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<p>DESCRIÇÃO</p><p>Apresentação de paradigmas para análise da teoria social de Burrell e Morgan; e de estudos de Ann Cunliffe sobre:</p><p>estruturas e designs organizacionais, tecnologia, controle e poder, estratégias e cultura organizacional; da gestão</p><p>como fonte de doença social.</p><p>PROPÓSITO</p><p>Compreender conceitos e autores importantes para o desenvolvimento do pensamento contemporâneo da</p><p>Administração e da gestão de organizações.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Identificar os paradigmas para análise da teoria social de Burrell e Morgan</p><p>MÓDULO 2</p><p>Reconhecer as perspectivas organizacionais contemporâneas de Ann Cunliffe</p><p>MÓDULO 3</p><p>Identificar a perspectiva crítica sobre a administração contemporânea de Vincent de Gaulejac</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Ao longo dos séculos, diversos estudiosos se debruçaram sobre o objetivo de compreender as organizações e tudo</p><p>aquilo que as cercam. Isso acontece porque as organizações são muitas coisas ao mesmo tempo.</p><p>Elas são complexas e têm muitas facetas. Além disso, são paradoxais e, por isso, os desafios enfrentados pelos</p><p>administradores e diferentes profissionais, muitas vezes, são tão difíceis.</p><p>Nesse sentido, é fundamental compreender quais são as teorias que procuram entender ou explicar as organizações.</p><p>Por exemplo, para que um administrador possa atingir maior eficácia em seu trabalho, precisa desenvolver a</p><p>capacidade de ler as organizações sob diferentes perspectivas. E, além isso, possuir a habilidade de identificar e usar</p><p>diferentes abordagens para a administração e organização.</p><p>Administradores aptos nessa leitura das organizações têm a capacidade de permanecerem abertos e flexíveis, livres</p><p>de julgamentos imediatos, até que surja uma visão mais abrangente da situação.</p><p>As coisas ocorrem assim, porque estão inteirados de que, ao abordarem determinadas situações sob ângulos</p><p>diferentes, é possível identificar novos pontos de vista. Além disso, uma leitura variada e ampla das situações</p><p>organizacionais pode criar um conjunto diversificado de possibilidades de ações.</p><p>Com isso em mente, nesse material, vamos conhecer diferentes perspectivas contemporâneas acerca das</p><p>organizações e suas complexidades.</p><p>MÓDULO 1</p><p> Identificar os paradigmas para análise da teoria social de Burrell e Morgan</p><p>A TEORIA SOCIAL</p><p>Provavelmente, você já estudou sobre algumas teorias organizacionais, como as clássicas, comportamentais ou</p><p>sistêmicas. Em cada uma dessas teorias, um conjunto de pesquisadores assumiu como verdadeiras determinadas</p><p>premissas.</p><p>Segundo Morgan (2005):</p><p>PARA ENTENDERMOS A NATUREZA DA ORTODOXIA NA TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES, FAZ-SE</p><p>NECESSÁRIO ENTENDER O RELACIONAMENTO ENTRE OS MODOS ESPECÍFICOS DE TEORIZAÇÃO E</p><p>PESQUISA, E AS VISÕES DE MUNDO QUE ELES REFLETEM.”</p><p>Por isso, é importante compreender a lente teórica utilizada por aquele grupo de pesquisadores para que possamos</p><p>entender ao que ela se refere.</p><p>A teoria social proposta por Burrell e Morgan (1979) afirma que existem quatro paradigmas-chave. E estes são</p><p>baseados em diversos conjuntos de pressupostos de uma metateoria acerca da natureza da ciência social e da</p><p>sociedade.</p><p>Dessa forma, os quatro paradigmas propostos pelos autores são baseados em visões do mundo social</p><p>respectivamente exclusivas. Ou seja, cada uma delas se posiciona em seu próprio campo e gera sua análise</p><p>específica distintiva da vida social.</p><p>Quando falamos de paradigmas, devemos compreendê-los como realidades alternativas que guiam nossas ações e</p><p>pesquisas em determinados momentos de nossas vidas. Isso faz com que enxerguemos a realidade de outra maneira,</p><p>ou seja, por meio de outra lente.</p><p>Nesse sentido, paradigmas são modelos ou padrões que servem como referência para explicar ou ensinar a lidar com</p><p>algum evento</p><p>PARADIGMAS PROPOSTOS POR BURREL E MORGAN</p><p>Em seu livro Sociological Paradigms and Organisational Analysis, Burrell e Morgan (1979) apresentaram uma estrutura</p><p>composta de quatro paradigmas para analisar a teoria social.</p><p>Esses 4 modelos são distribuídos entre: funcionalista, interpretativo, estruturalismo radical e humanismo radical.</p><p>Também estão representados no quadro 1 os 4 eixos: sociologia da mudança radical e sociologia da regulação social;</p><p>subjetivo e objetivo.</p><p>Sociologia da mudança radical</p><p>Subjetivo</p><p>Humanismo radical Estruturalismo radical</p><p>Objetivo</p><p>Interpretativo Funcionalista</p><p>Sociologia da regulação social</p><p> Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>Quadro 1. Quatro paradigmas para análise da teoria social. Fonte: Adaptado e traduzido de: BURRELL; MORGAN,</p><p>1979.</p><p>Em seu estudo, os autores Burrell e Morgan (1979) sobrepunham dois eixos: um representaria os pressupostos</p><p>metateóricos sobre a natureza da ciência, opondo a ciência “objetivista” à ciência “subjetivista”; enquanto o outro</p><p>simbolizaria as premissas metateóricas sobre a natureza da sociedade, contrastando uma sociologia da “regulação” a</p><p>uma sociologia da “mudança radical”.</p><p>METATEÓRICOS</p><p>A metateoria pode ser definida como a área do conhecimento que formula teorias sobre a própria teoria de uma</p><p>determinada ciência. É considerada como o equivalente à epistemologia (teoria do conhecimento). A teoria cria</p><p>postulados e princípios para uma determinada área do conhecimento e analisa e discute esses postulados.</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Os 4 paradigmas são categorizados em função de 4 pressupostos:</p><p>Fonte: Autor/Shutterstock</p><p>Ontologia, como é a realidade a ser investigada;</p><p>Fonte: Autor/Shutterstock</p><p>Epistemologia, como o conhecimento é obtido;</p><p>javascript:void(0)</p><p>Fonte: Autor/Shutterstock</p><p>Natureza humana, relação do ser humano com seu ambiente;</p><p>Fonte: Autor/Shutterstock</p><p>Metodologia, como abordar o objeto de pesquisa.</p><p>ONTOLOGIA</p><p>Ontologia é a área da Filosofia que estuda a natureza do ser, da existência e da própria realidade.</p><p>Esses 4 pressupostos vão definir a natureza da ciência no que se refere aos critérios de objetividade e subjetividade.</p><p>Nesse sentido, os autores consideram que diferentes ontologias, epistemologias e modelos de natureza humana</p><p>levam os cientistas a metodologias diferentes.</p><p>A seguir, vamos explicar os dois eixos e os quatro paradigmas ilustrados no quadro 1:</p><p>DOIS EIXOS — QUATRO PARADIGMAS</p><p>As expressões “regulação” e “mudança radical”, sugeridas por Burrell e Morgan (1979), podem ser compreendidas</p><p>como ordem e conflito, respectivamente. Enquanto a ordem visa a estabilidade, a integração, a coordenação funcional</p><p>e o consenso; a mudança radical visa a mudança, o conflito, a desintegração e a coerção.</p><p>O eixo da sociologia da mudança radical versus a sociologia da regulação está relacionado com o movimento que vai</p><p>da ordem ao conflito.</p><p>No caso do eixo da mudança radical</p><p>Refere-se à desintegração e coerção, privação, favorecendo a mudança drástica; os conflitos estruturais; o</p><p>questionamento aos modos de autoridade e poder, ao contrassenso; a autonomia e as capacidades. A mudança</p><p>radical está interessada na emancipação do homem de suas estruturas, ou seja, daquelas que limitam e impedem seu</p><p>potencial de desenvolvimento.</p><p></p><p>O eixo da regulação</p><p>Se refere à estabilidade, integração e a conformidade, o que favorece a continuidade da ordem social integrada e</p><p>congruente, da solidariedade e das necessidades de satisfação.</p><p>É uma sociologia interessada na necessidade de regulação das ações humanas. Seus questionamentos focam na</p><p>necessidade de se entender o motivo que faz com que a sociedade seja mantida como uma entidade em vez de</p><p>desmoronar. Posto de outro modo, está interessado em compreender as forças sociais que impedem que a visão</p><p>hobbesiana se torne realidade.</p><p>VISÃO HOBBESIANA</p><p>A visão hobbesiana do homem é que ele é um ser mau por natureza. Ele nasce com um único direito natural à</p><p>vida e fará de tudo para perpetuá-lo, até mesmo matar aqueles que se colocarem em seu caminho.</p><p>Em relação ao eixo objetividade versus subjetividade, quando os autores falam de uma visão objetivista do mundo</p><p>social, estão se referindo a uma estrutura concreta. E esta enfatiza a importância</p><p>2011.</p><p>CUNLIFFE, A. L. Organization theory. Londres: SAGE, 2008.</p><p>GAULEJAC, V. Gestão como doença social. Rio de Janeiro: Ideias Letras, 2007.</p><p>HATCH, M. J.; CUNLIFFE, Ann L. Organization theory: moerns, symbolic and postmoderm perspectives. 3. ed.</p><p>Oxford, 2013.</p><p>MORGAN, G. Imagens da organização. Trad. Geni G. Goldschmit. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.</p><p>MORGAN, G. Paradigmas, metáforas e resolução de quebra-cabeças na teoria das organizações. In: Revista de</p><p>Administração de Empresas, São Paulo, v. 45, n. 1, pp. 58-71, [1980] 2005.</p><p>PORTER, M. Estratégia competitiva. São Paulo: Elsevier Brasil, 2004.</p><p>EXPLORE+</p><p>Assista ao filme norte-americano Gattaca — a experiência genética, de 1997, com direção Andrew Niccol, para</p><p>observar alguns conceitos que vimos neste tema empregados na narrativa cinematográfica.</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Prof.ª Dr.ª Aline dos Santos Barbosa</p><p> CURRÍCULO LATTES</p><p>javascript:void(0);</p><p>javascript:void(0);</p><p>Estratégia de custo:</p><p>de estudar a natureza das relações</p><p>entre os elementos que constituem aquela estrutura.