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<p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>UNIDADE III</p><p>COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL</p><p>Professora Me. Andrea Escame Brandani</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>Dando continuidade aos nossos estudos, nesta III unidade esperamos que</p><p>você compreenda as relações textuais, mais especificamente, como que as</p><p>ideias presentes no texto devem estar conectadas para produzir determinado</p><p>efeito de sentido. Para isso, é preciso entender que os recursos de textualidade</p><p>coesão e coerência são indispensáveis no estabelecimento dessas relações</p><p>textuais, bem como ponto de partida para a compreensão de qualquer texto.</p><p>Além disso, enfatizamos a necessidade de você saber utilizar a língua</p><p>portuguesa corretamente, organizando as ideias e expressando-as com</p><p>coerência, clareza e objetividade. Como nas demais unidades, propomos</p><p>algumas atividades para que você aplique este conteúdo tão necessário à</p><p>construção do sentido do texto.</p><p>PLANO DE ESTUDO</p><p>Nesta unidade serão abordados os seguintes temas:</p><p>1. O que é texto?</p><p>2. Coesão</p><p>3. Coesão Sequencial e Referencial</p><p>4. Coerência</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>O que é texto?</p><p>Você costumeiramente vê ou escuta a palavra texto. Mas afinal, sabe qual o</p><p>seu conceito? Para entendê-lo, imagine duas situações: a. Você está andando</p><p>pela rua e encontra um papel escrito “ouro” e b. Você está estacionado na</p><p>frente de um hospital e lê uma placa “Silêncio”. Em qual dessas situações a</p><p>palavra pode constituir um texto? Ora nas duas situações temos unicamente</p><p>uma palavra. Será que elas podem ser consideradas texto?</p><p>Na palavra “ouro”, não temos um texto, pois é apenas um pedaço de papel</p><p>escrito e pelo contexto não há como saber o que quer dizer. Agora, se ela</p><p>estivesse escrita, por exemplo, em um cartaz pendurado nas costas daquelas</p><p>pessoas que ficam nas esquinas anunciando a compra de ouro, a situação</p><p>seria outra e a palavra constituiria um texto, pois se encontra em um contexto</p><p>em que alguém quer transmitir algo para outra pessoa.</p><p>Já a palavra “Silêncio” é um texto, porque está em um contexto no qual as</p><p>pessoas por meio da placa interagem, ou seja, os responsáveis pelo hospital</p><p>têm a intenção de informar aos interlocutores, isto é, as pessoas que leem a</p><p>placa, que naquele local precisa haver silêncio. Acredito que com esta</p><p>explicação ficou muito mais fácil entender o conceito, não é mesmo?</p><p>Então, texto é uma sequência verbal, oral ou escrita, que forma um todo de</p><p>sentido para seus interlocutores em determinado contexto. Seu tamanho pode</p><p>variar de uma palavra, uma oração ou um conjunto de enunciados, mas</p><p>necessariamente precisa de um contexto significativo para existir.</p><p>Dificilmente se poderá dizer o que é texto apenas por um conceito, por isso</p><p>vamos defini-lo a partir da apresentação de vários autores. Este vocábulo é</p><p>usado por todos aqueles que trabalham com a linguagem, quer sejam</p><p>professores, escritores, jornalistas, entre tantos outros profissionais. Veja como</p><p>alguns estudiosos conceituam essa palavra.</p><p>O linguista brasileiro Carlos Alberto Faraco conceitua assim:</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>O texto é um todo organizado de sentido, delimitado, produzido</p><p>por um sujeito num dado tempo e determinado espaço e que</p><p>um texto pode ser: escrito, verbal, visual (um quadro), verbal e</p><p>visual (um filme e musical). (FARACO, 2006, p. 54)1</p><p>O professor José Luiz Fiorin, em entrevista à revista eletrônica Letra Magna, foi</p><p>questionado sobre qual a noção mais coerente para texto e explicou que</p><p>[...] Dizer que é um todo organizado de sentido implica afirmar</p><p>que o sentido de uma parte depende do sentido das outras. No</p><p>caso dos textos verbais, isso significa que ele não é um</p><p>amontoado de frases, ou seja, nele as frases não estão</p><p>simplesmente dispostas umas depois das outras, mas mantêm</p><p>relação entre si. Isso quer dizer que o sentido de uma frase</p><p>depende dos sentidos das demais, o sentido de uma parte do</p><p>texto depende do sentido das outras [...]2.</p><p>A professora Nínive Pignatari (2010, p. 17)3 esclarece que</p><p>A palavra texto deriva do latim e significa trama, malha, tecido.</p><p>É uma unidade significativa, ou seja, uma estrutura organizada</p><p>com um só sentido, constituída de coerência e coesão.</p><p>Conjunto de palavras com conteúdo semântico eficiente para</p><p>transmitir a mensagem do autor para o receptor.</p><p>Outro estudioso da área, Ulisses Infante (1991)4, elucida que</p><p>A palavra texto provém do latim textum, que significa tecido,</p><p>entrelaçamento. (...) O texto resulta de um trabalho de tecer, de</p><p>entrelaçar várias partes menores a fim de se obter um todo</p><p>inter-relacionado. Daí poder falar em textura ou tessitura de um</p><p>texto: é a rede de relações que garantem sua coesão, sua</p><p>unidade.</p><p>Finalmente, o professor Luiz Carlos Travaglia (1997, p. 67)5 também explana o</p><p>conceito dizendo que</p><p>1 FARACO. APUD. Disponível em: http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Faraco-2006-p-</p><p>54/61280488.html.</p><p>2 Disponível em: http://www.letramagna.com/fiorin.htm. Acesso: 10/12/2014.</p><p>3 PIGNATARI, Nínive. Como escrever textos dissertativos. São Paulo: Ática, 2010.</p><p>(Fundamentos)</p><p>4 INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto: Curso prático de leitura e redação. Editora Scipione.</p><p>São Paulo. 1991.</p><p>5 TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática</p><p>no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1997.</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>O texto será entendido como uma unidade linguística concreta</p><p>(perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos</p><p>usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma</p><p>situação de interação comunicativa específica, como uma</p><p>unidade de sentido e como preenchendo uma função</p><p>comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente</p><p>da sua extensão.</p><p>Observe que, de modo geral, um pesquisador acaba complementando a</p><p>definição dada pelo outro. Estas perspectivas foram propositalmente</p><p>apresentadas para tentar explicar o que é um texto, porque embora muita</p><p>gente acredita que seja uma coisa simples, notamos a complexidade do</p><p>assunto e vimos que a definição de texto não é tão simples quanto parece, ao</p><p>ponto de vários autores procurar explicá-lo.</p><p>Então, como identificar um texto? Para identificá-lo é necessário observar suas</p><p>propriedades que são: a) Coerência: frases que se relacionam entre si e geram</p><p>uma continuidade de sentido dentro do texto; b) Coesão: elementos linguísticos</p><p>que ligam as partes do texto; c) A existência de dois “espaços” em branco que</p><p>limitam o texto: o antes do início e o depois do fim; d) A necessidade de se</p><p>relacionar texto e contexto histórico para se ter uma noção mais completa do</p><p>significado do texto.