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<p>0</p><p>MÚSICA E AUTISMO – UM ENCONTRO PERFEITO:</p><p>Musicalização e Expressão corporal em uma Escola de Educação Especial</p><p>MUSIC AND AUTISM – A PERFECT ENCOUNTER:</p><p>Musicalization and corporal expression in a special education school</p><p>Cátia Regina Suzano da Silva</p><p>1</p><p>Jorge Cézar da Silva</p><p>2</p><p>RESUMO</p><p>Nosso projeto abordou a contribuição das aulas de Música na vida de um grupo</p><p>de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e como esta pode ser utilizada</p><p>para melhorar a qualidade de vida, o desenvolvimento intelectual e sua prática musical.</p><p>Para entender como a música age em nosso cérebro, recorremos a Howard Gardner</p><p>(1994) e à psicologia cognitva que nos auxilia com sua Teoria das Inteligências</p><p>Múltiplas, aqui, a Inteligência Musical. Nos apoiamos nos conceitos do neurologista</p><p>Salomão Schwartzman (2011) para entender com mais precisão sobre o transtorno e</p><p>Viviane Louro (2006), educadora e pesquisadora em educação musical e inclusão, com</p><p>sua contribuição nesta área. Por fim, apresentamos nossa pesquisa de campo realizada</p><p>em uma escola de Educação Especial, durante as aulas de Musicalização e Expressão</p><p>Corporal, com a confecção de instrumentos musicais e apresentação artística do grupo</p><p>de dança formado somente por crianças autistas.</p><p>PALAVRAS CHAVE – educação musical, musicoterapia, autismo, aprendizagem.</p><p>ABSTRACT</p><p>Our project addressed the contribution of music classes in the life of a group of children</p><p>with ASD (Autistic Spectrum Disorder); How it can be used to improve the quality of</p><p>life, intellectual development and its musical practice. To understand how music works</p><p>in our brain, we turn to Howard Gardner (1994) - cognitive psychologist who assists us</p><p>with his Multiple Intelligences Theory, here, Musical Intelligence. We support the</p><p>1</p><p>Graduada em Pedagogia , formação em canto lírico; pós graduada em Musicoterapia e</p><p>Deficiência Intelectual; graduanda em Educação Musical.</p><p>Trabalha como Professora de Música e Musicoterapeuta com crianças e adolescentes com</p><p>deficiência intelectual e TEA.</p><p>2</p><p>Graduado em Pedagogia e pós graduado em Educação musical</p><p>Trabalha como educador social há 20 anos.</p><p>1</p><p>theoretical concepts of the neurologist Salomão Schwartzman (2011) to explain and</p><p>understand a little more about the disorder and, Viviane Louro (2006), educator and</p><p>researcher in music education and inclusion, with his great contribution in this area.</p><p>Finally, we present our field research carried out in a special education school, during</p><p>Musicalization and Body Expression classes, with the making of musical instruments</p><p>and an artistic presentation of the dance group formed only by autistic children.</p><p>KEY WORDS - music therapy, music education, autism, learning, case study.</p><p>Introdução</p><p>Este projeto aborda a temática das aulas de música e o que isso traz de benefício</p><p>e mudanças no desenvolvimento cognitivo e social das crianças com o transtorno do</p><p>espectro do autista. Pretendemos possibilitar algum conhecimento acerca do que falam</p><p>alguns pensadores sobre a influência do ensino da música no desenvolvimento das</p><p>crianças – Violeta de Gainza – como ela age no cérebro – e o que faz com o nosso</p><p>corpo, H. Gardner – como pode contribuir para o desenvolvimento e a capacidade</p><p>intelectual e artística da criança autista, Salomão Schwartzman – quais as características</p><p>de uma criança autista, Viviane Louro – não só como terapia mas como disciplina que</p><p>trabalha com conceitos teóricos que vão promover uma maior desenvolvimento neste</p><p>individuo, levando-o a se expressar experimentando, tocando, cantando, dançando como</p><p>fazem tantos outros sem autismo.</p><p>Mostramos as diferenças e semelhanças entre Educação Musical e</p><p>Musicoterapia, muitas vezes confundidas quando se fala em autismo.</p><p>Por fim, mostramos a pesquisa de campo realizada nos meses de abril a junho de</p><p>2017, em uma escola de Educação Especial, no município de Ribeirão Pires – São</p><p>Paulo, fundada em 1967 para atender crianças e adolescentes com deficiência intelectual</p><p>e autismo. Este experimento foi realizado em uma das unidades da instituição que</p><p>atende também, crianças com TEA.</p><p>A Música e o desenvolvimento da criança</p><p>Para falarmos em desenvolvimento da criança, recorremos à teoria psicogenética</p><p>de Piaget (2002) que nos apresenta as mudanças qualitativas que a criança passa em</p><p>seus quatro estágios de desenvolvimento (desde seu estágio inicial no período sensório-</p><p>motor até a adolescência, no pensamento lógico-dedutivo).</p><p>2</p><p>Para Piaget, o indivíduo é produto do meio e a construção do conhecimento se</p><p>dá mediante a interação deste sujeito com o ambiente ao qual ele está inserido, isso</p><p>levando em consideração as suas condições cognitivas e as condições ambientais, esse</p><p>ambiente deve oferecer estímulos para que o sujeito possa desenvolver suas capacidades</p><p>de forma rica e significativa. Segundo ele, o indivíduo interage com o meio de forma</p><p>diferente conforme suas faixas etárias.</p><p>No ensino da música não é diferente, a criança deve receber estímulos ricos em</p><p>cada fase do seu desenvolvimento que a ajude a construir seu aprendizado e</p><p>consequentemente ampliar suas capacidades. Uma das primeiras pesquisadoras no</p><p>Brasil a lançar hipóteses sobre a relação da psicogenética com a música foi Esther Beyer</p><p>(1998).</p><p>No estágio operatório-concreto de 7 a 11/12 anos, que é a faixa etária dos nossos</p><p>alunos estudados nesta pesquisa, as estruturas cognitivas já devem estar mais</p><p>desenvolvidas, passando a ter uma abstração total do que vê, já diferenciando os</p><p>parâmetros sonoros. No caso da criança autista, quando ela tem uma deficiência</p><p>intelectual associada, esses estágios não acontecem da mesma maneira, o que acontece é</p><p>um atraso no desenvolvimento cognitivo desta criança que não permite muitas vezes</p><p>que ela realize as atividades propostas, nem consiga aprender no mesmo tempo que uma</p><p>criança na mesma faixa etária, dita normal.