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<p>SISTEMA DE ENSINO</p><p>ATUALIDADES</p><p>Atualidades Mundo</p><p>Livro Eletrônico</p><p>2 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Apresentação .....................................................................................................................................................................3</p><p>Atualidades Mundo .........................................................................................................................................................4</p><p>1. A População Mundial ................................................................................................................................................4</p><p>1.1. População Global: Aspectos Globais em 2020 ......................................................................................4</p><p>2. Atualidades da América Latina e dos EUA (+ Coreia Do Norte) .......................................................9</p><p>2.1. A América Latina: Conceito Cultural e Geográfico e um pouco de História ...........................9</p><p>2.2. A Esquerdização na América Latina na Década de 2000 e o Atual Momento</p><p>Político e suas Diferenças (2020/2021) ......................................................................................................... 10</p><p>2.3. Atualidades e a Diáspora na América Latina ........................................................................................16</p><p>2.4. UNASUL X PROSUL .............................................................................................................................................17</p><p>2.5. O MERCOSUL ...........................................................................................................................................................18</p><p>2.6. A Venezuela .............................................................................................................................................................25</p><p>2.7. Os Estados Unidos Hoje ...................................................................................................................................30</p><p>3. Atualidades da Europa, do Oriente Médio, da Rússia e da China .................................................48</p><p>3.1. A Europa, a União Europeia e seus Contextos Atuais Mais Importantes ............................48</p><p>3.2. A Guerra na Síria e o Contexto Geopolítico no Oriente ...................................................................53</p><p>3.3. Rússia ......................................................................................................................................................................... 74</p><p>3.4. China ............................................................................................................................................................................ 88</p><p>4. Atualidades Relacionadas a Temas Globais ............................................................................................96</p><p>4.1. Tecnologia Entretenimento ............................................................................................................................96</p><p>4.2. O Aquecimento Global .....................................................................................................................................116</p><p>4.3. A Questão do Ártico ........................................................................................................................................ 130</p><p>5. A ONU e os Gs...........................................................................................................................................................138</p><p>5.1. A ONU.........................................................................................................................................................................138</p><p>5.2. Os Gs ..........................................................................................................................................................................139</p><p>Sumário</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>3 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>ApresentAção</p><p>Caro(a) aluno(a), é um prazer imenso estar junto a você nesta etapa de preparação rumo à</p><p>conquista de algo tão importante na vida: a estabilidade profissional no serviço público.</p><p>Peço licença para me apresentar. Meu nome é Luís Felipe Ziriba, sou formado em Geo-</p><p>grafia pela Universidade de Brasília (2004) e também sou servidor do INCRA – SEDE, desde</p><p>2008, como Analista em Desenvolvimento e Reforma Agrária. Ministro aulas para concursos</p><p>desde 2001. Comecei a lecionar aos 20 em pré-vestibulares, tendo seguido para concursos de</p><p>admissão à carreira militar, como EsPcex, EsA, entre outros, nas disciplinas Geografia Geral e</p><p>do Brasil. Lecionei as mesmas disciplinas também em preparatórios para cursos de admissão</p><p>à carreira diplomática – o Instituto Rio Branco –, para, já no início da década passada (2010),</p><p>partir também rumo ao desafio de lecionar as matérias Atualidades do Brasil e Mundo, além de</p><p>Realidade/Atualidades do Distrito Federal.</p><p>Assim, entre tantas matérias diferentes e interessantes, lá se vão mais de 18 anos prepa-</p><p>rando alunos com conteúdo de Geografia e Atualidades, nos melhores cursos do Distrito Fede-</p><p>ral, para os mais concorridos concursos do Brasil.</p><p>Bom, vamos ao que realmente importa a você, e obrigado pela atenção, pois o tempo urge!</p><p>Com vistas a auxiliá-lo(a) em nossa aula e na preparação para concursos, dividi este nosso</p><p>interessante material de Atualidades do Mundo em SEIS partes, ok? Então, vamos a elas:</p><p>• A POPULAÇÃO MUNDIAL;</p><p>• ATUALIDADES DA AMÉRICA LATINA E DOS EUA (+ COREIA DO NORTE);</p><p>• ATUALIDADES DA EUROPA, DO ORIENTE MÉDIO, DA RÚSSIA E DA CHINA;</p><p>• ATUALIDADES RELACIONADAS A TEMAS GLOBAIS: TECNOLOGIA, ENTRETENIMENTO E</p><p>MEIO AMBIENTE;</p><p>• A ONU e os Gs.</p><p>Destaco por fim, caro(a) aluno(a), ser extremamente necessário que realize a leitura in-</p><p>tegral dos temas abaixo – e seus respectivos textos complementares, mesmo que haja em</p><p>editais recortes balizando períodos específicos, tal como pode (e costuma) acontecer. Tenha</p><p>em mente que, apenas promovendo a leitura retórica acerca dos temas, desde seu início até o</p><p>fim, se tornará possível, portanto, a clarificação dos contextos mais recentes de atualidades.</p><p>Juro que não há como fugir disso! Pode confiar nessa informação. A disciplina de Atualidades</p><p>não está restrita, simplesmente, a uma coleta de notícias com base no(s) recorte(s) estipula-</p><p>do(s) pelos editais. Em Atualidades, existem contextos que devem ser percebidos enquanto</p><p>seus espaços geográficos, agentes, ocasiões e antecedentes, sobretudo, para que possamos,</p><p>portanto, atingir o nível necessário de conhecimentos pedidos pelas bancas em concursos.</p><p>Então, vamos começar. Peço, por favor, que faça o caderno de exercícios apresentado como</p><p>fixação de conteúdo e acréscimo didático e avalie meu curso em nossa plataforma. Obrigado!</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>4 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>ATUALIDADES MUNDO</p><p>Obs.: � Aula atualizada em outubro de 2022.</p><p>1. A populAção MundiAl</p><p>1.1. populAção GlobAl: Aspectos GlobAis eM 2020</p><p>Pirâmide Etária Global em 2020:</p><p>A população global em 2020 era de 7,7 bilhões de habitantes, e esse número continuará a</p><p>aumentar. As previsões para 2030 são de 8,5 bilhões (aumento de 10%); 9,7 milhões em 2050;</p><p>e 10,9 milhões em 2100.</p><p>Maiores países (2018):</p><p>• 1.</p><p>atualmente se encontra</p><p>esfacelado por perdas relativas à transferência de plantas fabris para países com melhores</p><p>vantagens competitivas (leia-se “salários bem mais baixos, leis ambientais frouxas e sindica-</p><p>tos fracos ou inexistentes”), tal como a China, além de Índia, Tailândia, Indonésia e parte da</p><p>América Latina, especialmente o México, entre outros.</p><p>Tal retrocesso econômico é resultado direto da nova estruturação econômica global pós-</p><p>-fordista (a partir dos anos 1970), intensificado pelo processo de globalização recente e a aber-</p><p>tura da China em definitivo para o Mundo (década de 1990), o qual assolou esta grande área a</p><p>Nordeste dos EUA. Com perdas econômicas (empobrecimento) e de perspectivas, associadas</p><p>a uma depressão urbana onde cidades como Detroit, em Michigan, chegaram a perder algo</p><p>em torno de 2/3 de sua população desde a década de 1970, o pujante epicentro da produção</p><p>industrial global, que outrora fora conhecido como sendo o “cinturão da manufatura”, passou a</p><p>receber a alcunha de “rust-belt”, o “cinturão da ferrugem”.</p><p>Obs.: � Caro(a) aluno(a), veja abaixo a área compreendida pelo rust-belt (oficialmente manu-</p><p>facturing-belt) e, no outro mapa, mais abaixo, como se dera a vitória de Trump em</p><p>parte dos estados compreendidos (em vermelho, os estados onde os republicanos</p><p>venceram).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>31 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Assim, Donald Trump evoca um discurso em sua campanha em defesa ferrenha desta</p><p>população desacreditada e empobrecida do Nordeste dos EUA, de origem norte-americana</p><p>por excelência (em contraste à população dos Sul dos EUA, em parte de origem hispânica),</p><p>calcado no lema “America First”, a que fossem as urnas no dia 8 de novembro de 2016 e o</p><p>elegessem. E ele, alavancado pelos votos em Estados pertencentes ao manufacturing-belt, os</p><p>quais votaram nas eleições anteriores no candidato democrata, tais quais Wisconsin, Ohio e</p><p>Pennsylvania, vence as eleições.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>32 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>É interessante que, em 2020, Donald Trump perde nos estados acima citados que o ajuda-</p><p>ram em sua eleição de 2016.</p><p>Um ponto em atualidades em relação ao que fora exposto acima reside no fato de que A</p><p>GUERRA COMERCIAL PROMOVIDA POR TRUMP, ANTE A CHINA (e veremos mais à frente so-</p><p>bre este tema), ocorre exatamente para atender a seu eleitorado do norte dos EUA, que almeja</p><p>a volta do emprego industrial através, exatamente, do retorno das plantas indústrias que se</p><p>dispersaram dos EUA em direção à China.</p><p>2.7.2. A Economia Americana Hoje</p><p>Os Estados Unidos possuem a maior economia do mundo. Falar sobre este país obriga-</p><p>-nos inicialmente a comentar o atual contexto econômico, bastante positivo até a chegada da</p><p>epidemia da COVID-19, porém com peculiaridades inerentes a este gigante global que detém</p><p>quase 25% das riquezas produzidas no globo em 2019 (mais precisamente, 24,3% de um PIB</p><p>global de US$ 74 trilhões em 2018).</p><p>Alguns dados recentes da economia dos EUA pré-pandemia (2019):</p><p>• Saldo da balança comercial: Déficit de US$ 700 bilhões (em 2018);</p><p>• Crescimento do PIB em 2019: 2,7%;</p><p>• Taxa de desemprego: 4,7% (em fevereiro de 2019);</p><p>• Taxa de Inflação: 1,3% (de janeiro a dezembro de 2019).</p><p>Em 2020, como era de se esperar, a economia americana entra em crise, junto com as</p><p>principais economias globais em função do coronavírus. Divisão percentual do PIB global em</p><p>2019 (pré-pandemia):</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>33 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>No gráfico acima, observe ser latente a presença global da economia americana, e a sua dian-</p><p>teira ante outros países do globo. É interessante notar que havia uma previsão, a qual esteve</p><p>em franco vigor no início da década 2000, de que, mais ou menos entre os anos de 2015 a</p><p>2018, haveria a ultrapassagem do tamanho da economia chinesa frente à americana. Um even-</p><p>to histórico, sem dúvida alguma. Contudo, tal fato não ocorreu conforme fora previsto pelos</p><p>analistas globais. Isso se deve, principalmente, porque nos últimos anos (antes da pandemia)</p><p>o vigor do crescimento econômico chinês esteve arrefecido. O país oriental saiu de um quadro</p><p>onde os números anuais de crescimento econômico estiveram em torno de 11% a 13% ao ano</p><p>para crescer, em 2019, na casa dos 7%. Na outra ponta, os EUA vinham recentemente (antes</p><p>da pandemia) recuperando o vigor de seu crescimento econômico. Sendo assim, em 2019 a</p><p>economia chinesa representava ainda em torno de 60% do tamanho da economia norte-ame-</p><p>ricana. Para sabermos quando (pois uma hora acontecerá) a economia chinesa ultrapassará</p><p>a americana, somente após a pandemia e percebendo, claro, como se dará a recuperação das</p><p>economias globais.</p><p>2.7.3. A Pax-Americana X Isolacionismo de Donald Trump (2017-2020)</p><p>Com uma plataforma eleitoral voltada à atenção das necessidades econômicas dos EUA,</p><p>xenófoba por excelência por ser ideologicamente repulsiva aos imigrantes, Donald Trump des-</p><p>tila já em seu discurso de posse, no dia 20 de janeiro de 2017, sua pegada afinada à projeção</p><p>dos negócios nos EUA (com sua forma peculiar de perceber o papel dos EUA) e como se</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>34 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>pautaria a partir dali a atuação de seu país. Ressalta que “o poder estava de volta ao povo” e</p><p>deixa claro que não esmoreceria ante o lema “America First”, tão propalado em seus discursos</p><p>de campanha.</p><p>Colocada em prática, já nos primeiros dias de governo, Trump demonstra nitidamente que</p><p>não caberia mais a promoção de escalas globalizadas como antes, nem de comércio multila-</p><p>teral, direcionando assim seu mandato, inclusive, em franca colisão ao que fora levado a cabo</p><p>por seu antecessor Barack Obama, em oito anos de governo (2008-2015) e outros Presidentes</p><p>americanos, tais quais George Bush (pai e filho) e Bill Clinton.</p><p>Se por décadas os EUA imprimiram a chamada pax-americana, corolário que buscava sina-</p><p>lizar, claramente, que quem os acompanhasse ideologicamente sairia privilegiado nas cartas</p><p>do jogo de forças geopolítico e econômico global, com Trump no poder ascende uma mu-</p><p>dança. Sua plataforma é escancaradamente isolacionista e, sendo assim, relega arranjos e</p><p>acordos com países, a não ser que tais costuras sejam de extrema necessidade e ultravanta-</p><p>josas aos EUA.</p><p>2.7.4. A Saída do Acordo de Paris</p><p>Primeiramente, vale-nos compreender que o Acordo de Paris foi o mais robusto acordo cli-</p><p>mático em termos de número de países participantes da história. Fechado na 21ª Conferência</p><p>do Clima, realizada em dezembro de 2015 (ainda com Barack Obama à frente da Presidência</p><p>dos EUA), embora não exige que países assumam metas de redução de gases de efeito estufa,</p><p>tal qual fora conseguido</p><p>em Kyoto, por este tratado 195 países assumem o compromisso no</p><p>sentido de manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2ºC acima dos</p><p>níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC aci-</p><p>ma dos níveis pré-industriais.</p><p>Pois bem. Com a justificativa de “tornar a América grande novamente” e com o “dever sole-</p><p>ne de proteger os Estados Unidos e os seus cidadãos”, os Estados Unidos se retiraram do acor-</p><p>do climático de Paris, conforme fala do próprio Trump em discurso em junho de 2016, para em</p><p>seguida cumprir sua promessa e retirar-se desse importante Tratado. Se com Barack Obama o</p><p>mundo possuía um defensor deste tipo de participação norte-americana mais ativa em ques-</p><p>tões globais, o isolacionismo de Trump vem fazer água nesta questão climática, e também em</p><p>várias outras de relevância global, em que a participação dos EUA se faz necessária.</p><p>Em 2019 e 2020, permaneceu tal isolacionismo climático impresso desde o seu primeiro</p><p>ano de mandato por parte de Trump, inclusive com o aumento de seguidores de tal política iso-</p><p>lacionista dentre os países do mundo, sendo o Brasil um expoente deste tipo de agir. Durante a</p><p>campanha presidencial de 2018, o próprio Presidente Jair Bolsonaro declarou que iria também</p><p>sair do acordo climático global, tendo, contudo, após tomar posse, desistido de empreender tal</p><p>manobra de evasão.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>35 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2.7.5. Saída da Unesco</p><p>Em outubro de 2017, Trump anuncia a saída dos EUA da Unesco, a agência de educação e</p><p>cultura da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi tomada, e logo depois Israel</p><p>declarou que seguirá o mesmo passo. Ambos apontam uma acompanhada postura anti-isra-</p><p>elense por parte da organização.</p><p>A decisão americana, válida a partir de 2019, não surpreende: em 2011, ainda sob o gover-</p><p>no Barack Obama, os EUA já haviam cancelado sua contribuição financeira para a Unesco em</p><p>protesto contra decisão da agência de conceder aos palestinos o status de membros plenos.</p><p>2.7.6. A Questão do Tratado de Associação Transpacífico e o NAFTA</p><p>O isolacionismo econômico tem como primeira medida de governo a retirada do Tratado</p><p>de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) por parte de Trump, o qual, durante a</p><p>campanha, fez questão denunciar com veemência o que chamou de um acordo “terrível” e que</p><p>“viola”, segundo ele, os interesses dos trabalhadores norte-americanos.</p><p>O acordo foi negociado pelo governo de Barack Obama e visto como um contrapeso à</p><p>crescente influência econômica e política da China, depois que Donald Trump retirou os Esta-</p><p>dos Unidos do acordo em 2017. Sendo assim, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia,</p><p>México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnã ajustaram as pontas e, em 2018, assinam</p><p>uma nova parceria, renomeada como Acordo Progressivo e Compreensivo Tratado Transpací-</p><p>fico (TPP11).</p><p>Outra medida de impacto e que dá mais uma dimensão deste isolacionismo comercial</p><p>promovido por Donald Trump fora anunciada dias depois da sua retirada do TPP. Para o NAF-</p><p>TA, Trump disse que seu país só seguiria dentro da Aliança de Livre Comércio dos países da</p><p>América do Norte, iniciada em 1994, se Canadá e México aceitassem reiniciar rodadas de rene-</p><p>gociação comercial (entenda-se “tarifárias”), com vistas a reduzir o saldo negativo do comér-</p><p>cio norte-americano com os dois países-parceiros no acordo. Pressionados e com medo de</p><p>perder o parceiro comercial, mesmo a contragosto, Canadá e México iniciam, em 2017, novas</p><p>negociações visando atender ao interesse dos EUA, para, em outubro de 2018, o mandatário</p><p>norte-americano anunciar oficialmente o fim do NAFTA como conhecemos e iniciar rodadas</p><p>individualizadas de negociações.</p><p>Veja em matéria do InfoMoney:</p><p>Guerra travada por EUA e China não é só comercial: ela é tecnológica</p><p>A guerra Trump-Xi subiu de tom. Há um tempo já se percebeu que não se trata de re-</p><p>duzir o déficit comercial dos americanos contra os chineses, mas de limitar a capaci-</p><p>dade de um competidor global na tecnologia de ponta. Nessa reedição da guerra nas</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>36 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>estrelas, os EUA parecem ter mais alavancagem, mas não vai ser simples exercê-la.</p><p>Os chineses têm tempo, paciência e espaço de manobra econômica para aguentar por</p><p>muito mais tempo.</p><p>Já está claro que a Guerra comercial travada por Trump há mais de dois anos não</p><p>tem nada de puramente comercial. O objetivo não pode ser apenas reduzir o déficit</p><p>de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões entre os dois países.</p><p>Os objetivos são maiores e têm relação com a importância que a China vem obtendo</p><p>ano a ano no mercado de inteligência artificial, robótica e todo aquele cenário Blade</p><p>Runner que volta e meia a gente se depara em vídeos institucionais ou relatos de</p><p>viajantes para a China ou Vale do Silício. E é por isso que a Huawei está no centro da</p><p>disputa. Voltaremos a isso um pouco abaixo.</p><p>Na semana passada, Trump anunciou que pretende elevar para 10% as tarifas nos</p><p>últimos US$ 300 bilhões que os Estados Unidos importam em bens chineses. No</p><p>final de semana, a moeda chinesa ultrapassou a marca de CNHUSD 7, algo quase</p><p>sem precedente e sinalizou para muitos uma intenção por parte do governo chinês</p><p>de elevar o tom da guerra ao usar desvalorizações cambiais.</p><p>Os riscos subiram muito nos últimos dias As estocadas de lado a lado são mais</p><p>consequência de uma situação de paralisia nas negociações do que a causa. O que</p><p>está realmente acontecendo é que os dois lados da moeda parecem acreditar que</p><p>tem muita alavancagem sobre o outro e, tão importante quanto isso, tem espaço de</p><p>manobra econômica para não negociar, se dando ao luxo de tentar esticar a corda</p><p>até que o outro lado pisque e ceda.</p><p>A desvantagem do lado americano é o tempo. Trump tem uma eleição para enfrentar</p><p>em 2020. Então, sua habilidade tem que ser extrema para a corda não arrebentar e</p><p>acabar gerando uma recessão e um recuo das bolsas que torne sua reeleição impro-</p><p>vável. Ainda parece estarmos longe dessa situação. O FED pode cortar os juros, o</p><p>espaço fiscal ainda pode ser usado e há uma explícita intenção em usá-los, como na</p><p>concessão de subsídios para o importante setor agrícola americano.</p><p>No lado chinês, as restrições políticas temporais são menores, mas não são peque-</p><p>nas. Na China, a história conta. E fazer ilimitadas concessões aos americanos coloca</p><p>Xi Jinping em uma posição difícil tendo em vista a grande resistência que os chine-</p><p>ses tem de se colocar vulneráveis a forças globais. A vantagem chinesa é a maior</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>37 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>desregulação institucional do país, que dá ao governo espaço importante de ação</p><p>fiscal, creditícia, monetária e, por que não, cambial.</p><p>Em resumo, nenhum dos dois lados vê vantagens políticas ou necessidades econô-</p><p>micas para seguir uma negociação agora que seja visto como muito vantajosa para</p><p>o rival.</p><p>E no meio disso, está o setor de tecnologia. E aí o emaranhado</p><p>e as interdependên-</p><p>cias dos países são maiores ainda.</p><p>Por um lado, a China possui a maior e principal empresa de 5G, a Huawei. As duas</p><p>únicas competidoras mundiais seriam as nórdicas Nokia e Ericsson. Caso os EUA to-</p><p>mem medidas extremas a ponto de asfixiar a empresa, estima-se que o impacto que</p><p>teria sobre os preços da tecnologia 5G seria gigantesco. Portanto, os EUA possuem</p><p>uma certa dependência da Huawei.</p><p>Por outro lado, para a China desenvolver tecnologia, faz-se necessário um setor de</p><p>semicondutores, cujo maior ofertante global, de longe, é os EUA. Portanto, a China</p><p>tem duas alternativas, ser um ótimo cliente dos semicondutores americanos ou de-</p><p>morar alguns anos para talvez desenvolver o próprio. Até lá, a China terá ficado para</p><p>trás.</p><p>E o labirinto continua. Para o setor tecnológico americano, há um insumo necessário</p><p>chamado de “terras raras”. Cerca de 80% da produção dessas terras raras vem da</p><p>China.</p><p>É isso mesmo. Há uma situação de quase monopólio e quase monopsônio [estrutura</p><p>de mercado caracterizada por haver um único comprador para o produto de vários</p><p>vendedores] de um lado a outro que torna quase inviável imaginar que os dois países</p><p>vão romper de vez. Há muita coisa em jogo. E tampouco há um interesse que isso</p><p>aconteça.</p><p>Portanto, se o entrelaçado tecnológico dos países torna o divórcio impossível na</p><p>prática, e as restrições político-econômicas torna o casamento improvável no curto</p><p>prazo, a solução de curto prazo que parece se apresentar como mais provável é que</p><p>fiquemos nesse meio do caminho por um longo período, em pequenos ciclos de es-</p><p>tresse e alívio.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>38 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>No entanto, acreditamos também que esses pequenos momentos de ataque de um</p><p>ao outro vão criando feridas difíceis de cicatrizar. E na nossa avaliação, os america-</p><p>nos têm mais armas fatais.</p><p>Os chineses possuem esse monopólio de produção das terras raras, mas não são os</p><p>únicos que possuem esse insumo. Austrália e a Califórnia também a possuem, mas</p><p>não a produzem por ser muito poluente.</p><p>A China possui uma grande quantidade de títulos do tesouro americano. Podem ven-</p><p>der a mercado e machucar a economia deles? Parece provável que existe um buro-</p><p>crata genial na China que consiga administrar US$ 3 trilhões em treasury sem afe-</p><p>tar o próprio valor das reservas chinesas? Pequenos sustos e estocadas vindas daí</p><p>pode até ser possível, mas desconfiamos que isso não é possível como estratégia</p><p>estrutural. Além do mais, eles venderiam as reservas e alocariam aonde? Em títulos</p><p>negativos de países desenvolvidos? A moeda segue a mesma ideia. Eles poderiam</p><p>fazer uma desvalorização mais acentuada da sua moeda.</p><p>Mas, lembremos que os chineses estão há muitos anos tentando tornar o remimbi</p><p>uma moeda global, utilizada no comércio intra-asiático. Não me parece que desvalo-</p><p>rizar de maneira aguda sua moeda vá ao encontro a esse objetivo maior e de longo</p><p>prazo. E os chineses poderiam fechar seus mercados, tornar-se hostis a grandes em-</p><p>presas americanas. Se há aliado importante da China dentro dos EUA são as grandes</p><p>empresas, que inibem Trump de traçar medidas mais radicais. Então, criar um am-</p><p>biente ruim com Google, Amazon, Facebook, entre outros, não me parece também</p><p>uma boa estratégia.</p><p>Elencando assim, fica fácil perceber que a China não possui tantas armas quanto</p><p>sugerem sua força econômica. Seu líder, Xi Jinping, por isso mesmo, terá que admi-</p><p>nistrar a pressão interna e externa e tentar ganhar terreno à medida que a economia</p><p>americana mostrar alguma fraqueza.</p><p>Do lado americano, como falei, a maior restrição é a eleição e a dificuldade que Trump</p><p>teria no caso de uma recessão ou um grande ajuste no mercado de ações. Suas ar-</p><p>mas são fortes nos ataques para a China.</p><p>Além do quase monopólio no mercado de semicondutores, que citei anteriormente,</p><p>Trump tem feito uso das tarifas para tentar atingir a China e, o que seria extremo,</p><p>mas possível, aumentar a lista de restrição de exportações. Esse tipo de mecanis-</p><p>mo cria um obstáculo para que empresas chinesas adquiram insumos de empresas</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>39 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>americanas, o que no limite pode asfixiá-las e torná-las inoperantes, como já ocorreu</p><p>com uma empresa chamada Fujian Jinhua.</p><p>Em resumo, estamos presos nessa armadilha e será difícil desarmar a bomba em um</p><p>curto espaço de tempo. Que tenhamos armas para nos proteger das nuvens negras</p><p>que se desenham no horizonte.</p><p>Sobre a questão supremacista nos EUA: os Estados Unidos são o país no mundo com a maior</p><p>quantidade absoluta de imigrantes inseridos na população. Residem hoje por lá em torno de 40</p><p>milhões de estrangeiros, para um contingente total de 330 milhões de habitantes.</p><p>Desde a década de 1960 até a entrada deste século, os EUA promoveram políticas de cunho a</p><p>facilitar a entrada de imigrantes. Porém, tal processo tem fim, de certa forma, com os ataques</p><p>terroristas de 11 de setembro de 2001. Assim, ao longo das últimas duas décadas, políticas de</p><p>cunho a dificultar a entrada de imigrantes tomaram corpo no país e, com Donald Trump à frente</p><p>da Presidência, se encrudescem tais iniciativas de forma radical.</p><p>Além das questões relacionadas ao tecido social promovidas pela massa de imigrantes cons-</p><p>tantes na população americana (tais quais a questão da presença no mercado de trabalho, o</p><p>dinamismo econômico e aspectos legais e jurídicos), os EUA atravessam tempos nos quais</p><p>também o tecido racial vem rasgando, e, para consertá-lo, em nada colabora o modelo xenófobo e</p><p>abertamente racista de Trump de se perceber a sociedade americana como um todo. Muito</p><p>pelo contrário.</p><p>O ano de 2017, o primeiro completo de Donald Trump à frente dos EUA, fora marcado por su-</p><p>cessivos distúrbios, principalmente pelo interior dos EUA, confrontando posições de grupos de</p><p>defesa dos imigrantes e dos negros e os grupos denominados supremacistas.</p><p>Em Charlottsville, Virginia, uma passeata em agosto de 2017 de cunho antirracista se trans-</p><p>forma em tragédia. De posse de seu veículo Dodge Challenger, o jovem James Alex Fields,</p><p>declaradamente um defensor da supremacia americana, mata uma pessoa e fere outras 19</p><p>ao avançar com seu bólido sobre a multidão. Pelas cidades do país, de Norte a Sul, o que se</p><p>percebe ao longo do ano é a mesma situação. Uma série de distúrbios e uma crescente con-</p><p>siderável nas mortes em função do confronto étnico-racial. Se, por um lado, os EUA, ao longo</p><p>dos últimos tempos, vêm diminuindo suas taxas de homicídios por causas econômicas ou uso</p><p>drogas, por outro aumenta consideravelmente, após a eleição de Trump, o número de mortes</p><p>por causa de questões raciais e étnicas.</p><p>Os supremacistas são a parte da população norte-americana que considera indesejável, e de</p><p>estirpe inferior, os imigrantes, judeus e negros. Preconizam um país livre destas minorias e rei-</p><p>vindicam ao menos que possam bradar livremente seus discursos, colocando à frente de tudo</p><p>sobretudo a superioridade branca. Estima-se haver algo em torno de 920 organizações desse</p><p>tipo no EUA em 2017.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>40 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A verdade é que, com Donald Trump (que saiu em 31 de janeiro de 2021) à frente dos rumos da</p><p>nação, tais grupos sentiram-se à vontade para sair em defesa dos mais radicais ideários e dis-</p><p>cursos supremacistas. Não que tais grupos tenham nascido a partir da eleição de Trump em</p><p>2016 – pelo contrário, eles são enraizados nos EUA há tempos, mas, à medida que o presidente</p><p>se identifica claramente com a xenofobia (chegando a se referir que os grupos latinos de El</p><p>Salvador e Nicarágua eram oriundos de “shit-countries”, ou “países de merda”) e se apoia para</p><p>ser eleito exatamente neste eleitorado mais radical, o qual não vinha participando ativamente</p><p>dos pleitos anteriores (principalmente nas duas eleições de Barack Obama), há evidentemente</p><p>um cenário francamente aberto à ação destes grupos. É isso que vinha acontecendo ao longo</p><p>do mandato de Donald Trump.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>OSCAR 2019 – FILME “INFILTRADO NA KLAN”</p><p>Vencedor do Festival de Cannes de 2018, sendo também um dos concorrentes ao</p><p>Oscar 2019 em várias categorias, inclusive a de Melhor Filme, o diretor americano de</p><p>descendência africana Spike Lee veio às telas em 2019 com um filme que retrata uma</p><p>história passada em 1978. Neste, um policial negro se infiltra na Ku Klux Klan, organi-</p><p>zação supremacista norte-americana. Ao fim, o diretor imprime uma crítica severa ao</p><p>momento atual dos EUA, com a volta da força de discursos segregacionistas/suprema-</p><p>cistas, mostrando cenas de manifestações nos EUA de grupos nazifascistas e também</p><p>como Trump referenda a ação destes grupos em seus discursos.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>GEORGE FLOYD E O #BLACKLIVESMATTER</p><p>Em 25 de maio de 2020, George Floyd, um cidadão americano negro, desempregado</p><p>e com algumas passagens pela polícia, foi detido pela polícia de Minneapolis, capital de</p><p>Minnesota. Um vídeo mostrando a prisão de Floyd e a forma como o oficial de polícia</p><p>Derek Chauvin procedeu viralizou logo em seguida.</p><p>Algemado, de bruços no chão, após sofrer acusação de tentar passar uma nota</p><p>falsa de US$ 20 em um mercado na tentativa de comprar cigarros, além de suposta-</p><p>mente haver resistido à prisão, Floyd acaba morrendo sufocado. Tudo registrado em</p><p>vídeo onde por mais de 8 minutos o policial fica com o joelho sobre a sua garganta e</p><p>ele súplica por ar.</p><p>A desastrosa ação empreendida pelo policial Chauvin provoca uma onda de pro-</p><p>testos em todos os Estados Unidos e reacende uma questão que, na verdade, nunca</p><p>esteve dormente. O tecido racial norte-americano é rachado ao extremo, se encontran-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>41 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>do a violência policial, escancaradamente, como uma evidência mais do que latente</p><p>de que algo está muito errado por lá já faz décadas. Faz séculos, aliás. E com Donald</p><p>Trump à frente do poder nada muda – aliás, vem piorando.</p><p>Criado em 2013, o movimento Black Lives Matter – “Vidas Negras Importam” –</p><p>busca denunciar e mostrar exatamente a forma agressiva com que policiais americanos</p><p>tratam vidas e ameaçam a integridade física e moral de negros, reivindicando por Jus-</p><p>tiça, para que esses policiais sejam usados de exemplo e respondam por seus crimes.</p><p>E lá atrás, há 8 anos, foi a indignação ante a absolvição de Jorge Zimmermann, um</p><p>homem branco que havia matado com vários tiros Trayvon Martin, um jovem negro de</p><p>17 anos, que impulsionou a criação deste que hoje se tornou um dos mais importantes</p><p>movimentos de combate ao racismo da atualidade.</p><p>A professora, escritora e ativista negra Alicia Garza, ao se revoltar vendo mais uma</p><p>vez um crime cometido por brancos contra negros recebendo salvo-conduto da Justiça</p><p>americana, posta, então, em suas redes sociais, um depoimento indignado: “Pessoas</p><p>negras, eu amo vocês, eu nos amo, vidas negras importam”. Em seguida, outra ativista,</p><p>Patrície Khan, replica a mensagem e cunha a hashtag #blacklivesmatter.</p><p>Logo em seguida, outra ativista negra replica tal mensagem de indignação, e cria-se</p><p>assim um movimento que, em 2020, conseguiu com que, em várias cidades america-</p><p>nas, a população saísse às ruas em protesto contra o racismo.</p><p>Embora o Black Lives Matter não proclame ser um movimento hierárquico e guerri-</p><p>lheiro, suas bandeiras estão associadas aos principais movimentos negros históricos,</p><p>tais quais os Panteras Negras ou a luta contra o apartheid na África do Sul.</p><p>“Black Lives Matter é uma intervenção política e ideológica em um mundo onde</p><p>vidas negras são sistemática e intencionalmente desaparecidas” diz o site do movi-</p><p>mento. “É uma afirmação da humanidade das pessoas negras, da nossa contribuição</p><p>para a sociedade, da nossa resiliência em face dessa opressão fatal”. Trata-se, portan-</p><p>to, também de um movimento em incentivo por mais protestos e mais atos de resis-</p><p>tência em luta contra o racismo no mundo todo. Nessa seara até a Fórmula 1, esporte</p><p>elitista e quase sem conexão com o mundo real, se rendeu, propondo que seus pilotos,</p><p>ao iniciarem a temporada atual na Áustria, se ajoelhassem ao se apresentar ao públi-</p><p>co na primeira corrida do ano, como referência ao antirracismo e George Floyd. Vimos</p><p>a maioria dos corredores (14 pilotos dentre 20) curvando-se de forma inédita contra o</p><p>racismo.</p><p>Nascido no universo que as redes sociais projetam, com a morte de George Floyd,</p><p>vimos mais uma vez a força de manifestações convocadas virtualmente com vistas</p><p>ao combate de desigualdade e injustiças latentes. Vale lembrar que nos movimentos</p><p>#occupywallstreet (2011 e 2012) e também nos recentes protestos no Chile (desde</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>42 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>outubro de 2019), a força virtual se fez totalmente presente, sem esquecer de uma insur-</p><p>reição da dimensão da Primavera Árabe, em alguns países árabes, o que era impensá-</p><p>vel – ou seja, a volta de democracia, obteve início também através do meio virtual.</p><p>Por fim, em abril de 2021 o policial Derek Chauvin foi condenado pela morte de</p><p>George Floyd. A pena será divulgada em dois meses, mas pode chegar a 40 anos. Outros</p><p>3 policiais envolvidos no caso também foram condenados.</p><p>2.7.7. Os EUA e a Coreia do Norte: 2018/2020</p><p>A grande novidade na relação dicotômica-ideológica no ano de 2018 entre os EUA e a Co-</p><p>reia do Norte se deu em relação à aproximação inédita entre ambos os países. Se em seu pri-</p><p>meiro ano (2017) como mandatário Trump recebeu seguidas ameaças do líder norte-coreano,</p><p>o tresloucado Kim Jong-un, que bradava de forma explícita que estaria intencionado a atacar</p><p>os EUA com mísseis antiaéreos, em 2018 uma mudança em torno desta retórica veio à tona e</p><p>ganhou contornos importantes. Já nos primeiros dias de 2018, o líder comunista acenou acei-</p><p>tar que fosse desenhado um acordo desarmamentista, dispondo-se, inclusive, a se reunir com</p><p>Trump para que dessem início ao fim das animosidades entre os países.</p><p>Assim, em 12 de junho de 2018, na cidade-Estado de Singapura, os dois líderes, que eram</p><p>outrora inimigos declarados, se reuniram e selaram a paz entre os dois países. Em troca, ali</p><p>mesmo, os EUA ofereceram – sob a condição de que a Coreia do Norte se comprometesse a</p><p>seguir uma agenda desarmamentista, dar fim aos inúmeros embargos econômicos que vinham</p><p>sendo impressos contra o regime ditatorial da dinastia dos Kim no país comunista, medidas</p><p>estas originadas quase</p><p>que exclusivamente pela política externa repressiva norte-americana.</p><p>Para 2019, tal aproximação caminhou em curso estável: em março, Trump não autorizou</p><p>ao Tesouro norte-americano promover mais sanções econômicas ao regime de Kim Jong-un e,</p><p>em julho, o mandatário norte-americano amenizou os temores emanados por parte da Coreia</p><p>do Sul acerca dos testes de mísseis feitos pela Coreia do Norte. A interlocutores, o Presidente</p><p>americano faz questão de afirmar que simpatiza e confia no líder norte-coreano. Em 2020,</p><p>embora sem maiores ações histriônicas por parte de ambos os ex-inimigos, a que sejam incre-</p><p>mentadas maiores escalas de aproximação, visto também que a quase totalidade dos esfor-</p><p>ços se concentraram na pandemia de COVID, os EUA e a Coreia do Norte permanecem em paz,</p><p>desfrutando dos avanços promovidos ao longo dos dois anos anteriores.</p><p>Joe Biden, o Presidente eleito nos EUA em fins de 2020 não recebeu nenhum tipo de feli-</p><p>citação por parte de Kim Jong-un. Analistas internacionais deixam claro, contudo, que, caso</p><p>Donald Trump se reelegesse, haveria, com quase certeza, felicitações por parte do ditador nor-</p><p>te-coreano. Biden não deve ter paz com Kim Jong-un.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>43 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2.7.8. A Eleição de Joe Biden 2021</p><p>Longe de ter transitado em mar de tranquilidade ao longo dos seus primeiros 3 anos de go-</p><p>verno pré-COVID (2017-2018-2019), ao menos Donald Trump possuía a seu favor indicadores</p><p>econômicos relativamente robustos, com bom crescimento do PIB e baixíssimo desemprego.</p><p>Bem ou mal, sua aprovação ficava na casa dos 50% até a entrada do ano de 2020. A impressão</p><p>era de que Trump não havia puxado ninguém do séquito oposicionista para seu lado, mas, ao</p><p>mesmo tempo, ele mantinha a outra metade do país que o apoiava desde as eleições de 2016</p><p>consigo. Podemos afirmar que até a entrada da pandemia de COVID, a chance de Trump ser</p><p>reeleito era relativamente alta, e nem o processo de impeachment que atravessou (sendo pron-</p><p>tamente absolvido na entrada de 2020) parecia abalar tal convicção. As eleições de novembro</p><p>de 2020 demonstraram que o cenário mudou, e Trump perdeu as eleições, tal qual sabemos.</p><p>Joe Biden se tornou o Presidente mais idoso a ser eleito nos EUA em todos os tempos.</p><p>Com 78 anos, o Senador do Partido Democrata pelo minúsculo estado de Delaware foi eleito</p><p>oficialmente após 11 dias de contagem de votos, em 14 de novembro. Levou no voto popular</p><p>e no colégio eleitoral.</p><p>Sem qualquer apoio oficializado do (mau) perdedor Donald Trump, que em uma primeira</p><p>fase anunciou aos 4 ventos que iria em busca de seus direitos no Judiciário por considerar</p><p>uma fraude o atual pleito, Joe Biden tem como desafios desatolar a economia e tentar atar</p><p>novamente um país, que, tal qual o Brasil, se encontra rachado em função, fundamentalmente,</p><p>de um Presidente (Donald Trump) que promoveu de forma irresponsável políticas segregacio-</p><p>nistas e sem qualquer vínculo a uma agenda minimamente plural em termos sociais.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>KAMALA HARRIS, A PRIMEIRA VICE-PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS</p><p>Eis que Kamala Harris se torna, aos 56 anos, a primeira mulher Vice-Presidente dos</p><p>Estados Unidos. Procuradora-Geral da Califórnia de 2011 a 2017 e Senadora dos Esta-</p><p>dos Unidos pela Califórnia de 2017 a 2021, Kamala Harris acumula ineditismos. Foi a</p><p>primeira Procuradora Geral da Califórnia, e também a primeira senadora e vice-Presi-</p><p>dente de origem indiana e afro-americana. Kamala é filha de dois imigrantes: a mãe</p><p>nascida na Índia, e o pai, na Jamaica. Antes de ingressar à chapa democrata consa-</p><p>grada vencedora como a vice de Joe Biden, Kamala Harris havia tentado, sem sucesso</p><p>(mas com grande repercussão), concorrer à candidatura democrata à Presidência em</p><p>2020 no topo da chapa.</p><p>Não conseguindo postular o cargo máximo, contudo, como candidata a vice ela</p><p>serviu enormemente a que Joe Biden angariasse os votos das chamadas “minorias” –</p><p>ou seja, negros e imigrantes –, isso sem falar no voto feminino. Mesmo que, diga-se,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>44 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>por vezes mal vista entre os grupos imigrantes, pois estes consideraram sua atuação e</p><p>propostas muito aquém daquilo que era esperado de uma filha de pais imigrantes, fato</p><p>é: ela apenas somou à chapa vencedora do pleito em 2020. Conhecida por ser enfática,</p><p>firme e capaz de articular nas redes sociais de modo formidável, Kamala Harris acumu-</p><p>la ineditismos e holofotes. Dentre seus predicados, a primeira mulher a ocupar a Vice-</p><p>-Presidência dos EUA reverbera, de forma inequívoca, um vigor incrivelmente maior que</p><p>o de Joe Biden. Claro, a idade ajuda (e muito), visto ser ela quase duas gerações mais</p><p>nova que seu chefe Presidente.</p><p>Kamala buscou, enquanto Procuradora Geral da California e depois como Senado-</p><p>ra, revisar a Justiça criminal dos EUA – projeto visto como uma resposta às críticas de</p><p>progressistas a seu trabalho como uma dura procuradora-geral da Califórnia. Dentro</p><p>de sua inerente disposição, ela não se cala em debates como sobre a legalização do</p><p>aborto ou como a atividade policial nos EUA até hoje se demonstra segregacionista,</p><p>entre outros, que são temas espinhosos diante dos quais ela não esmoreceu. Kamala é</p><p>moldada por um progressismo que é facilmente perseguido nos EUA como se fosse o</p><p>auge de um pensamento de esquerda. E talvez seja.</p><p>E Kamala possui, daqui a apenas 4 anos, a chance de ser a primeira Presidente dos</p><p>EUA. Joe Biden, atualmente com 78 anos, declara abertamente que não deve concorrer,</p><p>aos 82 anos, à reeleição, em 2024. Assim, caso Biden e Donald Trump não mudem de</p><p>ideia – pois Trump (diferentemente de Biden) declarou incisivamente que voltará como</p><p>candidato para retomar a Casa Branca em 2024 –, veremos, quem sabe, uma próxima</p><p>eleição rivalizando Donald Trump e Kamala Harris. Será algo muito interessante. Aguar-</p><p>demos, então, o próximo capítulo!</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O CONSERVADORISMO NO MUNDO EM 2021/2022</p><p>A maioria dos países do globo possui atualmente em seus comandos centrais</p><p>governos de direita. Isso não é um fenômeno novo, longe disso, nem algo que deva ser</p><p>classificado como sendo ruim ou bom. O fato é que a globalização, ao menos como</p><p>conhecemos, combina com livres mercados, fundamento este basilar do pensamento</p><p>de direita. Além de tudo, os mais de 140 países democráticos do mundo tendem, em</p><p>maioria esmagadora, a eleger atualmente mandatários de direita ou de centro-direita.</p><p>Seria uma tradição democrática escolher governos de direita? Talvez sim.</p><p>Na outra ponta, o comunismo, via de esquerda mais radical, impera hoje somente</p><p>à frente de governos centrais no Vietnã e na China, em embalagem ditada em ambos</p><p>por um “socialismo de mercado” – e também na Coreia do Norte (o regime considerado</p><p>mais fechado no globo) e em Cuba (último pilar do comunismo ditatorial nas Améri-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>45 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>cas), dois baluartes mais radicais. Outros pouco países, por vias democráticas, tal qual</p><p>Venezuela,</p><p>Nicarágua e Bolívia (ao menos até a queda de Evo Morales em fins de 2019),</p><p>escolheram regimes à esquerda que persistem – uns, mal das pernas; outros melhores.</p><p>Mas o que chama a atenção – e vale o destaque aqui por ser ponto extremamente</p><p>importante em Atualidades – é exatamente como em alguns países, muitos desses</p><p>muito importantes no cenário global, ascenderam recentemente governos de viés decla-</p><p>rado de extrema direita, CONSERVADORES EM ESSÊNCIA. Nesta seara, via de regra,</p><p>imperam assim sistemas políticos que não possuem habilidade em conviver com o</p><p>contraditório, sendo praça para discursos e ações de cunho xenófobo, racista e autori-</p><p>tário que bradam o resgate de costumes e das tradições familiares, além do liberalismo</p><p>econômico. Vejamos os casos que mais chamam a atenção em 2021.</p><p>HUNGRIA</p><p>Viktor Orbán, em seu terceiro mandato, busca ter controle sobre o ensino estatal</p><p>superior, por considerar, tal qual no Brasil, atualmente haver um núcleo marxista impres-</p><p>so nas universidades, além de proferir discursos xenófobos contra imigrantes. Em 1º de</p><p>janeiro de 2019, esteve aqui no Brasil, exatamente para a posse de seu novo amigo de</p><p>direita, o Presidente Jair Bolsonaro.</p><p>FRANÇA</p><p>Embora não seja comandada por um Presidente representante da direita conser-</p><p>vadora (Emmanuel Macron), o que se vê no país é a ascensão deste tipo de discurso,</p><p>onde Marine Lepen, figura baluarte da direita conservadora, vem de sua terceira tentati-</p><p>va como candidata à Presidência, sempre ficando entre os três primeiros – sendo, que</p><p>na última eleição, de 2017, perdeu apenas no segundo turno exatamente para Macron.