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<p>ÉTICA PROFISSIONAL</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. INTRODUÇÃO................................................................................................................ 3</p><p>2. Ética – Conceito.............................................................................................................. 6</p><p>2.1 Reflexão Sobre a Ética ................................................................................................ 7</p><p>2.2 Principais Doutrinas Éticas (filosófica) .................................................................... 12</p><p>2.3 Valores Organizacionais ......................................................................................... 25</p><p>3. Definição de Ética Empresarial ..................................................................................... 31</p><p>3.1 Ética nas Organizações ............................................................................................. 31</p><p>3.2 Perfil Ético das Organizações ................................................................................. 34</p><p>4. CÓDIGO DE ÉTICA DE UMA PROFISSÃO ................................................................. 49</p><p>4.1 Código de Ética ......................................................................................................... 50</p><p>4.2 A Ética no Setor Público ......................................................................................... 52</p><p>4.3 O Código de Ética do Servidor Público ................................................................... 52</p><p>5. REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 54</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Com acelerado aumento dos negócios, das inovações tecnológicas e suas</p><p>complexidades, faz com que empresas, gestores e cooperadores incorporem novos</p><p>técnicas de relacionamento empresarial e profissional. Neste novo contexto surge</p><p>uma necessidade urgente de se buscar novos meios, processos de gestão, atuação,</p><p>investimento visando a todo momento durante as relações interpessoais,</p><p>redimensionar e dar nova roupagem a essas relações, se materializando na sua</p><p>capacidade técnica, seu compromisso social e profissional, e sobretudo através de</p><p>uma nova postura ética, exigência latente no mundo dos negócios. Esses últimos</p><p>elementos, compromisso e postura ética, destacam-se pela peculiaridade existente</p><p>na ação do profissional, conforme delimita Ashley et al. (2005).</p><p>Portanto, percebe-se que no mundo das organizações, a ética tem se</p><p>apresentado como um tema muito complexo, mas pouco aprofundado. A rotina das</p><p>empresas tem demonstrado isso, uma vez que os conflitos éticos estão sempre</p><p>presente nas relações, independe da função ou cargo exercido.</p><p>Os objetivos da empresa de maximizar lucros confrontam com os objetivos dos</p><p>funcionários de receber a melhor remuneração possível. O desejo dos fabricantes de</p><p>cobrar margens confortáveis se chocam com o desejo dos consumidores de ter</p><p>produtos bons a um menor preço. A vontade de um gerente em contratar um amigo,</p><p>parente ou conhecido é divergente com a necessidade da empresa de possuir o</p><p>melhor candidato possível e a exigência da sociedade de que sejam oferecidas</p><p>oportunidades iguais para todos.</p><p>Cohen (2003, p.35-43, argumenta que, se uma empresa assumir uma postura</p><p>ética, seus funcionários, consequentemente, darão seu sangue por ela, os</p><p>fornecedores irão se tornar fortes parceiros estratégicos, os consumidores darão</p><p>preferência a seus produtos e serviços, aceitando até mesmo pagar mais caro por</p><p>eles, e a sociedade na qual está inserida será mais compreensiva diante de certos</p><p>tropeços. Ou seja, a ética promete às empresas o paraíso, em versão adaptada aos</p><p>negócios.</p><p>Porém, de acordo com um estudo realizado em 1998 pelo Institute of Business</p><p>Ethics, da Grã-Bretanha, demonstra que das 178 empresas analisadas, 30% delas</p><p>não possuíam nenhum mecanismo que possibilitasse denúncias de atitudes</p><p>antiéticas, outras 30% não entregavam a cópia do código de conduta a todos os</p><p>funcionários e apenas um terço divulgava seus códigos publicamente. E no Brasil não</p><p>existem estudos do tema, supondo desta forma, que as empresas brasileiras</p><p>apresentem um comportamento similar.</p><p>Cohen (2003, p.35-43) destaca que uma pesquisa realizada com 300 empresas</p><p>feita pela universidade católica De Paul, de Chicago, em 1999, concluiu-se que tais</p><p>organizações que tinham compromisso ético proporcionavam aos acionistas um</p><p>retorno duas vezes superior ao das demais. Portanto, percebe-se que alguns</p><p>profissionais acreditam que a ética nas empresas traz credibilidade nas relações</p><p>efetuadas com parceiros e mantém uma boa imagem perante a sociedade, além de</p><p>atingir o objetivo de toda a empresa, que é obter e maximizar lucro. Por outro lado, há</p><p>quem diga que ser ético não traz compensação financeira.</p><p>Ao longo do estudo desta disciplina buscaremos estabelecer e conhecer as</p><p>relações existentes entre ética profissional (dever ético) e o comprometimento no</p><p>exercício da profissão, sua relevância nas relações profissionais de modo geral.</p><p>Com acelerado aumento dos negócios, das inovações tecnológicas e suas</p><p>complexidades, faz com que empresas, gestores e cooperadores incorporem novos</p><p>técnicas de relacionamento empresarial e profissional. Neste novo contexto surge</p><p>uma necessidade urgente de se buscar novos meios, processos de gestão e atuação,</p><p>investimento visando a todo momento durante as relações interpessoais,</p><p>redimensionar e dar nova roupagem para essas relações. Se materializando na sua</p><p>capacidade técnica, seu compromisso social e profissional, e sobretudo através de</p><p>uma nova postura ética, exigência latente no mundo dos negócios. Esses últimos</p><p>elementos, compromisso e postura ética, destacam-se pela peculiaridade existente</p><p>na ação do profissional, conforme delimita Ashley et al. (2005).</p><p>Portanto, percebe-se que no mundo das organizações, a ética tem se</p><p>apresentado como um tema muito complexo, mas pouco aprofundado. A rotina das</p><p>empresas tem demonstrado isso, uma vez que os conflitos éticos estão sempre</p><p>presente nas relações, independe da função ou cargo exercido.</p><p>Os objetivos da empresa de maximizar lucros confrontam com os objetivos dos</p><p>funcionários de receber a melhor remuneração possível. O desejo dos fabricantes de</p><p>cobrar margens confortáveis se chocam com o desejo dos consumidores de ter</p><p>produtos bons a um menor preço. A vontade de um gerente em contratar um amigo,</p><p>parente ou conhecido é divergente com a necessidade da empresa de possuir o</p><p>melhor candidato possível e a exigência da sociedade de que sejam oferecidas</p><p>oportunidades iguais para todos.</p><p>Cohen (2003, p.35-43, argumenta que, se uma empresa assumir uma postura</p><p>ética, seus funcionários, consequentemente, darão seu sangue por ela, os</p><p>fornecedores irão se tornar fortes parceiros estratégicos, os consumidores darão</p><p>preferência a seus produtos e serviços, aceitando até mesmo pagar mais caro por</p><p>eles, e a sociedade na qual está inserida será mais compreensiva diante de certos</p><p>tropeços. Ou seja, a ética promete às empresas o paraíso, em versão adaptada aos</p><p>negócios.</p><p>Neste estudo buscaremos estabelecer e conhecer as relações existentes entre</p><p>ética profissional (dever ético) e comprometimento no exercício da profissão.</p><p>Fonte: https://www.istockphoto.com/br/foto/conflito-de-interesses</p><p>https://www.istockphoto.com/br/foto/conflito-de-interesses</p><p>2. ÉTICA – CONCEITO</p><p>Ética é uma palavra de origem grega com duas interpretações possíveis.</p><p>▪ A primeira é a palavra grega éthos, com “e” curto, que pode ser traduzida por</p><p>costume.</p><p>▪ A segunda também se escreve éthos, porém com “e” longo, que significa</p><p>propriedade do caráter.</p><p>A primeira serviu de base na tradução pelos romanos para</p><p>empresa e necessidade de novas expansões;</p><p>▪ É a informação mais importante para os sócios, acionistas e</p><p>investidores, para comparação com seus custos de oportunidade.</p><p>Pode-se notar que os problemas básicos da economia estão no pêndulo da</p><p>relação entre consumidor e produtor: a um, o benefício do produto; a dois, o lucro do</p><p>produto. Os bens a serem produzidos nascem pela procura dos consumidores no</p><p>mercado e o investimento do produtor visa à lucratividade daquela produtividade. Com</p><p>efeito, o lucro é parte do sistema mercantilista e existe para fomentar a produção de</p><p>produtos necessários ao consumo humano e por ele desenvolvido.</p><p>O lucro é o resultado de todo investimento da empresa em determinado produto</p><p>ou produtos. Nesta relação, a ética na distribuição de lucratividade é também</p><p>pressupostos de devolução aos consumidores da preferência do produto</p><p>comercializado e pela empresa produtora.</p><p>O lucro ético seria o reinvestimento de parte do resultado do lucro em ações</p><p>sociais visando prospecção da imagem da empresa como empresa do bem,</p><p>praticando e não só discursando sobre ética empresarial. O lucro ético não se resume</p><p>só no resultado final da empresa deve ser aplicado também nas fases de captação,</p><p>produção e beneficiamento do produto da empresa bem como, na relação entre</p><p>empregado-empresa, na distribuição do produto e objetivamente na relação com o</p><p>consumidor, praticando atos e ações positivas tendo como princípios fundamentais</p><p>não só o crescimento e obtenção voraz do lucro mas, principalmente, a devolução ao</p><p>consumidor de toda credibilidade depositada em seu produto, com práticas do bem.</p><p>Fonte:(SUNG, 2011).</p><p>Segundo o prof. Ercílio A. Denny: a necessidade é de sobrevivência. Quanto</p><p>mais demonstrar ética em seus procedimentos mais lucratividade. Atualmente</p><p>empresa “ética” é sinônima de empresa aceita pelo mercado, desaguando na</p><p>aceitação mercadológica e consequentemente em mais vendas e lucratividade.</p><p>O tema busca trazer a lume, um dilema nas últimas décadas. O lucro com ética</p><p>ou o lucro ético. O lucro é, sem dúvida o objetivo principal da empresa, mas,</p><p>dicotomizar responsabilidade social à este lucro, configura a imagem de empresa</p><p>como empresa do bem e é isso que o consumidor busca em dias atuais, uma empresa</p><p>que pratica políticas responsáveis e com fundamento sustentável.</p><p>Neste mister, buscaremos abordar não a ética científica em lato sensu mas</p><p>mergulharemos na ética intrínseca e extrínseca da empresa, partindo da moral</p><p>pessoal e social visando à efetividade do necessário e salutar lucro ético.</p><p>Sendo a ética, a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade.</p><p>A moral positiva, por ser uma coletânea de regras e comportamentos incutidos na</p><p>racionalidade do ser humano, voltadas a prática do bem comum, o seu reflexo na</p><p>empresa dá-se de forma natural quando se pratica medidas protetivas, valorativas e</p><p>empíricas da atividade humanística, sobretudo quando se persegue o lucro.</p><p>Vários filósofos já debulharam ética em seus diversos seguimentos, mas cabe</p><p>destacar a classificação do categórico filósofo contemporâneo, prof. Eduardo Garcia</p><p>Máynez, onde dividiu a ética em: ética empírica, ética dos bens, ética formal e ética</p><p>valorativa. Abordaremos aqui a ética empírica ou subjetivista que assim classifica-se</p><p>como sendo o comportamento pessoal do agente, ou seja, a ética se formando a partir</p><p>da vontade pessoal buscando apenas satisfazer a vontade de um líder e não abranger</p><p>a necessidade dos liderados. Grotescamente é nesse diapasão que os tempos atuais</p><p>pairam, em vontades quase que pessoais na formação da ética da empresa. Deflagra-</p><p>se em alguns momentos até um código de ética empresarial, mas a vontade pessoal</p><p>do gestor continua a prevalecer diante da necessidade de uma ação mais democrática</p><p>na conduta da empresa.</p><p>A ética é sobretudo, a exteriorização da moral positiva intrínseca do gestor e,</p><p>se a empresas não atua com ética em relação as suas atividades empresariais e em</p><p>seus diversos seguimentos, é fruto de uma formação amoral ou imoral ou tão-somente</p><p>um aculturamento social incutido por diversos seguimentos de educação e</p><p>conhecimento no último século, fazendo com que, o foco da prosperidade pessoal e</p><p>empresarial com fincas apenas em resultados únicos da empresa, e não da</p><p>coletividade a qual está envolvida, criou a guerra superavitária aonde, empresa boa</p><p>era que tinha bons lucros e crescimento na bolsa de valores, independentemente de</p><p>sua política de atuação, método este, incutido pela política capitalista aonde o</p><p>resultado é sinônimo apenas de lucro ético.</p><p>Em dias atuais, propor lucro ético está se apartando da utopia mais, ainda é</p><p>uma meta pouco aplicada pois, a cultura mercadológica ainda olha com desconfiança</p><p>e, quiçá, medo de ter investimentos em medidas anômalas a capitação de lucro de</p><p>capital face a rigidez e instabilidade do Estado em relação as políticas econômicas</p><p>nacionais. Vejo que o Estado ao praticar políticas econômicas com segurança e</p><p>responsabilidade tributária com incentivos fiscais quando a empresa atua com a</p><p>subsunção de atividades que a princípio eram de competência do Estado, faz com</p><p>que seja mais uma das barreiras á prática do providente lucro ético.</p><p>A implementação da lucratividade ética passaria a contribuir não só apenas</p><p>para o desenvolvimento da empresa, mas também para o Estado com a diminuição</p><p>de ações estatais ostensivas tais como: segurança saúde, educação, meio ambiente</p><p>e demais outras.