</p><p>Logo, um texto possui coerência de sentido, o que significa que ele não é um</p><p>amontoado de enunciados. É só pensar, por exemplo, na própria origem da</p><p>palavra texto, derivada do verbo latino texo, que significa “tecer”. Ora, o texto é</p><p>um tecido e não um aglomerado desconexo de fios. Nele, o sentido de suas</p><p>partes é dado pelo todo, ou seja, ele só será constituído e compreendido como</p><p>um texto tendo em vista a sua totalidade. Por isso, em um texto, o significado</p><p>de uma parte não é autônomo, mas depende das outras partes com que se</p><p>relaciona. E o significado global não é resultado, somente, da soma de suas</p><p>partes componentes, mas também de uma combinação geradora de sentidos.</p><p>Ao realizar essas considerações, é inevitável esclarecer que para que um texto</p><p>seja considerado verdadeiramente</p><p>um texto, é preciso que ele produza sentido.</p><p>Isso acontece com as palavras desde que mantenham entre si uma relação.</p><p>Assim, é necessário levar em conta o contexto e toda sua composição de</p><p>construção, que se dá por meio de determinadas expressões.</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Num bom texto, as palavras se entrelaçam e se entrecruzam, de maneira que</p><p>não se podem trocar suas partes, sem que se altere o texto todo. Neste</p><p>sentido, o texto não deve ser produzido como um emaranhado de palavras</p><p>soltas e desconexas, mas sim de ideias justapostas entre si, de modo a formar</p><p>um todo compreensível.</p><p>Leia abaixo a crônica Circuito Fechado, de Ricardo Ramos, para aprofundar</p><p>ainda mais o conceito de texto.</p><p>Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma,</p><p>creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água</p><p>quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias,</p><p>sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio,</p><p>maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule,</p><p>talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona,</p><p>cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas,</p><p>espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis,</p><p>cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone,</p><p>relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis.</p><p>Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro,</p><p>fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo,</p><p>quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos,</p><p>pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos.</p><p>Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de</p><p>papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e</p><p>papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel,</p><p>telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço</p><p>de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa,</p><p>cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona,</p><p>livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa,</p><p>sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova,</p><p>creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.</p><p>Disponível em: http://cesargiusti.bluehosting.com.br/Contos/textos/circuito.htm</p><p>Por tudo que foi explicado até aqui sobre texto, você considera a crônica</p><p>Circuito Fechado um amontoado de palavras soltas ou se trata de um texto?</p><p>Vamos analisar?</p><p>Numa primeira leitura as palavras aparentemente não possuem relação, mas a</p><p>partir de uma leitura mais atenta, percebemos uma articulação entre as ideias.</p><p>Verifique que por meio da sequência em que foram usadas as palavras, é</p><p>possível ir descobrindo um significado implícito, um elemento que as une e as</p><p>relaciona, formando, portanto, um texto.</p><p>http://cesargiusti.bluehosting.com.br/Contos/textos/circuito.htm</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Note que no início do texto há substantivos relacionados a hábitos rotineiros,</p><p>como: levantar, ir ao banheiro, lavar o rosto, fazer barba (homem), escovar os</p><p>dentes, tomar banho e café da manhã. No meio do texto, vemos uma</p><p>sequência de palavras que nos indicam a profissão do homem que parece</p><p>estar relacionada à publicidade, veja:</p><p>“[...] Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes,</p><p>telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios,</p><p>fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz,</p><p>lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel [...]” (grifo nosso).</p><p>Já no final do texto, percebemos o voltar para casa, comer, ver televisão, tomar</p><p>banho, colocar pijama e dormir. Interessante observar que a palavra que</p><p>explica o início da ação do homem num dia de rotina é “chinelos” usada no</p><p>começo do texto quando levanta e no final quando deita. Como o próprio título</p><p>sugere “Circuito Fechado”, o texto termina onde começou, nos levando a refletir</p><p>sobre a vida. Toda essa sequência é uma crônica, cujo tema é o cotidiano.</p><p>Sem dúvidas foi possível compreendermos suas relações, não é mesmo? Até o</p><p>próximo assunto!</p><p>Reflita</p><p>Define-se contexto como a unidade maior na qual a unidade menor (o texto) está inserida. Ou</p><p>seja, as referências exteriores e interiores que auxiliam na compreensão do texto. Savioli</p><p>(2001, p. 12) complementa: “[...] Assim, a oração serve de contexto para a palavra; o período,</p><p>para a oração; o texto integral de um romance, para cada capítulo. O contexto pode ser</p><p>explícito, quando está expresso linguisticamente, ou implícito, quando não precisa ser</p><p>verbalizado, porque pode ser depreendido da situação [...]”6.</p><p>6 SAVIOLI, Francisco Platão e FIORIN, José Luiz. Manual do Candidato: português. 2ª ed.</p><p>Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2001. Atualizada e revisada. Disponível em:</p><p>https://www.yumpu.com/pt/document/view/13026197/curso-de-texto-completo-alub/11.</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>2. COESÃO</p><p>Leia atentamente o texto abaixo.</p><p>Uma provocação: gramática é fundamental para escrever ou para aprender a</p><p>escrever?</p><p>Eu não sei se é. Tem uma frase do Autran Dourado que diz assim com relação à</p><p>gramática: “É preciso aprender a gramática, para depois esquecê-la”. Vamos colocar</p><p>isso de outro jeito: para você refinar a sua expressão escrita é importante desenvolver</p><p>consciência sobre como a língua é e como ela funciona estruturalmente. Vamos</p><p>pensar sobre a organização sintática como parte do processo. Então, quando eu estou</p><p>lendo um texto, de repente parar num determinado momento, destacar e analisar um</p><p>segmento e perceber que o autor usou orações coordenadas, que ele poderia ter</p><p>usado subordinadas. É importante ter essa consciência, assim como ter consciência</p><p>do funcionamento social da língua, de que você varia a língua conforme o contexto em</p><p>que você está, conforme o gênero. Quer dizer, escrever um conto é diferente de</p><p>escrever um poema; fazer um sermão é diferente de narrar um jogo de futebol. Há um</p><p>processo todo que nós fazemos na adequação da linguagem. As duas coisas são</p><p>importantes: língua na dinâmica interacional, social, e a estrutura da língua. A</p><p>possibilidade de você rastrear no vocabulário palavras mais precisas para aquilo que</p><p>você quer dizer, essa reflexão é fundamental. Agora, qual é o problema da gramática?</p><p>A gramática é ensinada escolasticamente: você dá o conceito, o exemplo, e faz</p><p>exercício. Isso não faz sentido para quem está se aproximando da língua e precisa</p><p>compreender como ela funciona7.