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<p>MIRIAN CELESTE MARTINS GISA PICOSQUE M. TEREZINHA TELLES GUERRA TEORIA E PRÁTICA DO ENSINO DE ARTE A LÍNGUA DO MUNDO FTD TEORIA E PRÁTICA</p><p>TEORIA E PRÁTICA DO ENSINO DE ARTE A LÍNGUA DO MUNDO MIRIAN CELESTE FERREIRA DIAS MARTINS Transita no território de formação de educadores, sempre envolvendo arte&cultura em ações pedagógicas e em publicações e materiais educativos. Professora e enlaçando espaços. andarilhou Em pelo Instituto de Artes/UNESP, Faculdade Santa Marcelina e Espaço Pedagógico, entre Cultura, outros Universidade Presbiteriana Mackenzie na pós-graduação em Educação, Arte e História da hoje da já instituições culturais parceria e com educacionais, Gisa Picosque sempre impulsiona com a íntima a Rizoma e amorosa Cultural atenção na sua à produção de projetos para arte, cultura e educação. GISA PICOSQUE (GISELDA MARIA PICOSQUE) consultora Paulistana. Transita no território da arte&cultura. Prisioneira do gerúndio está sempre sendo. Rizoma na sua produção de projetos para instituições culturais e educacionais, sempre com impulsiona a íntima a Cultural e escrevedora de artigos e materiais Em parceria com Mirian Celeste Professora, e amorosa atenção à arte, cultura e educação. MARIA TEREZINHA TELLES GUERRA de textos, de materiais Atua como consultora e assessora em diferentes instituições, na produção e e projetos de educadores. educativos Atualmente na área de desenvolve Arte, Educação trabalhos e Cultura, no CENPEC assim e como na Pinacoteca na publicação formação do Estado de São Paulo, entre de FTD TEOR</p><p>Teoria Copyright e prática Mirian do ensino Celeste de Martins, Arte - A Gisa língua Picosque do mundo e M. Terezinha Telles Guerra, 2010 Todos os direitos de edição reservados à EDITORA FTD S.A. Matriz: 01326-010 Rua Rui Barbosa, Telefone 156 (0-XX-11) (Bela Vista) 3598-6000- São Paulo Fax SP (0-XX-11) 3598-6314 CEP Caixa Postal 65149 - CEP da Caixa Postal 01390-970 Internet: http://www.ftd.com.br E-mail: ciencias.sociais@ftd.com.br Diretora editorial Silmara Sapiense Vespasiano Editor Lafayette Megale Edição de texto Lucila Vrublevicius Segóvia Assistente de produção Lilia Pires Assistente editorial Cláudia Casseb Sandoval Preparadora Lucila Vrublevicius Segóvia Revisora Caren Inoue Colaboração (música) Teca Alencar de Brito Rocha Coordenador de produção editorial Caio Leandro Rios Editor de arte, projeto gráfico e capa Roque Michel Jr. Ilustradora Rosiane Oliveira (capa) Iconografia Coordenadora Sônia Oddi Pesquisa Célia Rosa Assistência Cristina Mota Diagramação Herbert Tsuji da Silva Tratamento de imagens Eziquiel Racheti Vânia Aparecida Maia de Oliveira Gerente de pré-impressão Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Reginaldo Soares Damasceno (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Teoria e prática do ensino de arte : a do mundo Guerra. Martins, Mirian Celeste Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque, M. Terezinha Telles São Paulo : FTD, 2010. - (Coleção teoria e prática) Bibliografia. ISBN 978-85-322-5610-2 1. Arte (Ensino fundamental) 1. Picosque, Gisa. II. Guerra, M. Terezinha Telles. III. Título. IV. CDD-372.5 09-11863 Índices para catálogo sistemático: 1. Arte : Ensino fundamental 372.5</p><p>PARTE I A linguagem da arte ENSINO DE DO MUNDO</p><p>New of of Deem. School of 1987. 1 professoras de arte e convidamos você a andarilhar conosco por da arte e da cultura para poetizar, fruir e conhecer arte. as linguagens da arte que nos fazem vivenciar na vida e na sala de emoção, a sensibilidade, o pensamento, a criação, seja através de nossa produção, seja através das obras dos mais diversos autores e artistas. norte-americano George Deem traz As Meninas, de Velázquez, a sala de aula. Nós levamos essa obra até você. E sobre a importância de potencializar o estudo da arte na escola que nossa conversa.