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UNIVERSIDADE PARANAENSE MANTENEDORA Associação Paranaense de Ensino e Cultura – APEC REITOR Carlos Eduardo Garcia Vice-Reitora Executiva Neiva Pavan Machado Garcia Vice-Reitor Chanceler Candido Garcia Diretorias Executivas de Gestão Administrativa Diretorias Executivas de Gestão Acadêmica Diretor Executivo de Gestão dos Assuntos Comunitários Cássio Eugênio Garcia Diretora Executiva de Gestão da Cultura e da Divulgação Institucional Cláudia Elaine Garcia Custodio Diretora Executiva de Gestão e Auditoria de Bens Materiais Permanentes e de Consumo Rosilamar de Paula Garcia Diretor Executivo de Gestão dos Recursos Financeiros Rui de Souza Martins Diretora Executiva de Gestão do Planejamento Acadêmico Sônia Regina da Costa Oliveira Diretor Executivo de Gestão das Relações Trabalhistas Jânio Tramontin Paganini Diretor Executivo de Gestão dos Assuntos Jurídicos Lino Massayuki Ito Diretor Executivo de Gestão da Pesquisa e da Pós-Graduação Régio Marcio Toesca Gimenes Diretora Executiva de Gestão do Ensino Superior Maria Regina Celi de Oliveira Diretor Executivo de Gestão da Extensão Universitária Adriano Augusto Martins Diretor Executivo de Gestão da Dinâmica Universitária José de Oliveira Filho Diretorias dos Institutos Superiores das Ciências Diretora do Instituto Superior de Ciências Agrárias, Tecnológicas e Geociências Giani Andréa Linde Colauto Diretora do Núcleo dos Institutos Superiores de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes, Ciências Sociais Aplicadas e Educação Fernanda Garcia Velásquez Diretora do Instituto Superior de Ciências Biológicas, Médicas e da Saúde Irinéia Paulina Baretta Diretorias das Unidades Universitárias Diretor da Unidade de Umuarama – Sede Nílvio Ourives dos Santos Diretor da Unidade de Toledo Roberto Ferreira Niero Diretora da Unidade de Guaíra Sandra Regina de Souza Takahashi Diretora da Unidade de Paranavaí Edwirge Vieira Franco Diretor da Unidade de Cianorte José Aparecido de Souza Diretor da Unidade de Cascavel Gelson Luiz Uecker Diretor da Unidade de Francisco Beltrão Claudemir José de Souza SEMEAD – SECRETARIA ESPECIAL MULTICAMPI DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Secretário Executivo Carlos Eduardo Garcia Coordenação Geral de EAD Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato Coordenador do Núcleo de Cursos Superiores nas Áreas de Educação, Linguística, Letras e Artes e Ciências Humanas Heiji Tanaka Coordenador do Núcleo de Cursos Superiores da Área de Ciências Sociais Aplicadas Evandro Mendes Aguiar Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da UNIPAR ( U58f UNIPAR - Universidade Paranaense. Filosofia e ética empresarial / Jefferson Silva Queiroz (Org.). Umuarama: Unipar, 2013. 57 f. ISBN: 978-85-87505-69-9 Filosofia. 2. Ensino a distância - EAD. I. Universidade Paranaense. II. Título. (21 ed.) CDD: 100 ) Revisão de Normas Bibliográficas Inês Gemelli Diagramação e Capa Sandro Luciano Pavan * Material de uso exclusivo da Universidade Paranaense – UNIPAR com todos os direitos da edição a ela reservados. SUMÁRIO Filosofia e Ética Empresarial Apresentação 5 Introdução 8 UNIDADE I: Noções de Cultura e Sociedade 11 Objetivos 11 Conceitos básicos: cultura e sociedade 11 Cultura ética 14 Conceitos: ética e moral 14 Definição de ética 15 O mundo grego clássico 15 Conceito de virtude 19 O ser humano virtuoso 22 Indicação para leitura 24 UNIDADE II: A Formação da Sociedade Capitalista 25 Introdução 25 Formação do estado moderno 26 Estado absolutista 27 Estado liberal 27 Estados nacionais 28 Estado neoliberal 29 O capitalismo e a sociedade de consumo 30 Ética: um bom negócio 32 Indicação para leitura 33 UNIDADE III: Fundamentos Éticos e Virtudes 35 Introdução 35 Conceito histórico de ética empresarial 35 Virtudes básicas profissionais 37 Zelo 37 Honestidade 38 Sigilo 38 Competência 39 Orientação e assistência ao cliente 39 Ética moderna 40 Os princípios da moralidade 41 Indicação para leitura 43 UNIDADE IV: Econômia e Justiça Social e Mundo Globalizado 45 Introdução 45 Desenvolvimento econômico 45 Ética na atividade econômica 48 A finalidade das coisas 49 O homem e a liberdade 49 Relação entre ética e economia 50 Ética na era da informação 52 O que é uma sociedade justa? 54 Indicação para leitura 57 Apresentação Diante dos novos desafios trazidos pelo mundo contemporâneo e o surgimento de um novo paradigma educacional frente às Tecnologias de Informação e Comunicação disponíveis que favorecem a construção do conhecimento, a revolução educacional está entre os mais pungentes, levando as universidades a assumirem a sua missão como instituição formadora, com competência e comprometimento, optando por uma gestão mais aberta e flexível, democratizando o conhecimento científico e tecnológico, através da Educação a Distância. Sendo assim, a Universidade Paranaense - UNIPAR - atenta a este novo cenário e buscando formar profissionais cada vez mais preparados, autônomos, criativos, responsáveis, críticos e comprometidos com a formação de uma sociedade mais democrática, vem oferecer-lhe o Ensino a Distância, como uma opção dinâmica e acessível estimulando o processo de autoaprendizagem. Como parte deste processo e dos recursos didático-pedagógicos do programa da Educação a Distância oferecida por esta universidade, este Guia Didático tem como objetivo oferecer a você, acadêmico(a), meios para que, através do autoestudo, possa construir o conhecimento e, ao mesmo tempo, refletir sobre a importância dele em sua formação profissional. Seja bem-vindo(a) ao Programa de Educação a Distância da UNIPAR. Carlos Eduardo Garcia Reitor Seja bem-vindo caro(a) acadêmico(a), Os cursos e/ou programas da UNIPAR, ofertados na modalidade de educação a distância, são compostos de atividades de autoestudo, atividades de tutoria e atividades presenciais obrigatórias, os quais individualmente e no conjunto são planejados e organizados de forma a garantir a interatividade e o alcance dos objetivos pedagógicos estabelecidos em seus respectivos projetos. As atividades de autoestudo, de caráter individual, compreendem o cumprimento das atividades propostas pelo professor e pelo tutor mediador, a partir de métodos e práticas de ensino-aprendizagem que incorporem a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação e comunicação. As atividades de tutoria, também de caráter individual, compreendem atividades de comunicação pessoal entre você e o tutor mediador, que está apto a: esclarecer as dúvidas que, no decorrer deste estudo, venham a surgir; trocar informações sobre assuntos concernentes à disciplina; auxiliá-lo na execução das atividades propostas no material didático, conforme calendário estabelecido, enfim, acompanhá-lo e orientá-lo no que for necessário. As atividades presenciais, de âmbito coletivo para toda a turma, destinam-se obrigatoriamente à realização das avaliações oficiais e outras atividades, conforme dispuser o plano de ensino da disciplina. Neste contexto, este Guia Didático foi produzido a partir do esforço coletivo de uma equipe de profissionais multidisciplinares totalmente integrados que se preocupa com a construção do seu conhecimento, independente da distância geográfica que você se encontra. O Programa de Educação a Distância adotado pela UNIPAR prioriza a interatividade, e respeita a sua autonomia, assegurando que o conhecimento ora disponibilizado seja construído e apropriado de forma que, progressivamente, novos comportamentos, novas atitudes e novos valores sejam desenvolvidos por você. A interatividade será vivenciada principalmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA, nele serão disponibilizados os materiais de autoestudo e as atividades de tutoria que possibilitarão o desenvolvimento de competências necessárias para que você se aproprie do conhecimento. Recomendo que durante a realização de seu curso, você explore os textos sugeridos e as indicações de leituras, resolva às atividades propostas e participe dos fóruns de discussão, considerando que estas atividadese que torna o mundo de relações cada vez mais desigual é um desafio, por isso na teoria de John Rawls estudaremos alguns direcionamentos que valem a pena serem pensados. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO A ideia de desenvolvimento econômico está ligada a processos de crescimento e ruptura encadeada pelo incentivo de técnicas que possibilitem o aperfeiçoamento dos produtos e do modo como o ser humano produz seus bens de consumo. As grandes revoluções industriais são as responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento das nações ditas de primeiro mundo. Além da indústria também são responsáveis por contribuir para melhorias nos campos da agricultura, pecuária, transportes e demais serviços. Celso Furtado (1920-2004) definiu o desenvolvimento econômico como: [...] Um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – são satisfeitas através de uma diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas. (FURTADO, 1964, p. 29). Historicamente percebemos mudanças significativas tanto na maneira de viver quanto na forma de apresentar necessidades por parte dos seres humanos, por exemplo, no transporte: o ser humano andava quilômetros atrás de comida, segurança e abrigo; num outro período passou a utilizar o lombo de animais; mais tarde por meio do domínio de técnicas conseguiu criar transportes composto por animais e pela roda e assim sucessivamente até chegar ao veículo que utilizamos e que ainda não é o ideal, continuamos a procurar um veículo que seja o melhor em todos os sentido (econômico, confortável, sustentável...). Adam Smith apresentou novos aspectos para uma nova interpretação do conceito de economia, como a acumulação do capital, o crescimento populacional e a produtividade da mão de obra, introduzindo a ideia da divisão do trabalho como forma de promover o progresso econômico. Smith defendeu a livre atuação do mercado sobre os produtos, uma ação que estivesse livre do controle governamental do Estado. A divisão do trabalho estimula o aparecimento da concorrência, a melhora qualitativa dos produtos, a ampliação de mercados econômicos que assegurem o capital e o investimento em novas tecnologias que dê conta de atender a demanda dos consumidores. Karl Marx (1818-1883) introduz a ideia de trabalho ao conceito de desenvolvimento econômico, condenando toda renda que não derivasse do trabalho. É pelo trabalho que as relações sociais se estabelecem, determinando as estruturas social, cultural, legal e institucional da sociedade. Somos frutos históricos e culturais, portanto somos o que fazemos. A produção é o critério de valorização do ser humano, somos a medida que produzimos. O trabalho transforma e as transformações estabelecem o rumo da sociedade, é nela e por elas que a sociedade se compreende e se faz. Quando acontecem os conflitos entre: ideias vigentes e as novas tendências ideológicas, um novo padrão social está surgindo e uma nova sociedade está despontando. A definição de Schumpeter para desenvolvimento econômico é: [...] uma mudança espontânea e descontinua nos canais de fluxo, perturbação do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente. (Schumpeter, 1997, p. 47). O desenvolvimento econômico para Schumpeter é uma adequação ao meio já existente e não de fora. Somos frutos do meio em que vivemos e a economia se desenvolve de forma dinâmica, envolvente e espontânea. Não criamos uma nova realidade ela surge a partir das necessidades surgidas no cotidiano. Por essa razão estimulou o acesso ao crédito por parte do empreendedor para que este possa se antecipar às tendências e inovações de mercado. Uma questão que intriga é por que alguns indivíduos prosperam e outros não? Por que em qualquer momento da história é possível identificar países que estão a frente de outros economicamente? Uma análise possível se baseia em três elementos estruturantes: as instituições (regras restritivas), as ideias (valores norteadores) e os interesses (considerações