</p><p>O conhecimento do mundo social exige o entendimento da estrutura social com ênfase na análise empírica (por meio</p><p>da experiência) de relações concretas em um mundo social externo.</p><p>A objetividade é caracterizada por tratar o mundo social exatamente como se fosse natural. Posto de outro modo, os</p><p>objetivistas usam o mundo biológico e físico como fonte de analogias para estudar o mundo social, como uma fonte de</p><p>hipóteses e de insights.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Podemos citar as teorias de Taylor e Fayol como fundamentadas em pressupostos objetivistas. Nelas, o mundo das</p><p>organizações é tratado como um fenômeno natural, ou seja, é caracterizado por uma realidade concreta que pode ser</p><p>sistematicamente investigada de modo a revelar suas regularidades subjacentes.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Por isso, aos trabalhadores foi atribuído um papel essencialmente passivo e seu comportamento no trabalho era visto</p><p>como determinado pela situação em que ele era exposto, e não ao contrário.</p><p>Opostamente, a visão subjetiva encara a realidade como uma projeção da imaginação humana. Isso quer dizer que a</p><p>importância está na compreensão dos processos pelos quais os seres humanos concretizam sua relação com seu</p><p>próprio mundo.</p><p> EXEMPLO</p><p>Podemos citar as teorias das relações humanas e comportamentais como fundamentadas em pressupostos</p><p>subjetivistas. Pois estas defendem que o comportamento humano não pode ser tratado como um fenômeno previsível,</p><p>como as escolas anteriores afirmavam. O homem é complexo e dotado de imprevisibilidades, por isso, uma visão mais</p><p>subjetiva acerca das situações que o envolvem na organização.</p><p>Até aqui, podemos observar que os pressupostos sobre a natureza da ciência estão representados por dois eixos:</p><p>subjetivo e objetivo. E que quando relacionados à natureza da sociedade estão divididos entre: regulação e mudança</p><p>radical, como pode ser visto no quadro 1.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Os paradigmas fornecem uma maneira de identificar similaridades básicas e diferenças nos trabalhos dos vários</p><p>pesquisadores e em seus quadros de referência. Também oferece um meio de localizar o seu próprio ponto de contato</p><p>com a teoria social.</p><p>Nesse sentido, ele propicia um meio de entender o motivo pelo qual certas teorias e perspectivas podem ser mais</p><p>atrativas do que outras. Além disso, como um mapa, serve de ferramenta para estabelecer onde está, esteve e para</p><p>onde é possível ir no futuro.</p><p>Um ponto importante sobre os 4 paradigmas é que eles são mutuamente exclusivos, ou seja, oferecem pontos de vista</p><p>alternativos sobre a realidade social.</p><p>O PARADIGMA DO HUMANISMO RADICAL</p><p>Este paradigma é definido por causa do seu interesse em desenvolver a sociologia da mudança radical a partir de um</p><p>ponto de vista subjetivista. Nele, o mundo é visto a partir de uma perspectiva nominalista, antipositivista, voluntarista</p><p>e ideográfica.</p><p>Possui uma visão da sociedade que enfatiza a importância de destruir ou de transcender as limitações dos arranjos</p><p>sociais existentes.</p><p>NOMINALISTA</p><p>Relativo ou pertencente ao nominalismo — doutrina medieval que afirma a irrealidade e o caráter meramente</p><p>abstrato dos universais (conceitos, ideias gerais, termos abrangentes), que são, desse modo, caracterizados</p><p>como nomes, entidades linguísticas sem existência autônoma ou simples meios convencionais para a</p><p>compreensão dos objetos singulares.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>ANTIPOSITIVISTA</p><p>O antipositivismo se refere a tudo aquilo que é contrário ao paradigma positivista. Ele rejeita o empirismo e a</p><p>pretensão positivista que professa a existência de unidade metodológica entre as diferentes ciências.</p><p>Aqui, a consciência humana é dominada pelas estruturas ideológicas com as quais interage, sendo responsáveis pelo</p><p>próprio indivíduo e sua verdadeira consciência. Esse assunto é tratado pelos teóricos com o intuito de livrar o ser das</p><p>restrições que os esquemas sociais colocam sobre o desenvolvimento humano. Portanto, critica-se o estado das</p><p>coisas.</p><p>Além disso, entende a sociedade como anti-humana e busca articular meios para que os indivíduos consigam</p><p>ultrapassar os vínculos e as correntes que os prendem aos padrões sociais existentes para, assim, realizarem seu</p><p>potencial pleno.</p><p>Fonte: patrice6000/Shutterstock</p><p>Esse paradigma enfatiza a mudança radical dos modos de autoridade e poder, da autonomia, potencialidade e</p><p>privação. A consciência humana é a principal ênfase do humanismo radical.</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Tupungato/shutterstock</p><p>É por meio dos estudos de Karl Marx que a tradição idealista foi utilizada como base da filosofia social radical. E, a</p><p>partir disso, é derivada a inspiração dos estudiosos humanistas radicais. Marx inverteu o quadro de referência refletido</p><p>no idealismo hegeliano, forjando, assim, a base do humanismo radical.</p><p>Stefano Chiacchiarini/shutterstock</p><p>Pesquisadores e pensadores — como Luckács e Gramsci — fazem renascer o interesse na interpretação subjetiva da</p><p>teoria Marxista. Essa importância foi devolvida pelos membros da Escola de Frankfurt, em especial por Habermas e</p><p>Marcuse. A filosofia existencialista de Sartre também pertence a esse paradigma.</p><p>É possível perceber que cada um desses pensadores divide um interesse comum pela libertação da consciência e da</p><p>experiência de autoridade.</p><p>Isso pode ser verificado pelos vários aspectos da superestrutura ideológica do mundo social em que os indivíduos</p><p>vivem fora de suas vidas. Eles buscam mudar o mundo social por meio da mudança nos modos de cognição e</p><p>consciência.</p><p>O PARADIGMA DO ESTRUTURALISMO RADICAL</p><p>Aqui, os pensadores defendem a sociologia da mudança radical sob o ponto de vista objetivista. Embora esse</p><p>paradigma possua muitas similaridades com a teoria funcionalista, este é dirigido para fins fundamentalmente distintos.</p><p>O estruturalismo radical busca, como diz o próprio nome, a mudança radical, a autonomia e a potencialidade. E dá</p><p>ênfase no conflito estrutural, nos tipos de autoridade, na contradição e na privação do ponto de vista realista,</p><p>positivista, determinista e nomotético.</p><p></p><p>Enquanto o paradigma do humanismo radical manipula sua perspectiva como foco na consciência, o estruturalismo</p><p>radical se concentra nas relações estruturais dentro de um mundo social real.</p><p>NOMOTÉTICO</p><p>Relativo ao método que formula leis gerais para o entendimento de um determinado evento, de uma</p><p>circunstância ou de um objeto.</p><p>Posto de outro modo, os estruturalistas enfatizam que a mudança radical é construída na verdadeira natureza e</p><p>estrutura da sociedade contemporânea. E ainda buscam prover explanações das inter-relações básicas dentro do</p><p>contexto total das formações sociais.</p><p>A principal fonte de debate intelectual desse paradigma provém dos trabalhos de Karl Marx, após a “quebra</p><p>epistemológica” em seu trabalho. Dentro da teoria social russa, destacam-se os nomes de Plekhanov, Lênin e</p><p>Bukarin. Há, também, a forte influência weberiana, por meio dos trabalhos de Darhrendorf e Lockwood, além de</p><p>outros.</p><p>QUEBRA EPISTEMOLÓGICA</p><p>Dentro do contexto da sociologia da mudança radical, tem havido uma divisão entre os teóricos que adotam os</p><p>pontos de vista subjetivo e objetivo da sociedade. Este debate foi, em grande medida, liderado pela publicação,</p><p>na França (1966), e na Inglaterra (1969), do trabalho de Louis Althusser, que chamou a atenção para a “quebra</p><p>epistemológica” do trabalho de Marx. Isso enfatizou a polarização dos teóricos marxistas em dois campos:</p><p>aqueles que ressaltavam os aspectos subjetivos (por exemplo, Lukács, e a Escola de Frankfurt); e aqueles que</p><p>advogavam mais abordagens objetivas, tais como as daqueles associados ao estruturalismo althussiano.</p><p>O PARADIGMA INTERPRETATIVO</p><p>Este busca entender o mundo como ele é, e esse entendimento social está no nível da experiência subjetiva.</p><p>Por isso,</p><p>ele busca explicação dentro da consciência individual e da subjetividade. Isto é: a partir da perspectiva participante e</p><p>não do observador da ação.</p><p>É um paradigma nominalista, voluntarista e ideográfico. Por meio dele, é possível ver o mundo social como um</p><p>processo social que foi criado pelos indivíduos envolvidos. Nesse sentido, a realidade social não tem existência fora da</p><p>consciência do indivíduo.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>A sociologia interpretativa procura entender a essência do mundo cotidiano. Ela está envolvida com assuntos</p><p>relacionados à natureza do estado das coisas, da ordem social, do consenso, da solidariedade, da atualização da</p><p>integração e da coesão.</p><p>Marusya Chaika/shutterstock</p><p>Os fundamentos do paradigma interpretativo possuem bases no trabalho de Kant. E, por isso mesmo, refletem a</p><p>filosofia social, que enfatiza, essencialmente, a natureza espiritual do mundo social.</p><p>Marusya Chaika/shutterstock</p><p>No princípio, sofreu a influência de neoidealistas, tais como: Dilthey, Weber, Husserl e Schutz. Na sociologia, é</p><p>possível perceber quatro grandes correntes: a hermenêutica, a sociologia fenomenológica, a fenomenologia e o</p><p>solipsismo. Já no contexto da teoria das organizações, a etnometodologia e o interacionismo simbólico</p><p>fenomenológico.</p><p>Uma fragilidade nos estudos sob essa perspectiva reside no fato de que as premissas do paradigma interpretativo</p><p>questionam se as organizações não existem apenas no sentido conceitual.