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<p>Saúde reprodutiva, maternidade na adolescência e DSTs</p><p>Saúde reprodutiva e maternidade na adolescência</p><p>A utilização de métodos contraceptivos não é considerada uma questão simples na adolescência. Até o momento, não existe um método anticoncepcional absolutamente eficaz e desprovido de riscos ou de efeitos indesejáveis. Portanto, a escolha do método é particularizada, em função do perfil de cada adolescente, de suas condições de saúde, momento de vida e preferências. Uma consulta com médico ou profissional de saúde habilitado é o melhor meio para identificar os fatores de risco de determinados métodos e conhecer a situação de vida da adolescente: conhecimento a respeito de cuidados de saúde, reprodução, métodos anticoncepcionais e, principalmente, seus pensamentos e sentimentos a respeito de gravidez e da maternidade. É nesse primeiro contato que começa a se estabelecer o vínculo da adolescente com o serviço de saúde.</p><p>Todos os métodos anticonceptivos como os comportamentais (tabelinha, mucocervical); de barreira (preservativos); hormonais (anticoncepcionais) ou intrauterinos (DIU) podem ser utilizados na adolescência, mas somente os de barreira protege também das DSTs e da AIDS. Os métodos comportamentais como tabelinha e mucocervical exigem abstinência sexual no período fértil, tornando-se, assim, pouco eficazes para a grande maioria dos adolescentes, devido à dificuldade em seguir as regras. Os métodos hormonais ou intrauterinos exigem prescrição e acompanhamento médico. A anticoncepção de emergência é o tipo de anticoncepção realizada imediatamente após ocorrer a relação sexual sem proteção à gravidez, para que seja eficaz. O método anticonceptivo de laqueadura de trompas e vasectomia não deve ser realizado nos adolescentes, por serem considerados irreversíveis e o adolescente não possuir ainda maturidade emocional suficiente para decidir, de forma mais definitiva, sua vida reprodutiva. Entretanto, os adolescentes iniciam sua atividade sexual antes de obter esse tipo de assistência, o que acaba aumentando o índice de gravidez entre os adolescentes (Brasil, 2008).</p><p>A gravidez é um período fisiológico na vida reprodutiva da mulher que se caracteriza por modificações físicas, psíquicas e sociais, num curto espaço de tempo. As adolescentes podem apresentar os seguintes sintomas: enjoo matinal, vômitos ou náuseas, mamas dolorosas à palpação, ganho de peso e amenorreia. No exame físico, achados de útero aumentado, útero ou colo amolecidos são indícios de gravidez intrauterina. Exames confirmatórios de sangue ou de urina B HCG (Beta HCG) após 7 dias decorridos da fertilização devem ser feitos. Depois de confirmada a gravidez, é importante abordar os aspectos psicossociais, ainda mais ao se considerar que a gravidez tenha sido não intencional. Opções devem ser dadas à adolescente, conforme as leis vigentes, com caráter informativo e não de julgamento. A adolescente poderá dispor da criança para adoção por uma família, ao nascer; criá-la com a ajuda da própria família ou não; com a ajuda do pai ou não; com outras ajudas sociais.</p><p>Outras informações importantes devem ser dadas à adolescente grávida, tais como: informação e envolvimento dos pais da paciente e do pai da criança; estratégias para continuidade dos estudos; interrupção do uso de tabaco, álcool e outras drogas durante a gravidez; início do uso de suplementos de ácido fólico, cálcio e ferro; realizar exames de DSTs; evitar medicamentos teratogênicos. O tratamento é realizado especificamente, mas há riscos de automedicação e complicações por infecções mais graves não tratadas, pois os medicamentos são de vendagem livre. Reduzir a falta de adesão ao tratamento mínimo, encontrar e tratar o parceiro sexual, lidar com as questões de prevenção e contracepção e empenhar para se preservar a fertilidade são responsabilidades médicas (Brasil, 2008).