</p><p>A psicologia da inteligência já sabia da importância da emoção no</p><p>desenvolvimento cognitivo do homem. A emoção está ligada a sentimentos e estes são</p><p>estimulados pela prática musical que, quanto mais prazerosa afeta a química cerebral</p><p>propiciando respostas comportamentais. Considerando que a música pode levar a uma</p><p>mudança de comportamento, ela ajudará no desenvolvimento global desta criança,</p><p>levando-a a dançar, cantar, criar, reinventar.</p><p>A emoção musical nos promove reações fisiológicas e psicológicas, nos permite</p><p>comunicar qualidades uns aos outros e a nós mesmos, é com esta emoção que</p><p>trabalhamos em nosso dia a dia. A música favorece a verbalização, seja de que forma</p><p>for, cada qual com suas capacidades – o que sabemos é que para a criança com TEA</p><p>nem sempre é fácil transmitir suas emoções, falar de si, do que está sentindo, mas ela</p><p>propicia à criança se revelar seja através de uma dança, um instrumento, uma canção.</p><p>3</p><p>Música e o cérebro: Gardner e a inteligência musical</p><p>Como será que a música chega ao nosso cérebro? Ainda hoje, há pesquisadores</p><p>que debatem para entender como a música chega a nossa estrutura cerebral e, porque,</p><p>nos afeta em todo o organismo. É através do ouvido que assimilamos nosso organismo</p><p>com o meio em que vivemos e, conexões de grande poder em níveis neuronais se</p><p>encarregam de interligar o ouvido com os outros centros superiores cerebrais.</p><p>Os estímulos que atuam sobre o ouvido nos afetam por inteiro como se todo o</p><p>corpo fosse um complexo instrumento de ressonâncias. Compreender uma música é</p><p>decodificar uma estrutura, então, é necessária a existência e o domínio de um código,</p><p>ora é um trabalho mental e não simplesmente auditivo. O ouvido é a porta da entrada do</p><p>material e da informação sonora. Pode-se afirmar que a atividade musical envolve quase</p><p>todas as regiões do cérebro e os subsistemas neurais; quando uma música</p><p>emociona, são</p><p>ativadas estruturas que estão nas regiões instintivas do verme cerebelar (estrutura do</p><p>cerebelo que modula a produção e liberação pelo tronco cerebral dos</p><p>neurotransmissores dopamina e noradrenalina), e da amídala (principal área do</p><p>processamento emocional no córtex).</p><p>O ato de acompanhar uma música é capaz de ativar o hipocampo (responsável</p><p>pelas memórias) e o córtex frontal inferior. Já para a execução de músicas, são</p><p>acionados os lobos frontais - o córtex motor e sensorial. A música repercute em todo o</p><p>indivíduo induzindo-o às várias reações, inclusive a criança com TEA. Seu estímulo</p><p>abala nosso sistema sensorial, motor, mental, efetivo; provoca mudanças em todo o</p><p>nosso metabolismo, acelera a respiração, repercute sobre as glândulas de secreção</p><p>interna, atua no córtex cerebral, no ritmo cardíaco, na respiração, na pressão arterial e,</p><p>com sons mais agudos, desperta um efeito mais positivo em quem ouve; motiva,</p><p>emociona, move a química cerebral e influencia a conduta. (SEKEFF, 2002)</p><p>A exposição ao som desperta os processos sensório perceptível do cérebro e,</p><p>sabendo usá-lo há o estímulo da atenção, principalmente quando o som se faz em forma</p><p>de música. A música pode tensionar ou relaxar, e isto se dá independentemente de nossa</p><p>capacidade ou vontade. Dependendo do estilo musical, ela pode dar vigor, melhorar o</p><p>ânimo ou deprimir. (SEKEFF, 2002). Porém, não se pode esquecer: a música traz</p><p>influência positiva, mas seu emprego deve respeitar as diferentes necessidades de cada</p><p>um, os objetivos que se pretende com sua utilização devem ser rigorosamente</p><p>estabelecidos e observados, pois ela não traz somente efeitos benéficos. Dependendo do</p><p>4</p><p>grau de autismo, a criança pode gostar ou não de música, pode suportar ou não alguns</p><p>sons.</p><p>Esta regra se vale para qualquer pessoa, principalmente para os autistas, que na</p><p>maioria das vezes, têm uma grande sensibilidade a alguns sons; mesmo que não se tenha</p><p>consciência de seu efeito, o organismo pode sofrer prejuízos com o aumento de</p><p>adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, aumento de pressão arterial, levando-o a crises</p><p>de comportamento. Isso trará ainda mais prejuízos para a sua saúde.</p><p>Os exercícios musicais estimulam o potencial do cérebro, levando-o a maior</p><p>eficiência e, alimentando a memória, a música é sem dúvida, um poderoso auxiliar no</p><p>desenvolvimento pessoal e da saúde do indivíduo. Com base em experiências vividas no</p><p>dia a dia com crianças com TEA, percebe-se que a música pode transformá-los de</p><p>alguma maneira, cada um de seu jeito respeitando seu grau de compreensão.</p><p>Na década de 80, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harward,</p><p>liderada pelo psicólogo Howard Gardner, desenvolveu a Teoria das Inteligências</p><p>Múltiplas. A pesquisa identificou e descreveu nove tipos de inteligência nos seres</p><p>humanos, e acabou ganhando grande repercussão no campo da educação. Foram assim</p><p>classificadas as seguintes inteligências: linguística, lógica matemática, corporal</p><p>sinestésica, intrapessoal, interpessoal, existencial, naturalista, espacial e musical.</p><p>(Gardner, 1985).</p><p>Ele acreditava que cada uma dessas inteligências é relativamente independente,</p><p>têm origem e limites genéticos próprios e dispões de processos cognitivos próprios, mas</p><p>elas raramente funcionam isoladamente, na maioria dos casos, é necessária uma</p><p>combinação de inteligências. Ele acredita que os seres humanos dispõem de graus</p><p>variados de cada uma dessas inteligências.</p><p>A inteligência musical pode ser percebida em separado das demais, ela é</p><p>independente e, também em sua localização cerebral tem limites genéticos e processos</p><p>cognitivos próprios. Se manifesta através de uma habilidade para compor, apreciar ou</p><p>reproduzir uma peça musical, discriminar sons, ritmos, texturas e timbres. A criança</p><p>com habilidade musical especial, desde pequena percebe variados sons no ambiente e</p><p>canta bastante.</p><p>Para estimular a inteligência musical propõe-se jogos como: ensinar a criança a</p><p>ouvir (jogos de percepção auditiva); diferenciar timbres e ruídos (jogos estimuladores</p><p>da discriminação de ruídos e sons) e, compreensão dos sons para o domínio da estrutura</p><p>5</p><p>rítmica. A finalidade essencial do trabalho com jogos não é tornar o aluno "um músico"</p><p>e sim, abri-lo à descoberta da linguagem sonora. Após essa descoberta, cabe ao aluno</p><p>aprender música ou não.