</p><p>Em síntese, a necessidade de abordagem do tema é de fundamental</p><p>importância para os dias atuais visto que, o lucro, visto de forma ampla, não pode ser</p><p>só resultado positivo financeiro mas sim, toda ação positiva praticada pela empresa</p><p>voltada ao desenvolvimento e crescimento mercadológico como também a evolução</p><p>de seus agregados físico, financeiros e institucionais, visando o crescimento coletivo</p><p>da sociedade.</p><p>Tal aplicabilidade reveste-se dos pilares muito bem demonstrados pelo ilustre</p><p>prof. Pablo Jiménez Serranoque são:</p><p>▪ Convivência;</p><p>▪ Respeito;</p><p>▪ Responsabilidade social.</p><p>Estes visam sobretudo a valorização do ser humano partindo da convivência</p><p>coletiva para pessoalidade.</p><p>Adam Smith, já declarava em sua obra Riqueza das Nações que a empresa</p><p>deve produzir também lucro ético não só lucro econômico, deve atuar em ações de</p><p>responsabilidade social visando vida longa no mercado em virtude da reciprocidade</p><p>benéfica dos consumidores em relação as políticas aplicadas pela empresa que,</p><p>preocupada não só com o lucro financeiro, mas também com o bem estar e satisfação</p><p>de seus consumidores. De forma direta buscar-se-ia o bem interno de seus</p><p>funcionários, fornecedores e consumidores e, de forma indireta, com a vida em</p><p>relação aos investimentos sociais assim como, do resgate do meio ambiente da</p><p>cultura e da distribuição democrática dos lucros obtidos pelo faturamento.</p><p>c) Perfil de uma empresa ética</p><p>A relevância do comportamento ético no meio empresarial. No universo</p><p>empresarial, sempre que uma decisão é tomada, esta imediatamente influência e</p><p>impacta o ambiente negocial, bem como afeta os que estão ligados a organização. As</p><p>ações refletem sob os resultados obtidos e são fator preponderante para definir se a</p><p>empresa terá um desenvolvimento positivo ou negativo, além de interferir na</p><p>representatividade ou no papel desempenhado por tal empreendimento, perante os</p><p>que estão ligados a ela, bem como diante da sociedade</p><p>As decisões empresariais não são inócuas, anódinas ou isentas de</p><p>consequências: carregam um enorme poder de irradiação pelos efeitos que</p><p>provocam. Em termos práticos, afetam stakebolders, os agentes que mantem</p><p>vínculos com dada organização, isto é, os participes ou as partes</p><p>interessadas (SROUR, p.50, 2003).</p><p>As ações de uma organização empresarial, são capazes de impactar em um</p><p>plano interno os seus funcionários,</p><p>gestores, cotistas ou acionistas, e pessoas que</p><p>possuem ligação direta com a empresa. Em um plano externo, essas ações podem</p><p>impactar os clientes, fornecedores, concorrentes e outros grupos da sociedade. Desse</p><p>modo, é imprescindível que as empresas busquem agir de forma ética, nas</p><p>negociações cotidianas, no relacionamento com seus trabalhadores, clientes e</p><p>fornecedores, pois como explicitado anteriormente, há uma responsabilidade</p><p>proporcional ao papel desempenhado pelo empreendimento.</p><p>Ao entrar no mercado competitivo, uma empresa coloca a disposição do público</p><p>sua marca, seu nome e uma imagem que necessita ser preservada e transmitir</p><p>confiança. Esses são fatores que contribuem para a evolução e crescimento de um</p><p>empreendimento, bem como, a ausência dos mesmos, pode trazer sérios problemas</p><p>de incredibilidade.</p><p>A ação de responsabilidade social com</p><p>aplicação de políticas sociais em diversos</p><p>seguimentos é a devolução social do investimento</p><p>do consumidor no produto produzido pela</p><p>empresa.</p><p>Confrontando-se com uma situação complexa, é necessário que a corporação</p><p>empresarial solucione o problema apresentado de maneira que não desabone seu</p><p>perfil ético perante os seus clientes e a sociedade, caso contrário estará sentenciada</p><p>ao declínio.</p><p>Por intermédio de um laboratório de sua propriedade (Veafarm),</p><p>foram produzidos em 1998 1 milhão de comprimidos inócuos de um remédio</p><p>indicado para o tratamento de câncer de próstata (Androcur da Schering do</p><p>Brasil). Dez pacientes que faleceram na época podem ter tido a morte</p><p>acelerada por terem ingerido o placebo. Revelado o fato, a denúncia da</p><p>falsificação foi repercutida pela mídia e teve efeitos devastadores sobre a</p><p>empresa. Desde logo, 19 pessoas foram indiciadas pela justiça no processo</p><p>de falsificação. Seis meses depois, as lojas mantidas em importantes</p><p>shoppings paulistanos (Ibirapuera, Morumbi e Iguatemi) tiveram suas portas</p><p>fechadas; metade dos andares da própria loja matriz, no centro de São Paulo,</p><p>foi desocupada; o faturamento caiu 80%; dos 200 funcionários que a empresa</p><p>tinha antes do evento restaram pouco menos de 50; os fornecedores</p><p>deixaram de receber em dia (SROUR, p.54, 2003).</p><p>A sociedade tem desempenhado um papel importante na avaliação dos</p><p>produtos que consome ou serviços de que usufrui, o que tem exigido das empresas</p><p>cada vez mais, atenção para as ações e decisões que toma e que podem influir na</p><p>forma como é enxergada socialmente. Pautar pela ética tem sido uma necessidade e</p><p>não apenas uma escolha, levando em consideração que o consumidor tem deixado</p><p>de lado, empreendimentos que tenham perfil ético duvidoso.</p><p>A bem da verdade, em ambiente competitivo, as empresas têm uma</p><p>imagem a resguardar, uma reputação, uma marca, e em países que desfruta,</p><p>de Estados de Direito, a sociedade civil reúne condições para mobilizar-se e</p><p>retaliar as empresas socialmente irresponsáveis ou inidôneas. Os clientes,</p><p>em particular, ao exercitar seu direito de escolha e ao migrar simplesmente</p><p>para os concorrentes, dispõem de uma indiscutível capacidade de dissuasão,</p><p>uma espécie de arsenal nuclear. A cidadania organizada pode levar os</p><p>dirigentes empresariais a agir de forma responsável, em detrimento, até, de</p><p>suas convicções íntimas (SROUR, p.52, 2003).</p><p>Destarte, compreende-se que nos tempos atuais a sociedade civil tem de certo</p><p>modo, influenciado e outras vezes até pressionado, empresas a agir ou a optar por</p><p>posturas éticas, para não correr o risco de ter sua imagem prejudicada frente aos que</p><p>consomem o produto ou serviço oferecido pelas mesmas.</p><p>Aprendemos que a empresa é um conceito legal, definida como uma</p><p>entidade legal, mas, na prática, ela é também uma entidade social. Ela é uma</p><p>organização de pessoas onde as ações de uns têm efeito sobre o bem-estar</p><p>e os direitos dos outros (NASH, p.25, 1993).</p><p>É inegável que os empreendimentos necessitam dispor de responsabilidade e</p><p>respeito, para com todos os que direta ou indiretamente estão a eles vinculados,</p><p>partindo deste ponto, é por tanto compreensível que haja a devida cobrança pelo</p><p>cumprimento de uma postura ética e adequada.</p><p>Um outro ponto a ser levado em consideração e destacado, é que assim como</p><p>a ausência de atitudes éticas podem desestabilizar e prejudicar uma empresa, a soma</p><p>continua de ações éticas, pode elevar sua reputação e favorecer grandemente o seu</p><p>crescimento no mercado. No meio empresarial, atitudes que resultem em uma</p><p>reputação respeitável, influem também para a solidificação e perpetuação de um</p><p>empreendimento.</p><p>Vejamos a seguir um exemplo real da influência de ações e comportamentos</p><p>éticos no crescimento de uma corporação:</p><p>A Johnson & Johnson possuía 35% do mercado de analgésicos nos Estados</p><p>Unidos, com vendas anuais de US$400 milhões. No final de setembro de 1982, sete</p><p>pessoas morreram envenenadas após ingerir Tylenol contaminado com cianeto. As</p><p>vendas do remédio caíram então de US$ 33 milhões para US$4 milhões por mês.</p><p>A J&J agiu com prontidão: recolheu e destruiu 22 milhões de frascos em todo</p><p>o território norte-americano a um custo de US$100 milhões. Um sistema de</p><p>comunicação foi montado para informar os diversos públicos interessados, o que</p><p>resultou em cerca de 125 mil recortes de notícias na mídia ao redor do mundo.</p><p>A tentativa de chantagem feita por um norte americano que sabotou o</p><p>analgésico, colocando cianureto em parte do lote distribuído na área de Chicago, foi</p><p>denunciada pela J&J e o culpado, mais tarde, acabou preso. Só que antes da</p><p>investigação estar completa, e sob o fogo das repercussões públicas, a empresa teve</p><p>que se posicionar. Se não tomasse medidas corajosas para reverter o quadro de</p><p>desconfiança criado, arriscaria o próprio negócio+, e não somente o mercado do</p><p>Tylenol.</p><p>Decidiu então fazer um recall e descontinuar a produção do remédio até</p><p>relança-lo com nova embalagem. Fez campanhas de esclarecimento e ofereceu</p><p>recompensa pela prisão do assassino. Pôs linhas telefônicas à disposição para ajudar</p><p>quem necessitasse e demonstrou visível preocupação com a tragédia. Fez um acordo,</p><p>cujo valor jamais veio a público, com as famílias das sete vítimas. Gastou outros</p><p>US$100 milhões com a parte fiscal da devolução dos medicamentos. Não quis correr</p><p>o risco de comprometer sua imagem e naufragar. Afinal, a J&J não se concebia como</p><p>mera fabricante de remédios: seu negócio estratégico era vender “saúde segura”.</p><p>Havia elaborado um código de conduta que determinava a resposta apropriada para</p><p>situações de grave emergência. Qualquer mancha sobre sua reputação, ou sobre a</p><p>lisura de seus procedimentos, colocaria em xeque sua credibilidade. Na ocasião,</p><p>reafirmou seu modo de agir e consolidou sua imagem de empresa confiável e</p><p>responsável. Posteriormente, gastou mais US$150 milhões em campanhas</p><p>publicitárias para recuperar o mercado perdido, e obteve enorme sucesso dois anos</p><p>depois do incidente (SROUR, p. 50/51,2003).</p><p>Srour (2003, p.352) é eloquente ao afirmar que as empresas possuem uma</p><p>imagem que necessita ser resguardada para não submeter o empreendimento a</p><p>riscos e perdas. O autor aponta ainda, sete ações presentes em empresas que</p><p>mantem uma boa reputação, por dispor de um comportamento ético no meio</p><p>empresarial.</p><p>Em última análise, as empresas têm uma imagem a resguardar, marcas a</p><p>preservar, uma reputação que não pode ser manchada – com risco de pôr o próprio</p><p>negócio a perder. E mais, uma boa reputação tem o condão de:</p><p>1. Operar como barreira contra os concorrentes, constituindo uma vantagem</p><p>competitiva;</p><p>2. Criar um escudo contra crises, graças ao apoio que muitos stakebolders se</p><p>dispõem a oferecer à empresa em dificuldade;</p><p>3. Reduzir as resistências por parte de quem diverge da empresa;</p><p>4. Aumentar o valor de mercado da empresa e facilitar o acesso ao mercado de</p><p>capitais.</p><p>5. Contribuir para obter créditos junto a órgãos de financiamento;</p><p>6. Captar e conservar talentos – muitos</p><p>profissionais preferem ganhar menos</p><p>em empresas de que possam se orgulhar do que trabalhando em empresas cuja fama</p><p>é comprometedora;</p><p>7. Facilitar os relacionamentos com fornecedores, investidores, concorrentes,</p><p>prestadores de serviços, comunidades locais e autoridades (SROUR, p.352, 2003).</p><p>Prezando por comportamentos éticos, a empresa constrói também uma “cultura</p><p>organizacional de caráter socialmente responsável”, apontou Srour (2003, p.353).</p><p>Com ações de respeito para com o consumidor e seus colaboradores, a empresa</p><p>evolui e se fortifica no mercado, em um processo que ainda que não decorra em curto</p><p>prazo, pode trazer vantagens significativas e de longa durabilidade para o</p><p>empreendimento empresarial.</p><p>Prezando por comportamentos éticos, a empresa constrói também uma “cultura</p><p>organizacional de caráter socialmente responsável”, apontou Srour (2003, p.353).</p><p>Com ações de respeito para com o consumidor e seus colaboradores, a empresa</p><p>evolui e se fortifica no mercado, em um processo que ainda que não decorra em curto</p><p>prazo, pode trazer vantagens significativas e de longa durabilidade para o</p><p>empreendimento empresarial.</p><p>Fonte:(SUNG, 2011).</p><p>Como já mencionado, atualmente no mundo coorporativo existe uma latente</p><p>necessidade de acompanhar cuidadosamente o que se refere ao cumprimento de</p><p>suas normas éticas, visto que a velocidade das negociações e a amplitude que as</p><p>envolve, fez evoluir a forma de fazer negócios empresariais no meio coorporativo.</p><p>De tal modo, evoluir mercantilmente também está ligado ao cumprimento dos</p><p>conceitos éticos que fazem parte da conduta empresarial de qualquer companhia.</p><p>Desenvolver-se em consonância com os princípios éticos e morais, fortalece e certifica</p><p>uma corporação, ao passo que aquelas que não possuem comprometimento com</p><p>regras e práticas que ab-rogue de atos fraudulentos e condutas corruptas ou</p><p>antiéticas, tendem a desaparecerem por caírem no descrédito da sociedade. Vejamos</p><p>o que diz Barsano (2014):</p><p>As organizações que almejam crescer e se consolidar, assim como</p><p>as que querem permanecer competitivas no mercado devem relacionar-se</p><p>bem como todo o seu público, fornecedores e colaboradores. Direitos e</p><p>deveres devem ser estabelecidos e cumpridos, principalmente nas</p><p>negociações comerciais, que podem de uma hora para outra serem abaladas</p><p>por uma infração, e colocando assim a reputação da organização em</p><p>descrédito. As organizações que não agem com ética podem colocar a perder</p><p>todo o seu potencial e toda a sua reputação que leva anos para ser</p><p>construída. Por outro lado, as empresas éticas consolidam sua marca,</p><p>produtos, geram confiabilidade em todos e conseguem acordos durante as</p><p>transações de negócios mais facilmente (BARSANO, p.56, 2014).