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1 2 1. INTRODUÇÃO PROBLEMAS FREQUENTES NO ESTUDO DA BÍBLIA 1.Tirar o texto de seu contexto e utilizá-lo como fundamento para uma prática ou ideia; 2.Estudar a Bíblia apenas intelectualmente, como se estivesse dissecando um sapo morto em um laboratório. 3.Estudar a Bíblia de modo aleatório. A IMPORTÂNCIA DE UM MÉTODO DE ESTUDOS Por que utilizar um método de estudos? • Para saber por onde começar e quando terminar; • Para não se sentir frustrado depois de muito trabalho; • Para ter um processo pessoal, sistemático e produtivo. “O estudo bíblico efetivo requer um método. Não se ensina uma criança nadar, jogando-a na parte funda de uma piscina e dizendo: ‘Tudo bem, agora nade.” H. Hendricks e W. Hendricks O QUE É UMA METODOLOGIA? “Conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar um fim; ordem ou sistema que se segue no estudo ou no ensino de qualquer disciplina; maneira sistemática de dispor as matérias de um livro; maneira de fazer as coisas; modo de proceder.” (Dicionário Michaelis) “Uma estratégia, um plano de ataque, que produzirá resultados máximos para seu investimento de tempo e esforço”. (Vivendo na Palavra, p. 27) OS DIVERSOS MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO Analítico É o exame cuidadoso de um capítulo, trecho ou versículo bíblico. É o estudo do objeto em seus pormenores, tendo o cuidado de notar até os mais diminutos aspectos. As partes da passagem são estudadas como por um microscópio. É como entrar numa biblioteca e focali- zar um livro na estante. Exemplo: "A Grande Comissão" (Mt 28.19-20); a salvação em Ef 1; o significado de ósculo santo (Rm 16.16). Sintético É o exame amplo, global de um livro da Bíblia. É a abordagem de cada livro bíblico como uma unidade, visando entender seu sentido como um todo. Este estudo não se preocupa com os pormenores, mas com o escopo global do livro, como que por um telescópio. É como entrar numa biblioteca e focalizar uma estante inteira. Usa gráficos, tabelas, quadros etc. Exemplo: Efésios: minha nova vida em Cristo; Gálatas: justificados pela fé vivendo no poder do Espírito; pregações panorâmicas sobre livros inteiros. Tópico ou Temático É a investigação sobre um tópico ou tema escolhido, em toda a Bíblia ou numa porção dela. Nesse método um tópico é "caçado" através da Bíblia. Este estudo exige o uso de uma 3 concordância bíblica para a coleta de informações. Exemplos: o "amor" no Evangelho de João; as orações de Jesus; os dons espirituais; uma doutrina bíblica. Biográfico É o estudo que remonta a vida ou parte da vida de pessoas ou personagens bíblicos. A este estudo pode associar-se elementos cronológicos, geográficos ou históricos. O estudo pode enfatizar exemplos positivos e negativos, virtudes, feitos, relacionamento com Deus, etc. Exemplos: A vida de Moisés: 40 anos no Egito, 40 anos em Midiã e 40 anos no deserto; Daniel; Paulo; Pedro etc. Cronológico É o estudo que remonta e traça uma linha de tempo, organizando fatos históricos relacionados a pessoas, reinos, eventos, acontecimentos etc. Este estudo pode servir como pano de fundo histórico para outros estudos. Exemplo: os anos do ministério de Jesus; as dispensações; o reinado de Davi. Geográfico É o estudo que procura relacionar aspectos geográficos para ilustrar movimentação de personagens ou fatos históricos. Este exame inclui lugares, cidades, montes, rios etc. Exemplo: Elias nos montes Carmelo e Horebe (1Rs 18-19); viagens missionárias de Paulo; cidades refúgios etc. Histórico É o estudo que se preocupa com a história bíblica. Pode envolver aspectos cronológi- cos, geográficos ou biográficos. Exemplo: O povo de Israel no deserto; o retorno do exílio; a criação; queda do homem; narrativas de Atos, etc. Doutrinário É o estudo de uma doutrina ou conceito teológico, que pode abranger toda Bíblia, ou algum livro, autor ou gênero literário bíblico. A abordagem deste estudo pode seguir um pa- drão sintético, analítico ou tópico, podendo ser apoiado por livros de teologias sistemáticas. Exemplo: justificação, fé, arrependimento, graça, salvação, inferno, etc. Etimológico É o estudo minucioso do significado e ocorrência de termos, palavras e expressões bíblicas. A eficácia deste estudo necessita a consulta nos idiomas originais bíblicos, através de léxicos, comentários exegéticos, concordâncias nas línguas bíblicas ou texto bíblico original. Exemplo: o selo do Espírito em Ef 1.14; palavra "misericórdia" no Antigo Testamento; termo "alma" na Bíblia. MÉTODO DE ESTUDO EXEGÉTICO Em nosso estudo bíblico faremos uma mescla de alguns métodos apresentados - partindo do Geral para o Específico. Buscaremos uma abordagem exegética, não eisegética. Uma abordagem eisegética tenta explicar um texto com base em pressupostos. O estudo exegético 4 visa chegar a conclusões extraídas do próprio texto em seu contexto, tomando cuidado com os pressupostos, embora não seja possível anulá-los por completo. O objetivo é que o texto conduza à conclusão; e não, a conclusão ao texto. O vocábulo “exegese” significa “exposição, explicação”. O sentido de exegese é extrair, conduzir para fora como um comentário crítico que analisa o texto no contexto original. A eisegese é o inverso. A preposição grega eis, “para dentro”, indica movi- mento de “fora