</p><p>DSTs/AIDS na infância e na juventude</p><p>Segundo Nelson (2009), às características comportamentais e fisiológicas da adolescência predispõem essa faixa etária à aquisição de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e a suas consequências adversas. Os agentes patógenos das DSTs são transmitidos através de contatos sexuais íntimos e muitos desses contatos infectam os adolescentes sem que estes manifestem qualquer sintoma clínico, o que leva à propagação inadvertida por meio do hospedeiro infectado. Pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que homens jovens geralmente recorrem à automedicação quando têm uma doença sexualmente transmitida (DST). Outro problema associado a altos índices de DST entre homens adolescentes é o risco elevado de contrair o HIV. Atualmente, um quarto das pessoas infectadas com HIV no mundo compõe-se de homens abaixo de 25 anos.</p><p>A prevenção e controle das DSTs residem na educação, triagem, diagnóstico e tratamento precoces. O sexo oral coloca o adolescente em risco de contrair vírus do herpes simples do tipo I, gonorreia, sífilis, HIV e infecções por papilomavírus que, associado ao uso de álcool e drogas, aumenta ainda mais a vulnerabilidade para contrair uma infecção. O sexo anal também é outra fonte de infecção, pois, erroneamente, o adolescente acredita que essa prática não oferece risco, deixando de usar barreiras de proteção. Algumas DSTs como a sífilis, a hepatite B e a AIDS podem ser transmitidas também através do sangue contaminado e durante a gravidez, para o bebê, se a mãe estiver contaminada. A epidemiologia mostra que adolescentes e adultos com menos de 25 anos de idade têm a maior prevalência de infecções gonocócica e por clamídia notificadas. As manifestações clínicas das síndromes de DST geralmente são classificadas pela localização dos sintomas ou pelo tipo de lesão. Alguns exemplos de DSTs, segundo Nelson (2009):</p><p>· Uretrite: Inflamação da uretra que se manifesta pelo corrimento uretral. A micção frequente, com urgência, e a dor escrotal são manifestações clínicas comuns. A avaliação laboratorial é a chave para a determinação dos patógenos envolvidos;</p><p>· Epididimite: Inflamação do epidídimo nos adolescentes masculinos. Há aumento de volume e dor à palpação do escroto, associado a corrimento uretral. Pode haver associação com infecção de Escherichia coli em homens que realizam inserção anal;</p><p>· Vulvovaginite: Infecção superficial da mucosa vaginal que se manifesta por corrimento vaginal, com ou sem comprometimento vulvar. A presença de prurido e o odor são os diferenciais do diagnóstico. A confirmação laboratorial deve ser realizada;</p><p>· Doença inflamatória pélvica (DIP): É a doença infecciosa que abrange o trato genital superior da mulher e se caracteriza por queixa de desconforto ou dor abdominal baixa, aguda e intensa;</p><p>· Síndromes ulcerativas genitais: Um tipo de lesão ulcerativa em área da mucosa exposta ao contato sexual. São vistas comumente no pênis e na vulva, mas podem ocorrer também nas mucosas oral e retal, dependendo da prática sexual do adolescente. A sífilis causada por Treponema pallidum e o cancro mole ou cancróide causado por Haemophilus ducrey são os agentes que levam às síndromes ulcerativas genitais;</p><p>· Lesões genitais e ectoparasitas: São lesões que se apresentam como proeminências na superfície do epitélio. Os vários tipos de papilomavírus humanos têm baixo risco e estão associados a verrugas genitais ou a leves anormalidades no exame citológico. Em decorrência da proximidade física no contato sexual, pode haver transmissão de ectoparasitas comuns da área como a escabiose (sarna); doenças por HIV e hepatite B que se apresentam como assintomáticas e inesperadas nos adolescentes. Os fatores de risco identificados na história que quase sempre resultam na suspeita da doença, não as manifestações clínicas.</p><p>Referências:</p><p>BRASIL, Ministério da Saúde / Secretaria de Atenção à Saúde / Departamento de Atenção Básica. Diretrizes do NASF: Núcleo de Apoio a Saúde da Família. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: 2010.