positivas e negativas sobre o ganho e a perda). Assim todo desenvolvimento social compreende a soma do desempenho dos seus membros. O desempenho compreende a interação entre os contratos e as relações com parceiros de dentro e de fora do país. O sucesso no desempenho, contudo, não se restringe a méritos individuais ou coletivos, materiais ou subjetivos, mas à ideia que se faz de desenvolvimento. Há duas possíveis respostas, a primeira se refere ao que é certo e justo e a segunda sobre como funciona a economia. A primeira definição, liberal, diz que desenvolvimento é a melhoria substancial, sustentável e progressiva das condições de bem-estar de todos os membros de uma determinada sociedade. É o resultado do próprio esforço dos indivíduos, mas não condena o fracasso dos menos favorecidos economicamente. Não há garantia de sucesso para ninguém, o sucesso depende de uma combinação de fatores que variam de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de oportunidades, incentivos, etc... A segunda definição, nacionalista, defende o controle nacional sobre os setores econômicos que proporcionam riqueza aos seus membros. É arbitrário, impositivo, discriminam produtos importados e exaltam a fabricação nacional. A nacionalização apresenta um choque aos ideais ligados ao processo de globalização. Uma cadeia é formada a partir de relações e interações de diversos âmbitos, como o econômico, tecnológico e cultural. A base para um desenvolvimento econômico conciso e eficiente está no entendimento organizacional da sociedade, na complexidade das questões políticas que ora garantem os direitos, ora estão concentradas em interesses particulares. A organização política deve garantir a liberdade e igualdade de oportunidades a todos os seus membros, criando leis e fiscalizando o cumprimento das mesmas. ÉTICA NA ATIVIDADE ECONÔMICA Qual relação há entre ética e atividade econômica? Dois conceitos podem ajudar na resposta. O primeiro é a compreensão de como as coisas são na realidade. Chamamos esta ação de juízo de fato ou de realidade. Cada pessoa capta os objetos que lhe são apresentados por meio dos sentidos, o cheiro de um bolo, a altura dos sons musicais, a velocidade do carro ou dos ventos, a maciez ou firmeza de uma superfície. Os sentidos atuam como portal de acesso ao mundo externo. A inteligência processa estas informações atribuindo significado a estas experiências e transformando-as em bens utilizáveis. O ser humano conseguiu ao longo de anos de desenvolvimento e aperfeiçoamento de suas capacidades cognitivas obter certa independência das ações da natureza. Descobriu que é possível armazenar informações para serem utilizadas a seu favor quando necessário. Um segundo conceito é o de como as coisas deveriam ser. Este julgamento implica um ato valorativo, ou seja, um juízo de valor. Fazemos juízos a todo instante, quando vemos e ouvimos uma apresentação musical, teatral ou cinematográfica, quando olhamos para a aparência e gostamos ou não dela, quando gostamos ou não de uma refeição, estamos sempre expondo uma parte de nós para a crítica. A FINALIDADE DAS COISAS As coisas que entramos em contato um dia não existiram, mas a partir do momento em que foram pensadas e criadas tiveram uma finalidade, precisavam atender a algumas expectativas. Quem atribui significado e finalidade é o fabricante, ele idealiza uma situação em que os objetos criados deveram ser utilizados. Por outro lado a aquisição e uso não são estáticos, mas dinâmicos, visam sempre a satisfação pessoal do cliente que adapta os produtos conforme suas necessidades. É precisamente pela finalidade que entendemos a diferença entre o que é uma coisa e o como deveria ser, logo concluímos que algo é bom quando cumpre a finalidade para a qual foi feito. Mas não podemos atribuir valor ético ou moral a um objeto apenas por ele cumprir ou não sua finalidade. O HOMEM E A LIBERDADE A ética não se aplica àsinvenções humanas (carros, casa, roupas, etc.), mas ao comportamento humano, a ação livre do homem. Liberdade é um dos pré-requisitos para pensarmos a ética, não há responsabilidade onde não há liberdade, ausência de coação interna e externa. Ninguém pode se responsabilizar pela existência das quatro estações, ou incrimina um vendaval pela destruição provocada. Etimologicamente a palavra ética significa casa, morada, caráter, portanto uma pessoa era vista como ética quando praticava boas ações, quando mantinha sua casa em ordem, equilíbrio, ou quando o caráter não apresentasse nenhuma dúvida acerca de suas atitudes. O comportamento correto era julgado como moral, enquanto o maléfico que prejudica a vida e vai contra os valores humanos são imorais. Quem define, portanto a moralidade das ações humanas? Existe um critério a ser seguido ou ele é decidido no momento da ação conforme convém aos envolvidos? Primeiro é preciso que fique claro que aos objetos não atribuímos valores morais. Os seres humanos são os únicos possuidores de liberdade, autonomia e vontade critérios para considerar uma pessoa boa ou má. Qual é então a finalidade do Ser Humano? O criador do homem. Mas quem criou o homem? Muitas respostas foram dadas ao longo da história e não há um consenso, mas a verdade é que somos seres sociais e precisamos nos relacionar uns com os outros. Esta necessidade acaba despertando em nós a consciência de que temos limites e precisamos respeitá-los. De que temos direitos, deveres e obrigações e precisamos conhecê-los para bem vivermos, para que não aconteçam injustiças ou desmerecimentos de uns em detrimento do favorecimento de outros. Conceituamos ética, agora falta conceituar economia. Robbins (1935, p. 16) estudioso da política diz: “Economia é a ciência que estuda o comportamento humano como um relacionamento entre fins e meios escasso que têm usos alternativos”. Outro estudioso da área dá uma definição mais completa. RAMOS (1993, p.107) diz: Economia é a ciência social que estuda o comportamento humano (individual e social) como adequação de uso dos meios limitados de que o homem dispõe para a realização de fins diversos em função da sua natureza, que pressupõe a liberdade. Por economia entendemos então as relações que envolvam troca entre pessoas, não necessariamente utilizando dinheiro, mas os recursos e meios que dispõe para que cada um tenha acesso ao que precisa para a vida. É o estudo da riqueza em sua mais alta complexidade. RELAÇÃO ENTRE ÉTICA E ECONOMIA Ao conhecermos as duas ciências, ética e economia, podemos perceber que tanto uma quanto outra possui a mesma finalidade estudar o homem e suas relações com o meio que ele está inserido. As escolhas feitas pelos seres humanos seguem a difícil tarefa de harmonizar valores, por exemplo, como conciliar um valor de utilidade com um valor moral, um valor religioso com um valor científico. Escolher significa direcionar a vida para uma finalidade que nem sempre é possível ser revertida caso não acontece como na previsão. Não é sensato que dissociemos valores morais dos valores profissionais, faz-se necessário encontrar um meio-termo capaz de conciliar os interesses envolvidos nas escolhas. O dinheiro utilizado para comprar um carro ou uma casa, por exemplo, pode tanto ser fruto do esforço de uma longa jornada de trabalho, quanto de um roubo. Em ambos eu possuo o dinheiro e o poder para comprar, mas qual dela pode ser considerada moral? Um atirador profissional quando em uma competição pode ser consagrado e lembrado para o resto de sua vida quando atinge a finalidade a que se propôs, mas pode ser condenado e perder, ser privado de várias atividades caso acerte, por querer ou sem querer, a cabeça de uma pessoa inocente. Ganhar dinheiro não é algo bom, mas necessário no modelo de sociedade em que estamos inseridos, porém não de qualquer maneira. A finalidade a que me proponho deve primeiramente ser balizada por critérios universalizáveis, os quais estendam minha ação à possibilidade de outras pessoas também poderem praticá-las. A moral não é um código externo ao indivíduo, convencional a uma época ou a um período de tempo ou ainda a uma sociedade específica. Se assim fosse teríamos sérias dificuldades em nos relacionar com pessoas de outros estados e países, logo a globalização não seria uma realidade. A partir de toda abordagem acima entendemos que a ética é necessária para a manutenção da ordem social, sem ela o convívio se tornaria insuportável. O senso de justiça, a confiança mútua nos seus cidadãos faz com que as relações comercias se tornem uma realidade plausível. A economia assim como qualquer outra atividade humana deve sempre estar subordinada à ética. Isso não quer dizer que não somos livres para agir ou criar, mas que todas as nossas ações devem ser orientadas por regras anteriores e mais importantes que as do presente. As regras devem orientar nunca obrigar as pessoas contra sua vontade. O comportamento ético exige educação e consciência da necessidade e do bem que as regras causam para as relações humanas em geral. Como o fim ético abrange todas as dimensões do ser humano que o fim econômico, ir contra ele acarretaria um prejuízo sem dimensões calculáveis, seria o equivalente lutar contra a própria natureza humana e contra a sociedade. A ética não é uma imposição às atividades econômicas da mesma forma que uma estrada não pode ser vista como uma limitação à circulação dos carros. Sua função consiste em padronizar e facilitar o acesso de todos sob as mesmas condições, mesmo que obedecer as regras soe como antônimo de liberdade. O conhecimento, a educação e a inteligência nos permitem entender que as regras de comportamento são necessárias para estabelecer a justiça social. ÉTICA NA ERA DA INFORMAÇÃO O uso da internet como meio facilitador de comunicação, de transações (compra e venda) de inúmeros produtos, ideias, noticiários, músicas, filmes, etc... o impacto causado pela internet supera qualquer outro meio conhecido até então. O acesso à informação se tornou mais ágil, mais intenso, mais criativo, de forma que os negócios tiveram que passar por uma reestruturação, seja na forma de trabalhar, de vender, de organizar-se e relaciona-se de cada cidadão. Cada País lida com as tecnologias de informação conforme suas condições. A informação é dinâmica, assim como os veículos que ela se utiliza para chegar à sociedade. Por exemplo, população de países subdesenvolvidos não sabe o que é telefone, enquanto pessoas de países desenvolvidos tem acesso à internet em qualquer celular. Os programas de softwares são criados numa velocidade gigantesca obrigando as pessoas a consumirem acima de suas condições, gerando assim a tendência aos hackers e à pirataria (livros, músicas, filmes), incentivando o comércio ilegal de produtos. Os profissionais da ética devem se antecipar a problemas como estes criando meios que inibam tais comportamentos criminosos. Outra questão importante a ser pensada é o acesso que as pessoas devem ter aos meios tecnológicos. Enquanto por um lado a tecnologia em seu pleno funcionamento nos auxilia na realização de nossas tarefas diárias, por outro lado ocorrem os problemas técnicos, as inúmeras atualizações necessárias dos sistemas, os vários programas necessários para o funcionamento do micro, as manutenções que exigem um suporte técnico e gastos excessivos. Com o surgimento de novas técnicas novos problemas ocorrem também, por isso é preciso um esforço intelectual e reflexivo para prever as injustiças ou prejuízos que os usuários dos sistemas venham a ter. Para diminuir os problemas de abusos acerca do fornecimento e do uso das tecnologias dois valores são primordiais: a confiança ou transparência e a precisão. A ausência de credibilidade e precisão podem comprometer as relações sociais e comerciais. Um dos problemas a ser considerado pelo mau uso das tecnologias é o perigo de sabotagem e espionagem de informações alheias. A informação deve ser comunicada para que alcancesua finalidade. Porém algumas condições precisam ser consideradas, como falar sempre a verdade, ser preciso em tudo o