para dentro”. Basicamente, o método pode ser resumido em 4 passos: A. Oração – Deve iniciar, permear e concluir todo o estudo. B. Observação - exame cuidadoso e completo do texto. Quanto mais nos saturarmos do texto melhor será o estudo. C. Interpretação – é o discernimento do significado do texto, baseado nas observações já feitas. Exige a busca pelo significado e compreensão do sentido escrito e transmitido pelo autor bíblico aos seus ouvintes contemporâneos. D. Aplicação – é a significância do texto. Deve ser tomada como o alvo de todo estudo bíblico, pois se refere à prática do que foi estudado. A ausência da aplicação revela uma tarefa incompleta. EXEGESE EISEGESE 5 OBSERVAÇÃO – O QUE VEJO? • Estudo Macro Como foi dito, partiremos do geral para o específico. Isso significa que olharemos para o todo de um livro, depois para suas divisões, depois para um de seus parágrafos, então para um versículo desse parágrafo e, por fim, uma de palavra desse versículo. Para o nosso estudo em sala de aula utilizaremos como exemplo o livro de 2 João. ◦ Leitura Panorâmica do Livro ▪ Faça algumas leituras rápidas do livro inteiro. ▪ Procure não se deter em detalhes agora. ▪ Foque em buscar um tema central do livro. ▪ Preencha os 'Dados Introdutórios' abaixo à medida que for possível. ◦ Dados Introdutórios ▪ Autor – quem escreveu? ▪ Data – quando foi escrito? ▪ Destinatários – quem recebeu? Qual o tipo de relacionamento entre o autor e os leitores primários? ▪ Pano de Fundo – qual o contexto? O que motivou o autor a escrever a carta? ▪ Temas Principais – Quais assuntos predominam a carta? Quais são as palavras-chave? ▪ Interesses do Autor – Quais os objetivos do autor ao escrever a carta? Quem? Para quem? O quê? Onde? Como? Quando? Quanto? Por quê? Para quê? Quem ? Quem são as pessoas ? O que sabemos sobre elas de antemão ? O que elas dizem ? O que dizem delas ? Escreveu ? (autor) Para quem escreveu ? (público) O que ... ? O que está acontecendo? Um milagre? De que tipo? Uma História? Você consegue descrevê-la? Uma ordem? O que cada personagem está falando, fazendo? O que acontece antes do evento? e depois? [tente entender a relação entre o que vem antes e o que vem depois]. Que eventos acontecem? Qual a ordem dos eventos ? 6 Onde... ? (use um mapa) Onde as coisas aconteceram? De onde vinham as pessoas? Para onde iam? Poronde passaram? Onde estava o autor? Onde estava o público alvo? A maioria das Bíblias tem um mapa no final, o que já é um bom começo. Geografia bíblica é assunto normalmente ignorado. Quando... ? Quando as coisas aconteceram? Cedo? A tarde? De madrugada? Que dia? O que aconteceu na véspera? Em que período? (contexto) Em que época da vida dos personagens? Quando foi escrito o livro? Como...? Como as coisas aconteceram? Rapidamente? Vagarosamente? Por meio de um milagre? Por mãos humanas? Por que...? Por que as coisas aconteceram? Por que foi incluído? (veja Jo 20.30,31; 1Jo 2.26, 5.13) Por que antes disso / depois daquilo ? Por que alguém disse algo? Se calou? Para que? Houve um propósito? Um objetivo? ◦ Estrutura Gramatical ▪ Verbos – Observe com calma. Avalie o tempo verbal, voz (passiva ou ativa), pessoa e número. ▪ Substantivos – Observe o quanto ao número e o gênero. ▪ Modificadores – São os advérbios; adjetivos; e adjuntos nominais e verbais (veja o anexo 5, sobre advérbios). ▪ Conectivos – Conjunções e preposições (ver anexo 2). ◦ Estrutura Literária 7 ◦ Esboço Mecânico Exemplo – Estudo Micro da Observação em 2João Para essa parte do estudo focaremos no parágrafo v.9-11. Vamos estudar todo o parágrafo e os termos “prevarica” (v.9) e “doutrina” (v.9). ◦ Leitura cuidadosa do parágrafo ◦ Gênero Literário do Parágrafo – Exposição, um argumento lógico minucioso. Típico das epístolas apostólicas. ◦ Perguntas Observadoras Quem está falando? - o presbítero (v.1). O que sabemos delas? - conhecia seus ouvintes e se importava muito com eles (v.1). Para quem? - Uma senhora e seus filhos (v.1). O que dizem delas? - São crentes e estão nos caminhos da verdade (v.1,4). O que está acontecendo? - A influência de falsos mestres tem corrompido a muitos cristãos. O quê está falando? - O apóstolo ensina que os cristãos não deveriam cumprimentar ou receber em casa aqueles que “prevaricaram e não perseveraram” na dou- trina de Cristo. (Note que a explicação foi bem óbvia, pois não se deve interpretar o texto agora, somente observá-lo.) Onde está acontecendo? - O texto não especifica. Como fazer o que está sendo dito? - Não receber em casa nem cumprimentar os falsos mestres. Quando fazer? - Sempre 8 Quanto? - (não cabe essa pergunta aqui) Por quê? - Porque quem hospeda ou cumprimenta os falsos mestres tem parte nas suas más obras (cf. v.11). Para quê? - O texto não diz explicitamente, mas o v.8 parece mostrar o objetivo central. ◦ Estrutura Gramatical Verbos principais “prevarica” → Indica uma ação presente, atual. “persevera” → Indica uma ação presente, atual. “tem” → Indica uma ação presente, atual. “recebais” → Imperativo, indica ordem; está no plural; “saudeis” → Imperativo, indica ordem; está no plural; Substantivos principais “doutrina” → singular, pois se refere a uma doutrina (a de Cristo – v.9), e não de várias outras doutrinas. “obras” → plural, indicando variedade de ações. Modificadores “muitos” (v.7) → Pronome Indefinido – quantifica os “enganadores”. “inteiro” (v,8) → Adjetivo – qualifica o “galardão”. “más” (v.11) → Adjetivo – qualifica as obras dos falsos mestres. “todo” (v.9) → Adjetivo – qualifica “aquele”. Indicando que não há exceções. Conectivos – Conjunções e preposições “e” (v.9) – conj. aditiva, liga duas orações. “na” (v.9) – prep. “em” + “a” (artigo definido) – se refere a uma doutrina específica. “Se” (v.10) – conj. condicional – indica possibilidade. “porque” (v.11) – conj. explicativa – fornece uma explicação para o que foi dito antes. 