão,</p><p>à subordinação de indivíduos e grupos sociais com a conseqüente perda de</p><p>liberdade.</p><p>O desenvolvimento como meta e tarefa, isto é, como projecto, deve</p><p>garantir que os mecanismos, estruturas e processos que permitem a</p><p>satisfação de necessidades inerentes ao indivíduo e à sociedade sejam</p><p>preservados e desenvolvidos definitivamente, para um maior bem-estar da</p><p>sociedade presente e futura.</p><p>Cada visão de sustentabilidade abre um campo de opções políticas e</p><p>estratégicas. Assim, o discurso convencional sobre desenvolvimento</p><p>sustentável estabelece a necessidade de se incorporar os custos</p><p>ambientais, isto é, os custos que qualquer ação exerce sobre o meio</p><p>ambiente (impactos, contaminação, resíduos, restauração) aos processos</p><p>de tomada de decisões. O cálculo e a incorporação destes custos,</p><p>entretanto, são assumidos como coisas triviais, que não estão pré-</p><p>estabelecidos e que nem sempre são traduzíveis a preços de mercado, já</p><p>que implicam processos ecológicos, valores culturais e interesses sociais,</p><p>muitas vezes divergentes.</p><p>A idéia de se construir uma "racionalidade produtiva alternativa" é</p><p>novamente cobrada, na qual o ambiente não seja avaliado como um custo,</p><p>mas como um potencial produtivo. Porém, para esta concepção de</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>105</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>105</p><p>sustentabilidade, o potencial ambiental resultante em cada caso dependerá</p><p>de diferentes estratégias possíveis de maneio dos recursos naturais, que</p><p>dependem consequentemente das particulares condições ecológicas,</p><p>econômicas, culturais e políticas de cada Estado e de cada município (Leff,</p><p>1996).</p><p>Para Rivas (1997), ante os preocupantes sinais de crescimento</p><p>insustentável da sociedade, as respostas possíveis são três:</p><p>✓ Uma primeira resposta mais ou menos convencional: disfarçar,</p><p>negar ou confundir; isto se consegue escondendo e exportando os</p><p>resíduos, controlando preços, transladando os custos ao meio</p><p>ambiente, buscando novos recursos, etc.</p><p>✓ Uma segunda resposta consiste em aliviar a pressão do planeta</p><p>mediante artifícios de tipo tecnológico (tecnosfera), porém sem</p><p>abordar as causas profundas que subjazem sob os problemas</p><p>(sociosfera); trata-se de uma posição ambientalista de caráter</p><p>reformista, que apesar de ser necessária nunca pode ser definitiva.</p><p>✓ A terceira resposta é aquela que segue na direção do replanear as</p><p>coisas a partir de uma análise profunda das causas e da mudança</p><p>das estruturas; é evidente que esta posição tem um sentido moral</p><p>mais profundo, razão pela qual seja também a mais sustentável.</p><p>A sustentabilidade obedece linhas bem definidas, a saber:</p><p>✓ Valores sociais como a eficiência, justiça e eqüidade.</p><p>✓ Regeneração dos valores políticos (e da prática política).</p><p>✓ Suficiência material e segurança para todos.</p><p>✓ Estabilidade populacional em seu mais amplo sentido.</p><p>✓ Trabalho como forma de realização e dignidade pessoal.</p><p>✓ Economia como um meio e não como um fim.</p><p>✓ Sistemas de energia eficientes e renováveis.</p><p>✓ Sistemas de materiais cíclicos e eficientes.</p><p>✓ Agricultura regenerativa de solos.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>106</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>106</p><p>✓ Acordo social sobre certos impactos que a Natureza não pode</p><p>assumir.</p><p>✓ Preservação da diversidade biológica e cultural.</p><p>✓ Estruturas políticas que permitam um equilíbrio entre o curto e</p><p>o longo prazo.</p><p>✓ Resolução dialogada dos conflitos.</p><p>As linhas anteriores podem também ser interpretadas sob três condições</p><p>para que o desenvolvimento sustentável seja uma alternativa viável:</p><p>progresso científico, tecnologia social e nova estrutura de tomada de</p><p>decisões. O progresso científico segue sendo necessário em distintas</p><p>frentes, como o da investigação na busca de métodos mais eficientes no</p><p>uso da energia ou dos materiais. A tecnologia social, em forma de</p><p>instrumentos mais adequados para o estudo das sociedades, suas</p><p>dinâmicas e estruturas, são imprescindíveis para que se possa sair do círculo</p><p>vicioso do comportamento humano como espécie, tanto ao nível individual,</p><p>como ao dos estados-nações. Uma nova estrutura na tomada de decisões</p><p>pode favorecer a integração dos factores socioeconomicos e ambientais na</p><p>definição das políticas a serem seguidas e nos esquemas de planeamento e</p><p>gestão.</p><p>Paradigmas e estrategias de desenvolvimento</p><p>Segundo Gómez Orea (1997), nos países economicamente mais</p><p>desenvolvidos, o conceito de integração ambiental nas actividades</p><p>economicas substitui a percepção do meio ambiente como obstáculo ao</p><p>desenvolvimento, sendo considerado, por outro lado, como um grande</p><p>fundo de emprego e de renda, capaz de absorver os activos originados pela</p><p>agricultura e pela indústria.</p><p>O emprego se converte não somente em fornecimento de renda, mas</p><p>também como instrumento de</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>107</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>107</p><p>inserção na sociedade. A idéia, segundo o autor, é aplicável aos setores</p><p>clássicos da economia, a saber:</p><p>O meio rural: Diante da crise agrícola mais ou menos generalizada na</p><p>Europa, o meio rural percebe um raio de esperança na crise ambiental, pois</p><p>esta pode muito bem trazer como conseqeência o reconhecimento das</p><p>funções cumpridas pelo campo nos centros de actividade economica e no</p><p>conjunto da sociedade na medida em que os centros de atividade industrial</p><p>são produtores finais de contaminação, o campo é o sumidouro final dos</p><p>poluentes atmosféricos e um filtro para os resíduos. Os centros de</p><p>actividade industrial estão submetidos ao princípio de "quem contamina</p><p>paga", aos habitantes rurais pode ser aplicado esse mesmo princípio, no</p><p>sentido positivo: "o que conserva cobra". O campo dispõe de recursos</p><p>ambientais crescentemente demandados pela sociedade, alguns tão</p><p>intangíveis quanto a paisagem, porém suscetíveis de gerar actividades</p><p>economicas e de actuar como veículos de transferência de rendas urbanas</p><p>para o meio rural.</p><p>O setor industrial: No setor industrial as exigências ambientais actuam</p><p>como um elemento indesejável porém dinamizador para a revisão</p><p>dos</p><p>processos produtivos, que devem ser adaptados a uma norma de acordo</p><p>com tais exigências. Tudo isto significa um esforço em Investigação e</p><p>Desenvolvimento que tem, pelo menos, três efeitos a médio prazo: A</p><p>diminuição dos resíduos industriais; A melhoria da eficiência produtiva em</p><p>termos de matéria-prima e energia; A geração de uma nova indústria de</p><p>equipamentos ambientais e tecnologias corretivas.</p><p>O sector de serviços: No setor de serviços o meio ambiente constitui um</p><p>importantíssimo campo de actividades, abrangendo a pesquisa,</p><p>capacitação, formação, consultoria e engenharia ambiental, seguros e as</p><p>instituições financeiras.</p><p>Na perspectiva da economia produtiva e do emprego, o meio ambiente é</p><p>um fator de localização de actividades economicas de vanguarda, que</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>108</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>108</p><p>buscam climas agradáveis, ambientes limpos, entornos ordenados, etc., e</p><p>que desprezam os lugares desprestigiados em virtude da degradação</p><p>ambiental.</p><p>Uma bela paisagem, que nada mais é do que a manifestação externa do</p><p>ambiente supostamente sadio, é indissociável de uma correta ordenação</p><p>do território. Ao contrário, um ambiente degradado evidencia uma</p><p>negligência na gestão do desenvolvimento e da ordem territorial.</p><p>A visão renovadora</p><p>Para Leff (1996), vários sucessos inesperados chamaram a atenção mundial</p><p>nos últimos anos: a queda do socialismo, a competição dos mercados</p><p>internacionais, os tratados de livre comércio, as mudanças constitucionais</p><p>referentes à liberação do campo, a participação da sociedade civil na</p><p>política, o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas e o</p><p>agravamento dos conflitos interétnicos e da pobreza no mundo. Neste</p><p>contexto, acentuam-se e globalizam-se os problemas de degradação do</p><p>ambiente, que exigem uma nova condição ao processo de desenvolvimento</p><p>tendo em conta a sustentabilidade.</p><p>A questão ambiental abre assim uma nova perspectiva para as políticas de</p><p>desenvolvimento, indo além dos problemas estruturais e conjunturais</p><p>relativos à boa saúde da economia. Portanto, se o ambiente for concebido</p><p>como uma nova dimensão dos processos de desenvolvimento, esta</p><p>dimensão não pode ficar circunscrita a um novo sector da economia, por</p><p>atravessar com seu caráter trans-setorial todas as esferas da administração</p><p>pública e do planeamento do desenvolvimento.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>109</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>109</p><p>Por tudo isto vincula-se a questão ambiental à economia e à democracia,</p><p>no seguinte sentido:</p><p>✓ A necessidade de um desenvolvimento alternativo não se detém no</p><p>livre jogo dos partidos políticos e na alternância destes partidos no</p><p>poder, evitando assim que um partido hegemônico e um poder</p><p>totalitário dirijam os destinos da sociedade. Este objectivo político</p><p>não romperia necessariamente o círculo fechado do poder</p><p>economico dominante como via única para entender e empreender</p><p>os processos de produção e distribuição de riquezas.</p><p>✓ O que se estabelece é a necessidade de que a tomada de decisões</p><p>seja mais consensual e participativa, é a necessidade de se examinar</p><p>o núcleo de racionalidade e os mecanismos internos da economia,</p><p>dos quais depende a possibilidade de internalizar em seus</p><p>paradigmas e instrumentos as condições de sustentabilidade</p><p>ecológica e os princípios de justiça social.</p><p>As opções econômicas não somente oscilam entre um modelo</p><p>protecionista, constrangido pelas ineficácias da burocracia estatal, e um</p><p>modelo neoliberal, baseado no espírito empresarial e nas vantagens</p><p>comparativas da economia ante o mercado mundial. A transição para a</p><p>democracia, do mesmo modo, não implica tão-somente a ocorrência de</p><p>eleições livres e transparentes e a possibilidade da alternância que rompa</p><p>o monopólio do poder de um partido, mas que incorpore o propósito de</p><p>votar por formas participativas de governo e por um projecto economico</p><p>que atenda às carências básicas da população, com base no</p><p>aproveitamento racional dos recursos.</p><p>Crise ambiental versus questão ambiental e ambientalismo</p><p>A crise ambiental surgiu como uma consciência crítica sobre os limites de</p><p>crescimento econômico, como uma manifestação da crise da racionalidade</p><p>economica imperante. Através desta situação emerge a necessidade de</p><p>construção de um novo</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>110</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>110</p><p>paradigma (padrão) produtivo, capaz de preservar os recursos e</p><p>desenvolver as forças produtivas da Natureza para aliviar a pobreza e</p><p>melhorar as condições de vida da sociedade em seu conjunto, sobre</p><p>princípios de uma gestão participativa dos recursos e novas bases</p><p>produtivas que apontem para uma concepção alternativa do</p><p>desenvolvimento dos povos.</p><p>O ambientalismo propõe condições de um desenvolvimento</p><p>fundamentalmente endógeno, ecologicamente sustentável, socialmente</p><p>equitativo, regionalmente equilibrado e economicamente sustentável.</p><p>O ambientalismo objectiva aum processo social de construção de uma</p><p>racionalidade ambiental, que implica toda uma série de mudanças, que</p><p>atingem desde os valores da Natureza e do consumo até as transformações</p><p>institucionais e no campo do conhecimento.</p><p>Estes princípios ambientais abrem a possibilidade de se edificar uma</p><p>economia descentralizada, de mobilizar um desenvolvimento orientado a</p><p>fortalecer as capacidades produtivas de cada região e de cada localidade,</p><p>visando alcançar a auto-suficiência alimentar e satisfazer as necessidades</p><p>básicas da população mas também de fomentar o desenvolvimento integral</p><p>do ser humano e de combater os efeitos da segregação e da exclusão das</p><p>minorias em benefício das maiorias, fortalecendo o desenvolvimento de</p><p>cada comunidade a partir de suas diferenças culturais e suas condições</p><p>ecológicas.</p><p>O ambientalismo não fornece apenas uma dimensão a mais à racionalidade</p><p>economica unidimensional e homogeneizantemente dominante,</p><p>apontando para a necessidade de internalizar no sistema economico os</p><p>princípios de sustentabilidade ecológica, de equidade social e de</p><p>diversidade cultural, buscando a construção de uma alternativa</p><p>racionalidade produtiva que permita outra concepção de desenvolvimento</p><p>mais sistemica e integradora (Leff, 1996).</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>111</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>111</p><p>Os mecanismos de equilíbrio econOmico e as leis de mercado infuem</p><p>ngativamente nas condições ecológicas e sociais de sustentabilidade e de</p><p>toda a produção, alertando o papel normativo e regulador do Estado, tendo</p><p>o Direito como instrumento, assim como a gestão participativa da</p><p>sociedade nas políticas ambientais de um país e nas suas políticas</p><p>macroeconomicas.</p><p>As políticas de ajuste estrutural, sob as quais se tem procurado revitalizar</p><p>as economias nacionais, têm acentuado as desigualdades entre países em</p><p>desenvolvimento e ricos, a iniquidade social ao nível interno, os déficits</p><p>comerciais e a vulnerabilidade ante a economia mundial, assim como os</p><p>índices de pobreza e de degradação ambiental.</p><p>A questão ambiental é eminentemente política, além de sistêmica, emerge</p><p>no campo dos conflitos sociais nos quais se definem concepções diferentes,</p><p>abertas a diversos sentidos e opções para suas respectivas</p><p>implementações. Não basta, pois, acrescentar o propósito de</p><p>sustentabilidade ao crescimento econômico, sendo necessário construir</p><p>conceitos que venham a fundir estratégias e práticas alternativas de</p><p>desenvolvimento.</p><p>A inquietação pela deterioração ambiental que se manifestou ao final da</p><p>década de setenta levou implícita uma violenta crítica ao dominante</p><p>conceito de desenvolvimento, no qual prevaleciam aspectos economicos,</p><p>em particular a idéia de crescimento.</p><p>Nesta perspectiva, o</p><p>crescimento/desenvolvimento era negativo, havia adquirido um caráter de</p><p>cancer e a sobrevivência da espécie humana e do planeta exigia que os</p><p>crescimentos explosivos, tanto da população como da economia, deveriam</p><p>ser controlados ou mesmo terminar.</p><p>Adotou-se assim a expressão crescimento zero (malthusianismo). O</p><p>malthusianismo afirma que a população aumenta numa progressão</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>112</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>112</p><p>geométrica, ao passo que os recursos disponíveis à sobrevivência seguem</p><p>uma progressão aritmética. Portanto, visto desta forma, a população vai</p><p>aumentando até ultrapassar o limite de sobrevivência, fenomeno que</p><p>somente pode ser contido pelo próprio ser humano, atraves de politicas</p><p>especificas. Para o malthusianismo, a possibilidade de aumento sustentável</p><p>da população encontra um limite no caráter finito dos recursos disponíveis.</p><p>Os anos sessenta e setenta foram épocas de uma severa crítica ao</p><p>desenvolvimento entendido como crescimento economico, visto por alguns</p><p>como causa primeira da deterioração ambiental (Conferência de Estocolmo</p><p>1972 e o conceito de eco-desenvolvimento). Porém, a década dos oitenta</p><p>presenciou a paralisação e o retrocesso do bem-estar de uma grande parte</p><p>da Humanidade. A falta de crescimento economico impediu o</p><p>desenvolvimento e se traduziu em maior pobreza, causando uma maior</p><p>pressão sobre o sistema natural.</p><p>Em meados da década de 80 promoveu-se o conceito de desenvolvimento</p><p>em escala humana. Este desenvolvimento tem como bases a "satisfação das</p><p>fundamentais necessidades humanas, a geração de níveis de crescimento</p><p>de auto-dependência e a articulação orgânica dos seres humanos com a</p><p>Natureza e com a tecnologia, dos processos globais com os</p><p>comportamentos locais, do pessoal com o social, do planeamento com a</p><p>autonomia, e da sociedade civil com o Estado".