</p><p>Portanto, desafia a validade dos pressupostos ontológicos subjacentes às abordagens funcionalistas da sociologia</p><p>em geral e ao estudo das organizações em particular.</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>ONTOLÓGICOS</p><p>Ontologia é a área da filosofia que estuda a natureza do ser, da existência e da própria realidade.</p><p>O PARADIGMA FUNCIONALISTA</p><p>Este paradigma está relacionado com a sociologia da regulação e versa sobre o sujeito principal de um ponto de vista</p><p>objetivista. É caracterizado pelo interesse em fornecer explicações do estado das coisas, da integração social, da</p><p>ordem social, da necessidade de satisfação e atualização e da solidariedade. Aborda assuntos sociológicos gerais sob</p><p>uma perspectiva realista, positivista e determinista.</p><p>É um paradigma voltado para explicações racionais de assuntos sociais. Além de ser muito pragmático em relação à</p><p>resolução de problemas e envolvido em prover soluções práticas para eles.</p><p>Também se dedica à mudança social, enfatizando a importância de entender a ordem, o equilíbrio e a estabilidade na</p><p>sociedade e os meios pelos quais eles podem ser mantidos.</p><p>Com origem nas primeiras décadas do século XIX, na França, suas maiores influências são os trabalhos de Augusto</p><p>Comte, Herbert Spencer, Emile Durkheim e Valfrido Pareto.</p><p>A abordagem funcionalista à ciência social assume que o mundo visto por esse viés é composto de artefatos</p><p>empíricos. E estes são, relativamente, concretos e de relações que podem ser identificadas, estudadas e medidas por</p><p>meio de abordagens derivadas das ciências naturais.</p><p>Fonte: dayat banggai/Shutterstock</p><p>As teorias funcionalistas rejeitam o uso de analogias mecânicas e biológicas para estudar o mundo social. Por isso,</p><p>introduzem ideias que enfatizam a importância de entender o mundo social do ponto de vista dos atores que estão,</p><p>realmente, engajados no desempenho das atividades sociais (BURRELL; MORGAN, 1979; MORGAN, 2005).</p><p>Falando de forma clara, a formação do paradigma funcionalista pode ser entendida a partir da interação de três</p><p>correntes de pensamento: a marxista, o idealismo germânico e o positivismo sociológico. Esta última foi a mais</p><p>influente.</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Na Sociologia, as principais escolas de pensamento que surgem a partir dessas correntes são: o objetivismo, a teoria</p><p>dos sistemas sociais, a teoria integrativa e a escola do interacionismo e da teoria da ação social.</p><p>No contexto das organizações, as principais correntes que sofrem influência são: o objetivismo, a teoria do sistema</p><p>social, o pluralismo, as teorias das disfunções burocráticas e o quadro de referência da ação.</p><p>PARA SINTETIZAR</p><p>Sociologia da mudança radical</p><p>Subjetivo</p><p>Humanismo radical</p><p>Busca livrar o ser humano das</p><p>restrições sociais, critica o estado</p><p>das coisas, vê a sociedade como</p><p>anti-humana. A partir de uma</p><p>perspectiva da ciência social, é</p><p>nominalista, voluntarista,</p><p>ideográfica, antipositivista, dá ênfase</p><p>para a dominação, emancipação,</p><p>potencialidades e privação.</p><p>Estruturalismo radical</p><p>Destaca o conflito estrutural, os</p><p>modos de dominação, contradições</p><p>e provações. Da perspectiva da</p><p>ciência social, é realista, positivista,</p><p>determinista, nomotética. Defende</p><p>que os conflitos e as mudanças</p><p>geram a autonomia do homem.</p><p>Objetivo</p><p>Interpretativo</p><p>Busca entender o mundo social a</p><p>partir da experiência subjetiva do</p><p>homem. Considera o indivíduo parte</p><p>importante no processo de</p><p>construção da teoria. Da perspectiva</p><p>da ciência social, é nominalista,</p><p>antipositivista, voluntarista e</p><p>ideográfico. Busca compreender o</p><p>estado das coisas, a ordem social, o</p><p>consenso, a integração social e a</p><p>coesão.</p><p>Funcionalista</p><p>Busca explicar o estado das</p><p>coisas, da ordem social, da</p><p>integração social, da solidariedade</p><p>e da necessidade de satisfação.</p><p>Da perspectiva da ciência social é</p><p>realista, positivista, determinista e</p><p>nomotética. Busca explicações</p><p>racionais para o mundo social e</p><p>utiliza métodos das ciências</p><p>naturais para problemas sociais.</p><p>Sociologia da regulação social</p><p> Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>De acordo com Morgan (2005), “cada um dos quatro paradigmas define os fundamentos de modos opostos de análise</p><p>social e possui implicações radicalmente diferentes para o estudo das organizações”.</p><p>Isso ocorre, pois refletem:</p><p>[U]MA REDE DE ESCOLAS DE PENSAMENTO RELACIONADAS, DIFERENCIADAS NA ABORDAGEM E NA</p><p>PERSPECTIVA, MAS COMPARTILHANDO SUPOSIÇÕES COMUNS FUNDAMENTAIS SOBRE A NATUREZA</p><p>DA REALIDADE DE QUE TRATAM.”</p><p>(MORGAN, 2005)</p><p>Dessa forma, é importante ressaltar que tais paradigmas não dissipam novas possibilidades. E, tampouco,</p><p>representam a totalidade dos paradigmas adotados na produção do conhecimento científico acerca das organizações.</p><p>Eles representam a tentativa de estruturar as análises, tanto da produção de conhecimento quanto das posturas</p><p>adotadas pelos pesquisadores. Isso em relação às metodologias de produção do conhecimento, o qual é classificado,</p><p>de acordo com cada paradigma, como científico.</p><p>PARADIGMAS DE BURRELL E MORGAN</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>andre</p><p>andre</p><p>1. OS AUTORES BURRELL E MORGAN PROPUSERAM QUATRO PARADIGMAS PARA ANÁLISE DA TEORIA</p><p>SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE IDENTIFICA CORRETAMENTE ESTES</p><p>PARADIGMAS:</p><p>A) Humanismo radical, estruturalismo radical, interpretativo e funcionalista.</p><p>B) Humanismo radical, estruturalismo funcional, interpretativo e funcionalista.</p><p>C) Humanismo funcional, estruturalismo radical, interpretativo e funcionalista.</p><p>D) Humanismo funcional, estruturalismo funcional, interpretativo e funcionalista.</p><p>2. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE NÃO CORRESPONDE À DEFINIÇÃO DO PARADIGMA DO HUMANISMO</p><p>RADICAL:</p><p>A) O paradigma do humanismo radical é definido a partir de um ponto de vista subjetivista.</p><p>B) No paradigma do humanismo radical o mundo é visto a partir de uma perspectiva nomotética.</p><p>C) O paradigma do humanismo radical destaca a importância da ruptura com os arranjos sociais existentes.</p><p>D) O paradigma do humanismo radical destaca a importância da mudança dos modos de autoridade e poder.</p><p>GABARITO</p><p>1. Os autores Burrell e Morgan propuseram quatro paradigmas para análise da teoria social nas organizações.</p><p>Assinale a alternativa que identifica corretamente estes paradigmas:</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Os quatro paradigmas propostos por Burrell e Morgan são: o humanismo radical, o estruturalismo radical, o</p><p>interpretativo e o funcionalista.</p><p>2. Assinale a alternativa que</p><p>NÃO corresponde à definição do paradigma do humanismo radical:</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>Neste paradigma, o mundo é visto a partir de uma perspectiva nominalista, ou seja, que compreende a irrealidade e o</p><p>caráter abstrato dos conceitos, das ideias gerais e dos termos abrangentes.</p><p>MÓDULO 2</p><p> Reconhecer as perspectivas organizacionais contemporâneas de Ann Cunliffe</p><p>A TEORIA ORGANIZACIONAL</p><p>É muito comum que organizações pensem que a Teoria Organizacional é uma disciplina teórica e abstrata, quando, na</p><p>verdade, é o contrário. Os seus tipos são baseados em estudos do que acontecem nas organizações, para que sejam</p><p>fundamentadas na prática.</p><p>Podemos pensar em inúmeras maneiras pelas quais muitos gerentes usam a teoria da organização todos os dias. A</p><p>maneira de organizar o trabalho em seu departamento (divisão do trabalho) e desenvolver a coordenação de um</p><p>departamento com os outros (integração).</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Além disso, identificamos tal teoria quando criam um ambiente de trabalho que incentive a organização dos seus</p><p>membros para trabalharem juntos em busca de metas (cultura organizacional), e assim por diante.</p><p>Vamos tratar agora sobre tópicos individuais dos estudos de Ann Cunliffe, que estão interrelacionados quando</p><p>tratamos de estudos contemporâneos sobre organizações, como se formassem um quebra-cabeça.</p><p>Fonte: Traduzido de CUNLIFFE, 2008.</p><p> Figura 1. Teoria das organizações.</p><p>ESTRUTURA E DESIGN DA ORGANIZAÇÃO</p><p>A diferença entre estrutura organizacional e design organizacional pode ser um tanto confusa em um primeiro</p><p>momento. Pense nela como um esqueleto, como uma estrutura representada no organograma.</p><p>ORGANOGRAMA</p><p>Organograma é um esquema gráfico que representa a estrutura formal de cargos em uma organização.</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>Fonte: Michael D Brown/shutterstock</p><p>O design da organização está relacionado aos vários elementos que compõem a estrutura. Se continuarmos com a</p><p>metáfora do corpo humano, podemos pensar que o design corresponderia aos sistemas respiratório, muscular,</p><p>cardiovascular, entre outros. Pois são responsáveis por mover as coisas pelo corpo e garantir o seu funcionamento.</p><p>Nesse sentido, a estrutura não existe sem o design — e vice-versa — e todos os elementos precisam ser coordenados</p><p>e devem trabalhar juntos. Isso seria o desenho organizacional, relacionado com diferentes estruturas organizacionais.