9 ◦ Estrutura Literária 9 Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. EFEITO CAUSA Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. EFEITO CAUSA 10 Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. CAUSA EFEITO 11 Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras. EXPLICAÇÃO ◦ Esboço Mecânico aquele que todo prevarica, e na doutrina de Cristo, não persevera não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, tem tanto ao Pai como ao Filho. esse Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem o saudeis. tampouco Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras. 10 EXERCÍCIO – Construa um esboço mecânico para o texto abaixo; “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1Pe 2.9). EXERCÍCIO - Utilizando flechas, círculos, linhas, marcadores etc. identifique os instrumentos da estrutura literária de Fp 2.1-11 1 Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se algu- ma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, 2 Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. 3 Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. 4 Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. 5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, 7 Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 8 E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. 9 Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; 10 Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 11 E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. INTERPRETAÇÃO – O QUESIGNIFICA? Neste passo buscaremos determinar de modo objetivo qual o significado do texto para os seus primeiros leitores. Uma pergunta que nos auxilia muito nesse ponto é: “O que o autor queria que os seus leitores primários entendessem e/ou fizessem?”. • A Necessidade da Interpretação A interpretação é necessária devido à existência de algumas barreiras: • Barreira Linguística • Barreira Cultural • Barreira Histórica • Barreira Geográfica • Barreira Literária 11 Algumas armadilhas durante o processo de interpretação: • Má leitura do texto bíblico • Distorção equivocada do texto • Manipulação proposital do texto • Contradição do texto • Subjetivismo/Relativismo • Neo-ortodoxismo • Desconhecimento da característica literária de uma passagem NORMALMENTE Costuma-se dizer “literalmente”, porém, é necessário lembrar que há figuras de linguagem no texto. Isso precisa ser considerado. Uma leitura normal é que a leva em conta o gênero literário, estilo do autor, figuras de linguagem, contexto, etc. ▪ A Bíblia deve ser interpretada gramaticalmente Ela foi escrita em idiomas que seguiram estruturas gramaticais coerentes aos termos, palavras, objetos e complementos. ▪ A Bíblia deve ser interpretada sintaticamente Ela segue a estrutura da lógica do autor, mediante a qual as ideias principais e subordinadas se relacionam pelos termos e orações. ▪ A Bíblia deve ser interpretada historicamente A interpretação honesta respeita todo um conjunto de pano de fundo, situação política, ambiente social e contexto religioso da época. ▪ A Bíblia deve ser interpretada contextualmente “Texto fora de contexto vira pretexto.” Versículo – Parágrafo – Capítulo – Divisão Maior – Livro(propósito) – Toda Bíblia. ▪ A Bíblia deve ser interpretada progressivamente O AT aponta para NT; O NT ilumina o AT. Jesus Cristo é a revelação máxima. O Judaísmo aponta para o Cristianismo. Hb 1.1-3; Gl 3.23. ▪ A Bíblia deve ser interpretada Literariamente A Bíblia deve ser entendida como uma literatura divinamente inspirada, na qual cada texto deve estar amarrado à natureza literária a que pertence. ▪ A Bíblia deve ser interpretada Teocentricamente/Cristocêntricamente Toda interpretação deve ser entendida na perspectiva que Deus está no centro da aplicação de toda mensagem. • Cuidado com tipologia em cima de Jesus. ▪ Cada texto tem UM ÚNICO significado/sentido Cuidado com o subjetivismo ou o relativismo. ◦ Mensagem do Livro Busque resumir a mensagem do livro inteiro em uma oração. 12 Alguns exemplos de mensagens de livros bíblicos: 1João Os verdadeiros filhos de Deus são revelados por uma vida semelhante a de Cristo 2João A cooperação ministerial depende da comunhão da fé segundo a Verdade. Efésios Privilégios espirituais no Cristo exaltado devem levar o corpo ao crescimento em união, à santificação na vida diária e ao triunfo no conflito espiritual. Gálatas O cristão é justificado e santificado pela fé em Cristo, no poder do Espírito Santo, sem as obras da lei. ELABORANDO UMA PROPOSIÇÃO: 1. Busque o _______________ principal do livro - (SUJEITO) 2. Defina _______________ sobre o assunto principal do livro - (PREDICADO) 3. Procure formar uma frase com _________ + _________ + _________ = Proposição. OBS.: Evite utilizar verbos de ligação (“ser”/”estar”) como verbo principal da proposição. Prefira verbos como almeja, conduz, promove, resulta, aponta, impede, delimita, auxilia, motiva, encoraja, desfruta, realiza, compartilha, lembra, ajuda, etc. Exercício - Construa proposições para os trechos abaixo: Sl 23.1 Jo 3.16 Mt 6.25-33 ◦ Propósito do Livro 13 Resuma o propósito do livro inteiro em uma sentença. Isso será muito importante para a interpretação de qualquer parágrafo do livro, pois tudo deverá estar re- lacionado com o propósito do autor. Exemplos: 1João Capacitar os crentes a discernir os verdadeiros filhos de Deus, fortalecendo-lhes a fé e motivando-os à santificação e perseverança na verdade. 