</p><p>PRA INÍCIO DE CONVERSA A vida só é possível Cecília Meireles Tempo. História. Um passeio por paisagens históricas sobre o en- sino de arte nos permite ver os aspectos que formam as operações culturais produzidas antes de nós, para tornar possível, hoje, a arte na escola. O ensino de arte pela janela do tempo Desde o tempo do achamento europeu do Brasil, recebemos influências de várias culturas, que foram incorporadas, metabolizadas por nós, configurando a diversidade da cultura brasileira expressa nas nossas singularidades O que mais caracteriza a unidade e a diversidade de um país, se não sua música, seu teatro, suas formas e cores, sua dança, folclore, poesia? Nessas manifestações, sempre fruto de um amálgama cultural, é que estão mais forte- mente gravados os sentimentos e pensamentos de um povo. Uma referência importante para a compreensão do ensino de arte no Brasil é a célebre Missão Artís- tica Francesa trazida, em 1816, por dom João VI. Foi criada, então, a Academia Imperial de Belas-Artes, que, após a proclamação da República, passou a ser chamada de Escola Nacional de Belas-Artes. O ponto forte dessa escola era o desenho, com a valorização da cópia fiel e a utilização de modelos europeus. O Brasil, especialmente em Minas Gerais, vivia naquele tempo a explosão do Barroco, mas o Neo- classicismo trazido pelos franceses é que foi assumi- do pelas elites e classes dirigentes como o que havia de mais "moderno" A arte adquiriu a conotação de somente ao alcance de uma elite privilegia- da que desvalorizava as manifestações artísticas que Academia Imperial de Belas-Artes, não seguiam esses padrões. Rio de Janeiro. A partir dessa época, temos uma história do en- sino da arte com ênfase no desenho, pautada por uma concepção de ensino autoritária, centrada na valorização do produto e na figura do professor como dono absoluto da verdade. Sua mesa ficava sobre uma plataforma mais alta, para marcar bem a "diferença" Ensinava-se a piar modelos a classe toda apresentava o mesmo desenho -, e o objetivo do professor era que seus alunos tivessem boa coordenação motora, precisão, aprendessem técnicas e adquirissem hábitos de limpeza e ordem nos trabalhos que e que estes, de alguma forma, fossem úteis na preparação para a vida profissio- nal, já que eram, na sua maioria, desenhos técnicos ou geométricos. O desenho deveria servir à ciência e à produção industrial, utilitária. O ensino da música teve pouca projeção nas escolas até mais ou menos 1950, quando começou a fazer parte do currículo. Limitava-se a aulas de sol- 10 ENSINO DE ARTE A DO MUNDO</p><p>fejo, canto orfeônico e memorização dos hinos pátrios. Nessa época, surgiam também algumas disciplinas como "artes domésticas", "trabalhos manuais" e "artes industriais", em cujas aulas os meninos eram separados das meninas, pois havia artes "femininas" bordado, tricô, roupinhas de bebê, aulas de etiqueta etc. - e artes "masculinas" geralmente executadas com madeira, ser- rote, serrinhas, martelo: bandejas, porta-retratos, descansos de prato, sacolas de barbante, tapetes de sisal. Surge na década de 1930, com influências ampliadas nos anos de 1960 pelos ainda recentes estudos sobre a criatividade, o movimento denomi- nado Escola Nova, já presente na Europa e nos Estados Unidos desde final do século XX. A influência da pedagogia centrada no aluno, nas aulas de arte, direcionou ensino para a livre expressão e a valorização do processo de traba- lho. O papel do professor era dar oportunidades para que o aluno se expressas- se de forma espontânea, pessoal, o que vinha a ser a valorização da criatividade como máxima no ensino da arte. Dentre os teóricos que fundamentaram esta pedagogia, destacam-se John Dewey, Viktor Lowenfeld e Herbert Read. No Brasil, Mário de Andrade colecionou desenhos infantis, e artistas como Anita Malfatti, Flávio de Carvalho e Augusto Rodrigues contribuíram para a valoriza- ção da produção das crianças. Em 1931, Dewey, aos 72 anos, publica Art as experience (com tradução no Brasil do terceiro capítulo Tendo uma experiência). Atualmente o pensamento de John Dewey sobre a arte e a experiência estética vem sendo revisitado por estudiosos do ensino de arte. Na prática escolar, esses princípios muitas vezes refletiam uma concepção centrada na