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<p>Células-tronco hematopoéticas:</p><p>Apresentação</p><p>Células-tronco estão em todos os organismos e apresentam uma propriedade muito especial: são</p><p>capazes de se diferenciarem em qualquer célula do organismo. Para isso, elas precisam apenas</p><p>receber o estímulo adequado para seu crescimento e diferenciação.</p><p>As células-tronco podem ser obtidas da punção do cordão umbilical logo após o nascimento, então</p><p>chamadas de células-tronco embrionárias. Há também as chamadas células-tronco hematopoéticas,</p><p>que podem ser isoladas da medula óssea, onde são responsáveis pela formação de células</p><p>sanguíneas, dentre outras funções.</p><p>As células-tronco hematopoéticas presentes na medula óssea vermelha subdividem-se em</p><p>linhagens mieloide e linfoide, ambas comprometidas com a formação de células sanguíneas. Essas</p><p>células possuem propriedades especiais que não são identificadas em nenhuma outra célula</p><p>humana: autorrenovação, diferenciação, proliferação e homing. Essas propriedades são comuns às</p><p>células-tronco embrionárias humanas e hematopoéticas.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a diferença entre células-tronco embrionárias e</p><p>células-tronco adultas, e verá como correlacionar os diferentes tipos celulares a seus marcadores</p><p>específicos. Você também verá como identificar as células-tronco hematopoéticas precursoras das</p><p>células sanguíneas maduras e imaturas.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Identificar as células-tronco hematopoéticas precursoras das células sanguíneas.•</p><p>Diferenciar os tipos de células-tronco embrionárias e células-tronco adultas.•</p><p>Relacionar os marcadores celulares com suas células correspondentes.•</p><p>Desafio</p><p>A terapia com células-tronco embrionárias retiradas do cordão umbilical é um dos mais promissores</p><p>avanços na medicina moderna. Com ela, podemos tratar doenças incuráveis, como o diabetes e</p><p>alguns tipos de cânceres, como a leucemia. Recentemente, diversos casais têm optado por coletar e</p><p>congelar as células-tronco embrionárias do cordão umbilical de seus bebês logo após o nascimento.</p><p>Considere a seguinte situação:</p><p>Diante do exposto, responda às dúvidas do casal:</p><p>1. Por que o transplante com células-tronco embrionárias de um recém-nascido compatível é um</p><p>procedimento mais seguro que o transplante de células-tronco dos pais de Sarah?</p><p>2. Como as células-tronco serão coletadas do bebê após o nascimento? Haverá risco de morte para</p><p>a criança?</p><p>Infográfico</p><p>O processo de formação das células-tronco é denominado hematopoiese e ocorre ao longo de toda</p><p>a nossa vida. O tipo celular que será formado vai depender dos hormônios e das citocinas que</p><p>forem secretadas para estimular a diferenciação da célula-tronco.</p><p>Neste Infográfico, você conhecerá as principais características das células-tronco.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/bd462876-8d85-4331-8da7-43e94531211d/33a28485-dc3f-4fed-948a-7c34dde7bccc.png</p><p>Conteúdo do livro</p><p>A medula óssea vermelha ou, simplesmente, medula óssea é a parte orgânica de nosso esqueleto</p><p>ósseo. Essa região, ricamente vascularizada e inervada, concentra uma parte de nosso organismo</p><p>onde são encontradas as células-tronco hematopoéticas. Esse tipo celular possui a propriedade de</p><p>fazer cópias idênticas de si mesmo e, após esse processo, a depender das substâncias secretadas,</p><p>ainda será capaz de diferenciar-se em células sanguíneas específicas.