2João Fortalecer a fé dos cristãos ao instruí-los sobre a hospitalidade e relacionamento sadios. Efésios Encorajar o desfrute da posição privilegiada da Igreja em Cristo e sua aplicação na vida cotidiana para Cristo no mundo. Gálatas Convencer os crentes sobre a autoridade apostólica de Paulo e a verdadeira relação entre a lei, o evangelho e a liberdade em Cristo, conduzindo-lhes à verdadeira vida pela graça e pela fé. ◦ Esboço Sintético Nível Básico: Dar um título para cada divisão do texto. Nível avançado: Dê um título para cada parágrafo e depois faça uma proposição para cada um deles. Esse ponto é importante pois auxilia o estudante a ter uma visão mais ampla do desenvolvimento da mensagem e de como os parágrafos se rela- cionam. Exemplo em 2 João: 14 ESBOÇO SINTÉTICO – 2 João 1. SAUDAÇÃO (1-3) A saudação apostólica visa se identificar com os leitores como participantes eternos da Verdade cristã. 2. ORIENTAÇÃO (4-11) 2.1 Exortação à Perseverança na Verdade (4-8) A presença de falsos mestres na comunidade cristã promoveu a necessidade de uma exortação à perseverança na fé pura e à rejeição dos anticristos, atitude que possibilita o progresso do discipulado outrora iniciado. 2.2 Exortação contra a Comunhão com Enganadores (9-11) A cooperação com falsos mestres demonstra a unidade de pensamento entre as duas partes, o que exclui a possibilidade da prática da hospitalidade e envolvimento fraternal com eles. 3. DESPEDIDA (12-13) O término da breve carta sugere um ambiente de urgência para uma solução. OBS.: Note que há um verbo principal que separa o “sujeito” do “predicado”. • Estudo Micro ◦ Hermenêutica Especial O nível micro exigirá a aplicação dos princípios de interpretação segundo a Hermenêutica Especial. Uma vez que a hermenêutica geral trata de princípios gerais universais, a especial trata de princípios específicos relacionados ao gênero literário a que pertence o texto ou passagem bíblica. Ver quadro "Gêneros Literários da Bíblia" (Anexo 1). Após identificar o gênero literário, o estudante deve cuidar para tratar distintamente cada gênero. Por exemplo, parábolas não devem receber o mesmo tratamento concedido às epístolas; apesar, de toda Bíblia ser a Palavra de Deus, o próprio Deus permitiu que os escritores bíblicos livremente utilizassem gêneros literário diferentes ao escreverem seus livros e epístolas - elemento que evidencia ainda mais a riqueza da unidade bíblica. Algumas orientações: • As narrativas não devem ser vistas como normativas, sim como descritivas; • As parábolas estão sempre relacionadas a um princípio ou ensino; 15 • As profecias devem ser entendidas à luz do plano histórico revelado nas Escrituras; • As epístolas são normativas e suas aplicações devem cuidar das questões culturais da época; • As poesias refletem ideias e pensamentos que devem ser interpretados como princípios; Os provérbios devem ser vistos como princípios, não como mandamentos ou promessas; Os discursos devem ser vistos como normativos, no caso de Jesus. Para uma melhor compreensão e aplicação da Hermenêutica Especial o estudante deve consultar: "A Interpretação Bíblica", por Roy B. Zuck. Edições Vida Nova "Entendes o Que Lês", por Gordon Fee e Douglas Stuart . Edições Vida Nova ◦ Figuras de Linguagem Na Bíblia encontra-se muitas figuras de linguagem, principalmente nos livros poéticos e proféticos. O Novo Testamento também vemos a presença da linguagem figurada nas palavras de Jesus, nos escritos do apóstolo Paulo e no Apocalipse, em especial. 16 FIGURADO OU LITERAL? Sempre usar o sentido literal, a menos que: • A passagem indique que se deve usar o sentido figurado, por meio de figura de linguagem; • O sentido literal indicar algo absurdo, ilógico, impossível ou imoral; • O sentido literal contrariar o contexto imediato ou maior da passagem; • O sentido literal contrariar o propósito e a mensagem do autor; • O sentido literal contrariar outras partes da Bíblia ou ensino doutrinários. EXERCÍCIO - Identifique nas seguintes passagens as figuras de linguagem presente, explicado seu sentido dentro da própria passagem ◦ Estudo de Vocábulos Texto Figura ( palavra no texto ) Categoria Sentido no Texto Sl 17.6 Mt 5.14 Is 55.12 Dt 1.28 Rm 11.34 1 Pe 1.24 Gn 18.14 Sl 84.11 Sl 98.8 Lc 8.4-15 Pv 15.3 17 Este nível de estudo também requer a análise de detalhes. Palavras ou expressões específicas, quando estudados minuciosamente, têm sua compreensão ampliada à luz do entendimento dos leitores contemporâneos ao autor bíblico. O nível de pesquisa do estudo de vocábulos pode variar de acordo com a profundidade desejada