valorização extrema do processo sem preocupação com os seus resultados. Como todo processo artístico deveria "brotar" do alu- no, o conteúdo dessas aulas era quase exclusivamente um "deixar-fazer" que muito pouco acrescentava ao aluno em termos de aprendizagem de arte. A tendência tecnicista está presente na Lei 5.692, de 1971, que introdu- ziu o componente curricular Educação Artística. A lei, determinando que nessa disciplina fossem abordados conteúdos de música, teatro e artes plásticas nos cursos de 1° e 2° graus, acabou criando a figura de um professor único que deveria dominar todas essas linguagens de forma competente. De fato, uma série de desvios vem comprometendo ensino da arte. Ainda é comum essas aulas serem confundidas com lazer, terapia, descanso das aulas "sérias", momento para fazer a decoração da escola, as festas, comemorar determinada data cívica, preencher desenhos mimeografados ou retirados do computador, fazer o presente do Dia dos Pais, pintar coelho da Páscoa e a de Natal. Memorizam-se algumas "musiquinhas" para fixar conteúdos de Ciências, fazem-se "teatrinhos" para entender os conteúdos de História e "desenhinhos" para aprender a contar. Arte é conhecimento A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n° 9.394), apro- vada em 20 de dezembro de 1996, estabelece em seu artigo 26, parágrafo "O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos 11 DA ARTE</p><p>Um dos momentos do projeto Arte em família, realizado pelo Museu Lasar Segall (SP). Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Arte: "São caracte- rísticas desse novo marco curricular as reivindicações de identificar a área por arte (e não mais por educação artística) e de incluí-la na estrutura curricular como área com conteúdos próprios ligados à cultura artística, e não apenas como Assim, a arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através dos tem- pos, a arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber. Tratar a arte como conhecimento é o ponto fundamental e condição indis- pensável para esse enfoque do ensino de arte, que vem sendo trabalhado há anos por muitos arte-educadores. Ensinar arte significa articular três campos conceituais: a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento da pro- dução artístico-estética da humanidade, compreendendo-a histórica e cultural- mente. Esses três campos conceituais estão presentes nos PCN-Arte e, respecti- vamente, denominados produção, fruição e reflexão. Arte: os mundos da cultura no mundo da escola Ernst Fischer, em seu livro A necessidade da arte (1976, p. 12), diz: Milhões de pessoas leem livros, ouvem música, vão ao teatro e ao cinema. Por quê? Dizer que procuram distração, divertimento, a re- laxação, é não resolver o problema. Por que distrai, diverte e relaxa o mergulhar nos problemas e na vida dos outros, o identificar-se com uma pintura ou música, o identificar-se com tipos de um romance, de uma peça ou filme? Por que reagimos em face dessas "irrealidades" como se elas fossem a realidade intensificada? Que estranho, misterioso divertimento é E se alguém nos responde que almejamos escapar de uma existência insatisfatória para uma existência mais rica através de uma experiência sem riscos, então uma nova pergunta se apresenta: por que nossa própria existência não nos basta? Por que esse desejo de ENSINO DE ARTE A LÍNGUA DO MUNDO 12</p><p>completar a nossa vida incompleta através de outras figuras e de outras formas? Por que, da penumbra do auditório, fixamos nosso olhar ad- mirado em um palco iluminado, onde acontece algo que é fictício e que tão completamente absorve nossa atenção? É claro que o homem quer ser mais do que ele mesmo. Quer ser um homem total. Não lhe basta ser um indivíduo separado; além da parcialidade da sua vida individual, anseia uma "plenitude" que sente e tenta alcançar, uma plenitude de vida que lhe é fraudada pela individu- alidade e todas as suas limitações; uma plenitude na direção da qual se orienta quando busca um mundo mais compreensível e mais justo, um mundo que tenha significação. Desde a época em que