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Biossegurança e Primeiro Socorros (TÉCNICO_PROFISSIONALIZANTE)

Livro de estudos sobre biossegurança e primeiros socorros para curso profissionalizante. Contém três unidades: conceitos, regulamentação e gestão de resíduos; EPIs, riscos e boas práticas em farmácia; qualidade no atendimento e procedimentos em emergências e abordagem de traumas, hemorragias, alergias e intoxicações.

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<p>Biossegurança e</p><p>Primeiro Socorros</p><p>Curso</p><p>Profissionalizante</p><p>Autor</p><p>Sabrina Hochheim</p><p>Indaial – 2022</p><p>1a Edição</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2022</p><p>Elaboração:</p><p>Sabrina Hochheim</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>Apresentação</p><p>Caro aluno, a disciplina de Biossegurança e Primeiros Socorros visa esclare-</p><p>cer questões pertinentes ao dia a dia de cada um dos indivíduos. O tema submeterá</p><p>você ao entendimento das relações entre a sua futura profissão e as questões im-</p><p>portantes de segurança, remetendo à análise da nossa própria rotina no ambiente</p><p>de trabalho.</p><p>As questões abordadas daqui em diante estarão alocadas em três unidades.</p><p>A Unidade 1 objetiva fazer com que você possa conhecer os aspectos relacionados</p><p>aos conceitos em biossegurança, sua regulamentação, bem como diretrizes para a</p><p>atuação com segurança no ambiente de trabalho. Outro ponto relevante é a clareza</p><p>de quais procedimentos de medidas preventivas e educativas devem ser adotados</p><p>para diminuir o risco de transmissão de doenças e acidentes de trabalho. Você terá</p><p>acesso, também, ao conteúdo de impacto ambiental gerado pelos estabelecimen-</p><p>tos de saúde, assim como os procedimentos que devem ser realizados para geren-</p><p>ciar estes resíduos.</p><p>Uma das maneiras de manter um bom relacionamento com os clientes é ter</p><p>excelência no atendimento, portanto, para melhor explorar o tema, trabalharemos,</p><p>na Unidade 2, as questões referentes às definições, aos conceitos, à gestão e às</p><p>ferramentas operacionais de qualidade. Abordaremos, também, a importância do</p><p>conhecimento das emergências que poderão ocorrer nos centros de saúde, pois</p><p>entendemos ser fundamental sobre procedimentos primários em caso de emer-</p><p>gência hipertensiva, diabética, neurológica e cardiológica.</p><p>A partir do estudo da Unidade 3 você terá acesso às características que</p><p>visam facilitar a identificação da abordagem primária e secundária à vítima, auxi-</p><p>liando-lhe no reconhecimento de situações-problema, como traumas, hemorragias</p><p>e sangramento. Você aprenderá também os principais conceitos do sistema imu-</p><p>nológico, que darão base para o entendimento de reações alérgicas causadas por</p><p>medicamentos e substâncias químicas, as chamadas intoxicações exógenas.</p><p>Ao final deste livro de estudos, você será capaz de identificar os programas</p><p>na área de biossegurança e emergências e, assim, terá uma atuação mais segura</p><p>em seu ambiente de trabalho.</p><p>Desejamos uma boa jornada de estudos!</p><p>Professora Dra. Sabrina Hochheim</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 - BIOSSEGURANÇA, URGÊNCIA E</p><p>EMERGÊNCIA EM CENTROS DE SAÚDE .................................................................. 1</p><p>TÓPICO 1 - INTRODUÇÃO À BIOSSEGURANÇA.................................................... 3</p><p>1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 3</p><p>2 PRINCÍPIOS E CONCEITOS EM BIOSSEGURANÇA .......................................... 3</p><p>2.1 DEFINIÇÃO DE BIOSSEGURANÇA .................................................................... 4</p><p>2.2 A FARMÁCIA COMO AMBIENTE DE SAÚDE ................................................... 6</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................... 9</p><p>AUTOATIVIDADE ........................................................................................................ 10</p><p>TÓPICO 2 - PROTEÇÃO INDIVIDUAL E RISCOS À SAÚDE ................................ 11</p><p>1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11</p><p>2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ................................................. 11</p><p>3 RISCOS EM AMBIENTE DE SAÚDE .....................................................................13</p><p>3.1 RISCOS PROFISSIONAIS.....................................................................................13</p><p>3.1.1 Riscos de acidentes ........................................................................................14</p><p>3.1.2 Riscos ergonômicos .......................................................................................14</p><p>3.1.3 Riscos físicos .....................................................................................................15</p><p>3.1.4 Riscos químicos ................................................................................................15</p><p>3.1.5 Riscos biológicos ..............................................................................................15</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................. 17</p><p>AUTOATIVIDADE ........................................................................................................ 18</p><p>TÓPICO 3 - BOAS PRÁTICAS NA FARMÁCIA .......................................................19</p><p>1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................19</p><p>2 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS NA FARMÁCIA ........................................19</p><p>3 MANUAL DE ROTINAS E PROCEDIMENTOS ....................................................21</p><p>4 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL ..............23</p><p>5 RESÍDUOS GERADOS NOS ESTABELECIMENTOS DE</p><p>SAÚDE E GERENCIAMENTO DESTES RESÍDUOS ..............................................23</p><p>5.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ..................................................24</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................... 27</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................33</p><p>AUTOATIVIDADE ........................................................................................................34</p><p>REFERÊNCIAS ...........................................................................................................35</p><p>UNIDADE 2 - BIOSSEGURANÇA, URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>EM CENTROS DE SAÚDE ........................................................................................ 37</p><p>TÓPICO 1 - GESTÃO E QUALIDADE .......................................................................39</p><p>1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................39</p><p>2 CONCEITOS DE QUALIDADE ..............................................................................39</p><p>2.1 QUALIDADE NO ATENDIMENTO PRESENCIAL .............................................43</p><p>2.2 QUALIDADE NA ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE DE TRABALHO .............44</p><p>2.3 ATENDIMENTO DE QUALIDADE NA FARMÁCIA ..........................................45</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .....................................................................................48</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 .............................................................................................53</p><p>AUTOATIVIDADE ........................................................................................................54</p><p>TÓPICO 2 - LIMPEZA E ORGANIZAÇÃO DA FARMÁCIA ................................... 57</p><p>1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 57</p><p>2 SALA DE PROCEDIMENTOS EM FARMÁCIA ................................................... 57</p><p>2.1 SERVIÇOS QUE PODEM SER OFERECIDOS NA SALA</p><p>DE PROCEDIMENTOS EM FARMÁCIA ...................................................................58</p><p>2.2 CONFIGURAÇÃO FÍSICA DA SALA DE PROCEDIMENTOS.........................59</p><p>3 ASSEPSIA, DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO ...............................................60</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................62</p><p>AUTOATIVIDADE ........................................................................................................63</p><p>TÓPICO 3 - PRIMEIROS SOCORROS E EMERGÊNCIAS ......................................65</p><p>de</p><p>serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias e dá outras providências. Bra-</p><p>sília, DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 17 ago. 2009. Disponível</p><p>em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2009/rdc0044_17_08_2009.</p><p>pdf. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a</p><p>fiscalização das atividades farmacêuticas. Brasília, DF: Diário Oficial [da] República</p><p>Federativa do Brasil, 11 ago. 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci-</p><p>vil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13021.htm. Acesso em: 26 abr. 2022.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 13.021-2014?OpenDocument</p><p>36</p><p>COSTA, M. A. F. C.; COSTA, M. F. B. Biossegurança: elo estratégico SST. Revista</p><p>CIPA, [s. l.], v. 21, n. 253, jan. 2002.</p><p>GUANDALINI, L. S. et al. Como controlar a infecção na odontologia. Londrina:</p><p>Gnatus, 1997.</p><p>HIRATA, M. H.; MANCINI FILHO, J. B. Manual de biossegurança. Barueri, SP: Ma-</p><p>nole, 2002.</p><p>LESSA, D. Biossegurança, o que é? Portal Fiocruz, 2014. Disponível em: https://</p><p>portal.fiocruz.br/noticia/biosseguranca-o-que-e#:~:text=A%20biosseguran%-</p><p>C3%A7a%20%C3%A9%20uma%20%C3%A1rea,animal%20e%20o%20meio%20am-</p><p>biente%E2%80%9D. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. OMS. Laboratory Biosafety Manual. 2. ed.</p><p>Génève: WHO, 1993.</p><p>PARANAGUÁ, C. Doenças infectocontagiosas é tema de nova oferta UNA-SUS.</p><p>UNA-SUS, 2019. Disponível em: https://www.unasus.gov.br/noticia/doencas-in-</p><p>fectocontagiosas-e-tema-de-nova-oferta-una-sus#:~:text=As%20doen%C3%A-</p><p>7as%20infectocontagiosas%20s%C3%A3o%20aquelas,agente%20intermedi%C-</p><p>3%A1rio%2C%20transmissor%20ou%20vetor. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>PELCZAR JUNIOR, J. M. et al. Microbiologia: conceitos e aplicações. São Paulo:</p><p>Makron Books, 1996.</p><p>RAMOS, J. M. P. Biossegurança em estabelecimentos de beleza e afins. São</p><p>Paulo: Atheneu, 2009.</p><p>SILVEIRA, M. R. B.; BRITO, S. V. L. Gerência em saúde: biossegurança e controle</p><p>de infecções em serviços de saúde. Montes Claros: Unimontes, 2010.</p><p>TOSMANN, J. M. Conheça os 5 tipos de riscos ocupacionais. Saúde Ocupacional.</p><p>org, 2019. Disponível em: https://www.saudeocupacional.org/2019/05/conheca-</p><p>-os-5-tipos-de-riscos-ocupacionais.html. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>UNIDADE 2</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• definir conceitos, gestão e ferramentas operacionais de qualidade;</p><p>• identificar um atendimento de qualidade em farmácia;</p><p>• reconhecer cuidados no atendimento em farmácia;</p><p>• conhecer os conceitos de assepsia, desinfecção e esterilização;</p><p>• reconhecer a importância do conhecimento das emergências;</p><p>• conhecer os primeiros socorros e as emergências;</p><p>• ter noção dos primeiros procedimentos em caso de emergência hiperten-</p><p>siva, diabética, neurológica e cardiológica;</p><p>• ter conhecimento do protocolo de reanimação cardiopulmonar.</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará</p><p>autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – GESTÃO E QUALIDADE</p><p>TÓPICO 2 – LIMPEZA E ORGANIZAÇÃO DA FARMÁCIA</p><p>TÓPICO 3 – PRIMEIROS SOCORROS E EMERGÊNCIAS</p><p>BIOSSEGURANÇA,</p><p>URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>EM CENTROS DE SAÚDE</p><p>38</p><p>39</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno, neste primeiro tópico da Unidade 2, você verá assuntos rela-</p><p>cionados à qualidade, bem como à gestão e às ferramentas que a compõem. Es-</p><p>ses geralmente são conceitos bem técnicos, que são estudados principalmente por</p><p>pessoas das áreas administrativas de gestão da qualidade, porém, é importante</p><p>que você tenha uma noção sobre qualidade, uma vez que ela se aplica a todos os</p><p>setores de nossa vida.</p><p>A qualidade de atendimento na farmácia é muito importante para conquistar</p><p>o consumidor e fidelizar os clientes. Na farmácia, os atendentes são grandes ferra-</p><p>mentas de suporte ao consumidor, elevando a qualidade do atendimento na farmá-</p><p>cia. Ser bem atendido por um profissional com um sorriso no rosto, que demonstre</p><p>conhecimento dos produtos e simpatia na fala, certamente mudará a experiência</p><p>final do cliente, que poderá sempre retornar ao estabelecimento.</p><p>2 CONCEITOS DE QUALIDADE</p><p>As organizações buscam sistemas de gestão da qualidade para melhorar</p><p>o seu desempenho interno e garantir a qualidade de produtos e serviços que ofe-</p><p>recem, a fim de se manterem no mercado competitivo, visto que, atualmente, a</p><p>qualidade é fator essencial para que empresas sobrevivam e se mantenham com-</p><p>petitivas no mercado cada vez mais globalizado. Segundo Belluzzo e Macedo (1993),</p><p>a busca da qualidade total, exercida em todas as etapas do processo produtivo e em</p><p>todos os níveis hierárquicos das organizações, orienta uma verdadeira revolução de</p><p>conceitos, hábitos e procedimentos, que são verificados em âmbito internacional</p><p>na sociedade atual.</p><p>Quando as organizações implementam sistemas de gestão, permitem mos-</p><p>trar que estão bem estruturadas, além de introduzirem métodos de trabalho mais</p><p>TÓPICO 1</p><p>GESTÃO E</p><p>QUALIDADE</p><p>40</p><p>eficientes para a melhoria da qualidade, atingindo não somente os membros inter-</p><p>nos, mas toda a sociedade na qual a organização serve.</p><p>A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) afirma que:</p><p>Para conduzir e operar com sucesso uma organização, é necessário man-</p><p>tê-la de maneira transparente e sistemática. O sucesso pode resultar da</p><p>implementação e manutenção de um sistema de gestão concebido para</p><p>melhorar continuamente o desempenho, levando em consideração, ao</p><p>mesmo tempo, as necessidades de todas as partes interessadas (ABNT,</p><p>2000, p. 2).</p><p>A gestão de qualidade é um sistema essencial para identificar erros e, a partir</p><p>deles, criar soluções. Ela é baseada em um planejamento estratégico, com foco em</p><p>otimização de processos, melhoria contínua e capacitações. Para isso, o envolvi-</p><p>mento dos funcionários e do estilo de liderança é fundamental para que se crie um</p><p>sistema de gestão da qualidade nos ambientes de trabalho. Não possui regras em</p><p>sua aplicação, entretanto, alguns passos são essenciais para alcançar um resultado</p><p>eficaz, sendo alguns deles: especialização do capital humano, integração dos seto-</p><p>res, delegar tarefas, participação total dos funcionários e mapeamento e aperfeiço-</p><p>amento constante de processos (ELEMENTUS CONSULTORIA, 2020).</p><p>Feigenbaum (1994) define qualidade como a combinação de características</p><p>de produtos e serviços referentes ao marketing, à engenharia e à produção e ma-</p><p>nutenção, correspondendo às expectativas do cliente. Já Yong e Wilkinson (2002)</p><p>afirmam que a definição mais usada de qualidade é a medida na qual o produto ou</p><p>serviço está encontrando e/ou excedendo as expectativas do cliente.</p><p>Partindo dessas definições, afirma-se que a qualidade está relacionada à vi-</p><p>são do cliente e ao envolvimento de toda a empresa para atingir e/ou superar essas</p><p>visões. A partir das necessidades do mercado e da implementação de novas ferra-</p><p>mentas e filosofias no setor da produção, destacando, também, o atendimento das</p><p>expectativas dos clientes, foram se desenvolvendo os estágios de qualidade. Garvin</p><p>(1992) cita que quase todas as modernas abordagens da qualidade foram surgindo</p><p>aos poucos, através de uma evolução regular, e não de inovações marcantes, são</p><p>produto de uma série de descobertas que remontam há um século atrás.</p><p>Na figura a seguir, estão exemplificados alguns pontos que envolvem a ges-</p><p>tão da qualidade de empresas e negócios de uma maneira geral.</p><p>41</p><p>FIGURA 1 – GESTÃO DA QUALIDADE</p><p>FONTE: <https://carpark.com.br/services/gestaodaqualidade/>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>Garvin (1992) apresenta outras dimensões da qualidade. A intenção é fazer</p><p>uma análise dessas dimensões e alinhar o conceito da qualidade do produto dentro</p><p>das diferentes áreas de uma empresa, identificando:</p><p>• Desempenho: refere-se às características operacionais básicas de um produto.</p><p>• Características: relacionadas com características secundárias, que suplemen-</p><p>tam o funcionamento básico do produto.</p><p>• Confiabilidade: mede</p><p>a consistência de execução de um produto ou serviço.</p><p>• Durabilidade: mede a vida útil de um produto com dimensões técnicas e econô-</p><p>micas.</p><p>• Atendimento: facilidade de prestar serviço ao produto quando necessário.</p><p>• Conformidade: é o grau em que o projeto e as características operacionais estão,</p><p>de acordo com padrões preestabelecidos, dentro de limites de variabilidade.</p><p>• Qualidade percebida: refere-se às percepções subjetivas da qualidade, que sur-</p><p>gem como resultado da imagem da empresa, da publicidade ou da marca.</p><p>• Estética: relacionada às características sensoriais e aparências externas de um</p><p>produto.</p><p>42</p><p>A atualização e a redimensão da economia fazem com que a implantação</p><p>de sistemas de gestão da qualidade não seja mais considerada um diferencial es-</p><p>tratégico, mas, sim, a cada dia, um pré-requisito necessário para as empresas, no</p><p>sentido de desenvolver com eficiência e eficácia produtos e serviços que melhor</p><p>atendam aos seus clientes.</p><p>Os empresários atuais buscam oferecer melhores produtos e/ou serviços</p><p>aos seus clientes, assim como um bom atendimento. Os clientes e os usuários de</p><p>qualquer instituição também se mostram mais exigentes na escolha de serviços e</p><p>produtos de melhor qualidade. Assim, a relação entre clientes e usuários passa a ser</p><p>um novo foco de preocupação e demanda esforços para a sua melhoria.</p><p>O conceito de qualidade é amplo e suscita várias interpretações. As mais</p><p>expressivas se referem, por um lado, à definição de qualidade como ‘a busca da sa-</p><p>tisfação do cliente’ e, por outro, ‘a busca da excelência para todas as atividades de</p><p>um processo’. Na mesma linha de pensamento, a qualidade é também considerada</p><p>como fator de transformação no modo como a empresa se relaciona com os seus</p><p>clientes, agregando valor aos serviços a eles destinados. Em face dessa diversidade</p><p>de significados, cabe às empresas identificarem os indicadores de qualidade dos</p><p>seus produtos e serviços do ponto de vista dos seus clientes. Agora, veja alguns</p><p>aspectos do bom atendimento ao público, segundo o IBAM (2020):</p><p>O bom atendimento, visando qualidade, deve levar em consideração:</p><p>• Foco no cliente: a importância dada a esse princípio se deve, principalmente,</p><p>ao fato de que o sucesso da venda (lucro financeiro) depende da satisfação do</p><p>cliente com a qualidade do produto, com o tratamento recebido e com o resulta-</p><p>do da própria negociação.</p><p>• O serviço ou produto deve atender a uma real necessidade do cliente: este prin-</p><p>cípio se relaciona à dimensão da validade, isto é, o serviço ou produto deve ser</p><p>exatamente como o usuário espera, deseja ou necessita que ele seja.</p><p>• Manutenção da qualidade: o padrão de qualidade, mantido ao longo do tempo, é</p><p>que leva à conquista da confiabilidade.</p><p>Algumas ações que imprimem qualidade ao atendimento:</p><p>• identificar as necessidades de seus clientes;</p><p>• preocupar-se com a comunicação (verbal e escrita);</p><p>• preservar informações conflitantes;</p><p>• minorar a burocracia;</p><p>43</p><p>• efetivar prazos e horários;</p><p>• desenvolver produtos e/ou serviços de qualidade;</p><p>• manifestar os diferenciais da organização;</p><p>• marcar qualidade à relação atendente/usuário;</p><p>• fazer uso da empatia;</p><p>• verificar as reclamações;</p><p>• atender às boas sugestões.</p><p>Essas ações estão relacionadas a indicadores, que podem ser percebidos e</p><p>avaliados de forma positiva pelos usuários, entre eles: competência, presteza, cor-</p><p>tesia, paciência e respeito. Por outro lado, arrogância, desonestidade, impaciência,</p><p>desrespeito, imposição de normas ou exibição de poder tornam o atendente intole-</p><p>rável, na percepção dos usuários.</p><p>No conjunto dessas ações, deve ainda ser ressaltada a empatia como um fa-</p><p>tor crucial para a excelência no atendimento ao público. A utilização adequada des-</p><p>sa ferramenta quando as pessoas estão interagindo é fundamental. No bom aten-</p><p>dimento, é importante a utilização de frases, como “bom dia”, “boa tarde”, “sente-se,</p><p>por favor”, ou “aguarde um instante, por favor” que, ditas com suavidade e cordia-</p><p>lidade, podem levar o cliente a perceber o tratamento diferenciado que algumas</p><p>empresas, consultórios, clínicas etc. já conseguem oferecer ao seu público-alvo.</p><p>2.1 QUALIDADE NO ATENDIMENTO PRESENCIAL</p><p>Princípios para a qualidade ao atendimento presencial:</p><p>• Competência: o usuário espera que cada pessoa que o atenda detenha infor-</p><p>mações detalhadas sobre o funcionamento da organização e do setor que ele</p><p>procurou.</p><p>• Legitimidade: o usuário deve ser atendido com ética, respeito, imparcialidade,</p><p>sem discriminações, com justiça e colaboração.</p><p>• Disponibilidade: o atendente representa, para o usuário, a imagem da organiza-</p><p>ção. Assim, deve haver empenho para que o usuário não se sinta abandonado,</p><p>desamparado, sem assistência. O atendimento deve ocorrer de forma personali-</p><p>zada, atingindo-se a satisfação do cliente.</p><p>• Flexibilidade: o atendente deve procurar identificar claramente as necessidades</p><p>do usuário e esforçar-se para ajudá-lo, orientá-lo e conduzi-lo a quem possa</p><p>ajudá-lo adequadamente.</p><p>44</p><p>2.2 QUALIDADE NA ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE</p><p>DE TRABALHO</p><p>Um ambiente limpo e organizado é bom e causa sensação de bem-estar.</p><p>Outros pontos importantes estão relacionados à adequação do local, à iluminação,</p><p>à ventilação e ao conforto térmico e acústico. Muitas empresas que aceitaram su-</p><p>gestões de seus clientes, além da atenção dispensada aos aspectos estéticos, es-</p><p>tão buscando retirar os fatores ligados ao ambiente de trabalho que possam causar</p><p>danos à saúde. Entre eles:</p><p>• poluição visual: o excesso de material visual (cartazes, fotos, entre outros) e/ou</p><p>a desordem dos objetos disponíveis no ambiente (mobiliário e equipamentos)</p><p>podem causar desconforto visual;</p><p>• poluição sonora: barulhos em excesso são inadequados ao ambiente de trabalho,</p><p>uma vez que a exposição contínua a grandes ruídos pode causar sérios prejuízos</p><p>ao ser humano, tais como nervosismo, fadiga mental e distúrbios auditivos.</p><p>A aparência de qualquer ambiente chama a atenção quanto a aspectos, como</p><p>iluminação, ventilação, mobiliário, equipamentos e leiaute. Segundo especialistas, a</p><p>iluminação adequada causa bem-estar físico e emocional aos indivíduos, e a boa</p><p>ventilação diminui os níveis de agentes nocivos à saúde. Em linhas gerais, a disposi-</p><p>ção do mobiliário e dos equipamentos deve obedecer a dois princípios básicos.</p><p>O primeiro diz respeito à otimização do espaço, de forma a acomodar bem as</p><p>pessoas, permitir fácil acesso ao material de trabalho e facilitar a circulação no ambien-</p><p>te. O segundo está relacionado ao local reservado ao atendimento do usuário. O ideal é</p><p>deixá-lo livre de ruídos que possam interferir na qualidade dos serviços prestados.</p><p>A qualidade do ambiente de trabalho, fator essencial para causar boa im-</p><p>pressão, está relacionada à qualidade no atendimento presencial. É importante que</p><p>os interlocutores se sintam bem acolhidos, possam sentar-se, no caso de uma inte-</p><p>ração mais demorada, possam colocar-se diante de uma mesa bem arrumada, que</p><p>indique eficiência e eficácia daqueles que ali trabalham.</p><p>A qualidade do ambiente de trabalho é um fator que transmite segurança ao</p><p>interlocutor e consolida uma imagem positiva da organização. Uma parcela expres-</p><p>siva da humanidade tem demonstrado que não é mais aceitável tolerar condutas</p><p>inadequadas na prestação de serviços e atualmente exige mudanças de postura do</p><p>ser humano. Aos poucos, nasce a consciência de que precisamos abandonar velhas</p><p>45</p><p>crenças, como “errar é humano”, “santo de casa não faz milagres”, “em time que está</p><p>ganhando não se mexe”, “gosto não se discute”, entre outras, substituindo-as por:</p><p>• “acertar é humano”: o ser humano tem demonstrado capacidade de eliminar</p><p>desperdícios, erros e falhas quando é cobrado por suas ações;</p><p>• “santo de casa faz milagres”: organizações e pessoas, quando valorizadas, têm</p><p>apresentado soluções criativas na identificação e na resolução de problemas;</p><p>• “em time que está ganhando se mexe sim”: em todas as atividades da vida pro-</p><p>fissional ou pessoal, o sucesso pode ser conseguido</p><p>por meio da melhoria contí-</p><p>nua dos processos, das atitudes e do comportamento; a avaliação daqueles que</p><p>lidam diretamente com o usuário pode apontar os que têm perfil adequado para</p><p>o desempenho de atividades de atendimento ao público;</p><p>• “gosto se discute”: profissões antes não aceitas ou pensadas, além de aquece-</p><p>rem o mercado de trabalho, contribuem para que os processos de determinada</p><p>atividade ou serviço sejam reformulados em busca da qualidade total.</p><p>2.3 ATENDIMENTO DE QUALIDADE NA FARMÁCIA</p><p>A interação entre cliente e profissional de farmácia, seja ele o farmacêutico</p><p>ou o balconista, é uma das mais eficientes ferramentas de marketing para este se-</p><p>tor. Consiste na sintonia existente entre os profissionais da farmácia e seus clientes</p><p>no momento do atendimento, e como já vimos, é um importante passo para fidelizar</p><p>o cliente e fazer com que ele perceba a vantagem que leva ao comprar na loja, seja</p><p>em preço ou em conforto, conveniência e simpatia.</p><p>Uma vez que o cliente é fidelizado, ele passa a aceitar melhor as indicações</p><p>dos balconistas para determinados produtos da loja. Começa a ser criado um vín-</p><p>culo de confiança entre o balconista e o cliente e isso é muito importante para que</p><p>o consumidor tenha a certeza de que está comprando o que realmente vai atender</p><p>à necessidade dele.</p><p>Como a concorrência no varejo farmacêutico é muito grande e cada vez</p><p>mais as drogarias estão próximas umas às outras, saber se diferenciar é essencial</p><p>para colher bons resultados.</p><p>No caso do atendimento na drogaria, evitar os erros mais comuns é uma</p><p>boa maneira de ganhar vantagens contra a concorrência. Veja agora erros comuns</p><p>que são cometidos durante os atendimentos em drogaria e que devem ser evitados</p><p>(FARMARCAS, 2018).</p><p>46</p><p>1. Não dar a atenção que o cliente necessita: a falta de atenção é um dos erros mais</p><p>graves do atendimento na drogaria, e o grande problema é que isso é percebido</p><p>com muita facilidade pelo cliente.</p><p>O que fazer: é preciso ter clareza que os atendentes estão ali para suprir as ne-</p><p>cessidades e desejos dos consumidores e eles precisam sentir que estão sendo</p><p>cuidados durante o atendimento. Os atendentes devem estar prontos para lidar</p><p>com os interesses do cliente nesse momento. Caso contrário, a impressão que</p><p>fica é que não estão preocupados com o que o cliente precisa. Muitas vezes, a</p><p>situação fica ainda mais evidente pelo fato de o atendente estar no celular ou</p><p>no computador, sem dar a devida atenção ao que o cliente está falando. Essa</p><p>falta de cuidado é extremamente perigosa para a loja, pois um cliente que não</p><p>se sente bem atendido dificilmente retornará à farmácia numa próxima necessi-</p><p>dade. O ideal é que toda a equipe seja orientada e que as instruções de um bom</p><p>atendimento estejam escritas no Manual de Boas Práticas.</p><p>2. Não se atentar ao receituário: outro problema de atendimento na drogaria é ana-</p><p>lisar os receituários de forma inadequada e dar informações imprecisas. Mesmo</p><p>com o ritmo acelerado que pode ocorrer no dia a dia da farmácia, é preciso ter</p><p>muito cuidado ao receber uma prescrição médica e entregar o medicamento ao</p><p>cliente. Além disso, é importante lembrar que os balconistas precisam da assina-</p><p>tura do farmacêutico para realizar a venda de determinados produtos da receita.</p><p>Por isso, a atenção deve ser redobrada antes de disponibilizar o medicamento ao</p><p>consumidor.</p><p>O que fazer: postura profissional na farmácia é essencial para atender aos clien-</p><p>tes. Os atendentes de farmácia precisam estar bem-preparados para entender</p><p>cada caso, interpretar o receituário e assegurar que a medicação está correta.</p><p>Para isso, deve-se se preocupar com fatores, como princípio ativo, dosagem,</p><p>concentração, integridade do produto, prazo de validade, entre outros. Sempre</p><p>em caso de dúvidas, deve-se consultar o farmacêutico. O bom atendimento na</p><p>drogaria atende a essa expectativa do cliente, já que na maioria das vezes ele</p><p>não possui esse tipo de conhecimento. Além disso, muitas vezes o balconista</p><p>lidará com pessoas doentes e tristes, que devem ser tratadas com respeito e</p><p>compreensão.</p><p>3. Falta de educação e simpatia: atendentes mal-humorados ou que não demons-</p><p>tram atenção para se comunicar com os consumidores certamente dão chances</p><p>de a concorrência conquistar esses clientes.</p><p>O que fazer: o atendimento é um dos pontos mais importantes e, nesse sentido,</p><p>é essencial fazer com que o cliente se sinta especial e acolhido. Uma boa comu-</p><p>nicação na farmácia é essencial para se relacionar com o cliente. É primordial</p><p>47</p><p>manter alguns detalhes básicos, mas que fazem toda a diferença, como educa-</p><p>ção, simpatia, paciência e respeito. Não é possível admitir grosseria ou impaciên-</p><p>cia de um colaborador. Esse tipo de postura não deve acontecer.</p><p>4. Querer vender a todo custo: não existe sensação pior dentro de uma loja do que</p><p>um atendente querer forçar a venda de algum produto. Fica claro para o con-</p><p>sumidor que o balconista ganhará algum tipo de comissão e isso incomoda o</p><p>cliente, que está ali para comprar os itens que necessita para cuidar da saúde.</p><p>O que fazer: é preciso entender o comportamento do consumidor, os produtos</p><p>que ele busca e atender as suas necessidades. Se for o momento e o cliente</p><p>adequado para essa sugestão, é possível fazê-la, mas é preciso cuidado para en-</p><p>tender cada momento e cada consumidor dentro da loja durante o processo de</p><p>compra. Tentar vender a todo custo é outro erro de atendimento na drogaria que</p><p>não deve ocorrer. Você pode até oferecer algumas opções, mas é preciso deixar</p><p>o cliente à vontade para tomar sua decisão.</p><p>5. Deixar o cliente esperando: outro erro primordial de atendimento na drogaria é</p><p>deixar o cliente esperando para ser atendido. Muitas vezes ele ainda não chegou</p><p>ao balcão, mas tem alguma dúvida sobre determinado produto ou onde encon-</p><p>trá-lo na loja antes de ir ao fundo da loja.</p><p>O que fazer: os atendentes devem estar atentos aos consumidores que entram</p><p>na loja para oferecer a atenção necessária que eles esperam. É claro que em</p><p>momentos de grande movimento na loja é difícil ser tão ágil e não deixar o cliente</p><p>esperando certo tempo. O que não pode acontecer é fazer com que esse tempo</p><p>seja muito longo, deixando os clientes insatisfeitos. É preciso ter clareza que o</p><p>atendimento na drogaria deve ser prioridade total, ou seja, se estiver fazendo ou-</p><p>tra atividade administrativa, o ideal é parar, fazer o atendimento e depois retornar</p><p>a essa atividade. Às vezes é ruim para o atendente parar o que está fazendo, mas</p><p>se ele está na loja e há fila de atendimento na drogaria, os clientes têm a per-</p><p>cepção de que os balconistas não querem fazer o atendimento ou que não dão</p><p>a devida atenção ao consumidor. Isso pode ser um fator que prejudica a imagem</p><p>da loja. Esse fator certamente influencia na credibilidade do negócio e na proba-</p><p>bilidade de a pessoa voltar a comprar no estabelecimento.</p><p>48</p><p>Leia o trecho deste artigo que fala sobre a importância da qualidade</p><p>em drogarias e farmácias.</p><p>A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE DA GESTÃO DAS DROGARIAS DE</p><p>PEQUENO PORTE, TENDO EM VISTA O ATUAL PANORAMA DO VAREJO</p><p>FARMACÊUTICO</p><p>Luana de Menezes de Souza</p><p>Diogens Marco de Brito da Cruz</p><p>Adival José Reinert Junior</p><p>Giuliano Di Pietro</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A partir da década de 1990, quando o plano real, no ano de 1994, trouxe</p><p>estabilidade econômica ao país, foi observada a expansão do número de filiais</p><p>pertencentes a redes de farmácias e drogarias no Brasil para diversos esta-</p><p>dos do país. Esse fato acabou gerando uma mudança no varejo farmacêuti-</p><p>co, que até então era formado por lojas independentes e redes de farmácias</p><p>locais (LEWIS; DART, 2014; SERRENTINO, 2016; CORBÔ; FAVORETTO, 2017).