ou pela disponibilidade de fontes de pesquisa disponíveis. ▪ Nível Básico • Verificar o significado de termos ou nomes próprios (pessoas, locais) em dicionários bíblicos e dicionários comuns; • Comparar uso da palavra estudada em diferentes versões de Bíblias (em português). • Concluir com um resumo de sua compreensão sobre o termo. ▪ Nível Avançado • Verificar ocorrências do termo no livro, no autor e na Bíblia (concor- dância hebraica ou grega); • Verificar o significado original do termo (texto bíblico original, léxi- co, Dicionário Internacional de Teologia do AT ou NT., etc); • Consultar enciclopédias bíblicas; • Consultar crítica e cuidadosamente os comentários bíblicos; • Fazer uma conclusão sobre o termo analisado. Observação: Muitos destes recursos podem ser encontrados em softwares ou em recursos naInternet. Recomendo os softwares: TheWord e E-Sword, são gratuitos. Exemplo: 2Jo 9-11 – vocábulo escolhido: “prevarica” (ACF). 1. Verificar ocorrências do termo no livro, no autor e na Bíblia (concordância he- braica ou grega); A palavra aparece 4 vezes no NT: Mt 15.2,3 (2x) → o conceito está ligado a transgredir os mandamentos de Deus. At 1.25 → o termo é utilizado para se referir ao desvio de Judas Escariotes. 2 Jo 9 → A expressão é traduzida como ultrapassa (ARA), não fica com (NTLH), não permanece (NVI), passar além (VIVA). 18 2. Verificar o significado original do termo (texto bíblico original, léxico, Dicioná- rio Internacional de Teologia do AT ou NT., etc); Dic. Strong (TheWord) 1) ir para o lado de 2) passar a frente ou por sobre sem tocar em algo 3) ultrapassar, negligenciar, violar, transgredir 4) passar tanto a ponto de desviar-se de 4a) partir, sair, ser dissuadido de 5) alguém que abandona sua verdade Dicionário VINE Literalmente, “ir à parte, afastar-se”, por implicação, “ir além”. 3. Consultar enciclopédias bíblicas 4. Consultar crítica e cuidadosamente os comentários bíblicos Conclusão Como João estava falando sobre os falsos mestres, que não permaneceram na doutrina de Cristo e passaram a ensinar outras doutrinas, negando a Cristo. Pode-se, afirmar que “prevaricar” é se desviar, se apartar. Os falsos profetas daquele tempo se afastaram da verdade do evangelho de Cristo. E por isso eles não eram de Deus. IMPORTANTE: • O estudo de vocábulo tem como objetivo lançar luz ao entendimento do estudante e ouvintes, uma vez que existe uma barreira linguística levantada pelos séculos que separaram o escritor bíblico e o leitor original dos leitores do século XXI. • O estudante não fará um estudo de vocábulo de todas as palavras e termos de seu texto. Dependendo do seu conhecimento e habilidade com línguas bíblicas (hebraico e grego), terá maior facilidade em identificar e definir palavras e expressões centrais. Porém, de maneira geral, deverá observar qual ou quais termos apresentam um valor importante ou destaque no texto em estudo (dentro do raciocínio do escritor bíblico) que “merecem” uma análise específica a fim de ajudar na compreensão do texto em questão. ◦ Correlação 19 Um próximo passo no nível micro da interpretação é a correlação, que implica na verificação do relacionamento do texto ou da passagem em estudo como seu contexto e com outras passagens bíblias (correlação interna), e na consulta de outras fer- ramentas que explicam o texto, como comentário bíblicos (correlação externa). Pode-se resumir a Correlação em 6 C's: Conteúdo, Contexto, Comparação, Con- sulta, Conclusão e Comprovação. Utilizaremos como exemplo o parágrafo 2 João 10. 1. Conteúdo Qual o significado aparente da expressão/trecho de seu parágrafo quando olhado de forma isolada? Exemplo: 2Jo 10 Qual o significado do expressão/trecho de seu parágrafo? Parece que João está falando que há um tipo de pessoa que se desviou da dou- trina de Cristo. Essa pessoa não tem a Deus, não é convertida (v.9). Assim, se ela viesse ao encontro dos cristãos, eles não deveriam recebê-la (v.10). Pois isso significaria que os cristãos estão apoiando o incrédulo. Conclusão 1: O v.10 significa que os crentes não devem falar com desviados da fé. 2. Contexto Como os parágrafos anteriores e posteriores auxiliam na interpretação do texto? Como seu parágrafo se relaciona com o restante do livro (antes e depois)? Como ele se encaixa na linha de raciocínio do autor? Exemplo: 2Jo 10 João, após uma saudação (1-4), expressa sua alegria por saber que alguns de 20 seus conhecidos perseveram na verdade, no evangelho (5,6). Sua felicidade tem ainda mais motivos diante da realidade de falsos mestres, que tem pregado heresias a respeito de Jesus. Por isso, João também exorta aos cristãos que tenham muito cuidado, para permanecerem na Verdade (7,8). Então vem o parágrafo 9-11, com uma ordem para não se associar com os des- viados do evangelho. Por fim, uma despedida breve (12,13). Conclusão 2: João pode não estar se referindo a qualquer crente desviado ou incrédulo. Seu foco deve estar nos falsos mestres que ensina heresias sobre Jesus. Assim, o v.10 significa que os cristãos não deveriam receber e conversar com esses mentirosos. 3. Comparação Veja se o ensino extraído de seu parágrafo está presente em outros textos bíbli- cos. É aconselhado que você siga o seguinte roteiro: • com outros textos do mesmo livro; • com outros textos do mesmo autor; • com outros textos do mesmo testamento; • com a Bíblia inteira. Exemplo: 2Jo 10 Rm 16:17,18 - E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples. Gl 1:8 - Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. 