</p><p>No trecho da obra Fundamentos em Hematologia, base teórica desta Unidade de Aprendizagem,</p><p>você vai estudar a medula óssea e os tipos de células-tronco somáticas e hematopoéticas que ali</p><p>residem. Além disso, vai conferir quais são os marcadores específicos desses tipos celulares e</p><p>saberá como diferenciar as células-tronco somáticas das células-tronco embrionárias.</p><p>Boa leitura.</p><p>Fundamentos</p><p>em Hematologia</p><p>A.V. Hoffbrand P.A.H. Moss</p><p>6ª Edição</p><p>Fundamentos</p><p>em Hematologia</p><p>A.V. Hoffbrand P.A.H. Moss</p><p>6ª Edição</p><p>Fundam</p><p>entos em</p><p>Hem</p><p>atologia</p><p>H</p><p>offbran</p><p>d</p><p>M</p><p>oss</p><p>Hematologia e Oncologia</p><p>AJCC</p><p>Manual de Estadiamento do Câncer – 6.ed.</p><p>Rotinas em Oncologia</p><p>FAILACE, R. & COLS.</p><p>Hemograma: Manual de Interpretação – 5.ed.</p><p>FERREIRA, P.R.F. & COLS.</p><p>Tratamento Combinado em Oncologia</p><p>GUIMARÃES, J.L.M.; ROSA, D.D. & COLS.</p><p>Rotinas em Oncologia</p><p>HOFFBRAND, A.V.; MOSS, P.A.H</p><p>Fundamentos em Hematologia – 6.ed.</p><p>LICHTMAN, M.A. & COLS.</p><p>Manual de Hematologia de Williams</p><p>A Artmed Editora é parte do Grupo A,</p><p>uma empresa que engloba diversos se-</p><p>los editoriais e várias plataformas de dis-</p><p>tribuição de conteúdo técnico, científi co</p><p>e profi ssional, disponibilizando-o como,</p><p>onde e quando você precisar.</p><p>www.grupoa.com.br</p><p>0800 703 3444</p><p>Fundam</p><p>entos</p><p>em</p><p>Hem</p><p>atologia</p><p>6ª Edição</p><p>H</p><p>offbran</p><p>d</p><p>M</p><p>oss</p><p>www.grupoa.com.br</p><p>HEMATOLOGIA</p><p>R</p><p>ecorte aq</p><p>u</p><p>i seu</p><p>m</p><p>arcad</p><p>or d</p><p>e p</p><p>ág</p><p>in</p><p>a.</p><p>Fundamentos em hematologia, 6ª edição, descreve os princípios básicos em hematologia</p><p>clínica e laboratorial, apresentando as manifestações de doenças sanguíneas e a</p><p>maneira como podem ser explicadas a partir dos novos conhecimentos sobre os processos</p><p>de doenças. A obra inicia pela formação e pelas funções das células sanguíneas, bem</p><p>como aborda as doenças que surgem a partir de disfunções e rupturas desses processos.</p><p>Destaques desta edição:</p><p>• amplamente ilustrada, preserva a linguagem acessível que tornou as edições</p><p>anteriores bem-sucedidas</p><p>• reúne as pesquisas mais atuais neste dinâmico campo</p><p>• contém resumos no fi nal de cada capítulo</p><p>• inclui tratamentos variados e uma seção ampliada sobre medula óssea</p><p>e transplantes</p><p>37116 Fundamentos em Hematologia.indd 137116 Fundamentos em Hematologia.indd 1 23/07/2012 17:53:0623/07/2012 17:53:06</p><p>Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB 10/2052</p><p>H698f Hoffbrand, A. V.</p><p>Fundamentos em hematologia [recurso eletrônico] / A. V.</p><p>Hoffbrand, P. A. H. Moss ; tradução e revisão técnica: Renato</p><p>Failace. – 6. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre :</p><p>Artmed, 2013.</p><p>Editado também como livro impresso em 2013.</p><p>ISBN 978-85-65852-30-2</p><p>1. Medicina. 2. Hematologia. I. Moss, P. A. H. II. Título.</p><p>CDU 616.15</p><p>2 A. V. Hoffbrand e P. A. H. Moss</p><p>Este primeiro capítulo trata de aspectos gerais</p><p>da formação de células sanguíneas (hemato-</p><p>poese). São também discutidos os processos que</p><p>regulam a hematopoese e os estágios iniciais da</p><p>formação de eritrócitos (eritropoese), de granu-</p><p>lócitos e monócitos (mielopoese) e de plaquetas</p><p>(trombocitopoese).