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<p>FACULDADE ÚNICA</p><p>DE IPATINGA</p><p>PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERDISCIPLINAR:</p><p>SINTAXE</p><p>1ª edição</p><p>Ipatinga – MG</p><p>2021</p><p>FACULDADE ÚNICA EDITORIAL</p><p>Diretor Geral: Valdir Henrique Valério</p><p>Diretor Executivo: William José Ferreira</p><p>Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos</p><p>Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira</p><p>Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa</p><p>Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva</p><p>Bruna Luiza Mendes Leite</p><p>Carla Jordânia G. de Souza</p><p>Guilherme Prado Salles</p><p>Rubens Henrique L. de Oliveira</p><p>Design: Brayan Lazarino Santos</p><p>Élen Cristina Teixeira Oliveira</p><p>Maria Luiza Filgueiras</p><p>Taisser Gustavo de Soares Duarte</p><p>© 2021, Faculdade Única.</p><p>Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização</p><p>escrita do Editor.</p><p>NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA</p><p>Rua Salermo, 299</p><p>Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG</p><p>Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300</p><p>www.faculdadeunica.com.br</p><p>http://www.faculdadeunica.com.br/</p><p>Menu de Ícones</p><p>Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo</p><p>aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles</p><p>são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com</p><p>uma função específica, mostradas a seguir:</p><p>São sugestões de links para vídeos, documentos</p><p>científicos (artigos, monografias, dissertações e teses),</p><p>sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e</p><p>Biblioteca Pearson) relacionados ao conteúdo</p><p>abordado.</p><p>Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações</p><p>importantes nas quais você deve ter um maior grau de</p><p>atenção!</p><p>São exercícios de fixação do conteúdo abordado em</p><p>cada unidade do livro.</p><p>São para o esclarecimento do significado de</p><p>determinados termos/palavras mostradas ao longo do</p><p>livro.</p><p>Este espaço é destinado para a reflexão sobre questões</p><p>citadas em cada unidade, associando-o a suas ações,</p><p>seja no ambiente profissional ou em seu cotidiano.</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE</p><p>01</p><p>UNIDADE</p><p>02</p><p>UNIDADE</p><p>03</p><p>UNIDADE</p><p>04</p><p>UNIDADE</p><p>05</p><p>UNIDADE</p><p>06</p><p>A SINTAXE NA HISTÓRIA DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS ........................... 8</p><p>1.1 DEFININDO A SINTAXE.............................................................................................. 8</p><p>1.2 GRAMATICALIDADE, AGRAMATICALIDADE E NORMA PADRÃO ................... 12</p><p>1.3 BREVE HISTÓRIA DA SINTAXE ............................................................................ 15</p><p>1.4 GRAMÁTICA INTERNALIZADA, GRAMÁTICA DESCRITIVA E GRAMÁTICA</p><p>TRADICIONAL ..................................................................................................... 18</p><p>CLASSE E FUNÇÃO GRAMATICAL .......................................................... 26</p><p>2.1 AS DEZ CLASSES DE PALAVRAS ......................................................................... 30</p><p>2.2 AS FUNÇÕES SINTÁTICAS .................................................................................. 33</p><p>OS SINTAGMAS ....................................................................................... 41</p><p>3.1 COMO IDENTIFICAR OS SINTAGMAS? ............................................................. 44</p><p>3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS SINTAGMAS .................................................................. 48</p><p>OS TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO ................................................... 55</p><p>4.1 O SUJEITO ........................................................................................................... 56</p><p>4.2 TIPOS DE SUJEITO ............................................................................................... 58</p><p>4.3 O PREDICADO.................................................................................................... 61</p><p>4.4 TIPOS DE PREDICADO ........................................................................................ 65</p><p>OS TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO................................................ 71</p><p>5.1 COMPLEMENTOS VERBAIS: OBJETO DIRETO E OBJETO INDIRETO ................... 71</p><p>5.2 COMPLEMENTO NOMINAL ................................................................................ 74</p><p>5.3 AGENTE DA PASSIVA ......................................................................................... 75</p><p>OS TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO ................................................ 81</p><p>6.1 ADJUNTOS .......................................................................................................... 81</p><p>6.2 APOSTO .............................................................................................................. 84</p><p>UNIDADE</p><p>07</p><p>UNIDADE</p><p>08</p><p>UNIDADE</p><p>09</p><p>UNIDADE</p><p>10</p><p>UNIDADE</p><p>11</p><p>LINGUÍSTICA, GRAMÁTICA E SINTAXE: CONCEITOS E RELAÇÕES ........ 90</p><p>7.1 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 90</p><p>7.1.1 Fundamentos E Objetos Da Linguística: Revendo Conceitos ............. 90</p><p>7.1.2 Sintaxe Gerativista.......................................................................................100</p><p>7.1.3 Recapitulando .............................................................................................101</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 103</p><p>UNIDADES FORMAIS DA SINTAXE ......................................................... 109</p><p>8.1 CATEGORIAS DESCRITIVAS DA SINTAXE ........................................................ 109</p><p>8.2 FRASE, SENTENÇA, PERÍODO, ORAÇÃO......................................................... 110</p><p>8.3 MARCADORES INDICATIVOS DO SINTAGMA ................................................ 113</p><p>8.3.1 Colchetes......................................................................................................113</p><p>8.3.2 Asterisco ........................................................................................................114</p><p>8.3.3 Interrogação ................................................................................................114</p><p>8.3.4 Identificação Dos Constituintes Sintagmáticos E Princípios</p><p>Distribucionais ..............................................................................................116</p><p>8.3.5 Processos De Identificação Dos Constituintes Sintagmáticos ............116</p><p>8.3.6 Gramaticalidade E Agramaticalidade...................................................120</p><p>8.3.7 Classes De Palavras E Classificação De Sintagmas ..............................121</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 129</p><p>TERMINOLOGIAS DO ESTUDO DAS ORAÇÕES E CARACTERIZAÇÃO DAS</p><p>FUNÇÕES SINTÁTICAS ........................................................................... 133</p><p>9.1 NOMENCLATURA GRAMATICAL BRASILEIRA – NGB ...................................... 133</p><p>9.1.1 Termos Essenciais ......................................................................................135</p><p>9.1.2 Termos Integrantes ...................................................................................141</p><p>9.1.3 Termos Acessórios.....................................................................................146</p><p>9.1.4 Funções Discursivas..................................................................................147</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 149</p><p>PRINCÍPIOS ESTRUTURAIS DA ORAÇÃO ...............................................</p><p>a apassivação. Por exemplo:</p><p>(16) a. O João escreveu um poema.</p><p>b. Um poema foi escrito pelo João.</p><p>Esse teste mostra que tanto as sequências [um poema] quanto [o João] são</p><p>sintagmas, pois ambas podem ser deslocadas para posições diferentes ao longo da</p><p>frase.</p><p>Em linhas gerais, os testes que se demonstram mais eficazes para identificação</p><p>de sintagmas são o do deslocamento e o da clivagem.</p><p>48</p><p>3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS SINTAGMAS</p><p>Antes mesmo de apresentarmos uma classificação dos sintagmas, é necessário</p><p>que você entenda que toda frase é estruturada em torno de um princípio</p><p>hierárquico.Segundo Kenedy e Othero (2018, p. 28), “a existência dos sintagmas,</p><p>como unidade intermediária entre as palavras e frases, evidencia uma propriedade</p><p>fundamental da sintaxe das línguas naturais: a hierarquia”. Assim sendo, “as palavras</p><p>encontram-se estruturadas em sintagmas, os quais se organizam dentro de outros</p><p>sintagmas, de maneira recursiva, até que o sintagma final da estrutura (a frase) seja</p><p>constituído”.</p><p>Para exemplificar esse princípio da hierarquia, vamos analisar a frase (17), a</p><p>seguir:</p><p>(17) Os amigos da Maria conhecem o João.</p><p>Ao analisarmos esta frase, é possível observar que:</p><p>Na posição de sujeito, a palavra os se junta à palavra amigos e forma um</p><p>sintagma [os amigos]. Além disso, as palavras de, a e Maria se juntam e formam outro</p><p>sintagma [da Maria] e este se junta a[os amigos], formando um outro sintagma maior</p><p>[os amigos da Maria].</p><p>Esse sintagma maior é atraído pelo verbo conhecer, assim como o sintagma</p><p>[o João]. A partir dessa combinação de palavras e sintagmas chegamos à frase.</p><p>Outra premissa básica da sintaxe das línguas naturais é a de que todo</p><p>sintagma é organizado em torno de um núcleo que determina a sua categoria, ainda</p><p>que ele seja um sintagma unitário ou um sintagma nulo / vazio (KENEDY; OTHERO,</p><p>2018).</p><p>Neste curso, tomando como base Kenedy e Othero (2018), estudaremos quatro</p><p>tipos de sintagmas da língua portuguesa: o SN, sintagma nominal (nucleado</p><p>49</p><p>por um substantivo); o SV, sintagma verbal (nucleado por um verbo); o SP, sintagma</p><p>preposicional (nucleado por uma preposição) e o SA, sintagma adjetival (nucleado</p><p>por um adjetivo).</p><p>A figura a seguir, criada com base nesses autores, permite ver que a natureza</p><p>morfológica do núcleo projeta, para cima, a natureza do sintagma:</p><p>Figura 1: Natureza Morfológica Do Núcleo</p><p>SN SV SP SA</p><p>N V P A</p><p>Apresentamos, a seguir, uma definição breve de cada um desses quatro</p><p>sintagmas, tomando como base Kenedy e Othero (2018) e a Nova Gramática do</p><p>Português Brasileiro, de Castilho (2012):</p><p>Sintagma nominal (SN): é nucleado por um substantivo e pode ocupar as</p><p>funções sintáticas de sujeito (18a), objeto direto (18b) e complemento de preposição</p><p>(18c):</p><p>(18) a. [O João] gosta de doces.</p><p>b. A Maria ama [o João].</p><p>c. A Maria gosta d[o João].</p><p>Sintagma verbal (SV): é nucleado por um verbo e ocupa sempre a função</p><p>sintática de predicado. Desse modo, o SV contém todos os outros constituintes</p><p>presentes na frase, a exceção do sujeito e de eventuais vocativos. Reproduzimos as</p><p>frases do exemplo (18), destacando o SV:</p><p>(18) a.O João [gosta de doces].</p><p>b. A Maria [ama o João].</p><p>c. A Maria [gosta do João].</p><p>50</p><p>Sintagma preposicional: é nucleado por uma preposição e, de modo geral</p><p>ocupa as funções sintáticas de objeto indireto (19), complemento nominal (20),</p><p>adjunto adnominal (21) e adjunto adverbial (22).</p><p>(19) a. João chegou [de Recife].</p><p>b. João foi [ao parque].</p><p>c. João precisava [de ajuda].</p><p>(20) a. A confiança [nos alunos] era grande.</p><p>b. A construção [da casa] ficou perfeita.</p><p>c. A invenção [da bomba atômica] chocou o mundo.</p><p>(21) a. A confiança dos alunos era grande.</p><p>b. João comprou um livro [de matemática] para a Maria.</p><p>c. João tomou café [com leite].</p><p>(22) a. João chegou de Recife [em um dia de chuva].</p><p>b. João cortou o bolo [com a faca].</p><p>c. João tomou café com leite [no café da manhã].</p><p>Sintagma Adjetival (SA): é nucleado por um adjetivo e pode funcionar como</p><p>adjunto adnominal, enquanto constituinte do sintagma nominal (ex.: Céu [Azul]), ou,</p><p>como predicativo, enquanto constituinte do sintagma verbal (Maria é [bonita]).</p><p>Após essa explicação sobre os quatro sintagmas, resta-nos discorrer sobre</p><p>outros dois elementos que podem fazer parte da estrutura hierárquica dos sintagmas:</p><p>os complementos e os especificadores.</p><p>51</p><p>Como dissemos anteriormente, o núcleo pode ser o único elemento de um</p><p>sintagma, entretanto ele também pode estabelecer relações sintáticas com outros</p><p>elementos, denominados complementos e especificadores. O sintagma [a</p><p>construção da casa], por exemplo, tem como núcleo o substantivo construção e, por</p><p>isso, é classificado como SN. Esse núcleo contém um complemento, que é o SP [da</p><p>casa], e um especificador, que é o artigo definido a.</p><p>Na estrutura interna do SP [da casa], por sua vez, temos como núcleo a</p><p>preposição de e vemos que este é formado por um complemento que é o SN [a</p><p>casa]. O SN [a casa], por sua vez, é formado pelo núcleo casa e apenas por um</p><p>especificador que também é o artigo definido a.</p><p>52</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. O sintagma pode ser definido como:</p><p>a) a unidade formada por palavras isoladas que desempenham as funções</p><p>sintáticas em uma frase.</p><p>b) a unidade formada por um grupo de palavras que é responsável por</p><p>desempenhar as funções sintáticas em uma frase.</p><p>c) a unidade intermediária de análise da sintaxe responsável por desempenhar as</p><p>funções sintáticas em uma frase.</p><p>d) a unidade máxima de análise da sintaxe responsável por desempenhar as</p><p>funções sintáticas em uma frase.</p><p>e) a unidade mínima de análise da sintaxe responsável por desempenhar as funções</p><p>sintáticas em uma frase.</p><p>2. Uma crítica que pode ser feita à GT com relação à definição de pronomes é que:</p><p>a) os pronomes não substituem apenas os substantivos, mas sim, a sequência de</p><p>palavras formada por [artigo+substantivo].</p><p>b) os pronomes não substituem os substantivos e, sim, os sintagmas nominais.</p><p>c) os pronomes substituem apenas a sequência de palavras formada por</p><p>[substantivo + adjetivo].</p><p>d) os pronomes substituem apenas os substantivos e nunca os sintagmas nominais.</p><p>e) os pronomes substituem os substantivos, os adjetivos e os advérbios.</p><p>3. Qual termo em destaque é um sintagma? (Caso seja necessário, utilize os testes</p><p>de deslocamento e clivagem para descobrir)</p><p>a) [A Helena apresentou] uma palestra na universidade.</p><p>b) A Helena [apresentou uma] palestra na universidade.</p><p>c) A Helena apresentou uma [palestra na] universidade.</p><p>d) A Helena apresentou uma [palestra] na universidade.</p><p>e) A Helena apresentou uma palestra [na universidade].</p><p>53</p><p>4. Qual é a classificação do sintagma destacado em "desenvolvimento pessoal</p><p>[com o Professor Karnal]"?</p><p>a) Adjetival.</p><p>b) Nominal .</p><p>c) Oração.</p><p>d) Preposicional.</p><p>e) Verbal.</p><p>5. Qual é a classificação do sintagma destacado em: “Confira os [novos] produtos</p><p>da Apple” (UOL, 15 set. 2021)?</p><p>a) Adjetival.</p><p>b) Não é um sintagma.</p><p>c) Nominal.</p><p>d) Preposicional.</p><p>e) Verbal.</p><p>6. Qual é a classificação do sintagma destacado no título da notícia "[Inglaterra]</p><p>inicia grande reforma em círculo de pedra de Stonehenge" (Uol, 15 set. 2021)?</p><p>a) Adjetival.</p><p>b) Não é um sintagma.</p><p>c) Nominal.</p><p>d) Preposicional.</p><p>e) Verbal.</p><p>7. Qual é a alternativa que apresenta a classificação correta dos sintagmas</p><p>destacados em "Inglaterra inicia grande reforma [em círculo [de pedra [de</p><p>Stonehenge]]]" (Uol, 15 set. 2021)?</p><p>a) [SA em círculo [SP de pedra [SP de Stonehenge]]].</p><p>54</p><p>b) [SN em círculo [SP de pedra [SA de Stonehenge]]].</p><p>c) [SN em círculo [SP de pedra [SP de Stonehenge]]].</p><p>d) [SP em círculo [SP de pedra [SP de Stonehenge]]].</p><p>e) [SV em círculo [SN de pedra [SP de Stonehenge]]].</p><p>8. (AOCP - 2016) Na oração “As investigações iniciais ocorrem aqui e, na hora que a</p><p>criança tem alta, a investigação tem continuidade na cidade onde ela reside”,</p><p>o pronome pessoal “ela” funciona como elemento coesivo, retomando o</p><p>sintagma:</p><p>a) “A gente”.</p><p>b) “Esse município”.</p><p>c) “A criança”.</p><p>d) “A investigação”</p><p>e) “Na cidade”.</p><p>55</p><p>OS TERMOS ESSENCIAIS DA</p><p>ORAÇÃO</p><p>Estudamos, na unidade 2, que a Norma Gramatical Brasileira classifica o sujeito</p><p>e o predicado como termos essenciais da oração. Kenedy e Othero (2018) explicam</p><p>que esses elementos são assim considerados por comporem a estrutura básica de</p><p>toda oração. Nesse sentido, todas as demais funções sintáticas (como a dos</p><p>complementos nominais, complementos verbais, adjuntos adnominais, adjuntos</p><p>adverbiais etc.) são desempenhadas por elementos que se encontram ou no interior</p><p>do SNsujeito ou no interior do SVpredicado.</p><p>Observe, nas frases a seguir, que temos orações constituídas de um SN sujeito</p><p>e um SV predicado:</p><p>a. [ORAÇÃO [SN Orquídeas [SV dão flores]].</p><p>b. [ORAÇÃO [SN As orquídeas do meu jardim [SV dão flores [SPem setembro]]].</p><p>No exemplo (23a), o SN sujeito é constituído apenas pelo seu núcleo, que é o</p><p>substantivo orquídeas e o SV predicado é constituído pelo seu núcleo, que é o verbo</p><p>dar, e por um complemento, que é o SN [flores]. Esse complemento assume a função</p><p>sintática de objeto direto.</p><p>No exemplo (23b), além do núcleo orquídeas, o SN contém um especificador,</p><p>que é o artigo definido as, e o SP [do meu jardim]. Tanto esse especificador quanto o</p><p>SP assumem a função sintática de adjunto adnominal. Além disso, observe que,</p><p>dentro do SV, o SP [em setembro] assume a função sintática de adjunto adverbial.</p><p>É considerando o fato de que todas as demais funções sintáticas de uma frase</p><p>estão no interior do SNsujeito e do SVpredicado que podemos dizer que esses são os termos</p><p>essenciais da oração.</p><p>56</p><p>Cabe lembrar que, ainda que o SNsujeito seja foneticamente nulo, como mostra</p><p>o exemplo (24), a seguir, podemos identificá-lo pela flexão morfológica do verbo, ou</p><p>seja, pela terminação [-ei]:</p><p>(24) [SNsujeito Ø] Cheguei cedo.</p><p>Nas seções subsequentes, apresentaremos, respectivamente, uma descrição</p><p>acerca do sujeito (4.1) e suas classificações (4.1.1), e uma descrição acerca do</p><p>predicado (4.2) e suas classificações (4.2.1).</p><p>4.1 O SUJEITO</p><p>O SNsujeito, quando foneticamente realizado, pode ter seu núcleo formado por</p><p>um substantivo (3a) ou por um pronome (3b):</p><p>(25) a. O Pedro fez a prova do Enem.</p><p>b. Ele fez a prova do Enem.</p><p>Quando formado por um pronome, segundo Cunha e Cintra (2017), o</p><p>SNsujeitopode ser um pronome pessoal do caso reto de 1ª, 2ª ou 3ª pessoa, tanto do</p><p>singular (eu, tu/você, ele) quanto do plural (nós, vocês, eles):</p><p>(26) a. Eu fiz a prova do Enem.</p><p>b. Você fez (ou tu fizeste / fez) a prova do Enem.</p><p>c. Ele fez a prova do Enem.</p><p>d. Nós fizemos (ou a gente fizemos / fez) a prova do Enem.</p><p>e. Vocês fizeram a prova do Enem.</p><p>f. Eles fizeram a prova do Enem.</p><p>57</p><p>Por outro lado, O SNsujeito também pode ser formado pronomes demonstrativos</p><p>(27a), relativos (27b), interrogativos (27c) e indefinidos (27d), conjugados na 3ª pessoa</p><p>(CUNHA; CINTRA, 2017):</p><p>(27) a. Aquele é o diário da Maria.</p><p>b. O diário, que está em cima da mesa, é da Maria.</p><p>c. Quem é a dona daquele diário?</p><p>d. Ninguém é a dona daquele diário.</p><p>Segundo esses mesmos gramáticos, o numeral também pode ser núcleo de um</p><p>SNsujeito:</p><p>(28) Os dois viajaram ontem.</p><p>58</p><p>Após a descrição acerca da estrutura do SNsujeito, passaremos para a</p><p>apresentação da classificação, proposta pela NGB, para essa função sintática.</p><p>4.2 TIPOS DE SUJEITO</p><p>Dentro da tradição gramatical, o sujeito de uma oração costuma receber</p><p>cinco classificações: simples, composto, oculto (ou desinencial), indeterminado e</p><p>inexistente (ou oração sem sujeito).</p><p>A diferença entre o sujeito simples e composto se estabelece pela quantidade</p><p>de núcleos que o SNsujeito apresenta. Quando este contém apenas um só núcleo, ele</p><p>é classificado como sujeito simples, quando apresenta mais de um núcleo, ele é</p><p>classificado como sujeito composto (KENEDY; OTHERO, 2018). Observe os exemplos</p><p>(29) e (30), a seguir:</p><p>(29) [SNsujeito As rosas] têm espinhos.</p><p>(30) “[ SNsujeito O burro e o cavalo] nadavam ao lado da canoa.” (Herberto Sales)</p><p>Em (29), o SNsujeito é formado por apenas um núcleo, que é o substantivo rosas;</p><p>por isso, ele é classificado, sintaticamente, como sujeito simples. Já, em (30), o SNsujeito</p><p>é formado por dois núcleos, os substantivos burro e cavalo, e, por isso, ele é</p><p>classificado como sujeito composto.</p><p>As classificações do sujeito oculto, indeterminado e inexistente compartilham</p><p>a propriedade de não terem o SN realizado foneticamente. Logo, a oração</p><p>apresentará um SN nulo/vazio (Ø) (KENEDY; OTHERO, 2018). Comparemos os exemplos</p><p>a seguir, em que temos ocorrências de um sujeito oculto (31), sujeito indeterminado</p><p>(32) e sujeito inexistente (33):</p><p>(31) a. [SNsujeito Ø] Viajarei amanhã.</p><p>b. O João chegou e [SNsujeito Ø] pegou um livro.</p><p>c. O João comprou cinco novos livros hoje na livraria nova do campus.</p><p>Amanhã, [SNsujeito Ø] pretende voltar lá para adquirir mais alguns. (KENEDY, OTHERO,</p><p>59</p><p>2018, p.66)</p><p>(32) a. [SNsujeito Ø] Roubaram o carro do meu tio.</p><p>b. [SNsujeito Ø] Precisa-se de garçom.</p><p>(33) a. [SNsujeito Ø] Choveu muito ontem.</p><p>b. [SNsujeito Ø] Faz muito frio aqui no sul do Brasil.</p><p>c. [SNsujeito Ø] Já faz tanto tempo que eu ganhei esse livro.</p><p>d. [SNsujeito Ø] Havia muitas pessoas na manifestação.</p><p>Em (31a), apesar do SN ser foneticamente nulo, a função sintática de sujeito é</p><p>inferível por meio do contexto, através da flexão morfológica do verbo. Nesse caso,</p><p>a desinência verbal [-ei], em viajarei, indica que o sujeito se trata da primeira pessoa</p><p>do singular eu. Quando isso acontece, esse tipo de sujeito é classificado como sujeito</p><p>oculto ou desinencial.</p><p>O sujeito oculto também pode ser recuperado por meio de uma retomada</p><p>anafórica, na própria oração (31b), ou, em orações ou períodos anteriores (31c). Note</p><p>que o sujeito do verbo pegar, em (31b), é o mesmo do verbo chegar, ou seja, é o SN</p><p>[O João]. Da mesma forma, em (31c), o sujeito do verbo pretender é o mesmo do</p><p>verbo comprar.</p><p>O sujeito indeterminado ocorre quando não se sabe ou não se quer mencionar</p><p>o agente da ação expressa pelo verbo (KENEDY; OTHERO, 2018), caso dos exemplos</p><p>em (32). De modo geral, a gramática tradicional prevê duas maneiras de expressá-</p><p>lo:</p><p>1) quando o verbo está na 3ª pessoa do plural e não faz referência a SN's de</p><p>orações ou períodos anteriores, caso do exemplo (32a): Roubaram o carro do meu</p><p>tio.</p><p>2) quando o verbo está na 3ª pessoa do singular junto à partícula -se</p><p>(denominada índice de indeterminação do sujeito), caso do exemplo (32b): Precisa-</p><p>se de garçom.</p><p>60</p><p>Observe que, nos exemplos dados em (32), provavelmente, não se sabe ou</p><p>não se deseja mencionar "quem" roubou o carro ou “quem” está precisando de um</p><p>garçom. No entanto, é necessário esclarecer que se o SNsujeito puder ser inferido a</p><p>partir de alguma informação anterior, dada pelo contexto, ele deixa de ser</p><p>classificado como indeterminado e passa a ser classificado como sujeito oculto. É isso</p><p>que ocorre</p><p>nos exemplos dados em (34), a seguir:</p><p>(34) a. [SNsujeito Os ladrões] apareceram pedindo ajuda e depois [SNsujeito Ø]</p><p>roubaram o carro do meu tio.</p><p>b. [SNsujeito O João] disse que [SNsujeito Ø] está precisando de garçom.</p><p>O sujeito inexistente ocorre com verbos que expressam fenômenos naturais</p><p>(chover, ventar, nevar, trovejar etc.), fenômenos metereológicos (estar tarde, fazer frio</p><p>etc.), tempo transcorrido (fazer tantos anos, haver tanto tempo etc.) e com o verbo</p><p>haver no sentido de 'existir'.</p><p>Todos os exemplos dados em (33) apresentam sujeito inexistente. Em (33a), o</p><p>verbo da frase expressa um fenômeno natural: Choveu muito ontem; em (33b), a</p><p>estrutura verbal expressa um fenômeno meteorológico: Faz muito frio aqui no sul do</p><p>Brasil; em (33c), expressa tempo transcorrido: Já faz tanto tempo que eu ganhei esse</p><p>livro; e em (33d) apresentamos um exemplo de frase com o verbo haver no sentido</p><p>de 'existir': Havia muitas pessoas na manifestação.</p><p>Algumas gramáticas apresentam ainda outras três classificações para o sujeito</p><p>– sujeito agente, sujeito paciente e sujeito agente e paciente – que estão mais</p><p>relacionadas com a função semântica do SNsujeito, (se ele designa a entidade no</p><p>mundo que pratica ou recebe a ação expressa pelo verbo) do que com a sua função</p><p>sintática na frase. Cunha e Cintra (2017, p. 145-146) explicam que: “quando o verbo</p><p>exprime uma ação, a atitude do sujeito com referência ao processo verbal pode ser</p><p>de atividade, de passividade, ou de atividade e passividade ao mesmo tempo”.</p><p>Assim sendo, no exemplo Maria levantou o menino, o SNsujeito [Maria] executa</p><p>a ação expressa pelo verbo levantar e, por isso, ele é classificado como sujeito</p><p>agente. Já no exemplo O menino foi levantado por Maria, a ação não é praticada</p><p>pelo SNsujeito [o menino], mas sim, pelo SN [Maria], que assume a função de agente</p><p>61</p><p>da passiva. O SNsujeito, nesse caso, sofre a ação e, por isso, ele é classificado como</p><p>sujeito paciente (CUNHA; CINTRA, 2017).</p><p>4.3 O PREDICADO</p><p>O predicado é formado pelo SV, ou seja, pelo verbo, seguido, ou não, de</p><p>complemento(s) ou adjuntos adverbiais (KENEDY, OTHERO, 2018). A NGB classifica</p><p>sintaticamente os verbos tendo em vista a possibilidade destes de selecionarem um</p><p>complemento ou não. Assim sendo, denominam-se verbos transitivos aqueles que</p><p>selecionam complementos e verbos intransitivos aqueles que não selecionam</p><p>complementos.</p><p>62</p><p>Cabe destacar que, dependendo do tipo de complemento que selecionam,</p><p>os verbos transitivos apresentam ainda uma subclassificação. Quando esse</p><p>complemento é um SN, eles são chamados de verbos transitivos diretos e, quando</p><p>selecionam um SP, verbos transitivos indiretos. Quando selecionam simultaneamente</p><p>um SN e um SP, eles são chamados de verbos transitivos diretos e indiretos ou</p><p>bitransitivos.</p><p>Estudaremos cada uma dessas classificações, tomando como base Cegalla</p><p>(2000):</p><p>Verbos intransitivos: são verbos que não necessitam de complemento, pois têm</p><p>sentido completo. Eles podem vir ou não acompanhados de um adjunto adverbial.</p><p>Ex.:</p><p>(35) a. As flores murcharam (ontem).</p><p>b. Os animais correm (muito).</p><p>c. As folhas caem (no outono).</p><p>Exemplos de verbos intransitivos: anoitecer, crescer, brilhar, ir, agir, sair, nascer,</p><p>latir, rir, tremer, brincar, chegar, vir, mentir, suar, adoecer etc.</p><p>Verbos transitivos: são verbos que não têm sentido pleno e necessitam de</p><p>complemento para inteirar a sua informação. Classificam-se em verbos transitivos</p><p>diretos, verbos transitivos indiretos e verbos transitivos diretos e indiretos, a depender</p><p>do tipo de complemento que selecionam.</p><p>63</p><p>Verbos transitivos diretos: são aqueles que pedem um SN como</p><p>complemento. Este SN assume a função sintática de objeto direto. Ex.:</p><p>(36) a. A empresa [SV produz [SN roupas de verão]].</p><p>b. Pedro [SV tem [SN uma casa]].</p><p>Observe que, nos dois exemplos em (36), o verbo seleciona, como</p><p>complemento, um SN, por isso, ele é classificado como verbo transitivo direto.</p><p>Alguns exemplos de verbos transitivos diretos são: abençoar, acolher, abraçar,</p><p>castigar, contrariar, convidar, desculpar, elogiar, entristecer, encontrar, ferir,</p><p>imitar, perseguir, prejudicar, ter, unir, ver etc.</p><p>2.2 Verbos transitivos indiretos: são aqueles que pedem um SP como</p><p>complemento. O SP assume a função sintática de objeto indireto. Ex.:</p><p>(37) a. João [SV obedeceu [SP à Maria]].</p><p>b. João [SV confia [SP em Maria]].</p><p>c. João [SV gosta [SP da Maria]].</p><p>No exemplo (37a), o verbo obedecer seleciona, como complemento, o</p><p>SP [à Maria]. Em (37b), o verbo confiar seleciona o SP [em Maria] e, em (37c),</p><p>o verbo gostar seleciona o SP [da Maria]. Alguns exemplos de verbos transitivos</p><p>indiretos citados na gramática do Cegalla são: abusar (de),cuidar</p><p>(de),obedecer (a),aludir (a),cogitar (em, de),obstar (a),conspirar</p><p>(contra),pagar (a),anuir (a),crer (em) confiar (em),precisar (de),contribuir</p><p>(para),gostar (de) etc.</p><p>64</p><p>2.3 Verbos transitivos diretos e indiretos: são aqueles que pedem,</p><p>simultaneamente, um SN e um SP como complemento.</p><p>(38) A empresa [SV fornece [SNcomida] [SP aos trabalhadores]].</p><p>No exemplo (38), o verbo “fornecer” exige um SN [comida] e o SP [aos</p><p>trabalhadores] como complemento. Alguns exemplos de verbos transitivos diretos e</p><p>indiretos citados na gramática do Cegalla são: dar, doar, ceder, oferecer, pedir,</p><p>prometer, explicar, ensinar, proporcionar, entregar, perguntar, informar, aconselhar</p><p>etc.</p><p>Verbos de ligação: são verbos que, não tendo sentido pleno, cumprem, na</p><p>língua, apenas uma função relacional, ou seja, a de ligar o predicativo ao sujeito.</p><p>(39) a. [SNsujeitoO Brasil][SV é [SN predicativo um país]].</p><p>b. [SNsujeitoHelena][SV parece [SA predicativofeliz]].</p><p>c. [SNsujeitoJoão][SV está [SP predicativo com dor de cabeça]].</p><p>Alguns exemplos de verbos de ligação: ser, estar, permanecer, ficar, continuar,</p><p>parecer, ficar.</p><p>Denomina-se predicativo o termo da oração que exprime um atributo, uma</p><p>característica, um estado ou modo de ser a outro elemento da oração (CEGALLA,</p><p>2000). Mais especificamente, quando esse termo se refere ao sujeito, ele é chamado</p><p>de predicativo do sujeito, e quando se refere ao objeto, predicativo do objeto.</p><p>O predicativo do sujeito é sempre correlacionado ao sujeito por meio de um</p><p>verbo de ligação. Analisando as frases em (39), observe que, em (39 a), o verbo ser</p><p>65</p><p>correlaciona o predicativo [um país] ao sujeito [O Brasil]; em (39b), o verbo parecer</p><p>correlaciona o predicativo [feliz] ao sujeito [Helena] e, em (39c) o verbo estar</p><p>correlaciona o predicativo [com dor de cabeça] ao sujeito [João]. De modo geral,</p><p>assumem, na oração, essa função SN’s, SA’s ou SP’s.</p><p>O predicativo do objeto, por sua vez, ocorre sempre em orações formadas por</p><p>verbos transitivos. Observe, no exemplo (40) abaixo, que o termo milagroso é</p><p>classificado como predicativo do objeto, por referir-se ao objeto do verbo julgar, o SN</p><p>[o fato].</p><p>(40) Nós [SV julgamos [SN objetoo fato [SA predicativomilagroso]]].</p><p>Após compreendermos quais são os tipos de verbos que integram o predicado</p><p>de uma oração, estudaremos, na próxima seção, a classificação dos predicados.</p><p>4.4 TIPOS DE PREDICADO</p><p>Tradicionalmente, o predicado apresenta três classificações: predicado verbal,</p><p>predicado nominal e predicado verbo-nominal. Também estudaremos essas</p><p>classificações com base em Cegalla (2000):</p><p>Predicado nominal: é aquele formado pela seguinte estrutura – verbo de</p><p>ligação + predicativo do sujeito. O predicativo do sujeito é o núcleo do predicado</p><p>nominal. Exemplos:</p><p>(41) a. A Terra</p><p>[PREDICADOé [predicativo do sujeitoum planeta]].</p><p>b. A ilha [PREDICADOestá [predicativo do sujeitodeserta]].</p><p>c. Os atletas [PREDICADOpareciam [predicativo do sujeitocansados]].</p><p>Observe que em todas as orações de (19), o predicado é formado pela</p><p>seguinte estrutura –verbo de ligação + predicativo do sujeito –, por isso, ele é</p><p>classificado como predicado nominal.</p><p>Predicado verbal: é aquele formado por um verbo intransitivo ou transitivo. O</p><p>66</p><p>núcleo do predicado verbal é o próprio verbo da oração. Exemplos:</p><p>(42) a. Os pessegueiros [PREDICADOfloresceram].</p><p>b. A família [PREDICADOchamou [objeto diretoo médico]].</p><p>c. Os jovens [PREDICADOgostam [objeto indiretode aventuras]].</p><p>d. O pintor [PREDICADOofereceu [objeto diretoo quadro [objeto indiretoa um amigo]]].</p><p>Em (42), todas as frases contêm um predicado verbal, tendo em vista que são</p><p>formadas por um verbo intransitivo (em 42a), um verbo transitivo direto (em 42b), um</p><p>verbo transitivo indireto (em 42c) e um verbo transitivo direto e indireto (em 42 d).</p><p>Predicado verbo-nominal: é aquele formado por um verbo (transitivo ou</p><p>intransitivo) e um predicativo (do sujeito ou do objeto). Esses dois elementos (o verbo</p><p>e o predicativo) funcionam como núcleos do predicado verbo-nominal. Exemplos:</p><p>(43) a. O soldado [PREDICADOvoltou [predicativo do sujeitoferido]].</p><p>b. O réu [PREDICADOdeixou [objeto diretoa sala [predicativo do sujeitoabatido]]].</p><p>c. Eu [PREDICADOassisti [objeto indiretoà cena [predicativo do objetorevoltado]]].</p><p>d. Eu [PREDICADOacho [objeto diretoDenise [predicativo do objetobonita]]].</p><p>Em (43), todas as frases contêm um predicado verbo-nominal, por serem</p><p>formadas pelas seguintes estruturas: verbo intransitivo+predicativo do sujeito (em</p><p>43a), verbo transitivo direto + predicativo do sujeito (em 43b), verbo transitivo</p><p>indireto+predicativo do sujeito (43c), verbo transitivo direto+predicativo do objeto</p><p>(43d).</p><p>67</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1) Analise as asserções a seguir:</p><p>I. O sujeito e o predicado compõem a estrutura básica de toda oração.</p><p>II. Todas as demais funções sintáticas são desempenhadas ou no interior do sujeito ou</p><p>no interior do predicado.</p><p>III. De acordo com a gramática tradicional, não existe oração sem sujeito e sem</p><p>predicado.</p><p>IV. Toda oração precisa de um predicado, porque ela é constituída por meio de um</p><p>verbo.</p><p>V. Toda frase é um predicado nominal.</p><p>Estão corretas apenas:</p><p>a) I, II e IV.</p><p>b) I, III e IV.</p><p>c) I, II e V.</p><p>d) I, II e III.</p><p>e) I, III e V.</p><p>2) Analise as frases a seguir quanto à classificação do sujeito.</p><p>( ) Fazia muito frio ontem.</p><p>( ) Estudamos, a maior parte dos anos, em escola pública.</p><p>( ) A escola pública ficou abandonada.</p><p>( ) A educação e a saúde são dois pilares da sobrevivência humana.</p><p>( ) Precisa-se de profissionais bem qualificados.</p><p>I. Sujeito composto.</p><p>II. Sujeito oculto.</p><p>III. Sujeito inexistente.</p><p>IV. Sujeito indeterminado.</p><p>V. Sujeito simples.</p><p>68</p><p>A sequência que indica a correta classificação dos sujeitos nas frases acima é:</p><p>a) II, III, V, I, IV.</p><p>b) III, II, IV, I, V.</p><p>c) III, II, V, I, IV.</p><p>d) IV, II, V, I, III.</p><p>e) IV, II, V, III, I.</p><p>3) (Unifil – 2021, adaptada) Na frase “Seu pai adotivo chegou aos EUA com 15 anos.”,</p><p>o núcleo do sujeito é:</p><p>a) 15 anos.</p><p>b) Adotivo.</p><p>c) EUA.</p><p>d) Pai.</p><p>e) Seu.</p><p>4) (AOCP – 2019) Analise as frases a seguir e assinale a alternativa que apresenta a</p><p>correta classificação dos sujeitos nas frases I, II, III e IV, respectivamente.</p><p>I. Os jogadores da atual seleção brasileira são fantásticos.</p><p>II. O vídeo da música “Despacito”, do cantor Luis Fonsi, é o mais visualizado do</p><p>YouTube.</p><p>III. Adultos e crianças felizes são mais saudáveis.</p><p>IV. Passaram corriqueiros os dias e meses.</p><p>a) Composto, simples, composto, simples.</p><p>b) Simples, simples, composto, composto.</p><p>c) Composto, composto, simples, simples.</p><p>d) Simples, composto, composto, indeterminado.</p><p>e) Nenhuma das alternativas acima.</p><p>69</p><p>5) (UNIFIL – 2021, adaptada) Na frase “A Amazon abriu seu site para mais produtos e</p><p>outros vendedores.”, podemos dizer que:</p><p>a) o verbo é intransitivo.</p><p>b) o sujeito é indeterminado.</p><p>c) o verbo é transitivo direto.</p><p>d) o sujeito é composto.</p><p>e) o verbo é transitivo indireto.</p><p>6) (CEGALLA - 2000, p. 333, adaptada) Classifique as orações, a seguir, quanto ao</p><p>predicado:</p><p>No estado de Minas, existem muitas cachoeiras.</p><p>O Rio São Francisco está cheio.</p><p>Os estudantes estavam cansados.</p><p>Os estudantes saíram da aula cansados.</p><p>Os estudantes saíram da aula.</p><p>Toda aquela dedicação deixava-o insensível.</p><p>a) Nominal, nominal, verbal, verbo-nominal, verbal, verbo-nominal.</p><p>b) Nominal, verbal, nominal, verbo-nominal, verbal, verbo-nominal.</p><p>c) Verbal, nominal, nominal, verbo-nominal, verbal, verbo-nominal.</p><p>d) Verbal, nominal, verbal, verbo-nominal, nominal, verbo-nominal.</p><p>e) Verbo-nominal, nominal, nominal, verbo-nominal, verbal, verbal.</p><p>7) (IVIN – 2010) A correta classificação do predicado encontra-se em:</p><p>a) Alguns psiquiatras acusam colegas de receitarem a droga. (predicado nominal).</p><p>b) Uma droga poderia ajudar nesses casos. (predicado verbo-nominal).</p><p>c) A cientista divulgou o resultado da pesquisa. (predicado verbo-nominal).</p><p>d) Essa molécula é um receptor celular. (predicado nominal).</p><p>e) Uma dose do esteróide THP é suficiente. (predicado verbal).</p><p>70</p><p>8) (Instituto Machado de Assis – 2018, adaptada) Assinale o período em que há</p><p>predicado verbal.</p><p>a) O Rio parece um belo navio.</p><p>b) O juiz julgou o réu inocente.</p><p>c) Os moradores reivindicaram obras de saneamento básico.</p><p>d) A autora é uma grande jornalista e apresentadora de televisão.</p><p>e) João anda cansado.</p><p>71</p><p>OS TERMOS INTEGRANTES DA</p><p>ORAÇÃO</p><p>Os termos integrantes da oração são aqueles que completam o sentido dos</p><p>verbos transitivos e de alguns nomes que também necessitam de complementos. A</p><p>Norma Gramatical Brasileira classifica esses termos da seguinte forma:</p><p>a) Complementos verbais (objeto direto e objeto indireto),</p><p>b) Complemento nominal,</p><p>c) Agente da passiva.</p><p>Esta unidade está organizada da seguinte forma: em (5.1), estudaremos os</p><p>complementos verbais: objeto direto e indireto; em (5.2), o complemento nominal e,</p><p>em 5.3, o agente da passiva.</p><p>5.1 COMPLEMENTOS VERBAIS: OBJETO DIRETO E OBJETO INDIRETO</p><p>Quando o núcleo do predicado verbal é formado por um verbo transitivo, ele sempre</p><p>seleciona um complemento. Esse complemento pode ser um SN ou um SP. Tradicionalmente,</p><p>as gramáticas denominam o SNobjeto como objeto direto, e o SPobjeto como objeto indireto</p><p>(KENEDY; OTHERO, 2018).</p><p>Vejamos, a seguir, um exemplo para cada um desses complementos verbais:</p><p>(44) Helena [SV escreve [SN poemas]].</p><p>(45) O diretor da empresa [SV confia [SP em seus funcionários]].</p><p>No exemplo (44), o verbo escrever seleciona, como complemento, um SN, sendo,</p><p>portanto, classificado como objeto direto. Já em (45), o verbo confiar seleciona, como</p><p>complemento, um SP, sendo, portanto, classificado como objeto indireto.