</p><p>Junto à este conceito trabalhou-se o de pobreza, passando da noção</p><p>clássica e estritamente econômica (que se refere à situação de quem se</p><p>encontra sob determinado nível de vida) a uma noção ampla que contempla</p><p>a ausência de satisfação de necessidades humanas fundamentais: pobreza</p><p>de subsistência (por alimentação e abrigo insuficientes); de proteção (por</p><p>sistemas de saúde ineficientes, por violência, carreira armamentista, etc.);</p><p>de afeto (devido ao autoritarismo, à opressão, às relações de exploração do</p><p>ambiente natural, etc.); de entendimento (pela baixa qualidade da</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>113</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>113</p><p>educação); de participação (pela marginalização e discriminação das</p><p>mulheres, das crianças, e das minorias); de identidade (pela imposição de</p><p>valores estranhos a culturas locais e nacionais, pela emigração forçada, pelo</p><p>exílio político, etc.); e assim sucessivamente.</p><p>O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, incorporou</p><p>o conceito de desenvolvimento humano, definido como o processo de</p><p>ampliação da gama de opções das pessoas, proporcionando-lhes maiores</p><p>oportunidades de educação, atenção médica, emprego, abrangendo o</p><p>espectro total de opções humanas, desde seu entorno físico em boas</p><p>condições, até liberdades econômicas e políticas. O índice de</p><p>desenvolvimento humano (IDH), combina indicadores de esperança de</p><p>vida, educação e emprego. O PNUD sugeriu um índice de liberdade humana</p><p>e de liberdade política (ILH) para avaliar a situação em matéria de direitos</p><p>humanos, índice posteriormente abolido por desacordo de alguns países.</p><p>A problemática do desenvolvimento tem sido geralmente considerada de</p><p>tipo econômico e político, e a tarefa de superá-la, portanto, tem sido</p><p>responsabilidade de economistas e políticos. Considera-se a</p><p>industrialização como o meio através do qual é possível alcançar níveis</p><p>superiores de desenvolvimento ou, em outros termos, aceita-se</p><p>comumente que as sociedades desenvolvidas são aquelas que</p><p>experimentaram mudanças estruturais que as levaram de uma economia</p><p>predominantemente agrária a outra, na qual as actividades dinamicas e</p><p>dominantes são as indústrias de transformação e os serviços. Portanto,</p><p>desde finais da década de sessenta enfatiza-se a dimensão social do</p><p>desenvolvimento e fala-se de desenvolvimento economico e social.</p><p>Sustentabilidade e recursos naturais</p><p>Os recursos realmente considerados quando da aplicação do conceito de</p><p>sustentabilidade são aqueles que, sendo renováveis, podem se esgotar se</p><p>explorados a um ritmo superior</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>114</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>114</p><p>ao de renovação. O uso sustentado está regido por leis da Ecologia, e</p><p>quando estes recursos são explorados a um ritmo excessivo ou sofrem</p><p>perturbações que impeçam suas renovações e passam a se converter em</p><p>recursos não renováveis.</p><p>Os recursos não renováveis, em quantidades finitas, sejam utilizados como</p><p>matéria-prima ou como fonte de energia, suscitam problemas relacionados</p><p>ao próprio esgotamento, à eliminação direta de comunidades e</p><p>ecossistemas, à perda de riquezas culturais no processo de extração, e aos</p><p>efeitos indiretos da exploração, como a contaminação produzida nos</p><p>trabalhos de transporte e transformação do produto base em produto útil.</p><p>Em qualquer caso, a sustentabilidade não é aplicável a estes recursos.</p><p>Ao se combinar os aspectos teóricos da sustentabilidade ecológica às</p><p>conclusões da Conferência do Rio de Janeiro, em 1992, é possível fazer uma</p><p>síntese dos principais problemas apresentados pela gestão sustentável em</p><p>nível mundial. Porém, em todo caso, o problema de fundo não é outro que</p><p>a capacidade de carga da biosfera, em relação ao aumento da população,</p><p>tanto em número como em taxa de consumo per capita.</p><p>O cálculo dos limites de pressão suportáveis pelo planeta é um problema</p><p>da Ecologia, difícil de resolver, que envolve o caráter sociológico,</p><p>econômico, político, cultural, ético e até religioso da questão. Com efeito,</p><p>enquanto o controle do crescimento das populações animais e vegetais é</p><p>feito por mecanismos puramente biológicos, na população humana actual</p><p>estes mecanismos actuam somente em casos extremos, tendo sido</p><p>substituídos por mecanismos socioculturais.</p><p>Os problemas mais estritamente ecológicos da sustentabilidade seriam</p><p>para alguns representados pelo desflorestamento e pelas conseqeentes</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>115</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>115</p><p>secas, erosão e desertificação, pelo perigo de degradação dos ecossistemas</p><p>mais frágeis e pela diminuição da diversidade biológica.</p><p>Aparentemente, todo mundo está de acordo com o facto de que o actual</p><p>modelo economico não pode ser mantido de forma indefinida, sendo</p><p>necessário projetar um novo modelo que não esteja baseado</p><p>exclusivamente na expansão e crescimento economicos, respeitando-se as</p><p>margens de tolerância do sistema planetário.</p><p>Cria-se assim ao conceito de desenvolvimento sustentável, sendo a</p><p>Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento a instituição</p><p>que consolidou seu uso e significado, como sendo a "capacidade de atender</p><p>necessidades atuais sem comprometer as das gerações futuras",</p><p>explicitando seu conteúdo e colocando em conexão com políticas</p><p>socioeconômicas de caráter internacional, cristalizadas nos debates e</p><p>acordos da Conferência do Rio, em 1992.</p><p>O desenvolvimento sustentavel constitui um tipo de desenvolvimento</p><p>orientado a garantir a satisfação das necessidades fundamentais da</p><p>população e de elevar sua qualidade de vida, através do maneio racional</p><p>dos recursos naturais, propiciando sua conservação, recuperação,</p><p>melhoramento e uso adequados, por meio de processos participativos e de</p><p>esforços locais e regionais, de maneira tal que tanto</p><p>esta geração como as</p><p>futuras, tenham a possibilidade de desfrutá-las, com equilíbrio físico e</p><p>psicológico, sobre bases éticas e de equidade, garantindo a vida em todas</p><p>suas manifestações e a sobrevivência da espécie humana.</p><p>O desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade não sao propriamente</p><p>conceitos, mas metaconceitos, isto é, conceitos que conseqüentemente</p><p>geram todo um campo de reflexão e de conhecimento sobre si mesmos (por</p><p>isso estão em permanente evolução), cujas principais características</p><p>refletem-se no aparente consenso provocado em todo mundo.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>116</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>116</p><p>O ambiente como potencial produtivo e os desafios do desenvolvimento</p><p>sustentavel</p><p>✓ Conhecer alguns aspectos da relação entre sustentabilidade</p><p>economica e sustentabilidade ambiental.</p><p>✓ Descrever criticamente as limitações e ameaças à nova concepção</p><p>de desenvolvimento</p><p>✓ Definir alguns critérios que sirvam de referência e orientação para</p><p>os processos ligados ao desenvolvimento sustentável, baseados nos</p><p>diferentes aspectos conceituais</p><p>A vertente neoliberal do desenvolvimento sustentável associa as</p><p>possibilidades do equilíbrio ecológico aos mecanismos de mercado, apesar</p><p>dos processos ambientais resistirem a ser traduzidos e reduzidos a valores</p><p>economicos. Desta forma, a sustentabilidade econmica tende a valorizar os</p><p>recursos naturais e os serviços ambientais gerados em forma de recursos,</p><p>assim como os factores de estabilidade e bem-estar a curto prazo, tornando</p><p>insignificantes os processos ecológicos, que requerem longo prazo. Muitos</p><p>valores ambientais e serviços ecológicos são desconhecidos em razão da</p><p>complexidade dos processos de ordem natural e social que os determinam.</p><p>Por exemplo: Qual seria o valor atual da biodiversidade, cujos potenciais</p><p>produtivos são ainda desconhecidos em grande parte? Como estabelecer o</p><p>valor dos direitos das etnias sobre seus recursos (biodiversiade e outros),</p><p>frente aos interesses dos consórcios internacionais? Qual é o custo de um</p><p>risco nuclear ante seu benefício econômico a curto prazo?</p><p>Sustentabilidade economica e ambiental</p><p>o planeamento e a gestão do desenvolvimento sustentável impõem a</p><p>necessidade de se valorizar os processos ecológicos dos quais dependem os</p><p>serviços ambientais e a dotação sustentável dos recursos naturais, mas</p><p>também de processos globais</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>117</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>117</p><p>como o equilíbrio climático e a preservação da biodiversidade que se</p><p>apresentam como macrorrecursos sustentadores da economia e de</p><p>qualquer recurso em particular.</p><p>Não é possível avaliar os processos ecológicos em termos de valores actuais</p><p>de mercado, como tampouco é fácil associar-lhes um "preço-sombra" que</p><p>vise garantir o não esgotamento dos recursos não renováveis enquanto são</p><p>desenvolvidas novas tecnologias para suas respectivas explorações</p><p>economicas, ou que a utilização destes recursos seja substituída por novos</p><p>processos baseados no aproveitamento sustentável.</p><p>A mesma dificuldade se estabelece quando se trata de definir o conceito de</p><p>sustentabilidade como equidade transgeracional, que significa fazer</p><p>extensíveis nossos desejos e aspirações às gerações futuras.</p><p>Em suma, se estabelece a dificuldade de avaliar os custos sociais</p><p>transgeracionais, como a contaminação nuclear ou o aquecimento global,</p><p>num tempo em que são minimizados os anseios dos povos e das classes</p><p>sem voz nem poder político, numa tentativa de cerceá-los quanto à</p><p>expressão de suas demandas ambientais.</p><p>Não se trata apenas de questionar a relevancia do crescimento economico</p><p>frente a outros objectivos sociais, mas de ver em que sentido as políticas</p><p>sociais e ambientais poderiam normalizar e orientar o comportamento</p><p>econômico para uma maior eqüidade e sustentabilidade. Abre-se,</p><p>portanto, uma discussão das alternativas da economia ou a possibilidade</p><p>de se ver em que medida uma política que faça descansar no princípio de</p><p>equidade distributiva a solução das necessidades básicas e da</p><p>sustentabilidade ambiental geraria uma economia diferente (alternativa).</p><p>As propostas ganham sentido para fundamentar um desenvolvimento</p><p>sustentável baseado no potencial ecológico de cada região, na</p><p>descentralização economica, no ordenamento ecológico das actividades</p><p>produtivas, assim como no fortalecimento das capacidades de gestão</p><p>participativa e de autogestão</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>118</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>118</p><p>da sociedade, apontando assim para um projeto de democracia produtiva.</p><p>Assim, sob um novo enfoque de cooperação do desenvolvimento, é preciso</p><p>priorizar a atenção das populações indígenas que habitam áreas com</p><p>problemas de deterioração ambiental e outros, procurando fazer com que</p><p>tais populações sejam protagonistas de seus próprios desenvolvimentos</p><p>etnocentrados. Porém, tendo presente também a todo momento que o</p><p>apoio exterior não supre nunca a autogestão participativa, que deve ser</p><p>reforçada.</p><p>É evidente que há um certo grau de confrontação entre racionalidade</p><p>econômica e racionalidade ambiental, ainda que se tenha estendido a idéia</p><p>de que o ambiente deva ser visto como uma oportunidade para a</p><p>rentabilidade econômica mesmo existindo um campo para a rentabilidade</p><p>de processos de reciclagem de resíduos e para as tecnologias limpas,</p><p>sobretudo no Ocidente.</p><p>A civilização moderna foi construída sobre os princípios de uma</p><p>racionalidade econômica, de maneira que uma crise da economia global,</p><p>sem dúvida acarretaria conseqüências tão graves como a depressão dos</p><p>anos trinta ou uma catástrofe ambiental. Por isso, a transição para a</p><p>sustentabilidade deverá ser um processo paulatino, implicando a</p><p>necessidade de incorporar as condições ecológicas de sustentabilidade à</p><p>ordem economica mundial, mediante normas que representem um fator</p><p>de segurança ambiental.</p><p>Por tudo isto será necessário cumprir os protocolos e convenções</p><p>internacionais, assim como uma série de normas específicas para regular</p><p>tanto a localização das atividades produtivas, como as tecnologias de</p><p>produção e a disposição dos resíduos. Estas normas deverão ser</p><p>complementadas com novos indicadores de sustentabilidade que</p><p>integrem os custos ambientais às contas nacionais. Porém, há que</p><p>reconhecer que grandes problemas como o desmatamento, a erosão de</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>119</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>119</p><p>solos e outros, são conseqüência dessa racionalidade econômica, assim</p><p>como a pobreza, o desemprego e a marginalização social, que estão</p><p>associados a esses processos de degradação ambiental.</p><p>Assim, por exemplo, reincorporar ao cultivo milhões de hectares pouco</p><p>atrativos para os capitais privados significa a possibilidade de fortalecer</p><p>economias autogestionárias e auto-suficientes, com um manejo</p><p>sustentável e integrável dos recursos (projetos de ecologia produtiva).</p><p>Significa, o facto da diversidade geomorfológica, geográfica e ecológica,</p><p>cultural, social ou política, delimitar novas unidades ambientais de</p><p>produção, o que conduz a uma revitalização produtiva agrícola e ao</p><p>estabelecimento de um novo equilíbrio campo-cidade.</p><p>O anteriormente exposto suscita diversos desafios à economia para que</p><p>possa incorporar em seus paradigmas e em seus instrumentos as condições</p><p>ecológicas e sociais de sustentabilidade e equidade. Isto sugere, por sua</p><p>vez, um desafio maior: traduzir este objectivo geral nas políticas</p><p>macroeconomicas e microeconomicas, assim como na construção de um</p><p>novo paradigma de produção sustentável para as economias rurais, e a</p><p>possível e necessária articulação destas políticas e processos.</p><p>Em situações onde é claramente impossível definir</p><p>preço pela incerteza dos</p><p>possíveis impactos e dos custos da irreversibilidade de certos processos</p><p>ecológicos, será necessário aplicar padrões mínimos de segurança,</p><p>baseados num melhor conhecimento científico disponível.</p><p>Em suma, o movimento ambiental deve ultrapassar seu caráter paliativo,</p><p>representado pelo controle das relações da sociedade com o meio</p><p>ambiente e pela reação subseqüente, passando à construção de uma nova</p><p>racionalidade social, de um paradigma produtivo alternativo, capaz de</p><p>incorporar o potencial ecológico, tecnológico e cultural de diferentes</p><p>unidades ambientais de produção.</p><p>Urge a necessidade de normalizar e orientar o comportamento economico</p><p>para uma maior equuidade e sustentabilidade, com normas que ajudem a</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>120</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>120</p><p>internalizar o fator de segurança ambiental, que regulem a localização das</p><p>actividades produtivas, as tecnologias de produção, a geração e tratamento</p><p>de resíduos.</p><p>Portanto, há necessidade de não somente incidir em políticas</p><p>macroeconomicas para internalizar os custos ecológicos, mas também de</p><p>que o Estado cumpra sua função na regulação e normatividade dos</p><p>processos produtivos e de que a cidadania participe na vigilância e na</p><p>gestão dos recursos naturais.</p><p>Diante do imperativo da recuperação econômica, a preservação do</p><p>ambiente tem deixado de ser um apêndice das políticas de</p><p>desenvolvimento para se converter numa prioridade de segunda ordem.</p><p>Desta forma, grandes setores da economia, como a agricultura, a pecuária,</p><p>a silvicultura, o setor energético, os serviços de obras públicas e o turismo,</p><p>não vêm incorporando suficientemente normas e critérios de</p><p>sustentabilidade.</p><p>O ambiente é uma necessidade cultural e social e, portanto, um bem</p><p>jurídico cuja proteção é geralmente atribuída aos poderes públicos,</p><p>conforme estabelecido pelas Constituições Nacionais.