</p><p>Locais de hematopoese</p><p>Nas primeiras semanas da gestação, o saco viteli-</p><p>no é o principal local de hematopoese. A hemato-</p><p>poese definitiva, entretanto, deriva de uma popu-</p><p>lação de células-tronco observada, pela primeira</p><p>vez, na aorta dorsal, designada região AGM (aor-</p><p>ta-gônadas-mesonefros). Acredita-se que esses</p><p>precursores comuns às células endoteliais e he-</p><p>matopoéticas (hemangioblastos) aninhem-se no</p><p>fígado, no baço e na medula óssea; de 6 semanas</p><p>até 6 a 7 meses de vida fetal, o fígado e o baço</p><p>são os principais órgãos hematopoéticos e conti-</p><p>nuam a produzir células sanguíneas até cerca de</p><p>duas semanas após o nascimento (Tabela 1.1; ver</p><p>Figura 7.1b). A medula óssea é o sítio hemato-</p><p>poético mais importante a partir de 6 a 7 meses</p><p>de vida fetal e, durante a infância e a vida adulta,</p><p>é a única fonte de novas células sanguíneas. As</p><p>células em desenvolvimento situam-se fora dos</p><p>seios da medula óssea; as maduras são liberadas</p><p>nos espaços sinusais e na microcirculação medu-</p><p>lar e, a partir daí, na circulação geral.</p><p>Nos dois primeiros anos, toda a medula</p><p>óssea é hematopoética, mas, durante o resto da</p><p>infância, há substituição progressiva da medula</p><p>dos ossos longos por gordura, de modo que a</p><p>medula hemopoética no adulto é confinada ao</p><p>esqueleto central e às extremidades proximais do</p><p>fêmur e do úmero (Tabela 1.1). Mesmo nessas</p><p>regiões hematopoéticas, cerca de 50% da medu-</p><p>la é composta de gordura (Figura</p><p>1.1). A me-</p><p>dula óssea gordurosa remanescente é capaz de</p><p>reverter para hematopoética e, em muitas doen-</p><p>ças, também pode haver expansão da hemato-</p><p>poese aos ossos longos. Além disso, o fígado e o</p><p>baço podem retomar seu papel hematopoético</p><p>fetal (“hematopoese extramedular”).</p><p>Células-tronco hematopoéticas e</p><p>células progenitoras</p><p>A hematopoese inicia-se com uma célula-tronco</p><p>pluripotente, que tanto pode autorrenovar-se</p><p>como também dar origem às distintas linhagens</p><p>celulares. Essas células são capazes de repovoar</p><p>uma medula cujas células-tronco tenham sido</p><p>eliminadas por irradiação ou quimioterapia</p><p>letais. As células-tronco hematopoéticas são</p><p>escassas, talvez uma em 20 milhões de células</p><p>nucleadas da medula óssea. Embora tenham</p><p>fenótipo exato desconhecido, ao exame imu-</p><p>nológico são CD34+, CD38– e têm a aparência</p><p>de um linfócito de tamanho pequeno ou médio</p><p>(ver Figura 23.3). Residem em “nichos” especia-</p><p>lizados. A diferenciação celular a partir da célula-</p><p>-tronco passa por uma etapa de progenitores</p><p>hematopoéticos comprometidos, isto é, com po-</p><p>tencial de desenvolvimento restrito (Figura 1.2).</p><p>Tabela 1.1 Locais de hematopoese</p><p>Feto 0-2 meses (saco vitelino)</p><p>2-7 meses (fígado, baço)</p><p>5-9 meses (medula óssea)</p><p>De 0 a 2 anos Medula óssea (praticamente</p><p>todos os ossos)</p><p>Adultos Vértebras, costelas, crânio,</p><p>esterno, sacro e pelve,</p><p>extremidades proximais dos</p><p>fêmures</p><p>Figura 1.1 Biópsia de medula óssea normal (crista</p><p>ilíaca posterior). Coloração por hematoxilina-eosina;</p><p>aproximadamente 50% do tecido intertrabecular é he-</p><p>matopoético, e 50%, gordura.</p><p>Hoffbrand_6ed_01.indd 2Hoffbrand_6ed_01.indd 2 16/07/12 13:4516/07/12 13:45</p><p>Fundamentos em Hematologia 3</p><p>A existência de células progenitoras separadas</p><p>para cada linhagem pode ser demonstrada por</p><p>técnicas de cultura in vitro. Células progenito-</p><p>ras muito precoces devem ser cultivadas a longo</p><p>prazo em estroma de medula óssea, ao passo que</p><p>células progenitoras tardias costumam ser culti-</p><p>vadas em meios semissólidos. Um exemplo é o</p><p>primeiro precursor mieloide misto detectável,</p><p>que origina granulócitos, eritrócitos, monócitos</p><p>e megacariócitos, chamado de CFU (unidade</p><p>formadora de colônias)-GEMM (Figura 1.2). A</p><p>medula óssea também é o local primário de ori-</p><p>gem de linfócitos (Capítulo 9), que se diferen-</p><p>ciam de um precursor linfocítico comum.