</p><p>Para 2022 haverá eleições gerais e novamente candidatos com plataformas conserva-</p><p>doras possuem chance de vencer</p><p>ALEMANHA</p><p>Na Alemanha, o Partido Alternativa para a Alemanha, de viés declaradamente xenó-</p><p>fobo e racista, conquistou nas mais recentes eleições parlamentares (fins de 2018)</p><p>quase 15% das cadeiras, assombrando os analistas políticos. Desde o Terceiro Reich,</p><p>com Hitler, um partido de extrema-direita não obtinha tanto espaço no parlamento local.</p><p>Em 2021, o país enfrentou novas eleições, desta vez para escolha de seu Presidente e</p><p>sem Angela Merkel no pleito. Venceu seu ministro das finanças, Olaf Scholz, político</p><p>que reza a cartilha de uma plataforma progressista de centro-esquerda defensora da</p><p>União Europeia. Os partidos conservadores mesmo com presença na eleição diminui-</p><p>ram sua participação tal qual em comparação à 2017</p><p>FILIPINAS</p><p>No distante país do Pacífico, com uma das maiores populações globais e um dos</p><p>piores índices de desenvolvimento humano, o atual Presidente, Rodrigo Duterte (desde</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>46 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2016), se lança desde sua campanha em comunhão a um discurso altamente conser-</p><p>vador, estruturado no combate às drogas, à prostituição e à homossexualidade. Conhe-</p><p>cido por suas declarações bizarras, onde até mesmo o Papa fora xingado em ocasião</p><p>de sua visita ao país apenas por ter causado um enorme engarrafamento na capital,</p><p>Manila, Duterte cria um Estado de exceção; lota penitenciárias com levas enormes de</p><p>acusados de uso e tráfico de drogas e autoriza a polícia a matar sem piedade. Recente-</p><p>mente, em junho de 2019, chegou ao cúmulo de declarar ter sido homossexual, mas ter</p><p>sido “salvo” por um séquito de “mulheres bonitas” em sua vida.</p><p>PARAGUAI</p><p>Em 2018, o jovem Mario Benítez, de 46 anos, também vestindo a roupagem do con-</p><p>servadorismo de direita, assume pela primeira vez o governo no Paraguai. Contudo, o</p><p>novo mandatário busca associar sempre que possível sua persona e os preceitos indu-</p><p>tores de seu governo fundamentalmente ao Estado democrático e aos direitos huma-</p><p>nos.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O ABORTO NO MUNDO E NO BRASIL EM 2021</p><p>Aborto ou interrupção da gravidez é a interrupção de uma gravidez resultante da</p><p>remoção de um feto ou embrião antes de este ter a capacidade de sobreviver fora do</p><p>útero. Um aborto que ocorra de forma espontânea denomina-se aborto espontâneo ou</p><p>“interrupção involuntária da gravidez”. Um aborto deliberado denomina-se “aborto indu-</p><p>zido” ou “interrupção voluntária da gravidez”. O termo “aborto”, de forma isolada, geral-</p><p>mente refere-se a abortos induzidos.</p><p>Discussão controversa que envolve questões religiosas, espirituais, e logicamente,</p><p>de saúde, o aborto, como não poderia deixar de ser, não é tratado da mesma forma no</p><p>mundo. Pelo contrário. Podemos distinguir 5 rols de países: que vão dos mais liberais,</p><p>aos que não permitem, em hipótese alguma, o aborto. Abaixo apresento um infográfico</p><p>(em inglês) sobre o tema.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>47 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Em:https://exame.com/mundo/quais-sao-os-paises-onde-o-aborto-e-autorizado-no-mundo/</p><p>Bom, seguindo. Eis que em fins de 2020, o nosso vizinho Argentina, atualizando uma legis-</p><p>lação datada de 1922, decide por liberalizar o aborto. Ou seja: o Senado da Argentina aprovou</p><p>a legalização do aborto até a 14ª semana de gestação, em decisão celebrada por milhares de</p><p>ativistas feministas que aguardaram a votação durante mais de 12 horas nas proximidades</p><p>do Congresso. A legalização do aborto por lá é um projeto do presidente de centro-esquerda</p><p>Alberto Fernández, aprovada pela Câmara dos Deputados com os votos favoráveis de 38 sena-</p><p>dores, 29 votos contrários e uma abstenção, uma margem mais ampla que o previsto.</p><p>Outro país a legalizar o aborto em fins de 2020 foi a Coreia do Sul. No longínquo país orien-</p><p>tal o direito à interrupção voluntária da gravidez, antes só aceito para vítimas de estupro ou em</p><p>casos de risco à saúde da gestante, agora é extensivo a todas as mulheres.</p><p>O Brasil, como podem notar, se encaixa dentre o rol de países onde a legislação em relação</p><p>ao aborto se encontra em posição das mais restritivas. Nosso código penal de 1940 estabele-</p><p>ceu ser crime a prática do aborto (pena de 3 a 10 anos) e, assim, permanece até hoje, salvo em</p><p>caso de risco direto e comprovado à vida da mãe, não sendo ainda permitido, por exemplo, o</p><p>aborto em caso de estupro.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>48 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>3. AtuAlidAdes dA europA, do oriente Médio, dA rússiA e dA cHinA</p><p>3.1. A europA, A união europeiA e seus conteXtos AtuAis MAis</p><p>iMportAntes</p><p>3.1.1. O Contexto da União</p><p>A União Europeia é a mais importante iniciativa frente à formação de uma zona comum</p><p>de países a ser realizada com vistas à promoção de uma integração comum na história da</p><p>humanidade.</p><p>Tal qual vimos em nossa primeira parte desta aula, quando falamos sobre o MERCOSUL, os</p><p>blocos multilaterais atendem a estágios específicos em sua formação. Possuem uma origem</p><p>seminal na formação de uma Zona de Livre Comércio, seguindo-se à formação de uma União</p><p>Aduaneira, chegando ao Mercado Comum (integração de pessoas, trabalho, bens e serviços)</p><p>para, finalmente – e aí apenas a União Europeia foi quem realizou tais etapas dentre todos os</p><p>instrumentos já existentes de cooperação multilaterais – chegar-se à uma União Econômica e</p><p>Financeira (monetária).</p><p>Neste último estágio, unificam-se atividades monetárias e bancárias,</p><p>sendo, digamos assim, a “cereja no bolo” a criação da Zona do Euro em 1999.</p><p>Os quatro estágios da formação dos blocos multilaterais são: Zona de Livre Comércio, União</p><p>Aduaneira, Mercado Comum e União Econômico-Monetária.</p><p>Bom, no mapa abaixo tem-se quais são os países constituintes da União Europeia em 2020.</p><p>Vale destacar que eram 28 PAÍSES AO TOTAL, contudo, após formalizada a saída plena do</p><p>Reino unido em 31 de janeiro de 2020, temos 27 INTEGRANTES (por isso o nome EUROPA dos</p><p>27, tal qual exemplificado na legenda), sendo a Croácia o último país a ingressar, em 2013.</p><p>Os 27 Países da União Europeia:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>49 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>3.1.2. A Zona do Euro</p><p>Criada em 1999, mas somente colocada em prática alguns anos depois, em 2002, a Zona</p><p>do Euro dispõe que as transações dentro dos países constituintes do bloco devem ser feitas</p><p>por uma moeda única. Atende aos preceitos ditados pelo Banco Central Europeu (com sede</p><p>em Frankfurt, na Alemanha), instituição esta que estabelece e aplica os preceitos da política</p><p>monetária europeia, dirige as operações de câmbio e busca garantir o bom funcionamento dos</p><p>sistemas de pagamento e do sistema financeiro como um todo.</p><p>Destaca-se, contudo, que nem todos os países da União Europeia integram a Zona do Euro,</p><p>à medida que não há uma obrigatoriedade expressa. Temos economias saudáveis e grandes</p><p>que optaram por não participar – como Suécia e Reino Unido (este último antes de sair do</p><p>bloco em 2020). Outras economias menores, países recém-ingressos ao bloco, tais quais Bul-</p><p>gária, República Tcheca, Croácia, e outros também ainda não integram a Zona do Euro.</p><p>3.1.3. O Reino Unido na União Europeia</p><p>Caro(a) aluno(a), antes de ingressarmos na análise acerca do chamado BREXIT, ou seja,</p><p>neste importantíssimo tópico de atualidades relacionado à saída do Reino Unido da UE, o qual</p><p>tem seu início formalmente em 2016, vale-nos destacar dois pontos inicialmente.</p><p>Primeiro, o que é o Reino Unido? Com vistas a facilitar a compreensão deste tópico, ve-</p><p>jamos o que se considera do ponto de vista geográfico-político como sendo o Reino Uni-</p><p>do, de fato.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>50 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Constituído por 4 países – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – este</p><p>agrupamento, de nome em inglês United Kingdom, possui a formatação abaixo e representa</p><p>ainda na União Europeia apenas um único país (este não aderente à Zona do Euro) dentre os</p><p>27 ainda pertencentes ao megabloco. Veja o mapa abaixo:</p><p>Observação</p><p>Os países do Reino Unido alinhavados em mesma porção insular, em total de 3, são os pa-</p><p>íses da Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia). Já a oeste tem-se a Irlanda do</p><p>Norte (outro constituinte do Reino unido e com capital em Belfast). A soma destes resulta no</p><p>Reino Unido.</p><p>Depois, é importante delimitar a posição histórica do Reino Unido em relação à União Eu-</p><p>ropeia: essa potência europeia, atualmente a SEGUNDA MAIOR ECONOMIA DO BLOCO, rivaliza</p><p>com a França no total populacional do continente e posicionou-se ao longo das últimas déca-</p><p>das de forma refratária à União Europeia. Isto mesmo! Os britânicos (comandados pela Coroa</p><p>Real britânica), mesmo sabendo de sua extrema importância – devido, entre outros fatores, a</p><p>seu enorme peso econômico, demográfico e geopolítico, tendo sido, inclusive, ao longo das</p><p>duas Guerras Mundiais, parte crucial na defesa dos ideais pró-Europa –, não se demonstraram</p><p>de forma ampla (isso desde a década de 1960) partidários a uma inserção efetiva do Reino</p><p>Unido na União Europeia.</p><p>Veja que o ingresso do Reino Unido se deu em 1973, sendo que, logo na década seguinte,</p><p>a mandatária Margareth Thatcher, conhecida mundialmente pela alcunha de “Dama de Ferro”</p><p>(1980-1991), deixava claro que os britânicos não estariam dispostos a pagar o preço das bases</p><p>de integração que se desenhavam (leia-se arcar com custos inerentes a integração ou dividir</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>51 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>seu mercado de trabalho). Mesmo assim, o Reino Unido assina, em 1991, o Tratado de Maas-</p><p>trich – de formação da União Europeia, tal qual como conhecemos hoje (Mercado Comum à</p><p>frente; ou seja, integração de pessoas, bens e mercado de trabalho), para, em 1999, se ausen-</p><p>tar contudo das tratativas acerca do ingresso na Zona do Euro.</p><p>Em seguida, ao longo da década de 2000, com o advento do ingresso de países mais po-</p><p>bres do continente, tais quais Hungria, Bulgária, República Tcheca, Eslovênia e, finalmente, a</p><p>Croácia, em 2013, os ingleses roem a corda de vez. Em 2016, após 6 anos como primeiro-mi-</p><p>nistro, David Cameron passa o bastão da política local para a primeira-ministra do Partido</p><p>Conservador, Thereza May. Esta rapidamente dá ensejo à saída em definitivo do Reino Unido</p><p>logo em seus primeiros meses como mandatária, dando início ao BREXIT – a saída do Reino</p><p>Unido do bloco.</p><p>3.1.4. O BREXIT</p><p>Em 23 de junho de 2016, é realizada votação em todo o Reino Unido acerca da permanên-</p><p>cia ou não do país (visto que o Reino Unido conta apenas como um único país na União Euro-</p><p>peia) do bloco europeu. Se em 1975, em um referendo do mesmo tipo no Reino Unido, não se</p><p>conseguiu maioria, finalmente, em 2016, 52% da população do Reino Unido aprovou a saída do</p><p>bloco. Era o BREXIT, ou seja, o Britain-Exit, ganhando contorno definitivo.</p><p>Em um ambiente de franco crescimento de ideários separatistas e xenófobos ao redor do</p><p>mundo por parte da população dos países desenvolvidos e de racha no Reino Unido (com o as-</p><p>sassinato, inclusive, dias antes do referendo, da política partidária à unificação, Jo Cox) somen-</p><p>te a população da Escócia dentro do Reino Unido preferiu manter-se na União Europeia. Mas,</p><p>como sua população é proporcionalmente pequena, prevaleceu assim a vontade da maioria.</p><p>Assim, o Reino Unido dá seu início à saída do bloco em definitivo, alegando não querer dividir</p><p>mais o custo inerente às responsabilidades de seu peso econômico frente a bancar o bloco</p><p>(custo que é proporcional ao tamanho da economia, visto que o Reino Unido é a segunda maior</p><p>economia da UE, atrás apenas da Alemanha).</p><p>Pesou na decisão comum da maioria da população também o fato de não quererem dividir</p><p>o mercado de trabalho nem os ganhos atuais promovidos por um contexto de bom crescimen-</p><p>to econômico sustentado (girando em torno de 2% a.a. em média entre 2012-2018) com os</p><p>países mais pobres integrantes da União Europeia. Enfim, os britânicos negaram as tratativas</p><p>mais amplas e colocadas em prática acerca de um Mercado Comum, as quais envolvem, entre</p><p>outros aspectos, partilhar o mercado de trabalho com seus pares – à medida que eram, até a</p><p>saída do Reino Unido, 28 países no bloco.</p><p>Mas esta saída da União Europeia levada a cabo pelo Reino Unido não foi fácil. A agenda</p><p>que a ex-primeira-ministra conservadora Thereza May pretendia esbarrou enormemente nos</p><p>compromissos já assumidos (visto que o Reino Unido faz</p><p>parte da UE desde 1973) como o</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>52 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>sistema financeiro comum, entre outros. Além disso, a UE obrigou com que o Reino Unido</p><p>seguisse recebendo normalmente os cidadãos europeus (incluem-se brasileiros naturalizados</p><p>europeus) até o fim oficial de sua saída, o que, contrariando as expectativas britânicas, dera-se</p><p>em prazo maior do que o esperado (pois eles esperavam estar fora do bloco já em 2018, algo</p><p>que nem de longe se concretizou).</p><p>E essa tamanha demora em sair da União Europeia desgastou a primeira-ministra Thereza</p><p>May, a qual fora destituída do cargo nos primeiros dias de junho de 2019.</p><p>Em seu lugar, após quase um mês de discussões, é aprovado o nome de Boris Johnson,</p><p>político conservador, pertencente aos quadros do Partido Conservador (francamente favorável</p><p>a dar-se sequência ao Brexit), com ou sem acordo com o resto do continente. Cumprindo a</p><p>promessa de que evadiria o bloco em prazo máximo até fevereiro de 2020, Johnson anuncia</p><p>no dia 31 de janeiro de 2020 que o Reino Unido, após 47 anos fazendo parte da União Europeia,</p><p>se retirou em definitivo do bloco.</p><p>Veja abaixo a sequência de Primeiros-Ministros do partido conservador no Reino Unido, os quais,</p><p>desde 2010, sucedem-se no poder após mais de 30 anos de domínio do Partido Trabalhista:</p><p>DAVID CAMERON (2010-2016) > THEREZA MAY (2016-2019) > BORIS JONHNSON (2019-2022)</p><p>> Elizabeth Truz (2022 - atualmente).</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A MORTE DA RAINHA ELISABETH II</p><p>Aos 96 anos de idade, após 70 anos de reinado no Reino Unido, a rainha Elisabeth</p><p>II morre por razões ainda não reveladas. Sabe-se, contudo, que ela não vinha bem de</p><p>saúde nos últimos meses.</p><p>Seu reinado passou por momentos de desconfiança no início, logo ao suceder seu</p><p>pai que faleceu subitamente em 1953, pois acreditava-se que ela não teria a firmeza</p><p>necessária para ser a rainha de 18 países. Ela superou as desconfianças, e também as</p><p>baixas de popularidade inerentes a sete décadas no poder. Deu posse a 16 primeiros-</p><p>-ministros, sendo a última, a conservadora que veio a suceder Boris Johnson, Elizabeth</p><p>Truz, em julho de 2022.</p><p>Seu sucessor é seu filho mais velho, o Príncipe Charles III, agora empossado como</p><p>rei. O funeral da rainha durou 10 dias, levando a Londres chefes-de-estado e também</p><p>uma população de plebeus que chegou a enfrentar dois dias de fila para se despedir de</p><p>Elisabeth. Além de gozar em seus últimos anos de alta popularidade, a rainha deixa seu</p><p>povo com a sensação de dever cumprido, tendo jamais cometido grandes gafes, além</p><p>de sua descrição fazê-la jamais se meter nos assuntos de governo de seus primeiros</p><p>ministros além de se gabar a interlocutores mais próximos de ter auxiliado o mundo no</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>53 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>combate ao comunismo. Venceu a Guerra das Malvinas e viu a Grã-Bretanha entrar e</p><p>sair da união Europeia. A rainha, que era a presidente da igreja anglicana, com certeza</p><p>morreu com a noção de compromisso mais que cumprido em relação a seu povo.</p><p>Vale destacar que, após a saída do Reino Unido, a Escócia, principal refratária a esta eva-</p><p>são promovida pelos súditos da rainha, deverá tentar, ao que tudo indica, retornar à UE como</p><p>um único país, provavelmente já em 2020.</p><p>Por fim, é facultado ao Reino Unido o seu retorno ao bloco, segundo estatuto da</p><p>União Europeia.</p><p>3.2. A GuerrA nA síriA e o conteXto Geopolítico no oriente</p><p>3.2.1. Introdução</p><p>Antes de entrarmos mais a fundo na principal questão atualmente de Atualidades no Orien-</p><p>te Médio, ou seja, a questão da Guerra Civil na Síria, é importante que façamos uma análise</p><p>esmiuçada acerca de alguns contextos fundamentais. Peço muita atenção a estes temas e</p><p>que não prossiga, inclusive, SEM QUE HAJA A COMPREENSÃO plena dos temas e das diferen-</p><p>ças entre eles, ok? Serão TRÊS conceitos a serem colocados inicialmente e que são basilares:</p><p>• A diferença entre árabes (conceito etnológico) e muçulmanos (conceito religioso)</p><p>Há vários Muçulmanos, ou seja, países de maioria Islâmica, que não são Árabes, como os Ira-</p><p>nianos (persas), Turcos, Indonésios…</p><p>Árabes são o tronco étnico; se situam basicamente em países do Norte da África e Oriente</p><p>Médio. Veja mapa abaixo:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>54 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Já os muçulmanos são o tronco religioso dos países que têm uma população que professa</p><p>a cartilha do Islamismo. A religião muçulmana originou-se através do profeta Maomé, morto</p><p>em 632 d.C., em Medina, na atual Arábia Saudita.</p><p>Vale destacar, por fim – sem querer complicar, mas bastante importante que entendamos</p><p>–, que há um país árabe onde a população não é muçulmana em praticamente sua totalidade.</p><p>Este é o Líbano, onde algo em torno de 35% da população do país (de etnia árabe) é composta</p><p>por cristãos. Contudo, entre os países do Norte da África e do Oriente Médio, isso é uma rari-</p><p>dade, pois a imensa maioria dos países é de maioria absoluta muçulmana, ou seja, islâmica.</p><p>A diferença entre xiitas e sunitas</p><p>Ambos são troncos da mesma religião, ou seja, dos muçulmanos, mas aí vale uma</p><p>separação.</p><p>Os XIITAS são aqueles que consideram que apenas descendentes diretos do profe-</p><p>ta MAOMÉ podem ser líderes, isto tanto no plano espiritual como no político.</p><p>Xiita não pode ser confundido com uma religião específica (e, claro, nem os suni-</p><p>tas). Eles são membros do islamismo e tornaram-se apenas uma seita com outra</p><p>linha de pensamento. São vistos como “radicais”, à medida que possuem este rigor</p><p>mais específico a designar seus líderes, mas é interessante destacar que o radica-</p><p>lismo também ocorre entre os sunitas, visto, por exemplo, que o número de grupos</p><p>fundamentalistas terroristas que representam os sunitas, tal qual veremos abaixo, é</p><p>muito maior que entre os xiitas.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>55 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>No contexto árabe, os xiitas estão em minoria numérica (algo em torno de 20% no to-</p><p>tal). Os países de maioria xiita atualmente de destaque são o Irã e a Síria. Seu grupo</p><p>fundamentalista (radical e de ações terroristas) é o Hezbollah, com sede no Líbano.</p><p>Já os SUNITAS são aqueles que consideram haver certa flexibilidade na questão de</p><p>se assumirem altos postos nas hierarquias religiosas (dita espiritual) e política. Ou</p><p>seja, não há a necessidade expressa de ser descendente direto do profeta Maomé</p><p>para tal. Os principais países de maioria sunita hoje são Qatar, Arábia Saudita, Tur-</p><p>quia e Indonésia (maior população muçulmana do mundo).</p><p>Abaixo, apresento uma leitura mais aprofundada sobre tal tema e recomendo promo-</p><p>vê-la, extraída da versão on-line da BBC Brasil e veiculada no G1:</p><p>Entenda as diferenças e divergências</p><p>entre sunitas e xiitas</p><p>Execução de clérigo xiita acusado de ‘terrorismo’ na Arábia Saudita provocou protes-</p><p>tos no Irã e rompimento de relações entre os dois países.</p><p>A execução de um importante clérigo xiita iraniano pela Arábia Saudita, reino de</p><p>maioria sunita, expôs as delicadas relações entre sunitas e xiitas na região.</p><p>A Arábia Saudita, de maioria sunita, é rival tradicional do Irã, a grande potência xiita</p><p>no Oriente Médio, que monitora – com grande interesse – a questão de minorias</p><p>xiitas em outros países.</p><p>O clérigo Nimr Al-Nimr era conhecido por manifestar o sentimento da minoria xiita</p><p>na Arábia Saudita, que se sente marginalizada e discriminada, e por suas críticas à</p><p>família real saudita.</p><p>O clérigo e outras 46 pessoas foram executadas no sábado, após serem condenadas</p><p>por crimes de terrorismo na Arábia Saudita.</p><p>Após as execuções, manifestantes iranianos invadiram a embaixada saudita em Te-</p><p>erã. Na noite de domingo, o governo saudita anunciou o rompimento das relações</p><p>diplomáticas com o Irã e deu um prazo de 48 horas para que diplomatas iranianos</p><p>deixassem o país.</p><p>Mas o que opõe as duas maiores correntes do Islã? Veja abaixo algumas respostas</p><p>para entender o que opõe sunitas a xiitas.</p><p>Quais são as diferenças entre sunitas e xiitas?</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>56 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Peregrinação a Meca, um dos rituais compartilhados entre as duas vertentes do is-</p><p>lamismo</p><p>A separação teve origem em uma disputa logo após a morte do profeta Maomé so-</p><p>bre quem deveria liderar a comunidade muçulmana.</p><p>A grande maioria dos muçulmanos é sunita – estima-se que entre 85% e 90%.</p><p>Membros das duas vertentes coexistem há séculos e compartilham muitas práticas</p><p>e crenças fundamentais.</p><p>Apesar de se misturarem pouco, há exceções. Nas áreas urbanas do Iraque, por</p><p>exemplo, casamentos entre sunitas e xiitas eram comuns até recentemente.</p><p>As diferenças entre os dois grupos estão mais nos campos da doutrina, rituais, lei,</p><p>teologia e organização religiosa.</p><p>Seus líderes também parecem constantemente estar competindo entre si.</p><p>Do Líbano e Síria ao Iraque e Paquistão, vários conflitos recentes enfatizaram divi-</p><p>sões sectárias, dividindo comunidades.</p><p>Quem são os sunitas?</p><p>Muçulmanos sunitas se consideram o ramo ortodoxo e tradicionalista do islã.</p><p>A palavra sunita vem de “Ahl al-Sunna”, as pessoas da tradição. A tradição, neste</p><p>caso, refere-se a práticas baseadas em precedentes ou relatos das ações do profeta</p><p>Maomé e daqueles próximos a ele.</p><p>Um dos centros de aprendizagem sunitas do Islã mais antigos fica no Egito</p><p>Os sunitas veneram todos os profetas mencionados no Corão, mas veem Maomé</p><p>como o profeta derradeiro.</p><p>Em contraste com os xiitas, os líderes e professores de religião sunitas historicamen-</p><p>te ficaram sob controle do Estado.</p><p>A tradição sunita também enfatiza um sistema codificado da lei islâmica e adesão a</p><p>quatro escolas da lei.</p><p>Quem são os xiitas?</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>57 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Nos primórdios da história islâmica os xiitas eram uma facção política, – literalmen-</p><p>te os “Shiat Ali”, ou partido de Ali.</p><p>Os xiitas reivindicavam o direito de Ali, genro do profeta Maomé, e de seus descen-</p><p>dentes de guiar a comunidade islâmica.</p><p>Ali foi morto como resultado de intrigas, violência e guerra civil que marcaram seu</p><p>califado. Seus filhos, Hassan e Hussein, viram negado o que achavam ser seu direito</p><p>legítimo à ascensão ao califado. Acredita-se que Hassan tenha sido envenenado por</p><p>Muawiyah, o primeiro califa (líder muçulmano) da dinastia Umayyad.</p><p>Seu irmão, Hussein, foi morto no campo de batalha com outros membros de sua</p><p>família, após ser convidado por partidários a ir para a cidade de Cufa (onde ficava o</p><p>califado de Ali) onde prometeram jurar aliança a ele.</p><p>Esses eventos deram início ao conceito xiita de martírio e de rituais como a autofla-</p><p>gelação.</p><p>Há um elemento messiânico característico nesta fé e os xiitas têm uma hierarquia de</p><p>clérigos que praticam interpretações independentes e constantemente atualizadas</p><p>dos textos islâmicos.</p><p>Os xiitas seriam cerca de um décimo do total de muçulmanos, entre 120 e 170 mi-</p><p>lhões.</p><p>Muçulmanos xiitas são maioria no Irã, Iraque, Barein, Azerbaijão e, segundo algumas</p><p>estimativas, Iêmen. Há grandes comunidades xiitas no Afeganistão, Índia, Kuwait,</p><p>Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.</p><p>Qual o papel do sectarismo em crises recentes?</p><p>Em países que foram governados por sunitas, xiitas tendem a representar os setores</p><p>mais pobres da sociedade. Eles normalmente se veem como vítimas de discrimina-</p><p>ção e opressão. Algumas doutrinas extremistas sunitas defendem o ódio aos xiitas.</p><p>A revolução iraniana de 1979 lançou uma agenda xiita radical que foi percebida como</p><p>um desafio por regimes conservadores sunitas, particularmente no Golfo Pérsico.</p><p>A política de Teerã de apoiar milícias xiitas e partidos além de suas fronteiras foi</p><p>adotada por Estados do Golfo, que reforçaram suas ligações com governos sunitas</p><p>e movimentos no exterior.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>58 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Durante a guerra civil no Líbano, os xiitas ganharam força política graças às ativida-</p><p>des militares do Hezbollah.</p><p>No Paquistão e no Afeganistão, grupos sunitas linha-dura, como o Talebã, atacaram</p><p>com frequência lugares de fé xiita.</p><p>Os conflitos atuais no Iraque e na Síria também têm fortes tons sectários. Jovens</p><p>sunitas nos dois países se uniram a grupos rebeldes, muitos dos quais ecoam a ide-</p><p>ologia da Al-Qaeda.</p><p>Enquanto isso, jovens da comunidade xiita estão lutando pelas – ou com – as forças</p><p>do governo nestes países.</p><p>Acrescento abaixo também um mapa com vistas a promover um melhor dimensionamento</p><p>sobre tal questão: nele vemos parte do globo como um todo, com recorte, bem verdade, mais</p><p>específico na África e na Ásia e os países onde há forte presença de população muçulmana,</p><p>com o contraste entre as maiorias XIITAS e SUNITAS. Vejam bem que são muito maiores as</p><p>áreas com sunitas (em amarelo) do que com xiitas (em vermelho).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>59 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Bom, dando seguimento a nossa aula e aos termos conceituais, já vimos, portanto, as di-</p><p>ferenças entre ÁRABES e MUÇULMANOS e também entre XIITAS e SUNITAS. Agora, veremos</p><p>como que a religião e os Estados se confundem (ou não) em países de maioria de população</p><p>muçulmana.</p><p>• A SHARIA versus ESTADO LAICO</p><p>Pelo fato de a religião se encontrar extremamente arraigada nos países árabes, vários des-</p><p>tes, ao elaborarem as suas Cartas Magnas, promovem uma confusão (proposital) entre a reli-</p><p>gião, esta expressa pelo livro sagrado Alcorão e a Constituição.</p><p>Para estes Estados que não</p><p>fazem intencionalmente tal separação, tem-se a denominação de Sharia. Os códigos de leis,</p><p>tais quais o Código Penal, como exemplo, e a própria Constituição são perpétuos e de condu-</p><p>tas rígidas como expressos no Alcorão. São Estados que tendem, por exemplo, a promover os</p><p>códigos penais mais rígidos dentro do Islã, com pena de morte por causas torpes no mundo</p><p>ocidental, como não respeito a costumes de vestimentas ou ao consumo de bebidas alcoóli-</p><p>cas, por exemplo. São exemplos clássicos dentro deste modo de ver religião e código de leis a</p><p>Arábia Saudita (sunita) e o Irã (xiita).</p><p>Já os chamados Estados Seculares, ou laicos, conseguem promover níveis de distinção</p><p>entre o código de leis (seja civil ou penal) e o Alcorão. Veja que tal separação não é plena</p><p>em muitos Estados, porém, mesmo assim, ocorre esta busca por se separarem os assuntos.</p><p>Exemplos são o Egito e a Turquia.</p><p>3.2.2. A Guerra na Síria</p><p>A atual guerra civil na Síria adentrou, em 2021, em seu nono ano, expondo as fraturas do</p><p>mundo árabe e o racha entre sunitas e xiitas nos países muçulmanos. Também escancara</p><p>como as peças do tabuleiro geopolítico na região, movidas de um lado pela Rússia e de outro</p><p>pelos EUA, se comportam de forma antagônica.</p><p>Para entendermos melhor o contexto da Guerra Civil na Síria, contudo, meu(minha) caro(a)</p><p>aluno(a), importa nos atermos inicialmente ao que foi a Primavera Árabe, com seus levantes</p><p>iniciados lá em 2011.</p><p>Em vários países no chamado Mundo Árabe, uma série de revoltas populares tomou conta</p><p>das ruas de nações árabes do Norte da África ao longo dos anos de 2010/2011 – com o início</p><p>destes levantes ocorrendo na Tunísia, país no Norte da África. Assim, neste país norte-africa-</p><p>no, a população saiu às ruas em protesto pela morte do jovem Mohammed Boauzizi; um ven-</p><p>dedor de frutas de 26 anos que se suicidou ateando fogo ao próprio corpo após ser humilhado</p><p>(ter apanhado de fiscais locais, sendo que não era a primeira vez que tal fato acontecia desta</p><p>forma) apenas porque vendia frutas com seu carrinho nas ruas de sua cidade sem as devidas</p><p>autorizações ou pagamentos de propinas requeridos.</p><p>A população da Tunísia se rebelou, desencadeando um protesto massivo que, na verdade,</p><p>estava associado contra a pobreza e a corrupção de seu país e se voltava contra o ditador lo-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>60 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>cal: Zine Ben Ali. Ben Ali subiu ao poder na Tunísia em 1987 e, somente pela Revolução de Jas-</p><p>min, empreendida pela polução tunisiana oprimida, em janeiro de 2011, foi derrubado. Zine Ben</p><p>Ali foi o primeiro dos líderes árabes a cair e o primeiro a ser condenado: 35 anos de prisão sob</p><p>a acusação de roubo e posse ilegal de joias e grandes quantias de dinheiro. A partir daí, uma</p><p>série de novos levantes tomou conta dos países da África do Norte (países árabes), depondo,</p><p>assim, Muammar al-Gaddafi, na Líbia, após sete meses de luta no país (e seu assassinato em</p><p>outubro de 2011), e também Hosni Mubarak, do Egito, após mais de 1 milhão de pessoas saí-</p><p>rem às ruas do Cairo para derrubá-lo.</p><p>A PRIMAVERA ÁRABE SEGUE SEUS VENTOS PARA O ORIENTE MÉDIO!</p><p>Conforme explicado acima, os levantes no chamado Mundo Árabe, os quais, entre 2010/2011,</p><p>percorreram os países árabes ao Norte da África – em sequência, Tunísia, Líbia e Egito –, saem</p><p>do continente africano para, já em 2011, chegarem ao Oriente Médio, porção territorial que</p><p>compartilha características semelhantes às dos países árabes pela presença de países de et-</p><p>nia árabe e a ausência de liberdades individuais e políticas (leia-se democracia). Os primeiros</p><p>levantes no Oriente Médio se deram no Iêmen e, em seguida, imbuídos das mesmas causas</p><p>que em outros lugares, a maioria da população da Síria sai às ruas pedindo a deposição de</p><p>Bashar-Al-Assad, tirano que governa desde 2000 o país ao suceder seu pai (também golpista e</p><p>ditador) que fora Presidente entre 1971-2000.</p><p>• Um pouco sobre a Síria:</p><p>− A Síria é um país situado à beira do Mar Mediterrâneo, no coração do Oriente Médio,</p><p>inimigo de Israel e reduto radical xiita, mas de maioria de população sunita. Basshar-</p><p>-Al-Assad é o Presidente desde 2000.</p><p>− É um país aliado do Irã, da Rússia e do Hezbollah (grupo fundamentalista xiita com</p><p>sede no Líbano).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>61 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• O confuso cenário da Síria</p><p>− A atual guerra civil na Síria, a mais sangrenta em curso no mundo, em 10 anos conta-</p><p>biliza cerca de 500.000 mortes e mais de 5 milhões de refugiados. Possui origem na</p><p>oposição entre o Exército de Libertação da Síria, composto por SUNITAS, maioria da</p><p>população da Síria – estes recebem apoio da OTAN (EUA e Reino Unido no comando),</p><p>além da Turquia e da Arábia Saudita (estes dois duas potências bélicas na região e</p><p>países de população de maioria sunita) –, e os alauitas – que são os XIITAS, minoria</p><p>numérica no país, porém pró-governo, que contam com o apoio, principalmente, do</p><p>Hezbollah (grupo terrorista de mesa inclinação xiita), do Irã e da Rússia;</p><p>− Ainda existem no país o Exército Livre da Síria – moderados e oposição a Assad, os</p><p>Curdos e o Estado Islâmico. Sobre o Exército Islâmico, que ao Norte do território da</p><p>Síria conquistou territórios ao longo dos anos de 2014, 2015 e 2016, veremos na se-</p><p>quência desta aula como se deu tal processo;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>62 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>− Seguindo, então: na passagem de 2011 para 2012, se instala uma guerra civil na Síria,</p><p>buscando restaurar aquilo que fora conseguido em outros países do Mundo Árabe</p><p>através da Primavera Árabe (entre 2011 e 2012 na Tunísia, na Líbia e no Egito). Esse</p><p>período foi marcado pelo fato de países da etnia árabe realizarem a deposição de</p><p>ditadores constituídos e, assim, conseguirem ver a volta da democracia. Mas, ao con-</p><p>trário do que ocorrera no Egito, na Líbia e na Tunísia (e Iêmen), na Síria as forças de</p><p>Assad não cederam. Utilizando-se de uma conjunção de fatores, tais quais seu exér-</p><p>cito bem paramentado, armas químicas e apoio internacional da Rússia e do Irã, além</p><p>do apoio terrorista do grupo Hezbollah, seu ditador se sustenta no poder desde então,</p><p>na base da mais sangrenta guerra do mundo.</p><p>A Guerra na Síria se constitui basicamente em um conflito entre os próprios sírios (árabes)</p><p>de mesma religião (muçulmanos), contudo, de seitas diferentes. Assim, temos de um lado os</p><p>grupos de oposição a Bashar Al-Assad, todos SUNITAS, visando derrubar um ditador do ramo</p><p>XIITA (Assad).</p><p>Ao longo dos últimos anos, uma intervenção efetiva, tal qual como de praxe os EUA pro-</p><p>movem ao redor do globo, em geral com a justificativa de “restaurar a democracia”, não teve</p><p>espaço. Isto se deve a algumas questões abaixo listadas:</p><p>• Oposição da Rússia e falta de unanimidade, portanto, no Conselho de Segurança da</p><p>ONU para referendar tais ações;</p><p>• Receio de entregar o poder a grupos sunitas que possuem braços armados fundamen-</p><p>talistas (terroristas) na Al-Qaeda (de Osama Bin Laden), no Talibã, na Irmandade</p><p>China: 1.384.688.986;</p><p>• 2. Índia: 1.296.834.042;</p><p>• 3. Estados Unidos: 329.256.465;</p><p>• 4. Indonésia: 262.787.403;</p><p>• 5. Brasil: 208.846.892;</p><p>• 6. Paquistão: 207.862.518;</p><p>• 7. Nigéria: 195.300.340;</p><p>• 8. Bangladesh: 159.453.001;</p><p>• 9. Rússia: 142.122.776;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>5 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• 10. Japão: 126.168.156.</p><p>Veja abaixo a dança das cadeiras dos contingentes populacionais globais, com dados da</p><p>ONU e intervalos de 1990 a 2100:</p><p>• O bônus demográfico: em alguns países em desenvolvimento, o alto crescimento popu-</p><p>lacional em décadas anteriores promove agora oportunidades econômicas, à medida</p><p>que essas nações (o Brasil incluso) possuem, de fato, grande contingente de adultos –</p><p>ou seja, de força de trabalho ou PEA (População Economicamente Ativa). Sendo assim,</p><p>é dever dos governos locais saberem como promover a seu favor esse tal “bônus de-</p><p>mográfico”, com vistas a canalizar tal abundância de mão de obra na produção de valor</p><p>econômico, através da consolidação de políticas de ofertas de empregos.</p><p>O Brasil é um dos países com maior quantidade de adultos no mundo atualmente, com</p><p>quase 60% de PEA.</p><p>• As taxas de fecundidade: a taxa de fecundidade – ou seja, o número médio de filhos</p><p>por mulher em idade reprodutiva – é um indicador que revela bastante sobre a fase de-</p><p>mográfica em que determinada sociedade se encontra. Globalmente, as mulheres vêm</p><p>tendo menos bebês, mas as taxas de fecundidade (o número médio de filhos por mu-</p><p>lher em idade reprodutiva) ainda permanecem elevadas em algumas partes do globo.</p><p>Hoje, cerca de metade da população global reside em áreas onde a taxa de fecundidade</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>6 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>é menor que 2 filhos por mulher (taxa do tipo não repositiva), incluindo o Brasil. A maior</p><p>média de filhos por mulher no Planeta ocorre na África Subsaariana, com 4.6. Em Níger,</p><p>este indicador chega a 7 filhos por mulher, em média.</p><p>Em termos globais, a fecundidade caiu de 3,2 filhos por mulher em média, em 1990, para</p><p>2,5, em 2019.</p><p>A expectativa de vida: a expectativa de vida no mundo subiu de 64,2 anos, em 1990, para</p><p>72,6 anos, em 2019.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>7 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• Envelhecimento populacional: a população mundial está envelhecendo, sendo que o</p><p>grupo etário que mais cresce no Planeta é de pessoas acima de 65 anos. Atualmente,</p><p>9% da população global possui mais de 65 (em média parecida com a brasileira), sendo</p><p>que em 2050, essa taxa será de 16%. Na Europa, este indicador deve estar, em 2050, em</p><p>alguns países (e também no Japão), na casa dos 35-40%.</p><p>• A depressão populacional: um número crescente de países experimenta uma redução</p><p>no tamanho da população. Desde 2010, 27 países ou áreas sofreram uma redução de</p><p>1% na dimensão das suas populações. Isso é causado por baixos níveis de fertilidade e,</p><p>em alguns lugares, altas taxas de emigração.</p><p>Entre 2019 e 2050, projeta-se que as populações diminuam em 1% ou mais em 55 países</p><p>ou áreas, dos quais 26 podem ver uma redução de pelo menos 10%.</p><p>Na China, por exemplo, prevê-se que a população diminua em 31,4 milhões, ou 2,2%, entre</p><p>2019 e 2050.</p><p>• O contexto migratório: entre 2010 e 2020, 14 países ou áreas terão uma entrada líquida</p><p>de mais de 1 milhão de migrantes, ao passo que dez países terão uma saída líquida de</p><p>migrantes de dimensões similares. Algumas das maiores saídas de migrantes são im-</p><p>pulsionadas pela demanda por trabalhadores migrantes (Bangladesh, Nepal e Filipinas)</p><p>ou por violência, insegurança e conflito armado (Mianmar, Síria e Venezuela). Belarus,</p><p>Estônia, Alemanha, Hungria, Itália, Japão, Rússia, Sérvia e Ucrânia terão uma entrada</p><p>líquida de migrantes ao longo da década – o que ajudará a compensar perdas popula-</p><p>cionais causadas por um excesso de mortes em relação aos nascimentos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>8 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Segundo o diretor da Divisão de População do Departamento das Nações Unidas de Assun-</p><p>tos Econômicos e Sociais, John Wilmoth,</p><p>Esses dados constituem uma parte crítica da base de evidências necessárias para monitorar o pro-</p><p>gresso global rumo ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. [...]</p><p>Mais de um terço dos indicadores aprovados para uso como parte do monitoramento global dos</p><p>ODS confiam em dados do Perspectivas Mundiais de População.</p><p>Expectativas de crescimento populacional 2020-2025:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>9 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2. AtuAlidAdes dA AMéricA lAtinA e dos euA (+ coreiA do norte)</p><p>2.1. A AMéricA lAtinA: conceito culturAl e GeoGráfico e uM pouco de</p><p>HistóriA</p><p>O conceito (termo) América Latina atende a um viés cultural que se encontra relacionado</p><p>aos países que possuem línguas latinas (no caso, português, castelhano e francês) como sen-</p><p>do línguas oficiais.</p><p>A região em tela engloba 20 países (em azul no mapa acima): Argentina, Bolívia, Brasil, Chi-</p><p>le, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, México,</p><p>Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Vale destacar</p><p>que no subcontinente da América do Sul não constam dentro desta divisão dois países: o Su-</p><p>riname e a Guiana.</p><p>No caso do subcontinente da América do Norte – Estados Unidos, Canadá e México –,</p><p>apenas o mais ao sul é considerado um país latino-americano.</p><p>Obs.: � Não é necessário decorar o nome de todos os países da América Latina, mas é fun-</p><p>damental que entendamos o contexto linguístico-cultural de tais países dentro desta</p><p>importante esfera de regionalização.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>10 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Considera-se que o termo “América Latina” foi utilizado pela primeira vez no ano de 1856</p><p>pelo filósofo chileno Francisco Biloba e, no mesmo ano, também pelo escritor colombiano</p><p>José María Torres Caicedo, sendo expressão aproveitada pelo imperador francês Napoleão III</p><p>durante sua invasão francesa no México como forma de incluir a França – e excluir,</p><p>Muçul-</p><p>mana e no Hamas (esse último controlando atualmente a Palestina);</p><p>• Necessidade de combate e extermínio ao Estado Islâmico, sendo mais importante do</p><p>que propriamente retirar Assad.</p><p>Por fim, é importante destacar que a guerra na Síria gerou a questão humanitária mais</p><p>crítica em tempos recentes no Planeta. Mais de 5 milhões de sírios, ou aproximadamente 20%</p><p>da população do país antes de eclodir a guerra (2012), tornou-se refugiada, saindo a pé pelos</p><p>desertos para pousar em países vizinhos da região, como Turquia, Irã ou Jordânia, ou evadindo,</p><p>por água, em botes improvisados no Mar Mediterrâneo, tentando entrar na Europa pela Itália ou</p><p>pela Grécia para, daí, buscar refúgio em áreas continentais, como a Hungria e a Alemanha. Fato</p><p>é que: desde a Segunda Guerra Mundial, uma diáspora (fuga forçada) tal qual ocorre agora na</p><p>Síria não era vista em todo o Planeta.</p><p>E Assad não aceita base alguma de negociação com a oposição. Garantiu-se por muito</p><p>tempo nesta guerra apenas com o domínio de Damasco (a capital) e suas cercanias, e a cruel-</p><p>dade imposta por práticas de uma MINORIA XIITA que há décadas comanda o país. Chegou,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>63 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>de fato, a parecer que perderia a guerra por várias vezes, mas veio retomando mais áreas, inclu-</p><p>sive a cidade mais populosa do país, Aleppo, ao norte, e se fortalecendo de novo no controle.</p><p>A aliança com a Síria é antiga e vital para a Rússia no Oriente Médio. Uma região estratégica</p><p>onde há governos alinhados aos Estados Unidos, como Israel, Arábia Saudita e os Emirados</p><p>Árabes. Desde a década de 1980, os russos têm um grande porto na cidade de Tartus, na Síria,</p><p>sendo esta a única base própria russa no Mar Mediterrâneo, que, em 2016, se transformou</p><p>numa base militar russa de usufruto por mais 49 anos. Nesse mesmo ano (2016), e não por</p><p>coincidência, ocorre com auxílio russo a retomada de Allepo (a segunda mais importante cida-</p><p>de do país) pelo governo de Assad.</p><p>Em 2021, com Joe Biden no poder, os EUA ainda não indicaram para onde caminhará a sua</p><p>bússola acerca de ações de intervenção na Síria. Já a Rússia mantém-se fiel a seus aliados,</p><p>abrindo mais espaço para o crescimento de sua impressão geopolítica na área.</p><p>Vale destacar, por fim, que em abril de 2021, os EUA iniciam a sua retirada de uma das mais</p><p>longevas guerras que o país esteve envolvido. A Guerra do Afeganistão, que se arrasta por qua-</p><p>se 20 anos e não conseguiu expurgar os talibãs do território do Afeganistão. Enquanto Trump</p><p>havia marcado a saída do Afeganistão para abril de 2021, Biden adiou o processo e prometeu</p><p>retirar em definitivo as tropas em 11 de setembro de 2021 – ou seja, no aniversário de 20 anos</p><p>do atentado ao World Trade Center.</p><p>Abaixo, leia matéria publica que, embora não tão recente, é bastante oportuna para</p><p>que entendamos o contexto de luta na Síria e as barbaridades que uma guerra pode</p><p>provocar:</p><p>O massacre de civis e crianças na guerra da Síria que foi ignorado pelo resto do</p><p>mundo. Segundo a ONU, mais de 350 civis foram mortos e 330 mil foram forçados</p><p>a deixar suas casas desde que o conflito na região síria de Dili se intensificou, no fim</p><p>de abril.</p><p>Mais de cem pessoas, incluindo 26 crianças, morreram em ataques aéreos feitos em</p><p>hospitais, escolas, mercados e em uma padaria no nordeste da Síria nos últimos 10</p><p>dias, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).</p><p>A chefe de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, diz que os ataques foram</p><p>feitos pelo governo sírio e seus aliados nas áreas controladas pela oposição.</p><p>Mas os ataques foram recebidos com “aparente indiferença internacional”, disse ela.</p><p>Bachelet criticou a “falha de liderança nas nações mais poderosas do mundo”.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>64 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A Síria e a Rússia, que é sua aliada, negaram ter mirado em civis durante os ataques</p><p>aéreos na região de Idlib.</p><p>A número de mortos crescente em Idlib tem sido recebido com um “dar de ombros</p><p>coletivos” e o conflito ficou fora do radar internacional, disse ela, enquanto o Conse-</p><p>lho de Segurança da ONU está paralisado.</p><p>Ela afirma que é muito improvável que os ataques a civis tenham sido acidentais e</p><p>disse que os países que os fizeram podem ser julgados por crimes de guerra.</p><p>“Ataques intencionais a civis são crimes de guerra, e aqueles que os ordenaram ou</p><p>os executaram são criminalmente responsáveis por seus atos”, disse Bachelet.</p><p>O que está acontecendo na Síria?</p><p>A província de Idlib, junto com as províncias de Hama e Aleppo, é uma das últimas</p><p>áreas controladas pela oposição na Síria depois de oito anos de guerra civil.</p><p>A área em tese está protegida por uma trégua negociada em setembro entre a Rús-</p><p>sia, aliada do governo sírio, e a Turquia, que apoia a oposição. A trégua deveria prote-</p><p>ger os mais de 2,7 milhões de civis que vivem na região de uma grande ofensiva das</p><p>forças do governo.