Prévia do material em texto
<p>09/04/2018 Teologia Brasileira - Artigo: A importância da Hermenêutica Bíblica - Parte 1</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=153 1/5</p><p>Apresentação</p><p>Corpo editorial</p><p>Contatos</p><p>Normas de publicação</p><p>Notícias</p><p>Edição atual</p><p>Edições anteriores</p><p>RSS</p><p>Atualidades</p><p>Bíblia e Exegese</p><p>Devocional</p><p>Entrevista</p><p>Espiritualidade</p><p>Família</p><p>História da igreja</p><p>Ministério</p><p>Missiologia</p><p>Resenhas</p><p>Teologia</p><p>Teologia histórica</p><p>Vídeos</p><p>Menu</p><p>temas</p><p>Palavra:</p><p>OK</p><p>Articulista:</p><p>Rômulo de Medeiros Louren OK</p><p>Pesquisar</p><p>Mais lidos</p><p>acompanhe</p><p>Clique para ativar o plug-in Adobe Flash</p><p>Player</p><p>Onde estou: Página inicial » Tema: » Bíblia e Exegese » A importância da Hermenêutica Bíblica - Parte 1 « Voltar</p><p>Curtir 7 Tweet 10 Comentário(s) Imprimir artigo</p><p>Bíblia e Exegese</p><p>A importância da Hermenêutica Bíblica - Parte 1</p><p>8/2/2010</p><p>Palestra proferida no Seminário Teológico do Betel Brasileiro na ocasião do lançamento da obra: A Espiral Hermenêutica (Edições Vida</p><p>Nova).</p><p>Começarei falando da necessidade da hermenêutica bíblica. Como Osborne em seu livro A Espiral</p><p>Hermenêutica, eu acredito sim que o propósito da hermenêutica é nos levar finalmente à pregação da</p><p>Palavra de Deus. Contudo, antes de pregarmos, precisamos interpretar as Escrituras. Não é simplesmente</p><p>abrir a Bíblia e dizer o que ela está dizendo. Nem todo mundo se apercebe do fato de que a leitura de</p><p>qualquer texto sempre envolve um processo de interpretação. Ou seja, não é possível compreender um</p><p>texto, qualquer que seja, sem que haja antes um processo interpretativo ― quer esse texto seja um jornal,</p><p>quer seja a Revista Veja, quer seja a Bíblia. A leitura sempre envolverá um processo de interpretação ―</p><p>ainda que esse processo seja inconsciente e nem sempre as pessoas estejam alertas para o fato de que</p><p>um processo de compreensão está em andamento. A Bíblia é um texto. Ela é a Palavra de Deus, mas ela</p><p>é um texto. Como tal, ela não foge a essa regra.</p><p>Cada vez que abrimos a Bíblia e a lemos procurando entender a mensagem de Deus para anunciá-la em</p><p>nossa pregação, nos engajamos em um processo de interpretação, de maneira consciente ou não. Como</p><p>Palavra de Deus, a Bíblia deve ser lida como nenhum outro livro, já que ela é única. Não há outra Palavra</p><p>de Deus. No entanto, como ela foi escrita por seres humanos, deve ser interpretada como qualquer outro</p><p>livro. Nesse sentido, a Bíblia se sujeita a regras gerais da hermenêutica e da interpretação, que fazem</p><p>parte daquilo que é lógico e tem sentido dentro da nossa realidade. Ou seja, quando nós refletimos no fato</p><p>de que a Bíblia é um texto ― sujeita a regras gerais de interpretação ―, temos um texto que está distante</p><p>de nós por causa da sua idade, das línguas originais, do diferente contexto cultural. Tudo isso faz com que</p><p>a leitura da Bíblia requeira um esforço consciente de interpretação. É diferente, por exemplo, de você</p><p>pegar a Revista Veja ou Estadão e ler. Quando você se aproxima da Bíblia, está se aproximando de um</p><p>texto antiquíssimo que foi produzido em outro contexto e em línguas, que não são faladas atualmente.</p><p>Além disso, foi escrito para responder a perguntas que nem sempre são as mesmas perguntas de hoje.</p><p>Daí a necessidade de interpretação de todo um processo consciente de hermenêutica.</p><p>Dessa forma, desejo falar desse fenômeno que nós chamamos de distanciamento, a partir de duas</p><p>perspectivas. Primeiro, a Bíblia como um texto, como um livro, não caiu pronta do céu — embora se</p><p>pensasse assim em determinada época. Ela foi escrita por pessoas diferentes, em épocas diferentes,</p><p>línguas e lugares distintos. Por isso, é um texto distante de nós. Aqui é que entra o que os teóricos da</p><p>hermenêutica chamam de distanciamento. No caso da Bíblia, esse distanciamento aparece em algumas</p><p>áreas.</p><p>O primeiro distanciamento é o temporal. A Bíblia está distante de nós há muitos séculos. Seguindo a</p><p>postura do cânon tradicional, o último livro foi escrito por volta do final do século I da Era Cristã. Para os</p><p>liberais, o último livro teria sido escrito no século II, mas normalmente a data que se atribui é a do final do</p><p>século I ― o que, portanto, nos separa temporalmente da Bíblia cerca de 2 milênios. Assim, não devemos</p><p>pensar que um livro de 2000 anos pode ser lido como quem lê a Revista Época, em que a última edição</p><p>saiu no sábado passado. Há esse fenômeno do distanciamento temporal, que precisa ser levado em</p><p>consideração.