</p><p>A IMPORTÂNCIA DA ESTRUTURA E DESIGN DA ORGANIZAÇÃO</p><p>A estrutura e o design organizacionais eficazes são aqueles que otimizam o desempenho da organização e de seus</p><p>membros. Que garantem que as tarefas, atividades de trabalho e pessoas sejam organizadas de forma que os</p><p>objetivos sejam alcançados.</p><p>Quando falamos de estrutura e design organizacionais eficientes, estamos nos referindo aqueles que usam o tipo e a</p><p>quantidade de recursos mais apropriados (por exemplo, dinheiro, materiais, pessoas) para atingir os objetivos.</p><p>Por isso, as organizações devem estruturar as tarefas de maneira eficiente e eficaz para garantir que o trabalho seja</p><p>feito sem duplicação de esforços. Além disso, devem coordenar as atividades de vários departamentos e unidades</p><p>para objetivos comuns e alocar cargos e pessoas para garantir que o trabalho necessário seja feito.</p><p>Por fim, precisam esclarecer a autoridade, as funções e as responsabilidades de cada envolvido.</p><p>A estrutura e o design da organização também auxiliam no planejamento, na tomada de decisões e minimizam os</p><p>problemas relacionados ao trabalho e aos conflitos entre departamentos e funções — devido a objetivos concorrentes</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>ou expectativas de trabalho pouco claras.</p><p>Desse modo, gestores precisam entender como criar uma estrutura organizacional e um design que levem em</p><p>consideração todas essas contingências e sejam eficazes e eficientes.</p><p>Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock</p><p>Para fazer isso, eles precisam ser capazes de analisar sua própria organização e seu ambiente, determinar o design</p><p>mais adequado, implementar, monitorar e revisar continuamente a estrutura e o design para garantir que permaneçam</p><p>eficazes.</p><p>TECNOLOGIA</p><p>Quando pensamos em tecnologia, geralmente associamos ao computador. No entanto, há décadas, pesquisadores</p><p>sobre organizações estiveram interessados em entender como os diferentes tipos de tecnologia impactam a estrutura</p><p>e o design da organização.</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Os primeiros estudos estão concentrados em tecnologias de manufatura e serviços, enquanto nas últimas décadas</p><p>surgiram trabalhos em novas tecnologias (computadores, microeletrônica, entre outros).</p><p>O desempenho bem-sucedido e a manutenção da competitividade da empresa dependem de usar uma tecnologia de</p><p>ponta para melhorar a eficiência, a produtividade, o serviço e a qualidade. Possuindo o intuito de inovação e</p><p>alinhamento com a tecnologia.</p><p>Portanto, a tecnologia é muito importante, porque tem impacto no desempenho organizacional de várias maneiras.</p><p>DEFINIÇÕES</p><p>Tecnologia é um conceito amplo e se refere a equipamentos, processos de trabalho, técnicas, conhecimentos,</p><p>habilidades e atividades usados para converter matérias-primas em produto acabado.</p><p>Se analisarmos sob o prisma de sistemas, tecnologia é o meio pelo qual os insumos são transformados em produtos.</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Cada organização utiliza alguma forma de tecnologia, seja uma fábrica, uma empresa de software, um hospital ou</p><p>uma universidade. A tecnologia também é usada em diferentes níveis: o organizacional (entrada → processo de</p><p>transformação → saída), departamental / unidade / função (um departamento de acidentes e emergências, um</p><p>departamento de relações públicas) e individual (especialização).</p><p>CULTURA DA ORGANIZAÇÃO</p><p>A cultura da organização pode ser um tópico difícil de entender, porque ela não é algo tangível. É expressa de muitas</p><p>maneiras e tem uma grande influência sobre como os funcionários se comportam, realizam seu trabalho e interagem</p><p>com as pessoas dentro e fora da organização.</p><p>Nós experimentamos a cultura organizacional todos os dias no ambiente de trabalho, mas, provavelmente, não</p><p>pensamos sobre isso. Afinal, é uma parte tida como certa da vida organizacional. Reflita sobre a cultura como a</p><p>personalidade da organização: os valores, as crenças e a forma como os funcionários agem, entre outros aspectos.</p><p>O QUE É CULTURA ORGANIZACIONAL?</p><p>RESPOSTA</p><p>RESPOSTA</p><p>A cultura tem sido um tópico de estudo nas ciências sociais. Os estudiosos da cultura organizacional utilizam</p><p>métodos de pesquisa etnográficos, em que passam um tempo “vivendo” na organização.</p><p>Dessa forma, observam reuniões, entrevistam funcionários, discutem questões etc., para tentar identificar</p><p>suposições, valores e práticas comuns que influenciam a maneira como as coisas são feitas em uma</p><p>organização.</p><p>PESQUISA ETNOGRÁFICOS</p><p>A pesquisa ou os métodos de pesquisa etnográficos são áreas do estudo social com aplicações em</p><p>antropologia, ciências sociais, política e cultura.</p><p>É utilizada para coletar dados e realizar estudo de um determinado grupo social e compreender tradições,</p><p>crenças, costumes e até mesmo nações. Além disso, tenta entender como essas variáveis se modificam e se</p><p>alteram entre as gerações.</p><p>Observe que esse é um exemplo de trabalho dentro do paradigma interpretativista de Burrell e Morgan (1979).</p><p>Então, que aspectos da cultura organizacional os etnógrafos estariam estudando e por quê? Estarão apenas</p><p>observando e coletando dados ou perguntando aos membros da organização sobre várias experiências e</p><p>significados?</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>1. O conjunto básico de suposições, crenças ou significados</p><p>aceitos subjacentes à maneira como as coisas são feitas.</p><p>2. A linguagem usada e as histórias</p><p>contadas por membros da organização.</p><p>3. Os valores subjacentes às ações e decisões. 4. Ritos e cerimônias, formas comuns de</p><p>atuar e estudar.</p><p>5. As normas ou regras não escritas que orientam o</p><p>comportamento. 6. Artefatos e símbolos.</p><p> Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>Na lista acima, vemos um conjunto de elementos que compõem a cultura organizacional e que são estudados pelos</p><p>etnógrafos. Eles estudam como cada um deles revela a cultura da organização.</p><p> EXEMPLO</p><p>Como artefatos e símbolos utilizados na decoração de uma empresa revelam sua cultura? A utilização de quadros</p><p>religiosos é um tipo de artefato ou símbolo que representa uma cultura religiosa daquela organização.</p><p>Se você considerar esta lista, pode perceber que, à medida que se move das suposições para os artefatos, os</p><p>aspectos da cultura se tornam mais observáveis.</p><p>Você pode não ser capaz de identificar imediatamente as suposições na organização em que você trabalha. E isso</p><p>porque, muitas vezes, elas não são expressas explicitamente.</p><p>Entretanto, se você olhar ao redor do prédio da organização, provavelmente pode identificar símbolos, tais como: o</p><p>tipo de decoração, o logo da empresa, o papel timbrado, entre outros aspectos.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>Acesse os sites de organizações, como Wal-Mart, Apple e IBM, e olhe para os valores, a visão, os símbolos, as</p><p>histórias e assim por diante. Ao final, você poderá dizer muito sobre a cultura dessas empresas.</p><p>AMBIENTE E ESTRATÉGIA</p><p>O ambiente organizacional costuma ser definido como as forças gerais ou elementos existentes fora da organização,</p><p>mas que podem ter influência em sua sobrevivência e operação. A estratégia é o plano, as decisões e as ações são</p><p>identificadas como necessárias para atingir os objetivos organizacionais.</p><p>O MEIO AMBIENTE: CONCEITOS-CHAVE</p><p>A organização realiza suas atividades em um domínio que faz parte de um ambiente físico, político, econômico mais</p><p>amplo. O domínio é a parte do ambiente com a qual a organização interage regularmente e tem alguma influência</p><p>sobre, por exemplo, produtos, fornecedores, clientes.</p><p>Para sobreviver, gestores e tomadores de decisão nas organizações precisam monitorar o meio ambiente</p><p>(abrangência de limites) e tomar medidas para proteger a organização das incertezas ambientais.</p><p>O ambiente ao redor da organização pode influenciar a sua sobrevivência, criando incerteza e exigindo que ela se</p><p>adapte às demandas em mudança e complexidade crescentes.</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Uma empresa tenta atingir seus objetivos e lidar com as demandas ambientais por meio de sua organização ou</p><p>estratégia de negócios. No entanto, nem todos os gestores e tomadores de decisão perceberão o ambiente ao redor e</p><p>o grau de incerteza da mesma maneira.</p><p>Isso pode estar relacionado à quantidade de informações que eles possuem sobre o meio ambiente. Por isso, quando</p><p>têm poucas informações, esse universo é visto como incerto e imprevisível.</p><p>ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL: CONCEITOS-CHAVE</p><p>Estratégia é uma disciplina totalmente separada dentro do campo de estudos organizacionais. A estratégia de</p><p>negócios de uma organização deve definir a sua direção, identificar como ela gerenciará as demandas do ambiente,</p><p>além de ser responsável por determinar os processos organizacionais internos e as práticas necessárias para atingir</p><p>os objetivos.</p><p>Uma estratégia eficaz também utilizará e desenvolverá as competências essenciais da organização (habilidades,</p><p>conhecimentos, recursos), a fim de cumprir seus objetivos.</p><p>A determinação da estratégia organizacional envolve a análise da relação entre a organização e o seu ambiente. E,</p><p>também, uma avaliação ambiental das demandas, oportunidades e ameaças, além de uma apreciação interna de</p><p>metas, pontos fortes e fracos da organização — uma análise SWOT (matriz que analisa os pontos fortes, pontos</p><p>fracos, oportunidades e ameaças).</p><p>Michael Porter, importante pesquisador da área de estratégia organizacional, identificou três estratégias competitivas.