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<p>1ª Edição</p><p>Indaial - 2022</p><p>UNIASSELVI-PÓS</p><p>Autoria: Érica Marciano de Oliveira</p><p>Maycon Silva Aguiar</p><p>Verônica Ribas Cúrcio</p><p>A BNCC E O ENSINO DA</p><p>LÍNGUA PORTUGUESA</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI</p><p>Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito</p><p>Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC</p><p>Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2022</p><p>O48a</p><p>Oliveira, Érica Marciano de</p><p>A BNCC e o ensino da língua portuguesa. / Érica Marciano de</p><p>Oliveira; Maycon Silva Aguiar; Verônica Ribas Cúrcio. – Indaial: UNIAS-</p><p>SELVI, 2022.</p><p>143 p.; il.</p><p>ISBN Digital 978-65-5646-477-0</p><p>1. Pronúncia da língua portuguesa. - Brasil. I. Oliveira, Érica</p><p>Marciano de. II. Aguiar, Maycon Silva. III. Cúrcio, Verônica Ribas. IV. Cen-</p><p>tro Universitário Leonardo Da Vinci.</p><p>CDD 469</p><p>Impresso por:</p><p>Reitor: Janes Fidelis Tomelin</p><p>Diretor UNIASSELVI-PÓS: Tiago Lorenzo Stachonl</p><p>Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:</p><p>Tiago Lorenzo Stachon</p><p>Ilana Gunilda Gerber Cavichioli</p><p>Norberto Siegel</p><p>Julia dos Santos</p><p>Ariana Monique Dalri</p><p>Jairo Martins</p><p>Marcio Kisner</p><p>Marcelo Bucci</p><p>Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais</p><p>Diagramação e Capa:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO ............................................................................5</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>PRÁTICAS DA LINGUAGEM ........................................................... 7</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA ................................... 49</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>CAMPOS DE ATUAÇÃO E GÊNEROS DIGITAIS ........................ 98|</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Caro aluno, seja bem-vindo à disciplina A BNCC e o ensino da Língua Portu-</p><p>guesa! Neste espaço de diálogo, você encontrará subsídios importantes para sua</p><p>atuação profissional.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular foi instituída, por completo, em 2018,</p><p>mas, conforme estudaremos, descende de uma longa trajetória de batalhas trava-</p><p>das no âmbito das políticas educacionais brasileiras.</p><p>Trata-se de um documento oficial de regulação do sistema educacional bra-</p><p>sileiro cujo cumprimento é obrigatório e que arrola quais aprendizagens devem</p><p>ser desenvolvidas pelos alunos no decorrer da Educação Básica, à vista dos prin-</p><p>cípios e dos propósitos antevistos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional (BRASIL, 1996), a qual, por sua vez, regulamenta, de maneira mais es-</p><p>pecífica, os direitos garantidos à área pela Constituição Federal de 1988.</p><p>Dentre as transformações ensejadas pela Base Nacional Comum Curricular,</p><p>duas se destacam: a construção de um sistema educacional cujos conhecimentos</p><p>sejam cíclicos e balizados por competências e por habilidades dos estudantes; e</p><p>a perspectiva de que as situações de uso da língua e da linguagem são, por natu-</p><p>reza, práticas sociais, na medida em que mobilizam mais do que a combinação de</p><p>recursos gramaticais.</p><p>Consequentemente, teremos uma Educação Básica sedimentada nas expe-</p><p>riências dos estudantes, que serão capazes de as abstrair do contexto escolar e</p><p>de as aplicar nas suas demais vivências e em outros espaços de atuação, conso-</p><p>lidando seus projetos de vida.</p><p>Com o intuito de que você aproveite bastante seus estudos, dividimos esta</p><p>disciplina em três partes, cada uma das quais direcionada a um tema específico</p><p>da relação entre Base Nacional Comum Curricular e o ensino de Língua Portu-</p><p>guesa. Também vamos analisar a perspectiva da Base Nacional Comum Curri-</p><p>cular para o Ensino Fundamental, de modo amplo e do componente curricular da</p><p>Língua Portuguesa, de modo específico.</p><p>Também iremos analisar como se relacionam às noções!</p><p>Bons estudos!</p><p>6</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>PRÁTICAS DA LINGUAGEM</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, são desenvolvidos, neste capítulo, os</p><p>seguintes objetivos de aprendizagem:</p><p>3 conhecer a história da educação no Brasil;</p><p>3 identificar as leis que contribuíram com a elabora-</p><p>ção da Base Nacional Comum Curricular;</p><p>3 apresentar as características do Ensino Fundamental no</p><p>que tange à Base Nacional Comum Curricular; e</p><p>3 refletir sobre os conceitos de competência e de habilidade e so-</p><p>bre suas relações com o conceito de prática de linguagem.</p><p>8</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>9</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>1. CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Caro aluno, seja bem-vindo ao capítulo 1 da disciplina A BNCC e o ensino da</p><p>Língua Portuguesa!</p><p>A docência é, por excelência, uma das profissões que mais nos exigem adap-</p><p>tações e formação continuada. Não é difícil explicar por que isso acontece: trata-</p><p>-se de uma ocupação direcionada à formação de indivíduos, com o objetivo de</p><p>transformá-los em cidadãos atuantes e críticos, incluindo, assim, tanto a aborda-</p><p>gem de conhecimentos técnicos e científicos quanto de aspectos morais e éticos.</p><p>FIGURA 1 – O PAPEL DO PROFESSOR</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-premium/ela-cria-uma-sala-de-aula-tao-feliz-uma-</p><p>professora-muito-jovem-em-pe-com-sua-sala-de-aula-no-quadro-negro-e-sorrindo_27675346.</p><p>htm#page=3&query=professora&position=18&from_view=search>. Acesso em: 26 junho 2022.</p><p>Há poucos anos, em 2018, foi lançada a versão definitiva do documento ofi-</p><p>cial intitulado Base Nacional Comum Curricular, cujo objetivo é o estabelecimento,</p><p>em todo o território nacional, de uma Educação Básica de qualidade. Para que</p><p>isso aconteça, os conceitos de competência e de habilidade, presentes no desen-</p><p>volvimento de quaisquer estudantes e popularizados pelas Diretrizes Curriculares</p><p>Nacionais para a Educação Básica, são mobilizados em favor da criação de uma</p><p>proposta curricular inédita e obrigatória para os sistemas público e particular de</p><p>ensino.</p><p>10</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 2 – BNCC</p><p>FONTE: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/>. Acesso em: 26 junho 2022.</p><p>Neste capítulo, seremos introduzidos, portanto, ao universo da Base Nacio-</p><p>nal Comum Curricular e focaremos, com essa finalidade, os seguintes temas, de-</p><p>limitados de acordo com os objetivos de aprendizagem indicados anteriormente:</p><p>• a trajetória da educação brasileira, sobretudo do início do século XX em</p><p>diante;</p><p>• as leis e os demais documentos oficiais que influenciaram, com mais re-</p><p>levância, a educação brasileira e o sistema público de ensino;</p><p>• as especificações da Base Nacional Comum Curricular a respeito do en-</p><p>sino fundamental; e</p><p>• a importância dos conceitos de competência, de habilidade e de prática</p><p>de linguagem para a Educação Básica após a implementação da Base</p><p>Nacional Comum Curricular.</p><p>Está preparado para iniciar sua leitura? Bons estudos!</p><p>11</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>2. EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO</p><p>BRASILEIRAS E FUNDAMENTOS</p><p>DA BASE NACIONAL COMUM</p><p>CURRICULAR</p><p>Quando houve a invasão das terras brasileiras por navegadores europeus,</p><p>sobretudo pelos de origem portuguesa, toda a extensão do território era ocupada</p><p>por integrantes dos povos que designamos, hoje, originários. Essas comunidades</p><p>se transformaram na primeira mão de obra escravizada a macular nossa história,</p><p>sendo substituídas, conforme os séculos se passaram e mediante a proteção do</p><p>clero católico, por africanos, que eram traficados de seus lugares de origem para</p><p>o Brasil.</p><p>A formação da sociedade brasileira foi subsidiada,</p><p>portanto, pela exploração de semelhantes por seme-</p><p>lhantes; e recebeu contribuições dos três grupos étni-</p><p>cos - povos originários, africanos do e europeus.</p><p>Contudo, dificilmente, reconhecemos que, na identidade dos que se reconhe-</p><p>cem como brasileiros, estão presentes marcas indígenas e pretas1 indeléveis; difi-</p><p>cilmente, aceitamos que nossa maior riqueza, enquanto a nação que formamos, é</p><p>a miscigenação que nos subjaz.</p><p>Em nossa recusa de abraçar as tradições indígenas e africanas que nos fo-</p><p>ram legadas, perpetuamos estereótipos sociais e fazemos do preconceito uma de</p><p>nossas maiores políticas de Estado. Consequentemente, impedimos que a maior</p><p>parcela de nossa população tenha acesso a condições</p><p>o texto escrito.</p><p>Refletir sobre as variedades linguísticas, adequando sua produ-</p><p>ção a esse contexto.</p><p>45</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>An</p><p>áli</p><p>se</p><p>Li</p><p>ng</p><p>uís</p><p>tic</p><p>a/S</p><p>em</p><p>iót</p><p>ica</p><p>Fono-ortografia</p><p>Conhecer e analisar as relações entre fonemas e grafemas na</p><p>escrita do português do Brasil.</p><p>Conhecer e analisar as possibilidades de estruturação da sílaba</p><p>na escrita do português do Brasil.</p><p>Morfossintaxe</p><p>Conhecer as classes de palavras abertas.</p><p>Perceber o funcionamento das flexões de classes gramaticais</p><p>em orações (concordância).</p><p>Correlacionar as classes de palavras com as funções sintáticas.</p><p>Sintaxe</p><p>Conhecer e analisar as funções sintáticas.</p><p>Conhecer e analisar a organização sintática canônica das sen-</p><p>tenças do português do Brasil.</p><p>Perceber a correlação entre os fenômenos de concordância, re-</p><p>gência e retomada e a organização das sentenças do português</p><p>do Brasil.</p><p>Semântica Conhecer e perceber os efeitos de sentido nos textos decorren-</p><p>tes de fenômenos léxico-semânticos.</p><p>Variação linguís-</p><p>tica</p><p>Conhecer algumas das variedades linguísticas do português do</p><p>Brasil e suas diferenças.</p><p>Discutir, no fenômeno da variação linguística, variedades presti-</p><p>giadas e estigmatizadas e o preconceito linguístico que as cerca.</p><p>Elementos no-</p><p>tacionais da es-</p><p>crita</p><p>Conhecer as diferentes funções e perceber os efeitos de sen-</p><p>tidos provocados nos textos pelo uso de sinais de pontuação.</p><p>Conhecer a acentuação gráfica e perceber suas relações com</p><p>a prosódia.</p><p>Utilizar os conhecimentos sobre as regularidades e irregularida-</p><p>des ortográficas do português do Brasil na escrita de textos.</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2018, p. 72, 73, 74, 77, 78, 79, 80, 82 e 83).</p><p>Percebemos que cada habilidade presente em um dado eixo de uma área</p><p>de conhecimento, estará associado um código alfanumérico. Apesar de sua apa-</p><p>rência complexa, esse código permitirá que nos movimentemos por toda a Base</p><p>Nacional Comum Curricular com relativa facilidade, bastando, para isso, que seja</p><p>compreendido adequadamente. A lógica desse código valerá para os componen-</p><p>tes curriculares, tanto os de Linguagens, quanto para outras áreas de conheci-</p><p>mento.</p><p>46</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 20 – CÓDIGO ALFANUMÉRICO DE UMA</p><p>HABILIDADE DO ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>FONTE: Brasil (2018, p. 30).</p><p>Concluindo, podemos afirmar que nossa primeira incursão no universo da</p><p>Base Nacional Comum Curricular, embora tenha sido breve, foi aprofundada. Ago-</p><p>ra, deixamos uma tarefa para você: busque o documento na internet, algo simples</p><p>de ser feito, e leia, pelo menos, sua primeira parte. Isso o ajudará a consolidar os</p><p>estudos desta unidade e será um valioso recurso para sua atuação profissional.</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Neste capítulo, iniciamos nosso percurso em direção à compreensão da</p><p>abordagem que a Base Nacional Comum Curricular reserva para o Ensino Fun-</p><p>damental no que tange ao componente curricular Língua Portuguesa. Decidimos,</p><p>por razões didáticas, distribuir o conteúdo do capítulo em três seções, discutindo,</p><p>gradualmente, os conceitos necessários para uma análise consistente desse do-</p><p>cumento.</p><p>Observamos brevemente a história da educação brasileira. Remontamos o</p><p>contexto histórico-social forjado sob a influência de séculos e de mais séculos de</p><p>posturas segregacionistas e escravistas e concluímos que, em grande parte, a</p><p>ineficiência estatal no combate das mazelas, modela a desigualdade social pre-</p><p>sente em nossa sociedade, a qual, se reflete em nosso sistema educacional. Para</p><p>47</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>completar essa discussão, analisamos alguns dos principais documentos regula-</p><p>dores da educação brasileira aprovados nos séculos XX e XXI.</p><p>No tópico intitulado “Afinal, em que consiste a BNCC?”, pudemos estudar,</p><p>de uma perspectiva abrangente, os objetivos, as premissas, as características e</p><p>os conceitos acionados pela Base Nacional Comum Curricular, obtendo os instru-</p><p>mentos teóricos subjacentes a todas às demais discussões incluídas nesta disci-</p><p>plina. Por fim, dissecamos as especificações da Base Nacional Comum Curricular</p><p>a respeito do Ensino Fundamental, aproximando, tanto quanto nos foi possível, o</p><p>conhecimento teórico da prática docente.</p><p>Esperamos que tenha aproveitado bastante a leitura deste capítulo! Até o</p><p>próximo!</p><p>1. O que significa afirmar que o caráter da Base Nacional Co-</p><p>mum Curricular é unificador? Reflita sobre seus novos conhe-</p><p>cimentos e produza uma resposta de, no mínimo, cinco linhas</p><p>de extensão.</p><p>2. Qual é a relação entre a Base Nacional Comum Curricular</p><p>e os currículos e as teorias de cunho mais tradicional?</p><p>3. No que tange à formação dos indivíduos, qual seria o prin-</p><p>cipal objetivo da Base Nacional Comum Curricular?</p><p>48</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes</p><p>e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996.</p><p>Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 22</p><p>jun. 2022.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de</p><p>20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação</p><p>nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade</p><p>da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências.</p><p>Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.</p><p>htm#:~:text=LEI%20No%2010.639%2C%20DE%209%20DE%20JANEIRO%20</p><p>DE%202003.&text=Altera%20a%20Lei%20no,%22%2C%20e%20d%C3%A1%20</p><p>outras%20provid%C3%AAncias. Acesso em: 22 jun. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a</p><p>Educação Básica. Brasília: Ministério da Educação, 2013. Disponível em: http://</p><p>portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-</p><p>2013-pdf/file. Acesso em: 22 jun. 2022.</p><p>BRASIL. Lei. 13.005/2014, de 25 jun. 2014. Aprova o Plano Nacional de</p><p>Educação - PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da</p><p>República, 2014. Disponível em: https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-</p><p>de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014. Acesso em: 4</p><p>jul. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília,</p><p>DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.</p><p>mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 22</p><p>jun. 2022.</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do</p><p>Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2021]. Disponível</p><p>em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso</p><p>em: 22 jun. 2022.</p><p>IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo</p><p>Demográfico 2010. Metodologia do Censo Demográfico 2010. Rio de Janeiro:</p><p>IBGE. Disponível em: https://g.co/kgs/tN5rbS. Acesso em: 22 jun. 2022.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA</p><p>PÚBLICA</p><p>A partir das propostas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os</p><p>objetivos deste capítulo são:</p><p>3 expor e descrever os campos de atuação social em Língua Por-</p><p>tuguesa sugeridos para os Ensinos Fundamental e Médio;</p><p>3 compreender os objetivos da BNCC na disciplina de Língua Portuguesa;</p><p>3 apresentar as relações das práticas de aprendizagem situa-</p><p>das, dos objetos de conteúdo e das habilidades interligadas com</p><p>os campos de atuação social, sugeridos pelo documento;</p><p>3 entender a importância da interdisciplinaridade de te-</p><p>mas abordados no ensino da Língua Portuguesa.</p><p>51</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>1. CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Vimos no capítulo anterior que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</p><p>mantém o texto como o centro da unidade de trabalho, a partir de seu pertenci-</p><p>mento a um gênero discursivo que circula em diferentes esferas/campos sociais</p><p>de uso da linguagem. Vimos também que as habilidades se interrelacionam com</p><p>as sete competências específicas da área da linguagem e são apresentadas em</p><p>cada campo de atuação social.</p><p>Os campos</p><p>de atuação social são as áreas de uso da linguagem nas diver-</p><p>sas situações do cotidiano. Tais campos são as esferas de circulação dos gêne-</p><p>ros textuais e contribuem na demanda de protagonismo dos estudantes, com a</p><p>contextualização das práticas de linguagem. Na Língua Portuguesa, os campos</p><p>de atuação no Ensinos Fundamental e Médio são: Campo da vida cotidiana (nos</p><p>Anos Iniciais do Ensino Fundamental), Campo da vida pessoal (no Ensino Médio),</p><p>Campo artístico-literário, Campo das práticas de estudo e pesquisa, Campo jorna-</p><p>lístico-midiático, e Campo de atuação na vida pública.</p><p>Esses campos passam a ser um dos principais eixos organizadores da</p><p>BNCC, sendo destacados em cada etapa de ensino. Consequentemente, os gê-</p><p>neros textuais são mantidos como centrais na proposta, uma vez que eles são</p><p>apresentados para contextualizar as práticas de linguagem.</p><p>Embora a BNCC apresente, para fins didáticos, parâmetros para a organi-</p><p>zação/progressão curricular, que delimitam alguns conteúdos em campos de</p><p>atuação social, é importante considerar que os campos estão articulados em di-</p><p>ferentes níveis, e algumas habilidades também podem ser contextualizadas em</p><p>diferentes campos de atuação social, isto é, determinada habilidade descrita em</p><p>um dos campos pode ser referida em outro.</p><p>Além disso, há também integração de temas de outras áreas do conheci-</p><p>mento em todos os campos de atuação social, como: Direitos Humanos, Políticas</p><p>Públicas, Cultura Digital, o fenômeno da pós-verdade, o efeito bolha, debates so-</p><p>bre os discursos de ódio, o Estatuto da Juventude e seu cumprimento, a criação e</p><p>participação em projetos de intervenção social, a mídia como elemento indepen-</p><p>dente para a democracia, entre outros.</p><p>Desse modo, objetivando apresentar e descrever os campos de atuação so-</p><p>cial em Língua Portuguesa relacionados às etapas dos Ensinos Fundamental e</p><p>Médio, conforme a BNCC, este capítulo está organizado da seguinte maneira: na</p><p>Seção 2.1, serão apresentados, de modo geral, os campos de atuação social. Na</p><p>Seção 2.2, serão exibidos os campos de atuação social relacionados ao Ensino</p><p>Fundamental, nos Anos Iniciais e nos Anos Finais. Na seção 2.3, serão expostos</p><p>os campos de atuação social relacionados ao Ensino Médio. E, na Seção 2.4, se-</p><p>rão retomadas as ideias principais do capítulo.</p><p>52</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>2. CAMPOS DE ATUAÇÃO SOCIAL</p><p>EM LÍNGUA PORTUGUESA</p><p>No capítulo 1, vimos que os eixos Leitura/escuta, Produção de textos, Orali-</p><p>dade, Análise Linguística/ Semiótica relacionam-se com práticas de linguagem si-</p><p>tuadas, que são articuladas com os campos de atuação em que elas se realizam.</p><p>A sistematização das práticas de linguagem por campos de atuação social,</p><p>conforme o proposto pela BNCC, direciona para a importância da contextualiza-</p><p>ção do conhecimento escolar, visto que as práticas discursivas devem ser situa-</p><p>das para que sejam significativas para os estudantes.</p><p>Os campos de atuação social em Língua Portuguesa são: Campo da vida</p><p>cotidiana, Campo artístico-literário, Campo das práticas de estudo e pesquisa,</p><p>Campo jornalístico-midiático, e Campo de atuação na vida pública. Esses dois úl-</p><p>timos campos aparecem fundidos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, como</p><p>Campo da vida pública. Confira o quadro, a seguir.</p><p>QUADRO 1 - SISTEMATIZAÇÃO DOS CAMPOS DE ATUAÇÃO</p><p>SOCIAL NOS ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO</p><p>Ensino Fundamental Ensino Médio</p><p>Anos Iniciais Anos Finais</p><p>Campo da vida cotidiana Campo da vida pessoal</p><p>Campo artístico-literário Campo artístico-literário Campo artístico-literário</p><p>Campo das práticas de</p><p>estudo e pesquisa</p><p>Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa</p><p>Campo das práticas de estudo</p><p>e pesquisa</p><p>Campo da vida pública Campo jornalístico-midiático Campo jornalístico-midiático</p><p>Campo de atuação na vida públi-</p><p>ca</p><p>Campo de atuação na vida pú-</p><p>blica</p><p>FONTE: BRASIL, 2017, p. 501.</p><p>53</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>A seleção desses campos contempla um movimento de progressão que par-</p><p>te das práticas mais cotidianas dos estudantes, em que os gêneros orais circulam</p><p>mais em esferas familiares, no Campo da vida cotidiana, em direção às práticas</p><p>e gêneros mais institucionalizados, em que circulam os gêneros com predomínio</p><p>da escrita e do oral público, como os demais campos de atuação. Esses campos</p><p>orientam a seleção de gêneros, práticas, atividades e procedimentos em cada um</p><p>deles.</p><p>Além de contemplar dimensões formativas importantes de uso da linguagem</p><p>dentro e fora da escola, os campos de atuação:</p><p>criam condições para uma formação para a atuação em ativi-</p><p>dades do dia a dia, no espaço familiar e escolar, uma formação</p><p>que contempla a produção do conhecimento e a pesquisa; o</p><p>exercício da cidadania, que envolve, por exemplo, a condição</p><p>de se inteirar dos fatos do mundo e opinar sobre eles, de poder</p><p>propor pautas de discussão e soluções de problemas, como</p><p>forma de vislumbrar formas de atuação na vida pública; uma</p><p>formação estética, vinculada à experiência de leitura e escrita</p><p>do texto literário e à compreensão e produção de textos artísti-</p><p>cos multissemióticos (BRASIL, 2017, p. 84).</p><p>Embora a BNCC divida os campos de atuação por uma função didática, com</p><p>o intuito de possibilitar a compreensão de que os textos circulam dinamicamente</p><p>na prática escolar e na vida social, não há um limite definido entre eles, na verda-</p><p>de, eles se interligam. Alguns gêneros de determinado campo podem referenciar</p><p>a outros, possibilitando diferentes recortes, por exemplo, o gênero reportagem</p><p>científica pode circular tanto pelo campo jornalístico-midiático quanto pelo campo</p><p>de divulgação científica, e o gênero resenha crítica pode estar vinculado ao cam-</p><p>po jornalístico, ao literário, e ao de investigação.</p><p>Outro exemplo trazido pela BNCC é o trânsito dos temas cultura digital e</p><p>direitos humanos que perpassam todos os campos de atuação social. E em deter-</p><p>minados campos, algumas práticas de linguagem podem se interconectar, como,</p><p>por exemplo, as práticas de leitura e produção escrita ou oral do campo jornalísti-</p><p>co-midiático podem se conectar com as de atuação na vida pública, por exemplo</p><p>54</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 1 - REPORTAGEM</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/premium-photo/man-business-suit-holding-microphone-indicating-</p><p>business-formal-events_2155027.htm#query=reporter&from_query=>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>A Cultura Digital tem realizado mudanças sociais signifi-</p><p>cativas nas sociedades contemporâneas. Com o avanço</p><p>e a propagação das tecnologias de informação e comu-</p><p>nicação os estudantes estão inseridos nessa cultura.</p><p>Sugestão de leitura: Cultura Digital – Série Cader-</p><p>nos Pedagógicos. Disponível em: <http://portal.</p><p>mec.gov.br/docman/janeiro-2013-pdf/12330-cultu-</p><p>radigital-pdf>. Acesso em: 29 de julho de 2022.</p><p>Levando em conta essa intersecção dos campos de atuação de diferentes</p><p>maneiras, de acordo com a BNCC, o mais importante a considerar é que os cam-</p><p>pos de atuação permitem a realização de práticas de linguagem situadas (leitura</p><p>e produção de textos orais e escrito, conhecimento sobre os gêneros, as configu-</p><p>rações textuais e os demais níveis de análise linguística e semiótica), em que o</p><p>conhecimento metalinguístico e semiótico seja motivado para situações significati-</p><p>vas de uso e de análise para o uso.</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/janeiro-2013-pdf/12330-culturadigital-pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/janeiro-2013-pdf/12330-culturadigital-pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/janeiro-2013-pdf/12330-culturadigital-pdf</p><p>55</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>As habilidades são apresentadas seguindo a continuidade das aprendiza-</p><p>gens ao longo dos anos, apresentando uma progressiva complexidade. Mesmo</p><p>sendo agrupadas nas diferentes práticas, a BNCC deixa claro que, tanto no ensi-</p><p>no quanto na vida social, elas estão intimamente interligadas. Por isso, tais agru-</p><p>pamentos não devem ser tomados como um modelo obrigatório para o desenho</p><p>dos currículos.</p><p>Além disso, o fortalecimento da autonomia dos estudantes se faz necessário,</p><p>por isso, deve-se dispor condições e ferramentas para os alunos acessarem e</p><p>interagirem criticamente com os diferentes conhecimentos e fontes de informa-</p><p>ção, visto que a cultura digital tem promovido mudanças sociais significativas na</p><p>sociedade contemporânea, em consequência do avanço e da multiplicação das</p><p>Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs).</p><p>A BNCC ilustra que a inclusão da cultura digital no cur-</p><p>rículo contribui para uma participação mais efetiva e</p><p>crítica pelos estudantes nas práticas contemporâne-</p><p>as de linguagem, tanto na posição de curtir, comen-</p><p>tar e compartilhar informações, como na de produzir</p><p>textos criativos em diferentes configurações.</p><p>Em cada campo de atuação, os objetos de conhecimento (entendidos como</p><p>conteúdos, conceitos e processos) e as habilidades estão organizados a partir</p><p>das práticas de linguagem, de acordo com as especificidades de cada segmento</p><p>- Ensino Fundamental, Anos Iniciais e Finais e Ensino Médio. Na próxima seção,</p><p>vamos ver como estão organizados cada campo de atuação no Ensino Funda-</p><p>mental.</p><p>56</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>2.1 CAMPOS DE ATUAÇÃO SOCIAL</p><p>EM LÍNGUA PORTUGUESA: ENSINO</p><p>FUNDAMENTAL</p><p>O Ensino Fundamental é a etapa mais longa da Educação Básica, com nove</p><p>anos de duração, e é dividido em duas fases: Anos Iniciais e Anos Finais. A BNCC</p><p>do Ensino Fundamental – Anos Iniciais – aponta para a articulação necessária</p><p>com as experiências vivenciadas na Educação Infantil, prevendo a progressiva</p><p>sistematização dessas experiências e o desenvolvimento, pelos estudantes, de</p><p>novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular</p><p>hipóteses sobre os fenômenos, em uma atitude ativa na construção de conheci-</p><p>mentos.</p><p>FIGURA 2 - CRIANÇAS</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/children-playing-grass_854912.</p><p>htm#query=crian%C3%A7a&from_query=crian%C3%A7a%20</p><p>aprendendo&position=18&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>O “estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico se realiza por meio da</p><p>construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas, avaliar respos-</p><p>tas, argumentar, interagir com diversas produções culturais, fazer uso de tecnolo-</p><p>gias de informação e comunicação” (BRASIL, 2017, p. 58). Tais habilidades pos-</p><p>sibilitam que os estudantes tenham uma compreensão maior sobre si, sobre as</p><p>relações sociais e as relações com a natureza.</p><p>57</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>FIGURA 3 – ESTUDANTES</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/close-up-cheerful-student-with-red-t-shirt_867145.</p><p>htm#query=educa%C3%A7%C3%A3o&position=10&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Nos primeiros dois anos do Ensino Fundamental - 1° e 2° ano - foco da ação</p><p>pedagógica é a alfabetização por meio de práticas diversificadas de letramento.</p><p>E, ao longo dos Anos Iniciais – 3° a 5° ano –, gradativamente o conhecimento das</p><p>práticas realizadas nos anos anteriores vai sendo consolidado e novas práticas</p><p>vão sendo incluídas.</p><p>FIGURA 4 - CRIANÇAS ESTUDANDO</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/aluno-amigos-aprendendo-</p><p>aprendiz-159823/. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>No decorrer do Ensino Fundamental – Anos Finais – os estudantes se depa-</p><p>ram com desafios de maior complexidade, devido às diferentes lógicas de organi-</p><p>zação dos conhecimentos relacionados às áreas. Nessa fase, há uma retomada</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/aluno-amigos-aprendendo-aprendiz-159823/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/aluno-amigos-aprendendo-aprendiz-159823/</p><p>58</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>das aprendizagens dos Anos Iniciais, visando o aprofundamento dessas práticas</p><p>de linguagem e a ampliação de repertórios dos estudantes.</p><p>A seguir, vamos estudar os campos de atuação social nos Anos Iniciais do</p><p>Ensino Fundamental.</p><p>2.1.1 Campos de atuação social em</p><p>Língua Portuguesa: Anos Iniciais</p><p>Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, do 1° ao 5° ano, as experiências</p><p>com a língua oral e escrita (iniciadas na família e na Educação Infantil) são apro-</p><p>fundadas progressivamente em todos os campos de atuação: Campo da vida</p><p>cotidiana, Campo da vida pública, Campo das práticas de estudo e pesquisa, e</p><p>Campo artístico-literário.</p><p>No eixo Oralidade, o conhecimento e o uso da língua oral são enfatizados.</p><p>No eixo Análise Linguística/Semiótica, a alfabetização é sistematizada nos dois</p><p>primeiros anos (1° e 2° anos), sendo o foco da ação pedagógica; e, ao longo dos</p><p>últimos três anos (3°, 4° e 5° anos), são desenvolvidas a observação das regulari-</p><p>dades e o funcionamento da língua/linguagens e seus efeitos no discurso. No eixo</p><p>Leitura/Escuta e no eixo Produção de Textos, o letramento é ampliado progressi-</p><p>vamente por meio de estratégias de leitura e de produção de textos de diferentes</p><p>gêneros textuais e de nível de complexidade crescente.</p><p>FIGURA 5 - CRIANÇA NA CULTURA DIGITAL</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/boy-with-headphones-using-</p><p>tablet_1988101.htm#query=m%C3%ADdia%20e%20tecnologia%20na%20</p><p>escola&position=1&from_view=Search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>59</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>As práticas letradas em que o estudante já se inseriu na vida social mais am-</p><p>pla são situadas em eventos motivados e são progressivamente intensificadas e</p><p>complexificadas, na direção de gêneros secundários com textos mais complexos.</p><p>Nesse sentido, os processos de alfabetização e de ortografização estão relacio-</p><p>nados aos textos em gêneros mais simples que favorecem um foco maior na gra-</p><p>fia e que circulam em esferas mais familiares aos alunos, como o campo da vida</p><p>cotidiana.</p><p>2.1.2 Campo da vida cotidiana</p><p>O campo da vida cotidiana, como o próprio nome diz, refere-se à “participa-</p><p>ção em situações de leitura, próprias de atividades vivenciadas cotidianamente</p><p>por crianças, adolescentes, jovens e adultos, no espaço doméstico e familiar, es-</p><p>colar, cultural e profissional” (BRASIL, 2017, p. 102).