</p><p>Por outro lado, o ambiente deve ser considerado como um direito humano</p><p>fundamental. Entretanto, para que os direitos humanos sejam objecto de</p><p>proteção como realidade jurídica, é preciso que se cumpram duas</p><p>condições:</p><p>✓ Que o Direito interno dos Estados reconheçam estes direitos;</p><p>✓ Que o exercício destes direitos seja garantido juridicamente.</p><p>O problema pode ocorrer quando faltam instrumentos jurídicos concretos</p><p>para que os cidadãos possam fazer valer seus direitos a um meio ambiente</p><p>sadio, situação esta que decorre da falta de consistência dos textos</p><p>internacionais. Somente de modo indireto são mencionados em alguns,</p><p>como na Carta Social Européia, vinculada à proteção da saúde.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>121</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>121</p><p>o Estado deve desempenhar um programa cada vez mais activo na política</p><p>ambiental do país:</p><p>✓ Primeiramente, em seu papel de regulador da economia,</p><p>incorporando critérios de avaliação ambiental nos instrumentos de</p><p>cálculo econômico.</p><p>✓ Em segundo lugar, aplicando normas ambientais que dificilmente</p><p>poderiam ser internalizadas pelas empresas e atores econômicos,</p><p>mas que representam uma defesa dos bens e serviços ambientais</p><p>comuns e de qualidade global do ambiente.</p><p>✓ Ao mesmo tempo, o Estado deverá avançar no estabelecimento de</p><p>procedimentos para a defesa dos direitos ambientais das</p><p>comunidades e dos cidadãos, em situações que agora não são</p><p>contempladas pelos direitos regulares da ordem jurídica</p><p>estabelecida, nem pelos direitos humanos, que ainda não</p><p>incorporam os direitos ambientais individuais e coletivos.</p><p>O Estado deverá apoiar uma política de desenvolvimento rural sustentável:</p><p>✓ Fundamentada em seu potencial ecológico e em um processo de</p><p>descentralização econômica.</p><p>✓ Fortalecendo as capacidades de autogestão das próprias</p><p>comunidades.</p><p>✓ Incentivando e apoiando projetos de recuperação ecológica e</p><p>manejo integrado dos recursos, a partir de valores culturais e de</p><p>necessidades sentidas.</p><p>✓ Fortalecendo o desenvolvimento de mercados regionais com os</p><p>excedentes das economias autogerenciadas de cada localidade.</p><p>✓ Melhorando suas práticas tradicionais com conhecimentos</p><p>científicos e tecnológicos modernos.</p><p>Estes pressupostos implicam que as políticas ambientais devem contemplar</p><p>claramente o desenvolvimento de uma capacidade científica e tecnológica</p><p>próprias, não somente para a seleção e adaptação de tecnologias exógenas,</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>122</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>122</p><p>mas para a geração de técnicas e tecnologias endógenas, capazes de</p><p>melhorar as capacidades produtivas dos próprios produtores rurais e de</p><p>aproveitar as potencialidades produtivas dos recursos ecossistêmicos do</p><p>território.</p><p>Não se trata de normatizar através de uma moral político-democrática o</p><p>comportamento da economia. Trata-se dos anseios da sociedade de</p><p>participar das decisões relacionadas às suas condições de existência, à</p><p>sobrevivência e à qualidade de vida, e até mesmo do destino do país; trata-</p><p>se de pôr em prática o princípio de gestão participativa dos recursos</p><p>naturais, dos direitos de autogestão da Natureza. Em outras palavras, trata-</p><p>se de expandir os termos da democracia política eleitoral, da democracia</p><p>representativa, para concebê-la como um democracia direta. Em última</p><p>instância, trata-se de um projeto de construção social, de um paradigma</p><p>econômico alternativo.</p><p>O antigo vocábulo "desenvolvimento" culminou numa extensa migração de</p><p>significados, migração esta que havia se iniciado dois séculos antes,</p><p>partindo do campo da biologia (desenvolvimento de um ser vivo) e</p><p>atravessando os mundos da história social (desenvolvimento social), da</p><p>economia política (desenvolvimento das forças produtivas), do urbanismo</p><p>(desenvolvimento urbano), da política econômica (desenvolvimento</p><p>econômico), e outros. Isto para alcançar finalmente um status superior ou</p><p>de síntese, com um significado muito preciso: o desenvolvimento da</p><p>humanidade concebido como um incremento contínuo da produção</p><p>mediante a substituição das formas produtivas tradicionais por outras com</p><p>maior conteúdo científico e técnico, acompanhado das transformações</p><p>sociais e culturais imprescindíveis para realizar essa substituição e para</p><p>assegurar o usufruto social dos benefícios que ela oferece.</p><p>O termo desenvolvimento adquire assim uma série de conotações e</p><p>atributos que adiante resultarão indissociáveis: por um lado, é um processo</p><p>necessário, através do caminho</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>123</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>123</p><p>único e linear; por outro, está baseado na dependência ao abandonar as</p><p>formas tradicionais de subsistência, cada indivíduo e cada comunidade</p><p>perde autonomia econômica e aceita novas formas de dependência, em</p><p>troca de uma maior capacidade de produção e de um maior bem-estar</p><p>material.</p><p>A partir desse momento, o desenvolvimento passa a ser o objectivo</p><p>principal da política de todos os países do mundo, até ao ponto em que se</p><p>possa falar da Era do Desenvolvimento para esta etapa da história. Tanto a</p><p>versão capitalista do desenvolvimento (via mercado) como seu correlato</p><p>socialista (via planeamento) serviram como padrões ideológicos no</p><p>enfrentamento dos dois núcleos de poder antagonistas quando da guerra</p><p>fria. Com relação aos países em desenvolvimento, de pronto foram</p><p>articuladas, a partir dos dois blocos, políticas de ajuda a esses países, que</p><p>se traduziram em mecanismos de interconexão e de subordinação de</p><p>frações crescentes da economia e dos recursos mundiais a serviço da</p><p>manutenção dos modelos de vida e dos poderosos complexos militares dos</p><p>países industrializados.</p><p>Após várias décadas de aplicação, com resultados tão contraditórios que</p><p>obrigaram a uma revisão da ênfase posta nos diversos aspectos do</p><p>desenvolvimento</p><p>e à junção de novos adjetivos (global, social, humano,</p><p>integral, endógeno, local...), o mito do desenvolvimento entrou em</p><p>profunda crise na década de setenta.</p><p>Além de crises e revisões, a Era do Desenvolvimento gerou, em qualquer</p><p>caso, uma ampliação das desigualdades entre os povos do mundo e levou</p><p>este mundo a uma generalizada crise ecológica, destruindo as bases locais</p><p>de sustentação de numerosos povos e culturas e desencadeando um</p><p>conjunto de problemas globais de grande alcance. Desigualdade e crise</p><p>ecológica são as duas principais expressões desta malfadada concepção de</p><p>desenvolvimento.</p><p>O chamado desenvolvimento provocou a concentração da metade da</p><p>população mundial em metrópoles e grandes cidades insustentáveis, em</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>124</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>124</p><p>um regime de total dependência de vitais suprimentos externos que nem</p><p>os fundos de recursos naturais nem o sistema econômico global são capazes</p><p>de garantir. O processo de urbanização da população segue com força,</p><p>alimentado pela destruição das culturas locais, pela multiplicação dos</p><p>conflitos bélicos e pelo desamparo crescente em que vão caindo as</p><p>coletividades campesinas.</p><p>A manutenção deste tipo de desenvolvimento desembocou</p><p>inevitavelmente na globalização da economia, processo que já vem</p><p>provocando traumáticas operações de substituição de atividades</p><p>produtivas em todo o mundo, e o consequente estabelecimento de grandes</p><p>zonas de hiperexploração do trabalho.</p><p>Uma idéia vai tomando corpo a partir destes setores críticos, sendo</p><p>apresentada como o lógico ponto de chegada do pensamento global: ante</p><p>a tendência inexorável da globalização da economia e das conseqüências</p><p>globais de numerosos problemas ambientais, faz-se necessária a paulatina</p><p>construção de um sistema de regulação de âmbito mundial, capaz de</p><p>ordenar o cenário global e o comportamento dos diversos atores que dele</p><p>participam. O aparecimento de uma forma mundial de governo começa a</p><p>se projetar deste modo no horizonte como uma conseqüência inevitável do</p><p>processo de globalização.</p><p>As formas tradicionais de resolução autonoma ou local das necessidades</p><p>humanas, de modo geral, estão razoavelmente adaptadas às necessidades</p><p>do entorno: em seus seculares processos de consolidação e</p><p>aperfeiçoamento são obrigadas a isso se querem realmente ser eficientes e</p><p>perdurarem a longo prazo. Porém, a globalização da economia força a</p><p>especialização das atividades econômicas em cada lugar, em função das</p><p>exigências dos mercados mundiais e não das condições naturais de cada</p><p>espaço de produção. Pouco importa se as atividades impostas em uma</p><p>região esgotam os locais recursos naturais, desde que o benefício obtido,</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>125</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>125</p><p>mesmo com o definitivo declínio da base de recursos, seja suficiente para</p><p>justificar essa produção nesse momento e nesse lugar. Evidentemente, um</p><p>processo dessa classe, estendido a mais e mais regiões mundiais, não é</p><p>sustentável a médio e longo prazo.</p><p>O processo de globalização, por exemplo, é altamente dependente do</p><p>sector de transportes e estimula fortemente o crescimento desta</p><p>actividade, que se encontra entre as mais destrutivas sob o ponto de vista</p><p>ambiental global. A dependência energética do setor de transportes em</p><p>relação aos combustíveis fósseis é muito elevada, tornando-se absoluta no</p><p>que se refere ao transporte à longa distância em escala mundial. A</p><p>influência do setor de transportes sobre o efeito estufa e sobre a mudança</p><p>climática é muito preocupante, havendo uma crescente evidência quanto à</p><p>necessidade de freá-la.</p><p>Critérios orientadores de um novo desenvolvimento</p><p>O que se propõe é uma síntese dos mais importantes aspectos do novo</p><p>conceito de desenvolvimento, agrupados em forma de critérios para a ação,</p><p>que são os seguintes:</p><p>✓ Um desenvolvimento que, de entrada, vá além da consideração da</p><p>Biosfera como âmbito final de nossas atuações, pondo ênfase nas</p><p>questões sociais e econômicas.</p><p>✓ Um desenvolvimento que leve em conta a dimensão global das</p><p>questões ambientais, que supere limites geográficos, barreiras</p><p>econômicas e posições políticas e ideológicas.</p><p>✓ Um desenvolvimento que contemple o meio ambiente como um</p><p>direito humano fundamental, reconhecido pelos poderes públicos e</p><p>garantido juridicamente.</p><p>✓ Um desenvolvimento que trate de inverter a tendência de se</p><p>considerar a globalização econômica e o consumo como valores em</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>126</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>126</p><p>si mesmos, mudando para a adoção de estilos de vida mais</p><p>sensíveis.</p><p>✓ Um desenvolvimento que vincule a questão ambiental à economia,</p><p>e sobretudo à democracia, visando a obtenção de um processo de</p><p>tomada de decisões mais consensual e participativo, que rompa o</p><p>círculo fechado do poder econômico como única via de</p><p>interpretação dos processos de produção e de distribuição de</p><p>riqueza.</p><p>✓ Um desenvolvimento que contribua para a construção de um novo</p><p>paradigma produtivo, capaz de preservar os recursos, de reduzir os</p><p>índices de pobreza e de melhorar as condições de vida da sociedade</p><p>em seu conjunto, sobre princípios de gestão participativa.</p><p>✓ Um desenvolvimento que inspire uma série de mudanças no âmbito</p><p>institucional e no campo dos conhecimentos, que conduzam a</p><p>edificação de uma economia descentralizada.</p><p>✓ Um desenvolvimento ambientalista que aponta para a necessidade</p><p>de internalizar os princípios de sustentabilidade ecológica, de</p><p>eqüidade social e de diversidade cultural no sistema econômico,</p><p>visando a construção de uma racionalidade produtiva alternativa.</p><p>✓ Um desenvolvimento que revise permanentemente o conceito de</p><p>sustentabilidade, a partir de uma consideração ligada às condições</p><p>econômicas, ecológicas, políticas e culturais de cada localidade,</p><p>assim como aos interesses dos diversos grupos sociais.</p><p>✓ Um desenvolvimento que se oriente para a construção de uma</p><p>racionalidade produtiva alternativa, na qual o ambiente não seja</p><p>avaliado como um custo, mas como um potencial produtivo,</p><p>dependente das diferentes estratégias de manejo dos recursos</p><p>naturais.</p><p>✓ Um desenvolvimento baseado na dispersão e não na concentração,</p><p>fortalecendo economias autogestionárias e auto-suficientes,</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>127</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>127</p><p>baseadas na diversidade, e na delimitação de unidades ambientais</p><p>de produção.</p><p>✓ Um desenvolvimento que leve em conta a diversidade do saber</p><p>local, já que uma primeira mudança significativa está se produzindo</p><p>com respeito ao saber ecológico local e aos costumes tradicionais</p><p>de gestão dos recursos naturais, que durante muito tempo foram</p><p>percebidos como obstáculos ao desenvolvimento. De fato, o saber</p><p>ecológico e os costumes tradicionais indígenas de gestão dos</p><p>recursos naturais apresentam soluções baseadas não somente em</p><p>generalidades de experimentação e observação, mas enraizadas em</p><p>sistemas locais de valores e significados. É importante, portanto,</p><p>traduzir esse reconhecimento em projetos viáveis e modificar as</p><p>políticas e os instrumentos para que reforcem as dimensões</p><p>culturais das relações entre o meio ambiente e o desenvolvimento.</p><p>Contudo, essa convergência não é generalizada. Há áreas nas quais</p><p>a ciência moderna pode se contrapor a práticas e crenças</p><p>tradicionais. Neste caso, deve-se encontrar maneiras de resolver</p><p>tais conflitos. Também está claro que qualquer enfoque que aborde</p><p>apenas os intercâmbios biofísicos entre as sociedades e o meio</p><p>ambiente será incompleto. A noção de sustentabilidade implica</p><p>repensar o modo pelo qual a própria Natureza é concebida, e</p><p>conseqüentemente, quais os valores culturais que condicionam</p><p>as</p><p>relações de uma determinada sociedade para com a Natureza.</p><p>✓ Um desenvolvimento que leve em consideração as dimensões</p><p>culturais do crescimento demográfico: afirma-se com freqüência</p><p>que o crescimento demográfico exponencial está vinculado à</p><p>degradação ambiental, porém este crescimento precisa ser</p><p>analisado na perspectiva de um conceito mais amplo, que é a</p><p>dinâmica populacional. Este conceito envolve os movimentos e</p><p>assentamentos "qualitativos" das populações, isto é, aqueles que</p><p>têm a ver com as causas e não somente com o produto do acaso</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>128</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>128</p><p>reprodutivo, como pretendem os que apenas falam de crescimento</p><p>demográfico. Por esta razão, há que se promover uma compreensão</p><p>mais profunda das interações entre a população e o consumo de</p><p>recursos, nos quais intervêm a tecnologia, a cultura e os valores.</p><p>✓ Um desenvolvimento que preste uma atenção especial ao</p><p>fenômeno das sociedades e das culturas, pois embora a urbanização</p><p>e a modernização tenham aberto novas oportunidades para muitos,</p><p>também ocasionaram novos prejuízos ao meio ambiente e aos</p><p>padrões tradicionais de relação entre as sociedades e seu entorno</p><p>físico. No mesmo sentido, a apropriação dos recursos naturais para</p><p>sustentar as necessidades industriais e urbanas afeta o meio</p><p>ambiente; os efeitos das aglomerações urbanas criam novos</p><p>desafios com relação ao tratamento das águas, dos resíduos, à</p><p>descontaminação do ar, etc. Indubitavelmente, o futuro exige um</p><p>grau de mudança no estilo consumista da vida urbana para que</p><p>estes desafios possam ser superados. Ao mesmo tempo, o entorno</p><p>urbano está repleto de tensões criativas e dinâmicas que surgem da</p><p>densidade demográfica e da proximidade espacial. De fato muitas</p><p>das importantes obras do patrimônio cultural da Humanidade estão</p><p>situadas em grandes cidades do mundo. O fenômeno das</p><p>sociedades e das culturas, também se manifesta na criatividade</p><p>cultural da vida cotidiana, na variedade, diversidade e</p><p>heterogeneidade das instituições, nas pautas de interação e de</p><p>atividades destinadas a satisfazer os interesses das minorias, nos</p><p>sentidos compartilhados e na expressão da chamada "cultura</p><p>popular".