que fala e faz. Pessoas mau caráter há em qualquer lugar agindo para levar vantagem em tudo. A ética procura conscientizar por meio da educação moral o quanto é importante ser integro em suas ações para que o mínimo de prejuízo seja causado aos seus usuários. JOHN RAWLS (1921 -2002) Filósofo norte-americano nasceu em 1921, em Baltimore e frequentou as Universidades de Oxford e de Harvard, tendo mais tarde lecionado nesta última. A família materna de Rawls era muito influente no norte dos EUA tendo uma renda oriunda do petróleo e carvão da Pennsylvaniana região de Greenspring Valley, perto de Baltimore. Já sua família paterna tinha origem sulista. O pai de Rawls era um dos mais destacados advogados de Malbury, mesmo sendo tuberculoso. Doença esta contraída pelo seu pai, avô do filósofo estadunidense, Willian Stowe Rawls. Os pais de John Rawls tinham muita influência e interesse pelas questões políticas. Desde cedo teve contato com as diferenças sociais e procurou ao longo de sua vida pensar uma alternativa para tantas injustiças. A sua obra é essencialmente uma reflexão sobre os domínios da ética e da teoria política. Na sua obra Teoria da Justiça, ressuscita a ideia de Contrato Social que, de uma ou outra forma, tinha sido alvo de reflexão por parte de Hobbes, Locke e Jean- Jacques Rousseau. O seu objetivo é o de ultrapassar o utilitarismo dominante na época moderna. O conceito de justiça não diz somente respeito a princípios morais, mas também a um conjunto mais vasto da atividade humana: as instituições políticas, os sistemas jurídicos, as formas de organização social. A este respeito diz Rawls: "a justiça é a primeira virtude das instituições sociais, como a verdade é em relação aos sistemas de pensamento”. Rawls segue aspectos da ética deontológica de Kant que coloca no sujeito o princípio de ação moral, é o sujeito quem escolhe ou não ser moral; e de Descartes agrega a postura epistemológica relativista que concebe o objeto de conhecimento a partir do sujeito cognoscente. Existe verdade ou interesses particulares nas relações interpessoais? A postura epistemológica adotada por Rawls implica dizer que o fundamento da ação moral se encontra no sujeito livre e racional. Essa capacidade inerente de cada indivíduo faz com que procurem pela melhor forma de convivência entre os membros da sociedade. Cria-se um contrato social onde a liberdade, a justiça e igualdade de condições serão garantidas a todos os seus membros. O problema de tal concepção é a fundamentação do justo sobre uma noção de sujeito incorpóreo, irreal, um sujeito puramente formal, arbitrário. O QUE É UMA SOCIEDADE JUSTA? “A justiça é a primeira virtude das instituições sociais como a verdade é para os sistemas do pensamento” (Rawls, 1981, p. 27). A discussão sobre a aplicação da justiça se da como equidade e não como conceito doutrinário. A justiça é a garantia da manutenção das instituições em sociedade. Essa garantia acontece por meio de um contrato original: “os homens devem decidir previamente as regras pelas quais vão arbitrar suas reivindicações mútuas e definir a carta fundadora da sociedade” (RAWLS, 1981, p. 13). Dois são os princípios apresentados para justificar na prática o contrato social. O primeiro é o princípio da igualdade que consiste no direito de participação política, de reunião, votação, de consciência, de religião, etc. Este é o seu imperativo categórico. O Segundo princípio é o da desigualdade ou da diferença, que consiste na maximização das condições mínimas. Refere-se à distribuição dos bens materiais produzidos pela sociedade, dos cargos públicos, dos deveres e obrigações, das vantagens e desvantagens de cada membro da sociedade. O primeiro princípio é inegociável, enquanto o segundo admite algumas desigualdades, mas estas não podem comprometer o desempenho, a liberdade de ninguém. Mas quem decide sobre a repartição dos bens? Ou ainda quem são os excluídos que merecem a maximização de suas condições? Rawls propõe uma ficção que consiste na seguinte ideia: imagina uma situação na qual os “membros fundadores” da nova sociedade bem ordenada se encontram em posição ideal que ele chama de “posição original”. (Rawls, 1981, p. 17-18). Supõe que todos os membros estejam isentos, livres e sem interesses pessoais ou de grupos. Supõe ainda que sejam “encobertos por um véu de ignorância” que lhes possibilite ignorar as desigualdades existentes a respeito da condição social, raça, cor ou qualquer privilégio que possam possuir, o status de cada membro fica entre parênteses, não importando para a decisão a ser tomada e mais, ninguém sabe quais as decisões a serem tomadas, apenas que colocará todos em condições iguais de aquisição de bens materiais, intelectuais, religiosos, etc. Na posição original os fundadores sabem apenas que cada um deseja o máximo possível de aquisição. É uma sociedade de egoístas preocupados com sua satisfação, seu ego. É nesta sociedade que o contrato social será firmado. O problema a ser resolvido é: “que princípios escolheriam pessoas livres e razoáveis, preocupadas exclusivamente com seu próprio interesse, se elas se reunissem numa situação inicial de justiça e devessem definir as normas e fundamentos de todos os acordos futuros?” (RAWLS, 1981, p. 20). Será então, indispensável um sistema de prioridades que justifique a opção por um dos bens em conflito. E neste caso, se escolhemos um bem em detrimento de outro, é porque temos uma razão forte para considerar um dos bens mais prioritário do que outro. Nesse sentido, Rawls divide a sua concepção geral em três princípios: · Princípio da liberdade igual: A sociedade deve assegurar a máxima liberdade para cada pessoa compatível com uma liberdade igual para todos os outros. · Princípio da diferença: A sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, exceto se a existência de desigualdades econômicas e sociais gerar o maior benefício para os menos favorecidos. · Princípio da oportunidade justa: As desigualdades econômicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em condições de justa igualdade de oportunidades. Rawls propõe um método que ele chama de “equilíbrio reflexivo”, ou seja, é preciso aprender com a história dos acontecimentos a maneira correta de julgar para aperfeiçoar a justiça em todas as ações humanas. A virtude da justiça ganha uma aliada para nortear as ações humanas, aliadas aos acontecimentos, precisamos ponderar nossas decisões. A história é nossa maior escola, os princípios assumem um caráter reflexivo e dinâmico, eles não são estáticos, mas, à medida que necessite sofrer alterações, visa promover sempre a igualdade de oportunidades, a liberdade de ação e os direitos sobre a participação de tudo o que é produzido em sociedade. Este contrato social promove a convivência harmônica e visa à ordem moral. Cada cidadão procura única e exclusivamente o seu bem, o seu conforto a sua satisfação. A obra rawlsiana entende que o ser humano é egoísta por natureza, mas cabe à sociedade minar esse tipo de comportamento que apenas contribui para o aumento da desigualdade social. A proposta máxima da ética de Rawls é, portanto, a estabilidade das instituições e a justiça plena na sociedade bem ordenada. A estabilidade social não é fruto da imposição, mas ao contrário deriva da amizade, da confiança mútua e do reconhecimento público do senso coletivo de justiça: “graças a estas atitudes naturais, ninguém desejará satisfazer seus interesses de modo injusto e em detrimento dos outros”. (Rawls, 1981, p. 72). Temos a necessidade de ver os outros felizes e bem sucedidos: “seu bem e o nosso são complementares”. Portanto, “a espécie humana forma um comunidade onde cada membro se beneficia das qualidades e da personalidade dos outros”. (RAWLS, 1981, p. 60). Rawls conclui: “Aos princípios da justiça correspondem a sociabilidade humana, pois uma sociedadebem ordenada é uma forma de comunidade: a sociedade é uma comunidade de comunidades”. Numa palavra, buscamos uma ordem social mais profunda do que um puro legalismo formal: “Os elementos morais consolidam a sociedade e a tornam, intrinsecamente estável”. (RAWLS, 1981, p. 74). INDICAÇÃO PARA LEITURA SCHUMPETER, Joseph A. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. Tradução Maria Silvia Possas. São Paulo: Nova Cultural, 1997. MAIA, Paulo Leandro. Introdução à ética e responsabilidade social: administração e ciências contábeis. São Paulo: Livraria e Editora Universitária do Direito, 2007. RAWLS, J. Uma teoria da justiça. Brasília: UnB, 1981. . Justiça e democracia. São Paulo: Martins Fontes, 2002. . Justiça como equidade: uma reformulação. São Paulo: Martins Fontes, 2003. image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image1.jpeg image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image2.png image55.png image56.png image57.png image3.png image4.png image5.pngsão fundamentais para o sucesso da sua aprendizagem. Bons estudos! e-@braços. Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato Coordenadora Geral da EAD Caro(a) acadêmico(a), Este Guia Didático é composto de informações e exercícios de análise, interpretação e compreensão dos conteúdos programáticos da disciplina de Filosofia e Ética Empresarial do Curso de Graduação em que você se encontra matriculado. O Guia Didático foi elaborado por um Professor Conteudista, embasado no plano de ensino da disciplina, conforme os critérios estabelecidos no Projeto Pedagógico do Curso. Abaixo, apresentamos, resumidamente, o currículo do Professor Conteudista responsável pela elaboração deste material: Disciplina: Filosofia e Ética Empresarial Autor: Jefferson Silva Queiroz Graduado em Letras e Filosofia; Especialista em Filosofia; atualmente exerce função de docente na UNIPAR. Além do professor conteudista, existe uma equipe de professores e tutores mediadores devidamente preparados para acompanhá-lo e auxiliá-lo, de forma colaborativa, na construção de seu conhecimento. Bons momentos de estudos! e-@braços. Evandro Mendes Aguiar Coordenador do Núcleo de Cursos Superiores da Área de Ciências Sociais Aplicadas INTRODUÇÃO Caro (a) Acadêmico (a) Este material visa conhecer e questionar os conceitos básicos que permitem o estabelecimento e a discussão de políticas, práticas, programas de ética e de responsabilidade social empresarial. A presente disciplina justifica-se como componente curricular no Curso por proporcionar a compreensão sobre a importância da reflexão crítica a respeito das questões éticas que envolvem o universo das organizações econômicas no mundo contemporâneo, onde se destaca o papel desempenhado pelo indivíduo em seu contexto social e político. Contempla o espírito questionador sobre a conduta humana com vistas ao exercício da cidadania e a sua responsabilidade social. Na primeira unidade, serão apresentados conceitos e distinções fundamentais sobre alguns modelos de sociedade, assim como suas vertentes, e traçar um esboço de teorias correspondentes ao surgimento da reflexão ética no mundo grego antigo. Na segunda unidade, conheceremos o surgimento do capitalismo e a formação dos estados (absolutismo, liberal, nacional e neoliberal) e a discussão da ética como um valor inestimável e imprescindível à consolidação e manutenção de um nome forte e respeitado no mercado de trabalho. Na terceira unidade, falaremos das virtudes como condições necessárias à existência de uma empresa, assim como a assistência e o compromisso com a satisfação do cliente. Alguns teóricos serão a base para nossas reflexões (Hobbes, Locke e Kant) e com eles veremos que a convivência, a experiência e o dever são os fundamentos das relações morais dos indivíduos. Na última unidade, trataremos da economia, da justiça social e do mundo globalizado pensando como esses elementos podem contribuir para uma reflexão que não permita a exclusão e a desigualdade social gritante existente atual, mas possam servir como direcionamento das discussões acerca de princípios que regulem o nosso comportamento e favoreça o acesso aos meios de consumo de forma