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<p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Organização da Educação no Brasil</p><p>A organização do Sistema Educacional Brasileiro ocorre por meio dos sistemas de ensino da União,</p><p>dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretri-</p><p>zes e Bases da Educação Nacional (LDB), instituída pela lei nº 9394, de 1996, são as leis que regem</p><p>o sistema educacional brasileiro em vigor.</p><p>A atual estrutura do sistema educacional regular no Brasil consiste na educação básica – educação</p><p>infantil, ensino fundamental e ensino médio – e a educação superior. Os municípios têm a função</p><p>educacional de atuar no ensino fundamental e na educação infantil; já os Estados e o Distrito Federal</p><p>são responsáveis pelo ensino fundamental e ensino médio. E o governo federal exerce uma função</p><p>redistributiva e supletiva na educação, devendo prestar assistência técnica e financeira aos Estados,</p><p>ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como deve organizar o sistema de educação superior no</p><p>país.</p><p>A educação infantil, primeira etapa da educação básica, é realizada em creches, para crianças com</p><p>até três anos de idade, e nas pré-escolas, para crianças de 4 a 6 anos. O ensino fundamental, com</p><p>duração mínima de nove anos, (Conforme a LEI 11.274 DE 06/02/2006), é obrigatório e gratuito na</p><p>escola pública, devendo o Poder Público garantir sua oferta para todos, inclusive aos que não tiveram</p><p>acesso na idade própria para o mesmo.</p><p>O ensino médio, etapa que finaliza a educação básica, tem duração mínima de três anos e oferece</p><p>uma formação geral ao educando, podendo incluir programas de preparação geral para o trabalho e,</p><p>de forma facultativa, a habilitação profissional.</p><p>Além do ensino regular, a educação formal possui as seguintes modalidades específicas: a educação</p><p>especial, para os portadores de necessidades especiais; a educação de jovens e adultos, para aque-</p><p>les que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade pró-</p><p>pria para os mesmos.</p><p>A educação profissional está integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, às ciências e à</p><p>tecnologia, com o objetivo de conduzir ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida pro-</p><p>dutiva. O ensino de nível técnico é ministrado de forma independente do ensino médio regular. Este,</p><p>entretanto, é requisito para a obtenção do diploma de técnico.</p><p>A educação superior abrange os cursos de graduação nas diferentes áreas profissionais, que são dis-</p><p>poníveis aos candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classifi-</p><p>cados dentro do número de vagas em processos seletivos específicos. A pós-graduação também faz</p><p>parte do nível superior de educação e compreende programas de especialização, mestrado, douto-</p><p>rado e pós-doutorado.</p><p>Com a Lei nº 9.394/96 (LDB) o grande objetivo tornou-se normatizar o sistema educacional e garantir</p><p>acesso igualitário para todos com relação à educação. Essa lei, de forma geral, oferece um conjunto</p><p>de definições políticas que orientam o sistema educacional e introduz mudanças importantes na edu-</p><p>cação básica do Brasil.</p><p>Desse modo, a nova proposta para a educação brasileira tem como meta a democratização e univer-</p><p>salização do conhecimento básico, oferecendo educação e cuidado com a escolarização, assumindo</p><p>um caráter intencional e sistemático, que oferece uma atenção especial ao desenvolvimento intelec-</p><p>tual, sem descuidar de outros aspectos como o físico, o emocional, o moral e o social (Lei nº</p><p>9394/96).</p><p>Sobre a Educação e a Escola no Brasil, Saviani (1987) identifica quatro importantes concepções utili-</p><p>zadas na organização e funcionamento da escola: a concepção humanista tradicional, a moderna, a</p><p>analítica e a dialética.