Prévia do material em texto
<p>Indaial – 2021</p><p>Psicologia da</p><p>Educação E da</p><p>aPrEndizagEm</p><p>Prof. Kevin Daniel dos Santos Leyser</p><p>2a Edição</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2021</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. Kevin Daniel dos Santos Leyser</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>Impresso por:</p><p>L685p</p><p>Leyser, Kevin Daniel dos Santos</p><p>Psicologia da educação e da aprendizagem. / Kevin Daniel dos</p><p>Santos Leyser – Indaial: UNIASSELVI, 2021.</p><p>333 p.; il.</p><p>ISBN 978-65-5663-661-0</p><p>ISBN Digital 978-65-5663-662-7</p><p>1. Educação. - Brasil. 2. Psicologia. – Brasil. II. Centro Universitário</p><p>Leonardo da Vinci.</p><p>CDD 370</p><p>aPrEsEntação</p><p>Caro acadêmico, este Livro Didático é sobre a psicologia da educação</p><p>e da aprendizagem. É um campo de estudos relativamente jovem que</p><p>experimentou um enorme crescimento nos últimos anos. A psicologia</p><p>educacional envolve o estudo de como as pessoas aprendem, incluindo</p><p>métodos de ensino, processos instrucionais e diferenças individuais na</p><p>aprendizagem. O objetivo é entender como as pessoas aprendem e retêm</p><p>novas informações. Esse ramo da psicologia envolve não apenas o processo</p><p>de aprendizagem da primeira infância e adolescência, mas inclui os processos</p><p>sociais, emocionais e cognitivos que estão envolvidos na aprendizagem ao</p><p>longo de toda a vida.</p><p>O campo da psicologia educacional e da aprendizagem incorpora</p><p>uma série de outras disciplinas, incluindo psicologia do desenvolvimento,</p><p>psicologia comportamental e psicologia cognitiva. Como acontece com</p><p>outras áreas da psicologia, os pesquisadores da psicologia educacional e</p><p>da aprendizagem tendem a assumir diferentes perspectivas ao considerar</p><p>um problema. Essas perspectivas se concentram em fatores específicos</p><p>que influenciam como uma pessoa aprende, incluindo comportamentos</p><p>aprendidos, cognição, experiências e muito mais. Desde os materiais que os</p><p>professores usam até as necessidades individuais dos alunos, um psicólogo</p><p>educacional se aprofundará nessas questões para compreender mais</p><p>plenamente o processo de aprendizagem.</p><p>Na unidade 1 deste Livro Didático, você aprenderá, no primeiro</p><p>tópico, a identificar atributos de professores eficazes, a descrever o papel da</p><p>pesquisa educacional em informar a prática de sala de aula e a discutir como</p><p>você pode se tornar um professor intencional. No segundo tópico, sobre o</p><p>desenvolvimento cognitivo, você aprenderá as teorias de desenvolvimento</p><p>humano de Piaget, Vygotsky e Bronfenbrenner e discutir como elas podem</p><p>ser aplicadas em sala de aula. Além disso, você aprenderá os distintos</p><p>estágios de linguagem e explicar como pode configurar sua sala de aula</p><p>para promover o desenvolvimento do letramento. Já no terceiro tópico,</p><p>você estudará diferentes visões sobre o desenvolvimento social, emocional</p><p>e moral. Nessa jornada de aprendizagem, identificaremos os estágios</p><p>do desenvolvimento social e emocional das crianças e aplicaremos este</p><p>conhecimento para resolução de problemas em sala de aula. Todos esses</p><p>conhecimentos visam informar uma prática de ensino intencional.</p><p>Na unidade 2, Psicologia da Aprendizagem, você aprenderá sobre</p><p>as teorias comportamentais e sociais da aprendizagem. O objetivo desse</p><p>tópico é definir a aprendizagem e, em seguida, apresentar teorias de</p><p>aprendizagem comportamentais e sociais, explicações para a aprendizagem</p><p>que enfatizam comportamentos observáveis. No segundo tópico, o foco será</p><p>as teorias cognitivas da aprendizagem que descrevem como as informações</p><p>são recebidas e processadas na mente, como funcionam a memória e o</p><p>esquecimento e como você pode ajudar seus alunos a compreender e lembrar</p><p>informações, habilidades e ideias críticas. No terceiro tópico, você conhecerá</p><p>as abordagens de ensino-aprendizagem centrada no aluno e construtivista.</p><p>A última unidade deste Livro Didático é sobre os elementos de ensino-</p><p>aprendizagem efetivos, a motivação e o ambiente. No primeiro tópico, você</p><p>estudará os agrupamentos e a diferenciação. Vamos explorar juntos vários</p><p>modelos de ensino-aprendizagem que orientam estratégias de agrupamento</p><p>dos alunos e diferenciação nas instruções. No segundo tópico, o foco será</p><p>a motivação para a aprendizagem. Esse tópico apresenta muitas maneiras</p><p>pelas quais você pode aumentar o desejo dos alunos de aprender o material</p><p>acadêmico e as teorias e pesquisas por trás de cada método. Finalmente, no</p><p>terceiro tópico, exploraremos os ambientes de aprendizagem efetiva. Esse</p><p>tópico enfoca o uso eficaz do tempo, a criação de ambientes de aprendizagem</p><p>eficazes, o gerenciamento da sala de aula e a disciplina.</p><p>Desejo uma boa jornada a todos, rumo à edificação da educação e</p><p>sucesso frente aos desafios intelectuais, éticos e pessoais proporcionados</p><p>pelo estudo da Psicologia da Educação e da Aprendizagem.</p><p>Prof. Kevin Daniel dos Santos Leyser</p><p>Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para</p><p>você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi-</p><p>dades em nosso material.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é</p><p>o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um</p><p>formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.</p><p>O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-</p><p>mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui</p><p>para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,</p><p>apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida-</p><p>de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para</p><p>apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun-</p><p>to em questão.</p><p>Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas</p><p>institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa</p><p>continuar seus estudos com um material de qualidade.</p><p>Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de</p><p>Desempenho de Estudantes – ENADE.</p><p>Bons estudos!</p><p>NOTA</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela</p><p>um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro</p><p>que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você</p><p>terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-</p><p>tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>LEMBRETE</p><p>sumário</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ............................................................................ 1</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO ....................... 3</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3</p><p>2 O QUE FAZ UM BOM PROFESSOR? ............................................................................................. 5</p><p>2.1 CONHECIMENTO DO CONTEÚDO E HABILIDADES PEDAGÓGICAS .......................... 6</p><p>2.2 DOMÍNIO DE HABILIDADES PEDAGÓGICAS ...................................................................... 7</p><p>2.3 O BOM ENSINO PODE SER ENSINADO? ................................................................................ 8</p><p>2.4 O PROFESSOR INTENCIONAL ..................................................................................................</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>18</p><p>A chave pode estar no fato de que seus colegas riem quando Thomas se</p><p>comporta mal. Essa resposta é uma pista de que Thomas está procurando sua</p><p>atenção. Se o professor Haroldo repreender o aluno, isso pode aumentar o status</p><p>dele aos olhos de seus colegas e, assim, recompensar seu comportamento. Ignorar</p><p>o mau comportamento pode ser uma boa ideia se um aluno estiver agindo para</p><p>chamar sua atenção, mas, neste caso, é aparentemente a atenção da turma que</p><p>Thomas está procurando. Mandar este aluno para a sala da supervisora priva-o</p><p>da atenção de seus colegas de classe e, portanto, pode ser eficaz. Mas, e se o</p><p>Thomas estiver procurando uma maneira de sair da aula para evitar a tarefa? E</p><p>se ele ficar ostentando que enfrentou os poderes constituídos, com a aprovação</p><p>óbvia de seus colegas? Tornar toda a classe responsável pelo comportamento de</p><p>cada aluno provavelmente privará Thomas do apoio de seus colegas e melhorará</p><p>seu comportamento; mas alguns alunos podem pensar que é injusto puni-los pelo</p><p>mau comportamento de outro aluno. Por fim, lembrar à turma (e ao Thomas) seu</p><p>próprio interesse em aprender e seus padrões usuais de comportamento pode</p><p>funcionar se a turma, de fato, valorizar o desempenho e o bom comportamento.</p><p>A pesquisa em educação e em psicologia influencia diretamente na</p><p>decisão que o professor Haroldo deve tomar. A pesquisa sobre desenvolvimento</p><p>humano indica que, à medida que os alunos entram na adolescência, o grupo</p><p>de pares torna-se muito importante para eles, e eles tentam estabelecer sua</p><p>independência do controle adulto, muitas vezes desrespeitando ou ignorando</p><p>as regras. Pesquisas básicas sobre teorias de aprendizagem comportamental</p><p>mostram que, quando um comportamento é repetido muitas vezes, alguma</p><p>recompensa deve encorajá-lo e que, para que o comportamento seja eliminado,</p><p>a recompensa deve primeiro ser identificada e removida. Esta pesquisa também</p><p>sugere que o professor Haroldo considere os problemas com o uso de punição,</p><p>como a repreensão, para impedir um comportamento indesejável. Pesquisas</p><p>sobre estratégias específicas de gerenciamento de sala de aula já identificaram</p><p>métodos eficazes para usar tanto na prevenção de um mau comportamento como</p><p>o de Thomas, quanto para lidar com seu mau comportamento quando ele ocorrer.</p><p>Finalmente, pesquisas sobre o estabelecimento de regras e padrões de sala de aula</p><p>indicam que a participação do aluno no estabelecimento de regras pode ajudar</p><p>a convencer cada aluno de que a classe como um todo valoriza o desempenho</p><p>acadêmico e o comportamento adequado, e que essa crença pode ajudar a manter</p><p>os alunos individuais na linha.</p><p>De posse dessas informações, o professor Haroldo pode escolher uma</p><p>resposta ao comportamento com base no entendimento do porquê Thomas está</p><p>fazendo o que está fazendo e quais estratégias estão disponíveis para lidar com</p><p>a situação. Ele pode ou não fazer a escolha certa, mas porque ele conhece várias</p><p>teorias que poderiam explicar o comportamento de Thomas, ele será capaz de</p><p>observar os resultados de sua estratégia e, se for ineficaz, aprender com isso e</p><p>tentar algo diferente que funcionará. A pesquisa não oferece ao professor uma</p><p>solução específica; isso requer sua própria experiência e julgamento. Mas a</p><p>pesquisa oferece ao professor Haroldo conceitos básicos do comportamento</p><p>humano para ajudá-lo a entender as motivações de Thomas e uma série de</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>19</p><p>métodos comprovados que podem resolver o problema. Usar a pesquisa para</p><p>ajudá-lo a tomar decisões pedagógicas é uma maneira de Haroldo ter uma noção</p><p>de sua própria eficácia como professor.</p><p>Como o caso do professor Haroldo ilustra, nenhuma teoria, nenhuma</p><p>pesquisa, nenhum livro poderão dizer aos professores o que fazer em uma</p><p>determinada situação. Tomar as decisões certas depende do contexto em que</p><p>o problema surge, dos objetivos que você tem em mente e de muitos outros</p><p>fatores, todos os quais devem ser avaliados à luz do bom senso. Por exemplo,</p><p>pesquisas em ensino de matemática geralmente descobrem que um ritmo rápido</p><p>de instrução aumenta o desempenho (GOOD; GROUWS; EBMEIER, 1983). Ainda</p><p>assim, você pode legitimamente desacelerar e despender muito tempo em um</p><p>conceito que é particularmente crítico ou pode permitir que os alunos descubram</p><p>um princípio matemático por conta própria. Normalmente, leva menos tempo</p><p>ensinar, diretamente, habilidades ou informações aos alunos do que deixá-los</p><p>fazer descobertas por si próprios, porém, se você quiser que os alunos tenham</p><p>uma compreensão mais profunda de um tópico ou aprendam como encontrar</p><p>informações ou descobrir as coisas por si mesmos, as descobertas da pesquisa</p><p>sobre o ritmo podem ser temporariamente arquivadas.</p><p>A questão é que, embora a pesquisa em psicologia educacional possa, às</p><p>vezes, ser traduzida diretamente para a sala de aula, é melhor aplicar os princípios</p><p>com uma boa dose de bom senso e uma visão clara do que está sendo ensinado a</p><p>quem e com qual propósito.</p><p>A pesquisa em psicologia educacional fornece evidências não apenas</p><p>sobre os princípios da prática eficaz, mas também sobre a eficácia de programas</p><p>ou práticas específicas (FLEISCHMAN, 2006). Por exemplo, no caso apresentado</p><p>no início deste tópico, Lídia Weber usa uma abordagem específica para o ensino</p><p>da escrita criativa que foi avaliada extensivamente como um todo (HARRIS;</p><p>GRAHAM; PRESSLEY, 2001). Em outras palavras, há evidências de que, em</p><p>média, as crianças cujos professores usam esses métodos aprendem a escrever</p><p>melhor do que aquelas cujos professores usam abordagens mais tradicionais. Há</p><p>evidências sobre a eficácia de dezenas de programas amplamente usados, desde</p><p>métodos em disciplinas específicas até estratégias para reformar escolas inteiras.</p><p>Um professor intencional deve estar ciente das pesquisas sobre programas para</p><p>sua disciplina e nível de escolaridade e deve estar disposto a buscar oportunidades</p><p>de desenvolvimento profissional em métodos conhecidos por fazer a diferença</p><p>para as crianças.</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>20</p><p>Ensino como tomada de decisão</p><p>Se não houvesse problemas educacionais para resolver, não haveria necessidade de</p><p>os professores atuarem como profissionais. Os profissionais se diferenciam dos não</p><p>profissionais em parte pelo fato de que devem tomar decisões que influenciam o curso de</p><p>seu trabalho.</p><p>Você deve decidir (1) como reconhecer problemas e questões, (2) como considerar as</p><p>situações de múltiplas perspectivas, (3) como usar conhecimento profissional relevante para</p><p>formular ações, (4) como tomar a ação mais apropriada, e (5) como julgar as consequências.</p><p>Diante disso, reflita sobre a seguinte situação: a professora Mara tem uma aluna chamada</p><p>Anita em sua aula de geografia. Na maioria das vezes, Anita é bastante quieta e retraída.</p><p>Suas notas indicam considerável habilidade acadêmica, mas um observador casual nunca</p><p>saberia disso. A professora Mara faz a si mesma as seguintes perguntas:</p><p>1. Que problemas eu percebo nesta situação? Anita está entediada, cansada, desinteressada</p><p>ou tímida, ou sua participação pode ser inibida por algo que eu ou outros estamos fazendo</p><p>ou não? Que teorias da psicologia educacional devo considerar?</p><p>2. Eu me pergunto o que Anita pensa sobre estar nesta turma. Ela se sente excluída? Ela se</p><p>preocupa com o conteúdo? Ela está preocupada com o que eu ou outras pessoas pensamos</p><p>sobre sua falta de participação? Por que ou por que não? Que teorias de motivação me</p><p>ajudarão a tomar uma decisão?</p><p>3. O que sei da teoria, pesquisa ou prática que pode guiar minhas ações para envolver a</p><p>Anita mais diretamente nas atividades de aula com a turma?</p><p>4. O que eu realmente posso fazer nesta situação para aumentar o envolvimento de Anita?</p><p>5. Como saberia se tive sucesso com Anita?</p><p>Se a professora Mara perguntar e tentar responder a essas perguntas – não apenas no caso de</p><p>Anita, é claro, mas também para outros alunos – ela aumentará suas chances de aprender sobre</p><p>seu trabalho ao fazer o seu trabalho. O filósofo John Dewey (1953) ensinou que os problemas</p><p>enfrentados pelos professores são os próprios estímulos naturais para a investigação reflexiva.</p><p>Os professores intencionais aceitam desafios e pensam de forma produtiva sobre eles.</p><p>UNI</p><p>3.2 O IMPACTO DA PESQUISA NA PRÁTICA EDUCACIONAL</p><p>Muitos pesquisadores e educadores lamentaram o impacto limitado da</p><p>pesquisa em psicologia educacional nas práticas dos professores (KENNEDY,</p><p>2008). Na verdade, a pesquisa em educação não tem um impacto tão grande na</p><p>prática educacional quanto a pesquisa em medicina tem na prática médica (RIEHL,</p><p>2006). No entanto, a pesquisa em educação tem um impacto indireto profundo na</p><p>prática educacional, mesmo que os professores não tenham consciência disso. A</p><p>pesquisa afeta políticas educacionais, programas de desenvolvimento profissional</p><p>e materiais pedagógicos.</p><p>Por exemplo, estudos como os de Finn, Pannozzo e Achilles (2003) sobre a</p><p>quantidade de alunos em uma única turma revelaram que há o tamanho das tur-</p><p>mas nas séries iniciais gera efeito no desempenho dos alunos. Tais pesquisas tiveram</p><p>impactos diretos nas propostas estaduais e federais para a redução do tamanho das</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>21</p><p>turmas, nacional e internacionalmente. Pesquisas sobre o início da leitura, por exem-</p><p>plo, transformaram dramaticamente o currículo, a instrução e o desenvolvimento</p><p>profissional para esse conteúdo (KLEIMAN, 2002; KLEIMAN, 2004).</p><p>É importante que você se torne um consumidor inteligente de pesquisa</p><p>e não tome todas as descobertas ou declarações de todos os especialistas como</p><p>verdades absolutas (FLEISCHMAN, 2006).</p><p>Como ser um consumidor inteligente de pesquisas em psicologia educacional</p><p>Digamos que você esteja procurando um carro novo. Antes de gastar seu dinheiro, você</p><p>provavelmente revisará as descobertas de vários relatórios de pesquisas de consumo.</p><p>Você pode querer saber algo sobre o desempenho de vários carros em testes de colisão,</p><p>quais carros têm o melhor consumo de combustível ou quais são os valores de troca</p><p>de modelos específicos. Antes de embarcar neste grande investimento, você quer se</p><p>sentir o mais confiante possível sobre sua decisão. Se você já esteve nessa situação antes,</p><p>provavelmente se lembra de que toda a sua pesquisa o ajudou a tomar uma decisão</p><p>informada. Agora que você está prestes a entrar na profissão de professor, deve aplicar</p><p>uma orientação semelhante ao consumidor em sua tomada de decisão. Como professor,</p><p>você será chamado a tomar centenas de decisões todos os dias. Sua decisão de compra</p><p>de carro é influenciada por uma combinação de achados de pesquisas sólidas e bom</p><p>senso, e suas decisões sobre ensino e aprendizagem devem seguir esse mesmo padrão.</p><p>Ensino-aprendizagem é parte de conceitos complexos sujeitos a uma ampla variedade de</p><p>influências, portanto, seu conhecimento de pesquisas relevantes servirá para orientá-lo na</p><p>tomada de decisões informadas. Como o conhecimento da fórmula simples de: pesquisa</p><p>+ senso comum = ensino eficaz, pode ajudá-lo a ser um consumidor mais inteligente da</p><p>pesquisa em psicologia educacional? As recomendações a seguir mostram como você</p><p>pode colocar essa fórmula em prática:</p><p>1. Seja um consumidor de pesquisas relevantes. Como profissional, você deve manter</p><p>um conhecimento prático de pesquisas relevantes. Além dos textos do curso, que serão</p><p>excelentes recursos para você no futuro, você deve se familiarizar com as revistas profissionais</p><p>da sua área. Periódicos orientados para professores, sites especializados em educação e</p><p>aprendizagem devem ser constantemente consultados. Além disso, não subestime o valor</p><p>do networking com outros professores, cara a cara ou via internet. O exemplo de Eliane</p><p>Medeiros e Lídia Weber é uma excelente ilustração de como a colaboração pode expandir</p><p>seu conhecimento sobre o que funciona.</p><p>2. Ensine intencionalmente. Conforme declarado anteriormente neste tópico, não</p><p>há receita para os ingredientes que constituem uma abordagem de bom senso para o</p><p>ensino. No entanto, comportamentos consistentes com ser um professor intencional são</p><p>o mais próximo que podemos chegar. Os professores intencionais são atenciosos. Como o</p><p>professor Haroldo, você deve considerar várias perspectivas sobre as situações da sala de</p><p>aula. Quando você agir, seja determinado e pense sobre o porquê você faz o que faz. Como</p><p>outros professores intencionais, você pode acompanhar suas ações com reflexão cuidadosa,</p><p>avaliando se suas ações resultaram nos resultados desejados. Você provavelmente aprendeu</p><p>sobre o “método científico” em algum momento durante o ensino médio. Os professores</p><p>intencionais empregam esse método no ensino, formulando uma hipótese de trabalho</p><p>com base em observações e conhecimento antecedente, coletando dados para testar a</p><p>hipótese, organizando e analisando os dados de maneira eficaz, tirando conclusões sólidas</p><p>IMPORTANTE</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>22</p><p>com base nos dados e tomando um curso de ação com base nas conclusões. Para muitos</p><p>professores experientes, esse ciclo se torna automático e internalizado. Quando aplicadas</p><p>de forma sistemática, essas práticas podem servir para validar pesquisas e teorias e, como</p><p>resultado, aumentar o seu crescimento profissional com base no conhecimento.</p><p>3. Compartilhe suas experiências. Ao combinar conhecimento de pesquisa com seu bom</p><p>senso profissional, você se verá engajado em práticas mais eficazes. Conforme você e seus</p><p>alunos experimentam o sucesso, compartilhe suas descobertas. As vias de disseminação são</p><p>infinitas. Além de publicar artigos em fontes tradicionais, como periódicos profissionais e boletins</p><p>informativos organizacionais, não negligencie a importância de preparar demonstrações e</p><p>oficinas para a própria a escola, artigos para conferências profissionais estaduais e nacionais</p><p>e apresentações para conselhos escolares. Além disso, através da internet, você poderá</p><p>acompanhar notícias e se envolver em discussões contínuas sobre seu trabalho.</p><p>23</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Bons professores conhecem o assunto e dominam habilidades pedagógicas.</p><p>• Professores eficazes realizam todas as tarefas envolvidas em uma instrução</p><p>eficaz com calor humano, entusiasmo e carinho.</p><p>• Professores intencionais usam os princípios da psicologia educacional em suas</p><p>decisões e ensino, combinam pesquisa e bom senso.</p><p>• A psicologia educacional é o estudo sistemático dos alunos, aprendizagem e</p><p>ensino.</p><p>• A pesquisa em psicologia educacional concentra-se nos processos pelos quais</p><p>informações, habilidades, valores e atitudes são comunicados entre professores</p><p>e alunos em sala de aula e nas aplicações dos princípios da psicologia às práticas</p><p>de ensino.</p><p>• A pesquisa em psicologia educacional molda as políticas educacionais, os</p><p>programas de desenvolvimento profissional e os materiais pedagógicos.</p><p>• Você pode desenvolver ainda mais suas habilidades como professor intencional</p><p>procurando mentores, buscando desenvolvimento profissional e conversando</p><p>com colegas e amigos sobre suas experiências.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>24</p><p>1 A pesquisa descobriu que um dos indicadores mais poderosos do impacto</p><p>de um professor sobre os alunos é a crença de que o que ele ou ela faz</p><p>a diferença. Essa crença está no cerne do que significa ser um professor</p><p>intencional, pois se o professor desenvolve esta crença, ele tem mais</p><p>probabilidade de fazer um esforço consistente, de persistir em face de</p><p>obstáculos e de continuar tentando incansavelmente até que todos os</p><p>alunos tenham sucesso. Como denominamos este tipo de crença?</p><p>a) ( ) Crença do Esforço Consistente Docente.</p><p>b) ( ) Crença</p><p>da Intencionalidade Convergente.</p><p>c) ( ) Crença de Eficácia dos Professores.</p><p>d) ( ) Crença da Persistência dos Professores Significativos.</p><p>2 Existe um elemento primordial no processo de instrução e ensino-</p><p>aprendizagem, este é o domínio de certas habilidades específicas. O ensino</p><p>eficaz depende do que chamamos de habilidades pedagógicas. No contexto</p><p>do domínio de habilidades pedagógicas para um ensino eficaz, classifique</p><p>V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) O professor deve certificar-se de que a aula seja ordeira e que os alunos</p><p>saibam o comportamento que se espera deles.</p><p>( ) O professor deve descobrir se os alunos têm as habilidades de pré-</p><p>requisito, caso contrário, deve encontrar uma maneira de ensinar essas</p><p>habilidades aos alunos.</p><p>( ) O professor deve ter domínio do conteúdo e saber expor suas ideias, pois</p><p>não importam as características dos alunos e seus conhecimentos prévios,</p><p>uma boa exposição das ideias é suficiente para uma aprendizagem eficaz.</p><p>( ) O professor deve envolver os alunos em atividades diversas que os levem</p><p>a uma compreensão do conteúdo específico e usar estratégias de ensino</p><p>que ajudem os alunos a lembrar o que lhes foi ensinado.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – V – F.</p><p>b) ( ) V – V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F – V.</p><p>d) ( ) F – F – V – V.</p><p>3 Um dos principais objetivos do estudo em psicologia da educação e</p><p>aprendizagem na formação de professores é que o desenvolvimento do</p><p>pensamento crítico para a formação de professores intencionais. Desenvolver</p><p>habilidades de pensamento crítico para o ensino é uma abordagem lógica e</p><p>sistemática para os muitos dilemas encontrados na prática e na pesquisa. Sobre</p><p>as habilidades de pensamento crítico, analise as afirmativas a seguir:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>25</p><p>I- Constantemente atualizar e examinar suas próprias práticas de ensino.</p><p>II- Continuamente ler e participar de conferências para aprender novas</p><p>ideias.</p><p>III- Utilizar os livros textos e manuais, nunca as respostas de seus próprios</p><p>alunos, para orientar suas decisões de ensino.</p><p>IV- Estar centrado nas próprias ideias e manter o seu próprio ensino constante</p><p>e invariável.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.</p><p>b) ( ) As afirmativas II e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) As afirmativas III e IV estão corretas.</p><p>d) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.</p><p>4 A psicologia educacional enfrenta um problema muito sério a respeito das</p><p>verdades sobre a profissão. Pelo fato de todos terem tido alguma experiência</p><p>sobre aprendizagem na vida, seja como aluno ou educador, muitas pessoas</p><p>acreditam saber quais são os melhores caminhos, as melhores metodologias</p><p>e as melhores formas de se avaliar um aluno. Por esta razão, psicólogos</p><p>educacionais profissionais são frequentemente acusados de estudar o</p><p>óbvio. No entanto, o óbvio nem sempre é verdade. Disserte sobre situações</p><p>educacionais em que o óbvio não é a verdade.</p><p>5 O principal objetivo da psicologia educacional é o de examinar de forma</p><p>cautelosa as questões “óbvias” da educação, usando métodos objetivos</p><p>para testar ideias sobre os fatores que contribuem para a aprendizagem.</p><p>Os produtos desta pesquisa são princípios, leis e teorias. Nesse contexto,</p><p>disserte acerca do que representa esses três elementos: princípios, leis e</p><p>teorias.</p><p>26</p><p>27</p><p>TÓPICO 2 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, iniciaremos este tópico com mais um relato de um caso</p><p>hipotético. Agora o nosso foco é o desenvolvimento cognitivo e a personagem</p><p>central será a Patrícia Assis. Você está curioso para saber em quais situações</p><p>pedagógicas a personagem vai se envolver? Vamos lá?</p><p>A professora Patrícia Assis tem muito orgulho de sua turma do quarto</p><p>ano. Os alunos dela se saíram muito bem em todas as provas e estão tendo</p><p>sucesso em todas as matérias, especialmente Ciências, a favorita de Patrícia. Ela</p><p>decide, então, dar aos alunos um desafio de que eles realmente gostem. “Turma”,</p><p>diz ela, “estou muito animada para ver o bom trabalho que vocês fizeram em</p><p>Ciências. Hoje, vou dar a vocês um problema para resolver em suas equipes que</p><p>vai expandir suas mentes, mas sei que vocês podem resolvê-lo. “Em cada uma</p><p>de suas mesas vocês têm um pêndulo, vários pesos e um cronômetro. Vocês</p><p>podem mudar os pesos do pêndulo, o comprimento da corda, o impulso que você</p><p>dá, o peso para começar a balançar, ou qualquer coisa que você quiser. Minha</p><p>pergunta é a seguinte: o que determina quantas vezes o pêndulo vai e volta em</p><p>um minuto?” Os alunos começam a trabalhar com entusiasmo. Tentam resolver</p><p>atividade com mais peso e menos peso, mais impulso e menos impulso, cordas</p><p>mais longas e cordas mais curtas. Cada equipe designa um cronometrista que</p><p>anota quantas oscilações ocorrem em um minuto. Os alunos discutem entre si: “É</p><p>o peso!” “É o impulso!” “É a corda!” Os grupos estão trabalhando duro, mas ao</p><p>acaso. Nenhum deles obteve a resposta certa (que é que apenas o comprimento da</p><p>corda é importante). Patrícia fica surpresa. Os alunos sabem muito sobre Ciências,</p><p>se esforçam e trabalham bem juntos, mas não conseguem resolver o problema.</p><p>Por que você acha que a turma da Patrícia Assis não consegue resolver o</p><p>problema do pêndulo? O que a experiência dela sugere a você sobre o porquê os professores</p><p>devem considerar os estágios de desenvolvimento das crianças em seu ensino?</p><p>UNI</p><p>28</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Ao longo de seus primeiros 18 anos de vida, as crianças passam por</p><p>mudanças surpreendentes. Muitas dessas mudanças são óbvias, por exemplo, as</p><p>crianças ficam maiores, mais inteligentes e mais aptas socialmente. No entanto,</p><p>muitos aspectos do desenvolvimento não são tão óbvios. Cada criança se</p><p>desenvolve de maneiras diferentes e em ritmos diferentes, e o desenvolvimento</p><p>é influenciado pela biologia, cultura, parentalidade, educação e outros fatores.</p><p>Todo professor precisa entender como as crianças crescem e se desenvolvem para</p><p>poder entender como as crianças aprendem e como melhor ensiná-las.</p><p>Caro acadêmico, neste tópico, você vai aprender as teorias de</p><p>desenvolvimento humano de Piaget, Vygotsky e Bronfenbrenner e discutir como</p><p>elas podem ser aplicadas em sala de aula. Além disso, você aprenderá os distintos</p><p>estágios de linguagem e explicar como pode configurar sua sala de aula para</p><p>promover o desenvolvimento do letramento. Vamos lá?</p><p>2 COMO AS CRIANÇAS SE DESENVOLVEM COGNITIVAMENTE?</p><p>O termo desenvolvimento refere-se a como as pessoas crescem, se</p><p>adaptam e mudam ao longo de suas vidas, por meio do desenvolvimento da</p><p>personalidade, desenvolvimento socioemocional, desenvolvimento cognitivo</p><p>(pensamento) e desenvolvimento da linguagem. Este tópico começa com dois</p><p>grandes teóricos do desenvolvimento cognitivo cujas ideias são amplamente</p><p>aceitas: Jean Piaget e Lev Vygotsky.</p><p>As crianças não são adultos em miniatura. Elas pensam de forma diferente</p><p>e veem o mundo de forma diferente. Um dos primeiros requisitos do ensino</p><p>eficaz é que você entenda como os alunos pensam e veem o mundo. Estratégias</p><p>de ensino eficazes devem levar em consideração a idade dos alunos e os estágios</p><p>de desenvolvimento. Um aluno brilhante do quarto ano escolar pode parecer</p><p>capaz de aprender qualquer tipo de matemática, porém, na verdade, pode não</p><p>ter maturidade cognitiva para trabalhar com o pensamento abstrato necessário</p><p>para álgebra. Na vinheta de abertura, a aula da professora Assis é inteligente</p><p>e motivada, mas a tarefa do pêndulo é um exemplo clássico de um tipo de</p><p>pensamento que geralmente não aparece até a adolescência, quando a maioria</p><p>das crianças desenvolve a capacidade de pensar logicamente sobre problemas</p><p>desse tipo e a proceder de forma metódica</p><p>em direção a uma solução.</p><p>Duas questões centrais têm sido debatidas por décadas entre os psicólogos</p><p>do desenvolvimento: o grau em que o desenvolvimento é afetado pela experiência</p><p>e se o desenvolvimento ocorre em estágios.</p><p>O desenvolvimento é predeterminado no nascimento, pela hereditariedade</p><p>e fatores biológicos, ou é afetado pela experiência e outros fatores ambientais?</p><p>Hoje, a maioria dos psicólogos do desenvolvimento (BEE; BOYD, 2011; BERK,</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>29</p><p>2013; FELDMAN, 2015) acredita que a natureza e a experiência se combinam para</p><p>influenciar o desenvolvimento, com fatores biológicos desempenhando um papel</p><p>mais forte em alguns aspectos, tais como o desenvolvimento físico.</p><p>O argumento sobre a natureza versus a criação (experiência),</p><p>hereditariedade versus ambiente, remonta aos gregos (pelo menos). O filósofo</p><p>comportamentalista ambientalista John Watson colocou sua posição da seguinte</p><p>maneira:</p><p>Deem-me uma dúzia de crianças saudáveis e bem formadas e meu</p><p>mundo específico para criá-las, e eu me comprometo a escolher uma</p><p>delas ao acaso e treiná-la para que chegue a ser qualquer tipo de</p><p>especialista que escolher: médico, advogado, artista, comerciante, e</p><p>inclusive mendigo ou ladrão, sem levar nem um pouco em conta seus</p><p>talentos, capacidades, tendências, habilidades, vocação ou a raça de</p><p>seus antepassados (WATSON, 1930, p. 104).</p><p>Embora poucos cientistas hoje cheguem ao extremo de Watson, ainda</p><p>há muito debate sobre as influências relativas dos genes e do ambiente. Um</p><p>problema é que os dois interagem. Por exemplo, se uma criança é um pouco</p><p>melhor nos esportes do que outras crianças da mesma idade, ela pode receber</p><p>muito mais prática, incentivo e treinamento nos esportes e, portanto, tornar-se</p><p>um atleta excepcional. Então, esse resultado foi devido à natureza ou à criação?</p><p>Da mesma forma, uma criança que se mostra promissora em ciências em uma</p><p>idade jovem pode receber muito incentivo, levando-a a desenvolver motivação</p><p>para aprender ciências e buscar experiências relacionadas a ciências. Natureza ou</p><p>criação? Obviamente, natureza e ambiente estão misturados em qualquer pessoa</p><p>ou população em particular. Para os educadores, o ponto-chave é que, embora</p><p>nada possa ser feito sobre os genes de uma criança, muito pode ser feito em relação</p><p>ao ambiente para desenvolver habilidades, motivação e autoconfiança. Não há</p><p>dúvida de que professores e pais fazem uma enorme diferença na aprendizagem</p><p>das crianças, além de quaisquer que sejam as predisposições genéticas das</p><p>crianças.</p><p>Por sua vez, uma questão gira em torno da noção de como a mudança</p><p>ocorre. Conforme as teorias do desenvolvimento contínuo, como modelos</p><p>de processamento de informação (MUNAKATA, 2006), pressupõe-se que o</p><p>desenvolvimento ocorre em uma progressão suave à medida que as habilidades</p><p>se desenvolvem e as experiências são fornecidas pelos cuidadores e pelo ambiente.</p><p>Teorias do desenvolvimento contínuo enfatizam a importância do meio ambiente</p><p>ao invés da hereditariedade na determinação do desenvolvimento.</p><p>Uma segunda perspectiva assume que as crianças progridem por meio</p><p>de um conjunto de estágios de desenvolvimento previsíveis e invariáveis. Nessa</p><p>perspectiva, grandes mudanças acontecem quando as crianças avançam para um</p><p>novo estágio de desenvolvimento. Acredita-se que todas as crianças adquirem</p><p>habilidades na mesma sequência, embora as taxas de progresso difiram de</p><p>30</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>criança para criança. As habilidades que as crianças ganham em cada estágio</p><p>subsequente não são simplesmente “mais do mesmo”. Em cada estágio, as crianças</p><p>desenvolvem compreensões, habilidades e crenças qualitativamente diferentes.</p><p>Pular estágios é raro ou impossível, embora em qualquer ponto a mesma criança</p><p>possa exibir comportamentos característicos de mais de um estágio (DEVRIES,</p><p>2008). Em contraste com as teorias do desenvolvimento contínuo, essas teorias</p><p>do desenvolvimento descontínuo enfocam fatores inatos em vez de influências</p><p>ambientais para explicar as mudanças ao longo do tempo. As condições ambientais</p><p>podem ter alguma influência no ritmo de desenvolvimento, mas a sequência das</p><p>etapas de desenvolvimento é essencialmente fixa. Nessa perspectiva, as crianças</p><p>de nove anos idade da turma não poderiam ter resolvido o problema do pêndulo</p><p>por mais que tenham sido ensinadas, pois não tinham atingido um estágio de</p><p>desenvolvimento que possibilita a resolução de problemas envolvendo muitos</p><p>fatores ao mesmo tempo.</p><p>Teóricos do estágio, como Piaget e Vygotsky, compartilham a crença de</p><p>que estágios distintos de desenvolvimento podem ser identificados e descritos.</p><p>No entanto, suas teorias diferem significativamente no número de estágios e em</p><p>seus detalhes (DEVRIES, 2008).</p><p>3 COMO PIAGET COMPREENDEU O DESENVOLVIMENTO</p><p>COGNITIVO?</p><p>Jean Piaget, nascido na Suíça em 1896, é o psicólogo do desenvolvimento</p><p>mais influente da história da psicologia (WADSWORTH, 2004). Depois de receber</p><p>seu doutorado em biologia, ele se interessou mais por psicologia, baseando suas</p><p>primeiras teorias na observação cuidadosa de seus próprios três filhos. Piaget</p><p>pensava em seu contexto aplicando princípios e métodos biológicos ao estudo</p><p>do desenvolvimento humano, e muitos dos termos que introduziu na psicologia</p><p>foram extraídos diretamente da biologia.</p><p>Piaget explorou por que e como as habilidades mentais mudam com o</p><p>tempo. Para Piaget, o desenvolvimento depende em grande parte da manipulação</p><p>e da interação ativa da criança com o seu ambiente. Na visão de Piaget, o</p><p>conhecimento vem da ação (DEVRIES, 2008; WADSWORTH, 2004). A teoria de</p><p>desenvolvimento cognitivo de Piaget propõe que o intelecto de uma criança,</p><p>ou habilidade cognitiva, progride por quatro estágios distintos. Cada estágio é</p><p>caracterizado pelo surgimento de novas habilidades e formas de processamento</p><p>de informações. Muitos dos detalhes das teorias de Piaget foram desafiados em</p><p>pesquisas posteriores. Em particular, muitas das mudanças no funcionamento</p><p>cognitivo que ele descreveu são, agora, conhecidas por ocorrerem antes do que ele</p><p>afirmou, pelo menos sob certas circunstâncias. No entanto, o trabalho de Piaget</p><p>constitui uma base essencial para a compreensão do desenvolvimento infantil.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>31</p><p>3.1 COMO OCORRE O DESENVOLVIMENTO</p><p>Piaget (1970) acreditava que todas as crianças nascem com uma tendência</p><p>inata de interagir e dar sentido a seus ambientes. Crianças pequenas demonstram</p><p>padrões de comportamento ou pensamento chamados de esquemas, que crianças</p><p>mais velhas e adultos também usam ao lidar com objetos no mundo. Usamos</p><p>esquemas para descobrir e agir no mundo e cada esquema trata todos os objetos</p><p>e eventos da mesma maneira. Quando os bebês encontram um novo objeto, como</p><p>eles podem saber do que se trata esse objeto? De acordo com Piaget, eles usarão</p><p>os esquemas que desenvolveram e descobrirão se o objeto faz um som alto ou</p><p>baixo quando é batido, qual é o gosto, se dá leite e se ele faz um baque quando</p><p>cai, conforme podemos observar na Figura 3.</p><p>FIGURA 3 – ESQUEMAS</p><p>FIGURA 3 – ESQUEMAS</p><p>De acordo com Piaget (1970), a adaptação é o processo de ajustar esquemas</p><p>em resposta ao ambiente por meio de assimilação e acomodação. A assimilação</p><p>é o processo de compreensão de um novo objeto ou evento em termos de um</p><p>esquema existente. Se você der a bebês pequenos objetos que eles nunca viram</p><p>antes, mas que se assemelham a objetos familiares, eles provavelmente os</p><p>agarrarão, morderão e baterão. Em outras palavras, eles tentarão usar os esquemas</p><p>existentes para aprender essas coisas desconhecidas (Figura 3). Da mesma forma,</p><p>uma aluna do ensino médio pode ter um esquema de estudo que envolve colocar</p><p>informações em cartões e memorizar o conteúdo dos cartões. Ela pode ter tido</p><p>sucesso com</p><p>isso em um conteúdo ou disciplina e, depois, aplicado o mesmo</p><p>esquema a outros conteúdos ou disciplinas.</p><p>Às vezes, quando as velhas maneiras de lidar com o mundo simplesmente</p><p>não funcionam, uma criança pode modificar um esquema existente à luz de novas</p><p>informações ou de uma nova experiência, um processo chamado acomodação.</p><p>Por exemplo, se você der um ovo a um bebê que tem um esquema de bater para</p><p>pequenos objetos, o que acontecerá com o ovo é óbvio (Figura 3). Menos óbvio,</p><p>32</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>no entanto, é o que acontecerá com o esquema de bater do bebê. Por causa das</p><p>consequências inesperadas de bater o ovo, o bebê pode mudar o esquema. No</p><p>futuro, o bebê pode bater alguns objetos com força e outros suavemente. O aluno</p><p>do ensino médio que estuda apenas por meio da memorização pode aprender a</p><p>usar uma estratégia diferente, como discutir conceitos difíceis com um amigo, para</p><p>estudar conteúdos ou tópicos nos quais a memorização não funciona muito bem.</p><p>O bebê que bateu o ovo e o aluno que tentou memorizar em vez de</p><p>compreender tiveram de lidar com situações que não podiam ser totalmente</p><p>resolvidas pelos esquemas existentes. Isso, na teoria de Piaget, cria um estado</p><p>de desequilíbrio, ou um desequilíbrio entre o que é compreendido e o que</p><p>é encontrado. As pessoas naturalmente tentam reduzir esses desequilíbrios</p><p>concentrando-se nos estímulos que causam o desequilíbrio e desenvolvendo</p><p>novos esquemas, ou adaptando os antigos, até que o equilíbrio seja restaurado.</p><p>Este processo de restauração do equilíbrio é chamado de equilibração. Segundo</p><p>Piaget, o aprendizado depende desse processo. Quando o equilíbrio é alterado, as</p><p>crianças têm a oportunidade de crescer e se desenvolver. Eventualmente, novas</p><p>maneiras qualitativas de pensar sobre o mundo surgem e as crianças avançam</p><p>para um novo estágio de desenvolvimento. Piaget acreditava que as experiências</p><p>físicas e a manipulação do ambiente são essenciais para que ocorram mudanças no</p><p>desenvolvimento. No entanto, ele também acreditava que a interação social com</p><p>os pares, especialmente argumentos e discussões, ajuda a esclarecer o pensamento</p><p>e, eventualmente, torná-lo mais lógico. A pesquisa enfatizou a importância de</p><p>confrontar os alunos com experiências ou dados que não se encaixam em suas</p><p>teorias atuais de como o mundo funciona como um meio de promover seu</p><p>desenvolvimento cognitivo. Fazer com que os alunos resolvam o desequilíbrio</p><p>trabalhando com os colegas é particularmente eficaz (SLAVIN, 2014).</p><p>A teoria do desenvolvimento de Piaget representa o construtivismo,</p><p>uma visão do desenvolvimento cognitivo como um processo no qual as crianças</p><p>constroem ativamente sistemas de significado e compreensão da realidade por</p><p>meio de suas experiências e interações (BERK, 2013; SCHUNK, 2016). Nessa visão,</p><p>as crianças constroem ativamente o conhecimento, continuamente assimilando e</p><p>acomodando novas informações.</p><p>3.2 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DE PIAGET</p><p>Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes</p><p>em quatro estágios: sensório-motor, pré-operatório, operacional concreto e</p><p>operacional formal. Ele acreditava que todas as crianças passam por esses</p><p>estágios nesta ordem e que nenhuma criança pode pular um estágio, embora</p><p>crianças diferentes passem pelos estágios em taxas um tanto diferentes. Os</p><p>mesmos indivíduos podem realizar tarefas associadas a diferentes estágios ao</p><p>mesmo tempo, especialmente em pontos de transição para um novo estágio. O</p><p>Quadro 2 resume as idades aproximadas em que crianças e adolescentes passam</p><p>pelos quatro estágios de Piaget. Também mostra as principais realizações de cada</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>33</p><p>etapa. Para o autor referido, as pessoas progridem por meio de quatro estágios</p><p>de desenvolvimento cognitivo entre o nascimento e a idade adulta. Cada estágio</p><p>é marcado pelo surgimento de novas habilidades intelectuais que permitem às</p><p>pessoas compreenderem o mundo de maneiras cada vez mais complexas.</p><p>QUADRO 2 – ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE PIAGET</p><p>FONTE: Adaptado de Piaget (1970)</p><p>ESTÁGIO IDADE APROXIMADA PRINCIPAIS REALIZAÇÕES</p><p>Sensório-Motor Do nascimento aos 2 anos</p><p>Formação do conceito de</p><p>permanência do objeto” e progressão</p><p>gradual do comportamento reflexivo</p><p>para o comportamento direcionado a</p><p>um objetivo.</p><p>Pré-Operatório De 2 a 7 anos</p><p>Desenvolvimento da capacidade</p><p>de usar símbolos para representar</p><p>objetos no mundo. O pensamento</p><p>permanece egocêntrico e centrado.</p><p>Operacional Concreto De 7 a 11 anos</p><p>Melhoria na habilidade de pensar</p><p>logicamente. Novas habilidades</p><p>incluem o uso de operações</p><p>reversíveis. O pensamento é</p><p>descentralizado e a resolução de</p><p>problemas é menos restrita pelo</p><p>egocentrismo. O pensamento</p><p>abstrato ainda não é possível.</p><p>Operacional Formal A partir dos 11 anos</p><p>O pensamento abstrato e puramente</p><p>simbólico é possível. Os problemas</p><p>podem ser resolvidos com o uso de</p><p>experimentação sistemática.</p><p>O estágio inicial é chamado de sensório-motor (do nascimento aos dois</p><p>anos de idade) porque, durante esse estágio, bebês e crianças pequenas exploram</p><p>o mundo usando seus sentidos e habilidades motoras. Mudanças dramáticas</p><p>ocorrem à medida que os bebês progridem no período sensório-motor.</p><p>Inicialmente, todos os bebês têm comportamentos inatos chamados reflexos.</p><p>Toque os lábios de um recém-nascido e ele começará a sugar; coloque seu dedo</p><p>na palma da mão de um bebê e ele o agarrará. Esses e outros comportamentos</p><p>inatos são os blocos de construção a partir dos quais os primeiros esquemas do</p><p>bebê se formam.</p><p>Os bebês logo aprendem a usar esses reflexos para produzir padrões</p><p>de comportamento mais interessantes e intencionais. Esse aprendizado ocorre</p><p>inicialmente por acidente e, em seguida, por esforços mais intencionais de</p><p>tentativa e erro. De acordo com Piaget, no final do estágio sensório-motor, as</p><p>crianças progrediram de sua abordagem anterior de tentativa e erro para uma</p><p>abordagem mais planejada de resolução de problemas. Pela primeira vez, eles</p><p>podem representar mentalmente objetos e eventos. O que a maioria de nós</p><p>34</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>chamaria de “pensamento” aparece agora. Este é um grande avanço porque</p><p>significa que a criança pode pensar e planejar o comportamento. Por exemplo,</p><p>suponha que uma criança de dois anos esteja na cozinha vendo sua mãe preparar</p><p>o jantar. Se a criança souber onde fica o banquinho, ela pode pedir para que</p><p>ele seja montado para ter uma visão melhor do balcão e uma chance melhor</p><p>de mordiscar. A criança não tropeçou nesta solução acidentalmente. Em vez</p><p>disso, ele pensou sobre o problema, descobriu uma possível solução que usava o</p><p>banquinho, experimentou a solução mentalmente e só então tentou a solução na</p><p>prática (TRAWICK-SMITH, 2014).</p><p>Outro desenvolvimento marcante do período sensório-motor é a</p><p>capacidade de compreender a permanência do objeto. Piaget argumentou que as</p><p>crianças devem aprender que os objetos são fisicamente estáveis e existem mesmo</p><p>quando os objetos não estão na presença física da criança. Por exemplo, se você</p><p>cobrir a mamadeira com uma toalha, a criança não pode removê-la, acreditando</p><p>que a mamadeira acabou. Aos dois anos de idade, as crianças entendem que os</p><p>objetos existem mesmo quando não podem ser vistos. Uma vez que percebem</p><p>que as coisas existem fora da vista, as crianças podem começar a usar símbolos</p><p>para representar essas coisas em suas mentes para que possam pensar sobre elas</p><p>(COHEN; CASHON, 2003).</p><p>Durante o estágio pré-operatório (2 a 7 anos de idade), as crianças</p><p>têm maior capacidade de pensar sobre as coisas e podem usar símbolos para</p><p>representar objetos mentalmente (MASSEY, 2008). Sua linguagem</p><p>e conceitos</p><p>se desenvolvem em um ritmo incrível. No entanto, muito de seu pensamento</p><p>permanece surpreendentemente primitivo. Uma das primeiras e mais importantes</p><p>descobertas de Piaget foi que as crianças pequenas não compreendem o princípio</p><p>da conservação. Por exemplo, se você derramar suco de um recipiente alto e</p><p>estreito em um recipiente raso e largo, e vice-versa, na presença de uma criança</p><p>pré-operatória, a criança acreditará firmemente que o copo alto contém mais</p><p>suco (ver Figura 4). Do mesmo modo, é provável que uma criança pré-operatória</p><p>acredite que duas bolas iguais de argila, sendo uma enrolada na forma mais</p><p>alongada que a outra, a criança responda que a mais alongada tem mais argila.</p><p>Ou, por exemplo, um sanduíche cortado em quatro pedaços é mais sanduíche</p><p>do que um inteiro, ou que uma linha de peças de damas que está espalhada</p><p>contém mais peças do que uma linha que está comprimida, mesmo depois de ser</p><p>mostrado que o número de peças é idêntico.</p><p>Vários aspectos do pensamento pré-operatório ajudam a explicar o erro</p><p>nas tarefas de conservação. Uma característica é a centralização: prestar atenção</p><p>a apenas um aspecto de uma situação. No exemplo ilustrado na Figura 4, as</p><p>crianças podem ter afirmado que havia menos suco depois que ele era colocado</p><p>no recipiente largo porque elas se centraram na altura do suco, ignorando sua</p><p>largura. Na parte inferior da Figura 4, as crianças focaram no comprimento da</p><p>linha de peças e ignoraram sua densidade ou o número real de blocos.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>35</p><p>FIGURA 4 – TAREFAS DE CONSERVAÇÃO PIAGETIANA</p><p>FONTE: <https://bit.ly/2W64v32>. Acesso em: 30 jun. 2021.</p><p>Crianças no estágio pré-operatório ainda não conseguem elaborar</p><p>conservação de quantidade. Essas tarefas são dominadas gradualmente ao longo</p><p>do estágio operacional concreto. A maioria das crianças adquire conservação de</p><p>número, massa e líquido em algum momento entre seis e sete anos e de peso</p><p>entre oito e nove anos de idade.</p><p>A reversibilidade, a capacidade de mudar a direção do pensamento para</p><p>voltar a um ponto de partida, é outra faceta do pensamento que ainda não foi</p><p>desenvolvida em crianças pré-operatórias (GOULART, 2005). Como adultos, por</p><p>exemplo, sabemos que se 7 + 5 = 12, então 12 - 5 = 7. Se adicionarmos 5 itens a 7 itens e</p><p>depois retirarmos os 5 itens (inverter o que fizemos), ficamos com 7 itens novamente.