</p><p>Para que condutas éticas possam ser colocadas em prática e vivenciadas no</p><p>cotidiano da empresa, nas suas relações com funcionários, colaboradores,</p><p>fornecedores e consumidores do seu produto ou serviço, a companhia empresarial</p><p>pode valer-se de três esferas cruciais para o seu bom desempenho ético, são elas:</p><p>individual, organizacional e macro. Trataremos a seguir dos aspectos primordiais de</p><p>cada um destes conceitos.</p><p>A) Individual</p><p>Essa abordagem refere-se ao comportamento individual da pessoa dentro da</p><p>empresa, no que tange a sua conduta de ética e moralidade para com o ambiente de</p><p>trabalho do qual faz parte. Trata-se de como porta-se tal indivíduo dentro da sua quota</p><p>de responsabilidade, no desenvolvimento empresarial. As atitudes individuais que</p><p>influem no perfil e na conduta da companhia precisam estar alinhadas com o padrão</p><p>ético e moral da companhia.</p><p>Para tanto, pode-se usar como referencial três critérios que devem nortear</p><p>atitudes consideravelmente éticas no ambiente empresarial, quais sejam: As ações</p><p>desempenhadas no âmbito empresarial devem ser boas; A intenção ou finalidade com</p><p>qual se pratica a ação deve ser boa, e as circunstâncias e consequências de suas</p><p>ações devem ser boas.</p><p>Se algum desses aspectos deixar de ser seguido, consequentemente a atitude</p><p>incorrerá em uma conduta desabonadora e antiética, fazendo-se necessária uma</p><p>reconsideração das atitudes do indivíduo trazendo-lhe a refletir sobre como agir de tal</p><p>modo, interfere no perfil empresarial da companhia do qual este faz parte.</p><p>B) Organizacional</p><p>Trata-se da composição de um sistema de valores, de princípios a serem</p><p>expressamente seguidos como normas pela empresa e seus funcionários,</p><p>colaboradores, acionistas e proprietários. Corresponde a um documento que seja de</p><p>conhecimento de todos os envolvidos, bem como que estejam expostos de maneira</p><p>aberta, clara e acessível.</p><p>Em se tratando de uma conduta ética no meio empresarial, esta precisa estar</p><p>integralizada a todo o processo de crescimento organizacional da companhia. De</p><p>modo que não seria correto aplicação de políticas éticas, apenas por um determinado</p><p>período de tempo, ou por almejar alcançar determinada meta, impor um limite com</p><p>data exata de finalização para o incentivo de condutas éticas e quando o mesmo</p><p>chegar ao fim, agir de maneira completamente adversa ao que se entende por ético.</p><p>Destarte, as práticas éticas corporativas devem ser contínuas, propiciando</p><p>inclusive treinamentos periódicos aos profissionais que fazem parte a longos anos ou</p><p>que estejam entrando agora na companhia empresarial.</p><p>Além disso, tais padrões éticos precisam ser seguidos nas áreas internas, ou</p><p>seja, dentro de todos os setores que compõem a empresa, bem como nos ambientes</p><p>externos, onde o indivíduo também representa a empresa, seja por algo que porte e</p><p>que represente a companhia tal como uniforme, crachá ou até quando é vinculado a</p><p>empresa por algum contrato publicitário. Qualquer conduta antiética, ainda que</p><p>praticada em ambiente externo, mas que vincule o indivíduo a empresa por qualquer</p><p>das situações citadas acima, pode trazer prejuízos muitas vezes incalculáveis.</p><p>A elaboração de um código de conduta como documento oficial de normas</p><p>éticas da empresa, é uma forma de compilar as regras, os padrões e os objetivos</p><p>éticos que devem ser perseguidos por todos os que forme o corpo da corporação</p><p>empresarial.</p><p>Conforme Santos (2019), alguns aspectos precisam ser considerados para a</p><p>elaboração do Código de Conduta da empresa, que também poderá ser nomeado de</p><p>“Código de Ética” ou de “Código de Normas de Conduta”, de acordo com o autor. Os</p><p>aspectos a serem levados em consideração são:</p><p>A missão, os valores e os objetivos da empresa: estes devem ser</p><p>éticos, mas o Código de Conduta, também deve atendê-los. A realidade e o</p><p>contexto institucional: Para o seu desenvolvimento e implantação, deve ser</p><p>considerada a realidade da instituição, como: aspectos relativos ao porte da</p><p>empresa, o histórico, a política interna e o segmento e atuação. Aspectos</p><p>legais: É importante que o Código de Conduta atenda aos aspectos legais,</p><p>que podem ser divergentes conforme o país. A comunidade interna: Que deve</p><p>participar ativamente sendo parte integrante do processo. Para as pequenas</p><p>empresas é possível o envolvimento de todos. Para as grandes empresas</p><p>deve-se avaliar a forma de representação, podendo ser selecionada pela</p><p>empresa, mas devem representar de fato a comunidade. A comunidade</p><p>externa: É recomendável selecionar pessoas que compõem a comunidade</p><p>externa para participarem do processo de criação e revisão dos códigos de</p><p>Conduta, a fim de proporcionar outros olhares e aumentara transparência.</p><p>Essa representação pode ser pequena, mas pode ser muito contributiva. A</p><p>multicultura, os aspectos étnicos e religiosos: Para possibilitar um ambiente</p><p>ético e que incentive o desenvolvimento do grupo é determinante o respeito</p><p>à multicultura e aos aspectos étnicos e religiosos de todos os agentes</p><p>(funcionários, fornecedores, clientes, gestores e outros) (SANTOS, p.21/22,</p><p>2019, grifos do autor).</p><p>PARTE III</p><p>4. CÓDIGO DE ÉTICA DE UMA PROFISSÃO</p><p>Em seu livro, Sá</p><p>(2009, p. 152) ensina que “a profissão pode enobrecer pela</p><p>ação correta e competente, pode também ensejar a desmoralização, através da</p><p>conduta inconveniente, com a quebra de princípios éticos.” Ao pertencer a uma</p><p>classe profissional, qualquer que seja sua natureza, o indivíduo assume um</p><p>compromisso com a sociedade e com os colegas de profissão. O que dizer de um</p><p>médico ou um enfermeiro que negligencia os cuidados com um paciente? E um</p><p>professor que desrespeita um aluno? Veja os políticos! Temos aqueles que se</p><p>dedicam ao exercício da representação popular e aqueles citados negativamente</p><p>pela mídia. Observe como existe uma tendência a generalizar a atuação profissional,</p><p>fazendo referências negativas ou positivas a uma classe profissional apenas pela</p><p>observação de um ou de alguns indivíduos cuja ética é questionável pela sociedade.</p><p>4.1 Código de Ética</p><p>Inicialmente, vamos compreender o que tem motivado as organizações a</p><p>redigirem, publicarem e disseminarem um código de ética para os públicos com os</p><p>quais se relaciona. Na sequência, discutiremos uma metodologia de produção do</p><p>código de ética envolvendo os funcionários de uma organização.</p><p>A) Código de Ética Empresarial e profissional</p><p>O que é um código de ética? ARRUDA (2006, p. 526) ensina que se trata de</p><p>um documento cujo objetivo é “nortear condutas, mas procedimentos específicos</p><p>devem constar de normas, manuais ou políticas definidas concretamente para cada</p><p>setor ou atividade”.</p><p>O código de ética, segundo Patrus-Pena e Castro (2010, p. 48) representa a</p><p>“oportunidade de a empresa manifestar os valores básicos que pautam sua conduta</p><p>no mundo dos negócios e na relação com a sociedade”</p><p>Desde que o Instituto Ethos iniciou suas atividades no Brasil, em 1998, as</p><p>organizações têm discutido o tema da responsabilidade social cujo conceito volta-se</p><p>para a gestão do negócio de maneira ética e transparente com os públicos com os</p><p>quais se relaciona, pautando-se no desenvolvimento sustentável, caminho para sua</p><p>sustentabilidade.</p><p>Com a evolução das discussões sobre este tema, observa-se que as</p><p>organizações cada vez mais têm adotado o código de ética como uma ferramenta de</p><p>orientação de conduta das pessoas que nelas trabalham. Lembre-se que já falamos</p><p>que não existem empresas éticas, mas pessoas éticas que trabalham nas empresas.</p><p>As decisões destas pessoas no cotidiano da gestão do negócio constrói a reputação</p><p>tanto da organização como dos próprios profissionais tomadores dedecisão.</p><p>No sentido de orientar a atuação dos profissionais no sentido da conduta ética,</p><p>zelando pela reputação da categoria, é redigido e divulgado o código de ética da</p><p>profissão. De quantos casos você já tomou conhecimento por meio da mídia sobre</p><p>médicos, por exemplo, que tiveram cassado seu registro no conselho da profissão</p><p>devido à sua conduta antiética? Leia a reportagem sobre a médica do Hospital</p><p>Evangélico de Curitiba. Disponívelem:</p><p>B) Como se Elabora um Código de Ética Empresarial</p><p>Se um código de ética orienta a conduta dos profissionais de uma organização,</p><p>então, para que seja efetivo é preciso que eles participem de sua elaboração. Algumas</p><p>sugestões são feitas por ARANTES (2011, p. 143) para que este processo seja</p><p>inclusivo e educativo. Sugiro que sejam seguidas as seguintes etapas na produção de</p><p>um código de ética empresarial:</p><p>1. Organizar reuniões de trabalho no formato de oficinas.</p><p>2. Selecionar representantes de todas as áreas da organização para participar</p><p>das reuniões.</p><p>3. Iniciar com a explicação sobre os objetivos do trabalho que será realizado.</p><p>4. Propor uma discussão inicial sobre o entendimento de cada participante</p><p>sobre os conceitos: ética, moral, cidadania, valores, entre outros.</p><p>5. Levantar as situações vividas pelos participantes que exemplifiquem</p><p>condutas éticas e antiéticas.</p><p>6. Discutir a necessidade de normas para o convívio harmonioso e produtivo.</p><p>7. Conhecer códigos de ética de outras organizações.</p><p>8. Iniciar a elaboração do código de ética da organização utilizando como base</p><p>os conhecimentos adquiridos.</p><p>9. Apresentar para a alta direção e validar o conteúdo.</p><p>10.Organizar reuniões com todos os funcionários divididos por área para</p><p>NA MÍDIA!</p><p>uti.html e faça</p><p>também outras pesquisas</p><p>http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/02/hospital-evangelico-de-curitiba-afasta-47-funcionarios-da-uti.html</p><p>http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/02/hospital-evangelico-de-curitiba-afasta-47-funcionarios-da-uti.html</p><p>apresentação da íntegra do código elaborado e aprovado pela alta direção.</p><p>Entregar o código de ética a cada um dos funcionários com protocolo</p><p>11. Enviar o código de ética para os demais públicos com os quais a</p><p>organização se relaciona: fornecedores, principais clientes, governo, parceiros</p><p>estratégicos.</p><p>12 . Disponibilizar o texto do código de ética no website dá organização.</p><p>13 . Disponibilizar um canal de denúncias para condutas antiéticas.</p><p>4.2 A Ética no Setor Público</p><p>A obrigatoriedade no cumprimento ético dos deveres se dá tanto na esfera da</p><p>gestão privada, como da pública, sendo esta feita por meio da atuação dos servidores</p><p>públicos a quem a população confia a gestão da “coisa pública”. Por meio de políticas</p><p>públicas ou no cotidiano de seu trabalho cabe ao servidor dedicar-se com zelo e</p><p>moralidade na busca pelo bem comum dos cidadãos.</p><p>4.3 O Código de Ética do Servidor Público</p><p>Para resgatar a imagem do Poder Executivo, abalada pela renúncia do</p><p>Presidente Fernando Collor, o Presidente Itamar Franco, em 22/06/1994 aprovou o</p><p>Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.</p><p>Algumas das orientações deste código indicam que:</p><p>▪ O trabalho do servidor público deve ser orientado pela dignidade, decoro,</p><p>zelo, eficácia e consciência dos princípios morais;</p><p>▪ De sua conduta deve fazer parte o elemento ético, a verdade, o sigilo, o zelo,</p><p>a disciplina, a moralidade, a cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo que ele</p><p>precisa para o cumprimento de seusdeveres;</p><p>▪ Não é suficiente apenas distinguir o bem e o mal para garantir a moralidade</p><p>na Administração Pública; além disso, deve-se ter a consciência de que a razão da</p><p>atuação do servidor público é o bem comum;</p><p>▪ A remuneração do servidor público é proveniente dos tributos pagos pelos</p><p>cidadãos brasileiros; a contrapartida que a sociedade brasileira exige do servidor</p><p>volta-se para a moralidade administrativa associada às normas jurídicas;</p><p>▪ Tudo aquilo que o servidor público fizer em âmbito privado tem influência em</p><p>sua vida profissional; desta forma sua conduta fora do órgão público deve ser tão ética</p><p>quanto durante o exercício de seu trabalhodiário;</p><p>▪ Qualquer dano ao patrimônio público “constitui uma ofensa (...) a todos os</p><p>homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças</p><p>e seus esforços para construí-los”; assim sendo cabe ao servidor zelar pelo patrimônio</p><p>público e dele fazer bom uso –– deixar o cidadão esperando em longas filas; maus</p><p>tratos ao cidadão; e atraso na prestação do serviço também são considerados danos</p><p>morais aos usuários dos serviços públicos.</p><p>A seguir, você conhece alguns atos do Poder Público para orientar o servidor</p><p>público no exercício ético de suas atividades.</p><p>▪ Código de Conduta da Alta Administração Federal</p><p>Foi proposta em 18/08/2000 conforme carta ao Presidente da República</p><p>disponível no link</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_conduta/cod_conduta.htm. Acesso</p><p>em: 15 ago. 2011, e aprovado em 21/08/2000. Este código está disponível na íntegra</p><p>no link http://www.servidor.gov.br/codigo_conduta/index.htm. Acesso em: 15 ago.</p><p>2011.</p><p>▪ Comissão de Ética Pública</p><p>Foi criada em 25/09/2003 pela Resolução n. 8, pela Presidência da República,</p><p>por meio de sua CasaCivil publicada no link:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_Conduta/resolucao8.htm</p><p>acesso em:</p><p>15/08/2011, com o objetivo “orientar as autoridades submetidas ao Código</p><p>de Conduta da Alta Administração Federal na identificação de situações que possam</p><p>suscitar conflito de interesses(...)”.</p><p>NA MÍDIA!</p><p>Para aprimorar seus conhecimentos sobre ética acesse o link abaixo e veja o vídeo de</p><p>Leandro Karnal que fala sobre “ética e jeitinho brasileiro”.