habitava as cavernas, ser humano vem manipulan- do cores, formas, gestos, espaços, sons, silêncios, superfícies, movimentos, lu- zes etc., com a intenção de dar sentido a algo, de comunicar-se com outro. A comunicação entre as pessoas e as leituras de mundo não se dá apenas por meio da palavra. Muito do que sabemos sobre o pensamento e o senti- mento das mais diversas pessoas, povos, países, épocas são conhecimentos que obtivemos única e exclusivamente por meio de suas músicas, teatro, poesia, pintura, dança, cinema etc. Como entender tais linguagens? Não é raro que alguém, frente a uma tela ou numa sala de concerto, teatro ou cinema, diga: "Isto é pintura?"; "Esta confusão de borrões até eu faço!"; "Isto é música? Uma barulheira infernal!"; Me dá sono!"; "Não entendi Na verdade, na maioria das vezes não entendemos nada mesmo! Algo se- melhante ocorre quando cai em nossas mãos um livro com textos em árabe, chinês, grego ou qualquer outro idioma que não compreendemos. Nossa rea- ção é idêntica: "Não entendi nada, não sei ler essa Para nos apropriarmos de uma linguagem, entendermos, interpretarmos e darmos sentido a ela, é preciso que aprendamos a operar com seus códigos. Do mesmo modo que existe na escola um espaço destinado à alfabetização na linguagem das palavras e dos textos orais e escritos, é preciso haver cuidado com a alfabetização nas linguagens da arte. É por meio delas que poderemos compreender mundo das culturas e nosso eu particular. Assim, mais fronteiras poderão ser ultrapassadas pela com- preensão e interpretação das formas sensíveis e subjetivas que compõem a hu- manidade e sua multiculturalidade, ou seja, modo de interação entre grupos étnicos e, em sentido amplo, entre culturas.</p><p>LINGUAGENS ARTE ENSINO FUNDAMENTAL 4.1.2. ARTE No Ensino Fundamental, componente curricular Arte está cen- trado nas seguintes linguagens: as Artes visuais, a Dança, a Música e Teatro. Essas linguagens articulam saberes referentes a pro- dutos e fenômenos artísticos e envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir sobre formas artísticas. A sensibilidade, a intuição, pensamento, as emoções e as subjetivi- dades se manifestam como formas de expressão no processo de aprendizagem em Arte. componente curricular contribui, ainda, para a interação crítica dos alunos com a complexidade do mundo, além de favorecer respeito às diferenças e diálogo intercultural, pluriétnico e plurilíngue, impor- tantes para exercício da cidadania. A Arte propicia a troca entre culturas e favorece reconhecimento de semelhanças e diferenças entre elas. Nesse sentido, as manifestações artísticas não podem ser reduzidas às produções legitimadas pelas instituições culturais e veiculadas pela mídia, tampouco a prática artística pode ser vista como mera aquisi- ção de códigos e técnicas. A aprendizagem de Arte precisa alcançar a experiência e a vivência artísticas como prática social, permitindo que os alunos sejam protagonistas e criadores. A prática artística possibilita compartilhamento de saberes e de produções entre os alunos por meio de exposições, saraus, espe- táculos, performances, concertos, recitais, intervenções e outras apresentações e eventos artísticos e culturais, na escola ou em outros locais. Os processos de criação precisam ser compreendi- dos como tão relevantes quanto os eventuais produtos. Além disso, compartilhamento das ações artísticas produzidas pelos alunos, em diálogo com seus professores, pode acontecer não apenas em eventos específicos, mas ao longo do ano, sendo parte de um tra- balho em processo. A prática investigativa constitui modo de produção e organiza- ção dos conhecimentos em Arte. É no percurso do fazer artístico que os alunos criam, experimentam, desenvolvem e percebem uma poética pessoal. Os conhecimentos, processos e técnicas produ- zidos e acumulados ao longo do tempo em Artes visuais, Dança, Música e Teatro contribuem para a contextualização dos saberes e das práticas artísticas. Eles possibilitam compreender as relações entre tempos e contextos sociais dos sujeitos na sua interação com a arte e a cultura.