</p><p>Na semana passada, a ONU disse que mais de 350 civis foram mortos e 330 mil</p><p>foram forçados a deixar suas casas desde que o conflito se acirrou em 29 de abril.</p><p>Mas o número agora foi revisado, com o acréscimo de 103 mortes somente nos últi-</p><p>mos 10 dias. O número de refugiados subiu para 400 mil.</p><p>O governo – com apoio da força aérea russa – disse que o aumento nos ataques se</p><p>deve a repetidas violações da trégua por jihadistas ligados à al-Qaeda que estariam</p><p>na área dominada pela oposição.</p><p>No entanto, as Forças Democráticas Sírias (FDS), que são apoiadas pelos Estados</p><p>Unidos, disseram em março ter derrotado os jihadistas e dado fim ao grupo extremis-</p><p>ta autoproclamado Estado Islâmico (EI).</p><p>No início desta semana, a Rússia negou que tenha feito ataques aéreos em merca-</p><p>dos e áreas residenciais que deixaram pelo menos 31 civis mortos.</p><p>Como a guerra da Síria começou?</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>65 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Antes do conflito começar, muitos sírios estavam insatisfeitos com os altos índices</p><p>de desemprego, a corrupção e a falta de liberdade política sob o Presidente Bashar</p><p>al-Assad.</p><p>Em março de 2011, protestos pró-democracia começaram ao sul da cidade de Deraa,</p><p>inspirados por revoltas populares pró-democracia em países vizinhos – o que ficou</p><p>conhecido como “Primavera Árabe”.</p><p>Quando as forças de segurança sírias abriram fogo contra os ativistas – matando</p><p>vários deles -, as tensões se elevaram e mais gente saiu às ruas. Protestos pedindo</p><p>a renúncia do Presidente começaram no país todo.</p><p>A revolta se intensificou, assim como a resposta do governo. Apoiadores da oposi-</p><p>ção se armaram – primeiro para se defender, depois para expulsar as forças de segu-</p><p>rança das áreas onde viviam. Assad então disse que iria acabar com o que chamou</p><p>de “terrorismo apoiado por estrangeiros”.</p><p>A violência aumentou rapidamente, dando início a uma guerra civil.</p><p>Grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças ofi-</p><p>ciais e retomar o controle das cidades e vilarejos.</p><p>Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do</p><p>país,</p><p>Aleppo.</p><p>O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles</p><p>que apoiavam Assad e os que se opunham a ele – adquiriu contornos de guerra</p><p>sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauitas, o braço do Islamismo a que</p><p>pertence o Presidente.</p><p>Isso arrastou as potências regionais e internacionais para o conflito, conferindo-lhe</p><p>outra dimensão.</p><p>Quem está lutando contra quem?</p><p>A rebelião armada evoluiu significativamente desde suas origens.</p><p>Há membros da oposição moderada secular lutando contra as forças de Assad. O</p><p>Exército curdo, um dos grupos que os Estados Unidos estão apoiando no norte da</p><p>Síria, faz parte da oposição.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>66 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Mas há também uma grande quantidade de radicais e jihadistas – partidários da</p><p>“guerra santa” islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico (EI) e a</p><p>Frente Nusra, afiliada à al-Qaeda. Os combatentes do EI – cujas táticas brutais cho-</p><p>caram o mundo – criaram uma “guerra dentro da guerra”, enfrentando tanto os rebel-</p><p>des da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra.</p><p>Os rebeldes moderados têm requisitado armas antiaéreas ao Ocidente para respon-</p><p>der ao poderio do governo sírio. Mas Washington e seus aliados têm procurado con-</p><p>trolar o fluxo de armas por medo de que acabem indo parar nas mãos de grupos</p><p>jihadistas.</p><p>Em março, as Forças Democráticas Sírias (FDS), que são apoiadas pelos Estados</p><p>Unidos, disseram ter derrotado o EI.</p><p>“As Forças Democráticas Sírias declaram a total eliminação do chamado califado e a</p><p>total derrota territorial do EI”, disse Mustafa Bali, porta-voz da FDS, pelo Twitter. “Nes-</p><p>te dia único, celebramos os milhares de mártires que tornaram essa vitória possível.”</p><p>Em seu auge, o EI controlou uma área de 88 mil km² no norte da Síria e do Iraque,</p><p>governou quase 8 milhões de pessoas, ganhou bilhões de dólares com a exploração</p><p>de petróleo, extorsões, roubos e sequestros, e usou seu território como base para</p><p>ataques em outros países.</p><p>A aliança de forças representada pela FDS, lideradas pelos curdos, começou sua</p><p>ofensiva final contra o EI no início de março, contra militantes que estavam encurra-</p><p>lados no vilarejo de Baghuz, no leste sírio.</p><p>Qual é o impacto da guerra?</p><p>Além de causar centenas de milhares de mortes, a guerra incapacitou 1,5 milhões de</p><p>pessoas, entre elas 86 mil que perderam membros do corpo.</p><p>Ao menos 6,1 milhões de sírios tiveram de deixar suas casas para buscar abrigo em</p><p>alguma outra parte do país, enquanto outros 5,6 milhões se refugiaram no exterior.</p><p>Líbano, Jordânia e Turquia, onde 92% desses sírios refugiados vivem hoje, têm en-</p><p>frentado dificuldades para lidar com um dos maiores êxodos da história recente.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>67 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A ONU estima que 13,1 milhões de pessoas necessitaram de algum tipo de ajuda</p><p>humanitária na Síria em 2018.</p><p>Por que a guerra está durando tanto?</p><p>Um fator chave é a intervenção de potências regionais e internacionais.</p><p>Seu apoio militar, financeiro e político tanto para o governo quanto para a oposição</p><p>tem contribuído diretamente para a continuidade e intensificação dos enfrentamen-</p><p>tos, e transformado a Síria em campo para uma guerra indireta.</p><p>A intervenção externa também é responsabilizada por fomentar o sectarismo no que</p><p>costumava ser um Estado até então secular (imparcial em relação às questões reli-</p><p>giosas).</p><p>As divisões entre a maioria sunita e a minoria alauita no poder alimentaram atrocida-</p><p>des de ambas as partes, não apenas causando a perda de vidas, mas a destruição de</p><p>comunidades, afastando a esperança de uma solução pacífica.</p><p>3.2.3. O Estado Islâmico</p><p>O Estado Islâmico no Iraque e na Síria (Isis) foi criado em 2013 e cresceu como um braço</p><p>da organização terrorista Al-Qaeda no Iraque. Em 2014, rompem com os iraquianos e formam</p><p>apenas o EI.</p><p>As atividades do EI se concentraram na Síria, onde o grupo assumiu um papel dominante</p><p>aproveitando-se da desestruturação do Estado sírio por causa da guerra civil interna, e no</p><p>Iraque, em função também da desestruturação interna após anos de guerra contra os EUA. Às</p><p>áreas as quais ocuparam ao Norte da Síria e do Iraque dá-se o nome de LEVANTE.</p><p>Veja o imenso território que o ESTADO ISLÂMICO chegou a dominar em 2015 (em lugar</p><p>denominado como sendo o Levante):</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>68 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Financiado por doações de Estados Sunitas (leia-se Arábia Saudita e Qatar – sendo este,</p><p>inclusive, sede da Copa do Mundo de 2022, acusado pela própria Arábia Saudita de financiar</p><p>descaradamente o EI –, que obtêm lucro com a posse de poços de petróleo do Norte do Ira-</p><p>que e também sequestros e pilhagens), o ESTADO ISLÂMICO tem como ideologia a formação</p><p>(construção) de uma sociedade completamente voltada aos preceitos religiosos, políticos,</p><p>morais e culturais vigentes à época do profeta Maomé (600 d.C.). Ou seja, eles negam toda</p><p>e qualquer evolução que houve no mundo muçulmano (e árabe por consequência) depois da</p><p>morte do profeta no ano 632. Este é o CALIFADO pretendido por eles.</p><p>Vale destacar que a Arábia Saudita já vive perto disto, ou seja, um Estado onde preceitos re-</p><p>ligiosos seculares (e arcaicos) imperam. Contudo, estando os sauditas banhados em petróleo,</p><p>com gastos militares astronômicos e sendo aliados aos EUA, não recebem severas críticas.</p><p>Ainda no caso Saudita, uma roupagem mais moderna para sua sociedade vem sendo colocada</p><p>em prática exatamente para se destacar desses meios quase pré-históricos de vida impressos</p><p>pelo EI (em processo que ainda engatinha, é bem verdade) pelo atual primeiro-ministro e futuro</p><p>rei da Arábia Saudita, o jovem e garboso Mohammad bin Salman bin Abdulaziz Al Saud.</p><p>Uma força do Estado Islâmico muito em voga alguns anos atrás era exatamente o podem</p><p>de cooptar jovens, principalmente de outros países, como EUA, Suécia, França, Nova Zelândia</p><p>e até do Brasil, para atuarem em suas frentes, seja localmente em seus países, promovendo</p><p>atentados (e vários atentados aconteceram deste modo, culminando inclusive, em um atenta-</p><p>do em Orlando, nos EUA, em uma boate LGBT, com 49 mortes, em 2017), seja dentro dos pró-</p><p>prios territórios do Estado Islâmico. Neste último caso, em específico, três jovens brasileiros,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>69 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>até onde se sabe, acabaram se envolvendo com o grupo Jihadista, indo lutar em suas frentes</p><p>de combate. O mecanismo de convencimento destas pessoas de fora é a internet. Sendo as-</p><p>sim, o Estado Islâmico fora chamado de “cybercalifado” (e muita atenção a esse nome, que</p><p>pode vir a cair em provas!) à medida que possui</p><p>de forma contundente esta capacidade de</p><p>chamar pessoas para se alistarem em suas frentes atrás do meio cibernético/virtual.</p><p>Mas, voltando, portanto, ao caso do Estado Islâmico, um recente controle de vastos terri-</p><p>tórios no Norte e Oeste do Iraque, chegando às portas de Bagdá, além das áreas dominadas</p><p>pelos curdos, ajudaria o grupo islâmico a consolidar seu domínio ao longo da fronteira com a</p><p>Síria, onde lutou contra o regime de Bashar al-Assad. Mas, ao longo dos anos de 2016 e 2017,</p><p>houve SUCESSIVAS DERROTAS E EXTINÇÃO DO PODER DO ESTADO ISLÂMICO NO IRAQUE.</p><p>Na Síria, apenas em 2018, numa ação conjunta entre EUA e RÚSSIA (que atuam em campos</p><p>opostos, tal qual vimos na questão interna Síria), ao que tudo indica, ELES TAMBÉM FORAM</p><p>expulsos do território.</p><p>Caro(a) aluno(s), ESTE É UM PONTO EXTREMAMENTE IMPORTANTE EM ATUALIDADES: a ba-</p><p>talha contra o radicalismo do califado, contudo, não terminou, totalmente. Pelo contrário! O</p><p>Estado Islâmico ainda tenta voltar, buscando agora novos domínios de áreas pelo mundo ára-</p><p>be, como no caso da Líbia, ao Norte da África, onde já se identifica um novo foco de ação e</p><p>domínio territorial por parte deste grupo. Portanto, é importante ficarmos atentos às possíveis</p><p>futuras ações do Estado Islâmico ao longo desta nova década, pois o grupo não cessou suas</p><p>atividades, apenas mudou de endereços (no plural, mesmo).</p><p>Abaixo apresento matéria (curta) do portal CNN Brasil, acerca das atuais ações do Estado</p><p>Islâmico em 2021. Leiam com atenção por favor.</p><p>Estado Islâmico avança na África após derrota na Síria</p><p>Grupo terrorista recruta extremistas em Moçambique</p><p>Radicais do grupo Estado Islâmico tentam expandir a atuação em países do conti-</p><p>nente africano após perderem território na Síria e no Iraque. O ministro da Defesa de</p><p>Moçambique enviou tropas para a cidade de Palma, no norte do país, para conter o</p><p>avanço na região.</p><p>Soldados estão posicionados em locais estratégicos da cidade produtora de gás</p><p>natural, que foi atacada por militantes do Estado Islâmico na semana passada. O</p><p>Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>70 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Os combatentes ocuparam fábricas, bancos e prédios públicos. A maior parte da</p><p>rede de comunicação com Palma está cortada. As Nações Unidas falam em dezenas</p><p>de mortos. Cerca de 700 famílias estão desabrigadas.</p><p>O governo da República Democrática do Congo, na região central da África, acusa a</p><p>milícia conhecida como Forças Democráticas Aliadas de ter assassinado, pelo me-</p><p>nos, 23 civis nos últimos dias. Os Estados Unidos consideram esse grupo aliado do</p><p>Estado Islâmico.</p><p>Os ataques terroristas na África estão aumentando nos últimos anos: as ações têm</p><p>se tornado mais frequentes inclusive em países que antes eram considerados segu-</p><p>ros. Segundo uma agência de avaliação global de risco, sete dos dez lugares mais</p><p>perigosos para ações de extremistas são agora da região subsaariana.</p><p>O fenômeno cresceu com o enfraquecimento do Estado Islâmico em países do</p><p>Oriente Médio, como Síria e Iraque. Mas também existe atividade de grupos ligados</p><p>à Al-Qaeda.</p><p>No último trimestre de 2020, houve aumento de 13% nas ações terroristas no conti-</p><p>nente africano, em comparação com o período anterior. Burundi foi o país que mais</p><p>piorou no índice de risco: é agora a 27ª nação mais perigosa para ações terroristas</p><p>no planeta. Costa do Marfim, Tanzânia, Chade, República Democrática no Congo,</p><p>Etiópia, Quênia, Moçambique e Senegal também pioraram no ranking.</p><p>3.2.4. A Guerra de Maio de 2021 entre Palestina e Israel</p><p>Durante 11 dias de maio de 2021, Israel bombardeou pontos em Gaza de maioria palestina,</p><p>considerados como bunkers do grupo radical Hamas.</p><p>Enfrentamentos em Jerusalém foram o estopim para mais uma escalada de violência na</p><p>região. Desta vez, em 11 dias houve 250 mortes. Segundo Benjamin Netanyahu, primeiro-mi-</p><p>nistro de Israel, o que se buscou por parte de Israel foi estabelecer a calma na região. Mas,</p><p>segundo analistas políticos (e algo também que Israel não esconde), o foco era o combate às</p><p>operações do Hamas em Gaza.</p><p>No fundo, os confrontos entre palestinos e israelenses, especialmente em Gaza e nas ime-</p><p>diações de Jerusalém, são muito antigos, com mais de 5 décadas de duração (ao menos des-</p><p>de 1967) e, ultimamente, podem ser vistos como um cemitério de iniciativas de paz, lideradas,</p><p>via de regra, pelos Estados Unidos. Peço muita sua atenção para este tema (Palestina X Israel),</p><p>que estava dormente em atualidades ao longo dos últimos 5 anos, mas que, agora, ao que tudo</p><p>indica, volta à nossa pauta com força e deve despencar em provas.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>71 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Os dois principais grupos radicais (fundamentalistas) com atuação na Palestina são o Hamas,</p><p>grupo de orientação sunita, e o Fatha – também de orientação sunita e criado por Yasser Ara-</p><p>fat. Ambos, embora defendam a mesma causa (ou seja, a defesa dos preceitos islâmicos e po-</p><p>liticamente a libertação/formação da Palestina) rivalizam no controle da Palestina e já tiveram</p><p>entre si travada uma guerra entre 2006-2007. Atualmente, quem possui maioria no parlamento</p><p>palestino é o Fatah, mas quem controla Gaza é o Hamas. De forma indireta, o Hezbollah (de</p><p>orientação xiita) também possui relativa força na região, se encontrando sediado no Líbano</p><p>recebendo franco apoio do governo do Irã.</p><p>Percebam no mapa abaixo que vem ocorrendo um gradual enxugamento em termos de</p><p>área da Palestina ao longo das décadas. Atualmente os palestinos ocupam as partes esparsas</p><p>na área da Cisjordânia e ao Sul de Israel, em Gaza.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>OS TALIBÃS 20 ANOS DEPOIS NO PODER</p><p>Por Luis Felipe Ziriba - 01/10/2021</p><p>Fato é: os Talibãs retomaram o poder que possuíam entre os anos de 1996-2001 no</p><p>Afeganistão e vai muito difícil tirá-los de lá agora. Em 2001, quando as torres gêmeas</p><p>do World Trade Center, em Nova York, foram derrubadas em um estrondoso atentado</p><p>terrorista, as Forças Armadas dos Estados Unidos entraram no Afeganistão e puseram</p><p>abaixo o regime talibã…</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>72 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Contudo, passados 20 anos, o governo norte-americano anuncia uma distensão.</p><p>Joe Biden declarou em abril de 2021 que iria retirar até o fim do ano as tropas ame-</p><p>ricanas no país que há duas décadas expulsaram os talibãs e vinham, assim, tolindo</p><p>exatamente as tentativas de retorno ao poder por parte da milicia guerrilheira radical.</p><p>E não deu outra, em poucos meses os mulás, como são conhecidos os radicais barbu-</p><p>dos que compõem as fileiras do Talibã, tomaram a Capital Cabul. O Presidente afegão</p><p>foi um dos primeiros a deixar o país. Junto a ele, uma população desesperada tentou</p><p>embarcar em aviões americanos com a missão original de promover retirada apenas</p><p>de cidadãos norte-americanos e pessoas de consulados e corpo diplomático. Alguns</p><p>afegãos até conseguiram embarcar. Outros se penduraram onde deu, fosse na fusela-</p><p>gem ou no trem de pouso. Foi sem dúvida essa uma das imagens mais</p><p>chocantes</p><p>vistas recentemente. Abaixo, antes de falarmos acerca do medo que envolve a volta do</p><p>Talibã e suas práticas - e qual nova roupagem inclusive eles prometem, vamos ver resu-</p><p>midamente a história deste grupo para, assim, entendermos em qual contexto histórico</p><p>se encaixam (...) lembrando ser este um tema extremamente quente para as próximas</p><p>provas de concursos em Atualidades. Então vamos lá!</p><p>Talibã: Contexto histórico.</p><p>Em: https://www.politize.com.br/taliba-terrorismo/</p><p>No contexto da Guerra Fria ao final da década de 1970, o Afeganistão se encontrava</p><p>em meio a disputas internacionais de poder. O país sofreu uma ocupação pela então</p><p>União Soviética, entre 1979 e 1989, que buscava garantir e manter a implementação de</p><p>um regime comunista alinhado à Moscou.</p><p>Seguindo a lógica de combater um “inimigo em comum”, os Estados Unidos ofere-</p><p>ceram treinamento e equipamentos militares aos Mujahedin*, um grupo de combaten-</p><p>tes armados que lutavam contra a ocupação soviética. Após uma década de conflito, a</p><p>União Soviética decidiu retirar suas tropas do Afeganistão em fevereiro de 1989.</p><p>Com a retirada dos soviéticos do país, e com a destituição do governo de Mohammad</p><p>Najibullah em 1992, parte dos Mujahedin que haviam sido apoiados pelos Estados</p><p>Unidos se organizaram. Como veremos mais adiante, o grupo se radicalizou, basean-</p><p>do-se em uma interpretação fundamentalista do Alcorão, e formou o que hoje conhece-</p><p>mos como o Talibã. Desta forma, a disputa internacional entre as duas superpotências</p><p>da Guerra Fria – Estados Unidos e União Soviética – deixaram consequências indese-</p><p>jadas para os afegãos.</p><p>*O termo Mujahedin traduz literalmente do árabe, como “combatente” ou “alguém que</p><p>se empenha na luta (jihad)”, embora o termo seja frequentemente traduzido como “guer-</p><p>reiro santo”</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>73 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>COMO SURGIU O TALIBÃ?</p><p>Quando as tropas soviéticas deixaram o Afeganistão nos anos 1990, o país foi</p><p>tomado por uma série de conflitos entre facções que brigavam pelo controle da nação.</p><p>Neste contexto de guerra civil, surge em 1994 o Talibã, sob a liderança do Mullah</p><p>Mohammed Omar.</p><p>O grupo, criado no sul do Afeganistão, tem origem nas tribos que ocupavam a fron-</p><p>teira do país com o Paquistão. É formado principalmente pelospashtun, um povo que</p><p>lutou contra o imperialismo britânico, a invasão soviética e hoje se dedica a combater a</p><p>intervenção do ocidente na região.</p><p>Em 1997, pouco tempo após o seu surgimento, o Talibã conquista o controle do Afe-</p><p>ganistão, sendo muito bem recebido por significativa parte da população. Isto porque,</p><p>após um longo período de guerras, o grupo estabeleceu a paz no território, combateu</p><p>a corrupção e tornou as estradas mais seguras para o desenvolvimento do comércio.</p><p>Apesar desse apoio interno, o Talibã só teve o seu governo reconhecido por três países:</p><p>Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão.</p><p>Após os ataques em 11 de setembro de 2001, o Afeganistão foi invadido pelas</p><p>tropas estadunidenses. As alegações de que o Talibã protegia Osama Bin Laden –</p><p>responsável pelo ataque – motivaram uma liderada pelos Estados Unidos a destituir</p><p>o Talibã do poder. Mas isso não impediu o grupo de continuar exercendo influência,</p><p>na época controlando quase 90% do Afeganistão. Os Talibãs perseguiram sua luta, na</p><p>clandestinidade até retomarem o poder após 20 anos no país asiático.</p><p>Bom, retornando então aos tempos atuais, os talibãs retornaram ao poder após 20</p><p>anos. Se aproveitando da saída (em missão incompleta) das tropas americanas do ter-</p><p>ritório afegão, eles – tomam a Capital Cabul com vistas a fazer do Afeganistão nova-</p><p>mente um país partido único regido pelas bases mais radicais do islamismo.</p><p>Interessante perceber, contudo, que nessa nova etapa, ao menos nesta largada,</p><p>o que se percebe é que o grupo radical vem com um discurso, uma roupagem por</p><p>assim dizer, mais amena frente ao radicalismo de outrora. Explico: Se em sua primei-</p><p>ra tomada de poder (1996-2001) os talibãs, um dos mais fundamentalista dos grupos</p><p>muçulmanos, não permitiam que as mulheres saíssem as ruas sem ser cobertas dos</p><p>pés à cabeça (obrigando o uso da burka), meninas absolutamente não podiam estudar</p><p>a partir dos 10 anos( e sobre este ponto, vale lembrar, portanto, a figura de Malala You-</p><p>safzai, ativista que lutou por este direito e sofreu uma tentativa de execução por parte</p><p>dos talibãs) chegando-se, dentro deste contexto exacerbado de extremismo ao ponto</p><p>de não se permitir cantar nem empinar pipas, sendo os inimigos do regime executados</p><p>sumariamente.</p><p>Pois bem, eis que agora nessa retomada de Cabul o grupo islâmico promete deixar</p><p>as mulheres em paz (ao menos, permitindo-as executar as atividades básicas da vida</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>74 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>civil). Os talibãs também não preconizam mais um isolamento em relação a política</p><p>externa, já tendo realizado reuniões com algumas potências globais como os mandatá-</p><p>rios da Rússia e da China. Veremos as cenas dos próximos capítulos.</p><p>3.3. rússiA</p><p>3.3.1. Introdução</p><p>A Rússia vem buscando de forma aguerrida recuperar o terreno perdido, tanto no campo</p><p>econômico quanto geopolítico, após o esfacelamento do bloco comunista da União Soviética</p><p>e a condução trôpega promovida por Boris Yeltsen nos anos 1990. O responsável por esse</p><p>processo atende pelo nome de Vladimir Putin. Homem forte à frente do país há 20 anos, seja</p><p>como Presidente, Primeiro-Ministro e depois Presidente novamente (reeleito em 2018, com</p><p>mandato até 2024), o ex-agente faixa preta da KGB se utiliza de expedientes autoritários, elimi-</p><p>nando adversários questionáveis do ponto de vista internacional (tal qual agiu na Chechênia,</p><p>em 2000, e na Ucrânia e Crimeia, em 2014), para atualmente falar de igual para igual com qual-</p><p>quer outra potência global dentro do jogo geopolítico.</p><p>Após ter conhecido em 2009 sua maior recessão desde a queda do bloco soviético e ter se</p><p>recuperado nos anos seguintes, a Rússia passou por dois anos consecutivos de recessão no-</p><p>vamente, entre 2015 e 2016, devido a uma assombrosa fuga de capitais, ao colapso do rublo,</p><p>à queda dos preços do petróleo e às sanções comerciais ocidentais (impostas pelos EUA), que</p><p>ocorreram no seguimento da crise ucraniana (2014). Após um crescimento negativo em 2015</p><p>(-3,7%) e 2016 (-0,8%), um crescimento positivo era esperado para 2017, impulsionado pelo</p><p>consumo privado, o qual se confirmou, ficando na casa dos 1,5%.</p><p>3.3.2. A Copa do Mundo de 2018</p><p>A Rússia realizou, em 2018, entre 14 de junho e 15 de julho, a sua primeira Copa do Mundo.</p><p>O país já havia sido sede dos Jogos Olímpicos de 1980 (Moscou) e das Olimpíadas de Inverno,</p><p>em Sochi (2014). A Rússia faz parte também do calendário oficial da Fórmula 1 e é considera-</p><p>da uma potência em vários esportes, tais quais ginástica, natação, vôlei e tiro, para no ano de</p><p>2018, com 11 sedes (12 estádios, pois dois eram em Moscou), mostrar ao Mundo, mais uma</p><p>vez, sua capacidade em organizar eventos de grande porte realizando a 21a Copa do Mundo.</p><p>Vale destacar que nunca antes na história uma Copa havia sido realizada com jogos em dois</p><p>continentes (já tendo havido, contudo, Copa do Mundo em dois países, como em 2002, entre</p><p>Japão e Coreia). No caso em tela russo, uma das sedes ficou em Ecaterimburgo, depois dos</p><p>Montes Urais, na Ásia.</p><p>O conteúdo</p><p>deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>75 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Veja as sedes abaixo.</p><p>3.3.3. As Escalas de Poder da Rússia Atualmente: As Geopolíticas</p><p>Energia</p><p>Consolidada há mais de um século como uma potência na produção de energia, a Rússia,</p><p>país com as maiores reservas de gás natural do Mundo, terceiro em produção de petróleo e</p><p>quarto em energia nuclear, avança sobre o Mundo com seu poder econômico, alicerçando uma</p><p>imbricada rede de dependência emaranhada por seus gasodutos e oleodutos.</p><p>O jogo é simples. Onde os EUA deixaram lacunas, os russos entram. Onde há necessida-</p><p>des de gás natural, eles entram e as sanam. No Qatar, uma das várias petrolíferas estatais (o</p><p>Estado russo possui mais de 15 empresas de energia próprias ou de capital misto) de Putin,</p><p>chamada ROSNEF, ao se associar aos xeiques do país sede da Copa de 2022, descontentes</p><p>com a forma como vinham sendo tratados pela Arábia Saudita e os EUA, se tornou em 2017</p><p>a maior empresa de energia do Mundo. Pela Ásia Central, a rede de gasodutos que passa por</p><p>dentro das ex-repúblicas soviéticas faz com que estes ex-países-satélite não tenham auto-</p><p>nomia plena para decidir seus rumos, basta-nos ver o que aconteceu na Ucrânia quando, em</p><p>2014, a Rússia forçou o país a se retirar das negociações de entrada na União Europeia. Foi</p><p>assim com a Georgia, com a Ucrânia, e será assim com outros países ex-satélites.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>76 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Essa situação se estende até 2022 com a Russsia imprimindo uma ingerência sobre os pa-</p><p>íses ex-repúblicas soviéticas. Na Europa, estima-se que mais de 80% das necessidades de gás</p><p>natural e em torno de 90% de petróleo seja sanada pelos russos. Para onde se olha, a influên-</p><p>cia deles está presente cada vez mais no tabuleiro do jogo geopolítico global, sendo a energia</p><p>como uma ponta desta lança afiada.</p><p>População e Geopolítica</p><p>Por fim, um ponto interessante acerca da geopolítica russa reside na questão populacional,</p><p>desta que já foi uma das potências globais em termos populacionais e que hoje vê encolher</p><p>– em processo similar ao que ocorre em mais de 20 países situados ao norte geopolítico do</p><p>planeta – a sua população.</p><p>Matéria publicada no G1, oriunda da BBC, de 08/09/2019, nos revela a real dimensão desta</p><p>questão e como o governo russo busca soluções a curto prazo.</p><p>O ambicioso plano da Rússia para combater o encolhimento da população</p><p>País quer atrair entre 5 a 10 milhões de imigrantes entre 2019 e 2025; objetivo é evitar</p><p>redução da população e, assim, perda de influência geopolítica.</p><p>É uma das principais ameaças às aspirações geopolíticas da Rússia.</p><p>O país enfrenta uma crise demográfica sem precedentes que atingiu um novo pata-</p><p>mar em 2018 quando, pela primeira vez em uma década, a população russa caiu em</p><p>termos absolutos.</p><p>Segundo a Rosstat, o IBGE russo, o país tem agora 148,8 milhões de habitantes, 93,5</p><p>mil a menos do que no ano anterior.</p><p>E as estimativas não são promissoras. Segundo estimativas da ONU, a Rússia perde-</p><p>rá cerca de 8% de sua população até 2050.</p><p>Consciente disso, o governo do Presidente Vladimir Putin desenvolveu um plano am-</p><p>bicioso para atrair entre 5 e 10 milhões de imigrantes entre 2019 e 2025.</p><p>“O declínio demográfico tem sido um problema para a Rússia há décadas”, diz Gre-</p><p>gory Feifer, analista do Centro Davis para Estudos Russos e Eurasianos da Universi-</p><p>dade de Harvard (EUA), à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.</p><p>“O alto escalão do governo, incluindo o Presidente Putin e o primeiro-ministro Med-</p><p>vedev, falou publicamente sobre isso”.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>77 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>“Mas as políticas que vêm sendo tomadas são inadequadas para enfrentar o declínio</p><p>da população. O que o governo está fazendo é desestimular a imigração e incentivar</p><p>a emigração”, acrescenta Feifer.</p><p>Fuga de cérebros</p><p>Como muitos outros países do mundo, a Rússia também enfrenta baixas taxas de</p><p>natalidade.</p><p>Em sua campanha eleitoral de 2018, o Presidente Putin prometeu gastar mais de</p><p>US$ 8 bilhões (R$ 32 bilhões) nos próximos três anos em programas para ajudar as</p><p>famílias a ter filhos.</p><p>Mas o declínio da população russa em termos absolutos se deve, principalmente, à</p><p>migração.</p><p>Em 2017, o último ano com dados disponíveis, 377 mil deixaram a Rússia, segundo</p><p>a Rosstat.</p><p>“Muitas pessoas estão deixando a Rússia, jovens profissionais altamente qualifica-</p><p>dos são maioria”, diz Feifer. “E isso é um problema para a Rússia, porque é o tipo de</p><p>pessoas que o país precisará para manter sua influência no mundo e em sua econo-</p><p>mia.”</p><p>A opinião de Feifer é comprovada pelos números da Rosstat. Segundo o órgão, em</p><p>2017, 22% das pessoas que deixaram a Rússia tinham formação superior, 5% a mais</p><p>que em 2012.</p><p>Atrair imigrantes</p><p>Tradicionalmente, a Rússia era um país receptor de imigrantes, e a perda de popula-</p><p>ção causada pelo declínio natural (baixas taxas de natalidade) costumava ser miti-</p><p>gada pelos recém-chegados ao país, principalmente de países do Cáucaso e da Ásia</p><p>Central.</p><p>Por outro lado, esse número vem registrando quedas consecutivas. No ano passado,</p><p>chegou ao valor mais baixo desde 2005: 124.900, segundo a Academia Russa de</p><p>Economia e Administração Pública (Ranepa).</p><p>A dificuldade na obtenção de vistos de residência e a obrigatoriedade de que o can-</p><p>didato à cidadania russa renuncie a sua nacionalidade de origem representam barreiras</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>78 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>à imigração, explicou Yulia Florinskaya, especialista em migração da Ranepa, ao site</p><p>de notícias Eusarianet.</p><p>Estima-se que a Rússia precise de até 300 mil pessoas a mais por ano para mitigar</p><p>os efeitos da perda natural da população e permanecer em um crescimento líquido</p><p>zero.</p><p>Neste contexto, o governo de Putin deu prioridade à política imigratória e aprovou</p><p>em outubro do ano passado um novo plano para os próximos seis anos, com o qual</p><p>espera atrair entre 5 e 10 milhões de migrantes.</p><p>Pelo plano, os procedimentos para obtenção de autorizações de trabalho e acesso à</p><p>cidadania russa são simplificados.</p><p>O objetivo é atrair principalmente a população de língua russa de países vizinhos,</p><p>incluindo a Ucrânia, o Cazaquistão, o Uzbequistão, a Moldávia e outras repúblicas</p><p>ex-soviéticas. Mas também tem como alvo os estrangeiros que querem “integrar-se</p><p>à sociedade russa”.</p><p>O despovoado leste</p><p>A desigualdade na ocupação do território é outro problema para as autoridades rus-</p><p>sas.</p><p>Segundo um documento do Conselho Russo de Assuntos Internacionais, “a Rússia</p><p>entende que tem uma crise demográfica em curso, especialmente nas regiões da</p><p>Sibéria e do Extremo Oriente”.</p><p>E é por isso que esse plano de imigração</p><p>visa a “atrair estrangeiros e imigrantes para</p><p>repovoar essas áreas com baixa população”.</p><p>Isso não é algo novo. De acordo com o serviço russo da BBC, desde o colapso da</p><p>União Soviética, houve numerosos programas para receber imigrantes “etnicamente</p><p>russos” das antigas repúblicas soviéticas.</p><p>O objetivo desses programas, por meio dos quais os imigrantes podiam obter a na-</p><p>cionalidade russa, era repovoar essas áreas remotas. As famílias que se mudaram</p><p>para a Rússia receberam terras e uma quantia em dinheiro (aproximadamente US$</p><p>6,5 mil).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>79 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>“Não se podia escolher o local onde você ia morar; era o governo que escolhia, e ge-</p><p>ralmente se tratava de lugares remotos, sem serviços sociais, sem escolas...”, explica</p><p>Anastasia Uspenskaya, repórter do serviço russo da BBC.</p><p>Como resultado, menos de 1 mil pessoas se candidataram a esses programas.</p><p>Segundo uma análise do centro de estudos Stratfor, a Rússia enfrenta o risco de ten-</p><p>sões étnicas com a chegada de imigrantes do Cáucaso e da Ásia Central.</p><p>“A Rússia não é tradicionalmente propensa à imigração; é uma sociedade fechada”,</p><p>diz Anastasia Uspenskaya.</p><p>Para Gregory Feifer, a Rússia “é um lugar muito difícil para os imigrantes viverem e</p><p>trabalharem”.</p><p>“Em teoria, a Rússia seria o destino ideal para imigrantes de países fronteiriços da</p><p>Europa Oriental e da Ásia Central, como o Tajiquistão, onde o salário médio mensal é</p><p>de US$ 15 por mês. Mas a sociedade é muito racista”, diz o analista.</p><p>“Especialmente os imigrantes de pele escura enfrentam discriminação e violência”,</p><p>acrescenta.</p><p>Em Yakutsk, na Sibéria, fortes protestos contra a imigração foram realizados em</p><p>março passado, após o estupro de uma mulher por imigrantes da Ásia Central.</p><p>O plano de Putin está funcionando?</p><p>Após uma trajetória descendente durante vários anos, os números da Rosstat mos-</p><p>tram um aumento significativo no número de imigrantes nos primeiros meses de</p><p>2019.</p><p>Entre janeiro e abril deste ano, houve uma “imigração estranhamente alta na Rússia”.</p><p>As estatísticas oficiais mostram que nesse período a população migrante cresceu</p><p>em 98 mil pessoas, em comparação com as 57,1 mil registradas no mesmo período</p><p>de 2018.</p><p>No entanto, nenhum dos planos anteriores do governo russo foi bem-sucedido.</p><p>Além disso, ainda é muito cedo para vincular esse aumento à nova política de imigra-</p><p>ção do governo e estabelecer uma tendência.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>80 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Em qualquer caso, de acordo com uma análise da Stratfor, embora a Rússia consiga</p><p>atrair um número significativo de migrantes para mitigar o declínio de sua população,</p><p>isso terá um impacto pequeno nas previsões demográficas.</p><p>“Mesmo que a Rússia consiga aumentar substancialmente a imigração, isso não</p><p>vai garantir números suficientes para compensar o declínio em sua população”, diz</p><p>Feifer.</p><p>“As autoridades russas perceberam que suas estratégias anteriores para aumentar</p><p>as taxas de natalidade não funcionavam, e agora eles estão falando sobre o incen-</p><p>tivo à imigração, mas é tudo da boca para fora. Não acho que isso vai resolver os</p><p>problemas”, conclui.</p><p>Geopolítica com a China</p><p>A nova ordem geopolítica que se desenha para este novo século se encontra relacionada</p><p>à costura entre a Rússia e China com vistas à formação de um campo geopolítico forte de</p><p>contraposição ao poder dos EUA. Segundo o historiador inglês Eric Hobsbawn, morto recente-</p><p>mente, o século XIX foi considerado o “século da Europa”; o século passado (XX), o “século dos</p><p>EUA”; e muito provavelmente o século atual será o da Ásia.</p><p>Tanto a Rússia quanto a China se encontram alinhadas aos Brics, no G20, sendo nações do</p><p>Conselho de Segurança da ONU e de atitudes vorazes com relação a seus interesses, governos</p><p>autocratas (na Rússia, ainda disfarçado de democracia) e possuidores de extensos territórios</p><p>(sendo a Rússia o primeiro, e a China, o quarto no Mundo).</p><p>A Geopolítica Armamentista</p><p>No início de 2018, o Presidente Vladmir Putin anunciou um plano armamentista para a Rús-</p><p>sia, a quarta nação que mais gastou com armamentos no Mundo, sendo uma das que mais</p><p>ampliaram seus gastos nos últimos anos. O “pacote”, tal qual o Presidente russo se referiu em</p><p>discurso, visa exatamente inutilizar o poder dos EUA e da OTAN com tecnologia inovadora de:</p><p>• Míssil de cruzeiro com propulsão nuclear ilimitado;</p><p>• Um submarino nuclear não tripulado com alcance intercontinental, altíssima velocidade,</p><p>propulsão silenciosa e capaz de atingir grande profundidade;</p><p>• Um míssil hipersônico Mach 10 com velocidade de 200 km;</p><p>• Um novo míssil estratégico Mach. 20.</p><p>Todos estes sistemas têm capacidade de serem armados com ogivas convencionais ou</p><p>nucleares. As implicações são de imensa importância para a correlação de forças interna-</p><p>cional. Em primeiro lugar, porque demonstra que foram inúteis os esforços dos EUA para a</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>81 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>construção dos chamados escudos nos territórios vizinhos à Rússia, e, em segundo lugar, por-</p><p>que a vantagem americana em função de seus porta-aviões tornara-se questionável em razão</p><p>desses novos submarinos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>82 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR II</p><p>A GUERRA COMEÇA</p><p>Por: Luís Felipe Ziriba Em; 25/04/2022</p><p>Eis que na alvorada do dia 24 de Fevereiro de 2022, pela primeira vez desde a Segunda</p><p>Guerra Mundial duas nações entram em conflito aberto bélico em território europeu.</p><p>A Rússia comandada por Putin possui a intenção clara de colocar a Ucrânia sob seu jugo.</p><p>A desculpa dada pelo Kremlin para invadir o país reside na proteção dos separatistas ucra-</p><p>nianos pró-Russia que residem ao Leste do País e que, segundo as palavras de Moscou, vem</p><p>sendo acoitados por grupos neonazistas os quais vem promovendo um “genocídio”. O bote da</p><p>Rússia sobre a Ucrânia foi orquestrado de maneira clara e anunciada. Primeiro Putin deslan-</p><p>chou um lento movimento de tropas na direção do país vizinho, que por muito tempo foi uma</p><p>extensão da União Soviética. Depois atacou efetivamente o país vizinho iniciando sua ofensiva</p><p>pelo Leste, onde se encontram exatamente os partidários de Putin em território ucraniano. Leia</p><p>-se: população russa na Ucrânia (em menor número), ou ucranianos pró-separação da Rússia</p><p>(esses sim em maior número).</p><p>Em dois meses de guerra, no dia 25 de abril de 2022, contabilizam-se oficialmente em torno</p><p>de 2.5 mil perdas humanas entre civis e militares de ambos os lados. Números extra-oficiais,</p><p>contudo, dão conta de quase 20.000 mortos. Não há sinal para trégua até então ,sendo que na</p><p>mesa de negociações os tabuleiros não vem se mexendo</p><p>e a capital Kiev já se encontra sob</p><p>julgo russo.</p><p>A guerra segue, infelizmente, e, como não poderia deixar de ser, com questões pertinentes</p><p>a serem analisadas e que devem cair nas provas de Concurso. Vamos analisá-las.</p><p>Ofensivas iniciais russas: primeiros ataques em 24/25 fevereiro</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>83 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR III</p><p>Por: Luís Felipe Ziriba Em; 25/04/2022</p><p>A Guerra Híbrida</p><p>A atual guerra entre Rússia e Ucrânia revela-nos uma face interessante. Estamos diante de</p><p>uma guerra híbrida, onde várias frentes de ataque são impostas e tais levantes transcendem o</p><p>sentido clássico de ataques com bombas e afins. São ataques cibernéticos e ataques também</p><p>as finanças russas</p><p>Os ataques cibernéticos</p><p>A Rússia, uma das nações no mundo com maior número de Hackers e especialistas em</p><p>computação em geral, quase que simultaneamente ao ataque a Ucrânia em fins de fevereiro</p><p>colocou em prática uma série de ataques cibernéticos à instituições governamentais ucrania-</p><p>nas. Quase simultaneamente, outro ataque, dessa vez de um tipo conhecido como wiper (lim-</p><p>pador), apagou dados dos servidores de instituições financeiras e empresas ucranianas. Logo,</p><p>após computares pessoais de civis também foram atacados e infectados por hackers russos.</p><p>Para os ucranianos, os ataques cibernéticos não são novidade. Desde a invasão da Crimeia</p><p>pela Rússia, em 2014, o país se tornou um alvo sistemático de brigadas cibernéticas financia-</p><p>das pelo Kremlin. que tentam, por meio de suas invasões digitais, semear o caos e desesta-</p><p>bilizar o governo. Em 2015 e 2016, o sistema de distribuição de energia elétrica foi atacado e</p><p>houve corte no fornecimento por vários dias, em pleno inverno.</p><p>Dentro deste contexto da guerra híbrida encaixaram-se perfeitamente as criptomoedas (e</p><p>temos textos sobre criptomoedas em nossa Aula de Atualidades Mundo) como viés de finan-</p><p>ciamento de ativistas pró-Russia fora do controle regular de bancos Centrais.</p><p>Os ataques cibernéticos</p><p>A Rússia, uma das nações no mundo com maior número de Hackers e especialistas em</p><p>computação em geral, quase que simultaneamente ao ataque a Ucrânia em fins de fevereiro</p><p>colocou em prática uma série de ataques cibernéticos à instituições governamentais ucrania-</p><p>nas. Quase simultaneamente, outro ataque, dessa vez de um tipo conhecido como wiper (lim-</p><p>pador), apagou dados dos servidores de instituições financeiras e empresas ucranianas. Logo,</p><p>após computares pessoais de civis também foram atacados e infectados por hackers russos.</p><p>Para os ucranianos, os ataques cibernéticos não são novidade. Desde a invasão da Crimeia</p><p>pela Rússia, em 2014, o país se tornou um alvo sistemático de brigadas cibernéticas financia-</p><p>das pelo Kremlin. que tentam, por meio de suas invasões digitais, semear o caos e desesta-</p><p>bilizar o governo. Em 2015 e 2016, o sistema de distribuição de energia elétrica foi atacado e</p><p>houve corte no fornecimento por vários dias, em pleno inverno.</p><p>Dentro deste contexto da guerra híbrida encaixaram-se perfeitamente as criptomoedas (e</p><p>temos textos sobre criptomoedas em nossa Aula de Atualidades Mundo) como viés de finan-</p><p>ciamento de ativistas pró-Russia fora do controle regular de bancos Centrais.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>84 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A diáspora de ucranianos</p><p>Estima-se que em dois meses de guerra na Ucrânia algo em torno de 5 milhoes de pesso-</p><p>as já tenha evadido do país. É praticamente o mesmo número que em 10 anos de guerra civil</p><p>na Síria. São basicamente ucranianos que abandonam suas cidades e o campo por motivos</p><p>óbvios: por medo da guerra, gerando a grande crise humanitária desta década. Segundo a</p><p>ACNUR – Alto Comissariado das Nacões Unidas para Refugiados - a velocidade de saída dos</p><p>ucranianos já é considerada a mais rápida vista no mundo desde a Segunda Guerra Mundial.</p><p>Vale destacar que todos os homens entre 18 e 60 anos foram convocados para a defesa e , em</p><p>sendo assim, as imensas filas de fugitivos são compostas basicamente de mulheres, crianças</p><p>e idosos.</p><p>A GEOPOLÍTICA</p><p>A China no tabuleiro.</p><p>Em relação às posições das potências ocidentais lideradas pelos EUA não há mistério.</p><p>Todas são declaradamente contra a guerra e, logicamente, contra todas as posições de Putin.</p><p>Ponto. Já em relação à China, a segunda maior economia global - e potência mais ascendente</p><p>no Planeta – vemos que o gigante oriental se lança em posições dúbias. Xi JiPing, presidente</p><p>chines, declarou certa feita que China e Russia possuem uma amizade que “não tem limites”,</p><p>porém o mesmo vem dando a entender estar decepcionado com a Rússia visto o avanço das</p><p>tropas e a demora em resolver “a questão”. A posição de Pequim, por ora, é não se comprome-</p><p>ter com nenhum lado. O Ministério das Relações Exteriores declarou que a Ucrânia tem direito</p><p>à soberania sobre seu território, mas simultaneamente se recusou a vetar a Rússia no Conse-</p><p>lho de Segurança da ONU…</p><p>A posição de Volodomyr.</p><p>O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky segue a motinado em algum lugar da capi-</p><p>tal Kiev, fazendo lives e sendo admirado pelos congressistas americanos. A Rússia não fala</p><p>mais em sua deposição, mas não dá para confiar. Depois de pedir admissão imediata na Otan</p><p>— o que por um lado lhe daria tremendo poderio bélico e, por outro, poderia desencadear a III</p><p>Guerra Mundial, Zelensky admitiu que seu país provavelmente nunca entrará na aliança, o que</p><p>atende a uma das principais exigências russas.</p><p>O conselho de segurança da ONU (em:https://www.politize.com.br/conselho-de-seguran-</p><p>ca-da-onu/)</p><p>Introdução.</p><p>O Conselho de Segurança da ONU atua basicamente para manter um amplo diálogo e evitar</p><p>diversos problemas diplomáticos, sendo o principal deles, a guerra. Considera-se que no caso</p><p>da Segunda Guerra mundial faltou um instrumento dessa envergadura que conseguisse balizar</p><p>a paz em termos globais.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>85 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>ATENÇÃO!</p><p>Órgãos principais das Nações Unidas: uma Assembléia Geral um Conselho de Segurança, um</p><p>Conselho Econômico e Social, um conselho de Tutela, uma Corte Internacional de Justiça e um</p><p>Secretariado.</p><p>Assim como a Liga das Nações, a ONU também tem por finalidade garantir e prevenir con-</p><p>flitos globais, conforme a Carta estabelece no Capítulo I que trata dos Propósitos e Princípios:</p><p>Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:</p><p>1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente, medi-</p><p>das efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer rup-</p><p>tura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do</p><p>direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar</p><p>a uma perturbação da paz.</p><p>O Conselho de segurança é formado por 15 membros, sendo cinco permanentes e dez</p><p>rotativos.</p><p>Os membros permanentes são aqueles que se sagraram vencedores da Segunda Guerra</p><p>Mundial: Estados Unidos, Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, China, Rússia</p><p>e França.</p><p>O poder de veto no Conselho de Segurança um dos principais, senão o principal poder!</p><p>Além disso, só o fato de cinco países se manterem por tempo indeterminado no Conselho, que</p><p>pode definir situações que envolve a paz mundial, já é um grande poder!