</p><p>Com isso, tais farmácias independentes, a exemplo das drogarias de pequeno</p><p>porte, passaram a perceber o aumento constante e acelerado da concorrên-</p><p>cia no ramo. Essa concorrência, atualmente, tem gerado um impacto direto</p><p>no funcionamento e na lucratividade dessas microempresas, o que torna a</p><p>sua permanência no mercado uma tarefa difícil.</p><p>Diante disso, é imprescindível</p><p>ter uma gestão profissionalizada que possa viabilizar tal permanência (CRUZ,</p><p>2017; SANTOS, 2018).</p><p>Essa asserção é justificada pelo fato de a gestão ser um elemento in-</p><p>dispensável para todo tipo de atividade comercial, sendo que o gestor, neste</p><p>segmento, deve levar em consideração a ética e a saúde da população, alia-</p><p>das à sobrevivência da empresa (CARVALHO, 2013). No entanto, apesar da</p><p>função fundamental exercida pela gestão farmacêutica, para a obtenção do</p><p>êxito dessas empresas no atual panorama do varejo farmacêutico, existem</p><p>obstáculos que necessitam ser acompanhados com uma certa proximidade</p><p>(SIQUEIRA; BARBOSA, 2016). Estes podem impactar negativamente no pro-</p><p>cesso e culminar em um desfecho negativo, como o fechamento da drogaria.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>49</p><p>Em se tratando dos obstáculos supracitados, é preciso salientar como</p><p>problemáticas a gestão centralizada e sem conhecimento técnico científico</p><p>acerca das finanças e gestão, comum nas drogarias de pequeno porte, que</p><p>são geridas, em sua maioria, pelos próprios proprietários dessas microempre-</p><p>sas, acrescida da ênfase reduzida na gestão farmacêutica, ausente na maio-</p><p>ria das matrizes curriculares dos cursos de farmácia no país (CUNHA, 2012;</p><p>RASOTO, 2012), podendo essas situações potencializarem ainda mais os obs-</p><p>táculos enfrentados diariamente pelas microempresas.</p><p>Assim, tudo isso demonstra a importância que a qualidade da gestão</p><p>tem para o enfrentamento do cenário mercadológico contemporâneo farma-</p><p>cêutico por parte das pequenas drogarias (SANTOS, 2018). Posto isso, o pre-</p><p>sente trabalho, que consiste em uma revisão sistemática, surge a partir da</p><p>observação do cenário econômico farmacêutico e das problemáticas acerca</p><p>deste, até então supracitadas, e justifica-se fundamentado na necessidade</p><p>de estudar o papel exercido pela gestão qualificada no processo organizativo</p><p>e financeiro das drogarias de pequeno porte, visando a sua manutenção no</p><p>varejo farmacêutico contemporâneo.</p><p>Dessa forma, este trabalho é de grande relevância, tanto para os mi-</p><p>croempresários quanto para a sociedade, por estudar caminhos viáveis de</p><p>permanência no mercado para os proprietários, além de discutir formas para</p><p>oportunizar à sociedade mais um recurso acessível de cuidado à saúde. Tendo</p><p>em vista isso, o trabalho teve como objetivo compreender o impacto que a</p><p>qualidade da gestão de drogarias de pequeno porte cumpre na disputa mer-</p><p>cadológica estabelecida entre estas e as grandes redes de farmácias e droga-</p><p>rias, em face do crescimento vertiginoso destas últimas. [...]</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>Segundo a Lei nº 13.021/2014, Art. 3º, as drogarias são compreendidas</p><p>como um “estabelecimento de dispensação e comércio de drogas, medica-</p><p>mentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais”.</p><p>As farmácias, segundo esta mesma Lei nº 13.021/2014, Art. 3º, são definidas</p><p>como: “estabelecimento de manipulação de fórmulas magistrais e oficinais,</p><p>de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos,</p><p>compreendendo o de dispensação e o de atendimento privativo de unidade</p><p>hospitalar ou de qualquer outra equivalente de assistência médica”.</p><p>50</p><p>Com o advento do plano real, que trouxe estabilidade econômica ao</p><p>país devido à redução da inflação e à potencialização da capacidade de aqui-</p><p>sição de novos produtos por parte da população (FEITOSA, 2012; SILVA, 2015;</p><p>SOUZA, 2016), as drogarias e as farmácias supracitadas tiveram um cresci-</p><p>mento acelerado no seu quantitativo, gerando, desse modo, modificações no</p><p>cenário econômico. Essas redes possuem como diferenciais principais o alto</p><p>poder de compra, a quantidade de lojas, a venda através das plataformas das</p><p>lojas virtuais e a variedade de medicamentos, cosméticos e produtos de saú-</p><p>de e higiene pessoal (FERREIRA, 2013; NASCIMENTO, 2014; LEAL, 2018). As</p><p>drogarias de pequeno porte, que antes dominavam esse mercado, passaram</p><p>a sentir o aumento da concorrência aliado a outros fatores, a exemplo da pou-</p><p>ca experiência dos empreendedores e da estagnação destes acerca da aqui-</p><p>sição de conhecimentos referentes à gestão (REGERT et. al., 2018).</p><p>A confusão gerada entre as contas pessoais e comerciais, a inexistên-</p><p>cia de um plano de negócios e mecanismos de controle interno, bem como</p><p>investimentos sem análise antecipada e a não execução do planejamento</p><p>estratégico (LUZIO, 2010; COSTA, 2016) podem, segundo Costa (2016), oca-</p><p>sionar o fechamento de uma empresa, visto que essses problemas, em maior</p><p>ou menor grau, estão relacionados a falhas administrativas e à ausência da</p><p>qualidade da gestão. Desse modo, é imprescindível a realização da profissio-</p><p>nalização da gestão, que apesar de ser um grande desafio para as micro-</p><p>empresas, tende a ser um caminho que, associado à rapidez, à diligência e</p><p>ao atendimento de qualidade à clientela, estimula a permanência e o avanço</p><p>dessas últimas no varejo farmacêutico. Uma gestão financeira adequada per-</p><p>mite a organização financeira da empresa, tornando-se, assim, essencial para</p><p>a sua subsistência (SOUZA, 2012; LEAL, 2018).</p><p>Nesse sentido, a gestão pode ser conceituada como um método uti-</p><p>lizado para a aquisição de bens ou serviços, e desfechos fundamentados em</p><p>uma organização, com objetivos traçados e analisados, que resultam em uma</p><p>ação empresarial, recorrendo ao planejamento, à organização, à direção e ao</p><p>controle para o alcance da qualidade dessa gestão (AGUIAR, 2012). Para além</p><p>disso, devem ser ponderados, para a viabilização desse alcance, os recursos</p><p>essenciais para a gestão de drogarias, tal como a gestão financeira, a gestão</p><p>de recursos humanos, a gestão de recursos materiais e o mercado envolven-</p><p>te, fazendo necessário conhecer, a priori dos resultados, o mercado farma-</p><p>cêutico no qual está inserido por meio da gestão comercial (CARVALHEIRO,</p><p>2011; CARVALHO, 2013).</p><p>51</p><p>Em conformidade com isso e consoante com a gestão de recursos</p><p>humanos, são importantes a seleção e a observância cuidadosa da formação</p><p>da equipe de trabalho através do recrutamento, em que o gestor deve buscar</p><p>profissionais confiantes, seguros e comunicativos, cabendo ao líder posicio-</p><p>ná-los nos cargos que possibilitem o melhor aproveitamento das capacidades</p><p>individuais de todos, com o intuito de potencializar a obtenção dos resultados</p><p>(SERRANO, 2010; AGUIAR, 2012). Por sua vez, a gestão financeira, que elucida</p><p>o funcionamento da empresa e está alicerçada no seu plano de contabilidade,</p><p>tem contribuição significativa para o alcance da qualidade da gestão e, con-</p><p>sequentemente, resultados econômicos positivos.</p><p>Entretanto, mesmo tendo importância relevante, essa gestão se con-</p><p>figura como um obstáculo para vários gestores, incluindo os farmacêuticos.</p><p>Isso pode ser justificado, no caso dos farmacêuticos, pela formação acadê-</p><p>mica deste profissional não priorizar a gestão enquanto processo formativo,</p><p>interligada a oscilações rápidas mercadológicas, que demandam uma ligeira</p><p>tomada de decisão assertiva (BIAGINI, 2015). Tais decisões devem garantir a</p><p>lucratividade e a permanência das drogarias de pequeno porte no varejo far-</p><p>macêutico tão competitivo (CARVALHO, 2013). Em consonância com isso, os</p><p>demais gestores também costumam apresentar pouca qualificação acerca de</p><p>conhecimentos sobre gestão, o que é agravado ainda mais pelo pouco inte-</p><p>resse, em alguns casos, ou até mesmo a falta de tempo hábil, em outros, para</p><p>investimento formativo e educação continuada, o que geraria a ampliação de</p><p>novas possibilidades referentes à gestão (FERRONATO, 2011).</p><p>Contudo, os gestores e farmacêuticos gestores qualificados para ocu-</p><p>par tal cargo podem contribuir de forma efetiva através da compreensão de</p><p>mercado, organização financeira, gerenciamento de custo e negociação com</p><p>os fornecedores, no momento da compra, para a obtenção de produtos com</p><p>melhores preços, bem como a tomada de ações assertivas baseadas na inte-</p><p>ligência, coragem, sabedoria, experiência e humildade (PALMEIRA, 2011; CAR-</p><p>VALHO, 2013; CASALI, 2015). Tais</p><p>contribuições são importantes não somente</p><p>para a manutenção do estabelecimento como também para a ampliação das</p><p>drogarias de pequeno porte e consequente aumento de lucro (LEAL, 2018).</p><p>Nessa perspectiva, os gestores que têm maior êxito são aqueles capacitados</p><p>para realizar uma gestão qualificada, levando em consideração os preços, os</p><p>custos, os valores e as ferramentas da qualidade, contribuindo, desse jeito,</p><p>para o crescimento da empresa e das pessoas envolvidas nesse processo</p><p>(CASALI, 2015).</p><p>52</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Diante do exposto, percebe-se que, nas últimas três décadas, ocorre-</p><p>ram modificações no campo econômico e governamental que geraram mu-</p><p>danças no mercado varejista farmacêutico, fato este que contribui para um</p><p>aumento da competitividade entre as empresas atuantes nesse cenário. Essa</p><p>competitividade afeta principalmente as drogarias de pequeno porte, que se</p><p>veem, muitas vezes, tendo que lidar com um possível fechamento da em-</p><p>presa, caso não consigam fazer uso de estratégias capazes de fazer frente à</p><p>concorrência das grandes redes de farmácias e drogarias.</p><p>Nessa perspectiva, a qualidade da gestão mostra-se como importan-</p><p>te e necessária para melhor operacionalizar o funcionamento da empresa e</p><p>potencializar lucros, que possam, de certa maneira, garantir a sua permanên-</p><p>cia no mercado. Ainda assim, muitos gestores, incluindo os farmacêuticos,</p><p>apresentam dificuldade em realizar essa gestão profissionalizada, devido à</p><p>pouca qualificação que têm acerca da temática, aliada à falta de atualizações</p><p>permanentes. Tudo isso gera impactos negativos diretos no funcionamento</p><p>da empresa e no trabalho da equipe, além de resultados desfavoráveis para</p><p>a organização, visto que os gestores que obtêm os melhores resultados são</p><p>aqueles capacitados para executar uma gestão qualificada.</p><p>Por fim, pode-se concluir que, dada a importância que a gestão exerce</p><p>em uma empresa, é preciso que esta seja realizada de maneira a atingir níveis</p><p>de qualidade que viabilizem a drogaria, um processo organizativo mais es-</p><p>truturado, permitindo, assim, um melhor desempenho econômico, indo além</p><p>da manutenção do funcionamento e atingindo a ampliação das drogarias de</p><p>pequeno porte. Ademais, vale ressaltar, ainda, que devido à dinamicidade do</p><p>varejo farmacêutico e seu crescimento prospectivo, faz-se necessária a rea-</p><p>lização de mais estudos para a ampliação da discussão da temática que é tão</p><p>importante para o meio econômico farmacêutico.</p><p>FONTE: <https://www.semanticscholar.org/paper/A-IMPORT%C3%82NCIA-DA-QUALIDADE-</p><p>-DA-GEST%C3%83O-DAS-DROGARIAS-Souza-Cruz/4e2fe67beea0e062c325a7dc4e0c45ddfa-</p><p>42caf0>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>53</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Organizações vêm adotando sistemas de gestão de qualidade para garantir a</p><p>qualidade de produtos e serviços por elas ofertados.</p><p>• A qualidade é, atualmente, fator essencial para que as empresas sobrevivam e se</p><p>mantenham no mercado competitivo.</p><p>• O sistema de gestão refere-se a tudo o que a organização faz para gerenciar</p><p>suas atividades.</p><p>• A qualidade está relacionada à visão do cliente e ao envolvimento de toda a em-</p><p>presa para atingir e/ou superar a percepção do cliente.</p><p>• Os clientes e usuários das organizações públicas e privadas também se mostram</p><p>mais exigentes na escolha de serviços e produtos de melhor qualidade.</p><p>• Arrogância, desonestidade, impaciência, desrespeito, imposição de normas ou</p><p>exibição de poder tornam o atendente intolerável na percepção dos usuários.</p><p>• No conjunto dessas ações, deve ainda ser ressaltada a empatia como um fator</p><p>crucial para a excelência no atendimento ao público.</p><p>• Um ambiente limpo e organizado é agradável e causa sensação de bem-estar.</p><p>• O excesso de material visual (cartazes, fotos, entre outros) e/ou a desordem dos</p><p>objetos disponíveis no ambiente (mobiliário e equipamentos) podem causar des-</p><p>conforto visual.</p><p>• Barulhos são inadequados ao ambiente de trabalho, uma vez que a exposição</p><p>contínua a grandes ruídos pode causar sérios prejuízos ao ser humano.</p><p>• A qualidade do ambiente de trabalho, fator essencial para causar boa impressão,</p><p>está relacionada à qualidade no atendimento presencial.</p><p>• Os cinco erros mais comuns no atendimento ao cliente na farmácia são: não dar</p><p>a atenção que o cliente necessita, não se atentar ao receituário, falta de educa-</p><p>ção e simpatia, querer vender a todo custo e deixar o cliente esperando.</p><p>54</p><p>1 A qualidade é, atualmente, fator essencial para que as empresas sobrevivam</p><p>e se mantenham no mercado competitivo. Manter sistemas que garantam a</p><p>qualidade dentro das empresas é muito importante para a sua manutenção</p><p>no mercado de trabalho. Sobre a qualidade, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) Qualidade se refere ao atendimento aos clientes, somente.</p><p>b) Manter o ambiente organizado é um pilar da qualidade.</p><p>c) A poluição visual não interfere na qualidade da empresa.</p><p>d) Os sistemas de gerenciamento de qualidade vêm caindo em desuso nos</p><p>últimos anos.</p><p>2 Na farmácia, é muito importante atender aos clientes com respeito, com-</p><p>preensão e atenção. Pensando nisso, assinale V para as afirmativas verdadei-</p><p>ras ou F para as falsas.</p><p>( ) Quando o cliente está apressado é necessário deixá-lo esperando para</p><p>que se acalme.</p><p>( ) Pessoas que estão doentes devem ser tratadas com compreensão e respeito.</p><p>( ) Tentar vender medicamentos sem necessidade é bom para a empresa.</p><p>( ) Ajudar os clientes com suas dúvidas é uma maneira de fidelizá-los.</p><p>a) V – V – F – V.</p><p>b) F – F – V – F.</p><p>c) F – V – F – V.</p><p>d) V – V – F – V.</p><p>3 Nos ambientes de farmácia, é muito importante manter a qualidade do ser-</p><p>viço prestado, assim, os clientes sempre voltarão ao estabelecimento. Assina-</p><p>le a alternativa CORRETA que traz um importante modo de fidelizar o cliente:</p><p>a) Ser distraído ao ler a prescrição médica.</p><p>b) Deixar o cliente com dúvida sobre os medicamentos.</p><p>c) Indicar medicamentos desnecessários.</p><p>d) Vender o necessário com atenção e respeito.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>55</p><p>4 As definições de qualidade podem ser empregadas a todo o tipo de empre-</p><p>sa, não só a farmácias, mas também a serviços prestados de maneira geral.</p><p>Dessa forma, defina qualidade.</p><p>R.:</p><p>5 A qualidade também diz respeito aos ambientes nos quais trabalhamos. Um</p><p>ambiente organizado pode mudar completamente a experiência do cliente.</p><p>Defina poluição visual e poluição sonora:</p><p>R.:</p><p>56</p><p>57</p><p>TÓPICO 2</p><p>LIMPEZA E</p><p>ORGANIZAÇÃO DA</p><p>FARMÁCIA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste segundo tópico, veremos assuntos relacionados aos cuidados no</p><p>atendimento em centros de saúde como a farmácia: limpeza e organização da</p><p>farmácia.</p><p>Primeiramente, entenderemos quais os tipos de serviços que podem ser</p><p>oferecidos em uma farmácia e quais os cuidados que se deve ter nesses procedi-</p><p>mentos, bem como a organização desse espaço físico dentro do estabelecimento.</p><p>Por último, veremos os conceitos de assepsia, desinfecção e esterilização,</p><p>que são indispensáveis para a realização de serviços farmacêuticos e manutenção</p><p>dos procedimentos de biossegurança.</p><p>2 SALA DE PROCEDIMENTOS EM FARMÁCIA</p><p>Você sabe o que são serviços farmacêuticos? O que eles podem fazer pela</p><p>sua farmácia e sua vida profissional? Qual a importância desses serviços para a saú-</p><p>de e o bem-estar da população? Segundo o Conselho Federal de Farmácia (2016),</p><p>serviços de saúde são aqueles que lidam com a prevenção, o diagnóstico e o trata-</p><p>mento de doenças e de outras condições, bem como com a promoção, a manuten-</p><p>ção e a recuperação da saúde.</p><p>Os serviços farmacêuticos constituem parte dos serviços de saúde e com-</p><p>preendem um conjunto de atividades organizadas em um processo de trabalho,</p><p>contribuindo para a prevenção de doenças, a promoção, a proteção e a recuperação</p><p>da saúde e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas (CONSELHO FEDERAL</p><p>DE FARMÁCIA, 2016).</p><p>58</p><p>2.1 SERVIÇOS QUE PODEM SER OFERECIDOS NA</p><p>SALA DE PROCEDIMENTOS EM FARMÁCIA</p><p>Aplicação de vacinas: farmácias de todo o Brasil podem aplicar vacinas,</p><p>mas, para isso, esses estabelecimentos</p><p>de saúde devem obedecer a algumas exi-</p><p>gências, como estar inscritos no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde</p><p>(CNES) e possuir licença para a prestação do serviço de vacinação emitida pela au-</p><p>toridade sanitária municipal competente. Em cada local, é obrigatória a designação</p><p>de um responsável técnico e a contratação de profissionais habilitados para aplicar</p><p>vacinas. As instalações precisam ser adequadas e seguir parâmetros estabeleci-</p><p>dos nas normas do setor, como ambiente refrigerado para armazenar as vacinas</p><p>e cuidados no transporte dos materiais para não prejudicar a qualidade. Também</p><p>é obrigatório o registro das informações nos cartões de vacinação. O Certificado</p><p>Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) poderá ser emitido pela farmácia ou</p><p>drogaria licenciada para realizar o serviço de vacinação e credenciada pela Anvisa</p><p>para a emissão, uma vez que a emissão do CIVP deverá seguir os padrões definidos</p><p>pela Anvisa (CRF-SP, 2018).</p><p>Aplicação de medicamentos: farmácias e drogarias contam com especia-</p><p>listas aptos a prestarem auxílio ao paciente que tem dificuldade de administrar o me-</p><p>dicamento sozinho. Esse suporte pode ser dado tanto na aplicação, injeção ou inala-</p><p>ção (nebulização) do produto, incluindo os de uso oral, para mais conforto do cliente.</p><p>Acompanhamento de pacientes: farmacêuticos também podem acom-</p><p>panhar pacientes, internados ou não, em estabelecimentos hospitalares ou ambu-</p><p>latoriais, de natureza pública ou privada. Para isso, porém, devem garantir a presen-</p><p>ça de um profissional substituto na farmácia.</p><p>Medição e monitoramento da pressão arterial e glicemia capilar: quem</p><p>precisa controlar a pressão arterial e tem dificuldade de realizar o monitoramento so-</p><p>zinho ou não possui o aparelho também pode contar com a ajuda do farmacêutico na</p><p>aferição. Pacientes com diabetes, que têm dificuldade em monitorar a glicemia capilar</p><p>em casa, podem procurar a farmácia para fazer o teste glicêmico. O farmacêutico não</p><p>está apto, contudo, para fazer diagnóstico ou indicar medicação adequada ao pacien-</p><p>te. Nesse caso, o mais recomendado é procurar a orientação médica.</p><p>Monitoramento de temperatura: nas farmácias também é possível fazer</p><p>o monitoramento da temperatura corporal de pessoas de todas as idades. Trata-se</p><p>de um serviço útil, especialmente para pessoas que não possuem termômetro.</p><p>Realização de curativos: nas farmácias também é possível fazer peque-</p><p>nos curativos para fechar pontos cirúrgicos ou interromper pequenas lesões. O far-</p><p>macêutico está apto a realizar este tipo de procedimento com segurança.</p><p>59</p><p>Perfuração de lóbulo auricular: o procedimento de perfuração de lóbulo</p><p>auricular para piercings e brincos, entre outros, também é permitido em farmácias e</p><p>drogarias. Este serviço é realizado com pistola e brincos regularizados junto à Anvisa.</p><p>2.2 CONFIGURAÇÃO FÍSICA DA SALA DE</p><p>PROCEDIMENTOS</p><p>A RDC nº 44/2009 não define a área mínima da sala de serviços farmacêu-</p><p>ticos, porém estabelece alguns requisitos: o ambiente deve garantir a privacidade</p><p>do atendimento e conforto aos usuários; deve contar com dimensões, mobiliário e</p><p>infraestrutura compatíveis com os serviços a serem oferecidos; deve ser provido</p><p>de lavatório com água corrente e dispor de toalha de uso individual e descartável,</p><p>sabonete líquido, gel bactericida e lixeira com pedal e tampa. Este local não deve</p><p>possuir acesso ao sanitário.</p><p>Assim, se a sala de aplicação de injetáveis contar somente com a área mínima</p><p>de 3 m² exigida pelo Decreto Estadual nº 12.342/1978, o espaço não será suficiente</p><p>para a prestação de todos os serviços farmacêuticos previstos na RDC nº 44/2009.</p><p>O espaço deve contar, além dos itens anteriores, com mesa e cadeiras para o far-</p><p>macêutico, usuário e acompanhante (se for o caso). O tamanho do espaço também</p><p>dependerá dos serviços que serão prestados e da mobília colocada no local.</p><p>Balconistas podem prestar os serviços farmacêuticos descritos na</p><p>RDC nº 44/2009 sob supervisão do farmacêutico?</p><p>De acordo com o Artigo 21 da RDC nº 44/2009, a prestação dos serviços</p><p>deve ser realizada por profissional devidamente capacitado, respeitando as de-</p><p>terminações estabelecidas pelos Conselhos Federal e Regionais de Farmácia,</p><p>sendo assim, somente o farmacêutico poderá realizá-los, conforme dispõe as</p><p>Resoluções n° 499/2008 e 505/2009 do Conselho Federal de Farmácia (CFF).</p><p>A única exceção é a aplicação de medicamentos injetáveis, que nos</p><p>termos do Artigo 21 da Resolução CFF nº 499/2008 pode ser efetuada por</p><p>profissional habilitado, com autorização expressa do farmacêutico diretor ou</p><p>responsável técnico, porém a presença e/ou supervisão do farmacêutico é</p><p>condição e requisito essencial para a aplicação de medicamentos injetáveis</p><p>(parágrafo único, Artigo 21, Resolução CFF nº 499/2008).</p><p>IMPORTANTE</p><p>60</p><p>3 ASSEPSIA, DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO</p><p>Para que a farmácia seja, efetivamente, um local seguro, de conforto e bem-</p><p>-estar para profissionais e clientes, a higienização das mãos, móveis, bancadas e</p><p>utensílios terá que obedecer a diversos procedimentos, como já estudamos ante-</p><p>riormente. Veja, a seguir, alguns conceitos ligados a procedimentos seguros:</p><p>• Antissepsia: fundamenta-se na aplicação de produtos (microbicidas ou micro-</p><p>biostáticos) sobre a pele ou mucosa com o objetivo de reduzir os microrganismos</p><p>em sua superfície.</p><p>• Antisséptico: se refere a tudo o que for utilizado no sentido de degradar ou ini-</p><p>bir a proliferação de microrganismos presentes na superfície da pele e mucosas.</p><p>Utilizam-se substâncias para desinfectar ferimentos, evitando ou reduzindo o</p><p>risco de infecção por ação de bactérias ou germes.</p><p>• Assepsia: é o conjunto de procedimentos que visam impedir a introdução de</p><p>germes patogênicos em determinado organismo, ambiente e objetos. É o cuida-</p><p>do com a limpeza e a higiene de tudo o que nos cerca.</p><p>• Contaminação cruzada: a contaminação cruzada é aquela que resulta do</p><p>transporte de microrganismos de um alimento para outro não contaminado. A</p><p>contaminação cruzada pode ocorrer através dos equipamentos e utensílios, usa-</p><p>dos durante a manipulação dos alimentos, mas, também, através dos manipula-</p><p>dores (mãos e vestuário de proteção).</p><p>• Degermação: é o ato de redução ou remoção parcial dos microrganismos da</p><p>pele, ou outros tecidos, por métodos químio-mecânicos. É o que se faz ao pro-</p><p>ceder com a higienização das mãos usando água, sabão e escova.</p><p>• Descontaminação: remoção de microrganismos patogênicos na forma vegeta-</p><p>tiva de objetos e superfícies contaminadas com matéria orgânica, fazendo com</p><p>que eles fiquem seguros para serem manuseados durante o processo de limpeza</p><p>manual. O processo pode ser químico (soluções germicidas) ou físico (lavadoras</p><p>automáticas).</p><p>• Desinfecção: processo que elimina formas vegetativas de microrganismos pa-</p><p>togênicos de objetos. Pode ser feita através de processos químicos (soluções</p><p>germicidas) ou físicos (fervura em máquinas lavadoras – desinfetadoras).</p><p>• Desinfestação: a desinfestação é um conjunto de processos químicos destina-</p><p>dos a destruir insetos e bichos suscetíveis de serem vetores de doenças trans-</p><p>missíveis para o homem (e até para outros animais). Por isso, esse processo é</p><p>extremamente importante para que não comprometa a sua saúde e a dos que o</p><p>rodeiam.</p><p>• Desinfetantes: são substâncias que são aplicadas em superfícies não vivas</p><p>para destruir os microrganismos que vivem nesses objetos.</p><p>61</p><p>• Detergente: substância ou preparação química que produz limpeza.</p><p>• Esterilização: é a destruição de todas as formas de vida microbiana (vírus, bac-</p><p>térias, esporos, fungos, protozoários e helmintos) por um processo que utiliza</p><p>agentes químicos ou físicos.</p><p>• Esterilizante: é a substância ou a preparação química capaz de destruir todas</p><p>as formas de vida (bactérias, fungos, vírus, protozoários, formas vegetativas e</p><p>esporos).</p><p>• Infecção cruzada: é um termo utilizado para referir-se à transferência de mi-</p><p>crorganismos de uma pessoa (ou objeto) para outra pessoa, resultando, neces-</p><p>sariamente, em uma infecção.</p><p>• Infecção endógena: é aquela causada por microrganismos que já estavam pre-</p><p>sentes no organismo hospedeiro, sendo, portanto, uma autoinfecção.</p><p>• Infecção exógena: é uma infecção adquirida de fora para dentro, é causada por</p><p>microrganismos adventícios que estavam presentes anteriormente no organismo</p><p>hospedeiro. A infecção exógena significa um rompimento da cadeia asséptica, o</p><p>que é muito grave, pois dependendo da natureza dos microrganismos envolvidos,</p><p>a infecção exógena pode ser fatal, como é o caso da HIV, Hepatite B e C.</p><p>• Procedimento crítico: é todo procedimento em que existe a presença de san-</p><p>gue, pus ou matéria contaminada pela perda de continuidade.</p><p>• Procedimento semicrítico: todo procedimento em que existe a presença de</p><p>secreção orgânica (saliva) sem perda de continuidade do tecido.</p><p>• Procedimento não crítico: todo procedimento em que não há a presença de</p><p>sangue, pus ou outra secreção orgânica (saliva) (GUIMARÃES JUNIOR, 2001).</p><p>62</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A farmácia pode oferecer um conjunto de atividades organizadas em um proces-</p><p>so de trabalho, contribuindo para a prevenção de doenças, promoção, proteção e</p><p>recuperação da saúde e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.</p><p>• Dentre os serviços que podem ser prestados, estão: aplicação de vacinas, apli-</p><p>cação de medicamentos, acompanhamento de pacientes, medição e monito-</p><p>ramento da pressão arterial e glicemia capilar, monitoramento de temperatura,</p><p>realização de curativos e perfuração de lóbulo auricular:</p><p>• Alguns desses procedimentos podem ser realizados pelos atendentes de farmá-</p><p>cia desde que estejam devidamente habilitados e autorizados pelo farmacêutico</p><p>responsável.</p><p>• Para que a sala de prestação de serviços seja, efetivamente, um local seguro, de</p><p>conforto e bem-estar para profissionais e clientes, a higienização dos utensílios</p><p>terá que obedecer a diversos procedimentos.</p><p>• A desinfecção é a eliminação de microrganismos patogênicos na forma vegeta-</p><p>tiva de consultórios e demais ambientes da clínica, geralmente, é feita por meios</p><p>químicos (desinfetantes).</p><p>• A esterilização é a destruição dos microrganismos nas formas vegetativas e es-</p><p>poruladas. A esterilização pode ser por meio físico (calor) ou químico (soluções</p><p>esterilizantes).</p><p>63</p><p>1 A farmácia pode oferecer um conjunto de atividades organizadas em um</p><p>processo de trabalho, contribuindo para a prevenção de doenças, promoção,</p><p>proteção e recuperação da saúde e para a melhoria da qualidade de vida das</p><p>pessoas. Sobre os serviços que podem ser oferecidos nas farmácias, assinale</p><p>a alternativa CORRETA:</p><p>a) Aferição de pressão sanguínea.</p><p>b) Internação para observação.</p><p>c) Aplicação de botox.</p><p>d) Imobilização de braço quebrado.</p><p>2 Para que a farmácia seja, efetivamente, um local seguro, de conforto e bem-</p><p>-estar para profissionais e clientes, a higienização dos utensílios terá que obe-</p><p>decer a diversos procedimentos. Sobre o conceito de desinfecção, assinale a</p><p>alternativa CORRETA:</p><p>a) É o ato de redução ou remoção parcial dos microrganismos da pele, ou ou-</p><p>tros tecidos, por métodos químio-mecânicos. É o que se faz ao proceder com</p><p>a higienização das mãos usando água, sabão e escova.</p><p>b) Remoção de microrganismos patogênicos na forma vegetativa de objetos</p><p>e superfícies contaminadas com matéria orgânica, fazendo com que fiquem</p><p>seguros para serem manuseados durante o processo de limpeza manual. O</p><p>processo pode ser químico (soluções germicidas) ou físico (lavadoras auto-</p><p>máticas).</p><p>c) Processo que elimina formas vegetativas de microrganismos patogênicos</p><p>de objetos inanimados. Pode ser feita através de processos químicos (solu-</p><p>ções germicidas) ou físicos (fervura em máquinas lavadoras – desinfetadoras).</p><p>d) É um conjunto de processos químicos destinados a destruir insetos e bi-</p><p>chos suscetíveis de serem vetores de doenças transmissíveis para o homem</p><p>(e até para outros animais). Por isso, esse processo é extremamente impor-</p><p>tante para que não comprometa a sua saúde e a dos que o rodeiam.</p><p>3 A contaminação cruzada é muito perigosa, pois pode colocar em risco a</p><p>saúde dos trabalhadores e clientes. Defina a contaminação cruzada.</p><p>R.:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>64</p><p>65</p><p>TÓPICO 3</p><p>PRIMEIROS SOCORROS</p><p>E EMERGÊNCIAS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno, todos podemos passar por situações de risco que podem causar</p><p>urgências e emergências. Esses acontecimentos não têm local e nem hora para</p><p>acontecer e, por isso, ter algum preparo com relação ao atendimento primário de</p><p>vítimas pode ser muito importante para salvar vidas. A farmácia, como sendo um</p><p>local de saúde, recebe muitas pessoas doentes e pode ser sim um local onde emer-</p><p>gências podem eventualmente ocorrer.</p><p>Então, neste tópico, abordaremos os assuntos de primeiros socorros e aten-</p><p>dimento primário às vítimas de diversas emergências, como as emergências hiper-</p><p>tensivas, diabéticas e cardiológicas.</p><p>A partir deste tópico, você terá clareza de quais procedimentos e medidas</p><p>iniciais de primeiro atendimento deverão ser adotados para diminuir o risco de se-</p><p>quela no paciente. Você será apresentado ao protocolo de reanimação cardiopul-</p><p>monar e, por fim, terá acesso à sequência resumida dos passos para a execução do</p><p>suporte básico de vida.</p><p>2 PRIMEIROS SOCORROS</p><p>Os primeiros socorros são procedimentos de emergência para realizar um</p><p>atendimento, de imediato, no local do acidente às vítimas de trauma, urgências ou</p><p>emergências clínicas. Esse atendimento imediato visa garantir a segurança local,</p><p>avaliando o estado e estabilizando os sinais vitais da vítima até esta ser encaminha-</p><p>da para a unidade hospitalar (QUILICI; TIMERMAN, 2011).</p><p>Os princípios básicos de primeiros socorros, conforme Quilici e Timerman</p><p>(2011), são:</p><p>• Conhecer os sinais vitais.</p><p>66</p><p>• Reconhecer situações que coloquem a vida em risco (tanto da vítima quanto do</p><p>socorrista e curiosos).</p><p>• Controlar sangramentos (quando necessário).</p><p>• Aplicar respiração e circulação artificiais (quando necessário).</p><p>• Minimizar o risco de outras lesões e complicações (manipulação incorreta da vítima).</p><p>• Confortar e tranquilizar a vítima, utilizando tom de voz moderado e confiante e</p><p>providenciar assistência médica e transporte (quando necessários).</p><p>• Sinalizar o local do acidente.</p><p>O atendimento imediato no local do acidente contribui expressivamente</p><p>para a manutenção da integridade física e/ou psíquica do indivíduo em uma</p><p>situação de risco. Conforme estudo desenvolvido por programas internacionais,</p><p>as taxas de sobrevivência estão na ordem de 49 a 74%. O Código Penal brasilei-</p><p>ro, Art. 135 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, traz que é crime</p><p>de omissão de socorro “deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo</p><p>sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida</p><p>ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses</p><p>casos, o socorro da autoridade pública”.