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SAÚDE COLETIVA A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, e com a Educação a Distância presente em todo estado do Espírito Santo, e com polos distribuídos por todo o país. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 2 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Laís Cristina Gonçalves Saúde Coletiva / GONÇALVES, Laís Cristina - Multivix, 2022 Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2022 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 4 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Saúde coletiva no mundo 28 Quadro 2: Eixos de atuação – Carta de Ottawa 34 Dimensões do Pacto pela Saúde 62 Princípios do Programa de Saúde da Família (PSF) 63 Requisitos dos indicadores de saúde 75 Classificação dos indicadores de saúde 75 Ações de vigilância em saúde no Brasil 99 Doenças, agentes etiológicos e modo de transmissão 114 Medidas de prevenção e controle das DANT 120 Fatores de risco para o adoecimento do trabalhador 135 Marcos históricos da vigilância sanitária 140 Responsabilidade das três esferas do governo da vigilância sanitária 144 Objetivos do sistema de informação em saúde 149 Finalidades que competem ao CNES 159 Contribuição das esferas do governo para o SINAN 162 5 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS Equilíbrio do homem com a natureza 14 Perspectiva holística da saúde 15 Enfermagem e saúde 15 As definições de saúde envolvem ações de políticas públicas de diferentes aspectos 17 Equilíbrio 18 A Pirâmide de Maslow. 19 Necessidades de autorrealização 20 Motivação pelo reconhecimento 23 Saúde coletiva 24 Consulta de enfermagem 25 Desafios da saúde coletiva 26 Coleta de dados 31 Atributos da APS 31 Primeiro contato 33 Consulta médica 34 Prevenção primária 35 Ditadura 42 Saúde coletiva 42 Desafios da saúde pública 43 Censura 44 Democratização 45 Pilares da VIII Conferência Nacional de Saúde 46 Reformulação do modelo de saúde pública 47 Leis do Sistema Único de Saúde 48 Princípios do SUS 49 Princípios do equidade 50 Princípios da descentralização 51 Princípio da participação social 53 Direção do Sistema Único de Saúde (SUS) 56 Leis do Sistema Único de Saúde (SUS) 57 6 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Redes de Atenção à Saúde 58 Sistema de saúde 61 Educação 70 Níveis de mensuração 71 Indicadores de saúde 73 Grupo populacional 74 Indicadores de serviços de saúde 76 Medidas de mortalidade, morbidade e fecundidade 78 Redução da mortalidade infantil 80 Taxa de morbidade 82 Doenças infectocontagiosas 84 Doenças crônicas 85 Coeficiente de incidência 86 Taxa de morbidade 87 Notificação compulsória 89 Vigilância em saúde 96 Vacinação 97 Áreas de atuação da vigilância em saúde\ 97 Esferas de atuação da vigilância em saúde 100 Medicina preventiva 101 Fatores de interação da história natural da doença 103 Prevenção 104 Prevenção primária 105 Prevenção secundária 106 Prevenção terciária 107 Variáveis dos eventos de saúde 110 Terapia medicamentosa 112 Cadeia epidemiológica 113 Aedes aegypti 117 Doenças crônicas e agravos não transmissíveis 119 Vigilância ambiental em saúde 124 Instrumentos e métodos utilizados na vigilância ambiental em saúde 125 Instituições e órgãos ativos na vigilância ambiental em saúde 126 7 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Vigilância ambiental dos fatores de riscos biológicos 127 Vigilância e controle dos fatores de riscos não biológicos 128 Dengue 128 Ciclo de transmissão da malária 130 Organização das ações 131 Aspectos pertinentes relacionados à saúde do trabalhador 133 Eixos da saúde do trabalhador 133 Ações da vigilância sanitária 138 Áreas de atuação da vigilância sanitária 138 Níveis de competência do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária 140 Representação gráfica do conceito de informação 148 Principais categorias de informação 150 Principais sistemas nacionais de informação em saúde 152 Estratégias para a execução do censo 154 Brasil – pirâmide etária absoluta (1980) 155 Brasil – pirâmide etária absoluta (1990) 155 Brasil – pirâmide etária absoluta (2010) 156 Brasil – pirâmide etária absoluta (2030) 157 Objetivos do SINAN 161 Condições para utilização da ficha de notificação 165 Nascimento 166 Indicadores específicos de mortalidade 168 8 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1UNIDADE SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 14 1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONCEPÇÃO DE SAÚDE-DOENÇA 16 INTRODUÇÃO 16 1.1 VISÃO HOLÍSTICA DA SAÚDE 16 1.2 NÍVEIS DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 32 2 AS EVOLUÇÕES HISTÓRICAS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL 44 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 44 2.1 A HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL 44 2.2 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 56 2.3 REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE 60 3 INDICADORES DE SAÚDE E NOTIFICAÇÕES DE DOENÇAS 72 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 72 3.1 INDICADORES DE SAÚDE (MORBIDADE, MORTALIDADE, FECUNDIDADE) 72 3.2 REGISTRO DE DOENÇA E NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 91 4. SAÚDE PREVENTIVA E PROMOÇÃO DA SAÚDE 98 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 98 4.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE 98 4.2 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS 112 5. VIGILÂNCIA EM SAÚDE E AS ÁREAS DE ATUAÇÃO 126 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 126 5.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE 126 5.2 VIGILÂNCIA SANITÁRIA 140 1UNIDADE 1UNIDADE 1UNIDADE 1UNIDADE 9 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NO BRASIL 150 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 150 6.1 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS) 150 6.2 PRINCIPAIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE 161 1UNIDADE 10 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS ICONOGRAFIA 11 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicadano D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A disciplina Saúde Coletiva objetiva informar sobre os principais tópicos ne- cessários para a realização de ações e serviços de monitoração e intervenção relacionados aos determinantes do processo saúde doença, incidentes sobre indivíduos ou sobre a coletividade, com a finalidade de reabilitar, prevenir agravos e promover a saúde da população. Vale destacar que, ao longo dos anos, esforços têm sido realizados no Brasil para o avanço da saúde coletiva e atendimento das necessidades humanas tendo, como porta de entrada, a atenção primária. UNIDADE 1 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 12 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA > Indicar conceitos referentes à saúde e doença, permitindo uma visão holística dos ser humano. > Conhecer os pilares da promoção de saúde e identificar os níveis de prevenção de saúde. 13 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONCEPÇÃO DE SAÚDE-DOENÇA INTRODUÇÃO Esta unidade abordará uma reflexão sobre a evolução histórica da concepção de saúde-doença, permitindo uma visão holística do ser humano, bem como rediscutir os pilares da promoção de saúde e identificação dos níveis de pre- venção de saúde. De acordo com a perspectiva histórica, serão apresentadas diferentes concep- ções de saúde e doença. Em cada período considerado, você será capaz de estabelecer relações entre as diferentes concepções de saúde, modelos assis- tenciais, condições de vida e organização socioespacial. Trata-se, portanto, de um tema que deve alcançar grande importância na es- truturação e desenvolvimento de sua compreensão sobre saúde e, consequen- temente, sobre como lidar com a organização de ações e práticas sanitárias coletivas. 1.1 VISÃO HOLÍSTICA DA SAÚDE Para compreender de fato a visão holística da saúde, faz-se importante analisar a evolução histórica dessas práticas. Nas primícias, a detenção da saúde estava correlacionada ao equilíbrio do homem com a natureza, não podendo esse sistema entrar em desarmonia (LEITE; STRONG, 2006). 14 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 EQUILÍBRIO DO HOMEM COM A NATUREZA Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de uma mulher sentada diante do mar e com semblante sereno. Já Hipócrates considerava que o processo de saúde-doença estava interligado com a doença como um todo, devendo analisar e correlacionar a enfermida- de com a natureza, bem como com as leis universais e qualidade individual. A partir do Renascentismo, observou-se uma visão pautada na razão, em que o corpo era visto de modo fragmentado, num universo matemático e mecânico, entretanto, conduzido pela medicina humanística (LEITE; STRONG, 2006). A perspectiva holística na saúde consiste em ver o indivíduo como um todo, ou seja, em sua totalidade e não de modo fragmentado, considerando suas particularidades física, mental, social e espiritual, voltado para o pluralismo e diversidade de cada um (LEITE; STRONG, 2006). 15 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA PERSPECTIVA HOLÍSTICA DA SAÚDE Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de uma profissional de saúde tocando as mãos de uma paciente. Essa vertente tem como precursor Jan Smuts que, com seu livro, publicado em 1926, sustentava “[...] a existência de uma continuidade evolutiva entre matéria, vida e mente”, teoria que ia contra os preceitos da época, baseadas no paradig- ma cartesiano-newtoniano, que previa a avaliação do indivíduo por meio da racionalidade, objetividade e quantificação (LEITE; STRONG, 2006). ENFERMAGEM E SAÚDE Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de profissional de saúde priorizando o contato humano em busca em ofertar a saúde como bem-estar físico, mental e social. 16 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Dessa forma, para abranger os preceitos dos cuidados em saúde pautados na visão holística, o profissional precisa atentar-se para garantir a qualidade de assistência ao paciente, oferecendo ciência, tecnologia, avanços em métodos diagnósticos e tratamentos terapêuticos, assim como considerar a presença do contato humano no atendimento à saúde, priorizando a dignidade do indiví- duo, tratando-o em sua totalidade e não apenas a sua patologia (SARMENTO et al., 2021). 1.1.1 CONCEITO DE SAÚDE-DOENÇA Historicamente, o processo saúde-doença foi construído, desconstruído e re- construído ao longo do tempo, com o intuito de buscar explicações para o so- frimento humano, descentralizando a concepção religiosa para explicar a pre- sença da doença (ARANTES et al., 2008). Pensando em fortalecer as bases conceituais sobre saúde-doença, em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugeriu um conceito amplo de saú- de que a definia como “o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade”, modificando tal conceito em 1988, passando a considerar saúde como bem-estar físico, mental, social e espi- ritual (BRASIL, 1986; ARANTES et al., 2008). Duas concepções marcaram a história no intuito de explicar a presença da do- ença. São elas: Concepção Fisiológica e a Concepção Ontológica, conforme ex- planado no quadro a seguir (ARANTES et al., 2008): • Existem alguns modelos explicativos do processo saúde-doença. Leia o artigo Modelos explicativos em saúde coletiva: abordagem biopsicossocial e auto-organização, disponível aqui. • Leia o e-book Sabedoria Incomum, de Fridjot Capra. Disponível aqui. https://www.scielosp.org/article/physis/2010.v20n3/753-767/pt/ http://joinville.ifsc.edu.br/~matias.corbett/Livros/Sabedoria%20Incomun-%20Fritjof%20Capra.pdf 17 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Concepção fisiológica Tem Hipócrates como precursor e vê o paciente como um todo, analisando a presença da doença como consequência do desequilíbrio entre as forças da natureza que estão dentro e fora da pessoa, descentralizando a ação fisiológica anormal do organismo do indivíduo. Concepção ontológica Neste tipo de concepção, a doença é considerada uma entidade que invade o organismo, pautada em concepções místicas e religiosas, que consideravam a doença como um castigo proveniente de deuses, consequência de pecados cometidos. Fonte: adaptado de Arantes et al. (2008). A partir disso, os conceitos foram sendo modificados, dando espaço para outras vertentes. A teoria microbiana, ao final do século XIX, prevê a doença como con- sequência de multifatores de ordem socioeconômicos (BRASIL, 1986). AS DEFINIÇÕES DE SAÚDE ENVOLVEM AÇÕES DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE DIFERENTES ASPECTOS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: imagem de um profissional de saúde com caneta na mão, prescrevendo algo, e estetoscópio no pescoço. A sua frente, há as mãos entrelaçadas de outra pessoa, o paciente. Atualmente, os condicionantes individuais e coletivos, que definem a causali- dade da doença por meio da correlação agente, hospedeiro e meio ambiente que, considerando a história natural das doenças, acredita-se que exista um processo que interliga a tríade citada que, por sua vez, estimula o desenvolvi- 18 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 mento da patologia e a recuperação ou não do indivíduo (BRASIL, 1986; GAM- BA; TADINI, 2010). EQUILÍBRIO Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de uma mulher de branco inspirando e abrindo os braços. Nesse contexto, o processo saúde-doença está vinculado às necessidades hu- manas, baseado nos determinantesque condicionam o estado de saúde e doença de um determinado indivíduo e sua coletividade (GUALDA; BERGA- MASCO, 2004). 1.1.2 NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS Abraham Harold Maslow foi um psicólogo importante entre 1940 e 1950. Nas- cido em Nova York, em 1908, enfrentou preconceito devido a diversidades por ser judeu. Ao longo de sua carreira, Maslow estudou e desenvolveu diversas teorias que fundaram a base da Psicologia Humanista, porém, por sua fami- liarização acerca da hierarquia das necessidades humanas, criou e colocou em destaque a Teoria das Necessidades Humanas (OLIVEIRA; SILVA, 2021). 19 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Em sua teoria das necessidades Humanas, Maslow propôs a elucidação dos grupos por meio de uma pirâmide, a conhecida Pirâmide de Maslow, que agrupou os cinco níveis das necessidades: “fisiológicas, de segurança, sociais, de autoestima e de autorrealização”, conforme imagem abaixo (OLIVEIRA; SILVA, 2021, p. 102): A PIRÂMIDE DE MASLOW. Fonte: adaptada de Oliveira e Silva (2021). #PraTodosVerem: imagem da pirâmide das necessidades humanas com os cinco níveis – de cima para baixo: autorrealização; estima; afetivo; segurança; fisiológico. Sua teoria é considerada uma das mais importantes, pois o autor organizou as necessidades humanas em cinco grupos diferentes e concluiu que quanto mais forte for uma necessidade, mais motivada a pessoa se sente para conseguir saciá-la, no entanto, quando satisfeita a necessidade se passa para o nível superior daquela necessidade (WYSE, 2018, p. 135-136). Autorrealização Estima Afetivo Segurança Fisiológico 20 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Como pode ser observado, o primeiro nível, localizado na base da pirâmide, diz respeito às necessidades fisiológicas como fome, sede, sono, frio, desejos se- xuais e compreendem as necessidades urgentes, ou seja, que precisam de in- tervenção rápida para alcançar satisfação. Somente após a compensação será possível avançar para a próxima etapa da pirâmide (OLIVEIRA; SILVA, 2021). Na sequência, está explícito na pirâmide o nível das necessidades de segu- rança - aquelas essenciais para garantir a integridade individual e coletiva. NECESSIDADES DE AUTORREALIZAÇÃO Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de um homem subindo escada, representando ascensão profissional. Nesse quesito, a segurança pode ser entendida como conquistar um empre- go que vise segurança financeira, uma casa em local seguro que represente o conforto para deixar seus bens pessoais protegidos, uma boa escola para os filhos, assegurando educação de qualidade e criticidade futura (OLIVEIRA; SILVA, 2021). Tipo 1 de necessidade de segurança/ proteção Necessidade de segurança do corpo contra riscos físicos, por exemplo, contra a violência e acidentes. 21 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Tipo 2 de necessidade de segurança/proteção Necessidade de estabilidade profissional, que gera segurança financeira. Tipo 3 de necessidade de segurança/ proteção Necessidade de segurança nas questões relacionadas à saúde, por exemplo, planos de saúde e hábitos saudáveis. Tipo 4 de necessidade de segurança/ proteção Necessidade de segurança em questões relacionadas à segurança da família, por exemplo, seguro de vida. Tipo 5 de necessidade de segurança/ proteção Necessidade de segurança da propriedade, por exemplo, casa própria, seguro de bens e segurança pública (OLIVEIRA; SILVA, 2021). Em seguida, estão as necessidades sociais, anteriormente nomeadas por Maslow como necessidades de aflição ou amor, as quais estão diretamente li- gadas às relações afetivas - em comunidade, amorosa, fraternal - e visam de- senvolver a socialização e satisfação pela participação em grupos sociais (OLI- VEIRA; SILVA, 2021). Tipo 1 de necessidade social Necessidade de boas relações de amizades, carinho e reciprocidade. Tipo 2 de necessidade social Necessidade de bom convívio familiar. 22 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Tipo 3 de necessidade social Necessidade de relacionamento amoroso respeitoso. Tipo 4 de necessidade social Necessidade de ações em grupos comunitários, ajuda às pessoas carentes e/ou projetos sociais. Tipo 5 de necessidade social Necessidade de participação (pertencimento) em organizações religiosas, escola e trabalho (OLIVEIRA; SILVA, 2021). Subindo a pirâmide, estão as necessidades humanas ou necessidades de estima. Quanto a esse nível da hierarquia, conforme Oliveira e Silva (2021, p. 103): Finalmente, no topo da pirâmide estão as necessidades de autorrealização e/ou metamotivação. Consideradas as mais difíceis de serem alcançadas por buscar satisfação própria, são voltadas para a autocrítica e autoavaliação, Essas se manifestam sob o aspecto de autoafirmação ou valorização das pessoas em relação a si mesmas ou com relação aos outros. Dessa forma, a procura de poder, status, prestígio ou de reconhecimento, desencadeia a busca de satisfação das necessidades de estima. Ao refletirmos sobre esse tipo de necessidade no contexto das organizações, destaca-se, por exemplo, a importância da valorização das pessoas, bem como o investimento na carreira dos seus profissionais por meio de treinamentos, da elaboração de um plano de cargos e salários adequados etc. 23 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA além de envolverem a realização dos desejos e sonhos de cada indivíduo, seja o sucesso profissional, motivacional, afetivo, financeiro, entre outros (OLIVEI- RA; SILVA, 2021). Necessidade de estima é a necessidade de sentir-se respeitado e apreciado. Supridos, os três primeiros níveis, as necessidades de estima desempenham um papel dominante nas ações do ser humano, já que o autorreconhecimento e o reconhecimento social são fatores estimulantes para executar uma ação. Destaca-se que toda pessoa age com a expectativa de ter seu esforço reconhe- cido e que quanto maior o retorno desse reconhecimento, mais confiante e motivada ela ficará para agir. MOTIVAÇÃO PELO RECONHECIMENTO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: ilustração de uma mão levantando um troféu - vitória, reconhecimento, sucesso. Assista ao vídeo O que é a Pirâmide de Maslow e a Hierarquia de Necessidades Humanas || Como Funciona? Abraham Maslow, disponível aqui. https://www.youtube.com/watch?v=4CQ8hikyOQM 24 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A teoria de Maslow é evidenciada por uma hierarquia dividida em necessida- des mais e menos urgentes, sendo que as mais urgentes devem ser realizadas antes das de nível mais baixo para que se alcance harmonia e uma plena satis- fação (NASCIMENTO; AZEVEDO, 2020 apud OLIVEIRA; SILVA, 2021). 1.1.3 SAÚDE COLETIVA Para compreender o conceito de saúde coletiva, é importante que saibamos o conceito de saúde trazido nos documentos oficiais que regem nosso sistema de saúde. A Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) define saúde como: “[...] direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” SAÚDE COLETIVA Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de uma enfermeira realizando palpação em região abdominal de criança. Essa definição serve como base teórica para a institucionalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e, a partir dela, foi criada a saúde coletiva. Pautada nessa vertente, a saúde coletiva consiste em um campo que busca compreender a saúde e relacioná-laaos determinantes sociais de saúde, como fatores sociais, econômicos e ambientais, a fim de contribuir para fortalecimento de políticas públicas voltadas para a promoção da saúde, prevenção e cuidado acerca de 25 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA patologias e agravos que envolvem os indivíduos e a coletividade (MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018). Para que possamos nos aprofundar nessa temática, é essencial que tratemos da história da saúde no Brasil. A partir da Reforma Sanitária, movimento forma- do por médicos e outros profissionais da saúde, nascido na luta contra a dita- dura, em meados de 1970, era pautado na premissa da necessidade de mudan- ças na área da saúde como um todo, tendo como ideologia questões sociais e políticas, prevendo e buscando melhores condições e qualidade de vida para a população (COHN, 2018; MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018). CONSULTA DE ENFERMAGEM Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de uma enfermeira realizando orientações acerca da medicação. A saúde coletiva abrange atualmente um conjunto complexo de práticas e saberes relacionados ao campo da saúde, envolvendo desde organizações que prestam assistência à saúde da população até instituições de ensino e pesquisa e organizações da sociedade civil. Compreende práticas técnicas, científicas, culturais, ideológicas, políticas e econômicas (MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018, p. 16). 26 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O foco da saúde pública é o indivíduo, a população. Portanto, as ações e po- líticas da saúde coletiva estão voltadas para orientações sobre estilo de vida, direitos humanos, democratização da vida social. Dessa forma, a saúde coletiva pode ser vista como “uma nova forma de saúde pública”, devido às mudanças e redirecionamento dos conceitos de saúde e de cuidado trazido em séculos an- teriores. Para entender um pouco mais sobre os desafios que a saúde coletiva no SUS, acompanhe a seguir (MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018). DESAFIOS DA SAÚDE COLETIVA Fonte: Moreira, Arcari e Coutinho (2018, p. 17). #PraTodosVerem: imagem com os principais desafios da saúde coletiva no SUS - Serviço de qualidade; Insumos, medicações gratuitas, tratamento oncológico, internações, intervenções cirúrgicas; Construção de carreira promissora para os profissionais de saúde da equipe básica (médicos, enfermagem e dentistas); Defesa de políticas universalistas no campo da saúde e da vida coletiva para atuação conjunta com os governos e a sociedade civil. Desafios da Saúde coletiva dentro do SUS Serviço de qualidade Insumos, medicações gratuitas, tratamento oncológico, internações, intervenções cirúrgicas Construção de carreira promissora para os profis- sionais de saúde da equipe básica (médicos, enfer- magem e dentistas) Defesa de políticas universalistas no campo da saúde e da vida coletiva para atuação conjunta com os governos e a sociedade civil 27 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA A saúde coletiva vai além da prevenção e ausência de doenças, agravos, mor- bidade e mortalidade. Tem como meta melhorar a qualidade de vida do indi- víduo e de sua coletividade, bem como permitir a liberdade humana e o bem- -estar físico, mental, social e espiritual, voltado para o pluralismo e diversidade de cada um (MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018). Já a saúde pública se difere da saúde coletiva, tendo imensos desafios a serem conquistados. Dessa forma, saúde pública e saúde coletiva são conceitos distintos, assim como seus objetivos e metas, sendo necessário os diferenciar. Toda saúde pública é coletiva, mas nem toda saúde coletiva é pública. O planejamento da saúde pública é mais amplo que o da saúde coletiva (MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018, p. 17). A saúde pública é um conjunto de ações e serviços de caráter sanitário que têm como objetivo prevenir ou combater patologias ou riscos à saúde da população. Geralmente, o termo saúde pública é erroneamente utilizado como sendo saúde coletiva porque, como é dever do Estado assegurar políticas de promoção à saúde, esse aparece como o termo mais conhecido. (MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018, p. 18). 28 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Sobre a história da saúde coletiva no mundo, alguns marcos merecem desta- que. Portanto, para que você possa ter conhecimento sobre a vasta cronologia, a seguir estão expostas algumas referências que contribuirão com seu conhe- cimento. QUADRO 1: SAÚDE COLETIVA NO MUNDO Para saber mais sobre saúde pública e saúde coletiva, assista ao vídeo disponível aqui e leia o artigo disponível aqui. ANO MARCO CRONOLÓGICO 1974 Informe Lalonde: uma nova perspectiva sobre a saúde dos canadenses - A New Perspective On The Health of Canadians. 1976 Prevenção e Saúde: Interesse para Todos. DHSS (Grã-Bretanha). 1977 Saúde para Todos no Ano 2000 – 30ª Assembleia Mundial de Saúde. 1978 Conferência Internacional sobre Atenção Primária de Saúde - Declaração de Alma-Ata. 1979 População Saudável/ Healthy People: The Surgeon General’s Report on Health Promotionan and Disease Prevention. US-DHEW (EUA). 1980 Relatório Black sobre as Desigualdades em Saúde/Black Report on Inequities in Health. DHSS (Grã-Bretanha). 1985 Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde: 38 Metas para a Saúde na Região Europeia. 1986 Alcançando Saúde para Todos: Um Marco de Referência para a Promoção da Saúde/ Achieving Health for All: A Framework for Health Promotion – Informe do Ministério da Saúde do Canadá. Min. Jack EPP Carta de Ottawa sobre Promoção da Saúde – I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Canadá). 1987 Lançamento pela OMS do Projeto Cidades Saudáveis. https://www.youtube.com/watch?v=Y3FFIYH7O5Q https://www.ufg.br/n/82100-saiba-a-diferenca-entre-saude-coletiva-e-saude-publica 29 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 1988 Declaração de Adelaide sobre Políticas Públicas Saudáveis – II Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Austrália) De Alma-Ata ao ano 2000: reflexões no Meio do Caminho – Reunião Internacional promovida pela OMS em Riga (URSS). 1989 Uma chamada para a Ação/ A Call for Action – Documento da OMS sobre promoção da saúde em países em desenvolvimento. 1990 Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre a Criança (Nova York) 1991 Declaração de Sundsvall sobre Ambientes Favoráveis à Saúde – III Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Suécia). 1992 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92)/ Declaração de Santa Fé de Bogotá – Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde na Região das Américas (Colômbia). 1993 Carta do Caribe para a Promoção da Saúde - I Conferência de Promoção da Saúde do Caribe (Trinidad e Tobago)/ Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos (Viena). 1994 Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento (Cairo). 1995 Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim)/ Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague). 1996 Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (habitat II) (Istambul)/ Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Alimentação (Roma). 