</p><p>A célula-tronco tem capacidade de autor-</p><p>renovação (Figura 1.3), de modo que a celula-</p><p>ridade geral da medula, em condições estáveis</p><p>de saúde, permanece constante. Há considerá-</p><p>vel ampliação na proliferação do sistema: uma</p><p>célula-tronco, depois de 20 divisões celulares, é</p><p>capaz de produzir cerca de 106 células sanguí-</p><p>neas maduras (Figura 1.3). As células precurso-</p><p>ras, contudo, são capazes de responder a fatores</p><p>de crescimento hematopoético com aumento de</p><p>produção seletiva de uma ou outra linhagem ce-</p><p>lular de acordo com as necessidades. O desenvol-</p><p>vimento de células maduras (eritrócitos, granu-</p><p>lócitos, monócitos, megacariócitos e linfócitos)</p><p>será abordado em outras seções deste livro.</p><p>Estroma da medula óssea</p><p>A medula óssea constitui-se em ambiente ade-</p><p>quado para sobrevida, autorrenovação e forma-</p><p>ção de células progenitoras diferenciadas. Esse</p><p>meio é composto por células do estroma e uma</p><p>Célula-tronco</p><p>pluripotente</p><p>Progenitor</p><p>de eritroides</p><p>CFUGEMM</p><p>Célula progenitora</p><p>mieloide mista</p><p>BFUE</p><p>CFUE</p><p>CFUMeg</p><p>Progenitor de</p><p>megacariócito</p><p>CFUGM</p><p>Progenitor de</p><p>granulócito e</p><p>monócito</p><p>CFUEo</p><p>Progenitor</p><p>de eosinófilo</p><p>CFUGMEo</p><p>CFUbaso</p><p>Timo</p><p>CFU-M CFU-G</p><p>Célula-tronco</p><p>linfoide</p><p>Eritrócitos Plaquetas Monócitos Neutrófilos Eosinófilos Basófilos Linfócitos Células NK</p><p>B T NK</p><p>Figura 1.2 Diagrama mostrando a célula-tronco multipotente da medula óssea e as linhagens celulares que dela</p><p>se originam. Várias células progenitoras podem ser identificadas por cultura em meio semissólido pelo tipo de</p><p>colônia que formam. É possível que um progenitor eritroide/megacariocítico seja formado antes de o progenitor</p><p>linfoide comum divergir do progenitor mieloide misto granulocítico/monocítico/eosinofílico. Baso, basófilo; BFU,</p><p>unidade formadora explosiva; CFU, unidade formadora de colônia; E, eritroide; Eo, eosinófila; GEMM, granulocí-</p><p>tica, eritroide, monocítica e megacariocítica; GM, granulócito, monócito; Meg, megacariócito; NK, natural killer.</p><p>Hoffbrand_6ed_01.indd 3Hoffbrand_6ed_01.indd 3 16/07/12 13:4516/07/12 13:45</p><p>4 A. V. Hoffbrand e P. A. H. Moss</p><p>rede microvascular (Figura 1.4). As células do</p><p>estroma incluem adipócitos, fibroblastos, célu-</p><p>las endoteliais e macrófagos, e secretam molécu-</p><p>las extracelulares, como colágeno, glicoproteínas</p><p>(fibronectina e trombospondina) e glicosamino-</p><p>glicanos (ácido hialurônico e derivados condroi-</p><p>tínicos) para formar uma matriz extracelular,</p><p>além de secretarem vários fatores de crescimento</p><p>necessários à sobrevivência da célula-tronco.