equitativa. Tenham uma leitura agradável, fecunda e questionadora acerca de nossa realidade e das mudanças necessárias que garantam o equilíbrio econômico. UNIDADE I: NOÇO˜ ES DE CULTURA E SOCIEDADE OBJETIVOS Apresentar conceitos e distinções fundamentais sobre alguns modelos de sociedade, assim como suas vertentes e traçar um esboço de teorias correspondentes. A Ética sob o prisma de sua elaboração histórica: contextualização e conceito de ética na cultura grega: Sócrates, Platão, Aristóteles. Caro aluno, Neste primeiro módulo, realizaremos um breve estudo sobre a história da ética e o motivo que levou os gregos a assimilarem como ciência e colocar o homem no centro das discussões filosóficas. Esta será a temática relativa à ética de Sócrates: questionar o verdadeiro sentido e significado de cada conceito afirmado pelos atenienses. CONCEITOS BÁSICOS: CULTURA E SOCIEDADE Para falarmos de sociedade é preciso entender de onde deriva este conceito e quais os seus estágios até chegarmos à concepção que temos hoje deste termo. É consenso entre os cientistas sociais que o conceito de sociedade foi sendo elaborado gradualmente ao longo do tempo. O primeiro modelo de organização entre pessoas que temos notícia é o tribal ou ordem comunal, que consiste na união entre pessoas com a finalidade de manter a sobrevivência de todos. São chamados de nômade este primeiro agrupamento de pessoas, pois viviam em um lugar enquanto este lhe oferecia sustento, e tão logo os recursos se esgotavam ou as condições climáticas exigissem eles partiam para outra região se estabelecendo e usufruindo dos recursos daquele lugar e assim sucessivamente. Com a descoberta do fogo, por meio da observação e da capacidade de abstração dos fenômenos da natureza (raio), ocorreu um grande avanço no modo como lidava- se com a terra e os seus recursos. O homem das cavernas pode iluminar sua morada, cozinhar a carne, espantar os animais selvagens e garantir o aquecimento nas épocas de frio, confecção de armas para sua defesa e aumento de sua força. Todas estas mudanças favoreceram o surgimento de uma sociedade sedentária, grupos de indivíduos que se estabeleciam de forma definitiva em lugares, a união por grau de parentescos, os grupos, os clãs, etc..., mas por outro lado também trouxe problemas como o cultivo, o conceito de propriedade, a separação dos pertences e com isso vieram os primeiros proprietários de terra e dominadores de uma nova forma de economia. A dominação passou a ser mais complexa e diferenciadora quando surge a ideia de dominar seres humanos. A posse de bens transforma pessoas simples em detentoras de poderes sem precedentes. Enquanto alguns possuem riquezas e se abstêm do trabalho forçado outras são forçadas a trabalhos forçados, temos aqui a sociedade escravista. Seu fundamento reside na ideia de cada pessoa ser livre para conseguir o que quiser de acordo com o esforço de cada um. Assim, os que possuem muito são chamados de afortunados, pessoas que sabem viver, enquanto quem não possui riquezas são chamadas de preguiçosos, pessoas acomodadas. A sociedade escravista da mesma forma que suas antecessoras acabaram perdendo espaço e deu origem a outra forma de organização social, uma que estimulasse o desenvolvimento de técnicas mais aprimoradas, que aumentasse a produção e melhorasse a qualidade dos produtos produzidos. Surge a sociedade feudal, esta visa valorizar o trabalho de cada pessoa, estimulando a produção e retribuindo de forma proporcional o esforço particular dos trabalhadores. Sua hierarquia era rígida, composta por três classes: a nobreza e o clero, os guerreiros e os artesãos, e por último os camponeses sem expressão. O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. Os camponeses passaram a vender mais produtos e, em troca, conseguir mais dinheiro. Com o dinheiro alguns puderam comprar a liberdade. Outros simplesmente fugiram para as cidades em busca de melhores condições de vida. Temos aqui o aparecimento da sociedade burguesa. Os camponeses que passam agora a ter direitos e oportunidades de ter vida própria, não dependem mais do nobre e do clero. A capacidade de cada pessoa como aparecer e se destacar, não mais em função de um senhor, mas em benefício próprio. Conforme o crescimento do comércio e da economia crescia também o poder e o domínio desta nova classe dominante, fato que irá consolidar a Revolução Industrial no Século XVIII, a partir de sua consolidação o capitalismo industrial passa a ser o sistema econômico e social vigente e ganhou o mundo. Todas as relações de comércio acontecem segundo o modelo capitalista de negociação. Quatro fatores contribuíram para essa mudança econômica/social tão profunda: a tecnologia, um avançado sistema monetário e creditício, a crescente divisão do trabalhoe a migração em massa da mão-de-obra do setor primário de produção (agricultura, caça, pesca e mineração) para os setores secundário (indústria) e terciário (comércio, transportes, profissões liberais etc.). A sociedade tecnológica obrigou as pessoas a se especializarem continuamente. O mercado de trabalho se tornou um ambiente extremamente competitivo e seletivo. O indivíduo isolado é fraco, logo precisamos de organizações, sindicatos que defendam os interesses dos menos favorecidos economicamente. Paralelamente a essas mudanças nas realidades sociais percebemos diversas manifestações ideológicas por parte da classe dominante na tentativa de impor uma forma de ver e analisar o mundo. São criados modelos de: habitação, papéis socais, valorização de certos trabalhos em detrimento de outros, manifestações religiosas, alimentação, estilos de roupas, comportamentos padrões (leis), etc. Essas concepções por vezes nos são impostas pela sociedade de consumo a qual pertencemos. Nem sempre nos damos conta de quem verdadeiramente somos e por que somos, apenas nos conformamos em repetir ações pré-programadas pela mídia ou pela ideologia da classe dominante, onde tem por meta o consumo pelo consumo. Qual o sentido e o valor da vida humana? Existe uma identidade humana? Qual o seu fundamento? CULTURA ÉTICA Os valores são pessoais e intransferíveis, cada pessoa é constituída por valores que aprendem em casa, na escola, nas relações com os amigos e nas diversas escolhas que precisa fazer ao longo da vida. Dessa forma é essencial a instituição de valores a serem seguidos por todos os membros envolvidos. A postura ética começa pelos proprietários e os exemplos se tornam aceitos devido a não ser uma imposição, mas uma prática comportamental. Essa postura se materializa a partir da elaboração de um código de ética onde as leis estejam explícitas e ao acesso de todos. O código é um patrimônio da organização e a consciência é a única condição para a execução eficaz do mesmo. As leis propostas não tem como finalidade a solução de problemas, mas fornecerem critérios para que as pessoas possam orientar suas decisões e ações visando o bem da empresa e da sociedade. CONCEITOS: ÉTICA/MORAL Não peço que me mostres o exemplo de um ato justo, mas peço que me faças ver a essência por força da qual todas as condutas são justas. (PEGORARO, 2006). Percebemos nesta afirmação do filósofo Platão que existe uma complexa diferença entre o ato de uma pessoa ser justo e a pessoa ser concebida como justa. Por vezes chamamos pessoas de boas ou más em virtude de uma ou outra ação praticada por ela, mas seguindo este raciocínio é possível concluir que não basta praticar uma ou outra ação boa para ser considerada uma pessoa boa, mas é preciso de constância e coerência entre pensar e agir. Essa questão levanta uma discussão muito saudável e necessária. De onde vêm os valores que orientam minha ação? Em que consiste a ação de valorar? Atribuir um valor significa não ficar indiferente ao que está acontecendo à minha volta. A ciência que lida com esses questionamentos dá o nome de Ética. Por ética entendemos a ciência que estuda o fundamento dos valores morais orientadores do comportamento humano em sociedade. Filosoficamente há uma diferença etimológica entre os termos ética e moral. Ética vem do Grego “ethos” e significa ciência da conduta, caráter, morada. O termo moral vem do Latim “Morales” e está relacionado aos costumes sociais de uma cultura. As regras sociais regulam o modo de agir das pessoas. DEFINIÇÃO DE ÉTICA A ética está relacionada à opção, ao desejo de viver bem, de ser feliz, estabelecendo relações com o outro, com o mundo e consigo, relações justas e aceitáveis. A ética é a disciplina filosófica que se dedica a refletir sobre a conduta humana. O que posso? O que devo? O que espero? Tenta encontrar os fundamentos das relações dos seres humanos, seja consigo, com o mundo ou com o outro. O estudo da ética abrange atualmente não apenas o campo da filosofia ou das ciências humanas, mas todos os campos do saber. Um bom profissional é aquele que orienta suas ações pautadas em valores. A sociedade cobra de cada indivíduo honestidade, zelo, competência, sigilo, compromisso social, ou seja, valores indispensáveis ao sucesso digno dentro do mercado de trabalho. Vamos estudar o que alguns dos grandes pensadores da antiguidade grega falaram sobre este assunto. Estudaremos nesta unidade o pensamento ético de Sócrates, Platão e Aristóteles, para tanto, primeiramente iremos contextualizar historicamente o mundo grego do século V a.C. O MUNDO GREGO CLÁSSICO – SÉCULO V A.C. A Grécia é conhecida como o berço do desenvolvimento da reflexão moral. Com a chegada de vários povos indu-europeus (aqueus, jônios, dórios e eólios) deu-se origem a comunidades denominadas de genos. Esse processo de formação pode ser visto ao longo dos períodos Homérico (século XII ao VIII a.C.) e Arcaico (século VIII ao VI a.C.). Neste período os genos desagregaram-se dando origem as polis gregas. A organização social e política dessas polis (cidades-estados) irão contribuir para o desenvolvimento do pensamento filosófico e ético. Das cidades-estados gregas, a que vamos observar mais atentamente é Atenas. Ela passou por diversas formas de governo, mas foi com a democracia que teve seu valor reconhecido. Essa palavra de origem grega significa governo do povo (demo – povo + kracia- governo), mas para os atenienses, povo, eram os cidadãos, ou seja, os homens livres, maiores de 18 anos, nascidos em Atenas e filhos de pai e mãe atenienses. Esses eram educados desde criança para a vida política. Mas essa mesma forma de governo excluía mulheres, crianças, escravos e estrangeiros. Os verdadeiros cidadãos tinham o dever de participar das assembleias. O principal valor de um cidadão ateniense era fazer parte das discussões públicas, para tanto, este não poderia se ocupar de trabalhos manuais ou braçais, mas do ócio, considerado uma atividade indispensável para o exercício da cidadania. Talvez um olhar desatento pareça um abuso ter a atividade intelectual com a soberana em relação a todas as outras, mas foi justamente a existência de uma sociedade com tantas desigualdades e divisões (homens livres, com posses e trabalhadores pobres e escravos), que permitiu o esplendor e o desenvolvimento de uma sociedade considerada referência intelectual para o mundo atual. Inicialmente a democracia era entendida apenas como atividade de uma parcela da sociedade e não de todos os seus indivíduos. Este é, portanto, o cenário em que a ética e a política grega foram geradas e sobre o qual os três grandes pensadores clássicos desenvolveram suas teorias. SÓCRATES Sócrates (470-399 a.C.) considerou o problema ético individual como o problema filosófico central, e a ética, como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões filosóficas. Nasceu em Atenas, Grécia onde recebeu boa educação e logo cedo aprendeu que o conhecimento é o que move o mundo. Seu pai Sofronisco era escultor. Sua mãe Fenareta era parteira. Seu método reflexivo, a maiêutica (parto de ideias) pode ser comparado a profissão da mãe (parteira), enquanto o primeiro passo o questionador, investigativo é possível estabelecer uma relação com o pai (aparar