</p><p>Existem alguns verbos que selecionam simultaneamente os dois complementos e, por</p><p>72</p><p>isso, são conhecidos como verbos transitivos diretos e indiretos, caso do exemplo (46), a</p><p>seguir:</p><p>(46) João [SV deu [SN um livro] [SP para Maria]].</p><p>Observe, em (46), que o verbo dar seleciona, como complemento, simultaneamente,</p><p>um SN (ou seja, um objeto direto) e um SP (um objeto indireto) nessa oração.</p><p>Retomando o que foi estudado na unidade 3, a respeito da natureza dos sintagmas,</p><p>vimos que, em alguns casos, a posição sintática pode ser formada</p><p>por um elemento vazio [Ø].</p><p>Desse modo, é possível que, na estrutura frasal, o SN ou SP objeto fiquem omitidos e sejam</p><p>identificados pelo contexto.</p><p>As frases (47) e (48), são formadas por duas orações. Analise, na oração 2, qual é o</p><p>sintagma que a posição de objeto nulo [Ø] estaria retomando da oração 1:</p><p>(47) [ORAÇÃO 1 Eu encomendei o perfume, [ORAÇÃO 2 mas só usei Ø hoje]].</p><p>(48) [ORAÇÃO 1 O João precisou do lápis ontem, [ORAÇÃO 2 mas eu também precisei Ø]].</p><p>Observe, em (47), que o objeto nulo [Ø] está retomando o SN [o perfume] que funciona,</p><p>na oração 1, como objeto direto do verbo encomendar. Já, em (48), o objeto nulo [Ø] está</p><p>retomando o SP [do lápis], que funciona, na oração 1, como objeto indireto do verbo precisar.</p><p>Na unidade 3, também estudamos que uma das características do SN é o fato</p><p>de ele ser substituído por um pronome. Tomando como base o exemplo (47),</p><p>podemos substituir o objeto nulo por um pronome oblíquo átono e obter uma frase</p><p>como: Eu encomendei o perfume, mas só o usei hoje. A substituição também pode</p><p>se dar pelo pronome ele, apesar de não ser aceita pela Norma Padrão: Eu</p><p>encomendei o perfume, mas só usei ele hoje.</p><p>73</p><p>Com relação ao exemplo (48); O João precisou do lápis ontem, mas eu também</p><p>precisei; podemos substituir o SN que se encontra no interior do SPobjeto[SP de [SN o</p><p>lápis]] pelo pronome ele: O João precisou do lápis ontem, mas eu também precisei</p><p>dele.</p><p>Por fim, cabe mencionar que algumas gramáticas também apresentam os</p><p>chamados objeto direto pleonástico e objeto indireto pleonástico. Eles ocorrem quando</p><p>o SN ou SP objeto é deslocado para o início da frase e retomado, na posição de origem</p><p>(depois do verbo), por meio de um pronome oblíquo. Veja os exemplos de (49), a</p><p>seguir:</p><p>(49) a. [SNobjeto As mercadorias], deixei-as na recepção.</p><p>b. [SPobjeto Aos meus pais], dedico-lhes esta canção.</p><p>Em (49a), o pronome oblíquo as funciona como objeto direto pleonástico</p><p>porque está retomando o SNobjeto [as mercadorias]. Em (49b), o pronome oblíquo lhes</p><p>74</p><p>funciona como objeto indireto pleonástico porque está retomando o SPobjeto [aos meus</p><p>pais]. Esse tipo de complemento ocorre quando se deseja “dar destaque ou ênfase à</p><p>ideia contida no objeto” (CEGALLA, 2000, p. 352).</p><p>5.2 COMPLEMENTO NOMINAL</p><p>Denomina-se complemento nominal a função sintática exercida por um SP que</p><p>completa o sentido de alguns substantivos, adjetivos e advérbios que, à semelhança</p><p>dos verbos transitivos, necessitam de um complemento para satisfazer o seu sentido.</p><p>Reproduzimos alguns exemplos dados por Cegalla (2000, p. 354) e Rocha Lima</p><p>(2011, p. 296-297) de SP’s que funcionam como complementos nominais de</p><p>substantivos (50), adjetivos (51) e advérbios (52):</p><p>(50) a. A defesa [SP da pátria].</p><p>b. O respeito [SP às leis].</p><p>c. A aliança [SP com o estrangeiro].</p><p>d. A luta [SP contra o mal].</p><p>e. O Amor [SP ao trabalho].</p><p>f. A fé [SP em Deus].</p><p>(52) a. Apto [SP para o trabalho].</p><p>b. Útil [SP ao bem comum].</p><p>c. Contente [SP com a sorte].</p><p>d. Confiante [SP na vitória].</p><p>e. Prejudicial [SP à saúde].</p><p>f. Tolerante [SP com os amigos].</p><p>75</p><p>(53) a. Relativamente [SP aos direitos civis].</p><p>b. Favoravelmente [SP ao réu].</p><p>c. Contrariamente [SP aos nossos desejos].</p><p>d. Independentemente [SP da minha vontade].</p><p>e. Paralelamente [SP às fronteiras do Brasil].</p><p>De modo geral, os nomes que requerem complementos nominais são</p><p>derivados de verbos, ex.: o substantivo defesa origina-se do verbo defender; o</p><p>substantivo respeito, do verbo respeitar; luta origina-se de lutar e amor de amar.</p><p>O complemento nominal não pode ser confundido com o adjunto adnominal</p><p>formado por um SP. Para isso, a gramática explica que, enquanto os adjuntos</p><p>adnominais expressam a ideia de agente da ‘ação’ (ex.: A confiança dos alunos era</p><p>grande), os complementos nominais expressam a ideia de ‘alvo’, ‘recebedor’ da</p><p>ação (ex.: A confiança nos alunos era grande).</p><p>5.3 AGENTE DA PASSIVA</p><p>Denomina-se agente da passiva a função sintática exercida por um SP que</p><p>completa o sentido de um verbo na voz passiva. Esse complemento representa,</p><p>semanticamente, o ‘ser que pratica a ação verbal’ (CEGALLA, 2000).</p><p>(54) a. Alfredo é estimado [SPagente da passiva pelos colegas].</p><p>b. A cidade estava cercada [SPagente da passiva pelo exército romano].</p><p>c. A rainha era aclamada [SPagente da passiva pela multidão].</p><p>Observe, nos exemplos em (54), que o SP funciona como complemento</p><p>das estruturas verbais em (a, b e c) e representa, semanticamente, o ‘ser que pratica</p><p>a ação verbal’; por isso, ele é classificado como agente da passiva.</p><p>76</p><p>De modo geral, quando o SP exerce essa função sintática, seu núcleo é</p><p>formado pela preposição por ou pela preposição de. Cabe esclarecer que o agente</p><p>da passiva pode ser omitido e só aparece em orações que contêm verbos na voz</p><p>passiva. Quando o verbo se apresenta na voz ativa, ele corresponde ao sujeito da</p><p>oração (CEGALLA, 2000).</p><p>Observe a sequência de frases (a, b e c) nos exemplos (55), (56) e (57) abaixo,</p><p>retirados do Cegalla (2000, p. 355). Analise a correspondência entre o SNsujeito da</p><p>frase na voz ativa, em (c), e o SP da frase na voz passiva, em (a). Veja também que,</p><p>em (b), o agente da passiva foi omitido.</p><p>(55) a. Alfredo é estimado [SP pelos colegas].</p><p>b. Alfredo é estimado Ø.</p><p>c. [SNsujeito Os colegas] estimam Alfredo.</p><p>(56) a. A cidade estava cercada [SP pelo exército romano].</p><p>b. A cidade estava cercada Ø.</p><p>c. [SNsujeito O exército romano]cercou a cidade.</p><p>77</p><p>(57) a. A rainha é aclamada [SP pela multidão].</p><p>b. A rainha é aclamada Ø.</p><p>c. [SNsujeito A multidão] aclama a rainha.</p><p>Terminamos o nosso estudo acerca dos termos integrantes da oração. Na</p><p>unidade 6, estudaremos os termos acessórios da oração.</p><p>78</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. (OBJETIVA – 2021, adaptada) Em relação aos termos da oração, assinale a</p><p>alternativa em que a parte sublinhada exerce função de objeto indireto:</p><p>a) durante a sessão, foi julgado inocente.</p><p>b) o garoto gostava de música.</p><p>c) as alegrias eram passageiras.</p><p>d) ela costumava acordar cedo.</p><p>e) confessou ter medo de todos.</p><p>2. (FAU - 2021) Assinale a alternativa que apresenta a função sintática exercida pelo</p><p>termo em destaque no período “Durante uma expedição em uma capela na</p><p>região de Vihti, na Finlândia, a arqueóloga Tiina Vare e outros pesquisadores da</p><p>Universidade de Oulu, encontraram um sepultamento macabro do século 19”:</p><p>a) objeto indireto.</p><p>b) sujeito.</p><p>c) vocativo.</p><p>d) predicativo do sujeito.</p><p>e) objeto direto.</p><p>3. (IDIB – 2021) Os termos destacados no período “Essa festa falaciosa vendida pelo</p><p>governo e pelo comércio pra nos distrair de nossas vidas miseráveis?” exercem</p><p>função sintática de:</p><p>a) sujeito.</p><p>b) objeto indireto.</p><p>c) objeto direto.</p><p>d) agente da passiva.</p><p>e) complemento nominal.</p><p>79</p><p>4. (CONSULPAN – 2020, adaptada) A oração “Comecei um documentário com um</p><p>grande amigo (...)” apresenta um objeto direto como termo integrante. Assinale a</p><p>oração em que tal fato também ocorre:</p><p>a) Maria acordou muito cedo hoje.</p><p>b) Maria está muito feliz com o carro novo.</p><p>c) Maria não obedece aos seus professores.</p><p>d) Ontem, Maria fez toda a lição de casa rapidamente.</p><p>e) Toda a lição foi feita pela Maria rapidamente.</p><p>5. (OMNI – 2021, adaptada) No trecho "O carinho DA FAMÍLIA é também uma</p><p>retribuição ao amor que o cachorro oferece ao casal", o termo destacado está</p><p>exercendo função sintática de:</p><p>a) adjunto adnominal.</p><p>b) objeto direto.</p><p>c) objeto indireto.</p><p>d) complemento nominal.</p><p>e) agente da passiva.</p><p>6. (IPEFAE – 2021, adaptada) Leia a seguinte manchete, publicada no site 1News em</p><p>18/12/2018, para responder à questão.</p><p>“Luto na música: perda de Roberto Carlos perto do natal comove o Brasil”</p><p>A ambiguidade da manchete ocorre, sintaticamente, pois:</p><p>a) “Roberto Carlos” pode ser sujeito ou objeto indireto de “perda”.</p><p>b) “De Roberto Carlos” pode ser adjunto adnominal ou complemento nominal de</p><p>“perda”.</p><p>c) “Roberto Carlos” pode ser sujeito ou objeto direto de perda.</p><p>d) “De Roberto Carlos” pode ser adjunto adverbial da oração ou complemento</p><p>nominal de “perda”.</p><p>e) “De Roberto Carlos” pode ser agente da passiva ou sujeito de “perda”.</p><p>80</p><p>7. (ITAMAE – 2019, adaptada) Em qual alternativa o termo destacado é um agente</p><p>da passiva?</p><p>a) A cama foi arrumada pela criança.</p><p>b) A madrinha tem orgulho do afilhado.</p><p>c) A cidade de Brasília, capital do Brasil.</p><p>d) A moça estava na companhia do namorado.</p><p>8. (MINISTÉRIO DA DEFESA– 2018) O termo destacado é agente da passiva em que</p><p>alternativa?</p><p>a) O poeta saiu cantando seus versos de norte a sul, naquela noite escura e fria.</p><p>b) A sua história de luta e resistência emocionou a todos daquela plateia.</p><p>c) O interesse daquele poeta pelas histórias em quadrinhos levou-o à escrita.</p><p>d) Os convidados não foram bem recebidos na festa.</p><p>e) Naquela noite, o contador de histórias foi aplaudido de pé por aquela plateia.</p><p>81</p><p>OS TERMOS ACESSÓRIOS DA</p><p>ORAÇÃO</p><p>Classificam-se como termos acessórios da oração os adjuntos (adnominais e</p><p>adverbiais) e o aposto. Tais elementos são assim denominados por desempenharem,</p><p>segundo a gramática tradicional, uma função secundária e por serem dispensáveis</p><p>à oração.</p><p>Esta unidade está organizada da seguinte forma: na seção 6.1, estudaremos</p><p>sobre os adjuntos (adnominal e adverbial) e, na seção 6.2, estudaremos sobre o</p><p>aposto.</p><p>6.1 ADJUNTOS</p><p>Entende-se por adjunto todo elemento "que está junto, perto ou ao lado"</p><p>(AULETE DIGITAL) de outro elemento. Linguisticamente, o adjunto é o termo que</p><p>modifica o substantivo (adjunto adnominal) o adjetivo ou advérbio (adjunto</p><p>adverbial). As gramáticas tradicionais consideram que a função do adjunto</p><p>adnominal é a de especificar ou delimitar o núcleo do SN e a do adjunto adverbial a</p><p>de expressar alguma circunstância (de tempo, lugar, modo etc.).</p><p>82</p><p>Os exemplos (59) e (60), a seguir, trazem os seus adjuntos destacados:</p><p>(59) a. João comprou o uniforme da escola.</p><p>(60) a. João reside em Belo Horizonte.</p><p>b. João estava muito apressado.</p><p>Em (59), o SNobjeto contém dois adjuntos adnominais, representados pelo artigo</p><p>definido o e pelo SP [da escola]. Observe como esses elementos especificam a</p><p>referência do núcleo do SNobjeto, indicando, por exemplo, que ‘o uniforme que o João</p><p>comprou é o da escola e não o do trabalho’.</p><p>Em (60a), o SP [em Belo Horizonte] é um adjunto adverbial porque expressa</p><p>uma circunstância de lugar e, em (60b), a palavra muito também funciona,</p><p>sintaticamente, como adjunto adverbial porque intensifica o adjetivo apressado.</p><p>Segundo Cegalla (2000, p. 363), o adjunto adnominal pode ser expresso por:</p><p>1. Adjetivos: água fresca, terras férteis, animal feroz;</p><p>2. Artigos: o mundo, as ruas, um rapaz;</p><p>3. Pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, pouco sal, muitas rãs;</p><p>4. Numerais: dois pés, quinto ano, capítulo sexto;</p><p>5. SP’s que expressam, semanticamente, noções de ‘qualidade’, ‘posse’,</p><p>‘origem’, ‘fim’: presente de rei (qualidade), livro do mestre (posse), água</p><p>da fonte (origem), aula de inglês (fim)</p><p>83</p><p>Como vimos nas unidades anteriores, é comum confundirmos o adjunto</p><p>adnominal formado por um SP com o complemento nominal. A gramática tradicional</p><p>defende que há uma diferença semântica entre essas duas funções: enquanto o</p><p>adjunto expressa essas noções de ‘qualidade’, ‘posse’, ‘origem’, ‘fim’ e, sobretudo,</p><p>o ‘agente’ da ação, o complemento expressa o ‘recebedor’ ou ‘alvo’ da ação</p><p>(CEGALLA, 2000).</p><p>Os exemplos a seguir, retirados de Cegalla (2000, p. 364) mostram SP’s</p><p>que funcionam como adjuntos adnominais (61) e complementos nominais (62).</p><p>(61) a. O discurso do presidente.</p><p>b. A declaração do ministro.</p><p>c. O empréstimo do banco.</p><p>(62) a. A eleição do presidente.</p><p>b. A declaração de guerra.</p><p>c. O empréstimo de dinheiro.</p><p>Como pode ser observado, em (61), os SP’s expressam uma noção de ‘agente’</p><p>e, em (62)’ uma noção de paciente.</p><p>Conforme Rocha Lima (2011, p. 318), o adjunto adverbial, por sua vez, pode</p><p>ser formado por advérbios (63) e por SP’s (64):</p><p>(63) a. Helena lê livros diariamente.</p><p>b. Helena lê livros pela manhã.</p><p>84</p><p>6.2 APOSTO</p><p>Aposto é a função sintática exercida por um SN que explica ou esclarece,</p><p>desenvolve ou resume outro SN da oração (CEGALLA, 2000, p. 365). Exemplos:</p><p>(64) a. D. Pedro II, Imperador do Brasil, foi um monarca sábio.</p><p>b. Casas, pastos, árvores e plantações, tudo foi destruído pela enchente.</p><p>c. Hermes Fontes, grande poeta brasileiro, estreou com um formoso livro:</p><p>Apoteoses.</p><p>d. Eu, Brás Cubas, escrevi este romance com a pena da galhofa e a tinta da</p><p>melancolia.</p><p>A diferença entre o adjunto adnominal e o aposto é que este designa sempre</p><p>o mesmo referente que o termo a que ele se liga (ROCHA LIMA, 2011, p. 316). Dessa</p><p>forma, em (66a), o SN [Imperador do Brasil] classifica-se, sintaticamente, como aposto</p><p>por designar o mesmo referente que o SNsujeito [D. Pedro II] e por esclarecer este termo</p><p>da oração. Essa mesma relação é estabelecida entre o SNapositivo [grande poeta</p><p>brasileiro] e o SNsujeito [Hermes Fontes], em (66c).</p><p>Já em (66b),o SNapositivo [tudo] resume o SNsujeito [casas, pastos, árvores e</p><p>plantações]. Em (66d), pode-se dizer que o SNapositivo [Brás Cubas] desenvolve ou</p><p>esclarece o SNsujeito [eu].</p><p>Discursivamente, podemos dizer que o aposto tem a função de enfatizar ou</p><p>esclarecer uma informação já dada anteriormente no texto. Tomando como exemplo</p><p>a frase (64c), podemos dizer que o autor teria optado por explicar quem foi Hermes</p><p>Fontes, por meio do aposto [grande poeta brasileiro], pressupondo que o seu leitor não</p><p>saberia identificar essa personalidade, apenas pelo nome próprio.</p><p>Dentre outras características estruturais, cabe mencionar que o aposto pode:</p><p>85</p><p>preceder o termo a que se refere (65), vir precedido dos conectores explicativos isto</p><p>é, a saber, como etc. (66), referir-se a toda uma oração (67), referir-se a outro aposto</p><p>(68),</p><p>(65) [SNapositivoRapaz impulsivo], Mário não se conteve.</p><p>(66) Dos países sul-americanos, isto é, [SNapositivoa Bolívia e o Paraguai], não são</p><p>banhados pelo mar.</p><p>(67) Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, [SNapositivosinal de</p><p>tempestade iminente].</p><p>(68) Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, [SNapositivofilha do velho</p><p>coronel Tavares], senhor de engenho.” (Ledo Ivo).</p><p>Para finalizar, gostaríamos de esclarecer que, por meio deste livro, você teve</p><p>um estudo completo acerca do período simples e que, em outras disciplinas do nosso</p><p>curso, ser-lhe-á apresentado um estudo mais aprofundado acerca do período</p><p>composto.</p><p>86</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. (IBFC - 2020, adaptada) Qual é a função sintática do SN destacado em: "O diretor</p><p>médico da Dasa, Gustavo Campana, lembrou que 80% das 8 mil doenças</p><p>consideradas raras têm origem genética."?</p><p>a) Aposto.</p><p>b) Sujeito.</p><p>c) Vocativo.</p><p>d) Complemento Nominal.</p><p>e) Objeto direto</p><p>2. (PMMG - 2020, adaptada) Qual é a função sintática do SP destacado em: “E você</p><p>não tem uma atitude de vencedor.” ?</p><p>a) Complemento nominal.</p><p>b) Adjunto adnominal.</p><p>c) Objeto indireto preposicionado.</p><p>d) Adjunto adverbial.</p><p>e) Agente da passiva.</p><p>3. (FEPESE - 2020, adaptada) Considere o seguinte excerto:</p><p>“Os visitantes de museus não precisam necessariamente de informações para se</p><p>sentirem satisfeitos depois de visitar uma exposição. A arte pode falar por si</p><p>mesma”,</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) O termo “de informações” funciona como objeto indireto.</p><p>b) O termo “de museus” funciona como adjunto adverbial de lugar.</p><p>c) O termo “necessariamente” pode ser deslocado para logo depois de “sentirem”,</p><p>sem prejuízo de significado no texto.</p><p>87</p><p>d) O termo “satisfeitos” funciona como adjunto adnominal.</p><p>e) O termo “si mesma” pode ser substituído por “ela mesmo” ou “si próprio”, sem</p><p>prejuízo de significado e sem desvio na norma culta da língua escrita.</p><p>4. (Prefeitura de Uberlândia, MG - 2019, adaptada) Leia a tirinha a seguir para</p><p>responder à questão.</p><p>Disponível em: https://bityli.com/V486QD. Acesso em: 02 nov. 2021.</p><p>No quarto quadrinho, o garoto diz para o tigre: “É um mundo mágico, Haroldo,</p><p>velho camarada...”. Os termos destacados (“Haroldo” e “velho camarada”)</p><p>classificam-se, respectiva e corretamente, como</p><p>a) pronome e adjetivo.</p><p>b) vocativo e aposto.</p><p>c) aposto e adjunto adnominal.</p><p>https://bityli.com/V486QD</p><p>88</p><p>d) pronome e vocativo.</p><p>e) sujeito e vocativo.</p><p>5. (INAZ do Pará - 2019 - CORE-SP) O termo destacado em “É ali que percebemos</p><p>que a cidade nunca dorme por completo" é, sintaticamente, um:</p><p>a) adjunto adnominal.</p><p>b) adjunto adverbial.</p><p>c) predicativo.</p><p>d) complemento nominal.</p><p>e) agente da passiva.</p><p>6. (IDIB - 2021, adaptada) No excerto “A Terra, o terceiro planeta mais próximo do Sol,</p><p>apresenta cerca de 71% da sua superfície coberta por oceanos de água salgada</p><p>”, a vírgula tem a função de isolar o:</p><p>a) adjetivo.</p><p>b) aposto.</p><p>c) vocativo.</p><p>d) substantivo.</p><p>e) sujeito.</p><p>7. (FUNDEP - 2018, adaptada) Leio o excerto a seguir:</p><p>“Vânia Nogueira de Alcântara Machado, presidente do Aché, destacou durante o</p><p>evento que essa iniciativa colocará o Brasil como um dos poucos países capazes</p><p>de desenvolver tecnologias complexas."</p><p>O termo destacado é um aposto. A esse respeito, considere as afirmativas a seguir:</p><p>I. É um termo acessório da oração.</p><p>II. Poderia vir anteposto ao SN ao qual se refere.</p><p>III. Pode servir para esclarecer, desenvolver ou resumir o termo ao qual se refere.</p><p>89</p><p>IV. Expressa uma circunstância de tempo, modo, lugar etc.</p><p>Estão corretas as afirmativas:</p><p>a) I e II, apenas.</p><p>b) I e III, apenas.</p><p>c) I e IV, apenas.</p><p>d) II, III e IV, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>8. (IBADE) Na oração “O agito DAS PALAVRAS traduz as mudanças do mundo”, a</p><p>função sintática do termo destacado é:</p><p>a) aposto.</p><p>b) objeto indireto.</p><p>c) adjunto adnominal.</p><p>d) objeto direto.</p><p>e) complemento nominal.</p><p>90</p><p>LINGUÍSTICA, GRAMÁTICA E</p><p>SINTAXE: CONCEITOS E RELAÇÕES</p><p>7.1 INTRODUÇÃO</p><p>As línguas e as linguagens verbais permitem que nos comuniquemos no dia a</p><p>dia e são essenciais para a vida em sociedade e para a sobrevivência do ser humano,</p><p>uma vez que é a partir delas que exercemos a maior parte de nossas atividades sociais</p><p>e expressamos nossas ideias, das mais simples às mais complexas, conforme</p><p>estudaremos no âmbito da sintaxe.</p><p>A sintaxe é um ramo de estudo da linguística e da gramática que se refere ao</p><p>modo como o discurso se organiza a partir de estruturas simples (sintagmas/frases) até</p><p>níveis mais complexos (orações coordenadas e subordinadas) que, encadeados,</p><p>formam um enunciado e, por conseguinte, um texto maior e com relações mais</p><p>complexas.</p><p>Nesta unidade serão apresentados os conceitos relacionados às propriedades</p><p>estruturais das línguas naturais, entendidas como sistemas de elementos que só</p><p>produzem sentido entre si quando combinados e articulados mediante uma lógica</p><p>discursiva. Também serão apresentados os princípios e objetivos da sintaxe enquanto</p><p>disciplina pertencente ao campo dos estudos linguísticos.</p><p>7.1.1 Fundamentos e objetos da linguística: revendo conceitos</p><p>Esta disciplina se insere em um continuum da formação no curso de Letras,</p><p>particularmente ligado à área da linguística e pressupõe-se que você, aluno, tenha</p><p>estabelecido um primeiro contato (na disciplina de Sintaxe I) com os conceitos que</p><p>serão aqui trabalhados.</p><p>Assim, para conceituar a relação entre a linguística, a gramática e a sintaxe,</p><p>cumpre fazermos uma breve recapitulação de conceitos fundamentais para que</p><p>possamos ter clara a relação entre esses domínios do saber linguístico.</p><p>Vamos começar pelo objeto da linguística. Margarida Petter, professora livre-</p><p>91</p><p>docente da Universidade de São Paulo e autora de diversos textos sobre linguística,</p><p>afirma que:</p><p>Como o termo linguagem pode ter um uso não especializado</p><p>bastante extenso, podendo referir-se desde a linguagem dos animais</p><p>até outras linguagens – música, dança, pintura, mímica etc. – convém</p><p>enfatizar que a Linguística detém-se somente na investigação</p><p>científica da linguagem verbal humana (PETTER, 2007, p. 17).</p><p>A linguagem verbal humana é, portanto, o objeto de estudo da linguística. Essa</p><p>área, no entanto, possui muitos recortes analíticos, entre os quais se situam os estudos</p><p>gramaticais. A gramática é um dos ramos da linguística que se ocupa dos estudos da</p><p>língua e da linguagem a partir da análise dos elementos que as constituem (também</p><p>denominados como fatos da linguagem), tais como os aspectos fonéticos (som),</p><p>morfológicos (forma), sintáticos (construção e relação de enunciados),</p><p>semânticos/pragmáticos (sentido), sociais (interação) e psicológicos (apreensão da</p><p>linguagem). Neste livro, abordaremos especificamente os aspectos sintáticos.</p><p>Partimos do pressuposto de que a língua é um sistema formado por elementos</p><p>que combinam som e imagem/ideia e as funções sintáticas a ela atribuídas – que</p><p>serão aqui estudadas – constituem o resultado de relações muito específicas,</p><p>mutáveis e situacionais.</p><p>Ao conceituar a linguagem como objeto da linguística, no livro Curso de</p><p>Linguística Geral (1995), Ferdinand de Saussure (1857 - 1913) afirma que a língua</p><p>depende, em grande parte, do som, que é a articulação vocálica de uma língua;</p><p>porém, sozinho ele “não passa de um instrumento do pensamento e não existe por si</p><p>mesmo” (SAUSSURE, 1995, p. 16). Para o linguista suíço, o signo linguístico se constitui</p><p>como um elemento sonoro que suscita uma associação psicológica no falante que</p><p>o permite associar determinada combinação sonora que adquire referencialidade</p><p>(significante) a uma ideia ou objeto, o seu significado.</p><p>A palavra – que é expressa a partir de uma “unidade complexa acústico-</p><p>vocal” (SAUSSURE, 1995, p. 16) – só tem sentido quando entre ela e o objeto ao qual</p><p>ela se refere se estabelece uma perfeita correspondência. Para fazer sentido, é</p><p>preciso que a palavra expressa por uma pessoa (no plano individual) remeta a uma</p><p>ideia correspondente no imaginário de outra (o que também implica em uma</p><p>apreensão individual), mas essa relação de correspondência só é possível pelo fato</p><p>92</p><p>de que os falantes de uma língua compartilham de um sistema linguístico, o que</p><p>remete ao plano social, isto é, que se pressupõe ser de conhecimento comum. Por</p><p>exemplo, quando digo “Traga-me uma cadeira” preciso me assegurar de que a</p><p>pessoa a quem me dirijo sabe o que significa “trazer” e sabe discernir uma cadeira de</p><p>outro objeto qualquer. Só assim podemos pressupor a existência efetiva da</p><p>comunicação como resultado de uma boa aquisição e aptidão linguística por parte</p><p>dos falantes de uma língua.</p><p>Nesse sentido, conforme afirma Saussure:</p><p>“A linguagem tem um lado individual</p><p>e um lado social, sendo impossível conceber um sem o outro” (SAUSSURE, 1995, p. 16).</p><p>Partindo de uma compreensão dicotômica da língua e da linguagem, a teoria</p><p>saussuriana distingue essas duas dimensões nos seguintes termos:</p><p>Língua: “É, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade de linguagem</p><p>e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para</p><p>permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos.” (SAUSSURE, 1995, p. 17).</p><p>Linguagem: “[...] a faculdade – natural ou não – de articular palavras não se</p><p>exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade;</p><p>não é, então, ilusório dizer que é a língua que faz a unidade da linguagem.”</p><p>(SAUSSURE, 1995, p. 18).</p><p>93</p><p>Para Saussure, o interesse fundamental da linguística reside em apreender a</p><p>capacidade do homem de criar uma língua para se comunicar, de modo que “não</p><p>é a linguagem que é natural ao homem, mas a faculdade de constituir uma língua,</p><p>vale dizer: um sistema de signos distintos correspondentes a ideias distintas” (SAUSSURE,</p><p>1995, p.18).</p><p>Por sua vez, uma das premissas da abordagem estruturalista da língua se</p><p>caracteriza enquanto porção externa ao indivíduo e não depende dos atos de fala</p><p>para existir, basta nos lembrarmos das línguas mortas, como o sânscrito e o latim, que</p><p>ainda constituem objetos de estudo da linguística; ou ainda a Libras, que é um sistema</p><p>justamente orientado para funcionar mediante a supressão da fala e o emprego</p><p>gestual de símbolos visuais. A partir dessa característica se depreende que é possível</p><p>segmentar o estudo da linguagem sem que isso implique, necessariamente, a</p><p>supervalorização da língua em detrimento da fala e vice-versa.</p><p>Com base na distinção feita por Saussure entre linguagem (entendida como</p><p>capacidade inata do homem de se comunicar), língua (entendida como um “sistema</p><p>de signos” ou código linguístico socialmente construído) e fala (entendida como</p><p>expressão individual da língua), Margarida Petter (2007) esclarece que há uma divisão</p><p>que orienta os estudos linguísticos em duas partes: “a linguística da língua e a</p><p>linguística da fala” (PETTER, 2007, p. 14), que são apreensões teóricas antes</p><p>complementares que opostas.</p><p>Propriedades das línguas naturais</p><p>O que são línguas naturais? As línguas naturais são sistemas desenvolvidos</p><p>espontaneamente pelos seres humanos mediante a vivência em sociedade,</p><p>configurando-se cotidiana e naturalmente a partir das necessidades expressivas dos</p><p>94</p><p>sujeitos de uma comunidade e ao qual todo indivíduo nasce, de certa forma,</p><p>condicionado (SAUSSURE, 1995).</p><p>A linguagem, como vimos, é uma capacidade inerente ao ser humano. Por sua</p><p>vez, a língua é resultado sistemático – e também permite o registro – dessa</p><p>capacidade, sendo veículo dos processos mentais, sociais e comunicativos que</p><p>cerceiam a vida em sociedade.</p><p>As línguas naturais se diferenciam das línguas artificiais ou programadas porque</p><p>estas, em geral, possuem um caráter “universal” e são criadas para atender às</p><p>necessidades comunicativas de maneira desterritorializada – como ocorre, por</p><p>exemplo, com a linguagem cibernética, empregada em programas de sistemas</p><p>computacionais – ao passo que aquelas se caracterizam por serem flexíveis e</p><p>adaptáveis e se configuram social e geograficamente.</p><p>É por isso que uma mesma língua possui variantes a depender da região do</p><p>país e estudá-las apenas a partir do ponto de vista da norma gramatical culta (isto é,</p><p>aquela usada em registros escritos mais formais) é perder de vista a riqueza cultural e</p><p>expressiva que ela encerra (MIOTO et al., 2007, p. 18). É por isso que a linguística não</p><p>deve ser tomada pura e simplesmente como sinônimo de gramática, e sim como a</p><p>área maior na qual os estudos gramaticais se distribuem.</p><p>Em virtude dessa heterogeneidade que é própria da língua e, sobretudo da</p><p>fala, a linguística se constitui como uma área do conhecimento multifacetada e que</p><p>possui diferentes tipos de abordagens para dar conta de seu objeto.</p><p>Além disso, as línguas naturais também se caracterizam pela dupla articulação,</p><p>que consiste nas combinações possíveis entre morfemas e fonemas para formar</p><p>unidades de sentido; pela arbitrariedade (que se refere à semântica), tendo em vista</p><p>que existem designações específicas em uma língua que nomeiam objetos</p><p>específicos e isso não depende da escolha do falante; e pela produtividade, que</p><p>consiste na variabilidade das palavras (por exemplo, por processos de prefixação e</p><p>sufixação (real – realmente; leal – desleal; largo – largura)) e das orações (por</p><p>exemplo, a partir da estrutura oracional SUBSTANTIVO + VERBO, podemos obter:</p><p>(1) Pedro fugiu.</p><p>(2) Mariana riu.</p><p>(3) Crianças brincam.</p><p>95</p><p>Em vista disso, podemos compreender que as línguas naturais possuem um</p><p>caráter estrutural combinatório e sistemático. A gramática, portanto, é o ramo da</p><p>linguística que se ocupa dessas estruturas combinatórias, da sua compreensão de sua</p><p>sistematicidade, suas funções, assim como de sua adequação, quando necessário,</p><p>às estruturas de combinação da língua.</p><p>96</p><p>Definições da sintaxe</p><p>Enquanto parte do grande campo da linguística, a gramática se ocupa</p><p>especificamente das convenções de uma língua em quatro níveis fundamentais, que</p><p>são: o fonológico (análise dos processos de formação de fonemas e sílabas); o</p><p>morfológico (análise dos processos de formação de morfemas e palavras); o sintático</p><p>(análise dos processos de formação de frases, períodos e orações); e o</p><p>semântico/pragmático (análise dos processos de significação e sentido).</p><p>Figura 2: Definição</p><p>Fonte: Acervo pessoal da autora (2022)</p><p>Deve-se perceber que há uma gradação nesses estudos que perfaz a</p><p>compreensão das menores para as maiores estruturas da língua. Assim, se a fonologia</p><p>se ocupa da reprodução sonora e gráfica das menores estruturas da língua e a</p><p>97</p><p>morfologia, da estrutura e classificação das palavras, a sintaxe vai trabalhar com as</p><p>diferentes combinações e relações de sentidos que são criadas em níveis maiores e</p><p>mais elaborados. A semântica/pragmática, por sua vez, resulta do sentido que</p><p>determinada palavra assume em nível sintagmático.</p><p>Portanto, conforme Domingos Paschoal Cegalla (2008, p. 319), podemos</p><p>considerar como objetivos da sintaxe: estabelecer e verificar a relação lógica das</p><p>palavras dentro de estruturas combinatórias que obedecem a uma ordenação</p><p>padronizada comunitariamente e visam à produção de sentido, isto é, para que a</p><p>língua cumpra o seu papel comunicativo.</p><p>Passemos agora ao objeto da sintaxe. Os manuais de sintaxe, tais como o de</p><p>José Carlos de Azeredo, Iniciação à sintaxe do português (2000), e o de Domingos</p><p>Paschoal Cegalla (2008), A novíssima gramática da língua portuguesa (2008), definem</p><p>como objeto da sintaxe a ordenação das palavras e a função que desempenham</p><p>na estrutura de frases, orações ou períodos, dividindo e classificando as sentenças de</p><p>acordo com o modo como se organizam.</p><p>Por sua vez, fazendo uma analogia entre a capacidade humana para a</p><p>produção e apreensão da linguagem e a formação dos sistemas linguísticos, MIOTO</p><p>et al. afirmam que:</p><p>[...] apesar de não sabermos muito sobre a relação entre o</p><p>funcionamento físico do cérebro e as sentenças que produzimos, é</p><p>plausível supor que algo tem realidade ali de tal modo que a mente</p><p>humana é capaz de processar um sistema complexo e sofisticado</p><p>como uma língua natural. (MIOTO et al., 2007, p. 23).</p><p>No livro introdutório da coleção “Para conhecer” da editora Contexto,</p><p>Eduardo Kenedy e Gabriel de Ávila Othero assim definem a sintaxe:</p><p>Desvendar as regras e os princípios que controlam a formação de</p><p>frases nas diferentes línguas humanas é o principal objetivo da</p><p>pesquisa em Sintaxe. Nesse empreendimento científico, a ordenação</p><p>linear de palavras e constituintes é apenas um fenômeno entre muitos</p><p>outros na agenda de trabalhos de sintaticistas no Brasil e no restante</p><p>do mundo [...]. (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 11).</p><p>Assim, em suma, e a partir de variadas definições expostas, a análise sintática</p><p>consiste em avaliar a competência e a capacidade de organização de conjuntos</p><p>linguísticos em relação a uma língua natural. Trata-se, em outras palavras, da</p><p>organização expressiva de um repertório muito variado de palavras que o falante de</p><p>98</p><p>uma língua assimila ao longo de sua vida, tendo em vista a capacidade inata do ser</p><p>humano para a comunicação.</p><p>Nesse sentido, a partir da abordagem gerativa, a língua é concebida como</p><p>um sistema linguístico que é internalizado (muitas vezes de maneira inconsciente</p><p>porque lhe é tão natural que passa por imperceptível) por um grupo de pessoas. Esse</p><p>sistema possui um regramento externo e arbitrário que é assimilado por todos os</p><p>falantes de uma língua e que os permite construir combinações infinitas (ou quase</p><p>infinitas) a partir de uma estrutura recorrente que configura a sintaxe, conforme</p><p>preconiza a teoria linguística de Noam Chomsky, na obra Estruturas sintáticas ([1957]</p><p>2018).</p><p>Desse modo, sabemos quase que intuitivamente que é possível combinar as</p><p>palavras escola / na (em + a) / faltou / à / Maria / terça da seguinte forma:</p><p>(1) Maria faltou à escola na terça.</p><p>ou</p><p>(2) Na terça, Maria faltou à escola.</p><p>Mas não da seguinte forma:</p><p>(3) * Escola faltou à na terça Maria.</p><p>ou</p><p>(4) * Na Maria terça à faltou escola.</p><p>A impossibilidade dessas composições sintáticas se deve à falta de</p><p>gramaticalidade entre as palavras, isto é, à ausência daqueles princípios externos e</p><p>arbitrários que orientam a organização das palavras no interior das frases e orações.</p><p>A sintaxe resulta, assim, do exercício de combinações gramaticais possíveis entre</p><p>palavras dentro de uma frase/oração segundo alguns princípios de organização e</p><p>sistematização, os quais veremos mais adiante.</p><p>Abordagens gramaticais da sintaxe</p><p>Existem diferentes abordagens gramaticais e, como se pode pressupor,</p><p>99</p><p>também diferentes formas de análise sintática. A sintaxe normativa deriva da</p><p>gramática tradicional que tem como foco o uso considerado “correto” da língua.</p><p>Esse tipo de abordagem pode ser visto em BECHARA (2009) e CUNHA; CINTRA (2021)</p><p>e ainda é importante devido à necessidade se estabelecer parâmetros formais para</p><p>certos tipos textuais, como os cobrados em exames escolares e acadêmicos.</p><p>Há também a sintaxe descritiva, baseada na gramática descritiva, que trata</p><p>da diversidade sintática do discurso não formal (ou informal), isto é, dos diversos</p><p>empregos considerados gramaticais, mas baseados na dinâmica da fala, conforme</p><p>abordam Mário Alberto Perini (2005) e Ataliba Teixeira de Castilho (2010). E, ainda, há</p><p>a sintaxe funcional, cujo embasamento analítico consiste em estudar as funções que</p><p>as formas sintáticas desempenham em contextos reais de uso da língua, como</p><p>demonstram as análises organizadas por Vânia Casseb-Galvão e Maria Helena de</p><p>Moura Neves em O todo da língua (2017).</p><p>Neste material, entretanto, focalizaremos a análise formal da sintaxe a partir de</p><p>uma abordagem gerativista, conforme a adequação que fazem Azeredo (2000) e</p><p>Kenedy e Othero (2018) para o estudo da língua portuguesa a partir da teoria</p><p>gerativista de Noam Chomsky.</p><p>Essa abordagem pode ser tanto constitutiva de trabalhos acadêmicos</p><p>científicos no campo linguístico, isto é, em dissertações e teses – para alunos que</p><p>pretendem se especializar nesse âmbito das Letras –, como também ser adaptada</p><p>às salas de aula escolares em níveis fundamental e médio, pois ela se constitui a partir</p><p>de princípios gerais que a caracterizam como uma gramática mais totalizante em</p><p>relação a outras abordagens mais específicas, sendo que o seu foco analítico</p><p>consiste propriamente em captar as estruturas das línguas em si mesmas, visando</p><p>decompor as engrenagens formais de qualquer língua e sua esquematização a partir</p><p>da representação arbórea.</p><p>100</p><p>7.1.2 Sintaxe gerativista</p><p>Conforme Azeredo (2000), a abordagem gerativa se configura como uma</p><p>superação das limitações do estruturalismo, que concebia as relações sintáticas de</p><p>forma rígida e arbitrária (AZEREDO, 2000, p. 23-24) e tem como precursor o linguista</p><p>norte-americano Noam Chomsky que, na década de 1950, formulou a teoria</p><p>gerativista a partir da problematização da estrutura sintática, a qual foi</p><p>posteriormente publicada na já citada obra Syntatic Structures (Estruturas sintáticas</p><p>([1957] 2009)):</p><p>Em substituição ao modelo sintagmático de análise [estruturalista], ele</p><p>propôs um outro que distinguia dois níveis de representação estrutural:</p><p>a ‘estrutura profunda’ – destinada a reunir todas as informações</p><p>necessárias à interpretação semântica dos enunciados – e a ‘estrutura</p><p>superficial’ que corresponde grosso modo à forma real dos</p><p>enunciados. Esses dois níveis se diziam relacionados por um conjunto</p><p>de operações gramaticais chamadas tecnicamente ‘regras</p><p>transformacionais’ [...].</p><p>A gramática transformacional, ou melhor, gerativa, como ficou</p><p>conhecida essa teoria, vem suscitando, desde a publicação de</p><p>Syntatic Structures, em 1957, o mais fecundo e apaixonado debate</p><p>sobre a natureza e o funcionamento da linguagem nos últimos trinta</p><p>anos. (AZEREDO, 2000, p. 26).</p><p>Do estruturalismo de Saussure, cuja teoria se pautou no estudo estrutural da</p><p>língua como um sistema de “signos”, ao gerativismo de Chomsky, que se baseia na</p><p>compreensão da língua centrada no falante e em sua capacidade de gerar a língua</p><p>(por isso a denominação “gramática gerativa”), Azeredo (2000) afirma que houve um</p><p>importante incremento no que concerne aos estudos linguísticos contemporâneos,</p><p>uma vez que a linguística gerativa reconhece a variabilidade estrutural das línguas</p><p>naturais e busca descrevê-las e representá-las a partir dessa variabilidade.</p><p>Ao estruturalismo de Saussure, além da definição do objeto de estudo da</p><p>linguística, deve-se também a atual divisão feita pelo mestre genebrino em relação</p><p>aos tipos de abordagens linguísticas (linguística diacrônica e linguística sincrônica),</p><p>que se referem à abordagem histórica e à abordagem de fatos simultâneos da língua.