</p><p>Células-tronco mesenquimais, também</p><p>chamadas células estromais mesenquimais mul-</p><p>tipotentes ou células mesenquimais aderentes,</p><p>são críticas na formação do estroma. Junto com</p><p>os osteoblastos, formam nichos e fornecem os</p><p>fatores de crescimento, moléculas de adesão e</p><p>citoquinas que dão suporte às células-tronco,</p><p>por exemplo, a proteína que permeia as células</p><p>estromais liga-se a um receptor NOTCH1 nas</p><p>(b)</p><p>Células</p><p>maduras</p><p>Precursores</p><p>comprometidos</p><p>Células progenitoras</p><p>multipotentes</p><p>Células-tronco</p><p>Autor-</p><p>renovação</p><p>Multiplicação</p><p>Diferenciação</p><p>(a)</p><p>Figura 1.3 (a) Com a diferenciação crescente, as células da medula óssea perdem a capacidade de autorreno-</p><p>vação à medida que amadurecem. (b) Uma única célula-tronco produz, depois de múltiplas divisões (mostradas</p><p>pelas linhas verticais), > 106 células maduras.</p><p>Célula-tronco</p><p>Matriz</p><p>extracelular</p><p>Célula adiposa</p><p>Fibroblasto</p><p>Molécula de adesão</p><p>Fator de crescimento</p><p>Ligante</p><p>Receptor de fator de crescimento</p><p>Célula endotelial</p><p>Macrófago</p><p>Figura 1.4 A hematopoese ocorre em microambiente adequado (“nicho”) fornecido pela matriz do estroma na</p><p>qual as células-tronco crescem e se dividem. Há locais de reconhecimento específico e de adesão (ver p. 13);</p><p>glicoproteínas extracelulares e outros componentes estão envolvidos na ligação.</p><p>Hoffbrand_6ed_01.indd 4Hoffbrand_6ed_01.indd 4 16/07/12 13:4516/07/12 13:45</p><p>Fundamentos em Hematologia 5</p><p>células-tronco, tornando-se um fator de trans-</p><p>crição envolvido no ciclo celular.</p><p>As células-tronco são capazes de circular no</p><p>organismo e são encontradas em pequeno núme-</p><p>ro no sangue periférico. Para deixar a medula ós-</p><p>sea, as células devem atravessar o endotélio vascu-</p><p>lar – e esse processo de mobilização é aumentado</p><p>pela administração de fatores de crescimento,</p><p>como o fator estimulante de colônias granulocí-</p><p>ticas (G-CSF) (ver p. 6). O processo reverso, de</p><p>“volta ao lar” (homing), parece depender de um</p><p>gradiente quimiocinético, no qual tem papel crí-</p><p>tico o fator derivado do estroma (SDF-1). Várias</p><p>interações críticas suportam a viabilidade das cé-</p><p>lulas-tronco e a produção no estroma, incluindo</p><p>o fator de células-tronco (SCF) e proteínas per-</p><p>meantes estromais e seus respectivos receptores</p><p>KIT e NOTCH, expressos em células-tronco.</p><p>Células-tronco tecido-específicas</p><p>Células-tronco estão presentes em diferentes</p><p>órgãos. São pluripotentes e podem gerar vários</p><p>tipos de tecidos, como células epiteliais, células</p><p>nervosas (Figura 1.5). Estudos em pacientes e</p><p>em animais que receberam transplante de cé-</p><p>lulas-tronco hematopoéticas (ver Capítulo 23)</p><p>sugerem que as células hematopoéticas doadas</p><p>podem contribuir para os tecidos, como o neu-</p><p>ral, o hepático e o muscular. A contribuição</p><p>de células hematopoéticas de doadores adul-</p><p>tos a tecidos não hematopoéticos, entretanto,</p><p>se houver, é mínima. A persistência de células</p><p>pluripotentes na vida pós-natal, a presença de</p><p>células-tronco mesenquimais na medula óssea</p><p>e a fusão de células transplantadas com células</p><p>do hospedeiro foram propostas como explicação</p><p>Tecido</p><p>nervosoMúsculo,</p><p>tendão,</p><p>cartilagem,</p><p>gordura, etc.</p><p>Célula-tronco</p><p>epitelial</p><p>Célula-tronco</p><p>nervosaCélula-tronco</p><p>mesenquimal</p><p>Células mieloides</p><p>e linfoides</p><p>Células-tronco embrionárias</p><p>Células-tronco adultas</p><p>Célula-tronco</p><p>hematopoética</p><p>Fígado, etc.</p><p>Célula</p><p>totipotente</p><p>(b)</p><p>(a)</p><p>Figura 1.5 (a) Células da camada interna do blastocisto no embrião recém-formado são capazes de gerar todos</p><p>os tecidos do organismo e são designadas totipotentes. (b) Células-tronco especializadas adultas, da medula</p><p>óssea, dos tecidos nervoso, epitelial e outros, originam células diferenciadas do mesmo tecido.