</p><p>FONTE: <https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10623219/artigo-135-do-decreto-lei-n-</p><p>-2848-de-07-de-dezembro-de-1940>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Dependendo do trauma da vítima, costuma suceder, simultaneamente à</p><p>parada respiratória, a parada cardiorrespiratória. Para tal, a realização imediata de</p><p>reanimação cardiopulmonar (RCP), até mesmo por leigos, contribui para o aumento</p><p>das taxas de sobrevida das vítimas, principalmente de parada cardíaca (QUILICI;</p><p>TIMERMAN, 2011).</p><p>A seguir, conheceremos as abordagens para o atendimento às vítimas. Para</p><p>tal, seguiremos com a abordagem primária e secundária.</p><p>2.1 ABORDAGEM PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA À</p><p>VÍTIMA</p><p>O atendimento primário, ou também dito como atendimento inicial a uma</p><p>pessoa que sofreu algum trauma, deve ser rápido, organizado e eficiente. Deve ain-</p><p>67</p><p>da permitir decisões quanto ao atendimento e ao transporte adequado, asseguran-</p><p>do à vítima maiores chances de sobrevida.</p><p>Na abordagem primária, o controle de cena ou local do ocorrido é funda-</p><p>mental, eliminando de início a existência de alguma situação de ameaça à vida. A</p><p>abordagem</p><p>inicial é realizada sem mobilizar a vítima de sua posição inicial, salvo em</p><p>situações especiais que possam comprometer a segurança ou agravar o quadro</p><p>da vítima. Para tal, indica-se observar as condições climáticas extremas em que a</p><p>vítima está localizada (geada, chuva, frio ou calor); verificar os riscos de explosão</p><p>ou incêndio; e os riscos de choque elétrico. Somente após verificar as condições de</p><p>cena e eliminar os riscos, a abordagem primária deve ser realizada junto à pessoa</p><p>com o trauma.</p><p>Caso houver mais de uma vítima, o atendimento deve ser escolhido confor-</p><p>me o risco, ou seja, primeiro as que apresentem risco de perda de membros e, por</p><p>último, as demais. A abordagem primária é executada em duas fases: a abordagem</p><p>primária rápida e a abordagem primária completa.</p><p>2.1.1 Abordagem primária rápida</p><p>Na abordagem primária rápida, é realizada uma análise das condições de</p><p>respiração, circulação e consciência da pessoa. Esse procedimento deve ser re-</p><p>alizado de imediato e no tempo máximo de 30 segundos, por isso é chamada de</p><p>abordagem primária rápida (MARCONNI, 2009).</p><p>Essa abordagem tem por objetivo identificar as condições de risco de morte</p><p>para desencadear os recursos de apoio, tais como médico no local e ambulância</p><p>para o transporte. Vamos aos passos a serem seguidos:</p><p>1) Aproximar-se da vítima.</p><p>2) Tocá-la garantindo-lhe o controle cervical.</p><p>3) Verificar se está respirando.</p><p>4) Verificar se está consciente.</p><p>5) Verificar pulsação.</p><p>6) Averiguar temperatura, umidade e coloração da pele (palidez, pele fria e úmida).</p><p>7) Analisar rapidamente da cabeça aos pés, procurando por hemorragias ou gran-</p><p>des deformidades.</p><p>8) Transferir as informações para a Central de Emergência e repassar as informa-</p><p>ções.</p><p>68</p><p>Não havendo respostas à respiração, iniciar as manobras de controle das</p><p>vias aéreas e a ventilação artificial. Ao mesmo tempo, palpar o pulso radial (em ví-</p><p>tima inconsciente, palpar direto o pulso carotídeo) e determinar se está presente e</p><p>sua qualidade (normal, muito rápido ou lento). Se inexistente, palpar pulso de artéria</p><p>carótida ou femoral (maior calibre) e, caso confirmado que a vítima está sem pulso,</p><p>iniciar manobras de reanimação. Analisaremos o processo de verificação da pulsa-</p><p>ção por meio da figura a seguir:</p><p>FIGURA 2 – LOCAIS DE VERIFICAÇÃO DA PULSAÇÃO</p><p>FONTE: <https://blog.maxieduca.com.br/sinais-vitais-ssvv/>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>2.1.2 Abordagem primária completa</p><p>Existe uma sequência fixa de passos já estabelecidos cientificamente para</p><p>segui-los na abordagem primária. Para conduzir o procedimento de uma aborda-</p><p>gem primária completa, tem-se o chamado “XABCDE do trauma”, que mostra uma</p><p>sequência fixa de passos, utilizando-se as primeiras letras das palavras (do inglês),</p><p>que definem os passos para uma abordagem primária completa de socorro imediato</p><p>(WILKINSON; SKINNER, 2000).</p><p>69</p><p>FIGURA 3 – XABCDE DO TRAUMA</p><p>FONTE: <https://www.linkedin.com/posts/daniellekalilbraga_enfermagem-nurse-enfermeira-activity-</p><p>-6870947765770338304-2MCf>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>Para o profissional de estética, conhecer os procedimentos básicos de so-</p><p>corro a vítimas contribui para o primeiro atendimento caso uma pessoa que você</p><p>estiver conduzindo algum procedimento de tratamento (facial, corporal, capilar, en-</p><p>tre outros) vir a ter alguma reação a produtos químicos ou físicos ou derivados de</p><p>outros procedimentos estéticos.</p><p>Vamos conhecer as etapas do chamado “XABCDE do trauma” de forma prá-</p><p>tica, com o passo a passo segundo Wilkinson e Skinner (2000):</p><p>PASSO X – Exsanguinação</p><p>70</p><p>Contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta deve ser antes</p><p>mesmo do manejo das vias aéreas, uma vez que, epidemiologicamente, apesar de a</p><p>obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em um curto período, o que</p><p>mais mata no trauma são as hemorragias graves.</p><p>PASSO “A” – VIAS AÉREAS COM CONTROLE CERVICAL:</p><p>• Conduzir o controle cervical e a identificação da pessoa.</p><p>• Questionar a pessoa para reconhecer se está ciente.</p><p>• Se a pessoa responder normalmente é porque as vias aéreas estão permeáveis.</p><p>• Se a pessoa não responder de forma correta, examinar as vias aéreas.</p><p>• Liberar vias aéreas de qualquer objeto próximo (sólidos ou líquidos) para garantir</p><p>a respiração.</p><p>PASSO “B” – RESPIRAÇÃO:</p><p>• Verificar se a respiração está presente.</p><p>• Havendo respiração, observar suas características: lenta ou rápida, superficial ou</p><p>profunda, de ritmo regular ou irregular, silenciosa ou ruidosa.</p><p>• Se observar sinais que antecedam a parada respiratória (respiração superficial,</p><p>lenta ou irregular), ficar alerta para iniciar a respiração artificial.</p><p>• Caso a respiração estiver ausente, iniciar a respiração artificial de imediato.</p><p>PASSO “C” – CIRCULAÇÃO COM CONTROLE DE HEMORRAGIAS:</p><p>Havendo situação de hemorragias, observar: pulso; perfusão periférica, co-</p><p>loração, temperatura e umidade da pele.</p><p>• Pulso: quando a pessoa está consciente, aferir a priori o pulso radial; se este não</p><p>for percebido, tentar palpar o pulso carotídeo ou o femoral; já quando a vítima es-</p><p>tiver inconsciente, examinar o pulso carotídeo do lado em que você se encontre.</p><p>A avaliação do pulso dá uma aproximação da pressão arterial. Se o pulso radial</p><p>não estiver palpável, possivelmente a vítima apresenta um estado de choque</p><p>hipovolêmico descompensado, situação grave que exige uma intervenção ime-</p><p>diata. No caso de o pulso femoral ou carotídeo estar ausente, iniciar manobras de</p><p>reanimação cardiopulmonar. Se o pulso estiver presente, observar sua qualidade:</p><p>lento ou rápido, forte ou fraco, regular ou irregular.</p><p>• Perfusão periférica: realiza-se uma pressão na base da unha ou nos lábios, de</p><p>forma que a coloração passe de rosada para pálida. Após recuar a pressão, a co-</p><p>loração rosada deve retomar num tempo inferior a dois segundos. Caso o tempo</p><p>71</p><p>ultrapasse dois segundos é sinal de que a perfusão periférica está comprometida</p><p>(oxigenação/perfusão inadequadas).</p><p>• Coloração, temperatura e umidade da pele: alguns sinais de comprometimento</p><p>da oxigenação/perfusão dos tecidos são cianose e palidez. A pele fria e úmida in-</p><p>dica choque hipovolêmico (hemorrágico). Se o atendente da vítima verificar he-</p><p>morragia externa, deve utilizar métodos de controle. Se nesta abordagem obser-</p><p>var sinais que sugerem hemorragia interna, agilizar o atendimento e transportar a</p><p>pessoa o mais brevemente possível ao hospital, seguindo sempre as orientações</p><p>da Central de Emergências.</p><p>PASSO “D” – ESTADO NEUROLÓGICO:</p><p>• Após realizar as medidas possíveis para garantir os passos “ABC”, é importante</p><p>conhecer o estado neurológico da pessoa (passo “D”), para entender a gravidade</p><p>e a estabilidade do quadro.</p><p>• O registro da evolução do estado neurológico da pessoa tem grande valor. Há</p><p>pessoas que não apresentam alterações neurológicas num dado momento, mas</p><p>passam a apresentá-las progressivamente.</p><p>• O nível de consciência deve sempre ser avaliado porque, se alterado, indica maior</p><p>necessidade de atenção à vítima no que se refere às funções vitais, principal-</p><p>mente à respiração. A análise do nível de consciência é feita pelo método “AVDI”,</p><p>de acordo com o nível de resposta que a vítima tem aos estímulos.</p><p>A variação do nível de consciência pode acontecer pelos seguintes motivos:</p><p>• Redução da oxigenação cerebral (hipóxia ou hipoperfusão).</p><p>• Traumatismo cranioencefálico (hipertensão intracraniana).</p><p>• Intoxicação por álcool ou droga.</p><p>• Problema clínico metabólico.</p><p>PASSO “E” – EXPOSIÇÃO:</p><p>• Despir o paciente e procurar as lesões.</p><p>• Se há suspeita de lesão cervical ou da coluna, é importante fazer a mobilização</p><p>em alinhamento.</p><p>O atendimento médico deverá ocorrer independentemente dos primeiros</p><p>atendimentos, ou seja, o atendimento de primeiros socorros deverá ocorrer en-</p><p>quanto o médico não chega ao local em que a pessoa se encontra.</p><p>72</p><p>FIGURA 4 – NÚMEROS DE EMERGÊNCIA PARA SEREM ACIONADOS POR</p><p>VOCÊ NO SOCORRO ÀS VÍTIMAS</p><p>FONTE: <https://www.praiafaroldesaothome.com.br/2018/07/numeros-de-emergencia-voce-sabe-</p><p>-para.html>. Acesso em:</p><p>27 abr. 2022.</p><p>3 EMERGÊNCIAS HIPERTENSIVAS</p><p>A pressão alta está relacionada à quantidade de sangue que o coração bom-</p><p>beia e à resistência das artérias ao fluxo sanguíneo. Ao aumento da pressão arterial</p><p>damos o nome de hipertensão arterial sistêmica (HAS). De acordo com o Ministério</p><p>da Saúde, é uma doença que atinge cerca de 20% da população brasileira e chega</p><p>a 50% entre os idosos (FUKS, 2018).</p><p>Desde o início do surgimento dos métodos de aferição da pressão arterial</p><p>(PA), no começo do século XX, encontrou-se uma associação clara de níveis ele-</p><p>vados de PA com um aumento da morbimortalidade. Inicialmente, foram definidas</p><p>apenas duas entidades: a hipertensão arterial sistêmica (HAS) ‘maligna’, com rápi-</p><p>da progressão para a morte, em meses ou anos, e níveis muito elevados de PA, e</p><p>a forma ‘benigna’, com um curso mais lento, levando décadas para causar danos</p><p>(OLIVEIRA; BERTOLDI, 2013).</p><p>Quando medimos e/ou aferimos a pressão, encontramos dois valores. Por</p><p>exemplo, lemos 120 por 70, ou 12 por 7. Isso significa que, quando o coração se</p><p>contrai, a pressão nas artérias está em 120 milímetros de mercúrio, e quando ele</p><p>73</p><p>relaxa, a pressão fica em 70 milímetros de mercúrio. A pressão que ocorre quando</p><p>o coração se contrai é chamada de sistólica, e quando ele se dilata, é a diastólica.</p><p>A pressão é considerada acima do normal quando a pressão sistólica está</p><p>acima de 130 ou a diastólica está acima de 85. Pressões sistólicas entre 130 e 140</p><p>são consideradas normais-altas, assim como pressões diastólicas entre 85 e 90.</p><p>Quando a pressão sistólica está acima de 140 ou a diastólica está acima de 90, te-</p><p>mos, então, a chamada hipertensão. Todavia, não se deve considerar que estando</p><p>com a pressão normal-alta, está tudo bem. Na verdade, quanto mais alta a pressão,</p><p>mais dano ela traz para o organismo, mesmo que ‘oficialmente’ ainda seja conside-</p><p>rada normal. Portanto, na prática, o mais adequado é que a nossa pressão esteja</p><p>sempre abaixo de 120/80. Atualmente, utilizamos a classificação de pressão arterial</p><p>(PA), que substitui os termos “leve, moderada e severa”, antes utilizados para quan-</p><p>tificar a hipertensão, por estágios que variam de 1 a 3, observe a figura:</p><p>FIGURA 5 – NÍVEIS DE PRESSÃO ARTERIAL E SUA CLASSIFICAÇÃO</p><p>FONTE: <https://defrenteparaomar.com/sua-pressao-arterial-esta-boa/>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>Vale alertar que as alterações provocadas pela doença hipertensiva aumen-</p><p>tam o risco de ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC), de doenças nos rins</p><p>74</p><p>e no coração. Além disso, facilitam a formação de placas de gordura nas artérias</p><p>coronárias, elevando a predisposição do paciente hipertenso ao infarto agudo do</p><p>miocárdio (IAM).</p><p>Suceder um tratamento significa reduzir o risco das complicações, porque a</p><p>HAS não causa sintomas (dores de cabeça, mal-estar e tonturas, frequentemente</p><p>associados pelos pacientes com aumentos da PA, não apresentam correlação com</p><p>os níveis pressóricos e têm a mesma incidência em hipertensos e normotensos).</p><p>Em virtude de a HAS apresentar essa natureza assintomática, grande parte dos</p><p>indivíduos hipertensos ainda não está diagnosticada.</p><p>Após o devido diagnóstico, o tratamento ainda é de difícil realização, sendo o</p><p>maior obstáculo o comprometimento do paciente. Com a exceção de algumas cau-</p><p>sas de hipertensão secundária, que podem ser revertidas completamente (porém</p><p>representam menos de 5% dos hipertensos), o diagnóstico de hipertensão implica</p><p>terapia medicamentosa diária e, na maioria das vezes, com mais de um fármaco</p><p>para atingir os níveis considerados ótimos. Estima-se que, para cada hipertenso</p><p>tratado e com níveis adequados de PA, existam dois hipertensos tratados sem atin-</p><p>gir esses valores, e 30% de todos os hipertensos não sabem da sua condição (OLI-</p><p>VEIRA; BERTOLDI, 2013).</p><p>Para o efetivo diagnóstico de hipertensão arterial, são necessárias de três</p><p>a seis aferições com resultados elevados, realizadas em diferentes dias, com um</p><p>intervalo maior que um mês entre a primeira e a última aferição. Dessa forma, mi-</p><p>nimizam-se os fatores confusionais externos. O paciente considerado hipertenso</p><p>é aquele que apresenta a sua pressão arterial elevada frequentemente e durante</p><p>vários períodos do dia (OLIVEIRA; BERTOLDI, 2013).</p><p>O motivo da HAS está relacionado com a perda progressiva da elasticidade</p><p>da parede das artérias, dificultando a passagem do fluxo sanguíneo. A falta de elas-</p><p>ticidade gera sobrecarga ao coração, comprometendo sua função a longo prazo. É</p><p>possível ter a pressão arterial elevada durante anos sem apresentar nenhum sinto-</p><p>ma. A hipertensão arterial não controlada aumenta o risco de problemas de saúde</p><p>graves, incluindo ataque cardíaco e derrame.</p><p>A ocorrência global de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embo-</p><p>ra seja mais elevada nos homens até os 50 anos, invertendo-se a partir da quinta</p><p>década. Com relação à cor, a HAS é duas vezes mais prevalente em indivíduos de</p><p>cor não branca. Estudos brasileiros com abordagem simultânea de gênero e cor de-</p><p>monstraram predomínio de mulheres negras com excesso de HAS de até 130% em</p><p>75</p><p>relação às brancas. Um fator que nos chama a atenção é a ingestão excessiva de</p><p>sódio, que tem sido correlacionada com a elevação da pressão arterial. A população</p><p>brasileira apresenta um padrão alimentar rico em sal, açúcar e gorduras (BRANDÃO</p><p>et al., 2010).</p><p>Em contrapartida, em populações com dieta pobre em sal, como a dos ín-</p><p>dios brasileiros yanomamis, não foram encontrados casos de HAS. Por outro lado, o</p><p>efeito hipotensor da restrição de sódio tem sido demonstrado. Pode-se ainda citar</p><p>que a atividade física reduz a incidência de HAS, mesmo em indivíduos pré-hiper-</p><p>tensos, bem como a mortalidade e o risco de DCV (doença cerebrovascular, como o</p><p>derrame cerebral).</p><p>Quando a crise hipertensiva inicia repentinamente, a pessoa pode apresentar:</p><p>• sensação de mal-estar;</p><p>• ansiedade e agitação;</p><p>• cefaleia severa;</p><p>• tontura;</p><p>• borramento da visão;</p><p>• dor no peito;</p><p>• tosse e falta de ar.</p><p>A crise é acompanhada de sinais e sintomas em outros órgãos.</p><p>• No rim: surgem hematúria, proteinúria e edema.</p><p>• No sistema cardiovascular: falta de ar, dor no peito, angina, infarto, arritmias e</p><p>edema agudo de pulmão.</p><p>• No sistema nervoso: acidente vascular do tipo isquêmico ou hemorrágico, com</p><p>convulsões, dificuldade da fala e da movimentação.</p><p>• Na visão: borramento, hemorragias e edema de fundo de olho.</p><p>Ao identificar uma crise de pressão alta, não há muito o que possa ser feito</p><p>com relação aos primeiros socorros enquanto o socorro médico é aguardado. Basi-</p><p>camente, o socorrista deverá acionar o serviço de atendimento móvel de urgência</p><p>(SAMU 192), posicionar a vítima sentada ou semissentada, garantir que as vias aé-</p><p>reas fiquem desobstruídas e manter a vítima em repouso.</p><p>O socorrista precisa manter-se calmo e tranquilizar o paciente enquanto a</p><p>equipe de socorro não chega. Caso o paciente esteja vestindo roupas justas, o ide-</p><p>al é afrouxá-las para aliviar o desconforto e permitir a circulação do sangue. Em</p><p>76</p><p>caso de dúvida, procure sempre um médico. Adiar a consulta e/ou desprezar os</p><p>sintomas são alguns dos erros mais comuns entre todos os pacientes. Apenas o</p><p>médico especializado será capaz de identificar corretamente possíveis disfunções</p><p>no organismo. Além disso, procurar um nutricionista e começar uma atividade física</p><p>acompanhada por um profissional são dicas valiosas que continuam em vigor.</p><p>A transformação do estilo de vida do paciente é fundamental para a sua</p><p>recuperação. A atitude de aderir a um cardápio mais saudável à base de frutas, ver-</p><p>duras e bastantes folhas, evitando gorduras e frituras, exercitando-se regularmen-</p><p>te forma um conjunto de medidas essenciais para restabelecer a pressão arterial.</p><p>Medicações anti-hipertensivas são indicadas sempre que necessário. O tratamento</p><p>deve ser acompanhado por médico, que determina o medicamento mais indicado</p><p>de acordo com a gravidade e os fatores de risco de cada paciente.</p><p>É indicado que toda pessoa, a partir dos 40</p><p>anos, consulte um cardiologista</p><p>para a avaliação da pressão arterial e do estado geral de seu coração. Medidas pre-</p><p>ventivas incluem: peso ideal, prática regular de atividade física e dieta balanceada.</p><p>Ingestão de bebida alcoólica em excesso e tabagismo também são hábitos que de-</p><p>vem ser evitados. A obesidade é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvi-</p><p>mento da HAS. Mulheres que utilizam anticoncepcional oral ou terapia de reposição</p><p>hormonal devem ficar atentas quanto ao risco de elevação da pressão arterial.</p><p>4 EMERGÊNCIAS DIABÉTICAS</p><p>O diabetes constitui uma síndrome metabólica de origem múltipla, decorrente</p><p>da falta de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus</p><p>efeitos, causando um aumento da glicose (açúcar) no sangue. O diabetes se desen-</p><p>volve quando o pâncreas não é capaz de produzir o hormônio insulina em quantidade</p><p>suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou porque este hormônio não</p><p>é capaz de agir de maneira adequada (resistência à insulina). A insulina desenvolve a</p><p>redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa pe-</p><p>netrar dentro das células, para ser utilizado como fonte de energia. Assim, se houver</p><p>falta desse hormônio, ou mesmo se ele não agir corretamente, haverá aumento de</p><p>glicose no sangue e, consequentemente, o diabetes (HEIMBECHER, 2021).</p><p>Outra definição que podemos utilizar é de que o Diabetes Mellitus é uma</p><p>doença do metabolismo da glicose causada pela falta ou má absorção de insulina,</p><p>hormônio produzido pelo pâncreas e cuja função é quebrar as moléculas de glicose</p><p>para transformá-las em energia, a fim de que seja aproveitada por todas as células.</p><p>77</p><p>A ausência total ou parcial desse hormônio interfere não só na queima do açúcar</p><p>como na sua transformação em outras substâncias (proteínas, músculos e gordu-</p><p>ra). Vale lembrar que o diabetes não se trata de uma doença única, mas de um con-</p><p>junto de doenças com uma característica em comum: aumento da concentração de</p><p>glicose no sangue provocado por duas diferentes situações.</p><p>A glicose é a principal fonte de energia para as células que formam o nosso</p><p>corpo. Ela é obtida a partir da ingestão de alimentos ricos em carboidratos, como</p><p>doces, mel, açúcar, algumas frutas, pães, massas, arroz, cereais, batata, mandioca,</p><p>farinha e amido. Pelo sangue, a glicose chega a todas as células. Para facilitar esse</p><p>transporte, o nosso corpo produz a insulina. Já a insulina é um hormônio produzido</p><p>pelo pâncreas. Sua função principal é promover a entrada da glicose nas células</p><p>do organismo para fornecer-lhe energia. Quando se tem diabetes, pode não haver</p><p>produção de insulina, a insulina produzida ser insuficiente, ou existir defeito na sua</p><p>ação. Assim, a glicose não é enviada para a célula e fica acumulada no sangue. É o</p><p>que chamamos de hiperglicemia (glicemia alta).</p><p>O diabetes pode prejudicar vários sistemas do corpo. As complicações co-</p><p>muns incluem problemas circulatórios, cegueira (em consequência da degeneração</p><p>dos pequenos vasos sanguíneos da retina) e problemas do sistema nervoso central,</p><p>incluindo a ausência de sensibilidade nas mãos e nos pés, esvaziamento retardado</p><p>do estômago, disfunção sexual e impotência. Existem dois tipos básicos de diabetes:</p><p>Diabetes tipo 1:</p><p>O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença crônica que ocorre quando o pân-</p><p>creas produz muito pouca ou nenhuma insulina. A insulina é um hormônio que aju-</p><p>da o corpo a absorver e utilizar a glicose dos alimentos. Sem insulina, os níveis de</p><p>glicose tornam-se mais elevados que o normal (PINHEIRO, 2021).</p><p>Costuma acometer crianças e adultos jovens, mas pode aparecer em qual-</p><p>quer idade. Os sintomas clássicos são: sede intensa, grande quantidade de urina</p><p>clara, fome excessiva, emagrecimento e cansaço. Sem o tratamento, os sintomas</p><p>podem evoluir de maneira rápida e grave, podendo chegar a dificuldades respirató-</p><p>rias e coma. Esse quadro é conhecido como cetoacidose diabética e necessita de</p><p>internação para tratamento. O diabetes tipo 1 é o resultado da destruição de células</p><p>do pâncreas pelos anticorpos produzidos pelo próprio organismo. Com o pâncreas</p><p>debilitado, não há produção suficiente de insulina (PINHEIRO, 2021).</p><p>O desencadeamento de diabetes tipo 1 é geralmente repentino e dramático</p><p>e pode incluir sintomas como:</p><p>78</p><p>• Sede excessiva.</p><p>• Rápida perda de peso.</p><p>• Fome exagerada.</p><p>• Cansaço inexplicável.</p><p>• Muita vontade de urinar.</p><p>• Má cicatrização.</p><p>• Visão embaçada.</p><p>• Falta de interesse e de concentração.</p><p>• Vômitos e dores estomacais, frequentemente diagnosticados como gripe.</p><p>Tais sintomas podem ocorrer também em pessoas com diabetes tipo 2, mas</p><p>geralmente são menos evidentes. Em crianças com diabetes tipo 2, esses sintomas</p><p>podem ser moderados ou até mesmo ausentes. No caso do diabetes tipo 1, esses</p><p>sintomas surgem de forma abrupta e, às vezes, podem demorar a ser identificados.</p><p>Já no diabetes tipo 2, esses sintomas podem ser mais moderados ou até mesmo</p><p>inexistentes.</p><p>Não se sabe ao certo por que as pessoas desenvolvem o diabetes tipo 1.</p><p>Sabe-se que há casos em que algumas pessoas nascem com genes que as predis-</p><p>põem à doença, mas outras têm os mesmos genes e não têm diabetes. Outro dado</p><p>é que, no geral, o diabetes tipo 1 é mais frequente em pessoas com menos de 35</p><p>anos, mas vale lembrar que ele pode surgir em qualquer idade.</p><p>Diabetes tipo 2:</p><p>É uma doença crônica que ocorre por uma combinação de produção insu-</p><p>ficiente de insulina e resistência do corpo a ela. Esclarecendo, o paciente produz</p><p>menos insulina do que deveria e ela ainda funciona mal. O diabetes tipo 2 está in-</p><p>timamente ligado ao sedentarismo e ao excesso de peso. É o tipo mais frequente,</p><p>principalmente em adultos a partir dos 50 anos com excesso de peso. A instalação</p><p>do diabetes tipo 2 é mais lenta e silenciosa e os sintomas costumam demorar para</p><p>aparecer. Em alguns casos, podem levar anos para serem notados. Pode ocorrer</p><p>devido à resistência à insulina (o organismo a produz, mas as células do corpo não</p><p>respondem a sua ação) ou por sua produção insuficiente (o organismo produz insu-</p><p>lina, mas não em quantidade suficiente para equilibrar o nível de glicose no sangue).</p><p>“Para fazer os primeiros socorros para diabéticos, é preciso saber se se trata</p><p>de um episódio de excesso de açúcar no sangue ou de falta de açúcar. Por isso, se</p><p>for possível, é importante verificar, com um aparelho para medir a quantidade de</p><p>açúcar no sangue, qual o valor da glicemia” (REIS, 2021, s.p.).</p><p>79</p><p>5 EMERGÊNCIAS CARDIOLÓGICAS</p><p>Uma emergência relativamente frequente é a parada cardiorrespiratória</p><p>(PCR), que pode ocorrer em qualquer serviço de atendimento de emergência, e</p><p>significa a cessação dos batimentos cardíacos e dos movimentos respiratórios. Já</p><p>passou o tempo em que a ausência de respiração e batimento cardíaco significava</p><p>que a vítima não sobreviveria. Com a evolução das técnicas de reanimação cardio-</p><p>pulmonar, o desenvolvimento de drogas, o aperfeiçoamento de equipamentos e o</p><p>treinamento de leigos e profissionais, milhares de vidas são salvas em todo o mundo</p><p>(PORTAL EDUCAÇÃO, 2015).</p><p>5.1 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA</p><p>Parada cardiorrespiratória (PCR) é o momento em que cessam os batimen-</p><p>tos cardíacos e a pessoa para de respirar. Com isso, a circulação sanguínea sofre</p><p>uma parada e o indivíduo perde a consciência dentro de dez a quinze segundos. A</p><p>parada cardíaca também pode ocorrer sozinha, sem parada respiratória. Várias cau-</p><p>sas podem levar à parada cardiorrespiratória, como hemorragias, acidentes, choque</p><p>séptico, doenças cardíacas ou neurológicas, infecções respiratórias, drogas, cho-</p><p>ques elétricos, asfixia, afogamento, intoxicação por medicamentos e monóxido de</p><p>carbono, sufocamento etc. (ABCMED, 2014).</p><p>A PCR pode apresentar-se em formas distintas. São elas:</p><p>• Fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso: caracteriza-se por um</p><p>ritmo cardíaco acelerado, irregular e ineficaz.</p><p>• Assistolia ventricular: neste caso, há ausência de ritmo cardíaco.</p><p>• Atividade elétrica</p><p>1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................65</p><p>2 PRIMEIROS SOCORROS .......................................................................................65</p><p>2.1 ABORDAGEM PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA À VÍTIMA ....................................66</p><p>2.1.1 Abordagem primária rápida ........................................................................... 67</p><p>2.1.2 Abordagem primária completa ....................................................................68</p><p>3 EMERGÊNCIAS HIPERTENSIVAS ....................................................................... 72</p><p>4 EMERGÊNCIAS DIABÉTICAS ............................................................................... 76</p><p>5 EMERGÊNCIAS CARDIOLÓGICAS ...................................................................... 79</p><p>5.1 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA .................................................................. 79</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................82</p><p>AUTOATIVIDADE ........................................................................................................84</p><p>REFERÊNCIAS ...........................................................................................................86</p><p>UNIDADE 3 - BIOSSEGURANÇA, URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>EM CENTROS DE SAÚDE ........................................................................................89</p><p>TÓPICO 1 - EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS, HEMORRAGIAS</p><p>E SANGRAMENTOS ...................................................................................................91</p><p>1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................91</p><p>2 EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS ........................................................................91</p><p>2.1 VERTIGEM ..............................................................................................................91</p><p>2.2 SÍNCOPE (DESMAIO) .........................................................................................92</p><p>2.3 CRISE CONVULSIVA ..........................................................................................94</p><p>3 HEMORRAGIAS E SANGRAMENTOS ................................................................. 97</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ...........................................................................................100</p><p>AUTOATIVIDADE .......................................................................................................101</p><p>TÓPICO 2 - CHOQUE ANAFILÁTICO, ALERGIAS E QUEIMADURAS ............... 103</p><p>1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 103</p><p>2 CONCEITOS GERAIS SOBRE O SISTEMA IMUNOLÓGICO ........................... 103</p><p>3 CHOQUE ANAFILÁTICO ..................................................................................... 104</p><p>3.1 CAUSAS DE ANAFILAXIA ............................................................................... 105</p><p>3.2 SINTOMAS DO CHOQUE ANAFILÁTICO ....................................................... 105</p><p>3.3 TRATAMENTO DO CHOQUE ANAFILÁTICO ................................................. 106</p><p>4 ALERGIAS ............................................................................................................. 107</p><p>4.1 CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE HIPERSENSIBILIDADE .......................108</p><p>4.2 COMO PROCEDER EM CASO DE REAÇÕES ALÉRGICAS .........................110</p><p>5 QUEIMADURAS E LESÕES OCULARES ...........................................................110</p><p>5.1 PRIMEIROS SOCORROS EM QUEIMADURAS ................................................111</p><p>5.2 TRATAMENTO ..................................................................................................... 112</p><p>6 LESÕES OCULARES ............................................................................................. 112</p><p>6.1 PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES OCULARES ...................................... 113</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ...........................................................................................114</p><p>AUTOATIVIDADE ....................................................................................................... 115</p><p>TÓPICO 3 - INTOXICAÇÃO EXÓGENA E HIPOTERMIA ..................................... 117</p><p>1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 117</p><p>2 INTOXICAÇÃO EXÓGENA .................................................................................... 117</p><p>2.1 INTOXICAÇÃO POR MEDICAMENTOS ............................................................118</p><p>2.1.1 Ansiolíticos e tranquilizantes........................................................................118</p><p>2.1.2 Antidepressivos tricíclicos ........................................................................... 121</p><p>2.1.3 Anticonvulsivantes ....................................................................................... 122</p><p>2.1.4 Descongestionantes .................................................................................... 125</p><p>2.1.5 Descongestionantes sistêmicos ............................................................... 126</p><p>2.2 TÓXICOS INALADOS ........................................................................................ 128</p><p>2.3 INTOXICAÇÃO ALIMENTAR ............................................................................ 128</p><p>2.4 INTOXICAÇÃO POR DROGAS ......................................................................... 129</p><p>3 HIPOTERMIA ......................................................................................................... 130</p><p>3.1 CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................ 130</p><p>3.2 SINTOMAS ........................................................................................................... 131</p><p>3.3 DIAGNÓSTICO .................................................................................................... 131</p><p>3.4 TRATAMENTO ..................................................................................................... 131</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................... 132</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................... 135</p><p>AUTOATIVIDADE ...................................................................................................... 