</p><p>A Saussure credita-se uma nova compreensão da língua enquanto sistema dinâmico</p><p>amparado no princípio social que pode ser descrito e analisado a partir de</p><p>101</p><p>critérios científicos que ganharam desenvolvimento a partir do início do século XX.</p><p>Chomsky, por sua vez, já na segunda metade do século, elaborou sua teoria</p><p>com base no princípio mental da língua, isto é, de que a língua é uma aquisição</p><p>mental, antes de ser social. Conforme elucida Míriam S. Parreira:</p><p>Chomsky (1957) trata a língua como um sistema de princípios da</p><p>mente humana que tem um módulo linguístico responsável por formar</p><p>e interpretar expressões linguísticas. Esse módulo e os princípios que o</p><p>formam são inatos. Eles são universais tendo em vista que a criança,</p><p>independentemente de sua nacionalidade, já nasce com os mesmos</p><p>princípios linguísticos de seus pais, que são o estágio inicial de</p><p>aquisição da língua. Tanto ele quanto seus seguidores têm interesse</p><p>pelo estudo do conhecimento linguístico que o ser humano tem de</p><p>sua língua materna e não pela língua em uso. (PARREIRA, 2017, p.</p><p>1027).</p><p>As abordagens de Saussure e Chomsky, embora essencialmente diversas por se</p><p>situarem em momentos diferentes da evolução dos estudos linguísticos, apresentam a</p><p>língua como objeto principal do estudo linguístico. Assim, suas propostas apresentam</p><p>pontos de tensão que, no entanto, devem ser consideradas no âmbito das discussões</p><p>que culminaram no incremento dos estudos linguísticos modernos.</p><p>7.1.3 Recapitulando</p><p>Conforme verificamos, a gramática constitui um ramo da linguística que se</p><p>ocupa da língua a partir de sua dimensão sistemática, isto é, considerando-o como</p><p>um conjunto de combinações pelo qual se organiza o discurso com o intuito de</p><p>comunicar algo.</p><p>A respeito dos princípios da sintaxe, vista como parte de uma disciplina escolar</p><p>ou acadêmica, a análise de sentenças pode parecer uma tarefa complexa ou até</p><p>mesmo enfadonha, pelo modo como a expõem alguns manuais. Porém, se</p><p>pensarmos que temos uma capacidade inata de promover a combinação entre</p><p>palavras para formar frases, períodos ou orações e que a estrutura gramatical se</p><p>reproduz de maneira intuitiva no decorrer do processo de aquisição da linguagem –</p><p>tornando-nos naturalmente aptos a realizar esse processo –, poderemos ter uma visão</p><p>diferente da análise sintática, mais criativa e menos rígida, do ponto de vista</p><p>metodológico, embora tenha, como é natural que seja, o seu rigor conceitual</p><p>102</p><p>enquanto ramo de uma ciência.</p><p>Desse modo, podemos partir do ponto de vista comum, enquanto falantes da</p><p>língua portuguesa, para irmos gradativamente adensando nosso conhecimento</p><p>acerca de sua estrutura, de modo a alcançarmos um domínio analítico mais</p><p>específico e científico que nos capacite a uma compreensão mais sistemática da</p><p>língua portuguesa e do seu ensino enquanto disciplina escolar e acadêmica.</p><p>103</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. De acordo com o texto da Unidade I, complete as lacunas do trecho abaixo para</p><p>obter a definição de sintaxe.</p><p>A sintaxe é um de estudo da e da e se refere ao</p><p>como o discurso se a partir de estruturas (sintagmas/frases) até</p><p>níveis mais (orações coordenadas e subordinadas).</p><p>a) conhecimento; área; formação; contexto, configura, difíceis, engenhosos.</p><p>b) modo; morfologia; gramática; ramo; organiza; complexas; simples.</p><p>c) ramo; linguística, gramática; modo; organiza; simples; complexos.</p><p>d) modo; língua; literatura; ramo; divide; combinatórias; engenhosos.</p><p>e) ramo; linguística; gramática; modo; organiza; complexas; simples.</p><p>2. (SESC-DF — 2018). Texto para a questão</p><p>A língua é para Saussure “um sistema de signos” um conjunto de unidades que se</p><p>relacionam organizadamente dentro de um todo. É “a parte social da linguagem”, exterior</p><p>ao indivíduo; não pode ser modificada pelo falante e obedece às leis do contrato social</p><p>estabelecido pelos membros da comunidade. O conjunto linguagem‐língua contém ainda</p><p>um outro elemento, conforme Saussure, a fala. A fala é um ato individual; resulta das</p><p>combinações feitas pelo sujeito falante utilizando o código da língua; expressa‐se pelos</p><p>mecanismos psicofísicos (atos de fonação) necessários à produção dessas combinações. A</p><p>distinção linguagem/língua/fala situa o objeto da linguística para Saussure. Dela decorre a</p><p>divisão do estudo da linguagem em duas partes: uma que investiga a língua e outra que</p><p>analisa a fala. As duas partes são inseparáveis, em virtude de serem interdependentes: a</p><p>língua é condição para se produzir a fala, mas não há língua sem o exercício da fala. Há</p><p>necessidade, portanto, de duas linguísticas: a linguística da língua e a linguística da fala.</p><p>Saussure focalizou, em seu trabalho, a linguística da língua, “produto social depositado no</p><p>cérebro de cada um”, sistema supra‐individual que a sociedade impõe ao falante. Para o</p><p>mestre genebrino, “a linguística tem por único e verdadeiro objeto a língua considerada em</p><p>si mesma, e por si mesma”. Os seguidores dos princípios saussureanos dedicaram‐se a explicar</p><p>a língua por ela própria, examinando as relações que unem os elementos no discurso e</p><p>buscando determinar o valor funcional desses diferentes tipos de relações.</p><p>José Luiz Fiorin (org.). Introdução à Linguística. v. 1 e 2. São Paulo: Contexto, 2006 (com adaptações).</p><p>De acordo com o texto acima, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Ao definir língua como “um sistema de signos” e “parte social da linguagem”,</p><p>104</p><p>Saussure cria um problema insolúvel para sua teoria, pois tenta unir aspectos</p><p>contraditórios da língua.</p><p>b) Saussure estabelece relações entre elementos aparentemente diversos no campo</p><p>da linguagem, os aspectos individuais e sociais da língua.</p><p>c) Saussure define o objeto de estudo da linguística como um fenômeno que não</p><p>pode ser modificado pelo falante nem pela sociedade.</p><p>d) Saussure define língua como um objeto exclusivamente social, que tem de ser</p><p>estudado em si mesmo e por si mesmo.</p><p>e) Saussure introduz o conceito de “fala” como fundamental para a linguística</p><p>saussureana.</p><p>3. (IDECAN — 2019).</p><p>105</p><p>Uma das áreas da linguística mais estudadas atualmente é o gerativismo linguístico,</p><p>que cria o conceito de Gramática Gerativa. Um dos linguistas mais respeitados</p><p>nesse campo de pesquisa e conhecido também como o “pai” dessa gramática é:</p><p>a) Noam Chomsky.</p><p>b) Ferdinand Saussure.</p><p>c) William Labov.</p><p>d) Carlos Alberto Faraco.</p><p>106</p><p>e) Jacques Derrida.</p><p>4. (ENEM — 2016 — Adaptada). Considerando a relação entre fala e escrita, leia o</p><p>texto e responda à questão que segue.</p><p>De domingo</p><p>— Outrossim?</p><p>— O quê?</p><p>— O que o quê?</p><p>— O que você disse.</p><p>— Outrossim?</p><p>—É.</p><p>— O que que tem?</p><p>—Nada. Só achei engraçado.</p><p>— Não vejo a graça.</p><p>— Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias.</p><p>— Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo.</p><p>— Se bem que parece uma palavra de segunda-feira.</p><p>— Não. Palavra de segunda-feira é óbice.</p><p>— “Ônus.</p><p>— “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.</p><p>— “Resquício” é de domingo.</p><p>— Não, não. Segunda. No máximo terça.</p><p>— Mas “outrossim”, francamente…</p><p>— Qual o problema?</p><p>— Retira o “outrossim”.</p><p>— Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás, é uma palavra difícil de usar. Não é</p><p>qualquer um que usa “outrossim”.</p><p>VERÍSSIMO. L.F. Comédias da vida privada. Porto Alegre: LP&M, 1996).</p><p>No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da língua portuguesa.</p><p>Esse uso promove o(a):</p><p>a) Marcação temporal, evidenciada pela presença de palavras indicativas dos dias</p><p>da semana.</p><p>b) Tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras empregadas em</p><p>contextos formais.</p><p>c) Caracterização da identidade linguística dos interlocutores, percebida pela</p><p>recorrência de palavras regionais.</p><p>d) Distanciamento entre os interlocutores, provocado pelo emprego de palavras</p><p>com significados poucos conhecidos.</p><p>107</p><p>e) Inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de palavras desconhecidas</p><p>por parte de um dos interlocutores do diálogo.</p><p>5. Com base no texto da Unidade I, leia o enunciado e escolha a alternativa correta.</p><p>A gramática é um dos ramos da linguística e possui quatro eixos de análise, entre</p><p>os quais se situa a sintaxe, que se ocupa:</p><p>a) Da classificação das palavras.</p><p>b) Dos sons produzidos pela frase.</p><p>c) Do sentido produzido pelas palavras do enunciado.</p><p>d) Da estrutura relacional entre os termos de uma sentença.</p><p>e) Da significação dos termos que constituem uma sentença.</p><p>6. (IDHTEC — 2019). Sobre a língua escrita, é correto que:</p><p>a) Um sistema formal de regras, convenções e normas de funcionamento.</p><p>b) Um sistema que se legitima pelo uso em situações pontuais e para um específico.</p><p>c) Uma estrutura aberta que não admite transgressões.</p><p>d) No texto, perde a dupla condição de inteligibilidade e comunicação.</p><p>e) Um recurso fechado que permite dizer tudo, isto é, um sistema indisponível ao</p><p>poder humano de criação.</p><p>7. Com base no texto da Unidade I, sobre os princípios, objetivos e objetos da sintaxe,</p><p>analise a relação entre as afirmações e assinale a alternativa correspondente.</p><p>I. A gramática</p><p>153</p><p>10.1 CONCEITOS ESSENCIAIS DA SINTAXE: HIERARQUIA E DISTRIBUIÇÃO LEXICAL</p><p>.......................................................................................................................... 153</p><p>10.1.1 Concordância Ou Paralelismo Formal.................................................154</p><p>10.1.2 Regência Ou Princípio Da Gramaticalidade .....................................155</p><p>10.1.3 O Fenômeno Da Crase ...........................................................................158</p><p>10.1.4 Colocação Pronominal ..........................................................................160</p><p>RECAPITULANDO....................................................................................... 165</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 166</p><p>CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES ......................................................... 170</p><p>11.1 SINTAXE – TIPOS DE PERÍODOS ....................................................................... 170</p><p>11.2 PERÍODO SIMPLES ............................................................................................ 172</p><p>11.3 PERÍODO COMPOSTO ..................................................................................... 174</p><p>11.3.1 Período Composto Por Coordenação.................................................174</p><p>11.3.2 Orações Coordenadas Sindéticas .......................................................174</p><p>11.3.3 Orações Coordenadas Assindéticas (Justaposição Ou Parataxe) 176</p><p>11.3.4 Período Composto Por Subordinação .................................................177</p><p>11.3.5 Orações Subordinadas Substantivas ....................................................178</p><p>UNIDADE</p><p>12</p><p>11.3.6 Orações Subordinadas Adjetivas..........................................................181</p><p>11.3.7 Orações Subordinadas Adverbiais .......................................................182</p><p>11.4 ORAÇÕES REDUZIDAS ..................................................................................... 185</p><p>11.5 APÊNDICE ......................................................................................................... 188</p><p>11.6 RECAPITULANDO ............................................................................................ 189</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 191</p><p>ANÁLISE SINTAGMÁTICA E REPRESENTAÇÃO ARBÓREA..................... 196</p><p>12.1 INTRODUÇÃO À TEORIA X-BARRA.................................................................. 196</p><p>12.2 PRINCÍPIOS DE ESQUEMATIZAÇÃO ARBÓREA ............................................... 197</p><p>12.2.1 Estrutura Arbórea......................................................................................198</p><p>12.2.2 Descritores Sintagmáticos.......................................................................198</p><p>12.3 QUANTIFICADORES SINTAGMÁTICOS ............................................................ 202</p><p>12.4 NÚCLEO E PROJEÇÃO ..................................................................................... 202</p><p>12.5 ESPECIFICADORES, NÚCLEOS E COMPLEMENTOS ......................................... 204</p><p>12.6 ADJUNÇÃO ...................................................................................................... 207</p><p>12.7 REPRESENTAÇÃO ARBÓREA ............................................................................ 208</p><p>12.8 RECAPITULANDO.............................................................................................. 210</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 211</p><p>RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ............................................. 214</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................... 216</p><p>A SINTAXE NA HISTÓRIA DOS</p><p>ESTUDOS LINGUÍSTICOS</p><p>1.1 DEFININDO A SINTAXE</p><p>Do ponto de vista da Gramática Tradicional, a sintaxe é uma seção dedicada</p><p>ao estudo da formação das frases, orações e períodos. Mais especificamente</p><p>falando, ela estuda como as palavras se combinam para formar frases. Segundo</p><p>Cegalla (2000), essa parte se subdivide em:</p><p>1. Análise sintática: consiste na análise da função que as palavras</p><p>exercem na oração. Ex.: as funções de sujeito, objeto, adjunto etc.</p><p>2. Regência: consiste na análise das relações de dependência das palavras</p><p>na oração de modo que uma palavra esteja sempre subordinada à</p><p>outra. Um dos aspectos analisados nesta parte é se o erbo precisa ou</p><p>não de complemento e se esse complemento deve vir ou não</p><p>antecedido de preposição. Por exemplo, o verbo nascer não precisa de</p><p>complemento, ele é chamado de verbo intransitivo (ex.: Helena</p><p>nasceu); já o verbo gostar exige complemento, e este deve vir</p><p>precedido de preposição (ex.: Helena gosta de doces); o verbo amar</p><p>também exige complemento, porém este não deve vir precedido de</p><p>preposição (ex.: Helena ama João). No caso específico dos verbos que</p><p>exigem preposição, a regência também busca analisar qual é a</p><p>preposição que o verbo rege de acordo com à Norma Padrão. Por</p><p>exemplo, o verbo ir, conforme a Norma, deve sempre reger a</p><p>preposição a (como em: João foi à praia), e não a preposição em,</p><p>como estamos acostumados a ver na fala espontânea em frases como</p><p>João foi na praia. Devemos ficar atentos, pois, em alguns casos, a</p><p>mudança de regência pode implicar a mudança no sentido de uma</p><p>frase, como, por exemplo:João assistiu ao filme (= João viu o filme) e</p><p>João assistiu o paciente (= João ajudou / prestou assistência ao</p><p>paciente).</p><p>Concordância: consiste na normatização de uma espécie de paralelismo na</p><p>flexão dos termos da oração. Esta parte se subdivide em concordância nominal e</p><p>verbal. A Gramática Tradicional prevê, portanto, que, sempre, o adjetivo deve</p><p>concordar em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural) com o</p><p>substantivo (ex.: leitura interessante / leituras interessantes) e o verbo também deve</p><p>concordar em número e pessoa (1ª, 2ª e 3ª) com o sujeito (ex.: O avião aterrisou / Os</p><p>aviões aterrisaram).</p><p>Sintaxe da colocação: consiste naanálise da disposição ou ordem das palavras</p><p>ao longo da oração, ex.: (1) João comprou um livro para Maria / (2) Para Maria, João</p><p>comprou um livro / (3) Um livro, João comprou para Maria. Essa parte também cuida</p><p>da colocação dos pronomes oblíquos átonos,normatizando os contextos específicos</p><p>em que estes devem vir antes do verbo (ex.: O João me emprestou o livro de</p><p>matemática), no meio do verbo (ex.: Perguntei ao João se ele emprestar-me-ia o livro</p><p>de matemática) ou depois do verbo (ex.: O João me ajudou, emprestando-me o livro</p><p>de matemática).</p><p>Do ponto de vista científico, a sintaxe é uma área da Linguística que além de</p><p>investigar como as palavras se combinam para formar frases, entende que esse</p><p>processo não se dá de modo aleatório e, sim, mediante a competência linguística do</p><p>falante.</p><p>A competência linguística do falante é, pois, o objeto de estudo da sintaxe e</p><p>diz respeito ao conhecimento inato que todo falante tem sobre a sua língua materna.</p><p>Esse conhecimento inato está radicado na biologia do cérebro/mente do falante</p><p>(KENEDY, 2008, p. 129) e permite que ele construa um número infinito de frases com</p><p>um número limitado de palavras e regras gramaticais (MIOTO et al., 2018, p. 15-16).</p><p>Exemplificamos isso da seguinte forma: tomando o conjunto de palavras Carla</p><p>- casa - a - uma - comprar, sabemos que é completamente possível construir uma</p><p>frase como (4a) e que podemos gerar outras combinações com essas palavras e</p><p>formar as frases (4b) e (4c). No entanto, algumas combinações, como (4d) e (4e), não</p><p>são possíveis, porque fogem das regras gramaticais da</p><p>se ocupa das convenções de uma língua em quatro níveis</p><p>fundamentais, que são: o fonológico (análise dos processos de formação de</p><p>fonemas e sílabas); o morfológico (análise dos processos de formação de</p><p>morfemas e palavras); o sintático (análise dos processos de formação de frases,</p><p>períodos e orações) e o semântico/pragmático (análise dos processos de sentido</p><p>e significação).</p><p>Assim,</p><p>108</p><p>II. Há uma gradação nesses estudos que perfaz a compreensão das menores para</p><p>as maiores estruturas da língua. Assim, se a fonologia se ocupa da reprodução</p><p>sonora e gráfica das menores estruturas da língua e a morfologia, da estrutura e</p><p>classificação das palavras, a sintaxe vai trabalhar com as diferentes combinações</p><p>e relações de sentidos que são criadas em níveis maiores e mais elaborados.</p><p>a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas não há relação de justificativa</p><p>entre elas.</p><p>b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta de</p><p>I.</p><p>c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.</p><p>e) As asserções I e II são proposições falsas.</p><p>8. (CESPE — 2008 — Adaptada). Assinale a opção incorreta acerca dos conceitos de</p><p>gramática.</p><p>a) Gramáticas normativas caracterizam-se por apresentar um conjunto sistemático</p><p>de normas que determinam o falar e o escrever corretamente.</p><p>b) O conceito de gramática internalizada pressupõe o saber linguístico que o falante</p><p>de uma língua desenvolve.</p><p>c) Gramáticas normativas e descritivas valem-se de critérios estéticos ao estabelecer</p><p>a estrutura de uma língua.</p><p>d) Gramáticas descritivas estabelecem as estruturas e as regras de uso de uma língua.</p><p>e) Gramáticas são convenções necessárias que orientam os usos linguísticos.</p><p>109</p><p>UNIDADES FORMAIS DA SINTAXE</p><p>8.1 CATEGORIAS DESCRITIVAS DA SINTAXE</p><p>Nesta unidade, vamos adentrar o âmbito terminológico e prático da análise</p><p>sintática. Para isso, avançaremos no sentido de obter definições mais específicas dos</p><p>recortes que correspondem ao estudo sintático, fazendo uma delimitação, tanto</p><p>quanto possível, dos outros níveis gramaticais.</p><p>A importância dos estudos sintáticos na gramática gerativa é bastante</p><p>evidente, não apenas porque a obra que deu origem, como vimos, à teoria gerativa</p><p>leva o nome Estruturas sintáticas, mas sobretudo porque ela revela o modo como a</p><p>língua se organiza para construir o discurso, uma vez que: “Cada língua tem sua</p><p>forma, sua estrutura, suas categorias, às quais não se pode chegar senão pelo</p><p>estabelecimento das unidades no interior de cada sistema e das seleções opositivas</p><p>entre essas unidades.” (AZEREDO, 2000, p. 23).</p><p>A análise sintática pautada na metodologia gerativista pressupõe, assim como</p><p>ocorre na gramática tradicional, a identificação e classificação de certas categorias</p><p>estruturais da língua. Desse modo, o seu estudo se dá a partir da delimitação de seus</p><p>constituintes, isto é, dos conjuntos que se unem para formar uma sentença.</p><p>Do ponto de vista prático, a sintaxe é exercida toda vez que nos expressamos</p><p>para chamar ou cumprimentar alguém:</p><p>(8) Oi, José!</p><p>(9) Como vai, Pedro?</p><p>(10) Parabéns, Juliana!</p><p>Para exprimir sensações:</p><p>(11) Que sol!</p><p>(12) Estou com sono.</p><p>(13) Meus olhos ardem.</p><p>110</p><p>Para pedir ou requisitar algo a alguém:</p><p>(14) Mariana, preciso que vá à feira para mim.</p><p>(15) Suzana, me traga aquela pasta de documentos.</p><p>(16) Garçom, por favor, o cardápio.</p><p>Todos esses exemplos (dos menores aos mais complexos) possuem algo em</p><p>comum: eles encerram uma lógica subjacente que ordena a combinação entre as</p><p>palavras. Assim, podemos ter em mente que a sintaxe é a parte gramatical da língua</p><p>que nos permite criar relações entre as palavras a partir de algumas regras e princípios</p><p>estruturais.</p><p>Do ponto de vista analítico, a rigor, toma-se como objeto da sintaxe qualquer</p><p>sintagma/frase ou oração cujos elementos componentes possam ser classificados a</p><p>partir de suas relações.</p><p>8.2 FRASE, SENTENÇA, PERÍODO, ORAÇÃO</p><p>Na definição de José Carlos Azeredo, frase “é o menor texto possível” e “toma</p><p>a forma de interjeição, a qual representa globalmente a situação a que se refere”</p><p>(AZEREDO, 2000, p. 30).</p><p>O termo “frase” constitui uma noção fundamental para a análise sintática e é</p><p>comumente empregado como sinônimo de sentença e até mesmo de período, o</p><p>que pode tornar a sua compreensão, a princípio, confusa. Esclareçamos, portanto,</p><p>que o termo frase admite um emprego geral, uma vez que, uma frase pode ser tanto</p><p>nominal (dispensando a necessidade do verbo), quanto verbal. Assim, para ilustrar,</p><p>observemos os seguintes exemplos:</p><p>(17) Que sono!</p><p>111</p><p>Consiste em uma frase de estrutura nominal. Ao passo que:</p><p>(18) Chove!</p><p>Consiste em uma frase de estrutura verbal.</p><p>Por outro lado, os termos “sentença”, “período” e, sobretudo, “oração”</p><p>designam especificamente frases que apresentam estrutura verbal, isto é, que</p><p>possuem predicação verbal. Observemos os exemplos:</p><p>(19) Maria sonhava com as férias.</p><p>O verbo sonhar nessa oração expressa a relação que o termo “Maria”</p><p>estabelece com o termo “férias”. Assim, a sua supressão alteraria a estrutura e o</p><p>sentido que ela possui:</p><p>(19A) * Maria com as férias.</p><p>Na hierarquia gramatical, pensamos as estruturas da língua, conforme</p><p>abordamos na Unidade I, a partir de classificações menores para as maiores, é por</p><p>isso que seguimos a divisão analítica em: fonologia, morfologia, sintaxe e</p><p>semântica/pragmática.</p><p>O estudo da sintaxe, por sua vez, também pressupõe uma hierarquia estrutural</p><p>interna, uma que vez que “a existência dos sintagmas, como unidade intermediária</p><p>entre as palavras e frases, evidencia uma propriedade fundamental da sintaxe das</p><p>línguas naturais: a hierarquia.” (Kenedy e Othero, 2018, p. 28).</p><p>Obedecendo a essa forma de organização, temos, portanto, que o estudo da</p><p>sintaxe se inicia com a frase, uma vez que, dentro da hierarquia sintática, a frase é</p><p>formada recursivamente por palavras relacionadas. A essa relação estabelecida</p><p>entre as palavras no nível discursivo atribui-se a denominação de sintagma.</p><p>112</p><p>Figura 3: Relação entre as palavras</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2022)</p><p>Os sintagmas são unidades combinatórias de palavras que formam as frases e</p><p>as orações, sendo por isso fundamentais para a análise sintática. Eles representam a</p><p>noção de conjunto. Significa dizer que a partir de um conjunto de palavras, o</p><p>sintagma encerra uma estrutura menor do que a frase/oração.</p><p>Essa noção de conjunto expressa pelo sintagma permite que isolemos os</p><p>diferentes segmentos que compõem a frase ou a oração. Portanto, os sintagmas são</p><p>“os verdadeiros constituintes da oração” (AZEREDO, 2000, p. 31). Vejamos, a seguir,</p><p>um exemplo:</p><p>(20) A menina comprou doces.</p><p>Em (20) a oração pode ser segmentada em dois sintagmas: o sintagma “a</p><p>menina” (formado pelo artigo definido “a” e pelo substantivo “menina”) indica o</p><p>sujeito da oração e constitui um conjunto nominal (já que não é integrado por</p><p>nenhum verbo); ao passo que o sintagma seguinte (“comprou doces”) se liga ao</p><p>sintagma nominal “a menina”, constituindo, assim, o seu predicado verbal ao indicar</p><p>uma ação e um complemento dessa ação atribuídos à menina; por sua vez, por</p><p>conter verbo, esse é um sintagma verbal.</p><p>Conforme Kenedy e Othero (2018), um sintagma pode ser constituído por uma</p><p>única palavra, que seria seu núcleo sozinho. Isso ocorre quando um item lexical se</p><p>apresenta como uma unidade completa na estrutura. Tomando ainda o exemplo</p><p>(20), poderíamos substituir “A menina” pelo sintagma “Ela”, que desempenharia a</p><p>mesma função na estrutura sintática. Ademais, ainda de acordo com</p><p>os autores</p><p>supracitados, um sintagma também pode constituir um conjunto vazio, quando</p><p>aparecem subentendidos na sentença.</p><p>Assim, do ponto de vista do princípio hierárquico mencionado, um texto, tanto</p><p>113</p><p>falado quanto escrito, nada mais é que o encadeamento de frases/orações e pode</p><p>se tornar objeto da sintaxe quando desmembrado e analisado a partir de suas</p><p>relações sintáticas. Entretanto, devemos ter em mente que quando consideramos</p><p>como objeto de análise o parágrafo de um texto escrito, por exemplo, saímos da</p><p>esfera da sintaxe para adentrarmos a da semântica ou da pragmática que analisam</p><p>as relações de significação e sentido em uma acepção mais ampla. Portanto, a</p><p>delimitação dos estudos sintáticos leva sempre em consideração a hierarquia que</p><p>configura e possibilita a identificação do sintagma.</p><p>8.3 MARCADORES INDICATIVOS DO SINTAGMA</p><p>Na análise sintática gerativista, conforme Kenedy e Othero (2018), como forma</p><p>de sinalizar os elementos que compõem o estudo da sentença, o sintaticista deve</p><p>empregar algumas marcações – representadas por símbolos – para identificar a</p><p>estrutura sintática e os fenômenos que caracterizam as suas operações formais. São</p><p>eles: colchetes, asterisco e interrogação.</p><p>Quadro 3: Marcadores e símbolos</p><p>Marcadores Símbolos</p><p>Colchetes [ ]</p><p>Asterisco *</p><p>Interrogação ?</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2022)</p><p>8.3.1 Colchetes</p><p>Os colchetes servem para sinalizar uma unidade sintagmática, delimitando as</p><p>suas fronteiras no interior da sentença:</p><p>(21) [Aquela jovem] [caminhava [tranquila]]</p><p>É possível fazer sobreposições dos conjuntos que constituem a sentença por</p><p>meio de sequências de colchetes:</p><p>(21A) [Aquela jovem] [caminhava [tranquila] [pelo parque]]</p><p>114</p><p>Desse modo, cada par de colchetes sinaliza uma unidade sintática e podemos</p><p>identificar mais facilmente que o sintagma [pelo parque] integra outro sintagma</p><p>maior: [caminhava [tranquila] pelo parque] e que, por sua vez, [tranquila] é outro</p><p>sintagma integrante desse conjunto maior.</p><p>8.3.2 Asterisco</p><p>O asterisco é empregado para sinalizar a agramaticalidade de uma sentença,</p><p>isto é, quando se está diante de uma estrutura impossível de ocorrer na língua</p><p>portuguesa:</p><p>(22) * Querem os brincar amigos.</p><p>8.3.3 Interrogação</p><p>O ponto de interrogação é usado quando há dúvida a respeito da</p><p>gramaticalidade da estrutura sintática:</p><p>(23) Essa é a cantora de que te falei.</p><p>A sentença acima possui uma estrutura gramatical. Já a frase abaixo levanta</p><p>dúvidas quanto à sua gramaticalidade, uma vez que, se considerarmos o emprego</p><p>pronominal (a qual) como indicativo de uma oração explicativa, a estrutura em</p><p>questão necessitaria de uma vírgula para tornar-se gramatical:</p><p>(23A) ? Essa é a cantora a qual te falei.</p><p>(23B) Essa é a cantora, a qual te falei.</p><p>Portanto, como oração restritiva (que especifica a cantora), a sentença (23A)</p><p>é agramatical.</p><p>115</p><p>116</p><p>8.3.4 Identificação dos constituintes sintagmáticos e princípios distribucionais</p><p>Para identificar o sintagma, existem critérios que devem ser seguidos pelo</p><p>sintaticista. Com base em Azeredo (2000, p. 31-33), temos que a identificação dos</p><p>sintagmas é feita com base nos princípios distribucionais, como os que determinam a</p><p>posição e a mobilidade dos elementos que compõem a frase/oração.</p><p>De acordo com Kenedy e Othero (2018, 21-28), existem seis tipos de testes</p><p>sintagmáticos que permitem a identificação dos sintagmas no interior de uma frase</p><p>ou oração:</p><p>Pronominalização</p><p>Interrogação</p><p>Deslocamento</p><p>Clivagem</p><p>Interpolação</p><p>Elipse</p><p>Vamos ver como ocorre cada um desses processos.</p><p>8.3.5 Processos de identificação dos constituintes sintagmáticos</p><p>Pronominalização</p><p>A pronominalização consiste na substituição do constituinte do sintagma por</p><p>um pronome. Observe o exemplo (24), a seguir:</p><p>(24) [Lucas] [saiu com seus amigos].</p><p>Na sentença acima, o nome Lucas constitui um sintagma nominal, para</p><p>comprová-lo, podemos aplicar o teste da pronominalização, isto é, substituir esse</p><p>sintagma por um pronome, no caso, por “ele”:</p><p>(25) [Ele] [saiu com seus amigos].</p><p>Observe que o pronome “ele” desempenha função equivalente a “Lucas”,</p><p>117</p><p>sendo também um sintagma formado por uma única palavra. A substituição</p><p>comprova que essa estrutura é funcional e, portanto, gramatical.</p><p>Considerando a sentença (26), a seguir, podemos substituir os sintagmas [as</p><p>crianças] por [elas], e, assim, teríamos (26A):</p><p>(26) [As crianças] [foram à escola].</p><p>(26A) [Elas] [foram à escola].</p><p>A substituição resulta, pois, em uma estrutura funcional e gramatical. Mas, se</p><p>isolássemos apenas “crianças” como sintagma, não teríamos essa comprovação de</p><p>funcionalidade e gramaticalidade da sentença, pois, “As elas foram à escola” não é</p><p>uma estrutura possível na Língua Portuguesa.</p><p>Interrogação</p><p>O processo de identificação sintagmática por interrogação consiste na</p><p>substituição do sintagma por um pronome interrogativo, como: quem, qual, por que,</p><p>onde, quando, como etc. Observe os exemplos em (25), a seguir:</p><p>(25) [Os meninos] [conhecem [a irmã de Lucas]].</p><p>(25A) [Os meninos] [conhecem [quem?]]</p><p>O pronome “quem” e “a irmã de Lucas” possuem uma equivalência nas</p><p>estruturas sintáticas acima. Sendo assim, comprova-se a funcionalidade e</p><p>gramaticalidade das duas formas explicitadas.</p><p>Deslocamento</p><p>Esse processo visa testar a mobilidade do sintagma dentro da sentença. Para</p><p>tanto, desloca-se o sintagma para o início da sentença, conforme o exemplo:</p><p>(26) [Viajaremos de férias] [amanhã de manhã].</p><p>(26A) Amanhã de manhã, viajaremos de férias.</p><p>118</p><p>Observa-se que, mesmo com o deslocamento, as estruturas sintáticas</p><p>continuam possíveis na Língua Portuguesa, comprovando-se, então, que os recortes</p><p>operados na sentença correspondem, de fato, aos seus constituintes sintagmáticos.</p><p>Clivagem</p><p>O termo clivar corresponde a segmentar algo. Esse processo consiste na</p><p>anteposição de um constituinte para o início da sentença, colocando-o entre duas</p><p>partículas: o verbo ser (flexionado de acordo com os elementos do sintagma</p><p>selecionado) e a conjunção que. Observe o exemplo (27), a seguir:</p><p>(27) [Mariana] [leu [seu livro preferido] [antes de dormir]].</p><p>Ao selecionarmos o sintagma [seu livro preferido], colocando-o entre as</p><p>partículas ser e que, teremos:</p><p>(27A) Foi (em concordância com o tempo verbal (leu) usado) [seu livro</p><p>preferido] que Mariana leu.</p><p>Vamos tentar selecionar outro segmento dessa mesma oração para testar seus</p><p>constituintes. Se selecionarmos [antes de dormir], teremos:</p><p>(27B) Foi [antes de dormir] que Mariana leu seu livro preferido.</p><p>Com essa clivagem, a oração mantém-se gramatical, comprovando que o</p><p>recorte feito corresponde aos sintagmas que a constituem. Podemos ensaiar outro</p><p>recorte, ao tomarmos o segmento [preferido antes], teremos como resultado do teste</p><p>de clivagem:</p><p>(27C) *Foi [preferido antes] que Mariana leu antes de dormir.</p><p>Podemos inferir que a estrutura resultante não é gramatical e que, portanto, o</p><p>119</p><p>segmento [preferido antes] não é uma unidade sintagmática.</p><p>Interpolação</p><p>O teste da interpolação se caracteriza por um princípio de deslocamento que</p><p>deve obedecer aos limites de outros sintagmas que compõem a frase ou oração. Ou</p><p>seja, pode-se comprovar a unidade constituinte por meio do seu deslocamento</p><p>interno nos intervalos dos outros sintagmas:</p><p>(28) [Os amigos] [foram festejar [ontem à noite]].</p><p>(28A) [Ontem à noite], [os amigos foram festejar].</p><p>(28B) [Os amigos] [ontem à noite] [foram festejar].</p><p>Em todos esses casos, o teste com o sintagma “ontem à noite” é funcional e</p><p>dotado de gramaticalidade. O mesmo não ocorre em (28C), a seguir:</p><p>(28C) * [Os [ontem à noite] amigos] [foram festejar].</p><p>Nesse caso, o teste comprova que a inserção desse sintagma no primeiro</p><p>segmento da oração não é possível porque essa estrutura não é gramatical na língua</p><p>portuguesa.</p><p>Elipse</p><p>Por fim, o último teste consiste na supressão de um constituinte ou sua</p><p>substituição por uma vírgula. Observemos o exemplo (29), a seguir:</p><p>(29) [Juliana] [estudava [no quarto]] [e Mariana] [estudava [na sala]].</p><p>Nesse caso, temos a repetição do verbo estudar. Pelo teste de elipse, é possível</p><p>substituir a repetição do verbo por uma vírgula sem nenhum prejuízo estrutural:</p><p>120</p><p>(29A) [Juliana] [estudava [no quarto]] [e Mariana], [na sala]].</p><p>A vírgula introduzida representa uma estrutura elidida. No caso, o verbo estudar</p><p>está elidido entre o sintagma “Mariana” e o sintagma “na sala”, de modo que, por</p><p>meio desse teste, identifica-se o constituinte que se repete.</p><p>Embora nem sempre os testes deem conta da complexidade dos constituintes,</p><p>eles servem à análise sintática de maneira mais ou menos prática, uma vez que</p><p>permitem examinar essas estruturas facilitando a sua identificação.</p><p>8.3.6 Gramaticalidade e agramaticalidade</p><p>Conforme elucida Maximiliano Guimarães (2017, p. 35), a (a)gramaticalidade</p><p>é um constructo teórico referente a uma noção relativa que sempre depende do</p><p>plano em que é analisada, pois, uma sentença pode ser sintaticamente gramatical,</p><p>mas ser semanticamente inaceitável / incorreta. O grande exemplo dado pela teoria</p><p>chomskiana é o da sentença:</p><p>(30) Ideias verdes incolores dormem furiosamente.</p><p>Apesar de sintaticamente gramatical, isto é, correspondente às normas aceitas</p><p>para a construção sintática em língua portuguesa, a sentença é considerada</p><p>nonsense (sem sentido) por construir uma metáfora a partir de termos cujas</p><p>associações redunda em uma estrutura semântica inaceitável. A teoria de Chomsky</p><p>conclui, com base nessa dissociação, que os graus de gramaticalidade nem sempre</p><p>coincidem e que, por isso, devem ser analisados em seus respectivos planos () para</p><p>que possam ser cotejados posteriormente em um plano mais amplo e complexo.</p><p>Do ponto de vista estritamente sintático, podemos presumir que é gramatical</p><p>a sentença que articula em sua estrutura unidades sintagmáticas. O princípio da</p><p>articulação é justamente o que embasa os testes sintagmáticos e é por isso que eles</p><p>facilitam a visualização dos sintagmas.</p><p>Os testes sintagmáticos possuem dupla função nos estudos da sintaxe: além de</p><p>ajudarem a identificar as unidades imediatas que compõem os sintagmas de uma</p><p>sentença, eles permitem demonstrar a gramaticalidade ou a agramaticalidade das</p><p>121</p><p>Variáveis Invariáveis</p><p>verbo advérbio</p><p>sentenças.</p><p>É importante destacar que o conceito de agramaticalidade não deve ser</p><p>confundido com o de desvio da norma. Uma sentença é agramatical quando possui</p><p>uma quebra da ordenação sistemática que caracteriza a estrutura sintática de uma</p><p>língua, como quando elementos de complementação de um sintagma aparecem</p><p>dispersos entre outros sintagmas. Como em:</p><p>(31) * Meninas as tranças com correm suas.</p><p>(31A) As meninas correm com suas tranças.</p><p>Passemos agora à identificação terminológica das estruturas sintagmáticas. Isto</p><p>é, após percebermos que a sentença é formada por unidades articuladas que</p><p>podem ser identificadas por meio de testes distribucionais, como, então, podemos</p><p>denominar essas estruturas? É o que veremos a seguir.</p><p>8.3.7 Classes de palavras e classificação de sintagmas</p><p>Na divisão morfológica da língua portuguesa, ou seja, em um nível abaixo do</p><p>sintagma, temos a classificação das palavras. Os estudos morfológicos se ocupam da</p><p>estrutura de cada palavra e de seus processos de formação. Quando combinados,</p><p>os morfemas formam palavras que podem ser classificadas de acordo com a sua</p><p>estrutura.</p><p>Em Estrutura da língua portuguesa (1976), Joaquim Mattoso Câmara Jr oferece</p><p>uma classificação morfológica da língua portuguesa em quatro classes fundamentais:</p><p>nome, verbo, pronome e conectivos. Os nomes e os pronomes podem ser substantivos,</p><p>adjetivos ou advérbios e os conectivos podem ser conjunções ou preposições. Mas e</p><p>quanto aos artigos? Eles, assim como os numerais, são considerados classes derivadas</p><p>dos pronomes e dos nomes, respectivamente, que alcançaram certa autonomia,</p><p>constituindo-se em casos funcionais específicos.</p><p>Essa classificação é sintetizada no seguinte quadro:</p><p>Quadro 4: Classes de Palavras</p><p>122</p><p>substantivo preposição</p><p>pronome conjunção</p><p>adjetivo</p><p>artigo</p><p>numeral</p><p>Fonte: CÂMARA JR - Adaptado (1976).</p><p>Os verbos são dotados de variabilidade com base em seu princípio flexional</p><p>(em modo, tempo, número e pessoa). Os nomes e os pronomes (substantivos,</p><p>adjetivos, advérbios e numerais), por sua vez, são considerados variáveis porque</p><p>possuem variabilidade em gênero e número. De maneira correlacionada, os artigos</p><p>que acompanham os nomes também recebem flexão em gênero e número e, por</p><p>isso, pertencem ao grupo das palavras variáveis.</p><p>Já os conectivos não possuem variabilidade morfológica e podem ser de duas</p><p>espécies: preposição (de, a, para, até, em, entre, sem etc.) ou conjunções (e, que,</p><p>mas, logo, porém, assim, então, nem, pois etc.). Essa categoria constitui um grupo de</p><p>palavras muito importante para se compreender as relações sintáticas, sendo aquele</p><p>que promove a ligação entre as orações. Em suma, é a partir dele que se</p><p>estabelecem as relações subordinadas e coordenadas no interior das sentenças.