1997 Declaração de Jacarta sobre Promoção da Saúde no Século XXI em diante - IV Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Indonésia). Fonte: Buss (2000 apud MOREIRA; ARCARI; COUTINHO, 2018, p. 21-22). Inúmeros foram os marcos para alcançar a melhoria de saúde e a promoção da saúde em prol do indivíduo, da coletividade e do ambiente que os cercam. 1.2 NÍVEIS DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE O pilar do sistema de saúde brasileiro é a Atenção Primária à Saúde (APS), pormeio da qual o indivíduo recebe os primeiros atendimentos, orientações e educação em saúde para prevenção de agravos, diagnóstico oportuno e acompanhamento de comorbidade visando uma melhor qualidade de vida (LAVRAS, 2011). 30 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.2.1 ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS) Lavras (2011, p. 867) conceitua Atenção Primária à Saúde (APS) como: Considerando a APS como uma estratégia de organização do nível primário de atenção à saúde, justifica-se a importância do serviço e de mantê-lo orga- nizado e ordenado, a fim de garantir resolutividade do serviço, minimizando a procura da população pelos níveis secundários e terciários para satisfazer demandas que podem ser resolvidas nesse âmbito e, em consequência, re- duzindo custos e melhorando a assistência (BRASIL, 2015). A utilização do termo “Atenção Primária à Saúde” (APS) expressa comumente o entendimento de uma atenção ambulatorial não especializada ofertada por meio de unidades de saúde de um sistema, que se caracteriza pelo desenvolvimento de um conjunto bastante diversificado de atividades clínicas de baixa densidade tecnológica, o que inclui, em muitos países, como no Brasil, as atividades de saúde pública. É senso comum também entender essas unidades como espaços onde se dá, ou deveria se dar, majoritariamente, o primeiro contato dos pacientes com o sistema e onde existe capacidade para a resolução de grande parte dos problemas de saúde por eles apresentados. 31 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA COLETA DE DADOS Fonte: Freepik (2022). #PraTodoVerem: imagem de uma enfermeira realizando a coleta de dados do paciente. Para alcançar a qualidade de assistência, a APS deve atingir as metas dos sete atributos e três papéis em que é dividida. Para melhor compreensão, analise a imagem a seguir (BRASIL, 2015): ATRIBUTOS DA APS Fonte: BRASIL, 2022. #PraTodosVerem: ilustração com os sete atributos da atenção primária à saúde - 1) Primeiro contato; 2) Longitudinalidade; 3) Integralidade; 4) Coordenação; 5) Focalização na família; 6) Orientação comunitária; 7) Competência cultural. ATRIBUTOS DA APS 1) Primeiro contato 2) Longitudinalidade 3) Integralidade 4) Coordenação 6) Orientação comunitária 7) Competência cultural 5) Focalização na família 32 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O primeiro nível da APS se dá pelo primeiro contato, que se caracteriza quan- do o indivíduo procura o serviço de atenção primária, buscando resolutividade para um problema, implicando a acessibilidade ao serviço (BRASIL, 2015). Na sequência, a longitudinalidade ocorre pela relação bilateral entre o serviço/ equipe de saúde e comunidade/ indivíduo, ou seja, ambos estão no mesmo nível de entrega (BRASIL, 2015). No que diz respeito à integralidade, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) a definem como: A coordenação justifica-se pela continuidade do atendimento, do cuidado, garantida pela equipe de atenção primária à saúde, de modo contínuo. A fo- calização na família, como o próprio nome diz, refere-se a ver a família como o centro principal do cuidado da equipe de saúde da atenção primária, que se correlaciona com a orientação comunitária, que tem por meta reconhe- cer suas necessidades, contextos de saúde, condições de vida, habitação, eco- nômicas e sociais e, com base nos principais achados, propor ações e intervir continuadamente. Por fim, a competência cultural “convoca uma relação ho- rizontal entre a equipe de saúde e a população que respeite as singularidades culturais e as preferências das pessoas e de suas famílias.” (STARFIELD, 2002 apud BRASIL (2015, p. 29). A integralidade significa a prestação, pela equipe de saúde, de um conjunto de serviços que atendam às necessidades da população adscrita nos campos da promoção, da prevenção, da cura, do cuidado, da reabilitação e da paliação, a responsabilização pela oferta de serviços em outros pontos de atenção à saúde e o reconhecimento adequado dos problemas biológicos, psicológicos e sociais que causam as doenças. (BRASIL, 2015, p. 28) 33 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA PRIMEIRO CONTATO Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de um pai e seu filho buscando atenção em saúde na atenção primária Assim como as estratégias, os três papéis igualmente devem ser desempenha- dos e cumpridos, sendo eles: resolutividade, coordenação e a responsabilização. 1.2.2 NÍVEIS DE PREVENÇÃO DE SAÚDE Considerando o conceito de saúde trazido pela Constituição de 1988, explica- do anteriormente, os níveis de prevenção de saúde têm como meta oferecer qualidade de assistência, garantindo a saúde como um todo e impactando po- sitivamente a saúde dos indivíduos. Para que isso aconteça, é necessário que haja fortalecimento das políticas públicas e das ações em saúde, em prol do rastreamento e detecção precoce, garantindo uma melhor qualidade de vida (BRASIL, 2013). Em 1970, foi preconizado que a prevenção à saúde fosse dividida em três níveis de assistência, objetivando a promoção à saúde exclusivamente nos níveis da atenção primária, com foco na educação e orientação individual (BRASIL, 2013). 34 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONSULTA MÉDICA Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de um médico realizando orientações e apertando a mão do paciente. Posteriormente, em meados de 1980, a partir da Carta de Ottawa, houve refor- mulação das propostas e políticas públicas que sugeriam que “a prevenção de enfermidades tem como objetivo a redução do risco de se adquirir uma doen- ça específica, por reduzir a probabilidade de que uma doença ou desordem venha a afetar um indivíduo” (CZERESNIA, 2003 apud BRASIL, 2013, p. 14). No que se referem aos campos de ação definidos na Carta de Ottawa, incluem cinco eixos de atuação: QUADRO 2: EIXOS DE ATUAÇÃO – CARTA DE OTTAWA EIXO ATUAÇÃO 1 Elaboração e implementação de políticas públicas saudáveis. 2 Criação de ambientes favoráveis à saúde. 3 Reforço para a ação comunitária. 4 Desenvolvimento de habilidades pessoais. 5 Reorientação dos sistemas e serviços de saúde. Fonte: adaptado de Brasil (2002). 35 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA O primeiro nível, prevenção primária, é caracterizado por “remover causas e fatores de risco de um problema de saúde individual ou populacional antes do desenvolvimento de uma condição clínica” (BRASIL, 2013, p. 14). Para me- lhor entendimento, podemos citar as vacinações, orientações sobre hábitos adequados de vida como dieta balanceada, atividades físicas regulares, entre outros. PREVENÇÃO PRIMÁRIA Fonte: Freepik (2022). #PraTodosVerem: imagem de uma profissional de enfermagem aspirando vacina na seringa. A prevenção secundária pode ser entendida como o rastreamento. Nessa fase, ocorrem ações que visam diagnosticar/ detectar uma doença em fase ini- cial, mesmo em fase assintomática, contribuindo para um melhor prognóstico e qualidade de vida. É o caso das ações de rastreamento de câncer (colo uteri- no, mama, próstata, intestino) (BRASIL, 2013). A prevenção terciária pode ser entendida como ações que são desenvolvidas, a fim de evitar ou minimizar os riscos do indivíduo já portador de determina- das doenças agudas ou crônicas, venha a desenvolver quadros incapacitantes e deterioração da qualidade de vida, como é caso de portadores de diabetes mellitus, que podem desenvolver agravamentos devido ao mau controle da doença (BRASIL, 2013). Um quarto nível de prevenção também é trazido por Brasil (2013, p. 15), que se definepela: “[...] detecção de indivíduos em risco de intervenções, diagnósticas e/ou terapêuticas, excessivas para protegê-los de novas intervenções médicas 36 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 inapropriadas e sugerir-lhes alternativas eticamente aceitáveis”. A prevenção de doenças abarca três categorias, sendo elas: “manutenção de baixo risco, re- dução de risco e detecção precoce”. Todas essas estratégias permitem que o indivíduo tenha uma melhor qualida- de de vida, evitando complicações, tratamentos prolongados e exaustivos. 1.2.3 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA O modelo da História Natural da Doença, trazido por Leavell e Clark, tem sua ênfase na prevenção das doenças, estabelecendo ações elaboradas base- adas em dados epidemiológicos, que estabeleçam uma estabilidade har- moniosa entre o meio ambiente, agente patogênico e o indivíduo, e que, dessa forma, tentem evitar a ocorrência de doenças infectocontagiosas e minimizando os riscos de complicação das doenças crônicas e degenerati- vas (MARCONDES, 2004). Quer entender mais sobre os níveis de prevenção à saúde? Clique aqui e leia o artigo. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/rastreamento_caderno_atencao_primaria_n29.pdf 37 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA De acordo com Puttini; Pereira Junior; Oliveira (2010, p. 757), “[...] o processo na- tural da doença, assim instalado no corpo humano, evolui em dois períodos consecutivos”, os quais se encontram descritos a seguir. Período pré-patogênico Neste período, a patologia ainda não está manifesta, os determinantes intrínsecos ao sujeito estruturam disposições ao adoecimento: são os agentes físicos e químicos, biopatógenos, agentes nutricionais, agentes genéticos, determinantes econômicos, culturais e psicossociais. Esse período etiológico está também designado no nível de atenção primária, porque podemos atuar coletivamente, agindo com ações de prevenção, promovendo a saúde (com educação, por exemplo) e fazendo a proteção específica da saúde (por exemplo, com vacinas). Entendidos numa relação de causa-efeito, a abordagem dos três elementos situa a prática médica em duas fases: uma, pré-patogênica, na qual os elementos ainda se encontram em equilíbrio e, outra, designada como patogênica, devido à manifestação de uma doença originada no decorrente desequilíbrio entre os citados elementos. Nesse modelo, a promoção da saúde foi localizada no primeiro de três níveis de prevenção (o da prevenção primária) e lá responderia pelas ações da fase pré-patogênica, de modo a zelar, através de ações de proteção específica contra os agravos, com prevenção e educação em saúde. Dessa forma, segundo o clássico modelo de Leavell & Clark, a prevenção primária zelaria pela manutenção do equilíbrio entre hospedeiro, agente patogênico e meio ambiente (BUSS, 2000 apud MARCONDES, 2004, p. 10). 38 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Período patogênico Neste período, no qual já se encontra ativo o processo patológico, em que a doença se processa naturalmente no corpo do ser humano, iniciam-se as primeiras alterações no estado de normalidade, pela atuação de agentes patogênicos. Seguem-se perturbações bioquímicas em nível celular, provocando distúrbios na forma e função de órgãos e sistemas, evoluindo para as seguintes possibilidades: defeito permanente (sequela), cronicidade, morte ou cura. Nesse contexto, Puttini, Pereira Junior e Oliveira (2010, p. 756) consideram o mo- delo proposto por Leavell e Clark como “modelo explicativo multicausal”, pois destaca a saúde como um processo, em que a prevenção está fortemente in- serida tanto para o indivíduo quanto para a coletividade. 39 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA CONCLUSÃO Esta unidade visou informar sobre os principais tópicos necessários para a re- alização de ações e serviços de monitoração e intervenção relacionados aos determinantes do processo saúde-doença, incidentes sobre os indivíduos ou a coletividade, com a finalidade de reabilitar, prevenir agravos e promover a saúde da população. Espera-se a leitura dos diferentes modelos explicativos do processo de saúde, doença e cuidado e a conexão destes com as formas de organização das ações e serviços de saúde para a população no território. A teoria de Maslow veio para abordar as necessidades humanas básicas, mos- trando que os humanos satisfazem suas necessidades em diferentes níveis, co- meçando pelas mais básicas até as mais complexas. Por fim, a visão coletiva opta por tratar um todo e não apenas o indivíduo do- ente. Além disso, práticas preventivas também são essenciais dentro da saú- de coletiva, com vistas a melhorar as condições do ambiente da comunidade. MATERIAIS COMPLEMENTARES Para saber mais sobre o tema leia os artigos a seguir: • Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. • Portaria nº 648, de 28 de março de 2006. • Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. • Política Nacional de Atenção Básica • Atenção Primária à Saúde. • Enfermagem em saúde coletiva: teoria e prática. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/pnab.pdf https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788527739047 UNIDADE 2 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 40 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA > Entender os aspectos históricos, bem como os princípios doutrinários e organizativos do SUS. > Estudar as leis do SUS. > Compreender as dimensões dos Pactos do SUS. 41 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 2 AS EVOLUÇÕES HISTÓRICAS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL INTRODUÇÃO DA UNIDADE Refletir sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde pública brasileira é essencial para compreender a trajetória do Brasil no campo das políticas públicas e sociais. Nesta unidade, você adentrará em uma das histórias mais fortes que levaram à criação do SUS como principal sistema que visa princí- pios universalistas e igualitários baseados na saúde como direito de todos e dever do Estado. 2.1 A HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL É comum ouvirmos que saúde pública e saúde coletiva são sinônimos. En- tretanto, são conceitos distintos e com objetivos diferentes. Segundo Morei- ra et al. (2018, p. 15), a saúde coletiva: A saúde coletiva teve seu início ao final da década de 1970, a partir da Reforma Sanitária, movimento em oposição à Ditadura no Brasil e que visava fortalecer ações preventivas, indo contra o modelo hospitalocêntrico e curativo da épo- ca (MOREIRA et al., 2018). [...] é composta da integração das ciências sociais com as políticas de saúde pública. Ela identifica variáveis de cunho social, econômico e ambiental que possam acarretar o desenvolvimento de cenários de epidemia em determinada região, por meio de projeções feitas através da associação dos dados socioeconômicos com os dados epidemiológicos. 42 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DITADURA Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: ilustração de uma pessoa com vendas nos olhos e na boca, em alusão à Ditadura. A saúde coletiva tinha por objetivo investigar os determinantes de saúde e suas associações, a fim de contribuir com o entendimento e pesquisas so- bre as epidemias de determinadas regiões. Além disso, procurava-se enxergaro indivíduo como pessoa com necessidades, vontades e desejos individuais, bem como fortalecer e criar abordagens que explicassem os fatores que con- tribuíam para o adoecimento dos indivíduos e da coletividade (MOREIRA et al., 2018). SAÚDE COLETIVA Fonte: adaptado de Moreira et al. (2018). #pratodosverem: a imagem representa o envolvimento da saúde coletiva nos diversos movimentos - lutas teóricas; lutas paradigmáticas; lutas ideológicas; lutas políticas. Saúde coletiva Lutas teóricas Lutas paradigmáticas Lutas ideológicas Lutas políticas 43 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Agora que compreendemos o conceito de saúde coletiva, aprofundaremos os conhecimentos sobre saúde pública. Por meio da vigilância sanitária, a saúde pública visa a prevenção e combate a doenças e agravos e/ou potenciais fato- res que possam prejudicar o indivíduo ou a coletividade. Desse modo, conforme Paim (2006 apud MOREIRA et al., 2018, p. 18), as ações e estratégias são baseadas: [...] no uso do conhecimento, médico ou não, para organizar os serviços de saúde e o sistema, além da atuação nos fatores do processo saúde/ doença, controlando a incidência de doenças por meio de vigilância sanitária. Na medida em que as necessidades da saúde vão além das necessidades dos serviços de saúde, elas não se restringem a problemas de saúde, ou seja, envolvem doenças e riscos, que podem ser carências ou vulnerabilidades que expressam modos de vida e identidades. Envolve, assim, o que é necessário para ter saúde, sejam os determinantes socioambientais e culturais, seja a ideia de projeto (de felicidade, qualidade de vida, gozo estético, filosofia etc.). Para atingir tais metas, acompanhe os desafios que cercam a saúde pública. DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA Fonte: adaptada de Moreira et al. (2018). #pratodosverem: ilustração de mãos unidas, explicitando os desafios da saúde pública: fome, agressão ao meio ambiente, violência, desemprego e subemprego. Diante dos desafios expostos, é prudente afirmar que a saúde pública pas- sa por um processo de construção ao longo do tempo e que, no Brasil, sua Fome Agressão ao meio ambiente Desemprego Subemprego Violência Desafios da saúde pública 44 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 história passou por alguns marcos importantes que definiram conceitos que aprendemos até os dias atuais (CARVALHO, 2013). Em meados de 1964, a ditadura era a base da política nacional. No contexto da saúde, os cuidados estavam centrados nas mãos dos médicos e a base prioritária era o modelo curativista, devido às propostas pela censura da Di- tadura na época. Entretanto, mesmo diante da repressão vivida nesse pe- ríodo, alguns sonhavam com um sistema em que a saúde fosse um direito adquirido por todos os indivíduos, devendo o Estado dar condições para al- cançar esse objetivo (CARVALHO, 2013). CENSURA Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: imagem de ativistas protestando na época de Ditadura. Veja, a seguir, os principais movimentos existentes nessa fase. • Movimentos populares; • Universidades; • Partidos políticos progressistas; • Prefeituras com bandeiras progressistas. 45 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Propostas inovadoras que envolviam a comunidade e os técnicos foram sur- gindo e resultaram no Projeto da Reforma Sanitária, movimento que foi ex- planado na VIII Conferência Nacional de Saúde, endossando a recomendação da Reforma Sanitária (CARVALHO, 2013). 2.1.1 REFORMA SANITÁRIA Compreender a Reforma Sanitária está intimamente ligado a refletir sobre a formação dos SUS e as mudanças no âmbito da saúde pública brasileira. A proposta da Reforma Sanitária era inovadora e compreendia “[...] uma práti- ca política alternativa, centrada na luta pela democratização do Estado e na formulação de um projeto contra-hegemônico, direcionado à ampliação da consciência sanitária e do direito à saúde [...].” (PAIVA; TEIXEIRA, 2014, p. 27). DEMOCRATIZAÇÃO Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: imagem de pessoas com as mãos erguidas, reivindicando direitos. O objetivo da Reforma era reconstruir a sociedade com novas bases. Anterior- mente à Reforma Sanitária, o acesso à saúde era restrito aos trabalhadores que contribuíam com o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Dian- te desse cenário, era preciso que houvesse uma reformulação no sistema de saúde público, de modo que houvesse a descentralização, a hierarquização e a participação comunitária (CARVALHO, 2013; PAIVA; TEIXEIRA, 2014). Para consolidar essas bases, a VIII Conferência Nacional de Saúde, ocorrida em 1986, foi considerada um dos marcos mais importantes da reformulação do modelo de saúde. Nesta conferência, foi levada em pauta a saúde como 46 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 um direito adquirido por todos os cidadãos sob responsabilidade do Estado para garantir seu cumprimento, consolidando os pilares a seguir (MOREIRA et al., 2018). PILARES DA VIII CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE Fonte: Moreira et al. (2018, p. 169). #pratodosverem: esquema com os pilares estabelecidos na VIII Conferência Nacional de Saúde: ampliação do conceito de saúde; reconhecimento da saúde como direito de todos e dever do Estado; criação do SUS; participação popular; constituição e ampliação do orçamento social do SUS. A partir desse ponto, houve a criação do SUS e a descrição dos direitos à saúde publicados na Constituição Federal de 1988 (MOREIRA et al., 2018). Ampliação do conceito de saúde Criação do SUS Reconhecimento da saúde como direito de todos e dever do Estado Participação popular Constituição e ampliação do orçamento social do SUS Para saber mais sobre a Constituição de 1988 e o conceito de saúde, clique aqui. http://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/constituicaofederal.pdf 47 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Com a reformulação do modelo de saúde pública, os determinantes sociais de saúde e doença passaram a ser considerados relevantes para a preven- ção da doença e como fatores que podem gerar desigualdades (MOREIRA et al., 2018). REFORMULAÇÃO DO MODELO DE SAÚDE PÚBLICA Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: imagem de um enfermeiro segurando um estetoscópio. Alguns determinantes sociais são: trabalho, salário, alimentação, habitação, meio ambiente, nível de escolaridade, emprego etc. (MOREIRA et al., 2018). 48 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 2.1.2 ASPECTOS HISTÓRICOS, PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS E ORGANIZATIVOS DO SUS A criação do SUS foi gradual. A partir da VIII Conferência Nacional de Saúde, houve a oficialização e promulgação da Constituição Federal, fortalecendo o conceito de saúde como direito de todos e obrigação do Estado, visando a prevenção de agravos, bem como proteção e recuperação (CARVALHO, 2013). LEIS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE Fonte: Freepik (2022) #pratodosverem: imagem de um martelo e de um estetoscópio, simbolizando as leis do SUS. Pautado nessas bases, o SUS consolidou-se com a Constituição Federal de 1988 e foi regulamentado pelas leis nº 8.080/90 e nº 8.142/90 (CARVALHO, 2013). Para saber mais sobre a Lei nº 8.080/90 (BRASIL, 1990a), confira aqui. Para conhecer a Lei nº 8.142/90 (BRASIL, 1990b), acesse aqui. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm 49 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Assim, o SUS é regido pelos mesmos princípios éticos, doutrinas e diretrizesem todo o país: promoção, proteção e recuperação da saúde de forma articu- lada. Pautado em ideologias que fortalecem a inclusão social, o atual sistema de saúde é conduzido por ações que possam reduzir as desigualdades, consi- derando a heterogeneidade política, social, econômica, cultural e de interes- ses no território nacional, descentralização, hierarquização, regionalização e participação popular. Nesse contexto, os princípios que regem o Sistema Único de Saúde são: PRINCÍPIOS DO SUS Fonte: adaptado de Brasil (2000) e Bernardes (2005). Dentre os princípios éticos-doutrinários, a respeito do princípio da universa- lidade, Brasil (2000, p. 30) expõe o seguinte: Princípios éticos-doutrinários Princípios organizativos Universalidade Integralidade Equidade Descentralização Hierarquização Regionalização Participação popular Segundo esse princípio, a saúde é um direito de todos e é um dever do Poder Público a provisão de serviços e de ações que lhe garanta a universalização, todavia, não quer dizer somente a garantia imediata de acesso às ações e aos serviços de saúde. A universalização, diferentemente, coloca o desafio de oferta desses serviços e ações de saúde a todos que deles necessitem, todavia, enfatizando as ações preventivas e reduzindo o tratamento de agravos. 50 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O princípio da integralidade defende que as ações da atenção à saúde con- siderem as necessidades individuais e a coletividade, assim como os níveis diferentes de complexidade. Para que esse princípio seja efetivo, é necessá- rio que os serviços de saúde do SUS sejam pautados na humanização (BRA- SIL, 2000). PRINCÍPIOS DO EQUIDADE Fonte: Freepik (2022) #pratodosverem: imagem com braços entrelaçados de pessoas de diferentes cores e classes. O princípio da equidade visa reduzir as desigualdades regionais e sociais do âmbito nacional, buscando um maior equilíbrio (BRASIL, 2000, p. 32): 51 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Os princípios organizacionais têm como objetivo guiar a estruturação das ins- tituições de saúde que fazem parte do SUS. O princípio da descentralização diz respeito à redistribuição e cooperação financeira nos três níveis do gover- no: federal, estadual e municipal, de modo que cooperem entre si, reforçando suas competências individuais (BRASIL, 2009). PRINCÍPIOS DA DESCENTRALIZAÇÃO Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: imagem de um martelo da justiça sobre o teclado de um notebook. Na esteira dos dois princípios apontados, vem a necessidade de se reduzir as disparidades sociais e regionais existentes em nosso país. O princípio da equidade reafirma que essa necessidade deve dar-se também por meio das ações e dos serviços de saúde. Ainda são grandes as disparidades regionais e sociais do Brasil. No entanto, há uma sinergia e uma série de externalidades positivas geradas a partir da melhora das condições de saúde da população, o que faz concluir que de fato a saúde é fundamental na busca de uma maior equidade. 52 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Nesse sentido, ocorre a municipalização da gestão das ações e serviços de saúde, ou seja, o governo municipal passa ser o responsável pela resolutivi- dade de seus problemas locais, por meio da ampliação do acesso às ações básicas e serviços de saúde para a população (BRASIL, 2009). O Ministério da Saúde (BRASIL, 2000) estabelece cooperação financeira com órgãos das três esferas e com entidades públicas e privadas mediante três formas de descentralização de recursos: Transferência “Transferência de recursos pelo Fundo Nacional de Saúde aos municípios, estados e Distrito Federal, de forma regular e automática.” Remuneração “Remuneração de serviços produzidos, que consiste no pagamento direto aos prestadores estatais ou privados, contratados e conveniados, contra apresentação de faturas, referentes a serviços prestados junto à população.” Celebração Celebração de convênios e instrumentos similares, com órgãos ou entidades federais, estaduais e do Distrito Federal, prefeituras [...] e organizações não-governamentais [...]”, referindo-se àqueles que se interessam por “[...] financiamentos de projetos específicos na área da saúde.” De acordo com Moreira et al. (2018, p. 199), o princípio da regionalização do SUS foi estabelecido “[...] como estratégia prioritária para garantir o direito à saúde, reduzir desigualdades sociais e territoriais; promover a equidade e a integralidade da atenção; racionalizar os gastos e otimizar os recursos; e po- tencializar o processo de descentralização”. Para tanto, a proposta é que os serviços de saúde estejam dispostos para usu- fruto da população por meio do princípio da hierarquização, que divide os níveis de assistência do menos ao mais complexo: nível de atenção primária, 53 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA secundária e terciária, dispostos após avaliação dos dados epidemiológicos e mapeamento da população adscrita em determinada região (BRASIL, 2000). PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: imagem de várias pessoas tocando um objeto em comum, simbolizando o princípio da participação social do Sistema Único de Saúde. Por fim, o princípio da participação social garante a inclusão da população na formulação das políticas públicas, além de assegurar sua execução por meio dos conselhos de Saúde e das Conferências, nas três esferas do gover- no - trata-se de um espaço democrático, em que alguns participantes da população representam a sociedade em prol dos interesses locais do indiví- duo, família e coletividade. 