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<p>Aqui vão algumas expressões coletadas e comentadas por Cascudo em seu livro</p><p>Locuções Tradicionais no Brasil.</p><p>+</p><p>Bicho-de-sete cabeças. Usado, normalmente, na forma negativa. Não é um bicho-de-</p><p>sete- cabeças. Significa que uma tarefa não é assim tão difícil. Referência ao mito grego</p><p>da Hidra, cujas cabeças foram decepadas por Hércules.</p><p>Com o rei na barriga. Sujeito que se acha importante. Alusão às rainhas que quando</p><p>grávidas eram tratadas com mais deferência ainda.</p><p>Ver passarinho verde. Significa estar apaixonado. No passado, conta lenda, jovens</p><p>adestravam passarinhos para levar no bico uma carta de amor a sua apaixonada.</p><p>Com a corda toda. Pessoa agitada, que não para quieta. A origem está em velhos</p><p>brinquedos animados com uma mola chamada corda.</p><p>Favas contadas - Disputa que já tem um vencedor previsto. No passado, se votava sim</p><p>ou não, usando favas brancas ou pretas.</p><p>Fazer ouvidos de mercador - Fingir que não está ouvindo. Mercador seria uma</p><p>corruptela de Marcador, o carrasco encarregado de marcar suas vítimas e que deveria</p><p>fingir que não estava ouvindo seus gritos.</p><p>Tapar o sol com a peneira. Esforço inútil de esconder alguma coisa. Expressão</p><p>originária de uma experiência prática.</p><p>O pomo da discórdia - Pessoa ou objeto que dá origem a uma disputa. Sua origem é</p><p>uma lenda grega. Hera, Afrodite e Atena, as mais importantes deusas gregas,</p><p>disputavam a Maça de Ouro, jogada por Éris, a deusa da discórdia. Zeus atribuiu a Páris,</p><p>filho do rei de Troia, a missão de fazer a escolha. O príncipe concedeu o t&iacut e;tulo a</p><p>Afrodite em troca do amor de Helena, casada com o rei de Esparta. A rainha fugiu com</p><p>Páris para Tróia, os gregos marcharam contra os troianos e a famosa maçã passou a ser</p><p>conhecida como "o pomo da discórdia.</p><p>Afogar o ganso - Ato sexual. No passado, os chineses costumavam satisfazer as suas</p><p>necessidades sexuais com gansos. Pouco antes de ejacularem, os homens afundavam a</p><p>cabeça da ave na água, para poderem sentir os espasmos anais da vítima.</p><p>Ave de mau agouro - Pessoa portadora de más notícias. Os romano s usavam a águia,</p><p>a coruja, o corvo e gralha para levar para Roma as notícias da guerra distante,</p><p>Santa do pau oco - Pessoa falsa. Nos séculos XVIII e XIX, contrabandistas usavam</p><p>imagens de santas, ocas por dentro, para esconder ouro em pó e pedras preciosas.</p><p>Mais vale um pássaro na mão que dois voando - Não correr risco. Antigos</p><p>caçadores tinham o hábito de segurar nas mãos as aves feridas, antes de tentar caçar</p><p>outras que ainda estivessem voando.</p><p>Apressado come cru - Não fazer as coisas direito por causa da pressa. Quem n ão</p><p>espera que a comida fique no ponto certo, não vai gostar do que irá comer.</p><p>Chorar as pitangas - Estar a se lamentar. Quando, por descuido, as pitangas tocam os</p><p>olhos de uma pessoa, elas provocam lágrimas.</p><p>Farinha do mesmo saco - Pessoas que tentam aparentar diferenças, mas que no</p><p>fundo são iguais. Sua origem seria uma expressão latina: "Homines sunt ejusdem</p><p>farinae"</p><p>Aquela que matou o guarda - Usada para identificar uma aguardente muito</p><p>forte.Segundo Alberto Campos de Moraes, num livro sobre a família real no Brasil, uma</p><p>mulher chamada Canjebrina (sinônimo de cachaça) teria matado um guarda que</p><p>trabalhava para D. João VI.</p><p>Colocar panos quentes - Esconder algo errado. Vem do costume de usar co mpressas</p><p>panos quentes para provocar sudorese em pessoas com febre alta.</p><p>Cor de burro quando foge - A frase original era "Corra do burro quando ele foge". Tem</p><p>sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a</p><p>frase e "corra" acabou virando "cor". Usa-se também no Sul, a expressão Cor de burro</p><p>quando chove.</p><p>Pagar o pato - Assumir a culpa. A origem está num antigo jogo em Portu gal. A cavalo,</p><p>os jogadores deveriam arrancar um pato preso num poste. Quem perdia, tinha que pagar</p><p>a aposta.</p><p>É de pequenino que se torce o pepino - Educar as crianças desde cedo. Os</p><p>plantadores de pepino têm o hábito de arrancar as suas pontas para que eles cresçam</p><p>mais bonitos.</p><p>Salvo pelo gongo - Pessoa que livra de um problema no último minuto. O ditado teria</p><p>surgido na Inglaterra no século XIX para evitar que se enterrassem pessoas ainda vivas</p><p>(catalepsia). Um cordão, ligado a um congo, era colocado no caixão para que, se fosse o</p><p>caso, o candidato a ser enterrado, que "acordasse" a tempo, o pudesse ser salvo pelo</p><p>gongo.