</p><p>Se as crianças no período pré-operatório pudessem pensar dessa maneira, então</p><p>poderiam reverter mentalmente o processo de despejar o leite e perceber que, se o</p><p>leite fosse despejado de volta no copo alto, sua quantidade não mudaria.</p><p>Outra característica do pensamento da criança pré-operatória é o foco nos</p><p>estados, a conservação (PIAGET, 1970). No problema do leite, o leite é derramado</p><p>de um recipiente para outro. Os pré-escolares ignoram esse processo de derramar</p><p>o leite e se concentram apenas no estado inicial (leite em um copo alto) e no estado</p><p>final (leite em um prato raso). Ao contrário dos adultos, o jovem pré-escolar forma</p><p>conceitos que variam em definição de situação para situação e nem sempre são</p><p>lógicos. De que outra forma podemos explicar a capacidade da criança de dois</p><p>36</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>anos de tratar um bicho de pelúcia como um objeto inanimado em um minuto e</p><p>como um objeto animado no próximo? Eventualmente, porém, os conceitos da</p><p>criança se tornam mais consistentes e menos privados. As crianças ficam cada vez</p><p>mais preocupadas que suas definições correspondam às de outras pessoas. Mas</p><p>elas ainda não têm a capacidade de coordenar um conceito com outro.</p><p>Finalmente, as crianças pré-operatórias são egocêntricas em seu</p><p>pensamento. As crianças nesta fase acreditam que todos veem o mundo exatamente</p><p>como elas. Por exemplo, Piaget e Inhelder (2002) sentaram crianças em um lado</p><p>de uma exibição de três montanhas e pediram que descrevessem como a cena</p><p>parecia para uma boneca sentada do outro lado. Crianças com menos de seis ou</p><p>sete anos de idade descreveram a visão da boneca como idêntica à sua, embora</p><p>fosse evidente para os adultos que não poderia ser assim. Como as crianças pré-</p><p>operatórias são incapazes de assumir a perspectiva dos outros, muitas vezes</p><p>interpretam os eventos inteiramente em referência a si mesmas.</p><p>Embora as diferenças entre as habilidades mentais de pré-escolares pré-</p><p>operatórios e de alunos operacionais concretos do ensino fundamental sejam</p><p>dramáticas, as crianças operacionais concretas ainda não pensam como adultos.</p><p>Elas estão muito enraizadas no mundo como ele é e têm dificuldade com o</p><p>pensamento abstrato. Flavell (1986, p. 43) descreve a criança operacional concreta</p><p>como tendo “um tipo de abordagem de solução de problemas presa à terra,</p><p>concreta, de espírito prático, que se fixa persistentemente na realidade perceptível</p><p>e inferível bem ali à sua frente. Teórico, a criança do ensino fundamental não é”. O</p><p>termo estágio operacional concreto (7 a 11 anos de idade) reflete essa abordagem</p><p>terrestre. Nesse estágio, as crianças podem formar conceitos, ver relacionamentos</p><p>e resolver problemas, mas apenas na medida em que envolvam objetos e situações</p><p>familiares.</p><p>Durante os anos do ensino fundamental, as habilidades cognitivas das</p><p>crianças passam por mudanças dramáticas. As crianças do ensino fundamental</p><p>não têm mais dificuldades com problemas de conservação porque adquiriram o</p><p>conceito de reversibilidade. Por exemplo, eles agora podem ver que a quantidade</p><p>de leite no recipiente curto e largo deve ser a mesma que no recipiente alto e</p><p>estreito, porque se o leite fosse despejado de volta no recipiente alto, estaria</p><p>no mesmo nível como antes. Outra diferença fundamental entre a criança pré-</p><p>operatória e a criança operacional concreta é que a criança pré-operatória responde</p><p>às aparências percebidas, enquanto a criança mais velha, operacional concreta,</p><p>responde à realidade inferida. Flavell (1986) demonstrou esse conceito mostrando</p><p>às crianças um carro vermelho e então, enquanto elas ainda estavam assistindo,</p><p>cobrindo-o com um filtro que o fazia parecer preto. Quando questionadas sobre</p><p>a cor do carro, as crianças de três anos responderam "preto"; e as de seis anos</p><p>responderam "vermelho". A criança mais velha, operacional concreta, é capaz de</p><p>responder à realidade inferida, vendo as coisas no contexto de outros significados;</p><p>os pré-escolares veem o que veem, com pouca capacidade de inferir o significado</p><p>por trás do que veem.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>37</p><p>Uma tarefa importante que as crianças aprendem durante o estágio</p><p>operacional concreto é a seriação, ou organizar as coisas em uma progressão</p><p>lógica – por exemplo, alinhar gravetos do menor ao maior (PIAGET, 1972).</p><p>Para fazer isso, elas devem ser capazes de ordenar ou classificar os objetos de</p><p>acordo com algum critério ou dimensão, neste caso, o comprimento. Uma vez</p><p>que essa habilidade é adquirida, as crianças podem dominar uma habilidade</p><p>relacionada conhecida como transitividade, a habilidade de inferir uma relação</p><p>entre dois objetos com base no conhecimento de suas respectivas relações com</p><p>um terceiro objeto (PIAGET, 1972). Por exemplo, se você disser a crianças em</p><p>idade pré-operatória que Thomas é mais alto que Beatriz e que Beatriz é mais alta</p><p>que Fernando, elas não verão que Thomas é mais alto que Fernando. Inferências</p><p>lógicas como essa não são possíveis até o estágio de operações concretas, durante</p><p>o qual as crianças em idade escolar desenvolvem a capacidade de fazer duas</p><p>transformações mentais que requerem pensamento reversível. A primeira delas</p><p>é a inversão (+ A é revertido por - A), e a segunda é a reciprocidade (A < B é</p><p>retribuído por B > A). Ao final do estágio operacional concreto, as crianças têm</p><p>as</p><p>habilidades mentais para aprender como somar, subtrair, multiplicar e dividir;</p><p>colocar os números em ordem por tamanho; e classificar objetos por qualquer</p><p>número de critérios. As crianças podem pensar “o que aconteceria se ...”, desde</p><p>que os objetos estivessem à vista, por exemplo, "O que aconteceria se eu puxasse</p><p>esta mola e a soltasse?" As crianças podem entender o tempo e o espaço bem o</p><p>suficiente para desenhar um mapa de sua casa para a escola e estão construindo</p><p>uma compreensão dos eventos do passado.</p><p>As crianças do ensino fundamental também estão passando do pensamento</p><p>egocêntrico para o pensamento descentralizado ou objetivo. O pensamento</p><p>descentralizado permite que as crianças vejam que os outros podem ter percepções</p><p>diferentes das suas. Por exemplo, crianças com pensamento descentralizado serão</p><p>capazes de entender que crianças diferentes podem ver padrões diferentes nas</p><p>nuvens. As crianças cujos processos de pensamento são descentralizados podem</p><p>aprender que os eventos podem ser governados por leis físicas, como as leis da</p><p>gravidade. Essas mudanças não acontecem todas ao mesmo tempo. Em vez disso,</p><p>elas ocorrem gradualmente durante o estágio operacional concreto.</p><p>Por volta do início da puberdade, o pensamento das crianças começa a se</p><p>desenvolver na forma que é característica dos adultos (PACKARD; BABINEAU,</p><p>2008). O pré-adolescente começa a ser capaz de pensar abstratamente e ver</p><p>possibilidades além do aqui e agora. Essas habilidades continuam a se desenvolver</p><p>na idade adulta. Com o estágio operacional formal (11 anos até a idade adulta),</p><p>vem a capacidade de lidar com situações potenciais ou hipotéticas; a forma agora</p><p>está separada do conteúdo.</p><p>Piaget e Inhelder (2002) descreveram uma tarefa que é abordada de maneira</p><p>diferente por alunos do ensino fundamental no estágio operacional concreto do</p><p>que por adolescentes no estágio operacional formal – o problema do pêndulo que</p><p>Patrícia Assis deu a seus alunos do quarto ano escolar. As crianças e adolescentes</p><p>receberam um pêndulo composto por uma corda com um peso na ponta. Eles</p><p>38</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>podiam mudar o comprimento da corda, a quantidade de peso, a altura da qual</p><p>o pêndulo foi lançado e a força com a qual o pêndulo foi empurrado. Eles foram</p><p>questionados sobre quais desses fatores influenciam a frequência (o número de</p><p>oscilações por minuto). Somente o comprimento da corda faz alguma diferença</p><p>na frequência do pêndulo: quanto mais curta a corda, mais oscilações por minuto.</p><p>Este experimento é ilustrado na Figura 5.</p><p>FIGURA 5 – O PROBLEMA DO PÊNDULO</p><p>FONTE: Slavin (2018, p. 30)</p><p>O adolescente que atingiu o estágio de operações formais provavelmente</p><p>procederá de maneira bastante sistemática, variando um fator de cada vez</p><p>(por exemplo, deixando o barbante do mesmo comprimento e tentando pesos</p><p>diferentes). Por exemplo, no experimento de Piaget e Inhelder (2002), um garoto</p><p>de 15 anos selecionou 100 gramas com um barbante longo e um barbante médio,</p><p>depois 20 gramas com um barbante longo e um curto e, finalmente, 200 gramas</p><p>com um e uma corda curta e concluiu que era o comprimento da corda que a</p><p>torna mais rápida e mais lenta e que o peso não desempenha nenhum papel</p><p>(PIAGET; INHELDER, 2002). Em contraste, crianças de 10 anos, que estão no</p><p>estágio operacional concreto, procederam de uma forma caótica, variando muitos</p><p>fatores ao mesmo tempo e se agarrando a preconceitos. Um menino variava</p><p>simultaneamente o peso e o impulso; depois o peso, o impulso e o comprimento;</p><p>então o impulso, o peso e a elevação; e assim por diante. Ele primeiro concluiu: "É</p><p>mudando o peso e o impulso, não a corda."</p><p>O problema da transitividade também ilustra os avanços trazidos pelo</p><p>pensamento formal. Lembre-se da criança operacional concreta que, quando</p><p>disse que Thomas era mais alto que Beatriz e que Beatriz era mais alta que</p><p>Fernando, entendeu que Thomas era mais alto que Fernando. No entanto, se o</p><p>problema tivesse sido formulado da seguinte maneira, apenas uma criança mais</p><p>velha que tivesse entrado no estágio operacional formal o teria resolvido: “Beatriz</p><p>é mais baixa que Tom e Beatriz é mais alta que Fernando. Quem é o mais alto</p><p>dos três?” Aqui, a criança mais jovem, operacional concreta, pode se perder nas</p><p>combinações de relacionamentos maiores e menores. Os adolescentes no estágio</p><p>operacional formal podem imaginar vários relacionamentos diferentes entre as</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>39</p><p>alturas de Beatriz, Thomas e Fernando e podem descobrir a precisão de cada</p><p>um até encontrar o relacionamento correto. Este exemplo ilustra outra habilidade</p><p>de pré-adolescentes e adolescentes que alcançaram o estágio operacional formal:</p><p>eles podem monitorar ou pensar sobre seu próprio pensamento.</p><p>Gerar relações abstratas a partir das informações disponíveis e, em</p><p>seguida, comparar essas relações abstratas entre si é uma habilidade amplamente</p><p>aplicável subjacente a muitas tarefas nas quais a competência dos adolescentes</p><p>salta à frente. Piaget (1999) descreveu uma tarefa em que os alunos no estágio</p><p>operacional concreto recebiam um conjunto de dez provérbios e um conjunto de</p><p>afirmações com os mesmos significados dos provérbios. Eles foram convidados</p><p>a combinar cada provérbio com a afirmação equivalente. Novamente, crianças</p><p>operacionais concretas podem compreender a tarefa e escolher as respostas.</p><p>No entanto, suas respostas costumam ser incorretas porque muitas vezes não</p><p>entendem que um provérbio descreve um princípio geral. Por exemplo, solicitada</p><p>a explicar o provérbio "Não chore sobre o leite derramado", uma criança pode</p><p>explicar que, uma vez que o leite é derramado, não há motivo para chorar, mas</p><p>pode não perceber que o provérbio tem um significado mais amplo. É provável</p><p>que a criança responda à situação concreta do leite derramado em vez de entender</p><p>que o provérbio significa "não se preocupe com eventos passados que não podem</p><p>ser mudados." Adolescentes e adultos têm pouca dificuldade com esse tipo de</p><p>tarefa.</p><p>Outra habilidade que Piaget (1999) e outros reconheceram no jovem</p><p>adolescente é a aptidão para raciocinar sobre situações e condições que não foram</p><p>vivenciadas. O adolescente pode aceitar, para fins de argumentação ou discussão,</p><p>condições que sejam arbitrárias, que não se saiba que existem, ou mesmo que</p><p>se saiba serem contrárias aos fatos. Os adolescentes não estão presos às suas</p><p>próprias experiências da realidade, portanto, podem aplicar a lógica a qualquer</p><p>conjunto de condições. Uma ilustração da capacidade de raciocinar sobre</p><p>situações hipotéticas é encontrada no debate formal, no qual os participantes</p><p>devem estar preparados para defender qualquer um dos lados de uma questão,</p><p>independentemente de seus sentimentos ou experiências pessoais, e seu sucesso é</p><p>julgado com base em sua documentação e consistência lógica. Para uma ilustração</p><p>dramática da diferença entre crianças e adolescentes na capacidade de suspender</p><p>suas próprias opiniões, compare as reações dos alunos do quinto e do décimo ano</p><p>escolar quando você pede que apresentem um argumento a favor da proposição</p><p>de que as escolas deveriam estar funcionando 6 dias por semana, 48 semanas por</p><p>ano. É muito mais provável que o adolescente seja capaz de deixar de lado suas</p><p>próprias opiniões e pensar em motivos pelos quais mais dias de escola podem</p><p>ser benéficos. As habilidades que constituem o pensamento operacional formal –</p><p>pensar abstratamente, testar hipóteses e formar conceitos que são independentes</p><p>da realidade física – são críticas para adquirir habilidades de ordem superior. Por</p><p>exemplo, aprender álgebra ou geometria abstrata requer o uso de pensamento</p><p>operacional formal, assim como a compreensão de conceitos complexos em</p><p>ciências, estudos sociais e outros assuntos.</p><p>40</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA</p><p>DA EDUCAÇÃO</p><p>As características de pensamento do estágio de operações formais</p><p>geralmente aparecem entre as idades de 11 e 15 anos, mas há muitos indivíduos</p><p>que nunca alcançam esse estágio (PACKARD, BABINEAU, 2008). Até dois terços</p><p>dos alunos do ensino médio em vários países não têm sucesso nas tarefas de</p><p>operações formais de Piaget (MEECE; DANIELS, 2008). A maioria dos indivíduos</p><p>tende a usar o pensamento operacional formal em algumas situações, mas não</p><p>em outras, e isso permanece verdadeiro na idade adulta.</p><p>3.3 COMO O TRABALHO DE PIAGET É VISTO HOJE?</p><p>A teoria de Piaget revolucionou, e de muitas maneiras ainda domina,</p><p>o estudo do desenvolvimento humano. No entanto, alguns de seus princípios</p><p>centrais foram questionados em pesquisas mais recentes, e as descrições</p><p>modernas de desenvolvimento revisaram muitas de suas visões (FELDMAN,</p><p>2015; SCHUNK, 2016).</p><p>Um importante princípio piagetiano é que o desenvolvimento precede</p><p>o aprendizado. Piaget sustentava que os estágios de desenvolvimento eram em</p><p>grande parte fixos e que conceitos como conservação não podiam ser ensinados.</p><p>No entanto, a pesquisa estabeleceu muitos casos em que as tarefas piagetianas</p><p>podem ser ensinadas a crianças em estágios iniciais de desenvolvimento</p><p>(FELDMAN, 2015). Vários pesquisadores descobriram que crianças pequenas</p><p>podem ser ensinadas a ter sucesso em formas mais simples das tarefas de</p><p>Piaget antes de atingirem o estágio em que essa tarefa é normalmente realizada</p><p>(GELMAN, 2000). Piaget compreendeu que as crianças não passam, por exemplo,</p><p>de não conservadoras para conservadoras de uma só vez. Em vez disso, elas</p><p>normalmente dominam a conservação do número (blocos reorganizados ainda são</p><p>o mesmo número de blocos) um ou dois anos antes de dominarem a conservação</p><p>do peso (o peso de uma bola de argila não muda quando você a achata). Essa</p><p>observação torna o conceito de estágios definidos de desenvolvimento mais difícil</p><p>de justificar (MILLER, 2011). Da mesma forma, em contextos simples e práticos,</p><p>as crianças demonstraram sua capacidade de considerar o ponto de vista dos</p><p>outros (SIEGLER, 2006), e os bebês demonstraram aspectos da permanência do</p><p>objeto muito antes do previsto por Piaget (BAILLARGEON, 2002).</p><p>O resultado desta pesquisa foi o reconhecimento de que as crianças são</p><p>mais competentes do que Piaget originalmente tinha pensado, especialmente</p><p>quando seu conhecimento prático está sendo avaliado, e que a experiência e o</p><p>ensino direto afetam o ritmo de desenvolvimento (FELDMAN, 2015). Piaget</p><p>(1977) respondeu a demonstrações desse tipo argumentando que as crianças já</p><p>deviam estar à beira do próximo estágio de desenvolvimento, mas permanece o</p><p>fato de que algumas das tarefas piagetianas podem ser ensinadas a crianças bem</p><p>abaixo da idade em que geralmente aparecem sem instrução.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>41</p><p>Outro ponto de crítica vai ao cerne da teoria dos "estágios" de Piaget.</p><p>Muitos pesquisadores, atualmente, duvidam que existam amplos estágios de</p><p>desenvolvimento afetando todos os tipos de tarefas cognitivas; em vez disso,</p><p>eles argumentam que as habilidades das crianças se desenvolvem de maneiras</p><p>diferentes em tarefas diferentes e que sua experiência pode ter uma forte influência</p><p>no ritmo de desenvolvimento (MILLER, 2011; SIEGLER, 2006; TRAWICK-SMITH,</p><p>2014). A evidência é particularmente forte de que as crianças podem ser ensinadas</p><p>a ter um bom desempenho nas tarefas piagetianas de avaliação de operações</p><p>formais, como o problema do pêndulo ilustrado na Figura 3. Claramente, a</p><p>experiência é importante. Observe um adulto inteligente aprendendo a velejar.</p><p>Inicialmente, é provável que ele ou ela se envolva em muitos comportamentos</p><p>operacionais concretos, tentando tudo em uma ordem caótica, antes de começar</p><p>a aprender sistematicamente como ajustar a cana do leme e a vela ao vento e à</p><p>direção, como no pensamento operacional formal.</p><p>As teorias neopiagetianas são modificações da teoria de Piaget que tentam</p><p>superar suas limitações e resolver os problemas que os críticos identificaram.</p><p>Em particular, os neopiagetianos demonstraram que as habilidades das crianças</p><p>para operar em um determinado estágio dependem muito das tarefas específicas</p><p>envolvidas (MASSEY, 2008); que o treinamento e a experiência, incluindo as</p><p>interações sociais, podem acelerar o desenvolvimento das crianças (SIEGLER, 2006)</p><p>e que a cultura tem um impacto importante no desenvolvimento (GELMAN, 2000).</p><p>Os neopiagetianos veem o desenvolvimento cognitivo em termos de tipos</p><p>específicos de tarefas, em vez de estágios gerais. Por exemplo, diferentes tarefas</p><p>descritas como indicadores do pensamento operacional concreto aparecem em</p><p>idades muito diferentes (COHEN, CASHON, 2003). Os neopiagetianos referem-</p><p>se ao “pensamento dialético”, a capacidade de ver que os problemas da vida real</p><p>não têm necessariamente uma solução única (STERNBERG, 2008). Influenciados</p><p>por Vygotsky, os neopiagetianos colocam ênfase muito maior do que o próprio</p><p>Piaget no impacto da cultura, do contexto social e da educação no processo de</p><p>desenvolvimento (CRISP; TURNER, 2011).</p><p>Implicações educacionais da teoria de Piaget</p><p>As teorias de Piaget tiveram um grande impacto nas práticas da educação (DEVRIES, 2008;</p><p>SCHUNK, 2016). As teorias focalizaram a atenção na ideia de educação apropriada ao</p><p>desenvolvimento – uma educação com ambientes, currículo, materiais e instrução que</p><p>são adequados para os alunos em termos de suas habilidades físicas e cognitivas e suas</p><p>necessidades sociais e emocionais. A teoria piagetiana tem sido influente nos modelos</p><p>construtivistas de aprendizagem. Berk (2013) resume as principais implicações de ensino</p><p>extraídas de Piaget da seguinte forma:</p><p>1. Um foco no processo de pensamento das crianças, não apenas em seus produtos.</p><p>Além de verificar a exatidão das respostas das crianças, os professores devem compreender</p><p>IMPORTANTE</p><p>42</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>os processos que as crianças usam para chegar à resposta. As experiências de aprendizagem</p><p>apropriadas se baseiam no nível atual de funcionamento cognitivo das crianças, e somente</p><p>quando os professores apreciam os métodos das crianças para chegar a conclusões</p><p>específicas é que eles estão em posição de fornecer tais experiências.</p><p>2. Reconhecimento do papel crucial do envolvimento ativo e auto iniciado das crianças</p><p>nas atividades de aprendizagem. Em uma sala de aula piagetiana, a apresentação do</p><p>conhecimento pré-fabricado não é enfatizada e as crianças são encorajadas a descobrir</p><p>por si mesmas por meio da interação espontânea com o ambiente. Portanto, em vez de</p><p>ensinar didaticamente, os professores oferecem uma rica variedade de atividades que</p><p>permitem às crianças agirem diretamente no mundo físico.</p><p>3. Uma redução da ênfase nas práticas destinadas a tornar as crianças parecidas com</p><p>os adultos em seus pensamentos. Piaget referiu-se à questão “Como podemos acelerar</p><p>o desenvolvimento?” como “a questão americana”. Entre os muitos países que visitou,</p><p>psicólogos e educadores nos Estados Unidos pareciam mais interessados em quais</p><p>técnicas poderiam ser usadas para acelerar o progresso das crianças através dos estágios.</p><p>Os programas educacionais baseados em Piaget aceitam sua firme convicção de que o</p><p>ensino prematuro pode ser pior do que nenhum ensino, porque leva à aceitação superficial</p><p>de fórmulas para adultos, em vez de ao verdadeiro entendimento cognitivo.</p><p>4. Aceitação das diferenças individuais no progresso do desenvolvimento. A teoria de</p><p>Piaget assume que todas as crianças passam pela mesma sequência de desenvolvimento,</p><p>mas que o fazem em ritmos diferentes. Portanto, os professores devem fazer um esforço</p><p>especial para organizar as atividades em sala de aula para indivíduos e pequenos grupos de</p><p>crianças, em vez de para o grupo</p><p>total da turma. Além disso, como as diferenças individuais</p><p>são esperadas, o progresso educacional das crianças deve ser avaliado em termos do</p><p>curso de desenvolvimento anterior de cada criança, e não em termos do desempenho de</p><p>colegas da mesma idade.</p><p>4 COMO VIGOTSKI COMPREENDEU O DESENVOLVIMENTO</p><p>COGNITIVO?</p><p>Lev Semionovich Vygotsky foi um psicólogo russo que morreu em</p><p>1934. Embora Piaget e Vygotsky nunca se tenham conhecido, eles eram</p><p>contemporâneos que sabiam dos primeiros trabalhos um do outro (DEVRIES,</p><p>2008). A obra de Vygotsky não foi amplamente lida em português até a década de</p><p>1980 e 1990 (em Portugal, a primeira obra traduzida foi em 1979, e, no Brasil, em</p><p>1987), no entanto, e somente a partir de então, suas teorias se tornaram influentes</p><p>globalmente. A teoria vygotskiana é agora uma força poderosa na psicologia do</p><p>desenvolvimento, e muitas das críticas que ele fez à perspectiva piagetiana há</p><p>mais de 90 anos vieram à tona hoje (JOHN-STEINER, MAHN, 2003).</p><p>O trabalho de Vygotsky é baseado em duas ideias-chave. Primeiro, ele</p><p>propôs que o desenvolvimento intelectual pode ser entendido apenas em termos</p><p>dos contextos históricos e culturais que as crianças vivenciam. Em segundo lugar,</p><p>ele acreditava que o desenvolvimento depende dos sistemas de signos com os quais</p><p>os indivíduos crescem, ou seja, a linguagem: os símbolos que as culturas criam para</p><p>ajudar as pessoas a pensar, comunicar e resolver problemas. Os exemplos incluem</p><p>o idioma de uma cultura, seu sistema de escrita e seu sistema de contagem. Focar</p><p>apenas em sistemas de símbolos ocidentais, ele argumentou, subestima muito o</p><p>desenvolvimento cognitivo em diversas culturas (TRAWICK-SMITH, 2014). Em</p><p>contraste com Piaget, Vygotsky propôs que o desenvolvimento cognitivo está</p><p>fortemente ligado aos dados recebidos (input) aos quais a criança é exposta.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>43</p><p>4.1 COMO OCORRE O DESENVOLVIMENTO</p><p>Lembre-se de que, na teoria de Piaget, sugere-se que o desenvolvimento</p><p>precede a aprendizagem. Em outras palavras, estruturas cognitivas específicas</p><p>precisam se desenvolver antes, para que certos tipos de aprendizagem</p><p>possam ocorrer. Já na teoria de Vygotsky, é a aprendizagem que precede o</p><p>desenvolvimento. Para Vygotsky, a aprendizagem envolve a aquisição da</p><p>linguagem. O desenvolvimento ocorre à medida que a criança internaliza as</p><p>diferentes linguagens para poder pensar e resolver problemas sem a ajuda de</p><p>outras pessoas, habilidade chamada de autorregulação.</p><p>O primeiro passo no desenvolvimento da autorregulação e do pensamento</p><p>independente é aprender que as ações e os sons têm um significado. Por exemplo,</p><p>um bebê aprende que o processo de estender a mão em direção a um objeto é</p><p>interpretado por outras pessoas como um sinal de que a criança deseja o objeto</p><p>e, em seguida, estende a mão em direção a objetos fora de alcance como um sinal</p><p>de que deseja ajuda para obter o objeto. No caso da aquisição da linguagem,</p><p>as crianças aprendem a associar certos sons a significados. A segunda etapa</p><p>no desenvolvimento de estruturas internas e autorregulação envolve a prática.</p><p>O bebê pratica gestos que chamarão a atenção. A criança em idade pré-escolar</p><p>conversa com outras pessoas para dominar a linguagem. A etapa final é o uso de</p><p>signos, ou seja, de diferentes linguagens, para pensar e resolver problemas sem a</p><p>ajuda de outras pessoas. Nesse ponto, as crianças se autorregulam e o sistema de</p><p>signos é internalizado.</p><p>Vygotsky propôs que as crianças incorporam a fala de outras pessoas e,</p><p>então, usam essa fala para se ajudarem a resolver problemas. A fala privada é fácil</p><p>de ver em crianças pequenas, que frequentemente falam sozinhas, especialmente</p><p>quando confrontadas com tarefas difíceis. Mais tarde, a fala privada silencia,</p><p>mas ainda é muito importante. Estudos descobriram que crianças que fazem uso</p><p>extensivo da fala privada aprendem tarefas complexas com mais eficácia do que</p><p>outras crianças (AL-NAMLAH; FERNYHOUGH; MEINS, 2006).</p><p>Vygotsky (2007) acreditava que a aprendizagem ocorre de maneira mais</p><p>eficaz quando as crianças estão trabalhando em sua Zona de Desenvolvimento</p><p>Proximal (ZDP). As tarefas dentro da zona de desenvolvimento proximal são</p><p>aquelas que uma criança ainda não consegue realizar sozinha, mas poderia</p><p>realizar com a ajuda de colegas ou adultos mais competentes. Ou seja, a zona de</p><p>desenvolvimento proximal descreve tarefas que uma criança ainda não aprendeu,</p><p>mas é capaz de aprender em um determinado momento. Alguns educadores</p><p>referem-se a um “momento ensinável” quando uma criança ou grupo de crianças</p><p>está exatamente no ponto de prontidão para um determinado conceito (BERGER,</p><p>2012). Vygotsky acreditava, ainda, que o funcionamento mental superior</p><p>geralmente existe na conversa e na colaboração entre os indivíduos, antes de</p><p>existir dentro do indivíduo.</p><p>44</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Vygotsky acreditava que habilidades complexas, como raciocínio e</p><p>resolução de problemas, são desenvolvidas por meio da mediação com adultos e</p><p>colegas de alto desempenho (VYGOTSKY, 2007). Ou seja, crianças mais velhas e</p><p>adultos ajudam os alunos explicando, modelando ou simplificando habilidades,</p><p>conhecimentos ou conceitos complexos. Dessa forma, eles ajudam os alunos a</p><p>obter ferramentas psicológicas, como quando as crianças estão dando dicas</p><p>umas às outras em um jogo de computador ou modelando o uso de estratégias</p><p>de debate. Os colegas ou adultos com mais conhecimento ajudam o aluno a</p><p>dar o próximo passo de aprendizagem, mas também contribuem para o "kit de</p><p>ferramentas culturais" do aluno. Por exemplo, imagine que dois jovens amigos</p><p>estão dirigindo juntos e o motorista (involuntariamente) berra em uma esquina.</p><p>O passageiro observa: “Eu sempre desacelero quando estou virando para evitar</p><p>que isso aconteça”. Este conselho, de um colega no momento exato em que</p><p>provavelmente será significativo, não apenas ajudará melhor o motorista na</p><p>curva, mas adicionará ao "kit de ferramentas culturais" do motorista soluções para</p><p>problemas de direção e senso de domínio de uma tarefa de enorme importância</p><p>cultural nas sociedades ocidentais. Em uma cultura tradicional, em que jovens</p><p>adolescentes passam pelos ritos da puberdade, os colegas podem compartilhar</p><p>ideias sobre maneiras de se preparar para um rito de passagem, como sobreviver</p><p>sozinho na selva. Assim como no exemplo de direção, esse compartilhamento</p><p>adiciona ao “kit de ferramentas culturais” do aluno; é apenas um kit diferente,</p><p>projetado para uma cultura diferente. O ponto de Vygotsky é que cada cultura</p><p>veste cada um de seus membros com esse kit por meio de um processo de</p><p>mediação, passando conhecimento, habilidades e experiência dos membros mais</p><p>velhos para os mais jovens da sociedade.</p><p>Uma ideia-chave derivada da noção de Vygotsky de aprendizagem social</p><p>é a de andaime (JOHN-STEINER, MAHN, 2003): a assistência fornecida por pares</p><p>ou adultos mais competentes. Normalmente, andaime significa fornecer à criança</p><p>um grande apoio durante os primeiros estágios de aprendizagem e, em seguida,</p><p>diminuir esse apoio e fazer com que a criança assuma responsabilidades crescentes</p><p>assim que ela puder. O andaime pode ser pensado como uma mediação proposital,</p><p>ajudando planejadamente o aluno a passar de um nível atual de habilidade para</p><p>a capacidade independente de usar uma nova habilidade. Os pais usam andaimes</p><p>quando ensinam os filhos a jogar um novo jogo ou a amarrar os sapatos. Um</p><p>conceito relacionado é a aprendizagem cognitiva, que descreve todo o processo de</p><p>modelagem, treinamento, andaime e avaliação que é tipicamente visto sempre que</p><p>ocorre uma instrução individual (JOHN-STEINER, MAHN, 2003). Por exemplo,</p><p>em A Vida no Mississippi, Mark Twain (2020) descreve</p><p>como foi ensinado a ser</p><p>piloto de barco a vapor. No início, o piloto experiente o orientou em todas as curvas</p><p>do rio, mas, aos poucos, foi deixado para resolver as coisas por si mesmo, com o</p><p>piloto ali para intervir apenas se o barco estivesse prestes a encalhar.</p><p>As teorias de Vygotsky apoiam o uso de estratégias de aprendizagem</p><p>cooperativa nas quais as crianças trabalham juntas para ajudar umas às outras</p><p>a aprender (SLAVIN, 2014). Como os pares geralmente operam nas zonas de</p><p>desenvolvimento proximal uns dos outros, eles costumam fornecer modelos um</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>45</p><p>para o outro de pensamento um pouco mais avançado. Além disso, a aprendizagem</p><p>cooperativa torna a fala interior das crianças disponível para os outros, para que</p><p>possam ter uma visão sobre o processo de raciocínio uns dos outros. Ou seja, as</p><p>crianças se beneficiam de ouvir umas às outras “pensando em voz alta”, especialmente</p><p>quando seus colegas de grupo conversam entre si sobre um problema.</p><p>Aplicações da teoria de Vygotsky em sala de aula</p><p>As teorias de educação de Vygotsky têm importantes implicações práticas na sala de aula.</p><p>O conceito de zona de desenvolvimento proximal implica que apenas as instruções e</p><p>atividades que se enquadram nessa zona podem ser aprendidas. O conteúdo de ensino que</p><p>é muito fácil ou muito difícil não adiciona ao aprendizado. Além disso, de acordo com uma</p><p>abordagem vygotskiana de instrução, o ensino deve enfatizar o andaime, com os alunos</p><p>assumindo cada vez mais responsabilidade por sua própria aprendizagem. Finalmente, os</p><p>alunos podem se beneficiar de arranjos de aprendizagem cooperativa entre grupos de</p><p>alunos com diferentes níveis de habilidade. A tutoria por pares mais competentes pode ser</p><p>eficaz na promoção do crescimento dentro da zona de desenvolvimento proximal, assim</p><p>como as interações em torno de tarefas complexas.</p><p>Você pode usar informações sobre a zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky para</p><p>organizar as atividades em sala de aula das seguintes maneiras:</p><p>• A instrução pode ser planejada para fornecer prática dentro da zona de desenvolvimento</p><p>proximal para crianças individuais ou para grupos de crianças. Por exemplo, dicas e sugestões que</p><p>ajudaram as crianças durante uma pré-avaliação podem formar a base das atividades de ensino.</p><p>• O andaime fornece dicas e sugestões em diferentes níveis. No andaime, o adulto não simplifica</p><p>a tarefa, mas o papel do aluno é simplificado “através da intervenção graduada do professor”.</p><p>• Atividades de aprendizagem cooperativa podem ser planejadas com grupos de crianças</p><p>em diferentes níveis que podem ajudar umas às outras a aprender.</p><p>O andaime está diretamente relacionado ao conceito de zona de desenvolvimento</p><p>proximal. Por exemplo, uma criança pode ver moedas representar cada som em uma</p><p>palavra (três moedas para os três sons em "homem"). Para dominar essa palavra, a criança</p><p>pode ser solicitada a colocar uma moeda na mesa para mostrar cada som em uma palavra</p><p>e, finalmente, a criança pode identificar os sons sem as moedas. As moedas fornecem um</p><p>andaime para ajudar a criança a passar do sucesso assistido para o não assistido na tarefa.</p><p>Em uma aula de ciências de laboratório do ensino médio, um professor pode fornecer um</p><p>andaime, primeiro dando aos alunos guias detalhados para a realização de experimentos,</p><p>em seguida, fornecendo resumos que eles podem usar para estruturar experimentos e,</p><p>finalmente, pedindo-lhes que configurem experimentos inteiramente por conta própria.</p><p>IMPORTANTE</p><p>5 COMO BRONFENBRENNER COMPREENDEU O</p><p>DESENVOLVIMENTO?</p><p>Urie Bronfenbrenner, psicólogo que nasceu na Rússia e mudou-se</p><p>quando criança para os Estados Unidos, descreveu um modelo “bioecológico”</p><p>de desenvolvimento humano (BRONFENBRENNER, MORRIS, 2006). O foco de</p><p>46</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>seu modelo está nas influências sociais e institucionais no desenvolvimento de</p><p>uma criança, desde a família, escolas, locais de culto e bairros, até influências</p><p>sociais e políticas mais amplas, como mídia de massa e governo. Seu modelo está</p><p>resumido na Figura 6.</p><p>FIGURA 6 – MODELO BIOECOLÓGICO DE BRONFENBRENNER</p><p>FONTE: Portugal (1992, p. 40)</p><p>A principal contribuição de Bronfenbrenner (1996) foi mostrar como o</p><p>desenvolvimento é influenciado em cada um dos níveis. Bronfenbrenner critica</p><p>a visão piagetiana por seu foco limitado além da criança (o microssistema). Ele</p><p>nota a enorme influência do lar e da família e as influências mútuas entre a criança</p><p>e a família. Este mesossistema também liga crianças a pais, alunos a professores e</p><p>amigos a amigos. O exossistema (por exemplo, comunidade, governo local, igreja)</p><p>afeta o desenvolvimento diretamente e por meio de sua influência nas famílias, e</p><p>o macrossistema, incluindo valores culturais e religiosos, bem como a mídia de</p><p>massa, define um contexto importante para todo o desenvolvimento. Finalmente,</p><p>o cronossistema consiste na passagem do tempo e nos eventos históricos imediatos</p><p>que mudam todos os fatores que cercam a criança. Bronfenbrenner enfatiza que</p><p>todos esses fatores estão em constante mudança e que a própria criança influencia</p><p>muitos deles, principalmente a família.</p><p>A importância da abordagem bioecológica está em enfatizar a interconexão</p><p>dos muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de uma criança. Uma</p><p>mudança na família, como um divórcio ou perda do emprego, não só influencia a</p><p>criança diretamente, mas também pode causar mudanças na vizinhança, escola,</p><p>local de culto e amigos da criança.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>47</p><p>A abordagem bioecológica é descritiva e filosófica, e não tem o extenso</p><p>suporte de pesquisa dedicado às perspectivas de Piaget ou Vygotsky. No entanto,</p><p>constrói a partir da ênfase de Vygotsky nos fatores socioculturais um modelo</p><p>mais completo de influências além da biologia no desenvolvimento infantil</p><p>(BRONFENBRENNER, 1996).</p><p>6 COMO SE DESENVOLVEM A LINGUAGEM E O LETRAMENTO?</p><p>Os aspectos do desenvolvimento que provavelmente mais preocupam os</p><p>educadores são a linguagem e o letramento. Crianças que desenvolvem grandes</p><p>vocabulários e se tornam oradores, leitores e escritores eficazes têm probabilidade</p><p>de ter sucesso na escola e além (OWENS, 2016). O desenvolvimento da linguagem</p><p>e do letramento é um objetivo fundamental do ensino, mas também existem</p><p>padrões característicos de desenvolvimento ao longo do tempo, observados em</p><p>todas as culturas, que não são resultados diretos do ensino.</p><p>Embora existam diferenças individuais nas taxas em que as crianças</p><p>adquirem habilidades de linguagem, a sequência de realizações é semelhante</p><p>para todas as crianças, independentemente da língua que estão aprendendo. Por</p><p>volta de um ano de idade, as crianças produzem enunciados de uma palavra,</p><p>como “oi” e “mãe”. Essas palavras geralmente representam objetos e eventos que</p><p>são importantes para a criança. Ao longo do segundo ano de vida, as crianças</p><p>começam a combinar palavras em frases de duas palavras (por exemplo, “mais</p><p>leite”). Durante os anos pré-escolares, o vocabulário das crianças aumenta, junto</p><p>com seu conhecimento das regras da língua falada. No momento em que se inicia</p><p>a educação básica, as crianças dominam a maioria das regras gramaticais da</p><p>língua e seu vocabulário consiste em milhares de palavras.</p><p>O desenvolvimento da língua oral, ou língua falada, requer não apenas o</p><p>aprendizado de palavras, mas também o aprendizado das regras de construção</p><p>de palavras e frases (OWENS, 2016). Curiosamente, as crianças muitas vezes</p><p>aprendem as formas corretas de verbos irregulares e depois os substituem por</p><p>construções incorretas, porém baseadas nas regras dos verbos regulares, o que</p><p>chamamos de hipercorreção. Assim como aprendem regras para formar palavras,</p><p>as crianças aprendem regras para frases. Suas primeiras frases geralmente contêm</p><p>apenas duas palavras, mas logo</p><p>9</p><p>2.5 HABILIDADES DO SÉCULO XXI .............................................................................................. 13</p><p>3 QUAL É O PAPEL DA PESQUISA EM PSICOLOGIA EDUCACIONAL? ............................ 15</p><p>3.1 O OBJETIVO DA PESQUISA EM PSICOLOGIA EDUCACIONAL ..................................... 16</p><p>3.2 O IMPACTO DA PESQUISA NA PRÁTICA EDUCACIONAL ............................................ 20</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 23</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 24</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO .................................................................... 27</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 27</p><p>2 COMO AS CRIANÇAS SE DESENVOLVEM COGNITIVAMENTE? ................................... 28</p><p>3 COMO PIAGET COMPREENDEU O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO? .................... 30</p><p>3.1 COMO OCORRE O DESENVOLVIMENTO ............................................................................. 31</p><p>3.2 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DE PIAGET ............................................................... 32</p><p>3.3 COMO O TRABALHO DE PIAGET É VISTO HOJE? ............................................................. 40</p><p>4 COMO VIGOTSKI COMPREENDEU O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO? .............. 42</p><p>4.1 COMO OCORRE O DESENVOLVIMENTO ............................................................................. 43</p><p>5 COMO BRONFENBRENNER COMPREENDEU O DESENVOLVIMENTO? ..................... 45</p><p>6 COMO SE DESENVOLVEM A LINGUAGEM E O LETRAMENTO? .................................... 47</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 52</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 54</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL ............................. 57</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 57</p><p>2 ALGUMAS PERSPECTIVAS SOBRE DESENVOLVIMENTO</p><p>PESSOAL E SOCIAL ......................................................................................................................... 58</p><p>2.1 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIKSON .............................. 59</p><p>2.1.1 Estágio I – Confiança versus Desconfiança (do nascimento aos 18 meses) .................. 59</p><p>2.1.2 Estágio II – Autonomia versus vergonha/dúvida (18 meses a 3 anos) .......................... 59</p><p>2.1.3 Estágio III – Iniciativa versus culpa (3 a 6 anos) ............................................................... 60</p><p>2.1.4 Estágio IV – Diligência versus inferioridade (6 a 12 anos) ............................................. 60</p><p>2.1.5 Estágio V – Identidade versus confusão de identidade/papel (12 a 18 anos) .............. 60</p><p>2.1.6 Estágio VI – Intimidade versus isolamento (19 a 40 anos) .............................................. 61</p><p>2.1.7 Estágio VII – Generatividade versus estagnação/autoabsorção</p><p>(meia-idade, 41 a 65 anos)................................................................................................... 61</p><p>2.1.8 Estágio VIII – Integridade versus desespero (velhice, após os 65 anos) ....................... 61</p><p>2.2 IMPLICAÇÕES E CRÍTICAS DA TEORIA DE ERIKSON ...................................................... 62</p><p>3 ALGUMAS PERSPECTIVAS SOBRE O DESENVOLVIMENTO MORAL ........................... 62</p><p>3.1 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO MORAL DE PIAGET ................................................... 63</p><p>3.2 ESTÁGIOS DE RACIOCÍNIO MORAL DE KOHLBERG ....................................................... 65</p><p>4 COMO AS CRIANÇAS SE DESENVOLVEM SOCIAL E</p><p>EMOCIONALMENTE? .................................................................................................................... 69</p><p>4.1 DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL DURANTE</p><p>OS ANOS PRÉ-ESCOLARES ....................................................................................................... 70</p><p>4.2 DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL DURANTE</p><p>OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ............................................................. 72</p><p>4.3 DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL DURANTE OS</p><p>ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO .................................................... 77</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 87</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 91</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 93</p><p>REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 95</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM .............................................................. 105</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS</p><p>DE APRENDIZAGEM .............................................................................................. 107</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 107</p><p>2 O QUE É A APRENDIZAGEM? .................................................................................................... 108</p><p>2.1 O QUE SÃO AS TEORIAS DA APRENDIZAGEM DO</p><p>COMPORTAMENTO? ............................................................................................................... 110</p><p>2.1.1 Pavlov: condicionamento clássico ................................................................................... 110</p><p>2.1.2 Skinner: condicionamento operante ............................................................................... 111</p><p>2.2 QUAIS SÃO ALGUNS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM</p><p>COMPORTAMENTAL? ............................................................................................................. 112</p><p>2.2.1 O papel das consequências ............................................................................................... 112</p><p>2.2.2 Reforçadores ....................................................................................................................... 113</p><p>2.2.3 Punidores ............................................................................................................................ 117</p><p>2.2.4 Imediatismo das consequências ...................................................................................... 119</p><p>2.2.5 Modelagem ......................................................................................................................... 119</p><p>2.2.6 Extinção ............................................................................................................................... 120</p><p>2.2.7 Esquemas de reforçamento .............................................................................................. 122</p><p>2.2.8 Manutenção ........................................................................................................................ 125</p><p>2.2.9 O papel dos antecedentes ................................................................................................. 125</p><p>3 COMO A TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL CONTRIBUIU</p><p>PARA A NOSSA COMPREENSÃO DA APRENDIZAGEM HUMANA? ........................... 128</p><p>3.1 BANDURA: MODELAGEM E APRENDIZAGEM OBSERVACIONAL ............................ 128</p><p>3.2 MODELO DE APRENDIZAGEM AUTORREGULADA DE MEICHENBAUM ............... 132</p><p>4 PONTOS FORTES E LIMITAÇÕES DAS TEORIAS DE APRENDIZAGEM</p><p>COMPORTAMENTAL ...................................................................................................................</p><p>aprendem a formar frases mais complexas e a</p><p>variar o tom de voz para indicar perguntas ou para indicar ênfase. Crianças de</p><p>três anos geralmente podem expressar pensamentos bastante complexos, embora</p><p>suas frases ainda possam carecer de algumas palavras.</p><p>Crianças em idade pré-escolar costumam brincar com a linguagem</p><p>ou fazer experiências com seus padrões e regras. Essa experimentação</p><p>frequentemente envolve a mudança de sons, padrões e significados. As crianças</p><p>costumam reorganizar os sons das palavras para criar novas palavras, rimas e</p><p>frases engraçadas.</p><p>48</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>O desenvolvimento da linguagem oral é fortemente influenciado pela</p><p>quantidade e qualidade da fala dos pais com seus filhos. Um estudo clássico</p><p>de Hart e Risley (1995) descobriu que os pais da classe média falavam muito</p><p>mais com os filhos do que os pais da classe trabalhadora, e que seus filhos</p><p>tinham números substancialmente diferentes de palavras em seus vocabulários.</p><p>A quantidade de palavras dos pais era tão importante quanto o status</p><p>socioeconômico; filhos de pais de baixa renda que falavam muito com os filhos</p><p>também tinham vocabulários extensos. Numerosos estudos também mostraram</p><p>que programas escolares direcionados à construção de vocabulário podem ser</p><p>muito eficazes (HINDMAN, WASIK, 2012).</p><p>Embora o desenvolvimento da linguagem seja semelhante para crianças</p><p>que falam todos os idiomas, as crianças que falam outros idiomas além do</p><p>português nas escolas do Brasil têm desafios adicionais.</p><p>Estratégias de ensino para auxiliar no desenvolvimento de uma segunda língua</p><p>são discutidas no Livro Didático “Fundamentos da Neurofisiologia e Neuropsicologia” de</p><p>Kevin Daniel dos Santos Leyser (2018), que você pode acessar em sua Biblioteca Virtual:</p><p>https://bibliotecavirtual.uniasselvi.com.br/livros/livro/28539.</p><p>DICAS</p><p>Aprender a ler nos primeiros anos do ensino fundamental é uma das</p><p>mais importantes de todas as tarefas de desenvolvimento, tanto porque outras</p><p>disciplinas dependem da leitura quanto porque, em nossa sociedade, o sucesso</p><p>escolar é frequentemente equiparado ao sucesso na leitura. Crianças que não</p><p>aprendem a ler bem até o quarto ano estão em grande risco de problemas de</p><p>longo prazo. As crianças costumam ter habilidades de linguagem complexas que</p><p>são críticas para a leitura, e o processo de aprender a ler pode começar bem cedo</p><p>se as crianças leem para elas (GIORGIS; GLAZER, 2009).</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>49</p><p>Pesquisas sobre o letramento emergente, ou conhecimentos e habilidades</p><p>de pré-escolares relacionados à leitura mostraram que as crianças podem entrar</p><p>na escola com um grande conhecimento sobre leitura e que esse conhecimento</p><p>contribui para o sucesso na instrução formal de leitura (MORROW; ROSKOS;</p><p>GAMBRELL, 2015). Por exemplo, crianças pequenas costumam aprender</p><p>conceitos de texto, como que o texto é organizado da esquerda para a direita, que</p><p>os espaços entre as palavras têm significado e que os livros são lidos da frente</p><p>para trás. Muitos pré-escolares podem “ler” livros do início ao fim, interpretando</p><p>as imagens em cada página. Eles entendem os enredos da história e geralmente</p><p>podem prever o que acontecerá a seguir em uma história simples. Eles podem</p><p>reconhecer logotipos em lojas e produtos familiares.</p><p>As crianças que leem em casa começam com uma vantagem na leitura, mas</p><p>todas as crianças podem aprender conceitos de textos, trama e outros conceitos</p><p>de pré-leitura se frequentarem pré-escolas ou jardins de infância que enfatizarem</p><p>a leitura e a discussão de livros em sala de aula. Da mesma forma, crianças</p><p>pequenas podem ser ensinadas a ouvir sons específicos dentro das palavras,</p><p>uma habilidade chamada consciência fonêmica, o que contribui para o sucesso</p><p>posterior na leitura. É importante, também, aproveitar todas as oportunidades</p><p>possíveis para construir o vocabulário das crianças apontando novas palavras em</p><p>muitos contextos (NEUMAN, 2014).</p><p>A escrita das crianças também segue uma sequência de desenvolvimento.</p><p>Ela surge de rabiscos iniciais e, a princípio, é espalhada aleatoriamente por uma</p><p>página. Essa característica reflete uma compreensão incompleta dos limites das</p><p>palavras, bem como uma incapacidade de criar mentalmente uma linha para</p><p>colocar as letras. As crianças inventam grafias fazendo julgamentos sobre os</p><p>sons e relacionando os sons que ouvem com as letras que conhecem. Ao tentar</p><p>representar o que ouvem, elas normalmente usam nomes de letras em vez de sons</p><p>de letras; vogais curtas são frequentemente omitidas porque não estão diretamente</p><p>associadas aos nomes das letras (MORROW, ROSKOS, GAMBRELL, 2015).