</p><p>Ele argumentou que as empresas precisavam adotar a estratégia que lhes proporcionasse a melhor vantagem</p><p>estratégica (POTER, 2004).</p><p>Veja, a seguir, quais são elas:</p><p>LIDERANÇA DE BAIXO CUSTO</p><p>Competir por custos mais baixos. Por exemplo: a cia. aérea norte-americana Southwest Airline concorre oferecendo</p><p>passagens baixas, pontuais e seguras. Eles mantêm os custos baixos por não oferecerem voos para grandes</p><p>aeroportos, usando uma abordagem de vaivém (ou seja, os aviões pousam nos aeroportos para pegar os</p><p>passageiros).</p><p>Alguns passageiros permanecem no avião, nesses aeroportos, para chegarem ao seu destino. As refeições oferecidas</p><p>são simples.</p><p>DIFERENCIAÇÃO</p><p>Oferecer um serviço ou produto único para se diferenciar de outras organizações. Por exemplo: a Jaguar diferencia</p><p>seus carros dos outros por sua longa ancestralidade, conforto de alta classe, imagem poderosa e elegante, e ênfase</p><p>na qualidade artesanal dos seus veículos.</p><p>FOCO</p><p>Foco em um grupo de clientes ou região geográfica selecionados. O foco pode ser em baixo custo ou em</p><p>diferenciação. Por exemplo: os supermercados especializados em produtos diet para pessoas diabéticas possuem um</p><p>arranjo físico semelhante a um supermercado tradicional, mas todos os produtos são sem açúcar. Os preços são mais</p><p>altos do que em qualquer outro supermercado convencional, mas o público-alvo diabético encontra produtos com</p><p>grande variedade.</p><p>A maneira como os gerentes percebem o meio ambiente e o grau de incerteza influenciarão a estratégia. Os gestores</p><p>não tentarão apenas influenciar e controlar os recursos em seu domínio ambiental, mas também tentarão minimizar os</p><p>custos associados ao gerenciamento das trocas.</p><p>PODER, CONFLITO ORGANIZACIONAL E CONTROLE</p><p>Agora abordaremos os tópicos de poder, conflito organizacional e controle. Cada um faz parte da vida organizacional</p><p>cotidiana.</p><p>Portanto, é importante compreender as maneiras pelas quais o poder pode ser exercido de forma eficaz e adequada,</p><p>como implementar controles que medem o desempenho, mas também motivam os funcionários, e como gerenciar</p><p>conflitos de forma eficaz.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>se concentra em reduzir os custos de produção e distribuição de produtos e serviços, a fim de oferecer preços mais baixos que os concorrentes.</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>andre</p><p>Vejamos, a seguir, a definição de cada um desses conceitos:</p><p>PODER</p><p>CONFLITO ORGANIZACIONAL</p><p>CONTROLE</p><p>Poder: quando uma pessoa ou grupo pode influenciar outros a fazerem algo que, de outra forma, não faria.</p><p>Conflito organizacional: quando dois ou mais grupos de indivíduos competem ou lutam para alcançar seus objetivos</p><p>sobre os outros.</p><p>Controle: implantar mecanismos para garantir que o desempenho atenda aos objetivos e padrões estabelecidos.</p><p>PODER, CONFLITO E CONTROLE: CONCEITOS-CHAVE</p><p>Poder</p><p>Geralmente, assumimos que poder é uma prerrogativa do gestor e está ligado à autoridade formal e nível hierárquico.</p><p>O controle é, portanto, um aspecto aceitável e legítimo da posição de um gestor, isso porque ele possui algo que torna</p><p>outras pessoas dependentes dele. E é justamente essa dependência que lhe dá poder.</p><p>Fonte: Jacob Lund/Shutterstock</p><p>O poder pode vir de diversas fontes, tais como:</p><p>FORMAL</p><p>Formal: que é o poder legítimo com base no cargo, posição na hierarquia, autoridade definida e controle sobre a</p><p>tomada de decisões.</p><p>PESSOAL</p><p>Pessoal: com base no carisma e personalidade de uma pessoa.</p><p>EXPERIÊNCIA OU CONHECIMENTO</p><p>Experiência ou conhecimento:, quando uma pessoa ou departamento possui a experiência ou o conhecimento</p><p>necessário para a organização.</p><p>COERCITIVO</p><p>Coercitivo: quando uma pessoa tem a capacidade de aplicar sanções ou punições.</p><p>INFORMAÇÕES</p><p>Informações: quando tem acesso e a capacidade de coletar, analisar e usar informações para fins de tomada de</p><p>decisão e controle entre outras fontes.</p><p>Fonte: fizkes/shutterstock</p><p>Conflito organizacional</p><p>O conflito é inevitável nas organizações, porque várias partes interessadas têm objetivos diferentes, por exemplo: os</p><p>acionistas querem maximizar os lucros, os contadores querem medir e controlar os custos, e os funcionários querem</p><p>fazer um trabalho interessante e/ou maximizar seus salários.</p><p>A maioria dos livros que tratam sobre esse tema concorda que o conflito pode ser contraproducente em termos de</p><p>desviar</p><p>o esforço das metas. Porém, se administrado de forma eficaz, pode ser benéfico para levar à criatividade e à</p><p>mudança.</p><p>Do ponto de vista de um gestor, é importante ser capaz de antecipar o potencial de conflito, entender como evitá-lo e</p><p>reconhecer quando ele pode levar à mudança. A chave é reconhecer o conflito em cada estágio e gerenciá-lo de</p><p>maneira adequada.</p><p>Fonte: NicoElNino/shutterstock</p><p>Controle</p><p>A estrutura organizacional, o design e a tecnologia tratam de controlar trabalho, recursos e informações. Ao passo que</p><p>a cultura organizacional trata do controle do comportamento e das ações das pessoas.</p><p>As organizações desejam aumentar seu controle sobre o ambiente, desenvolvendo uma estratégia eficaz e maneiras</p><p>de gerenciar as demandas ambientais (por exemplo, dependência de recursos, extensão de limites e atividades de</p><p>proteção).</p><p>Existem diferentes tipos de controle, tais como:</p><p>Controle</p><p>estratégico Dos recursos de uma organização;</p><p>Controle</p><p>operacional Sobre o trabalho e o desempenho;</p><p>Controles de saída Que mensuram os resultados das metas de produção, vendas, padrões de</p><p>qualidade;</p><p>Controle</p><p>comportamental Que mede o comportamento como capacidade de resposta aos clientes;</p><p>Controles</p><p>burocráticos</p><p>Que buscam definir e monitorar tarefas, metas, descrições de cargos,</p><p>responsabilidades, regras e procedimentos, e metas de produção, por meio de</p><p>supervisão rigorosa;</p><p>Controles de</p><p>mercado</p><p>Com base na ideia de que a eficiência está relacionada à capacidade de uma</p><p>organização de permanecer competitiva em preços;</p><p>Controle de clã</p><p>Que é uma forma de controle por meio da cultura organizacional baseada na</p><p>socialização dos membros da organização, para que se comprometam com a</p><p>missão, visão, valores e normas da organização.</p><p> Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>INOVAÇÃO, MUDANÇA E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL</p><p>A inovação na forma de novos produtos e serviços, tecnologias, equipamentos e processos de trabalho é necessária</p><p>para que uma organização possa competir. E, portanto, é uma parte essencial da mudança.</p><p>E o aprendizado organizacional está relacionado ao modo como as organizações capturam, criam e usam o</p><p>conhecimento para ajudá-las a se adaptar às mudanças. Você precisará entender os motivos pelos quais mudança,</p><p>inovação e aprendizado organizacional são importantes.</p><p>Vamos ver, então, a definição de cada um desses conceitos:</p><p>INOVAÇÃO</p><p>Desenvolvimento de novos produtos, serviços, tecnologia, processos de trabalho, mercados e estruturas, e projetos</p><p>organizacionais.</p><p>MUDANÇA ORGANIZACIONAL</p><p>De um estado atual para um estado desejado. Pode ser revolucionária ou evolucionária, planejada ou emergente,</p><p>radical ou incremental.</p><p>APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL</p><p>Melhorar a capacidade da organização, das equipes e dos funcionários individuais de adquirir e criar novos</p><p>conhecimentos para melhorar o desempenho organizacional.</p><p>EMERGENTE, RADICAL OU INCREMENTAL</p><p>Mudança emergente é a que ocorre de baixo para cima. Muitas vezes, adaptando-se aos problemas ou</p><p>questões que surgem.</p><p>A mudança radical envolve uma grande mudança na forma de pensar, resultando na reinvenção do modo que</p><p>a estrutura, cultura, prestação de serviços se constituem. Por exemplo: passando de uma estrutura funcional</p><p>para uma estrutura matricial, como na expansão da Apple, de computadores pessoais a entretenimento (iPod,</p><p>iTunes). Frequentemente, envolve toda a organização.</p><p>Mudança incremental é aproveitar a situação atual para introduzir mudanças por meio de uma série de etapas.</p><p>Por exemplo: melhorar um produto. Frequentemente, envolve parte da organização.</p><p>INOVAÇÃO, MUDANÇA E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL: CONCEITOS-CHAVE</p><p>Fonte: rarrarorro/shutterstock</p><p>Inovação</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>A inovação deve ser pensada como uma estratégia deliberada de mudança, pois envolve o desenvolvimento (ou a</p><p>compra) de novos produtos e processos como meio de tornar a organização mais competitiva, eficaz e eficiente.</p><p>Isso, obviamente, resultará em mudanças — não apenas em termos de introdução de novos produtos ou tecnologia,</p><p>mas tornando obsoletos os antigos.</p><p>A inovação pode ser crucial para ajudar uma organização a gerenciar ou responder às mudanças em seu ambiente.</p><p>Exemplos de empresas conhecidas como inovadores são: a Apple, a Google, a 3M, a Toyota e a Microsoft.</p><p>A inovação pode ser de suma importância para criar e manter a vantagem competitiva de uma organização, bem como</p><p>contribuir para o crescimento econômico em geral.</p><p>Fonte: Stock-Asso/shutterstock</p><p>Mudança organizacional</p><p>A mudança pode não envolver, necessariamente, inovação no sentido de novos produtos e processos (ou seja,</p><p>mudança radical), mas modificações nas formas existentes de fazer as coisas em um nível mais incremental. Os</p><p>gestores precisam estar cientes de quando a mudança é necessária.