</p><p>Em segundo lugar, há um distanciamento contextual. Os livros da Bíblia foram escritos para atender a</p><p>determinadas situações. Várias delas já se perderam no passado. Por exemplo, o uso do véu não é um</p><p>problema nosso aqui no Brasil. O ataque do próprio gnosticismo nas igrejas da Ásia Menor, o contexto de</p><p>invasão do profeta Habacuque, o propósito de Marcos, a antipatia dos judeus para com os ninivitas na</p><p>época de Jonas, todas essas situações distintas produziram a literatura que depois se tornou canonizada,</p><p>e que nós chamamos de Escritura. Várias dessas situações nos são estranhas, não existem hoje. Dessa</p><p>forma, além de ser um livro que foi escrito há 2000 anos, foi um livro escrito para atender a determinados</p><p>problemas que não são os mesmos enfrentados hoje.</p><p>Em terceiro lugar, há o distanciamento cultural. O mundo que os escritores da Bíblia viveram não existe</p><p>Início Revista Notícias Temas Articulistas Edição atual Edições anteriores Congresso Editora</p><p>Pesquisar: TITULO OK</p><p>Clique para ativar o plug-in Adobe Flash Player</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/apresentacao.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/corpoeditorial.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/faleconosco.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/normasdepublicacao.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/noticias.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/edicaoatual.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/edicoesanteriores.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/feeds/rssTeologiaBrasileira.xml</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=1</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=2</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=8</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=12</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=3</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=15</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=16</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=4</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=5</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=14</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=6</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=17</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=9</p><p>http://twitter.com/edicoesvidanova</p><p>https://www.facebook.com/teologiabrasileira</p><p>http://www.orkut.com.br/Community?cmm=2123827</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/feeds/rssTeologiaBrasileira.xml</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/default.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiacat.asp?codigo=2</p><p>javascript:history.go(-1)</p><p>https://twitter.com/intent/tweet?original_referer=http%3A%2F%2Fwww.teologiabrasileira.com.br%2Fteologiadet.asp%3Fcodigo%3D153&ref_src=twsrc%5Etfw&text=Artigo%3A%20A%20import%C3%A2ncia%20da%20Hermen%C3%AAutica%20B%C3%ADblica%20-%20Parte%201&tw_p=tweetbutton&url=http%3A%2F%2Fwww.vidanova.com.br%2Fteologiadet.asp%3Fcodigo%3D153&via=edicoesvidanova</p><p>http://www.facebook.com/sharer.php?u=http://www.vidanova.com.br/teologiadet.asp?codigo=153</p><p>javascript:void(ImprimeArtigo());</p><p>http://www.vidanova.com.br/produtos.asp?codigo=173</p><p>http://www.vidanova.com.br/produtos.asp?codigo=173</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/</p><p>http://www.vidanova.com.br/</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/apresentacao.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/noticias.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/colunistas.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/edicaoatual.asp</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/edicoesanteriores.asp</p><p>http://www.vidanova.com.br/congresso8/</p><p>http://www.vidanova.com.br/</p><p>09/04/2018 Teologia Brasileira - Artigo: A importância da Hermenêutica Bíblica - Parte 1</p><p>http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=153 2/5</p><p>10 COMENTÁRIO(S)</p><p>amanda oliveira | santa luz/Ba | 11/05/2015 22:57:01</p><p>Maravilha esse texto,muito bem explicado me ajudou bastante em um trabalho que estou fazendo de filosofia!</p><p>Parabéns...</p><p>Everaldo Rosendo Oliveira | São Paulo/SP | 26/11/2015 13:04:53</p><p>Prezados, Gostei no inicio do comentário, acredito que realmente a bíblia é formada por textos que devem buscar</p><p>origem de interpretação para entendermos os contextos explicados nela.</p><p>CLAUDIONOR PEREIRA DE LIMA lima | SANTA RITA/Ma | 27/11/2015 17:48:46</p><p>Preciosidade de texto. Muito rico e claro . Traz em si argumentações extremamente pertinentes para quem lida com</p><p>a palavra de Deus no seu dia a dia . Toda a linha argumentativa do autor, destaca o livro bíblico, mesmo sendo este</p><p>de iniciativa divina. Pontua-se que a sua compreensão e interpretação não pode fugir nas normas exigidas para os</p><p>demais livros . Pois se trata de um texto que dependerá de chaves hermenêuticas. E são elas que, independente da</p><p>antiguidade do seu contexto e produção. São elas que mantem os princípios e valores atuantes em cada geração .