136</p><p>REFERÊNCIAS ..........................................................................................................137</p><p>UNIDADE 1</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• conhecer os aspectos relacionados à base em biossegurança, sua regula-</p><p>mentação, bem como diretrizes;</p><p>• conhecer equipamentos de proteção individual;</p><p>• conhecer os deveres do profissional e manter o Manual de Rotinas e Procedi-</p><p>mentos disponível a todos os profissionais do estabelecimento;</p><p>• ter clareza de quais procedimentos de medidas preventivas e educativas de-</p><p>vem ser adotados para diminuir o risco de transmissão de doenças e aciden-</p><p>tes de trabalho;</p><p>• verificar o método correto de limpeza específica, de ambiente físico, bem</p><p>como de bancadas e utensílios de uso na farmácia;</p><p>• entender sobre os resíduos gerados em estabelecimentos de saúde, assim como</p><p>os procedimentos que devem ser realizados para gerenciar estes resíduos.</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará</p><p>autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – PRINCÍPIOS E CONCEITOS EM BIOSSEGURANÇA</p><p>TÓPICO 2 – PROTEÇÃO INDIVIDUAL E RISCOS À SAÚDE</p><p>TÓPICO 3 – BOAS PRÁTICAS NA FARMÁCIA</p><p>BIOSSEGURANÇA,</p><p>URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>EM CENTROS DE SAÚDE</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno, você já parou para pensar em todos os riscos expostos nas di-</p><p>versas ações em nosso dia a dia? Muitas vezes essas situações passam desper-</p><p>cebidas e não nos damos conta</p><p>sem pulso: neste caso, há a presença de atividade elétrica na</p><p>musculatura cardíaca, todavia, os batimentos são ineficazes e não há a presença</p><p>de circulação sanguínea.</p><p>Dentre os diferentes fatores capazes de causar a PCR, encontram-se:</p><p>• Overdose.</p><p>• Afogamento.</p><p>• Patologias cardiovasculares.</p><p>• Engasgo.</p><p>• Demasiada perda de sangue.</p><p>• Choque séptico.</p><p>80</p><p>• Traumas.</p><p>• Choque elétrico.</p><p>• Envenenamento por monóxido de carbono.</p><p>O socorro básico é feito reconhecendo-se o estado de PCR, traduzido na au-</p><p>sência de pulsos carotídeos e de respiração, perda da consciência, palidez, cianose</p><p>e pele marmórea.</p><p>Diagnóstico:</p><p>• Ausência de pulso (radial, femural e carotídeo).</p><p>• Pele fria, azulada ou pálida.</p><p>• Parada respiratória (frequente, mas não obrigatória).</p><p>• Inconsciência.</p><p>• Dilatação das pupilas (frequente, mas não obrigatória).</p><p>• Na dúvida, proceda como se fosse.</p><p>O que se deve fazer na parada cardiorrespiratória é chamar, imediatamente,</p><p>uma ambulância, ligando para o número 192, e iniciar a massagem cardíaca, para</p><p>que o indivíduo tenha melhores chances de sobreviver.</p><p>A parada cardiorrespiratória é sempre uma situação muito grave e de muita</p><p>urgência, requerendo manobras imediatas de ressuscitação, que devem ser realiza-</p><p>das por uma pessoa da equipe de saúde, se o paciente se encontra internado num</p><p>hospital, ou que devem ser iniciadas por um leigo, se ele não está num hospital,</p><p>até a chegada de socorro especializado. As manobras de ressuscitação incluem</p><p>respiração boca a boca e reanimação cardíaca. Se a vítima não estiver respirando,</p><p>deve-se iniciar a respiração boca a boca.</p><p>Sequência no atendimento:</p><p>1. Coloque a vítima deitada de costas sobre uma superfície dura.</p><p>2. Coloque suas mãos sobrepostas no terço inferior do esterno.</p><p>3. Faça compressão sobre o esterno, de encontro à coluna.</p><p>4. Após a recuperação dos batimentos cardíacos, leve imediatamente a vítima ao</p><p>hospital.</p><p>Devemos fazer 30 compressões torácicas para duas insuflações pulmona-</p><p>res, num ritmo de 100 compressões por minuto, contando em voz alta: “e um, e dois,</p><p>e três, e quatro, e cinco, e seis, e..., ventila!, ventila!”, portanto, se a equipe trabalhar</p><p>81</p><p>adequadamente, pelo menos quatro ciclos devem-se completar a cada minuto de</p><p>RCP.</p><p>RCP: com a mão, localizar a margem inferior do rebordo costal da vítima.</p><p>Percorrer o rebordo costal até identificar o apêndice xifoide. Colocar dois dedos aci-</p><p>ma do apêndice xifoide sobre o esterno. Atualmente, é preconizado encontrar um</p><p>ponto entre os mamilos sobre o esterno. Apoiar a palma de uma das mãos sobre</p><p>a metade inferior do esterno. Colocar a outra mão sobre a primeira, de forma que</p><p>ambas fiquem paralelas. Pode entrelaçar os dedos ou mantê-los estendidos, mas</p><p>não apoiá-los sobre a caixa torácica. O objetivo é impedir que a força de compres-</p><p>são seja efetuada sobre as costelas, podendo fraturá-las. Alinhar os ombros sobre o</p><p>esterno da vítima, mantendo os cotovelos estendidos. A força de compressão deve</p><p>ser provida pelo peso do tronco do socorrista e não pela força de seus braços. Após</p><p>cinco ciclos de dois minutos de compressão e ventilação a vítima deve ser reavalia-</p><p>da. Caso o pulso seja ausente: reiniciar a RCP pelas compressões torácicas. Caso o</p><p>pulso seja presente: verificar respiração; se a vítima estiver respirando, monitorizar</p><p>os sinais vitais e colocá-la em posição de recuperação.</p><p>Antes de a pessoa apresentar uma parada cardíaca, ela pode sentir:</p><p>• Dor forte no peito, abdômen e nas costas.</p><p>• Dor forte de cabeça.</p><p>• Falta de ar ou dificuldade em respirar.</p><p>• Enrolar a língua, apresentando dificuldade em falar.</p><p>• Dor ou formigamento no braço esquerdo.</p><p>• Fortes palpitações.</p><p>Uma parada cardíaca pode ser suspeitada quando a vítima:</p><p>• É encontrada desacordada.</p><p>• Não responde quando chamada.</p><p>• Não respira.</p><p>• Não tem pulso.</p><p>82</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você estudou que:</p><p>• O atendimento inicial à vítima deve ser rápido, organizado e eficiente.</p><p>• O atendimento inicial à vítima se divide em quatro etapas: controle da cena,</p><p>abordagem primária, abordagem secundária, sinais vitais e escalas de trauma e</p><p>coma.</p><p>• Antes de qualquer atendimento à vítima, deve-se garantir sua própria condição</p><p>de segurança.</p><p>• A abordagem primária é realizada em duas fases: a abordagem primária rápida e</p><p>a abordagem primária completa.</p><p>• O “XABCDE do trauma” é um procedimento para designar a sequência fixa de</p><p>passos, utilizando-se as primeiras letras das palavras (do inglês) que definem os</p><p>passos para uma abordagem primária completa de socorro imediato.</p><p>• Classicamente, a crise hipertensiva tem sido definida como uma elevação abrup-</p><p>ta e severa da pressão arterial, geralmente com pressão sistólica acima de 120</p><p>mmHg.</p><p>• A crise hipertensiva inicia repentinamente e a pessoa pode apresentar sensação</p><p>de mal-estar, ansiedade e agitação, cefaleia severa, tontura, entre outros.</p><p>• Em diabéticos, o açúcar acumula-se na corrente sanguínea, pois não penetra</p><p>nas células do corpo sem a ação da insulina.</p><p>• O diabetes pode causar complicações em vários sistemas do corpo. As compli-</p><p>cações comuns incluem problemas circulatórios, cegueira (em consequência da</p><p>degeneração dos pequenos vasos sanguíneos da retina) e problemas do sistema</p><p>nervoso central, incluindo a ausência de sensibilidade nas mãos e nos pés, esva-</p><p>ziamento retardado do estômago, disfunção sexual e impotência.</p><p>• A regra a ser lembrada para o atendimento de emergência de diabetes é simples:</p><p>na dúvida, dê açúcar. Não causaremos nenhum dano a um indivíduo com hiper-</p><p>glicemia se lhe dermos açúcar.</p><p>83</p><p>• Já foi o tempo em que ausência de respiração e batimento cardíaco significava</p><p>morte. Com a evolução das técnicas de reanimação cardiopulmonar, desenvolvi-</p><p>mento de drogas, aperfeiçoamento de equipamentos e treinamento de leigos e</p><p>profissionais, milhares de vidas são salvas em todo o mundo.</p><p>• As manobras de reanimação cardiopulmonar vêm sendo aperfeiçoadas ao longo</p><p>de várias décadas.</p><p>84</p><p>1 Classicamente, a crise hipertensiva tem sido definida como uma elevação</p><p>abrupta e severa da pressão arterial. Assinale a alternativa CORRETA que traz</p><p>uma pressão arterial considerada alta:</p><p>a) 120 x 80.</p><p>b) 180 x 120.</p><p>c) 100 x 60.</p><p>d) 120 x 85.</p><p>2 O diabetes pode causar complicações em vários sistemas do corpo. As com-</p><p>plicações comuns incluem problemas circulatórios e cegueira. De uma forma</p><p>simples, o que é o diabetes? Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) Falta de açúcar no sangue.</p><p>b) Excesso de açúcar no sangue.</p><p>c) Má circulação do sangue.</p><p>d) Coração muito acelerado.</p><p>3 O XABCDE do trauma é uma sequência fixa de passos já estabelecidos cien-</p><p>tificamente para segui-los na abordagem primária de primeiros socorros. Essa</p><p>sigla utiliza as primeiras letras das palavras (do inglês) que definem os passos</p><p>para uma abordagem primária completa de socorro imediato. Assinale a alter-</p><p>nativa CORRETA sobre o significado das letras (em sequência):</p><p>a) Trauma, sangramento, respiração, desmaio e parada cardíaca.</p><p>b) Exsanguinação, vias aéreas com controle cervical, respiração, circulação</p><p>com controle de hemorragias, estado neurológico e exposição.</p><p>c) Exposição, exsanguinação, vias aéreas com controle cervical, circulação</p><p>com controle de hemorragias e respiração.</p><p>d) Trauma, exposição, exsanguinação, desmaio e parada cardíaca.</p><p>4 A parada cardiorrespiratória é sempre uma situação muito grave e de muita</p><p>urgência, requerendo manobras imediatas de ressuscitação que devem ser</p><p>realizadas por uma pessoa da equipe de saúde, se o paciente se encontra</p><p>internado num hospital, ou por um leigo, se ele não está num hospital, até a</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>85</p><p>chegada de socorro especializado. Descreva as manobras de ressuscitação</p><p>cardiopulmonar.</p><p>R.:</p><p>5 Uma emergência relativamente frequente é a parada cardiorrespiratória</p><p>(PCR), que pode ocorrer em qualquer serviço de atendimento de emergência,</p><p>e significa a cessação dos batimentos cardíacos e dos movimentos respirató-</p><p>rios. Descreva os principais sinais de uma PCR.</p><p>R.:</p><p>86</p><p>ABCMED. Parada cardiorrespiratória:</p><p>o que fazer. AbcMed, 2014. Disponível em:</p><p>http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-edoencas/ 568097/parada+cardiorres-</p><p>piratoria+o+que+fazer.htm. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>ABNT. Sistemas de gestão da qualidade: fundamentos e vocabulário. Rio de</p><p>Janeiro: ABNT, 2000. Disponível em: http://www.standardconsultoria.com/f/files/</p><p>814048ce04d8cdfe2b1ba9438be31009791895463.pdf. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>BELLUZZO, R. C. B.; MACEDO, N. D. de. A gestão da qualidade em serviços de infor-</p><p>mação: contribuição para uma base teórica. Ciência da Informação, [s. l.], v. 22, n.</p><p>2, p. 124-132, maio/ago. 1993.</p><p>BRANDÃO, A. A. et al. Conceituação, epidemiologia e prevenção primária. Braz. J.</p><p>Nephrol., Rio de Janeiro, v. 32, n. 1, set. 2010. Disponível em: https://www.scielo.</p><p>br/j/jbn/a/gXhnYZnBKz9XmYgzrVF9Drt/?lang=pt#. Acesso em: 29 abr. 2022.</p><p>BRASIL. Resolução CFF nº 499, de 17 de dezembro de 2008. Dispõe sobre a pres-</p><p>tação de serviços farmacêuticos, em farmácias e drogarias, e dá outras providên-</p><p>cias. Brasília, DF: CFF, 2008. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/20%20</p><p>-%20BRASIL_%20CONSELHO%20FEDERAL%20DE%20FARM%C3%81CIA_%20</p><p>2009%20Resolucao_499_2008_CFF.pdf. Acesso em: 2 maio 2022.</p><p>BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 44, de 17 de agosto de</p><p>2009. Dispõe sobre Boas Práticas Farmacêuticas para o controle sanitário do fun-</p><p>cionamento, da dispensação e da comercialização de produtos e da prestação de</p><p>serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias e dá outras providências. Brasília,</p><p>DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 17 ago. 2009. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2009/rdc0044_17_08_2009.</p><p>pdf. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Serviços farmacêuticos diretamente des-</p><p>tinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço</p><p>conceitual. Brasília, DF: Conselho Federal de Farmácia, 2016. 200 p.</p><p>CRF-SP. Seminário RDC 44/09 realizado em 07/11/09. Respostas aos questiona-</p><p>mentos. CRF-SP, 2009. Disponível em: http://www.crfsp.org.br/99-geral/geral/</p><p>1787-respostas-aos-questionamentos.html. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>CRF-SP. Orientações para o farmacêutico que atua em farmácias e drogarias e tem</p><p>interesse de prestar o serviço de vacinação. CRF-SP, 2018. Disponível em: http://</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>87</p><p>www.crfsp.org.br/orienta%C3%A7%C3%A3o-farmac%C3%AAutica/641-fiscaliza-</p><p>cao-parceira/farm%C3%A1cia/10025-fiscaliza%C3%A7%C3%A3o-orientativa-4.</p><p>html. Acesso em: 28 abr. 2022.</p><p>ELEMENTUS CONSULTORIA. 4 principais erros na gestão de qualidade em indús-</p><p>trias. Elementus Consultoria, 2020. Disponível em: https://elementusconsultoria.</p><p>com/4-principais-erros-na-gestao-de-qualidade-em-industrias/?utm_source=-</p><p>google&utm_medium=cpc&utm_campaign=BLOG_ARTIGOS_TRAFEGO_AD-</p><p>GRANTS&gclid=Cj0KCQjwmPSSBhCNARIsAH3cYgZRsFG5F29B_p5UHdFGLVoY-</p><p>j4rYeV8GiuTj98vH2cgp8VIkMMUT6G4aApxnEALw_wcB. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>FARMARCAS. Confira 5 erros mais comuns de atendimento na drogaria. Farmar-</p><p>cas, 2018. 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Total Quality Management, [s. l.], v. 13, n. 1, p. 101-121, 2002.</p><p>89</p><p>UNIDADE 3</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• definir os aspectos da hemorragia e sangramento;</p><p>• reconhecer o choque anafilático e alergias, bem como agir em caso de crises;</p><p>• identificar os tipos de queimaduras e primeiro atendimento de socorro;</p><p>• caracterizar uma lesão ocular, bem como a causa e os possíveis procedi-</p><p>mentos;</p><p>• reconhecer uma intoxicação exógena, manifestações clínicas e tratamento;</p><p>• definir hipotermia e seus sintomas, causas, diagnóstico e tratamento.</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará</p><p>autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS, HEMORRAGIAS E SANGRAMENTOS</p><p>TÓPICO 2 – CHOQUE ANAFILÁTICO, ALERGIAS E QUEIMADURAS</p><p>TÓPICO 3 – INTOXICAÇÃO EXÓGENA E HIPOTERMIA</p><p>BIOSSEGURANÇA,</p><p>URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>EM CENTROS DE SAÚDE</p><p>90</p><p>91</p><p>TÓPICO 1</p><p>EMERGÊNCIAS</p><p>NEUROLÓGICAS,</p><p>HEMORRAGIAS E</p><p>SANGRAMENTOS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno, neste tópico, abordaremos as emergências neurológicas, as he-</p><p>morragias e os sangramentos.</p><p>As emergências neurológicas podem ser reconhecidas e, então, podem ser</p><p>feitos os primeiros cuidados com a vítima até que o socorro especializado chegue.</p><p>Da mesma forma, os sangramentos e as hemorragias podem possivelmente ser</p><p>contidos, evitando, assim, que a vítima venha a ter complicações mais severas e</p><p>óbito. Assim, entenderemos um pouco mais o que acontece em cada caso e o que</p><p>poderia ser feito para salvar esta pessoa.</p><p>2 EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS</p><p>As emergências neurológicas são aquelas que acometem o cérebro. Podem</p><p>ser tonturas, vertigens, concussões, traumas cranianos, sangramentos, acidente</p><p>vascular cerebral (AVC), epilepsia, entre outros. Veremos</p><p>alguns deles em seguida.</p><p>2.1 VERTIGEM</p><p>A vertigem é uma falsa sensação de movimento ou de rotação ou a impres-</p><p>são de que os objetos se movem ou rodam. Geralmente, ela é acompanhada por</p><p>náusea e perda do equilíbrio. Somente a tontura verdadeira, a que os médicos de-</p><p>92</p><p>nominam vertigem, causa uma sensação de movimento ou de rotação. A vertigem</p><p>pode durar apenas alguns instantes ou pode persistir por horas ou mesmo dias. A</p><p>vertigem deverá ser vista como um aviso de que o organismo da vítima está debili-</p><p>tado. Os sintomas podem ser: alterações da visão, dificuldade de andar, debilidade</p><p>passageira nas pernas, desorientação no espaço, alterações do equilíbrio até a in-</p><p>consciência completa. Essas alterações poderão estar associadas à hipoglicemia, à</p><p>hipotensão, entre outros problemas de saúde (BEZERRA, 2019).</p><p>No momento em que ocorrer essa intercorrência, devemos proceder da se-</p><p>guinte forma: sentar a vítima, colocar sua cabeça entre as pernas, com os braços</p><p>caídos na lateral do corpo e pedir a ela que empurre a cabeça para cima, enquanto</p><p>o socorrista a força para baixo. Essa manobra aumenta o fluxo sanguíneo para o</p><p>cérebro, melhorando o quadro do paciente. Levar a vítima a procurar atendimento</p><p>médico ou orientá-la para isso.</p><p>2.2 SÍNCOPE (DESMAIO)</p><p>A síncope é definida como uma perda transitória da consciência, associada</p><p>à incapacidade de manter-se na posição de pé. É popularmente conhecida como</p><p>desmaio. A lipotimia é a sensação de desmaio, sem que esse, efetivamente, ocorra.</p><p>A perda da consciência é resultado da baixa perfusão cerebral (diminuição da che-</p><p>gada de sangue no cérebro). A história clínica é fundamental para o diagnóstico da</p><p>causa da síncope.</p><p>No sentido da palavra, define-se síncope à perda súbita da consciência e</p><p>do tônus postural seguida de recuperação imediata e espontânea, sem sequelas, e</p><p>causada por interrupção transitória do fluxo cerebral. Em alguns casos, o desmaio é</p><p>precedido por sensações, como vertigem, tontura, fraqueza e náuseas. Uma recu-</p><p>peração completa geralmente leva apenas alguns minutos após o desmaio. Se não</p><p>houver nenhuma condição médica subjacente causando-lhe o desmaio, o trata-</p><p>mento não é necessariamente obrigatório. Na maioria das vezes, os desmaios não</p><p>indicam doenças graves, mas, em algumas situações, eles podem ser um sintoma</p><p>de um problema de saúde sério.</p><p>De qualquer forma, os desmaios devem ser motivo para uma consulta médi-</p><p>ca, principalmente se acontecem episódios recorrentes, mais de uma vez por mês</p><p>(DOUGLAS, 2022).</p><p>A pessoa pode ter um ou mais dos seguintes sintomas de síncope:</p><p>93</p><p>• Sentir-se zonzo.</p><p>• Sentir perda de consciência momentânea.</p><p>• Sofrer uma queda sem motivo.</p><p>• Sentir tontura.</p><p>• Sentir-se sonolento ou grogue.</p><p>• Sentir instabilidade ou fraqueza ao ficar de pé.</p><p>• Sentir o coração batendo irregularmente, com uma sensação de vibração no pei-</p><p>to, seguida de zonzeira.</p><p>Nem sempre a causa do desmaio é clara. No entanto, o episódio pode ser</p><p>desencadeado por uma série de fatores, incluindo:</p><p>• Medo.</p><p>• Trauma emocional.</p><p>• Estresse.</p><p>• Dor severa.</p><p>• Uma queda súbita da pressão arterial.</p><p>• Baixo nível de açúcar no sangue devido ao diabetes ou longos períodos em je-</p><p>jum.</p><p>• Hiperventilação (respiração rápida e superficial).</p><p>• Desidratação.</p><p>• Ficar em pé por muito tempo.</p><p>• Levantar-se rápido demais de uma posição sentada ou deitada.</p><p>• Esforço físico em altas temperaturas.</p><p>• Tosse severa.</p><p>• Esforço excessivo durante a evacuação.</p><p>• Convulsões.</p><p>• Abuso de drogas ou álcool.</p><p>Alguns medicamentos que reduzem a pressão arterial também podem cau-</p><p>sar desmaios, principalmente se você passa muito tempo em pé ou faz esforço. Tais</p><p>remédios geralmente são usados para tratar a pressão alta, alergias, depressão e</p><p>ansiedade. Outro ponto que demanda atenção é que, se você tem a sensação de</p><p>desmaio ou sofre um desmaio quando vira a cabeça para o lado, pode ser que os</p><p>ossos do seu pescoço estejam comprimindo um vaso sanguíneo. Vale lembrar que</p><p>as mudanças hormonais no início da gravidez, por vezes, podem causar desmaios.</p><p>Em casos raros, um desmaio também pode ser sintoma de tumores cerebrais, prin-</p><p>cipalmente se acompanhado de outros sintomas neurológicos, como convulsões</p><p>(DOUGLAS, 2022).</p><p>94</p><p>Em episódios de síncope, devemos intervir da seguinte forma: impedir que</p><p>a vítima caia, para que não se machuque; deitá-la em decúbito dorsal, elevando os</p><p>membros inferiores cerca de 30 cm do chão, monitorar os sinais vitais, afastar os</p><p>curiosos, ventilar o ambiente e afrouxar as suas roupas, se necessário; não dar ta-</p><p>pas no rosto da vítima nem a fazer cheirar amônia ou álcool. Se ela não acordar em</p><p>alguns minutos, chamar socorro.</p><p>Deve-se ainda colocar a vítima em local arejado e proteger a cabeça e o</p><p>corpo de movimentos involuntários que lhe causem futuras lesões. É importante,</p><p>também, afastar objetos existentes ao redor da vítima, afrouxar as roupas e deixá-la</p><p>mais livre.</p><p>Caso a vítima ainda não tenha desmaiado, sente-a em uma cadeira, colo-</p><p>cando os braços entre as pernas, abaixando a cabeça. Faça pressão na nuca para</p><p>baixo enquanto ela força a cabeça para cima por alguns segundos, repetindo os</p><p>procedimentos cerca de três vezes. Quando a pessoa estiver prestes a desmaiar,</p><p>aja rapidamente para evitar uma queda. Não permitir aglomeração no local para não</p><p>prejudicar a vítima.</p><p>2.3 CRISE CONVULSIVA</p><p>A convulsão ocorre quando há uma atividade elétrica anormal do cérebro.</p><p>Essa atividade anormal pode passar despercebida ou, em casos mais graves, pode</p><p>produzir uma alteração ou perda de consciência acompanhada de espasmos mus-</p><p>culares involuntários, que são definidos como crise convulsiva ou convulsão.</p><p>As convulsões geralmente vêm de repente e variam em duração e gravida-</p><p>de. A convulsão pode ser um evento único ou acontecer repetidas vezes. A crise</p><p>convulsiva ou convulsão ocorre devido a um aumento excessivo e desordenado da</p><p>atividade elétrica das células cerebrais, nesse caso, os neurônios. Essa atividade</p><p>elétrica alterada é, em muitos casos, a causadora das alterações motoras de uma</p><p>crise convulsiva, muitas vezes caracterizada por movimentos desordenados, repe-</p><p>titivos e rápidos de todo o corpo. Além disso, a convulsão também pode ocasionar</p><p>perda temporária de consciência, aumento da salivação, ranger de dentes, perda do</p><p>controle do processo urinário e defecação.</p><p>Vale lembrar que as crises convulsivas nem sempre estão associadas com</p><p>a epilepsia, pois diversos fatores podem desencadeá-la, tais como: febre alta, di-</p><p>minuição do açúcar no sangue, desidratação, pancadas fortes na cabeça, perda</p><p>95</p><p>excessiva de sangue, tumores, intoxicações por álcool, medicamentos ou drogas</p><p>ilícitas, entre outros fatores (PAI, 2022).</p><p>Definimos a convulsão como um distúrbio que se caracteriza pela contratura</p><p>muscular involuntária de todo o corpo ou de parte dele, provocada pelo aumento</p><p>excessivo da atividade elétrica em determinadas áreas cerebrais. As convulsões</p><p>podem ser de dois tipos: parciais, ou focais, quando apenas uma parte do hemis-</p><p>fério cerebral é atingida por uma descarga de impulsos elétricos desorganizados;</p><p>ou generalizadas, quando os dois hemisférios cerebrais são afetados. Emoções in-</p><p>tensas, exercícios vigorosos, determinados ruídos, músicas, odores ou luzes fortes</p><p>podem funcionar como gatilhos das crises. Outras condições: febre alta, falta de</p><p>sono, menstruação e estresse também podem facilitar a instalação de convulsões,</p><p>mas não são consideradas gatilhos.</p><p>O tipo mais comum e conhecido de convulsões é a crise convulsiva gene-</p><p>ralizada, em que o indivíduo desmaia e começa a ter abalos generalizados, sem</p><p>nenhuma consciência, geralmente revirando os olhos e com hiperssalivação acom-</p><p>panhando o quadro. Esse tipo de crise, tecnicamente chamado de crise convulsiva</p><p>generalizada tônico-clônica, é o caso mais urgente e grave que pode acontecer no</p><p>manejo das convulsões, uma vez que deve ser prontamente atendido, para evitar</p><p>lesões cerebrais futuras.</p><p>Existem, entretanto, outros tipos de crises convulsivas, como</p><p>as crises de</p><p>ausência, em que o indivíduo apenas perde a consciência e fica com o olhar parado</p><p>por segundos, voltando ao normal em seguida; as crises parciais complexas, que</p><p>são mais heterogêneas e podem dar sintomas diferentes, como movimentos da</p><p>boca, virada da cabeça e mistura de vários movimentos estranhos, sempre com</p><p>alguma perda da consciência, mas sem desmaio completo, como ocorre nas crises</p><p>generalizadas; por fim, existem ainda as crises parciais simples, em que o indivíduo</p><p>acometido apresenta apenas sintomas focais sem nenhuma perda da consciência,</p><p>como estar num momento conversando e de repente ter um abalo involuntário no</p><p>braço e na perna, incontrolável, ritmado, sabendo descrever tudo o que aconteceu</p><p>depois disso (MIRANDA, 2018).</p><p>Em alguns casos, não é possível identificar a causa da convulsão. Nos ou-</p><p>tros, entre as causas prováveis, podemos destacar:</p><p>• febre alta em crianças com menos de cinco anos;</p><p>• doenças, como meningites, encefalites, tétano, tumores cerebrais, infecção pelo</p><p>HIV, epilepsia etc.;</p><p>96</p><p>• traumas cranianos;</p><p>• abstinência após uso prolongado de álcool e de outras drogas, ou efeito colateral</p><p>de alguns medicamentos;</p><p>• distúrbios metabólicos, como hipoglicemia, diabetes, insuficiência renal etc.;</p><p>• falta de oxigenação no cérebro.</p><p>Já a epilepsia ocorre principalmente em crianças, mas pode afetar todas as</p><p>idades. As causas mais frequentes no adulto são: traumatismo craniano, acidentes</p><p>vasculares cerebrais (AVC), tumores, malformações vasculares, doenças metabó-</p><p>licas, doenças infecciosas cerebrais ou doenças cardíacas. Na criança, as causas</p><p>mais comuns são fatores ou doenças genéticas, problemas de oxigenação cerebral</p><p>ocorridos durante a gestação ou parto, malformações cerebrais, infecções/menin-</p><p>gites e, por último, as tão conhecidas convulsões febris (decorrentes de febre alta</p><p>em crianças menores) (MIRANDA, 2018).</p><p>Quando as crises são recorrentes, caracterizam o diagnóstico de epilepsia. As</p><p>crises epilépticas podem afetar um ou os dois lados do cérebro. Os sintomas podem</p><p>durar de alguns segundos a muitos minutos por episódio. Algumas sensações ocor-</p><p>rem como sinais de alerta para uma convulsão que vai acontecer. Essas incluem:</p><p>• Sentimentos súbitos de medo ou ansiedade.</p><p>• Sentir-se mal do estômago.</p><p>• Tontura.</p><p>• Alterações na visão.</p><p>Esses sintomas podem ser seguidos de uma crise, em que a pessoa pode:</p><p>• Perder a consciência, seguida por confusão.</p><p>• Ter espasmos musculares incontroláveis.</p><p>• Babar ou espumar pela boca.</p><p>• Cair.</p><p>• Ficar com um gosto estranho na boca.</p><p>• Cerrar os dentes.</p><p>• Morder a língua, que pode até sangrar.</p><p>• Ter movimentos oculares rápidos e súbitos.</p><p>• Fazer ruídos estranhos, como grunhidos.</p><p>• Perder o controle da função da bexiga ou intestino.</p><p>• Mudar de humor repentinamente.</p><p>Não é incomum as pessoas se assustarem ao se depararem com alguém</p><p>tendo uma crise convulsiva e, em função disso, elas sentem-se temerosas em auxi-</p><p>liar. No entanto, para aquele que sofre a convulsão, a ajuda é de extrema importân-</p><p>97</p><p>cia, visto que, durante o processo convulsivo, o risco de lesões em decorrência da</p><p>perda brusca ou muito rápida da consciência pode ocasionar queda desprotegida</p><p>ao chão, causando ferimentos e até mesmo fraturas.</p><p>A crise convulsiva não é um processo contagioso ou transmissível, assim,</p><p>não há qualquer risco para aquele que auxilia um indivíduo nessa condição. É muito</p><p>simples auxiliar uma pessoa durante uma crise convulsiva, entretanto, é necessário</p><p>saber o que você deve ou não fazer durante esse momento.</p><p>O que fazer:</p><p>• Mantenha-se calmo e acalme as pessoas ao seu redor.</p><p>• Evite que a pessoa caia bruscamente no chão.</p><p>• Acomode o indivíduo em local sem objetos, pois ao se debater, ele pode se ma-</p><p>chucar.</p><p>• Utilize material macio para acomodar a cabeça do indivíduo, como um travessei-</p><p>ro, casaco dobrado ou outro material disponível que seja macio.</p><p>• Posicione o indivíduo de lado de forma que o excesso de saliva ou vômito (pode</p><p>ocorrer em alguns casos) escorra para fora da boca.</p><p>• Afrouxe um pouco as roupas para que a pessoa respire melhor.</p><p>• Permaneça ao lado da vítima até que ela recupere a consciência.</p><p>• Ao término da convulsão a pessoa poderá se sentir cansada e confusa, explique</p><p>o que ocorreu e ofereça auxílio para chamar um familiar. Observe a duração da</p><p>crise convulsiva, caso seja superior a cinco minutos sem sinais de melhora, peça</p><p>ajuda médica.</p><p>O que não deve ser feito durante a crise convulsiva:</p><p>• Não impeça os movimentos da vítima, apenas se certifique de que nada ao seu</p><p>redor irá machucá-la.</p><p>• Nunca coloque a mão dentro da boca da vítima, as contrações musculares du-</p><p>rante a crise convulsiva são muito fortes e, inconscientemente, a pessoa poderá</p><p>mordê-lo.</p><p>• Não jogue água no rosto da vítima.</p><p>3 HEMORRAGIAS E SANGRAMENTOS</p><p>A hemorragia é caracterizada por uma intensa perda de sangue por algum</p><p>orifício ou corte, para dentro ou para fora do corpo. Podemos ainda dizer que a he-</p><p>morragia é a resposta inicial do sistema cardiocirculatório de que este está perden-</p><p>do sangue. Nesse momento, ocorre a vasoconstrição cutânea, muscular e visceral,</p><p>98</p><p>para tentar manter o fluxo sanguíneo para os rins, coração e cérebro, órgãos mais</p><p>importantes para a manutenção da vida. Ocorre também um aumento da frequên-</p><p>cia cardíaca para tentar manter o débito cardíaco (MARCONNI, 2009).</p><p>A hemorragia pode ser classificada como:</p><p>Hemorragia interna: como o nome diz, interna, o que torna difícil de ser re-</p><p>conhecido. O sangue se acumula nas cavidades do corpo, tais como: estômago,</p><p>pulmões, bexiga, cavidades craniana, torácica, abdominal etc. Os sintomas que afe-</p><p>rem são: fraqueza, sede, frio e ansiedade ou indiferença. Os primeiros sinais a serem</p><p>observados são: alteração do nível de consciência ou inconsciência, agressividade</p><p>ou passividade, tremores e arrepios do corpo; pulso rápido e fraco; respiração rápida</p><p>e artificial; pele pálida, fria e úmida; sudorese; e pupilas dilatadas.</p><p>Hemorragia externa: as hemorragias externas são classificadas em: arterial,</p><p>venosa e capilar. Assim, temos:</p><p>• Hemorragia arterial: o sangue é vermelho-vivo, rico em oxigênio e a perda é pul-</p><p>sátil, obedecendo às contrações sistólicas do coração. Esse tipo de hemorragia é</p><p>particularmente grave pela rapidez com que a perda de sangue se processa.</p><p>• Hemorragia venosa: o sangue é vermelho-escuro, pobre em oxigênio e a perda é</p><p>de forma contínua e com pouca pressão. São menos graves que as hemorragias</p><p>arteriais, porém, a demora no tratamento pode ocasionar sérias complicações.</p><p>• Hemorragia capilar: são pequenas perdas de sangue, em vasos de pequeno ca-</p><p>libre que recobrem a superfície do corpo.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Você sabe como agir diante de uma hemorragia externa ou interna?</p><p>Se externa: pegue um pano esterilizado ou bem limpo e faça compressão no</p><p>local do sangramento com força. Antes, observe se não há objetos que im-</p><p>peçam a compressão e não movimente a pessoa. Se interna: nunca dê nada</p><p>para a pessoa beber e leve-a imediatamente para o hospital.</p><p>99</p><p>Nos casos de sangramento de braços e pernas: realizar o estancamento da</p><p>hemorragia, utilizando um dos métodos a seguir:</p><p>• Compressão direta: é realizada uma pressão direta sobre a ferida, usando um</p><p>pano esterilizado ou limpo. Manter até que ocorra a coagulação.</p><p>• Elevação do membro: a elevação do membro afetado acima do nível do tórax,</p><p>normalmente utilizado em combinação com a compressão direta para controlar</p><p>a hemorragia de uma extremidade (só utilizar essa técnica se não houver fraturas</p><p>ou lesão na coluna).</p><p>• Compressão indireta (pontos de pressão): é realizada utilizando uma pressão da</p><p>mão do socorrista para comprimir uma artéria, distante do ferimento.</p><p>Nos casos de sangramento do nariz:</p><p>• Posicionar a pessoa sentada e com a cabeça para frente, evitando náuseas e</p><p>vômitos.</p><p>• Deve-se pressionar as narinas com o seu dedo indicador e o polegar em forma de</p><p>pinça durante dez minutos.</p><p>• Orientar a vítima para respirar pela boca.</p><p>• Quando o sangramento cessar, orientar</p><p>a vítima para não assoar o nariz, evitar</p><p>esforços e evitar exposição ao calor.</p><p>• Remova a vítima imediatamente para o serviço de saúde (pronto-socorro ou</p><p>hospital).</p><p>Nos casos de sangramentos da boca:</p><p>• Realizar as técnicas de compressão direta para sangramentos nos lábios.</p><p>• Quando o sangramento ocorre nos dentes, o socorrista deverá analisar o local do</p><p>sangramento, preparar uma gaze, um chumaço de algodão ou pano limpo para</p><p>colocar no local exato do sangramento e pedir à vítima para morder durante dez</p><p>minutos.</p><p>100</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A vertigem é uma falsa sensação de movimento ou de rotação ou a impressão de</p><p>que os objetos se movem ou rodam. Geralmente, ela é acompanhada por náusea</p><p>e perda do equilíbrio.</p><p>• No momento em que ocorrer vertigem, devemos proceder da seguinte forma:</p><p>sentar a vítima e colocar sua cabeça entre as pernas com os braços caídos na</p><p>lateral do corpo.