</p><p>A concepção humanista tradicional identifica a educação a partir de uma visão pré-concebida do ho-</p><p>mem, o qual é visto como tendo uma essência que não pode ser modificada. A partir dessa concep-</p><p>ção, sugere que a educação deve ser feita conforme a essência humana, e a partir disso entende que</p><p>as mudanças realizadas nas pessoas por meio do processo educativo são simples acidentes. Essa</p><p>concepção tradicional possui uma vertente religiosa que prevaleceu até a Idade Média e uma vertente</p><p>leiga feita por pensadores modernos como modo de consolidação da hegemonia da burguesia. Como</p><p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>princípios, defende a existência de sistemas públicos de ensino que sejam leigos, universais, gratui-</p><p>tos e centrados no educador que deve ser imitado pelos seus educandos.</p><p>A segunda concepção educacional é a humanista moderna que possui também um conceito prévio</p><p>de homem, mas considera que a existência do homem é anterior à sua essência e disso resulta que</p><p>para esta corrente educacional o homem é "um ser completo desde o nascimento e inacabado até a</p><p>morte".</p><p>Assim, essa corrente defende que o aspecto psicológico predomina sobre o lógico e transfere o cerne</p><p>do processo educativo do adulto para a criança considerando as suas atividades de existência, consi-</p><p>derando que a educação segue o ritmo de vida que varia segundo as diferenças individuais, descon-</p><p>siderando, na educação, esquemas predefinidos e lógicos.</p><p>Uma terceira concepção proposta foi a analítica, que formula o seu conceito de educação com base</p><p>na tarefa educacional que é definida como aquela que oferece um significado lógico à linguagem em</p><p>função do seu contexto (tempo, lugar, a situação, a identidade, os temas de interesse e as histórias</p><p>pessoais) tanto do educador quanto daqueles a quem ele se dirige.</p><p>Por último, a concepção dialética considera a educação a partir do conjunto das relações sociais e,</p><p>assim, aborda os problemas educacionais compreendidos dentro de um contexto histórico.</p><p>Nota-se, então, que a escola brasileira, pensada segundo os moldes liberais, tem a missão de redimir</p><p>os homens do seu duplo pecado histórico: a ignorância (miséria moral) e a opressão (miséria política)</p><p>(ZANOTTI, 1972).</p><p>Portanto, a articulação das concepções de educação com a sociedade brasileira possui um aspecto</p><p>estrutural e é sustentada pelas práticas e projetos sociais, por meio dos quais os interesses, os princí-</p><p>pios e os pressupostos do grupo social dominante tornam-se propósitos e valores do senso comum,</p><p>ideologia compartilhada pelo conjunto de sociedade e é essa lógica que torna o pensamento liberal</p><p>hegemônico e a burguesia além de classe dominante, também dirigente.</p><p>A Lei de nº 9.394 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996 (LDB</p><p>9.394/96), é a que estabelece a finalidade da educação no Brasil, como esta deve estar organizada,</p><p>quais são os órgãos administrativos responsáveis, quais são os níveis e modalidades de ensino, en-</p><p>tre outros aspectos em que se define e se regulariza o sistema de educação brasileiro com base nos</p><p>princípios presentes na Constituição.</p><p>Os órgãos responsáveis pela educação, em nível federal, são o Ministério da Educação (MEC) e o</p><p>Conselho Nacional de Educação (CNE).</p><p>Em nível estadual, temos a Secretaria Estadual de Educação (SEE), o Conselho Estadual de Educa-</p><p>ção (CEE), a Delegacia Regional de Educação (DRE) ou Subsecretaria de Educação. E, por fim, em</p><p>nível municipal, existem a Secretaria Municipal de Educação (SME) e o Conselho Municipal de Edu-</p><p>cação (CME).</p><p>A educação básica no Brasil constitui-se do ensino infantil, ensino fundamental e ensino médio.</p><p>De acordo com o art. 21 da Lei n.º 9.394/96, a educação escolar (não a educação básica), além das</p><p>três citadas anteriormente, compõe-se também do nível superior.</p><p>Outras modalidades brasileiras de ensino são:</p><p> Educação de jovens e adultos (ensino fundamental ou médio);</p><p> Educação profissional ou técnica;</p><p> Educação especial;</p><p> Educação a distância (EAD);</p><p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Existem dois tipos de categorias administrativas para as instituições de ensino:</p><p> Públicas: criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público;</p><p> Privadas: mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.