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Assédio Moral no Local de Trabalho - Estudo FGV

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deixar de ver e de combater as situações 
de assédio moral. 
 
Gráfico-9 Diferenças entre vítimas e não-vítimas de assédio 
Diferenças etre vítimas e não-vítimas de assédio 
(Diferenças significativas F de Snedecor p< 0,01)
22
24
16.6
28.8
34
25.5
Sintomas de PTSD Número de faltas nos
últimos 2 anos
Índice de cansaço
emocional
Não-vítimas
Vítimas
 
Fonte: Piñuel y Zabala, 2004, tradução nossa 
 
 
 
131
Analisando o gráfico acima se pode concluir que além das faltas e do maior cansaço 
emocional, provavelmente o assédio impacta a qualidade do trabalho e a sua produtividade 
também. 
 
Analisando friamente os custos envolvidos, Leymann (apud HOEL, SPARK e COOPER, 
2007) estimou na Suécia os custos relacionados com as situações de assédio moral entre 30 
mil dólares a 100 mil dólares por indivíduo assediado. Para a Organização Mundial do 
Trabalho, o custo total relacionado à violência psicológica dentro de uma empresa de 1.000 
trabalhadores na Alemanha é de $150.000 euros por ano. (LORNO e LIHP, 2001). Hoel, 
Spark e Cooper calcularam os custos associados ao absenteísmo devido às situações de 
assédio moral na Inglaterra e concluiu que, em 1999, as organizações inglesas perderam 27 
milhões de dias de trabalho (a força de trabalho inglesa neste momento tinha 24 milhões de 
trabalhadores), sendo que o custo organizacional devido ao absenteísmo no trabalho em 
1999 foi de 1,5 bilhões de libras esterlinas. Adicionalmente, estes mesmos autores 
calcularam os custos das situações de assédio moral relacionados à saída de empregados 
assediados, ou seja, os custos de reposição deste pessoal, treinamento, etc., foram, em 1999, 
de 380 milhões de libras esterlinas. Portanto, segundo estes autores, olhando apenas os 
impactos no absenteísmo e na reposição do pessoal que sai devido ao assédio moral, em 
1999, os custos foram na ordem de 1,88 bilhões de libras esterlinas (HOEL, SPARKS e 
COOPER, 2007). Segundo dados da National Safe Workplace Institute, a perda de 
produtividade e despesas jurídicas resultantes de violência no trabalho chegaram a US$ 4,2 
bi em 1992 (O’LEARY-KELLY, GRIFFIN e GLEW, 1996). Custos adicionais incluem 
custos de seguro, destruição de propriedade da empresa, perda de reputação, gastos com 
relações públicas, perda recorrente de negócios, queda na moral dos empregados, custos de 
reparação para os empregados, gastos com saúde e aumento na rotatividade (turnover) 
(O’LEARY-KELLY, GRIFFIN e GLEW, 1996). 
 
Hoel e Cooper (2000) baseados nos relatórios das vítimas, estimaram que estas teriam 7% 
menos produtividade do que aqueles que não estariam sofrendo destes abusos, nem teriam 
testemunhado tais ofensas. Considerando que tanto ex-vítimas quanto ex-testemunhas 
também teriam seu nível de produtividade decrescido, estes autores calcularam que a queda 
na produtividade era de 1,5% a 2%. (HOEL e COOPER apud DI MARTINO, HOEL e 
COOPER, 2003) 
 
 
132
 
A tabela abaixo resume dados da pesquisa de Hoel et. al (2003) que calcularam o custo de um 
caso típico de assédio moral junto às autoridades britânicas. 
 
Tabela 13- Custos organizacionais de uma situação de assédio moral no Reino Unido 
 
Fator Custo
Absenteísmo £6,972
Custos relacionados à nova contratação £7,500
Redução na produtividade N/D
Tempo dos investigadores £2,110
Tempo dos gerentes £1,847
Tempo do pessoal de RH £2,600
Tempo do departamento corporativo £2,100
Custos relacioandos com o processo diciplinatório £3,780
Custos relacionados com as testemunhas £1,200
total (mínimo) £28,109
 