</p><p>QUADRO 2 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de</p><p>atuação social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO DA</p><p>VIDA</p><p>COTIDIANA</p><p>1°</p><p>e</p><p>2°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta</p><p>(compartilhada e autôno-</p><p>ma)</p><p>Compreensão em leitura</p><p>Escrita</p><p>(compartilhada e autôno-</p><p>ma)</p><p>Escrita autônoma e compartilhada</p><p>Oralidade Produção de texto oral</p><p>Análise linguística/semióti-</p><p>ca (Alfabetização) Forma de composição do texto</p><p>3°</p><p>a</p><p>5°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta (comparti-</p><p>lhada e autônoma) Compreensão em leitura</p><p>Produção de textos (escri-</p><p>ta compartilhada e autôno-</p><p>ma)</p><p>Escrita colaborativa</p><p>Oralidade Produção de texto oral</p><p>Análise linguística/semióti-</p><p>ca (Ortografização) Forma de composição do texto</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>60</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Nos 1° a 5° anos, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes nes-</p><p>se campo, sugeridas pela BNCC, são ler e compreender, e planejar e produzir</p><p>– em colaboração com os colegas, com a ajuda do professor ou já com certa au-</p><p>tonomia – alguns gêneros textuais, como: “agendas, listas, bilhetes, recados, avi-</p><p>sos, convites, cartas, cardápios, diários, receitas, regras de jogos e brincadeiras”</p><p>(BRASIL, 2017, p. 102-103).</p><p>2.1.3 Campo da vida pública</p><p>O campo da vida pública diz respeito à “participação em situações de leitura</p><p>e escrita, especialmente de textos das esferas jornalística, publicitária, política,</p><p>jurídica e reivindicatória, contemplando temas que impactam a cidadania e o exer-</p><p>cício de direitos” (BRASIL, 2017, p. 104).</p><p>QUADRO 3 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de</p><p>atuação social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO DA</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>1°</p><p>e</p><p>2°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta (compartilha-</p><p>da e autônoma) Compreensão em leitura</p><p>Escrita</p><p>(compartilhada e autônoma) Escrita compartilhada</p><p>Oralidade Produção</p><p>de texto oral</p><p>Análise linguística/semiótica</p><p>(Alfabetização) Forma de composição do texto</p><p>3°</p><p>a</p><p>5°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta (compartilha-</p><p>da e autônoma) Compreensão em leitura</p><p>Produção de textos (escrita</p><p>compartilhada e autônoma) Escrita colaborativa</p><p>Oralidade Planejamento e produção de texto; e</p><p>Produção de texto</p><p>Análise linguística/semiótica</p><p>(Ortografização) Forma de composição do texto</p><p>Análise linguística/semiótica</p><p>(Ortografização) Forma de composição do texto</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>61</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>Nos 1° a 5° anos, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes</p><p>nesse campo são: identificar e reproduzir, ler e compreender, planejar e produ-</p><p>zir – em colaboração com os colegas, com a ajuda do professor ou já com certa</p><p>autonomia – alguns gêneros textuais, como: “notas, álbuns noticiosos, notícias,</p><p>reportagens, cartas do leitor (revista infantil), comentários em sites para criança,</p><p>textos de campanhas de conscientização, Estatuto da Criança e do Adolescente,</p><p>abaixo-assinados, cartas de reclamação, regras e regulamentos” (BRASIL, 2017,</p><p>p. 122).</p><p>2.1.4 Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa</p><p>O campo das práticas de estudo e pesquisa remete-se à “participação em</p><p>situações de leitura/escrita que possibilitem conhecer os textos expositivos e ar-</p><p>gumentativos, a linguagem e as práticas relacionadas ao estudo, à pesquisa e à</p><p>divulgação científica, favorecendo a aprendizagem dentro e fora da escola” (BRA-</p><p>SIL, 2017, p. 108).</p><p>QUADRO 4 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de atua-</p><p>ção social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO DAS</p><p>PRÁTICAS DE</p><p>ESTUDO E</p><p>PESQUISA</p><p>1°</p><p>e</p><p>2°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta</p><p>(compartilhada e autônoma)</p><p>Compreensão em leitura;</p><p>Imagens analíticas em tex-</p><p>tos; e Pesquisa</p><p>Escrita</p><p>(compartilhada e autônoma)</p><p>Produção de textos; e Escrita</p><p>autônoma</p><p>Oralidade Planejamento de texto oral; e</p><p>Exposição oral;</p><p>Análise linguística/semiótica (Al-</p><p>fabetização)</p><p>Forma de composição dos</p><p>textos/Adequação do texto</p><p>às normas de escrita</p><p>3°</p><p>a</p><p>5°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta</p><p>(compartilhada e autônoma)</p><p>Compreensão em leitura;</p><p>Imagens analíticas em tex-</p><p>tos; e Pesquisa</p><p>Produção de textos (escrita com-</p><p>partilhada e autônoma)</p><p>Produção de textos; e Escrita</p><p>autônoma</p><p>Oralidade</p><p>Escuta de textos orais; Com-</p><p>preensão de textos orais;</p><p>Planejamento de texto oral; e</p><p>Exposição oral</p><p>62</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Análise linguística/semiótica (Or-</p><p>tografização)</p><p>Forma de composição dos</p><p>textos/Adequação do texto</p><p>às normas de escrita; Forma</p><p>de composição dos textos</p><p>Coesão e articuladores; e</p><p>Forma de composição dos</p><p>textos/Adequação do texto</p><p>às normas de escrita</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Nos 1° a 5° anos, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes</p><p>nesse campo são: ler e compreender, reconhecer a função de textos informativos,</p><p>explorar textos de diferentes ambientes de pesquisa (tanto em mídia impressa</p><p>quanto digital), planejar e produzir – em colaboração com os colegas, com a ajuda</p><p>do professor ou já com certa autonomia – alguns gêneros textuais, como: “enun-</p><p>ciados de tarefas escolares, relatos de experimentos, quadros, gráficos, tabelas,</p><p>infográficos diagramas, entrevistas, notas de divulgação científica, verbetes de</p><p>enciclopédia” (BRASIL, 2017, p. 128).</p><p>2.1.5 Campo artístico-literário</p><p>O campo artístico-literário refere-se à “participação em situações de leitura,</p><p>fruição e produção de textos literários e artísticos, representativos da diversida-</p><p>de cultural e linguística, que favoreçam experiências estéticas” (BRASIL, 2017, p.</p><p>110).</p><p>QUADRO 5 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de atua-</p><p>ção social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO</p><p>ARTÍSTICO-</p><p>LITERÁRIO 1°</p><p>e</p><p>2°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta</p><p>(compartilhada e autônoma)</p><p>Formação de leitor literá-</p><p>rio; e Apreciação estética/</p><p>Estilo</p><p>Escrita</p><p>(compartilhada e autônoma)</p><p>Escrita autônoma e com-</p><p>partilhada</p><p>Análise linguística/semiótica (Al-</p><p>fabetização)</p><p>Formas de composição</p><p>de narrativas; Formas de</p><p>composição de textos po-</p><p>éticos; e Formas de com-</p><p>posição de textos poéticos</p><p>visuais</p><p>63</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>3°</p><p>a</p><p>5°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura/escuta</p><p>(compartilhada e autônoma)</p><p>Formação de leitor literário;</p><p>Formação do leitor literário/</p><p>Leitura multissemiótica;</p><p>Apreciação estética/Estilo;</p><p>e Textos dramáticos</p><p>Produção de textos (escrita com-</p><p>partilhada e autônoma)</p><p>Escrita autônoma e com-</p><p>partilhada</p><p>Oralidade Declamação; e Performan-</p><p>ces orais</p><p>Análise linguística/semiótica (Or-</p><p>tografização)</p><p>Formas de composição de</p><p>narrativas; Discurso direto</p><p>e indireto; Forma de com-</p><p>posição de textos poéticos;</p><p>Forma de composição de</p><p>textos poéticos visuais;</p><p>Forma de composição de</p><p>textos dramáticos</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Nos Anos Iniciais, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes nes-</p><p>se campo são apreciar textos em verso, identificar elementos de uma narrativa</p><p>lida ou escutada, ler e compreender, identificar e reproduzir – em colaboração</p><p>com os colegas, com a ajuda do professor ou já com certa autonomia – alguns</p><p>gêneros textuais, como: “lendas, mitos, fábulas, contos, crônicas, canção, poe-</p><p>mas, poemas visuais, cordéis, quadrinhos, tirinhas, charge/ cartum, dentre outros”</p><p>(BRASIL, 2017, p. 132).</p><p>A seguir, vamos estudar os campos de atuação social nos Anos Finais do</p><p>Ensino Fundamental.</p><p>2.2 CAMPOS DE ATUAÇÃO SOCIAL EM</p><p>LÍNGUA PORTUGUESA: ANOS FINAIS</p><p>Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, devido à diferente organização dos</p><p>conhecimentos relacionados às áreas de ensino, os estudantes se deparam com</p><p>desafios de maior complexidade. Além disso, em relação aos Anos Iniciais, os es-</p><p>tudantes participam com maior criticidade de situações comunicativas diversifica-</p><p>das e assumem maior protagonismo em práticas de linguagem realizadas dentro</p><p>e fora da escola.</p><p>64</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 6 - ESTUDANTE</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/young-ukrainian-student-woman-isolated-</p><p>pink-background-pointing-up-great-idea_22630497.htm#page=2&query=aluno%20</p><p>perguntando&position=17&from_view=search>. Acesso em: 28 julho 2022.</p><p>Nessa etapa de escolarização, o tratamento dos gêneros que circulam na</p><p>esfera pública é aprofundado, visto que os estudantes já conhecem e fazem uso</p><p>de gêneros que circulam nos campos das práticas artístico-literárias, de estudo e</p><p>pesquisa, jornalístico-midiático, de atuação na vida pública e campo da vida pes-</p><p>soal.</p><p>2.2.1 Campo jornalístico-midiático</p><p>O campo jornalístico-midiático diz respeito à “ampliação e qualificação da</p><p>participação dos estudantes nas práticas voltadas para o tratamento com a in-</p><p>formação e opinião, que estão no centro da esfera jornalística/midiática”. Nes-</p><p>se campo, os objetivos principais são “propiciar experiências que permitam aos</p><p>estudantes o interesse pelos fatos que acontecem na sua comunidade, na sua</p><p>cidade, na sua região e no mundo”; e “possibilitar experiências que desenvolvam</p><p>autonomia e pensamento crítico para se situarem em relação aos interesses e po-</p><p>sicionamentos diversos, produzindo textos informativos e opinativos e participan-</p><p>do de discussões e debates de forma ética e respeitosa” (BRASIL, 2017, p. 140).</p><p>65</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>QUADRO 6 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de atuação</p><p>social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO JORNALÍSTI-</p><p>CO-MIDIÁTICO</p><p>6°</p><p>a</p><p>9°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura</p><p>Apreciação e réplica; Relação</p><p>entre gêneros e mídias; Es-</p><p>tratégia de leitura: apreender</p><p>os sentidos globais do texto; e</p><p>Efeitos de sentido</p><p>Produção de textos</p><p>Relação do texto com o con-</p><p>texto de produção e experi-</p><p>mentação de papéis sociais;</p><p>Textualização;</p><p>Revisão/edição</p><p>de texto informativo e opinati-</p><p>vo; e Planejamento de textos</p><p>de peças publicitárias de cam-</p><p>panhas sociais</p><p>Oralidade</p><p>Planejamento e produção de</p><p>textos jornalísticos Orais; Par-</p><p>ticipação em discussões orais</p><p>de temas controversos de in-</p><p>teresse da turma e/ou de rele-</p><p>vância social</p><p>Análise linguística/semiótica</p><p>Construção composicional; Es-</p><p>tilo; Efeito de sentido; Variação</p><p>linguística</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Nos 6° a 9° anos, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes nes-</p><p>se campo são: “reportagem, reportagem multimidiática, fotorreportagem, foto-de-</p><p>núncia, artigo de opinião, editorial, resenha crítica, crônica, comentário, debate,</p><p>vlog noticioso, vlog cultural, meme, charge, charge digital, political remix, anúncio</p><p>publicitário, propaganda, jingle, spot, dentre outros”. Gêneros que lidem com “in-</p><p>formação, opinião e apreciação, próprios da cultura digital e das culturas juvenis”.</p><p>Além disso, a compreensão e o desenvolvimento crítico sobre as “formas de per-</p><p>suasão do discurso publicitário, o apelo ao consumo, as diferenças entre vender</p><p>um produto e uma ideia, anúncio publicitário e propaganda” (BRASIL, 2017, p.</p><p>141).</p><p>66</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 6 - MEDIAÇÃO DO PROFESSOR</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/education-concept-student-studying-brainstorming-</p><p>campus-concept-close-up-students-discussing-their-subject-books-textbooks-selective-focus_123916-</p><p>7.htm#query=educa%C3%A7%C3%A3o&position=5&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Também são consideradas as práticas contemporâneas de curtir, comentar,</p><p>publicar notícias, compartilhar notícias, tematizar questões polêmicas que envol-</p><p>vam as dinâmicas das redes sociais e os interesses que movem a esfera jorna-</p><p>lística-midiática. Por isso, nas habilidades desse campo, destaca-se a questão da</p><p>confiabilidade da informação, da propagação de fake news, da manipulação de fa-</p><p>tos e opiniões, e comparação e análise de notícias em diferentes fontes e mídias.</p><p>Tematiza-se também a proliferação do discurso de ódio, as habilidades relativas</p><p>ao tratamento e respeito com o diferente e com a participação ética e respeitosa</p><p>em discussões e debates de ideias.</p><p>2.2.2 Campo de atuação na vida</p><p>pública</p><p>O campo de atuação na vida pública remete-se à ampliação e qualificação da</p><p>participação dos estudantes nas práticas relativas ao debate de ideias e à atua-</p><p>ção política e social, por meio de:</p><p>- Compreensão dos interesses que movem a esfera política</p><p>em seus diferentes níveis e instâncias, das formas e canais</p><p>de participação institucionalizados, incluindo os digitais, e das</p><p>formas de participação não institucionalizadas, incluindo aqui</p><p>manifestações artísticas e intervenções urbanas;</p><p>- Reconhecimento da importância de se envolver com questões</p><p>67</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>de interesse público e coletivo e compreensão do contexto de</p><p>promulgação dos direitos humanos, das políticas afirmativas, e</p><p>das leis de uma forma geral em um estado democrático, como</p><p>forma de propiciar a vivência democrática em várias instâncias</p><p>e uma atuação pautada pela ética da responsabilidade (o outro</p><p>tem direito a uma vida digna tanto quanto eu tenho);</p><p>- Desenvolvimento de habilidades e aprendizagem de proce-</p><p>dimentos envolvidos na leitura/escuta e produção de textos</p><p>pertencentes a gêneros relacionados à discussão e implemen-</p><p>tação de propostas, à defesa de direitos e a projetos culturais</p><p>e de interesse público de diferentes naturezas (BRASIL, 2017,</p><p>p. 146).</p><p>QUADRO 7 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de atuação</p><p>social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO DA VIDA</p><p>PÚBLICA</p><p>6°</p><p>a</p><p>9°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura</p><p>Reconstrução das condições de</p><p>produção e circulação e adequa-</p><p>ção do texto à construção com-</p><p>posicional e ao estilo de gênero</p><p>(Lei, código, estatuto, código,</p><p>regimento etc.; e Apreciação e</p><p>réplica</p><p>Produção de textos Textualização, revisão e edição</p><p>Oralidade Discussão oral; e Registro</p><p>Análise linguística/semi-</p><p>ótica</p><p>Análise de textos legais/norma-</p><p>tivos, propositivos e reivindica-</p><p>tórios; modalização; Variação</p><p>linguística</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Nesse campo, destaca-se o domínio de “gêneros legais e normativos (que</p><p>regulam a convivência em sociedades, como regimentos, estatutos e códigos,</p><p>Constituição e a Declaração dos Direitos Humanos)” (BRASIL, 2017, p. 146),</p><p>para promover uma consciência dos direitos, valorização dos direitos humanos</p><p>e formação ética de responsabilidade, através de questionamentos e reclamação</p><p>de direitos, de discussão de propostas e programas de interesse público nos con-</p><p>textos: escolar, comunitário e da cidade.</p><p>68</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 8 - PARTICIPAÇÃO ESTUDANTIL NA SOCIEDADE</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-jaqueta-amarela-</p><p>segurando-um-livro-vermelho-3762800/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Nos 6° a 9° anos, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes nes-</p><p>se campo são: “discussão oral, debate, palestra, apresentação oral, notícia, re-</p><p>portagem, artigo de opinião, cartaz, spot, propaganda”; incluindo também as cam-</p><p>panhas políticas e outros gêneros, como: “estatuto, regimento, projeto cultural,</p><p>carta aberta, carta de solicitação, carta de reclamação, abaixo-assinado, petição</p><p>on-line, requerimento, turno de fala em assembleia, tomada de turno em reuniões,</p><p>edital, proposta, ata, parecer, enquete, relatório, entre outros” (BRASIL, 2017, p.</p><p>147).</p><p>Supõe-se que esses gêneros sejam tomados a partir de seus contextos de</p><p>produção, considerando sua função social, bem como a análise da forma, isto é,</p><p>como os elementos linguísticos são organizados e quais recursos linguísticos e</p><p>semióticos podem ser utilizados em sua composição.</p><p>FIGURA 9 - ESTUDANTE</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-camisa-amarela-</p><p>escrevendo-em-papel-branco-3807755/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-jaqueta-amarela-segurando-um-livro-vermelho-3762800/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-jaqueta-amarela-segurando-um-livro-vermelho-3762800/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-camisa-amarela-escrevendo-em-papel-branco-3807755/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-de-camisa-amarela-escrevendo-em-papel-branco-3807755/</p><p>69</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>As habilidades trabalhadas nesse campo possibili-</p><p>tam vivências significativas, articuladas com todas as</p><p>áreas do currículo e com os interesses pessoais dos</p><p>estudantes, envolvendo proposição, desenvolvimen-</p><p>to e avaliação e projetos culturais, de forma a fomen-</p><p>tar o protagonismo juvenil de forma contextualizada.</p><p>2.2.3 Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa</p><p>O campo das práticas de estudo e pesquisa remete à ampliação e qualifica-</p><p>ção da participação dos estudantes nas práticas relativas ao estudo e à pesquisa,</p><p>por meio de:</p><p>- Compreensão dos interesses, atividades e procedimentos</p><p>que movem as esferas científica, de divulgação científica e es-</p><p>colar;</p><p>- Reconhecimento da importância do domínio dessas práticas</p><p>para a compreensão do mundo físico e da realidade social,</p><p>para o prosseguimento dos estudos e para formação para o</p><p>trabalho; e</p><p>- Desenvolvimento de habilidades e aprendizagens de procedi-</p><p>mentos envolvidos na leitura/escuta e produção de textos per-</p><p>tencentes a gêneros relacionados ao estudo, à pesquisa e à</p><p>divulgação científica. (BRASIL, 2017, p. 150).</p><p>70</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>QUADRO 8 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de atuação</p><p>social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO DAS PRÁTI-</p><p>CAS DE ESTUDO E</p><p>PESQUISA 6°</p><p>a</p><p>9°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura</p><p>Reconstrução das condições de</p><p>produção e recepção dos textos</p><p>e adequação do texto à constru-</p><p>ção composicional e ao estilo de</p><p>gênero; Relação entre textos;</p><p>Apreciação e réplica; Estratégias</p><p>e procedimentos de leitura Rela-</p><p>ção do verbal com outras semio-</p><p>ses; Procedimentos e gêneros</p><p>de apoio à compreensão</p><p>Produção de textos</p><p>Consideração das condições</p><p>de produção de textos de divul-</p><p>gação científica Estratégias de</p><p>escrita; Estratégias de escrita:</p><p>textualização, revisão e Edição;</p><p>Estratégias de produção</p><p>Oralidade Estratégias de produção: plane-</p><p>jamento e produção de apresen-</p><p>tações orais</p><p>Análise linguística/semi-</p><p>ótica</p><p>Construção composicional Ele-</p><p>mentos paralinguísticos e ciné-</p><p>sicos Apresentações orais; Usar</p><p>adequadamente ferramentas de</p><p>apoio a apresentações orais;</p><p>Construção composicional e es-</p><p>tilo Gêneros de divulgação cien-</p><p>tífica; Marcas linguísticas Inter-</p><p>textualidade; Variação linguística</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Nos 6° a 9° anos, algumas habilidades desenvolvidas pelos estudantes nes-</p><p>se campo são: apresentação orais, como “palestra, mesa-redonda, debate”, como</p><p>também, leitura e escuta de “artigo de divulgação científica, artigo científico, artigo</p><p>de opinião, ensaio, reportagem de divulgação científica, texto didático, infográfico,</p><p>esquemas, relatório, relato (multimidiático) de campo, documentário, cartografia</p><p>animada, podcasts e vídeos diversos de divulgação científica” (BRASIL, 2017, p.</p><p>151). Supõe-se que esses gêneros sejam tomados a partir de seus contextos de</p><p>produção, considerando o reconhecimento de sua função social, a análise da for-</p><p>ma como se organizam e dos recursos e elementos linguísticos e semióticos en-</p><p>volvidos em sua composição.</p><p>71</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>FIGURA 10 - SALA DE AULA</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-de-camisa-polo-preta-e-</p><p>branca-ao-lado-do-quadro-159844/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>É importante considerar que as habilidades trabalhadas nesse campo possi-</p><p>bilitem a aprendizagem de procedimentos de investigação e pesquisa, de forma</p><p>significativa. A BNCC sugere também que, ao longo dos anos, seja diversificada</p><p>a escolha de gêneros/ produções (incluindo os da cultura digital) enfatizando os</p><p>procedimentos de busca, tratamento e análise de dados e informações e as for-</p><p>mas variadas de registros para a socialização de estudos e pesquisas, buscando</p><p>contemplar todas as práticas de linguagem. Além disso, busca-se fomentar uma</p><p>formação que possibilite o tratamento crítico e criterioso das informações e dados.</p><p>2.2.4 Campo artístico-literário</p><p>Para possibilitar aos estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental o</p><p>contato com as manifestações artísticas e produções culturais em geral, e com</p><p>a arte literária em especial, o campo artístico-literário diz respeito à ampliação e</p><p>diversificação das práticas relativas à leitura, à compreensão, à fruição e ao com-</p><p>partilhamento das manifestações artístico-literárias, representativas da diversida-</p><p>de cultural, linguística e semiótica, por meio de:</p><p>- Compreensão das finalidades, das práticas e dos interesses</p><p>que movem a esfera artística e a esfera literária, bem como</p><p>das linguagens e mídias que dão forma e sustentação às suas</p><p>manifestações;</p><p>- Experimentação da arte e da literatura como expedientes que</p><p>permitem (re)conhecer diferentes maneiras de ser, pensar, (re)</p><p>agir, sentir e, pelo confronto com o que é diverso, desenvolver</p><p>uma atitude de valorização e de respeito pela diversidade;</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-de-camisa-polo-preta-e-branca-ao-lado-do-quadro-159844/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-de-camisa-polo-preta-e-branca-ao-lado-do-quadro-159844/</p><p>72</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>- Desenvolvimento de habilidades que garantam a compreen-</p><p>são, a apreciação, a produção e o compartilhamento de textos</p><p>dos diversos gêneros, em diferentes mídias, que circulam nas</p><p>esferas literária e artística (BRASIL, 2017, p. 156).</p><p>QUADRO 9 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO SOCIAL,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E OBJETOS DE CONHECIMENTO</p><p>Campos de atuação</p><p>social Práticas de Linguagem Objetos de conhecimento</p><p>CAMPO ARTÍSTICO-LI-</p><p>TERÁRIO 6°</p><p>a</p><p>9°</p><p>an</p><p>os</p><p>Leitura</p><p>Reconstrução das condições de</p><p>produção, circulação e recepção</p><p>Apreciação e réplica; Reconstru-</p><p>ção da textualidade e compreen-</p><p>são dos efeitos de sentidos pro-</p><p>vocados pelos usos de recursos</p><p>linguísticos e multissemióticos;</p><p>Adesão às práticas de leitura</p><p>Produção de textos</p><p>Relação entre textos; Considera-</p><p>ção das condições de produção</p><p>Estratégias de produção: plane-</p><p>jamento, textualização e revisão/</p><p>edição</p><p>Oralidade Produção de textos orais; Orali-</p><p>zação</p><p>Análise linguística/semi-</p><p>ótica</p><p>Recursos linguísticos e semióti-</p><p>cos que operam nos textos per-</p><p>tencentes aos gêneros literários;</p><p>Variação linguística</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>A formação desse leitor-fruidor, nos 6° a 9° anos, envolvem conhecimentos</p><p>de gêneros narrativos e poéticos. No caso da narrativa literária, destacam-se os</p><p>elementos (espaço, tempo, personagens); as escolhas dos estilos textuais, na</p><p>configuração do tempo e do espaço e na construção dos personagens; os diferen-</p><p>tes modos de narrar uma história (em primeira ou terceira pessoa, por exemplo); e</p><p>a polifonia própria das narrativas, que oferecem níveis de complexidade a serem</p><p>explorados em cada ano da escolaridade. No caso da poesia, destacam-se os</p><p>efeitos de sentido, alcançando a dimensão imagética, constituída de processos</p><p>metafóricos e metonímicos presentes na linguagem poética.</p><p>Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, as abordagens linguística, metalin-</p><p>guística e reflexiva são realizadas de acordo com a prática de linguagem traba-</p><p>73</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>lhada. Os conhecimentos sobre a língua devem ser tomados como propiciadores</p><p>de reflexão sobre o funcionamento da língua no contexto de uso e não de modo</p><p>dissociados dessas práticas de linguagem. Como os conhecimentos em Língua</p><p>Portuguesa são trabalhados em uma perspectiva de progressão, os conhecimen-</p><p>tos linguísticos também são trabalhados sob a mesma perspectiva, partindo das</p><p>regularidades às irregularidades da língua, e dos usos mais frequentes e simples</p><p>aos menos habituais e mais complexos.</p><p>Na próxima seção, vamos ver como são organizados cada campo de atua-</p><p>ção no Ensino Médio.</p><p>2.3 CAMPOS DE ATUAÇÃO SOCIAL EM</p><p>LÍNGUA PORTUGUESA: ENSINO MÉDIO</p><p>Conforme a BNCC do Ensino Médio, a Língua Portuguesa constitui, junto à</p><p>Arte, Educação Física e Língua Inglesa, a área de Linguagens e suas Tecnologias</p><p>– competência específica que propicia oportunidades para a consolidação e am-</p><p>pliação das habilidades de uso e reflexão sobre as linguagens artísticas, corporais</p><p>e verbais.</p><p>As habilidades de uso da língua desenvolvidas no Ensino Fundamental são</p><p>aprofundadas no Ensino Médio. Segundo a BNCC, é no Ensino Médio que se</p><p>realiza a consolidação dessas habilidades pela intensificação do olhar analítico e</p><p>crítico dessas práticas de linguagem, e pela ampliação de referências estéticas,</p><p>éticas e políticas que envolvem a produção e recepção de discursos nas esferas</p><p>da cidadania, dos estudos e do trabalho.</p><p>FIGURA 11 - ESTUDANTES PARTICIPATIVOS</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/kid-raising-his-hand-classroom_2245196.</p><p>htm#query=educa%C3%A7%C3%A3o&position=48&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>74</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Além de manter as práticas contemporâneas de linguagem exploradas no</p><p>Ensino Fundamental (Cultura Digital, Culturas Juvenis e Direitos Humanos, por</p><p>exemplo), no Ensino Médio, também são ressaltados fenômenos como pós-ver-</p><p>dade e efeito bolha, em consequência do impacto que produzem na fidedignida-</p><p>de do conteúdo disponibilizado em redes sociais, interações sociais e tratamento</p><p>com a diversidade. Por isso, o desenvolvimento das habilidades relacionadas ao</p><p>tratamento da diversidade, bem como o debate de ideias devem ser pautados</p><p>pelo respeito, pela ética e pela rejeição aos discursos de ódio.</p><p>De acordo com a ABL, pós-verdade significa “informação</p><p>ou asserção que distorce deliberadamente</p><p>a verdade, ou</p><p>algo real, caracterizada pelo forte apelo à emoção, e que,</p><p>tomando como base crenças difundidas, em detrimento de</p><p>fatos apurados, tende a ser aceita como verdadeira, in-</p><p>fluenciando a opinião pública e comportamentos sociais”.</p><p>Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/</p><p>nova-palavra/pos-verdade. Acesso em 29 de julho de 2022.</p><p>Embora o Ensino Médio não tenha indicação sequencial de anos na apresen-</p><p>tação das habilidades, como vimos no Ensino Fundamental, considera-se, nesse</p><p>nível de estudos, os critérios gerais de organização apresentados em cada campo</p><p>de atuação social interligados às práticas de linguagem: leitura, escuta, produção</p><p>de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise linguística/semiótica.</p><p>Os campos de atuação social em Língua Portuguesa propostos para contex-</p><p>tualizar as práticas de linguagem no Ensino Médio são cinco e estão interligados</p><p>com os campos propostos no Ensino Fundamental: (i) o campo da vida pessoal;</p><p>(ii) o campo de atuação na vida pública; (iii) o campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa; (iv) o campo jornalístico-midiático; e (v) o campo artístico-literário.</p><p>2.3.1 Campo da vida pessoal</p><p>O campo da vida pessoal é o espaço de articulações das aprendizagens de</p><p>outros campos disponibilizado para a prática de projetos de vida dos estudan-</p><p>tes, como: realização de debates e discussões de temas de interesse dos jovens;</p><p>elaboração de propostas de ações e de projetos culturais e de intervenção; le-</p><p>https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/pos-verdade</p><p>https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/pos-verdade</p><p>75</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>vantamento de dados de diferentes naturezas; análise situada da legislação, prin-</p><p>cipalmente, do Estatuto da Juventude, com base no contexto social e histórico</p><p>(brasileiro e latino-americano) de sua publicação. Isto é, nesse campo, são prio-</p><p>rizadas as práticas de linguagem que se relacionam com a ampliação do saber</p><p>sobre si, considerando as condições que cercam a vida contemporânea e as con-</p><p>dições dos jovens no Brasil e no mundo.</p><p>FIGURA 12 - CONEXÃO ENTRE O JOVEM E O MUNDO</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/top-view-origami-chain-people-with-globe_9393822.</p><p>htm#query=direitos%20humanos&position=3&from_view=search>. Acesso em 29 julho 2022.</p><p>76</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>QUADRO 10 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E HABILIDADES NO ENSINO MÉDIO</p><p>Campos de</p><p>atuação social Habilidades</p><p>CAMPO DA</p><p>VIDA PESSOAL</p><p>(EM13LP19) Apresentar-se por meio de textos multimodais diversos (perfis</p><p>variados, gifs biográficos, biodata, currículo web, videocurrículo etc.) e de</p><p>ferramentas digitais (ferramenta de gif, wiki, site etc.), para falar de si mesmo</p><p>de formas variadas, considerando diferentes situações e objetivos.</p><p>(EM13LP20) Compartilhar gostos, interesses, práticas culturais, temas/ proble-</p><p>mas/questões que despertam maior interesse ou preocupação, respeitando e</p><p>valorizando diferenças, como forma de identificar afinidades e interesses co-</p><p>muns, como também de organizar e/ou participar de grupos, clubes, oficinas</p><p>e afins.</p><p>(EM13LP21) Produzir, de forma colaborativa, e socializar playlists comenta-</p><p>das de preferências culturais e de entretenimento, revistas culturais, fanzines,</p><p>e-zines ou publicações afins que divulguem, comentem e avaliem músicas,</p><p>games, séries, filmes, quadrinhos, livros, peças, exposições, espetáculos de</p><p>dança etc., de forma a compartilhar gostos, identificar afinidades, fomentar co-</p><p>munidades etc.</p><p>(EM13LP22) Construir e/ou atualizar, de forma colaborativa, registros dinâmi-</p><p>cos (mapas, wiki etc.) de profissões e ocupações de seu interesse (áreas de</p><p>atuação, dados sobre formação, fazeres, produções, depoimentos de profis-</p><p>sionais etc.) que possibilitem vislumbrar trajetórias pessoais e profissionais.</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>As habilidades desse campo estão relacionadas ao domínio de gêneros e</p><p>produções, como: perfis, apresentações pessoais, relatos autobiográficos, mapas</p><p>comentados e dinâmicos, almanaques, playlists comentadas de produções cultu-</p><p>rais diversas, fanzines, e-zines, entre outras possibilidades.