</p><p>Segundo o Título IV, artigos 8º até o 20º da LDB 9.394/96, as instituições públicas e privadas estão</p><p>ao cargo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:</p><p> União (Federal): é responsável pelas instituições de educação superior criadas e mantidas pelos ór-</p><p>gãos federais de educação e também pela iniciativa privada.</p><p>Entre suas principais atribuições está: elaborar o Plano Nacional de Educação, organizar, manter e</p><p>desenvolver os órgãos e as instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos territórios, pres-</p><p>tar assistência técnica e financeira aos estados, Distrito Federal e municípios, estabelecer competên-</p><p>cias e diretrizes para a educação básica, cuidar das informações sobre o andamento da educação</p><p>nacional e disseminá-las, baixar normas sobre cursos de graduação e pós-graduação, avaliar e cre-</p><p>denciar as instituições de ensino superior.</p><p> Estados: cuidam das instituições estaduais de nível fundamental e médio dos órgãos públicos ou</p><p>privados.</p><p>Os estados devem organizar, manter e desenvolver esses órgãos e instituições oficiais de ensino que</p><p>estão aos seus cuidados, em regime de colaboração com os municípios, dividir proporcionalmente as</p><p>responsabilidades da educação fundamental, elaborar e executar políticas e planos educacionais, au-</p><p>torizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar os cursos das instituições de educação supe-</p><p>rior dos estados e assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual.</p><p> Distrito Federal - DF: instituições de ensino fundamental, médio e de educação infantil criadas e</p><p>mantidas pelo poder público do DF e também privadas.</p><p>O DF possui as mesmas responsabilidades que os estados.</p><p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p> Municípios: são responsáveis, principalmente, pelas instituições de ensino infantil e fundamental,</p><p>porém, cuidam também de instituições de ensino médio mantidas pelo poder público municipal. Pode</p><p>optar por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educa-</p><p>ção básica.</p><p>Os municípios devem organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus siste-</p><p>mas de ensino, exercer ação redistributiva em relação às suas escolas, autorizar, credenciar e super-</p><p>visionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino, oferecer educação infantil em creches e pré-</p><p>escolas e assumir a responsabilidade de prover o transporte para os alunos da rede municipal.</p><p>Cada instituição de ensino pode, de maneira democrática, definir suas próprias normas de gestão,</p><p>visto que cada uma tem suas peculiaridades, levando em conta a região. É claro que essas normas</p><p>devem também submeter-se aos órgãos citados anteriormente, sem interferir em suas decisões e or-</p><p>dens de organização e estrutura do sistema de ensino.</p><p>O objetivo do presente trabalho é pesquisar e explicitar a respeito da atual organização do sistema</p><p>educacional brasileiro, por considerar que o mesmo é de inteira incumbência da União, dos Estados,</p><p>do Distrito Federal e dos Municípios e consiste na Educação Infantil, Fundamental, Ensino Médio e</p><p>Superior. Regido pela Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –</p><p>LDBEN, Lei nº 9.394/96, o sistema educacional no Brasil tem avançado significativamente ao longo</p><p>dos anos, apesar de necessitar de reparações.</p><p>Admite-se que o primeiro sistema educacional brasileiro não apresentava nenhuma visão coletiva, so-</p><p>cial e igualitária pois era, meramente, excludente à grande massa popular. Privilegiava e garantia</p><p>consideravelmente o acesso à educação apenas a uma pequena parcela da sociedade, sobretudo à</p><p>elite brasileira. O curso superior era para poucos e não existia nenhuma política que incentivasse</p><p>à formação de professores além da escassez de recursos pedagógicos existente nas escolas públi-</p><p>cas.