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=eYjQAwx89mY</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_conduta/cod_conduta.htm</p><p>http://www.servidor.gov.br/codigo_conduta/index.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/codigos/codi_Conduta/resolucao8.htm</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=eYjQAwx89mY</p><p>5. REFERÊNCIAS</p><p>AGUILAR, Francis J. A. Ética nas empresas: maximizando resultados através de uma</p><p>conduta ética nos negócios. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.</p><p>ALONSO, F. R.; LÓPEZ, F. G.; CASTRUCCI, Plínio de Lauro. Curso de Ética em</p><p>Administração Empresarial e Pública. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.</p><p>ARRUDA, M. C. C.; WHITAKER, M. C.; RAMOS, J.M. R. Fundamentos de Ética</p><p>Empresarial e Econômica. 5 ed. São Paulo: Atlas ,2017</p><p>BARSANO, P. R. Ética Profissional: 1. Ed. São Paulo: Érica, 2014 p. 51-56 CORTINA,</p><p>Adela. Martinez, Emilio. Ética. São Paulo: Edições Loyola, 2005. Ética – Origem</p><p>Etimológica, Disponível em: . Acesso em 05 de janeiro de 2020 Ética Aristotélica,</p><p>Disponível em: <https://www.formacaosolidaria.org.br/2013/06/03/etica-aristotelica/>.</p><p>Acesso em 18 de fevereiro de 2020 Ética Empresarial: saiba o que é e qual sua</p><p>importância, Disponível em: < https://www.blbbrasil.com.br/blog/etica-empresarial/>.</p><p>Acesso em 14 de fevereiro de 2020 Ética na Administração e nos Negócios, Disponível</p><p>em: <https://administradores.com.br/artigos/etica-na-administracao-e-nos-negocios>.</p><p>Acesso em 02 de fevereiro de 2020</p><p>CALDINI, Alexandre. “Como gerenciar a crise”, revista Exame, 26 de janeiro de 2000;</p><p>e revista Exame, 8 de novembro de 1995.</p><p>GODOY, Arlida Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Rev.</p><p>adm. empres., São Paulo , v. 35, n. 2, p. 57-63, Apr. 1995 GUILLYER, Andrew W.</p><p>Ética nos Negócios. Porto Alegre: AMGH Editora, 2015.</p><p>HUMBERG, M. E.; CARNEIRO, J.G.P. Ética Empresarial no Brasil e no Mundo: 1.Ed.</p><p>São Paulo: Livraria Pioneira, 1991. p. 5-37</p><p>MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed.São</p><p>Paulo: Atlas, 2003. NASH, L.L. Ética nas Empresas: 1.Ed. São Paulo: Makron Books,</p><p>1993 p.6 Qual a relação da Ética com a administração? Disponível em: <</p><p>https://fnq.org.br/comunidade/qual-e-a-relacao-da-etica-com-a-administracao/>.</p><p>Acesso em 12 de fevereiro de 2020 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 8 Ed.</p><p>São Paulo: Atlas, 2009. P. 174</p><p>SANTOS, F. A. Ética Empresarial: 1. Ed. São Pauo: Atlas, 2019 p. 4. 21-23 SILVA, M.</p><p>V.et al. Certificação de Identidade Histórico-Cultural da Produção de Base Artesanal</p><p>Mineira. Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 1, n. 2, 2006.</p><p>SROUR, R. H. Ética Empresarial: 1. Ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003. P. 50-52.352-</p><p>353 SROUR, R. H. Ética Empresarial: 1. Ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.</p><p>SUNG, Jung Mo; SILVA, Josué Cândido da. Conversando sobre ética e Sociedade.</p><p>17.ed. Petropolis, RJ: Vozes, 2011</p><p>VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. 9ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. ISBN 85-11-</p><p>01177- 3.</p><p>https://www.formacaosolidaria.org.br/2013/06/03/etica-aristotelica/</p><p>https://www.blbbrasil.com.br/blog/etica-empresarial/</p><p>https://administradores.com.br/artigos/etica-na-administracao-e-nos-negocios</p><p>https://fnq.org.br/comunidade/qual-e-a-relacao-da-etica-com-a-administracao/</p><p>a palavra latina</p><p>mores e que deu origem à palavra Moral, enquanto que a segunda orienta a utilização</p><p>atual que damos à palavra Ética. Talvez esteja aí a origem da costumeira confusão</p><p>que se faz sobre moral e ética. Embora os dois termos estejam inseridos na área do</p><p>comportamento humano, eles não são termos equivalentes sendo um erro utilizá-los</p><p>como se fossem sinônimos.</p><p>Ética Profissional são normas de conduta que deveriam ser colocadas em</p><p>prática no exercício da profissão. Serve para regulamentar o relacionamento do</p><p>profissional com seus clientes, caracterizando para a melhoria da dignidade das</p><p>pessoas e a construção do bem-estar.</p><p>A ética profissional está em todas as profissões, desde caráter normativo ao</p><p>jurídico, que regulamenta cada profissão através de estatutos e códigos específicos.</p><p>Sendo a ética fundamental à vida humana, na vida profissional não seria</p><p>diferente, porque cada profissional tem responsabilidades individuais e</p><p>“A reflexão sobre</p><p>nossas ações e a</p><p>própria realização de</p><p>determinadas ações</p><p>e não de outras,</p><p>pode ser</p><p>denominada ÉTICA”</p><p>responsabilidades sociais, que envolvem pessoas que dela se beneficiam. O fazer</p><p>profissional diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir</p><p>para exercer bem asua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, somando</p><p>as atitudes que deve responder no executar de sua profissão. A ética no cotidiano</p><p>acaba se refletindo na Ética Profissional. O Estatuto Ético de uma profissão é a</p><p>responsabilidade que dela decorre.</p><p>A ética profissional codificada vem a preencher uma necessidade de se</p><p>transformar em algo claro e prescritivo, para efeitos de controle corporativo,</p><p>institucional e social, o que navega nas incertezas da ética filosófica. A ética coloca</p><p>deveres para com sigo mesmo, para com os colegas, para com a sociedade e com</p><p>osclientes.</p><p>2.1 Reflexão Sobre a Ética</p><p>a) Ética</p><p>Quando as pessoas respondem intuitivamente à questão “O que é a ética?”,</p><p>existe uma tendência para a identificar com princípios que distinguem o certo do</p><p>errado. O que é correto – numa certa medida. A verdade é que a especificidade das</p><p>situações que exigem uma ação ética motivadas por princípios fortemente éticos exige</p><p>igualmente um tipo de pensamento específico, o qual denominamos de reflexão ética.</p><p>A reflexão ética exige percepção e julgamento. Poderemos ser capazes de</p><p>identificar fatos relevantes num determinado caso e percebermos se os nossos</p><p>princípios orientadores se aplicam a esta ou a outra situação. O que pode ser</p><p>extremamente difícil.</p><p>A capacidade para efetuar distinções e julgamentos desenvolve-se com o</p><p>tempo. Todos nós adquirimos os nossos princípios éticos de base a par de estruturas</p><p>mentais valorativas na mais tenra infância. O que é um fato evidente para a maioria</p><p>das culturas que ensinam às suas crianças a denominada “regra de ouro”, traduzida</p><p>pela pergunta feita pelos educadores aos seus filhos “como te sentirias se alguém te</p><p>tivesse feito isso a ti?”.</p><p>“O que é bom ou mau passa por critérios socioculturais e históricos,</p><p>antes que se tenha um posicionamento individual.”</p><p>Contudo, a nossa formação ética não termina na infância – é um processo que</p><p>envolve o questionar contínuo e o pensamento crítico ao longo da vida. E esta é a</p><p>verdadeira matéria da reflexão ética: aperfeiçoar a nossa percepção ética e</p><p>capacidade de julgamento através da experiência da vida real, de um pensamento</p><p>clarificado e de discussões argumentativas.</p><p>Não só os nossos princípios éticos e estruturas mentais são aprendidos, como</p><p>podem igualmente ser aperfeiçoados. E devemos acreditar que todos se beneficiam</p><p>de uma reflexão ética adequada sobre os assuntos emergentes da vida</p><p>contemporânea, nomeadamente no que diz respeito às obrigações éticas da</p><p>sociedade em torno das questões da pobreza e da impotência face as situações de</p><p>injustiça.</p><p>Todos nós possuímos crenças, ideias e sentimentos no que respeita à ética. E</p><p>é dever da sociedade promover a reflexão crítica e estimular o debate sobre esta</p><p>questão.</p><p>Muitos acreditam que a ética não está, na verdade, enraizada em questões</p><p>racionais, mas sim na forma como cada indivíduo se sente relativamente a</p><p>determinado assunto. Uma razão para esta visão está subjacente ao fato de todos</p><p>nós possuirmos sentimentos fortes no que respeita às questões éticas e, muitas</p><p>vezes, discordarmos com os outros em relação às mesmas. O que pode levar as</p><p>pessoas a pensar que não existe uma resposta certa ou errada para qualquer questão</p><p>ética e que tudo se resume a uma determinada convicção pessoal. O que não é assim</p><p>tão linear. Porque todos parecemos naturalmente talhados para convencer os outros</p><p>do nosso ponto de vista ético através dos nossos argumentos. Parece estranho</p><p>afirmar que a ética está apenas relacionada com formas de sentir e não com estruturas</p><p>racionais. Afinal de contas, os argumentos constituem formas de apresentarmos</p><p>razões para os pontos de vista que defendemos e acontece que as pessoas acabam</p><p>por mudar as suas convicções ao longo dessas discussões argumentativas porque</p><p>acabam por considerar as razões oferecidas pelos outros como convincentes.</p><p>Desta forma, a ética não pode ser vista apenas como uma mera forma de como</p><p>nos sentimos relativamente a uma questão em específico. O que não quer dizer que</p><p>as emoções não representem um papel importante no nosso pensamento ético. Se</p><p>não confiarmos nas nossas emoções até certo ponto – se não nos importarmos com</p><p>os outros, por exemplo – será difícil explicar por que motivo tomamos a sério quaisquer</p><p>questões éticas. Assim, as emoções podem, certamente, contribuir para os nossos</p><p>julgamentos éticos e motivar-nos a agir com preocupação relativamente aos outros,</p><p>mas não podem traduzir tudo o que está inerente a um julgamento ético.</p><p>O ponto principal nessa discussão é que os bons julgamentos éticos são</p><p>considerados juízos, ao invés de ideias pré-concebidas ou intuições emocionais. É</p><p>importante possuirmos sentimentos fortes relativamente às nossas convicções éticas,</p><p>mas os sentimentos não são suficientes – temos, sim, que pensar cuidadosamente</p><p>sobre os nossos julgamentos éticos de forma a assegurar que eles são justificados e</p><p>consistentes.</p><p>b) Moral (valores)</p><p>A moral é normativa a partir de um conjunto de regras, valores, proibições e</p><p>tabus que provêm de fora do ser humano, ou seja, que são cultivados ou impostos</p><p>pela política, costumes sociais, religiões ou ideologias. Como as comunidades ou</p><p>grupos sociais são distintos entre si, tanto no espaço (região geográfica) quanto no</p><p>tempo (época), os valores também podem ser distintos dando origem a códigos</p><p>morais diferentes.</p><p>Assim, a moral é mutável e está diretamente relacionada com práticas culturais.</p><p>Exemplo: o homem ter mais de uma esposa é moral em algumas sociedades, mas em</p><p>outras não. Para Cotrim (2002) a ética é um estudo reflexivo das diversas morais, no</p><p>sentido de explicitar os seus pressupostos, ou seja, as concepções sobre o ser</p><p>humano e a existência humana que sustentam uma determinada moral.</p><p>A ética, então, pode ser o regimento, a lei do que seja ato moral, o controle de</p><p>qualidade da moral. Daí os códigos de ética que servem para as diferentes micro-</p><p>sociedades dentro do sistema maior. A ética define-se como o conhecimento, a teoria</p><p>ATENÇÃO!</p><p>Segundo Cordi (2003, p.62), “ética é uma reflexão sistemática sobre o</p><p>comportamento moral. Ela investiga, analisa e explica a moral de uma</p><p>determinada sociedade”.</p><p>ou a ciência do comportamento moral. É através da ética que compreendemos,</p><p>explicamos, justificamos, analisamos criticamos e, se assim quisermos, aprimoramos</p><p>a moral da sociedade.</p><p>Em última análise, ética é a definidora dos valores e juízos que norteiam a</p><p>moral. Compete à ética, portanto, o estudo da origem da moral, da distinção entre</p><p>comportamento moral e</p><p>outras formas de agir, da liberdade e da responsabilidade e</p><p>de questões como a prática do aborto, da eutanásia e da pena de morte.</p><p>Conforme Cordi (2003) a ética não diz o que deve e o que não deve ser feito</p><p>em cada caso concreto, isso é da competência da moral. A partir dos fatos morais, a</p><p>ética tira conclusões elaborando princípios sobre o comportamento moral.</p><p>Podemos afirmar que o conceito de Ética é mais amplo e rico do que o de Moral.</p><p>Ética implica em reflexão teórica sobre moral e revisões racionais e críticas sobre a</p><p>validade da conduta humana, sendo o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou</p><p>incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado, independentemente das práticas</p><p>culturais.</p><p>c)Liberdade</p><p>Segundo Helvetius e outros deterministas, a liberdade seria uma espécie de</p><p>ilusão, pois há um aspecto biológico do qual não se pode escapar e, sobretudo, um</p><p>aspecto jurídico. Veja o que ele diz:</p><p>“Os homens não são maus, mas submissos aos seus interesses...</p><p>Portanto, não é da maldade dos homens que é preciso se queixar, mas da ignorância</p><p>dos legisladores que sempre colocam o interesse particular em oposição ao geral.</p><p>ATENÇÃO!</p><p>Segundo Cotrim (2002) aMoral é o conjunto de normas, princípios e costumes</p><p>que orientam o comportamento humano, tendo como base os valores próprios a</p><p>uma dada comunidade ou grupo social.</p><p>[…] Até hoje, as mais belas máximas morais não conseguem traduzir nenhuma</p><p>mudança nos costumes das nações. Qual é a causa? É que os vícios de um povo</p><p>estão escondidos no fundo de sua legislação.”</p><p>Vamos analisar o que ele diz:</p><p>▪Que os homens buscam seus interesses, mas isso não significa que eles</p><p>sejam maus;</p><p>▪Não limitar os interesses humanos particulares, ou seja, aqueles que</p><p>beneficiam apenas um grupo pequeno ou muito restrito, é preciso haver leis que</p><p>prefiram os interesses gerais.</p><p>▪Se isso não acontecer, não haverá uma mudança nos costumes, pois as leis</p><p>continuarão a permitir que os erros aconteçam.