</p><p>• A síncope, popularmente conhecida como desmaio, é uma perda súbita e tran-</p><p>sitória da consciência. É um sinal de aporte inadequado do oxigênio e de outros</p><p>nutrientes ao cérebro.</p><p>• A hemorragia é caracterizada por uma intensa perda de sangue por algum orifí-</p><p>cio, ou corte, para dentro ou para fora do corpo.</p><p>• Quando há uma hemorragia externa, deve-se observar a coloração do sangue,</p><p>se a cor for vermelho-vivo, será um jato forte necessitando de uma compressa</p><p>feita imediatamente, pois há grande risco de morte por perda sanguínea.</p><p>101</p><p>1 A hemorragia é caracterizada por uma intensa perda de sangue por algum</p><p>orifício ou corte, para dentro ou para fora do corpo. Uma pessoa que apre-</p><p>sente hemorragia pode vir a óbito em poucos minutos, por isso é importante</p><p>ajudá-la quanto antes. Assinale a alternativa CORRETA sobre o que fazer se a</p><p>pessoa apresentar sangramento arterial:</p><p>a) Colocar o membro sangrando dentro da água fria.</p><p>b) Deixar o membro para baixo.</p><p>c) Elevar o membro sangrante.</p><p>d) Deixar a pessoa sentada.</p><p>2 A síncope, popularmente conhecida como desmaio, é uma perda súbita e</p><p>transitória da consciência. É um sinal de aporte inadequado do oxigênio e de</p><p>outros nutrientes ao cérebro. Assinale a alternativa CORRETA que traz o que</p><p>se deve fazer quando alguém desmaia:</p><p>a) Dar água para a pessoa.</p><p>b) Ventilar o local ao redor dela.</p><p>c) Jogar água na cabeça da pessoa.</p><p>d) Tentar colocá-la de pé.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>102</p><p>103</p><p>TÓPICO 2</p><p>CHOQUE ANAFILÁTICO,</p><p>ALERGIAS E</p><p>QUEIMADURAS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No Tópico 2 da Unidade 3, você aprenderá os conceitos relacionados ao sis-</p><p>tema imunológico, como o que são células de defesa, anticorpos e mediadores in-</p><p>flamatórios. Sabendo esses conceitos ficará mais fácil para você entender o que são</p><p>as alergias, suas consequências e os tratamentos de primeiros socorros.</p><p>2 CONCEITOS GERAIS SOBRE O SISTEMA</p><p>IMUNOLÓGICO</p><p>Células de defesa: o sistema imunológico constitui-se de certos tipos de</p><p>leucócitos, principalmente linfócitos, e por órgãos em que ocorrem a formação, o</p><p>amadurecimento e a multiplicação desses leucócitos. As células que fazem parte</p><p>do sistema imunitário são: neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos T, linfócitos B,</p><p>células NK, macrófagos, mastócitos e monócitos (MUNDO EDUCAÇÃO, 2022a).</p><p>Anticorpos: são moléculas que atuam na defesa do organismo e são pro-</p><p>duzidos pelos plasmócitos, células formadas a partir da diferenciação dos linfócitos</p><p>B. Essas moléculas são bastante específicas, ou seja, cada anticorpo atua apenas</p><p>contra determinado antígeno (molécula que se liga a um anticorpo). Além disso, eles</p><p>apresentam diferentes formas de agir contra um antígeno, como a neutralização e</p><p>a opsonização. Podemos diferenciar cinco classes de anticorpos: IgM, IgG, IgA, IgD</p><p>e IgE (MUNDO EDUCAÇÃO, 2022b).</p><p>104</p><p>FIGURA 1 – OS TIPOS DE ANTICORPOS QUE TEMOS EM NOSSO ORGANISMO</p><p>FONTE: <https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/anticorpos.htm>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>Histamina: um dos principais envolvimentos da histamina é sua secreção</p><p>por células imunes após o contato com antígenos, o que muitas vezes é relacio-</p><p>nado com reações alérgicas. Quando anticorpos do tipo IgE são ativados por seus</p><p>respectivos ligantes (antígenos geralmente alérgenos), ganham a capacidade de se</p><p>ligar em mastócitos e, estas células, que reservam grandes quantidades de histami-</p><p>na em seu interior, são lisadas e liberam esta histamina. Essa liberação, no local ou</p><p>na corrente sanguínea, permite que as funções biológicas da histamina aconteçam.</p><p>Quando a degradação da histamina não acontece de maneira correta, ou caso o</p><p>estímulo alérgeno esteja presente, ativando constantemente os mastócitos a li-</p><p>berarem a histamina, esse processo é chamado de resposta alérgica (LIMA, 2022).</p><p>3 CHOQUE ANAFILÁTICO</p><p>O choque anafilático, ou também conhecido como anafilaxia, é uma reação</p><p>alérgica grave que acontece poucos segundos ou minutos após estar em contato</p><p>com um alergênico, ocasionando sintomas, como dificuldade para respirar, inchaço</p><p>da boca ou chiado ao respirar, por exemplo. Esse tipo de choque é uma resposta</p><p>grave do organismo da pessoa e pode gerar risco à vida. Portanto, chamar de ime-</p><p>diato o socorro é primordial para a sobrevivência da vítima, além de manter a calma</p><p>e deitá-la de lado caso desmaie.</p><p>105</p><p>O choque anafilático pode acontecer quando se ingere um alimento a que se</p><p>é alérgico, como amendoim ou camarão, por exemplo, mas também pode acontecer</p><p>devido ao contato com outras substâncias alérgicas, como a picada de uma abelha</p><p>ou contato com látex.</p><p>3.1 CAUSAS DE ANAFILAXIA</p><p>As causas da anafilaxia são variadas, podendo ser desde alimentos, produ-</p><p>tos químicos até picadas de insetos ou outros animais.</p><p>• Comidas: os derivados de leite, ovos, peixes e frutos do mar, soja, amêndoas e</p><p>amendoim são os mais habituais.</p><p>• Picadas de insetos.</p><p>• Antibióticos: derivados da penicilina são os mais habituais.</p><p>• Anti-inflamatórios: a pessoa alérgica a essa tipologia costuma ter alergia a todos</p><p>os derivados de anti-inflamatórios, inclusive aspirina e dipirona (metamizol), que</p><p>não são propriamente do mesmo grupo.</p><p>• Anti-hipertensivos: inibidores da ECA (ex.: captopril e enalapril).</p><p>• Látex (produto da borracha).</p><p>• Iodo: incluindo contrastes para exames radiológicos e antissépticos para a pele.</p><p>Existe ainda a anafilaxia idiopática, que acontece sem causa definida. Evi-</p><p>dentemente que, para se ter anafilaxia devido a alguma dessas substâncias, a pes-</p><p>soa precisa ser alérgica a elas.</p><p>3.2 SINTOMAS DO CHOQUE ANAFILÁTICO</p><p>Os primeiros sintomas do choque anafilático são:</p><p>• Aumento dos batimentos cardíacos.</p><p>• Dificuldade para respirar e presença de tosse e chiado no peito.</p><p>• Dor no estômago.</p><p>• Náuseas e vômitos.</p><p>• Inchaço nos lábios, na língua ou na garganta.</p><p>• Pele pálida e suor frio.</p><p>• Coceira no corpo.</p><p>• Tontura e desmaio.</p><p>106</p><p>• Parada cardíaca (REIS, 2022).</p><p>Esses sintomas podem surgir segundos ou horas após o contato com a subs-</p><p>tância que causa a reação alérgica, que normalmente é um medicamento, o veneno</p><p>de animais, como abelhas e marimbondos, alimentos, como camarão e amendoim,</p><p>e luvas, camisinha ou outros objetos feitos de látex (REIS, 2022).</p><p>FIGURA 2 – SINAIS E SINTOMAS DE CHOQUE ANAFILÁTICO</p><p>FONTE: <https://www.tuasaude.com/primeiros-socorros-para-choque-anafilatico/>. Acesso em: 27</p><p>abr. 2022.</p><p>3.3 TRATAMENTO DO CHOQUE ANAFILÁTICO</p><p>A pessoa que apresenta os sintomas de anafilaxia deve ser instantaneamen-</p><p>te levada para um hospital. Quadros novos de angioedema ou urticárias também</p><p>devem ser analisados por um médico, pois não há como prever se eles evoluirão</p><p>para o choque anafilático ou não, pois o aumento costuma ser rápido.</p><p>O processo de tratamento se dá através de aplicação de adrenalina, corticoi-</p><p>des, broncodilatadores e anti-histamínicos. Uma pessoa exposta a alguma reação</p><p>anafilática deve ser consultada por um médico alergologista. Geralmente, as pes-</p><p>soas que apresentam alguma alergia carregam consigo a identificação da doença</p><p>para o caso de o paciente estar inconsciente e não poder informar</p><p>sua história no</p><p>momento do atendimento médico.</p><p>107</p><p>O choque anafilático é uma reação alérgica excessiva que pode levar ao fe-</p><p>chamento da garganta, impedindo o indivíduo de respirar sozinho. Ele caracteriza-</p><p>-se pela intensa dificuldade em respirar, pele pálida e fria e pulso rápido. Os primei-</p><p>ros socorros em caso de choque anafilático são:</p><p>• Ligar para a emergência.</p><p>• Observar se a vítima consegue respirar normalmente.</p><p>• No momento de espera do atendimento de urgência, constatar o que causou a</p><p>reação alérgica.</p><p>Caso tenha sido uma picada de inseto ou cobra, deve-se retirar o ferrão do</p><p>animal da pele e aplicar gelo no local, amarrar com força um tecido limpo alguns cen-</p><p>tímetros acima da mordedura do animal, para diminuir a disseminação do veneno.</p><p>Alguns pacientes alérgicos costumam ter de praxe uma medicação antialér-</p><p>gica (Epinefrina) no bolso ou na carteira, pergunte a ele ou consulte em sua docu-</p><p>mentação e, se for o caso, dê a medicação o mais rápido possível.</p><p>FIGURA 3 – AUTOAPLICAÇÃO DE EPINEFRINA EM CASOS DE CHOQUE ANAFILÁTICO</p><p>FONTE: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/documentos_cientificos/Alergia-GuiaPra-</p><p>tico-Anafilaxia-Final.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>4 ALERGIAS</p><p>Alergia ou reação de hipersensibilidade é uma resposta imunológica exage-</p><p>rada do organismo, que se desenvolve após a exposição a um determinado antíge-</p><p>no (substância estranha ao nosso organismo) e que ocorre em indivíduos suscetí-</p><p>veis e previamente sensibilizados.</p><p>108</p><p>No processo alérgico, acredita-se que ocorra uma combinação de uma</p><p>substância exógena com algumas proteínas presentes no organismo, causando fa-</p><p>lhas bioquímicas ou enzimáticas. O cérebro humano reage interpretando que essa</p><p>substância é um invasor perigoso e produz histamina, visando neutralizar a ação</p><p>da “agressora”. Os efeitos da histamina variam de pessoa para pessoa, porém, em</p><p>todos os casos, ocorre uma redução da imunidade do indivíduo e o aumento da</p><p>sua propensão a doenças. Em casos mais extremos de sensibilização, o organismo</p><p>reage muito rapidamente, visando impedir a entrada do “agressor”, causando o fe-</p><p>chamento das vias respiratórias e morte por sufocação.</p><p>4.1 CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE</p><p>HIPERSENSIBILIDADE</p><p>Segundo Ghaffar (2001), as reações de hipersensibilidade podem ser classi-</p><p>ficadas como:</p><p>Tipo I: a hipersensibilidade tipo I é também conhecida como imediata ou hi-</p><p>persensibilidade anafilática. A reação pode envolver pele (urticária e eczema), olhos</p><p>(conjuntivite), nasofaringe (rinorreia e rinite), tecidos broncopulmonares (asma) e trato</p><p>gastrointestinal (gastroenterite). A reação pode causar uma variedade de sintomas,</p><p>desde inconveniências mínimas até a morte. A reação normalmente leva de 15 a 30</p><p>minutos para o período de exposição ao antígeno, embora às vezes possa ter início</p><p>mais demorado (10 a 12 horas). A hipersensibilidade imediata é mediada por IgE. O</p><p>componente primário celular nessa hipersensibilidade é o mastócido ou basófilo. A</p><p>reação é amplificada e/ou modificada pelas plaquetas, neutrófilos e eosinófilos.</p><p>Tipo II: a hipersensibilidade tipo II também é conhecida como hipersensi-</p><p>bilidade citotóxica e pode afetar uma variedade de órgãos e tecidos. Os antígenos</p><p>são normalmente endógenos, embora agentes químicos exógenos (haptenos) que</p><p>podem se ligar a membranas celulares podem também levar à hipersensibilidade</p><p>tipo II. Anemia hemolítica induzida por drogas, granulocitopenia e trombocitopenia</p><p>são exemplos. O tempo de reação é de minutos a horas. A hipersensibilidade tipo II</p><p>é primariamente mediada por anticorpos das classes IgM ou IgG e complemento. O</p><p>tratamento envolve agentes anti-inflamatórios e imunossupressores.</p><p>Tipo III: a hipersensibilidade tipo III é também conhecida como hipersensi-</p><p>bilidade imune complexa. A reação pode ser geral (ex. doença do soro) ou envolve</p><p>órgãos individuais, incluindo pele (ex. lupus eritematoso sistêmico e reação de Ar-</p><p>thus), rins (ex. nefrite do lupus), pulmões (ex. aspergilose), vasos sanguíneos (ex.</p><p>109</p><p>poliarterite), juntas (ex. artrite reumatoide) ou outros órgãos. Essa reação pode ser o</p><p>mecanismo patogênico de doenças causadas por muitos microrganismos. A reação</p><p>deve levar de 3 a 10 horas após exposição ao antígeno. É mediada por complexos</p><p>imunes solúveis. São na maioria de classe IgG, embora a classe IgM possa estar</p><p>também envolvida.</p><p>Tipo IV: a hipersensibilidade tipo IV é também denominada hipersensibili-</p><p>dade tardia. Dentro desse tipo de hipersensibilidade encontram-se as reações de</p><p>dermatite de contato. Esse tipo de reação costuma ser desencadeado após a ex-</p><p>posição típica aos alérgenos. As dermatites de contato podem ser do tipo irritativa</p><p>ou alérgica. A dermatite de contato irritativa resulta de efeito tóxico local, originado</p><p>por algum componente químico da formulação com ação irritante, tratando-se de</p><p>uma reação cutânea inflamatória localizada. Os indivíduos acometidos podem apre-</p><p>sentar eritema, descamação, vesiculação e edema. Em exposições crônicas, podem</p><p>ocorrer também hiperqueratose e fissuras. Já a dermatite de contato alérgica, por</p><p>sua vez, envolve o estímulo do sistema imunológico e o desencadeamento de res-</p><p>posta imunológica celular proeminente, o que leva a ser classificada como reação</p><p>de hipersensibilidade do tipo IV (tardia). As substâncias capazes de causar dermati-</p><p>te de contato alérgica compõem um grupo bastante heterogêneo, dentre as quais,</p><p>frequentemente, são encontradas reações contra o sulfato de níquel, sulfato de</p><p>neomicina, bálsamo-do-Peru (Myroxylon pereirae), mix de fragrâncias, timerosal,</p><p>quartérnio 15, formaldeído, bacitracina e cloreto de cobalto.</p><p>FIGURA 4 – TIPOS DE HIPERSENSIBILIDADE</p><p>FONTE: <https://www.sanarmed.com/disturbios-de-hipersensibilidade>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>110</p><p>4.2 COMO PROCEDER EM CASO DE REAÇÕES</p><p>ALÉRGICAS</p><p>O indivíduo que apresentar reações de hipersensibilidade a remédios, cos-</p><p>méticos, ou outras substâncias, seja do tipo I ou IV, deve passar pelo atendimento</p><p>médico para uma avaliação clínica adequada e pesquisar quais substâncias podem</p><p>estar envolvidas no desencadeamento das reações, além de receber tratamento</p><p>farmacológico, se necessário. Com a correta identificação dos componentes de-</p><p>sencadeantes das alergias, o paciente deve ser adequadamente orientado em re-</p><p>lação ao nome químico da substância, sinônimos e produtos em que ocorre sua</p><p>presença e principais formas de evitar a exposição. Outra orientação importante</p><p>é alertar o paciente para a leitura das bulas e rótulos de novos produtos, a fim de</p><p>verificar a possível presença das substâncias contra as quais o paciente é alérgico</p><p>(BRITTON, 2003).</p><p>5 QUEIMADURAS E LESÕES OCULARES</p><p>As queimaduras são lesões decorrentes de agentes (tais como as energias</p><p>térmica, química ou elétrica) que são capazes de produzir calor excessivo, levando</p><p>dano aos tecidos corporais e podendo acarretar morte celular e até a morte da pes-</p><p>soa. Os agravos podem ser classificados como:</p><p>• queimaduras de primeiro grau;</p><p>• queimaduras de segundo grau; ou</p><p>• queimaduras de terceiro grau.</p><p>Essa classificação é feita tendo-se em vista a profundidade do local atingido.</p><p>O cálculo da extensão do agravo é classificado de acordo com a idade da pessoa</p><p>queimada. É possível, de forma simples, calcular o grau utilizando a conhecida regra</p><p>dos nove, que leva em conta a extensão atingida da chamada superfície corporal</p><p>queimada (SCQ).</p><p>O processo de reparação tecidual do queimado dependerá de vários fatores,</p><p>entre eles a extensão local e a profundidade da lesão. A queimadura também afeta</p><p>o sistema imunológico da vítima, o que acarreta repercussões sistêmicas importan-</p><p>tes, com consequências sobre o quadro clínico geral do paciente.</p><p>As queimaduras são classificadas segundo:</p><p>111</p><p>• O agente causal.</p><p>• A profundidade.</p><p>• A extensão (área corpórea atingida).</p><p>Conforme o agente causador, a queimadura pode ser:</p><p>• Térmica (causada por calor, líquidos quentes, objetos aquecidos e vapor).</p><p>• Química (causada por ácidos e bases).</p><p>• Elétrica</p><p>(quando causada por raios e correntes elétricas).</p><p>• Radiação (quando causada por radiação nuclear).</p><p>Quanto à profundidade da queimadura (número de camadas de pele):</p><p>• 1º grau: acomete a camada mais superficial da pele, a epiderme, e se manifesta</p><p>como uma lesão vermelha, quente e dolorosa. A queimadura solar é um exemplo.</p><p>• 2º grau: superficial, gera bolhas e muita dor; profunda é menos dolorosa, a base da</p><p>bolha é branca e seca. Pode gerar repercussões sistêmicas e causar cicatrizes.</p><p>• 3º grau: agride todas as camadas da pele, podendo chegar até os ossos e gerar</p><p>sérias deformidades.</p><p>5.1 PRIMEIROS SOCORROS EM QUEIMADURAS</p><p>De forma prática, conheça os primeiros socorros que você poderá realizar</p><p>quando uma pessoa apresentar queimaduras:</p><p>• Elimine, no mesmo instante, o efeito do calor (utilize água fria, não use água gelada).</p><p>• Se a queimadura for por corrente elétrica, não toque na vítima até que se desli-</p><p>gue a energia. Tome cuidado redobrado com os fios soltos e água no chão.</p><p>• Analise se há parada respiratória, em caso afirmativo, proceda com a respiração</p><p>de socorro.</p><p>• Faça a avaliação primária da vítima. Identifique qual o tipo, o grau e a extensão da</p><p>queimadura.</p><p>• Retire pulseiras, joias, relógios e roupas que não estejam fixas e/ou agarradas na</p><p>pele da vítima.</p><p>• Caso a queimadura seja de 1º grau, tirar a pessoa do sol, utilize substâncias re-</p><p>frescantes, como produtos para aliviar a dor, e faça a administração por via oral</p><p>de líquidos.</p><p>• Caso a queimadura seja de 2º ou de 3º grau, lembre-se de proteger a área quei-</p><p>mada com gazes molhadas em soro fisiológico ou água limpa.</p><p>112</p><p>• Transporte no mesmo instante a vítima para o hospital.</p><p>• Mantenha o curativo umedecido, usando recipientes de soro ou água limpa até</p><p>levar a vítima ao hospital.</p><p>a) Jamais dê água a pacientes com mais de 20% do corpo queimado.</p><p>b) Jamais coloque gelo sobre a queimadura. c) Jamais dê qualquer medica-</p><p>mento intramuscular, subcutâneo ou pela boca sem consultar um médico,</p><p>exceto em caso de emergência cardíaca. d) Jamais jogue água em queima-</p><p>duras provocadas por pó químico. e) Deve-se arrumar o transporte imediato</p><p>do acidentado. f) Além da percentagem da área corporal atingida, a gravidade</p><p>das queimaduras é maior nos menores de 5 anos e maiores de 60.</p><p>IMPORTANTE</p><p>5.2 TRATAMENTO</p><p>O tratamento dependerá do tipo de queimadura. Veja:</p><p>• Queimadura de 1º grau: realize compressas frias nas primeiras horas após o aci-</p><p>dente; não colocar nenhum tipo de produto sobre a queimadura; tomar analgé-</p><p>sico, se necessário, e use filtro solar regularmente.</p><p>• Queimadura de 2º grau superficial: as bolhas podem ser drenadas, mas jamais</p><p>devem ser estouradas. O procedimento deve ser realizado preferencialmente</p><p>por um médico. Curativos utilizando sulfadiazina de prata ou nitrato de cério e</p><p>limpeza com água corrente e clorexidina devem ser feitos. Após a cicatrização,</p><p>deve-se usar filtro solar para evitar o surgimento de manchas.</p><p>• Queimadura de 2º grau profunda e 3º grau: há a necessidade de internação hos-</p><p>pitalar, pois ocorrem manifestações sistêmicas, como desequilíbrio acentuado</p><p>dos níveis de sódio, potássio e/ou cálcio, e desidratação; necessidade de retirada</p><p>de tecidos necrosados, partículas estranhas na ferida; e até realizar enxertia.</p><p>6 LESÕES OCULARES</p><p>Ocasionalmente, no trabalho ou mesmo num momento de lazer, pode acon-</p><p>tecer um acidente ocular, como queimadura por produtos químicos, trauma ou per-</p><p>furações ou ainda a entrada de um corpo estranho. Diante disso, os olhos devem</p><p>113</p><p>receber cuidados especiais até o momento do atendimento médico. É significativo</p><p>destacar que muitas lesões graves, com potencial para deixar sequelas permanentes</p><p>na visão, podem, primeiramente, não apresentar dor ou diminuição de visão. Dessa</p><p>forma, sempre que um traumatismo ocular acontecer, a melhor maneira de prevenir o</p><p>comprometimento dos olhos é procurar atendimento oftalmológico para a realização</p><p>de exames adequados e um pronto estabelecimento de tratamento específico.</p><p>6.1 PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES OCULARES</p><p>• Traumas por fragmentos: o primeiro passo é tranquilizar a pessoa e estabilizar</p><p>o olho atingido. Não se deve tentar retirar os fragmentos ou realizar qualquer tipo</p><p>de tratamento, pois se corre o risco de agravar o quadro. As medidas específicas</p><p>devem ser realizadas por equipe médica treinada para tal atendimento.</p><p>• Produtos químicos: o ponto mais relevante em acidentes que envolvem contato</p><p>com produtos químicos é tentar reduzir o tempo de exposição do olho ao produto,</p><p>através da lavagem com água, continuamente, por pelo menos 15 minutos. Caso</p><p>a pessoa seja um utilizador de lentes de contato, estas devem ser removidas ime-</p><p>diatamente, para facilitar a lavagem e aumentar sua eficácia. Após, é necessário</p><p>procurar um oftalmologista para avaliar as lesões e indicar o tratamento adequado.</p><p>• Corpo estranho: caso o trauma envolva a existência de corpo estranho (poeira,</p><p>areia, cílios etc.) na superfície ocular, deve-se impedir de a vítima esfregar os</p><p>olhos. Se o corpo estranho se movimentar, é preciso piscar os olhos para esti-</p><p>mular o lacrimejamento e, assim, deslocá-lo até a sua saída; nesses casos, lave</p><p>as mãos com água e sabão.</p><p>114</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• O choque anafilático, também conhecido como anafilaxia, é uma reação alérgica</p><p>grave que surge poucos segundos ou minutos após estar em contato com um</p><p>alergênio, provocando sintomas, como dificuldade para respirar, inchaço da boca</p><p>ou chiado ao respirar, por exemplo.</p><p>• O paciente com sintomas de anafilaxia deve ser imediatamente levado para um</p><p>hospital.</p><p>• O choque anafilático é uma reação alérgica exagerada que pode levar ao fecha-</p><p>mento da garganta, impedindo o indivíduo de respirar sozinho.</p><p>• Os primeiros socorros, em caso de choque anafilático, são: ligar para a emergên-</p><p>cia; observar se a vítima consegue respirar normalmente; constatar o que cau-</p><p>sou a reação alérgica; se for picada de inseto ou cobra, deve-se retirar o ferrão</p><p>do animal da pele e aplicar gelo no local; verificar se a pessoa possui medicação</p><p>antialérgica (Epinefrina) no bolso ou na carteira.</p><p>• Alergia ou reação de hipersensibilidade é uma resposta imunológica exagerada</p><p>do organismo, que se desenvolve após a exposição a um determinado antígeno</p><p>(substância estranha ao nosso organismo) e que ocorre em indivíduos suscetí-</p><p>veis e previamente sensibilizados.</p><p>• As reações de hipersensibilidade são classificadas em quatro tipos (I, II, III e IV),</p><p>de acordo com os mecanismos imunológicos envolvidos.</p><p>• As queimaduras são lesões decorrentes de agentes (tais como as energias tér-</p><p>mica, química ou elétrica).</p><p>115</p><p>1 Como foi visto, as alergias podem ser classificadas em hipersensibilidade do</p><p>tipo I, II, III e IV. Se uma pessoa é alérgica a um medicamento, por exemplo,</p><p>dipirona, qual é provavelmente o tipo de hipersensibilidade que ela apresenta?</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) Tipo I ou IV.</p><p>b) Tipo II.</p><p>c) Tipo III.</p><p>d) Tipo II e III.</p><p>2 O choque anafilático, ou também conhecido como anafilaxia, é uma rea-</p><p>ção alérgica grave que acontece poucos segundos ou minutos após estar</p><p>em contato com um alergênico, ocasionando sintomas, como dificuldade para</p><p>respirar, inchaço da boca ou chiado ao respirar, por exemplo. Qual é a subs-</p><p>tância que é liberada pelas células e causa os sintomas anafiláticos? Assinale</p><p>a alternativa CORRETA:</p><p>a) Anticorpo.</p><p>b) Neutrófilo.</p><p>c) Histamina.</p><p>d) Cortisol.</p><p>3 O sistema imunológico é essencial para a nossa vida, porém, muitas vezes,</p><p>ele reage de forma exagerada e causa as alergias e as anafilaxias em nosso</p><p>corpo. Assinale a alternativa CORRETA que traz as células que secretam a</p><p>histamina.</p><p>a) Neutrófilos.</p><p>b) Basófilos.</p><p>c) Anticorpos.</p><p>d) Hemácias.</p><p>4 As lesões oculares podem ser leves até graves e se não forem tratadas</p><p>prontamente podem levar a pessoa a ficar cega. Descreva como seria o aten-</p><p>dimento emergencial para alguém que chegou na farmácia com uma lesão</p><p>química ocular:</p><p>R.:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>116</p><p>5 As queimaduras são lesões decorrentes de agentes (tais como as energias</p><p>térmica, química ou elétrica) que são capazes de produzir calor excessivo,</p><p>levando dano aos tecidos corporais e podendo acarretar morte celular e até a</p><p>morte da pessoa. Como são classificadas as queimaduras?</p><p>R.:</p><p>117</p><p>TÓPICO 3</p><p>INTOXICAÇÃO</p><p>EXÓGENA E</p><p>HIPOTERMIA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno, no Tópico 3, você verá assuntos relacionados à intoxicação exó-</p><p>gena, incluindo a intoxicação por remédios, produtos químicos, drogas etc. Assim,</p><p>você conseguirá reconhecer em alguns casos esses tipos de emergências.</p><p>Seguiremos os estudos de emergências estudando o que é a hipotermia e o</p><p>que fazer nestes casos de emergências.</p><p>Muitas vezes, nas emergências, não temos a preparação correta para aten-</p><p>der à vítima, mas podemos ter conhecimento se podemos ajudá-la ou não. Muitas</p><p>vezes, ter um breve conhecimento sobre o assunto pode ajudar a salvar a vida de</p><p>uma pessoa.</p><p>2 INTOXICAÇÃO EXÓGENA</p><p>Intoxicação é a manifestação, através de sinais e sintomas, dos efeitos</p><p>nocivos produzidos em um organismo vivo como resultado da sua inte-</p><p>ração com alguma substância química (exógena). É o efeito nocivo que</p><p>se produz quando uma substância tóxica é ingerida ou entra em contato</p><p>com a pele, os olhos ou as mucosas. As intoxicações compõem um pro-</p><p>blema de saúde pública em todo o mundo. Também existem diferenças</p><p>geográficas, sociais, econômicas e culturais que determinam perfis dife-</p><p>rentes entre os países. Entre os mais de 12 milhões de produtos químicos</p><p>conhecidos, menos de 3.000 causam a maioria das intoxicações aciden-</p><p>tais ou premeditadas (ZAMBOLIM et al., 2008, p. 6).</p><p>Apesar disso, praticamente qualquer substância consumida em grande</p><p>quantidade pode ser tóxica. As fontes comuns de venenos incluem drogas, produ-</p><p>tos domésticos, produtos agrícolas, plantas, produtos químicos industriais e subs-</p><p>118</p><p>tâncias alimentícias. O reconhecimento do produto tóxico e a avaliação exata do</p><p>perigo envolvido são fundamentais para um tratamento efetivo (SCHVARTSMAN;</p><p>SCHVARTSMAN, 1999).</p><p>São exemplos de substâncias intoxicantes ambientais: ar, água, alimentos,</p><p>plantas, animais peçonhentos ou venenosos. Dentre os principais representantes</p><p>de substâncias isoladas estão os pesticidas, os medicamentos e os produtos quí-</p><p>micos industriais ou de uso domiciliar.</p><p>Vamos conhecer alguns tipos de intoxicação e suas manifestações clínicas</p><p>para que possamos tomar as medidas necessárias para prevenir e remediar.</p><p>2.1 INTOXICAÇÃO POR MEDICAMENTOS</p><p>Medicamento é o principal agente tóxico que causa intoxicação em seres</p><p>humanos no Brasil, ocupando o primeiro lugar nas estatísticas do SINITOX desde</p><p>1994; os benzodiazepínicos, os antigripais, os antidepressivos e os anti-inflamató-</p><p>rios são as classes de medicamentos que mais causam intoxicações em nosso país</p><p>(44% foram classificadas como tentativas de suicídio e 40% como acidentes, sendo</p><p>que as crianças menores de cinco anos – 33% – e adultos de 20 a 29 anos – 19% –</p><p>constituíram as faixas etárias mais acometidas pelas intoxicações por medicamen-</p><p>tos) (BORTOLETTO; BOCHNER, 1999).</p><p>Veremos, a seguir, quais são os medicamentos que mais causam intoxica-</p><p>ção, os sintomas e os tratamentos de cada um deles.</p><p>2.1.1 Ansiolíticos e tranquilizantes</p><p>Benzodiazepínicos</p><p>Grupo de medicamentos que apresentam propriedades farmacológicas (an-</p><p>siolíticas, sedativo-hipnóticas e/ou anticonvulsivantes) e efeitos tóxicos que pare-</p><p>cem ser consequentes de sua ação direta sobre o Sistema Nervoso Central. Ape-</p><p>sar de existirem diferenças significativas de farmacocinética entre seus numerosos</p><p>compostos, não parece haver superioridade de um sobre outro quando se toma por</p><p>base apenas a farmacocinética (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Em geral, os benzodiazepínicos (BZD) são rápida e completamente absorvi-</p><p>dos por via oral. No entanto, alguns, como clordiazepóxido e oxazepam, levam horas</p><p>119</p><p>para atingir concentrações sanguíneas máximas. A ligação proteica plasmática é</p><p>variável e praticamente todos são metabolizados no fígado por oxidação e/ou con-</p><p>jugação, com formação de metabólitos, muitos dos quais ativos. A excreção é renal</p><p>(GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>É possível classificar esses medicamentos em grupos, de acordo com sua</p><p>meia-vida de eliminação: ação muito curta – Midazolam (Dormonid); ação curta –</p><p>Alprazolam (Frontal), Lorazepam (Lorax, Mesmerim), Oxazepam (Clozapina; e ação</p><p>longa – Clordiazepóxido (Psicosedin, Limbitrol, Relaxil), Diazepam (Calmociteno,</p><p>Diazepan, Dienpax, Kiatrium, Valium) e Flurazepam (Dalmadorm, Lunipax) (GOVER-</p><p>NO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Estudos sugerem que os benzodiazepínicos interagem em um receptor es-</p><p>pecífico com um modulador proteico endógeno que antagoniza a ligação com o</p><p>GABA, potencializando os seus efeitos. Certos benzodiazepínicos estão associados</p><p>com dependência e alguns produzem reações de abstinência mais intensas que</p><p>outros (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: a absorção de dose excessiva está usual-</p><p>mente associada com sedação, sonolência, fala arrastada, diplopia, disartria, ataxia</p><p>e confusão mental. Podem ocorrer depressão respiratória e hipotensão arterial. Na</p><p>maioria dos casos, a evolução é benigna, mas existem relatos de intensa depressão</p><p>respiratória e coma e inclusive de óbitos após o uso de benzodiazepínicos de ação</p><p>muito curta, especialmente quando administrados por via intravenosa. Crianças,</p><p>idosos e pacientes com insuficiência cardiorrespiratória são mais sensíveis e o ál-</p><p>cool e os barbitúricos podem potencializar os efeitos tóxicos (GOVERNO DO ESTADO</p><p>DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: é essencial assistência respiratória, manter vias aéreas, oxi-</p><p>gênio, se necessário. Monitorar respiração, pressão arterial e sinais vitais. Ingesta:</p><p>para BZD de ação muito curta, nunca induzir vômitos; início de depressão e coma</p><p>podem ser rápidos. Para BZD de ação longa, induzir vômitos somente em poucos</p><p>minutos da ingestão. Paciente consciente, dar por via oral carvão ativado e catár-</p><p>ticos. Paciente inconsciente e/ou superdosagem: lavagem gástrica com intubação</p><p>prévia para prevenir aspiração. Administrar antídoto Flumazenil – reverte sedação</p><p>dos BZD, há melhora parcial dos efeitos respiratórios. Hipotensão: administrar flui-</p><p>dos endovenosos, manter equilíbrio hidroeletrolítico e vasopressores, se necessário.</p><p>Medidas sintomáticas e de manutenção (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Fenotiazínicos</p><p>Os derivados da fenotiazina, a princípio utilizados em terapêutica como</p><p>antissépticos urinários e anti-helmínticos, representam um dos mais importantes</p><p>120</p><p>grupos de medicamentos, empregados nas mais variadas afecções neurológicas e</p><p>exercem uma ação farmacológica bastante extensa, incluindo efeitos sedativos e</p><p>potencialização dos efeitos de sedativos, narcóticos e anestésicos. Ação antiemé-</p><p>tica; efeitos sobre a regulação da temperatura corporal; efeitos bloqueadores co-</p><p>linérgicos e adrenérgicos (tipo alfa); efeitos anti-histamínicos e antisserotonínicos;</p><p>efeitos antipruriginosos; efeitos analgésicos, entre outros. Essas propriedades são</p><p>as responsáveis pelas chamadas reações colaterais, que se tornam mais acentua-</p><p>das nos casos de intoxicação (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Em virtude de sua alta eficácia terapêutica, seu consumo é muito grande</p><p>e generalizado, com tendência a aumentar continuamente e, como decorrência, o</p><p>número de intoxicações. Os derivados da fenotiazina podem ser divididos em três</p><p>grupos: derivados piperazínicos: flufenazina (Anatensol, Motival), trifluoperazina</p><p>(Stelazine, Stelapar), perfenazina (Mutabon). Derivados alifáticos: clorpromazina</p><p>(Amplictil), promazina (Metilsedor), levomepromazina (Neozine). Derivados piperidí-</p><p>nicos: tioridazina (Melleril) (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Esses grupos diferem em potência por mg e propensão em causar efeitos</p><p>colaterais específicos. Em geral, quanto mais potente o fenotiazínico, maior a pro-</p><p>pensão em determinar</p><p>reações extrapiramidais, e quanto menor a potência, maior a</p><p>propensão em determinar efeitos secundários tipo autonômicos, sedação ou con-</p><p>vulsões. São geralmente bem absorvidos pelo tubo gastrointestinal e parenteral-</p><p>mente. Após a absorção, são rapidamente distribuídos pelos tecidos; 70% da dose</p><p>administrada é logo removida da circulação pelo fígado (GOVERNO DO ESTADO DO</p><p>PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: risco cardiovascular e de depressão do SNC.