as arestas). Para ele, ninguém pratica voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é virtuoso, ou seja, só age mal, quem desconhece o bem. Ao praticar o bem, o homem sente-se dono de si e, consequentemente, é feliz. Com Sócrates o homem torna-se o centro das discussões, com o lema “Conhece-te a ti mesmo” institui uma nova consciência, sábio é aquele que pensa suas ações antes de praticá-las, é aquele que as pratica na sua mente antes de comunicá-la aos outros. Defendia que o conhecimento interior era a única via para alcançar a verdade e ser feliz. Desenvolveu um método investigativo para conduzir as pessoas de forma segura à busca pela verdade. Seu método era composto por dois momentos interligados, o primeirose chama ironia, que consistia na arte da interrogação, por meio de perguntas do tipo o que é a justiça? O que é a verdade? O que é a bondade? O que é o amor? Ele levava as pessoas a reconhecerem o seu senso comum e a se conscientizarem que não bastava ter opiniões era preciso saber com propriedade o significado de tal afirmação. Esta primeira parte do seu método é uma herança paterna, interrogar é como esculpir, mas, precisa da ferramenta e do artesão com habilidade e competência para extrair o que o objeto tem de melhor. De forma similar acontece com a ironia, é preciso que sejam feitas as perguntas corretas com a intenção correta, desinteressada de benefício próprio, apenas com a finalidade de descobrir o que de melhor o outro possui. O segundo momento é a maiêutica que, literalmente, significa a arte da parteira. Adotou então a maiêutica como processo pedagógico do conhecimento, uma vez que, o verdadeiro conhecimento está internalizado nas pessoas, logo se faz necessário que ele venha à luz, e o responsável por esse processo era o filósofo porque já havia realizado esta experiência filosófica de reconhecimento da ignorância e busca da verdade. A virtude é o exercício que nos leva à verdade e dela deriva a prática de boas ações, aqui conhecimento e prática se confundem. A vida exige que sejamos coerentes com os nossos princípios e ações para que obtenhamos nosso ideal de vida, a felicidade. A felicidade é o fim último do ser humano e todos a anseiam. Sócrates pensa a ética não como uma especulação abstrata, mas como força transformadora, capaz de trazer a felicidade a ambos, Sociedade e Indivíduo, que para ele, é a única forma de obter felicidade. Este lema foi adotado por Sócrates para pregar a todos os atenienses que o conhecimento interior é a base moral para que tenhamos um bom cidadão numa polis justa. Um exemplo de como Sócrates realizava suas investigações está no endereço abaixo: ( Hora de Relaxar. SOCRATES. As três peneiras de Sócrates : uma lição para a vida . Disponível em: . Acesso em: 22 jun.2013. ) PLATÃO Não podemos afirmar que Platão desenvolveu uma teoria sobre ética, nem escrita específica sobre ela, mas, toda a sua obra possui um profundo sentido ético, já que não há possibilidade de desvencilhar comportamento humano de vivência política (estrutura da sociedade). Segundo Pegoraro, (2006, p. 25-26), três poderiam ser os eixos centrais que comandam a sua ética: primeiro, a justiça na ordem individual e social; segundo, a transcendência do Bem, fundamento seguro e inabalável da conduta humana e da distinção entre o bem e o mal. Ora, este dois eixos movem todo o sistema platônico, presente em todos os Diálogos, acentuando ora um, ora outro aspecto da Justiça e do Bem. Terceiro eixo, as virtudes humanas e a ordem política presidida pela justiça. A Justiça e o Bem são ao mesmo tempo descritos em todos os Diálogos como a lei e o fundamento que rege a ordem do universo. Vamos entender melhor como é possível perceber a existência de uma ética no pensamento platônico. O primeiro princípio da justiça é a solidariedade social, ou as formas pelas quais a pessoa contribui para o bem estar coletivo, pois este é que tem a prioridade. O segundo princípio é o do desprendimento, capacidade de desapego da vontade própria em detrimento do bem comum. Desta forma, a cidade é sábia por que obedece a uma hierarquia rígida composta pelo rei-filósofo como governante, o guerreiro que a protege e o artesão que possibilita mediante seu trabalho o sustento e as condições para ambos executarem sua tarefa. Justiça seria cada cidadão exercer seu papel de acordo com a classe pertencente. A injustiça consiste então na quebra desta hierarquia ou na tentativa de uma usurpação do poder por parte daquele que não nasceu para governar. A ideia de bem pressupõem a compressão do pensamento dualista platônico. Há dois mundos um sensível e outro inteligível. A cada um compete uma tarefa. O mundo inteligível possui o modelo de todas as coisas, ou seja, a perfeição, a ideia do Sumo Bem. O mundo sensível encerra as coisas materiais, cópias do mundo das ideias. Cabe ao homem recordar tudo o que viu no mundo das ideias por meio da metempsicose, ou seja, capacidade de recordar por meio da contemplação o que existe no mundo das ideias. Essa recordação só acontece por que a alma já viveu no mundo das ideias e quando ela pode contemplar os seres e as coisas em seu estado perfeito. Hoje, de acordo com o estágio que esta alma se encontra ela possui maior ou menor capacidade de recordar, portanto a felicidade depende do nível em que cada alma se encontra. CONCEITO DE VIRTUDE Uma vida sem virtude não vale a pena ser vivida. Esta frase vai representar claramente a importância da prática da virtude para alcançarmos a verdadeira felicidade. Segundo Platão, a virtude é uma “atividade da alma” (Rep., 353 a. C.) e quanto mais repetimo-la, mais perto da perfeição estaremos. Virtude vem do grego aretê, virtus em latim. Alguns autores a traduz como excelência e perfeição que quando exercidas, elevam o ser humano. Platão compara a virtude com a harmonia musical. Quanto mais praticamos a música, mais agradável ela se torna e maior será o prazer em ouvi-la, assim, quanto maior for a prática da virtude maior será a excelência humana e melhor será a harmonia entre as pessoas dentro da sociedade. A harmonia musical está para a canção, assim como a virtude está para a vida moral. A virtude da harmonia leva o nome de justiça e, juntamente com a ideia de bem, formam o coração da ética platônica. A justiça é o equilíbrio da sociedade e de seus membros. Assim como o universo é regido por uma lei cósmica percebida através do equilíbrio entre as relações de humanos com humanos e de humanos com a natureza. ARISTÓTELES Podemos dizer que Aristóteles foi o primeiro sistematizador da ética enquanto área do conhecimento. Segundo Aristóteles: “A justiça é à base da sociedade; sua aplicação assegura a ordem na comunidade social, por ser o meio de determinar o que é justo”. (ARISTÓTELES, 2003, p.58). Também para Aristóteles, a justiça é o centro da ética e da política. Na obra Ética a Nicômaco, mostra que a justiça é a virtude por excelência. O conceito de justiça para o Aristóteles é bem mais simples que o de seu mestre e cabe em poucas palavras: obediência à lei; justiça é a virtude da cidadania que comanda as relações entre os cidadãos. Segundo Pegoraro, na obra Ética a Nicômaco encontramos a seguinte afirmação: A tarefa primordial da ciência ética consiste em colocar harmonia, hierarquia e comando na complexidade de relações entre os seres humanos; tarefa muito difícil que só se pode ser cumprida aproximativamente, pois tanto a ética quanto a política lidam com as ações mutáveis e não por conceitos definitivos. É importante ressaltar que Aristóteles foi preceptor de Alexandre, o Grande, grande conquistador responsável pelo império Helênico. Suas teorias políticas foram importantes na formação do imperador. Aristóteles deixou um grande legado para a cultura e o conhecimento ocidental, sendo influente em praticamente todos os ramos do saber. Quatro são os eixos que norteiam a ética Aristotélica. Primeiro, “a ética é natural, ou seja, o ser humano possui uma estrutura biológica, ou melhor dizendo o homem é um animal racional e, ao mesmo tempo um animal político” (EN, 1,7); Segundo, a ética é finalista, toda ação do homem visa uma finalidade, nada é feito despretensiosamente, nas palavras do mestre: “o bem é aquilo que todas as coisas visam”; o Terceiro eixo é a espinha dorsal, a ética é racional, logo temos um diferencial dos outros seres, a capacidade de pensar, escolher, decidir e agir. Somos dotados de razão e esta tem a tarefa de harmonizar nossos impulsos biológicos. O quarto e último eixo fala do caráter heterônomo da ética, ou seja, não é uma escolha do homem ser ou não ético, ele nasce com essapredisposição, logo, somos potencialmente éticos por natureza, por constituição natural. Nossa existência ética, em ato, vai depender das nossas ações em sociedade. A ética Aristotélica é pautada em seu conceito de justiça, o homem ético é aquele que pratica a virtude da justiça ou do justo meio. Sua concepção ética privilegia as virtudes (justiça, caridade e generosidade), tidas como propensas ao estímulo da vida harmoniosa tanto em sociedade quanto parte da natureza. A ética aristotélica busca valorizar a harmonia entre a moralidade e a natureza humana, concebendo a humanidade como parte da ordem natural do mundo, sendo, portanto, uma ética conhecida como naturalista. Segundo Aristóteles, as ações humanas tende ao bem maior: a felicidade. Todos desejamos a felicidade e agimos para conquistá-la, mas não é uma tarefa tão simples de ser executada. Vejamos o que o mestre propõe para alcançarmo-la. Apresentam-se como condições indispensáveis: a prática das virtudes, um círculo de amigos, boa saúde, a suficiência de bens materiais, viver numa sociedade justa e a meditação filosófica. O homem virtuoso é aquele capaz de deliberar e escolher o que é mais adequado para si e para os outros, movido por uma sabedoria prática em busca do equilíbrio entre o excesso e a deficiência: A excelência moral, então, é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e emoções, disposição esta consistente no meio termo (o meio termo relativo a nós) determinado pela razão (a razão graças à qual um homem dotado de discernimento o determinaria). Trata-se de um estado intermediário, porque nas várias formas de deficiência moral há falta ou excesso do que é conveniente tanto nas emoções quanto nas ações, enquanto a excelência moral encontra e prefere o meio termo. Logo, a respeito do que ela é, ou seja, a definição que expressa a sua essência, a excelência moral é um meio termo, mas com referência ao que é melhor e conforme ao bem ela é um extremo. (ARISTÓTELES, 1992, p. 42). O SER HUMANO VIRTUOSO Em que consiste uma vida virtuosa? Em que consiste o hábito? Existe um modelo de indivíduo? É possível criar parâmetros de perfeição para o ser humano? Questionamentos como estes são pertinentes enquanto busca por uma forma de comportamento social imparcial, não tendencioso, ou mesmo individualista. Sabemos, porém que todas as ações humanas visam a um fim e este é a felicidade. A finalidade do trabalho, do estudo, da atividade física, da religião, da amizade, da união entre pessoas e tantas outras ações podemos chamar de uma busca incessante pela felicidade. VIRTUDE O termo "Virtude" (do latim "virtus" que significa força viril) designa o poder de uma coisa para produzir determinados efeitos. É uma força moral que impulsiona o indivíduo agir orientado para a prática do bem. Para Kant, a “virtude é à força de resolução que o homem revela na realização do seu dever”. Portanto é virtuoso o homem que conhece o bem e age de acordo com ele independente das consequências adversas que esta ação possa provocar. "No homem virtuoso todas as coisas exteriores e interiores se harmonizam com a sua razão.” (Aristóteles, 322 a.C.). O ser humano virtuoso encontra em seu intimo motivos suficientes para agir corretamente, não depende de elogios ou reconhecimentos sociais. Precisa apenas de convicção interior. A famosa frase socrática “conhece-te a ti mesmo” explicita o quanto se faz importante ter