</p><p>Os parâmetros para a organização/progressão curricular sugeridos pela</p><p>BNCC, ao longo dos três anos do Ensino Médio, visam garantir espaço para que</p><p>os estudantes possam:</p><p>saber sobre a condição juvenil, discutir sobre temáticas que</p><p>instigam suas curiosidades, privilegiando as que tiverem maior</p><p>repercussão;</p><p>saber sobre si, enfatizando sua trajetória de formação;</p><p>partilhar gostos e interesses, oportunizando vivências;</p><p>levantar dados, informações e discussões sobre profissões e</p><p>ocupações contemporâneas de seus interesses e, em espe-</p><p>cial, de profissões que atuam na área de linguagens (docência,</p><p>tutoria, produção/edição de objetos digitais de aprendizagem,</p><p>de materiais didáticos, mediação cultural etc.);</p><p>77</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>vivenciar produções culturais e artísticas de diferentes gêneros</p><p>e formas de expressão das culturas juvenis; e</p><p>usar diferentes semioses, ferramentas e ambientes digitais edi-</p><p>tores de áudio, vídeo, foto e gráfico, wiki, ferramenta de gif, de</p><p>linha do tempo, agregador de conteúdo, entre outros (cf. BRA-</p><p>SIL, 2017, p. 510-511).</p><p>2.3.2 Campo de atuação na vida</p><p>pública</p><p>O campo de atuação na vida pública diz respeito à ampliação da participação</p><p>e atuação política e social em diferentes instâncias da vida pública, como na de-</p><p>fesa de direitos, no domínio básico de textos legais situados sócio historicamente,</p><p>na discussão e no debate de ideias, propostas e projetos.</p><p>FIGURA 13 - PARTICIPAÇÃO</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/everyone-is-smiling-listens-</p><p>group-people-business-conference-modern-classroom-daytime_9694503.</p><p>htm#query=educa%C3%A7%C3%A3o&position=43&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Além de fomentar experiências significativas e contextualizadas de desem-</p><p>penho do protagonismo juvenil – através da articulação com os outros campos,</p><p>com outras áreas do currículo e com os interesses e escolhas pessoais dos estu-</p><p>dantes –, esse campo também evidencia: “discussão sobre o Estatuto da Juven-</p><p>tude e seu cumprimento, análise e produção coletiva de projetos de lei, análises</p><p>de campanhas e programas políticos e de políticas públicas” (BRASIL, 2017, p.</p><p>78</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>502), bem como estratégias de acompanhamento do exercício do mandato de</p><p>governantes.</p><p>QUADRO 11 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E HABILIDADES NO ENSINO MÉDIO</p><p>Campos de atuação social Habilidades</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>(EM13LP23) Analisar criticamente o histórico e o discurso político</p><p>de candidatos, propagandas políticas, políticas públicas, progra-</p><p>mas e propostas de governo, de forma a participar do debate</p><p>político e tomar decisões conscientes e fundamentadas.</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>(EM13LP24) Analisar formas não institucionalizadas de participa-</p><p>ção social, sobretudo as vinculadas a manifestações artísticas,</p><p>produções culturais, intervenções urbanas e formas de expres-</p><p>são típica das culturas juvenis que pretendam expor uma pro-</p><p>blemática ou promover uma reflexão/ação, posicionando-se em</p><p>relação a essas produções e manifestações.</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>(EM13LP25) Participar de reuniões na escola (conselho de es-</p><p>cola e de classe, grêmio livre etc.), agremiações, coletivos ou</p><p>movimentos, entre outros, em debates, assembleias, fóruns de</p><p>discussão etc., exercitando a escuta atenta, respeitando seu</p><p>turno e tempo de fala, posicionando-se de forma fundamentada,</p><p>respeitosa e ética diante da apresentação de propostas e defesas</p><p>de opiniões, usando estratégias linguísticas típicas de negocia-</p><p>ção e de apoio e/ou de consideração do discurso do outro (como</p><p>solicitar esclarecimento, detalhamento, fazer referência direta ou</p><p>retomar a fala do outro, parafraseando-a</p><p>para endossá-la, enfati-</p><p>zá-la, complementá-la ou nfraquece-la), considerando propostas</p><p>alternativas e reformulando seu posicionamento, quando for ca-</p><p>so, com vistas ao entendimento e ao bem comum.</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>(EM13LP26) Relacionar textos e documentos legais e normativos</p><p>de âmbito universal, nacional, local ou escolar que envolvam a</p><p>definição de direitos e deveres – em especial, os voltados a ado-</p><p>lescentes e jovens – aos seus contextos de produção, identifican-</p><p>do ou inferindo possíveis motivações e finalidades, como forma</p><p>de ampliar a compreensão desses direitos e deveres.</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>(EM13LP27) Engajar-se na busca de solução para problemas</p><p>que envolvam a coletividade, denunciando o desrespeito a direi-</p><p>tos, organizando e/ou participando de discussões, campanhas e</p><p>debates, produzindo textos reivindicatórios, normativos, entre ou-</p><p>tras possibilidades, como forma de fomentar os princípios demo-</p><p>cráticos e uma atuação pautada pela ética da responsabilidade,</p><p>pelo consumo consciente e pela consciência socioambiental.</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>79</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>Além de gêneros característicos desse campo, “discussão oral, debate, pro-</p><p>grama de governo, programa político, lei, projeto de lei, estatuto, regimento, proje-</p><p>to de intervenção social, carta aberta, carta de reclamação, abaixo-assinado, pe-</p><p>tição on-line, requerimento, fala em assembleias e reuniões, edital, proposta, ata,</p><p>entre outros (BRASIL, 2017, p. 512), também são propostas habilidades relacio-</p><p>nadas ao domínio contextualizado de gêneros de outros campos, como: “palestra,</p><p>apresentação oral, comunicação, notícia, reportagem, artigo de opinião, cartaz,</p><p>spot, anúncios” (BRASIL, 2017, p. 512), entre outros.</p><p>Os parâmetros para a organização/progressão curricular sugeridos pela</p><p>BNCC, ao longo dos três anos do Ensino Médio, visam garantir espaço para que</p><p>os estudantes possam:</p><p>organizar, participar e/ou intervir em situações de discussão e</p><p>debates; analisar histórico de candidatos, programas políticos;</p><p>analisar e/ou propor itens de políticas públicas, leis, projetos de</p><p>leis, programas, projetos culturais e/ou de intervenção social,</p><p>sobretudo, os que envolvem a juventude;</p><p>produzir textos reivindicatórios, de reclamação, de denúncia de</p><p>desrespeito a direitos, articulados com o trabalho em outros</p><p>campos de atuação social e áreas do conhecimento;</p><p>participar de modo significativo na escola (conselho escolar),</p><p>na comunidade (associações, coletivos, movimentos etc.), no</p><p>município ou no País (fóruns e audiências públicas variadas),</p><p>incluindo formas de participação digital (canais ou plataformas</p><p>de participação), de forma que vivenciem processos coletivos</p><p>de tomada de decisão, debates de ideias e propostas, acom-</p><p>panhando a fiscalização da gestão pública;</p><p>usar diferentes ferramentas e ambientes digitais de participa-</p><p>ção e de fiscalização; e</p><p>vivenciar diferentes papéis em debates regrados (cf. BRASIL,</p><p>2017, p. 513).</p><p>2.3.3 Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa</p><p>Nesse campo, o objetivo é ampliar e qualificar a participação dos estudantes</p><p>nas práticas relativas ao estudo e à pesquisa, de forma significativa e articulada</p><p>com outras áreas e com projetos e escolhas pessoais dos estudantes, fomentan-</p><p>80</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>do a curiosidade intelectual e o desenvolvimento de uma autonomia de estudo e</p><p>de pensamento.</p><p>FIGURA 14 - JOVENS NA CULTURA DIGITAL</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/smiley-woman-with-tablet_7333281.</p><p>htm#page=3&query=m%C3%ADdia%20e%20tecnologia%20na%20</p><p>escola&position=18&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Além dessas práticas, também são tematizados os conhecimentos sobre lín-</p><p>gua e linguagem como objeto de pesquisa, contribuindo para a compreensão de</p><p>princípios e procedimentos metodológicos que orientam a produção do conheci-</p><p>mento sobre a língua e as linguagens e formulação de regras, evidenciando que</p><p>os conhecimentos sobre as línguas e as linguagens são construções humanas</p><p>situadas sócio historicamente.</p><p>QUADRO 12 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E HABILIDADES NO ENSINO MÉDIO</p><p>Campos de atuação social Habilidades</p><p>CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO</p><p>E PESQUISA</p><p>(EM13LP28) Organizar situações de estudo e utili-</p><p>zar procedimentos e estratégias de leitura adequa-</p><p>dos aos objetivos e à natureza do conhecimento em</p><p>questão.</p><p>(EM13LP29) Resumir e resenhar textos, por meio do</p><p>uso de paráfrases, de marcas do discurso reportado</p><p>e de citações, para uso em textos de divulgação de</p><p>estudos e pesquisas.</p><p>81</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>(EM13LP30) Realizar pesquisas de diferentes tipos</p><p>(bibliográfica, de campo, experimento científico, le-</p><p>vantamento de dados etc.), usando fontes abertas e</p><p>confiáveis, registrando o processo e comunicando os</p><p>resultados, tendo em vista os objetivos pretendidos e</p><p>demais elementos do contexto de produção, como</p><p>forma de compreender como o conhecimento cien-</p><p>tífico é produzido e apropriar-se dos procedimentos</p><p>e dos gêneros textuais envolvidos na realização de</p><p>pesquisas.</p><p>(EM13LP31) Compreender criticamente textos de di-</p><p>vulgação científica orais, escritos e multissemióticos</p><p>de diferentes áreas do conhecimento, identificando</p><p>sua organização tópica e a hierarquização das infor-</p><p>mações, identificando e descartando fontes não con-</p><p>fiáveis e problematizando enfoques tendenciosos ou</p><p>superficiais.</p><p>(EM13LP32) Selecionar informações e dados neces-</p><p>sários para uma dada pesquisa (sem excedê-los) em</p><p>diferentes fontes (orais, impressas, digitais etc.) e</p><p>comparar autonomamente esses conteúdos, levan-</p><p>do em conta seus contextos de produção, referên-</p><p>cias e índices de confiabilidade, e percebendo coin-</p><p>cidências, complementaridades, contradições, erros</p><p>ou imprecisões conceituais e de dados, de forma a</p><p>compreender e posicionar-se criticamente sobre es-</p><p>ses conteúdos e estabelecer recortes precisos.</p><p>(EM13LP33) Selecionar, elaborar e utilizar instru-</p><p>mentos de coleta de dados e informações (ques-</p><p>tionários, enquetes, mapeamentos, opinários) e de</p><p>tratamento e análise dos conteúdos obtidos, que</p><p>atendam adequadamente a diferentes objetivos de</p><p>pesquisa.</p><p>(EM13LP34) Produzir textos para a divulgação do</p><p>conhecimento e de resultados de levantamentos</p><p>e pesquisas – texto monográfico, ensaio, artigo de</p><p>divulgação científica, verbete de enciclopédia (cola-</p><p>borativa ou não), infográfico (estático ou animado),</p><p>relato de experimento, relatório, relatório multimidiá-</p><p>tico de campo, reportagem científica, podcast ou vlog</p><p>científico, apresentações orais, seminários, comuni-</p><p>cações em mesas redondas, mapas dinâmicos etc.</p><p>–, considerando o contexto de produção e utilizando</p><p>os conhecimentos sobre os gêneros de divulgação</p><p>científica, de forma a engajar-se em processos sig-</p><p>nificativos de socialização e divulgação do conheci-</p><p>mento.</p><p>82</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>(EM13LP35) Utilizar adequadamente ferramentas de</p><p>apoio a apresentações orais, escolhendo e usando</p><p>tipos e tamanhos de fontes que permitam boa visu-</p><p>alização, topicalizando e/ou organizando o conteúdo</p><p>em itens, inserindo de forma adequada imagens,</p><p>gráficos, tabelas, formas e elementos gráficos, di-</p><p>mensionando a quantidade de texto e imagem por</p><p>slide e usando, de forma harmônica, recursos (efei-</p><p>tos de transição, slides mestres, layouts personaliza-</p><p>dos, gravação de áudios em slides etc.).</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Nesse sentido, os gêneros e as habilidades envolvidos na leitura/escuta e</p><p>produção de textos de diferentes áreas do conhecimento ganham destaque por-</p><p>que também são evidenciadas as habilidades relacionadas à análise, síntese,</p><p>reflexão, problematização e pesquisa (fazendo recorte da questão ou problema,</p><p>seleção de informações, levantamento e coleta de dados, comparação de pes-</p><p>quisas de diferentes tipos, tratamento de dados e informações, e formas de uso</p><p>e</p><p>socialização dos resultados e análises).</p><p>Embora, no Ensino Fundamental, alguns desses procedimentos de pesquisa</p><p>sejam considerados em situações de leitura/escuta, no Ensino Médio, tais proce-</p><p>dimentos também são propostos em situações de produção, através de apresen-</p><p>tação oral, palestra, mesa-redonda, debate, artigo de divulgação científica, artigo</p><p>científico, artigo de opinião, ensaio, reportagem de divulgação científica, texto di-</p><p>dático, infográfico, esquema, relatório, relato de campo, documentário, cartografia</p><p>animada, podcasts e vídeos diversos de divulgação científica.</p><p>FIGURA 15 - ESTUDANTE ONLINE</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/menina-tomando-</p><p>aulas-online-4261790/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/menina-tomando-aulas-online-4261790/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/menina-tomando-aulas-online-4261790/</p><p>83</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>Os parâmetros para a organização/progressão curricular sugeridos pela</p><p>BNCC, ao longo dos três anos do Ensino Médio, visam garantir espaço para que</p><p>os estudantes possam:</p><p>produzir gêneros de apoio à compreensão, como sínteses, re-</p><p>sumos, resenhas, quadros comparativos, entre outras possibi-</p><p>lidades;</p><p>ter acesso a uma ampla seleção de fontes de informação e</p><p>conhecimento, como livros, repositórios, plataformas educacio-</p><p>nais, canais educacionais e de vídeos de divulgação científica</p><p>etc.;</p><p>experimentar diferentes tipos de pesquisa, inclusive articula-</p><p>das com atividades de outras áreas do conhecimento e com</p><p>projetos de livre escolha;</p><p>considerar a diversidade de gêneros escritos, orais e multisse-</p><p>mióticos ao longo dos três anos nas práticas de leitura, escuta</p><p>e produção propostas;</p><p>diversificar gêneros, suportes e mídias definidos para a so-</p><p>cialização dos estudos e pesquisas, como por exemplo: orais</p><p>(seminário, apresentação, debate etc.), escritos (monografia,</p><p>ensaio, artigo de divulgação científica, relatório, artigo de opi-</p><p>nião, reportagem científica etc.) e multissemióticos (videominu-</p><p>to, documentário, vlog científico, podcast, relato de campo, en-</p><p>ciclopédia digital colaborativa, revista digital, fotorreportagem,</p><p>foto-denúncia etc.);</p><p>diversificar o tipo de apresentação – expositiva, dialogada e</p><p>interativa –, de maneira a demandar diferentes tipos de partici-</p><p>pação da audiência (cf. BRASIL, 2017, p. 516).</p><p>2.3.4 Campo jornalístico-midiático</p><p>O campo jornalístico-midiático diz respeito à ampliação da participação dos</p><p>estudantes nas práticas relativas ao uso de informação e opinião, propiciando ex-</p><p>periências que mantenham os estudantes interessados pelos fatos que aconte-</p><p>cem em sua comunidade, cidade e no mundo, e que afetam as vidas das pessoas.</p><p>84</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 16 - ESTUDANTE</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-em-uma-camisa-azul-com-gola-</p><p>redonda-usando-um-laptop-preto-3994051/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Nesse campo, evidencia-se a análise da relação entre informação e opinião,</p><p>com destaque para o fenômeno da pós-verdade e “consciência de que uma mí-</p><p>dia independente e plural é fundamental para a democracia”. Além disso, apro-</p><p>fundam-se as “análises das formas contemporâneas de publicidade em contexto</p><p>digital, a dinâmica dos influenciadores digitais e as estratégias de engajamento</p><p>utilizadas pelas empresas” (BRASIL, 2017, p. 503).</p><p>QUADRO 13 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E HABILIDADES NO ENSINO MÉDIO</p><p>Campos de atuação</p><p>social Habilidades</p><p>CAMPO</p><p>JORNALÍSTICO-</p><p>MIDIÁTICO</p><p>(EM13LP36) Analisar os interesses que movem o campo jornalístico, os</p><p>impactos das novas tecnologias digitais de informação e comunicação</p><p>e da Web 2.0 no campo e as condições que fazem da informação uma</p><p>mercadoria e da checagem de informação uma prática (e um serviço) es-</p><p>sencial, adotando atitude analítica e crítica diante dos textos jornalísticos.</p><p>(EM13LP37) Conhecer e analisar diferentes projetos editorias – institu-</p><p>cionais, privados, públicos, financiados, independentes etc. –, de forma</p><p>a ampliar o repertório de escolhas possíveis de fontes de informação e</p><p>opinião, reconhecendo o papel da mídia plural para a consolidação da</p><p>democracia.</p><p>(EM13LP38) Analisar os diferentes graus de parcialidade/imparcialidade</p><p>(no limite, a não neutralidade) em textos noticiosos, comparando relatos</p><p>de diferentes fontes e analisando o recorte feito de fatos/dados e os efei-</p><p>tos de sentido provocados pelas escolhas realizadas pelo autor do texto,</p><p>de forma a manter uma atitude crítica diante dos textos jornalísticos e</p><p>tornar-se consciente das escolhas feitas como produtor.</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-em-uma-camisa-azul-com-gola-redonda-usando-um-laptop-preto-3994051/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-em-uma-camisa-azul-com-gola-redonda-usando-um-laptop-preto-3994051/</p><p>85</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>(EM13LP39) Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fo-</p><p>tos publicadas (verificar/avaliar veículo, fonte, data e local da publicação,</p><p>autoria, URL, formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramen-</p><p>tas e sites checadores etc.), de forma a combater a proliferação de notí-</p><p>cias falsas (fake news).</p><p>(EM13LP40) Analisar o fenômeno da pós-verdade – discutindo as con-</p><p>dições e os mecanismos de disseminação de fake news e também</p><p>exemplos, causas e consequências desse fenômeno e da prevalência de</p><p>crenças e opiniões sobre fatos –, de forma a adotar atitude crítica em re-</p><p>lação ao fenômeno e desenvolver uma postura flexível que permita rever</p><p>crenças e opiniões quando fatos apurados as contradisserem.</p><p>(EM13LP41) Analisar os processos humanos e automáticos de curadoria</p><p>que operam nas redes sociais e outros domínios da internet, comparando</p><p>os feeds de diferentes páginas de redes sociais e discutindo os efeitos</p><p>desses modelos de curadoria, de forma a ampliar as possibilidades de tra-</p><p>to com o diferente e minimizar o efeito bolha e a manipulação de terceiros.</p><p>(EM13LP42) Acompanhar, analisar e discutir a cobertura da mídia diante</p><p>de acontecimentos e questões de relevância social, local e global, com-</p><p>parando diferentes enfoques e perspectivas, por meio do uso de ferra-</p><p>mentas de curadoria (como agregadores de conteúdo) e da consulta a</p><p>serviços e fontes de checagem e curadoria de informação, de forma a</p><p>aprofundar o entendimento sobre um determinado fato ou questão, iden-</p><p>tificar o enfoque preponderante da mídia e manter-se implicado, de forma</p><p>crítica, com os fatos e as questões que afetam a coletividade.</p><p>(EM13LP43) Atuar de forma fundamentada, ética e crítica na produção</p><p>e no compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião,</p><p>memes, gifs, remixes variados etc. em redes sociais ou outros ambientes</p><p>digitais.</p><p>(EM13LP44) Analisar formas contemporâneas de publicidade em con-</p><p>texto digital (advergame, anúncios em vídeos, social advertising,</p><p>unboxing, narrativa mercadológica, entre outras), e peças de campa-</p><p>nhas publicitárias e políticas (cartazes, folhetos, anúncios, propagandas</p><p>em diferentes mídias, spots, jingles etc.), identificando valores e re-</p><p>presentações de situações, grupos e configurações sociais veiculadas,</p><p>desconstruindo estereótipos, destacando estratégias de engajamento e</p><p>viralização e explicando os mecanismos de persuasão utilizados e os efei-</p><p>tos de sentido provocados pelas escolhas feitas em termos de elementos</p><p>e recursos linguístico-discursivos, imagéticos, sonoros, gestuais e espa-</p><p>ciais, entre outros.</p><p>86</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>(EM13LP45) Analisar, discutir, produzir e socializar, tendo em vista temas</p><p>e acontecimentos de interesse local ou global, notícias, fotodenúncias,</p><p>fotorreportagens, reportagens multimidiáticas, documentários, infográfi-</p><p>cos, podcasts noticiosos, artigos de opinião, críticas da mídia, vlogs</p><p>de opinião, textos de apresentação e apreciação de produções culturais</p><p>(resenhas, ensaios etc.) e outros gêneros próprios das formas de</p><p>expres-</p><p>são das culturas juvenis (vlogs e podcasts culturais, gameplay etc.),</p><p>em várias mídias, vivenciando de forma significativa o papel de repórter,</p><p>analista, crítico, editorialista ou articulista, leitor, vlogueiro e booktuber,</p><p>entre outros.</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>Conforme a BNCC, no Ensino Médio, espera-se que os estudantes cheguem</p><p>capazes de: “compreender fatos e circunstâncias de relatos; perceber a impossi-</p><p>bilidade de neutralidade absoluta no relato de fatos; adotar procedimentos básicos</p><p>de checagem de veracidade de informação; identificar diferentes pontos de vista</p><p>diante de questões polêmicas de relevância social”. Do mesmo modo, espera-se</p><p>que os estudantes tenham desenvolvido capacidades de “avaliar argumentos e de</p><p>se posicionar em relação a eles de forma ética; identificar e denunciar discursos</p><p>de ódio e que envolvam desrespeito aos Direitos Humanos; e produzir textos jor-</p><p>nalísticos variados, tendo em vista seus contextos de produção e características</p><p>dos gêneros”. Além disso, almeja-se que os estudantes tenham “condições de</p><p>analisar estratégias linguístico-discursivas utilizadas pelos textos publicitários e</p><p>de refletir sobre necessidades e condições de consumo” (BRASIL, 2017, p. 503).</p><p>FIGURA 17 - MÍDIA E TECNOLOGIA</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-segurando-um-</p><p>computador-tablet-3082341/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-segurando-um-computador-tablet-3082341/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-segurando-um-computador-tablet-3082341/</p><p>87</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>É importante que as práticas privilegiadas dessa esfera sejam de diferentes</p><p>fontes, veículos e mídias, tanto impresso quanto digital, com o intuito de desenvol-</p><p>ver nos estudantes autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a</p><p>interesses e posicionamentos diversos.</p><p>Algumas habilidades elencadas para esse campo são: “entrevista, reporta-</p><p>gem, fotorreportagem, foto-denúncia, artigo de opinião, editorial, resenha crítica,</p><p>crônica, comentário, debate, vlog noticioso, vlog cultural, meme, charge, charge</p><p>digital, political remix, anúncio publicitário, propaganda, jingle, spot”, entre outros.</p><p>Incluindo a aprendizagem de gêneros secundários, ou seja, os “mais complexos</p><p>relacionados com a apuração e o relato de fatos e situações (reportagem multi-</p><p>midiática, documentário) e/ou com a opinião (crítica da mídia, ensaio e vlog de</p><p>opinião etc.)” (BRASIL, 2017, p. 519), tanto em relação às práticas de leitura/es-</p><p>cuta como às de produção. Nesse campo, também são trabalhadas as formas de</p><p>persuasão do discurso publicitário e o apelo ao consumo, e discute-se as formas</p><p>variadas de publicidade nas mídias, sobretudo, as digitais.</p><p>FIGURA 18 - JOVEM NA CULTURA DIGITAL</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/happy-woman-with-phone_4191294.</p><p>htm#page=2&query=tecnologia&position=6&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Os parâmetros para a organização/progressão curricular sugeridos pela</p><p>BNCC, ao longo dos três anos do Ensino Médio, visam garantir espaço para que</p><p>os estudantes possam:</p><p>experimentar, significativamente, diferentes papéis envolvendo</p><p>a circulação de informação e opinião: repórter, fotorrepórter,</p><p>editor, comentador, articulista, curador, leitor crítico de produ-</p><p>ções culturais, booktuber, vlogger e outros;</p><p>88</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>ter acesso à diversidade de gêneros escritos, orais e multi-</p><p>modais ao longo dos três anos, buscando o equilíbrio entre</p><p>os informativos, argumentativos e apreciativos, entre os mais</p><p>complexos e os menos complexos;</p><p>vivenciar processos colaborativos de apuração de fatos tidos</p><p>como de relevância social, por meio de coberturas diretas,</p><p>entrevistas, levantamentos de dados e afins e tratamento e</p><p>divulgação de informações sobre esses fatos, utilizando ferra-</p><p>mentas de escrita colaborativa e de curadoria e agregadores</p><p>de conteúdos; e</p><p>produzir textos que envolvam diferentes mídias, com diferentes</p><p>linguagens envolvidas (cf. BRASIL, 2017, p. 519-520).</p><p>No próximo capítulo, o campo jornalístico-midiático será mais bem enfatiza-</p><p>do.</p><p>2.3.5 Campo artístico-literário</p><p>O campo artístico-literário diz respeito à ampliação do contato e análise de</p><p>manifestações culturais e artísticas em geral, dando continuidade à formação do</p><p>leitor literário, contextualizando as produções artísticas e os textos literários, com</p><p>destaque para os clássicos.</p><p>FIGURA 19 - LEITURA</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/book-library-with-open-textbook_3737798.</p><p>htm#query=educa%C3%A7%C3%A3o&position=28&from_view=search>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>89</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>No Ensino Médio, obras da literatura africana, afro-brasileira,</p><p>indígena e literatura contemporânea devem ser introduzidas</p><p>junto às obras da tradição literária brasileira e de língua por-</p><p>tuguesa para fruição e conhecimento, sendo aprofundadas</p><p>as relações com os períodos históricos, artísticos e culturais.</p><p>QUADRO 14 - INTERSECÇÃO ENTRE CAMPO DE ATUAÇÃO,</p><p>PRÁTICAS DE LINGUAGEM E HABILIDADES NO ENSINO MÉDIO</p><p>Campos de atuação</p><p>social Habilidades</p><p>CAMPO</p><p>ARTÍSTICO-</p><p>LITERÁRIO</p><p>(EM13LP46) Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de</p><p>textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as</p><p>formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exer-</p><p>citar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.</p><p>(EM13LP47) Participar de eventos (saraus, competições orais, audi-</p><p>ções, mostras, festivais, feiras culturais e literárias, rodas e clubes de</p><p>leitura, cooperativas culturais, jograis, repentes, slams etc.), inclusive</p><p>para socializar obras da própria autoria (poemas, contos e suas varie-</p><p>dades, roteiros e microrroteiros, videominutos, playlists comentadas</p><p>de música etc.) e/ou interpretar obras de outros, inserindo-se nas dife-</p><p>rentes práticas culturais de seu tempo.</p><p>(EM13LP48) Identificar assimilações, rupturas e permanências no pro-</p><p>cesso de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória,</p><p>por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ociden-</p><p>tal, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade</p><p>de matrizes e procedimentos estéticos.</p><p>90</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>(EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de</p><p>diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crô-</p><p>nicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos</p><p>poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances,</p><p>a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da pe-</p><p>riferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do</p><p>indivíduo e do mundo pela literatura.</p><p>(EM13LP50) Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre</p><p>obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momen-</p><p>to histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos</p><p>como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se re-</p><p>troalimentam.</p><p>(EM13LP52) Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de</p><p>outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana</p><p>e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (es-</p><p>trutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios</p><p>relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto</p><p>de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções</p><p>em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com</p><p>o presente.</p><p>(EM13LP53) Produzir apresentações e comentários apreciativos e críti-</p><p>cos sobre livros, filmes, discos, canções, espetáculos de teatro e dança,</p><p>exposições etc. (resenhas, vlogs e podcasts literários e artísticos,</p><p>playlists comentadas, fanzines, e-zines etc.).</p><p>(EM13LP51) Selecionar obras do repertório artístico-literário contem-</p><p>porâneo à disposição segundo suas predileções, de modo a constituir</p><p>dignas de existência2. Su-</p><p>perestimamos as matrizes europeias e, no mesmo compasso, assassinamos nos-</p><p>sa essência, concentrando nossos projetos para o futuro do país em assumirmos</p><p>uma face branqueada que não nos representa.</p><p>1 Empregamos o termo preto em referência aos africanos e aos seus des-</p><p>cendentes, respeitando a decisão de grande parte dos movimentos de resistência</p><p>de adotá-lo em substituição ao termo “negro”.</p><p>2 De acordo com dados do Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasi-</p><p>leiro de Geografia e Estatística, mais de 50% da população se reconhece como</p><p>preta e como parda.</p><p>12</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 3 – TRADIÇÕES DOS POVOS ORIGINÁRIOS</p><p>DO TERRITÓRIO BRASILEIRO</p><p>FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/brasil-floresta-tropical-</p><p>amazon-69588/>. Acesso em: 22 junho 2022.</p><p>No que tange à educação, o cenário descrito é idêntico: mais tempo da his-</p><p>tória brasileira foi gasto com segregações de povos originários, de africanos e de</p><p>seus descendentes e de extratos sociais menos favorecidos do que com tentati-</p><p>vas de inclui-los na agenda das políticas públicas.</p><p>No período entre a chegada do clero católico, em 1549, e as reformas pom-</p><p>balinas, em meados do século XVIII, nosso sistema educacional era comandado e</p><p>mantido pela Igreja Católica. Por essa razão, os habitantes originários do território</p><p>brasileiro, avaliados como bons selvagens, tinham acesso a um sistema educa-</p><p>cional de cunho religioso, porque eram considerados catequizáveis.</p><p>FIGURA 4 – INDÍGENA</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/premium-photo/indian-from-pataxa-tribe-with-feather-</p><p>headdress-bow-arrow_13743084.htm?query=%C3%ADndios>. Acesso em: 22 junho 2022.</p><p>https://pixabay.com/pt/photos/brasil-floresta-tropical-amazon-69588/</p><p>https://pixabay.com/pt/photos/brasil-floresta-tropical-amazon-69588/</p><p>13</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Africanos e afrodescendentes – considerados, pejorativamente, como indiví-</p><p>duos desprovidos de alma – permanecerem, por outro lado, ausentes dos bancos</p><p>escolares até a abolição da escravidão, em 1888. Mesmo então, nenhuma política</p><p>pública com vistas à inclusão social dos enfim libertos foi planejada, o que, pas-</p><p>sados mais de 130 anos, ainda lhes reserva espaços à margem dos demais seg-</p><p>mentos sociais. Nos anos finais do século XIX e nos anos iniciais do século XX, a</p><p>educação pública, além de ser ofertada inferior à demanda, visava à formação de</p><p>mão de obra capaz de atuar na indústria nascente.</p><p>Depois de115 anos após a abolição da escravidão, a lei</p><p>10.639, de 9 de janeiro de 2003, determinou a obrigatorie-</p><p>dade do ensino da(s) história(s) e da(s) cultura(s) de ori-</p><p>gem africana na Educação Básica. Esse foi um passo sem</p><p>precedentes na legislação educacional brasileira, uma vez</p><p>que, ao serem inseridas nos currículos escolares, essas</p><p>questões são visibilizadas e reconhecidas como legítimas.