</p><p>Mas, existe mesmo a inteligência musical? Na área da deficiência intelectual é</p><p>considerado "um milagre, um dom", mas é preciso saber que, existem os fatores</p><p>genéticos, existe a pré-disposição, mas que, se for trabalhada esta musicalidade, alguns</p><p>serão capazes de sobressaírem nessa área (Antunes, 1998).</p><p>Sendo a música um meio para educar e desenvolver o indivíduo em todas as</p><p>áreas (afetiva, psicomotor e cognitivo), deve o profissional da música (educador ou</p><p>musicoterapeuta) estimulá-lo e lhe permitir experiências que ampliem seus</p><p>conhecimentos.</p><p>A criança autista: o que é TEA?</p><p>Em 1943, tivemos a primeira definição de autismo como quadro clinico feita</p><p>pelo médico Leo Kanner, quando observou um grupo de crianças com idades entre 2 a 8</p><p>anos, cujo transtorno denominava de “distúrbio autístico de contato afetivo”. Apesar de</p><p>em 1906, o autismo já ter sido descrito como sinal clinico de isolamento (Camargos, et</p><p>al. 2005), a descrição de anomalismo feitas pelo Kanner permitiu diferenciar o autismo</p><p>dos quadros de esquizofrenia e psicoses infantis. Seu trabalho foi de grande importância</p><p>para formar as bases da Psiquiatria da Infância no mundo todo.</p><p>Nas décadas seguintes foram feitas inúmeras pesquisas, estudos clínicos, artigos,</p><p>livros, movimentos dos pais de autistas. O trabalho de Rutter (1978), foi fundamental</p><p>pois, trouxe a caracterização da síndrome em relação ao nível de desenvolvimento</p><p>psicomotor e cronológico, além da coexistência ou não de deficiência intelectual e</p><p>problemas neurológicos. Tudo isso contribuiu para as diretrizes de educação e os</p><p>atendimentos especializados.</p><p>Vários foram os nomes dados ao autismo infantil, hoje chamamos de Transtorno</p><p>do Espectro Autista (TEA).</p><p>O TEA - Transtorno do Espectro Autista, são distúrbios neurológicos que afetam</p><p>a comunicação e a socialização de pessoas em todo o mundo, e já equivalem a 1,47% da</p><p>população segundo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), nos EUA.</p><p>Atualmente o autismo está incluído no DSM-V (Manual de Diagnóstico de Transtornos</p><p>Mentais) e no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças). Outro sistema</p><p>6</p><p>classificatório também importante na avaliação diagnóstica e no planejamento</p><p>terapêutico é o CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e</p><p>Saúde). De acordo com Schwartzman (1997):</p><p>O autismo pode ser considerado distúrbio do desenvolvimento</p><p>caracterizado por quadro comportamental peculiar e que envolve</p><p>sempre as áreas da interação social, da comunicação e do</p><p>comportamento em graus variáveis de severidade; (LIPPI apud</p><p>SCHWARTZMAN 1997).</p><p>O rastreamento deve ser feito através de observações da criança e entrevista com</p><p>pais ou cuidadores, escalas e instrumentos de triagem - aqueles que detectam sinais</p><p>relativos relacionados ao espectro, mas não determinam o diagnóstico, fornecem</p><p>informações que levantam a suspeita de sinais associados ao diagnóstico; deve ser feito</p><p>por um profissional capacitado.</p><p>Nem sempre é possível chegar a um diagnóstico preciso, mas o objetivo da</p><p>avaliação não é só esse, mas sim, identificar as potencialidades dessa criança e de sua</p><p>família; daí a importância indispensável do trabalho em equipe com no mínimo</p><p>psiquiatra, neurologista, pediatra, psicólogo e fonoaudiólogo.</p><p>A avaliação médica consiste em anamnese, exame físico, exames laboratoriais e</p><p>de imagem; dependendo do caso podem ser necessárias intervenções medicamentosas,</p><p>com especialistas das áreas da psiquiatria e neurologia.</p><p>O autismo é um transtorno infantil mais comum em meninos que em meninas,</p><p>no entanto, quando as meninas são afetadas, isto ocorre com maior gravidade. As</p><p>habilidades de uma criança autista podem ser altas ou baixas, dependendo tanto do nível</p><p>de coeficiente intelectual, como da capacidade de comunicação verbal. Tem como</p><p>características comportamentais: comprometimento qualitativo na interação social,</p><p>alteração cerebral que afeta a capacidade da pessoa se comunicar, estabelecer</p><p>relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente.</p><p>Algumas crianças apesar de autistas apresentam inteligência e fala intacta, outras</p><p>apresentam também deficiência intelectual, mutismo ou importantes atrasos no</p><p>desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a</p><p>comportamentos restritos e, rígidos padrões de comportamento.</p><p>7</p><p>A existência de sintomas que permitam reconhecer critérios diagnósticos para</p><p>transtornos num mesmo indivíduo, caracteriza uma comorbidade. Cabe sempre lembrar,</p><p>como são muito importantes o aconselhamento genético e a prevenção.</p><p>As causas do autismo ainda são desconhecidas, porém, existem relatos de</p><p>anormalidades orgânicas, neurológicas, biológicas, além de fatores genéticos, imunológicos</p><p>e perinatais, achados bioquímicos e neuro anatômicos relacionados o autismo. No entanto,</p><p>ainda não há uma explicação concreta em termos neurológicos do que é o autismo.