</p><p>✓ Um desenvolvimento que atenda à equidade entre as gerações, já</p><p>que a sustentabilidade também implica num comportamento</p><p>responsável a respeito das gerações futuras, apesar destas não</p><p>terem voto nem poderem exercer pressões diretas sobre aqueles</p><p>que elaboram hoje as políticas.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>129</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>129</p><p>✓ Um desenvolvimento que pratique uma nova ética global. A</p><p>cooperação entre os diferentes povos com interesses e culturas</p><p>distintos será facilitada se todos puderem ser vinculados e</p><p>motivados por compromissos compartilhados. Portanto, é</p><p>imperativo definir um núcleo de princípios e valores éticos comuns.</p><p>Não é difícil reconhecer que a busca de uma ética global implica</p><p>considerar sob vários prismas a cultura e os aspectos culturais. Em</p><p>primeiro lugar, tal empreendimento é, em si mesmo, uma atividade</p><p>eminentemente cultural que inclui questionamentos como: Quem</p><p>somos? Como nos relacionamos uns com os outros e com a</p><p>humanidade em seu conjunto? Qual é nosso objetivo? Estas</p><p>perguntas constituem o fundamento do que significa cultura. E</p><p>mais, toda intenção de formular uma ética global deve se inspirar</p><p>nos recursos culturais, na inteligência dos povos, nas suas</p><p>experiências emocionais, nas suas memórias históricas e nas suas</p><p>orientações espirituais.</p><p>✓ Um desenvolvimento de valores compartilhados: Como o futuro</p><p>humano está cada vez mais modelado pela interdependência dos</p><p>povos do mundo, é essencial fomentar a boa convivência cultural.</p><p>Essa cooperação entre povos com interesses muito distintos</p><p>somente pode florescer se todos compartilharem certos princípios.</p><p>Assim, a Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento sugere que o</p><p>núcleo desta nova ética seja formado por cinco pilares seguintes:</p><p>✓ Direitos humanos e responsabilidades.</p><p>✓ Democracia e elementos da sociedade civil.</p><p>✓ Proteção das minorias.</p><p>✓ Vontade de resolver pacificamente conflitos e de negociar com</p><p>eqüidade.</p><p>✓ Eqüidade intra e de intergestão.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>130</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>130</p><p>É responsabilidade de todos os governos tornarem efetivos estes princípios;</p><p>porém, a aplicação de uma ética global exige a participação de outros</p><p>setores, entre eles a sociedade civil global.</p><p>Pelo exposto anteriormente e para fechar o comentário sobre estes</p><p>princípios, a Comissão propõe um programa de investigação que leve em</p><p>consideração a até agora quase sempre ignorada integração entre cultura,</p><p>desenvolvimento e formas de organização política. A questão central do</p><p>processo de desenvolvimento parte desta reflexão: quais políticas</p><p>promovem um desenvolvimento humano sustentável e quais contribuem</p><p>para o florescimento das diferentes culturas?</p><p>Esta pergunta não pode ser respondida sem uma série de indicadores</p><p>culturais inteligentemente concebidos. Também deve-se transpor ao</p><p>âmbito cultural as técnicas utilizadas para avaliar os possíveis efeitos dos</p><p>programas e projetos de desenvolvimento sobre o meio ambiente e a</p><p>sociedade. Será feita posteriormente uma reflexão sobre esta importante</p><p>questão. Porém, é interessante definir antes o que os recentes estudos</p><p>assinalam como possíveis princípios e indicadores de sustentabilidade.</p><p>Princípios e indicadores de sustentabilidade</p><p>A utilização de alguns princípios básicos de referência que incluam as</p><p>diferentes dimensões de sustentabilidade pode ser um bom ponto de</p><p>partida para a construção de estratégias e de ações culturalmente válidas.</p><p>Na proposta abaixo apresentada, com base nos estudos de Bermejo e</p><p>Nebreda (1997), mostra-se princípios de referência, distribuídos em doze</p><p>áreas temáticas, e junto a elas as variáveis e os indicadores propostos,</p><p>baseados nas diversas iniciativas existentes em nível mundial. O</p><p>interessante do esquema é que pode servir como base para uma</p><p>diversidade de entorno e situações:</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>131</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>131</p><p>Tabela- Princípios e indicadores de sustentabilidade</p><p>PRINCÍPIO INDICADORES</p><p>Recursos Naturais.</p><p>Os recursos naturais devem ser</p><p>utilizados de maneira eficiente, sem</p><p>superar o ritmo de renovação dos</p><p>recursos renováveis e substituindo</p><p>progressivamente os não</p><p>renováveis.</p><p>Energia (consumo e produção</p><p>segundo fontes renováveis e não</p><p>renováveis por setores).</p><p>Consumo e reservas de água</p><p>(consumo por setores, eficiência e</p><p>reutilização de reservas.</p><p>Consumo de materiais (matérias</p><p>primas não renováveis; redução,</p><p>reutilização e reciclagem).</p><p>Contaminação e resíduos.</p><p>O funcionamento do município não</p><p>deve por em perigo a saúde das</p><p>pessoas nem superar a capacidade</p><p>de carga do meio ambiente. Devem</p><p>ser minimizados os níveis de</p><p>contaminação e a quantidade de</p><p>resíduos.</p><p>Resíduos e carga tóxica (produção,</p><p>emissão de resíduos tóxicos,</p><p>tratamento).</p><p>Contaminação da água (índice de</p><p>qualidade).</p><p>Poluição atmosférica local</p><p>(emissão e imissão, NOx, SO2,...).</p><p>Poluição sonora (níveis de ruído).</p><p>Usos do território e biodiversidade.</p><p>A biodiversidade deve ser</p><p>valorizada e protegida. O</p><p>desenvolvimento urbano não pode</p><p>ser realizada às custas da natureza e</p><p>de usos sustentáveis do território,</p><p>ao se considerar o solo como um</p><p>recurso finito.</p><p>Usos do território (solo urbano,</p><p>infra-estrutura industrial, florestal</p><p>e agrário, áreas protegidas e</p><p>recuperadas).</p><p>Diversidade biológica</p><p>(bioindicadores sobre a saúde e</p><p>biodiversidade dos ecossistemas</p><p>locais; espécies em perigo,</p><p>proteção.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>132</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>132</p><p>Economia.</p><p>A economia deve ser diversificada e</p><p>diminuída a vulnerabilidade de uma</p><p>sociedade, a dependência do</p><p>exterior. Sempre que possível, as</p><p>necessidades devem ser satisfeitas</p><p>com recursos locais. As atividade</p><p>econômicas devem ser</p><p>potencializadas buscando a</p><p>rentabilidade social e o equilíbrio</p><p>ecológico (terceiro setor).</p><p>Dependência exterior (consumo de</p><p>produto: local, selo ecológico).</p><p>Vulnerabilidade econômica</p><p>(diversificação e concentração da</p><p>ocupação).</p><p>Actividades econômicas</p><p>sustentáveis (empresa e empregos</p><p>em atividades de economia social</p><p>e ecológica).</p><p>Instrumentos para a</p><p>sustentabilidade (eco-auditorias</p><p>sociais, reforma fiscal</p><p>ecológica,...).</p><p>Trabalho.</p><p>Todas as pessoas devem ter acesso</p><p>a um trabalho remunerado, com um</p><p>salário justo e uma contratação</p><p>estável. O trabalho não</p><p>remunerado deve ser reconhecido</p><p>de forma que exista uma separação</p><p>eqüitativa do trabalho social e do</p><p>tempo livre.</p><p>Trabalho, interrupção e</p><p>precariedade de trabalho (número</p><p>de horas de trabalho necessárias</p><p>para satisfazer as necessidades</p><p>básicas, % de desempregados e</p><p>com ocupação precária, ações</p><p>respostas).</p><p>Divisão do trabalho social e tempo</p><p>livre (uso do tempo por sexos).</p><p>Bens e serviços básicos</p><p>Todas as pessoas devem ter acesso</p><p>aos bens e serviços básicos (saúde,</p><p>habitação, educação e bens</p><p>básicos).</p><p>Saúde (esperança de vida e</p><p>enfermidades).</p><p>Habitação (relação entre renda e</p><p>preço de habitação, por grupos de</p><p>renda).</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>133</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>133</p><p>Educação e cultura (níveis</p><p>educativos, diversidade cultural e</p><p>linguística).</p><p>Segurança.</p><p>As pessoas devem viver sem medo</p><p>da violência ou da perseguição por</p><p>razões ideológicas, de gênero, de</p><p>orientação sexual ou étnica</p><p>Segurança (evolução da</p><p>insegurança percebida, violência</p><p>doméstica e social, orientação</p><p>sexual).</p><p>Equidade.</p><p>A eqüidade nas formas de vida da</p><p>cidadania deve ser ampliada,</p><p>eliminando a pobreza, a exclusão e</p><p>a discriminação e reduzindo as</p><p>desigualdades socioeconômicas.</p><p>Pobreza e exclusão (índice e</p><p>bolsões de pobreza, programas de</p><p>luta contra a exclusão social).</p><p>Desigualdades e discriminação</p><p>(distribuição de renda,</p><p>discriminação).</p><p>Serviços sociais e acessibilidade.</p><p>Todas as pessoas devem desfrutar</p><p>de fácil acesso a instrumentos</p><p>sociais, bens e serviços básicos, ao</p><p>mesmo tempo em que se protege o</p><p>meio ambiente.</p><p>Transporte (quilometros</p><p>percorridos e número de pessoas,</p><p>segundo meio de transporte</p><p>utilizado, combustível</p><p>consumido).</p><p>Serviços básicos acessíveis (tempo</p><p>e distância de acesso a pé aos</p><p>serviços básicos).</p><p>Vida em comunidade e qualidade</p><p>de vida.</p><p>O entorno e a comunidade onde se</p><p>vive são valorizados pela população,</p><p>dando-se uma valorização subjetiva</p><p>Vida em comunidade (grau de</p><p>identificação com o lugar no qual</p><p>se vive).</p><p>Qualidade de vida (percepção</p><p>sobre a qualidade de vida</p><p>desfrutada).</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>134</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>134</p><p>positiva da qualidade de vida</p><p>existente.</p><p>Participação.</p><p>Todos os setores da comunidade</p><p>têm possibilidade de participar dos</p><p>processos de tomada de decisões</p><p>que afetam suas vidas.</p><p>Participação cidadã (nas eleições,</p><p>instrumentos de democratização</p><p>direta, co-decisão e gestão</p><p>compartilhada de serviços sociais;</p><p>mobilizações; associacionismo:</p><p>taxa de filiação, diversidade,</p><p>tipologia...).</p><p>Sustentabilidade global</p><p>O desenvolvimento sustentável em</p><p>escala local não pode ser realizado à</p><p>custa de impacto em outros lugares</p><p>e povos do planeta, nem das</p><p>possibilidades das gerações futuras</p><p>para satisfazer suas necessidades e</p><p>desfrutar de um ambiente saudável</p><p>e diverso. O estabelecimento de</p><p>uma aliança global com outros</p><p>povos deve ser fomentada para</p><p>preservar os sistemas naturais</p><p>comuns da Terra, para eliminar a</p><p>pobreza.</p><p>Problemas ecológicos globais</p><p>(emissões de gases estufa e de</p><p>gases destruidores da camada de</p><p>ozônio).</p><p>Co-responsabilidade para o</p><p>desenvolvimento (selo ecológico e</p><p>espaço ambiental; atividades</p><p>lesivas para outros povos:</p><p>exportação de armamento; ações</p><p>de cooperação ao</p><p>desenvolvimento; irmanação,</p><p>renda per-capita, coletivos de</p><p>solidariedade internacional e</p><p>campanhas de educação e</p><p>denúncia,...)</p><p>Fonte: Bermejo y Nebreda, (1998:15-16)</p><p>A interdependência é um fenômeno que condiciona o acontecer das</p><p>nações. Os equilíbrios do poder político, o fazer cultural, o comércio</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>135</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>135</p><p>internacional, os avanços tecnológicos, os fenômenos sociais, os impactos</p><p>ecológicos, são todos elos desse encadeamento ineludível.</p><p>Caso as múltiplas vinculações que caracterizam a interdependência estejam</p><p>presentes em algum campo, é em tudo que concerne ao desenvolvimento</p><p>e ao meio ambiente. Por isso, no presente não há lugar para conceber o</p><p>desenvolvimento sustentável como um processo autárquico,</p><p>principalmente quando se sabe que a base dos recursos naturais e das</p><p>tecnologias para suas explorações, fundamento da gestão econômica, não</p><p>estão distribuídos geograficamente de uma forma eqüitativa, o que obriga</p><p>a negociar permanentemente sua utilização. A esse respeito, recorde-se</p><p>que a maior parte dos recursos naturais empregados no mundo encontra-</p><p>se nos países em desenvolvimento.</p><p>Reduzir a questão ambiental ao âmbito da Natureza, inclusive ao âmbito da</p><p>biosfera, já não é nem suficiente nem útil; pode ser inclusive catastrófico. A</p><p>razão é bem simples: os problemas e desordens da Natureza e da Biosfera,</p><p>como um todo, são efeitos, desajustes mais profundos, que se situam no</p><p>tecido das relações humanas, de suas pautas de consumo, de seus critérios</p><p>de gestão, de suas ânsias de poder... conseqüentemente, estas questões</p><p>respondem a uma determinada visão de mundo, a determinados valores.</p><p>O meio ambiente e seus problemas somente podem ser abordados a partir</p><p>do âmbito da cultura, que a todos envolve e condiciona. Desgraçadamente,</p><p>ainda abordada em demasia pelo planejamento racional, mas que pouco a</p><p>pouco vai assumindo novos enfoques mais integradores.</p><p>O último informe do World Watch Institute afirma que os 200 Estados-</p><p>Nações do mundo dividiram a Terra entre si, de uma maneira que pouco</p><p>tem a ver com a geografia ou com a anatomia da economia mundial. Não</p><p>obstante, os recursos naturais, os poluentes, o comércio e o investimento</p><p>circulam de modo crescente através de fronteiras arbitrárias; as dimensões</p><p>internacionais da crise ambiental se ampliam sem cessar. A crise exige, pois,</p><p>uma resposta igualmente internacional. Os tratados e as instituições do</p><p>governo econômico internacional, como o Banco Mundial - BM - e a</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>136</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>136</p><p>Organização Mundial do Comércio - OMC -, deverão prestar uma maior</p><p>atenção às repercussões de seus atos sobre o meio ambiente para que se</p><p>possa proteger os oceanos, os mares e muitos rios, assim como a</p><p>biodiversidade, os hábitats naturais e a atmosfera.</p><p>A problemática ambiental está reclamando grandes doses de imaginação,</p><p>necessárias para o desenvolvimento de um novo paradigma cultural, no</p><p>qual encontrem sustentação os novos conceitos econômicos e de</p><p>desenvolvimento, e do qual se derivem as necessárias mutações da ordem</p><p>imperante em escala mundial. Sob este novo paradigma - o da</p><p>complexidade - pode-se falar também de uma nova ciência e de uma nova</p><p>ética.</p><p>É preciso recuperar e manter um processo de tensão dialética entre o</p><p>pensamento e a ação, processo</p><p>práticas ou as de</p><p>estudo de caso se existirem.</p><p>IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,</p><p>respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido no início</p><p>deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o</p><p>ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em</p><p>casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de</p><p>tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? Estudo melhor com</p><p>música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!? Preciso de intervalo em</p><p>cada 30 minutos, em cada hora, etc.</p><p>É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante</p><p>um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em</p><p>profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o</p><p>anterior.</p><p>Privilegia-se saber bem (com profundidade), o pouco que puder ler e</p><p>estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais 9</p><p>9</p><p>útil ao agradável: saber com profundidade todos conteúdos de cada tema,</p><p>no módulo.</p><p>Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo</p><p>superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10</p><p>(dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-se descanso à mudança de</p><p>actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos</p><p>mesmos assuntos das actividades obrigatórias.</p><p>Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório,</p><p>pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem.</p><p>Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos</p><p>de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos,</p><p>perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não</p><p>aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar</p><p>injustamente incapaz!</p><p>Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação.</p><p>Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente),</p><p>não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas</p><p>sim estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade como</p><p>futuro profissional, na área em que está a se formar.