</p><p>A síndrome neuroléptica maligna é potencialmente fatal e pode ocorrer com doses</p><p>terapêuticas e após poucos dias de uso. Sedação, miose, hiper ou hipotensão, ta-</p><p>quicardia, retenção urinária, xerostomia e ausência de sudorese. Sintomas extra-</p><p>piramidais. Convulsão, coma, falência respiratória, prolongamento do intervalo QT,</p><p>arritmias e distúrbios da temperatura (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: esvaziamento gástrico por lavagem gástrica se superdosa-</p><p>gem até 12 horas após ingesta (fenotiazinas reduzem a motilidade gástrica). In-</p><p>dução do vômito se ingesta recente (minutos) em paciente alerta e assintomático,</p><p>evitar se após algumas horas (convulsões ou reações distônicas de cabeça e pes-</p><p>coço podem resultar em aspiração). Carvão ativado a cada 2 ou 3 horas e catártico</p><p>salino. Monitorização respiratória e cardiovascular. Se hipotensão/choque – Tren-</p><p>delemburg, Ringer Lactato EV, vasopressores de escolha (agonistas alfa-adrenér-</p><p>121</p><p>gicos): noradrenalina, fenilefrina, metoxamina, em infusão contínua EV. Não utilizar</p><p>beta-adrenérgicos. Arritmias ventriculares: fenitoína, 10 a 15 mg/Kg, lentamente, ou</p><p>lidocaína 1 mg/Kg EV ou marcapasso. Convulsões: diazepan seguido de fenitoína.</p><p>Sintomas extrapiramidais: difenidramina EV (2 mg/Kg até o máximo de 50 mg/dose</p><p>em administração lenta) ou mesilato de benzotropina (0,5 mg/Kg em crianças, 2 mg</p><p>em adultos), biperideno 2 mg IM ou EV lento a cada 30 minutos, se necessário, até</p><p>4 doses por dia. Síndrome neuroléptica maligna: resfriamento corporal, diazepan</p><p>EV, dantrolene. Pacientes sintomáticos devem ficar internados no mínimo 24 horas</p><p>após o ECG normal; assintomáticos devem ser observados no mínimo por 4 horas</p><p>(GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Butirofenonas e Tioxantenos</p><p>Neurolépticos de largo uso em psiquiatria. Grupo das Butirofenonas: dro-</p><p>peridol (Droperidol), haloperidol (Haldol, Haloperidol), penfluridol (Semap), pimozide</p><p>(Orap). Exercem forte antagonismo dopaminérgico central e têm pouca ação anti-</p><p>colinérgica. Grupo dos Tioxantenos: tioxeno (Navane). De um modo geral, são bem</p><p>absorvidos por via oral, mas sofrem metabolização de primeira passagem. Apre-</p><p>sentam significativa ligação proteica plasmática. A metabolização é hepática e a</p><p>eliminação é urinária (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: SNC: rigidez e espasmos musculares,</p><p>pseudoparkinsonismo, distonias, acatisias, discinesia tardia persistente, agitação</p><p>ou depressão, cefaleia, confusão, vertigem, síndrome neuroléptica maligna. SCV:</p><p>hipotensão ortostática, prolongamento do intervalo QT, taquicardia. Hipertermia</p><p>(GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: em geral, é semelhante ao realizado nas demais intoxicações</p><p>agudas por neurolépticos e descrito com maiores detalhes na intoxicação por feno-</p><p>tiazínicos (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>2.1.2 Antidepressivos tricíclicos</p><p>Antidepressivos tricíclicos (ADT) têm potente efeito sedativo. Uso amplo em</p><p>depressão melancólica e em alguns casos de depressão atípica. São exemplos de</p><p>ADT: amitriptilina (Tryptanol, Limbitrol), amineptina (Survector), imipramina (Tofra-</p><p>nil), nortriptilina (Motival). São rapidamente absorvidos por via oral, com elevada</p><p>união a proteínas plasmáticas. Metabolismo hepático, eliminação renal em vários</p><p>dias (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>122</p><p>Efeitos adversos: tontura, prejuízo na função cognitiva, fraqueza, fadiga,</p><p>precipitação de psicose ou mania, tremores, apetite aumentado, ganho de peso,</p><p>sudorese, cafaleia, boca seca, constipação, retenção urinária, visão borrada, exa-</p><p>cerbação de glaucoma (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: letargia, coma e/ou convulsões acompa-</p><p>nhados por prolongamento do intervalo QRS ao ECG. Excitação seguido de coma,</p><p>com depressão respiratória, hiporreflexia, hipotermia e hipotensão. Marcantes efei-</p><p>tos anticolinérgicos (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: lavagem gástrica, seguida de carvão ativado em uso repetido</p><p>e catártico salino. Não induzir êmese pelo risco de convulsões. Tratamento sintomá-</p><p>tico e suportivo. Alcalinização, anticonvulsivantes (Fenitoína). Observação mínima</p><p>de 6 horas em todos os pacientes (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>2.1.3 Anticonvulsivantes</p><p>Barbitúricos</p><p>Depressores não seletivos do SNC, deprimem córtex sensorial, reduzem ati-</p><p>vidade motora, alteram função cerebelar. Ação, principalmente quando associada,</p><p>com capacidade de potenciar ação inibitória sináptica mediada pelo GABA (GOVER-</p><p>NO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Barbitúricos não possuem efeito analgésico. Induzem desde excitabilidade,</p><p>sedação leve, incoordenação motora até coma profundo. Em dose terapêutica alta,</p><p>ocorre anestesia. Uso continuado pode causar tolerância e dependência. Dividi-</p><p>dos em três grupos, de acordo com o aparecimento e duração dos efeitos: duração</p><p>curta: Pentobarbital, Secobarbital; duração intermediária: Amobarbital, Butabarbi-</p><p>tal; duração longa: Fenobarbital, Mefobarbital, Prominal (GOVERNO DO ESTADO DO</p><p>PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: depressão do SNC e cardiovascular e coma.</p><p>SNC: sonolência, letargia, confusão, delírio, dificuldade de fala, diminuição ou per-</p><p>da dos reflexos, ataxia, nistagmo, hipotermia, depressão respiratória. SCV: hipoten-</p><p>são, taquicardia e choque. Gastrointestinal: diminuição do tônus e motilidade, pode</p><p>compactar comprimidos. Óbito por insuficiência cardiorrespiratória ou secundária à</p><p>depressão de centros medulares vitais (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>123</p><p>Tratamento: nos casos graves, é complexo. Assistência respiratória, man-</p><p>ter vias aéreas. Monitorização respiratória e cardiovascular. Corrigir hipovolemia. In-</p><p>gesta/esvaziamento gástrico: êmese só em poucos minutos após ingesta. Lavagem</p><p>gástrica com intubação (previne aspiração) até 24 horas ou mais, lavado pode ser</p><p>feito com sonda mais larga ou por endoscopia para remover conteúdo. Carvão ati-</p><p>vado seriado, catártico salino. Manter equilíbrio hidroeletrolítico, pode ser necessário</p><p>o uso de vasopressores. Alcalinização urinária. Avaliar função renal, eletrólitos, ga-</p><p>sometria, pH urinário. Paciente com insuficiência renal é necessária a hemodiálise.</p><p>Medidas sintomáticas e de manutenção (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Carbamazepina</p><p>Anticonvulsivantes com discretos efeitos sedativos, utilizados no tratamen-</p><p>to de neuralgia do trigêmeo. Absorção lenta e errática por via oral, há diminuição da</p><p>motilidade intestinal decorrente das propriedades anticolinérgicas do medicamen-</p><p>to. Metabolizada no fígado, excretada pela urina e pequena excreção fecal. A utiliza-</p><p>ção prolongada do medicamento pode ocasionar reações colaterais e secundárias</p><p>variadas: diplopia, distúrbios visuais, sonolência, parestesias, distúrbios de equilí-</p><p>brio, leucopenia, neutropenia, erupções cutâneas, entre outros. São exemplos de</p><p>nomes comerciais: Tegretol, Tegretard (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: distúrbios neurológicos por depressão do</p><p>SNC: ataxia, nistagmo, oftalmoplegia, midríase e taquicardia sinusal. Casos graves</p><p>podem evoluir com mioclonias, convulsões, coma e parada respiratória (GOVERNO</p><p>DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: nos casos de ingestão, recomenda-se esvaziamento gástrico,</p><p>que deve ser realizado mesmo tendo decorridas muitas horas. É preferível lavagem</p><p>gástrica em serviço bem-equipado, em virtude de possível e inesperado apareci-</p><p>mento de depressão neurológica. Administração seriada de carvão ativado a cada 4</p><p>horas. Tratar convulsões com diazepam,</p><p>manter via aérea permeável, ventilação as-</p><p>sistida, se necessário, tratar arritmias. Tratamento da hipotensão arterial com cor-</p><p>reção do volume e drogas vasopressoras (dopamina, norepinefrina). Filtro de carvão</p><p>ativado pode ser útil nos casos graves que não responderem ao tratamento de su-</p><p>porte. Não há antídoto específico. Diurese forçada, diálise peritonial e hemodiálise</p><p>não são eficazes. Pacientes assintomáticos devem ser observados por no mínimo</p><p>6 horas após ingesta. Pacientes graves devem ser observados em UTI até 24 horas</p><p>após terem se mantido estáveis (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>124</p><p>Fenitoínas</p><p>Fenitoína ou difenilidantoína é um medicamento usado há longo tempo</p><p>como anticonvulsivante e, mais recentemente, por via parenteral, no tratamento</p><p>de distúrbios do ritmo cardíaco. A absorção por via oral é lenta e errática e quando</p><p>ingerida em grandes doses pode ser mais demorada. Metabolização hepática e ex-</p><p>creção renal. Exemplos de nomes comerciais: Epelin, Fenitoína, Dialudon, Hidantal</p><p>(GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Clínica da intoxicação aguda: nistagmo que, inicialmente, é horizontal</p><p>e, a seguir, vertical; sonolência de intensidade progressiva, ataxia, diplopia, disar-</p><p>tria, tremores, distúrbios do comportamento, confusão mental, náuseas, vômitos</p><p>e hirsutismo. Coma profundo não é comum. São consideradas reações de hiper-</p><p>sensibilidade: eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, febre, doença do</p><p>soro, discrasias sanguíneas e insuficiência renal. Descrevem-se também reações</p><p>paradoxais, com aumento das convulsões sem outros sinais de intoxicação aguda</p><p>(GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Toxicidade cardíaca frequente após infusão intravenosa rápida ou ingestão</p><p>de doses muito grandes: arritmias e bradicardia sinusal, fibrilação atrial, bloqueio in-</p><p>completo de ramo direito e hipotensão arterial. Casos mais graves: fibrilação ventri-</p><p>cular e assistolias, evoluindo para óbito (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: ingestão: esvaziamento gástrico mesmo decorridas várias ho-</p><p>ras. Paciente torporoso: lavagem gástrica em serviço bem-equipado. Administrar</p><p>carvão ativado. Medidas dialisadoras não encontram justificativa. Possível eficácia</p><p>da plasmaferese. O tratamento é essencialmente sintomático e de suporte, incluin-</p><p>do correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e assistência respiratória e cardiocircu-</p><p>latória (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Ácido valproico</p><p>Ácido valproico e Valproato de sódio são medicamentos sintéticos não rela-</p><p>cionados quimicamente à maioria dos anticonvulsivantes. Exemplos de nomes co-</p><p>merciais: Depakene, Valpakine, Valprin (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Absorção por via oral é rápida, observando-se níveis máximos sanguíneos 1</p><p>a 4 horas após a ingestão. Ligação proteica significativa. Metabolização hepática e</p><p>excreção renal (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>125</p><p>Clínica da intoxicação aguda: distúrbios neurológicos, incluindo confusão</p><p>mental, sonolência, torpor e coma. Hiperatividade, movimentos mioclônicos e con-</p><p>vulsões. A evolução fatal, embora excepcional, pode ocorrer por depressão respira-</p><p>tória e parada cardíaca (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: ingestão: esvaziamento gástrico e administração de carvão</p><p>ativado. Tratamento sintomático e de suporte. Não há indicação para medidas dia-</p><p>lisadoras. Possíveis bons resultados da Naloxona, mas indicação é discutível (GO-</p><p>VERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Intoxicação crônica: descreve-se uma associação entre o uso crônico de</p><p>ácido valproico com o desenvolvimento de hepatotoxicidade e Síndrome de Reye. Os</p><p>distúrbios hepáticos são evidenciados por uma simples elevação dos níveis de tran-</p><p>saminases sem sintomatologia, até um quadro característico de Síndrome de Reye,</p><p>com necrose hepática centrolobular, hiperamoniemia e encefalopatia. Descrita tam-</p><p>bém hepatite tóxica fulminante e irreversível, sem sintomatologia da Síndrome de</p><p>Reye. Admite-se que crianças com menos de 2 anos, especialmente as submetidas à</p><p>terapêutica anticonvulsivante múltipla, incluindo ácido valproico, apresentam maio-</p><p>res riscos de desenvolver lesão hepática. O tratamento, além da interrupção da droga,</p><p>é sintomático e de suporte (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>2.1.4 Descongestionantes</p><p>Descongestionantes nasais</p><p>Os descongestionantes nasais tópicos que apresentam riscos de intoxica-</p><p>ção agudam são geralmente constituídos por um simpatomimético em apresen-</p><p>tação isolada ou associada com anti-histamínicos e antibióticos. Utilizados como</p><p>vasoconstritores para reduzir edema e congestão de mucosas nasal e ocular. O uso</p><p>deve ser controlado em hipertensos, diabéticos e pacientes com hipertireoidismo.</p><p>Uso crônico causa congestão de rebote em mucosas (GOVERNO DO ESTADO DO</p><p>PARANÁ, 2022).</p><p>Os simpatomiméticos mais comuns são: oximetazolina (Afrin); fenoxazoli-</p><p>na (Aturgyl); nafazolina, tirotricina (Efedran, Nasoinstil); cloreto de sódio, benzal-</p><p>cônio (Rinosoro, Sorinan, Nasoflux, Sorine); nafazolina, difenidramina, neomicina</p><p>(Penetran, Alergotox Nasal, Suspirin); entre outros (GOVERNO DO ESTADO DO PA-</p><p>RANÁ, 2022).</p><p>126</p><p>Clínica da intoxicação aguda: a intoxicação aguda pode ocorrer por in-</p><p>gestão ou pela aplicação nasal de doses excessivas. Intoxicação por nafazolina, que</p><p>é a mais frequente: náuseas, vômitos, cefaleia, rubor de pele, sudorese, irritabilida-</p><p>de, inquietude, aumento da pressão arterial, distúrbios cardíacos, como extrassís-</p><p>toles e outras arritmias, podem aparecer. Casos graves: depressão do SNC, hipoter-</p><p>mia, bradicardia, dilatação pupilar, sonolência e coma; distúrbios respiratórios com</p><p>respiração irregular ou bradipneia com períodos de apneia. Descritos, em lactentes</p><p>pequenos, quadros aparentemente de hipersensibilidade, em que, após a aplicação</p><p>tópica de doses normais do medicamento, observam-se, durante algumas horas,</p><p>sonolência, letargia e respiração lenta (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: sintomático e de suporte. Esvaziamento gástrico/lavagem gás-</p><p>trica não é útil devido à rápida absorção do medicamento. A apresentação disponível</p><p>é líquida. Carvão ativado em ingesta precoce (discutível). Não provocar êmese pelo</p><p>risco de depressão do SNC. Monitorização dos sinais vitais. Suporte ventilatório e he-</p><p>modinâmico. Pode ser usada Naloxona. Casos graves: UTI para controle dos distúr-</p><p>bios cardiovasculares e respiratórios (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>2.1.5 Descongestionantes sistêmicos</p><p>São também chamados de antigripais, são produtos de largo uso popular</p><p>para tratamento de resfriados, gripes e infecções de vias aéreas superiores. Apesar</p><p>de composição variada, a maioria inclui, na fórmula, simpatomiméticos e anti-his-</p><p>tamínicos (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>São alguns exemplos de descongestionantes sistêmicos e seus principais</p><p>componentes: triprolidina, pseudoefedrina (Actifedrin); pirilamina, cloridrato de efe-</p><p>drina (Benegrip); clorfeniramina, Vitamina C (Benegrip Xarope Infantil); metoxifena-</p><p>mina (Cheracap); cinarizina, fenilefrina, pentoxiverina (Coldrin); dexclorfeniramina,</p><p>cloridrato de fenilefrina (Coristina D); carbinoxamina (Gripenil); maleato de dimetin-</p><p>deno, trivietilrutina, Vit C, paracetamol, cloridrato de fenilefrina (Trimedal); (Bialerge);</p><p>(Descon); (Naldecon) (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Intoxicação frequente, principalmente em crianças, por largo uso e falsa im-</p><p>pressão de inocuidade. Apesar da dosagem relativamente baixa dos componentes,</p><p>podem ocorrer intoxicações graves. Relatados casos de abuso para a obtenção de</p><p>efeitos psíquicos e sensoriais. Absorção irregular pelo trato gastrointestinal, metabo-</p><p>lismo hepático e intestinal, excreção renal (GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>127</p><p>Clínica da intoxicação aguda: quadro tóxico depende da composição re-</p><p>lativa dos simpatomiméticos e anti-histamínicos. Os distúrbios produzidos por do-</p><p>ses excessivas dos principais componentes são os seguintes: sonolência, cefaleia,</p><p>tonturas, vômitos, taquicardia ou bradicardia, palpitação,</p><p>de que estamos cercados de riscos para a nossa</p><p>saúde. Basta uma pequena ação, como ingerir um lanche ou fazer pequenos cortes,</p><p>para que esses riscos possam causar graves doenças.</p><p>Quantas pessoas têm o costume de ir à farmácia, seja pública ou privada,</p><p>sem a preocupação de como é feita a limpeza daquele local e a desinfecção dos</p><p>materiais que os profissionais manipulam?</p><p>Quantas pessoas passam por ali em um dia? Muitas pessoas doentes costu-</p><p>mam ir em farmácias para adquirirem medicamentos. Já pensou sobre isso? Trata-</p><p>remos essas questões nesta unidade.</p><p>Neste primeiro tópico, você verá assuntos relacionados à base em biossegu-</p><p>rança. Em seguida, observará quais as suas origens até os processos que envolvem</p><p>o estudo e a aplicação no seu dia a dia profissional e pessoal. Por fim, terá acesso à</p><p>regulamentação de Biossegurança, bem como suas diretrizes.</p><p>2 PRINCÍPIOS E CONCEITOS EM BIOSSEGURANÇA</p><p>Nos dias atuais, com o aumento do número de locais que oferecem servi-</p><p>ços de saúde, da grande rotatividade de clientes e pacientes nestes espaços, fa-</p><p>z-se necessário prevenir situações de risco, pois profissionais e clientes estão em</p><p>constante exposição a riscos biológicos, como durante os atendimentos de venda</p><p>e distribuição de medicamentos. Veremos, a seguir, quais são os conceitos funda-</p><p>mentais em biossegurança.</p><p>TÓPICO 1</p><p>INTRODUÇÃO À</p><p>BIOSSEGURANÇA</p><p>4</p><p>2.1 DEFINIÇÃO DE BIOSSEGURANÇA</p><p>Biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimiza-</p><p>ção ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino,</p><p>desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, riscos que podem compro-</p><p>meter a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos tra-</p><p>balhos desenvolvidos (LESSA, 2014).</p><p>Para Costa e Costa (2002), biossegurança é uma ação educativa que, atra-</p><p>vés da agregação de conhecimentos técnicos, propicia a segurança da saúde do</p><p>homem e do meio ambiente em âmbito geral através de um sistema de ensino-</p><p>-aprendizagem. Em resumo, biossegurança são providências e normas adotadas</p><p>para a minimização de doenças ou riscos.</p><p>Você sabe o que é um risco? Um risco pode ser entendido como qual-</p><p>quer evento, desconhecido ou incerto, que possa impedir o sucesso de uma</p><p>ação. Geralmente, um risco é classificado pela probabilidade de que ele ocorra e</p><p>pelo impacto que pode causar no resultado esperado, caso ocorra. Você conse-</p><p>gue pensar em riscos que passa a cada dia, seja em casa ou no trabalho?</p><p>INTERESSANTE</p><p>A biossegurança corrobora a importância de se trabalhar de forma segura e,</p><p>para isso, faz-se necessário incorporar, no dia a dia, conhecimentos, hábitos, com-</p><p>portamentos e sentimentos, a fim de que se possam desenvolver as atividades de</p><p>modo seguro. Para que esse objetivo seja plenamente atingido, outras áreas profis-</p><p>sionais devem entrar em ação, pois segundo Silveira e Brito (2010), a Biossegurança</p><p>anda junto com a Engenharia de Segurança, a Medicina do Trabalho, a saúde do</p><p>trabalhador, a higiene industrial, pessoal e ambiental e com a infecção hospitalar.</p><p>A Biossegurança é utilizada também em ambientes, como indústrias, hospi-</p><p>tais, laboratórios, universidades, entre outros, no sentido de prevenir riscos/perigos</p><p>gerados por agentes químicos (substâncias tóxicas), físicos (radiação ou tempera-</p><p>tura), ergonômicos (posturais, excesso de peso), biológicos (agentes infecciosos) e</p><p>psicológicos (como o estresse). Locais, como academias de ginástica, clínicas de</p><p>estética, salões de beleza, lanchonetes, consultórios odontológicos e diversos ou-</p><p>tros ambientes presentes em nosso cotidiano, também têm aderido à biosseguran-</p><p>ça em suas atividades.</p><p>5</p><p>O significado etimológico da palavra Biossegurança se dá pela união do</p><p>prefixo bio – vida, e da palavra segurança e tem como propósito proteger a saúde</p><p>dos trabalhadores, evitando que eles contraiam doenças de pacientes, no local de</p><p>trabalho, ou de materiais biológicos provenientes deles (HIRATA; MANCINI FILHO,</p><p>2002). Entretanto, é ampla a visão da biossegurança, sendo ela um conjunto de</p><p>normas e procedimentos estipulados através de Normas Regulamentadoras (NR)</p><p>e legislações orientadas pela ANVISA, pelo Ministério da Saúde e do Trabalho, pela</p><p>Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outras instituições. Além disso, a biosse-</p><p>gurança não é voltada somente para os riscos biológicos, mas também, de acordo</p><p>com a Organização Mundial da Saúde, ela enfatiza sobre os riscos químicos, físicos,</p><p>ergonômicos e de acidentes (OMS, 1993).</p><p>Você já parou para analisar hábitos comuns no dia a dia, como onde você</p><p>põe as mãos? E se leva as mãos aos olhos ou boca logo em seguida? Já reparou que</p><p>conversar com pessoas muito de perto pode ser uma forma de transmissão de do-</p><p>enças pela saliva? Todas essas ações envolvem riscos que podem ser considerados</p><p>perigosos para a saúde da população.</p><p>Esses momentos de reflexão são importantes, pois nos permitem analisar</p><p>situações rotineiras que, na maioria das vezes, passam despercebidas, mas que</p><p>podem causar grandes transtornos. Com o grande número de doenças é neces-</p><p>sário pensar na importância do uso das técnicas de biossegurança e inseri-las nas</p><p>rotinas diárias.</p><p>As farmácias são consideradas estabelecimentos de saúde e podem repre-</p><p>sentar um risco de transmissão de doenças para as pessoas que ali estão se boas</p><p>práticas não forem adotadas. Conhecer possibilidades e riscos de transmissão de</p><p>doenças, noções de higiene, de processos, desinfecção de utensílios e de instru-</p><p>mentos e o cuidado no uso de determinados produtos são fundamentais na pres-</p><p>tação desse tipo de serviço.</p><p>ATENÇÃO</p><p>A NR-32 é a Norma Regulamentadora que tem por finalidade estabe-</p><p>lecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à</p><p>segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como da-</p><p>queles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral.</p><p>Qualquer dúvida em relação a procedimentos legais sobre a implementação</p><p>de medidas de segurança em estabelecimentos de saúde pode ser consulta-</p><p>da na íntegra neste documento: https://bit.ly/3MtQjpH.</p><p>6</p><p>2.2 A FARMÁCIA COMO AMBIENTE DE SAÚDE</p><p>De acordo com o Artigo 3º da Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014, a farmá-</p><p>cia é definida como:</p><p>Art. 3° - A Farmácia é uma unidade de prestação de serviços destina-</p><p>da a prestar assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação</p><p>sanitária individual e coletiva, na qual se processe a manipulação e/ou</p><p>dispensação de medicamentos magistrais, oficinais, farmacopeicos ou in-</p><p>dustrializados, cosméticos, insumos farmacêuticos, produtos farmacêu-</p><p>ticos e correlatos.</p><p>Atualmente, a farmácia e a drogaria são entendidas como postos de aten-</p><p>dimento primário à saúde, recurso mais acessível à população. Não são meramente</p><p>estabelecimentos comerciais de medicamentos, tendo hoje uma gama de produtos</p><p>e serviços completamente voltados para o bem-estar da população. Assim, a far-</p><p>mácia é considerada um estabelecimento de saúde e, portanto, segue as várias le-</p><p>gislações pertinentes, que ditam como deve ser o andamento das rotinas de forma</p><p>a cumprir-se a lei.</p><p>Conforme a RDC nº 44/2009, as farmácias com manipulação e as drogarias</p><p>ou farmácias sem manipulação devem ser localizadas, projetadas, dimensionadas,</p><p>construídas ou adaptadas com infraestrutura compatível com as atividades a serem</p><p>desenvolvidas, possuindo, no mínimo, ambientes para atividades administrativas, rece-</p><p>bimento e armazenamento dos produtos, dispensação de medicamentos, sanitários e</p><p>depósito de material de limpeza. Além disso, deve ser definido um local específico para</p><p>a guarda dos pertences dos funcionários no ambiente destinado às atividades adminis-</p><p>trativas. A segurança no ambiente de trabalho também deve ser levada em considera-</p><p>ção durante a elaboração do projeto de área física e leiaute da farmácia.</p><p>Alguns cuidados devem ser observados na construção:</p><p>• Áreas internas e externas devem permanecer em boas condições físicas e estru-</p><p>turais, a fim de permitir a higiene e a não oferecer</p><p>bloqueio A-V, hiperten-</p><p>são arterial, tremores, distúrbios neuropsíquicos, incluindo inquietude, irritabilidade,</p><p>agressividade, confusão mental, convulsões, alucinações e até quadros paranoides</p><p>(GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>Tratamento: nos casos de ingestão, recomenda-se esvaziamento gástrico,</p><p>mesmo decorridas várias horas, pois a maioria dos descongestionantes sistêmicos</p><p>contêm anti-histamínicos e, devido ao seu efeito anticolinérgico, podem retardar a</p><p>absorção. Administrar carvão ativado e catárticos salinos. Manter vias aéreas per-</p><p>meáveis. Tratar hipertensão e arritmias, monitorar sinais vitais e realizar ECG por 4</p><p>a 6 horas após a intoxicação. O tratamento é sintomático e suportivo. Bradicardia</p><p>pode ser tratada com atropina. Ectopias ventriculares são melhores tratadas com</p><p>propranolol, devendo-se evitar quinidina e antiarrítmicos da mesma classe (GOVER-</p><p>NO DO ESTADO DO PARANÁ, 2022).</p><p>FIGURA 5 – A DIFERENÇA ENTRE O REMÉDIO E O VENENO É A DOSE (PARACELSO, SÉCULO XVII)</p><p>FONTE: <https://m.facebook.com/farmaloucos/photos/boa-tarde/2778180309098407/>. Acesso</p><p>em: 27 abr. 2022.</p><p>128</p><p>2.2 TÓXICOS INALADOS</p><p>Intoxicação por monóxido de carbono: o monóxido de carbono exerce</p><p>seu efeito tóxico ao se agregar com a hemoglobina circulante, diminuindo a capa-</p><p>cidade de transporte de oxigênio do sangue. A hemoglobina ligada ao monóxido de</p><p>carbono, chamada de carboxiemoglobina, não transporta oxigênio.</p><p>Manifestações clínicas: uma pessoa que é acometida por intoxicação de</p><p>monóxido de carbono parece intoxicada (devido à hipóxia cerebral). Entre os si-</p><p>nais e sintomas, podem-se citar: cefaleia, fraqueza muscular, palpitação e confusão</p><p>mental, que podem evoluir rapidamente para o coma. A cor da pele pode mudar de</p><p>rósea vermelho-cereja à cianótica e pálida, constitui um sinal confiável. A exposição</p><p>ao monóxido de carbono exige tratamento imediato.</p><p>Tratamento: os objetivos do tratamento são reverter a hipóxia cerebral e</p><p>miocárdica e acelerar a eliminação do monóxido de carbono:</p><p>• Deslocar imediatamente o paciente para o ar fresco.</p><p>• Abrir todas as janelas e portas.</p><p>• Afrouxar todas as roupas apertadas.</p><p>• Iniciar a reanimação cardiopulmonar.</p><p>• Administrar oxigênio.</p><p>• Evitar o calafrio; enrolar o paciente em cobertores.</p><p>• Manter o paciente mais quieto possível.</p><p>• Não administrar álcool.</p><p>2.3 INTOXICAÇÃO ALIMENTAR</p><p>Intoxicação alimentar, ou gastrointestinal (gastroenterocolite aguda), é um</p><p>problema de saúde causado pela ingestão de água ou alimentos contaminados por</p><p>bactérias (Salmonella, Shigella, E. coli, Staphilococus, Clostridium), vírus (Rotavírus),</p><p>ou por suas respectivas toxinas, ou ainda por fungos ou por componentes tóxicos</p><p>encontrados em certos vegetais (comigo-ninguém-pode, mandioca-brava) e pro-</p><p>dutos químicos. A contaminação pode ocorrer durante a manipulação, o preparo, a</p><p>conservação e/ou o armazenamento dos alimentos. Nas crianças e idosos, a intoxi-</p><p>cação alimentar pode ser uma doença grave.</p><p>Muitas pessoas tentam descobrir o que as fez passar mal revendo o que</p><p>ingeriram naquele dia ou no dia anterior. No entanto, ao consultar um médico por</p><p>129</p><p>suspeita de intoxicação alimentar, é importante lembrar mais do que o cardápio de</p><p>apenas um dia antes: os primeiros sintomas provocados por algumas bactérias po-</p><p>dem aparecer só três dias depois da ingestão do alimento contaminado.</p><p>Independentemente do microrganismo determinante, os efeitos da intoxi-</p><p>cação alimentar aguda são todos parecidos: náuseas, vômitos, diarreia, febre, dor</p><p>abdominal, cólicas e mal-estar. Nos quadros mais graves, podem ocorrer desidrata-</p><p>ção, perda de peso e queda da pressão arterial.</p><p>Nos casos específicos de alimentos contaminados pelo Clostridium, quan-</p><p>do a intoxicação é causada por uma das variedades da bactéria responsável pela</p><p>doença chamada botulismo, além dos distúrbios gastrointestinais que nem sempre</p><p>aparecem, os sintomas podem ser indicativos de alterações neurológicas, como</p><p>visão dupla e dificuldade para focalizar objetos, falar e engolir.</p><p>Tratamento: a solução para o tratamento é definir a fonte e o tipo de in-</p><p>toxicação alimentar. Alimento, conteúdo gástrico, vômitos, soro e fezes são cole-</p><p>tados para exames. São monitorizados com afinco os sinais vitais, sensórios, PVC</p><p>e atividade muscular do paciente, quando indicados. São instituídas medidas para</p><p>sustentar o sistema respiratório. A morte por paralisia respiratória pode ocorrer com</p><p>o botulismo, intoxicação por peixes e outras intoxicações alimentares.</p><p>Tratamento da intoxicação alimentar: paciente com intoxicação alimentar</p><p>deve fazer repouso e ingerir muito líquido. Nos casos de perda maior de líquidos e</p><p>risco de desidratação, devem ser indicados medicamentos para controlar as náu-</p><p>seas e os vômitos, assim como administrar a reposição de líquidos e sais por via</p><p>endovenosa. O tratamento das infecções alimentares bacterianas inclui o uso de</p><p>antibióticos específicos (BRUNA, 2022).</p><p>2.4 INTOXICAÇÃO POR DROGAS</p><p>Nesta situação, é importante avaliar três variáveis:</p><p>• O usuário: a personalidade psicológica, fisiologia, motivação para o uso da droga,</p><p>expectativa quanto ao efeito, medo etc.</p><p>• O cenário: se o local é seguro ou ameaçador, estranho ou familiar, acolhedor ou</p><p>apertado, tranquilo ou agitado, quente ou frio, barulhento ou quieto, o que está</p><p>ocorrendo em volta, hora do dia etc.</p><p>130</p><p>• A droga: qual tipo de droga foi ingerida, quantidade, quantas vezes foi usada,</p><p>como foi administrada (fumada, aspirada, ingerida, injetada), se já era usada an-</p><p>tes, durante quanto tempo, grau de pureza da droga, se misturou algo com a</p><p>droga etc.</p><p>Apenas quando a somatória desses três fatores for negativa, a pessoa ne-</p><p>cessitará de ajuda. O socorrista, quando for atender, pode ser de grande ajuda:</p><p>• Sendo tranquilizador, não ameaçador.</p><p>• Colocando a pessoa em lugar calmo, seguro e não barulhento.</p><p>• Mantendo a temperatura agradável.</p><p>• Interferindo de forma valiosa na modificação do hábito de usar drogas.</p><p>• Explicando para o usuário os efeitos ocorridos.</p><p>• Explicando os efeitos da droga.</p><p>3 HIPOTERMIA</p><p>A hipotermia acontece quando a temperatura normal do corpo, que é de</p><p>37 ºC, desce para menos de 35 ºC; é comumente causada pela longa permanência</p><p>num ambiente frio. A hipotermia é muitas vezes provocada pela exposição prolon-</p><p>gada à chuva, ao vento, à neve ou à imersão em água fria.</p><p>Durante uma exposição por longo período ao frio, o mecanismo de defesa do</p><p>organismo tenta evitar a continuação da perda de calor. A pessoa começa a tremer</p><p>para tentar manter os órgãos principais a uma temperatura normal. O fluxo sanguí-</p><p>neo para a pele é restringido e são libertadas hormonas para a produção de calor. Se</p><p>o corpo já não tiver energia, a hipotermia pode ser fatal. Os idosos e os doentes, que</p><p>não conseguem se movimentar com facilidade, estão particularmente mais vulne-</p><p>ráveis à hipotermia.</p><p>3.1 CLASSIFICAÇÃO</p><p>Hipotermia aguda: é definida pela perda de temperatura corporal, de forma</p><p>brusca e rápida, que ocorre à exposição intensa ao frio. Essa queda corporal de</p><p>forma agressiva é causada pela incapacidade do organismo de suprir e manter a</p><p>energia interna, devido ao fato de ter sido esfriado também. É muito comum em</p><p>casos de exposição à neve, tempestades etc.</p><p>131</p><p>• Hipotermia subaguda: é definida pela perda de temperatura corporal, gradual-</p><p>mente, em períodos mais longos, até o desgaste total das reservas do organismo</p><p>para suprir o calor interno.