</p><p>Alguns comportamentos atípicos, repetitivos e estereotipados severos, indicam</p><p>a necessidade de encaminhamento para avaliação diagnóstica de TEA. De acordo com</p><p>as Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com TEA (Ministério da Saúde),</p><p>algumas características nas áreas motora, sensorial, emocional e social, são comuns nas</p><p>crianças autistas:</p><p>a) Não estabelece contato com os olhos;</p><p>b) Às vezes age como se fosse surdo;</p><p>c) Tem isolamento em graus variados;</p><p>d) Retardo na aquisição da linguagem, por um déficit na compreensão da</p><p>linguagem falada;</p><p>e) Age como se não tomasse conhecimento do que acontece com os outros;</p><p>f) Ataca e fere outras pessoas mesmo que não exista motivos para isso;</p><p>g) Tem dificuldade de criar vínculos de amizade e cooperação em brincadeiras de</p><p>grupo:</p><p>h) Não utiliza objetos de acordo com sua função;</p><p>i) Tem resistência a mudança de rotina e de ambiente:</p><p>j) Tem rotinas e estereotipias (mãos, balanceio do corpo) e às vezes,</p><p>automutilação;</p><p>k) Tendência a tocar, cheirar e lamber pessoas e objetos;</p><p>l) São raras as brincadeiras de faz de conta:</p><p>m) A imitação é prejudicada;</p><p>n) Tem atenção excessiva em detalhes;</p><p>o) Ecolalia imediata ou tardia</p><p>p) Distração;</p><p>q) Pensamento concreto e literal;</p><p>r) Hiperatividade; passividade;</p><p>8</p><p>s) Pode estudar um tema único até saber tudo a respeito, falando incessantemente</p><p>sobre o assunto;</p><p>t) Podem ter deficiência intelectual associada;</p><p>u) Podem ser super ou sub-responsivos aos estímulos sensoriais;</p><p>v) Alguns têm boa coordenação motora, enquanto outros, têm déficits motores</p><p>variados;</p><p>w) Muitos têm resposta alterada à dor, podendo ferir-se gravemente sem chorar;</p><p>x) Podem apresentar distúrbios do sono e epilepsia;</p><p>y) Muitos são alegres, outros, porém, irritadiços, demonstram descontentamento</p><p>crônico, outros agressivos podendo bater sem provocação.</p><p>O comprometimento destas áreas deve estar presente aos 3 anos de idade, quando</p><p>então pode ser dado o diagnóstico. Muitas destas características também podem ser</p><p>vistas em outros distúrbios do desenvolvimento e em certas doenças psiquiátricas. O</p><p>que distingue o autismo são o número, a gravidade, a combinação e a interação de</p><p>problemas, os quais resultam em danos funcionais importantes. Somente um</p><p>profissional especializado se encarregará de confirmar ou negar o diagnóstico.</p><p>Alguns casos podem ter limitações funcionais e interações sociais e podem</p><p>necessitar de cuidados específicos de habilitação e reabilitação. O projeto terapêutico</p><p>para esta criança deverá ser individual e de acordo com pacientes e familiares; não há</p><p>propriamente um tratamento, o que há é um treinamento para o desenvolvimento de</p><p>uma vida tão independente quanto possível. Basicamente a técnica mais usada é a</p><p>comportamental, além dela, programas de orientação aos pais. Deve ter livre acesso a</p><p>educação, cultura, lazer, trabalho, melhorando sua autonomia e independência.</p><p>Na sociedade atual, a inclusão assume um grande protagonismo no cotidiano das</p><p>nossas escolas e na vida da criança; tal como preconiza a Declaração de Salamanca</p><p>(1994), o seu principal objetivo deverá ser tornar o ensino regular num espaço de</p><p>acolhimento à diferença e de equidade de oportunidades.</p><p>As escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de</p><p>suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas</p><p>ou outras. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem</p><p>dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de</p><p>populações distantes ou nômades; crianças de minorias linguísticas,</p><p>étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou zonas</p><p>desfavorecidas ou marginalizadas. (DECLARAÇÃO DE</p><p>SALAMANCA p. 17-18).</p><p>9</p><p>A inclusão não pode ser assumida como um privilégio, ou uma mera opção</p><p>estratégica, é um direito e, sobretudo, um exercício de cidadania a executar diariamente</p><p>e que abre caminho rumo a uma escola na qual todas as crianças devem ter um lugar,</p><p>independentemente das suas diferenças.</p><p>Em 2014, o Ministério da Saúde lançou as “Diretrizes de Atenção à Reabilitação da</p><p>Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA)”, e desta forma explica:</p><p>O conceito do Autismo Infantil (AI), portanto, se modificou desde sua</p><p>descrição inicial, passando a ser agrupado em um contínuo de</p><p>condições com as quais guarda várias similaridades, que passaram a</p><p>ser denominadas de Transtornos Globais (ou Invasivos) do</p><p>Desenvolvimento (TGD). Mais recentemente, denominaram-se os</p><p>Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) para se referir a uma parte</p><p>dos TGD: o Autismo; a Síndrome de Asperger; e o Transtorno Global</p><p>do Desenvolvimento sem Outra Especificação, portanto não incluindo</p><p>Síndrome de Rett e Transtorno Desintegrativo da Infância (BRASIL,</p><p>2013, p.14):</p><p>Assim, temos até aqui a legislação e conceitos teóricos sobre educação e</p><p>autismo. A presente pesquisa busca relacionar essas questões à prática musical.</p><p>A Música para crianças com TEA</p><p>Na vida de todo ser humano o ouvir, cantar e dançar são ativamente presentes no</p><p>seu cotidiano: existem músicas para dormir, dançar, comer, acordar, brincar, chorar,</p><p>festejar, e isto faz com que, desde muito cedo a criança tenha contato com a cultura</p><p>musical do seu povo. A criança brinca de roda, aprende canções, participa de</p><p>brinquedos rítmicos e assim desenvolve sua percepção utilizando a música. Ela faz</p><p>música brincando.</p><p>Não há dúvidas de que ensinar música em uma sala de aula com crianças com</p><p>TEA é um ponto crítico apontado por professores que trabalham com a educação</p><p>inclusiva. Viabilizar esta aprendizagem é um desafio que pode ser enfrentado atentando</p><p>para o fato de que muitas vezes, algumas dessas crianças vivenciam este fenômeno da</p><p>aprendizagem de maneira mais lenta devido a dificuldade que tem, necessitando que se</p><p>enfatize mais todos os conteúdos, ou até mesmo, não conseguem acompanhar os outros</p><p>colegas de classe devido a seus comportamentos atípicos. E é aí que entra a figura do</p><p>musico terapeuta, como mais um profissional que irá auxiliar no desenvolvimento, não</p><p>10</p><p>só musical, mas pessoal desta criança, valendo-se de seus conhecimentos e técnicas para</p><p>tanto.</p><p>A maioria das crianças autistas respondem de maneira positiva à música, pois o</p><p>ritmo favorece disciplina e coordenação, estas muitas vezes, ausentes: a melodia leva à</p><p>expressão emocional que é de grande importância tanto para ele como para o</p><p>profissional que trabalhe com ele; a harmonia</p><p>estimula ordem e lógica ao pensamento,</p><p>alimentando o equilíbrio de suas funções psíquicas. (SEKEFF, 2002)</p><p>A música ainda aumenta o poder de atenção, o que nessa criança não é tão fácil</p><p>conseguir, ela satisfaz algumas necessidades inconfessas, permitindo que este indivíduo</p><p>às vezes consiga se envolver entre a fantasia e a realidade através de experiências</p><p>musicais.