</p><p>Com a criação da Lei 9.394/96, que homologou a LDB, procurou-se normatizar o sistema educacio-</p><p>nal, viabilizando, de certa forma, o acesso à educação para todos. Essa lei tem oferecido um conjunto</p><p>de definições políticas que vem orientando e introduzindo mudanças significativas na educação bá-</p><p>sica do Brasil. Nesse sentido, espera-se que essas transformações possam ser buscadas e compre-</p><p>endidas como alavancas determinantes à formação cidadã e igualitária para toda a sociedade.</p><p>Todavia, o inter-relacionamento do sistema educacional com a sociedade brasileira deve ser susten-</p><p>tado por projetos sociais que sinalizem mudanças de acordo com os interesses coletivos, redefinindo</p><p>propostas e metas para a democratização e a universalização de uma educação qualitativa. Oferecer</p><p>educação com qualidade é apostar no desenvolvimento intelectual sem, no entanto, descuidar dos</p><p>aspectos emocional, físico, social e moral.</p><p>A construção da verdadeira cidadania se efetivará a partir do momento em que os projetos educacio-</p><p>nais saiam do papel e evoluam na prática, sem economia de esforços físicos, intelectuais ou econô-</p><p>micos. As propostas educacionais brasileiras precisam proporcionar a democratização e a nacionali-</p><p>zação do conhecimento básico, assumindo um caráter intencional de elevação do desenvolvimento</p><p>cultural do seu povo.</p><p>Contudo, o sistema educacional brasileiro, deve elaborar suas propostas pautadas no segundo artigo</p><p>da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, garantindo sua integralidade com eficá-</p><p>cia e correspondendo com as expectativas dos que almejam a cidadania plena. O cumprimento das</p><p>normas contidas em uma proposta organizacional tende a redimir os indivíduos da miséria moral e da</p><p>alienação política, desmascarando-os e desalienando-os para o mundo da civilidade.</p><p>Sistema Educacional Brasileiro</p><p>O Sistema Educacional do Brasil encontra-se organizado em partes distintas, sendo cada uma res-</p><p>ponsável pela organização, elaboração, funcionamento e execução de políticas educacionais que al-</p><p>mejem o avanço científico e cultural. Esse sistema está organizado pela União, pelos Estados, pelo</p><p>Distrito Federal e pelos Municípios, cabendo cada esfera prescrever normativas com o intuito de reali-</p><p>zar suas metas lançadas em prol do desenvolvimento.</p><p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Dentre outras leis que regem o sistema educacional brasileiro, a LDB é a que estabelece diretrizes</p><p>que visam disciplinar a educação escolar. Essa lei tem oferecido inúmeras oportunidades educacio-</p><p>nais à sociedade brasileira com a viabilização de um conjunto de propostas políticas com a intenção</p><p>delineadora de mudanças significativas na educação básica do país. Sua criação visa garantir os di-</p><p>reitos educacionais da sociedade para que essa possa, posteriormente, requerê-los dos governantes.</p><p>Para (SAVIANI, 1987), “a compreensão do sistema educacional brasileiro exige que não se perca de</p><p>vista a totalidade social da qual ela faz parte”. Essa concepção tem proporcionado a sociedade a rea-</p><p>lizar movimentos em busca de reformas que possibilitem uma educação que vá além das pedagogias</p><p>e que tenha a cidadania como foco principal. Mesmo assim é possível constatar que o nosso sistema</p><p>educacional vem operando com falhas, deixando de assegurar uma educação qualitativa e de ofere-</p><p>cer o desenvolvimento intelectual, moral, emocional e social ao indivíduo.</p><p>Considera-se que a desvalorização dos profissionais da educação tem sido outro fator contributivo</p><p>para o desequilíbrio educacional. Esses profissionais encontram-se desmotivados pela falta de valori-</p><p>zação, onde muitos deixam de gozar de uma política que garanta o bem-estar moral e social da cate-</p><p>goria.</p><p>De modo que o atual funcionamento do sistema educacional brasileiro apoia-se</p><p>inteiramente na Lei</p><p>de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.393/96, que encontra-se ombreada às diretri-</p><p>zes da Constituição Federal (1988), além das muitas emendas da mesma, em vigor. As instituições</p><p>que pertencem esse sistema, localizam-se no mesmo território, influenciam e devem ser influenciadas</p><p>pela cultura, pela língua e pelos conhecimentos múltiplos, sendo subordinadas a uma única legisla-</p><p>ção e possuírem as mesmas grades curriculares pedagógicas em comum.