</p><p>Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias</p><p>deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir</p><p>como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao</p><p>estudo e a outras actividades.</p><p>É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma</p><p>necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A</p><p>colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de</p><p>modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e pode</p><p>escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode</p><p>também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com</p><p>o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à</p><p>compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>10</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>10</p><p>dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou</p><p>não lhe é familiar;</p><p>Precisa de apoio?</p><p>Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material</p><p>de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como falta de</p><p>clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, falta de</p><p>clareza, fraca visibilidade, página trocada ou invertidas, etc.). Nestes casos,</p><p>contacte os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de</p><p>Recursos (CR), via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma</p><p>carta participando a preocupação.</p><p>Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e</p><p>Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com</p><p>qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância</p><p>(EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes,</p><p>estudante – Tutor, estudante – CR, etc.</p><p>As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem</p><p>a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou</p><p>com parte da equipa central do ISCED indigetada para acompanhar as sua</p><p>sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos</p><p>de natureza pedagógica e/ou administrativa.</p><p>O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo</p><p>de estudos a distância, é muita importância, na medida em que permite lhe</p><p>situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos outros colegas.</p><p>Desta maneira ficará a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos</p><p>colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos relacionados com os</p><p>conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade</p><p>temática, no módulo.</p><p>Tarefas (avaliação e auto-avaliação)</p><p>O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e</p><p>auto−avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é</p><p>importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas</p><p>semanas antes das sessões presenciais seguintes.</p><p>Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não</p><p>cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do</p><p>estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta</p><p>e é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo.</p><p>Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos</p><p>devem ser dirigidos ao tutor/docente.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>11</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>11</p><p>Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os</p><p>mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do</p><p>autor.</p><p>O plágio 1 é uma violação do direito intelectual do (s) autor(es). Uma</p><p>transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do texto de um autor, sem o</p><p>citar é considerada plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito</p><p>pelos direitos autoriais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu</p><p>autor (estudante da UnISCED).</p><p>Avaliação</p><p>Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, estando</p><p>eles fisicamente separados e muito distantes do docente/turor!? Nós</p><p>dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e</p><p>consistente.</p><p>Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um</p><p>mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do</p><p>seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo</p><p>de 10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta</p><p>detalhada do regulamentada de avaliação.</p><p>Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem</p><p>no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos</p><p>exames.</p><p>Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e</p><p>decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo 75%,</p><p>o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final</p><p>com a qual o estudante conclui a cadeira.</p><p>A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.</p><p>Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1</p><p>(um) (exame).</p><p>Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como</p><p>ferramentas de avaliação formativa.</p><p>Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em</p><p>consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a</p><p>forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das</p><p>referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre</p><p>outros.</p><p>1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade</p><p>intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.</p><p>este que está debilitado em uma parte do</p><p>mundo pela necessidade de sobrevivência e em outra pelo naufrágio das</p><p>vontades individuais nas águas do consumo desenvolvimentista e</p><p>desenfreado.</p><p>Sumário</p><p>O planeamento e gestão do desenvolvimento sustentável estabelece a</p><p>necessidade de se valorizar os processos ecológicos dos quais dependem os</p><p>serviços ambientais e a dotação sustentável dos recursos naturais, porém</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>137</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>137</p><p>também de processos globais como o equilíbrio climático e a preservação</p><p>da biodiversidade.</p><p>O ambiente é uma necessidade cultural e social e, portanto, um bem</p><p>jurídico cuja proteção é geralmente atribuída aos poderes públicos pela</p><p>Constituição. Não existe uma fórmula mágica que reequilibre as relações da</p><p>economia com a Natureza, ou que reconcilie a Humanidade em torno de</p><p>um mesmo projecto vital. O desenvolvimento sustentável é, com todas suas</p><p>interpretações e expressões, uma direção possível, e até recomendável,</p><p>porém, como tudo que é humano, não está isento de riscos, nem de atalhos</p><p>tentadores. Deve-se pois estar muito atento ao processo, tanto quanto ao</p><p>hipotético destino, à meta final.</p><p>As ações requeridas para encontrar uma saída viável e eqüitativa para a</p><p>Humanidade devem ir além da retórica, implicando uma cooperação</p><p>comprometida, mais que a simples ajuda, e solidariedade em busca do</p><p>benefício comum.</p><p>O desenvolvimento sustentável trata de revitalizar o crescimento</p><p>económico, reorientando-o de maneira que as questões ambientais sejam</p><p>incluídas nos cálculos económicos.</p><p>O desenvolvimento sustentável é um tipo de desenvolvimento orientado a</p><p>garantir a satisfação das necessidades fundamentais da população e a</p><p>elevar a sua qualidade de vida, por meio do maneio racional dos recursos</p><p>naturais, propiciando sua conservação, sua recuperação, sua melhoria e</p><p>usos adequados, por intermédio de processos participativos e de esforços</p><p>locais e regionais, de tal maneira que tanto esta geração quanto as futuras</p><p>tenham a possibilidade de usufrui-los com equilíbrio físico e psicológico,</p><p>sobre bases éticas e de equidade, garantindo-se a vida em todas as suas</p><p>manifestações e a sobrevivência da espécie humana.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>138</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>138</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Através de exemplos explica como e que pode ser garantida a participação</p><p>2- O desenvolvimento sustentável envolve a solidariedade diacrónica e sincrónica.</p><p>Explica a essência deste conceitos a partir de exemplos</p><p>3- Através de exemplos, explica o que e sustentabilidade económica, ecológica, social,</p><p>política e cultural.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>139</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>139</p><p>UNIDADE Temática 3.6- Gestão comunitária dos recursos</p><p>naturais</p><p>Introdução</p><p>O processo de gestão comunitária de recursos naturais exige o</p><p>conhecimento das diferentes formas de participação. Nesta unidade</p><p>temática e analisada o processo de gestão comunitária de recursos naturais</p><p>sob ponto de vista de teorias e da legislação.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Conhecer os niveis de participacao nos processos de gestao</p><p>comunitaria de recursos naturais</p><p>▪ Explicar a essencia da gestao comunitaria dos recursos naturais</p><p>Gestão comunitária dos recursos naturais</p><p>A gestão de recursos naturais, conforme vem definido em documentos</p><p>oficiais, pressupõe a administração de recursos como os florestais,</p><p>faunísticos, hídricos, minerais e outros, um processo que inclui o seu</p><p>controlo e uso em conformidade com a legislação, assegurando a</p><p>participação efectiva das instituições, comunidades locais e diferentes</p><p>organizações.</p><p>A legislação moçambicana define a comunidade local como sendo</p><p>"agrupamento de famílias e indivíduos, vivendo numa circunscrição</p><p>territorial de nível de localidade ou inferior, que visa a salvaguarda de</p><p>interesses comuns através da protecção de áreas habitacionais, áreas</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>140</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>140</p><p>agrícolas, sejam cultivadas ou em pousio, florestas, sítios de importância</p><p>cultural, pastagens, fontes de água, áreas de caça e de expansão."</p><p>A solução para os problemas ambientais identificados é complexa passando</p><p>por processo de reconhecimento de mecanismos de tomada de decisão no</p><p>campo sobre os quais assenta o exercício do poder ao nível das</p><p>comunidades rurais.</p><p>A declaração do rio de Janeiro sobre meio ambiente e desenvolvimento de</p><p>1992, consagra no princípio 10 que a melhor maneira de tratar questões</p><p>ambientais é assegurar a participação, no nível apropriado, de todos</p><p>cidadãos interessados. No nível nacional, cada individuo deve ter acesso</p><p>adequado as informações relativas ao meio ambiente que disponham as</p><p>autoridades publicas, inclusive informações sobre materiais e actividades</p><p>perigosas em suas comunidades, bem como a oportunidade de participar</p><p>em processos de tomada decisões. Os estados devem facilitar e estimular a</p><p>consciencialização e a participação pública, colocando a informação a</p><p>disposição de todos. Deve ser propiciado acesso efectivo aos mecanismos</p><p>judiciais e administrativos, inclusive no que diz respeito a compensação</p><p>reparação de danos ambientais.</p><p>A política nacional do ambiente (moçambicana), realça o papel da</p><p>comunidade na gestão ambiental, sustentando que a sustentabilidade da</p><p>gestão dos recursos naturais só poderá ser eficaz através duma directa e</p><p>activa participação das comunidades, valorizando e utilizando as suas</p><p>tradições e experiencias. Assim sendo o governo criara um clima propício</p><p>através de conhecimento de padrões de usos de recursos, formas de gestão</p><p>tradicionais e hábitos de vida das comunidades. Paralelamente procurará</p><p>encorajar e reforçar a capacidade das comunidades em conhecer e aplicar</p><p>princípios e regras de gestão dos recursos naturais que orientam a</p><p>sociedade em geral dando-lhes competências e instrumentos que facilitam</p><p>o estreitamento da cooperação com estruturas formais e informais.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>141</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>141</p><p>A participação comunitária na tomada de decisões deve obedecer às</p><p>realidades locais com as quais as pessoas se identificam. A solução do</p><p>problema dá-se pela participação e pelo comprometimento. Todavia, para</p><p>ser efectiva, faz-se necessário o envolvimento de pessoas que tenham</p><p>conhecimento e competência.</p><p>Para LAGAN e NEL (2000:195) a participação ocorre pelo menos em cinco</p><p>níveis principais a saber: Acção prescritiva: as pessoas seguem todos os</p><p>procedimentos e executam as tarefas conforme são mandadas. Em</p><p>associações muito autoritárias, mesmo o executivo dispõe de muita pouca</p><p>liberdade de acção.</p><p>Participação na actividade: as pessoas participam influenciando na forma</p><p>como o trabalho é feito. Elas decidem a respeito das técnicas a serem</p><p>usadas e da sequência de suas acções. Este é o primeiro nível em que</p><p>podemos buscar uma participação real e significativa.</p><p>Participação na função: as pessoas participam ao determinar o que elas ou</p><p>suas equipes irão realizar. A participação nesse nível requer um amplo</p><p>conhecimento a respeito das operações da sua organização. Para tomar</p><p>decisões sábias, as pessoas envolvidas precisam ter informações globais</p><p>sobre todos os aspectos do seu trabalho.</p><p>Participação no contexto: as pessoas participam ultrapassando as</p><p>barreiras da sua própria função na equipe para influenciar os processos e</p><p>as estruturas em torno delas. Seguindo critérios próprios, as pessoas vão</p><p>além do seu nível</p><p>de autoridade imediata para solucionar problemas</p><p>existentes junto à clientela.</p><p>Participação na visão: as pessoas participam idealizando e influenciando os</p><p>conceitos mais fundamentais que guiam a sua organização. As actividades</p><p>nesse nível ajudam a determinar valores, as metas, as estratégias e outras</p><p>estruturas que determinam o que a associação é e será. Os indivíduos e as</p><p>equipes trabalham juntos para determinar a direcção dos caminhos da</p><p>organização e ajudam a determinar os valores, os princípios e a missão da</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>142</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>142</p><p>associação.</p><p>As actividades dos níveis 1, 2 e 3, portanto, tratam de questões práticas,</p><p>enquanto as actividades dos níveis 4 e 5 tratam de questões de poder. A</p><p>administração participativa é formada de contribuição de três argumentos</p><p>que não são mutuamente exclusivos.</p><p>Sumário</p><p>A gestão de recursos naturais, conforme vem definido em documentos</p><p>oficiais, pressupõe a administração de recursos como os florestais,</p><p>faunísticos, hídricos, minerais e outros, um processo que inclui o seu</p><p>controlo e uso em conformidade com a legislação, assegurando a</p><p>participação efectiva das instituições, comunidades locais e diferentes</p><p>organizações.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Através de exemplos, estabeleça diferenças entre diferentes níveis de</p><p>participação</p><p>2- Faca uma análise critica sobre a legislação moçambicana no que tange</p><p>as politicas preconizadas para a gestão comunitária dos recursos</p><p>naturais</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>143</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>143</p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>1- BERKHOUT, F , Leach Melissa e Scoones I. Negotiating Environmental</p><p>Change, Edward Elgar, Cheltenham, 2003.</p><p>2- BRAGA, Bendito e outros; introdução a engenharia ambiental-o desafio</p><p>do desenvolvimento sustentável; 2ª edição; São Paulo; 2005</p><p>3- CAVACO, Maria Helena. Educação ambiental para o desenvolvimento:</p><p>testemunhos e noticias. Lisboa, Escolar Editora, 1992.</p><p>4- CHEREWA, Dionísio, ARMANDO, Atílio e OMBE, Zacarias. Perfil ambiental</p><p>da Cidade de Maputo. Maputo, 1996.</p><p>5- CORSON, Walter, H. Manual global de ecologia: O que você pode fazer a</p><p>respeito da crise do meio ambiente. S. Paulo, Editora Augustus, 1993.</p><p>6- KRISHNAMURTI. Natureza e Meio Ambiente. Lisboa, Edições 70, 1992.</p><p>7- MUCHANGOS, Aniceto dos. Moçambique, Paisagens e Regiões Naturais.</p><p>Maputo, 1999.</p><p>8- NEVES, Mª Conceição M. Conhecer o ambiente- Biologia 8º ano. 2ª Edição.</p><p>Plátano Editora, Lisboa, 1991.</p><p>9- NHANTUMBO, Isila e outros, Implementação de REDD+ no corredor da</p><p>Beira, abrangendo as províncias de Manica, Sofala e Zambezia</p><p>10- NOVA, Elisa Vila. Educar para o ambiente-Projectos para a área-escola.</p><p>Lisboa, Textos Editora, 1994.</p><p>11- OLIVEIRA, Luis Filipe. Educação Ambiental- Guia prático para</p><p>professores, monitores e animadores culturais e de tempos livres. 5ª edição.</p><p>Lisboa, Texto Editora, 1998.