</p><p>Embora existam muitas forças do ambiente externo, também podem existir forças internas para mudança (problemas,</p><p>mudanças de liderança, inovação e mudanças que surgem à medida que os funcionários fazem seu trabalho). Ao</p><p>implementarem mudanças em um nível organizacional, de grupo ou individual, os gestores precisam pensar as</p><p>possíveis resistências à mudança.</p><p>Eles precisam identificá-las, minimizar as forças de resistência e aproveitar as forças propulsoras como meio de</p><p>facilitar a mudança.</p><p>A mudança pode gerar resistência por muitos motivos, incluindo:</p><p>Poder reduzido e status de grupos e indivíduos;</p><p>Lealdade a um departamento ou unidade particular;</p><p>Estrutura burocrática formal (funções específicas, regras, procedimentos);</p><p>Cultura organizacional (valores, normas, práticas);</p><p>Quebra de grupos de trabalho;</p><p>Processos individuais e de grupo (normas, rotinas, insegurança, não aceitação do objetivo da mudança).</p><p>Aprendizagem organizacional</p><p>É, usualmente, definida como um processo de geração e aplicação de novos conhecimentos como forma de melhorar</p><p>o desempenho organizacional e aumentar a competitividade. Isso envolve aprendizagem em relação a estratégia,</p><p>sistemas, processos e pessoas.</p><p>A aprendizagem organizacional é baseada na ideia de que o aprendizado é influenciado pela capacidade da</p><p>organização de utilizar os conhecimentos externos e internos dos seus membros para gerar novos conhecimentos; de</p><p>compreender e aplicar conhecimentos; e de aprender com a experiência.</p><p>Fonte: JosephDavis/Shutterstock</p><p>Existem várias abordagens para a aprendizagem organizacional, algumas se concentram nos sistemas e processos de</p><p>aprendizagem de uma organização. Outras se concentram no desenvolvimento da aprendizagem individual a fim de</p><p>realizar uma vinculação desta com a organização.</p><p>PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS DE ANN CUNLIFFE</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. É UMA ESTRATÉGIA CONSTRUÍDA A PARTIR DA IDEIA DE SATISFAÇÃO DE UM MERCADO-ALVO</p><p>PARTICULAR, ATENDENDO ÀS NECESSIDADES ESPECÍFICAS DAQUELES CLIENTES. ESTA ESTRATÉGIA</p><p>RESIDE NA PREMISSA DE QUE A EMPRESA PODE SERVIR A SEU MERCADO-ALVO RESTRITO DE MANEIRA</p><p>MAIS EFICAZ E/OU EFICIENTE DO QUE OUTRAS EMPRESAS QUE TENTAM SERVIR UM MERCADO AMPLO.</p><p>O TEXTO SE REFERE A UMA DAS ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS PROPOSTAS POR MICHAEL PORTER.</p><p>ASSINALE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE A ESTRATÉGIA DE LIDERANÇA EXPLICITADA NO TEXTO</p><p>ACIMA:</p><p>A) Estratégia de liderança em baixo custo.</p><p>B) Estratégia de liderança com foco.</p><p>C) Estratégia de liderança em diferenciação.</p><p>D) Estratégia de liderança por conveniência.</p><p>2. A CULTURA DE UMA ORGANIZAÇÃO PODE SER PENSADA COMO A SUA PERSONALIDADE, COMPOSTA</p><p>POR SEUS VALORES, CRENÇAS E A FORMA COMO OS FUNCIONÁRIOS AGEM. ASSINALE A ALTERNATIVA</p><p>QUE NÃO CORRESPONDE A ELEMENTOS QUE COMPÕEM A CULTURA ORGANIZACIONAL:</p><p>A) As histórias contadas pelos funcionários.</p><p>B) Ritos e cerimônias.</p><p>C) Os meios de produção utilizados.</p><p>D) Artefatos e símbolos.</p><p>GABARITO</p><p>1. É uma estratégia construída a partir da ideia de satisfação de um mercado-alvo particular, atendendo às</p><p>necessidades específicas daqueles clientes. Esta estratégia reside na premissa de que a empresa</p><p>pode servir</p><p>a seu mercado-alvo restrito de maneira mais eficaz e/ou eficiente do que outras empresas que tentam servir</p><p>um mercado amplo.</p><p>O texto se refere a uma das estratégias competitivas propostas por Michael Porter. Assinale a alternativa que</p><p>corresponde a estratégia de liderança explicitada no texto acima:</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>A estratégia de liderança em diferenciação busca desenvolver produtos e serviços únicos, diferentes e exclusivos para</p><p>seus clientes. Isso torna o que a empresa oferece diferente dos concorrentes que atuam em mercados genéricos,</p><p>como um supermercado que possui uma seção para venda de roupas (atuação genérica) e uma loja especializada em</p><p>roupas (atuação específica).</p><p>2. A cultura de uma organização pode ser pensada como a sua personalidade, composta por seus valores,</p><p>crenças e a forma como os funcionários agem. Assinale a alternativa que não corresponde a elementos que</p><p>compõem a cultura organizacional:</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>Os meios de produção utilizados pela empresa não compõem o conjunto de elementos da cultura organizacional. Eles</p><p>fazem parte do seu processo de gestão.</p><p>MÓDULO 3</p><p> Identificar a perspectiva crítica sobre a administração contemporânea de Vincent de Gaulejac</p><p>A ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA DE VINCENT DE GAULEJAC</p><p>VOCÊ JÁ SE PERGUNTOU O QUE É A GESTÃO?</p><p>RESPOSTA</p><p>RESPOSTA</p><p>É uma palavra que você, com certeza, já ouviu muito, mas, provavelmente, não parou para pensar no que</p><p>significa. Se você buscar a sua definição convencional vai encontrar respostas como a de um conjunto de</p><p>técnicas destinadas a racionalizar e otimizar o funcionamento das organizações.</p><p>Quando tratamos de gestão a partir desta definição, estamos falando de diversos aspectos, tais como: práticas de</p><p>direção das empresas que definem orientações estratégicas; discursos sobre os modos de organizar a produção, de</p><p>ordenar o tempo e o espaço e de pensar a empresa como uma organização racional.</p><p>Por fim, ainda podemos incluir nessa lista: técnicas, processos, dispositivos que conciliam as atividades, fixam os</p><p>lugares, as funções e os estatutos e definem regras de funcionamento.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>No livro A gestão como doença social, o sociólogo francês Vincent de Gaulejac (2007) afirma que, se refletirmos sobre</p><p>os aspectos que cercam a definição da gestão, chegaremos a uma conclusão: que ela é, definitivamente, um sistema</p><p>javascript:void(0)</p><p>de organização do poder. Esse conceito pode parecer neutro, mas temos que compreender suas bases e</p><p>características, pois vem evoluindo ao longo do tempo.</p><p>A gestão possui uma aparência objetiva, operatória e pragmática. No entanto, ela é gerencialista (aquela que surge da</p><p>necessidade de superação do modelo burocrático de administração pública com foco nos procedimentos e passa a ter</p><p>foco nos resultados).</p><p>Essa visão é uma ideologia que transforma as atividades humanas em indicadores de desempenhos. E estes são</p><p>transformados em custos ou em benefícios para as organizações.</p><p>Por isso, vamos tratar, agora, sobre tópicos individuais dos estudos de Vincent de Gaulejac, pois abrangem, de forma</p><p>crítica, as implicações da gestão na contemporaneidade.</p><p>O GERENCIAMENTO ENTRE O CAPITAL E O TRABALHO</p><p>A contradição capital/trabalho é fortemente interiorizada pelos gestores. Isso porque, de um lado, ele possui</p><p>identificação e responsabilidade com o interesse da empresa — lógica do lucro, que é relacionada às normas e aos</p><p>valores do capitalismo. E, por outro, possui uma condição salarial que está suscetível às eventualidades da carreira,</p><p>ao risco de ser demitido, à pressão do trabalho e à obtenção das metas.</p><p>Fonte: Onchira Wongsiri/Shutterstock</p><p>Por meio do gerenciamento, a organização consegue conciliar diferentes elementos para que a produção aconteça e</p><p>possa continuar viva no mercado. Esta ação de gerenciar tem como função produzir um sistema que combine</p><p>elementos distintos, como as matérias-primas, a tecnologia, o capital, o trabalho, as regras e os procedimentos.</p><p>Além disso, produz conciliações entre esses elementos, favorecendo a integração entre lógicas funcionais</p><p>possivelmente contraditórias.</p><p>A função da gestão coloca o gestor no centro da tensão existente entre as exigências de lucro (acionistas e</p><p>proprietários), a adaptação às exigências do mercado (“o cliente é o rei”) e a melhoria das condições de trabalho para</p><p>toda a equipe.</p><p>O modelo de produção e gestão de Henry Ford buscou conciliar esses três elementos da seguinte forma: modelando</p><p>um sistema de produção em massa que beneficiasse os trabalhadores e consumidores a partir da redução do preço</p><p>de produção do seu produto.</p><p>Isso gerava um aumento nas remunerações de proprietários e trabalhadores, ao assegurar a alta contínua dos lucros.</p><p>Fonte: iku4/Shutterstock</p><p> VOCÊ SABIA</p><p>Na ideologia gerencialista, as pessoas são vistas como seres racionais, ou seja, que possuem comportamento</p><p>previsível, deixando e lado a subjetividade individual, otimizando suas opções e programando sua existência.</p><p>Nessa lógica, exclui-se aquilo que não é racional. Por isso, aquilo que é emocional, afetivo e subjetivo, é visto como</p><p>não confiável na ideologia gerencialista. Quando pensamos no ensino da gestão e da economia, percebemos que os</p><p>problemas sociais e humanos parecem ter sido reduzidos a números e fórmulas matemáticas.</p><p>No lugar de medir os fenômenos para compreendê-los, o intuito é compreender apenas aquilo que pode ser</p><p>mensurado.</p><p>Nesse sentido, pesquisas que buscam aprofundar questões sociais e subjetivas perdem espaço, a menos que sejam</p><p>úteis como solução operacional. Pois o pensamento é considerado algo inútil se não puder contribuir para a eficiência</p><p>da organização.