</p><p>Contudo, o nosso sistema educacional vem explicitando certo antagonismo entre o que é proposto e</p><p>o que se vivencia nas escolas. Seus projetos, suas metas, seus objetivos e suas estratégias não dei-</p><p>xam de ser extraordinárias, o que falta é a efetivação do seu cumprimento. Os recursos destinados</p><p>podem até ser suficientes, mas não existe uma política eficiente de monitoramento que empecilhe</p><p>gastos desnecessários ou obstrua os gargalos dos muitos ralos sugadores das verbas públicas.</p><p>No passado, o sistema educacional brasileiro não apresentava nenhum interesse em beneficiar a so-</p><p>ciedade de um modo geral. Excluía e desfavorecia o povo, possibilitando acesso à educação apenas</p><p>aos grupos elitizados que, enquanto formava doutores, o analfabetismo permeava no seio da socie-</p><p>dade. Não existia uma política que demonstrasse interesse em expandir a escolarização de forma ho-</p><p>mogênea. A escola pública recebia o mínimo de recursos e os cursos superiores só contemplavam os</p><p>grupos de maior nível socioeconômico.</p><p>Com a criação da primeira Constituição (1824), houve a regulamentação da instituição gratuita a to-</p><p>dos os cidadãos, com a criação de colégios e universidades, onde a religião deixava de ser privilegi-</p><p>ada, sendo delineada, posteriormente, uma política educacional estatal, graças o ganho de forças do</p><p>Estado, no início da República (1889).</p><p>Apesar das várias reformas que o sistema educacional brasileiro tem sofrido, o seu rendimento não</p><p>tem demonstrado grandes vantagens, deixando a sociedade à mercê do que lhe é de direito. Não</p><p>basta a elaboração de propostas decentes e recheadas de inovações se essas não estiverem em</p><p>consonância com as necessidades da sociedade ou apresentarem impossibilidades de cumprimento.</p><p>Uma Reflexão Sobre O Sistema Educacional Brasileiro</p><p>A União tem desenvolvido projetos, criado emendas constitucionais e elaborado inúmeras propostas</p><p>com o objetivo de normatizar a alavancagem do setor educacional. No entanto, deixa de dispor dos</p><p>recursos suficientes à sua manutenção. Para que se tenha uma educação qualitativa é necessário a</p><p>investidura contínua na qualificação dos professores, ampliação de atendimento adequado a toda a</p><p>população, atualização das grades curriculares, criação de estratégias que venham abolir ou reduzir</p><p>acentuadamente a evasão e a repetência escolar, inserção de profissionais de outras áreas para tra-</p><p>balharem em parceria com os professores, além da orientação e do incentivo aos pais.</p><p>A sociedade está exigindo, cada vez mais, uma educação que atenda aos requisitos previstos nas</p><p>leis educacionais, para a efetivação de sua qualidade. Mas o que envolve uma educação qualitativa?</p><p>Para Moram (2000), três são as variáveis, onde duas delas estão relacionadas com o professor.</p><p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Uma organização inovadora, aberta, dinâmica, com um projeto pedagógico coerente, alerto, participa-</p><p>tivo; com infraestrutura adequada, atualizada, confortável; com tecnologias acessíveis, rápidas e re-</p><p>novadas. Uma organização que congregue docentes bem preparados intelectual, emocional, comuni-</p><p>cacional e eticamente; bem remunerados, motivados e com boas condições profissionais, onde haja</p><p>circunstâncias favoráveis a uma relação efetiva com alunos que facilite conhecê-los, acompanhá-los,</p><p>orientá-los. (MORAN, 2000, p. 14)</p><p>O nosso sistema educacional funciona muito aquém das expectativas da sociedade. As perspectivas</p><p>do sistema são muito mais políticas e capitalistas do que pedagógicas. Os recursos às vezes são in-</p><p>suficientes ou mal aplicados, os professores são mal qualificados/remunerados, os currículos deixam</p><p>de atender às necessidades dos alunos ou são ultrapassados à época, parte dos pais esquivam-se</p><p>de suas obrigações, por desconhecerem a importância da escolarização para seus filhos e, assim, a</p><p>educação que deveria ser uma prioridade, fica sempre em segundo plano.