</p><p>Voltaremos a essa categorização na próxima unidade, quando trataremos</p><p>mais especificamente das funções sintáticas. Por hora, vamos pensar de que modo</p><p>essa classificação morfológica nos ajuda na identificação dos sintagmas.</p><p>É com base na classificação das palavras que o sintaticista identifica e nomeia</p><p>o sintagma, considerando, para tanto, a relação que ela estabelece com outras</p><p>palavras no interior da sentença.</p><p>Atenção a esse aspecto: o objeto analítico do sintaticista não é a palavra em</p><p>si, mas a relação entre as palavras dentro de uma sentença. No entanto, enquanto</p><p>unidade mínima de um sintagma, ela precisa ser identificada para que se possam</p><p>estabelecer os critérios da classificação dos sintagmas.</p><p>123</p><p>Em termos abstratos, o seguinte esquema ilustra a relação entre a classificação</p><p>da palavra e a classificação do sintagma:</p><p>Figura 4: Classificação da palavra X Classificação do sintagma</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2022)</p><p>124</p><p>A partir desse esquema, temos que o sintagma é classificado de acordo com</p><p>a categoria à qual pertence a palavra que constitui o seu núcleo e, com base nas</p><p>classes morfológicas, o sintaticista identifica e classifica o sintagma.</p><p>Portanto, uma consideração fundamental para a identificação do sintagma</p><p>é a de que ele se estrutura a partir de um núcleo (KENEDY E OTHERO, 2018). Assim, a</p><p>noção de núcleo constitui um princípio essencial à análise sintática porque se constitui</p><p>como critério de identificação que, juntamente das classes de palavras, permite-nos</p><p>identificar e classificar o sintagma.</p><p>Figura 5: Núcleo</p><p>Fonte: Elaborada pelo autora (2022)</p><p>Assim, conforme Azeredo (2000, p. 43) e Kenedy e Othero (2018, p. 28 e 29),</p><p>quando o sintagma tiver como núcleo um nome, a categoria morfológica à qual os</p><p>nomes pertencem é a nominal, portanto, o sintagma será definido também a partir</p><p>dessa terminologia:</p><p>Figura 6: Aspectos da Terminologia</p><p>Fonte: Elaborada pelo autora (2022)</p><p>Exemplo:</p><p>(32) [A casa] [de</p><p>João]</p><p>O núcleo sintagmático de [A casa] é casa, um nome substantivo e, desse</p><p>modo, denominamos esse sintagma como sintagma nominal (SN):</p><p>PALAVRA – a / casa</p><p>SINTAGMA – a casa</p><p>NÚCLEO – casa (nome)</p><p>IDENTIFICAÇÃO – sintagma nominal (SN)</p><p>125</p><p>Quando o sintagma for nucleado por um verbo, a categoria morfológica à</p><p>qual os verbos pertencem é a verbal, de modo que o sintagma é classificado</p><p>também como verbal:</p><p>Figura 7: Aspectos da Terminologia</p><p>Fonte: Elaborada pelo autora (2022)</p><p>Exemplo:</p><p>(33) Chove!</p><p>Essa expressão constitui um lexema (palavra ou expressão que encerra uma</p><p>unidade léxica), que se baseia na flexão do verbo chover, portanto, é sintagma</p><p>verbal (SV):</p><p>PALAVRA – chove</p><p>SINTAGMA – chove</p><p>NÚCLEO – chove (verbo)</p><p>IDENTIFICAÇÃO – sintagma verbal (SV)</p><p>Quando o sintagma for nucleado por uma preposição, a categoria</p><p>morfológica à qual esse grupo de palavras corresponde é a preposicional e, portanto,</p><p>o sintagma será nomeado também preposicional:</p><p>Figura 8: A nomeação do Sintagma</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2022)</p><p>Exemplo:</p><p>(34) Sem saída.</p><p>A expressão constitui também um lexema e seu núcleo é a preposição “Sem”.</p><p>Portanto, ela se configura como um sintagma preposicional:</p><p>126</p><p>PALAVRA – sem / saída</p><p>SINTAGMA – sem saída</p><p>NÚCLEO – sem (preposição)</p><p>IDENTIFICAÇÃO – sintagma preposicional (SP)</p><p>Quando o núcleo do sintagma for constituído por um adjetivo, a categoria</p><p>morfológica à qual esse grupo de palavras corresponde é a adjetiva (ou adjetival) e,</p><p>assim, o sintagma será classificado como adjetival:</p><p>Exemplo:</p><p>(35) Feliz da vida.</p><p>“Feliz” é o núcleo desse sintagma e, portanto, pertencendo à categoria dos</p><p>adjetivos projeta o sintagma como adjetival:</p><p>PALAVRA – feliz / da / vida</p><p>SINTAGMA – feliz</p><p>NÚCLEO – feliz (adjetivo)</p><p>IDENTIFICAÇÃO – sintagma adjetival (SA)</p><p>Por fim, se o núcleo do sintagma for constituído por um advérbio, a categoria</p><p>morfológica será a adverbial e, correspondentemente, o sintagma será também</p><p>adverbial:</p><p>Figura 9: Sintagma Adverbial</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2022)</p><p>Exemplo:</p><p>(36) Felizmente, tudo deu certo.</p><p>127</p><p>O sintagma isolado pela vírgula “Felizmente” é formado por uma única palavra</p><p>que exprime uma condição, sendo, portanto, um advérbio que caracteriza o</p><p>sintagma como adverbial:</p><p>PALAVRA – felizmente</p><p>SINTAGMA – felizmente</p><p>NÚCLEO – felizmente (advérbio)</p><p>IDENTIFICAÇÃO – sintagma adverbial (SAdv.)</p><p>Além dos sintagmas nucleados por nome, verbo, preposição, adjetivo e</p><p>advérbio, que constituem, como vimos, as estruturas mais evidentes e referenciais do</p><p>sintagma, existe uma outra categoria complementar de sintagmas que é a dos</p><p>sintagmas gramaticais/funcionais.</p><p>Essa categoria é formada por unidades que se vinculam às unidades nucleares</p><p>do sintagma e podem ser divididas em três grupos:</p><p>SD – sintagma determinante</p><p>SF – sintagma flexional</p><p>SC – sintagma complementizador</p><p>Em geral, a categoria de sintagma determinante é composta por unidades não</p><p>lexicais da língua, isto é, que não apresentam sentido quando isoladas. É o caso dos</p><p>artigos (definidos e indefinidos), dos pronomes (possessivos, demonstrativos,</p><p>indefinidos e dos numerais), conforme os exemplos:</p><p>(37)</p><p>(a) [Os] livros que estão sobre a mesa.</p><p>(b) [A] cadeira onde ele se sentou.</p><p>(c) [Um] menino andando de bicicleta.</p><p>(d) [Uma] flor que desabrochou.</p><p>(e) [Meus] primos que vieram do interior.</p><p>128</p><p>(f) [Cinco] passageiros foram presos por transporte ilegal de mercadorias.</p><p>Todos os itens entre colchetes representam unidades que não possuem sentido</p><p>referencial quando isolados, mas atuam como determinantes das unidades nucleares</p><p>dos sintagmas. Assim, os determinantes só atuam sintaticamente mediante o vínculo</p><p>que possuem com os núcleos.</p><p>O sintagma flexional, como se pode presumir, está mais especificamente</p><p>associado ao sintagma verbal e suas articulações em modo, tempo, número, pessoa</p><p>e voz.</p><p>(38) Cavaleiros marchavam para a batalha.</p><p>Quando pensamos na estrutura da oração acima de acordo com a sintaxe</p><p>gerativa, o fazemos a partir de uma fórmula quase matemática que seria assim</p><p>caracterizada:</p><p>[Cavaleiros] [marchavam [para a batalha]]</p><p>SN SV SP</p><p>O que interessa nesse momento de identificação do sintagma, pela</p><p>abordagem gerativista, é compreender que a oração tem sua estrutura mais</p><p>profunda determinada pelo esqueleto: SN (sintagma nominal) + SV (sintagma verbal)</p><p>+ SP (sintagma preposicional).</p><p>A noção da flexão e, portanto, do sintagma flexional se dá em um nível mais</p><p>superficial que compreende que o verbo presente na estrutura do SV se articula com</p><p>o nome presente no SN, caso contrário, teríamos: Cavaleiros marchar para a batalha,</p><p>considerando o verbo em sua forma infinitiva, isto é, sem flexão. Em vista disso, o</p><p>sintagma flexional é a unidade que caracteriza o SV e produz a concordância que</p><p>promove as funções sintáticas, como veremos na próxima unidade.</p><p>Por sua vez, o sintagma complementizador tem por função articular ou</p><p>conectar uma oração a outra por meio de uma conjunção. Por exemplo:</p><p>(39) [Amanheceu [antes]] [que [ele] [pudesse dormir]].</p><p>SV SC SV</p><p>129</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>Na sentença acima, há duas orações, porque há dois núcleos verbais que</p><p>podem ser isolados: o verbo “amanheceu” constitui o primeiro SV e a locução verbal</p><p>“pudesse dormir” constitui o segundo SV. Esses dois SVs estão ligados pela conjunção</p><p>que, que introduz em um nível mais superficial do que a estrutura mencionada, o</p><p>sintagma complementizador.</p><p>Portanto, os sintagmas gramaticais designam estruturas que articulam noções</p><p>de especificação, determinação, modificação e intensificação, contribuindo</p><p>gramaticalmente para a caracterização das unidades nucleares dos sintagmas.</p><p>1. Com base no texto da Unidade II, leia o fragmento abaixo e preencha</p><p>corretamente as lacunas conforme as alternativas.</p><p>A análise pautada na metodologia pressupõe a identificação e</p><p>de certas estruturais da língua. Assim, o seu estudo ocorre a partir</p><p>da de seus , isto é, dos conjuntos que uma sentença.</p><p>a) Sintática – gerativista – classificação – categorias – delimitação – constituintes –</p><p>compõem.</p><p>b) Morfológica – tradicional – reunião – conjunturas – condição – integrantes –</p><p>compõem.</p><p>c) Sintática – tradicional – classificação – categorias – delimitação – constituintes –</p><p>compõem.</p><p>d) Gramatical – tradicional – conjugação – unidades – condição – integrantes –</p><p>compõem.</p><p>e) Sintática – gerativista – conjugação – categorias – delimitação – constituintes –</p><p>compõem.</p><p>2. Conforme Azeredo (2000, p. 31-33) e Kenedy; Othero (2018, p. 21-28), existem</p><p>critérios que auxiliam a identificação dos sintagmas no interior de uma sentença.</p><p>Esses critérios são baseados em princípios:</p><p>a) Hierárquicos.</p><p>130</p><p>b) Distribucionais.</p><p>c) Normativos.</p><p>d) Categóricos.</p><p>e) De concordância.</p><p>9. Com base no conteúdo tratado na Unidade II, leia o enunciado e escolha a</p><p>alternativa correta:</p><p>Para identificar os constituintes sintagmáticos presentes em uma sentença existem</p><p>seis tipos de testes que consistem em avaliar a distribuição e mobilidade dos</p><p>sintagmas no interior da estrutura sintática, comprovando-os pelo critério da</p><p>unidade funcional. São eles:</p><p>a) Verbalização, supressão, deslocamento, interpolação, interrogação e elipse.</p><p>b) Caracterização, supressão, justaposição, polarização, interpolação e clivagem.</p><p>c) Subjetivação, verbalização, deslocamento, interpolação, elipse e caracterização.</p><p>d) Pronominalização, interrogação, deslocamento, clivagem, interpolação e elipse.</p><p>e) Substituição, interrogação, deslocamento, clivagem, interpolação e elipse.</p><p>4. Com base no conteúdo da Unidade II, assinale as alternativas INCORRETAS.</p><p>Constituem marcadores utilizados no estudo da sintaxe gerativa:</p><p>I. Colchetes</p><p>II. Parênteses</p><p>III. Interrogação</p><p>IV. Asterisco</p><p>V. Setas</p><p>a) Apenas I e II estão incorretas.</p><p>b) Apenas II e III estão incorretas.</p><p>c) Apenas I e IV estão incorretas.</p><p>d) Apenas II e V estão incorretas.</p><p>131</p><p>e) Todas estão incorretas.</p><p>5. Leia o enunciado e assinale a alternativa correta.</p><p>Considerando o conceito de gramaticalidade, conforme a teoria gerativista da</p><p>sintaxe, pode-se considerar agramatical as sentenças que:</p><p>a) Não apresentam verbo.</p><p>b) Apresentam estruturas impossíveis de ocorrer na língua portuguesa.</p><p>c) Apresentam sintagmas deslocáveis entre o início e o fim da sentença.</p><p>d) Apresentam apenas um sintagma.</p><p>e) Apresentam estruturas que só ocorrem na fala.</p><p>6. Com base no texto da Unidade II e na afirmação de José Carlos Azeredo de que</p><p>os sintagmas são “os verdadeiros constituintes da oração” (AZEREDO, 2000, p. 31),</p><p>preencha corretamente as lacunas e assinale a alternativa correta.</p><p>Os sintagmas são ¬¬¬ combinatórias que formam as frases e as ,</p><p>sendo por isso</p><p>para a análise sintática. Eles representam a noção de</p><p>. Significa dizer que a partir de um conjunto de , o encerra</p><p>uma menor do que a frase/oração.</p><p>a) Orações – palavras – dispensáveis – estrutura – palavras – conjunto – estrutura.</p><p>b) Orações – unidades – fundamentais – conjunto – palavras – sintagma – estrutura.</p><p>c) Frases – unidades – indispensáveis – fatores – palavras – sintagma – estrutura.</p><p>d) Unidades – orações – fundamentais – conjunto – palavras – sintagma – estrutura.</p><p>e) Unidades – orações – fatores – conjunto – palavras – sintagma – estrutura.</p><p>7. De acordo com os testes de identificação distributiva, o teste utilizado abaixo para</p><p>identificar o sintagma nominal Joana foi o da . Assinale a alternativa</p><p>correspondente.</p><p>Joana coleciona orquídeas.</p><p>132</p><p>[Quem?] [coleciona orquídeas].</p><p>[Joana] [coleciona orquídeas]</p><p>a) Elipse</p><p>b) Interpolação</p><p>c) Interrogação</p><p>d) Pronominalização</p><p>e) Clivagem</p><p>8. Com base no princípio de distribuição e mobilidade do sintagma no interior da</p><p>sentença, assinale a única alternativa em que a estrutura sintática abaixo figura</p><p>como agramatical:</p><p>Após vacinação em massa diminuíram os casos de Covid-19 no Brasil.</p><p>a) Os casos de Covid-19, após vacinação em massa, diminuíram no Brasil.</p><p>b) Os casos de Covid-19, no Brasil, diminuíram após vacinação em massa.</p><p>c) No Brasil, após vacinação em massa, os casos de Covid-19 diminuíram no Brasil.</p><p>d) Os casos de Covid-19 no Brasil diminuíram após em massa vacinação.</p><p>e) No Brasil, os casos de Covid-19 diminuíram após vacinação em massa.</p><p>133</p><p>TERMINOLOGIAS DO ESTUDO DAS</p><p>ORAÇÕES E CARACTERIZAÇÃO</p><p>DAS FUNÇÕES SINTÁTICAS</p><p>9.1 NOMENCLATURA GRAMATICAL BRASILEIRA – NGB</p><p>A Nomenclatura Gramatical Brasileira – NGB foi redigida em 1959 e constitui</p><p>uma normatização criada e instituída pelo governo brasileiro para unificar o ensino e</p><p>o estudo da gramática da língua portuguesa no Brasil. Sendo assim, ela visa</p><p>padronizar a sistematização dos estudos gramaticais a partir da divisão em três</p><p>grandes partes: a fonética, a morfologia e a sintaxe.</p><p>Entretanto, apesar de afirmar um compromisso com a “simplificação”, a</p><p>nomenclatura gramatical proposta pela NGB para o estudo da sintaxe apresenta,</p><p>conforme Kenedy e Othero (2018, p. 58-60), uma séria lacuna, que é a noção básica</p><p>de sintagma, na qual se fundamenta, como vimos na unidade anterior, o estudo da</p><p>sintaxe.</p><p>Iniciando a normatização do estudo sintático pelos princípios de</p><p>concordância, regência e colocação, a NGB adota a seguinte sequência</p><p>programática no que concerne à sintaxe:</p><p>TERCEIRA PARTE</p><p>Sintaxe</p><p>A – Divisão da sintaxe:</p><p>a) Concordância: nominal e verbal.</p><p>b) Regência: verbal e nominal</p><p>c) Colocação.</p><p>Nota: Na colocação dos pronomes oblíquos, adotem-se as</p><p>denominações de próclise, mesóclise e ênclise.</p><p>B – Análise Sintática:</p><p>I – Da Oração:</p><p>1. Termos essenciais da oração: sujeito e predicado.</p><p>a) Sujeito: simples, composto, indeterminado; oração sem sujeito.</p><p>b) Predicado: nominal, verbal, verbo-nominal.</p><p>c) Predicativo: do sujeito e do objeto.</p><p>d) Predicação verbal: verbo de ligação; verbo transitivo (direto e</p><p>indireto); verbo intransitivo.</p><p>134</p><p>2. Termos integrantes da oração:</p><p>a) complemento nominal;</p><p>b) complemento verbal: objeto (direto e indireto);</p><p>c) agente da passiva.</p><p>3. Termo acessórios da oração:</p><p>a) adjunto adnominal;</p><p>b) adjunto adverbial;</p><p>c) aposto.</p><p>4. Vocativo</p><p>II – Do período:</p><p>1. Tipos de período: simples e composto.</p><p>2. Composição do período: coordenação e subordinação.</p><p>3. Classificação das orações:</p><p>a) absoluta;</p><p>b) principal;</p><p>c) coordenada: assindética; sindética: aditiva, adversativa,</p><p>alternativa, conclusiva, explicativa;</p><p>d) subordinada; substantiva: subjetiva, objetiva (direta e indireta),</p><p>completiva-nominal, apositiva, predicativa; consecutiva, concessiva,</p><p>condicional, conformativa, final, proporcional e temporal.</p><p>As orações subordinadas podem apresentar-se, também, com os</p><p>verbos numa de suas FORMAS NOMINAIS; chamam-se, neste caso,</p><p>reduzidas: de infinitivo, de gerúndio, de particípio, as quais se</p><p>classificam como as desenvolvidas: substantivas (subjetiva etc.),</p><p>adjetivas adverbiais (temporais etc.).</p><p>Notas: 1. Coordenadas entre si podem estar quer principais, quer</p><p>independentes quer subordinadas (desenvolvidas ou reduzidas).</p><p>2.Devem ser abandonadas as classificações: a) de lógico e</p><p>gramatical, ampliado e inampliado, completo e incompleto, total,</p><p>parcial, para qualquer elemento oracional; b) de oração quanto à</p><p>forma (plena, elítica etc.), quanto ao conectivo (conjuncional, não</p><p>conjuncional, relativa). 3. Na classificação da oração subordinada</p><p>bastará dizer-se: oração subordinada substantiva (subjetiva etc.);</p><p>oração subordinada adjetiva (restritiva, explicativa); oração</p><p>subordinada adverbial (causal etc.).</p><p>(NOMENCLATURA GRAMATICAL BRASILEIRA, 1959).</p><p>Observa-se pela leitura desse texto normativo que a classificação</p><p>terminológica da NGB não é tão simples quanto se propõe quando consideramos,</p><p>sobretudo, que a classificação de períodos compostos é excessivamente palavreada,</p><p>uma vez que segue uma terminologia pautada na somatória de classificações, ao</p><p>invés de uma terminologia meramente conceitual ou designativa, como ocorre com</p><p>o período simples, por exemplo. Portanto, considerando que a função normalmente</p><p>desempenhada por classificações baseadas em nomenclaturas é sintetizar ou</p><p>condensar a definição de um determinado objeto, ao menos quanto ao período</p><p>composto, a NGB peca pela falta de uma praticidade terminológica.</p><p>135</p><p>Ademais, além da já citada supressão da noção de sintagma, devidamente</p><p>instituída pelos estudos linguísticos contemporâneos nas mais diversas abordagens</p><p>gramaticais, a NGB suprimiu completamente o estudo da semântica, o que constitui</p><p>outro comprometimento limitante para se trabalhar com essa norma.</p><p>Desse modo, partimos da premissa de que, apesar de ser um documento</p><p>normativo, a NGB é um documento datado (1959) e que precisa passar por uma</p><p>revisão para que possa ser validada perante os avanços alcançados pelos estudos</p><p>linguísticos.</p><p>9.1.1 Termos essenciais</p><p>Ao tratar das funções sintáticas, a NGB propõe como termos essenciais da</p><p>oração a relação entre sujeito e predicado, uma vez que estes</p><p>elementos constituem</p><p>a estrutura fundamental da hierarquia sintática.</p><p>A partir desse princípio, presume-se que uma oração se constitui da</p><p>combinação entre um sintagma nominal (SN) e um sintagma verbal (SV), de modo</p><p>que o SN é identificado como sujeito da oração e o SV, como seu predicado,</p><p>devendo, entre esses elementos, haver concordância:</p><p>(40) O jogador caiu.</p><p>SN SV</p><p>(Sujeito: jogador (nome singular) / Predicado: caiu (verbo singular))</p><p>A sequência SN + SV (sujeito + predicado) caracteriza a estrutura básica de</p><p>uma oração e todos os demais complementos possíveis vão depender dela para se</p><p>conectarem aos elementos principais da oração. Por conta disso, esses elementos são</p><p>denominados “essenciais” (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 62-70).</p><p>Quanto ao sujeito, a NGB ramifica a classificação em sujeito simples, composto,</p><p>indeterminado e inexistente (oração sem sujeito). Podemos considerar</p><p>136</p><p>que essa divisão possui dois critérios de distinção. A divisão entre sujeito simples e</p><p>sujeito composto pode ser considerada como uma classificação de nível sintático,</p><p>uma vez que leva em conta a existência de mais de um sintagma identificado à</p><p>função de sujeito, portanto, estamos falando de funções sintáticas.</p><p>Exemplos:</p><p>(41) Ele foi jogar bola.</p><p>(42) Ele e seus amigos foram jogar bola.</p><p>O segundo critério diverge do primeiro porque propõe uma classificação do</p><p>sujeito em indeterminado e inexistente e, como veremos, não faz muito sentido para</p><p>a análise sintática.</p><p>(43)</p><p>Exemplos:</p><p>(a) Conseguiram chegar a tempo.</p><p>(b) Alcançaram-no na corrida.</p><p>(c) Chovia muito quando ela saiu.</p><p>Ambas as orações se iniciam com verbos. Na primeira, podemos presumir, pela</p><p>referencialidade oferecida pela conjugação do tempo verbal e pelo princípio da</p><p>concordância que subentende as relações entre sujeito e predicado que o sujeito</p><p>(eles) está oculto. Na segunda, não é possível estabelecer a ideia de ‘quem alcançou</p><p>o quê’, tendo em vista que o sujeito permanece indeterminado. Na terceira, o verbo</p><p>chover (identificado entre os verbos impessoais) dispensa a relação com o sujeito, que</p><p>é inexistente.</p><p>Do ponto de vista sintático, entretanto, consideramos todos esses tipos de</p><p>137</p><p>sujeitos como sintagmas nulos ou unidades vazias, que devem ser assim</p><p>representados:</p><p>[SN Ø]</p><p>[SN Ø] Conseguiram chegar a tempo.</p><p>[SN Ø] Alcançaram-no na corrida.</p><p>[SN Ø] Chovia muito quando ela saiu.</p><p>Desse ponto de vista, portanto, não precisaríamos ter uma classificação</p><p>específica para cada uma dessas orações, já que o conjunto vazio pode ser</p><p>representado por uma única unidade funcional distintiva, o [SN Ø]. Sendo assim,</p><p>podemos presumir que essa segunda distinção não segue um critério sintático, mas</p><p>semântico/pragmático, isto é, que serve mais à interpretação do sentido (aspecto,</p><p>inclusive, ignorado pela NGB) do que à estrutura, o que lança mais um problema sobre</p><p>o recorte gramatical feito por essa nomenclatura.</p><p>Quanto à estrutura do predicado, temos que, geralmente, ela é formada por</p><p>um SV ou SN e compreende, portanto, a presença de um verbo. Se esse verbo exigir</p><p>complementos, ele será classificado como transitivo e deverá ser acompanhado de</p><p>outro sintagma; se ele não exigir complementos, será classificado como intransitivo,</p><p>o que significa que não requer complemento.</p><p>A transitividade e a intransitividade verbal normalmente são aspectos</p><p>ensinados pela gramática tradicional a partir de listas decoradas ou sistematizadas</p><p>em esquemas gramaticais. Nos estudos gerativistas, entretanto, ao visualizarmos uma</p><p>oração, podemos dizer se o verbo requer complemento ou não pela estrutura em</p><p>que ele se encontra inserido a partir do princípio de gramaticalidade que se refere à</p><p>possibilidade de ocorrer na língua.</p><p>Assim, temos que, se o verbo sozinho apresentar uma lacuna estrutural, então</p><p>ele será caracterizado como transitivo, pois essa lacuna sinaliza um trânsito que</p><p>remete a outra unidade complementar que precisa ser funcionalmente preenchida:</p><p>Exemplos:</p><p>138</p><p>(44)</p><p>(a) As flores precisam [de água].</p><p>(b) Ela foi [ao parque].</p><p>(c) Nós construímos [a casa].</p><p>Por sua vez, esse complemento será sintaticamente discriminado a partir de sua</p><p>configuração interna. No primeiro exemplo, o complemento “de água” é inserido a</p><p>partir de uma preposição e, assim, a transitividade do verbo “precisar” se caracteriza</p><p>como indireta porque há uma preposição entre o verbo e a palavra que completa a</p><p>sua lacuna e, por isso, esse novo sintagma introduzido para complementar a</p><p>predicação será classificado como sintagma preposicional (SP), resultando na</p><p>seguinte estrutural:</p><p>[SN As flores] [SV precisam [SP de água]]</p><p>Da qual deriva a equação estrutural:</p><p>SN + SV + SP</p><p>No segundo exemplo, o complemento “ao parque” é introduzido também por</p><p>uma preposição e, dessa forma, o verbo também será considerado transitivo indireto</p><p>porque a sua ligação com o complemento “parque” requer a intermediação</p><p>preposicional, sendo, portanto, novamente um SP:</p><p>[SN Ela] [SV foi [SP ao parque]]</p><p>Resultando na mesma estrutura do exemplo anterior:</p><p>SN + SV + SP</p><p>No terceiro exemplo, o verbo “construir” é transitivo porque apresenta uma</p><p>lacuna que deve ser preenchida assim como nos dois outros casos analisados; porém,</p><p>a sua complementação se dá de forma direta, isto é, sem a necessidade de</p><p>preposição:</p><p>139</p><p>[SN Nós] [SV construímos [SN a casa]]</p><p>Como não há preposição, o verbo se caracteriza como transitivo direto e o</p><p>sintagma que complementa a predicação é classificado como nominal (objeto</p><p>direto).</p><p>Se a estrutura for possível na língua portuguesa e o verbo completar</p><p>funcionalmente por si só a estrutura do predicado, então ele se caracteriza como</p><p>intransitivo.</p><p>(45)</p><p>Exemplos:</p><p>(a) Ela saiu.</p><p>(b) As crianças correram.</p><p>Os verbos intransitivos podem apresentar complementos, contudo, eles não</p><p>são obrigatórios como no caso dos verbos transitivos. Por exemplo, em:</p><p>(46) Ela saiu tarde.</p><p>[SN Ela] [SV saiu [SAdv tarde]]</p><p>Temos a inserção de “tarde” (adjunto adverbial) que atua como um sintagma</p><p>especificador, pois não modifica a estrutura já existente, apenas a caracteriza, não</p><p>representando uma lacuna estrutural ao ser suprimido.</p><p>140</p><p>Todos os casos acima analisados se referem à predicação verbal. Quando a</p><p>estrutura do predicado contiver, no lugar de SV um SN, estaremos diante de</p><p>predicado nominal.</p><p>Predicados nominais são formados por verbos de ligação que introduzem a</p><p>estrutura necessária à gramaticalidade da sentença.</p><p>Exemplo:</p><p>(47) Ela é estudante.</p><p>Temos aqui um predicado nominal no qual o verbo ser, flexionado, liga o</p><p>pronome “Ela” ao predicado “estudante”:</p><p>[SN Ela] [SV é [SN estudante]]</p><p>Um terceiro tipo possível de predicado é o que combina essas duas formas de</p><p>predicação, denominado de predicado verbo-nominal.</p><p>Exemplo:</p><p>(48) A avó entrou no quarto cansada.</p><p>Temos, portanto, a seguinte esquematização sintática:</p><p>[[SN A avó] [SV entrou] [SP no quarto] [SA cansada]]</p><p>O predicado misto se caracteriza por possuir duas estruturas (uma verbal e</p><p>outra nominal) interconectadas. No exemplo (46), o SN “a avó” recebe a predicação</p><p>verbal “entrou” que seleciona o complemento que é exercido pelo sintagma</p><p>preposicional “no quarto”, por sua vez, esse sintagma recebe uma adjunção exercida</p><p>por outro sintagma adjetival “cansada”, que exerce a função de predicado verbo-</p><p>nominal, uma vez que é uma forma nominal (particípio) do verbo cansar.</p><p>Em suma, temos que, na configuração do predicado, os complementos</p><p>141</p><p>verbais ocorrem sempre dentro dos sintagmas verbais (SVs) e os complementos</p><p>nominais dentro dos sintagmas nominais (SNs), podendo haver estruturas que</p><p>combinam esses dois tipos de complemento dentro de uma relação mais complexa.</p><p>9.1.2 Termos integrantes</p><p>Conforme apontado no tópico anterior, os termos essenciais da oração são</p><p>caracterizados pelo sujeito e pelo predicado. O sujeito pode ser simples ou composto</p><p>e o predicado pode ser verbal, nominal ou misto. Aos termos essenciais ligam-se os</p><p>termos integrantes que são complementares da estrutura básica da oração.</p><p>Por termos integrantes compreende-se os complementos verbais (elementos</p><p>cujas funções se ligam aos verbos), os complementos nominais (elementos cujas</p><p>funções se ligam aos nomes) e o agente da passiva (aquele elemento sobre quem</p><p>ou o que a ação do verbo recai).</p><p>Os complementos verbais constituem sintagmas que completam a estrutura do</p><p>núcleo verbal. Na NGB, os complementos verbais recebem duas classificações</p><p>possíveis: objeto direto e objeto indireto.</p><p>Os verbos da língua portuguesa são divididos em duas categorias sintáticas: os</p><p>transitivos e os intransitivos. Dentro da estrutura sintática, os verbos transitivos se</p><p>caracterizam como selecionadores de complementos (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 70),</p><p>isto é, eles dependem estruturalmente da relação que estabelecem com seus</p><p>complementos, sendo assim, a sua complementação é obrigatória, caso contrário a</p><p>estrutura sintática se tornará agramatical.</p><p>A complementação verbal se refere, pois, aos verbos transitivos e pode ser de</p><p>duas ordens: direta ou indireta. Falamos em complemento do objeto direto quando</p><p>o verbo transitivo seleciona um sintagma nominal (SN), que não requer a interposição</p><p>preposicional para complementar, por isso denomina-se direta; e em complemento</p><p>do objeto indireto quando o verbo transitivo seleciona um sintagma preposicional (SP),</p><p>isto é, um sintagma cuja introdução é feita mediante uma preposição.</p><p>Exemplos:</p><p>(49) A voz dela encantou a plateia.</p><p>(50) Todos trabalhavam na cozinha.</p><p>142</p><p>Na primeira oração (49), o verbo transitivo “encantar” seleciona o</p><p>complemento “a plateia”, que é formado por [SN [Determinante a] plateia] já que</p><p>não requer preposição, resultando na seguinte divisão sintática:</p><p>[SN A voz dela] [SV encantou [SN a plateia]]</p><p>Na segunda oração (50), o verbo transitivo “trabalhar” seleciona “na cozinha”</p><p>como complemento, o qual é introduzido pela preposição “na” (em + a), resultando</p><p>na seguinte divisão sintática:</p><p>[[SN Todos] [SV trabalhavam [SP na cozinha]]</p><p>O complemento ainda pode aparecer em forma de uma oração inteira. Como</p><p>ocorre em:</p><p>(51) Ele havia se esquecido de devolver os livros emprestados.</p><p>[SN Ele] [SV se esqueceu] [Oração de devolver os livros emprestados].</p><p>Nesse caso, podemos classificar essa sequência como uma oração</p><p>subordinada objetiva indireta desenvolvida ou, simplesmente, como uma oração de</p><p>complemento verbal oracional (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 70-74).</p><p>Entre os termos integrantes, temos também os complementos nominais (ou,</p><p>como também são denominados nos manuais de gramática predicativos do sujeito</p><p>e predicativos do objeto). De maneira bem genérica, para facilitar a identificação</p><p>desse grupo complementar, podemos identificá-lo como derivações verbais. Ou seja,</p><p>os nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) que selecionam complementos são</p><p>palavras de radicais verbais que passaram por um processo de nominalização que</p><p>resultou na substantivação, adjetivação e adverbialização de verbos. Assim, por</p><p>terem a mesma origem lexical, esses nomes também são selecionadores de</p><p>complementos (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 70-74).</p><p>Exemplos:</p><p>143</p><p>(52) [SN Ele] [SV estava [SA consciente] [SP de suas responsabilidades]].</p><p>(53) [SN Ela] [SV [acabou] [SN sua apresentação] [SP aos prantos]].</p><p>(54) [SN A construção] [SP da estrada].</p><p>Nos três exemplos elencados, os termos verbo-nominais recebem adjunção de</p><p>outros sintagmas. Em (52), o termo “consciente” (núcleo e único elemento do</p><p>sintagma adjetival) recebe a adjunção do SP “de suas responsabilidades”. Em (53), o</p><p>SN nucleado por “apresentação” recebe a adjunção do sintagma preposicional “aos</p><p>prantos”. E em (54), o SN nucleado pelo termo “construção” é adjungido pelo</p><p>sintagma preposicional “da estrada”.</p><p>A gramática tradicional fala em “concordância”, “regência” e “colocação”</p><p>para se referir à projeção de termos realizada nos planos lexical e gramatical. Esses</p><p>princípios caracterizam a sintaxe na medida em que o léxico projeta no plano</p><p>sintático a sua seleção de argumentos, a qual deve ser estabelecida de maneira</p><p>coerente entre todos os elementos da sentença (KENEDY; OTHERO, 2018).</p><p>O agente da passiva se refere a um sintagma preposicional (SP) introduzido</p><p>como complemento de um verbo em voz passiva, isto é, que sofre ou sobre quem</p><p>recai a ação.</p><p>O princípio da identificação do agente da passiva é, portanto, sua</p><p>concordância com o verbo.</p><p>144</p><p>Exemplos:</p><p>(55) [SN Juscelino] [SV era amado] [SP por todos]. (56)</p><p>[SN O reino] SV [foi atacado] [SP por bárbaros]. (57) [SN</p><p>Os assaltantes] [SV foram presos] [SP pela PM].</p><p>Ademais, a voz passiva que caracteriza a oração com agente da passiva pode</p><p>ser convertida em voz ativa mediante a inversão dos termos que compõem a oração</p><p>sem que haja alteração de sentido:</p><p>(58) [SN Todos] [SV amavam] [SN Juscelino].</p><p>(59) [SN Os bárbaros] SV [atacaram] [SN o reino].</p><p>(60) [SN A PM] [SV prendeu] [SN os assaltantes].</p><p>Na estrutura que tem o sujeito como agente da oração, temos uma sequência</p><p>lógica que é o sujeito + verbo + objeto. Nessa ordenação, pela ordem direta, o papel</p><p>semântico do sujeito é o de praticante da ação. Quando falamos, portanto, de voz</p><p>passiva, não estamos tratando especificamente de função sintática, mas de relações</p><p>semânticas. Como vimos, a NGB ignora os estudos semânticos, entretanto, trata a voz</p><p>passiva como uma função específica, apesar de a sua configuração estrutural ser</p><p>muito similar à de um adjunto (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 73).</p><p>145</p><p>Nos exemplos elencados, o sintagma preposicional configura um agente</p><p>passivo. A estrutura da oração se modifica por um processo de inversão que consiste</p><p>em: objeto (sujeito paciente) + verbo + agente da passiva.</p><p>Na voz passiva, o verbo se apresenta sob duas configurações: locução verbal</p><p>e verbo sem sujeito ou impessoal. A locução verbal caracteriza a voz passiva</p><p>analítica, definição na qual se enquadram os exemplos dados acima. Na voz passiva</p><p>sintética, o verbo se sintetiza e ocorre a supressão do sujeito. Tipicamente, a voz</p><p>passiva sintética exprime sentido de ação indefinida, tal como ocorre em:</p><p>(61) [SN Ø] [SV Vende-se] [SN esta casa].</p><p>(62) [SN Ø] [SV Contrata-se] [SN costureira].</p><p>(63) [SN Ø] [SV Aluga-se] [SN máquinas].</p><p>Conforme os exemplos, nessas estruturas sintáticas temos um sujeito nulo, o</p><p>sintagma verbal e o sintagma nominal que introduz uma relação de adjunção.</p><p>146</p><p>9.1.3 Termos acessórios</p><p>Os termos considerados “acessórios” na oração são os adjuntos (adnominais e</p><p>adverbiais). Os adjuntos são assim divididos pois a sua classificação depende do</p><p>sintagma ao qual se imputa a adjunção.</p><p>O termo adjunto deriva da palavra latina adjunctus e significa ‘posto ao lado</p><p>de’. Assim, a classificação do adjunto depende de sua posição, se ele estiver posto</p><p>ao lado de um nome e somar a esse nome algum atributo, então ele será classificado</p><p>como adjunto adnominal.</p><p>Exemplo:</p><p>(64) [SN Ela] [SV iniciou] [SN a leitura] [SP do livro].</p><p>Nesse exemplo, claramente o sintagma preposicional “do livro” está posto ao</p><p>lado do sintagma nominal “a leitura”, e como não constitui um complemento</p><p>obrigatório, mas somatório, podemos classificá-lo</p><p>como adjunto adnominal.</p><p>Também é possível que o adjunto adnominal constitua uma oração no interior</p><p>do sintagma nominal. Por exemplo, em:</p><p>(65) [SN Ela] [SV iniciou] [SN a leitura] [SP do livro] [ORAÇÃO que a professora</p><p>indicou].</p><p>É notável o encadeamento recursivo de sintagmas nessa oração, mas isolemos</p><p>o segmento que, nesse caso, completa o livro: “que a professora indicou”. Esse</p><p>sintagma poderia ser considerado preposicional não fosse a presença do verbo que</p><p>o caracteriza como uma oração. Portanto, essa oração desempenha, toda ela, a</p><p>função de adjunto adnominal, uma vez que se soma a livro de modo a especificá-</p><p>lo.</p><p>Por outro lado, se estiver posto ao lado de um verbo e somar a esse verbo</p><p>algum atributo que não caracterize dependência, mas acréscimo, então ele será um</p><p>adjunto adverbial.</p><p>147</p><p>Exemplo:</p><p>(66) [SN Olavo] [SV terminou [SN a prova] [SP em poucos minutos]].</p><p>Na sentença, “em poucos minutos” caracteriza o verbo terminar e, por isso, a</p><p>função desempenhada por esse sintagma preposicional é de adjunto adverbial. O</p><p>mesmo ocorre em:</p><p>(67) [SN Ø] [SV Executou [SN a tarefa] [Sadv rapidamente]].</p><p>Em que “rapidamente” caracteriza o verbo executar.</p><p>9.1.4 Funções discursivas</p><p>A gramática tradicional denomina de funções discursivas as desempenhadas</p><p>pelo aposto e pelo vocativo. Em linhas gerais, o aposto é empregado para explicar</p><p>um elemento da sentença.</p><p>Exemplo:</p><p>(68) A linguística, ciência que estuda a linguagem, surgiu no século XX.</p><p>Na sentença acima, o trecho que está entre vírgulas constitui o aposto que</p><p>explica o que é linguística. Desse ponto de vista, podemos considerar o aposto como</p><p>função recursiva, que depende de fatores externos ao discurso e que são</p><p>determinados, por exemplo, pelo contexto. Se eu estou me dirigindo a alguém que</p><p>não sabe o que é linguística, emprego o aposto para esclarecer do que se trata.</p><p>Algo similar ocorre com o vocativo, só que de maneira direta, isto é, em relação</p><p>a quem a sentença se dirige, o interlocutor.</p><p>Exemplos:</p><p>(69) Prezados colegas, gostaria de agradecê-los pelas mensagens.</p><p>(70) Excelentíssimo senhor prefeito, peço-lhe que compareça à sala de</p><p>reunião.</p><p>148</p><p>O início da sentença, isolado pela vírgula, constitui um vocativo, uma vez que</p><p>representa, no plano sintático, a quem a fala se direciona. Por vocativo compreende-</p><p>se, portanto, o(s) elemento(s) que identificam a quem a sentença se dirige e isso</p><p>constitui um recurso mais semântico-discursivo (contextual) do que sintático.</p><p>Destarte, para concluirmos esta unidade, temos em conta que a classificação</p><p>proposta pela NGB encontra ainda muitos equivalentes sobretudo na gramática</p><p>tradicional. Apesar disso, ela encerra problemas (dis)funcionais por ser um documento</p><p>normativo datado e com um recorte que não compreende os avanços que</p><p>ocorreram nos estudos linguísticos na passagem do século XX para o XXI.</p><p>Conforme Kenedy e Othero (2018, p. 70-78), somam-se ao atraso e à falta de</p><p>atualização problemas de terminologia, como a somatória de termos para definir as</p><p>orações (o que será abordado na próxima unidade), que poderia dar lugar a</p><p>classificações mais sintéticas; problemas estruturais em função da supressão do</p><p>estudo da semântica, o que implica em outro problema: o da confusão, em alguns</p><p>momentos, entre o que concerne à sintaxe e o que concerne à semântica; e</p><p>problemas de classificação como o que envolve a especificação do agente da</p><p>passiva como uma função independente, sendo que, do ponto de vista estrutural,</p><p>poderia ser considerada como adjunto, e o que envolve o aposto e o vocativo que</p><p>não são funções sintáticas específicas, mas funções semântico-discursivas.</p><p>Essas e outras questões tornam embaraçosa e pouco pedagógica a adoção</p><p>dessa normativa no ensino da língua portuguesa e o que deveria ser um instrumental</p><p>de apoio aos professores da língua acaba por se constituir, muitas vezes, em uma</p><p>espécie de artefato documental excessivamente carregado de terminologias, o que</p><p>dificulta a apreensão desse conteúdo pelo estudante.</p><p>149</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. A divisão na qual se baseia a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB)</p><p>compreende (assinale a alternativa que apresenta os elementos e a sequência</p><p>correta):</p><p>a) Morfologia, gramática, sintaxe.</p><p>b) Fonemas, morfemas, sistemas.</p><p>c) Fonologia, morfologia e semântica.</p><p>d) Fonemas, morfemas e lexemas.</p><p>e) Fonética, morfologia e sintaxe.</p><p>2. (AMEOSC — 2022).</p><p>“O livro é um mestre que fala, mas que não responde”.