</p><p>Este texto faz parte de uma entrevista na qual o professor Carlos Alberto</p><p>Faraco reflete sobre a língua portuguesa. Veja como é importante compreender</p><p>como ela funciona. Será que você percebeu que a articulação entre as partes</p><p>dessa entrevista a tornou compreensível? Pois é, a língua possui vários</p><p>recursos linguísticos, indispensáveis, para se compreender a relação de</p><p>sentido entre as ideias.</p><p>Portanto, a fim de aprimorar nossa competência no que tange às técnicas</p><p>composicionais da linguagem escrita estudaremos, a partir de agora, o recurso</p><p>linguístico coesão, elemento</p><p>primordial que colabora para a clareza textual.</p><p>7GURGEL, Luiz Henrique. Olhai a beleza da diversidade linguística. Entrevista com Carlos</p><p>Alberto Faraco. Disponível em:</p><p>https://www.escrevendoofuturo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=219:olh</p><p>ai-a-beleza-da-diversidade-linguis tica&catid=24:entrevistas&Itemid=34</p><p>https://www.escrevendoofuturo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=219:olhai-a-beleza-da-diversidade-linguis</p><p>https://www.escrevendoofuturo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=219:olhai-a-beleza-da-diversidade-linguis</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Certamente você já escutou a palavra ou até estudou o recurso textual coesão,</p><p>não é mesmo? Mas o que é coesão? A seguir veja a definição encontrada no</p><p>dicionário Aurélio: “Qualidade de uma coisa cujas partes estão todas ligadas</p><p>entre si: a coesão de uma narrativa. / Harmonia”8. A sua origem é latina</p><p>cohesio e significa “adesão”, adharere, de AD-, “a”, mais haerere, significa</p><p>“grudar, colar”9.</p><p>Observe, então, que coesão nada mais é que a forma como você une as partes</p><p>de um texto. Ela simboliza a ligação entre nossas ideias, nossos pensamentos,</p><p>ou seja, a coesão representa a conexão estabelecida entre cada parte do texto,</p><p>determina a transição de ideias entre as frases e os parágrafos. De modo geral,</p><p>a coesão textual é a conexão estabelecida entre as partes de um texto por</p><p>meio de conectivos – conjunções, advérbios, pronomes e preposições.</p><p>Para esclarecer melhor este conceito veja o exemplo abaixo:</p><p>Menino</p><p>Menino, vem pra dentro, olha o sereno! Vai lavar essa mão. Já escovou os dentes?</p><p>Toma a bênção a seu pai. Já pra cama!</p><p>Onde aprendeu isso menino? – coisa mais feia. Toma modos. Hoje você fica sem</p><p>sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência.</p><p>De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino</p><p>educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desce daí, menino! Me prega</p><p>cada susto...para com isso! Joga isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que</p><p>você andou arranjando? Quem te ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é</p><p>gente para ficar andando com você.</p><p>Avise seu pai que o jantar tá na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que</p><p>você vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você</p><p>está quieto aí? Alguma coisa está tramando...não anda descalço, já disse! – vai calçar</p><p>o sapato. Já tomou remédio? Tem de comer tudo, você tá virando um palito. Quantas</p><p>vezes já te disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! – teu pai tá dormindo.</p><p>Para com essa correria dentro de casa, vai brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí.</p><p>Pede licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder à sua irmã? Se não fizer,</p><p>fica de castigo. Segura o garfo direito. Põe a camisa pra dentro da calça. Fica</p><p>perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu te</p><p>dou. Depois eu deixo. Depois eu te levo. Depois eu conto. Agora não, depois!</p><p>Deixa seu pai descansar – ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser</p><p>muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para</p><p>seu bem. Olha aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus</p><p>deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não filhinho, mamãe está aqui com você.</p><p>Nosso Senhor não vai deixar doer mais.</p><p>8 Disponível em: http://www.dicionariodoaurelio.com/Coesao.html. Acesso: 10 de Abr. de 2013.</p><p>9 Disponível em: http://www.dicionariodoaurelio.com/Coesao.html. Acesso: 10 de Abr. de 2013.</p><p>http://www.dicionariodoaurelio.com/Coesao.html</p><p>http://www.dicionariodoaurelio.com/Coesao.html</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah,</p><p>é assim? – pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junta</p><p>a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda</p><p>é muito pequeno pra saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale</p><p>essa boca! Você precisa cortar esse cabelo.</p><p>Sorvete não pode, você tá resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim</p><p>com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa</p><p>de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria</p><p>que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu te dou umas palmadas.</p><p>Pensa que a gente tem dinheiro pra jogar fora? Toma juízo menino!</p><p>Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de</p><p>seus anos? Agora não, depois, tenho mais o que fazer. Não fica triste não, depois</p><p>mamãe te dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, tá na hora</p><p>de dormir. Vem que a mamãe te leva pra caminha. Mamãe te ama, viu! Dá um beijo</p><p>aqui. Dorme com Deus meu filho!</p><p>Fernando Sabino10</p><p>Será que você percebeu, ao ler o texto de Sabino, alguma coisa diferente? Na</p><p>verdade, o que falta é a conexão entre suas partes. Esse texto é, então, um</p><p>excelente exemplo de texto sem coesão, mas coerente, porque embora as</p><p>frases estejam soltas, desconexas, elas são totalmente compreensíveis.</p><p>Koch (2003, p.45)11 define coesão como:</p><p>[...] fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos</p><p>linguísticos presentes na superfície textual se encontram</p><p>interligados entre si, por meio de recursos também linguísticos,</p><p>formando sequências veiculadoras de sentidos.</p><p>Note que nós, constantemente, utilizamos elementos coesivos em nossos</p><p>textos e falas, mas nem sempre damos conta disso. Lembra quando foi dito</p><p>que a língua portuguesa nos é tão essencial que nem percebemos suas</p><p>sutilezas? Pois é.</p><p>É importante esclarecer, ainda, que a coesão é a união íntima das partes de</p><p>um texto, mas não é um agrupamento de ideias aleatórias, é uma ligação que</p><p>garante uma sequência lógica do texto. Diante disso, a coesão é obtida quando</p><p>acontece a devida conexão entre as palavras, as orações e os parágrafos.</p><p>10 SABINO, Fernando. Menino. Crônica de Fernando Sabino, (de A Mulher do Vizinho). In:</p><p>Elenco de cronistas modernos, Drummond de Andrade e outros. Livraria José Olympio Editora,</p><p>Rio de Janeiro, 1974. Disponível em: http://blog-</p><p>literaturando.blogspot.com.br/2011/04/menino.html. Acesso: 10 de Jun. de 2013.</p><p>11 KOCH, Ingedore Vilaça. O Texto e a Construção de sentidos. 7. ed. São Paulo: Contexto,</p><p>2003.</p><p>http://blog-literaturando.blogspot.com.br/2011/04/menino.html</p><p>http://blog-literaturando.blogspot.com.br/2011/04/menino.html</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Viana (2004, p. 28)12 explica:</p><p>[...] A cada frase enunciada devemos ver se ela mantém um</p><p>vínculo com a anterior ou anteriores para não perdermos o fio</p><p>do pensamento. De outra forma, teremos uma sequência de</p><p>frases sem sentido, sucedendo-se umas às outras sem muita</p><p>lógica, sem nenhuma coerência. A coesão, no entanto, não é</p><p>só esse processo de olhar constantemente para trás. É</p><p>também o de olhar para adiante. Um termo pode esclarecer-se</p><p>somente na frase seguinte... O importante é cada enunciado</p><p>estabelecer relações estreitas com os outros a fim de tornar</p><p>sólida a estrutura do texto.