</p><p>Na prática, a lei 10.639 ampliou os currículos escolares, de modo a contem-</p><p>plar as diversidades cultural, racial, social e econômica existentes no Brasil; e a</p><p>propiciar a reformulação de práticas pedagógicas ultrapassadas. Portanto, avalia-</p><p>mos que esse seja um exemplo de política pública afirmativa modelar, porque per-</p><p>mitiu que a história do maior grupo étnico de nossa sociedade seja contada com</p><p>fidedignidade. Poucos anos depois, em 2008, uma lei semelhante se comprome-</p><p>teria com o protagonismo da(s) história(s) e da(s) cultura(s) dos povos originários</p><p>do território brasileiro.</p><p>É importante destacar que reeducar a sociedade para as relações étnico-ra-</p><p>ciais é tentar desenraizar o racismo e o preconceito com que convivemos há mui-</p><p>tos séculos; e deve ser um objetivo encarado como inerente à construção de um</p><p>país mais equânime. A noção de raça está ligada à ideia de caracteres biológicos,</p><p>como é o caso das cores de pele, de cabelos e de olhos.</p><p>Por sua vez, o conceito de etnia é, principalmente, de base social, forjado de</p><p>acordo com os elementos culturais associados a um grupamento humano especí-</p><p>fico. “Para reeducar as relações étnico-raciais, no Brasil, é necessário fazer emer-</p><p>gir as dores e medos que têm sido gerados. É preciso entender que o sucesso de</p><p>uns tem o preço da marginalização e da desigualdade impostas a outros. E então</p><p>decidir que sociedade queremos construir daqui para frente” (BRASIL, 2003).</p><p>14</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 5 – RIQUEZA ÉTNICA BRASILEIRA</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/punho-de-cores-multirraciais-parar-o-conceito-de-</p><p>racismo_8687109.htm#query=racismo&position=3&from_view=keyword>. Acesso em: 22 junho 2022</p><p>Em 20 de dezembro de 1961, há apenas seis décadas, nossa primeira Lei</p><p>de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi aprovada. Isso não significa que,</p><p>anteriormente, os governantes não haviam se debruçado sobre essa questão; de</p><p>fato, existem leis e documentos mais antigos, embora sejam menos assertivos</p><p>quanto às necessidades dos brasileiros.</p><p>O principal avanço que testemunharíamos viria vários anos</p><p>depois e em duas etapas:</p><p>1988 - Constituição Federal, que sacramentou o acesso uni-</p><p>versal à educação; e</p><p>1996 - Segunda Lei de Diretrizes e Bases da</p><p>Educação Nacional, que reorientou a educa-</p><p>ção brasileira e seus componentes.</p><p>Para que nosso diálogo possa progredir adequadamente, observemos, no</p><p>Quadro 1, alguns dos principais marcos legais da educação brasileira. Perceba-</p><p>mos que a informações dizem respeito ao Ensino Fundamental e a seus equiva-</p><p>lentes e contemplam documentos criados a partir do século XX, respeitando o</p><p>escopo desta disciplina.</p><p>15</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>QUADRO 1 – MARCOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA (DA</p><p>CONSTITUIÇÃO DE 1994 À BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR)</p><p>Documentos legais Objetivos</p><p>Constituição Federal de</p><p>1934</p><p>Pela primeira vez, durante o governo de Getúlio Vargas, a educa-</p><p>ção se tornava obrigatória em nosso país, na forma do chamado</p><p>Ensino Primário, que durava quatro anos letivos. Tratava-se de</p><p>uma etapa semelhante aos anos iniciais do Ensino Fundamental</p><p>atual.</p><p>Lei de Diretrizes e Bases</p><p>da Educação Nacional de</p><p>1961</p><p>Com ares progressistas, transformou o acesso à educação em um</p><p>direito dos brasileiros, embora não o tenha considerado univer-</p><p>sal. Será que você é capaz de imaginar o que isso significa, caro</p><p>aluno?</p><p>Basicamente, existia, por assim dizer, uma espécie de direito à es-</p><p>colaridade, com limitação da gratuidade do serviço aos indivíduos</p><p>cuja carência pudesse ser atestada. Portanto, direito à escolarida-</p><p>de e direito universal à educação são muito distintos.</p><p>Lei 5.692, de 11 de agosto</p><p>de 1971</p><p>Consistiu em uma importante emenda à Lei de Diretrizes e Bases</p><p>da Educação Nacional de 1961, visto que modificou, radicalmente,</p><p>a organização de nosso sistema educacional: as etapas Ensino</p><p>Primário e Ensino Secundário (Ginásio) foram convertidas no de-</p><p>signado curso de 1º grau, com duração de oito anos letivos.</p><p>Constituição Federal de</p><p>1988</p><p>Além de determinar que o acesso à educação é um direito univer-</p><p>sal e irrevogável, decretou que a ofertar – gratuitamente e com</p><p>qualidade – é um dos deveres do Estado.</p><p>Os estados foram apontados como os entes federativos responsá-</p><p>veis, prioritariamente, pelo Ensino Fundamental, mantendo outras</p><p>etapas da Educação Básica apenas em caráter suplementar.</p><p>Lei de Diretrizes e Bases</p><p>da Educação Nacional</p><p>(LDB), n. 9.394, de 20 de</p><p>dezembro de 1996</p><p>É o documento regulamentador do sistema educacional brasileiro,</p><p>abordando-o em todos os seus níveis (Educação Infantil, Ensino</p><p>Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior) e em seus dois</p><p>âmbitos (público e privado).</p><p>Contém normas mais específicas do que as da Constituição Fede-</p><p>ral de 1988, cujos princípios adota irrestritamente:</p><p>estabeleceu o acesso à modalidade regular de Ensino Fundamen-</p><p>tal por crianças de, no mínimo, seis anos de idade – portanto, por</p><p>crianças concluintes do curso de Alfabetização. A etapa durava</p><p>oito anos letivos;</p><p>definiu, ainda, as especificidades do Ensino Fundamental para a</p><p>Educação de Jovens</p><p>um acervo pessoal e dele se apropriar para se inserir e intervir com</p><p>autonomia e criticidade no meio cultural.</p><p>(EM13LP54) Criar obras autorais, em diferentes gêneros e mídias –</p><p>mediante seleção e apropriação de recursos textuais e expressivos do</p><p>repertório artístico –, e/ou produções derivadas (paródias, estilizações,</p><p>fanfics, fanclipes etc.), como forma de dialogar, crítica e/ou subjeti-</p><p>vamente com o texto literário.</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2017).</p><p>91</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>Embora as habilidades desse campo sejam trabalhadas no Ensino Funda-</p><p>mental, elas são ampliadas e aprofundadas no Ensino Médio, uma vez que “o</p><p>exercício literário inclui também a função de produzir certos níveis de reconhe-</p><p>cimento, empatia, solidariedade e envolve reinventar, questionar e descobrir-se”</p><p>(BRASIL, 2017, p. 504). Sendo assim, a função desse campo é importante em</p><p>termos de elaboração da subjetividade e das inter-relações pessoais. Nesse sen-</p><p>tido, o desenvolvimento de textos desse campo pode propiciar a exploração de</p><p>emoções, sentimentos e ideias que não são contemplados em outros gêneros não</p><p>literários e que, por isso, devem ser explorados.</p><p>Figura 20 - Jovem leitora</p><p>FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-foco-seletivo-de-</p><p>mulher-lendo-livro-1313809/>. Acesso em: 29 julho 2022.</p><p>Gêneros e as diversas formas de produções mais refinadas para a análise de</p><p>obras artísticas e produções culturais mais utilizados nesse campo são: resenhas,</p><p>vlogs e podcasts literários e culturais, remidiações, paródias, estilizações, video-</p><p>minutos, fanfics, entre outros.</p><p>Os parâmetros para a organização/progressão curricular sugeridos pela</p><p>BNCC, ao longo dos três anos do Ensino Médio, visam garantir espaço para que</p><p>os estudantes possam:</p><p>diversificar produções das culturas juvenis contemporâneas</p><p>(slams, vídeos de diferentes tipos, playlists comentadas, raps</p><p>e outros gêneros musicais etc.), minicontos, nanocontos, bes-</p><p>t-sellers, literaturas juvenis brasileira e estrangeira, obras da</p><p>tradição popular que possam aproximar os estudantes de cul-</p><p>turas que subjazem na formação identitária de grupos de dife-</p><p>rentes regiões do Brasil;</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-foco-seletivo-de-mulher-lendo-livro-1313809/</p><p>https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-foco-seletivo-de-mulher-lendo-livro-1313809/</p><p>92</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>ampliar seu repertório de leitura com clássicos brasileiros e es-</p><p>trangeiros, obras que representem desafio do ponto de vista</p><p>dos códigos linguísticos, éticos e estéticos;</p><p>selecionar perspectivas comparativas e dialógicas, que consi-</p><p>derem diferentes gêneros literários, culturas e temas;</p><p>abordar obras de diferentes períodos históricos, estabelecer</p><p>relações com o que veio antes e o que virá depois (relações</p><p>sincrônicas e diacrônicas);</p><p>ler obras significativas da literatura brasileira, contextualizadas</p><p>socio historicamente; e</p><p>aprender a lidar com um fazer poético, forma de produção lenta</p><p>e que demanda seleções de conteúdo e de recursos linguísti-</p><p>cos variados (cf. BRASIL, 2017, p. 524).</p><p>Esses são os campos de atuação social em Língua Portuguesa do Ensino</p><p>Médio. Na próxima seção, serão retomados os pontos principais desse capítulo.</p><p>93</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Nesse capítulo, vimos que os campos de atuação social é um dos eixos or-</p><p>ganizadores da BNCC, e consequentemente, os gêneros textuais são mantidos</p><p>como centrais nessa proposta, porque são apresentados para contextualizar as</p><p>práticas de linguagem. Os campos sociais são articulados entre si e apresentam</p><p>intersecções com as práticas de linguagem e com as sete competências específi-</p><p>cas da área da linguagem, descritas no capítulo anterior.</p><p>Os campos de atuação social no Ensino Fundamental são: campo da vida</p><p>cotidiana, campo artístico literário, campo das práticas de estudo e pesquisa e</p><p>campo da vida pública. Os campos de atuação no Ensino Médio são: campo da</p><p>vida pessoal, campo artístico-literário, campo das práticas de estudo e pesquisa,</p><p>campo jornalístico-midiático e campo de atuação na vida pública.</p><p>A seleção desses campos contempla um movimento de progressão, partindo</p><p>das práticas mais cotidianas dos estudantes para as práticas e gêneros mais ins-</p><p>titucionalizados. Os campos de atuação são divididos pela BNCC por uma função</p><p>didática, com o objetivo de possibilitar a compreensão de que os textos circulam</p><p>dinamicamente na prática escolar e na vida social dos estudantes. As habilidades</p><p>são apresentadas seguindo a continuidade das aprendizagens ao longo dos anos,</p><p>apresentando uma progressiva complexidade. E a autonomia dos estudantes é</p><p>destacada em todas as habilidades trabalhada nos campos de atuação.</p><p>Os temas relacionados à Cultura Digital e Direitos Humanos perpassam to-</p><p>dos os campos de atuação social, enquanto outros temas, como, por exemplo,</p><p>práticas de leitura e produção escrita ou oral do campo jornalístico-midiático pode</p><p>se conectar com o campo de atuação na vida pública, ou reportagem científica</p><p>pode transitar tanto pelo campo jornalístico-midiático quanto pelo campo de divul-</p><p>gação científica.</p><p>Nos Ensinos Fundamental e Médio, são trabalhados o campo da vida cotidia-</p><p>na, em que as práticas situadas são relacionadas com as atividades vivenciadas</p><p>pelos estudantes no espaço doméstico, escolar, cultural e profissional; o campo</p><p>da vida pública, em que as práticas situadas são relacionadas com textos das</p><p>esferas jornalística, publicitária, política, jurídica e reivindicatória, contemplando</p><p>temas sobre cidadania e o exercício de direitos; o campo das práticas de estudo</p><p>e pesquisa, em que as práticas situadas são relacionadas com textos expositivos</p><p>e argumentativos, a linguagem e as práticas relacionadas ao estudo, à pesquisa</p><p>e à divulgação científica; o campo artístico-literário, em que as práticas situadas</p><p>são relacionadas com textos literários e artísticos, representativos da diversida-</p><p>de cultural e linguística, que favoreçam experiências estéticas; o campo da vida</p><p>pessoal, em que as práticas situadas são relacionadas com as aprendizagens de</p><p>outros campos que propiciem a prática de projetos de vida dos estudantes; e o</p><p>94</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>campo jornalístico-midiático, em que as práticas situadas são relacionadas com</p><p>textos da esfera jornalística/midiática e práticas voltadas para o tratamento com</p><p>a informação e opinião em diferentes fontes, veículos e mídias, tanto impresso</p><p>quanto digital, com o intuito de desenvolver nos estudantes autonomia e pensa-</p><p>mento crítico para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos.</p><p>Além de manter as práticas contemporâneas de linguagem exploradas no</p><p>Ensino Fundamental, como Cultura Digital e Direitos Humanos, no Ensino Médio,</p><p>também são ressaltados fenômenos como pós-verdade e efeito bolha, em conse-</p><p>quência do impacto que produzem na fidedignidade do conteúdo disponibilizado</p><p>em redes sociais, interações sociais e tratamento com a diversidade. Outro desta-</p><p>que é o desenvolvimento das habilidades relacionadas ao tratamento da diversi-</p><p>dade, e o debate de ideias pautados pelo respeito, pela ética e pela rejeição aos</p><p>discursos de ódio.</p><p>95</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>1. Leia o trecho a seguir:</p><p>“[...] na BNCC, a organização das práticas de linguagem</p><p>(leitura de textos, produção de textos, oralidade e análise lin-</p><p>guística/semiótica) por campos de atuação aponta para a im-</p><p>portância da contextualização do conhecimento escolar, para</p><p>a ideia de que essas práticas derivam de situações da vida</p><p>social e, ao mesmo tempo, precisam ser situadas em contex-</p><p>tos significativos para os estudantes”.</p><p>Brasil. Base Nacional Comum Curricular. 3ª versão re-</p><p>vista. Brasília, MEC, 2017.</p><p>Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/.</p><p>Acesso em: 17 de julho de 2022.</p><p>a. De acordo com a BNCC, o que são os</p><p>Campos de atuação</p><p>social em Língua Portuguesa?</p><p>b. Quais são os campos de atuação social nos Ensinos Funda-</p><p>mental e Médio?</p><p>2. Marque V para as sentenças verdadeiras e F para as sen-</p><p>tenças falsas</p><p>a. ( ) Os eixos Leitura/escuta, Produção de textos, Oralidade,</p><p>Análise Linguística/ Semiótica relacionam-se com práticas de</p><p>linguagem situadas.</p><p>b. ( ) Os campos de atuação social em Língua Portuguesa são</p><p>os mesmos para o Ensinos Fundamental e Médio.</p><p>c. ( ) A seleção dos campos contempla um movimento de pro-</p><p>gressão de ensino de Língua Portuguesa nos Ensinos Funda-</p><p>mental e Médio.</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>96</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>d. ( ) Temas relacionados aos Direitos Humanos e Cultura Di-</p><p>gital são trabalhados somente no Campo de atuação da vida</p><p>pública.</p><p>e. ( ) Os critérios de organização das habilidades propostos</p><p>pela BNCC expressam um possível arranjo e não devem ser</p><p>tomados como um modelo obrigatório para o desenho dos</p><p>currículos.</p><p>f. ( ) Os processos de alfabetização e de ortografização estão</p><p>relacionados aos textos em gêneros mais complexos da vida</p><p>cotidiana.</p><p>g. ( ) Os campos de atuação social passam a ser um dos prin-</p><p>cipais eixos organizadores da BNCC, sendo destacados em</p><p>cada etapa de ensino.</p><p>3. Relacione os gêneros textuais, sugeridos pela BNCC, aos</p><p>campos de atuação social em que podem ser trabalhados:</p><p>Campo da vida coti-</p><p>diana</p><p>Campo artístico-lite-</p><p>rário</p><p>Campo das práticas</p><p>de estudo e pesquisa</p><p>Campo de atuação</p><p>na vida pública</p><p>Campo jornalístico-</p><p>-midiático</p><p>( ) notas, álbuns noticiosos, notícias, reportagens,</p><p>cartas do leitor</p><p>( ) reportagem, reportagem multimidiática, fotor-</p><p>reportagem, foto-denúncia, artigo de opinião</p><p>( ) agendas, listas, bilhetes, recados, avisos, con-</p><p>vites, cartas, cardápios, diários</p><p>( ) lendas, mitos, fábulas, contos, crônicas, can-</p><p>ção, poemas</p><p>( ) apresentação oral, palestra, mesa-redonda,</p><p>debate, artigo de divulgação científica</p><p>97</p><p>Campo De Atuação Na Vida PúblicaCampo De Atuação Na Vida PúblicaCapítulo 2</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANJOS, Juliane Cabral dos et al. Os campos de atuação social da BNCC a</p><p>partir dos gêneros discursivos: produto educacional para as aulas de língua</p><p>portuguesa do ensino médio. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação</p><p>Letras Português) - Universidade Federal do Pampa, 2022.</p><p>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. 3ª versão revista. Brasília, MEC,</p><p>2017.</p><p>Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 17 de julho</p><p>de 2022.</p><p>CECHINEL, André. Semiformação Literária: a instrumentalização da literatura na</p><p>nova BNCC. Educação & Realidade, v. 44, 2019.</p><p>FRADE, ISABEL CRISTINA ALVES DA SILVA. Palavra aberta-BNCC e a</p><p>alfabetização em duas versões: concepções e desafios. Educação em Revista,</p><p>v. 36, 2020.</p><p>GONTIJO, Cláudia Maria Mendes. Base nacional Comum Curricular (BNCC):</p><p>comentários críticos. Revista Brasileira de Alfabetização, n. 2, 2015.</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>CAMPOS DE ATUAÇÃO E</p><p>GÊNEROS DIGITAIS</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, são desenvolvidos, neste capítulo, os</p><p>seguintes objetivos de aprendizagem:</p><p>3 conhecer os campos de atuação da BNCC;</p><p>3 relembrar as competências específicas de Língua Por-</p><p>tuguesa para o Ensino Fundamental;</p><p>3 entender as competências específicas para o Ensino Mé-</p><p>dio para a área das linguagens e suas tecnologias;</p><p>3 reconhecer os gêneros digitais propostos pela BNCC.</p><p>99</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>100</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>1. CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Olá, vamos resumir, rapidamente, a proposta geral da Base Nacional Comum</p><p>Curricular no que diz respeito às linguagens? Resumidamente, a BNCC, elabora-</p><p>da pelo MEC, apresenta determinados direitos e objetivos de aprendizagem que</p><p>os estudantes passarão, nos próximos anos. Por meio de uma série de referên-</p><p>cias sobre como se dará o ensino nas cinco grandes áreas do conhecimento (Lin-</p><p>guagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religio-</p><p>so), a BNCC respeita suas especificidades, mas alia o que elas mais possuem em</p><p>comum: a língua.</p><p>Por esse motivo, a área de Linguagens é a maior e a que mais possui com-</p><p>ponentes curriculares dentro da proposta da BNCC, ademais, a área de Lingua-</p><p>gens foi elaborada por meio de quatro componentes curriculares, sendo eles: Lín-</p><p>gua Portuguesa, Artes, Educação Física e Língua Inglesa.</p><p>Sabendo disso, perguntamos: de que modo a língua portuguesa pode se re-</p><p>lacionar com os demais componentes? Como a nossa língua materna vai funcio-</p><p>nar nessa instância da BNCC? Vamos partir da ideia de que linguagem é comu-</p><p>nicação, são interações humanas. Ela pode ocorrer em diversas instâncias: oral/</p><p>verbal; escrita; corporal; sinais; artística, enfim, há muitas formas de exercer a</p><p>comunicação com o outro.</p><p>Por isso, é importante entendermos que o ensino de língua portuguesa na</p><p>BNCC parte do texto, ele é a ideia central que vai nortear as atuações em outros</p><p>componentes curriculares também. Perceba que a língua portuguesa possui, atu-</p><p>almente, os campos de atuação, que por sua vez, apresentam variadas práticas</p><p>de linguagens.</p><p>Esses campos de atuação são justamente a maior novidade do documento,</p><p>pois uma nova nomenclatura é apresentada, e que de certa forma, tais campos</p><p>de atuação dialogam com a intenção no ensino da Língua Portuguesa. A con-</p><p>textualização das práticas de linguagem em seus diversos campos de atuação</p><p>promover aos alunos a experiência de sentir as múltiplas formas de uso da língua</p><p>portuguesa dentro da cultura digital, por exemplo; e tal experiência pode ocorrer</p><p>em quaisquer campos de atuação, você logo vai entender melhor!</p><p>Sabemos que há cinco campos de atuação e, que, esses campos, hoje em</p><p>dia, estão distribuídos tanto pelas nove séries da educação do ensino fundamental</p><p>(séries iniciais e finais do ensino fundamental) quanto pelo ensino médio. Embora,</p><p>para cada etapa, séries iniciais e séries finais, tenhamos quatro campos de atu-</p><p>ação, três deles dialogam entre si e um é específico para as séries iniciais, você</p><p>logo vai conhecê-los.</p><p>101</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Dizer que cinco campos de atuação da Língua Portuguesa irão nortear o en-</p><p>sino da língua materna em todas as áreas, significa dizer que todas as práticas de</p><p>linguagens - oralidade, leitura, escuta, escrita e semiótica, serão organizadas por</p><p>meio desses campos de atuação.</p><p>Podemos considerar os campos de atuação como uma visão macro, e que</p><p>através dela, os professores irão guiar todo o processo de ensino-aprendizagem,</p><p>vale dizer, atividades, metodologias, acompanhamento dos alunos, entre outras</p><p>ações. Vamos entender um pouco mais?</p><p>A Base Nacional Comum Curricular é um documento normativo, portanto,</p><p>tem força de lei e é referência obrigatória para pensarmos nos currículos da edu-</p><p>cação básica (infantil e fundamental) e no ensino médio no Brasil. Ela é fruto de</p><p>um trabalho realizado (e que ainda está em construção) com vários profissionais -</p><p>especialistas como gestores, professores e técnicos da educação - que formaram</p><p>comitês e preencheram formulários com sugestões para melhorias, dessa forma,</p><p>a BNCC foi avaliada em todas as suas versões e houve um amplo debate que</p><p>originou o documento que temos disponível na rede, mas que ainda está em dis-</p><p>cussão e revisão no CNE (Conselho Nacional de Educação/MEC).</p><p>A Língua Portuguesa na BNCC dialoga com as tendências, currículos e do-</p><p>cumentos produzidos atualmente na área, ou seja, desenvolve-se a partir da pers-</p><p>pectiva enunciativo-discursiva de linguagem, que assume o texto como unidade</p><p>de trabalho, sempre relacionado ao contexto de produção e ao desenvolvimento</p><p>de habilidades voltadas para o uso significativo da linguagem em atividades de</p><p>leitura, escrita e produção de textos para diferentes finalidades.</p><p>Leia o artigo Base Nacional Comum Curricular (BNCC):</p><p>comentários críticos, de Cláudia Maria Mendes Gontijo</p><p>(2015).</p><p>Disponível em: https://revistaabalf.com.br/index.</p><p>html/index.php/rabalf/article/view/68. Acesso em: 21 ago.</p><p>2022. Trata-se de um apanhado histórico interessan-</p><p>te sobre os documentos que antecederam a BNCC.</p><p>O objetivo é proporcionar aos estudantes experiências que contribuam para</p><p>ampliar o letramento. De forma a possibilitar participação ativa e crítica nas diver-</p><p>sas práticas sociais permeadas pela oralidade pela escrita e outras linguagens</p><p>inclusive no meio digital. Assim, continuam presentes na escola os gêneros tex-</p><p>tuais oriundo do impresso, como notícias, reportagens, charges, tirinha, crônicas,</p><p>102</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>mas também, aqueles que reinam no meio digital (gifs, memes, blogs, tweets...)</p><p>e deve-se ainda considerar o culto, o popular, a cultura de massa digital, infantil e</p><p>juvenil e forma a garantir a ampliação do repertório do estudante.</p><p>Conheça, agora, em mais detalhes os campos de atuação apregoados pela</p><p>BNCC em Língua Portuguesa e que são distribuídos ao longo dos anos iniciais e</p><p>finais, bem como do ensino médio, são eles:</p><p>• campo de atuação da vida cotidiana;</p><p>• campo de atuação artístico-literário;</p><p>• campo de atuação de estudo e pesquisa;</p><p>• campo de atuação na vida pública;</p><p>• campo de atuação jornalístico-midiático.</p><p>Ao final deste capítulo você também vai ter a oportunidade de acompanhar</p><p>uma discussão sobre os gêneros digitais, os quais estão presentes em todas as</p><p>práticas que envolvem os diferentes campos de atuação.</p><p>Para conhecê-los melhor, continue a leitura e tenha ótimos estudos!</p><p>2. O QUE SÃO OS CAMPOS DE</p><p>ATUAÇÃO?</p><p>Os campos de atuação são campos definidos pela BNCC para o componente</p><p>curricular Língua Portuguesa da Área de Linguagens, que trazem como importân-</p><p>cia a contextualização dos conhecimentos partícipes do cotidiano escolar. Eles</p><p>dão ênfase às práticas que derivam de situações da vida social e que apresentam</p><p>essa necessidade de serem inseridos em contextos significativos para os alunos.</p><p>Lembrando que você pode fazer o download da</p><p>BNCC (2019) ou navegar online por ela em:</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>103</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Essa divisão em campos tem como aspecto fundamental permitir as múlti-</p><p>plas práticas de linguagem (leitura de textos, produção de textos, oralidade e aná-</p><p>lise linguística/semiótica) em sua produção.</p><p>2.1 OS VÁRIOS CAMPOS</p><p>Tanto os campos de atuação quanto as práticas de linguagem fazem parte</p><p>da organização, da articulação das habilidades propostas pela BNCC. Ou seja, na</p><p>visão da BNCC, as habilidades são desenvolvidas por meio de leituras de textos</p><p>que fazem parte de gêneros que circulam nos diversos campos de atividade hu-</p><p>mana. Desse modo, para cada campo são destacadas as habilidades de leitura,</p><p>oralidade e escrita, no contexto das práticas (BNCC, 2018).</p><p>Da BNCC emergem alguns valores que estão relacionados às práticas de:</p><p>• Leitura, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica (ex-</p><p>trapolando a ideia de língua como código, que traga para essa analise o</p><p>enunciado, sujeitos, interesses, avaliação (tom de voz, escolha lexical...)</p><p>que se reflita o momento da comunicação).</p><p>• Práticas de linguagem: vida cotidiana, vida pública, práticas de estudos e</p><p>pesquisa e artístico-literária.</p><p>• Diversidade cultural (preconceito linguístico, rompendo fronteiras do</p><p>país, mostrando que cada lugar tem sua característica na língua.</p><p>• Interpretação e sentidos (linguístico-enunciativa-discursiva é a perspec-</p><p>tivas da língua viva, buscando a interpretação e chegar aos sentidos,</p><p>trabalhar a ideia de compreensão, o que ele compreende daquele texto?</p><p>O que ele consegue alcançar daquele enunciado? (respeitando a cons-</p><p>trução do sentido, pois uma boa literatura é aquela que possibilita vários</p><p>sentidos, trabalhando como o respeito do sentido que o outro constrói</p><p>com aquele enunciado).</p><p>• Leitura crítica (compreensão ativo-responsiva, pois uma compreensão</p><p>exige uma resposta (Bakhtin diz que nunca estamos falando, mas sem-</p><p>pre respondendo).</p><p>• Práticas de oralidades (gêneros orais: contação de histórias, parlendas,</p><p>cantigas de roda etc.)</p><p>• Adoção de uma perspectiva enunciativo-discursiva da linguagem.</p><p>104</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>A BNCC é um documento que está alinhado à Agenda 2030</p><p>da Organização das Nações Unidas, você sabe o que isso</p><p>significa? A ONU propôs, em 2015, dezessete objetivos de</p><p>desenvolvimento sustentável, conhecidos como ODS, que</p><p>buscam acabar com a pobreza e promover a dignidade para</p><p>as pessoas no mundo todo. Quer conhecer um pouco mais</p><p>sobre a Agenda 2030? Acesse: https://brasil.un.org/pt-br/</p><p>91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustentavel.</p><p>Você vai perceber que os campos de atuação se distribuem de um modo</p><p>diferente quando o aluno passa do ensino fundamental para o ensino médio, ob-</p><p>serve esse movimento na tabela a seguir:</p><p>TABELA 1 – CAMPOS DE ATUAÇÃO – BNCC</p><p>ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO</p><p>ANOS INICIAIS ANOS FI-</p><p>NAIS</p><p>Campo da vida cotidiana Campo da vida pessoal</p><p>Campo artístico-literário</p><p>Campo das práticas de estudo e pesquisa</p><p>Campo da vida pública Campo jornalístico-midiático</p><p>Campo da atuação na vida pública</p><p>FONTE: elaborado pela autora (2022).</p><p>Observe que os campos “artístico-literário”, “práticas de estudo e pesquisa”</p><p>estão presentes tanto nos anos do ensino fundamental quanto no ensino mé-</p><p>dio. Além disso, vale observar também que os campos “jornalístico-midiático” e</p><p>“atuação na vida pública” são compartilhados apenas nos anos finais do ensino</p><p>fundamental e no ensino médio. Do mesmo modo, os campos “vida cotidiana” e</p><p>“vida pública” estão apenas nos anos iniciais, ficando o “campo da vida pessoal”</p><p>apenas ao ensino médio.</p><p>https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustentavel</p><p>https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustentavel</p><p>105</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>FIGURA 1 – PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA NO ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/criancas-participando-de-uma-caca-ao-tesouro_16621675.</p><p>htm#query=rules%20games&position=31&from_view=search>. Acesso em: 28 julho 2022.</p><p>Essa divisão em campos de atuação refere-se às práticas de cada área de</p><p>Linguagens e orientam sobre:</p><p>• seleção de gêneros textuais;</p><p>• produção de textos expositivos, analíticos e argumentativos;</p><p>• experiências do cotidiano;</p><p>• artigos científicos;</p><p>• produções artísticas;</p><p>• reflexão;</p><p>• participação na vida pública.</p><p>É interessante observar que cada um dos campos apresenta parâmetros que</p><p>auxiliam na organização e na progressão das habilidades e competências do cur-</p><p>rículo.</p><p>Bom, agora que você conheceu os campos e por onde eles permeiam duran-</p><p>te os anos escolares, chegou o momento de se aprofundar em cada um desses</p><p>campos. Entendendo melhor os conceitos, você não terá dificuldade em aplicá-</p><p>-los. Vamos lá?</p><p>Vamos visitar os conceitos e alguns exemplos de cada um dos campos de</p><p>atuação.</p><p>106</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>2.1.1 Campo da vida cotidiana</p><p>Campo previsto para as séries iniciais. Ele está relacionado à prática de leitu-</p><p>ra, próprias de atividades vivenciadas cotidianamente por crianças, adolescentes,</p><p>jovens e adultos, no espaço doméstico e familiar, escolar, cultural e profissional.</p><p>QUADRO 1 - GÊNEROS TEXTUAIS</p><p>Agendas, listas, bilhetes, recados, avisos, convites, cartas, car-</p><p>dápios, diários, receitas, regras de jogos e brincadeiras.</p><p>FONTE: Adaptado de BNCC (2019).</p><p>Comentamos anteriormente (vide Tabela 1), e você deve ter notado, que há</p><p>um campo específico para as séries iniciais, o Campo atuação na vida cotidiana.</p><p>E por que isso? Vale lembrar que antes nas séries iniciais, ou fundamental, o</p><p>aluno era alfabetizado até o terceiro ano, já com a BNCC há um trabalho mais in-</p><p>tenso, nesse sentido de alfabetização, antecipando a aquisição do alfabetismo até</p><p>o segundo</p><p>ano. Dessa forma, nos anos conseguintes, o aluno vai poder participar</p><p>de ações relacionadas ao letramento de modo mais aprofundado.</p><p>Por isso, esse campo de atuação da vida cotidiana, específico para as sé-</p><p>ries iniciais, vai trabalhar com textos que mostrem ao aluno como ele já emprega</p><p>a linguagem em dia a dia, e isso vai aparecer em diferentes tipos textuais, por</p><p>exemplo: bilhetes, recados, leitura de regulamentos, identificação de placas, entre</p><p>outros. A ideia é alcançar o conhecimento linguístico necessário para que o aluno</p><p>consiga agir com mais proficiência nessas situações diárias com a família, com os</p><p>vizinhos, com as pessoas na escola, enfim, em todo o seu redor, fazendo com que</p><p>se crie uma consciência maior de como a língua portuguesa está sutilmente em</p><p>seu cotidiano.</p><p>107</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Trabalhar diferentes gêneros textuais em sala de aula,</p><p>contribui com a compreensão do aluno sobre os di-</p><p>ferentes tipos de textos, além de mostrar as diversas</p><p>funcionalidades da língua. Para a profundar no assun-</p><p>to, sugerimos a leitura do artigo Gêneros Textuais no</p><p>Ensino de Língua Portuguesa (SEGATE, 2010). Dis-</p><p>ponível em: https://www.revistas.usp.br/linhadagua/</p><p>article/view/37333/40053. Acesso em: 28 julho 2022.