</p><p>Parabéns ao autor.</p><p>MARIA VERONICA DO NASCIMENTO MOREIRA MOREIRA | BACABEIRA/Ma | 21/12/2015 19:29:12</p><p>Maravilhoso texto, onde nos reciclamos cada vez que lemos, é enriquecedor para todos que almeja um ensino de</p><p>mais. Ele está em um passado distante, com suas características, sua cosmovisão, seus costumes,</p><p>tradições e crenças. Nós vivemos hoje em um Brasil de tradição ocidental, influência europeia, americana</p><p>e uma série de outras influências de um mundo completamente estranho àquele em que viveram os</p><p>autores do Antigo Testamento e do Novo Testamento.</p><p>Em quarto lugar, temos o distanciamento linguístico. As línguas em que a Bíblia foi escrita também não</p><p>mais existem. Já não se fala mais o hebraico bíblico, o grego koiné ― mesmo nos países onde a Bíblia foi</p><p>escrita. Então, essas línguas já não são mais faladas ou conhecidas, a não ser através de estudo.</p><p>Em quinto lugar, nós temos o distanciamento autorial. Nós devemos ainda reconhecer que teríamos uma</p><p>compreensão mais exata da mensagem se os autores da Bíblia estivessem vivos. Eu, por exemplo,</p><p>gostaria de pegar o celular e ligar para Pedro e perguntar para ele o que ele quis dizer quando afirma que</p><p>Jesus foi pregar aos espíritos em prisão, ou ligar para Paulo e perguntar o que ele quis dizer quando ele</p><p>fala dos que se batizam pelos mortos, ou ainda o que Mateus quis dizer quando registrou a frase em que</p><p>Jesus afirma que não cessariam de percorrer todas as cidades de Israel antes que viesse o Filho do</p><p>homem. Eu gostaria de pegar o celular ou mandar um e-mail para os autores da Bíblia e tirar algumas</p><p>dúvidas. Isso não é possível a não ser que você seja espírita e faça uma sessão de invocação de mortos.</p><p>Portanto, esse distanciamento faz com que os pregadores, antes de qualquer coisa, sejam hermeneutas.</p><p>Eles têm que ser intérpretes. Eles têm que estar conscientes de que estão transmitindo o sentido de um</p><p>texto antiquíssimo e distante de nós em uma realidade completamente diferente. É nesse ambiente que</p><p>nós afirmamos que interpretar é tentar transpor o distanciamento em suas várias formas de chegar ao</p><p>sentido original do texto ― à intenção do autor ― com o objetivo de transmitir o significado para os dias de</p><p>hoje. É aqui que reside a tarefa hermenêutica.</p><p>Por outro lado, a Bíblia também é um livro divino, e esse fato faz com que também o fenômeno do</p><p>distanciamento apareça. Por exemplo, o distanciamento natural: a distância entre Deus — o autor último</p><p>das Escrituras — e nós é imensa. Ele é Senhor, o criador de todas as coisas no céu e na terra. Nós somos</p><p>suas criaturas imitadas, finitas. A nossa condição de seres humanos impõe limites à nossa capacidade de</p><p>entender e compreender as coisas de Deus, ainda que reveladas em linguagem humana. Existe um</p><p>distanciamento natural entre nós e o texto bíblico pelo fato de que ele é a Palavra de Deus, é a revelação</p><p>de Deus. Ele é “totalmente outro”, a alteridade de Deus. A diferença entre Deus e nós faz com que a sua</p><p>revelação careça de estudo, de aproximação da maneira certa.</p><p>Além do distanciamento natural existe o distanciamento espiritual, porque somos criaturas pecadoras,</p><p>caídas, e o pecado impõe limites ainda maiores à nossa capacidade de interpretação da Bíblia. É o que</p><p>nós chamamos de limitações epistemológicas. O pecado afetou não somente a nossa vontade, não</p><p>somente os nossos desejos, a nossa capacidade de decidir, mas também afetou a nossa capacidade de</p><p>compreender as coisas de Deus. Isso explica a grande diferença de interpretação que existe entre crentes</p><p>verdadeiros que estão salvos pela graça de Deus em Cristo Jesus, mas simplesmente não conseguem</p><p>concordar na interpretação de determinadas passagens.</p><p>Há também o distanciamento moral, que é a distância existente entre seres pecadores e egoístas, e a pura</p><p>e santa Palavra de Deus que nós pretendemos entender e pregar. Essa corrupção acabou introduzindo à</p><p>interpretação da Bíblia motivações incompatíveis com ela. Por exemplo, a Bíblia já foi usada para: justificar</p><p>a escravidão; provar que os judeus deveriam ser perseguidos; provar que os judeus deveriam ser</p><p>defendidos; provar que os protestantes brancos são uma raça superior; executar bruxas; impedir o</p><p>casamento de padres; justificar o aborto; justificar a eutanásia; justificar e promover os relacionamentos</p><p>homossexuais; proibir a transfusão de sangue. O catálogo é imenso do que tem sido usado como</p><p>motivação de agendas diversas e variadas.</p><p>Tudo isso evidencia que não é tão simples assim o que a maioria das pessoas pensa sobre “como” pregar</p><p>a Bíblia.</p>