</p><p>Existem pensadores que defendem que o ser humano é sempre livre. Embora</p><p>existem determinações externas e internas, fatores sociais e subjetivos, a</p><p>liberdade de decidir sobre suas escolhas é superior à força dessas determinações.</p><p>Um exemplo que poderia ser dado para entendermos essa noção seria a de dois</p><p>irmãos que têm a mesma origem social, mas um se torna criminoso e o outro não.</p><p>Vejamos o que o filósofo francês Jean-Paul Sartre disse sobre isso:</p><p>“...Por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o</p><p>homem é liberdade. […] Não encontramos diante de nós valores ou</p><p>imposições que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás</p><p>de nós nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou</p><p>desculpas. Estamos sós e sem desculpas.</p><p>É, portanto, pensadores que defendem que o homem está condenado a ser</p><p>livre. Condenado porque não criou a si próprio; e, no entanto, livre porque, uma vez</p><p>lançado ao mundo, é responsável por tudo o que fizer.”</p><p>Analisando o que Sartre escreveu, entendemos que, para ele:</p><p>▪ Não há determinismo, logo o homem é livre para decidir;</p><p>▪ Se é livre para decidir, não há desculpas ou justificativas para as ações</p><p>do homem. Ele só age de tal modo quando quer agir assim;</p><p>▪ Por ser livre, o homem é responsável por tudo o que faz.</p><p>Entre os pensadores que defendem a relação entre liberdade e determinismo,</p><p>estão o holandês Espinosa e os alemães Marx e Engels. Segundo eles, não há uma</p><p>exclusão entre as ideias de liberdade e de determinismo. Se há fatores objetivos que</p><p>limitam a liberdade humana, como as leis, as normais, a situação social, é possível</p><p>que, pela ação, esses limites sejam expandidos. Para isso, precisamos conhecer os</p><p>determinismos e, quanto maior for o nosso conhecimento a respeito deles, maior será</p><p>o nosso poder de ação sobre eles.</p><p>Vejamos o que o filósofo Karl Marx disse sobre isso:</p><p>“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a</p><p>fazem como circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam</p><p>diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”</p><p>2.2 Principais Doutrinas Éticas (filosófica)</p><p>As questões éticas ocupam nosso mundo desde o início dos tempos. Costuma-</p><p>se afirmar que, quando o homem passa a viver em sociedade, seus desejos e</p><p>impulsos interiores passam a aflorar com mais intensidade, gerando os</p><p>questionamentos que envolvem a relação com os outros integrantes da sociedade.</p><p>Assim, os contornos éticos do ser humano passaram se desenvolver.</p><p>Antes mesmo do início da Filosofia Antiga, cujo nascedouro foi a Grécia, povos</p><p>mais antigos já tratavam se questões éticas, tais como os chineses e os egípcios, em</p><p>especial no tocante à religião, ao trato com o povo e à forma de fazer as guerras</p><p>a) Idade Antiga</p><p>▪ Sócrates</p><p>Costuma-se afirmar que a origem da Ética vem dos estudos desenvolvidos por</p><p>Sócrates. Nascido em Atenas, Sócrates é considerado o pai da Filosofia Moral e</p><p>próprio precursor da Filosofia. O pensamento de Sócrates foi desenvolvido com base</p><p>em análises da natureza humana e suas manifestações ético-sociais. Assim, Sócrates</p><p>quebrou paradigmas vigentes à época, uma vez que a Filosofia então desenvolvida</p><p>era baseada na visão do Cosmos e da Natureza.</p><p>Neste contexto, um dos temas mais presentes no pensamento socrático era a</p><p>VERDADE, como um dos principais integrantes da ÉTICA, que forjaria um juízo</p><p>universal, com o potencial de direcionar a vida dos homens, tanto no plano pessoal</p><p>quanto no plano político.</p><p>A Ética de Sócrates tinha como questão principal a FELICIDADE, a quem</p><p>denominava como o “bem supremo da vida”, ou a própria finalidade da vida. Assim,</p><p>Sócrates entendia a natureza humana como fonte de manifestações ético-sociais,</p><p>sendo que a verdade despontava como verdadeiro paradigma que deveria inspirar</p><p>todos os homens de todas as Nações, tendo a felicidade como vetor de</p><p>direcionamento a ser alcançada como própria essência da vida.</p><p>Segundo Julian Faria:</p><p>A ética socrática reside no conhecimento e em vislumbrar na</p><p>felicidade o fim da ação. Essa ética tem por objetivo preparar o homem para</p><p>conhecer-se, tendo em vista que o conhecimento é a base do agir ético. Ao</p><p>contrário de fomentar a desordem e o caos, a filosofia de Sócrates prima pela</p><p>submissão, ou seja, pelo primado da ética do coletivo sobre a ética do</p><p>individual. Neste sentido, para esse pensador, a obediência à lei era o limite</p><p>entre a civilização e a barbárie. Segundo ele, onde residem as ideias de</p><p>ordem e coesão, pode-se dizer garantida a existência e manutenção do corpo</p><p>social. Trata-se da ética do respeito às leis e, portanto, à coletividade.</p><p>Na construção de seu pensamento, Sócrates jamais teve a pretensão de</p><p>ensinar a quem quer que fosse. Para Sócrates, o conhecimento somente seria obtido</p><p>a partir do reconhecimento da própria ignorância, tendo estabelecido as célebres</p><p>expressões “eu só sei que nada sei” e “O ignorante supõe saber tudo. O sábio sabe</p><p>que nada sabe”.</p><p>Interessante observar que Sócrates não deixou nenhuma obra escrita, sendo</p><p>seu pensamento divulgado posteriormente, em especial nas obras de Platão.</p><p>▪Platão</p><p>Conforme mencionado, coube a Platão, discípulo de Sócrates, divulgar em</p><p>suas obras o pensamento do mestre.A Ética de Platão está direcionada a alcançar o</p><p>BEM. Segundo Platão, somente com a prática do BEM podemos conhecer a ética e a</p><p>política. Esta é característica bem marcada da Ética Platônica, posto que seu</p><p>pensamento a direciona para a política.</p><p>Platão defendia o desprezo aos prazeres da vida, as riquezas e as honras,</p><p>ensinando que a vida humana deveria estar voltada essencialmente para a prática do</p><p>BEM. No entanto, não descartava totalmente esses prazeres, posto que pregava a</p><p>necessidade de equilíbrio entre elementos diversos que levariam a um mesmo fim.</p><p>Por exemplo, a justa medida entre o prazer e a inteligência, é por meio deste</p><p>equilíbrio que as ações humanas atingem o bem. Mas, importante ressaltar que, para</p><p>Platão, o BEM não se realizava nas coisas materiais, mas em tudo que</p><p>engrandecesse a alma.</p><p>Para Platão, o BEM somente seria encontrado no mundo das ideias</p><p>(conhecimento da verdadeira realidade). O escrito “O Mito da Caverna” retrata muito</p><p>bem esse pensamento de Platão. Para ele, o indivíduo não nasce dotado de Ética,</p><p>sendo necessário que o Estado venha a intervir, por intermédio da Educação, para</p><p>dotar o homem de Ética. Assim, a Ética seria fundamentada na LIBERDADE, razão</p><p>pela qual o homem não nasceria já determinado a agir de acordo com princípios</p><p>específicos, mas aprenderia a agir de maneira correta. Assim, o agir ético não seria</p><p>um dom natural do ser humano, mas sim decorrente de um processo educativo</p><p>constante, complexo e, algumas vezes, doloroso.</p><p>A Ética tem por base a liberdade, por isso o indivíduo não nasce determinado</p><p>para agir conforme princípios categóricos, mas aprende-se a agir de maneira correta.</p><p>A Ética de Platão tem por objetivo conduzir o indivíduo a alcançar o SUMO</p><p>BEM, seno que, para tal, deverá ele desprezar os prazeres mundanos e incorporar as</p><p>virtudes essenciais da alma humana.</p><p>▪Aristóteles</p><p>Aristóteles teve suas ideias fomentadas no pensamento de Platão, muito</p><p>embora a partir daí tenha seguido caminhos opostos ao de seu mestre. Com uma</p><p>ampla produção intelectual, revelando-se um pensador eclético, já que tratou sobre:</p><p>o Física;</p><p>o Ética;</p><p>o Política;</p><p>o Metafísica;</p><p>o Retórica;</p><p>o Poesia.</p><p>Aristóteles formulou toda uma reflexão ética, partindo dos fenômenos que</p><p>emergiam da Ciência Política, base da Ciência Social. A Ética Aristotélica vê o homem</p><p>individual essencialmente como um integrante da sociedade, determinando, assim, o</p><p>seu caráter político, alinhado à Ciência Social.</p><p>Na ética aristotélica possui mais valor um cidadão formado nas virtudes,</p><p>especialmente aquelas relacionadas ao conceito de Justiça, do que as prescrições</p><p>objetivas estabelecidas pela lei.</p><p>A Ética aristotélica realiza uma interpretação das ações humanas</p><p>fundamentadas em análises de meio e de fim, resultando da definição de</p><p>determinadas práticas humanas onde o conteúdo moral estará relacionado à prática</p><p>de ações específicas. Tais ações devem ser implementadas não apenas por</p><p>parecerem corretas aos olhos de quem as pratica, mas porque através dessas ações</p><p>o homem estará mais próximo do bem.</p><p>Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco” (1097 b), afirma que esse bem</p><p>supremo nada mais é do que a felicidade. Através das ações positivas, praticadas</p><p>num contexto ético e moral, o homem materializa o bem, alcançando a felicidade:</p><p>(1097 b) Ora, parece que a felicidade, acima de qualquer outra coisa,</p><p>é considerada como esse sumo bem. Ela é buscada sempre por si mesma e</p><p>nunca no interesse de outra coisa; enquanto que a honra, o prazer, a razão,</p><p>e todas as demais virtudes, ainda que as escolhamos por si mesmas (visto</p><p>que as escolheríamos mesmo que nada dela resultasse), fazemos isso no</p><p>interesse da felicidade, pensando que por meio dela seremos felizes. Mas a</p><p>felicidade, ninguém a escolhe tendo em vista alguma outra virtude, nem, de</p><p>uma forma geral, qualquer coisa além dela própria.</p><p>Ressalte-se, no entanto, que estamos nos referindo à verdadeira felicidade,</p><p>aquela que abranda almas e corações, e não à pseudofelicidade, que advém de</p><p>conquistas e atitudes que massacram o semelhante e determinam um mórbido prazer</p><p>ao algoz.</p><p>Para Aristóteles, a VIRTUDE está centrada no JUSTO MEIO, ou seja, os</p><p>extremos de qualquer situação devem ser descartados, buscando-se a chamada</p><p>MEDIANIA. Assim, diante de determinada situação, que exige uma decisão, o</p><p>indivíduo deverá buscar o equilíbrio (que não significa necessariamente exatamente</p><p>o meio das opções), evitando os extremos. Tudo que é extremo não conduz à</p><p>VIRTUDE.</p><p>▪ Epícuro</p><p>Criador do Epicurismo, afirmou que a sabedoria, a honestidade e a justiça eram</p><p>essenciais para uma vida feliz. Neste sentido, o objetivo da vida feliz é o PRAZER. No</p><p>entanto, não devemos confundir o prazer mencionado por Epícuro com o prazer</p><p>mundano. Para Epícuro, o verdadeiro prazer consistiria na tranquilidade do espírito,</p><p>que conduziria ao grande fim da moral.</p><p>Neste contexto, a ÉTICA seria a parte mais importante da Filosofia, uma vez</p><p>que caberia a ela indicar o caminho da Sabedoria, da Honestidade e da Justiça, ou</p><p>seja, o próprio caminho da felicidade.</p><p>Segundo Epicuro, a posse de poucos bens materiais e a não obtenção de</p><p>cargos públicos proporcionam uma vida feliz e repleta de tranquilidade interior, visto</p><p>que essas coisas trazem variadas perturbações. Por isso, as condições necessárias</p><p>para a boa saúde da alma estão na humildade. E para alcançar a felicidade, Epicuro</p><p>cria 4 “remédios”:</p><p>▪ Não se deve temer os deuses;</p><p>▪ Não se deve temer a morte;</p><p>▪ O Bem não é difícil de se alcançar;</p><p>▪ Os males não são difíceis de suportar.</p><p>ATENÇÃO!</p><p>O Prof. João Francisco P. Cabral resume com precisão</p><p>os contornos da Ética proposta por Epícuro (disponível</p><p>em http://www.brasilescola.com/filosofia/a-etica-</p><p>epicuro.htm</p><p>http://www.brasilescola.com/filosofia/a-etica-epicuro.htm</p><p>http://www.brasilescola.com/filosofia/a-etica-epicuro.htm</p><p>De acordo com essas recomendações, é possível cultivar pensamentos</p><p>positivos os quais capacitam a pessoa a ter uma vida filosófica baseada em uma ética.</p><p>A felicidade se alcança através de poucas coisas materiais em detrimento da busca</p><p>do prazer voluptuoso. O homem ao buscar o prazer procura a felicidade natural. No</p><p>entanto é necessário saber escolher de modo que se evite os prazeres que causam</p><p>maiores dores; quando o homem não sabe escolher, surge a dor e a infelicidade.</p><p>O sábio deve saber suportar a dor, visto que logo essa acabará ou até mesmo</p><p>as que duram por um tempo maior são suportáveis. A conquista do prazer e a</p><p>supressão da dor se dão pela sabedoria que encontra um estado de satisfação interna.</p><p>A virtude subordinada ao prazer só pode ser alcançada pelos seguintes itens:</p><p>▪ Inteligência – a prudência, o ponderamento que busca o verdadeiro</p><p>prazer e evita a dor;</p><p>▪ Raciocínio – reflete sobre os ponderamentos levantados para conhecer</p><p>qual prazer é mais vantajoso, qual deve ser suportado, qual pode atribuir um prazer</p><p>maior, etc. O prazer como forma de suprimir a dor é um bem absoluto, pois não pode</p><p>ser acrescentado a ele nenhum maior ou novo prazer.</p><p>▪ Autodomínio – evita o que é supérfluo, como bens materiais, cultura</p><p>sofisticada e participação política;</p><p>▪ Justiça – deve ser buscada pelos frutos que produz, pois foi estipulada</p><p>para que não haja prejuízo entre os homens.</p><p>Enfim, todo empenho de Epicuro tinha como meta a felicidade dos homens.</p><p>Nosjardins (comunidade dos discípulos de Epicuro) reinava a alegria e a vida simples.</p><p>A amizade era o melhor dos sentimentos, pois proporcionava a correção das faltas</p><p>uns dos outros, permitindo as suas correções. Com isso, a moral epicurista é baseada</p><p>na propagação de suas ações, pois ele não se restringiu apenas ao sentimento e ao</p><p>prazer como normas de moralidade, mas foi muito além de sua própria teoria, sendo</p><p>o exemplo vivo da doutrina que proferia.</p><p>Se tivéssemos que resumir a ideia da Ética de Epícuro, certamente sua célebre</p><p>frase se encarregaria disso: “Faze tudo como se alguém te contemplasse.”