</p><p>O ser humano é tratado como um recurso da empresa (departamento de RH — recursos humanos), enquanto a</p><p>gestão se tornou uma ciência em prol do capitalismo. Ainda na contemporaneidade, vemos que o objetivo é</p><p>racionalizar a produção com menor custo para beneficiar o aumento dos lucros e atender às necessidades dos</p><p>consumidores.</p><p>Fonte: Syda Productions/Shutterstock</p><p>Para esse último fim, muitas organizações ignoram custos, tais como: a degradação constante do meio ambiente, a</p><p>pressão que o trabalhador sofre, o trabalho escravo em suas diversas formas e a exclusão daqueles que não podem</p><p>ter acesso a esses bens de consumo.</p><p>Fonte: Margo D'Heygere/Agence Alter</p><p>Gaulejac crítica os paradigmas que fundamentam a gestão, como o objetivista — que afirma ser possível medir e</p><p>calcular o pensamento humano; o funcionalista — que defende que a organização é como um dado; e o economista —</p><p>que reduz o homem a um recurso da empresa.</p><p>Quando uma pessoa inicia o seu trabalho em uma determinada organização, ela é submetida à gestão e deve</p><p>adaptar-se ao tempo do trabalho previamente determinado, tal como às necessidades produtivas e financeiras da</p><p>organização.</p><p>Isso quer dizer que o trabalhador deve se adaptar à empresa e quase nunca o contrário.</p><p>A OBSESSÃO PELA RENTABILIDADE FINANCEIRA</p><p>Quando a lógica financeira assume o controle sobre a da produção, as relações de poder nas organizações se</p><p>modificam. Os funcionários são considerados um custo que deve ser reduzido de qualquer modo. Ou seja, tornam-se</p><p>uma variável de ajustamento, que deve ser flexibilizada ao máximo, a fim de se adaptar às exigências do mercado.</p><p></p><p>A ampla concorrência no mercado e a sua globalização colocam em questão os modos de regulação econômica até</p><p>então dominados pelo Estado/Nação. A mescla das telecomunicações com a informática introduz uma ditadura do</p><p>tempo real e a necessidade de respostas imediatas às exigências dos mercados financeiros.</p><p>Nesse sentido, a adaptabilidade, flexibilidade, e capacidade de reação se tornam as palavras de ordem para um</p><p>gerenciamento de qualidade dos recursos humanos nas organizações.</p><p>Nesse contexto de concorrência esmagadora, as respostas imediatas constituem uma regra de sobrevivência. E,</p><p>consequentemente, a generalização das ações simultâneas, a redução permanente dos prazos e a aceleração</p><p>contínua do ritmo de trabalho.</p><p>Isso ocorre</p><p>porque o desempenho e a rentabilidade são medidos em curto prazo, colocando o sistema de produção</p><p>em permanente tensão. São exigidos atrasos zero, tempo exato, fluxos tensos e gerenciamento imediato.</p><p>Fonte: Overearth/Shutterstock</p><p>Posto de outro modo, é necessário fazer sempre mais, melhor e mais rapidamente, com os mesmos meios e até com</p><p>menos efetivos.</p><p>De acordo com Gaulejac:</p><p>O HUMANO SE TORNA UM CAPITAL QUE CONVÉM TORNAR PRODUTIVO”.</p><p>(GAULEJAC, 2007)</p><p>Nesse sentido, a determinação é atingir o sucesso econômico e pessoal. Isso faz com que o ser humano se</p><p>transforme em recursos materiais e técnicos a favor do capitalismo e do enriquecimento dos acionistas e proprietários.</p><p>Como consequência, as relações sociais se tornam mercantis e não há espaço para a subjetividade dos indivíduos,</p><p>posto que esta não pode ser medida, sendo, assim, desconsiderada.</p><p>Essa dinâmica das empresas distingue os ganhadores e os perdedores. Contudo, mesmo para aqueles que estão do</p><p>lado dos vencedores, existe a constante pressão por ganhar mais, pois nunca se atinge a estabilidade do pódio.</p><p>Uma vez atingido esse lugar no pódio, ele deve continuar vencendo as próximas provas. Isso porque seu desempenho</p><p>anterior é passado, e é necessário seguir se superando cada vez mais.</p><p>Nesse game, todos os trabalhadores ocupam lugares de vencedores ou perdedores em algum momento, menos a</p><p>empresa, que consegue se sustentar, segura de sua permanência.</p><p>Fonte: Abert/Shutterstock</p><p>No livro Gestão como doença social, Gaulejac (2007) aborda a questão da aderência da ideologia gerencialista pelas</p><p>diversas organizações, como as famílias e o Estado. Para ele, o objetivo da família e do Estado é o de produzir</p><p>indivíduos empregáveis no mercado de trabalho.</p><p>Tanto pais quanto escolas estão empenhados em preparar os jovens para sua carreira profissional e se esquecem de</p><p>prepará-lo para viver em sociedade.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Quantas vezes você já ouviu a frase “estude para ser alguém na vida”? Você já refletiu sobre o significado dela? Os</p><p>jovens se preparam no ensino médio para prestar vestibular com o intuito de ingressar em uma universidade, para que</p><p>possam ter uma formação útil ao mercado de trabalho. E, consequentemente, para que possam sobreviver da venda</p><p>do seu poder produtivo, seja intelectual ou material.</p><p>Gorodenkoff/shutterstock</p><p>Aqueles que desejam seguir o caminho da arte, por exemplo, sofrem com perguntas sobre como vão ganhar dinheiro</p><p>para se sustentar e sobreviver. Isso reflete a lógica do capital e da rentabilidade financeira que enfrentamos.</p><p>puhhha/shutterstock</p><p>Ou seja, você deve trabalhar em algo que lhe dê dinheiro e no qual seja o melhor, não importa se isso lhe trará</p><p>felicidade. Afinal, se você tiver dinheiro, ele lhe proporcionará essa tal felicidade.</p><p>Como já dizia o famoso slogan da operadora de cartão de crédito Mastercard “Existem coisas que o dinheiro não</p><p>compra. Para todas as outras, existe Mastercard”. Você já refletiu sobre quais são essas coisas que o dinheiro não</p><p>compra?</p><p>A lógica capitalista prega que o dinheiro basta para trazer felicidade. E, por isso, você deve se esforçar ao máximo</p><p>para conquistá-lo, entregando o que você tem de melhor para uma organização.</p><p>O FARDO DO SUCESSO GARANTIDO — O “CULTO AOS CAMPEÕES”</p><p>Para Gaulejac (2007), em uma sociedade gerenciada, o sucesso se torna um valor deteriorado, pois todos desejam</p><p>ser vitoriosos. Entretanto, essa competição que visa a melhor colocação é baseada na ilusão do sucesso.</p><p>Vejam, por exemplo, o reconhecimento e a remuneração de artistas e jogadores de futebol em comparação com os</p><p>pesquisadores, médicos, professores e outros profissionais que não costumam ser reconhecidos como modelo de</p><p>sucesso nesta sociedade.</p><p>As empresas movimentam o mundo com uma força impressionante. Por isso, elas possuem o poder de significar um</p><p>objeto de desejo, um lugar da socialização e do amor das pessoas. Além disso, estimulam um desejo de</p><p>autoafirmação no subconsciente dos indivíduos, fazendo com que se mantenham em suas próprias armadilhas de</p><p>onipotência e carência de amor.</p><p>Esse desejo pelo sucesso e autoafirmação impulsiona o indivíduo a querer ser o melhor, e isso nem sempre é positivo.</p><p> EXEMPLO</p><p>Como exemplo, podemos citar o filme Gattaca – a experiência genética (1997), em que o personagem principal,</p><p>Vincent Freeman, tem como imagem de sucesso pessoal estar dentro de uma espaçonave buscando sentido para a</p><p>sua vida.</p><p>Por isso, ele vai trabalhar na empresa Gattaca, para que possa concretizar seu sonho de ir ao espaço.</p><p>Ele percebeu desde criança que só poderia concretizar seu sonho sendo um funcionário de uma empresa que atuasse</p><p>nessa área. Nesse sentido, o desejo dele, e de muitos de nós, é depositado em uma organização para que possa ser</p><p>concretizado. E todas as nossas ações são voltadas para que sejamos aceitos nesse grupo.</p><p>Por isso, no contexto da Gestão como doença social de Gaulejac, existe uma regra: “ou ganha, ou desaparece”</p><p>(GAULEJAC, 2007). No filme Gattaca, o personagem Jerome era visto como um campeão, por isso era reconhecido</p><p>pela sua comunidade.</p><p>Entretanto, ele ficou paralítico após um acidente, fazendo com se tornasse invisível onde antes era símbolo. Agora, ele</p><p>não estava mais competindo para ser vitorioso com os demais indivíduos na empresa.</p><p>A DOMINAÇÃO DAS MULTINACIONAIS</p><p>Existem empresas que possuem poder econômico maior do que o produto interno bruto (PIB) de países inteiros, ou</p><p>equivalente a ele. É o caso da Microsoft e da Apple, que valem mais do que o PIB do Brasil. A influência dessas</p><p>empresas na globalização é exercida por causa do seu poder econômico. Além, é claro, do lobbying ativo sobre as</p><p>políticas dos governos e das instituições internacionais.</p><p>LOBBYING</p><p>Lobby é a atividade de influência de um grupo organizado com o objetivo de interferir diretamente nas decisões</p><p>do Poder Público. Especialmente do poder legislativo, para causas ou objetivos defendidos pelo grupo por meio</p><p>de um intermediário.</p><p>O PODER DAS MULTINACIONAIS</p><p>CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO</p><p>O PODER DAS MULTINACIONAIS</p><p>O poder das multinacionais está na aliança entre os seus gestores, que fazem opções estratégicas e entre os</p><p>acionistas que esperam dividendos. As decisões tomadas pela empresa não fazem parte do debate público, embora</p><p>afetem a sociedade.</p><p>CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO</p><p>Por outro lado, os políticos podem tentar gerir suas consequências, lutar pelo respeito aos direitos dos indivíduos.</p><p>Mas, por vezes, eles são impotentes para controlá-las.</p><p>No capitalismo contemporâneo, o indivíduo é autossuficiente por causa da sua inteligência, da ciência, da razão e da</p><p>invenção. Ou seja, muitos abandonaram a religião, tradição e criaram um vazio ético e moral.</p><p>Isso porque a ciência e a razão lhe concedeu poder. Agora, o indivíduo não domina mais apenas os elementos da</p><p>natureza e os meios de produção, ele sabe sobre tudo, pode tudo, ao passo que é escravo de si mesmo.