</p><p>A realidade doída, mas real, é que ainda há um grande número de indivíduos que fazem parte das</p><p>estatísticas: “defasagem escolar”, “fora da escola”, “idade não correspondente ao ano/série”. Esses</p><p>resultados são resquícios de um passado onde não houve um planejamento sério, nem propostas</p><p>possíveis, refletindo como consequências, em um presente retrógrado. Nosso país precisa desenvol-</p><p>ver-se científico, cultural e socialmente, mas, para isso é necessário que se aposte no sistema educa-</p><p>cional como o verdadeiro trampolim do desenvolvimento. Educação é prioridade. Educação é ali-</p><p>cerce. Educação é o principal ponto de partida para o progresso.</p><p>Está explícito que o sistema educacional do Brasil encontra-se ainda preso a um passado, atrelado a</p><p>um regime político e a um interesse capitalista pois deixa de proporcionar desafios intelectuais aos</p><p>estudantes e nega a qualificação devida e os valores reais dos seus professores. Não basta apenas</p><p>apostar em um projeto, é preciso que se qualifique quem vai executá-lo. Nosso sistema educacional</p><p>precisa investir, imensuravelmente, na qualificação dos professores para que esses possam desen-</p><p>volver, com eficácia, as suas atividades pedagógicas e contribuir com a formação da cidadania plena.</p><p>A educação tem sido o mecanismo responsável pelas mudanças sociais e pela recomposição hege-</p><p>mônica da sociedade. Essas mudanças são movimentos que devem ir além da pedagogia, assegu-</p><p>rando a todos os cidadãos uma educação com qualidade e proporcionando o desenvolvimento emoci-</p><p>onal, moral e social.</p><p>A sociedade brasileira conclama ao sistema educacional a fazer uma profunda reflexão a respeito do</p><p>que se tem oferecido e do que os nossos alunos realmente necessitam para o enfrentamento dos</p><p>imensuráveis desafios com os quais a vida se depara cotidianamente. (Grifo nosso)</p><p>Os projetos educacionais precisam ser ajustados com perspectivas que assegurem o direito a uma</p><p>educação com gratuidade, qualidade e laicidade para todos os indivíduos que aguardam a transfor-</p><p>mação para a cidadania. A elaboração de projetos mirabolantes tende a frustrar as esperanças das</p><p>pessoas que apostam em uma educação transformadora e propiciadora da igualdade social. Nesse</p><p>sentido, a articulação das concepções educacionais com a sociedade brasileira é estrutural e, por-</p><p>tanto, deve-se sustentar nas práticas e nos projetos que atendam às necessidades sociais.</p><p>Tendo como parâmetros os artigos 22 e 32, inciso I, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio-</p><p>nal, questiona-se o seguinte: “A educação básica está realmente oferecendo subsídios ao indivíduo</p><p>para o exercício pleno da cidadania e meios para progressão no trabalho e estudos posteriores?”</p><p>“O ensino fundamental está proporcionando aos estudantes o pleno domínio da leitura, da escrita e</p><p>do cálculo? ”</p><p>As Etapas Do Sistema Educacional Brasileiro</p><p>Segundo o artigo 21, incisos I e II, da LDB, a educação escolar encontra-se assim definida:</p><p>1. Educação básica, composta pelas etapas Infantil, Fundamental e Médio que tem como finalidade,</p><p>proporcionar ao educando a formação para o exercício pleno da cidadania e progressão para o traba-</p><p>lho e estudos posteriores;</p><p>2. Superior, que tem por finalidade a formação em áreas distintas de conhecimento, estimulando e</p><p>desenvolvendo a cultura, o espírito científico e o pensamento crítico e reflexivo.</p><p>ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL</p><p>7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR</p><p>Sendo a Educação Infantil a primeira etapa da educação básica oferecida às crianças</p><p>de 0 a 3 anos</p><p>de idade em creches e de 4 a 5 anos nas pré-escolas, e por representar o alicerce ou a fortaleza da</p><p>educação, objetiva o desenvolvimento nos aspectos físico, intelectual e social da criança, comple-</p><p>mentando as ações da família e da comunidade. (Art. 29 da LDB)</p><p>O Estado está obrigado, pelo artigo 208, inciso IV, da Constituição Brasileira, a disponibilizar vagas</p><p>para a educação infantil, podendo a família recorrer a promotoria pública em caso de suposta nega-</p><p>ção de matrícula na rede pública, tendo em vista a reafirmação do art. 54 do Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente – ECA, que diz ser dever do Estado assegurar o atendimento as crianças em creches e</p><p>pré-escolas.