</p><p>No rol dos “Vencedores”, dois se destacam até os dias atuais, seja pelo seu posiciona-</p><p>mento político-ideológico, pela localização geográfica, pelo poder bélico, etc.: Rússia (antigo</p><p>membro da URSS) e Estados Unidos. É notória a rivalidade desses dois Estados, que reflete,</p><p>inclusive, na tomada de decisões no Conselho de Segurança.</p><p>Sempre que uma decisão contraria os interesses dos Estados Unidos e/ou seus aliados,</p><p>ele vota contra e o projeto é arquivado. O mesmo pode-se falar da Rússia e China, geralmente</p><p>alinhadas político-econômico-ideologicamente.</p><p>Por exemplo, os últimos dez projetos arquivados em reuniões realizadas no período de 12</p><p>de abril de 2017 a 19 de setembro de 2019, contaram com o voto negativo da China, Estados</p><p>Unidos e Rússia. Nesses projetos, a Rússia votou negativamente em oito deles, enquanto a</p><p>China votou em dois e os Estados Unidos em dois.</p><p>O Conselho de Segurança e a Guerra na Ucrânia.</p><p>Resumindo em poucas palavras. Até aqui, com pouco mais de dois meses de guerra o Con-</p><p>selho de Segurança da ONU não teve absolutamente qualquer participação efetiva que cons-</p><p>guisse coibir ao menos uma; repito: uma morte na guerra. Pesam para tal inépcia o fato de que</p><p>as decisões no Conselho precisam ser tomadas em consenso e, além disso, o bloco Rússia-</p><p>-China no Cconselho segue se mostrando sólido e coeso. Contudo, ao menos no discurso,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>86 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>o português Antônio Guterres, Secretário Geral da ONU, vem apelando para que a Rússia aceite</p><p>as recomendações da Agência. Caso contrário serão processos no Tribunal Penal Internacio-</p><p>nal</p><p>Outros órgãos e agências da ONU contudo vem atuando com vistas a mitigar os terríveis</p><p>efeitos da guerra, tais quais a ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidades para Refu-</p><p>giados, com políticas de alocação de ucranianos fugidos (inclusive uma família de ucranianos</p><p>até aqui no Brasil foi recebida) além de auxílios alimentares e um discurso sólido de apoio a ao</p><p>Presidente Zelensky. E mais nada.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A GUERRA RÚSSIA versus UCRÂNIA COMPLETA SEIS MESES</p><p>Eis que a Guerra entre Rússia e Ucrânia completa seis meses em fins de Agosto. Um</p><p>conflito que parecia para muitos ser de folego curto, visto a superioridade do poderio</p><p>russo frente ao dos ucranianos, mas que já se alonga por meio ano, e, pior, sem pers-</p><p>pectiva de trégua. Se nas primeiras semanas dessa guerra, a dinâmica de campos de</p><p>batalhas, com a ofensivas relativamente de fácil conquista das partes almejadas pelos</p><p>russos, inclusive a conquista da capital Kiev, davam indícios de que os objetivos russos</p><p>haviam sido alcançados. Contudo, percebe-se agora que não foi bem isso que ocorreu.</p><p>Vejamos alguns pontos importantes sobre a guerra nesses 6 meses:</p><p>Negociação de paz emperrada. As negociações de paz foram encerradas já bem</p><p>no início do conflito, em março e não foram atá qui retomadas de forma eficaz, o que é</p><p>um presságio de que realmente o conflito seguirá por mais algum (bom) tempo. Como</p><p>vimos acima em nossa aula, o argumento inicial de Moscou para invadir o país vizinho</p><p>era de desmilitarizar e desnazificar. Passados os primeiros meses de conflito outras</p><p>intenções ficam claras e agora o governo central russo não esconde sua intenção de</p><p>derrubar Zelensky da presidência ucraniana. Em meio a esse tabuleiro geopolítico des-</p><p>truição e mortes avançam, com cidades, tais quais Mariopol praticamente destruídas</p><p>por completo. De boa notícia vida lá do cáucaso, apenas o acordo mediado pela Turquia</p><p>de volta das exportações de grãos ucranianos, um dos maiores produtores de alimen-</p><p>tos do mundo.</p><p>O Presidente ucranaino Volodomyr Zelensky disse que a guerra com a Rússia só vai</p><p>terminar quando a Ucrânia reconquistar a Criméia. Segundo o mandatário ucraniano:</p><p>“só assim as bases do direito internacional serão reestabelecidas”.</p><p>O acordo para retomar exportações e sanções econômicas . Como destacado</p><p>acima, de boa notícia mesmo vinda lá do Cáucaso, apenas o acordo mediado pela Tur-</p><p>quia de volta das exportações de grãos e fertilizantes tanto russos como ucranianos</p><p>pelos portos no Mar Negro.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>87 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Vale destacar que o governo russo já foi alvo de 6.797 medidas econômicas res-</p><p>tritivas (embargos e sanções) desde fevereiro. Se contabilizadas desde a anexação</p><p>da Crimeia, em 2014, essas medidas chegaram a 11.419 em meados de agosto. Com</p><p>tantas restrições, a economia russa perde, logicamente, força imensa, com expectativa,</p><p>segundo o FMI, de encolhimento em 2022 na casa dos 8.5% por cento.</p><p>Os refugiados. A guerra, como não poderia deixar de ser, vem representando a</p><p>maior diáspora (saída) de pessoas que se tem notícia atualmente no mundo. São quas</p><p>6 milhões de ucranianos, basicamente crinças, mulheres e idosos, visto a expressa</p><p>proibição do governo de Zelensky a que homens entre 18 a 60 anos deixem o país,</p><p>que evadiram seu país fugindo dos ataques russos, o que corresponde a mais de 10%</p><p>da população local. Os principais destinos dessa massa de refugiados são, claro, os</p><p>países vizinhos à Ucrânia e pertencentes à União Europeia, como Polônia (mais de</p><p>50% do contingente), Hungria e Romênia e Moldávia e ,por mais curioso que parece,</p><p>temos a própria Rússia como um grande receptor de imigrantes, sendo que o gigan-</p><p>te-rival já recebeu mais de 1.5 milhões de ucranianos. Nesta conta entrma ,como não</p><p>poderia deixar de ser também, países da Europa Central, como Alemanha (praticamen-</p><p>te 1 milhão de Ucranianos) França, Itália e outros. Quem coordena as atividades dos</p><p>refugiados e fornece amparo é a ACNUR – o Alto Comissariado das Nações Unidades</p><p>para Refugiados. Por fim, vale destacar que ao Brasil chegou uma pequena minoria: o</p><p>Ministério das Relações Exteriores concedeu, até os primeiros dias de Junho de 2022,</p><p>141 vistos humanitários. Eles estão principalmente em cidades do Paraná, onde vive a</p><p>maior comunidade de ascendência ucraniana no país, de Minas Gerais e de São Paulo.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>FINLÂNDIA E SUÉCIA ATENTAM CONTRA A RÚSSIA E PEDEM ENTRADA NA OTAN</p><p>Suécia e Finlândia, dois países nórdicos onde o último uma fronteira de quase 2.000</p><p>km com os russos (sendo esta uma das maiores fronteiras da Rússia com um paí</p><p>estrangeiro) se lançaram a buscar os seus respectivos ingressos na Otan. Se há um</p><p>ano, ambos os países respeitavam a premissa de se manterem fora tanto da esfera de</p><p>ação russa como da ocidental (em um pacto tácito que perdurava desde a década de</p><p>50) com o início da geurra Russia x Ucrânia a relações se alteram e, claro, os ânimos se</p><p>exaltam. Ambos, um pouco para provocar e muito para se protegerem agora buscam no</p><p>guarda-chuva militar ocidental uma forma de, ao menos em tese ,se blindarem da mão</p><p>pesada russa.</p><p>O fim do não alinhamento militar dos dois países nórdicos é uma das maiores guina-</p><p>das de política externa na Europa nos últimos anos. Ambos os países mantinham uma</p><p>política de não vinculação a blocos armamentistas, embora, a Suécia, por exemplo, seja</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho -</p><p>, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>88 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>um dos maiores produtores de armamentos do mundo. Mesmo demorando em média</p><p>quase dois anos apara o ingresso de algum novo país na Otan, inclusive necessitando</p><p>de ser aprovado por unanimidade pelos 30 atuais membros da OTAN, o estrago está</p><p>feito, com os EUA se laçando explicitamente em apoiar a entrada dos dois países. Essa</p><p>explicitação de vontade dos dois vizinhos russos fez Putin declarar que dará resposta</p><p>simetricamente equivalente caso os dois países persigam de fato o ingresso no bloco</p><p>militar Ocidental.</p><p>Abaixo vejam o mapa atual dos países integrantes da Otan. Observem que até a</p><p>Noruega está dentro do bloco, junto com basicamente toda a Europa, inclusive a Tur-</p><p>quia.</p><p>Países integrantes da Otan 2022</p><p>3.4. cHinA</p><p>A China é a maior demografia global, ao concentrar 18% de todos os habitantes do Planeta,</p><p>embora seus indicadores de crescimento populacional já estejam totalmente estabilizados.</p><p>Além disso, em termos econômico-produtivos, é, ao mesmo tempo, o maior produtor de produ-</p><p>tos industriais e também o maior consumidor de insumos energéticos.</p><p>Maiores populações em 2019:</p><p>• 1. China: 1.384.688.986;</p><p>• 2. Índia: 1.296.834.042;</p><p>• 3. Estados Unidos: 329.256.465;</p><p>• 4. Indonésia: 262.787.403;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>89 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• 5. Brasil: 208.846.892;</p><p>• 6. Paquistão: 207.862.518;</p><p>• 7. Nigéria: 195.300.340;</p><p>• 8. Bangladesh: 159.453.001;</p><p>• 9. Rússia: 142.122.776;</p><p>• 10. Japão: 126.168.156.</p><p>Do ponto de vista político, em 2018 o Partido Comunista Chinês acaba formalmente com</p><p>os limites do mandato para a presidência de Xi-Jinping, abrindo caminho para um governo vi-</p><p>talício do atual líder do país.</p><p>Dos 2.964 delegados que votaram sobre a matéria no Congresso Nacional do Povo (CNP),</p><p>2.958 se declararam a favor de revogar um limite de 10 anos para mandatos presidenciais,</p><p>juntamente com uma série de outras mudanças constitucionais visando consolidar o poder</p><p>de Jinping.</p><p>Na verdade, o gigante oriental, de forma explícita, busca promover uma política em que,</p><p>pelos próximos anos, não haja espaço para que uma alteração de rumos institucionais venha</p><p>representar minimamente qualquer fratura frente à segura conduta que, há décadas, o país</p><p>vem perseguindo em torno de se consolidar ainda mais como um gigante global em todos os</p><p>segmentos possíveis.</p><p>Dentro desses contextos, a China ainda ostenta a maior taxa de crescimento econômico</p><p>em comparação a todas as principais economias do mundo. Chama atenção, contudo, que o</p><p>crescimento do PIB chinês em 2019 (último ano pré-pandemia) foi o menor desde 1990, tendo</p><p>avançado “apenas” 6,1% em relação ao ano anterior (sendo que em 2018 houve 6,6% de cresci-</p><p>mento), segundo dados oficiais. Embora o país há mais de 10 anos não revele um crescimento</p><p>econômico na casa dos dois dígitos, segue de forma inequívoca um norte voraz, engolindo mer-</p><p>cados e incrementando escalas de consumo internas. Ao decidir em 2018 manter Xi Jinping</p><p>como líder por tempo indefinido, o Partido Comunista Chinês não deixa dúvida alguma de que</p><p>seus estamentos político-institucionais são mais sólidos até que a própria Muralha da China.</p><p>Em 2020, mesmo em meio a acusações (ainda não provadas) de haver causado de forma</p><p>proposital a pandemia de COVID-19 e, claro, sendo o epicentro da pandemia global como sa-</p><p>bemos (veja texto ao fim desta aula sobre os desdobramentos da COVID-19), a economia chi-</p><p>nesa foi uma das únicas no Mundo (junto apenas com Taiwan) que cresceram em 2020, com</p><p>incremento de 2,1% no ano. Como comparação: a economia do Brasil regrediu 4,1%, a dos EUA</p><p>regrediu em torno de 6%, e a da Alemanha, em mais de 7%.</p><p>3.4.1. China, Hong Kong e Taiwan</p><p>Uma questão de atualidades muito importante ocorrida em 2019/2020 na China diz respei-</p><p>to a Hong Kong e a como a população da cidade-Estado vem temendo (e protestando contra) o</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>90 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>peso do controle chinês. Ao longo do segundo semestre de 2019 (seguindo-se em 2020), uma</p><p>série de manifestações nas ruas da cidade-Estado que pertence à China, mas é governado</p><p>com maior distensão política, demonstrou o descontentamento da população local frente à</p><p>direção nítida do Partido Comunista chinês em aumentar o controle sobre a localidade.</p><p>Quando Hong Kong retornou ao controle de Pequim em 1997, seus habitantes receberam</p><p>a promessa de que manteriam por 50 anos as liberdades civis e o Estado de Direito adotados</p><p>durante o século e meio de colonização britânica. A ilha nunca teve democracia, mas desfruta-</p><p>va de garantias inexistentes na China continental, entre as quais a liberdade de imprensa e de</p><p>expressão e um Judiciário independente.</p><p>E faltando, em 2019, 28 anos para o ano 2047, quando os 50 anos se completam, muitas</p><p>das liberdades civis de Hong Kong estiveram sob ataque da China continental. O alvo das</p><p>manifestações vem em direção ao projeto de lei que permite a extradição para a China de</p><p>acusados da prática de crimes. Os críticos da proposta afirmam que ela abre caminho para</p><p>opositores políticos em Hong Kong serem enviados para julgamentos pelo nada independente</p><p>sistema judicial de Pequim, no qual imperam os desígnios do Partido Comunista.</p><p>No início do ano de 2019, Xi Jinping ofereceu aos taiwaneses a reunificação com a China</p><p>sob modelo de “um país, dois sistemas”, o mesmo adotado em Hong Kong. Nas horas sub-</p><p>sequentes, a Presidente da ilha, Tsai Ing-wen, reiterou sua rejeição à proposta e manifestou</p><p>solidariedade aos manifestantes da ex-colônia britânica. “Nós estamos ao lado do povo amante da</p><p>liberdade de Hong Kong. Em seus rostos, nós vemos o anseio pela liberdade e somos lembra-</p><p>dos de que a democracia arduamente conquistada por Taiwan deve ser protegida e renovada</p><p>por cada geração”, escreveu Tsai em sua conta no Twitter.</p><p>Taiwan é a ilha para a qual fugiram os nacionalistas derrotados pelos comunistas na guerra</p><p>civil da China, encerrada em 1949. Governada de maneira ditatorial e sob lei marcial até 1987, a</p><p>ilha realizou sua primeira eleição direta para Presidente em 1996. “Hong Kong vive a realidade</p><p>de ‘um país’ e a ilusão de ‘dois sistemas’”, afirmou a porta-voz do Partido Democrático Progres-</p><p>sista de Taiwan, Isis Lee, de acordo com relato do jornal Taipei Times.</p><p>Em matéria do portal G1, da BBC News, de 05/07/2019, vemos a dimensão das principais</p><p>diferenças que constituem o postulado regente, ao menos nas relações entre Hong Kong e a</p><p>China: ou seja; “um país, dois sistemas”. Então vejamos com atenção:</p><p>As 5 principais diferenças da vida em Hong Kong e na China</p><p>Por 150 anos, Hong Kong foi uma colônia britânica; ao ser devolvido aos chineses, o</p><p>território teve assegurado até 2047 um grau elevado de autonomia.</p><p>Hong Kong está em contagem regressiva para 2047. Se nada mudar, esse é o ano em</p><p>que o território passará a ser controlado completamente pela China.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição,</p><p>sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>91 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A China cedeu Hong Kong ao Reino Unido em 1842 após a Primeira Guerra do Ópio.</p><p>Por cerca de um século e meio, o território foi uma colônia britânica.</p><p>E só foi devolvido aos chineses em 1997, quando Hong Kong passou a ser uma re-</p><p>gião administrativa especial da China.</p><p>À época, ficou acertado que Hong Kong teria um grau elevado de autonomia, o que</p><p>inclui um sistema político e uma estrutura econômica próprios. A exceção trataria</p><p>das áreas de defesa e relações exteriores, ambas sob o controle da China.</p><p>O acordo de devolução sob um modelo chamado de “um país, dois sistemas” duraria</p><p>50 anos.</p><p>No entanto, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer em 2047 com o território</p><p>de 7,4 milhões de habitantes.</p><p>Há diferentes cenários possíveis. Além de passar a ser controlada integralmente</p><p>pela China, discute-se também a possibilidade de estender o prazo, de assegurar</p><p>independência total a Hong Kong ou até mesmo de firmar novos termos com a China</p><p>para uma solução intermediária.</p><p>Em 2014, contudo, um conselho do governo chinês publicou um documento oficial,</p><p>chamado Livro Branco sobre Hong Kong. Nele, assinalavam que o objetivo é a “reu-</p><p>nificação do continente” e lembravam que o território tem autonomia sobre assuntos</p><p>locais desde que tenha permissão do poder central.</p><p>Analistas internacionais advertem que esse poder que Pequim tenta exercer sobre</p><p>Hong Kong está cada vez mais acentuado. Tem impulsionando também um proces-</p><p>so de homogeneização do território, na tentativa de diminuir as diferenças que exis-</p><p>tem entre a China continental e o território semiautônomo.</p><p>Essa postura de Pequim tem gerado resistência em Hong Kong.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>92 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Milhões de pessoas saíram às ruas nas últimas semanas, inicialmente motivadas</p><p>por uma lei que autorizaria extradições de cidadãos locais ao território chinês pro-</p><p>priamente dito. Os protestos serviram também para externar a insatisfação mais</p><p>difusa de cidadãos de Hong Kong com Pequim.</p><p>Na segunda-feira (1º), dia do aniversário da transferência da soberania sobre Hong</p><p>Kong do Reino Unido à China, manifestantes invadiram e ocuparam a sede do legis-</p><p>lativo e depredaram seletivamente alguns símbolos da soberania de Pequim, depois</p><p>de semanas de imensas manifestações.</p><p>Mas você sabe quais são as principais diferenças entre a China e o território semiau-</p><p>tônomo?</p><p>A BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC News, listou cinco dessas dife-</p><p>renças:</p><p>1. Sistema político</p><p>A República Popular da China é um Estado socialista comandada por um único parti-</p><p>do, o Partido Comunista chinês, ainda que existam outros partidos no país.</p><p>Segundo o estatuto do Partido Comunista do país, 90 milhões de filiados selecionam</p><p>2.300 delegados que, por sua vez, votam nos 200 membros do comitê central.</p><p>Esse comitê é quem elege o Politburo com seus 25 integrantes, o comitê permanen-</p><p>te que tem de cinco a nove membros e o secretário-geral que, na prática, é o principal</p><p>líder do partido.</p><p>Desde 2012, esse posto é ocupado por Xi Jinping, que também assumiu o cargo de</p><p>Presidente da China em 2013.</p><p>Hong Kong, por sua vez, também tem como Presidente Xi Jinping. Mas o território</p><p>tem o próprio governo.</p><p>O chefe do Executivo local é eleito por votação secreta por um comitê de 1.200 pes-</p><p>soas escolhidas pelo próprio governo central.</p><p>O mandato é de cinco anos e renovável por duas vezes consecutivas, no máximo.</p><p>Desde 2017, a chefe do governo local de Hong Kong é Carrie Lam, que condenou a</p><p>violência e o vandalismo dos protestos mais recentes.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>93 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Hong Kong também tem uma Assembleia Legislativa com 70 integrantes, entre eles</p><p>políticos, empresários, sindicalistas, professores, líderes religiosos e até celebridades,</p><p>eleitos (algo impensável na China) por residentes com mais de 18 anos. Metade das</p><p>vagas é ocupada por representantes de regiões geográficas e a outra metade por</p><p>representantes de empresas ou associações.</p><p>Ainda que Hong Kong não seja uma democracia plena, a Assembleia é eleita por um</p><p>segmento mais diverso da sociedade se comparado à China continental.</p><p>Nos últimos anos, contudo, tem aumentado a demanda por mais democracia em</p><p>Hong Kong, com uma série de manifestações que se repetem nas ruas há mais de</p><p>uma década contra políticas e leis impostas pela China.</p><p>2. Sistema judicial</p><p>O sistema legal de Hong Kong é bastante distinto do modelo continental chinês. Ele</p><p>se assemelha ao sistema britânico, em que a transparência e independência dos</p><p>processos judiciais são prerrogativas previstas em lei – no caso de Hong Kong estão</p><p>na chamada Lei Básica, uma espécie de carta constitucional do território semiautô-</p><p>nomo.</p><p>Na China continental, por sua vez, o Partido Comunista controla todos os aspectos</p><p>do processo judicial e críticos afirmam que é um sistema bastante corrupto que não</p><p>oferece garantias mínimas aos que são processados.</p><p>No entanto, a Lei Básica também está subordinada ao comitê permanente do Con-</p><p>gresso Nacional da China, que tem o poder de emitir uma interpretação final e vinculante</p><p>das leis. Assim, nesse aspecto, a independência do sistema não é integralmente</p><p>garantida uma vez que Pequim tem a última palavra.</p><p>3. Direitos civis</p><p>Ainda que Pequim tenha a última palavra em relação à legislação de Hong Kong, os</p><p>cidadãos do território semiautônomo têm uma série de liberdades civis exclusivas.</p><p>Diferente do resto da China, desfrutam de liberdade de imprensa, de associação e de</p><p>expressão.</p><p>No entanto, episódios nos últimos anos colocaram em xeque essas prerrogativas.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>94 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Em 2014, líderes estudantis foram detidos e acusados de traição por terem partici-</p><p>pado da “Revolução dos Guarda-Chuvas”, que ganhou esse nome em referência aos</p><p>guarda-chuvas usados como proteção do gás lacrimogêneo lançado pelas forças</p><p>de segurança. Estudantes foram às ruas contra a decisão de Pequim de fazer uma</p><p>reforma educacional na qual se exaltava nas escolas os valores comunistas.</p><p>Professores críticos ao sistema comunista também foram detidos, e livrarias con-</p><p>sideradas “subversivas” têm sido fechadas por publicarem ou venderem obras com</p><p>críticas ao regime chinês.</p><p>Ainda assim, a mídia e o acesso à informação em Hong Kong são visivelmente mais</p><p>diversos que no resto da China. Redes sociais como Facebook, Twitter, WhatsApp,</p><p>por exemplo, são permitidos sem restrições.</p><p>Cidadãos de Hong Kong também têm passaporte diferente dos chineses, que permi-</p><p>te viajar à maioria dos países do mundo, entre eles os EUA e aos Estados-membros</p><p>da União Europeia sem necessidade de solicitar visto.</p><p>4. Economia</p><p>O modelo “um país, dois sistemas” permite que Hong Kong conviva, paradoxalmente,</p><p>com o socialismo e o capitalismo</p><p>assim, os</p><p>anglo-saxões – entre os países com influência na América, citando também a Indochina como</p><p>área de expansão da França na segunda metade do século XIX. Devemos também observar</p><p>que na mesma época foi criado o conceito de “Europa Latina”, que englobaria as regiões de</p><p>predomínio de línguas românicas. Michel Chevalier, político e economista liberal francês que</p><p>mencionou o termo “América Latina” em 1836, durante uma missão diplomática feita aos Es-</p><p>tados Unidos e ao México, o fez com o mesmo objetivo de Napoleão III – ou seja, atrair para o</p><p>seio da França os países em descolonização na América.</p><p>2.2. A esquerdizAção nA AMéricA lAtinA nA décAdA de 2000 e o</p><p>AtuAl MoMento político e suAs diferençAs (2020/2021)</p><p>Um processo político de extrema relevância observado na América Latina se encontra na</p><p>entrada no poder de uma série de governos de esquerda ao longo da década de 2000 (2001-</p><p>2010), em inúmeros países da América do Sul. Foi um período de apogeu na ascensão de</p><p>governos de esquerda, todos eleitos democraticamente, tendo seu início em 1999, na Vene-</p><p>zuela, quando Hugo Chávez toma posse pela primeira vez e declara que seu país, a partir de</p><p>então, tornar-se-ia uma “República Bolivariana”.</p><p>Essa mesma retórica de Chávez fora também utilizada pelos Presidentes Rafael Correa,</p><p>do Equador (Presidente entre 2007-2017), e Evo Morales, da Bolívia (Presidente entre 2005-</p><p>2017), todos inspirados por Cuba – uma República socialista desde 1959 comandada pelos</p><p>ditadores Fidel Castro e seu irmão Raul Castro até bem recentemente. Cuba, inclusive, em</p><p>2018, passou o bastão da presidência para o engenheiro Miguel Canel. E outros países adota-</p><p>ram também (via democrática) governos de esquerda ao longo da década de 2000 (contudo,</p><p>menos radicais que Venezuela e Bolívia), tais quais o Brasil, com Lula e Dilma, a Argentina (com</p><p>Christina Kirchner) e o Chile (Michelle Bachelet).</p><p>Contudo, caro(a) aluno(a), o mapa político latino-americano que “avermelhou”, tal qual vi-</p><p>mos acima, entre o fim da década retrasada (que abrange de 2001 a 2010) e o início da déca-</p><p>da passada (2011 a 2020), sofreu mudanças consideráveis. Se há exatos 10 anos (em 2011</p><p>– e muita atenção a isso), apenas Colômbia e Suriname ostentavam Presidentes de direita,</p><p>estando todos os outros países (incluindo Brasil, com Dilma, e a Argentina, com Christina Kir-</p><p>chner) com Presidentes à esquerda, de lá (2011) até aqui (2022), houve transições significati-</p><p>vas neste quadro.</p><p>Mas quais foram estas mudanças?</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>11 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Respondo: é simples. Uma série de países que optaram nessa época (década de 2000) por</p><p>governos declaradamente de esquerda, em sua maioria, cambiou pelas mesmas vias demo-</p><p>cráticas rumo a governos de direita em tempos mais recentes. Vejamos abaixo os casos mais</p><p>importantes, então:</p><p>• Brasil: Michel Temer (direita) sucede a Dilma Rousseff (esquerda) em 2016, sendo se-</p><p>guido pela eleição de Jair Bolsonaro (direita mais radical) em fins de 2018;</p><p>• Paraguai: Fernando Lugo, o único Presidente de esquerda do Paraguai em todos os</p><p>tempos, assume em 2008, sendo impichado em 2012. O atual mandatário local se cha-</p><p>ma Mario Benítez, que tomou posse em 2018, estando vinculado aos quadros da direita</p><p>radical paraguaia, tendo sido seu pai, inclusive, ajudante de primeira ordem do ditador</p><p>Alfredo Strossner;</p><p>• Uruguai: após 15 anos de governos de esquerda (Pepe Mujica e Tabaré) em fins de 2018</p><p>o Uruguai elege Luis Lacalle Pou, Presidente de viés político de direita;</p><p>• Peru: Pedro Pablo Kuczynski toma posse em 2018 (Presidente de direita), sucedendo</p><p>Ollanta Humala (Presidente de esquerda), sendo, contudo, preso por corrupção no final</p><p>de 2018, ao longo do mandato. Em 17 de abril de 2019, uma tragédia se sucede no país,</p><p>quando o ex-Presidente Alan Garcia (centro-direita e possuidor de 2 mandatos entre</p><p>2005-2011), acusado de corrupção, estando prestes também de ser preso, se suicida</p><p>com um tiro na cabeça ao ver a chegada da polícia em sua residência para cumprimento</p><p>de mandado de prisão. Todos esses Presidentes peruanos são acusados de corrupção</p><p>envolvendo, entre outras empresas, a construtora brasileira Odebrecht. Em junho e julho</p><p>de 2021, houve eleições pareando a candidata de direita Keiko Fujimori e o de esquerda</p><p>Pedro Castillo, com vitória apertada para o segundo;</p><p>• Chile: Sebastián Piñera (Presidente de direita) toma posse em março de 2018 para as-</p><p>sumir o lugar de Michelle Bachelet (Presidente de esquerda). Vale destacar que há mais</p><p>de 15 anos o Chile vem alternando, por vias democráticas, governos de esquerda e de</p><p>direita, com estes dois personagens citados sempre ao centro. Agora se encontra na vez</p><p>da esquerda, com a eleição em 2022 de Guilherme Boric, de apenas 35 anos, no lugar do</p><p>direitista Sebastian Piñera;</p><p>• Argentina: finalmente, em nosso vizinho vale destacar que o presidente Maurício Macri</p><p>(de direita) assume em 2016, substituindo Cristina Kirchner (política declaradamente</p><p>de esquerda), sem grande apoio popular e buscando realizar reformas estruturais, tais</p><p>quais a previdenciária, além de tentar promover cortes em salários e combate ao déficit</p><p>orçamentário apoiando-se em uma agenda neoliberal de direita.</p><p>− Em 2018, a economia regrediu (queda no PIB) em torno de -2%. A mesma previsão era</p><p>esperada para 2019 e se confirmou;</p><p>− A inflação de 2018 na Argentina foi uma das 5 mais altas no Mundo, atingindo o índi-</p><p>ce de 48% a.a. Em 2019, a taxa subiu ainda mais, para além dos 50% ao ano;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>12 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>− Em 2018, o peso argentino sofreu a incrível desvalorização de 115% em relação ao</p><p>dólar;</p><p>− Outros indicadores econômico-sociais iam (e ainda vão) muito mal na Argentina. O</p><p>desemprego atinge taxa de mais de 10%, sendo que a pobreza já se instalou em 32%</p><p>da população total do país;</p><p>− Com vistas a respirar um pouco mais aliviada em meio à crise, em 2018 a Argentina</p><p>solicitou ao FMI a maior ajuda já paga pelo fundo monetário em toda sua história,</p><p>recebendo nossos vizinhos mais de US$ 57 bilhões;</p><p>− Como resultado, após 3 anos completos de governo, Maurício Macri viveu em seu</p><p>último ano de mandato (2019) um cenário de enorme insatisfação popular. E os nú-</p><p>meros não nos deixariam mentir. Em 2019, o nosso vizinho mais importante expe-</p><p>rimentou mais um ano de aguda crise econômica e Macri ao fim do ano perde as</p><p>eleições para o grupo político oposicionista de esquerda.</p><p>Em fins de outubro de 2019, como reflexo principalmente da crise econômica, o presidente</p><p>Mauricio Macri perde as eleições na Argentina e não consegue se reeleger. O grupo de Cris-</p><p>tina Kirchner (ex-Presidente de esquerda) volta ao poder, após 4 anos fora capitaneado pelo</p><p>candidato de centro-esquerda Alberto Fernández. Kirchner fica com a Vice-Presidência, e</p><p>Fernández se torna Presidente – destaco: com uma plataforma de governo de esquerda.</p><p>E assim, caro(a) aluno(a), espero que tenham compreendido bem estes dois processos. Ou</p><p>seja, a esquerdização da década de 2000 e a volta de governos a direita, principalmente entre</p><p>2015-2018 na América do Sul (como no Brasil, Chile e Argentina). Contudo, para efeitos de pro-</p><p>vas de Atualidades e do tema político na América do Sul, podemos afirmar que hoje em dia, em</p><p>fins de 2022, a América do Sul vivencia mais uma onda “esquerdizante”</p><p>ao mesmo tempo no mesmo lugar. Dessa forma,</p><p>enquanto as empresas da China são regidas por um sistema comunista, controlados</p><p>em sua maior parte pelo Estado, Hong Kong tem um sistema livre de mercado.</p><p>A República Popular da China não interfere nas leis fiscais da região administrativa e</p><p>não cobra nenhum tipo de imposto.</p><p>A economia chinesa, assim como a de outros países em desenvolvimento, depende</p><p>principalmente da produção de matéria-prima e produtos manufaturados. Já a eco-</p><p>nomia de Hong Kong se baseia nos setores de serviços e finanças.</p><p>As moedas são distintas. Enquanto a China usa o yuan o território semiautônomo</p><p>tem o dólar de Hong Kong. A moeda de Hong Kong opera num câmbio vinculado ao</p><p>dólar dos EUA e se submete às regras do mercado internacional, algo que não acon-</p><p>tece com a moeda chinesa.</p><p>E a economia local é reconhecida por impostos mais baixos, livre comércio e peque-</p><p>na interferência das autoridades governamentais nas atividades empresariais.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>95 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>5. Idioma</p><p>A China continental e Hong Kong não falam a mesma língua. O idioma oficial da Chi-</p><p>na é o mandarim. No entanto, existem no país uma série de dialetos e outros idiomas,</p><p>entre eles o cantonês, que se fala em Hong Kong.</p><p>O mandarim, contudo, é ensinado em todas as escolas, inclusive em Hong Kong.</p><p>Mas no dia a dia, tanto nas ruas quanto no trabalho, o cantonês é mais falado no</p><p>território semiautônomo que o mandarim. O inglês também é usado, em especial em</p><p>placas de sinalização nas ruas e nos transportes coletivos.</p><p>Ainda que a maioria das pessoas em Hong Kong tenha origem chinesa e o território</p><p>pertença à China, muita gente não se identifica com os chineses. Várias pesquisas</p><p>da Universidade de Hong Kong mostram que uma parcela significativa da população</p><p>se identifica como ‘hongkonger’ e que apenas 15% se identificam como chinês.</p><p>Essa diferença é ainda mais forte entre os jovens. Levantamento feito em 2017 mos-</p><p>trou que apenas 3% das pessoas com idade entre 18 e 29 anos se declaravam como</p><p>chineses em Hong Kong.</p><p>3.4.2. Novo Bloco Econômico – Parceria Econômica Regional Abrangente – O</p><p>maior do Mundo e liderado pela China</p><p>Eis que na entrada de 2022, quinze economias da Ásia-Pacífico consolidaram oficialmente</p><p>o maior bloco de livre comércio do mundo, um acordo apoiado pela China. Interessante per-</p><p>ceber que até 2017 estava em andamento justamente a formação de um bloco econômico de</p><p>países da Ásia e Pacífico, tal qual vimos em nosso material de Atualidades um pouco mais</p><p>acima, com os EUA na liderança (e o Tratado de Associação Transpacífico seria o maior bloco</p><p>do Mundo com praticamente 40% do PIB global), excluindo (e rivalizando) a China. Mas Trump,</p><p>dentro da ótica isolacionista de sua política externa decidiu sair.</p><p>A assinatura da Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês) em</p><p>uma cúpula regional de Hanói. Em meio a questões sobre o envolvimento de Washington na</p><p>Ásia, o RCEP pode cimentar a posição da China com mais firmeza como parceiro econômico</p><p>do Sudeste Asiático, Japão e Coreia, colocando a segunda maior economia do mundo em me-</p><p>lhor posição para moldar as regras comerciais da região.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>96 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>4. AtuAlidAdes relAcionAdAs A teMAs GlobAis</p><p>4.1. tecnoloGiA entreteniMento</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O TRABALHO NA ATUALIDADE</p><p>Falar do mundo do trabalho em Atualidades passa, fundamentalmente, por enten-</p><p>dermos acerca de perdas e ganhos e toda a gama de mudanças estruturais que a Nova</p><p>Revolução Tecnológica, também conhecida como 4ª Revolução Tecnológica, (ou 4.0)</p><p>traz à tona.</p><p>Era da automação: o grande “calcanhar de Aquiles” atualmente na questão do</p><p>emprego no mundo é a inteligência artificial, ou seja, máquinas (computadores) simu-</p><p>lando reações humanas (e consequentemente substituindo pessoas), desde apertar</p><p>um botão até questões de maior complexidade, como pilotar um avião. Se nas décadas</p><p>anteriores, desde os anos 70, assombravam o mundo a perda de postos pela automati-</p><p>zação e por robôs, hoje, para além destas perdas, temos ainda com o advento da atual</p><p>revolução tecnológica, a inteligência das máquinas tomando o espaço da ação humana.</p><p>Cerca de 50% das atividades de trabalho são tecnicamente automatizáveis, segundo</p><p>relatório da McKynsei, uma das consultoras mais importantes do mundo acerca do traba-</p><p>lho. Conforme outro estudo, mais da metade dos empregos formais no Brasil (54%)</p><p>estão ameaçados de substituição por máquinas. Em comparação com outros estudos</p><p>publicados no exterior com metodologia semelhante, o Brasil tem mais empregos ame-</p><p>açados de extinção do que os Estados Unidos (47%), porém menos que Europa (59%) e</p><p>países como Uruguai (63%), Argentina (65%) e Guatemala, que tem o maior índice (75%</p><p>dos empregos poderão ser exercidos por máquinas). O número brasileiro significa que</p><p>essa quantidade de pessoas ocupadas encontra-se em funções classificadas com pro-</p><p>babilidade “alta” (60% a 80%) ou “muito alta” (acima de 80%) de serem exercidas por</p><p>máquinas. Isso porque são funções “tipicamente rotineiras e não cognitivas”, como</p><p>ascensorista de elevador (com 99,9% de que o trabalho seja exercido por máquinas no</p><p>futuro), taquígrafo (99,5%) ou coletor de lixo (89,3%). Também estão na lista tarefas cogniti-</p><p>vas num nível já alcançado por formas de inteligência artificial (IA), como recepcionista</p><p>de hotel (99,1%), cobrador de ônibus (99,3%) e gerente de almoxarifado (93,4%).</p><p>Trabalho remoto: regulamentado na Reforma Trabalhista de 2017, o home office</p><p>deve crescer como alternativa para a contratação de profissionais. Interessante per-</p><p>ceber que a década que se findou (2010-2019) foi de enorme evolução acerca deste</p><p>conceito. O que instrumentaliza sem dúvida nenhuma o home office são as redes de</p><p>computadores muito mais eficientes. Um dos principais ganhos com a evolução do</p><p>home office é do ponto de vista ecológico, resultado pelo corte de horas de desloca-</p><p>mento (onde se estima girar em São Paulo em torno de 1 hora e meia por dia entre ida e</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>97 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>retorno de casa para o trabalho), reduzindo, assim, as emissões de gases que causam</p><p>o efeito estufa. Graças a essa iniciativa, é possível diminuir o número de viagens ao tra-</p><p>balho e, assim, reduzir a poluição, os gastos de energia e o desperdício de papel. Várias</p><p>agências de emprego começaram em tempos recentes a demandar profissionais nesta</p><p>modalidade. Quem não gostaria de trabalhar em casa? Parece que a hora chegou e,</p><p>incentivados forçadamente pela epidemia de coronavírus, as corporações e também o</p><p>serviço público entraram de cabeça na era do teletrabalho.</p><p>Multidisciplinaridade: quem possuir sólidas competências técnicas e comporta-</p><p>mentais terá prioridade nas ofertas de emprego. Importa-nos entender que o mundo</p><p>do trabalho tradicional, tal qual formado pelo Fordismo, em que enormes indústrias</p><p>em que cada operário devia compreender bem apenas uma fase da</p><p>produção. Com o</p><p>Toyotismo, a partir dos anos 70, as capacidades ficaram mais abrangentes, e o trabalho</p><p>começa a demandar conhecimentos interdisciplinares. Tal tendência segue até os dias</p><p>atuais.</p><p>Novas carreiras: abre-se, atualmente, uma gama de novas carreiras, como mecâni-</p><p>cos de veículos híbridos, técnico em impressão de alimentos, analista de internet das</p><p>coisas e técnico em automação predial são profissões aguardadas na indústria 4.0 (ou</p><p>4ª Revolução Tecnológica), segundo estudo do Senai, o Serviço Nacional de Aprendiza-</p><p>gem Industrial.</p><p>As 4 revoluções tecnológico-industriais consideradas:</p><p>Primeira Revolução Industrial: chega quase ao final do século XVIII, em 1784, com</p><p>o uso do vapor na produção mecânica. O aparecimento do primeiro tear mecânico é um</p><p>de seus marcos.</p><p>Segunda Revolução Industrial: em 1870 tem início a produção em grande escala</p><p>baseada na eletricidade. Inventa-se a cadeia de montagem, e o setor industrial vive uma</p><p>extraordinária aceleração.</p><p>Terceira Revolução Industrial: em 1969, com a informática, começamos a progra-</p><p>mar as máquinas, o que resulta em uma progressiva automatização.</p><p>Quarta Revolução Industrial: por volta de 2014, a indústria vivencia outro giro</p><p>imenso, surgindo as fábricas inteligentes e a gestão on-line da produção. O alemão</p><p>Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, no seu livro A Quarta Revolução</p><p>Industrial, traduziu o que se aproximava: “Estamos à beira de uma revolução tecnoló-</p><p>gica que modificará a forma que vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em uma</p><p>escala de alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa</p><p>que o gênero humano já experimentou antes”. E efetivamente está sendo assim por três</p><p>motivos com os quais os especialistas estão de acordo: sua velocidade, seu alcance e</p><p>seu impacto sem precedentes.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>98 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Em: https://www.iberdrola.com/inovacao/quarta-revolucao-industrial</p><p>4.1.1. As Criptomoedas</p><p>Criptomoedas são moedas digitais descentralizadas, ou seja, sem controle de bancos ou</p><p>padrões de lastro do tipo padrão-ouro. A primeira moeda digital criada – hoje a mais famosa</p><p>– foi o BITCOIN, em 2008, que se utiliza de uma tecnologia criptografada denominada block-</p><p>chain, que é nada mais que uma espécie de um tipo de livro – registro distribuído operado em</p><p>uma rede do tipo ponto a ponto (peer-to-peer) de milhares de computadores, sendo que todos</p><p>acabam por deter uma cópia igual de todo o histórico de transações, impedindo que uma enti-</p><p>dade central promova alterações no registro ou no software unilateralmente sem ser excluída</p><p>da rede. No blockchain, a informação não é guardada numa única fonte, mas antes por vários</p><p>utilizadores, que fazem a sua encriptação e verificação, sendo o registro de alterações parti-</p><p>lhado por todos.</p><p>O controle das criptomoedas reside em vários servidores ao mesmo tempo. Por ser cripto-</p><p>grafada, há um estrito protocolo de segurança. Ao processo de criação de Bitcoins denomina-</p><p>-se mineração, mas não é, logicamente, qualquer um que poderá realizar esta criação de crip-</p><p>tomoedas. Primeiro tem de haver um hardware extremamente potente e pessoas interessadas</p><p>na compra de sua moeda, vide que as moedas reais mais valorizadas são as que têm mais</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>99 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>procura, como o dólar e a libra, sendo que o mesmo ocorre com as criptomoedas. Há também</p><p>a necessidade de se obter uma chave de criptografia de peso, senão furam sua segurança, e o</p><p>negócio vai por água abaixo.</p><p>Uma curiosidade sobre a Bitcoin é que não se sabe bem ao certo quem criou a moeda digi-</p><p>tal – tirando o nome com que assina, Satoshi Nakamoto. Mas suspeita-se que este pode não</p><p>ser o nome real ou até representar na verdade um conjunto de pessoas. O certo é que Satoshi</p><p>Nakamoto – seja ele quem for – deixou-nos uma tecnologia que podemos usar para criar o que</p><p>quisermos. Não só a Bitcoin já deu origem a outras criptomoedas, usando o mesmo conceito</p><p>de blockchain, como estão continuamente a surgir novas ideias, serviços e empresas a utilizar</p><p>a própria Bitcoin.</p><p>Em 2014, chegou a ocorrer na revista americana Newsweek, em matéria de capa (abaixo),</p><p>que eles haviam descoberto o autor da Bitcoin, um homem japonês de 64 anos chamado Do-</p><p>rian Satoshi Nakamoto, residente nos arredores de Los Angeles. Dorian negou ser o criador da</p><p>Bitcoin; no impasse, apareceu o australiano Craig Wright, membro de um grupo denominado</p><p>Cypherpunks, o qual em maio de 2016 afirmou a vários órgãos de imprensa ser o verdadeiro</p><p>Satoshi Nakamoto, mas a sua versão não foi bem aceita por todos, permanecendo o misté-</p><p>rio e dividindo opiniões até hoje. Ao todo, o mundo só poderá ter 21 milhões de unidades de</p><p>Bitcoins. E já foram criadas mais de 16 milhões, portanto tem-se 16 milhões de moedas sem</p><p>pai. A estimativa é que a produção das criptomoedas chegará a seu fim no ano 2140, já que</p><p>sua geração se torna cada dia mais difícil. Diante da finitude do Bitcoin, seu sistema financeiro</p><p>acompanha o processo de outras moedas, em que quanto maior a procura, mais alto tende a</p><p>ser o seu valor de mercado.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>AS CRIPTOMOEDAS DE SEGUNDA GERAÇÃO</p><p>Em 2019, as criptomoedas de segunda geração ganham definitivamente consistên-</p><p>cia. Enquanto as moedas de 1ª geração estiveram restritas a mercados financeiros</p><p>específicos, a segunda geração se move atualmente com vistas a realizar operações</p><p>no mercado de varejo, tal qual já fazem há séculos as moedas tradicionais. Contribuiu</p><p>muito o fato de a gigante rede social Facebook anunciar que, até 2020, colocaria em</p><p>órbita sua moeda virtual: Libra, tendo assim um público de 2,3 bilhões de pessoas que,</p><p>via de regra, entrará em contato de alguma forma com esta nova moeda. Seguindo a</p><p>gigante rede social, o Telegram também anunciou sua moeda para 2020 chamada Virtu-</p><p>al Grand. Ambos, bem verdade, não lançaram conforme prometido suas moedas, mas</p><p>agitaram os mercados virtuais. E o Facebook mantém para futuro próximo seu plano,</p><p>com alteração, contudo, de datas e do nome de sua moeda para Diem.</p><p>Já no Brasil, começou a funcionar em 2019 a Wibx, a nossa primeira moeda virtual</p><p>voltada ao comércio do varejo – ou seja, de segunda geração fora apenas do ciclo de</p><p>mercado de investimentos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>100 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Entre 2017 a 2019, a pioneira criptomoeda criada, o Bitcoin, proporcionou uma ren-</p><p>tabilidade absurda. Segundo matéria de capa da Revista IstoÉ (ed. 2.594), intitulada</p><p>“Criptomoedas... Você ainda vai usar”, seu valor saiu de US$ 960, chegando a US$ 20</p><p>mil (para se estabilizar em fins de 2019 na casa dos US$ 10 mil). Nada mal. Mil por</p><p>cento de lucro em pouco mais de dois anos.</p><p>As transações com moedas criptografadas ganham cada vez mais espaço, asse-</p><p>guradas pelos protocolos blockchain e a criptografia. No Brasil, quem comercializa as</p><p>moedas são as chamadas exchanges, ou corretoras. Segundo a associação brasileira</p><p>de criptomoedas (ABCRIP), já</p><p>são mais de 30 instituições. Interessante perceber que,</p><p>contrariando nossa tendência intervencionista e controladora estatal, o Banco Central</p><p>vem sinalizando ao longo dos últimos anos uma liberalização por aqui para este merca-</p><p>do, que ganha corpo velozmente em nosso país.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O BITCOIN EM 2022</p><p>Por: Professor; Luis Felipe Ziriba 25/01/2022</p><p>O BITCOIN é ainda o mais famoso ativo em criptomoedas. É um recurso escasso,</p><p>tal qual o ouro, com limite de 21 milhões de unidades disponíveis. O algorotimo deles</p><p>garante isso, assegurando que a fração, ou unidade acima de 21 milhão, será apenas</p><p>ativada (ou minerada) somente depois do ano 2138. Raro, portanto, tal como o ouro,</p><p>por exemplo, possui grande valor exatamente pelo fato de ser escasso. Serve também,</p><p>tais quais outras criptomoedas, perfeitamente a investidores que querem colocar</p><p>suas reservas em cestas diferentes para assim fugirem do movimento das marés das</p><p>moedas tradicionais. No caso do BitCoin, é inequívoco que ao longo dos últimos anos</p><p>representou uma reserva de valor com enorme proteção em relação à inflação e/ou</p><p>crises políticas. Ou seja, intempéries que, de fato, afetam moedas e papéis tradicionais.</p><p>Estima-se que em fins de 2021, existiam 18,85 milhões de Bitcoins emitidos, cerca de</p><p>90% do limite máximo de 21 milhões.</p><p>O blockchain do Bitcoin, como uma rede que utiliza o mecanismo de consenso de</p><p>prova de trabalho (PoW), depende de participantes da rede chamados de “minerado-</p><p>res” que processam continuamente as transações e validam blocos em um processo</p><p>amplamente conhecido como “mineração”.