</p><p>BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR A BNCC propõe que a abordagem das linguagens articule seis dimensões do conhecimento que, de forma indissociável e simul- caracterizam a singularidade da experiência artística. Tais dimensões perpassam os conhecimentos das Artes visuais, da Dança, da Música e do Teatro e as aprendizagens dos alunos em cada contexto social e Não se trata de eixos temáticos ou categorias, mas de linhas maleáveis que se interpenetram, consti- tuindo a especificidade da construção do conhecimento em Arte na escola. Não há nenhuma hierarquia entre essas tampouco uma ordem para se trabalhar com cada uma no campo pedagógico. As dimensões são: Criação: refere-se ao fazer artístico, quando os sujeitos produzem e constroem. Trata-se de uma atitude intencional e investigativa que confere materialidade estética a ideias, desejos e representações em processos, acontecimentos e produções artísticas individuais ou coletivas. Essa dimensão trata do apreender que está em jogo durante fazer artístico, processo permeado por tomadas de decisão, entraves, desa- fios, conflitos, negociações e inquietações. Crítica: refere-se às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem, com base no estabelecimento de relações, por meio do estudo e da pesquisa, entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas. Essa dimensão articula ação e pensamento propositivos, envolvendo aspectos estéticos, históricos, filosóficos, sociais, econômicos e culturais. Estesia: refere-se à experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço, ao tempo, ao som, à ação, às imagens, ao próprio corpo e aos diferentes materiais. Essa dimensão articula a sensibilidade e a percepção, tomadas como forma de conhecer a si mesmo, outro e mundo. Nela, corpo em sua totalidade (emoção, percepção, intuição, sensibilidade e intelecto) é protagonista da experiência. Expressão: refere-se às possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos, tanto em âmbito individual quanto coletivo. Essa dimensão emerge da experiência artística com os elementos constitutivos de cada linguagem, dos seus vocabulários específicos e das suas materialidades.</p><p>LINGUAGENS - ARTE ENSINO FUNDAMENTAL Fruição: refere-se ao deleite, ao prazer, ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práti- cas artísticas e culturais. Essa dimensão implica disponibilidade dos sujeitos para a relação continuada com produções artís- ticas e culturais oriundas das mais diversas épocas, lugares e grupos sociais. Reflexão: refere-se ao processo de construir argumentos e ponde- rações sobre as as experiências e os processos criativos, artísticos e culturais. É a atitude de perceber, analisar e interpre- tar as manifestações artísticas e culturais, seja como criador, seja como leitor. A referência a essas dimensões busca facilitar processo de ensino e aprendizagem em Arte, integrando os conhecimentos do compo- nente curricular. Uma vez que os conhecimentos e as experiências artísticas são constituídos por materialidades verbais e não verbais, sensíveis, corporais, visuais, plásticas e sonoras, é importante levar em conta sua natureza vivencial, experiencial e subjetiva. As Artes visuais são os processos e produtos artísticos e cultu- rais, nos diversos tempos históricos e contextos sociais, que têm a expressão visual como elemento de comunicação. Essas manifesta- ções resultam de explorações plurais e transformações de materiais, de recursos tecnológicos e de apropriações da cultura cotidiana. As Artes visuais possibilitam aos alunos explorar múltiplas cultu- ras visuais, dialogar com as diferenças e conhecer outros espaços e possibilidades inventivas e expressivas, de modo a ampliar os limites escolares e criar novas formas de interação artística e de produção cultural, sejam elas concretas, sejam elas simbólicas. A Dança se constitui como prática artística pelo pensamento e sen- timento do corpo, mediante a articulação dos processos cognitivos e das experiências sensíveis implicados no movimento dançado. Os processos de investigação e produção artística da dança centram- -se naquilo que ocorre no e pelo corpo, discutindo e significando relações entre corporeidade e produção estética. Ao articular os aspectos sensíveis, epistemológicos e formais do movimento dançado ao seu próprio contexto, os alunos proble- matizam e transformam percepções acerca do corpo e da dança, por meio de arranjos que permitem novas visões de si e do mundo. Eles têm, assim, a oportunidade de repensar dualidades e binômios (corpo versus mente, popular versus erudito, teoria versus em favor de um conjunto híbrido e dinâmico de práticas.