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<p>Mapeando a Relação Linguagem-Cérebro sem Neuroimagem: Um Desafio Histórico</p><p>Se fosse possível voltar no tempo, com a mesma curiosidade e paixão pela neurociência que nos move hoje, com faríamos para desvendar a relação entre linguagem e cérebro? Seria possível mapearmos essas conexões sem ressonância magnética funcional e a tomografia por emissão de pósitrons? Temos uma resposta unindo métodos tradicionais e um trabalho multidisciplinar.</p><p>Um dos primeiros caminhos a seguir, seria estudar pacientes com lesões cerebrais. Com uma análise detalhada das áreas danificadas e seus impactos das perdas linguísticas apresentadas, podemos trabalhar com cada região cerebral e suas funções. De uma forma controlada, mesmo dando seus primeiros passos na época, a estimulação elétrica transcraniana poderia ser utilizada para induzir pequenas lesões temporárias e observar os efeitos na linguagem. Paralelamente, a análise post-mortem de cérebros de indivíduos com diferentes habilidades linguísticas poderia revelar diferenças anatômicas relevantes.</p><p>Expandindo o Escopo: Além da Linguagem</p><p>Avançando nos estudos com pacientes do século XIX, podemos avaliar as funções cognitivas, diretamente ligadas à linguagem dos pacientes. Precisamos estudar a memória, a atenção e todas as funções executivas.</p><p>Ao correlacionar diferentes tarefas cognitivas com o desempenho em testes linguísticos, poderíamos identificar redes neurais comuns e inferir sobre as interações entre essas funções. Além disso, a análise de pacientes com distúrbios neurológicos que afetam tanto a linguagem quanto outras funções cognitivas poderia fornecer insights valiosos sobre a organização funcional do cérebro.</p><p>Podemos observar que mesmo com as limitações que os métodos tradicionais tenham, se comparados com a neuroimagem e toda tecnologia que temos à disposição nos dias atuais, esses métodos foram essenciais para o desenvolvimento da neurociência no passado. E com certeza podem contribuir grandiosamente para a compreensão do cérebro humano na atualidade.</p><p>Ao combinar diferentes abordagens, usando a percepção, o cuidado com o ser humano, levando em conta todo seu histórico e estudo ambiental do indivíduo e suas interações e ainda, utilizar a criatividade, é possível extrair informações valiosas sobre a relação entre o cérebro e a mente, mesmo sem o auxílio de equipamentos sofisticados.</p><p>Testes Neurocognitivos para Adolescentes de 15 Anos</p><p>Primeiramente, é importante ressaltar que a avaliação neuropsicológica é um processo complexo e lento, que deve ser realizado por um profissional qualificado. Em se tratando de um jovem, todo o contexto onde está inserido, seu histórico e suas características individuais são extremamente importantes durante toda a avaliação.</p><p>Como um profissional da neurociência, ao realizar uma avaliação neurocognitiva de um adolescente de 15 anos, levaria em conta vários fatores. É preciso efetuar sua conceituação cognitiva para compreender seu perfil e identificar possíveis dificuldades ou potenciais.</p><p>Uma bateria de testes neuropsicológicos poderia ser aplicada para avaliar diversas funções, como:</p><p>· Atenção: Testes como o Teste de Cancelamento de Letras ou o Teste de Stroop avaliariam a capacidade de concentração, seleção de estímulos e inibição de respostas automáticas. O teste consiste em nomear a cor de palavras impressas em cores incongruentes. O objetivo é selecionar o estímulo relevante (a cor) e ignorar os estímulos distratores (as palavras).</p><p>Memória: A memória verbal (repetição de listas de palavras) e a memória visual (reconhecimento de figuras) poderiam ser avaliadas através de testes específicos. Entre os testes de memória, utilizaria os seguintes:</p><p> Teste de Recordação Livre: Neste teste, uma lista de palavras ou itens é apresentada e a pessoa deve tentar lembrar o maior número possível, na ordem que quiser. Ele avalia a capacidade de recordar informações sem pistas.</p><p> Teste de Reconhecimento: Nesse teste, após apresentar uma lista de palavras ou imagens, o examinador apresenta uma lista maior, incluindo os itens originais e outros novos. A pessoa deve identificar quais foram apresentados anteriormente. Ele avalia a capacidade de identificar informações familiares.</p><p> Teste de Evocação Serial: Neste teste, uma lista de palavras ou números é apresentada e a pessoa deve repetir a lista na mesma ordem. Ele avalia a capacidade de recordar informações em uma sequência específica.</p><p> Teste de Memória Visual: Neste teste, são apresentadas figuras complexas ou sequências de imagens, e a pessoa deve reproduzi-las ou identificar elementos específicos. Ele avalia a capacidade de lembrar de informações visuais.</p><p>· Funções executivas: Testes como o Torre de Hanoi ou o Teste de Fluência Verbal avaliariam a capacidade de planejamento, resolução de problemas, flexibilidade cognitiva e controle inibitório.</p><p>· Linguagem: Testes de compreensão e expressão oral, leitura e escrita permitiriam avaliar a habilidade de usar a linguagem de forma eficaz.</p><p>· Visuoespacial: Testes como o Cubos de Corsi ou o Desenho do Relógio avaliariam a capacidade de perceber e manipular informações visuais e espaciais. O teste com os Cubos de Corsi é composto por um tabuleiro de madeira com nove cubos dispostos aleatoriamente, numerados apenas na face que é direcionada ao avaliador.</p><p>Temos que levar em conta as queixas do paciente e os objetivos destas avaliações. Durante os testes podemos encontrar pontos fortes e fracos, identificar o desempenho do adolescente com o que se espera da idade e se for apontada alguma necessidade, encaminhar para as intervenções necessárias, pensando sempre em trabalho multidisciplinar, envolvendo família, escola e o psicoterapeuta.</p>