</p><p>Promovendo o desenvolvimento do letramento em crianças pequenas</p><p>Muitas das implicações educacionais derivadas de pesquisas sobre o desenvolvimento do</p><p>letramento das crianças transferem os resultados de duas fontes: comportamentos dos pais</p><p>e dos professores que incentivam o desenvolvimento da língua oral e estudos de crianças</p><p>pequenas que aprendem a ler sem instrução formal em sala de aula. As recomendações</p><p>mais frequentes incluem leitura para crianças; cercá-los de livros e outros materiais</p><p>impressos; disponibilizando vários materiais de escrita; incentivo à leitura e escrita; e</p><p>responder às perguntas das crianças sobre letras, palavras e grafias.</p><p>Você pode, também, usar vários locais na sala de aula. As salas de aula podem ter</p><p>centros de redação que disponibilizam computadores com programas de redação, letras</p><p>magnéticas, quadros-negros, lápis, giz de cera, marcadores e papel. Você pode incentivar</p><p>IMPORTANTE</p><p>50</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>o envolvimento das crianças com livros, lendo em pequenos grupos, fazendo com que</p><p>voluntários leiam para as crianças individualmente e permitindo que as crianças escolham</p><p>livros para ler. As experiências íntimas de leitura permitem que as crianças virem as páginas,</p><p>parem para ver fotos ou façam perguntas e leiam junto com um adulto.</p><p>Livros de histórias infantis permitem que os leitores iniciantes confiem no que já sabem</p><p>sobre letramento enquanto aprendem as relações entre letras e sons. As histórias são</p><p>previsíveis se uma criança conseguir lembrar o que o autor vai dizer e como será dito.</p><p>Estruturas repetitivas, rima e ritmo, e uma combinação entre imagens e texto aumentam a</p><p>previsibilidade. A compreensão das crianças sobre a alfabetização é aprimorada quando os</p><p>adultos destacam as características importantes do texto. Declarações como “Começamos</p><p>na frente, não no final do livro”; “Mova o dedo; você está cobrindo as palavras e não</p><p>consegue enxergar para lê-las”; e “Aponte para cada palavra que você disser, não para cada</p><p>letra, assim” ajudam a esclarecer o processo de leitura. Você pode indicar os recursos do</p><p>texto que são significativos e chamar a atenção para padrões de letras, sons ou frases.</p><p>Programas que incentivam os pais a ler com seus filhos em idade pré-escolar mostraram</p><p>que as crianças se beneficiam.</p><p>A linguagem e o letramento se desenvolvem em um ritmo rápido para as</p><p>crianças do ensino fundamental e médio. Por exemplo, Graves (2007) estima que</p><p>o aluno médio adiciona 3.000 palavras a cada ano ao seu vocabulário. No entanto,</p><p>essas palavras variam, conforme as motivações, o interesse, a cultura e o grupo</p><p>de pares de um aluno passam a ter um grande impacto. Por exemplo, uma garota</p><p>que fala sobre esportes com seus amigos e família, pratica esportes, lê sobre</p><p>esportes e assiste a esportes na televisão desenvolve um enorme vocabulário</p><p>esportivo. Uma garota que ama ciências e faz parte de um grupo familiar e de</p><p>colegas que falam sobre ciências constrói um vocabulário de ciências igualmente</p><p>enorme. Mas qual desses – esportes ou ciências – estará nos conteúdos escolares?</p><p>Obviamente, a garota imersa em ciências leva uma grande vantagem na escola</p><p>por causa de seus interesses e contexto social.</p><p>O letramento também se desenvolve rapidamente nos anos escolares</p><p>elementares e intermediários. Considerando que a ênfase nos primeiros anos</p><p>do ensino fundamental é principalmente na decodificação e fluência, os alunos</p><p>do terceiro ano escolar em diante estão cada vez mais focados na construção</p><p>de compreensão, vocabulário e habilidades de estudo. Bons leitores usam</p><p>estratégias como prever, revisar, resumir e gerar suas próprias perguntas, e, se</p><p>essas estratégias forem ensinadas diretamente a alunos do ensino fundamental e</p><p>médio, sua compreensão melhora (BIANCAROSA; SNOW, 2006).</p><p>Para finalizar este tópico, aqui vão algumas dicas para os professores</p><p>intencionais quanto ao ensino dirigido por princípios do desenvolvimento</p><p>cognitivo, da linguagem e do letramento. Os professores intencionais usam o que</p><p>sabem sobre padrões previsíveis de desenvolvimento cognitivo, de letramento e</p><p>de linguagem para tomar decisões de ensino:</p><p>• Eles estão cientes do que as crianças da idade em que ensinam são capazes de</p><p>fazer agora e nos próximos passos em seu desenvolvimento, e ajudam a dar</p><p>aos alunos oportunidades de crescer em novas formas de pensar.</p><p>TÓPICO 2 — DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>51</p><p>• Eles avaliam os processos de pensamento de seus alunos, usando a observação,</p><p>bem como medidas formais, para compreender seus níveis cognitivos e as</p><p>barreiras ao seu crescimento.</p><p>• Eles modificam sua instrução se eles descobrem que não é um desafio para seus</p><p>alunos realizarem um crescimento conceitual, ou se eles acham que muitos</p><p>alunos estão lutando devido à falta de preparação.</p><p>• Eles oferecem aos alunos muitas oportunidades de trabalhar com diversos</p><p>colegas, para que possam experimentar regularmente como colegas em níveis</p><p>cognitivos ligeiramente diferentes procedem para resolver problemas.</p><p>• Eles oferecem aos alunos muitas oportunidades para resolver problemas</p><p>práticos complexos que os forçam a encontrar questões cognitivas adequadas</p><p>aos seus níveis de desenvolvimento, como experimentos científicos intrigantes</p><p>e problemas matemáticos intrigantes.</p><p>• Eles levam em consideração fatores culturais, familiares e comunitários em</p><p>seu ensino, sem usar esses fatores como desculpa para exigir menos de alguns</p><p>alunos.</p><p>• Eles convidam proativamente os pais e membros da comunidade a se</p><p>envolverem com o ensino, para que os alunos possam ver uma consistência de</p><p>expectativas entre a escola, o lar e a comunidade, e para que as famílias e os</p><p>membros da comunidade possam reforçar melhor os objetivos da escola para</p><p>as crianças que compartilham.</p><p>52</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• A maioria dos psicólogos do desenvolvimento acredita que a natureza e a</p><p>criação se combinam para influenciar o desenvolvimento cognitivo.</p><p>• Teorias do desenvolvimento contínuo focam nas experiências sociais pelas</p><p>quais uma criança passa, enquanto teorias do desenvolvimento descontínuo</p><p>enfatizam fatores inatos em vez da influência ambiental.</p><p>• Piaget postulou quatro estágios de desenvolvimento cognitivo por meio dos</p><p>quais as pessoas progridem entre o nascimento e a idade adulta.</p><p>• As pessoas ajustam seus esquemas para lidar com o mundo por meio da</p><p>assimilação e da acomodação.</p><p>• Os estágios de desenvolvimento de Piaget incluem o estágio sensório-motor</p><p>(nascimento até dois anos de idade), o estágio pré-operatório (dois a sete</p><p>anos de idade) e o estágio operacional concreto (idades de sete a 11). Durante</p><p>o estágio operacional formal (dos 11 anos até a idade adulta), os jovens</p><p>desenvolvem a habilidade de lidar com situações hipotéticas e monitorar seu</p><p>próprio pensamento.</p><p>• A teoria de Piaget foi criticada por se basear exclusivamente em estágios</p><p>amplos, fixos e sequenciais através dos quais todas as crianças progridem e</p><p>por subestimar as habilidades das crianças.</p><p>• As teorias neopiagetianas colocam maior ênfase nas influências sociais e</p><p>ambientais no desenvolvimento cognitivo.</p><p>• A teoria de Piaget tem implicações importantes para a educação.</p><p>• Os princípios piagetianos estão embutidos no currículo e nas práticas de</p><p>ensino eficazes, e os conceitos influenciados por Piaget, como o construtivismo</p><p>cognitivo e a instrução apropriada ao desenvolvimento, têm sido importantes</p><p>na reforma educacional.</p><p>• Vygotsky via o desenvolvimento cognitivo como uma consequência do</p><p>desenvolvimento social por meio da interação com os outros e o meio ambiente.</p><p>• A aprendizagem mediada ocorre nas zonas de desenvolvimento proximal das</p><p>crianças, em que elas podem realizar novas tarefas que estão dentro de suas</p><p>capacidades apenas com a ajuda de um professor ou de seus pares.</p><p>53</p><p>• As crianças internalizam o aprendizado, desenvolvem autorregulação e</p><p>resolvem problemas por meio da fala privada ou silenciosa.</p><p>• Os professores fornecem contextos interacionais, como aprendizagem</p><p>cooperativa, mediação e estrutura de apoio, para ajudar as crianças a desenvolver</p><p>a compreensão de habilidades apropriadas para o desenvolvimento.</p><p>• Bronfenbrenner criou um modelo bioecológico para descrever como a família,</p><p>a escola, a comunidade e os fatores culturais afetam o desenvolvimento de</p><p>uma criança.</p><p>• A linguagem das crianças se desenvolve em padrões previsíveis conforme as</p><p>crianças usam e brincam com a linguagem.</p><p>• O desenvolvimento do letramento precoce depende das experiências das</p><p>crianças em casa e de seu aprendizado sobre livros e palavras.</p><p>• Os alunos progridem rapidamente em vocabulário e compreensão de leitura.</p><p>• A motivação é a chave para a aquisição da linguagem, assim como as</p><p>oportunidades de usar novas palavras e habilidades de leitura com os colegas</p><p>e em novas formas.</p><p>54</p><p>1 As pesquisas na área do desenvolvimento da aprendizagem não são recentes.</p><p>Muitos teóricos que se debruçaram sobre os estudos do desenvolvimento</p><p>cognitivo chegaram a inúmeras conclusões. Mas, podemos encontrar</p><p>na literatura autores como Piaget que acreditavam que todas as pessoas</p><p>nascem com uma tendência natural a se relacionarem e a dar sentido aos</p><p>seus ambientes, apresentando alguns padrões de comportamentos no</p><p>qual o autor citado chamou de esquemas. A respeito dos esquemas e seus</p><p>processos, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) A adaptação é o processo de ajustar esquemas em resposta aos estímulos</p><p>internos do organismo independente do ambiente externo.</p><p>b) ( ) A acomodação é o processo de compreensão de um novo objeto ou</p><p>evento em termos de um esquema existente.</p><p>c) ( ) A assimilação é um processo no qual a criança pode modificar um</p><p>esquema existente à luz de novas informações ou de uma nova</p><p>experiência.</p><p>d) ( ) A equilibração é o processo no qual as pessoas naturalmente tentam</p><p>reduzir os desequilíbrios concentrando-se nos estímulos que causam</p><p>o desequilíbrio e desenvolvendo novos esquemas, ou adaptando os</p><p>antigos, até que o equilíbrio seja restaurado.</p><p>2 O educador ao desenvolver o seu ensino precisa saber que as crianças não</p><p>são pequenos adultos, e que a forma que cada um interpreta o mundo vai</p><p>determinar a forma que ela aprenderá. Psicólogos do desenvolvimento vêm</p><p>discutindo por décadas duas grandes questões: 1) se o desenvolvimento</p><p>da criança ocorre em estágios e; 2) em que grau o desenvolvimento dessa</p><p>criança é afetado por sua experiência. Com relação ao desenvolvimento</p><p>cognitivo das crianças, assinale V para verdadeiro e F para falso nos itens</p><p>que seguem:</p><p>I- Os psicólogos do desenvolvimento acreditam que a experiência do</p><p>indivíduo e a sua natureza se combinam para instigar o desenvolvimento,</p><p>nesse sentido, fatores de caráter biológico desempenharão um papel mais</p><p>significativo em alguns aspectos,</p><p>como por exemplo o desenvolvimento</p><p>físico.</p><p>II- Os psicólogos do desenvolvimento acreditam que não existe relação entre</p><p>fatores biológicos para o desenvolvimento cognitivo infantil.</p><p>III- Apenas aspectos de experiências culturais irão determinar o</p><p>desenvolvimento cognitivo da criança.</p><p>IV- É necessário investigar os estágios de desenvolvimento e a idade da</p><p>criança para desenvolver boas estratégias de ensino.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>55</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 John Watson, comportamentalista que tinha uma posição ambientalista</p><p>radical da educação, quando escreveu sobre o argumento da natureza</p><p>versus a criação, afirmava que se lhes dessem uma dúzia de crianças</p><p>saudáveis e bem formadas e o seu mundo específico para criá-las, ele se</p><p>comprometeria a escolher uma delas ao acaso e treiná-la para que chegue a</p><p>ser qualquer tipo de especialista que escolhesse. De acordo com a teoria de</p><p>Watson, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) Apesar de poucos pesquisadores chegarem a este extremo de Watson,</p><p>há pouca dúvida atualmente de que o ambiente é o fator determinante e</p><p>singular em qualquer situação de aprendizagem e que os genes, a biologia</p><p>não tem qualquer influência significativa.</p><p>( ) Para os educadores, o ponto-chave é que, embora nada possa ser feito</p><p>sobre os genes de uma criança, muito pode ser feito em relação ao</p><p>ambiente para desenvolver habilidades, motivação e autoconfiança.</p><p>( ) Ambiente, genes e oportunidades não possuem efeito promissor para o</p><p>desenvolvimento de habilidades.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) F – V – F.</p><p>c) ( ) F – V – V.</p><p>d) ( ) V – F – V.</p><p>4 Embora o próprio Vygotsky nunca tenha mencionado o termo, o andaime</p><p>foi desenvolvido pela primeira vez por Jerome Bruner, David Wood e Gail</p><p>Ross, ao aplicar o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)</p><p>de Vygotsky a vários contextos educacionais. O conceito de andaime é</p><p>utilizado para explicar aspectos da aprendizagem social. Nesse contexto,</p><p>descreva qual era a proposta principal deste conceito:</p><p>5 Piaget, em sua teoria do desenvolvimento cognitivo, dividiu o</p><p>desenvolvimento de crianças e adolescentes em quatro estágios: sensório</p><p>motor, pré-operatório, operacional concreto e operacional formal. Nesse</p><p>contexto, disserte acerca dos quatro estágios, especificando em qual idade</p><p>eles ocorrem.</p><p>56</p><p>57</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL</p><p>E EMOCIONAL</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, novamente iniciaremos o tópico com um caso hipotético.</p><p>Vamos lá?</p><p>Na Escola de Ensino Básico E.E.B. Anísio Teixeira, os alunos do nono ano</p><p>escolar são incentivados a se tornarem tutores para os alunos do segundo ano.</p><p>Eles os ajudam com leitura, matemática e outras matérias. Como parte desse</p><p>programa, Samuel Silva, aluno do nono ano, está trabalhando há cerca de um</p><p>mês com Bruno Almeida, aluno do segundo ano.</p><p>"Ei, baixinho!" diz Samuel um dia quando encontra Bruno para uma sessão</p><p>de tutoria. "Ei, Samuel!" Como sempre, Bruno está encantado em ver seu grande</p><p>amigo. Mas hoje sua saudação amigável se transforma em um olhar de espanto.</p><p>"O que você tem em seu lábio?". "Você nunca viu um piercing labial?" Bruno</p><p>está impressionado. "Incrível!" “Muitos caras estão usando”. "Não doeu abrir um</p><p>buraco no lábio?" “Um pouco, mas sou forte! Rapaz, minha mãe estava brava, no</p><p>entanto. Eu tenho que tirar meu piercing antes de ir para casa, mas eu o coloco de</p><p>volta enquanto estou caminhando para a escola. ". "Mas sua mãe não ...". “Chega</p><p>disso, tampinha! Você tem um pouco de matemática para fazer. Vamos lá!"</p><p>A interação entre Samuel e Bruno ilustra as enormes diferenças entre o</p><p>mundo do adolescente e o da criança. Samuel, aos 13 anos, é um adolescente</p><p>clássico. Seu idealismo e profundo compromisso com o que é positivo são</p><p>mostrados em seu voluntariado para servir como tutor e no relacionamento</p><p>carinhoso e responsável que estabeleceu com Bruno. Ao mesmo tempo, Samuel</p><p>está afirmando sua independência com um piercing no lábio e usando-o em seu</p><p>lábio, contra a vontade de sua mãe. Essa independência é fortemente apoiada por</p><p>seu grupo de colegas, portanto, é realmente apenas uma mudança de dependência</p><p>de pais e professores para os colegas. Seu principal objetivo ao usar um piercing</p><p>labial é demonstrar conformidade com os estilos e normas de seus colegas, e</p><p>não com os dos adultos. Mesmo assim, Samuel ainda depende de seus pais e de</p><p>outros adultos para conselhos e apoio ao tomar decisões que ele sabe que têm</p><p>sérias consequências para seu futuro, e ele tira o piercing em casa para evitar uma</p><p>batalha realmente séria com seus pais.</p><p>Bruno vive em um mundo diferente. Ele pode admirar a audácia de</p><p>Samuel, mas ele nunca iria tão longe. O mundo de Bruno tem regras mais simples.</p><p>58</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Ele está chocado com a ousadia de Samuel em usar um piercing no lábio. Ele está</p><p>igualmente chocado com a disposição de Samuel de desobedecer diretamente</p><p>a sua mãe. Bruno pode se comportar mal, mas dentro de limites muito mais</p><p>estreitos. Ele sabe que regras são regras e espera ser punido se as violar.</p><p>PENSAMENTO CRÍTICO</p><p>Os adolescentes afirmam sua independência de maneiras que muitas vezes são apoiadas</p><p>por seu grupo de pares, mas não por seus pais. Diante disso, que tipos de confrontos você</p><p>pode esperar encontrar em uma sala de aula do ensino médio e como pretende lidar com</p><p>eles? Quais estratégias você poderia usar para evitar confrontos em primeiro lugar?</p><p>IMPORTANTE</p><p>Neste tópico, você estudará diferentes visões sobre o desenvolvimento</p><p>social, emocional e moral. Nesta jornada de aprendizagem, podemos identificar</p><p>os estágios do desenvolvimento social e emocional das crianças e aplicar este</p><p>conhecimento para resolução de problemas em sala de aula. Todos estes</p><p>conhecimentos visam informar uma prática de ensino intencional. Vamos lá?</p><p>2 ALGUMAS PERSPECTIVAS SOBRE DESENVOLVIMENTO</p><p>PESSOAL E SOCIAL</p><p>À medida que as crianças melhoram suas habilidades cognitivas, elas</p><p>também desenvolvem autoconceitos, maneiras de interagir com outras pessoas e</p><p>atitudes em relação ao mundo. Compreender o desenvolvimento pessoal e social</p><p>é fundamental para sua capacidade de motivar, ensinar e interagir com sucesso</p><p>com alunos em várias idades (SQUIRES et al., 2013).</p><p>O desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento pessoal e o</p><p>desenvolvimento social são frequentemente descritos em termos de estágios.</p><p>Diante destas mudanças, muitas vezes, quando alguém está reagindo de forma</p><p>irracional e egoísta, acusamos essa pessoa de "se comportar como uma criança</p><p>de dois anos". Por outro lado, a palavra adolescente está associada na cultura</p><p>ocidental com rebeldia, crises de identidade, adoração ao herói e despertar</p><p>sexual. Essas associações refletem estágios de desenvolvimento pelos quais todos</p><p>passam.</p><p>Esta seção concentra-se em uma teoria do desenvolvimento pessoal</p><p>e social proposta por Erik Erikson (1998), que é uma adaptação das teorias do</p><p>desenvolvimento do neurologista e psiquiatra Sigmund Freud. O trabalho de</p><p>Erikson é frequentemente chamado de teoria psicossocial, porque relaciona</p><p>princípios de desenvolvimento psicológico e social.</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>59</p><p>2.1 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE</p><p>ERIKSON</p><p>Assim como Piaget, Erikson não teve treinamento formal em psicologia,</p><p>mas quando jovem foi treinado por Freud como psicanalista. Erikson levantou</p><p>a hipótese de que as pessoas passam por oito estágios</p><p>psicossociais em suas</p><p>vidas. Em cada estágio, existem crises ou problemas críticos a serem resolvidos.</p><p>A maioria das pessoas resolve cada crise psicossocial de forma satisfatória e</p><p>deixa-as para trás para assumir novos desafios, no entanto, algumas pessoas não</p><p>resolvem completamente essas crises e devem continuar a lidar com elas mais</p><p>tarde na vida.</p><p>Conforme as pessoas crescem, enfrentam uma série de crises psicossociais</p><p>que moldam a personalidade, de acordo com Erik Erikson (1998). Cada crise se</p><p>concentra em um aspecto particular da personalidade e envolve o relacionamento</p><p>da pessoa com outras pessoas.</p><p>2.1.1 Estágio I – Confiança versus Desconfiança (do</p><p>nascimento aos 18 meses)</p><p>O objetivo da infância é desenvolver uma confiança básica no mundo.</p><p>Erikson (1976) definiu a confiança básica como uma confiança essencial dos</p><p>outros, bem como um senso fundamental da própria confiabilidade. A mãe, ou a</p><p>figura materna, geralmente é a primeira pessoa importante no mundo da criança.</p><p>A mãe é quem deve satisfazer a necessidade de alimento e afeto do bebê.</p><p>Se a mãe for inconsistente ou rejeitadora, ela se torna uma fonte de frustração para</p><p>o bebê ao invés de uma fonte de prazer (CUMMINGS; BRAUNGART-RIEKER;</p><p>DU ROCHER-SCHUDLICH, 2003). O comportamento da mãe cria no bebê um</p><p>sentimento de desconfiança em relação ao seu mundo que pode persistir ao longo</p><p>da infância e na idade adulta.</p><p>2.1.2 Estágio II – Autonomia versus vergonha/dúvida</p><p>(18 meses a 3 anos)</p><p>Aos dois anos, a maioria dos bebês pode andar e ter aprendido o suficiente</p><p>sobre a linguagem para se comunicar com outras pessoas. As crianças na casa</p><p>dos dois anos – a fase chamada de adolescência do bebê, na qual a criança se dá</p><p>conta de que é um indivíduo e luta para conquistar o seu espaço, manifestando</p><p>traços de rebeldia – não querem mais depender totalmente dos outros. Em vez</p><p>disso, elas se esforçam para obter autonomia, a capacidade de fazer as coisas</p><p>por si próprios. Os desejos de poder e independência da criança muitas vezes se</p><p>chocam com os desejos dos pais.</p><p>60</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Erikson (1998) acreditava que as crianças neste estágio têm o desejo duplo</p><p>de se apegar e de se desapegar. Os pais que são flexíveis o suficiente para permitir</p><p>que seus filhos explorem livremente e façam as coisas por si próprios, mas ao</p><p>mesmo tempo fornecem uma mão orientadora sempre presente, encorajam o</p><p>estabelecimento de um senso de autonomia. Os pais que são excessivamente</p><p>restritivos e severos dão aos filhos uma sensação de impotência e incompetência,</p><p>o que pode levar à vergonha e à dúvida sobre as habilidades de uma pessoa.</p><p>2.1.3 Estágio III – Iniciativa versus culpa (3 a 6 anos)</p><p>Durante este período, as habilidades motoras e de linguagem das crianças</p><p>em contínuo amadurecimento permitem que elas sejam cada vez mais agressivas</p><p>e vigorosas na exploração de seu ambiente social e físico. As crianças de três anos</p><p>têm um senso crescente de iniciativa, que pode ser incentivado pelos pais e outros</p><p>membros da família ou cuidadores que permitem que as crianças corram, pulem,</p><p>brinquem, escorreguem e joguem. Estando firmemente convencida de que é uma</p><p>pessoa por si mesma, a criança deve agora descobrir que tipo de pessoa ela pode</p><p>se tornar (ERIKSON, 1976).</p><p>Os pais que punem severamente as tentativas de iniciativa dos filhos farão</p><p>com que os filhos se sintam culpados por seus impulsos naturais, tanto durante</p><p>esta fase quanto mais tarde na vida.</p><p>2.1.4 Estágio IV – Diligência versus inferioridade (6 a 12 anos)</p><p>Nesse estágio, o ingresso na escola apresenta uma grande expansão no</p><p>mundo social da criança. Professores e colegas assumem uma importância cada</p><p>vez maior para a criança, enquanto a influência dos pais diminui. As crianças</p><p>agora querem fazer coisas.</p><p>O sucesso na escola e na vida pessoal suscita um senso de diligência, um</p><p>bom sentimento sobre si mesmo e suas habilidades (ERIKSON, 1998). O fracasso</p><p>relaciona-se a uma autoimagem negativa, uma sensação de inadequação que</p><p>pode atrapalhar o aprendizado futuro. E o “fracasso” não precisa ser real; pode</p><p>ser meramente uma incapacidade de corresponder aos próprios padrões ou aos</p><p>dos pais, professores ou irmãos e irmãs.</p><p>2.1.5 Estágio V – Identidade versus confusão de</p><p>identidade/papel (12 a 18 anos)</p><p>A pergunta "Quem sou eu?" torna-se importante durante a adolescência.</p><p>Para respondê-la, os adolescentes cada vez mais se afastam dos pais e se voltam</p><p>para grupos de pares. Erikson acreditava que, durante a adolescência, a fisiologia</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>61</p><p>em rápida mudança do indivíduo, juntamente com as pressões para tomar</p><p>decisões sobre educação e carreira futuras, cria a necessidade de questionar e</p><p>redefinir a identidade psicossocial estabelecida durante os estágios anteriores.</p><p>A adolescência é uma época de mudança. Os adolescentes experimentam</p><p>vários papéis sexuais, ocupacionais e educacionais enquanto tentam descobrir quem</p><p>são e quem podem ser. Esse novo senso de si mesmo, ou “identidade do ego”, não</p><p>é simplesmente a soma das identificações anteriores, mas uma remontagem ou um</p><p>alinhamento dos impulsos básicos do indivíduo (ego) com sua herança (resoluções</p><p>das crises anteriores) e suas oportunidades – necessidades, habilidades, objetivos e</p><p>demandas da adolescência e da idade adulta próxima (ERIKSON, 1998).</p><p>2.1.6 Estágio VI – Intimidade versus isolamento (19 a 40 anos)</p><p>Uma vez que os jovens sabem quem são e para onde vão, está montado</p><p>o cenário para a partilha da sua vida com outra pessoa. O jovem adulto está,</p><p>agora, pronto para formar uma nova relação de confiança e intimidade com outro</p><p>indivíduo, um parceiro de amizade, sexo, competição e cooperação.</p><p>Esse relacionamento deve realçar a identidade de ambos os parceiros, sem</p><p>sufocar o crescimento de nenhum deles (ERIKSON, 1998). O jovem adulto que</p><p>não busca essa intimidade ou cujas repetidas tentativas fracassam pode se isolar.</p><p>2.1.7 Estágio VII – Generatividade versus estagnação/</p><p>autoabsorção (meia-idade, 41 a 65 anos)</p><p>Generatividade é o interesse em estabelecer e guiar a próxima geração</p><p>(ERIKSON, 1998). Normalmente, as pessoas atingem a generatividade criando</p><p>seus próprios filhos. No entanto, a crise dessa fase também pode ser resolvida com</p><p>sucesso por meio de outras formas de produtividade e criatividade, como o ensino.</p><p>Durante esta fase, as pessoas devem continuar a crescer; do contrário,</p><p>desenvolve-se uma sensação de estagnação e empobrecimento interpessoal,</p><p>levando à estagnação, autoabsorção ou autoindulgência (ERIKSON, 1998).</p><p>2.1.8 Estágio VIII – Integridade versus desespero (velhice,</p><p>após os 65 anos)</p><p>No estágio final do desenvolvimento psicossocial, as pessoas fazem uma</p><p>retrospectiva de sua vida e resolvem sua crise final de identidade. A aceitação</p><p>de realizações, fracassos e limitações finais envolve um senso de integridade, ou</p><p>plenitude, e uma compreensão de que a vida de uma pessoa tem sido sua própria</p><p>responsabilidade (ERIKSON, 1998).</p><p>62</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>A finalidade da morte também deve ser enfrentada e aceita. O desespero</p><p>pode ocorrer naqueles que lamentam a maneira como levaram suas vidas ou</p><p>como suas vidas acabaram.</p><p>2.2 IMPLICAÇÕES E CRÍTICAS DA TEORIA DE ERIKSON</p><p>Assim como acontece com os estágios de Piaget, nem todas as pessoas</p><p>vivenciam as crises de Erikson no mesmo grau ou ao mesmo tempo. As faixas</p><p>etárias indicadas aqui podem representar os melhores momentos para uma crise</p><p>ser resolvida, mas não são os únicos momentos possíveis. Por exemplo, crianças</p><p>que nasceram em lares caóticos que não lhes deram segurança adequada podem</p><p>desenvolver confiança depois de serem adotadas ou levadas para um ambiente</p><p>mais estável. Pessoas cujas experiências escolares negativas lhes deram um</p><p>sentimento de inferioridade podem</p><p>descobrir, ao entrar no mundo do trabalho,</p><p>que podem aprender e que têm habilidades valiosas – uma compreensão que</p><p>pode ajudá-las a finalmente resolver a crise da diligência versus inferioridade</p><p>que outros resolveram em seus anos iniciais do Ensino Fundamental.</p><p>A teoria de Erikson (1998) enfatiza o papel do meio ambiente tanto em</p><p>causar as crises quanto em determinar como elas serão resolvidas. Os estágios de</p><p>desenvolvimento pessoal e social são realizados em constantes interações com os</p><p>outros e com a sociedade como um todo. Durante os três primeiros estágios, as</p><p>interações são principalmente com os pais e outros membros da família, mas a</p><p>escola desempenha um papel central para a maioria das crianças no Estágio IV</p><p>(Diligência versus Inferioridade) e no Estágio V (Identidade versus confusão de</p><p>Identidade/Papéis).</p><p>A teoria de Erikson descreve os problemas básicos que as pessoas</p><p>enfrentam ao longo da vida. No entanto, sua teoria tem sido criticada porque</p><p>não explica como ou por que os indivíduos progridem de um estágio para outro</p><p>e, também, porque é difícil de confirmar por meio de pesquisas (MILLER, 2011).</p><p>3 ALGUMAS PERSPECTIVAS SOBRE O DESENVOLVIMENTO</p><p>MORAL</p><p>A sociedade não poderia funcionar sem regras que ensinassem às pessoas</p><p>como se comunicar, como evitar magoar os outros e como se dar bem na vida em</p><p>geral. Se você convive muito com crianças, deve ter notado que muitas vezes elas</p><p>são rígidas quanto a regras. As coisas estão certas ou erradas; não há meio-termo.</p><p>Se você pensar em seus próprios anos no ensino fundamental ou médio, pode se</p><p>lembrar de ter ficado chocado ao descobrir que as pessoas às vezes quebram as</p><p>regras de propósito e que as regras que se aplicam a algumas pessoas podem não</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>63</p><p>se aplicar a outras. Essas experiências provavelmente mudaram seu conceito de</p><p>regras. Sua ideia de leis também pode ter mudado quando você aprendeu como</p><p>elas são feitas. As pessoas se encontram, debatem e votam; as leis que são feitas</p><p>em um ano podem ser alteradas no próximo. Quanto mais complexidade você</p><p>pode ver, mais complexidade você descobre que existe.</p><p>Assim como as crianças diferem dos adultos no desenvolvimento cognitivo</p><p>e pessoal, também diferem no raciocínio moral. Primeiro, examinaremos os dois</p><p>estágios do raciocínio moral descritos por Piaget e, em seguida, discutiremos</p><p>teorias relacionadas desenvolvidas por Lawrence Kohlberg. Piaget propôs que</p><p>existe uma relação entre os estágios cognitivos de desenvolvimento e a capacidade</p><p>de raciocinar sobre questões morais. Kohlberg acreditava que o desenvolvimento</p><p>das estruturas lógicas propostas por Piaget é necessário, embora não suficiente</p><p>para avanços na área de julgamento e raciocínio moral.</p><p>3.1 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO MORAL DE PIAGET</p><p>A teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget inclui uma teoria sobre o</p><p>desenvolvimento do raciocínio moral. Piaget (1977) acreditava que as estruturas</p><p>e habilidades cognitivas se desenvolvem primeiro. As habilidades cognitivas,</p><p>então, determinam as habilidades das crianças para raciocinar sobre as situações</p><p>sociais. Tal como acontece com as habilidades cognitivas, Piaget propôs que o</p><p>desenvolvimento moral progride em estágios previsíveis, neste caso de um tipo</p><p>de raciocínio moral muito egocêntrico para um que reflete um sistema de justiça</p><p>baseado na cooperação e reciprocidade.</p><p>À medida que as pessoas desenvolvem suas habilidades cognitivas, sua</p><p>compreensão dos problemas morais também se torna mais sofisticada. Crianças</p><p>pequenas são mais rígidas em seus pontos de vista sobre o que é certo e errado do</p><p>que as crianças mais velhas e adultos tendem a ser.</p><p>Para explorar o desenvolvimento moral, Piaget (1977) contou duas</p><p>histórias para crianças mais velhas e mais novas. Na primeira história, um menino</p><p>quebrou 15 xícaras completamente por acidente. Na segunda história, um menino</p><p>quebrou uma xícara enquanto tentava roubar um biscoito. Piaget perguntou</p><p>às crianças quem era mais travesso e quem deveria ser mais punido. Crianças</p><p>mais novas de cinco a 10 anos se concentraram nos resultados de uma ação para</p><p>fazer seus julgamentos, independentemente das intenções de cada criança – mais</p><p>xícaras se quebraram, então a primeira criança foi mais travessa. Esse tipo de</p><p>raciocínio é chamado de moral ou moralidade heterônoma. Já as crianças mais</p><p>velhas, no experimento de Piaget, foram capazes de fazer julgamentos com base</p><p>na intenção de uma ação – a segunda criança estava se comportando mal, então,</p><p>ele era mais travesso. Esse tipo de raciocínio é chamado de moral ou moralidade</p><p>autônoma. Piaget observou que essas duas fases se sobrepõem.</p><p>64</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Recentemente, quando apresentado a uma história semelhante, uma</p><p>criança de cinco anos respondeu: “Ambos são maus porque quebraram xícaras”,</p><p>enquanto uma criança de 10 anos respondeu: “O primeiro menino não fez isso</p><p>de propósito”. O Quadro 3 resume as características da moralidade heterônoma</p><p>e autônoma, de acordo com Piaget.</p><p>QUADRO 3 – ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO MORAL DE PIAGET</p><p>FONTE: O autor</p><p>MORALIDADE HETERÔNOMA MORALIDADE AUTÔNOMA</p><p>Regras inflexíveis são feitas por</p><p>autoridades como a polícia, pais e</p><p>professores.</p><p>As intenções são mais importantes do que</p><p>os resultados de seu comportamento.</p><p>As regras são permanentes, não mudam e</p><p>devem ser seguidas.</p><p>Há momentos em que não há problema</p><p>em quebrar regras.</p><p>O egocentrismo na infância faz com que</p><p>as crianças acreditem que os outros veem</p><p>suas ideias de seguir regras da mesma</p><p>forma que elas.</p><p>As pessoas podem ver “o que é certo” de</p><p>maneira diferente.</p><p>O grau de punição deve depender de quão</p><p>ruins foram os resultados de suas ações.</p><p>O grau de punição deve depender</p><p>das intenções e do grau de mau</p><p>comportamento.</p><p>O mau comportamento sempre será</p><p>punido. Por exemplo, se você faz algo</p><p>ruim e depois cai e machuca o joelho, é</p><p>porque você se comportou mal. Isso é</p><p>chamado de "justiça imanente".</p><p>Resultados ruins coincidentes não</p><p>são vistos como punições por mau</p><p>comportamento.</p><p>Para entender o raciocínio moral das crianças, Piaget (1977) passou muito</p><p>tempo observando as crianças jogando bolinhas de gude e perguntando sobre as</p><p>regras do jogo. A primeira coisa que ele descobriu foi que, antes dos seis anos, as</p><p>crianças brincavam de acordo com suas próprias regras idiossincráticas e egocêntricas.</p><p>Piaget acreditava que as crianças muito pequenas eram incapazes de interagir de</p><p>forma cooperativa e, portanto, incapazes de se engajar no raciocínio moral.</p><p>Piaget descobriu que, aos seis anos, as crianças reconheciam a existência</p><p>de regras, embora fossem inconsistentes em segui-las. Frequentemente, várias</p><p>crianças que supostamente estavam jogando o mesmo jogo foram observadas</p><p>jogando de acordo com diferentes conjuntos de regras. As crianças dessa idade</p><p>também não entendiam que as regras do jogo são arbitrárias e algo que um grupo</p><p>pode decidir por si mesmo. Em vez disso, eles viam as regras como impostas por</p><p>alguma autoridade superior e imutáveis.</p><p>O primeiro estágio do desenvolvimento moral foi rotulado por Piaget</p><p>(1977) de moralidade heterônoma; também tendo sido chamado de estágio</p><p>de "realismo moral" ou "moralidade de restrição". Heterônomo significa estar</p><p>sujeito a regras impostas por outros. Durante este período, as crianças pequenas</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>65</p><p>são constantemente confrontadas com os pais e outros adultos dizendo-lhes</p><p>o que fazer e o que não fazer. Acredita-se que as violações das regras trazem</p><p>punição automática; pessoas que são más acabarão sendo punidas. Piaget</p><p>também descreveu as crianças neste estágio como julgando a moralidade do</p><p>comportamento com base em suas consequências. Eles julgam o comportamento</p><p>como ruim se resultar em consequências</p><p>negativas, mesmo que as intenções</p><p>originais do ator sejam boas.</p><p>Piaget (1977) descobriu que as crianças não usavam e seguiam as regras</p><p>conscienciosamente até a idade de 10 ou 12 anos, quando as crianças são capazes</p><p>de operações formais. Nessa idade, todas as crianças que jogam o jogo seguem</p><p>o mesmo conjunto de regras. As crianças entenderam que as regras existiam</p><p>para orientar o jogo e minimizar as disputas entre os jogadores. Eles entenderam</p><p>que as regras eram algo com que todos concordavam e que, portanto, se todos</p><p>concordassem em mudá-las, elas poderiam ser mudadas.</p><p>Piaget (1977) também observou que as crianças dessa idade tendem a</p><p>basear os julgamentos morais nas intenções do ator, e não nas consequências</p><p>das ações. As crianças costumam se envolver em discussões sobre circunstâncias</p><p>hipotéticas que podem afetar as regras. Este segundo estágio é denominado</p><p>moralidade autônoma ou "moralidade da cooperação". Surge à medida que o</p><p>mundo social da criança se expande para incluir mais e mais colegas. Por meio da</p><p>interação e cooperação com outras crianças, as ideias da criança sobre as regras</p><p>começam a mudar. As regras, nesse momento, são as feitas pelos indivíduos</p><p>cooperativamente. A punição por transgressões não é mais automática, mas deve</p><p>ser administrada levando-se em consideração as intenções do transgressor e</p><p>quaisquer circunstâncias atenuantes.</p><p>De acordo com Piaget (1977), as crianças progridem do estágio de</p><p>moralidade heterônoma para o de moralidade autônoma com o desenvolvimento</p><p>de estruturas cognitivas, mas também por causa de interações com colegas em</p><p>igualdade de condições. Ele acreditava que a resolução de conflitos com colegas</p><p>enfraquecia a confiança das crianças na autoridade dos adultos e aumentava sua</p><p>consciência de que as regras são mutáveis e devem existir apenas como resultado</p><p>de consentimento mútuo.</p><p>A pesquisa sobre os elementos das teorias de Piaget geralmente apoia</p><p>suas ideias, com uma exceção chave. Pensa-se que Piaget subestimou o grau</p><p>em que mesmo as crianças muito pequenas consideram as intenções ao julgar o</p><p>comportamento. No entanto, a progressão de um foco nos resultados para um</p><p>foco nas intenções ao longo do desenvolvimento foi documentada muitas vezes.</p><p>3.2 ESTÁGIOS DE RACIOCÍNIO MORAL DE KOHLBERG</p><p>A teoria dos estágios de raciocínio moral de Kohlberg (1969) é uma</p><p>elaboração e refinamento da teoria de Piaget. Assim como Piaget, Kohlberg</p><p>estudou como as crianças (e adultos) raciocinam sobre as regras que governam</p><p>66</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>seu comportamento em certas situações. Kohlberg não estudou jogos infantis,</p><p>mas sondou suas respostas a uma série de situações estruturadas ou dilemas</p><p>morais, o mais famoso dos quais é o seguinte:</p><p>Na Europa, uma mulher estava quase morrendo de câncer. Uma</p><p>droga poderia salvá-la, uma forma de rádio que um farmacêutico da</p><p>mesma cidade havia descoberto recentemente. O farmacêutico estava</p><p>cobrando US$ 2.000, dez vezes o que a droga custou para fazer. O</p><p>marido da mulher doente, Heinz, procurou todos que ele conhecia</p><p>para pedir o dinheiro, mas ele só conseguiu juntar cerca de metade do</p><p>que custou. Ele disse ao farmacêutico que sua esposa estava morrendo</p><p>e pediu-lhe que vendesse mais barato ou o deixasse pagar depois. Mas</p><p>o farmacêutico disse “Não”. O marido ficou desesperado e invadiu a</p><p>loja do homem para roubar a droga para sua esposa. O marido deveria</p><p>ter feito isso? Por quê? (KOHLBERG, 1969, p. 379)</p><p>Com base nas respostas que recebeu, Kohlberg propôs que as pessoas passam</p><p>por uma série de seis estágios de julgamento ou raciocínio moral. Os níveis e estágios</p><p>de Kohlberg estão resumidos no Quadro 4. Ele agrupou esses seis estágios em três</p><p>níveis: pré-convencional, convencional e pós-convencional. Esses três níveis são</p><p>diferenciados pela definição que a criança ou adulto atribui como comportamento</p><p>correto ou moral, algo como acontece com outras teorias de estágios, nas quais cada</p><p>estágio é mais sofisticado e complexo do que o anterior, e a maioria dos indivíduos</p><p>passa por eles na mesma ordem (COLBY; KOHLBERG, 1984).</p><p>Como Piaget, Kohlberg estava preocupado não tanto com a resposta</p><p>da criança, mas com o raciocínio por trás dela. As idades em que as crianças e</p><p>adolescentes passam pelos estágios do Quadro 4 variam consideravelmente; na</p><p>verdade, o mesmo indivíduo pode se comportar de acordo com um estágio em</p><p>alguns momentos e de acordo com outro em outros momentos. No entanto, a</p><p>maioria das crianças passa do nível pré-convencional para o convencional aos</p><p>nove anos de idade (KOHLBERG, 1969).</p><p>QUADRO 4 – ESTÁGIOS DE RACIOCÍNIO MORAL DE KOHLBERG</p><p>I. NÍVEL PRÉ-</p><p>CONVENCIONAL II. NÍVEL CONVENCIONAL III. NÍVEL PÓS-</p><p>CONVENCIONAL</p><p>As regras são estabelecidas</p><p>por outros.</p><p>O indivíduo adota regras e às</p><p>vezes subordina as próprias</p><p>necessidades às do grupo.</p><p>Expectativas de família, grupo</p><p>ou nação são vistas como</p><p>valiosas por direito próprio,</p><p>independentemente das</p><p>consequências imediatas e</p><p>óbvias.</p><p>As pessoas definem</p><p>seus próprios valores</p><p>em termos de princípios</p><p>éticos que decidiram</p><p>seguir.</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>67</p><p>FONTE: o autor</p><p>Estágio 1 – Punição</p><p>e Orientação para a</p><p>Obediência.</p><p>As consequências físicas</p><p>da ação determinam sua</p><p>bondade ou maldade.</p><p>Estágio 3 – Orientação “Bom</p><p>Menino/Boa Menina”.</p><p>Bom comportamento é tudo</p><p>o que agrada ou ajuda os</p><p>outros e é aprovado por eles.</p><p>Alguém ganha aprovação por</p><p>ser “legal”.</p><p>Estágio 5 – Orientação</p><p>para o contrato social.</p><p>O que é certo é definido</p><p>em termos de direitos</p><p>individuais gerais e</p><p>em termos de padrões</p><p>acordados por toda a</p><p>sociedade. Em contraste</p><p>com o Estágio 4, as leis</p><p>não são “congeladas”,</p><p>elas podem ser alteradas</p><p>para o bem da sociedade.</p><p>Estágio 2 – Orientação</p><p>Relativista Instrumental.</p><p>O que é certo é tudo</p><p>o que satisfaz as</p><p>próprias necessidades</p><p>e, ocasionalmente,</p><p>as necessidades dos</p><p>outros. Elementos de</p><p>justiça e reciprocidade</p><p>estão presentes, mas</p><p>são principalmente</p><p>interpretados em um estilo</p><p>“você coça minhas costas,</p><p>eu coço as suas”.</p><p>Estágio 4 – Orientação “Lei e</p><p>Ordem”.</p><p>Certo é cumprir o dever,</p><p>mostrar respeito pela</p><p>autoridade e manter a ordem</p><p>social dada para seu próprio</p><p>bem.</p><p>Estágio 6 – Orientação do</p><p>Princípio Ético Universal.</p><p>O que é certo é definido</p><p>pela decisão da</p><p>consciência de acordo</p><p>com princípios éticos</p><p>escolhidos por nós</p><p>mesmos. Esses princípios</p><p>são abstratos e éticos</p><p>(como a Regra de Ouro),</p><p>não prescrições morais</p><p>específicas (como os Dez</p><p>Mandamentos).</p><p>O estágio 1, que está no nível pré-convencional de moralidade é muito</p><p>semelhante em forma e conteúdo ao estágio de moralidade heterônoma de Piaget.</p><p>As crianças simplesmente obedecem a figuras de autoridade para evitar serem</p><p>punidas. No estágio 2, as próprias necessidades e desejos das crianças tornam-</p><p>se importantes, mas elas estão cientes dos interesses de outras pessoas. Em um</p><p>sentido concreto, elas pesam os interesses de todas as partes ao fazer julgamentos</p><p>morais, mas ainda estão se preocupando mais com as suas necessidades (COLBY,</p><p>KOHLBERG, 1984).</p><p>O nível convencional de moralidade começa no estágio 3. Aqui a</p><p>moralidade é definida em termos de cooperação com os pares, assim como era no</p><p>estágio de moralidade autônoma de Piaget. Este é o estágio em que as crianças têm</p><p>uma crença inquestionável de que se deve "fazer aos outros o que você gostaria</p><p>que fizessem a você". Por causa da diminuição do egocentrismo que acompanha</p><p>as operações concretas, as crianças são cognitivamente capazes de se colocar no</p><p>lugar de outra pessoa. Elas podem levar em consideração os sentimentos dos</p><p>outros ao tomar decisões morais. Elas não fazem mais simplesmente o que não as</p><p>punirá (estágio 1) ou o que as faz se sentir bem (estágio 2). No estágio 4, as</p><p>regras</p><p>68</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>e leis da sociedade substituem as do grupo de pares. O desejo de aprovação social</p><p>não determina mais julgamentos morais. As leis são seguidas sem questionamento</p><p>e infringir a lei nunca pode ser justificado. A maioria dos adultos provavelmente</p><p>está neste estágio (COLBY; KOHLBERG, 1984).</p><p>O estágio 5 sinaliza a entrada no nível pós-convencional de moralidade,</p><p>um nível de raciocínio moral alcançado por menos de 25 por cento dos adultos, de</p><p>acordo com Kohlberg, no qual há uma compreensão de que as leis e os valores de</p><p>uma sociedade são um tanto arbitrários e particulares àquela sociedade. As leis</p><p>são vistas como necessárias para preservar a ordem social e garantir os direitos</p><p>básicos de vida e liberdade. No estágio 6, nossos princípios éticos são escolhidos</p><p>por nós mesmos e baseados em conceitos abstratos, como justiça e a igualdade e</p><p>o valor dos direitos humanos. As leis que violam esses princípios podem e devem</p><p>ser desobedecidas porque “a justiça está acima da lei”. Mais tarde, Kohlberg</p><p>(1980) especulou que o estágio 6 não é realmente separado do estágio 5 e sugeriu</p><p>que os dois fossem combinados.</p><p>Kohlberg (1969) acreditava que dilemas morais podem ser usados para</p><p>avançar o nível de raciocínio moral de uma criança, mas apenas em um estágio</p><p>de cada vez. Ele teorizou que a maneira pela qual as crianças progridem de um</p><p>estágio para o próximo é interagindo com outras pessoas cujo raciocínio é um ou,</p><p>no máximo, dois estágios acima do seu. Os professores podem ajudar os alunos a</p><p>progredir no raciocínio moral, entrelaçando as discussões sobre justiça e questões</p><p>morais nas aulas, especialmente em resposta a eventos que ocorrem na sala de</p><p>aula ou na sociedade em geral.</p><p>Kohlberg (1980) descobriu que seus estágios de habilidade de raciocínio</p><p>moral ocorriam na mesma ordem e aproximadamente na mesma idade nos</p><p>Estados Unidos, México, Taiwan e Turquia. Outras pesquisas em todo o mundo</p><p>geralmente encontraram a mesma sequência de estágios, embora haja claramente</p><p>fortes influências da cultura no raciocínio moral, bem como no comportamento</p><p>moral (NUCCI, 2009).</p><p>Pesquisas posteriores geralmente apoiam a sequência principal de</p><p>desenvolvimento de Kohlberg (NUCCI, 2009), mas também houve muitas críticas.</p><p>Uma limitação do trabalho inicial de Kohlberg era que a pesquisa envolvia</p><p>principalmente meninos, e algumas pesquisas sobre o raciocínio moral das</p><p>meninas encontram padrões que são um pouco diferentes daqueles propostos</p><p>por Kohlberg. Enquanto o raciocínio moral dos meninos gira principalmente em</p><p>torno de questões de justiça, as meninas estão mais preocupadas com questões de</p><p>cuidado e responsabilidade pelos outros (GILLIGAN, 1982). Gilligan argumentou,</p><p>por exemplo, que homens e mulheres usam critérios morais diferentes: o raciocínio</p><p>moral masculino é focado nos direitos individuais das pessoas, enquanto o</p><p>raciocínio moral feminino é mais focado nas responsabilidades dos indivíduos</p><p>para com outras pessoas. É por isso que, argumentou ela, as mulheres tendem</p><p>a sugerir altruísmo e autossacrifício, em vez de direitos e regras, como soluções</p><p>para dilemas morais (GILLIGAN, 1982). Kohlberg (LEVINE; KOHLBERG;</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>69</p><p>HEWER, 1985) revisou sua teoria com base nessas críticas. No entanto, a maioria</p><p>das pesquisas não conseguiu encontrar quaisquer diferenças entre homens e</p><p>mulheres na maturidade moral (BEE; BOYD, 2011).</p><p>Outra crítica ao trabalho de Piaget e Kohlberg é que crianças pequenas</p><p>podem muitas vezes raciocinar sobre situações morais de maneiras mais</p><p>sofisticadas do que uma teoria de estágio poderia sugerir (ARNOLD, 2000). Por</p><p>exemplo, embora crianças pequenas muitas vezes considerem as consequências</p><p>como mais importantes do que as intenções ao avaliar a conduta, em certas</p><p>circunstâncias, crianças de três e quatro anos de idade usam as intenções para</p><p>julgar o comportamento dos outros. Além disso, foi demonstrado que crianças</p><p>de seis a 10 anos, no estágio de moralidade heterônoma, fazem distinções entre</p><p>regras que os pais têm justificativa para fazer e aplicar e regras que estão sob</p><p>jurisdição pessoal ou de pares (KEENAN; EVANS, 2010). Finalmente, Turiel</p><p>(2006) sugeriu que as crianças pequenas fazem uma distinção entre regras</p><p>morais, como não mentir e roubar, que são baseadas em princípios de justiça, e</p><p>regras sociais convencionais, como não usar pijama na escola, que são baseadas</p><p>sobre consenso social e etiqueta. A pesquisa apoiou essa visão, demonstrando</p><p>que crianças de anos e meio a três anos fazem distinções entre regras morais e</p><p>sociais convencionais.</p><p>A limitação mais importante da teoria de Kohlberg é que ela lida com</p><p>o raciocínio moral e não com o comportamento real (ARNOLD, 2000). Muitos</p><p>indivíduos em diferentes estágios se comportam da mesma maneira, e indivíduos</p><p>no mesmo estágio frequentemente se comportam de maneiras diferentes. Além</p><p>disso, o contexto dos dilemas morais é importante. Por exemplo, um estudo de</p><p>Einerson (1998) descobriu que os adolescentes usavam níveis muito mais baixos</p><p>de raciocínio moral quando os dilemas morais envolviam celebridades do que</p><p>quando envolviam personagens inventados. Da mesma forma, a ligação entre o</p><p>raciocínio moral das crianças e seu comportamento moral pode não ser clara. Por</p><p>exemplo, um estudo de Murdock, Hale e Weber (2001) descobriu que trapacear</p><p>entre alunos do ensino médio foi afetado por muitos fatores, incluindo motivação</p><p>na escola, sucesso acadêmico e relacionamento com professores, que pouco têm a</p><p>ver com estágios de desenvolvimento moral.</p><p>4 COMO AS CRIANÇAS SE DESENVOLVEM SOCIAL E</p><p>EMOCIONALMENTE?</p><p>Como outros aspectos do desenvolvimento, o desenvolvimento social</p><p>e emocional depende das experiências fornecidas pelas escolas e famílias, mas</p><p>também seguem padrões previsíveis. As seções a seguir discutem essas áreas</p><p>críticas de desenvolvimento.