</p><p>Hoffbrand_6ed_01.indd 5Hoffbrand_6ed_01.indd 5 16/07/12 13:4516/07/12 13:45</p><p>6 A. V. Hoffbrand e P. A. H. Moss</p><p>alternativa de muitos resultados sugestivos de</p><p>plasticidade das células-tronco.</p><p>Regulação da hematopoese</p><p>A hematopoese começa com mitoses das célu-</p><p>las-tronco; em cada divisão, uma célula-filha</p><p>repõe a célula-tronco (autorrenovação) e a</p><p>outra se compromete em diferenciação. Essas</p><p>células progenitoras precocemente compro-</p><p>metidas expressam baixos níveis dos fatores</p><p>de transcrição que as comprometem com li-</p><p>nhagens específicas; a seleção da linhagem de</p><p>diferenciação, portanto, pode variar tanto por</p><p>alocação aleatória como por sinais externos</p><p>recebidos pelas células progenitoras. Vários</p><p>fatores de transcrição regulam a sobrevivência</p><p>das células-tronco (p. ex., SCL, GATA-2, NO-</p><p>TCH-1), enquanto outros estão envolvidos na</p><p>diferenciação ao longo das principais linhagens</p><p>celulares. Por exemplo, PU.1 e a família CEBP</p><p>comprometem células para a linhagem mieloi-</p><p>de leucocitária, enquanto GATA-1 e FOG-1</p><p>têm um papel essencial na diferenciação eritro-</p><p>poética e megacariocítica.</p><p>Fatores de crescimento</p><p>hematopoéticos</p><p>Os fatores de crescimento hematopoéticos são</p><p>hormônios glicoproteicos que regulam a pro-</p><p>liferação e a diferenciação das células proge-</p><p>nitoras hematopoéticas e a função das células</p><p>sanguíneas maduras. Podem agir no local em</p><p>que são produzidos por contato célula a célula</p><p>ou podem circular no plasma. Também podem</p><p>ligar-se à matriz extracelular, formando nichos</p><p>aos quais aderem as células-tronco e as células</p><p>progenitoras. Os fatores de crescimento podem</p><p>causar não só proliferação celular, mas também</p><p>podem estimular a diferenciação, a maturação,</p><p>prevenir a apoptose e afetar as funções de células</p><p>maduras (Figura 1.6).</p><p>Os fatores de crescimento compartilham</p><p>certo número de propriedades (Tabela 1.2) e</p><p>agem em diferentes etapas da hematopoese (Ta-</p><p>bela 1.3, Figura 1.7).</p><p>Tabela 1.2 Características gerais dos fatores</p><p>de crescimento mieloides e linfoides</p><p>Glicoproteínas que agem em concentrações muito</p><p>baixas</p><p>Atuam hierarquicamente</p><p>Em geral, são produzidos por muitos tipos de células</p><p>Em geral, afetam mais de uma linhagem</p><p>Em geral, ativos nas células-tronco/progenitoras e</p><p>nas células funcionais finais</p><p>Em geral, têm interações sinérgicas ou aditivas</p><p>com outros fatores de crescimento</p><p>Muitas vezes, agem no equivalente neoplásico da</p><p>célula normal</p><p>Ações múltiplas: proliferação, diferenciação,</p><p>maturação, ativação funcional, prevenção de</p><p>apoptose de células progenitoras</p><p>Tabela 1.3 Fatores de crescimento</p><p>hematopoético</p><p>Agem nas células do estroma</p><p>IL-1</p><p>TNF</p><p>Agem nas células-tronco pluripotentes</p><p>SCF</p><p>FLT3-L</p><p>VEGF</p><p>Agem nas células progenitoras multipotentes</p><p>IL-3</p><p>GM-CSF</p><p>IL-6</p><p>G-CSF</p><p>Trombopoetina</p><p>Agem em células progenitoras comprometidas</p><p>G-CSF*</p><p>M-CSF</p><p>IL-5 (CSF-eosinófilo)</p><p>Eritropoetina</p><p>Trombopoetina*</p><p>CSF, fator estimulante de colônias; FLT3-L, FLT3 ligante;</p><p>G-CSF, fator estimulante de colônias granulocíticas; GM-CSF,</p><p>fator estimulante de colônias granulocíticas e macrofágicas;</p><p>IL, interleuquina; M-CSF, fator estimulante de colônias</p><p>macrofágicas; SCF, fator de célula-tronco; TNF, fator de necrose</p><p>tumoral; VEGF, fator de crescimento do endotélio vascular.