</p><p>ISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º Ano</p><p>144</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>144</p><p>12- Ombe, Zacarias Alexandre e FUNGULANE, Alberto; alguns aspectos da</p><p>conservacao da natureza em Mocambique; editor escolar; Mocambique;</p><p>S/D</p><p>13- OPPENHEIMER, Jocheu e RAPOSO, Isabel. A pobreza em Maputo. Lisboa,</p><p>Ministério de Trabalho e Solidariedade/Departamento de Cooperação,</p><p>2002.</p><p>14- SEITZ, J. Questões globais uma introdução, Perspectivas Ecológicas,</p><p>Instituto Piaget, Lisboa, 1995.</p><p>15- SURVEY, A. Environment and Geography, International Programme on</p><p>Global Environmental Change, IGU, 1998.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 12</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>12</p><p>Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de</p><p>Avaliação da UnISCED.</p><p>TEMA – I: TIPOLOGIA E EVOLUÇÃO DE ESTUDOS E PROBLEMAS AMBIENTAIS</p><p>UNIDADE Temática 1.1. Conceito de ciencias ambientais e</p><p>do ambiente</p><p>Introdução</p><p>A presente unidade temática define os conceitos de ciências ambientais e</p><p>do ambiente para além do histórico da evolução da definição do conceito</p><p>ambiente. Importa destacar que cada autor usa palavras específicas para</p><p>esclarecer a essência dos conceitos, sendo que alguns trazem mais detalhes</p><p>e outros apenas aspectos básicos. Entretanto, as definições que constam</p><p>nesta unidade são resultado de aglutinação de ideias de diferentes autores</p><p>que abordam a temática.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Definir os conceitos de ciências ambientais e do</p><p>ambiente</p><p>▪ Conhecer a evolução da definição do conceito ambiente</p><p>Conceito de ciências ambientais</p><p>Ciências do ambiente são um ramo multidisciplinar de ciências que se</p><p>debruça nos problemas ambientais, no sentido da sua interpretação,</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 13</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>13</p><p>compreensão actuação e modelização, através de uma abordagem</p><p>científica e integrada dos sistemas ambientais. Nas ciências ambientais</p><p>realizam-se pesquisas/indagações/investigações em prol dos fenómenos e</p><p>processos ambientais com a finalidade de garantir a sustentabilidade</p><p>ecológica, política, económica, social, etc. Importa referenciar que</p><p>ambiente deve ser estudado considerando o seu carácter complexo e</p><p>sistémico.</p><p>Conceito do ambiente e sua evolução</p><p>O ambiente, ao longo de diversas etapas, tem sido compreendido como o</p><p>"todo", o que rodeia ao ser humano, enfoque demasiadamente impreciso</p><p>e com o problema de excluir as pessoas.</p><p>Com o tempo avançou-se para uma concepção mais abrangente, tomando</p><p>o ambiente como o entorno natural e social, portanto, envolvendo os</p><p>comportamentos humanos. Desta concepção, passou-se a uma outra, com</p><p>maior ênfase nos processos de interação: o ambiente considerado como o</p><p>conjunto das relações reciprocas entre a sociedade e a natureza.</p><p>Uma das aproximações mais interessantes se não polêmicas é o conceito</p><p>de ambiente defendido por Vidart (1986), e por outros autores como Kassas</p><p>e Polunin (1989) e Pardo (1995), que defendem a teoria das esferas. Esta</p><p>visão coincide com o enfoque sistemico do meio ambiente.</p><p>A Biosfera é, de facto, um dos sistemas, no qual o ser humano encontra-se</p><p>inserido. Este grande sistema de partes funcionais e interdependentes</p><p>compreende uma delgada zona da Terra, na qual se incluem as camadas</p><p>baixas da atmosfera, os estratos superiores da litosfera e da hidrosfera, e</p><p>os seres vivos, incluindo a espécie humana, interagindo entre si e com o</p><p>entorno.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 14</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>14</p><p>Há 3.600 milhões de anos começou a evolução biológica na Terra. Desde os</p><p>primeiros tempos a vida favoreceu as condições para a própria vida,</p><p>conseguindo por exemplo transformar a primitiva atmosfera redutora em</p><p>oxidante. Baseando-se nestes dados e considerando a teoria de sistemas e</p><p>os cálculos termodinâmicos, a chamada "Hipótese Gaia" (Lovelock, 1979),</p><p>postula que a matéria vivente da Terra, o ar, o oceano e a superfície,</p><p>formam um sistema complexo que pode ser considerado como um</p><p>organismo individual, capaz de manter as condições que tornam a vida</p><p>possível no planeta.</p><p>A Sociosfera como um sistema artificial de instituições desenvolvidas pelo</p><p>ser humano para gestao das relações da comunidade com os outros</p><p>sistemas. Este sistema - instituições políticas, econômicas e culturais da</p><p>sociedade, tem evoluído ao longo ds tempos. Neste contexto, as relações</p><p>com outros sistemas, e em particular com a Biosfera, ocorrem através de</p><p>estruturas concretas. Algumas destas estruturas constituem a tecnosfera,</p><p>ou seja, o sistema criado pelo ser humano e submetido a seu controle.</p><p>Compreenderia os assentamentos humanos de aldeias e cidades, centros</p><p>industriais de energia, redes de transporte e comunicação, canais e vias</p><p>fluviais, explorações agrícolas, etc. A Biosfera em certas ocasiões faz sentir</p><p>seu domínio sobre a tecnosfera, através das chamadas catástrofes naturais,</p><p>cujos efeitos são devastadores para muitos assentamentos humanos. Cada</p><p>um dos três sistemas possui suas próprias leis de funcionamento e suas</p><p>próprias ciências: Biologia, Climatologia, Geologia, Ecologia, etc., (Biosfera);</p><p>Arquitetura, Engenharia, Metalurgia, etc., (Tecnosfer) ; Sociologia,</p><p>Economia, Política, Antropologia, etc., (Sociosfera).</p><p>De salilentar que nos três sistemas existem múltiplas inter-relações ou</p><p>relacoes reciprocas, mutuas, sendo a atual problemática ambiental uma</p><p>consequência do desajuste entre elas: a Sociosfera pressiona a Biosfera</p><p>com uma enorme população ávida de recursos, que depois de utilizados são</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 15</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>15</p><p>devolvidos sob forma de resíduos não assimiláveis, ameaçando-a; o mesmo</p><p>acontece com a Tecnosfera, intrinsicamente articulada com a Sociosfera.</p><p>Gradualmente vem sendo incorporado também a existência de um quarto</p><p>sistema, a Noosfera, ou esfera de conhecimentos e informações, que tem</p><p>adquirido identidade nos últimos anos com o desenvolvimento da chamada</p><p>sociedade da informação, constituindo o que alguns chamam de "terceira</p><p>revolução tecnológica"- a da informação e da comunicação - que tende a</p><p>aliviar as coerções da distância e do espaço. Esta esfera é tão importante</p><p>quanto intangível, o que a torna ainda mais interessante em razão da sua</p><p>complexidade, da sua capacidade mediadora e da sua configuração como</p><p>aquilo que se conhece por realidade virtual.</p><p>A idéia essencial desta teoria é de que a sobrevivência da Biosfera e da</p><p>própria espécie humana depende do grau de equilíbrio, entendido como</p><p>dinâmico e adaptável às circunstâncias vindouras - que o ser humano</p><p>consiga atingir nas relações entre as três ou quatro esferas</p><p>Considerando o carcter sistemico do ambiente os problemas ambientais</p><p>não podem ser reduzidos à própria expressão (efeitos) na Biosfera, como o</p><p>esgotamento dos recursos e a profunda alteração da litosfera, as mudanças</p><p>na atmosfera e as consequências do aquecimento do Planeta, a diminuição</p><p>da camada de ozônio, a degradação da cobertura vegetal ou a</p><p>contaminação, entre outros.</p><p>É importante reconhecer o meio ambiente como sistema, ou conjunto de</p><p>sistemas inter-relacionados, já que assim a interpretação dos problemas</p><p>ambientais pode passar da simplificação redutora e inútil à complexidade</p><p>mais adequada, à sua verdadeira essência. É impossível, neste sentido,</p><p>compreender e buscar soluções para a realidade do entorno, de qualquer</p><p>entorno, sem estudá-la, por um lado, como âmbito regido por um conjunto</p><p>de fatores concorrentes em um espaço e tempo dados e, por outro lado,</p><p>em relação a problemas e contextos mais amplos, com os quais está</p><p>relacionado.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 16</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>16</p><p>Um sistema é um conjunto de elementos que, antes de tudo, estão em</p><p>interação, seja este sistema fechado ou aberto. A característica de um</p><p>sistema não implica tanto sua composição, mas seu nível de organização,</p><p>de informação, e o facto de que as interações que ocorrem entre seus</p><p>componentes originam elementos novos, diferentes daqueles existentes</p><p>antes da ocorrência da inter-relação.</p><p>Os sistemas, por exemplo os sistemas naturais, regulam-se através de</p><p>mecanismos de realimentação,</p><p>de tal forma que os efeitos de suas acções</p><p>retornam e o informam, realimentando-o constantemente e permitindo</p><p>sua adaptação inovadora. Daí a necessidade de se adotar o enfoque</p><p>sistêmico, mas não somente como teoria da realidade, senão também da</p><p>acção.</p><p>Um sistema é um objecto susceptível de ser analisado ou dividido em</p><p>partes, porém sua identidade deriva da maneira com que se integram essas</p><p>partes. Em um sistema é impossível entender o todo sem as partes, nem as</p><p>partes sem o todo.</p><p>A teoria de sistemas trata de explicar o funcionamento e as características</p><p>dos sistemas, encontrando-se em permanente evolução. Precisamente, um</p><p>de seus postulados básicos é aquele que afirma que o comportamento de</p><p>um sistema deve-se mais à forma com que se organizam as interações em</p><p>seu seio, do que às características de suas partes isoladas. Este princípio</p><p>básico é de grande importância, pois permite explicar muitas das coisas que</p><p>ocorrem ao nosso redor.</p><p>Um Sistema pode ser uma célula (inclusive uma molécula) ou todo um</p><p>ecossistema, um tecido, um órgão, um indivíduo ou espécie</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 17</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>17</p><p>O conceito de sistema está, por outro lado, intimamente ligado ao de</p><p>complexidade, que tem a ver com os conceitos de classificação e precisão.</p><p>Quanto mais classificações ou magnitudes sejam necessárias para</p><p>descrever um sistema, e quanto maior a precisão ou número de classes de</p><p>cada magnitude, maior é a complexidade do sistema.</p><p>Assim, por exemplo, uma floresta é um sistema enormemente complexo,</p><p>em razão de todas as magnitudes que o definem, e das classes dentro de</p><p>cada magnitude (a magnitude "espécies" teria milhares de classes ou</p><p>possibilidades).</p><p>Da mesma maneira, um sistema complexo, como uma floresta natural,</p><p>possui a máxima "informação" (magnitudes, classificações), frente a um</p><p>sistema simples, como o de uma plantação monoespecífica de árvores para</p><p>produção de pasta de papel (por exemplo, de eucaliptos). Daí a importância</p><p>da biodiversidade e o capital genético acumulado pelos sistemas naturais,</p><p>frente aos artificiais.</p><p>Paralelamente a evolução do conceito de ambiente, evolui a própria</p><p>interpretação da problemática ambiental, que se faz mais rica e complexa.</p><p>De acordo Bifani (1997), nos últimos anos a problemática ambiental vem se</p><p>ampliando, fazendo-se mais rica e permeada de diferentes estratos sociais</p><p>e políticos. Simultaneamente, vai se tornando mais concreta, localizando-</p><p>se em um determinado espaço socioeconomico e com específicas</p><p>dimensões temporais. actualmente, a problemática ambiental pode se</p><p>apresentar desagregada em seus diferentes elementos e manifestações ou</p><p>como uma totalidade (sistema). Nos dois casos, essa manifestação ou</p><p>expressão da problemática tem identidade, é reconhecida e aceite no</p><p>contexto do cotidiano discurso político, economico e social, e não somente</p><p>ambiental ou ecologico.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 18</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>18</p><p>A problematica ambiental tem dimensões globais que superam limites</p><p>geográficos, barreiras economicas e posições políticas e ideológicas, ainda</p><p>que a posição que os indivíduos e os países ocupam na sociedade, e os</p><p>níveis de desenvolvimento economico e social alcançado por cada país,</p><p>determinem uma percepção diferente da problemática e uma forma</p><p>distinta de hierarquizar os problemas ambientais.</p><p>Assim para os países industrializados e prósperos, a problemática ambiental</p><p>está inserida na questão geral da qualidade de vida tomada de maneira</p><p>esquemática, não se trata aqui de lutar para sobreviver ou satisfazer</p><p>necessidades essenciais, senão de criar novas necessidades. Nestes países,</p><p>não se está questionando de maneira profunda o modelo actual de</p><p>desenvolvimento, nem a sustentabilidade do mesmo.</p><p>Pelo contrário, para os países em desenvolvimento, em muitos dos quais as</p><p>necessidades básicas para a maioria da população estão longe de serem</p><p>satisfeitas e nos quais o número de pobres e subalimentados aumenta, o</p><p>problema fundamental reside no facto de como utilizar racionalmente os</p><p>recursos ambientais para superar a pobreza, permitir o crescimento</p><p>sustentado da economia e alcançar um desenvolvimento sustentável, sem</p><p>arriscar as capacidades do sistema natural, que finalmente constitui a base</p><p>sobre a qual assentam a sobrevivência e o desenvolvimento.</p><p>A diversidade cultural do planeta em geral e dos paises em particular actua</p><p>como factor de diferenciação a respeito das questões ambientais. Isto faz</p><p>com que junto a estas duas grandes situações, e inclusive dentro de cada</p><p>uma delas, coexista um número indefinido de situações diversas e</p><p>diferenciadas.</p><p>A humanidade caminha para um mundo cada vez mais unido em uma série</p><p>de princípios, porém cada vez mais diversificado. Em qualquer caso, ainda</p><p>se está longe de compreender o papel assumido pela diversidade no</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 19</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>19</p><p>planeta, tanto na natureza, como na cultura e na economia (Aparisi e</p><p>outros, 1993).</p><p>A diversidade biológica é determinada pelo legado informativo e adaptativo</p><p>das diferentes espécies, como uma aprendizagem desenvolvida durante</p><p>milhares e milhares de anos, e fechada em seu código genético, a</p><p>diversidade cultural responde, também, ao desenvolvimento de</p><p>determinadas formas de vida humana, baseada em uma aprendizagem</p><p>permanente em interação com o meio e com alguns conhecimentos</p><p>zelosamente conservados por cada cultura. Portanto as culturas não são</p><p>impostas tão facilmente, e as formas culturais dominadas persistem</p><p>transformadas nos interstícios sociais, na porosidade da textura social.</p><p>Pode-se observar também formas culturais em coexistência conflitiva,</p><p>porém produtiva (González, 1994).</p><p>O ambiente tem seu âmbito conceitual ampliado, adquirindo algumas</p><p>conotações e aspectos que, antes de tudo, vão conduzindo cada vez mais</p><p>para a sua compreensão, até atingir uma posição mais biocêntrica.</p><p>Ambiente é um sistema constituído por geodiversidade (diversidade de</p><p>rochas, diversidade de minerais, diversidade de solos, diversidade de</p><p>formas de relevo, diversidade climática, etc.) biodiversidade (diversidade</p><p>de animais de plantas, incluindo a diversidade ecológica, especifica e</p><p>genética) e a sociodiversidade (diversidade cultural, diversidade das formas</p><p>de produção, etc.), considerando as relações reciprocas/de</p><p>interdependência/mútuas.</p><p>Sumário</p><p>Nesta unidade temática foram abordados aspectos ligados aos conceitos de</p><p>ciências ambientais e do ambiente. o conceito ambiente observou uma</p><p>evolução ao longo dos tempos e que na actualidade quase todas as</p><p>definições envolvem d</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 20</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>20</p><p>Geodiversidade, biodiversidade e sociodiversidade para além de realçar as</p><p>relações reciprocas entre os diferentes elementos que o constituem.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Através de exemplos, demostre as relações reciprocas que se estabelecem</p><p>entre os diferentes elementos do ambiente</p><p>2- Através de exemplos demostre a evolução do conceito ambiente</p><p>Exemplos de respostas</p><p>1- Os diferentes elementos que constituem o meio ambiente</p><p>estabelecem relações reciprocas ou de interdependência entre si.