</p><p>Ela estimula a criatividade, integra experiências que levarão esta criança a um</p><p>armazenamento de material em seu consciente.</p><p>Seus benefícios fisiológicos e psicológicos são muitos; ao ter a possibilidade de</p><p>fazer música, escutar, cantar, vivenciá-la, esta criança poderá mudar seus pensamentos,</p><p>alterando suas emoções, trazendo uma maior harmonia entre a saúde física e mental. A</p><p>música pode mudar o comportamento desta pessoa.</p><p>A música deve agir na vida destas pessoas como um “agente mediatizador” para</p><p>auxiliá-las na construção de um diálogo com a realidade.</p><p>O acesso à música favorece o indivíduo, integrando-o com o mundo,</p><p>propiciando seu desenvolvimento como ser social. E é aí que entra o profissional, ele irá</p><p>instruir, auxiliar esta criança a se colocar em ordem, não só seu pensamento, como</p><p>também seu corpo, permitindo e inventando atividades musicais que o façam acordar,</p><p>descobrir suas emoções, sentimentos, algo além do fazer musical, algo que o faça sentir-</p><p>se bem junto com os demais.</p><p>O desenvolvimento não é um processo solitário, mas construído na inter-relação</p><p>entre as pessoas; a criança autista vive este processo de desenvolvimento dentro de sua</p><p>peculiaridade, dentro de um mundo só seu, que envolve dificuldades na compreensão,</p><p>linguagem, atenção, memória, raciocínio abstrato, pensamento lógico.</p><p>A criança com TEA, assim como qualquer outra, precisa compreender que vive</p><p>em um mundo cheio de significados e que estes são apreendidos a partir da relação com</p><p>as pessoas, mas, devido as suas características pessoais, esse processo não se dá com</p><p>facilidade. Nem sempre o caminho seguido pelos demais será eficiente para esta pessoa,</p><p>11</p><p>nem sempre os integrantes do grupo irão gostar da mesma música, do mesmo</p><p>instrumento; muitas vezes, se faz necessária a construção de caminhos alternativos de</p><p>pensamento e ação, cabe ao profissional, observar bem a cada um e escolher qual</p><p>caminho tomar.</p><p>A aula de música precisa ter uma rotina estabelecida para todos, uma estrutura</p><p>fixa, começo, meio e fim, seguindo os objetivos, mas variando conforme necessidades</p><p>pessoais que venham surgir. É preciso observar aspectos psicomotores antes de se</p><p>programar as atividades musicais (lateralidade, esquema corporal, organização</p><p>espacial...). Utilizar vários recursos, materiais concretos, figuras, imagens para facilitar</p><p>a aprendizagem desta criança que, muitas vezes, não é verbal.</p><p>Em se tratando de comunicação, todo trabalho com canções é um estímulo para</p><p>as crianças. As danças, brincadeiras, improvisação com instrumentos musicais, jogos</p><p>musicais, canto em grupo favorecem a interação social.</p><p>Apesar das crianças de nosso experimento já terem aulas de música</p><p>frequentemente, ainda não é possível se trabalhar com aspectos teóricos da música</p><p>como leitura e escrita convencionais, devido ao comprometimento cognitivo que todas</p><p>têm. Usar dos métodos ativos da educação musical contemporânea, às vezes é um bom</p><p>recurso, mas, estas crianças na maioria das vezes, precisam de aulas muito estruturadas</p><p>e dirigidas, com rotinas para poderem prosseguir, e sem uma ajuda sistemática do</p><p>profissional a maioria não consegue realizar as atividades, muito menos criar sozinho</p><p>devido ao comprometimento intelectual. Às vezes uma mudança em sua rotina pode</p><p>causar uma crise com comportamentos agressivos, gritos, estereotipias, e daí, o apoio do</p><p>profissional é essencial como também, um ambiente favorável.</p><p>Os exercícios musicais estimulam o potencial do cérebro, levando-o a maior</p><p>eficiência e, alimentando a memória. A música é sem dúvida, um poderoso auxiliar no</p><p>desenvolvimento pessoal e da saúde do indivíduo. Com base em experiências vividas no</p><p>dia a dia com pessoas com TEA, percebemos que a música pode transformá-los de</p><p>alguma maneira, cada um de seu jeito respeitando seu grau de compreensão.</p><p>Educação Musical e Musicoterapia</p><p>Todas as pessoas com deficiência ou não, se beneficiam da música e fazem uso</p><p>dela diariamente. Como nos diz a educadora Viviane Louro: “Música é importante</p><p>porque é importante, para todas as pessoas, em todos os momentos de suas vidas</p><p>12</p><p>independente de suas habilidades ou dificuldades. Isso nem todos compreendem”.</p><p>(Louro, 2006).</p><p>É muito importante diferenciar aqui a prática da Educação Musical da</p><p>Musicoterapia, para que fique claro que, na primeira o foco é a música e na segunda, o</p><p>foco é o indivíduo; as aplicações são distintas, os objetivos também, além da formação</p><p>profissional. Existem diferenças, mas ambas, são igualmente importantes.</p><p>O musicoterapeuta é um facilitador dos efeitos sobre o paciente, ele busca atingir</p><p>seus objetivos através de atividades e não através da verbalização. O uso da</p><p>Musicoterapia em crianças com TEA é importante para que eles possam adquirir</p><p>conhecimentos e habilidades não musicais que sejam essenciais para a sua educação,</p><p>sua saúde, seu dia a dia. Aqui, não importa o aprendizado musical, o que importa é a</p><p>aquisição de novas habilidades musicais ou não, que servirão de auxílio para que estes</p><p>indivíduos se tornem independentes, adquiram conhecimentos e habilidades para uma</p><p>vida "normal".</p><p>A Musicoterapia pode ser aplicada a qualquer indivíduo, seja ele com TEA,</p><p>alguma deficiência ou não, e em qualquer dos casos, ela é de grande ajuda. Ela objetiva</p><p>que o homem adquira conhecimentos e habilidades como um meio para alcançar seus</p><p>objetivos, sua saúde, enquanto que, na Educação Musical o objetivo principal é adquirir</p><p>conhecimentos e habilidades musicais.</p><p>Enquanto a Educação Musical preocupa-se com o aprendizado da música</p><p>universal, a Musicoterapia enfatiza o mundo musical particular da pessoa; a diferença</p><p>maior entre as duas práticas é que a Educação Musical visa a estética, e a outra não.</p><p>Percebe-se que há um objetivo comum entre as duas práticas que é o desenvolvimento</p><p>global do indivíduo (ajudá-lo a adquirir conhecimentos e habilidades), mesmo trilhando</p><p>caminhos e objetivos tão diferentes.