</p><p>NELSON, W.E.; KLIEGMAN, R. et al. Nelson: tratado de pediatria. 18ª ed. Rio de Janeiro:</p><p>Elsevier, Vol. 2, 2009.</p><p>Este material foi baseado em:</p><p>SÁ, Rosimeire Aparecida de. Saúde da Criança e do Adolescente. Instituto Federal Norte de Minas Gerais/Rede e-Tec Brasil, Montes Claros: 2015.</p><p>Saúde repro</p><p>dutiva, maternidade na</p><p>adolescência e DSTs</p><p>Saúde reprodutiva e maternidade na adolescência</p><p>A utilização de métodos contraceptivos não é considerada uma questão simples na</p><p>adolescência. Até o momento, não existe um método anticoncepc</p><p>ional absolutamente</p><p>eficaz e desprovido de riscos ou de efeitos indesejáveis. Portanto, a escolha do método é</p><p>particularizada, em função do perfil de cada adolescente, de suas condições de saúde,</p><p>momento de vida e preferências. Uma consulta com médico ou p</p><p>rofissional de saúde</p><p>habilitado é o melhor meio para identificar os fatores de risco de determinados métodos</p><p>e conhecer a situação de vida da adolescente: conhecimento a respeito de cuidados de</p><p>saúde, reprodução, métodos anticoncepcionais e, principalmente</p><p>, seus pensamentos e</p><p>sentimentos a respeito de gravidez e da maternidade. É nesse primeiro contato que</p><p>começa a se estabelecer o vínculo da adolescente com o serviço de saúde.</p><p>Todos os métodos anticonceptivos como os comportamentais (tabelinha, mucocervic</p><p>al);</p><p>de barreira (preservativos); hormonais (anticoncepcionais) ou intrauterinos (DIU)</p><p>podem ser utilizados na adolescência, mas somente os de barreira protege também das</p><p>DSTs e da AIDS. Os métodos comportamentais como tabelinha e mucocervical exigem</p><p>absti</p><p>nência sexual no período fértil, tornando</p><p>-</p><p>se, assim, pouco eficazes para a grande</p><p>maioria dos adolescentes, devido à dificuldade em seguir as regras. Os métodos</p><p>hormonais ou intrauterinos exigem prescrição e acompanhamento médico. A</p><p>anticoncepção de emergê</p><p>ncia é o tipo de anticoncepção realizada imediatamente após</p><p>ocorrer a relação sexual sem proteção à gravidez, para que seja eficaz. O método</p><p>anticonceptivo de laqueadura de trompas e vasectomia não deve ser realizado nos</p><p>adolescentes, por serem considerado</p><p>s irreversíveis e o adolescente não possuir ainda</p><p>maturidade emocional suficiente para decidir, de forma mais definitiva, sua vida</p><p>reprodutiva. Entretanto, os adolescentes iniciam sua atividade sexual antes de obter esse</p><p>tipo de assistência, o que acaba au</p><p>mentando o índice de gravidez entre os adolescentes</p><p>(Brasil, 2008).</p><p>A gravidez é um período fisiológico na vida reprodutiva da mulher que se caracteriza</p><p>por modificações físicas, psíquicas e sociais, num curto espaço de tempo. As</p><p>adolescentes podem apresen</p><p>tar os seguintes sintomas: enjoo matinal, vômitos ou</p><p>náuseas, mamas dolorosas à palpação, ganho de peso e amenorreia. No exame físico,</p><p>achados de útero aumentado, útero ou colo amolecidos são indícios de gravidez</p><p>intrauterina. Exames confirmatórios de sang</p><p>ue ou de urina B HCG (Beta HCG) após 7</p><p>dias decorridos da fertilização devem ser feitos. Depois de confirmada a gravidez, é</p><p>importante abordar os aspectos psicossociais, ainda mais ao se considerar que a</p><p>gravidez tenha sido não intencional. Opções devem se</p><p>r dadas à adolescente, conforme</p><p>as leis vigentes, com caráter informativo e não de julgamento. A adolescente poderá</p><p>dispor da criança para adoção por uma família, ao nascer; criá</p><p>-</p><p>la com a ajuda da própria</p><p>família ou não; com a ajuda do pai ou não; com outr</p><p>as ajudas sociais.</p><p>Outras informações importantes devem ser dadas à adolescente grávida, tais como:</p><p>informação e envolvimento dos pais da paciente e do pai da criança; estratégias para</p><p>continuidade dos estudos; interrupção do uso de tabaco, álcool e outra</p><p>s drogas durante a</p>

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