controle sobre si mesmo. O primeiro passo para o sucesso é o autoconhecimento e em seguida o autocontrole sobre suas paixões. A vida é repleta de momentos decisivos e à medida que estamos preparados, conscientes do que fazer e de como agir em meios às situações adversas teremos tanto mais chances de vencê-las quanto de não nos decepcionarmos com o seu desfecho. As virtudes basicamente são divididas em morais e teologais, as primeiras se refere a reflexão filosófica e as segundas a religião. As principais virtudes morais são: · A prudência responsável pelo discernimento – em todas as circunstâncias – procura escolher a justa medida em tudo. · A justiça não nos permite usufruir o que não é nosso, tanto na esfera individual quanto na social. · A fortaleza possibilita enfrentar as dificuldades com firmeza e constância orientando nossa prática para o bem. · A temperança é encarregada pela moderação dos apetites dos prazeres sensíveis, a renúncia nos leva a maturidade. Diante deste quadro das virtudes morais vemos que não é fácil ser virtuoso, é necessário renunciar alguns desejos, alguns sentimentos e por vezes certas prioridades da vida para alcançarmos a excelência na ação. Esta ação exige desenvolvimento dos potenciais humanos. Mas há dois tipos de potência a se considerar: potência para existir e potência para agir. Ambas orientam a ação humana, ora para o que há de mais natural no homem que é o seu instinto e ora para o que há de superior no homem sua capacidade racional, logo a perfeição está na parte superior, no controle de seus instintos e impulsos como forma de renúncia dos prazeres efêmeros (sensíveis) em detrimentos dos prazeres estáveis (intelectuais). Constatamos que a virtude se trata de um hábito e como tal demanda prática, uma vida virtuosa depende, sobretudo de uma dedicação ao aprendizado e ao aperfeiçoamento de nossas ações. Mas isso não é fácil, pois demanda tempo e paciência, firmeza e dedicação. Vale lembrar que virtude não é apenas a ação boa de alguém, mas o que torna alguém bom por excelência. O ser humano se torna virtuoso quando descobre o que tem de melhor e aperfeiçoa mediante um esforço pessoal, contudo em favor do bem comum. INDICAÇÃO PARA LEITURA ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2003. CORBISIER, R. Introdução à filosofia grega. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1997. CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000. PEGORARO, O. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006. Hora de Relaxar. SOCRATES. As três peneiras de Sócrates: uma lição para a vida. Disponível em: . Acesso em: 22 jun.2013. UNIDADE II: A FORMAÇA˜ O DA SOCIEDADE CAPITALISTA INTRODUÇÃO Historicamente, chamamos de Idade Moderna, o período compreendido entre 1453 (Queda de Constantinopla) e 1789 (Revolução Francesa). Foi durante esse período que o mundo - até então restrito aos feudos - alargou suas fronteiras, a Europa passava por grandes transformações econômicas, ideológicas, religiosas e políticas. Para que possamos compreender historicamente o mundo moderno é importante retornarmos ao final da Idade Média. A partir do século XI, as invasões bárbaras e as guerras diminuem, novas técnicas agrícolas produzem um excedente que passa a ser comercializado nas cidades, agora não mais tão desprotegidas e inseguras. A burguesia, classe que vive do comércio encontra na cidade um ponto de convergência de pessoas que buscam produtos dos quais necessitam. É dentro desse contexto que o Renascimento Cultural se faz presente. Um movimento artístico, científico e filosófico que ocorre na Europa do século XV. Foi através dele que o homem voltou a ser o centro dos pensamentos (antropocentrismo), as críticas à “fé cega”, a valorização da razão e da ciência e o individualismo são algumas das características predominantes desse movimento, que resume os novos valores e princípios em detrimento do mundo medieval. A Reforma Protestante representou para o mundo moderno, o rompimento com a hegemonia da Igreja Católica e as possibilidades de novos pensamentos e preceitos religiosos, adequando a religião aos “novos tempos”. Alguns burgueses prosperam muito e o sistema político vigente - o governo descentralizado dificulta as práticas mercantis. Os reis que até então eram vistos como meros senhoresfeudais passam a procurar meios de reunir poder em torno de sua pessoa. Foi através de uma aliança com a burguesia que se estruturaram os estados Nacionais Modernos, submetendo a Igreja e a nobreza, os soberanos europeus passam a ter o poder em suas mãos. A economia deixou de ser algo voltado para o local e, se falamos de globalização, não é algo recente, devemos ter em mente as Cruzadas da Idade Média (século XI ao XIII) e as Grandes Navegações (séculos XV e XVI). Foi com essas viagens a mundos até então desconhecidos pelos europeus - empreendimentos arriscados, que tiveram conhecimento de outras terras, povos e produtos, fazendo com que, principalmente os burgueses, ampliassem sua riqueza e consequentemente, os reis reunissem em sua pessoa todo o poder político através de práticas absolutistas. Podemos afirmar então, que a Idade Moderna foi aos poucos se desfazendo das nuances que ainda restavam do feudalismo para, paulatinamente, dar lugar a uma nova ordem, o capitalismo. FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO Com o declínio do sistema político vigente na Idade Média, onde a figura do Rei estava atrelada a figura de um Clérigo e o poder não era centralizado, mas dependia de acordos entre aqueles que estavam no poder, ou seja os senhores feudais, a nobreza e as autoridades religiosas. Foi na Itália que surgiu o primeiro teórico com a preocupação de elaborar uma teoria que propusesse a formação de um Estado forte e Moderno que atendesse as novas exigências que o mundo estava sofrendo. Entre as características deste período de transição destaca-se: · Soberania do Estado: o poder se concentra na mão de uma autoridade capaz de manter a ordem, a justiça e a paz; · Distinção entre Estado e Sociedade Civil: fica clara com a ascensão da burguesia por volta do Século XVII; · Formação do corpo militar para impedir a violência entre os cidadãos; · Estrutura jurídica e corpo de juízes para garantir os direitos de todos; · Cobrança de impostos: forma de demonstração de poder, manutenção das forças armadas e da estrutura jurídica e administrativa; Surgiu inicialmente, o Estado Absolutista e em seguida o Estado Liberal, depois Os Estados Nacionais no século XX e adiante o chamado Estado Neoliberal. ESTADO ABSOLUTISTA Tem seu início em Portugal no final do século XIV com a expansão do mercantilismo. O absolutismo teve seu pleno desenvolvimento na França no Reinado de Luís XIV que proclamou a famosa frase: “O estado sou eu!”. Com o controle econômico, o Estado possui plenos poderes sobre todas as relações existentes dentro e fora dos limites territoriais. O Estado controlava as tarifas dos produtos, as taxas de impostos à população. Julgava e decidia o que era justo ou injusto. Toda a autonomia era dada ao Estado e este podia agir em nome da ordem conforme bem entendia que fosse necessário. Muitos conflitos surgiram nesta época o mais acentuado foi entre os interesses por um lado dos nobres e clérigos e por outro da classe em ascensão, a burguesia. Tais interesses eram referentes à justiça, à administração do patrimônio público e à administração econômica. ESTADO LIBERAL Surgiu no século XVIII como reação ao Absolutismo, tendo como valores o individualismo, a liberdade e a propriedade privada. Nesta fase de desenvolvimento do capitalismo os resquícios do sistema feudal praticamente desaparecem em detrimento de uma nova forma de relação entre patrão e empregado. O trabalho assalariado é uma exigência, a técnica precisa ser apurada, a produção precisa ser acelerada para dar conta da demanda. As relações comerciais começam a ganhar proporções surpreendentes extrapolando os limites territoriais. Com o Estado Liberal, estabeleceu-se a separação entre o público e o privado. O fundamento do Liberalismo é fundado na concepção de que o povo decide sobre o seu futuro, é preciso haver consulta popular nas tomadas de decisões. A expressão mais clara dessa ideia se encontra nas constituições liberais, como a do Brasil, na qual se lê, no artigo primeiro: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. O parlamento se consolida como a figura central do poder. Nesta concepção de governo, o Estado não deve interferir nas relações econômicas, mas incentivar o livre comércio, a livre concorrência entre os interessados. Esta intensa prática comercial perdeu força com a Primeira Guerra Mundial (1914- 1918) devido ao desaparecimento de pequenas empresas que foram sucumbidas pelas grandes empresas ficando, assim insustentáveis as relações comercias entre os países, devido à concentração do poder econômico nas mãos de poucas pessoas e, sobretudo de alguns países. As Guerras entre os países se tornaram frequentes e o sistema começou a sofrer um revés. ESTADOS NACIONAIS: SÉCULO XX Com o enfraquecimento do Estado liberal surge no início do Século XX os estado Fascistas e Soviéticos. O que distingue ambos os regimes, basicamente era o projeto que cada um escolheu. No Estado fascista, a participação política significava plena adesão ao regime e a seu líder máximo, o governo está acima da lei por que sabe o que é melhor para cada um de seus membros. Na Rússia pós-revolucionária, o desafio era criar mecanismos efetivos de participação dos camponeses, operários e soldados, desde que fossem organizados no interior do Partido Comunista. O processo crescente de globalização estava em pleno desenvolvimento e colaborou para que a partir da Segunda Guerra Mundial. A queda do muro de Berlim foi um marco histórico do enfraquecimento do regime socialista e do fortalecimento do então chamado Estado do bem-estar-social. Os Estados capitalistas tentaram reconstruir suas bases políticas fundamentada no diálogo entre as necessidades da classe trabalhadora e do capital. O Estado deve intervir sempre que os direitos de alguma classe não forem respeitados. Nos Países Latino-Americanos o que ocorreu foram golpes militares em nome da ordem e da manutenção da lei. Situações deploráveis foram sendo desencadeadas, pessoas eram vítimas de abusos de todo tipo por parte dos militares que ao entrarem no poder se consideravam a própria lei. ESTADO NEOLIBERAL A partir da década de 70, com a crise do petróleo houve nova mudança na estrutura estatal. Várias crises, desempregos, greves e endividamentos dos países em desenvolvimento. Os analistas atribuíram estes problemas a gastos públicos com a saúde, a educação, previdência, desempregados, ou seja, os serviços públicos em geral. Como saída foi sugerido as privatizações e consequentemente aquele que usa deve pagar pelo que necessita. A política neoliberal impactou os benefícios que os trabalhadores tinham conquistado ao longo de anos de luta. Com a livre concorrência acentuada a maior preocupação se concentra na obtenção do lucro, ou seja, caminhar sempre a frente do meu concorrente. Os direitos trabalhistas e, sobretudo humanos (habitação, transporte, segurança, saúde pública) começam a gerar ônus ao Estado de forma que inviabiliza, do ponto de vista do Estado, o atendimento adequado à população. Os neoliberais defendiam a maior rapidez nos negócios para garantir o crescimento contínuo e seguro das empresas no mundo dos negócios. Reforçavam o modo de vida capitalista como o consumo, a dependência dos produtos, o livre mercado, o individualismo com elemento fundamental para a obtenção do reconhecimento profissional e pessoal. O Estado foi sendo engolido pelas grandes corporações financeiras que agora decidem o rumo dos investimentos, dominam os assuntos políticos uma vez que financiam campanhas, exploram as mídias veiculando notícias de seus interesses. A sociedade passa a ser vítima de interesses puramente financeiros que vão além dos valores profissionais. Portanto, o que era responsabilidade