</p><p>70</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>4.1 DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL DURANTE OS</p><p>ANOS PRÉ-ESCOLARES</p><p>A vida social de uma criança evolui de maneiras relativamente previsíveis</p><p>(CUMMINGS; BRAUNGART-RIEKER; DU ROCHER-SCHUDLICH, 2003). A</p><p>rede social cresce a partir de um relacionamento íntimo com pais ou outros tutores</p><p>para incluir outros membros da família, adultos não aparentados e colegas. As</p><p>interações sociais estendem-se da casa à vizinhança e da pré-escola ou outros</p><p>arranjos de cuidado infantil à escola formal. A teoria de desenvolvimento pessoal</p><p>e social de Erik Erikson sugere que durante os anos pré-escolares, as crianças</p><p>devem resolver a crise de personalidade de iniciativa versus culpa. A resolução</p><p>bem-sucedida desse estágio pela criança resulta em um senso de iniciativa e</p><p>ambição temperado por uma compreensão razoável do permissível. Os primeiros</p><p>educadores podem encorajar esta resolução dando às crianças oportunidades de</p><p>tomar iniciativas, ser desafiadas e ter sucesso (SQUIRES et al., 2013). É importante,</p><p>também, enfatizar a autorregulação (BORUCHOVITCH, 2014).</p><p>Durante os anos pré-escolares, os pares (outras crianças da mesma idade)</p><p>começam a desempenhar um papel cada vez mais importante no desenvolvimento</p><p>social e cognitivo das crianças (LADD; SECHLER, 2013). As relações das crianças</p><p>com seus pares diferem de várias maneiras de suas interações com os adultos.</p><p>As brincadeiras entre pares permitem que as crianças interajam com outros</p><p>indivíduos cujo nível de desenvolvimento é semelhante ao seu. Quando os pares</p><p>têm disputas entre si, eles devem fazer concessões e cooperar para resolvê-las se a</p><p>brincadeira continuar; ao contrário das disputas entre adultos e crianças, em uma</p><p>disputa entre pares ninguém pode alegar ter autoridade final. Os conflitos entre</p><p>colegas também permitem que as crianças vejam que</p><p>os outros têm pensamentos,</p><p>sentimentos e pontos de vista diferentes dos seus. Os conflitos também aumentam</p><p>a sensibilidade das crianças aos efeitos de seu comportamento nos outros. Desse</p><p>modo, os relacionamentos com colegas ajudam as crianças pequenas a superar</p><p>o egocentrismo que Piaget descreveu como característico do pensamento pré-</p><p>operacional, ajudando-as a ver que os outros têm perspectivas diferentes das suas.</p><p>Os comportamentos pró-sociais são ações voluntárias para com os</p><p>outros, como cuidar, compartilhar, confortar e cooperar. A pesquisa sobre as</p><p>raízes do comportamento prosocial contribuiu para o nosso conhecimento sobre</p><p>o desenvolvimento moral e social das crianças. Vários fatores parecem estar</p><p>associados ao desenvolvimento de comportamentos pró-sociais (EISENBERG,</p><p>2001), incluindo os seguintes:</p><p>• Técnicas disciplinares parentais que enfatizam as consequências do</p><p>comportamento da criança para os outros e que são aplicadas dentro de uma</p><p>relação pais-filhos afetuosa e responsiva.</p><p>• Contato com adultos que indicam que esperam a preocupação com os outros,</p><p>que informam às crianças que soluções agressivas para os problemas são</p><p>inaceitáveis e que fornecem alternativas aceitáveis.</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>71</p><p>• Contato com adultos que atribuem características positivas às crianças quando</p><p>elas se comportam bem (por exemplo, “que menino prestativo você é!”).</p><p>A maioria das interações de uma criança em idade pré-escolar com seus</p><p>pares ocorre durante a brincadeira (HUGHES, 2010). No entanto, o grau em que as</p><p>brincadeiras envolvem outras crianças aumenta ao longo dos anos pré-escolares.</p><p>Em um estudo clássico com crianças em idade pré-escolar, Mildred Parten (1932)</p><p>identificou quatro categorias de brincadeiras que refletem níveis crescentes de</p><p>interação social e sofisticação. Brincadeiras solitárias são aquelas que ocorrem</p><p>sozinhas, geralmente com brinquedos, e são independentes do que as outras</p><p>crianças estão fazendo. Brincadeiras paralelas envolvem crianças envolvidas na</p><p>mesma atividade lado a lado, mas com pouca interação ou influência mútua. A</p><p>brincadeira associativa é muito parecida com a brincadeira paralela, mas com</p><p>níveis aumentados de interação na forma de compartilhamento, tomada de turnos</p><p>e interesse geral no que os outros estão fazendo. A brincadeira cooperativa ocorre</p><p>quando as crianças se unem para atingir um objetivo comum, como construir um</p><p>grande castelo com cada criança construindo uma parte da estrutura. As crianças</p><p>se envolvem em tipos mais complexos de brincadeiras à medida que crescem,</p><p>avançando de formas simples de brincadeiras paralelas para brincadeiras</p><p>complexas de faz de conta em que as crianças cooperam no planejamento e na</p><p>realização de atividades (BERK, 2013).</p><p>Brincar é importante para as crianças porque exercita suas habilidades</p><p>linguísticas, cognitivas e sociais e contribui para o desenvolvimento geral da</p><p>personalidade (BERK, 2013; HUGHES, 2010). As crianças usam a mente quando</p><p>brincam porque estão pensando e agindo como se fossem outra pessoa. Quando</p><p>fazem essa transformação, as crianças estão dando um passo em direção ao</p><p>pensamento abstrato, pois estão liberando seus pensamentos de um foco em</p><p>objetos concretos. Brincar também está associado à criatividade, especialmente</p><p>a capacidade de ser menos literal e mais flexível no pensamento. Brincar tem um</p><p>papel importante nas teorias de desenvolvimento de Vygotsky, porque permite</p><p>que as crianças explorem livremente formas de pensar e agir que estão acima de</p><p>seu nível atual de funcionamento. Vygotsky (2007) afirma que, na brincadeira,</p><p>a criança está sempre acima de sua idade média, acima de seu comportamento</p><p>diário; na brincadeira, é como se ela fosse uma mente mais alta do que ela mesma.</p><p>As brincadeiras dos pré-escolares parecem ser influenciadas por uma</p><p>variedade de fatores. Por exemplo, as interações dos pré-escolares com seus</p><p>pares estão relacionadas à forma como eles interagem com seus pais (HUGHES,</p><p>2010). Crianças de três anos que têm relacionamentos afetuosos e estimulantes</p><p>com os pais têm maior probabilidade de se envolver em brincadeiras sociais</p><p>e resolver conflitos com os pares do que as crianças que têm relacionamentos</p><p>menos seguros com os pais. As crianças também brincam melhor com colegas</p><p>que são familiares e do mesmo sexo. Fornecer brinquedos adequados à idade e</p><p>atividades lúdicas pode apoiar o desenvolvimento de habilidades lúdicas e de</p><p>interação com os pares.</p><p>72</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>4.2 DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL DURANTE OS</p><p>ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>No momento em que as crianças entram nos anos iniciais do Ensino</p><p>Fundamental, elas desenvolveram habilidades para pensamentos, ações e</p><p>influência social mais complexos. Até este ponto, as crianças eram basicamente</p><p>egocêntricas e seu mundo era o lar, a família e, possivelmente, uma pré-escola</p><p>ou creche. Os primeiros anos do ensino fundamental normalmente serão</p><p>desenvolvidos trabalhando até o quarto estágio de Erikson (1971), diligência</p><p>versus inferioridade. Assumindo que a criança desenvolveu confiança durante</p><p>a infância, autonomia durante os primeiros anos (primeira infância) e iniciativa</p><p>durante os anos pré-escolares (segunda infância), as experiências dessa criança</p><p>nos anos escolares iniciais (terceira infância) podem contribuir para seu senso</p><p>de diligência e realização. Nessa fase, as crianças começam a tentar provar que</p><p>estão “crescidas”; na verdade, isso é frequentemente descrito como o estágio</p><p>“eu consigo fazer tudo sozinha”. O trabalho se torna possível. À medida que o</p><p>poder de concentração das crianças aumenta, elas podem passar mais tempo em</p><p>tarefas escolhidas e, muitas vezes, têm prazer em concluir projetos. Este estágio</p><p>também inclui o crescimento da ação independente, a cooperação com grupos e o</p><p>desempenho de formas socialmente aceitáveis com uma preocupação com o fair</p><p>play ou jogo limpo (MCHALE; DARIOTIS; KAUH, 2003).</p><p>Tomados em conjunto, os fatores socioemocionais fazem uma diferença</p><p>significativa no desempenho do aluno. Por exemplo, Miller, Connolly e Macguire</p><p>(2013) encontraram um impacto do ajustamento psicológico, ajustamento escolar</p><p>e relações entre pares e familiares no desempenho de alunos com idades entre</p><p>7-11 anos. Da mesma forma, Banerjee, Weare e Farr (2013) descobriram que os</p><p>alunos que estiveram em um programa chamado Aspectos Sociais e Emocionais</p><p>da Aprendizagem (SEAL) alcançaram um desempenho melhor do que os</p><p>alunos que estavam em aulas com menos foco em aspectos da aprendizagem</p><p>socioemocional.</p><p>O desenvolvimento pessoal e social para crianças dos primeiros anos</p><p>do Ensino Fundamental também inclui as ideias importantes de autoconceito e</p><p>autoestima (SWANN; CHANG-SCHNEIDER; MCCLARTY, 2007). Esses aspectos</p><p>do desenvolvimento infantil serão fortemente influenciados por experiências em</p><p>casa, na escola e com os colegas. O autoconceito inclui a maneira como percebemos</p><p>nossos pontos fortes, fracos, habilidades, atitudes e valores. Seu desenvolvimento</p><p>começa no nascimento e é continuamente moldado pela experiência. A autoestima</p><p>reflete como avaliamos nossas habilidades e aptidões.</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>73</p><p>Para saber mais sobre como fortalecer a autoestima das crianças, leia o livro</p><p>“Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia da educação escolar”, vol. 2 de Coll,</p><p>Marchesi e Palácios (2004) e o livro “Labirinto de espelhos”, de Assis e Avanci (2004).</p><p>FONTE: <https://bit.ly/34DolU8>.</p><p>Acesso em: 6 jul. 2021.</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3fWa7Tw>.</p><p>Acesso em: 6 jul. 2021.</p><p>DICAS</p><p>À medida que as crianças progridem na terceira infância, suas formas de</p><p>pensar se tornam menos concretas e mais abstratas.</p><p>Essa tendência também fica</p><p>evidente no desenvolvimento de seus autoconceitos. Os pré-escolares pensam sobre</p><p>si mesmos em termos de suas características físicas e materiais, incluindo tamanho,</p><p>gênero e bens. Em contraste, nos primeiros anos do ensino fundamental, as crianças</p><p>começam a se concentrar em qualidades internas mais abstratas, como inteligência</p><p>e gentileza, ao se descreverem. Eles também podem fazer uma distinção entre seu</p><p>“eu privado” e seu “eu público”. Isso se torna especialmente evidente porque eles</p><p>dependem mais das intenções e motivos e menos do comportamento objetivo em</p><p>suas explicações de suas próprias ações e das de outros.</p><p>Durante a terceira infância, as crianças também começam a se avaliar em</p><p>comparação com as outras. Uma criança em idade pré-escolar pode se descrever</p><p>dizendo: "Gosto de futebol", ao passo que, vários anos depois, essa mesma</p><p>garota provavelmente dirá: "Gosto de futebol mais do que a Sandra gosta". A</p><p>tendência de usar informações de comparação social para avaliar a si mesmo</p><p>parece corresponder a mudanças no desenvolvimento da autoestima acadêmica.</p><p>Pré-escolares e crianças pequenas tendem a se avaliar muito positivamente, de</p><p>maneiras que não têm relação com seu desempenho escolar ou outros fatores</p><p>objetivos. No primeiro ou segundo ano escolar, no entanto, as crianças que</p><p>estão tendo dificuldades na escola tendem a ter autoconceitos mais fracos.</p><p>74</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Isso dá início a uma espiral decrescente. Os alunos com fraco desempenho no</p><p>ensino fundamental correm o risco de desenvolver autoconceitos acadêmicos</p><p>insatisfatórios e, consequentemente, baixo desempenho no ensino fundamental</p><p>e médio (CHAPMAN; TUNMER; PROCHNOW, 2000).</p><p>Os anos iniciais do Ensino Fundamental dão a muitas crianças a primeira</p><p>chance de se comparar com outras crianças e de trabalhar e brincar sob a orientação</p><p>de adultos fora de sua família. Esses adultos devem proporcionar experiências</p><p>que permitam às crianças ter sucesso, sentir-se bem consigo mesmas e manter seu</p><p>entusiasmo e criatividade.</p><p>A palavra-chave em relação ao desenvolvimento pessoal e social é</p><p>aceitação. O fato é que as crianças diferem em suas habilidades; não importa o</p><p>que os professores façam, e os alunos terão descoberto no final dos anos iniciais</p><p>do Ensino Fundamental quem é mais capaz e quem é menos capaz. No entanto,</p><p>você pode ter um impacto substancial na maneira como os alunos se sentem</p><p>sobre essas diferenças e no valor que os alunos com baixo desempenho atribuem</p><p>à aprendizagem, mesmo quando sabem que nunca serão as estrelas da classe.</p><p>Promovendo o Desenvolvimento da Autoestima</p><p>Nossa sociedade promove a ideia de que as pessoas, incluindo os alunos, têm o mesmo</p><p>valor. Essa também é a premissa em uma sala de aula. Mas os alunos tendo o mesmo valor</p><p>não significa necessariamente que eles sejam igualmente competentes. Alguns alunos são</p><p>bons em leitura e outros em matemática; alguns se destacam nos esportes e outros na arte.</p><p>Algumas atividades em sala de aula podem dar a certos alunos a impressão de que</p><p>eles, como indivíduos, têm menos valor ou estima do que outros alunos. A competição</p><p>inadequada ou grupos de habilidades inflexíveis dentro da sala de aula podem ensinar a</p><p>lição errada aos alunos.</p><p>Os professores devem evitar práticas que podem desestimular as crianças. No entanto,</p><p>não está claro que melhorar a autoestima resulte em maior desempenho escolar. Na</p><p>verdade, a pesquisa sugere mais fortemente que à medida que um aluno se torna mais</p><p>competente nas tarefas escolares, sua autoestima também melhora, e não o contrário</p><p>(CHAPMAN; TUNMER; PROCHNOW, 2000).</p><p>Não é necessário distorcer a verdade e dizer que todos os alunos são igualmente bons em</p><p>leitura ou matemática. Você pode, no entanto, reconhecer o progresso ao invés do nível de</p><p>habilidade, focando seu elogio no esforço do aluno e na competência crescente. À medida que</p><p>o aluno experimenta o sucesso na escola, um sentimento de autoestima conquistada resultará.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A influência da família da criança, a principal força durante os primeiros</p><p>anos da infância, continua à medida que os pais fornecem modelos em termos de</p><p>atitudes e comportamentos. Além disso, os relacionamentos com irmãos e irmãs</p><p>afetam os relacionamentos com os pares, e as rotinas de casa são reforçadas ou</p><p>devem ser superadas na escola. No entanto, o grupo de pares assume importância</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>75</p><p>acrescida. Falando sobre a entrada da criança no mundo fora da família, Gordon</p><p>observa a importância dos pares: “Se o mundo todo é o palco que Shakespeare</p><p>reivindicou, crianças e adolescentes estão tocando principalmente para um</p><p>público de seus pares. Seus pares sentam-se nas primeiras filas e nos camarotes;</p><p>pais e professores estão agora relegados às últimas filas e à varanda” (GORDON,</p><p>1957, p. 166)</p><p>Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os grupos de pares geralmente</p><p>consistem em crianças do mesmo sexo que têm mais ou menos a mesma idade.</p><p>Essa preferência pode surgir devido à variedade de habilidades e interesses</p><p>entre as crianças pequenas. No entanto, no quinto ano escolar, os estudantes</p><p>costumam formar grupos que incluem meninos e meninas. Qualquer que seja a</p><p>composição dos grupos de pares, eles permitem que as crianças comparem suas</p><p>habilidades e aptidões com as de outras pessoas. Membros de grupos de pares</p><p>também ensinam uns aos outros sobre seus mundos diferentes. Por meio desse</p><p>compartilhamento de atitudes e valores, as crianças aprendem como separar e</p><p>formar os seus próprios valores e atitudes.</p><p>Durante a terceira infância, as concepções de amizade das crianças</p><p>também amadurecem. A amizade é a relação social central entre pares durante a</p><p>infância e passa por uma série de mudanças antes da idade adulta. A compreensão</p><p>das crianças sobre a amizade muda ao longo dos anos (MCHALE; DARIOTIS;</p><p>KAUH, 2003). Entre as idades de três e sete anos, as crianças costumam ver os</p><p>amigos como companheiros de brincadeira momentâneos. As crianças dessa</p><p>idade podem chegar da escola exclamando: “Fiz um novo amigo hoje! A Jaqueline</p><p>compartilhou sua boneca comigo” ou “O Roberto não é mais meu amigo porque</p><p>ele não quer brincar de quebra-cabeça comigo”. Esses comentários revelam a</p><p>visão da criança sobre a amizade como um relacionamento temporário baseado</p><p>em uma determinada situação, e não em interesses ou crenças compartilhados. À</p><p>medida que as crianças entram na terceira infância, as amizades se tornam mais</p><p>estáveis e recíprocas. Nessa idade, os amigos são frequentemente descritos em</p><p>termos de características pessoais (“minha amiga Maria é legal”), e as amizades</p><p>são baseadas em apoio mútuo, carinho, lealdade e dar e receber mútuo.</p><p>As amizades são importantes para as crianças por vários motivos.</p><p>Durante os primeiros anos do Ensino Fundamental, os amigos são companheiros</p><p>para se divertir e fazer coisas. Eles também servem como importantes recursos</p><p>emocionais, proporcionando às crianças uma sensação de segurança em novas</p><p>situações e quando surgem problemas familiares ou outros. Os amigos também</p><p>são recursos cognitivos quando ensinam ou modelam habilidades intelectuais</p><p>específicas. Normas sociais de conduta, habilidades de interação social e como</p><p>resolver conflitos com sucesso também são aprendidas no contexto de amizades</p><p>(MCHALE; DARIOTIS; KAUH, 2003).</p><p>Um dos aspectos importantes das relações entre pares na terceira</p><p>infância é a aceitação pelos pares, ou status dentro do grupo de pares (PARKE</p><p>CLARKE-STEWART, 2011). Uma criança popular é aquela que é nomeada com</p><p>76</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>mais frequência pelos colegas como uma pessoa de quem gosta e, com menos</p><p>frequência, como alguém de quem não gosta. Em contraste, uma criança rejeitada</p><p>é aquela que é nomeada com mais frequência</p><p>pelos colegas como uma pessoa</p><p>de quem não gosta e, com menos frequência, como alguém de quem gosta. Uma</p><p>criança também pode ser classificada como negligenciada, não é frequentemente</p><p>nomeada nem como de quem se gosta tampouco de quem não se gosta. Por outro</p><p>lado, uma criança controversa é frequentemente citada como alguém de quem</p><p>se gosta, mas também é frequentemente chamada como alguém de quem não se</p><p>gosta. Crianças comuns são aquelas que são nomeadas como de quem se gosta e</p><p>não se gosta com frequência moderada.</p><p>Crianças que não são bem aceitas ou rejeitadas por seus colegas nos</p><p>anos iniciais do Ensino Fundamental correm alto risco (WENTZEL; BARRY;</p><p>CALDWELL, 2004). Essas crianças são mais propensas a abandonar a escola,</p><p>a se envolver em comportamento delinquente e a ter problemas emocionais e</p><p>psicológicos na adolescência e na idade adulta do que seus colegas que são mais</p><p>aceitos. Algumas crianças rejeitadas tendem a ser altamente agressivas; outras</p><p>tendem a ser muito passivas e retraídas, e essas crianças podem ser vítimas de</p><p>bullying. Crianças que são rejeitadas, sejam agressivas ou retraídas, parecem estar</p><p>em maior risco de dificuldades.</p><p>Muitas características parecem estar relacionadas à aceitação pelos pares,</p><p>incluindo atratividade física e habilidades cognitivas (WENTZEL; BARRY;</p><p>CALDWELL, 2004). Crianças bem aceitas e populares tendem a ser cooperativas,</p><p>prestativas e atenciosas e raramente são perturbadoras ou agressivas. Crianças</p><p>que não são apreciadas por seus pares tendem a ser altamente agressivas e a não</p><p>ter habilidades pró-sociais e de resolução de conflitos. Crianças negligenciadas e</p><p>controversas exibem estilos de comportamento menos distintos e frequentemente</p><p>mudam de status em curtos períodos (PARKE; CLARKE-STEWART, 2011).</p><p>Como a aceitação dos pares é um forte preditor do ajuste atual e de longo</p><p>prazo, é importante tentar melhorar as habilidades sociais das crianças. Isso pode</p><p>ser feito modelando e elogiando habilidades pró-sociais, como habilidades de</p><p>ajudar e de compartilhar.</p><p>Desenvolvimento de habilidades socioemocionais</p><p>Existem inúmeras abordagens para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais entre</p><p>crianças e adolescentes (DURLAK et al., 2011). Muitas delas se concentram em particular na</p><p>aprendizagem cooperativa, ensinando aos alunos estratégias para interações eficazes com</p><p>os colegas e meios de resolver problemas interpessoais. Estudo de acompanhamento de</p><p>longo prazo dessas abordagens descobriu que, na casa dos 20 anos, as pessoas que haviam</p><p>participado destes programas no Ensino Médio tinham maior escolaridade e desempenho</p><p>acadêmico do que aquelas que haviam pertencido a um grupo de controle.</p><p>IMPORTANTE</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>77</p><p>Outra abordagem para a construção de habilidades socioemocionais que apoia a motivação</p><p>para realizações é ajudar a criar “mentalidades” entre os alunos que as convençam de que o</p><p>esforço, não apenas a inteligência, permite que tenham sucesso. Vários estudos nos quais os</p><p>professores se concentraram no esforço e na disponibilidade de sucesso para todos os que</p><p>tentaram, encontraram efeitos positivos na motivação e aprendizagem dos alunos (DWECK,</p><p>2013). Outra abordagem atraente enfatiza a construção da persistência dos alunos, ou</p><p>"determinação", ensinando os alunos a se manterem em tarefas difíceis até que encontrem</p><p>uma maneira de concluí-las e aprender o conteúdo (DUCKWORTH; STEINBERG, 2015).</p><p>4.3 DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL DURANTE OS</p><p>ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO</p><p>Na adolescência, as crianças passam por mudanças significativas em suas</p><p>vidas sociais e emocionais (RICE, DOLGIN, 2008). Em parte, como resultado das</p><p>mudanças nas estruturas físicas e cognitivas, as crianças nos anos finais do ensino</p><p>fundamental (do sexto ao nono ano escolar) procuram ser mais adultas. Essas</p><p>crianças e pré-adolescentes querem que seus pais os tratem de maneira diferente,</p><p>embora muitos pais não estejam dispostos a vê-los de novas maneiras. Elas também</p><p>relatam que, embora acreditem que seus pais as amem, eles não acham que seus</p><p>pais os compreendem. Tanto para meninos quanto para meninas, nos anos finais</p><p>do ensino fundamental, a participação em grupos tende a promover sentimentos</p><p>de autoestima. Não ser aceito pode trazer sérios problemas emocionais. Aqui</p><p>está a principal causa da mudança no relacionamento do pré-adolescente com os</p><p>pais. Não é que os pré-adolescentes se importem menos com os pais, mas, nessa</p><p>fase do desenvolvimento, seus amigos são mais importantes do que nunca. Essa</p><p>necessidade de aceitação por parte dos pares ajuda a explicar por que os pré-</p><p>adolescentes costumam se vestir da mesma maneira.</p><p>Os anos finais do Ensino Fundamental muitas vezes também trazem</p><p>mudanças no relacionamento entre as crianças e seus professores. Nos anos</p><p>iniciais do Ensino Fundamental, as crianças aceitam facilmente e dependem dos</p><p>professores. Durante os anos finais do Ensino Fundamental, essa relação se torna</p><p>mais complexa. Às vezes, os alunos contam aos professores informações pessoais</p><p>que eles não contariam aos pais. Alguns pré-adolescentes até escolhem professores</p><p>como modelos. Ao mesmo tempo, porém, alguns pré-adolescentes respondem</p><p>aos professores de maneiras que nunca teriam considerado vários anos antes, e</p><p>alguns desafiam os professores abertamente. Outros tornam-se profundamente</p><p>alienados da escola, iniciando um padrão que pode levar à delinquência e ao</p><p>abandono escolar (AUSTIN; SCIARRA, 2010).</p><p>Um dos primeiros sinais do início da adolescência é o aparecimento</p><p>de reflexividade, a tendência de pensar sobre o que está acontecendo em sua</p><p>própria mente e de se estudar a si mesmo. Os adolescentes começam a se olhar</p><p>mais de perto e a se definir de forma diferente. Eles começam a perceber que</p><p>existem diferenças entre o que pensam e sentem e como se comportam. Usando</p><p>o desenvolvimento de habilidades intelectuais que os capacitam a considerar</p><p>78</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>possibilidades, os adolescentes tendem a ficar insatisfeitos consigo mesmos. Eles</p><p>criticam suas características pessoais, comparam-se aos outros e tentam mudar a</p><p>maneira como são.</p><p>Os adolescentes também podem se perguntar se outras pessoas veem e</p><p>pensam sobre o mundo da mesma maneira que eles. Eles se tornam mais conscientes</p><p>de sua separação de outras pessoas e de sua singularidade. Eles aprendem que</p><p>outras pessoas não podem saber totalmente o que pensam e sentem. As questões</p><p>“quem sou eu?” e “o que realmente sou eu?” dominam o desenvolvimento</p><p>da personalidade na adolescência. De acordo com Erikson (1976), o palco está</p><p>montado durante a adolescência para uma grande preocupação com a identidade.</p><p>Com base no trabalho de Erikson (1976), James Marcia (1991) identificou,</p><p>a partir de entrevistas com adolescentes, os quatro estados de identidade que</p><p>refletem o grau em que os adolescentes assumem compromissos firmes com</p><p>valores religiosos e políticos, bem como com uma ocupação futura.</p><p>1. Pré-fechamento. Indivíduos em estado de pré-fechamento nunca</p><p>experimentaram uma crise de identidade. Em vez disso, eles estabeleceram</p><p>prematuramente uma identidade com base nas escolhas de seus pais, e não</p><p>nas suas próprias. Eles assumiram compromissos ocupacionais e ideológicos,</p><p>mas esses compromissos refletem uma avaliação por parte dos pais ou figuras</p><p>de autoridade mais do que um processo autônomo de autoavaliação. O pré-</p><p>fechamento indica um tipo de "pseudoidentidade" que geralmente é muito fixa</p><p>e rígida para servir de base para enfrentar as crises futuras da vida.</p><p>2. Difusão de identidade. Os adolescentes que vivenciam a difusão de identidade</p><p>não encontraram uma direção ocupacional nem um compromisso ideológico</p><p>de qualquer tipo, e fizeram pouco progresso nessa direção. Eles podem ter</p><p>passado por</p><p>133</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 135</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 137</p><p>TÓPICO 2 — TEORIAS COGNITIVAS DE APRENDIZAGEM ............................................... 139</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 139</p><p>2 O QUE É UM MODELO DE PROCESSAMENTO DE INFORMAÇÕES?........................... 141</p><p>2.1 PROCESSAMENTO EXECUTIVO ........................................................................................... 142</p><p>2.2 REGISTRO SENSORIAL ............................................................................................................ 143</p><p>2.3 MEMÓRIA DE TRABALHO (OU DE CURTO PRAZO) ...................................................... 145</p><p>2.4 MEMÓRIA DE LONGO PRAZO ............................................................................................. 147</p><p>2.4.1 Memória episódica ........................................................................................................... 149</p><p>2.4.2 Memória semântica .......................................................................................................... 150</p><p>2.4.3 Memória procedural ......................................................................................................... 151</p><p>2.5 FATORES QUE MELHORAM A MEMÓRIA DE LONGO PRAZO.................................... 152</p><p>3 O QUE FAZ AS PESSOAS LEMBRAREM OU ESQUECEREM? ........................................... 152</p><p>3.1 ESQUECENDO E LEMBRANDO ............................................................................................ 153</p><p>3.2 A PRÁTICA.................................................................................................................................. 156</p><p>4 ENSINANDO ESTRATÉGIAS DE MEMÓRIA E METACOGNITIVAS ............................ 157</p><p>4.1 APRENDIZAGEM VERBAL ..................................................................................................... 158</p><p>4.2 COMO AS HABILIDADES METACOGNITIVAS AJUDAM</p><p>OS ALUNOS A APRENDER? ................................................................................................... 159</p><p>4.3 QUE ESTRATÉGIAS DE ESTUDO AJUDAM OS ALUNOS</p><p>A APRENDER? ........................................................................................................................... 160</p><p>5 COMO AS ESTRATÉGIAS DE ENSINO COGNITIVO AJUDAM</p><p>OS ALUNOS A APRENDER? ....................................................................................................... 163</p><p>5.1 TORNANDO O APRENDIZADO RELEVANTE E ATIVANDO</p><p>O CONHECIMENTO PRÉVIO ................................................................................................. 164</p><p>5.2 ORGANIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES .................................................................................. 167</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 169</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 172</p><p>TÓPICO 3 — ABORDAGENS DE ENSINO-APRENDIZAGEM</p><p>CONSTRUTIVISTAS E CENTRADAS NO ALUNO ......................................... 175</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 175</p><p>2 QUAL É A VISÃO CONSTRUTIVISTA DE APRENDIZAGEM? ......................................... 177</p><p>2.1 RAÍZES HISTÓRICAS DO CONSTRUTIVISMO ................................................................... 177</p><p>2.2 PROCESSAMENTO TOP-DOWN ............................................................................................ 179</p><p>2.3 INTERAÇÃO ENTRE PARES ................................................................................................... 181</p><p>2.4 APRENDIZAGEM POR DESCOBERTA ................................................................................. 181</p><p>2.5 APRENDIZAGEM AUTORREGULADA ................................................................................ 182</p><p>2.6 ANDAIME ................................................................................................................................... 182</p><p>3 COMO A APRENDIZAGEM COOPERATIVA É USADA NO ENSINO? ........................... 183</p><p>3.1 MÉTODOS DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA............................................................. 184</p><p>3.2 PESQUISA SOBRE APRENDIZAGEM COOPERATIVA ...................................................... 189</p><p>4 COMO SÃO ENSINADAS AS HABILIDADES DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS? .. 191</p><p>4.1 O PROCESSO DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS .............................................................. 191</p><p>4.2 ENSINANDO SOLUÇÃO CRIATIVA DE PROBLEMAS ..................................................... 193</p><p>4.3 ENSINANDO HABILIDADES DE PENSAMENTO ............................................................. 195</p><p>4.4 PENSAMENTO CRÍTICO ......................................................................................................... 198</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 199</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 204</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 206</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 209</p><p>UNIDADE 3 — ELEMENTOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM</p><p>EFETIVOS: MOTIVAÇÃO E AMBIENTE ........................................................ 219</p><p>TÓPICO 1 — AGRUPAMENTOS E DIFERENCIAÇÃO ............................................................ 221</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 221</p><p>2 QUAIS SÃO OS ELEMENTOS DE UM ENSINO EFICAZ</p><p>ALÉM DE UMA BOA AULA? ....................................................................................................... 222</p><p>2.1 MODELO DE APRENDIZAGEM ESCOLAR DE CARROLL</p><p>E MODELO QAIT ....................................................................................................................... 223</p><p>3 COMO OS ALUNOS SÃO AGRUPADOS PARA ACOMODAR</p><p>AS DIFERENÇAS DE DESEMPENHO? ..................................................................................... 227</p><p>3.1 AGRUPAMENTO DE HABILIDADES ENTRE TURMAS ................................................... 229</p><p>3.2 DESRASTREAR .......................................................................................................................... 231</p><p>3.3 REAGRUPAMENTO PARA LEITURA E MATEMÁTICA ................................................... 232</p><p>3.4 AGRUPAMENTO POR HABILIDADES DENTRO DA TURMA ........................................ 232</p><p>3.5 RETENÇÃO ................................................................................................................................. 234</p><p>4 QUAIS SÃO ALGUMAS FORMAS DE DIFERENCIAR O ENSINO? ................................. 235</p><p>4.1 ENSINO DIFERENCIADO E PERSONALIZADO ................................................................ 235</p><p>4.2 TUTORIA ENTRE PARES ......................................................................................................... 236</p><p>4.3 TUTORIA POR PROFESSORES ............................................................................................... 237</p><p>5 QUE PROGRAMAS EDUCACIONAIS EXISTEM PARA</p><p>OS ALUNOS EM RISCO? ............................................................................................................. 239</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................</p><p>uma crise de identidade, mas não foram capazes de resolvê-la.</p><p>3. Moratória. Os adolescentes em estado de moratória começaram a experimentar</p><p>escolhas ocupacionais e ideológicas, mas ainda não assumiram compromissos</p><p>definitivos com nenhuma delas. Esses indivíduos estão diretamente no meio</p><p>de uma crise de identidade e atualmente examinam opções alternativas de</p><p>vida.</p><p>4. Identidade estabelecida. A identidade estabelecida significa um estado de</p><p>consolidação da identidade no qual os adolescentes tomaram suas próprias</p><p>decisões claras e conscientes sobre ocupação e ideologia. O indivíduo está</p><p>convencido de que essas decisões foram tomadas de forma autônoma e livre e</p><p>que refletem sua verdadeira natureza e seus profundos compromissos internos.</p><p>No final da adolescência (18 a 22 anos de idade), a maioria dos indivíduos</p><p>desenvolveu um estado de identidade estabelecida. No entanto, o desenvolvimento</p><p>emocional dos adolescentes parece estar ligado ao seu estado de identidade. Por</p><p>exemplo, os níveis de ansiedade tendem a ser mais altos para adolescentes em</p><p>moratória e mais baixos para aqueles em pré-fechamento. A autoestima também</p><p>varia; adolescentes em identidade estabelecida e moratória relatam os níveis mais</p><p>altos e aqueles em pré-fechamento e difusão de identidade relatam os níveis mais</p><p>baixos (MARCIA, 1991).</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>79</p><p>Em geral, os adolescentes precisam experimentar e permanecer flexíveis</p><p>se quiserem encontrar sua própria identidade com sucesso. Ao experimentar</p><p>maneiras de ser, depois testá-las e modificá-las, o adolescente pode escolher as</p><p>características que são mais confortáveis e abandonar as outras. Para fazer isso, o</p><p>adolescente deve ter autoconfiança para experimentar e declarar o término de um</p><p>experimento, para variar o comportamento e para abandonar características que</p><p>não se encaixam, mesmo que as características sejam apoiadas por outros. Ajuda</p><p>ter um conjunto estável e receptivo de pais, professores e colegas que responderão</p><p>positivamente à sua experimentação.</p><p>Muitos são os programas destinados a melhorar o desenvolvimento</p><p>socioemocional de crianças e adolescentes. Uma revisão de Durlak et al. (2011)</p><p>descobriu que programas de aprendizagem socioemocional (ASE) baseados na</p><p>escola podem fazer uma diferença significativa nos resultados desse tipo de</p><p>aprendizagem e, em alguns casos, também melhoram o desempenho acadêmico.</p><p>Esses programas incluíam programas para o dia letivo e pós-escolar, e programas</p><p>preventivos para todos os alunos, bem como para alunos que já estavam passando</p><p>por dificuldades, cobrindo todas as idades e todos os tipos de escolas.</p><p>O foco na aprendizagem socioemocional pode ter impactos duradouros</p><p>nas crianças. Um estudo de Hawkins et al. (2008) descobriu que as crianças que</p><p>receberam uma intervenção de ASE com foco em gestão proativa de sala de aula,</p><p>ensino interativo e aprendizagem cooperativa, bem como desenvolvimento de</p><p>habilidades sociais da criança e treinamento dos pais, tiveram efeitos que ainda</p><p>eram importantes 15 anos depois, quando os alunos estavam na casa dos 20</p><p>anos. O estudo citado relatou níveis mais elevados de realização educacional e</p><p>econômica e níveis mais elevados de saúde mental, entre outros resultados. Outras</p><p>intervenções de ASE também mostraram efeitos positivos em uma variedade</p><p>de aspectos socioemocionais e resultados acadêmicos (BROWN, EMMONS,</p><p>COMER, 2010).</p><p>O autoconceito e a autoestima também mudam à medida que as crianças</p><p>entram e passam pela adolescência. A mudança em direção a representações de si</p><p>mais abstratas que iniciaram na terceira infância continua, e as autodescrições dos</p><p>adolescentes frequentemente incluem traços pessoais (amigável, desagradável),</p><p>emoções (deprimido, empolgado) e crenças pessoais (liberal, conservador). Além</p><p>disso, o autoconceito torna-se mais diferenciado. O trabalho de Susan Harter</p><p>identificou oito aspectos distintos do autoconceito de adolescentes: competência</p><p>escolar; competência profissional; competência atlética; aparência física; aceitação</p><p>social; amizades íntimas; apelo romântico e onduta (HARTER, 1998).</p><p>A autoestima também sofre flutuações e mudanças durante a adolescência.</p><p>A autoestima comumente está mais baixa quando as crianças entram nos anos finais</p><p>do ensino fundamental e com o início da puberdade. Meninas que amadurecem</p><p>precocemente tendem a sofrer as reduções mais dramáticas e duradouras em sua</p><p>autoestima. Em geral, as meninas adolescentes têm autoestima mais baixa do</p><p>80</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>que os meninos (SANTROCK, 2014). A autoestima global ou os sentimentos de</p><p>autoestima parecem ser influenciados mais fortemente pela aparência física e, em</p><p>seguida, pela aceitação social por parte dos colegas.</p><p>Melhorar a autoestima é principalmente uma questão de dar a todos os</p><p>alunos a sensação de que são valorizados e bem-sucedidos (SANTROCK, 2014).</p><p>Também é essencial evitar baixas expectativas e comparações com outras pessoas</p><p>que têm mais sucesso.</p><p>À medida que as crianças entram na adolescência, ocorrem mudanças na</p><p>natureza das relações sociais, as amizades. Em geral, a quantidade de tempo gasto</p><p>com amigos aumenta dramaticamente; os adolescentes passam mais tempo com</p><p>os pares do que com os familiares ou sozinhos. Adolescentes que têm amizades</p><p>satisfatórias e harmoniosas também relatam níveis mais altos de autoestima,</p><p>são menos solitários, têm habilidades sociais mais maduras e se saem melhor na</p><p>escola do que adolescentes que não têm amizades de apoio (SANTROCK, 2014)</p><p>Durante a adolescência, a capacidade de compreensão mútua e o</p><p>conhecimento de que os outros são indivíduos únicos com sentimentos próprios</p><p>também contribuem para um aumento dramático na autorrevelação, intimidade</p><p>e lealdade entre amigos. À medida que os recém-adolescentes se esforçam</p><p>para estabelecer identidades pessoais independentes de seus pais, eles também</p><p>procuram cada vez mais seus pares em busca de segurança e apoio social.</p><p>Enquanto as crianças nos primeiros anos do ensino fundamental procuram os</p><p>pais para esse apoio, no sexto ano escolar, amigos do mesmo sexo são percebidos</p><p>como tão apoiadores quanto os pais, e no nono ano, eles são percebidos como a</p><p>principal fonte de apoio social (SANTROCK, 2014).</p><p>Além de seus amigos íntimos, a maioria dos adolescentes também</p><p>valoriza muito o grupo maior de colegas como fonte de ideias e valores, bem</p><p>como companheirismo e entretenimento.</p><p>A natureza das relações entre pares na adolescência foi caracterizada em</p><p>termos de status social e grupos de pares. O status social, ou níveis de aceitação pelos</p><p>pares, é estudado em relação aos mesmos grupos de status que são identificados</p><p>na terceira infância. Assim como acontece com crianças nos primeiros anos do</p><p>Ensino Fundamental, adolescentes populares e bem aceitos tendem a apresentar</p><p>resolução positiva de conflitos e habilidades acadêmicas, comportamento prosocial</p><p>e qualidades de liderança, enquanto crianças rejeitadas e mal aceitas tendem a</p><p>exibir comportamento agressivo e antissocial e baixos níveis de desempenho</p><p>acadêmico (WENTZEL; BARRY; CALDWELL, 2004). Essas crianças socialmente</p><p>rejeitadas parecem estar em grande risco de problemas acadêmicos e sociais</p><p>posteriores. Wentzel, Barry e Caldwell (2004) descobriram, no entanto, que crianças</p><p>rejeitadas nos anos finais do Ensino Fundamental que eram socialmente submissas</p><p>não exibiam os mesmos problemas relacionados à escola que suas contrapartes</p><p>agressivas rejeitadas. Essas descobertas sugerem que a rejeição dos pares e o</p><p>comportamento negativo juntos colocam essas crianças em risco.</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>81</p><p>As relações entre pares na adolescência também foram estudadas em</p><p>termos</p><p>de “panelinhas” (grupos exclusivos ou subgrupos) e o grupo amplo com</p><p>as quais os adolescentes se associam (BARBER; ECCLES; STONE, 2001). Uma</p><p>panelinha é um grupo bastante pequeno e íntimo definido pelos interesses,</p><p>atividades e amigos comuns de seus membros. Em contraste, um grupo amplo é um</p><p>grupo maior definido por sua reputação. A fidelidade a uma panelinha ou grupo</p><p>amplo é comum durante a adolescência, mas não é necessariamente duradoura</p><p>ou estável. Embora a pressão para se conformar possa ser muito poderosa dentro</p><p>desses grupos, apenas adolescentes que são altamente motivados a pertencer</p><p>parecem ser influenciados por essas normas de maneiras significativas.</p><p>Panelinhas de amizades. Indivíduos que se dão bem e que compartilham</p><p>atributos semelhantes tendem a se aglutinar em pequenos grupos informais de colegas</p><p>com os quais interagem com frequência e que conhecem bem. Esses grupos são</p><p>conhecidos como panelinhas de amizade. Eles incluem cerca de três a dez indivíduos,</p><p>muitas vezes, com diferentes status hierárquicos (por exemplo, líderes, membros periféricos).</p><p>Por sua vez, cada panelinha tem um status específico no grupo de pares mais amplo.</p><p>No início da adolescência, as panelinhas são relativamente exclusivas e, na maioria das</p><p>vezes, segregadas por gênero. Elas são um importante contexto de socialização até o final</p><p>da adolescência, quando se tornam mais inclusivos, sem segregação de gênero e mais</p><p>abertas, e, então, eventualmente se dissolvem, abrindo espaço para relacionamentos que</p><p>são mais adaptáveis às demandas sociais dos adultos emergentes.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Uma distinção importante entre a dinâmica diádica ou de subgrupos e a</p><p>dinâmica de grupo amplo é a quantidade de controle que os jovens têm sobre esses</p><p>fenômenos. Amizades e experiências em pequenos grupos surgem de interações</p><p>interpessoais que permitem um controle mais direto. Em redes maiores, as</p><p>percepções, opiniões e sentimentos que os indivíduos têm sobre outros membros</p><p>podem ser baseados em informações obtidas indiretamente, em vez de por meio</p><p>de interações diretas. Pode ser difícil para os alunos mudar seu status social ou</p><p>reputação, o que pode ser angustiante se alguém acreditar que as percepções dos</p><p>outros sobre si mesmo são negativas ou se essas percepções forem a base para</p><p>interações indesejadas, como o bullying (VÉRONNEAU et al., 2014).</p><p>Quanto ao desenvolvimento emocional, a maioria dos adolescentes</p><p>experimenta conflitos emocionais em algum momento. Isso não é surpreendente;</p><p>eles estão passando por mudanças rápidas e dramáticas na imagem corporal,</p><p>nos papéis esperados e nos relacionamentos com os pares. As transições dos</p><p>anos iniciais para anos finais do Ensino Fundamental ou deste para o Ensino</p><p>Médio também podem ser bastante estressantes. Para a maioria dos adolescentes,</p><p>82</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>o sofrimento emocional é temporário e é administrado com sucesso, mas, para</p><p>alguns, o estresse leva à delinquência, abuso de drogas ou tentativas de suicídio.</p><p>A saúde emocional também é um fator chave para o sucesso acadêmico na escola</p><p>(FISHER, 2006).</p><p>Problemas emocionais relacionados ao desenvolvimento físico, cognitivo</p><p>e social de crianças em idade escolar são comuns. Embora os pré-adolescentes</p><p>sejam geralmente felizes e otimistas, eles também têm muitos medos, como medo</p><p>de não serem aceitos em um grupo de pares, de não ter um melhor amigo, de</p><p>serem punidos pelos pais, de seus pais de divorciarem ou de não se darem bem</p><p>em escola.</p><p>Outras emoções dessa faixa etária incluem raiva (e medo de não ser capaz</p><p>de controlá-la), culpa, frustração e ciúme. Os pré-adolescentes precisam de ajuda</p><p>para perceber que essas emoções e medos são uma parte natural do crescimento.</p><p>Os adultos devem deixá-los falar sobre essas emoções e medos, mesmo que</p><p>pareçam irrealistas para um adulto. Sentimento de culpa, muitas vezes, surge</p><p>quando há um conflito entre as ações das crianças, com base nos valores do grupo</p><p>de pares, e os valores de seus pais. A raiva é uma emoção comum nessa idade, e é</p><p>exibida com mais intensidade do que muitas outras emoções (SANTROCK, 2014).</p><p>Assim como costumam dizer aos pré-adolescentes que não devem ter medo, os</p><p>pais costumam dizer-lhes que não devem ficar com raiva. Infelizmente, essa é</p><p>uma expectativa irreal, mesmo para adultos.</p><p>Outro ponto importante a ressaltar é o que comumente nos referimos</p><p>como “problemas da adolescência”. A adolescência pode ser um período</p><p>de grande risco para muitos, porque os adolescentes agora são capazes, pela</p><p>primeira vez, de se envolver em comportamentos ou tomar decisões que podem</p><p>ter consequências negativas de longo prazo (SANTROCK, 2014).</p><p>Entre estes problemas, comuns ao período da adolescência, há os</p><p>transtornos emocionais. Os professores dos anos finais do Ensino Fundamental e</p><p>do Ensino Médio devem ser sensíveis ao estresse que os adolescentes enfrentam e</p><p>devem perceber que os transtornos emocionais são comuns (SANTROCK, 2014).</p><p>Eles devem compreender que o comportamento deprimido, desesperançado ou</p><p>inexplicavelmente zangado pode ser uma pista de que o adolescente precisa de</p><p>ajuda e devem tentar colocar esses alunos em contato com orientadores escolares</p><p>ou outros adultos psicologicamente treinados (FISHER, 2006). Existem várias</p><p>abordagens comprovadas para melhorar o ajuste emocional entre adolescentes.</p><p>O bullying ocorre em todos os níveis de idade e se manifesta como</p><p>provocações, assédios e agressões contra pares mais fracos ou sem amigos, mas</p><p>podem se tornar particularmente graves quando as crianças entram no início da</p><p>adolescência (LOPES, 2005). Na verdade, a quantidade de bullying que os alunos</p><p>pensam que existe em sua escola é um indicador-chave de evasão e abandono</p><p>escolar.</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>83</p><p>O PROFESSOR INTENCIONAL</p><p>Levando em consideração o desenvolvimento social, moral e emocional no ensino</p><p>intencional</p><p>Os professores intencionais estão cientes das características de desenvolvimento esperadas</p><p>dos alunos a quem ensinam e são sensíveis à diversidade entre seus alunos.</p><p>• Eles estão cientes das principais tarefas de desenvolvimento que seus alunos estão</p><p>tentando realizar e os ajudam a resolver com sucesso essas tarefas.</p><p>• Eles estão cientes dos níveis de desenvolvimento moral de seus alunos e dão aos alunos</p><p>oportunidades de discutir e lidar com dilemas morais apropriados para suas idades.</p><p>• Eles trabalham para criar práticas de sala de aula que apoiem o desenvolvimento</p><p>socioemocional positivo e minimizem comparações sociais desnecessárias ou competição</p><p>prejudicial à saúde.</p><p>• Eles ajudam seus alunos a desenvolver amizades positivas, dando-lhes muitas</p><p>oportunidades de trabalhar em grupos produtivos e reforçando um comportamento</p><p>amigável e altruísta.</p><p>• Eles encontram maneiras de os pais se envolverem na escola para vincular os esforços</p><p>entre a casa e a escola para construir comportamentos socioemocionais positivos entre</p><p>todas as crianças.</p><p>• Eles observam o bullying e outras interações negativas entre os alunos e intervêm para</p><p>estabelecer normas com toda a turma contra esse comportamento.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A evasão e abandono escolar podem colocar os adolescentes em risco</p><p>considerável, uma vez que a maioria dos evadidos acaba ficando sujeito a</p><p>ocupações de baixo nível, desemprego e pobreza. Claro, os fatores que levam ao</p><p>abandono começam cedo na carreira escolar dos alunos; fracasso escolar, retenção</p><p>(ficar para trás), baixa frequência e sintomas de depressão são indicadores de</p><p>abandono escolar. Silva Filho e Araújo (2017, p. 35) afirmam que “o Brasil tem a</p><p>terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 países com maior IDH” e</p><p>que “a ‘evasão’ pode ser considerada um ‘ato solitário’ e pode denotar o próprio</p><p>fracasso das relações sociais; não tem uma origem definida e por isso</p><p>não terá um</p><p>fim por si só”.</p><p>As taxas de evasão entre alunos em risco podem ser bastante reduzidas</p><p>por programas que dão a esses alunos atenção individual, papéis de alto status e</p><p>assistência aos déficits acadêmicos. Os alunos adolescentes de escolas menores e</p><p>com foco acadêmico tendem a desistir em taxas mais baixas do que outros alunos</p><p>e programas projetados para envolver os alunos em atividades pró-sociais podem</p><p>melhorar as taxas de graduação (BATTISTICH, 2010).