</p><p>Platão</p><p>Assinale a opção CORRETA:</p><p>a) O pronome relativo "que" substitui a palavra "mestre" nas duas vezes em que foi</p><p>utilizado.</p><p>b) A conjunção integrante "que" substitui a palavra "mestre" nas duas vezes em que</p><p>foi utilizado.</p><p>c) O verbo "falar" está na sua forma imperativa afirmativa.</p><p>d) O verbo "responder" está na sua forma imperativa negativa.</p><p>150</p><p>3. (NUCEPE — 2019).</p><p>No trecho: “Sabemos que não são poucos os estudiosos da linguagem que</p><p>consideram a gramática...”, o pronome negritado exerce a função sintática de</p><p>a) Sujeito.</p><p>b) Objeto direto.</p><p>c) Adjunto adnominal.</p><p>d) Predicativo do objeto.</p><p>e) Complemento nominal.</p><p>4. Com base no texto da Unidade III, verbos intransitivos são aqueles que:</p><p>a) Não apresentam sujeito.</p><p>b) Apresentam uma lacuna estrutural que deve ser preenchida.</p><p>151</p><p>c) Não selecionam complemento.</p><p>d) Requerem um objeto indireto.</p><p>e) Selecionam complemento.</p><p>5. (UFMG – 2019). Assinale a alternativa em que o pronome ‘que’ em destaque NÃO</p><p>exerce a função sintática de sujeito da oração.</p><p>a) Aponta-se a existência de 60 rankings universitários nacionais que analisam o</p><p>desempenho das instituições, proporcionando-lhes reconhecimento e visibilidade.</p><p>b) Cabe às instituições de ensino que se empenham em conquistar premiações e</p><p>reconhecimento tomar os rankings internacionais como bússola para suas ações.</p><p>c) O modelo de universidade que os rankings delineiam tem características</p><p>padronizadas, independentemente de localização geográfica ou de índice de</p><p>desenvolvimento.</p><p>d) Os rankings universitários globais constituem-se em ferramentas que contribuem</p><p>para a compreensão do estado da educação e da pesquisa ao redor do mundo.</p><p>e) As universidades que participam de programas de financiamento ajudam a</p><p>promover a democratização do conhecimento.</p><p>6. Identifique os sintagmas presentes na sentença e assinale a alternativa correta:</p><p>Cientistas brasileiros receberam a premiação com aplausos.</p><p>a) [SN Cientistas brasileiros] [SV receberam [SN a premiação] [SP com aplausos]].</p><p>b) [SN Cientistas] [SA brasileiros] [SV receberam] [SN a premiação] [SP com aplausos].</p><p>c) [SN Cientistas brasileiros] [SV receberam a premiação [SP com aplausos]].</p><p>d) [SN Ø] [SA Cientistas brasileiros] [SV receberam] [SP a premiação] [SP com aplausos].</p><p>e) [SN Ø] [SN Cientistas brasileiros] [SV receberam [SN a premiação] [SP com aplausos]].</p><p>7. (VUNESP – 2015). Texto associado</p><p>São Paulo – Mais de 57% dos estudantes de 8 anos não conseguiram superar os dois</p><p>primeiros níveis, em uma escala de quatro, de aprendizado em leitura na Avaliação Nacional</p><p>de Alfabetização (ANA) de 2013. Em matemática, o porcentual foi de 58%.</p><p>Os dados,</p><p>quais o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, constam em</p><p>apresentação realizada neste ano para o Conselho Nacional de Educação (CNE).</p><p>152</p><p>No ano passado, o Governo Federal não divulgou os resultados sob o</p><p>argumento aquele ainda era o primeiro diagnóstico. As informações referentes à</p><p>prova de 2014 devem ser liberadas em agosto.</p><p>(http://noticias.uol.com.br, 11.07.2015. Adaptado)</p><p>De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, as</p><p>lacunas do segundo e</p><p>do terceiro parágrafos devem ser preenchidas, respectivamente, com:</p><p>a) dos … que</p><p>b) aos … de que</p><p>c) para os … que</p><p>d) nos … de que</p><p>e) entre os … que</p><p>8. A divisão da sintaxe no interior da NGB se baseia nos princípios de:</p><p>a) Concordância, regência e colocação.</p><p>b) Frase, oração e período.</p><p>c) Sujeito, verbo e complemento.</p><p>d) Sintagmas nominais e sintagmas verbais.</p><p>e) Orações subordinadas e orações coordenadas.</p><p>http://noticias.uol.com.br/</p><p>153</p><p>PRINCÍPIOS ESTRUTURAIS DA</p><p>ORAÇÃO</p><p>10.1 CONCEITOS ESSENCIAIS DA SINTAXE: HIERARQUIA E DISTRIBUIÇÃO</p><p>LEXICAL</p><p>Antes de iniciarmos as análises e classificações das orações, precisamos ter em</p><p>mente que existem alguns princípios pelos quais uma oração se estrutura. Nesta</p><p>unidade, veremos quais são e como se apresentam os conceitos essenciais à</p><p>organização sintática do ponto de vista da disposição dos elementos e suas relações</p><p>de hierarquia e complementaridade.</p><p>Para produzirem significado, as palavras se combinam a partir de um repertório</p><p>existente na mente do falante, a que se denomina léxico. No entanto, as</p><p>combinações produzidas não são aleatórias, pois obedecem a certos critérios de</p><p>organização que assimilamos de maneira natural enquanto falantes nativos da língua.</p><p>Portanto, embora haja uma considerável variação do emprego lexical, as orações,</p><p>para serem gramaticais, obedecem a certos critérios de organização. Segundo</p><p>Negrão, Scher e Viotti:</p><p>O falante de qualquer língua natural tem um conhecimento inato</p><p>sobre como os itens lexicais de sua língua se organizam para formar</p><p>expressões mais e mais complexas, até chegar ao nível da sentença.</p><p>[...]</p><p>Imaginemos o léxico de nossa língua como uma espécie de dicionário</p><p>mental composto pelo conjunto de itens lexicais (palavras) que</p><p>utilizamos para construir nossas sentenças. Nossa competência nos</p><p>permite ter intuições a respeito de como podemos dividir esse</p><p>dicionário, agrupando itens lexicais de acordo com algumas</p><p>propriedades gramaticais que eles compartilham. Essas propriedades</p><p>nos levam a distinguir um grupo por oposição a outro. Assim, por</p><p>exemplo, no processo de aquisição de nossa língua materna,</p><p>sabemos, desde muito cedo, que um item lexical como mesa é</p><p>diferente de um item lexical como cair. [...]. (NEGRÃO; SCHER; VIOTTI,</p><p>2003, s/p, grifos dos autores).</p><p>Em vista disso, e mediante uma abordagem gerativa da linguagem, devemos</p><p>ter em vista que as formas de organização sintática seguem critérios de combinação.</p><p>154</p><p>Os itens lexicais (ou palavras) que compõem uma língua, conforme aprendemos nos</p><p>estudos morfológicos, pertencem a categorias diferentes que lhes atribuem usos e</p><p>funções específicas. Nesse sentido, em se tratando dos estudos sintáticos, a oposição</p><p>desses grupos em termos ordenadores e funcionais fica mais evidente, tornando</p><p>também mais nítidas as diferenças entre suas propriedades gramaticais.</p><p>Desse modo, enquanto falantes nativos, podemos reproduzir os princípios</p><p>funcionais da língua, acionar e reproduzir seus mecanismos sem percebermos que</p><p>estamos seguindo certos critérios intrínsecos de organização. Isso porque:</p><p>Nossa competência lingüística também nos ajuda a perceber que as</p><p>sentenças de nossa língua não são o resultado da mera ordenação</p><p>de itens lexicais em uma seqüência linear. Sem nunca ter passado por</p><p>um aprendizado formal a respeito desse assunto, sabemos que uma</p><p>seqüência de palavras como menino bicicleta o da caiu não é uma</p><p>sentença do português. Ao mesmo tempo, sabemos que, para termos</p><p>uma sentença do português formada por esses mesmos itens lexicais</p><p>precisamos, antes, fazer combinações intermediárias: compor o com</p><p>menino; compor da com bicicleta; compor caiu com da bicicleta; e,</p><p>finalmente, compor o menino com caiu da bicicleta. Sabemos,</p><p>portanto, que a estrutura da sentença não é linear, mas sim</p><p>hierárquica. (NEGRÃO; SCHER; VIOTTI, 2003, s/p, grifos dos autores).</p><p>Embora esse processo seja, por vezes, executado de maneira quase</p><p>inconsciente pelos falantes da língua, isto é, sem que pensem que, a cada sentença,</p><p>é preciso proceder a uma ordenação e distribuição relacional de elementos díspares</p><p>que ocupam lugares predeterminados nas relações sintáticas, existem conceitos que</p><p>esclarecem a natureza dessas relações e oferecem ferramentas e critérios para a</p><p>análise sintática.</p><p>Em vista desse aspecto primordial ao estudo da sintaxe, antes de adentrarmos</p><p>propriamente a análise sintática, é importante recapitularmos os princípios pelos quais</p><p>as relações sintáticas se estabelecem. São eles: concordância, regência e</p><p>colocação.</p><p>10.1.1 Concordância ou paralelismo formal</p><p>O princípio da concordância, como é denominado na NGB, se refere ao</p><p>paralelismo formal que promove a correspondência entre os termos da oração</p><p>mediante flexão. Em linhas gerais, essa correspondência ocorre dentro dos sintagmas</p><p>e entre os sintagmas, isto é, dentro da estrutura menor que compõe uma sentença e</p><p>155</p><p>entre as estruturas menores que compõem uma sentença.</p><p>Esse princípio é responsável por estabelecer a relação gramatical entre os</p><p>termos que compõem uma oração, seja ela uma oração simples ou uma oração</p><p>composta. A concordância dá unidade à oração e nos permite identificar a relação</p><p>entre os termos presentes nela.</p><p>Exemplos:</p><p>(71) Estavam todos felizes.</p><p>(72) Estavam todos felizes e cantavam.</p><p>(73) Estavam todos felizes, por isso cantavam e dançam.</p><p>Nos exemplos (71), (72) e (73), podemos perceber a gradação de uma oração</p><p>para outra com o aumento de termos correlatos, no caso, de verbos que</p><p>acrescentam sentido à oração principal (OP). Observa-se, no entanto, que o</p><p>encadeamento das palavras é marcado pela concordância em gênero (masculino)</p><p>e número (plural) com os termos que constituem a OP.</p><p>Conforme mencionado anteriormente, existem dois tipos de concordância: a</p><p>nominal e a verbal. Entretanto, podemos considerar que elas não se configuram de</p><p>maneira isolada, sendo complementares e indispensáveis uma à outra.</p><p>Exemplo:</p><p>(74) César e Catarina cantaram juntos.</p><p>Em (74), o verbo cantar está flexionado de modo a concordar com o sujeito</p><p>(eles) masculino plural e juntos é um adjetivo que complementa o verbo e, por isso,</p><p>recebe a mesma orientação, ou seja, concordância em gênero e número.</p><p>Temos, assim, que a concordância é tanto verbal como nominal e se aplica a</p><p>gênero e número em ambos os casos.</p><p>10.1.2 Regência ou princípio da gramaticalidade</p><p>A regência, por sua vez, diz respeito às relações de complementação tanto</p><p>nominais quanto verbais. Embora concordância e regência possam ser, por vezes,</p><p>156</p><p>confundidas, é importante frisar que são princípios diferentes.</p><p>Na análise sintática, a regência nos permite identificar relações de</p><p>complementação entre o termo regente e o termo regido especificamente. Termo</p><p>regente é aquele que pede complemento, isto é, que não faz sentido sozinho e</p><p>seleciona outro termo para complementá-lo.</p><p>Por exemplo:</p><p>(75) Ele gosta.</p><p>O verbo gostar, na sentença (75), só faz sentido quando se associa a um</p><p>complemento. A complementação do verbo é denominada regência verbal. No</p><p>exemplo (75), esse complemento pode ser preenchido mediante uma resposta para</p><p>a pergunta: Ele gosta de quê?</p><p>(76) Ele gosta de laranja.</p><p>A oração só faz sentido completo quando os termos que a compõem têm</p><p>satisfeitas todas as suas necessidades de complementação, sem que haja lacunas</p><p>estruturais.</p><p>Em se tratando da regência verbal, devemos nos atentar para a diferença de</p><p>complementação sinalizada pela transitividade verbal, que constitui um conceito</p><p>gramatical caro à regência. Conforme vimos anteriormente, os verbos podem ser</p><p>classificados em intransitivos (VI) e transitivos (VT). Estes últimos podem ser divididos</p><p>em</p><p>transitivos diretos (VTDs) e transitivos indiretos (VTIs).</p><p>Recapitulando brevemente esses dois tipos, temos que os VTDs são verbos que</p><p>dispensam preposição. Assim, a complementação se dá de forma direta, isto é, sem</p><p>intermediação de preposições.</p><p>Exemplos:</p><p>(77) Ele encontrou o documento.</p><p>(78) João chamou o porteiro.</p><p>(79) Os torcedores fizeram um mosaico.</p><p>157</p><p>Já os VTIs, são verbos que selecionam preposições antes do complemento.</p><p>Assim, a complementação verbal é intermediada por alguma preposição. Em alguns</p><p>casos, o verbo regente seleciona preposições específicas, em outros, admite</p><p>alternâncias.</p><p>Exemplos:</p><p>(80) Mariana foi ao mercado.</p><p>(81) Pablo contou com a ajuda de todos.</p><p>(82) Felipe saiu às 19h.</p><p>Além disso, temos ainda os VTDIs, que são verbos que selecionam dois tipos de</p><p>complemento, um direto e outro indireto:</p><p>(83) Ela enviou um e-mail ao professor.</p><p>O verbo “enviar” não seleciona complemento preposicionado, por isso é</p><p>considerado um VTD, mas quem envia, envia algo a alguém; então, para quem se</p><p>envia (elemento introduzido por preposição) é o objeto indireto (já que seleciona</p><p>preposição) que complementa esse verbo.</p><p>Quando o verbo seleciona uma preposição para se ligar a outro termo, a</p><p>supressão dos elementos que fazem a transitividade acontecer pode tornar a</p><p>estrutura da oração agramatical, por isso, é importante sempre buscarmos</p><p>compreender a lógica expressiva pela qual o verbo produz sentido. Para tanto, em</p><p>geral, fazemos perguntas aos verbos. Quando as perguntas forem satisfeitas, o sentido</p><p>do verbo estará completo e a funcionalidade sintática estará satisfeita.</p><p>158</p><p>Além da regência verbal, existe também a regência nominal, que consiste na</p><p>relação de complementação entre nomes, adjetivos e advérbios. Se a regência</p><p>verbal pode se configurar ou não pela presença de preposição, a regência nominal</p><p>é sempre marcada pela interposição de uma preposição entre o termo regente e o</p><p>termo regido.</p><p>Exemplos:</p><p>(84) A publicação da reportagem.</p><p>(85) Os canteiros floridos ao redor da casa.</p><p>(86) A floresta pantanosa ao longo do rio.</p><p>Todos os exemplos constituem SNs cujos termos constituintes satisfazem-se</p><p>enquanto correspondentes em gênero e número. Essa característica nos permite</p><p>identificar o paralelismo entre eles para que possamos definir a função</p><p>desempenhada por um termo em relação ao outro.</p><p>Assim, em suma, quando um termo nominal (considerado essencial na</p><p>hierarquia da oração) requisitar ou selecionar um complemento (considerado</p><p>integrante na hierarquia da oração), temos uma relação de regência nominal, que</p><p>é sempre intermediada por preposição.</p><p>10.1.3 O fenômeno da crase</p><p>Embora seja estudada de maneira particular por alguns livros de gramática, a</p><p>crase é considerada um caso de regência, pois seu emprego é determinado pela</p><p>seleção preposicional do verbo. Vamos recapitular o princípio gramatical da crase?</p><p>Em síntese, a crase se forma a partir da contração de duas vogais que</p><p>desempenham funções sintáticas diferentes na oração: o “a” preposição (que</p><p>complementa o verbo) e o “a” artigo (que determina o nome substantivo).</p><p>De modo geral, o fenômeno da crase ocorre toda vez que um verbo que</p><p>seleciona a preposição “a” for seguido de um nome feminino (no singular ou no plural)</p><p>determinado pelo artigo “a”.</p><p>159</p><p>Exemplos:</p><p>(87) Helena foi à escola.</p><p>(88) Todos obedecem às leis.</p><p>(89) Nas férias iremos à Bahia.</p><p>Há crase também diante de expressões adverbiais temporais, que fazem</p><p>referência a horas e a certos períodos do dia (exceção: manhã (que seleciona a</p><p>preposição “de”)).</p><p>Exemplos:</p><p>(90) A reunião é às 17 horas.</p><p>(91) À noite vamos jantar fora.</p><p>(92) Amanhã à tarde iremos ao shopping.</p><p>Também há crase diante de locuções adverbiais femininas como: à moda de</p><p>(mesmo quando subentendida), às pressas, à direita, à esquerda etc.</p><p>Exemplos:</p><p>(93) Comi um bife à milanesa.</p><p>(94) Ele fez o trabalho às pressas.</p><p>(95) Vá em frente e em seguida vire à direita.</p><p>Também configura crase quando o verbo seleciona a preposição “a” sendo</p><p>seguido de um nome de lugar de gênero feminino.</p><p>Exemplos:</p><p>(96) Ano passado viajaram à Disney.</p><p>(97) Este ano irão à Alemanha.</p><p>(98) Depois de 9 horas chegaram às ilhas caribenhas.</p><p>Ocorre crase ainda quando o verbo seleciona a preposição “a” e a palavra</p><p>que a precede é um pronome demonstrativo ou um pronome relativo.</p><p>160</p><p>Exemplos:</p><p>(99) Ela se refere àquele livro.</p><p>(100) São atitudes idênticas às quais você mencionou.</p><p>Há casos de crase opcional, como quando diante de pronomes possessivos.</p><p>Exemplos:</p><p>(101) Dei um livro à minha amiga Joyce.</p><p>(102) Pedi à minha mãe que viesse me buscar mais cedo.</p><p>(103) Trouxeram uma encomenda à sua chefe.</p><p>Em todos os casos acima elencados (101), (102) e 103), a crase pode ser</p><p>substituída por “para”, o que nos ajuda a identificar casos opcionais, pois, quando a</p><p>crase é obrigatória, nenhum outro elemento pode substituí-la.</p><p>Em suma, a crase constitui um caso específico de regência que se configura</p><p>a partir da presença de elementos distintivos. A sua atuação é puramente sintática,</p><p>não sendo um elemento que muda o sentido da oração (como ocorre com os nomes</p><p>e os verbos) e sua função é sinalizar uma relação pontual entre termos, sendo assim,</p><p>compreendê-la é crucial no âmbito dos estudos de sintaxe.</p><p>10.1.4 Colocação pronominal</p><p>A colocação pronominal é um princípio referente a uma classe específica de</p><p>palavras: os pronomes, mais particularmente os pronomes oblíquos átonos: me, te, se,</p><p>nos, vos, o/a/os/as, lhe/lhes. Embora a gramática normativa considere certos usos</p><p>161</p><p>como corretos para a colocação sintática dos pronomes, no Brasil, a língua</p><p>portuguesa segue uma tendência menos rígida quanto a ela e, em alguns casos, até</p><p>mesmo a suprime, o que constitui uma diferença estrutural importante em relação ao</p><p>português de Portugal (BECHARA, 2009, p. 490).</p><p>O foco aqui, no entanto, não é trabalhar as diferenciações sintáticas</p><p>abordadas pelos estudos de gramática histórica, portanto, por estarmos</p><p>recapitulando os princípios que regem a estrutura da oração, faz-se necessário</p><p>abordar também as normas de colocação pronominal para que possamos identificá-</p><p>la nas análises estruturais, às quais nos dedicaremos nas próximas unidades.</p><p>A NGB subdivide a classificação pronominal em três grupos: próclise, mesóclise</p><p>e ênclise. A próclise é a colocação pronominal antes do verbo; a mesóclise se</p><p>caracteriza pela inserção do pronome no meio do verbo; e a ênclise é a colocação</p><p>pronominal depois do verbo.</p><p>Quadro 5: Colocação pronominal</p><p>Colocação pronominal Posição em relação ao verbo</p><p>Próclise antes</p><p>Mesóclise no meio</p><p>Ênclise depois</p><p>Fonte: BECHARA (2009, p. 490, Adaptado)</p><p>Em geral, grande parte da colocação de pronomes oblíquos átonos na língua</p><p>portuguesa brasileira ocorre por próclise. Para compreender como se dá essa</p><p>composição estrutural na oração podemos relacionar a colocação pronominal a um</p><p>princípio de atração.</p><p>Em geral, pelo princípio da atração, temos a ocorrência da próclise quando</p><p>houver:</p><p>Palavras negativas</p><p>Advérbios</p><p>Pronomes</p><p>Conjunções</p><p>Interrogativas/exclamativas</p><p>Em + gerúndio</p><p>162</p><p>Exemplos:</p><p>(104) Esse vendedor não me engana. (Negação).</p><p>(105) De modo algum nos mudaremos daqui. (Advérbio).</p><p>(106) Quem me dera poder ir embora. (Pronome).</p><p>(107) Desde que se faça justiça, estou disposto a colaborar. (Conjunção</p><p>subordinativa).</p><p>(108) Elas se apresentaram agora! (Exclamativa).</p><p>(109) Por que se separaram? (Interrogativa).</p><p>(110) Em se tratando de negócios, ela sempre consegue o que quer. (Em +</p><p>gerúndio).</p><p>A</p><p>nossa língua.</p><p>(4) a. A Carla comprou uma casa.</p><p>b. Uma casa, a Carla comprou.</p><p>c. Uma casa foi comprada pela Carla.</p><p>d. Uma casa comprou a Carla.</p><p>e. Casa uma Carla a comprou.</p><p>Dizer que a língua (ou gramática) é um conhecimento inato significa dizer que</p><p>todo falante nasce com uma predisposição para a linguagem. Alguns teóricos da</p><p>linguagem, inclusive, defendem que ela é geneticamente determinada e que seu</p><p>gene seria conhecido como FOXP2 (KENEDY, 2008). Independente disso ser</p><p>verdadeiro ou não, o mais importante é entender que todo falante de uma língua</p><p>natural nasce com um conhecimento inconsciente do conjunto de regras que rege</p><p>a distribuição das palavras nas frases da sua língua materna (MIOTO et al., 2018). É</p><p>esse conhecimento que estamos chamando de gramática internalizada ou</p><p>competência linguística.</p><p>Segundo Kenedy e Othero (2018), a unidade mínima da sintaxe é a</p><p>palavra e sua unidade máxima é a frase. Acima da frase, estão outros</p><p>fenômenos, tais como o texto e o discurso, que costumam ser objeto de estudo</p><p>de áreas como a Pragmática e a Análise do Discurso.</p><p>1.2 GRAMATICALIDADE, AGRAMATICALIDADE E NORMA PADRÃO</p><p>Devido à impalpabilidade da mente, para descrever a competência linguística</p><p>dos falantes, os sintaticistas se baseiam na análise da gramaticalidade das</p><p>frases. Essa análise consiste em verificar o nível de aceitabilidade de determinadas</p><p>sequências de palavras em uma língua.</p><p>Observe os exemplos a seguir, retirados de Mioto et al. (2018, p. 36):</p><p>a. *de gato rajado o botas</p><p>b. *o rajado gato de botas</p><p>c. o gato rajado de botas</p><p>Tomando esses exemplos, observamos que apenas a sequência de palavras</p><p>em (c) é aceitável na língua. Desse modo, dizemos que essa sequência é</p><p>gramaticalporque ela forma uma frase na nossa língua. As sequências (a) e (b), por</p><p>outro lado, são consideradas agramaticais, porque não formam frases na nossa</p><p>língua. O asterisco é utilizado para indicar todas as sequências que são agramaticais.</p><p>Segundo Mioto et al. (2018, p. 37), além de avaliar quais frases são gramaticais</p><p>e agramaticais, o sintaticista deve ser capaz de explicar, por exemplo, porque na frase</p><p>(c) o nome botas se combina com a preposição de e porque o agrupamento de</p><p>botas se combina com o nome gato, em gato de botas (ou com o agrupamento gato</p><p>rajado), mas não se combina, diretamente, com o adjetivo rajado, em *rajado de</p><p>botas.</p><p>Outro exemplo de análise feita pelo sintaticista é com relação ao uso do artigo.</p><p>O cientista dessa área, ao analisar a frase (5C) deve ser capaz de explicar também</p><p>porque o artigo o se combina com a sequência gato rajado de botas aparecendo</p><p>somente nessa posição inicial da sequência e não no meio, como mostram os</p><p>exemplos em (6)</p><p>a. *Gato o rajado de botas</p><p>b. *Gato rajado o de botas</p><p>c. *Gato rajado do botas</p><p>d. *Gato rajado botas o</p><p>De modo a esclarecer a função da sintaxe, enquanto disciplina científica,</p><p>Mioto et al. (2018, p. 38-40) cita vários outros fenômenos que o sintaticista procurar</p><p>explicar, tais como: a inversão da posição do pronome interrogativo em perguntas</p><p>como Que livro o João leu? e O João leu que livro? e o fato de ser possível inserir um</p><p>objeto entre dois verbos na frase João viu Maria nadar, mas essa mesma regra não</p><p>ser aplicável ao verbo querer em *João quer Maria nadar.</p><p>É necessário ficar claro que o conceito de gramaticalidade não está</p><p>relacionado ao fato de uma frase estar adequada ou não à Norma Padrão. Portanto,</p><p>tomando os exemplos em (7), a seguir, observe que uma sequência como (a) é</p><p>agramatical, porque não forma uma frase na língua portuguesa. As sequências de (b)</p><p>a (e) são gramaticais, mas se diferem quanto ao nível de adequação à Norma</p><p>Padrão. Enquanto (b) é mais aceita, porque marca a desinência de plural [-s] em</p><p>todos os elementos do sujeito[Os alunosinteligentes], a frase (c) não apresenta essa</p><p>marca de plural no adjetivo inteligente e a frase (d) não apresenta essa mesma marca</p><p>nem no substantivo nem no adjetivo.</p><p>a. Livros inteligentes compraram de professor os o alunos os.</p><p>b. Os alunos inteligentes fizeram bem a prova.</p><p>c. Os alunos inteligente fizeram bem a prova.</p><p>d. Os aluno inteligentes fizeram bem a prova.</p><p>e. Os aluno inteligente fizeram bem a prova.</p><p>Embora as frases (c), (d) e (e) não estejam adequadas à Norma Padrão, elas</p><p>não deixam de ser frases compreensíveis no português brasileiro e isso, por si só, já</p><p>explica o fato de serem gramaticais. O que acontece, na maioria das vezes, é</p><p>queessas frases estão marcadas por uma avaliação social negativa que associa seus</p><p>usos a pessoas de baixo nível de escolaridade e/ou nível socioeconômico; fato que</p><p>nem sempre corresponde aos resultados apurados nas pesquisas sociolinguísticas</p><p>sobre o fenômeno da ausência / presença de concordância nominal no português</p><p>brasileiro.</p><p>1.3 BREVE HISTÓRIA DA SINTAXE</p><p>Tendo como berço a Grécia Antiga, a história do pensamento gramatical é</p><p>marcada, sobretudo, pelas indagações acerca da relação entre linguagem e mundo</p><p>nomeado e da sua natureza (convencional ou natural). A principal questão levantada</p><p>por Platão (427 a.C. – 347 a.C.) e Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) era se os nomes seriam</p><p>dados às coisas por uma espécie de contrato social (tese convencional) ou se</p><p>resultam da natureza das coisas (tese natural) (KRISTEVA, 1969).</p><p>Assim sendo, a sintaxe sempre ocupou um espaço muito reduzido nas reflexões</p><p>sobre a linguagem. O foco sempre esteve em definir quais seriam as partes do discurso</p><p>ou classes de palavras. Podemos dizer que a sua potencialidade acha-se no conceito</p><p>platônico de lógos (discurso racional), composto basicamente pelas categorias como</p><p>ónoma/nome (o ser ou entidade) e rhéma/verbo (propriedade do ser, o que se</p><p>predica ao ser) (AZEREDO, 2015).</p><p>Para Bagno (2012), toda frase, por mais simples que seja, contém esses dois</p><p>termos. Platão, ao propor essa distinção, estaria revelando o princípio mais</p><p>fundamental das línguas humanas: a predicação. Predicar significa ‘falar de’ ou</p><p>‘dizer que’. Tomando como exemplo a frase Ivo nasceu, podemos inferir que essa</p><p>frase estaria dizendo que ‘existe uma pessoa no mundo que se chama Ivo’ e que ‘Ivo</p><p>nasceu’.</p><p>Tendo em vista esse fato, de certo modo, a sintaxe pode ser entendida como</p><p>uma narrativa dialogada, porque o seu objeto de estudo é a frase e toda frase prevê</p><p>“algo que alguém conta / narra / descreve / relata a alguém” (BAGNO, 2012, p. 406).</p><p>Segundo Bagno (2012, p. 411), Aristóteles também foi o primeiro a fazer</p><p>menção ao termo sujeito, que, no grego, recebia a denominação</p><p>Kypokeîmon, significando, literalmente, “algo que está por baixo”. Os romanos</p><p>traduziram esse termo por subjectum, com o mesmo significado. Na disciplina</p><p>gramatical, sujeito é um termo técnico utilizado para definir o elemento da</p><p>frase sobre o qual recai a predicação, mas tanto este quanto o termo objeto</p><p>tem sua origem das reflexões filosóficas e metafísicas:</p><p>Enquanto o sujeito, por ser o que “está por baixo”, representa a essência</p><p>profunda, a substância, e, por conseguinte, é um conceito, digamos, abstrato,</p><p>o objeto é aquilo que está diante de nós, que se oferece aos nossos sentidos,</p><p>que se apresenta, que se expõe. Talvez possamos dizer que o conceito de</p><p>sujeito é metafísico (que está além do mundo físico, sensível), enquanto o</p><p>objeto é um conceito físico, uma entidade que pode ser apreendida pelos</p><p>sentidos (BAGNO, 2012, p. 412).</p><p>No mundo ocidental, a primeira gramática de que se tem notícia é a Techné</p><p>Grammatiké, de Dionísio de Trácia (Alexandria, 170 a.C – 90 a.C). Segundo Assis e</p><p>Molina (2020), ela apresenta uma teoria sobre as letras e sílabas, discute a morfologia,</p><p>estabelecendo 8 categorias gramaticais e, apesar de não mencionar</p><p>regra geral de colocação pronominal com verbo no gerúndio é a ênclise,</p><p>exceto quando diante da preposição em + gerúndio. Nesses casos, a preposição vai</p><p>atrair o pronome e a colocação passa de ênclise para próclise.</p><p>Quando em ausência de palavras atrativas, a próclise se torna opcional e a</p><p>colocação do pronome pode ocorrer por ênclise:</p><p>(111) Jéssica se apaixonou por Julian.</p><p>(112) Jéssica apaixonou-se por Julian.</p><p>A próclise é condenada pela gramática normativa quando a oração for</p><p>iniciada por verbo, passando a colocação pronominal para a ênclise ou, caso ele</p><p>esteja no futuro, para a mesóclise. Entretanto, é corrente, no português do Brasil, o</p><p>emprego de próclise em início de sentença, sendo bastante comum tanto na fala</p><p>como na escrita.</p><p>(113) Percebe-se que não há interesse por parte dos alunos.</p><p>(114) Falar-se-á sobre o orçamento.</p><p>Conforme a gramática normativa, a mesóclise ocorre, em geral, quando os</p><p>verbos estão conjugados no futuro do presente e no futuro do pretérito do indicativo,</p><p>e quando na ausência de palavra atrativa que determina colocação por próclise:</p><p>163</p><p>(115) Falar-se-á sobre os conflitos.</p><p>(116) As orientações dar-se-ão por e-mail.</p><p>(117) Os documentos enviar-lhe-emos após a reunião.</p><p>No entanto, essa formação encontra-se já em desuso no português brasileiro</p><p>atual, sendo simplificada por estruturas derivativas que recorrem, quase sempre, à</p><p>próclise ou à locução verbal que suprime o pronome, como em:</p><p>(115a) Se falará sobre os conflitos.</p><p>(116a) As orientações serão dadas por e-mail.</p><p>(117a) Os documentos serão enviados após a reunião.</p><p>Por fim, temos os casos de ênclise. De acordo com a gramática normativa, a</p><p>ênclise é obrigatória quando:</p><p>a) Oração é iniciada por verbo.</p><p>b) Ocorre uma pausa (vírgula) antes do verbo.</p><p>Exemplos:</p><p>(118) Casaram-se no domingo. (Oração iniciada com verbo).</p><p>(119) Por gentileza, traga-lhe o cardápio. (Vírgula antes do verbo).</p><p>Em virtude de determinadas sonorizações (estudadas pela fonologia), os</p><p>processos sintáticos de ênclise podem promover alterações tanto nas terminações</p><p>verbais quanto nas formas dos pronomes o, a, os, as, que podem passar a -lo, -la, -</p><p>los, -las ou a -no, -na, -nos, -nas.</p><p>Assim, quando houver ênclise em verbos terminados em -r, -s e -z, ocorre a</p><p>supressão dessas consoantes no verbo e o acréscimo de uma consoante no início do</p><p>pronome.</p><p>Entenda:</p><p>(120) Demos a ela uma segunda oportunidade.</p><p>(121) Demo-la uma segunda oportunidade.</p><p>164</p><p>Outra transformação desencadeada no nível morfológico é a queda do -s na</p><p>terminação verbal -mos se o pronome que ocupará a colocação em ênclise for -nos:</p><p>(122) Referimo-nos ao livro de Graciliano Ramos.</p><p>(123) As flores são frágeis, tratemo-nas com carinho.</p><p>Por fim, as locuções verbais, que são formações compostas por dois verbos que</p><p>desempenham a mesma função na oração, constituem uma exceção à regra geral</p><p>da atração. Portanto, a colocação pronominal, quando diante de locução verbal,</p><p>pode ocorrer por próclise, mesóclise ou ênclise. Apenas não se aplica essa</p><p>norma aos verbos do particípio (-ado e -ido), aos quais não se aplica a ênclise.</p><p>(124)</p><p>Exemplos:</p><p>(124a) Vou lhes dizer uma verdade.</p><p>(124b) Vou dizer-lhes uma verdade.</p><p>(125)</p><p>(125a) A vida ainda vai ensinar-te muita coisa.</p><p>(125b) A vida ainda vai te ensinar muita coisa.</p><p>165</p><p>Recapitulando</p><p>As orações são construídas por elementos de diferentes propriedades</p><p>gramaticais. Cada um desses elementos ocupa um lugar na distribuição sintática e</p><p>desempenha uma função específica. Enquanto alguns são termos essenciais e</p><p>determinam a concordância, sendo os regentes da oração, outros desempenham</p><p>função complementar como termos integrantes e acessórios e são regidos pelos</p><p>termos essenciais, com os quais devem concordar em gênero e número.</p><p>Desse modo, a estrutura sintática se baseia em um princípio distributivo</p><p>hierárquico que pressupõe a articulação entre elementos de diferentes propriedades</p><p>gramaticais. A hierarquia entre os termos nos permite identificar as relações de</p><p>subordinação ainda que haja inversões da ordem direta e os termos complementares</p><p>ou regidos apareçam no início da oração, e não no final. O princípio da hierarquia</p><p>não se refere à ordem dos elementos dentro da oração, mas às suas relações de</p><p>dependência.</p><p>166</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. Conforme abordado na Unidade IV, de acordo com Negrão, Scher e Viotti (2003),</p><p>o léxico é composto por palavras de diferentes propriedades gramaticais. A</p><p>formação de sentenças pressupõe uma combinação criteriosa do léxico,</p><p>obedecendo a princípios de:</p><p>a) Lógica e igualdade distributiva.</p><p>b) Hierarquia e complementação distributiva.</p><p>c) Igualdade e correspondência distributiva.</p><p>d) Hierarquia e equivalência distributiva.</p><p>e) Hierarquia e improvisação distributiva.</p><p>2. (UNESP – 2022). Assinale a alternativa em que a frase está de acordo com a norma-</p><p>padrão da língua portuguesa quanto às concordâncias verbal e nominal.</p><p>a) Quando ouve um choro, os animais se sentem afetados por um sentimento de</p><p>tristeza.</p><p>b) São muito vantajosas, para o ser humano, a convivência diária com cães e gatos</p><p>domésticos.</p><p>c) A comunicação entre as duas espécies é bom e garante a sobrevivência tanto</p><p>dos cães quanto dos humanos.</p><p>d) Não existem, no mundo animal, diferença em relação à expressão das emoções.</p><p>e) Há, em cada raça de cão, grandes diferenças que interferem na capacidade do</p><p>animal de perceber os sentimentos do dono.</p><p>3. De acordo com a Unidade IV deste livro, os conceitos essenciais à compreensão</p><p>da organização e distribuição sintáticas são:</p><p>a) Concordância (verbal e nominal), regência (verbal e nominal) e colocação</p><p>pronominal.</p><p>b) Complementação (verbal e nominal), distribuição e colocação pronominal.</p><p>c) Distribuição, preposição e colocação pronominal.</p><p>167</p><p>d) Concordância (verbal e nominal), distribuição e regência (verbal e nominal).</p><p>e) Regência (verbal e nominal), complementação (verbal e nominal) e distribuição.</p><p>4. (SOLUÇÕES EDUCACIONAIS — 2019). Assinale a alternativa correspondente à</p><p>regência verbal sem preposição:</p><p>a) O funcionário não se lembrou da reunião.</p><p>b) Ninguém simpatiza com ele.</p><p>c) Você não respondeu à minha pergunta.</p><p>d) Eu quero um carro novo.</p><p>e) Ela foi ao estádio com os pais.</p><p>5. (VUNESP — 2022). Leia a tirinha para responder à questão.</p><p>(Bill Watterson. Os dias estão simplesmente lotados. São Paulo: Best News, 1995)</p><p>As lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:</p><p>a) Sentavam … olhavam … viviam … existe … importantes</p><p>b) Sentam … olham … viviam … existe … importante</p><p>c) Sentaram … olharam … viveram … existem … importante</p><p>d) Sentariam … olhariam … viveriam … existe … importantes</p><p>e) Sentassem … olhassem … viveriam … existem … importantes</p><p>168</p><p>6. (VUNESP — 2018).</p><p>Elas são as amigas que sempre se muito</p><p>convidamos para ir conosco ver esse novo filme.</p><p>livros e cinema. Por isso nós</p><p>As lacunas do enunciado devem ser preenchidas, correta e respectivamente,</p><p>conforme a norma-padrão da língua portuguesa, por:</p><p>a) Interessa ... em ... lhes</p><p>b) Interessam ... por ... as</p><p>c) Interessa ... com ... as</p><p>d) Interessam ... de ... lhes</p><p>e) Interessa ... para ... as</p><p>7. (IBFC – 2022). Observe o exemplo a seguir e analise a alternativa que segue o</p><p>mesmo padrão de colocação pronominal.</p><p>Exemplo: “Ter-se-ia sido muito importante a leitura prévia de outros textos sobre</p><p>características essenciais para um bom profissional. Após ler um deles, esforcei-me ao</p><p>aplicar suas orientações no trabalho e não me importei com os comentários posteriores”.</p><p>I. Levar-te-ei</p><p>os livros, comprei-os ontem e me entregaram hoje pela manhã.</p><p>II. Iria te avisar sobre o livro raro, mas o enviaram para ser reformado ontem à noite.</p><p>III. Diversos livros foram comprados e hoje estão se estragando nas prateleiras, se não</p><p>fossem os leitores, os livros seriam descartados, afirmou-me a bibliotecária.</p><p>Estão corretas as afirmativas:</p><p>a) I apenas.</p><p>b) I e II apenas.</p><p>c) I e III apenas.</p><p>d) II e III apenas.</p><p>169</p><p>e) III apenas.</p><p>8. De acordo com o conteúdo estudado na Unidade IV, leia o excerto e preencha</p><p>corretamente as lacunas. Em seguida, assinale a alternativa correspondente.</p><p>“[...] a estrutura sintática se baseia em um princípio distributivo que pressupõe a</p><p>entre elementos de diferentes propriedades gramaticais. A hierarquia entre os</p><p>termos nos permite identificar as relações de ainda que haja inversões da ordem</p><p>direta e os termos complementares ou regidos apareçam no início da oração, e não no</p><p>final. O princípio da hierarquia não se refere à ordem dos elementos dentro da oração,</p><p>mas às suas relações de .”</p><p>a) Hierárquico; correspondência; igualdade; articulação.</p><p>b) Igualitário; relação; correspondência; complementaridade.</p><p>c) Hierárquico; articulação; subordinação; dependência.</p><p>d) Igualitário; subordinação; articulação; dependência.</p><p>e) Hierárquico; relação; subordinação; igualdade.</p><p>170</p><p>CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES</p><p>11.1 SINTAXE – TIPOS DE PERÍODOS</p><p>Nesta unidade vamos compreender como ocorre a classificação das orações</p><p>na língua portuguesa. A partir de agora, os conceitos discutidos anteriormente devem</p><p>começar a ficar mais claros, uma vez que trabalharemos as classificações oracionais</p><p>a partir das funções sintáticas que os constituintes exercem na estrutura da oração.</p><p>Por função sintática compreende-se “o papel que um constituinte</p><p>desempenha em relação a outro numa dada estrutura frasal” (KENEDY; OTHERO,</p><p>2018, p. 56). Assim, a classificação de orações pressupõe a observância de relações</p><p>em uma perspectiva situacional do discurso.</p><p>Como vimos nas unidades anteriores, as orações são estruturas frasais que</p><p>possuem ao menos um verbo. O verbo constitui um dos chamados termos essenciais</p><p>da oração, uma vez que ele se projeta como predicado do sujeito, isto é, liga-se ao</p><p>sujeito (que é outro termo essencial), completando o seu sentido e formando uma</p><p>unidade expressiva.</p><p>Assim, na análise sintática, consideramos ao menos a existência de um SV</p><p>como condição para proceder a uma classificação oracional (KENEDY; OTHERO,</p><p>2018, p. 61), por isso não trabalhamos sintaxe de frases nominais, uma vez que elas</p><p>não constituem orações. Observe o exemplo:</p><p>(126) Apartamento amplo, com janelas largas e vista para o mar.</p><p>Apesar de gramatical, ou seja, uma estrutura que pode ser compreendida na</p><p>língua portuguesa, a frase acima não é passível de análise sintática porque é</p><p>composta por um encadeamento que não inclui relações de predicação verbal,</p><p>sendo, portanto, uma frase nominal. E, como vimos, a concepção de sintaxe</p><p>pressupõe uma relação entre termos intermediada por verbo.</p><p>A formação de uma oração pressupõe, minimamente, uma estrutura formada</p><p>171</p><p>pelos termos essenciais (sujeito (SN) e predicado (SV)), podendo aumentar a sua</p><p>extensão na medida em que inclui os chamados termos integrantes (complementos</p><p>nominais e verbais; agente da passiva) e os termos acessórios (adjuntos adnominais</p><p>e adverbiais; aposto).