2.2 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Segundo Brasil (2009, p. 8), o “[...] SUS atua em todo território nacional, com direção única em cada esfera do governo, formado por um conjunto de ações e dos serviços de saúde sob gestão pública e ordenado em redes re- gionalizadas e hierarquizadas”. 54 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Entretanto, o SUS não atua de forma individualizada, pois está inserido no contexto das políticas públicas de seguridade social que compõem a saúde, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a assistência social. 2.2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS, SOCIAIS E LEGAIS DA GESTÃO DO SUS Para compreender os fatos históricos que marcaram a progressão do SUS, é essencial citar sobre a Saúde Pública brasileira, marcada por organizações e reorganizações administrativas, decretos, leis e normas: Saiba mais sobre os Conselhos de Saúde e Conferência de Saúde, clicando aqui. Alguns sistemas análogos à saúde surgiram desde a época da colônia, mas beneficiava apenas setores e pessoas importantes para o império. Em 1923, foi instituído pela Lei Elói Chaves – marco inicial da história da previdência brasileira – a criação da Caixa de Aposentadoria e Pensões (CAP), que tinha como principal objetivo garantir aos trabalhadores pensão ou afastamento do trabalho por doenças, e em alguns casos, a aposentadoria. No sistema CAPs, a gestão dos fundos era da iniciativa privada e o governo ficava responsável pela criação das caixas, sua regulação e funcionamento. As ações de saúde nesse modelo privilegiavam apenas os trabalhadores com carteira assinada (SALES et al., 2019, p. 58). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm 55 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Outros marcos importantes, conforme Sales et al. (2019, p. 58) são: 1932 “Getúlio Vargas substituiu as CAPs pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs)”. 1965 “Os IAPsforam unificados com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS)”. 1977 “Criação do Sistema Nacional de Assistência e Previdência Social (SINPAs) e Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS).” 1982 “Implantação do Programa de Ações Integradas de Saúde (PAIS).” 1986 “8ª Conferência Nacional de Saúde.” 56 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 No que diz respeito à Lei nº 8.080/90, em seu Art. 9º, a direção do SUS é única e exercida em cada esfera de governo pelos seguintes órgãos: DIREÇÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Fonte: Brasil (1990a). Nesse sentido, o SUS é responsabilidade das três esferas do governo: União, Estados e Distrito Federal e Munícipios, devendo essas executarem suas fun- ções, não sendo possível se eximir das obrigações - no município, os gesto- res da esfera são o prefeito e o secretário municipal de saúde; no estado, o governador e o secretário estadual de saúde e, por fim, na União, o presiden- te e o ministro de saúde (CARVALHO, 2013). No que se referem às legislações do SUS, a Constituição Federal pode ser citada, mais especificamente no Art. 196, que define a saúde como “direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômi- cas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e re- cuperação” (BRASIL, 1988). No âmbito da União, pelo Ministério da Saúde; No âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela res- pectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. No âmbito dos Municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. 57 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Para a organização do SUS, duas leis criadas foram e são essenciais: LEIS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) Fonte: adaptada de Brasil (1990a; 1990b). #pratodosverem: imagem com nº, data de criação e disposição das leis do SUS, de 1990. Assim, com o SUS, ocorreu uma grande mudança relativa à saúde, que pas- sou a ser direito de todos, de modo universal, tendo como pauta os princípios da universalidade, integralidade, equidade, descentralização, regionalização, hierarquização e participação social (SANTOS; GABRIEL; MELLO, 2020). 2.3 REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE A finalidade da Rede de Atenção à Saúde (RAS) é garantir a assistência à saú- de de modo integral e contínuo, fazendo com que os resultados sanitários e econômicos evoluam positivamente com efetividade e eficiência (MOREIRA et al., 2018). Algumas RAS foram definidas como prioritárias para o Ministério da Saúde: Criada em 19/09/1990 Dispõe sobre as con- dições para a pro- moção, proteção e recuperação da saú- de, a organização e o funcionamento dos serviços correspon- dentes e dá outras providências. Dispõe sobre a par- ticipação da comu- nidade na gestão do SUS e sobre as transferências intra- governamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Criada em 28/12/1990 Lei nº 8.142/90Lei nº 8.080/90 58 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE Fonte: adaptada de Moreira et al. (2018). #pratodosverem: esquema com algumas das Redes de Atenção à Saúde: Cegonha Atenção Psicossocial; Atenção às Urgências e Emergências; Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas; Atenção à Pessoa com Deficiência. Para imergir nos preceitos da RAS, é preciso conhecer sua constituição. Con- forme estabelecido na Portaria nº 4.279/2010, fazem parte da RAS a população e as regiões de saúde, estrutura operacional e modelos de atenção à saúde. Esta portaria (BRASIL, 2010, p. 1-2), define: Rede Cegonha Rede de Atenção às Urgências e Emergências Rede de Atenção Psicossocial Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência 59 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Sendo assim, a portaria está inter-relacionada com as normativas do SUS e recomenda a integração sistêmica de ações e serviços de saúde, de modo a prover qualidade, humanização no cuidado, proporcionar equidade, acessibilidade, eficácia e resolutividade dos serviços de saúde (MOREIRA et al., 2018). 2.3.1 ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE DO SUS Mesmo com os avanços do SUS, algumas dificuldades, como a fragmenta- ção das ações, serviços de saúde, programas e práticas clínicas ainda persis- tem, conforme demonstrado a seguir pela Portaria nº 4.279/2010 (BRASIL, 2010, p. 2): Dificuldade 1 “Lacunas assistenciais importantes.” [...] os fundamentos conceituais e operativos essenciais ao processo de organização da RAS, entendendo que o seu aprofundamento constituirá uma série de temas técnicos e organizacionais a serem desenvolvidos, em função da agenda de prioridades e da sua modelagem. [...] O conteúdo dessas orientações está fundamentado no arcabouço normativo do SUS, com destaque para as Portarias do Pacto pela Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a Política Nacional de Promoção a Saúde (PNPS), a publicação da Regionalização Solidária e Cooperativa, além das experiências de apoio à organização da RAS promovidas pelo Ministério da Saúde (MS) e Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) em regiões de saúde de diversos estados. 60 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Dificuldade 2 “Financiamento público insuficiente, fragmentado e baixa eficiência no emprego dos recursos, com redução da capacidade do sistema de prover integralidade da atenção à saúde”. Dificuldade 3 “Configuração inadequada de modelos de atenção, marcada pela incoerência entre a oferta de serviços e a necessidade de atenção, não conseguindo acompanhar a tendência de declínio dos problemas agudos e de ascensão das condições crônicas”. Dificuldade 4 “Fragilidade na gestão do trabalho, com o grave problema de precarização e carência de profissionais em número e alinhamento com a política pública”. Dificuldade 5 “Pulverização dos serviços nos municípios”. Dificuldade 6 “Pouca inserção da Vigilância e Promoção em Saúde no cotidiano dos serviços de atenção, especialmente na Atenção Primária em Saúde (APS)”. O contexto brasileiro é marcado por intensas diversidades, sejam elas so- ciais, econômicas, de saúde e/ou epidemiológicas, sendo expressiva a recor- rência de doenças infectocontagiosas, crônicas e parasitárias; desnutrição; óbitos materno e infantil evitáveis; precária qualidade de vida, entre outras, que necessitam de intervenção dos gestores do SUS. Uma alternativa válida citada na Portaria nº 4.279/2010 está em: “inovar o processo de organização do sistema de saúde, redirecionando suas ações e serviços no desenvolvi- 61 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA mento da RAS para produzir impacto positivo nos indicadores de saúde da população” (BRASIL, 2010, p. 3). SISTEMA DE SAÚDE Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: ilustração de um profissional de saúde segurando as mãos de um idoso. Para que seja possível compreender, a organização por meio da Atenção Primária à Saúde (APS) pode ser de grande valia. É preciso recordar que a APS é considerada o primeiro nível de atenção à saúde, coordena o cuidado e ordena a rede, sendo uma estratégia de saúde que aloca recursos e realiza a coordenação clínica, estando inserida na resolução dos desafios socioeco- nômicos, demográfico, epidemiológicos e sanitários (BRASIL, 2010). A portaria nº 4.279/2010 (BRASIL, 2010, p. 3) traz que: No Brasil, o debate em torno da busca por maior integração adquiriu nova ênfase a partir do Pacto pelaSaúde, que contempla o acordo firmado entre os gestores do SUS e ressalta a relevância de aprofundar o processo de regionalização e de organização do sistema de saúde sob a forma de rede como estratégias essenciais para consolidar os princípios de universalidade, integralidade e equidade. 62 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para consolidar esses princípios, três dimensões são efetivadas: Pacto pela Vida, Pacto em defesa do SUS e Pacto de Gestão. DIMENSÕES DO PACTO PELA SAÚDE Fonte: adaptado de Brasil (2010). De forma concomitante com os pactos pela saúde, foram aprovadas a Polí- tica Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a Política Nacional de Promoção à Saúde (PNPS), a fim de estabelecer um modelo de atenção para oferecer ações de vigilância e promoção à saúde eficazes para as doenças crônicas e agudas, perfazendo a atenção primária à saúde como base solidificada da RAS no SUS (BRASIL, 2010). 2.3.2 PROGRAMA DA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF) Em 1994, o Ministério da Saúde lançou o PSF, com o propósito de reorganizar o sistema de saúde, agregando profissionais ativamente nos cuidados, aten- ção e promoção à saúde, centrado na família e na coletividade, no âmbito biopsicossocial. Então, as equipes de família passaram a ser compostas por equipes de saúde da família, com a presença de médicos, enfermeiros, téc- nicos de enfermagem, odontólogos e agentes comunitários de saúde (ACS). O PSF formaliza-se nos princípios do SUS e visa ampliar a visão do processo saúde/doença para aprimorar a qualidade de vida de toda a população (MO- REIRA et al., 2018). Pacto pela vida Compromisso com as prioridades que impactam a situação de saúde da população brasileira. Pacto em defesa do SUS Compromisso com a consolidação, com os fundamentos políticos e com os princípios constitucionais do SUS. Pacto de gestão Compromisso com os princípios e diretrizes para a descentralização, a regionalização, o financiamento, o planejamento, a programação pactuada e integrada, a regulação, a participação social, assim como para a gestão do trabalho e da educação em saúde. 63 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Assim, o PSF tem como base os seguintes princípios: PRINCÍPIOS DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF) Fonte: adaptado de Moreira et al. (2018). Além de visar melhorias da assistência em saúde, também era prioritário in- cluir um modelo de educação em saúde (MOREIRA et al., 2018). I Estabelecer vínculos e corresponsabilização entre profissionais de saúde e população. II Definir o objeto-alvo da atenção à família, aqui entendida a partir do ambiente e do espaço geográfico em que vive. III Responsabilizar-se por uma população adscrita. IV Extrapolar uma intervenção em saúde em relação aos muros das unidades de saúde, a fim de enfrentar os principais problemas de saúde da população adscrita, desenvolvendo ações integrais de saúde relacionados aos indivíduos, às famílias, ao meio ambiente e ao ambiente de trabalho. O PSF prevê o desenvolvimento de práticas de educação em saúde voltadas à prevenção para a melhoria do autocuidado dos indivíduos. Práticas essas que devem permear o trabalho de todos os profissionais em seus contatos com indivíduos, dentro de suas atribuições básicas. Verifica-se que a prática educativa no PSF não conta necessariamente com um espaço restrito e definido para seu desenvolvimento, antes disso, adverte-se os profissionais que devem oportunizar seus contatos com os usuários, a fim de orientar a prevenção e a educação sanitária. para “abordar os aspectos preventivos e de educação sanitária”. (BRASIL, 1997 apud MOREIRA et al., 2018, p. 212). 64 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para cumprir todos os objetivos do PSF, é necessário definir o território de trabalho, a fim de identificar as características da população que ali vive, além dos atributos de cada região, situação social, histórica e epidemiológi- ca. Assim, o território é dividido em microáreas, área, segmento e município. A microárea compreende um total de 450 a 750 habitantes que ali residem, perfazendo a unidade operacional do agente de saúde; a área do PSF é com- posta pelo conjunto de microáreas em que a equipe de saúde da família desempenhará suas ações, sendo que nesta residirão cerca de 2.500 a 4.500 pessoas (MOREIRA et al., 2018). 2.3.3 PROGRAMA DE AGENTES COMUNITÁRIOS (PAC) O PACS teve início no Ceará, em 1987. A partir do sucesso dessa iniciativa, o Ministério da Saúde propôs a criação do Plano Nacional de Agentes Comu- nitários de Saúde, em 1991, alcançando metas e melhorando indicadores de saúde essenciais para a saúde, como a redução da mortalidade materno- -infantil, aumento da cobertura vacinal e diminuição da transmissão de do- enças infectocontagiosas (MOREIRA et al., 2018). Nesse contexto, em 1991, o Programa Nacional de Agentes Comunitários (PACS) precedeu o Programa da Saúde da Família (PSF) - programa que era formado por agentes comunitários de saúde (ACS) escolhidos pela popula- ção do local onde viviam, não sendo obrigatório nenhum tipo de formação acadêmica. A única exigência era que fossem pessoas com poder de lideran- ça e com competência escrita e de leitura (MOREIRA et al.., 2018). A partir dos bons resultados obtidos pelo PACS e o surgimento de novas ne- cessidades, como a agregação de novos profissionais ao programa, em 1994, o Ministério da Saúde lançou o PSF, com propostas de reorganizar o modelo de assistência à saúde da população, família e comunidades (MOREIRA et al., 2018). Assim, a partir da implantação do PACS no município, algumas propostas do SUS eram consolidadas, pois para execução do programa era preciso cum- prir requisitos como: conselhos municipais atuantes e ativos; presença de uma unidade básica de referência que pudesse ser frequentada pela popu- lação; disponibilidade de um profissional com formação em nível superior para “garantir supervisão e auxílio às ações de saúde, além da existência de 65 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA fundo municipal de saúde para receber os recursos do programa, tornando- -se assim um instrumento de reorganização dos modelos locais de saúde” (MOREIRA et al., 2018, p. 210). 2.3.4 ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL E MATRICIAMENTO Visto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde como estado completo de bem-estar físico, mental e social, não podemos deixar de falar sobre a atenção à saúde mental e matriciamento. Segundo Chiave- rini et al. (2011), o matriciamento ou apoio matricial foi formulado por Gastão Wagner Campos, em 1999, estabelecendo ligações entre a saúde mental e a atenção primária à saúde. Nesse sentido, o apoio matricial tem como objetivo um novo modelo de orga- nização da saúde no que se refere à saúde mental. Assim, profissionais espe- cialistas atuam em conjunto com os profissionais da atenção básica para mo- dificar o processo de saúde-doença, melhorar a qualidade de assistência aos usuários, reduzindo encaminhamentos desnecessários, por meio de ações terapêuticas e atividades pedagógicas (FAGUNDES; CAMPOS; FORTES, 2021). A efetivação do apoio matricial “exige a criação de novas tecnologias de tra- balho que se pautem na construção do vínculo, permitam a apreensão das singularidades de cada indivíduo e também os contextos em que elas estão inseridas” (FAGUNDES; CAMPOS; FORTES, 2021, p. 2313). Para a realização dessas ações, os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) são as equipes mais preparadas e indicadas para desempenhar essas ativida- des. Nesse contexto, o matriciamento em saúde mental visa ser uma estra- Matriciamento não é: encaminhamento ao especialista; atendimento individual pelo profissional de saúde mental e/ouintervenção psicossocial coletiva realizado apenas pelo profissional de saúde mental (CHIAVERINI et al., 2011). 66 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 tégia para integrar a saúde mental ao cotidiano das práticas da atenção bá- sica, permitindo garantir a integralidade do cuidado em saúde (FAGUNDES; CAMPOS; FORTES, 2021), mostrando-se como uma ferramenta de construção de novas práticas em saúde mental nas comunidades, na área em que vi- vem, assim como propondo “[...] encontros produtivos, sistemáticos e interati- vos entre equipes da atenção básica e equipes de saúde mental.” (IGLESIAS; AVELLAR, 2019, p. 1248). 67 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA CONCLUSÃO Esta unidade objetivou apresentar as evoluções históricas das políticas pú- blicas no Brasil dentre os mais relevantes pontos, como a Reforma Sanitá- ria, os aspectos doutrinários, históricos e organizativos do SUS, os aspectos legais, políticos e sociais da gestão do SUS, os aspectos inerentes às Redes de Atenção à Saúde, as peculiaridades do Programa de Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários e, por fim, a Atenção à Saúde Mental e Matriciamento. Assim, permitiu que você, que atuará como profissional de enfermagem, mergulhe nesse âmbito, a fim de compreender as etapas que a saúde per- correu e percorre, além de seus objetivos, com o propósito de fornecer ao usuário uma melhor qualidade de assistência, garantindo que os indivíduos, suas famílias e toda a coletividade recebam com eficácia todos os princípios propostos pelo SUS. MATERIAIS COMPLEMENTARES Para saber mais, leia os artigos a seguir: • Saúde mental na atenção básica: o trabalho em rede e o matriciamento em saúde mental na Estratégia de Saúde da Família. • História da reforma sanitária brasileira e do Sistema Único de Saúde: mudanças, continuidades e a agenda atual. • Sobre a história da saúde pública: ideias e autores. • Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. • Implementação, acesso e uso das práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde: revisão da literatura. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/6WyjmDW55CNQq8fdnHm7h9q/?format=html https://www.scielo.br/j/hcsm/a/bVMCvZshr9RxtXpdh7YPC5x/?lang=pt https://www.scielosp.org/article/ssm/content/raw/?resource_ssm_path=/media/assets/csc/v5n2/7095.pdf https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788582715369 https://www.scielosp.org/article/csc/2019.v24n11/4239-4250/ UNIDADE 3 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 68 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA > Aprender sobre os indicadores em saúde e estudar sobre incidência, prevalência e transição demográfica. > Compreender os registros das doenças de notificação compulsória no SUS. 69 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 3 INDICADORES DE SAÚDE E NOTIFICAÇÕES DE DOENÇAS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Olá! Vamos iniciar a Unidade 3 da disciplina de Saúde Coletiva. Nela, aborda- remos os indicadores de saúde, sua definição, uso, atributos e notificações de doença. Antes de iniciar, vamos recordar o conceito de saúde segundo a Organização Mundial de Saúde, que a define como “[...] bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência da doença” (WHO, 1946). Consi- derando essa definição, propôs-se a criação de indicadores operacionais de saúde, permitindo o rastreamento de desigualdades em saúde e guiando as tomadas de decisão baseadas em evidências para que seja possível alcançar a saúde em sua plenitude. 3.1 INDICADORES DE SAÚDE (MORBIDADE, MORTALIDADE, FECUNDIDADE) Há muito tempo, a avaliação do nível de vida dos indivíduos e populações é fator de interesse para o governo e instituições de saúde. Em meados de 1950, a Organização das Nações Unidas sugeriu que houvesse a mensuração de dados, a fim de que fosse possível avaliar a qualidade de vida de uma po- pulação, envolvendo aspectos como: natalidade, morbidade, mortalidade, educação, transporte, segurança, habitação, saúde, entre outros. Pautados nesse contexto, nesta unidade, abordaremos a saúde como foco principal de discussão (MEDRONHO, 2009). 70 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 EDUCAÇÃO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de duas crianças sentadas e escrevendo na sala de aula. Considerando que a premissa de que um indicador é uma ferramenta que permite avaliar as características de uma determinada população, os indica- dores de saúde são utilizados na determinação dos principais problemas de saúde pública, na elaboração de políticas e na avaliação da efetividade das ações de prevenção e assistência (MEDRONHO, 2009). Com o passar dos anos, o interesse diante da mensuração do nível de vida da população foi alterando-se. Anteriormente centrada na mortalidade, foi dando espaço para a morbidade, tendo em vista alcançar medidas de pre- venção e/ou delongar o adoecimento (MEDRONHO, 2009). 71 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Diante desses pressupostos, o uso dos indicadores de saúde não deve ser restrito apenas a identificar a distribuição espacial, temporal e/ou perfil epi- demiológico de uma determinada população, em uma referida localização geográfica. Por meio de dados fidedignos coletados a partir dos indicadores, é possível fundamentar as tomadas de decisões em prol da melhoria de saú- de e condições de vida, bem como minimizar danos evitáveis (OPAS, 2018). Assim, para mensurar variáveis, diferentes níveis de mensuração podem ser concebidos de duas formas: NÍVEIS DE MENSURAÇÃO Fonte: adaptada de OPAS (2018). Os indicadores de saúde foram desenvolvidos para facilitar a quantificação e a avaliação das informações produzidas com tal finalidade. Em termos gerais, os indicadores são medidas- síntese que contêm informação relevante sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. Vistos em conjunto, devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. A construção de um indicador é um processo cuja complexidade pode variar desde a simples contagem direta de casos de determinada doença, até o cálculo de proporções, razões, taxas ou índices mais sofisticados, como a esperança de vida ao nascer. (RIPSA, 2008). Observação direta de um indivíduo Observação de um grupo populacional ou região geográfica 72 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Quando a elaboração dos indicadores ocorre pela mensuração da observa- ção de um grupo populacional ou espaços geográficos, então podem ser classificadas em: Mensuração consolidada em saúde Mensuram a saúde de uma população. Pela média, mediana e proporções é possível mensurar taxas de incidência de uma determinada patologia/ agravo. Mensuração ecológica ou ambiental Refere-se aos fatores externos ao indivíduo, ou seja, mensuram a exposição de determinada condição/ agravo de acordo com o espaço físico em que dada população vive ou trabalha. Mensuração global Refere-se aos indicadores contextuais e remetem aos atributos de um grupo ou espaço geográfico sem equivalente no nível individual (OPAS, 2018). Para que os indicadores de saúde sejam considerados ferramentas válidas para utilização pelos serviços de saúde e gestores, é preciso que tenham qualidade. 73 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA INDICADORES DE SAÚDE Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem:imagem de duas pessoas trabalhando, escrevendo e apontando dados e gráficos. A qualidade pode ser avaliada de acordo com sua validade, confiabilidade, mensurabilidade, relevância e custo-efetividade (OPAS, 2018). Validade Capacidade de medir o que se pretende. Confiabilidade Para atingi-la, é preciso ter regularidade nos procedimentos usados para medir o que se almeja. Assim, caso outra pessoa tenha a intenção de reproduzir as etapas realizadas que você percorreu, se realizadas de modo idêntico, deverá chegar aos mesmos resultados. Mensurabilidade Refere-se aos dados que podem ser medidos, mensurados. 74 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Relevância Serão considerados relevantes os dados que impactarão dentro de um contexto, seja social, saúde, econômico e/ou outros. Após verificada sua qualidade, os indicadores de saúde precisam ser orga- nizados, atualizados, comparados e disponibilizados para serem utilizados, a fim de que estratégias e ações sejam planejadas para melhorar aspectos epidemiológicos encontrados e mensurados de determinada região/ popu- lação avaliada (OPAS, 2018). GRUPO POPULACIONAL Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um cruzamento repleto de pessoas caminhando. Os indicadores de saúde precisam atender alguns requisitos para que pos- sam ser recomendados e utilizados, conforme exposto no quadro a seguir. 75 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA REQUISITOS DOS INDICADORES DE SAÚDE Fonte: adaptado de OPAS (2018). Na próxima sessão, você verá sobre a classificação dos indicadores de saúde. 3.1.1 INDICADORES DE SAÚDE (MORBIDADE, MORTALIDADE, FECUNDIDADE) Os indicadores de saúde são divididos em classificações segundo a dimen- são do conceito que cada um irá abranger. Dessa forma, apresentam-se em três grupos: CLASSIFICAÇÃO DOS INDICADORES DE SAÚDE Fonte: adaptada de Medronho (2009). 1 Devem conter boa cobertura da população a ser avaliada. 2 Devem possuir uniformidade quanto à definição e aos procedimentos empregados em seu cálculo, garantindo confiabilidade. 3 Devem ser de fácil construção e interpretação. 4 Devem ter sinteticidade, de modo a poder abranger o efeito do maior número possível de fatores que influem no estado de saúde das coletividades. 5 Devem ter poder discriminatório, permitindo comparar populações distintas ou a mesma população em momentos diferentes. Indicadores de saúde que se refe- rem diretamente à saúde de indivídu- os ou populações (ou à sua falta). Indicadores de saú- de que se referem ao meio ambiente e que influem no estado de saúde da população. Indicadores de saúde rela- tivos aos servi- ços de saúde. 