</p><p>Mas, como sabemos se estamos sendo coesos ou não? Na língua portuguesa</p><p>percebemos a coesão por meio de algumas palavras, denominadas</p><p>conectivos ou elementos coesivos, que estabelecem esta relação entre as</p><p>ideias. Vamos reconhecer estes elementos a partir de um poema:</p><p>Neologismo13</p><p>Beijo pouco, falo menos ainda.</p><p>Mas invento palavras</p><p>Que traduzem a ternura mais funda</p><p>E mais cotidiana.</p><p>Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.</p><p>Intransitivo:</p><p>Teadoro, Teodora.</p><p>Observe que a conjunção adversativa “mas” estabelece uma relação de</p><p>oposição entre as palavras “beijo-falo” X “invento”. Já a conjunção explicativa</p><p>“que” estabelece relação de explicação com o termo “palavras” e a conjunção</p><p>aditiva “e” exprime a ideia de adição em relação a palavra “ternura” + funda e +</p><p>cotidiana. Diante do exposto, verificamos que o uso dessas conjunções</p><p>permitiu a retomada das palavras resgatando o encadeamento das ideias.</p><p>Recapitulando...</p><p>12 VIANA, Antonio Carlos (Coord.). Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo:</p><p>Scipione, 2004.</p><p>13 BANDEIRA, Manuel. Meus poemas preferidos. São Paulo: Ediouro, 2002.</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Conjunção é a palavra invariável que relaciona duas orações ou dois termos</p><p>que exercem a mesma função sintática. Quando duas ou mais palavras</p><p>desempenham o papel de conjunção recebem o nome de locução conjuntiva.</p><p>Veja alguns exemplos: apesar de, à medida que, a fim de que, à proporção</p><p>que, desde que, visto que, ainda que etc.</p><p>As conjunções são classificadas de acordo com o tipo de relação que</p><p>estabelecem. As conjunções que relacionam orações independentes ou</p><p>sintaticamente equivalentes são chamadas de conjunções coordenativas. Já,</p><p>as conjunções que relacionam orações dependentes, ou seja, que ligam a</p><p>oração principal a uma oração que lhe é subordinada são chamadas de</p><p>conjunções subordinativas.</p><p>As conjunções coordenativas são classificadas em aditivas, adversativas,</p><p>alternativas, conclusivas e explicativas, de acordo com o sentido das relações</p><p>que estabelecem. Veja alguns exemplos: e, nem, mas, porém, contudo, pois,</p><p>porque, etc.</p><p>As conjunções subordinativas são classificadas em integrantes e adverbiais.</p><p>As integrantes introduzem orações subordinadas substantivas. As adverbiais</p><p>introduzem orações que indicam uma circunstância adverbial relacionada à</p><p>oração principal, são subdivididas em: causais, condicionais, consecutivas,</p><p>comparativas, conformativas, concessivas, temporais, finais, proporcionais.</p><p>Veja alguns exemplos: que, visto que, desde que, de modo que, como,</p><p>conforme, quando, antes que, a fim de que, etc.</p><p>As conjunções, assim como as preposições, não exercem função sintática na</p><p>oração, apenas ligam termos de mesma função sintática ou orações, por isso,</p><p>são consideradas conectivos. No entanto, estabelecem relações lógicas</p><p>essenciais para a construção de textos coerentes e coesos14.</p><p>Neste exemplo, destacamos as conjunções, mas estes conectivos podem se</p><p>manifestar por intermédio, também, das preposições (a, de, para, com), dos</p><p>pronomes (ele, ela, sua, este, aquele, o qual), dos advérbios e das locuções</p><p>adverbiais (aqui, lá, logo, antes, dessa maneira).</p><p>14 SBROGIO, Patrícia Cordeiro. Conjunção: E, mas, ou, logo, pois, que, como, porque.</p><p>(adaptado). Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/conjuncao-e-mas-</p><p>ou-logo-pois-que-como-porque.htm. Acesso: 12/05/2014.</p><p>http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/conjuncao-e-mas-ou-logo-pois-que-como-porque.htm</p><p>http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/conjuncao-e-mas-ou-logo-pois-que-como-porque.htm</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Desta forma, os conectivos são:</p><p>[...] responsáveis pela coesão de nosso pensamento e tornam</p><p>a leitura mais fácil e fluente. Por isso temos de saber usá-los</p><p>com precisão, tanto no interior da frase, quanto ao passar de</p><p>um enunciado a outro, se a clareza assim o exigir. Sem esses</p><p>conectores – preposições, advérbios, conjunções, termos</p><p>denotativos, pronomes relativos – o pensamento não flui,</p><p>muitas vezes não se completa, e o texto torna-se obscuro, sem</p><p>nenhuma coerência. (VIANA: 2004, p. 51)15</p><p>A coesão textual, ainda, pode ser dividida em duas formas, sendo sequencial</p><p>ou referencial. Vamos compreender as diferenças de cada uma delas no</p><p>próximo conteúdo. Até a próxima aula!</p><p>3. COESÃO SEQUENCIAL E REFERENCIAL</p><p>A coesão sequencial é responsável pela ordem, sequência, continuidade do</p><p>texto. Ela ocorre por meio das palavras que estabelecem relações de</p><p>significado entre as orações, períodos ou parágrafos à medida que o texto</p><p>evolui.</p><p>Poucas pessoas atentam para este fato de que os conectivos, geralmente,</p><p>têm valor semântico, ou seja, embora sejam vocábulos relacionais, preservam</p><p>um discreto conteúdo significativo e ao ligarem as expressões, palavras ou</p><p>orações, exprimem uma relação semântica (relação de sentido).</p><p>Todavia, há conectivos que estabelecem relações somente sintáticas, sem</p><p>estabelecerem relações semânticas (lógicas). Nesse caso, costumam ser</p><p>chamados de relacionais. Compare as duas orações:</p><p>a. Creio que a verdade aparecerá.</p><p>b. O passeio estava tão bom que resolvemos ficar um pouco mais.</p><p>15 VIANA, Antonio Carlos (Coord.). Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo:</p><p>Scipione, 2004.</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>No primeiro exemplo, a conjunção que não estabelece uma relação semântica,</p><p>apenas, relaciona a oração subordinada “a verdade aparecerá” à principal</p><p>“Creio”.</p><p>E na segunda oração, podemos afirmar que existe uma coesão sequencial que</p><p>garante a textualidade?</p><p>Embora a conjunção que, da mesma maneira, relaciona a oração subordinada</p><p>“resolvemos ficar um pouco mais” à principal “O passeio estava tão bom”, neste</p><p>caso, ela estabelece entre as orações uma relação de causa e consequência</p><p>(relação lógica ou semântica).</p><p>Importa lembrar ainda, que com o mesmo exemplo, adaptado, poderíamos ter</p><p>outro tipo de relação semântica. Reflita: “O passeio estava bom, logo</p><p>resolvemos ficar um pouco mais”. Perceba que agora teríamos outro tipo de</p><p>relação entre as orações, pois o passeio estava tão bom que ficamos mais,</p><p>estabelecendo, assim, uma relação de conclusão.</p><p>Sendo assim, os conectivos estabelecem ligação entre os termos ou as</p><p>orações e além de garantir a coerência do texto, são primordiais como</p><p>elementos de coesão textual, porque explicitam as relações entre as ideias,</p><p>assegurando não só a progressão do texto, mas tornando o encadeamento das</p><p>ideias mais claro e fácil de ser compreendido.</p><p>Atente, a partir de agora, para alguns exemplos de relações semânticas que</p><p>podem ser estabelecidas por meio da coesão sequencial.