</p><p>BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR A Música é a expressão artística que se materializa por meio dos sons, que ganham forma, sentido e significado no âmbito tanto da sensi- bilidade subjetiva quanto das interações sociais, como resultado de saberes e valores diversos estabelecidos no domínio de cada cultura. A ampliação e a produção dos conhecimentos musicais passam pela percepção, experimentação, reprodução, manipulação e criação de materiais sonoros diversos, dos mais próximos aos mais distantes da cultura musical dos alunos. Esse processo lhes possibilita viven- ciar a música inter-relacionada à diversidade e desenvolver saberes musicais fundamentais para sua inserção e participação crítica e ativa na sociedade. Teatro instaura a experiência artística multissensorial de encontro com outro em performance. Nessa experiência, corpo é lócus de criação ficcional de tempos, espaços e sujeitos distintos de si pró- prios, por meio do verbal, não verbal e da ação física. Os processos de criação teatral passam por situações de criação coletiva e colabora- tiva, por intermédio de jogos, improvisações, atuações e encenações, caracterizados pela interação entre atuantes e espectadores. O fazer teatral possibilita a intensa troca de experiências entre os alunos e aprimora a percepção estética, a imaginação, a consciência corporal, a intuição, a memória, a reflexão e a emoção. Ainda que, na BNCC, as linguagens artísticas das Artes visuais, da Dança, da Música e do Teatro sejam consideradas em suas especi- ficidades, as experiências e vivências dos sujeitos em sua relação com a Arte não acontecem de forma compartimentada ou estanque. Assim, é importante que componente curricular Arte leve em conta diálogo entre essas linguagens, diálogo com a literatura, além de possibilitar contato e a reflexão acerca das formas estéticas híbri- das, tais como as artes circenses, cinema e a performance. Atividades que facilitem um trânsito criativo, fluido e desfragmen- tado entre as linguagens artísticas podem construir uma rede de interlocução, inclusive, com a literatura e com outros componentes curriculares. Temas, assuntos ou habilidades afins de diferentes com- ponentes podem compor projetos nos quais saberes se integrem, gerando experiências de aprendizagem amplas e complexas. Em síntese, componente Arte no Ensino Fundamental articula mani- festações culturais de tempos e espaços diversos, incluindo entorno artístico dos alunos e as produções artísticas e culturais que lhes são Do ponto de vista histórico, social e político, propi- cia a eles entendimento dos costumes e dos valores constituintes</p><p>LINGUAGENS - ARTE ENSINO FUNDAMENTAL das culturas, manifestados em seus processos e produtos artísticos, que contribui para sua formação integral. Ao longo do Ensino Fundamental, os alunos devem expandir seu repertório e ampliar sua autonomia nas práticas artísticas, por meio da reflexão sensível, imaginativa e crítica sobre os conteúdos artísti- e seus elementos constitutivos e também sobre as experiências de pesquisa, invenção e criação. Para tanto, é preciso reconhecer a diversidade de saberes, expe- riências e práticas artísticas como modos legítimos de pensar, de experienciar e de fruir a Arte, que coloca em evidência caráter social e político dessas práticas. Na BNCC de Arte, cada uma das quatro linguagens do componente curricular Artes visuais, Dança, Música e Teatro constitui uma unidade temática que reúne objetos