</p><p>Exemplo: os processos meteorológicos são influenciados por</p><p>características geomorfologias como são os casos das chuvas</p><p>orográficas mas por sua vez, as formas geomorfologicas são</p><p>modificadas como resultado da actuação de processos</p><p>meteorológicos</p><p>2- A definição do conceito do ambiente foi evoluindo ao longo dos</p><p>temos, por exemplo, nos primórdios de estudos ambientais,</p><p>os</p><p>cientista apenas faziam</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 21</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>21</p><p>referenciam dos aspectos abióticos e bióticos mas ao longo dos</p><p>tempos integrou-se a sociodiversidade para além de realçar a</p><p>riprocidade nos diferentes elementos que compõem o ambiente</p><p>UNIDADE Temática 1.2 -Evolução de estudos ambientais</p><p>Introudução</p><p>Os estudos relacionados ao ambiente foram evoluindo ao longo dos tempos</p><p>face a evolução dos problemas ambientais. Os diferentes paradigmas como</p><p>o positivismo, antropocentrismo, possibilismo, etc., sempre influenciaram</p><p>as interpretações ligadas ao meio ambiente. o presente capitulo, faz uma</p><p>abordagem sobre a evolução dos estudos ambientais, realçando os</p><p>principais acontecimentos que influenciaram a cada fase.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>• Descrever o processo de evolução de estudos ambientais</p><p>• Identificar as principais etapas do processo de evolução dos esudos</p><p>ambientais</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 22</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>22</p><p>Evolução de estudos ambientais</p><p>A capacidade que os seres humanos têm de interferir na natureza para dela</p><p>retirar o seu sustento e sobrevivência, permitiu a exploração e consumo de</p><p>recursos por muito tempo sem que se pensasse em sua conservação.</p><p>Somente há poucas décadas, em decorrência de catástrofes ambientais,</p><p>dos índices alarmantes de poluição e da constatação de que os limites da</p><p>natureza estavam sendo superados é que se iniciou um movimento em</p><p>favor da utilização racional destes recursos.</p><p>Década de 1960</p><p>De acordo com Valle (2002), na segunda metade do século XX um grupo de</p><p>cientistas de renome do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT),</p><p>elaborou um relatório polémico a partir de solicitação do Clube de Roma .</p><p>Utilizando-se de modelos matemáticos, preveniu dos riscos de um</p><p>crescimento económico contínuo baseado na exploração de recursos</p><p>naturais esgotáveis. Seu relatório Limits of Growth (Limites do</p><p>crescimento), publicado em 1972, foi um sinal de alerta que incluía</p><p>projecções, em grande parte não cumpridas, mas que teve o mérito de</p><p>conscientizar a sociedade dos limites da exploração do planeta.</p><p>Em temos gerais, suscitaram debates em torno de três (3) questões: a</p><p>poluição, o crescimento populacional e a tecnologia. Apesar de terem sido</p><p>muito criticados por apresentarem dados, argumentos e metodologias de</p><p>análises controversas, seus esforços foram reconhecidos como importantes</p><p>para que a reflexão e o debate sobre essas questões se generalizassem,</p><p>abrindo caminhos para mudanças nas atitudes sociais e políticas.</p><p>No mês de Abril de 1968, reuniram-se em Roma (Itália), pessoas de dez</p><p>países, entre cientistas, educadores, industriais e funcionários públicos de</p><p>diferentes instâncias de governo, objectivando discutir os dilemas atuais e</p><p>futuros do homem. Deste encontro nasceu o Clube de Roma com muita</p><p>propriedade, cujas finalidades eram promover o entendimento dos</p><p>componentes variados, mas interdependentes – económicos, políticos,</p><p>naturais e sociais – que formam</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 23</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>23</p><p>o sistema global; chamar a atenção dos que são responsáveis por decisões</p><p>de alto alcance, e do público do mundo inteiro, para aquele novo modo de</p><p>entender e, assim, promover novas iniciativas e planos de acção (DIAS,</p><p>2008).</p><p>Em 1962 foi publicado um Livro pela bióloga norte-americana Rachel</p><p>Carson (Silent Spring – Primavera Silenciosa), no qual alertava para o uso</p><p>indiscriminado de pesticidas, que, além de destruir insetos como se</p><p>pretendia, envenenavam os pássaros. A publicação de livro supra citado foi</p><p>um dos acontecimentos apontados como mais significativo para o impulso</p><p>da revolução ambiental, por ter gerado muita indignação, aumentado a</p><p>consciência pública quanto às implicações das actividades humanas sobre</p><p>o meio ambiente e seu custo social, e por ter gerado reacções por parte de</p><p>governos de vários países, visando regulamentar a produção e a utilização</p><p>de pesticidas e insecticidas químicos sintéticos. O livro não foi a primeira</p><p>advertência a respeito do impacto dos pesticidas sobre o meio ambiente,</p><p>pois desde a década de 1940 já haviam sido realizadas várias pesquisas,</p><p>cujos dados e conclusões eram divulgados em revistas científicas. Seu</p><p>grande diferencial foi ter explicado ao público, em linguagem acessível, os</p><p>mecanismos e efeitos adversos da contaminação ambiental, bem como os</p><p>riscos envolvidos (PHILIPPI Jr. et al., 2004).</p><p>Bases Científicas para Uso e Conservação Racionais dos recursos da Biosfera</p><p>ou, simplesmente, Conferência da Biosfera, pela Organização das Nações</p><p>Unidas (ONU), objetivando avaliar os problemas do meio ambiente global e</p><p>sugerir acções correctivas. Promoveu a discussão a respeito dos impactos</p><p>humanos sobre a biosfera, incluindo os efeitos.</p><p>Philippi Jr. et al., (2004) ainda afirmam que dos resultados mais</p><p>significativos foi a ênfase no carácter interrelacionado do meio ambiente.</p><p>Concluíram que a deterioração ambiental tinha como principais</p><p>responsáveis o crescimento populacional, a urbanização e a</p><p>industrialização, que ocorriam em ritmo acelerado. Reconheceu-se que os</p><p>problemas ambientais não respeitavam fronteiras regionais ou nacionais, o</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 24</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>24</p><p>que mostrava a necessidade da adopção de políticas ponderadas e</p><p>abrangentes para a gestão ambiental. Incentivaram, também, a realização</p><p>de outra conferência, para que fossem abordadas as dimensões políticas,</p><p>sociais e económicas da questão ambiental que haviam ficado de fora da</p><p>esfera de acção naquela oportunidade.</p><p>Durante esta década, gradativamente os relatórios publicados por</p><p>entidades científicas e de protecção à natureza passaram a ressaltar os</p><p>efeitos nocivos das actividades humanas, especialmente os decorrentes do</p><p>processo industrial. Contudo, a ênfase recaía sobre os resultados dos</p><p>avanços da ciência (responsáveis pela ruptura dos equilíbrios naturais) e</p><p>sobre a necessidade de acções técnicas (isoladas) para a correcção dos</p><p>problemas ambientais decorrentes. Nesse período, poucos cientistas</p><p>estavam envolvidos com uma militância política, pois tinham receio de que</p><p>um envolvimento desse porte pudesse gerar efeitos indesejáveis nas</p><p>pesquisas que desenvolviam em sua própria respeitabilidade.</p><p>Década de 1970: Por volta de 1970, a crise ambiental não mais passava</p><p>despercebida. Um movimento significativo havia surgido no cenário</p><p>mundial e a evolução dos estudos científicos comprovava cada vez mais a</p><p>existência de vários problemas ambientais que poderiam comprometer a</p><p>vida no planeta. Se a década de 1960 pode ser considerada como o período</p><p>de mobilização, a década de 1970 marcou a construção de uma nova fase</p><p>no mundo, em que a responsabilidade pela sustentabilidade disseminou-se</p><p>entre diversos atores sociais. Esse foi o período em que a educação</p><p>ambiental foi delineada e várias organizações ambientalistas e “partidos</p><p>verdes” foram formados pelo mundo. No entanto, mesmo diante dos</p><p>problemas económicos e energéticos mundiais, muitos empresários,</p><p>sindicatos, partidos políticos, entre outros, ainda consideravam o</p><p>movimento ambientalista um fenómeno de moda e de revolta idealista,</p><p>sustentado por uma elite de ricos “fora de propósito” (PHILIPPI Jr. et al.,</p><p>2004)</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 25</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>25</p><p>De acordo com Valle (2002), Época da regulamentação e do controle</p><p>ambiental; Em 1972, o Clube de Roma publicou o relatório “Limites do</p><p>Crescimento”,</p><p>documento que condenava a busca do crescimento da</p><p>economia dos países a qualquer custo e a meta de torná-lo cada vez maior,</p><p>mais rico e poderoso, sem levar em consideração o custo ambiental desse</p><p>crescimento. A repercussão deste relatório, bem como as pressões</p><p>exercidas pelos movimentos ambientalistas que eclodiram em várias partes</p><p>do mundo, levaram a Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972 (em</p><p>Estocolmo, Suécia), a realizar a I Conferência das Nações Unidas sobre o</p><p>Meio Ambiente Humano, reunindo representantes de cento e treze (113)</p><p>países.</p><p>Nesse evento, popularizou-se a frase da então primeira-ministra da Índia,</p><p>Indira Gandhi: “A pobreza é a maior das poluições”. Foi nesse contexto que</p><p>os países em desenvolvimento afirmaram que a solução para combater a</p><p>poluição não era brecar o desenvolvimento e sim orientá-lo para preservar</p><p>o meio ambiente e os recursos não renováveis.</p><p>Primeira conferência da ONU sobre as relações entre o homem e o meio</p><p>ambiente, marco para o surgimento de políticas de gestão ambiental.</p><p>Discutiram-se questões como a defesa e melhoria do meio ambiente para</p><p>as gerações presentes e futuras. Gerou a Declaração sobre o Ambiente</p><p>Humano e estabeleceu o Plano de Acção Mundial com o objectivo de</p><p>inspirar e orientar a humanidade para a preservação e melhoria do</p><p>ambiente humano. Nesta conferência, pela primeira vez, as questões</p><p>políticas, sociais e económicas geradoras de impactos ao meio ambiente</p><p>foram discutidas em um fórum intergovernamental, com a perspectiva de</p><p>suscitar medidas correctivas e de controlo.</p><p>Apesar de toda controvérsia ocorrida, o evento gerou saldos bastante</p><p>positivos: reconhecimento generalizado da profunda relação entre meio</p><p>ambiente e desenvolvimento; formulação de uma legislação internacional</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 26</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>26</p><p>concernente a algumas questões ambientais; emergência das organizações</p><p>não governamentais (ONGs), recomendação que fosse realizada uma</p><p>conferência internacional específica para se discutir a Educação Ambiental,</p><p>considerada como elemento fundamental para o combate à crise</p><p>ambiental, foram alguns de seus principais resultados.</p><p>1974 – Estabelecida a relação entre os compostos de clorofluorcarbonos3</p><p>(CFCs) e a destruição da camada de ozónio na estratosfera ;</p><p>1975 - Porém, somente neste ano em Belgrado (Iugoslávia), foi que</p><p>representantes de sessenta e cinco (65) países reuniram-se para formular</p><p>os princípios orientadores do Programa das Nações Unidas para o Meio</p><p>Ambiente (PNUMA), que a partir de então, passou a existir formalmente.</p><p>Neste contexto, os países participantes da Conferência de Estocolmo,</p><p>afirmaram que a solução para combater a poluição não era brecar o</p><p>desenvolvimento e sim orientar o desenvolvimento para preservar o meio</p><p>ambiente e os recursos não-renováveis. Considerando a crise energética</p><p>causada pelo súbito aumento do preço do petróleo: racionalização do uso</p><p>de energia e busca de fontes energéticas renováveis, o conceito de</p><p>desenvolvimento sustentável começa a tomar forma.</p><p>1978 – Iniciativa alemã do primeiro selo ecológico “Blue Angel” (Anjo azul),</p><p>destinado a rotular produtos que se diferenciam por suas qualidades</p><p>ambientais.</p><p>Década de 1980: Com a chegada da década de 1980 e a entrada em vigor</p><p>de legislações específicas que controlavam a instalação de novas indústrias</p><p>e exigências para as emissões nas indústrias existentes, desenvolveram-se</p><p>empresas especializadas na elaboração de Estudos de Impacto Ambiental</p><p>(EIA) e de Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)</p><p>Na Década de 90: Houve um grande impulso com relação à consciência</p><p>ambiental, na maioria dos países; Conferência das Nações Unidas sobre</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 27</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>27</p><p>Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) realizado no Rio de Janeiro,</p><p>resultou na publicação de 5 documentos, entre eles a Agenda 21.</p><p>Sumário</p><p>A evolução de estudos ambientais é marcada pela evolução dos problemas</p><p>ambientais e pela realização de eventos como conferencias, tratados, etc.,</p><p>para além de publicações de artigos científicos e livros em prol do meio</p><p>ambiente, incluindo a criação de clubes de ambiente. Não obstante, o</p><p>processo da evolução dos estudos ambientais foi também marcada por</p><p>momentos de estagnação tanto em publicados quer em aderência de</p><p>membros em clubes ambientais</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>Perguntas</p><p>1- Refira-se da importação da entrada em vigor nos anos 80 da legislação</p><p>sobre a realização de avaliação de impactos ambientais</p><p>2- Identifica um dos marcos de estudos ambientais na década de 60</p><p>Exemplos de respostas</p><p>1- A entrada em vigor da legislação sobre a necessidade de realização de estudos</p><p>de impactos ambientais em projectos de desenvolvimento revestia-se de</p><p>grande importância na medida em que a partir desta altura os complexos</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 28</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>28</p><p>industriais passavam a conhecer os seus potenciais impactos ambientais e</p><p>passava a ter um instrumento regulador das actividades, contendo medidas de</p><p>prevenção e de correcção de possíveis impactos ambientais.</p><p>2- Exemplo: na segunda metade do século XX um grupo de cientistas de renome</p><p>do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), elaborou um relatório polémico</p><p>a partir de solicitação do Clube de Roma . Utilizando-se de modelos</p><p>matemáticos, preveniu dos riscos de um crescimento económico contínuo</p><p>baseado na exploração de recursos naturais esgotáveis. Seu relatório Limits of</p><p>Growth (Limites do crescimento), publicado em 1972, foi um sinal de alerta que</p><p>incluía projecções, em grande parte não cumpridas, mas que teve o mérito de</p><p>conscientizar a sociedade dos limites da exploração do planeta.</p><p>UNIDADE Temática 1.3- Evolução das relações ser humano</p><p>e o ambiente</p><p>Introudução</p><p>Nesta unidade, apresentam-se reflexões para a compreensão das múltiplas</p><p>inter-relações e determinações com que os diversos estilos ou padrões de</p><p>desenvolvimento adoptados por parte de diferentes sociedades ao longo de</p><p>seus percursos históricos repercutem sobre as modalidades de apropriação</p><p>dos recursos naturais, sobre as relações entre os próprios homens, sobre a</p><p>produção do conhecimento técnico-científico e sobre as modalidades de</p><p>Educação e suas diferentes concepções pedagógicas. Busca-se explicitar as</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 29</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>29</p><p>situações complexas do mundo contemporâneo e a importância da educação</p><p>ambiental como alternativa para desenvolver uma maior adequação dos</p><p>fenômenos educativos a suas reais possibilidades de aplicação.</p><p>Uma sistematização reflexiva, realizada de forma crítica, de como se deu</p><p>essa interação Homem-Natureza-Educação requer uma análise histórica,</p><p>com destaque para a relevância do factor econômico no processo de</p><p>intervenção humana na natureza.</p><p>O processo econômico se traduz como uma característica humana peculiar e</p><p>como expoente dos processos históricos de apropriação e de transformação</p><p>do meio ambiente e de dominação entre os homens.</p><p>De modo geral, pode se afirmar que o homem primitivo não provocava</p><p>desequilíbrios apreciáveis sobre os processos metabólicos e reprodutivos,</p><p>que regulavam o sistema de suporte da vida na biosfera, posto que as</p><p>alterações provocadas se davam em uma escala que permitia a manutenção</p><p>dos limites de estabilidade dos ecossistemas. Exercendo ações sobre os</p><p>ecossistemas naturais como consumidor, o homem interagiu com a natureza</p><p>de modo passivo, submetendo-se a seus imperativos, modificando seu modo</p><p>de vida e sua sobrevivência limitada de acordo com os limites e</p><p>dádivas da</p><p>natureza.