</p><p>* Estes também agem sinergicamente com fatores</p><p>anteriormente ativos em progenitores pluripotentes.</p><p>Hoffbrand_6ed_01.indd 6Hoffbrand_6ed_01.indd 6 16/07/12 13:4516/07/12 13:45</p><p>Dica do professor</p><p>Células-tronco hematopoéticas são células multipotentes presentes na medula óssea vermelha dos</p><p>seres humanos. Desde o início da vida embrionária, elas são responsáveis pela produção de todas</p><p>as células sanguíneas: linfócitos T, linfócitos B, monócitos, neutrófilos, basófilos, eosinófilos,</p><p>eritrócitos e plaquetas.</p><p>Nesta Dica do Professor, você conhecerá as principais características das células-tronco</p><p>hematopoéticas e sua importância na formação de células sanguíneas.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/096f3153410efe9f6140d596bb2d85b4</p><p>Exercícios</p><p>1) As células humanas, principalmente as sanguíneas, podem ser diferenciadas entre si pela</p><p>presença de marcadores, os clusters de diferenciação (CD). Eles são proteínas expressas na</p><p>superfície da célula e funcionam como uma identidade para reconhecimento do tipo celular.</p><p>As células-tronco hematopoéticas são identificadas pela presença de dois marcadores.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta corretamente esses marcadores:</p><p>A) CD61 e CD36.</p><p>B) CD34+ e CD38.</p><p>C) TER119 e CD105.</p><p>D) CD91 e CD114(G-CSF).</p><p>E) CD34 e HLA-DR.</p><p>2) As células-tronco humanas residem no interior da medula óssea vermelha, uma região de</p><p>nosso esqueleto ósseo que abriga essas células com propriedade de se multiplicar e se</p><p>diferenciar em qualquer outra célula. Dentre as células-tronco, as hematopoéticas destacam-</p><p>se pela formação exclusiva de células sanguíneas.</p><p>Assinale a alternativa que contenha as quatro características que definem uma célula-tronco</p><p>hematopoética:</p><p>A) Multiplicação, proliferação, diferenciação e homing.</p><p>B) Autorrenovação, proliferação, indiferenciação e homing.</p><p>C) Autorrenovação, multiplicação, diferenciação e imortalidade.</p><p>D) Autorrenovação, proliferação, diferenciação e divisão.</p><p>E) Autorrenovação, proliferação, diferenciação e homing.</p><p>A hematopoiese ocorre, durante a vida adulta, majoritariamente na medula óssea vermelha.</p><p>Fígado e baço podem assumir essa função quando há falência da medula óssea e</p><p>3)</p><p>incapacidade de produção de células sanguíneas. No entanto, ao longo de nossa vida, outros</p><p>órgãos podem assumir essa função.</p><p>Assinale a alternativa correta com relação à hematopoiese na vida embrionária e fetal:</p><p>A) Até os 2 anos de idade, a hematopoiese ocorre exclusivamente no fígado.</p><p>B) Durante a vida intrauterina, a hematopoiese é exclusiva do saco vitelino.</p><p>C) O saco vitelino é o único órgão que não faz hematopoiese na vida fetal.</p><p>D) Saco vitelino, fígado e baço auxiliam a medula óssea fetal na hematopoiese.</p><p>E) A partir do 3o trimestre de gestação, apenas a medula óssea faz a hematopoiese.</p><p>4) Células-tronco diferenciam-se de células progenitoras, embora essa última seja derivada da</p><p>primeira. Após o estímulo correto de diferenciação, as células-tronco pluripotentes</p><p>diferenciam-se em células progenitoras, já comprometidas com alguma linhagem celular.</p><p>Assinale a alternativa correta sobre as células progenitoras:</p><p>A) Células mesenquimais progenitoras são aquelas que formarão células de qualquer tecido,</p><p>exceto as células do sangue.