Fonte: Hoel et. al, 2003 apud Di Martino, Hoel e Cooper, 2003, tradução nossa 
 
Por fim, é interessante notar que alguns efeitos não podem ser calculados de maneira tão 
direta. No estudo de Fisse e Braithwaite (1983), impactos não-financeiros frequentemente 
aparecem como resultado de atos de publicidade negativa (como por exemplo, se a situação 
de assédio moral ocorrida dentro da organização for levada ao conhecimento do público). 
Segundo estes autores, os resultados não-financeiros mais comuns seriam queda no prestígio 
da empresa, queda do prestígio para os funcionários frente à comunidade, aumento do nível 
de estresse por ter que lidar com problemas com a mídia, distração dos problemas rotineiros 
do negócio e queda na motivação em todos os níveis. 
 
 
7.3 Sociedade 
 
É ainda mais complicado calcular quanto a sociedade tem que pagar pelas situações de 
assédio moral, não se pode simplesmente adicionar os custos individuais aos custos 
organizacionais. Pode-se pensar em pelo menos três custos relacionados às perdas para a 
sociedade: os custos relacionados à aposentadoria precoce, os custos relacionados à perda de 
produtividade e os custos relacionados aos tratamentos médicos. Para Leymann os 
empregados assediados mostram tendência a aposentar-se mais cedo afetando todo o 
sistema de assistência social, além de o processo do assédio, conforme já explicitado, ser 
 
 
133
geralmente longo levando as vítimas a passarem muitos meses/anos sobrecarregando os 
hospitais públicos. (LEYMANN, 1996) 
 
Di Martino, Hoel e Cooper (2003) mencionam os seguintes custos que toda a sociedade tem 
que pagar: 
� Custos relacionados com o absenteísmo devido à doença; 
� Aposentadorias precoces devido aos problemas de saúde; 
� Desemprego prolongado e dependência de auxílio-doença; 
� Perda prematura de produtividade afetando a produtividade da nação; 
� O peso econômico do tratamento destas pessoas é repassado à família e aos amigos; 
 
Estes autores dizem que o cálculo dos custos totais que a sociedade tem que pagar é muito 
difícil porque não conseguimos estimá-los somente somando os custos individuais aos custos 
organizacionais, pois parte dos custos é transferida para o outro grupo. 
 
Freitas (2007b) lembra que indivíduos são massacrados pela prática de assédio e que o preço 
é pago por todos nós. Ela cita os acidentes de trabalho, o aumento nas despesas médicas e 
benefícios previdenciários, a elevação no número de suicídios, as aposentadorias precoces, a 
desestruturação familiar e social das vítimas, a perda dos investimentos sociais feitos em 
educação e formação profissional. Esta pesquisadora lembra que todos estes custos 
impactam os custos finais dos produtos e com certeza os preços também, fazendo com que 
os consumidores paguem novamente o preço desta pratica nefasta. 
 
Para Barreto 
não podemos esquecer que as conseqüências da violência atingem a todos nós e até mesmo, 
aqueles que não estão envolvidos direta ou explicitamente, mas que, de alguma forma, ficam 
privados de saúde (vítimas, familiares e comunidade), da qualidade de vida e bem estar 
social. A compreensão da violência exige uma concepção de saúde ampliada enquanto saúde 
ético-política, pois a violência atinge a saúde não só quando é física, mas também em sua 
dimensão moral. E neste sentido, a violência deve ser pensada como uma questão e saúde 
pública e que diz respeito a todos nós. (BARRETO, 2005, p. 39) 
 
Para concluir, os custos das situações de assédio moral são enormes para as vítimas e para 
as organizações, assumir que este é um mal menor dentro das empresas ou que acontece em 
todo lugar, pode fazer com que empresas percam recursos importantes e tenham sua 
lucratividade diminuída, sem perceber. Pensando em quanto é gasto todos os anos em 
 
 
134
propaganda para construir uma boa imagem das empresas, como tantas empresas acabam 
investindo em vacinas para reduzir os dias perdidos por motivos de saúde e no esforço 
empreendido para que estejam incluídas entre as “melhores empresas para se trabalhar”, 
seria no mínimo um mau negócio continuar a ignorar este tema. 
 
 
135
 
PARTE III – AS PESQUISAS FEITAS NO MUNDO 
 
 
Uma andorinha só não faz verão 
Anônimo 
 
 
1. Panorama