</p><p>▪ Zenão</p><p>Zenão, seguidor do estoicismo, que acreditava ser a VIRTUDE o grande fim da</p><p>vida humana. Segundo essa ética estoicista, a virtude moral é constituída de</p><p>conhecimento racional e força suprema, "no mundo acontece apenas o que Deus quer</p><p>e o sábio deve aceitar o seu destino". O estoicismo é, portanto, uma forma de viver</p><p>conforme a natureza, sendo seu tema fundamental a existência de uma ordem</p><p>universal racional.</p><p>Assim, segundo a enciclopédia virtual Wikipédia,</p><p>para os Estóicos, “a felicidade</p><p>consiste em viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença</p><p>(apathea) em relação a tudo que é externo. O homem sábio obedece à lei natural</p><p>reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo</p><p>assim manter a serenidade e indiferença perante as tragédias e alegrias”.</p><p>b) Idade Média</p><p>A Ética na Idade Média é marcada pela influencia e regência da fé católica e</p><p>suas doutrinas. Entre o século IV e o século XV, predomina a moral cristã. Deus é</p><p>identificado com o Bem, a Justiça e a Verdade, e deve ser o modelo a ser seguido.</p><p>Neste contexto dificilmente se concebe a existência de teorias éticas</p><p>autônomas da doutrina da Igreja Cristã, dado que todas elas de uma forma ou outra</p><p>teriam que estar de acordo com os seus princípios.</p><p>Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são os principais filósofos da ética na Idade</p><p>Média.</p><p>▪ O primeiro fundamentou a moral cristã, com elementos filosóficos da</p><p>filosofia clássica, dizendo que a ética tinha por objetivo tornar os humanos em seres</p><p>felizes, e essa felicidade só seria atingida num encontro amoroso do homem com</p><p>Deus.</p><p>▪ O segundo concorda com a essência da teoria de Santo Agostinho, mas</p><p>fundamenta-se em questões levantadas por Aristóteles durante a Antiguidade</p><p>Clássica. Em toda a ética de S. Tomás de Aquino está presente o direito natural</p><p>(jusnaturalismo).</p><p>Existe uma lei eterna ― uma lei que governa todo o universo e que existe na</p><p>lógica do surgimento desse universo. A lei natural que existe no Homem é um reflexo</p><p>(ou uma “participação”) dessa lei eterna que rege o universo.</p><p>http://google.com/search?q=jusnaturalismo</p><p>c) Idade Moderna</p><p>Na Idade Moderna, influenciada pelo Renascimento, a Ética passa a se</p><p>distanciar dos preceitos cristãos e aproxima-se mais dos conceitos gregos. As bases</p><p>da Ética passam a se fundamentar na razão, e ficou definida principalmente pelas</p><p>regras, leis e normas impostas pela sociedade. A ascensão da burguesia influenciou</p><p>muito nos fundamentos morais, visto que esta camada social gerou novas ideias e</p><p>conceitos. Os filósofos dessa época pregavam que somente pela Ética era possível</p><p>evitar conflitos entre o indivíduo e a sociedade.</p><p>Nicolau Maquiavel, pensador do Renascimento, afirmou que os valores da Ética</p><p>deveriam se constituir em orientação para os príncipes ou governantes. No entanto,</p><p>afirma ele que, na realidade histórica, os governantes para serem eficientes na</p><p>condução e na administração do Estado, precisam, com frequência, de utilizarem-se</p><p>de meios não-éticos para governar. Por exemplo, precisam usar a violência contra</p><p>seus inimigos e adversários se quiserem defender o Poder político.</p><p>Posteriormente, outros pensadores, baseados em Maquiavel, afirmaram que</p><p>os comportamentos éticos são possíveis nas relações entre os indivíduos. No plano</p><p>das relações sociais e políticas, a Ética apenas seria possível caso não existisse</p><p>desigualdade entre os homens e mulheres. Ou seja, a política apenas seria ética se</p><p>houvesse igualdade de condições entre homens e mulheres. Enquanto as relações</p><p>forem desiguais:</p><p>▪ Dominantes/dominados;</p><p>▪ Proprietários/não-proprietários;</p><p>▪ Ricos/pobres;</p><p>Os valores da Ética não podem ser inteiramente realizados. Para haver</p><p>relações verdadeiramente éticas seria preciso que não haja interesses e conflitos</p><p>antagônicos na sociedade. Isto não significa que não devamos lutar para que na</p><p>política as relações devam obedecer aos valores e ideais tradicionais pregados pela</p><p>Ética em todos os tempos.</p><p>▪ Immanuel Kant – Königsberg – 1724/1804</p><p>“Como muitos outros filósofos, Kant pensava que a moralidade pode resumir-</p><p>se num princípio fundamental, a partir do qual se derivam todos os nossos deveres e</p><p>obrigações. Chamou a este princípio “imperativo categórico”. Na Fundamentação da</p><p>Metafísica dos Costumes (1785) exprimiu-o desta forma:</p><p>“Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo</p><p>desejar que se torne lei universal.”</p><p>No entanto, Kant deu igualmente outra formulação do imperativo categórico.</p><p>Mais adiante, na mesma obra, afirmou que se pode considerar que o princípio moral</p><p>essencial afirma o seguinte:</p><p>“Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de</p><p>outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.”</p><p>Quando Kant afirmou que o valor dos seres humanos “está acima de qualquer</p><p>preço” não tinha em mente apenas um efeito retórico, massim um juízo objetivo sobre</p><p>o lugar dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois fatos importantes sobre as</p><p>pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.</p><p>▪ Primeiro, uma vez que as pessoas têm desejos e objetivos, as outras</p><p>coisas têm valor para elas em relação aos seus projetos. As meras “coisas” (e isto</p><p>inclui os animais que não são humanos, considerados por Kant incapazes de desejos</p><p>e objetivos conscientes) têm valor apenas como meios para fins, sendo os fins</p><p>humanos que lhes dão valor. Assim, se quisermos tornar-nos melhores jogadores de</p><p>xadrez, um manual de xadrez terá valor para nós; mas para lá de tais objetivos o livro</p><p>não tem valor. Ou, se quisermos viajar, um carro terá valor para nós; mas além de tal</p><p>desejo o carro não tem valor.</p><p>▪ Segundo, e ainda mais importante, os seres humanos têm “um valor</p><p>intrínseco, isto é, dignidade”, porque são agentes racionais, ou seja, agentes livres</p><p>com capacidade para tomar as suas próprias decisões, estabelecer os seus próprios</p><p>objetivos e guiar a sua conduta pela razão. Uma vez que a lei moral é a lei da razão,</p><p>os seres racionais são a encarnação da lei moral em si.</p><p>A única forma de a bondade moral poder existir é as criaturas racionais</p><p>apreenderem o que devem fazer e, agindo a partir de um sentido de dever, fazê-lo.</p><p>Isto, pensava Kant, é a única coisa com “valor moral”. Assim, se não existissem seres</p><p>racionais a dimensão moral do mundo simplesmente desapareceria.</p><p>d) Idade Contemporânea</p><p>“O desenvolvimento tecnológico e as mudanças na sociedade trouxeram</p><p>à Idade Contemporânea novas discussões a respeito da ética. As Revoluções, as</p><p>mudanças, os avanços, que prometiam resolver os problemas de uns, causaram</p><p>problemas a outros. Isso quebra os preceitos da ética.</p><p>Mas surge a questão: até que ponto o indivíduo deve obedecer à ética? Por</p><p>exemplo: Mentir seria antiético. Mas o que faria um general capturado pelo inimigo se</p><p>fosse questionado sobre alguma estratégia de seu exército ou sobre a localização de</p><p>alguma base militar secreta? Seria certo falar a verdade e prejudicar seus soldados e</p><p>seu país. O exemplo pode parecer estúpido, mas é esse tipo de conflito que as</p><p>questões éticas enfrentam hoje em dia.</p><p>▪ A ética imposta a sociedade vale mais do que o valores pessoais?</p><p>▪ A ética deve ser padronizada e imposta a todos?</p><p>▪ Afinal, o que é lícito e o que é ilícito?”</p><p>Na verdade, a questão central da Ética nos tempos atuais está voltada para a</p><p>necessidade de respostas a recentes questionamentos.</p><p>O desenvolvimento tecnológico, em especial, trouxe soluções para diversos</p><p>problemas, mas também trouxe novos problemas. As informações, de forma</p><p>massificada, passaram a transitar em tempo real, com o advento da internet. Além</p><p>disso, o acesso a informações no mundo todo passou a estar disponível em um</p><p>simples clique no mouse do computador. As pessoas passaram a se relacionar</p><p>virtualmente e numa rapidez sem igual. Porém, novas questões éticas são trazidas à</p><p>discussão.</p><p>▪ Como deve ser o comportamento do indivíduo na rede mundial de</p><p>computadores?</p><p>▪ Como se dirimir conflitos, ofensas, negociações fraudadas,</p><p>computadores invadidos, crimes cibernéticos?</p><p>▪ Da mesma forma, com os avanços das pesquisas, surge a questão da</p><p>Bioética, envolvendo, em especial, o trato com os dados genéticos: é possível utilizar</p><p>informações genéticas para fins de seleção ou eliminação em algum emprego?</p><p>▪ Quem deve ter acesso aos dados genéticos?</p><p>Enfim, as inúmeras possibilidades tecnológicas geram soluções a diversas</p><p>questões, mas também geram novos problemas que precisam ser equacionados à luz</p><p>dos princípios e valores.</p><p>e) Escola de Frankfurt</p><p>“A Escola de Frankfurt nasceu no ano de 1924, em uma quinta etapa</p><p>atravessada pela filosofia alemã, depois do domínio de Kant e Hegel em um primeiro</p><p>momento; de Karl Marx e Friedrich Engels em seguida; posteriormente de Nietzsche;</p><p>e finalmente, já no século XX, após a eclosão dos pensamentos entrelaçados do</p><p>existencialismo de Heidegger, da fenomenologia de Husserl e da ontologia de</p><p>Hartmann. A produção filosófica germânica permaneceu viva no Ocidente, com todo</p><p>vigor, de 1850 a 1950, quando então não mais resistiu, depois de enfrentar duas</p><p>Guerras Mundiais.</p><p>Ela reuniu em torno de si um círculo de filósofos e cientistas sociais de</p><p>mentalidade marxista, que se uniram no fim da década de 20. Estes intelectuais</p><p>cultivavam a conhecida Teoria Crítica da Sociedade. Seus principais integrantes eram:</p><p>▪ Theodor Adorno;</p><p>▪ Max Horkheimer;</p><p>▪ Walter Benjamin;</p><p>▪ Herbert Marcuse;</p><p>▪ Leo Löwenthal;</p><p>▪ Erich Fromm;</p><p>▪ Jürgen Habermas, entre outros.</p><p>Esta corrente foi a responsável pela disseminação de expressões como</p><p>‘indústria cultural’ e ‘cultura de massa’.</p><p>A Escola de Frankfurt foi praticamente o último expoente, o derradeiro suspiro</p><p>da Filosofia Alemã em seu período áureo. Ela foi criada por Félix Weil, financiador do</p><p>http://www.infoescola.com/sociedade/cultura-de-massa/</p><p>grupo, Max Horkheimer, Theodor Adorno e Herbert Marcuse, que a princípio a</p><p>administraram conjuntamente. Ernst Bloch e o psicólogo Erich Fromm acompanhavam</p><p>à distância o despertar desta linha filosófica, que vem à luz justamente em um</p><p>momento de agitação política e econômica vivido pela Alemanha, no auge da</p><p>famosa República de Weimar. Seus membros seriam partícipes e observadores das</p><p>principais mutações que convulsionariam a Europa durante a</p><p>Primeira Guerra Mundial, seguida por outros movimentos subversivos, dos</p><p>quais ninguém sairia impune.</p><p>Esta Escola tinha:</p><p>▪ Sede: O Instituto para Pesquisas Sociais;</p><p>▪ Um mestre, Horkheimer, substituído depois por Adorno;</p><p>▪ Uma doutrina que orientava suas atitudes;</p><p>▪ Um modelo por eles adotado, baseado na união do materialismo</p><p>marxista com a psicanálise, criada por Freud;</p><p>▪ Uma receptividade constante ao pensamento de outros filósofos, tais</p><p>como Schopenhauer e Nietzsche;</p><p>▪ Uma revista como porta-voz, publicada periodicamente, na qual eram</p><p>impressos os textos produzidos por seus adeptos e colaboradores.</p><p>O programa por eles adotado passou a ser conhecido como Teoria Crítica.</p><p>Os integrantes da Escola assistiram, surpresos e assustados, a deflagração</p><p>da Revolução Russa, em 1917, o aparecimento do regime fascista, e a ascendente</p><p>implantação do Nazismo na Alemanha, que culminou com um exílio forçado deste</p><p>grupo, composto em grande parte por judeus, a partir de 1933. Esta mudança marcou</p><p>definitivamente cada um deles, principalmente depois do suicídio de Walter Benjamin,</p><p>em 1940, quando provavelmente tentava atravessar os Pireneus, temeroso de ser</p><p>capturado pelos nazistas.</p><p>Eles se tornam nômades, viajando de Genebra para Paris, então para os EUA,</p><p>até se fixarem na Universidade de Columbia, em Nova York. A primeira obra produzida</p><p>pelo grupo foi denominada Estudos sobre Autoridade e Família, gerada na Cidade-</p><p>Luz, na qual eles questionam a real vocação da classe operária para a revolução</p><p>social. Assim, eles naturalmente se distanciam dos trabalhadores, atitude que se</p><p>http://www.infoescola.com/historia/republica-de-weimar/</p><p>http://www.infoescola.com/filosofia/escola-de-frankfurt/</p><p>http://www.infoescola.com/filosofia/teoria-critica/</p><p>http://www.infoescola.com/historia/revolucao-russa/</p><p>http://www.infoescola.com/filosofia/escola-de-frankfurt/</p><p>concretiza com o lançamento do livro Dialética do Esclarecimento, lançado em 1947,</p><p>em Amsterdã, que já praticamente elimina do ideário destes filósofos a expressão</p><p>‘marxismo’.</p><p>Erich Fromm e Marcuse dão uma guinada teórica ao juntar os conceitos da</p><p>Teoria Crítica aos ideais psicanalíticos. Marcuse, que optou por ficar nos Estados</p><p>Unidos depois da volta do Instituto para o solo alemão, em 1948, foi um dos</p><p>integrantes da Escola que mais receptividade encontrou para sua produção</p><p>intelectual, uma vez que inspirou os movimentos pacifistas e as insurreições</p><p>estudantis, fundamentais em 1968 e 1969, os quais alcançaram o auge no chamado</p><p>Maio de 68.</p><p>Por outro lado, Adorno, até hoje tido como um dos filósofos mais importantes</p><p>da Escola de Frankfurt, prosseguiu sua missão de transformação dialética da</p><p>racionalidade do Ocidente, na sua obra Dialética Negativa. Sua morte marca a</p><p>passagem para o que alguns estudiosos consideram a segunda etapa da Escola, que</p><p>encontra seu principal líder em Jürgen Habermas, ex-assessor de Adorno e,</p><p>posteriormente, seu crítico mais ardoroso.”