</p><p>Para além da produção textual, o campo da vida pessoal é organizado para</p><p>que sejam geradas reflexões sobre as condições de vida, tanto no Brasil quanto</p><p>no mundo. Além desse olhar para o exterior, há também o olhar para o interior, o</p><p>qual vai conduzir o aluno a refletir sobre a sua saúde, educação (a que recebe em</p><p>casa e na escola), família, trabalho, qualidade de vida, sentimentos... Vale dizer</p><p>que o estudante vai participar de um projeto que envolve sua vida cotidiana (den-</p><p>tro e fora da escola), a ideia é que suas habilidades e competências que serão</p><p>desenvolvidas ao longo da vida escolar lhe propiciem consciência para que faça,</p><p>no futuro, as escolhas mais certas possíveis, de modo sustentável e saudável.</p><p>2.1.2 Campo da vida pública</p><p>Previsto para as séries finais. Esse campo refere-se à participação em ativi-</p><p>dades de leitura e escrita, que tratem, de modo especial, sobre textos caracterís-</p><p>ticos do jornalismo, da publicidade, da política, da área jurídica e reivindicatória.</p><p>Esse campo alcança temas que tocam à cidadania e ao exercício de direitos ao</p><p>enfatizar a atuação autônoma e crítica diante de questões sociais.</p><p>QUADRO 2 – GÊNEROS TEXTUAIS</p><p>Notas; álbuns noticiosos; notícias; reportagens;</p><p>cartas do leitor (revista infantil); comentários</p><p>em sites para criança; textos de campanhas de</p><p>conscientização; Estatuto da Criança e do Ado-</p><p>lescente; abaixo-assinados; cartas de reclama-</p><p>ção, regras e regulamentos.</p><p>Fonte: Adaptado de BNCC (2019).</p><p>108</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Esse campo é muito significativo porque trabalha com questões de cidada-</p><p>nia e de coletividade, viabilizando ao aluno, textos que discorram sobre direitos</p><p>e deveres, a fim de despertar no aluno o interesse em conhecer o que é uma lei,</p><p>como ela é escrita, de saber quais direitos são garantidos para o aluno, em saber</p><p>qual a importância do ECA, por exemplo? Esse campo promove ao aluno contato</p><p>com textos de conteúdo legal desde cedo, e isso vai ajudá-lo no seu entendimento</p><p>como processo de transformação e constituição de sua própria cidadania. Dessa</p><p>forma, também, o entendimento de que a escola é lugar fundamental para que ele</p><p>possa exercer e vivenciar em sociedade, lugar em que se age de modo crítico,</p><p>pensante, interagindo com outros para se propor soluções.</p><p>2.1.3 Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa</p><p>Previsto para as séries iniciais e finais, os Campo de atuação favorece a</p><p>aprendizagem em contextos intraescolar e extraescolar e que viabilizem práticas</p><p>de leitura e escrita de textos expositivos e argumentativos, empregando lingua-</p><p>gem e práticas relacionadas ao estudo, à pesquisa e à divulgação científica.</p><p>QUADRO – 3 GÊNEROS DO CAMPO EM MÍDIA IMPRESSA OU DIGITAL</p><p>Enunciados de tarefas escolares; relatos de experimen-</p><p>tos; quadros; gráficos; tabelas; infográficos; diagramas;</p><p>entrevistas; notas de divulgação científica; verbetes de</p><p>enciclopédia.</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/graficos-de-analise-estatistica_3854497.</p><p>htm#query=graphic&position=21&from_view=search>. Acesso em: 28 julho 2022.</p><p>Esse campo é bastante interessante, porque se propõe o ensino de leituras e</p><p>interpretações de gráficos, infográficos, relatórios, textos de divulgação científica,</p><p>verbetes, termos técnicos, entre outros. Nesse sentido, esse campo colabora mui-</p><p>to com outras áreas da ciência, pois vai instrumentalizar o aluno a trabalhar em di-</p><p>versos mecanismos textuais de muitas áreas do conhecimento acadêmico. Desse</p><p>modo, a língua portuguesa contribui de forma geral com o aprendizado, sempre</p><p>109</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>buscando o diálogo com as ciências da natureza, das humanas e das exatas, pois</p><p>mostra ao aluno que existem muitos modus operandi da linguagem e que é, por-</p><p>tanto, importante saber identificar como cada área emprega a língua.</p><p>2.1.4 Campo jornalístico-midiático</p><p>Previsto apenas para as séries finais, é um campo que visa ampliar e quali-</p><p>ficar a participação dos alunos em práticas voltadas à informação e à opinião. Os</p><p>textos publicitários são muto bem-vindos nesse campo pois irão trabalhar com</p><p>estratégias linguístico-discursivas e, inclusive, semióticas que se voltam para a</p><p>argumentação e persuasão:</p><p>QUADRO – 4 GÊNEROS TEXTUAIS MIDIÁTICOS</p><p>Jornais, revistas, textos publicitá-</p><p>rios. É interessante destacar que</p><p>este campo se abre para muitas</p><p>discussões e formas de interação</p><p>com o texto, além dos gêneros, a</p><p>BNCC considerada como práticas</p><p>contemporâneas: curtir, comentar,</p><p>redistribuir, compartilhar, publicar</p><p>notícias, tweetar etc. Aqui tam-</p><p>bém podem ser tratadas questões</p><p>polêmicas que envolvem dinâmi-</p><p>cas próprias das redes sociais,</p><p>bem como os interesses jornalísti-</p><p>co-midiáticos.</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/conjunto-de-icones-coloridos_12067938.</p><p>htm#query=redes%20sociais&position=30&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>A BNCC (2018) traz oportunidades explícitas de apresentar o jornalismo aos</p><p>estudantes por meio do campo jornalístico-midiático do componente curricular</p><p>Língua Portuguesa. A importância disso, está no olhar jornalístico: ele pergunta e</p><p>investiga para entender. O jornalismo enquanto objeto de conhecimento, enquan-</p><p>to construção do pensamento crítico propõe tais questões: como ter visão mais</p><p>equilibrada dos acontecimentos? Quais os vieses presentes? É analítico? É de</p><p>entretenimento?</p><p>110</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>QUADRO 5 – O OLHAR JORNALÍSTICO</p><p>O olhar jornalístico: perguntar e investigar para</p><p>entender. Saber diferenciar e valorizar o traba-</p><p>lho jornalístico é um exercício diário que pode</p><p>ser incentivado pela escola.</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/pensando-menino-bonito-retrato-</p><p>adoravel-de-menino-crianca-na-parede-rosa_8077694.htm#query=child%20</p><p>thinking&position=0&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>Aproveite para inserir nas suas aulas, reflexões essen-</p><p>ciais para a democracia, incluindo os temas de liber-</p><p>dade de imprensa e formas de censura, fontes confi-</p><p>áveis, Lei de Acesso à Informação, entre outros...</p><p>Observe a seguir, os grupos de habilidades da BNCC no campo jornalístico-</p><p>-midiático:</p><p>QUADRO 6 – HABILIDADES NO CAMPO JORNALÍSTICO-MIDIÁTICO</p><p>FAZER JORNALISMO</p><p>planejar, produzir, publicar notícias</p><p>checagem, revisão e edição</p><p>linguagem e técnica jornalística (hierarquia da informação,</p><p>escolhas lexicais etc.)</p><p>GÊNEROS JORNALÍSTICOS</p><p>Notícia, opinião, espaço do leitor, entrevista etc.</p><p>Análise comparativa entre veículos</p><p>Curadoria de conteúdo</p><p>ÉTICA JORNALÍSTICA</p><p>Limites da imparcialidade e da neutralidade</p><p>Ponto de vista, repertório, escolhas e posicionamento</p><p>Compromisso com a sociedade</p><p>FONTE: elaborado pela autora (2022).</p><p>111</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Como o jornalismo se diferencia dos outros tipos de</p><p>conteúdo? Há algumas habilidades aqui que pode-</p><p>mos aplicar em questões que tratam sobre as fake</p><p>News, pós-verdade, desinformação (deepfakes)?</p><p>A BNCC exemplifica alguns parâmetros para a organização curricular, segun-</p><p>do ela, devemos considerar a diversidade de gêneros textuais (escritos, orais e</p><p>multimodais) durante o ensino médio, equilibrando textos informativos, argumen-</p><p>tativos e apreciativos, do mais complexo ao menos complexo. Do mesmo modo,</p><p>deve-se possibilitar que sejam vivenciadas as experiências colaborativas de le-</p><p>vantamento de fatos, através de coberturas diretas, entrevistas ou levantamento e</p><p>tratamento de dados, divulgação de informações e curadoria de conteúdo.</p><p>Além disso, devem ser consideradas produções em diferentes mídias para</p><p>que os alunos possam manipular textos, fotos, áudios, vídeos, infográficos, entre</p><p>outros, a fim de que explorem as características das diferentes linguagens, além</p><p>dos efeitos de sentidos envolvidos, para que ampliem o repertório de análise e</p><p>concretizem diferentes projetos enunciativos.</p><p>2.1.5 Campo artístico-literário</p><p>Previsto para as séries iniciais e finais. Esse campo de atuação referente</p><p>à participação em atividades de leitura, bem como fruição e produção de textos</p><p>literários e artísticos, representativos da diversidade cultural e linguística, que fa-</p><p>voreçam experiências estéticas.</p><p>QUADRO 7 – ALGUNS GÊNEROS DESTE CAMPO</p><p>Lendas, mitos, fábulas, contos, crôni-</p><p>cas, canção, poemas, poemas visuais,</p><p>cordéis, quadrinhos, tirinhas, charge/</p><p>cartum, dentre outros.</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-de-conceito-de-amante-de-livro_7117804.</p><p>htm#query=literature&position=3&from_view=search>. Acesso em: 28 julho 2022.</p><p>112</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Esse campo pertence às séries finais, esse campo traz os mais diversos con-</p><p>ceitos de arte, da arte letrada, não se limitando apenas ao exercício do ensino da</p><p>literatura no ensino médio. A proposta é a de que o aluno seja exposto ao universo</p><p>estético, por meio do texto literário, desde as séries iniciais, para que ele entenda</p><p>as suas especificidades, claro, de um modo bastante diluído nas aulas, mas que</p><p>tragam informações suficientes para que o aluno saiba distinguir a maneira como</p><p>esses textos se comunicam entre si e entre outras manifestações das artes.</p><p>Nesse campo, busca-se recuperar a historicidade dos textos, as formas poé-</p><p>ticas e as organizações socioculturais ao longo da história literária do Brasil e da</p><p>literatura contemporânea. É um campo que propicia a expansão do repertório de</p><p>leitura do aluno, para que caminhe na direção de reconhecer as formas críticas e</p><p>culturais das obras literárias.</p><p>Podem ser estudados os clássicos brasileiros e estrangeiros com obras de</p><p>caráter mais complexos, desafiando os estudantes em questões linguísticas, éti-</p><p>cas e estéticas. Também podem ser estabelecidas comparações entre gêneros</p><p>literários ou assuntos; existe a possibilidade de abordar as escolas literárias em</p><p>seus períodos históricos (respeitando as dimensões sincrônicas e diacrônicas), in-</p><p>cluindo a literatura brasileira em seu contexto histórico, demonstrando as contex-</p><p>tualizações da época, recepção do leitor, abordagem de movimentos estéticos, os</p><p>autores e suas obras, seguindo uma linha do tempo, seja ela linear ou não, desde</p><p>que não se prejudique a leitura das obras.</p><p>Agora que você já conheceu os cinco campos de atuação, e até viu alguns</p><p>exemplos de gêneros textuais que podem ser aplicados em aulas, que tal filoso-</p><p>farmos um pouco?</p><p>2.2 OS CAMPOS DE ATUAÇÃO E AS</p><p>COMPETÊNCIAS</p><p>E por que esses campos de atuação foram escolhidos e não outros? A BNCC</p><p>entende que eles contemplam, em dimensões maiores, quesitos formativos que</p><p>são significativos para o emprego da linguagem tanto na escola como fora dela.</p><p>Além disso, tais campos promovem formação para ações do cotidiano, familiar</p><p>e escolar, contemplando: produção de conhecimento, pesquisa, cidadania, dis-</p><p>cussões e soluções para problemas etc. todas essas ações apontam, da mesma</p><p>maneira, para atuações na vida pública. Cabe salientar aqui também as formas</p><p>de atuação do campo artístico-literário que traduz uma formação estética e ao</p><p>experienciar leitura de textos literários e textos artísticos multissemióticos (BNCC,</p><p>2019).</p><p>Tais campos de atuação consideram progressivamente das práticas mais</p><p>correntes do dia a dia familiar aos mais institucionalizados, vale dizer, há uma ca-</p><p>113</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>minhada de aprendizagem de gêneros orais a textuais, que vão do campo da vida</p><p>cotidiana aos demais campos, predominando a escrita e a prática da oralidade em</p><p>público.</p><p>Nesse sentido os campos de atuação vão nortear a própria escolha dos gê-</p><p>neros textuais, das atividades, das práticas e dos procedimentos. Isso não quer</p><p>dizer que os campos não compartilhem dos mesmos gêneros, muito pelo contrá-</p><p>rio, você vai perceber como os gêneros migram e estão presentes em mais de</p><p>campo. Por exemplo, práticas de leitura e de produção textual ou oral do cam-</p><p>po jornalístico-midiático estão presentes também no campo da vida pública. Ou-</p><p>tro exemplo citado no documento: “Uma reportagem científica transita tanto pelo</p><p>campo jornalístico/midiático quanto pelo campo de divulgação científica; uma re-</p><p>senha crítica pode pertencer tanto ao campo jornalístico quanto ao literário ou de</p><p>investigação” (BNCC, 2019, p. 81). Ou seja, os gêneros textuais são muitos e são</p><p>os campos de atuação que darão perspectivas para eles.</p><p>Essa divisão por campos se entende também como uma função didática que</p><p>busca viabilizar a compreensão da abrangência dos textos, os quais circulam em</p><p>muitas esferas (familiar, escolar, social) e que, na prática, o estudante vai apren-</p><p>der a organizar esses funcionamentos da língua e das linguagens em sua vida</p><p>familiar, escolar e social (BNCC, 2019).</p><p>O campo de pesquisa, que pode atingir maturidade acadêmica, começa nos</p><p>simples ato de escolha, de busca, por exemplo, na seleção e organização de con-</p><p>teúdo para alguma atividade. Da mesma forma, o digital vai transitar por todos os</p><p>campos, trazendo novos gêneros e/ou modificando gêneros já consolidados. Por</p><p>isso, a BNCC trata a cultural digital de maneira transversal, procurando alcançar</p><p>as diferentes formas de expressão da cultura jovem, mais evidentes nos campos</p><p>artístico-literário e jornalístico-midiático e que estão em menor evidência nos cam-</p><p>pos de atuação na vida pública e na de estudo e pesquisa (BNCC, 2019).</p><p>A questão dos direitos humanos também permeia todos os campos em deba-</p><p>tes de ideias nos campos jornalístico/midiático ou atuação na vida pública, e até</p><p>mesmo no exercício desses direitos (no próprio direito à aprendizagem).</p><p>A BNCC tem se tornado objeto de pesquisa, estudos e</p><p>debates. Sugerimos a leitura da dissertação a seguir,</p><p>que tem como objetivo entender quais as linhas teóricas</p><p>114</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>estão presentes na Base no que diz respeito ao com-</p><p>ponente curricular Língua Portuguesa. Boa leitura!</p><p>“A Base Nacional Comum Curricular e o ensino de Língua</p><p>Portuguesa nos anos iniciais do Ensino Fundamental” (2020),</p><p>de Natália de Oliveira Lozano. Disponível em: https://www.</p><p>marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/Educacao/Disserta-</p><p>coes/lozano_no_me_mar.pdf. Acesso em: 10 ago. 2022.</p><p>E como estão organizados os objetos de aprendizagem e as habilidades</p><p>para os campos de atuação? Diz a Base o seguinte: “estão organizados a partir</p><p>das práticas de linguagem e distribuídos pelos nove anos em dois segmentos (En-</p><p>sino Fundamental – Anos Iniciais e Ensino Fundamental – Anos Finais), dadas as</p><p>especificidades de cada segmento” (BNCC, 2019, p. 82). Mas como isso acontece</p><p>na prática? A ideia é que as habilidades sejam consideradas durante as apren-</p><p>dizagens e durante a integração dos chamados “eixos</p><p>organizadores” (Oralida-</p><p>de, Leitura/escuta, Produção de Textos e Análise linguística/semiótica) da Língua</p><p>Portuguesa e objetos de conhecimento durante os anos escolares. Por isso, os</p><p>quadros de habilidades foram divididos em 6 blocos:</p><p>• - 1º ao 5º ano</p><p>• - 1º ao 2º ano</p><p>• - 3º ao 5º ano</p><p>• - 6º ao 9º ano</p><p>• - 6º ao 7º ano</p><p>• - 8º ao 9º ano</p><p>Os eixos de integração estão entrelaçados nos campos de atuação que</p><p>orientam a seleção de gêneros, práticas, atividades e procedimentos. Apontando</p><p>para a importância da contextualização do conhecimento escolar e para a ideia de</p><p>que essas práticas derivam de situações da vida social.</p><p>Você deve se lembrar de que os eixos de integração, também chamados de</p><p>práticas de linguagem.</p><p>Práticas de linguagem que decorrem da interação do leitor com os textos e</p><p>sua interpretação, não somente os textos escritos, como também imagens está-</p><p>ticas, tais como pinturas, esquemas, fotos, diagramas, ou de imagens em mo-</p><p>vimento, como filmes vídeos etc., bem como imagem sonora, como a música</p><p>(BNCC, 2018).</p><p>115</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>FIGURA 2 – EIXO DA LEITURA</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/retrato-de-estudante-deitado-no-</p><p>chao-e-lendo-um-livro-na-biblioteca-da-escola_11528398.htm#query=leitura%20</p><p>crian%C3%A7a&position=23&from_view=search>. Acesso em: 28 julho</p><p>Práticas de linguagem relacionadas à interação autoria do texto, por exem-</p><p>plo, posicionar-se em um artigo de opinião, assinar um bilhete ou carta, relatos de</p><p>experiências, blogs, diários, atas de reuniões (BNCC, 2018).</p><p>FIGURA 3 – EIXO DA PRODUÇÃO DE TEXTOS</p><p>FONTE:< https://www.freepik.com/premium-photo/students-who-are-holding-pencils-</p><p>math-calculation-sitting-classroom-is-interested-mathematics-frequent-training-will-</p><p>help-increase-skills_25287794.htm#query=crian%C3%A7a%20escrevendo%20</p><p>texto&position=12&from_view=search&track=ais>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>Práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem conto face</p><p>a face. Por exemplo: Libras, aulas dialogadas, palestras, seminários, deb;ates,</p><p>116</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>entrevistas, esquetes (teatro), declamações de poemas (saraus), entrevista, entre</p><p>outros formatos em que a linguagem é praticada mais na oralidade do que na</p><p>escrita.</p><p>FIGURA 4 – EIXOS DA ORALIDADE</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/mulher-lendo-algo-para-seus-alunos_9571712.</p><p>htm#query=teacher%20reading%20children&position=0&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>Práticas de linguagem que envolvem procedimentos e estratégias de análise</p><p>e avaliação nos processos de leitura e produção de textos. A capacidade de anali-</p><p>sar formato, estilo, coesão coerência e organização do texto (BNCC, 2018).</p><p>FIGURA 5 – EIXO DA ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/jovem-escrevendo-algo-em-um-caderno-</p><p>enquanto-olha-para-seu-smartphone_21745593.htm#page=2&query=adolescente%20</p><p>escrevendo&position=4&from_view=search >. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>Repare que os eixos Oralidade, Leitura e produção de textos estão dire-</p><p>tamente ligados ao campo de atuação da vida pública, pois os alunos são es-</p><p>117</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>timulados a promover debates, discussões e conversas que envolvam políticas</p><p>públicas, projetos sociais e culturais. Além disso, são estimulados a produzirem,</p><p>textualmente, por meio de projetos, soluções para problemas locais.</p><p>Na BNCC, no ensino fundamental, o eixo de produção de texto se relaciona</p><p>com as práticas de linguagem de produção textual individual ou colaborativa, por</p><p>exemplo, resenhas, wikis, almanaques, tirinhas. Mas além de produção textual, a</p><p>BNCC propõe reflexão de textos, conforme você pode conferir:</p><p>Refletir sobre diferentes contextos e situações sociais</p><p>em que se produzem textos e sobre as diferenças em</p><p>termos formais, estilísticos e linguísticos que esses con-</p><p>textos determinam, incluindo-se aí a multissemiose e</p><p>características da conectividade (uso de hipertextos e</p><p>hiperlinks, dentre outros, presentes nos textos que circu-</p><p>lam em contexto digital) (BNCC, 2018, p. 73).</p><p>Essa formalidade varia de acordo com o contexto da linguagem (se formal ou</p><p>informal), também podemos considerar o uso de textos multissemióticos, que per-</p><p>mitem ao leitor uma compreensão por meio de textos verbais, imagéticos e com</p><p>recursos audiovisuais.</p><p>Porém, antes de qualquer produção textual, o aluno precisa ter clareza sobre</p><p>qual gênero textual está sendo abordado, bem como o tipo de leitor (o público-al-</p><p>vo) desse texto que será produzido e por qual meio o texto será veiculado. Por</p><p>isso, a importância de apresentar, em leitura prévia, como se constrói a argumen-</p><p>tação desse texto, pois a escrita é uma das habilidades que se desenvolve por</p><p>meio da leitura. Os atos de ler e de escrever são extremamente imbricados.</p><p>Lembre-se que cada um desses eixos é amplamente tra-</p><p>tado na BNCC (2018), por isso, para uma maior fixação</p><p>da aprendizagem leia a BNCC das páginas 66 até 79!</p><p>Vale dizer que os critérios de organização das habilidades apresentam pos-</p><p>síveis arranjos entre os objetos de conhecimento, as práticas de linguagem e</p><p>campos de atuação. Tais agrupamentos não devem ser encarados como modelo</p><p>obrigatório para desenho de currículos. Existem dez competências específicas de</p><p>Língua Portuguesa para o ensino fundamental. Vamos conhecê-las.</p><p>A Competência 1 visa compreender a língua como fenômeno cultural, históri-</p><p>co, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-</p><p>118</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a</p><p>que pertencem (BNCC, 2018, p. 87).</p><p>FIGURA 6 - COMPETÊNCIA 1</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/felizes-alegres-amigos-conversando-e-rindo_5546747.</p><p>htm#query=people%20talking&position=0&from_view=search >. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>A Competência 2 foca em se apropriar da linguagem escrita, reconhecendo-a</p><p>como forma de interação nos diferentes campos de atuação da vida social e utili-</p><p>zando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de cons-</p><p>truir conhecimentos (inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e</p><p>protagonismo na vida social (BNCC, 2018, p. 87).</p><p>FIGURA 7 – COMPETÊNCIA 2</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/focada-na-escola-primaria-afro-</p><p>americana-sentada-a-mesa-e-escrevendo-a-lapis_13996132.htm#query=children%20</p><p>writing&position=9&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>119</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Faz parte da Competência 3 que o aluno saiba ler, escutar e produzir textos</p><p>orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação</p><p>e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se ex-</p><p>pressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar</p><p>aprendendo.</p><p>FIGURA 8 – COMPETÊNCIA 3</p><p>FONTE:< https://www.freepik.com/free-photo/focused-mix-raced-girl-sitting-school-desk-</p><p>drawing-copybook_13996156.htm#query=child%20writing&from_query=crian%C3%A7a%20</p><p>escrevendo&position=1&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>Compreender o fenômeno da variação linguística, demonstrando atitude res-</p><p>peitosa diante de variedades linguísticas e rejeitando preconceitos linguísticos,</p><p>fazem parte da Competência 4.</p><p>FIGURA 9 – COMPETÊNCIA 4</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/grupo-inter-racial-de-criancas-meninas-e-meninos-</p><p>brincando-juntos-no-parque-em-um-dia-de-verao_17064848.htm#query=children%20</p><p>multiethinc&position=5&from_view=search&track=ais >. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>120</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Na Competência 5 o estudante precisa empregar, nas interações sociais, a</p><p>variedade e o estilo de linguagem adequados à situação comunicativa, ao(s) inter-</p><p>locutor(es) e ao gênero do discurso/gênero textual.</p><p>FIGURA 10 – COMPETÊNCIA 5</p><p>FONTE:<</p><p>https://br.freepik.com/fotos-gratis/criancas-esperando-a-proxima-aula_13132597.</p><p>htm#query=children%20talking&position=2&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>Na Competência 6 é precisa analisar informações, argumentos e opiniões</p><p>manifestados em interações sociais e nos meios de comunicação, posicionando-</p><p>-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direi-</p><p>tos humanos e ambientais.</p><p>FIGURA 11 - COMPETÊNCIA 6</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/garotinho-segurando-solo-e-</p><p>planta-no-parque-temos-orgulho-de-s_15667718.htm#query=children%20</p><p>planting&position=0&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>121</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos,</p><p>valores e ideologias integra a Competência 7.</p><p>FIGURA 12 – COMPETÊNCIA 7</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/grupo-de-melhores-amigos-de-maos-dadas_7089994.</p><p>htm#query=women%20rights&position=6&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>É o objetivo da Competência 8 saber selecionar textos e livros para leitura in-</p><p>tegral, de acordo com objetivos, interesses e projetos pessoais (estudo, formação</p><p>pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).</p><p>FIGURA 13 – COMPETÊNCIA 8</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/o-campus-dos-jovens-estudantes-</p><p>ajuda-o-amigo-a-recuperar-o-atraso-e-a-aprender_1211551.htm#query=library%20</p><p>teenager&position=16&from_view=search >. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>122</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>A Competência 9 aborda o envolvimento em práticas de leitura literária que</p><p>possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a li-</p><p>teratura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às di-</p><p>mensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial trans-</p><p>formador e humanizador da experiência com a literatura.</p><p>FIGURA 14 – COMPETÊNCIA 9</p><p>FONTE:<https://www.freepik.com/free-photo/students-having-good-time-while-reading-</p><p>class_868088.htm#query=leitura&position=8&from_view=search >. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>E finalmente a Competência 10 tem o intuito de mobilizar práticas da cultura</p><p>digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as for-</p><p>mas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender</p><p>e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.</p><p>FIGURA 15 – COMPETÊNCIA 10</p><p>FONTE:< https://br.freepik.com/fotos-gratis/ainda-bem-que-uma-mulher-de-pele-escura-</p><p>assiste-ao-webinar-online-focado-no-computador-portatil_13758761.htm#query=teenager%20</p><p>internet%20studying&position=6&from_view=search>. Acesso em: 28 jul. 2022.</p><p>123</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Diante disso, podemos perceber que existe uma certa</p><p>urgência para que esses alunos sejam alfabetizados um</p><p>pouco mais cedo do que já era praticado. Acelerar o letra-</p><p>mento é possível? Você acha justo? Leia o artigo da profes-</p><p>sora Mara Mansani intitulado “Alfabetização na BNCC: dá</p><p>para ser no 2º ano, mas o professor não pode ficar sozinho”</p><p>(2017) em que ela faz uma avaliação das propostas da Base</p><p>Nacional Comum Curricular (BNCC) em Língua Portugue-</p><p>sa para o Ensino Fundamental I. Disponível em: https://</p><p>novaescola.org.br/conteudo/4897/blog-de-alfabetizacao-</p><p>-alfabetizacao-na-bncc-da-para-ser-no-2-ano-mas-o-pro-</p><p>fessor-nao-pode-ficar-sozinho. Acesso em: 1 ago. 2022.</p><p>Vale salientar que dos quatro campos citados, somente o da vida cotidiana é</p><p>especificamente para os alunos séries iniciais. Os demais campos estão presen-</p><p>tes em todos os anos, porém nas séries finais temos uma alteração, permanecem</p><p>os campos artístico-literário, e estudo e pesquisa, e surge o campo de atuação</p><p>jornalístico-midiático.</p><p>A questão da confiabilidade da informação, da proliferação de</p><p>fake News, da manipulação de fatos e opiniões têm desta-</p><p>que e muitas das habilidades se relacionam com a compa-</p><p>ração e análise de notícias em diferentes fontes e mídias,</p><p>com análise de sites e serviços checadores de notícias e</p><p>com o exercício da curadoria, estando previsto o uso de</p><p>ferramentas digitais de curadoria. (BNCC, 2019, p. 132).</p><p>Esse novo campo que surge oferece ao aluno um olhar crítico sobre textos</p><p>de diversas fontes. Atualmente, as formas de obter uma informação são múltiplas,</p><p>sabemos que os alunos acessam informações em muitos canais e plataformas, e</p><p>justamente, esse campo apresenta certa preocupação na forma como o aluno vai</p><p>buscar e receber essa informação, instigando-o a ter um olhar mais crítico, partici-</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/4897/blog-de-alfabetizacao-alfabetizacao-na-bncc-da-para-ser-no-2-ano-mas-o-professor-nao-pode-ficar-sozinho</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/4897/blog-de-alfabetizacao-alfabetizacao-na-bncc-da-para-ser-no-2-ano-mas-o-professor-nao-pode-ficar-sozinho</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/4897/blog-de-alfabetizacao-alfabetizacao-na-bncc-da-para-ser-no-2-ano-mas-o-professor-nao-pode-ficar-sozinho</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/4897/blog-de-alfabetizacao-alfabetizacao-na-bncc-da-para-ser-no-2-ano-mas-o-professor-nao-pode-ficar-sozinho</p><p>124</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>pando ativamente, sabendo concordar ou refutar sobre determinada informação,</p><p>seja em sua leitura de mundo ou no conhecimento acadêmico.</p><p>FIGURA 16 – INFORMAÇÕES</p><p>Vida pessoal</p><p>Práticas de</p><p>Estudo e Pesquisa</p><p>Artístico-literário</p><p>Atuação na</p><p>vida pública</p><p>Jornalístico</p><p>-midiático</p><p>Fonte: Adaptado pela autora (2022)</p><p>Com base no que você leu até agora, procure refletir:</p><p>Quais os campos de atuação da língua portu-</p><p>guesa para o ensino fundamental – anos ini-</p><p>ciais? Quais são as unidades temáticas?</p><p>E como aplicar, na prática, todas essas informações? Acompanhe o Quadro</p><p>que esclarece um pouco mais essa organização:</p><p>125</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>QUADRO 8 – PRATICANDO ESCOLHAS DE CAMPO DE ATUAÇÃO</p><p>Unidades temáticas</p><p>CAMPOS DE ATUAÇÃO</p><p>CONTEXTO da prática</p><p>Faça as seguintes perguntas:</p><p>Qual campo de atuação devo es-</p><p>colher?</p><p>Onde aplicar o conteúdo?</p><p>Como contextualizar esse conhe-</p><p>cimento?</p><p>VIDA COTIDIANA</p><p>Situações de leitura e de ativi-</p><p>dades vivenciadas cotidiana-</p><p>mente em diferentes espaços</p><p>do contexto social.</p><p>Faça as seguintes per-</p><p>guntas:</p><p>Qual gênero textual de-</p><p>vo escolher? (você pode</p><p>consultar os exemplos</p><p>que citamos nesse mate-</p><p>rial).</p><p>Como aplico o conteúdo?</p><p>VIDA PÚBLICA</p><p>Situações que promovam a</p><p>participação dos estudantes</p><p>em práticas de debates de</p><p>ideias e de cunho político e</p><p>social.</p><p>PRÁTICAS DE ESTU-</p><p>DO E PESQUISA</p><p>Situações de leitura/escrita</p><p>que possibilitem o conheci-</p><p>mento de textos expositivos e</p><p>argumentativos, a linguagem</p><p>e as práticas que se relacio-</p><p>nam com estudos, pesquisas</p><p>e divulgação científica que</p><p>favoreçam a aprendizagem na</p><p>escola e fora dela também.</p><p>ARTÍSTICO-LITERÁ-</p><p>RIO</p><p>Situações de leitura, fruição e</p><p>produção de textos literários,</p><p>que representem a diversida-</p><p>de cultural e linguística e que</p><p>estimulem a crítica.</p><p>126</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>JORNALÍSTICO-MIDIÁ-</p><p>TICO</p><p>Situações de leitura/escrita</p><p>que promovam discussões</p><p>e formas de interação com o</p><p>texto, além dos gêneros tex-</p><p>tuais mais consagrados, con-</p><p>sidere como práticas contem-</p><p>porâneas questões polêmicas</p><p>que envolvem dinâmicas pró-</p><p>prias das redes sociais.</p><p>FONTE: elaborado pela autora (2022).</p><p>A BNCC tem como uma de suas premissas, a diversidade cultural, por isso,</p><p>não podemos esquecer que se estima mais de 250 línguas faladas no Brasil (in-</p><p>dígenas, imigrantes, sinais, crioulas e afro-descentes, além das variedades do</p><p>português; tal patrimônio é desconsiderado pela grande maioria no país; a Base</p><p>conta com as escolas para que essa realidade seja diferente (BNCC, 2018).</p><p>Em 24 de abril de 2002, com a Lei nº 10.436, oficializou-se</p><p>a Língua Brasileira de Sinais (Libras), estimulando nacio-</p><p>nalmente a realização de discussões que dizem respeito</p><p>às particularidades</p><p>linguísticas da comunidade surda e do</p><p>uso da Libras nas escolas. Aproveite essa oportunidade</p><p>e inclua no currículo escolar essa diversidade cultural!