</p><p>A educação musical</p><p>A educação musical também tem suas metodologias que destacam a importância</p><p>entre o contato do aluno com a música como experiência de vida. Entre os educadores</p><p>musicais mais influentes do século XX, estão: Kodaly, Dalcroze, Suzuki, Orff e</p><p>Willems, com seus métodos de educação musical (FONTERRADA, 2005). A partir da</p><p>segunda metade do século XX, outros educadores musicais surgiram dando importância</p><p>13</p><p>à prática e outros aspectos da música, entre eles: Schafer, Paynter, Porena, Self, Gainza</p><p>e Fonterrada.</p><p>Todos esses educadores trouxeram suas ideias e concepções de ensino musical,</p><p>cada um a sua maneira queria que a criança fizesse música, e na maioria das vezes, o</p><p>objetivo principal era fazer o aluno adquirir conhecimentos e habilidades musicais. Mas</p><p>quando se trata de aulas de música para uma criança com TEA, é possível que o</p><p>professor necessite fazer adaptações ou adequações para facilitar a aprendizagem dos</p><p>alunos com maiores dificuldades. Em nosso caso, como todas as crianças têm autismo e</p><p>deficiência intelectual associada, foram necessárias algumas adaptações no programa e</p><p>nas atividades.</p><p>Para estas aulas é preciso a criação de materiais, equipamentos necessários,</p><p>curso de capacitação para os professores, adaptação de objetivos e conteúdos, adaptação</p><p>do método e do material, adaptações técnicas musicais - no caso de haver necessidades</p><p>físicas motoras, são feitas alterações na maneira de tocar um determinado instrumento</p><p>ou de cantar. O importante é que ninguém fique de fora das aulas.</p><p>Em se tratando de uma criança autista, mudar o tom da voz, usar material concreto,</p><p>exemplificar de diferentes maneiras, usar uma linguagem simples irá ajudar muito na</p><p>sua aprendizagem. Percebe-se que existem diferentes maneiras da música ser acessível</p><p>às crianças autistas. O professor é quem deverá adaptar o material para o seu aluno,</p><p>mudar de estratégia, objetivos mais específicos, conteúdo, a maneira de falar, criar</p><p>arranjos para facilitar a prática instrumental e vocal, criar diferentes instrumentos</p><p>musicais, tudo conforme a dificuldade e capacidade de cada um.</p><p>Algumas crianças com TEA podem apresentar problemas psicomotores assim,</p><p>não conseguem tocar um instrumento da mesma forma que os outros. Isto precisa ser</p><p>trabalhado antes de se introduzir os conceitos musicais mais elaborados, pois vai ajudar</p><p>muito em seu desenvolvimento e prepará-lo para tal aprendizagem.</p><p>A Musicoterapia</p><p>Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia, 1996:</p><p>Musicoterapia é a utilização da música e/ou seus elementos (som,</p><p>ritmo, melodia e harmonia) por um Musico terapeuta qualificado, com</p><p>um cliente ou grupo num processo para facilitar e promover a</p><p>comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão,</p><p>organização e outros objetivos relevantes no sentido de alcançar</p><p>14</p><p>necessidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas. (RUDD apud</p><p>LOURO, 2016).</p><p>A musicoterapia pode ser utilizada em escolas, clínicas, hospitais, creches, etc.</p><p>Sua clientela são deficientes intelectuais, autistas, casos psiquiátricos, idosos, crianças</p><p>com distúrbios de comportamento, e outros. Os objetivos podem ser educacionais,</p><p>recreativos, psicoterapêuticos, reabilitacionais e podem atender às necessidades físicas,</p><p>emocionais ou sociais do indivíduo. Ela trabalha com diferentes áreas e práticas focando</p><p>sempre aquilo que é primordial ao indivíduo. No caso da educação, a musicoterapia se</p><p>preocupa em o indivíduo adquirir conhecimentos, comportamentos e habilidades</p><p>necessárias para uma vida funcional e independente, sendo complementar a outras</p><p>modalidades de tratamento e elemento de apoio. „Musicoterapia nas escolas é a</p><p>utilização funcional da música para atingir o progresso dos alunos nas áreas</p><p>acadêmica, social, motora ou da linguagem”... (ALLEY and BRUSCIA, 2000, p.273)</p><p>A musicoterapia requer planejamento, monitoramento e um profissional da área.</p><p>Ela trabalha a relação da música com o paciente e não a música em si mesmo, o que</p><p>importa não é a teoria nem a estética musical; não importa o gosto musical do</p><p>profissional, mas sim, do paciente, aqueles aos quais ele se identifica. Diferente de uma</p><p>aula de música, na musicoterapia o instrumento é apenas um "objeto intermediário", ele</p><p>vai tornar possível a comunicação dos dois, não só o instrumento necessariamente, mas</p><p>qualquer objeto pode fazer este intercâmbio. O resultado da educação musical e da</p><p>musicoterapia podem ser os mesmos, mas, a fundamentação das propostas faz a</p><p>diferença.</p><p>O atendimento musicoterapêutico para as pessoas com TEA, é uma área de</p><p>prática clínica bem organizada, tanto no Brasil como em outros países como Argentina,</p><p>Inglaterra, EUA. Segundo Craveiro de Sá (2003) eis alguns objetivos clínicos para se</p><p>trabalhar com a pessoa com TEA: entrar em comunicação, desenvolver e/ou ampliar a</p><p>capacidade de auto expressão; diminuir ou extinguir comportamentos patológicos</p><p>indesejáveis, tais como isolamento, hiperatividade, auto agressividade, estereotipias,</p><p>tensões emocionais, desorganizações da linguagem etc.; romper barreiras impostas</p><p>pelos comportamentos obsessivos, ultrapassar ou remover obstáculos emocionais e/ou</p><p>cognitivos existentes, desenvolver e ampliar a comunicação através de uma linguagem</p><p>não verbal e, desenvolver a comunicação e a interação social, dentre outros. Muitos</p><p>15</p><p>estudos recentes têm comprovado a eficácia do trabalho musico terapêutico e do uso da</p><p>música com esta clientela, principalmente em relação aos aspectos de comunicação e</p><p>interação social, porém ainda com caráter subjetivo, dependendo das impressões e</p><p>considerações do observador.</p><p>A música pode facilitar o desenvolvimento destas crianças por ser uma</p><p>atividade que se entrelaça a fala e a linguagem (através de canções e jogos musicais), a</p><p>interação social (atividades em grupo), e por trabalhar com a funcionalidade do</p><p>comportamento, através de aspectos psicomotores , aliás, a Psicomotricidade também é</p><p>uma área de grande importância para o desenvolvimento desta criança , pois se</p><p>preocupa com o desenvolvimento do movimento humano, das potencialidades físicas,</p><p>cognitivas, afetivas e sociais.