</p><p>“A vida e a qualidade de vida não</p><p>vão melhorar apenas por meio do</p><p>desenvolvimento científico e</p><p>tecnológico, mas pelo debate e</p><p>pelo comportamento ético</p><p>dentro da família, da escola e da</p><p>comunidade”.</p><p>http://www.infoescola.com/filosofia/escola-de-frankfurt/</p><p>2.3 Valores Organizacionais</p><p>a) Reflexão sobre o conceito de razão</p><p>De facto, todo o ato de conhecimento inclui duas funções, percepção sensível</p><p>e pensamento. Com isto não se devem querer distinguir duas faculdades humanas</p><p>claramente definíveis. Os psicólogos estão cada vez mais convencidos de que</p><p>percepção e pensamento não se podem separar entre si. Todavia, é claro que</p><p>algumas das nossas experiências são predominantemente de natureza sensível;</p><p>outras, pelo contrário, de natureza racional. É igualmente claro que os sentidos nos</p><p>possibilitam um conhecimento de factos isolados, isto é, de dados determinados os</p><p>quais, grosso modo, se encontram não-organizados e desconectados, enquanto a</p><p>nossa razão tende para conceitos gerais e leis. (...).</p><p>A Natureza consiste em elementos individualizados como seres, sons,</p><p>sensações de paladar, objetos individuais, etc.; contudo, não hesitamos em a</p><p>submeter a leis gerais; é o que acontece quando afirmamos possuírem todos os</p><p>objetos massa ou todos os corpos próximos da terra estarem submetidos à atração</p><p>universal. A experiência sensível não nos permite que façamos afirmações sobre</p><p>«todos», enquanto a razão não se encontra disposta a captar os factos singulares no</p><p>seu contexto concreto e temporal. (...)</p><p>Mesmo uma reflexão sobre os objetos da vida quotidiana contém elementos</p><p>construtivos. Se penso numa árvore, não reproduzo apenas todas as qualidades</p><p>preceptivas a ela ligadas; faço mais: a árvore percebida era um grupo de cores vistas,</p><p>formas e, talvez, impressões tácteis e cinestésicas. À sua imagem da memória</p><p>acrescento os caracteres da sua «exterioridade», da sua forma tridimensional e sua</p><p>existência durável. Especialmente a última é um componente construtivo das</p><p>impressões visuais pois a árvore vista não continua a existir se eu desviar dela o meu</p><p>olhar atento. O trânsito, operado na consciência, dos diferentes aspetos passageiros</p><p>da árvore vista «em privado» para a vista «publicamente», isto é, para o objeto</p><p>reconhecido por todos, realiza-se tão automaticamente que a diferença entre as duas</p><p>árvores, a «privada» e a «pública» não é habitualmente considerada.</p><p>(...) A experiência realiza-se de maneira a que seja completada e integrada,</p><p>pela passagem do sensível e espontâneo para o racional e refletido. Mediante esta</p><p>passagem, os elementos do dado recebem aspetos metódicos característicos e</p><p>permitem ao pensamento dominá-los. Às propriedades</p><p>dos simples dados dos</p><p>sentidos é inerente uma certa imprecisão lógica e um entrelaçamento complicado que</p><p>torna impossível uma classificação pura e simples dos dados na sua especificidade</p><p>individual. (...)</p><p>A via conducente ao saber metódico exige a introdução de construções. Estas</p><p>são o elemento racional a que deve corresponder a experiência de facto. Um objeto</p><p>exterior é a construção mais simples que utilizamos para a maioria dos conteúdos da</p><p>percepção sensível. Outras são as formas geométricas, os números e a maioria dos</p><p>conceitos específico-genéricos da física moderna.</p><p>Sendo, à primeira vista, a razão tal como o bom senso, a coisa do mundo mais</p><p>bem partilhada – ainda que nem todos a usem da mesma maneira – nada existe de</p><p>mais imediato que o significado de razoável e de racional. Mas, olhando mais de perto</p><p>a questão cai-se na conta de que a noção de razão é difícil de captar. Evoca</p><p>simultaneamente um ideal, uma atitude e um método. Fala-se de razão como um</p><p>sistema de princípios, que o século XVIII com Robespierre, diviniza; ou de um</p><p>determinado processo de julgar os acontecimentos que nos dizem respeito; ou de uma</p><p>regra de conhecimento. Vejamos apenas, a título de exemplo, alguns dos vários usos</p><p>da palavra razão nos textos.</p><p>A guerra interior da razão contra as paixões», diz Pascal, «fez com que aqueles</p><p>que quiseram a paz se tivessem dividido em dois grupos. Uns quiseram renunciar às</p><p>paixões e transformaram-se em deuses; outros quiseram renunciar à razão e</p><p>transformaram-se em brutos animais... Mas, uns e outros não o conseguiram, e a</p><p>razão não deixa de estar presente tanto a acusar a baixeza e injustiça das paixões</p><p>como a perturbar o descanso dos que a elas se entregam; as paixões permanecem</p><p>vivas até naqueles que preferem renunciar-lhes» (Pascal, Pensées).</p><p>A razão de que fala Pascal é uma espécie de consciência que o Homem tem</p><p>da própria dignidade e dos fins para que nasceu e continuamente lhe vai mostrando</p><p>como que um modelo ideal daquilo que deve ser e fazer(...).</p><p>Mas quando o mesmo autor afirma que a geometria nos mostra «o verdadeiro</p><p>método de conduzir a razão»; que significar outra coisa; que é a faculdade de</p><p>conhecer o verdadeiro. (...)</p><p>Condorcet escreve (...):</p><p>O rápido triunfo da razão e da liberdade vingou o género humano»</p><p>(Condorcet, L’esprit géometrique). A razão, aqui, é a luz da inteligência</p><p>descobrindo os princípios naturais do conhecimento certo e da ação justa. É</p><p>o ideal para que se voltam os homens do século XVIII, contrastando-o com</p><p>as perversões que denunciam na sociedade do seu tempo.</p><p>Finalmente Renan, na sua Priére sur Acrópole, ao falar muito justamente da</p><p>arquitetura efémera das catedrais, diz:</p><p>São fantasias de bárbaros que pensam fazer algum bem fora das regras que</p><p>traçaste, Razão, aos teus seguidores». (Renan, IX. Époque)</p><p>Esta razão é simultaneamente um ideal w e um método, nome que Renam dá</p><p>ao pensamento crítico bem elaborado, reconduzindo às dimensões do Homem as</p><p>miragens que a fantasia se atreve a criar.</p><p>Sem dúvida, podemos dizer que todos estes usos da palavra razão se</p><p>interrelacionam, exprimindo talvez, para uma dada época, num determinado sector da</p><p>civilização, uma maneira comum de pensar a situação do Homem perante os</p><p>acontecimentos da própria história e das coisas de que deseja apropriar-se, pela</p><p>especulação ou pela ação. É que a razão só pode definir-se utilmente num contexto;</p><p>não é uma noção simples e imediatamente dada, mas um dos complexos culturais</p><p>mais ricos de sentido como tema de observação e de reflexão.</p><p>b) Racionalidade e ética</p><p>A racionalidade será ética. A racionalidade ética será comunicacional. Perante</p><p>a heterogeneidade das formas de experiência, dos modos de compreensão do mundo,</p><p>dos modelos de relacionamento social, enfim perante a diversidade na atribuição de</p><p>sentido ao que nos rodeia e ao que inventamos como possível, impõe-se uma margem</p><p>incompatível com definições prévias e rigorosas de valores, de sentidos, de verdades.</p><p>Não há leituras literais da realidade, não há fidelidade na apreensão do real.</p><p>Percepcionamos o mundo como se, significamos como se, imaginamos como se. A</p><p>estrutura da nossa relação com as coisas é sempre figurativa, resulta sempre de um</p><p>trabalho criador do entendimento e da imaginação.</p><p>No processo inevitável de figuração do mundo, atribuímos-lhe contornos,</p><p>construímos metáforas, impregnamo-lo de linguagem - na forma como o percebemos</p><p>e na forma como agimos sobre ele. Essa construção de figuras é acompanhada (filtra</p><p>e é filtrada) por juízos éticos que ou nos conduzem no respeito pelas diferenças e na</p><p>tolerância por outras formas de figuração do mundo ou nos bloqueiam num quadro de</p><p>certezas de curtas dimensões e moldura demasiado apertada. A figuração é</p><p>transfiguração quando abre ao outro, quando solicita para lá do imediato mediatizado</p><p>pelo próprio, ou desfiguração quando rejeita as figurações alheias e empobrece,</p><p>assim, as possibilidades de criação de sentido.</p><p>A questão do outro é de tal modo instituinte da identidade subjetiva que marca</p><p>decisivamente qualquer dos atos humanos. A inteligência é competência criadora na</p><p>apreensão, na significação, na imaginação do mundo, ela apreende transformando,</p><p>significa transformando, imagina transformando - porque atribui sentido, porque</p><p>avalia, porque se transforma transformando. Todo este trabalho de criação é tributário</p><p>do lugar reservado ao outro, ao “outro outro” e ao “outro no próprio”.</p><p>Ensinar às crianças a diversidade nas línguas (há muitas formas de designar</p><p>um coelho), nos comportamentos (há muitas formas de vestir e comer), nas visões do</p><p>mundo (há muitas paisagens a descobrir), é fazer com elas um exercício (semiótico,</p><p>pragmático e ético) de compreensão e tolerância. A racionalidade será ética.</p><p>A racionalidade ética será comunicacional. Comunicacional quer dizer</p><p>tensional, atravessada por conflitos, por diferentes interpretações. Comunicar quer</p><p>dizer gerir diferenças, pôr em comum pontos de vista, construindo um tempo e um</p><p>espaço lógicos de troca, suportados, é certo, pelos tempos e espaços empíricos de</p><p>cada interlocutor, mas de nível operatório mais complexo. Comunicar, nesse espaço</p><p>e tempo lógicos, passa por um trabalho de bi codificação e bi-contextualização que</p><p>permita justamente pôr em comum alguma coisa: referenciar e investir de sentido,</p><p>correferência e cosignificar.</p><p>A comunicação é alimentada por um estado de tensão entre os homens e entre</p><p>os homens e as coisas. Estado de tensão que a comunicação tende ela própria a</p><p>alimentar num processo de diferimentos sucessivos e nunca resolvidos. A natureza</p><p>tensional da comunicação é a sua condição de possibilidade.</p><p>Mas é também a sua condição dramática. Pensar a racionalidade ética sem</p><p>escamotear a sua dimensão comunicacional é inevitavelmente pôr em relevo a</p><p>natureza conflitual dos procedimentos comunicacionais. Os consensos absolutos, por</p><p>um lado, e as transgressões extremas, por outro, impossibilitam a comunicação, são</p><p>condições mesmo de incomunicabilidade total.</p><p>A racionalidade ética é, pois, incompatível com valores e limites definidos</p><p>rigorosamente a priori, é incompatível com uma lógica do consenso disciplinadora das</p><p>diferenças e singularidades, assim como é incompatível com a ausência de critérios</p><p>orientadores da intercompreensão e convivência entre os homens.</p><p>1. Que lugar então para os juízos éticos?</p><p>2. Como conceber uma moral que preserve a lucidez perante a</p><p>heterogeneidade?</p><p>3. Como definir referentes de ação no labirinto das diferenças?</p><p>4. Como definir valores que não ambicionem a hegemonia?</p><p>5. Como instituir direitos sem atropelar outros direitos?</p><p>Estamos perigosamente no reino das aporias, dos paradoxos. Ponto final,</p><p>abandonemos o problema? Declaremos a esterilidade da questão ou procuremos</p><p>ainda pensá-la?</p><p>De facto, tanto as exigências teóricas</p><p>como as exigências práticas da vida</p><p>impõem que se insista.</p><p>Podemos estudar os procedimentos de validação e legitimação dos consensos;</p><p>podemos tentar articular uma moral universalista (a da Europa?) - enquanto</p><p>macroética - que não ameace a incomensurável pluralidade de formas de vida antes</p><p>a proteja; podemos propor a solidariedade como valor fundamental; podemos instituir</p><p>a resolução caso a caso dos conflitos...</p><p>A reflexão contemporânea sobre a razão e sobre a ética é modelada pela</p><p>incontornável importância atribuída à dimensão do fenómeno comunicacional. O logos</p><p>não é uma entidade imutável, deve dar conta das contradições e mudanças que o</p><p>atravessam quando atravessa a relação que estabelecemos com o mundo.</p><p>Os logos tradicionais, tal como foi sistematizado pelos Gregos e confirmado</p><p>pelo pensamento escolástico, seria essencialmente composto por três figuras (o</p><p>trabalho de figuração atinge também a forma como o pensamento se pensa): a</p><p>necessidade, a evidência e a proposição.</p><p>O ser é como é, as coisas são como o seu ser é (na versão ontológica) ou as</p><p>categorias do conhecimento são universais (na versão epistemológica kantiana).</p><p>Necessidade e universalidade. Necessidade e imutabilidade.</p><p>As ideias primeiras e intuitivas são evidentes, elas definem o encadeamento</p><p>lógico das outras ideias. Evidência e método. Evidência e verdade.</p><p>A proposição é a forma inequívoca de expressão das verdades necessárias.</p><p>Proposição e princípio da identidade. Proposição e princípio da não contradição.</p><p>E, deste modo sistémico, organizado, estariam definidos as possibilidades e os</p><p>limites do pensamento. A comunicação processar-se-ia entre consciências, a</p><p>linguagem seria o instrumento que permitiria tornar público o pensamento: concepção</p><p>pobre e elementar da comunicação que, de facto, postula mais a incomunicabilidade</p><p>do que o seu oposto.</p><p>Pensar hoje o pensamento e pensar hoje a ética implica abandonar essas três</p><p>figuras. O ser e o não ser baralham-se, as evidências tornam-se insustentáveis, a</p><p>proposição é substituída pelo jogo dos argumentos - e a dimensão comunicacional</p><p>transforma-se assim no núcleo fundador de uma analítica do social. A figura da</p><p>“relação”, na sua complexidade lógica e na sua abertura ao novo, é hoje a mais</p><p>apropriada para pensar a racionalidade. Ela é a única capaz de impedir a afirmação</p><p>de qualquer absoluto (ontológico ou ético).</p><p>PARTE II</p><p>NA MÍDIA:</p><p>Para aprimorar seus conhecimentos sobre Ética acesse o link abaixo e veja o</p><p>vídeo de Leandro Karnal fala sobre “Ética em ambientes profissionais”.