</p><p>Esses participantes fornecem seus computadores e hardwares para resolver</p><p>milhões de cálculos complexos na rede Bitcoin a cada segundo, recebendo unidades de</p><p>Bitcoin como “recompensa”. Atualmente, os mineradores recebem 6,25 Bitcoins para</p><p>cada bloco minerado, recompensa que irá cair para 3,125 Bitcoins por bloco após o</p><p>próximo halving em 2024.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>101 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Na outra ponta as exchanges garantem a custodia da moeda, com níveis profissio-</p><p>nais de segurança contra ataques e auxiliam aos investidores a manusear seus Bitcoins</p><p>em ambiente de total segurança. Após mais de uma década de funcionamento das crip-</p><p>tomoedas, elas saem, de fato, completamente de uma atmosfera meio nebulosa a qual</p><p>muitos chancelavam ser um ativo relacionado somente a organizações criminosas e/</p><p>ou picaretas e golpistas virtuais, para se consolidar como um ativo de futuro rentável e</p><p>vantajoso, agora também sólido e confiável.</p><p>Por fim, na esteira do Bitcoin, a mais famosa criptomoeda, outras criptomoedas</p><p>operam baseadas em algoritmos de contratos inteligentes programados nas block-</p><p>chains, sendo a mais famosa a Ethereum, da criptomoeda Ether(ETH), considerada</p><p>pelos investidores mais maleável à programação do que a rede do Bitcoin. Façam sua</p><p>apostas!</p><p>Abaixo segue um link. Vale a leitura para entender a dimensão desses novos ativos</p><p>!!!</p><p>Obs: Ah, só para constar, embora tenha valorizado algo perto de 5.000% em 5 anos,</p><p>o Bitconn não está nem entre as 5 criptomoedas mais valorizadas...</p><p>Link: https://www.seudinheiro.com/web-stories/8-criptomoedas-que-subiram-mais-</p><p>-que-o-bitcoin-nos-ultimos-5-anos/</p><p>4.1.2. A Computação em Nuvem</p><p>Embora muitas pessoas apresentem a computação em nuvem como a próxima tendência,</p><p>a ideia é quase tão antiga quanto o próprio computador.</p><p>O conceito surgiu em meados da década de 1960 a partir das ideias de pioneiros como</p><p>J.C.R. Licklider (a influência mais importante no desenvolvimento da ARPANET – Advanced</p><p>Research Projects Agency Network –, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que foi</p><p>a primeira rede operacional de computadores à base de comutação de pacotes, e o precursor</p><p>da Internet foi criada só para fins militares), que imaginava a computação na forma de uma</p><p>rede global, e John McCarthy (que cunhou o termo “inteligência artificial”), que definia a</p><p>computação como uma utilidade pública. Alguns dos primeiros usos foram vistos no proces-</p><p>samento de transações financeiras e dados do censo.</p><p>Em 1997, o termo “computação em nuvem” tal como conhecemos foi utilizado pela primei-</p><p>ra vez pelo professor de sistemas de informação, Ramnath Chellappa.</p><p>Em poucos anos, empresas começaram a trocar o hardware por serviços em nuvem, sendo</p><p>atraídas pelos benefícios como a redução nos custos e a simplificação em questões de pesso-</p><p>al de TI. O benefício número 1 mencionado no mercado corporativo é a eficiência.</p><p>Ao executar certas aplicações que compartilham fotos com milhões de usuários móveis,</p><p>ou ao realizar operações essenciais para a vida de sua empresa, atualmente são as platafor-</p><p>mas de serviços em nuvem que oferecem acesso rápido a recursos de TI flexíveis e de baixo</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>102 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>custo. Com a computação em nuvem, não é preciso realizar grandes investimentos iniciais em</p><p>hardware e perder tempo nas atividades de manutenção e gerenciamento desse hardware.</p><p>Esse que é o pulo do gato, recentemente. Em vez disso, é possível provisionar exatamente o</p><p>tipo e o tamanho corretos de recursos computacionais necessários para executar a sua mais</p><p>recente ideia ou operar o departamento de TI. Você pode acessar quantos recursos forem ne-</p><p>cessários, quase instantaneamente, e no fim pagar apenas pelo que usa.</p><p>A computação em nuvem oferece uma forma simplificada de acesso a servidores, armaze-</p><p>namento, bancos de dados e um conjunto amplo de serviços de aplicação na Internet. Assim,</p><p>uma plataforma de serviços em nuvem, como a Amazon Web Services, é proprietária, fazendo</p><p>a manutenção do hardware conectado à rede necessário para esses serviços de aplicação,</p><p>enquanto você provisiona e utiliza o que precisa por meio de uma aplicação web. Vale destacar</p><p>que um dos problemas da computação em nuvem é a necessidade de internet para seu funcio-</p><p>namento, à medida que ela só funciona em rede.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A CHINA E O 5G</p><p>Enquanto os EUA comandaram no início da década que se finda a implementação</p><p>e uso global da tecnologia 4G, agora é a China quem lidera a implantação do 5G, sendo</p><p>este um dos pontos mais importantes na Guerra Comercial entre Estados Unidos e</p><p>China. A Huawei, uma empresa chinesa, é líder em tecnologia e em redes de internet</p><p>sem fio. Dessa forma, a empresa lidera o mercado de tecnologia na China.</p><p>Após a reunião do G20, em Osaka, no Japão, realizada em fins de julho de 2019,</p><p>Donald Trump deixou as sanções que tinha imposto sobre a Huawei, ao menos momen-</p><p>taneamente, de lado. A empresa da China esteve impedida de alguma forma de fazer</p><p>negócios com companhias norte-americanas. Dessa forma, o Presidente dos EUA ale-</p><p>gara que a tecnologia chinesa representava riscos à segurança de seu país à medida</p><p>que China anuncia claramente que irá implantar as redes 5G já em 2020.</p><p>A rede 5G além de otimizar, em 20 vezes, a velocidade de dados nos dispositivos</p><p>móveis, como celulares, vai proporcionar novidades como carros autônomos. “O país</p><p>que dominar o 5G liderará várias dessas inovações e estabelecerá os padrões para o</p><p>restante do mundo”, diz um comunicado do Departamento de Defesa (DoD) americano.</p><p>A guerra entre os EUA e a China sobre a Huawei teve fôlego curto, parece, mas enla-</p><p>ces interessantes:</p><p>no dia 15 de maio de 2019, o Presidente dos EUA, Donald Trump,</p><p>declarou a proibição de negociações de tecnologia americana sem a permissão do</p><p>governo. Ademais, Trump colocou a Huawei em sua “lista negra”. Em junho, o manda-</p><p>tário norte-americano disse que empresas americanas teriam permissão para vender</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>103 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>para a Huawei. Entretanto, não poderia representar perigo à segurança nacional. No dia</p><p>10 de julho do mesmo ano, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos disse</p><p>que empresas norte-americanas poderiam voltar a fazer negócios com a Huawei. “Para</p><p>implementar a diretriz da cúpula do G20 do Presidente há duas semanas, o Commerce</p><p>emitirá licenças onde não há ameaça à segurança nacional dos EUA”, afirmou o secre-</p><p>tário Wilbur Ross sobre a Huawei. Membros do governo norte-americano afirmaram</p><p>que a líder chinesa em tecnologia é um “instrumento do governo da China”. Veremos</p><p>assim o que acontece nessa guerra nos próximos capítulos.</p><p>O fenômeno TikTok</p><p>O ex- presidente Donald Trump prometeu banir o inocente e engraçadinho aplicativo</p><p>criado na China do território dos EUA em 2020. Não conseguiu.</p><p>Sucesso em todo o mundo e criado justamente para fazer dinheiro, o aplicativo sen-</p><p>sação da geração que come e dorme grudado na Internet (mais precisamente no tele-</p><p>fone) vem criando uma geração de subcelebridades imberbes milionárias. São garotos</p><p>e garotas que, com menos de 20 anos, tornaram-se influenciadores digitais (ou digital</p><p>influencers) e recebem milhares de dólares para fazerem posts patrocinados. Outros</p><p>recebem por visualizações, e vários recebem pelos dois, ou seja, conteúdo patrocinado</p><p>e visualizações. Nos EUA, estima-se que, até meados de 2020, 8 jovens tenham feito,</p><p>cada um, mais de US$ 1 milhão em pouco mais de um ano no TikTok. No Brasil, as</p><p>cifras são menores, mas uma legião de jovens já fatura no TikTok na casa das centenas</p><p>de milhares de reais. Usuários menores também têm vez, e todos os dias lançam lives,</p><p>podendo receber por estas transmissões dinheiro dos amigos. Quando Trump ame-</p><p>açou banir dos EUA a ByteDance, empresa responsável pela operação do TikTok nos</p><p>EUA, não à toa que empresas do porte da WalMart, Microsoft e Oracle se colocaram à</p><p>disposição para comprar a operação americana deste aplicativo, que em dois anos foi</p><p>instalado mais de 2 bilhões de vezes em todo o mundo.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O Metaverso em Atualidades</p><p>Por: Professor Luís Felipe 05/05/2022</p><p>O conceito de metaverso vem sendo cada vez mais propalado e diz respeito a integração</p><p>do mundo real ao digital por meio de tecnologias como a realidade virtual ou aumentada, com</p><p>o uso de avatares e hologramas entre outros recursos. Ou seja, é a busca por experiências</p><p>mais reais que aumentem a emoção e o engajamento.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>104 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A tecnologia 5G auxilia enormemente as funcionalidades, mas o metaverso já vinha se fir-</p><p>mando no mundo 4G. A pandemia prendeu as pessoas em casa e fez com que vive-se uma rea-</p><p>lidade paralela. No ROBLOX, febre entre crianças e pré-adolescentes, ou no FORTNITE, ocorre</p><p>já o além da interação entre pessoas o uso de criptomoedas, NFTs e até shows virtuais, como</p><p>o caso do rapper Emicida que fez um show virtual no FORTNITE.</p><p>A gigante FACEBOOK investe forte e criou sua plataforma de metaverso chamada Meta,</p><p>onde confeccionou um óculos para o uso virtual que aqui no Brasil custa em torno de 3.5 mil</p><p>reais. Outra empresa que investe pesado no metaverso é a Microsoft. Alias, o dono da Micro-</p><p>soft, Bill Gates, estimou recentemente que em 3 anos (até 2025, portanto) as pessoas estarão</p><p>fazendo reuniões virtuais fora das câmeras comuns se utilizando de avatares 3D.</p><p>E fora da esfera de games e reuniões corporativas o metaverso se consolida em outras</p><p>áreas. Vamos a duas delas que vem chamando a atenção.</p><p>A primeira é na medicina, onde faculdades de medicina já utilizam a realidade virtual para o</p><p>ensino de disciplinas como anatomia e radiologia. Psiquiatras e psicólogos já usam há algum</p><p>tempo a realidade virtual para o tratamento de fobias e transtornos do pânico. Em breve os</p><p>novos consultórios serão virtuais formados por avatares, uma evolução da telemedicina tradi-</p><p>cional. O paciente ganha ainda mais conforto ao solicitar um atendimento de sua casa, sem</p><p>precisar de deslocar para alguma unidade de saúde para triagem ou em casos leves, como</p><p>muito utilizado no enfrentamento da pandemia de Covid-19. A possibilidade de gameficação</p><p>em todo esse processo aumenta o protagonismo do paciente no acompanhamento do seu cui-</p><p>dado em saúde e facilita a prevenção de agravos.</p><p>Outra revolução ocorre no mercado imobiliário virtual. Empresas vem se especializando</p><p>em vender terrenos virtuais com pagamento em criptomoedas, onde dentro de games como o</p><p>OtherSide centenas de pessoas adquirem lotes a mais de 5 mil dólares para criar seus empre-</p><p>endimentos.</p><p>Estima-se, que em 2020 mais de 500 bilhões de dólares tenha circulado no mercado do</p><p>Metaverso. Isso ainda nessa fase incipiente onde, de fato, o céu será o limite.</p><p>4.1.3. O Conceito de Big Data e Seus Usos</p><p>Em informática, big data significa o conjunto de informações armazenadas. Atualmente,</p><p>este termo vem sendo cada vez mais utilizado, sendo o big data um conjunto de tecnologias</p><p>que permite que os dados possam ser trabalhados sobre três perspectivas não consideradas</p><p>antes do surgimento do conceito:</p><p>• Volume: a cada dia, novos dispositivos são inseridos nas redes e passam a enviar e</p><p>receber informações dos mais diversos tipos. Devido a esse crescimento, surgiu a ideia</p><p>de gerenciar essas informações e utilizá-las para agregar valor;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>105 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• Variedade: da mesma maneira que há diversos tipos de dispositivos que geram informa-</p><p>ções, existem também diversas formas de dados, como textos, imagens, vídeos, dados</p><p>de sensores e de localização e outros. Com as tecnologias de big data, se torna possível</p><p>analisar e gerenciar todos estes tipos de informações;</p><p>• Velocidade: mesmo que os dados existam em grande volume e em uma enorme varie-</p><p>dade de formas, com o big data será possível que eles sejam tratados. Esse é um desafio</p><p>para as organizações, já que a velocidade da produção desses dados vem aumentando</p><p>rapidamente.</p><p>A análise adequada de tais grandes conjuntos de dados alinhavados permite encontrar no-</p><p>vas correlações, como, por exemplo: tendências de negócios no local, prevenção de doenças,</p><p>combate à criminalidade e assim por diante. Cientistas, empresários, profissionais de mídia e</p><p>publicidade e governos regularmente enfrentam dificuldades em áreas com grandes conjuntos</p><p>de dados, incluindo pesquisa na Internet, finanças e informática de negócios.</p><p>Em empresas, o uso do big data hoje é ainda mais ostensivo. Faz anos que um número cada</p><p>vez maior de organizações, de diversos portes e segmentos se utiliza do Big Data Analytics</p><p>como ferramenta de apoio estratégia,</p><p>visando melhorar seus processos de trabalho e adquirir</p><p>aquilo que se denomina como “insights”, ou seja, instrumentos valiosos acerca das tendências</p><p>de mercado, comportamento dos consumidores e suas expectativas. O big data vem com esta</p><p>função, ou seja, auxiliar às empresas a entender a fundo o perfil de seus consumidores, através</p><p>de uma rede de dados que se cruzam e fornecem perfis variados.</p><p>4.1.4. O Carro Elétrico</p><p>O carro elétrico chegou para ficar, e nenhuma grande empresa do ramo de produção auto-</p><p>mobilística atualmente quer estar de fora deste filão.</p><p>Mesmo com vários problemas como alto custo de produção (e prejuízos) e dificuldades</p><p>técnicas em relação principalmente à autonomia das baterias de lítio, as mesmas de seu celu-</p><p>lar, não há dúvidas: o futuro do automóvel será elétrico.</p><p>No ano de 2017, a Tesla Motors, fundada nos EUA em 2003, passou a Ford (que fabrica car-</p><p>ros desde 1899) em valor de mercado (US$ 49 bi vs. US$ 46 bi). Volvo e Land Rover anunciaram</p><p>o banimento de sua linha de carros a propulsão interna (gasolina e diesel) em 2020.</p><p>Na Alemanha, a Volkswagen anunciou no início de 2019 para os próximos anos a incrível</p><p>marca de US$ 50 bilhões em investimentos em sua linha elétrica, dando a indicar que já em</p><p>2022 não fabricará também carros que queimem combustíveis fósseis. Na BMW, a promessa</p><p>para os próximos anos é de mais de 25 modelos elétricos (eles já fabricam o urbano i3 e o</p><p>belíssimo esportivo i8), inclusive modelos da Rolls Royce, marca estandarte de luxo da qual é</p><p>dona atualmente.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>106 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>É interessante notar que os carros elétricos atualmente dão prejuízo às empresas. A GM,</p><p>por exemplo, perde US$ 9.000 mais ou menos a cada modelo Bolt vendido nos EUA. A Tesla,</p><p>referência global em carros elétricos, com modelos ultraesportivos que chegam a ser mais</p><p>velozes que Ferraris e Porsches, teve prejuízo de quase US$ 700 milhões somente em 2017.</p><p>Então, por que será que as empresas se jogaram tão fortemente nestes últimos anos, tempos</p><p>de queda, inclusive, no preço internacional no preço do barril entre 2012-2016, no mercado de</p><p>carros elétricos? A razão tem a ver com as diretrizes empreendidas pelos principais países</p><p>do mundo acerca de suas políticas ambientais e de produção industrial (as quais são desas-</p><p>sociáveis).</p><p>Em período não maior que três anos (desde 2015), a Alemanha anunciou que vai proibir</p><p>a fabricação de carros a diesel ou gasolina (ou qualquer motor do tipo propulsão interna) até</p><p>o ano de 2030 (e seu banimento completo da frota local até 2050). Na França, em 2040, não</p><p>poderão ser mais fabricados carros a propulsão interna. Na China, maior mercado disparado</p><p>de venda de automóveis no mundo, já em 2020 10% dos carros deveriam ser obrigatoriamente</p><p>fabricados com motores elétricos, em taxas que seguirão crescendo ao longo dos anos. As</p><p>lideranças do Partido Comunista, com seu ambicioso projeto Made In China 2025, de serem</p><p>autossuficientes em uma série de setores, veem esses veículos não apenas como uma forma</p><p>de limpar os céus poluídos das grandes metrópoles chinesas, mas também como uma forma</p><p>de projetar a China nesse mercado de ponta, assim como tenta fazer em campos como a ener-</p><p>gia solar e a biotecnologia. É interessante perceber, contudo, que, com a atual matriz enérgica</p><p>chinesa, rondando a casa dos 50% de participação do carvão mineral queimado em termoelétricas,</p><p>se do dia para a noite todo os carros se tornassem elétricos, a poluição atmosférica faria era</p><p>aumentar por lá – mas isso é outra história.</p><p>4.1.5. A Internet das Coisas (IoT)</p><p>Matéria sobre o fenômeno recente da Internet das Coisas, publicada na versão on-line da</p><p>Revista Época Negócios, demonstra as possibilidades de uso desta ferramenta em uso cada</p><p>vez mais crescente.</p><p>Conheça 6 aplicações da internet das coisas que já estão tornando o mundo melhor</p><p>Da tecnologia agrícola à limpeza do ar, os dispositivos inteligentes funcionam como</p><p>aliados importantes para resolver os problemas da humanidade.</p><p>Engana-se quem pensa que, no futuro, a internet das coisas irá ajudar a resolver pro-</p><p>blemas urgentes da humanidade como as superpopulações urbanas e o aquecimen-</p><p>to global. Na verdade, essa nova tecnologia já está sendo usada em diferentes áreas,</p><p>com resultados de impacto. Num universo de mais de 4 bi. De pessoas utilizando</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>107 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Internet no Planeta. Já é possível ver aplicações práticas da internet das coisas na</p><p>organização do trânsito, na agilização de tratamentos médicos e também na preser-</p><p>vação do meio ambiente., sempre condicionada à capacidade humana de analisar os</p><p>dados que os dispositivos conectados geram.</p><p>Segundo o Gartner, em 2020 já serão 25 bilhões de objetos conectados à internet –</p><p>um crescimento exponencial sobre os 4,8 bilhões de 2015. De acordo com a consul-</p><p>toria, a tendência é que a internet das coisas esteja cada vez mais presente na vida</p><p>de todos – e, espera-se, com resultados positivos.</p><p>Recentemente, o Fórum Econômico Mundial listou seis áreas nas quais nas quais a</p><p>IoT já faz toda a diferença. Confira abaixo.</p><p>1. Cidades mais inteligentes</p><p>Hoje, mais da metade da população mundial já vive em ambientes urbanos. Em 2050,</p><p>a previsão da ONU é que a proporção suba para dois terços. Por isso, é fundamental</p><p>cuidar para que as cidades sejam lugares sustentáveis e bem organizados, que su-</p><p>portem o peso das mudanças climáticas e a chegada de mais milhões de habitantes.</p><p>A internet das coisas vem ajudando várias cidades a cumprir esse objetivo. Em Bar-</p><p>celona, na Espanha, o uso de água para irrigação em jardins e fontes públicas já é</p><p>controlado digitalmente, evitando desperdícios. O mesmo acontece com o sistema</p><p>de iluminação pública, que tem postes dotados de sensores de presença, usados</p><p>como roteadores para conexão Wi-Fi.</p><p>Também em Barcelona, um sistema implantado nas vias públicas avisa os motoris-</p><p>tas sobre lugares disponíveis para estacionar seus carros. Por meio de sensores no</p><p>asfalto, sinais são emitidos para um aplicativo, ajudando o motorista a estacionar</p><p>rapidamente, o que reduz o trânsito e as emissões de gases pelos veículos.</p><p>2. Limpeza do ar e da água</p><p>Cidades que sofrem muito com a poluição têm direcionado esforços para melhorar a</p><p>qualidade do ar e da água. Em Londres, onde 9 mil pessoas morrem anualmente em</p><p>função de problemas respiratórios, a Drayson Technologies está distribuindo para os</p><p>cidadãos pequenos aparelhos que medem o nível de poluição do ar. Eles podem ser</p><p>plugados em carros e bicicletas, circulando junto com os veículos pela cidade.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>108 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Os sensores transmitem as informações para o aplicativo da empresa. O app, por</p><p>sua vez, consolida as informações num único servidor, permitindo aos londrinos con-</p><p>ferir um mapa digital da qualidade do ar em cada ponto da cidade.</p><p>Uma ideia semelhante foi levada a Oakland, na Califórnia, pela startup Aclima, em</p><p>parceria</p><p>com o Google e o Fundo para Defesa do Ambiente (EDF). Nesse caso, os</p><p>sensores foram distribuídos pelos carros do Google Street View, e as informações</p><p>ficarão disponíveis para que os especialistas trabalhem em ações para reduzir a po-</p><p>luição no ar.</p><p>3. Agricultura mais eficiente</p><p>O campo também se beneficia da internet das coisas. Na Califórnia, depois que uma</p><p>seca histórica prejudicou os agricultores locais no início da década, drones que fa-</p><p>zem imagens aéreas e sensores de qualidade do solo ajudaram os produtores a iden-</p><p>tificar os melhores locais para plantar as novas safras.</p><p>Esses recursos já estão presentes também no Brasil. Startups como a Agrosmart</p><p>instalam junto às plantações sensores meteorológicos que identificam indicadores</p><p>como a radiação solar, direção do vento, pressão barométrica e o pH das espécies. O</p><p>mapeamento aéreo com o uso de drones também já é usado por aqui, assim como</p><p>tecnologias para máquinas semeadeiras, que mostram em tempo real aos controla-</p><p>dores se toda a extensão do solo está sendo usada de forma adequada.</p><p>4. Menos desperdício de comida</p><p>Enquanto quase um bilhão de pessoas ainda sofrem com a fome e a desnutrição</p><p>nos países mais pobres, um terço da comida produzida anualmente para o consumo</p><p>humano é perdido ou estraga em algum ponto da cadeia de abastecimento, segundo</p><p>a FAO – órgão da ONU que investiga questões relacionadas à alimentação.</p><p>Há como reduzir a dimensão do problema usando a internet das coisas, mais uma</p><p>vez agindo no ambiente rural. Uma possibilidade é monitorar processos como irrigação,</p><p>polinização e a fertilização do solo, e fornecer relatórios a fazendeiros. É o que faz</p><p>a startup israelense Prospera, que também tem um software de gestão para que os</p><p>produtores gerenciem suas vendas e evitem perdas no transporte das mercadorias.</p><p>Na África, onde a logística é mais precária, empresas semelhantes, como Farmerli-</p><p>ne e ArgoCenta, atuam para ajudar pequenos produtores a canalizar seus produtos</p><p>rapidamente a distribuidores. Nos aplicativos, eles encontram empresas fabricantes</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>109 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>de alimentos interessadas em vários tipos de ingredientes, além de cotações atuali-</p><p>zadas de mercado para determinar o preço correto.</p><p>5. Conectando pacientes e médicos</p><p>Os sensores conectados também já são usados na medicina. Em vários países, já</p><p>são usados em vários países dispositivos vestíveis que medem batimentos cardía-</p><p>cos, pulso e pressão sanguínea dos pacientes, deixando seus médicos informados o</p><p>tempo todo. Isso não só nos hospitais, mas também nas próprias casas dos pacien-</p><p>tes, no caso daqueles que enfrentam risco constante.</p><p>Tecnologias do tipo também ajudam a controlar epidemias como a de ebola, que</p><p>eclodiu em 2015 no oeste africano. Na época, o Instituto de Pesquisa Scripps levou à</p><p>região aparelhos que medem indicadores de risco nas pessoas com o vírus. Com os</p><p>dados transmitidos via Bluetooth, foi reduzida a necessidade de interação física de</p><p>médicos com pacientes infectados, ajudando no controle da transmissão da doença.</p><p>6. Combatendo o câncer de mama</p><p>Com previsão de 59,7 mil novos casos entre as mulheres brasileiras no biênio 2018-</p><p>2019, segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o</p><p>câncer de mama já é alvo de diversas campanhas de conscientização no programa</p><p>Outubro Rosa. Mas o combate pode ser potencializado pela internet das coisas.</p><p>A mamografia tradicional pode falhar em identificar a doença nos estágios iniciais.</p><p>Para resolver o problema, a Cyrcadia Health desenvolveu a ITBra. O equipamento</p><p>consiste em um top com microssensores que identificam mínimas variações de tem-</p><p>peratura na região dos seios. Ao transmitir as informações para o smartphone da</p><p>usuária ou para o médico, os dispositivos ajudam os profissionais da saúde a identi-</p><p>ficar padrões que possam representar um perigo para a saúde da mulher.</p><p>A Cyrcadia está testando a solução na Ásia, onde questões culturais impedem uma</p><p>conscientização mais ampla e tornam o câncer de mama ainda mais letal. Espera-se</p><p>que, em breve, a empresa leve seu produto para outros países.</p><p>4.1.6. A Tecnologia Nessa Nova Década: Alguns Pontos Fundamentais</p><p>A Computação Quântica</p><p>A Computação Quântica promete se tornar nesta década que se inicia um novo paradigma</p><p>para a informática. A nova geração de supercomputadores aproveita o conhecimento da mecânica</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>110 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>quântica – a parte da física que estuda as partículas atômicas e subatômicas – para superar</p><p>as limitações da informática clássica, baseada no clássico binômio 0 e 1.</p><p>A multinacional IBM será a primeira a comercializar um computador quântico. Prodígio da</p><p>tecnologia, o Q System One é um cubo de vidro com quase 3 m³ e 20 qubits, sendo apresenta-</p><p>do em 2019 servindo ao setor empresarial e à pesquisa. A informática quântica utiliza como</p><p>unidade básica de informação o qubit no lugar do bit convencional.</p><p>Este sistema alternativo admite a superposição coerente de zeros e uns, os dígitos do sis-</p><p>tema binário sobre os quais se assenta toda a computação, diferentemente do bit, que só pode</p><p>adotar um valor ao mesmo tempo: um ou zero.</p><p>Esta particularidade da tecnologia quântica faz com que um qubit possa ser zero e um ao</p><p>mesmo tempo e, além disso, em diferentes proporções. A multiplicidade de estados possibili-</p><p>ta que um computador quântico de apenas 30 qubits, por exemplo, possa realizar 10 trilhões</p><p>de operações em vírgula flutuante por segundo, ou seja, cerca de 5,8 trilhões a mais do que a</p><p>console PlayStation mais potente do mercado A computação quântica e a tradicional são dois</p><p>mundos paralelos com algumas semelhanças e numerosas diferenças entre si, como o uso do</p><p>qubit, e não o bit. A seguir, revisamos três das mais relevantes:</p><p>• Linguagem de programação: a computação quântica não tem um código próprio para</p><p>programação e utiliza o desenvolvimento e implementação de algoritmos muito especí-</p><p>ficos. Porém, a informática tradicional possui linguagens padronizadas como Java, SQL</p><p>ou Python, entre muitas outras.</p><p>• Funcionalidade: um computador quântico não é uma ferramenta para uso popular ou</p><p>cotidiano, como um computador pessoal (PC). Estes supercomputadores são tão com-</p><p>plexos que só têm aplicação no âmbito corporativo, científico e tecnológico.</p><p>• Arquitetura: a composição de um computador quântico é mais simples que a de um</p><p>convencional e não tem memória nem processador. Estes equipamentos se limitam a</p><p>um conjunto de qubits que servem de base para seu funcionamento.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>111 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Tokens e Tokens Não Fungíveis</p><p>Uma nova modalidade de negócios dentro do mundo digital, a qual se estrutura em grande</p><p>parte no código das criptomoedas e suas chaves de segurança; os blockchains, vem ganhando</p><p>força nesta entrada de década. São os chamados NFT, ou tokens não fungíveis.</p><p>Vejamos então, caro(a) aluno(a), de forma prática, em que consiste tal</p><p>mecanismo: a ve-</p><p>locidade de informações transmitidas (nesta que é a 4ª Revolução Industrial) é absurdamente</p><p>rápida. O volume de imagens, sons e todos os tipos de conteúdo possíveis é cada dia maior.</p><p>Em uma hora, atualmente, se produz mais conteúdo audiovisual do que em um ano nos tem-</p><p>pos pré-digital. Mas aí entra um aspecto importante: essa estrondosa produção de conteúdo</p><p>não é terra de ninguém.</p><p>Reparem bem que, mesmo havendo, de forma incontestável, uma democratização ao aces-</p><p>so a essa produção de fotos e vídeos, é possível ter posse dos direitos de uma imagem, por</p><p>exemplo, ou de fonogramas. E é aí que entram os TOKENS NÃO FUNGÍVEIS, úteis para quem</p><p>requer itens exclusivos e digitais, como arte digital, cards colecionáveis e itens internos de jo-</p><p>gos. Essa característica permite que NFTs atuem como uma prova de origem. Existe cada vez</p><p>mais reconhecimento de que existe valor em provar a propriedade e autenticidade de propriedades</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>112 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>intelectuais, como obras de arte e tokens dentro de jogos. No mundo dos jogos e cards cole-</p><p>cionáveis, NFTs também são chamados de “colecionáveis digitais” (digital collectibles). Em</p><p>suma, os NFTs são parte de uma representação de um objeto físico ou digital no blockchain</p><p>Ethereum. Essa representação em blockchain funciona como um certificado que é único e pro-</p><p>tegido de duplicação.</p><p>Importante saber que nos primeiros meses de 2021 um meme conhecidíssimo foi adquiri-</p><p>do pela garota que se encontra representada na foto abaixo:</p><p>Qual a história dela e sua relação com os NFTs? Em 2004, essa garotinha passeava com</p><p>seu pai em uma cidade dos EUA quando se depararam com este incêndio. Eles fotografaram</p><p>e a imagem correu a internet se tornando um dos memes mais famosos da história (pelo me-</p><p>nos um dos mais longevos). Pois então! Essa garotinha, de nome Zoe Roth, cresceu e decidiu</p><p>recentemente transformar a foto em um NFT, ou seja, criar uma propriedade intelectual para</p><p>a foto. Ela foi convencida de que a imagem poderia render uma boa soma de dinheiro no mer-</p><p>cado de NFTs. Por meio de um telefonema, explicaram que a imagem poderia render uma boa</p><p>soma de dinheiro no mercado de NFTs.</p><p>E não deu outra: o NFT da foto foi vendido – não em dólares, mas em uma criptomoeda, o</p><p>Ethereum – por valor aproximado de US$ 483 mil. A cada vez que o NFT for revendido, Zoe vai</p><p>receber 10% do valor de transação.</p><p>Outro exemplo desse incipiente e promissor mercado vem, por exemplo, de Jack Dorsey,</p><p>CEO do Twitter, que vendeu a propriedade de seu primeiro tuíte por um NFT pela quantia de</p><p>US$ 2,9 milhões.</p><p>A Guerra por Foguetes ao Espaço</p><p>Na Guerra Fria, o mundo conheceu a Guerra Espacial. Era um período em que União Soviéti-</p><p>ca e Estados Unidos disputavam palmo a palmo a liderança em façanhas aeroespaciais. Fazia</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>113 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>parte de um contexto de revolução industrial tecnológica (a chamada terceira revolução indus-</p><p>trial), inserido dentro de um contexto geopolítico calcado explicitamente em demonstração de</p><p>poder. A corrida espacial mudou de viés; já não envolve mais campos antagônicos de poder</p><p>entre comunismo e capitalismo como quando nos tempos da Guerra Fria. Há ainda também,</p><p>vale perceber uma luta pela conquista do espaço, sem dúvidas, reascendida na década ante-</p><p>rior com os anúncios da China de missões tripuladas e não tripuladas, inclusive para Marte,</p><p>sem contar a ascensão da Agência Europeia Espacial que conseguiu em 2014 literalmente</p><p>seguir o rabo de um cometa (ver em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/11/</p><p>europa-destaca-imenso-passo-apos-pouso-de-robo-em-cometa.html).</p><p>Os EUA ainda seguem na dianteira e até os Árabes estão agora no jogo. Contudo, o que</p><p>vem ocorrendo atualmente é uma corrida espacial muito interessante: É a chamada corrida</p><p>espacial dos bilionários.</p><p>Explico: Em 2021 ocorreu dois lançamentos de bólidos espaciais em prazo menor que</p><p>10 dias feito por milionários com vistas a exploração particular (e não militar) do espaço. O</p><p>primeiro, um veículo espacial construído pelo dono da empresa Virgin, o britânico Richar Bran-</p><p>son, que voou com sua aeronave VSS Unity inaugurando assim uma era com o primeiro voo</p><p>civil da história de um bólido ao espaço, vindo à luz exatamente com vista as impulsionar o</p><p>turismo espacial. Eia que nove dias depois foi a vez de Jeff Bezos, o dono da Amazon, tam-</p><p>bém realizar seu voo orbital. Vivemos em 2021 sem dúvidas um momento bem interessante</p><p>e inusitado, portanto, com o lançamento dessas duas naves espaciais. Abaixo temos como</p><p>curiosidade um quadro com as diferenças das barcas (ver em: https://g1.globo.com/econo-</p><p>mia/tecnologia/inovacao/noticia/2021/07/20/bezos-x-branson-propulsao-altitude-tripulacao-</p><p>-e-o-que-mais-diferencia-os-voos-dos-bilionarios-ao-espaco.ghtml)</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>114 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Missão Mars 2020 e o Robô Perseverance</p><p>A sonda Perseverance, da Nasa – a agência espacial norte-americana –, pousou em Marte</p><p>em 18 de fevereiro de 2021 após mais de 6 meses de viagem rumo ao Planeta Vermelho. O</p><p>robô faz parte da Missão Mars 2020 e chegou à superfície do planeta para buscar sinais de</p><p>vida, no presente ou no passado.</p><p>O veículo autônomo está explorando a cratera de Jezero, local onde já houve um lago há 3,9</p><p>bilhões de anos. Com brocas capazes de perfurar o solo e sistemas inovadores de alimentação</p><p>de baterias (com força nuclear), a sonda faz parte de uma nova política da agência espacial</p><p>norte-americana. Além de vir à luz para coletar, armazenar e trazer de volta uma quantidade</p><p>inédita de material do Planeta Vermelho, a Perseverance pretende revelar um conteúdo de fo-</p><p>tos e sons de Marte nunca antes capturado. O rover de uma tonelada e com o tamanho similar</p><p>ao de um Jeep Renegade representa também uma ultrapassagem sobre outras sondas não</p><p>americanas mandadas para Marte recentemente (em especial a chinesa e a dos Emirados</p><p>Árabes). E, claro, persegue a busca em torno da manutenção da dianteira em termos globais</p><p>no contexto de exploração espacial que os Estados Unidos, há décadas, possuem.</p><p>Veja, a seguir, matéria da Revista ISTOE sobre chips, publica em 31/05/2021 (em: https://</p><p>www.istoedinheiro.com.br/intel-preve-que-falta/):</p><p>Intel prevê que falta de chips vai durar vários anos</p><p>Presidente da empresa afirma que o isolamento social gerou um crescimento explosivo na</p><p>demanda por semicondutores</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>115 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>O Presidente da Intel afirmou nesta segunda-feira, 31 de maio, que pode levar vários anos</p><p>para que o quadro de escassez de semicondutores no mundo</p><p>seja resolvido, um problema que</p><p>tem atingido a indústria automotiva e está sendo sentido por outros setores.</p><p>Pat Gelsinger afirmou durante evento on-line que o isolamento social gerou um “crescimen-</p><p>to explosivo na demanda por semicondutores” que criou uma grande pressão sobre as cadeias</p><p>de fornecimento de chips.</p><p>“Apesar da indústria ter tomado medidas para resolver os problemas no curto prazo, ainda</p><p>pode levar vários anos para que o ecossistema resolva a escassez de capacidade de produção.”</p><p>Gelsinger afirmou em entrevista ao Washington Post em meados de abril que o quadro de</p><p>falta e oferta de chips poderia levar “alguns anos” para ser resolvido.</p><p>A Intel anunciou em março um plano de US$ 20 bilhões para ampliar sua capacidade de</p><p>produção de chips avançados e que prevê a construção de duas fábricas no Estado norte-ame-</p><p>ricano de Arizona.</p><p>“Planejamos expandir para outros locais nos EUA e Europa para assegurar uma cadeia de</p><p>abastecimento segura para o mundo”, afirmou o executivo nesta segunda-feira sem dar detalhes.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O OSCAR 2021 E A CONSAGRAÇÃO DA DIVERSIDADE</p><p>Poucos anos atrás, em 2015, uma irônica pecha foi dada ao Oscar. A escancarada</p><p>ausência de diversidade étnica na maior festa do cinema fez com que a premiação</p><p>fosse chancelada com a apropriada alcunha (mais direta impossível) #OSCARSOWHI-</p><p>TE – ou, em português bem claro, “Oscar tão branco”. Uma crítica a uma celebração</p><p>do cinema onde apenas brancos receberam menções e prêmios. Eis que, ao longo dos</p><p>últimos anos, tal festa vem tendo seu perfil segregacionista alterado, culminando no</p><p>ano de 2021, em que um recorde de atores negros e filmes dirigidos por mulheres foram</p><p>indicados ao prêmio máximo em suas categorias.</p><p>A cineasta chinesa Chloé Zhao se tornou a primeira mulher asiática a receber o</p><p>prêmio de Melhor Diretora, por Nomadland. Ao vencer, pensando apenas em gênero,</p><p>Chloé se tornou a segunda mulher a vencer a categoria em 92 anos de premiação. A</p><p>cineasta chinesa ainda concorreu com Melhor Filme (e venceu também), Melhor Rotei-</p><p>ro Adaptado e Melhor Edição (nestas duas últimas categorias, contudo, não levou a</p><p>estatueta). Depois de reconhecer Parasita como “Melhor Filme” na edição de 2020, o</p><p>Oscar voltou a premiar profissionais de origem asiática.</p><p>De maneira geral, essa foi a cerimônia do Oscar que mais premiou mulheres, com 17</p><p>estatuetas concedidas a elas. Além de Chloé Zhao, Mia Neal e Jamika também fizeram</p><p>história na premiação. Mia e Jamika foram as primeiras mulheres a serem indicadas</p><p>na categoria de “Melhor Maquiagem e Penteados” e também as primeiras profissionais</p><p>negras a vencerem este prêmio.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>116 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A equipe foi responsável pela caracterização das personagens de A Voz Suprema do</p><p>Blues, estrelado por Viola Davis e que também levou a estatueta de “Melhor Figurino”</p><p>com o trabalho de Ann Roth. Aos 89 anos, a figurinista tornou-se a mulher mais velha a</p><p>ganhar o Oscar.</p><p>Outro destaque da premiação vai para o ator e roteirista britânico Daniel Kaluuya,</p><p>que levou a estatueta de “Melhor Ator Coadjuvante” por sua interpretação do ativista</p><p>Fred Hampton no filme “Judas e o Messias Negro” e em seu discurso saudou as traje-</p><p>tórias de Hampton e do partido Panteras Negras.</p><p>4.2. o AqueciMento GlobAl</p><p>Tema recorrente em Atualidades, o aquecimento global responde pelas escalas de altera-</p><p>ções climáticas percebidas em todo o Planeta, as quais não se restringem apenas ao aumento</p><p>da temperatura global em si, mas a toda uma gama de padrões de alterações em inúmeros</p><p>eventos, tais quais tempestades, ondas de seca, avanço ou retração dos mares e geleiras, en-</p><p>tre outros. Nesta parte, inicialmente, abordaremos alguns dos principais temas de atualidades</p><p>sobre este assunto extremamente importante que, portanto, merece muita atenção.</p><p>4.2.1. O IPCC e suas Conclusões Alarmistas</p><p>O principal documento balizador sobre as alterações climáticas é o IPCC (International Pai-</p><p>nel of Climate Change), ou Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, um arrazoado</p><p>de estudos feitos por milhares de cientistas ao redor do mundo, os quais são coletados pela</p><p>ONU e servem para que se exprimam as observações da comunidade científica acerca do es-</p><p>tado da arte sobre as mudanças climáticas.</p><p>Em 1988, a ONU apresentava o seu primeiro IPCC. À época, esse documento inovador era</p><p>bastaste reticente em determinar que o aquecimento global em curso possuía responsabilida-</p><p>des antrópicas. Mas, hoje, tudo mudou, e os mais de 2.000 cientistas envolvidos nos últimos</p><p>documentos apresentados – o 5º de 2014, e o 6º, o mais recente, apresentado em setembro de</p><p>2019 – são contundentes ao afirmar que a Terra vivencia um severo processo de aquecimento</p><p>global em que algo em torno de 95% desta dinâmica se deve a fatores – possui vinculação,</p><p>portanto – relacionados à ação humana (o viés antrópico). Sendo assim, a produção industrial,</p><p>os usos de energia, as práticas agrícolas e as formas como nos transportamos estão na base</p><p>do processo de aquecimento global.</p><p>O mundo aqueceu e, segundo o que se contata atualmente, em média de 0,9ºC entre o</p><p>período compreendido de 1880 a 2012. A atmosfera e os mares aqueceram, o gelo e a neve</p><p>diminuíram, e as concentrações de gases do efeito estufa aumentaram. Cenários drásticos.</p><p>A manifestação do fenômeno sobre o mundo, bem como dos seus efeitos, não é uniforme,</p><p>vale o destaque, e o Ártico é onde o aquecimento se faz sentir com maior intensidade. Sobre</p><p>tal assunto (o aquecimento do Ártico), abordaremos com maior profundidade um pouco mais</p><p>à frente e ainda nesta aula, ok?</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>117 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Mas vamos por partes: antes de iniciarmos uma leitura sobre as principais constatações</p><p>dos últimos IPCCs – os painéis da ONU sobre a mudança climática, apresentados em 2014 e,</p><p>mais recentemente, em setembro de 2019 –, vamos nos debruçar sobre o conceito de Gases</p><p>de Efeito Estufa (GEE), a base do processo de aquecimento global.</p><p>Os GEE, ou Gases de Efeito Estufa, são uma gama de gases que ocorrem naturalmente na</p><p>atmosfera terrestre, os quais permitem a retenção do calor. Sem eles, a atmosfera seria gélida</p><p>e não haveria a biodiversidade e a possibilidade de vida como conhecemos. Assim, são ele-</p><p>mentos de vital importância à vida no Planeta.</p><p>E os Gases de Efeito Estufa ocorrem naturalmente na atmosfera e em proporção menor</p><p>que 1% na composição normal do ar, sendo denominados como gases-traço exatamente por</p><p>causa da baixíssima proporção que representam na composição atmosférica.</p><p>Lembrando que a atmosfera é constituída pelos seguintes elementos, em ordem proporcional:</p><p>Nitrogênio: 78%;</p><p>Oxigênio: 2O%;</p><p>Argônio: 1%;</p><p>Outros gases: Menos de 1%.</p><p>Visto acima a importância e, ao mesmo tempo, a ínfima parcela que os GEE possuem, é im-</p><p>portante sabermos a gama destes gases de forma resumida. Abaixo, tem-se a nomenclatura e</p><p>os nomes dos GEE mais comuns:</p><p>• CO₂ – dióxido de carbono;</p><p>• N₂O – óxido nitroso;</p><p>• CH₄ – metano;</p><p>• CFCs – a gama de clorofluorcarbonetos;</p><p>• HFCs – a gama de hidrofluorcarbonetos;</p><p>• PFCs – os perfluorcarbonetos;</p><p>• SF₆ – hexafluoreto de enxofre.</p><p>Bom, seguindo: uma questão crucial sobre os gases de efeito estufa reside no fato de que</p><p>estes elementos de retenção do calor na atmosfera vêm sendo adicionados de forma artificial</p><p>na</p><p>atmosfera, em função, exatamente, das atividades antrópicas empreendidas ao longo dos</p><p>dois últimos séculos (período industrial), ocasionando um padrão de aumento da temperatura</p><p>global fora dos padrões normais esperados.</p><p>As matrizes destas emissões de GEE residem em 4 campos fundamentais:</p><p>• Produção de Energia: a produção de energia por combustíveis fósseis queimados em</p><p>termoelétricas, tais quais o carvão e o petróleo, ainda é uma realidade – embora haja um</p><p>relativo esforço por parte dos países desenvolvidos (os maiores usuários de energia por</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>118 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>termoelétricas), principalmente do Hemisfério Norte, mais a China, com vistas a substi-</p><p>tuir gradualmente essas matrizes por energia solar e eólica, principalmente. Lembrando</p><p>que, no Brasil, a principal fonte de energia elétrica é a hidráulica, considerada limpa (ou</p><p>seja, sem emissão direta de gases de efeito estufa na produção diária de energia);</p><p>• Atividades Industriais: ao longo dos séculos, a atividade industrial vem se baseado em</p><p>escalas de poluição principalmente atmosférica, principalmente gases com base em</p><p>carbono. Vale destacar, contudo, que marcos regulatórios e convenções vêm – isso</p><p>desde a década de 1970 – fazendo com que se reduza proporcionalmente a poluição</p><p>atmosférica por parte de indústrias, em associação exclusiva ao uso de tecnologias de</p><p>filtragem de gases;</p><p>• Uso de Transportes: dos escapamentos de uma frota de mais de 1 bilhão de veículos,</p><p>milhões de toneladas de monóxido de carbono são emitidas na atmosfera diariamente.</p><p>Esforços com vistas a reestruturar a frota mundial, por veículos elétricos vem sendo diri-</p><p>gidos por nações e empresas, mas o uso de combustíveis fósseis nos transportes ainda</p><p>impera e causa danos ambientais;</p><p>• Produção Agrícola: o uso de fertilizantes com base em gases nitrogenados, em associa-</p><p>ção à liberação da mesma cadeia de gases ao se remover o solo com vista se promover</p><p>plantios, gera um alto padrão de emissão de gases de efeito estufa. Em associação a</p><p>isso, os rebanhos, principalmente bovinos, através da flatulência, produzem metano CH4</p><p>(outro gás de efeito estufa presente também na decomposição do lixo) em enormes</p><p>quantidades diariamente. Vale destacar, contudo, que pesquisas recentes indicam que</p><p>o solo, enquanto mantidas suas características originais, é também um enorme sumi-</p><p>douro de gases de efeito estufa, compensando, portanto, as enormes emissões do meio</p><p>agrícola, porém necessitando estar em estado de conservação.</p><p>Abaixo, um ranking recente acerca dos países que mais emitem Gases de Efeito Estu-</p><p>fa no mundo:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>119 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Note inicialmente, no topo do ranking, que a China realiza ultrapassagem sobre as emis-</p><p>sões dos EUA no início da década passada (por volta de 2005) e hoje já se posiciona possuindo</p><p>praticamente o dobro das emissões norte-americanas. No caso do Brasil, faz duas décadas</p><p>que ficamos entre o 6º ou 7º no total de emissões, o que de certa forma corresponde ao nosso</p><p>contingente populacional, pois somos, em 2019, a 6ª maior população no mundo.