</p><p>• Hipotermia crônica: a mais comum em centros urbanos, principalmente em es-</p><p>tações, como o inverno, em que o índice de resfriados e enfermidades acontece</p><p>com maior frequência. A hipotermia crônica é causada por consequências de</p><p>alguma patologia.</p><p>3.2 SINTOMAS</p><p>Vale ressaltar que o início da hipotermia costuma ser tão gradual e sutil que</p><p>tanto a vítima como os outros não percebem o que pode vir a suceder. Os movi-</p><p>mentos tornam-se lentos e entorpecidos, o tempo de reação é mais lento, a mente</p><p>turva-se, a pessoa não pensa com clareza e tem alucinações.</p><p>Os sintomas mais costumeiros</p><p>de hipotermia são tremores, esfriamento das</p><p>mãos e dos pés, dormência nos membros, pouca energia para realizar suas ativida-</p><p>des, dificuldade em respirar, pulsação lenta, inchaço na face e perda de controle da</p><p>bexiga. Nos estágios mais avançados, a hipotermia causa perda de memória, perda</p><p>de controle dos membros superiores e inferiores, perda dos sentidos, perda da pul-</p><p>sação e pupilas dilatadas.</p><p>3.3 DIAGNÓSTICO</p><p>O diagnóstico da hipotermia acontece de acordo com os sintomas. Deve-se</p><p>utilizar um termômetro para medir a temperatura. Se estiver abaixo dos 35 ºC (95F),</p><p>é porque tem hipotermia. Assim que for diagnosticada a hipotermia, poderá ser re-</p><p>alizado um eletrocardiograma para determinar até que ponto a temperatura baixa</p><p>lhe afetou. Algumas análises de rotina ao sangue também mostrarão se os órgãos</p><p>foram acometidos.</p><p>3.4 TRATAMENTO</p><p>Ao reconhecer um quadro de hipotermia, são necessários alguns procedi-</p><p>mentos para restabelecer a temperatura corporal, como:</p><p>• Massagens vigorosas no corpo.</p><p>132</p><p>• Ingestão de bebidas quentes.</p><p>• Se a vítima estiver com roupas úmidas, retire-as imediatamente, pois a água da</p><p>roupa retira o calor do corpo.</p><p>• Deitar encostado à vítima, uma vez que a transmissão de calor vinda de outro cor-</p><p>po ajuda a aquecer e melhorar de forma rápida a temperatura corporal da vítima.</p><p>• Jamais dê bebidas alcoólicas, pois elas dão uma sensação instantânea de aque-</p><p>cimento, porém, reduzem a temperatura do corpo.</p><p>• Em casos mais graves, serviços médicos devem ser acionados, para adotar proce-</p><p>dimentos mais específicos, como infusão de soros aquecidos, aquecimento do te-</p><p>cido sanguíneo através da circulação extracorpórea, entre outros procedimentos.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Leia esta notícia sobre um farmacêutico que ajudou a salvar a vida de</p><p>um bebê com medidas de primeiros socorros.</p><p>Farmacêutico salva vida de bebê em Ribeirão do Pinhal</p><p>Era para ser um dia comum, tudo dentro da rotina do farmacêutico</p><p>Leandro Bonifácio da Silva, proprietário de Farmácia na cidade de Ribeirão do</p><p>Pinhal, mas a quarta-feira, 10 de julho de 2019, reservava um acontecimento</p><p>que mudaria muitas coisas em sua vida.</p><p>Por volta das 14 horas, durante o atendimento a um representante co-</p><p>mercial, o farmacêutico foi surpreendido por uma jovem mãe, Ana Cláudia</p><p>Mendes, 18 anos, que entra na farmácia com o seu bebê de dez meses desa-</p><p>cordado, apresentando cor arroxeada e ausência de frequência respiratória.</p><p>Visivelmente abalada, a mãe entregou seu filho ao farmacêutico e implorou</p><p>que o socorresse.</p><p>Até aqui, toda essa situação é de tirar o fôlego. Se o título desta ma-</p><p>téria não desse spoiler e antecipasse o final feliz dessa história, caberia aqui</p><p>uma pergunta: o farmacêutico está preparado para agir com assertividade em</p><p>uma situação como a que o Dr. Leandro passou? Para ele, a resposta a essa</p><p>pergunta é não. O farmacêutico conta que nos quatro anos de graduação</p><p>não aprendeu técnicas de atendimentos em primeiros socorros. “Infelizmen-</p><p>te, não temos preparo e nem experiência para situações como essa que, por</p><p>133</p><p>sinal, estamos sujeitos a todo e qualquer momento. Foi durante a pós-gra-</p><p>duação em Farmácia Clínica que tive embasamento em primeiros socorros.</p><p>Além disso, procuro, rotineiramente, ler artigos e informações relacionados ao</p><p>assunto”, conta.</p><p>Nesse ponto, caberia outra provocação/constatação com relação à</p><p>profissão: a importância do aprimoramento profissional, a busca constante</p><p>por conhecimento e a preparação necessária para exercer a profissão.</p><p>Voltando ao relato do fato: a mãe entregou o filho para o Dr. Leandro</p><p>e relatou que o bebê havia engasgado. “Rapidamente, levei a criança para</p><p>a sala de injetáveis e, ao fazer uma análise, constatei que o bebê mantinha</p><p>pulso e frequência cardíaca ativa, porém, não respondia a estímulos. A situa-</p><p>ção era muito grave. Abri a boca, fiz uma varredura para ver se encontrava o</p><p>objeto que estava obstruindo as vias aéreas, mas não obtive êxito. A tia que</p><p>acompanhava a mãe afirmou que a criança teve febre e, após virar os olhos,</p><p>vomitou. Então, entendi que se tratava de um quadro de convulsão e o bebê</p><p>havia aspirado a secreção”, relatou.</p><p>A intervenção que salvaria a vida do bebê inicia a partir de agora. Dr.</p><p>Leandro solicitou ao representante comercial, Erci Carlos dos Reis, de Lon-</p><p>drina, a quem estava atendendo, que o auxiliasse fazendo ventilação boca a</p><p>boca. A atendente da Farmácia acionou o Serviço de Atendimento Móvel de</p><p>Urgência (SAMU), solicitando urgentemente uma ambulância para a remoção.</p><p>“Comecei, então, a massagem torácica com o intuito de expulsar as secre-</p><p>ções e incentivar os pulmões a expandirem. Foram longos cinco minutos sem</p><p>resultado. Pedi, então, ao Erci, que sugasse o ar com força, trancando o nariz</p><p>da criança, ao invés de soprar. Imediatamente, saiu um bom volume de secre-</p><p>ções e o pulmão expandiu”, conta o Dr. Leandro, emocionado.</p><p>O pequeno bebê retomou a frequência respiratória e respondeu aos</p><p>estímulos, então, o Dr. Leandro constatou que os sinais vitais ficaram estáveis.</p><p>Com a chegada do SAMU, houve a remoção até o hospital.</p><p>Ao final, tudo deu certo. Um dia incomum fechou com chave de ouro,</p><p>com um ato de coragem, bravura, preparo e fé. O Farmacêutico (sim, com</p><p>F maiúsculo) tomou à frente da situação e orquestrou toda a manobra que</p><p>evitou uma tragédia que marcaria para sempre a vida de todos os envolvidos.</p><p>134</p><p>Dr. Leandro Bonifácio da Silva é farmacêutico pela Faculdade Dom</p><p>Bosco – Cornélio Procópio, possui pós-graduação em Farmácia Clínica e</p><p>Prescrição Farmacêutica. É casado com Fernanda Moreira Dantas, também</p><p>farmacêutica, pai de dois filhos, Ana Carolina e Matheus, de 12 e 10 anos. Co-</p><p>meçou muito jovem a trabalhar. Aos 12 anos, foi atendente de Farmácia e</p><p>trabalhava meio período para poder se dedicar aos estudos. Aos 18 anos, ini-</p><p>ciou um curso técnico de enfermagem. Após a conclusão, atuou alguns anos</p><p>em um hospital na cidade de Nova Fátima/PR, foi representante comercial e,</p><p>após, adquiriu uma pequena Farmácia em Ribeirão do Pinhal, onde reside. Os</p><p>negócios prosperaram e, ao longo de 10 anos, após a aquisição da primeira</p><p>Farmácia, abriu mais três e uma com manipulação.</p><p>“Acredito muito na valorização do farmacêutico em todas as suas áre-</p><p>as de atuação. Como profissional do medicamento, para atuar na Farmácia</p><p>Comunitária, é indispensável a busca pela informação e atualização constan-</p><p>te do vasto campo da farmacologia, porém, percebo que uma base sólida na</p><p>área clínica é extremamente importante para o acompanhamento farmaco-</p><p>terapêutico e para habilitar o profissional para enfrentar situações como essa</p><p>que aconteceu dentro da minha Farmácia. Depois de tudo isso que ocorreu,</p><p>me dei conta do quanto que precisamos estar preparados para toda e qual-</p><p>quer situação. Nunca sabemos quando precisaremos usar os conhecimentos</p><p>para salvar uma vida. Também quero buscar mais conhecimentos para agir da</p><p>melhor forma possível. Me sinto honrado em ser farmacêutico e amo minha</p><p>profissão!”, destacou.</p><p>O CRF-PR evidencia casos como o do Dr. Leandro para mostrar à po-</p><p>pulação a importância de um farmacêutico preparado e devidamente habili-</p><p>tado em todas as Farmácias do Paraná. Um profissional da saúde capacitado</p><p>está pronto para lidar com situações de emergência, realizar manobras ne-</p><p>cessárias e encaminhar o paciente para o melhor atendimento possível. Com</p><p>um trabalho multidisciplinar, envolvendo todas as áreas da saúde, a popula-</p><p>ção fica amparada com segurança, qualidade e eficiência.</p><p>FONTE: <https://crf-pr.org.br/noticia/visualizar/8364>. Acesso em: 27 abr. 2022.</p><p>135</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Medicamento é o principal agente tóxico que causa intoxicação em seres huma-</p><p>nos no Brasil, ocupando o primeiro lugar nas estatísticas do SINITOX desde 1994.</p><p>• Diversos tipos de medicamentos podem causar intoxicação se não forem toma-</p><p>dos corretamente.</p><p>• Cada tipo de medicamento possui sintomas e tratamentos específicos em caso</p><p>de intoxicação.</p><p>• Intoxicação é a manifestação, através de sinais e sintomas, dos efeitos nocivos</p><p>produzidos em um organismo vivo como resultado da sua interação com alguma</p><p>substância química (exógena).</p><p>• Praticamente qualquer substância ingerida em grande quantidade pode ser tóxica.</p><p>• A intoxicação alimentar é uma doença súbita que pode ocorrer depois da inges-</p><p>tão de alimento ou água contaminada.</p><p>• Nos envenenamentos, de uma maneira geral, a descontaminação da vítima é um</p><p>procedimento que será sempre indicado. A forma de executar essa prática varia</p><p>de acordo com a via de exposição ao agente.</p><p>• A hipotermia ocorre quando a temperatura normal do corpo, que é de 37 ºC</p><p>(98.6F) desce para menos de 35 ºC (95 ºF).</p><p>136</p><p>1 Muitas pessoas que têm remédios em casa se automedicam e acabam se</p><p>intoxicando. Outra situação que pode ocorrer é o abuso de medicamentos, a</p><p>mistura com etanol e a tentativa de suicídio. Assinale a alternativa CORRETA</p><p>que traz alguns medicamentos que podem comumente causar intoxicação.</p><p>a) Remédios homeopáticos.</p><p>b) Benzodiazepínicos e antidepressivos.</p><p>c) Pastilhas para dor de garganta.</p><p>d) Antibióticos.</p><p>2 A intoxicação por gases também pode ocorrer de forma acidental ou propo-</p><p>sital e, geralmente, ocorre pela inalação de monóxido de carbono. Assinale a</p><p>alternativa CORRETA que traz o nome da célula que é afetada pelo monóxido</p><p>de carbono.</p><p>a) Neutrófilo.</p><p>b) Linfócito.</p><p>c) Mastócito.</p><p>d) Hemácea.</p><p>3 A hipotermia é muitas vezes provocada pela exposição prolongada à chuva,</p><p>ao vento, à neve ou à imersão em água fria. Durante uma exposição por longo</p><p>período ao frio, o mecanismo de defesa do organismo tenta evitar a conti-</p><p>nuação da perda de calor. A partir de qual temperatura é considerado que a</p><p>pessoa tem hipotermia? Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) 36 °C.</p><p>b) 40 °C.</p><p>c) 35 °C.</p><p>d) 33 °C.</p><p>4 Intoxicação alimentar, ou gastrointestinal (gastroenterocolite aguda), é um</p><p>problema de saúde causado pela ingestão de água ou alimentos contamina-</p><p>dos por bactérias. Descreva uma conduta adequada para alguém que chega</p><p>com sintomas de intoxicação alimentar na farmácia.</p><p>R.:</p><p>5 Existem muitos medicamentos que causam intoxicação se forem mal-utili-</p><p>zados. Até mesmo os descongestionantes, que são de livre comércio, podem</p><p>causar malefícios. Diferencie um descongestionante nasal de um sistêmico.</p><p>R.:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>137</p><p>BEZERRA, C. O que é a vertigem, principais causas e como tratar. Tua Saúde, 2019.</p><p>Disponível em: https://www.tuasaude.com/vertigem/. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>BORTOLETTO, M. E.; BOCHNER, R. Impacto dos medicamentos nas intoxicações</p><p>humanas no Brasil. Cad. Saúde Pública, [s. l.], v. 15, n. 4, out. 1999. Disponível em:</p><p>https://www.scielo.br/j/csp/a/9TYssT4m5b34ndcdWYc3tPH/?lang=pt. Acesso em:</p><p>3 maio 2022.</p><p>BRITTON, J. Parasites, allergy, and asthma. American Journal of Respiratory</p><p>and Critical Care Medicine, [s. l.], v. 168, n. 3, p. 266-267, 2003.</p><p>BRUNA, M. H. V. Intoxicação alimentar. Drauzio Varella, 2022. Disponível em:</p><p>https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/intoxicacao-alimentar/.</p><p>Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>DOUGLAS, A. Desmaio (síncope): quais são as causas e o que fazer. Minha Vida,</p><p>2022. Disponível em: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/desmaio.</p><p>Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>GHAFFAR, A. Reações de hipersensibilidade. [S. l.]: [s. n.], 2001. Disponível em:</p><p>https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTAS-</p><p>SIER/ed-13-reacoes-de-hipersensibilidade.pdf. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. Intoxicação por medicamentos. Governo do</p><p>Estado do Paraná, c2022. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/</p><p>Intoxicacao-por-Medicamentos. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>LIMA, A. P. de. Histamina. Info Escola, c2022. Disponível em: https://www.infoes-</p><p>cola.com/compostos-quimicos/histamina/. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>MALE, D. K. Imunologia. São Paulo: Manole, 2003.</p><p>MARCONNI, E. Primeiros Socorros. Recife: Clube de Autores, 2009.</p><p>MIRANDA, M. Convulsões e epilepsia: entenda qual é a diferença! iNeuro, 2018.</p><p>Disponível em: http://www.ineuro.com.br/para-os-pacientes/convulsoes-e-epi-</p><p>lepsia-entenda-qual-e-a-diferenca/. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>138</p><p>MUNDO EDUCAÇÃO. Anticorpos. Mundo Educação, c2022b. Disponível em:</p><p>https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/anticorpos.htm. Acesso em: 18 abr.</p><p>2022.</p><p>MUNDO EDUCAÇÃO. Sistema imunológico. Mundo Educação, c2022a. Disponível</p><p>em: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/sistema-imunologico.htm. Aces-</p><p>so em: 18 abr. 2022.</p><p>PAI, J. D. Você sabe como ajudar durante uma crise convulsiva? Associação Bra-</p><p>sileira de Epilepsia, c2022. Disponível em: https://epilepsiabrasil.org.br/noticias/</p><p>voce-sabe-como-ajudar-durante-uma-crise-convulsiva. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>REIS, M. O que fazer em caso de choque anafilático. Tua Saúde, 2022. Disponível</p><p>em: https://www.tuasaude.com/primeiros-socorros-para-choque-anafilatico/.</p><p>Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>SANARMED. Distúrbios de hipersensibilidade: o que são e os tipos. SanarMed,</p><p>2019. Disponível em: https://www.sanarmed.com/disturbios-de-hipersensibilidade.</p><p>Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>SCHVARTSMAN, C.; SCHVARTSMAN, S. Intoxicações exógenas agudas. Jornal de</p><p>Pediatria, Rio de Janeiro, v. 75, n. 2, p. 244-250, 1999.</p><p>ZAMBOLIM, C. M. et al. Perfil das intoxicações exógenas em um hospital univer-</p><p>sitário. Revista Médica de Minas Gerais, Pouso Alegre, v. 18, n. 1, p. 5-10, 2008.</p><p>Disponível em: http://rmmg.org/artigo/detalhes/555#:~:text=Intoxica%C3%A7%-</p><p>C3%A3o%20%C3%A9%20a%20manifesta%C3%A7%C3%A3o%2C%20atrav%-</p><p>C3%A9s,os%20olhos%20ou%20as%20mucosas. Acesso em: 3 maio 2022.</p><p>risco ao usuário e aos funcio-</p><p>nários.</p><p>• Piso, parede e teto devem ser de fácil manutenção e limpeza.</p><p>• Área protegida contra insetos, roedores e outros animais.</p><p>• Ventilação e iluminação apropriadas (ar-condicionado).</p><p>• O estabelecimento deve ser abastecido com água potável e, quando possuir cai-</p><p>xa d’água própria, esta deve estar devidamente protegida, para evitar a entrada</p><p>de animais, sujidades e quaisquer outros contaminantes.</p><p>7</p><p>A sala destinada à realização de serviços farmacêuticos (aplicação de medi-</p><p>camentos, aferição de pressão, temperatura etc.) deve possuir:</p><p>• Mobiliário compatível com as atividades e serviços a serem oferecidos.</p><p>• Lavatório contendo água corrente.</p><p>• Toalha de uso individual e descartável.</p><p>• Sabonete líquido.</p><p>• Gel bactericida.</p><p>• Lixeira com pedal e tampa.</p><p>FIGURA 1 – UMA SALA IDEAL PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA FARMÁCIA</p><p>FONTE: <https://panoramafarmaceutico.com.br/farmacia-nacional-inaugurou-sala-de-assistencia-</p><p>-farmaceutica-avancada/>. Acesso em: 25 abr. 2022.</p><p>Quanto à limpeza do estabelecimento (assoalho, paredes, bancadas etc.),</p><p>deve-se usar detergentes (sabão) que ajudem no processo de desinfecção do am-</p><p>biente, usualmente um saneador que elimine 99,9% dos microrganismos contami-</p><p>nantes de uma área. Os compostos clorados são os principais produtos utilizados</p><p>para esses procedimentos, especialmente o hipoclorito de sódio. Este composto,</p><p>quando adicionado à água, sofre hidrólise, dando origem ao ácido hipocloroso que,</p><p>por sua vez, em uma nova reação, origina o oxigênio nascente, constituindo-se em</p><p>um poderoso oxidante capaz de destruir substâncias celulares vitais. O cloro tam-</p><p>bém pode combinar-se diretamente com proteínas celulares e destruir suas ativi-</p><p>dades biológicas (PELCZAR JUNIOR et al., 1996).</p><p>A desinfecção ou assepsia dos artigos e da bancada pode ser definida como</p><p>a redução da maioria ou eliminação dos microrganismos patogênicos em uma su-</p><p>8</p><p>perfície ou objeto, tornando esse objeto incapaz de transmitir doenças. No caso de</p><p>assepsia e desinfecção de artigos, o principal agente utilizado é o álcool etílico (eta-</p><p>nol), que tem sua concentração ideal recomendada a 70% em peso, isto é, mistura-</p><p>-se 70 partes de etanol com 30 partes de água, procedendo uma diluição (BRASIL,</p><p>2004). Isso porque o etanol absoluto (100%) é menos ativo do que suas soluções</p><p>aquosas. Assim, tem como ação principal a capacidade de desnaturar proteínas, ou</p><p>seja, age na membrana celular, lesando as estruturas lipídicas das células microbia-</p><p>nas (PELCZAR JUNIOR et al., 1996).</p><p>9</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você estudou que:</p><p>• A Biossegurança é o conjunto de medidas e ações que visam à prevenção e/ou à</p><p>diminuição de riscos em nosso ambiente de trabalho e em nossas atividades diárias.</p><p>• A Biossegurança busca o bem-estar do homem, dos animais e do meio ambiente.</p><p>• A atuação da Biossegurança está presente desde o trabalho em uma instituição</p><p>de saúde (hospitais, postos de saúde e laboratórios) até em ambientes de uso</p><p>diário, como salões de beleza.</p><p>• No Brasil, a legislação de maior importância na biossegurança em relação ao tra-</p><p>balho em instituições de saúde está representada pela NR-32.</p><p>• A NR-32 destaca a prevenção dos riscos presentes nos serviços de saúde.</p><p>• A RDC nº 44/2009 determina que farmácias são consideradas estabelecimentos</p><p>de saúde e, portanto, devem obedecer a uma série de leis e normativas para o</p><p>seu funcionamento regular.</p><p>10</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Com o aumento do oferecimento de serviços de saúde em todo o mundo,</p><p>são necessários o conhecimento e a atualização constante das normas refe-</p><p>rentes à segurança do trabalhador dos estabelecimentos de saúde. Pensando</p><p>nisso, sobre o que é a biossegurança, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) Conjunto de medidas que visam à saúde mental do trabalhador.</p><p>b) Conjunto de medidas que visam melhores salários ao trabalhador.</p><p>c) Conjunto de medidas que visam prevenir a contaminação biológica do tra-</p><p>balhador.</p><p>d) Medidas que ensinam a trabalhar, principalmente, com a segurança ergo-</p><p>nômica.</p><p>2 As medidas de biossegurança incluem o uso de equipamentos que auxiliam</p><p>o trabalhador na manutenção da assepsia dos lugares de trabalho, evitando,</p><p>assim, a contaminação das pessoas. Assinale a alternativa que traz equipa-</p><p>mentos ou medidas que podem prevenir contaminações.</p><p>a) Luvas, vassouras e tapetes.</p><p>b) Lixeira com pedal.</p><p>c) Toalhas de pano para secar as mãos.</p><p>d) Iluminação automática dos ambientes.</p><p>3 O Ministério do Trabalho (MTb) é o órgão da administração federal direta (o</p><p>governo federal) responsável pela política e pelas diretrizes para a geração de</p><p>emprego e renda e de apoio aos trabalhadores brasileiros. Qual é a norma do</p><p>MTb que fala sobre a Biossegurança dos trabalhadores?</p><p>a) NR-42.</p><p>b) NR-22.</p><p>c) NR-32.</p><p>d) NR-50.</p><p>4 O trabalhador da farmácia deve estar ciente dos riscos existentes em seu</p><p>ambiente de trabalho, quais seriam?</p><p>R.:</p><p>5 Cite algumas medidas de Biossegurança:</p><p>R.:</p><p>11</p><p>TÓPICO 2</p><p>PROTEÇÃO</p><p>INDIVIDUAL E RISCOS</p><p>À SAÚDE</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno, no tópico anterior, você obteve conhecimentos básicos sobre o</p><p>que é a biossegurança e porque ela deve ser observada e cumprida dentro de es-</p><p>tabelecimentos de saúde como a farmácia. Daremos prosseguimento agora a este</p><p>assunto.</p><p>Neste segundo tópico, você verá assuntos relacionados aos equipamentos</p><p>de proteção individual e a sua importância no meio de trabalho.</p><p>Em seguida, verá o que são os riscos em ambientes de saúde e o que po-</p><p>dem trazer aos trabalhadores e usuários. Por fim, estudará a classificação dos riscos</p><p>profissionais, que podem ser classificados como riscos de acidentes, riscos físicos,</p><p>químicos, ergonômicos e biológicos.</p><p>2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL</p><p>“Considera-se como Equipamento de Proteção Individual (EPI) todo dispo-</p><p>sitivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção</p><p>de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho” (BRASIL, 1978).</p><p>Dessa forma, os equipamentos de proteção individual atuam como barreiras prote-</p><p>toras, a fim de evitar o contato do profissional com o material biológico.</p><p>Observe, na Figura 2, os principais EPIs para farmácias e drogarias, que são</p><p>as máscaras, o jaleco e as luvas de látex.</p><p>FIGURA 2 – EXEMPLOS DE EPIs UTILIZADOS EM FARMÁCIA: MÁSCARA KN95, JALECO E LUVAS DES-</p><p>12</p><p>CARTÁVEIS</p><p>FONTE: A autora</p><p>A máscara cirúrgica ou a KN95 tornou-se indispensável para trabalhadores</p><p>da área da saúde, especialmente desde março de 2020, quando se deu início a pan-</p><p>demia pela Covid-19. O jaleco, independente do material com o qual é feito, é uma</p><p>proteção para que a roupa dos trabalhadores não seja atingida com materiais bioló-</p><p>gicos, saliva, bactérias, poeiras, produtos químicos, entre tantos outros materiais a</p><p>que podem ser expostos. As luvas descartáveis são imprescindíveis nos momentos</p><p>em que o profissional terá um contato mais de perto com o paciente, como no caso</p><p>da aferição da pressão, aplicação de medicamentos, colocação de brincos etc.</p><p>De acordo com Guandalini et al. (1997) e Andrade et al. (2008), as luvas de-</p><p>vem ser usadas quando houver a manipulação de artigos ou superfícies contami-</p><p>nadas. Ressalta-se ainda que elas não devem ser reutilizadas por perderem sua</p><p>efetividade na proteção, devendo, posteriormente, serem descartadas em lixo para</p><p>contaminados.</p><p>Luvas descartáveis: caracterizam-se por promover uma boa barreira</p><p>mecânica para as mãos do profissional e para a pele do cliente. Devem ser</p><p>usadas quando houver a possibilidade do profissional se contaminar ou entrar</p><p>em contato com sangue, secreções, mucosas, tecidos e lesões sobre a pele</p><p>(RAMOS, 2009).</p><p>IMPORTANTE</p><p>13</p><p>Além disso, é importante que o trabalhador utilize calçado fechado e a calça</p><p>comprida. Estes são utensílios de segurança adotados com o intuito de evitar que</p><p>secreções orgânicas ou materiais de trabalho sejam lançados sobre os pés do pro-</p><p>fissional, evitando acidentes e a transmissão de doenças.</p><p>Em face do exposto, considera-se que os EPIs são importantes</p><p>na prática</p><p>da farmácia, pois eles agem como barreiras mecânicas contra microrganismos. En-</p><p>tretanto, apenas o emprego dos EPIs não é suficiente para evitar as transmissões</p><p>de doenças no ambiente de trabalho, mas, também, faz-se necessário o emprego</p><p>de procedimentos de higienização dos utensílios utilizados, bem como entre outras</p><p>ações citadas ao longo deste livro.</p><p>3 RISCOS EM AMBIENTE DE SAÚDE</p><p>Como já visto no tópico anterior, os ambientes de saúde ou serviços de saú-</p><p>de são locais que prestam serviços específicos de saúde à população em geral e</p><p>onde essa população busca se recuperar e/ou prevenir doenças. Alguns exemplos</p><p>desses serviços são os hospitais, os postos de saúde, os Programas de Saúde da</p><p>Família, os laboratórios, as clínicas, as farmácias e as drogarias.</p><p>Então, como você pode imaginar, os ambientes de saúde, além de prevenir</p><p>ou tratar doenças, podem, também, representar perigo aos seus trabalhadores e</p><p>às pessoas que usam seus serviços, ou seja, os pacientes/usuários. Isso acontece</p><p>porque os serviços de saúde, além de possuírem uma grande variedade de ações</p><p>desenvolvidas, possuem um grande fluxo de pessoas (sadias e doentes), diferentes</p><p>tipos de microrganismos causadores de doenças e muitos problemas (riscos).</p><p>Esses riscos que os ambientes de saúde podem trazer aos trabalhadores e</p><p>usuários são classificados em: riscos profissionais, riscos de acidentes, riscos físi-</p><p>cos, químicos, ergonômicos e biológicos.</p><p>3.1 RISCOS PROFISSIONAIS</p><p>Os serviços de saúde possuem muitas áreas de insalubridade, que variam</p><p>de acordo com o tipo de ambiente (laboratório, lavanderia, pronto-socorro etc.) ou</p><p>tipo de trabalho realizado (atendimento a doentes, limpeza, trabalho administrativo</p><p>etc.). Os riscos profissionais são caracterizados ou exemplificados por todos os ris-</p><p>cos aos quais os trabalhadores estão sujeitos em seu ambiente de trabalho, como</p><p>14</p><p>os citados anteriormente. Tais riscos, como os de acidentes, podem ser agravados</p><p>por problemas administrativos e financeiros, devido, entre outros, à falta de manu-</p><p>tenção de equipamentos.</p><p>Por exemplo, se o trabalhador utiliza um escritório como seu ambiente de</p><p>trabalho e é fornecido a ele uma cadeira bamba, ele pode correr o risco de cair e</p><p>se machucar. Se o acidente for grave, ele pode até mesmo sofrer afastamento do</p><p>trabalho até que se recupere. Esta não é uma situação desejada nem pela empresa</p><p>e nem pelo trabalhador. Por isso, deve-se sempre trabalhar de forma segura a mi-</p><p>nimizar os riscos.</p><p>Você conseguiria pensar em situações que possam colocar os traba-</p><p>lhadores de uma farmácia em risco? Pense nisso e veja como você pode atuar</p><p>de forma a minimizar esses riscos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Muitas empresas têm em seu quadro administrativo a Comissão Interna de</p><p>Prevenção de Acidentes (CIPA). A CIPA é formada principalmente por colaboradores</p><p>da própria empresa com o objetivo de trabalhar na prevenção de acidentes e do-</p><p>enças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o</p><p>trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.</p><p>Conheça agora a classificação dos riscos, segundo o Ministério do Trabalho,</p><p>detalhadas por Tosmann (2019).</p><p>3.1.1 Riscos de acidentes</p><p>Esses riscos existem quando o trabalhador e/ou usuários ficam expostos a</p><p>qualquer situação de perigo que possa afetar sua integridade e bem-estar físico e mo-</p><p>ral. Como exemplos desses riscos existem o uso de máquinas e equipamentos sem</p><p>proteção adequada, a estrutura física inadequada, riscos de incêndio, entre outros.</p><p>3.1.2 Riscos ergonômicos</p><p>Os riscos ergonômicos estão presentes quando o trabalhador e/ou usuários</p><p>ficam expostos a situações que possam afetar suas características psicofisiológi-</p><p>15</p><p>cas, ou seja, situações que possam afetar seu corpo e sua mente. Como exemplos</p><p>podemos citar o trabalho excessivo, a cobrança excessiva, o levantamento excessi-</p><p>vo de peso, a má postura, os movimentos repetitivos, entre outros.</p><p>3.1.3 Riscos físicos</p><p>Quando o trabalhador e/ou usuários ficam expostos a diversas formas de</p><p>energia que possam causar danos em diversas funções do corpo, então falamos</p><p>que eles estão sujeitos aos riscos físicos. Os exemplos desse tipo de risco são a ex-</p><p>posição aos Raios X, a altas temperaturas, a materiais cortantes, ao ruído excessivo,</p><p>entre outros.</p><p>3.1.4 Riscos químicos</p><p>Os riscos químicos existem quando o trabalhador e/ou usuários entram em</p><p>contato (através da respiração, ingestão ou contato com a pele) com substâncias,</p><p>como poeiras, gases, medicamentos, venenos, entre outros, que possam causar al-</p><p>gum dano ao seu organismo. Alguns exemplos são os profissionais que trabalham em</p><p>laboratórios de análises clínicas ou de manipulação de medicamentos, entre outros.</p><p>3.1.5 Riscos biológicos</p><p>Quando, nos ambientes de saúde, estão presentes microrganismos, como</p><p>bactérias, fungos, parasitas e vírus (causadores de doenças infectocontagiosas),</p><p>dizemos que o trabalhador e/ou usuários estão em contato com riscos biológicos.</p><p>No exemplo da figura a seguir, serão demonstradas atitudes interessantes de serem</p><p>adotadas quando se está com tosse ou espirrando. Tais medidas, se não forem ado-</p><p>tadas pelas pessoas, acabam colocando tanto os frequentadores dos ambientes de</p><p>saúde como os trabalhadores em risco.</p><p>Concluindo, independente da função que exercemos, a adoção de normas</p><p>e padrões de biossegurança é essencial para a existência de um ambiente seguro</p><p>e para a saúde de todos os envolvidos na área da saúde (trabalhadores e usuários).</p><p>16</p><p>FIGURA 3 – ETIQUETA RESPIRATÓRIA</p><p>FONTE: <https://guaira.sp.gov.br/covid-19-medidas-preventivas-etiqueta-respiratoria-2/>. Acesso</p><p>em: 25 abr. 2022.</p><p>17</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Os ambientes de saúde são locais reconhecidos também por apresentarem va-</p><p>riados riscos a trabalhadores e usuários, ou seja, por serem locais insalubres.</p><p>• Para a redução dos diversos riscos, existem as precauções padrão, que são cons-</p><p>tituídas por atitudes, normas, cuidados e equipamentos que visam à proteção</p><p>das pessoas envolvidas nos serviços de saúde de microrganismos causadores</p><p>de doenças.</p><p>• Uma das formas mais importantes e simples de proteção contra a transmissão</p><p>de doenças nesse meio é a lavagem rotineira e adequada das mãos.</p><p>• Os equipamentos de proteção podem ser divididos em individual (protege o tra-</p><p>balhador durante a realização de suas atividades) e coletivo (quando tem a fun-</p><p>ção de proteger um número maior de pessoas).</p><p>• Os ambientes de saúde são locais destinados ao tratamento e à prevenção de</p><p>doenças e agravos de saúde. Por apresentar grande fluxo de pessoas, de traba-</p><p>lho e de organismos causadores de doenças, os ambientes de saúde represen-</p><p>tam, também, perigo à saúde de todos neles envolvidos.</p><p>• Os riscos em serviços de saúde podem ser classificados, basicamente, em pro-</p><p>fissionais, de acidentes, físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.</p><p>• A existência e a adoção de normas e rotinas de biossegurança tornam os am-</p><p>bientes de saúde mais seguros aos funcionários e usuários.</p><p>18</p><p>1 Os EPIs são definidos como equipamentos de proteção individual, e como o</p><p>nome já diz, são equipamentos que visam proteger o trabalhador de doenças</p><p>transmissíveis nos locais de trabalho. Assinale a alternativa que traz o nome</p><p>dos EPIs necessários em estabelecimentos de saúde:</p><p>a) Luva de borracha, bota e avental.</p><p>b) Óculos de proteção, luvas e máscara.</p><p>c) Jaleco, máscara e luvas.</p><p>d) Jaleco, botas e protetor auricular.</p><p>2 Ao sair de casa para trabalhar, temos que estar cientes dos riscos a que</p><p>estamos expostos, dessa maneira, podemos tentar preveni-los. Os riscos re-</p><p>cebem certas classificações para tornar mais fácil seu entendimento. Assinale</p><p>a alternativa que traz um exemplo de risco biológico:</p><p>a) Sangue.</p><p>b) Remédio vencido.</p><p>c) Caixas pesadas.</p><p>d) Lâmpadas queimadas.</p><p>3 Quando conhecemos os riscos a que estamos expostos, é muito mais fácil</p><p>prevenir acidentes. Se o ambiente de saúde está mal ventilado, a qual risco o</p><p>trabalhador</p><p>está exposto?</p><p>a) Risco químico.</p><p>b) Risco biológico.</p><p>c) Risco ergonômico.</p><p>d) Risco de acidentes.</p><p>4 O que são considerados riscos químicos?</p><p>R.</p><p>5 O que são considerados riscos biológicos?</p><p>R.:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>19</p><p>TÓPICO 3</p><p>BOAS PRÁTICAS</p><p>NA FARMÁCIA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste terceiro tópico, você verá assuntos relacionados ao risco de contami-</p><p>nação por doenças infectocontagiosas em estabelecimentos de saúde, sua impor-</p><p>tância e como fazer para evitar pegar essas doenças, evitando, assim, afastamen-</p><p>tos do trabalho.</p><p>Em seguida, conhecerá que é dever do profissional manter o Manual de Ro-</p><p>tinas e Procedimentos disponível a todos os profissionais do estabelecimento. Terá</p><p>clareza de quais procedimentos de medidas preventivas e educativas devem ser</p><p>adotados para diminuir o risco de transmissão de doenças e acidentes de trabalho.