</p><p>O uso de substâncias psicoativas continua disseminado entre os</p><p>adolescentes. Malta et al. (2018) relata os resultados da Pesquisa Nacional de</p><p>Saúde dos Escolares (PeNSE) de 2015:</p><p>84</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>A PeNSE 2015 apontou que o álcool é a substância psicoativa mais</p><p>frequentemente usada por cerca de um quarto dos adolescentes e</p><p>principalmente entre as meninas. Por outro lado, um leve declínio foi</p><p>observado nesse indicador desde 2009. O tabagismo foi descrito por</p><p>cerca de 5% dos escolares, enquanto a experimentação de drogas ilícitas</p><p>alguma vez na vida foi o dobro. Não foram observadas mudanças</p><p>significativas para o uso dessas duas substâncias no período, nem</p><p>diferenças por sexo, em 2015. [...] A análise multivariada apontou</p><p>como protetor o contexto familiar: morar com os pais, supervisão</p><p>familiar e fazer refeições frequentes com os pais (cinco vezes ou mais).</p><p>Ao contrário, faltar às aulas sem consentimento aumentou a chance</p><p>de uso de substâncias. A maior chance do uso de substâncias entre</p><p>os estudantes esteve associada ao trabalho, idade mais avançada e</p><p>cor branca. Adicionalmente, escolares que relataram solidão e insônia</p><p>também usam mais substâncias. Não ter amigos foi associado ao uso</p><p>de tabaco e experimentação de drogas, enquanto o uso de álcool esteve</p><p>associado a ter mais amigos (MALTA et al., 2018, p. 7-12)</p><p>Não é de surpreender que o abuso de álcool e outras drogas esteja</p><p>fortemente relacionado ao fracasso escolar, mas o sucesso social e acadêmico na</p><p>escola reduz muito a probabilidade do abuso destas substâncias.</p><p>Um dos problemas mais perigosos da adolescência é o início de uma grave</p><p>delinquência. O problema é muito mais comum entre os homens do que entre</p><p>as mulheres. Os delinquentes são geralmente pessoas com baixo desempenho a</p><p>quem foram dadas poucas razões para acreditar que podem ter sucesso seguindo</p><p>o caminho traçado para eles pela escola. A delinquência na adolescência é</p><p>predominantemente um fenômeno de grupo; a maioria dos atos delinquentes é</p><p>praticada em grupos ou com o apoio ativo de um subgrupo delinquente (SILVA;</p><p>BAZON, 2014). Por esse motivo, programas bem-sucedidos de prevenção da</p><p>delinquência e violência entre adolescentes geralmente envolvem intervenções</p><p>em grupo.</p><p>O risco de gravidez é um problema sério entre todos os grupos de</p><p>adolescentes do sexo feminino, mas particularmente entre aquelas de famílias de</p><p>baixa renda. Assim como muitos adolescentes se envolvem em comportamentos</p><p>delinquentes para tentar estabelecer sua independência do controle adulto, as</p><p>adolescentes frequentemente praticam sexo e, em muitos casos, têm filhos,</p><p>para forçar o mundo a vê-las como adultas (CARD; BENNER, 2008). Como a</p><p>gravidez precoce torna difícil para as adolescentes continuarem seus estudos</p><p>ou conseguirem empregos, é a principal causa da continuação do ciclo de</p><p>pobreza em que nasceram muitas mães adolescentes. Claro, o outro lado da</p><p>gravidez adolescente é a paternidade adolescente. Os pais adolescentes também</p><p>sofrem de problemas comportamentais e acadêmicos na escola. Existem muitos</p><p>programas destinados a atrasar a relação sexual e reduzir a gravidez. Pesquisas</p><p>sobre esses programas descobriram que os programas de educação sexual que</p><p>enfatizam a abstinência e o uso de preservativos e outros métodos de controle de</p><p>natalidade são mais eficazes do que aqueles que enfatizam apenas a abstinência</p><p>(CERQUEIRA-SANTOS, 2010).</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>85</p><p>Somando-se aos riscos tradicionais da atividade sexual precoce está o</p><p>aumento de infecções sexualmente transmissíveis (IST), entre elas, o vírus da</p><p>imunodeficiência humana (HIV). A AIDS, causada pelo HIV, ainda é rara durante</p><p>a adolescência, no entanto, como a doença pode levar anos para aparecer após o</p><p>contágio com o HIV, o sexo desprotegido, o compartilhamento de seringas e outros</p><p>comportamentos de alto risco entre adolescentes contribuem para as altas taxas de</p><p>AIDS entre jovens adultos (CARVALHO; PINTO; SANTOS, 2018). O surgimento</p><p>da AIDS tornou a necessidade de educação sexual e precoce uma questão crítica.</p><p>No entanto, o conhecimento por si só não é suficiente; e adolescentes sexualmente</p><p>ativos devem ter acesso a preservativos e incentivos realistas e psicologicamente</p><p>sofisticados para usá-los.</p><p>É durante a adolescência que as pessoas começam a explorar sua</p><p>diversidade sexual em questões como expressão de gênero, identidade de gênero</p><p>e orientação sexual.</p><p>FIGURA 7 – MANDALA DA DIVERSIDADE SEXUAL</p><p>FONTE: <https://bit.ly/2Ra65hW>. Acesso em: 1 jul. 2021.</p><p>Adolescentes que não se identificam como heterossexuais, cisgêneros</p><p>e binários, em nossa sociedade atual, podem vivenciar grande estresse e</p><p>dificuldades com seus pais. Eles podem ter problemas especialmente com seus</p><p>pares, que podem ter normas rígidas heteronormativas e podem sofrer insultos,</p><p>rejeição ou até mesmo comportamento violento (ROBINSON; ESPELAGE, 2011).</p><p>86</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Os professores precisam estar preparados, tanto no aspecto de compreensão da</p><p>diversidade sexual, assim como atuação efetiva na educação sexual na escola para</p><p>que o ambiente seja de fato inclusivo, acolhedor e respeitoso a todos.</p><p>TEORIA EM PRÁTICA</p><p>Prevenção dos problemas da adolescência</p><p>Nem todos os adolescentes enfrentam problemas graves, mas, entre aqueles que estão em</p><p>risco, é muito melhor prevenir os problemas antes que eles apareçam. Muitos programas</p><p>têm demonstrado sucesso com uma ampla gama de comportamentos problemáticos</p><p>ao incorporar estratégias preventivas ao currículo regular. Por exemplo, vários programas</p><p>reduziram comportamentos de alto risco ao introduzir “treinamento de habilidades para a</p><p>vida”, com foco em habilidades como tomar boas decisões e resistir à pressão dos pares</p><p>(STIPEK; DE LA SOTA; WEISHAUPT, 1999); outros se concentram na construção de normas</p><p>de cooperação, altruísmo e responsabilidade social (BATTISTICH et al., 1999). Envolver</p><p>agências comunitárias para envolver crianças em comportamentos pró-sociais é outra</p><p>prática frequentemente recomendada (KIDRON; FLEISCHMAN, 2006). Modelos abrangentes</p><p>de reforma de toda a escola podem ter um impacto sobre comportamentos de alto risco,</p><p>especialmente evasão e abandono escolar.</p><p>UNI</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>87</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO: HOJE E AMANHÃ</p><p>José Fernando Bitencourt Lomonaco</p><p>[…] Psicologia e Educação: Hoje</p><p>Nosso século testemunhou o aparecimento de três grandes conjuntos de</p><p>teorias psicológicas que refletem a maneira pela qual os psicólogos veem o papel</p><p>da escola no desenvolvimento psicológico das crianças. Um primeiro conjunto</p><p>vê a escola como um local privilegiado para a aplicação de conhecimentos</p><p>derivados de estudos e pesquisas realizados fora do âmbito escolar. Inserem-se</p><p>neste grupo, a meu ver, as concepções behavioristas e piagetianas. De acordo</p><p>com essas concepções, embora o desenvolvimento possa ocorrer fora da escola,</p><p>pois o fundamental não é o local, mas os princípios e sua correta aplicação, a</p><p>escola, face a sua organização que permite reunir muitas e diferentes crianças</p><p>num mesmo espaço, possibilita avaliar a aplicação de princípios psicológicos a</p><p>um grande número de sujeitos. Uma segunda maneira de encarar</p><p>a relação entre</p><p>a Psicologia e a Educação, acredita que a escola promove o desenvolvimento</p><p>psicológico. Ou seja, o trabalho realizado dentro das salas de aulas no processo</p><p>ensino-aprendizagem, favorece o desenvolvimento psicológico em vários</p><p>aspectos sociais, afetivos e cognitivos. Um exemplo desse tipo de concepção é, a</p><p>meu ver, a teoria sócio-histórica de Vigotski, que salienta a importância do ensino</p><p>escolar para o desenvolvimento de conceitos científicos. Finalmente, a terceira</p><p>maneira de ver a relação Psicologia-Educação, defende que a escola não é um</p><p>elemento decisivo para o desenvolvimento psicológico, podendo até mesmo</p><p>atrapalhá-lo. Inserem-se claramente dentro desta concepção as críticas de Rogers</p><p>que ele denomina de escola tradicional e algumas vertentes da psicanálise.</p><p>Esta maneira de encarar a atuação da psicologia dentro das escolas, em</p><p>nossos dias, refletiu-se no aparecimento de três grupos de teorias psicológicas</p><p>aplicadas ao ensino, quais sejam: o behaviorismo, o cognitivismo e o humanismo.</p><p>Vejamos, brevemente, algumas de suas características e implicações.</p><p>A abordagem behaviorista, fiel a suas origens históricas, enfatiza</p><p>grandemente o papel do ambiente no desenvolvimento dos organismos, limitando-</p><p>se ao estudo dos comportamentos manifestos e mensuráveis, descartando à</p><p>consideração de eventos internos que ocorrem na mente do indivíduo e atuariam</p><p>como mediadores entre os estímulos e as respostas. Não há dúvida de que as</p><p>implicações desta teoria para o ensino escolar foram muito grandes e diretas. Ela</p><p>estimulou o aparecimento de uma tecnologia educacional que desenvolveu um</p><p>conjunto variado de instrumentos para auxiliar o professor a resolver os múltiplos</p><p>problemas de sala de aula. Como exemplos ilustrativos temos a Instrução</p><p>88</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>Programada e o Sistema Personalizado de Instrução, que buscaram dar ao</p><p>professor instrumentos que garantissem a aprendizagem efetiva de informações</p><p>por todos os alunos, respeitando-se as diferenças individuais refletidas no ritmo</p><p>de aprendizagem de cada aluno. Propiciou também o desenvolvimento de</p><p>variadas técnicas de controle do comportamento, tal como o Sistema de Vales,</p><p>que visam dar ao professor recursos para enfrentar problemas comuns de sala</p><p>de aula – a indisciplina, a falta de motivação dos alunos, a ausência de hábitos</p><p>desejáveis de higiene, limpeza, pontualidade etc. Contrapondo-se a formulações</p><p>extremamente vagas e imprecisas de objetivos educacionais características</p><p>dos manuais escolares, esta tecnologia exige que o psicólogo e/ou professor</p><p>explicitem claramente os objetivos a serem atingidos, os comportamentos</p><p>a serem modificados e a maneira pela qual os resultados serão avaliados. Em</p><p>função da grande influência e do prestígio que o comportamentalismo desfrutou</p><p>na psicologia mundial e brasileira alguns anos passados, tais instrumentos</p><p>difundiram-se rapidamente em nosso meio. Livros-texto sob forma de Instrução</p><p>Programada e manuais para professores eram abundantes, cursos de difusão</p><p>eram ministrados a professores, artigos em revistas especializadas e de divulgação</p><p>relatavam a aplicação de técnicas comportamentais em sala de aula. Fazendo-se</p><p>hoje um retrospecto, caberia perguntar o porquê do relativo esquecimento de</p><p>recursos e procedimentos outrora tão prestigiados.</p><p>A concepção cognitivista enfatiza os processos internos através dos quais o</p><p>mundo exterior é representado dentro do organismo. Contrariamente à abordagem</p><p>compol1amentalista, enfatiza a importância dos eventos organísmicos que intervém</p><p>entre o estímulo e a resposta, pois, como salientam Spinillo e Roazzi (1989):</p><p>[...] a resposta dada a determinada situação-estímulo... não depende</p><p>apenas do estímulo apresentado, mas de processos mentais internos</p><p>presentes na mente de um indivíduo em um momento determinado</p><p>do seu desenvolvimento e em função de elaborações anteriores que</p><p>tenham sido efetua das (p. 22).</p><p>Em termos de implicações para a educação, poderemos dizer que a</p><p>concepção cognitiva foi tão ou até mais fértil do que a comportamentalista. É</p><p>inegável a esmagadora influência que as ideias de Piaget tiveram e ainda têm</p><p>como teoria explicativa dos vários aspectos do desenvolvimento infantil. Algumas</p><p>pesquisas têm demonstrado que os professores, quando indagados a respeito de</p><p>suas predileções teóricas, apontam predominantemente a concepção piagetiana</p><p>como a que eles consideram mais adequada para orientar sua ação pedagógica</p><p>(embora na prática, suas ações não pareçam ser orientadas por ela).</p><p>Duas outras concepções, advindas da psicologia norte-americana,</p><p>influenciaram também, ainda que menos intensamente que a teoria piagetiana,</p><p>a educação escolar. Refiro-me às ideias de Jerome Bruner e David Ausubel sobre</p><p>o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem em sala de aula. Em ambos os</p><p>casos, é patente a preocupação em derivar do conhecimento psicológico princípios</p><p>orientadores da ação do professor. Curiosamente, os princípios derivados não</p><p>levaram esses autores a percorrer os mesmos caminhos e a fazer as mesmas</p><p>TÓPICO 3 — DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>89</p><p>recomendações. Se, de um lado, Bruner enfatiza a aprendizagem por descoberta,</p><p>levando o aluno a indutivamente formular princípios e regras gerais, de outro</p><p>lado, Ausubel defende a transmissão do conhecimento caminhando do geral para</p><p>o particular, das definições para os exemplos, à moda de uma boa aula expositiva.</p><p>Atualmente, esta abordagem vem se interessando grandemente pelos</p><p>processos através dos quais a informação é transformada, armazenada, recuperada</p><p>e aplicada. Parte substancial dos psicólogos cognitivos vem se dedicando desde</p><p>a década de 50, a procurar entender os processos envolvidos no processamento</p><p>da informação. Em função de tais estudos, têm sido postulados mecanismos</p><p>responsáveis pela codificação, armazenamento e recuperação da informação. Os</p><p>estudos são numerosos e sofisticados, porém, as conclusões de tais pesquisas, a</p><p>meu ver, ainda não se concretizaram em princípios aplicáveis à escola.</p><p>Finalmente, a orientação humanística preocupa-se fundamentalmente</p><p>com os aspectos afetivos da aprendizagem. Embora afirmando uma preocupação</p><p>com o ser humano como um todo, sem privilegiar o intelecto, na verdade a ênfase</p><p>recai sobre aspectos não cognitivos. O ser humano é visto como possuindo um</p><p>potencial a ser desenvolvido, com uma natureza que tende naturalmente para</p><p>a autorrealização desde que possa desenvolver-se em ambiente não punitivo e</p><p>não restritivo. De maneira geral tais concepções, dentre as quais a aprendizagem</p><p>centrada no aluno postulada por Rogers, é o exemplo mais conspícuo, vê a escola</p><p>tradicional como um ambiente que impede a autorrealização do aluno e o seu</p><p>crescimento pessoal. Na verdade, a abordagem humanista não deu origem a</p><p>qualquer teoria de aprendizagem. No máximo, e com alguma boa vontade, a</p><p>concepção rogeriana poderia ser vista mais como uma teoria de personalidade</p><p>do aluno que aprende, com ênfase especial à interação professor-aluno. O</p><p>que esse tipo de abordagem produziu foram propostas, geralmente rotuladas</p><p>como utópicas e/ou revolucionárias, de uma total reformulação na instituição</p><p>escolar subvertendo completamente os papéis de professores e alunos. Até onde</p><p>chega meu conhecimento, não tenho notícias de escolas que tenham aplicado</p><p>integralmente a proposta rogeriana, com exceção da conhecidíssima Summerhill</p><p>que, na verdade, é anterior ao próprio Rogers.</p><p>Como se pode depreender desta breve exposição, tais orientações tenderam</p><p>naturalmente a concentrar sua atenção preferencial em um dos três aspectos que</p><p>fazem palie da natureza humana: a ação, a cognição e a emoção. Nisto reside, a</p><p>meu ver, suas qualidades</p><p>e suas limitações. Qualidades na medida em que isto</p><p>conduziu naturalmente a uma análise aprofundada de cada uma das facetas</p><p>privilegiadas pelas concepções em voga - o comportamento ou desempenho</p><p>pelo behaviorismo, a cognição pelo cognitivismo e os aspectos afetivos pelas</p><p>abordagens humanistas. Limitação porque, embora sem negar frontalmente a</p><p>importância dos outros dois fatores, na prática, concentraram sua preocupação</p><p>em apenas um deles. O resultado, como não poderia deixar de ser, é um retrato</p><p>imperfeito e incompleto do aluno que aprende. Necessárias se fazem abordagens</p><p>mais abrangedoras que, de maneira integrada e equilibrada, levem em conta esses</p><p>três grupos interpenetrantes de fatores envolvidos na aprendizagem escolar.</p><p>90</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>No que toca especialmente à Psicologia Escolar, estes últimos anos</p><p>testemunharam uma acesa discussão entre visões conflitantes do papel do psicólogo</p><p>nas escolas. Esta discussão dividiu a comunidade entre aqueles que esperam do</p><p>psicólogo uma atuação de caráter mais técnico nas escolas, geralmente de avaliador</p><p>das capacidades dos alunos, e aqueles mais atentos aos seus determinantes sociais</p><p>e institucionais. Como uma decorrência do trabalho daqueles que advogam uma</p><p>atuação de caráter mais técnico, temos os controvertidos laudos psicológicos que</p><p>tanta celeuma têm provocado entre psicólogos e educadores pelas consequências</p><p>nefastas para a vida futura dos alunos. Correspondendo frequentemente aquilo</p><p>que as escolas esperam dos psicólogos, muitos profissionais têm se esmerado no</p><p>trabalho de avaliação intelectual através de uma variedade de testes, nem sempre</p><p>conscientes da imprecisão e da relatividade das medidas psicológicas, assim</p><p>como do próprio conceito de inteligência. Ainda que o objetivo de tais esforços</p><p>pareça, pelo menos à primeira vista meritórios, qual seja, o de colocar alunos em</p><p>classes especiais nas quais eles tenham melhores condições de aprendizagem, na</p><p>vida real o que frequentemente ocorre é a estigmatização de alunos para todo o</p><p>restante de sua vida escolar.</p><p>Contrapondo-se a esta visão tecnicista, uma outra vertente da Psicologia</p><p>Escolar defende de maneira enfática que o psicólogo só pode entender realmente</p><p>a escola e o aluno se estiver atento à dinâmica da instituição. Neste sentido,</p><p>seu trabalho é muito menos o de um aplicador de testes e muito mais o de</p><p>alguém voltado ao trabalho com professores, procurando entender e explicitar</p><p>as expectativas dos mesmos em relação a alunos de classes economicamente</p><p>desfavorecidas, analisando a forma pela qual a instituição se apropria da</p><p>informação que lhe é trazida, discutindo com o corpo docente as múltiplas formas</p><p>de queixa escolar, procurando facilitar o trabalho em equipes multidisciplinares,</p><p>enfim, atuando muito mais junto ao professor do que no trabalho de avaliação</p><p>dos alunos.</p><p>Essas duas formas de atuação e de concepção do papel do psicólogo escolar</p><p>coexistem, às vezes em franco antagonismo. Conciliar ambas as orientações,</p><p>reduzindo o antagonismo latente, é tarefa urgente nesta área de estudo e aplicação</p><p>do conhecimento psicológico.</p><p>São essas, no meu entender, algumas interfaces entre a Psicologia e a</p><p>Educação que podem ser atualmente identificadas nas escolas. Mas, e o amanhã?</p><p>Que tendências se delineiam presentemente e quais os seus reflexos sobre a</p><p>Psicologia Escolar, Educacional e da Aprendizagem no início do próximo século?</p><p>[...]</p><p>FONTE: LOMONACO, J. F. B. Psicologia e educação: hoje e amanhã. Psicol. Esc. Educ. (Impr.),</p><p>Campinas, v. 3, n. 1, p. 11-20, 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pee/v3n1/v3n1a02.pdf.</p><p>Acesso em: 30 maio 2021.</p><p>91</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Erikson propôs oito estágios de desenvolvimento psicossocial, cada um</p><p>dominado por uma crise psicossocial particular precipitada pela interação com</p><p>o ambiente social.</p><p>• No Estágio I de Erikson, confiança versus desconfiança, o objetivo é desenvolver</p><p>um senso de confiança por meio da interação com os cuidadores.</p><p>• No Estágio II de Erikson, autonomia versus dúvida ou vergonha (18 meses a 3</p><p>anos), as crianças têm um desejo duplo de apego e deixar-se ir.</p><p>• No Estágio III de Erikson, iniciativa versus culpa (3 a 6 anos de idade), as crianças</p><p>elaboram seu senso de identidade por meio da exploração do ambiente.</p><p>• As crianças entram na escola durante o Estágio IV, diligência versus inferioridade</p><p>(6 a 12 anos de idade), quando o sucesso ou fracasso acadêmico é central.</p><p>• No Estágio V de Erikson, identidade versus confusão de identidade/papel (12</p><p>a 18 anos), os adolescentes se voltam cada vez mais para seu grupo de pares e</p><p>começam suas buscas por parceiros e carreiras.</p><p>• A idade adulta traz o Estágio VI (intimidade versus isolamento), o Estágio VII</p><p>(generatividade versus estagnação/autoabsorção) e o Estágio VIII de Erikson</p><p>(integridade versus desespero).</p><p>• De acordo com Piaget, as crianças desenvolvem moralidade heterônoma</p><p>(obediência à autoridade por meio do realismo moral) por volta dos seis anos</p><p>de idade e, posteriormente, avançam para a moralidade autônoma (moralidade</p><p>racional baseada em princípios morais).</p><p>• Os estágios de raciocínio moral de Kohlberg refletem as respostas das crianças</p><p>aos dilemas morais.</p><p>• Nos estágios 1 e 2 (o nível pré-convencional) de Kohlberg, as crianças obedecem</p><p>às regras estabelecidas por outros enquanto maximizam o interesse próprio.</p><p>• Nas fases 3 e 4 (o nível convencional) de Kohlberg, o indivíduo adota regras,</p><p>acredita na lei e na ordem e busca a aprovação dos outros.</p><p>• Nos estágios 5 e 6 (o nível pós-convencional) de Kohlberg, as pessoas definem</p><p>seus próprios valores em termos de princípios éticos abstratos que escolheram</p><p>seguir.</p><p>• O desenvolvimento socioemocional na primeira e segunda infância pode</p><p>ser parcialmente descrito em termos do estágio psicossocial de iniciativa de</p><p>Erikson versus culpa.</p><p>92</p><p>Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem</p><p>pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao</p><p>AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.</p><p>CHAMADA</p><p>• Os relacionamentos entre pares ajudam as crianças a superar o egocentrismo</p><p>que Piaget descreveu como característico do pensamento pré-operacional.</p><p>• O comportamento prosocial inclui cuidar, compartilhar, confortar e cooperar.</p><p>• Parten identificou quatro categorias de brincadeiras que refletem níveis</p><p>crescentes de interação social e sofisticação: solitária, paralela, associativa e</p><p>cooperativa.</p><p>• Brincar aprimora as habilidades linguísticas, cognitivas, sociais e criativas das</p><p>crianças.</p><p>• Na terceira infância, as crianças podem ser vistas como resolvendo a crise</p><p>psicossocial que Erikson descreveu como diligência versus inferioridade.</p><p>• A escola se torna uma grande influência no desenvolvimento na terceira infância,</p><p>um lugar onde a criança desenvolve um eu público, desenvolve habilidades</p><p>sociais e estabelece autoestima com base em competências acadêmicas e não</p><p>acadêmicas.</p><p>• Na pré-adolescência, entre as idades de 9 e 12 anos, a conformidade nas</p><p>relações de pares, grupos de pares e desafios à autoridade adulta tornam-se</p><p>mais importantes.</p><p>• Os adolescentes podem ser vistos como resolvendo a crise psicossocial de</p><p>identidade versus confusão de papéis de Erikson.</p><p>• Os adolescentes prestam atenção em como as outras pessoas os veem,</p><p>pesquisam o passado, experimentam papéis, agem de acordo com sentimentos</p><p>e crenças e, gradualmente, buscam maior autonomia e intimidade nas relações</p><p>com os pares.</p><p>• A exclusão ocorre quando o indivíduo escolhe um papel prematuramente,</p><p>mas, no final da adolescência, a maioria dos indivíduos já desenvolveu um</p><p>estado de identidade estabelecida.</p><p>• Muitos</p><p>fatores, como abandono escolar, abuso de substâncias e IST, colocam os</p><p>adolescentes em risco.</p><p>93</p><p>1 Através de uma adaptação das teorias do desenvolvimento do neurologista</p><p>e psiquiatra Sigmund Freud, Erik Erikson desenvolveu uma teoria que</p><p>relaciona aspectos psicológicos e sociais chamada de teoria psicossocial.</p><p>Sobre essa respeitável teoria, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Erikson levantou a hipótese de que as pessoas passam por dez estágios</p><p>psicossociais em suas vidas. Em cada estágio, existem crises ou</p><p>problemas críticos a serem resolvidos.</p><p>b) ( ) A maioria das pessoas resolve cada crise psicossocial de forma</p><p>satisfatória e deixa-as para trás para assumir novos desafios, mas</p><p>algumas pessoas não resolvem completamente essas crises e devem</p><p>continuar a lidar com elas mais tarde na vida.</p><p>c) ( ) Mesmo com o passar dos anos e das dificuldades enfrentadas pelos</p><p>sujeitos, para Erikson a personalidade dessa pessoa se mantém a</p><p>mesma.</p><p>d) ( ) Umas das maiores desvantagens da teoria do desenvolvimento</p><p>psicossocial de Erik Erikson é que a mesma se limita apenas à infância</p><p>e adolescência.</p><p>2 Em Autonomia versus vergonha/dúvida, Erikson descreve essa fase do</p><p>desenvolvimento como ocorrendo aos dois anos de idade. Nesse período,</p><p>ocorre um fenômeno chamado popularmente de adolescência do bebê, pois</p><p>ele passa a perceber que é um indivíduo e com isso luta para conquistar o</p><p>seu espaço, manifestando forte traços de rebeldia. Com base nesse período</p><p>do desenvolvimento, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Autonomia versus vergonha/dúvida encontra-se no estágio III do desen-</p><p>volvimento.</p><p>II- As crianças neste estágio têm o desejo duplo de apegar-se e de desapegar-se.</p><p>III- Os pais que são excessivamente restritivos e severos dão aos filhos uma</p><p>sensação de competência e impotência as crianças.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 Piaget escreveu a teoria sobre o desenvolvimento do raciocínio moral,</p><p>afirmando que as habilidades e as estruturas cognitivas se desenvolvem</p><p>primeiro. No pensamento de Piaget, podemos identificar duas fases do</p><p>desenvolvimento da moralidade, a moralidade heterônoma e a autônoma.</p><p>Com base nessa teoria, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para</p><p>as falsas:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>94</p><p>( ) Na moralidade autônoma, as pessoas podem ver “o que é certo” de</p><p>maneira diferente.</p><p>( ) Na moralidade autônoma, o grau de punição deve depender de quão</p><p>ruins foram os resultados de suas ações,</p><p>( ) Na modalidade heterônoma, as regras são permanentes, não mudam e</p><p>devem ser seguidas.</p><p>( ) Na modalidade heterônoma, as intenções são mais importantes do que os</p><p>resultados de seu comportamento.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) F – V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – F – V.</p><p>c) ( ) V – F – V – F.</p><p>d) ( ) F – V – V – F.</p><p>4 Nos estudos do desenvolvimento socioemocional durante os anos finais</p><p>do ensino fundamental e médio, James Marcia, com base nos estudos de</p><p>Erikson, identificou a partir de entrevistas com adolescentes os quatro</p><p>estados de identidade que refletem o grau em que os adolescentes</p><p>assumiram compromissos firmes com valores religiosos e políticos, bem</p><p>como com uma ocupação futura. Cite e explique cada um deles:</p><p>5 Urie Bronfenbrenner, psicólogo Russo, descreveu um modelo “bioecológi-</p><p>co” de desenvolvimento humano para explicar sobre o desenvolvimento.</p><p>O foco de seu modelo está nas influências sociais e institucionais no desen-</p><p>volvimento de uma criança, desde a família, escolas, locais de culto e bair-</p><p>ros, até influências sociais e políticas mais amplas, como mídia de massa e</p><p>governo. Com uma crítica ao modelo piagetiano, ele inclui outras variáveis</p><p>que devem ser investigadas nos estudos sobre o desenvolvimento que são</p><p>além das crianças. Nesse contexto, disserte acerca dos cinco elementos des-</p><p>critos por Bronfenbrenner.</p><p>95</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AL-NAMLAH, A. S.; FERNYHOUGH, C.; MEINS, E. Sociocultural influences on</p><p>the development of verbal mediation: private speech and phonological decoding</p><p>in Saudi Arabian and British samples. Developmental Psychology, Washington,</p><p>v. 42, n. 1, p. 117-131, 2006. Disponível em: https://dro.dur.ac.uk/2626/1/2626.</p><p>pdf. Acesso em: 1. jul. 2021.</p><p>ALVES, R. A alegria de ensinar. 3. ed. São Paulo: ARS Poética Editora,1994.</p><p>ARNOLD, M. L. Stage, sequence, and sequels: changing conceptions of morality,</p><p>post-Kohlberg. Educational Psychology Review, Berlim, v. 12, p. 365-383, 2000.</p><p>ASSIS, S. G.; AVANCI, J. Q. Labirinto de espelhos: formação da autoestima na</p><p>infância e na adolescência. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2004.</p><p>AUSTIN, V. L.; SCIARRA, D. T. Children and adolescents with emotional and</p><p>behavioral disorders. Upper Saddle River: Pearson, 2010.</p><p>BAILLARGEON, R. The acquisition of physical knowledge in infancy: a</p><p>summary in eight lessons. In: GOSWAMI, U. (Org.). Blackwell handbook of</p><p>childhood cognitive development. Malden: Blackwell, 2002. p. 47-83.</p><p>BALL, D.; FORZANI, F. What makes education research “educational”?</p><p>Educational Researcher, Thousand Oaks, v. 36, n. 9, p. 529-540, 2007.</p><p>BALL, D.; FORZANI, F. Teaching skillful learning. Educational Leadership,</p><p>Londres, v. 68, n. 4, p. 40-45, 2010.</p><p>BANERJEE, R.; WEARE, K.; FARR, W. Working with “Social and Emotional</p><p>Aspects of Learning” (SEAL): associations with school ethos, pupil social</p><p>experiences, attendance, and attainment. British Educational Research Journal,</p><p>Londres, v. 40, n. 4, p. 718-742, 2013.</p><p>BARBER, B.; ECCLES, J.; STONE, M. Whatever happened to the jock, the</p><p>brain, and the princess? Young adult pathways linked to adolescent activity</p><p>involvement and social identity. Journal of Adolescent Research, Londres, v.</p><p>16, n. 5, p. 429-455, 2001.</p><p>BATTISTICH, V. School contexts that promote students’ positive development.</p><p>In: MEECE, J.; ECCLES, J. (Orgs.). Handbook of research on schools, schooling,</p><p>and human development. New York: Routledge, 2010. p. 111-127.</p><p>BATTISTICH, V. et al. Beyond the three R’s: a broader agenda for school reform.</p><p>The Elementary School Journal, Chicago, v. 99, n. 5, p. 415-432, 1999.</p><p>96</p><p>BAUMERT et al. Teachers’ mathematical knowledge, cognitive activation in</p><p>the classroom, and student progress. American Educational Research Journal,</p><p>Washington, v. 47, n. 1, p. 133-180, 2010.</p><p>BEE, H.; BOYD, D. (Orgs.). A criança em desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2011.</p><p>BERGER, K. The developing person through childhood and adolescence. 8. ed.</p><p>New York: Worth, 2012.</p><p>BERK, L. Development through the lifespan. 6. ed. Upper Saddle River:</p><p>Pearson, 2013.</p><p>BERRY, B. et al. Teaching 2030. New York: Teachers College Press, 2011.</p><p>BIANCAROSA, C.; SNOW, C. E. Reading next: a vision for action and research</p><p>in middle and high school literacy: a report to Carnegie Corporation of New</p><p>York. 2. ed. Washington: Alliance for Excellent Education, 2006.</p><p>BORMAN, G.; KIMBALL, S. Teacher quality and educational quality: do teachers</p><p>with higher standards-based evaluation ratings close student achievement gaps?</p><p>The Elementary School Journal, Chicago, v. 106, n. 1, p. 3-20, 2005.</p><p>BORUCHOVITCH, E. Autorregulação da aprendizagem: contribuições da psicologia</p><p>educacional para a formação de professores. Psicologia Escolar e Educacional,</p><p>[online], v. 18, n. 3, p. 401-409, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pee/a/</p><p>HYqxtDHyj84FGcJKzHCCMSQ/?lang=pt#ModalArticles. Acesso em: 1 jul. 2021.</p><p>BRONFENBRENNER, U. A ecologia do desenvolvimento humano:</p><p>experimentos naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.</p><p>BRONFENBRENNER, U. Environments in development perspective: theoretical</p><p>and operational models. In: FRIEDMAN, S.; WACHS, T. D. (Orgs.). Measuring</p><p>environment across the lifespan: emerging models and concepts. Washington:</p><p>American Psychological Association, 1999. p. 3-28.</p><p>BRONFENBRENNER, U.; MORRIS, P. A. The bioecological model of human</p><p>development. In: DAMON, W.; LERNER, R. M. (Orgs.). Handbook of child</p><p>psychology vol. 1: theoretical models of human development. 6. ed. New York:</p><p>Wiley, 2006. p. 793-828.</p><p>BROWN, F.; EMMONS, C.; COMER, J. The broader picture. Better: Evidence-</p><p>Based Education, Bradford, v. 2, n. 2, p. 18-19, 2010.</p><p>BZUNECK, J.; GUIMARAES, S. E. R. Crenças de eficácia de professores:</p><p>validação da escala de Woolfolk e Hoy. Revista Psico-USF, Campinas, v. 8, n.</p><p>2, p. 137-143, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_</p><p>arttext&pid=S1413-82712003000200005. Acesso em: 1 jul. 2021.</p><p>97</p><p>CARD, J. J.; BENNER, T. A. Programs for adolescent sexual health. New York,</p><p>NY: Springer, 2008.</p><p>CARVALHO, O.; PINTO, R. G. S.; SANTOS, M. S. Conhecimento sobre as</p><p>infecções sexualmente transmissíveis por estudantes adolescentes de escolas</p><p>públicas. Adolescência e Saúde, v. 15, n. 1, p. 7-17, jan./mar. 2018.</p><p>CERQUEIRA-SANTOS, E. et al. Gravidez na adolescência: análise contextual de</p><p>risco e proteção. Psicologia em Estudo., Maringá, v. 15, n. 1, p. 72-85, mar. 2010.</p><p>CHAPMAN, J.; TUNMER, W.; PROCHNOW, J. Early reading-related skills</p><p>and performance, reading self-concept, and the development of academic self-</p><p>concept: a longitudinal study. Journal of Educational Psychology, Washington,</p><p>v. 92, n. 4, p. 703-708, 2000.</p><p>COHEN, L. B.; CASHON, C. H. Infant perception and cognition. In: LERNER, R.</p><p>M.; EASTERBROOKS, M. A.; MISTRY, J. (Orgs.). Handbook of psychology vol.</p><p>6: developmental psychology. Hoboken: Wiley, 2003. p. 65-89.</p><p>COLBY, C.; KOHLBERG, L. Invariant sequence and internal consistency in</p><p>moral judgment stages. In: KURTINES, W.; GEWIRTS, J. (Orgs.). Morality,</p><p>moral behavior, and moral development. New York, NY: Wiley-Interscience.</p><p>1984. p. 41-51.</p><p>COLL, C.; MARCHESI, A.; PALÁCIOS, J. Desenvolvimento psicológico e</p><p>educação: psicologia da educação escolar. 2. ed. Tradução de Angélica Mello</p><p>Alves. Porto Alegre: Artmed, 2004.</p><p>CRISP, R. J.; TURNER, R. N. Cognitive adaptation to the experience of social</p><p>and cultural diversity. Psychological Bulletin, Washington, v. 137, p. 242-266,</p><p>2011.</p><p>CUMMINGS, E. M.; BRAUNGART-RIEKER, J. M.; DU ROCHER- SCHUDLICH,</p><p>T. Emotion and personality development in childhood. In: LERNER, R. M.;</p><p>EASTERBROOKS, M. A.; MISTRY, J. (Org.). Handbook of psychology vol. 6:</p><p>developmental psychology. Hoboken, NJ: Wiley, 2003. p. 211-239.</p><p>DEVRIES, R. Piaget and Vygotsky: theory and practice in early education. In:</p><p>GOOD, T. L. (Org.). 21st century learning. Thousand Oaks: Sage, 2008. p. 184-</p><p>193. v. 1.</p><p>DEWEY, J. Como pensamos. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1953.</p><p>DEWEY, J. A filosofia em reconstrução. São Paulo: Companhia Editora</p><p>Nacional, 1958.</p><p>DEWEY, J. Democracia e educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959.</p><p>98</p><p>DUCKWORTH, A. L.; STEINBERG, L. Understanding and cultivating self-</p><p>control in children and adolescents. Child Development Perspectives,</p><p>Hoboken, v. 9, n. 1, p. 32-37, 2015.</p><p>DURLAK, J. et al. The impact of enhancing students’ social and emotional</p><p>learning: a meta-analysis of school-based universal interventions. Child</p><p>Development, Hoboken, v. 82, n. 1, p. 405-432, 2011.</p><p>DWECK, C.S. Social development. In: ZELAZO, P. (Org.). Oxford handbook of</p><p>developmental psychology. New York: Oxford University Press, 2013.</p><p>EINERSON, M. Fame, fortune, and failure: young girls’ moral language</p><p>surrounding popular culture. Youth and Society, Londres, v. 30, p. 241-257, 1998.</p><p>EISENBERG, N. The core and correlates of affective social competence. Social</p><p>Development, Nova Jersey, v. 10, p. 120-124, 2001.</p><p>ERIKSON, E. H. Infância e sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.</p><p>ERIKSON, E. H. Identidade: juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.</p><p>ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.</p><p>FELDMAN, R. S. Introdução à psicologia. Tradução de Daniel Bueno, Sandra</p><p>Maria Mallmann da Rosa. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.</p><p>FISHER, D. Keeping adolescents “alive and kickin” it: addressing suicide in</p><p>schools. Phi Delta Kappan, Arlington, v. 87, n. 10, p. 784-786, 2006.</p><p>FINN, J. D.; PANNOZZO, G. M.; ACHILLES, C. M. The “whys” of class size:</p><p>student behavior in small classes. Review of Educational Research, Londres, v.</p><p>73, n. 3, p. 321-368, 2003.</p><p>FISHER, D.; FREY, N. The purposeful classroom: how to structure lessons with</p><p>learning goals in mind. Alexandria: ASCD, 2011.</p><p>FLAVELL, J. H. Really and truly. Psychology Today, Chicago, v. 20, n. 1, p. 38-</p><p>44, 1986.</p><p>FLEISCHMAN, S. Moving to evidence-based professional practice. Educational</p><p>Leadership, Londres, v. 63, n. 6, p. 87-90, 2006.</p><p>GELMAN, R. Domain specificity and variability in cognitive development.</p><p>Child Development, Hoboken, v. 71, n. 4, p. 854-856, 2000.</p><p>GILLIGAN, C. Uma voz diferente: psicologia da diferença entre homens e</p><p>mulheres da infância à idade adulta. Tradução de Nathanael C. Caixeiro. Rio de</p><p>Janeiro: Rosa dos Tempos, 1982.</p><p>99</p><p>GIORGIS, C.; GLAZER, J. I. Literature for young children: supporting emergent</p><p>literacy, ages 0–8. 6. ed. Boston: Allyn & Bacon, 2009.</p><p>GOOD, T.; GROUWS, D.; EBMEIER, H. Active mathematics teaching. New</p><p>York: Longman, 1983.</p><p>GORDON, C. W. The social system of the high school: A study in the sociology</p><p>of adolescence. Glencoe: Free Press, 1957.</p><p>GOULART, I. B. Piaget: experiências básicas para utilização pelo professor. 21.</p><p>ed. Petrópolis: Vozes, 2005.</p><p>GRAVES, M. Conceptual and empirical bases for providing struggling readers</p><p>with multifaceted and long-term vocabulary instruction. In: TAYLOR, B. M.;</p><p>YSSELDYKE, J. E. (Orgs.). Effective instruction for struggling readers, K-6.</p><p>New York: Teachers College Press, 2007. p. 55-83.</p><p>GUZZO, G. B. Por que se preocupar com como os professores pensam: a</p><p>importância do pensamento crítico na docência. Revista Espaço Acadêmico, v.</p><p>14, n. 164, p. 35-42, jan. 2015. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.</p><p>php/EspacoAcademico/article/view/24853. Acesso em: 1 jul. 2021.</p><p>HARRIS, K. R.; GRAHAM, S.; PRESSLEY, M. Cognitive strategies in</p><p>reading and written language. In: SINGH, N. N.; BEALE, I. (Orgs.). Current</p><p>perspectives in learning disabilities: nature, theory and treatment. New York:</p><p>Springer-Verlag, 2001. p. 415-451.</p><p>HART, B.; RISLEY, R. T. Meaningful differences in the everyday experience of</p><p>young American children. Baltimore: Brookes, 1995.</p><p>HARTER, S. The development of self-representations. In: DAMON, W. (Org.).</p><p>Handbook of child psychology, vol. 2. New York, NY: Wiley, 1998. p. 553-618.</p><p>HAWKINS, J. et al. Effects of social development intervention in childhood</p><p>fifteen years later. Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, Michigan,</p><p>v. 162, p. 1133-1141, 2008.</p><p>HINDMAN, A.; WASIK, B. Unpacking an effective language and literacy</p><p>coaching intervention in Head Start. The Elementary School Journal, Chicago,</p><p>v. 113, n. 1, p. 131-154, 2012.</p><p>HUGHES, F. Children, play, and development. Thousand Oaks: Sage, 2010.</p><p>JOHN-STEINER, V.; MAHN, H. Sociocultural contexts for teaching and</p><p>learning. In: REYNOLDS; W. M.; MILLER, G. E. (Orgs.). Handbook of</p><p>psychology, vol. 7: educational psychology. Hoboken: Wiley, 2003. p. 125-151.</p><p>100</p><p>KEENAN, T.; EVANS, S. An introduction to child development. Thousand</p><p>Oaks: Sage, 2010.</p><p>KENNEDY, M. M. Teachers thinking about their practice. In: GOOD, T. L.</p><p>(Org.). 21st century learning. Thousand Oaks: Sage, 2008. p. 21-30.</p><p>KIDRON, Y.; FLEISCHMAN, S. Promoting adolescent’s prosocial behavior.</p><p>Educational Leadership, Londres, v. 63, n. 7, p. 90-91, 2006.</p><p>KLEIMAN, A. Texto e Leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura. 8 ed. Campinas:</p><p>Pontes, 2002.</p><p>KLEIMAN, A. Leitura: ensino e pesquisa. 2. ed. Campinas: Pontes, 2004.</p><p>KOHLBERG, L. The development of children’s orientations toward moral order.</p><p>I: sequence in the development of human</p><p>thought. Vita Humana, Basel, v. 6, p.</p><p>11-33, 1963.</p><p>KOHLBERG, L. Stage and sequence: the cognitive-developmental approach to</p><p>socialization. In: GOSLIN, D. A. (Org.). Handbook of socialization theory and</p><p>research. Chicago: Rand McNally, 1969. p. 347-380.</p><p>KOHLBERG, L. High school democracy and educating for a just society. In:</p><p>MOSHER, M. L. (Org.). Moral education: a first generation of research and</p><p>development. New York: Praeger, 1980. p. 20-57.</p><p>LADD, G.; SECHLER, C. Young children’s peer relations and social competence.</p><p>In: SARACHO, O. N.; SPODEK, B. (Org.). Handbook of research on the</p><p>education of young children. New York: Routledge, 2013. p. 33-66.</p><p>LEVIN, J. R.; O’DONNELL, A. M.; KRATOCHWILL, T. R. Educational/</p><p>psychological intervention research. In: REYNOLDS, W. M.; MILLER, G. E.</p><p>(Org.). Handbook of psychology, vol. 7: educational psychology. Hoboken:</p><p>Wiley. p. 557-581.</p><p>LEVINE, C.; KOHLBERG, L.; HEWER, A. The current formulation of Kohlberg’s</p><p>theory and a response to critics. Human Development, Basel, v. 28, p. 94-100, 1985.</p><p>LEYSER, K. D. dos S. Fundamentos de neurofisiologia e neuropsicologia.</p><p>Indaial: UNIASSELVI, 2018.</p><p>LOPES NETO, A. A. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes.</p><p>Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, n. 5, p. 164-172, 2005.</p><p>MALTA, D. C. et al. Uso de substâncias psicoativas em adolescentes brasileiros</p><p>e fatores associados: Pesquisa Nacional de Saúde dos Escolares, 2015. Revista</p><p>Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 21, supl. 1, e180004, 2018. Disponível</p><p>em: https://doi.org/10.1590/1980-549720180004.supl.1. Acesso em: 1 jul. 2021.</p><p>101</p><p>MARCIA, J. E. Identity and self-development. In: LERNER, M.; PETERSEN,</p><p>A. C.; BROOKS-GUNN, E. J. (Org.). Encyclopedia of adolescence. New York:</p><p>Garland, 1991. p. 527-531.</p><p>MARZANO, R. The inner world of teaching. Educational Leadership, Londres,</p><p>v. 68, n. 7, p. 90-93, 2011.</p><p>MARZANO, R.; HEFLEBOWER, T. Teaching and assessing 21st century skills.</p><p>Bloomington: Marzano Research Laboratory, 2012.</p><p>MASSEY, C. Development: PreK–2. In: GOOD, T. L. (Org.). 21st century</p><p>learning. Thousand Oaks: Sage, 2008. p. 73-81.</p><p>MCHALE, S. M.; DARIOTIS, J. K.; KAUH, T. J. Social development and social</p><p>relationships in middle childhood. In: LERNER, R. M.; EASTERBROOKS, M. A.;</p><p>MISTRY, J. (Org.). Handbook of psychology, vol. 6: developmental psychology.</p><p>Hoboken: Wiley, 2003. p. 241-265.</p><p>MEECE, J. L.; DANIELS, D. H. Child and adolescent development for</p><p>educators. 3. ed. New York: McGraw-Hill, 2008.</p><p>MILLER, P. H. Piaget’s theory. In: GOSWAMI, U. (Org.). The Wiley-Blackwell</p><p>handbook of childhood cognitive development. 2. ed. Oxford: Wiley-</p><p>Blackwell, 2011. p. 649-672.</p><p>MILLER, S.; CONNOLLY, P.; MACGUIRE, L. Well-being, academic buoyancy,</p><p>and educational achievement in primary school students. International Journal</p><p>of Educational Research, Amsterdã, v. 62, p. 239-248, 2013.</p><p>MORROW, L. M.; ROSKOS, K. A.; GAMBRELL, L. B. Oral language and</p><p>comprehension in preschool. New York: Guilford Press, 2015.</p><p>MUNAKATA, Y. Information processing approaches to development. In: KUHN</p><p>D.; SIEGLER, R. S. (Org.). Handbook of child psychology, vol 2: cognition,</p><p>perception, and language. New York: Wiley, 2006. p. 426-463.</p><p>MURDOCK, T. B.; HALE, N. M.; WEBER, M. J. Predictors of cheating among</p><p>early adolescents: academic and social motivations. Contemporary Educational</p><p>Psychology, Amsterdã, v. 26, n. 1, p. 96-115, 2001.</p><p>NEUMAN, S. Content-rich instruction in preschool. Educational Leadership,</p><p>Londres, v. 72, n. 2, p. 36-41, 2014.</p><p>NUCCI, L. P. Nice is not enough: facilitating moral development. Columbus:</p><p>Merrill Pearson, 2009.</p><p>OWENS, R. Language development: an introduction. 9. ed. Boston: Pearson, 2016.</p><p>102</p><p>PACKARD, B.; BABINEAU, M. E. Development: 9-12. In: GOOD, T. L. (Org.).</p><p>21st century learning. Thousand Oaks: Sage, 2008. p. 103-112.</p><p>PARKE, R. D.; CLARKE-STEWART, C. Social development. Hoboken: Wiley, 2011.</p><p>PARTEN, M. Social participation among preschool children. Journal of</p><p>Abnormal and Social Psychology, Washington, v. 27, p. 243-269, 1932.</p><p>PARTNERSHIP for 21st century skills. Framework for 21st century learning.</p><p>2009. Disponível em: www.21stcenturyskills.org. Acesso em: 22 mar. 2021.</p><p>PERRENOUD, P. H. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação.</p><p>Lisboa: Publicações D. Quixote, 1993.</p><p>PIAGET, J. Epistemologia genética. Petrópolis: Vozes, 1970.</p><p>PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. Tradução de Maria Alice Magalhães</p><p>D'Amorim e Paulo Sérgio Lima Silva. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense</p><p>Universitária, 1972.</p><p>PIAGET, J. O juízo moral na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.</p><p>PIAGET, J. A linguagem e o pensamento da criança. São Paulo: Martins Fontes, 1999.</p><p>PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. Tradução de Octavio</p><p>Mendes Cajado. 18. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.</p><p>PORTUGAL, G. Ecologia e desenvolvimento humano. Aveiro: CIDIne, 1992.</p><p>RIEHL, C. Feeling better: A comparison of medical research and education</p><p>research. Educational Researcher, Thousand Oaks, v. 35, n. 5, p. 24-29, 2006.</p><p>ROBINSON, J.; ESPELAGE, D. Inequities in educational and psychological</p><p>outcomes between LGBTQ and straight students in middle and high school.</p><p>Educational Researcher, Thousand Oaks, v. 40, n. 7, p. 315-330, 2011.</p><p>RICE, F. P.; DOLGIN, K. G. (Eds.). The adolescent: development, relationships,</p><p>and culture. 12. ed. Boston, MA: Pearson Education Group, 2008.</p><p>ROSE, M. Reform: to what end? Educational Leadership, Londres, v. 67, n. 7, p.</p><p>6-11, 2010.</p><p>SAHLBERG, P. Finland’s success is no miracle. 2012. Disponível em: https://</p><p>www.edweek.org/leadership/opinion-finlands-success-is-no-miracle/2012/01.</p><p>Acesso em: 1 jul. 2021.</p><p>SANTROCK, J. W. Adolescência. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.</p><p>103</p><p>SCHUNK, D. Learning theories: an educational perspective. 7. ed. Boston:</p><p>Pearson, 2016.</p><p>SCHMOKER, M. First Things First: The Madness of Teacher Evaluation</p><p>Frameworks. Phi Delta Kappan, Arlington, v. 93, n. 8, p. 70-71, maio. 2012.</p><p>SIEGLER, R. Microgenetic analyses of learning. In: KUHN, D.; SIEGLER, R.</p><p>(Org.). Handbook of child psychology. 6. ed. Hoboken: Wiley, 2006. p. 464-510.</p><p>SILVA, J. L. da; BAZON, M. R. Educação escolar e conduta infracional em</p><p>adolescentes: revisão integrativa da literatura. Estudos de Psicologia, Natal,</p><p>v. 19, n. 4, p. 278-287, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epsic/a/</p><p>ysSzvCj4c4zW7nzrrSTrzwd/abstract/?lang=pt#. Acesso em 1 jul. 2021.</p><p>SILVA FILHO, R. B.; ARAÚJO, R. M. de L. Evasão e abandono escolar na</p><p>educação básica no Brasil: fatores, causas e possíveis consequências. Educação</p><p>Por Escrito, Porto Alegre, v. 8, n. 1, p. 35-48, 2017. Disponível em: https://</p><p>revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/porescrito/article/view/24527. Acesso</p><p>em: 1 jul. 2021.</p><p>SLAVIN, R. Cooperative learning and achievement: theory and research. In:</p><p>REYNOLDS, W.; MILLER, G.; WEINER, I. (Org.). Handbook of psychology,vol.</p><p>7. 2. ed. Hoboken: Wiley, 2013. p. 199-212.</p><p>SLAVIN, R. Making cooperative learning powerful. Educational Leadership,</p><p>Londres, v. 72, n. 2, p. 22-27, 2014.</p><p>SLAVIN, R. Educational psychology: theory and practice. 12. ed. New York:</p><p>Pearson, 2018.</p><p>SQUIRES, J. et al. Early childhood education: Improving outcomes for young</p><p>children and families. In: REYNOLDS, W.; MILLER, G.; WEINER, I. (Org.).</p><p>Handbook of psychology, vol 7. Hoboken: Wiley, 2013. p. 99-116.</p><p>STERNBERG, R. Applying psychological theories to educational practice.</p><p>American Educational Research Journal, Washington, v. 45, n. 1, p. 150-165, 2008.</p><p>STIPEK, D.; DE LA SOTA, A.; WEISHAUPT, L. Life lessons: an embedded</p><p>classroom approach to preventing high-risk behaviors among preadolescents.</p><p>The Elementary School Journal, Chicago, v. 99, n. 5, p. 433-452, 1999.</p><p>SWANN, W.; CHANG-SCHNEIDER, C.; MCCLARTY, K. Do people’s self-views</p><p>matter? American Psychologist, Washington, v. 62, n. 2, p. 84-94, 2007.</p><p>THURLINGS, M.; EVERS, A.; VERMEULEN, M. Toward a model of explaining</p><p>teachers’ innovative behavior:</p><p>a literature review. Review of Educational</p><p>Research, Londres, v. 85, n. 3, p. 430-471, 2015.</p><p>104</p><p>TOUGH, P. Como as crianças aprendem: o papel da garra, da curiosidade e da</p><p>personalidade no desenvolvimento infantil. 2 ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.</p><p>TRAWICK-SMITH, J. Early childhood development: a multicultural</p><p>perspective. 6. ed. Boston: Pearson, 2014.</p><p>TURIEL, E. The development of morality. In: EISENBERG, N. (Org.). Handbook</p><p>of Child Psychology. 6. ed. Hoboken, NJ: Wiley, 2006. p. 789-857. v. 3.</p><p>TWAIN, M. A vida no Mississippi. Tradução de Karl Simrock. [s.l]: Amazon, 2020.</p><p>VÉRONNEAU, M-H et al. Fatores de risco e proteção no contexto dos pares:</p><p>como outras crianças contribuem para o ajuste psicossocial do adolescente?</p><p>Ciência & saúde coletiva, [online], v. 19, n. 3, p. 695-705, 2014.</p><p>VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos</p><p>psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.</p><p>WADSWORTH, B. Piaget’s theory of cognitive and affective development. 5.</p><p>ed. Boston, MA: Pearson, 2004.</p><p>WATSON, J. Behaviorism. New York: Norton, 1930.</p><p>WENTZEL, K. R.; BARRY, C. M.; CALDWELL, K. A. Friendships in middle</p><p>school: Influences on motivation and school adjustment. Journal of Educational</p><p>Psychology, v. 96, n. 2, p. 195-203, 2004.</p><p>WOOLFOLK-HOY, A.; HOY, W. K.; DAVIS, H. Teachers’ self-efficacy beliefs.</p><p>In: WENTZEL, K.; WIGFIELD, A. (Eds.). Handbook of motivation in school.</p><p>Mahwah, NJ: Erlbaum, 2009.</p><p>YORK-BARR, J.; SOMMERNESS, J.; HUR, J. Teacher leadership. In: GOOD, T. L.</p><p>(Ed.). 21st century learning. Thousand Oaks, CA: Sage, 2008. p. 12-20. v. 1.