2 Tm 3.4-6 - Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Tt 3:10 - Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, 21 Jo 8:47 - Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus. 1Jo 4:2 - Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; Conclusão 3 – a 2ª conclusão pode ser reforçada com base nos textos acima. 4. Consulta Somente neste momento o estudante utilizará de ferramentas interpretativas do significado da passagem em estudo. Você poderá usar livros, Bíblias de Estudo, Comentários, Dicionários etc. Exemplo: 2Jo 10 1. John MacArthur comenta que João não está proibindo os cristãos de receber pessoas que estão em desacordo com questões de menor importância. Seu alvo era os falsos mestres, que estavam promovendo uma campanha contra o evangelho, visando destruir os fundamentos do cristianismo. Assim, era necessário cortar qualquer tipo de vínculo com eles. Pois os cristãos só poderiam ajudar aqueles que proclamam a verdade. (Bíblia de Estudo MacArthur p.1767) 2. Simon Kistemaker explica que era comum que os cristãos se reunissem em casaspara se edificarem mutuamente. Assim, o apóstolo estava exortando os irmãos a não darem espaço para as pessoas que querem destruir a igreja de Jesus com suas falsas doutrinas. Aquele que fizesse poderia ser considerado cúmplice das más obras desse falsos mestre. ( CNT – Tiago e epístolas de João - Simon Kistemaker p.513,514) 3. Segundo John Stott, João não estava proibindo o recebimento de visitantes casuaise normais, mas sim de mestres oficiais, que vinham com uma doutrina errada a ensinar. A esses, não se devia receber em casa, nem mesmo dar-lhes boas vindas. (I,II e III João – Introdução e Comentário – John Stott p.183). 4. C.H. Dodd diverge dos comentaristas acima. Ele defende que João estava proibindo a hospedagem de qualquer cristão devido um momento de emergência causado pelos falsos 22 mestres. Assim, não se deve entender o v.10 como uma ordem para hoje. (I,II e III João – Introdução e Comentário – John Stott p.183). Conclusão 4 – João tem em mente os falsos mestres (cf. 7-9), que viviam de casa em casa, buscando seduzir os crentes verdadeiros para si. O v.10 significa que os cristãos não deveriam receber esses homens, nem sequer dar-lhes boas vindas. Pois isso de- monstraria apoio nas más obras deles. 5. Conclusão Pronto. Agora basta escrever uma conclusão final para o texto analisado no es- tudo micro deinterpretação. 6. Comprovação Esse ponto é melhor aplicado no caso de um ensino amplo, como o significado de um parágrafo ou capítulo. Para frases, orações ou versículos pequenos sua aplicação não é impossível, mas pode ser bem mais difícil. Pois a ideia aqui é comprovar que sua última conclusão se encaixa na mensagem e propósito do livro, os quais você registrou no seu Estudo Macro, no passo da Observação. Para tanto, faça o seguinte: • Relacione sua conclusão final com a mensagem do Livro. Demonstre que sua conclusão faz sentido no todo do livro. • Relacione sua conclusão final com o propósito do Livro. Caso você encontre muita dificuldade em relacionar o ensino do seu texto com a mensagem ou propósito do livro então algo pode estar errado. Verifique se sua mensagem e propósito do livro estão corretas e depois verifique se seu estudo de interpretação micro seguiu todos os passos. ◦ Elabore uma Proposição Final O último passo da Interpretação é resumir o significado de seu texto em uma proposição (Tema central + Verbo + Complemento). Essa frase deve resumir o ensino básico da passagem. OBS.: É possível que o seu texto tenha palavras que necessitaram de um estudo mais profundo para que você as compreendesse melhor. Assim, ao construir sua proposição procure utilizar expressões que facilitem o entendimento do texto para um leitor que não teve todo o trabalho de pesquisa sobre o texto. Procure utilizar termos 23 auto explicativos, interpretativos (que revelam o significado). Por exemplo: Em vez de escrever “A justificação pela graça de Deus ocorre mediante a fé em Cristo”, escreva “A culpa do pecado é anulada pela graça de Deus mediante a fé em Cristo“, ou “A culpa pelo pecado é cancelada pelo favor imerecido de Deus por meio da confiança na pessoa e obra salvadora de Jesus”. Lembre-se que nesse momento nós devemos interpretar o texto, dizer o que significa. Portanto, a proposição final deve resumir seu entendimento do significado do texto. 1.1 APLICAÇÃO – COMO FUNCIONA? A Aplicação é o estágio mais negligenciado, porém, essencial no processo do estudo bíblico. Tudo o que foi feito até aqui deve caminhar na direção da prática, pois a Aplica- ção é o alvo de todo estudo bíblico. A conclusão da interpretação não significa o término do estudo. Infelizmente, muitos estudantes param antes da conclusão de seus estudos e perdem a praticidade que Deus espera de todo cristão. “O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas e não aumentar o nosso conhecimento.” W.Henrischen “O estudo Bíblico que não leva a aplicação é um aborto espiritual.” H. Hendriks A aplicação “é o conjunto de modos, maneiras ou jeitos de usar a verdade interpretada nos dias atuais, nas mais diferentes situações. Desta forma há somente uma interpretação verdadeira e correta para o texto, ainda que possa haver muitas aplicações possíveis.” (U. Crespo). Uma vez que o estudo bíblico conduz à aplicação, o estudante deve entender que durante o processo a Aplicação deve receber a mesma atenção que conferida à Observação e à Interpretação. SIGNIFICADO – Expressa o sentido natural e real do texto de modo impessoal. SIGNIFICÂNCIA – Expressa o valor do significado do texto para o leitor. Seria o mesmo que ouvir a explicação de um texto e perguntar: “i daí, o que isso tem a ver comigo?”