</p><p>Ela pode, por exemplo, estabelecer uma relação que indique condição.</p><p>Observe a frase neste exemplo a seguir:</p><p>“Se você rouba ideias de um autor, é plágio.</p><p>Se você rouba de muitos autores, é pesquisa.” Wilson Mizner16</p><p>A coesão sequencial também pode, pelo conectivo “ou”, estabelecer uma ideia</p><p>de alternância ou de inclusão. Como você pode ver neste exemplo:</p><p>“Ou se tem chuva e não se tem sol,</p><p>ou se tem sol e não se tem chuva![...]” Cecília Meireles17</p><p>16 Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/NDgzNzUw/. Acesso: 08/2013.</p><p>http://pensador.uol.com.br/frase/NDgzNzUw/</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Observe outro exemplo de como a coesão sequencial ainda pode acontecer.</p><p>Quando, por meio de um segundo enunciado, se corrige ou redefine o</p><p>conteúdo do primeiro.</p><p>"Amar não é aceitar tudo.</p><p>Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor”.</p><p>Vladimir Maiakovski18</p><p>Então, é preciso não esquecer</p><p>que não se pode utilizar aleatoriamente</p><p>qualquer conectivo para fazer essas relações/ligações/conexões, pois cada</p><p>elemento coesivo carrega consigo uma relação semântica, isto é, um</p><p>significado.</p><p>Fique por dentro</p><p>Explore, agora, outros conectivos e as relações de sentido que pretendem indicar, acessando o</p><p>endereço: http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_simulado/revisao/revisao06/er070006.pdf.</p><p>Passemos, depois disso, à coesão referencial.</p><p>Ingedore Koch (1988, p. 75) explica: coesão referencial</p><p>é a que se estabelece entre dois ou mais componentes da</p><p>superfície textual que remetem a (ou permitem recuperar) um</p><p>mesmo referente (que pode, evidentemente, ser acrescido de</p><p>outros traços que se lhe vão agregando textualmente) 19.</p><p>[...] Ela ocorre através de dois mecanismos básicos: a. substituição, “[...]</p><p>quando um componente da superfície textual é retomado (anaforicamente) ou</p><p>precedido (cataforicamente) por uma pro-forma [...]” (KOCH, 1988, p. 75) e b.</p><p>reiteração que pode se fazer através de sinônimos, hiperônimos, nomes</p><p>17 Meireles, Cecília. Ou isto ou aquilo. Disponível em:</p><p>http://zezepina.utopia.com.br/poesia/poesia128.html</p><p>18 Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MjU2/. Acesso: 08/2013</p><p>19 KOCH, Ingedore G. Villaça (1988). Principais mecanismos de coesão textual em</p><p>Português. In: Cadernos de Estudos Linguísticos. Campinas: UNICAMP/IEL, jul/dez, 1988: 73-</p><p>80. Disponível em: http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/cel/article/view/3231/2710. Acesso:</p><p>12/12/2014.</p><p>http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_simulado/revisao/revisao06/er070006.pdf</p><p>http://zezepina.utopia.com.br/poesia/poesia128.html</p><p>http://pensador.uol.com.br/frase/MjU2/</p><p>http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/cel/article/view/3231/2710</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>genéricos, expressões nominais definidas ou repetição do mesmo item lexical</p><p>(KOCH, 1988, p. 76).</p><p>De uma forma mais simplificada, a coesão referencial consiste na utilização de</p><p>palavras que fazem alusão a um termo já citado, para enfatizá-lo, repeti-lo ou</p><p>substituí-lo. Os conectivos de referência são aqueles que não têm um</p><p>significado por si mesmo, pois remetem a outras palavras do texto que são</p><p>necessárias à sua interpretação.</p><p>Deste modo, a coesão referencial pode estabelecer, por substituição, uma</p><p>conexão que indique catáfora, ou seja, quando o termo referente aparece</p><p>após o termo coesivo. Observe o exemplo a seguir:</p><p>“Há três coisas que nunca voltam atrás:</p><p>a flecha lançada, a palavra pronunciada, e a oportunidade perdida.”</p><p>Provérbio Chinês20</p><p>Ela também pode ocorrer através da elipse, isto é, quando alguma palavra é</p><p>retirada, visto que pode ser subentendida, evitando assim a repetição. Como</p><p>podemos constatar neste exemplo:</p><p>"Me arrependo de coisas que disse,</p><p>mas jamais Ø do meu silêncio." Xenócrates21</p><p>Note que o termo “me arrependo” pode ser facilmente suprimido e mesmo</p><p>assim continuarmos compreendendo o sentido dessa frase.</p><p>A coesão referencial, ainda, pode ocorrer por reiteração, isto é, quando se</p><p>repete um mesmo item lexical já utilizado na oração. Veja o exemplo a seguir:</p><p>O fogo acabou com tudo, da casa não sobrara nada, a casa estava totalmente</p><p>destruída.</p><p>20 Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-</p><p>portugues&palavra=anáfora.</p><p>21 Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MTM0MjEw/. Acesso: 08/2013.</p><p>termo</p><p>referente</p><p>termo</p><p>coesivo</p><p>http://pensador.uol.com.br/frase/MTM0MjEw/</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Portanto, a coesão referencial acontece quando determinado elemento textual</p><p>se refere a outro, substituindo-o. Entre os elementos de referência temos os</p><p>pronomes pessoais (ele, ela, o, a, lhe, etc.), possessivos (meu, teu, seu, etc.),</p><p>demonstrativos (este, esse aquele, etc.) e os advérbios de lugar (aqui, ali, etc.).</p><p>Para aprofundar seus estudos e conhecer outros mecanismos de coesão</p><p>referencial acesse: http://lucicleidecardoso.blogspot.com.br/p/analise-da-</p><p>coesao-1.html.</p><p>Os termos “anáfora” e “catáfora” dicionarizados.</p><p>O dicionário Michaelis registra os termos da seguinte forma:</p><p>Anáfora a.ná.fo.ra sf (gr anaphorá) Ret Repetição de uma ou mais palavras</p><p>no começo de dois ou mais versos, orações subordinadas ou sucessivas, para</p><p>efeitos retóricos ou poéticos. 22</p><p>Catáfora ca.tá.fo.ra sf (gr kataphorá) Med 1 Sonolência mórbida, sem febre</p><p>nem delírio. 2 Estado de letargia alternada com vigília, sendo ambas</p><p>imperfeitas. 3 Ling Antecipação de um signo, a ser enunciado na sequência.</p><p>Em: Aqui, em São Paulo, todos correm, o signo aqui é catafórico, porque se</p><p>refere a um item que vem enunciado depois. 23</p><p>Para melhor compreensão dos conceitos expostos analise os exemplos abaixo:</p><p>Mariana está viajando. Ela foi passar as férias na casa da irmã. anáfora</p><p>Ligia ganhou uma menina. A menina chamava-se Valentina. catáfora</p><p>22 Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-</p><p>portugues&palavra=catáfora.</p><p>23 Disponível em: http://pensador.uol.com.br/a_flecha_lancada/. Acesso: 08/2013.</p><p>http://lucicleidecardoso.blogspot.com.br/p/analise-da-coesao-1.html</p><p>http://lucicleidecardoso.blogspot.com.br/p/analise-da-coesao-1.html</p><p>http://pensador.uol.com.br/a_flecha_lancada/</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Indicação de leitura</p><p>FÁVERO, L.L. Coesão e Coerência textuais. São Paulo: Ática. 1991.</p><p>Disponível em <disciplinas.stoa.usp.br/mod/resource/view. php?id =68384></p><p>Como estamos falando de coesão memorize esta dica da gramática e não</p><p>tenha mais dúvidas quando precisar utilizar um dos pronomes demonstrativos.</p><p>Lembre-se:</p><p>isto, esta, este (e demais contrações) – fazem conexão com palavras</p><p>catafóricas, ou seja, palavras que se referem a um termo posteriormente</p><p>expresso.</p><p>Este computador está estragado.</p><p>Isso, essa, esse (e demais contrações) – fazem conexão com palavras</p><p>anafóricas, ou seja, acabamos de relatar algo e recuperamos o termo</p><p>anteriormente expresso.</p><p>O computador está estragado, esse computador é da minha irmã.