</p><p>Por fim, terá acesso ao conteúdo sobre o lixo gerado em ambientes de saúde</p><p>e seu impacto ambiental, assim como os procedimentos que devem ser realizados</p><p>para gerenciar estes resíduos.</p><p>2 DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS NA FARMÁCIA</p><p>Para melhor conhecer os meios de transmissão de doenças, deve-se ter em</p><p>mente que os microrganismos podem ser transmitidos de várias formas, entre elas,</p><p>podemos citar de pessoa para pessoa, pelo ar ou através de superfícies e equipa-</p><p>mentos de uso comum do serviço. Também é importante ressaltar que, entre as</p><p>medidas de prevenção dessa transmissão, estão as mais importantes: a lavagem</p><p>adequada e rotineira das mãos pelos profissionais de saúde, a limpeza e a desin-</p><p>fecção adequada do material a ser utilizado para os procedimentos e a limpeza do</p><p>ambiente. Os casos de infecções que ocorrem em ambientes de saúde, como hos-</p><p>pitais, em grande parcela, podem ser associados a uma desinfecção inadequada de</p><p>ambientes, das mãos e de objetos ou artigos médicos.</p><p>20</p><p>Os procedimentos de limpeza são de extrema importância para a prevenção</p><p>da disseminação de doenças em serviços de saúde. O risco de agravos à saúde nos</p><p>estabelecimentos de saúde pode ser variado e cumulativo tanto para os trabalha-</p><p>dores como para os clientes. Portanto, é vital que todos os profissionais conheçam</p><p>e adotem o conceito de biossegurança a fim de se obter um ambiente profissional</p><p>livre de riscos para os trabalhadores e clientes, como já fora dito nesta unidade.</p><p>O risco mais preocupante nos estabelecimentos de saúde é a possibilidade</p><p>de se contrair doenças infectocontagiosas, como gripes e resfriados (causados pelo</p><p>vírus Influenza ou Sars-Cov), tuberculose e meningites, que podem ser transmitidas</p><p>pela respiração, tosse e espirros. Há ainda o risco de transmissão de doenças pelo</p><p>contato com sangue ou fluidos, como a AIDS (transmitida pelo Vírus HIV), Hepatite</p><p>B (transmitida pelo Vírus HBV) e Hepatite C (transmitida pelo Vírus HCV). Por isso</p><p>a importância de se utilizar corretamente os EPIs descritos no tópico anterior. Veja</p><p>alguns exemplos de boas práticas de biossegurança na Figura 4. Essas doenças</p><p>podem ser adquiridas nas farmácias se as medidas protetivas não forem utilizadas.</p><p>FIGURA 4 – EXEMPLOS DE EPIs SENDO UTILIZADOS NA FARMÁCIA PARA A PREVENÇÃO DE</p><p>DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS</p><p>FONTE: <https://hilab.com.br/blog/o-papel-do-farmaceutico-frente-a-pandemia-de-covid-19/>;</p><p><https://drogariasantoremedio.com.br/doencas-infectocontagiosas/>. Acesso em: 25 abr. 2022.</p><p>As doenças infectocontagiosas são aquelas de fácil e rápida transmis-</p><p>são, provocadas por agentes patogênicos, como o vírus da gripe e o bacilo da</p><p>tuberculose. Em algumas ocasiões, para que se produza a doença, é necessá-</p><p>rio um agente intermediário, transmissor ou vetor (PARANAGUÁ, 2019).</p><p>IMPORTANTE</p><p>21</p><p>3 MANUAL DE ROTINAS E PROCEDIMENTOS</p><p>Todo estabelecimento deve possuir o Manual de Rotinas e Procedimentos</p><p>disponível a todos os profissionais. Trata-se de um roteiro descritivo do passo a</p><p>passo de cada serviço prestado e as recomendações sobre as atividades execu-</p><p>tadas, ou seja, é um guia, que pode e deve ser consultado sempre que houver dú-</p><p>vidas de como agir em determinada situação. Esse manual também é conhecido</p><p>como Manual de Boas práticas (MBP) ou Procedimento Operacional Padrão (POP).</p><p>Basicamente, é um passo a passo com a finalidade de padronizar as atividades de</p><p>cada trabalhador, de forma a minimizar os riscos a que estão expostos. No MBP, há</p><p>a descrição das funções de cada cargo existente, de forma que exista uma divisão</p><p>e atribuição de responsabilidades. Alguns exemplos de descrição de atividades são:</p><p>• Forma correta de lavar as mãos.</p><p>• Aferição de pressão arterial e temperatura.</p><p>• Aplicação de medicamentos injetáveis.</p><p>• Perfuração de lóbulo auricular.</p><p>• Limpeza e organização da farmácia.</p><p>• Reposição de estoque.</p><p>• Entre outras.</p><p>Veja um exemplo importante relacionado à biossegurança:</p><p>Lavagem das mãos</p><p>A lavagem correta das mãos é uma das mais importantes medidas utilizadas</p><p>na diminuição da propagação de doenças. Essa lavagem tem a finalidade de livrar</p><p>as mãos da sujeira, removendo bactérias, transitórias e residentes, como também</p><p>células descamativas, pelos, suor e oleosidade da pele, e deverá ser feita antes e</p><p>depois de atender cada cliente. Os profissionais devem adotar esse procedimento</p><p>como um hábito e seguir as recomendações e etapas de desenvolvimento da se-</p><p>guinte técnica:</p><p>• Ficar em posição confortável, sem tocar a pia, e abrir a torneira, de preferência,</p><p>com a mão não dominante, isto é, com a esquerda, se for destro, e com a direita,</p><p>se for canhoto.</p><p>• Manter, se possível, a água em temperatura agradável, já que a água quente ou</p><p>muito fria resseca a pele. Usar de preferência sabão líquido.</p><p>• Ensaboar as mãos e friccioná-las em todas as suas faces, espaços interdigitais,</p><p>articulações, unhas e extremidades dos dedos (Figura 5).</p><p>22</p><p>• Enxaguar as mãos, retirando totalmente a espuma e os resíduos de sabão.</p><p>• Enxugá-las com papel toalha descartável.</p><p>• Fechar a torneira utilizando papel toalha descartável (evitar encostar na torneira</p><p>ou na pia).</p><p>FIGURA 5 – LAVAGEM CORRETA DAS MÃOS</p><p>FONTE: <http://biblioteca.cofen.gov.br/videos/como-lavar-as-maos-coronavirus-1/>. Acesso em: 25</p><p>abr. 2022.</p><p>O farmacêutico tem um papel fundamental em estabelecer as boas</p><p>práticas e padronizar os procedimentos técnicos, uma vez que é o profissional</p><p>responsável pelo cumprimento das normas legais, capacitado para padronizar</p><p>a forma de execução dos serviços, atividades e tarefas, visto ser o detentor do</p><p>conhecimento técnico e o responsável direto pelos atos técnicos desempe-</p><p>nhados dentro do seu local de trabalho, devendo ter completa autonomia para</p><p>padronizar e modificar os procedimentos sempre que necessário, cabendo a</p><p>ele a aplicação de treinamentos periódicos e avaliação contínua do desempe-</p><p>nho de todos os funcionários envolvidos nas rotinas técnicas.</p><p>FONTE: <http://www.crfsp.org.br/orienta%C3%A7%C3%A3o-farmac%C3%AAutica/641-fiscali-</p><p>zacao-parceira/farm%C3%A1cia/8363-fiscalizacao-parceira-7.html>. Acesso em: 25 abr. 2022.</p><p>NOTA</p><p>23</p><p>4 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE</p><p>OCUPACIONAL</p><p>De acordo com a Norma Regulamentadora nº 7 da Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas (ABNT), da Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, do Ministério</p><p>do Trabalho, para os profissionais que trabalham nos estabelecimentos de embele-</p><p>zamento, são obrigatórios os seguintes exames médicos:</p><p>a) Exame admissional: exame médico que deverá ser realizado antes de o profissio-</p><p>nal assumir suas atividades no estabelecimento.</p><p>b) Exame periódico: exame médico anual para profissionais acima de 45 anos e</p><p>bianual para profissionais com idade entre 18 e 45 anos.</p><p>c) Exame de retorno ao trabalho: exame médico que deverá, obrigatoriamente, ser</p><p>realizado no primeiro dia de retorno ao trabalho, no caso de o profissional ter sido</p><p>afastado por período igual ou superior a 30 dias, por gestação, doença ou aci-</p><p>dente de natureza ocupacional ou não.</p><p>d) Exames de mudança de função: exame médico que deverá ser realizado antes</p><p>de qualquer mudança de função do profissional. Entende-se por mudança de</p><p>função qualquer</p><p>alteração de atividade, posto de trabalho ou setor, que implique</p><p>a exposição do profissional a risco diferente a que estava exposto.</p><p>e) Exame demissional: exame médico a ser realizado obrigatoriamente dentro dos</p><p>15 dias que antecederem o desligamento definitivo do profissional. Para o profis-</p><p>sional cabeleireiro, se o último exame (admissional ou periódico) foi realizado há</p><p>menos de 135 dias, está dispensado do exame demissional.</p><p>5 RESÍDUOS GERADOS NOS ESTABELECIMENTOS</p><p>DE SAÚDE E GERENCIAMENTO DESTES RESÍDUOS</p><p>O gerenciamento de resíduos sólidos é um conjunto de procedimentos de</p><p>planejamento, implementação e gestão para reduzir a produção de resíduos e pro-</p><p>porcionar coleta, armazenamento, tratamento, transporte e destino final adequado</p><p>aos resíduos gerados.</p><p>O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos é um documento que lista e</p><p>descreve as ações do manejo dos resíduos sólidos, levando em conta suas caracte-</p><p>rísticas e riscos e exigido por lei de todos os estabelecimentos de saúde.</p><p>É responsabilidade de todos os profissionais que trabalham nos estabele-</p><p>cimentos de embelezamento gerenciar os resíduos gerados. A primeira etapa do</p><p>24</p><p>gerenciamento de resíduos internos refere-se à operação de segregação ou sepa-</p><p>ração dos resíduos, no momento e no local de sua geração, acondicionados imedia-</p><p>tamente, de acordo com a sua classificação.</p><p>5.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS</p><p>A classificação dos resíduos sólidos, estabelecida nas Resoluções ou Legis-</p><p>lações do CONAMA e da ANVISA (RDC nº 306, em dezembro de 2004, pela ANVISA,</p><p>e da Resolução nº 358, em maio de 2005, pelo CONAMA), com base na composição</p><p>e características biológicas, físicas e químicas, tem como finalidade propiciar o ade-</p><p>quado gerenciamento desses resíduos, no âmbito interno e externo dos estabele-</p><p>cimentos de saúde.</p><p>Os resíduos sólidos são classificados em cinco grupos distintos:</p><p>• Grupo A: é o grupo dos resíduos com risco biológico. Representam risco à saúde</p><p>e ao meio ambiente devido à presença de agentes biológicos. Como exemplos,</p><p>temos: sangue, secreções, excreções e outros fluidos orgânicos, placas e lâmi-</p><p>nas de laboratório, carcaças de animais, entre outros.</p><p>• Grupo B: grupo dos resíduos com risco químico. Representam risco devido a ca-</p><p>racterísticas, como corrosividade, reatividade, toxicidade, entre outras. Exem-</p><p>plos: medicamentos vencidos e/ou contaminados, objetos perfurocortantes</p><p>contaminados com produtos químicos etc.</p><p>• Grupo C: grupo dos resíduos radioativos. Exemplos desse grupo são os resíduos</p><p>dos grupos A, B e D, contaminados com substâncias radioativas, ou ainda medi-</p><p>camentos provenientes de centros de radioterapia.</p><p>• Grupo D: grupo dos resíduos comuns. São aqueles que não se enquadram nos</p><p>grupos anteriores, pois não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à</p><p>saúde ou ao meio ambiente. Exemplos desse grupo são as sobras de alimentos</p><p>e resíduos das áreas administrativas.</p><p>• Grupo E: grupo dos materiais perfurocortantes. Como exemplos, têm-se as lâ-</p><p>minas de barbear, agulhas, ampolas de vidro, lâminas de bisturi, entre outros</p><p>(SILVEIRA; BRITO, 2010).</p><p>Como fazer a correta segregação dos resíduos:</p><p>Resíduo comum:</p><p>• Acondicionar em saco plástico de qualquer cor, exceto branca.</p><p>• O preenchimento dos sacos deve alcançar, no máximo, 2/3 de sua capacidade.</p><p>25</p><p>Resíduo infectante:</p><p>• Os materiais perfurantes e cortantes devem ser acondicionados em recipientes</p><p>apropriados de parede rígida, devidamente identificados com o resíduo infectante.</p><p>• Para os não perfurantes e cortantes, utilizar sacos plásticos de cor branca leitosa.</p><p>Cuidados necessários ao manusear os resíduos infectantes:</p><p>a) A manipulação destes resíduos deve ser a mínima possível.</p><p>b) Manter os sacos contendo resíduos infectantes em local seguro, até o seu ma-</p><p>nejo para descarte.</p><p>c) Nunca abrir os sacos contendo estes resíduos para inspecionar seu conteúdo.</p><p>d) Adotar procedimentos de manuseio que preservem a integridade dos sacos</p><p>plásticos contendo resíduos.</p><p>e) No caso de rompimento, com espalhamento de seu conteúdo, rever os procedi-</p><p>mentos de manuseio.</p><p>f) Armazenar em local previamente determinado e de fácil acesso ao serviço de</p><p>coleta especial.</p><p>Na figura a seguir, estão demonstrados os símbolos que ilustram as lixeiras,</p><p>os sacos plásticos, as caixas, as latas etc. dos principais tipos de resíduos.</p><p>FIGURA 6 – SÍMBOLOS PARA IDENTIFICAR OS DIFERENTES TIPOS DE RESÍDUOS</p><p>FONTE: <http://www.atitudeambiental.com/classe.html>. Acesso em: 25 abr. 2022.</p><p>26</p><p>O primeiro passo ao adequado manejo dos resíduos sólidos é conhecer os</p><p>tipos de resíduos gerados, identificando-os de acordo com os diferentes grupos que</p><p>estudamos anteriormente. Os próximos passos seriam, em sequência, a segregação</p><p>ou separação, o acondicionamento, a coleta interna, o transporte interno, o armaze-</p><p>namento, a coleta externa, o transporte externo, o tratamento e a disposição final.</p><p>O processo de segregação consiste em separar e selecionar os resíduos de</p><p>acordo com a classificação adotada, no local de geração do lixo. Tem como objetivos</p><p>a minimização da contaminação de resíduos comuns, a redução dos riscos à saúde</p><p>e a prevenção de acidentes com perfurocortantes, a separação do lixo reciclável e,</p><p>consequentemente, a diminuição dos custos no manejo dos resíduos.</p><p>O acondicionamento ou processo de guarda dos resíduos reduz o risco de</p><p>contaminação, além de facilitar a coleta, o transporte e o armazenamento desse</p><p>material (SILVEIRA; BRITO, 2010). É de extrema importância que a coleta interna</p><p>seja realizada por trabalhadores qualificados e providos de EPI. A coleta é dividida</p><p>em dois tipos ou níveis:</p><p>a) Coleta interna I: é a remoção dos recipientes (resíduo acondicionado) do local de</p><p>geração dos resíduos para o local de armazenamento temporário.</p><p>b) Coleta interna II: quando os resíduos são transportados do local de armazena-</p><p>mento temporário para o local de armazenamento interno.</p><p>Após a coleta, seguimos para o transporte, que tem como objetivo recolher</p><p>o material das diferentes fontes geradoras para o armazenamento temporário ou</p><p>interno. Durante o transporte, deve-se ter o cuidado de não danificar os recipien-</p><p>tes (sacos plásticos, caixas de papelão etc.) contendo os resíduos. Para isso, eles</p><p>devem ser transportados em carrinhos exclusivos para esse fim. O armazenamento</p><p>dos resíduos consiste na guarda ou estocagem, de forma segura, dos resíduos em</p><p>locais apropriados.</p><p>• Armazenamento interno ou temporário: os resíduos são mantidos em locais se-</p><p>guros até o momento da coleta interna II.</p><p>• Armazenamento externo: os resíduos são mantidos em locais seguros até a rea-</p><p>lização da coleta externa.</p><p>A coleta externa deverá ser diária para os resíduos dos grupos A e D, para se</p><p>evitar o risco de contaminação ambiental e proliferação de vetores e odores desa-</p><p>gradáveis. Alguns estabelecimentos, dependendo do tipo de trabalho desenvolvido,</p><p>terão uma coleta específica para os resíduos do grupo B. Na maioria dos estabele-</p><p>27</p><p>cimentos de saúde, os resíduos do grupo C são tratados por eles próprios, sendo</p><p>coletados posteriormente.</p><p>O transporte externo tem o objetivo de levar o resíduo do local onde foi ar-</p><p>mazenado ao local de tratamento e disposição final, através de veículos devida-</p><p>mente equipados. O tratamento que vem na sequência do transporte tem como</p><p>objetivo alterar as características físicas, físico-químicas, químicas ou biológicas</p><p>dos resíduos, diminuindo, assim, os riscos à saúde e à qualidade do meio ambiente.</p><p>Na disposição final dos resíduos sólidos, são realizados procedimentos que</p><p>visam à destruição ambientalmente adequada dos resíduos em concordância com</p><p>as exigências legais. Dentre as técnicas para a disposição final dos resíduos, as mais</p><p>usadas são o aterro sanitário e as valas sépticas. Lembrando que, para cada grupo</p><p>de resíduos, existem diferentes tipos de riscos, sendo necessário, portanto, o em-</p><p>prego do tratamento e destinação final adequados para cada um.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Leia o trecho deste artigo que</p><p>fala sobre acidentes de trabalho envol-</p><p>vendo objetos perfurocortantes. O artigo foi publicado na Revista de Epide-</p><p>miologia e Controle de Infecção, em 2015.</p><p>Acidentes com perfurocortantes em trabalhadores da saúde: revisão</p><p>da literatura</p><p>Alexandra Camargo de Moraes Novack</p><p>Luciana Brondi Karpiuck</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A partir da década de 1980, com a epidemia de in fecção pelo Vírus da</p><p>Imunodeficiência Humana (HIV), iniciaram de forma ainda muito incipiente as</p><p>preocupações com medidas profiláticas, e o acompanhamento clínico labora-</p><p>torial em relação aos trabalhadores da saúde ex postos ao risco de acidentes</p><p>de trabalho aumentaram.</p><p>Naquela época, então, desencadearam as condutas pré e pós-exposi-</p><p>ção como forma de prevenir o risco de contaminação do trabalhador por pató-</p><p>28</p><p>genos trans missores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e pelos vírus</p><p>da hepatite B e C no ambiente de trabalho. No início da epidemia, as pesso-</p><p>as acometidas tinham características comuns, eram adultos jovens e sadios,</p><p>homossexuais e usuários de drogas injetáveis. No entanto, verificou-se, pouco</p><p>tempo depois, que o HIV não estava restrito apenas ao grupo de homossexuais</p><p>ou bissexuais, surgindo relatos de identificação em usuários de drogas endo-</p><p>venosas, hemofílicos, parceiros heterossexuais de pessoas com o vírus, traba-</p><p>lhadores da saúde, através da exposição ocupacional, receptores de sangue e</p><p>seus derivados e através de transfusão.</p><p>O profissional da saúde, em sua prática diária, está exposto a um risco</p><p>maior de adquirir determinadas infec ções imunologicamente preveníveis do</p><p>que a população em geral. O risco de adquirir infecções sanguíneas por lesões</p><p>perfurocortantes preocupa os trabalhadores de saúde e a administração dos</p><p>hospi tais em todo o mundo. Esses trabalhadores vivenciam diariamente a ex-</p><p>posição a materiais contaminantes e perfurocortantes em sua prática.</p><p>O manuseio de material perfurante predomina co mo situação de ex-</p><p>posição a acidente ocupacional entre os profissionais da área da saúde, que</p><p>desempenham suas atividades laborais em instituições de saúde, atividades</p><p>que envolvem o contato com pacientes e com sangue e outros fluidos corpó-</p><p>reos constantemente.</p><p>Esses trabalhadores devem estar conscientes quan to a sua responsa-</p><p>bilidade no atendimento aos pacientes, bem como dos cuidados de biosse-</p><p>gurança, que visa protegê-los contra as doenças infectocontagiosas no seu</p><p>ambiente de trabalho. Os profissionais da saúde en frentam o desafio do HIV e</p><p>outras doenças infecciosas e vivenciam diariamente a promoção do cuidado</p><p>adequado à grande demanda de doentes e a adoção de normas adequadas</p><p>de biossegurança.</p><p>O termo biossegurança teve sua real significação a partir da Lei nº</p><p>8.975, de 5 de janeiro de 1995, através da criação da Comissão Técnica Na-</p><p>cional de Biossegurança (CTN-Bio). Essa Lei tem uma dimensão ampla, que</p><p>extrapo la a área da saúde e do trabalho, sendo empregada quando há refe-</p><p>rência ao meio ambiente e à biotecnologia.</p><p>Os acidentes com materiais perfurocortantes são graves em virtude</p><p>de suas consequências para o traba lhador. Esses profissionais estão constan-</p><p>29</p><p>temente expos tos a resíduos biológicos contaminantes, dentre estes, o vírus</p><p>da AIDS (HIV) e o das hepatites B e C (HBV e HCV). [...]</p><p>ACIDENTE DE TRABALHO</p><p>O ambiente de trabalho hospitalar tem sido con siderado insalubre por</p><p>agrupar pacientes portadores de diversas enfermidades infectocontagiosas,</p><p>viabilizando muitos procedimentos que oferecem riscos de acidentes e doen-</p><p>ças para os trabalhadores da saúde.</p><p>A não utilização dos equipamentos de segurança, o cansaço, as mui-</p><p>tas atribuições, o desconforto, o descuido e os equipamentos inadequados</p><p>são considerados fatores importantes quanto ao número crescente de pro-</p><p>fissionais que sofrem acidentes de trabalho, em especial durante a utilização</p><p>de agulhas e perfurantes. O ambiente hospitalar favorece a ocorrência dos</p><p>agravos, visto o elevado número de procedimentos invasivos.</p><p>A Organização Mundial da Saúde cita que aconte cem em média quatro</p><p>exposições percutâneas por ano em trabalhadores da África, leste do Medi-</p><p>terrâneo e Ásia. Nos Estados Unidos, ocorrem 800 mil acidentes por ano rela-</p><p>cionados a agulhas e, no Brasil, os dados de acidentes com perfurocortantes</p><p>são incertos, especialmente em virtude da subnotificação.</p><p>Na prática, pouca atenção é dispensada aos aciden tes com mate-</p><p>riais perfurocortantes quando avaliamos sua alta frequência, sua significativa</p><p>subnotificação e a necessidade de preveni-los em função das graves con-</p><p>sequências que acometem os trabalhadores expostos a esses acidentes.</p><p>No entanto, até o momento, a resposta a este desafio não tem sido a mais</p><p>adequada. Ora estes profissionais adotam procedimentos de biossegurança</p><p>desnecessários ou onerosos, ora eximem-se de qualquer cuidado, ficando ex-</p><p>postos ao risco de infecção</p><p>É grande o número de profissionais indiferentes frente ao seu aciden-</p><p>te, banalizando a situação e a sua gra vidade, aumentando, assim, por conse-</p><p>quência, a gravidade da exposição. Nesses casos, a aparição da consequên-</p><p>cia não é imediata e nem visível a olho nu, e negligenciar o perigo é colocar em</p><p>risco a saúde dos trabalhadores.</p><p>As causas de acidentes com material biológico in cluem reencape de</p><p>agulha, descarte inadequado de ma terial contaminado, transporte e manipu-</p><p>30</p><p>lação de artigos contaminados. Os acidentes relacionados a picadas de agu-</p><p>lhas são responsáveis por 80 a 90% das transmissões de doenças infecciosas</p><p>entre trabalhadores da saúde.</p><p>Com o objetivo de minimizar os riscos relacionados à exposição a mate-</p><p>riais contaminantes pelos trabalha dores da saúde, a Lei Federal nº 6.514, de 22</p><p>de dezembro de 1977 (alte rou o Capítulo V, do Título II, da Consolidação das Leis</p><p>do Trabalho), aprovou todas as Normas Regulamentadoras (NR), dentre essas, a</p><p>NR 32, que abrange diretamente a Segurança e a Medicina do Trabalho.</p><p>Devido a esses acidentes, todo e qualquer esta belecimento de assis-</p><p>tência à saúde tem que prestar a segurança e saúde no trabalho, por isso foi</p><p>estabelecida a NR 32, Norma Regulamentadora de segurança e saúde no tra-</p><p>balho em estabelecimentos de assistência à saúde.</p><p>A NR 32 estabelece diretrizes para a elaboração e a implementação</p><p>de medidas de prevenção, promoção e assistência à saúde em geral, dentre</p><p>essas, o Plano de Prevenção de Riscos de Acidentes com Materiais Perfu-</p><p>rocortantes.</p><p>ASPECTOS PSICOLÓGICOS ASSOCIADOS AOS ACI DENTES DE</p><p>TRABALHO</p><p>Os acidentes de trabalho ocasionados por material perfurocortante</p><p>entre trabalhadores de enfermagem são frequentes, devido ao número eleva-</p><p>do de manipulação, principalmente de agulhas, e representam prejuízos aos</p><p>trabalhadores e às instituições. Tais acidentes podem ofere cer riscos à saúde</p><p>física e mental dos trabalhadores.</p><p>Embora os prejuízos físicos sejam mais facilmente percebidos, os sin-</p><p>tomas e os transtornos psiquiátricos têm sido cada vez mais observados. O</p><p>Transtorno de Estres se Pós-Traumático (TEPT) vem sendo entendido como</p><p>uma das psicopatologias que podem ser desencadeadas após a vivência de</p><p>um acidente no contexto do trabalho, causando prejuízos e grandes impactos</p><p>na qualidade de vida deste trabalhador.</p><p>A consequência da exposição ocupacional aos patógenos transmiti-</p><p>dos pelo sangue não está somente relacionada à infecção. A cada ano mi-</p><p>31</p><p>lhares de trabalha dores da saúde são afetados por trauma psicológico, que</p><p>perdura durante os meses de espera dos resultados dos exames sorológicos.</p><p>Dentre outras consequências, estão ainda as alterações das práticas sexuais,</p><p>os efeitos colaterais das drogas profiláticas e a perda do emprego.</p><p>As vivências do trabalhador em sua rotina diária exercem influência</p><p>nas suas relações, interferindo em sua vida como um todo, tanto no ambiente</p><p>de trabalho como em seu contexto doméstico e social. Quando o profissional</p><p>revela que sofreu um acidente, assume que esteve exposto ao risco e que</p><p>existe um potencial de contaminação, o que recai diretamente</p><p>sobre toda a</p><p>família, que muitas vezes desconhece o risco. O acidente parece provocar nos</p><p>relacionamentos íntimos desconforto e confronto com um estilo de vida que</p><p>escapa àquilo que está relacionado ao trabalho, acarretando desconfiança.</p><p>Assim, a negociação pelo uso de preservativos, nem sempre utilizados em</p><p>relacionamentos estáveis, pode transformar-se em um obstáculo.</p><p>EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)</p><p>Os trabalhadores da área da saúde estão expostos diariamente a di-</p><p>versos riscos causados por agentes quí micos, físicos, biológicos, psicosso-</p><p>ciais e ergonômicos. Esses profissionais apresentam maior exposição a mate-</p><p>rial biológico em função da sua rotina diária. O fato de os profissionais terem</p><p>conhecimento sobre os riscos, no ambiente de trabalho, nem sempre garante</p><p>a adesão ao uso de medidas protetoras. O uso de Equipamento de Proteção</p><p>Individual (EPI) é importante a fim de prevenir a exposição a agentes biológi-</p><p>cos contaminantes, além de oferecer maior proteção ao trabalhador.</p><p>O trabalhador deve utilizar os EPIs corretamente e responsabilizar-se</p><p>por sua conservação e guarda, comu nicando ao empregador qualquer altera-</p><p>ção ou dano.</p><p>A baixa adesão ao uso dos equipamentos de proteção individual e o</p><p>seu manuseio incorreto são decorrentes de fatores, como desconforto, incô-</p><p>modo, descuido, esquecimento, falta de hábito, inadequação dos equipamen-</p><p>tos, quantidade insuficiente e a descrença quanto ao seu uso.</p><p>O uso dos EPIs é fundamental não só para os profissionais da saúde,</p><p>bem como para todos que permeiam o ambiente hospitalar. Sua utilização</p><p>32</p><p>correta é de extrema importância, prevenindo infecções e promo vendo a</p><p>saúde.</p><p>As condutas adotadas diante de um acidente dependerão da análise</p><p>das características deste, levando-se em consideração: o volume de inocu-</p><p>lação, a profundidade da penetração da agulha ou objeto cor tante, o tipo e o</p><p>formato da agulha (o risco é maior quando a agulha é oca), a inoculação de</p><p>sangue, as características do paciente fonte (títulos circulantes) e a relativa</p><p>imunidade do trabalhador.</p><p>Diante desse contexto, promover a redução do número de acidentes</p><p>no ambiente de trabalho é possível quando o treinamento e a educação conti-</p><p>nuada são itens constantes no calendário da enfermagem. O uso correto dos</p><p>materiais e equipamentos e o desenvolvimento das técnicas conforme pa-</p><p>dronizado diminuem as chances de algo dar errado, pondo em risco a integri-</p><p>dade e a manutenção da saúde do profissional de enfermagem e de terceiros.</p><p>Medidas, como educação e sensibilização dos tra balhadores, Comis-</p><p>são Interna de Prevenção de Aciden tes (CIPA), Comissão de Controle de Infec-</p><p>ção Hospitalar (CCIH), Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA)</p><p>e Programa de Prevenção de Riscos Ocupacio nais (PPRO), treinamento e ca-</p><p>pacitação periódica para os funcionários, oferta de Equipamento de Proteção</p><p>individual (EPIs), bem como a adequação da estrutura física e funcional, po-</p><p>dem tornar mais seguro o ambiente hospitalar.</p><p>De acordo com o Ministério da Saúde, os EPIs que devem ser utilizados</p><p>para se prevenir acidentes com materiais perfurocortantes e exposição ao</p><p>material bio lógico são: luvas, máscaras, gorros, óculos de proteção, capotes</p><p>(aventais) e botas. Assim, o sucesso de qualquer programa educativo está di-</p><p>retamente ligado à participação e ao reconhecimento por parte dos trabalha-</p><p>dores e ao apoio da instituição.</p><p>FONTE: <https://www.researchgate.net/publication/281467574_ACIDENTES_COM_PERFU-</p><p>ROCORTANTES_EM_TRABALHADORES_DA_SAUDE_REVISAO_DA_LITERATURA>. Acesso</p><p>em: 26 abr. 2022.</p><p>33</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você estudou que:</p><p>• Os ambientes de saúde são locais reconhecidos também por apresentarem va-</p><p>riados riscos a trabalhadores e usuários, ou seja, por serem locais insalubres.</p><p>• Para a redução dos diversos riscos, existem as precauções padrão, que são cons-</p><p>tituídas por atitudes, normas, cuidados e equipamentos que visam à proteção</p><p>das pessoas envolvidas nos serviços de saúde de microrganismos causadores</p><p>de doenças.</p><p>• Uma das formas mais importantes e simples de proteção contra a transmissão</p><p>de doenças nesse meio é a lavagem rotineira e adequada das mãos.</p><p>• A falta de estrutura e o uso inadequado de equipamentos são alguns dos fatores</p><p>que contribuem para o aumento dos acidentes ocupacionais.</p><p>• Os ambientes de saúde são locais insalubres, em que o risco de acidentes e de</p><p>transmissão de doenças deve ser evitado a todo o tempo.</p><p>• Todo estabelecimento deve possuir o Manual de Rotinas e Procedimentos dispo-</p><p>nível a todos os profissionais do local.</p><p>• É responsabilidade de todos os profissionais que trabalham nos estabelecimen-</p><p>tos de saúde gerenciar os resíduos gerados.</p><p>• Os resíduos sólidos podem ser classificados em quatro grupos (A, B, C e D), di-</p><p>ferenciados de acordo com os riscos que representam aos seres humanos e ao</p><p>meio ambiente.</p><p>• Apesar de compor pequena parcela dos resíduos produzidos pelo homem, os</p><p>resíduos dos serviços de saúde são perigosos, por trazerem muitos riscos (bioló-</p><p>gicos, principalmente) ao homem e ao meio ambiente.</p><p>34</p><p>1 Para facilitar as rotinas dentro de um ambiente de saúde, é necessário existir</p><p>um manual que fale o passo a passo de cada atividade. Este manual é cha-</p><p>mado corretamente de:</p><p>a) Manual das Regras e Deveres.</p><p>b) Manual de Assuntos Gerais da Farmácia.</p><p>c) Manual de Boas Práticas.</p><p>d) Manual de Procedimento Operacional Comum.</p><p>2 Os resíduos sólidos recebem classificações específicas como uma forma de</p><p>facilitar o correto descarte e manuseio desses resíduos. Assinale a alternativa</p><p>CORRETA que traz um exemplo de resíduo químico:</p><p>a) Restos de alimentos.</p><p>b) Medicamentos vencidos.</p><p>c) Algodão com sangue.</p><p>d) Caixas de papelão.</p><p>3 A classificação dos resíduos sólidos visa facilitar o manuseio desses resídu-</p><p>os e evitar acidentes de trabalho. Assinale a alternativa CORRETA que traz um</p><p>exemplo de resíduo biológico:</p><p>a) Papel toalha.</p><p>b) Caixas de remédios.</p><p>c) Agulhas.</p><p>d) Algodão com sangue.</p><p>4 Como uma forma de manter a saúde dos trabalhadores sob controle, são</p><p>feitos exames periódicos com o médico do trabalho. Descreva os tipos de</p><p>exames que são feitos rotineiramente em uma empresa:</p><p>R.:</p><p>5 Registre o passo a passo da lavagem correta das mãos:</p><p>R.:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>35</p><p>ANDRADE, A. et al. Manual de prevenção de infecções associadas a procedi-</p><p>mentos estéticos. São Paulo: Rettec Artes Gráficas, 2008. Disponível em: https://</p><p>www.saudedireta.com.br/docsupload/1340372255ih08_manual.pdf. Acesso em:</p><p>26 abr. 2022.</p><p>BRASIL. Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as Normas Regu-</p><p>lamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Traba-</p><p>lho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Brasília, DF: Diário Oficial [da]</p><p>República Federativa do Brasil, 8 jun. 1978. Disponível em: https://www.camara.</p><p>leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=9CFA236F73433A3A-</p><p>A30822052EF011F8.proposicoesWebExterno1?codteor=309173&filename=Legisla-</p><p>caoCitada+-. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>BRASIL. Resolução RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regu-</p><p>lamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Brasília,</p><p>DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 7 dez. 2004. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2004/res0306_07_12_2004.</p><p>html. Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>BRASIL. Portaria MTb nº 485, de 11 de novembro de 2005. NR 32 - Segurança</p><p>e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Brasília, DF: Diário Oficial [da] Repú-</p><p>blica Federativa do Brasil, 16 nov. 2005. Disponível em: https://www.gov.br/traba-</p><p>lho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/</p><p>inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-32.pdf.</p><p>Acesso em: 18 abr. 2022.</p><p>BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 44, de 17 de agosto de</p><p>2009. Dispõe sobre Boas Práticas Farmacêuticas para o controle sanitário do fun-</p><p>cionamento, da dispensação e da comercialização de produtos e da prestação</p>

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