</p><p>Sobre o último relatório do IPCC 2019, (que referenda o que foi expresso no documento</p><p>anterior de 2014), eis algumas das conclusões abaixo. Vale uma leitura atenta deste quadro</p><p>alarmante em resumo, caro(a) aluno(a)!</p><p>A principal causa do aquecimento presente é, com elevadíssimo grau de certeza, a emis-</p><p>são de gases de efeito estufa pelas atividades humanas, com destaque para a emissão de</p><p>gás carbônico. A evidência indicando a origem humana do problema se fortaleceu desde os</p><p>relatórios anteriores (2007 e 2014).</p><p>As três últimas décadas foram as mais quentes desde 1850.</p><p>Os oceanos têm acumulado a maior parte do aquecimento, servindo como um amortece-</p><p>dor para o aquecimento da atmosfera, estocando mais de 90% da energia do sistema do clima</p><p>e muito gás carbônico. À medida que o oceano aquece, ele perde capacidade de absorver gás</p><p>carbônico, o que pode acelerar os efeitos atmosféricos quando ele atingir a saturação.</p><p>O mar está se tornando mais ácido pela continuada absorção de gás carbônico. O aumento</p><p>da acidez nos oceanos causa mortandade de recifes (ambiente de imensa biodiversidade ma-</p><p>rinha) e animais marinhos variados (como peixes, crustáceos, entre outros).</p><p>De acordo com o relatório mais recente, de 2019, e em grau de conformidade ao que fora</p><p>apresentado no documento anterior, de 2014, mesmo que as emissões de gases de efeito es-</p><p>tufa sejam reduzidas e o aquecimento global seja limitado a no máximo, 2ºC o nível das águas</p><p>aumentará entre 30 e 60 cm até 2100. Se nada for feito para conter o aquecimento global, esse</p><p>crescimento pode chegar a 1 m ou mais.</p><p>O Acordo do Clima de Paris de 2015 se baseou, acima de qualquer coisa, na busca por ações</p><p>globais e mecanismos realmente efetivos que fossem chancelados pelo maior número de pa-</p><p>íses (e mais de 180 nações assinaram o compromisso) em busca de não se deixar o aqueci-</p><p>mento global, até o ano de 2100, ultrapassar 2ºC.</p><p>A elevação do nível do mar impactará diretamente fenômenos naturais que têm relação com</p><p>os oceanos, como marés altas, tempestades e ciclones tropicais. Um exemplo disso é o fu-</p><p>racão Dorian, que atingiu as Bahamas e os Estados Unidos no início de setembro de 2019 e,</p><p>segundo os especialistas, foi particularmente forte por conta das mudanças climáticas.</p><p>O gelo está em recuo acelerado na maior parte das regiões frias do mundo.</p><p>O permafrost, camada de solo que fica escondida embaixo do gelo, como no caso da Gro-</p><p>elândia, vem sendo exposto cada vez mais por causa do aquecimento global. Com isso ocorre</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>120 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>uma grande liberação de gás carbônico, à medida que este solo possui concentrado bastante</p><p>carbono que ao ser exposto vai, naturalmente, para a atmosfera.</p><p>O regime de chuvas, as correntes marinhas e o padrão dos ventos estão sendo perturba-</p><p>dos, aumentando a tendência de secas e enchentes. Os efeitos se combinam para gerar novas</p><p>causas, tendendo a amplificar em cascata o aquecimento e agravar suas consequências</p><p>Mesmo que as emissões cessassem imediatamente, haveria um aquecimento adicional</p><p>pela lentidão de algumas reações e pelos efeitos cumulativos. O aquecimento produz efeitos</p><p>de longo prazo e afeta toda a biosfera.</p><p>Se as emissões continuarem dentro das tendências atuais, o aquecimento vai aumentar,</p><p>podendo chegar a 4,8ºC até 2100, e os efeitos negativos se multiplicarão e perturbarão todos</p><p>os componentes do sistema climático, com graves repercussões sobre o bem-estar da huma-</p><p>nidade e de todas as outras formas de vida. O mar subiria mais, ficaria ainda mais quente e</p><p>mais ácido, haveria mais perda de gelo, as chuvas ficariam mais irregulares, e os episódios de</p><p>tempo severo, mais frequentes e intensos, entre outras consequências.</p><p>Evitar que as previsões mais pessimistas se concretizem exigirá uma rápida e significativa</p><p>redução nas emissões.</p><p>A conclusão dos especialistas</p><p>após a publicação do novo documento não foi surpresa para</p><p>ninguém: é preciso agir agora. “Só conseguiremos manter o aquecimento global bem abaixo</p><p>de 2ºC [...] se efetuarmos transições sem precedentes em todos os aspectos da sociedade”,</p><p>apontou Debra Roberts, uma das especialistas.</p><p>“Quanto mais decisiva e rapidamente agirmos, mais capazes seremos de enfrentar mu-</p><p>danças inevitáveis, gerenciar riscos, melhorar nossas vidas e alcançar sustentabilidade para</p><p>ecossistemas e pessoas ao redor do mundo – hoje e no futuro”, disse Roberts.</p><p>4.2.2. O Painel Sobre Mudanças Climáticas e Uso do Solo</p><p>Antes de ser apresentado este Painel de Setembro de 2019 em atualização ao de 2014, um</p><p>novo relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com</p><p>o tema “Clima e Uso do Solo” foi apresentado, tratando-se de uma interessante inovação.</p><p>De fato, o relatório constatou que, uma vez que o solo sequestra quase um terço de todas</p><p>as emissões de dióxido de carbono causadas pelo homem, será impossível limitar a elevação</p><p>da temperatura a níveis seguros sem alterar fundamentalmente a forma como o mundo produz</p><p>alimentos e administra o uso da terra.</p><p>Confira alguns dos principais tópicos do relatório.</p><p>1) A maneira como estamos usando o solo está piorando as mudanças climáticas.</p><p>Cerca de 23% das emissões globais de gases de efeito estufa causadas pelo homem pro-</p><p>vêm da agropecuária, da silvicultura e de outros usos da terra. A mudança no uso da terra,</p><p>como pela derrubada de florestas para dar lugar à pecuária, impulsiona essas emissões. Além</p><p>disso, 44% das recentes emissões antrópicas de metano, um potente gás de efeito estufa, vie-</p><p>ram da agropecuária, da destruição de turfeiras e de outras fontes ligadas à terra.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>121 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2) Mas, ao mesmo tempo, o solo funciona como um enorme sumidouro de carbono.</p><p>Apesar do aumento do desmatamento e outras mudanças no uso da terra, as terras ao</p><p>redor do mundo estão capturando mais emissões do que emitem. De 2007 a 2016, o solo se-</p><p>questrou 6 gigatoneladas (Gt) líquidas de CO2 por ano, equivalente a cerca de três vezes as</p><p>emissões anuais totais de gases do efeito estufa do Brasil. Mais desmatamento e degradação</p><p>da terra, no entanto, irão destruir esse sumidouro de carbono.</p><p>Acesso em: https://wribrasil.org.br/pt/blog/2019/08/7-coisas-para-saber-sobre-o-relatorio-de-mudancas-climati-</p><p>cas-e-uso-da-terra-do-ipcc</p><p>3) O mesmo solo do qual dependemos para estabilizar o clima está sendo atingido pela</p><p>mudança climática.</p><p>Os cientistas descobriram que a temperatura do solo aumentou 1,5ºC entre os períodos de</p><p>1850 a 1900 e de 2006 a 2015, 75% a mais do que a média global (que combina mudanças de</p><p>temperatura tanto em terra quanto nos oceanos).</p><p>Esse aquecimento já teve impactos devastadores sobre a terra, incluindo incêndios flores-</p><p>tais, mudanças na precipitação e ondas de calor. Impactos adicionais vão prejudicar a capaci-</p><p>dade da terra de agir como um sumidouro de carbono. Por exemplo, o estresse hídrico poderia</p><p>transformar as florestas em ambientes semelhantes ao Cerrado, comprometendo sua capaci-</p><p>dade de sequestrar carbono, sem mencionar os danos aos serviços ecossistêmicos e à vida</p><p>selvagem. O relatório descobriu que “a janela de oportunidade, o período em que mudanças</p><p>significativas podem ser feitas para conter as mudanças climáticas dentro de limites tolerá-</p><p>veis, está se estreitando rapidamente”.</p><p>4) Várias soluções climáticas baseadas na terra podem reduzir as emissões e/ou seques-</p><p>trar carbono.</p><p>O maior potencial para reduzir as emissões do uso da terra é conter o desmatamento e</p><p>a degradação florestal, que podem evitar a emissão de 0,4 a 5,8 GtCO2 eq (gigatoneladas de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>122 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>carbono equivalente) por ano. Também precisaremos de mudanças em larga escala na for-</p><p>ma como os alimentos são produzidos e consumidos a nível mundial, incluindo mudanças na</p><p>agropecuária, maior inclusão de vegetais na dieta e redução do desperdício de alimentos e dos</p><p>resíduos agropecuários.</p><p>Além de reduzir as emissões, o setor também pode remover dióxido de carbono da atmos-</p><p>fera. O relatório concluiu que a restauração florestal e o reflorestamento têm o maior potencial</p><p>de captura de carbono, seguidos por melhorar o armazenamento de carbono no solo e pelo uso</p><p>de bioenergia combinada com captura e armazenamento de carbono (BECCS), um processo</p><p>que utiliza biomassa para gerar energia e captura e armazena o carbono resultante antes de</p><p>ser liberado na atmosfera. Dito isso, os autores observam que a maioria das estimativas não</p><p>leva em consideração fatores como competição pelo acesso à terra e questões de sustentabi-</p><p>lidade, de modo que o potencial real de remoção de carbono dessas soluções pode ser signifi-</p><p>cativamente menor do que a maioria dos modelos sugere.</p><p>5) Muitas soluções climáticas baseadas na terra têm benefícios significativos além da</p><p>mitigação.</p><p>O relatório descobriu que as seguintes soluções têm os maiores cobenefícios: manejo de</p><p>florestas, redução do desmatamento e degradação, aumento da quantidade de carbono orgâ-</p><p>nico no solo, aumento do intemperismo mineral (um processo de aceleração da decomposição</p><p>de rochas para aumentar a absorção de carbono), mudança de dieta e redução do desperdí-</p><p>cio de alimentos. Por exemplo, o aumento do armazenamento de carbono do solo pode não</p><p>apenas sequestrar emissões, mas também tornar as culturas mais resilientes às mudanças</p><p>climáticas, melhorar a saúde do solo e aumentar a produtividade.</p><p>6) Algumas soluções climáticas baseadas na terra acarretam riscos e contrapartidas im-</p><p>portantes e devem ser buscadas com prudência.</p><p>Por um lado, será importante ponderar os benefícios líquidos de qualquer intervenção. Por</p><p>exemplo, o plantio de florestas em campos nativos poderia na verdade diminuir a quantidade</p><p>de carbono armazenada no solo, prejudicando um importante sumidouro de carbono. Algumas</p><p>intervenções podem reduzir as emissões, mas causam outras mudanças que acabam aumen-</p><p>tando as temperaturas. Por exemplo, plantar uma floresta perene em altas latitudes tornaria</p><p>as superfícies mais escuras. Durante o inverno, ao invés de estar exposta, a camada de neve</p><p>estaria encoberta, aumentando a absorção da radiação solar – como ao trocar uma camiseta</p><p>branca por uma preta em um dia ensolarado. Plantar certas espécies de árvores ou plantas</p><p>pode ameaçar outras espécies e ecossistemas. E a maior parte dos sumidouros biológicos de</p><p>carbono eventualmente chegará a um ponto de saturação em que não absorverá mais carbo-</p><p>no. Além disso, a absorção de carbono florestal futura não é garantida, uma vez que é provável</p><p>que os incêndios florestais e a propagação de doenças aumentem em um mundo mais quente.</p><p>7) Soluções climáticas baseadas na terra que exigem grandes áreas podem ameaçar a</p><p>segurança alimentar e exacerbar problemas ambientais.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>123 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Os esforços de</p><p>novamente. Porém, os</p><p>rachas são imensos atualmente, e um novo balanceio (se é que isso é possível) entre governos</p><p>de esquerda e direita é a tônica nesta década de 2020 que se inicia, com Argentina (esquerda</p><p>novamente) e Brasil (direita), por exemplo, sem contar a manutenção de Nicolás Maduro na</p><p>Venezuela (esquerda) e a eleição de Luis Arce, do Movimento ao Socialismo, um afilhado polí-</p><p>tico de Evo Morales, na Bolívia (ambos de esquerda), mas com o Equador, Paraguai e Uruguai</p><p>com novos (desde 2018) presidentes de direita. Já o Chile retorna a esquerda, assim como o</p><p>Peru e, finalmente, a Colômbia.</p><p>Veja abaixo quem são atualmente os Presidentes na América do Sul – dados de 1º de se-</p><p>tembro de 2022 – com o novo Presidente Guilherme Boric (de esquerda) do Chile, eleito em fe-</p><p>vereiro de 2022 e o da Colômbia também, com o novo presidente eleito (de esquerda também,</p><p>Gustavo Petro), já inclusos:</p><p>• BRASIL: Jair Bolsonaro (direita);</p><p>• ARGENTINA: Alberto Fernández (centro-esquerda);</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>13 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• URUGUAI: Luis Lacalle Pou (direita);</p><p>• CHILE: Gabriel Boric* (esquerda) *Eleito em lugar de Sebastian Pinera de direita;</p><p>• PARAGUAI: Mario Benítez (direita);</p><p>• BOLÍVIA: Luiz Arce (esquerda);</p><p>• PERU: Pedro Castillo* (esquerda). *Eleições em julho de 2021 e eleição do Presidente de</p><p>Esquerda;</p><p>• EQUADOR: Guillermo Lasso (direita);</p><p>• COLOMBIA: Iván Duque Márquez (direita);</p><p>• VENEZUELA: Nicolás Maduro (esquerda);</p><p>• SURINAME: Chan Santokhi (direita).</p><p>Obs.: � A Guiana não possui qualquer expressão político-ideológica nem geopolítica no sub-</p><p>continente sul-americano. Já a Guiana Francesa é governada pelo governo central</p><p>da França.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>As eleições na COLÔMBIA</p><p>Após Chile e Peru elegerem um Presidente de esquerda, chega a vez da Colômbia.</p><p>Um fato é inegável: após a década de 2010-2020, com o sub-continente passando por</p><p>uma onde de governos de direita eleitos em substituição a governos de esquerda que</p><p>domiram o sub- continente nos anos 2000 eleitos desde Hugo Chavez, em 1999. O</p><p>momento atual novamente pende favorável à esquerda, com as eleições de presidentes</p><p>de esquerdas na Argentina (Alberto Fernandez, em 2019), no Peru, com Pedro Castillo,</p><p>eleito em fins de 2021, assim como o Chile, com Guilherme Boric e, finalmente, a Colôm-</p><p>bia.</p><p>O nosso vizinho ao norte é um país que jamais havia sido governado por uma figura</p><p>de vinculação ideológica de esquerda, algo, inclusive, raríssimo na América Latina. Uma</p><p>Colômbia sempre governada pela direita a qual se dividia entre os partidos Blanco e</p><p>Colorado, agora vê tomar posse o economista e ex-guerrilheiro Gustavo Petro, vencedor</p><p>das eleições por margem apertada contra Rodolfo Hernandéz, rival conhecido como</p><p>sendo o “Trump Colombiano”. Com a vitória de Petro, dos 12 países de América do Sul</p><p>só quatro possuem em fins de 2022 governos de direita, podendo esse número se redu-</p><p>zir a três com as eleições de Outubro no Brasil.</p><p>Por fim destaco que, se em prova de Atualidades mencionarem a expressão “onda</p><p>rosa”, este termo se refere à esquerdização que já fora, inclusive, mencionada nesta</p><p>aula. Ou seja, vem à luz em função de governos eleitos democraticamente, em especial</p><p>na década de 2000, vinculados estes à ideologia esquerda. Agora, atualmente, o que se</p><p>percebe é o retorno de governos de esquerda, com alguns, inclusive, ao que tudo indica,</p><p>revestidos de uma roupagem considerada mais moderna, como no Chile, outros repro-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>14 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>duzindo o mais do mesmo, como no caso da Argentina, com a eleição de Alberto Fer-</p><p>nadez e no Brasil (e isso não é uma crítica, longe disso) se Lula for eleito nas eleições</p><p>de 2022.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>15 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Vemos, portanto, que dentre as 11 nações principais da América do Sul independentes</p><p>(com a exceção da Guiana), temos o “placar” em fins de 2022, após a consolidação do resulta-</p><p>do das eleições peruanas e colombianas, de 6 países à esquerda e 5 à direita.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O “RECHAZO” CHILENO À NOVA CONSTITUIÇÃO.</p><p>O Chile é atualmente o país mais desenvolvido em nosso sub – continente Sul- Ame-</p><p>ricano, isso ao levarmos em conta, por exemplo, indicadores econômicos e sociais, tais</p><p>quais o PIB per-capita e IDH. Eis que em fins de 2019, a população chilena foi as ruas</p><p>pedir uma nova assembleia constitucional, à medida que a carta atual era considerada</p><p>um resquício de autoritarismo, visto ter sido promulgada sob os auspícios do Presiden-</p><p>te Pinochet, ditador militar que tomou o governo em 1973, governando por 17 anos o</p><p>país andino com mão forte e uma política economica inclinada ao neo-liberalismo.</p><p>O atual presidente Gabriel Boric, recém-eleito, foi um dos líderes das manifestações</p><p>de 2011, preliminares deste processo maior que culminou em 2019.</p><p>Bom, seguindo: Boric, o novo presidente chileno de 35 anos, em seus primeiros</p><p>meses como Presidente da República, convoca o plebiscito para saber se os chilenos</p><p>aprovavam o texto constitucional expresso, feito ao longo de quase 3 anos. Seria, sem</p><p>dúvida, uma das Constituições mais evoluídas e também controversas já promulgada</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>16 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>no mundo nas últimas décadas, e também uma das mais analíticas, onde seu texto</p><p>expressava até o reconhecimento à “espiritualidade”, direito ao “ar limpo” e a uma “morte</p><p>digna”. Bom, mas no frigir dos ovos, eis que a maioria da população chilena rechaçou</p><p>o novo texto. A campanha contra a nova constituição (campanha vencedora, portanto)</p><p>atacou dois pontos principais. O primeiro diz respeito ao fato de que a população chi-</p><p>lena estaria avalizando um texto que expressava a vontade de uma minoria, frente à</p><p>vontade da maioria. O segundo ponto, diz respeito ao fato de que haveria custos altos</p><p>para se colocar em prática o protocolo de boas intenções e direitos expressos na carta</p><p>rechaçada. Não vingou e o Chile volta à estaca zero, ao menos nesse assunto.</p><p>2.3. AtuAlidAdes e A diásporA nA AMéricA lAtinA</p><p>A associação entre os contextos de letargia econômica, desemprego, pobreza e violência</p><p>vem resultando em uma fuga contínua a qual vem ocorrendo, a bem da verdade, desde a dé-</p><p>cada de 1980 e se estende adentro desta nova década que se inicia. Mesmo com políticas ul-</p><p>trarrígidas de contenção à entrada de imigrantes, principalmente por parte dos EUA, ainda se</p><p>identifica de forma aguda um processo de evasão de população de países da América Central.</p><p>Países tais quais Guatemala, Honduras, El Salvador, entre outros, formam hordas de pessoas</p><p>que migram rumo aos Estados Unidos – e ao México também, por incrível</p><p>redução de emissões e de remoção de carbono baseados no uso da terra</p><p>que exigem grandes áreas – por exemplo, o plantio de florestas em grande escala e os cultivos</p><p>para bioenergia – competirão com outros usos da terra, como a produção de alimentos. Isso</p><p>pode, por sua vez, aumentar os preços dos alimentos, agravar a poluição da água, prejudicar</p><p>a biodiversidade e levar a uma maior conversão de florestas em outros usos da terra, aumen-</p><p>tando, assim, as emissões.</p><p>Além disso, o relatório constatou que, se o mundo não conseguir reduzir as emissões em</p><p>outros setores, como energia e transporte, dependeremos cada vez mais de soluções basea-</p><p>das na terra, exacerbando as pressões alimentares e ambientais.</p><p>Aprendendo com o relatório do IPCC: talvez o insight mais abrangente do relatório do IPCC</p><p>seja sobre o delicado ponto de equilíbrio entre uso da terra e estabilidade climática: acertá-lo</p><p>pode reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, criar cobenefícios significativos; errar pode inten-</p><p>sificar as mudanças climáticas e agravar a insegurança alimentar e os problemas ambientais.</p><p>Na verdade, nós podemos alimentar o mundo ao mesmo tempo em que combatemos as</p><p>mudanças climáticas, protegemos as florestas e fazemos avançar a economia – mas temos</p><p>de melhorar a forma como produzimos e agimos sobre o planeta.</p><p>Abaixo, apresento-lhes uma matéria interessante, publicada na versão on-line da revista</p><p>Exame, de 08/06/2019, sobre uma economia criativa que pode ser gerada pelas oportunidades</p><p>do aquecimento global.</p><p>42 bilhões de dólares no caminho do aquecimento global</p><p>Esse é o valor que 91 empresas abertas da América Latina identificaram em oportuni-</p><p>dades da economia regenerativa, no combate ao aquecimento global</p><p>Se os governos de alguns países recuaram em relação ao desafio das mudanças cli-</p><p>máticas, pelo menos o setor privado parece ter acordado – e está agindo. Não é só</p><p>pela consciência de que o aquecimento global é uma ameaça ao planeta como um</p><p>todo, mas também porque as soluções para a crise climática têm o potencial de au-</p><p>mentar a competitividade. E este caminho já está sendo trilhado por grandes grupos</p><p>empresariais da América Latina – que tem condição privilegiada para gerar energia</p><p>limpa, fornecer alimentos com menor impacto e produzir serviços e produtos bons</p><p>para o clima.</p><p>É isso o que mostram os dados do CDP, iniciativa criada há décadas pelos grandes</p><p>fundos internacionais de investimento para catalisar o esforço privado pelo clima.</p><p>Nas palavras de Lauro Marins, diretor executivo para a América Latina do CDP:</p><p>“Em 2018, 91 empresas de capital aberto, 895 fornecedores e 184 cidades da Amé-</p><p>rica Latina reportaram suas informações por meio do sistema de divulgação ambiental</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>124 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>do CDP. Essas 91 empresas de capital aberto representam 90% do capital negociado</p><p>em bolsa na região. Juntas, elas reportaram um valor 42 bilhões de dólares em opor-</p><p>tunidades identificadas na área de clima. Essas empresas fizeram um investimento</p><p>de 5 bilhões de dólares, que resultou na redução do equivalente a 921 milhões de</p><p>toneladas de CO2.</p><p>Não foram só empresas que mostraram seus investimentos ao CDP. Também 184</p><p>cidades latino-americanas participantes reportaram conjuntamente ao CDP um to-</p><p>tal de 326 projetos climáticos que estão buscando mais de 5,6 bilhões de dólares</p><p>de financiamento. Observa-se aí uma grande oportunidade para colaboração entre</p><p>o setor público e privado por meio de estratégias já bem conhecidas, como PPPs,</p><p>aliadas a novas abordagens como emissão de títulos verdes de projetos executados</p><p>pela iniciativa privada em áreas-chave para a resiliência urbana.</p><p>O senso de urgência é o que move esses atores a agir já, uma vez que o quinto rela-</p><p>tório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), lançado em ou-</p><p>tubro de 2018, deixou claro que temos apenas 12 anos para reduzir as emissões de</p><p>gases de efeito estufa pela metade para evitar uma crise climática sem precedentes</p><p>na história da humanidade.</p><p>Essa é a janela de tempo de que dispomos para converter a crise em oportunidade e</p><p>botar de pé uma nova economia regenerativa, formada por soluções que contribuam</p><p>para reverter as mudanças climáticas e ao mesmo tempo gerem prosperidade para</p><p>as pessoas. A Universidade de Michigan estima que o mercado para produtos que</p><p>capturam carbono da atmosfera, ajudando a reverter as mudanças climáticas, movi-</p><p>mentará de 800 bilhões a 1,1 trilhão de dólares por ano até 2030. Esse novo mercado</p><p>trará novas oportunidades de negócios e atuação profissional. Aqueles que primeiro</p><p>reagirem a esses sinais colherão os frutos do seu pioneirismo, posicionando-se na</p><p>liderança dessa nova e próspera economia.</p><p>É crescente o coro formado pela comunidade de negócios e governos subnacionais</p><p>de que a mudança climática é o principal vetor de riscos e oportunidades para a eco-</p><p>nomia e para a sociedade.</p><p>Começamos a ver na América Latina um movimento similar ao que ocorreu nos Esta-</p><p>dos Unidos após a eleição de Donald Trump, em que, diante dos retrocessos vindos</p><p>da Casa Branca em relação a políticas climáticas, a comunidade de negócios, gover-</p><p>nos subnacionais e sociedade civil se reuniram em torno de uma coalizão chamada</p><p>We are still in (nós ainda estamos dentro). Esses atores levantaram as suas vozes</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>125 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>em apoio ao Acordo de Paris, se comprometendo a ajudar a alcançar os objetivos</p><p>climáticos nele traçados.</p><p>Um episódio recente no Brasil dá sinais de que esse contraponto também começa a</p><p>ganhar corpo no país. Depois de retirar a sua candidatura como sede da Convenção</p><p>do Clima, o governo federal também tentou intervir na decisão da cidade de Salvador</p><p>de sediar a conferência Climate Week, evento tradicional no calendário de discussões</p><p>internacionais sobre clima. Apesar disso, o prefeito Antonio Carlos Magalhães Neto</p><p>se colocou à disposição da organização da Climate Week para realizar a conferência</p><p>na capital baiana. Diante da pressão da sociedade civil, governos subnacionais e em-</p><p>presas, o governo federal retrocedeu e decidiu apoiar a realização da Climate Week.</p><p>Experiências como essa levam especialistas a afirmar que os governos subnacio-</p><p>nais e os negócios terão papel protagonista para manutenção e implementação das</p><p>políticas climáticas no país.”</p><p>Uma amostra dessa discussão acontecerá nos dias 11 e 12 de junho, em São Pau-</p><p>lo, na primeira feira de negócios pelo clima da América Latina, uma realização do</p><p>CDP, O Mundo Que Queremos e WWF-Brasil, com apoio de EXAME. O evento reunirá</p><p>mais de 300 pessoas, incluindo prefeitos, CEOs de grandes empresas, fundadores</p><p>de startups de negócios pelo clima, lideranças jovens e financiadores. Ao longo dos</p><p>dois dias de evento, eles debaterão soluções tecnológicas, modelos de negócios ino-</p><p>vadores e também exemplos de ações coletivas e coordenadas entre setor privado,</p><p>público e a sociedade civil para acelerar uma nova economia regenerativa capaz de</p><p>reverter as mudanças climáticas e gerar prosperidade.</p><p>A feira trará ainda uma missão comercial patrocinada pelo Governo do Canadá e</p><p>uma comitiva de 15 cidades e startups latino-americanas, financiada pela Fundação</p><p>Konrad Adenauer. Esses grupos participarão de rodadas de negócios que vão reunir</p><p>mais de 200 participantes, entre representantes</p><p>de prefeituras, grandes corporações,</p><p>startups e instituições financeiras – com a missão de consolidar a posição da Améri-</p><p>ca Latina como um lugar privilegiado para fazer brotar iniciativas boas para o clima.</p><p>4.2.3. O Acordo de Paris e As Convenções-Quadro da ONU Sobre Mudança Cli-</p><p>mática</p><p>A década de 1990 representou um avanço nunca antes visto em torno da discussão acerca</p><p>do aquecimento global. Foi quando os países (ao menos um grupo) se cotizaram pela primeira</p><p>vez na história em torno de produzir um modelo e consensos que pudessem, de forma efetiva,</p><p>contribuir para mitigar tal preocupante questão. A Segunda Conferência das Nações Unidas</p><p>sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, ou Rio 92, foi</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>126 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>organizada pelas Nações Unidas e, entre 4 a 14 de junho de 1992, ganhou lugar na cidade do</p><p>Rio de Janeiro, obtendo uma imensa repercussão global.</p><p>E desta conferência um postulado importante foi parametrizado e regeu a questão relativa</p><p>ao aquecimento global, isso longo das últimas décadas. Vamos a ele.</p><p>A ECO-92 consagra haver um compêndio de “responsabilidades comuns, porém diferencia-</p><p>das” em torno do aquecimento global. Ou seja, há uma questão global, fato – o aquecimento</p><p>global –, e tal desafio deve, contudo, ser encarado por todos os países como um compromisso</p><p>(e entendimento) comum, porém com níveis de assunção de responsabilidades que estejam</p><p>baseados por contextos históricos, estes quais atinentes a forma como cada grupo de países</p><p>tem responsabilidade na questão do aquecimento global. Divide-se assim, aqueles países que</p><p>haviam há tempos se industrializado (e portanto tinham uma responsabilidade maior frente à</p><p>questão do aquecimento global), e em outra ponta os países tipificados como em desenvolvi-</p><p>mento; conhecidos também como “emergentes”, tais quais o Brasil, a China e a Índia, ou seja,</p><p>nações que iniciaram de forma tardia sua entrada no mundo industrial e, portanto, detentores</p><p>de parcelas ainda reduzidas de responsabilidades (até os anos 1990) acerca dos padrões de</p><p>emissões de gases de efeito estufa em nível global. São as responsabilidades comuns, porém</p><p>diferenciadas, corolário que, atualmente, veremos, não cabe mais em 2019 para que se resolva</p><p>de forma efetiva a questão do aquecimento global, mas que fora fundamental nos anos 1990</p><p>para que ali fosse dado início a um arcabouço de discussões (e ações) com vistas ao estabe-</p><p>lecimento de uma agenda global de enfrentamento desta importante pauta ambiental.</p><p>Orientados pela ONU, planos e ações em torno do tema aquecimento global começam a</p><p>eclodir nos anos 1990, contudo ainda separando os países emergentes (China, Índia, Brasil,</p><p>hoje grandes emissores de gases de efeito estufa), daqueles países que se industrializaram</p><p>antes (leia-se: países da Europa, a União Soviética e seus estados-satélite, mais o Japão, os</p><p>EUA e Canadá).</p><p>A partir da ECO-92, no Rio de Janeiro, fica estabelecida uma agenda de encontros anuais</p><p>em lugares diferentes ao redor do globo com vistas a se discutir o aquecimento global. São</p><p>as Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), ou as Con-</p><p>venções do Clima, e a COP (Convenção das Partes). Desde 1994 elas vêm sendo realizadas</p><p>anualmente, sendo a primeira em Berlim. Algumas destas convenções, e já foram 26 as realiza-</p><p>das até 2021, serviram apenas para que de forma protocolar se discutisse a questão climática</p><p>global, contudo outras Convenções foram bastante importantes.</p><p>Para chegarmos ao contexto de atualidades recente sobre o tema, é importante que entenda-</p><p>mos o que fora estabelecido no longínquo ano de 1997, na 3ª COP, realizada em Kyoto, no Japão.</p><p>À época do Protocolo de Kyoto, isso há mais de 20 anos, a imensa maioria das emissões</p><p>globais de gases de efeito estufa eram atreladas a países industrializados, à medida que</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>127 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>estas nações detinham responsabilidades históricas sobre o aquecimento global, pois foram</p><p>grandes emissores de gases por séculos. Os países em desenvolvimento, em contrapartida,</p><p>eram vistos como as maiores vítimas do clima e não tinham, até ali, responsabilidades sobre</p><p>o problema e, igualmente, portanto não deveriam também assumir ônus e nem contribuir para</p><p>a solução. O Protocolo de Kyoto de 1997 definiu limites e metas de redução para as emissões</p><p>de gases de efeito estufa para um grupo de 39 países apenas. Ou seja, todos os países consi-</p><p>derados como “desenvolvidos” acrescidos dos países do Leste Europeu mais a Rússia.</p><p>Sendo assim, o Protocolo só entraria (e entrou) em vigor quando a conta dos signatários</p><p>envolvesse dois parâmetros:</p><p>• Ao menos 55% dos países chamados (39 países) assinassem o acordo;</p><p>• E 55% das emissões de gases de efeito estufa no total no globo (e, somados, os 39 paí-</p><p>ses representavam, à época, 78% das emissões globais de GEE) ratificassem o mesmo</p><p>protocolo.</p><p>Resultado: sendo assim, tais cotas só foram conseguidas quando a Rússia, em 2004, assi-</p><p>nou o acordo.</p><p>Vigorando, em termos reais, entre os anos de 2008-2012, o Protocolo de Kyoto, ao esta-</p><p>belecer metas de redução de 5,2%, em média, de gases por parte dos países signatários do</p><p>acordo, não conseguiu ao fim (em 2012) reduzir os níveis de emissão de gases de efeito estufa</p><p>em enorme parte dos países que se cotizaram. Ou seja, os próprios países envolvidos, em sua</p><p>imensa maioria, não conseguiram cumprir as metas de redução assumidas individualmente.</p><p>Contudo, vale destacar, o Protocolo de Kyoto foi um marco positivo, sem dúvidas, pois nele (e</p><p>pela primeira vez em toda a história humana) um grupo de países assumiu metas (voluntárias)</p><p>de redução de Gases de Efeito Estufa.</p><p>Em 2019, a COP-25, a 25ª Conferência do Clima, deveria ser realizada no Brasil, contudo, nosso</p><p>atual mandatário, Presidente Jair Bolsonaro, desistiu de sediar esse encontro em nosso país.</p><p>Pesaram em sua decisão, segundo declaração do próprio, o fato de que (e tal qual seu com-</p><p>panheiro, Donald Trump, ex-Presidente norte-americano) a sua política externa em torno deste</p><p>assunto é 100% refratária ao que a ONU vem propalando, além de considerar um desperdício</p><p>gastar, segundo sua contabilidade, uma quantia em torno de R$ 500 milhões para realizar-se</p><p>no Brasil tal conferência. Sendo assim, a conferência de dezembro de 2019 teve a sua realiza-</p><p>ção transferida para Santiago, no Chile.</p><p>O Acordo de Paris – 2015: terminado o prazo de vigor de Kyoto (2012), uma nova costura</p><p>para o clima global que não envolvesse apenas um grupo de países (e pudesse resultar em um</p><p>novo protocolo de Kyoto) precisava ganhar corpo. Sendo assim, ficou estabelecido que, em</p><p>2015, na COP-21, de Paris, tal documento ganharia forma.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>128 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>E sentados à mesa de negociação na Cidade-Luz, pela primeira vez na história, em meio</p><p>a Ministros do Meio Ambiente, consultores, chanceleres, entre outros, conseguiu-se alinhavar</p><p>um acordo climático gigantesco e inédito, o qual envolveu mais de 190 países.</p><p>A COP-21 de Paris (2015) se torna, portanto, aquele que foi até então o maior avanço em</p><p>termos da discussão do clima global de todos os tempos. Por ela fica estabelecido, primei-</p><p>ramente, um compromisso de longo prazo: limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC neste</p><p>século. Depois, fazer esforços com vistas a limitar a elevação da temperatura global em nível</p><p>acima de 1,5ºC. Sendo assim, 195 países em primeira instância assinam o compromisso que</p><p>envolve todos os maiores emissores de Gases de Efeito Estufa do Mundo.</p><p>No mesmo documento, depois de serem atingidas as macrometas acima citadas, criar-se-</p><p>-á um modelo para se limitar as metas de emissões de GEE nacionais, onde cada país proporia</p><p>um limite próprio: são as chamadas NDC (Contribuição Nacional Determinada).</p><p>E Paris inovou também, à medida que o Protocolo não teria prazo determinado, tal qual</p><p>como o Protocolo de Kyoto, por exemplo, e as suas diretrizes seriam revisadas a cada 5 anos,</p><p>com metas que, enquanto houver o problema (a emissão de gases de efeito estufa), se conju-</p><p>gariam em torno das necessidades de cada país.</p><p>Mas nem tudo são flores, pois, dando seguimento ao que prometera na campanha presi-</p><p>dencial, Donald Trump se retira do Acordo de Paris em julho de 2017, sinalizando depois que</p><p>poderia até voltar ao acordo, mas somente se os interesses econômicos dos EUA estivessem</p><p>acima de qualquer outra questão, sendo um entrave tal posição. Um verdadeiro contrassenso</p><p>e ponto anacrônico, à medida que, para se reduzirem as emissões de gases de efeito em uma</p><p>imensa maioria dos países, mandatório é que sejam alteradas as matrizes de produção ener-</p><p>gética, industriais e de transportes destes. E tais mudanças, via de regra, promovem alterações</p><p>econômicas e envolvem custos. Por fim, vale destacar que, mesmo após a saída dos EUA, o</p><p>Acordo de Paris seguiu ainda firme em seu rumo na busca de não se deixar que padrões cala-</p><p>mitosos de aquecimento global ganhem mais força.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>COP 26</p><p>Por: Luís Felipe Ziriba - 05/01/2022</p><p>Realizada nos 12 primeiros dias de Novembro de 2021, após ser adiada em função</p><p>da pandemia de Covid, a 26a Conferência das Partes para o Clima veio cercada de enor-</p><p>mes expectativas. E seus resultados foram bons, à medida que se conseguiu sair da</p><p>fria e bela Escócia com avanços na questão do limite de aquecimento (de 2 graus em</p><p>Paris, 2015 para 1.5 graus agora), além do fortalecimento de metas individuais (NDCs)</p><p>por partes dos países e também uma nova agenda para o financiamento dos países</p><p>emergentes frente ao aquecimento global. Vejamos abaixo os principais pontos forma-</p><p>lizados no documento oficial, assinado por mais de 200 países, que resultou no Pacto</p><p>de Glasgow.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>129 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>O PACTO DE GLASGOW (CoP 26):</p><p>REDUÇÃO DE EMISSÕES: O texto estabelece a redução global das emissões de</p><p>dióxido de carbono em 45% até 2030, em comparação com 2010, e de neutralidade de</p><p>CO2 até 2050 – quando as emissões serão reduzidas ao máximo e as restantes serão</p><p>totalmente compensadas por reflorestamento e tecnologias de captura de carbono da</p><p>atmosfera.</p><p>TEMPERATURA GLOBAL: Muita atenção a este ponto caros (as) alunos (as): O</p><p>Acordo de Paris falava sobre um aumento máximo de 2ºC em comparação à tem-</p><p>peratura pré-industrial. Diante de novas evidências e do alerta do último relatório do</p><p>Painel Intergovernamental para a Alterações Climáticas (IPCC, de 2019 constante em</p><p>nossa aula), o Pacto Climático de Glasgow é muito mais claro em relação à meta de</p><p>1,5ºC, deixando claro que a diferença de meio grau se traduz em um aumento brutal</p><p>de impactos climáticos.</p><p>ARTIGO 6: Um dos pontos que mais avançou na COP26 diz respeito à regulamenta-</p><p>ção do Artigo 6 do Acordo de Paris, que regula os mercados de carbono e o comércio</p><p>de emissões. Essa era uma das questões ainda pendentes do pacto de 2015.</p><p>Valerá a regra dos ajustes correspondentes, ou seja, os países terão que ajustar sua</p><p>meta de redução de emissões de acordo com a compra ou venda de créditos. Todas</p><p>estas transações serão certificadas por um organismo que ficará sob a Convenção da</p><p>ONU Mudança Climática. É interessante perceber que o Brasil possui, sem dúvidas, tal</p><p>qual propalado na Conferência por nosso Ministro do Meio- Ambiente, Joaquim Leite,</p><p>enorme potencial como exportador de créditos de carbono; contudo atualmente ainda</p><p>somos em 2021 devedores.</p><p>ABANDONO DO CARVÃO E COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS: O termo “eliminação” de com-</p><p>bustíveis fósseis foi substituído por “redução” gradual. A proposta que estabelecia a</p><p>eliminação dessas fontes de energia foi enfraquecida por causa de um acordo entre a</p><p>China (maior consumidora mundial de combustíveis fósseis), os EUA (maior produtor</p><p>mundial de combustíveis fósseis), a União Europeia e a Índia.</p><p>De qualquer forma, o texto pede que os países “acelerem os esforços” para reduzi-</p><p>rem gradualmente o uso de usinas de energia movidas a carvão que não usam tecno-</p><p>logias de captura do CO2 e também os subsídios para combustíveis fósseis.</p><p>COMPROMISSOS NACIONAIS: O documento também reconhece que os compro-</p><p>missos nacionais voluntários (NDCs) para os países reduzirem suas emissões são</p><p>insuficientes para que a temperatura global se mantenha dentro da meta de aumento</p><p>máximo de 1,5ºC. Firmadas no Acordo de Paris e incrementadas a cada cinco anos, as</p><p>NDCs tiveram sua primeira revisão em 2021, após a COP26 ser adiada em 2020 devido</p><p>à pandemia da Covid-19.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>130 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>IMPORTANTE: A figura dos NDCs (compromissos nacionais voluntários de redução</p><p>de gases de efeito estufa) ganhou muita força ao longo dos últimos dez anos. Com o</p><p>fim do Protocolo de Kyoto, que vigorou entre 2008-2012, o qual estabelecia metas indi-</p><p>vidualizadas de redução de emissão de gases de efeito estufa do tipo: “impostas” (mas</p><p>sem vinculações do tipo sanções, ou multas) para um grupo de pais – os ditos “indus-</p><p>trializados”, ganha-se performance na discussão climática a necessidade do estabele-</p><p>cimento de iniciativas e metas de redução de gases de efeito estufa de forma voluntá-</p><p>ria. Ou seja, dentro de uma lógica onde cada país, dentro de um compromisso global de</p><p>atuar de forma franca e concisa em torno da questão do aquecimento global, apresente</p><p>voluntariamente suas metas de redução na emissão de gases de efeito estufa.</p><p>FINANCIAMENTO A PAÍSES EMERGENTES: Em 2009, os países industrializados</p><p>haviam prometido mobilizar, a partir de 2020, US$ 100 bilhões ao ano para os países</p><p>em desenvolvimento conseguirem realizar a transição energética. Isso, no entanto, não</p><p>aconteceu. O Pacto de Glasgow estabeleceu 2025 como nova data para o financiamen-</p><p>to.</p><p>Assim, até 2025 os países desenvolvidos precisam duplicar seus fundos coletivos</p><p>para adaptação às demandas das nações mais pobres.</p><p>4.3. A questão do ártico</p><p>Por fim, caro(a) aluno(a), atualmente a questão do aquecimento global passa por uma dis-</p><p>cussão importante acerca da forma acelerada como o Ártico vem perdendo sua massa de gelo.</p><p>Situado ao Norte do Planeta, o Ártico é uma imensa massa oceânica de água congelada</p><p>que vem mudando conforme os cientistas já previam, mas de forma muito mais acelerada.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho -</p><p>, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>131 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Nos últimos 3 anos apenas, vários recordes climáticos de aquecimento na imensa área</p><p>gélida em tela foram atingidos. Expectativas relativas emanadas por cientistas de que, somen-</p><p>te em algum dia do verão de 2100 pudesse haver degelo completo do Ártico, já se encontram</p><p>reduzidas em 60 anos. Possivelmente em 2040, segundo matéria publicada pela renomada</p><p>revista Scientific American, em sua edição de maio de 2018, um dia no verão será de degelo</p><p>completo do ártico. A última vez, segundo os cientistas, em que o Ártico esteve em tempera-</p><p>tura parecida com agora faz algo em torno de 125 mil anos, e os oceanos estiveram à época</p><p>elevados em comparação a hoje, em algo perto de 4 a 6 metros. Era outra situação, e nada se</p><p>compara ao que vemos, em sua velocidade, como nestes tempos recentes.</p><p>Em 2018, a temperatura média no Inverno, para se ter uma ideia, no Ártico ficou 9ºC mais eleva-</p><p>da que em 1979. Sendo assim, mais aquecimento, mais vapor d’água (um dos gases de efeito</p><p>de estufa) na atmosfera e maior elevação do nível dos oceanos.</p><p>A atenção dedicada por parte da comunidade científica ao Ártico reside no fato de a região</p><p>ser muito sensível às mudanças climáticas. Em apenas 40 anos as extensões congeladas no</p><p>ártico reduziram-se pela metade, havendo também uma forte retração do volume de gelo pe-</p><p>rene (em torno de 25%). Quanto maior o calor derretendo a superfície branca (de gelo), uma</p><p>área maior escura fica exposta. Assim, os raios de sol, antes refletidos pela superfície branca,</p><p>agora ficam retidos muito mais na superfície escura. Ou seja, torna-se o aquecimento um cír-</p><p>culo vicioso.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>132 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>OS PLÁSTICOS E OS OCEANOS: UMA NOVA BATALHA AMBIENTAL</p><p>Há mais ou menos 80 anos o uso de plásticos pela sociedade começou a ter seu</p><p>início. O polímero barateou enormemente os custos de produção e insuflou um podero-</p><p>so ramo industrial – a indústria petroquímica. Hoje parece que não sabemos mais viver</p><p>sem o plástico e o conforto que produtos como papel-filme, copos, garrafas, recipientes</p><p>variados, canudos, entre outros, nos oferecem, mas isso tem um peso para a natureza.</p><p>O plástico é um produto que não decompõe facilmente na natureza, pois suas molé-</p><p>culas são bastante estáveis, e os organismos não conseguem quebrá-las. Segundo a</p><p>Cetesb (a Companhia Paulista de Saneamento), em aterros sanitários, ou seja, ambien-</p><p>tes com forte presença de organismos decompositores, uma garrafa PET pode demo-</p><p>rar mais de 200 anos para ser decomposta por total. Há até plásticos biodegradáveis</p><p>(ou mais fáceis de se decompor), mas estes são de uso extremamente restritos, sendo</p><p>que o que fica realmente é uma carga de plásticos, todos simples e baratos, que poluem</p><p>a cada segundo o mundo em milhares de toneladas e são indigestos à decomposição.</p><p>E o uso indiscriminado do plástico vem causando um dano ambiental que trans-</p><p>cende os ambientes terrestres e os lixões. Esse dano se estende aos oceanos drasti-</p><p>camente, o verdadeiro pulmão do planeta, vítimas da indiscriminada utilização desses</p><p>produtos.</p><p>Vamos aos dados: recentemente cientistas estimaram que, por volta do ano de</p><p>2050, o peso dos seres vivos nos oceanos será superado pelo peso do plástico adicio-</p><p>nado aos ambientes marinhos. Isso mesmo que você leu, caro(a) aluno(a)! Até 2050,</p><p>haverá provavelmente mais plástico que seres marinhos nos oceanos. Estima-se que</p><p>atualmente uma carga de mais de 150 milhões de toneladas de plástico esteja boiando</p><p>pelos oceanos, sendo que anualmente algo entre 5-10 milhões de toneladas seja</p><p>adicionado a esta perversa conta. A imensa maioria do lixo nos oceanos, aliás, é plás-</p><p>tico, oriundo quase todo do próprio lixo descartado e (em menor escala) dos restos de</p><p>materiais plásticos deixados por pescadores, de diferentes envergaduras.</p><p>Sobre reciclagem, não há ainda salvação, pois de todo o plástico produzido no Pla-</p><p>neta, nem 10% atualmente vem sendo reciclado, sendo estes os produtos mais adicio-</p><p>nados ao mar: canudos plásticos, garrafas, isqueiros, canetas, linhas de pesca e anzóis.</p><p>E o problema do plástico nos oceanos não se encontra apenas na questão de poluir</p><p>as margens costeiras. Há uma cadeia de danos que vão desde ferir animais até a absor-</p><p>ção de micropartículas de plásticos pelos plânctons. Em determinadas áreas do Pací-</p><p>fico, entre a próspera costa leste americana e a superpovoada costa asiática, já se per-</p><p>cebe algo em torno de 100 partículas de microplástico para cada plâncton – e o pior</p><p>cenário, segundo os cientistas, era de 6 pra 1.