1 2 3 76 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 De acordo com Medronho (2009, p. 33), o primeiro grupo, dos indicado- res da saúde dos indivíduos, “compreende as medidas de mortalidade, de morbidade, do estado nutricional, demográficas, de exposição a fatores de risco e de satisfação com o próprio estado de saúde”. O segundo grupo diz respeito aos indicadores ambientais, que medem as condições de sanea- mento básico, acesso à água tratada, rede de esgoto, qualidade do ar, entre outros. Já o terceiro grupo, o dos indicadores de serviços de saúde, podem ser subdivididos em: INDICADORES DE SERVIÇOS DE SAÚDE Fonte: adaptada de Medronho (2009). Agora que você aprofundou seus conhecimentos sobre o conceito de indi- cadores de saúde, chegou a hora de conhecer como se dá a mensuração da saúde e da doença. Para isso, é importante que você aprenda sobre indica- dores, índices e medidas de frequência. Vamos lá? Indicadores de insumos Indicadores de processo Indicadores de resultados 1 2 3 77 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA O índice de Apgar mensura a vitalidade do recém-nascido logo após o nas- cimento. E onde se encaixam as medidas de frequência? Conforme Medronho (2009): No que diz respeito às medidas de frequência de doenças para medir a mor- talidade, tem-se a razão entre o número de óbitos e a quantidade de pes- soas/tempo de exposição, acumulada pela população exposta ao risco de morrer (MEDRONHO, 2009). Proporção Relação ou quociente entre duas frequências da mesma unidade. Você sabia que os termos índice e indicador são considerados tipos distintos de medidas? Conforme Medronho (2009, p. 33): “Indicador é uma medida que inclui apenas um aspecto relativo ao que se deseja medir, como, por exemplo, os coeficientes de mortalidade.”; enquanto o termo índice apresenta outro significado: “Índice tem por função sintetizar em uma única medida diferentes dimensões do atributo de interesse, como, por exemplo, os escores gerados por meio da escala de Apgar.” Os indicadores de saúde são normalmente expressos por meio de medidas de frequência, tais como proporções, coeficientes ou taxas. Outros, podem ser expressos em unidades de tempo, como a mensuração dos anos de vida de determinada população. (MEDRONHO, 2009, p. 33). 78 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Coeficiente ou taxa Quociente entre dois valores numéricos, que expressa a velocidade ou a intensidade que um fenômeno qualquer varia por unidade de uma segunda variável. São comumente utilizados para estimar o risco de ocorrência de determinado adoecimento ou morte (MEDRONHO, 2009). Os conceitos expostos até aqui são essenciais para que você possa adentrar na próxima etapa desse material didático: indicadores de saúde baseados em medidas de mortalidade, morbidade e fecundidade. MEDIDAS DE MORTALIDADE, MORBIDADE E FECUNDIDADE Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um gráfico de barras digital crescente sobre a mão de uma pessoa. A taxa de mortalidade geral, também conhecida como coeficiente geral de mortalidade, é mensurada por meio de coleta de dados secundários, provenientes de declarações de óbito (DO) e do sistema de informações so- bre mortalidade (SIM). Tais taxas são calculadas da seguinte forma (BONITA, 2010, p. 25): Taxa de mortalidade geral = Nº de óbitos no período x 10n População no mesmo do período 79 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Segundo Bonita (2010, p. 25), a taxa de mortalidade geral apresenta alguns desvantagens: O coeficiente de mortalidade infantil tem por objetivo avaliar o nível de saúde de determinada população. Para tanto, conforme Bonita (2010, p. 26), é calculado segundo a equação: O coeficiente de mortalidade infantil é considerado um importante indica- dor de saúde que avalia as condições de saúde em crianças de até um ano de idade. A partir da mensuração deste indicador é possível evidenciar a efetividade e a resolutividade das políticas públicas de saúde implantadas e o desenvolvimento de um país (VICTORIA et al., 2011 apud PÍCOLI; CAZOLA; NASCIMENTO, 2019). A principal desvantagem da taxa de mortalidade geral é o fato de não levar em conta que o risco de morrer varia conforme o sexo, idade, raça, classe social, entre outros fatores. Não se deve utilizar esse coeficiente para comparar diferentes períodos de tempo ou diferentes áreas geográficas. Por exemplo, o padrão de mortalidade entre residentes em áreas urbanizadas, famílias muito jovens, é provavelmente diferente daquele verificado entre residentes à beira-mar, locais onde há um número maior de pessoas aposentadas. Quando se compara o coeficiente de mortalidade entre grupos com diferente estrutura etária, deve-se utilizar coeficientes padronizados. Coeficiente de mortalidade infantil = Nº de óbitos entre menores de um ano x 1000 Nº de nascidos vivos no mesmo ano 80SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um bebê amamentando no seio materno. Diante de sua importância, a redução da mortalidade infantil foi considera- da uma das metas a serem atingidas, visto que em sua maioria, as causas de mortalidade infantil relatadas são classificadas como causas evitáveis ou reduzíveis (MALTA et al., 2010 apud PÍCOLI; CAZOLA; NASCIMENTO, 2019). Assim como a taxa de mortalidade infantil, também pode ser mensurada a taxa de mortalidade para menores de cinco anos. Esse coeficiente é considerado um indicador básico de saúde e calcula os óbitos ocorridos em crianças entre 1 e 4 anos, 11 meses e 29 dias, correspondentes a acidentes, desnutrição, doenças infectocontagiosas, entre outras que podem vir a fin- dar a vida desses indivíduos. Outro importante coeficiente avaliado diz respeito à taxa de mortalidade materna. Esse indicador mensura o risco de morte materna devido a causas diretas ou indiretas inerentes à gestação durante todo o período gestacio- nal, parto e puerpério (até 42 dias após o término da gestação). Tem como padrão de cálculo a seguinte equação (BONITA, 2010, p. 28): A Portaria nº 72, de 11 de janeiro de 2010 (BRASIL, 2010a), estabelece sobre a vigilância do óbito infantil e fetal, além de trazer definições importantes no que concerne ao óbito infantil, nascido-vivo e óbito fetal ou natimorto. Acesse-a aqui. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt0072_11_01_2010.html 81 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Dentre as principais causa de óbito materno estão as doenças hipertensivas como a eclampsia, síndrome Hellp, doenças hemorrágicas, como descola- mento de placenta, infecções puerperais e abortos provocados ou não (BEL- CHIOR et al., 2022). A partir daqui, estudaremos sobre as taxas de morbidade. Você sabe qual o conceito de morbidade? Segundo Galleguillos (2014, p. 64), “[...] a morbidade identifica as causas que determinam o adoecer”. São considerados coeficientes essenciais para avaliar as causas e efeitos da ocorrência de determinado agravo/patologia. A partir da mensuração das taxas de morbidade é possível identificar o comportamento, incidência e prevalência da doença analisada (GALLEGUILLOS, 2014). Analisando que as taxas de mortalidade são utilizadas para investigar do- enças que possuem altas taxas de letalidade, as taxas de morbidade são usadas para as doenças que apresentam baixo índice de letalidade. Nesse contexto, são necessárias para investigação de tendência de mortalidade de determinados agravos (GALLEGUILLOS, 2014). Taxa de mortalida- de materna = Nº de óbitos maternos relacionados à gestação, parto e puerpério em um ano x 100.000 Total de nascidos vivos durante o mesmo ano A expectativa de vida, compreendida como a média de anos que se é esperado viver, é considerada outro indicador estratégico para mensurar o estado de saúde de uma população. Pode ser calculada por uma técnica chamada tábua de sobrevivência ou tábua da vida (MEDRONHO, 2009; BONITA, 2010). 82 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para que você consiga compreender, vamos imaginar o seguinte exemplo: alguns países estão registrando queda do número de óbitos por determina- das doenças crônicas, como a hipertensão arterial sistêmica. Essa diminui- ção pode ser resultado da redução de incidência, ou seja, de casos novos da doença e/ou da letalidade, em decorrência de adesão ao tratamento correto, melhoria da qualidade de vida, dentre outros fatores que podem contribuir (BONITA, 2010). TAXA DE MORBIDADE Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de uma planilha com gráficos, representando os dados epidemiológicos após análise da taxa de morbidade de determinada região. Você sabia que os seguradores de automóveis utilizam os indicadores de morbidade para analisar o risco de determinado fato ocorrer? Repare que o valor do seguro do automóvel fica mais caro para homens com faixa de idade entre 18 e 25 anos. Isso porque dados epidemiológicos demonstram que indivíduos do sexo masculino, entre as idades citadas estão mais susceptíveis a acidentes automobilísticos. 83 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Outra importante taxa trazida por Galleguillos (2014, p. 71), é a de fecundi- dade, representada pelo “[...] número médio de filhos por mulher em idade fértil”, sendo esta compreendida entre 15 e 49 anos de idade. Para realizar este cálculo, utiliza-se a equação a seguir (GALLEGUILLOS, 2014, p. 72): Tanto a taxa de fecundidade como de natalidade têm relação direta com o empoderamento feminino, transformações sociais, econômicas, melhores condições de acesso à saúde, adesão ao uso de contraceptivos, entre outros fatores que podem ser observadas em todo o país, sendo mais evidente em algumas regiões brasileiras (GALLEGUILLOS, 2014). A seguir, veremos sobre a transição demográfica epidemiológica. Vamos lá? 3.1.2 TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA EPIDEMIOLÓGICA Esse tópico compreenderá a transição ocorrida nas últimas décadas no que concerne às causas de adoecimento e morte da população e quais fatores levaram a essa grande mudança (GALLEGUILLOS, 2014). CF = Nº de filhos nascidos vivos de mães de dada faixa etária residentes em uma área e ano considerados x 1.000 População de mulheres de referida faixa etária residentes nessa área e ano Após o início da pandemia de COVID-19, taxas de mortalidade, natalidade, fecundidade e expectativa de vida sofreram alterações exponenciais. Para saber mais a respeito dessas mudanças (AASSVE et al., 2020), acesse aqui. https://www.science.org/doi/10.1126/science.abc9520 84 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: ilustração com ícones das cepas do vírus do HIV, hepatite b, ebola, adenovírus, influenza, vírus da raiva, bacteriófago, papilomavírus, rotavírus e herpes. Há algumas décadas, o Brasil apresentava outro perfil epidemiológico e de morbimortalidade, diferente do presenciado atualmente. Entre as principais causas de adoecimento e morte estavam as doenças infectocontagiosas e uma reduzida expectativa de vida (GALLEGUILLOS, 2014). Ao passo que ocorria o crescimento econômico, social, de urbanização e in- dustrialização, além do surgimento de novas tecnologias, principalmente no âmbito da saúde, ocorreu um processo de transição demográfica e epide- miológica (CORTEZ et al., 2019). Houve o processo de envelhecimento popu- lacional e a mudança nos padrões de saúde e doença, levando a uma dimi- nuição importante das taxas de mortalidade por doenças infectocontagiosas e consequente aumento da expectativa de vida, assim como aumento da in- cidência de doenças crônico degenerativas, principalmente as cardiovascula- res, como a hipertensão arterial e de causas externas de mortalidade, como acidentes, violência e suicídio (GALLEGUILLOS, 2014). 85 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA DOENÇAS CRÔNICAS Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem das mãos de um paciente sobre a mesa, onde há comprimidos, um copo de água e um aparelho de medir a pressão. Isto posto, segundo Galleguillos (2014, p. 111), é possível afirmar que: Essas alterações de caráter demográfico, epidemiológico e de morbimor- talidade levam a uma transformação no sistema de saúde, havendo a ne- cessidade em ofertar cuidados e orientações voltados para a prevenção em saúde e não mais exclusivamente pautados em métodos curativista e hos- pitalocêntricos (GALLEGUILLOS,2014). Enquanto a expectativa de vida aumenta, as pessoas vivem mais, o número de idosos aumenta, o que determina maior número de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis; por outro lado, a diminuição de doenças transmissíveis tende a beneficiar as populações mais jovens, inclusive, há́ diminuição da mortalidade infantil. 86 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1.3 INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA Os estudos de dados de morbidade são essenciais para as análises de causa/ efeito. Os indicadores de morbidade permitem realizar diagnóstico em saúde, em que a prevalência e a incidência das doenças demonstram seu compor- tamento - se há́ aumento ou diminuição dos casos. Logo, são essenciais para as tomadas de decisões por parte dos gestores em saúde, pesquisadores e epidemiologistas. Dividem-se em coeficiente de incidência e coeficiente de prevalência (GALLEGUILLOS, 2014). COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: ilustração de várias pessoas interligadas entre si, formando uma rede. No que concerne à incidência, esta corresponde ao número de casos novos de determinada doença em um dado espaço de tempo. Para mensurar o co- eficiente de incidência é preciso realizar a seguinte equação (GALLEGUILLOS, 2014, p. 67): Ou seja: “[...] o coeficiente de incidência corresponde à relação entre o número de casos novos e o total da população exposta.” (GALLEGUILLOS, 2014, p. 67). CI = Nº de casos novos na população residente em dado período e área x 100.000 População residente na área e no mesmo período 87 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Segundo Kerr-Pontes e Rouquayrol (2003 apud GALLEGUILLOS, 2014, p. 67): “[...] a prevalência determina o total de casos de determinada doença; já o coeficiente de prevalência estabelece relação entre o total de casos e a população que tem risco de ter essa doença”. Em outras palavras, a partir do coeficiente de prevalência, é possível avaliar como determinada doença se comporta ao longo do tempo em dada região, permitindo avaliar as diferen- ças apresentadas entre grupos de pessoas (sexo, ocupação, idade, aspectos socioeconômicos, entre outros). TAXA DE MORBIDADE Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de dois profissionais de saúde em frente ao computador conversando sobre dados de saúde e uma terceira pessoa com uma prancheta nas mãos. Os indicadores de morbidade e mortalidade podem ser multiplicados por 1.000, 10.000 ou 100.000, com exceção da letalidade, que é um percentual. A escolha deve levar em conta o total da população, ou seja, o valor escolhido não pode ser maior que o total da população. Se a população total for de 10.000 habitantes, deve-se multiplicar por 1.000 ou 10.000 (GALLEGUILLOS, 2014). 88 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Portanto, os resultados obtidos permitem ao gestor o planejamento de es- tratégias e ações que visem a redução dos agravos e consequente melhora da qualidade e expectativa de vida, além de prever a quantidade de leitos de internação, o quantitativo de consultas médicas, medicamentos etc. (GAL- LEGUILLOS, 2014). Para calcular o coeficiente de prevalência, é necessário realizar a equação a seguir (GALLEGUILLOS, 2014, p. 68): Nos tópicos a seguir, veremos sobre o registro de doenças e notificação com- pulsória e a classificação internacional de doenças (CID-10). Aproveite! 3.2 REGISTRO DE DOENÇA E NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA A partir daqui você conseguirá aprender mais sobre as doenças de notificação compulsória, seu registro e classificação internacional. Bons estudos! 3.2.1 O QUE É REGISTRO DE DOENÇA E NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) foi implantado, de forma gradual, a partir de 1993, com o objetivo de coletar, informar e dis- seminar dados. Em conjunto com as secretarias epidemiológicas e demais sistemas de informação, compreende uma importante ferramenta que auxi- lia na avaliação dos agravos e doenças existentes em determinados períodos e regiões, permitindo analisar a efetividade e eficácia das políticas, planos e estratégias de saúde já existentes, além de contribuir com a formulação de novas ações e decisões, com vistas à melhoria das condições de saúde da população (GALLEGUILLOS, 2014). CP = Nº de casos existentes (novos + antigos) na popula- ção residente em dado período e área considerados x 100.000 População residente na área no mesmo período 89 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um profissional da saúde com um estetoscópio em seu pescoço e digitando dados em um notebook. A notificação compulsória é obrigação de todos os profissionais de saúde, organizações, estabelecimentos de saúde públicos ou privados e de ensino, consistindo em informar/registrar doenças e agravos pré-estabelecidos pelo Ministério de Saúde, considerando as particularidades de estados e municí- pios, de acordo com sua realidade epidemiológica (GALLEGUILLOS, 2014). Assim, quando houver a suspeita de alguma das doenças e/ou agravos e/ou eventos em saúde pública, o profissional de saúde deverá comunicar a vigi- lância epidemiológica municipal e do estado por meio de notificação com- pulsória (GALLEGUILLOS, 2014). 90 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A Portaria nº 2.472, de 31 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010b), define as seguin- tes terminologias: I - Doença: significa uma enfermidade ou estado clínico, independentemente de origem ou fonte, que represente ou possa representar um dano significativo para os seres humanos; II - Agravo: significa qualquer dano à integridade física, mental e social dos indivíduos, provocado por circunstâncias nocivas, como acidentes, intoxicações, abuso de drogas, e lesões auto ou heteroinfligidas; III - Evento: significa manifestação de doença ou uma ocorrência que apresente potencial para causar doença; IV - Emergência de saúde pública de importância nacional - ESPIN: é um evento que apresenta risco de propagação ou disseminação de doenças para mais de uma unidade federada - Estados e Distrito Federal - com priorização das doenças de notificação imediata e outros eventos de saúde pública, independente da natureza ou origem, depois de avaliação de risco, e que possa necessitar de resposta nacional imediata; e V - Emergência de saúde pública de importância internacional - ESPII: é evento extraordinário que constitui risco para a saúde pública de outros países por meio da propagação internacional de doenças e que potencialmente requerem uma resposta internacional coordenada. 91 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Nesse contexto, inúmeras doenças/agravos precisam de sua atenção para proceder com a correta notificação. A Portaria nº 264, de 17 de fevereiro de 2020, em seu Art. 1º, incluiu a doença de Chagas crônica, a criptococose, a esporotricose humana e a paracoccidioidomicose na Lista Nacional de Noti- ficação Compulsória (BRASIL, 2020). Agora que compreendemos sobre registro de doença e notificação compul- sória, vamos atentar para a classificação internacional de doenças (CID-10). 3.2.2 CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS (CID-10) A Classificação Internacional de Doenças (CID) é uma ferramenta mantida pela Organização Mundial de Saúde. De caráter classificatório, possui lingua- gem comum e, conforme Galvão e Ricarte (2021, p. 106): Para que você saiba quais doenças e/ou agravos e/ou eventos de saúde pública fazem parte da lista de notificação compulsória, listade notificação compulsória imediata e lista de notificação compulsória em unidades sentinelas, leia os anexos I, II e III da Portaria nº 2.472 (BRASIL, 2010b), acessando-os aqui. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt2472_31_08_2010.html 92 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Dessa forma, a CID tem o propósito de comunicação entre profissionais de saúde, pesquisadores e codificadores, de forma global, visando interesses epidemiológicos e de gerenciamento de saúde (OPAS, 2022). Atualmente, a CID passou por reformulação e atualização, entrando em vi- gor em 2022 a 11ª edição. O novo documento simboliza o avanço da medi- cina e da cientificidade. Reúne códigos que são de suma importância para a realidade de saúde vivenciada atualmente, como a inserção de códigos relativos à resistência antimicrobiana; segurança na assistência à saúde, dis- seminação de um câncer; locais exatos e específicos de fraturas; atualizações em condições de saúde mental e inerentes à COVID-19 saúde (OPAS, 2022). [...] apresenta classes e subclasses de doenças, condições relacionadas à saúde e causas externas de doença ou morte, incluindo: doenças infecciosas e parasitárias; neoplasias; doenças do sangue; doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas; doenças do sistema circulatório; transtornos mentais e comportamentais; doenças do sistema nervoso; doenças dos olhos; doenças do ouvido; doenças do sistema respiratório; doenças do sistema digestivo; doenças da pele e tecido subcutâneo; doenças do sistema musculoesquelético e tecido conjuntivo; doenças do aparelho geniturinário; lesões, envenenamento e certas outras consequências de causas externas; gravidez, parto e puerpério; condições originadas no período perinatal; malformações congênitas, deformações e anormalidades cromossômicas; sintomas, sinais e achados clínicos e laboratoriais anormais; causas externas de morbidade e mortalidade; fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde etc. 93 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Para saber mais sobre os temas abordados, acesse estes materiais: • Muito além da transição epidemiológica: doenças crônicas no século XX. • Guia de Vigilância Epidemiológica do Óbito Materno. • Manual de Vigilância do Óbito Infantil e Fetal e do Comitê de Prevenção do Óbito Infantil e Fetal. • Indicadores de saúde no Brasil: um processo em construção. • Medindo a ocorrência da doença: incidência ou prevalência. CONCLUSÃO Nesta unidade, tivemos a oportunidade de compreender a importância dos indicadores de saúde, conhecer sobre a incidência, prevalência e transição demográfica. Além disso, foi possível compreender sobre os registros das doenças de notificação compulsória. Conhecer sobre os indicadores de saúde e as doenças de notificação com- pulsória permite que o profissional de saúde os reconheça como estratégias que permitem avaliar as condições de saúde, contribuindo com o trabalho do gestor em propor melhorias ou novas ferramentas que possam auxiliam na qualidade de vida da coletividade. MATERIAIS COMPLEMENTARES https://www.scielo.br/j/hcsm/a/YXmmBtwjDMNV7YwxRZzvJGz/?lang=pt https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidem_obito_materno.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_obito_infantil_fetal_2ed.pdf https://www.ufjf.br/oliveira_junior/files/2011/08/SO%C3%81REZ-P.-C.-PADOVAN-J.-L.-CICONELLI.pdf https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/54350 UNIDADE 4 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 94 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA > Entender o funcionamento das áreas da vigilância em saúde. > Compreender o funcionamento da promoção da saúde. > Proporcionar o entendimento sobre as medidas de prevenção e controle de doenças. 95 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 4. SAÚDE PREVENTIVA E PROMOÇÃO DA SAÚDE INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta Unidade 4 de Saúde Coletiva, abordaremos as ações de vigilância em saúde para a prevenção e o controle de doenças infectocontagiosas e doen- ças crônicas. Boa leitura e atente-se à importância dos tópicos. Vamos lá? 4.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE Pensando nas diretrizes e princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), pauta- dos na transformação, o modelo de assistência à saúde visa garantir a descen- tralização, qualidade e universalidade de atenção à saúde. Em relação à vigi- lância em saúde, ela vem agregar e reforçar esta área do Ministério da Saúde, fortalecendo as ações da Vigilância Epidemiológica (BRASIL, 2013). A vigilância em saúde consiste em um processo contínuo e sistemático de ati- vidades e realizações que contribuem com o planejamento e a implementação de estratégias de políticas públicas que interfiram positivamente na prevenção e controle de agravos, doenças e riscos epidemiológicos, bem como proteção e promoção da saúde do indivíduo e de sua coletividade (BRASIL, 2013). Nesse sentido, “a vigilância em saúde tem por objetivo garantir as condições sanitárias adequadas, fiscalizando as propriedades dos produtos que trazem benefícios ou potenciais danos para a saúde”, atuando nos seguintes eixos (COSTA; HIGA, 2019). 96 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 VIGILÂNCIA EM SAÚDE Prevenção de doenças transmissíveis. Análise e acompanhamento da situação de saúde da população brasileira. Planejamento das ações em saúde. Identificação de fatores de risco. Controle de doenças crônicas não transmissíveis. Abrange as esferas de saúde ambiental e saúde do trabalhador. Fonte: adaptado de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: a imagem mostra os eixos de atuação da vigilância em saúde - prevenção de doenças transmissíveis; análise e acompanhamento da situação de saúde da população brasileira; planejamento das ações em saúde; identificação de fatores de risco; controle de doenças crônicas não transmissíveis; abrange as esferas de saúde ambiental e saúde do trabalhador. A seguir, veremos sobre a epidemiologia, segundo Costa e Higa (2019): A epidemiologia é a ciência que acompanha a vigilância no monitoramento de tendências, na maioria das vezes, utilizando a taxa de ocorrência das doenças para a detecção de um aumento de eventos ou redução deles. Por exemplo, a efetividade do Programa Nacional de Vacinação de crianças para determinada doença é avaliada pela redução na sua taxa de incidência (COSTA; HIGA, 2019, p. 16). Ainda conforme Costa e Higa (2019), sempre que há uma tendência de aumen- to, as autoridades sanitárias são informadas, a fim de que possam revisar as in- 97 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA tervenções vigentes, assim como propor novas ações que sejam mais efetivas. VACINAÇÃO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um profissional de saúde aplicando vacina no braço de uma criança. A vigilância em saúde é dividida em áreas distintas que serão aprofundadas na Unidade 5. São elas: ÁREAS DE ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE\ Vigilância Epidemiológica Vigilância Sanitária Vigilância Ambiental Saúde do Trabalhador Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: a imagem mostra as áreas de atuação da vigilância em saúde, sendo elas: vigilância epidemiológica; vigilância sanitária; vigilância ambiental e saúde do trabalhador. A seguir, traremos a padronização de alguns conceitos frequentemente utili- zados quando se trata de vigilância em saúde. 