</p><p>Figura 10: Componentes da oração</p><p>Fonte: KENEDY; OTHERO (2018, p. 63)</p><p>Há que se ressaltar que, como visto anteriormente, o sujeito pode ou não</p><p>aparecer de maneira explícita na estrutura da oração, uma vez que entre as</p><p>variações do sujeito estão aqueles que são implícitos, indeterminados ou inexistentes;</p><p>contudo, o verbo deverá, imprescindivelmente, aparecer na oração. Desse modo, é</p><p>a presença do verbo que determina a existência de uma oração.</p><p>Dito isto, ao analisarmos uma estrutura frasal, nos orientamos, sobretudo, pela</p><p>presença e posição do(s) verbo(s). Se existe apenas um verbo – seja ele de ação ou</p><p>de ligação –, temos um período simples; se identificarmos, por outro lado, a existência</p><p>de mais de um verbo (que não seja locução verbal, isto é, uma construção que</p><p>implica a junção de dois verbos para uma mesma função, como ocorre em “Ela está</p><p>escrevendo um livro”), temos um período composto, como ocorre em “Abriu a janela</p><p>para que o vento entrasse”, isto é, dois SVs.</p><p>De maneira geral, o que diferencia o período simples e o período composto é</p><p>a extensão da oração mediante o estabelecimento, no período composto, de</p><p>relação de coordenação e subordinação entre as orações.</p><p>Enquanto no período simples, a extensão do período é a mesma da oração;</p><p>no período composto, temos uma extensão que excede o primeiro período ao criar</p><p>funções sintáticas em um segundo plano, que pode se configurar como uma oração</p><p>172</p><p>coordenada (que acrescenta algo à primeira oração) ou como uma oração</p><p>subordinada (que depende de elementos que aparecem na primeira oração).</p><p>11.2 PERÍODO SIMPLES</p><p>O período simples se caracteriza pela presença de um SV que desempenha,</p><p>como vimos anteriormente, função de predicado do sujeito.</p><p>Exemplos:</p><p>(127) [ORAÇÃO [SN Mariana [SV chorava]]].</p><p>(128) [ORAÇÃO [DET O [SN cão [SV morde]]]].</p><p>A partir dessa estrutura oracional primária (oração absoluta), temos que um</p><p>período é minimamente formado pela relação:</p><p>Sujeito + Predicado</p><p>E, diante disso, devemos considerar, ainda, que existem variações que</p><p>determinam o aparecimento ou não do sujeito na estrutura da oração, como nos</p><p>casos de sujeito indeterminado, oculto/implícito ou inexistente. Nesses casos, a oração</p><p>terá sua estrutura reduzida ao predicado (apenas o verbo ou um verbo e seu</p><p>complemento). Portanto, o SV (que corresponde ao núcleo do predicado) é o núcleo</p><p>elementar da análise sintática.</p><p>Exemplos:</p><p>(129) Choveu.</p><p>(130) Foram embora tarde.</p><p>(131) Amanheceu nublado.</p><p>Em (129), o sujeito é inexistente e o predicado corresponde apenas ao verbo.</p><p>Em (130), o sujeito está oculto ou implícito, mas, pela conjugação verbal, é possível</p><p>associá-lo ao SN eles e o predicado é formado pelo verbo foram e seu complemento</p><p>circunstancial, formado por embora e tarde. Por fim, em (131), o sujeito também é</p><p>inexistente, como em (129), no entanto, há dois elementos que constituem o</p><p>predicado: o verbo amanhecer e seu complemento nublado.</p><p>173</p><p>Basicamente, para classificar uma oração, devemos analisar a relação</p><p>existente entre os termos essenciais, os termos constituintes e os termos acessórios que</p><p>a compõem, uma vez que entre eles se estabelecem relações de</p><p>complementaridade.</p><p>Em termos estruturais, podemos conceber uma oração a partir da equação</p><p>básica que sintetiza a ordem direta (OD) da frase:</p><p>Sujeito + Verbo + Complemento</p><p>Exemplos:</p><p>(132) Ele comeu biscoitos.</p><p>(133) Ela desceu a escada correndo.</p><p>Mas também podem ocorrer inversões nas estruturas frasais mediante o</p><p>emprego da ordem indireta (OI), que faz com que elementos que apareceriam no</p><p>início da sentença possam aparecer no final e vice-versa.</p><p>Exemplos:</p><p>(134) Ordem direta João deu o brinquedo ao Pedro.</p><p>(134a) Ordem indireta Ao Pedro, João deu o brinquedo.</p><p>Na ordem direta acima exemplificada (134), temos a separação do</p><p>complemento e sua redistribuição entre o início e o fim da frase sem que se alterem</p><p>as funções por ele exercidas (complementos do objeto direto (o brinquedo) e</p><p>complemento do objeto indireto (ao Pedro)).</p><p>Com base em CHOMSKY ([1957] 2018), podemos dizer que, a partir dessa</p><p>estrutura de variação, a língua portuguesa produz uma infinidade de combinações</p><p>oracionais. Essas combinações resultam em tipos de orações,</p><p>os quais são</p><p>classificados conforme as relações sintagmáticas estabelecidas entre os termos que</p><p>as compõem.</p><p>174</p><p>11.3 PERÍODO COMPOSTO</p><p>O período composto, de acordo com a gramática tradicional, se caracteriza</p><p>pelo encadeamento de orações, isto é, pela presença de, ao menos, dois SVs, de</p><p>modo que o segundo está inserido no domínio sintático do primeiro. Cada oração</p><p>que compõe o período composto desempenha um tipo de função sintática. A</p><p>primeira oração, em geral, desempenha a função de oração principal (ou matriz) e</p><p>a classificação da segunda é feita de acordo com o tipo de complementaridade que</p><p>ela desempenha em relação à primeira.</p><p>Existem dois tipos de período composto: por coordenação e por subordinação.</p><p>11.3.1 Período composto por coordenação</p><p>No período composto por coordenação, a segunda oração acrescenta uma</p><p>informação à primeira, mas não depende estruturalmente dela e pode se dar por</p><p>acréscimo ou justaposição de elementos equivalentes (também denominada</p><p>parataxe). Conforme a gramática tradicional, os períodos por coordenação se</p><p>subdividem, portanto, em orações sindéticas e orações assindéticas.</p><p>11.3.2 Orações coordenadas sindéticas</p><p>A palavra sindética deriva do termo grego síndeton, que significa unir/ligar a,</p><p>de modo que as sindéticas são aquelas orações introduzidas por conjunções</p><p>coordenativas sindéticas, isto é, que promovem a união entre sentenças equivalentes</p><p>e independentes. O tipo de conjunção caracteriza o tipo da oração. Assim, podemos</p><p>sintetizar as orações sindéticas no seguinte quadro:</p><p>175</p><p>Quadro 6: Tipos de orações coordenadas sindéticas e seus conectores</p><p>TIPO DE</p><p>ORAÇÃO</p><p>RELAÇÃO PRINCIPAIS</p><p>CONJUNÇÕES</p><p>EXEMPLOS</p><p>Aditivas adição/</p><p>acréscimo</p><p>e; nem Pedro estuda e Maria trabalha.</p><p>Pedro não estuda nem trabalha.</p><p>Adversativas contraposição mas; porém;</p><p>senão</p><p>Pedro não trabalha, porém estuda.</p><p>Pedro estuda, mas não trabalha.</p><p>Alternativas contraposição/</p><p>exclusão</p><p>ou; ora Maria não tem tempo, ora estuda ora</p><p>trabalha.</p><p>Maria tem que escolher se estuda ou</p><p>trabalha.</p><p>Conclusivas dependência</p><p>interna</p><p>pois; portanto; por</p><p>isso</p><p>Lucas não trabalha, por isso não tem</p><p>dinheiro.</p><p>Lucas começou a trabalhar, portanto,</p><p>poderá comprar seus livros.</p><p>Causais-</p><p>explicativas</p><p>dependência</p><p>interna</p><p>porque;</p><p>porquanto; assim.</p><p>Mariana conseguiu se formar porque</p><p>se esforçou.</p><p>Mariana não se esforçou, porquanto</p><p>não conseguiu se formar.</p><p>Fonte: BECHARA (2009, Adaptado)</p><p>Tendo em vista o quadro exposto, temos que as orações sindéticas são</p><p>tradicionalmente classificadas em cinco tipos: aditivas, adversativas, alternativas,</p><p>conclusivas e causais-explicativas (ou simplesmente explicativas), a depender das</p><p>conjunções que introduzem a segunda oração. Dessa forma, a análise e classificação</p><p>dessas orações devem dar atenção, sobretudo, a essas partículas conjuntivas que,</p><p>uma vez que são elas que determinam as relações sintáticas coordenativas.</p><p>No exemplo:</p><p>(135) A garota caiu e se molhou inteira.</p><p>[Oração [SN A garota] [SV1 caiu] e [SV2 se molhou inteira]]</p><p>A estrutura nos indica que a oração é composta porque apresenta dois verbos:</p><p>176</p><p>cair e se molhar. Vemos que cair e se molhar são estruturas que se complementam</p><p>de maneira independente e estão ligadas por uma conjunção (e), caracterizando o</p><p>que aconteceu com a garota, por isso a segunda oração é uma oração coordenada</p><p>(isto é, que acrescenta elementos – conforme se observa pela presença da conjunção</p><p>e –, mas não depende da primeira). Portanto, podemos concluir que essa é uma</p><p>oração coordenada sindética aditiva.</p><p>Se tivéssemos em vez disso:</p><p>(135a) A garota caiu, mas não se machucou.</p><p>[Oração [SN A garota] [SV1 caiu], mas não [SV2 se machucou]]</p><p>Observando-se que a conjunção que une os dois períodos é a adversativa mas,</p><p>classificamos essa oração como coordenada sindética adversativa. E assim por</p><p>diante.</p><p>11.3.3 Orações coordenadas assindéticas (justaposição ou parataxe)</p><p>As orações coordenadas assindéticas (por justaposição ou parataxe) são</p><p>orações que prescindem de conjunções e são construídas a partir de uma sequência</p><p>de orações intercaladas ou distribuídas de forma equivalente. Um clássico exemplo</p><p>de oração coordenada assindética é a famosa frase de Júlio César:</p><p>(136) Vim, vi, venci.</p><p>Nessa construção temos a justaposição de três períodos (porque há nela três</p><p>verbos distintos) separados por vírgulas apenas e entremeados por um sujeito oculto</p><p>(eu) que determina a conjugação verbal. Outro exemplo que ilustra uma oração</p><p>coordenada assindética é:</p><p>(137) Ele entrou, sentou-se, assistiu à aula e foi embora sem dizer uma palavra.</p><p>Em suma, os princípios que regem a coordenação, conforme BECHARA (2009),</p><p>177</p><p>para as orações sindéticas, consistem no emprego das conjunções coordenativas</p><p>que acrescentam elementos à oração matriz ou principal, mas que não dependem</p><p>totalmente dela; e para as sindéticas, consistem em processos de justaposição,</p><p>distribuição ou intercalação de orações que acrescentam elementos em um nível</p><p>sintático de equivalência.</p><p>As orações subordinadas, por outro lado, estabelecem relações sintáticas de</p><p>dependência estrutural, isto é, elas não fazem sentido quando separadas da oração</p><p>principal. No âmbito das orações subordinadas, portanto, as funções sintáticas e a</p><p>classificação das orações se tornam mais complexas, como veremos a seguir.</p><p>11.3.4 Período composto por subordinação</p><p>As orações subordinadas, como indica o adjetivo que as acompanha, são</p><p>complementares em relação à oração principal, mas, diferentemente das</p><p>coordenadas, elas possuem relação de dependência sintática em relação à OP,</p><p>aplicando-se a elas, portanto, o princípio da hierarquia e complementaridade</p><p>distributiva dos elementos da oração.</p><p>Ainda de acordo com a divisão gramatical tradicional proposta pela NGB, as</p><p>orações subordinadas recebem uma classificação em três grupos: substantivas,</p><p>adjetivas e adverbiais. Cada grupo, por sua vez, se ramifica em uma nova</p><p>terminologia que especifica a função sintática exercida pelos elementos</p><p>subordinados. Sendo assim, as orações subordinadas substantivas podem ser:</p><p>subjetivas, objetivas diretas, predicativas, objetivas indiretas, completivas nominais e</p><p>apositivas.</p><p>Quadro 7: Orações subordinadas substantivas</p><p>Classificação Função</p><p>Subjetiva Sujeito</p><p>Objetiva direta Objeto direto</p><p>Objetiva indireta Objeto indireto</p><p>Completiva nominal Complemento nominal</p><p>Predicativa Predicativo do sujeito</p><p>Apositiva aposto</p><p>Fonte: Kenedy; Othero (2018, p. 83, Adaptado)</p><p>178</p><p>11.3.5 Orações subordinadas substantivas</p><p>As orações classificadas como subordinadas substantivas subjetivas</p><p>desempenham função de sujeito em relação à oração principal (OP):</p><p>Exemplos:</p><p>(138) É preciso orientar os alunos novos.</p><p>(139) É importante que todos usem máscara.</p><p>As orações classificadas como objetivas diretas são aquelas que</p><p>desempenham função de objeto direto em relação à OP e são normalmente</p><p>introduzidas por uma conjunção integrante (que ou se).</p><p>Exemplos:</p><p>(140) O patrão espera que você chegue cedo.</p><p>(141) Amanhã saberemos se o funcionário chegará na hora certa.</p><p>Os exemplos demonstram um caso de conjunção integrante que e outro de</p><p>conjunção integrante se. Para identificar essa relação de complementação,</p><p>podemos perguntar à oração principal: o que o patrão quer? Ou Amanhã saberemos</p><p>o quê? A resposta imediata oferecida pela sentença constitui o objeto</p><p>direto.</p><p>As orações subordinadas substantivas classificadas como objetivas indiretas são</p><p>aquelas que desempenham função de objeto indireto em relação à OP. Para</p><p>identificá-las sempre observamos a transitividade verbal, se o verbo seleciona</p><p>complemento</p><p>de objeto indireto, então essa necessidade será correspondida pela</p><p>oração subordinada:</p><p>Exemplos:</p><p>(142) A vitória será dada a quem merecer.</p><p>(143) Os pertences foram entregues aos seus respectivos donos.</p><p>179</p><p>Como visto anteriormente, o objeto indireto é sempre introduzido por</p><p>preposição (observando-se os princípios da gramaticalidade). Assim, as orações</p><p>subordinadas substantivas objetivas indiretas apresentam essa marca em seus</p><p>constituintes.</p><p>As orações subordinadas substantivas classificadas como completivas nominais</p><p>se caracterizam pela complementação que exercem em relação a um SN da OP.</p><p>Exemplos:</p><p>(144) Eles tinham certeza de que estavam no caminho certo.</p><p>(145) Joana não está em condições de dirigir.</p><p>Observe que certeza e condições são nomes que selecionam</p><p>complementação. Quem tem certeza, tem certeza de alguma coisa, no caso, de</p><p>que estavam no caminho certo exerce função de complemento nominal de certeza.</p><p>Da mesma forma, quem ou que está (ou não) em condições de fazer (ou não) algo,</p><p>de modo que de dirigir exerce função de complemento nominal de condições.</p><p>As orações subordinadas substantivas classificadas como predicativas exercem</p><p>função de predicativo do sujeito (e não do verbo, porque são substantivas) e se</p><p>caracterizam por serem introduzidas pelo verbo ser.</p><p>Exemplos:</p><p>(146) Seu medo era que jamais se curasse.</p><p>(147) A esperança é a última que morre.</p><p>A flexão do verbo ser não muda a função que ele desempenha de introduzir</p><p>a oração subordinada substantiva predicativa. Em ambos os casos, a oração</p><p>introduzida desempenha função de predicativo do sujeito, isto é, o que é dito sobre</p><p>o sujeito.</p><p>Por fim, as orações subordinadas substantivas apositivas exercem função de</p><p>aposto em relação às OPs e são marcadas pela pontuação. Vejamos:</p><p>(148) Só quero uma coisa: que essa pandemia acabe logo.</p><p>180</p><p>(149) João, meu amigo de infância, virá me visitar.</p><p>Nesses casos, a pontuação ajuda na identificação visual dos constituintes da</p><p>oração. Em (148), o que vem após os dois pontos exerce função de aposto em</p><p>relação à OP; e em (149), o que está entre vírgulas constitui uma explicação apositiva</p><p>do SN sujeito João.</p><p>181</p><p>11.3.6 Orações subordinadas adjetivas</p><p>As orações subordinadas adjetivas cumprem a função sintática de adjunto</p><p>adnominal e podem ser restritivas ou explicativas em relação a um sintagma nominal</p><p>da OP. As explicativas constituem um acréscimo em relação a um sintagma nominal</p><p>presente na OP e podem ser introduzidas mediante um corte entre o nome e o</p><p>complemento. Por ser considerada um acréscimo explicativo, a sua supressão, em</p><p>geral, não compromete o sentido basilar da OP.</p><p>(150) O entregador, que esteve aqui mais cedo, voltou com a mercadoria.</p><p>(151) A sua presença, que era indesejada, tornou-se insuportável.</p><p>Perceba que as orações principais ganham um acréscimo explicativo que não</p><p>interfere, mas explica, o sintagma nominal ao qual ela se liga.</p><p>Por sua vez, as adjetivas restritivas exercem uma função de especificação em</p><p>relação a um sintagma nominal e a sua supressão compromete o sentido da oração</p><p>principal.</p><p>(152) As pessoas que receberam vacina encontram-se imunizadas.</p><p>(153) Os animais que têm pelagem longa são mais adaptáveis ao frio.</p><p>(154) Os clientes sem máscara foram retirados do estabelecimento.</p><p>A relação sintática restritiva se estabelece mediante o emprego de conjunção</p><p>ou de pronome relativo. No entanto, perceba que em (154), não há pronome relativo</p><p>ou conjunção ligando o núcleo nominal “clientes” à oração subordinada adjetiva</p><p>182</p><p>restritiva formada pelo constituinte “sem máscara”, mas podemos perceber a</p><p>relativização dessa adjunção por considerarmos os termos implícitos: Os clientes (que</p><p>estavam) sem máscara foram retirados do estabelecimento. Nesse tipo de caso, a</p><p>relação entre a sintaxe e semântica se mostram mais imbricadas e dependentes.</p><p>11.3.7 Orações subordinadas adverbiais</p><p>Por fim, as orações subordinadas adverbiais exercem função de adjunto</p><p>adverbial e são designadas por sua especificação semântica (isto é, de acordo com</p><p>o tipo de advérbio que faz a subordinação), podendo ser: causal, consecutiva, final,</p><p>temporal, condicional, concessiva, comparativa, conformativa e proporcional.</p><p>Quadro 8: Especificação semântica</p><p>Relação expressa Conectivos ou locuções conectivas</p><p>Causa porque, uma vez que, visto que, como etc.</p><p>Consequência tanto que, de modo que, por isso, então etc.</p><p>Comparação como, tal qual, que, do que, assim como etc.</p><p>Conformidade conforme, segundo, dessa forma, consoante etc.</p><p>Concessão embora, se bem que, ainda que, por mais que etc.</p><p>Condição se, caso, contanto que, salvo se etc.</p><p>Proporção à medida que, na proporção que etc.</p><p>Finalidade para que, a fim de que, com o fim etc.</p><p>Tempo quando, enquanto, sempre que etc.</p><p>Fonte: Kenedy; Othero (2018, p. 119, Adaptado)</p><p>A subordinação adverbial é classificada de acordo com a função exercida</p><p>em relação à OP, o que é expresso pelo tipo de conectivo ou locução conectiva que</p><p>a estabelece.</p><p>183</p><p>As orações subordinadas adverbiais causais expressam uma causa</p><p>relacionada à OP e são introduzidas por conectivos causais.</p><p>184</p><p>Exemplos:</p><p>(155) Não fui ao parque porque choveu.</p><p>(156) Cheguei atrasado na aula, uma vez que meu relógio não despertou.</p><p>Perceba que a subordinação ocorre porque a segunda oração expressa a</p><p>causa da primeira.</p><p>As orações subordinadas adverbiais consecutivas expressam relação de</p><p>consequência em relação à OP.</p><p>(157) Choveu tanto que a cidade ficou alagada.</p><p>(158) Fizeram muitas paradas, por isso a viagem foi mais longa.</p><p>A subordinação adverbial comparativa ocorre quando há entre as orações</p><p>conjunções que exercem função de comparação.</p><p>(159) As crianças corriam como foguetes.</p><p>(160) Um acordo é menos oneroso do que uma disputa judicial.</p><p>Ressalta-se que a comparação pode ser expressa tanto para demarcar</p><p>igualdade como diferenças entre os elementos relacionados.</p><p>As orações subordinadas adverbiais conformativas possuem interligação</p><p>mediante a presença de um advérbio que expressa conformidade, acordo ou</p><p>consonância.</p><p>(161) A cerimônia terminou às 21h, conforme previsto.</p><p>(162) A decisão foi tomada consoante as prioridades.</p><p>Orações subordinadas adverbiais concessivas se caracterizam por expressar</p><p>uma ideia oposta ou contrastiva em relação à ação que ocorre na OP:</p><p>(163) Foi bem na prova, apesar de não ter estudado muito.</p><p>(164) Iremos à festa ainda que chova.</p><p>185</p><p>A subordinação adverbial condicional se dá mediante o estabelecimento de</p><p>uma condição para a ação expressa na OP:</p><p>(165) Viajaremos de férias, a menos que a pandemia nos impeça.</p><p>(166) Heloísa será promovida, desde que passe no teste.</p><p>Quando a relação de subordinação for marcada por uma conjunção que</p><p>expressa proporcionalidade, a oração será classificada como subordinada adverbial</p><p>proporcional:</p><p>(167) O rio enchia na medida em que chovia.</p><p>(168) A distância diminuía conforme o tempo passava.</p><p>A subordinação oracional classificada como adverbial final apresenta a</p><p>finalidade ou objetivo da OP.</p><p>(169) O uso da máscara foi necessário para que todos se protegessem durante</p><p>a pandemia da Covid-19.</p><p>(170) As orientações foram dadas a fim de que fossem seguidas por todos.</p><p>E, por fim, as orações subordinadas adverbiais temporais são marcadas pela</p><p>presença de uma circunstância temporal que caracteriza a ação expressa na OP:</p><p>(171) Os alunos serão liberados assim que o sinal soar.</p><p>(172) Não irei embora até ser atendido.</p><p>Dessa forma, as adverbiais temporais expressam uma especificação em</p><p>relação ao tempo em que a ação</p><p>ocorre e é condicionada, portanto, ao verbo.</p><p>11.4 ORAÇÕES REDUZIDAS</p><p>Para finalizar a classificação das orações, veremos agora como se configuram</p><p>as orações reduzidas construídas a partir de formas nominais do verbo. Como vimos,</p><p>186</p><p>a presença do verbo é condição para o estudo da oração. Mas você sabia que</p><p>existem verbos que exercem funções nominais na estrutura sintática? Sim! As formas</p><p>nominais dos verbos podem ser classificadas em três tipos:</p><p>Infinitivo (terminações -ar (para verbos de primeira conjugação), -er (para</p><p>verbos de segunda conjugação) e -ir (para verbos de terceira conjugação));</p><p>Gerúndio (terminação -ndo);</p><p>Particípio (terminação -ido e -ado (para verbos regulares) e -to (para alguns</p><p>verbos)).</p><p>Quando essas formas aparecem nas orações, estas são classificadas como</p><p>reduzidas (pois não possuem conjunções como ocorre com as desenvolvidas). Essa</p><p>classificação é acrescida da especificação concernente à forma nominal</p><p>empregada. Vejamos:</p><p>(173) É necessário ter esperança.</p><p>(174) Finalizando a prova, os alunos podem sair.</p><p>(175) Aceitas as desculpas, eles fizeram as pazes.</p><p>As orações iniciadas com os verbos no infinitivo (173), no gerúndio (174) e no</p><p>particípio (175) caracterizam-se, portanto, como reduzidas porque promovem a</p><p>ligação sintática sem recorrerem a conjugações, isto é, empregando os verbos em</p><p>suas formas mais genéricas, sem flexão, de modo a dispensarem as conjunções.</p><p>Em (173), a oração é considerada reduzida porque substitui a forma</p><p>desenvolvida “É necessário que se tenha esperança”. Assim como na forma</p><p>desenvolvida, “ter esperança” corresponde a um papel de subjetivação em relação</p><p>a: “É necessário”, nesse sentido, ela desempenha função de sujeito e, por isso, é</p><p>classificada como oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo.</p><p>Em (174), a oração iniciada por gerúndio indica uma redução da oração</p><p>desenvolvida: “Quando finalizarem a prova, os alunos podem sair” ou, ainda, “Ao</p><p>finalizarem a prova, os alunos podem sair”. Existe uma relação temporal claramente</p><p>expressa, portanto, essa oração é uma oração subordinada adverbial temporal</p><p>reduzida de gerúndio.</p><p>187</p><p>188</p><p>E, atenção, as reduzidas de gerúndio e particípio nunca serão substantivas. Elas</p><p>podem ser orações subordinadas adverbiais ou orações subordinadas adjetivas. E</p><p>quando exercem função de adjunto, ou seja, quando são complementos, elas</p><p>podem ser explicativas ou restritivas. Vejamos:</p><p>(176) Prosseguiu com o discurso, falando baixinho.</p><p>(177) Só seria feliz abandonando aqueles sentimentos.</p><p>Em (176), a oração introduzida pelo verbo no gerúndio (falando) exerce</p><p>função caracterizadora em relação à OP, sendo, portanto, uma oração subordinada</p><p>adjetiva explicativa reduzida de gerúndio.</p><p>Em (177), temos a forma reduzida da oração desenvolvida: “Só seria feliz</p><p>quando abandonasse aqueles sentimentos”. Na forma reduzida (“Só seria feliz</p><p>abandonando aqueles sentimentos”), essa seria, pois, uma oração subordinada</p><p>adverbial reduzida de gerúndio.</p><p>11.5 APÊNDICE</p><p>Conforme a crítica feita por Kenedy e Othero (2018), é no âmbito das orações</p><p>subordinadas que a sintaxe tradicional ganha maior complexidade estrutural, o que</p><p>explica a “hiperinflação terminológica” (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 83) que</p><p>caracteriza a NGB, ao seguir, como já mencionado anteriormente, uma terminologia</p><p>189</p><p>pautada na somatória de classificações, ao invés de uma terminologia meramente</p><p>conceitual ou designativa, como ocorre com o período simples:</p><p>Nas aulas de sintaxe, nas gramáticas e nos livros didáticos, as funções</p><p>sintáticas poderiam ser designadas por um inventário de termos muito</p><p>mais simples do que o proposto pela NGB – no ano de 1959 e até hoje</p><p>em vigência. Kenedy (2010), por exemplo, propôs a redução das 11</p><p>funções e das 10 subfunções preconizadas na NGB para um conjunto</p><p>formado por somente 4 termos: sujeito, predicado, complemento e</p><p>adjunto. (KENEDY, OTHERO, 2018, p. 82).</p><p>Assim, os autores pontuam o atraso que caracteriza o ensino da gramática nas</p><p>escolas em função de não haver uma atualização da NGB em relação aos estudos</p><p>linguísticos contemporâneos que buscam esclarecer e simplificar o excesso de</p><p>terminologias que, por vezes, dificulta a compreensão dos processos sintáticos, no</p><p>caso, ou torna custosa a sua apreensão. O argumento central dos autores para tanto</p><p>se baseia na premissa de que a redução terminológica proposta pelos linguistas</p><p>contemporâneos não deixa de atender às definições das funções sintáticas</p><p>procedendo a um enxugamento de especificações que excedem as funções</p><p>sintáticas.</p><p>Por hora, enquanto essa normativa não passa por uma revisão oficial, devemos</p><p>absorver as críticas a ela direcionadas levando em conta que, apesar de conter as</p><p>diretrizes dos estudos gramaticais, é possível trabalharmos de maneira um pouco mais</p><p>pedagógica, conforme exposto por Eduardo Kenedy em seu artigo “Rudimentos para</p><p>uma nova sintaxe na NGB” (2010).</p><p>11.6 RECAPITULANDO</p><p>Como vimos no decorrer da Unidade V, o objeto de análise da sintaxe são as</p><p>orações formadas a partir de processos de coordenação e subordinação. Estas</p><p>orações recebem diferentes classificações de acordo com as relações sintáticas</p><p>pelas quais se estruturam e podem ser de dois tipos principais: orações coordenadas</p><p>e orações subordinadas.</p><p>A análise das orações coordenadas pressupõe relação de acréscimo ou</p><p>justaposição em que os elementos que compõem as orações não possuem relação</p><p>de dependência. Já a análise das orações subordinadas é feita com base em uma</p><p>190</p><p>noção de hierarquia entre a OP e a oração que deriva dela porque corresponde a</p><p>uma necessidade de complementação.</p><p>De maneira resumida, as orações coordenadas podem ser sindéticas (unidas</p><p>por conjunção ou locução coordenativa) ou assindéticas (junção por justaposição</p><p>sem a presença de elementos conjuntivos). As subordinadas, por sua vez, serão</p><p>classificadas como substantivas (de acordo com as especificações que ocorrem</p><p>dentro desse grupo) quando o complemento selecionado pela oração principal</p><p>desempenhar função de sujeito; como adverbiais (e também de acordo com as</p><p>distinções subclassificatórias) quando exercerem função de adjunto adverbial</p><p>circunstancial em relação ao verbo; e como adjetivas (igualmente de acordo com</p><p>a subclassificação recebida) quando desempenharem função de adjunto</p><p>adnominal, isto é, exercerem papel de complementação em relação a um termo</p><p>nominal presente na OP.</p><p>Por fim, a análise sintática feita de acordo com a gramática tradicional leva</p><p>em conta, ainda, um grupo específico de orações nas quais o verbo se encontra em</p><p>suas formas nominais (de infinitivo, gerúndio ou particípio), promovendo uma redução</p><p>na estrutura sintática. Essa distinção visa diferenciar relações sintáticas</p><p>desenvolvidas e reduzidas.</p><p>191</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. (FUNDATEC — 2021).</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a correta forma expandida da oração</p><p>reduzida a seguir: “Ao falar da educação inclusiva, é crucial resgatar o histórico de</p><p>lutas” (l. 09).</p><p>a) Para falar da educação inclusiva, é crucial resgatar o histórico de lutas.</p><p>b) Embora falemos da educação inclusiva, é crucial resgatar o histórico de lutas.</p><p>c) Conquanto falemos da educação inclusiva, é crucial resgatar o histórico de lutas.</p><p>d) Quando se fala da educação inclusiva, é crucial que se resgate o histórico de</p><p>lutas.</p><p>192</p><p>e) Sem bem que falar da educação inclusiva, é crucial resgatar o histórico de lutas.</p><p>2. O período composto é classificado de acordo com o tipo de relação que as</p><p>orações</p><p>que o compõem estabelecem entre si. De acordo com o conteúdo da</p><p>Unidade V, a diferenciação entre orações coordenadas e orações subordinadas</p><p>deve levar em conta princípios relacionais distintos. Assinale a alternativa que</p><p>apresenta respectivamente esses princípios:</p><p>a) Igualdade e autonomia.</p><p>b) Autonomia e equivalência.</p><p>c) Dependência e autonomia.</p><p>d) Autonomia e igualdade.</p><p>e) Equivalência e dependência.</p><p>3. (UFU-MG — 2022 — Adaptada).</p><p>Nascida na rural Amherst, no estado de Massachussets, nos Estados Unidos, Emily</p><p>Dickinson (1832- 1886) é autora de 1800 poemas, mas só foi descoberta e publicada após sua</p><p>morte. Considerada avant-garde por suas ideias e modo de escrita, Emily pouco saiu da casa</p><p>de seus pais ao longo da vida e passou boa parte do fim de seus dias reclusa no próprio</p><p>quarto, escrevendo textos que discutem questões de gênero, a paixão secreta pela melhor</p><p>amiga e também cunhada, tabus da sociedade, relações familiares desgastadas e flerte com</p><p>a morte.</p><p>(CAMARGO, Carolina. Duas mulheres, uma história. Marie Claire. São Paulo: N. 366, nov. 2021. Editora Globo. p. 74. Fragmento)</p><p>A sentença negritada mantém com o trecho “Emily pouco saiu da casa de seus</p><p>pais ao longo da vida e passou boa parte do fim de seus dias reclusa no próprio</p><p>quarto” uma relação de:</p><p>a) Oposição.</p><p>b) Concessão.</p><p>c) Adição.</p><p>d) Causa.</p><p>e) Consequência.</p><p>4. (FUNDATEC — 2022 — Adaptada). Em relação ao período:</p><p>193</p><p>O argumento era que, passando a lei do divórcio, a família acabaria</p><p>Pode-se afirmar que:</p><p>I. É um período composto por subordinação, havendo três orações: uma principal e</p><p>duas subordinadas; evidenciando-se apenas uma conjunção.</p><p>II. A palavra ‘que’ funciona como conjunção integrante.</p><p>III. A oração ‘passando a lei do divórcio’ poderia assumir a forma ‘embora passasse</p><p>a lei do divórcio’, mantendo-se a correção do período.</p><p>Quais estão corretas?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas I e II.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>5. (PREFEITURA DE BOMBINHAS – SC — 2021 — Adaptada). Analise a oração abaixo:</p><p>“Cheguei em casa, fui dormir.”</p><p>A frase acima pode ser classificada como:</p><p>a) Oração Subordinada Substantiva</p><p>b) Oração Coordenada Sindética</p><p>c) Oração Coordenada Assindética</p><p>d) Oração Subordinada Adverbial</p><p>e) Oração Coordenada Adjetiva</p><p>6. (FCM — 2022 — Adaptada). A respeito de funções sintáticas dos termos, é correto</p><p>afirmar que, no período “[...] é preciso repensar e explicar com transparência as</p><p>194</p><p>prioridades.”, o termo destacado é:</p><p>a) Aposto.</p><p>b) Complemento nominal.</p><p>c) Sujeito simples.</p><p>d) Objeto direto.</p><p>e) Objeto indireto.</p><p>7. (CESPE — 2021 — Adaptada).</p><p>Texto associado CG2A1-II</p><p>Você pode adorar morango e lhe ser alérgico. Se comer, já sabe, é um desastre. Outro</p><p>pode ter horror a cebola e não lhe ser alérgico. Não come porque detesta. Assim como não</p><p>se discutem, gostos também não se explicam. São tabus. A alergia é uma descoberta do</p><p>princípio do século passado. O sujeito nasce com uma hipersensibilidade para isto ou aquilo.</p><p>Os alérgenos. Há, por exemplo, quem não suporte perfume. Um determinado tipo de perfume.</p><p>No caso de alimento, você evita. Se a alergia é a pluma, estofado de pluma sempre</p><p>se pode evitar. Já perfume é mais difícil. Causa a ruptura de uma amizade, ou até de um</p><p>amor. Se o outro insiste, é porque não há amor nem amizade. Nada mais prosaico do que um</p><p>namorado ou uma namorada que se põe a espirrar à simples aproximação do parceiro ou</p><p>da parceira. Uma tempestade alérgica pode liquidar com um amor. Sábia é a natureza ao</p><p>impor as suas repulsas e as suas afinidades.</p><p>Otto Lara Resende. Sufoco hipersensível. Internet:<cronicabrasileira.org.br> (com adaptações).</p><p>No período “Assim como não se discutem, gostos também não se explicam”, do</p><p>primeiro parágrafo do texto CG2A1-II, a locução “Assim como” introduz uma</p><p>oração:</p><p>a) Comparativa.</p><p>b) Aditiva.</p><p>c) Explicativa.</p><p>d) Conclusiva.</p><p>e) Restritiva.</p><p>8. (FGV — 2022).</p><p>Texto 1</p><p>195</p><p>“Os policiais militares são os primeiros a chegar ao local do crime, para isolar a área e</p><p>preservar as provas. Delegado e investigadores da Delegacia de Homicídios (DH) vão até o</p><p>local, onde conversam com testemunhas e familiares das vítimas. Os peritos criminais também</p><p>comparecem para analisar provas e colher informações. O corpo é recolhido pelo Instituto</p><p>Médico Legal (IML)” (Gazeta do Povo, 30/11/2021).</p><p>“Os policiais militares são os primeiros a chegar ao local do crime, para isolar a área e</p><p>preservar as provas”.</p><p>Se transformarmos as orações reduzidas sublinhadas em orações desenvolvidas, a</p><p>forma adequada será:</p><p>a) Para que isolem a área e preservem as provas;</p><p>b) Para o isolamento da área e preservação das provas;</p><p>c) Para isolarem a área e preservarem as provas;</p><p>d) Para que isolassem a área e preservassem as provas;</p><p>e) Para que isolem a área e para preservação das provas.</p><p>196</p><p>ANÁLISE SINTAGMÁTICA E</p><p>REPRESENTAÇÃO ARBÓREA</p><p>12.1 INTRODUÇÃO À TEORIA X-BARRA</p><p>A teoria X-barra é um tópico da sintaxe gerativa proposto por Noam Chomsky,</p><p>como ficou demonstrado na primeira unidade deste livro, em seus estudos sobre a</p><p>estrutura sintática e pressupõe um princípio de análise universal voltado para a</p><p>estrutura dos sintagmas presentes em uma sentença.</p><p>O objetivo dessa teoria é promover a descrição, quantificação e classificação</p><p>dos elementos sintáticos. Para tanto, conforme Mioto et. al. (2007), ela se baseia em</p><p>duas noções primordiais que se articulam: a de constituinte e a de hierarquia.</p><p>De acordo com os autores mencionados, podemos compreender a teoria X-</p><p>barra como um:</p><p>módulo da gramática que permite representar um constituinte. Ela é</p><p>necessária para explicitar a natureza do constituinte, as relações que</p><p>se estabelecem dentro dele e o modo como os constituintes se</p><p>hierarquizam para formar a sentença. Como acontece com qualquer</p><p>módulo da gramática, a Teoria X-barra deve ser universal a ponto de</p><p>configurar-se como um esquema geral, capaz de captar a estrutura</p><p>interna dos sintagmas de qualquer língua; mas também deve prestar-</p><p>se a dar conta da variação nas diferentes línguas. (MIOTO et. al., 2007,</p><p>p. 46).</p><p>Dessa forma, essa teoria se configura como método descritivo de análise que</p><p>possibilita o trabalho de compreensão da estrutura da língua a partir de critérios de</p><p>organização, variação e projeção.</p><p>197</p><p>Conforme Mioto et. al. (2007, p. 47), o princípio da projeção é ilustrado pela</p><p>seguinte lógica de representação:</p><p>XP</p><p>X'</p><p>X</p><p>Na qual, XP (valor da phrase) corresponde à projeção máxima da</p><p>sentença/frase (plano das relações sintático-semânticas), X’ (lê-se X-barra ou X-linha)</p><p>corresponde à projeção intermediária (categoria do termo) que estabelece a</p><p>relação imediata com os constituintes e, por fim, X, que é a categoria mínima (item</p><p>lexical / palavra), podendo ser também considerado nesse âmbito o Xº (lê-se X-nulo</p><p>ou X-zero), que se refere a conjuntos vazios (como no caso de não haver sujeito na</p><p>sentença). X e Xº representam, ambos, o núcleo do sintagma, a diferença entre eles</p><p>é que quando o núcleo existe, mas não é pronunciado, ele é representado pelo Xº,</p><p>como forma de diferenciar essa omissão.</p><p>Esse tipo de representação sintática ficou mais conhecido no Brasil como</p><p>representações arbóreas ou árvores sintáticas (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 30-31).</p><p>E uma das grandes vantagens desse método é que ele é capaz de expressar</p><p>com mais clareza a hierarquia existente entre os constituintes, o que é crucial para</p><p>casos em que ocorre ambiguidade sintática, isto é, quando uma sequência de</p><p>palavras, ainda que obedeça a princípios hierárquicos, pode se estruturar de mais de</p><p>uma maneira, suscitando mais de um sentido.</p><p>Portanto, uma mesma organização</p><p>pode abranger duas leituras semânticas diversas e, com isso, essa teoria enfatiza o</p><p>aspecto transformacional das línguas naturais, produzindo esquemas diferentes para</p><p>explicar essa variação.</p><p>12.2 PRINCÍPIOS DE ESQUEMATIZAÇÃO ARBÓREA</p><p>198</p><p>12.2.1 Estrutura arbórea</p><p>Antes, porém, de iniciarmos a análise por representação arbórea, é preciso</p><p>termos em conta quais são os princípios e os marcadores utilizados nessa</p><p>esquematização.</p><p>Uma árvore sintática se organiza a partir de marcadores sintagmáticos que</p><p>sinalizam como se dá a divisão estrutural dos elementos da língua no interior de uma</p><p>sentença pela combinação de sintagmas.</p><p>12.2.2 Descritores sintagmáticos</p><p>Na constituição da representação arbórea, temos os seguintes descritores que</p><p>ocupam as posições dos “nós” das árvores:</p><p>Quadro 9: Descritores</p><p>Descritor Núcleo Correspondência terminológica</p><p>X palavra que projeta sintagma</p><p>SN nome sintagma nominal</p><p>SV verbo sintagma verbal</p><p>SP preposição sintagma preposicional</p><p>AS adjetivo sintagma adjetival</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2022)</p><p>Conforme já vimos em relação ao uso de colchetes para identificar os</p><p>sintagmas presentes em uma sentença, em uma acepção primária, portanto, na</p><p>representação arbórea, o descritor S, correspondente no quadro a sintagma,</p><p>também sempre deverá estar relacionado a um tipo de núcleo (N, V, P ou A) para</p><p>que obtenha seu sentido pleno no diagrama, e para que possa identificar, assim, o</p><p>núcleo que o projeta.</p><p>Além da identificação dos sintagmas, temos marcadores para identificar</p><p>relações que são abordadas de maneira diversa da gramática tradicional pela</p><p>gramática normativa, já que aquela os denomina como adjuntos adnominais. É o</p><p>caso dos determinantes (D ou Det.) e modificadores (M ou Mod.).</p><p>Os determinantes e modificadores se coadunam ao grupo de especificadores,</p><p>os quais se caracterizam, em geral, por certa flexibilidade posicional em relação ao</p><p>núcleo sintagmático (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 33):</p><p>199</p><p>Em português, os especificadores tipicamente antecedem o núcleo,</p><p>posicionando-se à sua esquerda. Entretanto, como já mencionamos,</p><p>o português possui uma ordenação sintática linear relativamente</p><p>flexível; dessa maneira, em certos casos, um especificador pode ser</p><p>linearizado depois de seu núcleo [...].