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>133 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>O lixo marinho também causa perdas econômicas aos setores e às comunidades</p><p>dependentes do mar, exatamente por causa mortandade em espécies de peixes e polui-</p><p>ção da água, além de diminuição crítica no atrativo natural que as áreas turísticas cos-</p><p>teiras possuem.</p><p>Algumas medidas (tímidas) por parte de governos vem sendo tomadas frente a</p><p>essa questão. Destaques para a União Europeia que, em 2018, aprovou por unanimi-</p><p>dade um conjunto de normas e sanções aos usos de materiais plásticos por parte dos</p><p>países (28, até a saída do Reino unido), englobando também instrumentos de pesca. Já</p><p>Distrito Federal, na capital do Brasil, por decreto proíbe, desde fevereiro de 2019, o uso</p><p>e a comercialização, em todo o seu território, de canudos e copos plásticos.</p><p>Por mais anacrônico que pareça, o plástico, em certa medida, veio para salvar ani-</p><p>mais, ao substituir, por exemplo, o uso do marfim, muito comum até o início do século</p><p>passado, mas atualmente mata em torno de 100.000 animais marinhos por ano. Por</p><p>mais esquisito que pareça, o polímero que foi a base de produtos baratos e práticos</p><p>requer iniciativas urgentes e ações efetivas para tolher os danos que a disseminação</p><p>relacionada a uma superprodução se revela.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A ÁGUA CHEGA À BOLSA DE NOVA YORK</p><p>Em meados de dezembro de 2020, a mais tradicional bolsa de valores do mundo, a</p><p>Bolsa de Valores de Nova York, iniciou a comercialização de cotas de água.</p><p>O novo índice começa com cotas relacionadas ao valor da água na Califórnia, com</p><p>unidade mínima de 10 acre-pés, o que corresponde a 1,2 milhão de litros (o equivalente</p><p>a duas piscinas olímpicas). Assim, torna-se possível negociar água para situações futu-</p><p>ras de escassez sem ter de se pagar o preço do período de seca/escassez. Vale desta-</p><p>car que este novo comércio se restringe apenas a negociações de água nos EUA, visto</p><p>que há barreiras logísticas no transporte de grandes quantidades de água e também</p><p>que a água por lá, diferentemente daqui, pertence não necessariamente ao Estado, e</p><p>sim aos donos das propriedades rurais.</p><p>Essa nova modalidade abre precedentes importantes e, para alguns, preocupantes.</p><p>Nunca antes a água foi tratada desta forma, ou seja, sendo um bem comercializável</p><p>nestas escalas, chegando à bolsa de valores. Assim, inicia-se uma fase em que luga-</p><p>res com abundância deste precioso recurso podem realizar comércio com áreas</p><p>de</p><p>escassez. Para o primeiro grupo, ou seja, os que possuem recurso em grande escala,</p><p>vislumbram-se possibilidades grandes de lucro, sem dúvidas. Para o segundo grupo,</p><p>aventa-se uma luz no fim do túnel a situações de escassez. Até aí, tudo bem. Contu-</p><p>do, especialistas em recursos hídricos se demonstram preocupados em relação a preceitos</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>134 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>relacionados à sustentabilidade no uso da água. A sustentabilidade é pensada com</p><p>vistas a dar atenção às necessidades não apenas das gerações atuais, mas também</p><p>das futuras gerações.</p><p>Por fim, fica a questão: seria a água passível de comercialização? Na prática, esse</p><p>comércio já acontece há tempos – à medida que grandes multinacionais, como Coca-</p><p>-Cola e Nestlé, por exemplo, comercializam água no mundo todo, vendendo suas gar-</p><p>rafas potáveis em um negócio altamente lucrativo. Há também a chamada água virtual</p><p>– ou seja: a água incutida em usos agropastoris, tais quais como ao se produzir um</p><p>quilo de carne (que pode levar até 15 mil litros de água entre sedentação, constituição</p><p>de pastos e beneficiamento final) ou em plantações com o uso intensivo de água na</p><p>irrigação. Agora uma nova modalidade de uso para a água vem para ficar.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A CONFERÊNCIA DO CLIMA DE JOE BIDEN</p><p>Convocada por Joe Biden, que fez também a coordenação do evento, foi realiza-</p><p>da virtualmente, em fins de abril de 2021, a Cúpula do Clima. Biden, o primeiro a falar</p><p>após discurso de abertura de sua vice, Kamala Harris, prometeu reduzir as emissões</p><p>de gases do efeito estufa dos EUA em 50%, em relação aos níveis de 2005, até 2030, e</p><p>afirmou que os próximos anos farão parte de uma ‘década decisiva’ para o combate às</p><p>mudanças climáticas</p><p>Pelo Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro prometeu que terá neutralidade climática</p><p>até 2050 e que em 2030 teremos diminuído o desmatamento em até 43%.</p><p>O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres,</p><p>disse que o mundo precisa retornar aos níveis de emissões de gás carbono registrados</p><p>no ano de 2005 para alcançar a subsistência. “Nós precisamos de um planeta verde,</p><p>mas estamos em alerta vermelho, à beira do abismo. Precisamos agir”, afirmou.</p><p>“Precisamos diminuir as emissões de gás para os níveis de 2005. E precisamos nos</p><p>assegurar de que o próximo passo esteja na direção correta. Líderes em todo mundo</p><p>devem agir, primeiro fazendo uma coalizão por emissão líquida zero”, afirmou.</p><p>Xi Jinping, Presidente da China, disse que o país pretende trabalhar em conjunto</p><p>com os Estados Unidos para mitigar as emissões de carbono e que até 2060 a China</p><p>vai passar do “pico do carbono para carbono zero”.</p><p>“A China está ansiosa para trabalhar com os Estados Unidos para melhorar a gover-</p><p>nança global”, declarou o líder comunista.</p><p>Da Europa, o Presidente da França, Emmanuel Macron, líder radicalmente contra as</p><p>diretrizes tomadas a cabo por Jair Bolsonaro e seu então Ministro do Meio Ambiente,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>135 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Ricardo Salles, para o setor, disse que o mundo precisa incluir o meio ambiente nos</p><p>custos de investimento e comércio e que, sem isso, não poderia haver transição para</p><p>uma economia mais verde.</p><p>Já o Presidente russo, Vladimir Putin, disse que seu país pode propor a introdu-</p><p>ção de termos e condições preferenciais para investimento estrangeiro em projetos de</p><p>energia limpa.</p><p>Em seu pronunciamento, Putin também disse que a Rússia pretende aumentar a</p><p>quantidade de energia de fontes de baixo carbono, incluindo a energia nuclear.</p><p>A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, celebrou a volta dos Estados Unidos ao</p><p>Acordo de Paris – uma medida que Biden reverteu após seu antecessor, Donald Trump,</p><p>deixar o pacto.</p><p>“Estou muito feliz que os EUA tenham voltado a participar da política clínica, pois</p><p>é totalmente indiscutível que o mundo precisa da participação dos EUA para que o</p><p>Acordo de Paris seja cumprido”, disse a chanceler alemã. “A contribuição nacional dos</p><p>EUA mostra sua ambição e é um sinal muito importante para a comunidade global”,</p><p>completou.</p><p>Ela afirmou que as transformações necessárias para conter as mudanças climáti-</p><p>cas são uma “tarefa hercúlea”, já que exigem a transformação do modo de viver e con-</p><p>duzir as economias globais.</p><p>Quem também discursou foi a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der</p><p>Leyen. “A ciência diz que é quase tarde demais, mas devemos começar agora. Ontem,</p><p>com o Parlamento Europeu e com 27 governos, definimos novas metas para que seja-</p><p>mos neutros em carbono até 2050 e também concordamos em reduzir as emissões em</p><p>pelo menos 25% até 2030”, afirmou.</p><p>“A natureza não pode mais pagar o preço. Mas a questão não é só sobre missões.</p><p>Precisamos pensar em biodiversidades e em soluções onde forem necessárias – e</p><p>vamos fazer isso de maneira justa e bem-sucedida, porque não podemos deixar nin-</p><p>guém para trás. Vamos trabalhos juntos pela neutralidade, por um compromisso junto</p><p>e por ações juntas para reduzir as emissões até 2030. Isso nos coloca no caminho para</p><p>a emissão zero até 2050”, concluiu.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>O AQUECIMENTO GLOBAL E O ANO DE 2022</p><p>Quer acreditemos, ou não, o mundo ao que tudo indica caminha para um catástrofe</p><p>climática, usando as próprias palavras do SeC. Geral das Nações Unidas, o português</p><p>Antônio Guteres. O negacionismo frente ao aquecimento global, motivado principal-</p><p>mente por interesses econômicos, seguem travando a pauta ambiental.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>136 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Contudo, a ciência e os dados revelam a triste sina do planeta. Há, com enorme</p><p>margem de certeza, um acelerado processo de aquecimento global em curso, sendo o</p><p>ano de 2022 é um marco para essa drástica questão. Vejamos abaixo alguns elementos</p><p>que corroboram tal afirmativa:</p><p>Em março, ondas de calor atingiram tanto o ártico, no Polo Norte, quanto a Antárti-</p><p>ca, o chamado continente gelado, no Polo Sul. A estação Hopen, na Noruega, na região</p><p>ártica, chegou a marcar 30 graus acima do normal. Enquanto isso a estação Concordia,</p><p>base de pesquisa na Antartida chegou a registrar temperaturas de 11 graus negativos,</p><p>enquanto o normal para o mesmo perído é fazer 50 graus abaixo de zero.</p><p>IMPORTANTE!</p><p>Vale o adendo que em 6 de fevereiro de 2020, um termômetro na base antártica</p><p>argentina de Esperanza alcançou uma temperatura de 18,4 graus, a mais alta registrada</p><p>desde o início das medições em 1961, segundo o Serviço Metereológico da Argentina.</p><p>O recorde anterior no território continental havia sido registrado em 2015, com 17,5</p><p>graus. Três dias depois, o pesquisador brasileiro Carlos Schaefer informava à AFP que</p><p>um termômetro instalado na ilha Seymour tinha alcançado 20,75 graus, o que seria a</p><p>temperatura mais alta jamais registrada na Antártida. O degelo nas regiões polares,</p><p>uma realidade inequívoca só faz pior a questão do aquecimento global, visto que tal</p><p>fenômeno expõe o permafrost, ou seja, a camada de solo congelada, emitindo a libera-</p><p>ção de</p><p>CO2 e metano, aumentando assim as concentrações de gases de efeito estufa.</p><p>Seguindo (…)</p><p>Uma onda de calor inédita varreu a Europa nos últimos dias de Julho 2022. Tem-</p><p>peraturas recordes foram registradas em vários países, sendo que a fria e cinza Lon-</p><p>dres atingiu sua temperatura histórica recorde tendo registrado 40 graus a sombra. Na</p><p>França, desde 1935, não se registravam temperaturas tão altas. Interessante que pela</p><p>primeira vez na história uma onda de calor foi batizada; Zoe.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A 4a PESSOA CURADA DO VÍRUS DA AIDS NO MUNDO</p><p>Um homem de 66 anos, portador declarado do vírus HIV desde a década de 80 é ofi-</p><p>cialmente a 4a pessoa no Mundo a ser curada da AIDS em junho de 2022. Ele, ao tratar</p><p>um leucemia recebeu um transplante de medula na California.</p><p>Nunca pensei que viveria para ver o dia em que não tivesse mais HIV.”</p><p>Ele recebeu o transplante de medula óssea não para tratar o HIV, mas porque desen-</p><p>volveu leucemia aos 63 anos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>137 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A equipe médica responsável pelo seu tratamento decidiu que ele precisava do</p><p>transplante para substituir sua medula óssea doente por células normais. Por coinci-</p><p>dência, o doador era resistente ao HIV</p><p>Hoje, 38 milhões de pessoas no mundo vivem com HIV. Em 2021, fez 40 anos do</p><p>primeiro caso de Aids identificado no Mundo.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A VARÍOLA DOS MACACOS</p><p>Conceito.</p><p>A varíola dos macacos é uma moléstia transmitida pelo vírus monkeypox, que per-</p><p>tence ao gênero orthopoxvirus. É considerada uma zoonose viral (o vírus é transmitido</p><p>aos seres humanos a partir de animais) com sintomas muito semelhantes aos obser-</p><p>vados em pacientes com varíola, embora seja clinicamente menos grave. O período de</p><p>incubação da varíola dos macacos é geralmente de seis a 13 dias, mas pode variar de</p><p>cinco a 21 dias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).</p><p>O nome monkeypox se origina da descoberta inicial do vírus em macacos em um</p><p>laboratório dinamarquês em 1958. O primeiro caso humano foi identificado em uma</p><p>criança na República Democrática do Congo em 1970. Atualmente, segundo a OMS</p><p>esclareceu, a maioria dos animais suscetíveis a este tipo de varíola são roedores, como</p><p>ratos e cão-da-pradaria.</p><p>A transmissão ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas</p><p>respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. E, segundo o órgão de</p><p>saúde, a transmissão de humano para humano está ocorrendo entre pessoas com con-</p><p>tato físico próximo com casos sintomáticos.</p><p>O contato próximo com pessoas infectadas ou materiais contaminados deve ser evi-</p><p>tado. Luvas e outras roupas e equipamentos de proteção individual devem ser usados</p><p>ao cuidar dos doentes, seja em uma unidade de saúde ou em casa.</p><p>Vale lembrar que a doença não é transmitida pelo animal, apesar do nome. Se</p><p>chama assim por ter sido identificada em colônias de macacos na África, na década</p><p>de 1950. Sobre a varíola dos macacos em si, há casos, como temos visto, de pacientes</p><p>que chegam a óbito, mas se trata de uma doença relativamente leve, Os anso de expe-</p><p>riência com a Covid nos revelaram que a ciência ainda é o melhor caminho para que se</p><p>chegue a formas eficazes de combate à doenças. Posições politizadas e polarizadas</p><p>como impera hoje em redes sociais e também na impressa , ou até nosso convívios te,</p><p>apenas potencial para divisionismo.</p><p>A OMS descreve quadros diferentes de sintomas para casos suspeitos, prováveis e</p><p>confirmados. Passa a ser considerado um caso suspeito qualquer pessoa, de qualquer</p><p>idade, que apresente pústulas (bolhas) na pele de forma aguda e inexplicável e esteja</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>138 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>em um país onde a varíola dos macacos não é endêmica. Se este quadro for acompa-</p><p>nhado por dor de cabeça, início de febre acima de 38,5°C, linfonodos inchados, dores</p><p>musculares e no corpo, dor nas costas e fraqueza profunda, é necessário fazer exame</p><p>para confirmar ou descartar a doença.</p><p>Casos considerados “prováveis” incluem sintomas semelhantes aos dos casos sus-</p><p>peitos, como contato físico pele a pele ou com lesões na pele, contato sexual ou com</p><p>materiais contaminados 21 dias antes do início dos sintomas. Soma-se a isso, histórico</p><p>de viagens para um país endêmico ou ter tido contato próximo com possíveis infecta-</p><p>dos no mesmo período e/ou ter resultado positivo para um teste sorológico de orthopo-</p><p>xvirus na ausência de vacinação contra varíola ou outra exposição conhecida ao vírus.</p><p>Casos confirmados ocorrem quando há confirmação laboratorial para o vírus da</p><p>varíola dos macacos por meio do exame PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) em</p><p>tempo real e/ou sequenciamento.</p><p>O surto de varíola dos macacos, que já foi confirmado em 16 países e várias regi-</p><p>ões do mundo, ainda pode ser controlado. A OMS garantiu em 24 de maio que o risco</p><p>de transmissão é baixo. Contudo nos primeiros dias de Agosto de 2022 os números de</p><p>infectados no mundo atinge os 23 mil e no Brasil acima de 1.2 mil, porém com casos</p><p>de morte bastante raros.</p><p>A vacinação contra a varíola tradicional é eficaz também para a varíola dos maca-</p><p>cos, mas a OMS explicou que pessoas com 50 anos ou menos podem estar mais sus-</p><p>cetíveis já que as campanhas de vacinação contra a varíola foram interrompidas pelo</p><p>mundo quando a doença foi erradicada em 1980.</p><p>A agência trabalha na verificação dos estoques atuais de vacina da varíola para ver</p><p>se precisam ser atualizados.</p><p>A prevenção e o controle dependem da conscientização das comunidades e da edu-</p><p>cação dos profissionais de saúde para prevenir a infecção e interromper a transmissão.</p><p>5. A onu e os Gs</p><p>5.1. A onu</p><p>A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma instituição internacional formada por 192</p><p>Estados soberanos e fundada após a Segunda Guerra Mundial para manter a paz e a segu-</p><p>rança no mundo, fomentar relações amistosas entre as nações e promover progresso social,</p><p>melhores padrões de vida e direitos humanos. Os membros são unidos em torno da Carta das</p><p>Nações Unidas, um tratado internacional que enuncia os direitos e os deveres dos membros</p><p>da comunidade internacional.</p><p>O Atual Secretário Geral, em substituição a Ban Ki-moon, desde 2017, é António Guterres,</p><p>português com mandato de 5 anos e possibilidade de reeleição.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>139 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>As Nações Unidas são constituídas por cinco órgãos principais: a Assembleia-Geral, o Con-</p><p>selho de Segurança, o Conselho Económico e Social, o Tribunal Internacional de Justiça e o</p><p>Secretariado. Todos eles estão situados na sede da ONU, em Nova York, com exceção do Tri-</p><p>bunal, que fica em Haia, na Holanda.</p><p>Existem organismos especializados, com ligação à ONU, que trabalham em áreas tão diver-</p><p>sas como saúde, agricultura, aviação civil, meteorologia e trabalho. Esses organismos especia-</p><p>lizados, juntamente com as Nações Unidas e outros programas e fundos (tais como o UNICEF,</p><p>Fundo das Nações Unidas para a Infância), compõem o Sistema das Nações Unidas.</p><p>A ONU tem</p><p>como propósitos/funções principais:</p><p>• Manter a paz e a segurança internacionais;</p><p>• Desenvolver relações amistosas entre as nações;</p><p>• Realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de carácter</p><p>económico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos</p><p>e às liberdades fundamentais;</p><p>• Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a realização desses obje-</p><p>tivos comuns.</p><p>Atualmente a ONU é constituída por 192 Estados-Membros. Apenas os Estados podem ser</p><p>membros plenos e participar na Assembleia-Geral. Outros organismos intergovernamentais e</p><p>algumas entidades legalmente reconhecidas podem participar, como observadores, com direi-</p><p>to a intervir, mas sem direito a voto.</p><p>5.2. os Gs</p><p>Já os Gs são grupos de Estados que se reúnem para estreitar suas relações multilaterais,</p><p>abordando temas como políticas militares e estratégias econômicas, de acordo com o interes-</p><p>se e influência dos países participantes. Esses encontros costumam ser anuais e podem ou</p><p>não ter vínculo com a ONU (Organização das Nações Unidas). Além do G20, o mais conhecido</p><p>grupo, existem mais oito instâncias de países que se reúnem para debater temáticas de inte-</p><p>resse comum.</p><p>Vejamos os principais grupos e suas composições em 2019:</p><p>• G7</p><p>− Origem: 1976;</p><p>− União dos 7 países mais ricos do mundo mais representantes da União Europeia. Em</p><p>1997, com a entrada da Rússia no grupo, tornou-se G8. Em 2014, o país foi suspenso</p><p>por envolvimento nos conflitos da Criméia, fazendo com que o G8 voltasse a ser G7.</p><p>− Países:</p><p>◦ ÁSIA: JAPÃO;</p><p>◦ EUROPA: ALEMANHA, FRANÇA, ITÁLIA, REINO UNIDO;</p><p>◦ AMÉRICA: CANADÁ, ESTADOS UNIDOS.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>140 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• G20</p><p>− Origem: 1999;</p><p>− Fórum dos 19 países mais influentes economicamente do mundo, entre desenvol-</p><p>vidos e emergentes, mais a União Europeia – que é representada pelo Presidente</p><p>do Conselho Europeu e o Presidente da Comissão Europeia. Tem como objetivo a</p><p>coordenação de políticas econômicas entre os membros, promover a estabilidade</p><p>financeira e modernizar a estrutura financeira mundial;</p><p>− Países:</p><p>◦ ÁSIA: ARÁBIA SAUDITA, CHINA, COREIA DO SUL, ÍNDIA, INDONÉSIA, JAPÃO;</p><p>◦ ÁFRICA: ÁFRICA DO SUL;</p><p>◦ EUROPA: ALEMANHA, FRANÇA, ITÁLIA, REINO UNIDO, RÚSSIA, TURQUIA e UNIÃO</p><p>EUROPEIA;</p><p>◦ AMÉRICA: ARGENTINA, BRASIL, CANADÁ, ESTADOS UNIDOS, MÉXICO;</p><p>◦ OCEANIA: AUSTRÁLIA.</p><p>• G77</p><p>− Origem: 1964;</p><p>− Reunião dos representantes dos principais países emergentes no Hemisfério Sul na</p><p>ONU, com objetivo de promover o desenvolvimento e aumentar o poder de barganha</p><p>ao articular os interesses econômicos desses países dentro dos fóruns da ONU.</p><p>− Países:</p><p>◦ ÁSIA: AFEGANISTÃO, ARÁBIA SAUDITA, BANGLADESH, BAREIN, BRUNEI, CAMBO-</p><p>JA, CATAR, CHINA, CINGAPURA, EMIRADOS ÁRABES UNIDOS, FILIPINAS, IÊMEN,</p><p>ILHAS MARSHALL, ÍNDIA, INDONÉSIA, IRÃ, IRAQUE, JORDÂNIA, KUWAIT, LAOS,</p><p>LÍBANO, MALÁSIA, MALDIVAS, MIANMAR, MONGÓLIA, NEPAL, OMÃ, PAQUISTÃO,</p><p>SÍRIA, SRI LANKA, TADJIQUISTÃO, TAILÂNDIA, TIMOR-LESTE, TUNÍSIA, TURCOME-</p><p>NISTÃO, VIETNÃ;</p><p>◦ ÁFRICA: ÁFRICA DO SUL, ANGOLA, ARGÉLIA, BENIM, BOTSUANA, BURKINA FASO,</p><p>BURUNDI, BUTÃO, CABO VERDE, CAMARÕES, CHADE, COMORES, CONGO, COSTA</p><p>DO MARFIM, DJIBUTI, EGITO, ERITREIA, ETIÓPIA, GABÃO, GANA, GUINÉ, GUINÉ-</p><p>-BISSAU, GUINÉ-EQUATORIAL, ILHAS MAURÍCIO, LESOTO, LIBÉRIA, LÍBIA, MADA-</p><p>GASCAR, MALAUÍ, MALI, MARROCOS, MAURITÂNIA, MOÇAMBIQUE, NAMÍBIA,</p><p>NAURU, NÍGER, NIGÉRIA, QUÊNIA, REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA, REPÚBLICA</p><p>DEMOCRÁTICA DO CONGO, SEICHELES, SENEGAL, SERRA LEOA, SOMÁLIA, SUAZI-</p><p>LÂNDIA, SUDÃO, SUDÃO DO SUL, TANZÂNIA, TOGO, UGANDA, ZÂMBIA, ZIMBÁBUE;</p><p>◦ EUROPA: BÓSNIA-HERZEGOVINA;</p><p>◦ AMÉRICA: ANTÍGUA E BARBUDA, ARGENTINA, BAHAMAS, BARBADOS, BELIZE,</p><p>BOLÍVIA, BRASIL, CHILE, COLÔMBIA, COSTA RICA, CUBA, DOMINICA, EL SALVA-</p><p>DOR, EQUADOR, GRANADA, GUATEMALA, GUIANA, HAITI, HONDURAS, JAMAICA,</p><p>NICARÁGUA, PANAMÁ, PARAGUAI, PERU, REPÚBLICA DOMINICANA, SANTA LÚ-</p><p>CIA, SÃO CRISTÓVÃO E NÉVIS, SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, SÃO VICENTE E GRANADI-</p><p>NAS, SURINAME, TRINIDAD E TOBAGO, URUGUAI, VENEZUELA;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>141 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>◦ OCEANIA: FIJI, ILHAS SALOMÃO, KIRIBATI, MICRONÉSIA, PAPUA NOVA GUINÉ, SA-</p><p>MOA, TONGA, VANUATU.</p><p>Dentre esses grupos temos também os BRICS: a coordenação entre Brasil, Rússia, Índia e</p><p>China (BRIC) iniciou-se de maneira informal em 2006, com reunião de trabalho entre os chan-</p><p>celeres dos quatro países à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. Desde então,</p><p>o acrônimo, criado alguns anos antes pelo mercado financeiro, não mais se limitou a identifi-</p><p>car quatro economias emergentes. O BRIC passou a constituir mecanismo de cooperação em</p><p>áreas que tenham o potencial de gerar resultados concretos aos brasileiros e aos povos dos</p><p>demais membros.</p><p>Desde 2009, os Chefes de Estado e de governo do agrupamento se encontram anualmente. Em</p><p>2011, na Cúpula de Sanya, a África do Sul passou a fazer parte do agrupamento, acrescentando</p><p>o “S” ao acrônimo, agora BRICS.</p><p>Nos últimos dez anos, ocorreram dez reuniões de cúpula, com a presença de todos os líde-</p><p>res do mecanismo:</p><p>• I – Cúpula: Ecaterimburgo, Rússia, junho de 2009;</p><p>• II – Cúpula: Brasília, Brasil, abril de 2010;</p><p>• III – Cúpula: Sanya, China, abril de 2011;</p><p>• IV – Cúpula: Nova Délhi, Índia, março de 2012;</p><p>• V – Cúpula: Durban, África do Sul, março de 2013;</p><p>• VI – Cúpula: Fortaleza, Brasil, julho de 2014;</p><p>• VII – Cúpula: Ufá, Rússia, julho de 2015;</p><p>• VIII – Cúpula: Benaulim (Goa), Índia, outubro de 2016;</p><p>• IX – Cúpula: Xiamen, China, setembro de 2017;</p><p>• X – Cúpula: Joanesburgo, África do Sul, julho de 2018; e</p><p>• XI – Cúpula: Brasília, Brasil, novembro de 2019.</p><p>Desde a primeira cúpula, em 2009, os BRICS têm expandido significativamente suas ati-</p><p>vidades em diversos campos, mas foi o campo financeiro que garantiu, desde o início, maior</p><p>visibilidade ao agrupamento. Os então quatro países-membros passaram a atuar de forma</p><p>concertada, a partir da crise de 2008, no âmbito do G20, FMI e Banco Mundial, com propostas</p><p>concretas de reforma das estruturas de governança financeira global, em linha com o aumento</p><p>do peso relativo dos países emergentes na economia mundial. O papel desempenhado pelo</p><p>BRICS foi fundamental para a reforma das quotas do FMI, aprovada em Seul, em 2010.</p><p>No mesmo campo, a cooperação BRICS levou ao lançamento das duas primeiras insti-</p><p>tuições do mecanismo: o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e o Arranjo Contingente de</p><p>Reservas (ACR). A criação do banco visou a responder ao problema global da escassez de</p><p>recursos para o financiamento de projetos de infraestrutura.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>142 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A partir de 2015, o BRICS passou a buscar novas áreas de cooperação, sempre tendo pre-</p><p>sente a necessidade de obter benefícios palpáveis para os cinco países. Para o Brasil, as áreas</p><p>de saúde, ciência, tecnologia e inovação, economia digital e cooperação no combate ao crime</p><p>transnacional são prioritárias nesse esforço de avançar novas áreas de atuação.</p><p>A XI Cúpula foi realizada em Brasília, em 13 e 14 de novembro de 2019, no Palácio Ita-</p><p>maraty, sob o lema “BRICS: crescimento econômico para um futuro inovador”. Antecedendo</p><p>o encontro de líderes, a Presidência brasileira organizou dezenas de encontros que tiveram</p><p>como prioridades (i) o fortalecimento da cooperação em ciência, tecnologia e inovação; (ii) o</p><p>reforço da cooperação em economia digital; (iii) o adensamento da cooperação no combate</p><p>aos ilícitos transnacionais, em especial ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e ao tráfico</p><p>de entorpecentes; e (iv) o incentivo à aproximação entre o Novo Banco de Desenvolvimento e</p><p>o Conselho Empresarial.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>DIREITOS HUMANOS E ATUALIDADES</p><p>O conceito de direitos humanos reconhece que cada ser humano pode desfrutar</p><p>de seus direitos sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de</p><p>outro tipo, origem social ou nacional ou condição de nascimento ou riqueza.</p><p>Superado o nazismo e o fascismo pela força de uma ampla aliança, indo dos capita-</p><p>listas dos Estados Unidos aos socialistas soviéticos, as nações sentaram-se para definir</p><p>regras mínimas de convívio que evitassem novos conflitos bárbaros e editaram a Decla-</p><p>ração dos Direitos Humanos, em 1948. Este documento se utiliza da expressão “direitos</p><p>essenciais do homem” como sinônimo de direitos humanos e lista os seguintes direitos do</p><p>homem: o direito à vida, à liberdade e à segurança (artigo 3º), ao reconhecimento como</p><p>pessoa (artigo 6º), à igualdade (artigo 7º), à nacionalidade (artigo 15), entre outros. A</p><p>Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), de</p><p>1969, também utiliza a expressão “direitos essenciais da pessoa humana” para se refe-</p><p>rir aos direitos humanos e, entre esses, lista o direito à vida (artigo 4º), à integridade</p><p>pessoal (artigo 5º), à liberdade pessoal (artigo 7º) e o direito de reunião (artigo 15), por</p><p>exemplo. Em suma, é bastante passível de inclusão na agenda dos direitos humanos</p><p>vários tópicos. Contudo, com sua vagueza e generalidade, é importante e saudável,</p><p>inclusive, reconhecermos – embora, em princípio, vise a fortalecer e disseminar a pro-</p><p>teção dos direitos humanos, colocando-os à disposição de todos –, suscita um grande</p><p>desafio: a determinação do alcance desses direitos.</p><p>A declaração reúne as chamadas três dimensões dos direitos. A primeira contempla</p><p>as liberdades de escolha, de voz e de voto, que tanto marcaram a luta contra as monar-</p><p>quias e, mais recentemente, contra as ditaduras militares.</p><p>Na segunda dimensão, estão os direitos que dependem de uma ação do Estado</p><p>para garantir o bem-estar do indivíduo, como saúde e educação.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>143 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Já na terceira dimensão estão os direitos difusos, a que toda a sociedade tem direi-</p><p>to de usufruto, e não só cada indivíduo. É o caso do direito à comunicação ampla e</p><p>plural, ao meio ambiente e à preservação do patrimônio cultural.</p><p>Os direitos humanos consistem no direito que todo homem deve ter em todos os</p><p>lugares e todos tempos. É basicamente, também, ilustrador do “direito a ter direito”, ou</p><p>seja, os processos e dinâmicas para se obter direitos. Padecem, contudo, de circuns-</p><p>tâncias, o que faz deles vagos e genéricos, ao serem carregados de idealismo. Falar em</p><p>generalidade acerca dos direitos humanos ocorre também à medida que não é um sis-</p><p>tema estanque e que, portanto, se desenvolveu com base em um arcabouço de normas</p><p>e mecanismos cada vez mais abrangentes e complexos.</p><p>Outra questão atualmente enfrentada acerca dos direitos humanos tem a ver com</p><p>a globalização tal qual conhecemos (e atualidades) e diz respeito ao fato de que os</p><p>Estados têm perdido o controle sobre os fluxos de capital e bens e se tornado incapa-</p><p>zes de proteger os membros mais débeis ou vulneráveis da sociedade, a exemplo dos</p><p>trabalhadores migrantes, dos refugiados e dos deslocados, entre outros. Importa-nos</p><p>saber como o discurso dos direitos humanos tem enfrentado essas questões? O que</p><p>os que carregam a bandeira de defesa da prevalência dos direitos humanos fazem para</p><p>minimizar ou solucionar problemas como o desenvolvimento, a redução da pobreza e</p><p>a proteção dos migrantes? O problema aqui vai além do reducionismo ou da insuficiên-</p><p>cia; trata-se, portanto, da seletividade e da rejeição dos deveres positivos dos Estados.</p><p>Tudo isso faz parte dos chamados “direitos humanos sociais e econômicos”, cuja</p><p>existência, apesar de essencial, ainda é possível de controvérsia. O problema aqui vai</p><p>além do reducionismo ou da insuficiência; trata-se da seletividade e da rejeição dos</p><p>deveres positivos dos Estados.</p><p>Há também uma seletividade muito bem marcada, à medida que seis dos dezoito</p><p>governos mais repressivos – quais sejam China, Cuba, Eritreia, Arábia Saudita, Sudão</p><p>e Zimbábue – já foram membros de algum tipo de Comissão de Direitos Humanos da</p><p>ONU. Ao saírem (os direitos do homem) do âmbito de direitos fundamentais e se tor-</p><p>narem direitos que possuem relação a interesses políticos, econômicos ou de seguran-</p><p>ça dos Estados, ou seja, usados como moeda de troca, acabam perdendo sua função</p><p>precípua ao desampararem as pessoas do mundo que vivem sob regimes repressivos.</p><p>Em contraposição a esse cenário, é fato que vivemos, contudo, além da prolifera-</p><p>ção das normas, tanto no Direito Internacional dos Direitos Humanos quanto no Direito</p><p>Internacional Geral, concomitantemente uma proliferação de organismos protetivos. É</p><p>muito importante que se destaque que os Estados já não são os únicos componentes</p><p>do novo espaço internacional dos direitos humanos. Organizações Não Governamen-</p><p>tais (ONGs) se formam em nível transnacional, travando com os Estados relações de</p><p>conflito e cooperação. O que se constata é haver a disseminação não apenas de Cortes,</p><p>mas de ONGs que se intitulam defensoras dos direitos humanos, sendo a pressão por</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>144 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>elas exercida um instrumento decisivo para mover governos a adotarem políticas de</p><p>defesa dos direitos humanos, resultando crescer ainda mais a consciência de que tais</p><p>direitos envolvem responsabilidades compartilhadas entre instituições públicas e priva-</p><p>das. Por outro lado, não há como negar que o crescimento desordenado dessas orga-</p><p>nizações revela uma banalização do discurso. Sob o argumento da proteção de direitos</p><p>fundamentais, as ONGs, muitas vezes, se utilizam de uma retórica vazia para fazer valer</p><p>interesses que chegam a ser contrapostos aos ideais do discurso dos direitos huma-</p><p>nos.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>2 ANOS DE COVID-19:</p><p>OMS, SEGUNDA, TERCEIRA CEPA E QUARTA CEPA, VACINAS + DESAFIOS E CON-</p><p>TEXTOS.</p><p>Por: Professor Luis Felipe - 01/01/2022</p><p>O coronavírus, ou COVID-19, é uma infecção respiratória. Síndrome viral, transmitida</p><p>por gotículas principalmente, pela tosse ou contato, foi oficialmente batizada como Sar-</p><p>s-Cov-2. A COVID-19, é interessante destacar, não é a primeira pandemia deste século</p><p>tendo em vista que entre 2009-2010, houve a desagradável presença entre nós da H1N1,</p><p>popularmente conhecida como gripe suína, a qual ceifou algo em torno de 200.000</p><p>vidas em mais de 100 países ao redor do globo. Contudo, o que se percebe é que esta</p><p>primeira moléstia foi muito menos agressiva se compararmos à atual pandemia de</p><p>COVID-19. Em termos numéricos,</p><p>tal qual vimos acima, no máximo 200.000 mortes (em</p><p>pouco mais de 14 meses de pandemia de H1N1) foram atribuídas a este primeiro vírus.</p><p>Todavia, na entrada de junho de 2021, com 1 ano e seis meses, praticamente, de ação</p><p>da COVID-19, morreram em torno de 3,3 milhões pessoas, com mais de 160 milhões de</p><p>registros de pessoas infectadas oficialmente em todo o Planeta (o que equivale a algo</p><p>em torno de 2% da população global), segundo dados da OMS.</p><p>A COVID-19 é uma doença causada por um vírus originário da China que, até onde</p><p>a ciência já prospectou, teve sua origem a partir do mercado de peixes de Wuhan, uma</p><p>cidade-polo tecnológico e de atividades industriais com mais 12 milhões de habitantes.</p><p>Embora circulem fake news dizendo ter sido este um vírus elaborado propositalmente</p><p>em laboratórios na China, afirmo aqui não haver absolutamente comprovação acerca</p><p>de qualquer ocorrência de intencionalidade dirigida até a presente data (01/06/2021)</p><p>que confirme tal proposição. E, por favor, NÃO CAIA EM QUESTÕES DE PROVAS DE</p><p>ATUALIDADES (e este tema deve ser cobrado) QUE AFIRMEM O CONTRÁRIO! O atual</p><p>coronavírus possui origem em morcegos selvagens, bichos estes que, ao contrário</p><p>também de mais algumas infundadas fake news, NÃO COMPÕEM QUALQUER NÍVEL</p><p>DA CADEIA ALIMENTAR DA POPULAÇÃO HUMANA, NEM CHINESA, NEM DE NENHUM</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>145 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>OUTRO LUGAR DO GLOBO. Retomando, então: até onde fora constatado com base nas</p><p>mais importantes e renomadas instituições de pesquisa que se debruçam em torno</p><p>deste e de outros tipos de assuntos científicos/sanitários, foram morcegos que pica-</p><p>ram um animal hospedeiro, provavelmente o pangolim, considerado este o animal mais</p><p>traficado no mundo – um bicho tipo “pet”, ou seja, domesticado e que bomba na China</p><p>e em outros países da Ásia, para, aí sim, via o contato deste tipo de animal (doméstico</p><p>e não comestível) ter-se realizado a contaminação para humanos. A ciência já sabe,</p><p>por exemplo, que o genoma dos coronavírus tem cerca de 30 mil bases em tamanho.</p><p>É como um texto com 30 mil palavras, que devem ser escritas em mesma sequência,</p><p>sendo praticamente impossível fabricá-lo, por assim dizer. Fato é: a enorme capacidade</p><p>de adaptação do novo coronavírus ao corpo humano se uniu à força econômica estron-</p><p>dosa da China e ao padrão atávico que envolve as múltiplas esferas que a globalização,</p><p>tal qual como conhecemos, estampou. Se no ano 2000 a China representava apenas</p><p>3% do PIB global, em 2019 o gigante oriental possuiu uma fatia de absurdos de 16%</p><p>da produção econômica total, atrás apenas dos EUA. Há pelo menos 6 anos o país é</p><p>líder inconteste na produção industrial global e também no total de exportações. Isso</p><p>tudo, em umbilical associação, não devemos esquecer, a um padrão de capilaridade</p><p>de chineses pelo globo (sendo a China a maior potência demográfica do mundo) onde,</p><p>por exemplo, estima-se ter havido, somente no ano de 2019, um contingente superior a</p><p>160 milhões de chineses circulando como turistas. Espero ter deixado claro que, além</p><p>do componente natural e genético do vírus, fatores econômicos e demográficos são</p><p>aspectos fundamentais para que a COVID-19 conseguisse se espalhar por todos os</p><p>continentes habitados do planeta (e aí exclui-se apenas a Antártida) com tamanha rapi-</p><p>dez.</p><p>A nova epidemia, poucos dias após ser conhecida, fora classificada pela OMS (veja</p><p>abaixo sobre o funcionamento e características da agência) como sendo de “emergên-</p><p>cia global”. E a agência da ONU para a saúde até tentou (ao menos no início) não pro-</p><p>mover nível de alarde extremado, com vistas, ao que tudo indicava, não ver prejudicadas</p><p>as escalas de comércio global. Porém, devido à dimensão da capacidade de expansão</p><p>do vírus, não teve jeito. Logo a ONU sucumbe à gravidade de uma epidemia, que virou,</p><p>em poucas semanas, uma pandemia. Na entrada de março de 2020, a OMS declarava</p><p>ser fundamental a realização, entre outras medidas, de um pacto coletivo global com</p><p>vistas ao isolamento social – ou seja, o distanciamento entre pessoas com medidas</p><p>radicais como fechamento de comércios, escritórios e áreas públicas, possuindo, em</p><p>fins do mesmo mês, a adesão de mais de 1/3 da população global. Esse é o embrião do</p><p>chamado “lockdown”, uma medida controversa compreendida dentro do ambiente de</p><p>isolamento horizontal; bem mais radical que o isolamento vertical.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>146 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Isolamento Vertical e Horizontal</p><p>Isolamento vertical: é aquele no qual somente a parcela da população com maior</p><p>risco de desenvolver a doença ou complicações é isolada. Isso significaria isolar somen-</p><p>te as pessoas que pertencem aos grupos de risco para a COVID-19, como os idosos,</p><p>os imunocomprometidos, os obesos, os diabéticos e os portadores de doenças pul-</p><p>monares (como a asma), cardiovasculares, hepáticas ou aqueles com doenças renais</p><p>crônicas. Assim, durante o isolamento vertical, pessoas que não pertencem ao grupo</p><p>de risco continuam exercendo suas atividades de vida normalmente. Esse modelo é</p><p>menos eficiente do que o isolamento horizontal, segundo a OMS, quanto à capacida-</p><p>de de conter a velocidade de transmissão doença. Além disso, vale ressaltar que a</p><p>identificação dos grupos de risco é um desafio bastante complexo no cumprimento</p><p>desta forma de isolamento. O Isolamento vertical foi defendido por Donald Trump e Jair</p><p>Bolsonaro, entre outros mandatários globais, mas, no caso brasileiro e norte-america-</p><p>no, uma série de medidas de cunho local emanadas por prefeitos e governadores, em</p><p>ambos os países, não perseguiram a cartilha emanada pelos Presidentes, havendo, em</p><p>várias cidades, fechamentos de comércio e proibições à circulação de pessoas.</p><p>Isolamento Horizontal: É aquele no qual o maior número possível de pessoas deve</p><p>permanecer dentro de casa, independentemente de apresentarem fatores de risco ou</p><p>não para a doença. O distanciamento horizontal pode ser feito em diferentes níveis de</p><p>rigidez. O mais rígido é chamado de lockdown, em que somente as atividades conside-</p><p>radas essenciais (como farmácias e supermercados) são mantidas em funcionamento</p><p>normal. Pode, inclusive, haver um monitoramento das ruas pela polícia. Ao longo dos</p><p>meses de junho e julho de 2020, contudo, vários países distenderam suas medidas de</p><p>isolamento horizontal, estando incluído nessa leva o Brasil.</p><p>Controle severo tal qual descrito acima (isolamento horizontal) aconteceu na Ocea-</p><p>nia, onde Austrália e Nova Zelândia se confinaram cedo e estão entre os países capazes</p><p>de sossegar o vírus de forma mais eficaz; o primeiro tem menos de 1.000 mortos, e o</p><p>segundo, menos de 50.</p><p>E se, para alguns, os esforços empreendidos pela China, país epicentro desta atual</p><p>pandemia, ante a contenção da expansão do vírus são vistos como consideráveis (ao</p><p>terem tomado medidas sanitárias e de isolamento contundentes e, assim, reduzido de</p><p>forma drástica a ação do vírus em seu território, ao menos ao que parece), critica-se</p><p>enormemente na outra ponta e, dentre vários pontos, a forma como o regime comunista</p><p>impediu a entrada de agências internacionais e também a prospecção de dados sobre</p><p>o vírus por parte da comunidade científica internacional.</p><p>Já dentro do âmbito das chamadas “teorias da conspiração”, o governo norte-ameri-</p><p>cano (sob os auspícios do ex-presidente Donald</p><p>Trump), mesmo sem evidências claras,</p><p>declarou em meados de 2020 acreditar piamente que a China havia criado o vírus em</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>147 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>laboratório – e, pior, de forma maquiavélica haveria espalhado tal moléstia</p><p>globalmente. Tudo dentro de um plano bem ajambrado pelo poderoso Partido Comu-</p><p>nista. Tal tese, propalada aos quatro ventos por Donald Trump, vem sendo, contudo,</p><p>cada dia mais desacreditada, residindo, portanto, no âmbito das chamadas fake news</p><p>tal qual já falamos acima.</p><p>Os números globais e drásticos: até 1º de janeiro de 2022, quando se completam</p><p>mais de 24 meses, ou 2 anos de epidemia desde o primeiro caso oficialmente divulga-</p><p>do pela China, e estes dados ainda aumentarão bastante – há mais de 180 países com</p><p>casos de COVID-19 já confirmados em todos os continentes habitados. São em torno</p><p>de 305 milhões de pessoas que já se infectaram desde janeiro de 2020, ou se encon-</p><p>tram infectadas ao redor do Planeta, levando-se em conta apenas os casos realmente</p><p>identificados (devendo ser muito maior este número, à medida que há, logicamente,</p><p>um número bem maior de pessoas que se encontra, ou se encontrou, infectada e não</p><p>sabe ou não soube), com mais de 5.500.000 mortes segundo a OMS até 1º de janeiro</p><p>de 2022. Os EUA dispararam à frente em números totais de infectados desde feverei-</p><p>ro de 2020, com mais de 60 milhões de casos registrados (ou quase 15% da popula-</p><p>ção local) e também de mortes (mais de 830.000). No caso do gigante da América do</p><p>Norte, é evidente ter havido por parte de Donald Trump um absoluto erro estratégico em</p><p>torno de suas políticas sanitaristas, com subestimação (e negação, de forma radical)</p><p>acerca da força do vírus, fazendo assim com que o mandatário não tenha promovido</p><p>as medidas necessárias (e em contraposição ao que fora recomendado pela OMS) com</p><p>vistas a resguardar o seu povo. Tal virada de costas por parte de Donald Trump frente</p><p>à gravidade da COVID-19 foi, sem sombra de dúvidas, elemento determinante para sua</p><p>derrota na eleição presidencial para o senador democrata Joe Biden nas eleições de</p><p>novembro de 2020. Em segundo lugar em número total de casos de COVID vem a Índia.</p><p>Por lá, a miséria e as péssimas condições sanitárias são aliadas fortes na expansão do</p><p>vírus. A Índia, diga-se de passagem, com 23 milhões de infectados, vem sendo “acusa-</p><p>da” de ser o berço de uma terceira cepa de COVID, esta ainda mais agressiva. O Brasil</p><p>vem em terceiro lugar em números globais de pessoas que estão ou foram infectadas,</p><p>com mais de 22 milhões de infectados desde o início da epidemia e mais de 620.000</p><p>mortes (neste quesito estamos em segundo lugar em termos globais). A Índia, apesar</p><p>de informar 32 milhões de infectados até aqui, declara haver 480.000 mortos – ou seja,</p><p>bem menos que o Brasil.</p><p>Na Europa, também devastada pela pandemia, França, Rússia, Reino Unido (primei-</p><p>ro país a vacinar no mundo) e Itália lideram os casos. Na Itália, o Papa Francisco esteve</p><p>com suspeita (não confirmada) de ter contraído o vírus e reza as missas no Vaticano</p><p>sem a presença de fiéis, tendo sido a Páscoa de 2021 a segunda sem fiéis na mais</p><p>tradicional missa do Vaticano, juntamente à do Natal, ao respeitarem as medidas de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>148 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>isolamento social. No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson, um refratário em</p><p>primeira fase à promoção de medidas de isolamento social (num processo de evidente</p><p>negacionismo, tal qual promovido pelo Presidente Jair Bolsonaro e também por Donald</p><p>Trump), ironicamente se infectou, perecendo, inclusive, em um quarto de UTI por uma</p><p>semana na entrada do mês de abril de 2020.</p><p>Destaca-se, contudo, que principalmente nos países europeus citados acima, com</p><p>exceção da Rússia, vinha ocorrendo um real estancamento no número de mortes e</p><p>também de novos casos de COVID-19 – uma ótima notícia, sem dúvidas. Contudo,</p><p>desde outubro de 2020, o cenário mudou. Havia, no fim de ano de 2020 e se esten-</p><p>dendo ao longo dos primeiros meses de 2021, uma segunda onda de COVID em curso</p><p>a assolar as nações. Após esta segunda, onda veio também uma terceira onda entre</p><p>Ago e Out 2021, sendo que uma quarta onda chegou ao velho continente e já assola o</p><p>planeta em dezembro de 2021 com a variante Omicron. Nesta entrada de 2022, vários</p><p>países da Europa enfrentam um surto inédito de novos casos. Única notícia boa nesse</p><p>cenário é que em vários destes países ocorreu uma vacinação que atingiu mais de 70</p><p>por cento da população, fazendo assim, contudo, que ocorram muitos casos, porém</p><p>menos mortes.</p><p>Além do dramático cenário relativo à saúde e às perdas humanas que avassalam</p><p>o globo desde os primeiros dias do ano de 2020 e que se segui nestes meses iniciais</p><p>de 2021, outra catarse devasta o Planeta: as perdas no campo econômico. Instala-se,</p><p>exclusivamente em função desta pandemia, uma crise global em nível apenas compa-</p><p>rado ao que fora percebido na Crise de 1929. As escalas, aliás, são piores hoje em dia</p><p>que há 90 anos atrás, visto o peso demográfico atual. Há uma população no globo 4</p><p>vezes maior e uma complexa e imbricada rede de relações multidimensionais, que a</p><p>globalização promoveu e de cujo dimensionamento a Crise de 1929 não passou nem</p><p>perto. Prejudica, portanto, todas as economias... sem exceção.