</p><p>105</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• definir o conceito de "aprendizagem" e descrever os princípios das</p><p>teorias de aprendizagem comportamentais e suas implicações para</p><p>a prática em sala de aula;</p><p>• descrever teorias de aprendizagem social e suas implicações para a</p><p>prática em sala de aula;</p><p>• explicar como as teorias comportamentais e sociais de aprendizagem</p><p>influenciam o ensino intencional;</p><p>• identificar os processos e componentes do modelo de processamento</p><p>de informações da cognição humana;</p><p>• identificar os fatores que afetam se lembramos ou esquecemos</p><p>informações e descrever estratégias que os acadêmicos podem</p><p>usar para lembrar o conteúdo da aula;</p><p>• discutir como as habilidades metacognitivas, estratégias de</p><p>estudo e estratégias de ensino cognitivas ajudam os acadêmicos a</p><p>aprenderem;</p><p>• identificar os conceitos-chave da visão construtivista da</p><p>aprendizagem e suas implicações para a prática em sala de aula;</p><p>• discutir como usar a aprendizagem cooperativa de forma mais</p><p>eficaz na sala de aula;</p><p>• descrever como você pode ensinar a seus acadêmicos habilidades</p><p>de raciocínio e solução de problemas.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,</p><p>você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo</p><p>apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DA</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>TÓPICO 2 – TEORIAS COGNITIVAS DA APRENDIZAGEM</p><p>TÓPICO 3 – ABORDAGENS DE ENSINO-APRENDIZAGEM CENTRADA</p><p>NO ALUNO E CONSTRUTIVISTA</p><p>106</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos</p><p>em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá</p><p>melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>107</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, vamos introduzir este tópico com um caso que exemplifica</p><p>os conceitos das teorias que estudaremos aqui. Convidamos você a ler este relato</p><p>hipotético que aconteceu com a professora Julia Eller. Vamos lá?</p><p>A professora Julia Eller, do segundo ano do Ensino Fundamental, está</p><p>tentando ensinar a seus alunos um comportamento adequado em sala de aula.</p><p>“Crianças”, diz ela um dia, “estamos tendo um problema nesta aula que gostaria</p><p>de discutir com vocês. Sempre que faço uma pergunta, muitos de vocês gritam</p><p>suas respostas em vez de levantar a mão e esperar serem chamados. Alguém</p><p>pode me dizer o que você deve fazer quando eu fizer uma pergunta à classe?”. A</p><p>mão de Rebeca dispara para o ar. "Eu sei, eu sei!" ela diz. “Levante a mão e espere</p><p>em silêncio!”. A professora suspira para si mesma. Ela tenta ignorar Rebeca,</p><p>que está fazendo exatamente o que lhe disseram para não fazer, mas Rebeca é a</p><p>única aluna com a mão levantada, e quanto mais ela espera, mais freneticamente</p><p>Rebeca acena com a mão e grita sua resposta. “Tudo bem, Rebeca. O que você</p><p>pretende fazer?". “Devemos levantar as mãos e esperar em silêncio que você nos</p><p>chame.”. “Se você conhece a regra, por que estava gritando sua resposta antes de</p><p>eu chamar para você?”. "Acho que esqueci". "Tudo bem. Alguém pode lembrar</p><p>a classe de nossa regra sobre falar fora de hora?”. Quatro crianças levantam as</p><p>mãos e gritam juntas: "um por vez!"; "uma de cada vez!". “Não falar quando</p><p>outra pessoa estiver falando!”. A professora pede ordem. “Vocês, crianças, vão</p><p>me deixar louca!”. “Não acabamos de conversar sobre como levantar as mãos e</p><p>esperar que eu chame por vocês?”. “Mas professora Eller”, diz Estevão, sem nem</p><p>mesmo levantar a mão. "Você chamou a Rebeca e ela não estava quieta!".</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>TEORIAS COMPORTAMENTAIS E</p><p>SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>Pensamento crítico e criativo: reflita sobre o que a professora Eller poderia</p><p>fazer de diferente nessa situação para atingir seu objetivo.</p><p>Aprendizado cooperativo: discuta com outro acadêmico o que deu errado aqui. Discuta</p><p>também maneiras semelhantes pelas quais você viu o comportamento inadequado ser</p><p>reforçado no passado. Compartilhe algumas dessas histórias com a classe.</p><p>IMPORTANTE</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>108</p><p>As crianças são excelentes aprendizes. O que elas aprendem, no entanto,</p><p>nem sempre é o que pretendemos ensinar. A professora Eller está tentando ensinar</p><p>os alunos como se comportar em sala de aula, mas ao prestar atenção à explosão</p><p>de Rebeca, ela está realmente ensinando a eles o oposto do que pretende. Rebeca</p><p>anseia pela atenção de sua professora, então ser chamada (mesmo em um tom</p><p>de voz exasperado) a recompensa por gritar sua resposta. Não apenas a resposta</p><p>da professora Eller aumenta as chances de Rebeca dar respostas novamente, mas</p><p>também Rebeca agora serve como um modelo para as próprias convocações de</p><p>seus colegas. O que a professora Eller diz é menos importante do que a resposta</p><p>real que ela dá aos comportamentos de seus alunos.</p><p>O objetivo deste tópico é definir a aprendizagem e, em seguida,</p><p>apresentar teorias de aprendizagem comportamentais e sociais, explicações</p><p>para a aprendizagem que enfatizam comportamentos observáveis. Veremos</p><p>que as teorias de aprendizagem comportamental enfocam as maneiras como</p><p>as consequências agradáveis ou desagradáveis do comportamento mudam</p><p>o comportamento dos indivíduos ao longo do tempo e as maneiras como os</p><p>indivíduos modelam seu comportamento no comportamento de outras pessoas.</p><p>A seguir, exploraremos as teorias de aprendizagem social, elas enfocam os efeitos</p><p>do pensamento sobre a ação e da ação sobre o pensamento.</p><p>O próximo tópico desta unidade apresentará as teorias de aprendizagem</p><p>cognitiva, que enfatizam processos mentais não observáveis que as pessoas usam</p><p>para aprender e lembrar novas informações ou habilidades. Nos últimos anos,</p><p>entretanto, as fronteiras entre as teorias de aprendizagem comportamental e</p><p>cognitiva tornaram-se cada vez mais indistintas, à medida que cada escola de</p><p>pensamento incorporou as descobertas da outra.</p><p>Muito bem, caríssimo acadêmico, você está pronto para iniciarmos nossa</p><p>jornada nos estudos sobre a psicologia da aprendizagem? Vamos lá.</p><p>2 O QUE É A APRENDIZAGEM?</p><p>O que é aprendizagem? Esta parece uma pergunta simples até que você</p><p>comece a pensar a respeito. Considere os quatro exemplos a seguir. São exemplos</p><p>de aprendizagem?</p><p>1. Uma criança dá seus primeiros passos.</p><p>2. Um adolescente do sexo masculino sente uma forte atração por certas mulheres.</p><p>3. A criança fica ansiosa quando vê o médico chegando com uma agulha.</p><p>4. Muito depois de aprender a multiplicar, uma menina percebe por si mesma</p><p>que outra maneira de multiplicar por 5 é dividir por 2 e multiplicar por 10 (por</p><p>exemplo, 428 × 5 pode ser calculado da seguinte forma: 428/2 = 214 × 10 = 2.140).</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>109</p><p>A aprendizagem é geralmente definida como uma mudança em um</p><p>indivíduo causada pela experiência. Mayer (2008a, p. 171) define aprendizagem</p><p>como "mudança duradoura no conhecimento do aluno como resultado das</p><p>experiências do aluno". Mudanças causadas pelo desenvolvimento (como</p><p>ficar mais alto) não são exemplos de aprendizagem. Nem são as características</p><p>dos indivíduos que estão presentes no nascimento (como reflexos e respostas</p><p>à fome ou dor). No entanto, os humanos aprendem tanto desde o dia de seu</p><p>nascimento (e alguns dizem antes) que aprendizagem e desenvolvimento estão</p><p>inseparavelmente ligados. Aprender a andar (Exemplo 1) é principalmente uma</p><p>progressão do desenvolvimento, mas também depende da experiência com</p><p>engatinhar e outras atividades. O impulso sexual do adolescente (Exemplo 2) não</p><p>é aprendido, mas a aprendizagem molda as escolhas dos indivíduos de parceiros</p><p>desejáveis.</p><p>A ansiedade de uma criança ao ver um médico com uma agulha (Exemplo</p><p>3) é definitivamente um comportamento aprendido. A criança aprendeu a associar</p><p>a agulha à dor e seu corpo reage emocionalmente ao vê-la. Essa reação pode ser</p><p>inconsciente ou involuntária, mas é aprendida mesmo assim.</p><p>No Exemplo 4, o insight da menina sobre o atalho de multiplicação é</p><p>uma instância de aprendizagem gerada internamente, mais conhecida como</p><p>pensamento. Alguns teóricos não chamariam isso de aprendizagem, porque</p><p>não foi causado diretamente pelo ambiente. Pode ser considerado um caso de</p><p>aprendizagem retardada, no qual a instrução deliberada na multiplicação mais</p><p>anos de experiência com números mais esforço mental por parte da menina</p><p>produziu um insight.</p><p>A aprendizagem ocorre de várias maneiras. Às vezes, é intencional, como</p><p>quando os alunos adquirem informações apresentadas em uma sala de aula ou</p><p>quando procuram algo na internet. Às vezes, não é intencional, como no caso da</p><p>reação da criança à agulha. Todos os tipos de aprendizagem estão acontecendo o</p><p>tempo todo. Ao ler este tópico, você está aprendendo algo sobre aprendizagem.</p><p>No entanto, você também está aprendendo que a psicologia educacional é</p><p>interessante ou enfadonha, útil ou inútil. Sem saber, você provavelmente está</p><p>aprendendo sobre onde certas informações podem ser encontradas nas páginas</p><p>do livro. Você pode estar aprendendo a associar o conteúdo deste tópico a aspectos</p><p>sem importância de seu entorno à medida que o lê, como o cheiro dos livros em</p><p>uma biblioteca ou a temperatura da sala em que está lendo. O conteúdo deste</p><p>tópico, a colocação de palavras na página e os cheiros, sons e temperatura do</p><p>ambiente são todos estímulos. Seus sentidos estão geralmente abertos a todos os</p><p>tipos de estímulos, ou eventos ou condições ambientais, mas você está consciente</p><p>de apenas uma fração deles por vez.</p><p>O problema que você enfrenta como professor não é como fazer os alunos</p><p>aprenderem, os alunos já estão empenhados em aprender a cada momento. Em</p><p>vez disso, é como ajudá-los a aprender informações, habilidades e conceitos</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>110</p><p>específicos que serão úteis em suas vidas. Como apresentamos aos alunos os</p><p>estímulos corretos nos quais concentrar sua atenção e esforço mental para que</p><p>adquiram habilidades importantes? Esse é o desafio central do ensino.</p><p>2.1 O QUE SÃO AS TEORIAS DA APRENDIZAGEM DO</p><p>COMPORTAMENTO?</p><p>O estudo sistemático da aprendizagem é relativamente novo. Somente no</p><p>final do século XIX a aprendizagem foi estudada de maneira científica. Usando</p><p>técnicas emprestadas das ciências físicas, os pesquisadores começaram a conduzir</p><p>experimentos para entender como as pessoas e os animais aprendem.</p><p>Um dos primeiros e mais importantes pesquisadores foi Ivan Pavlov.</p><p>Entre os pesquisadores posteriores, Skinner foi importante para seus estudos</p><p>sobre relação entre comportamento e consequências.</p><p>2.1.1 Pavlov: condicionamento clássico</p><p>No final dos anos 1800 e no início dos anos 1900, o cientista russo Ivan</p><p>Pavlov e seus colegas estudaram o processo digestivo em cães (BORICH, 2014;</p><p>ORMROD, 2016). Durante a pesquisa, os cientistas notaram mudanças no tempo</p><p>e na taxa de salivação desses animais. Pavlov observou que se a carne fosse</p><p>colocada na boca ou perto da boca de um cão faminto, o cão salivaria. Como</p><p>a carne provocou essa resposta automaticamente, sem nenhum treinamento</p><p>ou condicionamento prévio, a carne é chamada de estímulo não condicionado</p><p>ou estímulo incondicionado. Da mesma forma, como a salivação ocorria</p><p>automaticamente na presença de carne, também sem a necessidade de nenhum</p><p>treinamento ou experiência, essa resposta de salivar é chamada de resposta não</p><p>condicionada ou resposta incondicionada.</p><p>Embora a carne produza salivação sem qualquer experiência ou</p><p>treinamento prévio, outros estímulos, como o toque de um sino, não produzem</p><p>salivação. Como esses estímulos não têm efeito sobre a resposta em questão, eles</p><p>são chamados de estímulos neutros. Os experimentos de Pavlov mostraram</p><p>que, se um estímulo previamente neutro for apresentado ao mesmo tempo</p><p>que um estímulo não condicionado, o estímulo neutro se torna um estímulo</p><p>condicionado e ganha o poder de solicitar uma resposta semelhante à produzida</p><p>pelo estímulo não condicionado. Em outras palavras, depois que o sino e a carne</p><p>são apresentados juntos várias vezes, só o toque do sino faz o cachorro salivar.</p><p>Esse processo é conhecido como condicionamento clássico. Um diagrama</p><p>da teoria de Pavlov é mostrado na Figura 1 (no condicionamento clássico, um</p><p>estímulo neutro, como um sino, que a princípio não indica nenhuma resposta,</p><p>torna-se pareado com um estímulo incondicionado, como carne, e ganha o poder</p><p>desse estímulo para causar uma resposta, como a salivação). Em experimentos</p><p>como esses, Pavlov e seus colegas mostraram como o aprendizado pode afetar o</p><p>que antes se pensava ser comportamentos reflexos involuntários, como salivar.</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>111</p><p>FIGURA 1 – CONDICIONAMENTO CLÁSSICO</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3DWaiIM>. Acesso em: 13 out. 2021.</p><p>2.1.2 Skinner: condicionamento operante</p><p>Alguns comportamentos humanos são claramente estimulados por</p><p>estímulos específicos. Assim como os cães de Pavlov, salivamos quando</p><p>estamos com fome e vemos comida apetitosa. No entanto, Skinner propôs que</p><p>o comportamento reflexivo é responsável por apenas uma pequena proporção</p><p>de todas as ações. Ele propôs outra classe de comportamento, que rotulou de</p><p>comportamentos operantes, pois operam no ambiente na aparente ausência</p><p>de qualquer estímulo não condicionado, como comida. O trabalho de Skinner</p><p>focou na relação entre o comportamento e suas consequências (BORICH,</p><p>2014; ORMROD, 2016). Por exemplo, se o comportamento de um indivíduo é</p><p>imediatamente seguido por consequências prazerosas, o indivíduo se envolverá</p><p>nesse comportamento com mais frequência. O uso de consequências agradáveis</p><p>e desagradáveis para mudar o comportamento é frequentemente referido como</p><p>condicionamento operante.</p><p>O trabalho de Skinner focou em colocar os sujeitos em situações</p><p>controladas e observar as mudanças em seu comportamento produzidas por</p><p>mudanças sistemáticas nas consequências de seu comportamento</p><p>243</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 245</p><p>TÓPICO 2 — MOTIVANDO OS ALUNOS PARA A APRENDIZAGEM ............................... 247</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 247</p><p>2 O QUE É MOTIVAÇÃO? ............................................................................................................... 249</p><p>3 QUAIS SÃO ALGUMAS TEORIAS DA MOTIVAÇÃO? ....................................................... 250</p><p>3.1 MOTIVAÇÃO E TEORIA DE APRENDIZAGEM COMPORTAMENTAL ........................ 250</p><p>3.2 MOTIVAÇÃO E NECESSIDADES HUMANAS .................................................................... 252</p><p>3.3 A MOTIVAÇÃO E A TEORIA DA ATRIBUIÇÃO ................................................................. 254</p><p>3.4 MOTIVAÇÃO E MINDSET ....................................................................................................... 257</p><p>3.5 MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM AUTORREGULADA .................................................. 258</p><p>3.6 MOTIVAÇÃO E TEORIA DA EXPECTATIVA ....................................................................... 258</p><p>4 QUE FATORES AFETAM A MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS? ................................................. 260</p><p>4.1 MOTIVAÇÃO E ORIENTAÇÕES PARA METAS .................................................................. 261</p><p>4.2 DESAMPARO APRENDIDO .................................................................................................... 263</p><p>4.3 EXPECTATIVAS E REALIZAÇÕES DO PROFESSOR .......................................................... 265</p><p>4.4 ANSIEDADE E REALIZAÇÃO ................................................................................................ 266</p><p>5 COMO OS PROFESSORES PODEM AUMENTAR A</p><p>MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS PARA APRENDER? ................................................................ 267</p><p>5.1 MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA E EXTRÍNSECA ...................................................................... 267</p><p>5.2 AUMENTAR A MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA ....................................................................... 270</p><p>5.3 PRINCÍPIOS PARA FORNECER INCENTIVOS EXTRÍNSECOS PARA APRENDER ........... 273</p><p>5.4 USANDO ELOGIOS EFETIVAMENTE ................................................................................... 276</p><p>5.5 ENSINANDO OS ALUNOS A SE ELOGIAREM ................................................................... 277</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 279</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 281</p><p>TÓPICO 3 — AMBIENTES DE APRENDIZAGEM EFETIVA................................................... 283</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 283</p><p>2 QUAL É O IMPACTO DO TEMPO NA APRENDIZAGEM? ................................................. 286</p><p>2.1 USANDO O TEMPO ALOCADO PARA O ENSINO ............................................................ 286</p><p>2.2 USANDO O TEMPO DE ENGAJAMENTO DE FORMA EFICAZ ..................................... 289</p><p>2.3 EXCESSO DE TEMPO NA TAREFA ........................................................................................ 292</p><p>2.4 GESTÃO DA SALA DE AULA NA SALA DE AULA CENTRADA NO ALUNO ........... 292</p><p>3 QUE PRÁTICAS CONTRIBUEM PARA UMA GESTÃO</p><p>EFICAZ DA SALA DE AULA? ..................................................................................................... 293</p><p>3.1 COMEÇANDO O ANO ADEQUADANENTE ...................................................................... 294</p><p>3.2 DEFININDO REGRAS DA TURMA ........................................................................................ 295</p><p>4 ALGUMAS ESTRATÉGIAS PARA GERENCIAR O</p><p>COMPORTAMENTO DE ROTINA ............................................................................................. 296</p><p>4.1 O PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA ....................................................................... 297</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 302</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 305</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 307</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 309</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 —</p><p>PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• identificar atributos de professores eficazes;</p><p>• descrever o papel da pesquisa educacional em informar a prática de sala de</p><p>aula;</p><p>• discutir como se tornar um professor intencional;</p><p>• descrever a teoria de desenvolvimento humano de Piaget e discutir como</p><p>ela pode ser aplicada em sala de aula;</p><p>• descrever as teorias de desenvolvimento apresentadas por Vygotsky e por</p><p>Bronfenbrenner e discutir como elas se aplicam na sala de aula;</p><p>• descrever os distintos estágios de linguagem e letramento e explicar como</p><p>se pode configurar sua sala de aula para promover o desenvolvimento do</p><p>letramento;</p><p>• descrever como o conhecimento do desenvolvimento social, moral e</p><p>emocional informa o ensino intencional;</p><p>• discutir as diferentes visões do desenvolvimento social, emocional e moral;</p><p>• identificar as fases do desenvolvimento social e emocional das crianças;</p><p>• aplicar o conhecimento do desenvolvimento social, emocional e moral ao</p><p>considerar como resolver problemas em sala de aula;</p><p>• descrever como o conhecimento do desenvolvimento social, moral e</p><p>emocional informa o ensino intencional.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,</p><p>você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo</p><p>apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>TÓPICO 2 – DESENVOLVIMENTO COGNITIVO</p><p>TÓPICO 3 – DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MORAL E EMOCIONAL</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos</p><p>em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá</p><p>melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>3</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>PSICOLOGIA EDUCACIONAL:</p><p>UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, iniciaremos a introdução deste tópico com um relato</p><p>de um caso que alude muito bem acontecimentos reais nas escolas e enfatiza</p><p>o propósito desta disciplina que você está agora estudando, a Psicologia da</p><p>Educação e da Aprendizagem. Vamos lá?</p><p>Eliane Medeiros, uma nova professora, está tentando ensinar redação</p><p>criativa para sua turma do quarto ano, mas as coisas simplesmente não estão</p><p>indo como ela esperava. Seus alunos não estão produzindo muito, e o que eles</p><p>escrevem não é muito imaginativo e está repleto de erros. Por exemplo, ela</p><p>recentemente solicitou uma redação sobre "Minhas férias de verão" e tudo o que</p><p>seus alunos escreveram foi algo do tipo: "Nas minhas férias de verão, ganhei um</p><p>cão e nós fomos nadar e eu fui picado por uma abelha”. Eliane se pergunta se seus</p><p>alunos simplesmente não estão prontos para escrever e precisam de vários meses</p><p>de trabalho em habilidades como letras maiúsculas e o uso de pontuação antes de</p><p>tentar outra tarefa de redação.</p><p>No entanto, um dia Eliane nota algumas redações no corredor fora da</p><p>sala aula da professora Lídia Weber. Os alunos da Lídia, do quarto ano, são</p><p>como os de Eliane, mas suas composições são fabulosas. Os alunos escreveram</p><p>páginas de material interessante sobre uma variedade surpreendente de tópicos.</p><p>(ALBERTO;</p><p>TROUTMAN, 2013). Skinner é famoso por seu desenvolvimento e uso da caixa</p><p>de Skinner, um dispositivo que contém um aparato muito simples para estudar o</p><p>comportamento de animais, geralmente ratos e pombos. Uma caixa Skinner para</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>112</p><p>ratos consiste em uma barra que é fácil para o rato apertar, um distribuidor de</p><p>comida que pode dar ao rato uma bolinha de comida e um distribuidor de água.</p><p>O rato não pode ver ou ouvir nada fora da caixa, então todos os estímulos são</p><p>controlados pelo experimentador.</p><p>Em alguns dos primeiros experimentos envolvendo caixas de Skinner, o</p><p>aparelho foi primeiro configurado de forma que se o rato pressionasse a barra</p><p>receberia uma bolinha de comida. Depois de algumas pressões acidentais na barra,</p><p>o rato começava a pressionar a barra com frequência, recebendo uma bolinha</p><p>a cada vez. A recompensa da comida condicionou o comportamento do rato,</p><p>fortalecendo a pressão na barra e enfraquecendo todos os outros comportamentos</p><p>(como vagar pela caixa). Nesse ponto, o experimentador pode fazer qualquer uma</p><p>de várias coisas. O distribuidor de alimentos pode ser configurado das seguintes</p><p>formas:</p><p>• da forma que várias pressões sobre a barra sejam necessárias para obter comida;</p><p>• da forma que algumas pressões sobre a barra possam produzir a comida, mas</p><p>outras não;</p><p>• da forma que as pressões sobre a barra não possam produzir mais comida.</p><p>Em cada caso, o comportamento do rato seria registrado eletronicamente.</p><p>Uma vantagem importante da caixa de Skinner é que ela permite um estudo</p><p>científico cuidadoso do comportamento em um ambiente controlado. Qualquer</p><p>pessoa com o mesmo equipamento pode repetir os experimentos de Skinner.</p><p>2.2 QUAIS SÃO ALGUNS PRINCÍPIOS DA APRENDIZAGEM</p><p>COMPORTAMENTAL?</p><p>A teoria da aprendizagem comportamental tem sua própria linguagem</p><p>para descrever como as consequências do comportamento moldam o</p><p>comportamento posterior. Vamos agora ver alguns dos princípios da</p><p>aprendizagem comportamental.</p><p>2.2.1 O papel das consequências</p><p>O trabalho pioneiro de Skinner com ratos e pombos estabeleceu um</p><p>conjunto de princípios de comportamento que foram apoiados em centenas de</p><p>estudos envolvendo humanos e animais. Talvez o princípio mais importante das</p><p>teorias de aprendizagem comportamental seja que o comportamento muda de</p><p>acordo com suas consequências imediatas. Consequências prazerosas fortalecem</p><p>o comportamento; consequências desagradáveis enfraquecem-no.</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>113</p><p>Em outras palavras, as consequências agradáveis aumentam a frequência</p><p>com que um indivíduo se envolve em um comportamento, enquanto as</p><p>consequências desagradáveis reduzem a frequência de um comportamento. Se</p><p>os alunos gostam de ler livros, provavelmente lerão com mais frequência. Se</p><p>acharem as histórias chatas ou não conseguirem se concentrar, podem ler com</p><p>menos frequência, optando por outras atividades. Consequências prazerosas</p><p>são chamadas de reforçadores; consequências desagradáveis são chamadas de</p><p>punidores.</p><p>2.2.2 Reforçadores</p><p>Um reforçador é qualquer consequência que fortalece (ou seja, aumenta a</p><p>frequência de) um comportamento. Observe que a eficácia do reforçador deve ser</p><p>demonstrada. Não podemos presumir que uma determinada consequência seja</p><p>um reforçador até que tenhamos evidências de que ela fortalece o comportamento</p><p>de um determinado indivíduo. Por exemplo, doces podem geralmente ser</p><p>considerados um reforçador para crianças pequenas, mas depois de uma grande</p><p>refeição, uma criança pode não achar os doces agradáveis e algumas crianças não</p><p>gostam de doces. Um professor que diz: “eu o reforcei com elogios por permanecer</p><p>em seu lugar durante o período de matemática, mas não funcionou”, pode estar</p><p>usando mal o termo reforço se não houver evidência de que o elogio seja de fato</p><p>um reforçador para esse aluno em particular. Nenhuma recompensa pode ser</p><p>considerada um reforço para todos em todas as condições (ZIRPOLI, 2016).</p><p>Os reforçadores se enquadram em duas categorias amplas: primários e</p><p>secundários. Os reforçadores primários satisfazem as necessidades humanas</p><p>básicas. Alguns exemplos são: comida, água, segurança, calor e sexo. Os</p><p>reforçadores secundários são reforçadores que adquirem seu valor por estarem</p><p>associados a reforçadores primários ou outros reforçadores secundários bem</p><p>estabelecidos. Por exemplo, o dinheiro não tem valor para uma criança pequena</p><p>até que ela aprenda que o dinheiro pode ser usado para comprar coisas que são</p><p>em si reforçadores primários ou secundários. As notas têm pouco valor para os</p><p>alunos, a menos que suas famílias percebam e valorizem as boas notas, e o elogio</p><p>das famílias tem valor porque está associado ao amor, cordialidade, segurança e</p><p>outros reforços.</p><p>Existem três categorias básicas de reforçadores secundários. Um são</p><p>os reforçadores sociais, como elogios, sorrisos, abraços ou atenção. Quando</p><p>a professora Eller reconheceu o comportamento da Rebeca, ela estava</p><p>inadvertidamente dando à Rebecca um reforço social: sua própria atenção.</p><p>Outros tipos de reforçadores secundários são reforçadores de atividade (como</p><p>acesso a brinquedos, jogos ou atividades divertidas) e reforçadores simbólicos</p><p>(como dinheiro, notas, estrelas ou pontos que os indivíduos podem trocar por</p><p>outros reforçadores).</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>114</p><p>Na maioria das vezes, os reforçadores usados nas escolas são reforçadores</p><p>positivos que incluem elogios, notas e estrelas. No entanto, um comportamento</p><p>também é fortalecido se sua consequência for uma fuga de uma situação</p><p>desagradável ou uma forma de evitar que algo desagradável ocorra. Por exemplo,</p><p>um pai pode dispensar um filho de lavar a louça para fazer o dever de casa.</p><p>Se lavar a louça é visto como uma tarefa desagradável, libertar-se disso será</p><p>reforçador. As fugas de situações desagradáveis são chamadas de reforçadores</p><p>negativos (ZIRPOLI, 2016).</p><p>O termo reforçador negativo é, muitas vezes, mal interpretado como</p><p>punição, como em: "reforcei-o negativamente por estar atrasado fazendo com que</p><p>ele ficasse em sala durante o recreio" (MARTELLA et al., 2012). Uma maneira de</p><p>evitar esse erro na terminologia é lembrar que os reforçadores (sejam positivos</p><p>ou negativos) fortalecem o comportamento, enquanto a punição é projetada para</p><p>desencorajar ou enfraquecer o comportamento (Quadro 1).</p><p>Um importante princípio de comportamento é que podemos promover</p><p>comportamentos tornando o acesso a algo desejável dependente de fazer algo</p><p>menos desejável. Por exemplo, um professor pode dizer: “assim que terminar</p><p>sua tarefa, você pode ir lá fora” ou “finalize seu projeto de arte e então eu lerei</p><p>uma história para você”. Esses são exemplos do clássico Princípio de Premack</p><p>(PREMACK, 1965), às vezes, chamado de "Regra da Vovó" a partir da antiga</p><p>declaração "Coma seus vegetais e depois pode brincar".</p><p>Você pode usar o Princípio de Premack alternando atividades mais</p><p>agradáveis com as menos agradáveis e fazendo com que a participação em</p><p>atividades divertidas dependa da conclusão bem-sucedida das menos agradáveis.</p><p>Por exemplo, no Ensino Fundamental, pode ser uma boa ideia programar</p><p>música, que a maioria dos alunos considera uma atividade agradável, depois de</p><p>uma matéria difícil, para que os alunos saibam que não devem brincar durante</p><p>a matéria difícil e correr o risco de perder parte do tempo musical desejado</p><p>(BORICH, 2014).</p><p>QUADRO 1 – CONSEQUÊNCIAS NA APRENDIZAGEM COMPORTAMENTAL</p><p>FONTE: O autor</p><p>FORTALECE O COMPORTAMENTO DESENCORAJA O COMPORTAMENTO</p><p>Reforço positivo Sem reforço</p><p>Exemplo: recompensa ou elogio Exemplo: Ignorando</p><p>Reforço Negativo Punição de Remoção</p><p>Exemplo:</p><p>desculpar-se de uma tarefa ou</p><p>situação indesejável</p><p>Exemplo: Proibindo uma tarefa ou</p><p>situação desejável</p><p>Punição de Apresentação</p><p>Exemplo: imposição de uma tarefa ou</p><p>situação indesejável</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>115</p><p>Frequentemente, o reforçador mais importante que mantém o</p><p>comportamento é o prazer inerente ao envolvimento no comportamento. Por</p><p>exemplo, a maioria das pessoas tem um hobby no qual trabalham por longos</p><p>períodos sem qualquer recompensa. As pessoas gostam de desenhar, ler,</p><p>cantar, jogar, caminhar ou nadar sem nenhum motivo além da diversão. Os</p><p>reforçadores desse tipo são chamados de reforçadores intrínsecos e as pessoas</p><p>podem ser descritas como sendo intrinsecamente motivadas para se engajar em</p><p>uma determinada atividade. Os reforçadores intrínsecos são contrastados com</p><p>reforçadores extrínsecos, elogios ou recompensas oferecidas para motivar as</p><p>pessoas a se envolverem em um comportamento que elas não teriam sem tais</p><p>reforçadores.</p><p>Usos de reforço em sala de aula</p><p>O princípio de aprendizagem comportamental mais útil para a prática em sala de aula</p><p>é também o mais simples: reforce os comportamentos que deseja ver repetidos. Esse</p><p>princípio pode parecer óbvio, mas na prática não é tão fácil quanto parece. Por exemplo,</p><p>alguns professores assumem a atitude de que o reforço é desnecessário, raciocinando: “por</p><p>que devo reforçá-los? Eles estão apenas fazendo o que deveriam fazer!".</p><p>Vamos ver algumas diretrizes para o uso de reforço para aumentar o comportamento</p><p>desejado na sala de aula:</p><p>1. Decida quais comportamentos você deseja dos alunos e reforce esses comportamentos</p><p>quando eles ocorrerem. Por exemplo, elogie ou recompense um bom trabalho. Não</p><p>elogie ou recompense o trabalho que não está à altura das capacidades dos alunos.</p><p>Conforme os alunos começam uma nova tarefa, eles precisam ser reforçados a cada</p><p>passo ao longo do caminho. Aproximações mais próximas do que você espera realizar</p><p>como produto final devem receber feedback positivo. Divida os novos comportamentos</p><p>(atribuições de sala de aula) em partes menores e forneça recompensas adequadas ao</p><p>longo do caminho.</p><p>2. Diga aos alunos quais comportamentos você deseja; quando eles exibirem os</p><p>comportamentos desejados e você os reforçar, diga-lhes o porquê. Apresente aos alunos</p><p>uma rubrica (um instrumento de avaliação apresentado na forma de tabela, construída e</p><p>modificada com base nos critérios específicos, relacionados a uma atividade ou qualquer</p><p>outra tarefa que se deseja avaliar) que descreva os critérios que você usará ao avaliar</p><p>seu trabalho e inclua a pontuação de cada critério. Os alunos, então, serão capazes de</p><p>discriminar seus próprios pontos fortes e fracos a partir do feedback que recebem de</p><p>você.</p><p>3. Reforce o comportamento apropriado o mais rápido possível após sua ocorrência. O</p><p>reforço atrasado é menos eficaz do que o reforço imediato. Ao avaliar uma tarefa,</p><p>apresente feedback aos alunos o mais rápido possível. É importante que eles saibam</p><p>como estão se saindo nas aulas, portanto, não perca tempo em fornecer suas notas.</p><p>Ao elaborar uma tarefa, você deve sempre considerar o esquema de notas que usará e</p><p>quanto tempo levará para fornecer o feedback pretendido.</p><p>NOTA</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>116</p><p>Há evidências de que reforçar as crianças por certos comportamentos</p><p>que elas teriam feito de qualquer maneira pode minar a motivação intrínseca de</p><p>longo prazo (DECI; RYAN, 2002). Pesquisas sobre este tópico descobriram que</p><p>o efeito destruidor de reforçadores extrínsecos ocorre apenas em um conjunto</p><p>limitado de circunstâncias, em que recompensas são fornecidas às crianças por se</p><p>envolverem em uma atividade sem qualquer padrão de desempenho e somente se</p><p>a atividade for aquela que as crianças teriam feito por conta própria sem qualquer</p><p>recompensa (CAMERON; PIERCE, 1994, 1996).</p><p>Elogios verbais e outros tipos de feedback são reforçadores extrínsecos</p><p>que aumentam, não diminuem, o interesse intrínseco. O que pesquisas sugerem</p><p>para a prática é que você deve ser cauteloso ao dar reforçadores às atividades que</p><p>elas fariam por conta própria. No entanto, para a maioria das tarefas escolares,</p><p>que a maioria dos alunos não teria feito por conta própria, não há nenhuma</p><p>base para a preocupação de que o uso de reforçadores extrínsecos prejudique</p><p>a motivação intrínseca, especialmente se esses reforçadores forem sociais e</p><p>comunicarem o reconhecimento do domínio e da independência crescentes dos</p><p>alunos. Na verdade, argumentou-se que deixar de usar o reforço positivo quando</p><p>ele teria sido eficaz para aumentar os comportamentos positivos é antiético</p><p>(BAILEY; BURCH, 2005). Por exemplo, considere um aluno que corre o risco de</p><p>ser expulso devido a uma briga. Se um programa de reforço positivo para evitar</p><p>brigas pudesse ter eliminado a briga do aluno, os educadores seriam eticamente</p><p>obrigados a tentar tal plano (ou outros) antes de considerar um passo tão sério</p><p>como a expulsão.</p><p>Reforçadores práticos</p><p>Qualquer coisa de que as crianças gostem pode ser um reforço eficaz, mas existem</p><p>limitações práticas óbvias sobre o que deve ser usado nas salas de aula. Um princípio geral</p><p>de reforço positivo é que é melhor usar o reforçador menos elaborado ou tangível que</p><p>funcione. Em outras palavras, se o elogio, o autorreforço ou o feedback sobre o progresso</p><p>funcionam, não use certificados. Se os certificados funcionam, não use brinquedos</p><p>pequenos. Se os brinquedos pequenos funcionam, não use comida. Uma forma de</p><p>descobrir quais reforços usar é perguntar aos próprios alunos quem são mais propensos</p><p>a trabalhar para um reforçador que eles selecionaram. No entanto, não hesite em usar</p><p>qualquer reforço prático necessário para motivar as crianças a realizar tarefas importantes.</p><p>Em particular, tente todas as estratégias de reforço possíveis antes mesmo de pensar em</p><p>punição (descrito a seguir). Algumas categorias de reforçadores e exemplos de cada um</p><p>aparecem aqui. Eles são organizados do menos para o mais tangível.</p><p>1. Autorreforço. Os alunos podem ser ensinados a elogiar a si mesmos, dar-se um tapinha</p><p>nas costas mental, verificar o progresso em um formulário, fazer uma pequena pausa ou</p><p>de outra forma se reforçar para completar uma tarefa ou permanecer na tarefa (SCHUNK,</p><p>2016).</p><p>2. Elogio. Frases como "Bom trabalho", "Muito bem", "Eu sabia que você conseguiria" e</p><p>outros elogios verbais podem ser eficazes, mas a mesma mensagem pode, muitas vezes,</p><p>NOTA</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>117</p><p>ser entregue com um sorriso, uma piscadela, ou um sinal como o polegar para cima ou</p><p>um tapinha nas costas. Na aprendizagem cooperativa e na tutoria entre pares, os alunos</p><p>podem ser encorajados a elogiar uns aos outros pelo comportamento apropriado</p><p>(WALKER et al., 2011).</p><p>3. Atenção. A atenção de um adulto ou colega valorizado pode ser um reforço muito</p><p>eficaz para muitas crianças. Ouvir, balançar a cabeça ou aproximar-se pode dar à criança</p><p>a atenção positiva que ela está procurando. Para desempenho excepcional ou para</p><p>cumprir metas por um longo período, os alunos podem ter um momento especial para</p><p>visitar o zelador, ajudar no escritório ou dar um passeio com o diretor (ZIRPOLI, 2016).</p><p>4. Notas e reconhecimento. Boas notas e outras honras (por exemplo, certificados de</p><p>realização) podem ser eficazes para dar aos alunos um feedback positivo sobre seus</p><p>esforços e para comunicar o progresso às famílias, que provavelmente reforçarão eles</p><p>próprios os bons relatórios. Exibições públicas de um bom trabalho, notas do diretor e</p><p>outros elogios podem ter o mesmo efeito. As pontuações dos questionários, avaliações</p><p>de comportamento e outros feedbacks fornecidos com frequência podem ser mais</p><p>eficazes do que as notas do boletim cobrindo meses de trabalho.</p><p>5. Ligar para casa. Ligar ou enviar um bilhete para os cuidadores de uma criança para</p><p>reconhecer o sucesso pode ser um reforçador poderoso.</p><p>6. Reforço domiciliar. As famílias podem ser parceiras eficazes em um sistema de</p><p>reforço. Os professores podem chegar a um acordo com as famílias em que as crianças</p><p>recebam privilégios especiais em casa quando atendem a padrões bem especificados</p><p>de comportamento ou desempenho.</p><p>7. Privilégios. As crianças podem ter tempo livre, acesso a equipamentos especiais (como</p><p>bolas ou jogos de futebol) ou funções especiais (como fazer recados ou distribuir</p><p>materiais). Crianças ou grupos que se comportaram bem podem simplesmente ser</p><p>autorizados a se alinhar primeiro para o recesso ou desfrutar de outros pequenos</p><p>privilégios.</p><p>8. Reforçadores de atividade. Depois de atingir os padrões pré-estabelecidos, os alunos</p><p>podem ganhar vídeos, jogos ou acesso a outras atividades divertidas. Os reforçadores</p><p>de atividade se prestam particularmente bem a contingências de grupo, nas quais uma</p><p>classe inteira pode ganhar tempo livre ou atividades especiais se os alunos coletivamente</p><p>atingirem um padrão (SCHEUERMANN; HALL, 2016).</p><p>9. Reforçadores tangíveis. As crianças podem ser recompensadas por realizações ou bom</p><p>comportamento com pontos que podem trocar por pequenos brinquedos, borrachas,</p><p>lápis, bolas de gude, gibis, adesivos e assim por diante. Os reforçadores tangíveis</p><p>geralmente funcionam melhor quando as crianças podem escolher entre várias opções</p><p>(JONES; JONES, 2016).</p><p>10. Alimentos. Uvas, maçãs, cenouras, iogurte ou outros lanches saudáveis podem ser</p><p>usados como reforçadores.</p><p>2.2.3 Punidores</p><p>As consequências que enfraquecem o comportamento são chamadas de</p><p>punidores. Observe que há o mesmo problema na definição de punição e na</p><p>definição de reforço: se uma consequência aparentemente desagradável não reduz</p><p>a frequência do comportamento que segue, não é necessariamente um punidor.</p><p>Por exemplo, alguns alunos gostam de ser mandados para a sala do diretor ou</p><p>para o corredor porque isso os libera da sala de aula, o que eles veem como uma</p><p>situação desagradável (SCHEUERMANN; HALL, 2016). Alguns alunos gostam</p><p>de ser repreendidos porque isso lhes chama a atenção e talvez aprimore seu status</p><p>entre os colegas. Como acontece com os reforçadores, a eficácia de um punidor</p><p>não pode ser presumida, mas deve ser demonstrada. A punição pode assumir</p><p>duas formas principais.</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>118</p><p>O uso de consequências desagradáveis ou estímulos aversivos, caracteriza</p><p>a punição de apresentação, como quando um aluno é repreendido. A retirada</p><p>de uma consequência agradável descreve a punição de remoção. Os exemplos</p><p>incluem a perda de um privilégio, ter que ficar em sala durante o recreio e</p><p>receber detenção depois da escola. Outro exemplo, chamado de custo de resposta</p><p>(LANDRUM; MCDUFFIE, 2008), envolve a cobrança de um custo aos alunos que</p><p>estão se comportando de maneira inadequada, como um minuto de detenção</p><p>depois da escola para cada minuto fora da tarefa. Uma forma frequentemente</p><p>usada de punição de remoção em salas de aula é o time-out, técnica comportamental</p><p>que tem por objetivo ajudar a criança a controlar-se internamente e a refletir nas</p><p>suas ações, consiste em retirar a criança do local onde ocorreu o comportamento</p><p>e levá-la para outro sítio, onde ficará sozinha durante alguns minutos, sem</p><p>distrações. O aluno que se comporta mal é obrigado a sentar-se no canto ou no</p><p>corredor por vários minutos. Os professores costumam usar o time-out quando</p><p>acreditam que a atenção de outros alunos está servindo para reforçar o mau</p><p>comportamento; o time-out priva o aluno que se comportou mal desse reforçador.</p><p>O uso do time-out como consequência para mau comportamento geralmente</p><p>reduz o mau comportamento (ZIRPOLI, 2016).</p><p>Em um estudo clássico, White e Bailey (1990) avaliaram o uso de uma</p><p>consequência de sentar-se e observar nas aulas de Educação Física. As crianças</p><p>que se comportaram mal foram informadas do que haviam feito de errado,</p><p>receberam um cronômetro de areia de três minutos e foram então solicitadas a</p><p>sentar e observar até que a areia acabasse. O programa foi testado pela primeira</p><p>vez em uma classe alternativa para alunos do quinto e sexto ano escolar com</p><p>sérios problemas de comportamento. Depois que uma linha de base de até 343</p><p>comportamentos perturbadores em dez minutos foi observada, um programa de</p><p>lista de verificação comportamental foi testado, no qual os professores avaliaram</p><p>o comportamento de cada criança e enviaram crianças com mau comportamento</p><p>para a sala do orientador ou as privaram de um período livre. Isso reduziu o</p><p>mau comportamento, mas não o eliminou. No entanto, quando o procedimento</p><p>se sentar e observar foi introduzido, o mau comportamento praticamente</p><p>desapareceu. O mesmo método de sentar-se e observar foi usado em uma aula</p><p>regular de Educação Física do quinto ano e os resultados foram semelhantes.</p><p>A questão de saber se quando e como punir tem sido uma fonte de</p><p>considerável controvérsia entre os teóricos da aprendizagem comportamental.</p><p>Alguns alegaram que os efeitos da punição, especialmente a punição de</p><p>apresentação (aversiva), são apenas temporários, que a punição produz agressão</p><p>e que faz com que os indivíduos evitem os ambientes em que é usada (ZIRPOLI,</p><p>2016). Mesmo os teóricos da aprendizagem comportamental que apoiam o uso</p><p>da punição concordam que ela deve ser usada apenas quando o reforço para</p><p>o comportamento apropriado foi tentado e falhou; que quando a punição é</p><p>necessária, ela deve assumir a forma mais branda possível; e que a punição deve</p><p>sempre ser usada como parte de um plano cuidadoso, nunca de forma inconsistente</p><p>ou por frustração. O castigo físico nas escolas (como palmadas) é ilegal na maioria</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>119</p><p>dos lugares (JONES; JONES, 2016) e é universalmente contestado por teóricos da</p><p>aprendizagem comportamental em bases éticas e científicas (SCHEUERMANN;</p><p>HALL, 2016).</p><p>2.2.4 Imediatismo das consequências</p><p>Um princípio muito importante das teorias de aprendizagem</p><p>comportamental é que as consequências que seguem os comportamentos de</p><p>perto no tempo afetam o comportamento muito mais do que as consequências</p><p>atrasadas. Elogiar um aluno imediatamente pode ser mais eficaz do que conceder-</p><p>lhe um privilégio significativo mais tarde. Um reforçador menor que é dado</p><p>imediatamente, geralmente tem um efeito muito maior do que um reforçador</p><p>grande dado mais tarde (SCHEUERMANN; HALL, 2016). Esse conceito explica</p><p>muito sobre o comportamento humano. Sugere, por exemplo, a razão pela qual</p><p>as pessoas acham tão difícil parar de fumar ou de comer demais. Mesmo que</p><p>os benefícios de parar de fumar ou de perder peso sejam substanciais e bem</p><p>conhecidos, o pequeno, mas imediato, reforço de apenas um cigarro ou uma</p><p>sobremesa geralmente supera o efeito comportamental dos grandes reforçadores,</p><p>porém retardados. Na sala de aula, o princípio do imediatismo das consequências</p><p>também é muito importante. Aproximar-se de um aluno que está se comportando</p><p>mal, tocar seu ombro ou fazer um gesto (por exemplo, dedo nos lábios para pedir</p><p>silêncio) pode ser muito mais eficaz do que uma repreensão ou advertência dada</p><p>no final da aula (ZIRPOLI, 2016).</p><p>O feedback imediato serve para, pelo menos, dois propósitos. Primeiro,</p><p>torna clara a conexão entre comportamento e consequência. Em segundo lugar,</p><p>aumenta o valor informativo do feedback. Ao lidar com o mau comportamento,</p><p>você pode aplicar o princípio do imediatismo das consequências, respondendo</p><p>imediata e positivamente quando os alunos não estão se comportando mal – na</p><p>verdade, pegando-os no ato de serem bons!</p><p>2.2.5 Modelagem</p><p>O imediatismo do reforço é importante para o ensino, mas também é</p><p>importante à decisão sobre o que reforçar. Um professor</p><p>da Educação Infantil</p><p>deve reter o reforço até que uma criança conheça os sons de todas as 26 letras?</p><p>Certamente não. Seria melhor elogiar as crianças por reconhecerem uma letra,</p><p>depois por reconhecerem várias e, finalmente, por aprenderem os sons de todas</p><p>as 26 letras. Um professor de música deve reter o reforço até que um jovem aluno</p><p>tenha tocado uma peça de piano na perfeição? Ou o professor deve elogiar a</p><p>primeira tentativa hesitante? A maioria dos alunos precisa de reforço ao longo</p><p>do caminho. Quando você orienta os alunos em direção às metas reforçando as</p><p>muitas etapas que levam ao sucesso, você está usando uma técnica chamada</p><p>modelagem.</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>120</p><p>O termo modelagem é usado em teorias de aprendizagem comportamental</p><p>para se referir ao ensino de novas habilidades ou comportamentos, reforçando os</p><p>alunos para se aproximarem do comportamento final desejado (SCHEUERMANN;</p><p>HALL, 2016). Por exemplo, ao ensinar as crianças a amarrar o cadarço, não</p><p>deveríamos simplesmente mostrar-lhes como isso é feito e depois esperar</p><p>para reforçá-las até que façam o trabalho sozinhas. Em vez disso, primeiro os</p><p>reforçaríamos para dar o primeiro nó, depois para fazer os laços e assim por diante,</p><p>até que eles possam fazer a tarefa inteira. Dessa forma, estaríamos moldando o</p><p>comportamento das crianças, reforçando todos os passos que levam ao objetivo</p><p>final.</p><p>A modelagem é uma ferramenta importante na instrução em sala de aula.</p><p>Digamos que queremos que os alunos sejam capazes de escrever parágrafos com</p><p>um tópico frasal, três detalhes de apoio e uma frase de conclusão. Essa tarefa tem</p><p>muitas partes: ser capaz de reconhecer e, em seguida, produzir um tópico frasal,</p><p>detalhes de apoio e frases finais; ser capaz de escrever frases completas usando</p><p>letras maiúsculas, pontuação e gramática corretamente; e ser capaz de soletrar.</p><p>Se você desse uma aula sobre todas essas habilidades e depois pedisse aos alunos</p><p>que escrevessem parágrafos, pontuando-os no conteúdo, gramática, pontuação e</p><p>ortografia, a maioria dos alunos reprovaria e, provavelmente, aprenderia pouco</p><p>com o exercício.</p><p>Em vez disso, você pode ensinar as habilidades passo a passo, moldando</p><p>gradualmente a habilidade final. Os alunos podem ser ensinados a escrever os</p><p>primeiros tópicos frasal, depois os detalhes de apoio e, por fim, as frases finais.</p><p>No início, eles podem ser responsabilizados apenas pelo conteúdo do parágrafo.</p><p>Posteriormente, o requisito de reforço pode ser aumentado para incluir gramática</p><p>e pontuação. Finalmente, a ortografia pode ser adicionada como um critério de</p><p>sucesso. Em cada estágio, os alunos teriam uma boa chance de serem reforçados</p><p>porque o critério de reforço estaria ao seu alcance. O princípio aqui é que eles</p><p>devem ser reforçados por comportamentos que estão dentro de suas capacidades</p><p>atuais, mas que também os levam a novas habilidades (lembre-se do Tópico 2</p><p>da Unidade 1, em que Vygotsky expressou a mesma ideia sobre ensinar na zona</p><p>proximal de desenvolvimento).</p><p>2.2.6 Extinção</p><p>Por definição, os reforçadores fortalecem o comportamento. O que</p><p>acontece quando os reforçadores são retirados? Eventualmente, o comportamento</p><p>será enfraquecido e, por fim, desaparecerá. Esse processo é denominado extinção</p><p>de um comportamento previamente aprendido (BORICH, 2014).</p><p>A extinção raramente é um processo tranquilo. Quando os reforçadores</p><p>são retirados, os indivíduos frequentemente aumentam sua taxa de comporta-</p><p>mento por um tempo. Por exemplo, pense em uma porta que você usou como um</p><p>atalho para algum lugar que você vai com frequência. Imagine que um dia a porta</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>121</p><p>não abrirá. Você pode empurrar ainda mais forte por um tempo, sacudir a porta,</p><p>girar a maçaneta para os dois lados, talvez até chutar a porta. Você provavelmen-</p><p>te se sentirá frustrado e com raiva, porém, depois de um curto período, você per-</p><p>ceberá que a porta está trancada e irá embora. Se a porta estiver trancada perma-</p><p>nentemente (sem que você saiba), você pode tentar algumas vezes nos próximos</p><p>dias e, talvez, uma vez após um mês; apenas eventualmente você desistirá disso.