de conhecimento e habilidades articulados às seis dimensões apresentadas anteriormente. Além dessas, uma última unidade temática, Artes integradas, explora as relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práti- cas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação. Nessas unidades, as habilidades são organizadas em dois blocos (1° ao 5° ano e ao 9° ano), com intuito de permitir que os sis- temas e as redes de ensino, as escolas e os professores organizem seus currículos e suas propostas pedagógicas com a devida ade- quação aos seus contextos. A progressão das aprendizagens não está proposta de forma linear, rígida ou cumulativa com relação a cada linguagem ou objeto de conhecimento, mas propõe um movi- mento no qual cada nova experiência se relaciona com as anteriores e as posteriores na aprendizagem de Arte. Cumpre destacar que os critérios de organização das habilidades na BNCC (com a explicitação dos objetos de conhecimento aos quais se relacionam e do agrupamento desses objetos em unidades temá- ticas) expressam um arranjo possível (dentre outros). Portanto, os agrupamentos propostos não devem ser tomados como modelo obrigatório para desenho dos currículos. Considerando esses pressupostos, e em articulação com as compe- tências gerais da Educação Básica e as competências específicas da área de Linguagens, componente curricular de Arte deve garantir aos alunos desenvolvimento de algumas competências específicas.</p><p>BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE PARA ENSINO FUNDAMENTAL 1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do seu entorno social, dos povos das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espaços, para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades. 2. Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições particulares de produção, na prática de cada linguagem e nas suas articulações. 3. Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e culturais especialmente aquelas manifestas na arte e nas culturas que constituem a identidade brasileira sua tradição e manifestações reelaborando- -as nas criações em Arte. 4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da Arte. 5. Mobilizar recursos como formas de registro, pesquisa e criação 6. Estabelecer relações entre arte, mídia, mercado e consumo, compreen- dendo, de forma e problematizadora, modos de produção e de circulação da arte na sociedade. 7. Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, intervenções e apresentações artísticas. 8. Desenvolver a autonomia, a a autoria e trabalho coletivo e colaborativo nas artes. 9. Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de mundo.</p><p>LINGUAGENS - ARTE ENSINO FUNDAMENTAL 4.1.2.1. ARTE NO ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS INICIAIS: UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES Ao ingressar no Ensino Fundamental - Anos Iniciais, os alunos viven- ciam a transição de uma orientação curricular estruturada por campos de experiências da Educação Infantil, em que as interações, os jogos e as brincadeiras norteiam processo de aprendizagem e desenvol- vimento, para uma organização curricular estruturada por áreas de conhecimento e componentes curriculares. Nessa nova etapa da Educação Básica, ensino de Arte deve asse- gurar aos alunos a possibilidade de se expressar criativamente em seu fazer investigativo, por meio da ludicidade, propiciando uma experiência de continuidade em relação à Educação Infantil. Dessa maneira, é importante que, nas quatro linguagens da Arte - integradas pelas seis dimensões do conhecimento artístico -, as experiências e vivências artísticas estejam centradas nos interesses das crianças e nas culturas infantis. Tendo em vista compromisso de assegurar aos alunos desen- volvimento das competências relacionadas à alfabetização e ao letramento, componente Arte, ao possibilitar acesso à leitura, à criação e à produção nas diversas linguagens artísticas, contribui para desenvolvimento de habilidades relacionadas tanto à lingua- gem verbal quanto às linguagens não verbais.</p>