</p><p>Estimava-se uma queda no PIB global de no mínimo 5% (acabou sendo de 4,1%) e</p><p>recessão econômica em TODAS AS GRANDES ECONOMIAS GLOBAIS, com exceção</p><p>da China (que cresceu 2% a.a.), com recuperação do cenário econômico pré-COVID, na</p><p>melhor das hipóteses, segundo o Banco Mundial (e em uníssono a previsões de outras</p><p>grandes e respeitáveis instituições), somente por volta de 2026. Como resultado real,</p><p>vemos, além das perdas nos PIBs em 2020 divulgados entre fevereiro e março pelos</p><p>respectivos bancos centrais dos países, também um endividamento imenso dos países.</p><p>Em matéria abaixo, retirada do site da CNN Brasil, de 24/11/2021, vê-se ilustrada a</p><p>real dimensão do endividamento dos países por causa da pandemia:</p><p>Pandemia irá deixar outra herança ruim: o alto nível de endividamento dos países</p><p>A dívida global aumentou em US$ 20 trilhões desde o terceiro trimestre de 2019,</p><p>estima o Fórum Econômico Mundial</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>149 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A vacina contra a COVID-19 deve ajudar os países a superarem, pouco a pouco, a</p><p>crise sanitária. Por outro lado, há uma herança da pandemia que deve continuar assom-</p><p>brando os países pelos próximos anos. O endividamento global ganhou uma nova pro-</p><p>porção por causa da pandemia. A dívida dos países cresceu de maneira acelerada como</p><p>em poucos momentos na história.</p><p>Entre os motivos, por um lado, receitas menores: muitos países, por exemplo, tive-</p><p>ram que abrir mão de impostos, além do recuo natural da arrecadação causado pelos</p><p>lockdowns. Somou-se a isso, por outro lado, a implantação de medidas de alto custo</p><p>para tentar aliviar os danos da pandemia, com a criação de benefícios como o auxílio</p><p>que pareça. Ocorre</p><p>nestes países mais pobres da América Central a eclosão de gangues urbanas e de milícias</p><p>rurais internas formadas desde a década de 1990, a qual posicionou os países da América</p><p>Central, entre outros aspectos, no topo do ranking global de violência: El Salvador e Honduras</p><p>se revezam na liderança desta carnificina em 2020, com média de número de homicídios por</p><p>grupo de 100.000 habitante sem aproximadamente 3 vezes acima da média do Brasil.</p><p>Por fim, vale destacar que a severidade adquirida ao longo dos últimos anos por parte das</p><p>políticas antimigratórias dos Estados Unidos, estas declaradamente refratárias à entrada de</p><p>população oriunda em especial de países latino-americanos, chegou a encrudescer a ponto de</p><p>haver sido permitido (isso por um período superior a um ano), no governo de Donald Trump,</p><p>que houvesse a separação de pais e filhos que estivessem a ingressar ilegalmente no país ou</p><p>fossem pegos vivendo em situação análoga à de imigrantes ilegais no país. Para os pais, vigo-</p><p>rava, portanto, um tipo de prisão. Já para as crianças, outro tipo de albergue separado. Após</p><p>muitos protestos por parte dos grupos pró-direitos humanos, Trump revogou o ato. Contudo,</p><p>consequências drásticas ocorreram, à medida que dezenas de crianças simplesmente não</p><p>conseguiram reaver seus pais após o fim dessa separação forçada, seja porque vários desses</p><p>pais chegaram a se matar ou fugiram das prisões e também porque os cadastros, em erro cras-</p><p>so por parte do governo norte-americano, não conseguiram localizar os parentes das crianças.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>17 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2.4. unAsul X prosul</p><p>A UNASUL é a União das Nações Sul-Americanas (composta por 12 países, originalmente).</p><p>Embora não seja um bloco econômico, a UNASUL origina-se basicamente da fusão dos países</p><p>do MERCOSUL + CAN (Comunidade Andina das Nações), este último um bloco econômico</p><p>criado em 1969 pelo Protocolo de Cartagena.</p><p>A UNASUL foi criada em 2008, em Brasília. Formou-se através da intenção de se constituir</p><p>uma mútua cooperação entre os países do subcontinente sul-americano com vistas a coope-</p><p>rações em setores como infraestrutura, energia, educação, transportes entre outros. Obteve</p><p>êxito inicial por ser realidade um alinhamento entre quase todos os países sul-americanos em</p><p>torno de governos de esquerda, que, tal qual já vimos em nossa aula, em fins da década de</p><p>2000-2010 e na entrada da década de 2010-2020, estiveram evidenciados como nunca antes</p><p>na região.</p><p>Com o passar dos anos, contudo, uma série de países que possuíam governos de esquer-</p><p>da mudaram os seus rumos político-ideológicos, migrando para a direita, tal qual o Brasil, a</p><p>Argentina e o Chile. Sendo assim, a UNASUL se enfraquece, pois o seu propósito originário</p><p>residia em torno de um alinhamento com base entre nações ideologicamente governadas</p><p>pela esquerda. Nesse período (basicamente a partir da segunda metade da década de 2010),</p><p>ocorre também o ocaso absoluto daquele que é considerado o país-bastião das esquerdas na</p><p>América do Sul: a Venezuela.</p><p>Por fim, para se discutir, ao menos em tese por parte da nova direita sul-americana, acerca</p><p>da crítica situação venezuelana, formou-se um fórum por parte de países de direita do conti-</p><p>nente – tais quais Brasil, Argentina, Colômbia (e até o Canadá se incluiu, em um total de 14</p><p>participantes), denominado como o Grupo de Lima: associação de países que vem à luz no</p><p>âmbito das relações internacionais regionais exatamente com vistas a tentar estruturar uma</p><p>agenda de reuniões e debates em que possam ganhar envergadura mecanismos que consi-</p><p>gam dar solução ao drástico cenário de crise institucional e econômica que se arrasta há anos</p><p>na Venezuela. Visto isto, o Grupo de Lima origina também o embrião para a formação de um</p><p>nova mútua dos países sul-americanos, o PROSUL, englobando nesta mútua apenas países</p><p>com direcionamentos políticos de direita.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>18 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Em fevereiro de 2019, um acordo é formalizado no Chile com a presença do Presidente</p><p>Jair Bolsonaro, resultando na formação do PROSUL, ou PRONASUL. Consolida-se, por este,</p><p>a divisão entre a UNASUL e o PROSUL, sendo a primeira uma sociedade mútua mais antiga</p><p>e agora esvaziada, a qual envolve os países ideologicamente à esquerda da América do Sul</p><p>(atualmente apenas o Uruguai, a Bolívia e a Venezuela). Já a nova mútua, chamada PROSUL</p><p>(ou PRONASUL), integra os países da direita, liderados pelo Brasil, Chile, Argentina e Colômbia.</p><p>Em suma:</p><p>UNASUL (União de Nações Sul-Americanas): iniciado em 2008, reúne, além dos países do</p><p>MERCOSUL, Guiana e Suriname. Bolívia e Venezuela também são membros.</p><p>PRONASUL (Foro para o Progresso da América do Sul): reúne em primeira fase Argentina, Bra-</p><p>sil, Chile, Paraguai, Peru, Colômbia, Equador e Guiana. Exclui Bolívia e Venezuela, governados</p><p>por Presidentes de esquerda. Bem verdade, diga-se, que o bloco ainda não mostrou ao que veio</p><p>e depende de um forte alinhamento de países cm presidentes à direita na América do Sul, o que</p><p>vem mudando em tempos recentes (2020-2021-2022). Vejam, por exemplo, o que aconteceu</p><p>exatamente nas vitórias de Presidentes de esquerda em países como Argentina e Chile.</p><p>2.5. o Mercosul</p><p>Formalizado pelo Tratado de Assunção de 1991, o MERCOSUL tem seu início conceitual</p><p>um pouco antes disto, exatamente quando, em meados da década de 1980, Brasil e Argentina</p><p>iniciam tratativas bilaterais frente à promoção de escalas mais liberalizadas de comércio entre</p><p>ambos. Ou seja, a origem do MERCOSUL se deve à formação de uma Zona de Livre Comércio</p><p>(ZLC) com base nos interesses bilaterais do Brasil e da Argentina.</p><p>Outro embrião importante do MERCOSUL se encontra na ALADI (Associação Latino-Ameri-</p><p>cana de Integração), um organismo intergovernamental criado em 1980, que deu continuidade</p><p>ao que buscara pela Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), esta de 1960</p><p>– ou seja, promover a expansão da integração da região com vistas a garantir seu desenvolvi-</p><p>mento econômico e social, tendo como ambiciosa meta finalística promover a criação de um</p><p>mercado comum latino-americano.</p><p>2.5.1. Membros do MERCOSUL</p><p>Atualmente, o MERCOSUL possui 5 membros efetivos: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai</p><p>e Venezuela.</p><p>Os 4 primeiros citados acima são os membros originais do bloco – que desde o Trata-</p><p>do de 1991 fazem parte efetivamente. Já a Venezuela, entrou no bloco em definitivo somen-</p><p>te em 2012.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>19 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Há também os chamados “membros associados” – no caso, Bolívia (desde 1996), Chile</p><p>(1996), Peru (2003), Colômbia (2004), Equador (2004), Guiana (2013) e Suriname (2013).</p><p>Em dezembro de 2016, por infringir em torno de 75% dos tratados e 20% das normas de livre</p><p>comércio, a VENEZUELA foi suspensa do bloco. Meses depois, em agosto de 2017, o país so-</p><p>fre nova medida SUSPENSIVA, dessa vez de cunho político, em função de se retalhar a forma</p><p>como o governo local e as forças</p><p>emergencial. Resultado: a dívida global aumentou em US$ 20 trilhões desde o terceiro</p><p>trimestre de 2019, estima o Fórum Econômico Mundial.</p><p>Especialistas costumam usar a métrica dívida em relação ao PIB, que compara a</p><p>dívida de um país com sua produção econômica.</p><p>País Dívida/ PIB (%)</p><p>Japão 263,97</p><p>Grécia 200,53</p><p>Itália 158,31</p><p>EUA 133,64</p><p>Espanha 121,31</p><p>França 118,57</p><p>Canadá 114,97</p><p>Reino Unido 111,52</p><p>Brasil 102,76</p><p>Índia 89,86</p><p>África do Sul 82,76</p><p>China 66,53</p><p>México 65,6</p><p>Chile 37,51</p><p>Fonte: Fundo Monetário Internacional</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>150 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Ter uma relação dívida versus PIB baixa sugere que um país deve ter poucos problemas</p><p>para pagar suas dívidas (e que, inclusive, pode pegar mais dinheiro no mercado para custear</p><p>investimentos ou gastos). Já uma relação alta pode ser interpretada como um sinal de maior</p><p>risco de calote.</p><p>O que seria uma dívida alta ou baixa? O Banco Mundial admite que não existe uma defini-</p><p>ção exata para essa proporção, mas aponta que um limite “saudável” seria de 77% do PIB.</p><p>Mas há exceções. Países mais ricos, por exemplo, conseguem ter um maior endividamen-</p><p>to pela sua credibilidade junto aos investidores internacionais. O Japão, por exemplo, tem</p><p>uma dívida fiscal equivalente a mais de 200% do seu PIB, segundo o Instituto de Finanças</p><p>Internacionais.</p><p>O que pode ser feito</p><p>Com tantos países endividados uma crise econômica global parece inevitável, mesmo que</p><p>não seja para agora. No entanto, especialistas do Brookings Institution acreditam que essa cri-</p><p>se pode não ser tão catastrófica como em outros momentos. Afinal, a experiência já ensinou</p><p>ao mundo (ou deveria ter ensinado) que ações proativas dos governos podem evitar proble-</p><p>mas pendentes de dívida em grande escala. Reformas, por exemplo, são essenciais para todos</p><p>os países –o Brasil, inclusive.</p><p>Embora existam alguns países em sério risco de insolvência, caso eles recebam apoio, po-</p><p>dem crescer até alcançar a sustentabilidade da dívida. O Fundo Monetário Internacional (FMI)</p><p>acredita que mercados emergentes e países em desenvolvimento vão precisar de trilhões de</p><p>dólares para conseguirem superar a crise da COVID-19. Mais precisamente, de US$ 2,5 trilhões.</p><p>A dúvida, agora, é de onde toda essa dinheirama vai sair. Daí a importância da atuação mais</p><p>forte do FMI e de bancos de desenvolvimento. A conferir.</p><p>A OMS</p><p>Caro (a) aluno(a), vamos agora conhecer melhor o trabalho e o funcionamento da OMS?</p><p>A Organização Mundial da Saúde foi fundada em 1948 (World Health Organization – WHO),</p><p>sendo uma agência especializada em saúde subordinada à Organização das Nações Unidas,</p><p>com sede em Genebra, na Suíça sendo seu diretor-geral, desde julho de 2017, o etíope Te-</p><p>dros Adhanom.</p><p>Segundo sua constituição, a OMS tem por objetivo desenvolver ao máximo possível o nível</p><p>de saúde de todos os povos. A saúde sendo definida no documento base de sua formação</p><p>como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da</p><p>ausência de uma doença ou enfermidade”. Além de coordenar os esforços internacionais para</p><p>controlar surtos de doenças, como a malária, a tuberculose, a OMS também patrocina progra-</p><p>mas para prevenir e tratar tais doenças e uma gama de outras moléstias.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>151 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A OMS assegura o desenvolvimento e a distribuição de vacinas seguras e eficazes, diag-</p><p>nósticos farmacêuticos e medicamentos, como por meio do Programa Ampliado de Imuniza-</p><p>ção. Através de sua ação, a OMS declarou em 1980 que a varíola havia sido erradicada, cons-</p><p>tando este esforço simplesmente como a primeira doença na história a ser erradicada pelo</p><p>esforço humano.</p><p>A OMS supervisiona a implementação do Regulamento Sanitário Internacional e publica</p><p>uma série de classificações médicas, incluindo a Classificação Estatística Internacional de</p><p>Doenças (CID), a Classificação Internacional de Funcionalidade, a Incapacidade e Saúde (CIF)</p><p>e a Classificação Internacional de Intervenções em Saúde (ICHI). A OMS publica regularmente</p><p>um Relatório Mundial da Saúde, incluindo uma avaliação de especialistas sobre a saúde glo-</p><p>bal. Além disso, a OMS realiza diversas campanhas de saúde – por exemplo, para aumentar o</p><p>consumo de frutas e vegetais em todo o mundo, e desencoraja o uso do tabaco. A cada ano, a</p><p>organização escolhe o Dia Mundial da Saúde.</p><p>A OMS realiza pesquisas em áreas sobre doenças transmissíveis, doenças não transmissí-</p><p>veis, doenças tropicais e outras áreas, bem como para melhorar o acesso à pesquisa em saúde</p><p>e à literatura em países em desenvolvimento, como através da rede HINARI.</p><p>A organização conta com a experiência de muitos cientistas de renome mundial, como</p><p>o Comitê de Especialistas da OMS sobre Padronização Biológica, o Comitê de Especialistas</p><p>da OMS para a Hanseníase e o Grupo de Estudos sobre Educação Interprofissional & Práti-</p><p>ca Colaborativa. A OMS também trabalhou em iniciativas globais como o Global Initiative for</p><p>Emergency and Essential Surgical Care: A Guideline for Essential Trauma Care, focado no aces-</p><p>so das pessoas às cirurgias, e o Safe Surgery Saves Lives, sobre a segurança do paciente em</p><p>tratamento cirúrgico.</p><p>A OMS é composta por 193 Estados-membros, incluídos todos os Estados-membros da</p><p>ONU, exceto Liechtenstein e os Estados Unidos, e inclui dois não membros da ONU, Niue e as</p><p>Ilhas Cook. Os territórios que não são Estados-membros da ONU podem tornar-se Membros</p><p>Associados (com acesso total à informação, mas com participação e direito de voto limitados)</p><p>se assim for aprovado em assembleia: Porto Rico e Tokelau são Membros Associados.</p><p>Existe também o estatuto de Observador; alguns exemplos incluem a Palestina (um Obser-</p><p>vador da ONU), a Santa Sé, a Ordem Soberana e Militar de Malta, o Vaticano (um observador</p><p>não membro da ONU), a Taipé Chinesa (uma delegação convidada) e Taiwan. Os Estados-</p><p>-membros da OMS nomeiam delegações para a Assembleia Geral da Saúde Mundial, que é o</p><p>corpo decisor supremo. Todos os Estados-membros da ONU são elegíveis para pertencer à</p><p>OMS. A Assembleia Geral da OMS reúne-se anualmente em maio. Para além da nomeação do</p><p>Diretor-Geral a cada cinco anos, a Assembleia analisa as políticas de financiamento da Organi-</p><p>zação e revê e aprova o orçamento proposto. A Assembleia elege 34 membros, tecnicamente</p><p>qualificados na área da saúde, para a Direção Executiva, durante um mandato de três anos. As</p><p>principais funções desta direção serão as de levar a cabo as decisões e as regras da Assem-</p><p>bleia, aconselhá-la e, de uma forma geral, auxiliar e facilitar a sua missão.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>152 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>A OMS é financiada por contribuições dos Estados-membros e doadores vários. Nos últi-</p><p>mos anos, o trabalho da OMS tem envolvido de forma crescente a colaboração com entidades</p><p>externas; existem atualmente cerca de 80 parcerias com organizações não governamentais</p><p>e indústria farmacêutica, bem como com fundações como a Fundação Bill e Melinda</p><p>oficiais trataram milhares de oposicionistas saídos às ruas</p><p>da capital do país, Caracas, em protestos contra a formação da Assembleia Constituinte per-</p><p>sonificada por Nicolás Maduro. Mas, ainda assim, com DUAS SUSPENSÕES nas costas, segue</p><p>a Venezuela como sendo um país-membro efetivo do MERCOSUL, ok?</p><p>2.5.2. Os Estágios de Formação dos Blocos Econômicos</p><p>Para que entendamos a atual formatação do MERCOSUL, em conhecimento que servirá</p><p>quando mais à frente falarmos sobre o contexto da UNIÃO EUROPEIA, vejamos como evoluem</p><p>os blocos econômicos, as fases para a formação dessas modernas alianças e onde se encon-</p><p>tra em 2019 o MERCOSUL:</p><p>• 1ª – Zona de Livre Comércio: é o primeiro estágio de um bloco. Ainda frágil, em termos</p><p>de regras formais, mas revestido de protocolos de boa vontade acerca de se fomentar</p><p>escalas liberalizadas de comércio entre os países. No caso do MERCOSUL, ocorre em</p><p>fins da década de 1980, entre Brasil e Argentina;</p><p>• 2ª – União Aduaneira (Tarifa Externa Comum): um avanço ante a ZLC. Regras mais rígi-</p><p>das e formação de uma tarifa externa comum. Este é o estágio em que o MERCOSUL se</p><p>encontra encaixado mais plenamente hoje em dia;</p><p>• 3ª – Mercado Comum: nessa fase deve ocorrer a integração de seus indivíduos, o que</p><p>inclui livre passagem, livre residência e completa queda de barreiras ante, por exemplo,</p><p>o livre ingresso nos mercados de trabalho. É interessante notar que o MERCOSUL ainda</p><p>não conseguiu de forma plena ingressar nesta fase, pois, entre os países integrantes do</p><p>bloco, ainda ocorrem barreiras burocráticas frente à plena liberalização do mercado de</p><p>trabalho. Em termos de livre trânsito e residência, tais liberdades já se encontram ga-</p><p>rantidas (havendo, inclusive, um passaporte único do MERCOSUL E PLACAS COMUNS</p><p>DE CARRO ADOTADAS DESDE 2019 em alguns Estados do Brasil). Contudo, os entraves</p><p>relativos a um mercado de trabalho liberalizado fazem com que este estágio fundamen-</p><p>tal a um bloco econômico, o de mercado comum, ainda não tenha sido concretizado no</p><p>bloco de forma plena.</p><p>A fim de aprofundar a agenda cidadã da integração, foi aprovado em 2010, o Plano de Ação</p><p>para a Conformação de um Estatuto da Cidadania que visa ampliar e consolidar o conjunto de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>20 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>direitos e benefícios para os cidadãos dos Estados Partes. Alguns dos pressupostos, contudo,</p><p>previstos para ocorrer até 2020, não conseguiram ser colocados para frente ainda, tal qual a</p><p>plena liberalização dos mercados de trabalho dos países-membros.</p><p>• 4ª – União Econômica e Monetária: forma-se pela unificação de procedimentos monetá-</p><p>rios, realizada em essência pela instituição de uma moeda única e de um Banco Central</p><p>comum. Apenas a União Europeia alçou tal estágio, quando, em 1999, institui o Euro</p><p>como moeda oficial. Atualmente, encontram-se dormentes tais tratativas para o MER-</p><p>COSUL dentro deste âmbito, tendo havido somente iniciativas pontuais que auxiliam ao</p><p>intercâmbio de investimentos e no fomento financista dentre os países do bloco, mas</p><p>que ainda não formam, nem de longe, uma União Econômica Monetária.</p><p>2.5.3. Os Principais Mecanismos de Cooperação Existentes no MERCOSUL</p><p>A Corporação Andina de Fomento (CAF), que começou a operar em 1970, é uma instituição</p><p>financeira multilateral sub-regional com características de banco de desenvolvimento: Brasil,</p><p>Argentina, Uruguai e Paraguai possuem em torno de 20% do capital.</p><p>O Fundo de Convergência Estrutural (FOCEM), criado em 2004, mas que se tornou opera-</p><p>cional apenas em 2007, é um fundo fiscal atrelado ao MERCOSUL.</p><p>No âmbito de um acordo de integração, mecanismos que visem a facilitar o comércio in-</p><p>trarregional são de especial importância. É nessa perspectiva que se insere o Sistema de Pa-</p><p>gamentos em Moeda Local (SML), o qual entrou em vigor em 2008, entre Brasil e Argentina. No</p><p>SML, a liquidação das transações para os importadores e exportadores é feita em moeda local,</p><p>sendo apenas a compensação entre os bancos centrais feita em dólar.</p><p>2.5.4. Os Entraves Recentes do MERCOSUL</p><p>O MERCOSUL não vem conseguindo projetar ao longo dos últimos anos um crescimento</p><p>considerável, tanto em relação à sua força geopolítica como também em torno de sua força</p><p>comercial.</p><p>Alguns pontos precisam ser compreendidos acerca de certos entraves percebidos, os</p><p>quais resultaram no enfraquecimento do bloco. Vamos aos principais, então:</p><p>• As assimetrias entre o tamanho das economias e a TEC: as tarifas externas comuns</p><p>visam determinar padrões iguais e formais ao intercâmbio entre mercadorias por parte</p><p>dos países integrantes de um bloco econômico. De forma simplificada, significa dizer</p><p>que, se o Brasil vende sapato para a Venezuela e eles também vendem sapatos produ-</p><p>zidos por lá ao Brasil, ambos deverão ser taxados nas respectivas alfândegas dos res-</p><p>pectivos países em mesma tarifa. Mas, no caso do MERCOSUL, o que vem acontecendo</p><p>é que uma série de exceções acerca de tais tarifas comuns (as TECs), com vistas a não</p><p>se prejudicar os países menos competitivos do bloco, vem tendo espaço. Assim, com</p><p>mais de uma centena de exceções na TEC no MERCOSUL, ficou mais difícil consolidar</p><p>uma União Econômica no pleno;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>21 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>• O protecionismo argentino: a Argentina, apesar de ter sido, ao menos no papel, uma</p><p>entusiasta e defensora do MERCOSUL, veio ao longo dos anos promovendo medidas</p><p>nitidamente protecionistas ante a sua indústria e o seu mercado consumidor. O prote-</p><p>cionismo ocorre quando um país busca por meio de medidas de aumentos na taxação</p><p>dificultar a entrada de produtos estrangeiros em seus mercados, ou retendo a venda</p><p>de produtos essenciais com vistas a provocar um aumento em seu preço no mercado</p><p>externo, como no caso de sua política externa acerca do trigo e suas iniciativas para</p><p>aumentar o preço do cereal artificialmente. O protecionismo fere os princípios basilares</p><p>que levam ao fomento a um livre mercado e que permeiam o modelo ideal de funciona-</p><p>mento de um bloco econômico;</p><p>• Novos parceiros comerciais dos países do MERCOSUL (China ao centro): um ponto</p><p>fundamental em Atualidades acerca do MERCOSUL reside no fato de que o comércio</p><p>intrabloco vem passando por um declínio ao longo dos últimos quinze anos. Explica-se</p><p>tal queda em função da entrada agressiva de um player global: a China, como forte par-</p><p>ceiro comercial dos países do bloco, aproveitando-se, também, da queda na produção</p><p>industrial nos países do MERCOSUL, a qual resulta logicamente em uma consequente</p><p>perda na agressividade sobre os mercados regionais de produtos manufaturados feitos</p><p>no próprio MERCOSUL (e em especial do Brasil e da Argentina). No caso brasileiro, o</p><p>gigante oriental veio ultrapassando tradicionais parceiros comerciais para, atualmente,</p><p>fixar-se como o maior parceiro comercial do Brasil tanto em relação às importações</p><p>quanto às exportações.</p><p>Para se ter uma ideia, o Brasil em 2018 comercializou quase 3 vezes mais com a China</p><p>em se comparando à Argentina. A China possui atualmente cerca de 20% do comércio exte-</p><p>rior brasileiro. Já a Argentina, relegada, ficou como nosso terceiro maior parceiro comercial</p><p>(atrás também dos EUA), não conseguindo abocanhar nem 7% das transações internacionais.</p><p>No gráfico a seguir, podemos perceber tal dinâmica, de queda no comércio entre o Brasil</p><p>e</p><p>o MERCOSUL ao longo dos últimos anos (2005-2015).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>22 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2.5.5. A Formação de um Tratado de Livre Comércio entre União Europeia e MER-</p><p>COSUL</p><p>Ponto fundamental em atualidades sobre o MERCOSUL diz respeito às tratativas sobre a</p><p>formação de um acordo pleno de liberalização entre a União Europeia e o MERCOSUL, seguin-</p><p>do avançadas tais negociações ao longo do ano de 2019, porém retornando quase à estaca</p><p>zero em 2020 e 2021.</p><p>Ainda sem prazo totalmente definido acerca do fim das negociações entre os blocos, essa</p><p>enorme costura multilateral, após avançar enormemente ao longo dos últimos anos (princi-</p><p>palmente no Governo Temer, de 2016 a 2018), deveria, portanto, logo funcionar na prática,</p><p>mas não é o que vem acontecendo nestes dois últimos anos.</p><p>Tal acordo já vinha sendo costurado, a bem da verdade, fazia mais ou menos 20 anos, mas</p><p>esbarrou em alguns pontos. Um deles, bem latente, reside na França e na apreensão que seus</p><p>agricultores, sabidamente subsidiados e muito protegidos pelo Estado e pela política agrícola</p><p>comum da União Europeia. Há ainda, por parte dos setores agrícolas europeus, temores acerca</p><p>de como a alta competitividade dos parques agrícolas da Argentina e, principalmente, do Bra-</p><p>sil, vão impactá-los. Reside também uma premissa, caso um acordo comercial UE/MERCOSUL</p><p>ganhe forma, onde um compêndio de regras mais claras e menos patriarcais por parte dos</p><p>governos locais europeus, com o fim dos auxílios à produção agrícola – conhecidos por todos</p><p>como “subsídios” –, seja realidade.</p><p>Interessante observar que pelo fato de o Reino Unido, outra oposição a tais acordos comer-</p><p>ciais (com o MERCOSUL, entre outros), em 2020, encontrar-se finalmente fora da União Euro-</p><p>peia, contribuiu (em tese) para que avançasse a costura UE/MERCOSUL. Por fim, os Estados</p><p>Unidos e sua nítida política de isolacionismo comercial promovida por Donald Trump, ao dar</p><p>cada vez mais as costas a tratativas comerciais multilaterais, também facilitaria no andamen-</p><p>to deste acordo (contudo, Trump perde em novembro de 2020 e não se reelege, dando lugar</p><p>a Joe Biden). Sem dúvida, um acordo comercial robusto entre MERCOSUL e União Europeia</p><p>seria formalizado em pouco tempo, sendo que os anos de 2017 e 2018 (com Temer) e 2019</p><p>(Bolsonaro) no Brasil (ao menos até o meio do ano) foram fundamentais para que houvesse</p><p>avanços nesta questão.</p><p>Abaixo, podemos ver, segundo matéria da Deutche Welle, portal de notícias alemão com</p><p>ação em todo o mundo, em sua página na internet datada em 06/06/2019, que o acordo co-</p><p>mercial era eminente em meados de 2019. Leiam abaixo a matéria e sigam comigo para enten-</p><p>demos quais foram as mudanças mais recentes neste cenário! Lembrem-se de que a matéria</p><p>é de 2019, quando o cenário (inclusive o Presidente da Argentina) era outro em relação a evo-</p><p>lução do acordo, ok?</p><p>Sigamos juntos!</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>23 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Acordo entre UE e MERCOSUL é iminente, dizem Bolsonaro e Macri</p><p>Pacto comercial entre a União Europeia e o bloco é negociado há mais de 20 anos.</p><p>Em Buenos Aires, Presidente sugere apoio à reeleição do argentino e diz que toda a</p><p>América do Sul teme o surgimento de “novas Venezuelas”.</p><p>O Presidente Jair Bolsonaro e seu homólogo argentino, Mauricio Macri, garantiram</p><p>nesta quinta-feira (06/06) que a assinatura de um acordo comercial entre a União Eu-</p><p>ropeia (UE) e o MERCOSUL é iminente. A declaração foi feita ao fim de uma reunião</p><p>entre os dois líderes em Buenos Aires.</p><p>“Estamos prestes a chegar a um acordo entre o MERCOSUL e a União Europeia, eu</p><p>o felicito [Macri] pelo seu trabalho. Todos ganhamos com isso”, disse Bolsonaro du-</p><p>rante o pronunciamento realizado ao lado do Presidente argentino na Casa Rosada.</p><p>Atualmente, a Argentina detém a presidência temporária do bloco sul-americano.</p><p>Macri endossou a declaração de Bolsonaro. “O MERCOSUL está completando 30</p><p>anos, e o mundo mudou. Claramente a visão inicial de integração tem que estar fo-</p><p>calizada também em como nos incluímos no desenvolvimento global, que é funda-</p><p>mental para o futuro de nossos países”, afirmou.</p><p>As negociações entre a UE e o MERCOSUL se arrastam há mais de duas décadas.</p><p>Em 2004, os dois blocos chegaram a trocar propostas, mas a iniciativa fracassou</p><p>diante da discordância sobre a natureza dos produtos e serviços que seriam englo-</p><p>bados no acordo. Os sul-americanos queriam mais acesso ao controlado mercado</p><p>agrícola europeu. Já a UE desejava avançar no setor de serviços e comunicações</p><p>dos países do MERCOSUL.</p><p>Nos últimos três anos, as negociações tiveram um progresso mais significativo, mas</p><p>ainda esbarram em várias divergências envolvendo a indústria automobilística e a</p><p>circulação de produtos como carne bovina. Várias associações de produtores euro-</p><p>peus temem a concorrência dos brasileiros, já que estes não ficaram satisfeitos com</p><p>o sistema de cotas oferecido pelos europeus.</p><p>Na Casa Rosada, os Presidentes também conversaram sobre as eleições presiden-</p><p>ciais na Argentina. A menos de cinco meses do pleito, Macri, que deseja se reeleger,</p><p>caiu fortemente nas pesquisas devido à crise econômica que o país vive há um ano.</p><p>Bolsonaro reiterou seu apoio ao mandatário argentino e disse que toda a América</p><p>do Sul teme que surjam “novas Venezuelas” na região. “Devemos nos preocupar e</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>24 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>tomar decisões concretas nesse sentido, cada vez mais unindo e somando nossos</p><p>povos, buscando em cada um deles seu potencial de maneira irmanada, para que o</p><p>progresso e a paz cada vez mais reinem entre nós”, declarou.</p><p>Bolsonaro chamou ainda Macri de “irmão” e pediu que Deus abençoe os argentinos</p><p>para que elejam com “muita responsabilidade e menos emoção”, em prol da paz e</p><p>da prosperidade, em claro apoio à candidatura do atual governante e contra a ex-</p><p>-Presidente Cristina Kirchner, embora não tenha mencionado o nome de nenhum</p><p>candidato.</p><p>Em resposta a um protesto na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, convocado</p><p>por mais de 50 iniciativas sociais contra a visita de Bolsonaro, Macri afirmou que, em</p><p>conversas com o brasileiro, ratificou o compromisso da Argentina com os direitos</p><p>humanos.</p><p>Bolsonaro chegou no fim da manhã em Buenos Aires. Ao contrário de seus anteces-</p><p>sores, que tradicionalmente fizeram a primeira viagem oficial à Argentina, essa foi</p><p>a quarta visita internacional do brasileiro desde que ele assumiu a Presidência em</p><p>janeiro. Bolsonaro já esteve nos Estados Unidos, Chile e Israel.</p><p>O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. Em 2018, o intercâmbio comer-</p><p>cial entre os dois países chegou a 26 bilhões de dólares, com um superavit de 3,9</p><p>bilhões de dólares para o Brasil.</p><p>Em Buenos Aires, Bolsonaro se reunirá ainda com políticos argentinos e empresá-</p><p>rios. A visita oficial termina na sexta-feira com um almoço no Museu Casa Rosada.</p><p>A formação de um amplo acordo econômico entre a UE e MERCOSUL entrou em 2020 bastante</p><p>abalada após ter caminhado</p><p>em céu de brigadeiro ao longo de 2018, e nos primeiros meses de</p><p>2019. E não podia ser diferente. Nossa política externa, outrora comandada até abril de 2021</p><p>por Ernesto Araújo, bradou, sempre que possível, possuir posições radicalmente contra temas</p><p>globais consolidados, tais quais o meio ambiente e direitos humanos. Não é recomendável</p><p>essa falta de maturidade no direcionamento de nossa política externa (que sempre foi tempe-</p><p>rada por bom senso e conciliação) acerca de temas tão sensíveis globalmente, além de nos in-</p><p>dispormos justamente com a Alemanha e a França, os dois países motrizes da União Europeia,</p><p>tal como ocorrido nos meses de julho e agosto de 2019.</p><p>Além de tudo, as relações entre Brasil e Argentina (os dois pilares do MERCOSUL) faz déca-</p><p>das que não sofrem tamanha animosidade. Tudo isso se deve, fundamentalmente, ao fato de,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>25 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>desde 2020, estarem os países em campos políticos opostos. Tal qual vimos antes nesta aula,</p><p>o Brasil ostenta um governo de direita, com Jair Bolsonaro à frente, e a Argentina, um (novo)</p><p>governo de esquerda, com Alberto Fernández. Sendo assim, em nada ajuda para o MERCOSUL</p><p>que os países estejam em campos político-ideológicos opostos, com seus Presidentes, para</p><p>se ter uma ideia, estejam declaradamente com relações cortadas.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>PARLAMENTO EUROPEU MANIFESTA OPOSIÇÃO AO ACORDO MERCOSUL/ UE</p><p>E tal qual vimos em nossa aula, ao longo dos anos do Governo de Michel Temer</p><p>(2017/2018) e seguindo no governo de Jair Bolsonaro, as tratativas acerca de um</p><p>acordo comercial com a União Europeia por parte do MERCOSUL avançaram bastante,</p><p>isso ao menos até meados de 2019. Mas eis que, a partir da metade do ano de 2019, a</p><p>política externa de Bolsonaro, comandada pelo Ministro Ernesto Araújo, promove uma</p><p>série de ruídos com os países-base da EU, e as negociações ante um acordo comercial</p><p>robusto com a Europa começaram a virar vinagre.</p><p>Dentro desse escopo de negociações (e recentes rusgas e frustrações), o Parlamen-</p><p>to Europeu aprovou, em 7 de outubro de 2020, uma resolução que manifesta oposição</p><p>à ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o MERCOSUL, justificadas</p><p>em função, via de regra, de preocupações acerca da condução da política ambiental no</p><p>Brasil.</p><p>Aprovado por 345 votos a favor, 295 contra e 56 abstenções, o texto diz que nosso</p><p>país vai contra os “compromissos feitos no Acordo de Paris, particularmente no com-</p><p>bate ao aquecimento global e na proteção da biodiversidade”.</p><p>O alerta consta, na verdade, como emenda a um relatório de 2018 sobre as políticas</p><p>comerciais do bloco. O documento concluía que a integração com os sul-americanos</p><p>teria o potencial de diversificar as cadeias produtivas da Europa e poderia criar um mer-</p><p>cado conjunto de aproximadamente 800 milhões de habitantes.</p><p>2.6. A VenezuelA</p><p>Para entender a atual situação de ocaso político/econômico que a Venezuela vem passan-</p><p>do, precisamos remeter sobretudo à história da formação deste governo de esquerda – que</p><p>está em sua segunda geração (pois Maduro sucedeu Chávez em 2013) e se autodenomina</p><p>como sendo o “Socialismo do século XXI”.</p><p>2.6.1. O Contexto do Chavismo e Maduro</p><p>Em 1999, ocorre a eleição de Hugo Chávez como Presidente venezuelano. Coronel do Exér-</p><p>cito, Hugo Chávez uniu as esquerdas venezuelanas no movimento denominado como V Repú-</p><p>blica, criado exatamente de seu projeto de Estado Socialista que logrou vencedor. Até então,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>26 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>a Venezuela jamais havia possuído um governo de esquerda, e ostentava por décadas alto</p><p>crescimento econômico e prosperidade. Na década de 70, era o país com melhor poder de</p><p>compra dentre todos da América Latina. Esse cenário durou, contudo, até o fim da década de</p><p>80, quando (e importante destacar, anos antes da chegada de Hugo Chávez ao poder) o país,</p><p>que outrora fora chamado como “Venezuela Saudita”, passou a viver uma crise econômica e</p><p>política (cenário de extrema corrupção), sendo que Chávez se elege com a promessa de es-</p><p>truturar uma plataforma reformista.</p><p>Governando a partir de 1999 com uma nova Constituição debaixo do braço, promulgada</p><p>em primeiro ano como mandatário eleito, a qual lhe permitia ser reeleito por quantas vezes</p><p>fosse referendado por seu povo, Chávez surfou numa onda de alta contínua do preço interna-</p><p>cional do petróleo que se estendeu até, mais ou menos, o ano de 2013/2014. Vale destacar</p><p>que o petróleo representa 85% das exportações venezuelanas. Como resultado prático, houve</p><p>na década retrasada (de 2000 a 2010) melhoras sociais promovidas pelo modelo assistencia-</p><p>lista promovido pelo chavismo em uma primeira fase, quando, de fato, milhares de pessoas</p><p>saíram da linha da pobreza. Contudo, há uma série de críticas a este modelo “Bolivarista”</p><p>orquestrado por Hugo Chávez. Uma delas reside no fato de não ter havido, por parte de seu</p><p>governo, qualquer diversificação nas matrizes econômicas do país, tal qual escalas mínimas</p><p>de industrialização, a qual se manteve alicerçada numa dependência absurda nos ganhos do</p><p>petróleo. Outra questão fundamental reside no alto custo de se bancar esse movimento socia-</p><p>lista que é enormemente assistencialista, o qual subsidia até o supermercado das populações</p><p>mais carentes. Esse modelo não tinha lastro e, de fato, ruiu à medida que o preço do petróleo</p><p>começou a cair a partir de 2012/2013: o barril, que chegou a valer algo em torno de US$ 130</p><p>(em 2012), caiu para um piso, em 2016, de US$ 35 – queda, em menos de 4 anos, a pouco mais</p><p>de ¾ de seu preço.</p><p>Em meio a isso, houve também a troca do comando central na Venezuela: Hugo Chávez</p><p>morre as vésperas de iniciar seu 4º mandato seguido, para em seu lugar entrar o seu vice,</p><p>Nicolás Maduro, que vem a iniciar seu primeiro governo onde, sob pressão do Congresso,</p><p>contudo, fora levado a convocar um pleito separado, sendo, finalmente, eleito pela população</p><p>venezuelana nos primeiros dias de 2014.</p><p>Já em 2016, em meio a uma crise econômica aguda que se estende até hoje, as eleições</p><p>parlamentares na Venezuela dão ampla maioria no Congresso venezuelano para a oposição.</p><p>No início de 2017, pouco após a posse dos novos parlamentares, Maduro dissolve as ativi-</p><p>dades do Legislativo e convoca em lugar dos parlamentares uma ANC (Assembleia Nacional</p><p>Constituinte). Manifestações tomam as ruas de Caracas, e mais de 120 pessoas são mortas.</p><p>Maduro recua, mas as atividades deste novo parlamento francamente oposicionista são tolhi-</p><p>das pelo Tribunal Superior.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>27 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>2.6.2. A Venezuela em 2022</p><p>A Venezuela hoje se encontra SUSPENSA do MERCOSUL. O país é ainda um membro per-</p><p>manente, tendo sofrido, contudo, duas suspensões. A primeira ocorre em 2016, por questões</p><p>de cunho econômico, e à medida que o país não cumpriu uma imensa parte dos acordos pre-</p><p>vistos intrabloco desde seu ingresso, em 2012. A segunda suspensão (em 2017) é sanção</p><p>punitiva acerca da forma</p><p>como Maduro e suas forças (leia-se as “Forças Armadas”), reprimi-</p><p>ram os protestos ocorridos no início de 2017, que confrontaram oposicionistas e partidários,</p><p>levando à morte de mais de 120 pessoas.</p><p>Em fevereiro de 2019, apareceu a figura de Juan Guaidó, um parlamentar oriundo dos qua-</p><p>dros de oposição que se autoproclamou como sendo o novo Presidente venezuelano. A direita</p><p>local até chegou a embarcar nessa, mas ele não conseguiu tomar o poder de fato – e nem ao</p><p>menos angariar qualquer reconhecimento internacional, além de Brasil e Estados Unidos (pa-</p><p>íses que logo desistiram de oferecer suporte para um golpe sobre Maduro encabeçado pelo</p><p>jovem parlamentar).</p><p>Maduro convocou, em meados de 2018, uma eleição presidencial a toque de caixa e con-</p><p>seguiu ser reeleito, porém, com apenas 42% de participação popular. Isso gerou uma crise de</p><p>legitimidade dentro (e também fora) do país acerca de seu novo mandato. Mesmo assim, em 9</p><p>de janeiro de 2019, sob protestos da comunidade internacional e da oposição local, ele toma</p><p>posse para mandato, que deve se estender legalmente até 2024.</p><p>Em 2021, a inflação na Venezuela ultrapassou a casa de um milhão por cento por ano. Isso</p><p>mesmo: 1.000.000% de inflação! Sendo assim o país no mundo com a maior crise econômica</p><p>instalada, ao menos dentre aqueles onde não há uma guerra civil declarada (o que ocorre hoje</p><p>apenas na Síria e no Iêmen).</p><p>Um ponto em atualidades fundamental, o qual se questiona enormemente, é como por</p><p>lá (através da figura de Maduro) ocorreu o solapamento de estamentos basilares do Estado</p><p>Democrático de Direito, sendo um deles, como exemplo: o exercício livre e autônomo dos Po-</p><p>deres. Maduro governa apoiado no Poder Judiciário e Forças Armadas apenas, destruindo o</p><p>Legislativo local – este em franca oposição a seu governo. Ainda dentro deste desbalanceio</p><p>dos Poderes promovido diretamente por sua atuação ante o governo da Venezuela, Maduro</p><p>molda o Poder Executivo tal qual sua ideologia bolivarista, aparelhando estatais e a adminis-</p><p>tração pública direta e indireta com pessoal dos quadros de seu partido.</p><p>A crise migratória na Venezuela já produziu mais de 5 milhões de deslocamentos que não</p><p>param de ocorrer. Desentendimentos com seus vizinhos fizeram com que as fronteiras com</p><p>Brasil e Colômbia ficassem fechadas por decisão tomada pelo próprio governo venezuelano.</p><p>No caso brasileiro, foram em torno de 3 meses de fronteiras fechadas, havendo a reabertura</p><p>em maio de 2019. Essa crise foi causada devido às tratativas do Brasil em fornecer ajuda hu-</p><p>manitária ao país vizinho, algo que foi considerado uma afronta por Maduro.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>28 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>Veja matéria abaixo do G1, de 21/03/2019:</p><p>Venezuela fecha fronteira com o Brasil</p><p>Bloqueio do lado venezuelano começou às 21h de quinta e, por ordem de Maduro, não</p><p>tem prazo para terminar. Grupos de estrangeiros que entraram em Roraima pouco</p><p>antes das 20h (horário local) foram informados pela Guarda Venezuelana de que não</p><p>poderiam retornar.</p><p>A fronteira da Venezuela com o Brasil foi fechada na noite após Nicolás Maduro de-</p><p>terminar o bloqueio por tempo indeterminado. Normalmente, a passagem é fechada</p><p>à noite e reabre por volta das 8h do dia seguinte.</p><p>Grupos de venezuelanos que cruzaram a fronteira antes das 20h (horário local, 21h</p><p>em Brasília) foram informados pela Guarda Venezuelana de que não poderiam retor-</p><p>nar após o horário definido por Maduro. Na manhã desta sexta, moradores do país</p><p>vizinho tentavam voltar para lá.</p><p>Até as 21h29 o fluxo ainda era liberado para pedestres, no entanto, a passagem de</p><p>veículos era proibida. Guardas venezuelanos colocaram cones no meio da pista a</p><p>poucos metros do primeiro ponto de fiscalização no país.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>29 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>O Presidente venezuelano determinou o fechamento para tentar barrar a ajuda hu-</p><p>manitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos, incluindo o Brasil, após pedido</p><p>do autoproclamado Presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a oferta dessa ajuda</p><p>como uma interferência externa na política da Venezuela.</p><p>Durante a tarde, após o anúncio do fechamento, venezuelanos correram para Paca-</p><p>raima, cidade brasileira na fronteira, para comprar estoques de mantimentos. Um</p><p>comerciante da região relatou aumento de 30% no movimento em relação a “dias</p><p>comuns”.</p><p>No anúncio, feito de Caracas, o líder chavista afirmou que a passagem entre os paí-</p><p>ses ficaria “fechada total e absolutamente até novo aviso”.</p><p>Do fim da tarde até o início da noite, por volta das 19h (20h de Brasília), houve uma</p><p>intensa movimentação de carros carregados com compras saindo de Pacaraima a</p><p>Santa Elena. Uma fila chegou a se formar próximo à área de fiscalização venezuela-</p><p>na.</p><p>O fechamento ocorre onde seria um dos pontos de coleta dos carregamentos de</p><p>comida, remédio e itens de higiene básica enviados à população venezuelana. O por-</p><p>ta-voz do Presidente Jair Bolsonaro (PSL), Otávio Rêgo Barros, disse que a ajuda</p><p>humanitária está mantida.</p><p>Após 3 meses fechada por decisão unilateral de Maduro, o governo venezuelano resolveu rea-</p><p>brir a fronteira com o Brasil em maio de 2019. No caso da fronteira da Venezuela com a Colôm-</p><p>bia, esta foi reaberta em junho de 2019, após quase um ano fechada.</p><p>Obs.: � O NÚMERO DE VENEZUELANOS no Brasil bateu, em meados de 2022, cifra na casa de</p><p>300.000 indivíduos, os quais, em sua imensa maioria, estão alocados em condições</p><p>de extrema pobreza, morando nas ruas das cidades de Roraima, principalmente na</p><p>capital, Boa Vista. Peru e Colômbia são outros dois imensos receptores de imigrantes</p><p>venezuelanos, perfazendo estimadamente mais de 1 milhão de venezuelanos atual-</p><p>mente em cada um destes países</p><p>Por fim, na entrada de 2020, as relações entre Brasil e Venezuela azedam de vez. Os paí-</p><p>ses rumam rapidamente a um rompimento diplomático, o que é péssimo para o MERCOSUL.</p><p>Em março de 2020, ambos os Presidentes dão seguimento à retirada de seus representantes</p><p>diplomáticos nos dois países.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Marília Fialho - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>30 de 155www.grancursosonline.com.br</p><p>Atualidades Mundo</p><p>ATUALIDADES</p><p>Luis Felipe Ziriba</p><p>No campo externo, a Venezuela tenta se segurar como pode com ajuda chinesa, país este</p><p>que é, atualmente, junto a Cuba, seu parceiro no exterior. No Caribe, as tropas americanas se-</p><p>guem de prontidão, como um aviso de que poderia, ao menos enquanto Donald Trump estava</p><p>no poder (2017-2020), atacar o país e mudar o governo, mas tal movimentação é vista ainda</p><p>com cautela por analistas em relações internacionais.</p><p>2.7. os estAdos unidos Hoje</p><p>2.7.1. A Eleição de Donald Trump e o “Rust-Belt”</p><p>Eleito através um sistema eleitoral complexo, do tipo indireto, e com menos votos popu-</p><p>lares que a tarimbada senadora por Nova York, sua rival Hilary Clinton (algo em torno de 2,8</p><p>milhões de diferença de votos pró-parlamentar), o bilionário se valeu da vitória em Estados</p><p>chaves do chamado “manufacturing-belt”, o cinturão a Nordeste dos EUA, que fora por décadas</p><p>o motor pulsante da indústria global e da pujança financeira, mas que</p>