</p><p>Para recordar faça esta relação: “a” de anáfora = “a” de anterior. E não</p><p>confunda mais!</p><p>Para responder a próxima atividade leia atenciosamente o texto a seguir:</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Perdedor, vencedor</p><p>O perdedor cumprimentou o vencedor. Apertaram-se as mãos por cima da rede.</p><p>Depois foram para o vestiário, lado a lado. No vestiário, enquanto tiravam a roupa, o</p><p>perdedor apontou para a raquete do outro e comentou, sorrindo: - Também, com essa</p><p>raquete... Era uma raquete importada, último tipo. Muito melhor do que a do perdedor.</p><p>O vencedor também sorriu, mas não disse nada. Começou a descalçar o tênis. O</p><p>perdedor comentou, ainda sorrindo: - Também, com esses tênis... O vencedor quieto.</p><p>Também sorrindo. Os dois ficaram nus e entraram no chuveiro. O perdedor examinou</p><p>o vencedor e comentou: - Também, com esse físico... O vencedor perdeu a</p><p>paciência. – Olha aqui – disse. – Você poderia ter um físico igual ao meu, se se</p><p>cuidasse. Se perdesse essa barriga. Você tem dinheiro, senão não seria sócio deste</p><p>clube. Pode comprar uma raquete igual à minha e tênis melhores que os meus. Mas</p><p>sabe de uma</p><p>coisa? Não é equipamento que ganha o jogo. É a pessoa. É a aplicação,</p><p>a vontade de vencer, a atitude. E você não tem uma atitude de vencedor. Prefere</p><p>atribuir sua derrota à minha raquete, aos meus tênis, ao meu físico, a tudo menos a</p><p>você mesmo. Se parasse de admirar tudo que é meu e mudasse de atitude, você</p><p>também poderia ser um vencedor, apesar dessa barriga. O perdedor ficou em silêncio</p><p>por alguns segundos, depois disse: - Também, com essa linha de raciocínio...</p><p>Luis Fernando Verissimo</p><p>Verissimo, Luis Fernando. Diálogos Impossíveis. Objetiva: 2012, p.100. Disponível em:</p><p>http://poetizaoamor.blogspot.com.br/2013/01/resenha-32-dialogos-impossiveis-luis.html.</p><p>Acesso: 06/08/2013.</p><p>4. COERÊNCIA</p><p>Vivemos, cotidianamente, imersos com as mais diferentes formas textuais e a</p><p>todo momento estamos processando listas (telefônicas, de produtos, de</p><p>preços, etc.), extratos bancários, notificações de trânsito, ordens de serviço,</p><p>dicionários, mensagens pelos meios eletrônicos, editais de concursos,</p><p>anúncios publicitários, entre tantos outros, como textos, porque atribuímos a</p><p>essas sequências textuais significados. Porém, em cada um desses gêneros</p><p>textuais existem certas peculiaridades que os distinguem do outro, isto é, não</p><p>os lemos da mesma maneira. E o fato de compreendermos os sentidos</p><p>estabelecidos neles não está só na nossa capacidade de decodificação da</p><p>linguagem, mas na nossa inserção na sociedade. Em outras palavras,</p><p>http://poetizaoamor.blogspot.com.br/2013/01/resenha-32-dialogos-impossiveis-luis.html</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>compreender um texto depende de uma série de fatores, tais como os recursos</p><p>linguísticos, recursos textuais, conhecimento de mundo, papel do leitor, etc.</p><p>Então, a partir de agora que já estudamos a coesão e percebemos o quanto ela</p><p>é indispensável no que se refere a uma comunicação efetiva por meio da</p><p>linguagem escrita ou falada, daremos início ao estudo sobre o recurso</p><p>linguístico chamado coerência. Mas, antes disso, teste os seus conhecimentos</p><p>e reflita sobre o que você recorda de coerência. Não se lembra de nada? Não</p><p>se preocupe. Acompanhe as explicações.</p><p>A origem da palavra é do latim coherens, de cohaerere, “juntar, unir”, formada</p><p>por com, “junto”, mais haerere, “grudar, colar”.24 Ela dicionarizada significa, de</p><p>acordo com o Aurélio, “ligação, conexão, de um conjunto de ideias ou de fatos,</p><p>formando um todo lógico” 25.</p><p>Sob uma perspectiva linguística, Koch (2003, p. 52)26 explica que a coerência</p><p>“[...] diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual</p><p>vem a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de</p><p>sentidos”.</p><p>Diante de tais concepções, um texto incoerente é aquele que falta sentido ou</p><p>que se apresenta de forma contraditória. Daí a importância de se conhecer os</p><p>elementos de coesão textual, visto que, muitas vezes essa incoerência é</p><p>resultado do mau uso dos conectivos ou elementos coesivos. Além disso, o</p><p>entendimento de um texto fica totalmente prejudicado quando ele é construído</p><p>com erros gramaticais e lexicais. Como podemos ver nos dois exemplos</p><p>abaixo:</p><p>24 Disponível em: http://origemdapalavra.com.br/palavras/coerencia/. Acesso: 08/2013</p><p>25 Disponível em: http://www.dicionariodoaurelio.com/Coerencia.html. Acesso: 08/2013</p><p>26 KOCH, Ingedore Vilaça. O Texto e a Construção de sentidos. 7. ed. São Paulo: Contexto,</p><p>2003.</p><p>http://origemdapalavra.com.br/palavras/coerencia/</p><p>http://www.dicionariodoaurelio.com/Coerencia.html</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Fonte: http://noticias.r7.com/educacao/fotos/faca-um-passeio-pelas-imagens-da-exposicao-</p><p>menas-do-museu-da-lingua-portuguesa-20100319-9.html . Acesso: 08/2013.</p><p>Fonte: http://noticias.r7.com/educacao/fotos/faca-um-passeio-pelas-imagens-da-exposicao-</p><p>menas-do-museu-da-lingua-portuguesa-20100319-15.html#fotos. Acesso: 08/2013.</p><p>Perceba que as duas construções textuais apresentam problemas de</p><p>coerência. No primeiro exemplo, “Pode me incluir fora dessa!”, ocorre</p><p>incoerência porque o sentido das palavras não estabelece uma relação de</p><p>lógica e prejudica sua interpretação. Ora, o verbo “incluir” é utilizado</p><p>erroneamente, pois seu significado é de “inserir dentro de”, diante disso, não é</p><p>possível inserir dentro de “fora dessa”, o correto seria o uso de seu antônimo</p><p>“excluir”. No entanto, o uso da palavra “fora” seria redundante na construção</p><p>porque excluir já carrega o significado de “deixar de fora”.</p><p>O segundo texto, “Quem não arrisca é porque não tem caneta”, também</p><p>apresenta problema de incoerência. A palavra “arrisca” carrega consigo o</p><p>significado de “pôr em risco ou expor-se ao risco” e nesta construção não há</p><p>nenhuma relação de sentido que possa se efetivar.</p><p>http://noticias.r7.com/educacao/fotos/faca-um-passeio-pelas-imagens-da-exposicao-menas-do-museu-da-lingua-portuguesa-20100319-9.html</p><p>http://noticias.r7.com/educacao/fotos/faca-um-passeio-pelas-imagens-da-exposicao-menas-do-museu-da-lingua-portuguesa-20100319-9.html</p><p>http://noticias.r7.com/educacao/fotos/faca-um-passeio-pelas-imagens-da-exposicao-menas-do-museu-da-lingua-portuguesa-20100319-15.html#fotos</p><p>http://noticias.r7.com/educacao/fotos/faca-um-passeio-pelas-imagens-da-exposicao-menas-do-museu-da-lingua-portuguesa-20100319-15.html#fotos</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Por isso, a coerência é tão importante na produção de sentido. Escrever com</p><p>coerência é organizar, relacionar o que escreveu produzindo sentido a quem</p><p>vai ler.