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=pEXhGE7Fd6s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=pEXhGE7Fd6s</p><p>3. DEFINIÇÃO DE ÉTICA EMPRESARIAL</p><p>3.1 Ética nas Organizações</p><p>a) Conceituação</p><p>Segundo Joaquim Magalhães Moreira (Ética Empresarial no Brasil. São Paulo:</p><p>Pioneira, 1999, p. 28), a Ética Empresarial ou Ética nas Organizações pode ser</p><p>conceituado como o comportamento da empresa – entidade lucrativa – quando ela</p><p>age de conformidade com os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas</p><p>pela sociedade (regras éticas).</p><p>Já vai longe o tempo em que as empresas resumiam suas ações à busca do</p><p>lucro. Atualmente, para que tenha viabilidade, uma empresa deve primar pela</p><p>chamada Ética Empresarial, professando condutas que ultrapassam as barreiras do</p><p>mero interesse interno. Assim, as empresas devem primar pelo relacionamento</p><p>saudável entre seus colaboradores; respeitar os direitos dos clientes; agir de forma</p><p>honesta e proba em relação ao Estado; observar a responsabilidade social e</p><p>ambiental. É todo este conjunto de boas práticas que vão formatar o conceito de Ética</p><p>Empresarial.</p><p>b) Formação ética nas empresas</p><p>Fonte: (SUNG, 2011).</p><p>Para que uma empresa observe os procedimentos éticos em suas atividades,</p><p>não basta a mera existência de recomendações a este respeito. Tampouco é</p><p>suficiente a criação de um Código de Ética. A formação ética em uma empresa</p><p>reveste-se de complexidade e deve ser buscada em todos os momentos.</p><p>A máxima de que o exemplo vem de cima é o ponto de partida para a formação</p><p>ética nas empresas. Não é possível exigir dos colaboradores que observem a ética e</p><p>os bons procedimentos se a cúpula da empresa faz exatamente ao contrário. Uma</p><p>empresa cuja cúpula não respeita os consumidores praticamente gera uma linha</p><p>mestra de atuar de seus colaboradores, neste mesmo sentido. Assim, pouco importa</p><p>se no papel a empresa se apresenta como gerenciadora de boas práticas, se na</p><p>realidade despreza tais valores.</p><p>Outro ponto importante é a contínua orientação e treinamento dos</p><p>colaboradores, que devem ser treinados para observarem as boas práticas, em todos</p><p>os sentidos, quer seja no relacionamento interno, quer seja no relacionamento com</p><p>clientes, com outras Empresas, com a comunidade e com o próprio Estado.</p><p>A busca pela excelência de comportamento deve ser um dos vetores</p><p>primordiais da empresa, como base de uma formação ética.</p><p>Um dos grandes benefícios da ética empresarial é que ela é reconhecida e</p><p>valorizada pelo cliente, sendo estabelecida uma relação de confiança. Essa relação,</p><p>baseada na satisfação do cliente, vai originar lucro para a empresa, ajudando a que</p><p>ela cumpra os seus objetivos. No entanto, a confiança com o cliente é uma coisa que</p><p>demora algum tempo a conseguir, e pode ser perdida com algum erro cometido a nível</p><p>empresarial.</p><p>A ética empresarial é a razão de ser de uma empresa, e as empresas que não</p><p>funcionam de forma ética, por exemplo, tentando ganhar dinheiro fácil enganando os</p><p>clientes, estão condenadas ao fracasso."</p><p>Fonte: (SUNG, 2011).</p><p>3.2 Perfil Ético das Organizações</p><p>a) Características organizacionais</p><p>Fonte:(SUNG, 2011).</p><p>No admirável mundo em que vivemos, pode-se constatar, sem dificuldade, que</p><p>as organizações representam a invenção mais sofisticada e complexa de toda a</p><p>história da humanidade. Elas são a base fundamental da invenção e reinvenção de</p><p>todas as demais criações do ser humano. Ficamos encantados com as maravilhas</p><p>criadas pelo conhecimento humano – máquinas e artefatos, como o computador, a</p><p>nave espacial, o avião a jato, o telefone celular e outras tecnologias avançadas –, mas</p><p>nos esquecemos de que todas essas invenções são criadas, desenvolvidas e</p><p>produzidas dentro das organizações. Na verdade, todas as invenções modernas são</p><p>produtos das organizações.</p><p>Saco as organizações que projetam, criam, aperfeiçoam, desenvolvem,</p><p>produzem, distribuem e entregam tudo o que precisamos para viver. Produtos,</p><p>serviços, facilidades, entretenimento, informação, educação, inovações – tudo isso é</p><p>continuamente gerado, desenvolvido, produzido e entregue por organizações. Na</p><p>realidade, vivemos em uma sociedade de organizações. Tudo, ou quase tudo, é</p><p>inventado, projetado, feito e produzido por organizações. Além disso, nascemos em</p><p>organizações, aprendemos nelas, trabalhamos nelas, dependemos delas e até́</p><p>morremos nelas. Vivemos a maior parte de nosso tempo e de nossas vidas dentro</p><p>delas.</p><p>É incrível a quantidade e a heterogeneidade de organizações: empresas,</p><p>bancos, financeiras, escolas e universidades, hospitais, lojas e comércio, shopping</p><p>centers, supermercados, postos de gasolina, restaurantes, estacionamentos,</p><p>organizações não governamentais (ONG), igrejas, repartições públicas, exército,</p><p>fábricas, rádio e televisão, além de uma interminável lista de exemplos.</p><p>As organizações produzem bens, serviços, energia e comunicação das mais</p><p>diversas naturezas e características. Produzem entretenimento e conveniências,</p><p>proporcionam informação, geram e distribuem conhecimento, cuidam da saúde e da</p><p>educação e, acima de tudo, impulsionam a inovação e facilitam o desenvolvimento</p><p>tecnológico e social. Mais ainda, elas agregam valor e criam riqueza. O</p><p>desenvolvimento de uma nação baseia-se primariamente</p><p>no desenvolvimento e na</p><p>atuação de suas organizações.</p><p>São as organizações que criam o desenvolvimento humano, econômico e</p><p>social; são elas que tocam a economia de cada país para a frente. Não existem duas</p><p>organizações iguais. Todas são profundamente diferentes entre si. Há organizações</p><p>de todos os tamanhos possíveis, desde as micro-organizações – como</p><p>microempresas ou peque- nas e simples empresas individuais – até enormes e</p><p>complexas organizações multinacionais e globais que estendem sua influência pelo</p><p>mundo todo e ultrapassam as fronteiras dos países.</p><p>Existem organizações compostas de um invejável patrimônio físico e recursos</p><p>tangíveis, mas também organizações virtuais que não requerem os tradicionais</p><p>conceitos de espaço e tempo para funcionar. A diversidade e heterogeneidade das</p><p>organizações é uma realidade simplesmente impressionante.</p><p>Um belo exercício mental seria tentar listar todos os tipos de organizações que</p><p>conhecemos. Contudo, as organizações fazem parte de um mundo maior, que é a</p><p>sociedade em que vivemos. Elas não existem isoladas, ou insuladas, nem são</p><p>autossuficientes. Elas não vivem sozinhas. Na verdade, elas são sistemas atuando</p><p>dentro de sistemas maiores e estão inseridas em um meio ambiente constituído por</p><p>uma enorme variedade de outras organizações. De modo geral, as organizações</p><p>dependem umas das outras para poderem sobreviver e competir em um complexo</p><p>mundo de organizações. Elas fornecem insumos e recursos para que outras</p><p>organizações possam funcionar e trabalhar.</p><p>Há, portanto, um incrível universo de organizações. O dinâmico intercâmbio</p><p>entre elas ultrapassa as fronteiras dos países e se projeta em escala global. A</p><p>interdependência organizacional é cada vez maior graças às alianças estratégicas</p><p>entre organizações que se relacionam em redes integradas e complexas. Afinal, a</p><p>União faz a forca. E isso se aplica principalmente às organizações. Na verdade, elas</p><p>tanto colaboram entre si com relação a recursos e investimentos, como também</p><p>competem na disputa de clientes e mercados. Um complicado jogo de interesses para</p><p>alcançar seus objetivos, que podem ser comuns ou antagônicos.</p><p>O comportamento organizacional volta-se para o estudo da dinâmica e do</p><p>funcionamento das organizações. Seu foco central está em compreender como a</p><p>organização funciona e como ela se comporta. Como as organizações são</p><p>basicamente diferentes entre si, o comportamento organizacional se preocupa em</p><p>definir as A bases e as características.</p><p>A ética é um assunto polêmico, que gera uma série de conflitos no âmbito</p><p>organizacional principalmente quando relacionado às rotinas internas das empresas</p><p>onde ocorre grande parte das atividades, então o que fazer para driblar este assunto</p><p>e interagir de forma positiva com a equipe, sendo que as opiniões são divergentes e</p><p>interferem diretamente sobre a imagem das organizações? Sendo o ambiente de uma</p><p>empresa um local onde existem diversas personalidades distintas, e ocorrem</p><p>diferentes situações de trabalho no qual a ética profissional é colocada em prova, a</p><p>empresa precisar ter um gestor que saiba identificar as habilidades de cada</p><p>colaborador e, ainda assim ser cauteloso para estabilizar e controlar o comportamento</p><p>da equipe para extrair seus talentos empreendedores de forma a beneficiar a</p><p>empresa.</p><p>A competitividade e a busca pelo crescimento para atingir um alto posto</p><p>provoca comportamentos duvidosos quanto à índole do indivíduo. Desenvolver a</p><p>equipe e conhecer seus componentes é fundamental para poder traçar um perfil ético</p><p>do seu funcionário, para compará-lo com o da empresa, mas no momento da</p><p>contratação é impossível dizer se o "colaborador" é bom ou não, então o gestor deve</p><p>acompanhar sua trajetória e suas atitudes no ambiente de trabalho para visualizar os</p><p>valores éticos de cada pessoa da equipe, desta forma mantendo o equilíbrio ético e a</p><p>harmonia na empresa.</p><p>Para ser um gestor é preciso ter capacidade e a habilidade de interpretar fatos</p><p>e reverter situações de conflito tendo sensibilidade de compreender o comportamento</p><p>individual de cada pessoa, para descobrir e o caráter e, analisar as responsabilidades</p><p>e se comprometimento ético como profissional. Para poder exercer essa posição de</p><p>destaque e dirigir uma equipe o gestor deve ser ético com seus princípios e com os</p><p>valores que a empresa apresenta para manter e cultivar os valores éticos da</p><p>organização perante os novos colaboradores.</p><p>Como, por exemplo, são muito comuns nas empresas do ramo de vendas no</p><p>setor comercial, situações em que um colega usa de artimanhas pra ficar com a venda</p><p>do outro, assim aumentando sua comissão, essa atitude provoca a desunião na</p><p>equipe e prejudica o objetivo maior do setor que é alcançar a meta prevista. Esse tipo</p><p>de situação desvirtua e provoca a insatisfação para com a empresa por permitir que</p><p>isto ocorra, sendo assim, é inadmissível que o gestor fique neutro, ele deve se</p><p>posicionar de forma ética eliminando esses comportamentos negativos, e estimulando</p><p>positivamente o espírito de equipe, assim trabalhando em conjunto para obterem os</p><p>resultados programados pela organização.</p><p>Em uma organização quando surge uma vaga e há possibilidade de qualquer</p><p>colaborador ocupar esta posição, pode-se analisar e perceber o caráter de cada</p><p>indivíduo e saber se ele é ético ou não ao investigar suas competências e atitudes</p><p>para conseguir o cargo em questão. Se ele é objetivo, prático e sabe resolver questões</p><p>de imediato sem comprometer seus princípios éticos e nem passar por cima de seus</p><p>colegas por ambição. Ter o discernimento para expressar suas reais habilidades sem</p><p>comprometer sua ética pessoal é fundamental na conquista de uma oportunidade de</p><p>crescimento.</p><p>A ética depende dos valores que cada ser humano cultiva ao longo de sua vida,</p><p>sendo assim é difícil dizer o que é teoricamente correto no ambiente organizacional.</p><p>Para tanto é preciso extrair o melhor de cada situação para edificar e solidificar os</p><p>princípios de uma empresa, o que é essencial no seu crescimento, assim sendo ético</p><p>com sigo mesmo e com a sociedade.</p><p>b) Ética X lucratividade</p><p>Os economistas do século XVIII, acreditavam que, a ação de cada indivíduo</p><p>era dirigida por uma “mão invisível”, a fim de contribuir para o bem-estar geral e o bom</p><p>funcionamento do sistema econômico.</p><p>Considerando que o lucro é um produto da atividade da empresa que cabe a</p><p>seus investidores, seja por serem distribuídos, seja por representarem recurso a ser</p><p>reinvestido na sociedade, há, também sob esse aspecto, grande interesse nessa</p><p>informação. Ao tecer comentários sobre o conceito de formação do resultado do</p><p>exercício, os estudiosos do assunto, Iudícibus, Martins e Gelbeck explicam: “A lei veio</p><p>definir com clareza, através da Demonstração do Resultado do Exercício, o conceito</p><p>de lucro líquido, estabelecendo critérios de classificação de certas despesas”.</p><p>Assim é feita a distribuição do lucro entre os sócios de uma empresa,</p><p>normalmente, o lucro líquido será distribuído aos sócios da empresa de forma</p><p>proporcional ao capital social de cada um deles.</p><p>Szuster (1985, p.1) assim se expressa sobre a relação entre capital e lucros:</p><p>“A manutenção de uma estrutura que permita a obtenção de lucros futuros é</p><p>considerada necessária”.</p><p>Entende-se que o capital a ser mantido é aquele que permita a realização</p><p>completa das operações a que ela se destina, dentro das condições do mercado em</p><p>que ela atua, e que assegure os rendimentos líquidos mínimos esperados pelos</p><p>acionistas e investidores, ao final de cada período. Assim, a importância do lucro</p><p>distribuível pode ser resumida nos seguintes aspectos principais:</p><p>▪ É uma necessidade da empresa, para manter nela mesma os</p><p>investimentos já efetuados pelos seus acionistas, sócios e investidores;</p><p>▪ É ponto fundamental de planos estratégicos e operacionais.</p><p>Objetivando a continuidade da</p>