</p><p>Um especificador pode desempenhar diferentes tipos de relações</p><p>gramaticais com o seu núcleo, a depender da categoria morfológica</p><p>desse. Por exemplo, pode exercer a função de determinante nos SNs</p><p>e, assim, ser preenchido por um artigo, ou por um dos diferentes tipos</p><p>de pronomes, ou ainda por um numeral (ex. [os livros], [muitos livros],</p><p>[aqueles livros], [dez livros]). No SV, um especificador pode funcionar</p><p>como modificador adverbial (ex. quase comprei], [não comprei],</p><p>[certamente comprarei]), o mesmo ocorre no âmbito dos SPs (ex.</p><p>[quase sem nenhum dinheiro], [sempre com muitos amigos]). Nos SAs,</p><p>especificadores expressam noções como grau (ex. [muito alto],</p><p>[pouco cansado]) e circunstâncias (ex. [silenciosamente satisfeito]).</p><p>(KENEDY; OTHERO, 2018, p. 32-33).</p><p>Quanto aos determinantes, existem determinantes simples e determinantes</p><p>complexos. Os determinantes simples podem ser artigos definidos e indefinidos (o(s),</p><p>a(s); um, uns, uma(s)); pronomes possessivos (meu(s), minha(s), seu(s), sua(s) etc.),</p><p>pronomes demonstrativos (aquele, aquilo, isto, isso, esse(s), essa(s) etc.) ou numerais.</p><p>SN</p><p>Det. N</p><p>Artigos</p><p>Pronomes</p><p>Numerais</p><p>Os determinantes complexos se caracterizam por serem formados pela junção</p><p>de vários determinantes. Nos exemplos abaixo essa diferença fica mais clara:</p><p>(178) Meus amigos vieram à festa.</p><p>(179) Todos os meus amigos vieram à festa.</p><p>200</p><p>No exemplo (178), o pronome possessivo meus desempenha função de</p><p>determinante simples em relação a amigos, que é o núcleo do SN [meus amigos]. Em</p><p>(179), por sua vez, amigos também constitui o núcleo do SN [Todos os meus amigos],</p><p>mas, nesse caso, recebe um determinante complexo que é composto pelo pronome</p><p>indefinido todos + o artigo definido os + o pronome possessivo meus que, juntos,</p><p>determinam quem foi à festa.</p><p>Os modificadores simples recebem a marcação Mod. quando aparecem</p><p>isolados, podendo ser identificado na representação arbórea a natureza de sua</p><p>modificação, isto é, se adverbial, gradativa ou circunstancial (KENEDY; OTHERO, 2018,</p><p>p. 33).</p><p>(180) A bandeja caiu acidentalmente.</p><p>(181) Nem sempre conseguimos o que queremos.</p><p>(182) A chuva muito silenciosa.</p><p>Modificadores também podem ser sintagmas inteiros (notadamente quando</p><p>caracterizadores e/ou compostos de mais de um elemento, como nos casos de SP e</p><p>SA). O exemplo abaixo se baseia em um modificador adjetival:</p><p>(182) As flores amarelas murcharam.</p><p>Det.: As</p><p>N: flores</p><p>Mod. (SA – A): amarelas</p><p>V: murcharam.</p><p>A representação arbórea dessa estrutura ficaria assim:</p><p>201</p><p>S</p><p>SN SV</p><p>Det. N Mod. V</p><p>SA</p><p>Adj.</p><p>As flores amarelas murcharam.</p><p>Em suma, os determinantes e os modificadores constituem especificadores que</p><p>se alinham na estrutura sintática enquanto argumentos dos elementos predicadores,</p><p>isto é, que selecionam complementos no interior da sentença, sendo que os</p><p>complementos regenciais constituem os argumentos internos e os especificadores, os</p><p>argumentos externos.</p><p>Em suma, esses são os descritores empregados na identificação das relações</p><p>sintagmáticas e assumem posições específicas de acordo com a ordem linear que</p><p>caracteriza a sentença, por isso, cada construção sintática possui um desenho</p><p>próprio que serve para identificar a posição que os elementos ocupam dentro dela</p><p>e cujo desenho irá representar a relação interna e hierárquica pela qual se</p><p>organizam.</p><p>202</p><p>12.3 QUANTIFICADORES SINTAGMÁTICOS</p><p>A representação arbórea permite quantificar de maneira mais clara os ramos</p><p>que compõem a representação sintagmática de uma sentença, pois cada linha que</p><p>a compõe promove a visualização da relação que um termo estabelece com o outro</p><p>em seu interior.</p><p>Desse modo, uma das vantagens da representação arbórea para os estudos</p><p>sintáticos é que promove uma melhor visualização, descrição e quantificação dos</p><p>sintagmas, seus constituintes e seus núcleos, deixando evidente a sua ordem de</p><p>projeção.</p><p>12.4 NÚCLEO E PROJEÇÃO</p><p>Conforme já foi mencionado anteriormente, a determinação do núcleo é uma</p><p>condição para se estabelecer a projeção dos níveis gramaticais até se chegar ao</p><p>sintagma.</p><p>Sintagma XY</p><p>Classificação Y</p><p>palavra</p><p>Por conta disso, tomamos como ponto de partida a palavra. Assim como</p><p>estudamos em relação à identificação dos sintagmas por meio dos colchetes, na</p><p>representação arbórea, também precisamos identificar o elemento nuclear do</p><p>203</p><p>sintagma. Esse é o primeiro passo para procedermos à identificação dos ramos. Por</p><p>exemplo, em:</p><p>(183) Aquela menina.</p><p>Observa-se a ausência de verbo, sendo que a combinação deriva de um SN</p><p>que é composto pelo pronome demonstrativo “aquela” + “menina”. Sem construirmos</p><p>qualquer tipo de esquema, podemos perceber que existe uma relação hierárquica</p><p>entre esses termos, na qual “menina” é o termo central, pois é ele que determina a</p><p>seleção do pronome demonstrativo (que aqui exerce a função de determinante</p><p>(Det.) de menina) no feminino e singular. Como não há verbo e o núcleo é um nome,</p><p>temos um sintagma nominal, portanto, X = SN.</p><p>Identificada a palavra e a classe gramatical à qual ela pertence (no caso,</p><p>nominal, verbal, preposicional ou adjetival), podemos definir o sintagma como SN, SV,</p><p>SP ou SA. E, assim, chegamos à correspondência: palavra X</p><p>sintagma X.</p><p>Lembrando que X, na teoria gerativa, é um valor genérico de correspondência que</p><p>deverá ser substituído pelo valor da classe gramatical à qual pertence a palavra, isto</p><p>é, se a palavra é N, o sintagma será SN, e assim por diante.</p><p>A teoria X-barra processa essa esquematização de cima para baixo. Se é a</p><p>palavra que projeta uma classificação categórica a partir da qual se define o</p><p>sintagma, a análise sempre deve começar por ela. Por sua vez, a classificação</p><p>morfológica esclarece a relação que a palavra estabelece com outros termos no</p><p>interior de seu constituinte.</p><p>Como vimos nos capítulos anteriores, existem palavras que selecionam</p><p>complementos. A noção de constituinte nos permite analisar se é um termo associado</p><p>ou dependente de outro ou do qual os outros termos se associam ou dependem. Uma</p><p>vez determinado o núcleo do constituinte, isto é, a palavra que hierarquicamente</p><p>(lembremos da divisão entre termos essenciais, integrantes e acessórios feita pela NGB</p><p>para demarcar essa característica sintática), podemos analisar a relação entre</p><p>especificador(es), núcleo(s) e complemento(s).</p><p>Voltemos ao exemplo (183). Na representação arbórea (construída de baixo</p><p>para cima, isto é, da sentença para os níveis de projeção), ficamos com o seguinte</p><p>esquema:</p><p>204</p><p>SN</p><p>Det. N</p><p>Aquela menina</p><p>Nesse esquema, o determinante aquela constitui uma partícula especificadora</p><p>do N menina. Nessa descrição, D é um item gramatical que se relaciona</p><p>argumentativamente com N e está posicionado em função dele, conforme os</p><p>princípios de gramaticalidade sintática da língua portuguesa.</p><p>De maneira resumida, a identificação do sintagma depende da projeção do</p><p>núcleo do constituinte que é dada pela categoria da palavra. Essa identificação</p><p>ocorre em 3 níveis de baixo para cima: a palavra, a categoria a que pertence e o</p><p>sintagma correspondente. Assim, temos, esquematicamente, a seguinte projeção</p><p>categórica dos principais sintagmas lexicais da língua portuguesa, conforme Kenedy</p><p>e Othero (2018):</p><p>Figura 11: Projeção categórica</p><p>Fonte: Kenedy e Othero (2018, p. 29)</p><p>A partir desse quadro, temos a correspondência entre sintagma e núcleo, de</p><p>modo que o núcleo de um SN é um substantivo, o núcleo de SV é um verbo, o núcleo</p><p>de um SP é uma preposição e o núcleo de um SA é um adjetivo. É essa</p><p>correspondência que projeta a natureza da relação sintagmática e a posição dos</p><p>termos na sentença. Os elementos que não correspondem a termos nucleares são</p><p>considerados especificadores e complementos.</p><p>12.5 ESPECIFICADORES, NÚCLEOS E COMPLEMENTOS</p><p>205</p><p>Conforme vimos no decorrer das unidades anteriores, a gramática tradicional</p><p>demonstra que certos elementos selecionam complementos para comporem sua</p><p>estrutura argumentativa. Na representação arbórea, esses elementos</p><p>complementizadores são considerados como relações sintáticas primárias, por isso</p><p>recebem ramificações que os alinham aos seus respectivos núcleos. E, dessa forma,</p><p>“qualquer núcleo de sintagma pode ter um complemento” (Kenedy; Othero, 2018, p.</p><p>29). E, nesse sentido:</p><p>Na hierarquia dos constituintes, um núcleo projeta, para cima, um</p><p>sintagma, de acordo com a sua categoria morfológica, ao mesmo</p><p>tempo em que, se for o caso, seleciona, à sua direita, outro sintagma,</p><p>como seu complemento [...]. (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 30).</p><p>Obedecendo, portanto, a essa hierarquia, a representação arbórea explicita</p><p>a ramificação entre os elementos da sentença, produzindo uma diferenciação entre</p><p>os constituintes que “se organizam, na frase, uns dentro dos outros, de maneira</p><p>recursiva” (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 30).</p><p>A relação do núcleo com o especificador é considerada uma relação</p><p>secundária e é sinalizada em ramificação acima do núcleo e de seu complemento,</p><p>pois, pode ocorrer de um núcleo estabelecer ao mesmo tempo essas duas relações</p><p>e, como já foi demonstrado, um dos princípios mais caros à teoria X-barra é a</p><p>demonstração da natureza hierárquica da sintaxe.</p><p>Assim, uma representação sintática que tenha associados especificador e</p><p>complemento deve ser esquematizada a partir ramos alinhados da seguinte forma,</p><p>conforme exemplo elucidado por Kenedy e Othero (2018):</p><p>206</p><p>Figura 12: Representação sintática</p><p>Fonte: (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 33-34)</p><p>Sinteticamente falando, quando um núcleo lexical qualquer selecionar um</p><p>complemento, ele será ramificado, em geral, à sua direita (alinhado) para demarcar</p><p>uma relação de ordem primária. Quando, além de selecionar um complemento, o</p><p>núcleo tiver ainda um elemento especificador, ele será projetado em um nível acima</p><p>e marcado pelo X’ (X-barra), que projeta a relação secundária para compor o nível</p><p>mais complexo do sintagma. Assim:</p><p>Esses dois níveis representam relações de duas ordens: as que se estabelecem</p><p>dentro do constituinte (relações intrasintagmáticas) e as que se estabelecem entre</p><p>os constituintes (relações intersintagmáticas). As relações intrasintagmáticas se</p><p>caracterizam por princípios hierárquicos de projeção, isto é, os elementos que</p><p>integram o constituinte têm relação de dependência. Quando, porém, ao lado de</p><p>207</p><p>um sintagma aparecer outro sintagma, ou seja, outro conjunto formado por um novo</p><p>núcleo, esses sintagmas estabelecerão relações intersintagmáticas caracterizadas</p><p>por adjunção (KENEDY; OTHERO, 2018, p. 35), ou seja, por acréscimo que não</p><p>configura relação de dependência, mas acrescenta algo a outro constituinte.</p><p>12.6 ADJUNÇÃO</p><p>Diferentemente da relação de complementação (que ocorre dentro do</p><p>sintagma), a relação de adjunção estabelece, como o próprio nome sugere, junção</p><p>/ associação entre um sintagma e outro(s).</p><p>Sintagma + Sintagma</p><p>Esta relação é sinalizada por um alinhamento entre os sintagmas. No entanto,</p><p>acima da adjunção, é necessário sinalizar na árvore sintática também o ramo</p><p>sintagmático que projeta a adjunção.</p><p>O X de S (que nesse caso significa sentença) receberá identificação quando</p><p>da relação de adjunção resultar claro qual é o elemento que a recebe, isto é, ao</p><p>qual S ela se adjunge. Uma vez feita essa identificação, o S recebe no lugar de X o</p><p>símbolo que representa o núcleo do sintagma que recebe a adjunção, que, como</p><p>sabemos, só pode ser de quatro tipos: SN, SV, SP e SA.</p><p>208</p><p>12.7 REPRESENTAÇÃO ARBÓREA</p><p>Levando em conta os princípios expostos por essa introdução à teoria sintática</p><p>gerativa da representação arbórea, temos, portanto, condições de fazer algumas</p><p>análises a partir da identificação dos elementos de uma sentença, lançando mão,</p><p>para tanto, de descritores e quantificadores arbóreos para construirmos</p><p>ordenamentos lineares para representá-la. Vamos lá?</p><p>Exemplo:</p><p>(184) Comprei um carro em parcelas.</p><p>A análise para a representação arbórea se inicia da direita para a esquerda.</p><p>Sobre cada item lexical projetamos, alinhadas, as categorias a que pertencem.</p><p>N – parcelas</p><p>P – em</p><p>N – carro</p><p>D – um</p><p>V – comprei</p><p>A partir dessa projeção, devemos proceder à identificação dos núcleos</p><p>sintagmáticos. Como vimos, apenas sintagmas nominais, verbais, preposicionais e</p><p>adjetivais projetam núcleos sintagmáticos na língua portuguesa. Então, temos os</p><p>seguintes núcleos nessa sentença:</p><p>SN – N – parcelas</p><p>P – em</p><p>SN – N – carro</p><p>SV – V – comprei</p><p>Identificados os núcleos, agora vamos verificar as relações intrasintagmáticas</p><p>209</p><p>(dentro dos sintagmas). Sempre da direita para a esquerda: o item lexical parcelas é</p><p>um núcleo que não seleciona complemento e nem especificador, portanto, ele é um</p><p>elemento único dentro do SN que projeta. A preposição em, por sua vez, seleciona</p><p>um complemento, portanto, parcelas constitui um sintagma</p><p>nominal complementar</p><p>ao SP projetado pela preposição em. O item carro é um nome que não seleciona</p><p>complemento, mas possui um especificador à sua esquerda: o artigo definido um. E,</p><p>por último, o item lexical comprei é um verbo que projeta o SV e seleciona</p><p>complemento. Dessa forma, o SN que tem o item carro como núcleo se liga ao ramo</p><p>máximo de projeção desse SV como seu complemento. O desenho arbóreo dessa</p><p>relação resulta no esquema:</p><p>SV</p><p>SV</p><p>SN SP</p><p>V D N P SN</p><p>N</p><p>Comprei um carro em parcelas</p><p>Podemos concluir, portanto, que as representações arbóreas são esquemas</p><p>visuais que permitem identificar e mapear as relações de itens lexicais no interior de</p><p>um sintagma (relação de complementação) e as relações entre sintagmas (relações</p><p>de adjunção), o que, de acordo com o que já foi exposto, caracteriza as relações</p><p>que se configuram dentro dos sintagmas e entre os sintagmas, respectivamente.</p><p>Assim, a relação de complementação se distingue da relação de adjunção</p><p>por ocorrer dentro do conjunto que compõe um sintagma e está relacionada, mais</p><p>especificamente, ao núcleo desse sintagma. A relação de adjunção, por sua vez,</p><p>pressupõe a existência de um segundo conjunto sintagmático que se une ou adjunge</p><p>ao primeiro para acrescentar-lhe argumentos de maneira independente, isto é, sem</p><p>210</p><p>as marcas de dependência que caracterizam os argumentos internos. Podemos</p><p>associar os processos de complementação à noção de regência (ou</p><p>gramaticalidade); e os de adjunção à noção de concordância sintática, isto é, de</p><p>paralelismo flexional entre os constituintes que, ainda que sejam independentes,</p><p>devem se corresponder gramaticalmente.</p><p>12.8 RECAPITULANDO</p><p>Os diagramas arbóreos propostos pela teoria de análise sintática gerativa são</p><p>esquemas que representam, a partir de símbolos descritivos e quantificadores, as</p><p>unidades lexicais e gramaticais, bem como as relações estabelecidas entre elas no</p><p>interior de um sintagma e entre conjuntos de sintagmas visando identificar a</p><p>hierarquia e a relação recursiva existente entre elas.</p><p>Diferentemente da análise sintática da gramática tradicional, esse tipo de</p><p>análise por representação é mais característica do universo escolar, científico e</p><p>acadêmico, sendo, portanto, quase desconhecida fora dele. No entanto, no âmbito</p><p>dos estudos gramaticais, a análise sintática por representação arbórea se constitui</p><p>uma importante ferramenta uma vez que oferece recursos visuais para a</p><p>compreensão do funcionamento da língua.</p><p>211</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. De acordo com o exposto na Unidade VI deste livro, a teoria X-barra deriva de uma</p><p>importante corrente da linguística moderna, assinale-a entre as alternativas que se</p><p>seguem:</p><p>a) Sintaxe tradicional</p><p>b) Sintaxe gerativa</p><p>c) Sintaxe funcional</p><p>d) Sintaxe descritiva</p><p>e) Sintaxe normativa</p><p>2. De acordo com o texto da Unidade VI, uma representação arbórea visa</p><p>representar:</p><p>“[...] a partir de símbolos descritivos e quantificadores, as unidades e ,</p><p>bem como as relações estabelecidas entre elas no de um sintagma e entre de</p><p>sintagmas visando a hierarquia e a relação recursiva existente entre elas.”</p><p>Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto:</p><p>Integrantes; representativas; interior; demonstrar.</p><p>a) Lexicais; representativas; interior; compor.</p><p>b) Intermediárias; finais; princípios; compor.</p><p>c) Lexicais; gramaticais; interior; identificar.</p><p>d) Lexicais; gramaticais; princípios; identificar.</p><p>3. Os núcleos são elementos que projetam a identificação de um sintagma em um</p><p>nível acima da palavra. Na língua portuguesa, eles podem ser de quatro tipos.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta as categorias morfológicas às quais eles</p><p>pertencem:</p><p>a) Nome, verbo, preposição, adjetivo.</p><p>b) Nome, verbo, advérbio, adjetivo.</p><p>c) Determinante, nome, verbo, adjetivo.</p><p>212</p><p>d) Nome, complemento, verbo, adjetivo.</p><p>e) Nome, modificador, verbo, adjetivo.</p><p>4. A identificação do sintagma na representação arbórea depende da projeção do</p><p>núcleo do constituinte que é dada pela categoria da palavra. Essa identificação</p><p>ocorre em 3 níveis: a palavra, a categoria a que pertence e o sintagma</p><p>correspondente. A partir desse raciocínio, identifique APENAS os núcleos da</p><p>sentença abaixo para demonstrar o segundo nível de projeção, isto é, a categoria</p><p>gramatical a que pertencem:</p><p>A casa feita de alvenaria.</p><p>a) N, V, N.</p><p>b) N, V, A.</p><p>c) N, V, P.</p><p>d) A, V, P.</p><p>e) A, V, N.</p><p>5. Na teoria sintática gerativa, as relações sintagmáticas podem se configurar por</p><p>meios de dois processos: o intrasintagmático e intersintagmático. Assinale a</p><p>alternativa que os explicita correta e respectivamente:</p><p>a) Adjunção e projeção</p><p>b) Especificação e complementação</p><p>c) Projeção e complementação</p><p>d) Complementação e adjunção</p><p>e) Adjunção e complementação</p><p>13. Um núcleo pode estabelecer dois tipos de relações no interior de um sintagma</p><p>(relações intrasintagmáticas). Essas relações são demarcadas pelos:</p><p>a) Complementos e adjuntos.</p><p>b) Especificadores e complementos.</p><p>c) Adjuntos e especificadores.</p><p>213</p><p>d) Determinantes e adjuntos.</p><p>e) Núcleos e complementos.</p><p>7. Conforme a teoria X-barra, a identificação e quantificação dos núcleos</p><p>sintagmáticos de uma sentença não correspondem à quantidade de elementos</p><p>(lexicais e gramaticais) que a compõem. Em vista disso, identifique os núcleos</p><p>sintagmáticos da sentença abaixo e assinale a alternativa correspondente. Em</p><p>seguida, tente construir a representação arbórea da sentença (lembre-se de</p><p>seguir a direção da direita para a esquerda).</p><p>Verdes folhas brilhavam no jardim.</p><p>a) A, N, V, P, N</p><p>b) N, N, V, P, A</p><p>c) A, N, V, P, A</p><p>d) N, N, V, P, A</p><p>e) V, N, V, P, N</p><p>8. Identifique APENAS os núcleos sintagmáticos da sentença e assinale a alternativa</p><p>correspondente:</p><p>Os raios de sol entravam pela janela como espadas incandescentes.</p><p>a) Raios – N; de – P; sol – N; entravam – V; pela – P; janela – N; espadas – N;</p><p>incandescentes – N.</p><p>b) Os – D; raios – N; sol – N; janela – N; espadas – N; incandescentes – N.</p><p>c) Os – D; raios – N; sol – N; entravam – V; janela – N; espadas – A; incandescentes –</p><p>N.</p><p>d) Raios – N; de – P; sol – N; pela – P; janela – N; espadas – N; incandescentes – A.</p><p>e) Raios – N; de – P; sol – N; entravam – V; pela – P; janela – N; espadas – N;</p><p>incandescentes – A.</p><p>214</p><p>B</p><p>E</p><p>B</p><p>C</p><p>C</p><p>B</p><p>E</p><p>D</p><p>C</p><p>D</p><p>A</p><p>D</p><p>C</p><p>E</p><p>E</p><p>D</p><p>C</p><p>B</p><p>E</p><p>D</p><p>A</p><p>C</p><p>D</p><p>C</p><p>A</p><p>C</p><p>D</p><p>B</p><p>C</p><p>C</p><p>D</p><p>C</p><p>B</p><p>E</p><p>D</p><p>D</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>E</p><p>A</p><p>B</p><p>A</p><p>B</p><p>B</p><p>B</p><p>D</p><p>C</p><p>RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>UNIDADE 01 UNIDADE 02</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>UNIDADE 03 UNIDADE 04</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>UNIDADE 05 UNIDADE 06</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>215</p><p>C</p><p>B</p><p>A</p><p>B</p><p>D</p><p>A</p><p>B</p><p>D</p><p>A</p><p>A</p><p>D</p><p>D</p><p>B</p><p>D</p><p>C</p><p>D</p><p>E</p><p>A</p><p>A</p><p>C</p><p>C</p><p>B</p><p>B</p><p>C</p><p>B</p><p>E</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>B</p><p>A</p><p>C</p><p>A</p><p>E</p><p>A</p><p>C</p><p>C</p><p>D</p><p>A</p><p>A</p><p>B</p><p>D</p><p>A</p><p>C</p><p>D</p><p>B</p><p>A</p><p>E</p><p>UNIDADE 07 UNIDADE 08</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>UNIDADE 09 UNIDADE 10</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>UNIDADE 11 UNIDADE 12</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>QUESTÃO 1</p><p>QUESTÃO 2</p><p>QUESTÃO 3</p><p>QUESTÃO 4</p><p>QUESTÃO 5</p><p>QUESTÃO 6</p><p>QUESTÃO 7</p><p>QUESTÃO 8</p><p>216</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola</p><p>Editorial, 2003.</p><p>AULETE, Francisco Júlio de Caldas. Dicionário online Caldas Aulete. Desenvolvido por</p><p>Lexikon Editora Digital ltda. Disponível em: https://bityli.com/fDX07F. Acesso em: 08</p><p>jun. 2021.</p><p>AZEREDO, José Carlos de. Sintaxe Normativa Tradicional. In: OTHERO, Gabriel de Ávila;</p><p>KENEDY, Eduardo. Sintaxe, sintaxes: uma introdução. São Paulo: Contexto, 2015.</p><p>ASSIS, Lúcia Maria; MOLINA, Márcia. Gramática e partes do discurso: Dionísio da</p><p>Trácia, Apolônio Díscolo e Jerônimo Soares Barboza. Anthesis, v. 9, n. 16, p. 19 - 31, (jul.</p><p>– dez.), 2020. Disponível em: https://bityli.com/FhYN9m. Acesso em: 13 set. 2021.</p><p>BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo:</p><p>Parábola Editorial, 2012.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2006.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 36, de 28 de janeiro de 1959. Dispõe sobre a Nomenclatura</p><p>Gramatical Brasileira (NGB). Rio de Janeiro, 1959. Disponível em:</p><p>https://bityli.com/3rFbD4. Acesso em: 13set. 2021.</p><p>CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Nova Gramática do Português Brasileiro. São Paulo:</p><p>Contexto, 2010. Disponível em: https://bityli.com/UdeG3P. Acesso em: 13 jul. 2021.</p><p>CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7.</p><p>ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017. Disponível em: https://bityli.com/OersFT. Acesso em:</p><p>13 jul. 2021.</p><p>CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 43. ed.</p><p>São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2000.</p><p>FIGUEIREDO SILVA; Maria Cristina; BOECHAT, Alessandro Boechat de. Para</p><p>conhecer Morfologia. São Paulo: Contexto, 2020.</p><p>GALIZA, Fabiane Celeste Pereira. A força argumentativa das funções acessórias: o</p><p>adjunto adnominal em foco. In: CONGRESSO NACIONAL DE LINGUÍSTICA E FILOLOGIA,</p><p>2008, Rio de Janeiro: Cadernos do CNLF [...]: Questões Linguísticas e Gramaticais. Rio</p><p>de Janeiro: CIFEFIL, 2009. p. 20-28. Disponível em: https://bityli.com/UpouVU. Acesso</p><p>em: 14 out. 2021.</p><p>KENEDY, Eduardo. Curso Básico de Linguística Gerativa. São Paulo: Contexto, 2019.</p><p>KENEDY, Eduardo. Gerativismo. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo. Manual de</p><p>Linguística. São Paulo: Contexto, 2008.</p><p>https://bityli.com/fDX07F</p><p>https://bityli.com/FhYN9m</p><p>https://bityli.com/3rFbD4</p><p>https://bityli.com/UdeG3P</p><p>https://bityli.com/OersFT</p><p>https://bityli.com/UpouVU</p><p>217</p><p>KENEDY, Eduardo; OTHERO, Gabriel Ávila de. Para conhecer: Sintaxe. São Paulo:</p><p>Contexto, 2018.</p><p>KRISTEVA, Julia. A Grécia Lógica. In: KRISTEVA, Julia. História da linguagem. Lisboa:</p><p>Edições 70, 1969, p. 125 - 139.</p><p>LOPES, Célia Regina dos Santos. Pronomes pessoais. In: BRANDÃO, Silvia Figueiredo;</p><p>VIEIRA, Silvia Rodrigues (Org.). Ensino de gramática: descrição e uso. 1 ed. São Paulo:</p><p>Contexto, 2007, v. 1, p. 103-114. Disponível em: https://bityli.com/dx1blK. Acesso em:</p><p>13 out. 2021.</p><p>MIOTO, Carlos; SILVA, Maria Cristina; LOPES, Ruth. Novo Manual de Sintaxe. São Paulo:</p><p>Contexto, 2018.</p><p>NEGRÃO, Esmeralda; SCHER, Ana Paula; VIOTTI, Evani de Carvalho. Sintaxe:</p><p>explorando a estrutura da sentença. IN: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à</p><p>Linguística. II. Princípios de análise. 4 ed. São Paulo: Contexto, 2017.</p><p>PERINI, Mário Alberto. Classes. In: PERINI, Mário Alberto. Princípios de Linguística</p><p>Descritiva: introdução ao pensamento gramatical. São Paulo: Parábola, 2006, cap.</p><p>15.</p><p>PERINI, Mário Alberto. Gramática descritiva do português brasileiro. Petrópolis, RJ:</p><p>Vozes, 2016.</p><p>Questões de concurso. In: APROVA CONCURSOS. Curitiba, [2021?], Disponível em:</p><p>https://bityli.com/ZyZoQp. Acesso em: 15 set. 2021.</p><p>ROCHA LIMA, Carlos Henrique. Gramática normativa da língua portuguesa. 49. ed. Rio</p><p>de. Janeiro: José Olympio, 2011. Disponível em: https://bityli.com/ftjz4c. Acesso em:</p><p>13 jul. 2021.</p><p>ROSSIGNOLI, Walter Afonso. Aspectos da sintaxe portuguesa: uma leitura crítica da</p><p>gramática tradicional. PluriTAS, Barbacena, v. 1, n.1, p. 1-17, 2015. Disponível em:</p><p>https://bityli.com/zUctOt. Acesso em: 15 set. 2021.</p><p>AZEREDO, J. C. de. Iniciação à sintaxe do Português. 8ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar</p><p>Ed., 2000.</p><p>AZEREDO, J. C. “A palavra e suas classes”. In.: Idioma, 21. Rio de Janeiro: Centro</p><p>Filológico Clóvis Monteiro – UERJ, 2001, pp. 6-13.</p><p>BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa, 37ª ed., rev., ampl. e atual. conforme o</p><p>novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.</p><p>CÂMARA JR. J. M. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 1976.</p><p>https://bityli.com/dx1blK</p><p>https://bityli.com/ZyZoQp</p><p>https://bityli.com/ftjz4c</p><p>https://bityli.com/zUctOt</p><p>218</p><p>CASTILHO, A. T. Nova Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010.</p><p>CASSEB-GALVÃO, V; NEVES, M. H. de M. O todo da língua. São Paulo: Parábola</p><p>Editorial, 2017.</p><p>CHOMSKY, N. Estruturas sintáticas [1957]. 1ª ed. Tradução e comentários de Gabriel de</p><p>Ávila Othero; Sergio de Moura Menuzzi. Petrópolis: Vozes, 2018.</p><p>COSTA, M. M. da; BARIN, N. T. a R. “Sintaxe gerativa: reflexões para a prática</p><p>pedagógica da língua portuguesa”. In.: Disciplinarum Scientia. Série: Artes, Letras e</p><p>Comunicação, Santa Maria, v. 4, n. 1, p. 125-153, 2003. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3SahlFF. Acesso em: 12 jul. 2022.</p><p>CUNHA, C. F. da; CINTRA, L. F. L. Nova Gramática do Português contemporâneo. 7ª</p><p>ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2021.</p><p>FERRAREZI JUNIOR, C. O estudo dos verbos na educação básica. São Paulo: Contexto,</p><p>2014.</p><p>GUIMARÃES, M. Os fundamentos da teoria linguística de Chomsky. Petrópolis: Vozes,</p><p>2017.</p><p>ILARI, R. Introdução à semântica – brincando com a gramática. 8ª ed. São Paulo:</p><p>Contexto, 2011.</p><p>KATO, M. A.; NASCIMENTO, M. do. Gramática do português culto falado no Brasil. Vol.</p><p>2: A construção da sentença. São Paulo: Contexto, 2015.</p><p>KENEDY, E. “Rudimentos para uma nova sintaxe na NGB. Revista E-scrita. Revista do</p><p>Curso de Letras da Uniabeu, v. 1, n. 1, 2010.</p><p>KENEDY, E; OTHERO, G. de Á. Para conhecer: Sintaxe. São Paulo: Contexto, 2018.</p><p>KLEIN, C. Minigramática da língua portuguesa ilustrada. 2ª ed. rev. São Paulo: Rideel,</p><p>2018.</p><p>MIOTO, C. et. al. Novo manual de Sintaxe. 3ª ed. Florianópolis: Insular, 2007.</p><p>NEGRÃO, E, et al. Sintaxe: explorando a estrutura da sentença. In: FIORIN, L. (org.)</p><p>Introdução à Lingüística. II. Princípios de Análise. Ed Contexto: São Paulo, 2003, pp.</p><p>111-136.</p><p>PARREIRA, M. S. “A importância do pensamento de Saussure e da teoria de Chomsky</p><p>para a Linguística Moderna”. In: Domínios de Lingu@gem, vol. 11, n. 3: Uberlândia,</p><p>jul./set. 2017, p. 1025-1027.</p><p>PETTER, M. “Linguagem, língua, linguística”. In: FIORIN, José Luiz. (Org.). Introdução à</p><p>linguística: I Objetos teóricos. 5ª ed. 1ª reimp. São Paulo: Contexto, 2007, pp. 11-24).</p><p>PIACENTINI, M. T. de Q. Manual da boa escrita: vírgula, crase, palavras compostas. 2ª</p><p>ed. Rio de Janeiro: Lexikon Editora Digital Ltda., 2017.</p><p>https://bit.ly/3SahlFF</p><p>mailto:Lingu@gem</p><p>219</p><p>SAUSSURE, F. de. “O objeto da linguística”. In: . Curso de linguística geral. 20ª ed.</p><p>São Paulo: Cultrix, 1995.</p><p>SERRONE, L. C. Critérios de auxiliaridade em português. Dissertação de mestrado em</p><p>Linguística da Língua Portuguesa. (102p.) Universidade Federal do Paraná: Curitiba,</p><p>1992. Disponível</p><p>a sintaxe, define</p><p>a palavra como a menor parte da frase.</p><p>As 8 categorias gramaticais estabelecidas por Dionísio são:</p><p>Nome (ónoma) – uma parte da frase casual, que designa um corpo ou uma</p><p>ação;</p><p>Verbo (rhema) – uma palavra desprovida de casos, que admite tempo,</p><p>pessoa e voz (ativa ou passiva);</p><p>Particípio – palavra que tem a particularidade de funcionar tanto como verbo</p><p>quanto como nome;</p><p>Artigo – parte da frase casual, anteposta ou posposta à flexão do nome;</p><p>Pronome – palavra empregada no lugar do nome para indicar pessoas</p><p>definidas;</p><p>Preposição – palavra que pode aparecer em qualquer parte da frase, de</p><p>maneira a realizar uma composição ou uma construção;</p><p>Advérbio – parte não flexiva da frase que se refere ou aplica ao verbo;</p><p>Conjunção – palavra que liga e ordena o pensamento, revelando sua</p><p>“abertura”.</p><p>Foi Apolônio Díscolo (Séc. II d. C), o primeiro pensador grego a elaborar uma</p><p>teoria sobre a sintaxe, tendo como base a língua grega, em um tratado que ocupa</p><p>quase 500 páginas na obra Grammatatici Graeci (ASSIS; MOLINA, 2020).</p><p>Segundo Bagno (2012),Apolônio entendia a frase como sendo uma autotelēs</p><p>logos, ou seja, uma unidade da língua dotada de significado e gramaticalmente</p><p>construída. A partir desse conceito, surge o dogma da frase autossuficiente, o que</p><p>acabou limitando a análise sintática a frases isoladas. Entretanto, arrancar a frase de</p><p>um texto, para tentar analisá-la isoladamente, é o mesmo que arrancar um tijolo de</p><p>um edifício completo e analisá-lo somente em relação aos seus aspectos materiais</p><p>(como peso, altura, largura, comprimento, composição química etc.), sem levar em</p><p>conta “o papel que ele desempenha nesse edifício, em que posição ele se encontra</p><p>com relação aos demais tijolos, quanto peso ele suporta” (BAGNO, 2012, p. 424).</p><p>Em Roma, o conceito de autotelēs logos será retomado por Prisciano em sua</p><p>obra Institutiones Grammaticae, por meio da noção de oração perfeita, entendida</p><p>como sendo um discurso com sentido pleno e que se basta a si mesmo. A oração</p><p>imperfeita, por sua vez, seria um rótulo dado às palavras que tem necessidade de ser</p><p>completadas para ter um sentido pleno (KRISTEVA, 1969).</p><p>Cabe mencionar que, na atualidade, as gramáticas tradicionais, o ensino de</p><p>português e algumas análises científicas da linguagem ainda se fazem nessa</p><p>perspectiva. Assim sendo, a análise sintática acaba desconsiderando que a frase faz</p><p>parte de um arcabouço maior chamado texto. Ignorando esse fato, a análise</p><p>sintática tradicional ignora que existem textos falados e escritos e que todo texto</p><p>apresenta um “sujeito que fala/escreve e o(s) interlocutor(es) real(is) virtual(is) com</p><p>quem ele interage socialmente” (BAGNO, 2012, p. 423).</p><p>Antes de Prisciano, a sintaxe parece só ter sido mencionada por Varrão (Séc. I</p><p>a. C.), em sua obra De língua latina, como sendo a parte da gramática que se ocupa</p><p>das relações das palavras na frase (KRISTEVA, 1969).</p><p>Por muito tempo, a análise linguística fica restrita à forma, se concentrando</p><p>mais especificamente nos estudos da Morfologia. A Sintaxe só ganha autonomia nos</p><p>estudos linguísticos nos meados do século XX, com ascensão, no meio científico, da</p><p>teoria gerativa de Noam Chomsky (Filadélfia, EUA, 1928).</p><p>A ideia a respeito da natureza mental da linguagem ganhou reconhecimento</p><p>com a Teoria Gerativa, nos anos 1950, quando Noam Chomsky (Filadélfia, EUA, 1928),</p><p>publicou o seu primeiro livro, Estruturas Sintáticas (1957). Segundo Kenedy (2019, p. 17),</p><p>Chomsky defendia que:</p><p>o papel fundamental da Linguística é tornar explícito, isto é, descrever com</p><p>objetividade científica, o conhecimento linguístico dos falantes. Para ele</p><p>[Chomsky], a teoria linguística deve descrever os procedimentos mentais que</p><p>“geram” as estruturas da linguagem, como as palavras, as frases e os</p><p>discursos.</p><p>Kenedy (2019, p. 18) explica que as ideias de Chomsky eram revolucionárias</p><p>para a época e que, a partir disso:</p><p>os linguistas passaram a não apenas descrever a estrutura das línguas, mas</p><p>também a procurar explicações para como a mente humana era capaz de</p><p>adquirir e processar essas estruturas. Com Chomsky, a morada da linguagem</p><p>e das línguas naturais passou a ser a mente dos indivíduos.</p><p>A teoria gerativa ganha destaque no cenário dos estudos linguísticos,</p><p>chegando inclusive a dar primazia aos estudos da sintaxe. Os anos seguintes vão ser</p><p>marcados pela ascensão dos estudos funcionalistas, que vão buscar analisar a língua</p><p>utilizada em seu contexto sociointeracional. Não será foco nessa disciplina o</p><p>aprendizado da sintaxe sob esse escopo teórico.</p><p>1.4 GRAMÁTICA INTERNALIZADA, GRAMÁTICA DESCRITIVA E GRAMÁTICA</p><p>TRADICIONAL</p><p>Segundo o Dicionário Aulete Digital, o termo gramática pode ser entendido</p><p>como “conjunto de regras”. Ao contrário do que geralmente se pensa, não existe</p><p>apenas um tipo de gramática e nem todas têm como foco a prescrição dos usos da</p><p>língua, oferecendo, ao consulente, o “certo” e “errado” tendo em vista a Norma</p><p>Padrão. Na Linguística, assumimos, de maneira geral, que existem três tipos de</p><p>gramática: a gramática tradicional (ou gramática normativa), a gramática</p><p>internalizada e a gramática descritiva. Definiremos cada uma delas com base em</p><p>Mioto et. al (2018).</p><p>A gramática tradicional (ou gramática normativa) é aquela mais</p><p>amplamente conhecida e que ouvimos falar na educação básica. De modo geral,</p><p>ela tem como objetivo prescrever o que é “certo” e “errado” na língua. Entretanto,</p><p>devemos entender que, nela, “apenas uma variedade da língua está em jogo: a</p><p>norma culta ou padrão” (MIOTO et al., 2018, p. 13). Uma vez que a GT costuma trazer</p><p>citações de textos literários e eruditos para exemplificar os seus termos e definições,</p><p>ela acaba postulando que a linguagem desses escritores serve como modelo de</p><p>“correção” e de “beleza” para todos os falantes da língua (MIOTO et al., 2018),</p><p>desconsiderando todas as outras variedades da língua.</p><p>No mercado editorial, as algumas gramáticas tradicionais mais bem-</p><p>conceituadas são aquelas produzidas filólogos e linguistas, tais como: a Gramática</p><p>Normativa da Língua Portuguesa, do Carlos Henrique da Rocha Lima; a Nova</p><p>Gramática do Português Contemporâneo, do Celso Ferreira da Cunha e Luís Filipe</p><p>Lindley Cintra; a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, do Domingos Paschoal</p><p>Cegalla e a Moderna Gramática Portuguesa, do Evanildo Bechara. Algumas dessas</p><p>gramáticas, inclusive, estão disponíveis na biblioteca digital da sua faculdade.</p><p>A principal crítica levantada acerca do ensino de português é que ele muitas</p><p>vezes se coloca como um ensino meramente classificatório de gramática. Segundo</p><p>Antunes (2003, p. 88):</p><p>a competência que se procura desenvolver é sempre a de identificar, a de</p><p>reconhecer qualquer coisa. Daí os exercícios em que se pede para grifar,</p><p>para circular palavras ou orações, sem nenhuma preocupação com saber</p><p>para que servem estas coisas, para que foram usadas ou que efeitos</p><p>provocam em textos orais e escritos. Adianta pouco saber que o “sujeito” de</p><p>determinada frase é indeterminado, por exemplo. O que adianta mesmo é</p><p>saber que efeitos práticos se consegue com o uso de um determinado tipo</p><p>de “sujeito”. Por exemplo, o que está por trás da afirmação: “O Banco</p><p>mentiu”? O “sujeito” da oração é evidentemente “O Banco”. Adianta muito</p><p>saber apenas isso? Adiantaria saber também porque se escolheu ocultar o</p><p>nome de quem mentiu e mascarar a verdade com o subterfúgio da metonímia</p><p>ou de um sujeito indeterminado. (O mesmo se pode dizer para declarações</p><p>como “O dólar recuou”, “O mercado resistiu” e outras equivalentes). A escola</p><p>perde muito tempo com questões de mera nomenclatura e de classificação,</p><p>enquanto o estudo das regras dos usos da língua em textos fica sem vez,</p><p>fica sem tempo (ANTUNES, 2003, p. 88, grifos da autora).</p><p>em: https://bit.ly/3PYRte1. Acesso em 12 jun. 2022.</p><p>SOUSA, F. E. M. de. “Teorias linguísticas e suas concepções de gramática: alcances e</p><p>limites”. In: Linguagem em foco - revista do Programa de Pós-Graduação em</p><p>Linguística Aplicada da UECE, v. 6, n. 1, ano 2014, pp. 37-47.</p><p>https://bit.ly/3PYRte1</p><p>Dessa forma, o ensino de sintaxe na sala de aula parece ter muito mais como</p><p>objetivo que o aluno saiba, por exemplo, o nome dos termos da oração (tais como</p><p>sujeito, predicado, objeto direto, objeto indireto) do que construir uma frase, e que</p><p>ele saiba dizer o nome completo de uma oração subordinada (ex.: Oração</p><p>Subordinada Substantiva Reduzida de Infinitivo, Oração Subordinada Adverbial</p><p>Causal) do que articular orações e dar coesão e um sentido a um texto.</p><p>Como explicado acima, todo falante nasce com uma predisposição para a</p><p>linguagem, permitindo que ele produza e compreenda sequências na língua que são</p><p>gramaticais. Essa predisposição é o que chamamos de gramática internalizada. A</p><p>partir de Mioto et. al (2018), podemos entender a GI como o conjunto de regras que</p><p>rege a distribuição das formas da língua e que o falante tem internalizado em sua</p><p>mente / cérebro.