</p><p>Devendo ser atuada por pedagogos, essa etapa exige um trabalho bastante delicado por se tratar da</p><p>construção da base sólida e propiciadora do avanço intelectual do educando. Encontra-se amparada</p><p>na primeira meta do Plano Nacional de Educação – PNE, que prevê a ampliação de acessibilidade,</p><p>construção e reestruturação de escolas, aquisição de equipamentos pedagógicos, melhoria no qua-</p><p>dro profissional dentre outros indicadores relevantes.</p><p>Apesar dos grandes esforços do sistema educacional em favor da melhoria do ensino infantil, ainda</p><p>há muito o que se fazer para melhorá-lo, sobretudo investindo na formação de professores que atuam</p><p>nesse nível. Não há mais necessidade de emendas que modifiquem as leis que garantem os direitos</p><p>das crianças, o que falta é apenas o cumprimento íntegro das que já existem.</p><p>A segunda etapa da educação básica é o Ensino Fundamental que subdivide-se em anos iniciais, do</p><p>1º ao 5º Ano e anos finais, do 6º ao 9º Ano. Com duração de nove anos (16 -14), essa etapa objetiva</p><p>a formação essencial do cidadão, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e</p><p>do cálculo. No seu currículo deve haver, obrigatoriamente, a disciplina que trate do Estatuto da Cri-</p><p>ança e do Adolescente – ECA / Lei Federal nº 8.069 de 13 de julho de 1990.</p><p>O Ensino Fundamental assegura a oferta da gratuidade àqueles que não tiveram a oportunidade de</p><p>acesso a escolaridade em idade propícia, ou seja, o poder público tem o compromisso de viabilizar</p><p>meios que efetivem essa garantia. Importa, portanto, que ao concluir essa etapa educacional o edu-</p><p>cando tenha adquirido a capacidade das três vertentes imprescindíveis, previstas no artigo 32, inciso</p><p>I: leitura, escrita e cálculo. Tem suas garantias asseguradas na segunda meta do PNE.</p><p>O Ensino Médio é a terceira e última etapa da Educação Básica que prevê a consolidação e o apro-</p><p>fundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, a preparação básica para o exer-</p><p>cício da cidadania, formação para o trabalho e estudos posteriores. Com previsão de idades de 15</p><p>aos 17 anos aproximadamente, tem sua progressiva expansão obrigatória e gratuita garantidas no</p><p>artigo 208, inciso II, da Constituição Federal e nos artigos 35 e 36 da LDB.</p><p>Essa etapa da educação possibilitará a preparação básica do indivíduo para o trabalho e o exercício</p><p>da cidadania, além do aprimoramento na formação ética, no desenvolvimento intelectual e principal-</p><p>mente no posicionamento crítico diante a realidade. Por considerar o ensino médio a verdadeira</p><p>ponte de acesso ao ensino superior, assim como outros cursos profissionalizantes, ele precisa ser</p><p>oferecido com eficiência e responsabilidade.</p><p>A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, define como carga horária anual mínima</p><p>para a Educação Básica, 800 (oitocentas) horas, distribuídas por 200 (duzentos) dias de efetivo traba-</p><p>lho escolar. O cumprimento da legislação emedebista é imprescindível ao desenvolvimento do indiví-</p><p>duo e para a aquisição dos conhecimentos básicos necessários ao progresso social e a formação ci-</p><p>dadã.</p><p>Quanto ao Ensino Superior, embora seja essencial para o desenvolvimento científico, cultural, pensa-</p><p>mento reflexivo e preparação para o mercado de trabalho, nem todos os indivíduos tem acesso a ele.</p><p>O Plano Nacional de Educação prevê, em sua meta 12, a elevação de matrículas na educação supe-</p><p>rior entre 33% a 50% (cinquenta por cento), inclusive para a formação de professores da educação</p><p>básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, além de outras áreas específicas</p><p>_________________________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________________________</p>