</p><p>As palavras de Viana colaboram com esta visão e auxiliam uma melhor</p><p>compreensão sobre o conceito:</p><p>Uma palavra isolada remete a um conceito isolado. Ela não</p><p>pode surgir de repente, sem nenhuma relação com as</p><p>anteriores. Faz parte de um todo que lhe dá sentido, desde que</p><p>forme uma cadeia com as outras que a antecedem ou a</p><p>sucedem. Interligadas, as palavras devem trabalhar a favor da</p><p>unidade de sentido. Um texto resulta incoerente quando há</p><p>falhas na continuidade de suas partes, quando as palavras</p><p>aparecem de forma gratuita. Não é raro ouvirmos alguém dizer</p><p>que determinada palavra está imprecisa, não diz com exatidão</p><p>aquilo que pretendíamos dizer. A imprecisão resulta da falta de</p><p>motivação entre as palavras que se sucedem numa cadeia em</p><p>que um elo foi rompido. Para evitar isso, elas devem manter</p><p>entre si um vínculo muito estreito. (2004, p. 18)27</p><p>Diante do exposto, um texto possui coerência quando ele produz sentido,</p><p>quando há nele relação lógica entre as ideias que se complementam, é o</p><p>resultado da não contradição entre suas partes. A coerência de um texto inclui</p><p>fatores como o conhecimento que o escritor e o leitor possuem do tema</p><p>abordado, o conhecimento de mundo que eles partilham, o conhecimento que</p><p>esses têm da língua que usam e da intertextualidade presente no texto. Em</p><p>outras palavras, a coerência não é algo inerente ao próprio texto, mas é</p><p>construída na relação desses fatores com os seus interlocutores. Vamos a um</p><p>exemplo:</p><p>Videogames ajudam idosos a manter o cérebro em forma28</p><p>Conforme os anos passam, é bem comum que o cérebro humano</p><p>comece a enfrentar problemas para processar pensamentos,</p><p>memórias e ações. É triste, mas de acordo com uma equipe de</p><p>pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco,</p><p>já existe uma solução para manter a mente afiada mesmo na</p><p>terceira idade: videogames que propõem vários desafios ao</p><p>mesmo tempo.</p><p>27 VIANA, Antonio Carlos (Coord.). Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo:</p><p>Scipione, 2004.</p><p>28 Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/tendencias/videogames-ajudam-idosos-a-manter-o-</p><p>cerebro-em-forma/. Acesso: 09/2013.</p><p>http://super.abril.com.br/blogs/tendencias/videogames-ajudam-idosos-a-manter-o-cerebro-em-forma/</p><p>http://super.abril.com.br/blogs/tendencias/videogames-ajudam-idosos-a-manter-o-cerebro-em-forma/</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Liderada pelo neurologista e psiquiatra Adam Gazzaley, a equipe da universidade</p><p>testou a habilidade de um grupo de 16 pessoas entre 60 e 85 anos de idade com</p><p>um jogo de direção em 3D. Enquanto conduziam o carro virtual por uma estrada</p><p>sinuosa, os participantes deviam apertam um botão sempre que um sinal específico</p><p>aparecesse. Com 12 horas de treino espalhadas durante um mês, a habilidade de</p><p>reconhecer a placa enquanto dirigiam aumentou consideravelmente entre</p><p>os idosos envolvidos no jogo. Nos outros dois grupos estudados, em que o desafio era</p><p>menor (apenas dirigir ou apenas reconhecer a placa) ou não havia jogo algum,</p><p>nenhuma melhora de desempenho foi registrada.</p><p>De acordo com as informações divulgadas pelo periódico científico Nature, os</p><p>benefícios – que puderam ser medidos também por um aumento na comunicação</p><p>entre as diferentes regiões do cérebro – se mantiveram durante os próximos seis</p><p>meses.</p><p>Da próxima vez em que alguém reclamar ou te perguntar por que você fica</p><p>tantas horas na frente do videogame, diga que você está exercitando o cérebro e se</p><p>preparando para a velhice.</p><p>Pela leitura do texto, foi possível notar que a coerência é o elemento que</p><p>confere ao texto clareza, estando diretamente ligada à possibilidade de se</p><p>estabelecer um sentido ao que se lê. Ela resulta da relação locutor/interlocutor,</p><p>visto que o texto não significa exclusivamente por si. Seu sentido é construído</p><p>não só pelo locutor como também pelo interlocutor/leitor, que precisa resgatar</p><p>os conhecimentos necessários à interpretação.</p><p>E neste sentido é fácil perceber que o locutor já prevê esta participação, pois</p><p>na maioria dos textos os conhecimentos necessários, a compreensão, não</p><p>estão explícitos e depende da capacidade de inferência e pressuposição do</p><p>leitor.</p><p>Ligada à compreensão e à possibilidade de interpretação do texto, a coerência</p><p>textual, por sua vez, diz respeito à relação que se estabelece entre as partes</p><p>de um texto, criando, assim, uma unidade semântica. Nesse sentido, ela</p><p>pressupõe a não contradição de ideias entre as partes do texto, assim como a</p><p>existência de continuidade semântica.</p><p>Logo, a falta de coerência em um texto é facilmente deduzida pelo interlocutor,</p><p>quando não encontra sentido lógico entre as partes de um enunciado oral ou</p><p>escrito. É a competência linguística, que permite a ele reconhecer de imediato</p><p>a coerência ou não de um discurso. O que você acha deste texto?</p><p>Você já aprendeu que as pessoas não escrevem e falam do mesmo modo,</p><p>uma vez que são processos diferentes, cada qual com características próprias.</p><p>Em âmbito mais abrangente, o assunto recebe uma delimitação por meio do</p><p>http://www.nature.com/doifinder/10.1038/nature12486</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>tema, ou seja, um assunto pode ser abordado por diferentes temas. É preciso,</p><p>portanto, expor e explicar ideias. Daí a sua dupla natureza: é argumentativo</p><p>porque defende uma tese, uma opinião, e é dissertativo porque se utiliza de</p><p>explicações para justificá-la. Esse domínio pode ser comprovado pelo respeito</p><p>às convenções da grafia e da acentuação das palavras, com poucos desvios,</p><p>inclusive do novo acordo ortográfico; às regras de concordância nominal e</p><p>verbal e à utilização de vocabulário apropriado ao registro formal de um texto.</p><p>Observe que neste exemplo as palavras utilizadas no texto existem em</p><p>português, as orações apresentam uma construção sintática direta (sujeito,</p><p>verbo e complemento) possível, o sujeito concorda com os verbos, os nomes</p><p>(substantivos, adjetivos, etc.) concordam em número (singular/plural) e gênero</p><p>(masculino/feminino), ou seja, as palavras têm condições gramaticais de serem</p><p>consideradas um texto, mas não formam um texto.</p><p>Por que será que esse conjunto de palavras que forma um todo,</p><p>aparentemente, significativo, no propósito de transmitir informações sobre</p><p>determinado assunto não é considerado um texto? Isso acontece devido a esse</p><p>amontoado de palavras não fornecer subsídios eficazes que contribuem para</p><p>dar sentido ao texto e com isso não torna possível o entendimento por parte do</p><p>leitor. É um texto incoerente, ou seja, sem conexão lógica entre as ideias</p><p>apresentadas.</p><p>Para ilustrar ainda mais esse conceito estudado, leia o que o Ministério da</p><p>Educação explicou, no guia do participante da redação do ENEM, sobre a</p><p>coerência.</p><p>A coerência se estabelece a partir das ideias apresentadas no</p><p>texto e dos conhecimentos dos interlocutores, garantindo a</p><p>construção do sentido de acordo com as expectativas do leitor.</p><p>Está, pois, ligada à compreensão, à possibilidade de</p><p>interpretação dos sentidos do texto. O leitor poderá “processar”</p><p>esse texto e refletir a respeito das ideias nele contidas; pode,</p><p>em resposta, reagir de maneiras diversas: aceitar, recusar,</p><p>questionar, até mesmo mudar seu comportamento em face das</p><p>ideias do autor, compartilhando ou não da sua opinião.29 (2013,</p><p>p. 18)</p><p>29 Ministério da Educação. A Redação no ENEM 2013: Guia do Participante. Brasília, 2013.