</p><p>E o que fala a BNCC a respeito dos campos de atuação no Ensino Médio? A</p><p>BNCC diz que as práticas de linguagem são contextualizadas nos diversos cam-</p><p>pos de atuação e desperta nos estudantes a possibilidade de explorarem as mul-</p><p>tiformas do idioma inglês dentro da cultura digital. Isso vai refletir nas culturas dos</p><p>jovens e em estudos e pesquisas, aumentando suas perspectivas e expectativas</p><p>127</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>em relação ao seu futuro. As possibilidades de aproximação e integração desses</p><p>estudantes com grupos multilíngues e multiculturais no mundo globalizado se ex-</p><p>pandem, levando em consideração que a língua inglesa ainda como é a língua</p><p>mais comum para a interação no mundo digital (e fora dele) (BNCC, 2018).</p><p>Você já visitou o Caderno de Práticas da BNCC? Nele</p><p>você encontra relatos de experiências e práticas em sala</p><p>de aula que podem servir como inspiração para o desen-</p><p>volvimento das habilidades e competências no processo</p><p>de aprendizagem proposto pela BNCC. Disponível em:</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/</p><p>praticas/caderno-de-praticas/. Acesso em: 2 ago. 2022.</p><p>Essa interação alcança e expande repertórios linguísticos, multissemióticos e</p><p>culturais dos estudantes, fomenta o desenvolvimento de críticas sobre as funções</p><p>e usos do inglês na sociedade contemporânea, viabilizando, inclusive, reflexões</p><p>sobre os motivos pelos quais o idioma inglês é uma língua de uso internacional.</p><p>A palavra competência se define como “mobilização de co-</p><p>nhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práti-</p><p>cas, cognitivas e emocionais), atitudes e valores para resolver</p><p>demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício</p><p>da cidadania e do mundo do trabalho” (BNCC, 2019, p. 8).</p><p>Os fundamentos pedagógicos da BNCC têm como foco o desenvolvimento</p><p>de competências a partir de saberes que consideram a constituição de conheci-</p><p>mentos ligados à noção do “saber fazer”, dessa forma, indicando trabalhar com</p><p>habilidades potenciais dos alunos. Tanto os anos iniciais, finais, quanto o ensino</p><p>médio possuem as mesmas propostas: práticas de linguagem, campos de atua-</p><p>ção, competências e habilidades para cada ano escolar.</p><p>Além disso, a BNCC (2018, p. 493-499) apresenta sete competências espe-</p><p>cíficas para o ensino médio para a área das linguagens e suas tecnologias:</p><p>128</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>QUADRO 9 – AS 7 COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS PARA O ENSINO MÉDIO</p><p>COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 1</p><p>Compreender o funcionamento das di-</p><p>ferentes linguagens e práticas culturais</p><p>(artísticas, corporais e verbais) e mobi-</p><p>lizar esses conhecimentos na recepção</p><p>e produção de discursos nos diferentes</p><p>campos de atuação social e nas diver-</p><p>sas mídias, para ampliar as formas de</p><p>participação social, o entendimento e as</p><p>possibilidades de explicação e interpre-</p><p>tação crítica da realidade e para continu-</p><p>ar aprendendo.</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 2</p><p>Compreender os processos identitá-</p><p>rios, conflitos e relações de poder que</p><p>permeiam as práticas sociais de lingua-</p><p>gem, respeitando as diversidades e a</p><p>pluralidade de ideias e posições, e atuar</p><p>socialmente com base em princípios e</p><p>valores assentados na democracia, na</p><p>igualdade e nos Direitos Humanos, exer-</p><p>citando o autoconhecimento, a empatia,</p><p>o diálogo, a resolução de conflitos e a</p><p>cooperação, e combatendo preconcei-</p><p>tos de qualquer natureza.</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 3</p><p>Utilizar diferentes linguagens (artísticas,</p><p>corporais e verbais) para exercer, com</p><p>autonomia e colaboração, protagonismo</p><p>e autoria na vida pessoal e coletiva, de</p><p>forma crítica, criativa, ética e solidária,</p><p>defendendo pontos de vista que res-</p><p>peitem o outro e promovam os Direitos</p><p>Humanos, a consciência socioambiental</p><p>e o consumo responsável, em âmbito</p><p>local, regional e global.</p><p>129</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 4</p><p>Compreender as línguas como fenô-</p><p>meno (geo)político, histórico, cultural,</p><p>social, variável, heterogêneo e sensível</p><p>aos contextos de uso, reconhecendo</p><p>suas variedades e vivenciando-as como</p><p>formas de expressões identitárias, pes-</p><p>soais e coletivas, bem como agindo no</p><p>enfrentamento de preconceitos de qual-</p><p>quer natureza.</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 5</p><p>Compreender os processos de pro-</p><p>dução e negociação de sentidos nas</p><p>práticas corporais, reconhecendo-as e</p><p>vivenciando-as como formas de expres-</p><p>são de valores e identidades, em uma</p><p>perspectiva democrática e de respeito à</p><p>diversidade.</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 6</p><p>Apreciar esteticamente as mais diversas</p><p>produções artísticas e culturais, con-</p><p>siderando suas características locais,</p><p>regionais e globais, e mobilizar seus</p><p>conhecimentos sobre as linguagens</p><p>artísticas para dar significado e (re)</p><p>construir produções autorais individuais</p><p>e coletivas, exercendo protagonismo de</p><p>maneira crítica e criativa, com respeito</p><p>à diversidade de saberes, identidades e</p><p>culturas.</p><p>COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 7</p><p>Mobilizar práticas de linguagem no uni-</p><p>verso digital, considerando as dimen-</p><p>sões técnicas, críticas, criativas, éticas</p><p>e estéticas, para expandir as formas de</p><p>produzir sentidos, de engajar-se em prá-</p><p>ticas autorais e coletivas, e de aprender</p><p>a aprender nos campos da ciência, cul-</p><p>tura, trabalho, informação e vida pessoal</p><p>e coletiva.</p><p>FONTE: BNCC (2018, p. 491-497).</p><p>130</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>O MEC disponibiliza uma ferramenta de download da BNCC</p><p>em formato editável, com filtros para escolha das séries, com</p><p>essa seleção você consegue gerar um arquivo que traz todas</p><p>as informações (componente, ano/faixa, campos de atuação,</p><p>práticas de linguagem, objetos de conhecimento, habilida-</p><p>des, todas organizadas em planilhas) para elaboração de</p><p>currículos escolares. Vale muito a pena dar uma olhada.</p><p>Disponível em: http://download.basenacionalco-</p><p>mum.mec.gov.br/. Acesso em: 29 jul. 2022.</p><p>Na próxima seção, vamos falar sobre a cultura digital exposta na BNCC, bem</p><p>como as práticas de linguagens que envolvem os gêneros digitais na Base Nacio-</p><p>nal Comum Curricular.</p><p>3. GÊNEROS DIGITAIS: PRÁTICAS</p><p>DA CULTURA DIGITAL NA BNCC</p><p>A preocupação da BNCC é a de que a escola compreenda e absorva as</p><p>novas linguagens e seus meios de funcionamento, desvendando a ampliando as</p><p>muitas possiblidades de comunicação, na busca de uma educação para o uso</p><p>mais democrático das tecnologias, e que promove uma conscientização maior</p><p>dentro da cultura digital. Pois, ao aproveitar o potencial da cultura digital dentro da</p><p>escola, sem dúvida nenhuma, é possibilitar novos meios de aprendizagem, novas</p><p>meio de interação e compartilhamento de conhecimento e vivências entre profes-</p><p>sores e estudantes.</p><p>Você já deve ter reparado em como as TDIC estão alterando os modos de</p><p>interagirmos com as coisas e com as pessoas, essas mudanças estimularam, da</p><p>mesma forma, alterações na linguagem, gerando novos gêneros textuais na cul-</p><p>tura digital. Na nossa realidade comunicativa surgem inúmeros gêneros digitais,</p><p>muito deles vieram para facilitar as relações entre as pessoas, por exemplo, a</p><p>acessibilidade.</p><p>Não usamos mais cartas nem telegramas, e sim e-mail, SMS, WhatsApp, Te-</p><p>legram, directs, todos com a mesma intenção: a comunicação, a única diferença</p><p>http://download.basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>http://download.basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>131</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>e que faz toda a diferença, é a agilidade, a simultaneidade com que transmitem</p><p>essa comunicação.</p><p>A BNCC trouxe as TDIC como competências que estão presentes em todo</p><p>o currículo, privilegiando interações multimidiáticas e multimodais que envolvem</p><p>intervenções sociais em práticas do cotidiano do aluno (em casa, na escola...). As</p><p>situações comunicacionais, nesse sentido, disseminam informações,</p><p>produzem</p><p>conhecimento e resolvem problemas.</p><p>FIGURA 17 - ALUNOS CONECTADOS</p><p>FONTE:< https://www.freepik.com/free-photo/mixed-race-boy-glasses-rising-hand-</p><p>answer-during-lesson_11072747.htm#query=crian%C3%A7a%20no%20computador%20</p><p>escola&position=18&from_view=search&track=ais>. Acesso em: 28 julho</p><p>A ideia é que, para cada ano de ensino, sejam contemplados os gêneros</p><p>multissemióticos e hiper midiáticos, comuns na cultura digital, envolvendo ativida-</p><p>des como: curar, seguir e ser seguido, comentar, compartilhar, curtir, remixar etc.</p><p>Como reconhecer os gêneros digitais? Basicamente, eles possuem algumas</p><p>características (GAROFALO, 2018), veja:</p><p>a. apresentam um conjunto de aspectos existentes em sua função;</p><p>b. são variáveis, versáteis e transmutáveis;</p><p>c. a hipertextualidade possibilita muitas formas de integrar textos com</p><p>sons e imagens;</p><p>d. são diferenciados não apenas pelos seus aspectos sociocomunica-</p><p>tivos, mas pelos formatos e pelos ambientes em que são situados;</p><p>e. mobilizam diferentes linguagens;</p><p>f. expandem os sentidos no processo de compreensão e produção.</p><p>132</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Leia o artigo Como usar os gêneros digitais em</p><p>sala de aula, de Débora Garofalo (2018). Disponí-</p><p>vel em: https://novaescola.org.br/conteudo/11857/</p><p>como=-usar-os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid-</p><p>CjwKCAjwx7GYBhB7EiwA0d8oe3Fb4fClKa1ibFxE-</p><p>OF4waUsLRlSEVcmA-WnmErtPqaDHPMKtCkYDa-</p><p>xoC6zIQAvD_BwE. Acesso em: 9 ago. 2022.</p><p>Ademais, como a escola tem o compromisso de promover uma formação in-</p><p>tegral, com base nos direitos humanos e em princípios da democracia, a escola</p><p>deve considerar a necessidade de desnaturalizar qualquer forma de violência (in-</p><p>clusive as que estão ainda imbricadas na cultura digital, como o compartilhamento</p><p>do discurso do ódio e outras manifestações violentas, até mesmo as simbólicas,</p><p>que ainda existem na sociedade (BNCC, 2018).</p><p>A cultura digital tem viabilizado muitas mudanças na sociedade contemporâ-</p><p>nea, mudanças muito intensas e rápidas. Esse avanço desenfreado das tecnolo-</p><p>gias de informação e de comunicação, o acesso às mesmas também não para de</p><p>crescer, e nem vai parar. Todos sabemos que os estudantes jovens estão muito</p><p>mais inseridos em toda essa cultura digital do que qualquer outra geração jovem</p><p>que já existiu. Não são apenas consumidores de um aparelho, mas são pessoas</p><p>inseridas culturalmente nessa dinâmica digital. Eles são protagonistas, muitas ve-</p><p>zes, nas formas interativas do meio (multimidiática, multimodal) e as participações</p><p>em redes sociais são intensas.</p><p>FIGURA 18 – CRIANÇA INFLUENCIADORA</p><p>FONTE:< https://www.freepik.com/free-photo/medium-shot-cool-kid-</p><p>cooking-camera_8190468.htm#query=crian%C3%A7a%20gravando%20</p><p>v%C3%ADdeo&position=11&from_view=search&track=ais>. Acesso em: 10 ago. 2022.</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/11857/como-usar-os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid=CjwKCAjwx7GYBhB7EiwA0d8oe3Fb4fClKa1ibFxEOF4waUsLRlSEVcmA-WnmErtPqaDHPMKtCkYDaxoC6zIQAvD_BwE</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/11857/como-usar-os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid=CjwKCAjwx7GYBhB7EiwA0d8oe3Fb4fClKa1ibFxEOF4waUsLRlSEVcmA-WnmErtPqaDHPMKtCkYDaxoC6zIQAvD_BwE</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/11857/como-usar-os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid=CjwKCAjwx7GYBhB7EiwA0d8oe3Fb4fClKa1ibFxEOF4waUsLRlSEVcmA-WnmErtPqaDHPMKtCkYDaxoC6zIQAvD_BwE</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/11857/como-usar-os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid=CjwKCAjwx7GYBhB7EiwA0d8oe3Fb4fClKa1ibFxEOF4waUsLRlSEVcmA-WnmErtPqaDHPMKtCkYDaxoC6zIQAvD_BwE</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/11857/como-usar-os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid=CjwKCAjwx7GYBhB7EiwA0d8oe3Fb4fClKa1ibFxEOF4waUsLRlSEVcmA-WnmErtPqaDHPMKtCkYDaxoC6zIQAvD_BwE</p><p>133</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Falar em educação hoje é falar em letramento digital, em multiletramentos,</p><p>multimodais de aprender, por isso, vale à pena entendermos melhor esses concei-</p><p>tos. Letramento digital é o conjunto de habilidades que possibilitam o emprego da</p><p>linguagem à comunicação em meios digitais. Ser letrado digitalmente é se apro-</p><p>priar da linguagem e ser capaz de participar das práticas sociais em que ela está</p><p>envolvida. Dessa forma, o sujeito deve estar preparado para atuar comunicativa-</p><p>mente em ambientes digitais, seja por lazer ou por trabalho, em setores públicos</p><p>ou privados. Ou melhor, letramento digital é o desenvolvimento de habilidades</p><p>que permitem ao sujeito compreender e produzir diferentes gêneros e tipos textu-</p><p>ais em ambientes digitais, de modo participativo, ativo, colaborativo e criativo no</p><p>ambiente digital (COSCARELLI, 2019).</p><p>FIGURA 19 – ALUNO ESTUDANDO</p><p>FONTE:< https://www.freepik.com/premium-photo/boy-using-tablet-pc-sofa-studio-portrait-white-</p><p>background-digital-world-vs-paper-book-concept_27511355.htm#query=crian%C3%A7a%20</p><p>lendo%20na%20internet&position=18&from_view=search&track=ais>. Acesso em: 10 agosto.</p><p>Os multiletramentos envolvem participações em vários canais de comunica-</p><p>ção, mídias, e diversidades linguística e cultural. Esse conceito ampara as ativida-</p><p>des que envolvem o ensino da linguagem, utilizando as TDIC (Tecnologias Digitais</p><p>da Informação e Comunicação) sem que se reduzam ao uso de aparelhos digitais.</p><p>Vale dizer que, os multiletramentos se voltam para aspectos importantes da multi-</p><p>plicidade do mundo contemporâneo: “a multiplicidade cultural das populações e a</p><p>multiplicidade semiótica de constituição dos textos por meio dos quais ela se infor-</p><p>ma e se comunica” (ROJO, 2012, p. 13). O conceito de multiletramento está rela-</p><p>cionado a essa multiplicidade semiótica em circulação na contemporaneidade, ou</p><p>seja, vemos e ouvimos textos verbo-visuais, audiovisuais, orais (podcasts, filmes,</p><p>legendas...) o papel da imagem na constituição de um texto também é um traço</p><p>da união desses dois semioses para interpretação e construção dos sentidos.</p><p>134</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Os textos multimodais são:</p><p>[...] modos de significar e configurações que se valem das</p><p>possibilidades hipertextuais, multimidiáticas e hipermidiáticas</p><p>do texto eletrônico e que trazem novas feições para o ato de</p><p>leitura: já não basta mais a leitura do texto verbal escrito – é</p><p>preciso colocá-lo em relação com um conjunto de signos de</p><p>outras modalidades de linguagem (imagem estática, imagem</p><p>em movimento, som, fala) que o cercam, ou intercalam ou im-</p><p>pregnam. (ROJO, s.d.)</p><p>Diante de tantas possibilidades de apresentações de um texto,</p><p>a BNCC vai tratar, com base em competências e habilidades,</p><p>dessa demanda de multiletramentos, textos multimodais e mul-</p><p>tissemióticos; leitura, produção e análise linguística/semiótica.</p><p>Vale lembrar, que na BNCC, o sentido do termo ‘competência’</p><p>apresenta caráter múltiplo, porque está relacionado com a mo-</p><p>bilização de conhecimentos e valores, os quais vão se realizar</p><p>em ‘habilidades’, outro conceito também de múltiplos sentidos,</p><p>pois essas habilidades ganham características cognitivas, prá-</p><p>ticas e socioemocionais, no intuito de preparar os estudantes</p><p>para lidar com situações sociais, produtivas, ambientais e éti-</p><p>cas. (MENEZES, 2019)</p><p>Tal proposta assume a centralidade do texto como uni-</p><p>dade de trabalho e as perspectivas enunciativo-discur-</p><p>sivas na abordagem, de forma a sempre relacionar os</p><p>textos a seus contextos de produção e o desenvolvi-</p><p>mento de habilidades ao uso significativo da linguagem</p><p>em atividades de leitura, escuta e produção de textos</p><p>em várias mídias e semioses (BNCC, 2018, p. 63,)</p><p>A BNCC busca contemplar a cultura digital, as diferentes linguagens e os</p><p>diferentes letramentos, desde textos mais lineares aos hipertextuais e hipermidiá-</p><p>ticos. (BNCC, 2018)</p><p>135</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Você já percebeu que a cultura digital não está apenas trans-</p><p>formando as formas de se comunicar, de interagir, mas tam-</p><p>bém na forma como nos conduzimos emocionalmente? A cul-</p><p>tura digital tem forte apelo emocional, induzindo muitas vezes</p><p>a posturas imediatistas em respostas, falta de profundidade</p><p>em analisar as informações entre outros problemas. Cabe à</p><p>escola o desafio de formar essas novas gerações, a escola</p><p>precisa preservar o seu compromisso de estímulo à reflexão</p><p>e à análise profunda, contribuindo para o desenvolvimento</p><p>do sujeito em seu exercício crítico diante dos conteúdos que</p><p>migram, muitas vezes, de modo efêmero, na cultura digital.</p><p>Por exemplo, após uma leitura de um livro de literatura ou assistir a um filme,</p><p>podemos publicar comentários em redes sociais, em grupos, seguir diretores, au-</p><p>tores, escritores, acompanhar de perto o trabalho de todos que compartilham; po-</p><p>demos produzir playlists, vlogs, vídeos-minuto, escrever fanfics, produzir e-zines,</p><p>nos tornar um booktuber, além de outras tantas possibilidades (BNCC, 2018).</p><p>FIGURA 20 – CRIANÇA INTERAGINDO NA REDE SOCIAL.</p><p>FONTE: < https://www.freepik.com/free-photo/young-girl-using-digital-tablet-</p><p>before-bedtime_13301081.htm#query=crian%C3%A7a%20nas%20redes%20</p><p>sociais&position=1&from_view=search&track=ais>. Acesso em: 10 agosto 2022.</p><p>Considerando a internet como um espaço livre e muito familiar para crianças,</p><p>adolescentes e jovens de hoje, você pode estar se perguntando: por que a escola</p><p>precisa também migrar para esse espaço que já é bastante trafegando e visitado?</p><p>No que, exatamente a escola pode contribuir? Bom, você pode partir do princípio</p><p>136</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>de que estar familiarizado com cultura digital e usá-la em seu dia a dia, não signi-</p><p>fica exatamente dominar e explorar os espaços sob princípios éticos, estéticos e</p><p>políticos; tampouco observar o mundo de forma crítica.</p><p>É preciso desenvolver um «filtro» acerca dos conteúdos que são</p><p>compartilhados na web, pois há uma enxurrada de informações, umas das</p><p>funções que a escola pode exercer é ajudar o sujeito a criar o seu próprio filtro,</p><p>sendo curador dos materiais e dos conteúdos que precisa ler, conhecer, absorver.</p><p>E aprender essa curadoria tem tudo a ver com a escola, pois se torna necessário</p><p>o desenvolvimento de habilidades distintas.</p><p>A BNCC (2018) afirma que a viralização de conteúdos e publicações cria fe-</p><p>nômenos com “pós-verdade”. Você já ouviu falar nesse termo? Trata-se de um</p><p>fenômeno em que as opiniões (comentários) passam a ser mais importantes que</p><p>os próprios fatos da publicação, e nessa prática as ações como checagem de</p><p>veracidade acabam não sendo praticadas, pois pouco importa se algo aconteceu,</p><p>basta acreditar que aconteceu.</p><p>Outro fenômeno que acontece é que as fronteiras do público e privado es-</p><p>tão passando por mudanças também, sabemos que, por exemplo, o Instagram é</p><p>uma rede social em que muitas pessoas vendem seus produtos e serviços, e que</p><p>muitas vezes irão contrair clientes mais pelo seu lifestyle do que pelo seu próprio</p><p>produto, essa é a tendência das redes sociais atualmente, mas o que queremos</p><p>colocar aqui em questionamento é algo que pode colocar em risco o excesso de</p><p>exposição nas redes sociais, e o que isso pode envolver.</p><p>Mais um fenômeno salientado pela BNCC é o da separação, pois criam-se</p><p>“grupos” com usuários que pensam de formas iguais, participam aqueles que pen-</p><p>sam de forma semelhante, não abrindo assim espaço para o diferente, para a</p><p>divergência. Por isso, a escola precisa, cada vez mais, reforçar convívios neces-</p><p>sários com a diversidade, salientando a diferença e o respeito que deve ser de-</p><p>senvolvido.</p><p>Percebeu o que está por trás de tudo isso? Do porquê de a escola ser corres-</p><p>ponsável no processo de educação na cultura digital?</p><p>A demanda que se coloca para a escola é a de:</p><p>contemplar de forma crítica essas novas práticas de lingua-</p><p>gem e produções, não só na perspectiva de atender às muitas</p><p>demandas sociais que convergem para um uso qualificado e</p><p>ético das TDIC [...] é preciso reconhecer os discursos de ódio,</p><p>refletir sobre os limites entre liberdade de expressão e ataque</p><p>a direitos, aprender a debater ideias, considerando posições e</p><p>argumentos contrários (BNCC, 2018, p. 69).</p><p>137</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Inserir a cultura digital dentro da escola não se trata de abandonar o impres-</p><p>so, nem a escrita, muito menos deixar de lado o que já é consagrado como prática</p><p>nas escolas (como o uso de jornais, revistas, notícias, entrevistas, crônicas, char-</p><p>ges e até mesmo consultas em enciclopédias e dicionários físicos), mas também</p><p>de assumir esses novos letramentos digitais, ressignificando muitas vezes.</p><p>Ao considerar esse novo horizonte, que não é tão novo assim, a contribuição</p><p>da escola terá um caráter mais participativo na construção de um sujeito crítico</p><p>em suas vivências e experiências na cultura digital – e não somente nela – pois,</p><p>levando em conta a complexidade dessa da cultura no meio digital, o estudante</p><p>não é apenas um usuário da língua, mas designer da sua língua. Estamos diante</p><p>de sujeitos que dão nova roupagem ao que já existe (editando, mixando, transfor-</p><p>mando, reciclando outros sentidos).</p><p>Se você quiser se aprofundar mais nesse conceito leitor/</p><p>designer na área da aprendizagem, sugerimos a lei-</p><p>tura do artigo Produção de materiais para o ensino de</p><p>línguas na perspectiva do design crítico, de Vilson J.</p><p>Leffa, disponível em: https://www.leffa.pro.br/textos/tra-</p><p>balhos/design_critico.pdf. Acesso em: 2 ago. 2022.</p><p>3.1 VAMOS AOS GÊNEROS DIGITAIS?</p><p>Os gêneros textuais são fenômenos vinculados cultural, social e historica-</p><p>mente às nossas vidas, isso significa dizer que eles se adaptam às evoluções</p><p>e progressos pelos quais a sociedade passa. Desse modo, os gêneros textuais</p><p>não podem ser entendidos de modo isolado, pois estarão inseridos em contextos</p><p>sociais determinando interações por meio da organização enunciativa da situação</p><p>https://www.leffa.pro.br/textos/trabalhos/design_critico.pdf</p><p>https://www.leffa.pro.br/textos/trabalhos/design_critico.pdf</p><p>138</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>produzida (MARCUSCHI, 2012). No caso das situações, algumas características</p><p>nos são reveladas:</p><p>• o lugar social dessa interação</p><p>• o lugar social dos interlocutores/enunciadores</p><p>• a finalidade da interação (intensão)</p><p>Esses pontos são o comportamento mínimo que um gênero textual pode</p><p>nos mostrar, mas atualmente, como desenvolvimento das TIDC e novos supor-</p><p>tes, os gêneros textuais foram adaptados, como sua natureza evolutiva nos mos-</p><p>tra: acompanha o digital. Desse modo, podemos chamá-los de “gêneros digitais”,</p><p>nome dado às novas formas de gêneros textuais, que surge com a internet, no</p><p>hipertexto, chegando em seu caráter híbrido.</p><p>Se você quiser ver alguns exemplos de gêneros textuais</p><p>citado na BNCC, leia o artigo “Conheça seis gêneros digi-</p><p>tais sugeridos pela BNCC: Veja as principais características</p><p>de alguns deles e seus exemplos”, do site Nova Escola:</p><p>https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/24/conhe-</p><p>ca-seis-generos-digitais-sugeridos-pela-bncc?gclid=C-</p><p>jwKCAjwlqOXBhBqEiwA-hhitKMt9JQuFVAJzhbLO4WhU-</p><p>NO3zUwX49dVt3YwAjiWs50smqGeOr1KihoCqfoQAvD_BwE</p><p>Sabemos que os gêneros textuais são classificações usadas para determinar</p><p>os textos de acordo com as suas relações a um contexto. Dessa forma, os gêne-</p><p>ros se modificam de acordo com a sociedade, e a escola ela tem que se adaptar</p><p>a essas modalidades, a fim de levar o seu aluno a compreender a função da lin-</p><p>guagem em toda a sua dinâmica. Com o surgimento dos hipertextos, de aparatos</p><p>multimídias e, atualmente, com tablets e smartphones, a escola se viu cercada</p><p>por novas linguagens e, precisou absorver essa demanda, não por medo de se</p><p>tornar obsoleta, mas porque é interessante que o alunado tenha orientações a</p><p>respeito da potência que há nas ferramentas digitais.</p><p>A BNCC aborda os gêneros digitais em toda a educação básica, podemos</p><p>conceituar os gêneros digitais como gêneros de linguagens e textos direcionados</p><p>https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/24/conheca-seis-generos-digitais-sugeridos-pela-bncc?gclid=CjwKCAjwlqOXBhBqEiwA-hhitKMt9JQuFVAJzhbLO4WhUNO3zUwX49dVt3YwAjiWs50smqGeOr1KihoCqfoQAvD_BwE</p><p>e Adultos.</p><p>16</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Lei 10. 172, de 9 de janeiro</p><p>de 2001</p><p>Sancionou o Plano Nacional de Educação, proposta do Poder</p><p>Executivo para o Poder Legislativo que visava a uma mudança</p><p>gradativa da duração do Ensino Fundamental, expandindo-a de</p><p>oito para nove anos letivos.</p><p>Por meio de seus objetivos para o Ensino Fundamental, buscava</p><p>que crianças, jovens e adultos tivessem boas condições de acesso</p><p>e de permanência nas escolas públicas do país.</p><p>Lei 11. 114, de 16 de maio</p><p>de 2005</p><p>É responsável por tornar obrigatória a matrícula de crianças de</p><p>seis anos de idade em diante no Ensino Fundamental obrigatória.</p><p>Lei 11.274, de 6 de feverei-</p><p>ro de 2006</p><p>Aumentou, em definitivo, a duração do Ensino Fundamental de</p><p>oito para nove anos letivos e fixou um prazo de quatro anos para</p><p>que isso acontecesse, o qual se findou em 2010.</p><p>Com essa mudança, o curso de Alfabetização foi incorporado ao</p><p>Ensino Fundamental.</p><p>De acordo com o documento Ensino Fundamental de nove anos:</p><p>orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade, a</p><p>estruturação do Ensino Fundamental em nove anos “significa bem</p><p>mais que a garantia de mais um ano de escolaridade obrigatória, é</p><p>uma oportunidade histórica de a criança de seis anos pertencente</p><p>às classes populares ser introduzida a conhecimentos que foram</p><p>fruto de um processo sócio-histórico de construção coletiva” (BRA-</p><p>SIL, 2007, p. 61-62).</p><p>Diretrizes Curriculares Na-</p><p>cionais (2010)</p><p>Expressam, claramente, quais são os componentes curriculares</p><p>obrigatórios de cada etapa da Educação Básica.</p><p>No caso do Ensino Fundamental, adotou-se uma divisão por áreas</p><p>de conhecimento, que seria, pouco tempo depois, o ponto de par-</p><p>tida da elaboração da Base Nacional Comum Curricular.</p><p>Os conceitos de competência e de habilidade, também muito ex-</p><p>plorados pela Base Nacional Comum Curricular, atravessam a</p><p>composição deste documento.</p><p>Plano Nacional de Educa-</p><p>ção, lei n. 13.005, de 25 de</p><p>junho de 2014.</p><p>Substituiu o Plano Nacional de Educação aprovado em 2001, cuja</p><p>vigência havia terminado. Com base em vinte metas, instituiu as</p><p>diretrizes da Educação Básica a serem perseguidas no decênio</p><p>seguinte, com o intuito de melhorar, sensivelmente, os indicadores</p><p>de qualidade da educação brasileira.</p><p>17</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Base Nacional Comum</p><p>Curricular</p><p>Surge com uma configuração inédita para a Educação Básica,</p><p>aprimorando as contribuições das Diretrizes Curriculares Nacio-</p><p>nais.</p><p>Tem, dentre outros, os objetivos de nivelar os conhecimentos bá-</p><p>sicos que devem ser garantidos aos brasileiros; e de, baseando-</p><p>-se nos conceitos de competência e de habilidade, oferecer aos</p><p>educadores uma proposta de estruturação curricular aderente, ao</p><p>mesmo tempo, às necessidades de cada indivíduo e de cada con-</p><p>texto socioeconômico e à formação de alunos capazes de atuar</p><p>tanto em sociedade quanto no mundo do trabalho com exercício</p><p>pleno de valores éticos, morais e cidadãos.</p><p>FONTE: o autor.</p><p>Prestou atenção ao breve comentário a respeito de cada um dos documen-</p><p>tos oficiais selecionados? Refletiu e compreendeu, satisfatoriamente, tudo o que</p><p>leu até aqui?</p><p>FIGURA 6 – REFLEXÃO SOBRE OS CONTEÚDOS ESTUDADOS</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/africano-americano-barbudo-criativo-com-penteado-</p><p>afro-de-oculos-e-capuz-vermelho-criando-uma-nova-musica-ficando-em-pose-pensativa-</p><p>tocando-o-queixo-parecendo-sonhador-focado-no-canto-superior-direito-pensando_17612687.</p><p>htm#query=reflex%C3%A3o&position=33&from_view=search >. Acesso em: 22 junho 2022</p><p>Então, caro aluno, você está preparado para estudar, com mais aprofunda-</p><p>mento, os marcos legais da educação brasileira que influenciarão, de fato, sua</p><p>atuação profissional e que costumam ser cobrados por concursos públicos:</p><p>18</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>• a alguns, como são os casos da Constituição Federal de 1988 e da Lei</p><p>de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, você acabou de</p><p>ser apresentado;</p><p>• com outros, será defrontado pela primeira vez;</p><p>• de todos, um, o Estatuto da Criança e do Adolescente, não foi concebido</p><p>em prol da educação, mas, como veremos, tem uma influência muito re-</p><p>levante sobre o assunto.</p><p>2.1 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988</p><p>A Constituição Federal de 1988 é o elemento mais importante de nosso or-</p><p>denamento jurídico. Sua concepção delimita o fim do período ditatorial desenca-</p><p>deado pelo golpe militar de 1984 e, portanto, a reabertura democrática do Brasil.</p><p>A partir do início da década de 1980, após quase vinte anos de repressão, desen-</p><p>volveu-se um contexto favorável ao reestabelecimento do regime democrático,</p><p>em razão da intensa resistência ao regime militar por parte de vários setores da</p><p>sociedade brasileira e depois de considerável pressão internacional.</p><p>Antes de o regime militar ter sido instaurado, o Estado brasileiro se mostrava</p><p>pouco afeito à construção de políticas públicas capazes de mitigar as demandas</p><p>dos diferentes segmentos da população. Isso se manteve durante o regime militar,</p><p>mas havia uma diferença fundamental: não era concedido aos oprimidos o desejo</p><p>de se manifestar e de reivindicar condições de sobrevivência mais dignas.</p><p>FIGURA 7 – ANOS DE CHUMBO</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/pes-militares_1154243.</p><p>htm#query=ditadura&position=17&from_view=search >. Acesso em: 22 junho 2022.</p><p>19</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Logo, dentre os chamados constituintes – indivíduos que comandaram a cria-</p><p>ção da Constituição Federal de 1988 –, urgia a necessidade de garantir, na forma</p><p>da lei, direitos básicos e inalienáveis a todos os cidadãos, sem quaisquer formas</p><p>de discriminação, direitos dentre os quais está o à educação. Confira, a seguir, os</p><p>artigos 6º e 205 do documento, em que o direito à educação é mencionado expli-</p><p>citamente.</p><p>“Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimenta-</p><p>ção, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança,</p><p>a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a</p><p>assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”</p><p>(BRASIL, 2021).</p><p>“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado</p><p>e da família, será promovida e incentivada com a colabo-</p><p>ração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento</p><p>da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania</p><p>e sua qualificação para o trabalho.” (BRASIL, 2021).