</p><p>A música através dos olhos e da alma de um autista</p><p>A pesquisa foi realizada em uma escola de Educação Especial no município de</p><p>Ribeirão Pires, no estado de São Paulo, que atende atualmente cerca de 700 usuários,</p><p>entre crianças (a partir dos 2 anos) adolescentes e adultos, com deficiência intelectual e</p><p>transtornos do espectro autista. É formada por 4 unidades escolares, divididas por faixas</p><p>etárias e diferentes atendimentos. Nosso trabalho foi realizado na unidade central com</p><p>crianças com TEA e deficiência intelectual, com idades entre 8 e 12 anos.</p><p>Para o experimento partimos da observação da seguinte figura:</p><p>Figura 1: Música -1910 – Henri Matisse</p><p>Fonte: http://pt.wahooart.com/@@/5ZKCND-Henri-Matisse-La-Musique</p><p>16</p><p>Na visão do artista, os personagens sentados na grama verde sob o céu azul,</p><p>estão fechados e concentrados em seu mundo interior, e olham para fora na direção de</p><p>alguém imaginário; é esta visão ao imaginário, esta centralização neste mundo interior</p><p>que nos remete ao espectro do autismo – um mundo particular e genuíno, cheio de</p><p>olhares que só enxergam o seu próprio mundo. É na esperança de uma quebra nesses</p><p>olhares que trabalhamos o movimento, a espontaneidade, a criatividade escondida em</p><p>cada um deles; buscamos o contato com o outro, com o mundo exterior, queremos que</p><p>se relacionem, que joguem, cantem sua música, toquem os instrumentos que muitas</p><p>vezes são a extensão de seu próprio corpo, coloquem para fora toda a sua arte e sua</p><p>capacidade. A dificuldade do autista é a comunicação verbal, mas podemos através da</p><p>música facilitar esta expressão.</p><p>Esse experimento usou materiais e metodologias adquiridos através de pesquisas</p><p>e experiências pessoais. O primeiro, a partir da exploração de instrumentos musicais</p><p>(xilofone, clavas, maracas, tambor, castanholas, pandeiro, guizos e outros não</p><p>convencionais como oshundrum, pau de chuva, xilindró, cabuletê, kalimba) e em</p><p>seguida, a confecção de dois instrumentos - o pau de chuva e o oshundrum.</p><p>3.1 – Musicalizando uma criança autista</p><p>O experimento foi realizado durante as aulas de Música, uma vez por semana,</p><p>com duração de 50 minutos, na própria sala de música, tendo como recursos alguns</p><p>instrumentos musicais com o objetivo de proporcionar à criança um maior contato com</p><p>estes e a confecção de dois instrumentos.</p><p>Figura 2. Instrumentos musicais</p><p>Fonte: Acervo pessoal</p><p>17</p><p>Tudo era muito estruturado e organizado para não perder o foco e a atenção da</p><p>criança. Durante nossos encontros os alunos puderam explorar os sons de diferentes</p><p>instrumentos, desde aqueles mais comuns até outros mais específicos e que nunca</p><p>haviam visto, o que possibilitou uma rica experiência sonora para todo o grupo. Durante</p><p>as aulas todos tocaram suas músicas preferidas e até criaram uma música em grupo</p><p>usando os instrumentos de sua preferência seguindo um ostinato sugerido por um deles.</p><p>Figura 3 e 4 – A aula de Musicalização</p><p>Fonte: acervo pessoal</p><p>Em um segundo momento foi sugerido que construíssem seu próprio</p><p>instrumento com materiais recicláveis: confeccionamos um oshundrum e um pau de</p><p>chuva com a participação de todos.</p><p>Figura 5 e 6. Confecção do pau de chuva e do oshundrum</p><p>Fonte: Acervo pessoal</p><p>18</p><p>Desde o início, o grupo mostrou bastante interesse pelas aulas, participaram</p><p>assiduamente com perguntas e atenção querendo saber sobre cada instrumento; como</p><p>são aulas bem práticas, eles têm os instrumentos as suas mãos e ficam muito agitados</p><p>querendo tocar, mas os professores trabalharam com a questão da espera, atenção,</p><p>respeito e o grupo foi ficando mais atento e tranquilo. Foi muito interessante e</p><p>enriquecedor trabalhar com a questão dos instrumentos, pois a curiosidade fez com que</p><p>todos quisessem mexer, explorar os sons, e até criar sua própria música tornando as</p><p>aulas participativas e cheias de descobertas. A cada aula o grupo foi participando mais.</p><p>Este é um grupo de crianças autistas com deficiência intelectual associada, e alguns</p><p>ainda apresentam certa dificuldade motora para tocar uma sequência rítmica e também</p><p>memorizá-las, mas observamos que com o passar das aulas, todos foram se integrando e</p><p>realizando melhor as atividades propostas.</p><p>Alma de Artista: projeto de expressão corporal</p><p>“E os que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não</p><p>conseguiam ouvir a música” (Friedrich Nietzsche)</p><p>Para o experimento partimos da observação da seguinte figura:</p><p>Figura 7: A Dança 1909 – Henri Matisse</p><p>Fonte:http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/04/05/921917/conheca-danca-</p><p>henri-matisse.html</p><p>Usamos esta figura para representar toda a expressividade corporal de uma</p><p>criança autista, particularmente aquelas que foram por nós observadas durante este</p><p>19</p><p>projeto. Há uma simplicidade, com movimentos expressivos e isto foi procurado</p><p>desenvolver nas nossas crianças. A obra é a visão de uma simples dança de roda, que foi</p><p>também feito originalmente em nosso grupo, para que eles se sentissem livres, que</p><p>pudessem se movimentar a vontade, sem regras ou coreografias prontas. Assim como</p><p>nesta dança da obra, todos os movimentos foram observados para que cada um pudesse</p><p>se expressar da melhor maneira possível. O olhar que não olha, não encontra um ponto</p><p>no outro, isso também lembrou o autista.</p><p>Nosso objetivo era mostrar como a expressão corporal é capaz de promover um</p><p>maior desenvolvimento nesta criança, levando-a a se expressar e perceber cada parte de</p><p>seu corpo através dos movimentos, mostrar como a música pode ser utilizada como</p><p>recurso para desenvolver potenciais, assim como, para melhorar a sua qualidade de</p><p>vida. Utilizamos o som, a música e o movimento para facilitar e promover canais de</p><p>comunicação, expressão e organização. Ao movimentarem-se, as crianças expressam</p><p>sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades do uso significativo</p><p>de gestos e posturas corporais. As experiências musicais ajudarão a criança a encontrar</p><p>recursos e, a aumentarem seu potencial de bem estar melhorando suas relações sociais,</p><p>produzindo possíveis mudanças do comportamento. Ajudarão a criar uma estrutura que</p><p>deverá facilitar o aprendizado das habilidades cognitivas que facilitem o funcionamento</p><p>social, comunicativo e emocional.