98 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pelaportaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Doença Diz respeito à enfermidade ou estado clínico que pode prejudicar o estado de saúde de um indivíduo. Agravo Ocasionado por situações prejudiciais à integridade física, mental e social dos indivíduos, podendo ser causado por acidentes, intoxicação, uso abusivo de drogas, lesões autoinfligidas, como a tentativa de suicídio, ou heteroinfligidas, como as agressões, por exemplo. Evento É a manifestação de uma doença que pode causar enfermidades. Emergência de saúde pública de importância nacional Diz respeito à ocorrência de um evento que pode se disseminar para outro estado, com priorização das doenças de notificação imediata e outros eventos de saúde pública que possam necessitar de resposta nacional imediata e, até mesmo, parcerias internacionais (BRASIL, 2011). Assim, para que as ações de vigilância em saúde no Brasil sejam realizadas, é necessária uma parceria com as Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios especializados, centros de atenção psicossocial e atenção hospitalar. Dessa forma, com o apoio e articulação desses serviços é possível executar as ações expostas no quadro a seguir (COSTA; HIGA, 2019; OLIVEIRA, 2017): 99 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA AÇÕES DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE NO BRASIL Gestão da vigilância em saúde Análise da situação de saúde da população brasileira. Planejamento, programação, acompanhamento e avaliação das unidades de vigilância. Gestão dos sistemas de informação (alimentação do banco de dados de todo o território nacional). Informação, educação e comunicação Divulgação das informações em saúde para a população. Atividades educativas sobre os riscos à saúde de produtos, serviços, questões ambientais e de trabalho. Alerta e resposta a surtos e eventos Detecção, avaliação e resposta a surtos e eventos de saúde pública, visando a sua eliminação e controle. Notificação de eventos Notificação da ocorrência de eventos (doenças, agravos, emergências de saúde pública, nascimentos e óbitos). Investigação de eventos Investigação de eventos para evitar agravamento epidemiológico (casos de doenças transmissíveis, efeitos adversos de vacinação, situações de risco ambiental e relacionadas ao trabalho). Busca ativa Identificação de casos novos de doenças transmissíveis e não transmissíveis por exposição aos riscos ambientais e de atividades de trabalho, busca por pessoas em abandono de tratamento, faltantes a agendamentos de serviços de saúde e contato com casos de doentes. Interrupção na cadeia de transmissão Bloqueio da cadeia de transmissão de doenças (vacinação, tratamento ou quimioprofilaxia). Controle de vetores, reservatórios e hospedeiros Redução ou eliminação de vetores, reservatórios e hospedeiros relacionados à transmissão de doenças. Diagnóstico laboratorial de eventos de interesse em saúde pública Coleta e realização de procedimentos laboratoriais de material biológico e não biológico para o diagnóstico, isolamento e identificação da causa de eventos. Vacinação Revisão e atualização anual do calendário básico de vacinação para crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes. Vacinação de humanos e animais, de rotina e em campanhas. Oferta de tratamento clínico e cirúrgico para doenças Oferta de tratamento clínico e cirúrgico aos portadores de doenças transmissíveis e crônicas não transmissíveis, como, por exemplo, Aids, hepatite C, tuberculose, câncer, diabetes, hipertensão arterial, asma, entre outras. Fonte: Costa e Higa (2019, p. 18-20). 100 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A seguir, você poderá compreender melhor sobre o Programa Nacional de Imunizações – Vacinação. Para que você possa saber mais sobre o Programa Nacional de Imunizações – Vacinação e a história da vacinação no Brasil, acesse aqui. É importante que você saiba que a vigilância em saúde atua nas três esferas do governo, destacadas a seguir: ESFERAS DE ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE Governo federal Governo Municipal Governo Estadual Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: ilustração de três círculos de atuação da vigilância em saúde - governo federal, governo estadual e governo municipal. É válido mencionar que cada esfera do governo tem sua responsabilidade dentro da gestão da vigilância: ao governo federal, compete a publicação de normas e resoluções, assim como o planejamento estratégico; enquanto os estados e municípios são os responsáveis por executar as ações elaboradas pelo governo federal (COSTA; HIGA, 2019). https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-ainformacao/acoes-e-programas/programa-nacional-deimunizacoesvacinacao#:~:text=Em%201973%20foi%20formulado%20o,pela %20reduzida%20%C3%A1rea%20de%20cobertura. Acesso em: 20 dez. 2022. 101 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Você pode entender mais sobre a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS) e Vigilância em Saúde, clicando aqui. A seguir, veremos sobre o cuidado preventivo. 4.1.1 CUIDADO PREVENTIVO Como visto nas unidades anteriores, você deve recordar-se do conceito de saú- de, segundo a Organização Mundial da Saúde, que informa não se tratar so- mente da ausência de doenças, englobando o bem-estar físico, social e mental. Atualmente, os serviços de saúde têm traçado suas estratégias em busca da saúde perante esta definição. Dessa forma, para alcançar a saúde em sua ple- nitude, é necessário consolidar as ações voltadas para a prevenção de doen- ças, estando a medicina preventiva dividida da seguinte maneira: MEDICINA PREVENTIVA Prevenção primária Prevenção secundária Prevenção terciária Prevenção quarenária Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Cada uma dessas divisões possui objetivos diferentes. Acompanhe a seguir. Prevenção primária Neste tipo de prevenção, tem-se o propósito de minimizar os riscos de o indivíduo adquirir quaisquer tipos de doenças. Por exemplo: vacinação. 102 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Prevenção secundária Neste tipo de prevenção, tem-se o propósito de detectar as doenças de modo precoce, a fim de proporcionar tratamento em tempo hábil, evitando possíveis complicações. Por exemplo: exames para rastreio de câncer (mamografia, citologia oncótica, entre outros). Prevenção terciária Neste tipo de prevenção, tem-se o propósito de tratar as doenças já instaladas, a fim de reduzir os riscos de complicações e incapacidades. Prevenção quaternária Neste tipo de prevenção, tem-se o propósito de reabilitar o indivíduo portador de incapacidades causadas pelas doenças pré-existentes (COSTA; HIGA, 2019). A promoção da saúde está intimamente ligada ao cuidado preventivo, pois, por meio da educação em saúde é possível ofertar uma melhor qualidade de vida para a população, com orientações dos mais variados temas pelos pro- fissionais de saúde, que perpassem todos os níveis de prevenção, seja com roda de conversas, palestras, visitas domiciliares, grupos de gestantes, grupos de hipertensos/diabéticos, campanhas, puericulturas, consultas de enferma- gem, entre outras (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). Todas essas orientações devem ser voltadas para questões de saúde e com uma abordagem preventiva, que vise melhorar as condições de vida do indi- víduo e de sua comunidade (COSTA; HIGA, 2019). 4.1.2 NÍVEIS DE PREVENÇÃO DAS DOENÇAS A busca pela saúde baseada no processo de saúde-doença teve seu marco histórico em meados de 1970, quando dois pesquisadores, Leavell e Clarck propuseram um modelo de sistematização que englobava os períodos pré- -patogênese e patogênese, recebendo o nome de “história natural da doen- ça”, modelo pautado na promoção, prevenção,cura e reabilitação (COSTA; HIGA, 2019). 103 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Três fatores foram determinantes para a construção desse modelo de sistematização: FATORES DE INTERAÇÃO DA HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA Agenda etiológico Hospedeiro Meio ambiente Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: ilustração dos fatores de interação da história natural da doença - agente etiológico, hospedeiro e meio ambiente. Para melhor compreensão, imaginemos os períodos pré-patogênese e pato- gênese abordados por Leavell e Clarck. No primeiro período, pré-patogênese, considera-se que o indivíduo tem uma pré-disposição a ser acometido por determinada patologia, mas ainda não a desenvolveu. É o caso de uma pes- soa com fatores genéticos para hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus as- sociada a uma vida sedentária, obesidade, com ingesta alimentar baseada em altos consumos de sódio, açúcares, gorduras, embutidos e produtos in- dustrializados. Mesmo que esse indivíduo não tenha a doença em curso, há fortes indícios de que a desenvolverá ou outras que podem ocorrer diante dos fatores de risco mencionados. Na patogênese, a doença já está em curso. O indivíduo já apresenta os sinais e sintomas inerentes à patologia. Por exem- plo: altos níveis pressóricos, altos níveis glicêmicos e suas complicações (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). Pensando nesse contexto, as ações de saúde devem ser voltadas para todos os momentos da história natural da doença, analisando a interação, o agente etiológico, o hospedeiro e o meio ambiente (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). 104 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PREVENÇÃO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de uma mão interrompendo a queda de uma sequência de blocos de madeira semelhantes a um dominó, simbolizando o ato de prevenir uma doença. A seguir, será possível entender um pouco mais sobre os diferentes níveis de prevenção: primária, secundária, terciária e quaternária. Vamos lá? 4.1.3 CUIDADOS NOS DIFERENTES NÍVEIS DE PREVENÇÃO Segundo Brasil (2013), a partir da década de 1980, após a Carta de Otawa, a promoção em saúde passou a ser pauta de discussões em todo o mundo. Assim, a prevenção de doenças ganhou espaço, visando a redução dos riscos de contrair/ adquirir determinadas doenças. Nesse contexto, analisaremos os diferentes níveis de prevenção. A prevenção primária refere-se às ações executadas a fim de remover causas e fatores de risco que possam desencadear uma doença e/ou condição clínica em um indivíduo e/ou coletividade antes de sua ocorrência (BRASIL, 2013). Segundo Costa e Higa (2019): 105 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é um exemplo bem-sucedido de prevenção primária, pois são atribuídas à vacinação a erradicação da varíola e da poliomielite, além da redução da taxa de mortalidade decorrente de sarampo, rubéola, tétano, difteria e coqueluche. (COSTA; HIGA, 2019, p. 37). Além da imunização, os profissionais de saúde também executam ações de prevenção primária por meio de educação em saúde, quando é possível orientar indivíduos sobre assuntos relevantes, conforme a realidade de cada local e de sua população, a partir dos diagnósticos levantados pela equipe de saúde da região (COSTA; HIGA, 2019). São exemplos de ações que podem ser executadas em prol da prevenção de doenças: PREVENÇÃO PRIMÁRIA Grupos de alimentação saudável Prevenção do alcoolismo Cessação do tabagismos Práticas de atividades físicas Cuidados com recém-nascidos Prevenção de quedas para idosos Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: imagem com exemplos de ações que podem ser executadas para garantir a prevenção primária - grupos de alimentação saudável; cessação do tabagismo; prevenção do alcoolismo; práticas de atividades físicas; prevenção de quedas para idosos; cuidados com recém-nascidos. A prevenção secundária tem por objetivo realizar o rastreamento de doen- ças em seu estágio inicial, frequentemente antes do surgimento de sinais e sintomas, ou seja, em estágio subclínico (BRASIL, 2013). Assim, permite “[...] iniciar o tratamento o mais rápido possível para reduzir as complicações ou o agravamento do quadro clínico” (COSTA; HIGA, 2019, p. 37). 106 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PREVENÇÃO SECUNDÁRIA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de uma mulher de camiseta branca segurando um laço rosa, que simboliza a prevenção ao câncer de mama. Um exemplo que representa o rastreamento de doenças específicas se dá pelos exames ou testes realizados em pessoas sadias, como é o caso da ma- mografia e da coleta de citologia oncótica - exames que visam o rastreio de câncer de mama e colo uterino, respectivamente, principalmente na ausên- cia de queixas que justifiquem sua realização (BRASIL, 2013). Já a prevenção terciária consiste na execução de ações que minimizem o agravamento e/ou incapacidades que podem ser causadas por doenças agu- das ou crônicas de um indivíduo ou sua coletividade. Ações que permitam a reabilitação também se enquadram na prevenção terciária. As estratégias de saúde realizadas na atenção primária, secundária e terciária são exemplos que fortalecem os conceitos de prevenção terciária (BRASIL, 2013). 107 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA PREVENÇÃO TERCIÁRIA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de uma fisioterapeuta em sessão de reabilitação com uma paciente. Por fim, a prevenção quaternária visa identificar indivíduos que estão sob risco, em excesso de ações preventivas, diagnósticas e/ou terapêuticas inapro- priadas e desnecessárias. 108 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os cuidados implementados, neste nível de prevenção, partem da conscientização dos profissionais e do preparo científico. Os atendimentos em cada área específica devem ser embasados em evidências, e seguidos por protocolos clínicos. Por exemplo, ao atender um lactente, de três meses, com coriza. No exame físico, o paciente apresenta sinais vitais estáveis e ausculta pulmonar ausente de ruídos adventícios. O tratamento prescrito foi manter o aleitamento materno em livre demanda e medicamento sintomático. Porém, a mãe da criança insiste na realização de um raio-X, pois está com receio de que o bebê esteja com pneumonia. Nesse momento, o profissional realiza o cuidado de prevenção quaternária, ao orientar a mãe sobre não haver a indicação para a realização do exame e [...] sobre os riscos envolvidos na exposição do lactente à radiação desnecessária (COSTA; HIGA, 2019, p. 41). Julgamos importante trazer alguns termos inerentes ao assunto para que seja possível diferenciá-los durante sua prática clínica. Confira: Diagnóstico precoce Refere-se a ações destinadas a identificar a doença em estágio inicial, a partir de sintomas e/ou sinais clínicos. Rastreamento Refere-se à realização de testes ou exames diagnósticos em populações ou pessoas assintomáticas, com a finalidade de diagnóstico precoce (prevenção secundária), tendo como objetivo final reduzir a morbidade e mortalidade da doença, agravo ou risco rastreado. (BRASIL, 2013, p. 15-16). 109 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Na próxima sessão, abordaremos as medidas de prevenção e controle de do- enças crônicas não transmissíveis e transmissíveis. 4.2 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS Pautados no conceito de prevenção estudado até aqui, iniciaremos nossadis- cussão sobre as medidas de prevenção e controle de doenças, agravos e riscos. 4.2.1 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS, AGRAVOS E RISCOS Mesmo que muitas doenças infectocontagiosas tenham sido parcial ou to- talmente erradicadas devido à contribuição das vacinas, em muitas regiões do mundo algumas passaram a ser consideradas doenças emergentes ou reemergentes, como é o caso do sarampo, tuberculose, malária, hanseníase, entre outras (BRASIL, 2010). A seguir, confira os significados de alguns termos que serão essenciais para o entendimento desta etapa da unidade: Doença transmissível É qualquer doença causada por um agente infeccioso específico ou seus produtos tóxicos, que se manifesta pela transmissão deste agente ou de seus produtos, de um reservatório a um hospedeiro suscetível, seja diretamente de uma pessoa ou animal infectado, ou indiretamente, por hospedeiro intermediário, de natureza vegetal ou animal, de um vetor ou do meio ambiente inanimado. Doença emergente É uma doença transmissível, cuja incidência em humanos vem aumentado nos últimos 25 anos ou que ameaça aumentar em breve. 110 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Doença reemergente É uma doença transmissível previamente conhecida que reaparece como problema de saúde pública após uma etapa de significativo declínio de sua incidência e aparente controle. (BRASIL, 2010, p. 13-14). Assim, conforme o contexto abordado até aqui, para avaliar a distribuição, fre- quência e os determinantes de algumas doenças, é preciso compreender as va- riáveis que serão analisadas para entender a distribuição dos eventos de saúde: VARIÁVEIS DOS EVENTOS DE SAÚDE Tempo PessoaLugar Fonte: Brasil (2010, p. 17-18). #pratodosverem: ilustração de três círculos interconectados em forma de pirâmide. No topo, tempo e, abaixo dele, pessoa e lugar. Algumas doenças respeitam um perfil de sazonalidade, por isso, devemos abordar a variável “tempo”. De tempos em tempos, algumas doenças especí- ficas costumam aumentar sua incidência, como é o caso da influenza. Assim, podemos afirmar que algumas doenças infectocontagiosas têm perfis de comportamento específicos no tempo. Normalmente, essas doenças apre- sentam maior número de casos em estações específicas do ano, sendo que essa previsão pode ser considerada um alerta para a criação de estratégias que permitam a adoção de medidas preventivas (BRASIL, 2010). Conhecer o lugar ou localização geográfica das doenças, agravos e riscos é pri- mordial para entender seu poder de disseminação e os fatores de risco que con- tribuem para tanto. A hanseníase, por exemplo, é uma doença infectocontagio- sa com perfil de hiperendemicidade nos estados do Tocantins e Amazonas. 111 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA A unidade geográfica pode ser o domicílio, a rua, o bairro, a localidade, o distrito, o município, o estado ou outro nível de agregação geopolítica, e o lugar também pode ser um estabelecimento de saúde, um hospital, a área de trabalho, a área rural ou urbana, o lugar de nascimento ou outro espaço de interesse. A análise do lugar quanto a suas características físicas e biológicas permitem gerar hipóteses sobre possíveis fatores de risco e de transmissão (BRASIL, 2010, p. 17). Além do tempo e lugar, as características dos indivíduos, sejam elas “[...] a idade, o sexo, o estado nutricional, seus hábitos e condutas (ocupação e estilo de vida), e sua condição social (renda, estado civil, religião, sexo), permitem identificar a distribuição das doenças e possíveis grupos e fatores de risco [...]”, que são variáveis que permitem avaliar a variação da ocorrência das doen- ças de acordo com as particularidades encontradas (BRASIL, 2010, p. 18). Por exemplo, estudos apontam que indivíduos com baixo nível de escolaridade e condição financeira baixa estão mais suscetíveis à hanseníase (AZEVEDO et al., 2021). Considera-se que adoecer é inerente à vida e que em algum momento será inevitável o adoecimento, podendo trazer grandes repercussões e mudanças no dia a dia do indivíduo e sua família (COSTA; HIGA, 2019). As doenças agudas são aquelas que surgem de forma repentina, como as gripes e resfriados e, normalmente, costumam resolver-se sem intervenções medicamentosas ou com tratamentos e cuidados de saúde em pouco tempo (COSTA; HIGA, 2019). 112 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TERAPIA MEDICAMENTOSA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de uma pessoa colocando comprimidos verdes em sua mão. Já as doenças crônicas têm duração mais prolongada, podendo estender-se por toda a vida de uma pessoa. Nesse sentido, o tratamento não é voltado para a cura, mas para a estabilização da doença, de modo que minimize e/ou evite a ocorrência de agravamentos e/ou incapacidades (COSTA; HIGA, 2019). 4.2.2 PREVENÇÃO, ATENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS A cadeia epidemiológica ou cadeia de infecção é a melhor explicação para compreender o processo de adoecimento de um indivíduo acometido por doenças transmissíveis. O esquema exposto a seguir mostra a ligação contí- nua entre o agente, ou seja, o que causará a doença; o hospedeiro (reservató- rio) e o meio (BRASIL, 2010). 113 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA CADEIA EPIDEMIOLÓGICA 1 Agente causal específico 2 Reservatório 3 Porta de saída do agente 4 Modo de transmissão do agente 5 Porta de entrada no novo hospedeiro 6 Suscetibilidade do hospedeiro Cadeia epidemiológica Fonte: Brasil (2010, p. 24). #pratodosverem: imagem com a composição da cadeia epidemiológica, disposta em seis fases – 1) agente causal específico; 2) reservatório; 3) porta de saída do agente; 4) modo de transmissão do agente; 5) porta de entrada no novo hospedeiro; 6) suscetibilidade do hospedeiro. Para evitar a ocorrência da cadeia de transmissão, é preciso que o enfermeiro/ médico compreenda o processo que este agente percorre até resultar na do- ença, bem como os aspectos epidemiológicos de cada doença (COSTA; HIGA, 2019). Nessa perspectiva, para estruturar ações que visem eliminar ou dimi- nuir sua ocorrência de forma individual e coletiva, reduzindo a morbimortali- dade dessas doenças, é necessário conhecer os mecanismos de transmissão dos agentes, o que apresentamos a seguir com alguns exemplos: 114 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DOENÇAS, AGENTES ETIOLÓGICOS E MODO DE TRANSMISSÃO DOENÇA AGENTE ETIOLÓGICO MODO DE TRANSMISSÃO HIV/Aids HIV-1 e HIV-2, retrovírus da família Lentiviridae. Via sexual (esperma e secreção vaginal); sangue (via parenteral e vertical); e leite materno. Dengue Vírus da dengue (RNA). Arbovírus do gênero Flavivirus, pertencente à família Flaviviridae. Pela picada da fêmea do mosquito Aedes. aegypti, no ciclo homem → Aedes. aegypti → homem. Doença de Chagas Trypanosoma cruzi, protozoário flagelado da família Trypanosomatidae Transmissão vetorial, oral, transfusional, por transplante de órgãos, vertical e acidental. Doença meningocócica Neisseria meningitidis (meningococo), bactéria em forma de diplococos gram-negativos. Transmissão por gotículas das secreções da nasofaringe. Ocorre pelo contato íntimo pessoa-pessoa. Escabiose Sarcoptes scabiei. Contato direto com doentes (compartilhamento de dormitórios, relações sexuais etc.) e por meio de fômites contaminados (roupas de cama, toalhas, vestimentas). Fonte: adaptado de Brasil (2010). Para melhor compreensão, acompanhe alguns conceitos: Agentes Microrganismos que causam a infecção - podem ser bactérias, vírus, protozoários, helmintos, fungos ou príons. ReservatórioLocal onde vive e multiplica-se o agente infeccioso. 115 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Hospedeiro É a pessoa que recebe o agente infeccioso e, que se estiver suscetível, desenvolverá a doença. Portador É uma pessoa ou animal que carrega um agente infeccioso específico de uma doença, porém, não apresenta sintomas clínicos da doença. Fonte de infecção É a pessoa, o animal, o objeto ou a substância do qual o agente infeccioso é transmitido para o hospedeiro. Período de transmissibilidade ou período de contágio É o intervalo de tempo durante o qual o agente infeccioso pode ser transmitido. Transmissão por contato É a transferência do agente infeccioso para uma porta de entrada receptiva no hospedeiro. Pode ocorrer de forma direta ou indireta. Veículo É qualquer objeto ou material que sirva de meio para o agente infeccioso transportar-se até um hospedeiro suscetível. Vetor É um artrópode que pode ser um vetor mecânico, quando ele é um simples transportador do agente ou vetor biológico. 116 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Transmissão aérea Ocorre quando há disseminação por aerossóis, que são suspensões aéreas de partículas contendo parte ou todo o agente infeccioso até a porta de entrada de um hospedeiro suscetível. Porta de entrada no hospedeiro Está diretamente relacionada à via de transmissão do agente infeccioso, podendo ocorrer pelo trato respiratório, pele, mucosas, sistema gastrintestinal ou sangue. Período de incubação É o intervalo de tempo decorrido entre a exposição de uma pessoa ou animal ao agente e o aparecimento da primeira manifestação clínica da doença. (COSTA; HIGA, 2019, p. 46-47). Algumas ações voltadas para as medidas de promoção da saúde e educação em saúde vêm sendo estruturadas. Essas ações favorecem a adoção de hábitos, modos e atitudes de vida saudáveis e transmitir conhecimentos sobre o modo de evitar a infecção pelos agentes (bactéria, vírus, protozoários ou vermes) que provocam a doença. Ademais, buscam estimular as populações, famílias e indivíduos a buscarem, de maneira proativa, a atenção dos serviços de saúde onde estão disponíveis os instrumentos de prevenção (vacinas, fármacos etc.) específicos. A ideia é estimular as pessoas para que promovam, mantenham ou restaurem a saúde (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014, p. 404). A vacinação ou imunização é uma das estratégias eficazes para a prevenção de doenças infectocontagiosas. Por meio delas, ocorre a proteção imunológica de 117 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA forma passiva, ou seja, adquire-se anticorpos específicos de modo passivo. O Programa Nacional de Imunização (PNI) é o programa de saúde pública res- ponsável por distribuir, assim como garantir a aplicação de vacinas seguras e eficazes, aspirando à prevenção e proteção coletiva mediante campanha de imunização em massa; vacinação de rotina e vacinação de bloqueio (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). Se você quiser saber mais sobre o calendário de vacinação atualizado, clique aqui. Outra estratégia utilizada é o controle de vetores e reservatórios de agen- tes infecciosos para combater a cadeia de transmissão do agente. Dentre as ações estão o combate vetorial, que envolve ações de educação sanitária alia- das ao combate químico, físico e biológico, como as realizadas para o comba- te e controle ao Aedes aegypti; a quimioprofilaxia e o tratamento em massa (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). AEDES AEGYPTI Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, sobre a pele de uma pessoa. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-nacional-de-vacinacao/calendario-vacinal-2022/ms_influenza_cartaz_pni_64x46cm_21set_eleitoral-3.pdf/view. 118 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Outra ação para prevenção, atenção e controle de doenças transmissíveis é a esterilização da fonte de infecção, com ações de controle e prevenção de doenças infectocontagiosas como hanseníase, tuberculose nos indivíduos e seus contatos/comunicantes (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). O uso de preservativos masculinos/femininos funcionam como barreiras para o combate à disseminação de doenças sexualmente transmissíveis como o HPV, HIV, gonorreia, entre outras (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). Na sequência, abordaremos a prevenção, atenção e controle de doenças crô- nicas não transmissíveis. 4.2.3 PREVENÇÃO, ATENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS Antes de iniciarmos a discussão sobre a prevenção, atenção e controle de do- enças crônicas não transmissíveis, é essencial que seja compreendido o signi- ficado das doenças e agravos não transmissíveis (DANT). Considerados como um problema de saúde pública por atingir pessoas em idade laboral, as DANT podem levar o indivíduo a sérias complicações e inca- pacidades, ocasionando “perda da qualidade de vida, redução da autonomia e forte impacto na economia global” (GALLEGUILLOS, 2014, p. 122). Dentre as doenças e agravos, podem ser citados: hipertensão arterial, diabe- tes mellitus, cardiopatias, pneumopatias, doenças mentais, doenças cerebro- vasculares e agravos ocasionados por causas externas, como a violência de qualquer tipo e os acidentes (BRASIL, 2021). Devido a sua gravidade perante a saúde pública, os governantes criaram o plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil 2021-2030 (BRASIL, 2021). 119 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA As doenças e agravos não transmissíveis (DANT) são responsáveis por mais da metade do total de mortes no Brasil. Em 2019, 54,7% dos óbitos registrados [no país] foram causados por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e 11,5% por agravos. As DCNT, principalmente as doenças cardiovasculares, cânceres, diabetes e doenças respiratórias crônicas, são causadas por vários fatores ligados às condições de vida dos sujeitos. Estes são determinados pelo acesso a: bens e serviços públicos, garantia de direitos, informação, emprego e renda e possibilidades de fazer escolhas favoráveis à saúde. Os principais fatores de risco comportamentais para o adoecimento por DCNT são: tabagismo, consumo de álcool, alimentação não saudável e inatividade física. Estes podem ser modificados pela mudança de comportamento e por ações governamentais que regulamentem e reduzam, por exemplo, a comercialização, o consumo e a exposição de produtos danosos à saúde (BRASIL, 2021, p. 5). O plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil 2021-2030 tem por propósito o fortaleci- mento de políticas públicas, a fim de diminuir as desigualdades no âmbito da saúde (BRASIL, 2021). O plano abordou as seguintes doenças: DOENÇAS CRÔNICAS E AGRAVOS NÃO TRANSMISSÍVEIS Pneumopatias Diabetes mellitus Doenças cardiovasculares Câncer Fonte: adaptada de Brasil (2021). #pratodosverem: ilustração de quatro caixas nomeadas por doenças crônicas e agravos não transmissíveis: pneumopatias, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e câncer . 