</p><p>Ao consultar a Constituição Federal de 1988, em seu terceiro capítulo, do</p><p>artigo 205 foi se percebe que ele possui temas atrelados à educação, fundamen-</p><p>tando-se na oferta compulsória e gratuita de educação de qualidade por parte do</p><p>Estado. Por exemplo, é especificada a quantidade de anos de escolaridade que,</p><p>a partir de então, seria considerada compatível com a Educação Básica, assim a</p><p>Educação Infantil e o Ensino Médio passaram a formar, em conjunto com o Ensino</p><p>Fundamental, a Educação Básica.</p><p>FIGURA 8 – ESTUDANTES</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-premium/colegas-de-classe-indo-para-a-faculdade_1249568.</p><p>htm#page=2&query=estudantes&position=24&from_view=search>. Acesso em: 22 junho 2022</p><p>20</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Outra característica da Constituição Federal de 1988 que merece destaque é</p><p>a previsão de uma regulação mais específica do nosso sistema educacional e de</p><p>todos os temas que envolve. Isso culminaria, cerca de oito anos depois, na Lei de</p><p>Diretrizes e Bases da Educação Nacional, cujo conteúdo determina, à exaustão, a</p><p>organização e o funcionamento da educação brasileiro, tanto da do âmbito público</p><p>quanto da do âmbito privado.</p><p>2.2 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO</p><p>ADOLESCENTE</p><p>Assim como prenunciou a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educa-</p><p>ção Nacional de 1996, a Constituição Federal de 1988 ensejou o desenvolvimento</p><p>de uma regulação da participação de crianças e de adolescentes em sociedade.</p><p>Intitulado Estatuto da Criança e do Adolescente e sancionado em 13 de julho de</p><p>1990, trata-se da principal normatização das condutas estatais a respeito de atos</p><p>lesivos praticados contra</p><p>https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/24/conheca-seis-generos-digitais-sugeridos-pela-bncc?gclid=CjwKCAjwlqOXBhBqEiwA-hhitKMt9JQuFVAJzhbLO4WhUNO3zUwX49dVt3YwAjiWs50smqGeOr1KihoCqfoQAvD_BwE</p><p>https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/24/conheca-seis-generos-digitais-sugeridos-pela-bncc?gclid=CjwKCAjwlqOXBhBqEiwA-hhitKMt9JQuFVAJzhbLO4WhUNO3zUwX49dVt3YwAjiWs50smqGeOr1KihoCqfoQAvD_BwE</p><p>https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/24/conheca-seis-generos-digitais-sugeridos-pela-bncc?gclid=CjwKCAjwlqOXBhBqEiwA-hhitKMt9JQuFVAJzhbLO4WhUNO3zUwX49dVt3YwAjiWs50smqGeOr1KihoCqfoQAvD_BwE</p><p>139</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>às mídias digitais, lidos e produzidos em dispositivos eletrônicos. Como esses</p><p>recursos possuem seus próprios meios, precisamos entender antes, como fun-</p><p>cionam as dinâmicas desses gêneros, vejamos algumas de suas características:</p><p>• variedade, próprio do meio digital, que é dinâmico e coletivo;</p><p>• hibridez, nas mídias digitais é possível utilizar desde textos, imagens,</p><p>som etc.;</p><p>• concisão, clareza e objetividade (recursos mais diretos, gifs, memes,</p><p>tweets etc.;</p><p>• rapidez e volatilidade (as repercussões de um assunto eclodem rapida-</p><p>mente, e somem da mesma maneira.</p><p>Agora observe esta outra habilidade proposta para o ensino fundamental,</p><p>do 6º ao 9º ano para o componente curricular de língua portuguesa e perceba a</p><p>quantidade de sugestões:</p><p>(EF69LP46) Participar de práticas de compartilhamento de</p><p>leitura/recepção de obras literárias/manifestações artísticas,</p><p>como rodas de leitura, clubes de leitura, eventos de contação</p><p>de histórias, de leituras dramáticas, de apresentações teatrais,</p><p>musicais e de filmes, cineclubes, festivais de vídeos, saraus,</p><p>slams, canais de booktubers, redes sociais temáticas (de lei-</p><p>tores, de cinéfilos, de música etc.), dentre outros, tecendo,</p><p>quando possível, comentários de ordem estética e afetiva e</p><p>justificando as suas apreciações, escrevendo comentários e</p><p>resenhas para jornais, blogs e redes sociais e utilizando formas</p><p>de expressão das culturas juvenis, tais como, vlogs e podcasts</p><p>culturais (literatura, cinema, teatro, música), playlists comenta-</p><p>das, fanfics, fanzines, e-zines, fanvídeos, fanclipes, posts em</p><p>fanpages, trailer honesto, vídeo-minuto, dentre outras possibli-</p><p>dades de práticas de apreciação e de manifestação da cultura</p><p>de fãs.</p><p>(BNCC, 2018, p. 157).</p><p>Refletir sobre as transformações ocorridas nos campos de</p><p>atividades em função do desenvolvimento das tecnologias</p><p>de comunicação e informação, do uso do hipertexto e da</p><p>140</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>hipermídia e do surgimento da Web 2.0: novos gêneros do</p><p>discurso e novas práticas de linguagem próprias da cultu-</p><p>ra digital, transmutação ou reelaboração dos gêneros em</p><p>função das transformações pelas quais passam o texto (de</p><p>formatação e em função da convergência de mídias e do</p><p>funcionamento hipertextual), novas formas de interação</p><p>e de compartilhamento de textos/conteúdos/informações,</p><p>reconfiguração do papel de leitor, que passa a ser também</p><p>produtor, dentre outros, como forma de ampliar as possi-</p><p>bilidades de participação na cultura digital e contemplar</p><p>os novos e os multiletramentos. (BNCC, 2018, p.72)</p><p>É interessante notar que no documento da Base encontramos apenas duas</p><p>ocorrências do termo “gêneros digitais”, mas podemos perceber que eles estão</p><p>espalhados por todo o documento, para todos os anos iniciais ou finais, há um</p><p>certo estímulo, uma pincelada dos gêneros textuais. Observe, por exemplo, a ha-</p><p>bilidade solicitada ao ensino fundamental, 9º. Ano, para o componente curricu-</p><p>lar Língua Inglesa: “(EF09LI12) Produzir textos (infográficos, fóruns de discussão</p><p>on-line, fotorreportagens, campanhas publicitárias, memes, entre outros) sobre</p><p>temas de interesse coletivo local ou global, que revelem posicionamento crítico”</p><p>(BNCC, 2018, p. 263).</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Perceba que dentro desses campos de atuação estão presentes: a gramá-</p><p>tica, a leitura e escuta de textos e a escrita. Aqui vale uma atenção maior: hoje</p><p>em dia todos estamos imersos na cultura digital, mas principalmente, os jovens,</p><p>e você vai perceber, ao ler a BNCC que essa cultura está presente o tempo todo.</p><p>Há muitas atividades que estão propostas para que aluno desenvolva suas ativi-</p><p>dades no meio digital, por exemplo: gravar um vídeo, criar um canal em rede so-</p><p>cial, divulgar suas ideias, realizar entrevistas, divulgar as ideias, gravar podcasts,</p><p>blogs, vlogs...</p><p>O aluno vai poder desenvolver as suas competências de leitor e de escrita</p><p>em muitas plataformas. Não tirando o mérito e nem o lugar da escrita manual,</p><p>mas em muitos casos não se fará mais necessário escrever no papel, o aluno vai</p><p>poder diversificar as formas de desenvolver suas competências linguísticas, e,</p><p>desse modo, trabalharemos todas as práticas de linguagem.</p><p>141</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>Repare que quando propomos atividades aos nossos alunos atuando no</p><p>campo artístico-literário, de certa forma vamos trabalhar com conceitos históricos,</p><p>geográficos, sociais, mas ao trazer, um quadro, uma fotografia ou um filme, fare-</p><p>mos uma conexão com outras artes, ou seja, além de ampliar o horizonte crítico</p><p>do aluno, proporcionando um momento de fruição também da obra de arte, não</p><p>deixamos de lado a linguagem que irá permear toda a atividade.</p><p>É por isso que todos os campos da língua portuguesa estão em diálogo</p><p>constante com as demais áreas. Isso possibilita que o professor realize trabalhos</p><p>muito ricos, com compartilhamento de ideias, planos de aula, sequências didáti-</p><p>cas que envolvem o aluno no aprendizado e envolvendo o docente ainda mais no</p><p>seu trabalho, pois esses diálogos trarão muitos resultados.</p><p>Evidentemente que a língua portuguesa é um componente curricular impor-</p><p>tante, pois vai permear, dentro da área de Linguagens, com as Artes, com a Lín-</p><p>gua Inglesa e com a Educação Física. De todo modo, a língua portuguesa vai</p><p>trabalhar colaborativamente com todos os demais componentes.</p><p>Por isso, a importância de que gestores e professores tenham o conheci-</p><p>mento a respeito das propostas da BNCC e apliquem em seu cotidiano escolar,</p><p>seja no momento de fazer o seu planejamento, ao convocar os professores, ou ao</p><p>pensar na metodologia de ensino, é fundamental que essas propostas ocorram</p><p>da melhor forma possível e proveitosa, para que haja o engajamento dos alunos.</p><p>O ensino de Linguagens está, cada vez mais, sendo representado pelo mo-</p><p>mento social e histórico, trazendo a tecnologia para dentro da sala de aula como</p><p>uma aliada e não como uma rival. Assim agregamos conhecimento e trabalhamos</p><p>com conceitos e práticas de uma aprendizagem mais significativa.</p><p>1. Quais são os campos de atuação social que a BNCC pro-</p><p>põe para a Língua Portuguesa?</p><p>2. A BNCC (2018, 493-499) apresenta 7 competências es-</p><p>pecíficas para o ensino médio para a área das linguagens e</p><p>suas tecnologias, relacione as colunas, conectando correta-</p><p>mente cada competência específica a sua explicação:</p><p>142</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>a) Competência específica 1</p><p>b) Competência específica 2</p><p>c) Competência específica 3</p><p>d) Competência específica 4</p><p>e) Competência específica 5</p><p>f) Competência específica 6</p><p>g) Competência específica 7</p><p>( ) Mobilizar práticas de linguagem no universo di-</p><p>gital, considerando as dimensões técnicas, críticas,</p><p>criativas, éticas e estéticas, para expandir as formas</p><p>de produzir sentidos [...]</p><p>( ) Compreender o funcionamento das diferentes</p><p>linguagens e práticas culturais (artísticas, corporais</p><p>e verbais).</p><p>( ) Apreciar esteticamente as mais diversas pro-</p><p>duções artísticas e culturais, considerando suas ca-</p><p>racterísticas locais, regionais e globais, e mobilizar</p><p>seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas</p><p>para dar significado e (re)construir produções auto-</p><p>rais individuais e coletivas.</p><p>( ) Utilizar diferentes linguagens (artísticas, corpo-</p><p>rais e verbais) para exercer, com autonomia e cola-</p><p>boração, protagonismo e autoria na vida pessoal e</p><p>coletiva [...].</p><p>( ) Compreender os processos de produção e nego-</p><p>ciação de sentidos nas práticas corporais, reconhe-</p><p>cendo-as e vivenciando-as como formas de expres-</p><p>são de valores e identidades, em uma perspectiva</p><p>democrática e de respeito à diversidade.</p><p>( ) Compreender as línguas como fenômeno (geo)</p><p>político, histórico, cultural, social, variável, heterogê-</p><p>neo e sensível aos contextos de uso [...].</p><p>( ) Compreender os processos identitários, conflitos</p><p>e relações de poder que permeiam as práticas so-</p><p>ciais de linguagem, respeitando as diversidades e a</p><p>pluralidade de ideias e posições, e atuar socialmen-</p><p>te com base em princípios e valores assentados na</p><p>democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos</p><p>[...].</p><p>3. Marque um X na(s) alternativa(s) que caracteriza um gênero di-</p><p>gital?</p><p>( ) são variáveis, versáteis e transmutáveis;</p><p>( ) são estáticos e imutáveis;</p><p>( ) a hipertextualidade possibilita muitas formas de integrar</p><p>textos com sons e imagens;</p><p>( ) são diferenciados por aspectos sociocomunicativos, forma-</p><p>tos e ambientes em que são situados;</p><p>( ) mobilizam diferentes linguagens;</p><p>143</p><p>Campos De Atuação E Gêneros DigitaisCampos De Atuação E Gêneros DigitaisCapítulo 3</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Base Nacional Curricular Comum. Brasília: Ministério da Educação,</p><p>2019. Disponível em:</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira</p><p>de Sinais - Libras e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.</p><p>gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>COSCARELLI, C. V. Multiletramentos e empoderamento na educação. In:</p><p>FERRAZ, O. Educação, (multi)letramentos e tecnologias: tecendo redes</p><p>de conhecimento sobre letramentos, cultura digital, ensino e aprendizagem na</p><p>cibercultura. Salvador: EDUFBA, 2019.</p><p>EDUCAMIDIA. E. Por que tem jornalismo na BNCC? (2020). Disponível em:</p><p>https://educamidia.org.br/api/wp-content/uploads/2020/04/Ingredientes-do-</p><p>Jornalismo.pdf. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>GAROFALO, D. Como usar os gêneros digitais em sala de aula. Nova Escola,</p><p>[s. l.], 2018. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/11857/como-usar-</p><p>os-generos-digitais-em-sala-de-aula?gclid=CjwKCAjw6MKXBhA5EiwANWLODN</p><p>YHIcVE837OsuetCY2QyUDVQYCRcu8ScLIg0AbYzeoQe3i1ySWy9xoC6gYQA</p><p>vD_BwE. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>GONTIJO, C. M. M. Base Nacional Comum Curricular (BNCC): comentários</p><p>críticos. Abalf, [s. l.], 2015. Disponível em: https://revistaabalf.com.br/index.html/</p><p>index.php/rabalf/article/view/68. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia</p><p>digital. In: MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. Hipertexto e gêneros digitais:</p><p>novas formas de construção de sentido. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2012.</p><p>ROJO, R. H. Pedagogia do Multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens</p><p>na escola. In: ROJO, R. H.; MOURA, E. Multiletramentos na escola. São Paulo:</p><p>Parábola, 2012.</p><p>ROJO, Roxane. Textos multimodais [verbete]. Glossário Ceale, [s. l.], [s. d.].</p><p>Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/textos-</p><p>multimodais. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>SEGATE, A. Gêneros Textuais no Ensino de Língua Portuguesa. Linha D’Água,</p><p>n. 23, p. 13-24. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/</p><p>view/37333. Acesso em: 21 ago. 2022.</p><p>https://educamidia.org.br/api/wp-content/uploads/2020/04/Ingredientes-do-Jornalismo.pdf</p><p>https://educamidia.org.br/api/wp-content/uploads/2020/04/Ingredientes-do-Jornalismo.pdf</p><p>https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/37333</p><p>https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/37333</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>PRÁTICAS DA LINGUAGEM</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>CAMPO DE ATUAÇÃO NA VIDA PÚBLICA</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>CAMPOS DE ATUAÇÃO E GÊNEROS DIGITAIS</p><p>_Hlk101251035</p><p>_Hlk101251538</p><p>_Hlk101251743</p><p>_Hlk101253579</p><p>_Hlk101254451</p><p>_GoBack</p><p>_heading=h.itps2r7lc569</p><p>e por crianças e adolescentes.</p><p>Logo em seu artigo 1º, são identificados os segmentos populacionais que</p><p>formam o público-alvo do documento, que compõem, também, o público-alvo da</p><p>educação:</p><p>• crianças, que correspondem aos indivíduos de até 12 anos de idade (in-</p><p>completos);</p><p>• adolescentes, que são os indivíduos de 12 a 18 anos de idade (incom-</p><p>pletos); e</p><p>• casos excepcionais, que se referem a indivíduos de 18 a 21 anos de</p><p>idade, mediante à ocorrência de um dos casos expressos.</p><p>FIGURA 9 – PROTEÇÃO ÀS CRIANÇAS E AOS ADOLESCENTES</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/criancas-sorridentes-de-tiro-medio-</p><p>posando-juntas_17808651.htm#query=crian%C3%A7a&position=16&from_</p><p>view=search>. Acesso em: 22 junho 2022.</p><p>21</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>2.3 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA</p><p>EDUCAÇÃO NACIONAL DE 1996</p><p>A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 é o documento</p><p>relacionado à educação brasileira mais fundamental. Como sabemos agora, re-</p><p>mete à Constituição Federal de 1988 e reflete a luta, por décadas, de educadores</p><p>brasileiros por um sistema educacional mais equânime e mais eficiente.</p><p>De modo geral, o documento reitera os direitos relacionados à educação ga-</p><p>rantidos à população brasileira pela Constituição Federal de 1988; estipula, mais</p><p>claramente, questões apontadas na carta magna, como é o caso da educação de</p><p>portadores de necessidades especiais e de povos originários de nosso território; e</p><p>define as competências do poder público quanto à educação.</p><p>No que tange ao Ensino Fundamental, a Lei de Diretrizes e Bases da Edu-</p><p>cação Nacional de 1996 adota uma divisão em anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e</p><p>em anos finais (do 6º ao 9º ano). É de competência dos municípios, mas pode,</p><p>suplementarmente, ser oferecido pelos estados e pelo governo federal. Em geral,</p><p>os municípios oferecem escolas de anos iniciais, enquanto os estados cuidam de</p><p>escolas de anos finais, mas essa não é uma regra rígida. Não se exige que os</p><p>alunos tenham concluído a Educação Infantil para serem matriculados no Ensino</p><p>Fundamental.</p><p>2.4 PARÂMETROS CURRICULARES</p><p>NACIONAIS</p><p>Semelhantemente, à Base Nacional Comum Curricular, os Parâmetros Cur-</p><p>riculares Nacionais são diretrizes curriculares que auxiliam as instituições esco-</p><p>lares, visto que influenciam a construção de Projetos Político-Pedagógicos e de</p><p>currículos escolares; além de corroborar com os docentes, visto que subsidiam</p><p>seus planejamentos pedagógicos, suas estratégias didáticas e sua seleção de</p><p>conteúdos curriculares.</p><p>Criados entre 1997 e 1998, os Parâmetros Curriculares Nacionais, estrutu-</p><p>ram-se de acordo com as disciplinas e com áreas de conhecimento/áreas temá-</p><p>ticas: língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história e geografia; arte;</p><p>educação física; apresentação de temas transversais e ética; meio ambiente e</p><p>saúde e pluralidade cultural e orientação sexual (BRASIL, 1997).</p><p>22</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 10 – SALA DE AULA DE ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-premium/professor-fazendo-uma-pergunta-para-sua-</p><p>turma_2585409.htm#query=escola&position=32&from_view=search>. Acesso em: 24 jun. 2022.</p><p>Direcionados, igualmente, às redes pública e privada de ensino, os Parâme-</p><p>tros Curriculares Nacionais selecionam e apresentam os elementos considerados</p><p>fundamentais de cada disciplina escolar de acordo com três critérios:</p><p>• a faixa etária dos alunos;</p><p>• a necessidade de normatizar os conteúdos escolares em todo o território</p><p>nacional; e</p><p>• a orientação dos educadores na elaboração de currículos.</p><p>Ao contrário do que acontece com os demais documentos de que falamos</p><p>até aqui, os Parâmetros Curriculares Nacionais não têm caráter compulsório,</p><p>mas são uma referência muito importante para as práticas pedagógicas da Edu-</p><p>cação Básica. Isso acontece, sobretudo, porque a maneira como foram concebi-</p><p>dos, muito inovadora para padrões brasileiros, possibilita que sejam adotados em</p><p>realidades escolares muito diferentes.</p><p>2.5 DIRETRIZES CURRICULARES</p><p>NACIONAIS</p><p>As Diretrizes Curriculares Nacionais orientam o planejamento curricular (pro-</p><p>postas pedagógicas, estruturação, articulação e avaliação) no âmbito do sistema</p><p>educacional brasileiro. São obrigatórias para a Educação Básica. Mesmo após a</p><p>existência da Base Nacional Comum Curricular, mantêm-se válidas: são docu-</p><p>mentos complementares, não documentos mutuamente excludentes.</p><p>23</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Acesse as Diretrizes Curriculares Nacio-</p><p>nais neste endereço eletrônico.</p><p>Embora as Diretrizes Curriculares Nacionais sejam instrumentos fulcrais da</p><p>educação brasileira, não faz parte de nossos objetivos estudá-las com a atenção</p><p>que merecem. À vista disso, recomendamos, veementemente, que as leiam, ten-</p><p>do uma oportunidade preciosa de enriquecer seus conhecimentos.</p><p>2.6 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO</p><p>DE 2014</p><p>No Plano Nacional de Educação de 2014, identificamos a intenção de que a</p><p>educação brasileira seja balizada por objetivos de aprendizagem e de desenvol-</p><p>vimento explícitos e coerentes com a realidade dos estudantes, entregando-lhes</p><p>qualidade e, de certa forma, inspiração para seus projetos de vida. Podemos con-</p><p>ferir essa intenção nas estratégias 3.1 e 3.2 do documento.</p><p>3.1 – Institucionalizar programa nacional de renovação do en-</p><p>sino médio, a fim de incentivar práticas pedagógicas com abor-</p><p>dagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria</p><p>e prática, por meio de currículos escolares que organizem, de</p><p>maneira flexível e diversificada, conteúdos obrigatórios e eleti-</p><p>vos articulados em dimensões como ciência, trabalho, lingua-</p><p>gens, tecnologia, cultura e esporte, garantindo-se a aquisição</p><p>de equipamentos e laboratórios, a produção de material didá-</p><p>tico específico, a formação continuada de professores e a ar-</p><p>ticulação com instituições acadêmicas, esportivas e culturais;</p><p>3.2 – O Ministério da Educação, em articulação e colaboração</p><p>com os entes federados e ouvida a sociedade mediante con-</p><p>sulta pública nacional, elaborará e encaminhará ao Conselho</p><p>Nacional de Educação - CNE, até o 2o (segundo) ano de vi-</p><p>gência deste PNE, proposta de direitos e objetivos de aprendi-</p><p>zagem e desenvolvimento para os (as) alunos (as) de ensino</p><p>médio, a serem atingidos nos tempos e etapas de organização</p><p>deste nível de ensino, com vistas a garantir formação básica</p><p>comum (BRASIL, 2014, online).</p><p>É possível, caro aluno, que as duas estratégias não tenham sido suficientes</p><p>para que você perceba a tendência que permeia a formação de nossos jovens há</p><p>alguns anos.</p><p>http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192</p><p>24</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 11 – CONSULTA PÚBLICA</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-premium/parte-traseira-do-publico-sentado-e-</p><p>ouvindo-os-speackers_2561542.htm#page=2&query=p%C3%BAblico&position=14&from_</p><p>view=search>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>Contudo, em 2014 e em anos anteriores, a preocupação com a reorganiza-</p><p>ção dos currículos da Educação Básica era patente, o que culminaria, de modo</p><p>geral, com a implementação da Base Nacional Curricular com a instituição de iti-</p><p>nerários formativos, no caso específico do (Novo) Ensino Médio.</p><p>3. AFINAL, EM QUE CONSISTE A</p><p>BNCC?</p><p>A Base Nacional Comum Curricular, “é um documento de caráter normativo</p><p>que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais</p><p>que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades</p><p>da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de</p><p>aprendizagem e desenvolvimento” (BRASIL, 2018, p. 7).</p><p>Trata-se de um documento cujo objetivo é garantir a permanência dos estu-</p><p>dantes na Educação Básica, adquiram todas as habilidades e todas as compe-</p><p>tências consideradas relevantes para a sua vida em sociedade. Por esse motivo,</p><p>elencam-se conhecimentos de várias naturezas (científicos, artísticos, culturais,</p><p>sociais e emocionais), defendendo uma perspectiva</p><p>integradora e transdisciplinar</p><p>de construção de aprendizagens.</p><p>O caráter da Base Nacional Comum Curricular é unificador, ao menos no ní-</p><p>vel da idealização dos currículos, como forma de evitar que a qualidade da Educa-</p><p>ção Básica varie, tanto quando isso for possível, em função de variáveis geográfi-</p><p>cas e sociais, por exemplo. Contudo, não é correto supor que o documento defina</p><p>25</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>um currículo padrão para todo o país. Em vez disso, é elencando um conjunto</p><p>mínimo de habilidades e de competências que devem ser ensinadas aos alu-</p><p>nos brasileiros, e, a partir desse conjunto, estados, munícipios, governo federal,</p><p>Distrito Federal e instituições escolares criarão seus currículos autonomamente.</p><p>Figura 12 – Mundo do trabalho</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/trabalhadores-da-fabrica-</p><p>se-cumprimentando-pelo-trabalho-em-equipe-bem-sucedido_11034249.</p><p>htm#page=2&query=trabalhos&position=6&from_view=search>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular está dividida em quatro partes:</p><p>1. na primeira, “Textos introdutórios”, localizamos uma apresentação do do-</p><p>cumento e dos seus fundamentos pedagógicos;</p><p>2. na segunda, “Competências gerais”, encontramos o conjunto de habili-</p><p>dades e de saberes que, de acordo com o Ministério da Educação, os</p><p>estudantes devem adquirir e aprimorar ao longo da Educação Básica;</p><p>3. na terceira, “Competências específicas”, somos apresentados aos con-</p><p>juntos de habilidades e de saberes das diferentes áreas do conhecimen-</p><p>to, em função das suas diferentes etapas e dos componentes curricula-</p><p>res;</p><p>4. na quarta, “Direitos de Aprendizagem ou Habilidades”, deparamos com</p><p>conjunto de saberes associados à prática dos objetos de conhecimento</p><p>de cada etapa da Educação Básica, os quais podem ser conteúdos, con-</p><p>ceitos e processos.</p><p>26</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 13 – VARIEDADES DE CONHECIMENTOS APREENDIDOS NA ESCOLA</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-premium/criancas-em-idade-escolar-correndo-em-</p><p>direcao-a-varios-icones-de-aplicativos_28164438.htm#page=2&query=v%C3%A1rios%20</p><p>conhecimentos&position=27&from_view=search>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional, preveem um documento que de certa forma, unifique a educação.</p><p>Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fun-</p><p>damental, de maneira a assegurar formação básica comum e</p><p>respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regio-</p><p>nais. (BRASIL, 1988, on-line)</p><p>Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino funda-</p><p>mental e do ensino médio devem ter base nacional comum,</p><p>a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada</p><p>estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida</p><p>pelas características regionais e locais da sociedade, da cul-</p><p>tura, da economia e dos educandos. (BRASIL, 1996, on-line)</p><p>O Plano Nacional de Educação referente ao decênio 2014-2024 reforça, mais</p><p>ainda, a criação de um documento regulador universal:</p><p>15.6) promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura</p><p>e estimular a renovação pedagógica, de forma a assegurar o</p><p>foco no aprendizado do (a) aluno (a), dividindo a carga horária</p><p>em formação geral, formação na área do saber e didática espe-</p><p>cífica e incorporando as modernas tecnologias de informação e</p><p>comunicação, em articulação com a base nacional comum dos</p><p>currículos da educação básica, de que tratam as estratégias</p><p>2.1, 2.2, 3.2 e 3.3 deste PNE. (BRASIL, 2014, online).</p><p>A elaboração da Base Nacional Comum Curricular está associada à realiza-</p><p>ção de uma série de conselhos, de seminários e de consultas públicas, passando</p><p>por sucessivas etapas de idealização, de esboço e de redação, até sua versão fi-</p><p>27</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>nal ter sido obtida. Durante todo esse processo de construção, tanto especialistas</p><p>em educação quanto leigos foram ouvidos, de modo que as propostas concreti-</p><p>zassem, de fato, os anseios do país. A parte concernente ao Ensino Fundamental</p><p>foi concluída em 2017, enquanto a referente ao Ensino Médio foi concluída em</p><p>2018 e reestruturou, completamente, essa etapa de ensino.</p><p>A esta altura, está claro para nós que, de acordo com as concepções da</p><p>Base Nacional Comum Curricular, a formação em nível de Educação Básica deve</p><p>ser abrangente e abarcar as dimensões acadêmica, social e emocional. Para que</p><p>esse objetivo seja cumprido, o documento se vale de uma mudança de orienta-</p><p>ção teórico-metodológica, sobretudo em relação às diretrizes curriculares, a partir</p><p>da assunção de um conjunto de aprendizagens essenciais – saberes baseados</p><p>em competências que devem ser adquiridos e desenvolvidos pelos estudantes ao</p><p>longo da Educação Básica.</p><p>FIGURA 14 – PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/light-bulb-ideas-creative-diagram-concept_4413599.</p><p>htm#query=planejamento&position=33&from_view=search >. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>Uma evidência do realinhamento de orientação teórico-metodológica está no</p><p>conceito de competência assumido, que atravessa todas as proposições da Base</p><p>Nacional Comum Curricular. Trata-se da capacidade dos estudantes de mobilizar</p><p>elementos das dimensões acadêmica (conceitos e procedimentos) social (práti-</p><p>cas e habilidades) e emocional (capacidades cognitivas) em favor da resolução de</p><p>problemas de seu cotidiano (BRASIL, 2018)., algo que, há não muito tempo atrás,</p><p>era preterido em função da assimilação acrítica de conteúdos.</p><p>Em outros países, a estruturação de diretrizes curriculares e de currículos</p><p>mínimos se fundamenta no conceito de competência há mais tempo, como re-</p><p>comendam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico</p><p>28</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>(OCDE), que coordena o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), e</p><p>a Organização das Nações Unidas (BRASIL, 2018).</p><p>“Ao adotar esse enfoque, a BNCC indica que as decisões</p><p>pedagógicas devem estar orientadas para o desenvolvimen-</p><p>to de competências. Por meio da indicação clara do que</p><p>os alunos devem “saber” (considerando a constituição de</p><p>conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, sobretu-</p><p>do, do que devem “saber fazer” (considerando a mobiliza-</p><p>ção desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores</p><p>para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do</p><p>pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho), a</p><p>explicitação das competências oferece referências para o</p><p>fortalecimento de ações que assegurem as aprendizagens</p><p>essenciais definidas na BNCC”. (BRASIL, 2018, p. 13)</p><p>Com a substituição do “saber saber” pelo “saber fazer”, a Base Nacional Co-</p><p>mum Curricular se posiciona contrariamente à manutenção de currículos basea-</p><p>dos em teorias e em métodos tradicionais, que não costumam questionar a rele-</p><p>vância dos conteúdos curriculares para os objetivos de aprendizagem das aulas e</p><p>para a atuação dos alunos em sociedade. Isso nada tem que ver com o negligen-</p><p>ciamento de conhecimentos que costumavam ser ensinados no passado; trata-se,</p><p>ao contrário, de apresentar aos alunos as funções sociais dos seus novos conhe-</p><p>cimentos, dos quais dependerão para atuar em sociedade.</p><p>As aprendizagens essenciais e as competências gerais são acionadas du-</p><p>rante todas as etapas da Educação Básica. Portanto, não se esgotam depois de</p><p>terem sido exploradas ao longo de dado segmento, sendo, na verdade, elementos</p><p>cíclicos e funcionando como eixo das competências específicas e dos currículos</p><p>escolares.</p><p>É importante que frisemos que a Base Nacional Comum</p><p>Curricular não é um exemplo ou modelo de currículo. Ao</p><p>folheá-la, você notará que não existe, em nenhuma de suas</p><p>29</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>quase 600 páginas, a imposição de estratégias didático-</p><p>pedagógicas e de conteúdos. Ao contrário, existe um</p><p>caminho lógico, sustentado por aprendizagens essenciais e</p><p>por competências, que deve ser seguido pelas instituições</p><p>de ensino no processo de elaboração</p><p>de seus currículos</p><p>A construção curricular das instituições de ensino, como não é segredo para</p><p>nós, tem de seguir uma série de orientações legais, seja de seus munícipios, seja</p><p>de seus estados, seja da União. Nesse ponto, reside o caráter obrigatório da Base</p><p>Nacional Comum Curricular: quando estipula um conjunto de aprendizagens es-</p><p>senciais e de competências a ser adotado em toda a amplitude de nossa federa-</p><p>ção, o documento não limita a construção de currículos e, mesmo assim, previne</p><p>– teoricamente, ao menos – que todos os estudantes brasileiros tenham acesso</p><p>processos de ensino-aprendizagens de qualidade idêntica.</p><p>Do outro lado da equação, para além das normas jurídicas e das metas das</p><p>instituições de ensino, há, ainda, os professores, que criarão objetivos de aprendi-</p><p>zagem e selecionarão conteúdos curriculares (1) a partir das orientações da Base</p><p>Nacional Comum Curricular, (2) a partir dos demais documentos educacionais</p><p>normalizadores e (3) a partir do currículo e dos Projetos Político-Pedagógicos vi-</p><p>gentes em suas escolas.