</p><p>As aulas de expressão corporal iniciaram após o professor observar a dificuldade</p><p>que alguns alunos tinham em se expressar, mexer o corpo, ter coordenação motora,</p><p>imitar o outro, organização espacial do corpo, memória, enfim, enquanto alguns tinham</p><p>isso mais desenvolvido. Então, um grupo foi formado para que se trabalhassem estas</p><p>questões com algumas crianças, além das que já foram ditas: atenção e concentração,</p><p>movimentos corporais, coordenação motora, ritmo, percepção auditiva e visual, atenção,</p><p>concentração, coreografias.</p><p>Foi explicado ao grupo que teríamos aulas semanais onde iríamos dançar</p><p>bastante de forma lúdica e alegre. Durante um período de 2 meses trabalhamos</p><p>exercícios e uma coreografia que culminou com uma apresentação artística. Tivemos</p><p>uma sequência de 10 aulas com aquecimentos, alongamentos, jogos musicais e teatrais.</p><p>Os aspectos psicomotores foram observados e pensados em cada atividade musical. É</p><p>importante considerar o quanto a criança com autismo tem preservado ou não as</p><p>funções de esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal.</p><p>20</p><p>Figura 8 e 9 – Crianças fazendo o aquecimento</p><p>Fonte: acervo pessoal</p><p>Figura 10 e 11 – Crianças dançando</p><p>Fonte: Acervo pessoal</p><p>A princípio, todos estavam muito quietos, com vergonha de se mexerem, de se</p><p>mostrar, de emitir sons, imitar os animais, um olhava para o outro e quase ninguém</p><p>começava. Com o passar das semanas, foram relaxando e prestando atenção em cada</p><p>movimento do corpo, cada trecho da coreografia e encantadoramente, foram se</p><p>soltando, memorizando os movimentos, cantando, sorrindo, e com certeza, a</p><p>apresentação final foi um momento de grande emoção para eles. Até mesmo aqueles</p><p>com maior dificuldade conseguiram se expressar à sua maneira.</p><p>21</p><p>Conclusão</p><p>Nossa proposta era de trabalhar o desenvolvimento cognitivo através da música</p><p>com um grupo de crianças com TEA, e para isso buscamos autores que nos dessem</p><p>embasamentos técnicos e teóricos e que nos ajudassem a entender como realmente isto</p><p>funciona. Como é possível a música para este público? Vimos que a construção do</p><p>conhecimento se dá através da interação do sujeito com o meio e esse meio deve ser</p><p>repleto de estímulos (PIAGET, 2002) daí nosso trabalho para que a música seja um</p><p>estímulo para auxiliar no desenvolvimento dessas crianças; aprendemos que a criança</p><p>com TEA tem afetada a sua comunicação e a interação social (SCHWARTZMAN,</p><p>1997) daí utilizar a música como um canal de comunicação desta criança com a</p><p>sociedade; vimos que as inteligências devem ser trabalhadas em cada indivíduo</p><p>(GARDNER, 1994) e que a prática musical é um caminho para isso e como é</p><p>importante garantir a expressão plena destas crianças encarando-os como seres criativos</p><p>e com potencialidades artísticas (LOURO,2006). Foram atendidos doze educandos e ao</p><p>final do experimento tivemos como principais resultados: reforço da autoestima,</p><p>estímulo da interação social e um melhor desenvolvimento psicomotor.</p><p>Referências</p><p>ANTUNES, Celso. As Inteligências múltiplas e seus estímulos, 14ªedição, Campinas,</p><p>SP: Papirus, 1998</p><p>BEYER, Esther S.W. A abordagem cognitiva em música: uma crítica ao ensino da</p><p>música, a partir da teoria de Piaget. Rio Grande do Sul, Dissertação (Mestrado em</p><p>Educação). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1988.</p><p>BRASIL. Declaração de Salamanca: sobre Princípios, Políticas e Práticas na área</p><p>da Necessidades Educativas Especiais. Brasília: UNESCO,1994</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de</p><p>Ações Programáticas e Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da</p><p>Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) – Brasília: Ministério da</p><p>Saúde, 2014</p><p>BRUSCIA, Kenneth E. – Definindo Musicoterapia – 2ª Ed. – Rio de Janeiro;</p><p>Enelivros, 2000</p><p>CAMARGOS Jr., Walter (coord.) Transtornos invasivos do Desenvolvimento: 3º</p><p>milênio – Brasília: Presidência da República, Secretaria Especial dos Direitos</p><p>Humanos, Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência,</p><p>2005</p><p>22</p><p>CORDE. Declaração de Salamanca e Linhas de ação sobre Necessidades</p><p>Educativas Especiais. Brasília: CORDE, 1994</p><p>CRAVEIRO DE SÁ, L. (2003). A teia do tempo e o autista: música e musicoterapia.</p><p>Goiânia: UFG.</p><p>FONTERRADA, Marisa T.O. De tramas e fios – um ensaio sobre música e educação.</p><p>São Paulo: Editora UNESP, 2005</p><p>HOWARD, Gardner – Estruturas da Mente e a Teoria das Inteligências Múltiplas.</p><p>Porto Alegre: Artes médicas, Sul, 1994</p><p>LIPPI, José Raimundo da Silva, AUTISMO e Transtornos Invasivos do</p><p>Desenvolvimento - Revisão história do conceito, diagnóstico</p><p>e classificação –</p><p>Anotações do Seminário apresentado por Jack Wall no IV Encontro de Amigos do</p><p>Autista – 1997. Livro Autismo Infantil – J. Salomão Schwartzman e col. Livro Profª</p><p>Márcia – ASTECA – Brasília.</p><p>LOURO, Viviane. ALONSO, Luís Garcia. ANDRADE, Alex Ferreira de. Educação</p><p>musical e deficiência: propostas pedagógicas - São José dos Campos, SP: Ed. do</p><p>Autor, 2006.</p><p>LOURO, Viviane. Música e Inclusão: múltiplos olhares – São Paulo: Editora Som,</p><p>2016</p><p>MANTOAN, Maria Teresa E. e colaboradores. A integração de pessoas com</p><p>deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo:</p><p>Memnom: Editora SENAC, 1997</p><p>PIAGET, Jean. Epistemologia genética. – 1. Ed. - São Paulo: Martins Fontes, 2002.</p><p>SEKEFF, Maria de Lourdes – Da música: seus usos e recursos. Editora UNESP, São</p><p>Paulo, 2002</p><p>SCHWARTZMAN, José Salomão. Integração: do que e de quem estamos falando?</p><p>In: MANTOAN, Maria Teresa E. e colaboradores. A integração de pessoas com</p><p>deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo:</p><p>Memnom: Editora SENAC, 1997.</p>

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