</p><p>Disponível em:</p><p>http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/guia_participante/2013/guia_de_redacao_e</p><p>nem_2013.pdf</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>Sendo assim, para que um texto se efetue coerente devemos atentar para</p><p>algumas exigências: apresentação clara do assunto e argumentos que o</p><p>sustentem; encadeamento das ideias, de modo que cada parágrafo apresente</p><p>informações novas, coerentes com o que foi apresentado anteriormente, sem</p><p>repetições ou saltos temáticos; congruência entre as informações do texto e a</p><p>realidade; e precisão vocabular.</p><p>Concluindo, nesta unidade, estudamos os recursos de textualidade coesão e</p><p>coerência, mecanismos responsáveis por estabelecer as relações entre as</p><p>partes do texto, de forma que se efetive a cadeia de sentidos, necessária para</p><p>o entendimento do texto.</p><p>E, vimos, que nem todo texto coeso é coerente e nem todo texto coerente é</p><p>coeso, pois podemos ter um texto cujo sentido seja resgatado facilmente</p><p>mesmo que não haja conexões linguísticas e podemos ter, também, um texto</p><p>cujas partes estejam ligadas por conexão, mas que, no geral, é de difícil</p><p>compreensão.</p><p>Para memorizar os conceitos de coesão e coerência assista ao vídeo:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=inwcJFZWERA</p><p>Reflita</p><p>A construção da coerência decorre de uma variedade de fatores, das mais diversas ordens:</p><p>linguísticos, discursivos, cognitivos, culturais e interacionais. No entanto, vamos “retomar”</p><p>alguns dos fatores que contribuem para o estabelecimento da coerência, visto que já foram</p><p>elucidados na unidade anterior. São eles:</p><p> conhecimento de mundo (enciclopédico): como já estudamos anteriormente, o</p><p>conhecimento adquirido no contato com o mundo e arquivado na memória, através das</p><p>experiências vividas. Tal conhecimento é partilhado entre produtor/leitor e permite a produção</p><p>de sentido e da coerência na medida em que os dados armazenados na memória são ativados,</p><p>possibilitando a construção de um universo textual. Abrange desde o conhecimento mais</p><p>simples até o conhecimento científico.</p><p> conhecimento linguístico: o uso adequado da gramática, o conhecimento de elementos</p><p>linguísticos, da sua organização, de como e onde cada elemento se encaixa no texto. Esses</p><p>elementos servem como pistas, permitem a elaboração de inferências, captam a orientação</p><p>argumentativa</p><p>do texto e contribuem na construção da coerência.</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=inwcJFZWERA</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p> conhecimento partilhado: conhecimentos comuns ao produtor e ao leitor do texto. Neste</p><p>sentido os elementos textuais que remetem ao conhecimento partilhado entre produtor/leitor</p><p>constituem a informação “dada”, à medida que o que for introduzido a partir dela constituirá a</p><p>informação “nova”. Por isso, que para o texto ser coerente é necessário equilíbrio entre</p><p>informação “dada” e “nova”.</p><p>Indicação de leitura</p><p>Para saber mais sobre esses fatores de textualidade leia o livro “Texto e Coerência” de Koch e</p><p>Travaglia30.</p><p>Outra autora, Leonor Fávero (1991)31, também, caracteriza o texto pelos</p><p>seguintes fatores: coesão e coerência – relacionados ao material conceitual e</p><p>linguístico do texto, intencionalidade e aceitabilidade – fatores relacionados aos</p><p>interlocutores da mensagem e informatividade, situacionalidade,</p><p>contextualização e intertextualidade – que têm a ver com os fatores</p><p>pragmáticos envolvidos no processo de comunicação.</p><p>30 KOCH, Ingedore G.Villaça e TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Texto e Coerência. São Paulo:</p><p>Contexto, 1989.</p><p>31 FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais. São Paulo: Ática, 1991.</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>VIANA, Antonio Carlos (Coord.). VALENÇA, Ana; CARDOSO, Denise Porto e MACHADO,</p><p>Sônia Maria. Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 2004.</p><p>Roteiro de Redação é um roteiro voltado para a redação do texto dissertativo. Por meio da</p><p>teoria apresentada é possível observar que escrever é algo que se constrói passo a passo e</p><p>que cada palavra escrita é utilizada de modo consciente, caso contrário o texto será um</p><p>amontoado de enunciados sem nexo. Especial atenção do terceiro ao quinto capítulos nos</p><p>quais são destacados os recursos de coesão textual e a construção da frase, sempre tendo em</p><p>vista a busca da coerência. Interessante notar que a teoria exposta no livro serve de suporte</p><p>para a prática das atividades propostas.</p><p>Fique por dentro</p><p>Dica de Português: a coerência textual, em Pedagogia ao pé da letra.</p><p>http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/dica-de-portugues-a-coerencia-textual/. Acesso:</p><p>08/2013.</p><p>O site apresenta informações claras e objetivas sobre a coesão e a coerência textual.</p><p>http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/dica-de-portugues-a-coerencia-textual/</p><p>Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0</p><p>Internacional.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência textuais. São Paulo: Ática,</p><p>1991.</p><p>_______. Coesão e Coerência textuais. Série Princípios. São Paulo: Ática,</p><p>2003.</p><p>GURGEL, Luiz Henrique. Olhai a beleza da diversidade linguística.</p><p>Entrevista com Carlos Alberto Faraco. Disponível em:</p><p>https://www.escrevendoofuturo.org.br/index.php?option=com_content&view=art</p><p>icle&id=219:olhai-a-beleza-da-diversidade-linguis</p><p>tica&catid=24:entrevistas&Itemid=34</p><p>INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto: Curso prático de leitura e redação.</p><p>Editora Scipione. São Paulo. 1991.</p><p>KOCH, Ingedore G. Vilaça. O Texto e a Construção de sentidos. 7. ed. São</p><p>Paulo: Contexto, 2003.</p><p>__________ (1988). Principais mecanismos de coesão textual em</p><p>Português. In: Cadernos de Estudos Linguísticos. Campinas: UNICAMP/IEL,</p><p>jul/dez, 1988: 73-80. Disponível em:</p><p>http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/cel/article/view/3231/2710. Acesso:</p><p>12/12/2014.</p><p>__________ e TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Texto e Coerência. São Paulo:</p><p>Contexto, 1989.</p><p>Ministério da Educação. A Redação no ENEM 2013: Guia do Participante.</p><p>Brasília, 2013. Disponível em:</p><p>http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/guia_participante/2013/guia</p><p>_de_redacao_enem_2013.pdf</p><p>PIGNATARI, Nínive. Como escrever textos dissertativos. São Paulo: Ática,</p><p>2010. (Fundamentos)</p><p>SAVIOLI, Francisco Platão e FIORIN, José Luiz. Manual do Candidato:</p><p>português. 2ª ed. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2001. Atualizada e</p><p>revisada. Disponível em:</p><p>https://www.yumpu.com/pt/document/view/13026197/curso-de-texto-completo-</p><p>alub/11.</p><p>TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino</p><p>de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1997.</p><p>VIANA, Antonio Carlos (Coord.). Roteiro de redação: lendo e argumentando.</p><p>São Paulo: Scipione, 2004.</p><p>https://www.escrevendoofuturo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=219:olhai-a-beleza-da-diversidade-linguis</p><p>https://www.escrevendoofuturo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=219:olhai-a-beleza-da-diversidade-linguis</p><p>http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/cel/article/view/3231/2710</p><p>http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/guia_</p>