120 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Alguns fatores de risco contribuem para o surgimento das doenças crônicas não transmissíves no Brasil. A partir desses conceitos, algumas medidas de prevenção e promoção à saú- de podem citadas. Dentre elas estão: MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DAS DANT 1 Implantar núcleos de prevenção de violência e acidentes. 2 Identificar e mapear as situações de risco nas comunidades. 3 Instituir comissõesde prevenção de acidentes e violência nas escolas. 4 Realizar campanhas de comunicação social, a fim de sensibilizar sobre os malefícios do uso abusivo de álcool e de outras drogas. 5 Mudança na legislação que trata da comercialização e do consumo de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. Fonte: Galleguillos (2014, p. 134). Dessa forma, para que ocorra a prevenção das complicações que são ineren- tes às doenças crônicas não transmissíveis, é essencial que haja intervenção nos hábitos de vida e fatores de risco que contribuem para o surgimento das doenças citadas. 121 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA CONCLUSÃO Esta unidade possibilitou entender o funcionamento das áreas da vigilância em saúde, além de compreender o funcionamento da promoção da saúde e das medidas de prevenção e controle de doenças, sejam elas infectoconta- giosas ou crônicas. É de suma importância que os profissionais de saúde, em especial os enfer- meiros, compreendam seu papel enquanto educadores de saúde para ga- rantir ações de promoção e prevenção para os indivíduos e a coletividade, garantindo melhoria da qualidade de vida. UNIDADE 5 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 122 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA > Compreender as áreas de ação da vigilância em saúde. > Aprofundar conhecimentos sobre a vigilância sanitária. 123 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 5. VIGILÂNCIA EM SAÚDE E AS ÁREAS DE ATUAÇÃO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Olá! Vamos começar a Unidade 5 da disciplina de Saúde Coletiva. Nela, abor- daremos as áreas de ação da vigilância em saúde e aprofundaremos nossos conhecimentos acerca da vigilância sanitária: conceito, objetivos, leis, entre outros aspectos. Desejamos que você entenda a importância dos tópicos abordados. 5.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE Como já abordado na Unidade 4, a vigilância em saúde consiste em um pro- cesso contínuo e sistemático de atividades e realizações que contribuem com o planejamento e implementação de estratégias de políticas públicas que in- terfiram positivamente na prevenção e controle de agravos, doenças e riscos epidemiológicos, bem como proteção e promoção da saúde do indivíduo e de sua coletividade, sendo dividida em áreas distintas: vigilância epidemioló- gica, já abordada na unidade anterior; vigilância sanitária; vigilância ambien- tal e saúde do trabalhador (COSTA; HIGA, 2019). Conforme Costa e Higa (2019, p. 16): “A Vigilância em Saúde tem por objeti- vo garantir as condições sanitárias adequadas, fiscalizando as propriedades dos produtos que trazem benefícios ou potenciais danos para a saúde” e age sobre os eixos da prevenção de doenças transmissíveis; sobre a situação de saúde da população por meio de planejamentos e estratégias; a identificação de fatores de risco que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida da população; o controle de doenças crônicas não transmissíveis e as esferas de saúde ambiental e do trabalhador (COSTA; HIGA, 2019). Agora que relembramos os conceitos e suas especificidades, vamos aprofun- dar a temática, com os eixos de atuação da vigilância em saúde. 124 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.1.1 VIGILÂNCIA AMBIENTAL A principal missão da vigilância ambiental é investigar/avaliar questões do meio ambiente e identificar fatores de risco que possam interferir na saúde do homem, atuando nos agravos existentes no ambiente (BRASIL, 2002). Vigilância ambiental em saúde é um conjunto de ações que proporciona o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interfiram na saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde. Assim, cabe à vigilância ambiental averiguar os fatores ambientais que agem sobre a população e as relações sociais que estruturam estes fatores, pois elas são complexas, historicamente construídas e mediadas por fatores sociais, econômicos e culturais (BRASIL, 2002 apud COSTA; HIGA, 2019, p. 142). A seguir, estão destacados os objetivos da vigilância ambiental em saúde. VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE Produzir, integrar, processar e interpretar informações a serem disponibilizadas ao SUS, servindo como instrumentospara o planejamento e execução de ações relativa às atividades de promoção da saúde, prevenção e controle de doenças relacionadas ao meio ambiente. Estabelecer parâmetros, atribuições, procedimento e ações relacionadas à vigilâcia ambiental nos diversos níveis de competência. Identificar os riscos e divulgar as informações referentes aos fatores smbientais condicionantes e determinantes das doenças e de outros agravos à saúde Promover ações de proteção à saúde relacionadas ao controle e recuperação do meio ambiente Conhecer e estimular a interação entre, saúde e desivolvimento, a fim de fortalecer a participação popular na promoção da saúde e qualidade de vida Fonte: adaptado de Brasil (2002, p. 7-8). 125 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA A fim de alcançar todos os objetivos da vigilância ambiental em saúde, alguns instrumentos e métodos são utilizados: INSTRUMENTOS E MÉTODOS UTILIZADOS NA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE Epidemiologia ambiental Avaliação e o gerenciamento de riscos Indicadores de saúde e ambinte Sistemas de informação de vigilância ambiental em saúde Estudos e pesquisas Fonte: adaptada de Brasil (2002, p. 8-11). A epidemiologia ambiental adota a epidemiologia descritiva e a epidemiolo- gia analítica para entender a relação que há entre o meio ambiente e a saúde, a fim de avaliar “[...] os fatores de risco existentes; as características específi- cas do meio ambiente que podem vir a interferir nas condições de saúde da população; os efeitos adversos à saúde relacionados à exposição a fatores de risco ambientais (BRASIL, 2002, p. 9). Já a avaliação e o gerenciamento de riscos são essenciais para planejar no- vas ações de vigilância e/ou manter as já existentes (COSTA; HIGA, 2019). Assim como em outros contextos, os fatores de risco são aquelas condições que, quando presentes, aumentam a probabilidade de gerar efeitos adver- sos para a saúde. Assim, é necessária a criação de indicadores de saúde que permitam uma visão ampla da relação ambiente x saúde (BRASIL, 2022 apud COSTA; HIGA, 2019). Os sistemas de informação de vigilância ambiental em saúde viabilizam a construção de informações estatísticas que visam construir e avaliar os indi- cadores de saúde ambiental, utilizando o georreferenciamento para identifi- car locais de risco, permitindo a construção de mapas que auxiliam na toma- 126 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 da de decisão da situação de saúde, destacando, nesse sentido, os estudos e pesquisas (COSTA; HIGA, 2019). Nessa vertente, para que os objetivos da vigilância ambiental em saúde sejam cumpridos, alguns órgãos e instituições estão ativamente presentes, são eles: INSTITUIÇÕES E ÓRGÃOS ATIVOS NA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE Fundação Nacional de Saúde (Funasa) Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Secretaria de Políticas de Saúde, do Ministério da Saúde Outras instâncias e organizações do Ministério da Saúde Assessoria de Assuntos Internacionais (AISA), do Ministério da Saúde Fonte: adaptado de Costa e Higa (2019). Cada um desses órgãos e instituições desempenha um papel na vigilância ambiental em saúde, confira: Fundação Nacional deSaúde (Funasa) Responsável pela implementação e coordenação da vigilância ambiental em saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Responsável pela fiscalização de produtos e serviços de saúde, bem como a verificação dos ambientes de trabalho e de ambientes considerados de risco à saúde pública. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Responsável pelo desenvolvimento de diversos programas e projetos de ciência e tecnologia, além da promoção de recursos humanos em saúde ambiental. 127 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Assessoria de Assuntos Internacionais (AISA), do Ministé- rio da Saúde Responsável por coordenar e articular os trabalhos referentes ao cumprimento de acordos internacionais, na área de saúde ambiental. (COSTA; HIGA, 2019, p. 144-145). Considerando que os fatores de risco ambientais podem ser de ordem física, química, biológica ou antrópico, é preciso entender sua relação. Antrópico: relativo à ação do homem. A vigilância ambiental relativa aos fatores de riscos biológicos é dividida con- forme apontado na figura a seguir. VIGILÂNCIA AMBIENTAL DOS FATORES DE RISCOS BIOLÓGICOS Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Os vetores compreendem os microrganismos transmissores de doenças. A vi- gilância dos fatores de riscos biológicos tem como objetivo mapear as áreas de risco de determinadas regiões, a partir de características, presença, índice de infestação, incidência e prevalência das doenças, assim como eficácia dos mé- todos de controle, visando o controle ou a eliminação dos riscos (BRASIL, 2002). Os hospedeiros e reservatórios são considerados aqueles que “armazenam” o microrganismo causador da doença. Dentre eles: o homem, animais como morcegos, macacos, caramujos, mosquitos, roedores, cães e gatos, entre outros. Já a vigilância dos fatores de riscos relacionados aos hospedeiros e reservatórios tem como meta mapear as áreas de risco de determinadas regiões “[...] utilizan- 128 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 do a vigilância ambiental e as suas relações com a vigilância epidemiológica quanto à incidência e prevalência destas doenças e do impacto das ações de controle, visando o controle ou a eliminação dos riscos.” (BRASIL, 2002, p. 24). A vigilância de fatores de riscos biológicos relacionados a animais peçonhen- tos (como cobras, serpentes, escorpiões, aranhas...) mapeia as áreas de risco, visando avaliar a incidência dos acidentes causados por tais animais e quais as medidas utilizadas para controle desses acidentes (BRASIL, 2002). Já a vigilância de controle dos fatores de riscos não biológicos está dividida em cinco áreas, conforme exposto a seguir. VIGILÂNCIA E CONTROLE DOS FATORES DE RISCOS NÃO BIOLÓGICOS Desastres naturais e acidentes com produtos perigosos Qualidade do solo Qualidade do ar Qualidade da água para consumo humano Contaminantes ambientais Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Na próxima sessão, veremos sobre a vigilância de zoonoses. Vamos lá? 5.1.2 VIGILÂNCIA DE ZOONOSES Os primeiros centros para combate e controle às zoonoses foram criados em meados de 1970, a partir dos primeiros Centros de Controle de Zoonoses (CCZ), que visavam realizar ações que pudessem combater e controlar a rai- va (BRASIL, 2016). Depois, outras iniciativas foram criadas e vinculadas à CCZ, como “[...] entomologia, controle de roedores, de animais peçonhentos e de vetores” (BRASIL, 2016, p. 7). DENGUE Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um mosquito (vetor) sugando a pele de um indivíduo. 129 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Para que você possa compreender como se dá a vigilância de zoonoses, é es- sencial que entenda alguns conceitos (COSTA; HIGA, 2019, p. 159-160): Vetores São todos os seres vivos (pernilongos, pulgas, mosquitos, ratos, entre outros) capazes de transmitir um agente infectante. As doenças transmitidas por vetores são aquelas que precisam de um intermediário para passar de um animal a outro, ou seja, estas doenças não são transmitidas pelo contato direto, tal como ocorre nas gripes e maioria das viroses. Parasitas São os organismos que vivem em associação com outros, dos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente, prejudicando o organismo hospedeiro por meio de um processo conhecido por parasitismo. Eles podem ser endoparasitas ou ectoparasitas. Hospedeiro É um organismo que abriga um parasita em seu corpo. Este pode ou não causar doença ao hospedeiro, contudo, possui dependência metabólica dele, utilizando-se de recursos para a sua sobrevivência. O hospedeiro também constitui o habitat do parasita. Com o fortalecimento das ações, o Ministério da Saúde passou a apoiar e con- centrar recursos para fortalecer as estratégias dos municípios, visando a im- plantação de unidades de zoonose vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da criação de portarias e normas técnicas que contribuíssem para a saúde pública, como a Portaria MS/GM nº 1.138, de 23 de maio de 2014 e a Portaria MS/SAS nº 758, de 26 de agosto de 2014 (BRASIL, 2014a; 2014b). Agora que falamos brevemente sobre o contexto histórico da prevenção às zoonoses, vamos tratar da vigilância, prevenção e controle de zoonoses. 130 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A execução das ações, das atividades e das estratégias de vigilância, prevenção e controle de zoonoses de relevância para a saúde pública, além de raiva e leishmanioses, estende-se para outras doenças de transmissão vetorial. Assim, tais doenças subdividem-se em três grupos, sendo: zoonoses monitoradas por programas nacionais de vigilância e controle do Ministério da Saúde (MS), zoonoses de relevância regional ou local e zoonoses emergentes ou reemergentes. (BRASIL, 2016, p. 8). Dentre as zoonoses, temos: leptospirose; febre maculosa brasileira; hantaviro- se; doença de Chagas; febre amarela; doenças transmitidas por vetores como a dengue e a malária; toxoplasmose; esporotricose; ancilostomíase; criptoco- cose, entre outras (BRASIL, 2016). CICLO DE TRANSMISSÃO DA MALÁRIA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra um mosquito (vetor) infectado que pica o primeiro indivíduo, infectando-o, assim como as células de seu fígado e células vermelhas do sangue, depois infectando outro mosquito, que contamina outra pessoa. 131 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Dessa forma, conceitua-se vigilância como a área responsável por obter infor- mações de caráter epidemiológico, que visa elaborar estratégias e executá- -las, voltadas para a prevenção e controle para minimizar ou eliminar a trans- missão das zoonoses para o homem (BRASIL, 2016; COSTA; HIGA, 2019). Para atingir tais metas, é preciso considerar o impacto causado pela zoonose no contexto da saúde pública, levando em consideração o contexto epide- miológico, como características inerentes à disseminação, gravidade, poder de transmissão, população e área afetada em determinado espaço de tempo (BRASIL, 2016). Todas as atividades, estratégias e ações realizadas precisam ser sistematica- mente organizadas, conforme explanado a seguir: ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES Vigilância ativa PrevençãoVigilância passiva Monitoramento e avaliaçãoControle Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Na vigilância ativa, as ações para as zoonoses voltadas para a prevenção e con- trole do MS são executadas de forma contínua e permanente, fortalecendo os programas de controles já existentes. Já as ações para as zoonoses de relevân- cia regional ou local, zoonoses emergentes e reemergentes são desenvolvidas e executadas de modo a identificar precocementeo risco de uma zoonose atin- gir uma determinada área, para que, dessa forma, ações de controle possam ser realizadas antes de sua introdução ou reintrodução (COSTA; HIGA, 2019). A vigilância passiva opera a partir de “canais de comunicação com a popula- ção para informações sobre animais de interesse para a saúde pública [...]”, de modo que a área de vigilância de zoonoses seja notificada se houver um ani- mal suspeito, e pela integração/ articulação de instituições e serviços públicos e privados que atuam com animais ou amostras de animais (COSTA; HIGA, 2019, p. 163). 132 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A prevenção é subdividida em três tipos: educação em saúde, manejo am- biental e vacinação animal, enquanto o controle é feito quando alguma situ- ação de risco já está estabelecida, a partir de implementações de ações que possam realizar o controle das zoonoses, que é subdividida em: controle do risco iminente de transmissão de zoonose, controle da zoonose incidente e controle da zoonose prevalente (COSTA; HIGA, 2019). Para que você saiba mais sobre as medidas de prevenção de zoonoses, clique aqui. Na sequência, você entenderá como se dá a saúde do trabalhador. 5.1.3 SAÚDE DO TRABALHADOR A relação entre o trabalho e o processo de saúde-doença está descrita desde os primórdios da história humana, expressa em passagens bíblicas, sob pintu- ras, literatura, entre outros registros (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). A Constituição Federal de 1988, em seu Art. 200, inciso II, prevê ações de saúde do trabalhador como competência do SUS, estabelecendo atuação contínua para identificar fatores de risco que possam desencadear agravos à saúde do trabalhador, sejam eles de ordem física, química, biológica ou mecânica (COSTA; HIGA, 2019). Assim, a “saúde do trabalhador é definida como o conjunto de ações de vigi- lância e assistência visando a promoção, a proteção, a recuperação e a reabili- tação da saúde dos trabalhadores submetidos a riscos e agravos oriundos dos processos de trabalho.” (COSTA; HIGA, 2019, p. 185). A partir dessas afirmações, é possível dizer que a saúde do trabalhador ultra- passa as ações do SUS, devendo ser contemplada por outras áreas de poder público em conjunto com a sociedade e os trabalhadores em si. Essas ações são reafirmadas pela lei nº 8.080/90, especificamente em seu o inciso V, do Art. 16, implementando-a em todos os níveis de atenção à saúde e garantindo atenção in- tegral à saúde para todos os trabalhadores, independentemente do tipo de víncu- lo empregatício, do tipo de inserção no mercado de trabalho, considerando todo https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_prevencao_controle_zoonoses.pdf 133 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA o período laboral, desde o início da carreira, incluindo períodos de inatividade, desemprego, aposentadoria e velhice (BRASIL, 1990; 2018; COSTA; HIGA, 2019). Os aspectos relativos à saúde do trabalhador devem considerar: ASPECTOS PERTINENTES RELACIONADOS À SAÚDE DO TRABALHADOR O processo de saúde-doença dos trabalhadores é construído socialmente. O trabalhador é sujeito da saúde e possui saberes e conhecimentos sobre seu trabalho e sobre as repercussões deste sobre a sua saúde, que deve ser considerados no planejamento e na execução de ações em saúde. É essencial a participação dos trabalhadores, da comunidade e do controle social em todas as instâncias e etapas da organização das ações e serviços de saúde. A integralidade das ações de saúde pressupõe que as ações preventivas e curativas são indissociável, porém, com primazia das ações de promoção e da vigilância em saúde. A articulação intra e intersetorial das políticas e práticas da saúde na perspectiva da transversalidade é fundamental para garantir cuidado resolutivo e de qualidade. Fonte: Brasil (2018, p. 19). As ações de saúde do trabalhador compreendem três eixos organizadores: EIXOS DA SAÚDE DO TRABALHADOR Promoção em saúde Assistência à saúde Visat Fonte: Brasil (2018, p. 20). Para melhor compreensão desses termos, confira a explicação a seguir: 134 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Promoção em saúde Busca o fortalecimento da classe dos trabalhadores, em busca de condições dignas de trabalho, visando reconhecer o trabalho como atividade que provê saúde. Assistência à saúde Identifica o trabalhador e estabelece a relação entre a atividade laboral e o processo de saúde-doença, para que possa ser realizado o correto diagnóstico e sugerido o melhor tratamento, reabilitação e orientações para cada caso. Visat É um dos componentes da vigilância em saúde e abrange a vigilância epidemiológica dos agravos (acidentes, intoxicações, entre outros) e doenças relacionadas ao trabalho e a vigilância dos ambientes. Inclui a educação em saúde e a produção, a divulgação e a difusão de informações em saúde. (BRASIL, 2018, p. 19-20). Considerando que a nocividade do trabalho pode estender-se para além do próprio trabalho, ou seja, afetar o ambiente familiar, convívio social, comuni- dade em que se está inserido, o quadro a seguir mostra a relação dos fatores de risco para o adoecimento do trabalhador e suas possíveis consequências sobre a saúde, conforme a Classificação de Schilling (SCHILLING, 1984 apud BRASIL, 2018). 135 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA FATORES DE RISCO PARA O ADOECIMENTO DO TRABALHADOR GRUPO EXEMPLOS 1 Trabalho como causa necessária Intoxicação por chumbo Silicose Acidentes de trabalho típicos 2 Trabalho como fator contributivo, mas não necessário Doenças osteomusculares Varizes de membros inferiores Câncer 3 Trabalho como provocador de um distúrbio latente ou agravador de uma doença já estabelecida Asma Dermatite de contato Doenças mentais Fonte: adaptado de Schilling (1984 apud PAIM; ALMEIDA-FILHO (2014). Esta classificação está disposta no Anexo LXXX da Portaria de Consolidação n.º 5, de 28 de setembro de 2017 (BRASIL, 2017a). Para conferir mais sobre essa portaria e seu conteúdo, clique aqui. A lei orgânica da saúde também participa das ações de saúde do trabalhador. Dentre algumas de suas determinações estão (BRASIL, 2018, p. 28-29): http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Legislacoes/Portaria_Consolidacao_5_28_SETEMBRO_2017.pdf 136 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A assistência ao sujeito vítima de acidente de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; participação na normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do(a) trabalhador(a); avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; informação ao(à) trabalhador(a), à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidente de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho; garantia ao sindicato de trabalhadores(as) de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, do setor, do serviço ou de todo o ambiente de trabalho, quando houverexposição a risco iminente para a vida ou saúde do(a) trabalhador(a). Todas essas ações estão inseridas no anexo XV da Portaria de Consolidação n.º 2, de 28 de setembro de 2017, que dispõe sobre a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT) (COSTA; HIGA, 2019). 137 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Por intermédio da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT) são definidos os princípios, as diretrizes e as estratégias nas três esferas de gestão do SUS: federal, estadual e municipal. O objetivo desta política é o desenvolvimento de ações de atenção integral à saúde do trabalhador, com ênfase na vigilância, visando a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores, além da redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos (COSTA; HIGA, 2019, p. 187). Sugerimos que você leia o conteúdo da Portaria de Consolidação n.º 2, de 28 de setembro de 2017 (BRASIL, 2017b). Para acessar esse conteúdo e aprender um pouco mais sobre a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), acesse aqui. A partir daqui, mergulharemos no contexto da vigilância sanitária. Confira! 5.2 VIGILÂNCIA SANITÁRIA Antes de iniciar o debate histórico sobre a história da vigilância sanitária, é es- sencial que compreender seu conceito. A vigilância sanitária integra a saúde coletiva e pode ser considerada como parte inerente aos serviços de saúde. Segundo a lei nº 8.080/90, em seu capítulo I, Art. 6º, § 1º, a vigilância sanitária é um “conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da pro- dução e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde” (BRASIL, 1990; PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). A vigilância sanitária “integra o SUS e obedece seus princípios de universali- zação, integralidade das ações, participação da comunidade e dos princípios organizativos da descentralização, hierarquização com comando único em cada nível de governo”, englobando ações de (COSTA; HIGA, 2019, p. 112): https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-05/10_portaria_de_consolidacao_n_2_2017_contratualizacao_cosems.pdf 138 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AÇÕES DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA O controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo. O controle de prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com saúde. Fonte: adaptado de Costa e Higa (2019). No que se refere à área de atuação da vigilância sanitária, esta pode ser orga- nizada em três grupos (COSTA; HIGA, 2019): ÁREAS DE ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA Produto, alimentos, medicamenotos, cosméticos, saneantes e outros de interesse à saúde. Ambiente, incluindo o do trabalho. Serviços de saúde e de interesses à saúde. Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Assim, pode-se afirmar que as ações da vigilância sanitária são de caráter preventivo, que surgiram a partir da necessidade dos agrupamentos urba- nos para promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde devido às doenças transmissíveis do indivíduo e seu coletivo (COSTA; HIGA, 2019). 5.2.1 VIGILÂNCIA SANITÁRIA: CONTEXTO HISTÓRICO As ações da vigilância sanitária estão presentes em nosso país desde a chega- da da corte portuguesa, em 1808. Nessa ocasião, as estratégias eram voltadas para efetuar o controle sanitário dos produtos a serem comercializados e con- sumidos; averiguar estabelecimentos comerciais; combater as doenças trans- missíveis; fiscalizar os profissionais da área da saúde e avaliar o saneamento local (COSTA; HIGA, 2019). 139 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA A partir de então, as ações, normas e leis foram sendo aprimoradas e, em 1914, ocorreu a “regulamentação da diretoria geral de saúde pública, com o foco em ações de vigilância e polícia sanitária nos portos, domicílios e lugares públicos”, tendo sido a motivação inicial para a criação e aprimoramento de novas instituições (COSTA; HIGA, 2019, p. 110). Nesse contexto, a vigilância sanitária acompanhou a evolução da saúde pública e das ações que visavam o combate às doenças sobre seus determinantes e as transformações econômico-sociais (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014). Em meados de 1970, a vigilância sanitária obteve destaque no setor da saúde, devido à criação da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária. Em consonân- cia, na mesma época, houve a alteração da nomenclatura de fiscalização para vigilância e, consequentemente, as funções do campo de ação foram modi- ficadas, pois anteriormente eram voltadas apenas para controle e punição (COSTA; HIGA, 2019). Em 1999, foi criada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), outro importante marco histórico. A partir de então, a vigilância sanitária passou a “administrar as atividades concebidas para o Estado com o papel de protetor dos direitos do consumidor e como provedor das condições de saúde da po- pulação” (COSTA; HIGA, 2019, p. 111). Confira, a seguir, alguns marcos históricos da vigilância sanitária: 140 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MARCOS HISTÓRICOS DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA ANO MARCO HISTÓRICO 1897 Criação da diretoria-geral de saúde pública. 1920 Criação do departamento nacional de saúde pública. 1923 Regulamentação do sanitário federal - Decreto nº 16.300. 1930 Criação do Ministério da Educação e Saúde Pública. 1942 Criação do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP). 1953 Criação do Ministério da Saúde. 1961 Código Nacional de Saúde - separou a vigilância sanitária e a epidemiológica. 1976 Lei da Vigilância Sanitária - Lei nº 6.360. 1977 Lei nº 6.437 - dispôs sobre infrações à legislação sanitária federal. 