</p><p>Ao contrário da gramática tradicional, a GI não é um livro ou um documento</p><p>disponível para a consulta. Ela é, sim, o próprio conhecimento linguístico do falante</p><p>e, por isso, ela é o objeto de estudo da Sintaxe, principalmente a partir do escopo</p><p>teórico do Gerativismo, que compreende a língua como um fenômeno da mente.</p><p>A gramática descritiva, por sua vez, busca apenas descrever os fenômenos da</p><p>língua, sem estabelecer julgamentos de certo e errado. Retomando os exemplos</p><p>dados em (7), sobre o fenômeno da variação de concordância nominal de número</p><p>no português brasileiro, cabe à gramática descritiva informar que as frases de (b) a</p><p>(e) existem na língua (ou seja, são gramaticais) e procurar explicar porque a</p><p>desinência de plural [-s] não aparece marcada em todos os elementos do sujeito</p><p>em Os alunos inteligente e Os aluno inteligente, mas sempre aparece marcada no</p><p>determinante o, sendo também agramatical uma sequência como o alunos</p><p>inteligentes fizeram bem a prova.</p><p>É necessário ficar claro que todas as variedades do português brasileiro</p><p>possuem gramática (=‘conjunto de regras’), bem como todos os falantes da língua,</p><p>inclusive os menos escolarizados ou os que pertencem a uma classe socioeconômica</p><p>mais baixa, porque, tirando pessoas com distúrbios neurológicos graves (MIOTO et. al,</p><p>2018), todos os falantes de uma língua natural, como o português brasileiro, estão</p><p>sempre produzindo sequências de unidades da língua que são gramaticais.</p><p>Podemos dizer que a gramática descritiva descreve a gramática</p><p>internalizada do(s) falante(s) de uma língua natural. É possível encontrar algumas</p><p>gramáticas descritivas no mercado como a Nova Gramática do Português Brasileiro,</p><p>do Prof.º Ataliba Teixeira de Castilho, a Gramática de usos do português, da Prof.ª</p><p>Maria Helena de Moura Neves, a Gramática Descritiva do Português, do Prof.º Mário</p><p>Alberto Perini e a Gramática do Português Culto Falado no Brasil, uma coleção em</p><p>7 volumes que reúne vários pesquisadores da Linguística no Brasil. Incluímos também</p><p>nessa lista as pesquisas linguísticas (monografias, teses de doutorado e dissertações</p><p>de mestrado) uma vez que elas também visam à descrição dos fenômenos da língua.</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. Sobre a Gramática Descritiva, podemos afirmar que:</p><p>a) ela é amplamente conhecida e, por isso, é utilizada nas aulas de português da</p><p>educação básica.</p><p>b) ela é resultado das pesquisas linguísticas e se trata de um livro/documento</p><p>disponível para consulta.</p><p>c) ela se ocupa da descrição da gramática internalizada dos escritores da literatura</p><p>da língua portuguesa.</p><p>d) ela se ocupa da descrição do que é "certo" e "errado" na língua, baseando</p><p>somente na linguagem de escritores literários e eruditos.</p><p>e) ela se ocupa da descrição da competência linguística dos falantes,</p><p>estabelecendo julgamentos de "certo" e "errado" em relação à norma.</p><p>2. Ao longo da história dos estudos linguísticos, podemos dizer que a sintaxe:</p><p>a) era uma parte da gramática dedicada ao estudo do processo de formação e</p><p>classificação das palavras da língua.</p><p>b) nunca fez parte do interesse dos estudos linguísticos, sendo apenas uma seção da</p><p>gramática tradicional.</p><p>c) nunca foi mencionada na obra Grammatatici Graeci de Apolônio Díscolo ou na</p><p>obra do gramático romano Prisciano.</p><p>d) só é mencionada na primeira Gramática Tradicional do Ocidente, a Techné</p><p>Grammatiké, de Dionísio de Trácia.</p><p>e) só ganhou autonomia, nos estudos linguísticos, com a Teoria Gerativa de Noam</p><p>Chomsky, por volta dos anos 1950.</p><p>3. Segundo a Teoria Gerativa, é correto afirmar que:</p><p>a) a língua é um conhecimento inato somente dos escritores literários.</p><p>b) a língua ou gramática é um conhecimento inato do falante.</p><p>c) falantes incultos não nascem com uma predisposição para a linguagem.</p><p>d) falantes incultos são os únicos capazes de produzir sequências agramaticais.</p><p>e) somente os escritores literários é que possuem uma gramática internalizada.</p><p>4. A Teoria Gerativa, basicamente, procura defender:</p><p>a) a linguagem como sendo geneticamente determinada, por isso, pessoas com</p><p>distúrbio neurológico grave é que não conseguem fazer usos de acordo com a</p><p>Norma Padrão da Língua.</p><p>b) a natureza mental da linguagem, ou seja, que todo falante nasce com uma</p><p>predisposição para a linguagem.</p><p>c) a natureza mental da linguagem, ou seja, que todo falante, exceto aqueles com</p><p>algum distúrbio neurológico grave, nasce com uma predisposição para a</p><p>linguagem.</p><p>d) o papel fundamental da Linguística como ciência que busca tornar explícito o</p><p>conhecimento da Norma Padrão da língua.</p><p>e) o papel fundamental da Linguística de combater os distúrbios neurológicos graves</p><p>que impedem as pessoas de fazerem usos que não correspondem à Norma</p><p>Padrão da língua.</p><p>5. Segundo Irandé Antunes, qual deve ser o objetivo da aula de português?</p><p>a) O desenvolvimento da competência classificatória dos termos da língua.</p><p>b) O desenvolvimento da competência identificatória dos termos da oração e das</p><p>orações do período composto.</p><p>c) Que o aluno entenda os efeitos práticos do uso de determinada estrutura</p><p>gramatical em um determinado texto.</p><p>d) Que o aluno entenda os efeitos práticos do uso de determinada estrutura</p><p>gramatical em frases isoladas da língua.</p><p>e) Que o aluno saiba a origem grega e latina dos termos utilizados pela gramática</p><p>tradicional.</p><p>6. Sobre o conceito de gramaticalidade, é correto afirmar que:</p><p>a) frases gramaticais são aquelas construídas dentro da Norma Padrão da língua</p><p>portuguesa.</p><p>b) frases que não estão de acordo com a Norma Padrão não deixam de ser frases</p><p>gramaticais.</p><p>c) frases que não refletem os usos da Norma Padrão não podem ser consideradas</p><p>gramaticais.</p><p>d) podemos inferir qual é o domínio da Norma Padrão dos falantes a partir das</p><p>estruturas linguísticas utilizadas por eles em textos orais ou escritos.</p><p>e) podemos inferir qual é o grau de escolaridade dos falantes a partir das estruturas</p><p>linguísticas utilizadas por eles em textos orais ou escritos.</p><p>7. A partir dos conceitos de frase, oração e período, podemos afirmar que:</p><p>a) frases não podem ser formadas por verbos.</p><p>b) frases precisam ser formadas por verbos.</p><p>c) períodos compostos contém apenas um verbo.</p><p>d) períodos não são formados por verbos.</p><p>e) todo período e toda oração são frases.</p><p>8. (ENADE, 2017) A noção de nível para Émile Benveniste revela-se fundamental para</p><p>os procedimentos de análise linguística, pois, segundo o autor, só o nível pode dar</p><p>conta "da natureza articulada da linguagem".</p><p>Tendo por base a noção de níveis de análise linguística e considerando a arquitetura</p><p>sintática que compõe o enunciado "Os alunos assistiram ao acidente na calçada",</p><p>avalie as afirmações a seguir:</p><p>I. A ambiguidade presente na estrutura sintática do enunciado deve-se ao fato de ser</p><p>possível interpretar o enunciado de duas formas: 1. o acidente ocorreu na calçada</p><p>e os alunos assistiram a ele de outro local; e 2. os alunos estavam na calçada e</p><p>assistiram ao acidente que ocorria em outro lugar.</p><p>II. Tratando-se da linguagem coloquial, ao se suprimir a preposição que rege o</p><p>complemento do verbo "assistir" (originalmente, com a acepção de 'presenciar',</p><p>'ver') muda-se o nível sintático do enunciado, mas não se altera a semântica</p><p>projetada pela língua.</p><p>III. Assim como em "João pediu a José para sair", ocorre, no enunciado em questão,</p><p>ambuidade no nível lexical, já que a significação emerge das possibilidades</p><p>interpretativas que os elementos léxicos implicam.</p><p>IV. Conforme a tradição gramatical, a regência do verbo "assistir" (acepção de</p><p>presenciar, ver) é a mesma do verbo "aspirar" (acepção de desejar); ambos</p><p>admitem, também, o emprego transitivo direto, havendo alteração no nível</p><p>sintático em função da semântica projetada pela língua.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>a) I e III.</p><p>b) II e III.</p><p>c) II e IV.</p><p>d) I, II e IV.</p><p>e) I, III e IV.</p><p>CLASSE E FUNÇÃO GRAMATICAL</p><p>Toda a terminologia utilizada pela Gramática Tradicional é regida pela</p><p>Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), aprovada em 28 de janeiro de 1959 pelo</p><p>então Ministro do Estado da Educação e Cultura Clóvis Salgado da Gama (1906 -</p><p>1978).</p><p>O objetivo da NGB era uniformizar e simplificar a terminologia utilizada pelos</p><p>gramáticos no Brasil. Fizeram parte da comissão filólogos e linguistas, tais como:</p><p>Antenor Nascentes, Clóvis do Rêgo Monteiro, Cândido Jucá Filho, Carlos Henrique da</p><p>Rocha Lima, Celso Ferreira da Cunha, Antônio José Chediak, Serafim Silva Neto e Sílvio</p><p>Edmundo Elia. Sua adoção nos estabelecimentos de ensino se deu já a partir do ano</p><p>de 1959.</p><p>A divisão da Gramática que ficou oficialmente estabelecida pela NGB inclui</p><p>três partes: a fonética, a morfologia e a sintaxe. Outros aspectos; como as figuras de</p><p>linguagem, a ortografia, a pontuação e a significação (antonímia, homonímia e</p><p>sentido figurado); foram incluídos em uma seção à parte, denominada apêndice.</p><p>À fonética coube o estudo dos fonemas (o que inclui a classificação das vogais</p><p>e das consoantes), dos ditongos, da sílaba e da tonicidade.</p><p>À morfologia, o estudo da estrutura das palavras (o que inclui termos como raiz,</p><p>radical, tema, afixo, desinência etc.), da formação das palavras (se por um processo</p><p>de derivação, composição ou hibridismo), da flexão (em gênero, número, pessoa,</p><p>tempo, modo etc.) e da classificação das palavras (substantivos, adjetivos, pronomes</p><p>etc.).</p><p>À sintaxe coube, por sua vez, o estudo da concordância (nominal e verbal), da</p><p>regência (nominal e verbal) e da colocação (que consiste, mais especificamente, na</p><p>análise da disposição dos pronomes oblíquos átonos nas posições de próclise,</p><p>mesóclise e ênclise).</p><p>Através da NGB, a análise sintática é uma subparte da sintaxe que se subdivide</p><p>em análise sintática da oração e do período. No estudo da oração, encontram-se os</p><p>termos essenciais, os termos integrantes e os termos acessórios da oração (que serão</p><p>o foco deste nosso curso). No estudo do período, encontra-se a análise do período</p><p>simples (formado apenas por uma oração, denominada oração absoluta) e do</p><p>período composto (formado por orações que coordenadas ou subordinadas).</p><p>Considerando a data em que foi promulgada a NGB, podemos constatar que,</p><p>embora a Linguística e a Filologia tenham experimentando alguns avanços ao longo</p><p>desse período, a terminologia e os conteúdos prescritos pela NGB não passaram por</p><p>nenhum processo de revisão, o que nos permite tecer algumas críticas.</p><p>Para Mioto et al.(2018, p. 14), as definições da Gramática Tradicional são</p><p>normalmente inadequadas porque não se aplicam a todos os contextos.Tomando</p><p>como exemplo a definição do advérbio, veremos que, em algumas gramáticas,</p><p>como Cunha e Cintra (2017) e Rocha Lima (2011), este é definido como palavra que</p><p>modifica o verbo (expressando uma circunstância), o adjetivo ou a si próprio</p><p>(expressando uma intensidade). Porém, ao analisarmos a função da palavra</p><p>provavelmente em algumas posições diferentes da frase O João doou os jornais para</p><p>a biblioteca, observamos que, em (b) e (c), ela parece não se comportar como</p><p>advérbio, porque modifica o grupo nominal o João e os jornais. Por outro lado,</p><p>podemos inferir também que a definição de advérbio dada pela GT necessita de uma</p><p>revisão:</p><p>(8) a. [Provavelmente o João] doou os jornais para a biblioteca (e não a</p><p>Maria).</p><p>b. O João [provavelmente doou] os jornais para a biblioteca (e não os</p><p>vendeu).</p><p>c. O João doou [provavelmenteos jornais] para a biblioteca (e não as revistas).</p><p>O uso dos colchetes em (8) é para deixar claro a qual elemento da frase o</p><p>advérbio tem escopo: a o João em (a), a doou em (9b) e a os jornais em (9c). Cabe</p><p>esclarecer que essa análise do escopo do advérbio provavelmente depende</p><p>também da entonação que se dá as frases.</p><p>A partir desses exemplos, Mioto et. al concluem que, ao contrário do que</p><p>geralmente se pensa, a Gramática Tradicional “não se constitui em um corpo coeso</p><p>de conhecimentos; e ampliando a crítica: o conjunto de observações que a GT faz</p><p>não dá conta da riqueza da língua, nem mesmo do registro que ela se propõe a</p><p>descrever” (MIOTO et. al, 2018, p. 14).</p><p>Complementando a crítica desse autor, dois fatores justificam o fato de a NGB</p><p>não abarcar todas as dimensões da língua: ela não inclui a semântica e não</p><p>apresenta, explicitamente, nenhuma teoria sobre o texto. Cabe lembrar que a BNCC</p><p>(Base Nacional Comum Curricular) considera o texto como o centro das práticas de</p><p>ensino-aprendizagem de português, por ser ele o “centro das práticas de linguagem”</p><p>(BNCC, 2006, p. 63).</p><p>Dessa forma, se a NGB se propõe a ser um instrumento que deveria ser</p><p>adotado nos estabelecimentos de ensino, ela não corresponde nem à realidade das</p><p>pesquisas linguísticas atuais e nem às orientações dos documentos parametrizadores</p><p>do ensino de português.</p><p>Ao analisarmos a BNCC, observamos que a sintaxe está incluída, sobretudo, no</p><p>eixo Conhecimentos Linguísticos e Gramaticais, que compreende as práticas de</p><p>análise linguística e gramatical. O documento enfatiza que estas análises devem estar</p><p>estreitamente relacionadas com o desenvolvimento produtivo das práticas de</p><p>oralidade, leitura e escrita.</p><p>Utilizando a sintaxe, o professor pode trabalhar com a habilidade de leitura a</p><p>partir da análise, por exemplo, da função anafórica do pronome de 3ª pessoa, ou</p><p>seja, de retomada de um elemento prévio, já mencionado, no texto. Leia o trecho a</p><p>seguir, de uma reportagem do portal UOL sobre o aumento das ocupações informais</p><p>no Brasil desde 1985, e observe a função anafórica do pronome elas:</p><p>de acordo com imagens de satélite, houve também um crescimento nas</p><p>ocupações em áreas com declive, ou seja, mais sujeitas a deslizamentos.</p><p>Elas estão predominantemente localizadas em Minas Gerais, Rio de Janeiro,</p><p>Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo.1 (CARLOS MADEIRO, 2021,</p><p>online)</p><p>O professor pode, a partir desse trecho, pedir ao aluno para analisar a função</p><p>do pronome elas, que, nesse contexto, retoma o termo áreas com declive,</p><p>pertencente ao período anterior. Dessa forma, ele estará trabalhando com a</p><p>competência EF06LP22, da BNCC, que visa “reconhecer/utilizar recursos de coesão</p><p>referencial: nomes e pronomes” (BRASIL, p. 346). Tal competência é proposta para os</p><p>alunos do 7º ano do ensino fundamental.</p><p>Na próxima seção, faremos uma breve revisão sobre as dez classes de palavras</p><p>apresentadas pela Nomenclatura Gramatical Brasileira.</p><p>2.1 AS DEZ CLASSES DE PALAVRAS</p><p>Segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, as palavras da língua (ou</p><p>partes do discurso) dividem-se em dez classes:</p><p>Substantivo</p><p>Artigo</p><p>Adjetivo</p><p>Numeral</p><p>Pronome</p><p>Verbo</p><p>Advérbio</p><p>Preposição</p><p>Conjunção</p><p>Interjeição</p><p>Essas classes podem ser agrupadas ainda em palavras variáveis (de 1 a 6) e</p><p>palavras invariáveis (de 7 a 10) e por outras subclassificações que não serão o foco</p><p>dessa nossa discussão, como, por exemplo, o fato dos substantivos serem agrupados</p><p>em: substantivos comuns e próprios, concretos e abstratos, primitivos e derivados,</p><p>simples e compostos.</p><p>As palavras variáveis são aquelas que recebem, na frase, algum tipo de flexão</p><p>em gênero e número (no caso dos artigos, numerais, pronomes, substantivos e</p><p>adjetivos) e pessoa, número, tempo e modo (no caso dos verbos). As palavras</p><p>invariáveis não aceitam nenhum tipo de flexão.</p><p>No quadro 1, a seguir, apresentamos uma lista simplificada das definições das</p><p>classes de palavras, tomando como base a Novíssima Gramática da Língua</p><p>Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla:</p><p>Quadro 1: Classes De Palavras De Acordo Com A Gramática Tradicional</p><p>Classe: Definição: Exemplo:</p><p>1. Substantivo</p><p>São palavras que designam os seres.</p><p>criança, menino,</p><p>homem, livro, flor,</p><p>praia, alegria etc.</p><p>2. Artigo</p><p>É uma palavra que antepomos aos substantivos</p><p>para dar aos seres um sentido determinado ou</p><p>indeterminado. Indica, ao mesmo tempo, o</p><p>gênero e o número dos substantivos.</p><p>o, a, os, as, um, uma,</p><p>uns, umas.</p><p>3. Adjetivo</p><p>São palavras que expressam as qualidades ou</p><p>características dos seres.</p><p>bom, forte, feliz,</p><p>brasileiro, famoso</p><p>etc.</p><p>4. Numeral</p><p>É uma palavra que exprime número, ordem</p><p>numérica, múltiplo ou fração.</p><p>um, dois, três etc.</p><p>primeiro, segundo,</p><p>terceiro etc.</p><p>dobro, triplo,</p><p>quádruplo etc.</p><p>5. Pronome</p><p>São palavras que substituem os substantivos ou</p><p>os determinam, indicando a pessoa do discurso</p><p>(ser que participa ou é objeto do ato da</p><p>comunicação).</p><p>eu, tu, ele, nós, vós,</p><p>eles</p><p>meu, seu, nosso etc.</p><p>este, isto, aquilo etc.</p><p>6. Verbo</p><p>É uma palavra que exprime ação, estado, fato</p><p>ou fenômeno.</p><p>pensar, ganhar, sair,</p><p>ficar etc.</p><p>7. Advérbio</p><p>É uma palavra que modifica o sentido do verbo,</p><p>do adjetivo e do próprio advérbio.</p><p>bem, muito, mal,</p><p>ontem etc.</p><p>8. Preposição</p><p>É uma palavra invariável que liga um termo</p><p>dependente a um termo principal,</p><p>estabelecendo uma relação entre ambos.</p><p>de, para, a, por,</p><p>com, contra etc.</p><p>9. Conjunção</p><p>É uma palavra invariável que liga orações ou</p><p>palavras da mesma oração.</p><p>e, nem, mas</p><p>também, mas,</p><p>porém, todavia,</p><p>contudo etc.</p><p>10. Interjeição</p><p>É uma palavra ou locução que exprime um</p><p>estado emotivo:</p><p>Caramba!, Puxa</p><p>vida!, ai!, ui!, ah!, oh!,</p><p>ai de mim!, meu</p><p>Deus! etc.</p><p>Fonte:Adaptado de Cegalla (2000).</p><p>Figueiredo Silva e Medeiros (2020) lembram que nem sempre essas foram as classes</p><p>postuladas pela gramática tradicional. Como vimos no capítulo anterior, os particípios verbais</p><p>já constituíram uma classe distinta dos verbos.</p><p>Os autores tecem algumas críticas com relação a essa divisão,proposta pela NGB, das</p><p>classes de palavras.Além do caso do advérbio provavelmente, já discutido anteriormente, eles</p><p>apontam que a definição do substantivo como “palavras que designam os seres” não explica</p><p>o fato de classificarmos palavras como viagem, ideal, beleza e nostalgia dentro dessa classe.</p><p>O mesmo pode ser dito a respeito das palavras livro, praia e alegria dadas como exemplo pelo</p><p>próprio Cegalla. Afinal de contas, o que devemos entender como ser? Além disso, a definição</p><p>do verbo como “palavra que exprime ação” não explica o fato de classificarmos viagem como</p><p>substantivo, já que esta palavra designa uma ação no mundo.</p><p>Os autores também discutem a respeito da classe das interjeições. Geralmente,</p><p>palavras de outras classes; como substantivos, verbos e advérbios; são utilizadas como</p><p>interjeições, por exemplo: Atenção!,Corra!, Devagar!. Nesse caso, podemos levantar</p><p>o seguinte questionamento: é realmente necessário estabelecer as interjeições como</p><p>uma classe distinta? Cabe lembrar que elas só foram criadas pelos gramáticos latinos</p><p>para que o número de classes de palavras da gramática latina fosse o mesmo da</p><p>gramática grega (FIGUEIREDO SILVA; MEDEIROS, 2020).</p><p>Em muitos casos, a diferença entre os substantivos e adjetivos parece ser melhor</p><p>estabelecida pelo contexto em que a palavra aparece na frase. Tomando como</p><p>exemplo a palavra militar em (8), observamos que em (a) ela é classificada como</p><p>substantivo; não só por designar um ser no mundo, mas sim, por estar ao lado de um</p><p>determinante, nesse caso o artigo o; já em (b), ela é classificada como adjetivo por</p><p>estar modificando o substantivo carreira.</p><p>a. O militar prendeu o ladrão.</p><p>b. João assumiu a carreira militar.</p><p>Observe também que a palavra militar não só modifica, mas especifica a</p><p>referência do substantivo carreira. De modo contrário, teríamos uma frase vaga como</p><p>João assumiu a carreira, não evidenciando ‘que tipo de carreira o João assumiu’.</p><p>Ainda com relação aos adjetivos, podemos questionar se palavras como feio,</p><p>levado e burro expressam uma qualidade do ser.</p><p>Entendendo que, na frase, as palavras assumem funções umas em relação as</p><p>outras. Na próxima seção, faremos uma revisão geral da proposta de classificação</p><p>das funções sintáticas apresentada pela Nomenclatura Gramatical Brasileira.</p><p>2.2 AS FUNÇÕES SINTÁTICAS</p><p>De modo geral, podemos classificar as funções sintáticas propostas pela</p><p>Nomenclatura Gramatical Brasileira em dez grupos:</p><p>Sujeito,</p><p>Predicado,</p><p>Predicativo,</p><p>Complemento nominal,</p><p>Complemento verbal,</p><p>Agente da passiva,</p><p>Adjunto adnominal,</p><p>Adjunto adverbial,</p><p>Aposto,</p><p>Vocativo.</p><p>35</p><p>Destacamos que essa lista resume a proposta da NGB e não menciona outras</p><p>subclassificações, como os tipos de sujeito, os tipos de predicado, noções que</p><p>estudaremos nas próximas unidades deste livro.</p><p>A NGB também classifica as funções sintática em grupos mais gerais</p><p>denominados termos essenciais da oração, que incluem o sujeito, o predicado e o</p><p>predicativo;termos integrantes da oração, que incluem o complemento nominal, o</p><p>complemento verbal e o agente da passiva e termos acessórios da oração, que</p><p>incluem o adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o aposto. Apenas o vocativo não</p><p>se inclui em nenhum desses grupos mais gerais.</p><p>No quadro 2, a seguir, apresentamos uma lista simplificada das definições das</p><p>dez funções sintáticas elencadas anteriormente, tomando como base a Novíssima</p><p>Gramática da Língua Portuguesa, de Domingos Paschoal Cegalla:</p><p>Quadro 2: Funções Sintáticas De Acordo Com A Gramática Tradicional</p><p>Função:</p><p>Definição:</p><p>1. Sujeito</p><p>É o ser do qual se diz alguma coisa. Ex.: “Os sertanistas</p><p>capturavam os índios.”.</p><p>2. Predicado</p><p>É aquilo que se declara do sujeito. Ex.: “Os sertanistas</p><p>capturavam os índios.”.</p><p>3. Predicativo</p><p>É o termo que exprime um atributo, um estado ou modo de</p><p>ser, podendo se referir ao sujeito (predicativo do sujeito, ex.:</p><p>“A mesa era de mármore.”) e ao objeto (predicativo do</p><p>objeto, ex.: “O juiz declarou o réu inocente.”).</p><p>4. Complemento nominal</p><p>É o termo que completa a significação do nome. Ex.: “a</p><p>defesa da pátria”, na qual da pátria completa a significação</p><p>do nome defesa.</p><p>5. Complemento verbal</p><p>É o termo que completa a significação do verbo. Ex.: “As</p><p>plantas purificam o ar.”, na qual o ar completa a significação</p><p>do verbo</p><p>purificar.</p><p>6. Agente da passiva</p><p>É o complemento de um verbo na voz passiva,</p><p>representando, pois, o ser que pratica a ação expressa pelo</p><p>verbo passivo. De modo geral, aparece regido pela</p><p>preposição por. Ex.: “A cidade estava cercada pelo exército</p><p>romano.”.</p><p>36</p><p>7. Adjunto adnominal</p><p>É o termo que caracteriza ou determina os substantivos. Ex.:</p><p>“Meu irmão veste roupas vistosas.”, na qual meu determina</p><p>o substantivo irmão e vistosas determina o substantivo</p><p>roupas.</p><p>8. Adjunto adverbial</p><p>É o termo que expressa uma circunstância (de tempo, lugar,</p><p>modo, etc.) ou, em outras palavras, que modifica o sentido</p><p>de um verbo, adjetivo ou advérbio. Ex.: “Ele fala bem, fala</p><p>corretamente.”</p><p>9. Aposto</p><p>É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,</p><p>desenvolve ou resume outro termo da oração. Ex.: “D. Pedro</p><p>II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio.”</p><p>10. Vocativo</p><p>É o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou</p><p>interpelar a pessoa, o animal ou a coisa personificada a que</p><p>nos dirigimos. Ex.: “A ordem, meus amigos, é a base do</p><p>governo.” (Machado de Assis).</p><p>Fonte: Adaptado de Cegalla (2000).</p><p>Podemos observar que a maioria dessas definições se fazem a partir de critérios</p><p>semânticos, ou seja, são baseadas apenas na relação semântica entre os termos da</p><p>oração. Um bom exemplo é a definição dos termos sujeito (“o ser do qual se diz</p><p>alguma coisa”) e predicado (“aquilo que se declara do sujeito”) que acaba aludindo</p><p>às reflexões filosóficas / metafísicas que os gregos faziam sobre a linguagem.</p><p>Entretanto, dessa forma, a Gramática Tradicional, estaria desconsiderando um critério</p><p>morfossintático que difere o sujeito dos demais termos da oração que é o aspecto da</p><p>concordância verbal. O sujeito é o único termo da oração que estabelece</p><p>concordância com o verbo (ainda que nem todos os seus elementos estejam</p><p>marcados com a desinência de plural [-s]). Esse fenômeno não acontece na relação</p><p>entre o verbo e o seu complemento e na relação entre o verbo e o adjunto adverbial</p><p>(PERINI, 2016).</p><p>É possível também estabelecer algumas críticas com relação à classificação</p><p>mais geral das funções sintáticas. Como veremos mais adiante em nosso curso,</p><p>segundo a própria NGB, o sujeito apresenta outras subclassificações como sujeito</p><p>simples, composto, oculto, indeterminado e oração sem sujeito. Uma vez que a NGB</p><p>estabelece o sujeito como um termo essencial da oração como podemos dizer que</p><p>existe uma oração sem sujeito?</p><p>Ademais, observamos que as gramáticas tradicionais não explicam, com</p><p>37</p><p>muita clareza, o que significa dizer que um termo é essencial ou integrante da oração,</p><p>uma vez que, da mesma forma que existem orações sem sujeito, existem orações sem</p><p>complemento, caso dos verbos intransitivos (ex.:A Maria chegou), e existem orações</p><p>em que o complemento é opcional, caso do agente da passiva (ex.: A cidade estava</p><p>cercada (pelo exército romano)).</p><p>Outra crítica a ser feita à parte de sintaxe da Gramática Tradicional é com</p><p>relação à diferença entre termos integrantes e termos acessórios. A maioria das</p><p>gramáticas define este último como um termo que não é fundamental, por</p><p>acrescentar informações secundárias a um nome ou a um verbo da frase</p><p>(ROSSIGNOLI, 2015). Considerando, isoladamente, a frase João foi ao parque, não</p><p>acreditamos que seja possível afirmar que ao parque seja um termo acessório, pois</p><p>ele acrescenta uma informação que é crucial para o entendimento do interlocutor.</p><p>38</p><p>FIXANDO O CONTEÚDO</p><p>1. Sobre a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira) é correto afirmar que:</p><p>a) ela está de acordo com os atuais documentos parametrizadores do ensino.</p><p>b) ela considera a semântica e a sintaxe como partes da gramática.</p><p>c) ela rege toda a terminologia utilizada pela Gramática Tradicional.</p><p>d) ela se atualiza de modo a tornar mais simples a terminologia gramatical.</p><p>e) ela só foi adotada nos estabelecimentos de ensino no ano de 1959.</p><p>2. Sobre as partes da Gramática estabelecidas pela NGB, é correto afirmar que:</p><p>a) a divisão da Gramática oficialmente estabelecida pela NGB inclui a fonética, a</p><p>morfologia, a sintaxe e a semântica.</p><p>b) a fonética estuda, dentre outros aspectos, a estrutura das palavras (o que inclui a</p><p>classificação das vogais e das consoantes).</p><p>c) a morfologia se propõe a analisar a formação das sílabas das palavras.</p><p>d) a sintaxe se propõe a analisar o processo de formação de orações e períodos.</p><p>e) a sintaxe se propõe à análise dos processos de flexão e a classificação das</p><p>palavras.</p><p>3. Marque a alternativa que contém, segundo a NGB, apenas termos dados às</p><p>funções sintáticas:</p><p>a) adjunto adverbial, adjunto adnominal, aposto, vocativo.</p><p>b) adjunto adverbial, verbo, aposto, agente da passiva.</p><p>c) agente da passiva, predicado, predicativo, interjeição.</p><p>d) substantivo, adjetivo, predicativo, vocativo.</p><p>e) vocativo, interjeição, aposto, adjunto adnominal.</p><p>4. Qual das alternativas apresenta um exemplo de Aposto?</p><p>a) “A ordem, meus amigos, é a base do governo” (Machado de Assis).</p><p>b) “Tem compaixão de nós, ó Cristo!” (Alexandre Herculano).</p><p>39</p><p>c) Cristo, tende piedade de nós!</p><p>d) D. Pedro II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio.</p><p>e) Os índios viviam aqui.</p><p>5. (AOCP – 2019, adaptada) Em qual alternativa a ausência do acento no vocábulo</p><p>provocaria uma mudança de classe?</p><p>a) Córrego.</p><p>b) Nós.</p><p>c) Sábia.</p><p>d) Têm.</p><p>e) Vêm.</p><p>6. (IADES – 2018, Adaptada) Assinale a alternativa que classifica, respectivamente, os</p><p>vocábulos sublinhados em “Alguns hábitos têm o poder de iniciar uma reação em</p><p>cadeia, mudando outros hábitos conforme eles avançam por meio de uma</p><p>organização”:</p><p>a) Pronome; verbo; preposição; preposição.</p><p>b) Substantivo; adjetivo; conjunção; conjunção.</p><p>c) Adjetivo; verbo; preposição; pronome.</p><p>d) Conjunção; substantivo; conjunção; adjetivo.</p><p>e) Pronome; substantivo; preposição; conjunção.</p><p>7. (IBADE – 2019, Adaptada) O termo sublinhado em “Os autores do estudo acreditam</p><p>que em breve ele poderá ser levado para dentro das escolas” exerce função</p><p>sintática de</p><p>a) objeto direto.</p><p>b) objeto indireto.</p><p>c) predicativo.</p><p>d) adjunto adnominal.</p><p>e) adjunto adverbial.</p><p>40</p><p>8. Sobre as classes de palavras, é correto afirmar que:</p><p>a) a partir de Mioto et al. (2018), podemos dizer que o advérbio é a palavra que</p><p>modifica o verbo ou adjetivo.</p><p>b) as definições da Gramática Tradicional, incluindo das classes de palavras,</p><p>constituem um corpo coeso de conhecimentos.</p><p>c) as palavras invariáveis são aquelas que recebem, na frase, algum tipo de flexão.</p><p>d) em alguns casos, o contexto sintático determina se uma palavra é substantivo ou</p><p>adjetivo.</p><p>e) os substantivos se flexionam em gênero e número e os verbos em pessoa, número,</p><p>tempo e modo.</p><p>41</p><p>OS SINTAGMAS</p><p>Na unidade 1, discutimos que a unidade mínima de análise da sintaxe é a</p><p>palavra e a sua unidade máxima de análise é a frase. No entanto, é necessário que</p><p>você entenda que não são as palavras, isoladas, que desempenham as funções</p><p>sintáticas em uma frase e, sim, os sintagmas (KENEDY, OTHERO, 2018).</p><p>Para entender melhor essa ideia, vamos retomar e analisar, criticamente, a</p><p>definição de pronome constante na gramática tradicional.</p><p>Segundo Cegalla (2000), os pronomes são “palavras que substituem os</p><p>substantivos”. Essa mesma definição pode ser encontrada em outras gramáticas. Para</p><p>atestá-la, vamos, então, substituir os substantivos da frase O João disse que vai</p><p>comprar um livro para Maria por pronomes pessoais de 3ª pessoa:</p><p>(11) a. O ele disse que vai comprar um livro para a Maria.</p><p>b. O João disse que vai comprar um ele para a Maria.</p><p>c. O João disse que vai comprar um livro para a ela.</p><p>Observe que, após substituirmos apenas os substantivos da frase (11) por</p><p>pronomes, obtemos frases agramaticais. Isso se explica porque, ao contrário do que</p><p>é prescrito pelas gramáticas tradicionais, os pronomes não substituem simplesmente</p><p>os substantivos, mas sim os sintagmas nominais, ou seja, os grupos de palavras que são</p><p>nucleados por um substantivo. Assim sendo, essa definição dos pronomes é falha</p><p>42</p><p>justamente por ignorar que as frases da língua sejam estruturadas por sintagmas</p><p>(KENEDY; OTHERO, 2018).</p><p>Segundo Kenedy e Othero (2018), uma única palavra pode ser sintagma</p><p>quando esta for capaz de desempenhar, na frase, uma função sintática.</p><p>Observe, na frase (12) a seguir, que a palavra João assume a função sintática</p><p>de sujeito e, por isso, ela é um sintagma:</p><p>(12) João comprou um livro para a Maria.</p><p>Por outro lado, repare que os agrupamentos um livro e para a Maria também</p><p>são sintagmas por assumirem, respectivamente, as funções de objeto direto e de</p><p>objeto indireto do verbo comprar.</p><p>Em outros casos, uma frase inteira pode ser um sintagma, como mostra o</p><p>exemplo (13), a seguir:</p><p>(13) A Maria sabe que o João comprou um livro.</p><p>Em (13), o agrupamento que o João comprou um livro assume a função de</p><p>43</p><p>complemento do verbo saber. Assim sendo, temos uma oração (subordinada) que é</p><p>complemento de outra oração (principal). Essa oração subordinada também é um</p><p>sintagma.</p><p>Não obstante, um sintagma também pode ser formado por um elemento vazio,</p><p>como mostra o exemplo (14):</p><p>(14) O João disse que Øvai comprar um livro para a Maria.</p><p>Geralmente, na análise sintática, utilizamos o símbolo Ø para indicar que uma</p><p>posição vazia é significativa exatamente por assumir alguma função sintática dentro</p><p>da frase.</p><p>Note, no exemplo 14, que essa posição vazia, na verdade, representa a função</p><p>de sujeito da perífrase verbal vai comprar. Além disso, observe que este sujeito tem a</p><p>mesma referênciado sujeito da oração principal, o sintagma O João. Assim sendo,</p><p>podemos dizer que as duas ações, ou seja, a de ‘dizer’ e a de ‘comprar’, são</p><p>praticadas pela mesma pessoa no mundo experimental (‘João’).</p><p>Antes de darmos prosseguimento para a próxima seção, gostaríamos de</p><p>reforçar que, segundo Kenedy e Othero (2018, p. 18), são os sintagmas que:</p><p>(I) estruturam o período, e não as palavras isoladamente;</p><p>(II) desempenham funções sintáticas na frase (sujeito, predicado, predicativo</p><p>do sujeito etc.), e não palavras isoladas;</p><p>Além disso, não se esqueça que os sintagmas correspondem, normalmente, a</p><p>um conjunto de palavras; mas, existem sintagmas unitários e vazios.</p><p>44</p><p>3.1 COMO IDENTIFICAR OS SINTAGMAS?</p><p>De modo geral, existem seis testes utilizados para a identificação dos sintagmas</p><p>de uma frase. Listamos esses testes a seguir:</p><p>Teste da pronominalização,</p><p>Teste da interrogação,</p><p>Teste do deslocamento (ou topicalização),</p><p>Teste da clivagem,</p><p>Teste da elipse,</p><p>Teste da apassivação,</p><p>Discorreremos sobre cada um deles, tomando como base Kenedy e Othero</p><p>(2018) e Negrão et. al (2017).</p><p>1.Teste da pronominalização: esse teste é útil para a identificação de</p><p>sintagmas nominais (isto é, sintagmas que tem como núcleo um substantivo). Para</p><p>proceder a ele, basta que você substitua uma palavra (ou uma sequência delas) por</p><p>um pronome pessoal. Se ao substituir, você encontrar uma frase agramatical, então</p><p>esse constituinte que você escolheu não é um sintagma. De modo contrário, se após</p><p>a substituição, você encontrar uma frase gramatical, então ele é um sintagma.</p><p>Já utilizamos esse teste na seção anterior com o exemplo (11),para</p><p>descobrirmos se os substantivos (João, livro e Maria) eram sintagmas. Como</p><p>45</p><p>encontramos frases agramaticais, concluímos, por meio deste teste, que essas</p><p>palavras não são sintagmas.</p><p>Agora, utilizando o mesmo exemplo, observe a seguir que a substituição das</p><p>sequências formadas por [artigo + substantivo], ou seja, (O João, um livro e a Maria),</p><p>gera frases gramaticais, e, por isso, podemos dizer que elas sim são sintagmas:</p><p>(11) d. Ele disse que vai comprar um livro para a Maria.</p><p>e. O João disse que vai comprá-lo para a Maria.</p><p>f. O João disse que vai comprar um livro para ela.</p><p>É necessário destacar que até a posição vazia pode ser substituída por um</p><p>pronome pessoal, indicando que ali há um sintagma nominal:</p><p>g. O João disse que ele vai comprar um livro para a Maria.</p><p>2. Teste da interrogação: esse teste consiste na substituição de uma palavra</p><p>(ou uma sequência delas) por um pronome interrogativo como quem, o que, quando,</p><p>onde, etc. No exemplo (11) anterior, a sequência [que vai comprar um livro para a</p><p>Maria] pode, pelo teste da interrogação, ser substituída pelo pronome o que em [O</p><p>que o João disse?], indicando se tratar de um sintagma.</p><p>3. Teste do deslocamento (ou topicalização): consiste no deslocamento de</p><p>uma palavra (ou uma sequência delas) para diferentes posições ao longo da frase.</p><p>Esse deslocamento não pode ser feito com palavras isoladas e nem com “pedaços”</p><p>de sintagmas. Reproduzimos, a seguir, o exemplo (12) tentando deslocar as</p><p>sequências [para a Maria] e [comprou um]:</p><p>(12) a. João comprou um livro para a Maria.</p><p>46</p><p>b. [para a Maria], João comprou um livro.</p><p>c. João, [para a Maria], comprou um livro.</p><p>d. João comprou [para a Maria], um livro.</p><p>e. *[comprou um] João livro para a Maria.</p><p>f. João livro para a Maria [comprou um].</p><p>Observe que o teste de deslocamento mostra que a sequência [para Maria]</p><p>é um sintagma; já a sequência [comprou um] não é um sintagma, pois o</p><p>deslocamento desse grupo de palavras para outras posições, torna a frase</p><p>agramatical.</p><p>4. Teste da clivagem: consiste em colocar uma determinada palavra (ou uma</p><p>sequência delas) entre o verbo ser e a partícula que. Se a frase que resultar for</p><p>gramatical, esse elemento é um sintagma. Para exemplificar, iremos também clivar a</p><p>sequência [para Maria] e [comprou um] do exemplo (12):</p><p>g. Foi [para a Maria] que o João comprou um livro.</p><p>h. *Foi [comprou um] que o João livro para a Maria.</p><p>Esse teste também comprova que a sequência [para a Maria] é um sintagma</p><p>e que a sequência [comprou um livro] não é um sintagma.</p><p>Agora, para tornar mais claro, vamos clivar, aleatoriamente, outras sequências</p><p>de palavras do exemplo (12) a fim de verificarmos se elas funcionam ou não como</p><p>sintagmas dessa frase:</p><p>i. Foi o João que comprou um livro para a Maria. j.</p><p>Foi um livro que o João comprou para a Maria. k.</p><p>Foi o João comprou que um livro para a Maria.</p><p>O resultado do teste mostra que as sequências o João e um livro são sintagmas</p><p>e que a sequência o João comprou não é um sintagma.</p><p>5. Teste da elipse: consiste na omissão de uma palavra (ou de uma sequência</p><p>47</p><p>delas) numa estrutura coordenada, fazendo com que essa palavra ou sequência não</p><p>seja foneticamente produzida e tenha de ser inferida. Observe o exemplo (15), a</p><p>seguir:</p><p>(15) a. O João comprou um livro para a Maria e para o Pedro.</p><p>b. O João comprou um livro para a Maria e [comprou um livro] para o</p><p>Pedro.</p><p>A sequência [comprou um livro] sofre elipse na frase (15b), indicando que,</p><p>nesse caso, trata-se de um sintagma.</p><p>O mesmo pode ser dito a respeito da sequência [convidou o João] na</p><p>frase (16) a seguir:</p><p>(16) a. Maria convidou o João para o casamento e para a festa.</p><p>b. Maria convidou o João para o casamento e [convidou o João] para</p><p>a festa.</p><p>6. Teste da apassivação: consiste em transformar uma frase na voz ativa para</p><p>a voz passiva. Nesse caso, somente frases construídas com verbos transitivos diretos é</p><p>que permitem</p>