</p><p>Seu comportamento quando confrontado com a porta trancada ilustra um</p><p>padrão clássico de extinção. O comportamento se intensifica quando o reforçador</p><p>é retirado pela primeira vez e, em seguida, enfraquece rapidamente até que o</p><p>comportamento desapareça. Ainda assim, o comportamento pode retornar</p><p>depois de muito tempo. Por exemplo, você pode tentar abrir a porta novamente</p><p>um ano depois para ver se ela ainda está trancada. Se estiver, provavelmente você</p><p>a deixará lá por mais tempo, mas talvez não para sempre.</p><p>O jorro de extinção (extinction burst) característico, o aumento dos níveis</p><p>de um comportamento nos estágios iniciais de extinção, tem consequências</p><p>importantes para a gestão da sala de aula. Por exemplo, imagine que você</p><p>decidiu extinguir o grito impróprio de uma criança em busca de respostas (em</p><p>vez de levantar a mão para ser reconhecida), ignorando-a até que ela levante</p><p>a mão silenciosamente. No início, ignorar a criança provavelmente aumentará</p><p>seu comportamento de gritar, um clássico jorro de extinção. Você pode, então,</p><p>erroneamente concluir que ignorar não está funcionando, quando na verdade</p><p>continuar a ignorar chamadas inadequadas é exatamente a estratégia certa se</p><p>você continuar (MARTELLA et al., 2012). Pior, você pode finalmente decidir ceder</p><p>e reconhecer a criança após a terceira ou quarta chamada. Isso ensinaria a pior</p><p>mensagem possível: que gritar funciona eventualmente se você continuar fazendo</p><p>isso. Isso provavelmente resultaria em um aumento no próprio comportamento</p><p>que você estava tentando reduzir, à medida que a criança aprende que “se a</p><p>princípio você não conseguir, tente, tente novamente” (SCHEUERMANN; HALL,</p><p>2016). É o caso apresentado no início deste tópico. A professora Eller a princípio</p><p>ignora os gritos de Rebecca, então, ela grita ainda mais alto. A professora chama</p><p>Rebeca e, sem querer, comunica a ela que apenas gritos altos e persistentes serão</p><p>reforçados.</p><p>A extinção de um comportamento previamente aprendido pode ser</p><p>acelerada quando algum estímulo ou pista informa ao indivíduo que os</p><p>comportamentos que antes eram encorajados não serão mais reforçados. No</p><p>caso da porta trancada, uma placa dizendo: “porta permanentemente trancada</p><p>– use outra entrada” teria reduzido muito o número de vezes que você tentou</p><p>abrir a porta antes de desistir dela. Os gritos de atenção teriam sido reduzidos</p><p>muito mais rapidamente se a professora Eller dissesse à classe: “não vou mais</p><p>responder às crianças, a menos que elas fiquem em silêncio e levantem a mão”, e,</p><p>então, ignorasse todas as outras tentativas de chamar sua atenção.</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>122</p><p>2.2.7 Esquemas de reforçamento</p><p>Os efeitos do reforço no comportamento dependem de muitos fatores,</p><p>um dos mais importantes dos quais é o esquema de reforçamento (ALBERTO;</p><p>TROUTMAN, 2013). Esse termo se refere à frequência com que os reforçadores</p><p>são dados, a quantidade de tempo que decorre entre as oportunidades de reforço</p><p>e a previsibilidade do reforço.</p><p>Um esquema de reforçamento comum é o esquema de Razão Fixa (RF),</p><p>em que um reforçador é dado após um número fixo de comportamentos. Por</p><p>exemplo, você pode dizer: “assim que terminar dez problemas, você pode ir</p><p>lá fora.”. Independentemente do tempo que demore, os alunos são reforçados</p><p>assim que concluem dez problemas. Esse é um exemplo de esquema RF10 (dez</p><p>comportamentos para um reforçador). Uma forma comum de esquema de razão</p><p>fixa fornece reforço para cada comportamento. Isso é chamado de esquema de</p><p>Reforçamento Contínuo (RFC) ou RF1. Colocar dinheiro em uma máquina de</p><p>refrigerante é (normalmente)</p><p>um exemplo de reforçamento contínuo porque um</p><p>comportamento (inserir dinheiro) resulta em um reforço (um refrigerante). Dar</p><p>respostas corretas em sala de aula também costuma ser continuamente reforçado.</p><p>O aluno dá uma boa resposta e você diz: “certo! Boa resposta!”</p><p>Um processo importante na instrução é aumentar gradualmente a razão</p><p>de reforçamento. No início de uma sequência de aulas, pode ser necessário</p><p>reforçar aos alunos todas as respostas corretas, como responder a todos os</p><p>problemas de matemática bem-sucedidos. No entanto, isso é ineficiente no longo</p><p>prazo. Assim que os alunos estiverem respondendo aos problemas de matemática</p><p>corretamente, pode ser possível reforçar a cada cinco problemas (RF5), a cada dez</p><p>(RF10) e assim por diante. Diluir o esquema de reforçamento desta forma aumenta</p><p>a capacidade dos alunos de trabalhar de forma independente sem reforço e torna</p><p>o comportamento mais resistente à extinção. Em última análise, os alunos podem</p><p>ser solicitados a fazer projetos inteiros por conta própria, sem receber nenhum</p><p>reforço até que os projetos sejam concluídos.</p><p>Os esquemas de razão fixa são eficazes para motivar os indivíduos a</p><p>fazerem uma grande quantidade de trabalho – especialmente se a razão fixa</p><p>começar com reforçamento contínuo (RF1) para fazer o indivíduo prosseguir</p><p>e então passar a requisitos mais elevados para o reforçamento. Uma razão</p><p>pela qual altos requisitos de reforçamento produzem níveis mais elevados</p><p>de comportamento do que requisitos baixos é que o reforçamento com muita</p><p>frequência pode fazer o valor do reforço se desgastar. Os alunos que são elogiados</p><p>por todos os problemas de matemática logo se cansarão de serem elogiados e o</p><p>reforçador pode perder seu valor.</p><p>Um esquema de reforçamento de Razão Variável (RV) é aquele em que</p><p>o número de comportamentos necessários para o reforço é imprevisível, embora</p><p>seja certo que os comportamentos acabarão por ser reforçados. Por exemplo, uma</p><p>máquina caça-níqueis é um reforçamento de razão variável. Pode valer a pena</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>123</p><p>após uma puxada uma vez e após 200 puxadas na próxima vez, e não há como</p><p>prever qual puxada vencerá. Na sala de aula, os professores costumam usar um</p><p>esquema de razão variável quando os alunos levantam a mão para responder a</p><p>perguntas. Embora nunca saibam quando serão reforçados por serem capazes</p><p>de dar a resposta correta, os alunos podem esperar ser chamados cerca de</p><p>uma em 20 vezes em uma classe de 20 alunos (um esquema RV20) porque, em</p><p>média, 20 comportamentos são necessários para um reforçador. Os esquemas de</p><p>razão variável tendem a produzir taxas de comportamento altas e estáveis. Na</p><p>verdade, quase todos os jogos de azar envolvem esquemas de RV, então, podem</p><p>ser literalmente viciantes. Da mesma forma, o uso de verificações aleatórias</p><p>frequentes do trabalho do aluno pode ajudar a motivar um trabalho constante e</p><p>cuidadoso.</p><p>Os esquemas de razão variável são altamente resistentes à extinção.</p><p>Mesmo depois que os comportamentos não são mais reforçados, as pessoas</p><p>podem não desistir de trabalhar por muito tempo. Por terem aprendido que pode</p><p>exigir muito trabalho para serem recompensados, eles continuam trabalhando na</p><p>crença errônea de que o próximo esforço pode valer a pena.</p><p>Em esquemas de reforçamento de Intervalo Fixo (IF), o reforçamento</p><p>está disponível apenas em determinados horários periódicos. O exame final é</p><p>um exemplo clássico. Os planejamentos de intervalo fixo criam um padrão</p><p>interessante de comportamento. O indivíduo pode fazer muito pouco até um</p><p>pouco antes do reforço estar disponível e, então, despender um jorro de esforço</p><p>conforme o tempo para o reforço se aproxima. Esse padrão pode ser demonstrado</p><p>com ratos e pombos em esquemas de intervalo fixo, mas é ainda mais aparente em</p><p>alunos que estudam no último minuto antes de um teste ou que escrevem seus</p><p>relatórios mensais de livros na noite anterior à data prevista. Essas características</p><p>de esquemas de intervalo fixo sugerem que questionários curtos e frequentes</p><p>podem ser melhores do que exames importantes infrequentes para incentivar os</p><p>alunos a fazerem o seu melhor o tempo todo, em vez de passar a noite toda antes</p><p>dos exames (SCHEUERMANN; HALL, 2016).</p><p>Em um esquema de reforçamento de Intervalo Variável (IV), o reforço</p><p>está disponível em alguns momentos, mas não em outros, e não temos ideia</p><p>de quando um comportamento será reforçado. Um exemplo disso é fazer</p><p>verificações pontuais de alunos que estão fazendo as tarefas em sala de aula. Os</p><p>alunos são reforçados se estiverem trabalhando bem no momento específico em</p><p>que você aparece. Como eles não podem prever quando você os verificará, os</p><p>alunos devem estar fazendo um bom trabalho o tempo todo. As pessoas podem</p><p>obedecer às leis de trânsito em respeito à lei e à responsabilidade cívica, mas</p><p>também ajuda que a polícia verifique aleatoriamente o cumprimento da lei por</p><p>parte dos motoristas. Os policiais que usam câmeras de velocidade geralmente se</p><p>escondem em viadutos ou atrás de colinas para que possam obter uma amostra</p><p>aleatória do comportamento dos motoristas. Se estivessem sempre à vista, sua</p><p>presença seria um sinal para dirigir com cuidado, de modo que a necessidade de</p><p>dirigir com cuidado em outros momentos seria reduzida.</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>124</p><p>Como os esquemas de razão variável, os esquemas de intervalo variável</p><p>são muito eficazes para manter uma alta taxa de comportamento enquanto são</p><p>altamente resistentes à extinção. Por exemplo, digamos que você tenha uma</p><p>política de fazer com que os alunos entreguem suas tarefas todos os dias. Em</p><p>vez de verificar cada tarefa, você pega três tarefas ao acaso e dá a esses alunos</p><p>um crédito extra se o trabalho na carteira for bem-feito. Essa programação de</p><p>intervalo variável provavelmente motivaria os alunos a fazerem seu trabalho com</p><p>cuidado. Se você secretamente parou de checar no meio do ano, os alunos podem</p><p>nunca saber disso, percebendo que seu próprio trabalho simplesmente não foi</p><p>selecionado para ser verificado em vez de perceber que o reforço não estava mais</p><p>disponível para ninguém.</p><p>O Quadro 2 define e dá exemplos adicionais de esquemas de reforçamento.</p><p>Os padrões de resposta específicos durante o reforço e a extinção caracterizam</p><p>cada um dos quatro tipos de esquemas.</p><p>QUADRO 2 – ESQUEMAS DE REFORÇAMENTO</p><p>FONTE: O autor</p><p>PADRÕES DE RESPOSTA</p><p>ESQUEMA DEFINIÇÃO DURANTE O</p><p>REFORÇAMENTO</p><p>DURANTE A</p><p>EXTINÇÃO</p><p>Razão Fixa</p><p>Número constante</p><p>de comportamentos</p><p>necessários para o</p><p>reforço</p><p>Taxa de resposta</p><p>constante; pausa após</p><p>reforço</p><p>Queda rápida na taxa</p><p>de resposta após o</p><p>número necessário de</p><p>respostas passar sem</p><p>reforço</p><p>Razão</p><p>Variável</p><p>Número variável</p><p>de comportamentos</p><p>necessários para o</p><p>reforço</p><p>Taxa de resposta alta e</p><p>constante</p><p>A taxa de resposta</p><p>permanece alta, depois</p><p>cai</p><p>Intervalo</p><p>Fixo</p><p>Quantidade</p><p>constante de tempo</p><p>passa antes que</p><p>o reforço esteja</p><p>disponível</p><p>Taxa desigual, com</p><p>rápida aceleração ao</p><p>final de cada intervalo</p><p>Queda rápida na taxa</p><p>de resposta após o</p><p>intervalo passar sem</p><p>reforço</p><p>Intervalo</p><p>Variável</p><p>Quantidade variável</p><p>de tempo passa antes</p><p>que o reforço esteja</p><p>disponível</p><p>Taxa de resposta alta e</p><p>constante</p><p>Diminuição lenta na</p><p>taxa de resposta</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>125</p><p>2.2.8 Manutenção</p><p>O princípio da extinção afirma que, quando o reforço para um</p><p>comportamento previamente aprendido é retirado, o comportamento desaparece.</p><p>Isso significa que os professores devem reforçar os comportamentos dos alunos</p><p>para sempre?</p><p>Não necessariamente. Para ratos em uma caixa de Skinner, a retirada</p><p>do reforço para prensagem da barra levará inevitavelmente à</p><p>extinção da</p><p>prensagem da barra. No entanto, os humanos vivem em um mundo muito</p><p>mais complexo, cheio de reforçadores naturais para a maioria das habilidades</p><p>e comportamentos que aprendemos na escola. Por exemplo, os alunos podem</p><p>inicialmente exigir reforço frequente para comportamentos que levam à leitura.</p><p>No entanto, uma vez que conseguem ler, eles têm uma habilidade que abre todo</p><p>o mundo da linguagem escrita, um mundo que é altamente reforçador para a</p><p>maioria dos alunos. A partir de certo ponto, o reforço para a leitura pode não</p><p>ser mais necessário, pois o próprio conteúdo do material de leitura mantém o</p><p>comportamento. Da mesma forma, alunos malcomportados podem precisar de</p><p>reforço cuidadoso e sistemático para fazer os trabalhos escolares. Depois de um</p><p>tempo, porém, eles descobrirão que fazer as tarefas escolares compensa nas notas,</p><p>na aprovação da família, na capacidade de entender o que está acontecendo na</p><p>aula e no conhecimento. Esses reforçadores naturais para fazer as tarefas escolares</p><p>estavam sempre disponíveis, mas os alunos não podiam experimentá-los até que</p><p>suas tarefas fossem aprimoradas por meios mais sistemáticos.</p><p>O conceito de resistência à extinção, discutido anteriormente (na parte so-</p><p>bre esquemas de reforçamento), é central para uma compreensão da manutenção</p><p>do comportamento aprendido. Como foi observado, quando novos comportamen-</p><p>tos estão sendo introduzidos, o reforço para respostas corretas deve ser frequente</p><p>e previsível. No entanto, uma vez que os comportamentos são estabelecidos, o re-</p><p>forço para respostas corretas deve se tornar menos frequente e menos previsível.</p><p>A razão para isso é que esquemas variáveis de reforço e esquemas que requerem</p><p>muitos comportamentos antes que o reforço seja dado são muito mais resistentes</p><p>à extinção do que esquemas fixos ou fáceis. Por exemplo, se você elogiar um aluno</p><p>toda vez que ele resolver um problema de matemática, mas depois parar de elo-</p><p>giar, o aluno pode parar de resolver os problemas de matemática. Em contraste,</p><p>se você aumentar gradualmente o número de problemas de matemática que um</p><p>aluno deve fazer para ser elogiado e elogiar o aluno em intervalos aleatórios (uma</p><p>programação de razão variável), então o aluno provavelmente continuará a fazer</p><p>problemas de matemática por um longo tempo com pouco ou nenhum reforço.</p><p>2.2.9 O papel dos antecedentes</p><p>Vimos que as consequências do comportamento influenciam fortemente</p><p>o comportamento. No entanto, não é apenas o que segue um comportamento</p><p>que tem influência. Os estímulos que precedem um comportamento também</p><p>desempenham um papel importante (SCHUNK, 2016).</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>126</p><p>Estímulos antecedentes, eventos que precedem um comportamento,</p><p>também são conhecidos como pistas porque nos informam quais comportamentos</p><p>serão reforçados e quais serão ignorados ou punidos. As pistas vêm em muitas</p><p>formas e nos dão dicas sobre quando devemos mudar nosso comportamento</p><p>e quando não devemos. Por exemplo, durante a aula de música, um professor</p><p>pode pedir aos alunos que cantem mais alto. Em uma atividade na biblioteca, as</p><p>expectativas são obviamente diferentes. A capacidade de se comportar de uma</p><p>maneira na presença de um estímulo – "Cante mais alto" – e de uma maneira</p><p>diferente na presença de outro estímulo – "Você está na biblioteca, fale baixinho"</p><p>– é conhecida como discriminação de estímulo.</p><p>Qual é a melhor hora para pedir um aumento ao seu chefe? Quando a</p><p>empresa está indo bem, o chefe parece feliz e você acaba de fazer algo especialmente</p><p>bom? Ou quando a empresa acaba de obter um relatório de lucros insatisfatório, o</p><p>chefe está carrancudo e você acaba de cometer um erro? Obviamente, a primeira</p><p>situação tem mais probabilidade de levar ao sucesso. Você sabe disso porque</p><p>aprendeu a distinguir entre os momentos bons e os ruins para pedir ao seu chefe</p><p>que faça algo por você. Discriminação é o uso de pistas, sinais ou informações para</p><p>determinar quando é provável que o comportamento seja reforçado. A condição</p><p>financeira da empresa, o humor do chefe e seu desempenho recente são estímulos</p><p>discriminativos com relação às chances de que seu pedido de aumento seja bem-</p><p>sucedido. Por exemplo, se você disser "Responda em uma frase completa", você</p><p>está estabelecendo um estímulo discriminativo: "frases completas com a resposta</p><p>certa serão reforçadas, outras respostas não". Para que os alunos aprendam a</p><p>discriminar, eles devem receber feedback sobre a correção ou incorreção de suas</p><p>respostas. Estudos de aprendizagem de discriminação geralmente descobriram</p><p>que os alunos precisam saber quando suas respostas estão incorretas, bem como</p><p>quando estão corretas (SCHUNK, 2016).</p><p>Aprender é, em grande parte, uma questão de dominar discriminações</p><p>cada vez mais complexas. Por exemplo, todas as letras, números, palavras e</p><p>símbolos matemáticos são estímulos discriminativos. Uma criança aprende a</p><p>discriminar entre as letras b e d. Um aluno mais velho aprende a distinção entre</p><p>as palavras eficaz e eficiente. Um acadêmico de psicologia educacional aprende</p><p>a discriminar reforço negativo de punição. Um professor aprende a discriminar</p><p>entre pistas faciais e verbais que indicam que os alunos estão entediados ou</p><p>fascinados por uma aula ou algo entre as duas.</p><p>Aplicar o conceito de estímulos discriminativos à instrução e gestão em</p><p>sala de aula é fácil: você deve dizer aos alunos quais comportamentos serão</p><p>reforçados. Em teoria, você poderia esperar até que eles fizessem algo que valesse</p><p>a pena e, então, reforçá-lo, mas isso seria incrivelmente ineficiente. Em vez disso,</p><p>você deve dar aos alunos mensagens que digam, na verdade, "para ser reforçado</p><p>(por exemplo, com elogios, notas ou estrelas), essas são as coisas que você deve</p><p>fazer". Dessa forma, você pode evitar que os alunos despendam tempo e esforço</p><p>em atividades erradas. Quando os alunos sabem que o que estão fazendo valerá</p><p>a pena, eles geralmente trabalharão com muito esforço.</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>127</p><p>Se os alunos aprenderem a permanecer sentados e a fazer um trabalho</p><p>cuidadoso na aula de matemática, seu comportamento também melhorará na aula</p><p>de ciências? Se os alunos podem subtrair 3 maçãs de 7 maçãs, eles também podem</p><p>subtrair 3 laranjas de 7 laranjas? Se os alunos podem interpretar o simbolismo</p><p>usado por Shakespeare, eles também podem interpretar o simbolismo usado</p><p>nos contos populares africanos? Todas essas são questões de generalização ou</p><p>transferência de comportamentos aprendidos sob um conjunto de condições para</p><p>outras situações (BORICH, 2014). A generalização não pode ser tomada como</p><p>certa. Por exemplo, quando um programa de gerenciamento de sala de aula é</p><p>introduzido com sucesso em um ambiente, o comportamento dos alunos não</p><p>melhora automaticamente em outros ambientes. Em vez disso, os alunos aprendem</p><p>a discriminar as configurações. Até mesmo as crianças pequenas aprendem</p><p>prontamente o que é encorajado e o que é proibido no jardim de infância, em sua</p><p>casa e na casa de vários amigos. Seu comportamento pode ser bastante diferente</p><p>em cada ambiente, de acordo com as diferentes regras e expectativas.</p><p>Para que a generalização ocorra, geralmente deve ser planejado. Um</p><p>programa de gerenciamento de sala de aula bem-sucedido usado em aulas</p><p>de estudos sociais pode ser transferido para a aula de inglês para garantir a</p><p>generalização para esse ambiente. Os alunos podem precisar estudar o uso</p><p>do simbolismo por muitos autores em muitas culturas antes de adquirirem a</p><p>habilidade de interpretar o simbolismo em geral.</p><p>Obviamente, é mais provável que a generalização ocorra em ambientes</p><p>ou conceitos semelhantes. É mais provável que um novo comportamento se</p><p>generalize da aula de leitura para a aula</p><p>de estudos sociais do que para o recreio</p><p>ou ambiente doméstico. No entanto, mesmo nas configurações de aparência mais</p><p>semelhante, as generalizações podem não ocorrer. Por exemplo, muitos alunos</p><p>podem demonstrar domínio completo da ortografia ou mecânica da linguagem,</p><p>mas não conseguem aplicar esse conhecimento as suas próprias composições.</p><p>Você não deve presumir que, como os alunos podem ter um desempenho eficaz</p><p>sob um conjunto de circunstâncias, eles também podem fazê-lo sob um conjunto</p><p>diferente de circunstâncias.</p><p>Existem muitas técnicas para aumentar as chances de que um</p><p>comportamento aprendido em um ambiente, como em uma determinada sala</p><p>de aula, generalize-se para outros ambientes, como em outras salas de aula ou,</p><p>mais importante, aplicados na vida fora da escola (ALBERTO; TROUTMAN,</p><p>2013). Algumas dessas estratégias envolvem o ensino de uma forma que torna a</p><p>generalização mais fácil. Por exemplo, aulas de aritmética envolvendo dinheiro</p><p>provavelmente serão transferidas melhor para a vida real se envolverem a</p><p>manipulação de moedas e notas reais ou simuladas do que se envolverem apenas</p><p>problemas no papel. Outra estratégia de ensino conhecida por contribuir para a</p><p>generalização é o uso de muitos exemplos de diferentes contextos. Por exemplo,</p><p>os alunos são mais propensos a generalizar o conceito de oferta e demanda para</p><p>novas áreas se aprenderem exemplos relacionados a preços de mantimentos, preços</p><p>de recursos naturais, valores de itens colecionáveis (como cartões de beisebol)</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>128</p><p>e salários para habilidades comuns e raras do que se eles aprendessem apenas</p><p>sobre preços de alimentos. Uma estratégia óbvia para aumentar a generalização</p><p>é o “treinamento no trabalho”: ensinar uma determinada habilidade no ambiente</p><p>real em que será usada ou em uma simulação de tal ambiente.</p><p>Após a instrução inicial, há muitas maneiras de aumentar a generalização.</p><p>Uma é repetir a instrução em uma variedade de ambientes. Por exemplo,</p><p>depois de ensinar os alunos a usar uma determinada estratégia de fazer o teste</p><p>em matemática, como "pule os problemas difíceis e volte para eles depois de</p><p>responder os mais fáceis", você pode dar aos alunos a oportunidade de usar essa</p><p>mesma estratégia em um teste de ciências, um teste de gramática e um teste de</p><p>geografia. Outra técnica pós-ensino é ajudar os alunos a fazer a ligação entre</p><p>uma nova habilidade e reforçadores naturais no ambiente, de modo a manter</p><p>essa habilidade. Por exemplo, quando as crianças estão aprendendo a ler, elas</p><p>podem receber uma tarefa regular de dever de casa para ler livros ou revistas de</p><p>grande interesse para elas, mesmo que esses materiais não sejam "boa literatura".</p><p>Inicialmente, as novas habilidades de leitura podem ser mais bem mantidas pelos</p><p>quadrinhos do que pelos clássicos da literatura, porque para algumas crianças</p><p>os quadrinhos vinculam sua nova habilidade mais imediatamente ao prazer</p><p>de ler, tornando mais provável a generalização para ambientes não escolares.</p><p>Finalmente, você pode aumentar a generalização reforçando diretamente a</p><p>generalização – por exemplo, elogiando um aluno que conecta uma nova ideia a</p><p>um contexto diferente ou usa uma habilidade em uma nova aplicação.</p><p>3 COMO A TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL CONTRIBUIU</p><p>PARA A NOSSA COMPREENSÃO DA APRENDIZAGEM</p><p>HUMANA?</p><p>A teoria da aprendizagem social é uma consequência importante da</p><p>tradição da teoria da aprendizagem comportamental. Desenvolvida por Albert</p><p>Bandura (1997, 2006), a teoria da aprendizagem social aceita a maioria dos</p><p>princípios das teorias comportamentais, mas se concentra em um grau muito</p><p>maior nos efeitos das pistas sobre o comportamento e nos processos mentais</p><p>internos, enfatizando os efeitos do pensamento sobre a ação e os efeitos da ação</p><p>sobre o pensamento.</p><p>3.1 BANDURA: MODELAGEM E APRENDIZAGEM</p><p>OBSERVACIONAL</p><p>Bandura (1986) observou que a ênfase skinneriana nos efeitos das</p><p>consequências do comportamento ignorou amplamente os fenômenos de</p><p>modelagem – a imitação do comportamento dos outros – e da experiência vicária</p><p>– aprender com os sucessos ou fracassos dos outros. Ele sentiu que muito da</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>129</p><p>aprendizagem humana não é moldada por suas consequências, mas é aprendida</p><p>com mais eficiência diretamente de um modelo. O professor de Educação Física</p><p>demonstra polichinelos e os alunos imitam. Bandura (1997) chamou isso de</p><p>aprendizagem sem treino porque os alunos não precisam passar por um processo</p><p>de modelagem, mas podem reproduzir a resposta correta imediatamente.</p><p>A análise de Bandura (1997) da aprendizagem observacional envolve</p><p>quatro fases: atenção, retenção, reprodução e motivacional.</p><p>1. Fase de atenção – A primeira fase da aprendizagem observacional é prestar</p><p>atenção a um modelo. Em geral, os alunos prestam atenção aos modelos que</p><p>são atraentes, bem-sucedidos, interessantes e populares. É por isso que tantos</p><p>alunos copiam as roupas, o penteado e os maneirismos das estrelas da cultura</p><p>pop. Na sala de aula, você chama a atenção dos alunos ao apresentar pistas</p><p>claras e interessantes, ao usar novidades ou surpresas e motivar os alunos.</p><p>2. Fase de retenção – Depois que os professores têm a atenção dos alunos, é hora</p><p>de modelar o comportamento que eles querem que os alunos imitem e, em</p><p>seguida, dar aos alunos a chance de praticar ou ensaiar. Por exemplo, você</p><p>pode mostrar como escrever a letra A. Em seguida, os alunos imitariam o seu</p><p>modelo tentando escrever vários As para si próprios.</p><p>3. Fase da reprodução – Durante a fase de reprodução, os alunos tentam</p><p>combinar seu comportamento com o do modelo. Na sala de aula, a avaliação</p><p>da aprendizagem do aluno ocorre durante esta fase. Por exemplo, depois de</p><p>ver a letra A modelada e praticá-la várias vezes, o aluno consegue reproduzir a</p><p>letra de forma que se pareça com o seu modelo?</p><p>4. Fase motivacional – A fase final do processo de aprendizagem observacional</p><p>é a motivação. Os alunos imitarão um modelo porque acreditam que</p><p>isso aumentará suas chances de serem reforçados. Na sala de aula, a fase</p><p>motivacional da aprendizagem observacional frequentemente envolve elogios</p><p>ou notas dadas por corresponder ao seu modelo. Os alunos prestam atenção</p><p>no modelo, praticando e reproduzindo-o porque aprenderam que é disso que</p><p>você gosta e querem agradá-lo. Quando a criança faz um A reconhecível, você</p><p>diz: "bom trabalho!"</p><p>Embora a maior parte da aprendizagem observacional seja motivada</p><p>por uma expectativa de que imitar corretamente o modelo levará ao reforço,</p><p>também é importante notar que as pessoas aprendem ao ver os outros serem</p><p>reforçados ou punidos por se envolverem em certos comportamentos, ou seja, por</p><p>aprendizagem vicária (SCHUNK, 2016). É por isso que os anunciantes sempre</p><p>incluem vencedores felizes em seus anúncios para induzir as pessoas a entrar em</p><p>concursos promocionais. Podemos saber conscientemente que nossas chances de</p><p>vencer são de uma em vários milhões, mas ver os outros tão bem reforçados nos</p><p>faz querer imitar seu comportamento de entrar em competições.</p><p>Os professores de sala de aula usam o princípio da aprendizagem vicária</p><p>o tempo todo. Quando um aluno está brincando, os professores geralmente</p><p>destacam outros que estão trabalhando bem e os reforçam por fazer um bom</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>130</p><p>trabalho. O aluno que se comporta mal vê que o trabalho é reforçado e (espera-</p><p>se) volta a trabalhar. Essa técnica foi sistematicamente examinada em um estudo</p><p>clássico de Broden et al. (1970). Dois turbulentos alunos da segunda série, Edwin</p><p>e Greg, sentaram-se um ao lado do outro. Depois de um período de linha de</p><p>base, o professor começou a</p><p>notar e elogiar Edwin sempre que ele estava</p><p>prestando atenção e fazendo suas aulas. O comportamento de Edwin melhorou</p><p>significativamente sob essa condição. De maior interesse, no entanto, é que o</p><p>comportamento de Greg também melhorou, embora nenhum reforço específico</p><p>para o comportamento apropriado tenha sido direcionado a ele. Aparentemente,</p><p>Greg aprendeu com a experiência de Edwin. No caso da professora Eller e da aluna</p><p>Rebeca na abertura deste tópico, outros alunos viram Rebeca chamar a atenção</p><p>da professora gritando respostas, então eles modelaram seu comportamento no</p><p>de Rebeca.</p><p>Um dos experimentos clássicos da teoria da aprendizagem social é um</p><p>estudo feito por Bandura (1965), no qual crianças assistiam a um de três filmes. Em</p><p>todos os três, um adulto modelou um comportamento agressivo. Em um filme,</p><p>a modelo foi severamente punida. Em outro, a modelo foi elogiada e recebeu</p><p>guloseimas. Em um terceiro, a modelo não teve consequências. Após assistir a um</p><p>dos filmes, as crianças foram observadas brincando com brinquedos. As crianças</p><p>que viram a modelo ser punida se envolveram em, significativamente, menos</p><p>atos agressivos em suas próprias brincadeiras do que as crianças que viram a</p><p>modelo ser recompensada ou assistiram ao filme sem consequências.</p><p>Aprendizagem por observação</p><p>Você já tentou ensinar alguém a amarrar os sapatos? Imagine explicar essa tarefa a</p><p>alguém sem o uso de um modelo ou imitação! Aprender a amarrar os sapatos é um</p><p>exemplo de como funciona a aprendizagem por observação. Adquirir novas habilidades</p><p>observando o comportamento de outras pessoas é uma parte comum da vida cotidiana.</p><p>Em muitas situações, as crianças observam os outros falando e agindo e testemunham as</p><p>consequências dessas atividades. Essas observações fornecem modelos que ensinam às</p><p>crianças estratégias para usar em outros momentos e lugares. Embora o foco principal da</p><p>pesquisa sobre aprendizagem observacional tenha sido em comportamentos específicos,</p><p>estudos mostraram que as atitudes também podem ser adquiridas por meio da observação</p><p>(SCHUNK, 2016). Tanto professores como pais estão preocupados com os modelos</p><p>emulados pelas crianças. O valor desses modelos vai além das habilidades específicas que</p><p>possuem e inclui as atitudes que representam. Na sala de aula, você deve ter a certeza de</p><p>exemplificar um padrão de comportamento consistente com as expectativas que você tem</p><p>para os alunos. Por exemplo, se a atenção e a ser bem-educado são características que</p><p>você deseja estimular nos alunos, certifique-se de ser atento e educado.</p><p>NOTA</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>131</p><p>Outro conceito importante na teoria da aprendizagem social é a</p><p>autorregulação. Bandura (1997) levantou a hipótese de que as pessoas observam</p><p>seu próprio comportamento, julgam-no de acordo com seus próprios padrões e se</p><p>reforçam ou se punem. Todos nós tivemos a experiência de saber que fizemos um</p><p>bom trabalho e de nos dar tapinhas nas costas mentalmente, independentemente</p><p>do que os outros tenham dito. Da mesma forma, todos nós sabemos quando</p><p>fizemos menos do que o nosso melhor. Para fazer esses julgamentos, precisamos</p><p>ter expectativas para nosso próprio desempenho. Um aluno pode ficar encantado</p><p>em acertar 90% em um teste, enquanto outro pode ficar bastante desapontado.</p><p>Os alunos podem ser ensinados a usar estratégias de autorregulação e</p><p>podem ser lembrados a fazê-lo em uma variedade de contextos para que a</p><p>autorregulação se torne um hábito. Por exemplo, pode-se pedir aos alunos que</p><p>estabeleçam metas para a quantidade de tempo que esperam estudar todas as</p><p>noites e registrem se cumprem suas metas. Crianças que estão estudando fatos</p><p>da multiplicação podem ser solicitados a cronometrar a rapidez e a precisão com</p><p>que podem completar um teste de fatos de 50 itens e, em seguida, tentar bater</p><p>seu próprio recorde. Os alunos podem ser solicitados a avaliar suas próprias</p><p>redações em termos de conteúdo, mecânica e organização, e para ver se eles</p><p>podem corresponder as suas avaliações. Gureasko-Moore, DuPaul e White</p><p>(2006) pediram a quatro meninos de 12 anos que frequentemente se atrasavam</p><p>e esqueciam materiais e deveres de casa para manter um registro diário desses</p><p>comportamentos. Eles se encontravam diariamente, definiam em conjunto metas</p><p>para o grupo e, aos poucos, todos começaram a chegar às aulas na hora certa e</p><p>preparados. Cada uma dessas estratégias coloca os alunos no controle de seus</p><p>próprios objetivos de aprendizagem, e cada uma provavelmente construirá uma</p><p>estratégia geral de definição e cumprimento de metas e padrões pessoais.</p><p>Como acontece com qualquer habilidade, as habilidades de aprendizagem</p><p>autorregulada provavelmente permanecerão limitadas a uma situação ou</p><p>contexto, a menos que sejam aplicadas em muitos contextos. Por exemplo,</p><p>crianças que aprendem a estabelecer metas de estudo para si mesmas quando</p><p>trabalham sozinhas podem não transferir essas habilidades para situações em</p><p>que estão trabalhando em grupos ou na sua presença como docente, embora</p><p>possam aprender prontamente a fazer essas generalizações se elas são ensinadas</p><p>ou lembradas de fazê-lo. Da mesma forma, as crianças não podem transferir</p><p>estratégias de aprendizagem autorreguladas do português para a matemática,</p><p>ou mesmo dos cálculos para a resolução de problemas (SCHUNK, 2016). Por esse</p><p>motivo, os alunos precisam de muitas oportunidades para usar estratégias de</p><p>definição de metas e de autoavaliação em uma variedade de contextos; monitorar</p><p>e comemorar seu progresso; e entender como, quando e por que eles devem se</p><p>autorregular.</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>132</p><p>3.2 MODELO DE APRENDIZAGEM AUTORREGULADA DE</p><p>MEICHENBAUM</p><p>Os alunos podem ser ensinados a monitorar e regular seu próprio</p><p>comportamento. Estratégias de aprendizagem autorreguladas desse tipo</p><p>são frequentemente chamadas de modificação cognitiva do comportamento</p><p>(SCHUNK, 2016). Por exemplo, Meichenbaum (1977) desenvolveu uma estratégia</p><p>na qual os alunos são treinados para dizer a si mesmos: “qual é o meu problema?</p><p>Qual é o meu plano? Estou usando meu plano? Como eu me saí?” Essa estratégia</p><p>tem sido usada para reduzir o comportamento perturbador dos alunos em muitos</p><p>níveis de ensino (JONES; JONES, 2016). Manning (1988) ensinou autoafirmações</p><p>para alunos do terceiro ano para ajudá-los a lembrar o comportamento</p><p>apropriado e reforçá-lo para si mesmos. Por exemplo, para levantar as mãos de</p><p>maneira apropriada, os alunos foram ensinados a dizer a si mesmos enquanto</p><p>levantavam as mãos: “se eu gritar a resposta, os outros ficarão perturbados. Vou</p><p>levantar minha mão e esperar minha vez. Bom para mim. Veja, eu posso esperar!”</p><p>(MANNING, 1988, p. 197). Estratégias semelhantes foram aplicadas com sucesso</p><p>para ajudar os alunos a monitorar suas próprias realizações. Por exemplo, leitores</p><p>fracos foram ensinados a fazer perguntas a si mesmos enquanto leem e a resumir</p><p>parágrafos para ter certeza de que compreenderam o texto (BORNSTEIN, 1985).</p><p>As etapas envolvidas na autoaprendizagem são descritas por</p><p>Meichenbaum (1977, p. 32) da seguinte forma:</p><p>1. Um modelo adulto executa uma tarefa enquanto fala consigo mesmo</p><p>em voz alta (modelagem cognitiva).</p><p>2. A criança realiza a mesma tarefa sob a direção das instruções do</p><p>modelo (orientação aberta e externa).</p><p>3. A criança realiza a tarefa enquanto se autoinstrui em voz alta (auto-</p><p>orientação aberta).</p><p>4. A criança sussurra as instruções para si mesma à medida que realiza</p><p>a tarefa (auto-orientação aberta).</p><p>5. A criança executa a tarefa enquanto orienta seu desempenho por</p><p>meio de fala privada (autoinstrução encoberta).</p><p>O incentivo à aprendizagem autorregulada é um meio de ensinar os</p><p>alunos a pensar sobre seu próprio pensamento. As estratégias de aprendizagem</p><p>autorregulada não apenas melhoram o desempenho nas tarefas ensinadas aos</p><p>alunos, mas também generalizam para outras tarefas (SCHUNK, 2016).</p><p>Um exemplo de uma forma de ajudar as crianças a se engajarem na</p><p>aprendizagem autorregulada é fornecer aos alunos, quando são designados a</p><p>uma tarefa longa ou complexa, um formulário para monitorar seu progresso.</p><p>A ideia por trás desse formulário é que dividir uma tarefa complexa em partes</p><p>menores incentiva os alunos a sentir que estão fazendo progresso em direção a seu</p><p>objetivo maior. Marcar cada passo permite que eles se deem um tapinha mental</p><p>nas costas que reforça seus esforços. Depois de ver muitas listas de verificação</p><p>desse tipo, os alunos podem ser solicitados a fazer as suas próprias para aprender</p><p>TÓPICO 1 — TEORIAS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS DE APRENDIZAGEM</p><p>133</p><p>como mapear seu progresso em direção a uma meta. Por exemplo, Reid e</p><p>Lienemann (2006) ensinaram um grupo de alunos com transtornos de déficit de</p><p>atenção a listar todas as tarefas necessárias para completar uma tarefa escrita e,</p><p>em seguida, marcar essas tarefas à medida que as concluíam. Isso aumentou a</p><p>duração e a qualidade de sua escrita. Seguindo linhas semelhantes, Trammel,</p><p>Schloss e Alper (1994) descobriram que o fato de crianças com dificuldades de</p><p>aprendizagem manterem registros e fazerem gráficos de sua conclusão de dever</p><p>de casa aumentava significativamente a quantidade de lição de casa que elas</p><p>faziam. Uma revisão feita por Robinson, Robinson e Katayama (1999) descobriu</p><p>que as estratégias de modificação cognitiva do comportamento podem ter um</p><p>impacto substancial, especialmente na redução de comportamentos hiperativos,</p><p>impulsivos e agressivos. Vários estudos revisados descobriram que esses efeitos</p><p>são duradouros.</p><p>4 PONTOS FORTES E LIMITAÇÕES DAS TEORIAS DE</p><p>APRENDIZAGEM COMPORTAMENTAL</p><p>Os princípios básicos das teorias de aprendizagem comportamental</p><p>estão tão firmemente estabelecidos quanto qualquer outro na psicologia e foram</p><p>demonstrados em muitas condições diferentes. Esses princípios são úteis para</p><p>explicar muito do comportamento humano; eles são ainda mais úteis para mudar</p><p>o comportamento na sala de aula.</p><p>Autossuficiência</p><p>No século XXI, o sucesso em empregos bem remunerados depende cada vez mais da</p><p>capacidade de trabalhar independentemente ou com outras pessoas por longos períodos</p><p>sem um superior monitorando de perto o trabalho. Mais do que nunca, os alunos precisam</p><p>aprender como dividir as tarefas em pedaços pequenos e monitorar (e reforçar) suas</p><p>próprias realizações. Os alunos que aprendem a se motivar têm uma habilidade que os</p><p>ajudará a ter sucesso em qualquer desafio que a escola ou a vida traga. Por esse motivo,</p><p>as avaliações tendem a enfatizar tarefas maiores (em vez de questões de múltipla escolha</p><p>curtas) para garantir que os alunos possam organizar um conteúdo complexo. Os alunos</p><p>que se sentem confiantes em sua capacidade de usar comportamentos metacognitivos</p><p>e automotivadores tendem a ter alta autoeficácia – a crença de que os próprios esforços</p><p>(ao invés da sorte ou de outras pessoas ou outros fatores externos ou incontroláveis)</p><p>determinam o sucesso ou fracasso de alguém. As crenças de autoeficácia são talvez o fator</p><p>mais importante (depois da habilidade) na determinação do sucesso dos alunos na escola</p><p>(BANDURA, 2006).</p><p>NOTA</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>134</p><p>É importante reconhecer, entretanto, que as teorias de aprendizagem</p><p>comportamental são limitadas em escopo. Com exceção dos teóricos da</p><p>aprendizagem social, os teóricos da aprendizagem comportamental focam</p><p>quase que exclusivamente no comportamento observável. Esse é um dos</p><p>motivos pelos quais tantos dos exemplos apresentados neste tópico envolvem o</p><p>gerenciamento do comportamento. Processos de aprendizagem menos visíveis,</p><p>como formação de conceitos, aprendizagem de texto, resolução de problemas e</p><p>pensamento, são difíceis de observar diretamente e, portanto, têm sido estudados</p><p>com menos frequência pelos teóricos da aprendizagem comportamental. Esses</p><p>processos se enquadram mais no domínio da aprendizagem cognitiva. A</p><p>teoria da aprendizagem social, que é uma consequência direta das teorias de</p><p>aprendizagem comportamentais, ajuda a preencher a lacuna entre as perspectivas</p><p>comportamentais e cognitivas.</p><p>As teorias comportamentais e cognitivas de aprendizagem são</p><p>frequentemente apresentadas como modelos opostos concorrentes. De fato,</p><p>existem áreas específicas nas quais essas teorias assumem posições contraditórias.</p><p>No entanto, é mais preciso vê-las como complementares do que concorrentes, ou</p><p>seja, como lidando com problemas diferentes (SCHUNK, 2016).</p><p>Usando princípios da teoria de aprendizagem comportamental</p><p>e social para melhorar o ensino e a aprendizagem</p><p>Os professores intencionais estão cientes dos princípios de aprendizagem comportamental</p><p>e social e os usam de forma flexível para ajudar os alunos a se tornarem aprendizes</p><p>produtivos e capazes.</p><p>• Comunicam claramente aos seus alunos quais comportamentos são esperados e quais</p><p>devem ser evitados.</p><p>• Reforçam aos alunos a se envolverem em comportamentos que levam ao sucesso do</p><p>aprendizado.</p><p>• Moldam comportamentos dividindo tarefas complexas em tarefas menores e reforçam</p><p>o progresso em direção ao objetivo complexo.</p><p>• Evitam punição sempre que possível, nunca usam punição física e evitam usar</p><p>modificação de comportamento para controlar excessivamente os alunos.</p><p>• Reforçam o progresso dos alunos com frequência nos estágios iniciais de aprendizagem</p><p>de uma nova habilidade e com menos frequência e menos previsíveis conforme novas</p><p>habilidades são estabelecidas.</p><p>• Usam muitos exemplos e simulações da vida real para ajudar os alunos a generalizar de</p><p>uma situação para outra e da escola para a aplicação prática.</p><p>• Ensinam os alunos a monitorar e reforçar seus próprios comportamentos, com a</p><p>intenção de se tornarem alunos automotivados e autorregulados.</p><p>• Envolvem os alunos na definição de seus próprios padrões e na elaboração de como</p><p>organizar seu trabalho e dividir tarefas complexas para atender a esses padrões.</p><p>DICAS</p><p>135</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• A aprendizagem envolve a aquisição de habilidades que não são inatas. A</p><p>aprendizagem depende da experiência, incluindo feedback do ambiente.</p><p>• As primeiras pesquisas sobre aprendizagem estudaram os efeitos dos</p><p>estímulos nos comportamentos reflexivos. Ivan Pavlov contribuiu com a ideia</p><p>do condicionamento clássico, no qual estímulos neutros podem adquirir a</p><p>capacidade de evocar respostas comportamentais por meio de sua associação</p><p>com estímulos não condicionados que desencadeiam reflexos. Skinner</p><p>continuou o estudo da relação entre comportamento e consequências. Ele</p><p>descreveu o condicionamento operante, no qual reforçadores e punidores</p><p>moldam o comportamento.</p><p>• Os reforçadores aumentam a frequência de um comportamento e os punidores</p><p>diminuem sua frequência. O reforço pode ser primário ou secundário, positivo</p><p>ou negativo. Os reforçadores intrínsecos são recompensas inerentes ao próprio</p><p>comportamento. Os reforçadores extrínsecos são elogios ou recompensas</p><p>concedidas por outras pessoas. A punição envolve o enfraquecimento do</p><p>comportamento pela introdução de consequências aversivas ou pela remoção</p><p>de reforços. O Princípio Premack afirma que uma maneira de aumentar as</p><p>atividades menos apreciadas é vinculá-las a atividades mais apreciadas.</p><p>• Moldar por meio de feedback oportuno em cada etapa de uma tarefa é uma</p><p>prática de ensino eficaz com base na teoria de aprendizagem comportamental.</p><p>Extinção é o enfraquecimento e o desaparecimento gradual do comportamento</p><p>à medida que o reforço é retirado.</p><p>• Os esquemas de reforçamento são usados para aumentar a probabilidade,</p><p>frequência</p><p>ou persistência do comportamento desejado. Os esquemas de</p><p>reforçamento podem ser baseados em razões ou intervalos e podem ser fixos</p><p>ou variáveis.</p><p>• Os estímulos precedentes servem como pistas que indicam quais</p><p>comportamentos serão reforçados ou punidos. A discriminação envolve o uso</p><p>de pistas para detectar diferenças entre as situações de estímulo, enquanto</p><p>a generalização envolve responder às semelhanças entre os estímulos. A</p><p>generalização envolve a transferência de comportamentos aprendidos sob um</p><p>conjunto de condições para outras situações.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>136</p><p>• A teoria da aprendizagem social é baseada no reconhecimento da importância</p><p>da aprendizagem observacional e da aprendizagem autorregulada. Bandura</p><p>(1997) observou que aprender por meio da modelagem – direta ou indiretamente</p><p>– envolve quatro fases: prestar atenção, reter o comportamento modelado,</p><p>reproduzir o comportamento e ser motivado a repetir o comportamento.</p><p>Bandura (1997) propôs que os alunos fossem ensinados a ter expectativas em</p><p>relação ao próprio desempenho e a se reforçar. Meichenbaum (1977) propôs</p><p>etapas para a aprendizagem autorregulada que representam uma forma de</p><p>modificação cognitiva do comportamento.</p><p>• As teorias de aprendizagem comportamental são centrais para a aplicação da</p><p>psicologia educacional na gestão de sala de aula, disciplina, motivação, modelos</p><p>instrucionais e outras áreas. As teorias de aprendizagem comportamental</p><p>são limitadas em escopo, entretanto, na medida em que descrevem apenas o</p><p>comportamento observável que pode ser medido diretamente.</p><p>137</p><p>1 Alguns comportamentos humanos são claramente estimulados por</p><p>estímulos específicos. Assim como os cães de Pavlov, salivamos quando</p><p>estamos com fome e vemos comida apetitosa. No entanto, Skinner propôs</p><p>que o comportamento reflexivo é responsável por apenas uma pequena</p><p>proporção de todas as ações. Com base na outra classe que Skinner propôs,</p><p>assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Comportamentos condicionados.</p><p>b) ( ) Comportamentos operantes.</p><p>c) ( ) Comportamentos aleatórios.</p><p>d) ( ) Comportamentos reforçados.</p><p>2 Os reforçadores secundários são reforçadores que adquirem seu valor</p><p>por estarem associados a reforçadores primários ou outros reforçadores</p><p>secundários bem estabelecidos. Existem três categorias básicas de</p><p>reforçadores secundários. Sobre um reforçador secundário, assinale a</p><p>alternativa INCORRETA:</p><p>a) ( ) Reforçadores sociais, como elogios, sorrisos, abraços ou atenção.</p><p>b) ( ) Reforçadores que satisfazem as necessidades humanas básicas, como</p><p>comida, água, segurança, calor e sexo.</p><p>c) ( ) Reforçadores de atividade, como acesso a brinquedos, jogos ou</p><p>atividades divertidas.</p><p>d) ( ) Reforçadores simbólicos, como dinheiro, notas, estrelas ou pontos que</p><p>os indivíduos podem trocar por outros reforçadores.</p><p>3 Um importante princípio de comportamento é que podemos promover</p><p>comportamentos tornando o acesso a algo desejável dependente de fazer</p><p>algo menos desejável. Por exemplo, um professor pode dizer: “assim que</p><p>terminar sua tarefa, você pode ir lá fora” ou “finalize seu projeto de arte e</p><p>então eu lerei uma história para você”. Com relação aos exemplos, assinale</p><p>a alternativa CORRETA quanto ao tipo de princípio:</p><p>a) ( ) Princípio de Pavlov.</p><p>b) ( ) Princípio do reforço positivo.</p><p>c) ( ) Princípio da consequência alternada.</p><p>d) ( ) Princípio de Premack.</p><p>4 Quando estamos estudando sobre as teorias de aprendizagem</p><p>comportamental nos deparamos com vários conceitos novos. Um desses</p><p>conceitos é de reforçadores. Em nosso livro didático, vimos que entre os</p><p>tipos de reforçadores há aqueles que são intrínsecos e aqueles que são</p><p>extrínsecos. Disserte sobre estes dois tipos de reforçadores.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>138</p><p>5 As consequências que enfraquecem o comportamento são chamadas de</p><p>punidores. Como acontece com os reforçadores, a eficácia de um punidor</p><p>não pode ser presumida, mas deve ser demonstrada. A punição pode</p><p>assumir duas formas principais. Descreva as duas formas principais de</p><p>punição.</p><p>139</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, você lembra do relato da professora Eller do Tópico</p><p>1? Então, agora vamos introduzir este segundo tópico com um novo caso que</p><p>também exemplifica os conceitos das teorias que estudaremos aqui, as teorias</p><p>cognitivas de aprendizagem. Convidamos você a ler este relato hipotético que</p><p>aconteceu com a professora Verônica Bispo. Vamos lá?</p><p>A turma de Biologia da professora Verônica Bispo está estudando uma</p><p>unidade sobre aprendizagem humana. No início de uma aula, a professora</p><p>faz um experimento com seus alunos. Por três segundos, usando um quadro</p><p>branco eletrônico, ela mostra um diagrama de um modelo de processamento</p><p>de informações idêntico ao da ilustração da Figura 2. Em seguida, ela pede aos</p><p>alunos que lembrem o que perceberam. Alguns mencionam que viram caixas e</p><p>setas. Alguns viram as palavras memória e conhecimento e inferem que a figura</p><p>tem algo a ver com aprendizagem. Um aluno até vê a palavra pensar, embora não</p><p>esteja na figura. “Então”, diz a professora Bispo: “vocês perceberam muito mais</p><p>do que isso! É que vocês podem não ter percebido o que perceberam. Por exemplo,</p><p>que cheiro vocês sentiram?” A classe inteira ri. Todos eles se lembram de sentir o</p><p>cheiro dos brócolis cozinhando no refeitório. Os alunos pegam a ideia e começam</p><p>a se lembrar de todos os outros detalhes que perceberam que não tinham nada</p><p>a ver com o diagrama: os sons de um caminhão passando, detalhes da sala de</p><p>aula e das pessoas nela, e assim por diante. Após essa discussão, a professora</p><p>disse: “o cérebro não é incrível? Em apenas três segundos vocês receberam uma</p><p>enorme quantidade de informações. Vocês nem sabiam que estavam percebendo</p><p>o cheiro dos brócolis até que eu lembrei você sobre isso, mas estava em sua</p><p>mente da mesma forma. Além disso, em apenas três segundos sua mente já</p><p>estava começando a entender as informações na figura.”