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Descrever a evolução histórica das relações entre o meio ambiente</p><p>e o Homem</p><p>▪ Caracterizar e evolução socioeconómica do Homem como resultado</p><p>da interacção com a natureza</p><p>Evolução das relações ser humano e o ambiente</p><p>UISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 30</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>30</p><p>Numa perspectiva histórica, o enorme "êxito" da espécie humana,</p><p>comparado com o de outros mamíferos, que se reflecte na distribuição</p><p>mundial, na relativa interdependência do ambiente e num certo grau de</p><p>bem-estar, deve-se ao elevado grau de desenvolvimento cultural. A cultura,</p><p>entendida como um sistema de conhecimentos, comportamentos e</p><p>práticas transmitidos de uns a outros, constitui um meio de adaptação dos</p><p>seres humanos, permitindo-lhes a comunicação e a permanente</p><p>modificação do entorno.</p><p>Tradicionalmente, nos diversos grupos culturais, existem mecanismos</p><p>reguladores que tendem a ajustar as relações do ser humano com seu</p><p>entorno ou corrigir o uso desestabilizador dos recursos naturais.</p><p>Entretanto, na situação actual, parece que houve a perda do controle sobre</p><p>tais mecanismos, de forma que a problemática ambiental provocada põe</p><p>em perigo a própria sobrevivência do homem como espécie, além da de</p><p>outros seres vivos e sistemas que o acompanham.</p><p>Durante a maior parte da pré-história, os seres humanos se adaptaram ao</p><p>meio através de estratégias de tipo biológico e de comportamento, sem</p><p>causar grandes modificações nos ecossistemas, com uma intensidade de</p><p>transformação equiparável a dos outros animais com os quais compartilha</p><p>a existência sobre o planeta. Esta situação de relação harmónica com o</p><p>meio ambiente se manteve ao longo de milhares de anos, nos quais</p><p>prevaleceu a caça e a colecta como actividades fundamentais dos grupos</p><p>humanos.</p><p>A relação da espécie humana com o ambiente, produto da percepção que</p><p>tem deste, tem sofrido uma evolução tão interessante quanto</p><p>relativamente pouco estudada, mas que deve ser comentada, por permitir</p><p>compreender com maior clareza tanto a nova dimensão da problemática</p><p>ambiental quanto os enfoques necessários para reorientar a relação do</p><p>homem com o mundo e consigo próprio.</p><p>A época pré-filosófica, por exemplo, concebe o ser humano a partir de um</p><p>contexto mítico, de enorme respeito e temor para com tudo que lhe rodeia,</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 31</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>31</p><p>e muito especialmente para com aquilo que lhe promove o sustento. Daí,</p><p>portanto, o enorme respeito dos primeiros homens para com a natureza,</p><p>respeito que foi mantido inclusive pelos povos da África até a chegada dos</p><p>europeus.</p><p>Inicialmente, o Homem era também considerado como elemento natural,</p><p>pois vivia de caça de animais fáceis de capturar e de recolecção de frutos,</p><p>raízes de plantas silvestres como qualquer outra espécie animal. Contudo,</p><p>começa a existir rompimento da igualdade do Homem e outros animais (no</p><p>contexto das relações com a natureza), a partir do momento em que o</p><p>Homem descobre o fogo, passando a usa-lo para fabricar e aperfeiçoar os</p><p>seus instrumentos de trabalho e confeccionar os alimentos. A descoberta</p><p>do fogo, passou a conferir ao Homem vantagens sobre os animais e plantas.</p><p>Foi com a descoberta do fogo que alguns indícios de alterações ou</p><p>modificações das características originais na natureza começaram a</p><p>registarem-se.</p><p>Com o aperfeiçoamento de instrumentos de caça, o Homem passou a caçar</p><p>animais de grande porte. Com o fogo passou a destruir grandes áreas de</p><p>florestas. Algumas espécies animais foram eliminadas, como e o caso do</p><p>mamute, bisonte, etc.</p><p>Um dos grandes marcos que o Homem manifestou na antiguidade como</p><p>interesse de preservar a natureza foi a domesticação das plantas e animais,</p><p>facto este que permitiu também a sua sedentarização.</p><p>Importa salientar que a domesticação de animais e plantas surge em</p><p>resposta a alguns problemas ambientais, mas por sua vez deu origem a</p><p>outros. Por exemplo: a domesticação de animais, implica a existência de</p><p>áreas de pastagens, dando lugar ao sobrepastoreiro cujas consequências</p><p>recaem não só na vegetação como também no equilíbrio ecológico dos</p><p>solos e das comunidades ecológicas.</p><p>O Homem, ao longo da sua historia foi desencadeando guerras como é o</p><p>caso das guerras de razia que obrigaram a movimentação constante de</p><p>povos vencidos do seu local de origem para trabalhar nas terras dos</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 32</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>32</p><p>vencedores na condição de escravos, influindo de certo modo na destruição</p><p>antropogénica do solo.</p><p>Contudo, antes da revolução agrícola e industrial, os problemas ambientais</p><p>que ocorriam eram quase insignificantes na medida em ainda permitiam a</p><p>auto regulação da natureza.</p><p>Mas com a revolução agrícola e industrial, caracterizada por grandes</p><p>inovações tecnológicas e pelo uso de novas fontes de energia, a produção</p><p>de poluentes aumentou vertiginosamente. As guerras, incluindo a fria</p><p>impulsionaram a descoberta e utilização de energia atómica.</p><p>Com a revolução industrial, a indústria assume o papel de centralidade</p><p>dinâmica e desde então a indústria potencializa sua relação espacial com o</p><p>meio ambiente, ganhou o poder de transformação que conhecemos</p><p>actualmente.</p><p>O problema ambiental não está relacionado em si com a indústria ou seu</p><p>papel central na modelagem das relações da economia com o espaço, mas</p><p>do padrão com que vem investida a tecnologia no âmbito da organização</p><p>da indústria e da relação desta com o meio ambiente.</p><p>A cada período da história económica, variam os padrões dos artefactos</p><p>mecânicos. Em geral, variam segundo o tipo histórico de indústria. São</p><p>conhecidas três formas históricas de indústria no tempo: o artesanato, a</p><p>manufatura e a fábrica.</p><p>O artesanato é a forma mais antiga de indústria. É uma indústria de</p><p>pequenas dimensões. Sua tecnologia resume-se a ferramentas simples e</p><p>dependente do uso da energia muscular do homem. Seu alcance de</p><p>transformação espacial e ambiental reduz-se a estas proporções de escala</p><p>técnica. A relação ambiental do tempo do artesanato tinha as dimensões</p><p>da natureza da economia e das relações técnicas que lhe são</p><p>correspondentes. Trata-se de uma economia autônoma e familiar, que não</p><p>transborda os limites territoriais do entorno rural a que pertence. A</p><p>tecnologia empregada só permite o uso de matérias-primas facilmente</p><p>dúcteis, as relacionadas ao mundo vivo das plantas e animais, do mundo</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 33</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>33</p><p>mineral quando muito a argila, para os fins da cerâmica, com algumas</p><p>incursões na metalurgia.</p><p>A manufactura é um artesanato de maiores proporções. Historicamente,</p><p>coexiste com os antigos artesanatos nas sociedades rurais da Antiguidade,</p><p>podendo às vezes ganhar a dimensão de uma actividade de alta</p><p>especialização económica de modo que sua tecnologia implica já numa</p><p>escala de organização mais avançada, consistindo de um verdadeiro</p><p>sistema de maquinismo. As ferramentas do artesanato são substituídas em</p><p>máquinas de estrutura mais complexa, ultrapassando de alguma forma seu</p><p>carácter de puros prolongamentos corporais e requerendo uma forma de</p><p>energia de forças maiores que a do músculo humano, em geral mobilizando</p><p>animais de maior poder de movimentação, a energia eólica e mesmo a</p><p>energia hidráulica.</p><p>A manufactura iniciou uma mudança nessa forma de relacionamentos,</p><p>trazendo o começo de uma forma de percepção e atitudes novas. As</p><p>relações espaciais transbordam progressivamente do entorno imediato</p><p>vivido, pondo os homens numa convivência com matérias-primas e</p><p>alimentos chegados de lugares</p><p>cada vez mais distantes e desconhecidos,</p><p>alterando as anteriores referências e o sentido de identidade de mundo.</p><p>São as necessidades da manufactura e das trocas no mercado que</p><p>paulatinamente comandaram o quotidiano e a vida prática, alterando junto</p><p>com o espaço a noção também do tempo vivido, separando espaço e tempo</p><p>como dois mundos distintos.</p><p>A presença imperiosa do maquinismo no quotidiano da indústria, da</p><p>circulação entre os lugares e da vida na cidade em crescimento leva a uma</p><p>forma de percepção a atitudes que vai introduzindo na mente dos homens</p><p>uma imagem de natureza e de mundo cada vez mais parecida com a da</p><p>engrenagem das máquinas, cujo melhor exemplo é o relógio, que vai</p><p>dominando o seu meio e modo de vida. O utilitarismo do mercado,</p><p>impregnando a indústria e as actividades primárias do campo de sua</p><p>ideologia de vida prática, propicia o surgimento de uma concepção físico-</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 34</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>34</p><p>mecânica que organiza na uniformidade desse parâmetro o mundo do</p><p>homem do espaço terrestre ao espaço celeste, dele fazendo uma nova</p><p>filosofia e com isto uma nova forma de cultura.</p><p>Essa cultura utilitária se consolida com a revolução industrial e o advento</p><p>da moderna sociedade estruturada com base na organização industrial da</p><p>fábrica como um mundo da técnica, introduzindo a forma de percepção e</p><p>atitudes que domina a relação de mundo que temos hoje em nosso tempo.</p><p>A fábrica é a forma actual de indústria, nascida da revolução industrial.</p><p>Apoiada numa tecnologia de escala crescentemente mais elevada e na</p><p>centralidade de uma economia literalmente voltada para a demanda do</p><p>mercado e altamente consumidora de bens industriais que lhe conferem</p><p>uma escala de organização dos espaços de abrangência ilimitada, com</p><p>enorme impacto ambiental que a difere das formas históricas de indústria</p><p>pretéritas.</p><p>O paradigma único de tecnologia e forma de organização do espaço em</p><p>escala crescentemente mundial, é a origem mais exata dos problemas</p><p>ambientais que ao longo do tempo vão se acumulando e se manifestando</p><p>na mesma dimensão da escala, de espaço e de incidência.</p><p>O pensamento grego no Ocidente, origem da reflexão filosófica ocidental,</p><p>representou uma mudança revolucionária no raciocínio básico. Recorde-se,</p><p>neste sentido, a afirmação de Aristótele de que "as plantas foram criadas</p><p>por serem necessárias aos animais, e estes porque o ser humano deles</p><p>necessita".</p><p>No campo científico, a visão ocidental de mundo vigente na actualidade</p><p>surgiu há três séculos, sendo delineada por três filósofos: Bacon, Descartes</p><p>e Newton, que podem ser considerados, de certo modo, como pais do</p><p>paradigma mecanicista, definido mais adiante. Bacon, dentro da tradição</p><p>judaico-cristã, buscava o desenvolvimento de uma ciência que restaurasse</p><p>o papel do homem como dominador sobre os demais seres, restituindo-lhe</p><p>a soberania possuída antes da criação.</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 35</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>35</p><p>A reflexão de Descartes tem como base o humanismo renascentista, que</p><p>outorga ao indivíduo um papel central no cosmos. Ainda que alheio à</p><p>inspiração bíblica, Descartes compartilha sua ambição de alcançar uma</p><p>filosofia e um método que convertessem o ser humano em senhor da</p><p>Natureza.</p><p>Newton, por sua parte, realiza uma contribuição fundamental ao</p><p>pensamento mecanicista com suas descobertas no campo da física, como a</p><p>noção de gravitação universal e as leis de atracão e repulsão dos corpos</p><p>celestes.</p><p>O paradigma ou visão mecanicista de mundo é definido pela ideia de que o</p><p>mundo equivale a uma máquina composta de partes, unidas em uma</p><p>engrenagem mais ou menos complexa. Significa também que, para se</p><p>conhecer melhor o funcionamento da máquina, é conveniente fragmentá-</p><p>la em seus elementos constituintes, separando-os e isolando-os dos</p><p>demais. Implica, portanto, a ideia de que a fragmentação do conhecimento</p><p>e, com ela, a divisão da realidade em disciplinas ou campos de saber, é</p><p>essencial ao progresso.</p><p>As relações do ser humano com o meio ambiente ao longo da história têm</p><p>evoluído para uma visão de superioridade e domínio, alcançando sua</p><p>máxima expressão com o auge da ciência e da tecnologia nos últimos anos,</p><p>que consequentemente representam uma capacidade quase ilimitada de</p><p>intervenção sobre o ambiente. Chama-se esta posição, ou concepção a</p><p>respeito do meio ambiente, de antropocentrismo ou concepção</p><p>antropocêntrica, que representa também o papel atribuído pelo ser</p><p>humano a si mesmo, no centro do mundo.</p><p>Frente ao antropocentrismo, abre-se passagem para uma nova posição ou</p><p>concepção, chamada de biocentrismo ou concepção biocêntrica, na qual o</p><p>ser humano, longe de se considerar o centro do mundo, percebe-se como</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 36</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>36</p><p>indissociável de seu entorno, que compartilha com os demais seres vivos, e</p><p>aos quais se une por interesses comuns.</p><p>Complementando, pode-se afirmar que desta concepção biocêntrica deriva</p><p>um enfoque ético centrado na vida e na extensão a todos os seres vivos de</p><p>uma consideração moral, ao considerar o fato de que com eles se</p><p>compartilha o bem-estar no planeta.</p><p>Por outro lado, a partir de uma concepção biocêntrica, a reciprocidade</p><p>moral abrange todos os moradores (humanos ou não humanos) do planeta,</p><p>sendo este visto como unidade ambiental integradora. Portanto, o</p><p>desenvolvimento do pensamento global e integrador fica favorecido.</p><p>Entretanto, deve-se reconhecer que, pouco a pouco, algumas tendências</p><p>abrem passagem numa direção mais construtiva. Assim, quando se fala da</p><p>sustentabilidade ambiental, de algum modo, transcende o princípio de</p><p>reciprocidade para solidariedade diacrónica e sincrónica, ainda que</p><p>continue apenas fazendo referência à espécie humana.</p><p>O etnocentrismo ou enfoque etnocêntrico seria, por último, a consideração</p><p>(autoconsideração) de superioridade de determinados grupos ou culturas</p><p>com relação às demais, e que conduz a situações de dominação,</p><p>principalmente através da ciência e da tecnologia. Na realidade, o</p><p>etnocentrismo nada mais é do que uma forma de antropocentrismo mais</p><p>ou menos sutil, confrontado com o conceito (e valor) da diversidade</p><p>cultural.</p><p>Actualmente, a ideia de ser humano encontra-se enriquecida pelas</p><p>contribuições tanto da antropologia biológica quanto da psicológica. Para</p><p>os antropobiólogos, ou seja, para os que explicam o ser humano como ser</p><p>vivo, como Gehlen (1973) e outros, o ser humano é um animal inacabado,</p><p>porém com uma suficiente dotação física para que termine seu processo</p><p>em um binômio permanente de liberdade-necessidade. E esta indefinição</p><p>UnISCED CURSO: LIENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL; 2º</p><p>Ano 37</p><p>Módulo: Fundamentos de estudos Ambientais</p><p>37</p><p>se realizaria em grande parte no exterior, a partir do meio ambiente social</p><p>e natural.</p><p>Outros autores entendem a cultura humana como um sistema informativo</p><p>orientado à previsão do meio ambiente, de forma que o êxito da espécie</p><p>humana deriva também da sua capacidade para obter modelos de mundo.</p><p>Para o professor Margalef (1981) a evolução cultural humana se parece</p><p>mais com a sucessão ecológica do que com a evolução de uma espécie, que</p><p>seria algo muito mais lento e profundo. Por isso, o resultado desta evolução</p><p>dependerá da minimização do intercâmbio de energia necessária para</p><p>manter o controle do futuro. Daí a incerteza causada pela excessiva</p><p>utilização dos recursos naturais.</p><p>Em qualquer caso, a perspectiva antropológica nos apresenta um ser</p><p>inacabado, porém com uma necessidade imperiosa e indissociável de</p><p>terminar de construir-se, de forma responsável e livre, em relação aos</p><p>demais e com seu meio e, inclusive, para muitos, com o transcendente.</p>

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