pública passa cada vez mais ser alvo de domínio particular. As grandes empresas sondam tudo o que tem retorno financeiro e investem nestes setores. Surgem empresas financiadoras, planos de saúdeprivados, empresas de segurança particulares e pedágios. Vemos o Estado se eximir da sua responsabilidade mesmo recebendo para atender a toda esta demanda. O CAPITALISMO E A SOCIEDADE DE CONSUMO Houve nas últimas décadas um aumento exagerado em consumir provocado pelo crescente número de produtos expostos no mercado, pela facilitação em conhecer novos povos, costumes e realidade. Chamamos de consumo tanto o ato da sociedade em adquirir aquilo que é necessário a sua subsistência quanto àquilo que é supérfluo. O consumo desenfreado é uma das marcas do século XXI, Segundo Lipovetsky (2004) “estamos vivendo num processo de dupla transformação: social e de identidade individual”. Pensar a sociedade de consumo não é uma tarefa das mais fáceis, porém ficar alheio à sua existência e cobrança é praticamente impossível. A sociedade pós-moderna é marcada pelos exageros e paradoxos, pela relativização, pela carência de referências, mas por outro lado também se caracteriza pela produção industrial de tudo o que existe, por exemplo, o cinema, a música que antes eram vistos como arte criativa agora são vistas como “arte” lucrativa. As propagandas veiculadas pelas mídias surgem para estimular o consumo, as técnicas comerciais visam atingir a satisfação do cliente. A sociedade de modo geral volta-se para o presente, para o desenvolvimento pessoal, a satisfação, o bem-estar, estamos voltando ao hedonismo, porém agora com uma série de estímulos visuais, auditivos capazes de nos entreter, de nos seduzir a ponto de cedermos à paixão pelo ter. Surge a figura do indivíduo autônomo, independente da tradição, liberto de padrões comportamentais. O hedonismo traz consigo o gosto pela novidade e o desprezo pelo duradouro, promove o fútil e incute a cultura do efêmero. Posso ter tudo o que eu quero quando eu quero. Assim o tratamento que é dado às coisas aos poucos vai sendo assimilado e tornando uma prática de vida, onde eu não consigo diferenciar que é sujeito e quem é objeto. O mito de Narciso ilustra bem o culto ao individualismo, ao vazio existencial, à flexibilidade e a paixão como força de atração, sedução e desilusão. Em resumo Narciso era uma criança especial com um dom muito peculiar, a beleza, mas esta se transformou em maldição. Ao nascer sua mãe foi alertada de que ele não poderia ver sua imagem e assim aconteceu até que um dia durante uma caçada ele parou para beber água em um lago e se deparou com sua imagem refletida, ao contemplá- la não suportou tamanha beleza e se enamorou por si mesmo, ficando paralisado por tal aparência não conseguia outra coisa se não olhar para ela, ficando horas, dias ali parado contemplando aquela imagem até definhar na tentativa de conquistar um amor impossível. Morreu a beira do lago sendo sua existência perpetuada através de uma flor cuja beleza equivale à um fruto, Narciso. Assim também é a sociedade pós-moderna, exalta a beleza pessoal; projeta-se na realidade e quer o reconhecimento a qualquer preço; embriaga-se a ponto de não reconhecer a diferença entre real e ideal; se ilude com imagem que cria de si. Portanto, o exercício da ética dentro deste cenário consiste em aprender a olhar o mundo. Tudo o que olhamos tem a nossa tonalidade. Olhar é um aprendizado. A direção que olhamos diz o sentido que atribuímos à vida. O mundo é melhor na medida em que eu sou melhor. Os valores são importantes para nortear minhas escolhas, meus gostos, minhas ações. Valores como a justiça, honestidade e competência são raros, mas necessários para qualquer relação entre pessoas. O mundo empresarial clama por discussões que visem o equilíbrio, a transparência e correta aplicação dos bens de consumo a favor da construção de uma sociedade ideal para se viver. ÉTICA: UM BOM NEGÓCIO Quanto vale uma marca ou o seu próprio nome? Qual o custo de se perder a credibilidade? São perguntas frequentes por empresários que querem garantir seu espaço. Conceitos como sustentabilidade, projetos ambientais, responsabilidade social estão presentes nas reuniões que decidem o norte da empresa. Falar sobre ética, entender sua importância, desenvolver a consciência do que se deve fazer é o grande desafio. Mas o que ganho sendo ético, seguindo regras preestabelecidas, padrão de comportamento? Enquanto alguns pensam ser desnecessário esse tipo de preocupação, outros começam enxergar a longo prazo o seu benefício. O livre arbítrio nos permite escolher nossas prioridades, mas as relações com o outro me faz repensar a cada momento se estou tomando as decisões corretas. Empresários, administradores, pessoas envolvidas no processo de crescimento e manutenção dos negócios constantemente se perguntam: como melhorar nossa capacidade de atrair clientes e fidelizá-los? Uma resposta muito rápida e eficiente é ganhando sua confiança. Mas como posso ganhá-la? Este é o desafio. Não basta ter bom produto, não basta ter bom preço, não basta ter pessoas qualificadas atendendo. É preciso haver uma política de trabalho que apresente a empresa como aquela que atenda todas as necessidades do cliente. A credibilidade é a marca a ser atingida por todos. O mundo dos negócios exige confiança de ambos os lados, os que oferecem produtos e os que consomem o produto. Escolhas aparentemente simples podem comprometer a vida da empresa. A imagem do profissional está atrelada ao tipo de serviço prestado, ao produto ofertado, a qualidade no atendimento e, sobretudo um diferencial é a preocupação com o outro. Pessoas gostam de ser bem tratadas, aliás, elas “estão pagando” por isso, se tornam tão exigentes. Ser um profissional ético é uma exigência do “mercado humano”, porém ela não pode ser comprada, mas apenas aprendida e assimilada. Aprender é passível a qualquer pessoa, precisa apenas de boa vontade e abertura. Ao ingressarmos em um ramo carecemos de compreensão e dedicação para conhecer e atuar nele, da mesma forma quando sentimos a necessidade de agir eticamente se torna obrigatório um desprendimento em querer praticar valores que antes não faziam parte da minha rotina de ações diárias. Agir eticamente sempre foi e será uma decisão pessoal. As pessoas costumam lembrar uns dos outros pelas ações que cada faz. Este é um caminho sem volta. Qual imagem queremos deixar gravada no consciente coletivo, na sociedade? Lucrar é o lema do sistema capitalista. Lucrar com credibilidade e responsabilidade é o lema a ser atingido por aqueles que desejam mais do que o lucro pelo lucro. ( INDICAÇÃO PARA LEITURA ) ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de. Fundamentos de ética empresarial e econômica. São Paulo: Atlas, 2001. SÁ, Antônio Lopes. Ética profissional. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001. HARVEY, David. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 1992. UNIDADE III: FUNDAMENTOS E' TICOS E VIRTUDES INTRODUÇÃO Ter uma conduta ética não é tarefa fácil, principalmente em meio a um mundo com tantas possibilidades de ser como o que estamos vivenciando. O Ser humano prova para si que seu limite se estende na direção do infinito e que as possibilidades devem ser alcançadas sempre. Viver é bom, mas ter regras é necessário. Em todas as sociedades houve-se a consciência da importância em criar leis que regulassem a convivência entre as pessoas. Dentro do mundo empresarial não é diferente, porém onde a dimensão econômica está presente, os interesses se aguçam. A um ditado popular muito sábio que diz: "Se quiseres enriquecer alguém: não lhe dê dinheiro, tira-lhe ambições". Desejar é próprio da natureza humana, mas dominar as paixões é para os fortes. Vamos estudar algumas virtudes pertinentes ao ambiente empresarial e com as quais a vida pode assumir um caráter tolerável. Nascemos ignorantes e por isso precisamos aprender a andar, falar, comer, conviver e amar. Da mesma forma que precisamos aprender a lidar com situações básicas, precisamos lidar com situações complexas como as exigidas pelas relações empresariais, o principal aprendizadoé a assimilação das virtudes. CONCEITO HISTÓRICO DE ÉTICA EMPRESARIAL Ética empresarial é um termo recorrente e complexo no cenário globalizado. Por volta da década de 60 na Alemanha ocorreram alguns debates filosóficos sobre o comportamento humano em relação aos negócios financeiros e comerciais. Criaram- se alguns conselhos, órgãos, estatutos capazes de orientar e padronizar o mundo das empresas. A expansão das multinacionais gerou conflitos, choques culturais entre os países e empresas, fato este que incentivou a criação de códigos de ética coorporativos. A década de 90 caracterizou-se pela criação de fóruns internacionais de debates, incentivos as pesquisas e publicações esclarecedoras, de caráter científico para que o uso dos códigos não caísse no “achismo”, ou em apenas mais um documento. Sua finalidade deveria agregar valor humano ao capital da empresa. Alguns desafios puderam ser identificados ao longo de anos de reuniões, variando as abordagens de acordo com os ambientes empresariais e os países em que as empresas estão instaladas. A ética deve levar em consideração aspectos culturais, históricos, climáticos, etc. Temas específicos foram ganhando espaço no cenário das discussões como a corrupção, a liderança e as responsabilidades coorporativas. Contudo, sempre com ressalvas acerca da aplicabilidade do conteúdo destas discussões e qual o ganho que a empresa teria ao adotar um código de ética. Essas perguntas nunca deixaram de serem feitas. A economia é, portanto, a mola mestra do crescimento das empresas, logo se faz necessário um estudo sobre como estabelecer uma relação entre ele e a ética. Os rendimentos se transformam em capital acumulativo (lucro) e capital de giro (investimento) com vistas ao aumento de riqueza pessoal e social. Quanto maior for o desenvolvimento econômico, maior será a minha lucratividade. Paralelamente à contribuição das empresas à sociedade e ao governo quanto a qualidade de vida e desenvolvimento estão os problemas como: concorrência desleal, sonegação de vários impostos, o lucro pelo lucro, a corrupção e tantos outros que tornam insuportável a relação de confiança entre as pessoas e as empresas, inviabilizando a prática de valores e virtudes como a justiça, o zelo, o sigilo, a competência e tantas outras necessárias para a vida da sociedade empresarial. Com o intuito de fiscalizar e moralizar as relações entre os que se consideram acima da lei e os que dependem destes é que surge o código de ética empresarial. Os principais órgãos defensores dos direitos de todos os indivíduos são as ONGs, estas por não estarem ligadas ou dependentes diretamente do governo foram criadas para combater os exageros por parte dos representantes, ou responsáveis pelos negócios econômicos. Outros órgãos como sindicatos ou grupos de formadores de opiniões (professores, membros de comitês...) também cobram uma postura ética e digna por parte dos governantes (políticos, empresários). É cobrada uma postura transparente, a isonomia da lei e a igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. É justo que todos tenham acesso às oportunidades sem nenhum tipo de exclusividade. VIRTUDES BÁSICAS PROFISSIONAIS O desempenho de uma empresa depende da qualificação profissional e humana. As virtudes caracterizam o capital necessário para unir ambas. Muitas se destacam, mas estudaremos apenas quatro para ilustrar a importância que elas exercem na formação do caráter humano e na credibilidade às relações empresariais. ZELO Um trabalho não termina com sua execução, mas fica para sempre o resultado de seu alcance. Nossas ações nos representam mesmo em nossa ausência. O zelo com o que fazemos demonstra nossa responsabilidade individual, nosso caráter. É a demonstração de nossa imagem pessoal. Marco Aurélio (161-180) escreve em suas meditações: “o homem comum é exigente com os outros; o homem superior é