. Charlene pensou ter</p><p>visto a palavra pensar, que não estava lá, mas sua mente saltou para essa palavra</p><p>porque ela viu palavras como memória que se relacionam com o pensamento.</p><p>“Agora imagine que vocês pudessem manter em sua mente, para sempre, tudo o</p><p>que ocorreu nos três segundos que vocês olharam para o diagrama: as setas, as</p><p>caixas, as palavras, o caminhão, os brócolis, tudo. Na verdade, imagine que vocês</p><p>pudessem manter tudo o que já passou pela sua mente. Como seria isso?" "Você</p><p>seria um gênio!" exclama Samuel. "Você ficaria louco!" contrapõe Jamile. “Acho</p><p>que a Jamile está mais perto da verdade”, diz a professora Verônica. “Se sua mente</p><p>se enchesse de todo aqueles dados inúteis, vocês estariam em apuros! Uma das</p><p>coisas mais importantes que vamos aprender sobre a aprendizagem é que é um</p><p>processo ativo de foco em informações importantes, filtrando informações sem</p><p>importância e usando o que já está em nossas mentes para decidir qual é qual.”. A</p><p>TÓPICO 2 —</p><p>TEORIAS COGNITIVAS DE APRENDIZAGEM</p><p>140</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>professora liga o quadro branco eletrônico novamente. “Quando estudarmos este</p><p>diagrama com mais detalhes, vocês usarão o que já sabem sobre aprendizagem,</p><p>memória, esquecimento e diagramas para entendê-lo. Espero que vocês sempre</p><p>se lembrem das ideias principais que ele está tentando mostrar. Vocês logo</p><p>esquecerão as caixas e flechas e até mesmo o cheiro dos brócolis desaparecerá da</p><p>sua memória, mas as partes deste diagrama que fazem sentido para vocês, e que</p><p>respondem às perguntas que lhe interessam, podem ficar na sua memória por</p><p>toda a vida!".</p><p>FIGURA 2 – MODELO DE PROCESSAMENTO DE INFORMAÇÃO DE APRENDIZAGEM E MEMÓRIA</p><p>FONTE: Adaptada de Atkinson e Shiffrin (1968)</p><p>Aprendizagem cooperativa</p><p>Anote duas ou três</p><p>No final do dia, Eliane encontra com Lídia no corredor. “Como você faz para</p><p>que seus alunos escrevam redações tão boas?”, ela pergunta. Lídia explica</p><p>como ela primeiro solicitou que seus alunos escrevessem sobre tópicos de seu</p><p>interesse e, em seguida, introduziu gradualmente “miniaulas” para ajudá-los a</p><p>se tornarem melhores autores. Ela organizou para que os alunos trabalhassem</p><p>em pequenos grupos e ajudassem uns aos outros a planejar as composições de</p><p>suas redações. Em seguida, os alunos criticaram e ajudaram a editar os rascunhos</p><p>uns dos outros, antes de finalmente "publicar" as versões finais. "Eu vou te dizer</p><p>uma coisa," Lídia diz, “vou agendar minha próxima aula de redação durante o</p><p>período de planejamento. Venha ver o que estamos fazendo”. Eliane concorda.</p><p>Quando chega a hora, ela entra na aula de Lídia e fica maravilhada com o que</p><p>vê. As crianças escrevem em todo lugar: no chão, em grupos, nas mesas. Muitos</p><p>estão conversando com seus pares. Lídia está conversando com as crianças</p><p>individualmente. Eliane olha por cima dos ombros das crianças e vê um aluno</p><p>escrevendo sobre seus animais de estimação, outro escrevendo uma história</p><p>sangrenta sobre zumbis e outro escrevendo sobre um sonho. Marta García,</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>4</p><p>uma estudante da Argentina, está escrevendo uma história engraçada sobre as</p><p>tentativas de sua professora do terceiro ano de falar espanhol. Enquanto isso,</p><p>uma aluna está até escrevendo uma história muito boa sobre suas férias de verão!</p><p>Depois da aula, Eliane se encontra com Lídia, explodindo de tantas</p><p>perguntas. “Como você conseguiu que os alunos escrevessem tanto? Como você</p><p>pode gerenciar todo esse ruído e atividade? Como você aprendeu a fazer isso?”.</p><p>“Participei de uma série de workshops sobre ensino de redação”, admite Lídia.</p><p>“Mas se você pensar bem, tudo o que estou fazendo é psicologia educacional e</p><p>da aprendizagem básica”. Eliane está maravilhada. "Psicologia Educacional e da</p><p>Aprendizagem? Eu fiz essa disciplina na faculdade. Eu tirei nota 10 nela! Mas</p><p>não vejo o que isso tem a ver com o seu programa de redação”. "Bem, vamos</p><p>ver", disse Lídia. “Para começar, estou usando muitas estratégias motivacionais</p><p>que aprendi em psicologia educacional e da aprendizagem. Por exemplo,</p><p>quando comecei minhas aulas de redação este ano, li para os alunos algumas</p><p>histórias engraçadas e intrigantes escritas por outras turmas, para despertar sua</p><p>curiosidade. Eu os motivei permitindo que escrevessem sobre o que quisessem,</p><p>e, também, pela organização de "celebrações pela escrita", em que os alunos liam</p><p>suas composições finalizadas para a classe e recebiam aplausos e comentários.</p><p>Meu professor de psicologia educacional e da aprendizagem estava sempre</p><p>falando sobre adaptação às necessidades dos alunos. Faço isso conversando com</p><p>eles e ajudando-os com os problemas específicos que estão enfrentando. Aprendi,</p><p>primeiro, sobre aprendizagem cooperativa em psicologia educacional e, mais</p><p>tarde, fiz alguns workshops sobre o assunto. Eu uso grupos de aprendizagem</p><p>cooperativa para permitir que os alunos deem feedback imediato uns aos outros</p><p>sobre sua escrita, para que eles modelem a escrita eficaz uns dos outros e para fazer</p><p>com que eles se encorajem a escrever. Os grupos também resolvem muitos dos</p><p>meus problemas de gestão mantendo-se uns aos outros concentrados e lidando</p><p>com muitas rotinas de sala de aula. Lembro que aprendemos sobre avaliação</p><p>em psicologia educacional e da aprendizagem. Eu uso uma forma flexível de</p><p>avaliação. Todo mundo acaba tirando uma nota muito boa, mas apenas quando</p><p>sua composição atende a um alto padrão, o que pode exigir muitos rascunhos”.</p><p>Eliane está impressionada. Ela e Lídia combinam de visitar as aulas uma da outra</p><p>mais algumas vezes para trocar ideias e observações e, com o tempo, os escritores</p><p>de Eliene são quase tão bons quanto os de Lídia. Mas o que mais a impressiona é</p><p>a ideia de que a psicologia educacional e da aprendizagem pode ser útil em seu</p><p>ensino do dia a dia. Ela pega seu antigo livro didático e descobre que conceitos que</p><p>pareciam teóricos e abstratos em suas aulas de psicologia educacional realmente</p><p>a ajudam a pensar sobre os desafios atuais do ensino.</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>5</p><p>Com base na explicação de Lídia sobre suas instruções de redação, faça</p><p>um brainstorm com um ou mais de seus colegas sobre a psicologia educacional e da</p><p>aprendizagem – o que é e o que você aprenderá neste semestre?</p><p>Diretrizes: (1) Quanto mais ideias você gerar, melhor; (2) Construa e combine sobre as ideias</p><p>uns dos outros; e (3) Não faça avaliação de ideias neste momento. Faça esta lista algumas</p><p>vezes durante o decorrer da disciplina para revisar, avaliar ou até mesmo adicionar ideias.</p><p>UNI</p><p>A psicologia educacional e da aprendizagem não pode dizer a você, como</p><p>futuro professor, o que fazer, mas pode fornecer os princípios a serem usados</p><p>para tomar uma boa decisão e uma linguagem para discutir suas experiências e</p><p>pensamentos. Considere o caso de Eliane Medeiros e Lídia Weber. Nada neste ou</p><p>em qualquer outro texto de psicologia educacional dirá exatamente como ensinar</p><p>escrita criativa a um determinado grupo de alunos do quarto ano. No entanto,</p><p>Lídia usa conceitos de psicologia educacional e da aprendizagem para considerar</p><p>como ela vai ensinar a escrever e, então, interpretar e resolver os problemas que</p><p>ela encontra, bem como para explicar a Eliane o que ela está fazendo.</p><p>Os psicólogos educacionais realizam pesquisas sobre a natureza dos</p><p>alunos como aprendizes e sobre métodos eficazes de ensino, a fim de ajudar</p><p>os educadores a compreenderem os princípios da aprendizagem e dar-lhes as</p><p>informações de que precisam para pensar criticamente sobre seu ofício e tomar</p><p>decisões de ensino que funcionarão para seus alunos.</p><p>A seguir, neste tópico, você aprenderá a identificar atributos de professores</p><p>eficazes, a descrever o papel da pesquisa educacional em informar a prática de</p><p>sala de aula e a discutir como você pode se tornar um professor intencional.</p><p>Vamos lá?</p><p>2 O QUE FAZ UM BOM PROFESSOR?</p><p>Todo mundo sabe que o bom ensino é importante. Mas o que torna um</p><p>bom professor eficaz? É cordialidade, humor e capacidade de se preocupar</p><p>com os alunos e valorizar sua diversidade? É planejamento, trabalho árduo e</p><p>autodisciplina? E quanto à liderança, entusiasmo, um amor contagiante pelo</p><p>aprendizado e habilidade para falar?</p><p>A maioria das pessoas concordaria que todas essas qualidades são</p><p>necessárias para ser um bom professor, e certamente estariam corretas. Mas essas</p><p>qualidades não são suficientes.</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>6</p><p>2.1 CONHECIMENTO DO CONTEÚDO E HABILIDADES</p><p>PEDAGÓGICAS</p><p>De modo geral, o conhecimento de como transmitir informações e das</p><p>habilidades é pelo menos tão importante quanto o conhecimento das próprias</p><p>informações e desenvolver tais habilidades. Todos nós, provavelmente, já tivemos</p><p>professores que eram brilhantes e totalmente versados em suas áreas, mas que,</p><p>infelizmente, não sabiam ensinar. A Eliene Medeiros pode saber tanto quanto</p><p>a Lídia Weber sobre o que é considerado ser uma boa escrita, mas ela precisou</p><p>aprender mais sobre como fazer os alunos do quarto ano escreverem bem.</p><p>Para um ensino eficaz, o conhecimento do conteúdo não é uma questão de</p><p>ser uma enciclopédia ambulante. Os livros das bibliotecas e a “magia” da internet</p><p>tornam grande quantidade de conhecimento (informação) disponível, portanto,</p><p>enciclopédias ambulantes não são muito procuradas atualmente. O que torna</p><p>os professores eficazes é que eles não apenas conhecem suas disciplinas, mas</p><p>também sabem comunicar seus conhecimentos aos alunos.</p><p>Um célebre professor de matemática do ensino médio, o boliviano-</p><p>maneiras pelas quais você tenta memorizar listas e estudar novos</p><p>conceitos. Compartilhe com outros alunos uma estratégia que você usa para aprender</p><p>melhor as informações. Agora responda, qual é a sua imagem de aprendizagem, memória</p><p>e esquecimento? Depois de esboçar sua própria imagem, reúna-se com quatro ou cinco</p><p>colegas de classe para compor uma ilustração resumida ou diagrama da memória e</p><p>cognição humana com base em suas ideias individuais. Após 10 minutos, compartilhe com</p><p>a classe.</p><p>DICAS</p><p>Caro acadêmico, a mente humana é uma criadora de significado. Desde</p><p>o primeiro microssegundo que você vê, ouve, prova ou sente algo, você inicia</p><p>um processo de decidir o que é, como se relaciona com o que você já sabe e se</p><p>é importante manter em sua mente ou deve ser descartado. Todo esse processo</p><p>pode ocorrer de forma consciente, inconsciente ou ambos. Este tópico descreve</p><p>TÓPICO 2 — TEORIAS COGNITIVAS DE APRENDIZAGEM</p><p>141</p><p>como as informações são recebidas e processadas na mente, como funcionam a</p><p>memória e o esquecimento e como você pode ajudar seus alunos a compreender e</p><p>lembrar informações, habilidades e ideias críticas. Este tópico também apresenta</p><p>teorias cognitivas de aprendizagem, teorias que se relacionam a processos que</p><p>ocorrem na mente dos alunos e maneiras de ajudar os alunos a usar suas mentes</p><p>de forma mais eficaz para aprender, lembrar e usar conhecimentos e habilidades.</p><p>2 O QUE É UM MODELO DE PROCESSAMENTO DE</p><p>INFORMAÇÕES?</p><p>A informação entra constantemente em nossas mentes por meio de nossos</p><p>sentidos. Muitas dessas informações são descartadas quase que imediatamente e</p><p>podemos nem mesmo estar cientes de muitas delas. Algumas ficam guardadas</p><p>em nossas memórias por um curto período e depois são esquecidas. Por exemplo,</p><p>podemos lembrar o número do assento em um ingresso de teatro até encontrarmos</p><p>nossos assentos, momento em que esqueceremos deste número. No entanto,</p><p>algumas informações são retidas por muito mais tempo, talvez para o resto de</p><p>nossas vidas. Qual é o processo pelo qual as informações são absorvidas e como</p><p>os professores podem tirar proveito desse processo para ajudar os alunos a reter</p><p>informações e habilidades críticas? Essas questões foram abordadas por teóricos</p><p>da aprendizagem cognitiva e levaram à teoria do processamento de informações,</p><p>uma teoria dominante da aprendizagem e da memória desde meados da década</p><p>de 1970.</p><p>A pesquisa sobre a memória humana (ORMROD, 2016) ajudou os</p><p>teóricos da aprendizagem a descrever o processo pelo qual as informações são</p><p>lembradas (ou esquecidas). Por muitos anos, o modelo dominante do processo de</p><p>aprendizagem foi o modelo Atkinson-Shiffrin de processamento de informações</p><p>(ATKINSON; SHIFFRIN, 1968). O modelo ilustrado na Figura 2 é uma atualização</p><p>desse modelo.</p><p>O modelo resumido na Figura 2 tem três componentes principais: o registro</p><p>sensorial, a memória de trabalho (às vezes, chamada de memória de curto prazo)</p><p>e a memória de longo prazo. Os estímulos dos cinco sentidos entram no registro</p><p>sensorial, cuja maioria é imediatamente esquecida. Aqueles que são importantes</p><p>para nós por qualquer motivo são passados para a memória de trabalho, em que</p><p>avaliamos os novos estímulos à luz do que já está em nossas memórias de longo</p><p>prazo. A memória de trabalho é onde ocorre o “pensamento”. É a parte mais</p><p>ativa do sistema de memória, em que tentamos dar sentido a novos estímulos e</p><p>vinculá-los ao que já sabemos. Então, se as novas informações são consideradas</p><p>úteis, nós as armazenamos em nossas memórias de longo prazo, possivelmente</p><p>para sempre.</p><p>142</p><p>UNIDADE 2 — PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>2.1 PROCESSAMENTO EXECUTIVO</p><p>Toda a progressão do processamento de informações não é uma</p><p>esteira transportadora automática na qual os estímulos são transformados em</p><p>conhecimento. Pelo contrário. Em cada etapa, o processo de aprendizagem é</p><p>controlado pelo aluno. Esse controle pode ser muito consciente, como quando</p><p>uma pessoa prova uma nova receita de molho de espaguete; concentra-se no</p><p>sabor, cheiro e textura (nos registros de estímulos); e traz essas sensações para</p><p>a memória de trabalho, com informações da memória de longo prazo sobre</p><p>outros molhos de espaguete ou outras informações sobre especiarias, quantidade</p><p>de sal ou ingredientes que ajudem a avaliar esse molho. Alternativamente, o</p><p>processo executivo pode ser menos consciente, como quando uma pessoa ouve</p><p>que seu amigo está com sarampo. Imediatamente, a pessoa que ouve a notícia,</p><p>provavelmente, decidirá pensar a respeito, trazendo o novo estímulo (a notícia)</p><p>para a memória de trabalho, com o conhecimento na memória de longo prazo</p><p>sobre o sarampo e as emoções sobre o amigo e sobre o sarampo. Tudo isso leva</p><p>a memórias de longo prazo sobre esse amigo em particular e este caso particular</p><p>de sarampo, que se baseiam no corpo de conhecimento que existia antes sobre o</p><p>sarampo (e esse amigo) em geral.</p><p>Seja consciente ou inconsciente, voluntário ou não, o processo executivo</p><p>é crucial (SCHUNK, 2016). É o que determina o que uma pessoa está interessada</p><p>em colocar na memória de longo prazo e, então, determina o quanto a pessoa</p><p>vai pensar sobre os estímulos e as informações na memória de longo prazo para</p><p>formar memórias novas e duradouras. Quando uma pessoa estuda para seu</p><p>teste de direção, o processo executivo é óbvio; ela usa as melhores estratégias de</p><p>estudo que conhece para decorar o material. Quando uma pessoa acidentalmente</p><p>tropeça e cai, todos os aspectos da experiência ainda são processados sob</p><p>o controle da pessoa que está caindo. No momento em que atinge o solo, ela</p><p>considerou maneiras de minimizar a dor, está se lembrando de aspectos-chave</p><p>de quedas anteriores e está pensando nas explicações ou na culpa por essa queda.</p><p>Pouco desse processo executivo é automático, embora aconteça muito rápido,</p><p>sem muito tempo para deliberação!</p><p>Os alunos abordam cada oportunidade de aprendizagem com um</p><p>conjunto de motivações e orientações que determinam a energia mental que</p><p>estão dispostos a dedicar à aprendizagem. Claramente, incentivos externos</p><p>ou punidores podem aumentar a motivação para usar a energia mental para</p><p>aprender como obter reforços e evitar punições (MAZUR, 2013). Os interesses</p><p>intrínsecos desempenham um papel; um aluno está disposto a dedicar energia</p><p>mental para aprender a cozinhar, enquanto outro está mais interessado em</p><p>esportes. A facilidade de aprendizagem prevista é importante. Uma pessoa com</p><p>um autoconceito positivo sobre o aprendizado de línguas estrangeiras colocará</p><p>mais energia mental nesse aprendizado do que alguém que se orgulha de aprender</p><p>matemática, mas não idiomas. Dê a essas duas pessoas matemática para aprender</p><p>e o oposto acontecerá. Alguém que tem muito conhecimento prévio sobre um</p><p>assunto presta mais atenção a informações adicionais, porque é provável que as</p><p>novas informações sejam fáceis de aprender.</p><p>TÓPICO 2 — TEORIAS COGNITIVAS DE APRENDIZAGEM</p><p>143</p><p>Os processos executivos são quase como comandos que uma pessoa</p><p>dá ao seu cérebro: “cérebro, preste muita atenção aos estímulos desse tipo que</p><p>chegam; observe cuidadosamente na memória de longo prazo as informações e</p><p>habilidades relevantes já existentes; coloque os novos estímulos, conhecimentos e</p><p>habilidades juntos para criar conhecimentos novos; e arquive esse conhecimento</p><p>em um local onde possa acessá-lo facilmente sempre que precisar. Faça agora</p><p>mesmo e ignore quase todo o resto até terminar!”. Não que alguém realmente</p><p>tenha essas conversas com seu próprio cérebro, mas o processo executivo decide</p><p>conscientemente o que vale a energia mental e então executa um plano para</p><p>aprender algo que a pessoa considera útil.</p><p>Os subtópicos a seguir descrevem os principais elementos e operações do</p><p>processamento de informações.</p><p>2.2 REGISTRO SENSORIAL</p><p>estadunidense chamado Jaime Escalante, ensinou o conceito de números positivos</p><p>e negativos a alunos em um bairro de Los Angeles, nos Estados Unidos, explicando</p><p>que, quando você cava um buraco, pode chamar a pilha de sujeira de +1, e o buraco</p><p>de -1. O que você ganha quando você coloca a sujeira de volta no buraco? Zero. A</p><p>capacidade de Escalante de relacionar o conceito abstrato de números positivos e</p><p>negativos à experiência cotidiana é um exemplo de como a capacidade de comunicar</p><p>conhecimento vai muito além de simplesmente conhecer os fatos.</p><p>Assista ao filme “O Preço do Desafio” que fala da história de Jaime Escalante,</p><p>um professor de matemática em uma escola em um bairro hispânico que está convencido</p><p>de que seus alunos têm potencial para crescer na vida. A partir disso, ele cria métodos</p><p>não convencionais de ensino para tentar ajudar jovens membros de gangues a passar no</p><p>temeroso Exame Nacional de Cálculos Avançados.</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3y16F0P>. Acesso em: 28 jun. 2021.</p><p>DICAS</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>7</p><p>2.2 DOMÍNIO DE HABILIDADES PEDAGÓGICAS</p><p>O elo entre o que um professor deseja que os alunos aprendam e a</p><p>aprendizagem real dos alunos é chamada de instrução ou pedagogia. A instrução</p><p>eficaz não é uma simples questão de uma pessoa com mais conhecimento</p><p>transmitir esse conhecimento para outra (BAUMERT et al., 2010; PERRENOUD,</p><p>1993). Se apenas dizer algo fosse ensinar, este livro seria desnecessário. Em vez</p><p>disso, a instrução eficaz exige o uso de muitas estratégias.</p><p>Por exemplo, suponha que Paula Santos queira dar uma aula de estatística</p><p>para uma turma diversificada de alunos do quinto ano escolar. Para fazer isso,</p><p>Paula deve realizar muitas tarefas relacionadas. Ela deve certificar-se de que a</p><p>aula seja ordeira e que os alunos saibam o comportamento que se espera deles.</p><p>Ela deve descobrir se os alunos têm as habilidades de pré-requisito; por exemplo,</p><p>os alunos precisam ser capazes de somar e dividir para encontrar as médias.</p><p>Caso contrário, Paula deve encontrar uma maneira de ensinar essas habilidades</p><p>aos alunos. Ela deve envolver os alunos em atividades que os levem a uma</p><p>compreensão das estatísticas, como fazer com que os alunos joguem dados,</p><p>joguem cartas ou coletem dados de experimentos; e ela deve usar estratégias de</p><p>ensino que ajudem os alunos a lembrar o que lhes foi ensinado.</p><p>As aulas também devem levar em consideração as características intelectuais</p><p>e sociais dos alunos do quinto ano escolar e as características intelectuais, sociais</p><p>e culturais desses alunos em particular. Paula deve certificar-se de que os alunos</p><p>estão interessados na aula e motivados para aprender estatística. Para ver se os</p><p>alunos estão aprendendo o que está sendo ensinado, ela pode fazer perguntas</p><p>ou usar questionários ou fazer com que os alunos demonstrem sua compreensão</p><p>criando e interpretando experimentos, e ela deve responder apropriadamente</p><p>se essas avaliações mostrarem que os alunos estão tendo problemas. Após o</p><p>término da série de lições sobre estatística, Paula deve revisar esse tópico de vez</p><p>em quando para garantir que seja lembrado.</p><p>As tarefas mencionadas – motivar os alunos, administrar a sala de aula;</p><p>avaliar o conhecimento prévio; comunicar ideias de maneira eficaz; levar em</p><p>consideração as características dos alunos; avaliar os resultados da aprendizagem</p><p>e revisar as informações – devem ser realizadas em todos os níveis de ensino,</p><p>dentro ou fora das escolas. A maneira como essas tarefas são realizadas, entretanto,</p><p>difere amplamente de acordo com a idade dos alunos, os objetivos da instrução</p><p>e outros fatores.</p><p>O que torna bom um professor é a capacidade de realizar todas as tarefas</p><p>envolvidas em uma instrução eficaz. Calor humano, entusiasmo e carinho são</p><p>essenciais (MARZANO, 2011; ALVES, 1994), assim como o conhecimento do</p><p>conteúdo e a compreensão de como as crianças aprendem (BAUMERT et al., 2010;</p><p>TOUGH, 2017). Mas é a realização bem-sucedida de todas as tarefas de ensino</p><p>que contribui para a eficácia instrucional.</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>8</p><p>Uma excelente leitura é o livro “Como as Crianças Aprendem”, de Paul Tough</p><p>(2017). O autor aborda com grande clareza o problema e alerta: não estamos dando a</p><p>devida atenção ao desenvolvimento de qualidades não cognitivas, como curiosidade e a</p><p>capacidade de lidar com o estresse.</p><p>FONTE: https://m.media-amazon.com/images/I/41X9ExN4o4L.jpg.</p><p>DICAS</p><p>2.3 O BOM ENSINO PODE SER ENSINADO?</p><p>Algumas pessoas pensam que bons professores nascem assim. Professores</p><p>excelentes, às vezes, parecem ter uma magia, um carisma que meros mortais</p><p>nunca poderiam esperar alcançar. Ainda assim, a pesquisa começou a identificar</p><p>os comportamentos e habilidades específicas que tornam um professor “mágico”</p><p>(BORMAN; KIMBALL, 2005). Um professor excelente não faz nada que outro</p><p>professor não possa fazer – é apenas uma questão de conhecer os princípios do</p><p>ensino eficaz e como aplicá-los.</p><p>Veja um pequeno exemplo: em uma aula de história do ensino médio,</p><p>dois alunos no fundo da sala de aula estão sussurrando um para o outro e</p><p>não estão discutindo o Tratado de Paris! O professor caminha lentamente em</p><p>direção a eles sem olhar, continuando sua lição enquanto caminha. Os alunos</p><p>param de sussurrar e prestam atenção. Se você não soubesse o que procurar,</p><p>poderia perder esse breve e crítico intercâmbio, e acreditar que o professor tem</p><p>jeito com os alunos, um jeito para prender a atenção deles. Porém, o professor</p><p>está simplesmente aplicando princípios de gestão ou administração da sala de</p><p>aula que qualquer pessoa pode aprender: mantenha o ritmo na aula, lide com</p><p>problemas de comportamento usando a intervenção mais branda que funcione e</p><p>resolva problemas menores antes que se tornem graves. Quando Jaime Escalante</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>9</p><p>deu o exemplo de cavar um buraco para ilustrar o conceito de números positivos</p><p>e negativos, ele também estava aplicando vários princípios importantes da</p><p>psicologia educacional e da aprendizagem: torne concretas as ideias abstratas</p><p>usando muitos exemplos; relacione o conteúdo da instrução com as vivências dos</p><p>alunos; declare claramente as regras ou conceitos e princípios; dê exemplos e, em</p><p>seguida, declare novamente as regras, conceitos e princípios.</p><p>O bom ensino pode ser ensinado? A resposta é definitivamente sim (BALL;</p><p>FORZANI, 2010). O bom ensino deve ser observado e praticado, mas existem</p><p>princípios do bom ensino que os professores precisam saber e que podem ser</p><p>aplicados em sala de aula. Os principais componentes do ensino eficaz estão</p><p>resumidos na Figura 1.</p><p>FIGURA 1 – COMPONENTES DO BOM ENSINO</p><p>FONTE: O autor</p><p>2.4 O PROFESSOR INTENCIONAL</p><p>Não existe uma fórmula para um bom ensino, nem sete passos para</p><p>o ser o Professor do Ano. O ensino envolve planejamento e preparação e, em</p><p>seguida, dezenas de decisões a cada momento. No entanto, um atributo parece</p><p>ser característico de professores notáveis: a intencionalidade. Intencionalidade</p><p>significa fazer as coisas por uma razão, com um propósito. Os professores</p><p>intencionais pensam constantemente sobre os resultados que desejam para seus</p><p>alunos e sobre como cada decisão que tomam move as crianças em direção a</p><p>esses resultados (FISHER; FREY, 2011). Os professores intencionais sabem que</p><p>o aprendizado máximo não acontece por acaso. Sim, as crianças aprendem de</p><p>maneiras não planejadas o tempo todo, e muitas aprenderão até mesmo com</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>10</p><p>a aula mais caótica. Mas para realmente desafiar os alunos, para obter seus</p><p>melhores esforços, para ajudá-los a dar saltos conceituais e organizar e reter novos</p><p>conhecimentos, os professores precisam ser intencionais:</p><p>propositais, atenciosos</p><p>e flexíveis, sem nunca perder de vista seus objetivos para cada criança.</p><p>A ideia de que os professores devem sempre fazer as coisas por uma</p><p>razão parece óbvia. No entanto, na prática, é difícil garantir constantemente que</p><p>todos os alunos estejam envolvidos em atividades que levem a resultados de</p><p>aprendizagem importantes. Os professores frequentemente adotam estratégias</p><p>que eles próprios reconheceriam, após uma breve reflexão, como apenas</p><p>preenchimentos de tempo, em vez de atividades instrucionais essenciais. Por</p><p>exemplo, uma professora do quarto ano escolar atribuiu um trabalho a um de</p><p>seus grupos de leitura. As crianças receberam duas folhas de papel com palavras</p><p>em quadrados. A tarefa deles era recortar os quadrados de uma folha e colá-</p><p>los em sinônimos na outra folha. Quando todas as palavras foram coladas</p><p>corretamente, as linhas nos quadrados colados formaram o contorno de um</p><p>gato que as crianças deveriam colorir. Depois que as crianças colaram alguns</p><p>quadrados, o quebra-cabeça ficou claro para que pudessem colar o restante sem</p><p>prestar atenção nas próprias palavras. Por quase uma hora de precioso tempo de</p><p>aula, essas crianças alegremente cortaram, colaram e coloriram – habilidades que</p><p>não são de alta prioridade para alunos do quarto ano escolar. A professora teria</p><p>dito que o objetivo era que as crianças aprendessem ou pratiquem sinônimos,</p><p>é claro; mas, na verdade, a atividade não poderia ter levado as crianças adiante</p><p>nessa habilidade. Da mesma forma, muitos professores fazem com que uma</p><p>criança trabalhe laboriosamente um problema na lousa, enquanto o resto da</p><p>classe não tem nada importante para fazer. Alguns professores do Ensino Médio</p><p>passam a maior parte do período de aula repassando os deveres de casa e da aula</p><p>e acabam ensinando muito pouco o novo conteúdo. Esses professores, é claro,</p><p>podem ser excelentes em outros momentos, mas, às vezes, perdem de vista o que</p><p>estão tentando alcançar e como o farão.</p><p>Os professores intencionais estão constantemente se perguntando</p><p>quais objetivos eles e seus alunos estão tentando alcançar. Cada parte da aula é</p><p>apropriada para o conhecimento, habilidades e necessidades dos alunos? Cada</p><p>atividade ou tarefa está claramente relacionada a um resultado acadêmico valioso?</p><p>Cada minuto de instrução é sabiamente bem utilizado? Um professor intencional</p><p>que tenta desenvolver as habilidades no uso de sinônimos com alunos pode fazê-</p><p>los trabalhar em pares para dominar um conjunto de sinônimos em preparação</p><p>para questionários individuais. Um professor intencional pode fazer com que</p><p>todos os alunos trabalhem em um determinado problema enquanto um trabalha</p><p>no quadro, para que todos possam comparar respostas e estratégias juntas. Um</p><p>professor intencional pode rapidamente dar respostas da tarefa de casa para que</p><p>os alunos verifiquem por si mesmos, pedir que levantem as mãos para verificar as</p><p>respostas corretas e, em seguida, revisar e voltar a ensinar apenas os exercícios que</p><p>tiveram erros por muitos alunos, a fim de economizar tempo para ensinar novos</p><p>conteúdos. Um professor intencional usa uma ampla variedade de métodos de</p><p>ensino, experiências, tarefas e materiais para ter certeza de que as crianças estão</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>11</p><p>alcançando todos os tipos de objetivos cognitivos, do conhecimento à aplicação</p><p>à criatividade, e que, ao mesmo tempo, as crianças estão aprendendo objetivos</p><p>afetivos importantes, como amor pelo aprendizado, respeito pelos outros e</p><p>responsabilidade pessoal. Um professor intencional reflete constantemente sobre</p><p>suas práticas e resultados (FISHER; FREY, 2011; MARZANO, 2011).</p><p>A pesquisa descobriu que um dos indicadores mais poderosos do impacto</p><p>de um professor sobre os alunos é a crença de que o que ele faz a diferença. Essa</p><p>crença, chamada de crenças de eficácia dos professores (THURLINGS; EVERS;</p><p>VERMEULEN, 2015; WOOLFOLK-HOY; HOY; DAVIS, 2009), está no cerne do</p><p>que significa ser um professor intencional. Os professores que acreditam que o</p><p>sucesso na escola se deve quase inteiramente à inteligência inata das crianças, ao</p><p>ambiente doméstico ou a outros fatores que os professores não podem influenciar,</p><p>provavelmente não ensinarão da mesma forma que aqueles que acreditam</p><p>que seus próprios esforços são a chave para o aprendizado das crianças. Um</p><p>professor intencional, aquele que acredita fortemente em sua eficácia, tem mais</p><p>probabilidade de fazer um esforço consistente, de persistir em face de obstáculos</p><p>e de continuar tentando incansavelmente até que todos os alunos tenham sucesso.</p><p>Os professores intencionais alcançam um senso de eficácia avaliando</p><p>constantemente os resultados de sua instrução; tentando novas estratégias se sua</p><p>instrução inicial não funcionar; e buscando continuamente ideias de colegas, livros,</p><p>recursos on-line, revistas, workshops e outras fontes para enriquecer e solidificar</p><p>suas habilidades pedagógicas. O senso de eficácia é um dos principais fatores por</p><p>trás dos professores que são inovadores e abraçam a mudança (THURLINGS;</p><p>EVERS; VERMEULEN, 2015).</p><p>A eficácia coletiva pode ter um impacto particularmente forte no</p><p>desempenho dos alunos (WOOLFOLK-HOY; HOY; DAVIS, 2009). Grupos de</p><p>professores, como todo o corpo docente de uma escola de Ensino Fundamental</p><p>ou todos os professores do departamento acadêmico, podem atingir eficácia</p><p>coletiva trabalhando juntos para examinar suas práticas e resultados, buscando</p><p>desenvolvimento profissional e ajudando uns aos outros a ter sucesso (YORK-</p><p>BARR; SOMMERNESS; HUR, 2008). Os países que são particularmente</p><p>bem-sucedidos em ajudar todas as crianças a terem sucesso são aqueles que</p><p>oferecem oportunidades para os professores trabalharem juntos e assumirem</p><p>responsabilidade coletiva por seus alunos (SAHLBERG, 2012).</p><p>Sugerimos a leitura do artigo “Crenças de eficácia de professores: validação da</p><p>escala de Woolfolk e Hoy”, de José Aloyseo Bzuneck e Sueli Édi Rufini Guimarães (2003),</p><p>no qual discutem a validação a escala de Woolfolk e Hoy – entre diversos instrumentos</p><p>elaborados para medir o senso de eficácia do professor. Esta escala contém vinte itens que</p><p>DICAS</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>12</p><p>avaliam dois aspectos distintos, que são: o senso de eficácia pessoal e senso de eficácia do</p><p>ensino. Este trabalho objetivou levantar as propriedades psicométricas de uma versão da</p><p>escala para o português, com uma grande amostra brasileira. Acesso ao artigo neste link:</p><p>https://bit.ly/3CXMeFP. Acesso em: 28 jun. 2021.</p><p>O propósito mais importante deste livro didático é oferecer a você,</p><p>acadêmico, a base intelectual em pesquisa, teoria e sabedoria prática de que você</p><p>precisa para se tornar um professor eficaz e intencional. Para planejar e realizar</p><p>aulas, discussões, projetos e outras experiências de aprendizagem eficazes, das</p><p>quais os professores precisam saber muito. Além de conhecer seus conteúdos,</p><p>você precisa entender os níveis de desenvolvimento e as necessidades de seus</p><p>alunos. Você precisa entender como o aprendizado, a memória, a habilidade</p><p>de resolução de problemas e a criatividade são adquiridos e como promover</p><p>sua aquisição. Você precisa saber como definir objetivos, organizar atividades</p><p>destinadas a ajudar os alunos a atingir esses objetivos e avaliar o progresso dos</p><p>alunos em direção a eles. Você precisa saber como motivar as crianças, como usar</p><p>o tempo das aulas com eficácia e como responder às diferenças individuais entre</p><p>os alunos. Os professores intencionais estão continuamente experimentando</p><p>estratégias para resolver problemas de ensino e, em seguida, observando os</p><p>resultados de suas ações para ver se foram eficazes (SCHUNK, 2016). Eles prestam</p><p>atenção à</p><p>pesquisa sobre o ensino eficaz e incorporam os resultados da pesquisa</p><p>em seu ensino diário (FLEISCHMAN, 2006). Como Lídia Weber na vinheta que</p><p>abriu este tópico, os professores intencionais estão constantemente combinando</p><p>seu conhecimento dos princípios da psicologia educacional e da aprendizagem,</p><p>sua experiência e sua criatividade para tomar decisões instrucionais e ajudar as</p><p>crianças a se tornarem alunos entusiasmados e eficazes.</p><p>Este livro destaca as ideias que são centrais para a psicologia educacional</p><p>e as pesquisas relacionadas. Também apresenta muitos exemplos de como essas</p><p>ideias se aplicam na prática, enfatizando práticas de ensino, não apenas teorias ou</p><p>sugestões que foram avaliadas e consideradas eficazes. O conteúdo deste livro foi</p><p>projetado para ajudá-lo a desenvolver habilidades de pensamento crítico para o</p><p>ensino: uma abordagem lógica e sistemática para os muitos dilemas encontrados</p><p>na prática e na pesquisa. Nenhum texto pode fornecer todas as respostas certas</p><p>para o ensino, mas este tenta fazer as perguntas certas e envolvê-lo, apresentando</p><p>alternativas realistas e os conceitos e pesquisas por trás delas.</p><p>Muitos estudos analisaram as diferenças entre professores experts</p><p>e novatos e entre professores mais e menos eficazes. Um tema perpassa esses</p><p>estudos: professores experts são pensadores críticos (GUZZO, 2015). Os</p><p>professores intencionais estão constantemente atualizando e examinando suas</p><p>próprias práticas de ensino, lendo e participando de conferências para aprender</p><p>novas ideias e usando as respostas de seus próprios alunos para orientar suas</p><p>decisões de ensino. Há um velho ditado que diz que existem professores com</p><p>20 anos de experiência e existem professores com 1 ano de experiência 20 vezes.</p><p>Os professores que melhoram a cada ano são aqueles que estão abertos a novas</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>13</p><p>ideias e que olham para o seu próprio ensino de forma crítica. Talvez o objetivo</p><p>mais importante deste livro seja criar o hábito de usar a reflexão informada para</p><p>se tornar um dos professores experts de amanhã.</p><p>A importância do ensino intencional e do pensamento crítico torna-se</p><p>ainda mais clara quando você reflete sobre as mudanças que ocorrerão no ensino</p><p>nos próximos 10-20 anos. Em 2030 ou 2040, o trabalho dos professores estará</p><p>totalmente transformado (BERRY et al., 2011). Durante sua carreira de professor,</p><p>haverá mudanças dramáticas no papel da tecnologia, especialmente à medida</p><p>que o acesso à internet se torna universal. Novas formas de escolarização além</p><p>da escola física, e formas de ensino que mesclam o ensino tecnológico com o</p><p>tradicional, já estão aqui e irão se expandir. O papel da pesquisa certamente</p><p>crescerá e, nos próximos anos, os professores poderão escolher entre uma</p><p>variedade de programas, cada um dos quais terá sido avaliado cientificamente e</p><p>considerado eficaz (SLAVIN, 2013). Novos modelos de preparação de professores</p><p>e de oferta de serviço se tornarão comuns (ROSE, 2010). Os professores estão sendo</p><p>cada vez mais responsáveis pela aprendizagem de seus alunos (SCHMOKER,</p><p>2012). Todas essas mudanças significam que os professores nos anos de 2030 e</p><p>2040 terão que ser flexíveis, resilientes e capazes de usar novas abordagens para</p><p>novos problemas. Por muito tempo, os professores sempre puderam recorrer a</p><p>suas próprias experiências como alunos e ensinar como seus próprios professores</p><p>lhes ensinaram. Esses dias acabaram.</p><p>2.5 HABILIDADES DO SÉCULO XXI</p><p>Quando a nossa geração era criança, esperava-se que o século XXI fosse</p><p>totalmente diferente do século XX. Os Jetsons (um desenho animado que foi</p><p>lançado em 1962, veja a Figura 2) por exemplo, projetaram uma imagem de</p><p>carros voadores, robôs em todas as casas e todos os tipos de tecnologia incrível.</p><p>Futurologistas sérios esperavam mais ou menos o mesmo. A realidade acabou</p><p>se revelando um pouco mais prática, mas, no entanto, os desenvolvimentos</p><p>na tecnologia e na globalização mudaram dramaticamente aspectos-chave</p><p>de nossa economia e sociedade. Em particular, a segurança econômica, tanto</p><p>para indivíduos quanto para nações, depende mais do que nunca de inovação,</p><p>criatividade e design. A capacidade de trabalhar cooperativamente com outras</p><p>pessoas, de ver muitas soluções para os problemas e de ser flexível e responsivo</p><p>a mudanças rápidas estão se tornando a chave para o sucesso, à medida que os</p><p>empregos tradicionais de "costas fortes" desaparecem e são substituídos por</p><p>carreiras de "mente forte".</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>14</p><p>FIGURA 2 – OS JETSONS</p><p>FONTE: <https://www.mostardanerd.com.br/os-jetsons>. Acesso em: 30 jun. 2021.</p><p>Todas essas mudanças têm um significado profundo para a educação. Elas</p><p>levam os educadores a valorizar as habilidades, atitudes e formas de trabalho</p><p>que mais se assemelham às novas condições da força de trabalho. Nem é preciso</p><p>dizer que os alunos precisam de ampla experiência com tecnologia, mas isso não</p><p>é suficiente. Eles também precisam de ampla experiência de trabalho em grupos,</p><p>resolvendo problemas e aprendendo a ler criticamente e pensar criativamente</p><p>(MARZANO; HEFLEBOWER, 2012). Ironicamente, esse tipo de experiência</p><p>está no cerne da filosofia progressista de John Dewey e de muitos outros, que</p><p>datam do início do século XX. O que mudou é que essas ideias não são mais</p><p>opcionais, porque correspondem muito às necessidades de hoje. Além disso,</p><p>essas habilidades agora são necessárias para todos, do escritório executivo ao</p><p>chão de fábrica.</p><p>Uma educação do século XXI significa dar aos alunos as habilidades que</p><p>precisam para ter sucesso neste novo mundo e ajudá-los a aumentar a confiança</p><p>para praticar essas habilidades. Com tantas informações disponíveis para eles, as</p><p>habilidades do século XXI se concentram mais em dar sentido a essas informações,</p><p>compartilhando-as e usando-as de maneiras inteligentes.</p><p>Consistente com esta linha de raciocínio, a Partnership for 21st Century</p><p>Skills (P21) foi criada para promover políticas que definem e apoiam os</p><p>resultados dos alunos que se alinham com as necessidades de hoje (P21, 2009).</p><p>A P21 criou uma estrutura que organiza as habilidades do século 21 em quatro</p><p>categorias: criatividade; pensamento crítico; comunicação; e colaboração. Esses</p><p>quatro temas não devem ser entendidos como unidades ou mesmo disciplinas,</p><p>mas como temas que devem ser superpostos a todo o mapeamento curricular e</p><p>planejamento estratégico. Eles devem fazer parte de todas as aulas da mesma</p><p>forma que o letramento e numeramento.</p><p>A criatividade é pensar nas informações de novas maneiras, fazer novas</p><p>conexões e encontrar soluções inovadoras para os problemas. O pensamento</p><p>crítico trata de analisar informações e criticar afirmações. Comunicação é</p><p>entender as coisas bem o suficiente para compartilhá-las claramente com outras</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>15</p><p>pessoas. Colaboração é trabalho em equipe e a genialidade coletiva de um grupo</p><p>que é mais do que a soma de suas partes. Existem outras habilidades que são</p><p>importantes, que se enquadram nessas quatro áreas. O empreendedorismo</p><p>pode ser considerado uma habilidade própria. A investigação e a resolução de</p><p>problemas são essenciais. A inteligência emocional (IE) é uma das chaves mais</p><p>importantes para um trabalho e relacionamentos bem-sucedidos. A educação</p><p>precisa ter como foco o empoderamento dos alunos com habilidades transferíveis</p><p>que resistirão a um mundo em rápida mudança e não com conteúdo prescrito</p><p>que foi escolhido por sua relevância no passado.</p><p>3 QUAL É O PAPEL DA PESQUISA EM PSICOLOGIA</p><p>EDUCACIONAL?</p><p>Os professores que são pensadores críticos intencionais tendem a entrar</p><p>nas salas de aula equipados com conhecimentos sobre</p><p>pesquisas em psicologia</p><p>educacional e da aprendizagem. Todos os anos, psicólogos educacionais</p><p>descobrem ou refinam princípios de ensino-aprendizagem que são úteis para</p><p>professores em atividade. Alguns desses princípios são apenas bom senso</p><p>apoiado em evidências, mas outros são mais surpreendentes. Um problema que</p><p>os psicólogos educacionais enfrentam é que quase todo mundo tem ideias sobre o</p><p>conteúdo da psicologia educacional. A maioria dos adultos passou muitos anos nas</p><p>escolas observando o que os professores fazem. Adicione a isso certa quantidade</p><p>de conhecimento da natureza humana, e voilà! Todos se tornam um psicólogo</p><p>educacional amador. Por esta razão, psicólogos educacionais profissionais são</p><p>frequentemente acusados de estudar o óbvio (BALL; FORZANI, 2007).</p><p>No entanto, como aprendemos penosamente, o óbvio nem sempre é</p><p>verdade. Por exemplo, a maioria das pessoas presume que, se os alunos são</p><p>atribuídos a turmas de acordo com suas habilidades, a gama mais estreita de</p><p>habilidades resultante em uma turma permitirá que o professor adapte a instrução</p><p>às necessidades específicas dos alunos e, assim, aumente o desempenho do aluno.</p><p>Essa suposição é falsa. Muitos professores acreditam que repreender os alunos</p><p>por mau comportamento melhorará a sua conduta. Muitos alunos realmente</p><p>responderão a uma repreensão comportando-se melhor, mas, para outros, a</p><p>repreensão pode ser uma recompensa por seu mau comportamento, o que, na</p><p>verdade, acaba aumentando-o.</p><p>Algumas verdades “óbvias” até entram em conflito umas com as outras.</p><p>Por exemplo, a maioria das pessoas concordaria que os alunos aprendem melhor</p><p>com as instruções de um professor do que trabalhando sozinhos. Essa crença</p><p>apoia estratégias de instrução direta centradas no professor, nas quais o professor</p><p>trabalha ativamente com a turma como um todo. No entanto, a maioria das</p><p>pessoas também concordaria que os alunos geralmente precisam de uma instrução</p><p>adaptada às suas necessidades individuais. Essa crença, também correta, exigiria</p><p>que os professores dividissem seu tempo entre indivíduos, ou, pelo menos, entre</p><p>UNIDADE 1 — PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO</p><p>16</p><p>grupos de alunos com necessidades diferentes, o que faria com que alguns alunos</p><p>trabalhassem independentemente enquanto outros recebessem sua atenção. Se</p><p>as escolas pudessem fornecer tutores para todos os alunos, não haveria conflito;</p><p>instrução direta e individualização podem coexistir. Na prática, entretanto, as</p><p>salas de aula costumam ter de 20 a 30 alunos; como resultado, uma instrução</p><p>mais direta (a primeira meta) quase sempre significa menos individualização (a</p><p>segunda meta). Sua tarefa como professor intencional é equilibrar esses objetivos</p><p>concorrentes de acordo com as necessidades de alunos e situações específicas.</p><p>3.1 O OBJETIVO DA PESQUISA EM PSICOLOGIA</p><p>EDUCACIONAL</p><p>O objetivo da pesquisa em psicologia educacional é examinar</p><p>cuidadosamente as questões que parecem "óbvias" e as menos que óbvias, usando</p><p>métodos objetivos para testar ideias sobre os fatores que contribuem para a</p><p>aprendizagem (LEVIN; O'DONNELL; KRATOCHWILL, 2003). Os produtos desta</p><p>pesquisa são princípios, leis e teorias. Um princípio explica a relação entre fatores,</p><p>bem como os efeitos de sistemas alternativos de notas na motivação dos alunos. As</p><p>leis são simplesmente princípios que foram exaustivamente testados e se aplicam</p><p>a uma ampla variedade de situações. Uma teoria é um conjunto de princípios e leis</p><p>relacionados que explica um amplo aspecto da aprendizagem, do comportamento</p><p>ou outra área de interesse. Sem teorias, os fatos e princípios descobertos seriam</p><p>como manchas desorganizadas em uma tela. As teorias unem esses fatos e princípios</p><p>para nos dar uma visão geral. No entanto, os mesmos fatos e princípios podem ser</p><p>interpretados de maneiras diferentes por diferentes teóricos. Como em qualquer</p><p>ciência, o progresso na psicologia educacional é lento e desigual. Um único estudo</p><p>raramente é um avanço, mas, com o tempo, evidências se acumulam sobre um</p><p>assunto e permitem que os teóricos refinem e estendam suas teorias.</p><p>Provavelmente é verdade que o conhecimento mais importante que</p><p>os professores adquirem é aprendido no trabalho – em estágios, enquanto os</p><p>acadêmicos ensinam ou durante os primeiros anos na sala de aula. No entanto,</p><p>você, como professor, toma centenas de decisões todos os dias, e cada decisão</p><p>tem uma teoria por trás dela, independentemente de você estar ciente disso. A</p><p>qualidade, precisão e utilidade dessas teorias determinam, em última análise, o</p><p>seu sucesso. Por exemplo, um professor pode oferecer uma recompensa ao aluno</p><p>com a melhor assiduidade, baseado na teoria de que recompensar a assiduidade</p><p>a aumentará. Outro professor pode recompensar o aluno cuja assiduidade teve</p><p>maior melhora, com base na teoria de que são os alunos com mais dificuldades</p><p>que precisam de maiores incentivos para vir às aulas. Um terceiro professor pode</p><p>não recompensar ninguém pela frequência, mas, em vez disso, tenta aumentá-la</p><p>ministrando aulas mais interessantes. Qual plano de professor tem mais chances</p><p>de sucesso? Isso depende em grande parte da habilidade de cada professor em</p><p>compreender a combinação única de fatores que moldam o caráter de sua turma</p><p>e, portanto, aplicar a teoria mais adequada.</p><p>TÓPICO 1 — PSICOLOGIA EDUCACIONAL: UMA BASE PARA O ENSINO</p><p>17</p><p>O objetivo da pesquisa em psicologia educacional é testar as diversas</p><p>teorias que norteiam as ações dos professores e demais envolvidos na educação.</p><p>Existem muitas situações comuns, como o exemplo a seguir, em que um professor</p><p>pode usar psicologia educacional.</p><p>Vejamos a seguinte situação hipotética. O professor Haroldo ministra</p><p>aula de História no oitavo ano. Ele tem um problema com o aluno Thomas,</p><p>que frequentemente se comporta mal. Hoje, quando o professor Haroldo virou</p><p>as costas, Thomas fez um avião de papel e o atirou para voar pela sala de aula</p><p>para o deleite de toda a turma. O que o professor Haroldo deve fazer? Como</p><p>um professor intencional, ele considera uma série de opções para resolver esse</p><p>problema, cada uma delas proveniente de uma teoria sobre por que Thomas</p><p>está se comportando mal e o que o motivará a se comportar de maneira mais</p><p>adequada. Veja, agora, o Quadro 1.</p><p>QUADRO 1 – AÇÕES E SUAS RESPECTIVAS TEORIAS</p><p>FONTE: O autor</p><p>Ação Teoria</p><p>1. Repreenda o Thomas.</p><p>1. A reprimenda é uma forma de punição.</p><p>Tomas vai se comportar bem para evitar</p><p>punições.</p><p>2. Ignore o Thomas.</p><p>2. A atenção pode ser gratificante para</p><p>Thomas. Ignorá-lo o privaria dessa</p><p>recompensa.</p><p>3. Envie o Thomas à sala da supervisora.</p><p>3. Ser mandado para a sala da supervisora</p><p>é punitivo. Também priva Tomas do</p><p>(aparente) apoio de seus colegas de classe.</p><p>4. Diga à turma que é responsabilidade</p><p>de todos manter um bom ambiente de</p><p>aprendizagem e que se algum aluno se</p><p>comportar mal, 5 minutos serão subtraídos</p><p>do recreio.</p><p>4. Tomas está se comportando mal para</p><p>chamar a atenção de seus colegas. Se toda</p><p>a turma perder quando ele se comportar</p><p>mal, a turma o manterá na linha.</p><p>5. Explique à turma que o comportamento</p><p>de Thomas está interferindo nas aulas que</p><p>todos os alunos precisam saber e que seu</p><p>comportamento vai contra as regras que a</p><p>turma estabeleceu para si mesma no início</p><p>do ano.</p><p>5. A turma possui padrões de</p><p>comportamento que conflitam tanto</p><p>com o comportamento de Thomas em</p><p>sala de aula quanto com a reação da</p><p>turma a ele. Ao relembrar a classe de</p><p>suas próprias necessidades (aprender</p><p>o conteúdo da aula) e de suas próprias</p><p>regras estabelecidas no início do ano, o</p><p>professor pode fazer com que Thomas</p><p>veja que a turma realmente não apoia seu</p><p>comportamento.</p><p>Cada uma dessas ações apresentadas no Quadro 1 é uma resposta comum</p><p>ao mau comportamento. Mas qual teoria (e, portanto, qual ação) seria a correta?</p>