</p><p>B) Células progenitoras linfoides são aquelas comprometidas com a formação exclusivamente de</p><p>glóbulos brancos.</p><p>C) Células progenitoras mieloides são aquelas comprometidas exclusivamente com a formação</p><p>de glóbulos vermelhos.</p><p>D) Células-tronco mesenquimais derivam de células-tronco hematopoéticas para formação de</p><p>plaquetas e eritrócitos.</p><p>E) Células-tronco hematopoéticas não podem se diferenciar em células progenitoras linfoides e</p><p>mieloides.</p><p>5) As células do corpo humano são todas oriundas de uma célula preexistente, a célula-tronco</p><p>multipotente. Entende-se que ela se diferencia e compromete-se com determinada linhagem</p><p>celular, a partir da qual diferenciam-se e amadurecem células específicas. Dentre essas</p><p>linhagens específicas, são formadas as células progenitoras.</p><p>Assinale a alternativa que conceitua corretamente o que é uma célula progenitora:</p><p>A) Uma</p><p>célula morfologicamente diferenciada.</p><p>B) Uma célula morfologicamente indiferenciada.</p><p>C) Célula precursora eritroide.</p><p>D) Unidade formadora de granulócitos.</p><p>E) Uma célula precursora mieloide.</p><p>Na prática</p><p>O estudo das células-tronco tem revolucionado a ciência moderna, pois, a partir delas, novas</p><p>terapias alternativas têm sido desenvolvidas para tratamento de doenças até então incuráveis. O</p><p>protocolo de transplante de células-tronco pancreáticas, por exemplo, mostrou-se eficaz na cura de</p><p>alguns casos de diabetes.</p><p>Do mesmo modo, a reversão de lesões cardíacas após infarto agudo do miocárdio tem apresentado</p><p>resultados promissores. Os estudos mais recentes têm enfoque em amenizar as lesões provocadas</p><p>por doenças neurodegenerativas.</p><p>Acompanhe neste Na Prática a história de Verônica, uma hematologista que trabalha com pesquisa</p><p>de células-tronco hematopoéticas no tratamento de diabetes mellitus.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/d726bdfd-6fd0-41e5-be7c-a6207c74b740/b5a88b14-bd12-4150-8d61-97a10985fcbb.png</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Células-tronco em terapias hematológicas: uma revisão de</p><p>literatura</p><p>As pesquisas com células-tronco avançam a passos largos para o tratamento de doenças</p><p>hematológicas, dentre outras desordens. Mas quais são os mais recentes avanços da medicina</p><p>nessa área? Acesse o artigo e descubra!</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Fundamentos em hematologia de Hoffbrand</p><p>A hematopoiese é um processo delicado que precisa ser cuidadosamente regulado pelo organismo</p><p>no interior da medula óssea. Essa regulação vai desde o tipo celular a ser formado até o estímulo</p><p>secretado para diferenciação das células. No Capítulo 1, Hematopoiese, do livro Fundamentos em</p><p>hematologia, você pode estudar esses processos de regulamentação.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A Revolução das Células-Tronco</p><p>As células-tronco são células muito especiais. Além de serem imortais, elas têm o superpoder de se</p><p>diferenciar em qualquer outra célula que quiserem. Neste interessante vídeo do canal Ciência todo</p><p>dia, você pode aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/29073/25911</p><p>https://www.youtube.com/embed/2UqI2Aw-OtE</p><p>Células-tronco: a chave da regeneração (dublado) –</p><p>Documentário Discovery Channel</p><p>Este documentário convida você a fazer uma imersão no magnífico mundo das células-tronco e em</p><p>todo o seu potencial de aplicações na medicina e na genética. Não deixe de conferir!</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://www.youtube.com/embed/ZkH8UbilcN8</p>