. PRINCÍPIOS GERAIS PARA APLICAÇÃO 24 ◦ Aplicação deve ser baseada numa interpretação correta; ◦ Aplicações devem ser baseadas em princípios eternos; SITUAÇÃO PRINCÍPIO APLICAÇÃO HISTÓRICA ETERNO BÍBLICA Princípios eternos são verdades independentes do tempo e cultura, sendo aplicáveis tanto ao leitor do primeiro século quando a nós, hoje. Por exemplo: Deus deseja que seu povo seja santo, assim como Ele é santo. ◦ Aplicações apresentam limitações quanto a: ▪ Contexto ▪ História ▪ Cultura ▪ Outros ensinos bíblicos ◦ Princípio x Literalismo Princípio = base, fundamento Literalismo = “ao pé da letra” O que pode nos auxiliar a descobrir qual o princípio por trás do texto é perguntar “por quê?”. • Perguntas Aplicativas Algumas perguntas podem ajudar na elaboração das aplicações de um estudo bíblico ou mensagem: 1. Há um exemplo a seguir? 2. Há uma ordem a obedecer? 3. Há um erro a evitar? 4. Há um pecado a abandonar? 5. Há alguma promessa para me apropriar? 6. Há um novo pensamento acerca de Deus? • Alvo das Aplicações Família: pai, mãe, filhos, irmãos, educação, disciplina... • Pessoas: adultos, idosos, jovens, adolescentes, crianças, homens, mulheres... 25 • Relacionamentos: casamento, noivado, namoro, amizade... • Grupos Sociais: classe média, classe baixa, profissionais liberais, autônomos... • Igreja: liderança, ministério, membros, novos convertidos... • Atividades: trabalho, estudo, curso, viagens, diversão, esportes, lazer, hobbies... • Necessidades: doença, desemprego, dívidas... • Formulação de Aplicações A aplicação deve ser vista como outra parte do Estudo e não, apenas, como uma simples conclusão ou desfecho. Assim como o estudante gasta tempo nos passos de Observação e Interpretação, precisa gastar tempo no preparo da Aplicação. Nem sempre a aplicação é tão fácil de se formular. Por isso, você pode desenvolvê-las observando os pontos abaixo: A Aplicação deve ser: ◦ Prática – Se refere ao “o quê” e “como”. Cuidado com ideias muito abstratas, por exemplo: “devo amar mais as pessoas”. Essa aplicação não está errada, porém, não está completa. ◦ Executável – Cuidado com a utopia, por exemplo: “vou me dedicar ao evangelismo traduzindo a bíblia inteira para as mais de 2000 tribos não alcançadas espalhadas pelo mundo”. ◦ Mensurável – é importante que você seja capaz de avaliar se você tem conseguido aplicar ou não os princípios bíblicos propostos. Esse ponto se refere ao “Quando?” e “Como?”. ◦ Pessoal – elabore uma aplicação pensando em você, e não em outras pessoas. Use sempre “eu”, não “nós”. 26 Para cada aplicação criada você deverá avaliar se ela atende todos os requisitos acima. Exemplo: 2 João 9-11 Princípio Extraído: Deus não deseja que eu ofereça qualquer tipo de cooperação para com aqueles que rejeitaram o evangelho e passaram a pregar outra mensagem que compete com Cristo, o nega e visa destruir a verdadeira igreja. Aplicações: 1. Não vou comprar o material que Testemunhas de Jeová me oferecem na por- ta de casa. 2. Ao conhecer um novo pastor ou igreja, avaliarei, por meio de conversas etestemunhos, se o pastor/igreja é realmente um propagador do verdadeiro evange- lho. Se for, estarei à disposição para ajudá-lo no que for possível. Se não, não oferece- rei nenhum tipo de apoio formal ou informal. 3. Não vou contribuir em campanhas de outras religiões, feitas para o seu pro- gresso ministerial. ANEXO 1 – GÊNEROS LITERÁRIOS A riqueza da revelação escrita de Deus pode ser vista na liberdade criativa que o Espírito Santo concedeu aos autores bíblicos. Essa liberdade criativa divinamente supervisionada implica, entre outras coisas, na variedade de gêneros ou estilos literá- rios contidos nas Escrituras Sagradas, de Gênesis ao Apocalipse. 27 Muito embora, grande parte da Bíblia registre histórias, nem toda Bíblia consiste de narrativas. O passo da observação exige a identificação do gênero literário que corresponde o texto ou passagem bíblica em estudo. 28 ANEXO 2 – CONJUÇÕES E PREPOSIÇÕES Conjunções Coordenativas 29 Principais Relações estabelecidas pelas Preposições ▪ Autoria - Esta música é de Roberto Carlos. 