1988 Constituição estabelecendo o SUS. 1990 Lei nº 8.080/90 do SUS. 1999 Criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Lei nº 9.782/99. 2000 Instituição da sigla Anvisa pela MP 2.134-29. Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Segundo a lei nº 9.782/99 (BRASIL, 1999), que definiu o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e criou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a atuação do SNVS foi dividida em três níveis de competência: NÍVEIS DE COMPETÊNCIA DO SISTEMA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). Diante de tantas datas importantes, que tal você se aprofundar em algumas? 141 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Sugerimos que você leia a lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, que discute sobre as normas da Vigilância Sanitária, acessando aqui e a lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, que define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, clicando aqui. Agora, acompanhe a respeito da vigilância sanitária e o mercado. 5.2.2 VIGILÂNCIA SANITÁRIA: ESTADO, MERCADO E O MERCADO DE BENS DE CONSUMO As práticas de vigilância sanitária tornam-se cada vez mais indispensáveis na atualidade, em decorrência do processo crescente de bens de consumo, tec- nologia médica e de saúde que expõem a saúde do ambiente, da coletivida- de e do indivíduo de forma negativa. Há uma infinidade de riscos à saúde relacionados à produção e consumo, sendo assim, a vigilância sanitária deve adotar estratégias abrangentes e criativas, que proporcionem uma prática dinâmica e estratégica, capaz de se articular com o uso de instrumentos, tendo participação e controle social, a fim de zelar pela saúde da coletividade. Neste contexto,a necessidade de regulação das relações de produção e consumo se faz indispensável, visto que o consumidor ocupa uma posição de vulnerabilidade no cenário e, por isso, foram criados instrumentos para proteger a saúde de toda a coletividade (COSTA; HIGA, 2019, p. 118). A fim de cumprir os objetivos da vigilância sanitária, é necessário que as ações estejam alinhadas com o Estado, que intervém por meio de normas jurídicas e técnicas para servirem de guia para os gestores e profissionais de saúde envolvidos nessas práticas - e com o Poder Judiciário, que fiscaliza o cum- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6360.htm#:~:text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20Vigil%C3%A2ncia%20Sanit%C3%A1ria,Produtos%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20Provid%C3%AAncias. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9782.htm 142 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 primento das normas e técnicas pré-estabelecidas, visando sua efetivação e assegurando os princípios de saúde pública sem se perder da evolução tec- nológico-científica (COSTA; HIGA, 2019). Diante desse contexto, fica o questionamento: em termos práticos, qual a relação da vigilância sanitária como órgão que fiscaliza e avalia o consumo de produtos e serviços? Segundo Costa e Higa (2019), a regulação sanitária sobre o mercado e consu- mo de bens e serviços tem grande importância para a saúde pública, devido à responsabilidade de promover melhorias na qualidade de vida de indivíduos, coletividade e meio ambiente. Em vista disso, a relação da vigilância sanitária como órgão que fiscaliza e avalia o consumo de produtos e serviços é complexa e exige infraestrutura adequada, recursos políticos e profissionais qualificados, assim como atuali- zados, de diversas áreas de atuação nos três níveis de gestão (federal, estadual e municipal), que possam examinar, conter e inspecionar situações de risco, estratégias mercadológicas, além da qualidade de produtos que possam vir a desencadear agravos à saúde (COSTA; HIGA, 2019). 5.2.3 VIGILÂNCIA SANITÁRIA: INSTRUMENTOS DE AÇÃO Em virtude do papel da vigilância sanitária no controle e prevenção de riscos que possam afetar a qualidade de vida e a saúde da população, cada nível de gestão tem responsabilidades específicas no que diz respeito aos instrumen- tos de ação. De forma geral, conforme Costa e Higa (2019), a vigilância sanitá- ria atua nos principais pontos descritos a seguir: • controle de alimentos, bebidas, águas envasadas, embalagens, aditivos alimentares, limites de contaminantes orgânicos, resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários; • controle de produção de medicamentos de uso humano, suas substâncias ativas e demais insumos, processos e tecnologias; 143 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA • garantia da seguridade de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes; • controle e segurança na produção de saneantes destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação em ambientes domiciliares, hospitalares e coletivos; • regulamentação de conjuntos, reagentes e insumos destinados a processos de diagnóstico; • controle de equipamentos e materiais médico-hospitalares, odontológicos, hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial ou por imagem; • segurança em todos os processos que envolvem imunobiológicos e suas substâncias ativas, sangue e hemoderivados; • regulamentação e segurança de procedimentos que evolvem órgãos, tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições; • regulamentação para o uso de radioisótopos para uso diagnóstico in vivo, radiofármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico ou terapia; • regulamentação de cigarros, cigarrilhas, charutos e qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco; • regulamentação e segurança de quaisquer produtos que envolvam a possibilidade de risco à saúde, obtidos por engenharia genética, por outro procedimento ou, ainda, submetidos a fontes de radiação; • regulamentação de serviços voltados para a atenção ambulatorial, seja de rotina ou de emergência, os realizados em regime de internação, os de apoio diagnóstico e terapêutico, bem como aqueles que impliquem incorporação de novas tecnologias; • regulamentação de serviços de interesse da saúde, como creches, asilos para idosos, presídios, cemitérios, salões de beleza, cantinas e refeitórios escolares, academia de ginástica, clubes etc.; • regulamentação de instalações físicas, equipamentos, tecnologias, ambientes e procedimentos envolvidos em todas as fases dos processos de produção dos bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária, incluindo a destinação dos respectivos resíduos. Todas as ações citadas são de responsabilidade das três esferas do governo, de acordo com a competência de cada uma. A seguir, estão destacados alguns exemplos das responsabilidades em âmbito nacional, estadual e municipal: 144 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 RESPONSABILIDADE DAS TRÊS ESFERAS DO GOVERNO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA AÇÕES RESPONSABILIDADE OBJETO OBJETIVO Atendimento a denúncias Anvisa, Estados, DF e Municípios Reclamações de cidadãos envolvendo os produtos, serviços, ambientes, condições de trabalho etc. Identificar os problemas nos serviços ou os desvios de qualidade, adulterações e outros problemas relacionados aos produtos, com adoção de medidas de correção e controle. Normatização Anvisa, Estados, DF e Municípios Estabelecimentos de saúde e de interesse da saúde e o processo de trabalho. Estabelecer regras de padronização de atividades e de objetos específicos, com o objetivo de prevenir, minimizar e eliminar riscos à saúde da população e dos trabalhadores, como também ao meio ambiente. Monitoramento de mercado Anvisa Preços dos produtos no mercado. Acompanhar os preços dos produtos no mercado. Investigação de surtos e agravos Anvisa, Estados, DF e Municípios Surtos ou agravos à saúde relacionados ao consumo de alimentos, medicamentos, utilização de serviços e tecnologias de saúde relacionados aos ambientes e aos processos de trabalho. Identificar agente causador ou origem de eventos danosos, adotar medidas de controle e preventivas. Fonte: adaptado de CostaVZ e Higa (2019). Esperamos que você tenha aproveitado todos os ensinamentos até aqui e compreendido a importância de cada um dos temas abordados. 145 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA CONCLUSÃO Esta unidade visou apresentar as áreas de ação da vigilância em saúde: vi- gilância ambiental, vigilância de zoonoses e saúde do trabalhador, de modo a aprimorar os conhecimentos teórico, técnico e prático acerca do papel de cada uma dessas áreas. Também estudamos a atuação da vigilância sanitária e como, em sua rotina, pode promover a saúde das pessoas por meio de um conjunto de ações des- tinadas a garantir a integralidade da atenção em saúde. UNIDADE 6 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 146 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA > Entender sobre os principais problemas dos sistemas de informação em saúde. > Estudar os conceitos e o funcionamento do SIS no SUS. > Compreender os principais SIS e suas aplicabilidades. 147 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 6. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NO BRASIL INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade da disciplina Saúde Coletiva, abordaremos os sistemas de infor- mação no Brasil como censo, SINAN, SINASC, SIM, SIAB, SI-PNI. Desejamos que você tenha uma boa leitura e que entenda a importância dos tópicos abordados.6.1 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS) A informação é a forma mais fidedigna para a construção de conhecimento. No âmbito da saúde, os sistemas de informação em saúde, alimentados pelos profissionais do setor, representam estratégias que visam coletar dados/infor- mações, a fim de permitir a avaliação de saúde de uma determinada região (COSTA; HIGA, 2019). A seguir, você irá estudar os sistemas de informação em saúde, conceitos, ob- jetivos e classificações, de modo que será capaz de identificar a importância da coleta de dados para a melhoria da situação de saúde. Bons estudos! 6.1.1 CONCEITO DE SIS Antes de iniciar a contextualização sobre o sistema de informação em saúde, é importante que você possa diferenciar alguns termos que serão abordados no decorrer desta unidade. Confira a seguir (COSTA; HIGA, 2019, p. 170-171): Dado Consiste no número bruto obtido a partir da coleta de informações que ainda não sofreu tratamento estatístico. 148 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Informação É a percepção obtida a partir dos dados, o dado trabalhado ou o resultado da análise e combinação de vários dados, em outras palavras, as informações são o resultado dos dados coletados, registrados e analisados. Sistema Conjunto integrado de partes que se articulam para uma finalidade comum. Sistema de informação Conjunto de unidades de produção, análise e divulgação de dados que atua de modo integrado e articulado, com o propósito de atender as demandas para o qual foi criado. Confira na imagem a seguir a representação do conceito de informação: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO CONCEITO DE INFORMAÇÃO Registro Dados Análise Informações Coleta Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: imagem com a representação gráfica do conceito de informação, que é resultado de coleta, registro e análise que formam os dados, os quais geram as informações. Agora, podemos prosseguir com nossa discussão acerca do SIS. O SIS contempla, segundo Costa e Higa (2019, p. 171): 149 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Instrumentos padronizados de monitoramento e coleta de dados, cujo objetivo é o fornecimento de informações para análise e melhor compreensão de importantes problemas de saúde da população, isso, por sua vez, subsidia, instrumentaliza e apoia as decisões do Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as esferas, nos processos de planejamento, regulação, controle, avaliação e auditoria. Nesse contexto, os SIS desempenham uma série de objetivos que serão estu- dados no quadro a seguir: OBJETIVOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE OBJETIVOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE 1 Organizar a produção de informações compatíveis com as necessidades dos diferentes níveis, garantindo uma avaliação permanente das ações executadas e do impacto destas sobre a situação de saúde. 2 Assessorar o desenvolvimento de sistemas voltados para as especificidades das diferentes unidades operacionais do sistema de saúde. 3 Contribuir para o desenvolvimento dos profissionais de saúde, para a construção de uma consciência sanitária coletiva, como base para ampliar o exercício do controle social e da cidadania. Também para resgatar uma relação mais humana entre a instituição e o cidadão. Fonte: adaptado de Ferreira (1999). Diante desses fatos, o profissional de saúde deve compreender a representa- ção da coleta, registro, processamento, análise, apresentação, difusão de da- dos e geração de informações que irão subsidiar as propostas de melhorias para a situação de saúde (SANTOS; MIRANDA, 2007). Assim, o SIS é uma ferramenta de extrema importância para a gestão de ser- viços, já que serve de base para implantar, avaliar e acompanhar as ações, estratégias e programas de atenção à saúde, prevenção e controle de doen- ças, além de permitir a tomada de decisões de alta relevância social e compa- rar realidades em diferentes circunstâncias, tendências histórias e população (PAIM; ALMEIDA-FILHO, 2014; COSTA; HIGA, 2019). 150 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A partir da regulamentação do registro civil e da atribuição da geração de estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Lei Federal nº 6.015/73, houve grande mudança no que se refere aos dados estatísticos no Brasil. Para ler a lei na íntegra, clique aqui. Diante disso, alguns indicadores socioeconômicos, demográficos e de saúde mostram-se essenciais para conhecer as peculiaridades de determinada po- pulação. Estas informações devem ser de fácil acesso aos gestores das três es- feras do governo: municipal, estadual e federal (PAIM; ALMEIDA-FILHO , 2014). Confira as principais categorias de informação: PRINCIPAIS CATEGORIAS DE INFORMAÇÃO Demográfico/ econômico- social e cultural Classificação internacional de doenças MorbidadeEventos vitais Avaliação hospitalar AdministrativoQualidade Fonte: adaptada de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: esquema com as principais categorias de informação que subsidiam a tomada de decisão dos gestores: demográfico/econômico-social e cultural; eventos vitais; morbidade; classificação internacional de doenças; avaliação hospitalar; qualidade; administrativo. Acompanhe a definição de cada categoria (COSTA; HIGA, 2019, p. 174): Demográfico/econômico-social e cultural Diz respeito às características de determinada população e região, sendo exemplificada por sexo, idade, constituindo as pirâmides de população, estado civil, religião, nacionalidade, entre outras características sociais, econômicas e culturais. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015compilada.htm 151 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Eventos vitais Referem-se ao registro de nascidos vivos, nascidos mortos, óbitos etc. Fornecem dados importantes para a confecção de vários indicadores, como mortalidade, morbidade, vida média ou esperança de vida e cobertura das ações. Morbidade Permite o registro de doenças por sexo, idade, procedimentos médicos, raça, nacionalidade, procedência e outras variáveis de interesses clínico, epidemiológico, social, econômico e cultural. Assim, viabiliza importantes dados coletados, de forma periódica ou ocasional, para o controle das doenças, investigação de etiologia e patogenia, relação com fatores econômicos, sociais e culturais, assim como para a investigação da eficácia das medidas preventivas e terapêuticas. Classificação internacional de doenças agrupa as doenças ou eventos, segundo as características semelhantes apresentadas, criando a nomenclatura de doenças e sua classificação. Além da padronização e universalização do diagnóstico, fornece os códigos das enfermidades para fins clínicos, epidemiológicos e de processamento das informações. Avaliação hospitalar Porcentagem da ocupação, mortalidade, necropsia, infecção e outros agravos em ambiente hospitalar. Fornece dados sobre números de consultas produzidas por idade, sexo, tipos de procedimento e outras variáveis de interesse. Também permite a construção de indicadores de cobertura populacional e utilização dos serviços, concentração das atividades por paciente, produtividade e outros. 152 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Qualidade Refere-se, principalmente, aos sistemas de avaliação sanitária dos estabelecimentos prestadores de serviços de saúde ou produtores de alimentos, medicamentos e equipamentos, saneantes. Permite conhecer as condições técnicas de funcionamento desses estabelecimentos, as circunstâncias de risco e a qualidade de produtos, como alimentos e medicamentos. Administrativo Gestão financeira/orçamentária, folha de pagamentoe recursos humanos, gestão de estoques de materiais de consumo, equipamentos e outros bens patrimoniais, além do controle de processos/expediente administrativo. Dentre os sistemas nacionais de informação em saúde, alguns ganham des- taque devido a sua importância para vigilância epidemiológica, são eles: PRINCIPAIS SISTEMAS NACIONAIS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) Fonte: adaptado de Costa e Higa (2019). #pratodosverem: esquema com os principais sistemas nacionais de informação em saúde para a vigilância epidemiológica: Sinan, Sinasc, SIM, SIH/SUS, SIA/SUS. Acompanhe, a seguir, questões relevantes acerca dos dados coletados. 153 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 6.1.2 ALGUNS PROBLEMAS IDENTIFICADOS NA UTILIZAÇÃO DOS DADOS DOS SIS Entre os principais problemas identificados para produzir a informação em saúde estão: a falta de infraestrutura de informática, acesso à internet, capaci- tação profissional, educação permanente dos profissionais de saúde, recursos humanos insuficientes, desmotivação profissional, falta de padronização e de clareza na informação, entre outros. Tais aspectos prejudicam tanto a alimen- tação dos sistemas, como a utilização dos dados deles provenientes, o que impacta sua efetividade e destaca a relevância da atuação dos profissionais de saúde na inserção das informações para o futuro tratamentos destas, com vistas a prover os gestores com uma base real de dados, de modo que então possam ser adotadas ações que efetivamente promovam melhorias na saúde (BRANCO, 1996). 6.1.3 CENSO Devido ao aumento da população brasileira a partir dos anos 1930, foram ne- cessárias algumas alterações que abrangessem o universo dos domicílios em busca de dados mais amplos e detalhados. Assim, o Censo de 1970 é visto como um importante divisor histórico no Brasil por possibilitar a captação de dados organizados, confiáveis e consolidados, que permitiram pesquisar e aprofundar o conhecimento de forma regional e nacional sobre a renda dos brasileiros, situação empregatícia, educação, desigualdades sociais, entre ou- tros (OLIVEIRA; SIMÕES 2005). Nesse contexto, os censos populacionais atuam na investigação da situação de vida da população, de acordo com o “espaço geográfico e divisão administra- tiva de cada município, como distritos, bairros e localidades, rurais ou urbanas. O diagnóstico de cada realidade depende da atualização dos dados, portanto, dos resultados do censo”. A partir das informações obtidas por meio dos cen- sos é possível a definição de políticas públicas e tomadas de decisões basea- das no contexto epidemiológico encontrado (GALLEGUILLOS, 2014, p. 17). A fim de obter dados e informações confiáveis, atingindo transparência e quali- dade em todas as etapas de execução do Censo, é preciso seguir alguns passos: 154 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ESTRATÉGIAS PARA A EXECUÇÃO DO CENSO Adotar tecnologias modernas Realizar escaneamento e leitura ótica dos questionário Utilizar mapeamento digital de municípios com mais de 25 mil habitantes Realizar controle gerencial e operacional de modo online Permitir aos usuários e à sociedade acompanhar os dados e resultados censitários de cada etapa em curto prazo Fonte: adaptada de Galleguillos (2014). #pratodosverem: imagem com cinco quadros que representam as estratégias para execução do censo com qualidade: adotar tecnologias modernas; utilizar mapeamento digital de municípios com mais de 25 mil habitantes; realizar escaneamento e leitura ótica dos questionários; realizar controle gerencial e operacional de modo online; permitir aos usuários e à sociedade acompanhar os dados e resultados censitários de cada etapa em curto prazo. A distribuição censitária em conformidade com a idade e o sexo permite o planejamento de políticas públicas e oferta de serviços essenciais de acordo com as necessidades da população alvo. Em 2010, ano em que foi realizado o último censo populacional no Brasil, havia uma proporção aumentada de mulheres em relação aos homens, vivendo majoritariamente na zona urba- na e representando aproximadamente 84% do total da população (GALLE- GUILLOS, 2014). Esse quantitativo explica o maior número de intervenções de políticas públi- cas na zona urbana em relação à zona rural, visto a maior concentração po- pulacional nessa região. Destaca-se que o fato de haver menor investimento nas zonas rurais acarreta maiores índices de pobreza e acesso limitado aos serviços essenciais pela população que lá reside (GALLEGUILLOS, 2014). No que diz respeito aos estudos demográficos, houve aumento considerável da população brasileira, conhecida como explosão demográfica. Em meados de 1980, o país tinha como característica um alto número de natalidade e re- gressão do número de pessoas a partir dos 20 anos de idade e poucas pesso- as atingindo idades acima de 65 anos (GALLEGUILLOS, 2014). 155 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA BRASIL – PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA (1980) Fonte: adaptada de Galleguillos (2014, p. 24). #pratodosverem: imagem com uma pirâmide populacional de 1980 apresentando base populacional alargada, característica de alta natalidade, com afunilamento a partir dos 20 anos e poucas pessoas alcançando idades acima de 65 anos. Em 1990, a pirâmide etária apresentou alargamento da base populacional de indi- víduos acima dos 20 anos de idade, justificando a melhoria da qualidade de vida. Entretanto, ainda se notava baixo percentual de pessoas com mais de 65 anos. BRASIL – PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA (1990) Fonte: adaptada de Galleguillos (2014, p. 25). #pratodosverem: imagem com uma pirâmide populacional de 1990 e que apresenta discreto alargamento na faixa etária acima dos 20 anos, o que provavelmente caracteriza melhores condições de vida dessa população, mas ainda permanece com a configuração de pirâmide tradicional, o que revela que poucos chegam a atingir a idade idosa . 156 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Já em 2010, houve grande mudança em relação à taxa de natalidade e à esti- mativa de vida dos brasileiros. Verifique a imagem a seguir e compare-a com as demais expostas anteriormente: BRASIL – PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA (2010) Fonte: adaptada de Galleguillos (2014, p. 25). #pratodosverem: imagem com uma pirâmide populacional de 2010, que já apresenta uma diferença em sua configuração: diminui a faixa etária de 0 a 10 anos, evidenciando uma menor natalidade e há ampliação da faixa etária entre 20 e 30 anos, o que caracteriza melhoria na sobrevivência. Esses resultados apontam aumento de mais de 20 milhões de pessoas na po- pulação brasileira, correspondendo a 12,3% a mais quando comparada ao cen- so demográfico de 2000. Nota-se que este crescimento populacional é desi- gual nas regiões e unidades federativas, sendo acrescido nas regiões Norte e Centro-oeste - 20,74% e 22,98%, respectivamente, enquanto nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, a estimativa ficou entre 9 e 12% (ALLEBRANDT et al., 2019). Já as unidades federativas atingiram crescimentos superiores a 30% nos esta- dos do Amapá, Roraima e Acre; inferiores a 10% em estados como Piauí, Minas Gerais, Paraná e Bahia e, menores que 5% no Rio Grande do Sul. Esses dados evidenciam as dinâmicas demográficas reduzidas comparadas ao período de 2000-2010 (ALLEBRANDT et al., 2019). Galleguillos (2014) aponta uma projeção para 2030 em relação à distribuição censitária em conformidade com a idade e osexo. Presume-se que exista alargamento da população em todas as faixas etárias, evidenciando maior so- brevivência da população, além de aumento da estimativa de vida, principal- 157 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA mente do sexo feminino, justificando a teoria de que apesar do adoecimento das mulheres, elas aumentam a sobrevida em virtude da maior procura pelos serviços de saúde, prevenção de doenças e tratamentos preconizados e ade- quados quando comparadas aos homens. Confira, a seguir, a demonstração gráfica da explicação realizada. BRASIL – PIRÂMIDE ETÁRIA ABSOLUTA (2030) Fonte: adaptada de Galleguillos (2014, p. 25). #pratodosverem: imagem com uma pirâmide populacional de previsão de 2030, com baixa natalidade, ampliando a faixa etária entre 20 e 30 anos, o que caracteriza melhoria na sobrevivência, com mais idosos chegando a mais de 75 anos, evidenciando melhoria da qualidade de vida e assistência à saúde nos seus diversos níveis de assistência. Conforme Araújo-Freire et al. (2019), as projeções populacionais dos municí- pios brasileiros foram mensuradas até o ano de 2030. Evidenciou-se que ha- verá acentuado envelhecimento populacional em todo o Brasil, sendo que em alguns municípios, haverá taxas negativas para o crescimento de pessoas abaixo de 30 anos de idade. Entretanto, o número populacional de idoso au- mentará de forma grandiosa em praticamente todos os municípios brasilei- ros, de modo mais evidente ao Sul do país e menos ao Norte. Esse capítulo demonstrou a importância do censo populacional e permitiu mostrar a distribuição populacional segundo idade, sexo e local de residência ao longo dos anos. A seguir, você estudará os principais sistemas de informa- ções em saúde. 158 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6.2 PRINCIPAIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE Os sistemas de informação utilizados no Brasil permitem armazenar dados que, após organizados e analisados, geram informações capazes de contri- buir com o olhar da saúde no Brasil (GALLEGUILLOS, 2014). A seguir, veremos os principais sistemas de informação em saúde utilizados. 6.2.1 SCNES E SIA/SUS O Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES) foi criado em 2000, por meio da Portaria do Ministério da Saúde n.º 376, de 03 de outubro de 2000. Após aderir às sugestões fornecidas pelos gestores e popu- lação, foi estabelecida a Portaria SAS/MS n.º 511, de 29 de dezembro de 2000, que preconizou o cadastro das instituições em todo território nacional (BRA- SIL, 2000). Em 2015, com o propósito de aperfeiçoar o processo de cadastramento das ins- tituições de saúde e aprimorar a qualidade, foi criada a Portaria n.º 1.646/2015, que garantia os seguintes itens dispostos a seguir (BRASIL, 2015): • o cadastro e a manutenção fidedigna dos dados coletados são obrigatórios a todas as instituições de saúde, sendo realizado exclusivamente em meio eletrônico; • garante o CNES como sistema oficial de informações dos serviços de saúde nacionais; • prevê a obrigatoriedade de cada instituição de saúde manter seus dados atualizados; • responsabiliza os profissionais de saúde em exercício a manter seus dados pessoais inseridos no CNES de forma fidedigna e atualizada; • designa a cada esfera do governo - federal, estadual e municipal competências que se complementam, em prol da melhoria do sistema; • mantém as informações contidas no CNES públicas e de fácil acesso. Dessa forma, o CNES tem como propósito coletar informações acerca de to- das as instituições de saúde, independente de sua natureza jurídica, por meio do cadastro. Trata-se de um cadastro oficial do Ministério da Saúde para ava- liar a realidade da rede assistencial de saúde existente em ámbito nacional e suas potencialidades (BRASIL, 2015). 