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<p>Aquecimento global nas escolas</p><p>Está aumentando o número de pessoas que incide na importância de educar as crianças em matéria ambiental e de desenvolver uma cultura de cuidado do clima. Por exemplo, um relatório recente da Universidade de Stanford analisou como esta disciplina beneficia os escolares desde a etapa infantil até a secundária, concluindo que 83% dos estudantes melhoraram seu comportamento ecológico.</p><p>Como levar a formação ambiental às escolas? Além de incluí-la como cadeira obrigatória (opção escolhida até este momento só pela Itália na Europa ), há várias atividades sobre mudanças climáticas que podem ser feitas nos colégios. Por exemplo: realizar atividades na natureza relacionadas com o cuidado do meio ambiente, trabalhos de limpeza, visitar sítios e viveiros para conhecer em primeira mão como cuidar dos animais e das plantas, organizar cursos e oficinas de reciclagem, etc.</p><p>Também existem muitos recursos tecnológicos, como a plataforma Educaclima, que oferecem aos professores recursos educativos gratuitos relacionados com o meio ambiente, mudanças climáticas, consumo responsável, energia e mobilidade, etc. para que estes possam colocá-los em prática nas salas de aula com as crianças.</p><p>A importância da alfabetização ambiental</p><p>Nos últimos anos, foram implementadas diferentes iniciativas para tentar frear as mudanças climáticas. Cabe destacar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2012. Entre eles, está o número 13, que se refere à Ação contra a mudança global do clima.</p><p>Em boa parte, o sucesso deste tipo de iniciativas passa pela alfabetização ambiental da população, muitas vezes alheia a esses grandes acordos políticos, e pelo desenvolvimento de uma cultura de cuidado do clima. Mas o que queremos dizer exatamente com alfabetização ambiental? Formar e conscientizar os cidadãos, especialmente as crianças, sobre as causas e consequências das mudanças climáticas.</p><p>De fato, a ONU, no âmbito da sua aposta educativa para as mudanças climáticas, aponta que “é igualmente importante progredir em campos como a redução das emissões de gases de efeito estufa e na criação de políticas governamentais eficientes, como proporcionar educação e formação para conscientizar o maior público possível”.</p><p>Neste caminho, os especialistas destacam a importância de começar a manejar conceitos que até agora pareciam reservados aos cientistas.</p><p>Estamos falando de aquecimento global, efeito estufa, energias renováveis, pegada de carbono, desmatamento, reciclagem, empregos verdes, impostos verdes, pegada hídrica, alimentação sustentável, etc</p><p>Benjamin Franklin já dizia: "Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros". Em termos ambientais, e mais especificamente em tudo aquilo que está relacionado com as mudanças climáticas, a UNESCO também o confirma. Para este organismo internacional, a educação — direcionada especialmente a crianças e jovens — é um fator essencial para ajudar a frear as mudanças climáticas. A UNESCO indica mais concretamente que "a educação encoraja a modificar atitudes e condutas e ajuda na adaptação às tendências vinculadas às mudanças climáticas".A educação é um fator determinante no cada vez mais urgente combate de dimensões globais contra as mudanças climáticas. Os conhecimentos relacionados com este fenômeno ajudam os jovens a entender e tratar as consequências do aquecimento do planeta, motivando-lhes a modificar suas condutas, colaborando na sua adaptação àquilo que já é uma emergência em termos mundiais.</p><p>Vera Maria Ferrão Candau e a didática</p><p>De acordo com as autoras, a didática é definida como a aplicação de métodos e técnicas no processo de ensino-aprendizagem. Contudo, desde os anos 80, a didática tem enfrentado um esvaziamento teórico-político e sofre com a falta de aprofundamento nesse quesito, o que tem levado a uma revisão crítica do seu papel, buscando elementos e pressupostos para sua reconstrução em uma perspectiva mais abrangente.</p><p>Os componentes fundamentais da ação didática incluem o professor, o aluno, o conteúdo, o contexto de aprendizagem e as estratégias metodológicas. Diante desse contexto, os educadores precisam desenvolver novas competências para atuar na atualidade. Entre essas competências, destaca-se a habilidade de engajar os alunos no processo de aprendizagem, estimular a pesquisa e integrar as tecnologias de informação e comunicação como ferramentas para apoiar o desenvolvimento dos alunos.Ainda enfatizam sobre a importância da reinvenção da escola e da didática, destaca-se que isso implica em uma profunda reflexão sobre o currículo e as práticas educativas. As autoras defendem a necessidade de discutir e repensar diversos aspectos, como a organização do tempo e do espaço escolar, as relações interpessoais, os papéis dos diferentes atores envolvidos na educação, os saberes e conhecimentos transmitidos, assim como os métodos, técnicas e recursos pedagógicos utilizados, além do planejamento e da avaliação das atividades educativas.