30 ▪ Lugar - Estou em casa. ▪ Tempo -Eu viajei duranteas férias. ▪ Modo ou conformidade - Vamos escolher por sorteio. ▪ Causa - Estou tremendo de frio ▪ Assunto - Não gosto de falar sobre política. ▪ Fim ou finalidade - Eu vim para ficar ▪ Instrumento - Paulo feriu- se com a faca. ▪ Companhia - Hoje vou sair com meus amigos. ▪ Meio - Voltarei a andar a cavalo. ▪ Matéria - Devolva-me meu anel de prata. ▪ Posse - Este é o carro de João. ▪ Oposição - O Flamengo jogou contra Fluminense. ▪ Conteúdo - Tomei um copo de (com) vinho. ▪ Preço - Vendemos o filhote de nosso cachorro a (por) R$ 300, 00. ▪ Origem - Você descende de família humilde. ▪ Especialidade - João formou-se em Medicina. ▪ Destino ou direção - Olhe para frente! Preposições, leitura e produção de textos A referência constante às preposições quando se estuda a Língua Portuguesa demonstra a importância que elas possuem na construção de frases e textos eficientes. As relações que as preposições estabelecem entre as apartes do discurso são tão diversificadas quanto imprescindíveis; seja em textos narrativos, descritivos ou dissertativos, noções como tempo, lugar, causa, assunto, finalidade e outras costumam participar da construção da coerência textual e da obtenção dos efeitos de sentido discursivos. 31 ANEXO 3 – ESTRUTURA LITERÁRIA Assim como toda literatura, cada livro bíblico possui uma estrutura literária (FLUXO), mas dentro do mesmo livro ou trecho, pode-se encontrar diferentes instrumentos: A análise da estrutura literária tem como objetivo identificar o fluxo do pensamento no texto, mostrando o relacionamento entre palavras, termos e sentenças dentro do seu sentido natural. Neste processo torna-se útil identificar os diferentes instrumentos da estrutura literária por meio de destaques com sinais gráficos para que o estudante visualize o fluxo e relacionamento entre termos e ideias no texto. Cuidado para não confundir GÊNERO LITERÁRIO e ESTRUTURA LITERÁ- RIA. O Gênero Literário revela o tipo de literatura, a Estrutura Literária, o “movimento interno” nesta literatura. 32 33 ANEXO 4 – ESBOÇO MECÂNICO Corresponde a uma análise sintática esquematizada, de modo que o estudante visualize no próprio texto o fluxo lógico e natural da sua estrutura gramatical. O pro- cesso consiste em: • Reescrever o texto completo (conforme a versão bíblica utilizada) • Escrever ideias principais à esquerda • Escrever ideias subordinadas à direita e debaixo das principais (atenção às orações subordinadas, às conjunções subordinativas, gerúndios etc.) • Analisar a estrutura gramatical (atenção aos verbos, modificadores e conectivos) • Destacar a análise da estrutura literária (atenção aos instrumentos da estrutura literária – cf. Anexo 3) IMPORTANTE: esta técnica é muito útil para análise do fluxo de argumenta- ções, como as EPÍSTOLAS, não sendo muito apropriado para narrativas, poesias e profecias, muito embora em alguns destes casos seja possível sua utilização. EXEMPLOS: Pedro obteve notas no seu curso excelentes porque estudou muito a fim de concorrer a uma bolsa de estudos integral . Porém , João ficou abaixo da média muito geral e desperdiçou o melhor dos seu tempo livre saindo com amigos assistindo televisão navegando na Internet. 34 ANEXO 5 – ADVÉRBIOS Compare estes exemplos: “O ônibus chegou”. | “O ônibus chegou ontem”. A palavra ontem acrescentou ao verbo chegou uma circunstância de tempo: ontem é um advérbio. “Marcos jogou bem”. | “Marcos jogou muito bem”. A palavra muito intensificou o sentido do advérbio bem: muito, aqui, é um advérbio. A criança é linda. Advérbio é uma palavra invariável que modifica o sentido do verbo, do adjetivo e do próprio advérbio. Ef 6.10-13 Ef 6.1-4 35 Às vezes, um advérbio pode se referir a uma oração inteira; nessa situação, normalmente transmitem a avaliação de quem fala ou escreve sobre o conteúdo da oração. Por exemplo: As providências tomadas foram infrutíferas, lamentavelmente. Quando modifica um verbo, o advérbio pode acrescentar várias ideias, tais como: Tempo: Ela chegou tarde. Lugar: Ele mora aqui. Modo: Eles agiram mal. Negação: Ela não saiu de casa. Dúvida: Talvez ele volte. Observações: Os advérbios que se relacionam ao verbo são palavras que expressam circunstâncias do processo verbal, podendo assim, ser classificados como determinantes. Por exemplo: “Ninguém manda aqui!” mandar: verbo aqui: advérbio de lugar = determinante do verbo Quando modifica um adjetivo, o advérbio acrescenta a ideia de intensidade. Por exemplo: “O filme era muito bom”. Classificação dos Advérbios De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode ser de: Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distância, à distância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta. Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia. Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, depressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão e a maior parte dos que 36 terminam em "-mente": calmamente, tristemente, propositadamente, pacientemente, amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosamente, generosamente. Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto, efetivamente, certo, decididamente, deveras, indubitavelmente. Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum. Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe. Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em excesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo, extremamente, intensamente, grandemente, bem (quando aplicado a propriedades graduáveis). Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo: Brando, o vento apenas move a copa das árvores. Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, também. Por exemplo: O indivíduo também amadurece durante a adolescência. Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer aos meus amigos por comparecerem à festa. FIM