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<p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE NAVEGANTES/SC</p><p>Processo n.º 0002950-68.2013.8.24.0135</p><p>PRINSERCON REPAROS INDUSTRIAIS LTDA - ME, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, por seu procurador signatário, requerer o que segue:</p><p>I. SÍNTESE DOS FATOS</p><p>Trata-se de Execução de Execução Fiscal cujos valores supostamente devidos vêm sendo exigidos da executada desde o ano de 2013.</p><p>Em julho de 2013 ocorreu a citação da executada, tendo a empresa ofertado bens a penhora, os quais foram aceitos pela União em fevereiro de 2014. Entretanto, expedido mandado de penhora, o mesmo retornou cumprido negativo em outubro de 2019. O exequente foi intimado para dar andamento ao feito, contudo nenhuma medida foi tomada.</p><p>Dessa forma, esclarecemos que a presente ação ficou estagnada, sem a realização de quaisquer atos constritivos, desde a realização da citação em julho de 2013, ou seja, durante 8 (oito) anos, em razão da visível inércia da parte autora.</p><p>Não obstante, é público e notório que a execução não deve perdurar ad eternum, sem atingir o fim pretendido.</p><p>Assim sendo, se demonstrará que estão cumpridos os requisitos para o reconhecimento da prescrição intercorrente, portanto, é necessário seu reconhecimento e consequente extinção da execução de título extrajudicial.</p><p>II. MÉRITO</p><p>II.I. DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE</p><p>O instituto da prescrição como hipótese de causa extintiva do processo de execução está inserido no art. 174, inc. I do Código de Processo Civil, que prevê:</p><p>Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.</p><p>Parágrafo único. A prescrição se interrompe:</p><p>I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>II - pelo protesto judicial;</p><p>III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;</p><p>IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.</p><p>Nos autos da presente execução houve citação da empresa por AR em julho de 2013. E a partir de então nenhum ato apto a interromper o prazo prescricional.</p><p>Diante dessas circunstâncias, é inequívoco que naquele momento houve a interrupção do prazo prescricional, sendo que após a citação nada mais ocorreu das causas interruptivas da prescrição.</p><p>A partir desta data, iniciou-se a contagem da suspensão processual pelo período de 1 (um) ano, existindo ou não pronunciamento judicial nesse sentido, consoante determinação da Súmula nº 314 do STJ. Transcorrido o prazo, inicia-se a contagem do lapso prescricional aplicável ao caso concreto.</p><p>Súmula nº 314</p><p>Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente.</p><p>Com efeito, cabe mencionar a inexistência de qualquer movimentação processual hábil a interromper a contagem do prazo prescricional, fato que pode se observar da breve compulsão dos autos, que nitidamente dão suporte jurídico à presente irresignação.</p><p>Destaca-se, por fim, a impossibilidade de aplicar ao caso o entendimento consolidado através da Súmula n.º 106 do STJ, na medida em que a demora na tramitação do feito não pode ser imputada exclusivamente ao Poder Judiciário.</p><p>Assim, considerando a contagem dos marcos interruptivos do prazo prescricional previstos no art. 174, parágrafo único, do CTN c/c o art. 40 da LEF, bem como o fato de que a execução tramita há mais de 8 (oito) anos, sem que se tenha alcançado qualquer resultado útil, impõe-se o reconhecimento da prescrição intercorrente.</p><p>Ora, a prescrição não corre apenas para castigar o credor, mas também para que se efetivem os princípios da segurança e da estabilidade das relações jurídicas.</p><p>Dessa forma, diante de todo o exposto, considerando a contagem dos marcos interruptivos do prazo prescricional previstos no art. 174, parágrafo único, do CTN c/c o art. 40 da LEF, bem como o fato de que a execução tramita há 8 (oito) anos sem que tenha alcançado resultado útil à satisfação do crédito exequendo, a presente execução fiscal deve ser extinta nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN, com o acolhimento da exceção de pré-executividade, devendo o excepto/exequente arcar com honorários advocatícios.</p><p>III. DOS PEDIDOS.</p><p>ANTE O EXPOSTO, requer-se a Vossa Excelência, de imediato o reconhecimento da prescrição intercorrente pelos fundamentos ora trazidos aos autos, a qual pode até ser reconhecida de ofício pelo juizo, extinguindo-se o feito, na forma do art. 156, inciso V e art. 174, parágrafo único, inciso I do CTN, bem como, caso entenda necessária, a concessão de prazo de 10 (dez) dias para juntada de instrumento atualizado de procuração.</p><p>Por fim, postula que todas as intimações veiculadas na imprensa oficial sejam publicadas, exclusivamente, em nome do patrono Renan Lemos Villela, OAB/RS 52.572, OAB/PR 71.092, OAB/SC 34.760, OAB/SP 346.100, sob pena de nulidade.</p><p>Termos em que pede e espera deferimento.</p><p>Porto Alegre, RS, 22 de julho de 2021.</p><p>2</p><p>MEO</p><p>image1.png</p>