</p><p>FIGURA 15 – CORREDORES DE UMA INSTITUIÇÃO ESCOLAR</p><p>FONTE: <https://br.freepik.com/fotos-gratis/alegres-criancas-correndo-no-</p><p>corredor-da-escola_2555137.htm#page=3&query=corredores%20da%20</p><p>Escola&position=26&from_view=search>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>Para além de orientações e de atribuições pedagógicas adaptáveis à realida-</p><p>de de cada instituição de ensino, as diretrizes e/ou os currículos estaduais e muni-</p><p>cipais funcionam como intermediários entre as escolas e a legislação educacional</p><p>30</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>federal, visto que obedecem à Base Nacional Comum Curricular e aos demais do-</p><p>cumentos emitidos pela União, ao passo que, também, apresentam disposições</p><p>próprias.</p><p>Quando explicamos, há pouco, que a Base Nacional Comum Curricular foca</p><p>nas capacidades (habilidades e competências) dos estudantes, em detrimento do</p><p>conteúdo, algo típico de abordagens pedagógicas tradicionais. A Base Nacional</p><p>Comum Curricular, além de os processos de ensino-aprendizagem adquirirem</p><p>funções sociais inequívocas, por sofrerem mudanças radicais no currículo escolar.</p><p>O currículo escolar se torna algo íntegro e cíclico, fundamentado na transver-</p><p>salidade de conteúdos e de áreas de conhecimento. Arriscamo-nos a defender,</p><p>caro aluno, que o documento aposta na “indisciplina”, considerando que esse ter-</p><p>mo reflita a almejada ausência de fronteiras fixas entre as disciplinas escolares.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular demonstra, clara-</p><p>mente, a compreensão de que currículos escolares são</p><p>construções sociocultural, sujeitando-se às volatilidades</p><p>de nossa sociedade e, consequentemente, às requeridas</p><p>reformulações. Nesse contexto, não temos nenhuma</p><p>margem para considerá-los meros elencos de discipli-</p><p>nas, de estratégias pedagógicas e de conhecidos.</p><p>Na Base Nacional Comum Curricular, são apresentadas, ainda, ações es-</p><p>senciais para a prática dos currículos escolares. São essas ações os elementos</p><p>que nos permitem, na condição de educadores, ajustar as orientações recebidas</p><p>ao contexto sociocultural e às demandas de nossas instituições escolares e de</p><p>nossos alunos.</p><p>QUADRO 2 – AÇÕES DIRECIONADAS À PRÁTICA</p><p>DOS CURRÍCULOS ESCOLARES</p><p>Contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares, identificando estratégias pa-</p><p>ra apresentá-los, representá-los, exemplificá-los, conectá-los e torná-los significativos,</p><p>com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas.</p><p>Decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e for-</p><p>talecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais</p><p>dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem.</p><p>31</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas diversificadas,</p><p>recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares, se necessário, para</p><p>trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de alunos, suas famílias e cultura de</p><p>origem, suas comunidades, seus grupos de socialização etc.</p><p>Conceber e pôr em prática situações e procedimentos para motivar e engajar os alunos</p><p>nas aprendizagens.</p><p>Construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado</p><p>que levem em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais re-</p><p>gistros como referência para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos</p><p>alunos.</p><p>Selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o</p><p>processo de ensinar e aprender.</p><p>Criar e disponibilizar materiais de orientação para os professores, bem como manter</p><p>processos permanentes de formação docente que possibilitem contínuo aperfeiçoamento</p><p>dos processos de ensino e aprendizagem.</p><p>Manter processos contínuos de aprendizagem sobre gestão pedagógica e curricular para</p><p>os demais educadores, no âmbito das escolas e sistemas de ensino.</p><p>FONTE: Brasil (2018, p. 16-17).</p><p>Na forma dessas ações, encontramos outro valioso instrumento que converte</p><p>a Base Nacional Comum Curricular em um documento que, de fato, apresenta a</p><p>potencialidade de ser comum. Não se trata de instruções complexas e específicas</p><p>de quais conhecimentos ensinar e quais estratégias usar para fazer isso, mas,</p><p>sim, de práticas passíveis de implementação no cotidiano de grande parte das</p><p>escolas brasileiras:</p><p>• fala-se em “Selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pe-</p><p>dagógicas diversificadas”, não em utilizar metodologias e estratégias di-</p><p>dático-pedagógicas tecnológicas;</p><p>• fala-se em “Construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de</p><p>processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as condi-</p><p>ções de aprendizagem”, não em construir e em aplicar procedimentos de</p><p>avaliação que dependam de uma ferramenta específica;</p><p>• fala-se em “Criar e disponibilizar materiais de orientação para os profes-</p><p>sores, bem como manter processos permanentes de formação docente”,</p><p>não em criar e em disponibilizar materiais de formação continuada que</p><p>sejam de um tipo único.</p><p>Portanto, às instituições escolares, está resguardado o direito de se apropriar</p><p>das orientações da Base Nacional Comum Curricular da forma que for mais ade-</p><p>quada às suas capacidades. À luz de suas premissas sobre a integração e sobre</p><p>32</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>as particularidades das etapas da Educação Básica, a ampliação do Ensino Fun-</p><p>damental, que discutimos anteriormente, torna-se uma questão mais complexa:</p><p>• por um lado, não se pode tratar o 1º ano do Ensino Fundamental como</p><p>uma extensão da Educação Infantil, porque não é essa circularidade de</p><p>conteúdos que a Base Nacional Comum Curricular preconiza;</p><p>• por outro lado, não se pode ignorar que os estudantes não são alfabe-</p><p>tizados e, assim, incutir-lhes conteúdos inapropriados para a sua faixa</p><p>etária.</p><p>A solução para esse e para outros impasses dependerá, em grande parte, de</p><p>ações dos docentes e da equipe diretiva das instituições escolares: terão de estu-</p><p>dar e de compreender o funcionamento da Base Nacional Comum Curricular; tal</p><p>como fazemos nesta disciplina; e terão de mobilizar sua comunidade escolar em</p><p>prol da construção de um Projeto Político-Pedagógico focado na significação dos</p><p>processos de ensino-aprendizagem para os estudantes.</p><p>Todas as ações de uma instituição escolar têm de estar</p><p>explícitas em seu Projeto Político-Pedagógico, cuja elabo-</p><p>ração são ouvidos gestores, professores, alunos e comu-</p><p>nidade escolar. Para que um Projeto Político-Pedagógico</p><p>seja concebido corretamente, os eixos norteadores das</p><p>ações da instituição escolar devem ser compatíveis com</p><p>as exigências da Base Nacional Comum Curricular. Serão</p><p>os eixos norteadores, em nossa prática profissional, os</p><p>responsáveis por traçar cada dinâmica da rotina escolar.</p><p>Como as instituições escolares têm o compromisso de propiciar aos estudan-</p><p>tes desenvolvimento social e cultural condizentes com suas particularidades, de-</p><p>vem asseverar, por meio da elaboração e da consecução democráticas das ações</p><p>previstas em seus Projetos Político-Pedagógicos, que os objetivos de aprendiza-</p><p>gem e os conteúdos curriculares selecionados estejam articulados com as experi-</p><p>ências dos estudantes. Não é essa, afinal, caro aluno, uma das metas mais visa-</p><p>das pela Base Nacional Comum Curricular? Pare sua leitura por cinco minutos e</p><p>reflita a esse respeito.</p><p>33</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>4. A BNCC E O ENSINO</p><p>FUNDAMENTAL</p><p>Ao indicar quais conhecimentos devem ser explorados em cada série e em</p><p>cada segmento do Ensino Fundamental, a Base Nacional Comum Curricular se</p><p>compromete com a adequação dos currículos escolares às habilidades das dife-</p><p>rentes faixas etárias; e, em consequência disso, evita reprovações motivadas por</p><p>seleções de conteúdo curriculares incoerentes com as características do público-</p><p>-alvo.</p><p>No Quadro 3, elencamos conhecimentos que, na perspectiva da Base Nacio-</p><p>nal Comum Curricular, em observância à Diretrizes Curriculares Nacionais, são</p><p>imprescindíveis para alunos dos dois segmentos do Ensino Fundamental.</p><p>QUADRO 3 – CONHECIMENTOS IMPRESCINDÍVEIS</p><p>PARA ALUNOS DE ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>Anos iniciais do Ensino</p><p>Fundamental (do 1º ao 5º</p><p>ano)</p><p>Alfabetização e letramento</p><p>Desenvolvimento de diversas formas de expressão, incluindo</p><p>a aprendizagem de língua portuguesa, de literatura, de músi-</p><p>ca, de outras artes, de educação física (educação corporal), de</p><p>matemática, de ciências, de história e de geografia</p><p>Anos finais do Ensino Fun-</p><p>damental (do 6º ao 9º)</p><p>Linguagens (língua portuguesa, artes, educação física, lín-</p><p>gua(s) estrangeira(s), Ensino religioso)</p><p>Ciências da natureza e matemática</p><p>Ciências humanas (geografia, história, ética e cidadania)</p><p>FONTE: adaptado de Brasil (2013, p.125).</p><p>Pense sobre os objetivos do Ensino Fundamental atual de</p><p>uma maneira ampla, é necessário que seus concluintes</p><p>tenham desenvolvido os seguintes conhecimentos e habilida-</p><p>des:</p><p>• leitura;</p><p>• escrita;</p><p>• cálculo;</p><p>• valores sociais, culturais e sustentáveis;</p><p>• respeito às diferenças e à dignidade humana;</p><p>34</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>• noções artísticas e tecnológicas; e</p><p>• vínculos interpessoais.</p><p>É importante que destaquemos que os conhecimentos</p><p>e as habilidades esperados de um concluinte do Ensino</p><p>Fundamental não se limitam aos mencionados. Citamos</p><p>os que consideramos mais relevantes, o que pode não</p><p>ser verdadeiro para você e para outros profissionais.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular projeta uma Educação Básica cujos co-</p><p>nhecimentos sejam encadeados ciclicamente, valorizando as experiências pré-</p><p>vias dos educandos. Isso acontecerá, com mais ênfase, na passagem da Edu-</p><p>cação Infantil para o Ensino Fundamental, visto que os estudantes terão, então,</p><p>certa vivência no ambiente escolar.</p><p>Com nove anos de duração, o Ensino Fundamental é a etapa mais longa da</p><p>Educação Básica, o que reafirma a importância das escolas para o desenvolvi-</p><p>mento dos indivíduos. Além de a dividir em Anos Iniciais e em Anos Finais, a Base</p><p>Nacional Comum Curricular a segmenta em unidades temáticas, determinando</p><p>quais serão seus objetivos de aprendizagem e suas habilidades.</p><p>O documento pretende valorizar situações lúdicas de aprendizagem e fo-</p><p>mentar a necessária articulação das experiências vividas pelos educandos com</p><p>habilidades e com competências que visem ou a novas relações com o mundo ou</p><p>a novas perspectivas sobre antigas relações com o mundo. Desse modo, os estu-</p><p>dantes se tornarão capazes de formular e de refutar hipóteses sobre a realidade,</p><p>mobilizando-as em prol do próprio amadurecimento e da construção de novos co-</p><p>nhecimentos.</p><p>FIGURA 16 – PRATICANDO NOVOS CONHECIMENTOS</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/premium-photo/children-drawing-playing-</p><p>carpet_2209727.htm?query=kids%20playing>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>35</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Contudo, as propostas da Base Nacional Comum Curricular não romperam,</p><p>radicalmente, com as disciplinas que compunham o Ensino Fundamental, as</p><p>quais estão previstas tanto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional</p><p>quanto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica. Mais do</p><p>que inovar quanto aos conhecimentos tidos como essenciais para os alunos do</p><p>Ensino Fundamental, priorizou-se uma reestruturação das cinco áreas de conhe-</p><p>cimento reconhecidas: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências</p><p>Humanas e Ensino Religioso.</p><p>Para que o realinhamento das áreas de conhecimento espelhasse a mudan-</p><p>ça de orientação pedagógica preconizada pela Base Nacional Comum Curricular,</p><p>investiu-se na assunção de competências associadas a cada área de conheci-</p><p>mento (competências gerais) e a cada componente curricular (competências es-</p><p>pecíficas).</p><p>As áreas de conhecimento da Base Nacional Comum Curricular poderão</p><p>agrupar mais de um componente curricular, como acontece com Linguagens, em</p><p>que se reúnem Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Artes e Educação Física, com-</p><p>ponentes curriculares alinhados em prol de sua afinidade com as formas humanas</p><p>de comunicação. Nesses casos, não apenas as competências dos componentes</p><p>curriculares são definidas individualmente, mas, sobretudo, suas habilidades es-</p><p>senciais – aprendizagens que deverão ser adquiridas e aprimoradas pelos estu-</p><p>dantes – serão descritas e exploradas à parte.</p><p>No Quadro 3, sintetizamos o arranjo de competências e de habilidades por</p><p>componente curricular e por área de conhecimento concebido pela Base Nacional</p><p>Comum Curricular. Atente-se, particularmente, ao conceito destacado, o de práti-</p><p>ca de linguagem.</p><p>QUADRO 3 – ARRANJO DE COMPETÊNCIAS E DE</p><p>HABILIDADES POR COMPONENTE CURRICULAR</p><p>Lin</p><p>gu</p><p>ag</p><p>en</p><p>s</p><p>Língua Portu-</p><p>guesa</p><p>Competênc ias</p><p>específicas</p><p>Práticas de lin-</p><p>guagem</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento H a b i l i d a -</p><p>des</p><p>Arte Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>Educação Fí-</p><p>sica</p><p>Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>Língua Ingle-</p><p>sa</p><p>Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>36</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Ma</p><p>tem</p><p>áti</p><p>ca Matemática Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>Ci</p><p>ên</p><p>cia</p><p>s d</p><p>a N</p><p>atu</p><p>re</p><p>za</p><p>Ciências Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>Ci</p><p>ên</p><p>cia</p><p>s</p><p>Hu</p><p>ma</p><p>-</p><p>na</p><p>s</p><p>História</p><p>Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>Geografia</p><p>En</p><p>sin</p><p>o</p><p>Re</p><p>li-</p><p>gio</p><p>so</p><p>Ensino Reli-</p><p>gioso</p><p>Competências</p><p>específicas</p><p>Unidades temá-</p><p>ticas</p><p>Objetos de co-</p><p>nhecimento Habi l ida-</p><p>des</p><p>FONTE: o autor.</p><p>Notemos que, no conjunto de componentes curriculares do Ensino Funda-</p><p>mental, Língua Portuguesa se destaca dos demais no que tange ao elemento pre-</p><p>sente na quarta coluna do Quadro 3: ao passo que os outros oito componentes</p><p>curriculares contêm unidades temáticas, Língua Portuguesa apresenta práticas de</p><p>linguagem, por cumprir uma função especial no desenvolvimento dos estudantes.</p><p>Considerando que unidades temáticas são conjuntos de conhecimentos que</p><p>perfazem a estrutura de um componente curricular, respeitadas as complexida-</p><p>des que os caracterizam, é problemático supor que as experiências exploradas</p><p>durante as aulas de Língua Portuguesa são compatíveis com essa classificação.</p><p>Ao adotar uma concepção mais interacional e mais funcionalista de língua e de</p><p>linguagem – a qual permeia os documentos legais relativos à educação desde,</p><p>pelo menos, a instituição dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1998 –, a</p><p>Base Nacional Comum Curricular analisa que os conteúdos de Língua Portugue-</p><p>sa são exemplos de práticas sociais, garantindo-lhes um espaço privilegiado nos</p><p>currículos escolares.</p><p>De acordo com o documento, práticas sociais são todas as experiências por</p><p>meio das quais os indivíduos se percebem membros de uma comunidade e agen-</p><p>tes de suas diversas dimensões. Práticas de linguagem são, portanto, práticas</p><p>37</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>sociais em cujo cerne está o uso da linguagem, resultando em um conjunto (po-</p><p>tencialmente) infinito de experiências e remetendo, inclusive, aos discursos e aos</p><p>usos da linguagem correntes nos demais componentes curriculares e em todas as</p><p>áreas de conhecimento.</p><p>FIGURA 17 – COMUNICAÇÃO HUMANA</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/free-photo/young-african-american-girl-teen-</p><p>student-denim-clothes-backpack-hold-say-cloud-isolated-blue-wall_14915961.</p><p>htm#query=conversar&position=5&from_view=search>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>Se, em um passado não muito distante, as abordagens pedagógicas e as</p><p>diretrizes curriculares não diferenciavam os conhecimentos de Língua Portuguesa</p><p>dos de outras disciplinas, prezando por uma concepção de língua e de linguagem</p><p>estruturalista e pela classificação despropositada de itens gramaticais, a Base</p><p>Nacional Comum Curricular assume que a linguagem é influenciada por quem</p><p>a utiliza e pelos contextos em que é empregada, defendendo que a identificação</p><p>dos elementos que formam o português, por si só, é um objetivo reducionista e</p><p>pouco eficiente para as aulas de Língua Portuguesa e se alinhando, assim, aos</p><p>resultados dos estudos mais recentes sobre linguagem e sobre ensino de língua</p><p>materna.</p><p>38</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>FIGURA 18 – DOCÊNCIA</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/premium-photo/happy-teacher-helping-her-students_10136536.</p><p>htm#query=ensinar&position=6&from_view=searchh>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>Caro estudante, você compreendeu bem o que queremos dizer com “con-</p><p>cepção interacional e mais funcionalista de língua e de linguagem”? Você deve</p><p>ter estudado concepções de língua, de linguagem e de gramática no decorrer</p><p>das aulas de Linguística de sua graduação, mas não há problema em não se</p><p>lembrar desses conceitos. Afinal, ao longo da graduação, somos expostos a uma</p><p>quantidade quase desumana de conhecimentos em um espaço curto de tempo.</p><p>Limitando-nos ao escopo desta disciplina, analisaremos, agora, as disposições</p><p>da Base Nacional Comum Curricular a respeito do componente curricular Língua</p><p>Portuguesa.</p><p>A área de conhecimento Linguagens é composta pelos componentes curri-</p><p>culares Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa – no último</p><p>caso, a obrigatoriedade se dá apenas para os anos finais do Ensino Fundamental.</p><p>Seu objetivo é possibilitar que os estudantes participem de diferentes práticas so-</p><p>ciodiscursivas, com o intuito de ampliar seu leque de manifestações linguísticas,</p><p>artísticas, corporais e culturais.</p><p>39</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>FIGURA 19 – PILHA DE LIVROS</p><p>FONTE: <https://www.freepik.com/premium-photo/pile-paperback-books-table_5679224.</p><p>htm#query=leitura&position=19&from_view=search>. Acesso em: 24 junho 2022.</p><p>Considerando que a Base Nacional Comum Curricular, conforme estudamos,</p><p>pretende valorizar situações lúdicas de aprendizagem e fomentar a necessária ar-</p><p>ticulação das experiências vividas pelos educandos com suas habilidades e com</p><p>suas competências, encontra, nas diferentes práticas sociodiscursivas ou práticas</p><p>de linguagens, ferramentas capazes de orientá-los à construção de novos conhe-</p><p>cimentos.</p><p>No Quadro 4, listamos as seis competências associadas pelo documento à</p><p>área de conhecimento Linguagens.</p><p>QUADRO 4 – COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DA ÁREA DE LINGUAGENS</p><p>Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza</p><p>dinâmica, reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expres-</p><p>são de subjetividades e identidades sociais e culturais.</p><p>Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em dife-</p><p>rentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de</p><p>participação na vida social e colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, demo-</p><p>crática e inclusiva.</p><p>Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal,</p><p>visual, sonora e digital –, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e senti-</p><p>mentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao diálogo, à resolução de confli-</p><p>tos e à cooperação</p><p>Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e promovam</p><p>os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local,</p><p>regional e global, atuando criticamente frente a questões do mundo contemporâneo.</p><p>40</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e respeitar as diversas manifestações artísti-</p><p>cas e culturais, das locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio cultural da</p><p>humanidade, bem como participar de práticas diversificadas, individuais e coletivas, da produção</p><p>artístico-cultural, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas.</p><p>Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, signifi-</p><p>cativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar</p><p>por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver problemas e de-</p><p>senvolver projetos autorais e coletivos.</p><p>FONTE: Brasil (2018, p. 67).</p><p>No componente curricular Língua Portuguesa, encontramos as práticas de</p><p>linguagem “Leitura”, “Produção de texto”, “Oralidade” e “Análise Linguística/Se-</p><p>miótica”. Confo0rme os conhecimentos dos estudantes evoluírem, espera-se que</p><p>consolidem seus processos de alfabetização, de letramento e das competências</p><p>específicas, visto que a Base Nacional Comum Curricular visa a uma Educação</p><p>Básica cujos conhecimentos devem ser encadeados ciclicamente, valorizando as</p><p>experiências prévias dos estudantes.</p><p>QUADRO 5 – COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DO</p><p>COMPONENTE CURRICULAR LÍNGUA PORTUGUESA</p><p>Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sen-</p><p>sível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus</p><p>usuários e da comunidade a que pertencem.</p><p>Apropriar-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes</p><p>campos de atuação da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar</p><p>da cultura letrada, de construir conhecimentos (inclusive escolares) e de se envolver com maior</p><p>autonomia e protagonismo na vida social.</p><p>Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes cam-</p><p>pos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se</p><p>expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo.</p><p>Compreender o fenômeno da variação linguística, demonstrando atitude respeitosa diante de</p><p>variedades linguísticas e rejeitando preconceitos linguísticos.</p><p>Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à situação</p><p>comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso/gênero textual.</p><p>Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de</p><p>comunicação, posicionando-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que</p><p>ferem direitos humanos e ambientais.</p><p>Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.</p><p>41</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e projetos</p><p>pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).</p><p>Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético</p><p>para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de</p><p>acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transfor-</p><p>mador e humanizador da experiência</p><p>com a literatura.</p><p>Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para</p><p>expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender</p><p>e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.</p><p>FONTE: Brasil (2018, p. 65).</p><p>Em função das quatro práticas de linguagem, a Base Nacional Comum Cur-</p><p>ricular postula que o seguinte conjunto de conhecimentos seja trabalhado com os</p><p>estudantes no componente curricular Língua Portuguesa.</p><p>QUADRO 6 – PRÁTICAS DE LINGUAGEM E CONHECIMENTOS</p><p>ESTRUTURANTES DO COMPONENTE CURRICULAR LÍNGUA PORTUGUESA</p><p>P r á t i c a s</p><p>de lingua-</p><p>gem</p><p>Dimensões de</p><p>conhecimento Práticas de uso e de reflexão</p><p>Le</p><p>itu</p><p>ra</p><p>Reconstrução e</p><p>reflexão sobre</p><p>as condições de</p><p>produção e re-</p><p>cepção dos tex-</p><p>tos pertencen-</p><p>tes a diferentes</p><p>gêneros e que</p><p>circulam nas di-</p><p>ferentes mídias</p><p>e esferas/cam-</p><p>pos de atividade</p><p>humana</p><p>Relacionar o texto com suas condições de produção.</p><p>Analisar a circulação dos gêneros do discurso.</p><p>Refletir sobre as transformações ocorridas nos campos de ativi-</p><p>dades em função do desenvolvimento das tecnologias de comu-</p><p>nicação e informação.</p><p>Fazer apreciações e valorações estéticas, éticas, políticas e ide-</p><p>ológicas, dentre outras, envolvidas na leitura crítica de textos</p><p>verbais e de outras produções culturais.</p><p>Analisar as diferentes formas de manifestação da compreensão</p><p>ativa (réplica ativa) dos textos que circulam nas redes sociais,</p><p>blogs/micro blog, sites e afins e os gêneros que conformam es-</p><p>sas práticas de linguagem.</p><p>Dialogia e rela-</p><p>ção entre textos</p><p>Identificar e refletir sobre as diferentes perspectivas ou vozes</p><p>presentes nos textos e sobre os efeitos de sentido do uso do</p><p>discurso direto, indireto, indireto livre, citações etc.</p><p>Estabelecer relações de intertextualidade e interdiscursividade</p><p>que permitam a identificação e compreensão dos diferentes po-</p><p>sicionamentos e/ou perspectivas em jogo, do papel da paráfrase</p><p>e de produções como as paródias e a estilizações.</p><p>42</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Reconstrução</p><p>da textualidade,</p><p>recuperação e</p><p>análise da orga-</p><p>nização textual,</p><p>da progressão</p><p>temática e esta-</p><p>belecimento de</p><p>relações entre</p><p>as partes do</p><p>texto</p><p>Estabelecer relações entre as partes do texto, identificando re-</p><p>petições, substituições e os elementos coesivos que contribuem</p><p>para a continuidade do texto e sua progressão temática.</p><p>Estabelecer relações lógico-discursivas variadas (identificar/ dis-</p><p>tinguir e relacionar fato e opinião; causa/efeito; tese/ argumen-</p><p>tos; problema/solução; definição/exemplos etc.).</p><p>Selecionar e hierarquizar informações, tendo em vista as condi-</p><p>ções de produção e recepção dos textos.</p><p>Reflexão crítica</p><p>sobre as temá-</p><p>ticas tratadas</p><p>e validade das</p><p>informações</p><p>Refletir criticamente sobre a fidedignidade das informações, as</p><p>temáticas, os fatos, os acontecimentos, as questões controver-</p><p>sas presentes nos textos lidos, posicionando-se.</p><p>Compreensão</p><p>dos efeitos de</p><p>sentido provoca-</p><p>dos pelos usos</p><p>de recursos</p><p>linguísticos e</p><p>multissemióticos</p><p>em textos per-</p><p>tencentes a gê-</p><p>neros diversos</p><p>Identificar implícitos e os efeitos de sentido decorrentes de de-</p><p>terminados usos expressivos da linguagem.</p><p>Identificar e analisar efeitos de sentido decorrentes de escolhas</p><p>e formatação de imagens.</p><p>Identificar e analisar efeitos de sentido decorrentes de escolhas</p><p>de volume, timbre, intensidade, pausas, ritmo, efeitos sonoros,</p><p>sincronização etc. em artefatos sonoros.</p><p>Estratégias e</p><p>procedimentos</p><p>de leitura</p><p>Selecionar procedimentos de leitura adequados a diferentes ob-</p><p>jetivos e interesses, levando em conta características do gênero</p><p>e suporte do texto.</p><p>Estabelecer/considerar os objetivos de leitura.</p><p>Estabelecer relações entre o texto e conhecimentos prévios, vi-</p><p>vências, valores e crenças.</p><p>Estabelecer expectativas (pressuposições antecipadoras dos</p><p>sentidos, da forma e da função do texto), apoiando-se em seus</p><p>conhecimentos prévios sobre gênero textual.</p><p>Localizar/recuperar informação.</p><p>Inferir ou deduzir informações implícitas.</p><p>Inferir ou deduzir, pelo contexto semântico ou linguístico, o signi-</p><p>ficado de palavras ou expressões desconhecidas.</p><p>Identificar ou selecionar, em função do contexto de ocorrência, a</p><p>acepção mais adequada de um vocábulo ou expressão.</p><p>Apreender os sentidos globais do texto.</p><p>Reconhecer/inferir o tema.</p><p>Articular o verbal com outras linguagens.</p><p>Buscar, selecionar, tratar, analisar e usar informações, tendo em</p><p>vista diferentes objetivos.</p><p>Manejar de forma produtiva a não linearidade da leitura de hiper-</p><p>textos e o manuseio de várias janelas, tendo em vista os objeti-</p><p>vos de leitura.</p><p>43</p><p>Práticas Da LinguagemPráticas Da LinguagemCapítulo 1</p><p>Adesão às práti-</p><p>cas de leitura</p><p>Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de lite-</p><p>ratura, textos de divulgação científica e/ou textos jornalísticos</p><p>que circulam em várias mídias.</p><p>Mostrar-se ou tornar-se receptivo a textos que rompam com seu</p><p>universo de expectativa.</p><p>Pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>de</p><p>Te</p><p>xto</p><p>s</p><p>Consideração e</p><p>reflexão sobre</p><p>as condições</p><p>de produção</p><p>dos textos que</p><p>regem a circu-</p><p>lação de dife-</p><p>rentes gêneros</p><p>nas diferentes</p><p>mídias e cam-</p><p>pos de atividade</p><p>humana</p><p>Refletir sobre diferentes contextos e situações sociais em que</p><p>se produzem textos e sobre as diferenças em termos formais,</p><p>estilísticos e linguísticos que esses contextos determinam.</p><p>Analisar as condições de produção do texto no que diz respeito</p><p>ao lugar social assumido e à imagem que se pretende passar a</p><p>respeito de si mesmo.</p><p>Analisar aspectos socio-discursivos, temáticos, composicionais</p><p>e estilísticos dos gêneros propostos para a produção de textos,</p><p>estabelecendo relações entre eles.</p><p>Dialogia e rela-</p><p>ção entre textos</p><p>Orquestrar as diferentes vozes nos textos pertencentes aos gê-</p><p>neros literários.</p><p>Estabelecer relações de intertextualidade para explicitar, susten-</p><p>tar e qualificar posicionamentos.</p><p>Alimentação te-</p><p>mática</p><p>Selecionar informações e dados, argumentos e outras referên-</p><p>cias em fontes confiáveis impressas e digitais.</p><p>Construção da</p><p>textualidade</p><p>Estabelecer relações entre as partes do texto, levando em conta</p><p>a construção composicional e o estilo do gênero.</p><p>Usar recursos linguísticos e multissemióticos de forma articulada</p><p>e adequada.</p><p>Aspectos nota-</p><p>cionais e grama-</p><p>ticais</p><p>Utilizar, ao produzir textos, os conhecimentos dos aspectos nota-</p><p>cionais – ortografia padrão, pontuação adequada, mecanismos</p><p>de concordância nominal e verbal, regência verbal etc., sempre</p><p>que o contexto exigir o uso da norma-padrão.</p><p>Estratégias de</p><p>produção</p><p>Desenvolver estratégias de planejamento, revisão, edição, rees-</p><p>crita/redesign e avaliação de textos.</p><p>44</p><p>A Bncc E O Ensino Da Língua Portuguesa</p><p>Or</p><p>ali</p><p>da</p><p>de</p><p>Consideração e</p><p>reflexão sobre</p><p>as condições de</p><p>produção dos</p><p>textos orais que</p><p>regem a circu-</p><p>lação de dife-</p><p>rentes gêneros</p><p>nas diferentes</p><p>mídias e cam-</p><p>pos de atividade</p><p>humana</p><p>Refletir sobre diferentes contextos e situações sociais em que</p><p>se produzem textos orais e sobre as diferenças em termos for-</p><p>mais, estilísticos e linguísticos que esses contextos determinam,</p><p>incluindo-se aí a multimodalidade e a multissemiose.</p><p>Conhecer e refletir sobre as tradições orais e seus gêneros.</p><p>Compreensão</p><p>de textos orais</p><p>Proceder a uma escuta ativa, voltada para questões relativas ao</p><p>contexto de produção dos textos.</p><p>Produção de</p><p>textos orais Produzir textos pertencentes a gêneros orais diversos.</p><p>Compreensão</p><p>dos efeitos de</p><p>sentidos pro-</p><p>vocados pelos</p><p>usos de recur-</p><p>sos linguísticos</p><p>e multissemió-</p><p>ticos em textos</p><p>pertencentes a</p><p>gêneros diver-</p><p>sos</p><p>Identificar e analisar efeitos de sentido decorrentes de escolhas</p><p>de volume, timbre, intensidade, pausas, ritmo, efeitos sonoros,</p><p>sincronização, expressividade, gestualidade etc. e produzir tex-</p><p>tos levando em conta efeitos possíveis.</p><p>Relação entre</p><p>fala e escrita</p><p>Estabelecer relação entre fala e escrita, levando-se em conta</p><p>o modo como as duas modalidades se articulam em diferentes</p><p>gêneros e práticas de linguagem.</p><p>Oralizar</p>