exigente consigo mesmo”. Logo concluímos que pela qualidade do serviço mede-se a qualidade do profissional. Por outro lado, temos o oposto ao zelo que é a negligência, ou seja, a responsável pelos serviços mal feitos, pelos famosos “jeitinhos”. Temos duas escolhas, a primeira assumir que sabemos o serviço e assumirmos fazendo-o ou não saber fazer, porém não admitimos por vaidade e ousamos algo que está fora de nossa alçada, acarretando uma imagem negativa ao nosso serviço e à nossa empresa. HONESTIDADE Consiste no respeito ao que é de terceiros e ao que foi confiado ao profissional. Agir com honestidade é pensar na satisfação da necessidade de alguém. É verdade que valores como a ideia de bem e felicidade são questionadas e variam muito, mas a vida tem uma exigência que ultrapassa os interesses particulares que é a confiança no outro, pois sendo seres de relações constantemente precisamos do outro, buscamos sempre alguém a quem podemos confiar, não suportamos a ideia de sermos traídos. A honestidade não admite relativismos, ou é honesto ou é corrupto. A tolerância não pode ser considerada um valor negociável. A conduta precisa ser impecável sempre com o bem alheio. A tentação à desonestidade faz parte do mundo das negociações, mas a vigilância do reto caráter é um aprendizado a ser posto em prática. SIGILO Revelar o que se sabe quando quem lhe confiou pediu reserva é quebra de sigilo. O respeito aos segredos é protegido por lei é possível de punição. A quebra de sigilo traz para o profissional o descrédito e a perda da dignidade. Os colegas ou pessoas com que ele se relaciona terão sérios motivos para não quererem-no como dignos de confiança. O valor do sigilo é antes de cunho moral que profissional. Conhecer as causas que uma informação pode provocar é o primeiro critério a ser analisado. Medir o bem ou o mal por ela (a informação) provocado é outro critério a ser considerado e respeitar a vontade do autor da ação é sem dúvida a questão primordial para combater a fofoca (situação que gera descrédito). Podemos ser a estação terminal de qualquer informação que não seja permitida falar pelo meu cliente. COMPETÊNCIA Podemos compreendê-la sob duas óticas: a primeira é da potência e consiste no acúmulo de saberes suficiente para a execução de uma tarefa; a segunda consiste no exercício do conhecimento de forma adequada e pertinente a um trabalho. Portanto, errar não é incompetência, mas falta de consciência em admitir o desconhecimento ou o despreparo em realizar tal tarefa. Recusar um trabalho de forma alguma se transforma em vergonha, mas antes postura ética frente ao compromisso profissional, outrora assumido. Não saber, usar mal ou deixar de usar o conhecimento são todos comportamentos transgressores por parte de um profissional, quando em relação aos clientes. Competência, portanto, deriva da qualificação contínua. Não há limites para a formação profissional, o aprendizado se adequa a tarefa a ser realizada, quanto maior a exigência, maior deve ser a capacidade a ser alcançada. ORIENTAÇÃO E ASSISTÊNCIA AO CLIENTE A tarefa do profissional não se limita apenas à sua execução, as perdura para sempre na memória daqueles que entrarem em contato com o trabalho feito. O atendimento ao cliente em sua plenitude está em estabelecer uma relação duradoura, composta de três momentos: antes, durante e após a prestação do serviço. Todo negócio exige uma atitude coerente, uma postura preocupada com o que faz. Comercializar pressupõe um pré-conhecimento sobre o produto, sobre o público alvo, sobre o ambiente, as circunstâncias a que sou exposto para a venda do produto. No momento da venda a preocupação deve ser o cliente (atender e vender); o momento do pós-venda é o mais importante é nele que você garante que o cliente vai voltar. É preciso acompanhar, ligar, saber qual o grau de satisfação alcançado com a venda, aprendemos que vender não termina com a entrega do produto, mas com a nova venda. Nossa satisfação está em podermos vender sempre, mas para conseguirmos tal intento é preciso conquistar o cliente, conquista que passa pelo contínuo acompanhamentodos três momentos da venda. O profissional tem a obrigação de zelar pela satisfação do cliente enquanto o produto de sua ação existir. Orientar é conduzir pelo caminho correto, assistir é o estado permanente de orientação do cliente. ÉTICA MODERNA O modo de entender a conduta humana priorizando a vida teve diversas interpretações ao longo da história. Vejamos alguns teóricos que embasaram nosso estudo, entendimento e consciência do bem comum. THOMAS HOBBES (1588-1679) Entendeu que o homem deve conservar a si mesmo diante de tantas adversidades advindas da Natureza Humana. A maior preocupação do homem deve ser com o que lhe é mais natural, a convivência. O homem tende à sua destruição, nas palavras do próprio Hobbes em sua obra O Leviatã (1651): “o homem é lobo do próprio homem”. (Hobbes, 2002, p. 46). O medo faz com que os indivíduos criem leis para a manutenção da espécie. Nele impera o instinto, a animalidade, mas este também possui a razão, o desejo pela sobrevivência. A razão assume o posto de criadora de mecanismos que assegure a vida e a liberdade. Atribuímos a ele a existência de três causas fundamentais da discórdia entre os participantes de um grupo: a primeira é a competição; a segunda é a desconfiança e a terceira a glória. JOHN LOCKE (1632-1704) O conhecimento é fruto da experiência humana. A mente é uma tábula rasa por onde são impressas nossas sensações, a razão fica num segundo plano. O poder deriva de um contrato onde os indivíduos ao se conhecerem percebem a necessidade de leis que organize a vivência. Este pacto visa estabelecer a segurança e a vontade da maioria que são impossíveis no estado natural. Ao preservar o direito natural por meio de leis válidas a todos garantimos um governo justo, impedindo assim, o abuso do poder por parte de um grupo. O rompimento contratual acontece quando os indivíduos não se sentem representados integralmente pelo governo. O princípio da diferença se concentra na propriedade privada, quanto maior o número de propriedades privadas, maior será a diferença entre as pessoas. IMMANUEL KANT (1724 -1804) Kant toma o fato para falar da moralidade. Todo e qualquer indivíduo possui consciência do seu dever e se sente responsável pelas suas ações. A ação moral, portanto se caracteriza autônoma, sendo o ser humano o único capaz de se determinar segundo leis próprias, autônomas. Ele não parte de valores determinados pelas nossas inclinações, como o bem, a felicidade, o interesse ou o prazer, por que essas são formas subjetivas e relativas a cada pessoa. Kant parte em busca de um princípio com validade universal, de uma lei que seja a priori, anterior a toda experiência concreta, independente de ações individuais ou isoladas. Seu ponto de partida é o Imperativo Categórico: a obediência à lei se concretiza no dever ser. Minha ação não é pautada por fins, nem por meios, mas pela obrigação de agir de acordo com minha consciência (lei moral regida pela razão universal). O sujeito moral deve estar de plenos poderes sobre sua liberdade de ação, sua vontade de ação e sua autonomia de ação. Cada uma delas devem ser independente de qualquer interesse que não seja universalidade da ação. OS PRINCÍPIOS DA MORALIDADE Kant estabelece alguns imperativos chamados por ele de hipotéticos ou condicionais, ou seja, se queres ser advogado deve estudar advocacia e as leis, se pretendes algo deve fazer por onde conquistar; e os categóricos ou absolutos, não visam nenhum bem, apenas cumprem o dever pelo dever, estes devem ser descobertos pelo próprio sujeito como o caminho correto a ser trilhado. As normas só podem ser aplicadas universalmente quando desinteressada de qualquer recompensa. O agir moral não visa retorno, apenas o cumprimento do dever. São três os imperativos categóricos, são eles: “Age de tal modo que a máxima de tua vontade seja sempre válida, ao mesmo tempo, como princípio de uma legislação universal” (Kant, 1986, p. 42). Esta é a regra da universalidade. A máxima é uma regra sempre subjetiva é uma regra imposta pelo sujeito a si mesmo, mas, para que seja válida, dever tornar-se lei praticável por todos os seres dotados de razão. A segunda máxima é: “age de tal modo que consideres a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de todos os outros, sempre como fim e nunca como simples meio” (Kant, 1960, p. 69). “No reino dos fins tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem preço, pode ser substituída por qualquer outra como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo preço, e, portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade” (KANT, 1960, p. 77). E por fim, o princípio da autonomia "Age de tal maneira que a vontade pela sua máxima possa ser considerada como legisladora universal a respeito de si mesma" (Kant, 1960, p. 72). Este consiste na afirmação de que o único bem sem restrições é a Boa Vontade. O sujeito deve obedecer apenas as leis que criou, ao mesmo tempo para si e para todos os seres racionais. O imperativo não se aprende, ele se impõe como consciência da razão em virtude da liberdade exercida pelo homem. O dever é o poder da liberdade sobre a minha vontade. À medida que tomo consciência do dever e me comporto de acordo com ele, me torno livre e autônomo. Portanto, liberdade é autonomia e autonomia é liberdade. Vejamos como Kant explica isso: A autonomia da vontade é o único princípio de toda moral e de todos os deveres conforme a esta lei; consiste na independência da lei moral a respeito de toda a matéria (isto é, de um objeto desejado) e, ao mesmo tempo, na determinação da liberdade por meio da pura forma legisladora universal, de que deve ser capaz uma máxima; a legislação autônoma da razão pura prática, isto é, da liberdade; esta é sem dúvida, a condição formal de todas as máximas; e estas, só obedecendo-lhe podem conformar- se com a suprema lei prática. (KANT, 1960, p. 85-86). Kant quer dizer com este texto que ao mesmo tempo sou livre e submisso. Ser livre é colocar a sua vontade a serviço da lei moral, universal. A dignidade moral de uma pessoa depende dela colocar sua liberdade em conformidade com a lei natural da razão pura prática. A partir de Kant todas as teorias éticas terão caráter normativo. Nele se inspiram vários pensadores com diferentes focos. A ética passa da subjetividade para a objetividade construída pelo diálogo, pela reciprocidade e pelos princípios rawlsianos da justiça. ( INDICAÇÃO PARA LEITURA ) OLIVEIRA, M. A. de. Ética e racionalidade moderna. São Paulo: Loyola, 1993. ARRUDA, Maria Cecilia Coutinho de. Fundamentos de ética empresarial e econômica. São Paulo: Atlas, 2001. SÁ, Antônio Lopes. Ética profissional. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001. HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. São Paulo: Martin Claret, 2002. KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos. Trad. Leopoldo Holzbach. São Paulo: Martin Claret, 2003. PEGORARO, O. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006. MAIA, Paulo Leandro. Introdução à ética e responsabilidade social: administração e ciências contábeis. São Paulo: Livraria e Editora Universitária do Direito, 2007. UNIDADE IV: ECONO^ MIA E JUSTIÇA SOCIAL E MUNDO GLOBALIZADO INTRODUÇÃO O grande desafio encontrado pela humanidade globalizada é encontrar uma forma de ser humano. Muitas questões afligem o ser humano, mas o fato de sermos seres relacionais em um mundo que explora e incentiva a individualidade, sucesso e o reconhecimento pessoal, faz com que as pessoas tenham dificuldades em encontrar motivos para serem solidárias. A economia é a mola propulsora que acelera o ritmo do crescimento da sociedade, o desenvolvimento de novas tecnologias, o acesso a informações com qualidade e rapidez, mas também exclui e incentiva o distanciamento entre as pessoas, o isolamento de pessoas em seus espaços virtuais. Pensar uma alternativa para esta situação de exclusão que grita à nossa porta