</p><p>Elefante branco - Algo que não serve para nada. Seria um costume de antigos reis da</p><p>Tailândia de dar de presente para alguém que caísse em desgraça um elefante branco.</p><p>Como não poderia desprezar um presente do rei, o agraciado ficava com um enorme</p><p>problema em sua casa.</p><p>Amigo da onça - Pessoa falsa. Um caçador contava a histó ria que, sem armas,</p><p>espantou uma onça apenas com seu grito. Como seu ouvinte duvidou, o caçador</p><p>perguntou se essa pessoa era seu amigo ou da onça.</p><p>Com a corda no pescoço - Enfrentar problemas financeiros. Veio do fato de al guns</p><p>condenados à forca terem sido salvos no último momento por algum tipo de perdão.</p><p>Como sardinha em lata - Viajar em condução lotada. A origem é da Sardenha, onde as</p><p>sardinhas eram muito abundantes e eram enlatadas superpostas umas às outras.</p><p>Pior cego é o que não quer ver. Pessoa que se recusa a ver a realidade. Sua origem</p><p>seria em 1647, em Nimes, na França, onde o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o</p><p>primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da</p><p>medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou</p><p>horrorizado com o mundo que via e pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso</p><p>foi acabar no tribunal de Paris e n Vaticano. Angel ganhou a causa</p><p>Casa da mãe Joana - Lugar confuso e sem ordem. Joana condessa de Prove nce</p><p>(1326/1386) liberou os bordéis em Avignon, na França e foi por eles homenageada.</p><p>Onde Judas perdeu as botas- Lugar muito distante. Depois de trair Jesus, Judas teria</p><p>perdido suas botas e os 30 dinheiros num lugar que os soldados romanos procuraram</p><p>sem sucesso.</p><p>Quem não tem cão caça com gato - Se você não pode fazer algo de uma maneira, se</p><p>vira e faz de outra. A expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se</p><p>dizia "quem não tem cão caça como gato", ou seja, se esgueirando, astutamente,</p><p>traiçoeiramente, como fazem os gatos.</p><p>Dá pá virada - Pessoa criadora de casos. A pá virada tem pouca utilidade prática.</p><p>Deixar de Nhenhenhém - Conversa fiada. Na língua Tupi "nhee" significa falar. Como</p><p>os índios não entendiam o que os portugueses falavam, diziam que eles faziam nhen-</p><p>henh-nhém.</p><p>Não entender patavina - Não entender nada. A origem seria o fato de Tito Lívio,</p><p>natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua</p><p>região, que poucos entendiam</p><p>Jurar de pés juntos - Afirmação definitiva sobre o assunto. Durante a Santa Inquisição,</p><p>as pessoas tinham os pés e mãos amarradas juntas e deveriam jurar obediência à Igreja.</p><p>Testa de ferro - Exercer o poder em nome de outro. O Duque Emanuele Filiberto di</p><p>Savoia, conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o</p><p>título e nenhum poder verdadeiro.</p><p>Erro crasso - Alguém que comete um erro enorme. Crasso, integrante do primeiro</p><p>triunvirato romano, com Júlio Cesar e Pompeu, foi derrotado pelos Partos pelos enormes</p><p>erros militares que cometeu.</p><p>Lágrimas de crocodilo - Choro falso. O crocodilo, quando devora uma presa, faz uma</p><p>força tão grande com suas mandíbulas, que pressiona as suas glândulas lacrimais,</p><p>provocando lágrimas.</p><p>Passar a mão na cabeça - Perdoar alguém. Vem do costume judaico de abençoar</p><p>cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se</p><p>pronuncia a bênção.</p><p>Gatos pingados - Pouca gente assistindo algo. Sua origem seria japonesa e se referia a</p><p>um tipo de tortura - pingar óleo fervente em pessoas e animais, principalmente gatos -</p><p>que poucas pessoas queriam assistir.</p><p>Queimar as pestanas - Estudar muito. Antes da descoberta da eletricidade, as pessoas</p><p>liam à luz de velas. Quando se aproximavam muito da chama,</p><p>poderiam queimar as</p><p>pestanas.</p><p>Sem papas na língua - Ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios. A expressão vem da</p><p>frase castelhana "no tener pepitas em la lengua". Pepitas, diminutivo de papas, são</p><p>partículas que surgem na língua de algumas galinhas, é uma espécie de tumor que lhes</p><p>obstrui o cacarejo. Quando não há pepitas (papas), a língua fica livre.</p><p>Maria vai com as outras - Pessoa sem opinião. Dona Maria I, a mãe de D.João VI,</p><p>chamada a Rainha Louca, foi declarada incapaz de governar e afastada do trono. Passou</p><p>a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por</p><p>numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse</p><p>cortejo, costumava comentar: "Lá vai D. Maria com as outras".</p><p>- See more at: http://port.pravda.ru/news/science/10-12-2016/42280-maria_vai-</p><p>0/#sthash.ieOxvzDI.dpuf</p>