159 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA FINALIDADES QUE COMPETEM AO CNES Competências do CNES 1 Cadastrar e manter atualizadas as informações sobre todos os estabelecimentos de saúde como nome, tipo de estabelecimento, endereço, localização, gestor responsável, tipo de nivel de assistência, quantidade de leitos ativos, profissionais ativos, especialidades médicas, serviços de apoio, equipamentos médicos, entre outras informações. 2 Fornecer informações dos estabelecimentos de saúde cadastrados a outros sistemas. 3 Fornecer informações para a população sobre as características e os tipos de serviços ofertados pelas instituições de saúde. 4 Fornecer informações que auxiliem no planejamento de estratégias e ações por parte dos gestores. Fonte: adaptado de Brasil (2015). Agora, analisaremos outro sistema de informação de saúde, o SIA/SUS. O Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) foi estabelecido em 1991, com vis- tas a permitir o registro e avaliação de todos os procedimentos realizados na atenção primária de saúde pelos profissionais, tais como: consultas, exames, procedimentos de enfermagem, entre outros (GALLEGUILLOS, 2014). Para que esses procedimentos fossem registrados, foi criada uma tabela padro- nizada com códigos para cada ação executada. Em 1998, esse sistema “[…] pas- sou a incluir as ações e serviços de prevenção de riscos e agravos e de promoção da saúde desenvolvidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o que permite acompanhar e avaliar essas ações e serviços” (GALLEGUILLOS, 2014, p. 56). 6.2.2 SIH/SUS E SINAN O Sistema de Informação Hospitalar (SIH) foi criado em 1976. Inicialmente implantado para fins administrativos e financeiros, em 1983, foi instaurada a Autorização de Internação Hospitalar (AIH) para fazer o controle jurídico (GAL- LEGUILLOS, 2014). 160 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Desde os anos 1990, esse sistema contém as informações de todas as unidades hospitalares da rede pública própria e da rede privada contratada na época pelo Ministério da Saúde, e agora pelas secretarias de saúde estaduais. O sistema permite obter dados referentes à pessoa, ao tempo, ao lugar da internação e procedência do paciente, aos tipos de serviços e procedimentos utilizados, à duração da internação, aos valores pagos e à causa da internação – esta inclui o Código Internacional de Doenças (CID-10). Todas essas informações permitem saber os motivos mais frequentes que levam à internação e as ações mais realizadas. Ter essas informações contribui para o conhecimento da situação de saúde e seu acompanhamento e avaliação (GALLEGUILLOS, 2014, p. 55). Já o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) foi implantado em 1993 e de forma gradativa, a princípio, sendo utilizado de modo hetero- gêneo pelas unidades federadas e município, sem intervenção dos gestores de saúde. Com o passar do tempo, em 1998, estabeleceram-se ações para a implantação definitiva; alimentação obrigatória das bases de dados munici- pais, estadual e Distrito Federal em âmbito nacional, além de nomear a Fun- dação Nacional de Saúde (Funasa) como gestora nacional do SINAN que, em 2003, passa a ser responsabilidade da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) (BRASIL, 2006; 2019). A alimentação/registro desse sistema e a utilização conjunta com os demais sistemas de informação em saúde tornam-se ferramentas essenciais para a democratização da informação; formulação e avaliação das políticas, planos e programas de saúde, facilitando a criticidade para as tomadas de decisões com vistas a definir com prioridades intervenções que contribuem para a me- lhoria da situação de saúde da população (BRASIL, 2006). Quanto aos objetivos do SINAN, destacam-se: 161 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA OBJETIVOS DO SINAN SINAN Coletar dados Transmitir dadosDisseminar dados Apoiar o processo de investigação e dar subsídios para a análise das informações de vigilância epidemiológica das doenças de notificação compulsória. Fonte: adaptada de Brasil (2006). #pratodosverem: imagem com os objetivos do SINAN - coletar dados; transmitir dados; disseminar dados; apoiar o processo de investigação e dar subsídios para a análise das informações de vigilância epidemiológica das doenças de notificação compulsória. Cada esfera do governo desempenha uma atribuição em relação à gestão, estruturação e operacionalização do sistema, a fim de alcançar tais objetivos: 162 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONTRIBUIÇÃO DAS ESFERAS DO GOVERNO PARA O SINAN Esfera Competência União Compete à SVS/MS, como gestora nacional do Sinan: • Estabelecer diretrizes e normas técnicas para o Sinan; • Prestar apoio técnico às unidades federadas para utilização e operacionalização do Sinan; • Estabelecer fluxos e prazos para envio de dados em nível estadual; • Atualizar e fornecer as versões do Sinan e os modelos de instrumentos de coleta de dados para as unidades federadas; • Coordenar a seleção dos códigos correspondentes aos agravos de interesse estadual e municipal, segundo a Classificação Internacional de Doenças – CID 10; • Consolidar os dados provenientes das unidades federadas; • Informar às unidades federadas a ocorrência de casos de notificação compulsória, detectados em países que fazem fronteira com o Brasil, a ocorrência de surtos ou epidemias com risco de disseminação no país; • Avaliar regularidade, completitude, consistência e integridade dos dados e duplicidade de registros, efetuando os procedimentos definidos como de responsabilidade do nível nacional para a manutenção da qualidade da base de dados; • Realizar análises epidemiológicas e operacionais; • Retroalimentar as informações para os integrantes do sistema; • Divulgar informações e análises epidemiológicas. 163 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA Estados · Consolidar os dados do Sinan provenientes dos municípios; · Prestar apoio técnico aos municípios para utilização e operacionalização do Sinan; · Coordenar a seleção dos códigos correspondentes à tabela de estabelecimentos de saúde a ser utilizada pelo Sinan; · Definir fluxos e prazos para o envio de dados pelo nível municipal, respeitando os fluxos e prazos estabelecidos pela SVS/MS; · Distribuir as versões do Sinan e seus instrumentos de coleta de dados para os municípios; enviar os dados à SVS/MS regularmente, observados os prazos estabelecidos nesta portaria; · Informar as outras unidades federadas a ocorrência de casos de notificação compulsória, detectados na sua área de abrangência (residentes em outras unidades federadas), a ocorrência de surtos ou epidemias com risco de disseminação no país; · Informar à SVS/MS a ocorrência de surtos ou epidemias com risco de disseminação no país; · Avaliar a regularidade, completitude, consistência e integridade dos dados e duplicidade de registros, efetuando os procedimentos definidos como de responsabilidade da unidade federada para a manutenção da qualidade da base de dados; · Realizar análises epidemiológicas e operacionais; · Retroalimentar as informações para os integrantes do sistema; · Divulgar informações e análises epidemiológicas; · Normatizar aspectos técnicos em caráter complementar à atuação do nível federal para a sua área de abrangência. 164 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Município • · Prestar apoio técnico às unidades notificantes; · Coletar e consolidar os dados provenientes de unidades notificantes; · Estabelecer fluxos e prazos para o envio de dados pelas unidades notificantes; respeitando os fluxos e prazos estabelecidos pela SVS/MS; · Enviar os dados em nível estadual, observados os fluxos e prazos estabelecidos pelos estados e pela SVS/MS; · Distribuir as versões do Sinan e seus instrumentos de coleta de dados para as unidades notificantes; · Informar à unidade federada a ocorrência de casos de notificação compulsória, detectados na sua área de abrangência, residentes em outros municípios e a ocorrência de surtos ou epidemias com risco de disseminação no país; · Avaliar a regularidade, completitude, consistência e integridade dos dados e duplicidade de registros, efetuando os procedimentos definidos como de responsabilidade do município para a manutenção da qualidade da base de dados; · Realizar análises epidemiológicas e operacionais; · Retroalimentar os dados para os integrantes do sistema; · Divulgar informações e análises epidemiológicas; · Normatizar aspectos técnicos em caráter complementar à atuação do nível estadual para a sua área de abrangência. Distrito Federal • Compete ao Distrito Federal, no que couber, simultaneamente, as atribuições referentes a estados e municípios Fonte: adaptado de Brasil (2006). Quanto à notificação, é utilizado um instrumento de coleta de dados chama- do ficha de notificação, com modelo padronizado pela SVS/MS, em duas vias pré-numeradas, sendo que a primeira via deve ser enviada pela unidade de saúde notificadora ao local onde será realizada a digitação e a segunda via deve ser armazenada na unidade notificadora. A ficha de notificação será uti- lizada para os seguintes casos descritos a seguir (BRASIL, 2006): 165 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA CONDIÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DA FICHA DE NOTIFICAÇÃO Notificação negativa. Notificação individual de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de interesse nacional. Notificação de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de notificação de interesse estadual e municipal. Notificação individual de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de notificação compulsória. Notificação de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de notificação de interesse estadual e municipal. Notificação de surto. Fonte: adaptada de Brasil (2006). #pratodosverem: imagem com os usos da ficha de notificação - notificação negativa; notificação individual de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de notificação compulsória; notificação individual de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de interesse nacional; notificação de casos suspeitos e/ou confirmados de agravos de notificação de interesse estadual e municipal; notificação de surto. A seguir, veremos outros tipos de sistemas de informação. 6.2.3 SINASC O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) foi implantado ofi- cialmente a partir de 1990. Por meio deste sistema é possível coletar dados so- bre o quantitativo de nascimentos ocorridos em determinado período, além de garantir informações sobre o indicador de natalidade nos diversos níveis de saúde, assim como contribuir com a avaliação da situação de saúde da po- pulação de dada região, fortalecendo as ações de vigilância e saúde na área materno-infantil (BRASIL, 2021). Para o registro desses dados, utiliza-se, obrigatoriamente, em todo território nacional, a Declaração de Nascidos Vivos (DN), documento oficial preenchido em todo os casos de nascidos-vivos. Conforme orientações, deve ser preen- chida em três vias, respeitando a numeração impressa em cada bloco. Sua distribuição ao estado é de competência exclusiva do Ministério da Saúde, enquanto o repasse aos municípios é realizado pelas Secretarias Estaduais de 166 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Saúde. Por fim, às Secretarias Municipais de Saúde fica o encargo de distri- buição aos estabelecimentos de saúde de todos os municípios que realizam partos e aos Cartóriosdo Registro Civil (BRASIL, 2021). NASCIMENTO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um recém-nascido com fita de identificação no tornozelo esquerdo. Para minimizar erros ou falsas informações, é recomendado que a DN seja preenchida por um profissional de saúde, preferencialmente aquele que es- teve presente durante o parto e/ou nascimento, a fim de estabelecer dados fidedignos. Além disso, é importante conscientizar os profissionais de saúde, gestores municipais e estaduais quanto à importância dos dados contidos na DN, que serão digitados, processadas e consolidadas no SINASC local (BRA- SIL, 2021). Todas as informações registradas são enviadas à base de dados em nível es- tadual e, posteriormente, ao nível federal. Assim, é possível a formulação de indicadores epidemiológicos que sirvam de apoio para estratégias, ações, programas e planejamentos voltados para a gestão em saúde (BRASIL, 2021). 167 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 6.2.4 SIM Desenvolvido pelo Ministério da Saúde em 1975 e informatizado em 1979, o Sistema de Informações Sobre Mortalidade (SIM) tem como objetivo coletar dados quantitativos e qualitativos sobre a mortalidade brasileira, por meio de variáveis existentes em seu instrumento de coleta de dados, a declaração de óbito (DO), popularmente conhecida como atestado de óbito. Para uma adequada obtenção de dados, é preciso que o profissional médico que vir a preencher a DO execute-a com clareza e que esta contenha todas as informa- ções solicitadas (GALLEGUILLOS, 2014). O preenchimento da DO é responsabilidade médica, conforme previsto no Código de Ética Médica, Resolução nº 1.779/2005 do Conselho Federal de Medicina (BRASIL, 2005) e Portaria SVS nº 116/2009 (BRASIL, 2009). Informações sobre coleta de dados, periodicidade de envio das informações acerca dos óbitos e de nascidos vivos para os sistemas de informações geridos pela Secretaria de Vigilância à Saúde estão dispostas na Portaria SVS nº 116, de 11/02/2009 (BRASIL, 2009). Os dados do SIM são de extrema importância para a gestão em saúde, pois in- centiva os gestores a utilizarem tais dados para criar indicadores epidemioló- gicos para planejar ações, atividades e programas voltados à gestão em saú- de e reduzir a mortalidade por causas evitáveis ou preveníveis. Além disso, o SIM é considerado fonte de dados e de informações que subsidiam a tomada de decisão em diversas áreas da assistência à saúde (BRASIL, 2021). A título de conhecimento, a seguir você encontrará alguns dos indicadores específicos de mortalidade que podem ser construídos a partir do SIM. 168 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 INDICADORES ESPECÍFICOS DE MORTALIDADE Taxa de mortalidade infantil. Taxa de mortalidade perinatal. Taxa de mortalidade materna. Taxa de mortalidade por diabetes mellitus. Taxa de mortalidade por acidente de trabalho. Fonte: adaptada de Brasil (2021). Além desses, muitos outros indicadores podem ser formulados a partir dos dados e informações obtidas com o preenchimento da DO e consequente registro no SIM (BRASIL, 2021). Assim como os demais sistemas de informação, o Programa Nacional de Imunização (PNI) tem grande impacto na saúde pública. Foi criado em 1973, completando 50 anos de existência em 2023. É coordenado pelo Ministério da Saúde e impacta diretamente no perfil de morbimortalidade da população brasileira (BRASIL, 2013; DOMINGUES et al., 2020). O PNI segue os princípios do SUS no que tange à universalidade, descentra- lização e equidade, visto que a disponibilização dos imunobiológicos se dá a todos os grupos alvo da população, em todo o ciclo vital, por meio da oferta em todo território nacional, visando ampliar o público vacinado com estraté- gias de campanhas e divulgação das rotinas (BRASIL, 2013; DOMINGUES et al., 2020). 169 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA A equidade é observada pela ampliação da oferta de vacinas, nas estratégias de vacinação de rotina e campanhas, que vai além do contexto territorial, mas, sobretudo, populacional, alcançando os grupos alvo da vacinação, abrangendo todos os ciclos da vida, sendo ofertadas 15 vacinas para as crianças, nove para adolescentes e cinco para adultos e idosos, conferindo proteção para mais de vinte doenças. Ainda, nesse aspecto, há a disponibilidade de vacinas ofertadas nos Centros de Imunobiológicos Especiais (CRIE), atendendo grupos com condições clínicas especiais, além dos calendários de vacinação diferenciados para gestantes, indígenas e militares. Por fim, o PNI cumpre o princípio da descentralização, atuando numa rede articulada, hierarquizada e integrada, exigindo discussão permanente sobre normas, metas e resultados, propiciando, dessa forma, a sua operacionalização nas três esferas de gestão do SUS, o que tem contribuído para a redução das desigualdades regionais e sociais, viabilizando o acesso à vacinação para todos os brasileiros [...]. (DOMINGUES et al. (2020, p. 2). Nesse sentido, o SI-PNI tem como meta proporcionar uma constante avalia- ção dos riscos de surtos e epidemias, a partir dos dados e informações obtidos sobre o quantitativo de vacinas realizadas, faixa etária abrangida em determi- nado local e período. Além disso, também oferece o controle do estoque de imunobiológicos, fornecendo previsão e provisão de vacinas (BRASIL, 2013). Para fins de curiosidade, traremos a seguir de alguns marcos históricos da vacinação (BRASIL, 2013, p. 25-40): 170 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1771 Registro da inoculação da vacina, pela primeira vez, na Inglaterra. 1796 A primeira vacina foi descoberta por Edward Jenner, que sistematizou os conhecimentos empíricos e criou a vacina, de forma a prevenir a varíola. 1885 Descoberta da vacina contra a raiva, por Pasteur. 1921 Obtenção da vacina BCG por Albert Calmette e Camille Guérin, no Instituto Pasteur, em Paris. 1927 Início da vacinação contra a tuberculose no Brasil, com a vacina BCG. 1930 Início da produção de vacinas pelo Instituto Butantan, com destaque para a antivariólica. 1937 Criação e registro da primeira vacina eficaz contra febre amarela. 171 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SAÚDE COLETIVA 1946 Criação da Campanha Nacional contra a tuberculose. 1957 Descoberta da vacina oral contra a poliomielite (VOP), por Albert Sabin. 1960 Desenvolvimento de vacina efetiva contra o sarampo, por Enders e Peebles, que haviam isolado o vírus em 1954. 1961 Introdução da VOP no Brasil, com a realização de vacinações em municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro. 1966 Instituição da Campanha de Erradicação da Varíola. Esperamos que você tenha aproveitado todos os ensinamentos até aqui e compreendido a importância de cada um dos temas expostos. 172 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Como profissionais da saúde, precisamos aprender a utilizar a informação ge- rada por estes sistemas em nosso planejamento estratégico, pois permitem a identificação e modificação da realidade. Nem todos os sistemas disponíveis atendem as necessidades de obtenção de informações, obrigando-nos a bus- car outras formas, mas, quando não temos a informação que procuramos, o que fazer? Primeiramente, precisamos identificar o que estamos buscando para então escolhermos o SIS que atenderá tal demanda. Quando iniciamos o planejamento local de um território, é preciso caracterizá- -lo, identificando sua população, condições socioeconômicas, saúde, trabalho, moradia, entre outras, para obtenção destes dados iniciais. Então utilizaremosos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e RIPSA, que têm abrangência nacional, e Sistema Estadual de Análise de Dados (SEAD) – este com abrangência no estado de São Paulo e, caso você esteja em outros estados, pode procurar no site do governo estadual o link de sistemas de in- formação e dados epidemiológicos para obter as informações que busca. 173 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REFERÊNCIAS AASSVE, A.; et al. A pandemia de COVID-19 e a fertilidade humana. Science, v. 369, n. 6502, p. 370-371, 2020. Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/science.abc9520. Acesso em 10 dez. 2022. ALLEBRANDT, S. L.; et al. Deslocamentos populacionais e suas repercussões no fundo de parti- cipação dos municípios: uma análise com base na dinâmica demográfica pós-2000 no Estado do Rio Grande do Sul. Informe Gepec, , [S. l.], v. 23, p. 135-153, 2019. 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MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre os assuntos abordados, acesse os materiais a seguir: Para saber mais sobre os assuntos abordados, acesse os materiais a seguir: Para saber mais sobre os assuntos abordados, acesse os materiais a seguir: • Análise da tendência temporal do suicídio e de sistemas de informações em saúde em relação às tentativas de suicídio. Link. • Cuidados de enfermagem nos níveis de prevenção da história natural do câncer de mama. Link. • Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios e inovações. Link. • Estratégias de promoção da saúde e prevenção primária para enfrentamento das doenças crônicas: revisão sistemática. Link. • Gestão da saúde: o uso dos sistemas de informação e o compartilhamento de conhecimento para a tomada de decisão. Link. • Guia de Vigilância em Saúde. Link. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788527739047 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788527739047 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788527739047 https://www.ufjf.br/oliveira_junior/files/2011/08/SO%C3%81REZ-P.-C.-PADOVAN-J.-L.-CICONELLI.pdf https://www.ufjf.br/oliveira_junior/files/2011/08/SO%C3%81REZ-P.-C.-PADOVAN-J.-L.-CICONELLI.pdf https://www.scielo.br/j/rsp/a/pmygXKSrLST6QgvKyVwF4cM/ https://www.scielo.br/j/rsp/a/pmygXKSrLST6QgvKyVwF4cM/ https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/54350 https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5733496/mod_resource/content/0/Constitui%C3%A7%C3%A3o%20d https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5733496/mod_resource/content/0/Constitui%C3%A7%C3%A3o%20d https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5733496/mod_resource/content/0/Constitui%C3%A7%C3%A3o%20d https://revista.pgsskroton.com/index.php/rcger/article/view/6227 https://revista.pgsskroton.com/index.php/rcger/article/view/6227 https://www.scielo.br/j/tce/a/CyLcKWmF5HMKLH3ZcQZ9Zyj/abstract/?lang=pt http://periodicos.pucminas.br/index.php/percursoacademico/article/view/2285 https://www.scielo.br/j/rsp/a/pmygXKSrLST6QgvKyVwF4cM/ https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/8844/a07v34n5.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.scielo.br/j/tce/a/Wpt3XsBswvCdWPtz8k4MpXJ/?lang=pt https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788520461389 EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS 181 SAÚDE COLETIVA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 • Guia de Vigilância em Saúde. Link. • Manual de Controle de escorpiões. Link. • Mulheres rastreadas para câncer de mama: acompanhamento por meio dos sistemas de infor- mações em saúde, 2010-2012. Link. • Módulo de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades (MOPECE). Link. • Prevenção em saúde na prática médica: da primária à quaternária. Link. • Saúde da família e da comunidade. Link. • Sistemas de informação em saúde: considerações gerais. Link. • Sistemas de informação em saúde e sua complexidade. Link. • Vigilância em saúde: zoonoses. Link. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_3ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_controle_escorpioes.pdf https://www.scielo.br/j/ress/a/69KpjS7PxCP96L97bswcx6v/abstract/?lang=pt https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_4.pdf https://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/2957 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788520461389 https://jhi.sbis.org.br/index.php/jhi-sbis/article/view/4/52 https://cqh.org.br/ojs-2.4.8/index.php/ras/article/view/77/97 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_saude_zoonoses_p1.pdf EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS Apresentação da disciplina 1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONCEPÇÃO DE SAÚDE-DOENÇA INTRODUÇÃO 1.1 VISÃO HOLÍSTICA DA SAÚDE 1.2 NÍVEIS DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 2 AS EVOLUÇÕES HISTÓRICAS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL INTRODUÇÃO DA UNIDADE 2.1 A HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL 2.2 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 2.3 REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE 3 INDICADORES DE SAÚDE E NOTIFICAÇÕES DE DOENÇAS INTRODUÇÃO DA UNIDADE 3.1 INDICADORES DE SAÚDE (MORBIDADE, MORTALIDADE, FECUNDIDADE) 3.2 REGISTRO DE DOENÇA E NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 4. SAÚDE PREVENTIVA E PROMOÇÃO DA SAÚDE INTRODUÇÃO DA UNIDADE 4.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE 4.2 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS 5. VIGILÂNCIA EM SAÚDE E AS ÁREAS DE ATUAÇÃO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 5.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE 5.2 VIGILÂNCIA SANITÁRIA 6. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NO BRASIL INTRODUÇÃO DA UNIDADE 6.1 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS) 6.2 PRINCIPAIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE Equilíbrio do homem com a natureza Perspectiva holística da saúde Enfermagem e saúde As definições de saúde envolvem ações de políticas públicas de diferentes aspectos Equilíbrio A Pirâmide de Maslow. Necessidades de autorrealização Motivação pelo reconhecimento Saúde coletiva Consulta de enfermagem Desafios da saúde coletiva Coleta de dados Atributos da APS Primeiro contato Consulta médica Prevenção primária Ditadura Saúde coletiva Desafios da saúde pública Censura Democratização Pilares da VIII Conferência Nacional de Saúde Reformulação do modelo de saúde pública Leis do Sistema Único de Saúde Princípios do SUS Princípios do equidade Princípios da descentralização Princípio da participação social Direção do Sistema Único de Saúde (SUS) Leis do Sistema Único de Saúde (SUS) Redes de Atenção à Saúde Sistema de saúde Educação Níveis de mensuração Indicadores de saúde Grupo populacional Indicadores de serviços de saúde Medidas de mortalidade, morbidade e fecundidade Redução da mortalidade infantil Taxa de morbidade Doenças infectocontagiosas Doenças crônicas Coeficiente de incidência Taxa de morbidade Notificação compulsória Vigilância em saúde Vacinação Áreas de atuação da vigilância em saúde\ Esferas de atuação da vigilância em saúde Medicina preventiva Fatores de interação da história natural da doença Prevenção Prevenção primária Prevenção secundária Prevenção terciária Variáveis dos eventos de saúde Terapia medicamentosa Cadeia epidemiológica Aedes aegypti Doenças crônicas e agravos não transmissíveis Vigilância ambiental em saúde Instrumentos e métodos utilizados na vigilância ambiental em saúde Instituições e órgãos ativos na vigilância ambiental em saúde Vigilância ambiental dos fatores de riscos biológicos Vigilância e controle dos fatores de riscos não biológicos Dengue Ciclo de transmissão da malária Organização das ações Aspectos pertinentes relacionados à saúde do trabalhador Eixos da saúde do trabalhador Ações da vigilância sanitária Áreas de atuação da vigilância sanitária Níveis de competência do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária Representação gráfica do conceito de informação Principais categorias de informação Principais sistemas nacionais de informação em saúde Estratégias para a execução do censo Brasil – pirâmide etária absoluta (1980) Brasil – pirâmide etária absoluta (1990) Brasil – pirâmide etária absoluta (2010) Brasil – pirâmide etária absoluta (2030) Objetivos do SINAN Condições para utilização da ficha de notificação Nascimento Indicadores específicos de mortalidade Quadro 1: Saúde coletiva no mundo Quadro 2: Eixos de atuação – Carta de Ottawa Dimensões do Pacto pela Saúde Princípios do Programade Saúde da Família (PSF) Requisitos dos indicadores de saúde Classificação dos indicadores de saúde Ações de vigilância em saúde no Brasil Doenças, agentes etiológicos e modo de transmissão Medidas de prevenção e controle das DANT Fatores de risco para o adoecimento do trabalhador Marcos históricos da vigilância sanitária Responsabilidade das três esferas do governo da vigilância sanitária Objetivos do sistema de informação em saúde Finalidades que competem ao CNES Contribuição das esferas do governo para o SINAN