</p><p>É ressaltado que promover mudanças apenas de natureza teórico-metodológica não é algo suficiente para transformar a escola, porém, mostra-se um passo significativo na direção da construção de uma nova educação. Essas mudanças devem ser contextualizadas historicamente e culturalmente e orientadas por princípios bem definidos que respondam às perguntas fundamentais sobre que tipo de educação se deseja construir e que tipo de sujeitos se deseja formar.</p><p>Um ponto crítico abordado é a avaliação da aprendizagem, que muitas vezes pode limitar as possibilidades de reinvenção da escola e da didática. Destaca-se também a necessidade de refletir sobre diferentes caminhos para reinventar a escola e a didática, uma ampla reorganização de diversos aspectos da escola, como tempos e espaços, papéis de alunos e professores, conteúdos curriculares, práticas de ensino e avaliação, rituais e estratégias de gestão.</p><p>Quando falamos em uma educação intercultural crítica como base para a transformação da escola ganha destaque, especialmente em cenários como o das inundações no estado do Rio de Janeiro, onde as problemáticas sociais, cognitivas e culturais são mais intensas. Essa metodologia propõe uma educação que propague a aceitação do outro, o intercâmbio entre variados meios sociais e culturais, e a adaptação cultural como recurso para abordar os embates gerados pela disparidade de poder. A educação intercultural crítica aspira edificar um empreendimento conjunto no qual as discrepâncias sejam incorporadas de forma fluída e construtiva.</p><p>Diante dos alagamentos no estado do Rio de Janeiro, uma abordagem educacional fundamentada na interculturalidade crítica pode contribuir para uma apreensão mais abrangente e empática das questões socioambientais envolvidas. Isso abarca não somente a busca por soluções práticas para lidar com as inundações, mas também a promoção de uma consciência crítica acerca das causas e efeitos desses incidentes, considerando as múltiplas perspectivas culturais e sociais presentes na sociedade</p><p>PROJETOS</p><p>Candau e Koff introduzem a abordagem pedagógica centrada em projetos como uma estratégia que visa facilitar a aprendizagem significativa dos estudantes, através de um método que inclui investigação, resolução de problemas e pesquisa. Esta abordagem não se limita a uma técnica específica, mas representa uma visão renovada dos processos de ensino e aprendizagem.</p><p>Um aspecto fundamental do trabalho centrado em projetos é a ênfase na conexão entre os conhecimentos prévios dos alunos e aqueles que estão em processo de construção. Ou seja, a aprendizagem não se dá apenas pela acumulação de fatos ou pela transmissão passiva de informações, mas sim pela capacidade de relacionar diferentes fontes de conhecimento, incluindo a própria experiência do aluno e seus interesses.</p><p>Adicionalmente, o trabalho por projetos não adota uma estrutura fixa ou baseada em disciplinas pré-determinadas. Ao contrário, oferece uma abordagem flexível e integradora, na qual</p><p>os conteúdos são contextualizados e organizados de acordo com os interesses e necessidades dos alunos. Esta metodologia valoriza a diversidade dos estudantes, reconhecendo e aproveitando suas distintas habilidades, experiências e perspectivas</p><p>O processo de apresentar um trabalho centrado em projetos e de envolver os alunos no estudo das enchentes pode ser uma jornada participativa e investigativa, incentivando seu engajamento desde o princípio. Iniciando com uma discussão em grupo, a turma pode explorar o fenômeno das enchentes, compreendendo suas causas, impactos e implicações na vida das pessoas, especialmente no contexto do Rio de Janeiro. Após essa etapa inicial de compreensão, os alunos podem ser estimulados a sugerir diferentes abordagens para investigar o problema das enchentes. Esta investigação pode abranger desde a análise das causas profundas até os impactos socioambientais e os potenciais medidas de prevenção e mitigação. Assim, os alunos assumem um papel protagonista no processo, contribuindo ativamente para a definição dos objetivos do projeto e eles podem definir o que irão abordar em seus trabalhos. Na fase de pesquisa, é fundamental orientar os alunos a buscar informações em uma variedade de fontes, como livros, artigos científicos, notícias e entrevistas com especialistas e residentes afetados pelas enchentes. É crucial que eles desenvolvam critérios para avaliar e interpretar essas informações, considerando a confiabilidade das fontes, sua relevância para o problema em estudo e a diversidade de perspectivas apresentadas. Durante a execução do projeto, é essencial promover o protagonismo dos alunos, encorajando-os a liderar diferentes etapas, desde a organização das pesquisas até a apresentação dos resultados. Eles devem ser motivados a conceber soluções criativas para lidar com o problema das enchentes, engajando-se ativamente na busca por alternativas e na sensibilização da comunidade.Por último, é importante que os alunos registrem suas descobertas e conhecimentos adquiridos ao longo do projeto. Isso pode ser feito por meio de diários, relatórios escritos, apresentações orais, vídeos ou murais interativos. Estes registros não apenas documentam o processo de investigação, mas também servem como uma ferramenta para compartilhar o conhecimento produzido com outros colegas e com a comunidade escolar, promovendo assim uma aprendizagem colaborativa, interativa e inclusiva</p>

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