</p><p>Isso mostra que a ciência, da forma como tem sido conduzida, não se traduz, necessariamente, em progresso, e que o</p><p>desenvolvimento material não se traduz em desenvolvimento social e espiritual.</p><p>Ao que parece, o uso da ciência tem prejudicado a questão social, desumanizando as relações sociais e</p><p>transformando pessoas em objetos e propriedades de outras pessoas.</p><p>javascript:void(0)</p><p>A GESTÃO COMO FONTE DE DOENÇA SOCIAL</p><p>O mundo organizacional tem caminhado no sentido de gerar cada vez mais sofrimento e individualismo dos</p><p>trabalhadores. Gaulejac afirma que esse sofrimento se origina na cultura do alto desempenho, da competição</p><p>generalizada nas empresas, que gera o esgotamento profissional, o estresse e um constante estado de pressão.</p><p>Isso acontece porque não apenas a força de trabalho está a serviço do capital, mas as cidades, a política, a família, as</p><p>relações sociais, as instituições, a sexualidade e até o ego dos indivíduos, agora, são objetos do gerencialismo.</p><p>Tornam-se capitais gerenciados para a produtividade, baseados em custo/benefício, contribuindo com a lógica</p><p>positivista, utilitarista e quantitativista das organizações.</p><p>Esse tipo de gestão é difícil de ser contestada, pois os conflitos ocasionados por ela existem no nível psicológico</p><p>individual, como a insegurança, o sofrimento psíquico, o esgotamento profissional, a depressão nervosa e a</p><p>ansiedade.</p><p>Esse tipo de gestão é difícil de ser contestada, pois os conflitos ocasionados por ela existem no nível psicológico</p><p>individual, como a insegurança, o sofrimento psíquico, o esgotamento profissional, a depressão nervosa e a</p><p>ansiedade.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Por isso, ao analisar essas questões, Gaulejac afirma que quando se desenvolve o sofrimento no trabalho em forma</p><p>de estresse, assédio de diversas formas, depressão e sofrimento psíquico, a gestão da empresa deve ser</p><p>questionada. Pois é em razão da pressão coletiva que os indivíduos tendem a agir defensivamente.</p><p>Por isso, é importante que a empresa pense em formas de recuperação do sentido de viver dos indivíduos, que</p><p>recuperem o valor da existência humana, da solidariedade e do respeito para com as pessoas e com a natureza.</p><p>Trata-se, basicamente, de transformar o indivíduo visto como recurso em sujeito. Deixando de lado o utilitarismo em</p><p>prol da sua singularidade, ligado aos outros em um desejo de realização.</p><p>Não é possível que o ser humano trabalhe e viva sem dar sentido à sua existência e ações. De acordo com a ontologia</p><p>humana, a ordem simbólica é a expressão dessa necessidade, que pode ser percebida pelo desenvolvimento da</p><p>linguagem, de símbolos e de referências necessárias à vida social, pois permitem que o indivíduo se comunique e</p><p>elabore questões subjetivas da vida.</p><p>Uma gestão funcional, de fato, não deve gerar subjetividades que levam ao sofrimento humano. Pois deve ser</p><p>coerente com essa ontologia, entre o que é prescrito e o trabalho real, entre o capital e o que ele compra, combinando</p><p>valor de uso, valor de troca e valor simbólico.</p><p>Por isso, Gaulejac (2007) aponta que a economia solidária é uma forma de equilibrar a economia com o social e o</p><p>político. Segundo ele, para que:</p><p>[A] ECONOMIA NÃO SE DESENVOLVA CONTRA A SOCIEDADE, CONVÉM RECONSIDERAR A RELAÇÃO</p><p>COM A RIQUEZA E RENOVAR OS TERMOS DE UM CONTRATO SOCIAL EM NÍVEL MUNDIAL QUE NÃO</p><p>SEJA DOMINADO POR CONSIDERAÇÕES PRODUTIVISTAS, MAS POR PREOCUPAÇÕES POLÍTICAS E</p><p>EXISTENCIAIS [...] A GESTÃO DEVE VISAR A ORGANIZAÇÃO COMO MICROSSOCIEDADES, CUJO</p><p>FUNCIONAMENTO REMETA TANTO À GESTÃO COMO À ANTROPOLOGIA; CONSIDERAR O HOMEM COMO</p><p>UM SUJEITO, MAIS QUE UM RECURSO; ANALISAR A EMPRESA COMO UMA INSTITUIÇÃO SOCIAL E NÃO</p><p>UM ORGANISMO COM FINALIDADE ESTRITAMENTE ECONÔMICA; RECONSIDERAR A IMPORTÂNCIA DO</p><p>DOM PARA O FUNDAMENTO DAQUILO QUE ‘FAZ SOCIEDADE’; CONSTRUIR UMA ECONOMIA MAIS</p><p>SOLIDÁRIA E PREOCUPADA COM O LAÇO SOCIAL.”</p><p>(GAULEJAC, 2007)</p><p>Quando a gestão acontece dessa forma, a ciência e a pesquisa são postas a serviço do bem comum no lugar de</p><p>critérios de utilidade e lucratividade. O objetivo é o bem-estar coletivo e que a realidade possa ser compreendida e</p><p>dominada com a condição de que se possa medi-la.</p><p>Nesse sentido, a compreensão de gestão deve ser realizada por modelos teóricos inspirados nas ciências sociais.</p><p>Pois a finalidade da empresa não será exclusivamente econômica ou financeira, mas também humana e social.</p><p>Assim, o trabalho não seria considerado apenas pela perspectiva da produção e seus resultados, mas também do</p><p>sentido da atividade, da subjetividade dos indivíduos e da vivência, que são variáveis tão importantes quanto a</p><p>produção e a rentabilidade.</p><p>Apenas dessa forma a gestão poderá recuperar a confiança perdida, trazendo mais sentido e menos banalidade, mais</p><p>compreensão e menos determinação, mais análise qualitativa e menos medida quantitativa.</p><p>Considerando a capacidade reflexiva e decisória dos indivíduos, que necessitam dar sentido às suas ações e em si</p><p>mesmo, e não podem viver apenas em função da acumulação de riqueza material.</p><p>Por fim, embora Gaulejac (2007) adote uma linha de crítica sobre a gestão, ele enfatiza que a “gestão não é um mal</p><p>em si”. O que ele defende é a substituição do que caracteriza como “gestão de recursos humanos” por uma</p><p>“gestão humana de recursos”, para que seja possível construir “outro mundo possível”.</p><p>PERSPECTIVA CRÍTICA SOBRE A ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA DE VINCENT</p><p>DE GAULEJAC</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. GAULEJAC, EM SEU LIVRO, SUGERE UMA FORMA DE EQUILIBRAR A ECONOMIA COM O SOCIAL E O</p><p>POLÍTICO. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE À SUGESTÃO DO AUTOR:</p><p>A) Uma economia mais criativa.</p><p>B) Uma economia mais compartilhada.</p><p>C) Uma economia mais social.</p><p>D) Uma economia mais solidária.</p><p>2. OBSERVE AS AFIRMATIVAS A SEGUIR:</p><p>I. A FUNÇÃO DO GERENCIAMENTO É A PRODUÇÃO DE UM MÉTODO QUE CONCILIE MATÉRIAS-PRIMAS,</p><p>TECNOLOGIA, CAPITAL, TRABALHO, REGRAS E PROCEDIMENTOS DE UMA ORGANIZAÇÃO.</p><p>PORQUE</p><p>II. A CONCILIAÇÃO DE DIFERENTES ELEMENTOS PERMITE QUE A PRODUÇÃO ACONTEÇA E A</p><p>ORGANIZAÇÃO POSSA CONTINUAR VIVA NO MERCADO.</p><p>AGORA, AVALIE AS AFIRMATIVAS E A RELAÇÃO PROPOSTA ENTRE ELAS.</p><p>A) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.</p><p>B) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.</p><p>C) A afirmação I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>D) A afirmação I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.</p><p>GABARITO</p><p>1. Gaulejac, em seu livro, sugere uma forma de equilibrar a economia com o social e o político. Assinale a</p><p>alternativa que corresponde à sugestão do autor:</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>De acordo com os pensamentos de Gaulejac, para que a economia não se desenvolva contra a sociedade, é</p><p>necessário repensar a importância do dinheiro e estabelecer um contrato social que não seja pautado na</p><p>produtividade, mas na subjetividade de cada indivíduo. Por isso, é necessário construir uma economia que seja</p><p>solidária e movida pelo laço social.</p><p>2. Observe as afirmativas a seguir:</p><p>I. A função do gerenciamento é a produção de um método que concilie matérias-primas, tecnologia, capital,</p><p>trabalho, regras e procedimentos de uma organização.</p><p>PORQUE</p><p>II. A conciliação de diferentes elementos permite que a produção aconteça e a organização possa continuar</p><p>viva no mercado.</p><p>Agora, avalie as afirmativas e a relação proposta entre elas.</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>O gerenciamento tem como objetivo a conciliação de diversos elementos organizacionais, citados na afirmativa I desta</p><p>questão. Com esse gerenciamento, espera-se que seja possível produzir produtos ou serviços, e que a empresa</p><p>continue atuando no mercado.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Ao longo dos módulos, foi possível conhecer os paradigmas utilizados para a análise da teoria social, conforme os</p><p>estudos de Burrell e Morgan. Esses autores trataram dos paradigmas do humanismo radical, do estruturalismo radical,</p><p>do interpretativo e do funcionalista, sob as dimensões da sociologia da mudança radical e da sociologia da regulação</p><p>social.</p><p>Além disso, também vimos os pensamentos que se tornaram relevantes para a administração contemporânea de</p><p>acordo com os estudos de Ann Cunliffe, abordados em diversos tópicos, que vão desde a estrutura e o design</p><p>funcional até a inovação e a tecnologia nas organizações.</p><p>Ainda identificamos a crítica social que Gaulejac faz à ideologia gerencialista, as grandes multinacionais e a gestão</p><p>centrada no desempenho e na produtividade.</p><p>O autor propõe, então, a economia solidária como forma de equilibrar a economia com o social e o político, no intuito</p><p>de minimizar os efeitos nocivos aos indivíduos gerados pela gestão.</p><p>Por fim, esperamos que este material possa ter contribuído para a sua formação profissional.</p><p>AVALIAÇÃO DO TEMA:</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BURRELL, G.; MORGAN, G. Sociological paradigms and organizational analysis: elements of the sociology of</p><p>corporate life. Londres: Heinemann, 1979.</p><p>CALDAS, M. Paradigmas em estudos organizacionais: uma introdução à série. In: RAE, v. 45, n. 1, 2005.</p><p>CUNLIFFE, A. L. Crafting qualitative research: Morgan and Smircich 30 years on. In: Organizational Research</p><p>Methods, v. 14, n. 4, pp. 647-673,</p>

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